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Numero do processo: 10830.722109/2011-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
Quando dos elementos probatórios carreados aos autos pode se depreender o dolo do contribuinte no que diz respeito à inclusão, como dedução em sua Declaração de Ajuste Anual, de despesas não passíveis de comprovação, escorreita a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 9202-005.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Julgamento iniciado na sessão de 22/02/2017 e concluído em 30/03/2017.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Quando dos elementos probatórios carreados aos autos pode se depreender o dolo do contribuinte no que diz respeito à inclusão, como dedução em sua Declaração de Ajuste Anual, de despesas não passíveis de comprovação, escorreita a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Julgamento iniciado na sessão de 22/02/2017 e concluído em 30/03/2017. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 21 09 /2 01 1- 43 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 219 2 Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 20/11/2013, foi dado provimento ao Recurso Voluntário em epígrafe, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2802002.607 (fls. 177 a 184), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.” O processo foi encaminhado à PGFN em 22/08/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 185). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre trinta dias após o referido encaminhamento. Em 10/09/2014, tempestivamente, foi interposto o Recurso Especial de fls. 186 a 202 (Despacho de Encaminhamento de fls. 203). O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: critério de comprovação de despesas médicas; e desqualificação da multa de ofício. Quanto à primeira matéria, a Fazenda Nacional indica como paradigmas os acórdãos 2101.001.264 e 2801002.798. No que toca ao primeiro paradigma, a Fazenda Nacional transcreve as seguintes passagens: Paradigma Acórdão 2101.001.264 Ementa Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 220 3 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2004. Ementa: DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DERECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada, sendo restabelecida a despesa para a qual foi apresentada prova adicional. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Destaques da Fazenda Nacional) Voto "Apesar da jurisprudência transcrita no recurso voluntário, para a situação revelada no caso em exame, há que se comungar com o posicionamento majoritário expresso nas ementas dos Acórdãos da CSRF e deste Conselho de Contribuintes, abaixo colacionadas, dentre muitas outras, na mesma linha de entendimento: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO – Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) IRPF – DESPESAS MÉDICAS – DEDUÇÃO – Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647/1998)” (...) O ordenamento legal permite que o contribuinte realize pagamentos em moeda corrente e, por seu turno, os beneficiários desses são orientados a aceitálos. Só que, mesmo esse modal de cumprimento de obrigações permite comprovação, uma vez que, em razão dos valores envolvidos, não há como compreender que não ocorreriam saques coincidentes, ou aproximados, em datas e valores aos indicados nos recibos de despesas médicas. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 221 4 Quando as deduções pleiteadas são elevadas, não basta o interessado apresentar recibos, que não comprovam o fato declarado, conforme dispõe o artigo 368 do Código de Processo Civil. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Estas considerações objetivam analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. A glosa efetuada pela fiscalização, por seus fundamentos (fl. 05) permanece incólume. Não se tratam de exigências descabidas ou ilegais, ou ônus indevido para o contribuinte, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, e somente o contribuinte ou seu dependente que incorreu nas despesas podem apresentar os elementos de prova do efetivo desembolso dos valores (cheques, transferência de numerário, saques em conta bancária em data próxima à emissão do recibo etc) ou da efetiva prestação dos serviços (exames diagnósticos etc). Havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço e/ou do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal.” (Destaques da Fazenda Nacional) Nessa senda, a Fazenda Nacional assim descreve o ponto de divergência: "Contudo, em que pese enfrentarem casos idênticos, os colegiados chegaram a conclusões inteiramente distintas. Enquanto o órgão recorrido, o colegiado entendeu suficiente a apresentação de recibos, o aresto em referência considerara legítima a conduta do Fisco que, diante das dúvidas ou suspeição quanto à idoneidade da documentação apresentada, pode e deve perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes (efetividade dos serviços) e se houve o efetivo dispêndio de recursos pelo declarante para pagamento dessas despesas (efetivo pagamento)." Com efeito, o cotejo promovido pela Fazenda Nacional efetivamente demonstra a divergência, uma vez que no acórdão recorrido entendeuse que a falta de indicação do nome do beneficiário do tratamento não seria impedimento à dedução de despesas médicas e, no paradigma, ao contrário, entendeuse que, para fins da referida dedução, é imprescindível a indicação do nome do beneficiário Quanto à segunda matéria desqualificação da multa de ofício , a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos 10323495 e 10195.282. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 222 5 No tocante ao primeiro paradigma Acórdão 10323.495 a Fazenda Nacional transcreve as seguintes passagens: Paradigma Acórdão nº 10323.495 Ementa "OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. RECEITA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. PERCENTUAL. LUCRO ARBITRADO. Se a atividade preponderante desenvolvida pela contribuinte é a de prestação de serviços, correta a aplicação do percentual de 32% incidente sobre as receitas omitidas por conta de depósito bancário de origem não justificada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte impõe que o termo inicial do prazo decadencial de 5 anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1º CC nº 2) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 223 6 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. SIMPLES PIS COFINS CSLL – INSS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.” (Destaques da Fazenda Nacional) Em seguida, a Fazenda Nacional descreve a divergência nos seguintes termos: "O acórdão paradigma acima transcrito foi claro, em caso análogo ao presente, referindose, inclusive à hipótese de lançamento decorrente de presunção legal de omissão de receitas, em face da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, de prática reiterada do ilícito tributário. Segundo o entendimento firmado no precedente supra, a conduta reiterada, por si só, já conduz automaticamente ao preenchimento das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, sendo cabível a qualificação da multa." (Destaques da Fazenda Nacional) Com efeito, resta demonstrada a divergência alegada, uma vez que, em ambos os casos a qualificação da multa de ofício teve por motivação a prática reiterada de omissão de rendimentos/receitas, sendo que, enquanto, no acórdão recorrido entendeuse que seria incabível a qualificação da penalidade com essa motivação, nesse primeiro paradigma reputouse que a omissão de receitas, por si só, configura hipótese prevista nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 1964, de forma que se manteve a qualificação da multa. Destarte, ambas as divergências foram admitidas e, após intimado o contribuinte quedouse silente. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O recurso atende seus requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Entendo que a decisão da Turma a quo por si só e por seus fundamentos se mantém, frente ao recurso que visa discutir inversão de ônus da prova na comprovação de Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 224 7 despesas médicas e, somar a isso o caráter doloso à conduta do contribuinte, de modo que não pode prosperar, senão vejamos: A legislação de regência exige tão somente que a comprovação das despesas médicas através de recibos firmados por profissional habilitado, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ, descrevendo os serviços prestados, na linha do que restou decidido nos Acórdãos paradigmas, os quais manifestaramse no sentido de ser incabível a glosa das despesas médicas com base na alegação da falta de comprovação do pagamento, ou com base em qualquer outro argumento, mormente quando existe declaração do beneficiário confirmando a prestação dos serviços e o recebimento em espécie. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Lei nº 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;” “Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 225 8 próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, despesas médicas, deverão ser comprovadas, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu. In casu, o contribuinte no decorrer da ação fiscal fora intimada a comprovar as despesas deduzidas do seu imposto de renda, tendo apresentado os respectivos recibos, os quais não teriam atendido aos requisitos exigidos pela Lei 9.250/95 os recibos das profissionais Daniela Cahum, de fls. 127, Andréia Aparecida Martins Bellete, de fls. 86/89 e 56/58 e Álvaro José Cicareli. uma vez que não indicam o paciente/beneficiário do tratamento, sendo, por isso, mantidas as glosas. Na hipótese dos autos, a contribuinte comprovou a efetividade e pagamento dos serviços médicos mediante apresentação dos recibos do profissional, não tendo a fiscalização declinado qualquer fato que pudesse macular a idoneidade de aludida documentação. Corroborou, ainda, os recibos ofertados com Laudos, fichas e Exames Médicos, acostados aos autos junto à impugnação, confirmando a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento. É bem verdade, que o artigo 73 do RIR/1999 autoriza a autoridade lançadora, a juízo próprio, refutar os comprovantes apresentados pela contribuinte. Entrementes, tal que a levaram a não admitir as provas ofertadas pela autuada. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “DESPESAS MÉDICAS RECIBO IDÔNEO Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 226 9 Não existindo fundado receio quanto à legitimidade dos recibos comprobatórios de despesas dedutíveis, tais instrumentos deverão ser aceitos como meios de prova. Recurso provido” (4ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Recurso nº 145.606 – Acórdão n° 10421.833, Sessão de 17/08/2006) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial provido. Não se pode inverter o ônus da prova, quando inexistir dispositivo legal assim contemplando, a partir de uma presunção legal. In casu, havendo dúvidas quanto a efetividade e pagamento dos serviços médicos prestados, caberia a fiscalização se aprofundar no exame das provas, intimando, inclusive, os profissionais médicos ou outros a prestar esclarecimentos, como ocorre em inúmeras oportunidades, sendo defeso, no entanto, presumir que os serviços médicos/odontológicos não foram prestados tão somente porque não houve apresentação de cheques nominativos na totalidade das despesas médicas ou extratos bancários, o que fora comprovado exclusivamente por recibos e Laudos/Exames Médicos. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente a sujeição passiva, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 227 10 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decorre daí que quando não couber a presunção legal, a qual inverte o ônus da prova ao contribuinte, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, com a inequívoca identificação do sujeito passivo, só podendo praticar o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus da prova cabe a quem alega, in casu, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção para a glosa de despesas médicas escoradas exclusivamente em recibos, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo para tanto, inclusive, intimar os prestadores de serviços para confirmar a idoneidade dos documentos ofertados pela contribuinte. A doutrina pátria não discrepa dessas conclusões, consoante de infere dos ensinamentos de renomado doutrinador Alberto Xavier, em sua obra “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, nos seguintes termos: “ B) Dever de prova e “in dúbio contra fiscum” Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova beweilöigkeit), esta deve absterse de praticar o lançamento ou deve praticálo com um conteúdo quantitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. [...]” (Xavier, Alberto – Do lançamento no direito tributário brasileiro – 3ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2005) (grifos nossos) Não bastasse isso, a existência de eventual DÚVIDA, ao contrário do que sustenta a Procuradoria, só pode vir a beneficiar o acusado, qual seja, o contribuinte, em observância ao artigo 112, do Códex Tributário, que assim preconiza: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Partindo dessas premissas, uma vez comprovada pela contribuinte a prestação dos serviços médicos mediante recibos e Laudos/Exames Médicos, sem que a fiscalização Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 228 11 tenha levantado qualquer suspeita ou se aprofundado na análise das provas apresentadas, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de afastar as glosas procedidas pelo fiscal autuante. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e a ele negar provimento mantendo a decisão a quo. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto a ambas as matérias em litígio: 1. Quanto à dedução das despesas médicas Pertinente, inicialmente, transcrever os dispositivos que encerram o cerne da presente questão de mérito, a saber, os arts. 73, caput, 80, caput e §1o., inciso III, 845, inciso II, e 932 todos do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), aqui reproduzidos com referência à respectiva base legal que os suporta : RIR/99 Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). (...) Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 229 12 Art.845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 79): (...) II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios (g.n.); Art.932. Havendo dúvida sobre quaisquer informações prestadas ou quando estas forem incompletas, a autoridade tributária poderá mandar verificar a sua veracidade na escrita dos informantes ou exigir os esclarecimentos necessários (Decreto Lei nº5.844, de 1943, art. 108, §6º). A propósito, como já tive oportunidade de me manifestar em outras ocasiões, entendo que a interpretação sistemática correta do conjunto dos dispositivos acima, a fim de tenham plena vigência e sem a existência de qualquer antinomia é no sentido do art. 80, §1o. inciso III do RIR/99, ao limitar a dedução de pagamentos a título de serviços médicos e assemelhados àqueles que constem de recibo que atenda às formalidades ali indicadas e/ou indicados como pagos através de cheques nominativos devidamente especificados, estabelecer condição mínima, necessária, mas não necessariamente suficiente à dedutibilidade das despesas. Entendo que a suficiência de tais recibos e/ou indicação de cheques nominativos de pagamento como comprovantes para fins de dedutibilidade das despesas, está, consoante expressamente respaldado pelo art. 73 supra reproduzido, condicionada ao juízo da autoridade tributária que pode, assim, no caso de existência de dúvida (razoável, em pleno respeito ao princípio da razoabilidade), perfeitamente em linha com o disposto no art. 932 do mesmo diploma, solicitar esclarecimentos adicionais (tais como elementos que comprovem o efetivo pagamento, que não se confunde com a apresentação de recibos, tratandose, aqui, da comprovação do efetivo desembolso e como a efetiva prestação dos serviços, ou seja, a efetiva utilização dos serviços pelos beneficiários). Nesta hipótese, uma vez não tendo sido satisfatórios os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, é de completa legalidade a realização do lançamento de ofício, abandonandose (ou seja, glosandose) as parcelas para as quais o contribuinte não logrou êxito em esclarecêlas de forma satisfatória, na forma prevista pelo art. 845 supra. Realizada tal digressão, verifico que, para o caso sob análise, desde o primeiro termo de intimação a Auditora responsável solicitou do Contribuinte, além de documentos que lastreassem as despesas médicas, a comprovação do efetivo pagamento associado às referidas despesas, o que se demonstra plenamente razoável, tendo em vista a relevância de tal grupo de dedução frente ao total de rendimentos tributáveis declarado pelo autuado. Assim, tendo agido a autoridade fiscal de acordo com o permissivo legal e não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de comprovar o efetivo pagamento para as despesas médicas objeto de intimação, repitase, fulcrada em razoabilidade (notese, para diversas destas despesas, sequer houve a apresentação de qualquer Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10830.722109/201143 Acórdão n.º 9202005.323 CSRFT2 Fl. 230 13 documentação suporte), escorreita a conclusão da autoridade fiscal pela necessidade do ajuste efetuado na rubrica de despesas médicas, glosando parte da dedução declarada, não satisfatoriamente comprovada. Assim, quanto à matéria, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose a glosa realizada quanto à matéria de despesas médicas. 2. Quanto à multa qualificada: Ainda que rejeite este Conselheiro a reiteração como critério unicamente suficiente para fins de qualificação da multa de ofício, entendo que, no caso em questão, deflui do conjunto probatório sob análise considerado como um todo, com bastante nitidez, o intuito do contribuinte em fazer constar, em diversos anoscalendário, em sua declaração de ajuste anual, despesas com dependentes e instrução que não estavam comprovadas com qualquer documento hábil ou, ainda, que, por sua própria natureza, seriam indedutíveis, sendo de se afastar, repitase, a partir da totalidade dos elementos constantes dos autos, a possibilidade de ocorrência de erro escusável, não havendo, em meu entendimento, como se rejeitar o intuito doloso do contribuinte em repetidamente e sem manter qualquer documentação suporte (caso exista), fazer constar as mencionadas deduções em sua declaração, de forma a reduzir o pagamento do tributo sob análise. Assim, voto também por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria de qualificação da multa de ofício, mantida assim o percentual de multa aplicado pela autoridade lançadora. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.720015/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 DIPJ. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, registradas ou não, sejam quais forem os fins, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda, estão obrigada a entregar a Declaração de Informações da Pessoa Jurídica. DIPJ. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. É devida a multa por atraso na entrega da Declaração de Informações da Pessoa Jurídica quando ela for entregue depois do prazo estipulado legalmente. LANÇAMENTO. VINCULAÇÃO. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DIPJ. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, registradas ou não, sejam quais forem os fins, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda, estão obrigada a entregar a Declaração de Informações da Pessoa Jurídica. DIPJ. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. É devida a multa por atraso na entrega da Declaração de Informações da Pessoa Jurídica quando ela for entregue depois do prazo estipulado legalmente. LANÇAMENTO. VINCULAÇÃO. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (Documento assinado digitalmente) Fl. 47DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11075.720015/201011 Acórdão n.º 1801000.660 S1TE01 Fl. 48 3 Relatório Contra a contribuinte foi emitida Notificação de Lançamento por entregar com atraso a DIPJ 2009 Versão 2.0, ou seja entregou em 30/10/2009, quando o data limite era 15/07/2009. A multa foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento), em virtude da entrega espontânea, de acordo com o art. 7º da Lei 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei 11.051, de 29/12/2004.. Inconformada com a autuação, a contribuinte impugnou o Auto de Infração, com as seguintes alegações: I – nulidade do lançamento por incapacidade do agente, uma vez que não está provada sua habilitação técnica junto ao Conselho Federal de Contabilidade, requisito previsto no art. 25 do DecretoLei nº 9.295, de 21 de outubro de 1946, para que o profissional realize perícias ou levantamentos fiscais; II –incabível a multa, por se tratar de retificação de declaração e não a original; III a multa, se confirmada, não pode ultrapassar o percentual de 2% (dois por cento), pois no percentual contido na Notificação de Lançamento ela tem caráter confiscatório, vedado pela Constituição Federal; IV pede o recebimento da impugnação com efeito suspensivo; V – pede o diligenciamento junto ao Conselho Federal de Contabilidade para a verificação se há o registro do agente autuante; e VI seja julgada improcedente a notificação de lançamento. Em 11 de março de 2010, a DRJ/STM julgou o lançamento procedente, com Acórdão 1811.906 1ª da DRJ/STM ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DIPJ. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO Todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, registradas ou não, sejam quais forem os fins, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda, estão obrigada a entregar a Declaração de Informações da Pessoa Jurídica. DIPJ. ATRASO NA ENTREGA. MULTA É devida a multa por atraso na entrega da Declaração de Informações da Pessoa Jurídica quando ela for entregue depois do prazo estipulado legalmente. Fl. 49DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 LANÇAMENTO. VINCULAÇÃO A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade ou ilegalidades de dispositivos legais, prerrogativa essa reservada ao Poder Judiciário.: Cientificada da decisão em 31 de março de 2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 30 de abril de 2010, onde repete as mesmas alegações constantes da impugnação e pede: I a impugnação total da Notificação de Lançamento em questão; II – que o Recurso Voluntário seja recebido no efeito suspensivo e mandado processar na forma da legislação vigente; III que se diligencie junto ao Conselho Federal de Contabilidade para a verificação se há o registro do agente autuante; não havendo que o auto de infração seja considerado nulo IV a vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera a e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11075.720015/201011 Acórdão n.º 1801000.660 S1TE01 Fl. 49 5 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso foi interposto tempestivamente e preenche os requisitos para sua admissibilidade. A notificação de lançamento foi emitida contra a contribuinte por atraso na entrega da DIPJ do exercício de 2009, anocalendário de 2008. A fundamentação legal do lançamento é o artigo 7º da Lei 10.426, de 2002, com as alterações da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que assim dispõe: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarse á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; ... § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício autoridade administrativa, conforme determinação do art. 142 do Código Tributário Nacional. Por outro lado, o Regimento do CARF, em seu artigo 62, veda aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 51DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Ainda sobre a matéria , foi editada a Súmula nº 2 do CARF: Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A interposição do Recurso Voluntário suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos artigo 151III d a Lei 5.172/1966 (CTN). A empresa alega tratarse de Declaração Retificadora, mas não comprovou a entrega da Declaração original no prazo hábil. Quanto a nulidade do Lançamento, a constituição do crédito tributário é de competência privativa da autoridade administrativa, conforme determinação do art. 142 do Código Tributário Nacional. No âmbito dos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil a competência para constituição do crédito tributário é do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cargo criado pelo DecretoLei nº 2.225, de 10 de janeiro de 1985, com a denominação atual dada pelo artigo 9º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, cuja investidura no cargo se dá somente depois de aprovação em concurso público (art. 37, inciso II, da Constituição Federal de 1988), como disciplinado pelo Decreto n.º 92.360, de 04 de fevereiro de 1986, exigindose apenas a graduação em qualquer curso de nível superior devidamente reconhecido. A jurisprudência administrativa é pacífica e, nesse sentido foi editada a Súmula CARF nº 8: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Portanto, não há o vício apontado pela recorrente na notificação de lançamento. Diante do exposto, conheço do recurso e voto por negarlhe provimento. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 52DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/10/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900853/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.885
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PIS/COFINS. Recorrente DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considerase intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02045.460, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 08 53 /2 01 2- 25 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10665.900853/201225 Acórdão n.º 3301003.885 S3C3T1 Fl. 3 2 fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, tempestivamente, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese, o seguinte: verificase pelos documentos anexos, que foi realizada a apuração pelo regime não cumulativo no que atine ao mês em questão por meio do Dacon, porém segundo se apurou no Dacon retificador o valor do débito nãocumulativo devido seria inferior ao efetivamente recolhido, resultando um saldo a ser compensado no PerDcomp; deve ser esclarecido que, na época própria, o contribuinte realizou a devida retificação em anexo, porém, em virtude de alteração ocorrida na própria legislação que resultou na mudança de versões, tanto do Dacon quanto na DCTF, a retificação foi transmitida, gerando assim o débito constante do Despacho Decisório; contudo, a falha no sistema em deixar de transmitir a devida retificação não pode conduzir a que seja violado o princípio constitucional da nãocumulatividade, ainda que posteriormente demonstrada, de forma cabal e inequívoca, a existência do crédito que se pretende compensar; Requerendo, ainda, o acolhimento da manifestação de inconformidade para o fim de determinar o cancelamento do débito constante do presente processo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.883, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10665.900851/201236, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.883): "O Recurso Voluntário, de 22 de agosto de 2013, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0245.458, de Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10665.900853/201225 Acórdão n.º 3301003.885 S3C3T1 Fl. 4 3 25 de junho de 2013, é intempestivo, logo não atende um pressuposto legal de admissibilidade, motivo pelo qual não deve ser conhecido. O prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão. Observase no presente processo que a Decisão recorrida foi proferida em 25 de junho de 2013 e o Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento (fls. 95): TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 09/07/2013 8:14h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Contribuinte: 21.759.758/000188 DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 09/07/2013 Já às fls. 96 apurase no Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência por decurso de prazo ocorreu em 19 de julho de 2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/07/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 19/07/2013 Acórdão de Manifestação de Inconformidade DATA DE EMISSÃO : 20/07/2013 Constatase assim que Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento e pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência ocorreu em 19 de julho de 2013. Assim, no melhor dos quadros, o prazo final para interpor o recurso seria em 20 de agosto de 2013, e que só ocorreu em 22 de agosto de 2013. Para bem ilustrar o ocorrido cito abaixo imagem do Recurso Voluntário do Contribuinte com o devido protocolo da Analista Tributário Glêucia Felipe Santiago, matrícula 012.91476 (fls. 107): Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10665.900853/201225 Acórdão n.º 3301003.885 S3C3T1 Fl. 5 4 Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário foi apresentado em 22/08/2013, e a data da ciência da decisão da DRJ, por decurso de prazo, também ocorreu em 19/07/2013. Comprovado está que também nestes autos o recurso voluntário foi apresentado após o prazo de 30 dias, portanto, intempestivamente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000560/2005-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Acolhem-se os embargos declaratórios quando demonstrada a obscuridade na parte dispositiva do Acórdão no registro de seu resultado, procedendo-se o saneamento do equívoco cometido.
Numero da decisão: 2202-000.993
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para, rerratificando o Acórdão n.º 220200.669, de 18/08/2010, sanando a contradição apontada consignar que o resultado do julgamento foi “Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso de ofício para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 90,00, referente ao fato gerador de 15/08/2002.”
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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OBSCURIDADE. Acolhemse os embargos declaratórios quando demonstrada a obscuridade na parte dispositiva do Acórdão no registro de seu resultado, procedendose o saneamento do equívoco cometido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para, rerratificando o Acórdão n.º 220200.669, de 18/08/2010, sanando a contradição apontada consignar que o resultado do julgamento foi “Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso de ofício para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 90,00, referente ao fato gerador de 15/08/2002.” (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 2 Relatório Em sessão plenária de 18/08/2010, foi julgado pela Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF o recurso no 150.678, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão no 220200.669 (fls. 1227 a 1235 volume VII), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PROVA DO PAGAMENTO. LANÇAMENTO NO LIVRO CAIXA. A comprovação da existência de pagamentos lastreados em documentos fraudulentos registrados no Livro Caixa caracteriza a hipótese de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, autorizando o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte com base no art. 61 da lei no 8.981, de 1995. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DOCUMENTOS FRAUDULENTOS. MULTA QUALIFICADA. Constatada a utilização de documentos fraudulentos para acobertar os verdadeiros beneficiados de pagamentos escriturados no Livro Caixa resta configurado o dolo, impondo se ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. DOS EMBARGOS Intimada do referido Acórdão, em 21/10/2010 (vide documento anexado à fl. 1237 volume VII), a Fazenda Nacional, com fundamento art. 65 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/06/2009), opôs, em 22/10/2010, os Embargos de Declaração de fls. 1239 a 1241 volume VII. Alega a embargante que a decisão guerreada incide em obscuridade/contradição ao afirmar que dá provimento parcial ao recurso voluntário, quando, em verdade, encontravase em julgamento remessa oficial cabível em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis. Requer, assim, que sejam suprida a deficiência apontada. DA DISTRIBUIÇÃO Consoante disposto no §2o do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, os presentes autos foram encaminhados a esta Conselheira para manifestação. Por meio da Informação em Embargos, anexada às fls. 1242 e 1243 – volume VII, foi proposto o acolhimento dos embargos para que o processo fosse novamente submetido Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 11516.000560/200593 Acórdão n.º 220200.993 S2C2T2 Fl. 2 3 à apreciação dos membros desta Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, o que foi acatado pelo presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, que determinou sua inclusão em pauta para julgamento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. Primeiramente, constatase a tempestividade do apelo, eis que apresentado dentro do prazo regimental de cinco dias, uma vez que a embargante foi intimada da decisão de segunda instância, em 21/10/2010 (fl. 1237 – volume VII), apresentando os embargos em 22/10/2010 (fl. 1239 – volume VII). Em análise do argüido, verificase que está consignado no relatório da decisão embargada que: DO RECURSO DE OFÍCIO Os autos subiram a este Conselho de Contribuintes, por força do recurso de ofício interposto pelo Presidente da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Florianópolis (SC), nos termos do art. 34, inciso I do Decreto no 70.235, de 1972, e da Portaria MF nº 375, de 2001, uma vez que o valor exonerado (imposto mais multa de ofício) foi de R$3.455.974,36. Consta, ainda, que a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferiu o Acórdão no 10421.794 (fls. 1131 a 1141 – volume VI), em 16/08/2006, no qual por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício. Essa decisão foi anulada, como se observa pelos esclarecimentos contidos no tópico “1. Limites do litígio” do voto condutor: O processo retornou a julgamento por determinação da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF que anulou o Acórdão de segunda instância por cerceamento do direito defesa. No caso das decisões anuladas por preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972, cabe a autoridade que declarar a nulidade delimitar os atos alcançados e determinar as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo (§2o do mesmo artigo). Ao fundamentar a nulidade da decisão recorrida, o relator identificou quatro pontos de insurgência na impugnação apresentada, os quais foram reiterados no recurso voluntário (fl. 1214 volume VI): a) Os valores identificados pelo Fisco como pagos a beneficiário não identificado não correspondem a efetivos pagamentos, impossibilitando a aplicação do art.674 do RIR/99; b) Esta tributação não tem previsão legal para as empresas tributadas pelo lucro presumido; c) Significativa parcela dos valores colhidos pelo Fisco não consta no livro caixa (relacionados em anexo); e, d) Deve ser desqualificada a multa de ofício pela ausência de comprovação do dolo e pela inexistente insuficiência de tributos. Afirma o mesmo relator que, desses quatro argumentos, apenas o primeiro foi enfrentado pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, determinando, ao final, o retorno do processo para que fossem apreciadas todas questões levantadas pela autuada em sede de impugnação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 11516.000560/200593 Acórdão n.º 220200.993 S2C2T2 Fl. 3 5 Como se vê, estava em julgamento o recurso de ofício interposto pelo Presidente da 3.ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis (SC). Pelo teor da decisão embargada, os fundamentos do Acórdão de primeiro grau para cancelar o lançamento não foram acolhidos e, portanto, foram enfrentados todos os tópicos suscitados pela contribuinte na impugnação, concluindo a relatora por não acolher a preliminar de cerceamento de direito de defesa e, no mérito, determinou apenas a exclusão do valor de R$90,00, referente ao fato gerador de 15/08/2002. Contudo, ao concluir seu voto, olvidou a relatora de mencionar expressamente que estava sob exame o recurso de ofício, como se observa a seguir (fl. 1235 verso – volume VII): Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar suscitada pela recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo o valor de R$90,00, referente ao fato gerador de 15/08/2002. Da mesma forma, a parte dispositiva do acórdão deixou de explicitar que se tratava de recurso de ofício, evidenciando, assim, a obscuridade apontada pela embargante. Diante do exposto, voto por ACOLHER os embargos, para sanar a contradição e reratificar o Acórdão no 220200.669 de 18/08/2010, para consignar que o resultado do julgamento foi “Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso de ofício para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 90,00, referente ao fato gerador de 15/08/2002.” (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 17/02/2011 por NELSON MALLMANN, 16/02/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA
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Numero do processo: 10580.727616/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Servem de base para lançamento de ofício as diferenças entre a receita bruta escriturada e a declarada a menor na Declaração Anual Simplificada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. São objeto de lançamento de ofício as diferenças originárias de pagamento a menor de impostos e contribuições federais. MULTAS DE OFÍCIO DE 75% E 150% - PERCENTUAIS EXCESSIVOS - EFEITO CONFISCATÓRIO O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional.
Numero da decisão: 1802-001.004
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que reduziam a multa de 150% para 75% em relação à infração de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários com origem não comprovada.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Servem de base para lançamento de ofício as diferenças entre a receita bruta escriturada e a declarada a menor na Declaração Anual Simplificada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. São objeto de lançamento de ofício as diferenças originárias de pagamento a menor de impostos e contribuições federais. MULTAS DE OFÍCIO DE 75% E 150% PERCENTUAIS EXCESSIVOS EFEITO CONFISCATÓRIO O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 604 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que reduziam a multa de 150% para 75% em relação à infração de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários com origem não comprovada. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho . Fl. 604DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 605 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 2 a 122, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 22.757,12, R$ 16.468,22, R$ 24.641,21, R$ 73.479,09, R$ 22.312,14 e R$ 206.019,25, respectivamente, incluindose nestes montantes os juros moratórios e as multas de 75% e 150%, conforme o tipo de infração. O lançamento abrangeu os meses do anocalendário de 2006. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1524.284, fls. 577 a 588: A síntese do procedimento se encontra no Termo de Verificação da Ação Fiscal TVF (fls. 102/109), onde consta que a ação fiscal teve inicio em 06/07/2009, data de ciência do Termo de Inicio de Fiscalização (TIF), quando a empresa foi intimada a apresentar os livros fiscais e extratos das contas correntes bancárias de sua titularidade, uma vez que no AC/2006 declarou na DSPJSimples receita bruta no valor de R$ 77.747,00, incoerente com a movimentação financeira de R$ 1.871.980,89, conforme o sistema da RFB Dossiê Integrado. Consta também do TVF, que, findo o prazo para atendimento do TIF, sem que a contribuinte entregasse os extratos bancários, os mesmos foram requisitados pelo Fisco junto aos seguintes bancos: Banco do Brasil S/A, HSBC Bank Brasil S/ABanco Múltiplo, ITAUBANK S/A, Bradesco S/A, Banco Santander Brasil S/A e Banco Santander S/A. De posse dos extratos fornecidos pelos referidos bancos, a Fiscalização fez a conciliação bancária, descartando os créditos de valor inferior a R$ 500,00. Os créditos, segregados por instituição financeira estão discriminados no demonstrativo dos Valores Creditados/Depositados em ContasCorrentes (fls. 110/115). Em 14/10/2009, os créditos listados no referido demonstrativo foram submetidos à fiscalizada, na pessoa da sua advogada, na condição de mandatária, para que comprovasse a sua origem, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, no prazo de vinte dias, conforme Termo de Constatação Fiscal n° 002. Segundo consta do dito TVF, no prazo retrocitado, a advogada da empresa apresentou cópia dos seguintes livros: Registro de Fl. 605DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 606 4 Saída n° 0002; Registro de Entrada n° 0002; Caixa n° 0002; e Registro de Apuração do ICMS n° 0002, entretanto, não procedeu à correlação entre os lançamentos efetivados nos mencionados livros e a origem dos depósitos bancários. Consta ainda do TVF, que da análise dos livros acima mencionados ficou constatado que a receita bruta escriturada não foi declarada integralmente ao Fisco Federal. No entanto, parcela maior foi declarada ao Fisco Estadual, para efeito de apuração do ICMS. Neste particular, ressaltou o autuante que, em média, a movimentação financeira creditícia mensal girava em torno dos R$ 100.000,00 (cem mil reais) e a receita escriturada em torno dos R$ 38.000,00 (trinta e oito mil reais). Ademais, no AC/2006 a fiscalizada declarou receita bruta global no valor de R$ 77.747,00, correspondendo a uma média mensal declarada de apenas R$ 6.479,00. Por seu turno, o Fisco apurou receita bruta global no montante de R$ 1.625.462,30 (vide fl. 04). Dessa forma, a Fiscalização apurou que a fiscalizada não comprovou a origem dos depósitos bancários feitos em suas contas correntes nem declarou toda a receita bruta escriturada, sendo, então, autuada por: 001 Omissão de receitas, decorrente de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada; 002 Diferença de base de cálculo (parcela da receita escriturada e não declarada à RFB); 003 Insuficiência de recolhimento, em face do aumento dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta declarada, devido à inclusão das receitas não declaradas. Os demonstrativos que embasaram os lançamentos se encontram às fls. 116/120 dos autos. Em virtude da autuação houve lavratura de Representação Fiscal Contra a Ordem Tributária, objeto do processo administrativo n° 10580.727641/200921. Em 25/11/2009, a autuada tomou ciência do feito, conforme assinatura da sua advogada (como mandatária) à fl. 25. Em 22/12/2009, apresentou a sua impugnação (fls. 422/422), alegando, em síntese, que: (i) A empresa impugnante foi autuada por omissão de receitas, embora optante pelo lucro presumido. Porém, no caso em tela não há sequer lucro presumido, apenas ressarcimento entre empresas pertencentes ao mesmo mandatário Roberto Pontes Barros, que na qualidade de sócio, inclusive da impugnante, as auxilia por oportuna necessidade financeira por conta de déficit de faturamento, existindo suprimento mútuo entre os entes comerciais, prática comercial não vedada em Lei. (ii) Logo, os numerários reputados como receita da impugnante seriam, com exatidão, repartição de dispêndio praticado entre pessoas jurídicas distintas, para fazer frente a cumprimento de obrigações e responsabilidades comerciais, algumas, inúmeras vezes, promovidas via adiantamento, pela Impugnante. A transação financeira existente entre entes societários com Fl. 606DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 607 5 personalidade jurídica distinta não significa dizer receita, pois não determina a existência de acréscimo patrimonial. Nesta condição, o numerário que sobreveio de remessa de outra pessoa jurídica não significa receita tributável. (iii) Assim, a cobrança efetuada pela via dos autos de infração seria ilegal, tendo em vista que só se denota receita quando há ingresso de recurso e este se integraliza, se adiciona ao patrimônio sem qualquer correspondência no seu passivo. Exigir da sociedade tributos sobre ingressos (reembolsos) que não representam receita é, no mínimo, uma medida confiscatória. Para sustentar o arbitramento do lucro não basta a movimentação bancária e, por isso, o arbitramento deve ser invalidado por constituir medida extrema que requer um aprofundamento da ação fiscal. (iv) Ademais, teria sido desconsiderado pelo Sr. Fiscal que a empresa atua pelo regime de tributação do lucro presumido, pois, no decurso da ação fiscal, foi promovida, ilegalmente, a quebra de sigilo bancário da impugnante, por parte da RFB, sem considerar que foram solicitados e apresentados os livros fiscais, dos quais se depreende que a impugnante optara pelo regime do lucro presumido. No entanto, a declarada opção foi desprezada pela Fiscalização, contrariando o art. 516, § 3º , do Decreto no 3.000, de 1999 (RIR/99), que dispõe que “a pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real, poderá optar pela tributação com base no lucro presumido”, razão pela qual a autuação não deve prosperar. (v) Seria exacerbada e confiscatória a multa de ofício no percentual de 150%, pois “De acordo com o art. 150, inciso IV da Constituição Federal "sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federalem aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco”. Sendo assim, não é qualquer atraso que implicaria tal multa elevada, pois se sabe que a inflação anual gira em torno de 12% ao ano e nem mesmo a infração de sonegação justifica tal pena exagerada. (vi) Por outro lado, não teria havido comprovação de dolo que justificasse a acusação de sonegação fiscal, nos termos do art. 71, da Lei no 4.502, de 1964. (vii) Por conseguinte, a fiscalização não observou o direito do contribuinte quanto a opção de tributação pelo Lucro Presumido, nem da antecipação/ressarcimento de recursos para outras empresas, atendose apenas aos informes bancários, ignorando, os ditames do art. 142, § único, do Código Tributário Nacional (CTN), que diz: “a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. (viii) Restaria demonstrado, assim, que não houve omissão no registro de receitas, pois conforme as razões ora apresentadas a receita subtraída à escrituração foi por força do direito de excluir da escrituração o que não haveria de constar, posto que Fl. 607DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 608 6 não há RECEITA, nem tão pouco declarada. E, por isso, não resta tipificada a omissão, mas sim a inexatidão da Declaração de Rendimentos, que não configura dolo. E também o suprimento de numerário de origem não comprovada inibe a tipificação do dolo. (ix) Conforme demonstrado por esta impugnação, a ação fiscal promovida contra a empresa impugnante não merece prosperar, pois a Autoridade Fiscalizadora afastouse da plena vinculação e incidiuse pela discricionariedade, desrespeitando, com isso, o princípio do devido processo legal e proporcionalidade. Diante do exposto, requer que se receba e prolate o teor da presente defesa, a fim de decretar ao final a nulidade dos lançamentos tributários guerreados. Como mencionado, a DRJ Salvador/BA considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. A existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Servem de base para lançamento de ofício as diferenças entre a receita bruta escriturada e a declarada a menor na Declaração Anual Simplificada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. São objeto de lançamento de ofício as diferenças originárias de pagamento a menor de impostos e contribuições federais. MULTA QUALIFICADA. TIPIFICAÇÃO. NÃOCONFISCO. Uma vez comprovado evidente intuito de sonegação fiscal, caracterizado pela prática rotineira de ações visando reduzir a base de cálculo dos tributos devidos, impõese a exigência da multa qualificada. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador e se refere ao tributo, cabendo à autoridade fiscal apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu, não sendo de sua alçada apreciar argüições de inconstitucionalidade ou confisco. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 609 7 NULIDADE PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade quando o auto de infração se encontra revestido das formalidades legais e foi garantido o direito de defesa na impugnação. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/09/2010, a Contribuinte apresentou em 27/10/2010 o recurso voluntário de fls. 598 a 601, com os argumentos descritos abaixo. PRELIMINARMENTE: requer a suspensão dos efeitos da decisão recorrida em face de que: 1 inexiste a figura jurídica da coisa julgada; 2 não foram ultrapassadas todas as instâncias administrativas, conforme previsão legal; 3 a decisão está sujeita a recurso e reforma por superior instância administrativa. a decisão vergastada é inexeqüível, tendo em vista que este recurso, por si só, suspende o direito à exigência do suposto crédito. NO MÉRITO: quando da apresentação da defesa, comprovou a Recorrente, exaustivamente, existência de depósitos/retiradas e remessas para outras empresas. Por tal razão, reitera todos os seus termos e requer seja apreciada, especialmente, no que tange à aplicação de multas no patamar de 75% e 150% sobre o pretenso crédito em favor do Fisco Federal; o Superior Tribunal Federal (sic) tem combatido e sustentado a redução de multas aplicadas em débitos tributários, vez que na extensão posta na decisão, elas tem caráter confiscatório; os depósitos/retiradas e remessas para outras empresas não pode ser confundido com má fé e/ou sonegação fiscal, transações lícitas realizadas entre empresas de um mesmo grupo empresarial. Há descompasso entre o suposto ilícito e a cominação das multas, que não podem ser desvinculadas da legislação, sob pena de invalidade; vários dispositivos no nosso ordenamento jurídico limitam a fixação de percentual de multa. É conferida competência ao órgão julgador para, sob critério de razoabilidade, reduzilas, porquanto, comprovadamente, excessivas, a exemplo do que dispõe o § único do art. 645 do CPC, que se refere à instituição de multa diária nas execuções de obrigação de fazer ou não fazer de aplicação subsidiária; Fl. 609DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 610 8 outro exemplo é o do § 1º do art.52 do Código de Defesa do Consumidor, segundo o qual a multa moratória não pode ser superior a 10% do valor da prestação; já o art. 920 do Código Civil determina que “o valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal”; evidente que o devedor não pode eximirse de cumprir a multa convencionada na obrigação, sob o argumento de ser excessiva, de acordo com o preceito do art. 927 do referido código, mas pode a autoridade julgadora reduzila. A redução não implica na substância do ato jurídico, tornandose sem efeito apenas o excesso estipulado; a equivalência entre a multa e o principal não fere a substância do ato jurídico, torna sem efeito apenas o excesso estipulado, caso contrário, estarseá fomentando o enriquecimento sem causa do credor e a falência peremptória do devedor; notório que mesmo violando princípios legais, o Fisco tem competência para a aplicação de multas, mas essa autonomia de vontade sofre limitações e se sujeita aos princípios da moral e da ordem pública; indubitável que a pena é abusiva e vai muito além do eventual dano causado pela pretensa inadimplência da Recorrente, conduzindo ao enriquecimento de um e à destruição financeira do outro, em afronta ao verdadeiro sentimento de justiça; a autoridade julgadora adotará a decisão que entender mais justa e equânime, entretanto, há de levar em conta os fins sociais e às exigências do bem comum; em face do exposto e provado, espera a postulante seja reformada a decisão da primeira instância administrativa e, ao final, anulada a cobrança do imposto e multa supostamente devidos. Este é o Relatório. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 611 9 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período de janeiro a dezembro de 2006. Foram imputadas à Contribuinte a prática de três infrações: 1 Omissão de receitas, decorrente de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada; 2 Diferença de base de cálculo (parcela da receita escriturada e não declarada à RFB); e 3 Insuficiência de recolhimento, em face do aumento dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta declarada, devido à inclusão das receitas não declaradas. Para as infrações 1 e 2, foram aplicadas a multa qualificada de 150%, e no caso da infração 3, a multa de 75%. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reivindica preliminarmente o reconhecimento da suspensão dos efeitos da decisão recorrida, e, por conseqüência, do próprio crédito tributário, em razão da apresentação do recurso. Quanto a isso, não há qualquer polêmica, porque o Código Tributário Nacional é expresso ao estabelecer em seu art. 151 que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Foi exatamente o que aconteceu no presente processo. Em relação ao mérito, a Recorrente alega que comprovou exaustivamente a existência de depósitos/retiradas, remessas e transferências entre empresas de um mesmo grupo empresarial, que seriam a origem dos valores autuados. No mais, seus argumentos se concentram na exorbitância das multas, nos percentuais de 75% e 150%. Segundo suas alegações, nosso ordenamento jurídico limita a fixação de percentual de multas, e haveria competência do órgão julgador para, sob o critério da razoabilidade, reduzilas. Cita ainda dispositivos do CPC, do Código de Defesa do Consumidor e do Código Civil para demonstrar que as multas aplicadas foram excessivas e confiscatórias. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 612 10 Quanto à questão sobre a origem dos recursos, é oportuno transcrever as observações contidas na decisão de primeira instância: A impugnante combate os lançamentos baseados em créditos bancários aludindo que não seriam oriundos de receitas omitidas, mas sim de reembolsos provenientes de adiantamentos efetuados a outras pessoas jurídicas pertencentes ao mesmo mandatário Roberto Pontes Barros, CPF n° 046.426.94587, mas não apresentou documentação hábil e idônea capaz de sustentar tal alegação. Em primeiro lugar, a presunção de omissão de receita definida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autoriza o lançamento de ofício sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados na forma de depósito ou investimento, verbis. (...) É certo que nem todo depósito bancário é necessariamente receita tributável, mas é preciso que o contribuinte sob fiscalização, quando regularmente intimado, comprove através de documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em sua conta corrente. Todavia, nada disso fez a impugnante, nem sequer na impugnação. Pois bem, é assente em direito que alegar e não provar é o mesmo não alegar. Em segundo lugar, quanto ao mandatário Roberto Pontes Barros, CPF no 046.426.94587, sócioadministrador da autuada, com participação de 99% do capital social, verificase que também participa do capital social de outras empresas (fls. 554/557). Porém, o aludido suprimento de numerário entre a impugnante e as demais pessoas jurídicas do dito mandatário não está devidamente escriturado, de modo que se pudesse analisar o seu fluxo. No AC/2006, conforme demonstrado no quadro a seguir, apenas três das onze empresas em que o dito mandatário aparece como sócio ou responsável declararam receita bruta no valor global de R$ 354.894,36, que é ínfimo para justificar os créditos bancários no montante de R$ 1.625.462,30, dito de suprimento/reembolso de numerário: Sociedades do responsável sob o CPF no 046.426.94587 AC/2006 CNPJ Receita Bruta (R$) Participação (%) 02.441.250/000192 192.008,66 99,00 03.618.915/000153 PJ omissa 99,00 03.765.549/000165 85.138,70 99,00 10.828.747/000196 PJ omissa 11.092.293/000109 PJ omissa 12.317.046/000118 PJ omissa Fl. 612DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 613 11 13.062.237/000149 PJ omissa 13.087.481/000166 PJ omissa 13.938.717/000120 PJ omissa 14.772.123/000155 PJ omissa 63.279.095/000144 77.747,00 99,00 Total 354.894,36 Fonte: Sistemas informatizados da RFB As pessoas jurídicas indicadas como omissas no quadro acima estão nessa situação desde o exercício de 2002, anocalendário de 2001 (fls. 569/576). Em terceiro, a pessoa jurídica inscrita no Simples Federal deve manter no mínimo o Livro Caixa, onde deverá escriturar toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, bem como os documentos que embasem a escrita, na forma do art. 7° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, in verbis: (...) Desse modo, a despeito da opinião contrária da impugnante, toda a movimentação financeira, inclusive bancária, que transite em conta corrente da pessoa jurídica deve ser escriturada/contabilizada. Por fim, concluise que devem prosperar os lançamentos ora guerreados, afastandose, por conseguinte, qualquer pretensão de nulidade ou improcedência. Realmente, a Contribuinte não trouxe qualquer comprovação de suas alegações. Nesse sentido, vale ainda destacar que parte da autuação está baseada nas informações obtidas junto à SEFAZ/BA e nos livros Caixa e de Saída do ICMS, relativamente às divergências entre receita escriturada e declarada, no montante de R$ 376.949,55. Deste modo, os próprios registros da Contribuinte indicam que suas receitas foram bem superiores àquelas declaradas à Receita Federal (R$ 77.747,00), e demonstram a inconsistência das meras alegações de que os ingressos decorreriam de transferências vindas de outras empresas do grupo. Em relação aos percentuais das multas, cabe esclarecer primeiramente que a multa de 75% sempre acompanha o crédito tributário quando este é constituído de ofício, por meio de auto de infração. Ela é a multa prevista para os casos de simples falta de pagamento ou recolhimento de tributo, conforme determina o art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Do mesmo modo, a multa de 150% também está expressamente prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/1996, conforme texto vigente à época dos fatos geradores (atualmente no § 1º do mesmo artigo), devendo ser aplicada sempre que constatado o evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Para contraporse às multas, a Contribuinte repete o argumento sobre os depósitos/retiradas e remessas entre empresas de um mesmo grupo, alegando que eles não poderiam ser confundidos com má fé e/ou sonegação fiscal, mas, como visto, não foram apresentados quaisquer elementos que pudessem comprovar a existência destas operações. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 614 12 É importante registrar que o recurso não traz argumentos específicos contra a multa de 150%, eis que as críticas da Recorrente são dirigidas conjuntamente às duas espécies de penalidades. Mesmo assim, vale transcrever os fundamentos da decisão de primeira instância em relação à multa qualificada: A multa de lançamento de ofício qualificada é aplicada àquelas infrações praticadas com o evidente intuito de fraude ou sonegação fiscal, dentre elas o comportamento de escriturar as receitas auferidas em livros fiscais e de declarálas ao fisco federal em valores sempre inferiores em todos os períodos de apuração. Ou, ainda, não escriturar e não declarar toda ou parte da receita bruta auferida, como se deu no caso concreto. Esse tipo de ação denota o intuito de sonegação mediante omissão/redução da base de cálculo dos tributos devidos. Discutível seria o caso em que se estivesse diante de uma ou outra operação isolada, envolvendo valor de pequena monta, não reincidente; neste caso, poderseia concluir pela ocorrência de um erro eventual, de conotação meramente material, cabendo, aí sim, tributação sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento. Mas este não é o caso, pois, como dito antes, no anocalendário de 2006, a autuada declarou à RFB uma parcela ínfima da receita bruta auferida (escriturada/omitida), em todos os períodos de apuração, demonstrando o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco Federal da ocorrência do fato gerador dos tributos devidos. Essa atitude denota consciente intuito de eximirse da obrigação tributária principal e se enquadra perfeitamente à hipótese prevista no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, como sonegação fiscal. (...) No caso presente, repitase, a conduta dolosa da impugnante ficou caracterizada pela prática reiterada de tomar como base de cálculo para apuração dos tributos declarados à Receita Federal uma parcela ínfima da receita bruta auferida, inferior à que escriturou nos seus livros fiscais e declarada ao Fisco Estadual, e mais inferior ainda àquela apurada nos extratos bancários. Realmente, no caso em questão, observase que a Contribuinte reiteradamente, ao longo de todo o ano de 2006, apurou o Simples a partir de uma receita muitas vezes menor do que a efetivamente auferida, e, posteriormente, também omitiu estas receitas do Fisco, quando as declarou em valores muito inferiores à realidade. Diante dos fatos, das observações anteriores sobre o mérito da autuação, e considerando ainda a fragilidade das justificativas apresentadas pela Recorrente, não vejo nenhuma possibilidade de ocorrência de erro não intencional por parte dela, pelo que adoto os fundamentos da decisão recorrida. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.727616/200948 Acórdão n.º 180201.004 S1TE02 Fl. 615 13 Finalmente, no que toca às críticas sobre a exorbitância e o efeito de confisco das multas aplicadas, cujo acolhimento implicaria no afastamento de normas legais vigentes (art. 44, I e II, da Lei 9.430/96), cabe ressaltar que falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, havendo prévia decisão por parte do Supremo Tribunal Federal, e cumpridos os requisitos do Decreto nº 2.346/97 ou do art. 103A da Constituição, o que não ocorre no presente caso, é que a Administração Pública deixaria de aplicar as normas legais. A matéria já se encontra inclusive sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No caso, cabe apenas à Administração Tributária, em seu conjunto, que inclui o CARF, aplicar a lei tributária nos exatos termos de seu conteúdo. Não há qualquer base legal para que este órgão reduza a multa em função de normas contidas no Código de Processo Cível, no Código de Defesa do Consumidor ou no Código Civil, todas elas inapropriadas para o âmbito dos tributos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 615DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 19515.722667/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
NULIDADE. PEDIDO QUE SE AFASTA.
Não havendo caracterizada nenhuma circunstância daquelas previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, tampouco alguma condição de anulabilidade do art. 10 do mesmo regramento legal, impõe-se o afastamento do pedido de nulidade.
PRECLUSÃO PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA E RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO. AUTUAÇÃO QUE SE MANTÉM.
Se a parte autuada não impugna o lançamento fiscal, configurada está a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída, mesmo que apresente posteriormente recurso voluntário tempestivo. Isto porque deve prevalecer, para ambos os lados da relação processual, o direito ao contraditório e o acesso ao duplo grau de jurisdição, o que seriam violados caso o recurso voluntário fosse admitido.
PRECLUSÃO PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. SOLIDARIEDADE QUE SE MANTÉM.
Se a parte autuada não impugna o lançamento fiscal, configurada está a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS.
A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999.
ATIVIDADE DE COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS X ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO A SER TRIBUTADA.
Se a empresa autuada é quem negocia com os clientes, recebe os pedidos, efetua a encomenda no exterior dos veículos, embora não realize a importação, pagando, para isso, uma taxa para importadora, caracterizado está que a empresa autuada desenvolve atividade de compra e venda de veículos, devendo ser afastada alegação de que a atividade é de mera intermediação. Assim, correta a autuação com base em tal atividade de compra e venda de veículos.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica-se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, converte-se tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação.
EXTRATOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PELA AUTORIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE.
O STF, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, julgado com repercussão geral, reconheceu a legalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária dos contribuintes, pelas instituições financeiras ao fisco, para fins de apuração de créditos tributários.
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. QUALIFICAÇÃO QUE SE MANTÉM POR SUAS RAZÕES.
Comprovada a intenção dolosa da empresa em deixar de declarar e tributar os impostos obrigatórios e inerentes à sua atividade mercantil, mormente pela prática reiterada de omitir informações durante 2 (dois) anos consecutivos, impõe-se a qualificação da multa de ofício, por subsunção da prática do sujeito passivo com o disposto no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/1996.
CSLL, PIS E COFINS. REFLEXOS.
Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECORRENTE DA PRÁTICA DE ATOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. CABIMENTO.
Comprovado que os sócios de fato e de direito praticaram atos dolosos com intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador e/ou de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fiscal sobre a sua ocorrência, conclui-se pela manutenção da responsabilidade solidária ora atribuída.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
O interesse comum representa o interesse jurídico em relação à omissão dolosa da ocorrência do fato gerador ou de seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. Entretanto, em alguns casos, o interesse jurídico não está completamente dissociado do interesse econômico, razão pela qual se restar configurado o interesse econômico, pressupõe-se a ocorrência do interesse jurídico. Responsabilidade solidária que se mantém.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Quando sequer comprovado o interesse econômico do suposto responsável solidário, e sendo inaplicável o teor do art. 135, III, do CTN, em razão de não ter exercido a administração da empresa autuada, correto o afastamento da responsabilidade solidária outrora atribuída.
Numero da decisão: 1401-002.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado por Juan Sabaté Font. Na parte em que conhecidos os recursos, acordam os membros do Colegiado em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso de Ofício e aos Recursos Voluntários da empresa e do responsável solidário Álvaro Thomas Renaux Niemeyer.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 NULIDADE. PEDIDO QUE SE AFASTA. Não havendo caracterizada nenhuma circunstância daquelas previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, tampouco alguma condição de anulabilidade do art. 10 do mesmo regramento legal, impõe-se o afastamento do pedido de nulidade. PRECLUSÃO PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA E RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO. AUTUAÇÃO QUE SE MANTÉM. Se a parte autuada não impugna o lançamento fiscal, configurada está a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída, mesmo que apresente posteriormente recurso voluntário tempestivo. Isto porque deve prevalecer, para ambos os lados da relação processual, o direito ao contraditório e o acesso ao duplo grau de jurisdição, o que seriam violados caso o recurso voluntário fosse admitido. PRECLUSÃO PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. SOLIDARIEDADE QUE SE MANTÉM. Se a parte autuada não impugna o lançamento fiscal, configurada está a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS. A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999. ATIVIDADE DE COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS X ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO A SER TRIBUTADA. Se a empresa autuada é quem negocia com os clientes, recebe os pedidos, efetua a encomenda no exterior dos veículos, embora não realize a importação, pagando, para isso, uma taxa para importadora, caracterizado está que a empresa autuada desenvolve atividade de compra e venda de veículos, devendo ser afastada alegação de que a atividade é de mera intermediação. Assim, correta a autuação com base em tal atividade de compra e venda de veículos. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica-se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, converte-se tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação. EXTRATOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PELA AUTORIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE. O STF, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, julgado com repercussão geral, reconheceu a legalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária dos contribuintes, pelas instituições financeiras ao fisco, para fins de apuração de créditos tributários. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. QUALIFICAÇÃO QUE SE MANTÉM POR SUAS RAZÕES. Comprovada a intenção dolosa da empresa em deixar de declarar e tributar os impostos obrigatórios e inerentes à sua atividade mercantil, mormente pela prática reiterada de omitir informações durante 2 (dois) anos consecutivos, impõe-se a qualificação da multa de ofício, por subsunção da prática do sujeito passivo com o disposto no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. CSLL, PIS E COFINS. REFLEXOS. Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECORRENTE DA PRÁTICA DE ATOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. CABIMENTO. Comprovado que os sócios de fato e de direito praticaram atos dolosos com intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador e/ou de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fiscal sobre a sua ocorrência, conclui-se pela manutenção da responsabilidade solidária ora atribuída. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. O interesse comum representa o interesse jurídico em relação à omissão dolosa da ocorrência do fato gerador ou de seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. Entretanto, em alguns casos, o interesse jurídico não está completamente dissociado do interesse econômico, razão pela qual se restar configurado o interesse econômico, pressupõe-se a ocorrência do interesse jurídico. Responsabilidade solidária que se mantém. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Quando sequer comprovado o interesse econômico do suposto responsável solidário, e sendo inaplicável o teor do art. 135, III, do CTN, em razão de não ter exercido a administração da empresa autuada, correto o afastamento da responsabilidade solidária outrora atribuída.
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PEDIDO QUE SE AFASTA. Não havendo caracterizada nenhuma circunstância daquelas previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, tampouco alguma condição de anulabilidade do art. 10 do mesmo regramento legal, impõese o afastamento do pedido de nulidade. PRECLUSÃO PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA E RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO. AUTUAÇÃO QUE SE MANTÉM. Se a parte autuada não impugna o lançamento fiscal, configurada está a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída, mesmo que apresente posteriormente recurso voluntário tempestivo. Isto porque deve prevalecer, para ambos os lados da relação processual, o direito ao contraditório e o acesso ao duplo grau de jurisdição, o que seriam violados caso o recurso voluntário fosse admitido. PRECLUSÃO PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. SOLIDARIEDADE QUE SE MANTÉM. Se a parte autuada não impugna o lançamento fiscal, configurada está a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS. A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 26 67 /2 01 2- 37 Fl. 1364DF CARF MF 2 ATIVIDADE DE COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS X ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO A SER TRIBUTADA. Se a empresa autuada é quem negocia com os clientes, recebe os pedidos, efetua a encomenda no exterior dos veículos, embora não realize a importação, pagando, para isso, uma taxa para importadora, caracterizado está que a empresa autuada desenvolve atividade de compra e venda de veículos, devendo ser afastada alegação de que a atividade é de mera intermediação. Assim, correta a autuação com base em tal atividade de compra e venda de veículos. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, convertese tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação. EXTRATOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PELA AUTORIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE. O STF, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, julgado com repercussão geral, reconheceu a legalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária dos contribuintes, pelas instituições financeiras ao fisco, para fins de apuração de créditos tributários. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. QUALIFICAÇÃO QUE SE MANTÉM POR SUAS RAZÕES. Comprovada a intenção dolosa da empresa em deixar de declarar e tributar os impostos obrigatórios e inerentes à sua atividade mercantil, mormente pela prática reiterada de omitir informações durante 2 (dois) anos consecutivos, impõese a qualificação da multa de ofício, por subsunção da prática do sujeito passivo com o disposto no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. CSLL, PIS E COFINS. REFLEXOS. Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS e à COFINS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECORRENTE DA PRÁTICA DE ATOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. CABIMENTO. Comprovado que os sócios de fato e de direito praticaram atos dolosos com intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador e/ou de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fiscal sobre a sua ocorrência, concluise pela manutenção da responsabilidade solidária ora atribuída. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. O interesse comum representa o interesse jurídico em relação à omissão dolosa da ocorrência do fato gerador ou de seu conhecimento por parte da Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.365 3 autoridade fiscal. Entretanto, em alguns casos, o interesse jurídico não está completamente dissociado do interesse econômico, razão pela qual se restar configurado o interesse econômico, pressupõese a ocorrência do interesse jurídico. Responsabilidade solidária que se mantém. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Quando sequer comprovado o interesse econômico do suposto responsável solidário, e sendo inaplicável o teor do art. 135, III, do CTN, em razão de não ter exercido a administração da empresa autuada, correto o afastamento da responsabilidade solidária outrora atribuída. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado por Juan Sabaté Font. Na parte em que conhecidos os recursos, acordam os membros do Colegiado em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso de Ofício e aos Recursos Voluntários da empresa e do responsável solidário Álvaro Thomas Renaux Niemeyer. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), que, por meio do Acórdão 0946.225, de 05 de setembro de 2013, julgou improcedente a impugnação da empresa em epígrafe e do responsável solidário Álvaro Thomas Renaux Niemeyer, CPF 516.438.20834, e, por outro lado, julgou procedente a impugnação do responsável solidário Rubens do Nascimento Gonçalves Neto, CPF 138.913.55806. Fl. 1366DF CARF MF 4 Quanto aos demais responsáveis solidários, Flávio Pedro de Moraes Nazarian Filho CPF nº 036.672.89898; Arthur de Almeida Prado CPF 046.192.07861; Eduardo Bandeira Barreto CPF 028.377.77889; Zeta Importação e Exportação Ltda Massa Falida CNPJ 03.837.719/000170; Juan Sabaté Font CPF 029.925.82891; e Ivaldo José Antero CPF 192.109.14287, a autuação foi mantida pela falta de apresentação de impugnação. O crédito tributário lançado se refere à exigência do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) IR e CS pelo lucro arbitrado e Pis e Cofins pelo regime cumulativo devidos nos anoscalendário 2007 e 2008, em decorrência de movimentação financeira incompatível com a receita declarada, cujo montante, na época dos fatos, atingiu a R$ 9.094.185,03, incluídos multa e juros. Em razão de conduta fraudulenta, a fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada de 150%. Como já adiantado acima, houve atribuição de responsabilidade solidária aos sócios de direito da recorrente e a demais pessoas (físicas e jurídicas) envolvidas no suposto esquema fraudulento apurado pela auditoria fiscal. Por bem delineado, reproduzo relatório do acórdão da DRJ/JFA: (início da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ/JFA) Contra a contribuinte identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 697 e seguintes, referentes ao IRPJ, PIS CSLL, Cofins e, que lhe exigem um crédito tributário de R$ 9.094.185,03 (nove milhões, noventa e quatro mil, cento e oitenta e cinco reais e três centavos), com juros de mora calculados até novembro de 2012, sendo: IRPJ 993.440,58 Juros de Mora 484.194,04 Multa Proporcional (passível de redução) 1.490.160,84 TOTAL 2.967.795,46 PIS 281.196,16 Juros de Mora 139.490,76 Multa Proporcional (passível de redução) 421.794,19 TOTAL 842.481,11 CSLL 467.218,34 Juros de Mora 227.486,88 Multa Proporcional (passível de redução) 700.827,50 TOTAL 1.395.532,72 Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.366 5 Cofins 1.297.828,74 Juros de Mora 643.803,95 Multa Proporcional (passível de redução) 1.946.743,05 TOTAL 3.888.375,74 Dos Autos de Infração, há que se destacar o seguinte: IRPJ (fls. 706) Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2007 06/2007 09/2007 12/2007 03/2008 06/2008 09/2008 12/2008 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso III, do RIR/99. 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor apurado conforme Termo de Constatação e Verificação. ... PIS (fls. 717) 001 PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITA FALTA/INSUFICIÊNCIA DO PIS Valor apurado conforme Termo de Constatação e Verificação. ... Cofins (fls. 728) 001 COFINS OMISSÃO DE RECEITA Valor apurado conforme Termo de Constatação e Verificação. ... CSLL (fls.739) 001 CSLL SOBRE OMISSÃO DE RECEITA Valor apurado conforme Termo de Constatação e Verificação. Fl. 1368DF CARF MF 6 A seguir seguem trechos do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, fls. 744 e seguintes: 4.1 O Termo de Início de Procedimento Fiscal foi elaborado em 01/08/2011, prevendo se a intimação pessoal do contribuinte. Através do mesmo se intimava o contribuinte a apresentar no prazo de 20 (vinte) dias corridos à fiscalização os seguintes documentos, relativos aos anos calendário 2007 e 2008: Livros Diários e Razão. Livros de Registro de Entradas e de Saídas de Mercadorias e/ou Serviços. Extratos bancários de todas as contas correntes e aplicações financeiras. Esclarecimentos sobre a regular contabilização da movimentação financeira. Contrato Social e alterações correspondentes aos últimos cinco anos. Quando do comparecimento ao endereço cadastral constante nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), para a intimação na mesma data da lavratura do Termo de Início, constatouse que o mesmo não mais se encontrava estabelecido no local, a vista do que se elaborou o Termo de Constatação e Diligência n. 01, relatando o fato. Posteriormente obtevese a informação de que o contribuinte teria se mudado em junho/2009 para outro endereço localizado no Centro Comercial Alphaville em Barueri, sem informar à RFB, onde atuaria sob outra denominação. Procedeuse então a diligência no novo local informado, constatandose que também neste o contribuinte não mais se encontrava, sendo na mesma data elaborado o Termo de Constatação e Diligência n. 02. Considerando que o contribuinte, não foi localizado em seu domicílio tributário para ser intimado, o mesmo foi cientificado do início do procedimento fiscal através do Edital nº 227/2011 afixado em 05/12/2011 e retirado em 20/12/2011. Em 02/03/2012, diante do não comparecimento do contribuinte e com vistas a obter os elementos solicitados, elaborouse o Termo de Início de Procedimento Fiscal n. 02, enviado pelo correio para os responsáveis legais do mesmo, nos endereços residenciais que constavam nos sistemas da RFB, através de Avisos de Recebimento (AR). Apesar de regularmente intimado, uma vez que o sócio administrador Flavio Pedro Moraes Nazarian Filho recebeu a intimação em 08/03/2012 e o sócio Arthur de Almeida Prado em 07/03/2012, o contribuinte novamente não atendeu à intimação, Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.367 7 não comparecendo, não enviando os documentos e nem apresentando qualquer justificativa. Como última tentativa para obter os elementos solicitados, em 29/03/2012 foi elaborado o Termo de Reintimação Fiscal, enviado para os endereços residenciais dos responsáveis legais do contribuinte pelo correio, sendo o mesmo recebido por ambos. Em 02/04/2012 foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal com base em informações obtidas através de pesquisas realizadas na Internet, para o comparecimento de Eduardo Bandeira Barreto, para que este prestasse esclarecimentos e apresentasse elementos com relação ao contribuinte. Eduardo Bandeira Barreto, segundo as informações, era o responsável pela empresa "Barreto Import", denominação pela qual a Flabacar era conhecida no mercado, a ponto de constar o nome daquela empresa na fachada do contribuinte, bem como em seu site na internet. Salientese que "Barreto Import" e Eduardo Barreto na ocasião, eram referências no mercado de veículos importados de alto luxo em São Paulo e no País. Anteriormente, Barreto fora inclusive Presidente da Associação Brasileira de Comerciantes e Importadores Autônomos de Veículos Automotores. Mesmo não fazendo parte do quadro societário da Flabacar, Eduardo Barreto era quem efetuava os contatos e negociações com os fornecedores e com os clientes, bem como coordenava as importações, segundo informações obtidas. Intimado, o mesmo compareceu em 18/04/2012 à RFB e sucintamente declarou perante os auditores fiscais Eugênio Carlos Goffi e Esther Antonioli Guimarães: a Que trabalhara na Flabacar, como agente de negócios, não participando como sócio. Justificou este fato, sob o argumento de que na época estava se separando da esposa e que não queria ter bens que pudessem vir a ser partilhados na separação. b Que sua atuação na empresa se limitava à obtenção e venda de veículos, em função do conhecimento que tinha do mercado de importados. Nesse aspecto, informou que a "Barreto Import" fora criada por seu pai na década de 1950, com quem trabalhou por vários anos e sucedeu no comando do negócio. c Inquirido, declarou que na empresa o atendimento aos atuais e potenciais clientes, bem como as vendas de veículos, eram efetuadas tanto por ele como por Flávio Nazarian.. d Que não tinha qualquer vínculo empregatício com a Flabacar, recebendo as comissões sobre as vendas de veículos que efetuava por meio de cheques. Afirmou que não trabalhava exclusivamente para a Flabacar, realizando também outros negócios. Fl. 1370DF CARF MF 8 e Que não efetuava pagamentos, não assinava cheques ou recibos e que não tinha procuração para representar a empresa junto a instituições financeiras. f Que a sílaba "ba" no nome Flabacar, não se referia a Barreto. g Que sua ligação com a Flabacar terminara em fins de 2008, quando da queda nas vendas de veículos por importadores independentes. Após sair, mudou para Barueri, onde continuou atuando como "Barreto Import" por mais 6 (seis) meses. h) Que fora pessoalmente denunciado na Operação Posseidon, operação efetuada pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal no Porto de Vitória, por ser ele quem mantinha contato com a empresa importadora dos veículos comercializados pela Flabacar, denominada Zeta Importação e Exportação Ltda,bem como pelo fato de ser a Barreto Import e não Flávio Nazarian quem atuava no mercado de importados. i) Por outro lado, inquirido sobre o fato de anteriormente ter sido denunciado por descaminho e falsidade ideológica na Operação Dilúvio havida em 2006, também efetuada pela Polícia Federal e pela Receita Federal no Paraná, informou já ter sido inocentado, o que posteriormente se comprovou. As declarações dadas pelo depoente aos Auditores Fiscais da RFB, foram reduzidas a termo, sendo firmadas pelos mesmos. Finalmente, em atendimento ao Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 29/03/2012, compareceu também à RFB em 23/04/2012 o sócio administrador da Flabacar Flávio Pedro de Moraes Nazarian Filho, acompanhado da atual contadora da empresa, apresentando apenas os Livros Diários e Razão relativos aos anos calendário 2006, 2007, 2008 e 2009 todos sem o devido registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo Jucesp, fato este registrado no competente protocolo de recebimento da documentação entregue, bem como não refletindo a real movimentação da empresa, a vista do que a Contabilidade foi considerada imprestável para efeito de fiscalização. Quanto aos demais documentos solicitados nos Termos de Intimação e de Reintimação Fiscal, alegando dificuldades em obtêlos, solicitou um prazo adicional, ficando de apresentálos à fiscalização em 04/05/2012. Aproveitando a presença do sócio, obtevese do mesmo uma série de esclarecimentos, os quais foram registrados como Termo de Declaração denominado de nº 2, elaborado na ocasião e cuja assinatura do depoente ficou marcada para 04/05/2012, quando de seu retorno para a apresentação dos documentos faltantes. Sucintamente, Flávio Nazarian Filho declarou na ocasião: a Que anteriormente à Flabacar, ele tivera outra empresa denominada Flabaru Comércio de Veículos, com o mesmo objeto social e que foi extinta em dezembro de 2006. A mesma fora criada, para aproveitar o "expertise" de um seu conhecido, Eduardo Bandeira Barreto, o qual era titular de uma tradicional empresa especializada na importação e comercialização de veículos importados, denominada "Barreto Import". Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.368 9 b Na ocasião, afirmou, desconhecia o mercado de veículos, tendo entrado no negócio como sócio capitalista. Por outro lado, pelo fato de tanto ele como Eduardo Barreto terem restrições de crédito na época, a Flabaru foi constituída em nome de um seu primo chamado Ruy Pedro Nazarian Júnior e de sua então esposa Andréia Yasmin Duarte, os quais se limitavam aos aspectos formais, sendo a empresa gerida efetivamente por Eduardo Barreto. c Que em finais de 2006, constituíra a Flabacar, tendo como sócios ele, que era o sócio administrador e um amigo Arthur Almeida Prado, este colocado no contrato apenas porque para o registro na Jucesp eram necessários ao menos dois sócios. Segundo afirmou, Eduardo Barreto não constou formalmente na sociedade por estar em processo de separação matrimonial, mas era este que operava a empresa de fato, a exemplo do que ocorrera anteriormente na Flabaru, efetuando os contatos com os fornecedores e clientes bem como realizando as importações por meio de uma empresa denominada Zeta Importação e Exportação Ltda. Por ter a senha do banco, Barreto fazia também movimentações bancárias através da internet, em nome da Flabacar. d) Que a Flabacar paralisou as atividades em março de 2009, em virtude do mercado de veículos importados por importadores independentes ter tido uma parada, quando da liberação das importações diretamente para as marcas produtoras. Informou que por ter débitos tributários, a empresa não encerrou formalmente as atividades e nem atualizou seus dados junto aos órgãos competentes. Após a paralisação da Flabacar, Eduardo Barreto mudouse para Barueri, onde continuou operando a "Barreto Import" por mais seis meses em um espaço cedido por um amigo. e) A atual contadora da empresa, informou na ocasião, que ao assumir a contabilidade em 2010, constatou que a empresa havia apresentado declarações de IRPJ sem movimento para os anos de 2006 a 2009, a vista do que elaborara declarações retificadoras com base em dados e planilhas apresentadas a ela pelo sócio administrador Flávio Nazarian Filho, não tendo tido acesso a outros documentos, tais como extratos bancários, contratos de compra e venda de veículos ou notas fiscais.. Apesar de haver se comprometido a apresentar os documentos ainda faltantes em 04/05/2012, bem como a assinar o termo de declaração elaborado quando de seu depoimento, Flávio Nazarian não compareceu, não enviou os documentos solicitados e nem apresentou qualquer justificativa. Em decorrência, em 07/05/2012 foi elaborado o Termo de Reintimação Fiscal nº 2, contendo as mesmas solicitações dos anteriores, enviado aos responsáveis legais por meio de AR's, recebidos por ambos em 08/05/2012, e novamente não atendido. Fl. 1372DF CARF MF 10 4.2. Considerando que o contribuinte não fora localizado no endereço constante no CNPJ, fato esse comprovado através de Termo de Diligência, bem como não apresentara todos os documentos solicitados, em 07/05/2012 foi elaborado também o Termo de Embaraço à Fiscalização, cuja comunicação foi efetuada para o contribuinte por meio do Edital 78/2012, afixado em 07/05/2012 e retirado em 28/05/2012, bem como para os responsáveis legais pela empresa através do Correio, sendo os respectivos AR's recebidos em 08/05/2012 Em 12/05/2012 foi elaborada também Representação Fiscal para Fins de Declaração de Inaptidão da Inscrição da Pessoa Jurídica no CNPJ/MF (Processo 19515.720538/201212), com base no artigo 216, parágrafo 4º do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). 4.3. Diante da não apresentação pelo contribuinte dos documentos solicitados, bem como para esclarecer as reais pessoas físicas e jurídicas envolvidas na gestão e administração dos negócios da empresa, foi elaborada a Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), aos Bancos ABN Amro Real S/A e Sofísa S/A instituições financeiras com as quais a empresa havia operado em 2007 e em 2008. O Banco Sofisa S/A atendeu à solicitação em 24/05/2012, apresentando cópias dos extratos bancários da conta 0000121721 na agência 00019 nos anos de 2007 e 2008, da proposta de abertura de conta PJ, das informações para cadastro da PJ, das informações para cadastro da PF e do cartão de assinaturas. Sucintamente constava, que o único autorizado a assinar pela empresa era Flávio Pedro de Moraes Nazarian e que a movimentação financeira nos dois anos tinha sido muito pequena, ressaltandose que no período não havia ocorrido lançamentos a crédito. A Conta havia sido aberta em 08/11/2006 e a única referência comercial informada pela Flabacar era a empresa Zeta Trading. O Banco ABN Amro Real, atual Banco Santander, atendeu à solicitação em 11/07/2012, apresentando na ocasião apenas cópia dos extratos bancários da conta 1004913 na agência 0986, nos anos de 2007 e de 2008. Quanto aos demais documentos solicitados especificamente os cartões de assinatura, proposta de abertura da conta e eventuais procurações para representar a empresa junto ao banco, comunicou que necessitava de mais tempo para entregálos. 4.4. Com o intuito de verificar a possível existência de procurações delegando poderes a terceiros para representar a Flabacar perante bancos e terceiros, procedeuse durante o mês de junho/2012 à solicitação também de informações para todos os Tabelionatos de Notas da Capital. Pelas respostas obtidas durante o decorrer dos meses de julho e agosto/2012, verificouse que nenhuma procuração havia sido lavrada por Flávio Nazarian Filho ou pela empresa, para a "Barreto Import", Eduardo Barreto, Arthur de Almeida Prado ou outros. Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.369 11 4.5.Com base nos elementos apresentados pelos Bancos ABN Amro Real e Sofisa, durante o mês de agosto/2012, elaborouse o "Demonstrativo da Movimentação Financeira da Flabacar – Valores Considerados", demonstrativo esse que relaciona e consolida todos os créditos recebidos pelo contribuinte por meio das instituições financeiras e que é apresentado em anexo. Elaborado com o objetivo de subsidiar o questionamento dos responsáveis pela empresa quanto às diferenças apuradas entre os valores movimentados e os informados à RFB, discrimina os valores depositados a crédito na conta da empresa, tendo sido subtraídos dos montantes mensais os valores relativos aos cheques devolvidos. Em 06/09/2012, com base nos valores discriminados no Demonstrativo da Movimentação Financeira acima citado, foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal n. 03, através do qual a empresa, Flávio Nazarian Filho e Eduardo Barreto foram intimados a justificar as diferenças entre os valores declarados e os oferecidos à tributação. A empresa foi cientificada por meio do Edital 174/2012, afixado em 06/09/2102 e retirado em 24/09/2012 e Flávio Nazarian Filho e Eduardo Barreto foram pessoalmente intimados pelo correio, por meio de AR's recebidos em 11/09/2012 por Eduardo Barreto e em 12/09/2012 por Flávio Nazarian Filho. Flávio Nazarian Filho não atendeu à intimação e nem apresentou qualquer justificativa. Eduardo Barreto enviou correspondência, acusando o recebimento da intimação e reiterando os termos de sua declaração de abril/2012, na qual afirmara que não tinha nem nunca tivera qualquer responsabilidade administrativa pela Flabacar e que portanto não poderia opinar ou comentar sobre movimentação financeira da empresa. 4.6. Ainda com base nas informações obtidas junto às instituições financeiras, devido as remessas de recursos nelas identificadas bem como em novas pesquisas realizadas nos sistemas informatizados da RFB, com o objetivo de configurar o real quadro de pessoas físicas e jurídicas beneficiárias dos negócios da Flabacar, e para confirmar as relações comerciais havidas entre eles, foram abertos em meados de outubro/2012, Mandados de Procedimento Fiscais Diligências vinculados. Na seqüência foram intimadas determinadas pessoas ou representantes de empresas que por terem participado dos fatos à época, poderiam contribuir para o esclarecimento da efetiva atuação de cada um deles, bem como eventualmente apresentar algum elemento de prova, a saber: a) Zeta Importação e Exportação Ltda, empresa esta que efetuava as importações de veículos comercializados pela Flabacar e para a qual foram efetuados vultuosos depósitos. b) Juan Sabate Font, um dos sócios administradores da Zeta. Fl. 1374DF CARF MF 12 c) Arthur de Almeida Prado, sócio da Flabacar desde a sua constituição até sua paralisação, que apesar de intimado seguidas vezes ainda não comparecera. d) Ruy Pedro Nazarian, que fora sócio administrador da Flabaru quando da constituição e posteriormente sócio desta. e) Andréia Yasmin Duarte, ex esposa de Flávio Nazarian Filho e sócia administradora da Flabaru na maior parte da existência da empresa, que mesmo após o encerramento desta, recebeu em sua conta corrente bancária pessoal valores pagos pela Flabacar durante 2007 e 2008. f) Marcelo Pedro Nazarian, irmão de Flávio Nazarian Filho e durante um pequeno período sócio da Flabaru. Ele também recebeu valores da Flabacar, depositados em sua conta corrente pessoal. g) Darlene Maria Ferreira de Abreu Barreto, ex esposa de Eduardo Barreto. h) N. Park Comércio Importação e Exportação Ltda, cliente que efetuara os maiores depósitos na conta da Flabacar, bem como Ricardo Skerlak, um dos seus sócios administradores. i) Barra Peixe Participações Ltda, empresa que fora criada em maio/2008, no mesmo endereço da Flabacar, tendo como sócios dentre outros Flávio Nazarian Filho, Arthur de Almeida Prado, Eduardo Barreto, Armando Mellão e Marcos Dutra Pettinati. Destes, foram intimados os três últimos, em seus endereços residenciais. Compareceram à RFB apenas Juan Sabate Font; Ruy Pedro Nazarian, o pai de Marcelo Pedro Nazarian, o representando pois o mesmo atualmente mora em Manaus; Darlene Maria Ferreira de Abreu Barreto; e Ricardo Skerlak e Antonio Carlos Skerlak, estes representando a N. Park Ltda, os quais depuseram tendo sido lavrrados a termo suas declarações. A Barra Peixe Participações Ltda e Andréia Yasmin Duarte não puderam ser intimados uma vez que não foram localizados nos endereços cadastrais que constavam nos sistemas da Receita Federal. Os demais, apesar de regularmente intimados, não compareceram e nem apresentaram qualquer justificativa. Os esclarecimentos prestados e os elementos apresentados pelas pessoas intimadas que compareceram, comprovaram os indícios de que Flabacar, Barreto Import, Flávio Nazarian Filho, Eduardo Barreto, Zeta e seus responsáveis legais trabalhavam em conjunto, com o objetivo de nacionalizar os veículos importados por valores subfaturados, bem como de omitir a participação da Flabacar nas negociações. Sucintamente, a partir de uma encomenda efetuada por pessoa física ou jurídica com pagamento de sinal de aproximadamente metade do valor pactuado, Eduardo Barreto/Barreto Import solicitava a agentes de compra de sua confiança na Flórida/EUA a aquisição do veículo e seu envio para empresas localizadas em Miami/EUA. Estas, orientadas por Eduardo Barreto/Barreto Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.370 13 Import segundo informado, emitiam fatura de venda para a Zeta, em geral, com valor bastante inferior ao real. A Zeta, ao receber o veículo, no porto de Vitória, onde gozava de isenções fiscais, registrava a Declaração de Importação no Brasil em seu nome e posteriormente emitia nota fiscal diretamente para a pessoa física ou jurídica que havia adquirido o veículo da Barreto Import/Flabacar, após o comprador efetivar o pagamento da parte restante a esta última, acrescido dos tributos alfandegários. Desta forma, apesar de efetivamente receber os valores relativos às vendas dos veículos efetuadas para os compradores e de efetuar pagamentos à Zeta pela prestação de serviços, a Flabacar não aparecia formalmente, sonegando os tributos internos devidos. 4.7. Posteriormente, em finais de novembro/2012, o Banco ABN Amro Real enviou cópia da proposta de abertura de conta corrente PJ, através da qual se constatou que tanto Flávio Nazarian como Eduardo Barreto estavam autorizados a solicitar talões de cheques e cartões em nome da empresa. A pedido da fiscalização, o banco também apresentou esclarecimentos sobre uma série de lançamentos que haviam constado nos extratos bancários enviados anteriormente em julho/2012. Pela análise desses lançamentos, verificouse que haviam sido efetuados entre outros, uma série de depósitos para a Zeta Importação e Exportação Ltda além dos inicialmente identificados, assim como para o sócio desta, Álvaro Thomas Renaux Niemeyer e para o sócio da Flabacar Arthur de Almeida Prado. Em anexo, é apresentada uma relação com alguns dos valores depositados para os mesmos. Para comprovar, com documenteis hábeis e idôneos a natureza dos pagamentos recebidos da Flabacar, foram intimados pelo correio os sócios da Zeta Juan Sabate Font, Álvaro Thomas Renaux Niemeyer, Rubens do Nascimento Gonçalves Neto e Ivaldo José Antero, assim como pessoalmente o síndico da massa falida da Zeta Importação e Exportação Ltda Dr. Asdrúbal Montenegro Neto, uma vez que esta tivera sua falência decretada em 16/09/2011. Ressaltese haverem sido identificados os sócios e o síndico da falência da empresa, com base em ficha cadastral simplificada da Jucesp. Destes, apesar de regularmente intimados conforme comprovantes de recebimento dos AR's enviados, compareceram apenas os sócios Juan Sabate Font e Álvaro Thomas Renaux Niemeyer, os quais alegaram que estavam impossibilitados de apresentar os documentos solicitados, uma vez que as instalações da empresa estavam judicialmente lacradas. Confirmaram, entretanto, que as Notas Fiscais relativas aos veículos eram emitidas diretamente para os consumidores finais da Flabacar e não para esta, o que foi formalizado através de Termo de Declaração, anexo. Fl. 1376DF CARF MF 14 Os sócios Rubens do Nascimento Gonçalves Neto e Ivaldo José Antero não compareceram e nem se justificaram. Quanto ao síndico da massa falida, este apresentou declaração informando que a empresa até o momento não depositara em cartório nenhum documento ou mesmo os livros fiscais, ficando assim impossibilitado de atender à solicitação. 5. BASE DE CÁLCULO UTILIZADA E DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou qualquer documento que comprovasse as receitas auferidas e informadas à Receita Federal do Brasil, apesar de regularmente intimado, considerouse com base de cálculo do IRPJ e dos reflexos, a movimentação financeira havida nas instituições financeiras. Os valores considerados são apresentados em anexo, no Demonstrativo da Movimentação Financeira da Flabacar Valores Considerados. Por outro lado, aplicouse ao crédito tributário constituído a multa prevista no artigo 957, inciso II, do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda, por estar presente o intuito de fraude definido nos artigos 71 e 73 da Lei 4.502/64, uma vez que ficou demonstrado ao longo deste termo, a conduta do contribuinte e de seus responsáveis na tentativa de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. 6. DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL. Com base nos dados do Demonstrativo da Movimentação Financeira da Flabacar Valores Considerados, se verificou que as receitas auferidas pela empresa foram de R$ 26.246.469,80 (Vinte e seis milhões,duzentos e quarenta e seis mil e quatrocentos e sessenta e nove reais e oitenta centavos) em 2007 e de R$ 17.014.491,12 (dezessete milhões , quatorze mil e quatrocentos e noventa e um reais e doze centavos) em 2008, valores muito superiores aos declarados como receita bruta para a Receita Federal do Brasil através das Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica DIPJ/2008 Ano Calendário 2007 e DIPJ/2009 Ano Calendário 2008, respectivamente nos valores de R$ 854.753,41 (Oitocentos e cinqüenta e quatro mil e setecentos e cinqüenta e três reais e quarenta e um centavos) e de R$ 164.346,41 (Cento e sessenta e quatro mil e trezentos e quarenta s seis reais e quarenta e um centavos) Em termos mensais, as receitas auferidas pela empresa, em reais, com base na movimentação financeira foram de: ... Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.371 15 7. DO ARBITRAMENTO O contribuinte foi intimado a apresentar a documentação do anos calendário de 2007 e 2008, conforme Termos de Início de Ação Fiscal, de Intimação Fiscal e de Reintimação Fiscal descritos no item 5, anteriormente. Conforme demonstrado acima, contribuinte não apresentou a documentação solicitada. No que tange a não apresentação da escrituração fiscal/contábil, a Fiscalização aplicou o critério de apuração pelo lucro arbitrado, com fulcro no inciso III do art. 530 do Regulamento do Importo de Renda, in verbis: ... Assim, o critério do arbitramento decorre de expressa previsão legal. A autoridade tributária, impossibilitada de aferir a exatidão da receita declarada em virtude da não apresentação, total ou parcial, de livros ou documentos pela pessoa jurídica regulamente intimada, como é o caso em questão, está legitimada a adotálo como meio de apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil. 8. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Fruto da análise efetuada, concluiuse que havia um liame inequívoco e complementar, entre as atividades exercidas pela Flabacar e seus responsáveis legais, pela Zeta e seus responsáveis legais e por Eduardo Bandeira Barreto / "Barreto Import", caracterizada pela vinculação gerencial ou operacional existentes. Havia na prática, a formação de um grupo informal de empresas e de pessoas com um interesse comum. Especificamente quanto à atuação na Flabacar, verificouse que Flávio Nazarian Filho e Eduardo Barreto geriam e administravam a Flabacar em conjunto. Trabalhavam lado a lado na empresa, o primeiro cuidando mais da parte administrativa e o segundo mais da parte comercial, mas não exclusivamente. Ambos atendiam aos clientes, movimentavam valores e se comprometiam em nome da empresa. Ressaltese por exemplo, que nos recibos de pagamento emitidos, sobre o carimbo da Flabacar constavam conjuntamente as assinaturas de Eduardo Barreto e de Flávio Nazarian Filho. Por outro lado, constava no recibo, também o carimbo da "Barreto Import", sendo que neste último o endereço que constava era o da Flabacar. Quanto ao sócio Arthur de Almeida Prado, constatouse por meio de depósitos constantes nos extratos bancários da Flabacar, que o mesmo participava dos resultados da empresa. Fl. 1378DF CARF MF 16 Por fim, quanto à Zeta e aos seus sócios, para ratificar o fato de que também eram coresponsáveis, verificouse que os mesmos participavam ativamente dos negócios através da nacionalização dos veículos sem a correta identificação do real destinatário e da emissão das notas fiscais diretamente para os clientes da Flabacar. Assim, com base nos elementos verificados e nos depoimentos obtidos, devidamente comprovados pela documentação juntada nesse processo administrativo, fica evidente a responsabilidade solidária de todas as pessoas físicas e jurídicas e seus respectivos sócios relacionados a seguir, pelos créditos tributários imputados à Flabacar Comércio de Veículos Ltda, por ficar demonstrado de forma inequívoca, o interesse comum dessas pessoas nas situações que constituíram os fatos geradores da obrigação principal, conforme prescreve o artigo 124, inciso I, da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, in verbis: ... Desta forma, em decorrência do acima exposto, são considerados como responsáveis solidários pelos créditos tributários da Flabacar: a) FLÁVIO PEDRO DE MORAES NAZARIAN FILHO CPF nº 036.672.89898 Al. Joaquim Eugênio de Lima 813 apto 74, Jardim Paulista, São Paulo, SP, CEP 01403001. Sócio Administrador da empresa Flabacar Comércio de Veículos Ltda, de 10/2006 até a presente data. b) ARTHUR DE ALMEIDA PRADO CPF 046.192.07861 Rua Jaques Felix 162 Apto 71, VilaN. Conceição, São Paulo, SP, CEP 04509000. Sócio da Flabacar Comércio de Veículos Ltda, de 10/2006 até 09/12/2008. c) EDUARDO BANDEIRA BARRETO CPF 028.377.77889 Rua Girassol 74, Vila Madalena, São Paulo, SP, CEP 05433 000. Responsável pela "Barreto Import" e administrador de fato da Flabacar, ao menos de 10/2006 até finais de 2008. d) ZETA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA MASSA FALIDA CNPJ: 03.837.719/000170 Av. Dr. Guilherme Dumont Villares 1.230, Conj. 112, Morumbi, São Paulo, SP, CEP 05640002. Representada pelo Síndico da Massa Falida Dr. Asdrúbal Montenegro Neto, com escritório à Avenida Angélica 2.63212º andar Pacaembu São Paulo CEP 01226906. e) ÁLVARO THOMAS RENAUX NIEMEYER CPF 516.438.20834. Rua Dr. Jesuíno de Abreu 306, Jardim Morumbi, São Paulo, SP, CEP 05662010. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.372 17 Sócio Administrador da Zeta Importação e Exportação Ltda, de 05/2000 a 09/2011 f) JUAN SABATE FONT CPF 029.925.82891 Av. San Diego 103, San Diego Park, Granja Viana, Cotia, SP, CEP 06710850. Sócio Administrador da Zeta Importação e Exportação Ltda, de 05/2000 a 09/2011. g) RUBENS DO NASCIMENTO GONÇALVES NETO CPF 132.913.55806. Avenida José Galante 334 Apto 53, Vila Suzana, São Paulo, SP, CEP 05642000. Sócio Administrador da Zeta Importação e Exportação Ltda, de 05/2000 a 09/2011. h) IVALDO JOSÉ ANTERO CPF 192.109.14287. Rua José Mathias 458, Tucura, Mogi Mirim, SP, CEP 13807 020. Sócio Administrador da Zeta Importação e Exportação Ltda, de 09/2005 a 09/2011. Quanto à atribuição de responsabilidade a terceiros, ressaltese, a mesma está também legalmente amparada no artigo 128 do Código Tributário Nacional, que disciplina: ... Por outro lado, o sócio administrador da Flabacar Flávio Pedro de Moraes Nazarian Filho, é também pessoalmente responsável, com base no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, in verbis: ... 9. DOS CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA Pela não apresentação pelo contribuinte dos documentos solicitados pela fiscalização, bem como pelo fato do mesmo haver apresentado Declarações do Imposto de Renda PJ nos anos calendário 2007 e 2008, com valores de receita bruta muito inferiores aos reais, ficou configurado o crime contra a ordem tributária previsto no artigos 1º, inciso I da Lei 8.137/90, in verbis: ... Apresentaram impugnações: • A autuada (fls. 823 e seguintes); Fl. 1380DF CARF MF 18 • Álvaro Thomas Renaux Niemeyer, CPF 516.438.20834 (fls. 831 e seguintes); • Rubens do Nascimento Gonçalves Neto, CPF 138.913.55806 (fls. 943 e seguintes). IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA ... 2) No mesmo Termo de Constatação e Verificação Fiscal já referido, no item 4.2, concomitantemente à elaboração do Termo de Reintimação Fiscal n° 2, em 07/05/2012, também foi elaborado Termo de Embaraço à Fiscalização, comunicado via Edital e afixado na mesma data, não se aguardando o prazo legal para apresentação da documentação. Em seguida, foi elaborado Termo de Sujeição Passiva Solidária para responsabilizar os sócios e desqualificar a pessoa jurídica. 3) Igualmente sem observar o prazo de 90 dias prescrito no art. 28, §2º, da Instrução Normativa da RFB nº 1.183, de 19 de agosto de 2011, em 12/05/2012, portanto cinco dias após a publicação do Termo de Reintimação, foi elaborada Representação Fiscal para Fins de Declaração de Inaptidão da Inscrição da Pessoa Jurídica, processo nº 19515.720538/2012 12. 4) Com base em dados obtidos por Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, foi lavrado Auto de Infração em 27/11/2012, IRPJCSLLCOFINSPIS PORT 6662008, processo nº 19515.722667/201237. 5) Finalmente, em 19/12/2012, foi feita Representação Fiscal p/ Fins Penais IRPJ, processo n° 19515.723033/201200. 6) Esclareçase que, quando efetivamente intimada, a empresa respondeu, tempestivamente, se apresentando à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (DFFIS/SP), entregando os documentos a que estava obrigada e prestando as informações requeridas. Deste modo, jamais causou embaraço à fiscalização. Houve sim desrespeito aos prazos que deveriam ser observados pela fiscalização antes de adotar outros procedimentos que agravam a situação do contribuinte, não abrindo oportunidade para sua defesa. Tornamse assim nulos os atos praticados pela administração no tocante à Representação Fiscal para Fins Penais, processo nú19515.723033/201200. 7) Por outro lado, a empresa FLABACAR, requerente, tem como objeto social preponderante o comércio sob consignação de veículos automotores. Fato esse que não foi levado em consideração pela fiscalização, ou seja, participa tão somente intermediando a venda de veículos importados, não compra, não vende mercadoria própria, não mantém estoque dos produtos importados. Tem o cliente, de quem recebe os pagamentos, para Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.373 19 em seguida repassar para a importadora o preço da mercadoria, mais impostos e taxas. A receita bruta da requerente é uma ínfima parte do movimento apurado pelos Auditores Fiscais. Logicamente, se enquadra e cumpre seu sistema de tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica como Lucro Presumido, recolhendo ao Fisco por trimestre civil. Entregou a DIPJ para todos os períodos em que funcionou, inclusive para os anos de 2007 e 2008 objeto destes processos administrativos. Assim, cumpridas suas obrigações acessórias regularmente, não pode ser enquadrada como INAPTA, objeto do processo administrativo nº 19515.720583/201212. Com esse agir não podem ser responsabilizados a empresa nem seus sócios, solidariamente, nos termos da Representação Fiscal para Fins Penais, uma vez que, espontaneamente, entregaram as DIPJ, compareceram tempestivamente à Delegacia da RFB competente para apresentar os documentos a que estavam obrigadas e prestar os esclarecimentos devidos. 8) De outra banda, o minucioso trabalho de levantamento de valores praticado pelo Sr. AuditorFiscal, tem por base informação sigilosa, extratos bancários, que não poderiam ser disponibilizados sem a devida autorização judicial, eivando de nulidade todos os procedimentos instaurados já referidos. A base de cálculo encontrada pelo Sr. AuditorFiscal, digase, obtida ilegalmente, é imprestável para instaurar os procedimentos administrativos como neste caso. Apenas para argumentar, vejamos os valores apontados pelo Fisco como sendo receita bruta, que não são verdadeiramente receitas. No levantamento feito, apontamse apenas as entradas, não considerando os pagamentos feitos à importadora, verdadeira vendedora das mercadorias, pois como já foi dito, a requerente é intermediadora da venda direta feita pela importadora. Como não poderia deixar de ser, consigna os pagamentos dos clientes para em seguida remeter o numerário para a importadora que procede, então, a venda quando do desembaraço da mercadoria importada, ficando apenas com o valor da corretagem dos negócios efetuados e concluídos. Melhor explanando, os valores apurados como sendo receita bruta incluem remessas feitas à ZETA IMP. e EXP. Ltda empresa que efetuava as importações dos carros vendidos por intermediação da FLABACAR, e quando os mesmos eram desembaraçados, a ZETA solicitava o pagamento, tanto das mercadorias como dos valores para recolhimento dos impostos, uma vez que o dinheiro se encontrava em poder da FLABACAR, tudo isto está amostrado no levantamento efetuado no Anexo 2 folhas 1 e 2. Ainda existem outros valores que foram remetidos à importadora para quitação da importação e impostos, que não constam do Fl. 1382DF CARF MF 20 levantamento, mas que devem constar da base de dados em poder da fiscalização. Além, não foram abatidos dos cálculos apresentados as corretagens recebidas, nem os impostos pagos pela importadora sobre os quais foram lançados os impostos reclamados, caracterizando verdadeira bitributação. Essa operação de intermediação e corretagem sobre vendas é legítima, aceita pela fiscalização, uma vez que a contabilidade da empresa não foi desclassificada. 9) Aqui se afirma a idoneidade de toda documentação entregue à receita. Eventualmente, erros podem existir e que merecem ser apurados, regularizandose a situação fiscal da empresa, porém, melhor esclarecendo os valores apontados. Assim requer vista do processo administrativo para estudo e resposta, demonstrando que se há erro nas DIPJ podem ser sanados desde que apurados devidamente, pois as diferenças encontradas pelo levantamento estão muito além do efetivamente realizado. Aproveitandose os mesmos procedimentos administrativos para sanar as irregularidades, já que, em caso contrário, respeitandose os direitos do contribuinte, deverão ser considerados nulos. IMPUGNAÇÃO DE ÁLVARO THOMAS RENAUX NIEMEYER 3) ... o Impugnante foi intimado a comparecer na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo DEFIS/SPO no dia 11/12/2012 às 11h30min para prestar esclarecimentos e apresentar documentação que, supostamente, estaria em seu poder. 4) O Impugnante compareceu, espontaneamente, à Receita Federal na data acima indicada, prestou os devidos esclarecimentos e informou que estava impossibilitado de apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização, pois, fora decretada a falência da Zeta Importação e Exportação Ltda., em 16/09/2011, e o escritório estava lacrado, por ordem judicial, tudo conforme o Termo de Declaração anexo (doc. 05). 5) Tal fato, inclusive, era de conhecimento da Fiscalização, que intimou, também, o síndico da massa falida Dr. Asdrúbal Montenegro Neto. 6) Apesar da justificativa do Impugnante de, repitase, impossibilidade de apresentar os documentos pelo fato de ordem judicial ter lacrado o escritório da empresa em razão da decretação de falência, a Fiscalização lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 05 com base no art. 124 do Código Tributário Nacional, declarando o Impugnante como devedor solidário. 7) Fundamentou sua decisão no fato de entender que, pela não apresentação da documentação requerida e por, supostamente, haverem indícios de que o Impugnante teria relação pessoal e Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.374 21 direta com a situação que constitui o suposto fato gerador o Impugnante deveria ser solidariamente responsabilizado e cientificado do Auto de Infração ... II DO DIREITO 8. Em que pesem as alegações do Senhor Auditor Fiscal, exaradas no Termo de Constatação e Verificação Fiscal nº 08.1.90.00201114759, o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 05 não merece prosperar, devendo o Impugnante ser excluído do pólo passivo do processo administrativo em epígrafe pelos motivos a seguir expostos: II. 1. DA FALÊNCIA 9) O suposto descumprimento de obrigação de apresentar documentos, atribuído, pela Fiscalização, no Termo de Constatação e Verificação Fiscal n° 08.1.90.00201114759, ao Impugnante, há que ser afastado pelo fato de que o impugnante não pode ser obrigado pela esfera administrativa a descumprir determinação judicial. 10) Como já informado, a empresa da qual o Impugnante era sócio e que, supostamente, teria relação com a Flabacar, teve sua falência decretada pelo Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais Foro Central Cível da Comarca de São Paulo SP, no processo n° 001633979.2010.8.26.0100 (100.10.0163393) em 16/09/2011 e qualquer pedido de apresentação de documentos, deve ser requerido ao Juízo Universal da Falência uma vez que o devedor é afastado e a empresa passa a ser administrada, exclusivamente, pelo Síndico conforme previsto nos arts. 75 e 76 da Lei 11.101/05. 11) Diante do acima exposto, desnecessário tecer maiores comentários a respeito do tema, devendo esse fundamento para responsabilização do Impugnante ser afastado de ofício por esse E. Órgão Julgador. II. 2. DA AUSÊNCIA DE PROVAS CONCRETAS DA RESPONSABILIDADE DO IMPUGNANTE. 12) Para se caracterizar a solidariedade tributária é necessária a comprovação de interesse jurídico, e não econômico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. 13) Outrossim, a configuração da responsabilidade solidária de que trata o art. 124, I, do CTN, depende da prova inequívoca, cabal e insofismável de que os acusados têm interesse comum na situação que constituí o fato gerador. Fl. 1384DF CARF MF 22 14) Da leitura do Termo de Constatação e Verificação Fiscal nº 08.1.90.00201114759, não se verifica nenhuma prova concreta que possa caracterizar a responsabilidade tributária do Impugnante. 15) Na verdade, conforme a regra do art. 124, I, do CTN, diante de, apenas indícios, as autoridades de fiscalização, dotadas que são de amplos poderes fiscalizatórios, devem se aprofundar nos trabalhos de obtenção de prova. 16) Porém, a Fiscalização se baseou somente em depoimentos de terceiros com interesse direto no processo, ou seja, sem a necessária isenção. 17) Vale aqui esclarecer que o Impugnante, nunca teve qualquer relação com a área de comercialização de veículos, até mesmo por força das regras contratuais a que estava sujeito. 18) Diante da ausência de prova inequívoca e insofismável da participação do Impugnante nas situações que constituem o fato gerador deve ser afastada a regra prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional, com a exclusão do Impugnante do pólo passivo do presente processo administrativo. 19) Nesse sentido, a Jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, consubstanciada na ementa abaixo transcrita cujo inteiro teor segue em anexo (doc. 07): ... 20) À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o Impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de ser cancelado o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 05 e deferida sua exclusão do pólo passivo dos processos administrativos em epígrafe, cancelandose, ao menos contra si, o débito fiscal reclamado. IMPUGNAÇÃO DE RUBENS DO NASCIMENTO GONÇALVES NETO ... Dentre as empresas localizadas e destacadas pelo I. Auditor Fiscal, está a Zeta Importação e Exportação Ltda., donde o ora Impugnante, RUBENS DO NASCIMENTO GONÇALVES NETO, fazia parte do quadro societário. O I. Auditor Fiscal, ao trazer a empresa Zeta Importação e Exportação Ltda. para seu relatório, dispõe informações e suposições sobre veículos importados e nacionalizados pela mesma, sugerindo a todo o tempo que a empresa Zeta Importação e Exportação Ltda estava se beneficiando de alguma situação, o que de fato não ocorreu. Sugere ainda que as empresas envolvidas trabalhavam em conjunto, com o objetivo de omitir a participação da Autuante, FLABACAR nas negociações comerciais. Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.375 23 Alega que a Empresa Zeta Importação e Exportação Ltda. deixou de apresentar seus livros fiscais e ignorou a condição atual da empresa, uma vez que a mesma se encontra em processo de falência e impossibilidade de apresentar qualquer documentação fiscal pertinente. E vai além, ao concluir que houve a formação de um grupo informal de empresas e pessoas com um interesse comum, vinculando assim, as atividades das empresas envolvidas em seu relatório, para concluir que tanto a empresa Zeta Importação e Exportação Ltda. quanto os seus sócios, leiase, in casu, o Impugnante, RUBENS DO NASCIMENTO GONÇALVES NETO, eram coresponsáveis, acarretando assim a responsabilidade solidária pelos créditos tributários imputados à Flabacar Comércio de Veículos Ltda., o que de fato, não ocorreu e não deve prosperar. Certo é que a presente autuação fiscal, no que diz respeito ao Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado em face do ora Impugnante, merece ser julgado IMPROCEDENTE, devendo ser CANCELADO e EXTINTO, na melhor forma de direito, pelos motivos que a seguir passa a discorrer. Senão, vejamos. 11.1. DA EXCLUSÃO DO IMPUGNANTE DO POLO PASSIVO POR AUSÊNCIA DE PROVAS CONCRETAS E DO CERCEAMENTO DE DEFESA Como já dito anteriormente o ora Impugnante foi surpreendido com o recebimento de um Auto de Infração lavrado em nome de Flabacar Comércio de Veículos Ltda., onde consta um Termo de Sujeição Passiva Solidária em seu nome, alegando ser o ora Impugnante o responsável solidário pelos créditos tributários imputados à esta empresa, por entender o I. Auditor Fiscal que a empresa Zeta Importação e Exportação Ltda., empresa esta que o Impugnante fazia parte do quadro societário e que se encontra em processo falimentar, realizou negócios comerciais com a empresa Flabacar Comércio de Veículos Ltda., quais sejam, a importação de veículos. Para tanto, o I. Auditor Fiscal embasa suas alegações no que determinam os artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, bem como no artigo 210 do RIR/99 que nada mais é do que a conceituação do sujeito passivo na obrigação tributária. ... Tudo isso, para que o I. Auditor Fiscal embasasse a autuação fiscal, na vã tentativa de incluir o ora Impugnante como sujeito passivo solidário da obrigação tributária. Fl. 1386DF CARF MF 24 Contudo, ao lavrar o Auto de Infração contra a empresa Flabacar Comércio de Veículos Ltda., e incluir como sujeito passivo solidário o ora Impugnante, o I. Auditor Fiscal deixou de observar um dos requisitos básicos necessários e primordiais do processo administrativo fiscal, que embasa o disposto no artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, qual seja, A PROVA indispensável à comprovação do ilícito. O I. Auditor Fiscal não trouxe ao Auto de Infração nenhuma prova do alegado em face do ora Impugnante, e sim, apenas indícios que não se comprovam e que por sua vez não possuem força para incluílo no polo passivo da demanda administrativa. É sabido que o processo administrativo fiscal se presta a buscar a verdade material, através de provas e fatos e que devem ser apurados e embasados em provas lícitas. Provas essas que devem ser colhidas, coletadas pelo Auditor da Receita Federal, pois é dever da Administração a comprovação daquilo que está alegando. Com relação à busca da verdade material, esse é o entendimento do Procurador Geral do Estado do Amazonas, Dr. Vítor Hugo de Menezes, que assim dispõe: ... Cabe sim à quem alega, provar. O ônus da prova é da Administração, sob pena de nulidade do Auto de Infração. Ademais, a empresa Zeta Importação e Exportação Ltda., onde o ora Impugnante participava do quadro societário, operava e trabalhava como qualquer outra trading executando a prestação dos seus serviços normalmente, não exercendo qualquer influência ou gerência sobre a movimentação financeira ou contábil sobre a empresa Flabacar Comércio de Veículos Ltda., não podendo ser responsabilizada por qualquer irregularidade fiscal ou contábil apontada nesta empresa onde não exercia nenhuma influência ou até mesmo a gerência dos negócios. Nesse sentido, o I. Auditor Fiscal, apesar de alegar, deixou de comprovar que o ora Impugnante tenha qualquer responsabilidade legal e até mesmo seja o sujeito passivo das obrigações tributárias oriundas do Auto de Infração, razão pela qual o mesmo deve ser excluído do polo passivo da demanda e o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado em seu nome deve ser extinto. Vale colacionar a seguir, por relevante, trecho do livro do Ilustre Tributarista Hugo de Brito Machado Segundo, que assim determina ... Diante disso, resta evidente que a ausência de provas constitui verdadeiro cerceamento de defesa pois que o autuado, leiase o ora, Impugnante, deixa de conhecer por completo o teor da acusação, dificultando assim o deslinde do processo, podendo acarretar inclusive na nulidade do processo administrativo fiscal, principalmente no que diz respeito à questão da sujeição passiva solidária, razão pela qual, o Impugnante deve ser IMEDIATAMENTE excluído do polo passivo do processo Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.376 25 administrativo, e por conseqüência, ser cancelado o Termo de Sujeição Passiva Solidária. 11.2. DA IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS DOCUMENTAIS E DO PROCESSO DE FALÊNCIA DA EMPRESA ZETA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. ... Foi publicado no Diário Oficial de Justiça do Estado de São Paulo, em 14 de outubro de 2011, a decretação da Falência da empresa Zeta Importação e Exportação Ltda., que tramita na Ia Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível da Comarca de São Paulo, nos Autos do Processo n° 001633979.2010.8.26.0100, estando em poder do administrador judicial nomeado pelo Juízo, todos os documentos fiscais e contábeis da empresa que possam fazer prova em favor do ora Impugnante. Diante disso, por mais que o Impugnante queira, não há qualquer possibilidade de obter documentos pertinentes à empresa Zeta Importação e Exportação Ltda., a qual o Impugnante faz parte do quadro societário, restando prejudicada esta questão. 11.3. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA NOS TERMOS DO ARTIGO 134 E 135 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Ademais, ainda que assim não fosse, na remota hipótese de se admitir a responsabilidade tributária de um terceiro, o que se admite apenas para se argumentar, resta evidente que é manifesta a ilegalidade em que se reveste a inclusão, pela Receita Federal, do ora Impugnante no polo passivo do Auto de Infração. Com efeito, o Auto de Infração lavrado objetiva a cobrança de débito tributário de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL hipoteticamente devido pela principal devedora, Flabacar, empresa que tem endereço certo, bens próprios e da qual o ora Impugnante, frise se, NUNCA FOI SÓCIO, E PORTANTO, NUNCA EXERCEU QUALQUER GERÊNCIA OU ADMINISTRAÇÃO NA EMPRESA, FICANDO TAL INCUMBÊNCIA SOB RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DOS SEUS VERDADEIROS SÓCIOS (O QUE DEVERÁ RESTAR DEVIDAMENTE COMPROVADO COM OS DOCUMENTOS ORA ANEXADOS), DE MANEIRA QUE ELE NUNCA TEVE QUALQUER RESPONSABILIDADE PELO PASSIVO FISCAL DA DEVEDORA PRINCIPAL. Nesse passo, a Empresa principal deve responder isoladamente e com os seus próprios bens aos débitos que lhe são impostos, se Fl. 1388DF CARF MF 26 legítimos forem, não sendo lícito, portanto, perseguir qualquer pessoa, que não é ela, por débitos relativamente aos quais, ao menos em tese, figure como contribuinte. A matéria achase regulada, no que tange à espécie, no Código Tributário Nacional, com indiscutível "status" de Lei Complementar, que define, notadamente por seus artigos 134 e 135, a extensão da solidariedade dos sócios relativamente a débito da sociedade, solidariedade esta visivelmente subsidiária, na medida em que restrita aos casos de impossibilidade de se exigir o cumprimento da obrigação da própria Empresa, o que, à evidência, nem de longe ocorreu na hipótese. Com efeito, dispõem os invocados dispositivos legais, que: ... Pelos primeiros dos dispositivos transcritos, inferese que a responsabilidade do sócio, quando possível de ser imputada, será subsidiária e não solidária no sentido exato do instituto da solidariedade. Ao credor não é dado o direito de executar o sócio antes de excutir os bens da sociedade, QUE DIRÁ, BENS DE OUTRA SOCIEDADE QUE NADA TEM A VER COM A SOCIEDADE AUTUADA E AINDA MAIS DO ORA IMPUGNANTE QUE É PESSOA FÍSICA. A este respeito, cumpre transcrever ensinamento do Jurista ÉLCIO REIS, in "Revista de Direito Tributário" 78, pág. 276, "ín verbis)": ... Ora, não ocorrem, na hipótese, a todas as luzes, quaisquer das restritas hipóteses legais que permitem a responsabilização do sócio por dívida fiscal da sociedade, a ponto de incluílo de plano no pólo passivo da execução fiscal. Com efeito, em nenhum momento destes autos logrouse demonstrar, e sequer o I. Auditor Fiscal conseguiu alegar, a intervenção, pelo ora Impugnante, em qualquer ato ou sua responsabilidade por alguma omissão que desse causa ao pretenso débito ora autuado, restando claro que o Impugnante não deu causa ou sequer concorreu para dar causa qualquer desses valores devidos ao Fisco. Por outro lado, nem de longe há qualquer tentativa por parte da Receita Federal de demonstrar a impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação pelo contribuinte, condição igualmente imprescindível para a tipificação da pretendida responsabilização. Não bastasse, em nenhum momento restou demonstrada a ocorrência da hipótese do artigo 135 do CTN, o qual condiciona a responsabilização que prevê a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, igualmente não ocorrendo nos autos, portanto, a hipótese no mesmo contemplada. Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.377 27 E ainda que de fato isso ocorresse, e caso o I. Auditor Fiscal entendesse pela solidariedade, deveria ter incluído no rol dos sujeitos passivos apenas as pessoas jurídicas excluindose as pessoas físicas que, de fato, não concorreram nas hipóteses elencadas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, conforme já repisado. A "solidariedade" de que tratam os dispositivos 134 e 135 do CTN não decorrem puramente da lei, por força da natureza da sociedade, mas sim decorre da lei, por força da prática de certos atos anormais do sócio ou administrador, cumulada com a impossibilidade de se exigir a obrigação do contribuinte, devendo tudo ser devidamente comprovado, o que não ocorre no caso. Aliás, a impossibilidade de uma empresa em responder isoladamente aos termos de uma execução, por inexistência ou insuficiência do patrimônio da sociedade, ou mesmo eventual participação dos sócios, seja comissiva ou omissiva, na impossibilidade de se exigir o cumprimento da obrigação da sociedade, sequer são passíveis de serem demonstradas num processo administrativo, ou mesmo num executivo fiscal. A este respeito, extremamente oportuno transcrever as lições do emérito Professor Humberto Theodoro Júnior, em seu Processo de Execução, onde fez as seguintes assertivas: ... E vale destacar que a jurisprudência, mormente do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, vem entendendo que essa absurda "responsabilidade presumida" do sócio da pessoa jurídica devedora apenas porque ele consta no contrato social da empresa como sócio pode ser elidida pela comprovação de que ele NÃO EXERCEU PODER DE GERÊNCIA NA EMPRESA TAL COMO DEMONSTRAM, NO CASO CONCRETO. Nesse sentido, vale colacionar o seguinte julgado do E. STJ: ... Em face de tudo quanto até aqui foi exposto, e tendose em conta os entendimentos jurisprudenciais colacionados, resta evidente que, sob qualquer enfoque que se aborde a questão, a inclusão do Impugnante no polo passivo do processo administrativo instaurado foi em visível afronta às normas que regem todo o procedimento administrativofiscal, bem como ao Código Tributário Nacional e, num âmbito mais abrangente, até à norma constitucional que garante o devido processo legal tanto na instância administrativa e judicial, consistindose, portanto, em flagrante e grave vício tanto de forma como de conteúdo. REFORCASE, NESSE PASSO, QUE O ARTIGO 135 DO CTN ESTABELECE QUE A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS SÓ OCORRE NO CASO DE Fl. 1390DF CARF MF 28 COMPROVAÇÃO DE QUE OS MESMOS DERAM CAUSA EFETIVA fOU SEJA. NO EXERCÍCIO DE SEU PODER DE GERÊNCIA) COM A DÍVIDA FISCAL E MAIS. QUE TENHAM ASSIM CONTRIBUÍDO COMPROVADAMENTE "COM EXCESSO DE PODER" OU "COM INFRAÇÃO À LEI. CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS". O QUE DE FATO. NÃO RESTOU COMPROVADO NO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO PELO I. AUDITOR FISCAL. ORA. NO CASO CONCRETO. IMPOSSÍVEL QUE O IMPUGNANTE PUDESSE TER ASSIM DADO CAUSA AO DÉBITO FISCAL EM APREÇO. PELO SIMPLES FATO DE QUE NUNCA EXERCEU PODER DE GERÊNCIA NA EMPRESA ORA AUTUADA! O Excipiente foi, como se vê, incluído no polo passivo sem qualquer causa lícita, sendo, pois, parte absolutamente ilegítima para figurar como coresponsável no presente Auto de Infração, a demandar a sua IMEDIATA EXCLUSÃO. Assim, diante de todo o exposto, resta evidente a impropriedade da inclusão do Impugnante no polo passivo do presente Auto de Infração, sendo evidente a nulidade ora verificada, de forma que o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária, também em razão desse fato, é medida de rigor. 11.4. DA FALTA DE JUSTA CAUSA PARA A REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS FACE MANIFESTA INOCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO ... Em face de todo o exposto, é a presente para requerer o Impugnante que, conhecida a presente impugnação, seja integralmente acolhida em todos os aspectos abordados, para que o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra o Impugnante seja julgado TOTALMENTE IMPROCEDENTE e NULO, com o seu conseqüente CANCELAMENTO, bem como seja CANCELADA e ARQUIVADA a Representação Fiscal para Fins Penais. (término da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ/JFA) Em julgamento, a DRJ/JFA, por meio do Acórdão 0946.225, de 05 de setembro de 2013, julgou improcedentes as impugnações da recorrente e do responsável solidário Álvaro Thomas Renaux Niemeyer, CPF 516.438.20834, exonerando a responsabilidade atribuída a Rubens do Nascimento Gonçalves Neto, CPF 138.913.55806. Quanto aos demais responsáveis solidários, a DRJ manteve a autuação por falta de apresentação de impugnação. Segue ementa da decisão de piso: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.378 29 SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE. Não respondem solidariamente pelo crédito tributário, as pessoas, quando não caracterizado o interesse comum, e nem caracterizadas as hipóteses previstas no art. 210 do RIR/99. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 COMPRA E VENDA. Mantida a tese de que as operações efetuadas pelo contribuinte foram de compra e venda, como caracterizado nos autos, e não a intermediação alegada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 29/03/2014 via Edital 80/2014 (efl. 1214) e insatisfeita com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário em 23/04/2014 (efl. 1313 a 1327), em que apresenta os seguintes argumentos: a) Pugna pela nulidade do acórdão recorrido, uma vez que faltou motivação para a decisão da instância a quo. b) Pugna pela nulidade do auto de infração, com argumento de que as informações ali constantes são baseadas em presunções e aferições genéricas e subjetivas, que não correspondem à realidade dos fatos. Fl. 1392DF CARF MF 30 c) Alega que a relação entre a recorrente e a empresa Zeta Importação e Exportação Ltda era de contratante e contratado, cliente e fornecedora de serviços, tendo como tinha como objeto social a consignação de veículos automotores, desenvolvendo atividade de mera intermediadora de serviços. Que não tinha nenhuma relação societária ou de grupo econômico com a empresa Barreto Import. d) A fiscalização arbitrou o lucro da empresa ignorando o universo de documentos apresentados, não abatidas as despesas que envolvem a operação de intermediação, as corretagens recebidas, os tributos pagos pela importadora e demais despesas de importação. e) Menciona o fato de que era uma empresa de pequeno porte e, como tal, estaria dispensada de apresentar uma série de documentos fiscais. f) Afirma que a fiscalização desrespeitou os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e imparcialidade, por não ter comprovado a efetiva sonegação tributária. g) Argumenta que não há comprovação de que a recorrente e as demais empresas envolvidas na autuação fiscal fizeram parte de um grupo econômico informal. O fato gerador é da importadora. Ora, não se evidencia no caso em tela confusão patrimonial, confusão societária, confusão no controle societário, as empresas estão localizadas sequer no mesmo Estado, a única relação entre elas era comercial. h) Alega que a fiscalização quebrou o seu sigilo bancário sem possuir medida judicial para tanto. Cientificado da decisão em 24/03/2014 via ARECF (efl. 1219) e insatisfeito com a decisão, o responsável solidário Álvaro Thomas Renaux Niemeyer apresentou recurso voluntário em 15/04/2014 (efl. 1233 a 1250), em que apresenta os seguintes argumentos: a) Alega que, para se caracterizar a solidariedade tributária, é necessária a comprovação de interesse jurídico, e não econômico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. Que a fiscalização deveria apresentar prova inequívoca do interesse comum do acusado, e que não deveria apenas apresentar indícios de prova. Que os depósitos efetuados pela autuada ao responsável solidário não são aptos a caracterizar interesses econômicos, muito menos jurídicos. Transcreve lição de Paulo de Barros Carvalho: Supor que um fato tenha acontecido ou que sua materialidade tenha sido efetivada, não é o mesmo que exibir a concretude de sua existência, mediante prova direta, conferindolhe segurança e certeza. ... São distintos os traços jurídicos da presunção e dos indícios. A primeira, quando acolhida no texto legislado, dispensa o agente público de outras providências probatórias, sendolhe suficiente indicar a presença físicomaterial do sucesso que faz presumir o fato investigado. O indício, por sua vez, é o motivo para desencadear se o esforço de prova; é pretexto jurídico que autoriza a pesquisa, na busca de comprovarse o acontecimento factual. Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.379 31 b) Alega que a fiscalização baseouse em depoimentos de terceiros com interesse direto no processo, sem a necessária isenção. c) Que é frágil a tese da fiscalização, pois o outro sócio da empresa Zeta Importação e Exportação Ltda, Rubens do Nascimento Gonçalves Neto, que cuidava desembaraço e comercialização dos veículos, foi excluído da lide. d) Alega que a fiscalização não apurou todos os fatos referentes ao caso, desrespeitando o princípio da verdade material. e) Por fim, alega violação aos princípios constitucionais do devido processo lega, do direito de propriedade; da vedação ao confisco; e da moralidade pública, caso a autuação seja mantida. Por fim, apesar de não ter apresentado impugnação, o responsável solidário Juan Sabaté Font apresentou recurso voluntário em 24/06/2014 (efl. 1337 a 1354). No CARF, o processo foi distribuído, cabendo a mim sua relatoria. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator RECURSO DE OFÍCIO Do limite de alçada Conforme Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no Diário Oficial da União de 09/02/2017, o valor de alçada para fins de interposição de recurso de ofício é de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 1394DF CARF MF 32 A verificação do limite de alçada deve ser feita na época do julgamento do recurso de ofício, conforme disposto na Súmula CARF nº 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Uma vez que a responsabilidade solidária tratada no art. 121 do CTN não comporta benefício de ordem, quer dizer, o responsável solidário pode inclusive responder integralmente pelo débito aqui lançado valor de R$ 9.094.185,03, na época da lavratura do auto de infração temse que o valor do recurso de ofício ultrapassou o limite de alçada. Esta interpretação foi confirmada pelo § 2º do art. 1º da Portaria MF nº 63: § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Diante disso, o recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, devendo pois ser conhecido. Análise do Recurso de Ofício A delegacia de piso exonerou a relação obrigacional tributária o responsável solidário Rubens do Nascimento Gonçalves Neto, CPF 138.913.55806, por entender que não houve prova suficiente para que fosse configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Entendo correta a decisão da DRJ/JFA. A responsabilidade solidária atribuída ao Sr. Rubens decorre da conjugação do disposto no inciso II, do parágrafo único, do art. 121; e do art. 124, I, ambos do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: (...) II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.380 33 Isto porque o Sr. Rubens não era representante legal da recorrente, mas sim da empresa Zeta Importação e Exportação. Em razão disso, a comprovação da responsabilidade solidária deve estar revestida de prova inequívoca da participação do terceiro envolvido. Como visto no relatório deste acórdão, a empresa Zeta efetua as importações dos veículos encomendados junto à Flabacar e emitia as notas fiscais diretamente aos clientes da Flabacar, recebendo os valores da recorrente por conta destas importações. Assim, o que se deve avaliar se o Sr. Rubens tinha interesse comum na situação que gerou o fato gerador da recorrente, ou, em melhores palavras, interesse na omissão dos fatos geradores ocorridos na empresa recorrente. No processo administrativo fiscal, não há provas concretas de que o Sr. Rubens participou efetivamente na consecução das operações dadas por fraudulentas pela fiscalização. Não há citação, a ele, na planilha trazida pela fiscalização, que comprovassem o beneficiamento mesmo que monetário do responsável solidário pelo débito aqui lançado. Desta forma, a decisão exarada pela delegacia de piso deve ser mantida, devendo ser negado provimento ao recurso de ofício, para ao fim exonerar a responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Rubens do Nascimento Gonçalves Neto, CPF 138.913.55806. RECURSO VOLUNTÁRIO Delimitação dos recorrentes Além do recurso de ofício supra, este acórdão resumese à análise dos recursos voluntários protocolados pela empresa autuada (Flabacar), doravante denominada recorrente, e pelo responsável solidário Álvaro Thomas Renaux Niemeyer. Quanto ao recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário Juan Sabaté Font convém observar que o referido responsável não apresentou impugnação à instância a quo. Desta forma, devese aplicar o teor do art. 17 do Decreto 70.235/1972, que considera não impugnada a matéria não trazida à lide em momento oportuno: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por fim, aos demais responsáveis solidários com o débito aqui discutido, deve ser mantida a autuação fiscal, também pela falta de apresentação de impugnação. Além disso, não houve interposição de recurso voluntário. Desta forma, a autuação fiscal deve ser mantida para os seguintes responsáveis solidários: Flávio Pedro de Moraes Nazarian Filho CPF nº 036.672.89898; Arthur de Almeida Prado CPF 046.192.07861; Eduardo Bandeira Barreto CPF 028.377.77889; Zeta Importação e Exportação Ltda Massa Falida CNPJ 03.837.719/0001 70; Juan Sabate Font CPF 029.925.82891; e Ivaldo José Antero CPF 192.109.14287. Fl. 1396DF CARF MF 34 NULIDADE Quanto ao pedido de nulidade, seguem os argumentos da recorrente: a) Pugna pela nulidade do acórdão recorrido, uma vez que faltou motivação para a decisão da instância a quo. b) Pugna pela nulidade do auto de infração, com argumento de que as informações ali constantes são baseadas em presunções e aferições genéricas e subjetivas, que não correspondem à realidade dos fatos. Conclui a recorrente com o que segue: Em poucas palavras: a presunção é arbitrária e equivocada, eis que suscitada sem qualquer base fática ou prova inequívoca. (...) Em leitura do Recurso Voluntário, percebese que o primeiro pedido de nulidade da recorrente falta de motivação intenta desqualificar a autuação e manutenção da responsabilidade solidária que foi atribuída a seus sócios, à empresa Zeta Importação e Exportação Ltda e seus sócios. Isto porque a recorrente alega que a DRJ somente fundamentou seu voto pela preclusão em razão da falta de impugnação das pessoas responsáveis solidariamente com a recorrente pelo débito fiscal. Pois bem. A nulidade de um ato administrativo está consubstanciada no art. 59 da Decreto nº 70.235/1972, o que não percebo ter ocorrido no caso concreto: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Tampouco vejo no processo algum vício que pode ensejar a anulação da autuação, nos termo do art. 10 do mesmo decreto: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.381 35 Como visto, não há nenhuma violação aos supracitados artigos capaz de ensejar a nulidade ou anulação do lançamento ou da decisão da DRJ, devendo ser afastada tal alegação. Quanto ao pedido de nulidade alegado com base nas supostas presunções e aferições genéricas e subjetivas, que não correspondem à realidade dos fatos, e demais pedidos de nulidade, tenho que tais questões mais se encaixam às considerações de mérito; portanto serão enfrentadas mais à frente. MÉRITO O cerne da discussão neste processo é saber se a operação da recorrente era de compra e venda de veículos ou se a operação era de intermediação de venda de veículos, como quer fazer crer a recorrente. A recorrente argumenta que desenvolvia atividade de intermediação de serviços, conforme seu objeto social de consignação de veículos automotores, mantendo com a empresa Zeta Importação e Exportação Ltda relação comercial de cliente e fornecedora de serviços. Pois bem. Entendo que a recorrente figurou como empresa que compra e vende veículos. Os pedidos de importação eram efetuados diretamente à recorrente. Os clientes pagavam diretamente à recorrente, e não à importadora. A importadora recebia um taxa de 2% do valor do negócio, demonstrando nitidamente que ela somente tinha a responsabilidade de efetuar a importação dos veículos comercializados pela recorrente. A DRJ também se enveredou na mesma conclusão aqui chegada, i.e., de que a empresa exercia atividade de compra e venda de veículos, vejase (1.120 a 1.122): Da análise do relatório supra, podese concluir, de antemão, que o cerne do presente litígio reside na identificação da correta natureza jurídica das atividades levadas a efeito pela pessoa jurídica autuada: se operações comerciais de compra e venda, conforme assim caracterizado pela fiscalização, ou, simplesmente, operações de intermediação, consoante alega a proponente. Cumpre, inicialmente, tecer alguns comentários a respeito da atividade de representação comercial. A regulamentar o tema a Lei nº 4.886/1965, com alteração da Lei nº 8.420/1992, e também o Código Civil de 2002. Nos termos do artigo 1º da citada Lei 4.886/1965, pode ser assim conceituada: “Exerce a representação comercial autônoma a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que desempenha, em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para a realização de negócios mercantis, agenciando proposta ou pedidos, para transmitilos aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução de negócios”. O contrato de representação comercial, por sua vez, poderá ser de agência ou de distribuição, conforme a coisa esteja ou não à disposição do representante, ou Fl. 1398DF CARF MF 36 seja, na agência, os produtos permanecem na esfera de disposição do proponente, que se liga diretamente à clientela, cabendo ao agente uma comissão pelo agenciamento prestado. Por outro lado, a distribuição, na realidade, é um desdobramento do contrato de agência, ou seja, é um contrato de agenciamento de negócios em favor do proponente, com a particularidade de que os bens objeto do agenciamento encontramse na posse do agente, que passa a ser chamado também de distribuidor. Veja que todo o capítulo a tratar do assunto no Código Civil – agência e distribuição corrobora tal constatação, desde a definição da distribuição como um derivado da agência (artigo. 710, CC) até as disposições sobre o direito do distribuidor à remuneração por negócios concluídos em sua zona sem sua interferência (art. 714, CC) e direito à indenização no caso de diminuição no atendimento de propostas (art. 715, CC), todas referentes apenas a contratos de aproximação entre comprador e vendedor e nunca à aquisição de produtos para revenda por conta própria. Sobre o assunto, podese dizer ainda que o representante comercial é uma extensão da empresa representada, cabendolhe muitas funções e responsabilidades; fica obrigado a fornecer à empresa representada, segundo as disposições do contrato ou, sendo este omisso ou verbal, quando lhes for solicitado, informações pormenorizadas sobre o andamento dos negócios a seu cargo, devendo dedicarse à representação, de modo a expandir os negócios do representado e promover os seus produtos. Por outro lado, o representante terá garantia do recebimento de uma comissão pelas vendas por ele realizadas, ou por qualquer venda que se realiza em seu território, adquirindo o direito às comissões quando do pagamento dos pedidos ou propostas. O pagamento das comissões deverá ser efetuado até o dia quinze do mês subseqüente ao da liquidação da fatura, acompanhada das respectivas cópias das notas fiscais. As comissões pagas fora do prazo previsto (quinze dias) deverão ser corrigidas monetariamente. As comissões deverão ser calculadas pelo valor total das mercadorias. Os direitos do representante, no tocante às comissões, estão assegurados no art. 32 da Lei 4.886/65. Isso considerado, podese definir o contrato de representação comercial como o pacto por meio do qual uma das partes o representante em favor e por conta da outra (o representado, normalmente empresa produtora ou fabricante), colhe e encaminha pedidos de compras, realizandose, posteriormente, o negócio jurídico visado entre os interessados. Constitui, assim, contrato de aproximação ou de intermediação entre os interessados ou de receptação de clientela para posterior efetivação da venda diretamente pelo representado. Disso inferese que, na realidade, a transação/o negócio jurídico ocorre diretamente entre o fornecedor/representado e o cliente/comprador, ou seja, o representante comercial apenas intermedeia a transação, sendo assim, um mero intermediário. Isso quer dizer que os valores envolvidos na transação, o preço dos produtos adquiridos pelo adquirente, são pagos/depositados diretamente pelo cliente/comprador ao fornecedor/vendedor, que, por sua vez, posteriormente, remunerará, a título de comissão, o representante comercial pela intermediação operada. Pelos serviços/negócios intermediados/prestados a empresa/o representante comercial fará jus a uma remuneração a título de comissão. Conforme evidenciado nos autos, as operações levadas a efeito pela impugnante não caracterizam de fato intermediações, mas operações de compra e venda. Segue a transcrição de parte do Termo de Constatação e Verificação Fiscal: Os esclarecimentos prestados e os elementos apresentados pelas pessoas intimadas que compareceram, comprovaram os indícios de que Flabacar, Barreto Import, Flávio Nazarian Filho, Eduardo Barreto, Zeta e seus responsáveis legais trabalhavam em conjunto, com o objetivo de nacionalizar os veículos importados Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.382 37 por valores subfaturados, bem como de omitir a participação da Flabacar nas negociações. Sucintamente, a partir de uma encomenda efetuada por pessoa física ou jurídica com pagamento de sinal de aproximadamente metade do valor pactuado, Eduardo Barreto/ Barreto Import solicitava a agentes de compra de sua confiança na Flórida/EUA a aquisição do veículo e seu envio para empresas localizadas em Miami/EUA. Estas, orientadas por Eduardo Barreto/Barreto Import segundo informado, emitiam fatura de venda para a Zeta, em geral, com valor bastante inferior ao real. A Zeta, ao receber o veículo, no porto de Vitória onde gozava de isenções fiscais, registrava a Declaração de Importação no Brasil em seu nome e posteriormente emitia nota fiscal diretamente para a pessoa física ou jurídica que havia adquirido o veículo da Barreto Import/Flabacar, após o comprador efetivar o pagamento da parte restante a esta última, acrescido dos tributos alfandegários. Desta forma, apesar de efetivamente receber os valores relativos às vendas dos veículos efetuadas para os compradores e de efetuar pagamentos à Zeta pela prestação de serviços, a Flabacar não aparecia formalmente, sonegando os tributos internos devidos. Ainda do Termo de Constatação e Verificação Fiscal: Para comprovar, com documenteis hábeis e idôneos a natureza dos pagamentos recebidos da Flabacar, foram intimados pelo correio os sócios da Zeta, Juan Sabate Font, Álvaro Thomas Renaux Niemeyer, Rubens do Nascimento Gonçalves Neto e Ivaldo José Antero, assim como pessoalmente o síndico da massa falida da Zeta Importação ... Destes, apesar de regularmente intimados conforme comprovantes de recebimento dos AR's enviados, compareceram apenas os sócios Juan Sabate Font e Álvaro Thomas Renaux Niemeyer, os quais alegaram que estavam impossibilitados de apresentar os documentos solicitados, uma vez que as instalações da empresa estavam judicialmente lacradas. Confirmaram, entretanto, que as Notas Fiscais relativas aos veículos eram emitidas diretamente para os consumidores finais da Flabacar e não para esta, o que foi formalizado através de Termo de Declaração, anexo. Desta forma, correta a interpretação da fiscalização ao classificar a empresa recorrente como comercializadora de veículos. Arbitramento do Lucro A recorrente alega que a fiscalização efetuou o lançamento fiscal com base em presunções genéricas e subjetivas, que não correspondem à realidade dos fatos. Que a fiscalização ignorou o universo de documentos apresentados, não abateu as despesas que envolvem a operação de intermediação, as corretagens recebidas, os tributos pagos pela importadora e demais despesas de importação. Alega ainda que era uma empresa de pequeno porte, e por isso estaria dispensada de apresentar uma série de documentos fiscais. Pois bem. Fl. 1400DF CARF MF 38 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal e com os documentos acostados ao processo, a recorrente apresentou em 23/04/2012, livro diário e razão sem a devida autenticação, e, ainda, sem representar a sua real movimentação financeira, situação em que a contabilidade foi considerada imprestável. Tal conduta independe do porte da empresa, pois, na ausência dos livros comerciais obrigatórios, e desde que permitido, a empresa pode apresentar livro caixa, o que também não ocorreu. Assim sendo, a fiscalização efetuou o arbitramento do lucro com base no inciso III, do art. 530, do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Desta forma, correta a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro arbitrado, e do Pis e da Cofins pelo regime cumulativo, que tiveram como base de apuração a atividade de compra e venda de veículos, conforme acertadamente concluiu a fiscalização. Para o lançamento fiscal, a fiscalização não se utilizou de presunção genérica e subjetiva, mas sim de presunção legal de omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovada, conforme teor do art. 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Tal presunção inverte o ônus da prova, cabendo ao sujeito passivo comprovar que determinados depósitos (ou sua totalidade) não merecem ser tributados. Desta forma, incorreto o pedido da recorrente para aproveitamento das despesas e custos arcadas pela recorrente, pois o lançamento não trata da apuração pelo lucro real, que é a forma de tributação em que se aproveita os custos e despesas necessárias ao desenvolvimento das atividades das empresas, mas sim do lucro arbitrado. Extratos Bancários Quanto ao argumento da recorrente em relação à falta de permissão judicial para solicitação de extratos bancários perante as instituições financeiras, entendo que este assunto está superado por conta da decisão do Supremo Tribunal Federal, proferida no Recurso Extraordinário nº 601.314, com repercussão geral, que reconheceu a legalidade do Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.383 39 fornecimento de informações sobre movimentação bancária dos contribuintes pelas instituições financeiras para apuração de créditos tributários, confira: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DOS CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Grupo Econômico Informal A recorrente alega que não tinha nenhuma relação societária ou de grupo econômico com a empresa Barreto Import e que não há comprovação de que a recorrente e as demais empresas envolvidas na autuação fiscal fizeram parte de um grupo econômico informal, o que pugna pela atribuição do fato gerador à importadora Zeta. Não há medida cautelar ou decisão judicial que tenha reconhecido o suposto grupo econômico. Não há confusão patrimonial. Não entendo que tenha razão a recorrente. O sujeito passivo da obrigação principal pode ser o contribuinte ou o responsável. No caso, a recorrente é quem era o contribuinte, pois era responsável por toda a cadeia de comercialização de seu produto. Desta forma, por tudo que foi demonstrado pela fiscalização, restou comprovado que a recorrente é quem efetivamente praticou os fatos geradores das obrigações tributárias aqui destacadas, devendo seu argumento ser refutado. Multa Qualificada A recorrente não pugna claramente pelo afastamento da multa de ofício qualificada. Apenas cita tangencialmente de que não houve comprovação da sonegação de sua parte e pede, ao final do recurso voluntário, que seja afastada a representação fiscal para fins penais. Mesmo assim, em respeito ao colegiado, enfrento tal questão. A fiscalização fundamentou a qualificação da multa de ofício nos artigos 71 e 73 da Lei nº 4.502/1964, cujo teor está replicado no art. 957 do RIR/99 (base legal no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996), uma vez que ficou demonstrada a conduta do contribuinte e de seus responsáveis na tentativa de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. Seguem trechos legais: Lei nº 9.430/1996 Fl. 1402DF CARF MF 40 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Pois bem. Conforme ensinamentos de De Plácido e Silva: Fraude é o vocábulo derivado do latim fraus, fraudis (engano, máfé, logro), que serve para caracterizar o engano malicioso ou a ação astuciosa, promovida de máfé, para ocultação da verdade ou fuga ao cumprimento do dever. Nestas condições, a fraude traz consigo o sentido do engano, não como se evidencia no dolo, em que se mostra a manobra fraudulenta para induzir outrem à pratica de ato, de que lhe possa advir prejuízo, mas o engano oculto para furtarse o fraudulento ao cumprimento do que é de sua obrigação ou para logro de terceiros. É a intenção de causar prejuízo a terceiros. Portanto, a fraude sempre se funda na prática de ato lesivo a interesse de terceiros ou da coletividade, ou seja, em ato, onde se evidencia a intenção de frustrarse a pessoa aos deveres obrigacionais ou legais. É, por isso, indicativa de lesão de interesses individuais, ou contravenção de regra jurídica, a que se está obrigado. O dolo é astúcia empregada contra aquele com quem se contrata1. 1 Silva, De Plácido e, Vocabulário Jurídico, Volume II DI, Editora Forense, 1978, pág. 718. Texto extraído do sítio: http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/index.php?PID=110238&key=2241519 Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.384 41 A sonegação fiscal aproximase muito do conceito de fraude, apenas se diferenciando, a deleite do legislador, em razão do i) impedimento do conhecimento do fato gerador (sonegação); ou do ii) impedimento da ocorrência do fato gerador (fraude). Entretanto, ambos conceitos estão dentro do gênero de dolo, ou seja, a ocorrência de ambos pressupõe a intenção, a máfé em lesar terceiros. No caso concreto, superado o argumento da recorrente sobre seu objeto social, que, a meu ver, se encaixa na atividade de compra e venda de veículos, a conduta perpetrada pela recorrente e por todas as pessoas envolvidas na operação de importação e venda de veículos no mercado nacional, as quais, na busca da maior lucratividade possível, ludibriaram o fisco ao reduzir consideravelmente sua carga tributária, demonstram o nítido intento doloso de se beneficiar em detrimento de toda a regra tributária vigente. Outrossim, a permanência de todo o período objeto do procedimento fiscal na clandestinidade, confiantes de que não teriam que arcar com eventuais dívidas surgidas em decorrência da fiscalização, comprovam que tinham interesse em sequer serem responsabilizados por condutas por eles próprios desencadeadas. A fiscalização demonstrou que parte da renda do negócio fraudulento era revertida em prol das pessoas elencadas como responsáveis solidárias, comprovando, mais uma vez, que a conduta era dolosa, não cabendo sequer ponderações sobre eventual conduta legal elisiva. Além disso, mister ressaltar que a recorrente omitiu reiteradamente, durante dois anoscalendário, as informações sobre a correta apuração de seu resultado contábil e fiscal. Em relação ao anocalendário de 2007, a recorrente apresentou DIPJ 2008/ac 2007 em que informou ter auferido receita bruta de R$ 854.753,41, quando movimentou junto aos Bancos ABN Amro Real S/A e Sofisa S/A um montante anual de R$ 26.389.118,17. Para o anocalendário de 2008, a respectiva DIPJ continha o montante de receita brita de R$ 164.346,41, quando movimentou junto aos mesmos bancos o valor de R$ 17.962.580,75. Desta comparação podese perceber o nítido intento da ora recorrente em encobrir a verdadeira receita que auferiu nos anoscalendário fiscalizados. Como visto, não houve outra intenção, por parte da recorrente e de todas as pessoas envolvidas nas operações aqui descritas, a não ser o límpido caráter de sonegar tributos, sem nenhum temor. Diante disso, voto por manter a qualificação da multa de ofício. Outrossim, os argumentos de desrespeito aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e imparcialidade também devem ser afastados. Responsabilidade Solidária Conforme visto alhures, somente o recurso voluntário interposto por Álvaro Thomas Renaux Niemeyer, CPF 516.438.20834, deve ser objeto de enfrentamento. Pois bem. Fl. 1404DF CARF MF 42 Além de toda a demonstração de que a empresa Zeta Importação e Exportação Ltda, da qual o Sr. Álvaro era sócio, era a empresa que importava os veículos vendidos pela recorrente, temse que o Sr. Álvaro se beneficiou do resultado da fraude promovida pela recorrente, vejase: 4.7. Posteriormente, em finais de novembro/2012, o Banco ABN Amro Real enviou cópia da proposta de abertura de conta corrente PJ, através da qual se constatou que tanto Flávio Nazarian como Eduardo Barreto estavam autorizados a solicitar talões de cheques e cartões em nome da empresa. A pedido da fiscalização, o banco também apresentou esclarecimentos sobre uma série de lançamentos que haviam constado nos extratos bancários enviados anteriormente em julho/2012. Pela análise desses lançamentos, verificouse que haviam sido efetuados entre outros, uma série de depósitos para a Zeta Importação e Exportação Ltda além dos inicialmente identificados, assim como para o sócio desta, Álvaro Thomas Renaux Niemeyer e para o sócio da Flabacar Arthur de Almeida Prado. Em anexo, é apresentada uma relação com alguns dos valores depositados para os mesmos. Para comprovar, com documenteis hábeis e idôneos a natureza dos pagamentos recebidos da Flabacar, foram intimados pelo correio os sócios da Zeta Juan Sabate Font, Álvaro Thomas Renaux Niemeyer, Rubens do Nascimento Gonçalves Neto e Ivaldo José Antero, assim como pessoalmente o síndico da massa falida da Zeta Importação e Exportação Ltda Dr. Asdrúbal Montenegro Neto, uma vez que esta tivera sua falência decretada em 16/09/2011. Ressaltese haverem sido identificados os sócios e o síndico da falência da empresa, com base em ficha cadastral simplificada da Jucesp. Destes, apesar de regularmente intimados conforme comprovantes de recebimento dos AR's enviados, compareceram apenas os sócios Juan Sabate Font e Álvaro Thomas Renaux Niemeyer, os quais alegaram que estavam impossibilitados de apresentar os documentos solicitados, uma vez que as instalações da empresa estavam judicialmente lacradas. Confirmaram, entretanto, que as Notas Fiscais relativas aos veículos eram emitidas diretamente para os consumidores finais da Flabacar e não para esta, o que foi formalizado através de Termo de Declaração, anexo. (...) Questionado sobre uma série de lançamentos, o banco revelou que se referiam a depósitos para a Zeta Importação e Exportação Ltda, além dos inicialmente identificados, assim como para o sócio desta, Álvaro Thomas Renaux Niemeyer e para o sócio da Flabacar, Arthur de Almeida Prado. Quanto à falta de interesse comum, alegada pelo recorrente, adoto como razões de decidir o que foi estabelecido pela DRJ: A despeito das assertivas do impugnante, inicialmente há que se registrar as lições conduzidas pelo renomado tributarista Marcos Vinicius Neder em obra que versou sobre o critério de aplicação do art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional (solidariedade de fato), partindose da acepção do termo “interesse comum”: “Solidariedade de Fato (...) 6.2. Conceito de interesse comum Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.385 43 O termo “interesse” contém, vários significados, o que dificulta sua exata delimitação semântica na seara jurídica. Um dos desafios mais importantes para todo o desenvolvimento deste ensaio é solucionar a seguinte questão: “Qual significado deveríamos atribuir à expressão ‘interesse comum’ utilizada no art. 124 do CTN?” (...) A palavra interesse, segundo Alf Ross, pode ser tomada em sentido amplo e em sentido estrito. O sentido amplo abrange todo o estado de consciência que encerra uma atitude. Nesse sentido, estamos interessados em tudo aquilo a respeito do que experimentamos; uma atitude positiva ou negativa. Por outro lado, quando dizemos que uma ação nasce dos interesses de uma pessoa, a palavra é tomada em sentido estrito. E prossegue o mestre dinamarquês, os interesses são atitudes baseadas em necessidades, que geram um impulso no sentido de seu atendimento, ao contrário das atitudes morais, que são baseadas em necessidades (desinteressadas). No campo processual, interesse, observa Cândido Dinamarco, associase à idéia de utilidade, de modo que o provimento jurisprudencial postulado pela parte deve ser efetivamente útil ao demandante, operando uma melhora em sua vida comum. O interesse processual, é por essência instrumental. Como o que nos inquieta é o interesse na situação jurídica subjacente ao fato gerador, cumpre examinar o seu significado à luz de uma relação jurídica privada (...). Recorremos, então, aos ensinamentos de Pontes de Miranda para quem os direitos subjetivos surgem apenas a partir da incidência de regras jurídicas que são os veículos aptos a distribuir bens da vida, ou alterar sua distribuição. Se há interesse subjacente a tal distribuição, não pertencem à dimensão jurídica, mas à dimensão política, salvo onde esse interesse á regra jurídica entendeu caber proteção. Assim, ensina o Mestre, os direitos subjetivos como produto da incidência de regra jurídica, protegem determinados interesses. Nos direitos de crédito particular, um dos interesses tutelados, tanto do lado do credor como do lado do devedor, é extinção regular da relação jurídica pelo adimplemento da obrigação pactuada. A partir dessas várias acepções para o vocábulo “interesse”, é possível extrair um elemento significante comum, qual seja: interesse é uma atitude voltada ao atendimento de uma necessidade (v.g., econômica, moral e social) e, no campo obrigacional, estruturamse direitos subjetivos que tutelam tais interesses. (destacouse) Resta, ainda, discorrer a respeito da qualificação “comum” conferida pela lei, ou seja, examinaremos quais as hipóteses em que o “interesse” será considerado “comum” na situação jurídica privada que constitua o fato gerador. No plano das situações jurídicas, defrontamonos com relações em que participam pluralidade de sujeitos e, por conseguinte, surge uma pluralidade de titulares de direitos (...). Nessas situações, para que se verifique interesses comuns que se irradiam dessa relação jurídica. Alf Ross, com muita habilidade, faz a distinção entre os interesses comuns e coincidentes. Nos primeiros, as pessoas interessadas são vinculadas por circunstâncias externas formadoras de solidariedade (consciência de grupo) que os une; enquanto, nos coincidentes, o vínculo visa apenas atender a uma necessidade específica (tarefa). Fl. 1406DF CARF MF 44 Nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas, por exemplo, podemos encontrar entre os contratantes interesses coincidentes, contrapostos e comuns. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situamse em cada um pólos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, entre os compradores. (...) Não é outro entendimento de Paulo de Barros Carvalho, que sustenta que, nas ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se, e somente se, for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. Também a esta conclusão chegou Hugo de Brito Machado: “O fato de serem partes em um contrato apenas significa que o legislador pode, por disposição expressa, instituir solidariedade entre elas (...). Uma coisa é duas ou mais pessoas terem interesse na situação. Outra é terem duas ou mais pessoas interesse comum na situação. Comprador e vendedor têm interesse na compra e venda, mas não ser trata de interesse comum e sim de interesses contrapostos”. Concluise, portanto, que o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. (Neder, Marcos Vinícius, in Responsabilidade Tributária / Coordenadores Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder, São Paulo, Dialética, 2007, p. 39/42). No presente caso, a responsabilidade do Sr. ÁLVARO THOMAS RENAUX NIEMEYER salta aos olhos, independentemente de quaisquer documentação da empresa ZETA que tenha deixado de ser apresentada pelos motivos por ele expostos. Como registrado, quando da análise acerca de “intermediação” e “compra e venda” a empresa ZETA, da qual o Sr. Álvaro é sócioadminstrador, participava dos procedimentos de venda dos veículos, recebendoos no Porto de Vitória (as faturas eram emitidas em nome da Zeta, segundo informado, com valores bem inferiores ao real) emitindo Notas Fiscais diretamente para a pessoa física ou jurídica que havia adquirido o veículo da Barreto Import/Flabacar. Além do acima exposto, verificouse que foram efetuados depósitos para a Zeta, assim como para o Sr. Álvaro, como afirmado no Termo de Constatação e Verificação Fiscal, fato que o referido senhor não logrou desconstituir em sua impugnação. Deve ser registrado que o próprio senhor Álvaro confirmou o fato de as Notas Fiscais relativas aos veículos serem emitidas diretamente para os consumidores finais da Flabacar e não para esta, o que foi formalizado através de Termo de Declaração. A propósito, o Código de Processo Civil – CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973) estabelece, em seu artigo 332, que Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos [...]; e, em seu artigo 131, que O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos [...], dispositivo que tem um correlato no artigo 63 do Decreto nº 7.574, de 30 de setembro de 2011 (Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção [...]). Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.386 45 Nesse contexto, em última análise, todas as informações contidas no processo constituem o rol de elementos (indícios) sobre os quais o julgador promove o raciocínio para chegar à presunção judicial, que servirá de base para formar a convicção necessária para solucionar o litígio. Sobre esse tema, Fredie Didier Jr., Paula Sarno Braga e Rafael Oliveira, amparandose em trechos das obras de Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Amaral Santos, discorrem do seguinte modo: A presunção judicial resulta do raciocínio do juiz, que a estabelece. Formase na consciência do magistrado: conhecido o indício, desenvolve o raciocínio e estabelece a presunção. Há necessidade de o indício (fatobase) estar provado: “... a sistemática de ‘produção’ das presunções em juízo não difere, em nada, da produção de qualquer prova; será necessário produzirse uma prova, com a ressalva de que essa prova não incidirá sobre os fatos da causa, mas sobre fato externo a esta, que se liga a algum fato da causa por um raciocínio lógico.” AMARAL SANTOS pontua que a importância das presunções simples se apresenta quando se pretende provar estados do espírito – a ciência ou a ignorância de certo fato, a boafé, a máfé etc. – e especialmente as intenções, nem sempre claras e não raramente suspeitas. Este processo mental é desenvolvido pelo magistrado sem qualquer intervenção do legislador. “As presunções simples, por sua própria natureza, valem pelo poder de convicção que infundem ao juiz. Mais do quer qualquer outra prova, não são susceptíveis de regras legais que meçam ou avaliem a sua eficácia. Resultado do raciocínio do juiz, a este e a mais ninguém cabe estimá las e conforme o seu poder de convencer o juiz tal o valor que o juiz lhes conferirá”. Oportuno transcrever o que diz Maria Rita Ferragut: Assim, tem a Administração Pública o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção hominis de forma alguma significa que a tributação ocorrerá baseandose em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do ponto de vista jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível1. A jurisprudência administrativa, em reiteradas manifestações dos seus Órgãos Julgadores de primeira e segunda instâncias, segue a mesma direção, como se depreende dos trechos a seguir reproduzidos de ementas de julgados do contencioso administrativo [sem os grifos, no original] : [...] MEIOS DE PROVA A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva, com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (arts. 131 e 332 do CPC. e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972). (Acórdão nº 10421347, Primeiro Conselho de Contribuintes, Data da Sessão: 26/01/2006) Fl. 1408DF CARF MF 46 IPI. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO Uma vez não afastadas as robustas provas realizadas pelo Fisco, quando da fiscalização da contribuinte e de empresa terceira, é de serem aceitas as presunções e indícios resultantes do conjunto fático probatório apurado, pois que graves e precisos, a ponto de se reconhecer que se trata na hipótese a "cisão" de operação simulada, levada a efeito com o fim de se desobrigarem os interessados de suas responsabilidades tributárias. (Acórdão n° 20313.032, Segundo Conselho de Contribuintes, Terceira Câmara, Sessão de 01 de julho de 2008). IRPJ/CSLL OMISSÃO DE RECEITAS MEDIANTE INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA — PROVA INDICIARIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. É o caso dos autos, em que resta patente a interposição de pessoa jurídica inexistente de fato [...]. (Acórdão n° 10709.175, Primeiro Conselho de Contribuintes, Sétima Câmara, Sessão de 16 de outubro de 2007). [...] MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. O Fisco não sofre qualquer restrição de investigação e, assim, quando sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizála através de todos os meios lícitos admitidos em Direito, inclusive com base em presunção simples, desde que firmada com indícios veementes. As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas da infração. Multa Qualificada. Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática simulada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada [...] (DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM CAMPINAS – 2ª TURMA ACÓRDÃO Nº 0533021 de 18 de Março de 2011) Por fim, oportuna é a evocação do voto vencedor do acórdão nº CSRF/0102.743, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tomando por base a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que “indícios vários e concordantes são prova”, com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado. (STF, RTJ 52/140 apud Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 22ª ed., 1997, p. 97.) [destaques acrescidos] Com esteio na fundamentação exposta, e tendo em vista que a autuada não conseguiu afastar o conjunto indiciário, mantémse a sujeição passiva solidária de Álvaro Thomas Renaux Niemeyer, expressa no Termo de fls. 798 e seguintes, com base nos arts 210 do RIR/99 (base legal é do art. 135 do CTN), 121, Prg únicoII, 124, I e 128 do CTN. Registrese que em sua impugnação o Sr. Álvaro somente se referiu ao art.124, I. Desta forma, ao pagar menos tributo, as pessoas envolvidas tiveram oportunidade de lucrar mais, efetuar retiradas, que não se sabe se seriam possíveis se a empresa pagasse seus tributos em seguimento às regras tributárias. Aliás, a pessoa jurídica é uma ficção, não tem capacidade de dizer se quer ou não pagar tributo. Quem determina isso é sempre uma Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 19515.722667/201237 Acórdão n.º 1401002.050 S1C4T1 Fl. 1.387 47 pessoa física, que, em se demonstrando que participou efetivamente da conduta delituosa de recolher menos tributos aos cofres públicos, e comprovado que se beneficiou deste resultado, comprovado estará o interesse comum com pilar no art. 124, I, do CTN. Assim, deve ser mantida a responsabilidade tributária do Álvaro Thomas Renaux Niemeyer. Conclusão Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário Juan Sabaté Font. Na parte conhecida, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício, para exonerar a responsabilidade solidária de Rubens do Nascimento Gonçalves Neto, e NEGAR provimento ao recurso voluntário da empresa e do responsável solidário Álvaro Thomas Renaux Niemeyer. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1410DF CARF MF 48 Fl. 1411DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.001767/2005-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
DISPÊNDIOS NA FORMAÇÃO DA LAVOURA CANAVIEIRA. EXAUSTÃO.
Inaplicável o artigo 48, do Decreto nº 70.235/1972, quando o objeto da consulta não guarda identidade com o lançamento tributário efetuado. Afasta-se, assim, a nulidade do lançamento.
Numero da decisão: 9101-002.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento (i) por voto de qualidade, em relação à depreciação acelerada da lavoura da cana-de-açúcar, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (ii) por maioria de votos, quanto à consulta sobre a nulidade do lançamento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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EXAUSTÃO. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à exaustão e não à depreciação. Portanto, não se beneficiam do incentivo da depreciação rural acelerada, razão pela qual não podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. DEPRECIAÇÃO. PROJETOS FLORESTAIS DESTINADOS AO APROVEITAMENTO DE FRUTOS. EXAUSTÃO. RECURSOS FLORESTAIS DESTINADOS A CORTE. O termo "florestais" presente nos artigos 307 (depreciação) e 334 (exaustão) do RIR/99 deve ser interpretado de forma abrangente, ou seja, aplicase não apenas a floresta no sentido estrito, mas a formações vegetais como plantações, tanto que os dispêndios para formação de cultura de café, uva, laranja, dentre outros, são sujeitos a depreciação. A depreciação de bens aplicase apenas àqueles que produzem frutos, que consistem em estrutura comestível que protege a semente e nascem a partir do ovário de uma flor. Para os demais casos, do qual o aproveitamento da cultura não decorre do aproveitamento de frutos (pastagem, canadeaçúcar, eucalipto), aplicase a exaustão. CONSULTA. PENDÊNCIA DE RESPOSTA. DECRETO 70.235/1972, ART. 48. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE ENTRE A CONSULTA E O LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO AFASTADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 17 67 /2 00 5- 11 Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 730 2 Inaplicável o artigo 48, do Decreto nº 70.235/1972, quando o objeto da consulta não guarda identidade com o lançamento tributário efetuado. Afasta se, assim, a nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento (i) por voto de qualidade, em relação à depreciação acelerada da lavoura da canadeaçúcar, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (ii) por maioria de votos, quanto à consulta sobre a nulidade do lançamento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ quanto aos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004, com a imposição de multa de ofício de 75% (fls. 253/260, volume 2). Consta no Termo de Constatação Fiscal (fls. 238/252, volume 2). A empresa cultiva a canadeaçúcar em terras próprias e também mediante arrendamento de terras de terceiros. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 731 3 Para tanto, realiza, mensalmente, investimentos diversos com o preparo do solo, plantio e manutenção da lavoura que são registrados na sua escrituração contábil da seguinte forma: (...) II.1 Lavoura em Formação Classificadas pelo contribuinte no Ativo Permanente Investimento conta no 1.3.1.05 (fl. 42), contem todos os investimentos realizados para a formação da cultura (até o período imediatamente anterior ao primeiro corte/produção). Os principais custos são: fertilizantes, fungicidas, herbicidas, inseticidas, corretivos de solo, combustíveis, mãodeobra, arrendamento de equipamentos, preparo do solo, mudas, produtos químicos, etc. O contribuinte contabiliza separadamente os custos apropriadas à cada safra (Lavoura em Formação 2001 fls. 155/162; Lavoura em Formação 2002 fl. 164/175, etc.). Os valores apropriados na conta Lavoura em Formação ao final de cada safra (exemplo Lavoura em Formação Safra 2001), têm a seguinte destinação: 25% é transferido para a conta: Lavouras a Amortizar, no próprio ano de constituição (lançamento efetuado em 31/12/2001). O saldo da conta (75%) é transferido para a conta: Lavouras a Amortizar, nos próximos três anos, na taxa de 25% ao ano (lançamentos efetuados em 31/12/2002, 31/12/2003 e 31/12/2004) fls. 162/163. Primeiramente, cabe esclarecer que o procedimento correto seria contabilizar esta conta no Ativo Permanente Imobilizado, e não no Ativo Permanente Investimento, como procedeu o contribuinte. E o que dispõe a Lei no 6.404/76: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados A manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; (...)" (grifei) Destarte, este procedimento do contribuinte não altera o mérito da questão. (...) II.2 Safra fundada Após a formação da cultura, todos os custos empregados na lavoura de canadeaçúcar (fertilizantes, fungicidas, herbicidas, Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 732 4 inseticidas, combustíveis, mãodeobra, arrendamento de equipamentos, produtos químicos, custo com irrigação, etc.) são tratados como safra fundada, classificados no Ativo Circulante conta no 1.1.3.08 (estoques) — fls. 36/39. Ou seja, nesta fase os custos já não compõe o Ativo Permanente, sendo a safra fundada caracterizada como "um Estoque em Andamento". Também são contabilizados separadamente os custos apropriados à cada safra (Safra fundada — Constituição —2001 — fl. 79, etc.), tendo em vista que o canavial, uma vez plantado, poderá gerar, dependendo da região, no mínimo quatro cortes. Os valores apropriados na conta Safra Fundada ao final do ano calendário (em 31 de dezembro) são transferidos para o custo do produto vendido, mediante o rateio, pro rata tempore, do custo apurado na conta Safra Fundada pelo número de dias previstos na industrialização da safra. (...) 11.3. — Lavoura a Amortizar Classificadas pelo contribuinte no Ativo Circulante — conta no 1.1.3.09.01 (estoques) — fl. 36/40, esta conta recebe, anualmente, 25% dos custos incorridos nas contas: Lavouras em Formação. A quota anual referese ao tempo de vida útil de cada safra adotado pelo contribuinte (4 anos), ou seja, o contribuinte amortiza os custos apurados na formação da lavoura canavieira proporcionalmente ao tempo em que irá auferir receitas com o investimento realizado. Os valores apropriados nesta conta também serão adicionados ao custo do produto vendido, mediante o rateio, pro rata tempore, do custo apurado pelo número de dias previstos na industrialização da safra. 111.1. DO BENEFÍCIO FISCAL UTILIZADO PELO CONTRIBUINTE Conforme já descrevemos, o contribuinte contabiliza em conta do Ativo Permanente Investimento (Lavoura em Formação) os custos apropriados para a formação da lavoura canavieira, amortizando os custos desta conta na taxa de 25%, ao ano, mediante a transferência para a conta Lavoura a amortizar (Ativo Circulante), e dai para o custo do produto vendido. O contribuinte entende que por ser uma pessoa jurídica que explora atividade rural (nos termos do art. 58, inciso VI, do Decreto no 3.000/99 RIR/99), teria direito ao beneficio fiscal previsto nos artigos 307, II, e 314 do RIR/99, podendo depreciar integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura canavieira, registrados na conta Lavoura em Formação. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 733 5 De fato, o contribuinte está utilizando o beneficio da depreciação acelerada incentivada e está depreciando, integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura canavieira, registrados na conta Lavoura em Formação (...): 111.2. DAS RAZÕES EM NÃO) ACEITAR A DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA EXCLUÍDA INDEVIDAMENTE PELO CONTRIBUINTE 111.2.1. PREMISSA N° 01: O BENEFÍCIO, DESTINADO AS PESSOAS JURÍDICAS QUE EXPLOREM A ATIVIDADE RURAL, CONSISTENTE NA DEDUÇÃO INTEGRAL DOS VALORES DOS BENS DO ATIVO PERMANENTE IMOBILIZADO (LAVOU EM FORMAÇÃO), NO PRÓPRIO ANO DE AQUISIÇÃO, NÃO INCLUI A AMORTIZAÇÃO DE ATIVOS NEM A EXAUSTÃO DE RECURSOS FLORESTAIS (...) Primeiramente, vamos transcrever os arts. 58, inciso VI, 307, inciso II e parágrafo único, IV, 314 e 334, todos do RIR/99, que tratam do assunto (grifos nossos): (...) Por sua vez, dispõe o art. 14 da IN SRF no 257, de 2002: (...)" Sobre a questão, é oportuno transladar trechos da Solução de Divergência (SD) Cosit nº 12, de 7 de agosto de 2003, que, pondo fim 6 dissensão existente entre a Solução de Consulta (SC) SRRFO9 n° 120, de 2 de julho de 2001, e a SC SRRF10 n° 28, de 15 de março de 2001, conclui que o benefício consistente na dedução integral dos valores dos bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, no próprio ano de aquisição, não inclui a amortização nem a exaustão de recursos florestais (...). 111.2.2. — PREMISSA Nº 02: OS CUSTOS DE AQUISIÇÃO E DE FORMAÇÃO DA CULTURA DA CANADEAÇÚCAR, EXCLUÍDA A TERRA NUA, DEVEM SER OBJETO DE QUOTAS DE EXAUSTÃO A questão já foi enfrentada pela SRF na SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF/4a RF/DISIT No 05 (...) II.2.3 CONCLUSÃO Considerando que o beneficio, destinado às pessoas jurídicas de atividade rural, consistente na dedução integral dos valores dos bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, no próprio ano de aquisição, não inclui a amortização de ativos nem a exaustão de recursos florestais. Considerando que os custos de aquisição e de formação da cultura da canadeaçúcar, excluída a terra nua, devem ser objeto de quotas de exaustão. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 734 6 Concluímos que não é legalmente prevista, para pessoas jurídicas que explorem a atividade rural cultivo de cana de açúcar, a sua dedução integral no próprio ano da aquisição (depreciação acelerada incentivada) dos custos apurados na conta do Ativo Permanente Investimento, denominada "Lavoura em Formação", visto que aquela só é permitida em se tratando dE depreciação propriamente dita dos bens do ativo permanente imobilizado. IV DA INFRAÇÃO PRATICADA PELO CONTRIBUINTE Desta forma, foi reconstituída a apuração do Lucro Real do sujeito passivo (fl. 235), excluindose: a) as exclusões do Lucro Liquido dos exercícios, referente às "Depreciações Aceleradas Incentivadas das Lavouras em Formação"; b) as adições do Lucro Liquido dos exercícios, referente às "Depreciações Aceleradas Incentivadas Reversões Lavoura em Formação". (...) Cumpre esclarecer que a infração praticada pelo contribuinte não se enquadra como postergação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, haja vista que nos anoscalendário seguintes às exclusões indevidamente efetuadas, não houve o efetivo e espontâneo pagamento do IRPJ. E o que está demonstrado nas planilhas de fl. 235, onde apurouse que nos anos: calendário seguintes as exclusões efetuadas pelo contribuinte superaram a adições. (...) Por fim, deve ficar consignado que o contribuinte protocolizou Processo de Consulta sob o no 19679.018848200300 (fls. 183/188), no qual solicita o entendimento da SRF à respeito das seguintes questões: a) se a atividade desenvolvida pela empresa constituída sob a forma de agroindústria (atividade agrícola e industrial), enquadrase como atividade rural, nos termos da legislação em vigor; b) se poderiam ser depreciados, integralmente no próprio ano de aquisição, os bens do ativo permanente imobilizado, adquiridos exclusivamente para a atividade rural. Não obstante a Consulta não ter sido solucionada pela SRF, impende destacar que não produzirá efeito neste processo, tendo em vista que a consulta formulada contempla outras questões, que não estão sendo objeto de questionamento neste processo (art. 52 do Decreto no 70.235/72). A contribuinte apresentou Impugnação Administrativa (fls. 630/690), que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, conforme acórdão ementado da forma seguinte (366/373, volume 2): Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 735 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PENDÊNCIA DE CONSULTA. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE MATÉRIA. A proibição estabelecida no artigo 48 do Decreto n° 70.235/1972 de que nenhum procedimento Fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à matéria objeto de processo administrativo de consulta, enquanto pendente de solução, pressupõe que haja identidade entre a matéria objeto da autuação e aquela consultada. Constatado que o resultado da consulta em nada alteraria a conclusão do procedimento Fiscal, não há nulidade do auto de infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LAVOURA DE CANADEAÇÚCAR. EXAUSTÃO. INAPLICABILIDADE DE DEPRECIAÇÃO INTEGRAL. A depreciação integral dos bens do ativo imobilizado destinados à atividade rural, no próprio ano de aquisição, não se estende aos ativos sujeitos à exaustão, tais como a formação de lavoura canavieira. POSTERGAÇÃO DO IMPOSTO. Inaplicável a consideração de ocorrência de postergação do imposto quando se exclui da base de cálculo do IRPJ valor já tributado anteriormente. Lançamento Procedente A contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual foi dado parcial provimento pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, em acórdão assim ementado (fls. 449/474, volume 3): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ATIVIDADE RURAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. O beneficio fiscal da depreciação acelerada de bens do ativo imobilizado aplicados na atividade rural não alcança os elementos integrantes deste grupo patrimonial que se sujeitam a exaustão ou amortização. LAVOURA DE CANADEAÇÚCAR. EXAUSTÃO. A diminuição de valor da lavoura canavieira, porque sujeita à exploração mediante corte, é registrada em quotas de exaustão, na proporção do volume explorado. PENDÊNCIA DE CONSULTA. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE MATÉRIA. A consulta fiscal sobre a extensão, às Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 736 8 agroindústrias, de beneficio fiscal de depreciação acelerada de bens do ativo imobilizado, estabelecido em favor da atividade rural, não impede a exigência tributária que tenha por objeto bens do ativo imobilizado sujeitos à exaustão. POSTERGAÇÃO DO IMPOSTO. Mesmo em infrações continuadas, a análise da postergação deve ser individualizada, de forma a se determinar, por período de apuração, o tributo que efetivamente deixou de ser recolhido até o momento do lançamento, para assim exigilo com os acréscimos previstos para os procedimentos não espontâneos. Exigência mantida apenas em relação às exclusões que, glosadas, ainda não haviam sido adicionadas ao lucro real ate a data do lançamento. RECOLHIMENTOS POSTERGADOS VERIFICADOS APÓS O LANÇAMENTO. Eventuais recolhimentos posteriores ao lançamento não o prejudicam nem afastam a aplicação da multa de oficio, e somente podem ser utilizados mediante apresentação de Declaração de Compensação DCOMP, para extinção do crédito tributário na data de sua apresentação. Destaco trechos do voto da Relatora, exConselheira Edeli Pereira Bessa, tratando dos temas que foram objeto de recurso especial devidamente admitido: (...) É de se dar razão, portanto, à autoridade lançadora e à Turma Julgadora, pois ao contrário do que entende a recorrente, uma resposta favorável A consulta não lhe permitiria depreciar de formaa acelerada qualquer bem do ativo permanente imobilizado adquirido para a atividade rural. Antes, necessário seria, que este bem se sujeitasse à depreciação. (...) É preciso, portanto, aferir se os valores registrados na conta "Lavouras em Formação" tem as mesmas características das outras contas alojadas no ativo permanente imobilizado que se sujeitam a depreciação. (...) Só se cogitará de efeitos da consulta, e de conseqüente identidade com o presente lançamento, se restar firmado que as "Lavouras em Formação" são, de fato, bens do ativo permanente imobilizado que se sujeitam a depreciação, ou minimamente auferem os beneficios da depreciação acelerada. Portanto, é necessário, primeiro, apreciar o mérito da exigência, para depois concluir se a preliminar de nulidade da exigência deve ser acolhida, em razão da identidade entre a matéria autuada e a consulta formulada pela recorrente. (...) Por oportuno esclareçase que embora tais argumentos dirijam se à agricultura, o âmbito de aplicação do beneficio (atividade rural) foi assim fixado no art. 2° da Lei nº 8.023/90: (...) Nestes termos, não há dúvida que a lavoura de canadeaçúcar, quer como agricultura, quer como extração ou exploração vegetal, estaria ao alcance da referida norma. Mas é necessário Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 737 9 precisar se o beneficio da depreciação acelerada alcançaria, também, bens sujeitos a amortização ou exaustão. (...) De fato, para se definir o alcance da norma que estabelece o beneficio fiscal da depreciação acelerada em favor da atividade rural é necessário observar o que dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capitulo. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributciria que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Por meio do beneficio fiscal em referência foi postergado o pagamento de tributo mediante antecipação de despesa, hipótese que se aproxima da suspensão do crédito tributário, mas sem a incidência de juros moratórios, e assim se revela, na verdade, como isenção desta compensação que seria devida pela quitação após o prazo de vencimento. Assim, discordase do entendimento defendido pela recorrente: a norma deve ser interpretada literalmente, e alcança apenas os bens do ativo imobilizado sujeitos depreciação. Em que pese o legislador tenha excetuado expressamente a "terra nua", não o fazendo em relação aos demais bens que compõem o ativo permanente imobilizado, utilizou a expressão "depreciados" que exclui daquele grupo os bens sujeitos a amortização e exaustão É perfeitamente possível que a lei tenha buscado favorecer a renovação de bens físicos sujeitos a desgastes ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência, corno máquinas e equipamentos aplicados na atividade rural, sem dar maior relevo a outros direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração, cuja perda de valor decorre de sua exploração. Relevante abordar, porém, o entendimento em contrario, alegado pela recorrente, e firmado nesta instância de julgamento administrativo, pela I. Conselheira Sandra Maria Faroni, relatora do acórdão nº 10194.597 (...) O §2° do art. 12 da Lei 8.023/90, ao permitir a apropriação imediata e integral, no próprio ano de sua aquisição, dos bens do ativo imobilizado aplicados na produção, buscou criar incentivo a atividade rural mediante antecipação da apropriação dos encargos correspondentes a sua perda de valor, da mesma forma que o fez o sç 2° do art. 4°, em relação ao produtor rural Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 738 10 pessoa física. Não pretendeu, a lei, distinguir entre bens do ativo imobilizado sujeitos a amortização ou a exaustão. Observase que o referido julgado procurou equivaler o beneficio fiscal em discussão àquele antes já concedido à pessoa fisica, mas assim previsto na Lei ri° 8.023/90: (...) A lei admite, nos termos do capuz' do art. 4°, a apuração do resultado da atividade rural exercida por pessoa fisica segundo o regime de caixa, mediante confronto entre receitas recebidas e despesas pagas no período. Considerando que o regime de caixa é aplicado como regra na apuração dos rendimentos tributáveis da pessoa fisica, o beneficio fiscal revelase na permissão de dedução dos investimentos corno se despesas fossem, no mês do efetivo pagamento. Ocorre que a própria lei conceitua investimento nos seguintes termos: Art. 6" Considerase investimento na atividade rural, para os propósitos do art. 4", a aplicaçao de recursos financeiros, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade agrícola. (negrejou se) Ou seja, a dedução integral dos investimentos na atividade rural, no próprio período do pagamento, está prevista para os dispêndios destinados à expansão da produção ou melhoria da produtividade. O Regulamento do Imposto de Renda — RIR199, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, por sua vez, exemplifica as aplicações que se caracterizam como investimentos na forma do art. 6° da Lei n° 8.023/90: (...) Vêse, dai, que as aplicações efetuadas corn vistas a um resultado futuro (desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade), fora do conceito, portanto, de despesas de custeio, ainda assim recebem, em razão do beneficio em tela, o mesmo tratamento destas, sendo computadas para redução do resultado do período no qual foram pagas. Observese, aliás, que o inciso II classifica como investimento a aplicação de recursos financeiros em culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais. Todavia, como adiante se verá, a lavoura canavieira, embora seja classificada como cultura permanente por permitir mais de urn corte, não apresenta a longevidade própria das culturas citadas, na medida em que a planta dali resultante é ceifada na sua exploração, diversamente das culturas pennanentes em geral, nas quais a árvore é mantida e são extraídos apenas seus frutos ou essências. Em conseqüência, no âmbito da atividade rural exercida pela pessoas físicas, os gastos para formação da lavoura canavieira não se classificam como investimentos, e o seu cômputo no resultado não se rege pelo disposto no art. 40, §2° da Lei n° 8.023/90 c/c seu art. 6°. Em verdade, é possível o seu confronto Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 739 11 imediato com as receitas do período, mas em razão do disposto no caput do art. 4° da mesma lei, que determina a apuração do resultado da atividade rural segundo o regime de caixa. Contudo, a atividade rural exercida por pessoa jurídica tem seus resultados apurados contabilmente, mediante regime de competência, o que impede a transposição integral dos efeitos verificados em idêntica atividade exercida por pessoa fisica, mesmo no que tange ás aplicações que, no âmbito da Lei if 8.023/90 são denominadas investimentos, mas que, na seara contábil, regida pela Lei n° 6.404/76, são classificadas como Ativo Permanente, e sujeitas a regras especificas para seu cômputo no resultado do período. (...) Analisando sob este prisma, o beneficio fiscal as pessoas jurídicas foi expresso desde a Lei n° 8.023/90, nos seguintes termos: (...) Ao assim proceder, o legislador restringiu o alcance do beneficio fiscal limitandoo aos bens sujeitos a. depreciação, como já antes explicitado, inclusive mantendo esta mesma redação ao restabelecer o incentivo, após a revogação expressa na lei n° 9.249/95: (...) Ante tais evidências, não é possível dar ao dispositivo legal em questão um alcance maior do que o evidenciado nos termos nele expressos. Apenas ha previsão de depreciação acelerada na atividade rural, o que deixa fora do alcance do referido incentivo os gastos destinados a formação da lavoura de cana deaçúcar, que devem ser imobilizados e realizados como despesas na proporção do corte da lavoura, segundo as normas aplicáveis aos bens sujeitos a exaustão. (...) A recorrente, por sua vez, procura descaracterizar a canade açúcar como árvore, de forma a demonstrar que seu cultivo não enseja a formação de florestas para corte. Enfatiza a perda da produtividade em razão da colheita, que pode resultar em 4 a 8 safras, e procura assemelhar os colmos da canadeaçúcar aos frutos das demais árvores, sendo aqueles colhidos da árvore que não é visível, por estar plantada longitudinal à terra. A literatura especializada, porém, aponta que a canadeaçúcar é uma planta herbácea rizomatosa da família das gramineas assim como a taquara e o bambu. E um caule (tronco), e por isso não pode ser considerada fruto do rizoma; é o próprio rizoma. Desta forma, após a plantação das mudas, o que se colhe é o caule, que cresce novamente para novo corte e assim sucessivamente até a exaustão. Nada em sua composição permite equivaler o colmo a fruto, órgão que possui a semente. (...) Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 740 12 Assim, não logrou a recorrente desconstituir as conclusões extraídas da doutrina, acerca da aplicação da exaustão à lavoura canavieira. E, considerando a restrição antes apontada para a fruição do beneficio fiscal em discussão, resta evidente que não há qualquer identidade entre a matéria autuada e aquela que foi objeto de consulta fiscal, dirigida apenas A. depreciação acelerada de bens do Ativo Imobilizado cuja perda de valor é reconhecida contabilmente mediante depreciação. Rejeitase, portanto, a argüição de nulidade do lançamento. Em 08/11/2010, a Procuradoria foi intimada quanto ao acórdão, não apresentando recurso (fls. 475). Sendo intimado em 12/01/2011 (fls. 488/537, volume 3), a contribuinte interpôs recurso especial em 26/01/2011, no qual sustenta divergência quanto aos seguintes temas: (i) depreciação acelerada incentivada, nos termos do artigo 6º, da Medida Provisória nº 2159/2001, aplicada ao cultivo de cana de açúcar, indicando como paradigmas: (i.a) 10194.597, no qual se decidiu que "o §2º do art. 12 da Lei 8.023/90, ao permitir a apropriação imediata e integral, no próprio ano de sua aquisição, dos bens do ativo imobilizado aplicados na produção, buscou criar incentivo à atividade rural mediante antecipação da apropriação dos encargos correspondentes 5 sua perda de valor, da mesma forma que fez o §2º do art. 4º, em relação ao produtora rural pessoa física." e (i.b) 10419.138, do qual consta: " O fato de a "terra nua" ser objeto de exclusão no dispositivo em questão não permite, apenas, a conclusão de que as aplicações em outros bens do ativo imobilizado são passíveis de cômputo imediato na apuração do resultado da atividade rural. Pode significar também, que cogitando a "terra nua" como bem do ativo imobilizado sujeito à depreciação, o legislador cuidou de afastála expressamente." A contribuinte ainda indicou um terceiro acórdão paradigma (10196.867). (ii) postergação do imposto, apontando como paradigma o acórdão nº 105 14.150, do qual se extrai: "a manutenção da exigência relativa a este item, implicará cobrança em dobro do tributo, uma vez pela glosa da depreciação incentivada, pela ação fiscal, outra pelo oferecimento espontâneo de sua tributação pela recorrente, em períodos posteriores." (iii) nulidade do auto de infração, identificandose os paradigmas: (iii.a) 10245610 (processo nº 11030.001114/9940, verbis: "Pelo princípio da moralidade administrativa, enquanto não solucionada, pelo órgão competente, consulta formulada pela contribuinte, nenhum procedimento Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 741 13 fiscal poderá ser contra ele promovido, em relação à matéria consultada, sob pena de sua nulidade" e (iii.b) 20169.092 (processo administrativo nº 10650.000815/9280), no mesmo sentido: "o sujeito passivo sob consulta, ainda que esta se apresente com característica de ineficácia, não pode ser autuado sob a matéria, objeto da consulta, enquanto julgador não decidir sobre a consulta ou a decrete ineficaz. Recurso provido para anular o processo 'ab initio'" O recurso especial foi parcialmente admitido pelo Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho (Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão), conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 677/684), decisão proferida em 01/09/2015: 1 – Preliminar de Nulidade do Auto de Infração A recorrente entende que enquanto houver pendência de consulta, cabe ao Fisco absterse de Fiscalizar o contribuinte. Para comprovar a divergência jurisprudencial, apresentou Acórdãos nºs 10245.610 e 20169092, assim ementados: (...) De fato, como pugna a contribuinte, essa decisão socorre à divergência uma vez que se esteve ante caso em que foi instalado procedimento fiscal contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada. No acórdão recorrido foi afastada a argüição de nulidade do lançamento por se concluir que, no mérito, o pedido não merecia prosperar. No entanto, havendo ainda pendência de resposta à consulta formulada pela recorrente e tendo o acórdão recorrido decidido que tal fato não impede a exigência tributária, entendo que existe a divergência jurisprudencial alegada. Assim, deixo de apreciar o segundo paradigma trazido ao dissídio. DOU SEGUIMENTO à matéria. 2 Aplicação da Depreciação Acelerada ao Cultivo da Canade Açúcar Para comprovar a divergência jurisprudencial, apresentou os Acórdãos nºs 10194.597 e 10419.138, mencionados na decisão recorrida, assim ementados: (...) Essa decisão, como se depreende da leitura da ementa acima, diverge diametralmente da decisão combatida que retirou da recorrente o beneficio da depreciação acelerada por se tratar de cultura de canadeaçúcar, sob o entendimento de que estaria sujeita à exaustão e não, à depreciação, não sendo abrangida pela. Ademais, a própria relatora da decisão fustigada analisou esse julgado e seus argumentos, dele divergindo. Ante a clara constatação da divergência obtida por meio do Acórdão nº 10194.597, deixo de examinar o Acórdão nº 104 19.138, que recebeu a seguinte ementa. (...) Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 742 14 Esclareço que foi citado mais um acórdão quanto à matéria, o qual foi desconsiderado por extrapolar o limite imposto pelo Regimento Interno. DOU SEGUIMENTO à matéria. 3 – Aplicação do Regime de Postergação do Imposto Alega a recorrente que eventual equívoco na aplicação da depreciação acelerada implica apenas e tão somente postergação do imposto. (...) Aqui, pelo tão só confronto da ementa paradigma com a recorrida se verifica não se tratar da mesma situação fática discutida nestes autos. As imputações constantes nas decisões confrontadas decorrem de aplicação de leis diferentes, apesar de as duas tratarem de depreciação incentivada. Além disso, consultando o inteiro teor da decisão quanto à depreciação incentivada, constato que os fatos e as razões de decidir não se assemelham a estes em julgamento no presente processo administrativo, não podendo lhe oferecer divergência, uma vez que o ponto fundamental da decisão decorreu da falta de provas, pelos dois lados, de que a máquina depreciada seria nova ou usada. Considero que, mesmo o paradigma tendo adotado a tese defendida pela ora recorrente, dele não se pode obter divergência, uma vez que decidiu sobre legislação, fatos e circunstâncias diversas às que são objeto do recurso neste processo. (...) NEGO SEGUIMENTO à matéria. IV Conclusão: DOU PARCIAL SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE para que suba à apreciação da CSRF apenas o pedido de nulidade do lançamento e de aplicação da depreciação acelerada ao cultivo da canadeaçúcar. A decisão de negativa parcial de seguimento ao recurso especial foi confirmada pelo Presidente da CSRF, em 03/09/2015 (fls. 685/686). Os autos foram encaminhados à Procuradoria em 04/09/2015 (fls. 687), que apresentou contrarrazões em 10/09/2015 nas quais requereu seja negado provimento ao recurso especial, em síntese, alegando: (i) a matéria sob consulta não influenciaria no Auto de Infração, razão pela qual inexistiria nulidade alegada pela contribuinte; (i) que a contribuinte exerceria atividade predominantemente agroindustrial (industrialização), não se enquadrando ao conceito de atividade rural tratado pelo artigo 2º da Lei nº 8.023/1990 e, assim, não poderia se beneficiar do benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada; Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 743 15 (ii) além disso, o citado benefício não alcançaria os custos da formação da lavoura canavieira, na medida em que o artigo 6º da MP 2159/2001 se refere a bens do ativo imobilizado sujeitos a depreciação, enquanto a cana de aaçúcar está sujeita à exaustão; (iii) a Lei nº 8.212/1991 dispõe da atividade econômica da agroindústria, mas a equiparação entre agroindústria e produtor rual seria para fins previdenciários, não se aplicando ao Imposto de Renda; (iv) o enquadramento da contribuinte como indústria é confirmada pelo artigo 4º, do Decreto nº 4.544/2002 (anterior Regulamento do IPI); (v) os conceitos de depreciação, amortização e exaustão estariam definidos pela Lei nº 6.404/1976, Interpretação Técnica na Norma Brasileira de Contabilidade nº 19.5 NBC T 19.5/2005, bem como na NBC T 16.9/2008; (vi) a Solução de Consulta SRRF 4º RF / Disit nº 5/2004 confirmaria que a cultura da canadeaçúcar está sujeita à exaustão; Os autos foram remetidos à unidade de origem para intimação da contribuinte a respeito da negativa parcial de seguimento ao recurso especial (fls. 715/719), o que foi cumprido em 28/04/2014 (fls. 726). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conheço do recurso especial no tocante às matérias admitidas, adotando o despacho do Presidente da Câmara para análise dos requisitos para seu conhecimento. Lembro que os temas tratados no recurso especial, devidamente admitidos, são os seguintes: (i) a possibilidade de sujeição da lavoura de canadeaçúcar à depreciação acelerada incentivada; e (ii) nulidade do auto de infração, considerando que pendente o julgamento de consulta da contribuinte. Passo à análise do mérito. Alegação de submissão da canadeaçúcar à depreciação Como consta do TVF que: "o contribuinte está utilizando o beneficio da depreciação acelerada incentivada e está depreciando, integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura canavieira, registrados na conta Lavoura em Formação " Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 744 16 A depreciação distinguese da exaustão por força do artigo 183, da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.As.), que prescreve: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; (...) § 2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Modesto Carvalhosa trata de depreciação e exaustão da forma seguinte, em comentários ao artigo 183, da Lei das S.As.: Tanto a depreciação quanto a exaustão registram a diminuição do valor de bens físicos. A natureza desses bens é que distingue as duas modalidades de encargos: a) depreciase um ativo que é objeto de uso; b) constituise o fundo de exaustão para um ativo que se esgota à medida que ele o próprio ativo é transformado em matéria prima. (...) É interessante reiterar que tanto o item V deste art. 183 como o seu §2º consideram a amortização e a exaustão como diminuição do valor de elementos do ativo imobilizado. Isso significa dizer que a Lei inclui no imobilizado as florestas destinadas a corte e comercialização, assim como os direitos com prazo de utilização determinado. (...) Podem ser objeto de depreciação todos os bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade pelo uso, ação da natureza ou obsolecência. (...) O fundo de exaustão tem por objeto recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. (...) O valor da quota de exaustão constituída no exercício variará em função do volume de minerais ou de madeira extraída no período, pois será determinado tendo em vista o volume da Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 745 17 produção do ano e a sua relação com a possança conhecida da mina, ou a dimensão da floresta explorada, ou ainda em função do prazo de concessão ou do contrato de exploração. (Comentários à Lei das S.As., volume 3, , 6ª edição, São Paulo, Saraiva, 2014 grifamos) A legislação fiscal delimitou as condições de depreciação, como se observa dos artigos 305 a 323 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto nº 3.000/1999). A depreciação poderá, portanto, ser computada como custo ou encargo, em cada período de apuração, como explicita o artigo 305 do RIR: Art. 305. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor dos bens do ativo resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57). § 1º A depreciação será deduzida pelo contribuinte que suportar o encargo econômico do desgaste ou obsolescência, de acordo com as condições de propriedade, posse ou uso do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 7º). § 2º A quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 8º). § 3º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de depreciação não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 6º). § 4º O valor não depreciado dos bens sujeitos à depreciação, que se tornarem imprestáveis ou caírem em desuso, importará redução do ativo imobilizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 11). § 5º Somente será permitida depreciação de bens móveis e imóveis intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Nesse contexto, foi editada a Medida Provisória nº 2.159/2001, que em seu artigo 6º prevê a depreciação acelerada incentivada quanto às pessoas jurídicas que explorem atividade rural: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. O dispositivo legal foi reproduzido no Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto nº 3.000/1999), nos seguintes termos: Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 746 18 depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). O Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) reproduziu o artigo 6º, da Medida Provisória nº 2158, alterandoo apenas para mencionar o artigo 58, para definição da atividade rural. Prevê o artigo 58, do RIR/1999: Art. 58. Considerase atividade rural (Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 2º, Lei nº 9.250, de 1995, art.17, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 59): I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas (Lei nº 8.023, de 1990, art. 2º, parágrafo único, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 17). O artigo 58 tem fundamento na Lei nº 8.023/1990, com redação alterada pela Lei nº 9.250/1995, que define a atividade rural: Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 747 19 rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) Passo à apreciação do único tema objeto de recurso especial: a sujeição da canadeaçúcar à depreciação acelerada. Em caso similar (processo nº 10835.720015/201432, acórdão 9101 002.799), pronunciei meu entendimento sobre a submissão da canadeaçúcar à depreciação e, assim, a possibilidade de depreciação acelerada incentivada. Destaco trecho daquele acórdão, que adoto como razões de decidir no presente processo: O primeiro Parecer Técnico apresentado foi elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/ESALQUSP, fls. 489/499 – PDF 2), do qual destaco trecho relevante ao julgamento deste processo: “De fato, do ponto de vista morfológico, a canadeaçúcar é basicamente constituída por uma parte aérea, representada por colmos e folhas, e por uma parte subterrânea relativa ao sistema radicular. Nesse sentido, a colheita da canadeaçúcar limitase exclusivamente à parte aérea da planta, ou seja, ao corte dos colmos produzidos, que, na realidade, correspondem aos seus frutos. Notese que é nos colmos que a cana armazena o caldo e nele os excedentes de açúcares produzidos no processo da fotossíntese, os quais, após extraídos por meio da moeagem, serão utilizados na fabricação do açúcar e de etanol. Entendase que a parte subterrânea, usualmente denominadas soqueiras, tem como o primordial promover a rebrota da parte aérea após cada uma das colheitas. Portanto, à luz dos fatos mencionados, fica evidente o caráter perene desta cultura que se renova após cada uma das colheitas e permanece ativa, enquanto as condições edafoclimatológicas assim o permitirem. Isso significa afirmar que o canavial não se esgota. Mesmo após a realização de diversos cortes, que, na prática, repitase, é a extração dos frutos, haverá a possiblidade de uma nova colheita no ano seguinte e assim sucessivamente. O vegetal não deixa de existir. (...) – fls. 494/495 A contribuinte apresenta, também, Parecer elaborado pela PricewaterhouseCoopers (fls. 500/517) tratando do tema e concluindo que “a Usina Alto Alegre tem o direito de usufruir o benefício da depreciação acelerada rural em relação aos custos com a formação da lavoura da canadeaçúcar, nos termos do artigo 6º da Medida Provisória nº 2.15970/01”. Consta, ainda, Parecer Técnico elaborado pela Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 748 20 Economia (fls. 518/546 – PDF 31) no qual consta que “exaustão não é aplicável à canaldeaçúcar”. Discorrendo sobre o tema, Misabeu Abreu Machado Derzi e Fernando Daniel de Moura Fonseca são precisos: Como no caso da canadeaçúcar a plantação não é extinta com o corte, mas permite sucessivas colheitas, a depreciação seria o instituto aplicável a este bem do ativo imobilizado. Com efeito, a qualidade do que é colhido a cada corte se reduz, de modo que não há que se falar em exaurimento do recurso, mas de perda de valor por obsolescência em relação a uma nova plantação. (Depreciação Acelerada na Agroindústria – Questões Controvertidas, in 50 Anos do Código Tributário Nacional, São Paulo, Editora Noeses, 2016, fls. 935) Vale transcrever, ainda, transcrever Parecer MF/SRF/Cosit/Ditir n° 1.383/1995: “Soluciono a consulta com base nos atos normativos inicialmente mencionados, respondendo à consulente que os canaviais (recursos financeiros aplicados na formação desta cultura), uma vez que são classificados no ativo imobilizado e destinados à produção, poderão ser totalmente depreciados no ano em que integrarem o seu ativo imobilizado" A canadeaçúcar, portanto, está sujeita a diversas colheitas e, por isso, seus frutos não se esgotam em cada uma destas colheita. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso especial da contribuinte, reformando o acórdão recorrido para reconhecer a submissão da canadeaçúcar à depreciação acelerada incentivada. Nulidade do auto de infração A Recorrente alega, ainda, que seria nulo o auto de infração porque considerando a pendência de resposta a consulta formulada à Receita Federal. O Termo de Verificação Fiscal menciona a citada consulta, verbis: Por fim, deve ficar consignado que o contribuinte protocolizou Processo de Consulta sob o no 19679.018848200300 (fls. 183/188), no qual solicita o entendimento da SRF à respeito das seguintes questões: a) se a atividade desenvolvida pela empresa constituída sob a forma de agroindústria (atividade agrícola e industrial), enquadrase como atividade rural, nos termos da legislação em vigor; b) se poderiam ser depreciados, integralmente no próprio ano de aquisição, os bens do ativo permanente imobilizado, adquiridos exclusivamente para a atividade rural. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 749 21 Consta como premissa do lançamento, devidamente identificada pelo auditor fiscal autuante a impossibilidade de gozo do benefício de depreciação acelerada incentivada quanto à exaustão de recursos florestais. Nesse sentido, reproduzo trecho do TVF: 111.2.1. PREMISSA N° 01: O BENEFÍCIO, DESTINADO AS PESSOAS JURÍDICAS QUE EXPLOREM A ATIVIDADE RURAL, CONSISTENTE NA DEDUÇÃO INTEGRAL DOS VALORES DOS BENS DO ATIVO PERMANENTE IMOBILIZADO (LAVOU EM FORMAÇÃO), NO PRÓPRIO ANO DE AQUISIÇÃO, NÃO INCLUI A AMORTIZAÇÃO DE ATIVOS NEM A EXAUSTÃO DE RECURSOS FLORESTAIS (...) Concluímos que não é legalmente prevista, para pessoas jurídicas que explorem a atividade rural cultivo de cana de açúcar, a sua dedução integral no próprio ano da aquisição (depreciação acelerada incentivada) dos custos apurados na conta do Ativo Permanente Investimento, denominada "Lavoura em Formação", visto que aquela só é permitida em se tratando de depreciação propriamente dita dos bens do ativo permanente imobilizado. O acórdão recorrido tratou do tema da forma seguinte, conforme voto condutor: Inicialmente seria necessário decidir se há identidade entre a matéria autuada e a consulta formulada pela recorrente. Todavia, tal não é possível sem se adentrar ao mérito da exigência, qual seja, se a lavoura de canadeaçúcar sujeitase a depreciação ou exaustão, ou se é beneficiada pela depreciação acelerada no âmbito fiscal. Isto porque, consoante se vê da cópia da consulta juntada As fls. 185/188, o cerne do questionamento posto era a possibilidade de o beneficio concedido As atividades agrícolas ser estendido As agroindústrias. (...) De se dar razão, portanto, A autoridade lançadora e A. Turma Julgadora, pois ao contrário do que entende a recorrente, uma resposta favorável a consulta não lhe permitiria depreciar de forma acelerada qualquer bem do ativo permanente imobilizado adquirido para a atividade rural. Antes, necessário seria, que este bem se sujeitasse à depreciação. (...) De fato, na hipótese de manutenção do acórdão recorrido com o julgamento deste Colegiado no sentido de que a lavoura de canadeaçúcar está submetida à exaustão e, assim, não poderia a ela ser aplicado o benefício do artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.159, não há qualquer relevância na resposta à Consulta acima referida. O artigo 48, do Decreto 70.235/1972 impede a instauração de procedimento fiscal relativamente "à espécie consultada", verbis: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 750 22 I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. Sem que se vislumbre identidade entre a consulta formulada, que trata da depreciação de bens, e o Auto de Infração que originou o presente processo administrativo (que trata da exaustão da canadeaçúcar), não se aplica o artigo 48, sendo afastada a alegação de nulidade do lançamento. Assim, inexiste qualquer nulidade do lançamento tributário, que foi efetuado por entender a fiscalização que não haveria aplicação do dispositivo legal quanto à cana. Até porque o fundamento do lançamento tributário foi a sujeição da canadeaçúcar à exaustão, o que afastaria a incidência do artigo 6º, que foi objeto de consulta. Diante disso, entendo irretocável o acórdão recorrido, razão pela qual nego provimento ao recurso especial quanto à nulidade alegada. Conclusão Por tais razões, voto por dar parcial provimento ao recurso especial, acolhendoo apenas para reconhecer a possibilidade de depreciação acelerada da lavoura da canadeaçúcar. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 751 23 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto da I. Relatora, a quem sempre rendo homenagens, peço vênia para discordar da apreciação relativa à matéria classificação dos dispêndios na formação da lavoura de cana de açúcar. Passo ao exame. O debate empreendido consiste em definir se os dispêndios para a formação de lavoura de cana de açúcar podem ser objeto de depreciação acelerada da atividade rural ou se submetem ao regime de exaustão. O dispositivo normativo suscitado pela Contribuinte que permitiria a depreciação incentivada da lavoura de canadeaçúcar é o art. 6º da MP nº 2.15970/2001: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. (grifei) Por outro lado, entendeu a Fiscalização que os dispêndios na formação de lavoura de canadeaçúcar contabilizados no ativo imobilizado estariam sujeitos à exaustão, portanto, fora do alcance do benefício em debate. A princípio, entendo ter sido a questão bem delineada no voto proferido no Acórdão nº 1202000.794, de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner. Não obstante ter sido o voto vencido, discorre com precisão sobre a situação: Resta agora perquirir sobre a questão da sujeição da cultura canavieira à depreciação ou à exaustão. Depreciação e exaustão, ao lado da amortização, são conceitos distintos, não se confundindo, como se vê da legislação societária (Lei no 6.404/76) abaixo: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: [...] § 2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 752 24 b) amortização, quando corresponder a perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. (destaquei) Dentre as Normas Brasileiras de Contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, vale destacar o seguinte trecho da NBC T10 Atividades Agropecuárias, aprovada pela Resolução CFC 909, de 08.08.2001 (disponível em www.cfc.org.br): 0.14.4 — Entidades Agrícolas: Aspectos Gerais 10.14.4.1 As entidades agrícolas são aquelas que se destinam produção de bens, mediante o plantio, manutenção ou tratos culturais, colheita e comercialização de produtos agrícolas. 10.14.4.2 As culturas agrícolas dividemse em: a) temporárias: a que se extinguem pela colheita, sendo seguidas de um novo plantio; e b) permanentes: aquela de duração superior a um ano ou que proporcionam mais de uma colheita, sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as colheitas. 10.14.5 Dos Registros Contábeis Das Entidades Agrícolas 10.14.5.1 Os bens originários de culturas temporárias e permanentes devem ser avaliados pelo seu valor original, por todos os custos integrantes do ciclo operacional, na medida de sua formação, incluindo os custos imputáveis, direta ou indiretamente, ao produto, tais como sementes, irrigações, adubos, fungicidas, herbicidas, inseticidas, mãodeobra e encargos sociais, combustíveis, energia elétrica, secagens, depreciações de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na produção, arrendamentos de máquinas, equipamentos e terras, seguros, serviços de terceiros, fretes e outros. 10.14.5.6 A exaustão dos componentes do Ativo Imobilizado relativos às culturas permanentes, formado por todos os custos ocorridos até o período imediatamente anterior ao inicio da primeira colheita, tais como preparação da terra, mudas ou sementes, mãodeobra, etc., deve ser calculada com base na expectativa de colheitas, de sua produtividade ou de sua vida útil, a partir da primeira colheita. 10.14.5.10 Os custos de produção agrícola devem ser classificados no Ativo da entidade, segundo a expectativa de realização: Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 753 25 a) no Ativo Circulante, os custos com os estoques de produtos agrícolas e com tratos culturais ou de safra necessários para a colheita no exercício seguinte; e b) no Ativo Permanente Imobilizado, os custos que beneficiarão mais de um exercício. (destaquei) Notase, assim, que a contabilidade agrícola segrega os lançamentos entre os tipos de cultura existentes: temporária ou permanente. Culturas temporárias são arrancadas do solo na colheita e depois feito novo plantio, como arroz, feijão e milho, e o custo da plantação é contabilizado no Ativo Circulante. Por outro lado, culturas permanentes duram mais de um ano e proporcionam mais de uma colheita, como árvores frutíferas, araucária, pinus, eucalipto, café e canadeaçúcar. Nestes casos, os custos para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente Imobilizado e devem ser avaliados pelo montante que efetivamente representam dentro do patrimônio total da pessoa jurídica. Com apoio nos estudos de José Sérgio Della Giustina na dissertação de mestrado "Um sistema de contabilidade analítica para apoio a decisões do produtor rural", apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina, em 1995 (Disponível em http://www.eps.ufsc.br/disserta/giustina/indice/index.htm#index), podem ser referidos exemplos claros de cada um dos institutos na atividade rural: (i) por se tratar a depreciação da perda de eficiência ou capacidade produtiva de bens do Ativo Permanente que são úteis a mais de um ciclo de produção, estão sujeitos a ela a máquinas, tratores, animais reprodutores ou de trabalho, fruticultura, dentre outros; (ii) por outro lado, estarão sujeitos as quotas de amortização os direitos adquiridos sobre bens de terceiros, traduzidos em Ativos Intangíveis, como direito de extração de madeira em floresta de propriedade de terceiros ou de gastos que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício financeiro, incrementando o processo produtivo, registrados no Ativo Diferido, tais como: desmatamento, corretivos, etc.; (iii) finalmente, considerando que, enquanto as propriedades físicas se deterioram física ou economicamente, os recursos naturais exauríveis se esgotam, na proporção em que são extraídos os recursos naturais, registrase a exaustão deste recurso, uma vez que o esgotamento é a extinção dos recursos naturais e a exaustão é a extinção do custo ou do valor desses recursos naturais. Como esclarece o autor do estudo, in verbis: exemplos de culturas que têm seu custo de formação, apropriados ao resultado pelo critério da exaustão, são as florestas artificiais de eucaliptos, de pinos, a canadeaçúcar, as pastagens artificiais etc. (destaquei) Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 754 26 Sob esse aspecto, distinguemse claramente a cultura da cana deaçúcar da fruticultura, por exemplo, haja vista que, neste caso, o aproveitamento econômico do bem não compromete sua existência, por se limitar à extração dos frutos, enquanto na exploração canavieira, o resultado econômico apenas se verifica com o sacrifício da própria planta, a qual se esgota e se torna imprestável após três ou quatro ciclos produtivos. Nesse caso, assim como nas florestas ou jazidas minerais, ocorre o esgotamento do próprio recurso natural com o passar do tempo. Como se pode observar, a cultura pode ser classificada como temporária ou permanente. A primeira é extinta pela colheita, demandando um novo plantio, como o arroz, feijão e milho, e o custo de plantação é escriturado no Ativo Circulante. O segundo caso trata de culturas que duram mais de um ano ou proporcionam mais de uma colheita, como árvores frutíferas, araucária, pinus, eucalipto, café, canadeaçúcar, pastagem artificial, dentre outros, situação na qual os dispêndios para sua formação são contabilizados no Ativo Permanente Imobilizado. As culturas contabilizadas no Ativo Permanente podem estar sujeitas à depreciação ou exaustão, a depender da sua natureza. Sujeitas à depreciação são aquelas frutíferas, do qual se pode extrair o fruto, como café ou uva, por exemplo. Por outro lado, aplicase à exaustão aquelas cuja extração demanda o sacrifício da planta em si, como a pastagem artificial, a canadeaçúcar, as florestas artificiais ou não (pinus, araucária, eucalipto, dentre outras). Vale investigar, com maior precisão, o conceito de fruto, que se mostra relevante para apreciação do caso concreto. Os arts. 307 e 334 tratam, respectivamente, dos bens objeto de depreciação e exaustão. Bens Depreciáveis Art. 307. Podem ser objeto de depreciação todos os bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal, inclusive: I edifícios e construções, observandose que (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 9º): a) a quota de depreciação é dedutível a partir da época da conclusão e inicio da utilização; b) o valor das edificações deve estar destacado do valor do custo de aquisição do terreno, admitindose o destaque baseado em laudo pericial; II projetos florestais destinados a exploração dos respectivos frutos (DecretoLei nº 1.483, de 6 de outubro de 1976, art. 6º, parágrafo único,). Parágrafo único. Não será admitida quota de depreciação referente a (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, §§ 10 e 13): IV bens para os quais seja registrada quota de exaustão. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 755 27 (...) Art. 334. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente diminuição do valor de recursos florestais, resultante de sua exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, e DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42). § 1º A quota de exaustão dos recursos florestais destinados a corte terá como base de cálculo o valor das florestas (Decreto Lei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 12). § 2º Para o cálculo do valor da quota de exaustão será observado o seguinte critério (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 22): I apurarseá, inicialmente, o percentual que o volume dos recursos florestais utilizados ou a quantidade de árvores extraídas durante o período de apuração representa em relação ao volume ou quantidade de árvores que no início do período de apuração compunham a floresta; II o percentual encontrado será aplicado sobre o valor contábil da floresta, registrado no ativo, e o resultado será considerado como custo dos recursos florestais extraídos. § 3º As disposições deste artigo aplicamse também as florestas objeto de direitos contratuais de exploração por prazo indeterminado, devendo as quotas de exaustão ser contabilizadas pelo adquirente desses direitos, que tomará como valor da floresta o do contrato (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 3º). (grifei) Observase que há determinação expressa no art. 307 de que não será admitida quota de depreciação para os bens para os quais seja registrada quota de exaustão. Também que o termo "florestais" em ambos dispositivos é interpretado de forma abrangente, ou seja, aplicase não apenas a floresta no sentido estrito, mas a formações vegetais como plantações, tanto que os dispêndios para formação de cultura de café, uva, laranja, dentre outros, são sujeitos a depreciação. Vale recorrer novamente ao mencionado voto, que faz referência a doutrina especializada, do qual transcrevo na sequência. A doutrina especializada de José Carlos Marion (Contabilidade rural contabilidade agrícola, contabilidade da agropecuária, IRPJ, 4ª edição, São Paulo, Atlas, 1996, págs. 39, 41, 64, 65 e 71), corrobora o entendimento dado pelo Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação — CST n° 18/79, consoante trechos abaixo transcritos: Culturas permanentes são aquelas que permanecem vinculadas ao solo e proporcionam mais de unia colheita ou produção. Normalmente, atribuise ás culturas permanentes uma duração Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 756 28 mínima de quatro anos. Do nosso ponto de vista basta apenas a cultura durar mais de uni ano e propiciar mais de uma colheita para ser permanente. Exemplos: canadeaçúcar cafeicultura etc. (pg. 39; destaquei). No caso de cultura permanente, os custos necessários para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente Imobilizado ... Os principais custos são: adubação, formicidas, forragem, fungicidas, herbicidas, mãodeobra, encargos sociais, manutenção, arrendamento de equipamentos e terras, seguro da cultura, preparo do solo, serviços de terceiros, sementes, mudas, irrigação, produtos químicos, depreciação de equipamentos utilizados na cultura etc.... Há casos em que a cultura permanente não passa do estágio de cultura em formação para cultura formada, pois, no momento de se considerar acabada, ela é ceifada. São, normalmente, a canadeaçúcar, o palmito, o eucalipto, o pinho e outras culturas extirpadas do solo ou cortadas para brotarem novamente. (ibidem, destaquei). Colheita ou produção (da cultura permanente): a partir desse momento a preocupação é com a primeira colheita ou primeira produção, com sua contabilização e apuração do custo. A colheita caracterizase, portanto, como uni Estoque em Andamento, uma produção em formação, destinada a venda. Daí sua classificação no Ativo Circulante. Como o ciclo de floração, formação e maturação do produto normalmente é longo, podese criar uma conta de 'colheita em andamento', sempre identificando o tipo de produto que vai ser colhido. Essa conta é composta de todos os custos necessários para a realização da colheita: mãodeobra e respectivos encargos sociais (poda, capina, aplicação de herbicida, desbrota, raleação ..), produtos químicos (para manutenção da árvore, das flores, dos frutos...), custo com irrigação (energia elétrica, transporte de água, depreciação dos motores ...), custo do combate a formigas e outros insetos, seguro da safra, secagem da colheita, serviços de terceiros etc. Adicionase ao custo da colheita a depreciação (ou exaustão) da "cultura permanente formada", sendo consideradas as quotas anuais compatíveis com o tempo de vida útil de cada cultura. (op. cit., pg. 41; destaquei). Alkíndar de Toledo Ramos, em sua tese de doutoramento (O Problema da Amortização dos Bens Depreciáveis e as Necessidades Administrativas das Empresas), sugere que "a amortização, em sentido amplo, seria aplicada a quaisquer tipos de bens do ativo fixo, com vida útil limitada. Depreciação seria sinônimo de amortização, em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos bens tangíveis, como máquinas, equipamentos, móveis, utensílios, edifícios etc. Exaustão seria sinônimo da amortização em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos recursos naturais exauríveis, como reservas florestais, petrolíferas etc. Amortização, em sentido restrito, se confundiria com o seu sentido amplo, mas somente quando aplicada aos bens intangíveis de duração limitada, como as patentes, as benfeitorias ern propriedades de terceiros etc". Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 757 29 Entendimento fiscal (na Agropecuária): Conforme disposições contidas no Parecer Normativo CST n. 18/79, o fisco dá sua interpretação no caso especifico da agricultura, em nada contradizendo os conceitos expostos. No que tange às culturas permanentes, as florestas ou árvores e a todos os vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Nesta hipótese, o custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva etc. Quando se trata de floresta própria (ou vegetação em geral), o custo de sua aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados). Aqui, não se tem a extração de frutos, mas a própria árvore é ceifada, cortada ou extraída do solo: reflorestamento, canadeaçúcar, pastagem etc.) (pg. 64, op. cit.; destaquei). (pg. 65, op. cit.; destaquei). O que se observa com clareza, pelas conclusões doutrinárias e do citado Parecer Normativo CST nº 18, de 1979 (publicado no DOU em 17/04/1979), é que a depreciação dos recursos de origem florestal aplicase apenas àqueles que produzem frutos. Nesse contexto, é direta a assertiva no sentido de que, no que tange às culturas permanentes, as florestas ou árvores e a todos os vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Assim, o custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva. Percebese claramente que o conceito de fruto é aquele adotado pela biologia, no qual consiste em estrutura comestível que protege a semente e nascem a partir do ovário de uma flor. Precisamente a situação da cultura do café, laranja, uva, dentre outras. Para os demais casos, do qual o aproveitamento da cultura não decorre da retirada do fruto, mas da extração da formação vegetal em si (pastagem, canadeaçúcar, eucalipto), aplicase a exaustão prevista no art. 344 do RIR/99. A diferença é bem delineada pelo doutrinador: Conforme os conceitos apresentados, toda cultura permanente que produzir frutos será alvo de depreciação. Por um lado, a árvore produtora não é extraída do solo; seu produto final é o fruto e não a própria arvore. Um cafeeiro produz grãos de café (frutos), mantendose a árvore intacta. Um canavial, por outro lado, tem sua parte externa extraída (cortada), mantendose a parte contida no solo para formar novas árvores. Segundo esse raciocínio, sobre o cafeeiro incidirá depreciação e sobre o canavial, exaustão. (Grifei) É incontroverso que a extração da canadeaçúcar demanda o corte do caule, não havendo em se falar em floração e formação do fruto. Ou seja, tratase de processo que guarda semelhança maior com o que ocorre em pastagens e florestas artificiais, como eucalipto, por exemplo, do que com árvores frutíferas. Impossível se falar em extração de Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 758 30 frutos, elemento comestível originado do ovário de uma flor que protege a semente, de uma cultura de canadeaçúcar. Portanto, os dispêndios da formação de lavoura de cana de açúcar submetem se à exaustão. Assim, entendo não haver reparos à autuação fiscal em relação à matéria apreciada. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Declaração de Voto Conselheiro Luis Flavio Neto. Na reunião de julho de 2017, a e. Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto por NARDINI AGROINDUSTRIAL LTDA (doravante “recorrente” ou “contribuinte”), em face do acórdão n. 110100.334 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”). Nesta declaração de voto, permissa vênia, apresento fundamentos que me fizeram votar pelo provimento integral do recurso especial interposto, que versa sobre dois pontos nucleares: i) preliminarmente, a nulidade de auto de infração lavrado na pendência de consulta formulada pelo contribuinte; ii) a aplicabilidade da depreciação acelerada prevista no art. 314 do Regulamento do Imposto de Renda (doravante “RIR/99”) a lavouras de canade açucar. 1. A nulidade de auto de infração lavrado na pendência de consulta formulada pelo contribuinte As consultas fiscais, conforme explica JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES1, têm justificativa no “estado de incerteza objetiva”, do qual decorreria “instabilidade incompatível com o valor constitucional da segurança jurídica”, asseguradas pelo direito à segurança nas relações entre fisco e contribuinte, instrumentalizado pelo direito de petição garantido pela Constituição Federal, art. 5º, XXXIV, “a”. RUY BARBOSA NOGUEIRA2 lecionava que “o instituto da Consulta, pois, não é apenas um dos sagrados direitos do contribuinte de boafé e 1 BORGES, José Souto Maior. Sobre a preclusão da faculdade de rever resposta prócontribuinte em consulta fiscal e descabimento de recurso pela Administração fiscal. Revista Dialética de Direito Tributário v. 154. São Paulo: Dialética, 2008, p. 78. 2 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Consulta e direito autorizado. Revista Direito Tributário Atual, São Paulo: Resenha Tributária/IBDT, v.1986, n.6, p. 15451584, 1986, p. 1566. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 759 31 diligente mas, dentro dos direitos humanos e das garantias individuais, aquele que nem precisaria ser escrito, porque inato na ciência e consciência do ser humano.” Os efeitos jurídicos das consultas formuladas à administração, decorrentes de princípios como segurança jurídica e proteção da confiança legítima, foram regulados pelo legislador tributário. Em especial, O Decreto n. 70.235/72 tratou da matéria a partir de seu art. 46. Para a solução do presente caso, merece destaque o disposto no art. 48 do aludido diploma: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. No caso dos autos, a recorrente formulou consulta à Secretaria da Receita Federal em 23/12/2003, a qual lhe foi respondida em 14/03/2007, de forma que, em obediência ao art. 48 do Decreto n. 70.235/72, nenhum procedimento fiscal poderia ser instaurado “relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência”. Por sua vez, foi instaurado procedimento de fiscalização no ano de 2005 e lavrado o auto de infração discutido nos presentes autos em 08/07/2005. Há apenas duas conclusões possíveis: (i) o auto de infração trata de matéria diversa “à espécie consultada pelo contribuinte”, de forma que a autoridade fiscal não se encontrava impedida para a sua lavratura; ou (ii) o auto de infração trata de matéria contemplada pela consulta formulada, padecendo de vício insanável por ofensa ao art. 48 do Decreto n. 70.235/72. O relatório da referida Solução de Consulta expõe de forma bastante clara a abrangência da “espécie consultada”, in verbis: “Em consulta protocolizada em 23/12/2003, a interessada acima identificada, cujo ramo de atividade informado na petição inicial é a agroindústria, compreendendo, o cultivo de canadeaçucar, e a indústria de açúcar, álcool anidro e hidratado e respectivos subprodutos, inclusive a importação e exportação dos produtos, vem por intermédio de seu representante legal, formular consulta acerca da interpretação da legislação do IRPJ. 2. A peticionária transcreve o art. 314 do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n. 3.000, de 1999, que trata da permissão da depreciação integral dos bens do ativo permanente imobilizado por pessoa jurídica que explore a atividade rural. 3. A consultente transcreve também o art. 58 do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n. 3.000, de 1999, que define o que se considera como atividade rural. 4. Expõe que a Instrução Normativa SRF n. 257, de 2002, em seu art. 2o define que a exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, enquanto que o art. 3o enuncia o que não considera atividade rural. 5. A consulente justifica que o art. 2o da IN SRF n. 257, de 2002, não contempla a agroindústria como sendo uma pessoa jurídica que explora a atividade rural, por outro lado, o art. 3o também não a exclui. 6. Argumenta que a agroindústria consiste na conjugação indissociável das atividades agrícola e industrial e, inexistindo vedação na norma legal, temse que é perfeitamente regular que os bens do ativo permanente imobilizado, adquiridos exclusivamente para a atividade rural pelas pessoas jurídicas constituídas sob a forma de agroindústria, podem ser depreciadas integralmente no próprio ano de aquisição, procedimento este adotado pela consulente. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 760 32 7. A consulente indaga se esta correto o procedimento por ela adotado, e em caso contrário, que será o procedimento correto.” (sic) Como se pode observar, o contribuinte realizou consulta justamente para questionar a administração fiscal quanto à extensão da depreciação acelerada dos bens de seu ativo utilizados em sua atividade agroindustrial, que compreende “o cultivo de canadeaçucar, e a indústria de açúcar, álcool anidro e hidratado e respectivos subprodutos, inclusive a importação e exportação dos produtos” (sic). Não parece haver dúvida que a lavoura mantida para o cultivo da canadeaçucar estava incluída na “espécie consultada”, de forma que a administração deveria responder se também esse item de seu ativo estaria contemplado pelo art. 314 do RIR/99. Notese que a Solução à Consulta em questão concluiu que o benefícioda de depreciação acelerada, tal como prevista no art. 314 do RIR/99, “somente se aplica às máquinas e equipamentos empregados exclusivamente na atividade rural”. Não obstante, é inegável que outra conclusão seria possível, no sentido de que também a lavoura de canade açucar estaria sujeita à norma do art. 314 do RIR/99, como concluiu, por exemplo, o Parecer n. 333/87, emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal da 4ª Região Fiscal. Ao formular a sua consulta, o contribuinte descreveu a sua atividade, destacando a plantação de canadeaçucar, indicou a legislação que considerava aplicável e a sua interpretação, bem como informou que efetivamente adotava a depreciação acelerada para todos os ativos em questão. A referida consulta deveria lhe garantir segurança jurídica, mas na verdade foi sucedida pela lavratura de auto de infração antes de qualquer resposta que lhe oportunizasse adequação à interpretação considerada como mais adequada pela administração fiscal. Nesse seguir, a lavratura do auto de infração ora em discussão, levado a termo para a glosa das despesas atinentes à lavoura canavieira depreciada pela contribuinte com fundamento no art. 314 do RIR/99, ofende à norma do art. 48 do Decreto n. 70.235/72. A respeito da matéria, a decisão recorrida restou assim ementada: PENDÊNCIA DE CONSULTA. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE MATÉRIA. A consulta fiscal sobre a extensão, às agroindústrias, de beneficio fiscal de depreciação acelerada de bens do ativo imobilizado, estabelecido em favor da atividade rural, não impede a exigência tributária que tenha por objeto bens do ativo imobilizado sujeitos à exaustão. Permissa vênia, a qualificação da lavoura de canadeaçucar como ativo sujeito a depreciação ou amortização é justamente o núcleo da questão quanto à incidência ou não do art. 314 do RIR/99. Poderia a Solução de Consulta ter concluído tratarse a lavoura de canadeaçucar sujeita à depreciação e não à amortização, a exemplo do já citado o Parecer n. 333/87 e de muitos dos julgamentos proferidos pelo CARF sobre a matéria. Contudo, não é a posição adotada pela Solução de Consulta que delimita a eficácia normativa do art. 48 do Decreto n. 70.235/72. Afinal, o aludido dispositivo legal garante ao contribuinte não ser autuado na pendência da resposta à sua consulta, que pode lhe ser favorável ou desfavorável, sendo que apenas nessa última hipótese autos de infrações podem vir a ser lavrados após o transcurso dos prazos legais estabelecidos pelo aludido dispositivo legal. É por essa razão, também, que nestes autos a presente matéria é prejudicial ao mérito quanto à aplicabilidade da depreciação incentivada prevista no art. 314 do RIR/99 a canaviais: por ter sido o auto de infração lavrado Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 761 33 na pendência de solução à consulta formulada pelo contribuinte, o lançamento tributário deve ser cancelado de plano, ainda que se compreenda que a depreciação em questão não é cabível. Nesse seguir, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo contribuinte. 2. A aplicabilidade da depreciação incentivada prevista no art. 314 do RIR/99 a canaviais. Tendo em vista que a maioria do Colegiado desta e. CSRF votou pelo não provimento do recurso especial quanto à nulidade de auto de infração lavrado na pendência de consulta formulada pelo contribuinte, passo à análise do mérito pertinente à aplicabilidade da depreciação incentivada prevista no art. 314 do RIR/99 a canaviais. Está em discussão se a depreciação incentivada prevista no art. 314 do Regulamento do Imposto de Renda (“RIR/99”) é aplicável a canaviais, o que pressupõe saber estes estão sujeitos à “depreciação” ou à exaustão”. O aludido dispositivo possui a seguinte redação: Atividade Rural Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). A norma tributária em questão confere a possibilidade do contribuinte depreciar integralmente os seus bens no próprio ano de aquisição, desde que cumpridos os seguintes requisitos: (1) o contribuinte seja pessoa jurídica tributada pelo lucro real; (2) o contribuinte explore atividade rural; (3) o bem seja utilizado para o desenvolvimento da atividade rural; (4) o bem componha o ativo imobilizado sujeito a depreciação. O cumprimento dos requisitos (1), (2) e (3), acima apontados, é questão incontroversa no presente caso. O recurso especial interposto pela PFN contesta o cumprimento do requisito (4), sob o argumento de que a canadeaçúcar estaria sujeita ao “exaurimento” e não seria, portanto “depreciável”. Quanto ao referido requisito (4), é fundamental considerar o disposto na Lei n. 6.404/76. (“Lei das SA”): Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; (Redação dada pela Lei nº 11.638, de 2007) Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 762 34 Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) § 2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Como se pode observar, o legislador atribuiu o regime da exaustão ao ativo imobilizado extinto em decorrência de sua exploração, como é típico das minas: ao extrairse todo o minério, a fonte produtora deixa de existir sem possibilidade de renovação. Também florestas podem exaurirse, pois ao ceifarse o tronco da árvore, esta deixa de ter vida e não se renova. Já bens depreciáveis são aqueles sujeitos a desgaste ou perda pelo uso na atividade produtiva. O esgotamento ou desaparecimento físico do ativo, portanto, o elemento distintivo entre a exaustão e a depreciação. No curso do presente processo administrativo, restou evidenciado que o canavial não é extinto (não se esgota, não se exaure) com o seu primeiro corte. Os estudos trazidos aos autos indicam que a canadeaçúcar voltará a crescer mesmo após sucessivos cortes, embora para fins industriais a planta mantenha a eficiência necessária, em média, por até cinco cortes. Conforme a descrição trazida pelo voto vencedor do acórdão recorrido, “o plantio da canade açúcar se dá através de mudas que se fixam na terra, quando passam a se denominar touceiras. Essas touceiras se desenvolvem e se tornam colmos, que serão os caules da canade açúcar a serem cortados e enviados às usinas. Assim, os colmos é que são cortados, a cada safra, até que se tornem pobres em sacarose por conta dos sucessivos cortes e torne inviável economicamente a lavoura. Nesse momento, o produtor se vê obrigado a arrancar os ‘pés de canadeaçúcar’ improdutivos para plantio de nova lavoura, consequentemente, nova exploração das atividades da lavoura canavieira. O caule é cortado acima de 5cm do solo, mantendose, assim, a canadeaçúcar ‘viva’, que tratada adequadamente, voltará a sofrer novo corte. Ou seja, como se cortou o caule, o colmo da canadeaçúcar”. Também é relevante notar que, quando necessárias, novas plantações de canadeaçúcar poderão ser realizadas a partir das plantas já existentes: são os caules destas que servirão para o plantio de novas plantas e dai sucessivamente. O canavial, como se pôde observar, não é extinto (não se esgota, não se exaure) com o seu primeiro corte, mas é desgastado pelo uso ou emprego na atividade da fonte produtora, perdendo seu valor a cada corte, o que se adequa ao conceito de depreciação. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 763 35 Peço vênia para destacar o bem fundamentado parecer fornecido pela FIPECAFI e assinado pelo Professor Ariosvaldo dos Santos quanto aos aspectos contábeis relacionados à matéria, juntado aos autos do processo administrativo n. 13116.002351/2009 46, recentemente julgado por este Colegiado, in verbis: “1. Tendo em vista as características agronômicas da cultura da canade açúcar sintetizadas no Relatório Técnico elaborado pelo Centro de Tecnologia Canavieira, e, sobretudo, a conclusão de que se trata de cultura perene, indaga se: a perda de valor econômico da lavoura da canadeaçúcar (e dos respectivos custos que foram ativados para sua formação) pode ser classificada como depreciação? Resposta Entendemos que SIM, pois nas culturas perenes, a exemplo dos cafezais ou laranjais, os gastos realizados na formação da cultura da canadeaçúcar ao serem levados para o resultado do período devem ser tratados como depreciação. A depreciação representa a perda econômica dos direitos do ativo Imobilizado utilizados na operação da companhia onde dele se busca extrair os benefícios, e ao mesmo tempo assumindo os riscos e o controle.” Conclui o parecerista que, para um adequado tratamento contábil, os custos realizados na cultura de canadeaçúcar devem ser reconhecidos como depreciáveis e não como exauríveis, hábeis, portanto, à incidência da norma de depreciação incentivada veiculada pelo art. 314 do RIR/99. Esse é precisamente o entendimento adotado pela Administração Fiscal em pronunciamentos dotados de elevado potencial de gerar legítima expectativa de cumprimento por parte dos contribuinte (proteção da boafé e da confiança). No Parecer n. 333/87, emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal da 4ª Região Fiscal, a pedido do Sindicato da Indústria do Açúcar no Estado de Pernambuco (SINDAÇUCAR), restou consignado não ser correta a adoção do critério da exaustão: “Preliminarmente, é importante notar, à luz dos esclarecimentos contidos no Parecer Normativo n. 18/79, que o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam a canadeaçúcar, através de empreendimentos próprios, deve ser denominado depreciação” (grifo do original). Convergentemente, o Parecer COSIT n. 1.383/95, concluiu: “Os bens do ativo imobilizado (dispêndios aplicados na formação de canaviais), exceto a terra nua, quando destinados à produção, poderão ser depreciados integralmente, no próprio períodobase da aquisição. Por sua vez, esse mesmo entendimento tem sido adotado coerentemente em variados julgamentos do CARF, como se observa das ementas a seguir: Acórdão n. 1402002.372 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 25.01.2017. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 764 36 ATIVIDADE RURAL. LAVOURA DE CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. POSSIBILIDADE. NATUREZA E EMPREGO DO ATIVO. PREVALÊNCIA POR DIVERSOS CICLOS PRODUTIVOS. SUJEIÇÃO À DEPRECIAÇÃO. A natureza e o uso dos ativos biológicos da lavoura canavieira, que sobrevivem por diversos ciclos produtivos com a renovação natural do objeto da colheita, sendo intencionalmente substituídos por outros espécimes vegetais em razão da diminuição de produtividade e não do seu esgotamento, confirmam a aplicação da regra de depreciação. Estando a lavoura canavieira, na condição de ativo não circulante imobilizado, sujeita à depreciação e não à exaustão, podem os recursos empregados na sua formação ser objeto do benefício da depreciação acelerada incentivada, previsto no art. 314 do RIR/99. Acórdão n. 1201001.441. 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 08.06.2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. IRPJ Anocalendário: 2009 (...) CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. Acórdão n. 1401001.522. 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 01.02.2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. Acórdão n. 1401001.524. 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01.02.2016. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. Acórdão n. 1202000.795 — 2 Câmara / 2' Turma Ordinária. Sessão de 12.06.2012. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ATIVIDADE RURAL. CUSTOS DA LAVOURA CANAVIEIRA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10850.001767/200511 Acórdão n.º 9101002.981 CSRFT1 Fl. 765 37 Nesse seguir, também em face dessa matéria, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luis Flavio Neto Fl. 765DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720168/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-005.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 68 /2 00 6- 11 Fl. 767DF CARF MF 2 Cuidase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2102002.379 da 1ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da sessão de 20 de novembro de 2012, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 RECURSO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DO ITR DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL, PRESERVAÇÃO PERMANENTE E BENFEITORIAS, COMPROVADAS POR ADA, AVERBAÇÕES CARTORÁRIAS E LAUDO TÉCNICO. CORREÇÃO. A decisão da Turma de Julgamento, à luz do Laudo, das averbações nas matrículas do imóvel e do ADA, deferiu a exclusão das áreas comprovadas de Preservação Permanente APP, de Reserva Legal ARL e de benfeitorias. Procedimento correto e que não merece reparos. RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE DECORRENTE DE PRETENSA INADEQUAÇÃO DA BASE LEGAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Apreciando a notificação de lançamento tombada nos autos, vê se que a autoridade fiscal registrou os artigos da Lei nº 9.393/96, bem como o art. 170, § 1º, da Lei nº 6.938/1981, na redação dada pela Lei nº 10.165/2000, que exige a apresentação do ADA, como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da incidência do ITR, inclusive, se for o caso, com a comprovação documental da existência de tais áreas. Assim, descrita adequadamente a base legal da autuação, não há qualquer nulidade que tenha cerceado o direito de defesa do contribuinte. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEFERIMENTO NO LIMITE DA ÁREA REGISTRADA NO LAUDO TÉCNICO TRAZIDO PELO RECORRENTE. Não se pode deferir a APP declarada pelo contribuinte, quando não se apreende qual a efetiva área que constou no ADA, bem como o próprio Laudo Técnico trazido pelo recorrente específica uma área menor. Nessa situação, devese privilegiar a área que constou no Laudo. ÁREA DE RESERVA LEGAL GLOSADA PELA AUSÊNCIA DE ADA. ÓBICE SUPERADO. TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ QUE DEFERIU A RESERVA LEGAL NO LIMITE DA ÁREA AVERBADA. INOVAÇÃO NO FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A Turma de Julgamento da DRJ somente deferiu uma área de reserva legal minorada em relação à declarada, fiandose na exigência da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóveis. Ocorre que tal exigência não constou da notificação de lançamento, que glosou a reserva legal pela ausência do ADA Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10768.720168/200611 Acórdão n.º 9202005.517 CSRFT2 Fl. 768 3 e da comprovação da área, ou seja, a Turma da DRJ não poderia ter suscitado o óbice da averbação, pois tal acusação não constou do lançamento. Dessa forma, pelo confronto dos ADAs e do Laudo Técnico, vêse claramente que a reserva legal está suportada por ADAs, sendo que o Laudo identificou o real tamanho da RL, em linha com área declarada. Acatar apenas a área deferida pela Turma de Julgamento da DRJ seria incluir um fundamento no lançamento (averbação cartorária), que não constou originalmente, tratandose de uma inviável inovação. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. VALORES DO SIPT PODEM SER CONTRADITADAS POR LAUDO TÉCNICO. Apesar de o VTN poder ser arbitrado com base no SIPT, outros elementos de prova, como informações do Incra ou Prefeituras, escrituras de venda do imóvel em exercício futuro, laudos técnicos, são meios hábeis a contraditar os valores de arbitramento do SIPT. No caso destes autos, demonstrouse que o arbitramento com base no SIPT restou vulnerado, pois houve uma multiplicação por quatro do valor do imóvel entre dois exercícios próximos (2003 e 2005), objetos de autuação na mesma oportunidade. Nessa hipótese, deverseia privilegiar o laudo que foi secundado por informação do Incra e da Prefeitura. Entretanto, como o valor do laudo técnico é inferior ao valor declarado, devese manter este último, pois informado espontaneamente pelo contribuinte, sem as contingências do procedimento fiscal, inclusive em declaração apresentada dentro do exercício 2005, próximo do fato gerador. Na origem, tratase de Notificação de Lançamento nº 01301/00051/2006, que tem por objeto Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Santa Cruz e Agroplan”, com NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal 1.543.8570, referente ao exercício 2005, a título de glosa de valores de “área de preservação permanente”, “área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural” e pela desconsideração do Valor da Terra Nua informado. Os fatos geradores foram assim descritos pela autoridade fiscal: Área de Benfeitorias não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a área declarada de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos fatos: Fl. 769DF CARF MF 4 Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. O Documento de In formação e Apuração do ITR (DIA T) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de In formação e Apuração do ITR (DIA T), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preps de Terras SIPT da SRF. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Complemento da Descrição dos Fatos: Área de preservação permanente: Contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6 (seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. Pelo exposto, está sendo desconsiderado o valor» declarado a esse titulo. (...) Área de utilização limitada: Contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental — ADA, protocolizado junto ao IBA MA em até 6 (seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. Pelo exposto, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse titulo. (...) Valoração da Terra Nua: contribuinte não apresentou o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais para comprovação do valor da terra nua VTN. A intimação discriminava que deveria ser apresentado Laudo de avaliação conforme N5R14653 da ABNT, com grau de fundamentação e precisão IL Pela falta de apresentação do laudo, o valor da terra nua está sendo arbitrado com base nas informações do Sistema de Pregos de Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10768.720168/200611 Acórdão n.º 9202005.517 CSRFT2 Fl. 769 5 Terras da Secretaria da Receita Federal — SIPT, conforme art. 14 da Lei 9393/96. " Alegando a existência de vícios de nulidade da notificação e a improcedência do lançamento tributário, o contribuinte apresentou impugnação à autuação fiscal, a qual foi julgada parcialmente procedente para “afastar a tributação relativamente às áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal, nos valores de 1.593,3 ha e 30.268,5, respectivamente, face à apresentação de laudo, averbações nas matrículas do imóvel e do ADA (...)”. Contra a decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso de Ofício, ao qual, por unanimidade de votos, foi negado provimento. No tocante ao voluntário, os membros do colegiado acordaram “em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer uma área de reserva legal de 32.905,0 hectares e um VTN de R$ 5.873.292,00”. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial aduzindo que o Acórdão recorrido interpretou a legislação tributária de forma divergente ao acórdão nº 302 39.396, da Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes no tocante à forma de arbitramento do SIPT. Alega que para aferir o VTN por meio do SIPT, a Fiscalização utilizou como parâmetro a média dos valores declarados por outros proprietários de imóveis rurais situados na região do contribuinte. O acórdão recorrido entendeu como correta a adoção do valor constante no laudo técnico enquanto o acórdão paradigma entende que “o valor do VTN arbitrado pela Fiscalização – com base no SIPT – somente pode ser alterado por meio de laudo técnico que cumpra determinadas formalidades”. Intimado, o Contribuinte requereu a desistência parcial do processo em relação à parte que lhe foi favorável no julgamento do Recurso Voluntário e requereu a improcedência do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Analisando o requerimento do Contribuinte, o i. Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, despacho de fls. 711/712, determinou o encaminhamento dos autos à autoridade preparadora para: 1) controle dos débitos do processo, objetivo de desistência por parte do sujeito passivo; e 2) retorno do processo ao CARF, para prosseguimento. Como não houve intimação do Contribuinte do acórdão do Recurso Voluntário e de Ofício, em 24 de agosto de 2016, este colegiado emitiu a Resolução 9202 000.033, com a seguinte decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, facultandolhe o direito de oferecer Contrarrazões e (b) seja esclarecida a natureza do documento acostado às fls. 699/700, de embargos por omissão na decisão do acórdão recorrido, embargos inominados por lapso manifesto no acórdão ou outra. Com relação ao item a, o contribuinte apresentou contrarrazões onde alega (i) a inexistência de divergência jurisprudencial do paradigma apresentado pela Fazenda Nacional e defendese quanto ao arbitramento não razoável constante da autuação na origem. Fl. 771DF CARF MF 6 Já com relação ao item b, a DRJ esclarece: No entanto, importa esclarecer que tal erro material atualmente não mais interfere na regularidade da exigência, dado que esta atualmente encontrase ajustada conforme o teor do acórdão nº 2102002.379 da 1ª Câmara /2ª Turma Ordinária do CARF (fl. 493/ 507), como demonstrado na planilha de fl. 764. .É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pelo Procurador é tempestivo. Quanto ao conhecimento, entendo necessário apreciar de forma mais detida, uma vez os argumentos trazidos pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões, quanto ao não conhecimento: Antes de passar à análise de mérito do recurso especial ora arrazoado, insta demonstrar que, ao contrário do defendido pelo r. Recurso ora arrazoado, o mesmo, data maxima venia, não atende o requisito da divergência jurisprudencial, indispensável para o cabimento deste apelo especial. Uma simples leitura da ementa do v. Acórdão recorrido permite inferir que foi dado provimento ao recurso voluntário interposto ante a impossibilidade de utilização do SIPT, uma vez que "notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel." Mais à frente; no voto, seguese a mesma linha de argumentação, recusandose o critério e documentação utilizados para o arbitramento do VTN, no caso dos autos, pelo fato de ter sido considerada a tabela do SIPT sem a verificação da capacidade potencial da terra, como de depreende do seguinte trecho, in verbis: “(..) A fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$ 495,76/ha), extraído das informações contidas no SIPT (tis. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha) obtendo o valor final de R$ 4.881.599,99. Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10768.720168/200611 Acórdão n.º 9202005.517 CSRFT2 Fl. 770 7 constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” (grifo nosso). O recurso interposto pela Procuradoria trouxe ao processo acórdãos que falam exatamente sobre a possibilidade de revisão do VTN com base em laudos técnicos contestando o SIPT. Analisando os argumentos apresentados pelo sujeito passivo quanto a inexistência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas, entendo que razão lhe assiste. Primeiramente, convém lembrar a ementa do acórdão recorrido, conforme e fls. 272/280: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vejamos agora as ementas dos dois acórdãos indicados como paradigmas pela Procuradoria da Fazenda: Acórdão 280100.527 Fl. 773DF CARF MF 8 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA A ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir, do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove que informou ao lbama ou a órgão conveniado, tempestivamente, mediante documento hábil, a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal que pretende excluir da base de cálculo do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. O VTN arbitrado pela fiscalização pode ser revisto ante a apresentação de laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto. Acórdão 30134.755 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1995 Valor da Terra Nua VTN. Laudo de avaliação. A revisão do Valor da Terra Nua se faz por laudo técnico, cumpridos os requisitos previstos nas normas técnicas da ABNT. Multa de Mora. Não cabe a aplicação da multa de mora quando o lançamento tributário é impugnado antes do vencimento, nos casos de notificação de lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE A matéria suscitada diz respeito ao arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, regulamentado pelo art. 14, da Lei nº 9.393, de 1996, com aplicação para os exercícios de 1997 em diante. No caso do acórdão recorrido, que trata do exercício de 2004, discutiuse a possibilidade de manutenção do arbitramento com base apenas no VTN médio das DITR apresentadas no Município, sem levarse em conta a aptidão agrícola, concluindose ser inaceitável tal procedimento, razão pela qual mantevese o VTN declarado pelo Contribuinte. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10768.720168/200611 Acórdão n.º 9202005.517 CSRFT2 Fl. 771 9 Nesse contexto, o paradigma necessário à demonstração de divergência jurisprudencial teria de ser representado por acórdão em que, à luz do art. 14, da Lei nº 9.393, de 1996, se entendesse ser aceitável o arbitramento pelo VTN calculado pela média das DITR do Município, sem levarse em conta a aptidão agrícola, e concluísse pela manutenção do VTN arbitrado pela Fiscalização. Aliás, esse é o pedido que consta do Recurso Especial: "Ante o exposto, a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) requer seja admitido e provido o presente recurso especial, restabelecendo se o VTN médio extraído pela fiscalização do SIPT e obtido com base nos valores informados nas DITR´s de outros contribuintes." Quanto ao primeiro julgado indicado como paradigma pela Fazenda Nacional Acórdão nº 30134.755 este sequer pode ser cogitado como apto a demonstrar a alegada divergência interpretativa, já que trata do exercício de 1995, portanto a lei que nele se discutiu foi a de nº 8.847, de 1994. Com efeito, esse diploma legal já se encontrava revogado quando da ocorrência dos fatos geradores do presente processo, que trata do exercício de 2004. Confirase o voto condutor do acórdão paradigma: "A matéria litigiosa circunscrevese ao Valor da Terra Nua — VTN calculado pela Receita Federal do Brasil, nos termos da legislação de regência, observadas as exigências contidas no parágrafo 2.° do artigo 3.° da Lei n.° 8.847/1994." Assim, não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando estão em confronto leis diversas, editadas em momentos diferentes, cada qual com suas especificidades, de sorte que esse primeiro julgado não serve como paradigma. Quanto ao segundo julgado indicado como paradigma Acórdão nº 2801 00.527 o respectivo voto condutor sequer menciona que o arbitramento teria sido efetuado com base no VTN médio das DITR, sem considerarse a aptidão agrícola. Com efeito, o que se discute nesse julgado é se o laudo apresentado pelo Contribuinte poderia ser aceito para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, de forma genérica, sem que se especifique se esse arbitramento seria legítimo ou não. E ao final, entendese que o laudo pode ser aceito, razão pela qual adotase o VTN dele constante, e não o VTN arbitrado, como pleiteia a Fazenda Nacional. Confirase: "(...) VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. O VTN arbitrado pela fiscalização pode ser revisto ante a apresentação de laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto. Recurso parcialmente provido" Destarte, constatase que a questão principal discutida no acórdão recorrido validade do arbitramento pelo SIPT, sem considerarse a aptidão agrícola sequer figurou no voto do paradigma, cuja discussão é no sentido de especificar requisitos mínimos para aceitação do laudo, sendo que o resultado não é aquele constante do pedido da Fazenda Nacional, e sim a revisão do VTN com base no laudo apresentado. Confirase: Fl. 775DF CARF MF 10 "Em relação à revisão do VTN arbitrado, entendo que o laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte (fls. 72 a 90), emitido por profissional competente (ART às fls. 125) deva ser aceito. Não obstante o emitente tenha utilizado as informações referentes às ofertas verificadas em 2006, cuidou de homogeneizar os dados e de aplicar coeficiente de deflação a fim de calcular o VTN específico para a propriedade em questão à época oportuna para a análise destes autos." Diante do exposto, a divergência jurisprudencial não restou caracterizada, já que os acórdãos em confronto trataram de questões diferentes, o que não autoriza a conclusão de que as soluções diversas tenham sido ancoradas em interpretação divergente da legislação tributária, razão pela qual não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 776DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912109/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.823
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 09 /2 01 2- 14 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912109/201214 Acórdão n.º 3301003.823 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.850, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912109/201214 Acórdão n.º 3301003.823 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912109/201214 Acórdão n.º 3301003.823 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912109/201214 Acórdão n.º 3301003.823 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912109/201214 Acórdão n.º 3301003.823 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912109/201214 Acórdão n.º 3301003.823 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912109/201214 Acórdão n.º 3301003.823 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.912109/201214 Acórdão n.º 3301003.823 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003755/2006-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
DECADÊNCIA.
A decadência é uma objeção, ou seja, é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. O termo de início da contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação se rege pela regra do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional no caso de restarem comprovados os pagamentos antecipados.
INEXATIDÕES MATERIAIS.
Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL.
Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.625
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
preliminar, em reconhecer a decadência dos lançamentos relativamente ao segundo e terceiro trimestres do anocalendário
de 2001 pertinentes ao IRPJ e à CSLL, bem como do período de
abril a novembro do ano calendário de 2001, em relação ao PIS e à Cofins e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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A decadência é uma objeção, ou seja, é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. O termo de início da contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação se rege pela regra do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional no caso de restarem comprovados os pagamentos antecipados. INEXATIDÕES MATERIAIS. Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em reconhecer a decadência dos lançamentos relativamente ao segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2001 pertinentes ao IRPJ e à CSLL, bem como do período de abril a novembro do anocalendário de 2001, em relação ao PIS e à Cofins e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (documento assinado digitalmente) Fl. 260DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 251 2 Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 98/101, com a exigência do crédito tributário no valor de R$14.169,10, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido dos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2001. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas apurada a partir da não comprovação da efetividade da entrega de numerário e a origem pelo sócio Waldir João Schneider, CPF 182.128.40007, a título de mútuo, em conformidade com as informações prestadas pela Recorrente, fls. 73/77 e constantes no Relatório da Ação Fiscal, fls. 95/97, nos seguintes valores: Data Valor – R$ 04/05/2001 50.000,00 12/06/2001 100.000,00 25/07/2001 70.000,00 06/08/2001 20.000,00 13/08/2001 30.000,00 17/08/2001 20.000,00 26/12/2001 10.000,00 27/12/2001 80.000,00 28/12/2001 70.000,00 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: Fl. 261DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 252 3 II O Auto de Infração às fls. 102/107 com a exigência do crédito tributário no valor de R$7.699,71 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 e inciso I do art. 2º, inciso I do art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 106/109 com a exigência do crédito tributário no valor de R$35.537,25 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, Medida Provisória nº 1.858, de 24 de setembro de 1999, e Medida Provisória 1.807, de 25 de fevereiro de 1999. IV – O Auto de Infração às fls. 110/114 a exigência do crédito tributário no valor de R$12.752,16 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. . Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999. Cientificada em 22/12/2006, fls. 98, 102, 106 e 110, a Recorrente apresentou as impugnação em 22/01/2007, fls. 117/134, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que os lançamentos são nulos pela caracterização do cerceamento do direito de defesa. Faz um breve relato sobre os requisitos do ato administrativo e dos princípios constitucionais da administração pública. Procura demonstrar que os fatos tributáveis não foram apurados com clareza. Suscita que cumpre todas as obrigações principais e acessórias e que atendeu a todas as intimações fiscais apresentando os documentos solicitados. Defende que não há justifica fática nem amparo legal para a constituição dos presentes créditos tributários. Argúi que não se aperfeiçoou a relação jurídica com o Erário, já que comprovou a efetiva entrega de numerário do sócio Waldir João Schneider, em conformidade com as informações contidas no Livro Caixa e nos extratos bancário por ela fornecidos às autoridades fiscais. Diz comprovar a improcedência das exigências, por violação ao princípio da verdade material e dos requisitos dom art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Alega que as autoridades fiscais não consideraram os diversos documentos por ela apresentados, destacando que o ônus da prova cabe à autoridade fiscal. Expõe que a receita financeira não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins, em conformidade com entendimento dos tribunais superiores. Discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic e da aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 262DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 253 4 Conclui Ante o todo aqui exposto, e diante de todas as irregularidades que entende a Impugnante tenha a nobre Fiscalização incorrido, inicialmente requer seja dado provimento A presente impugnação, para declarar a integral nulidade do auto de infração hostilizado, vez que não merece o mesmo prosperar, por nítido desatendimento ao que dispõem o artigo 142 do CTN e o artigo 9° do Decreto n. 70.235/72, bem como por inobservância da Constituição Federal vigente, artigo 5° II, LIV e LVI. Na eventualidade de assim não entender essa MD. Julgadora , requer, outrossim, seja reconhecida a excessividade da penalização imposta a entidade autuada, reduzindose as multas que lhe foram impostas ao limites do razoável, bem como, independentemente do quanto decidido nas demais questões argüidas, seja declarada a inaplicabilidade da SELIC como juros moratórios, determinando que eventual débito confirmado por esse MD. Julgador venha a sofrer a incidência de juros calculados pelo percentual máximo de 1% ao mês, com bem determina o art. 161, do CTN. Termos em que Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 189.405, de 07/08/2008, fls. 193/205: “Lançamento Procedente”. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO Em questões tributárias, é a partir da constituição do crédito tributário que a lei assegura ao sujeito passivo a acessibilidade aos autos, com todos os elementos que o instruem, motivam o lançamento e o fundamentam. Se o processo permaneceu no órgão local da Secretaria da Receita Federal do Brasil do domicilio Fiscal do autuado, no prazo legal, disponível para vista e para obtenção de certidões ou copias reprográficas dos dados e documentos que o integram, e ainda, aguardando o pagamento dos valores lançados ou a impugnação, que foi apresentada no prazo regulamentar, não ocorre o cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Fl. 263DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 254 5 SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. EMPRÉSTIMOS— DE— SÓCIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL Procede a imputação de omissão de receita, por presunção legal, quando a pessoa jurídica, devidamente intimada, não comprovar a efetiva entrega dos suprimentos de numerário de seu sócio. MULTA DE OFICIO. EXIGIBILIDADE. A multa de oficio é aplicável sempre que ficar caracterizada a falta de pagamento do imposto que decorre de omissão de receitas e a iniciativa para sua cobrança for tomada pelo Fisco. JUROS DE MORA. TAXA SELIC É correta a aplicação da taxa Selic sobre os créditos tributários apurados de oficio que não foram regular e tempestivamente pagos pelo sujeito passivo da relação jurídicotributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Notificada em 04/09/2008, fl. 215, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02/10/2008, fls. 217/, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui Diante de todo o exposto, Eméritos Conselheiros, requer a ora Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário à fim de preliminarmente declarar a nulidade do auto de infração hostilizado, por nítido desatendimento ao que dispõem os artigos 142 do CTN e 10 da Decreto n. 70.235/72, bem como pela afronta ao princípios constitucionais. Na eventualidade de manterse o atual procedimento ou a Decisão que o confirmou, devidamente examinados os fundamentos de mérito aqui expostos, necessário seja reconhecido por esse Conselho de Contribuintes a relevância do direito alegado pelo contribuinte autuado, motivo pelo qual se requer seja dado provimento ao presente para fins e efeitos de desconstituição do crédito tributário constante do Auto de Infração ora combatido, eis que este se apresenta completamente descasado do direito, não merecendo prosperar como lançamento válido e eficaz. Termos em que Pede deferimento. É o Relatório. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 255 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). Ademais, a Recorrente que fez opção pela tributação com base no lucro presumido devendo determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração (art. 519 e seguintes do RIR, de 1999). A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento fiscal (MPF), fls. 01 e 13, do Termo de Início de Fiscalização, fl. 04, do Termo de Intimação Fiscal, fls. 49 e 57, do Termo de Constatação e Reitimação Fiscal, fl. 43 e finalizou em 22/12/2006 com a ciência válida dos Autos de Infração, fls. 98, 102, 106 e 110. Nestes termos, mostrase infundada a alegação da Recorrente de a autoridade fiscal não havia apreciado a documentação apresentada. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 256 7 A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. A Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, embora tenha sido previamente notificada para solucionar as pendências tributárias. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas e os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Ademais, é aceitável a apuração da omissão de receitas mediante o cotejo das informações constantes na escrituração e as informações prestadas pela Recorrente, fl. 73/77, pela não comprovação da efetividade da entrega de numerário pelo sócio Waldir João Schneider a título de mútuo e constantes no Relatório da Ação Fiscal, fls. 95/97. A metodologia descrita é coerente com a legislação como um instrumento para demonstrar a existência do fato econômico que se encontra no campo de incidência tributária. Assim, a solicitação deve ser indeferida. Vale ressaltar que a decadência é uma objeção, ou seja, é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento (art. 269 do Código de Processo Civil – CPC). Sobre a matéria, o Código Tributário Nacional (CTN) assim determina: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 266DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 257 8 Em relação contribuições para o custeio da seguridade social, o Supremo Tribunal Federal assim se pronunciou mediante o enunciado da Súmula Vinculante nº 8, a saber: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STF e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29/10/20091: Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1 Fonte:https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData= 20090918&formato=PDF; acesso em 21/01/2011. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 258 9 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 901905 Inteiro Teor do Acórdão Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 15 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 268DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 259 10 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decadência é a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento pela sua inércia, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. É uma causa de extinção do crédito tributário (inciso V do art. 156 do CTN), bem como é tema que exige lei complementar (art. 146 da Constituição Federal (CF). Aplicase a regra do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, no caso em que o sujeito passivo verificando a ocorrência do fato gerador do tributo sujeito ao lançamento por homologação efetive o pagamento antecipado, sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública. O lançamento pode ser expressamente homologado pelo Erário no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Findo este prazo o lançamento considerase homologado e o crédito tributário se extingue, salvo se houver dolo, fraude ou simulação ou não existir pagamento antecipado. Restou esclarecido que o termo de início da contagem do prazo decadencial do tributo em exame se rege pela regra do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, uma vez que a Recorrente depois de intimada a apresentar documentos fiscais, fl. 04, anexou a planilha, fls. 47/48, discriminando a base de cálculo e os recolhimentos efetuados de tributos durante o anocalendário de 2001, a qual não foi contestada pela autoridades fiscais. Os autos não estão instruídos com a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ nem com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e nem com as cópias dos recolhimentos. Por esta razão, podese inferir que houve pagamentos de tributos relativamente aos fatos geradores do anocalendário de 2001. Assim, como a ciência dos presentes lançamentos se deu em 22/12/2006, fls. 98, 102, 106 e 110, vale reconhecer que os débitos objeto dos lançamentos de IRPJ, de PIS, de Cofins e de CSLL, cujos fatos geradores ocorreram de abril a setembro de 2001, foram alcançados pela decadência. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. Sobre o lucro presumido, o RIR, de 1999, determina: Art.219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). [...] Fl. 269DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 260 11 Art.224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). [...] Art.281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Art.282.Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). [...] Art.516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). §1ºA opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §1º ). §2ºRelativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §2º ). Fl. 270DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 261 12 §3ºA pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. §4ºA opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, §1º). §5ºO imposto com base no lucro presumido será determinado por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observado o disposto neste Subtítulo (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25). [...] Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). A Recorrente fez opção pela tributação com base no lucro presumido e deve determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Este foi o regime de tributação adotado pela Recorrente e que foi regularmente observado pelas autoridades fiscais, não sendo cabível no curso da ação fiscal a sua alteração. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. A Recorrente foi intimada comprovar a efetiva entrega de numerários do sócio Waldir João Schneider a título de mútuo, fls. 60/61. Para tanto, apresentou Livro Caixa, 62/70 onde constam registrados todos os recebimentos dos empréstimos do mencionado sócio. Nos extratos da conta corrente nº 3.3197 da agência nº 0318 do Banco do Brasil S/A, fls 82, 95, 97, 168, 186 e 189 todos estes depósitos não restaram evidenciados coincidentes em datas e valores. Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, ressalvada à Recorrente a prova da improcedência da presunção, que é o efeito que a lei deduz de fato conhecido ou indício, para estabelecer por inferência a existência de outro. O intuito da norma é coibir a existência de recursos que transitam à margem da escrituração contábil da Recorrente e o suprimento da conta Caixa para satisfazer os dispêndios desta. Destarte, sem a comprovação efetiva de que este suposto empréstimo adveio de origem totalmente externa à Recorrente, quando se trata de pessoas Fl. 271DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 262 13 ligadas por meio de comprovantes bancários da transferência de valores e não se logrando comprovar que a origem dos recursos é diverso daquele escriturado, não se ilide a tributação erguida com fulcro neste remissivo legal (art. 282 do RIR, de 1999). É correto procedimento de verificação de saldo credor mediante a recomposição da conta Caixa. Se a Recorrente não afasta a apuração de saldo credor de caixa, não obstante as oportunidades deferidas, subsiste incólume a presunção de receitas omitidas. Para que se possa comprovar o saldo credor de caixa, caracterizador da omissão de receita há que se efetuar a recomposição do mesmo, excluindo os valores que não representem efetivo ingresso ou saída de numerário. Com base nos elementos disponíveis então por ela apresentados, a autoridade fiscal apurou o ilícito tributário da omissão de receitas fundamentada na não comprovação da efetividade da entrega de numerário pelo sócio Waldir João Schneider a título de mútuo, em conformidade com as informações prestadas pela Recorrente, fls. 73/77, e constantes no Relatório da Ação Fiscal, fls. 95/97. Ademais, diferentemente do entendimento da Recorrente, a base de cálculo apurada de ofício se refere tãosomente à omissão de receitas da atividade. Não foram acrescidos quaisquer valor a título de receita financeira. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar do alegado erro. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem suas afirmativas de que há incorreções no lançamento. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o procedimento de ofício está correto nesta parte. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic. Pelo fato desse argumento, o Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A Lei nº 9.430, de 1996, prevê: Art.5º [...] §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Fl. 272DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 263 14 CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Aplicando a legislação de regência ao presente caso, verificase que como a Recorrente não procedeu ao pagamento do crédito tributário até a data do vencimento, deve fazêlo acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STF e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09/09/20092: RECURSO ESPECIAL Nº 1.111.175 SP (2009/00188256) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA RECORRENTE : SOFT SPUMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADVOGADO: WALDEMAR CURY MALULY JUNIOR E OUTRO(S) 2 Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=5338305&sReg=200900188256 &sData=20090701&sTipo=5&formato=PDF; acesso em 16/04/2011. Fl. 273DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 264 15 RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Ainda em relação à matéria, vale transcrever os enunciados de súmulas do CARF n°s 4 e 5, as quais são de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF) que prevêem: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Cabe ressaltar o crédito tributário da União constituído não pago até a data do vencimento é acrescido de juros de mora equivalentes à Selic para títulos federais. Por conseguinte, os lançamentos estão corretos. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 265 16 As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, fixa: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Diferentemente do entendimento da Recorrente, a aplicação da multa de mora é aplicável somente nos casos de pagamento espontâneo de tributo fora dos prazos de vencimento e antes do início do procedimento fiscal. De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) e depois de excluída a espontaneidade da Recorrente com a ciência do Termo de Início de Fiscalização, fl. 04, prevalece a multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo lançado Fl. 275DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11065.003755/200621 Acórdão n.º 180100.625 S1TE01 Fl. 266 17 do ofício em decorrência de infração à legislação tributária. Portanto, não cabem reparos ao lançamento. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente ao PIS, à Cofins e à CSLL, tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Em face do exposto voto, em preliminar, por reconhecer a decadência dos lançamentos relativamente ao segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2001 pertinentes ao IRPJ e à CSLL, bem como do período de abril a novembro do anocalendário de 2001, em relação ao PIS e à Cofins e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 276DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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