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Numero do processo: 13851.002251/2002-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2001
Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - REGULARIDADE FISCAL
A regularização de débito inscrito em divida ativa da Unido, que tenha motivado a exclusão do contribuinte do SIMPLES, em momento posterior data prevista para apresentação da SRS, não torna insubsistente o ato de exclusão para o exercício respectivo.
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9101-000.948
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2001 Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - REGULARIDADE FISCAL A regularização de débito inscrito em divida ativa da Unido, que tenha motivado a exclusão do contribuinte do SIMPLES, em momento posterior data prevista para apresentação da SRS, não torna insubsistente o ato de exclusão para o exercício respectivo. Recurso especial do Procurador provido.
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CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13851.002251/2002-20 Recurso n° 334.373 Especial do Procurador Acórdão no 9101-000.948 — P Turma Sessão de 29 de março de 2011 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO DÉBITOS PERANTE A PGFN Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMERCIAL AGRÍCOLA FERREIRA & ORDINE LTDA. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2001 Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - REGULARIDADE FISCAL A regularização de débito inscrito em divida ativa da Unido, que tenha motivado a exclusão do contribuinte do SIMPLES, em momento posterior data prevista para apresentação da SRS, não torna insubsistente o ato de exclusão para o exercício respectivo. Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, dar Editado em: 25 Ni rd 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Allanim Teixeira (Suplente Convocado), Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base no Regimento Interno dessa Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta 221 Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempre.sas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2000 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITOS PERANTE A PGFIV. REGULARIZAÇÃO. A regularização fiscal tributária perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, dos débitos em aberto descaracteriza a hipótese de exclusão do Simples prevista nos incisos XV e XVI, do artigo 9° da Lei n°9.317/96. RECURSO VOLUNTÁ RIO PROVIDO. 0 caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: "Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório 165.334 de emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em Ribeirao Preto, foi excluída a partir de 1° de março de 1999 do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei n.° 9.317, de 05/12/1996 e alterações posteriores, em virtude de pendências da empresa e/ou sócios com a PGFN e com o INSS, tudo conforme pesquisa no sistema Civel (fl. 06). Insurgindo-se contra a referida exclusão, a contribuinte apresentou, em 09/02/1999, Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples (SRS), a qual, conforme consta na representação de fl. 01, foi indeferida ern virtude de a contribuinte não ter apresentado, a época, documentação que comprovasse a inexistência de débitos. Conforme representação de fi. 01, apesar dos esforços não foram localizados a ARS, nem os documentos que a instruiu, nem a comprovação da ciência do indeferimento, razão pela qual foi expedida a intimação de 41. 15, em 20/12/2002, comunicando a interessada do indeferimento da SRS e facultando a interessada a apresentar manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias da ciência da intimação. Em 14/01/2003 a contribuinte apresentou manifestação de fls. 16/17 alegando ter ingressado com SRS em 09/02/1999 e que em 08/02/1999 apresentou requerimento a ARE em Taquaritinga (fl. 24) solicitando prazo para apresentação dos documentos referentes ao INSS, em razão do órgão não ter condições de 2 A resposta de fls. 106/108 mostra que a empresa está regular frente ao INSS, pois a divida foi parcelada. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o Relatório." Processo n° 13851.002251/2002-20 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.948 F1.2 atender o solicitado dentro do prazo previsto, e que somente em dezembro de 2000 foi feito uni levantamento dos débitos, tendo a empresa aderido ao Programa de Recuperação Fiscal —REF'S em 08/12/2000 (fl. 27). fl.27 consta pesquisa no sistema REFIS a qual informa que a inscrição no Refis foi rescindida, com efeito em 01/01/2001, em virtude de inadimplência de pagamentos a SRF. As fls. 42/68 contam pesquisas, realizadas em 12/10/1003, relativas as inscrições em divida ativa. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/RPO n° 9.581, de 21/10/2005, (lis. 71/75) assim ementada: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento. de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Ano-calendário: 2000 Ementa: SIMPLES EXCLUSÃO. DEBITO EM DÍVIDA ATIVA. Existência de débito inscrito na Divida Ativa da Unido hipótese impeditiva do enquadramento da pessoa jurídica no Simples. Solicitação Indeferida Às fls. 78 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 79183, e documentos, fls. 84/97, reprisando os argumentos da exordia. fls. 105 a SRF envia Oficio ao INSS para ye/Vicar a situação da recorrente junto àquele órgão. No que interessa a essa instância recursal, o acórdão impugnado deu provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte, a fim de que fosse reconhecido o direito desta de não ser excluída do SIMPLES pelo fato de ter regularizado pendências perante a PGFN antes do encerramento do processo administrativo. Entendeu o acórdão recorrido que "manter um ato declaratório de exclusão do regime, cujas pendências foram regularizadas no curso do processo, é contrariar os princípios que regem a atividade econômica elencados no art. 170 da Constituição Federal." Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional, em síntese, violação do acórdão recorrido A. evidência das provas, as quais demonstram estar o contribuinte em 3 situação irregular perante a PGFN na data da respectiva exclusão do SIMPLES. Segundo a Fazenda Nacional, (i) comprovada a existência de pendência do contribuinte junto Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou INSS deverá ser expedido o competente Ato Declaratório de Exclusão; (ii) constatada a pendência da contribuinte junto à PGFN, foi providenciada a sua exclusão do SIMPLES; (iii) o Ato Declaratório expressou a situação da contribuinte no momento de sua expedição e, portanto, é plenamente valido; (iv) não se discute possibilidade de uma nova adesão do contribuinte ao SIMPLES. "Os autos tratam da exclusão do contribuinte do SIMPLES. Assim, para determinar a permanência do contribuinte no sistema, haveria que se invalidar a exclusão, o que não se mostra viável"; (v) a Contribuinte não se desincumbiu do anus a ela atribuído de demonstrar a inexistência, A. época da edição do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES, de débito junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional; (vi) a regularização posterior da situação fiscal da contribuinte não tern o condão de invalidar o Ato Declaratório de Exclusão, razão que justifica a reforma da decisão ora recorrida.. 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho Pres n. 302-0.040 (fls. 122/124)), em vista da potencial violação do acórdão recorrido à prova produzida nos autos. Foram apresentadas contra-razões pela Contribuinte. 4 Processo n° 13851.002251 12002-20 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-090.948 Fl. 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Cinge-se a discussão em saber se a regularização pelo contribuinte de sua situação fiscal no curso do processo administrativo em que se discute sua exclusão do Simples (por tal motivo) implicaria insubsistência do ato de exclusão. Com a devida vênia ao entendimento consubstanciado no acórdão recorrido, parece-me que não por absoluta falta de previsão legal ou regulamentar nesse sentido. O art. 9°, XV da Lei n. 9.317, de 1996, estabelece ser hipótese de vedação opção pelo SIMPLES (ou a sua manutenção, caso seja superveniente a tal opção) o fato de o contribuinte ter débito inscrito em Divida Ativa da Unido ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuj a exigibilidade não esteja suspensa. A legislação complementar editada pela Secretaria da Receita Federal (IN SRF n. 250/2002, revogada pela IN SRF n. 355/2003) conferiu prerrogativa de o contribuinte, excluído do SIMPLES pelo motivo em referência, regularizar suas pendências perante o Fisco no prazo de apresentação da Solicitação de Revisão/Exclusão do SIMPLES (SRS), qual seja: 30 dias contados da data da ciência do ato declaratório respectivo. Pois bem. No caso dos autos, é incontroverso o fato de que o Contribuinte estava em situação irregular perante a PGFN na data de sua exclusão do SIMPLES. E fato incontroverso, também, que o Contribuinte não regularizou a pendência em referência no prazo de 30 dias contados da exclusão respectiva, já que tais débitos foram pagos por meio de acordo de parcelamento especial (REFIS) celebrado em data posterior ao citado trintidio regulamentar. Hi precedentes do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes que respaldam o entendimento de que a regularização da divida pelo contribuinte fora do trintidio regulamentar não torna insubsistente o ato de exclusão para o exercício respectivo. Veja-se, a titulo ilustrativo, ementa de acórdão proferido pela extinta l a Camara, verbis: SIMPLES — EXCLUSÃO — A regularização de débito inscrito em divida ativa da Unido, o qual motivou a exclusão do contribuinte do SIMPLES, em momento posterior à data prevista para apresenta cão da SRS, não produz efeito jurídico para manter a opção no exercício em referencia. RECURSO VOLUIVTÁRIO NEGADO. (Processo n. 13706002930/2001-91, Rel.: Luiz Roberto Domingo, Ac. 301 -32978, sessão de 11.07.200) 5 Sala das Sessões de 2011. Antonio Car lho - Relator Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, dar-lhe provimento. 6
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003057/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS NO EXTERIOR. PROVA INDICIÁRIA.
Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CONTA BANCÁRIA. TITULARIDADE.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS.
Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula CARF nº 67 Portaria
CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.497
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso para acolher a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Fez sustentação o Dr. Roberto Quiroga Mosqueira, OAB-SP nº 83.755, patrono do recorrente.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS NO EXTERIOR. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CONTA BANCÁRIA. TITULARIDADE. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula CARF nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010). Recurso Voluntário Provido
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MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS NO EXTERIOR. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CONTA BANCÁRIA. TITULARIDADE. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula CARF nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para acolher a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.003057/200773 Acórdão n.º 210201.497 S2C1T2 Fl. 541 2 Fez sustentação o Dr. Roberto Quiroga Mosqueira, OABSP nº 83.755, patrono do recorrente. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 08/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra DAVID KATTAN foi lavrado Auto de Infração, fls. 254/261, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2002 e 2003, exercícios 2003 e 2004, no valor total de R$ 3.789.617,58, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 28/09/2007. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 237/248, foram omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e variação patrimonial a descoberto, sendo certo que ambas as infrações são decorrentes de valores movimentados em conta bancária mantida no exterior, que foi identificada durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que as autoridades brasileiras tomaram conhecimento da existência da empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 272/314, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SPOII nº 1724.911, de 14/05/2008, fls. 337/380: a) Houve erro na identificação do sujeito passivo, que seria uma empresa, Elver Capital Ltd.; b) Houve desconsideração da personalidade jurídica da empresa em questão, em desacordo com a previsão legal (em especial o art. 135 do CTN); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.003057/200773 Acórdão n.º 210201.497 S2C1T2 Fl. 542 3 c) O regime de apuração do IRPF incidente sobre omissão de receitas / rendimentos sobre depósitos bancários seria mensal e não anual; d) Houve decadência do direito de lançar para o período entre janeiro de 2002 e outubro de 2003; e) Ausência de materialidade, pois os valores que transitaram na contacorrente objeto da autuação pertenceriam à empresa Elver Capital Ltd., como estaria provado nos autos e, portanto, não caberia a autuação com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96; f) Teriam sido utilizadas indevidamente presunções de que o provável seria verdadeiro, em relação ao real titular dos recursos que originaram a autuação; g) Falta de liquidez e certeza em virtude do uso de taxa de câmbio para conversão dos valores em dólares em desacordo com a legislação, em especial com o Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual; h) Inaplicabilidade da presunção de omissão de receitas sobre depósitos bancários (cita a Súmula 182 do extinto TFR); i) Inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, pois o saldo de um ano, não foi transportado para o ano seguinte; j) Duplicidade no lançamento, pois os mesmos valores estariam sendo tributados como acréscimo patrimonial a descoberto e como omissão de rendimentos; k) Ilegalidade da taxa SELIC. A DRJ São Paulo II julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 31/10/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 372, o contribuinte apresentou, em 02/12/2008, recurso voluntário, fls. 375/434, onde repisa e reforça as mesmas alegações da impugnação, destacandose os seguintes trechos a seguir transcritos: Ante todo o exposto, tornase claro que o presente lançamento está cercado de dúvidas, em especial, dúvidas quanto (i) à validade dos documentos apresentados em língua estrangeira, desacompanhados da tradução juramentada e do registro público; (ii) à veracidade das traduções livres perpetradas pela Polícia Federal e pelos Srs. Auditores Fiscais; (iii) à validade dos demonstrativos de movimentação financeira e laudos, juntados sem qualquer indicação de data, assinatura, ou identificação do Órgão responsável por sua elaboração; (iv) ao montante exigido, em razão da falta de apresentação dos extratos bancários; e (v) às transações identificadas pela Polícia Federal, diante das dúvidas reconhecidas pelo próprio órgão quanto aos valores transacionados; e (vi) à titularidade da conta em questão. Todas essas dúvidas colocam em xeque a aplicabilidade da presunção de omissão de rendimentos com Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.003057/200773 Acórdão n.º 210201.497 S2C1T2 Fl. 543 4 base em depósitos bancários perpetrada pelo presente lançamento e mantida pela DRJ. (...) De fato, o acréscimo patrimonial calculado levou em consideração tão somente os valores movimentados pela conta da empresa Elver Capital Ltd. Ou seja, não se verificou a variação patrimonial como um todo, inclusive considerandose a renda consumida e os demais rendimentos informados nas DIRPF. Assim, equivocouse a Fiscalização na elaboração das planilhas de "análise da variação patrimonial" (fls. 252/253). Com efeito, a planilha de fls. 252 aponta que em dezembro de 2002 houve um "excedente para o mês seguinte" de R$ 132.787,50. No entanto, para surpresa do Recorrente, tal importância não foi transportada para a planilha seguinte, para o mês de janeiro de 2003, o que distorce por completo a análise da variação no período questionado. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.003057/200773 Acórdão n.º 210201.497 S2C1T2 Fl. 544 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O lançamento imputa ao contribuinte as infrações de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e acréscimo patrimonial a descoberto, sendo certo que ambas as infrações são decorrentes de valores movimentados em conta bancária mantida no exterior, que foi identificada durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que as autoridades brasileiras tomaram conhecimento da existência da empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento. No recurso, o contribuinte suscita a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, alegando que a titular da conta bancária em questão (030172985) é a pessoa jurídica Elver Capital Ltd. e que ele e seu irmão, Toufic Kattan, movimentavam os recursos na qualidade de procuradores. Destaquese que desde o início do procedimento fiscal o contribuinte nega ser titular da referida conta, entretanto, a autoridade fiscal assim se pronunciou sobre o assunto no Termo de Verificação Fiscal: 6) Por todo o exposto, concluímos que as simples alegações apresentadas em 31/07/2007 “que não abri, não tive, não tenho e não autorizei ninguém a abrir conta em meu nome no “Hudson United Bank de Nova Yorque” e no “Beacon Hill Service Corporation”” não podem prosperar, por estarem em evidente conflito com as nossas solicitações, provas e documentos analisados. Esta fiscalização não perguntou se o Sr. David Kattan abriu, em seu nome, conta no MTB – CBC HUDSON BANK, mas sim, qual a origem dos depósitos movimentados na conta n.° 30172985, denominada ELVER CAPITAL, junto ao citado banco e junto a empresa Beacon Hill Service Corporation/BHSCNY. É incontestável que as transações envolvendo a conta n° 30172985/Elver Capital foram realizadas, assim como é incontestável que os Srs. David Kattan e Toufic Kattan, em resposta ao fax datado de 23/09/2002 e enviado pelo Hudson United Bank a todos os seus clientes internacionais, se identificam junto ao banco como os beneficiários finais da conta n° 30172985/Elver Capital, através do formulário “CERTIFICATION OF BENEFICIAL OWNERSHIP” e, em conjunto com todos os demais documentos já mencionados por esta fiscalização, está fartamente comprovado que os Srs. Toufic Kattan, CPF 089.881.68828 e David Kattan, CPF 087.749.208 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.003057/200773 Acórdão n.º 210201.497 S2C1T2 Fl. 545 6 5, são os titulares e únicos responsáveis pela movimentação financeira efetuada no exterior, através de conta mantida junto ao MTB CBC HUDSON BANK e transferências realizadas através da Beacon Hill Service Corporation/BHSCNY. Por seu turno, a decisão recorrida não acolheu a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, nos seguintes termos: Ora, no presente caso ficou provado pelos elementos constantes dos autos, em especial pelo Laudo de Exame Econômico Financeiro n° 1.707/2005INC (fls. 176 a 188) e pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 237 a 248) que a empresa citada acima tratase de interposta pessoa, nos termos do § 5º do art. 42 da Lei n° 9430/96 (artigo e parágrafo transcritos pelo contribuinte às fls. 286 e 287). (...) Quanto às alegações de que a fiscalização “simplesmente ignorou a personalidade jurídica da empresa Elver Capital Ltd.” e de que aquela empresa possui personalidade jurídica própria, tal fato não foi questionado pela fiscalização. Apenas foi constatado que, não obstante possua personalidade jurídica própria, aquela atuou como interposta pessoa, nos termos da legislação brasileira. Assim, não há como aceitar sua alegação. Ressaltese que não há prova alguma de atividade que justificasse os depósitos para a empresa, assim como não há prova de que esses recursos a ela pertenceriam, enquanto abundam provas em sentido de os recursos serem dos autuados. Assim sendo, também cumpre rejeitar aqui a alegação de utilização indevida de presunções, pois tratouse de provas e não de presunções a respeito da titularidade dos recursos. Ao contrário do afirmado pelo contribuinte, não houve ato arbitrário algum, mas prova aceita pela fiscalização e nesse julgamento. Preliminar rejeitada. De pronto, verificase a existência de divergência no entendimento exarada na decisão recorrida e aquele emitido pela fiscalização. A autoridade fiscal entende que os documentos acostados aos autos comprovam que Toufic Kattan e David Kattan são os titulares da conta bancária em questão, enquanto a decisão recorrida considera que a pessoa jurídica Elver Capital Ltd é a titular da conta, porém na condição de interposta pessoa de Toufic Kattan e David Kattan. Devese observar, contudo, que a autoridade fiscal e a decisão recorrida percorreram caminhos distintos, porém chegaram a mesma conclusão, qual seja: os recursos movimentados na conta bancária 030172985 pertencem a Toufic Kattan e David Kattan. No Laudo nº 1.7070/2005 – INC, elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, fls. 176/188, consta a seguinte afirmação: Entre os documentos analisados, constantes do dossiê, foram selecionados e descritos os principais, entre os quais aqueles que identificam como responsáveis (procuradores ou titulares ou representantes) pela movimentação financeira da conta corrente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.003057/200773 Acórdão n.º 210201.497 S2C1T2 Fl. 546 7 nº 030172985, DAVID KATTAN e TOUFIC KATTAN, conforme demonstrado a seguir: Veja que o laudo não é preciso no que diz respeito a titularidade da conta, mencionando a palavra responsável e indicando que a mesma poderia ser entendida como procuradores ou titulares ou representantes. Ocorre que, em se tratando de exigência de imposto de renda incidente sobre omissão de rendimentos, caracterizada em razão de movimentação de conta bancária, a titularidade da referida conta deve estar perfeitamente identificada. Para o caso em questão, responsável, procurador, titular e representante não podem ser tomados indistintamente como sujeito passivo. Somente sobre o titular da conta bancária pode recair o lançamento, seja ele titular de direito ou titular de fato (caso paire demonstrado que houve o uso de interposta pessoa). No caso que se apresenta, verificase que da documentação acostada aos autos, que foi objeto de exame por parte dos peritos da Polícia Federal, resta bastante difícil a determinação de quem é o detentor da titularidade da conta bancária nº 030172985. A dificuldade de determinar o titular da conta, mediante os documentos acostados aos autos, confirmase pela divergência que se verifica dos entendimentos exarados pela Polícia Federal, pela autoridade fiscal e pela decisão recorrida. A Polícia Federal identifica Toufic Kattan e David Kattan como responsáveis (procuradores ou titulares ou representantes) pela conta bancária nº 030172985, já autoridade fiscal afirma que Toufic Kattan e David Kattan são os titulares da conta e, por seu turno, a decisão recorrida, entende que a titular da conta é a pessoa jurídica Elver Capital Ltd, que funcionou como interposta pessoa de Toufic Kattan e David Kattan. Vêse, portanto, que do exame da mesma documentação chegouse a três conclusões distintas. Entretanto, a despeito das dificuldades existentes para determinar a titularidade da conta bancária nº 030172985, com base nos documentos que compõem o processo, temse que cabe a esta autoridade julgadora apreciar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo e nestes termos decidir se nos autos existem provas de que Toufic Kattan e David Kattan são titulares da conta bancária nº 030172985. De pronto, devese afirmar que a tese defendida pela decisão recorrida é a que mais se aproximou da verdade, do que se pode extrair dos autos. A titularidade da conta bancária é de Elver Capital Ltd (titularidade de direito), conforme se extrai de vários documentos acostados aos autos, sendo certo que Toufic Kattan e David Kattan estão autorizados a movimentar a conta, na qualidade de procuradores e também que as ações da referida pessoa jurídica são ao portador e que Toufic Kattan e David Kattan estão na posse de tais ações. Logo, podese dizer que da documentação examinada verificase a existência de fortes indícios de que Toufic Kattan e David Kattan são os titulares de fato dos recursos movimentados na conta bancária nº 030172985. Contudo, tais indícios não remetem a uma única conclusão. No cadastro da instituição financeira consta que a titular é a pessoa jurídica Elver Capital Ltd e, ao contrário do que afirma a decisão recorrida, não existem nos autos, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.003057/200773 Acórdão n.º 210201.497 S2C1T2 Fl. 547 8 provas de que tal entidade não tenha atividades, ou seja, que não estivesse operando e, por conseguinte, não tivesse recursos para fazer frente aos depósitos efetivados na conta examinada. O fato indiciário não é suficiente para imputar ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos. Nesse ponto, vale destacar o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito, que estabelece que a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. Art. 9.º. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Devese, ainda, observar que o direito probatório brasileiro consagra a possibilidade de uso da prova indiciária. Entretanto, no caso do uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus da autoridade fiscal contextualizar os elementos de prova juntados, tratando de articulálos de forma tal a demonstrar a inequívoca conduta ilícita do contribuinte (se do cruzamento dos elementos de prova coletados não resultar como possível apenas aquele resultado afirmado pela autoridade fiscal, sem vigor restará o cenário construído, o que, via de regra, demanda aprofundamento da investigação). No mesmo sentido está redigido o § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). Ou seja, a aplicação do parágrafo acima transcrito somente é possível quando comprovado de forma cabal que os valores creditados pertencem a terceiros, conforme bem explicitado na Súmula CARF nº 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Meros indícios, ainda que fortes, não são suficientes para imputar ao contribuinte a titularidade dos valores movimentados em contas bancárias, cuja titularidade indicada no cadastro bancário pertence a outrem. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.003057/200773 Acórdão n.º 210201.497 S2C1T2 Fl. 548 9 Assim, não restando cabalmente comprovado que o contribuinte era o real detentor dos recursos movimentados na conta bancária nº 030172985, não pode prosperar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. No que concerne à infração de omissão de rendimentos, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, inferese dos demonstrativos, fls. 252/253, que a autoridade fiscal limitouse a confrontar os valores dos créditos e débitos ocorridos na conta bancária nº 030172985. Ora, como já visto, não existem provas cabais de que os recursos movimentados na referida conta de fato pertençam ao contribuinte e seu irmão, de sorte que, também, não pode prosperar a infração de acréscimo patrimonial a descoberto. Ademais, ainda que se admitisse que os recursos movimentados na conta bancária nº 030172985 pertencessem ao contribuinte e seu irmão a infração de acréscimo patrimonial a descoberto não prosperaria em razão do disposto na Súmula Carf nº 67: Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Nessa conformidade, acolhese a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, suscitada pela defesa, cancelandose as infrações de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e de acréscimo patrimonial a descoberto, de modo que tornase desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso, para acolher a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002991/2003-81
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1989
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE.
DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1989
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE.
NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO.
No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF Repercussão Geral).
Numero da decisão: 1803-001.129
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1989 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1989 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF Repercussão Geral).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1989 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1989 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF Repercussão Geral). Fl. 162DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10875.002991/200381 Acórdão n.º 180301.129 S1TE03 Fl. 185 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10875.002991/200381 Acórdão n.º 180301.129 S1TE03 Fl. 186 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 159verso): Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente de auditoria interna da DCTF/1998, indicativo de saldo em aberto de Irfonte, no valor originário total de R$ 9.357,13, à conta de “pagamento não localizado”, acrescido de juros e multa de ofício. Também estão sendo exigidos multa de mora e multa de ofício isoladas. Alega o contribuinte, em síntese: ∙ Em relação à multa de ofício isolada, o pagamento no prazo dos tributos em referência, em razão do que deve ser ela excluída; ∙ Quanto aos pagamentos não localizados de Irfonte, resumese a aduzir o “efeito confiscatório” da multa imposta. Na sequência, houve revisão de ofício, procedimento do qual resultou a improcedência do valor originário de Irfonte de R$ 814,18. Cientificado, interpôs o contribuinte, a título de “recurso voluntário”, razões complementares de impugnação (fls. 124/133), que se sintetizam na alegação de nulidade do lançamento pelos seguintes motivos: ilegalidade na imposição de juros de mora com base na taxa Selic; multa de ofício de caráter confiscatório. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 159 e verso): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. É a atividade onde se examina a validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco, sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos. DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE. ERRO. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. JUROS DE MORA. Comprovado o erro, cancelase o lançamento dele decorrente. Tratandose de procedimento sumário de revisão interna da declaração/batimento de valores declarados com aqueles recolhidos, permitido pela legislação, descabe falar de nulidade. Mantémse a tributação relativamente aos débitos declarados cujos pagamentos/parcelamento não foram comprovados. Com fundamento no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN e na nova ordem legal trazida pela MP 135/03, que limitou a aplicação do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, é de se exonerar a multa de ofício. Sobre os débitos pagos fora de prazo incidirão juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Fl. 164DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10875.002991/200381 Acórdão n.º 180301.129 S1TE03 Fl. 187 4 Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula 1º CC nº 4, publicada no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 12/03/2009 (fls. 163), a tempo, em 09/04/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 165 a 171, insurgindose, unicamente, contra a exigência de juros de mora calculados pela taxa Selic e pleiteando, por decorrência, a nulidade do lançamento. Em mesa para julgamento. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10875.002991/200381 Acórdão n.º 180301.129 S1TE03 Fl. 188 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Tratase de auto de infração decorrente de revisão de Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTFs) relativas aos 2º a 4º trimestres do anocalendário de 1998. 5. Remanescem em litígio apenas a diferença de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), cujo pagamento declarado não foi comprovado (R$ 8.542,95) e os correspondentes juros de mora calculados à taxa Selic. Preliminar de nulidade 6. Preliminarmente, quanto à arguição de nulidade, cabe aduzir que a única hipótese prevista de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está perfeitamente definida no inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), e referese ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não veio a ocorrer na situação presente. 7. No presente caso, o alegado vício que, segundo a Recorrente macularia o lançamento forma pela qual os juros de mora foram calculados tratase, na realidade, de matéria de mérito, e não de preliminar. Repercussão geral (STF) 8. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 9. Relativamente à questão da incidência da taxa Selic para atualização de débitos tributários, é o seguinte o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática de Repercussão Geral (art. 543B do CPC): 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da Fl. 166DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10875.002991/200381 Acórdão n.º 180301.129 S1TE03 Fl. 189 6 legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. [...]. 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 582461, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL0256802 PP00177) Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 167DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10166.002384/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO ENTRE CRÉDITOS DE CSLL, PIS E COFINS, RETIDOS INDEVIDAMENTE E OS DÉBITOS DESSAS MESMAS CONTRIBUIÇÕES RETIDOS E CONFESSADOS
ESPONTANEAMENTE: A Associação é credora do Fisco em razão das retenções indevidas efetuadas pelas tomadoras de serviços sobre os valores pagos à ela, pois além dela não ser a real prestadora do serviço médico sobre o qual incide às contribuições ao PIS, a COF1NS e a CSLL, os serviços de intermediação que ela presta não estão sujeitos às referidas retenções, sendo essas indubitavelmente indevidas e passíveis de restituição. A Associação também é devedora do Fisco em razão da retenção e recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a prestação de serviços médicos. Donde se conclui que a Associação é credora e devedora do Fisco em relação aos mesmos tributos e em relação aos mesmos valores, podendo requerer a compensação desses nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96.
DO EXCESSO DE FORMALISMO EM DETRIMENTO DAS PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS. Não se pode primar pelo formalismo em detrimento da apuração dos fatos reais, assim se o contribuinte logrou êxito em demonstrar ser credor e devedor do Fisco em relação aos mesmos valores, a compensação deve ser homologada.
Numero da decisão: 1102-000.575
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Eduardo Martins Neiva Monteiro, que negavam provimento.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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A Associação também é devedora do Fisco em razão da retenção e recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a prestação de serviços médicos. Donde se conclui que a Associação é credora e devedora do Fisco em relação aos mesmos tributos e em relação aos mesmos valores, podendo requerer a compensação desses nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. DO EXCESSO DE FORMALISMO EM DETRIMENTO DAS PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS. Não se pode primar pelo formalismo em detrimento da apuração dos fatos reais, assim se o contribuinte logrou êxito em demonstrar ser credor e devedor do Fisco em relação aos mesmos valores, a compensação deve ser homologada. 1 Processo n° 10166.002384/2007-41 S1.-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Eduardo Martins Neiva Monteiro, que negavam provimento. JOÃ$0 OPPERMANN T Mt — Presidente em Exercício JOÃO CARLOS DE LI JUNIOR — Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Joao Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Joao Carlos de Lima Júnior, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Silvana Rescigno Guerra Barreto e Eduardo Martins Neiva Monteiro (Substituto convocado). Relatório Em 13/03/2007 a Recorrente protocolou pedido de homologação de declaração de compensação de créditos retidos na fonte a titulo de CSLL, PIS e COFINS sofridas em janeiro de 2007 no valor total de R$ 47.432,06 com débitos de retenção na fonte dessas mesmas contribuições feitas pela Recorrente na segunda quinzena de janeiro de 2007, no código da receita 5952 no montante total de R$ 47.432,06. Todavia em 30/01/2008 o referido pedido de homologação de compensação de créditos de PIS, COFINS e CSLL com débitos da mesma espécie foi julgado como NÃO HOMOLOGADO pela DIORT/DRF/DF, uma vez que em relação ao PIS e a COFINS a Recorrente não observou o disposto no caput no parágrafo primeiro do artigo 5 da MP 413/2008, já que de acordo com este dispositivo só é possível a compensação do crédito da retenção na fonte quando ocorrer a impossibilidade da dedução da retenção. Assim, tomando- se a DCTF apresentada pela Recorrente no primeiro semestre de 2007, onde constam os débitos de PIS e COFINS para janeiro de 2007, que é o mesmo período de apuração do crédito indicado de retenção na fonte dessas contribuições, constata-se que a Recorrente pagou PIS e COFINS, mediante DARF nos valores de R$ 234,21; R$ 822,98 e R$ 1.080,99. Ou seja, como 2 Processo n° 10166.002384/2007-41 51-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 3 houve necessidade de pagamento dessas contribuições, conclui-se que não foi atendido o disposto no artigo 5, caput e parágrafo primeiro da MP 413/2008. Já no que tange a CSLL, caso as retenções sejam em valor superior ao devido, o contribuinte pode optar por apresentar a declaração de isenta do IRPJ e preencher no programa gerador da declaração o campo que indica que ele é contribuinte da CSLL, informando as retenções sofridas de CSLL a cada mês ou trimestralmente, conforme sua forma de apuração para que estas possam ser somadas e gerar um saldo negativo ao final do período, que dai sim poderá ser utilizada na compensação com outros tributos e contribuições. Em suma o motivo da não homologação foi de que é incabível a compensação diretamente da CSLL retida na fonte com o valor a recolher de retenções de CSLL, PIS e COFINS feitas sobre pagamentos a outras pessoas jurídicas ou órgãos públicos. A legislação permite deduzir da base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS os valores retidos, sendo esta dedução feita diretamente na escrituração contábil da pessoa jurídica ou mediante a entrega da Declaração de Isenta ou DACON. Em 21/02/2008 a Recorrente foi intimada sobre a decisão de não homologação. Em 20/03/2008 a Recorrente protocolou sua manifestação de inconformidade alegando em síntese que: Embora a Recorrida tenha reconhecido expressamente o direito da Recorrente à compensação de valores retidos indevidamente a titulo de CSLL, PIS e COFINS, houve por bem não homologar a compensação, fundamentando sua decisão no fato de que a Recorrente ao efetuar a compensação não observou os preceitos normativos contidos no parágrafo primeiro do artigo 5 da MP 413/2008 e o artigo 5 da Instrução Normativa 600/2005. Os dispositivos normativos invocados não eram aplicáveis à compensação em tela, seja pelo fato de simplesmente não estarem em vigor no instante em que se deu a operação (caso da MP 413/2008), seja pelo fato de desconsiderarem especificidades fundamentais da situação tratada, seja, ainda, pelo fato de somente poderem ser cumpridos mediante a apresentação de declaração inexata da Recorrente ao Fisco (caso da IN 600/2005, se interpretada de acordo com a sugestão constante do parágrafo 13 do Despacho Decisório). 0 direito subjetivo A. compensação tributária é assegurado pelo artigo 74 da Lei 9.430/1996, como reconhecido no próprio despacho decisório ora atacado, que entendeu pela não homologação. Ao assim proceder, o Fisco deixou de lado o principal aspecto da controvérsia, a saber, a existência de um direito legalmente assegurado, qual seja a compensação que enquanto direito subjetivo integra o patrimônio da Recorrente e que deve ser viabilizado e não obstado pelas autoridades públicas. A Recorrente é Associação que congrega os médicos que exercem sua profissão no Distrito Federal , colocando diversas facilidades à disposição de seus associados, dentre os quais destaca-se a intermediação de contratos de prestação de serviços médicos celebrados entre os seus associados médicos e os planos de saúde na condição de tomadores, inclusive no que tange ao recebimento dos honorários devidos e do seu repasse aos seus associados figurando como mera intermediária. Processo n° 10166.002384/2007-41 S1 -C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 4 Nessa operação os planos de saúde fazem o depósito da remuneração devida aos médicos associados diretamente A. Recorrente, registrando a retenção de tributos como se fora pagamento para a Associação, o que tornava confusa a relação com os planos de saúde. Dessa maneira, em relação à CSLL, ao PIS e a COFINS a Recorrente sofre nos pagamentos que recebe como mera intermediária de seus associados, retenções conjugadas dessas contribuições, pelo código 5992, no percentual de 4,65% nos termos do artigo 30 da Lei 10.833/2003. Diante dessa confusão o Superior Tribunal de Justiça- um dos tomadores dos serviços médicos prestados pelos associados da Recorrente, por seu intermédio, formulou consulta A. SRF, solicitando manifestação sobre a forma pela qual deveriam ser realizadas as retenções. Em reposta A. referida consulta foi proferida a Solução de Consulta COSIT número 5, de 30 de março de 2004 que esclareceu que as retenções de CSLL, PIS e COFINS só eram cabíveis se os serviços médicos fossem prestados por pessoa jurídica, o que não é o caso, uma vez que os serviços médicos são prestados pelos médicos associados e não pela Recorrente, conforme a seguir transcrita: "Analisando-se o documento de fls. 30 dos autos (Estatuto da Associação Médica de Hospitais Privados do Distrito Federal), verifica-se que os serviços são prestados direta e unicamente pelos associados, por conta e risco próprios, corno pessoas fisicas e jurídicas, evidenciando a condição de mera intermediária da Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal (AMHPDF) na prestação de serviços. 1 1 . Estabelece a Cláusula Nona que os valores devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas com discriminação dos serviços prestados para cada beneficiário no prazo de 30 (trinta) dias, e o sç 3 prevê que os pagamentos serão recebidos pela Credenciada na qualidade de representante de seus associados, que poderá em nome destes envidar todos os esforços para a sua cobrança. 12.. Encontram-se ainda acostados aos autos: cópia de Declaração de Isenção, a que se refere o inciso IV art. 26 da IN SRF n2 306, de 2003, firmada pelo Diretor Presidente da AMHPDF, datada de 25 de março de 2003; cópias de Ternos de Filiação e Compromisso, à associação, de pessoas fisicas e de uma pessoa júridica; e do Estatuto da Associação. 13. A IN SRF 112 306, de 2003, tem seu fundamento legal no art. 64 da Lei n 9.430, de 1996, estabelecendo o art. 1 2 da mencionada Instrução Normativa: 'Art. 1 2 Os órgãos da administração federal direta; as autarquias e as fundações federais reterão, na fonte, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (1RPJ), bem assim a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para ,o PIS/Pasep sobre OS pagamentos que efetuarem a pessoas jurídicas, pelo 4 Processo n° 10166.002384/2007-41 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 5 fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa." 14. Dentre as hipóteses em que não haven't retenção, o art. 25, inciso IV, da referida Instrução Normativa arrola as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e às associações civis, a que se refere o art. 15 da Lei IV 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Estabelece o art 26 a obrigatoriedade de as entidades que se 'enquadrem no inciso IV do art 25 apresentarem declaração, informando que preenchem os requisitos ali exigidos... 15. De sua vez estabelece o art. 15 da Lei n2 9.532, de 1997, o seguinte: "Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e cientifico e as associações civis que prestem; os serviços para os quais houverem sido instituidas e os coloquem â disposição do grupo de pessoas a que se -destinam, sem fins lucrativos. I A isenção a que se refere este artigo aplica-se, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e a contribuição social sobre o lucro liquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 22 Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável; 32 as instituições isentas aplicam-se as disposições do art. 12, 2 2, alíneas "a" a "e" e § 32 e (o)s arts. 13 e 14." 16. Sobre as retenções previstas na Instrução Normativa SRF n 306, de 2003, a questão a ser solucionada cinge-se ao 'correto enquadramento dos serviços prestados pela associação, já que, como alega a consulente, os profissionais médicos realizam os procedimentos, em nome próprio, figurando a associação corno mera intermediária. 17. 0 art. 20, da IN SRF 306, de 2003, prevê, como regra geral, a retenção na fonte sobre os pagamentos as associações profissionais ou assemelhadas. Cabendo aos órgãos, autarquias e fundações da Administração Pública Federal, quando contratarem diretamente com tais entidades, realizar as retenções prevista no art. 22, quais sejam: a) imposto de renda na fonte â aliquota de 1,5% (um e meio por cento), sobre as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por seus associados, utilizando-se do código de arrecadação 3280; 5 Processo n° 10166.002384/2007-41 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 6 b) CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, às aliquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimo por cento), respectivamente, perfazendo o percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), sobre o valor total das notas fiscais ou atuis . utilizando-se o código 8863. 18. Esse tratamento, contudo, não deve ser aplicado 6 AMHPDF, eis que os pagamentos efetuados pelo STJ tem natureza distinta dos pagamentos realizados a Outras associações que prestem serviço em nome próprio. 19.A AMHPDF atua Como intermediária, em que pese o contrato firmado entre ela e o STJ estabelecer como objeto "a intermediação permanente de serviços médicos e paramédicos", e a sua Cláusula Nona determina que os serviços devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas. 20.. Ocorre que todos os procedimentos médicos e terapêuticos consagrados, incluindo materiais e medicamentos, são prestados diretamente por pessoas fisicas ou jurídicas associados da Contratada por conta e risco próprio sem qualquer responsabilidade da AMHPDF. Os pagamentos são efetuados a Associação, como intermediária, mas referem-se a pagamentos efetuados a conta de serviços prestado. diretamente por pessoas físicas ou jurídicas, mediante a identOcação do beneficiário do serviço '(servidor do STJ). 21. Assim, os pagamentos são, na verdade, direcionados às pessoas prestadoras de serviço via associação que faz jus apenas a remuneração pelo serviço de intermediação. A retenção deve ocorrer, portanto, sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado, diretamente com os profissionais pessoas fi'sicas e jurídicas. 22. Esclareça-se que a incidência prevista no art. 652 do RIR, de 1999 alcança apenas associações de profissionais, ou seja, aquelas que possuem unicamente associados pessoas fisicas. Assim, como a AMHPDF é uma associação que congrega tanto associados pessoa fisica como pessoa jurídica, os pagamentos efetuados por órgãos públicos aos seus associados estão sujeitos às retenções do art. 628 do RIR de 1999, no caso de profissional pessoa fisica; e as retenções de que trata a IN SRF 306 de 2006, no caso de pagamentos efetuados às pessoa jurídicas. Nessas hipóteses, a obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento por força do disposto no art. 64, ,¢ 1, da Lei 9.430, de 1996. 6 Processo n° 10166.002384/2007-41 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 7 Em que pese a existência da solução de consulta os pianos de saúde continuaram realizando as retenções como se a Recorrente fosse a própria prestadora de serviços médicos, alegando dificuldades operacionais em implementar a referida solução. Diante dessa situação e das retenções indevidas que a Recorrente vinha sofrendo, uma vez que boa parte dos serviços que intermedeia são prestados por médicos pessoas fisicas e, na condição de associação sem fins lucrativos é isenta da incidência do PIS, da COFINS e da CSLL sobre suas próprias atividades, nos termos do que dispõem o artigo 13, IV e do artigo 14 ambos da MP 2.158-34/2001 e do artigo 15, parágrafo primeiro da Lei 9.532/1997, passou a apurar créditos tributários e compensá-los com tributos que deveria reter na fonte, como o PIS a COFINS e a CSLL incidentes sobre os repasses de honorários pagos pelos planos de saúde as clinicas, na qualidade de pessoa jurídica, prestadoras de serviços médicos, visto que estas é que são os contribuintes que realizam o fato gerador que motiva as retenções. Ou seja, no presente caso a compensação pleiteada refere-se à retenções indevidas de PIS, COFINS e de CSLL sofridas pela Recorrente como se ela fosse pessoa jurídica prestadora de serviços médicos, quando na verdade é apenas intermediadora, e os valores que a Recorrente deveria reter dos seus associados estes sim na qualidade de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos, no momento em que repassa as clinicas os honorários recebidos por ela na condição de intermediadora, sem qualquer redução nos valores das contribuições incidentes sobre a operação. Fato que em nenhum momento foi observado pela autoridade julgadora. A Recorrente ao proceder a compensação entre os créditos oriundos de retenção indevida e débitos relativos a retenções a serem realizadas nada mais fez do que seguir os dispositivos normativos que tratam da matéria, inclusive o artigo 7 da IN da SRF 480/2004 e o artigo 5 da IN 600/2005, ou seja, realizou os abatimentos devidos de créditos apurados em um período mensal, já que a retenção é feita mês a mês com os débitos correspondentes ao período seguinte também mensal, relativo a retenções mensalmente exigidas. Ao assim proceder a Recorrente possibilitou ao Fisco a solução que melhor permite o monitoramento dos tributos incidentes e dos valores efetivamente recolhidos, isso porque todas as etapas do procedimento foram formalizados, inclusive por meio de Declarações de Compensação (DCOMP's) e registros específicos na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF). A forma de proceder da Recorrente não causou qualquer lesão ao Fisco, mas ao contrário, permitiu um controle e acompanhamento pelo Fisco muito maior do que se a Recorrente tivesse procedido as deduções apenas em sua contabilidade como deu a entender o Despacho Decisório ora combatido. Tanto a compensação quanto a dedução efetuada diretamente na escrituração fiscal do contribuinte são formas de extinção de obrigações tributárias a partir da contraposição de créditos que o sujeito passivo tenha em face do Fisco, sendo a compensação gênero, uma vez que contempla qualquer débito e crédito administrado pela SRF, nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/1996, enquanto a dedução é uma espécie, visto que envolve apenas alguns tributos e em determinadas condições. 7 Processo n° 10166.002384/2007-41 S1 -C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 8 Em relação as compensações de PIS e da COFINS não merece qualquer reprimenda o procedimento adotado pela Recorrente, pois a desqualificação da compensação promovida pelo Despacho Decisório DRF/BSA/DIORT, fundamentou-se em ilegal aplicação retroativa da MP 413/2008, procedimento de todo inviável em face dos artigos 105 e 106 do crN e do artigo 150, inciso HI, "a" da CF/88, visto que como ressaltado na própria decisão guerreada, a compensação em tela foi realizada em janeiro de 2007 e declarada 13/03/2007, ou seja, muito antes do dia 03 janeiro de 2008, data em que foi publicada a MP 413/2008, não podendo, portanto, esse dispositivo legal ser invocado pelo Fisco para não homologar a compensação. Se não bastasse isso, ainda em relação a não homologação das compensações de PIS e de COFINS não poderia ser aplicado o artigo 5 da MP 413/2008, uma vez que esse dispositivo regulamenta a incidência das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, enquanto que no presente caso os créditos de PIS e da COFINS apurados pela Recorrente não decorrem do seu faturamento, mas dos rendimentos auferidos sobre as suas aplicações financeiras, que no caso das entidades sem fins lucrativos não se configuram como espécie do gênero faturamento. Esses tributos, muito embora tenham o mesmo "nomem juris" não são os mesmos juridicamente, pois de acordo com o previsto no artigo 4 do CTN o que define a natureza do tributo não é a sua denominação, mas o seu fato gerador. Nem mesmo a primeira parte do "caput" do artigo 5 da MP 413/2008 se aplica ao caso em tela. Isso porque a norma que trata das retenções de PIS e de COFINS a serem deduzidas dos valores apurados das contribuições a pagar no período, sendo claro que esse procedimento diz respeito às retenções devidas, que, naturalmente, são consideradas antecipações do pagamento devido ao final do período. Todavia, no caso em debate a Recorrente sofreu retenções indevidas que, portanto, não são antecipações do que é devido ao final do período, mas crédito tributário em sentido próprio, uma vez que ao final de cada período não possui valores de PIS nem de COFINS a pagar, não sendo necessário que se faça a dedução antes de proceder a compensação. Por fim, em relação ao PIS e a COFINS, ainda que se admita a aplicação da MP 413/2008 ao caso dos autos o comando normativo que deveria ser observado pelo Fisco é o contido no parágrafo primeiro do artigo 5 da referida MP e não a regra geral contida no "caput", pois os valores registrados pela autoridade fiscal como recolhidos no mesmo período em que foi apurado o crédito objeto da compensação são claramente inferiores aos montantes dos créditos. Assim, interpretando-se o parágrafo primeiro do artigo 5 da MP 413/2008 em conjunto com o parágrafo segundo do mesmo artigo, tem-se que, havendo excesso na comparação entre o montante retido e a contribuição a pagar no mês em que houve as retenções na fonte, configura-se a "impossibilidade de dedução de que trata o "caput". Essa situação por sua vez, faz com que seja possível nos termos do referido "caput" a compensação tributária efetuada. Quanto as razões que fundamentaram a não homologação da compensação em relação à CSLL, consubstanciada na alegação de que a Recorrente deveria ter apurado primeiramente o saldo negativo da CSLL é inaplicável ao caso em tela, pelo simples fato de que a Recorrente, na qualidade de Associação Civil sem fins lucrativos, é entidade isenta do IRPJ e da CSLL, não podendo apurar saldo negativo de CSLL nem proceder a decláração, 8 Processo no 10166.002384/2007-41 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 9 como sugerida no despacho decisório, de que seria contribuinte da CSLL, devendo ser ressaltado mais uma vez que as retenções sofridas pela Recorrente são indevidas, sendo claramente descabido exigir que ela, não sendo contribuinte da CSLL em sua forma ordinária, apure os tributos incidentes no mês para que chegue A conclusão de que haveria saldo negativo. Não há saldo negativo de CSLL, mas crédito desse tributo oriundo de retenção indevida. Assim, é correto dizer que a disposição do artigo 5 da IN 600/2005, invocada na decisão para fundamentar a não homologação das compensações não é aplicável ao caso em tela, nem exclui a regularidade do procedimento adotado pela Recorrente, uma vez que se refere a obrigação do contribuinte da CSLL de apurar o valor do saldo negativo de CSLL antes de requerer a sua restituição. Ao fim explica que possui outros processos administrativos que tratam da mesma matéria, qual seja, de compensação não homologada referente ao PIS, a COFINS e a CSLL relativos a períodos diversos e pede que o presente processo administrativo seja julgado em conjunto com os seguintes: 10166.008138/2005-31 10166.010080/2005-95 10166.008748/2005-34 10166.010081/2005-30 10166.011080/2005-11 10166.013142/2005-11 10166.001565/2006-79 10166.002417/2006-71 10166.004116/2006-82 10166.005076/2006-96 10166.006081/2006-16 10166.012290/2006-07 10166.001364/2007-52 10166.002384/2007-41 10166.002385/2007-95 10166.002566/2007-11 10166.012231/2005-40 9 Processo n° 10166.002384/2007-41 Sl-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 10 10166.013141/2005-76 10166.003398/2006-09 10166.006925/2006-29 10166.008182/2006-21 10166.009380/2006-11 10166.010220/2006-14 10166.011326/2006-27 10166.003302/2007-85 10166.004219/2007-23 10166.005505/2007-14 10166.006615/2007-95 Em 28/11/2008 a DRJ de Brasilia, por unanimidade de votos indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente deduzindo em síntese que: Dentre os dispositivos legais que regem a matéria não existe previsão legal que permita a pessoa jurídica compensar diretamente valores de tributos ou contribuições sociais retidos na fonte com débitos dessas contribuições, como pretende a Recorrente. Para deduzir ou compensar os valores das contribuições retidas, a Recorrente primeiramente deveria ter registrado na sua escrituração contábil ou informado na declaração de isenta ou DACON. A declaração de compensação não é instrumento hábil para deduzir valores de contribuições retidos na fonte. Ademais, a Recorrente não é a real contribuinte dos valores retidos na fonte, razão pela qual indeferiu a manifestação de inconformidade. Ao interpretar a Solução de Consulta COSIT concluiu que no caso concreto a Recorrente na condição de intermediária não é contribuinte dos valores retidos na fonte, pois a retenção deveria ocorrer sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado diretamente com os profissionais pessoas fisicas ou jurídicas. Nos termos do artigo 7 da IN SRF 600/2005, a restituição de quantia recolhida a titulo de tributo ou contribuição administrados pela SRF que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo ou no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. De outro lado, consoante o artigo 8 da citada IN somente a pessoa jurídica que promoveu retenção indevida do tributo ou contribuição no pagamento ou crédito a pessoa física poderá efetuar a compensação desse valor, com o mesmo tributo ou contribuição devidos lo Processo n° 10166.002384/2007-41 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 11 pela pessoa física, a titulo de retenção, em período subseqüente de apuração, desde que a quantia retida indevidamente tenha sido recolhida. 0 fato de as fontes pagadoras terem retido na fonte valores de contribuições em nome da Recorrente quando o correto seria em nome dos reais prestadores de serviços, não autoriza à compensação realizada na declaração de compensação, pois, um erro não pode servir de justificativa para se cometer outro. Ademais as controvérsias existentes entre a Recorrente e os planos de saúde tomadores dos serviços dos médicos A. ela associados não podem ser solucionados pelo Fisco, devendo a solução ser obtida na seara privada. Na solução de consulta a Recorrente, na condição de intermediária, foi orientada a emitir notas fiscais em nome dos associados reais prestadores de serviços médicos e apresentar as fontes pagadoras informando o CNPJ (pessoa jurídica), o CPF (pessoa fisica) e os valores a serem pagos, facultando as pessoas prestadoras dos serviços compensarem os valores dos tributos e contribuições retidos comprovados mediante comprovante anual de retenção fornecido pelas fontes pagadoras (Lei 7.450/85, art. 55, matriz legal do artigo 943 do RIR/1999 e IN SRF 306 de 2003, art. 28). Para provar o crédito compensado, a Recorrente junta apenas ao presente processo demonstrativos de contribuições retidas na fonte. Contudo esses documentos não servem de provas, pois o documento hábil para provar os valores retidos na fonte é o comprovante de rendimentos e de retenção fornecido pela fonte pagadora. A isenção alegada pela Recorrente não a desobriga a efetuar a escrituração fiscal e a apurar a base de cálculo da CSLL e as demais contribuições. Com relação a MP 413/2008 não houve qualquer prejuízo a manifestante, uma vez que a autoridade fiscal apenas informou que a partir da entrada em vigor da referida MP poderia ser compensado o saldo dos valores retidos na fonte a titulo das contribuições para o PIS e da COFINS apurados em períodos anteriores ou ser também restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela SRF. Deixou de analisar os demais argumentos deduzidos pela Recorrente por considerá-los inapropriados para o deslinde da questão. Em 22/12/2008 a Recorrente tomou ciência da decisão da DRJ. Em 20/01/2009 a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário repisando os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto 11 Processo n° 10166.002384/2007-41 51-C112 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 12 Versam os presentes autos sobre retenções indevidas sofridas pela Recorrente, na condição de associação civil sem fins lucrativos que apenas intermedeia os contratos e os pagamentos efetuados por tomadores de serviços aos medicos e às clinicas reais prestadoras dos serviços médicos, ou seja, erro quanto 6. identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, bem como, sobre a possibilidade de a Recorrente pleitear a compensação desses valores retidos indevidamente com os valores que ela reteve dos seus associados a titulo de pagamento de honorários medicos. Ao analisar a impugnação apresentada pela Recorrente a DRJ manteve a decisão que não homologou as compensações, fundamentando sua decisão no fato de que a Recorrente não é o sujeito passivo da obrigação tributária e, portanto, não pode pleitear a compensação, bem como, no fato de inexistir norma administrativa que regulamente a compensação pleiteada pela Recorrente, qual seja, entre os valores que lhe foram retidos indevidamente pelos tomadores de serviços medicos, com os valores que ela reteve ao repassar os pagamentos aos seus associados, reais prestadores de serviços médicos. 0 primeiro ponto que deve ser ressaltado é que a responsabilidade pela retenção do recolhimento das contribuições ao PIS 6. COFINS e 6. CSLL é atribuida por lei aos tomadores de serviços para antecipar os referidos tributos, bem como, para facilitar a sua fiscalização. Ocorre que no caso em tela entre a tomadora dos serviços médicos e os reais prestadores de serviços existe a Recorrente que atua como intermediadora tanto dos contratos firmados, quanto dos honorários a serem recebidos pelos seus associados. Nesta condição o cerne da questão está em saber quem é que deve reter e recolher as contribuições sociais ao PIS, COFINS e 6. CSLL incidentes sobre a prestação de serviços médicos, e em nome de quem devem ser feitos esses descontos. A fim de melhor elucidar a questão imperioso se faz transcrever parte do Parecer COSIT número 5 na solução de consulta suscita pelo STJ A SRF, conforme a seguir transcrito: 16. Sobre as retenções previstas na Instrução Normativa SRF n 306, de 2003, a questão a ser solucionada cinge-se ao 'correto enquadramento dos serviços prestados pela associação, já que, como alega a consulente, os profissionais médicos realizam os procedimentos, em nome próprio, figurando a associação corno mera intermediária. 17. 0 art. 20, da IN SRI' 306, de 2003, prevê, como regra geral, a retenção na fonte sobre os pagamentos (Is associações profissionais ou assemelhadas. Cabendo aos órgãos, autarquias e fundações da Administração Pública Federal, quando contratarem diretamente com tais entidades, realizar as retenções prevista no art. 22, quais sejam: 12 Processo n° 10166.002384/2007-41 S1 -C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 13 a) imposto de renda na fonte a aliquota de 1,5% (um e meio por cento), sobre as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por seus associados, utilizando-se do código de arrecadação 3280; b) CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, as aliquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimo por cento), respectivamente, perfazendo o percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), sobre o valor total das notas fiscais ou faturas, utilizando-se o código 8863. 18. Esse tratamento, contudo, não deve ser aplicado el AMHPDF, eis que os pagamentos efetuados pelo STJ tem natureza distinta dos pagamentos realizados a Outras associações que prestem serviço em nome próprio. 19.A AMHPDF atua Como intermediária, em que pese o contrato firmado entre ela e o STJ estabelecer como objeto "a interniediação permanente de serviços médicos e paramédicos", e a sua Cláusula Nona determina que os serviços devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas. 20.. Ocorre que todos os procedimentos médicos e terapéuticos consagrados, incluindo materiais e medicamentos, são prestados diretamente por pessoas fisicas ou jurídicas associados da Contratada por conta e risco próprio sem qualquer responsabilidade da AMIIPDF. Os pagamentos são efetuados el Associação, como intermediária, mas referem-se a pagamentos efetuados a conta de serviços prestado diretamente por pessoas físicas ou jurídicas, mediante a identificação do beneficiário do serviço '(servidor do STJ). 21. Assim, os pagamentos são, na verdade, direcionados eis pessoas prestadoras de serviço via associação que faz jus apenas a remuneração pelo serviço de intermediaçdo. A retenção deve ocorrer, portanto, sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado, diretamente com os profissionais pessoas fi'sicas e jurídicas. 22. Esclareça-se que a incidência prevista no art. 652 do RIR, de 1999 alcança apenas associações de profissionais, ou seja, aquelas que possuem unicamente associados pessoas fisicas. Assim, como a AMHPDF é uma associação que congrega tanto associados pessoa física como pessoa jurídica, os pagamentos efetuados por órgãos públicos aos seus associados estão sujeitos as retenções do art. 628 do RIR de 1999, no caso de profissional pessoa física; e as retenções de que trata a IN SRF 306 de 2006, no caso de pagamentos efetuados as pessoa jurídicas. Nessas hipóteses, a obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento por força do disposto no art. 64, § 1, da Lei 9.430, de 1996. 13 Processo n° 10166.002384/2007-41 51-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 FL 14 Ora pelo que se depreende do acima transcrito apesar da Recorrente agir como intermediadora dos contratos firmados entre os seus associados e os tomadores de serviços, bem como, intermediar o repasse dos honorários pagos por esses aos seus associados, a própria SRF considerou que a única relação jurídica a ser tributada, é a efetiva prestação de serviços médicos que ocorre entre os medicos associados e os tomadores de serviços. Nesse passo, o referido parecer ainda deixa claro que quem deve efetuar a retenção e o recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a efetiva prestação de serviços médicos são os tomadores de serviços e, essa retenção deve ser feita em nome do médico pessoa fisica e ou da clinica pessoa jurídica que efetivamente prestou o serviço, sem mencionar a Recorrente. Ocorre que no caso em tela não é isso que as tomadoras de serviços estão fazendo, pois estas estão procedendo a retenção e ao recolhimento das contribuições incidentes sobre a efetiva prestação de serviços em nome da Recorrente, como se ela fosse o contribuinte, quando na verdade os contribuintes são os médicos associados da Recorrente que efetivamente prestaram serviços as tomadoras. Entretanto, as tomadoras de serviços ao identificarem a Recorrente, associação, como se fosse o contribuinte das contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL incidentes sobre a prestação de serviços médicos, além de procederem indevidamente ao desconto desses valores do pagamento efetuado à Recorrente, ainda informam ao Fisco que o contribuinte desta retenção é a Recorrente, quando na verdade os contribuintes são os médicos associados da Recorrente que efetivamente lhe prestou os serviços medicos. Dessa prática advém duas consequências, primeiro a retenção errada por parte das tomadoras de serviços sobre os valores pagos à Recorrente, como se esta fosse contribuinte o que dá causa ao indébito e. portanto, a Recorrente se torna credora do Fisco. uma vez que o serviço que ela presta não esta sujeito a retenção na fonte, a segunda consequência é que deixa de informar a ocorrência dos reais fatos geradores das contribuições sociais retidas. ou seja, simplesmente não constitui o credito tributário incidente sobre os serviços médicos efetivamente prestados pelos associados. Passemos a análise da primeira consequência decorrente do erro das tomadoras de serviços em identificar a Recorrente como sendo a beneficiária das contribuições retidas e recolhidas sobre os serviços prestados pela Recorrente, os quais consistem somente na intermediação de contratos de prestação de serviços médicos e no repasse de valores recebidos a este titulo, que não se confunde com o fato gerador das referidas contribuições, qual seja, a efetiva prestação de serviços médicos pelos médicos associados. 0 erro das tomadoras de serviços em identificar o sujeito passivo da obrigação tributária, como sendo a Recorrente, gera a distorção do fato jurídico tributário, pois a Recorrente é identificada como se fosse a real prestadora de serviços médicos, sobre os quais as tomadoras estão efetuando a retenção e o recolhimento indevido nos termos do inciso II do artigo 165 do CTN. 14 Processo n° 10166.002384/2007-41 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 15 Neste caso, é forçoso concluirmos que a Recorrente possui sim legitimidade para pleitear a devolução dos valores que lhe foram indevidamente retidos pelas tomadoras dos serviços, pois os serviços que a Recorrente presta consiste apenas na intermediação de contratos e valores firmados entre os tomadores de serviços e os seus médicos associados, os quais não estão sujeitos a essas retenções. Passemos agora a análise da segunda consequência que o erro das tomadoras de serviços acarreta, ao deixar de informar a ocorrência dos serviços efetivamente prestados e correlacionar corn os reais prestadores, simplesmente não constitui o crédito tributário incidente sobre os serviços médicos prestados pelos associados. Ou seja. assim que a Recorrente efetuar o repasse aos seus associados dos valores recebidos a titulo de honorários pelos serviços médicos efetivamente prestados, esses caso não tenham oferecido a totalidade dos rendimentos à tributação, ficam sujeitos à autuação do Fisco, uma vez que não houve a correta imputação pelas tomadoras de serviços das contribuições sociais incidentes sobre Os serviços medicos prestados, nesse caso ainda haverá bitributação dos serviços medicos prestados. Assim, no caso em tela , como as tomadoras não identificaram qual prestação de serviço sobre a qual estão procedendo a retenção e ao recolhimento das contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL, bem como, à qual prestação de serviço e à qual sujeito passivo especifico aquele pagamento se refere, o Fisco não tem como imputar corretamente aquele pagamento. A Recorrente ciente das consequências que o erro das tomadoras podem acarretar, apesar de ser mera intermediária dos contratos e dos valores recebidos em razão da prestação de serviços médicos prestados por seus associados as tomadoras, optou por cumprir ela a obrigação tributária imputada as tomadoras, qual seja, de reter e identificar com minúcias as contribuições sociais que estavam sendo retidas, em razão de qual prestação de serviço, identificando inclusive qual o associado que o havia prestado. Donde se constata que no caso em tela quem cumpriu a obrigação tributária imputada as tomadoras de serviços médicos foi a Recorrente e em razão dela ter assumido este ônus, tornou-se devedora do Fisco no valor das contribuições sociais informadas e retidas de seus associados. Deve ser ressaltado ainda que o ordenamento pátrio não veda a possibilidade de um terceiro interessado no cumprimento de uma obrigação em assumi-la para si, tal pratica não é comum, mas não é vedado pela legislação. Ou seja, por todo o exposto até aqui podemos concluir que a Recorrente é credora do Fisco em razão das retenções indevidas efetuadas pelas tomadoras de serviços sobre os valores pagos à Recorrente, pois além da Recorrente não ser a real prestadora do serviço médico sobre o qual incide as contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL, os serviços de intermediação que ela presta não estão sujeitos as referidas retenções, sendo essas indubitavelmente indevidas e passíveis de restituição. E apesar de não ser a Recorrente quem deve cumprir a obrigação legal de reter e de informar ao Fisco os valores das contribuições sociais devidas em razão de cada 15 Processo IV 10166.002384/2007-41 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 16 prestação de serviço médico, identificando as minúcias de cada operação, não se pode olvidar que no presente caso foi a Recorrente quem adimpliu a obrigação e, portanto, tornou-se devedora do Fisco em razão dos valores informados e retidos de seus associados. Donde se conclui que a Recorrente é credora e devedora do Fisco em relação ao mesmo valor do crédito tributário, razão pela qual ela pleiteou a sua compensação nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Todavia, o pedido de compensação foi indeferido pela autoridade administrativa sob o fundamento de que a Recorrente não seria contribuinte das contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL incidentes sobre os serviços médicos prestados pelos associados, bem como, pela inexistência de dispositivo legal que regulamente tal hipótese. 0 primeiro fundamento utilizado pela autoridade administrativa de que a Recorrente não seria o contribuinte das retenções e recolhimentos não merece prosperar, visto que como já salientamos foi a Recorrente quem cumpriu a obrigação tributária imputada aos tomadores de serviços médicos, ou seja, foi ela quem constitui o crédito tributário e se tornou devedora do Fisco em relação a. esses valores declarados e retidos. 0 segundo argumento utilizado pela autoridade administrativa de que inexiste norma legal que regulamente a compensação pleiteada também não merece prosperar, uma vez que tal possibilidade está expressamente prevista tanto no artigo 170 do Código Tributário Nacional quanto no artigo 74 da Lei federal n° 9.430/96. Ademais, a inexistência de norma secundária a regulamentar o procedimento de compensação expressamente previsto no CTN e no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 que regulamente tal procedimento não pode ser utilizado como fundamento pela autoridade administrativa para embasar o indeferimento da compensação, uma vez que se trata de direito subjetivo, previsto em normas primárias. Deve ser ressaltado por fim, que as normas secundarias existentes em nosso ordenamento jurídico que dispõe sobre determinado procedimento a ser observado pela autoridade administrativa vinculam apenas essas para que procedam dentro desses limites, não podendo a inexistência de norma que regulamente determinado procedimento ser alegada como razão de indeferir um direito subjetivo assegurado pelo contribuinte por normas primárias, quais sejam as leis complementares e ordinárias. Por fim, quanto a alegação de que a Recorrente não observou os preceitos normativos quanto a forma para proceder a compensação, forçosa é a conclusão de que a Recorrente agiu de boa-fé nos presentes autos, uma vez que o procedimento adotado por ela, possibilitou ao Fisco apurar a veracidade de todas as informações prestadas, tais como a origem do débito e a origem do crédito, o período do débito e do crédito, os valores do débito e do crédito, os juros, dentre outros, isso porque todas as etapas do procedimento foram formalizados, inclusive por meio de Declarações de Compensação (DCOMP's) e registros específicos na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), atingindo, assim, o fim para o qual foram criados, não podendo ser afastados apenas em razão do formalismo exarcebado. É como voto. 1-- João Carlos de i)n / únior Processo n° 10166.002384/2007-41 S 1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00575 Fl. 17 Isso posto, e tendo em vista que a Recorrente é credora e devedora do Fisco no mesmo montante voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário da Recorrente para homologar a compensação. 17
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009261/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2003
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETIFICAÇÃO FEITA PELO CONTRIBUINTE. RELAVAÇÃO DA MULTA.
A multa aplicada será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.
Apesar de o contribuinte não ter atendido a formação específica exigida pelo Fisco, tem-se como corrigida a falta se os documentos guardarem pertinência e forem aproveitáveis para comprovar a exigência acessória.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.349
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para relevar a multa aplicada, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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RETIFICAÇÃO FEITA PELO CONTRIBUINTE. RELAVAÇÃO DA MULTA. A multa aplicada será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Apesar de o contribuinte não ter atendido a formação específica exigida pelo Fisco, temse como corrigida a falta se os documentos guardarem pertinência e forem aproveitáveis para comprovar a exigência acessória. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para relevar a multa aplicada, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.009261/200711 Acórdão n.º 2301002.349 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário apresentado pela MP COMÉRCIO EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA em face de decisão que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte. 2. Conforme narrado pelo relatório fiscal, a empresa deixou de declarar em GFIP fatos geradores relativos aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais no período de 06/1998 a 06/2003. 3. Após a apresentação da impugnação, o Serviço Contencioso Administrativo da então Delegacia da Receita Previdenciária de Belo Horizonte, em f. 214, encaminhou o processo para manifestação do auditor fiscal notificante com o objetivo de esclarecer se os valores recolhidos pelo contribuinte quitam total ou parcialmente o débito. 4. Em reposta, o fisco apresentou informação dizendo “nas GFIP retificadas pela empresa e apresentadas em sua defesa foram incluídas apenas as contribuições dos empregados e dos trabalhadores autônomos (ff. 42 a 155). As contribuições relativas às retiradas prólabore dos sócios não foram declaradas (...) portanto, (...) a falta que motivou este Auto de Infração não foi corrigida”. (f. 215) 5. Os autos foram baixados novamente em diligência em conjunto com a NFLD 37.023.0183 para reexame: “Considerandose a conexão entre a presente NFLD e o Auto de Infração – AI DEBCAD N.º 37.023.0183, de 02/01/2006 – CFL 68, estou encaminhando ambos os processos para reexame, pois consta da informação fiscal (referente ao AI) que somente não foram corrigidos os valores referentes aos contribuinte empresários – prólabore, não havendo como separar os valores referentes aos autônomos e aos empresários, posto que a planilha elaborada apresenta os valores globalizados.” (f.216) 6. Atendendo a solicitação de reexame o auditor fiscal reforma seu posicionamento sob a argumentação de que “a falta que motivou este Auto de Infração foi integralmente corrigida”. (f. 219) 7. A ementa do julgamento a quo restou vazada nos termos que transcrevo abaixo: “INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. RELAVAÇÃO. REQUISITOS. Constitui infração a empresa apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP omitido informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, a partir da competência 01/1999. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 A relevação da penalidade aplicada é ato administrativo vinculado, dependente do preenchimento dos requisitos expressos em lei, observandose que na concessão de benefício deve ser verificada a correção da falta por cada competência. AUTUAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE COM RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA Lançamento Procedente em Parte” (f. 261) 8. Em sede recursal, insurgese o contribuinte contra a decisão recorrida, alegando em síntese que: a) apresentou toda a documentação comprovando o recolhimento de todas as contribuições no processo 10680.009276/200780 (conexo), ocasião na qual, fez o pagamento da quantia de R$ 2.047, que entendia como devida; b) faz jus ao benefício da relevação da multa, tendo em vista que cumpriu todos os requisitos determinados pelo artigo 291 do Regulamento da Previdência Social, tendo em vista que comprovou nos autos o pagamento de todas as contribuições, inclusive com reconhecimento no prazo da impugnação de valor não recolhido, porém devidamente pago acrescido de correções e juros. 9. Em julgamento, a 4ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (ff. 280 a 283) anulou a decisão de primeira instância, por considerar que houve o cerceamento de defesa do contribuinte. Eis o teor de sua ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 710.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. DECISÃO RECORRIDA NULA” (f. 280) 10. O processo foi devolvido para a apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora, a qual lavrou novo acórdão que restou ementado nos seguintes termos: “LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O prazo para constituir de ofício o crédito tributário devidos por infração à legislação previdenciária decai em 5 anos o direito da Fazenda contados do primeiro dia do ano subsequente à sua ocorrência. INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.009261/200711 Acórdão n.º 2301002.349 S2C3T1 Fl. 3 5 Constitui infração a empresa apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP omitindo informações relativas a fatos gerados de contribuições previdenciárias, a partir da competência 01/1999. A relevação da penalidade aplicada é ato administrativo vinculado, depende do preenchimento dos requisitos expressos em lei, observandose que na concessão do benefício deve ser verificada a correção da falta por cada competência. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (f.293) 11. Foi aberto prazo para manifestação do contribuinte, que reiterou os argumentos apresentados anteriormente. Sem contrarrazões, os autos foram novamente encaminhados a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA RELEVAÇÃO DA MULTA 2. Conforme narra o relatório fiscal que a lavratura do auto de infração se deu porque “a empresa deixou de declarar na GFIP os fatos geradores de contribuições sociais relativos aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais”. (f. 05) 3. E sobre a questão, defendese a recorrente sob a alegação de que a multa aplicada deve ser relevada, tendo em vista que “toda a falta foi corrigida” (f. 301). 4. Durante a reanálise do caso pela primeira instância, o julgador a quo entendeu que o benefício da relevação não deveria ser concedido ao contribuinte, pois apesar de ser primário e ter requerido o benefício na impugnação, apresentou GFIP sem o cumprimento de todas as formalidades previstas no Manual GFIP/SEFIP, conforme argumentação de ff. 295 a 296. 5. Ocorre que, segundo informação juntada à f. 219, “a falta que motivou este Auto de Infração foi integralmente corrigida”. 6. O Regulamento da Previdência Social trazia em seu texto (art. 291, §1º, vigente à época dos fatos) a previsão da relevação da multa aplicada quando o contribuinte protocolasse o pedido dentro do prazo de defesa, for primário e tiver corrigido a falta, in verbis: “Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.” 7. E como houve o pedido de relevação dentro do prazo de defesa, a qual foi apresentada tempestivamente, “a empresa é primária (...) e não se verifica a ocorrência de circunstâncias agravantes” (f. 219), e o contribuinte corrigiu a falta cometida dentro do prazo de apresentação da defesa, foram cumpridas todas as exigências do parágrafo 1º, do artigo 291, do Decreto 3.048/99. Dessa forma, entendo que a multa deve ser relevada. 8. Vale ressaltar que, apesar de o contribuinte não ter atendido a formação específica exigida pelo Fisco, temse como corrigida a falta se os documentos guardarem pertinência e forem aproveitáveis para comprovar a exigência acessória. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.009261/200711 Acórdão n.º 2301002.349 S2C3T1 Fl. 4 7 CONCLUSÃO 8. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para relevar a multa aplicada. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000998/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Quando a Fiscalização demonstra claramente os motivos que a levaram a
concluir pela improcedência de valores objeto de pedido de ressarcimento,
cuja documentação que embasou a conclusão (notas fiscais e livros fiscais)
está em poder do contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito
de defesa ou nulidade do ato administrativo.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a
constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes
Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação.
GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES.
Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de
computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização,
não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de
embalagem.
RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES.
Por expressa determinação legal, as aquisições de produtos de empresas
optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração
ou a fruição de créditos do IPI.
AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS.
Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de
produtos de estabelecimento comercial varejista.
PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE
BENEFÍCIO FISCAL. Restando provado que não há portaria concessiva da isenção do IPI para os
produtos saídos sem o lançamento do imposto, é procedente a glosa no
crédito pleiteado.
IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS
PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI.
A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é
contribuinte do IPI, devendo destacar o imposto na saída dos produtos do
estabelecimento, independente de haver ou não qualquer processo de
industrialização.
LOCAÇÃO. FATO GERADOR DO IPI.
A primeira saída do produto. do estabelecimento equiparado a industrial a
título de locação caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI, nos termos
dos artigos 34, inciso II, e 37, inciso II, letra "a", do RIPI/2002, aprovado
pelo Decreto n° 4.544, de 2002.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Quando a Fiscalização demonstra claramente os motivos que a levaram a concluir pela improcedência de valores objeto de pedido de ressarcimento, cuja documentação que embasou a conclusão (notas fiscais e livros fiscais) está em poder do contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou nulidade do ato administrativo. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES. Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização, não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. Por expressa determinação legal, as aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do IPI. AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS. Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de produtos de estabelecimento comercial varejista. PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE BENEFÍCIO FISCAL. Restando provado que não há portaria concessiva da isenção do IPI para os produtos saídos sem o lançamento do imposto, é procedente a glosa no crédito pleiteado. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, devendo destacar o imposto na saída dos produtos do estabelecimento, independente de haver ou não qualquer processo de industrialização. LOCAÇÃO. FATO GERADOR DO IPI. A primeira saída do produto. do estabelecimento equiparado a industrial a título de locação caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI, nos termos dos artigos 34, inciso II, e 37, inciso II, letra "a", do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Quando a Fiscalização demonstra claramente os motivos que a levaram a concluir pela improcedência de valores objeto de pedido de ressarcimento, cuja documentação que embasou a conclusão (notas fiscais e livros fiscais) está em poder do contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou nulidade do ato administrativo. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES. Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização, não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. Por expressa determinação legal, as aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do IPI. AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS. Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de produtos de estabelecimento comercial varejista. PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE BENEFÍCIO FISCAL. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Restando provado que não há portaria concessiva da isenção do IPI para os produtos saídos sem o lançamento do imposto, é procedente a glosa no crédito pleiteado. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, devendo destacar o imposto na saída dos produtos do estabelecimento, independente de haver ou não qualquer processo de industrialização. LOCAÇÃO. FATO GERADOR DO IPI. A primeira saída do produto. do estabelecimento equiparado a industrial a título de locação caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI, nos termos dos artigos 34, inciso II, e 37, inciso II, letra "a", do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Alexandre Gomes. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitido pela NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES LTDA., para aproveitamento de créditos do IPI, oriundos de aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática, relativo ao 2° trimestre de 2004. Nos termos do Despacho Decisório de fls. 306/309, a DRF em Ilhéus BA deferiu parcialmente o pedido da recorrente em face da constatação das seguintes irregularidades: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.000998/200754 Acórdão n.º 330201.276 S3C3T2 Fl. 420 3 (i) aproveitamento indevido de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem (teclados, mouse, monitores, microfones com pedestal, mouse pad, CDR, caixas acústicas, transformadores, cadeados, estabilizadores de tensão, suporte de fixação vertical, etc.); (ii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de optantes pelo SIMPLES; (iii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de comércio varejista nãocontribuinte do IPI; (iv) notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo Isenção; (v) notas: fiscais de saída escrituradas com IPI nulo revenda de mercadorias importadas; (vi) notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo remessa para demonstração de produto importado, que não teve o retorno comprovado; e (vii) Notas fiscais de saída escrituradas no livro registro de saída com IPI nulo remessa para locação. Ciente da decisão acima, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade, cujos argumentos estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1521.700, de 19/11/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar as argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de normas regularmente editadas. GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de produtos que, embora necessários ao pleno funcionamento do equipamento, a ele não se integram, não se constituindo em matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS. Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de produtos de estabelecimento comercial varejista. PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE BENEFÍCIO FISCAL. Restando provado que não há, no período autuado, portaria concessiva da isenção do IPI para os produtos objeto da autuação, é procedente o lançamento do crédito tributário decorrente da indevida utilização do benefício. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização. LOCAÇÃO. FATO GERADOR DO IPI. A primeira saída do produto. do estabelecimento equiparado a industrial a título de locação caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI, nos termos dos artigos 34, inciso II, e 37, inciso II, letra "a", do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. As provas devem ser produzidas juntamente com a impugnação, exceto nos casos previstos no inciso III, do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972, situação não demonstrada pela contribuinte. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03/12/2009, conforme AR de fl. 376, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 22/12/2009, com o recurso voluntário de fls. 377/415, no qual alega, em apertada síntese, que: 1) preliminarmente, o relatório de diligência fiscal que baseou a decisão ora contestado é nulo de pleno direito, uma vez que não foi acompanhado de nenhum documento probatório das alegações do fisco que comprovassem a glosa de créditos efetuada e a suposta falta de recolhimento do IPI nas saídas destacadas. Deve o CARF reconhecer a nulidade do relatório do despacho decisório e da decisão recorrida; 2) ainda preliminarmente, a administração deve apreciar os argumentos de inconstitucionalidade posto que suscitados para contestar o relatório fiscal; 3) a incorporação de novos componentes ao produto final da impugnante é considerada como industrialização pelo conceito legalmente definido. Para comprovar sua tese cita o § único do art. 46 do CTN e o art. 4° do Decreto n° 4.544/02; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.000998/200754 Acórdão n.º 330201.276 S3C3T2 Fl. 421 5 4) a agregação de componentes eletrônicos é forma de industrialização, pois gera um novo produto. Tratase de espécie de montagem, já reconhecida pela jurisprudência administrativa como forma de industrialização; 5) não resta dúvida de que os teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, monitores, microfones com pedestal, cadeados, etc. são, na verdade, insumos adquiridos pela Novadata para a industrialização, na modalidade montagem, dos equipamentos fabricados, que compõem o produto final "computador"; 6) tem direito ao crédito na aquisição de produtos de empresas optantes pelo SIMPLES que, apesar de escrituração diferenciada e unificada de seus impostos, não são desonerados do IPI, o que leva ao fato de que os preços dos produtos adquiridos destas empresas estão com os valores dos tributos neles inseridos. Também nesse aspecto se revela improsperável a pretensão da fiscalização de glosa dos créditos relativos aos insumos adquiridos de comerciantes supostamente varejistas. 7) o auditor deixou de observar a distinção entre modelo e configuração, na verdade os produtos comercializados pela impugnante são os mesmos que constam na relação emitida pelo MCT, divergindo apenas quanto à descrição, sendo que as Portarias descrevem o modelo, mais amplo e genérico, e as notas fiscais descrevem a configuração específica dos aparelhos industrializados; 8) os créditos decorrentes da suposta falta de recolhimento do IPI nas revendas de mercadorias importadas foram estornados pois não se tratavam de matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Assim, pela não apropriação dos créditos nestas operações, não houve destaque do imposto nas conseqüentes saídas, não havendo o que se falar em falta de recolhimento do IPI; 9) em relação às mercadorias que saíram do estabelecimento da impugnante para demonstração e locação, também não procedem as alegações fiscais, posto que configuram operações que não estão abrangidas pela hipótese de incidência do IPI. Para configurar incidência do IPI, deve estar atrelada a um negócio jurídico que acarrete em transferência de titularidade, ou seja, uma operação mercantil; 10) a remessa de produtos para demonstração e exposição jamais poderia configurar hipótese de incidência do tributo como fez crer a fiscalização, pois este produto industrializado que saiu do estabelecimento produtor para exposição poderá ser futuramente objeto de operação de venda, momento em que incidirá o tributo; 11) as mercadorias importadas incorporaram o ativo permanente da impugnante e sofreram incidência do IPI no desembaraço aduaneiro. Logo, as saídas subseqüentes à primeira, assim considerada a importação, pela equiparação à estabelecimento industrial, fogem do campo de incidência do tributo, pela própria definição do artigo citado; É o relatório do essencial. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, portanto, dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está postulando o ressarcimento de crédito básico de IPI na aquisição de insumos empregados na fabricação de bens de informática, basicamente computadores. A RFB reconheceu a legitimidade de parte do crédito pleiteado em face das seguintes irregularidades na apropriação de créditos e na saída dos produtos importados ou industrializados: (i) aproveitamento indevido de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem (teclados, mouse, monitores, microfones com pedestal, mouse pad, CDR, caixas acústicas, transformadores, cadeados, estabilizadores de tensão, suporte de fixação vertical, etc.); (ii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de optantes pelo SIMPLES; (iii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de comércio varejista nãocontribuinte do IPI; (iv) notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo Isenção; (v) notas: fiscais de saída escrituradas com IPI nulo revenda de mercadorias importadas; (vi) notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo remessa para demonstração de produto importado, que não teve o retorno comprovado; e (vii) Notas fiscais de saída escrituradas no livro registro de saída com IPI nulo remessa para locação. Em sua defesa a recorrente alega, preliminarmente, a nulidade do relatório fiscal que embasou a decisão da autoridade da RFB. Entende a recorrente que o referido relatório não estava acompanhado de documentação comprobatório. Também em sede de preliminar entende que deve ser apreciado suas alegações de inconstitucionalidade para anular o referido relatório fiscal. No mérito, defende a regularidade de suas operações pelas razões que anotaremos na apreciação de cada infração. Quanto à preliminar de nulidade do relatório fiscal não assiste razão à recorrente pelas razões constante do acórdão recorrido, ou seja, no referido relatório fiscal está descrito, em pormenores, as infrações apuradas e toda a documentação (livros fiscais e notas fiscais de compra e de venda e as declarações de importação) que amparou o mesmo está em poder a recorrente. Não há que se falar, portanto, em falta de documentação. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.000998/200754 Acórdão n.º 330201.276 S3C3T2 Fl. 422 7 Relativamente aos argumentos de inconstitucionalidade da legislação tributária, com qualquer finalidade, este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ultrapassado as preliminares, passemos ao mérito. Quanto ao mérito, melhor sorte não tem a recorrente. Sobre a impossibilidade do aproveitamento de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, este Colegiado já se manifestou em outro processo da recorrente (Processo nº 10508.000182/200584 Acórdão nº 330201.117). No processo acima referido, este Conselheiro Relator adotou as razões de decidir do voto do Acórdão nº 380301.473, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, ao julgar o recurso voluntário constante do Processo nº 10508.001046/200773, também de interesse da Recorrente, cujos fundamentos estão abaixo reproduzidos: Argumenta o Recorrente que os produtos por ele adquiridos, cujos créditos do IPI foram glosados pela Fiscalização, seriam partes integrantes dos equipamentos fabricados pela empresa, que se constituiriam de microcomputadores acompanhados de periféricos, resultantes da industrialização na modalidade montagem. Das cópias de notas fiscais emitidas pelo Recorrente (fls. 216 a 256), é possível constatar que os computadores são vendidos juntamente com outros equipamentos (estabilizadores, impressoras, etc.), algumas vezes discriminados de forma individualizada, demonstrando tratarse de diferentes equipamentos de informática comercializados em conjunto. Durante os procedimentos de fiscalização, a autoridade fiscal detectara que os créditos de IPI escriturados pelo contribuinte se referiam à aquisição de teclados, caixas acústicas, transformadores, impressoras, cartuchos de tinta (toners), estabilizadores de tensão, conversores e balanças eletrônicas. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Tais produtos, como é do conhecimento geral, são comercializados, ainda que conjuntamente, enquanto unidades autônomas, não se configurando montagem nos termos previstos na legislação do IPI, pois no Regulamento do Imposto (atual Decreto nº 7.212/2010) prevêse que tal modalidade de industrialização requer que o produto final decorra da reunião de produtos, peças ou partes e que resulte em um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal. É importante anotar que o entendimento acima coadunase com a Nota 5.D) do Capitulo 84 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelo Decreto n° 3.777, de 23 de março de 2001. Portanto, sem reparos a fazer na decisão recorrida, neste particular. Quanto ao aproveitamento de créditos de IPI de compras feitas junto a empresas optantes pelo SIMPLES não tem a administração tributária competência para afastar a vedação contida no art. 5º, §5º, da Lei nº 9.317/96, como bem disse a decisão recorrida. Portanto, à mingua de amparo legal, não prospera o entendimento da recorrente sobre a existência de crédito básico de IPI nas aquisições feita junto a pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES. Também por absoluta falta de amparo legal, como bem disse a decisão recorrida, não merece prosperar os argumentos da recorrente sobre o suposto direito de aproveitar créditos de compras feitas no comércio varejista, estabelecimentos nãocontribuintes do IPI; Com relação a saída, com isenção de IPI, de produtos não habilitados pelo MCT, ficou provado nos autos que os produtos objeto da glosa não constavam nas Portarias MCT/MDIC/MF nºs. 06/2002, 519/2002 e 895/2003. A alegação de erro no preenchimento das notas fiscais não procede porque, além do que disse a decisão recorrida sobre a sua retificação, não há prova indiciária de que os produtos saídos, objeto da glosa, constavam nas referidas portarias. Portanto, correto o procedimento fiscal de não reconhecer a isenção dos referidos produtos. Quanto à tributação dos produtos importados e revendidos pela recorrente não há qualquer sombra de procedência dos argumentos da recorrente. Como bem disse a decisão recorrida, o importador que revende mercadorias importadas é contribuinte do IPI (art. 51, inciso I, do CTN, c/c art. 9º, inciso I, art. 24, incisos I e III, art. 34 e art. 38, todos do RIPI/2002). Portanto, nas saídas de produtos importados deve ser destacado o valor do IPI, o que não fez a recorrente. Quando o contribuinte do IPI dá saída de produtos (importado ou por ele industrializado) para demonstração deve destacar o valor do imposto (art. 309 do RIPI/2002), fato que não aconteceu no presente caso. Não há, portanto, reparos a fazer no procedimento fiscal. A primeira saída de produtos (importados ou de fabricação própria, integrante ou não do ativo imobilizado) para locação enseja a ocorrência do fato gerador do IPI e, consequentemente, nasce a obrigação do contribuinte pagar a exação, conforme já disse a decisão recorrida (art. 34, inciso II, e art. 37, inciso II, alínea “a”, ambos do RIPI/2002). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.000998/200754 Acórdão n.º 330201.276 S3C3T2 Fl. 423 9 Sem razão, portanto, a recorrente quando alega que somente nas saídas a título de venda de produtos de fabricação própria é que ocorre o fato gerador do IPI. Como acima se disse, o fato gerador do IPI é a “saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial” e não a venda, ou a saída a título de venda, de produtos (importados ou de fabricação própria). Não é preciso haver a transferência de propriedade do bem para ocorrer o fato gerador do IPI. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000819/2003-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO.
Inexistindo, na decisão embargada, a alegada omissão, impõe-se a rejeição aos embargos de declaração, que não são o remédio processual adequado para a revisão do julgado.
Numero da decisão: 9101-000.916
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer os embargos de declaração e, no mérito, rejeitá-los. Vencidos os conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Susy Gomes Hoffmann e Caio Marcos Candido, que deles não conheciam.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Claudemir Rodrigues Malaquias - Relator ad hoc
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO. Inexistindo, na decisão embargada, a alegada omissão, impõe-se a rejeição aos embargos de declaração, que não são o remédio processual adequado para a revisão do julgado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1998 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO. Inexistindo, na decisão embargada, a alegada omissão, impõe-se a rejeição aos embargos de declaração, que não são o remédio processual adequado para a revisão do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer os embargos de declaração e, no mérito, rejeitá-los. Vencidos os conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Susy Gomes Hoffmann e Caio Marcos Candido, que deles não conheciam. Caio Marcos Cândido - 'rsi Claudemi d es alaquias - elator. \ 1 0 MAI \P011 Particip am da Assdo de julgamenfo os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Francisco de Sales Rigeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Claudemir Rodrigues Malaquias, Alexandre Antônio Alkimim Teixeira, Viviane Vidal Wagner, Antonio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffman (Vice-Presidente). Processo n° 10630.000819/2003-65 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.916 Fl. 696 Relatório Com fundamento no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n 2 256, de 22.06.2009, a contribuinte apresenta Embargos de Declaração em face do Acórdão n 2 9101- 00.297, proferido por esta Primeira Turma, que restou assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário.' 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ACUMULADOS. TRAVA DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.Aplicação da súmula ICC N° 03. Recurso Negado." Argumenta a contribuinte que a decisão embargada incorreu em omissão "ao dispor que o único tema objeto do Recurso Especial da Ernbargante cingir-se-ia a trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais e bases de calculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores." Destaca que em seu recurso especial foi suscitada a necessidade de que este Conselho apreciasse as alegações de cunho constitucional. Ressalta que se trata de "analisar os argumentos constitucionais, o que é completamente diferente de se declarar inconstitucional esta ou aquela lei. Ao final, a embargante requer o acolhimento dos presentes declaratórios para que sejam apreciados os pontos de cunho constitucional, suprindo a omissão no referido acórdão e seja atribuído efeito modificativo ao presente recurso para afastar a limitação de 30% na compensação de base de cálculo negativa da CSLL. Os autos foram a mim distribuídos com fundamento no art. 49, § 7 2, do Anexo II do RICARF, verbis: "Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ,¢ 7° Os processos que retornarem de diligência, os coin embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em Processo n° 10630.000819/2003-65 Acórdão n.° 9101-00.916 CSRF-T1 Fl. 697 que o relator ado mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc." É o relatório no essencial. 3 Processo n° 10630.0008 19/2003-65 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.916 Fl. 698 Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, relator ad hoc Os embargos foram apresentados tempestivamente e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. Em seus declaratórios (fls. 688/692), a contribuinte argumenta que o acórdão proferido por esta Primeira Turma incorreu em omissão ao dispor que o único tema objeto do Recurso Especial era a "trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL". Alega que o colegiado deixou de apreciar as alegações de cunho constitucional que foram suscitadas acerca da matéria. Segundo a embargante, o julgador da esfera administrativa não pode deixar de apreciar argumentos colacionados pela recorrente sob a justificativa de que "não cabe à esfera administrativa se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Examinando-se o teor do acórdão embargado, verifica-se inexistir a alegada omissão. No presente caso, conforme relatório que integra o julgado, o recurso especial foi admitido em parte, sendo que a matéria submetida à apreciação do colegiado limitou-se h. "trava de 30% para a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas" (fls. 682). As demais questões suscitadas no recurso especial pela embargante, as quais incluem os mencionados argumentos de cunho constitucional, não receberam seguimento conforme despacho PRES — 105-0.157/2007, de 13.04.2007 da lavra do Presidente da extinta Quinta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, fls. 575/578, verbis: "Diante do exposto, no uso da competência conferida pelo § 49- do art. 33 do RIC, aprovado pela Portaria MF n2 55, de 16 de março de 1988, dou seguimento ao RD em relação à primeira matéria (limitação de compensação de base negativa) por estar demonstrada a divergência necessária para a admissibilidade do recurso especial e nego seguimento em relação is demais matérias (reconhecimento de inconstitucionalidade de lei pelo CC e recusa de prova pericial), por não terem sido demonstradas as divergências alegadas." (negritou-se) Como visto, a matéria sobre a qual o colegiado supostamente deveria ter se manifestado, sequer foi conhecida no exame do recurso especial. Portanto, não há que se falar em omissão por parte desta Primeira Turma ao proferir o acórdão ora embargado. Ademais, verificando-se os fundamentos da decisão embargada, cumpre registrar que o colegiado não se manifestou acerca dos referidos argumentos de cunho constitucional e tampouco negou sua apreciação, o que incorretamente fora apontado nos presentes embargos. Na verdade, a decisão embargada não apresenta o argumento de que "lido cabe à esfera administrativa se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Pelo contrário, o voto limitou-se a registrar que o entendimento sobre matéria (trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais e bases negativas), se encontrava sedimentado no âmbito deste Conselho em face do enunciado n 2 03 da Súmula do então Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: como voto. Processo n° 10630.000819/2003-65 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -00.916 Fl. 699 "Simula ICC no 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensa cão de prejuízo, como em razão da compensação da base de calculo negativa." Assim, por ocasião do julgamento do recurso especial em agosto de 2009, o posicionamento sobre a questão já havia sido pacificado por meio de súmula de observância obrigatória pelas turmas julgadoras do órgão, prescindindo, portanto, de argumentação quanto sua constitucionalidade ou inconstitucionalidade. Em consequência, inexistente a omissão na decisão recorrida, impõe-se a rejeição dos embargos, não se prestando estes como meio processual para a revisão do julgado. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer dos embargos para, no mérito, negar-lhes provimento. Claudemir Rodrigues Malaquias Relator ad hoc 5
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000748/2006-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS MULTA QUALIFICADA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso,o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A dedução indevida de despesas médicas, ainda que por quatro exercícios consecutivos, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.800
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A dedução indevida de despesas médicas, ainda que por quatro exercícios consecutivos, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16004.000748/200614 Acórdão n.º 920201.800 CSRFT2 Fl. 177 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Elias Abdo Sader foi lavrado o auto de infração de fls. 5663, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 2002, 2003, 2004 e 2005, em razão da glosa de despesas médicas deduzidas indevidamente, com multa de ofício qualificada para o patamar de 150%. O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontrase sintetizado no Termo de Constatação de Irregularidade Fiscal de fls. 5455, de onde extraio as seguintes assertivas: 1.1 Redução indevida da base de cálculo do tributo Imposto de Renda Pessoa Física, caracterizada por deduções pleiteadas a título de “Despesas Médicas” que teriam sido pagas a profissionais/empresas da área da saúde. Intimado regularmente às fls. 3/4, a comprovar a efetividade dos pagamentos e o recebimento dos serviços prestados, o fiscalizado não logrou fazêlo, exceção feita ao profissional Evandro Sperandio e a empresa Fleury Clínica que o contribuinte apresentou recibos como prova de pagamento, fls. 23/28, como abaixo se demonstra: (...) 1.2 Registrese que, em relação às demais comprovação de Despesas Médicas, acima aduzidas, o fiscalizado simplesmente limitouse a informar o seguinte: “deixo de apresentar o restante dos recibos lançados nos anos calendário de 2001 a 2004, por não têlos localizado”, fls. 23. Em síntese, nenhum outro documento comprobatório das despesas foi anexado à resposta. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16004.000748/200614 Acórdão n.º 920201.800 CSRFT2 Fl. 178 3 (...) 2.1) RESSALTESE QUE, NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL, FOI OFERECIDA AO CONTRIBUINTE TODA OPORTUNIDADE PARA APRESENTAR À FISCALIZAÇÃO A EFETIVA PROVA DOS PAGAMENTOS DAS “DESPESAS MÉDICAS”(CÓPIA DE CHEQUES, DOC, OP, TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS, ETC), O QUE ENTRETANTO NÃO LOGROU FAZÊLO. ISTO POSTO, CABÍVEL É O LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, QUE DEVERÁ SER FORMALIZADO EX OFFÍCIO, ATRAVÉS DO COMPETENTE AUTO DE INFRAÇÃO, COM EXIGÊNCIA DO TRIBUTO IMPOSTO RENDA PESSOA FÍSICA, ACRÉSCIMOS LEGAIS E MULTA AGRAVADA. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) II considerou o lançamento procedente (fls. 97106). Por sua vez, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10423.744, que se encontra às fls. 133140, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro (art. 150, § 4°, do CTN). DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS GLOSA Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago. MULTA QUALIFICADA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A fraude, sonegação ou conluio deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75%. Intimada do acórdão em 08/07/2009 (fls. 141), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16004.000748/200614 Acórdão n.º 920201.800 CSRFT2 Fl. 179 4 Fiscais, recurso especial de divergência às fls. 144155, acompanhado dos documentos de fls. 156167, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O acórdão recorrido afastou a multa qualificada de 150% por entender não demonstrado pela autoridade administrativa fiscal que o contribuinte agiu dolosamente, com o intuito de fraude, no que restou impossibilitada a aplicação do art. 44, inc. II, da Lei n° 9.430/96; b) Nesse sentido, deu à lei tributária interpretação diversa da conferida, em caso análogo, pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no acórdão n° 10615.834; c) Como já restou aduzido retro e devidamente comprovado documentalmente nos presentes autos, o contribuinte se utilizou, por pelo menos 4 (quatro) exercícios financeiros, da prática de reduzir a base de cálculo do imposto de renda pessoa física a partir da dedução de despesas médicas, sem a necessária comprovação idônea, seja através de recibos e/ou de notas fiscais; d) Tratase, assim, de típico caso de dolo reiterado no sentido de burlar o legítimo pagamento do imposto de renda, reduzindolhe a base a cálculo, mediante deduções indevidas, não calcadas em comprovantes hábeis; e) De todo o exposto, apresentase sem qualquer pecha a majoração da multa qualificada imposta ao contribuinte, considerandose todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos, refletido, particularmente, no já citado termo de constatação fiscal, que bem demonstra a materialidade da conduta dolosa do contribuinte; f) O acórdão paradigma acima evidenciado foi claro, em caso análogo ao presente, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei n.° 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, de uso de deduções relativas a despesas médicas, cujos pagamentos não foram efetivamente comprovados pelo contribuinte; g) O caso dos autos em tudo se enluva ao paradigma suscitado, o que demonstra estar perfeitamente adequada a autuação da auditoria fiscal; h) Vale dizer ainda que, a prática reiterada, por, pelo menos, 4 (quatro) exercícios financeiros seguintes, de deduções indevidas, sem quaisquer comprovações, é substrato bastante à qualificação da multa, por comprovação de dolo evidente, estando perfeitamente adequada a atuação da auditoria fiscal; i) O v. acórdão ora recorrido, no entanto, reduziu a multa de ofício ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento), o que resultou na negativa de vigência do artigo 44, inciso II (atualmente § 1° Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007), da Lei n°. 9.430/1996; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16004.000748/200614 Acórdão n.º 920201.800 CSRFT2 Fl. 180 5 j) Esta regra deve ser interpretada em conjunto com os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64; k) No caso dos autos, o sujeito passivo, por sua ação firme e abusiva no sentido de promover, por meio de deduções não comprovadas, a redução da base de cálculo do imposto devido, de forma reiterada, sistematicamente, demonstrou conduta consciente que procura e obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa; l) Tudo considerado, concluise que o contribuinte: i) praticou diversas ações, deduzindo, sistematicamente, por, pelo menos, 4 (Quatro) exercícios financeiros seguidos, despesas sem comprovação idônea; ii) como resultado de sua conduta dolosa, havia redução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física devido, com evidente prejuízo ao erário; iii) a conduta (deduções indevidas e sem comprovação, com conseqüente redução da base de cálculo do imposto) foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, já que realizada de forma reiterada, por vários exercícios financeiros; iv) a conduta repetida sistematicamente demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo; v) as ações foram sempre posteriores às ocorrências dos fatos geradores; m) Ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso, para reformar o acórdão exarado pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, restabelecendo a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) por se ter configurado a ação dolosa, nos termos da fundamentação supra e acórdão adiante anexado, incidente o inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 920200.173 (fls. 169 170), o contribuinte foi intimado e deixou de se manifestar, conforme informou a repartição de origem às fls. 175. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário apresentado pelo autuado para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. Segundo a recorrente, a qualificação da multa de ofício é justificada pela conduta reiterada do contribuinte de deduzir indevidamente despesas médicas da base de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16004.000748/200614 Acórdão n.º 920201.800 CSRFT2 Fl. 181 6 cálculo do imposto de renda pessoa física, trazendo como paradigma o acórdão n° 10615.834, cuja ementa é a seguinte: DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual estão sujeitas a comprovação, a juízo da autoridade lançadora. Na falta de comprovação dos pagamentos, mantém se a glosa das deduções pleiteadas como despesas com instrução e médica. MULTA QUALIFICADA Comprovado o intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72, e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, mantémse a multa qualificada. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA Após o advento do Decreto lei n° 1.968/1982 (art. 7 °), que estabelece o pagamento do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento do imposto sobre a renda das pessoas físicas passou a ser do tipo estatuído no artigo 150 do CTN. Nos termos do art. 43 do CTN o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. O termo de início para contagem do prazo de cinco anos para o lançamento é a ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De ofício se reconhece a extinção do crédito tributário pertinente ao anocalendário de 1999, por decadência. Recurso parcialmente provido. Pois bem, a autoridade lançadora entendeu que se está diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/961, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, os quais determinam que: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 1 Atualmente esta regra encontrase expressa no artigo 44, inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16004.000748/200614 Acórdão n.º 920201.800 CSRFT2 Fl. 182 7 II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ressalto, novamente, que no Termo de Constatação de Irregularidade Fiscal de fls. 5455, a autoridade lançadora justificou a exasperação da penalidade na falta de comprovação de despesas médicas informadas pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual dos exercícios 2002, 2003, 2004 e 2005. Segundo penso, tal fato, isoladamente, é insuficiente para a qualificação da multa de ofício, pois não configura o evidente intuito de fraude. O dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, ou seja, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. Entendo que para a correta aplicação da multa qualificada, a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio, ilustrativamente, da utilização de documentos falsos, notas frias, etc. E isso não ocorreu no caso. O contribuinte apenas deixou de comprovar as despesas informadas em suas declarações de ajuste anual, mas não há informação de ter utilizado, por exemplo, recibos inidôneos. Sob minha ótica, nenhum elemento que pudesse justificar a exasperação da penalidade foi coligido aos autos pela autoridade lançadora. As circunstâncias dos autos podem evidenciar a dedução indevida de despesas médicas, mas não caracterizam o evidente intuito de fraude do contribuinte Elias Abdo Sader, previsto ao tempo do lançamento, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, por não se enquadrar em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Na visão deste julgador, no mínimo, é frágil a tese sustentada pela fiscalização e defendida pela recorrente no sentido de que a conduta do contribuinte justifica a qualificação da multa de ofício para o patamar de 150%. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16004.000748/200614 Acórdão n.º 920201.800 CSRFT2 Fl. 183 8 Assim, tenho como aplicável ao caso o artigo 112, incisos II e IV, do CTN determina que: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Com esses fundamentos, entendo que merece ser mantida a decisão recorrida, na medida em que não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13629.001848/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006, 2007
DESPESAS DE TRATAMENTO MÉDICO. FISIOTERAPIA. PROFISSIONAL PRESTADOR QUE RENEGA PARCIALMENTE A PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PARA MÚLTIPLOS CONTRIBUINTES.
NECESSIDADE DE UMA COMPROVAÇÃO INILUDÍVEL DO PAGAMENTO DO SERVIÇO OU DE SUA PRESTAÇÃO AO TOMADOR PARA O DEFERIMENTO DA DEDUÇÃO DA DESPESA DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. INOCORRÊNCIA. Percebe-se
que as despesas aqui glosadas são em valores incomuns para gastos com fisioterapia; a contribuinte não logrou comprovar efetivamente o pagamento da despesa, pois aqui não se podem aceitar saques em extratos bancários, pois estes podem ter sido utilizados para pagamento de quaisquer despesas; há dezenas
de outros contribuintes com recibos inidôneos relativos à mesma profissional; e até a profissional renegou a prestação dos serviços nos valores declarados.
Neste último ponto, a afirmação posterior da profissional de que prestou os serviços, já na impugnação, lança até mais dúvidas sobre todos os recibos, mormente porque a contribuinte não conseguiu comprovar com documentação bancária o pagamento de quaisquer das despesas controvertidas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.453
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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FISIOTERAPIA. PROFISSIONAL PRESTADOR QUE RENEGA PARCIALMENTE A PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PARA MÚLTIPLOS CONTRIBUINTES. NECESSIDADE DE UMA COMPROVAÇÃO INILUDÍVEL DO PAGAMENTO DO SERVIÇO OU DE SUA PRESTAÇÃO AO TOMADOR PARA O DEFERIMENTO DA DEDUÇÃO DA DESPESA DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. INOCORRÊNCIA. Percebese que as despesas aqui glosadas são em valores incomuns para gastos com fisioterapia; a contribuinte não logrou comprovar efetivamente o pagamento da despesa, pois aqui não se podem aceitar saques em extratos bancários, pois estes podem ter sido utilizados para pagamento de quaisquer despesas; há dezenas de outros contribuintes com recibos inidôneos relativos à mesma profissional; e até a profissional renegou a prestação dos serviços nos valores declarados. Neste último ponto, a afirmação posterior da profissional de que prestou os serviços, já na impugnação, lança até mais dúvidas sobre todos os recibos, mormente porque a contribuinte não conseguiu comprovar com documentação bancária o pagamento de quaisquer das despesas controvertidas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 149DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 09/09/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte IVALDO MAIA, CPF/MF nº 067.487.40487, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 27/08/2008, auto de infração (fls. 01 a 08), com ciência postal em 11/10/2008 (fl. 87). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 2.744,50 MULTA DE OFÍCIO R$ 4.116,75 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesas médicas, nos anos calendário 2005 (R$ 7.980,00) e 2006 (R$ 2.000,00), conduta essa apenada com multa qualificada de 150% com a seguinte motivação (fls. 04 e 05): Em investigação interna, verificamos a necessidade de comprovar a efetividade da prestação de serviços da profissional de saúde Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, CPF 036.442.626 83, fisioterapeuta, em vista de sua recorrência. Para tanto, levantamos a lista de todos os contribuintes que declararam pagamentos a ela. Encaminhamos a lista a ela, intimandoa a confirmar ou infirmar a efetiva prestação dos serviços. Em resposta, a profissional informou todos os contribuintes para os quais confirmava a prestação dos serviços, aqueles para os quais não confirmava e ainda aqueles que prestou serviços, mas em valores diferentes dos declarados por eles em DIRPF. Em seguida, todos os declarantes foram intimados a apresentar o recibo do pagamento, e, no amparo do artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto 3.000/99 RIR/99, intimados ainda a comprovar o efetivo pagamento dos valores constantes nos recibos, por meio de cópia de cheques, extratos bancários ou outra forma qualquer. O contribuinte apenas apresentou os recibos, sem comprovação do pagamento. A profissional de saúde nega a prestação dos serviços, nos valores declarados, tendo reconhecido apenas o valor de R$ 5.040,00 no anocalendário de 2006. Desse modo, considerando que : 1 As despesas são em valores incomuns para gastos com fisioterapia; 2 o contribuinte não comprova o pagamento; 3 Há dezenas de contribuintes já Fl. 150DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13629.001848/200886 Acórdão n.º 210201.453 S2C1T2 Fl. 2 3 constatados com recibos inidôneos em nome da Profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves; 4 a profissional nega a prestação dos serviços nos valores declarados: então efetuamos a glosa da parcela de despesas de saúde não confirmadas, pela profissional e não comprovadas pelo contribuinte, com o decorrente lançamento de juros de mora (art. 61 da Lei 9.430/96) e multa de ofício. QUALIFICAÇÃO DA MULTA E REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Em vista da constatação de uso de documento inidôneo, nos termos do artigo 44, §1° da Lei 9.430/96 e art. 71, inciso II da Lei 4.502/64, a glosa das despesas de saúde não comprovadas foi acompanhada de multa de 150%. Ainda, juntamente com a lavratura do Auto de Infração, a fiscalização, de acordo com o art. 83 da Lei n° 9.430/96 e Portaria SRF n° 326/05, formalizou Representação Fiscal para Fins Penais, posto a constatação, EM TESE, de fraude, com dedução de despesas de saúde fictícia, sem comprovação dos pagamentos e/ou apresentando recibos que, conforme os indícios demonstrados, não lastreiam qualquer prestação de serviços, nos termos do artigo 73 do RIR/99, o que subsume em crime tipificado pelos arts. 1° e 2° da Lei 8.137/90. O Processo de,Representação Fiscal para Fins Penais tramita sob n° 13629.003030/200806. Compulsando os autos, vêse que houve uma glosa total das despesas com a prestadora Sâmara Silvia no anocalendário 2005 (fls. 40 a 42) e parcial no anocalendário 2006 (fls. 64 a 66), sendo que neste último anocalendário as despesas haviam montado R$ 7.040,00. Ainda, nas fls. 12 a 16 dos autos, vêse declaração da profissional Sâmara Silvia na qual atesta que não prestou serviço ao autuado no anocalendário 2005, tendo, entretanto, prestado serviço no anocalendário 2006, no importe de R$ 5.040,00. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, com as seguintes razões: 1) discorda veementemente do entendimento da autoridade lançadora e afirma que "comprovou o pagamento através dos recibos, e, assim sendo, não haveria se falar em não comprovação de pagamento"; 2) não se furtou, em momento algum, de atender à solicitação da fiscalização; 3) não pode ser glosado em mera suposição ou dúvida da fiscalização; 4) quanto à afirmativa fiscal de que as despesas são em valores incomuns para gastos com fisioterapia, afirma que é "paraplégico, com dificuldades de locomoção, está com idade avançada, o que agrava em muito a sua atual condição de exercício de atividade"; Fl. 151DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 5) "não é justo que um médico que teve o infortúnio de nascer com deficiência física, venha ter os seus gastos com tratamento glosados, sob a égide de que os gastos são incomuns"; 6) "nascer com paraplegia também é incomum, e, nem por isto a natureza glosou o contribuinte do seu direito de nascer"; 7) o recibo é o meio usual de pagamento pelas pessoas, e, "assim sendo, o presente auto de infração não pode prosperar, pois, fere o princípio do direito e do contraditório"; 8) a fiscalização "não conseguiu diligenciar de forma convincente sobre o alegado no auto de infração, pois a própria profissional, declara de forma idônea que prestou os serviços"; 9) em seu entendimento, s.mj., "a fundamentação do auditor de glosar o valor pago à profissional, deixa o impugnante, de certa forma, constrangido, pois, deixa no ar a desconfiança quanto a real efetivação da despesa, inclusive sob a idoneidade da profissional que o firmou"; 10) "ao efetuar o pagamento o impugnante não infringiu nenhuma lei, e, assim sendo, não pode os valores constantes dos recibos apresentados serem glosados, sob quaisquer alegações ou mera suposição de um auditor"; Finaliza sua peça impugnatória solicitando o cancelamento do auto de infração, uma vez que a exigência "não vem fundamentada em direito e sim em MERA SUPOSIÇÕES DE INIDONEIDADE DE RECIBOS, os quais, estão sendo desclassificados, sob exigências que ultrapassam os ditames do art. 80, § 1°, item III do regulamento do Imposto de Renda, e, ainda, ferindo o direito ao contraditório". A 6ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0922.439, 05 de fevereiro de 2009 (fls. 124 e seguintes). O impugnante juntou declaração da profissional Sâmara Silvia que atestou a prestação de serviço de serviços ao contribuinte autuado, em sua residência, nos importes de R$ 7.980,00 e R$ 7.040,00, nos anoscalendário 2005 e 2006, respectivamente (fl. 92). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 03/04/2009 (fl. 134). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 04/05/2009 (fl. 136). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que fez a prova necessária da despesa médica glosada, com os recibos médicos nos limites exigidos pela legislação tributária, não podendo ficar a mercê de critérios subjetivos da autoridade autuante, mormente porque não estava obrigado a fazer qualquer prova adicional, além da produzida, como defendido pelas autoridades autuante e julgadora a quo. Ademais, a fiscalização achou mais cômodo o procedimento de glosa das despesas dos tomadores do serviço, quando deveria ter investigado a prestadora, clarificando a sonegação de rendimentos dela, com penalização cível e criminal. Na linha última acima, não pode o recorrente ficar ao alvedrio de declarações dos profissionais, que renegam os recibos apresentados para não ofertar as receitas à tributação, quando os recibos são idôneos e representam serviços prestados por profissionais inscritos em órgão de classe. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13629.001848/200886 Acórdão n.º 210201.453 S2C1T2 Fl. 3 5 É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 03/04/2009 (fl. 134), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 04/05/2009 (fl. 136), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 05/05/2009, terçafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, aqui no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie. Nas hipóteses acima, a autoridade fiscal pode e deve intimar o contribuinte a comprovar o pagamento da despesa, com documentação bancária, ou mesmo a efetiva prestação do serviço com documentário médico (receitas, cópias de exames etc.). Especificamente, no caso de profissionais para os quais tenha sido emitida a súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, a jurisprudência administrativa, inclusive, autoriza a glosa e a exasperação da multa de ofício para o percentual de 150% sobre o imposto lançado (Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício). Fl. 153DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 No caso destes autos, percebese que as despesas são em valores incomuns para gastos com fisioterapia, a contribuinte não logrou comprovar efetivamente o pagamento da despesa, há dezenas de outros contribuintes com recibos inidôneos relativos à mesma profissional e até a profissional renegou a prestação dos serviços nos valores declarados. Neste último ponto, a afirmação posterior da profissional de que prestou os serviços (fl. 92), já na impugnação, lança até mais dúvidas sobre todos os recibos, mormente porque o contribuinte não conseguiu comprovar com documentação bancária o pagamento de quaisquer das despesas controvertidas e porque os serviços teriam sido prestados na residência do tomador, ou seja, tratase de afirmação implausível, de profissional que parece sequer ter escritório profissional. Devese anotar que os recibos emitidos pela profissional de fisioterapia Sâmara Silvia já foram objeto de debate nesta Turma, na sessão de junho de 2011, quando se prolatou o Acórdão nº 2102001.384, por maioria, quando se rejeitou tais recibos como válidos para reduzir a base de cálculo do IRPF dos tomadores do serviço. Naquela oportunidade, juntamente com o relator, Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, entendi pela higidez deles, no que restamos vencidos pela douta maioria do colegiado, e hoje, a partir de novos casos que vem a este colegiado, como o presente e aquele que será objeto de julgamento no recurso voluntário acostado ao processo administrativo fiscal 13629.001829/200850, este também sob apreciação desta Turma na sessão de 23 de agosto de 2011, observo que a então maioria agiu com acerto, e, assim, revejo meu posicionamento, pois efetivamente tudo está a indicar que a profissional Sâmara Sílvia emitiu recibos graciosos, para múltiplos contribuintes, renegandoos parcialmente, e, em uma situação dessa espécie, somente se pode deferir a dedução se o contribuinte efetivamente, de forma iniludível, demonstrar como pagou os valores controvertidos. Interessante ressaltar que no processo acima citado, o modus operandi da tomadora e do pretenso prestador foi o mesmo, com despesas relevantes para fisioterapia, pagamentos sempre em espécie, serviços prestados na residência dos pretensos tomadores e retratação da declaração de não prestação integral dos serviços trazida na impugnação. Em um cenário dessa natureza, somente se pode deferir a dedução da despesa com a comprovação do efetivo pagamento. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 154DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 13656.001073/2004-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: REGIMENTO INTERNO CARF – DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ –
ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF – Segundo o artigo 62-A
do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
IRPJ E OUTROS – DECADÊNCIA – O Superior Tribunal de Justiça, em
julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o
entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. O Superior Tribunal de Justiça assevera que o dies a quo, neste caso, é o primeiro dia do exercício à ocorrência do fato imponível.
IRPJ — AUTARQUIA MUNICIPAL — CONCESSÃO FEDERAL — DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA — IMUNIDADE — ART. 150, § 3º DA CF – A exploração, por autarquia municipal, da atividade de
distribuição de energia elétrica, realizada em face de concessão outorgada pela União Federal, embora possa se configurar como serviço público de caráter essencial vinculado a atividades próprias do Estado, deve ser qualificada como atividade econômica, mormente quando a prestadora aufere receitas não relacionadas à atividade principal ou participa do capital social
de empreendimentos privados, inexistindo, por outro lado, previsão contratual específica e esperada nos contratos de concessão em que se verifica típica situação de desenvolvimento de atividade como “longa manus” do Estado.
Numero da decisão: 9101-000.985
Decisão: ACORDAM os membros DA 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de decadência. Os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Viviane Vidal Wagner acompanharam a relatora pelas conclusões. Quanto ao mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso.
Vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffman, que davam provimento. No mérito, o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho acompanhou a relatora pelas conclusões.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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IRPJ E OUTROS – DECADÊNCIA – O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. O Superior Tribunal de Justiça assevera que o dies a quo, neste caso, é o primeiro dia do exercício à ocorrência do fato imponível. IRPJ — AUTARQUIA MUNICIPAL — CONCESSÃO FEDERAL — DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA — IMUNIDADE — ART. 150, § 3º DA CF – A exploração, por autarquia municipal, da atividade de distribuição de energia elétrica, realizada em face de concessão outorgada pela União Federal, embora possa se configurar como serviço público de caráter essencial vinculado a atividades próprias do Estado, deve ser qualificada como atividade econômica, mormente quando a prestadora aufere receitas não relacionadas à atividade principal ou participa do capital social de empreendimentos privados, inexistindo, por outro lado, previsão contratual específica e esperada nos contratos de concessão em que se verifica típica situação de desenvolvimento de atividade como “longa manus” do Estado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 2 2 ACORDAM os membros DDAA 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de decadência. Os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Viviane Vidal Wagner acompanharam a relatora pelas conclusões. Quanto ao mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffman, que davam provimento. No mérito, o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho acompanhou a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Alberto Pinto Souza Júnior, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte, em face do Acórdão nº 10708.768, da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ (janeiro de 1999 a agosto de 2004), CSLL (janeiro de 1999 a setembro de 2004), COFINS (janeiro de 1999 a setembro de 2004) e PIS (janeiro de 1999 a setembro de 2004). Conforme relatado pela fiscalização, a empresa deixou de cumprir suas obrigações relativas a tais tributos, por entender que é autarquia municipal e, portanto, imune nos termos do artigo 150, VI, “a” e § 2º da Constituição Federal. Houve aplicação de multa de ofício de 75% e a ciência do Auto de Infração se deu em 15/12/2004 (fls. 2.697, conforme citado pela DRJ). Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou o lançamento procedente em parte, tendo sido deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores apurados à título de PIS e COFINS. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o acórdão da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual acolheu a preliminar de decadência em relação ao primeiro, segundo e terceiro trimestre de 1999 para o IRPJ, e até 15 de dezembro para o PIS, e, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para excluir o valor de PASEP recolhido do valor exigido a título de PIS/PASEP no lançamento. Foi rejeitada, por voto de qualidade, a preliminar de decadência em relação a COFINS e a CSLL, bem como foram rejeitados, por unanimidade, o pedido de diligência e as nulidades suscitadas. No mérito, foi negado provimento ao Recurso Voluntário. Ainda, por unanimidade de votos, negouse provimento ao Recurso de Ofício. A decisão restou assim ementada: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 3 3 PERÍCIA/DILIGÊNCIA – PRESCINDIBILIDADE A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. (Acórdão nº 10705.820 no Recurso nº 111.354) IRPJ/CSLL/PIS E COFINS – PESSOA JURÍDICA CRIADA COMO AUTARQUIA MUNICIPAL PARA EXECUTAR, POR CONCESSÃO, SERVIÇO PÚBLICO DE COMPETÊNCIA DA UNIÃO – NATUREZA JURÍDICA DE FATO – SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA – O exercício pelo município, mediante concessão, de serviço público de competência da União, com cobrança de tarifas e nas mesmas condições aplicáveis a empreendimentos privados não está abrigado pela imunidade constitucional. A Fazenda Nacional não apresentou Recurso Especial. O Contribuinte apresentou Recurso Especial, no qual alega que: (i) quanto à decadência da COFINS e da CSLL, deve ser aplicado o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (foi dado seguimento nesta parte ao Recurso Especial de Divergência); (ii) não deve incidir a CSLL, uma vez que a empresa não aufere saldo tributável (nesta parte negado seguimento ao Recurso Especial de Divergência); (iii) por ser entidade de natureza autárquica e, portanto, imune, não está sujeita à incidência de IRPJ, COFINS e CSLL (nesta parte foi dado seguimento ao Recurso Especial de Divergência); e (iv) as autarquias não são contribuintes do PIS, nos termos da Lei Complementar nº 07/70, mas apenas após a entrada em vigor da Lei nº 9.715/98, devem contribuir nos termos do inciso III, e não do inciso II, do artigo 2º da referida Lei (item não tratado no Despacho de Admissibilidade Recursal). Quanto à matéria não conhecida, o contribuinte interpôs agravo, o qual foi rejeitado. Assim, segue para análise da turma as questões relativas à decadência da COFINS e da CSLL e da imunidade autárquica, matéria em relação às quais foi dado seguimento ao Recurso Especial de Divergência (Despacho de fls. 3.163/3.164). É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo e foi determinado seu seguimento em juízo de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Apesar da alegação específica em relação ao fundamento legal utilizado para incidência da Contribuição ao PIS não ter sido analisada pelo Despacho Decisório, tal fato em nada prejudica o andamento e julgamento do Recurso Especial. Explico, a alegação da Recorrente sobre a base legal utilizada para o lançamento da Contribuição ao PIS não está fulcrada em qualquer divergência de julgamento, o que não torna esse argumento, por si só, passível de conhecimento em Recurso Especial de Divergência. Referido argumento só se presta a ressalvar que o recolhimento feito pela Recorrente a título da referida Contribuição seria correto, não havendo cobrança remanescente se, ao final e ao cabo, verificado que se trata de pessoa jurídica de direito público interno, para cuja atividade não houve equiparação à pessoa jurídica de direito privado pela legislação do Imposto sobre a Renda. Neste passo, passo à análise do Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte. Primeiramente, no tocante à decadência, verifico que o acórdão recorrido não acolheu a decadência da CSLL e da COFINS, por aplicar o prazo de 10 (dez) anos previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que aprovou a Súmula nº 08, que prevê: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" (D.O.U. de 20/06/2008). Sobre este aspecto, lembro que respectiva súmula tem efeito vinculante para a administração e julgadores, nos termos do artigo 103, “a” da Constituição Federal de 1988, inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004, e também do disposto nos artigo 64A e 64B da Lei nº 9.784/99. Portanto, respaldada nas decisões e súmula do Supremo Tribunal Federal, bem como nas decisões do Superior Tribunal de Justiça e dessa C. Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdãos nº CSRF/0105.473, sessão de 19/06/2006 e CSRF/0105.533, sessão de 19/07/2003, entre outros), afasto a aplicação do artigo 45 da Lei nº 8.21291 e, consequentemente, o prazo de 10 anos para a constituição do crédito tributário. Neste passo, resta saber se aplicável, in casu, o prazo previsto no artigo 150, § 4º, tal como requer o contribuinte, ou se no artigo 173, I, ambos do Código Tributário Nacional. Tendo em vista a alteração do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 5 5 Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II, do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 6 6 inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Neste passo, a despeito do posicionamento que sempre adotei, em razão da atual previsão regimental do CARF, manifestome por acolher o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça acerca do prazo decadencial aplicável. Considerando que no caso não há acusação de dolo, havendo pagamento parcial, de se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, não se verificando o pagamento parcial, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Uma vez que entendia a Recorrente ser entidade imune e não estar obrigada ao recolhimento dos tributos em análise, bem como estar desobrigada da entrega de DIPJ e DCTF, não se constata quaisquer pagamentos nos presentes autos, razão pela qual, seguindo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, de se aplicar o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional Neste ponto, se adotado o critério utilizado por este colegiado para interpretação do disposto no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, quanto ao à CSLL (lançamento trimestral), este poderia ser objeto de lançamento no trimestre seguinte ao do fato gerador, razão pela qual o início da contagem do prazo decadencial ocorreria em 01º de janeiro do anoseguinte àquele trimestre. De se verificar, contudo, que não adota esta julgadora seu posicionamento pessoal, o qual seria pela aplicação do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, tampouco deve aplicar interpretação, ainda que sedimentada, deste colegiado no que concerne à interpretação do disposto no artigo 173, do Código Tributário Nacional. Como dito, por força regimental, naquilo que houve decisão específica por parte do Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Repetitivo, deve ser o decisum aplicado ao caso sub judice neste Colegiado. Se assim é, vale repetir a conclusão constante do item 3 da ementa do Recurso Especial nº 973.733SC, de relatoria do Exmo. Ministro Luiz Fux, quando ainda participava do Superior Tribunal de Justiça: “3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 7 7 em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (...)” Ora, ao se aplicar a decisão do STJ, sem pestanejar, no que tange ao dies a quo do prazo decadencial previsto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, teríamos que adotar o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, considerando, ainda, que para o Superior Tribunal de Justiça, independentemente de ser Contribuição ao PIS/COFINS ou IRPJ/CSLL, o exercício seguinte tem início em 01º de janeiro. Nessa medida, de se verificar que, se a ciência ocorreu em 15/12/2004, e o fato gerador mais antigo é janeiro de 1999, sendo o início do prazo decadencial em janeiro de 2000, não se verifica a decadência. Rejeito, assim, a preliminar de decadência. No tocante à imunidade, o Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial nesta parte (fls. 3.164/3.165) examinou a divergência nos seguintes termos: “A recorrente traz aos autos, como paradigma, o acórdão ri° 10194.474, que reconheceu imunidade de autarquia estadual a qual, mediante concessão federal, explora atividades portuárias. De acordo com o acórdão recorrido, o ponto central para o deslinde da questão seria o fato de que "o serviço de energia elétrica, ainda que explorado pela iniciativa privada, por concessão ou permissão, é de natureza eminentemente pública de titularidade da União" (fls. 2877), e não do Município de Poços de Caldas. E adiante continua: "Se a Prefeitura de Poços de Caldas resolveu explorar a concessão da atividade deve se submeter a todas as regras, inclusive tributárias, aplicáveis aos empreendimentos privados, como aliás se submetem todas as empresas públicas ou de economia mista, sejam federais, estaduais ou municipais" (fls.2878). A controvérsia está bem definida no próprio acórdão recorrido, o qual, partindo do pressuposto que se trata de autarquia municipal, assevera que a Prefeitura de Poços de Caldas, ao explorar, por concessão, atividade de outro ente federativo, deve se submeter a todas as regras, inclusive tributárias, aplicáveis aos empreendimentos privados, da mesma forma que se submetem as empresas públicas e as de economia mista – federais, estaduais ou municipais. Assevera, ainda, que o serviço público federal como “longa manus” do Município só estaria subsumido à imunidade se o serviço público explorado fosse de titularidade do Município. O acórdão caminha no sentido de: (i) demonstrar que o serviço de energia elétrica é de competência da União Federal, conforme disposto no artigo 21 da Constituição Federal; (ii) o exercício de serviço público pelo Município, por meio de concessão, entra no regime da discricionariedade administrativa; (iii) seria uma concorrência desleal com as demais empresas do setor que também prestam o mesmo serviço na forma de concessão; e (iv) segundo o artigo 150, § 3º, da Constituição Federal, a imunidade não se aplica “ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 8 8 normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário (...)”, ainda que prestada por autarquia. Já o acórdão paradigma, tratando de autarquia estadual que, por concessão, desenvolve serviço público da União (atividade portuária), entendeu que a imunidade se aplica. Transcrevo a ementa do referido acórdão: “IRPJ — AUTARQUIA ESTADUAL — CONCESSÃO FEDERAL — EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADES PORTUÁRIAS — SERVIÇO PÚBLICO ESSENCIAL — IMUNIDADE — CF. ART. 150, § 3º – A exploração, por autarquia estadual, de atividades portuárias realizadas em face de concessão outorgada pela União Federal, constitui serviço público de caráter essencial vinculado a atividades próprias do Estado, não relacionáveis, conseqüentemente, a exercício de atividades econômicas. Imunidade.” Assim, partindo do pressuposto que se trata de autarquia municipal que presta serviço de titularidade de outro ente da federação, resta saber se é aplicável a imunidade recíproca prevista na Constituição Federal, no artigo 150, VI, ‘a’, c/c seu § 2º. A fim de esclarecer melhor a questão, reproduzo o teor da referida norma constitucional que determina a imunidade recíproca: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. O voto condutor do acórdão recorrido aponta, como razões para afastar a imunidade, que a prestação de tal serviço pelo Município: “ gera, compra no mercado e distribuiu energia elétrica mediante cobrança de tarifa ou preço dos usuários que se dispõe a pagar por um serviço não essencial à vida e à saúde; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 9 9 age como empreendimento privado, na medida em que corta a energia dos inadimplentes; aufere receitas da locação da infraestrutura da sua rede de distribuição; participa do capital social de outros empreendimentos privados de geração de energia...” Dadas as razões expostas, entendo relevante fazer referência ao acórdão proferido pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, no Agravo Regimental no RE nº 399.307/MG, publicado em 29/04/2010. No referido julgado, o Relator Ministro Joaquim Barbosa aponta, em seu voto, os requisitos a serem analisados para que se possa concluir se a uma determinada autarquia ou empresa pública, deve ou não ser aplicada a imunidade recíproca, verbis: “Portanto, é aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias e empresas públicas inequívoco serviço público, desde que, entre outros requisitos constitucionais e legais: 1) Não distribuam lucros ou resultados direta ou indiretamente a particulares, ou tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público (ausência de capacidade contributiva); 2) Não desempenhem atividade econômica, de modo a conferir vantagem não extensível às empresas privadas (livre iniciativa e concorrência).” Ainda, segundo o voto do Ministro Joaquim Barbosa, “definem o alcance da imunidade tributária recíproca sua vocação para servir como salvaguarda do pacto federativo, (i) para evitar pressões políticas entre entes federados ou (ii) para desonerar atividades desprovidas de presunção de riqueza”. E prossegue: “somente as materialidades ligadas inexoravelmente ao exercício de funções estatais e de estritos serviços públicos estão abrangidas pelo benefício”. Importante ressaltar que o referido julgado do Supremo Tribunal Federal trata do serviço público de água e esgoto, remunerado e prestado por autarquia. Ou seja, não existe a discussão de ser serviço próprio ou não do ente que a criou. Sobre o ponto central discutido no julgado do Supremo Tribunal Federal, como já decidido por este Conselho, a cobrança de tarifa, isoladamente considerada, não altera a condição necessária ao reconhecimento da imunidade. Desta forma, tal acusação para a desqualificação da imunidade resta, a meu ver, insuficiente. A cobrança de tarifas, por si só, na implica em característica suficiente a atividade como econômica. Isto porque, a cobrança de tarifa pode servir tanto para que o Estado, por meio de empresa pública, obtenha lucro a permitir um acréscimo patrimonial, quanto para que a prestação do serviço público se torne viável a custos razoáveis para a sociedade. Esta é inclusive a interpretação dada pelo Supremo Tribunal Federal ao quanto disposto no § 3º do artigo 150, o que se extrai da seguinte ementa: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 10 10 EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE RECÍPROCA. AUTARQUIA. SERVIÇO PÚBLICO DE ÁGUA E ESGOTAMENTO. ATIVIDADE REMUNERADA POR CONTRAPRESTAÇÃO. APLICABILIDADE. ART, 150, §3º DA CONSTITUIÇÃO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. 1. Definem o alcance da imunidade tributária recíproca sua vocação para servir como salvaguarda do pacto federativo, para evitar pressões políticas entre entes federados ou para desonerar atividades desprovidas de presunção de riqueza. 2. É aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias e empresas públicas que prestem inequívoco serviço público, desde que, entre outros requisitos constitucionais e legais não distribuam lucros ou resultados direta ou indiretamente a particulares, ou tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público (ausência de capacidade contributiva) e não desempenhem atividade econômica, de modo a conferir vantagem não extensível às empresas privadas (livre iniciativa e concorrência). 3. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto é imune à tributação por impostos (art. 150,VI, a e §§ 2º e 3º da Constituição). A cobrança de tarifas, isoladamente considerada, não altera a conclusão. Agravo regimental conhecido, mas ao qual se nega provimento. (STF – 2ª Turma Agravo Regimental no RE nº 399.307/MG, Rel. Min. Joaquim Barbosa, publicação em 29/04/2010). Pela análise dos autos, não vislumbro que a cobrança de tarifa visa propiciar o acréscimo patrimonial, mas faz parte da própria prestação do serviço de energia elétrica, assim como ocorre com o serviço de água e esgoto, analisado no julgado transcrito. Ademais, a Lei n° 2.547, de 1977, que alterou e deu nova redação à Lei Municipal n° 420, que criou a Recorrente, determina, em seu artigo 4º, que “o lucro liquido apurado na exploração do Serviço de Eletricidade será TOTALMENTE reinvestido nas obras ou serviços de eletricidade, ressalvandose as obrigações para com os poderes concedentes, tais como o depósito vinculado em caso de verificação do resultado positivo na conta de Resultados a Compensar e a Manutenção de Reservas Mínimas de Caixa”. Não consta nos autos qualquer acusação de que a referida autarquia distribua lucros ou resultados a particulares. Antes de analisar esta questão, quanto à possibilidade de corte de energia elétrica, verifico que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no sentido de ser lícito, após prévio aviso, independente de o prestador ser ente político ou empresa concessionária, haja vista a necessidade de se preservar a continuidade do serviço público em atendimento ao interesse da coletividade, bem como que tal fato não enseja o afastamento da imunidade recíproca, verbis: “ADMINISTRATIVO. ÁGUA. FORNECIMENTO. ART. 6º, § 3º, II, DA LEI Nº 8.987/95. CORTE. DÉBITO ANTIGO. ILEGALIDADE. 1. O princípio da continuidade do serviço público, assegurado pelo art. 22 do Código de Defesa do Consumidor, deve ser temperado, ante a regra do art. 6º, § 3º, II, da Lei nº 8.987/95, que prevê a possibilidade de interrupção do fornecimento quando, após aviso, permanecer inadimplente o Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 11 11 usuário, considerado o interesse da coletividade. Precedentes. (AgRg no REsp 1133507/RJ)”. “ADMINISTRATIVO. FORNECIMENTO DE ÁGUA. INTERRUPÇÃO. USUÁRIO INADIMPLENTE. LEGALIDADE. 1. O STJ consolidou o entendimento de que é lícita a interrupção do fornecimento de água, após prévio aviso, nos casos de inadimplemento pelo usuário. 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 589507/MG).” Diante do exposto, retorno a necessária verificação da questão relativa à criação de uma autarquia, ora Recorrente, por Município para prestar serviço público de competência originária de ente político distinto daquele que a criou, analisando se, neste caso, restam atendidos os quesitos para fruição da imunidade recíproca. A acusação fiscal, reproduzida em parte nos fundamentos do acórdão recorrido, suscita dúvida quanto ao fato de a autarquia ter como objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público, in casu, ao Município, e se tal atividade pode ser caracterizada como atividade econômica. Verifico dos autos que a prestação dos serviços de energia elétrica foi concedida pela União ao Município de Poços de Caldas, por meio do Decreto nº 39.367/56, o qual foi juntado pela ora Recorrente às fls. 2.412. Nas folhas que se seguem, constam também Decretos posteriores que mantêm a concessão do serviço ao Município, o qual, por meio da ora Recorrente firmou com a União (representada pela ANEEL) “Contrato de Concessão para Distribuição de Energia Elétrica” (fls. 2.418 e ss.). Conforme se constata das cláusulas do referido contrato, a União concede ao Município a exploração de um serviço público, e não a exploração, a princípio, de uma atividade econômica. Em hipótese, como alega a Recorrente, o Município pode criar uma autarquia para prestar o serviço público por concessão, como sua “longa manus”. Nesse sentido, peço vênia para reproduzir parte dos argumentos do acórdão paradigma, em que se alcança conclusão semelhante: A transferência da exploração das atividades portuárias para particulares, a partir da licitação e da terceirização do serviço por meio da concessão ou da permissão, teria em vista garantir a competitividade e a concorrência, quando prestada por particulares que têm a finalidade de lucro. No caso, como vimos, por determinação constitucional, a União poderia realizar diretamente a administração dos portos de Antonina e Paranaguá, por se tratar de matéria relativa à segurança nacional ou à relevante interesse coletivo. Porém, transferiu a execução direta a outro ente do Poder Público, por convênio, o Estado do Paraná, ente em posição isonômica na Federação (art. 175 da CF). O Estado do Paraná, por sua vez, para dar eficácia e autonomia à atuação, atribuiu função a um ente autárquico, desdobramento personalizado juridicamente da Administração Pública, que prescinde de licitação para a execução. Temse, portanto, que o Poder Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 12 12 Público exerce as atividades nos portos, por sua instrumentalização jurídica de direito público — autarquia estadual. Diante disso, concluise que não houve a concessão em que o ente público responsável pelo serviço cede para terceiros do setor privado a sua exploração. Houve um desdobramento, ou uma descentralização do próprio Estado do Paraná com a constituição da autarquia para desempenhar suas atividades junto aos portos. Caso considerasse que o Estado do Paraná agiu indevidamente ao atribuir tais atividades a uma autarquia, a União deveria rescindir o convênio ou então pleitear o reconhecimento judicial da suposta invalidade das leis estaduais que criaram a autarquia Nessa linha de raciocínio, tanto o Município quanto a União são entes da Federação em posição de igualdade, razão pela qual, independentemente de o serviço de energia elétrica ser prestado por um ou por outro, novamente em hipótese, é passível de se enquadrar como serviço público, estando o ente prestador, consequentemente, abrangido pela imunidade recíproca. Ainda que se entenda que a prestação de serviço por um ente federado, pela concessão de outro ente federado, por si só, não retire a sua característica de serviço público, não sendo este o único motivo para que se configure atividade econômica, outros pontos merecem análise. Como relatado no acórdão recorrido, verificase situação em que a Recorrente aufere receitas na locação da infraestrutura da sua rede de distribuição e participa do capital social de outros empreendimentos privados de geração de energia, portanto, em relação às mesmas atividades recebidas por concessão da União. Ainda que com a atividade objeto da concessão não era possível à Recorrente distribuir lucros, entendo que a mesma desenvolveu atividades de cunho econômico, mormente porque não havia no contrato de concessão qualquer disposição de vinculação, inclusive em relação ao reflexo na baixa de preços, como deve ocorrer em situação de efetiva “longa manus” do Poder Público. Pareceme que, no caso concreto, a matéria fática, ao menos de acordo com o que consta dos acórdãos, difere do paradigma colacionado e vai ao encontro do voto proferido e já citado pelo Ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, configurandose como hipótese de exceção da aplicação da imunidade tributária recíproca. Desta forma, entendo aplicável à Recorrente o § 3º do artigo 150 da Constituição Federal, que excepciona a regra da imunidade recíproca para as pessoas jurídicas cujo patrimônio, renda e serviços se relacionem com a exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados. Assim sendo, ainda que não por todos os fundamentos expostos pela fiscalização e acórdão recorrido, adoto a conclusão deste último, pelo que voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 910100.985 CSRFT1 Fl. 13 13 Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
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