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Numero do processo: 10840.000720/2001-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1998
IRPF. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. BENS OU DIREITOS ADQUIRIDOS EM PARTES. APLICABILIDADE DO DISPOSTO PELO ART. 11 DA IN 48/98, VIGENTE A ÉPOCA DOS FATOS.
Sendo certo que a contribuinte, in casu, era proprietária de 50% do valor do imóvel, anteriormente a dissolução do vinculo conjugal, quando passou a deter a sua integralidade, o custo de aquisição deve ser obtido mediante a soma de cada uma das partes adquiridas, de acordo com o disposto pelo art.11 da IN n.° 48/98.
MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
0 principio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplica-se aos tributos e não As penalidades.
Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26-A do Decreto
70.235/72 e da Súmula CARF n. 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
"A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" (Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.934
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. BENS OU DIREITOS ADQUIRIDOS EM PARTES. APLICABILIDADE DO DISPOSTO PELO ART. 11 DA IN 48/98, VIGENTE Ã ÉPOCA DOS FATOS. Sendo certo que a contribuinte, in casu, era proprietária de 50% do valor do imóvel, anteriormente a dissolução do vinculo conjugal, quando passou a deter a sua integralidade, o custo de aquisição deve ser obtido mediante a soma de cada uma das partes adquiridas, de acordo com o disposto pelo art. 11 da IN n.° 48/98. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. 0 principio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplica-se aos tributos e não As penalidades. Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26-A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF n. 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. "A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" (Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. i Processo n° 10840.000720/2001-26 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.934 Fl. 160 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator EDITADO EM: 5 ABR '2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, Jose Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em 14 de agosto de 2007 (fl. 139 e seguintes) contra acórdão do qual a Recorrente teve ciência em 23 de julho de 2007 (fl. 137), proferido pela 7 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (fls. 127/135), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 112/115, lavrado em 19 de marco de 2001, em decorrência de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, verificada no ano-calendário de 1998. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Data do fato gerador: 31/12/1998 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Tributa-se o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bem imóvel, caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE IMÓVEL ADQUIRIDO EM PARTES. 0 custo de aquisição de imóvel adquirido em partes é a soma dos seus valores, aplicando-se as regras de atualização de valor segundo a data de aquisição de cada uma delas. TAXA SELIC. 2 Processo n° 10840.000720/2001-26 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.934 Fl. 161 Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. Lançamento Procedente" (fl. 127). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 139 e seguintes), basicamente repisando os argumentos ventilados em sua impugnação. o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator 0 recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No mérito, alega a Recorrente, em breve síntese, que: (i) não houve a demonstração de que os valores, computados como custo de aquisição, teriam sido apurados em UFIR; (ii) os valores computados como custo teriam sido apurados de acordo, apenas, com a meação da Recorrente, sem levar em consideração a separação consensual ocorrida a posteriori; (iii) o valor do imóvel, considerado na apuração do ganho de capital, teria sido majorado para R$ 473.420,39, em 17/08/1994, valor atribuído ao imóvel por ocasião da partilha por força de separação consensual; (iv) teria havido decadência do credito tributário, tendo em vista que a alienação do imóvel, segundo entende, foi realizada em 17/08/1994; (v) incabível os juros de mora calculados pela Taxa Selic; e, por fim, (vi) que a multa aplicada seria confiscatória, razão pela qual deveria ser reduzida ao patamar de 20%. No que atine à alegação de nulidade, decorrente da ausência de demonstração de que o custo de aquisição tivesse levado em consideração os valores em UFIR, tenho para mim que não procede. De fato, compulsando-se o cálculo efetuado à fl. 80 dos presentes autos, verifica-se que a fiscalização efetivamente atualizou os valores do bem alienado em observância aos valores expressos em UFIR, utilizando, para tanto, os indices que refletiriam a correção monetária havida contidos na tabela anexa a IN n.° 48/98, vigente à época dos fatos, atualmente reproduzidos na IN n.° 84/2001. Nesse sentido, sendo certo que referidos indices refletem, de maneira fiel, a atualização feita com base nos valores apurados em UFIR, entendo que não mereça prosperar a alegação, não havendo prejuízo algum A. parte, no tocante a este aspecto. Faz-se mister destacar, por oportuno, no tocante à decadência alegada pela Recorrente, que esta ocorreu, sim, mas na alienação da quota-parte de seu ex-cônjuge, à época em que optou por transmitir A. Recorrente o bem pelo seu valor venal, em detrimento daquele contido em sua DIRPF, razão pela qual forçoso o reconhecimento do incremento da fração ideal do imóvel recebida pela Recorrente de acordo com os valores previstos à fl. 12. 3 Processo n° 10840.000720/2001-26 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.934 Fl. 162 No que concerne ao ganho de capital decorrente da alienação realizada em dezembro de 1998 (fls. 87/89) não há que se falar em decadência, tendo em vista que a Recorrente foi intimada em 22/03/2001, antes, portanto, do decurso do prazo de cinco anos previsto pelo art. 150, §4°, do CTN. No que concerne aos argumentos atinentes ao custo de aquisição, melhor sorte não assiste à Recorrente. Com efeito, analisando-se, detidamente, os documentos constantes nos autos, verifica-se, tal como atentamente observado pela fiscalização, que, à época da dissolução do vinculo conjugal, a Recorrente detinha, em virtude de meação, 50% do imóvel em referência, adquirido em virtude de herança, conforme formal de partilha de fl. 59, sendo, pois, desprovida de fundamentação a assertiva de que o imóvel teria sido adquirido pela Recorrente, em sua totalidade, no ano de 1.994. A este respeito, sendo certo que a contribuinte era casada sob o regime de comunhão universal de bens com o Sr. Attilio Balbo Neto à época da abertura da sucessão, e, igualmente, que o imóvel adquirido por este último por herança, deixada pela finada Olga Feresin Balbo, não se encontrava gravado com cláusula de incomunicabilidade, estes sim excluídos do regime em consonância com o disposto pelo art. 263, II, do Código Civil de 1916, observa-se, 5. toda evidência, que já em 1992 a Recorrente possuia direito 5. meação do referido imóvel, avaliado no formal de partilha (fl. 59) em Cr$ 59.092.917,10 (data-base 28/12/1992), o que correspondia, portanto, a Cr$ 29.546.458,59. De acordo com este entendimento, muito embora tenham as partes estimado o valor do imóvel, em agosto de 1994, no montante de R$ 473.420,39, fato é que referido valor deve ser considerado, exclusivamente, para os fins de alienação à metade do imóvel detida pelo Sr. Attilio Balbo Neto, o que corresponde a R$ 236.710,19 (data-base 17/08/1994). Assim, havendo a aquisição do bem em partes, aplica-se o disposto pelo art. 11 da IN n.° 48/98, segundo o qual "Considera-se custo de aquisivilo, no caso de bens ou direitos adquiridos em partes, o somatório dos valores correspondentes a cada parte adquirida." Com relação a argüição de inconstitucionalidade da multa de oficio por violação ao art. 150, IV, da Lei Maior, tem-se que igualmente insubsistente. Cabe afirmar, ah initio, que o principio da vedação ao confisco, tal como explicitado no art. 150 IV da Constituição Federal, impede a cobrança confiscatória de tributos e não de penalidades. Nessa esteira, é bem de ver que, a teor do que se extrai do art. 3 do Código Tributário Nacional, "tributo é toda prestação pecuniária, em moeda, ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sancão de ato ilícito instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Ora, se o conceito de tributo, como preleciona o CTN, não abrange sanções de atos ilícitos, tem-se que as normas relativas a tributos não se estendem As penalidades, por tratarem de objetos absolutamente distintos. Confira-se, neste ponto, a jurisprudência firmada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, ora CARF: "MULTA DE OFÍCIO - É correto o lançamento da multa de oficio, como sanção por descumprimento da legislação tributária, o que não se confunde nem 4 Processo n° 10840.000720/2001-26 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.934 Fl. 163 resulta do conceito de "caráter confiscatório" que 6 dirigido a tributos e não a penalidades." (1° Conselho de Contribuintes, 2a Camara, Recurso Voluntário n°. 134.381, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 14/04/2004) "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - E correta a exigência, e de conseqüência, a cobrança da multa de lançamento de oficio, quando o dever legal venha de ser cumprido por iniciativa da autoridade administrativa, fato que não se confunde com o conceito de 'caráter confiscatório'." (1° Conselho de Contribuintes, 2a Câmara, Recurso Voluntário n°. 133.777, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 05/11/2003) Não bastasse essa razão, por si só suficiente para rejeitar o pleito da Recorrente, vale ressaltar que o montante da multa no percentual de 75% sobre o principal é oriundo de norma cogente, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Portanto, tratando-se de norma vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciar-se acerca da constitucionalidade da norma, o que, como se viu, é vedado pelo art. 26-A do Decreto 70.235/72 e pela Súmula n. 2 do CARR Por derradeiro, cumpre salientar a aplicação da taxa SELIC como índice de atualização do valor do tributo, consoante jurisprudência mansa e pacifica firmada por este e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, traduzida na Súmula de n.° 04: Súmula CARF no 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, A. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." Eis os motivos pelos quais voto no sentido de AFASTAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, mantendo o auto de infração lavrado por seus próprios fundamentos. C '7.f 19 CPI-: Alexandre Nao i Nishioka 5
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000463/2003-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES
Os custos com aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no
transporte de matériasprima
utilizadas na fabricação dos produtos vendidos
integram o custo de produção e geram créditos de PIS nãocumulativo,
passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento.
DESPESA FINANCEIRA. ADIANTAMENTO SOBRE CONTRATOS DE
CÂMBIO
A despesa financeira decorrente de adiantamento de contrato de câmbio para
financiamento de exportação incorrida e apropriada até 30 de abril de 2004
gerava crédito de PIS nãocumulativo,
passível de dedução da contribuição
devida e/ ou de ressarcimento.
CRÉDITOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA
Inexiste previsão legal para se apurar créditos de PIS nãocumulativo,
passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento sobre
custos com industrialização por encomenda.
Numero da decisão: 3301-00.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Maria
Teresa Martinez López votou pelas conclusões.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES Os custos com aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprima utilizadas na fabricação dos produtos vendidos integram o custo de produção e geram créditos de PIS nãocumulativo, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. DESPESA FINANCEIRA. ADIANTAMENTO SOBRE CONTRATOS DE CÂMBIO A despesa financeira decorrente de adiantamento de contrato de câmbio para financiamento de exportação incorrida e apropriada até 30 de abril de 2004 gerava crédito de PIS nãocumulativo, passível de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. CRÉDITOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Inexiste previsão legal para se apurar créditos de PIS nãocumulativo, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento sobre custos com industrialização por encomenda.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES Os custos com aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprima utilizadas na fabricação dos produtos vendidos integram o custo de produção e geram créditos de PIS nãocumulativo, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. DESPESA FINANCEIRA. ADIANTAMENTO SOBRE CONTRATOS DE CÂMBIO A despesa financeira decorrente de adiantamento de contrato de câmbio para financiamento de exportação incorrida e apropriada até 30 de abril de 2004 gerava crédito de PIS nãocumulativo, passível de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. CRÉDITOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Inexiste previsão legal para se apurar créditos de PIS nãocumulativo, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento sobre custos com industrialização por encomenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Maria Teresa Martinez López votou pelas conclusões. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martínez López, Fábio Luiz Nogueira e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que reconheceu e deferiu em parte pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo, apurado para o 1º trimestre de 2003. Inconformada com deferimento parcial, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade requerendo o deferimento integral do ressarcimento pleiteado, alegando razões assim sintetizadas por aquela DRJ: “a) A requerente concorda que as aquisições de combustíveis e lubrificantes usados para transporte do produto industrializado não geram direito a crédito. Todavia, não é este o caso da requerente, que utilizou estes insumos para transporte da sua matéria prima (madeira), do local da extração até o seu estabelecimento; b) Na verdade houve um equívoco da requerente ao informar que as aquisições se referiam a combustível utilizado no transporte da produção. Este equívoco originouse de uma interpretação incorreta do vocábulo produção; c) A legislação reconhece o direito do contribuinte em descontar créditos das aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; d) Convém frisar que o escoamento de toda a produção da requerente é terceirizado, não havendo razão para adquirir combustível e utilizálo no transporte do produto industrializado; e) No tocante ao indeferimento dos créditos relativos aos serviços de industrialização por encomenda, o argumento da autoridade administrativa cinge se a não comprovação do pagamento dos serviços. No entanto, esta é uma questão restrita às partes envolvidas no negócio. O que interessa à administração é a incidência da exação na operação; f) Neste sentido, é prescindível a juntada aos autos do Contrato de Mútuo celebrado entre as partes, pois a forma de pagamento pelos serviços restringese às partes envolvidas; g) O Contrato de Câmbio de Compra é, na verdade, uma espécie de empréstimo, realizado pela requerente junto a uma instituição bancária; h) Para efetuar o adiantamento do valor, o banco cobra da requerente uma bonificação. Esta bonificação tem caráter de despesa financeira adequandose perfeitamente ao disposto no art. 3°, V da Lei 10.637/02; ...” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13975.000463/200357 Acórdão n.º 330100.925 S3C3T1 Fl. 383 3 Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1322.854, datado de 22/12/2008, às fls. 358/366, sob as seguintes ementas: “PIS/Pasep. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando seu uso seja como insumo do processo produtivo. DESPESAS E CUSTOS. COMPROVAÇÃO. As operações registradas nos livros contábeis da empresa fazem prova a favor do contribuinte quando acompanhadas por documentos hábeis. Compete à autoridade administrativa fiscal exigir do contribuinte a comprovação do efetivo pagamento correspondente à despesa ou custo escriturado na contabilidade. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS FINANCEIRAS. As despesas financeiras sobre contratos de câmbio não geram direito a crédito para ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep apurada segundo o regime de incidência não cumulativa. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 375/381, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando, em síntese, a ilegalidade das glosas efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância sobre os custos/despesas com: a) combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériaprima; b) industrialização por encomenda; e, c) despesas financeiras sobre contrato de câmbio. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente suscitou a ilegalidade das glosas sobre os custos/despesas com: a) combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériaprima; b) industrialização por encomenda; e, c) despesas financeiras sobre contrato de câmbio. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para o PIS, assim dispõe, quanto aos créditos da contribuição para o PIS, passíveis de dedução da contribuição devida e/ de ressarcimento, in verbis: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (...).” Os dispositivos legais transcritos acima elencam de forma expressa os custos e despesas que geram créditos de PIS nãocumulativo passíveis de deduções e/ ou de ressarcimento. Os custos e despesas decorrentes de industrialização por encomenda não estão elencados naquele dispositivo legal. Além disto, conforme reconhecido pela própria recorrente, ela não apresentou documentos que comprovassem a realização de tal operação. Já, em relação aos combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de matériasprima e às despesas financeiras sobre adiantamento de contratos de câmbio, lhe assiste razão. Os custos com combustíveis e lubrificantes efetivamente incorridos no transporte da matériaprima utilizada na fabricação dos produtos vendidos, por integrarem o custo da matériaprima transportada e, conseqüentemente, o custo de produção, geram crédito de PIS nãocumulativo nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30/11/2002, citado e transcrito anteriormente. Assim, as glosas de créditos de PIS nãocumulativo sobre as aquisições de combustíveis e lubrificantes comprovadamente utilizados no transporte de matériasprima utilizadas na industrialização dos produtos fabricados e vendidos devem ser restabelecidas. Também as despesas com adiantamento de contratos de câmbio (ACC) incorridas e apropriadas até 30 de abril de 2004, como no presente caso, geravam créditos de PIS nãocumulativo, passíveis de dedução da contribuição devida ou de ressarcimento por constituírem despesas financeiras decorrentes de financiamentos para a exportação nos termos do inciso V do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, citado e transcrito anteriormente. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13975.000463/200357 Acórdão n.º 330100.925 S3C3T1 Fl. 384 5 O ACC tem o objetivo de financiar o capital de giro às empresas exportadoras, na forma de antecipação, para que possam produzir, comercializar os produtos objetos de exportação. A título de esclarecimento, cabe ressaltar que a partir de 1º de maio de 2004, as despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamento deixaram de gerar créditos de PIS, em face da alteração da redação do inciso V do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, determinada por meio da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, art. 37, com vigência a partir de 1º de maio de 2004. Até 30 de abril de 2004, aquele dispositivo legal autorizava o crédito. A partir de então, inexiste previsão legal para se creditar do PIS sobre aquelas despesas financeiras. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente se creditar do PIS nãocumulativo sobre os custos com aquisições de combustíveis e lubrificantes que comprovadamente foram utilizados no transporte de matériasprima utilizadas na fabricação dos produtos vendidos por ela, bem como sobre as despesas financeiras decorrentes de adiantamento de contratos de câmbio, incorridas e apropriadas até 30 de março de 2004, mantendose o indeferimento sobre os demais custos e despesas questionadas nesta fase recursal. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000082/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da
Lei nº 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
ESTAGIÁRIO. NÃO ATENDIMENTO À LEI ESPECÍFICA. ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO.
A contratação de estagiários deve observar a lei específica, no caso a Lei n° 6.494.
A não observância dos dispositivos legais, forçosamente faz o
enquadramento do segurado ser realizado como empregado, nos termos da Lei n ° 8.212.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2302-001.022
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004 JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei nº 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. ESTAGIÁRIO. NÃO ATENDIMENTO À LEI ESPECÍFICA. ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. A contratação de estagiários deve observar a lei específica, no caso a Lei n° 6.494. A não observância dos dispositivos legais, forçosamente faz o enquadramento do segurado ser realizado como empregado, nos termos da Lei n ° 8.212. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido.
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Recorrente ASSOCIAÇÃO DE ENSINO SOCIAL PROFISSIONALIZANTE Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2004 JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. ESTAGIÁRIO. NÃO ATENDIMENTO À LEI ESPECÍFICA. ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. A contratação de estagiários deve observar a lei específica, no caso a Lei n ° 6.494. A não observância dos dispositivos legais, forçosamente faz o enquadramento do segurado ser realizado como empregado, nos termos da Lei n ° 8.212. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Fl. 323DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Ausente momentaneamente o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Fl. 324DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000082/200613 Acórdão n.º 230201.022 S2C3T2 Fl. 303 3 Relatório Trata a presente NFLD, lavrada em desfavor do recorrente, relativa a contribuições devidas à Seguridade Social sobre a remuneração contabilizada na conta de despesa "Bolsas de Estudos" efetuada a menores aprendizes, correspondente aos Segurados (parte não retida), na forma prevista na Letra "a" de parágrafo único do Artigo 11 da Lei n.° 8212 de 24/07/1991, conforme relatório fiscal às fls. 28 a 30. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 44 a 80. A unidade da Receita Previdenciária emitiu a Decisão de fls. 218 a 226, mantendo a autuação em sua integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 229 a 268. Alega em síntese: a) A recorrente possui direito à imunidade tributária; b) O contrato com os menores está submetido à lei do estágio Lei 6.494 de 1977; c) Até novembro de 2002 a Espro possui 100% de estagiários; d) Não poderiam os efeitos retroagir em função do art. 146 do CTN; e) É ilegítima a cobrança da taxa Selic; f) Requerendo provimento ao recurso interposto. A recorrente à fl. 288 requer a juntada de documentos que comprovariam a gratuidade na prestação de serviços. Contrarazões apresentadas pelo órgão previdenciário, fls. 299 a 300, sugere a manutenção do lançamento fiscal. É o relato suficiente. Fl. 325DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fl. 297; pressuposto de admissibilidade superado passo para o exame das questões preliminares ao mérito. O fato de a recorrente possuir ou não direito à imunidade não afasta a presente notificação; pois independentemente da existência de imunidade a recorrente tem que descontar dos segurados que lhe prestam serviços e recolher o produto arrecadado aos cofres públicos. Nesse caso a recorrente assume a obrigação tributária na condição de responsável. In casu, somente estão sendo cobradas as contribuições devidas a cargo dos segurados, conforme fls. 04 a 08. Não efetuando o recolhimento a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. Mesmo quando a empresa não efetua os referidos descontos a responsabilidade, perante a Previdência Social, sempre será do empregador, conforme previsto no art. 33, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 33 (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. A recorrente alega que o contrato com os menores está submetido à Lei do estágio (6.494 de 1977). Contudo, não há provas nos autos que os contratos foram realizados observando a lei específica. A contratação de estagiários tem que seguir a legislação específica, no caso a Lei n ° 6.494 de 1977. Ao não seguir os ditames legais a empresa assume o encargo do enquadramento como segurados empregados. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que não há vínculo empregatício do estagiário com a empresa. Tal vínculo existe quando a contratação ocorre de forma irregular. Não integra a remuneração a importância paga a título de bolsa ao estagiário, quando paga nos termos da Lei 6.494 de 07/12/1977, regulamentada pelo Decreto 87.497, de 1982 com as alterações introduzidas pela Lei 8.859 de 1994. A Lei n ° 6.494 permite que as sociedades contratem estagiários, alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. Os alunos devem estar frequentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2º grau, ou escolas de educação especial. A condição de estagiário pressupõe que haja compromisso entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória do estabelecimento de ensino, contratopadrão, observância de prazos de duração do estágio e efetiva complementação do ensino. No presente caso a recorrente não provou a existência de tais requisitos por meio de documentação. Fl. 326DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000082/200613 Acórdão n.º 230201.022 S2C3T2 Fl. 304 5 Ao contrário do afirmado pela recorrente não se trata de aplicar efeitos retroativos pela adoção de novos critérios jurídicos. Em nenhum momento anterior a Receita Previdenciária informou à recorrente que os menores estariam enquadrados como estagiários. A irregularidade da contratação somente foi detectada na ação fiscal. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Fl. 327DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 328DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.004000/2005-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.
Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e
serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou
fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas
legais.
CRÉDITO. MÃODEOBRA.
TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO.
CONTRATAÇÃO.
Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra
avulsa,
mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da
categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse
aos trabalhadores.
BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS.
Tratandose
de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que
integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros ora
discutidas como receitas para fins de incidência da contribuição em comento.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA.
Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic
sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de Cofins na
exportação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-000.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros
Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé reconhecem o direito ao
crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. Tratandose de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros ora discutidas como receitas para fins de incidência da contribuição em comento. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de Cofins na exportação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé reconhecem o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 02/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Mercado Externo (fl. 01), protocolizado em 09/11/2005, relativo ao 3º trimestre de 2005, apurado no regime de incidência não cumulativa, com fundamento na Lei n° 10.833/2003. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 422, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados à fl. 403 e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores. Incluiu na base de cálculo outras receitas constantes do Grupo 81 Outras Receita Operacionais. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 434/449, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0620.365, de 15/12/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da COFINS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. COFINS NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM MÃODE OBRA PESSOA FÍSICA. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.004000/200554 Acórdão n.º 330200.861 S3C3T2 Fl. 533 3 No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos passíveis de desconto do COFINS, as despesas com mãodeobra pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria, por força da legislação. TRIBUTAÇÃO. RECEITAS AUFERIDAS. A COFINS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa na legislação de regência. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO Integra a receita bruta para efeito de cálculo da COFINS o valor recebido, pela Pessoa Jurídica, a título de indenização de seguro pela perda ou sinistro de seus bens do Ativo Permanente e do Circulante. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à COFINS, por falta de previsão legal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/02/2009, conforme AR de fl. 498, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 10/03/2009, com o recurso voluntário de fls. 499/516, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito da Cofins sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: materiais de manutenção, serviços de industrialização, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes; 3 Discorre sobre a natureza jurídica dos sindicatos, alega que não contratou mãodeobra de pessoa física e, com relação aos serviços prestados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral, alega que a Delegacia da Receita Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Federal do Brasil em Londrina/PR alterou o seu posicionamento para o fim de validar e legitimar os créditos da Cofins sobre os valores dos pagamentos efetuados ao referido sindicato, conforme transcrição abaixo (Processo Administrativo n° 16366.000113/200861 COFINS Nãocumulativa do 3° TR/2007 fls. 980): c.3) Serviço temporário Constatei ainda que em relação ao item "Serviço Temporário", os dispêndios também contemplam insumos cuja aplicação foi feita diretamente na fabricação de produtos destinados à venda, e pagos para pessoas jurídicas estabelecidas no país. Cabe salientar, a título de ilustração e para estabelecer diferenciação dos serviços mencionados nos itens 1 a 15, que os pagamentos relativos ao item "serviço temporário" foram feitos para outra empresa proceder, mediante cessão de sua mãode obra, serviços que implicam no manuseio direto da matéria prima (café) utilizado pela empresa requerente em seu parque industrial. Assim, concluo que neste caso existe o direito de aproveitamento do crédito, em razão do disposto no artigo 8º, letra b, item b.1, §4º, inciso I, letra b da Instrução Normativa SRF nº 404, de .12 de março de 2004. (grifei) 4 no valor das receitas do Grupo 81 inclui outras rubricas, como as indenizações de seguros, que não são tributadas pelos tributos federais em geral, a teor do que dispõe o art. 120 da legislação do Imposto de Renda. Neste sentido, cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 5 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de Cofins não cumulativa, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir outras receita operacionais na base de cálculo da exação. Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.004000/200554 Acórdão n.º 330200.861 S3C3T2 Fl. 534 5 1. Alimentação; 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; 4. Assistência médica/odontológica; 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Matérias de manutenção/conservação; 8. Materiais químicos e de laboratórios; 9. Materiais de limpeza; 10.Materiais de expediente; 11.Lubrificantes e combustíveis; (exceto os utilizados na indústria) 12.Outros materiais de consumo; 13.Serviço temporário, contratado com sindicato; 14.Serviços de segurança e vigilância; 15.Serviços de conservação e limpeza; 16.Serviços de manutenção e reparos; 17.Outros serviços de terceiros; 18.Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Sobre os gastos com serviços temporários, realizados via sindicato de trabalhadores, enganase a recorrente quando afirma que a DRF Londrina admite o crédito para tais gastos. Os gastos admitidos pela DRF em Londrina, a que se refere o processo nº 16366.000113/200861, foram feitos para outra empresa, pela cessão de sua mãodeobra, e não a sindicato, pela contratação da mãodeobra de seus filiados. Quanto à inclusão das receitas do Grupo 81 Outras Receita Operacionais na base de cálculo, entendo que assiste razão à recorrente quanto às indenizações de seguro recebidas. Conforme ficou demonstrado no recurso voluntário, tais valores não afetaram o patrimônio da recorrente e nem seu resultado operacional. Para ser receita, há que afetar o patrimônio da pessoa jurídica. A indenização de seguro tem a mesma natureza do bem sinistrado, já integrante do patrimônio do segurado, e não se confunde com alienação de bens porque o segurado não realizou operação mercantil alguma. Deve, portanto, ser excluído da base de cálculo da Cofins os valores lançados na contabilidade da recorrente na conta 811044001 Indenizações de Seguros, nos valores abaixo identificados: Mês de Julho/05 R$ 23.964,00 Mês de Agosto/05 R$ 1.410,00 Mês de Setembro/05 R$ 8.848,00 Por fim, pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a atualização monetária ou a incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, há proibição legal para a incidência de juros, calculado pela selic ou por outro índice qualquer, no ressarcimento de Cofins nãocumulativa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.004000/200554 Acórdão n.º 330200.861 S3C3T2 Fl. 535 7 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da cofins o valor da indenização de seguro recebida pela recorrente, nos valores acima identificados. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900223/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do Fato Gerador: 31/03/2004
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE
DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se
pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é
possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de
nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE
INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA
RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF
VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR
INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA
COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação
de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo
sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado
na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.522
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 31/03/2004 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 65 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 66 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 12175.82080.290906.1.7.042793, na qual foi utilizado crédito de R$ 1.561,66, apurado em recolhimento de IRPJ (código 2089), realizado em 30/04/2004 e relativo à apuração de 31/03/2004. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2089, do período de apuração de 31/03/2004. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 32/34) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 67 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 41 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 42/55 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 68 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 69 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 70 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte alegou, em sua impugnação, que teria informado, em DIPJ, apuração de IRPJ em valor inferior à soma dos três recolhimentos de R$ 15.815,41, dos quais o primeiro foi confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 12175.82080.290906.1.7.042793. Embora não tenha juntado à sua defesa cópia da referida DIPJ, confirmase nos sistemas informatizados da Receita Federal que, no período indicado na DCOMP, constou da declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1288756, a apuração de IRPJ incidente sobre o Lucro Presumido no valor de R$ 45.467,71, bem como que três recolhimentos foram efetuados no valor principal de R$ 15.815,41, sendo a 2a e a 3a quotas acrescidas de juros e registradas sob nos 4037245192 e 4037543922. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de IRPJ no valor de R$ 1.978,52, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 11142.65952.231006.1.7.044324 (processo administrativo nº 10245.900321/200933), pelo valor de R$ 416,88, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 1.561,66), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 45.467,71) e o valor principal recolhido (3 quota(s) de R$ 15.815,41). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 71 8 sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 72 9 “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 73 10 Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 74 11 §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 75 12 expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 76 13 apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 77 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 78 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 79 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900223/200904 Acórdão n.º 110100.522 S1C1T1 Fl. 80 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13161.001307/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
Ementa: GLOSAS DE DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE QUE NÃO ATENDE INTIMAÇÃO NA FASE QUE ANTECEDEU A AUTUAÇÃO. DESPESAS MÉDICAS EXPRESSIVAS EM FACE DOS RENDIMENTOS DECLARADOS. CONTRIBUINTE SEM
RENDIMENTOS DE OUTRAS ORIGENS. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO DAS DESPESAS.
MANUTENÇÃO DA GLOSA. Não há qualquer plausibilidade em acatar
despesas médicas expressivas em face dos rendimentos declarados, sem qualquer comprovação do efetivo pagamento dessas despesas, mormente quando o contribuinte permaneceu silente na fase que antecedeu a autuação, impedindo que a autoridade fiscal investigasse com profundidade as despesas que culminaram glosadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.365
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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CONTRIBUINTE QUE NÃO ATENDE INTIMAÇÃO NA FASE QUE ANTECEDEU A AUTUAÇÃO. DESPESAS MÉDICAS EXPRESSIVAS EM FACE DOS RENDIMENTOS DECLARADOS. CONTRIBUINTE SEM RENDIMENTOS DE OUTRAS ORIGENS. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO DAS DESPESAS. MANUTENÇÃO DA GLOSA. Não há qualquer plausibilidade em acatar despesas médicas expressivas em face dos rendimentos declarados, sem qualquer comprovação do efetivo pagamento dessas despesas, mormente quando o contribuinte permaneceu silente na fase que antecedeu a autuação, impedindo que a autoridade fiscal investigasse com profundidade as despesas que culminaram glosadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 15/06/2011 Fl. 69DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face da contribuinte TEREZINHA APARECIDA MACHADO DE ARAUJO, CPF/MF nº 305.597.07134, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 26/05/2008, auto de infração (fls. 26 a 31), decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2005. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 5.554,60 MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 75% SOBRE O IMPOSTO LANÇADO R$ 4.165, 95 À contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: Dedução Indevida de Dependente Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.° 3.000/99 — RIR199, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 1.404,00 deduzido indevidamente a titulo de Dependentes, por falta de comprovação. Dedução Indevida de Despesas Médicas Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.° 3.000/99 — RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas A comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 21.167,00 deduzido indevidamente a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Dedução Indevida de Despesas com Instrução Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.° 3.000/99 — RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas A comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13161.001307/200892 Acórdão n.º 2102001.365 S2C1T2 Fl. 2 3 Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 2.198,00 deduzido indevidamente a titulo de Despesas com Instrução, por falta de comprovação. Compulsando os autos, vêse que as despesas médicas representaram 26,58% dos rendimentos tributáveis (fl. 34). Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0421.597, de 25 de agosto de 2010 (fls. 37 a 52). A decisão acima restabeleceu integralmente as despesas com dependentes e instrução e parcialmente as despesas médicas. Em relação às despesas médicas, foram mantidas as glosa das despesas oriundas dos recibos emitidos pela profissional Renata Cristina M.E. Vieira (fisioterapeuta R$ 3.010,00), Paula Oda Haddad (dentista R$ 5.890,00) e Luiz Gustavo M. De Araújo (fisioterapeuta R$ 3.000,00), com a seguinte motivação base: 7.1 Despesas médicas de valor expressivo: ensejam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida, as deduções de despesas médicas que tenham valor expressivo, individualmente ou em conjunto. E sabido que, em regra, os tratamentos de saúde mais onerosos são mais complexos, sendo, por isso, precedidos por exames laboratoriais, radiológicos e outros. Além disso, é possível afirmar que, em regra, as dividas de valores elevados são pagas em cheque ou cartão de crédito, por questões de segurança e de comodidade. Considerando esses fatores, que são de conhecimento geral, e, portanto, deduzidos a partir da ordinária experiência, presumese que, nesses casos, em regra, é viável, e possível, a apresentação, pelo contribuinte, de elementos complementares ao recibo de pagamento, tais como os documentos retrocitados (exames laboratoriais, cheques, etc.). A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 02/10/2010 (fl. 56). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 03/11/2010 (fl. 57). No voluntário, em síntese, a recorrente assevera que os serviços médicos glosados foram feitos em múltiplas sessões, no curso do ano de 2005, sendo todos pagos em espécie, e traz aos autos declaração ratificadora dos serviços prestados pelos profissionais em foco (fls. 60 a 62), pugnando pelo restabelecimento das despesas. É o relatório. Voto Fl. 71DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 02/10/2010 (fl. 56), sábado, e interpôs o recurso voluntário em 03/11/2010 (fl. 57), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 03/11/2010, já que a ciência da decisão a quo aperfeiçoouse em 04/10/2010, com início da contagem do prazo a partir do dia 05/10/2010. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, devese observar que a contribuinte não atendeu a intimação da autoridade fiscal, o que culminou com a glosa das despesas médicas informadas na declaração de ajuste anual. Isso é falado para ressaltar que a ausência do atendimento à intimação impediu de a autoridade fiscal aprofundar as investigações sobre as despesas médicas. Dessa forma, não tendo a contribuinte atendido a intimação da autoridade autuante, a prova a ser feita do dispêndio da despesa médica em grau de recurso deve ser robusta, que comprove de forma iniludível que ocorreram os dispêndios, situação que não se comprovou nestes autos, como se demonstrará a seguir. Causa estranheza que uma contribuinte que auferiu R$ 79.636,32 de rendimentos brutos tributáveis no anocalendário 2005, sem recursos provenientes de outras fontes (cônjuge e rendimentos isentos/não tributáveis, exceto um montante de R$ 5.678,56 de rendimento exclusivo na fonte – fl. 34), primeiramente tenha despendido R$ 21.167,00 com despesas médicas, aproximadamente 26,5% dos rendimentos tributáveis, inclusive sem comprovação de acometimento de qualquer moléstia grave que justificasse tal dispêndio; em segundo lugar que não tenha conseguido acostar aos autos qualquer comprovação do efetivo pagamento das despesas com os profissionais Renata Cristina M.E. Vieira (fisioterapeuta R$ 3.010,00), Paula Oda Haddad (dentista R$ 5.890,00) e Luiz Gustavo M. De Araújo (fisioterapeuta R$ 3.000,00), despesas que são expressivas e não se concebe como não se poderia ter qualquer comprovação da extinção financeira dessas obrigações. Ora, não há qualquer plausibilidade em acatar despesas médicas expressivas em relação aos rendimentos tributáveis da declarante, sem qualquer comprovação do efetivo pagamento das despesas mais vultosas, ou mesmo com documentário médico (pedidos de exames, receitas etc.) que comprovasse o dispêndio, mormente quando a contribuinte permaneceu silente na fase que antecedeu a autuação, impedindo que a autoridade fiscal investigasse com profundidade as despesas que culminaram glosadas. Com as considerações acima, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 72DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13161.001307/200892 Acórdão n.º 2102001.365 S2C1T2 Fl. 3 5 Fl. 73DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13886.000462/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1999
DIREITO CREDITÓRIO OPERAÇÕES DE SWAP RENDA VARIÁVEL LUCRO
REAL COMPROVAÇÃO.
Os rendimentos provenientes de operações de swap devem ser computados para a apuração do lucro real. Deve-se
reconhecer o direito creditório correspondente a parcela de crédito de saldo negativo uma vez demonstrado através de provas hábeis, da composição e a existência desse crédito e que os
rendimentos correspondentes às retenções sobre operações de Swap foram oferecidos à tributação.
Numero da decisão: 1401-000.458
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o valor do saldo negativo de R$ 17.225,21 (original) com os acréscimos legais, homologando as compensações até o limite desse valor. A conselheira Karem Jureidini Dias acompanhou pelas conclusões.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1999 DIREITO CREDITÓRIO OPERAÇÕES DE SWAP RENDA VARIÁVEL LUCRO REAL COMPROVAÇÃO. Os rendimentos provenientes de operações de swap devem ser computados para a apuração do lucro real. Deve-se reconhecer o direito creditório correspondente a parcela de crédito de saldo negativo uma vez demonstrado através de provas hábeis, da composição e a existência desse crédito e que os rendimentos correspondentes às retenções sobre operações de Swap foram oferecidos à tributação.
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Os rendimentos provenientes de operações de swap devem ser computados para a apuração do lucro real. Devese reconhecer o direito creditório correspondente a parcela de crédito de saldo negativo uma vez demonstrado através de provas hábeis, da composição e a existência desse crédito e que os rendimentos correspondentes às retenções sobre operações de Swap foram oferecidos à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o valor do saldo negativo de R$ 17.225,21 (original) com os acréscimos legais, homologando as compensações até o limite desse valor. A conselheira Karem Jureidini Dias acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 143DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13886.000462/200735 Acórdão n.º 140100.458 S1C4T1 Fl. 138 2 Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Viviani Aparecida Bacchmi, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1420.195, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: O contribuinte acima identificado apresentou, às fls. 0203, declaração de compensação, na qual são extintos, sob condição resolutoria de ulterior homologação, débitos de IRRF (Código de Receita 0561), vencidos em 09/10/2002 e em 23/10/2002, e débito de IRPJEstimativa relativo ao mês de setembro de 2002. Para tanto, informa o contribuinte que está utilizando créditos provenientes de saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 1998, 1999,2000e2001. 2.O pleito foi originalmente formulado por meio do processo administrativo 13886.001488/200296. Posteriormente, foi formalizado o presente processo administrativo, juntamente com os processos administrativos 13886.000463/200780 e 13886.000464/200724, para análise dos saldos negativos de IRPJ apurados nos anos de 1999, 2000 e 2001, respectivamente. Portanto, no presente processo administrativo remanesceu apenas a apreciação do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999. 3.A DRF/LIMEIRA, por meio do Despacho Decisório de fls. 104106, homologo apenas parcialmente as compensações declaradas, reconhecendo ao contribuinte o direito creditório no valor de R$ 32.911,21, referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. Conforme indicado na decisão, o saldo negativo informado na DIPJ do exercício de 2000, anocalendário 1999, que totaliza R$ 61.133,45, é integralmente composto por dedução de IRRF. No comprovante de rendimentos relativo ao anocalendário de 1999, apresentado pelo contribuinte à fl. 55, consta que foram auferidos, em aplicações de renda fixa, rendimentos de R$ 200.788,47, com IRRF de 40.152,15, e rendimentos auferidos em operações de swap no montante de R$ 86.126,30, com IRRF de R$ 17.225,16. Ocorre que na DIPJ apresentada não foram informados valores a título de ganhos auferidos no mercado de renda variável, razão pela qual o IRRF decorrente das operações de swap não poderia ser deduzido para a apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. Assim, o contribuinte poderia ter deduzido somente R$ 40.152,15 a título de retenção na fonte, sendo este o valor do saldo negativo a ser considerado. 3.1. Ocorre que, no anocalendário de 2001, houve a compensação de débitos de IRRF (Código 0561) em montante que sequer o saldo negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte na DIPJ/2001 seria suficiente para compensar totalmente, ressaltando que o saldo negativo do anocalendário de 2000, conforme consta do processo 13886.000463/200780, foi inferior ao apurado na DIPJ, com a conseqüente apuração de saldo de débito remanescente a maior. Assim, parte do Fl. 144DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13886.000462/200735 Acórdão n.º 140100.458 S1C4T1 Fl. 139 3 saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 foi utilizada para compensação de débitos de IRRF (Código 0561) de diversos fatos geradores ocorridos no ano de 2001, razão pela qual o valor disponível para compensação neste processo é de R$32.911,21. 4. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 111112, na qual alega, em síntese, que os rendimentos provenientes de operações de swap foram informados na DIPJ/2000 incorretamente na linha 24 da Ficha 07, fato este que não alterou o resultado final apurado, tratandose apenas de erro formal, razão pela qual deve ser admitida a utilização do respectivo IRRF. Além disso, o valor glosado de R$ 3.756,14 referese a retenção de IRRF no ano calendário de 1998 que não foi aproveitada no próprio ano. 4.1. Por fim, pede o contribuinte o reconhecimento do direito creditório de R$61.133,45, referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. A DRJ indeferiu a solicitação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 ANOCALENDÁRIO: 1999 OPERAÇÕES DE SWAP RENDA VARIÁVEL LUCRO REAL IRRF INCLUSÃO NA APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO SUBSEQÜENTE. Os rendimentos provenientes de operações de swap devem ser computados para a apuração do lucro real. Não há que se falar em apuração de saldo negativo de IRPJ com base em IRRF sobre operações de swap, quando os rendimentos provenientes destas operações não foram incluídos na apuração do lucro real. O saldo negativo apurado em um anocalendário pode ser utilizado na compensação de débitos relativos ao anocalendário subseqüente, mas é descabida a pretensão de utilizar o IRRF de um ano calendário na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário subseqüente. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e abdicando da parcela do saldo negativo de R$ 3.756,14 referente a IR retido no ano calendário de 1998 e não aproveitado no próprio ano. Contudo, dessa feita, reforça sua defesa em relação à parcela do saldo negativo no valor de R$ 17.225,16 correspondente a IRRF em rendimentos referentes a operações de swap. No caso, às fls. 129/135 traz Informe de Rendimentos, Tabela Resumo e várias cópias de documentos contábeis (Razão) na tentativa de provar que os rendimentos constantes na Linha 24 da Ficha 07 A da DIPJ 2000 (“Outros Rendimentos”) incluem a totalidade dos ganhos auferidos no mercado de renda variável (operações de Swap). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13886.000462/200735 Acórdão n.º 140100.458 S1C4T1 Fl. 140 4 O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Conforme relatado, a Recorrente em fase recursal abdica da parcela do saldo negativo de R$ 3.756,14 referente a IR retido no ano calendário de 1998 e não aproveitado no próprio ano e que pretenderia aproveitar no anocalendário de 1999. No caso então, a lide se compõe apenas da parcela glosada do saldo negativo no valor de R$ 17.225,16 correspondente a IRRF em rendimentos referentes a operações de swap cuja prova de oferecimento à tributação não foi reconhecida pela DRF e DRJ. A DRF indeferiu essa parcela, nos seguintes termos: (...) Tratandose de imposto de renda retido na fonte decorrente de aplicação financeira, a legislação aplicável é a Lei n.° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, mais precisamente o art. 76, cuja redação foi alterada pelo art.l0 da Lei 9.065, de 20 de junho de 1995 e que estabelece em seu parágrafo 2o que os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável integram o lucro real. Nada foi informado a título de ganhos auferidos no mercado de renda variável (fl. 66) e, portanto, o IRRF decorrente das aplicações de Swap não poderiam ser deduzidos. (...) A DRJ corrobora com aquele indeferimento, não considerando provada as alegações do contribuinte de que errara no preenchimento do campo correto da DIPJ: (...) O contribuinte afirma que os rendimentos provenientes de operações de swap foram informados na DIP J/2000 incorretamente na linha 24 da Ficha 07. Porém, não apresenta qualquer prova do alegado. Deveria o contribuinte comprovar, por meio de sua escrituração contábil, que o valor indicado na linha 24 da Ficha 07 corresponde à totalidade das receitas financeiras, somada à totalidade dos ganhos auferidos no mercado de renda variável. Ademais, sua alegação não condiz com os documentos anexados aos autos. Com efeito, a soma dos rendimentos informada no comprovante de fl. 55 ultrapassa o valor informado na linha 24 da Ficha 07 da DIPJ/2000. Os rendimentos somados totalizam R$ 286.887,77 e na linha 24 da Ficha 07 foi informado tãosomente o valor de R$ 265.640,24.(...) De fato, no pedido de compensação, não basta à Recorrente comprovar a retenção do imposto de renda na fonte, mas também deve comprovar a efetiva apuração de saldo negativo de IRPJ ao final de cada período e, para tanto, deve demonstrar que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram oferecidas à tributação, condição sine qua non para que o IRRF possa ser aproveitado na compensação do imposto de renda apurado no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de IRPJ. Contudo, foi exatamente isso que a Recorrente fez. Em sede recursal a Recorrente segue a orientação da DRJ no sentido de produzir a prova contábil que faltaria para fundamentar a sua alegação de erro de fato no preenchimento da DIPJ. Reforça assim sua defesa em relação à parcela do saldo negativo no valor de R$ 17.225,16 correspondente ao Fl. 146DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13886.000462/200735 Acórdão n.º 140100.458 S1C4T1 Fl. 141 5 IRRF retidos sobre rendimentos referentes a operações de swap. No caso, às fls. 129/135 traz Informe de Rendimentos, Tabela Resumo e várias cópias de documentos contábeis (Razão) na tentativa de provar que os rendimentos constantes na Linha 24 da Ficha 07 A da DIPJ 2000 (“Outros Rendimentos”) já incluem a totalidade dos ganhos auferidos no mercado de renda variável (operações de Swap). Com os documentos de fls. 129/135 a Recorrente consegue provar que o rendimento total a título de Outras Receitas Financeiras,constante da linha 24 do Quadro 07A DIPJ/2000 é de R$ 265.640,24 (anexo 1) é composto dos seguintes valores, conforme cópias . do Livro Razão Geral doano de 1999: R$ 247.476,97 Conta Rendimentos Aplicações Financeiras, incluindo os rendimentos das operações de swap (anexo 2) R$ 18.163,27 Conta Juros s/ Transações Imobiliárias (anexo 5) Por sua vez, também comprova o que é mais importante: os rendimentos de operações de swap, que totalizam R$ 86.126,30, conforme Informe de Rendimentos do Banco Mercantil Finasa (anexo 3) estão inclusos no valor de R$ 265.640,24 (linha 24 do Quadro 07A DIPJ/2000) e assim teriam sido oferecidos à tributação. A tabela abaixo foi extraída de cópia do Razão de fls.131/132 e demonstra de forma analítica a composição dos rendimentos obtidos nas operações de Swap no valor de R$ 86.126,30 que por sua vez produziram as retenções ora em lide (R$ 17.225,16). Por sua vez, tais valores são coincidentes com os rendimentos mensais constantes no Informes de Rendimentos de fls. 133. Rendimentos Swap 1999 3.253,43 64.344,18 1.203,06 727,30 1.894,98 991,86 90,00 1.651,84 1.649,31 1.741,85 2.126,77 1.951,68 2.183,42 2.316,62 86.126,30 Dessa forma, resta comprovado contabilmente que os rendimentos que produziram as retenções R$ 17.225,16 foram de fato oferecidas à tributação, não havendo pois motivo para manter a referida glosa. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer o valor do saldo negativo de R$ 17.225,21 (original) com os acréscimos legais previstos na legislação de regência e assim homologar as compensações até o limite desse valor. (assinado digitalmente) Fl. 147DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13886.000462/200735 Acórdão n.º 140100.458 S1C4T1 Fl. 142 6 Antonio Bezerra Neto Fl. 148DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 13819.000962/2003-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Restituição/Compensação
Ano-calendário: 2002
Ementa: SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. GLOSA DE CRÉDITOS OBJETO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Os créditos tributários computados na apuração do IRPJ e da CSLL, que contribuíram na formação
de saldos negativos de IRPJ e CSLL, objeto de pedidos de
restituição/compensação, obedecem a uma sistemática regida pela legislação aplicável. Nesse contexto, a mera alegação de sua realização, sem comprovação documental para sua caracterização inequívoca, autoriza sua glosa, com a consequente não homologação das compensações propostas ou das restituições pedidas.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE
IRPJ E CSLL. Os saldos negativos apurados nas declarações de IRPJ/CSLL não se submetem à homologação tácita, devendo ser regularmente comprovados quando integrarem pedidos de restituição/compensação.
Numero da decisão: 1103-000.434
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recketenvald
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Restituição/Compensação Ano-calendário: 2002 Ementa: SALDO NEGATIVO DE IRPJ 'E CSLL. GLOSA DE CRÉDITOS OBJETO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Os créditos tributários computados na apuração do IRPJ e da CSLL, que contribuíram na formação de saldos negativos de IRPJ e CSLL, objeto de pedidos de restituição/compensação, obedecem a uma sistemática regida pela legislação aplicável. Nesse contexto, a mera alegação de sua realização, sem comprovação documental para sua caracterização inequívoca, autoriza sua glosa, com a consequente não homologação das compensações propostas ou das restituições pedidas. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. Os saldos negativos apurados nas declarações de IRPJ/CSLL não se submetem à homologação tácita, devendo ser regularmente comprovados quando integrarem pedidos de restituição/compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos ten-n s do relatório e voto que integram o presente julgado. AL(QYSIO J É -DA SILVA - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correa Sotero, e Gervásio Nicolau Recktenvald. Processo n° 13819.000962/2003-47 Si -Cl T3 Acórdilo n.° 1103-00.434 Fl. 2 Relatório A empresa MERCEDES-BENZ DO BRASIL LTDA., novo nome de Dairrilerchrysler do Brasil Ltda., CNPJ 59.104.273/0001-29, veio perante este Conselho para, através do competente recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade com o decidido pela Turma da DRJ de Campinas/SP, que, segundo o Acórdão n° 05-24.656, de 22 de janeiro de 2009, por unanimidade de votos, reconheceu apenas em parte o direito creditório trazido a litígio, homologando, consequentemente, as compensações pleiteadas apenas até o limite do credito concedido. Compulsando os autos, vê-se que em vista de um pedido de restituição, apresentado em 02/04/2003, foi instaurado um procedimento fiscal em 26 de junho de 2006 (fls. 27) "coin a finalidade de verificar a legitimidade do pedido de restituição no valor de R$ 106.323.559,13 dos recolhimentos efetuados por estimativa dos tributos Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido do ano calendário de 2002, exercício fiscal 2003 e controlados através do processo administrativo n" 13819.000962/2003-47". Segundo o termo de inicio, o contribuinte "lido anexou os documentos de arrecadação que comprovam os recolhimentos a Fazenda Nacional da importância pleiteada" (fl. 27), motivo pelo qual a interessada foi intimada a apresentar os documentos de arrecadação dos valores objeto do pedido. Entregues os documentos, seguiram-se outras intimações, sempre respondidas, todas voltadas a esclarecer diferenças, culminando com o termo de encerramento da diligência, em 04/07/2007 (11. 202). Tal termo de encerramento, em síntese, glosou do saldo negativo de IRPJ de 2002 pleiteado, de R$ 100.214.094,79, um valor de R$ 962.141,36, e do saldo negativo de CSLL pleiteado, de R$ 6.109.464,34, urn valor de R$ 567.043,27 (fl. 202). Isso representou urna glosa total de R$ 1.529.184,63 (fl. 211). Cabe notar que, embora o encerramento da ação fiscal fosse notificado à fiscalizada em 16/07/2007, essa não recebeu o relatório das glosas, urna vez que tal atribuição seria do SEORT (fl. 202). Nesse cenário, o processo, juntamente corn o relatório fiscal, foi remetido ao SEORT, que proferiu o despacho decisório de n° 394/2007 (fls. 493 a 496), confirmado as glosas. O despacho SEORT destacou, ainda, que afora o trabalho realizado pela diligência fiscal referida, nenhuma outra verificação sobre a veracidade das informações prestadas pelo contribuinte foi efetuada (fl. 493). 0 valor total da glosa, de R$ 1.529.184,63, embora o pedido de restituição tivesse sido apresentado em valor único, abrange tanto o saldo negativo de IRPJ, como o saldo negativo de CSLL, conforme a seguir detalhado. No que concerne ao IRPJ, as glosas somaram R$ 962.141,36, compostas das seguintes parcelas: R$ 146.955,64, de IRRF não comprovado; R$ 1.274.660,52, de estimativa de IRPJ computada a maior na apuração anual de 31/12/2002; R$ 459.474,80 que foi reconhecido a mais pela auditoria fiscal, por pleiteado valor menor que o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ (fl. 1088). No que tange a CSLL, a diferença glosada, de R$ 567.043,27, compõe-se de duas parcelas: urna, de RS 215.678,27, correspondente a parcela de f 3 CSLL pleiteada a maior em relação ao efetivamente apurado na DIPJ (fl. 1090 v); outra, de R$ 351.365,00, referente à CSLL computada como retida por Órgãos públicos, mas não comprovada. Disso tudo o SEORT concluiu, através do despacho 394/2007 (fl. 493/497), corn a complementação pela Comunicação/DRF/SBC/N° 646/2008 (fls. 719 a 721), que do crédito originariamente pleiteado, de R$ 106.323.559,13 (fl. 01), cujo pedido foi protocolado em 02/04/2003, foi deferido o valor de R$ 104.794.374,50 (R$ 106.323.559,13 — 1.529.184,63), exigindo-se os débitos compensados a maior. Essas informações foram notificadas à Mercedes Benz em 02/07/2008 (fl. 722). Antes disso, os débitos não compensados já vinham sendo cobrados, o que se observa através do Comunicado CADIN/RF n° 001529138, de 13 de maio de 2008 (fl. 738), que foi contestado pela recorrente em 25 de julho de 2008 (fl. 723) sob a alegação de que aquela cobrança era indevida, pois o processo 13819.000962/2003-47 - este processo - encontrava-se sob análise na DRF em São Bernardo do Campo. Em vista da Comunicação/DRF/SBC/N° 646/2008, acima referida, recebida em 02 de julho de 2008, tempestivamente, em 01 de agosto de 2008, a recorrente manifestou sua não conformidade corn o decidido pelo SEORT, alegando, em síntese, o que segue (fls. 746 a 761): (a) que a diferença glosada, de R$ 1.529.184,50, não existe (fl. 748); (b) que além de indeferir parcialmente o pedido, a administração tributária a intimou a recolher R$ 1.926.478,94, indevidos, demonstrados pela homologação parcial das declarações de compensação eletrônicas n° 27245.05147.040408.1.3.02-8330 e 10684.10958.040408.1.3.02-1444 (fl. 748); (c) que o procedimento notificado está alcançado pela decadência, pois os créditos somente poderiam ser questionados até 30.06.2008, contando-se cinco anos da entrega da DIPJ do exercício de 2003 (fl. 1082), apresentada em 30 de junho de 2003 (fl. 749); (d) que o valor declarado na DIPJ é maior que o proposto para a compensação em R$ 243.796,50 (R$ 459.474,80 — R$ 215.678,27) (fl. 752); (e) que o valor de R$ 459.474,80 corresponde à diferença entre o IRPJ apurado (fl. 1088) e o utilizado no pedido de restituição, sendo que a empresa optou por não alterar tal pedido (fl. 753); (1) que o valor de R$ 146.955,64, relacionado A antecipação de IRRF foi esclarecido (fl. 753); (g) que o valor de R$ 1.274.660,52, relacionado à insuficiência de estimativa, deve ser computado corno crédito, pois estava sob medida judicial que pleiteava deduzir a CSLL da base de cálculo do IR, tendo -se desistido da ação em dezembro de 2003 quando a diferença foi paga (fl. 754); (h) que o valor de R$ 215.678,27, parte dos R$ 567.043,27 da diferença do saldo negativo de CSLL, é compensado pelo pedido a menor de IRPJ (letra "e") (fl. 755); (i) que o valor de R$ 351.365,00 se refere à retenção de CSLL por órgãos públicos, conforme registros contábeis (fl. 755). Posteriormente, outro comunicado foi remetido à recorrente (Comunicação/DRF/DBC/N" 821/2008) (fl. 1001), informando acerca de débitos não liquidados pela compensação vinculada aos saldos negativos de IRPJ/CSLL de 2002 (DIPJ/2003). Comunicado informou, também, que o presente processo estava sendo remetido para a DRJ, para julgamento, em vista da manifestação de inconformidade de 01/08/2008, acima sintetizada. Tal comunicado foi objeto de nova manifestação de inconformidade (fls. 1017 a 1050), em que são arguidas, basicamente, as alegações da manifestação de 01/08/2008, acrescidas de alegações de pretensas irregularidades na atualização dos débitos apresentados para compensação. Encaminhado o processo para a decisão administrativa, a DRJ de Campinas, em 22 de janeiro de 2009, através da 4" Turma, efetuou o julgamento de Primeiro Grau, registrado no Acórdão n" 05-24.656 (fl. 1.307), com as seguintes ementas: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. HOMOLOGAÇÃO TA'CITA. IMPOSSIBILIDADE. Coin o transcurso do prazo decaclencial apenas o dever/poder de constituir 4 Processo n° 13819.000962/2003-47 SI-C1T3 Adm.(Ido 0. 0 1103-00.434 Fl. 3 o crédito tributário estaria obstado, tendo ern conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetemà homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados quando objeto de pedido de restituição ou compensação. VERIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de oficio, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. DECLARAçÃo DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. A restituição de saldo negativo do IRPJ e da CSLL, com a posterior compensação, condiciona-se a comprovação da tributação dos rendimentos cujo IRRF se pretende deduzir, desde que devidamente acobertado pelos correspondentes Informes de Rendimentos; bem como a comprovação da CSLL deduzida, retida por órgãos públicos, desde que igualmente acobertada pelos Informes de Rendimentos, e do pagamento/compensação das estimativas levadas a dedução no cálculo do imposto/contribuição devidos, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo. Retifica-se o Despacho Decisório recorrido na mesma proporção dos valores comprovados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICAÇÃO EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A retificação de declaração de compensação não é admissivel em sede de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Reconhecido direito creditório adicional, homologa-se a compensação na proporção do crédito concedido. Conforme se observa, a DRJ negou o pleito de decadência, que estaria a impedir que fosse questionado o direito ao credito tributário (saldo negativo de IRPJ e CSLL) do ano calendário de 2002, exercício de 2003, mesmo que a ciência do despacho decisório SEORT 394/2007, que homologou apenas parcialmente a compensação por insuficiência de crédito, somente tivesse sido notificado à recorrente em 02/07/2008 (fl. 722). Também, a DRJ, atendendo informações do próprio contribuinte, afastou um crédito complementar, informado na diligência fiscal, de R$ 459.474,80, correspondente a diferença, a menor, entre o pedido de restituição e o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ do exercício de 2003, ano base de 2002. Igualmente, a DRJ manteve a glosa de parte do crédito de CSLL, de R$ 215.678,27, pela diferença, a maior, entre o pedido de restituição e o saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ do exercício de 2003, ano base de 2002 (fl. 1317). Posteriormente, ao analisar a glosa de créditos do IRPJ, de R$ 146.955,64, compostos de R$ 19.409,08 e R$ 127.546,56 (fl. 1321), a DRJ reconheceu, em relação aos R$ 19.409,08, um credito no valor de R$ 10.000,00, mantendo, por incomprovado, a glosa do restante 5 desse crédito, no valor de R$ 9.409,08. Quanto ao outro valor de crédito glosado, de R$ 127.546,56, este teve a glosa mantida integralmente por não apresentados os comprovantes concernentes. No que respeita à glosa de créditos de CSLL, de R$ 351.365,00, a DRJ reconheceu urn valor de R$ 245.076,20, comprovado como retido por órgãos públicos, mantendo a diferença, de R$ 106.288,80, corno incomprovada (fl. 1321 v). Por fim, no que concerne à glosa de R$ 1.274.660,52, de antecipação de IRPJ por estimativa, esta glosa de crédito foi mantida por tratar-se de cômputo de valor sob discussão judicial não transitada em julgado (dedutibilidade de despesas de CSLL na base de apuração do IRPJ) (fl. 1321 v). Em síntese, a DRJ reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no montante de R$ 255.076,20, homologando compensação suplementar neste valor. Inconformada corn a decisão, da qual foi notificada em 17/03/2009 (fl. 1399), tempestivamente, em 16/04/2009, a interessada interpôs recurso voluntário (fl. 1350). Primeiramente, alega que os créditos pleiteados são consistentes, sugerindo, em longo arrazoado, que a diferença que persiste decorre de verificação, por parte do Fisco, por amostragem, sendo que (sic) "o Fisco deve conferir toda a documentação necessária o cálculo correto e da matéria tributável" (fl. 1361), complementando que "fiscalização incompleta é prova ilícita" (fl. 1368). No concernente a urna afirmação do acórdão recorrido, de que "a recorrente fora de várias formas e ocasiões questionada sobre a re-ratificaçã o da composição dos créditos e que não o fez" (fl. 1371), a recorrente alega que não poderia te-lo feito por estar sob procedimento fiscal, e que demonstrou "claramente a composição do seu crédito, dai então não haver razão para persistir na glosa do crédito no valor de R$ 215.678,27" (fl. 1371). Na sequência, a recorrente alega decadência sobre os fatos geradores dos créditos glosados. Acentua que a decadência não é só urn meio de extinção do crédito tributário, como diz o acórdão recorrido, "mas, também a perda do direito do Fisco analisar e exigir (glosai) créditos oriundos c/c fatos gerados já decaídos" (fl. 1371). Quanto à referencia acerca da guarda de documentos que teria sido efetuada pela Recorrida, diz que não s6 a guardou, mas a "deixou à disposição da fiscalização que não a utilizou na sua totalidade, bem como fez juntar instruindo o presente processo" (fl. 1372). Em relação à alegação, do acórdão recorrido, de que a recorrente teria deixado de fazer prova da alegada desistência de ação judicial, cerne da insuficiência de estimativa glosada, e que não teria apresentado os DARFS dos respectivos recolhimentos das estimativas, diz que a DRJ agiu apenas motivada pela verdade formal, pois a Unido, corno parte do referido processo, teria conhecimento do fato, e que os DARFS recolhidos estão à disposição do fisco a qualquer momento. Por fim, após reafirmar o alegado na manifestação de inconformidade, requer seja o recurso voluntário julgado procedente, reformando-se a decisão a quo, e que seja reconhecida a total compensação no montante de R$ 106.323.559,13, cancelando-se a glosa de R$ 1.529.184,63. o Relatório. Processo n° 13819.000962/2003-47 SIC 1T3 Acórdão n.° 1103-00.434 Fl. 4 Voto Conselheiro GERVASIO NICOLAU RECKTENVALD, 0 recurso voluntário interposto é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, é conhecido. Conforme relatado, a controvérsia original cingia-se principalmente à glosa, no valor de R$ 1.529.184,63, de créditos propostos para compensação, envolvendo saldo negativo de IRPJ e CSLL do ano calendário de 2002, exercício de 2003. Essa diferença foi glosada do crédito originariamente pleiteado em 02/04/2003, que era de R$ 106.323.559,13 (fl. 01), tendo sido deferido o valor de R$ 104.794.374,50 (R$ 106.323.559,13 — 1.529.184,63). A diferença glosada, em relação ao IRPJ, somava R$ 962.141,36, que se compunha das seguintes parcelas: R$ 146.955,64, de IRRF não comprovado; R$ 1.274.660,52, de estimativa computada a maior na apuração anual de 31/12/2002; menos um valor de R$ 459.474,80, reconhecido a mais pela auditoria fiscal então realizada, pois o pedido de restituição foi apresentado em valor menor, nesse montante, considerando que o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ era de fato maior que o valor indicado para compensação (ti. 209). No que tange ao saldo negativo de CSLL, a diferença glosada originariamente correspondia a R$ 567.043,27, composta de duas parcelas: urna, de R$ 215.678,27, correspondente a parcela de CSLL pleiteada a maior no pedido de restituição em relação ao efetivamente apurado na DIPJ; outra, de R$ 351.365,00, referente à antecipação de CSLL computada como retida por órgãos públicos, mas não comprovada. Diante desse cenário, embora a recorrente, em seu recurso voluntário, peça o reconhecimento da insubsistência integral dos créditos glosados, de R$ 1.529.184,63, esse valor não está mais integralmente em discussão, pois foi desfeito, em parte pela própria recorrente, que reiterou em sua defesa que o valor de R$ 459.474,80, computado pelo fisco por ocasião da diligência corno integrante do pedido de restituição, de fato não fazia parte desse pedido (fl. 1317). Também, conforme relatado, a DRJ desfez parte da glosa, no valor de R$ 255.076,20 (R$ 245.076,20 + R$ 10.000,00), por efetivamente ter havido comprovação, nos autos, da improcedência das glosas desses dois valores. Assim, o montante da glosa de créditos que veio para discussão neste estágio corresponde a R$ 1.733.583,23 (R$ 1.529.184,63 — R$ 245.076,20 - R$ 10.000,00 + R$ 459.474,80). Cabe observar que esse montante desconsidera o crédito de R$ 459.474,80, efetivo, mas excluído do pedido de restituição originário. Feitas essas ressalvas, e enfrentando as arguições de defesa, primeiramente, incumbe analisar a arguição da recorrente acerca da pretensa decadência do procedimento fiscal que redundou na glosa de créditos integrantes do pedido de restituição, discutidos neste processo. Segundo a recorrente, a decadência não é só um meio de extinção do crédito 7 tributário, como diz o acórdão recorrido, "mas, também a perda do direito do Fisco analisar e exigir (glosar) créditos oriundos de fatos gerados já decaidos" (fl. 1371), do que conclui ter havido a decadência, por transcorridos mais de cinco anos entre a data da apresentação da DIPJ (30/06/2003) e a data da notificação das glosas (02/07/2008). Diz, ainda, que "a glosa deve ser precedida do lançamento de oficio e este deve respeitar as regras do instituto da decadência" (fl. 1371). Nesse panorama, relembrando a cronologia dos fatos, cumpre dizer que o pedido de restituição, no valor de R$ 106.323.559,13, foi fon -nalizado em 02 de abril de 2003 (fl. 01, 43). Esse pedido, representativo de saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano calendário de 2002 (apuração anual), exercício de 2003, antecipou-se a entrega da DIPJ correspondente, apresentada em 30 de junho de 2003 (fl. 1082). Por fim, cumpre referir que a glosa parcial de créditos foi notificada à recorrente em 02 de julho de 2008 (11. 722). Feitas essas anotações, inicialmente, analisando o entendimento da recorrente de que a glosa dos créditos em questão deveria ter sido formalizada por lançamento de oficio, confesso não encontrar embasamento legal para tal arguição. Segundo o art. 74 da Lei n° 9.430/96, o sujeito passivo que apurar credito, poderá utilizá-lo na compensação de débitos, mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, que são extintos sob condição resolutória de ulterior homologação do procedimento. Ainda segundo o dispositivo legal citado, em caso de não homologação da compensação proposta, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intima-lo a efetuar, no prazo de 30 dias, contado da ciência do ato que não homologou a compensação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados, facultado ao sujeito passivo, também no prazo de 30 dias, apresentar manifestação de inconformidade. Não há, portanto, previsão legal a impor lançamento de oficio para formalizar a glosa de créditos incomprovados. No que tange ao prazo de homologação, segundo o determinado pelo § 5 0 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003, este é de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação. Se nesse hiato temporal não houver manifestação da autoridade administrativa, serão considerados extintos os débitos propostos para compensação, independentemente da efetividade dos créditos. Não ha, portanto, razão para refonnar, nesse aspecto, a bem fundamentada argurnentação do voto condutor do acórdão recorrido, que peço vênia para reproduzir em parte (fls. 1317 v): Nos termos da legislação, o lançamento é ato administrativo de constituição de crédito tributário, sujeito a prazo decadencial, de acordo coin as normas aplicáveis previstas no CTN (arts. 150. § 4° e 173,1). Por seu turno, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a (mica limitação imposta a atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser 8 Processo n° 13819.000962/2003-47 S 1 -C1T3 AcOrddo n.° 1103-00.434 Fl. 5 extintos, independentemente da existência dos créditos (art. 74, §5 0, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Na verdade, cumpre ao órgão competente o pronunciamento acerca da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do sujeito passivo para extinção dos débitos fiscais a ele vinculados por meio das declarações de compensação. Não se pode admitir que a determinação da certeza e liquidez dos indébitos tributários, relativos ao saldo negativo do IRPJ, possa ser aferida sem qualquer análise da base de calculo do imposto que lhe serve de fundamento. Relevante assentar que a análise em questão, da regularidade da composição da base de cálculo, fato o qual serve de fundamento a determinação do saldo negativo do imposto, se já ultrapassado o termo final da contagem do prazo decadencial, não pode implicar lançamento de oficio de diferenças de imposto porventura apuradas. Todavia, não se pode dizer, por isso, que o órgão administrativo deve simplesmente "homologar" o saldo negativo de IRPJ demonstrado na D1PJ correspondente e proceder à restituição ou a compensação, sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. Oportuno esclarecer que, desde a instituição da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, pela Instrução Normativa SRF n° 127, de 30 de outubro de 1998, a declaração apresentada a SRF tem caráter meramente informativo, constituindo-se apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, cio imposto devido e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação: () nos prazos decadenciais previstos no CTN, para a constituição de crédito tributário; ou (n) no prazo da homologação tácita das compensações, para fins de restaurar a exigibilidade dos débitos fiscais indevidamente compensados. Ante o exposto, e com base nos fundamentos do acórdão recorrido, rejeito a arguição de decadência da glosa parcial dos créditos. Na sequência, enfrenta-se a genérica alegação da defesa, em que a recorrente dá a entender que o fisco não teria examinado todos os documentos colocados à disposição, sugerindo ser essa a razão da glosa parcial dos créditos. certo, corno diz a recorrente, que (sic) "o Fisco deve conferir toda a documentação necessária o cálculo correto e da matéria tributável" (fl. 1361). Também, é certo que não o fazendo, se existentes os documentos, a glosa de créditos procedida pelo fisco deve ser considerada improcedente. No caso, porém, a pretensa auditoria por amostragem não pode servir como fundamento para afastar a glosa de créditos, pois não restou comprovado que o fisco não teria examinado todos os documentos relacionados à apuração dos saldos negativos. Ademais, as diferenças glosadas, principalmente após o minucioso exame procedido pela DRJ recorrida, estão claramente identificadas e individualizadamente 9 quantificadas, não tendo a defesa produzido através do recurso que ora se examina qualquer prova que permitisse fossem localizados, no processo, os documentos que embasariam os créditos glosados. Também, nenhum documento foi juntado por ocasião do recurso voluntário que comprovasse valores relacionados a créditos não reconhecidos pelo fisco ou pelo acórdão recorrido. Assim, confirmo o decidido pela DRJ, que reduziu a glosa de créditos para R$ 1.733.583,23, isto antes de computada a diferença pedida a menor, de IRPJ, no valor de R$ 459.474,80. Em outro ponto da defesa, a recorrente critica urna afirmação do acórdão recorrido, de que "a recorrente fora de várias formas e ocasiões questionada sobre a re- ratificação da composição dos créditos e que não o fez" (fl. 1371), tendo em vista divergência entre o saldo credor da CSLL efetivamente apurado na DIPJ e o proposto para compensação, de R$ 215.678,27. Especificamente, a recorrente alega que não poderia te-lo feito por estar sob procedimento fiscal e que demonstrou "claramente a composição do seu crédito, dai então não haver razão para persistir na glosa do crédito no valor de R$ 215.678,27" (fl. 1371). Tal arguição, porem, também não pode ser acolhida para dar guarida ao credito, pois, reconhecidamente, o saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ é menor que o requerido no pedido de restituição (fl. 1), em R$ 215.678,27, razão pela qual é de se abonar o decidido pelo Acórdão recorrido, que manteve a glosa em foco. Evidentemente, tal crédito, inexistente, poderia ter sido absorvido pelo valor pedido a menor de IRPJ, no valor de R$ 459.474,80, uma vez que o pedido de restituição inicial (fl. 01), unificado, foi apresentado com os saldos credores de IRPJ e CSLL acumulados. Porem, conforme já indicou o Acórdão recorrido, a interessada, demandada para se pronunciar sobre os valores definitivos que queria aproveitar no pedido de restituição, mostrou-se contraditória e imprecisa. Nesse caminho, já por ocasião da diligência fiscal, em 14 de agosto de 2006 (fl. 48), a recorrente, em resposta a intimação, reconhecendo divergências entre os saldos credores apurados na DIPJ entregue em 30/06/2003 e os inicialmente computados para formalizar o pedido de restituição (02/04/2003), informou que mesmo assim a diferença estava a favor da contribuinte, no valor de R$ 243.796,53 (R$ 459.474,80 — R$ 215.678,27) (fl. 44), corn o que sugere fosse utilizado o saldo negativo pedido a maior em relação ao IRPJ. Porém, em outra ocasião, mais precisamente em 06 de junho de 2007, em resposta a intimação para esclarecer a diferença de IRPJ, de R$ 459.474,80 (fl. 61), a recorrente informou que (sic) "o pedido de restituição foi apresentado em 04/2003 com informações estimadas do saldo negativo da IRPJ, no entanto, por força da legislação, a DIPJ foi apresentada em 30/06/2003 coin os valores oficiais, não sendo feita a complementação do saldo negativo" (fl. 64). Em outra manifestação, de 15/06/2007 (fl. 194), a empresa respondeu que "o valor correto pleiteado pela empresa e protocolado em 02/04/03 foi de R$ 100.214.094,79, conforme pedido de restituição n" 13819.000962/2003-47", o que exclui do pedido o valor de R$ 459.474,80, urna vez que o saldo negativo efetivamente apurado na DIPJ foi de R$ 100.673.569,59 (if 1088). Ainda, em planilha na fl. 195, a empresa informou que o valor de R$ 459.474,80 corresponde a "saldo de crédito não pleiteado". 10 Proccsso TV 13819.000962/2003-47 SI-CIT3 Acórdão n.° 1103-00.434 Fl. 6 Ante esses posicionamentos, procede a glosa do credito de R$ 215.678,27, concernente ao saldo credor de CSLL computado a maior no pedido de restituição de fl. 01. Por fim, também através do recurso voluntário, a defesa teceu criticas acerca da argumentação que a DRJ apresentou para manter a glosa, de R$ 1.274.660,52, concernente a valor computado no saldo credor de IRPJ apurado, caracterizado como antecipação de IRPJ por estimativa, cuja glosa foi efetuada pelo fisco e mantida pela DRJ por envolver, na época, valor sob discussão judicial não transitada em julgado. Segundo o recurso voluntário, o posicionamento do acórdão recorrido, ao dizer que a impugnante teria deixado de fazer prova da alegada desistência de ação judicial, cerne da insuficiência de estimativa glosada, e que não teria apresentado os DARES dos respectivos recolhimentos das estimativas, teria mostrado que a DRJ agiu apenas motivada pela verdade formal. Afinal, ainda segundo a defesa, a Unido, como parte do referido processo, teria conhecimento do fato, e que os DARFS recolhidos estão à disposição do fisco a qualquer momento. Essa arguição, todavia, diverge de outro posicionamento sobre o tema, expresso em resposta a intimação formulada para que a recorrente justificasse a diferença de IRPJ/Estimativa, de R$ 10.353.205,50, quando a documentação apenas apontava o valor de R$ 9.078.544,98. Naquela ocasião, em 15 de junho de 2007, a recorrente respondeu que "a empresa apresentou planilha no montante de R$ 10.353.205,50 como IRPJ/ESTIMATIVA a restituir, em razão do erro demonstrado na questão 5, relação anexa, sendo que o valor correto a restituir e comprovado corn DARFs é de R$ 9.078.544,98" (fI. 195). Logo adiante, na folha 197 - um anexo da resposta acima - a empresa especificou os valores das diferenças apuradas e não recolhidas, num total de R$ 1.274.660,52, esclarecendo "as causas que levaram a empresa a erro". Posteriormente, na manifestação de inconformidade (fl. 754), a recorrente informou: "No que tange aos recolhimentos por estimativa, a diferença apresentada de R$ 1.274.660,52 decorre de Medida Judicial impetrada pela empresa tendo por finalidade reconhecer seu direito de deduzir a CSLL da base de aikido do IRPJ, que lhe garantia a suspensão da exigibilidade. Em dezembro de 2003, a empresa desistiu da ação, tendo, por consequência da desistência, realizado o pagamento do valor discutido, na quantia de R$ 3.022.422,68" (fl. 754). Essas informações, certamente levaram a DRJ a confirmar a glosa do valor em tela, de R$ 1.274.660,52, no que é apoiada por esta relatoria, pois na época esses valores não representavam antecipações compensáveis. Ante o exposto, confirmo o decidido no Acórdão recorrido e nego provimento ao recurso voluntário. o GERVA IO NICOL U RECKTEN ALD 11
score : 1.0
Numero do processo: 11080.013272/99-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1995
RESTITUIÇÃO. DÉBITO DE PISDEDUÇÃO.
EXCLUSÃO.
Para fins de cálculo do valor a restituir a título de PIS não deve ser excluído
dos pagamentos efetuados pela recorrente o valor do PISDedução
recolhido
com recursos do IRPJ.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-000.907
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1995 RESTITUIÇÃO. DÉBITO DE PISDEDUÇÃO. EXCLUSÃO. Para fins de cálculo do valor a restituir a título de PIS não deve ser excluído dos pagamentos efetuados pela recorrente o valor do PISDedução recolhido com recursos do IRPJ. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DÉBITO DE PISDEDUÇÃO. EXCLUSÃO. Para fins de cálculo do valor a restituir a título de PIS não deve ser excluído dos pagamentos efetuados pela recorrente o valor do PISDedução recolhido com recursos do IRPJ. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 25/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. Fl. 508DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição seguido de diversos pedidos de compensação, todos indeferido pela DRF de jurisdição da recorrente. Inconformada a empresa apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ em Porto Alegre deferiu parcialmente a manifestação de inconformidade nos seguintes termos: A interessada apresentou os demonstrativos de fls. 126 e 127, onde demonstrou o montante dos créditos de PIS passíveis de compensação, já descontados os valores de PIS/REPIQUE e PIS/DEDUÇÃO efetivamente devidos. Entretanto, não há no presente processo a efetiva comprovação das bases de cálculo que deram origem aos débitos de PIS/REPIQUE/DEDUÇÃO, que foram deduzidos dos pagamentos de PIS/FATURAMENTO. Portanto, entendo que caberá à DRF de origem verificar a certeza e liquidez dos créditos alegados, conferindo as bases de cálculo apontadas pela interessada. Após tal encontro de contas, os créditos de PIS remanescentes deverão ser atualizados com a utilização dos índices oficiais, ou seja, UFIR até 01/01/1996 e a partir daí pela taxa Selic até a data do encontro de contas pretendido (vide relação de débitos de fls. 2 e 78 a 88). Isso posto, VOTO no sentido de declarar a decadência dos pagamentos efetuados anteriormente a 13/08/1994, tendo em vista que o pedido administrativo data de 12/08/1999, bem como autorizar a compensação do créditos de PIS não atingidos pela decadência com débitos de Cofins e IRPJ, cabendo à DRF de origem a conferência das bases de cálculo do PIS/REPIQUE/DEDUÇÃO e dos pagamentos efetuados pela interessada, bem como dos índices utilizados na atualização dos referidos indébitos (Ufir e taxa Selic a partir de 01/01/1996). Ciente dessa decisão, a empresa interessada ingressou com recurso voluntário perante o Segundo Conselho de Contribuinte que julgou o feito para lhe dar parcial provimento, nos seguintes termos (Acórdão nº 20215.530): Entretanto, no caso aqui tratado, temse que o direito do contribuinte nasce da decisão que o favorece, anterior às datas citadas. Assim, por analogia, como seu pedido administrativo ocorreu dentro do prazo de cinco anos desta decisão, afasto a prejudicial de decadência pelos fundamentos aqui esposados Diante do exposto, julgo parcialmente procedente o recurso da Contribuinte afastando a decadência e determinando que o indébito seja apurado conforme declarado pela DRJ. Na execução da acima decisão do Segundo Conselho de Contribuinte, a DRF adotou, em síntese, os seguintes procedimentos: 1 identificou os pagamentos de PIS realizados pela recorrente no período objeto do Pedido de Restituição de fls. 1; 2 calculou o valor do PIS Dedução e do PIS Repique com base nas Declarações de IRPJ apresentadas pela empresa recorrente; Fl. 509DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.013272/9993 Acórdão n.º 330200.907 S3C3T2 Fl. 502 3 3 considerou como pagamento indevido, passível de restituição, a diferença positiva entre os valores pagos pela recorrente a título de PIS Faturamento e os valores devidos a título de PIS Dedução e de PIS Repique; 4 fez as atualizações dos valores pagos indevidamente, passíveis de restituição, na forma da legislação de regência; 5 efetuou, na ordem cronológica de apresentação, a compensação dos débitos constantes dos pedidos de compensação apresentados pela recorrente, até o limite do crédito apurado, restando débitos que não foram compensados por insuficiência de crédito. 6 proferiu o Despacho Decisório de fls. 307/312, no qual descreve os procedimentos acima. Dele dá ciência à recorrente, abrindolhe prazo de 10 (dez) dias para recurso hierárquico. Não se conformando com a decisão da DRF sobre os procedimentos adotados na execução do Acórdão nº 20215.530, a empresa interessada apresenta a Manifestação de Inconformidade/Recurso Administrativo de fls. 336/349. Após vários incidentes processuais envolvendo DRF, DRJ, SRRF e 2CC, chegou aos autos decisão liminar proferida em mandado de segurança determinando processamento da Manifestação de Inconformidade/Recurso Administrativo de fls. 336/349 pelo rito do Decreto nº 70.235/72. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1018660, de 20/03/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM MOMENTO PROCESSUAL ADEQUADO PRECLUSÃO A matéria que não for abordada no momento processual adequado tornase definitiva na esfera administrativa, precluindo o direito do contribuinte de contestála. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 14/04/2009, conforme AR de fl. 460, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 13/05/2009, com o recurso voluntário de fls. 463/477, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade de que: 1 é impossível exigir e extinguir o PIS (Repique e Dedução) através de compensação do crédito reconhecido por sentença transitada em julgado por ter ocorrida a decadência. Foi efetuado recolhimento de PIS pela sistemática do faturamento, quando deveria ser PIS repique e PIS Dedução. Não houve lançamento dessas últimas modalidades; 2 é indevida a inclusão do PISDedução no cálculo do valor do crédito a restituir porque este era deduzido do IRPJ e recolhido, portanto, não representa encargo da recorrente. Somente o PISRepique era pago com recursos próprios. 3 foram desconsiderados os pedidos de compensação retificados, inclusive em razão de valores indevidos ou já pagos, nos períodos de apuração que cita. Fl. 510DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. Voto Conselheiro Walber José da Silva Conheço do recurso voluntário por força da decisão judicial proferida no mandado de segurança impetrado pela recorrente. Como relatado, o pedido de restituição da recorrente já foi decido administrativamente, não cabendo a este Colegiado decidir sobre o que já decidiu. E a decisão administrativa final foi no sentido de efetuar a restituição dos valores pagos indevidamente a título de PIS. E o valor do pagamento indevido do PIS, aqui decidido, apurase com a exclusão, dos pagamentos efetuados pela recorrente, dos valores devidos a título de PISDedução e de PISRepique. Portanto, preclusos os argumentos da recorrente sobre a forma de apuração dos valores a restituir, deles não se conhecendo. No entanto, a recorrente alega, e com razão, que os valores do PISDedução não são encargos seus e que os mesmos integram o IRPJ pago. De fato, a parcela a cargo das empresas prestadoras de serviços, a título de PIS, é somente o valor do PISRepique. O fato da empresa pagar o IRPJ integralmente, ou seja, sem a dedução do PISDedução, caracteriza pagamento indevido de IRPJ no exato valor do PIS não deduzido do IRPJ, sem nenhum prejuízo para o Fisco que pode fazer, de ofício, a devida compensação. Considerando que o PISDedução era calculado com base no IRPJ devido ou como se devido fosse, pode haver diferença não recolhida de PISDedução. Isto corre, por exemplo, em razão de isenção concedida à recorrente. Neste caso o ônus do recolhimento é do contribuinte. No caso dos autos, cabe à RFB apurar eventuais diferenças de PISDedução a ser excluído do valor a restituir. Portanto, na execução da decisão administrativa transitada em julgado (Acórdão nº 20215.530), que determinou que o indébito fosse apurado conforme declarado pela DRJ, deve ser considerado e excluído dos pagamentos da recorrente, o valor do PIS Repique e eventuais diferenças de PISDedução não recolhidas junto com o IRPJ. Quantos aos eventuais erros materiais cometidos na execução do acórdão (compensação de valores indevidos erro de informação em pedidos de compensação e pagamentos realizados e simultaneamente incluído em pedido de compensação), cabe à autoridade encarregada da execução do presente acórdão realizar a revisão desses valores, à luz das provas trazidas pela contribuinte. Fl. 511DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.013272/9993 Acórdão n.º 330200.907 S3C3T2 Fl. 503 5 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que o valor do PISDedução recolhido junto com o IRPJ não seja considerado no cálculo do crédito da recorrente. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 512DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000722/2002-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2001 A 31/12/2001
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO VALORES DERIVADOS DE
EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. MERCADORIAS
ADQUIRIDAS DE TERCEIROS PARA REVENDA. EXCLUSÃO
TAMBÉM DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Não se admite, para
fim de cálculo da variável “Receita de Exportação”, utilizada para apurar
percentual a ser aplicado para determinação do crédito presumido de IPI, que
sejam computadas as receitas oriundas da exportação de produtos agrícolas,
não industrializados. Da mesma forma, tais produtos não podem integrar o
conceito de “Receita Operacional Brutal”, evitando, assim, a distorção do
percentual a ser utilizado.
CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Não
tendo o contribuinte trazido prova aos autos da realização de exportações
questionadas pelo Fisco, de se manter a glosa das receitas de exportação
supostamente referente a tais operações, do cômputo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE
COOPERATIVAS E/OU PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de
cálculo do crédito presumido, admitese
a inclusão dos valores referentes às
aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas ou cooperativas, nos
termos da jurisprudência pacífica e reiterada deste Conselho. Ademais, a
questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de
Justiça, consubstanciado no Recurso Especial RESP
993164,
de relatoria
do Ministro Luiz Fux. CREDITO PRESUMIDO IPI – INSUMOS IMPORTADOS E
INDUSTRIALIZADOS SEM A UTILIZAÇÃO DE INSUMOS
NACIONAIS. Impossibilidade de utilização de créditos decorrentes de
insumos importados que, quando industrializados não utilizaram insumos
nacionais. Inocorrência do tipo descrito na Lei 9363/96.
TAXA SELIC – RESSARCIMENTO – APLICAÇÃO. Uma vez que o
ressarcimento é espécie do gênero restituição deve incidir, sobre o valor a ser
ressarcido, juros de mora calculados com base na taxa SELIC. Entendimento
do Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Repetitivo, nos autos do
Recurso Especial RESP
993164 – de relatoria do Ministro Luiz Fux.
Súmula 411STJ.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3302-000.953
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os
conselheiros José Antonio Francisco e Walber José da Silva.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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EXCLUSÃO VALORES DERIVADOS DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS PARA REVENDA. EXCLUSÃO TAMBÉM DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Não se admite, para fim de cálculo da variável “Receita de Exportação”, utilizada para apurar percentual a ser aplicado para determinação do crédito presumido de IPI, que sejam computadas as receitas oriundas da exportação de produtos agrícolas, não industrializados. Da mesma forma, tais produtos não podem integrar o conceito de “Receita Operacional Brutal”, evitando, assim, a distorção do percentual a ser utilizado. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Não tendo o contribuinte trazido prova aos autos da realização de exportações questionadas pelo Fisco, de se manter a glosa das receitas de exportação supostamente referente a tais operações, do cômputo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS E/OU PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas ou cooperativas, nos termos da jurisprudência pacífica e reiterada deste Conselho. Ademais, a questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, consubstanciado no Recurso Especial RESP 993164, de relatoria do Ministro Luiz Fux. Fl. 1281DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 330200.953 S3C3T2 Fl. 2 2 CREDITO PRESUMIDO IPI – INSUMOS IMPORTADOS E INDUSTRIALIZADOS SEM A UTILIZAÇÃO DE INSUMOS NACIONAIS. Impossibilidade de utilização de créditos decorrentes de insumos importados que, quando industrializados não utilizaram insumos nacionais. Inocorrência do tipo descrito na Lei 9363/96. TAXA SELIC – RESSARCIMENTO – APLICAÇÃO. Uma vez que o ressarcimento é espécie do gênero restituição deve incidir, sobre o valor a ser ressarcido, juros de mora calculados com base na taxa SELIC. Entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Repetitivo, nos autos do Recurso Especial RESP 993164 – de relatoria do Ministro Luiz Fux. Súmula 411STJ. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco e Walber José da Silva. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas – Relatora EDITADO EM: 01/08/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI (fls. 01), relativo aos quatro trimestres do anocalendário de 2001, no montante de R$ 191.468,85 (cento e noventa e um mil, quatrocentos e sessenta e oito reais e oitenta e cinco centavos), protocolado em 22/02/2002. O pedido fundamentase nas disposições da Lei nº 9.363/96, referindose, portanto, ao crédito presumido de IPI concedido como forma de ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, incidentes sobre exportações. Fl. 1282DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 330200.953 S3C3T2 Fl. 3 3 O Despacho Decisório (fls. 1.027/1.048) noticiou a ocorrência a incorporação da empresa Paraná Citrus S/A (signatária do Pedido de Ressarcimento) pela Cocamar Cooperativa Agroindustrial, CNPJ 79.114.450/000165, em 30/09/2005 (fls. 545 e 546) e, no mérito, deferiu apenas parcialmente o crédito solicitado, mais especificamente no montante de R$ 10.927,58 (dez mil, novecentos e vinte e sete reais e cinquenta e oito centavos), glosando os demais valores com base nos seguintes fundamentos: a) foram inadequadamente considerados no cálculo da receita de exportação produtos que não são de fabricação própria (farelo e óleo de soja e milho em grãos, fl. 906 notas fiscais emitidas com CFOP 7.11); b) também foram equivocadamente computados produtos cuja comprovação da exportação não foi apresentada (despacho de exportação – relatório de fl. 933); c) foram computados no cálculo do crédito insumos adquiridos de pessoas físicas e de sociedades cooperativas, os quais não poderiam compor o valor a ser ressarcido. Após ciência do Despacho Decisório a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 1.103/1.124), alegando em síntese que: a) a exportação de farelo e óleo de soja e de milho em grãos, adquiridos de terceiros, não poderia ter sido excluída da base de apuração do crédito presumido, pois somente com a IN n° 313/03, passou a existir a vedação legal para a inclusão de produtos para revenda, no cálculo do referido crédito; b) quanto à exportação de produtos sem comprovação, a requerente alega que juntará oportunamente as devidas comprovações; c) as exportações identificadas na planilha de fls. 933, consideradas como não comprovadas pelo Fisco, serão comprovadas oportunamente; d) em relação às exportações efetuadas por meio da Citrosuco (notas fiscais n° 13.436 e 13.514), são comprovadas por meio do memorando de exportação em anexo, que tem por fim comprovar a remessa ao exterior; e) as exclusões de aquisições de insumos importados e aquisições de produtos destinados a revenda não podem ser aceitas, porque a Lei n° 9.363/96 não trouxe nenhuma limitação a respeito destes insumos; f) quanto aos insumos adquiridos de pessoas físicas ou de sociedades cooperativas, também não há nenhuma limitação na referida lei, que indique que os mesmos não pudessem ser considerados no computo do crédito presumido, de modo que sequer poderiam ser restringido por normas infralegais; g) o ajuste do montante dos produtos acabados e semi acabados não vendidos (de R$ 97.865,02 para R$ 75.381,02) é resultante das mencionadas exclusões e é impertinente; Fl. 1283DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 330200.953 S3C3T2 Fl. 4 4 h) o pleito deve ser atualizado monetariamente para que sejam evitadas perdas imensuráveis, sendo o Conselho de Contribuintes favorável a isso; i) por fim, requer o deferimento do pedido de ressarcimento à vista da lisura dos procedimentos adotados pela interessada, assim como o endereçamento das intimações ao advogado desta. A DRJ julgou Improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos (fls. 1.228/ 1.235): “CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, nãocontribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A receita de vendas de produtos adquiridos de terceiros é insuscetível de cômputo na apuração da receita de exportação, uma vez que não há industrialização nessa hipótese e o benefício fiscal é concernente apenas às empresas produtoras exportadoras. Somente podem ser computadas como receita de exportação os valores das notas fiscais de venda para exportação presentes em Despacho de Exportação, com registro no sistema de processamento de dados pertinente (SISCOMEX). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 INTIMAÇÕES POR VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIOELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. As intimações necessárias no curso do processo, por via postal, devem ser destinadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de ora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal.” Fl. 1284DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 330200.953 S3C3T2 Fl. 5 5 Após ser cientificada da decisão a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 1.238/1.261), reiterando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. Passo, então, à análise dos argumentos trazidos pela Recorrente. Dos termos relatados, o contribuinte apresenta em seu recurso as seguintes questões: (i) impossibilidade de exclusão de valores da Receita de Exportação; (ii) consideração das exportações indicadas na planilha de Fls. 933; (iii) exportações relativas às Notas Fiscais nº 13.436 e 13.514; (iv) insumos adquiridos de Pessoas Físicas e Cooperativas; (v) taxa Selic. (i) Impossibilidade de exclusão de valores da Receita de Exportação Primeiramente, em relação aos PRODUTOS AGRÍCOLAS ADQUIRIDOS PELA RECORRENTE PARA REVENDA (exportação) – farelo de soja, óleo de soja e milho em grão (CFOP 7.11) – cujos valores derivados de sua exportação foram excluídos da variável “Receita de Exportação” utilizada para apuração do percentual que é aplicado para calcular o crédito presumido. É cediço que a apuração do crédito presumido se dá em conformidade com o disposto no artigo 2º da Lei nº 9.363/96: “Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” (destaquei) Fl. 1285DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 330200.953 S3C3T2 Fl. 6 6 De acordo com o que consta no Despacho Decisório (fls. 1.032), a receita derivada da exportação dos produtos agrícolas adquiridos pela Recorrente para revenda foi excluída da variável “Receita de Exportação” por não se tratar de exportação de produtos industrializados, verbis: “35. Tais produtos, exportados pela empresa nestes Despachos, são: farelo de soja, óleo de soja e milho em grãos. 36. Os valores então verificados destas exportações não podem ser considerados na presente apuração, por expressa autorização legislativa apenas às mercadorias nacionais industrializadas pelo próprio exportador, ainda que exportadas via empresa comercial exportadora, conforme conceito de empresa produtora inserto no art. 2°. da Portaria n. 38, de 1997.” (destaquei) Não obstante o fundamento da exclusão efetuada seja uma expressa autorização legislativa, de inclusão na “Receita de Exportação” apenas de mercadorias nacionais industrializadas pelo próprio exportador, o agente fiscal não identifica qual seria este dispositivo. Limitouse, portanto, a afirmar que só poderiam ser computadas como “Receita de Exportação” aquelas auferidas com a venda ao exterior de produtos industrializados pelo próprio contribuinte. Na sequência, ao tratar da variável “Receita Operacional Bruta” que também é utilizada na apuração do percentual que serve de base para o cálculo do crédito em questão – o agente fiscal afirma claramente que a limitação aplicável ao cálculo da “Receita de Exportação”, qual seja, à exportação de produtos industrializados pelo contribuinte, não se aplica no cálculo da “Receita Operacional Bruta” do contribuinte. Vejamos (fls. 1.039): “59. O art. 3°. da Portaria MF n. 38, de 1997 especifica o conceito de receita operacional bruta: Art. 3° (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; 60. Conforme definido, o conceito de receita operacional bruta apóiase na legislação do imposto de renda pessoa jurídica não se autorizando na apuração, portanto, a exclusão de receitas de revenda de mercadorias adquiridas (CFOP 5.12, 6.12 e 7.12. Não se autoriza também a exclusão de receitas, ainda que em CFOP diverso, apuradas e verificadas como receitas de vendas decorrente de faturamento antecipado, para posterior remessa dos produtos em Notas Fiscais distintas. É o que se observou quanto às saídas consignadas em CFOP 6.86, que efetivamente não se tratavam de remessas, mas de vendas antecipadas, com posteriores e individuais remessas em CFOP6.99. O Relatório "Demonstrativo de Notas Fiscais de remessa 3°. e 4°. trimestres de 2001 (CFOP 6.99)", de fls. 936 a 938, individualiza tais Fl. 1286DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 330200.953 S3C3T2 Fl. 7 7 remessas CFOP 6.99 e suas respectivas Notas Fiscais de venda CFOP 6.86.” (destaquei) Ou seja, ao tratar da variável “Receita Operacional Bruta” o agente fiscal entendeu que produtos adquiridos para revenda não devem ser excluídos, ao contrário do que afirmou em relação à “Receita de Exportação”, quando determinou a exclusão dos produtos adquiridos apenas para revenda, que não foram produzidos/industrializados pela Recorrente. Ora, é evidente que o agente fiscal adotou premissas distintas para as assertivas que utilizou em seu Despacho Decisório – posteriormente confirmado pela DRJ – para determinar como apurar a “Receita de Exportação” e a “Receita Operacional Bruta”, variáveis estas que determinam um percentual a ser utilizado no cálculo do crédito presumido. Ao limitar a “Receita de Exportação” apenas àquela auferida com produtos industrializados pelo próprio contribuinte, e não aplicar a mesma limitação (a produtos industrializados), quando trata da “Receita Operacional Bruta” o agente fiscal promoveu uma distorção no cálculo do percentual. Utilizando grandezas que não possuem os mesmos parâmetros – ou os mesmos limitadores (produtos industrializados) – a distorção é evidente, mormente porque ao limitar a “Receita de Exportação” e não fazêlo em relação à “Receita Operacional Bruta”, o percentual será sempre mais reduzido do que se aplicasse a ambas as grandezas ou limitador, ou se, por outro lado, não o aplicasse a nenhuma das duas grandezas. A respeito da limitação das grandezas “Receita de Exportação” e “Receita Operacional Bruta”, para que se refiram apenas às vendas de produtos industrializados, esta Turma já se manifestou, justamente visando evitar a distorção ora sob análise. Destaco trecho de voto do Ilustre Conselheiro José Antônio Francisco, quando do julgamento do Recurso Voluntário n º 120.133 / 123707, que tratava justamente do crédito presumido de IPI ora sob análise, verbis: “A divergência em relação ao voto da relatoria restringese à definição de receita bruta para efeito da apuração da relação percentual dos insumos que são empregados em produtos exportados. A razão entre receita de exportação e receita bruta tem o claro objetivo de apurar o percentual dos insumos que são utilizados em produtos exportados. Dessa forma, a receita bruta somente poderia referirse à receita de vendas de produtos fabricados com os insumos. A inclusão da receita de revendas diminui artificialmente o percentual, de forma injustificada, uma vez que os insumos não são empregados em produtos revendidos. A Portaria MF nº 38, de 1997, referiuse à receita operacional bruta como se representasse o produto de venda de bens e serviços, que causou o surgimento de uma linha de interpretação literal das disposições da Portaria, segunda a qual a receita bruta, para efeito do cálculo, abrangeria também a receita de exportação de produtos adquiridos de terceiros. Nesse ponto, as Portarias MF nºs 64, de 2003 e 93, de 2004, art. 3º § 12, II, antes de inovarem a ordem jurídica, já que não houve Fl. 1287DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 330200.953 S3C3T2 Fl. 8 8 alteração legal, objetivaram afastar essa linha de interpretação para deixar claro que receita operacional bruta representa apenas a de produtos industrializados pela pessoa jurídica. Notese que sequer a expressão “receita operacional bruta” foi alterada, o que exige que se reconheça a adoção de uma definição própria para efeito de apuração do crédito presumido.”(destaquei) A decisão visou, portanto, afastar possíveis distorções no cálculo do percentual a ser apurado da razão entre a “Receita de Exportação” e a “Receita Operacional Bruta”, de modo que, ao se aplicar o limitador “produtos industrializados” ao cálculo da “Receita de Exportação” o mesmo limitador também fosse aplicado no cálculo da “Receita Operacional Bruta”. Logo, admitindose que a limitação promovida em relação à “Receita de Exportação” aplicada pela Recorrente, com vistas a retirar de seu valor total a quantia relativa às exportações de produtos agrícolas, não industrializados, mas adquiridos apenas para revenda, é de se determinar, por conseqüência, a exclusão de tais vendas também do cômputo da “Receita Operacional Bruta”. (ii) consideração das exportações indicadas na planilha de Fls. 933 Em relação às EXPORTAÇÕES INDICADAS NA PLANILHA DE FLS. 933 – cujas receitas foram excluídas do cálculo do crédito presumido, porque o Fisco entendeu não haver comprovação da ocorrência das exportações, alega a Recorrente que “as comprovações do destino dos referidos insumos ao exterior serão juntadas oportunamente”. Entretanto, tais comprovações em nenhum momento foram juntadas aos autos, seja na Manifestação de Inconformidade (quando a Recorrente alegou, também, que oportunamente apresentaria tais documentos), seja no Recurso Voluntário (onde também não trouxe aos autos qualquer comprovação de exportações). Desta forma, em vista da total ausência de provas, nego provimento ao recurso da Recorrente neste particular. (iii) das Notas Fiscais nº 13.436 e 13.514 Quanto às EXPORTAÇÕES RELATIVAS ÀS NOTAS FISCAIS Nº 13.436 E 13.514, que teriam sido realizadas através da Citrosuco, mas que foram questionadas pelo Fisco, também não procede a alegação da Recorrente de que a comprovação das remessas estaria comprovada por meio do Memorial de Exportação apresentado junto com sua Manifestação de Inconformidade (fls. 1.138/1.141). Referido Memorial não indica tais notas fiscais, senão por uma anotação feita à mão no documento (fls. 1.138). Tais notas fiscais também não estão descriminadas na Nota Fiscal emitida pela Citrosuco (fls. 1.140), e juntada pela Recorrente como hábil a comprovar a exportação em questão. O comunicado emitido pela Citrosuco, também em relação a exportação ocorrida, também não contempla as notas fiscais em questão (fls. 1.141). Fl. 1288DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 330200.953 S3C3T2 Fl. 9 9 (iii) Insumos adquiridos de Pessoas Físicas e Cooperativas Em relação à glosa dos valores relacionados a INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS, assiste razão à Recorrente. Este órgão já pacificou seu entendimento, no sentido de permitir o cômputo dos custos com estes insumos, tendo em vista que a Lei nº 9.363/96 não vedou o direito ao crédito do contribuinte quando suas compras são realizadas por meio de cooperativas ou de pessoas físicas. Pelo contrário, o entendimento firmado é o de que, tendo em vista que a Lei não restringiu o direito ao crédito, concedeuo em relação ao valor total de aquisição de insumos. De se ressaltar que, não obstante as Instruções Normativas nº 23/97 e 103/97 viessem a restringir a tomada de tais créditos vedando o crédito quando da aquisição de insumos de cooperativas e pessoas físicas não poderiam fazêlo. Isto porque as Instruções Normativas são normas complementares das Leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto das normas que complementam. São precedentes, neste sentido, da antiga Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes os Recursos nº 111.665; 111.931; 111.579; 117.909, dentre outros. No mesmo esteio seguem diversas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais quando da análise da matéria, Recursos nº 201110.145; 201115.731; 201111.581; 201107.591, dentre outros. Inclusive, tal posicionamento foi confirmado e reiterado em recente julgamento proferido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica dos termos da decisão do Recurso de Procurador RP/202119.537. Necessário ainda registrar que a matéria já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, consubstanciado no Recurso Especial RESP 993164, de relatoria do Ministro Luiz Fux. Ante o exposto entendo pela concessão do crédito de IPI decorrente dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, os quais devem ser contabilizados pelos agentes fiscais. (iv) Insumos importados e Produtos para Revenda Quanto aos INSUMOS IMPORTADOS, E AOS PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA, não obstante a Recorrente alegue que a Lei não os excluiu do cálculo do crédito presumido, o artigo 1º da Lei 9.363/96 estabelece que somente serão apurados créditos sobre os insumos adquiridos no mercado interno. O mesmo dispositivo legal determina que fará jus ao crédito a empresa produtora e exportadora, do que se depreende que apenas empresas que promovam a industrialização, por qualquer forma, têm direito ao crédito presumido. Vejamos: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos Fl. 1289DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 330200.953 S3C3T2 Fl. 10 10 intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” (destaquei) Assim, em relação aos insumos importados (CFOP 3.11), bem como quanto aos produtos que foram adquiridos para mera revenda (CFOP 1.12 e 2.12), não encontro meios que permitam concluir de forma diversa daquela proferida no v. acórdão ora recorrido. Afinal, a legislação é clara ao condicionar o direito ao crédito a insumos adquiridos no mercado nacional, bem como à condição de que a empresa promova a industrialização de insumos, para ter direito ao crédito presumido. (iv) Aplicação da Taxa Selic Por fim, a Recorrente solicita a aplicação da Taxa SELIC sobre os créditos de IPI, para correção monetária dos valores desde o momento do protocolo do pedido de ressarcimento até o momento da efetiva restituição. Esta questão já foi analisada exaustivamente pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ – bem como pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, órgão máximo do então Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), a saber: “IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de IPI pela aplicação da Taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da equidade e da repulsa do enriquecimento sem causa. Precedentes do colegiado. Recurso negado.” (acórdão CSRF/ 02 –01.690, 2ª Câmara da CSRF destaquei) “TAXA SELIC. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Incidindo a Taxa Selic sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma da espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado de restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá também, sobre o ressarcimento. (Recurso 116.636, 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes; Serafim Fernandes Corrêa, sessão de 17/04/01 destaquei) Fl. 1290DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 10950.000722/200259 Acórdão n.º 330200.953 S3C3T2 Fl. 11 11 No mesmo sentido, também neste tribunal administrativo 202113.770; 201 110.145; 201110.981; 201110.657; 202106.561; 114.964; 116.492; 110.145; 114.851; 116.491. Portanto, cabível a aplicação da SELIC, para atualização monetária dos valores objeto do pedido de ressarcimento, nos termos acima apontados. Imperioso registrar, ainda, que esta questão já foi analisada exaustivamente pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ – inclusive em sede de Recurso Repetitivo, nos autos do Recurso Especial RESP 993164 – de relatoria do Ministro Luiz Fux, tendo até se tornado Súmula, verbis: “SÚMULA N. 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009.” Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reformar o acórdão da DRJ, especialmente para (i) determinar que assim como foram excluídos da “Receita de Exportação” os valores oriundos da revenda de produtos agrícolas (não industrializados), os mesmos valores também sejam excluídos da “Receita Operacional Bruta”, para fins de apuração do percentual a ser utilizado no cálculo do crédito presumido objeto dos autos; (ii) permitir que insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas integrem o cômputo do crédito presumido de IPI, ora em análise, assim como (iii) para permitir que seja atualizado o valor do crédito cujo ressarcimento foi requerido e deferido, por meio da aplicação da Taxa SELIC, desde a data da apresentação do Pedido de Ressarcimento, nos termos acima expostos. É meu voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1291DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS
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