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Numero do processo: 13401.000734/2005-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e OutrosExercício: 2002Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Em face da exclusão da empresa doSimples, e na inexistência de escrituração regular, correta a exigência com base no lucro arbitrado. Irrelevante é a posterior apresentação de DIPJ, fulcrada no lucro real, se, em tempo hábil e suficiente anteriormente concedido, não logrou o contribuinte ofertar à Fiscalização tais documentos.DESENQUADRAMENTO DO SIMPLES COM EFEITO RETROATIVO. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA SIMPLIFICADA COM O CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO DEOFÍCIO. O recolhimento do tributo na modalidade Simples, relativo aos mesmos períodos fiscalizados, confere ao contribuinte o direito de compensar os valores assim determinados, até o mês de sua exclusão, com débitos fiscais, inclusive os constituídos em lançamento de ofício. Há, no entanto, de haver prova da efetiva quitação daquelas cifras, sob pena de se indeferir o ajuste de contas intentado.INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar a aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa afastar a aplicação da lei tributária, sob qualquer pretexto. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidente tanto, a inconstitucionalidade da ordenação fiscal que funcionou como base legal do lançamento – tarefa privativa dos órgãos judiciais.PEDIDO DE PERÍCIAS Rejeita-se o pedido de perícia quando desnecessária, por existir nos autos elementos suficientes para o julgamento, bem assim quando não formulado conforme determinado pelo art. 18 do Decreto nº 70.235/72.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1803-000.645
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DEJULGAMENTO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Exercício: 2002 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Em face da exclusão da empresa do Simples, e na inexistência de escrituração regular, correta a exigência com base no lucro arbitrado. Irrelevante é a posterior apresentação de DIPJ, fulcrada no lucro real, se, em tempo hábil e suficiente anteriormente concedido, não logrou o contribuinte ofertar à Fiscalização tais documentos. DESENQUADRAMENTO DO SIMPLES COM EFEITO RETROATIVO. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA SIMPLIFICADA COM O CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO DE OFÍCIO. O recolhimento do tributo na modalidade Simples, relativo aos mesmos períodos fiscalizados, confere ao contribuinte o direito de compensar os valores assim determinados, até o mês de sua exclusão, com débitos fiscais, inclusive os constituídos em lançamento de ofício. Há, no entanto, de haver prova da efetiva quitação daquelas cifras, sob pena de se indeferir o ajuste de contas intentado. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar a aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa afastar a aplicação da lei tributária, sob qualquer pretexto. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da ordenação fiscal que funcionou como base legal do lançamento – tarefa privativa dos órgãos judiciais. PEDIDO DE PERÍCIAS Rejeitase o pedido de perícia quando desnecessária, por existir nos autos elementos suficientes para o julgamento, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 2 2 bem assim quando não formulado conforme determinado pelo art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Contra a empresa supra qualificada foram lavrados os Autos de Infração a seguir especificados, para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social, PIS, à Contribuição • Social sobre o Lucro Líquido, CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS: TRIBUTO FLS Imposto/ Contribuição Juros de Mora Multa Proporcional TOTAL IRPJ 05 18.998,72 13.688,63 14.249,02 46.936,37 PIS 17 8.575,77 6.299,04 6.431,79 21.306,60 CSLL 11 14.249,03 10.266,46 10.686,76 35.202,25 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 3 3 COFINS 24 39.580,64 29.072,79 29.685,44 98.608,87 Total 202.054,09 De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 06 e 07 e Termo de Verificação Fiscal às fls. 57 e 58, foi realizado o arbitramento do lucro para o anocalendário de 2001, tendo em vista que o contribuinte, sujeito à tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais e, apesar de intimado e reintimado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixou de apresentálos. A empresa, optante pelo SIMPLES, excedeu o limite do faturamento no anocalendário de 2001, estipulado no art. 30 da Lei 9.732/1998, e não utilizou os percentuais corretos legalmente previstos. Foi efetuado lançamento com o devido enquadramento legal para os fatos geradores listados às fls. 6 e 7. Devidamente intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 60 e 61 fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. afirma que a empresa recebeu o termo de início de fiscalização no dia 11/07/2005, após ser cumprida a exigência, a empresa foi reintimada, no dia 29/09/2005, a apresentar no prazo de 5 dias o livro Diário, Razão e LALUR ano 2001, sob a alegação de que excedeu o limite do SIMPLES em 2000. O prazo para entrega dos documentos não foi suficiente e a empresa solicitou "um prazo dentro do limite"; no dia 11/10/2005, ao tentar apresentar a documentação solicitada, foi surpreendido pelo fiscal, que informou que iria arbitrar o lucro, uma vez que não teria mais tempo para analisar, visto que a operação estava terminando e que seria feito o arbitramento do lucro; sabese que o prazo de 5 dias para apresentar informações solicitadas pelo fisco, conforme parágrafo 1° do art. 19 da Lei 3470 de 28/11/1958 (transcrito), aplicase nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, situação na qual, considera não se enquadrar a empresa, visto que a mesma não havia escriturado seus livros fiscais, pois apresentava informações de acordo com o regime do SIMPLES; são duas as discordâncias apresentadas pela impugnação: 1 – Em nenhuma das intimações o fisco menciona que não apresentação das informações pelo Lucro Real levaria ao arbitramento do lucro, a informação foi apenas verbal quando todo material já estava pronto para ciência do contribuinte; 2 – Após elaboração de todo material foi constatado que a apuração pelo Lucro Real resultou num saldo de tributos inferior aos impostos recolhidos pelo regime do SIMPLES, anexa DIPJ com base no Lucro Real relativa ao ano de 2001. 3 – Requer seja considerado indevido o Auto de Infração e põe à disposição do Fisco, para maiores esclarecimentos, o Diário, Razão e LALUR. A 3ª TURMA – DRJ EM RECIFE – PE, ao julgar a impugnação apresentada, manteve integralmente os lançamentos questionados, ementando sua decisão nos seguintes termos: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 4 4 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001 SIMPLES EXCLUSÃO DE OFICIO A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. LUCRO REAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente” Cientificado da decisão em 09/04/2008, interpôs o contribuinte, em 09/05/2008, recurso voluntário a este conselho, aduzindo alegações símiles às aventadas na instância precedente, questionando a cominação da multa de ofício e dos juros de mora, por conta de eventual inconstitucionalidade, e requerendo, ainda, produção de prova pericial. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. (1) Do arbitramento De início, afirma o contribuinte que o arbitramento de seu lucro não teria observado os princípios básicos da tributação – contraditório, ampla defesa e busca pela verdade material, nomeadamente. Em tal direção, o fato de ter sido excluída retroativamente do Simples teria colocado a fiscalizada em situação desfavorável, no bojo da qual a apresentação das Declarações Simplificadas teriam se tornado inócuas, surgindo, em seu lugar, o dever de elaborar e escriturar, a posteriori, documentos e livros contábilfiscais pertinentes à tributação pelo lucro real. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 5 5 Nessa condição, deveria o Fisco, para que pudesse exigir a apresentação da documentação devida, outorgar prazo condizente com a razoabilidade constitucional, capaz de permitir, ao contribuinte, a elaboração retroativa de seus escritos. Assim, porém, não teria ocorrido, segundo vê a autuada. O arbitramento do resultado, derivado da não oferta dos livros e dos documentos ínsitos à sistemática do lucro real, ampararseia em formalismos exacerbados e intoleráveis. Pois bem. A despeito de todas as arguições apresentadas, não há como se negar lidimidade ao mecanismo de arbitramento executado. A exclusão do Simples, com efeitos retroativos a partir do anobase de 2001, fez com que o contribuinte se sujeitasse, desde aquele pretérito átimo, ao regime de tributação ordinária. Ainda que a ciência do ato de desenquadramento tenha se dado somente em meados de 2005, deveria ter o contribuinte providenciado a elaboração retroativa dos escritos contábeis e fiscais obrigatórios, na forma da legislação pertinente. Claro que não seria admissível que a Fazenda cominasse penalidade ao contribuinte que assim não agisse, se não tivesse a primeira concedido, a este, lapso hábil de rgularização. No presente caso, porém, é fácil notar que os trabalhos fiscais se arrastaram por mais de 03 (três) meses, desde a entrega do Termo de Início, em 11/07/2005, até a ciência do AII lavrado, em 13/10/2005. Foram oferecidos interregnos mais do que suficientes para que o contribuinte apresentasse sua nova documentação. A despeito disso, não logrou este fornecer ao agente autuante os livros fiscais compulsórios. A hipótese se imiscui perfeitamente, à tipologia autorizadora do arbitramento, nos termos do artigo 530, inciso I, do RIR/99, verbis: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (...)” No mais, é de se recordar que a mensuração do lucro pela via arbitral não configura sanção. Ainda que dela possa resultar montante maior de tributo a recolher, certa é sua natureza de mera alternativa cont;abil, voltada à mensuração da base de cálculo do IRPJ (e reflexos), sempre que não houvesse como se alcançar o mesmo desiderato pelas vias ordinárias. Assim, escorreito é o procedimento adotado, não havendo dúvidas a respeito do montante lançado. (2) Da compensação com valores recolhidos na sistemática do Simples Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 6 6 Peticiona o contribuinte, ademais, no sentido da compensação, junto às cifras imputadas, dos montantes recolhidos na sistemática do Simples. De acordo com sua convicção, o encontro de contas realizado faria, até mesmo, com que os lançamentos fossem cancelados, na medida em que os pagamentos simplificados seriam superiores aos devidos no regime de tributação pelo lucro real (DIPJ de fls. 46 e ss.). O tópico não oferece maiores dificuldades. Primeiramente, os valores inscritos em DIPJ, colacionada depois de realizado o regular arbitramento, não tem o condão de invalidade este último procedimento. Como se afirmou, a apresentação da declaração não foi feita em tempo hábil – razão pela qual se tornou correta a contabilização arbtiral. Ademais, não logrou o contribuinte comprovar o efetivo recolhimento dos valores informados nas Declarações Simplificadas. Não há como se deduzir pagamentos que sequer foram mostrados. Por fim, também não há que se falar em cobrança de passivos já extintos. Levandose em consideração a correta retroação da exclusão do contribuinte junto ao Simples, não se aperfeiçoou nenhum pagamento efetivo de tributo, desde o momento em que se deu o desenquadramento – in casu, o anobase de 2001. Houve, isto sim, recolhimentos antecipados de exação, que, uma vez comprovados, poderiam ser deduzidos das dívidas apuradas no regime de tributação ordinária. (3) Do caráter confiscatório da multa de ofício e da inaplicabilidade de juros moratórios à taxa Selic É impugnada, terceiramente, a cominação da multa proporcional de 75%, turno um, e dos juros de mora calculados à taxa referencial Selic, turno outro. Este tema é recorrente neste colegiado. Acerca dele, no entanto, não há como se proferir julgamento de substância, haja vista terem os órgãos administrativos atuação estritamente vinculada à lei. É vedado, tanto à Receita Federal, de um lado, quanto a este conselho, de outro, deixar de aplicar as normas tributárias vigentes, ainda que, em tese, possam elas estar eivadas de invalidade. Cabe ao Poder Legislativo, de forma prévia, ou ao Poder Judiciário, a posteriori, perscrutar pela adequação das leis ao sistema de normas gerais e de princípios construído em sede constitucional ou infraconstitucional. Este colegiado, na qualidade de autoridade administrativa, só pode zelar pela observância das normas em vigor, sem analisar sua pertinência sistêmica. Tragase à baila, a respeito, o enunciado da elucidativa Súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (4) Da necessidade de perícia Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 7 7 Por fim, pugnou a recorrente, ainda, pela determinação de perícia, para que se analisasse a verossimilhança do cenário argumentativo por ela construído. O pleito de realização de provas técnicas desta natureza não merece prosperar. Afinal, o artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, adiante transcrito, deixa ao julgador a avaliação da necessidade de prova pericial, segundo juízos objetivos de conveniência e de oportunidade: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Sendo possível o deslinde do mérito recursal sem apelo a provas de índole excepcional, não há mais o que se discutir, sendo imperiosa a consideração da inutilidade do pleito pericial apresentado, tanto na instância anterior quanto na presente. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 1º de setembro de 2010 (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
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Numero do processo: 13854.000242/2003-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUIVI 0: PROCESSO A DMINISTRATIVO FISCAL
Data do lato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998
DCTF. ERRO NA IND1CAÇA-.0 DO NÚMERO DA AÇA0
JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
O erro na indicação do número da ação judicial justifica o
lançamento fiscal ao limitar a ação do Fisco em veri ficar a
legitimidade da compensação efetuada com base na ação judicial
proposta, que passa a ser objeto de análise do âmbito do processo
administrativo de impugnação de lançamento.
AssuN 1 0: NORMS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998
PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO. LEI COMPLEMENTAR N° 118,
DE 2005. MATÉRIA CONSTITUCIONAL, APRECIAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE..
0 Carl é incompetente para apreciar matéria relativa
ineonstitucionalidade de lei.
PIS. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. TERMO
INICIAL.
Sendo compensáveis apenas os indébitos passíveis de restituição, o
prazo geral para compensação é de cinco anos contados da data do
recolhimento indevido ou a maior do que o devido, ou, ainda, da
data de tiansito em julgado da ação de conhecimento do qual resultar
o direito de compensação.
COMPENSAÇÃO. ART. 66 DA LEI 1\12 8.383, DE 1991.
REQUISITOS.
A compensação entre tributos da mesma espécie e destinaçáo
constitucional realizada pelo sujeito passivo no ámbito do
lançamento por homologação deveria ser registrada contabilmente
ma produzir efeitos legais.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3302-000.719
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros
Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjtio Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ASSUIVI 0: PROCESSO A DMINISTRATIVO FISCAL Data do lato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998 DCTF. ERRO NA IND1CAÇA-.0 DO NÚMERO DA AÇA0 JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. O erro na indicação do número da ação judicial justifica o lançamento fiscal ao limitar a ação do Fisco em veri ficar a legitimidade da compensação efetuada com base na ação judicial proposta, que passa a ser objeto de análise do âmbito do processo administrativo de impugnação de lançamento. AssuN 1 0: NORMS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998 PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. MATÉRIA CONSTITUCIONAL, APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.. 0 Carl é incompetente para apreciar matéria relativa ineonstitucionalidade de lei. PIS. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. TERMO INICIAL. Sendo compensáveis apenas os indébitos passíveis de restituição, o prazo geral para compensação é de cinco anos contados da data do recolhimento indevido ou a maior do que o devido, ou, ainda, da data de tiansito em julgado da ação de conhecimento do qual resultar o direito de compensação. COMPENSAÇÃO. ART. 66 DA LEI 1\12 8.383, DE 1991. REQUISITOS. A compensação entre tributos da mesma espécie e destinaçáo constitucional realizada pelo sujeito passivo no ámbito do lançamento por homologação deveria ser registrada contabilmente ma produzir efeitos legais. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ploy Fabi Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar mento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros la Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjtio Barreto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva - Presidente (ASSINADO DIG1TALMENTE) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Antonio isco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno o Barreto. Rel tó rio Trata-se de recurso voluntário (fls. 246 a 262) apresentado em 04 de seterhbro de 2009 contra o Acáiddo it' 14-24.893, de 26 de junho de 2009, da 5 0 Turma da DR.02P0 (fls. 236 a 240), cientificado em 07 de agosto de 2009 e que, relativamente a auto de infiaçao eletrônico de PIS dos períodos de novembro e dezembro de 1998, considerou pro-dente em parte o lançamento, nos termos da ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO CON7RIBUI040 PARA O PLYPASEP Pet iodo de apmação 01/11/1998 a 30/11/1998. 01/12/1998 a 31/12/1998 Fr ar Guij AUDITORIA INTER.NA NA ()CIF PIS COAIPROVAC40 DA COAIPENSACJO DE TRIBUTOS EFETUADA AO ES DE OUTUBRO DE 2002 RESIHUICTO DECADÊNCL-1 A compensação *Mack a conk: e tisco do connibuinte, no moldes pet Miklos ante, lot mente à Aledickt Pt ovisória n' 66, de 2002. requisita lançamentos contábeis do encontro de contas tendentes a demonsttar a qua»tificação dos indébitos, a identificação dos dividas =dodos e a época do evento. incumbindo obset vai . (mom° a estd o pct.° clecadencicrl de 5 (Once) anos coontados da data da estinção do c: édito ltibtacitio o: . ■ :.: • •:. . ;• - ; : f7:;:s• 2 Proccsso n" 13854 000242/2003-55 S3-C312 Actird3o n' 3302-00.719 Fl 268 que, no caso c/c ti ibuto sujeito a lançamento por homologação, ocon e no momento do pug:mono, consoante inter pi elação dada pelo legislado complememar (Lei Complemental n" 118, c/c' 2005) ASSUNTO NOIWAS GERA1S DE DIREITO TRIBUTÃRIO Per iodo de apmação 01/11/1998 a 30/11/1998. 01/12/1998 a 31/12/1998 APL1C.1c..TO LEGISLAÇÃO T1?IBUT.4RL-1 RETROAIIHDA DE 13ENIGN.4 Tialcindo-se c/c aio não definitivamente julgado aplica-se en ornivamente a lei nova quando The comine pena/idade menos sever a que a pi Cristo na lei vigente ao tempo do lançamento (CTIV, wt 106. IL -c.") I ançamenio p, ocedente em pcure 0 auto de in fração foi lavrado em 02 de julho de 2003 (11 125) e, segundo o teimo de (is, 17 e 18, o processo judicial vinculado aos débitos em DCTF não teria sido comprovado. O lançamento foi "revisto" pelo despacho decisório de lis. 207 e 208 em 03 de outubto de 2008, segundo o qua!: Data o presence pi acesso de Impugnação à Atuo de Infração - DO It, na qual a cowl ibuinte alega que os pai Iodos de aptuação (PAs) objetos cio Auto, quais sejam 11 e 12/1998, r (del entes (lo PIS. Pram compensados .supostamente em confoimidade com de.clscio judicial transilada fen, julgado no Alandado de Segui onça 88 0040351-4, cujo trcimite se deu na 20" :'ai a da Justiça Feder al na cidade de Sao Paulo Ocorre que a ritferida cleciEel0 openers declarou inconsiiincionalidade clo.s Decreto.s-Leis 2 445 e 2 449 c/c 1988. não ,se discutindo compensação Os 108/115) A decisão do 1z:fetid(' (Nilo judicial nansitou em julgado ern 22 c/c .vetembt o de 1992 Alesino não se falculdo compensagdo ação judicial, a 1N/SRE n° 21, de 10/03/1997, alterada pc/c: 1N/SRF n° 73. de 15/09/1997, em seu al ligo 14, autori:ou a compensação independentemente cle requer ¡mein°, se relativo a labia() on corm ibuição da mesma espécie, .se o crédito fosse anterio, ao débito Ent, crania no caso um tela. a contribuinte não possuia mais o eito de compenvar os pagamentos indevidos. reakadas raj 21/06/1993. vivo que, confoi me an 168, inciso I, combinado com cvi 165. inciso 1 do CTN, extingue-se em cinco anos o &ten° c/c pleiteai a resiintição de pagamento convidelado indevido, i eali=ado espontaneamente 1 , ■ • F 1. Apresentada a impugnação, a DIU assim relatou o litígio: aia-se de lançamento consubstanciado ein auto de inflação. ion 'cicio ent 10•06/2003, em WI tuck de apuração de tegulmidades quamo a quitação de debitas dechnados em Deck» ação de Conn ibuiçcies e Ti !limos Federais ocm, para exigis da autuada o i ecolhimento da Conti ilmição pat a a Pi op atua de Integi ação Social (PIS), código de teceim n" 8109. concernente aos mesas de norembi o a de:embt o de 1998, no valor ele R$ 25666,97. acrescida da multa ele oficia c/c 7.5% (setenta e cinco poi cento), na imporaincia de R$ /9250,22 e dos jutos de mola na quantia de RS 21 090,72 Regulameme cientificada a autuada irwessou cam a impugnação de fls Ui/li. acompanhada dos documentos dc 11s 12/123, pot meio da qual fustiga a exigência aigutneniando, em sintese, que os débitos sob cobiança finam compensados com cielitos do pi dpi lo PIS deco, rentes de recolhimentos leitos com base nos inconstifficionais ,i's 2 445 e 2 -149, ambos de 1988. was com execução suspensa pela Resolução da Senado Feder al n 0 49, de 1995, e também em iv:0o de sentençct judicial ti cmsitada em julgado que the assegui ou o direito de recolher o PIS sem obser núncio dessas nor mas Achcia também, que a equirocada indicação na DCTF cio mimeio do pi ocesso judicial que ou ighiou seu crédito (88 004351-4 ao c/c 88 00403,51-4) não jusnlica a aumação fiscal Ao Jima requereu a insubsistênciti do auto de mli ação e o cuquiramento do pacesso A impugnação preriamente analisada pela Delegacia c/a Receita Federal do Brasil cm Ribeh ao PI eta-SP que, trabalhemelo com a hipótese da existência de feito não conhecido ou não provado par ocasião do lançamento intimou a contribuinte à apresentação de documentos, .11 132, e após análise destes exalou o despacho c/c 11s 207/208 opinando peler manutenção da exigência Notificada. a Recorrente avian a petição de fls 214/231 repasando suas razfies anto iates Acresceit, ainda, que não ocorreu a decadência do direito c/c pleiteai os indébitas em face do pi a.ro c/c 10 ((fez) twos para tanto No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação e alegou nito ter ocorrido per da cio pram para compensação. o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator 0 recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, devendo-se tomar conhecimento. dele 4 Process() e 1385-1 000242/2003-55 S3-C3 12 A dadfiu o" 3302-00.719 11'269 Conforme esclarecido nos autos, o lançamento originou-se supostamente do eiro da Interessada na indicação do número da ação judicial na DCTF (88.004351-4 em vez de 88.0040351-4). Conquanto é ampla a jurisprudancia de que "mero erro" na declaração no justifica o lançamento, há que se saber se, de fato, se trata de "mero eiro". Primeiramente, há que se considerar que o erro implicou o lançamento pelo fato de não se localizar o processo judicial indicado, o que a rigor justi ficou o lançamento. Entretanto, demonstrado o erro na indicação do miner° do processo, ha que consideiai que tal fat° implicou a impossibilidade, dentro do prazo decadencial, de o Fisco vet ificar outros aspectos relativos A legitimidade das compensações declaradas. Assim, o "meio erro" significaria que, de fato, a mencionada ação ,judicial permitiria ao contribuinte a realização da compensação declarada.. Caso algum outro aspecto tornasse tais compensações de alguma forma irregulares não se trataria de mero erro. Assim, é legitimo que o Fisco exija da Interessada, no âmbito do presente processo administrativo, a demonstração integi at da legitimidade da compensação. Portanto, partindo-se do fato de que a Interessada realizou as compensações depois do trânsito em julgado da ação judicial, é preciso verificar se elas foram realizadas corretamente. Nesse contexto, é pieciso esclarecer que a análise efetuada pela DR1 foi correta, pois efetuou exatamente tal análise, concluindo que as compensações realizadas por conta e risco do contribuinte devem obedecer ao disposto no art. 66 da Lei ti 0 8.383, de 1991, sendo registradas na contabilidade, dentro do prazo de cinco anos.. Quanto ao prazo para o pedido, observe-se que a tese de que o prazo iniciar- se-ia na data da publicação de resolução do Senado Federal ou de decisão do STF em ação diteta também já foi superada pelo próprio Superior Tribunal de Justiça. Portanto, a única controvérsia que existe atualmente sobre a contagem de prazo para iestituição gila em torno de o termo inicial ser a data do recolhimento ou a da homologação tácita ("cinco mais cinco"). Nesse contexto, deve-se considerar que a tese dos "cinco mais cinco", alem de não se alinhar ao conceito de "actio nata" e aos princípios gerais que regem a prescrição, teve sua aplicação piejudicada em face das disposições dos arts. 3 ° e 4° da Lei Complementar tio 118, de 2000, abaixo reproduzido: Alt 3" Para deito de Weimar:0o do inciso ido at t 168 da Lei n' .5.172, de 2.5 de amain° de 1966 — Código Tributário Nacional, a evtinvilo do crddito tributário °cot e, no caso de tributo -suje.ito a lançamento por homologavaa, no moment° cio pagamento antecipado de que ata o § 1 0 cio ail 150 da teferida Lei Art 4" Eva Lei extra en: rigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicaçao. obsellyula quanto ao art 3°, o disposto no art 106, 5 1,1 inciso 1 . da Lei HO .5172 de 25 de outubro de /966 -- Código 1, ibutcit ia Nacional No tocante à sua aplicação, o Superior Tribunal de Justiça adotou, equ vocadamente, o entendimento de que a disposição somente teria aplicação em relação aos ped os de restituição apresentados após a sua publicação, como ocorreu no Resp n° 644.736- PE.. 1 1 Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao analisar recurso extraordinário da Uni o em que se alegara violação à cláusula de reserva de plenário (RE 486.888-PE), dete minou ao Superior Tribunal de Justiça que analisasse, por meio do órgtio especial, a incci istitucionalidade do dispositivo. dive inco Assim, em acidente de inconstitucionalidade (Al) ern embargos de gencia no mencionado recurso especial, o Superior Tribunal de Justiça declarou a istitucionalidade cia segunda parte do art. 4° em questão, da seguinte forma: CONSMUCIONAL TRIBUTARIO LEI INTERPREIA [IVA PRAZO DE PRESCRIC)TO PAR-I A REPEI1C.-TO DE INDÉBITO, NOS I RIBUTOS SUJEITOS A LANCAMEN1O POR HallOLOGAC,-TO LC 118/2005 NAT UREZ-1 MOD1F ICA MI (E SIMPLESMENTE INIERPREIAIMI) DO SEU ARTIGO 3 °. INCONSIT UCIONALIDADE DO SEU ART 4 ", NA PARTE QUE DEIERMINA A APLICACJO RETROATIPA 1 Sob: e o tema uelacionado com a pest:110o da ação de lepetição c/c indébito tributói la a jm isp, uddncia do STJ (1 ' Seção) ef no sentido de que. em se natando de Whitt° sujeito a lançamento pcn homologação, o pi azo de ChM- U(1110A pl evicto no t 168 do UN, tem inicio, não no data do recolhimento do ti ibuto indevido, e sim na data da homologação - esp, essa ou tácita - do Iançamento Segundo entende o Dibunal, pata que o crédito se considere extinto, basin o pagamento é indi.speastivel a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergado pelo at: 156,1.'11, do C1N Assim, somente a partir dessa homologação é que ter ia inicio o pi azo pi crista no art 168, 1 E, não havendo homologação expresso, o prow para a repetição do indébito acaba sendo. na rodade, de clez anos a contat do fato get ado, 2 Esse entendimento, embot a ndo tenha a cicies ão unifoune da dotift lua e nem de tacks os prizes. é o que legitimmente define o contetido e o sentido das nounas clue disciplincun a matt:11a, já que se now c/a entendimento emanado do órgao do Potter haciicith lo que tem a anibuição c onstitncional de hue, etri-lav 3 O au 3" da LC 118/2005, a pretexto de into -petal esses mermos enunciadas, conferiu-lhes, 17C1 vet dctcle, um sentido e tun alccmce difereme daquele dado pelo huliciótio Ainda que defenscivel a 'into pi etagdo dada, não há coma negat que a Lei inovou no piano normativa pois tent OU das dispas/cães intopretadcts um dos seus sentidos possirets, justamente aquele tido como colter° pelo STJ, itudtprete e guaulião da legislação feclet al 4 Assim, acuando -se de preceito nounativo modijicativo e não simplesmente intespretativo, o au 3" da LC 118/2005 só pode . I \-; Processo n" 13854 000242/2003-55 S3-C3 12 AcOrdao n " 3302-09.719 Fl 270 sei eficticia p1 °Apathy:, incidindo apenas sob' e situaçães que venham a ocorter a pat fir da sua vigência. 5 0 at ago 4", segunda pat te. da 1C 118/2005, que determina a aplicação reo maim cio seu ai! 3 0 , para alcançar inclusive fatos passados, ofende o pi incipio constitucional da autonomia e independência dos podei es (CF, art 2a) e o da garantia do di, Ow adquit ido, do ato jut id/co perlidto e da coisa julgada (CF. art 50, VA7137) 6 ...irgiiição de Inc onstinicionalidade acolhida Do exposto, conclui-se ser inegável tratar-se de matéiia constitucional, uma vez que o mencionado alt. 4° determina a aplicação retioativa da inteipetação dada pelo al A matéria ainda se encontra em julgamento no Supremo Ti ibunal Federal (RE 566.621) e, como se trata de matéria constitucional, o disposto no art.. 62 do Regimento Interno do Carl, anexo II da Portaria Ml n° 256, de 2009, impede que seja afastada da aplicação da lei ao caso concreto, anteriormente à manifestação definitiva do plenário do Supremo Tiibunal Federal. Ademais, conforme sua Súmula n° 2, o Carl é incompetente para se pronunciai a respeito de inconstitucionalidade de lei: O C/IRF udo e compelente pata se pi onunciar sobre a inconstitucionalidade dc legislação li ibutát ia Considerando a Súmula STF itg 150, que diz que 'prescreve a execução no mesmo prciat de prescrição da ação" de conhecimento, o prazo para a Interessada realizar as compensações contabilmente iniciat-se-ia em 22 de setembro de 1992, quando transitou em julgado a última Ainda assim, as compensações seriam possíveis até 22 de setembro de 1997 C, portanto, foram realizadas fora do prazo. Em relação aos indébitos posteriores, conforme assinalado pelo Acórdão de primeira instfincia, somente poderiam ser efetuadas compensações até junho de 1998, tendo as DCTI: sido apresentadas em 1999. Ademais, como já decidido várias vezes por esta Turma, é a compensação, em sede de direito tributário, um ato,jurfdico positivo e no um encontro automático de contas. No caso da compensação do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, a compensação deveria ser realizada escrituraimente pelo sujeito passivo. Tal modalidade de compensação não se confunde com a do art, 74 da Lei n° 9.430, de 1996, em sua antiga redação, que era realizada pelo Fisco à vista da apresentação de pedido pelo sujeito passivo. Assim, a compensação escritural somente poderia ser efetuada entre ti ibutos da mesma espécie e destinação constitucional, enquanto que as demais deveriam ser objeto de pedido, confoime esclarecido pela piOpiia solução de consulta que a Interessada citou em seu recur so. A vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. 7 ' 1.1 Sala das Sessões, em 09 de dezembi o de 2010 (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Fianeisco
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Numero do processo: 12045.000249/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/04/1999.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RELATIVAS A FATOS
GERADORES APURADOS EM RECLAMATÓRIO TRABALHISTA.
COMPETÊNCIA DE COBRANÇA.
Para fatos geradores ocorridos até 16 de dezembro de 1998, não há limitação na competência do fisco em efetuar a cobrança das contribuições previdenciárias e de terceiros relativas a reclamatórios trabalhistas. A partir de tal data, não havendo ação condenatória, a competência do fisco foi mantida integralmente. Ainda nesse período, havendo ação condenatória, a
competência do fisco remanesce somente em relação às contribuições de
terceiros.
HABITAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. NATUREZA SALARIAL QUANDO DISPENSÁVEL PARA O TRABALHO.
A habitação fornecida pelo empregador ao empregado, quando dispensáveis para a realização do trabalho, tem natureza salarial. É fato notório que a habitação para diretores em grandes centros urbanos é dispensável para o trabalho, pois estes tem várias opções disponíveis para serem suportadas pelo
sua própria remuneração.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PELO FISCO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE. HABITAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INEXISTÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional
A teor do art. 31 da Lei nº 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações para com a Seguridade Social.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.780
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. Quanto à competência para execução das contribuintes decorrentes de reclamatórias trabalhistas, por maioria de votos, entendeu-se que a competência
para o período lançado era da fiscalização e não da justiça do trabalho, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal. No mérito, quanto à moradia, por maioria de votos, em manter os valores lançados, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzales Silvério que davam provimento; quanto à cessão de mão de obra, por unanimidade de votos, em manter os valores. Apresentará
voto vencedor o conselheiro Mauro José Silva, quanto à competência para o período lançado em razão das reclamatórias trabalhistas e ao auxílio moradia.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Empresas em Geral; Salário Indireto: Habitação Recorrente NET SÃO PAULO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 30/04/1999. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RELATIVAS A FATOS GERADORES APURADOS EM RECLAMATÓRIO TRABALHISTA. COMPETÊNCIA DE COBRANÇA. Para fatos geradores ocorridos até 16 de dezembro de 1998, não há limitação na competência do fisco em efetuar a cobrança das contribuições previdenciárias e de terceiros relativas a reclamatórios trabalhistas. A partir de tal data, não havendo ação condenatória, a competência do fisco foi mantida integralmente. Ainda nesse período, havendo ação condenatória, a competência do fisco remanesce somente em relação às contribuições de terceiros. HABITAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. NATUREZA SALARIAL QUANDO DISPENSÁVEL PARA O TRABALHO. A habitação fornecida pelo empregador ao empregado, quando dispensáveis para a realização do trabalho, tem natureza salarial. É fato notório que a habitação para diretores em grandes centros urbanos é dispensável para o trabalho, pois estes tem várias opções disponíveis para serem suportadas pelo sua própria remuneração. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PELO FISCO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE. HABITAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INEXISTÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. Fl. 963DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 A teor do art. 31 da Lei nº 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde solidariamente com o executor pelas obrigações para com a Seguridade Social. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. Quanto à competência para execução das contribuintes decorrentes de reclamatórias trabalhistas, por maioria de votos, entendeuse que a competência para o período lançado era da fiscalização e não da justiça do trabalho, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal. No mérito, quanto à moradia, por maioria de votos, em manter os valores lançados, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzales Silvério que davam provimento; quanto à cessão de mão de obra, por unanimidade de votos, em manter os valores. Apresentará voto vencedor o conselheiro Mauro José Silva, quanto à competência para o período lançado em razão das reclamatórias trabalhistas e ao auxílio moradia. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro José da Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silverio, Edgar Silva Vidal Fl. 964DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa NET SÃO PAULO LTDA contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento, por ter o contribuinte incorrido nos seguintes fatos geradores: a) as remunerações de empregados incluídas nas notas fiscais de prestação de serviços com cessão de mão de obra, serviços de limpeza, vigilância e trabalho temporário – período de 01/94 a 12/97; b) parcelas legais integrantes do salário de contribuição, decorrente de liquidação de acordos ou sentenças homologados na Justiça do Trabalho – período 02/97 a 03/99; c) valores pagos, aluguel e condomínio, para o diretor comercial Carlos Vasman e para o diretor superintendente Marco Aurélio dos Anjos Ferreira – salário in natura – período 10/98 a 04/99. 2. A decisão recorrida restou ementada nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. ACORDOS/SENTENÇAS TRABALHISTAS. SALÁRIO IN NATURA. SALÁRIOEDUCAÇÃO. LEI. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. CONTRIBUIÇÕES EM ATRASO. JUROS. MULTA. CONSTITUCIONALIDADE. O tomador de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o prestador, não se aplicando o benefício de ordem, inteligência do artigo 31 e parágrafos da Lei 8.212/91 e alterações posteriores. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição quando a documentação comprobatória é apresentada de forma deficiente, parágrafo 3º do artigo 33 da Lei 8.212/91. Nas sentenças judiciais ou acordos homologados em que não figurem, discriminadamente, as parcelas legais de incidência, parágrafo 3º do artigo 33 da Lei n.º 8.212/91. Nas sentenças judiciais ou acordos homologados em que não figurem, discriminadamente, as parcelas legais de incidência, a contribuição previdenciária incidirá sobre o valor total, art. 43, parágrafo único da Lei 8.212/91. Entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidade, art. 28, I, e parágrafos da Lei 8.212/91. Fl. 965DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS pode arrecadar e fiscalizar contribuições por lei devidas a Terceiros, inclusive as destinadas ao FNDE (Salário Educação), inteligência do artigo 94 e parágrafo único da Lei nº 8.212/91 e alterações posteriores. Legalidade da contribuição para financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho – SAT (competência até 06/97) / financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (competência a partir de 07/97), artigo 22,II, da Lei n.º 8.212/91, regulamentado pelo Decreto n.º 612/92 e n.º 2173/97. Sobre as contribuições sociais em atraso incidem, a partir de 01/04/97, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, e multa de mora que não pode ser relevada, artigos 34 e 35 da Lei n.º 8.212/91 e alterações posteriores. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade de lei. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE.” 3. Inconformado com o julgado, o contribuinte apresentou recurso voluntário nos termos baixo, que ora transcrevo das contrarazões: “DAS RECLAMAÇÕES TRABALHISTAS 11. Transcreve o artigo 43 da Lei n.º 8.212/91 e alega que qualquer análise ou interpretação deve ser feita de forma restritiva. Deste modo, não se pode concluir do mesmo modo que na DN, posto que o referido artigo não indica que a discriminação deve ser relativa às verbas componentes dos valores de natureza indenizatórias e/ou salariais. A norma legal estava atendida a partir do momento em que se definia a quantia vinculada às verbas e indenizatórias, como mostra a própria jurisprudência da DN. 12. Admitir que o texto legal está a exigir que, além da discriminação entre salarial e/ou indenizatória, sejam discriminadas todas as verbas componentes, caracteriza uma extensão inadmissível na interpretação da norma tributária. 13. Desrespeitar a decisão judicial transitada em julgado, mesmo que desprovida de especificação precisa das parcelas salariais/indenizatórias pode abalar os princípios constitucionais da coisa julgada e segurança jurídica. O correto seria o INSS, caso sintase lesado, interpor ação rescisória ou anulatória. (...) DA QUESTÃO DO SALÁRIO UTILIDADE – LOCAÇÃO 15. A caracterização das partes relativas a aluguéis pagos em residência de diretores da empresa não corresponde à realidade fática e contraria precedentes administrativos. 16. Devese determinar a natureza destes aluguéis: se são atribuídos pela prestação de serviços ou para o trabalho (cita Manuel de Fiscalização editado pela OS INSS/DAF 141 de 20/06/96) Fl. 966DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 3 5 17. Os diretores em questão residiam no Rio de Janeiro, conforme o próprio cadastro de Coresponsáveis emitido pela fiscalização, e foram transferidos para São Paulo para o melhor desenvolvimento da atividade empresarial da Recorrente. Foram juntados os contratos de locação que comprovam que a locação está feita em nome de pessoa jurídica e não de pessoa e física e, a qualquer momento, pode ter novos inquilinos em função das necessidades da empresa. Transcreve doutrina e jurisprudência. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 18. ‘(...) Percebese no discriminativo analítico do débito retificado – DADR (anexo à DN), às fls. 16/19, nas competências 03/94 a 11/94, ao confrontalo com o correspondente Relatório de Fatos Geradores p/ levantamento (anexo à NFLD), nas respectivas competências suso mencionadas, que matemse a cobrança sobre serviços prestados pelas empresas CLEAN MALL e LIMPIDUS, cujos débitos foram excluídos na totalidade, conforme reconhecido na DN. Esta situação é verificada nas competências 04/94. 06/94, 08/94. 09/94, 10/94 e 11/94. Ademais, indicações nestas competências não identificadas, devem ser revistas, para que não sofra o contribuinterecorrente, uma tributação relativa à solidariedade de prestadores de serviços que restam excluídos do universo obrigacional – previdenciário em debate, cabendo ao fisco previdenciário, de forma precisa, aclamar o efetivo fato gerador da cobrança que promove. Esta situação é verificada nas competências 03/94, 05/94 e 07/94. Portanto, inclusive em obediência aos termos dispostos na DN a retificar o débito, que seja previsto novamente o lançamento em debate, para o fim de, tanto identificar precisamente o fato gerador nas competências 03/94, 05/94 e 07/94, quanto, para excluir os valores correspondentes ao débito de solidariedade das empresas CLEAN MALL e LIMPIDUS, nesta competência (caso exista) e, especialmente nas competências 04/94, 06/94, 08/94, 09/94, 10/94 e 11/94, cuja cobrança ainda encontrase ativa, mesmo após a retificação operada.(...)’ DA EMPRESA CINELÂNDIA 19. Alega que é obrigação do INSS, em respeito a princípios constitucionais, constatar a inexistência de cobertura fiscal no solidário, sob pena de incorrer em bitributação. 20. Apesar da ausência do TEAF correspondente, a informação oferecida pela referida prestadora a seu tomador, levada a conhecimento do fisco, deveria ensejar a obrigação por parte do INSS de verificar seus cadastros, como foi feita no caso das prestadoras PROEVI, CLEAN MALL e LIMPIDUS. 21. O benefício de ordem não significa que o INSS não deve checar se, sobre a mão de obra vinculada à prestação de serviços, já existe cobertura fiscal. São dois momentos distintos: a viabilidade de se promover o lançamento em desfavor do tomador ou do prestador, e a impossibilidade de se promover o lançamento em uma destas pessoas sem verificar se a outra já recebera uma fiscalização correspondente ao período vinculado à ação fiscal respectiva. Deste modo o INSS deve verificar junto ao Posto Fiscal da prestadora CINELÂNDIA a existência de cobertura fiscal no período abrangido por esta NFLD, inclusive por ter quitado um parcelamento efetuado junto ao INSS. (...) Fl. 967DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 DA SOLIDARIEDADE – TEMPORÁRIOS 25. Em relação à prestadora CONEXÃO, é impossível admitirse que uma empresa com débitos constituídos em seu desfavor, vinculados ao mesmo período da NFLD, seja mantida no levantamento. Portanto, há que se excluir da totalidade do débito os valores correspondentes às faturas com recolhimentos específicos (apresenta relação às fls. 402/404), bem como por força da existência de diversos lançamentos já consumados sobre estes fatos geradores, com relação à empresa CONEXÃO (relaciona os DEBCADS). 26. Em relação à prestadora LTM, apresenta lista de parcelamento junto ao INSS e conclui que, no período anterior a 12/97, inclusive, a referida prestadora encontra se com cobertura fiscal, pouco importando a inexistência de GRPS especificas pela prestação de serviços. O que importa é que o prestador parcelou sua dívida, e nada indica que não venha pagando. A conclusão da DN de que seria necessário verificar o Livro Diário é descabida. Tem que haver absoluta convicção de que o prestador não está honrando este passivo para que algo seja cobrado do tomador.” 5. Por sua vez, o fisco defende a manutenção da decisão proferida, posto que não há causa para sua reforma. 6. Os autos foram encaminhados para a apreciação da 4ª CAJ. Nessa ocasião, o julgamento foi convertido em diligência para que “a altarquia informe se as mesmas foram efetivamente fiscalizafas e, em caso positivo, o início e o término das ações fiscais, em consequência de argumentos de duplicidade de cobrança” (fl. 783). 7. Procedidas as diligências, em 25 de setembro de 2002, a 4ª CAJ, ao proceder à nova análise do processo, novamente retornou os autos para diligência, às fls. 800 a 803, nos seguintes termos: “1) Por proposta do representante do governo, que o INSS confirme no sistema informatizado os recolhimentos de fls. 217/251; e 2) Por proposta da Presidente, do representante das empresas e do representante dos trabalhadores, diligência para a verificação de débitos ioncluídos em notificações, nas empresas contratadas, ficalizafas antecedentemente, relacionados com os fatos geradores da presente NFLD, na forma do disposto nos artigos 246 e seguintes da IN/INSS 70, com atibnência à cobrança em duplicidade.” 8. Em complemento à dilegência fiscal anterior foi realizada nova averiguação sobre a discriminação de todas as notas fiscais envolvidas no lançamento, a fim de que fosse verificado e informado, de forma conclusiva, se os valores relativos às contribuições previdenciárias decorrentes de responsabilidade solidária já foram recolhidos ou confessados pelas empresas prestadoras. (fls. 810 a 812) 9. Devidamente cientificada da conclusão das diligências, e aberto prazo para manifestação da empresa, a mesma restou inerte. É o relatório. Fl. 968DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 4 7 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Considerando que os pressupostos de admissibilidade já foram analisados e o recurso conhecido, nos termos do decidido em assentada anterior (fl. 783), passo ao exame das questões recursais trazidas pelo contribuinte. DA DECADÊNCIA 2. Inicialmente, é importante que seja feita a análise da decadência, tendo em vista que alguns créditos tributários constituídos pelo lançamento fiscal, já se encontram decaídos segundo o prazo quinquenal previsto nos termos do Código Tributário Nacional. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 969DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. (...)” 6. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, depreendese das notificações expedidas contra a recorrente que o fisco constatou a inexistência de recolhimento diante da avaliação das remunerações de empregados incluídas nas notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mãodeobra, serviços de limpeza, vigilância e trabalho temporário. Sendo assim, entendo que deva ser aplicada a regra do artigo 150, §4º, do CTN. Fl. 970DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 5 9 9. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 02/06/1999, referente às contribuições do período de 01/01/1994 a 31/12/1997, fica alcançado pela decadência quinquenal as competências 01/1994 a 05/1994, restando mantidas as competências 06/1994 a 12/1997. 10. Em razão do exposto, retiro do lançamento fiscal as competências 01/1994 a 05/1994. E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES RELATIVOS A AÇÕES TRABALHISTAS 11. Conforme consta do relatório fiscal, o débito foi lançado em razão de contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes as seguintes rubricas: processos trabalhistas (período de crédito – 02/97 a 03/99); cessão de mão de obra (período de crédito – 01/94 a 12/97); e salários in natura (período do débito – 10/98 a 04/99). 12. Ocorre que, o lançamento referente a valores obtidos por intermédio de ação reclamatória trabalhista, não executada na Vara do Trabalho, deve ser analisado por este colegiado de ofício, uma vez que se trata de controle de legalidade do lançamento fiscal por este órgão julgador. 13. Além disso, a matéria diz respeito à própria constituição do crédito tributário, o que denota uma maior preocupação com os elementos que assegurem a validade do lançamento fiscal visando a futura cobrança, evitandose assim posteriores questionamentos judiciais por parte do contribuinte. 14. Importante ressaltar também, que o processo administrativo tributário deve caminhar em direção à realização do interesse maior, qual seja o da ordem jurídica. Nesse diapasão é que a ilegalidade a qual se procura coibir, por intermédio do exame de ofício, inibe a possibilidade de o fisco realizar o lançamento do crédito tributário, posto que antes de infringir um direito individual, fere a ordem social. 15. Assim, vale destacar, como ponto primordial, que um dos principais objetivos do julgamento no âmbito administrativo é a restauração e garantia da ordem jurídica para os administrados, fazendo prevalecer a legalidade na atividade de exigência fiscal. 16. Recusar tal assertiva é, acima de tudo, negar os efeitos de lei vigente que disciplina a matéria a ser apreciada adiante, pelo que estaria, o Tribunal Administrativo, indevidamente substituindo a figura do próprio legislador, que aprovou norma dando tratamento diferente ao procedimento adotado pelo fisco para a realização de lançamento de tributo de forma imprópria. 17. Isso porque, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, ou seja, a competência para constituir o crédito tributário por meio do lançamento fiscal deve observar a legislação tributária vigente em respeito ao principio da legalidade estrita. 18. Por ser condizente a essa linha de raciocínio, peço licença aos nobres companheiros para transcrever a ementa de julgado deste Conselho, em que se ressalta, inclusive, o controle interno dos atos praticados pela administração tributária: Fl. 971DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO NEGATIVA DE EFEITOS DE LEI VIGENTE COMPETÊNCIA PARA EXAME Estando o julgamento administrativo estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade, não poderia negar os efeitos de lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário.” (Acórdão 10513969; Relator: Conselheiro Álvaro Barros Barbosa Lima; Julgado em 06/11/2002) 19. Nesse momento, cumpre ressaltar que, conforme informações contidas no relatório da notificação fiscal de lançamento de débito, tenho como certo que os valores lançados originaramse de processos, conforme restou comprovado à fl. 75, quando da citação da rubrica como “Processos Trabalhistas”. 20. Com efeito, nos termos do previsto na Emenda Constitucional n.º20/1998 houve uma cisão de competência jurisdicional em relação às contribuições sociais. Como regra, a competência para dizer o direito em relação aos tributos federais é da Justiça Federal, conforme art. 109 da Constituição Federal, entretanto, em relação cobrança das contribuições sociais previstas no art. 195, I, “a”, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir, a competência passou a ser exclusivamente da Justiça do Trabalho. 21. Nesta linha, o teor do art. 114, §3º, contido na Emenda Constitucional n.º20/1998: "Art. 114 Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (..) § 3º Compete ainda à Justiça do Trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no art. 195, I, "a", e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir.” 22. Porém, mesmo antes da elevação do tema a nível constitucional, a Lei nº 8.212/91 (com a alteração da Lei nº 8.620, de 5/1/93) em seu artigo 43 estabeleceu que, nas ações trabalhistas, o juiz determinaria de imediato o recolhimento das importâncias devidas à seguridade social. Eis os termos do dispositivo citado: “Art. 43. Nas ações trabalhistas de que resultar o pagamento de direitos sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, o juiz, sob pena de responsabilidade, determinará o imediato recolhimento das importâncias devidas à Seguridade Social. (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) Parágrafo único. Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais relativas à contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor do acordo homologado.” 23. De forma que, a rediscussão da contribuição previdenciária advinda do bojo de ações que tramitam ou tramitaram naquela justiça especializada não poderá mais ser Fl. 972DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 6 11 feita no âmbito do procedimento fiscalizatório. Esse foi o entendimento firmado no julgamento do Recurso n.º 241.346, da Relatoria do Conselheiro Marco André Ramos Viera: “Considerando que a Justiça do Trabalho possui competência constitucional para execução de ofício das sentenças que proferir (art. 114 da Constituição Federal); da mesma forma que a decisão que reconhecer a não incidência de contribuições não poderá ser rediscutida pela Previdência Social, a decisão que reconhecer a incidência também não poderá ser rediscutida fora do Poder Judiciário. Por uma questão lógica, quem é competente para executar é também competente para declarar tal direito.” 24. Também foi esse o meu entendimento ao apreciar o Recurso n.º 241.206, de minha relatoria, que restou ementado nos seguintes termos: “COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS. PRO LABORE. VALORES OBTIDOS EM DECISÃO DA JUSTIÇA TRABALHISTA. LANÇAMENTO INDEVIDO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Não se exige a habilitação profissional de contador para que o auditor fiscal possa verificar a escrita fiscal da pessoa jurídica e proceder ao lançamento de eventuais créditos tributários. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. Compete exclusivamente à Justiça do Trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no art. 195, I, "a", e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC.” 25. Nesta linha de raciocínio é que a Jurisprudência emanada deste Colegiado, observando inclusive o princípio da isonomia, tem sido no sentido de negar o direito, tanto ao contribuinte de obter a restituição de valores cobrados indevidamente na Justiça Trabalhista, quanto ao próprio fisco de poder cobrar tais valores no âmbito administrativo. 26. A propósito, cito os seguintes acórdãos: “RESTITUIÇÃO. PARCELA A CARGO DO SEGURADO. RECLAMATÓRIA TRABALHSITA. SETENÇA TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. Fl. 973DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 12 A sentença transitada em julgado na Justiça do Trabalho faz coisa julgada material, conforme previsto no art. 269 do Código de Processo Civil. Eventual rediscussão das contribuições previdenciárias descontadas do segurado somente é possível mediante ação rescisória, restando afastada a via administrativa.” (Recurso n.º 144.672; Relator: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes) “A EC nº 20/98, a partir da sua vigência, transferiu para a Justiça do Trabalho promover de ofício a execução das contribuições sociais. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.” (Acórdão 182/2006; Relatora: Conselheira Maria das Graças Ferreira Silva) “RESTITUIÇÃO. PARCELA A CARGO DO SEGURADO. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. ACORDO HOMOLOGADO. COISA JULGADA MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Os acordos homologados pela Justiça do Trabalho fazem coisa julgada material, conforme previsto no art. 269, inciso III do CPC. Uma vez transitando em julgado, a rediscussão da matéria somente é possível mediante ação rescisória.” (Recurso n.º 141.348; Relator: Conselheiro Marco André Ramos Vieira) 27. Destacase, ainda, a decisão proferida em sede de recurso de revista pelo Tribunal Superior do Trabalho: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO ALCANCE DO ART. 114, VIII, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 45/2005 SÚMULA Nº 368 DESTA CORTE. A nova redação conferida ao art. 114 da Constituição Federal, pela Emenda Constitucional nº 45/2005, no seu inciso VIII, conservou a competência da Justiça do Trabalho, anteriormente prevista no § 3º, no que tange às contribuições sociais, para efeito de sua execução no Judiciário Trabalhista. Já a norma ordinária que veio explicitar o alcance do seu comando, não só define o fato gerador do tributo, ou seja, sentença condenatória ou acordo homologado, ou, ainda, sentença declaratória do vínculo de emprego, como também ressalta que as contribuições serão exigidas tanto do empregado quanto do empregador. Mais do que isso, por não desconhecer a realidade jurídicoprocessual que ocorre no diaadia da Justiça do Trabalho, esclarece que a sua competência abrange, inclusive, a cobrança das contribuições sobre o valor total da condenação ou do acordo homologado, mesmo quando na decisão não é reconhecido o vínculo de emprego, mas declarada a existência de prestação de serviços. Recurso de revista provido.” (Recurso nº ROPS1898/200301606.00; Magistrado Responsável Juiz Convocado José Antônio Pancotti; Sentença RR1898/2003016 0600.7; Autor: Instituto Nacional do Seguro Social – INSS; Demandado: Ádina Nila Varela Valença / New Stetic Dental Ltda) Fl. 974DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 7 13 28. Desta forma, tendo sido o crédito lançado com base em ações trabalhistas, movidas dentro dos períodos de 02/1997 a 03/1999, portanto posteriores à vigência das normas acima delineadas (art. 43, da Lei 8.212/91), no meu sentir, ocorre a impossibilidade de o auditor fiscal lançar as contribuições previdenciárias sobre as reclamatórias trabalhistas; devendo, caso queira, recorrer à justiça do trabalho para a apreciação da matéria. 29. Sendo assim, voto pela exclusão do lançamento, no que se refere ao crédito que tomou por base as reclamatórias judiciais, referente às competências de 02/1997 a 03/1999. DA SOLIDARIEDADE DO TOMADOR DE SERVIÇO 30. No que se refere à solidariedade do tomador de serviço, muito embora o contribuinte procure demonstrar que “é ilegal disciplinar matéria relativa a sujeito passivo por meio de lei ordinária, pois a matéria atem campo de abrangência.através de lei complementar. A Lei 8.212/91 e suas alterações, todas de caráter ordinário, bem como os decretos nos quais alicerçou –se a fiscalização, não podem autorizar o fisco previdenciário a caracterizar o tomador de serviços como sujeito passivo”, tal alegação não merece prosperar. 31. Isso porque, o inciso II, do parágrafo único, do artigo 121, do Código Tributário Nacional – CTN, traz como responsável o sujeito passivo da obrigação principal, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa em lei, e não em lei complementar, como segue: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” 32. Dessa forma, ao contrário do alegado pela empresa, a base legal utilizada pela autoridade fiscal para fundamentar o seu lançamento encontra respaldo na legislação tributária. 33. Posto isso, tornase importante mencionar que o instituto da responsabilidade solidária das contribuições previdenciárias por cessão de mão de obra encontrava fundamento legal na referida lei, tomando por base a redação vigente à época dos fatos, qual seja: “Redação com vigência no período de 25/07/91 a 27/06/97: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. Redação com vigência no período de 28/06/97 a 22/10/98: Fl. 975DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 14 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97)” (g.n.) 34. E, conforme o parágrafo único, do artigo 124, do CTN, a responsabilidade solidária não comporta o benefício de ordem: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” 35. Sendo assim, não há óbice no ato de o fisco ter lançado crédito contra o recorrente no que se aos serviços prestados por terceiros mediante cessão de mão de obra. 36. Diante do exposto, mantenho intacto o lançamento para as competências de 12/94 a 12/97, uma vez que para os períodos 04/94, 06/94, 08/94 a 11/94 já houve a exclusão do lançamento em decisão de primeira instância. (346 a 380) DO FORNECIMENTO DE HABITAÇÃO AOS DIRETORES 37. O contribuinte afirma que “... a moradia fornecida pela empresa a seus diretores, e relacionadas como utilidade como utilidade pela fiscalização previdenciária, resulta como necessária ao desenvolvimento das atividades de direção da empresa, ora estabelecida em São Paulo. Os diretores possuem domicílio no Rio de Janeiro, conforme confirmase pelo cadastramento de coresponsáveis, residem nestas locações, que podem ter outros residentes desde que atendidas as necessidades empresariais, apenas em função do trabalho, ou seja, para o trabalho, e não como remuneração recebida pelo trabalho.” (fl. 395) 38. A cláusula 16ª do contrato de aluguel juntado pelo contribuinte às fls. 416 e seguintes estabelece que “o imóvel objeto do presente contrato destinase a moradia de um diretor da locatária e sua família, cujo nome será apresentado em carta timbrada da locatária ao locador, por ocasião do início do contrato de locação. Caso, no decorrer da locação, haja substituição do mesmo, a empresa locatária se compromete a submeter à aprovação do locador o nome do novo morador.”(g.n) 39. Posto isso, resta demonstrado que o imóvel encontrase locado com a única função de servir de ocupação a quem esteja no cargo de diretor da empresa, devido à necessidade de sua estadia no local em decorrência do exercício de sua função na empresa. 40. Dessa forma, no que se refere ao fornecimento de moradia, segundo o ensinamento de Sergio Pinto Martins, se esta for concedida para a prestação de serviços, estará descaracterizada a sua natureza salarial. (Direito do Trabalho, 24ª Edição – Editora Atlas, 2008, página 213). 41. Nesse sentido, de acordo com o artigo 458, da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, caso a disponibilização de habitação seja indispensável ao trabalho, porque senão a prestação de serviços se tornaria inviável, constituise em instrumento de trabalho e como tal deve ser gratuito não devendo ser considerado como salário. Fl. 976DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 8 15 42. Segundo reza o artigo 28, parágrafo 9º, da Lei 8.212/91, não integrará o saláriodecontribuição “os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho”. (g.n.) 43. Sobre a matéria, a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho TST pacifico seu entendimento no seguinte sentido: “RECURSO DE REVISTA DAS RECLAMADAS. NATUREZA JURÍDICA DA MORADIA (ALUGUEL), DO VEÍCULO E DAS PASSAGENS AÉREAS. Esta Corte Superior já pacificou o seu entendimento a respeito, mediante a Orientação Jurisprudencial n.º 131 da SBDI – 1, segundo a qual as vantagens previstas no art. 458 da CLT, quando demonstrada a sua indispensabilidade para o trabalho, não integram o salário do empregado. Recurso conhecido e provido.” (Acórdão 4ª Turma TST Rel. Min. Barros Levenhagem, RR – 75.195/2001.1, publicado no DJ de 17/10/2003). 44. Na mesma linha de raciocínio, o inciso I, da Súmula n.º 367, do TST, dispõe que o fornecimento ao empregado, pelo empregador, de habitação, energia elétrica e veículo, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não possuem natureza salarial, conforme transcrição abaixo: “Súmula nº 367 TST Res. 129/2005 DJ 20, 22 e 25.04.2005 Conversão das Orientações Jurisprudenciais n.º 24, 131 e 246 da SDI1. Utilidades "In Natura" Habitação Energia Elétrica Veículo Cigarro Integração ao Salário I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOJs nº 131 Inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e nº 246 Inserida em 20.06.2001)” 45. Com base nas razões apresentadas, podese concluir que não configura salárioutilidade a moradia cedida pelo empregador para melhor desempenho da função exercida pelo empregado, posto que é necessária a sua fixação no local da prestação de serviços. 46. Por todo o exposto, voto pela exclusão do lançamento, no que se refere ao fornecimento de habitação aos diretores, referente às competências de 10/1998 a 04/1999. CONCLUSÃO Fl. 977DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 16 47. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando intactas no lançamento as competência 12/94 a 12/97. É como voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 978DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 9 17 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Nosso voto diz respeito à parte relativa às contribuições previdenciárias relacionadas com ações trabalhistas e ao auxílio moradia. O eminente relator posicionouse no sentido de que compete exclusivamente à Justiça do Trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no art. 195, I, "a", e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. A argumentação do relator tem fundamento em texto constitucional vigente após a edição da emenda 20/98, ou seja, após 16 de dezembro de 1998, conforme podemos observar no item 11 do respectivo voto. Com efeito, desde aquela data a Constituição Federal já traz dispositivo que confere competência à Justiça do Trabalho para executar as contribuições previdenciárias decorrentes de ações trabalhistas. No entanto, no caso em análise, temos fatos geradores anteriores e posteriores a tal data, o que resulta na necessidade de darmos tratamento diferenciado a uma situação e a outra. Esse era o conteúdo que acertadamente já constava do art. 128 da Instrução Normativa 3/2005, in verbis: Art. 128. Serão adotados os seguintes procedimentos de fiscalização quanto às contribuições sociais incidentes sobre os fatos geradores reconhecidos por sentença proferida em reclamatória trabalhista:(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) I nas decisões cognitivas ou homologatórias cumpridas ou cuja execução se tenha iniciado até 15 de dezembro de 1998, data anterior ao início da vigência da Emenda Constitucional nº 20, o AFPS, durante a AuditoriaFiscal, ao constatar o não recolhimento das contribuições sociais devidas ou o recolhimento inferior ao devido, deverá apurar e lançar os créditos correspondentes; II nas decisões cognitivas ou homologatórias cumpridas ou cuja execução se tenha iniciado a partir de 16 de dezembro de 1998, é de competência da Justiça do Trabalho promover de ofício a execução da cobrança das contribuições sociais, devendo a fiscalização apurar e lançar exclusivamente o débito que porventura verificar em ação fiscal, relativo às: a) contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, conforme disposto no art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, exceto aquelas executadas pelo Juiz do Trabalho; b) contribuições incidentes sobre remunerações pagas durante o período trabalhado, com ou sem vínculo empregatício, quando, por qualquer motivo, não houver sido executada a cobrança pela Justiça do Trabalho. Fl. 979DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 18 Parágrafo único. O disposto no inciso II do caput não implica dispensa do cumprimento, pelo sujeito passivo, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Dessa forma, entendemos que a posição do eminente relator só pode ser considerada aplicável para fatos geradores posteriores a 16 de dezembro de 1998. Quanto aos fatos geradores ocorridos posteriormente a entrada em vigor da Emenda Constitucional 20/1998, em 16 de dezembro de 1998, genericamente concordamos com a posição do relator. Porém, a questão merece um melhor esclarecimento, pois não basta que a Justiça Trabalho tenha sido acionada e emitido qualquer provimento jurisdicional para que a competência de execução passe a ser daquele órgão do Poder Judiciário. Conforme previsto no art. 114, inciso VIII da Constituição Federal, a competência da Justiça do Trabalho diz respeito à execução das contribuições previdenciárias decorrentes das sentenças que proferir. Como se sabe, para que haja uma execução é necessária a existência de um título executivo, judicial ou extrajudicial. No caso das ações trabalhistas, devemos ter um título executivo judicial obtido em ação condenatória. No caso de mera ação declaratória de existência de vínculo trabalhista, não haverá qualquer título judicial a ser executado e, portanto, não haverá competência da Justiça do Trabalho para executar tais tributos. Essa posição está em sintonia com o Acórdão do STF no RESP 569.0563, de 11/09/2008, cuja ementa reproduzimos a seguir: “EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral reconhecida. Competência da Justiça do Trabalho. Alcance do art. 114, VIII, da Constituição Federal. 1. A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da Constituição Federal alcança apenas a execução das contribuições previdenciárias relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir. 2. Recurso extraordinário conhecido e desprovido.” Assim sendo, para os fatos geradores posteriores a 16 de dezembro de 1998, é preciso que seja esclarecido se nas ações trabalhistas do caso em análise houve sentença condenatória. Em caso positivo, alinhome com a posição do relator. Caso contrário, entendo que a Secretaria da Receita Federal manteve a competência para providenciar o lançamento dos respectivos tributos e promover sua cobrança administrativa e, posteriormente, se for o caso, judicial no órgão judiciário ordinariamente competente para tanto. Por oportuno, tudo o que dissemos até aqui não se aplica às contribuições de terceiros, em obediência ao dispositivo contido no art. 114 do texto constitucional. Para tais contribuições permanece a execução a cargo da Procuradoria da Fazenda Nacional que o fará no órgão próprio do Poder Judiciário. A mencionada execução ordinariamente toma como base título executivo extrajudicial obtido após a apuração da certeza e liquidez do crédito tributário Fl. 980DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 10 19 lançado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil como resultado de processo administrativo fiscal Nesse sentido a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho(TST) é pacífica na linha do Acórdão a seguir transcrito: Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A TERCEIROS. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 114 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A revista se viabiliza ao conhecimento, na medida em que os incisos I, a, e II do artigo 195, expressamente citado pelo § 3o do artigo 114 da Constituição Federal, limitam a competência para execução das quotas das contribuições previdenciárias devidas pelo empregador, não alcançando as contribuições de terceiros (SESI, SENAI, SESC e outras), criadas por legislação ordinária, que reserva ao INSS a competência para fiscalização e arrecadação, como mero intermediário. Agravo de Instrumento conhecido e provido. APLICABILIDADE DA TR. VIOLAÇÃO AOS INCISOS II, XXXV E LV DO ARTIGO 5O DA CF. Não restando caracterizada violação direta e literal aos dispositivos constitucionais invocados, a admissibilidade do recurso de revista em sede de execução trabalhista encontra óbice no disposto no § 2º do artigo 896 da CLT e no Enunciado 266 do TST. De qualquer forma, convém trazer à baila o entendimento assente desta Corte, acerca da matéria questionada, consubstanciado na Orientação Jurisprudencial nº 300 da SDI 1/TST Revista não conhecida. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. CONTRIBUIÇÕES A TERCEIROS. Havendo expressa remissão do § 3º do artigo 114 da CF, ao artigo 195, incisos I, letra a e II, do Texto Constitucional, a competência reconhecida a esta Justiça Especializada para execução das contribuições previdenciárias não alcança as contribuições de terceiros criadas por legislação ordinária, que reserva ao INSS o ônus para fiscalização e arrecadação, como mero intermediário. Revista conhecida e provida. Processo: RR 16104071.1996.5.08.0005 Data de Julgamento: 07/12/2004, Relator Juiz Convocado: Luiz Antonio Lazarim, 4ª Turma, Data de Publicação: DJ 11/02/2005. Em síntese, na parte do lançamento relativa aos reclamatórios trabalhistas nosso voto é no sentido de: (i) manter integralmente o crédito tributário lançado para fatos geradores anteriores a 16 de dezembro de 1998; (ii) para fatos geradores ocorridos a partir de 16 de dezembro de 1998, havendo ação condenatória, manter o crédito tributário somente em relação às contribuições de terceiros; ou para fatos geradores ocorridos a partir de 16 de dezembro de 1998, não havendo ação condenatória, manter integralmente o lançamento tanto em relação às contribuições de terceiros quanto em relação às contribuições previdenciárias. Fl. 981DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 20 Incidência da contribuição previdenciária sobre salárioutilidade configurado com o fornecimento de habitação. Necessidade de o fisco demonstrar que o benefício era dispensável para o trabalho ou para a prestação de serviço. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre o salárioutilidade configurado com o fornecimento de habitação analisando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 982DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 11 21 Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: • No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; • No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de Fl. 983DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 22 utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Logo, cabenos verificar se os pagamentos feitos pelo empregador a título de previdência complementar estão alcançados por algumas incidências do inciso I do art. 22. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange ao fornecimento de habitação e sua caracterização como salárioutilidade, o TST possui a Súmula 367 que esclarece em que situações a habitação fornecida podem ser considerada como salárioutilidade. In verbis: Súmula TST 367 Utilidades "in natura". Habitação. Energia elétrica. Veículo. Cigarro. Não integração ao salário. I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. O conteúdo da Súmula 367, portanto, o qual adotamos integralmente para o caso, exige que o fornecimento de habitação seja dispensável para a realização do trabalho. Tal Fl. 984DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 12 23 circunstância, salvo a caracterização de fato notório, precisa ser provada pelo fisco, pois é este que alega a desnecessidade. A autoridade fiscal precisa carrear aos autos um conjunto probatório que demonstre a desnecessidade do fornecimento de habitação para a realização do trabalho. Caracterizada a dispensabilidade, estará preenchido o requisito para a consideração do fornecimento de habitação como salárioutilidade e, portanto, como elemento que compõe a remuneração. É de ser notado que, estando dentro do conceito de remuneração, o salário utilidade está no campo de incidência tanto da contribuição da empresas sobre a remuneração dos empregados como da contribuição das empresas sobre a remuneração dos contribuintes individuais. No caso em análise, a dispensabilidade do fornecimento de habitação para diretores atuarem em uma grande cidade é fato notório que dispensa prova. Não haveria qualquer dificuldade de o Diretor adquirir ou locar um imóvel às suas próprias expensas. Dessa maneira, entendemos que, de acordo com o que explanamos acima, a inclusão dos valores dispendidos com habitação dos diretores na base de cálculo da contribuição previdenciária foi correta. Ainda que aqui tratássemos de diretores não empregados, teríamos o mesmo desfecho. A remuneração dos diretores contribuintes individuais(não empregados) tem previsão no inciso III do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade Fl. 985DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 24 de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme os dispositivos acima transcritos, a empresa está obrigada ao pagamento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais com base na remuneração destes. Ocorre que, não sendo estes empregados, sua relação com a empresa não está regida pela legislação trabalhista. Logo, o conceito de remuneração para os contribuintes individuais não está adstrito ao conteúdo da CLT por força do art. 110 do CTN, como no caso dos empregados. Por conta disso, fomos buscar outras disposições de nosso direito positivo que tratem, genericamente, de remuneração e encontramos o art. 74 da Lei 8.383/91, in verbis: Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. 1° A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. (...) A lei, portanto, no caso de administradores, gerentes e seus assessores inclui na remuneração todo e qualquer benefício ou vantagem concedido pela empresa, o que, certamente, inclui o pagamento de aluguéis. Em resumo, na parte do lançamento relativa aos reclamatórios trabalhistas nosso voto é no sentido de: (i) manter integralmente o crédito tributário lançado para fatos geradores anteriores a 16 de dezembro de 1998; (ii) para fatos geradores ocorridos a partir de Fl. 986DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 13 25 16 de dezembro de 1998, havendo ação condenatória, manter o crédito tributário somente em relação às contribuições de terceiros; ou para fatos geradores ocorridos a partir de 16 de dezembro de 1998, não havendo ação condenatória, manter integralmente o lançamento tanto em relação às contribuições de terceiros quanto em relação às contribuições previdenciárias. Na parte referente ao aluguel dos diretores, votamos pelo manutenção do lançamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 987DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000207/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Verificada a existência de contradição
no julgado 6 de se acolher os Embargos de Declaração apresentados pelo FAZENDA NACIONAL.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - APURAÇÃO DISCUSSÃO JUDICIAL. A tributação de rendimentos recebidos acumuladamente que tem como origem discussão judicial, deve ser feita observando-se as tabelas progressivas e aliquotas mensais vigentes na época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos, e não calculado de maneira global. É inválida a apuração feita com base em valores globais.
IRPF - ERRO NO CRITÉRIO MATERIAL - A precisa indicação da infração e o critério material da apuração são aspectos essenciais na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vicio substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento
Embargos acolhidos.
Acórdão reiratificado
Numero da decisão: 2202-000.834
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios para, rerratificando o Acórdão n.° 2202-00.434, de 10/03/2010, sanando a contradição apontada, manter a decisão original.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - APURAÇÃO DISCUSSÃO JUDICIAL. A tributação de rendimentos recebidos acumuladamente que tem como origem discussão judicial, deve ser feita observando-se as tabelas progressivas e aliquotas mensais vigentes na época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos, e não calculado de maneira global. É inválida a apuração feita com base em valores globais. IRPF - ERRO NO CRITÉRIO MATERIAL - A precisa indicação da infração e o critério material da apuração são aspectos essenciais na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vicio substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento Embargos acolhidos. Acórdão reiratificado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios para, rerratificando o Acórdão n.° 2202-00.434, de 10/03/2010, sanando a contradição apontada, manter a decisão (Assinado digitalmente) Nelson MalImam — Presidente '.do diqMIflinlo orn 03/11;2010 por NELSON MALLMANN. 03111,12010 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Atilcniivado diclitalmonto on 03!11/2010 por ANTONIO LOPO MARTINE:7 EmiUclo r2m 30/1112010 polo Ministélio do Fa:nrido DV CA RI" M H. 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez — Relator a3DE -L Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calamina Astorga, João Carlos Cassuli Júnior (Suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente), Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Gustavo Lian Haddad, Relatório Trata-se de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda, sob alegação de existência de contradição , uma vez que 'verifica-se que na parte dispositiva do acórdão, figura informação diversa dos fundamentos do voto, no julgado materializado no Acórdão n. 2202- 00.434 de lavra deste Conselheiro na sessão de 10-de março de 2010. Nos termos do referido acórdão esta Camara, decidiu, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. No entanto no voto, o relator manifestava-se no sentido de negar provimento ao recurso, A Embargante alega a contradição no referido julgamento, 0 relator ao apreciar o embargo, propôs o acolhimento do embargo pelo fato da contradição ser evidente. A presidência da Camara, as fls. 110-verso, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Conselheiro para inclusão em pauta. o relatório. Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os presentes Embargos foram opostos objetivando a manifestação desta C. Camara quanto a contradição existente no acórdão embargado, A contradição é clara e os embargos devem ser acolhidos . Reapreciando as questões cabe transcrever o relatório, constante naquele acórdão embargado: "Em desfavor do contribuinte, JAYME FERREIRA MOREIRA,- . foi lavrado auto de infração referente ao ano-calendário de 2001, exercício de 2002, consubstanciado no Auto de Infração as As. 04, que apurou imposto suplementar de R$ 27760,34, multa de oiled° no valor de KS 20 820,25, e acréscimos moratórios calculados até a lavra fura. A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontram-se detalhados no demonstrativo fl 07, versando sobre a seguinte infração: Assinodo dioitalmente em 031111201C1 por NELSON MAIIMANN. 031112010 por ANTONIO LOPO MARTINEZ. Aulenticado diaitolmenté em 03/11/2010 per ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Emitido em 30/11 1 201U pelo Ministério do Fozenda DF CAR I N,1 1. 3 Processo n" 13706 000207/2007-63 S2-C2T2 Actirdiio n." 2202-00.834 Fl 2 Foram alterados as seguintes linhas de sua declaração Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas para R$ 152.111,45, Imposto de renda retido na fonte para R$ 4.872,09. Cientificado do Auto de Infração em 29/12/2006 (fls. 21e 22), o contribuinte protocolizou impugnação em 22/0112007 (fls. 01 e 02), alegando que o valor encontra-se retido no processo 1025/89 da 30" Vara do Trabalho, conforme mencionado pela juiza do Trabalho Dia Leticia Costa Abdalla no documento anexo à impugnação. Nesse aspecto, alega que, embora o valor tenha sido retido, foge ao seu alcance efetuar a liberação de valores que estão à disposição do juizo da 30" Vara do Trabalho, cabendo exclusivamente àquele magistrado decidir sobre o momento em que tais valores serão liberados à Receita Federal. Nesse aspecto, a Dra Leticia Costa Abdalla da 30" Vara do Trabalho estaria disposta a prestar qualquer esclarecimento Receita Federal, bastando que se oficie a ela. Em 15 de junho de 2007, os membros da 3" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, proferiram Acórdão que, por unanimidade de votas, considerou procedente o lançamento, fundamentado no fato de que somente o imposto de renda retido na fonte para o qual exista comprovação pode ser pleiteado em declaração Cientificado em 09/07/2007, o contribuinte, se mostrando irTesignado, apresentou, em 08/08/2007, o Recurso Voluntário, de ,fls. 45/64, reiterando as razões da sua impugnação, cis quais .16 foram devidamente explicitadas, reforçando as seguintes pontos; - Da coisa julgada e da apuração do imposto de renda pelo regime de competência; - Da suspensão da exigibilidade do crédito pelos depósito integral, anteriormente ao vencimento da obrigação, e o forçoso expurgo da multa de oficio e dos encargos moratórios. É o relatório," Nota-se que a questão no processo concentra-se na discussão de como deve ser a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista. Nesta matéria registre-se a existência do Parecer 287/2009 da PGFN que recomenda que nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente deve ser levada em consideração as tabelas e aliquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Diante disso, entendo que ocorreu uma falha no critério material de apuração do tributo no caso concreto. Uma vez que não 6 possível realizar um ajuste no lançamento para acomodar a falha no critério material de apuração do mesmo, não há como manter o auto de infração nessas condições. Assicado digitalinonte cm 03/11/2010 por NELSON MALLMANN. 0311112010 por ANTONIO LOPO MARTI1JEZ . Autonticodo dklit;:tImecto cm 03/11 1 2010 por ANTONIO L000 MARTINEZ 3 Emitido em MI I 1/2010 polo Minjopçirj do Fannda DI: CARP M F 1:1 4 A precisa indicação da infração e o critério material da apuração são aspectos essenciais na fixação da matéria tributável de modo que eventual erto nesse aspecto do lançamento se constitui vicio substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Estamos diante portanto de um erro material no lançamento Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados para reti ficar o voto do Acórdão n°, 2202. 00.434, de 10 de março de 2010 e, sanando a contradição suscitada, dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Assinedo cligitatmente em 03/11/2010 por NELSON MALLMANN 03 1 1112010 por ANTONIO LOP() MARTINE7 Autenticado digitalmente em 0301/2010 por ANTONIO LOP° MARTINEZ 4 Ernitir.to ern 30/11/2010 polo Ministério do Fazenda
score : 1.0
Numero do processo: 37299.001676/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2005
CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD - NULIDADE DO LANÇAMENTO - FALTA DE MOTIVAÇÃO - AFASTADO
A emissão de relatório fiscal complementar, com a descrição dos motivos que ensejaram a autuação, com a devida cientificação para apresentação de nova defesa afasta a falta de motivação.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO
DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.° 8 do STF.
TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°).
No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e restou configurada a antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4° do CTN, que é regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral.
SALÁRIO INDIRETO - BOLSA D ESTUDOS - SEGURO DE VIDA - NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTE - DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
A não extensão de bolsa de estudos e seguro de vida a todos os empregados exclui a isenção descrita no art. 28, §9° da Lei 8212/91.
SALÁRIO INDIRETO - PRO-LABORE - DIRETORES - NÃO COMPROVAÇÃO DA NATUREZA INDENIZATÓRIA.
A simples alegação de que pagamentos indiretos feitos a diretores são verbas indenizatórias, sem qualquer prova, não exclui os valores do conceito de salário de contribuição.
CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS - INCRA - SALÁRIO EDUCAÇÃO-
SESC - SENAC - SEBRAE - ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE - NÃO CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
TAXA SELIC - INCONSTITUCIONALIDADE - NÃO CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.144
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 09/2000. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até 11/1999. II) Por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento. III)-Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigi o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2005 CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD - NULIDADE DO LANÇAMENTO - FALTA DE MOTIVAÇÃO - AFASTADO A emissão de relatório fiscal complementar, com a descrição dos motivos que ensejaram a autuação, com a devida cientificação para apresentação de nova defesa afasta a falta de motivação. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.° 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e restou configurada a antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4° do CTN, que é regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral. SALÁRIO INDIRETO - BOLSA D ESTUDOS - SEGURO DE VIDA - NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTE - DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A não extensão de bolsa de estudos e seguro de vida a todos os empregados exclui a isenção descrita no art. 28, §9° da Lei 8212/91. SALÁRIO INDIRETO - PRO-LABORE - DIRETORES - NÃO COMPROVAÇÃO DA NATUREZA INDENIZATÓRIA. A simples alegação de que pagamentos indiretos feitos a diretores são verbas indenizatórias, sem qualquer prova, não exclui os valores do conceito de salário de contribuição. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS - INCRA - SALÁRIO EDUCAÇÃO- SESC - SENAC - SEBRAE - ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE - NÃO CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. TAXA SELIC - INCONSTITUCIONALIDADE - NÃO CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:59:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:59:30Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:59:32Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:59:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:332c40cd-93b0-4e22-849f-f1d40eac2745; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:59:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:59:32Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:59:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:59:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:59:30Z; created: 2010-07-13T13:59:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2010-07-13T13:59:30Z; pdf:charsPerPage: 1878; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:59:30Z | Conteúdo => S2-C4T1 Fl. 424 MINISTÉRIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 7 Processo n° 37299.001676/2007-15 Recurso n° 145.824 Voluntário Acórdão n° 2401-01.144 — 4' Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 24 de março de 2010 Matéria SALÁRIO INDIRETO Recorrente SCAPOL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE HIGIENE LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2005 CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO- NFLD - NULIDADE DO LANÇAMENTO - FALTA DE MOTIVAÇÃO - AFASTADO A emissão de relatório fiscal complementar, com a descrição dos motivos que ensejaram a autuação, com a devida cientificação para apresentação de nova defesa afasta a falta de motivação. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.° 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e restou configurada a antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN, que é regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral. SALÁRIO INDIRETO - BOLSA D ESTUDOS - SEGURO DE VIDA - NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTE - DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A não extensão de bolsa de estudos e seguro de vida a todos os empregados exclui a isenção descrita no art. 28, §9° da Lei 8212/91. SALÁRIO INDIRETO - PRO-LABORE - DIRETORES - NÃO COMPROVAÇÃO DA NATUREZA INDENIZATÓRIA ' A simples alegação de que pagamentos indiretos feitos a diretores são verbas indenizatórias, sem qualquer prova, não exclui os valores do conceito de salário de contribuição. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS - INCRA - SALÁRIO- EDUCAÇÃO-SESC - SENAC - SEBRAE - ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE - NÃO CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. TAXA SELIC - 1NCONSTITUCIONALIDADE - NÃO CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 09/2000. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até 11/1999. II) Por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento. III)--Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Designado para redigi o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. . , ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente e Redator Designado ELA "4 CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Ivacir Júlio de Souza (Convocado) e Rogério de Lellis Pinto (Convocado). 2 Processo n° 37299.001676/2007-15 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.144 Fl. 425 Relatório O presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, bem como a parcela a cargo dos segurados empregados não descontada em época própria, levantadas sobre os seguintes fatos geradores descritos no relatório fiscal, fls. 107 a 109: BOLSA DE ESTUDOS— PERÍODO 01/2002 A 12/2005. Bolsa de estudos para cursos de graduação e pós-graduação, tratando-se de vantagem pecuniária, o que representam um ganho para o trabalhador. Para tanto foram realizados dois levantamentos BE1 — até 12/98 e BE2 —Após 01/99. PAT — importâncias pagas à titulo de alimentação, sem inscrição no PAT, no período de 01/1996 a 12/1999. SEGURO DE VIDA — no período de 03/1999 a 05/2001, representando ganho para o trabalhador. DESPESAS DE MANUTENÇÃO DA DIRETORIA — consideradas pela fiscalização como pro-labore no período de 07/2000 a 1072001. Os valores foram apurados de forma indireta, por meio do saldo da conta contábil, considerando que mesmo intimada a empresa deixou de apresentar a relação nominal de bolsistas. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 10/10/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 13/10/2005. Foi emitido termo de revelia, face a não apresentação de recurso, tendo a empresa notificada sido cientificada em 12/12/2005. Ingressou a empresa com medida liminar para conhecimento da defesa apresentada em 24/10/2005, perante a Unidade da Previdência em Sorocaba, afastando dessa forma a revelia decretada pela Receita Previdenciária. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 165 a 186. O processo foi baixado em diligência para emissão de Relatório Fiscal Substitutivo tendo em vista a deficiência do relatório emitido, fl. 266. A empresa anexou comprovante do Ministério do Trabalho e Emprego demonstrando sua regularidade quanto a inscrição no PAT até 31/12/2003, ff 270 a 275. Foi emitido relatório fiscal complementar em que, a autoridade fiscal, esclarece os motivos pelos quais os valores foram considerados salário de contribuição, fls. 276 a278. A empresa informou que revogou os mandatos de seus advogados, passando a ser representada por seus sócios. Foi exarada a Decisão-Notificação - DN que confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 354 a 362, determinando a exclusão das parcelas de alimentação, face a comprovação da inscrição no PAT. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 375 a 395, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: Em primeiro lugar nula a autuação pela ausência de demonstração das irregularidades apontadas, tendo em vista que a fiscalização apenas menciona a falta de recolhimento por despesas de manutenção de diretoria, sem qualquer comprovação documental. Para que se possa imputar penalidade o mínimo que deve ser feito é a comprovação e descrição total dos fatos, demonstrando a efetiva realização da infração. Não é cabível nesse sentido, mera presunção do fisco. Os créditos anteriores a 10/2000, encontram-se decadentes. As importância pagas aos segurados à titulo de bolsa de estudos representam pagamentos com educação, excluídos legalmente da base de cálculo de contribuição de acordo com o art. 458, §2°, II, da CLT. No mesmo sentido aplica-se a exclusão do conceito de remuneração em relação aos pagamentos de seguro de vida, conforme, art. 458, §2°, V da CLT. Os valores pagos à título de alimentação encontra-se excluídos, face a comprovação pela empresa de que esta inscrita no PAT. Quanto as alegadas despesas de manutenção da diretoria, destaca que tais valores não possuem natureza salarial, mas sim caráter indenizatório. Com relação a contribuição para o salário educação a mesma não é devida, vez que a empresa realizou compensação autorizada em MS n° 97.090248-2. A contribuição para o INCRA deve ser cobrada apenas de empresas rurais. Indevidas também contribuições para o SESC e SENAC e SEBRAE face a natureza da empresa autuada. Ilegal também a aplicação da taxa SELIC. Requer seja recebido e provido o presente recurso nos termos acima expostos. A DRFB encaminhou o processo a este 2° CC, sem o oferecimento de contra- razões. É o relatório. 4 41 Processo n°37299.001676/2007-IS S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.144 Fl. 426 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 423. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO O primeiro ponto a ser apreciado em sede de preliminar diz respeito ao argumento de que parte dos créditos encontram-se alcançados pela decadência qüinqüenal. Nesse sentido, entendo que razão assiste em parte ao recorrente. Com relação a aplicação da decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela la Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTA. RIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3•0 DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO ST1 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNC14. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CIN. I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RI, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Divida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.° 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQ1V), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, afixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4 0, do CPC 6)1 Processo n° 37299.001676/2007-15 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.144 Fl. 427 (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, afixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II- da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao •lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o -pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTIV), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da _ previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do 7 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, sÇ 4°, e 173, do CT T, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CT1V), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CT1V. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4°, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, ia casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTIV, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, _ que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a • 8 Processo n°37299.001676/2007-15 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.144 Fl. 428 lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificaçãO de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocomincia dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. (GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3a Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 9 tiÀ II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeita passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4 0, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1 0 - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco - anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação_ (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos 'declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4°, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido_ Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos _pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4°. Em se tratando de pagamentos de salários indiretos, quais sejam: BOLSAS DE ESTUDO, SEGURO DE VIDA E DIFERENÇAS D E PRÓ-LABORE, io Processo n° 37299.001676/2007-15 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.144 Fl. 429 valores não reconhecidos pelo recorrente como salário indireto entendo que deva ser adotada a decadência qüinqüenal a luz do que dispõe o art. 173 do CTN, senão vejamos. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, para aplicação do art. 150, §4 0 do CTN, é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiar-se pelo seu "desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa" para sempre escusar-se ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES ETC), ou mesmo não reconhecimento como tributáveis de pagamentos feitos a diretores. Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente, porque caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poder-se-ia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laboral. Não há como engajar-se em tal raciocínio em relação às contribuições previdenciárias, visto que existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, dever-se-á considerar que houve antecipação para aplicação do § 4° do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. No caso, considerando que a lavratura da NFLD deu-se em 10/10/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 13/10/2005. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1996 a 03/2005, portanto, devem ser excluídos do lançamento os fatos geradores até a competência 11/1999. Outra preliminar que entendo deva ser apreciada diz respeito a NULIDADE DA NFLD, pela falta de descrição dos fatos geradores, gerando cerceamento do direito de defesa. O argumento do recorrente merecia guarida não fosse a emissão de relatório complementar, às fls. 276 a 278, onde realizou a autoridade fiscal, os esclarecimentos requeridos pela autoridade julgadora, face a impugnação apresentada. Note-se que o recorrente após dito relatório foi cientificado para apresentação de nova defesa, porém não o fez. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD — Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Sem contar, ainda, o relatório FLD — Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar não serão apreciados argumentos com relação ao PAT, tendo em vista que os mesmos já foram excluídos pela autoridade de ia instância quando da emissão da DN. Quanto a concessão de bolsa de estudos aos empregados não constituírem salário de contribuição razão não confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9° da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (,) 3r 9° Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) 12 /fp Processo rx° 37299.001676/2007-15 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.144 Fl. 430 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n°9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n°9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que, não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição, Em relação a essa verba destacou a autoridade fiscal o descumprimento da lei, tendo em vista que o beneficio não era estendido a todos os empregados e dirigentes, conforme fl. 276. Ressalte-se que a empresa não apresentou qualquer prova que rebatesse os argumentos da fiscalização, resumindo-se a descrever que o art. 458, §2° da CLT, exclui a educação do conceito de remuneração. Em assim sendo, considero devida a contribuição face o descumprimento do art. 28, §9° da Lei 8212/91. Entendo que o posicionamento do auditor ao considerar os valores como salário indireto encontra-se acertada. Compete a empresa ao realizar a concessão de beneficios, demonstrar o cumprimento da legislação para afastar a incidência de contribuição. No caso, ao não comprovar a extensão a todos os empregados, não cumpriu a empresa as exigências legais. Doutrinariamente, convém reproduzir a posição da ilustre professora Alice - Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não-salariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquiri-las. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparam-se a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violar-se os princípios da reserva legal e da isonomia. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de bolsa de estudo possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados 13 empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto, uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Raciocínio idêntico deve ser adotado em relação ao pagamento de seguro de vida aos empregados. Conforme descrito no RPS, art. 214, § 9 0, o benefício DE SEGURO DE VIDA EM GRUPO, pode ser excluído da base de cálculo de contribuições previdenciárias, desde que haja previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível a totalidade de empregados e dirigentes. Assim, como descrito para BOLSA DE ESTUDOS, descreveu a autoridade fiscal, fls. 267 que a empresa não estendia o beneficio de seguro de vida para todos os empregados, fato este não rebatido, resumindo-se a empresa a destacar, novamente que o art. 458, §2° da CLT exclui dita verba do conceito de remuneração. Novamente, em havendo descumprimento da lei não há como excluir os valores de seguro do conceito de remuneraçãti.. Ou seja, devemos considerar que para o empregado ter direito ao beneficio do seguro, teria que gastar seu próprio dinheiro, portanto, o beneficio concedido, agregou não apenas um beneficio ao segurado e seus dependentes, como também agregou de certa forma um ganho, já que deixou de representar um gasto para o trabalhador. Assim, como já dito, se a legislação previdenciária determinou requisitos, para valer-se da isenção a empresa está obrigada ao cumprimento de suas regras, sob pena de não se beneficiar, como ocorreu na concessão dos beneficios em questão. Senão vejamos o texto do Decreto n° 3.048/99, conforme arrolado no art. 214, § 9°, nestas palavras: Art. 214. Entende-se por salário-de-contribuição: sr 9' Não integram o salário-de-contribuição, exclusivamente: XXV - o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 90 e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Acrescentado pelo Decreto n° 3.265, de 29/11/99) Assim como nos demais beneficios concedidos, não demonstrou o recorrente o cumprimento da legislação previdência, para que o valor do seguro de vida, não constituísse base de cálculo de contribuições. No caso, os argumentos apontados são incapazes de • desconstituir o lançamento. Com relação as DESPESAS DE MANUTENÇÃO não há como ter outro entendimento que o demonstrado acima em relação as demais verbas pagas pela empresa. Ao contrário do que tentou demonstrar o recorrente, até mesmo para argüir nulidade do lançamento, a autoridade fiscal, descreveu a fl. 278, quais os lançamentos retirados do razão que constituíram pro-labore indireto, tendo o recorrente resumido-se a descrever tratar-se de verbas com natureza indenizatória, mas sem fazer qualquer prova a respeito. Params trabalhadores contribuintes individuais, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entende-se por salário-de-contribuição: 14 #-IP Processo n°37299.001676/2007-15 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.144 Fl. 431 III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5°,. Por fim, com relação aos argumentos de indevidas contribuições para terceiros, quais sejam: SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA, face a natureza jurídica da empresa, entendo que razão não assiste ao recorrente. As contribuições para terceiros estão prevista em lei, descritas no relatório FLD desta NFLD, não competindo a este órgão colegiado afastar a aplicação de lei ou decreto. Isto posto, no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frise-se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir noima cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n `) 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições para terceiros, bem como a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor publico não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posiciona-se este 2° Conselho de Contribuintes ao publicar a súmula n°. 2 aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: SÚMULA N. 2 fp) 15 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Quanto ao questionamento acerca do salário educação, conforme já descrito na Decisão Notificação, fl. 361, a apuração do crédito encontra-se lançada em NFLD apartada, restando cobrado nesta NFLD contribuições, sobre bases de cálculo diversas da folha de pagamento, pagamentos de salários indiretos não reconhecidos pelo recorrente, portanto não há o que se apreciar sobre tal fato. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e salário de contribuição e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão-Notificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para afastar a preliminar de nulidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal, as contribuições até a competência 11/1999, e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de março de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora 16 Processo n° 37299.001676/2007-15 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.144 Fl. 432 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Redator Designado É certo que, em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal editou o seguinte enunciado da súmula vinculante n° 8, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4° do art. 2° da Lei n° 11.417/2006, em 20 de junho de 2008: "Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/9, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a l a Tuiina do STJ pronunciou-se nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CIN, ART. 150, § 4).PRECEDENIES DA 1' SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTIV, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, _para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tornando conhecimento da atividade assim exercida 4) 17 pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o 55' 4° do art. 150 do CTAT. Precedentes da 1' Seção: ERESP I01.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.4731SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.7581SP, MM. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.9221SC, DJ 11.10.2007, a 1' Turma do STJ, mais uma vez, pronunciou-se nos temos da ementa colacionada: "EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRL4. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146,111, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CT/V, ART. 150, ,sç 49. PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. I. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp n° 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por - - homologação — que, segundo o art. 150 do C7'/V, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "opera-se pelo ato em que a referida \n,_Y 18 Processo n0 37299.001676/2007-15 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.144 Fl. 433 autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do CTNN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, trata-se de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, 1, do CT1V. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: "Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelá-lo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 40 deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, 1, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos." (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, ed., p. 1011) "Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendá rios, conforme § 40 do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada" (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404) • Manifesto-me no sentido de que as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados devam ser apreciadas comO um todo. 19 Segregando-se, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. No caso, tratam-se de contribuições incidentes sobre salário utilidade. E é nesse ponto que ouso divergir da ilustre Conselheira Relatora, que presumiu pela inexistência de antecipação de pagamento. Muito pelo contrário, o Relatório de Documentos Apresentados (RDA) apresenta recolhimentos referentes aos períodos em questão (11/1999 a 09/2000) (fls. 74 a 81). Destarte, há de se aplicar a regra do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, conta-se o - prazo decadencial a partir do fato gerador. Trata-se de regra especifica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral. Por todo o exposto, voto por reconhecer a decadência das contribuições apuradas e, conseqüentemente, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 09/2000. Sala das SesQs, em 24 de março de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE - Redator Designado 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA e,,S(04 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n": 37299.001676/2007-15 Recurso IV: 145.824 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(à) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.144. Brasilia/2 -8\de junho de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10880.024423/99-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
PDV. PROGRAMA EXCEPCIONAL E DIRIGIDO A DETERMINADA CLASSE DE EMPREGADOS. NECESSIDADE DE COMUNICAÇÃO AOS BENEFICIÁRIOS. GRATIFICAÇÃO PAGA POR MERA LIBERALIDADE, COMO POLÍTICA ORDINÁRIA DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE ALBERGAR TAL GRATIFICAÇÃO NO
CONCEITO DE PDV.
Programa de demissão instituído perenemente para adequação de quadro de pessoal de empresa, com pagamento de gratificação por mera liberalidade do empregador, não se compreende no conceito de PDV. Este deve ser instituído em caráter excepcional, transitório, objetivando adequar o quadro de pessoal
da empresa a situação conjuntural, devendo toda a classe de empregados que a ele pode aderir ser cientificada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-000.803
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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PROGRAMA EXCEPCIONAL E DIRIGIDO A DETERMINADA CLASSE DE EMPREGADOS. NECESSIDADE DE COMUNICAÇÃO AOS BENEFICIÁRIOS. GRATIFICAÇÃO PAGA POR MERA LIBERALIDADE, COMO POLÍTICA ORDINÁRIA DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE ALBERGAR TAL GRATIFICAÇÃO NO CONCEITO DE PDV. Programa de demissão instituído perenemente para adequação de quadro de pessoal de empresa, com pagamento de gratificação por mera liberalidade do empregador, não se compreende no conceito de PDV. Este deve ser instituído em caráter excepcional, transitório, objetivando adequar o quadro de pessoal da empresa a situação conjuntural, devendo toda a classe de empregados que a ele pode aderir ser cientificada. Recurso negado. Vistos, relatados7Ifseutidos o presentes autos. Acordam os Mémbros do Cole iado, por unanimidade de votos, em NEGAR /:// provimento ao recurso, nos termos do votop lator. EDITADO EM: 24/ GIOVÁLI CHRIST N4S MPOS Relatar e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Eivanice Canário da Silva, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Trata-se de pedido de restituição de imposto de renda da pessoa fisica, referente ao exercício 1995, que teria origem em indevida retenção de IRRF incidente sobre rendimento recebido em plano de demissão voluntária — PDV, instituído pela Philips do Brasil, ao qual o contribuinte teria aderido. Essa companhia foi intimada pela autoridade fiscal a comprovar a instituição do PDV no período em debate, quando, em 03/12/1994, enviou o oficio de fi. 15, com o seguinte teor: Informamos que a Verba paga ao Sr. Jose Pessel na Rescisão Contratual ocorrida em 02/05/1994, sob o titulo "GRATIFICAÇÃO ESPECIAL", trata-se de valor pago aos. funcionários demitidos por motivo de Reestruturação, Reorganização do Sistema de Trabalho, Racionalização e/ou Redução de Quadro, e é paga por mera liberalidade da empresa, conforme regras estabelecidas em Política de Desligamento em vigor Considerando a resposta acima, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo entendeu que não teria havido a instituição de um PDV, mas apenas o pagamento de gratificação salarial adicional por mera liberalidade do empregador, indeferindo o pleito do contribuinte. Inesignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, alegando, em apertada síntese, que na época dos fatos não havia a terminologia PDV para programas da espécie, que somente assim foram denominados a partir da IN SRF 165/98, porém a empresa utilizava o termo "pacote", que indiscutivelmente correspondia ao que hoje se entende por PDV, e, no caso vertente, a indenização estava associada ao tempo de empresa, sendo 0,25 salário por ano trabalhado, o que correspondeu a 5,75 salários, acrescidos do pagamento de seis meses de plano de saúde para toda a família do recorrente (cinco integrantes), o que configura cabalmente a instituição de um plano de demissão incentivada Trouxe jurisprudência em favor da não-incidência do IRPF no caso de PDV A 3" Turma de Julgamento da DRJ-SPO II (DF), por unanimidade de votos, indeferiu o pedido do contribuinte, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 17-30.487, de 11 de março de 2009, que restou assim ementado: PDV.RESTITUIÇÃO, Por falta de comprovação de que o contribuinte - tivesse aderido a um Programa de Demissão Voluntária-PD V, formalmente instituído pela ex-empregadora, rejeita-se a não-incidência pretendida, 2 Processo n" 10880 024423/99-88 S2-C1112 Acórdão n° 2102-00803 EL 50 Intimado da decisão acima em 29/05/2009 (fl. 37v), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 26/06/2009 (fl. 38), repisando as argumentações deduzidas na impugnação, É o relatório, Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. A controvérsia se resume a definir se a gratificação paga pela Philips do Brasil ao recorrente, quando de sua dispensa em 1994, pode se enquadrar na moldura de um plano de demissão voluntária. Mais urna vez aqui se traz a resposta da Philips do Brasil à indagação quanto à existência do referido evento (fl. 14), assim vazada (fl. 15): Informamos que a Verba paga ao Sr, Jose Pessel na Rescisão Contratual ocorrida em 02/05/1994, sob o titulo. • "GRATIFICAÇÃO ESPECIAL", trata-se de valor pago aos funcionários demitidos por motivo de Reestruturação, Reorganização do Sistema de Trabalho, Racionalização e/ou Redução de Quadro, e é paga por mera liberalidade da empresa, conforme regras estabelecidas em Politica de Desligamento em vigor. Corno regra, um Plano de Demissão Voluntária - PDV se insere em uma política de renovação ou diminuição do emprego, em caráter excepcional, publicamente divulgado para toda uma classe de empregados abrangidos, havendo, do lado do obreiro, como regra, a possibilidade de aderir, ou não, ao Plano. Observe que a divulgação do programa aos possíveis beneficiários, aliado à política de desligamento excepcional, são condições necessárias para a existência de um PDV. Trata-se de uma situação extraordinária, eventualmente passível de repetição no tempo, porém que não se insere em uma política ordinária de recursos humanos, Em um PDV, os empregados são instados a permutar a segurança e vantagens da relação ernpregatícia por uma vantagem financeira diferenciada e paga de uma única vez, levando o obreiro, comumente, a urna situação de desemprego formal. As condicionantes acima do PDV são necessárias para evitar que meros pagamentos de verbas salariais ao empregado demitido, feitos por mera liberalidade do empregador, não extensível, em determinada situação excepcional, a uma classe determinada de obreiros, possam ser encarados como um PDV. Ora, nessas situações, em que muitas vezes o empregado está simplesmente trocando de emprego, não se pode deferir a isenção do imposto de renda, 3 Ante o expos voto no s,éntid de NEGAR provimento ao recurso. Giova úi Christian Nu Diferentemente do asseverado pelo recorrente, apesar de o termo PDV ter se popularizado na segunda metade da década de 90, as empresas de grande porte no Brasil, notadamente as multinacionais, vinham implementando programas assemelhados a PDV desde o começo dos anos 80. Corno exemplo disso, esse CARF vem julgando programas de demissão voluntária de diversos empregadores, como a IBM do Brasil (como exemplo, vide o Acórdão n° 2102-00,420, sessão de 03 de dezembro de 2009), instituídos a partir de 1982, no qual as vantagens eram publicamente divulgadas para os empregados abrangidos, dentro de uma política de redução de pessoal, sendo que os empregados deveriam aderir formalmente ao programa. Mutatis mutandis, esse seria o comportamento esperado do empregador do recorrente, multinacional com longa tradição no mercado brasileiro. Com as considerações acima, não se vê na resposta da Philips do Brasil a instituição de um programa de demissão voluntária, a urna porque não se demonstrou a abertura excepcional do programa a determinada classe de empregados, dentro de uma política transitória de adequação de quadro de , a duas porque não há registro formal da adesão dos empregados; a três porque não informou vantagem a ser auferida pelos beneficiários. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10480.008087/2002-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1998
INCENTIVO FISCAL. PERC. REGULARIDADE FISCAL.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do
Decreto nº 70.235/72. (Súmula CARF n.º 37).
Não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais.
Numero da decisão: 1401-000.411
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Fernando Luis Gomes de Matos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1998 INCENTIVO FISCAL. PERC. REGULARIDADE FISCAL. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (Súmula CARF n.º 37). Não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 INCENTIVO FISCAL. PERC. REGULARIDADE FISCAL. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (Súmula CARF n.º 37). Não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 315): Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC (fls. 01), protocolizado em 27/06/2002, relativo ao IRPJ do exercício 1999, ano calendário 1998. Em 05/09/2007, com base no Termo de Informação Fiscal de fls. 289/291, a autoridade competente exarou o Despacho Decisório de fls. 292 indeferindo o pleito apresentado, sob o fundamento de que a interessada, contrariando dispositivo contido no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, não teria comprovado a quitação dos seus débitos fiscais. Inconformada com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 21/09/2007 (AR à fl. 295), a empresa incorporadora da requerente apresentou, tempestivamente, em 19/10/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 298/300, onde alega, em síntese, que não caberia a reavaliação dos requisitos necessários à concessão do pleito formulado, em vista destes já terem sido comprovados no momento em que foi dado entrada no PERC, e que, ainda assim, estaria anexando aos autos a documentação que atestaria a inexistência das pendências apontadas pela autoridade fiscal. Por fim, requer o provimento da manifestação e o deferimento do pleito apresentado. A 5ª Turma da DRJ Recife indeferiu a solicitação da contribuinte, por meio do Acórdão nº 1122.679, assim ementado (v. fls. 314): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 INCENTIVO FISCAL. PERC. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de beneficios ou incentivos fiscais. Solicitação Indeferida Intimada desse Acórdão em 15/09/2008 (fls. 323), a contribunte apresentou em 18/09/2008 o Recurso Voluntário de fls. 326327, alegando que estaria juntando aos autos “certidão de regularidade junto ao INSS, Receita Federal do Brasil/PGFN e FGTS, além de consulta atualizada do CADIN”. Foram anexados ao recurso os documentos de fls. 328341, com destaque para o Certificado de Regularidade Fiscal do FGTS, válido até 19/09/2008 (fls. 335), Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa – Tributos Federais e Dívida Ativa da União, válida Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.008087/200231 Acórdão n.º 140100.411 S1C4T1 Fl. 350 3 até 17/02/2009 (fls. 336) e Certidão Positiva com Efeitos de Nagativa – Contribuições Previdenciárias, válida até 28/01/2009 (fls. 337). É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Trata o presente processo do indeferimento do pleito de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, referente ao anocalendário de 1998 e que foi indeferido pela autoridade administrativa do domicílio fiscal da interessada com base no artigo 60 da Lei n° 9.069/1995, decisão esta ratificada pela autoridade julgadora de primeira instância. O indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, se deu em razão de alegadas irregularidades fiscais da contribuinte, com base no disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069/1995, verbis: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. A matéria em discussão foi objeto da Súmula CARF nº 37, que recebeu a seguinte redação (grifado): Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Sobre a obrigatoriedade de aplicação das Súmulas por parte dos integrantes deste CARF, convém transcrever o art. 72 do Regimento Interno desta Corte (grifado): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Analisandose os autos, verificase que o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, fls. 02, negou à contribuinte o direito a usufruir dos incentivos fiscais, em razão da suposta constatação das ocorrências 14 e 16, assim descritas: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 14 – Contribuinte com débitos de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art. 60); 16 – Contribuinte com pendência junto ao FGTS. O referido Extrato, no entanto, não especificou quais eram os débitos existentes em nome da contribuinte (tanto os relativos ao FGTS como os relativos a tributos e contribuições federais). O atual entendimento do CARF, consubstanciado em Súmula, estabelece que somente os débitos anteriores à apresentação da Declaração de Rendimentos são capazes de impedir a fruição dos benefícios fiscais. No caso concreto, tanto a autoridade tributária de jurisdição do domicílio fiscal da interessada quanto o colegiado julgador a quo adotaram outro entendimento. As duas instâncias anteriores (unidade de origem e DRJ Recife) examinaram a regularidade fiscal da pessoa jurídica na data em que cada uma delas estava analisando o presente processo. Tal procedimento, costumeiro no âmbito da Receita Federal do Brasil, acabava por dificultar grandemente a defesa do sujeito passivo, pois a cada momento poderiam surgir novos débitos, numa ciranda de impossível controle. Como se vê, procedeu bem o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao definir que o exame da regularidade fiscal deve se ater à data de apresentação da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo. No caso em apreço, não há no processo comprovação cabal de que a pessoa jurídica estava regular em 30/04/1999. Por outro lado, também não há prova em contrário. Ao longo do presente processo, a RFB sempre exigiu a apresentação da prova da regularidade fiscal no curso do processo e não na data da entrega da declaração. Assim, se o pedido houvesse sido indeferido com base em algum débito comprovadamente contemporâneo da declaração de rendas, caberia à defesa fazer prova em contrário no recurso voluntário. No entanto, não foi esse o caso dos presentes autos. Não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Voto, pois, por dar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.008087/200231 Acórdão n.º 140100.411 S1C4T1 Fl. 351 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006353/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS. RECIBO, COMPROVAÇÃO.
Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de
inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ do médico ou de outro profissional da area de saúde que prestou o serviço, são documentos hábeis, ate prova em contrário, para justificar a dedução a titulo de despesas médicas autorizada pela legislação .
Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes.
Numero da decisão: 2202-000.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.000,00,
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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DE CARE MI: Fl. I S2-C212 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.006353/2007-65 Recurso n° 500.218 Acórdão n° 2202-00.903 — r Camara / 2' Turma Ordinária Sessão de 30 de novembro de 2010 Matéria 1RPF - Despesas Médicas Recorrente ELISA SAE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO , COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ do médico ou de outro profissional da area de saúde que prestou o serviço, são documentos hábeis, ate prova em contrário, para justificar a dedução a titulo de despesas médicas autorizada pela legislação . Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.000,00, (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann — Presidente (Assinado digitalmente) 3 o DE7 7nio Maria Lúcia IvIoniz de Aragão Calamino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Dacia Moniz de Azagán Calornino Astorga, Joao Carlos Cassuli Junior, Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Jinior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. A digitz-Amante zin-100/1212010 por NELSON MALLMAN ■ I 0101 2/2010 por MARIA LUCIA MONIZ DE- ARAGAO CA 41:1,:giticarjo d;;:ilralmente .:;rri416 , 12.'2010 pot TvIARIA LUCIA ivIONIZ OE ARAGAO CA 1 Emitido rn 30/12/2010 pelo Mini.stfilio rio F;i:encia DE CARF MF l I. 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada fói lavrado o Auto de Infração de fl. 8, integrado pelos documentos de fls. 9 a 13, pelo qual se exige a importância de R$8.250,00, a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, ano-calendário 2002, acrescida de multa de oficio de 75% e juros de mora. Em consulta ao Demonstrativo das Infrações de fl. 9, verifica-se que o lançamento decorre de glosa parcial das despesas medicas Do valor declarado a titulo de despesas médicas (R$32.311,24), a fiscalização manteve apenas R$2311,24 correspondente As mensalidades da UNIMED. Demais despesas foram glosadas por falta de comprovação do efetivo pagamento. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 4, instruída com os documentos de fls. 5 a 39, cujo resumo se extrai da decisão recorrida (fl. 48 verso): Cientificada do lançamento, ern 08/05/2007 (AR fl 46), interpôs, em 05/06/2007, por intermédio de seu procurador (fl 05), a impugnação de fls. 01 a 04, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl 47), alegando haver atendido prontamente á intimação, apresentando diversos documentos, que levaram ao acatamento parcial da dedução e resultaram na exigéncia contestada. Aduz ser insubsistente a glosa parcial por falta de comprovação do pagamento, uma vez que apresentou recibos e declarações de profissionais da Clinica de Fraturas XV, bem assim, diagnósticos e declarações dos fisioterapeutas prestadores dos serviços, que comprovariam a doença. Entende que o efetivo pagamento foi devidamente comprovado por tais documentos Esclarece que, no ano-calendário de 2002, contava corn 88 anos de idade e estava impossibilitada de se locomover e, tanto mais, de movimentar conta bancária Alem disso, a glosa somente seria aceitável se a impugnante não tivesse origem de recursos para arcar com o montante despendido, o que não se evidencia no caso, pois Sus rendimentos de aluguéis ultrapassam, em muito, as despesas médicas declaradas . Argumenta que todos os requisitos para comprovação, previstos na legislação foram cumpridos nos recibos apresentados ao autuante e que seria absurdo desconsiderá-los por falta de vinculação com os respectivos pagamentos. Questiona se receitas e exames não dariam suporte probatório da veracidade das despesas. Acrescenta que entendimentos exarados da própria Receita Federal do Brasil (RIB) não se reportam à essa vinculação, tendo como suficientes, para sustentar a dedução das despesas médicas, os recibos com nome do pro fissional, número do registro no órgão de classe e CPF, requisitos esses, integralmente, cumpridos no presente procedimento, Pugna, assim, pelo cancelamento da autuação. Traz à colação síntese de entendimento judicial sobre a matéria. Do JULGAIVIENIO DE 1 2 INSTÂNCIA Assinado dinitalmente cm 00/12/2010 por NELSON MALLMANN, 0011212010 poi - MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA .Autenticado digitalmente em 0E02'2010 por MARIA LUCIA MONIZ OE ARAGAO CA 2 Ernitido ern 30/12 , 2010 pelo Minis téric de Fazenda DV CARF M F Fl. 3 Processo n 0 10980 006353/2007-65 S2-C2T2 Acórd3o n 2202-00.903 Fl 2 Apreciando a impugnação apresentada, a 4 3 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão e- 06-22.883 (fls. 48 e 49), de 30/06/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício 2003 DESPESAS MÉDICAS DEDUCW COMDROVAÇ,i0 INSUFICIENTE A deditção de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, está condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, ern 27/07/2009 (vide AR de fl. 52), a contribuinte apresentou, em 26/08/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 54 a 75, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 81), no qual, após breve relato dos fatos, reitera os termos de sua impugnação e aduz que: 1. 0 acórdão ora recorrido, de forma simplória e descabida, recusou aceitar os recibos médicos apresentados e as declarações médicas que comprovam, sem sombra de dúvidas, os procedimentos médicos utilizados pela Recorrente que foram legalmente deduzidos na declaração de ajuste do ano-calendário 2002, todos plausíveis e condizentes com os rendimentos declarados. Transcreve os dispositivos legais mencionados pela julgadora a quo e partes do voto condutor buscando demons trar que a comprovação do pagamento é exigida apenas na falta de apresentação da documentação exigida pelo texto legal. Reproduz, ainda, doutrina e precedentes administrativos e judiciais para corroborar seu entendimento. DA DISTR/BUICÃO Processo que compâs o Lote n0 05, sorteado e distribuído Para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 26/07/2010, veio numerado até A fl. 84 (última folha digitalizada). I No foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira Recebido apenas o arquivo digital. Assinado digitalmente em 0911212010 por NELSON MALLMANN, 0011212010 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAC CA Autenticado digitalmente em 08:12201 0 por MARIA LUCIA MCNIZ DE AR,-=';12A0 CA 3 Emitido cm 3011212010 pelo Minis16rio du Fazenda DF CAR; ME Fl. 4 Voto Conselheira Maria Lucia Moniz de At agão Ca!amino Astorga, Relatora. 0 recurso e tempestivo e atende As demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido Trata o presente Lançamento de glosa de despesas medicas, no valor total de R$30 000,00, por Nita de comprovação do efetivo pagamento A decisão recorrida manteve a glosa, por entender que, de acordo com a legislação de regência, a apresentação de recibo contendo o nome, endereço e numero do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço não é suficiente para comprovar as despesas médicas, devendo ser comprovado, quando houver dúvidas razoáveis, o efetivo pagamento. Acrescenta, ainda, que (fl. 49 verso): A impugnante afirma o pagamento das despesas em dinheiro pox falta de condições para movimentar conta bancária, em virtude de idade avançada. Saliente- se, contudo, que em face dos valores relevantes, não basta a mera apresentação de recibos, faz-se necessária a vinculação do pagamento das despesas a qualquer prova dos meios que disponibilizaram os numerários despendidos, por exemplo, saques em sua conta bancária (copias de cheques, extratos bancários corn saques bancários, ou qualquer outro meio de prova do efetivo pagamento) Inexistindo comprovação que possa dar suporte aos recibos, não ha como restabelecer as deduções pretendidas Inobstante a indicação médica para fisioterapia (fl. 23) e declarações dos profissionais (fls. 19 e 22), não se pode dispensar a comprovação exigida Observe- se que a contribuinte é beneficiária de plano de saúde, cuja cobertura, usualmente, abrange esse tipo de tratamento É certo que toda as deduções pleiteadas na declaração de rendimentos estão sujeitas a comprovação a juizo da autoridade lançadora (art '73 do Decreto n 3.000, de 26 de março de 1999 — RIR199). No caso das despesas médicas, a Lei n a 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim dispõe: Art. 8= A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferenga entre as somas' I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano- calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, If - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, cientistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaztdiálogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, Ir. I 2" 0 disposto na alínea a do inciso Assinado digitalmente 09 ,12/21310 per lqP.1.201,1 MALLMANN. 02r1212010 par MARIA LUCIA IMONIZ DE ARAGAO CA Aulenticado digitalmente em OR/1212010 por MARIA LUCIA MONIZ DE AP,AGAO CA 4 Emilia() em 20/12/2010 pele Ministério d Fazenda DE CART NIT FL 5 Processo n° 10980 006353/2007-65 82-C21-2 Accirddo n.° 2202-00,903 Fl. 3 I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados it cobertura de despesas corn hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na folio de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, [ De acordo corn o dispositivo legal acima transcrito, podem ser deduzidos da base de cálculo do ajuste anual os pagamentos efetuados pelo contribuinte a medicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiologos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, bem como os pagamentos efetuados aos planos de saúde, desde que relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Ainda de acordo com a lei, o contribuinte deve comprovar as despesas médicas incorridas mediante apresentação de documento que especifique o pagamento, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNN de quem prestou o serviço. Ate prova em contrário, atendidos os requisitos legais, os recibos fornecidos pelo profissional da area de saúde nos quais esteja consignado que o pagamento deu-se em razão de tratamento prestado ao contribuinte ou a seus dependentes são documentos hábeis para comprovar a prestação do serviço. A legislação não exige que o profissional discrimine o serviço prestado, até porque eles devem guardar sigilo em razão do exercício de sua profissão. Além disso, não lid na legislação nada que proiba o pagamento em dinheiro e, muito menos, que obrigue o contribuinte a apresentar outra prova que demonstre a transfer'encia efetiva de numerário (cópia de cheque, saque da conta corrente do contribuinte ou deposito feito na conta do beneficiário etc), além do próprio recibo fornecido pelo prestador do serviço Nesse sentido, cabe invocar o art. 320 do Novo Código Civil (Lei n2 10.406, de 10 de janeiro de 2002), ern que se admite o uso de instrumento particular, como os recibos ora analisados, corno forma de quitação: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular; designará o valor e a espécie da divida quitada, o nome do devedor, ou quern por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, cOnt a assinatura do credor, ou do seu representante Parágrafo único Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstancias resultar haver sido paga a divida. Assinado digitaimeme cirn 00112/2010 por NELSON MALLMANN 08/1212010 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO F,A AL:ton:load° dioilaimente em Otif 12i2010 por MARIA LUCIA t;;ONIZ DE ARAGAO CA Emirido cm 30/12/2010 polo Ministério da Fazendo DF CARF IMF El.. 6 Assim, não cabe A fiscalização fazer ilações quanto A forma de pagamento sem apresentar elementos de prova contundentes que conduzam a conclusão de que os serviços não foram efetivamente pagos. Por fim, não há nenhum óbice A utilização de recibos comuns pelos médicos dentistas ou outro profissional da saúde, desde que contenham as informações requeridas na legislação. Feitas essas digressões, passa-se a análise da documentação apresentada pelo contribuinte. Os recibos anexados As fls. 15 a 17, comprovam a prestação de serviços contribuinte pelo fisioterapeuta Mark Andxey Mazaro, no valor de R$15 000,00, pagos durante o ano-calendário fiscalizado, havendo a perfeita identificação do profissional, de acordo com os requisitos legais. Existe, ainda, declaração do profissional con firmando o pagamento dos serviços em dinheiro e que a contribuinte foi atendida em seu domicilio devido a sua dificuldade de locomoção (It 19). Quanto ao fato de a contribuinte ser beneficiária de plano de saúde, por si so, não é motivo para suspeitar dos recibos apresentados, pois, apesar das coberturas usualmente abrangerem esses tipos de tratamentos e sabido também que existem algumas restrições a prestação de serviços no domicilio do contribuinte. Caso duvidasse da idoneidade dos recibos apresentados pela contribuinte, caberia a fiscalização ter se aprofundado mais na ação fiscal, diligenciando junto ao profissional, consultando os órgãos representativos de classe para veri ficar a aptidão técnica e profissional para a execução dos serviços, investigando junto ao plano de saúde se os serviços prestados teriam sido reembolsados ou carreando outros elementos de prova que pudessem demonstrar, de forma incontestável, que tais documentos não correspondiam aos fatos neles contidos, o que não ocorreu. Quanto aos recibos anexados As fls, 20 e 21, referente à tratamento psicoterapico prestados à contribuinte pela psicóloga Karin Bianchini, por não conterem o endereço da referida profissional, não servem para comprovar despesas médicas para tins de dedução do da base de cálculo do imposto de renda Na declaração de fl. 22, a psicóloga confirma o pagamento ern dinheiro e a prestação do serviço no domicilio da paciente, contudo, não informa seu endereço Tula-se de requisito legal essencial, visto que a lei deixa claro que a dedução "limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CRP ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu", facultando, na falta dessa documentação, a apresentação de cheque nominativo comprovando o pagamento. Diante do exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer despesas medicas no valor de R$15.000,00. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragdo Calomino Astorga As;->inado digitolmento ern 00/12 1 2010 pcH NELSON MALLMA NH. OW 12/2010 per MARIA alCIA MONI7 DE ARAGAO CA Autc,t,nticado diditzimente em Oarl 212010 pm MARIA LUCIA MONIZ DE ARAOAO OA 6 Emitido em 30/12/2010 pclo Ministério (in Fozendr: Brasília/D', 30 zembr CISO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR residente dia Segunda Camara da .Stgu da Seção MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 23 CAMARA/2 3 SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10980.006353/2007-65 Recurso n°: 500.218 TERMO DE INTIMAÇÃO Ern cumprimento ao disposto no § .3° do art 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.903. Ciente, com a observação ( ) Apenas corn Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10283.901843/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.Período de apuração: 14/03/2003PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, quando este não demonstrar nos autos a existência do crédito apontado como compensável. O ônus da prova é do contribuinte.DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECADÊNCIA.Com o advento da IN 14/2000 os débitos federais passaram a ser confessados por meio da DCTF e não mais pela DIPJ. Conforme art. 168 o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário.Recurso Voluntário Negado.Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Numero da decisão: 3302-000.784
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.Período de apuração: 14/03/2003PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, quando este não demonstrar nos autos a existência do crédito apontado como compensável. O ônus da prova é do contribuinte.DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECADÊNCIA.Com o advento da IN 14/2000 os débitos federais passaram a ser confessados por meio da DCTF e não mais pela DIPJ. Conforme art. 168 o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário.Recurso Voluntário Negado.Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, quando este não demonstrar nos autos a existência do crédito apontado como compensável. O ônus da prova é do contribuinte. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECADÊNCIA. Com o advento da IN 14/2000 os débitos federais passaram a ser confessados por meio da DCTF e não mais pela DIPJ. Conforme art. 168 o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 05/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 63DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10283.901843/200904 Acórdão n.º 330200.784 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório do acórdão da 3ª Turma da DRJBELÉM/PA n° 0116.092, de 26 de Janeiro de 2010: Trata o presente processo sobre PER/DCOMP, (pedido de restituição e declaração de compensação) n° 02359.94934.180205.1.3 1043506 (fls. 01/05). 2. A Delegacia de origem proferiu o despacho decisório de fls. 06/08, no qual indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações pleiteadas, diante da inexistência de crédito. 3. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 11/12), da qual consta: a) A Manifestante é empresa devidamente estabelecida na Zona Franca de Manaus gozando dos incentivos e exercendo atividades no Pólo Industrial de Manaus desde 1985. b) Dentre as atividades que exerce, destacase a industrialização e comércio de componentes de metal, alumínio: e magnésio injetados sob pressão para motocicletas, motores, veículos, para indústria eletroeletrônica e para outros segmentos industriais, bem como de moldes, matrizes, dispositivos e equipamentos para ensaios. c) Dentro deste contexto, a Manifestante é indústria produtora de bens intermediários (partes e peças para motocicletas), fabricadas, em boa parte, mediante a utilização de matériaprima adquirida de outras unidades da federação, sobretudo do Estado de São Paulo. d) Após o processo produtivo, a Manifestante comercializa as partes e peças para motocicletas com as empresas produtoras de motocicletas, também estabelecidas na Zona. Franca de Manaus, ocasião em que a operação, por força de lei, apresenta alíquota zero; no que; diz respeito à contribuição ao Programa de Integração Social PIS/COFINS. e) Naturalmente, com a Alíquota zero conforme demonstrado na DIPJ 2004 Período base 2003 pags. 46, (em anexo, juntamente com as cópias dos DARFs de recolhimento e a PER/DCOMP e mais o recibo de entrega da DIPJ) a empresa não teve o referido tributo a pagar, logo o valor recolhido estar indevido. E assim podendo ser utilizado para a compensação, restando, à Manifestante, a opção de formular a PER/DCOMP de compensação do valor pago indevidamente que lhe é de direito. 4. Em seguida, o manifestante assim concluiu sua peça impugnatória: a) Diante de todo o exposto acima, podese concluir que, ao formular o pedido de compensação, a Manifestante agiu plenamente dentro da lei e em perfeita boa fé, já que efetuou o pagamento indevido. b) Dessa forma, a Manifestante requer o conhecimento da presente Manifestação de Inconformidade para o fim de que, julgada totalmente procedente, seja definitivamente deferido a compensação do referido valor pleiteado. c) A Manifestante colocase à inteira disposição para: a juntada de novos documentos e prestação de novos esclarecimentos, com o fim de se comprovar a existência do crédito pleiteado e a legitimidade das compensações efetuadas. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10283.901843/200904 Acórdão n.º 330200.784 S3C3T2 Fl. 3 3 5. Anexei a fl. 37. 6. É o relatório. Através do acórdão n° 0116.092, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, por unanimidade de votos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o direito creditório não reconhecido da ora recorrente por entender que: O Despacho Decisório acusou na fl. 06 que o contribuinte teria utilizado parte do crédito pleiteado no presente processo para compensar débito no valor original de R$570,78, mediante PER/DCOMP n° 34589.35930.151203.1.3.049340. 9. Sobre esse tema, o sujeito passivo nada contraditou, pelo que se considera tal matéria como não impugnada, nos termos do artigo 17 do Decreto n° 70.235/1972. 10. Desta forma, prosseguiu a análise do processo em relação ao objeto do litígio, ou seja, apenas quanto ao valor de R$2.122,70 (débito informado em DCTF). Nos termos da Instrução Normativa SRF n° 14, de 14/02/2000, apenas a declaração de rendimentos da pessoa física e a declaração do ITR é que continuaram como confissão de dívida, sendo que as pessoas jurídicas passaram a confessar os tributos devidos apenas na DCTF. No caso em tela, o sujeito passivo efetuou pagamento de R$41.981,49 da contribuição social em 14/03/2003, relativo a 02/2003. O contribuinte também informou como débito esse mesmo valor na correspondente DCTF. Posteriormente, o recorrente entendeu que o referido débito não existia, mas não apresentou DCTF retificadora. Ocorre que é pressuposto para a transmissão do PERD/COMP a exatidão desse débito tributário. A partir de janeiro de 1999 a DIPJ deixou de ser documento comprobatório do crédito compensado, e sim a DCTF. Ocorreu decadência, pois o pagamento da contribuição social se deu em 14/03/2003 e segundo o disposto no art. 168, inciso I, do CTN, o contribuinte possuía o prazo de cinco anos, ou seja, até 14/03/2008 para retificar a DCTF e sanear seu pleito restituitório. Portanto, como ainda não entregou DCTF retificadora, já se esgotou o prazo qüinqüenal para fins de restituição. No caso presente, verificase que ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, o interessado indicou, como origem do crédito a compensar, o pagamento indevido de contribuição social, no valor de R$41.981,49, relativo ao período acima apontado. Ocorre que na DCTF apresentada, o interessado informou, como débito daquele período, o valor de R$2.122,70. Como ainda existiu o PER/DCOMP n° 34589.35930.151203.1.3.049340, no qual o contribuinte compensou o débito no valor original de R$570,78, somente se poderia deferir direito creditório na quantia de R$39.288,01. Foi o que a DRF de origem fez em seu Despacho Decisório. Portanto, não há outro crédito disponível para o contribuinte. Ademais, o requerente explicou que o valor da contribuição social fora indevido, pois vendeu produtos com alíquota zero, todavia não juntou aos autos documentação que demonstrasse que tal afirmação é verdadeira, não restando comprovada a existência do crédito decorrente de recolhimento a maior, apontado como compensável. O contribuinte aduziu apenas a simples alegação genérica de inexistência de débito, não sendo esta suficiente para ilidir a presunção de legitimidade do débito tributário nascido com o pagamento ou com a DCTF. Faziase necessário, ainda, que o impugnante demonstrasse, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal não ocorreu e o pagamento respectivo foi, de fato, indevido. Isso porque o Fl. 65DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10283.901843/200904 Acórdão n.º 330200.784 S3C3T2 Fl. 4 4 contribuinte é o autor no processo de restituição/compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 43/45, com intuito de reformar o acórdão a quo, alegando que os créditos declarados decorrem de pagamento a maior de PIS, na medida em que pelo teor do artigo 5º A da lei n° 10.637/02, sobre as vendas na Zona Franca de Manaus onde a alíquota da referida contribuição é zero. Ademais, sustentou que a Receita Federal deveria em obediência ao Princípio da Verdade Material, ter se utilizado de outros expedientes para averiguar a validade dos créditos e não arbitrariamente não homologar o crédito pleiteado. Por fim, sustentou que a argumentação sobre a decadência também não merece prosperar, pois depois de pleiteada a declaração de compensação pelo contribuinte, resta inequívoca a intenção deste e a possibilidade latente de instauração do contencioso administrativo. É o Relatório. Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Tratase o presente feito sobre PER/DCOMP, (pedido de restituição e declaração de compensação) n° 02359.94934.180205.1.3 1043506 (fls. 01/05) relativo, especificadamente, a saldo credor apurado em 02/2003 diante do pagamento de PIS. Conforme cláusula 2ª do Contrato Social do requerente, anexado aos autos, este tem como objeto social: a) industrialização e comercialização de partes e peças de metal, alumínio magnésio injetados sob pressão para motocicletas, motores, veículos e para indústria eletroeletrônica e para outros segmentos industriais, bem como de moldes, matrizes, dispositivos e equipamentos para ensaios; b) revenda de moldes e matrizes, dispositivos e equipamentos especiais para usinagens e ensaios de peças de Metais, alumínio e magnésio injetadas, de procedência nacional ou importada; e c) exportação de produtos de sua fabricação. Desta forma, o objetivo social da requerente enquadrase no disposto no art. 5º da lei nº 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 5ºA Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas decorrentes da comercialização de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Neste sentido, temos que o requerente está sujeito a alíquota 0 (zero) para as contribuições de PIS/PASEP e COFINS, possuindo, portanto, direito à créditos pagos indevidamente sobre eles. Todavia, o recorrente pecou em não trazer aos autos documentação probatória suficiente para comprovar que o crédito pleiteado originouse de operações enquadradas no Fl. 66DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10283.901843/200904 Acórdão n.º 330200.784 S3C3T2 Fl. 5 5 dispositivo citado anteriormente. Documentos estes como, por exemplo: notas fiscais dos produtos comercializados, fichas de PIS da DIPJ de 2004, Dacon, dentre outros. Ademais, temos que com o advento da Instrução Normativa SRF n° 14, de 14/02/2000 a DIPJ deixou de configurar confissão de dívida, a qual passou a ser feita na DCTF, conforme o art. 1º: Art. 1. O art. 1. da Instrução Normativa SRF n° 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 1°. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União. No caso em tela, verificase que ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, o interessado indicou, como origem do crédito a compensar, o pagamento indevido de contribuição social, no valor de R$41.981,49, relativo ao período acima apontado. Entretanto na DCTF apresentada, o requerente informou, como débito daquele período, o valor de R$2.122,70. Diante da existência do PER/DCOMP n° 34589.35930.151203.1.3.049340, no qual o requerente compensou o débito no valor original de R$570,78, somente se poderia deferir direito creditório na quantia de R$39.288,01. Todavia, posteriormente, o requerente percebeu que este débito não existia e não retificou a DCTF. Temos, porém, que a exatidão desse débito tributário é pressuposto para a transmissão da PERD/COMP, pois esta configura a confissão de divida ativa. Além disso, conforme disposto no art. 168, inciso I, do CTN o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Este é o entendimento desta corte, conforme soluções de consultas a seguir transcritas: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 77 de 22 de Outubro de 2001 ASSUNTO:Obrigações Acessórias EMENTA: PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes. RETIFICAÇÃO DE DARF. Os erros cometidos pelo contribuinte no preenchimento de DARF poderão ser objeto de retificação, mediante o formulário de nominado REDARF. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DIRF. Informações prestadas erroneamente em DCTF e DIRF, em virtude de erros de preenchimento de DARF, deverão ser corrigidas por meio de retificação das respectivas declarações. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 229 de 15 de Setembro de 2010 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. RETIFICAÇÃO. DACON. DCTF. Erros quanto à apropriação de créditos da sistemática nãocumulativa de apuração da Cofins devem ser corrigidos pela entrega do Dacon e da DCTF retificadores, o que poderá ser feito enquanto não extinto o direito de o contribuinte pleitear a restituição. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10283.901843/200904 Acórdão n.º 330200.784 S3C3T2 Fl. 6 6 No caso em tela a extinção do débito tributário se deu na data do pagamento da contribuição social, ou seja, em 14/03/2003 e o contribuinte possuía até 14/03/2008 o direito de retificar a DCTF, não o fazendo configurouse a decadência. Neste sentido, embasado no Decreto 70.235/1972 e diante da ausência de outros meios de prova sobre existência deste crédito tributário e da não retificação da DCTF, voto no sentido de não reconhecer a existência do crédito pleiteado e não reconhecer a PER/DCOMP pleiteada. É como voto, (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 68DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 11176.000105/2007-58
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAs
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8/STF
Na hipótese concreta, o lançamento está declarado em GFIP. Assim, aplica-se
a regra prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN.
Encontra-se atingido pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos
geradores apurados pela fiscalização.
PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE DO LANÇAMENTO.
Há presunção de veracidade dos atos da administração pública que somente
se sucumbe quando se demonstra o equívoco do alegado.
SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Decorre do art 151, inciso III, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-00.446
Decisão: ACORDAM os membros da 3º Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do
relatorio e votos que integram o presente julgado, excluindo do lançamento as contribuições
apuradas até a competência 03/2002, inclusive, em razão da regra decadencial disposta no art.
150, § 4º, do CTN, mantendo as demais competências do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAs Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8/STF Na hipótese concreta, o lançamento está declarado em GFIP. Assim, aplica-se a regra prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Encontra-se atingido pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. Há presunção de veracidade dos atos da administração pública que somente se sucumbe quando se demonstra o equívoco do alegado. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Decorre do art 151, inciso III, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3º Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, excluindo do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2002, inclusive, em razão da regra decadencial disposta no art. 150, § 4º, do CTN, mantendo as demais competências do lançamento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:14:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:14:29Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:14:29Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:14:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:fcf96262-4fdf-4491-b59b-8788cc997cdf; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:14:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:14:29Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:14:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:14:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:14:29Z; created: 2011-03-10T13:14:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-03-10T13:14:29Z; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:14:29Z | Conteúdo => S2-TE0.3 1 1 09 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 11176,000105/2007-58 Recurso n" 257,.589 Voluntário Acórdão n" 2803-00.446 — 3" Turma Especial Sessão de 3 de dezembro de 2010 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS, GEIP, Recorrente AUTO POSTO HP LTDA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO FM CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAs Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. s/str, Na hipótese concreta, o lançamento está declarado cm GE P. Assim, aplica-se a regra prevista no art,. 150, parágrafo 4`' do CTN. Encontra-se atingido pela fluência do prazo decadencial lie dos fatos geradores apurados pela fiscalização. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE DO LANÇAMENTO, Há presunção de veracidacle dos atos da administração pública que somente se sucumbe quando se demonstra o equivoco do alegado SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Decorre do art 151, inciso III, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistas, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da ,3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente .julgado, excluindo do lançamento as contribuições apuradas até a competência 0,3/2002, inclusive, em razão da regra clecadencird disposta no art. 150, § 4', do CTN, mantendo as demais competências do lançamento. )a HELTON IA DE LIMA — Presidente e Relator Par iciparam da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra .Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Relatório Trata-se de noti .ficação de lançamento de debito NFLD, cujos valores foram declarado em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com finalidade de apurar e constituir o crédito relativo as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondem aos valores arrecadados pela empresa mediante desconto na remuneração de seus segurados empregados em folha de pagamento e não recolhidos a Seguridade Social, período: 01/1999 a 02/2007, conforme relatório fiscal, fls, 47 a 49, acompanhado de anexos. O contribuinte tomou ciência da notificação em 28/0.3/2007 (fis. 78), Inconformado, apresentou impugnação em 11/04/2007, fls. 81 a 83. A decisão de primeira instancia administrativa fiscal julgou procedente o lançamento, fis, 86 a 89 0 contribuinte tomou ciência da decisão em 27/09/2009 (lis. 9.2), apresentando recurso voluntario em 26/10/2007, tls. 93 a 96, alegando em síntese: houve cerceamento de defesa, pois o auditor fiscal procedeu a fiscalização no órgão fiscal sem a presença do contribuinte, Embora o contribuinte tenha entregado a documentação o auditor buscou informação nas juntas de conciliações trabalhista, 0 auditor não apresenta documentos nem cita os fatos geradores; - o Onus da prova cabe à fiscalização; - por fim, requer a anulação do lançamento, que seja apresentada a memória de calculo e os documentos que originaram o saldo do credito, suspendendo sua exigibilidade. Os autos foram encaminhados ao 2 " Conselho de Contribuintes para ,julgamento (li s. 108) É o relatório, Voto Conselheiro HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Relator O recurso é tempestivo, conforme fls.. 108, pressuposto de admissibilidade superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito.. Preliminarmente Quanto à questão relativa à fluência cio prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vineulante de o" 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n " 8.212 de 1991, nestas palavras: 2 Processo n" 11176.000105/2007-58 S2-T E03 Acórddon." 2803-00.446 I 110 Súmula Vinci( lante n" 8 -Sao inconstitucionens as paragroji, único do arngo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os ai ligas 45 e 46 flo Lei 8 212/91, que tratam de prescricao e deceldc'ncia de cic'dito tilbutátio". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de a 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegial° aplicá-la. Art 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, dc oficia ou por provocacao, mediante decisao de 1/ais locos dos seu.s inemblos, apás reiteradas decisaes sobre constnucional. aprovar slunula que, a parin sua publicacdo imprensa oficial, terá deli° vinc.ulante em rehicao aos denials (;15.4-áos Poder Judiciai io e á administrocao pUblica indireta. nos e.sferas federal, estodued e municipal, hem como proceder Ci suo reviscio ou cancelamento, na li.")rma estabelecido em lei Uma vez não sendo mais possivel a aplicação do art. 45 da Lei a " 8,212/1991, ha que serem observadas as regras previstas no Código Tributaria Nacional - CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançadas por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4" do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica ha que ser observado o disposto no art 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o credito tributário sera extinta em função do previsto no art.. 156, inciso V do CTN.. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não sera observado o disposto no art. 150, parágrafo clo sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso 1, independentemente de tel havido o pagamento antecipado. O Superior Tribunal de Justiça - em acórdão exarado em Recurso Especial - REsp 761908 / SC, 2005/0101012-8, Ti - PRIMEIRA TURMA, relator Ministro LUTZ FUX (1122), publicação Di 18/12/2006 p. 322, prevê a aplicação de regras de contagem de decadência distintas em um mesmo lançamento de contribuições previdenciarias, cujo excerto transcrevemos: "TRIBUTÁRIO CONTRIBUIC-i0 TREVIDENCIA RIA TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR 110111010GAC/TO SEGURIDADE SOCIAL PRAZO PARA C0N51ITUI(..-r0 DE SEUS CRÉDITOS DECADÊNCIA LEI 8212/9/ (AR1100 4.5) ARTIGOS 150, 4", E 173, I, DA CF/88 ACORDA -0 ASSENTADO EM FUNDAME CONSTITUCIONAL 11 In cam), Cl notificacao de lançamento, left; ado em 31 10 2001 e com ciente eni 0.5 11 2001, abrange duas situace3(!.s (1) diferenças decorrentes de crMitos previdenciárias recolhielos ti menor (abril e novembro/1991, inuiv) o julho/1992, novembro e dezembro/1992, setembi o a ilovembro/1993, jailer 1 . o/1994. março/1994 a .joneito/1998,- e fumy) e ninho/1998) c (2) dc'biu) decorrentes de integral hunting:dement() ele corm ibilice-ics ptevidenciárias incidente.s soh] e pagamernos efenunlos a aurdnomos (maio a not'embro/1996, - juneito o Ittlhe)/1997 3 setembro e dezembi (ill 997, e janeiro, março e (lezembro/1998) e das con/i ilmio3es destinadas ao SAT incidente sobre pagamentos de reclaim:103es trabalhistas (maio/1993,. abril/1994, e setembro a no venthl o/1995) 12 No primeiro easo, consider-undo-se a fluéncia do prazo tlecutlencial U partit ocorréncia do lato gerador, encontram- se fitIminados pela decadéncia os créditos anteriores a novemly 0/1996 1 $ No que pertine segunda .sintavio elencada, em que min houve entreoa de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informaceies à Previdência Social), nem confissão ou qualquer parzantento parcial, incide a regra do artigo 173, .4 do CTN, conmado-q! O prazo decadencial cjdiiujienal do primeiro dia do exeleicio seguinte aquele em que o lan011ieln0 podei ia ter sido elentado Desta sorte, encontram-se higidos os créditos decorientes de contribuiy3es previdenciórias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos e caducos os decorrentes das cowl ibuic5er para o SAT " Nosso REGRA DO ART. 150, § 4 DO CTN No caso em concreto, no período do lançamento: 01/1999 a 02/2007, os valores foram declarados em GFIP, conforme relatório fiscal, fls. 47 a 49, e houve recolhimento prévio, conforme RADA - Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (Hs, 23 a 27), assim, deve ser observada a regra disposta no art, 150, § 40 , do CTN, cuja extinção do crédito ocorre em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador . O contribuinte tomou ciência da notificação fiscal em 28/03/2007 (fls. 78), Destarte, em preliminar, decido excluir do lançamento as contribuições apuradas ate a competéricia 0.3/2002, inclusive, em razão da regra decadencial disposta no art. 150, § 4° , do CTN. No Mérito .Nao houve cerceamento de defesa , bem como, no procedem os argumentos de falta de clareza do lançamento fiscal, ou a inexistência de um histórico que informe os fatos e fundamentos jurídicos do lançamento . A fiscalização foi realizada no orgão fiscal com base na documentação que foi entregue pelo contribuinte, utilizando informações das juntas de conciliações trabalhista . Não h que se falar em nulidade do lançamento, pois o credito tributário encontra-se revestido das -formalidades legais cio art. 142 e § único, e arts, 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento — RL (lis 31 a 38), contendo a competência (mês e ano), o valor lançado; e, ainda, o Discriminativo Analítico de Debito — DAD (Us. 03/12), que informa os valores das contribuições previdencitirias devidas; as Instruções para o Contribuinte — IPC (fls. 02), os Fundamentos Legais do Debito FLD (fls. 28/30), a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal (fls. 47/49), demais informações constantes das -folhas 01 a 77. Ademais, nos autos da NFLD n " 37,087,498-6, consolidado em: 23/0.3/2007, .julgada em conexo coin este lançamento, constam documentos anexos contendo as 4 Processo n" 11176 000105/2007-58 524 E.03 Accirdilo n " 2803-00,446 El III contribuições descontadas dos empregados em folhas de pagamento ([is 48/49), folhas de pagamento (fls. 49/164), rescisões de contrato de trabalho (tis 16.5/175), A apuração de valores foram obtidos das folhas de pagamento e rescisões de contratos e da GRP, cujos documentos e informações foram expedidos pelo contribuinte . A auditoria fiscal apenas cruzou as informações prestadas peio contribuinte com os seus recolhimentos efètuados para a Previdência Social, resultando nas diferenças constantes deste lançamento„ O amparado legal esta previsto no artigo 33, da Lei 8 212 de 24/07/1991 (tis. 28). Os parágrafos 1 " a 3 " do art, 33 da Lei n " 8.212/91 estabelecem que prerrogativa do INSS e da Receita Federal o exame da contabilidade da empresa, ticando obrigada a empresa a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados, inclusive, a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciarias. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, podem, sem prejuízo da penalidade cabivel, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. A GRP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social está prevista no art, 32, inciso IV, da Lei n " 8.212/91 c/c art. 225 IV parágrafos 1" a 40 , do Decreto a " 3..049/99, que aprova o Regulamento da Previdência Social — RPS. O contribuinte não juntou aos autos prova de seus in gumentos que pudessem desconstituir o lançamento. Destarte, depreende-se que o lançamento encontra-se revestido das formalidades, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei a° 8.212/91, e demais dispositivos mencionados nos autos. HA presunção de veracidade dos atos da administração pública que somente se sucumbe quando se demonstra o equivoco do alegado. Transcrevo as palavras de Maria Sylvia Zanella di Pietro: "A presunçcio de vetacidade di: respell() um films, em decorrencia des.se attibuio, presuntem-Ne verdarleitoN os alegados pela Admististrayio Assim, ororTe coin telaçiio coin relaqiio cis cci tidóes, atestados, declurayie, iqIinnuki3e8 por ela fbrnecidos, todas dotados de IL; pUbIU:a ) a »Lottty -to de veracidade inverte o 6n1(s du pi ova" No mesmo sentido, os Tribunais brasileiros entendem que deve haver demonstração do equivoco alegado para se elidir a presunção de veracidade do lançamento: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUIARIO - LA/BARCOS DO DEVEDOR - CERCEAMENTO DE DEFESA PROL1 PERICIAL - DIVERGENCIA JURISPRUDENCIAL N,40 COMPROVADA - RIS!], ART 255 E PARA GRAFOS NÃO BASTA O SIMPLES REOUERIMENM DE PRO VA PERICIAL PARA ELIDIR PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DO AUTO-LANÇAMENTO, IMPONDO-SE A DEMONS! . RAC:-TO DO EQUIVOCO ALEGADO, NÃO MENCIONADAS AS CIRCUNS1A NCLÍS QUE . IDENTI FIO GEM OU :-.15SEM L HEM OS CAS - OS 5 CONFRONT4DOS, NEM JUNTADAS AOS AUTOS AS COPIAS AUTENTICADAS OU CERTIDÕES DOS ARESTOS TEM-SE COMO NÃO COMPROVADO DISSID10 INTERPRETATI1/0 - RECURS() NÃO CONHECIDO "(51.1, ReCiir50 Evvcial n° .16960/S P 'PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - REINCLUSÃO NO REF'S DE EMPRESA EYCLUIDA POR INADIMPLENCIA: CANCELAMENTO DO REGISTRO IVO CAM E EMISSÃO DE CPD-EN LIMINAR SATISFATIVA (LEI N, 8.437/92, ART 1', )1; 3 0) - PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE DOS ATOS .4DAIINISTR-1TIFOS — SEGUIMENTO NEGADO - AGRAT/0 INOMINADO NÃO PROVIDO. I -A liminai que assegura a manutenção no REFIS de empresa dele eychtida 1.701' inadimplCncia, manda cancelar o registro dela no CAD/N e eyedir-lhe CDP-EN é antecipacdo da presta cão jw isdicional fura, %em qualquer conotação de "cautela" e, por o, %atiqativa, obstaculizada pelo § 3° do art. 1° da Lei a. 8 437/92 2-No nosso sistema Jurídico, os atos administrativos gozam da esuncão, ainda que relativa, de legalidade e veracidade, que somente se ajusta &ante de robusta prova em contrario, days do particular 3-0 ieeta:10 deve Iiindar-se em raz,(.'3es que digam respeito com os landamentos da decisão recai; ida 4-Agravo inominado udo pu ova/or 5-Peças liberadas pelo Relator em 10/06/2003 para publicação do ac..61dão " (TRF da la Região, Agravo Inominado no Agravo de Inv; memo, Processo n° 200.3 01.00009417-2/GO) Decorre do art.. 151, inciso 111, do CTN, a suspensão da exigibilidade do Credito Tributário, impossibilitando o fisco de inscrever em divida ativa . Destarte, a exigibilidade do crédito permanecera suspensa enquanto não estiver definitivamente julgada na esfera administrativa No caso em concreto o contribuinte não trouxe aos autos comprovações suficientes que pudessem desconstituir o lançamento fiscal, CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO PARCIAL, excluindo do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2002, inclusive, em razão da regra decadencial disposta no art, 150, § , do CTN, mantendo as demais competências do lançamento.. É. como voto. Sala das Sessões, em 3 de dezembro de 2010 E LTON ] LOS C LIMA 6
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