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Numero do processo: 10730.902266/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU O PEDIDO. DESCABIMENTO.
É inadmissível a retificação de PER/DCOMP para alterar o valor e o período de apuração do saldo negativo do IRPJ, quando solicitada pela interessada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1202-000.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU O PEDIDO. DESCABIMENTO. É inadmissível a retificação de PER/DCOMP para alterar o valor e o período de apuração do saldo negativo do IRPJ, quando solicitada pela interessada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório Fl. 848DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10730.902266/200863 Acórdão n.º 120200.525 S1C2T2 Fl. 849 2 A interessada transmitiu, em 02/02//2005, o PER/DCOMP eletrônico de número final 4085 (fls. 64 a 79) visando utilizar um crédito contra a Fazenda Pública, no valor original de R$ 50.998,22, decorrente do saldo negativo do IRPJ referente ao 4º trimestre de 2003, para compensação com os seus débitos de tributos federais ali informados. Posteriormente, em 20/09/2006, a contribuinte apresentou o PER/DCOMP eletrônico de número final 4465, retificador ao PER/DCOMP mencionado no parágrafo anterior (fls. 80 a 89), mencionando a mesma origem do crédito, ou seja, o saldo negativo do IRPJ referente ao 4º trimestre de 2003, desta vez no valor original de R$ 59.747,44. Na sequência, em 26/08/2008, a DRF/Niterói emitiu o Despacho Decisório Eletrônico, de fls. 12, não homologando a compensação pleiteada, sob o fundamento de que o valor do saldo negativo do IRPJ informado na DIPJ não correspondia ao valor do crédito informado no PER/DCOMP, de acordo com os seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 59.747,44 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 2.601,56” Cientificada da Decisão, em 02/09/2008, fls. 301, a interessada apresentou, em 25/09/2008, manifestação de inconformidade, de fls. 01/02, na qual apresenta as alegações a seguir resumidas no Relatório do Acórdão nº 1225.929 da DRJ/Rio de Janeiro I, fls. 302 a 309, o qual adoto: a) "...lançou mão dos diversos créditos a que tinha direito referentes a saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, e ainda não compensados..." além do que, tais ..."créditos estão registrados em sua contabilidade e demonstrados nas DIPJ (Docs. 3,4,5 e 6) dos respectivos exercícios a que pertencem e sua atualização está conforme planilhas de controle de créditos 1 (Doc. 7) anexa a esta impugnação."; b) as compensações foram feitas na forma da Lei 9.430/96 e pelas DCOMP citadas; c) além dos créditos citados, apurou a contribuição para o PIS/PASEP na forma não cumulativa, mas não descontou os créditos a que tinha direito, criando para si o direito a compensálos; d) o erro cometido pela impugnante foi computar o total dos créditos que possuía como originário do 4° trimestre de 2003, quando o correto seria enviar uma DCOMP para cada período de apuração relativo ao crédito; e) os créditos apresentados são efetivamente direito da interessada e não estavam prescritos ao tempo do envio da primeira DCOMP; f) a Constituição Federal, no artigo 172, dispõe que a lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário atendendo ao erro ou ignorância escusável do sujeito passivo quanto à matéria de fato; Fl. 849DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10730.902266/200863 Acórdão n.º 120200.525 S1C2T2 Fl. 850 3 g) juntou provas necessárias ao cancelamento do despacho decisório citado; h) interessada requer seja acolhida a presente manifestação de inconformidade e a apreciação das minutas de PER/DCOMP que não foram transmitidas;” Após a análise da manifestação de inconformidade, foi emitido o Acórdão nº 1225.929 da DRJ/Rio de Janeiro I, fls. 302 a 309, com o seguinte ementário: DELIMITAÇÃO DA LIDE. MATÉRIA EXCLUÍDA DO CONTRADITÓRIO. O contribuinte deve abordar na manifestação de inconformidade somente matéria que foi objeto de decisão de autoridade administrativa fazendária; qualquer outra estará excluída do contraditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do Acórdão recorrido, são a seguir transcritos: “(...) 8. A data da decisão administrativa que indeferiu a declaração de compensação se deu em 26/08/2008 e a ciência desta decisão pela interessada se deu em 02/09/2008, cf. comprova o Aviso de Recebimento dos Correios, vide o extrato do sistema SUCOP IMAGEM da RFB, fl. 301. Portanto, não é mais possível a retificação, em 23/09/2008, da DCOMP relativa ao crédito do 4° trimestre de 2003, como quer a interessada com a juntada de fls. 184/188, pois é ação que ofende o comando do artigo 57 da IN SRF 600/2008, art. 26, § 3°, IV, da IN SRF 600/2005, ainda que conste informação do documento de fl. 188 que o crédito não tenha sido informado em PER/DCOMP anterior e que o projeto de DCOMP não é de uma retificadora. 9. A própria interessada reconhece que errou no preenchimento da DCOMP original e retificadora acima citadas (fl. 1, último parágrafo), pois entendeu de concentrar o total de créditos que alegava possuir durante o ano de 2003 em um único trimestre, qual seja, o 4° trimestre de 2003. 10. Assim, não poderia a decisão da primeira instância administrativa homologar a compensação pleiteada, visto que não havia crédito suficiente para compensar com os débitos confessados, nos termos da DCOMP retificadora nº.17297.35103.200906.1.7.024456, (fls.80/89). 11. Quanto ao pedido da interessada de acolhimento pela Fazenda Pública do projeto de declaração de compensação juntado às fls. 115/289 como PER/DCOMP, há que se considerar o mesmo como não formulado, uma vez que a interessada não comprovou que a compensação de seu dito crédito para com a Fazenda Nacional não podia ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP, requisito imposto pelo art. 31 c/c art.76, §§ 2° a 4° da IN SRF 600/2005. 12.Ainda que fosse possível a transmissão do referido documento, foge ele do escopo dos fins previstos para a manifestação de inconformidade, que deve se ater à matéria que foi objeto do despacho decisório que não homologou a compensação declarada na DCOMP retificadora n° 17297.35103.200906.1.7.024456, (fls.80/89), Fl. 850DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10730.902266/200863 Acórdão n.º 120200.525 S1C2T2 Fl. 851 4 quando tal documento trata de outros débitos e créditos não alcançados pela decisão administrativa de 1ª instância — despacho decisório de fl. 294.” Irresignada com a decisão, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário, de fls. 313 a 335, repetindo praticamente os mesmos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. Reforça o argumento de que é detentora dos créditos do saldo negativo do IRPJ dos períodos do 2º trimestre de 2000 ao 4º trimestre de 2003, não podendo ser penalizada por ter erroneamente informado no seu PER/DCOMP que o crédito se referia a apenas um período, do 4º trimestre de 2003, pugnando pela prevalência da verdade material em detrimento do aspecto formal. Informa, ainda, que no crédito informado no PER/DCOMP retificador estariam incluídos créditos do PIS relativos ao período de janeiro a dezembro de 2003 Alega que por ocasião da apresentação da sua manifestação de inconformidade, levou ao conhecimento da autoridade fiscal o equívoco no preenchimento do PER/DCOMP retificador de número final 4465, e que a autoridade deveria ter intimado a recorrente à proceder na correção do referido PER/DCOMP ou mesmo retificálo de ofício. Aduz que anexou à manifestação de inconformidade as minutas de PER/DCOMPs com a discriminação de todos os períodos de apuração dos créditos de saldo negativo de IRPJ e de PIS nãocumulativo como forma de tentar sanar o lapso em que incorreu quando do preenchimento do PER/DCOMP retificador, requerendo o seu recebimento e processamento. Em síntese, menciona que encontrase suficientemente provado nos autos a existência do direito creditório, requerendo, ao final, o seu regular reconhecimento e a homologação das compensações pleiteadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. A questão principal a ser discutida diz respeito à possibilidade de retificação do período de apuração a que se refere o crédito contra a Fazenda, informado no PER/DCOMP, após a ciência do Despacho Decisório que não reconheceu dito crédito e, por conseqüência, não homologou as compensações pleiteadas. Alega a interessada que incorreu em erro de preenchimento do PER/DCOMP retificador. Informou no pedido que o crédito seria originário do saldo negativo do IRPJ apurado apenas no 4º trimestre de 2003, quando na verdade o crédito se refere a um período maior, dos períodos do 2º trimestre de 2000 ao 4º trimestre de 2003. Além disso, o respectivo crédito informado no PER/DCOMP retificador contém, também, possíveis créditos do PIS do ano de 2003. Menciona, ainda, que os créditos efetivamente existem, porém, por força de mero erro material, o direito creditório não foi reconhecido. Fl. 851DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10730.902266/200863 Acórdão n.º 120200.525 S1C2T2 Fl. 852 5 Creio não assistir razão à recorrente. Primeiramente, cabe esclarecer à interessada que no âmbito da compensação de tributos, não é permitido incluir, em um mesmo PER/DCOMP, duas espécies de crédito contra Fazenda como pretendeu fazer a requerente ao entregar o PER/DCOMP retificador contendo valores do IRPJ e do PIS. A IN SRF nº 598, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da transmissão do PER/DCOMP retificador, estipula no seu art. 2º que, para cada crédito passível de restituição ou ressarcimento deverá ser entregue um PER/DCOMP, conforme a seguinte transcrição: Art. 2º O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pelo órgão ou ser restituído ou ressarcido desses valores deverá encaminhar à SRF, respectivamente, Declaração de Compensação, Pedido Eletrônico de Restituição ou Pedido Eletrônico de Ressarcimento gerados a partir do Programa PER/DCOMP 2.0, nas seguintes hipóteses: (...) III – tratandose de Pedido de Ressarcimento formulado por pessoa jurídica, nos casos em que o pedido do sujeito passivo se refira a: (...) b) crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, passível de ressarcimento, que tenha sido reconhecido por decisão judicial transitada em julgado ou que tenha sido apurado há menos de cinco anos; e (...) IV – tratandose de Pedido de Restituição formulado por pessoa jurídica, em todos os casos em que o crédito tenha sido reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, bem assim naqueles em que o crédito do sujeito passivo se refira a: a) saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo a período de apuração encerrado há menos de cinco anos; O próprio programa colocado à disposição aos contribuinte, que possibilita o preenchimento e envio eletrônico do PER/DCOMP, somente permite o preenchimento de uma espécie de crédito, de imposto ou de contribuição, em relação a cada pedido enviado. Isso se mostra necessário para viabilizar e facilitar a análise dos pedidos pelos órgãos fiscais encarregados do reconhecimento dos créditos e homologação das compensações. Assim, não poderia constar em mesmo PER/DCOMP créditos do IRPJ e do PIS, como equivocadamente fez a interessada. Fl. 852DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10730.902266/200863 Acórdão n.º 120200.525 S1C2T2 Fl. 853 6 Quanto ao saldo negativo do IRPJ informado no PER/DCOMP retificador, verifico ser incontroverso nos autos a inexistência de crédito contra a Fazenda, no valor de R$ 59.747,44, relativo ao 4º trimestre de 2003, fls. 82. Por seu turno, o Despacho Decisório combatido fundamentou sua decisão exatamente nesse fato, ou seja, não ter constatado a apuração de crédito no valor informado na declaração DIPJ relativo ao 4º trimestre de 2003. Isso se deve, primeiramente, porque a contribuinte informou no seu PER/DCOMP um crédito relativo ao IRPJ do 4º trimestre de 2003, quando na verdade, dito crédito se referia a valores acumulados de saldos negativos do 2º trimestre de 2000 ao 4º trimestre de 2003. Em segundo lugar, porque a interessada também incluiu e considerou no valor do crédito pleiteado, pretensos créditos do PIS do ano de 2003, o que como se viu nos itens anteriores deste voto, não é possível se pode admitir. Dessa forma, de acordo com as constatações acima expostas, a primeira conclusão a que se chega é que o Despacho Decisório encontrase correto, uma vez que o crédito, da forma como informado no PER/DCOMP, não existia e a compensação, no âmbito tributário, somente pode ocorrer com crédito líquido e certo. O fato concreto é que, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN). Por outro lado, alega a recorrente a existência de mero “erro material” no preenchimento do PER/DCOMP em exame. Com efeito, o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, abaixo transcrito, dispõe que as inexatidões materiais devidas a “lapso manifesto” e os “erros de cálculo ou de escrita” podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento do sujeito passivo: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.(grifei) O significado do termo “lapso manifesto”, exposto na obra “Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado”, de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López, Ed. Dialética, São Paulo, 2002, p. 324/325, tem a seguinte descrição: “O legislador, ao se referir, no art. 32, a lapso manifesto, procurar evitar tal discussão, já que não se refere ao simples erro, mas ao erro notório que pode ser detectado em análise sumária assim como o erro de cálculo e os de escrita. Exemplos: erro de grafia de palavra que lhe desfigure o texto; omissão do nome de algum interessado; erro ou modificação involuntária do nome de algum interessado; resultado de operação aritmética em desacordo com as parcelas indicadas na decisão, etc.” Na mesma obra, p. 324, é citada decisão proferida pela Suprema Corte a respeito do assunto: “Corroborando este entendimento, reportamonos ao julgado da Suprema Corte, da lavra do Ministro Leitão de Abreu (RE nº 79.400/GB), que conceituou lapso manifesto como “o erro, engano ou equívoco de caráter notório, patente, irrecusável, que se verifique ictu oculi, à primeira vista. Esse caráter de evidência ou de irrecusabilidade tanto pode se verificar nas inexatidões materiais ou nos erros de escrita ou de cálculo.” Fl. 853DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10730.902266/200863 Acórdão n.º 120200.525 S1C2T2 Fl. 854 7 Como se vê, erro material é a divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito. Tratase do simples erro de cálculo ou de escrita, revelado no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. Entretanto, no caso aqui analisado, não havia como identificar, de pronto, à primeira vista, que o contribuinte pretendia compensar tributos com créditos do IRPJ originados do 2º trimestre de 2000 ao 4º trimestre de 2003, ao invés de unicamente relativo ao 4º trimestre de 2003, conforme constou no seu PER/DCOMP retificador. O alegado equívoco no preenchimento do período de apuração do saldo negativo do IRPJ não encontra amparo, na doutrina e na jurisprudência, para que se proceda na sua correção, seja ela de ofício, ou a requerimento de sujeito passivo A indicação do período a que se refere o crédito é informação substancial, porque manifesta a própria vontade do declarante, a qual tem suprema importância para o direito. No caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material, detectável de pronto, como quer fazer crer a recorrente. Como já mencionado, não resta dúvida de que no momento da transmissão, e da análise, do PER/DCOMP em tela, o valor do crédito do IRPJ, referente ao 4º trimestre de 2003, efetivamente não existia, de modo que está correta a decisão proferida no Despacho Decisório da fl.12. No caso do PER/DCOMP, em que se pretende ver reconhecido um crédito contra a Fazenda, ao mesmo tempo que se pleiteia a extinção de um ou mais débitos, a retificação pretendida somente pode ocorrer antes de qualquer procedimento de ofício. Isso ocorre, antes de tudo, em decorrência da forma como o rito processual se desenvolve. Uma vez efetuado o pedido de restituição, com a informação da origem do crédito e, comprovado que esse crédito não existe, não se poderia agora, após o exame da autoridade administrativa, querer modificar o pedido original, já que as informações contidas no PER/DCOMP foram corretamente analisadas pelo Despacho Decisório. Em outras palavras, não se pode querer alterar uma situação fática que existiu no momento da transmissão do PER/DCOMP após o exame dessa situação pela autoridade administrativa, que foi efetuado de forma correta com os fatos que se apresentavam no momento desse exame. Cabe aqui mencionar parte do Acórdão nº 10323.167 do antigo Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 09/08/2007 pelo ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, sobre a possibilidade de alteração do pedido após o Despacho Decisório: “Não pode ser considerado erro material, (reiterese: susceptível de retificação), o fato de a Recorrente ter pleiteado a compensação de débito com crédito de um determinado período (ao invés de outro desejado) quando ela anexa à declaração vários documentos relativos ao período indesejado Em verdade, sob a alcunha de "retificação de erro material" pretende a Recorrente formular novo pedido de compensação (do mesmo débito, mas com outro crédito) aproveitandose da data do pleito originário para afastar a incidência dos encargos de mora. (...) Fl. 854DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10730.902266/200863 Acórdão n.º 120200.525 S1C2T2 Fl. 855 8 Trata de restrição de ordem lógica que sequer necessitaria ter sido positivada pelos órgãos da SRF. É preceito indispensável à organização e estabilização das relações jurídicas de que cuidam os procedimentos julgados pela Administração. É fácil intuir que os procedimentos administrativos jamais chegariam ao seu final caso fosse permitido às partes alterar os fundamentos ou o conteúdo do pedido após a análise de seu mérito pelo julgador.” A alteração do período de apuração e do valor do crédito preenchidos no PER/DCOMP significa trazer um outro crédito, de período distinto daquele originalmente oposto, cuja retificação também não pode ser feita de ofício, sob pena de se alterar a própria essência do crédito, cuja origem só pode ser informada pelo contribuinte. Esclareçase que não se trata aqui de negar um direito do contribuinte em solicitar o crédito que julga ter direito. Entretanto, esse pedido deverá ser formulado e enviado à Receita Federal do Brasil em novo PER/DCOMP (caso não prescrito), que terá um período distinto e será novamente processado e examinado pela autoridade competente em processo diverso do aqui discutido. Essa também é a orientação da Receita Federal do Brasil, no uso da atribuição que lhe foi outorgada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e alterações, ao disciplinar a apreciação dos processos de restituição/compensação por meio da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da emissão do Despacho Decisório, informando nos seus artigos 56 e seguintes que a retificação de Dcomp só poderá ocorrer antes de decisão administrativa e na hipótese de inexatidão material no preenchimento do documento sustentador do pedido. "Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005 Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59." (grifei) Fl. 855DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10730.902266/200863 Acórdão n.º 120200.525 S1C2T2 Fl. 856 9 Registrese que essa matéria encontravase pacificada no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com os Acórdãos números 10809.604, sessão de 17/04/2008 e nº 10517.130, sessão de 13/08/2008, cuja ementa abaixo se transcreve, dentre outros: DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO – É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. É de se concluir, portanto, que está correto o Despacho Decisório Eletrônico, que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas, pautado nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e legislação complementar, porquanto incabível ao contribuinte incluir neste processo novos créditos do IRPJ constante de DIPJs anteriores ao 4º trimestre de 2003, quando já prolatada decisão administrativa que analisou PER/DCOMP anteriormente formulado. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 856DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13888.904237/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 14/09/2001
COMPENSAÇÃO. SAÍDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS.
ISENÇÃO.
A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória no2.03725,
de 2000,
atual Medida Provisória nº 2.15835,
de 2001, quando se tratar de vendas
realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase,
exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas
nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.031
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola
Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/09/2001 COMPENSAÇÃO. SAÍDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória no2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fl. 105DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904237/200911 Acórdão n.º 330201.031 S3C3T2 Fl. 100 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 57 a 82) apresentado em 15 de julho de 2010 contra o Acórdão no 1428.391, de 09 de abril de 2010, da 4ª Turma da DRJ / RPO (fls. 49 a 54), cientificado em 15 de junho de 2010, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins recolhida em 14 de setembro de 2001, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. São isentas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a partir de 18 de dezembro de 2000, exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, destinadas ao fim específico de exportação e para as empresas comerciais exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. As vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, são tributadas normalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi inicialmente indeferido em 15 de abril de 2005. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensações declaradas por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração de 31/08/2001, sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904237/200911 Acórdão n.º 330201.031 S3C3T2 Fl. 101 3 A declaração de compensação apresentada baseiase no entendimento da requerente de que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) naquele período estavam isentas dessas contribuições e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. A DRF de Piracicaba, SP, por meio de despacho decisório de fl. 20, não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito. A interessada ingressou com manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: I. O art. 4º do DecretoLei (DL) no 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as exportações às vendas à ZFM e que, com o advento da Constituição de 1988, esse decretolei foi recepcionado e incorporado pelo ordenamento jurídico vigente pelo art. 40 e 92 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). II. As normas editadas com o fim de restringir a isenção e, depois, a imunidade do PIS e da Cofins, relativamente às remessas para a Zona Franca de Manaus — qual seja, a Lei 9.004/95, que alterou o art. 5º da Lei nº 7.714/88, o Decreto nº 1030, de 1993, a MP nº 18586, de 1999, a MP nº 2.03724, de 2000 e a Lei nº 10.996, de 2004 — também padecem de inquestionável ilegalidade e inconstitucionalidade, uma vez que, além de contrariarem o art. 4º do DL 288/67 e os artigos 40 e 92 da ADCT, implicam na distorção de um conceito amplo de exportação. III. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2º do art. 14 da Medida Provisória (MP) no 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, na reedição da MP no 2.03725, de 21 de dezembro de 2000 a exclusão de isenção foi retirada do texto legal, de modo que as vendas à ZFM tornaram se isentas dessas contribuições, sendo esse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. IV. Ante o exposto, requer o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, isentas de tais exações. Requer também a homologação das compensações de todos os débitos declarados pela empresa, excluindose multa e juros indevidamente considerados no demonstrativo apresentado junto à decisão em análise e a conexão de processos similares da mesma empresa, para evitar decisões divergentes sobre a mesma matéria. A DRJ considerou que somente vendas efetuadas a empresas comerciais exportadoras seriam isentas da contribuição. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904237/200911 Acórdão n.º 330201.031 S3C3T2 Fl. 102 4 No recurso, a Interessada inicialmente requereu o reconhecimento da conexão entre os processos relativos à Cofins dos períodos de dezembro de 2002 a maio de 2004 e ao PIS de janeiro de 2001 a julho de 2004. A seguir, alegou ser nulo o acórdão de primeira instância, pelo fato de não haver apreciado matéria alegada na impugnação, o que poderia ser efetuado, segundo a recorrente, sem implicar análise da inconstitucionalidade de lei. No mérito, alegou haver equiparação das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, nos termos do DecretoLei no 288, de 1967, da EC no 33, de 2001 (imunidade), art. 40 da ADCT da CF de 1988, EC no 42, de 2003. Contestou a Solução de Divergência Cosit no 22, de 2002, pois “uma norma inferior não pode se sobrepor A Emenda Constitucional n° 42/2003, ao Ato de Disposições Constitucionais Transitórias e aos dispositivos constitucionais, sob pena de afrontar o principio da hierarquia das normas”. Citou ementas de acórdãos administrativos cujo entendimento que lhe seria favorável. Mencionou, a seguir, as normas limitadoras do “princípio da paridade tributária” (entre vendas à ZFM e exportações), reafirmando que, a partir da EC no 33, de 2001, haveria imunidade e não apenas isenção. Citou, então, ementas de decisões do Superior Tribunal de Justiça e de outros tribunais sobre os efeitos da exclusão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do texto das reedições da Medida Provisória no 2.037, de 2000. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à conexão de processos, esclareçase que foram distribuídos os processos nos 13888.904234/200988, 13888.904235/200922, 13888.904237/200911, 13888.906564/200916 e 13888.906565/200952. Esses processos serão julgados conjuntamente, à vista do disposto no art. 49, § 7º, do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2010. Entretanto, caso haja mais processos, esses não poderão ser julgados e não é possível esperar que tais processos sejam eventualmente encontrados para se fazer o julgamento conjunto, pois implicaria maior demora na apreciação conjunta. Ainda preliminarmente cabe esclarecer que não há nulidade no acórdão de primeira instância. Embora tenha a Interessada citado entendimento sobre a possibilidade de afastamento de lei sem sua declaração de inconstitucionalidade, de fato se trata de Fl. 108DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904237/200911 Acórdão n.º 330201.031 S3C3T2 Fl. 103 5 argumentação retórica, baseada na evasiva de citar qualquer expressão diretamente ligada à inconstitucionalidade ou à sua declaração. Se uma lei dispõe em sentido contrário ao que determina a constituição, há inconstitucionalidade material. Não há como simplesmente “abandonar” suas disposições para “preferir” as disposições constitucionais sem considerar que a lei contraria a Constituição. Nesse contexto, aplicamse o art. 62 do Regimento Interno do Carf e a Súmula Carf no 2, descabendo também sua apreciação no âmbito do presente recurso. Quanto ao mérito, adoto o entendimento do Acórdão 20308988, RV 122018, de lavra da Ilustre Conselheira Luciana Pato Peçanha Martins, cujo teor foi o seguinte: No que se refere às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art.7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, estabeleceu as condições para a concessão de isenção, assim dispondo: “Art.1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único . A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: Fl. 109DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904237/200911 Acórdão n.º 330201.031 S3C3T2 Fl. 104 6 a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (...)”(grifouse) Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, em seu art. 1º alterou a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, para isentar da Cofins as receitas provenientes das hipóteses adiante mencionadas, determinando ainda no seu art. 2º que seus efeitos retroagissem aos fatos geradores ocorridos a partir do dia 1º de abril de 1992, data de início dos efeitos do disposto na referida Lei Complementar nº 70, de 1991. “Art.1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1o de abril de 1992.” (grifouse) Fl. 110DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904237/200911 Acórdão n.º 330201.031 S3C3T2 Fl. 105 7 A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. A Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, e reedições até a Medida Provisória nº 2.03424, de 23 de novembro de 2000, redefiniu no seu art. 14 as regras de desoneração da contribuição em tela nas hipóteses especificadas e revogou expressamente todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes até o dia 30 de junho de 1999. A respeito do instituto da isenção, deve ser lembrado que o Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 111, que interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Não procede a argumentação da recorrente de que, para fins de isenção da Cofins, teria o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior. O referido dispositivo estabelece: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (grifouse) Sobre o alcance do artigo referido, deve ser ressaltado que abrangia tãosomente os efeitos fiscais previstos na legislação então vigente, conforme norma inserta no dispositivo suso transcrito, verbalizada na expressão seguinte: constante da legislação em vigor. De outro lado, essa equiparação não é absoluta, podendo ser mitigada para não alcançar incentivos fiscais que o legislador pretendeu ou pretenda estender exclusivamente às exportações efetivas para o exterior. Para que não paire dúvida do aqui afirmado, basta dar uma espiada na norma inserta no artigo 7º do DecretoLei nº 1.435/1975, que se transcreve abaixo: “Art. 7º A equiparação de que trata o artigo 4º do DecretoLei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos DecretosLeis nº s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “drawback”. Vejase que o legislador, no dispositivo legal acima transcrito, restringiu o alcance da equiparação em comento para evitar que os incentivos específicos para a exportação, previstos nos diplomas legais enumerados nesse artigo 7º, fossem estendidos às remessas para a Zona Franca de Manaus. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904237/200911 Acórdão n.º 330201.031 S3C3T2 Fl. 106 8 Se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessa contribuição, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica da Cofins, mas isso não foi feito, ao contrário, dispôs inequivocamente que a isenção não alcança as vendas efetuadas a empresas estabelecidas nessa área de livre comércio, como disposto no parágrafo único do artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art.7º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Por seu turno, a discussão a respeito do art. 40 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988, conforme dito preliminarmente, não será realizada por considerar que o contencioso administrativo não é o foro próprio e adequado para questionamentos de natureza constitucional. Registrese, por oportuno, que o Supremo Tribunal Federal, na ADIN nº 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, na sessão plenária do dia 7 de dezembro de 2000, deferiu medida cautelar quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Acatando a liminar concedida pelo STF, na edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, publicada no Diário Oficial da União de 22 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, foi suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14 que constava de suas edições anteriores. Assim, enquanto não julgada definitivamente, a ADIN apenas suspende a eficácia da incidência de Cofins sobre as receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus a partir da concessão de liminar pelo STF. Vale observar que o § 1º do art. 11 da Lei nº 9.868, de 1999 determina que “a medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva concederlhe eficácia retroativa.” Para complementação do voto, adoto o entendimento do Acórdão 20401806, de lavra da Ilustre Conselheira Nayra Bastos Manatta: Portanto, os efeitos da liminar concedida não se aplicam aos períodos compreendidos entre janeiro a dezembro/97, primeiro em virtude dos efeitos ex nunc concedidos pelo Tribunal, e segundo porque a alteração normativa incidiu sobre a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Quanto à aplicação do disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70/91 às vendas à ZFM, é de se observar que o referido dispositivo legal contempla apenas as operações de exportação e o CTN no seu art. 111, inciso II determina que se interpreta Fl. 112DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904237/200911 Acórdão n.º 330201.031 S3C3T2 Fl. 107 9 literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção. Assim sendo, não se pode estender os efeitos do disposto no referido art. 7º, bem como do disposto no DecretoLei nº 288/67, uma vez que naquele dispositivo consta expressamente que só diz respeito à legislação em vigor quando da sua edição, o que não é o caso dos autos. No que diz respeito ao PIS, mantémse as mesmas considerações tecidas para a Cofins sobre os efeitos da liminar concedida pelo STF em sede do ADIN nº 23489 e sobre a modificação normativa trazida pela Medida Provisória nº 203724, de 2000, bem como quanto à impossibilidade de se estender os efeitos do disposto no DecretoLei nº 288/67 ao caso dos autos. Alem disto é de se observar que a partir da edição da Lei nº 7714/88, as vendas efetuadas a empresas estabelecidas na ZFM não estavam isentas desta contribuição, pelo que dispôs literalmente o art. 5º, §2º, alínea “a” do referido dispositivo legal. “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. “§ 1º Serão Consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. (Parágrafo incluído pela MP 622, de 22.09.94) “§ 2º A Exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas:(Parágrafo incluído pela MP 622, de 22.09.94) “a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Levre Comércio;” Ademais, adoto o entendimento da Receita Federal, que considera que “A isenção da Cofins (ou PIS/Pasep) prevista no art. 14 da Medida Provisória no 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo.” O entendimento acima, exposto na Solução de Consulta n. 8, de 2002, é exatamente de que somente aquelas isenções previstas à época do mencionado DecretoLei n. 288, de 1967, é que se aplicam e não todos os casos do art. 14 da MP citada. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 113DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904237/200911 Acórdão n.º 330201.031 S3C3T2 Fl. 108 10 Fl. 114DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11128.005506/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO.
O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis.
EXPORTAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS
O descumprimento da obrigação de informação de dados de embarque de exportação, no prazo previsto na legislação, constitui infração que deve ser penalizada com a multa prevista no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/66, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, regulamentada pelo art. 37 da IN SRF n° 28/94, aplicada em relação a cada veiculo transportador, e não em relação a cada despacho de exportação presente nesse mesmo veículo.
Numero da decisão: 3201-000.727
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: Luís Eduardo Garrossino Barbieri
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ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. EXPORTAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS O descumprimento da obrigação de informação de dados de embarque de exportação, no prazo previsto na legislação, constitui infração que deve ser penalizada com a multa prevista no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, regulamentada pelo art. 37 da IN SRF n° 28/94, aplicada em relação a cada veiculo transportador, e não em relação a cada despacho de exportação presente nesse mesmo veiculo. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator. JUDITH AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUÍS EDUARDO G. BARBIERI Relator. EDITADO EM: 10/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 2 presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino Relatório Tratase o presente processo de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (fls. 01/ss), para a cobrança da multa regulamentar prevista nas alíneas “c” c/c "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei N°. 37/66, em decorrência de ter sido apurado pela fiscalização que o Recorrente efetuou os registros de embarque de mercadorias para exportação, no SISCOMEX, fora do prazo previsto na legislação, durante o ano de 2006. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis : Tratase de auto de infração pela não informação tempestiva dos dados de embarque no SISCOMEX relativos às declarações de exportação (DDE) citadas no corpo do auto. A fiscalização fundamentou o auto nos artigos 37 e 107, IV, "c" e "e" do DecretoLei n° 37166 com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, e com a regulamentação da INSRF n° 28/94. Através do presente auto de infração, cobrouse a multa de R$ 5.000,00 para cada declaração de exportação cujos dados de embarque foram informados intempestivamente. Intimada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação e documentos, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente a atipicidade em relação ao agente marítimo. Entende que c) art. 107, IV, "e", restringe o sujeito passivo da multa apenas ao "agen. te de carga" e à "empresa de transporte internacional". 2. Alega também que o agente marítimo não pode ser considerado representante do transportador, para os 'efeitos'do DecretoLei n° 37/66. Apresenta doutrina e jurisprudência sobre o tema.. 3. Alega a aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN pelo fato de ter prestado as informações sobre os embarques antes de qualquer procedimento fiscal. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 4. Alega que não ficou caracterizada a conduta prevista na alínea "c", IV, do art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 5. Alega a aplicação da Teoria da Infração Continuada. Entende que, por analogia ao Direito Penal, deveria ser aplicada apenas uma multa e não múltiplas multas ao caso concreto. Cita doutrina e jurisprudência judicial sobre o tema. 6. Requer por fim que seja julgado improcedente o auto de infração ou, alternativamente, seja reduzida a multa lançada ao valor mínimo de R$ 5.000,00. Requer ainda o apensamento de vários processos. É o relatório.. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II, julgou procedente em parte o lançamento efetuado, proferindo o Acórdão 1733.707 (fls. 1324/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11128.005506/200770 Acórdão n.º 3201000.727 S3C2T1 Fl. 1.352 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/10/2006 Ementa: A multa por falta de informação dos dados de embarque de exportação, dentro do prazo regulamentar, prevista no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 3,7/66, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, regulamentada pelo art. 37 da IN SRF n° 28/94, deve ser aplicada em relação a cada veiculo transportador, e não em relação a cada despacho de exportação presente nesse mesmo veiculo. Lançamento Procedente em Parte A DRJ – São Paulo II, portanto, exonerou a empresa da cobrança de parte dos créditos lançados (R$ 1.610.000,00), por entender que a que a multa de R$ 5.000,00 deve ser aplicada em relação a cada veículo transportador , no caso deste processo, para cada navio embarcado, e não em relação a cada despacho de exportação constante desse navio. A Recorrente foi regularmente cientificada do Acórdão e não interpôs recurso voluntário. Por exceder o limite de alçada, foi interposto Recurso Voluntário. O processo digitalizado foi distribuído este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A multa aplicada está prevista na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03, que tem a seguinte redação: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...). e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. .(grifei) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 4 A norma acima citada indica expressamente que, além da empresa de transporte internacional, também o agente de cargas deve ser penalizado caso deixe de prestar informações relativas aos dados de embarque, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Portanto, não há que se falar em ilegitimidade passiva no caso em análise. No mesmo diapasão, o CTN também prescreve no artigo 124, inciso II, que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei e, no caso em tela, o agente de carga foi expressamente indicado pela lei como responsável pela infração (alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03). Registrese, por oportuno, que no RESP 1129430, Relator Ministro Luiz Fux (Matéria julgada pelo STJ no regime do art. 543C / Recursos Repetitivos), ficou assentado que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do DecretoLei 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porquanto inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do DecretoLei No. 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. No mérito, resta analisar a questão da aplicação da multa face ao descumprimento do prazo previsto na legislação para o registro de dados do embarque de mercadorias para exportação no SISCOMEX. Conforme já comentado, a autuação fiscal está lastreada no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei no. 37/66 (redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03), que prevê a aplicação de multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para quem deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Tratase de norma que tem por finalidade penalizar o comportamento daqueles que impedirem ou retardarem o fluxo normal de registros de dados no SISCOMEX, ocasionando acúmulo desnecessário de pendências no Sistema, o que levou o legislador a estabelecer expressamente que o descumprimento de obrigações acessórias, na forma e no prazo previstos pela Receita Federal, acarretariam a aplicação de multa. Quanto à forma e ao prazo para informação de dados no SISCOMEX, a redação original do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n°28/94 dispunha: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. O termo "imediatamente" foi esclarecido nos termos da Notícia SISCOMEX de 27/07/1994: “27/07/1994 0002 INFORMAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11128.005506/200770 Acórdão n.º 3201000.727 S3C2T1 Fl. 1.353 5 2) POR OPORTUNO, ESCLARECEMOS QUE O TERMO "IMEDIATAMENTE” CONTIDO NO ART. 37 DA IN 28/94, DEVE SER INTERPRETADO COMO "EM ATE 24 HORAS DA DATA DO EFETIVO EMBARQUE DA MERCADORIA O TRANSPORTADOR REGISTRARA OS DADOS PERTINENTES NO SISCOMEX COM BASE NOS DOCUMENTOS POR ELE EMITIDOS". SALIENTAMOS O DISPOSTO NO ART. 44 DA REFERIDA IN, OU SEJA, A PREVISÃO LEGAL PARÁ AUTUAÇÃO DO TRANSPORTADOR NO CASO DE DESCUMPRIMENTO DO PREVISTO NO ARTIGO ACIMA REFERENCIADO”. Posteriormente, a IN SRF n° 510/05 , deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, estabelecendo o prazo de 7 dias, para a via de transporte marítimo, verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1° Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex,será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2° Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. Cumpre observar o disposto no § 2° e § 3°, do art. 113, do Código Tributário Nacional que dispõe: "§ 2° A obrigação acessória decorre de legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. "§ 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária." No caso em tela, ficou comprovado que a Recorrente descumpriu o prazo para prestar informação dos dados de embarque de mercadorias no sistema e, assim sendo, restou caracterizado o descumprimento de obrigações acessórias, portanto, deverá ser aplicada a penalidade prescrita no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei no. 37/66 (com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 6 Ademais, é somente com a cominação de penalidades que o Fisco pode regular condutas de forma a inibir práticas que ocasionem atrasos ou descontroles nos sistemas de registro das operações de comércio exterior. Por outro lado, no tocante a forma de aplicação da penalidade, devese concordar com o entendimento exarado no voto condutor do Acórdão recorrido. Registrese, ainda, que o Acórdão seguiu orientação trazida pela Solução de Consulta Interna n° 8 da COSIT, de 14/02/2008, que trata especificamente sobre o tema, cuja ementa transcrevo abaixo: "SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA N° 8 COSIT Data: 14 de fevereiro de 2008. Origem : Coordenação Geral de Administração Aduaneira Assunto: Obrigações Acessórias DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea "h" do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF ng 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF 510, de 2005. Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF n" 28, de 1994, é a que se refere à alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n" 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no. 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração. Assim, não há reparos a fazer no Acórdão recorrido. A multa de R$ 5.000,00 deve ser aplicada em relação a cada veículo transportador. No caso em litígio, para cada navio embarcado, e não em relação a cada despacho de exportação constante desse navio. Como todos os despachos referemse a um único veículo transportador (navio), resta cabível apenas a multa no montante de R$ 5.000,00. Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade, para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11128.005506/200770 Acórdão n.º 3201000.727 S3C2T1 Fl. 1.354 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE
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Numero do processo: 18471.002584/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO EDUCACIONAL. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE REEMBOLSO CURSO DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO.
HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. EXIGÊNCIA.
REQUISITOS LEGAIS OBSERVADOS. De conformidade com a legislação
previdenciária, mais precisamente o artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91, o Plano Educacional concedido pela empresa tem como requisitos legais, exclusivamente, a necessidade de ser extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes, bem como que sejam inerentes às atividades desenvolvidas pela contribuinte, de maneira a afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre tais verbas. A restrição de referido favor legal aos cursos de graduação e/ou pós-graduação ou mesmo a exigência de
outros pressupostos, como a necessidade de serem cursos de graduação tecnológica oferecidos por Instituições Federais de Educação (antigas Escolas Técnicas) ou Serviços de Aprendizagem Profissional (SENAI, SENC, etc.), é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites da
legislação específica em total afronta aos preceitos dos artigos 111, inciso II e 176, do Código Tributário Nacional, os quais estabelecem que as normas que contemplam isenções devem ser interpretadas literalmente, não comportando subjetivismos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.831
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PLANO EDUCACIONAL. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE REEMBOLSO CURSO DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. EXIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS OBSERVADOS. De conformidade com a legislação previdenciária, mais precisamente o artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91, o Plano Educacional concedido pela empresa tem como requisitos legais, exclusivamente, a necessidade de ser extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes, bem como que sejam inerentes às atividades desenvolvidas pela contribuinte, de maneira a afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre tais verbas. A restrição de referido favor legal aos cursos de graduação e/ou pósgraduação ou mesmo a exigência de outros pressupostos, como a necessidade de serem cursos de graduação tecnológica oferecidos por Instituições Federais de Educação (antigas Escolas Técnicas) ou Serviços de Aprendizagem Profissional (SENAI, SENC, etc.), é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação específica em total afronta aos preceitos dos artigos 111, inciso II e 176, do Código Tributário Nacional, os quais estabelecem que as normas que contemplam isenções devem ser interpretadas literalmente, não comportando subjetivismos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Fl. 188DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002584/200832 Acórdão n.º 240101.831 S2C4T1 Fl. 189 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n. 37.190.4242, consolidado em 13/10/2008 no valor de R$ 59.949,37 (cinquenta nove mil, novecentos e quarenta e nove reais e trinta e sete centavos). O crédito contempla as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salário Educação, Sebrae, Incra e Sescoop). De acordo com Relatório Fiscal, fls. 20/24, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os reembolsos aos segurados empregados de valores gastos com custeio de curso de educação superior. Afirmase que esses pagamentos tiveram respaldo em instrumento de negociação coletiva de trabalho. Informase também que os valores foram obtidos das folhas de pagamento exibidas durante a ação fiscal. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 53/59, na qual alega inexistir o fato gerador apontado pelo Fisco, uma vez que como os gastos com ensino superior e pós graduação são espécies de cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, conforme parte final da alínea "t", parágrafo 9°, art. 28 da lei n. 8.212/1991. Assevera ainda que o ensino superior fornecido é relacionado à sua área de atuação, enquadrandose na hipótese de curso de capacitação e qualificação profissional vinculado à atividade empresa. Sustenta que não há previsão legal que limite a carga horária dos cursos de capacitação e qualificação profissionais, motivo pelo qual o ensino superior, mesmo que se estenda por mais de 4 anos, pode se enquadrar na espécie. A Delegacia de Julgamento Rio de Janeiro I decidiu, fls. 106/113, considerar procedente o lançamento. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2004 REEMBOLSO DE GASTOS COM ENSINO SUPERIOR E PÓSGRADUAÇÃO COM EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES. Incide contribuição social para outras entidades sobre os valores reembolsados aos empregados a título de gastos com ensino superior e pósgraduação (art.3° da lei 11.457/07, art.28, I, da lei 8.212/91), já que não se enquadra na hipótese de isenção prevista no art.28, parágrafo 9°, "t" da lei 8.212/91. Lançamento Procedente Fl. 190DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não se conformando, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 192/199, no qual pede que o Acórdão da DRJ seja reformado, de modo que se declarem improcedentes as contribuições lançadas pelas mesmas razões de mérito apresentadas na defesa. Em suas ponderações a recorrente afirma que o órgão recorrido inovou ao tentar justificar a exação no fato da empresa não disponibilizar o curso a todo o seu quadro funcional, bem como, na falta de comprovação de que os cursos se vinculariam às atividades da empresa. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002584/200832 Acórdão n.º 240101.831 S2C4T1 Fl. 190 5 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O destino da presente lide resumese em verificar se os pagamentos aos empregados a título de reembolso por gastos com cursos ensino superior e pósgraduação estão fora do campo de tributação previdenciário. No mérito, sustenta a recorrente que, sendo os cursos destinados à capacitar os empregados para exercerem atividades na empresa, estariam os pagamentos de reembolso não estariam sujeitos à incidência de contribuições, conforme prevê a norma inserta na alínea “t” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. Analisemos o que diz o dispositivo em questão: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Vêse que o legislador pretendeu isentar da incidência de contribuição previdenciária as verbas disponibilizadas aos segurados empregados a título de educação básica e para cursos de capacitação e qualificação profissionais. Considerando que na espécie não se cogita da fornecimento de educação básica, cabenos investigar se os cursos de graduação e pósgraduação estariam no que o legislador tratou por “cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividade desenvolvidas pela empresa”. O Fisco interpretou que se o legislador quisesse ter excluído do campo de tributação os valores gastos pelas empresas com curso superior, o teria feito explicitamente como o fez com a educação básica. Nesse sentido, entendeu que cursos de capacitação e qualificação profissionais, referemse ao treinamento dos empregados para executar atividades específicas desenvolvidas na empresa, portanto, não abarcam cursos de graduação e pós graduação, posto que esses englobam conhecimentos genéricos e possuem prazo de duração que se estende além de quatro anos. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 A empresa, por sua vez, sustenta que cursos superiores também se caracterizam como cursos de qualificação ou de capacitação profissional, como se pode concluir dos artigos 43 e 44 da Lei n. 9.394/1996. Afirma ainda que há um interesse da empresa em qualificar e capacitar os seus funcionários como se vê de norma coletiva de trabalho a que deve obediência. Visase, alega, preparar os empregados para, após a qualificação galgarem novos postos no seu desenvolvimento profissional dentro da empresa. Para solução da lide não tenho como deixar de fazer uma interpretação do que diz a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB – a Lei n. 9.394/1996 e alterações posteriores. O art. 21 apresenta a conceituação de educação escolar, subdividindoa em educação básica e educação superior. Eis o dispositivo: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior O Capítulo II (artigos 22 a 38) do referido diploma trata da educação básica. Já a educação profissional é contemplada no seu Capítulo III (artigos 39 a 42), o qual foi profundamente alterado pela Lei n. 11.741/2008. O conteúdo da educação profissional passou a ser assim tratado: Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pósgraduação organizarseão, no que concerne a objetivos, características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002584/200832 Acórdão n.º 240101.831 S2C4T1 Fl. 191 7 Verificase que integra a educação profissional também os cursos de graduação e pós graduação tecnológica, portanto, há uma ponto de tangência entre a educação profissional e os cursos superiores, todavia não é qualquer curso de graduação e pósgraduação que pode ser considerado curso de educação profissional, mas apenas os de educação tecnológica. Diferentemente dos cursos superiores tradicionais, a educação profissional e tecnológica é aquela especificamente dirigida ao mercado de trabalho e ministrada nas Instituições Federais de Educação (antigas Escolas Técnicas) e nos Serviços de Aprendizagem Profissional (SENAI, SENAC, etc.). Digo isso, pois o Capítulo IV (artigos 43 a 57) da referida Lei são específicos para a educação superior, esta na modalidade tradicional. Eis o dispositivo que trata da abrangência da educação superior: Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I cursos seqüenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino, desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente; (Redação dada pela Lei nº 11.632, de 2007). II de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo; III de pósgraduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino; IV de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. Percebese que ao tratar especificamente da educação superior, o legislador o faz de forma bem mais abrangente de que quando fala em educação profissional superior. Tal fato reforça o nosso entendimento de que embora, após as alterações da LDB trazidas pela lei n. 11.741/2008, a educação profissional possa ser disponibilizada mediante curso de graduação e pósgraduação, nem todo o curso superior pode ser considerado educação profissional. Diante dessas considerações, concluo que a princípio os cursos de graduação e pósgraduação, regra geral, não são considerados cursos profissionais e, por conseguinte, não se enquadram na regra isentiva prevista na alínea “t” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. Assim, somente para os casos em que esses cursos pudessem ser enquadrados como educação profissional tecnológica é que os mesmos seriam alcançado pela isenção citada. Diante do exposto, considerandose que a empresa não conseguiu afastar as alegações do Fisco, mediante a demonstração de que os cursos, custeados em parte pela mesma, teriam o enquadramento de educação profissional, devo deixar de acatar a alegação recursal e considerar procedente o lançamento. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Quanto à possível inovação de fundamentos pelo órgão recorrido, devo dar razão à recorrente, posto que o Fisco, na sua peça de ataque, não se reportou a questão da abrangência do benefício para justificar o seu levantamento. Assim, devo deixar consignado que o fato que me leva a concluir pela tributação dessa verba é o fato da empresa não ter comprovado que os cursos se referiam especificamente a cursos de capacitação e qualificação, ou seja, a educação profissional. Diante das considerações apresentadas, voto pelo conhecimento do recurso e pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 195DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002584/200832 Acórdão n.º 240101.831 S2C4T1 Fl. 192 9 Voto Vencedor Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas na presente notificação são as remunerações pagas aos segurados empregados, assim caracterizadas as verbas concedidas a título de despesas com curso superior (Reembolso Instrução), a partir do plano educacional da empresa contemplado em acordos coletivos de trabalho, como se verifica do Relatório Fiscal, às fls. 20/24. A autoridade lançadora escorou a pretensão fiscal no entendimento de que o dispositivo legal que regulamenta a matéria, qual seja, o artigo 28, § 9°, alínea “t”, da Lei n° 8.212/91, não abarca como hipótese de isenção os cursos de graduação, mas, tão somente, o ensino básico, bem como a qualificação e capacitação profissional objetivando o aprimoramento do desempenho de atividade inerente ao objeto social da empresa, o que afasta o curso regular de ensino superior, uma vez se apresentar de forma genérica, além da duração, em geral, ser superior a 04 (quatro) anos. Por sua vez, sob outra ótica, o nobre Conselheiro Relator entendeu por bem manter a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo para tanto que os cursos de qualificação e capacitação profissional que pretendeu o legislador excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias devem se relacionar à educação tecnológica, nos termos dos artigos 39 a 42 da Lei n° 11.741/2008, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte não comprovou que a educação oferecida aos seus funcionários se destinava a referida finalidade. Em outras palavras, em que pese afastar o argumento basilar da autuação, de que os cursos de graduação não estão incluídos nas hipóteses de não incidência das contribuições previdenciárias, o ilustre Conselheiro Relator exige, porém, que tais cursos visem exclusivamente à educação profissional e tecnológica especificamente dirigida ao mercado de trabalho e ministrada nas Instituições Federais de Educação (antigas Escolas Técnicas) e nos Serviços de Aprendizagem Profissional (SENAI, SENC, etc.). Com a devida vênia ao entendimento do Relator, arrimado nos substanciosos argumentos de fato e de direito constantes do seu voto, ouso divergir do seu entendimento acima esposado, pelas razões a seguir desenvolvidas. De início, com o fito de melhor delimitar a matéria posta nos autos, impõese reconhecer que o fundamento fulcral do lançamento foi o fato de o fiscal autuante não considerar os cursos convencionais de graduação como hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias, como acima relatado. Assim, por rechaçar de pronto o plano Fl. 196DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 educacional da notificada, a fiscalização não adentrou a outros aspectos inerentes ao tema, um dos quais os tipos de graduação, na forma que sustentou o Conselheiro Relator. Nesse sentido, inobstante discordar das conclusões aventadas pelo nobre julgador, o simples fato de admitir o curso de graduação como passível de não incidência dos tributos ora exigidos, por si só seria capaz de rechaçar a pretensão fiscal, porquanto fora essa a razão do lançamento, e não se o curso teria cunho de educação tecnológica e oferecido por Instituições Federais de Educação e/ou Serviços de Aprendizagem Profissional. Repitase, esse não foi a motivo da notificação, o que afasta a possibilidade de inovarmos, em segunda instância, para atribuir novo fundamento com o fito de manter a NFLD. Em outra via, tratandose especificamente dos pressupostos legais da rubrica em comento, melhor sorte não está reservada ao fisco, senão vejamos. Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que contempla a verba sub examine, bem como algumas considerações a propósito da matéria, senão vejamos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;” (grifamos) Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais para concessão de tal verba, sem a incidência de contribuições previdenciárias, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002584/200832 Acórdão n.º 240101.831 S2C4T1 Fl. 193 11 Tratandose de hipótese de isenção e/ou não incidência, os artigos 111, inciso II e 176, do CTN, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal, não podendo o contribuinte, o fisco ou o julgador impor ou afastar condições/requisitos que não decorrem da lei seca. Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos (reembolsos) efetuados pela contribuinte aos funcionários a título de Plano Educacional, pelo simples fato de se destinarem a cursos de graduação, os quais estariam fora do campo da benesse isentiva que ora cuidamos em face de sua natureza genérica e de sua duração. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelas ilustres autoridades lançadora e julgadora de primeira instância, compartilhadas, parcialmente, pelo Conselheiro Relator, em defesa da manutenção do crédito previdenciário, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Data vênia àqueles que divergem do posicionamento deste Conselheiro, a conclusão de que a capacitação e qualificação profissional não contempla cursos de graduação, ou mesmo que aludidos cursos deveriam ter cunho tecnológico, não encontra sustentáculo na norma isentiva acima transcrita. Com efeito, a alínea “t”, § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, em momento algum prescreve que o Plano Educacional da empresa somente se limitará à educação básica ou a cursos tecnológicos oferecidos por Instituições Federais, se limitando a estabelecer que não incidirão contribuições previdenciárias sobre as verbas destinadas “à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Ou seja, a exigência legal para a fruição do benefício fiscal sob análise é que os cursos de capacitação e qualificação profissionais estejam vinculados às atividades da empresa e sejam disponibilizados a todos os funcionários. No presente caso, em momento algum a fiscalização logrou comprovar ou mesmo inferiu que o plano educacional da notificada não era inerente às atividades da empresa ou limitado a parte dos empregados. Em verdade, o grande argumento do fiscal autuante é que os cursos de graduação não se incluem no permissivo legal em epígrafe. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Ora, tivesse o legislador ordinário a intenção de impor outros requisitos ou limitar à concessão de referida benesse a cursos específicos oferecidos somente por Instituições de Ensino Federais/Estaduais/Municipais, teria feito de forma explícita e clara no bojo da norma legal acima transcrita, o que não se verifica no caso vertente, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que extrapola o próprio texto legal, especialmente tratandose de isenção, cuja legislação deverá ser aplicada literalmente. Aliás, no caso da educação básica, o legislador ordinário foi por demais enfático ao remeter ao conceito estabelecido no art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 199, o que não o fez em relação aos cursos de capacitação e qualificação profissionais, sendo defeso, portanto, ao intérprete da lei atribuir requisitos e/ou limitações que não decorrem da própria lei isentiva. Melhor elucidando, não cabe ao aplicador da lei, especialmente àqueles que exercem a atividade judicante no âmbito administrativo, concluir diversamente daquilo que a norma estabelece de forma clara e objetiva: Não incidirão contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conquanto que não substituam a parcela salarial, se FOREM EXTENSIVAS A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES E INERENTES AS ATIVIDADES DA EMPRESA. Repito, inexiste no dispositivo legal retro, a toda evidência, qualquer outro pressuposto legal que não seja o supramencionado, capaz de justificar a manutenção do feito. Na esteira desse entendimento, o afastamento dos cursos de graduação convencionais ou mesmo a exigência de que tenham natureza tecnológica e sejam oferecidos por instituições de ensino federais/estaduais/municipais (antigas escolas técnicas) é de cunho subjetivo do agente lançador ou do julgador, mormente quando estabelece interpretação extensiva/subjetiva à norma legal que regulamenta o tema. E, como já sedimentado acima, a isenção não comporta subjetivismo. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão recorrida e defendida pelo Conselheiro Relator (em parte), criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, incisos I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais dispositivos. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será específica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o beneficio fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador específico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002584/200832 Acórdão n.º 240101.831 S2C4T1 Fl. 194 13 Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Outro não é o entendimento do eminente doutrinador Leandro Paulsen que, ao discorrer sobre a matéria, assim preleciona: “Não se pode exigir senão o cumprimento dos requisitos previstos na lei isentiva. O artigo 111 do CTN também se presta ao afastamento de requisitos não estabelecidos, por lei, como condição ao gozo da isenção.” (Paulsen, Leandro – “Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. rev. atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008 – pág. 876) Em vista dessas razões, não podemos compartilhar com o voto do r. Conselheiro Relator, ao corroborar (em parte) com o entendimento do Fisco, porquanto as exigências ali impostas não se reportam à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha, sobretudo quando em momento algum houve remissão expressa a outras leis, no caso dos cursos de capacitação e qualificação profissionais, ao contrário do que ocorrera com a educação básica. Por todo o exposto, estando à notificação fiscal sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 200DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 24/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE , 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10467.900263/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA
FÍSICA.
O crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, deve ser calculado
sobre as respectivas aquisições de pessoa física ou jurídica.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é
de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.044
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. O crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, deve ser calculado sobre as respectivas aquisições de pessoa física ou jurídica. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 15/06/2011 Fl. 543DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa Companhia Industrial Do Sisal CISAL apresentou Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI para desoneração do PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, de que trata a Lei nº 9.363/96, cumulado com pedido de compensação. Tal pedido foi deferido parcialmente pela DRF de sua jurisdição. Inconformada com a parte indeferida, apresentou suas razões e argumentos em manifestação de inconformidade, a qual foi apreciada por colegiado de primeira instância que negou o direito creditório, em acórdão com a seguinte ementa: “CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Para fins de cálculo do crédito presumido devem ser glosados tanto os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas fisicas não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. Consoante a legislação tributária vigente, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. MAJORAÇÃO DE DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação de Declaração de Compensação DCOMP não será admitida quanto tiver por objeto o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação de referida DCOMP à RFB. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, sustentando que faz jus integralmente ao crédito presumido do IPI denegado. Aduz, em suma, os seguintes argumentos: i) o prazo para a Fazenda Pública homologar ou desconstituir os valores declarados demonstrados e apurados pelo contribuinte, conforme previsto n o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, é de Fl. 544DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10467.900263/200691 Acórdão n.º 330201.044 S3C3T2 Fl. 2 3 cinco anos da ocorrência do fato gerador, portanto está decaído o direito da autoridade administrativa lançar, ou desconstituir aquilo que a empresa já tinha declarado; ii) a glosa dos créditos relativos a insumos adquiridos de pessoas físicas é indevida, devendo prevalecer o princípio da verdade material. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme já aventado no relatório acima, resta em discussão os seguintes pontos: i) decadência dos débitos objeto de pedido/declaração de compensação; ii) possibilidade de utilização do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, relativo aos insumos adquiridos de pessoa física. Concernente a decadência dos débitos objeto de pedido/declaração de compensação, vejamos o que reza a Lei nº 9.430/96 a esse respeito: Lei nº 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Defluise da simples leitura do excerto legal acima que os débitos objeto de pedido de compensação decaem após o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e, caso haja retificação, esse prazo, pór óbvio, contase da data de apresentação da declaração retificadora. Salientese, por oportuno, que o Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 256/09), art. 69, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Destarte, inafastável a aplicação do art. 74, e seus parágrafos, da Lei nº 9.430/96. No presente caso as declarações de compensação (originais e retificadoras) foram apresentadas a partir de 13/06/2003 e a ciência do despacho decisório (AR às fls. 427) Fl. 545DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 ocorreu em 03/06/2008, portanto, a administração fazendária apreciou as compesações pleiteadas dentro do prazo de cinco anos, contado da entrega da declaração. Dessarte, nesse particular, não assiste razão à Recorrente, não havendo que se falar em decadência dos débitos objeto de declaração de compensação, visto que a não homologação ocorreu dentro do prazo previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. No tocante a utilização do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, relativo aos insumos adquiridos de pessoa física, vejamos o que reza o referido diploma acerca do assunto: Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, com o ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n's 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (grifo nosso) Da leitura do dispositivo acima inferese que o crédito presumido em baila deve incidir sobre as aquisições ali apontadas. Notese que o texto legal não faz distinção entre aquisições de pessoas físicas e aquisições de pessoas jurídicas. Oportuno lembrar da regra básica de hermenêutica, consubstanciada no aforismo “onde a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir” (“Ubi lex non distinguet, nec nos distinguere debemus”). Ademais, essa matéria está sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça na forma da decisão definitiva de mérito, proferida no Resp nº.993164, abaixo reproduzida em cumprimento ao disposto no art. 62A1 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/09: “RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007∕02311873) RELATOR:MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE:EXPORTADORA PRINCESA DO SUL LTDA ADVOGADO:ADRIANO FERREIRA SODRÉ E OUTRO(S) RECORRENTE:FAZENDA NACIONAL PROCURADORES:CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO, EVERTON LOPES NUNES E OUTRO(S) RECORRIDO :OS MESMOS EMENTA 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 546DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10467.900263/200691 Acórdão n.º 330201.044 S3C3T2 Fl. 3 5 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS∕PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363∕96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23∕97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10∕STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363∕96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23∕97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363∕96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS∕PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38∕97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363∕96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). Fl. 547DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23∕97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313∕2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419∕2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS∕PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23∕97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363∕96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS∕PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363∕96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS∕PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287∕RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433∕ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034∕PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021∕CE, Rel. Ministra Fl. 548DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10467.900263/200691 Acórdão n.º 330201.044 S3C3T2 Fl. 4 7 Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617∕CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733∕CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392∕RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367∕98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363∕96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392∕RN). 10. A Súmula Vinculante 10∕STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10∕STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847∕RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188∕SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está Fl. 549DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial da Empresa e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 13 de dezembro de 2010(Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator”. Portanto, quanto a presente matéria, com razão a Recorrente vez que as aquisições de pessoas físicas, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, geram direito ao crédito presumido do IPI aqui tratado. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito decorrente das aquisições de insumos de pessoas físicas. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 550DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 15/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 10670.001506/2006-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2002
Ementa:
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação
do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-001.023
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 05/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 23/25) para exigir crédito tributário de ITR, exercício de 2002, no montante de R$ 60.586,16, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2002, acrescido de multa de ofício de 75% e juros legais, calculados até 31.10.2006. Conforme se depreende do Demonstrativo de Apuração de ITR (fls.32) que acompanha o auto de infração, foram integralmente glosados da base de cálculo do ITR, 5,00ha de Área de Preservação Permanente e 2.000ha de Área de Utilização Limitada, do imóvel "Fazenda Santa Marta" (NIRF n.. 632.5530), localizado no município de Grão Mogol — MG. Em síntese, o lançamento foi assim justificado na descrição dos fatos e enquadramento legal (fls.34): Área de Preservação Permanente (art. 10 e 11 do Decreto n°4.382, de 19 de setembro de 2002): Foi declarada em 2002 área de 5.000,0 ha. Para comprovação desta área, estabelece a legislação de regência (§ 3° do art. 10 do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002) que o documento hábil é o Ato Declaratório Ambiental — ADA, expedido pelo IBAMA, ou seu protocolo até 6 (seis) meses após a data prevista para a entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Consta a entrega do ADA, porém o mesmo foi protocolado apenas em 29/08/2005, devendo, portanto, ser glosada esta área. Área de Utilização Limitada (art. 10 e 12 a 15 do Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002): Foi declarada em 2002 a área de 2.000,0 ha. Além da protocolização do ADA tempestivamente, a legislação exige que a área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel. O ADA foi protocolado apenas em 29/08/2005, portanto intempestivamente, devendo ser glosada esta área. As divergências entre os valores apurados pela fiscalização e aqueles declarados pelo contribuinte são exibidas no Demonstrativo de Apuração do Imposto Territorial Rural anexo ao Auto de Infração. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do auto de infração em 21/12/2006 (“AR” fls.39), o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação às fls.41/47, acompanhado dos documentos de fls. 48/60, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: Fl. 140DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10670.001506/200609 Acórdão n.º 220101.023 S2C2T1 Fl. 2 3 • considera que a razão da autuação foi a protocolização do ADA intempestivamente com a glosa das áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada; • ressalta que o § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/96 é expresso em atribuir a responsabilidade pela informação de tais áreas ficando responsável pelo pagamento do imposto e consectários, quando comprovada tal falsidade, independentemente do pedido do ADA e que • esse seria o caso em questão, não cabendo lançamento enquanto a administração tributária não provar que área não existe; • á favor de sua tese cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais; • por fim requer o cancelando do auto de infração pela falta de prova da fiscalização de que as áreas são inexistentes. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/BSA n° 0323.216, de 14 de novembro de, fls.77/83, em decisão assim ementada: DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. Lançamento Procedente.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão da DRJ em 26/12/2007 (AR” fls. 87), o contribuinte interpôs, via sedex (fls.118), na data de 25/01/2008, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 102/118, em que ratifica os termos da impugnação apresentada. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 120 (última). É o Relatório. Voto Fl. 141DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A matéria em discussão cingese a protocolização a destempo do ADA no IBAMA, precisamente em 29/08/2005 (fls.05), considerado intempestivo para a finalidade de justificar exclusão das áreas ambientais informadas na DITR/2002. Ressaltese que o início do procedimento fiscal ocorreu apenas em 2006, conforme se depreende do Termo de Intimação Fiscal ITR 2002, fls.2. Não há no presente processo qualquer discussão acerca da materialidade das áreas, ou seja, o registro da área de reserva legal e/ou da comprovação da área de preservação permanente, sequer esses pontos foram levantados quando da fiscalização ou autuação. Como é do conhecimento dos Nobres Conselheiros desse Colegiado, discordo do entendimento de que para exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente seja imprescindível a apresentação tempestiva do ADA, sendo esse mais um elemento do prova a pretensão do contribuinte. Analisando a legislação concluo que a finalidade precípua do ADA foi a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo portanto o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. A obrigatoriedade do ADA está prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: “Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima, verificase que o § 1º instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam os art.2º e 16 da Lei n.4.771/65 da base de cálculo do ITR. Assim, dispõe referidos artigos, ex legis: Fl. 142DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10670.001506/200609 Acórdão n.º 220101.023 S2C2T1 Fl. 3 5 Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis Fl. 143DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 6 competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) A lei, portanto define, objetivamente, a área de preservação permanente e de reserva legal, independente de qualquer determinação do poder público. Assim, tendo sido o lançamento baseado exclusivamente na apresentação intempestiva do ADA, sem que houvesse qualquer indagação sobre a materialidade das áreas glosadas, entendo que não deve prosperar o lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 144DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10670.001506/200609 Acórdão n.º 220101.023 S2C2T1 Fl. 4 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 05/07/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 145DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI
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Numero do processo: 16370.000258/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/04/2006
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, tratando-se de descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
EXISTÊNCIA DE INEXATIDÕES NAS GFIP’S. CORREÇÃO PARCIAL.
RELEVAÇÃO PARCIAL DE MULTA.
O art. 291 do RPS somente autoriza a relevação total da multa caso a correção também seja integral.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de
inconstitucionalidade, pois este exame é privativo do Poder Judiciário.
GFIP COM INEXATIDÕES. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com erro no preenchimento de dados não
relacionados a fatos geradores era punida, à época da infração, com a penalidade prevista no art. 32, §6º da Lei 8.212/91.
A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91 pode retroagir para beneficiar o contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.134
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos ocorridos até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por
unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, aplicase o disposto no artigo 173, I. EXISTÊNCIA DE INEXATIDÕES NAS GFIP’S. CORREÇÃO PARCIAL. RELEVAÇÃO PARCIAL DE MULTA. O art. 291 do RPS somente autoriza a relevação total da multa caso a correção também seja integral. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade, pois este exame é privativo do Poder Judiciário. GFIP COM INEXATIDÕES. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com erro no preenchimento de dados não relacionados a fatos geradores era punida, à época da infração, com a penalidade prevista no art. 32, §6º da Lei 8.212/91. A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91 pode retroagir para beneficiar o contribuinte. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16370.000258/200712 Acórdão n.º 230102.134 S2C3T1 Fl. 1.351 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos ocorridos até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração do qual foi notificada a empresa ora Recorrente em 04.08.2006, sob o fundamento de que teria apresentado informações inexatas nos dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias em GFIP/SEFIP, em afronta ao art. 32, IV e §3º da Lei nº 8.212/1991. Afirma o Relatório Fiscal de fls. 6/19 que o contribuinte não observou a exigência contida na IN MPS/SRP 11/2006 e na Circular CEF 380/2006, segundo as quais a GFIP tem que ser transmitida com todos os dados contidos nos documentos anteriores, substituindo na totalidade o arquivo primitivo, não se limitando a informar os dados do empregado que gerou a movimentação. Ocorre que a autuada recolhia o FGTS somente quando da rescisão de cada um dos empregados, limitandose a transmitir a GFIP/SEFIP apenas nessa oportunidade, sem retransmitir o arquivo em sua totalidade, alterando substancialmente a informação da empresa. Foi apresentada impugnação pela empresa às fls. 35/45, foi proferido despacho decisório de retificação do valor da multa (fls. 1.290/1.298), cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16370.000258/200712 Acórdão n.º 230102.134 S2C3T1 Fl. 1.352 3 GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS OU OMISSAS NÃO RELACIONADAS AOS FATOS GERADORES. RETIFICAÇÃO DA MULTA APLICADA PARA MENOR. REVISÃO DE OFÍCIO. REABERTURA DE PRAZO PARA PAGAMENTO OU NOVA IMPUGNAÇÃO. 1) A partir do Decreto n2 4729, de 09/06/2003 as informações incorretas nos campos da GFIP que reduzem o valor das contribuições apuradas, que anteriormente consistiam em infrações sujeitas à penalidade prevista no art. 32, § 62 da Lei nº 8.212/91, passaram a ser incluídas entre as penalidades capituladas no art. 32, § 52 da Lei nº 8.212/91 combinado com art. 284, II, do RPS. 2) Cada campo com informação incompleta, errada ou omissa, por competência, considerase uma ocorrência, admitindose correção parcial da falta, conforme disposto no art. 648 § 1 2, da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária 003, de 14/07/2005, e conseqüente atenuação parcial da multa, nos termos do art. 290, caput, do RPS. 3) Em face do princípio da legalidade, deve ser revista de ofício a multa aplicada a maior, reabrindose o prazo de 15 (quinze) dias, a contar da ciência da Autuada, para fins de pagamento com redução de 50% no valor da multa ou para apresentação de nova impugnação. Intimada novamente a empresa para que procedesse ao pagamento com redução no valor da multa ou apresentasse nova defesa, aquela juntou novamente a mesma defesa já protocolada (fls. 1.300/1.308). Em seguida, foi lavrado acórdão com o seguinte teor (fls. 1.311/1.321): GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS OU OMISSAS NÃO RELACIONADAS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO PARCIAL Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 6°, da Lei n.° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n.° 9.528/97, a apresentação de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas não relacionadas aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. A multa aplicada em Auto de Infração deve ser relevada quando verificado o preenchimento dos requisitos previstos no parágrafo 1° do artigo 291 do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto 3.048/1999. AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA. Irresignada, a empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 1.324/1.336, alegando, em síntese que: a) Encontramse decaídas as competências do ano de 2000; b) A relevação da multa deveria ser total, e não apenas parcial; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16370.000258/200712 Acórdão n.º 230102.134 S2C3T1 Fl. 1.353 4 c) Não houve prestação de informações inexatas, tendo cumprida integralmente a obrigação prevista no art. 32, §6º da Lei nº 8.212/1991 quando prestou mensalmente todas as informações exigidas; d) Não houve informação incorreta no campo RAT, já que a empresa apresenta o grau de risco 2, segundo seu objeto social de intermediação e comércio de bebidas; e) A multa apresenta caráter confiscatório. Sem contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da Decadência Tendo sido argüida, em via recursal, a decadência dos débitos compreendidos no presente lançamento, constatase que parcela deles foi atingida pelo inegável decurso do prazo decadencial previsto em lei para a cobrança de valores relativos às contribuições previdenciárias. No caso em apreço, quando da autuação, o prazo de decadência de que gozava o INSS para constituir seus créditos era de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Pois bem. O AI em apreço fora cientificado ao contribuinte em 04/08/2006, abrangendo as competências de 09/2000 a 04/2006. Logo, encontramse decaídos os períodos de 09/2000 a 12/2000, porquanto este último poderia ter sido lançado a partir de 01/2001, findandose o prazo decadencial em 12/2005, pois nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16370.000258/200712 Acórdão n.º 230102.134 S2C3T1 Fl. 1.354 5 Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16370.000258/200712 Acórdão n.º 230102.134 S2C3T1 Fl. 1.355 6 Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. No caso em apreço, a Recorrente descumpriu obrigação acessória, não havendo que se falar na aplicação do art. 150, § 4º do CTN, mas sim no seu art. 173, I, que dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Deste modo, considerando que o crédito previdenciário foi constituído em 04/08/2006, envolvendo as competências de 09/2000 a 04/2006, encontramse decaídos somente as competências do ano de 2000, porquanto este último poderia ter sido lançado a partir de 01/01/2001, findandose o prazo decadencial em 31/12/2005. Assim, devem ser excluídas as multas aplicadas em razão de supostas incorreções nas GFIP’s apresentadas pela empresa no ano de 2000. Da existência de incorreções De início, cumpre examinar a alegação da Recorrente de que sua atividade estaria subordinada à alíquota de 2% do RAT, já que sua atividade seria de intermediação e comércio de bebidas (CNAE 51.179). Segundo a fiscalização e a decisão recorrida, sua atividade está prevista com o CNAE 51.36502, isto é, comércio atacadista de bebidas e refrigerantes. Em consulta ao sítio da Receita Federal do Brasil, verificase que a atividade da empresa está descrita como de comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerante, e não de intermediação no comércio de bebidas. Aliás, o próprio nome social da empresa BELON COMÉRCIO DE BEBIDAS LONDRINA deixa evidente que a atividade preponderante da empresa é a de comercialização de bebidas, devendo observar, portanto, a alíquota do RAT que lhe for aplicável, no caso, de 3%. Por outro lado, não conseguiu a ora Recorrente afastar as incorreções apontadas pela fiscalização e confirmadas pela decisão recorrida, devendo, portanto, ser mantida a penalidade imposta. Da impossibilidade de relevação total da multa Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16370.000258/200712 Acórdão n.º 230102.134 S2C3T1 Fl. 1.356 7 Identificado pela instância a quo as correções parciais efetivadas pela empresa dentro do prazo para impugnar, foi reduzida também parcialmente a multa aplicada, nos termos do art. 291 do RPS. A alegação de que a relevação deveria ser total não merece guarida por este órgão julgador, já que esta somente seria cabível se todas as incorreções fossem efetivadas, o que não foi o caso dos autos. Assim, afastase tal requerimento da Recorrente. Impossibilidade de análise da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária em comento A Recorrente traz diversos argumentos de fundo constitucional, dentro os quais o caráter confiscatório e a excessividade da multa cobrada, a matéria que não pode ser apreciada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Isto porque este Conselho Administrativo não pode apreciar a inconstitucionalidade de qualquer norma jurídica, eis que sua competência não abrange o cotejo das normas com a Constituição Federal, restrito ao Poder Judiciário. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional. Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16370.000258/200712 Acórdão n.º 230102.134 S2C3T1 Fl. 1.357 8 Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” E não se diga que a análise da violação da lei complementar por lei ordinária seria matéria infraconstitucional, uma vez que o Supremo Tribunal Federal, em diversas oportunidades semelhantes, apreciou a constitucionalidade de lei em face de outra lei complementar, tendo como fundamento a ausência de hierarquia entre aquelas espécies normativas em face da constituição, como se percebe da transcrição abaixo: PROCESSUAL CIVIL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS. ISENÇÃO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO POR LEI ORDINÁRIA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I A revogação, por lei ordinária, da isenção da COFINS concedida pela LC 70/91 às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, é constitucionalmente válida, porquanto a Lei 9.430/96 veiculou matéria constitucionalmente reservada à legislação ordinária. Precedentes. II Ausência de violação ao princípio da hierarquia das leis, consoante orientação fixada desde o julgamento da ADC 1/DF, Rel. Min. Moreira Alves. III Agravo regimental desprovido. (AIAgR 618255/RS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 1ª Turma, DJe 28.11.2008). Com efeito, diante da impossibilidade de análise da constitucionalidade da Lei, devem ser afastados os argumentos trazidos pela ora Recorrente, mantendose a exigência da multa aplicada à Recorrente, ressalvada, contudo, a decadência em relação aos períodos anteriormente apontados. Da Aplicação de Penalidade Mais Benéfica No tocante a multa, esta foi aplicada com perfeição à época, nos termos do art. 32, §6º da Lei 8.212/91. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o parágrafo 6º acima suscitado fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o disposto em seu art. 32A, inciso I, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16370.000258/200712 Acórdão n.º 230102.134 S2C3T1 Fl. 1.358 9 falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Nesse aspecto, o Código Tributário Nacional, em seu at. 106, alínea “c”, afirma expressamente que a Lei nova deverá retroagir quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na Lei vigente anterior, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Corroborando com entendimento suso aludido, segue abaixo o entendimento dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da questão, literris: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL MULTA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA ART. 106, II, "C", DO CTN 1 A posterior alteração do valor da multa aplicada à cobrança de tributos, mais benéfica ao contribuinte, deve retroagir. Aplicação do art. 106, II, "c", do CTN. Precedentes do STJ. 2 Agravo Regimental não provido. (STJ AgRgREsp 922.984 (2007/00234572) 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin DJe 11.03.2009 p. 309) *** TRIBUTÁRIO MULTA ART. 61, DA LEI Nº 9.430/96 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR 1 A ratio essendi do art. 106 do CTN implica que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica vigente no momento da execução, pelo que, independendemente de o fato gerador do tributo tenha ocorrido em data anterior a vigência da norma sancionatória. 2 A Lei que determina a multa pelo não recolhimento do tributo deve ser menor do que a anteriormente aplicada, a novel disposição beneficia as empresas atingidas e por isso deve ter aplicação imediata, vedandose, conferir à Lei uma interpretação tão literal que conflite com as normas gerais, obstando a salutar retroatividade da Lei mais benéfica. (Lex Mitior). 3 In casu, não se revela obstada a aplicação do art. 61, da Lei nº 9.430/96, se o fato gerador decorrente da multa tenha ocorrido em período anterior à 01.01.1997, pelo que, ante o disposto no art. 106, inc. II, letra "c", em se tratando de norma punitiva, aplicase a legislação vigente no momento da infração. 4 O Código Tributário Nacional, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da Lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal do art. 61, da Lei nº 9.430/96, que determina a redução do percentual alusivo à Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16370.000258/200712 Acórdão n.º 230102.134 S2C3T1 Fl. 1.359 10 multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 30% para 20%, por ter status de Lei Complementar,. 5 A redução da multa aplicase aos fatos futuros e pretéritos por força do princípio da retroatividade da lex mitior consagrado no art. 106 do CTN. 6 Agravo regimental desprovido. (STJ AgRgAI 902.697 (2007/01371341) Rel. Min. Luiz Fux DJe 19.06.2008 p. 153) *** TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL REDUÇÃO DA MULTA FISCAL ART. 35 DA LEI 8.212/91 E ART. 106, II, C, DO CTN APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA AO DEVEDOR ACÓRDÃO CONTRADIÇÃO INEXISTÊNCIA CDA REQUISITOS APRECIAÇÃO SÚMULA 7/STJ 1 Inexiste contradição em acórdão que fixa o entendimento pela necessidade de pagamento para que ocorresse a retroatividade benigna em favor do contribuinte quando a fundamentação do aresto segue no mesmo diapasão. 2 Inviável na sede extraordinária perquirir a presença dos requisitos formais de validade de certidão de dívida ativa, ainda mais quando já declarada válida pela instância ordinária. Inteligência da Súmula 7/STJ. 3 Ainda não definitivamente julgado o feito, o devedor tem direito à redução da multa, nos termos do art. 35 da Lei 8.212/91, com a nova redação dada pela Lei 9.528/97. 4 No confronto entre duas normas, aplicase a regra do art. 106, II "c" do CTN, por ser a dívida previdenciária de natureza tributária. 5 Recurso especial parcialmente provido. (STJ REsp 1.053.735 (2008/00952390) 2ª T. Relª Eliana Calmon DJe 26.11.2008 p. 1032) *** PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL REDUÇÃO DA MULTA APLICAÇÃO DO ART. 106, II, "C", DO CTN RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA 1 "É plenamente aplicável lei superveniente que preveja a redução de multa moratória dos débitos tributários. Aplicação do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional." (REsp 624.536/RS, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 13.02.2007, DJ 06.03.2007 p. 248). 2 Recurso Especial não provido. (STJ REsp 628.077 (2004/00130990) 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin DJe 17.10.2008 p. 637) Notase, portanto, que de acordo com as jurisprudências colacionadas, é pacífico o entendimento da aplicação da penalidade da Lei mais benéfica a fatos pretéritos. Portanto, no meu entendimento, caso se constate no recálculo da multa com a observância no disposto no art. 32A, inciso I, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, afastando do presente auto de infração as multas aplicadas em razão de inexatidões apresentadas no ano de 2000, por se encontrarem decaídas, bem como para determinar a aplicação da multa prevista no art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, caso esta seja mais benéfica à contribuinte. É como voto. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16370.000258/200712 Acórdão n.º 230102.134 S2C3T1 Fl. 1.360 11 Sala das Sessões, em 08 de junho de 2011. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 13063.000646/2007-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2008
ALTERAÇÃO CONTRATUAL.EFICÁCIA.
O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes.
Numero da decisão: 1801-000.498
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1528; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 20 1 19 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13063.000646/200789 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.498 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de fevereiro de 2011 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DA PESSOA JURÍDICA SIMPES (DSPJ SIMPLES) Recorrente BOTH & TAGLIEBER LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 ALTERAÇÃO CONTRATUAL.EFICÁCIA. O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 22DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13063.000646/200789 Acórdão n.º 180100.498 S1TE01 Fl. 21 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 02, com a exigência do crédito tributário no valor de R$200,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ Simples) anocalendário de 2007 em 06/08/2007, cujo prazo final era 31/07/2007. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Inconformada com a exigência fiscal, da qual teve ciência, fl. 12, a Recorrente apresentou a impugnação em 14/08/2007, fl. 01, com as alegações abaixo sintetizadas. 1ª A empresa constituída no dia 20 de Julho de 1999, cujo contrato social arquivado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul, sob o n°43204274341, no dia 12 de Julho de 2007, obteve arquivamento no mesmo órgão público o distrato social sob o n° 2850652, em virtude do encerramento de suas atividades; 2ª No dia 06 de Agosto de 2007, foi entregue a Declaração 'Simplificada Pessoa Jurídica, relativa ao evento de extinção com data do dia 30 de Junho de 2007, quando deveria ter sido o dia 12 de Julho de 2007, o que ocasionou a Notificação de Lançamento com recibo n°276138979025, pela entrega fora do prazo da DSPJ; 3° Na tentativa de apresentar Declaração de Renda Retificadora com a data correta do encerramento das atividades (12 de Julho 2007), o sistema dos órgãos da Receita não permitiram tal fato, alegando que terá de ser apresentada uma segunda declaração em virtude da migração automática ao Simples Nacional, conforme comprovação em anexa; 4° Fatos que nos levam à presença de V. S a., para viabilizar e efetuar o cancelamento da Notificação de Lançamento, tendo em vistas que a Declaração ;de Rendimentos teria ido apresentada no período certo, quando por um erro ocorreu o preenchimento incorreto, e, o sistema da Receita Federal, não nos oportunizou espaço para fazer a Declaração Retificadora. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 1810580, de 24/04/2009, fls. 13/15: “Lançamento Procedente” : Consta que: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007 MULTA POR ATRASO NA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS É devida a multa quando a pessoa jurídica apresentar fora do prazo a Declaração Simplificada Pessoa Jurídica relativa a extinção. Notificada em 16/06/2009, fl. 16, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 01/07/2009, fl. 17, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge: Fl. 23DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13063.000646/200789 Acórdão n.º 180100.498 S1TE01 Fl. 22 3 BOTH & TAGLIEBER LTDA., CNPJ 03 318 959 0001 68, com atividades encerradas no dia 12 de Julho de 2007, representada neste ato pelo seu então sócio Reneu Both, CPF 249 967 770 87, brasileiro, casado, aposentado, residente e domiciliado na Linha Bom Principio Baixo, Santo Cristo, vem a preSença. de V. Sa., expor e solicitar o quanto segue: 1º Como a empresa encerrou suas atividades no dia 12 de Julho de 2007, teria 30(trinta) dias para apresentar a declaração de renda relativo ao encerramento das atividades, no entanto efetuamos a entrega da declaração no dia 06 de Agosto de 2007, dentro do prazo para tanto; 2º Tendo em vistas ao Lançamento da multa pela 'entrega fora dó prazo da declaração de renda, conforme processo mencionado, cabenos vir a presença de V S a., solicitar e estudar a viabilidade de rever a decisão tomada, e, tornar improcedente a penalidade aplicada. 3° Na certeza de vossas providências, ficamos no aguardo de vossa comunicação favorável ao cancelamento da penalidade aplicada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. Sobre o lançamento, o Código Tributário Nacional (CTN) fixa: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, prevê: Fl. 24DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13063.000646/200789 Acórdão n.º 180100.498 S1TE01 Fl. 23 4 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. A Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, determina: O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, RESOLVE: Nº 118 I Delegar ao Secretário da Receita Federal a competência que lhe foi atribuída pelo artigo 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. Por seu turno, a Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, assim dispõe: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004, prescreve: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: [...] II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3º; [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da Fl. 25DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13063.000646/200789 Acórdão n.º 180100.498 S1TE01 Fl. 24 5 efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; A Instrução Normativa RFB n° 692, de 30 de novembro de 2006, determina: Art. 2° A Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples deverá ser entregue no período de 2 de janeiro a 31 de maio de 2007. [...] § 2° A Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, relativa a evento de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação deverá ser entregue pela pessoa jurídica extinta. cindida, fusionada, incorporada ou incorporadora até o último dia útil: I do mês de março de 2007, quando o evento tiver ocorrido no mês . de janeiro desse ano; II do mês subseqüente ao do evento, na hipótese de o mesmo ocorrer no período de 1º de fevereiro a 31 de dezembro de 2007. Na DSPJSimples, fl. 09, a Recorrente informa que a situação de extinção se refere ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007. Por seu turno, o Distrato Social foi registrado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul em 12/07/2007, fl. 03. Em relação à força probante do distrato social, a Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que dispõe sobre os registros públicos, determina: Art. 119. A existência legal das pessoas jurídicas só começa com o registro de seus atos constitutivos. (Renumerado do art. 120 pela Lei nº 6.216, de 1975). A Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, que trata sobre o registro público da empresa mercantil, prevê: Art. 1º O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, subordinado às normas gerais prescritas nesta lei, será exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as seguintes finalidades: I dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro na forma desta lei; [...] Fl. 26DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13063.000646/200789 Acórdão n.º 180100.498 S1TE01 Fl. 25 6 Art. 32. O registro compreende: I a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazénsgerais; II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; Consta no Distrato Social, registrada na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul em 12/07/2007: CLÁUSULA PRIMEIRA A sociedade que iniciou suas atividades em 20 de Julho de 1999, encerrou todas suas operações e atividades em 28 de Fevereiro de 2007. CLÁUSULA SEGUNDA Procedida a liquidação da sociedade, cada um dos sócios recebe, neste ato, por saldo de seus haveres, respectivamente, a importância total de R$5.000,00(cinco mil reais), correspondente ao valor de suas quotas, conforme contrato social primitivo. CLÁUSULA TERCEIRA Os sócios dão entre si e à sociedade plena, geral e irrevogável quitação, para nada mais 4 reclamarem um do outro, seja a que titulo for, com fundamento no contrato social e suas alterações, declarando, ainda, extinta, para todos efeitos a sociedade em referencia, com o arquivamento deste distrato na Junta Comercial do Estado. CLÁUSULA QUARTA A responsabilidade pelo ativo e passivo, porventura supervenientes, fica a cargo do exsócio Reneu Both, que se compromete, também, manter em boa guarda os livros e documentos da 'sociedade ora distratada. O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes. Assim, com o registro do distrato contratual na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul, este ato jurídico produziu todos os efeitos legais de modo, inclusive, a comprovar que a Recorrente encerrou suas atividades em 12/07/2007. A Recorrente comprova o erro material nos dados constantes na DSPJSimples, fl. 09. Por conseguinte, a DSPJ – Simples referente ao encerramento das atividades em 12/07/2007 foi apresentada tempestivamente em 06/08/2007. Em face de o exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 27DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13063.000646/200789 Acórdão n.º 180100.498 S1TE01 Fl. 26 7 TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do § 3º do art. 81 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 22 de fevereiro de 2011. _____________________________ Moema de Souza Nogueira – Secretária da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 28DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13063.000646/200789 Acórdão n.º 180100.498 S1TE01 Fl. 27 8 Fl. 29DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 13893.001339/2003-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE Não
logrando comprovar a efetividade da despesa médica por meio de documentos consistentes, a glosa deve ser mantida dada à ausência de segurança para admitir a sua dedutibilidade.
Numero da decisão: 2201-001.099
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 55DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Afonso Ligorio de Oliveira recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de Auto de Infração (fls. 2/6), relativo ao IRPF, exercício 2000, que se exige imposto no valor total de R$ 35.072,88, já acrescido de multa de ofício e de juros de mora. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, alterou os seguintes itens: 1 rendimentos recebidos de pessoas jurídicas ou físicas para R$ 132.807,40, devido à omissão de rendimentos, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício; 2 dedução com contribuição à previdência privada e FAPI para R$ 0,00, em virtude de dedução indevida a esse título; 3 dedução com dependentes para R$ 0,00, em virtude da dedução indevida a esse título; 4 dedução com despesas com instrução para R$ 0,00, em virtude da dedução indevida a esse título; 5 dedução com despesas médicas para R$ 0,00, em virtude de dedução indevida a esse título; 6 imposto de renda retido na fonte para R$ 12.985,27, devido à inclusão do imposto retido na fonte incidente sobre os rendimentos omitidos. Cientificado da exigência, o contribuinte apresenta Impugnação (fl. 01), alegando, em síntese, que não recebeu nenhuma intimação para prestar esclarecimentos acerca da revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2000. Além do mais, no lançamento dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas não lhe foi informado quais as fontes omitidas. Por fim, não foram consideradas as despesas médicas relativas ao recibo (fl. 7) e Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fl. 8). A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A infração legal descrita de forma insuficiente incide em preterição de requisito legal obrigatório do lançamento e cerceamento de defesa. Incabível a sanatória do lançamento quando extinto o prazo para que a autoridade lançadora revise de ofício o lançamento DEDUÇÕES DA BASE DE CÁCULO DO IMPOSTO. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13893.001339/200319 Acórdão n.º 220101.099 S2C2T1 Fl. 2 3 Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda esta sujeitas à comprovação ou justificação. Lançamento Procedente em Parte Em relação ao aresto proferido, transcrevese a conclusão do voto: Do exposto e por tudo o mais que do processo consta, VOTO pela procedência parcial do lançamento, para excluir da tributação o valor de R$ 23.520,59, e do imposto de renda retido na fonte o valor de R$ 985,65; restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$ 1.799,88 e, por conseguinte, apurar imposto suplementar no valor de R$ 8.241,58, conforme demonstrativo abaixo, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios, de acordo com legislação regente. Intimado da decisão de primeira instância em 24/09/2007 (fl. 42), Afonso Ligorio de Oliveira apresenta Recurso Voluntário em 05/10/2007 (fl. 43), sustentando, essencialmente, verbis: 1.Preliminar : O recibo apresentado do profissional Carlos Eduardo, no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais), referese ao tratamento dentário à minha pessoa no decorrer do ano de 1999, apesar dos termos usados inadequadamente. Procurei o mesmo e ele emitiu um novo recibo com os termos adequados, o qual anexo ao recurso solicitado. 2. Mérito: Motivo deste recurso é considerar o recibo emitido pelo profissional Carlos Eduardo Rezende CPF 078.452.21899 no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais) para deduzir como despesa médica no cálculo do imposto suplementar, já que o beneficiário dos serviços odontológicos é a minha própria pessoa, conforme o novo recibo emitido. Conclusão À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Segundo se colhe dos autos, a controvérsia cingese, nesta segunda instância, a glosa de despesa médica relativa ao profissional Carlos Eduardo Rezende, no valor de R$ 8.000,00. De acordo com o recorrente “O recibo apresentado do profissional Carlos Eduardo, no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais), referese ao tratamento dentário à minha pessoa no decorrer do ano de 1999, apesar dos termos usados inadequadamente. Procurei o mesmo e ele emitiu um novo recibo com os termos adequados, o qual anexo ao recurso solicitado”. Pois bem, a autoridade lançadora glosou a dedução pleiteada a título de despesas médicas relativa ao anocalendário de 1999, o que nos leva a reproduzir os dispositivos legais que regulam a matéria. O art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) – Decreto 3.000 de 26 de março de 1999, que dispõe sobre a base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos determina: Art. 80 – Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250/95, art. 8º, II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250/95, art. 8º, §2º): (...) II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. O mesmo Regulamento, em seu art. 73 e § 1º, estabelece: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei nº 5.844, de 1943, art. 11 e § 3º) (...) § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) Da análise dos dispositivos supracitados, depreendese que cabe ao beneficiário dos recibos e/ou das deduções provar que realmente efetuou o pagamento do valor constante no comprovante e pleiteado como despesa, bem assim a época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Primeiramente, admitese como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só dos Fl. 58DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13893.001339/200319 Acórdão n.º 220101.099 S2C2T1 Fl. 3 5 pagamentos, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também dos serviços prestados pelos profissionais, tais como radiografias, exames, laudos médicos, etc. Em conformidade com o artigo 11, § 3°, do Decretolei n° 5.844, de 1943, supracitado, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação das despesas deduzidas. Em verdade, a comprovação das despesas havidas por meio de recibos é muito frágil. A apresentação deste documento, em muitos casos, deve servir apenas como ponto de partida para esta comprovação, não podendo o Fisco se satisfazer apenas com eles. Portanto, o simples recibo, ainda que substituído por outro, dando conta de quem efetivamente foi o beneficiário do serviço prestado, fl. 45, não é hábil para comprovar a efetividade da prestação de serviço. Ressaltese que o pagamento das despesas médicas não envolve apenas o contribuinte e o profissional de saúde, mas também o Fisco caso haja intenção de se beneficiar desta dedução na declaração de rendimentos. E, por isso, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço prestado. Sobre a matéria já manifestou este Conselho Administrativo, consoante as ementas transcritas: IRPF DESPESAS MÉDICAS, ODONTOLÓGICAS E OUTRAS DEDUTÍVEIS A efetividade do pagamento a título de despesas odontológicas não se comprova com mera exibição de recibo, mormente quando o contribuinte não carreou para os autos qualquer prova adicional da efetiva prestação dos serviços e existem fortes indícios de que os mesmos não foram prestados. (Ac. 1ºCC 10244154) IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647) Com efeito, no caso em tela, verificase que o recibo emitido pelo profissional Carlos Eduardo Rezende, no valor de R$ 8.000,00, deveria estar acompanhado de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) ou de documentos que comprovem a realização do serviço (laudos, relatórios e outros). Além do mais, o recibo Fl. 59DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 carreado à fl. 07 informava “serviços odontológicos a seus familiares no exercício de 1999”, posteriormente, com a glosa dos dependentes o recorrente efetuou a troca do recibo, fl. 45, passando a descrição dos serviços para “serviços odontológicos”. E, em arremate, o recibo acostado à fl. 45 não apresenta o carimbo do prestador de serviço, tampouco o número de inscrição no conselho de classe. Frisese, novamente, que não foi carreado aos autos qualquer prova adicional de que o recorrente tenha de fato suportado o valor da despesa médica relacionada em sua DIRPF/2000. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 60DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13896.001405/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.196
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a extinção do crédito tributário em virtude da fluência do prazo decadencial.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a extinção do crédito tributário em virtude da fluência do prazo decadencial. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Ausência momentânea: Wilson Antonio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 196DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.001405/200754 Acórdão n.º 230201.196 S2C3T2 Fl. 168 3 Relatório Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2001. Data da lavratura da NFLD: 20/03/2007. Data da Ciência do NFLD : 21/03/2007. Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente às contribuições a cargo da empresa e devidas às Outras Entidades, especificamente, para o SESC (alíquota de 1,5%) e para o SENAC (alíquota de 1,0%), incidentes sobre a remuneração de seus segurados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 31/34. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 84/96. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 123/125, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/12/2007, conforme Aviso de Recebimento a fl. 128. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 131/143, concentrando seu inconformismo, dentre outros argumentos, na alegação de decadência quinquenal do direito do Fisco de constituir o crédito tributário em julgo. Ao fim, requer a extinção do crédito tributário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 18/12/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 16/01/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13896.001405/200754 Acórdão n.º 230201.196 S2C3T2 Fl. 169 5 O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 20 de março de 2007, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2001, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, considerando que a vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD promoveu o lançamento tributário relativo a fatos geradores ocorridos nas competências de fevereiro de 1999 a janeiro de 2001, fácil é concluir que se encontram atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias objeto do presente lançamento, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 199DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Fl. 200DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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