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Numero do processo: 18329.000045/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/03/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA INCONSTITUCIONALIDADE.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. Tendo sido o lançamento consubstanciado em valores declarados em GFIP, em havendo erros compete ao recorrente aponta-los. NO caso do lançamento as únicas competências expressamente impugnadas A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder
Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, senão vejamos: “ “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário””.
Em sendo descrito pela autoridade fiscal lançamento de diferença de contribuições com recolhimentos a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150,§ 4º do CTN.
REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA OITIVA DE TESTEMUNHAS AUSÊNCIA
DOS PRESSUPOSTOS INDEFERIMENTO
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/03/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES DESCRITOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE EM GFIP.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.844
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 07/2002; II) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; III) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e IV) no mérito, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1999 a 31/03/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA INCONSTITUCIONALIDADE. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. Tendo sido o lançamento consubstanciado em valores declarados em GFIP, em havendo erros compete ao recorrente aponta-los. NO caso do lançamento as únicas competências expressamente impugnadas A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, senão vejamos: “ “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em sendo descrito pela autoridade fiscal lançamento de diferença de contribuições com recolhimentos a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150,§ 4º do CTN. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA OITIVA DE TESTEMUNHAS AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS INDEFERIMENTO Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/03/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES DESCRITOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE EM GFIP. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. Tendo sido o lançamento consubstanciado em valores declarados em GFIP, em havendo erros compete ao recorrente apontalos. NO caso do lançamento as únicas competências expressamente impugnadas A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “ “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em sendo descrito pela autoridade fiscal lançamento de diferença de contribuições com recolhimentos a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150,§ 4º do CTN. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 2 REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA OITIVA DE TESTEMUNHAS AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS INDEFERIMENTO Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/03/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES DESCRITOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE EM GFIP. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 07/2002; II) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; III) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 18329.000045/200721 Acórdão n.º 240101.844 S2C4T1 Fl. 137 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.048.6900, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, contribuições da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores declarados em GFIP à referente a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 08/1999 a 03/2007, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP, sendo assim dividido. O débito corresponde ao período de 08/1999 a 11/2001 para o CNPJ 00.639.992/000100, de 12/2001 a 03/2007 para o CNPJ 00.639.992/000282 e de 05/2002 a 03/2007 para o CNPJ 00.639.992/000363, todos intercalados. Foi constatado na ação fiscal que nas competências descritas acima, a empresa efetuou recolhimentos ao INSS, o que foi visto e considerados pela fiscalização. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 20/08/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 67 a 92. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 98 a 103. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 107 a . Em síntese, a recorrente alega: 1. Preliminar de nulidade do ato administrativo uma vez que este se encontra eivado de vício pela falta de motivação; a NFLD não contém a clareza mínima necessária exigida pelo art. 50 da Lei n° 9.784/99; a capitulação legal informada é genérica (falta de capitulação da norma infringida) tendo como consequência o cerceamento do direito de defesa do contribuinte; 2. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, por não ter enfrentado a questão das conexões solicitadas. 3. Nulidade da decisão pela negativa de produção de provas periciais. 4. Preliminar de decadência. A impugnante defende a tese de que o prazo para a constituição do crédito previdenciário deve ser de cinco anos, devendo por isso, serem excluídas do lançamento, as contribuições referentes ao período de 08/1999 a 08/2002. 5. Quanto ao mérito, alega erro no cálculo realizado pelo Auditor Fiscal para apuração da contribuição devida relativa aos contribuintes individuais, nas competências de 08/1999 a Fl. 143DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 4 12/1999. O Auditor Fiscal utilizou como base de cálculo a importância de R$ 267,20 (duzentos e sessenta e sete reais e vinte centavos), aplicou a alíquota de 15% (quinze por cento) obtendo como resultado uma contribuição no valor de R$ 40,80 (quarenta reais e oitenta centavos), quando o correto seria obter como resultado uma contribuição no valor de R$ 40,08 (quarenta reais e oito centavos), o que segundo o contribuinte, justifica a conferência do cálculo por meio de laudo pericial. 6. Tendo por base as razões acima apresentadas, requer seja realizada perícia contábil com o intuito de esclarecer a base de cálculo das contribuições lançadas. Indica como perito, o contador, Sr. BemHur Risso Xavier, CRC —RS 062550/00, com escritório profissional na rua Cel. Bordini 689, sala 503, em Porto Alegre (RS), CEP 90440001, para que, com base nos relatórios do Auditor Fiscal, na contabilidade da empresa e nos documentos que lhe dão respaldo, refaça os cálculos dos valores das contribuições relativas ao período de 08/1999 a 03/2007, nas mesmas rubricas utilizadas no lançamento. 7. Requer, por fim, considerando as razões apresentadas na impugnação, a nulidade da NFLD, a produção dos meios de prova aludidos na defesa, a nulidade da decisão de primeira instância e o julgamento conjunto dos demais débitos lançados na ação fiscal desenvolvida junto à empresa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 18329.000045/200721 Acórdão n.º 240101.844 S2C4T1 Fl. 138 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 106 e 107. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito estando ocultos os dispositivos legais a facilitar o direito de ampla defesa do defendente, advindo apenas fundamentação genérica sendo o relatório, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal, como também o relatório RL – Relatório de Lançamentos demonstrou a autoridade fiscal os lançamentos efetuados, ademais o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação lega, por período que embasou a constituição da presente NFLD. Ademais, tratase de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Portanto, não há que se falar que não foi possível identificar os fatos geradores para proceder a defesa. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 6 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido , à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações Fl. 146DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 18329.000045/200721 Acórdão n.º 240101.844 S2C4T1 Fl. 139 7 previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está Fl. 147DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 8 adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do Fl. 148DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 18329.000045/200721 Acórdão n.º 240101.844 S2C4T1 Fl. 140 9 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da Fl. 149DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 10 verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 150DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 18329.000045/200721 Acórdão n.º 240101.844 S2C4T1 Fl. 141 11 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 12 Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. No caso ora em análise, observamos o lançamento de diferença de contribuições sobre a remuneração paga aos segurados empregados, onde é possível identificar pelo relatório Discriminativo analítico de débito – DAD, bem como no relatório fiscal, descreve o auditor “Foi constatado na ação fiscal que nas competências descritas acima, a empresa efetuou recolhimentos ao INSS, o que foi visto e considerados pela fiscalização”, inclusive sendo apropriadas contribuições, razão porque entendo aplicável o prazo decadencial a luz do art. 150, § 4º. Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado em 17/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 20/08/2007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 08/1999 a 03/2007, sendo assim, devem ser excluídas as contribuições até a competência 07/2002. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA PARA COMPROVAÇÃO DOS VALORES Quanto a possibilidade de realização de diligência, para realização de perícia, com vistas a esclarecer e comprovar as alegações do recorrente, razão não confiro ao mesmo. Entendo que a momento oportuno para indicação da necessária perícia, bem como cumprimento dos requisitos para realização da mesma seria a impugnação, o que não fez o recorrente. Entendo que a mera indicação de um erro em uma determinada competência por si só, não é justificativa para realização de perícia. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 18329.000045/200721 Acórdão n.º 240101.844 S2C4T1 Fl. 142 13 § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia ou mesmo diligência, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. Ademais, o lançamento em questão não demonstra qualquer dúvida acerca dos fatos geradores, tanto que o recorrente defendeuse em relação aos fatos apurados, competindo ao recorrente unicamente demonstrar a inexistência dos fatos geradoress, podendo a autoridade julgadora dispensar perícia ou diligência se entender que as mesmas são desnecessárias No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 14 Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia ou diligência é despicienda; pois toda a matéria probatória já deveria constar nos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente recibos não contabilizados e a notificação seguiu o procedimento previsto, não devendo ser reconhecida sua nulidade ou necessidade de perícia. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA PELA NEGATIVA DE CONEXÃO. Quanto ao argumento que inválida e a DN, posto que não rebateu o pedido de conexão, entendo que razão não assiste ao recorrente. Entendo , que ao afastar a nulidade do lançamento e descrever a impossibilidade de apreciação de matérias cujo objeto estão abordados em outras NFLD/AI, descreveu o auditor a individualização dos lançamentos, mesmo que não tenha feito expressa referência ao termo conexão. Ademais, o lançamento em questão não apresenta relação com outras NFLD ou AI, que justifique a necessidade de julgamento conjunto, visto que os fatos geradores são distintos e os relatórios possibilitam o pleno exercício do direito ao contraditório e a ampla defesa. DO MÉRITO Quanto ao mérito observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente quanto aos valores apurados impugnou apenas as competências 08 a 12/1999, indicando erros em bases de cálculo afastadas pela autoridade julgadora e absorvidos pelo prazo decadencial. não contestou nenhum dos fatos geradores extraídos do seu Fl. 154DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 18329.000045/200721 Acórdão n.º 240101.844 S2C4T1 Fl. 143 15 próprio documento GFIP, resumindose a alegar a inconstitucionalidade das diversas contribuições apuradas no presente lançamento. Ademais, conforme destacado em sede de preliminar, tratase de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso nos relatórios que compõem a NFLD. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, sejam declarados em GFIP, ou mesmo descritos em FOPAG, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as exisgências previstas na Lei n ° 8.212/1991, bem como no Decreto 3.048/99. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, à título de reforço, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho quanto ao tema: SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Contudo, observase que no lançamento em questão, a autoridade fiscal, cumpriu todos os dispositivos da legislação previdenciária que abarcam a matéria. Fl. 155DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 16 Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, excluir do lançamento as contribuições até 07/2002 face a aplicação da decadência quinquenal e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 156DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000560/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIÁRIAS DE VIAGENS.
As diárias de viagens não integram o salário de contribuição até 50% da remuneração do segurado, consoante dispõe o art. 28, §9°, alínea “h”, da Lei 8.212/91.
Cabe ao contribuinte apresentar documentos que comprovem que as despesas foram efetivamente destinadas a diárias de viagens, através de prestação de contas pelo beneficiário, descriminação na nota fiscal ou outros documentos fiscais aptos a comprovar a natureza não remuneratória.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-002.109
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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DIÁRIAS DE VIAGENS. As diárias de viagens não integram o salário de contribuição até 50% da remuneração do segurado, consoante dispõe o art. 28, §9°, alínea “h”, da Lei 8.212/91. Cabe ao contribuinte apresentar documentos que comprovem que as despesas foram efetivamente destinadas a diárias de viagens, através de prestação de contas pelo beneficiário, descriminação na nota fiscal ou outros documentos fiscais aptos a comprovar a natureza não remuneratória. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12045.000560/200710 Acórdão n.º 230102.109 S2C3T1 Fl. 2.031 2 Participaram da Sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 31/07/2003, em desfavor de MUNICÍPIO DE BOREBI PREFEITURA MUNICIPAL, face às contribuições devidas à Previdência Social, da quota patronal e parte dos segurados, inclusive, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre o valor pago como diária para viagem a empregado ou agente político (segurado obrigatório desde 02/1998), não recolhidas no prazo regulamentar ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, abrangendo o período de jan/1999 a dez/2002. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 38/40, serviram de base para o presente lançamento os livros diários e razão, os empenhos, as relações de gastos, os comprovantes de pagamentos e as folhas de pagamentos dos servidores do Município. Relata o AFRFB que os dispositivos que ensejaram a lavratura da NFLD foram o art. 12, inciso I, alínea "a", art. 15, inciso I, art. 20, art. 22, inciso I, alínea "a" e "c" do inciso II, art. 30, alíneas "a" e "b" do inciso I, e § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212/91, com alterações posteriores, regulamentados pelo Decreto n° 3.048/99, que aprovou o RPS. Após a impugnação de fls. 60/62 ofertada pelo Município, foi verificado que no TIAD não foi solicitado qualquer comprovante de pagamento das diárias de viagens (fls. 85), determinando que a fiscalização adotasse as providências cabíveis. Às fls. 137, a fiscalização esclarece que jamais os valores poderiam ser considerados diárias porquanto não teria havido a comprovação de que os empregados teriam prestado serviço fora da sede do Município. Em seguida, foi proferido acórdão de fls. fls. 138/141 julgando o lançamento procedente, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ADIANTAMENTO PARA DESPESAS DE VIAGENS. NÃO PRESTAÇÃO DE CONTAS. SALÁRIOINDIRETO. Integra o saláriodecontribuição, como salárioindireto, os valores adiantados aos servidores públicos municipais para arcarem com as despesas de viagens, quando não comprovada a prestação de contas. LANÇAMENTO PROCEDENTE Irresignada com a r. decisão, o Município interpôs Recurso Voluntário de fls. 149/153. Contudo, a fiscalização verificou que a decisão anteriormente proferida tinha sido proferida sem que tivesse sido previamente concedido prazo para o Município se manifestar sobre os esclarecimentos prestados às fls. 137, de modo que recebeu o Recurso Voluntário como Impugnação, proferindo nova decisão, com a seguinte ementa: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12045.000560/200710 Acórdão n.º 230102.109 S2C3T1 Fl. 2.032 3 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DESPESAS COM VIAGENS. NATUREZA INDENIZATÓRIA NÃO COMPROVADA. SALÁRIO INDIRETO. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos segurados a título de despesas com viagens quando não comprovado o seu caráter indenizatório, nos termos da lei n° 8.212/91. Deve ser deduzido do montante lançado os valores comprovadamente não relacionados a despesas com viagens, embora lançados na contabilidade sob esse título. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Diante do exposto, a ora Recorrente interpôs novo Recurso Voluntário de fls. 2.021/2.025, alegando, em síntese: a) Que os valores lançados como salários indiretos são adiantamentos a um funcionário, que controla as pequenas despesas de viagens, dos funcionários, e de moradores do município; b) Que a maior parte desses valores não foram despendidos com servidores municipais, mas para transportar munícipes, haja vista que no município não possui atendimento básico que o poder público tem constitucionalmente de oferecer a eles de educação, saúde pública, etc.; c) Que para transportar um doente de uma cidade para outra, além de existir despesa com alimentação para com este, há também custo com o combustível do automóvel e estação de pedágio, pois só lhe é conferida a passagem com o pagamento da tarifa; d) Que mesmo sendo os valores referentes ao pagamento de almoço de funcionários em locomoção, estes não podem ser traduzidos em diárias de viagem, porque representam despesas correntes da Prefeitura Municipal; e) Que de acordo com o disposto no art. 28, da Lei 8.212/91, o fato gerador de contribuição previdenciária é remuneração destinada a retribuir o trabalho, não havendo na legislação previdenciária determinação legal no sentido de que valores de despesas efetuadas por qualquer empresa venha a ensejar tal fato gerador; f) Que não poderia ser aplicado o art. 28, § 9°, alínea "h", da Lei 8.212/91 ao presente caso, tendo em vista que todas as despesas não são referentes a retribuição em face de trabalho, mas a despesas correntes; g) Que considerando os comprovantes de despesas como fato gerador, aumentase ficticiamente o salário de contribuição do funcionário, e como consequência, seria aumentado o valor de sua aposentadoria, o que é contrário a lei, e não pode ter consentimento dos agentes fazendários. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12045.000560/200710 Acórdão n.º 230102.109 S2C3T1 Fl. 2.033 4 Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Primeiramente, consoante o Relatório Fiscal de fls. 38/40, a presente notificação versa sobre contribuições devidas à Previdência Social, da quota patronal e parte dos segurados, inclusive, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre o valor pago como diária para viagem a empregado ou agente político, não recolhidas no prazo regulamentar ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS. O AFRFB dispõe em seu relatório que, no período compreendido entre 1999 a 2002, o contribuinte lançou em sua contabilidade o custeio de viagens sem que fossem identificados os servidores que viajaram para fora da sede do município, bem como a atividade desenvolvida por estes. Tendo em vista que o recorrente não comprovou os gastos com as viagens, os quais foram avaliados como excessivos pela fiscalização, a autoridade notificante lançou as contribuições incidentes sobre os valores pagos a esse título constantes em sua contabilidade. Assim sendo, imperioso trazer à baila o que dispõe a Lei n° 8.212/91, em seu art. 28, §9°, alínea “h”, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Diante do dispositivo acima expresso, não integrarão a base de cálculo da contribuição previdenciária os valores inferiores à metade da remuneração mensal do segurado. Em outras palavras, somente será tributada a parte da diária que exceder os 50% da remuneração mensal do segurado. Não se pode olvidar que existem duas interpretações do dispositivo legal. A primeira, e mais restritiva, afirma que somente pode ser excluído do salário de contribuição a diária se ela não exceder em 50% da remuneração do segurado, de modo que, recebendo valor Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12045.000560/200710 Acórdão n.º 230102.109 S2C3T1 Fl. 2.034 5 superior àquele percentual, não será reconhecida a exclusão da base de cálculo de qualquer quantia, isto é, a contribuição previdenciária incidirá sobre o total dos valores pagos a título de diária. A segunda interpretação, à qual me filio, entende que será excluído do salário de contribuição somente o valor que exceder os 50% da remuneração do segurado. Mesmo nas hipóteses em que as diárias corresponderem a mais da metade da remuneração do segurado, a contribuição previdenciária incidirá apenas sobre a parte que exceder, sob pena de se negar a própria isenção concedida regularmente por lei. Para se confirmar, contudo, que os valores entregues ao segurado foram efetivamente destinados a diárias de viagem, bem como que respeitaram a proporcionalidade de 50% da sua remuneração, é necessário que a fiscalização analise os documentos contábeis da empresa, dentre os quais as notas fiscais apresentadas pelo segurado, em prestação de contas das despesas efetuadas, bem como outros elementos constantes da contabilidade da empresa. Entretanto, o ora Recorrente não provou a natureza indenizatória das parcelas pagas. De início, a fiscalização considerou excessivo o valor despendido pelo Município com despesas de viagem, considerando o seu porte. Outrossim, verificou que as despesas apontadas como remuneração indireta não estavam justificadas, nem se poderia inferir delas a vinculação a diárias de viagens. Apesar de o contribuinte alegar que todas as despesas eram devidamente justificadas e comprovadas pelo funcionário responsável, não apresentou prova hábil ao embasar suas considerações. Neste diapasão, os argumentos trazidos pelo recorrente não merecem prosperar pelos motivos acima demonstrados. Da multa benéfica No tocante aos acréscimos legais, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária, não possuindo natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Imperioso, contudo, destacar que em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12045.000560/200710 Acórdão n.º 230102.109 S2C3T1 Fl. 2.035 6 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720024/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa.
RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Incabível a restituição de saldo negativo do IRPJ se ausente a liquidez e certeza do valor pleiteado.
RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVANTE.
O IRPJ retido na fonte somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora
Numero da decisão: 1302-000.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2001 Ementa. RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. Incabível a restituição de saldo negativo do IRPJ se ausente a liquidez e certeza do valor pleiteado. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVANTE. O IRPJ retido na fonte somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa. RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. Incabível a restituição de saldo negativo do IRPJ se ausente a liquidez e certeza do valor pleiteado. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVANTE. O IRPJ retido na fonte somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Sandra Maria Dias Nunes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi (vicepresidente) e Marcos Rodrigues de Mello Fl. 142DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10540.720024/200629 Acórdão n.º 130200.542 S1C3T2 Fl. 127 2 Relatório Trata o presente de Recurso voluntário em relação ao acórdão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF de Vitória da Conquista, que através do Despacho Decisório 09/2008 emitido pelo seu titular, indeferiu o pedido de compensação declarado através do PER/DCOMP nº 16298.85875.291105.1.3.023018, transmitido em 29/11/2005. O citado pedido de compensação objetivava quitar a estimativa mensal do IRPJ do mês de outubro de 2005, código de arrecadação 599301 no valor original de R$ 29.169,65, com parte do saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2001, que segundo informações do contribuinte, seria de R$ 19.395,27. Esclarece a Autoridade Fiscal designada para analisar a procedência do pleito, que, segundo a DIPJ apresentada pelo próprio contribuinte, o valor das estimativas devidas no anocalendário de 2001, somariam R$ 23.456,46, sendo quitadas da seguinte forma: 01 – R$ 6.917,29 através de valores retidos na fonte. 02 – R$ 16.539,17 através de recolhimentos via DARF. Acrescenta que “ no ajuste anual, ficha 09A – Demonstração do Lucro Real, fl. 08, foi registrado lucro real e na ficha 12A – Cálculo do IRPJ sobre o Lucro Real, fl. 13, foi apurado IRPJ devido (R$ 23.456,46) igual ao somatório das estimativas, não registrando saldo negativo”. Em razão da constatação da inexistência de saldo negativo de IRPJ no período, o pedido foi negado. Em sua defesa, o Contribuinte alega que a “DIPJ exercício de 2002 ano calendário de 2001, objeto do Despacho Decisório nº 09/2008, contém erro material e, portanto, não pode gerar exigência tributária contida no referido Despacho Decisório. A ficha 12 A – Cálculo do IRPJ sobre o Lucro Real, não representa a realidade dos fatos, sendo que a mesma deveria está assim configurada conforme demonstrativo abaixo”: 01 – Linha 13 () Imposto de Renda Retido na Fonte – R$ 29.169,95 02 – Linha 16 () Imposto de Renda Mensal por Estimativa – R$ 23.456,46 03 – Linha 18 – Imposto de Renda a Pagar – Saldo Negativo () R$ 29.169,65 Pede ao final, a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente a juntada dos documentos originais aqui mencionados e anexados por cópias e que também seja deferida a retificação da DIPJ exercício de 2002, anocalendário de 2001. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10540.720024/200629 Acórdão n.º 130200.542 S1C3T2 Fl. 128 3 Incabível a restituição de saldo negativo do IRPJ se ausente a liquidez e certeza do valor pleiteado. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVANTE. O IRPJ retido na fonte somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Reproduzo trecho do voto condutor do acórdão: Conforme relatado, o litígio do presente processo decorre do entendimento do contribuinte, de que por erro material, teria deixado de informar em sua DIPJ do ano calendário de 2001, o valor de R$ 29.169,95 referente a antecipações do IRPJ por retenção na fonte pagadora, que segundo informações prestadas quando da transmissão da presente PER/DCOMP, teria sido efetuada pela detentora do CNPJ 59.104.422/000140 (fls. 04). Na sua DIPJ retificadora, o contribuinte informa na ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (fls. 63), a apuração de IRPJ incidente sobre o lucro real no valor de R$ 23.456,46 e que todo este valor já teria sido quitado através das antecipações por estimativa. Em seu relatório, a Autoridade Fiscal confirma o pagamento de estimativas no montante de R$ 23.456,46, exatamente igual ao valor do IRPJ devido (fls.36), sendo R$ 16.539,17 mediante DARF e R$ 6.917,29 via retenção na fonte. As DIRF anexadas ao PAF (fls. 17/21 e 27/30), indicam que no ano calendário de 2001, a impugnante seria beneficiária de retenções na fonte no valor e R$ 7.049,43 compatível com o valor utilizado nas estimativas (R$ 6.917,29). Em sua DIPJ retificadora, a impugnante informa que, além das retenções que estão informadas em DIRF (R$ 7.049,43), ainda seria beneficiária de retenções no valor de R$ 29.169,95, o que justificaria seu saldo negativo em igual valor. Ocorre, entretanto, que tal alteração só seria válida, se o contribuinte possuísse o respectivo comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, conforme estabelece o art. 943 do RIR/1999, “verbis”: Art.943.A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). §1ºO beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §1º). §2ºO imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§1º e 2º do art. 7º, e no §1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Fl. 144DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10540.720024/200629 Acórdão n.º 130200.542 S1C3T2 Fl. 129 4 A impugnante não traz aos autos, nenhum comprovante da ocorrência da citada retenção, e nem mesmo informa tais valores na ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ que retificou para incluir discutida retenção (fls. 86 e 87).Tal procedimento contraria o que dispõe os § 4º e 5º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, verbis: §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97). §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Parágrafo acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97). Ciente do acórdão DRJ em 29/02/2008, a recorrente apresentou recurso em 31/03/2008. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação, em especial que a DIPJ contém erros materiais, que não podem causar conseqüências tributárias e apresente documento que demonstrariam as retenções na fonte que levariam ao saldo negativo que seria compensado neste processo. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Não assiste razão à recorrente. Embora tenha retificado sua DIPJ referente ao anocalendário 2001 em 28/03/2008 (após a ciência do acórdão DRJ), a recorrente apenas altera a ficha 12A, onde passa a constar o valor de R$ 29.169,65 na linha 13 (Imposto de renda retido na fonte), que teria gerado o saldo negativo de IRPJ de R$ 29.169,65, tendo em vista que o IRPJ apurado teria sido quitado com as antecipações de R$ 23.456,46, informados na linha 16. No entanto, na DIPJ retificadora, a recorrente não informa os valores retidos na ficha 43 e, ao tentar demonstrar documentalmente as supostas retenções traz comprovantes de retenção de fls. 109 e seguintes, todos referentes ao anocalendário 2000, sendo que este processo trata do anocalendário 2001, nada provando em favor da recorrente os documentos carreados ao processo. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10540.720024/200629 Acórdão n.º 130200.542 S1C3T2 Fl. 130 5 Não havendo saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, pois as estimativas foram suficientes apenas para quitar o IRPJ apurado, não o que compensar neste processo, estando corretos o despacho decisório e o acórdão recorrido. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso . (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 146DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 18108.000138/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
DEPÓSITO RECURSAL. REVOGAÇÃO. INEXIGÍVEL PARA TODOS OS PROCESSOS AINDA SOB EXAME DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Com a revogação do artigo 126, §1° da Lei n° 8.213, de 24/07/91 pela Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, não é mais exigível o depósito recursal. Sendo tempestivo, o recurso deve ser conhecido.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC,
nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.054
Decisão: Acordam os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da Ssegunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Adriana Sato
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 DEPÓSITO RECURSAL. REVOGAÇÃO. INEXIGÍVEL PARA TODOS OS PROCESSOS AINDA SOB EXAME DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Com a revogação do artigo 126, §1° da Lei n° 8.213, de 24/07/91 pela Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, não é mais exigível o depósito recursal. Sendo tempestivo, o recurso deve ser conhecido. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei. Recurso Voluntário Negado
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REVOGAÇÃO. INEXIGÍVEL PARA TODOS OS PROCESSOS AINDA SOB EXAME DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Com a revogação do artigo 126, §1° da Lei n° 8.213, de 24/07/91 pela Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, não é mais exigível o depósito recursal. Sendo tempestivo, o recurso deve ser conhecido. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da Ssegunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Marco André Ramos Vieira Presidente. Adriana Sato Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 EDITADO EM: 27/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente),Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, e, Adriana Sato. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior. Participação no julgamento do Conselheiro Substituto Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.000138/200751 Acórdão n.º 230201.054 S2C3T2 Fl. 591 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, cuja ciência do Recorrente ocorreu em 31/07/2006 (fls.496) e em 01/08/2006 (fls.497). De acordo com o Relatório Fiscal (fls.221/226) se de uma ação fiscal específica para apuração de divergências entre as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e as Informações à Previdência Social — GFIP e Guias de Recolhimento da Previdência Social — GPS. O fato gerador das contribuições previdenciárias foram as remunerações pagas aos segurados empregados discriminados nas GFIP´s. O Recorrente iniciou o exercício da compensação de valores na competência 03/2001, declarando em GFIP, no campo "compensação". O direito à compensação de valores recolhidos foi assegurado por decisão judicial acórdão proferido nos autos do processo 98.03.0761323, publicado no Diário Oficial da Justiça de 14/07/2006, páginas 372 a 395. A decisão determinou "a observância dos mesmos critérios de atualização utilizados pelo INSS na cobrança de seus créditos, observandose a taxa SELIC a partir de 1° de janeiro de 1996." Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, foram abatidos a cada competência os valores informados em GFIP do estabelecimento 60.969.250/000166 no campo "compensação". O Recorrente apresentou impugnação e a DN julgou o lançamento procedente. Inconformado o recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: desnecessidade do depósito recursal; necessidade da aferição correta do montante dos cálculos referente ao valor correto da NFLD; a multa aplicada deve ser afastada, visto que totalmente fora do ordenamento jurídico; a cobrança de juros é insustentável; exclusão da taxa selic. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas. O recorrente argúi a inexigência do depósito recursal para garantia de instância, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. No que tange aos cálculos de compensação no âmbito das obrigações tributárias, temos que deve ser considerado o valor do indébito na data do seu efetivo recolhimento e sobre este valor, aplicar o índice de correção monetária (caso existente durante das competências envolvidas) e a taxa de juros simples (também de acordo com a legislação aplicável às competências envolvidas, sendo vedada a aplicação de juros sobre juros) até a data em que será realizada a compensação. Foi exatamente como procedeu a Fiscalização neste lançamento, para apuração do correto valor a que o notificado teria direito a compensar. Como a compensação em tela tem origem em decisão judicial, devem ser aplicados aos cálculos os índices de correção monetária e as taxas de juros determinados pelo Poder Judiciário, conforme exposto no item 3, do Relatório Fiscal da NFLD. Tendo em vista a realização pela Recorrente de compensação em montante superior ao cálculo correto, deferido por sentença, procedeu a fiscalização corretamente a glosa dos valores indevidamente compensados, nos exatos termos determinados pelo Poder Judiciário. Quanto aos juros que incidiram no presente levantamento, temos a informar que o §1 2 do artigo 161 do CTN determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês. O dispositivo legal no qual a Fiscalização da SRP se baseou para aplicar os juros incidentes na presente levantamento foio artigo 34 da Lei n. 2 8.212/ 1991T Referida lei instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social. É ela, portanto, a lei específica, e o instrumento básico a disciplinar a incidência de juros sobre as contribuições sociais pagas em atraso. A seguir transcrevemos o citado dispositivo legal: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.000138/200751 Acórdão n.º 230201.054 S2C3T2 Fl. 592 5 "Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei ng 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Parágrafo único. O percentual dos juros morató rios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento." Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.000138/200751 Acórdão n.º 230201.054 S2C3T2 Fl. 593 7 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Adriana Sato Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 05/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10510.004040/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 28/05/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 4º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, I DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ENTREGA DE GFIP FOLHA DE PAGAMENTO.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, §4º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, I do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de
10.12.97)”.
Ao não informar em GFIP todos os fatos geradores referentes a competência 13/2005, acaba por incorrer o recorrente em falta sujeita a autuação
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.868
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para recalcular o valor da multa, limitandoa
de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, §4º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, I do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. Ao não informar em GFIP todos os fatos geradores referentes a competência 13/2005, acaba por incorrer o recorrente em falta sujeita a autuação MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para recalcular o valor da multa, limitandoa de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.004040/200717 Acórdão n.º 240101.868 S2C4T1 Fl. 294 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 4º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, I do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias referente ao 13° salário de 2005. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 14/08/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/08/2006. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls.213 a 226 Foi emitida DecisãoNotificação confirmando a procedência total do lançamento, fls. 255 a 259. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls265 a 278. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. O recolhimento bem como a respectiva informação dos pagamentos de 13. Salário ocorreram na competência 11/2005. 2. A norma que determinou a utilização de guia específica para o 13. Salário só entrou em vigor em 24.11.2005, não atingindo os atos já concretizados anteriormente , como é o caso dos autos. 3. Não pode a empresa ser punida por não ter observado procedimento cuja imperatividade deuse quando já cumprida a obrigação acessória de outro modo até então permitido. 4. Assim, requer o provimento do recurso apresentado, devendo ser desconstituída a NFLD. 5. Todas as defesas propiciam ao acusado arguir a defesa indireta de mérito, seja impeditiva, modificativa ou extintiva, basta ocorrer a circunstância de fato adequada. 6. Que apresentou as guias de recolhimentos, referente ao período cobrado pelo autuante, de maneira global, sem que fosse recolhido separadamente por empresa, o que gerou os lançamentos de débitos indevidos, uma vez que o INSS não pode penalizar o contribuinte por seu erro, uma vez que não recolheu à previdência social, os valores das contribuições individualizados por empresa. 7. Afirma que o recolhimento das contribuições, não individualizados por empresa, feito erroneamente por preposto autorizado, seja qual for à origem do erro, não inibe o seu direito de pleitear a nulidade dessa cobrança, lhe restituindo o que é de direito. 8. Que em persistindo a procedência da NFLD estará o fisco incorrendo em BIS IN IDEM. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 4 9. Que não obstante a autuada ter para exibição imediata todos os elementos e livros pedidos o AFPS contentouse em levar consigo as folhas de pagamento e os recolhimentos previdenciários, tendo autuado a empresa sem nem mesmo apreciar os documentos contábeis da mesma. O AFPS não compareceu a autuada, simplesmente enviou via AR o auto de infração realizado via computador, sem qualquer pedido de explicações por parte da empresa autuada, fato esse presenciado por terceiros que assinaram o envelope de AR entregue pelos correios, contrariando os preceitos legais do art. 12, VI, do CPC. 10. A impugnante argumenta que se dedica a prestação de serviços de contratação de mão deobra, mantendo sempre suas atividades de recolhimentos de contribuições em dias, principalmente ao que se refere aos empregados, o que ocasionou a multa fiscal foi devido a empresa fazer os seus recolhimentos de uma maneira globalizada, ou seja, apenas pela matriz, sem individualizar as demais empresas do grupo. 11. Diz que o procedimento fiscal do AFPS autuante não guarda conformidade com as normas que regem os atos administrativos vinculados e regrados, como costumeiramente acontece com atividade lançadora e de constituição previdenciário(CF/88, art. 5 0, caput, 1' parte, incisos II e LV, art. 150, inciso IV, c/c art. 34 § 1° das disposições constitucionais transitórias, CC, arts. 145, II e V e art. 146 e seu Parágrafo Único. 12. Cita o art. 10 do Decreto n° 7.235, de 06.03.1972, e o artigo 194 incisos VI e VII da Lei 1711/52 e afirma que a lavratura dos autos fora do local da autuada caracteriza assim, violação do dever funcional, além de retirar qualquer validade administrativa ou eficácia jurídica às aludidas peças básicas do processo fiscal, nulificandoo ab initio. 13. Fala da GFIP Guia de recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — competências abril de 2003 a março de 2005, diz que o fato gerador do FGTS é o pagamento de remuneração a empregado e afirma que todo e qualquer levantamento de débito do FGTS ou Demonstrativo do FGTS, a teor do auto deve, necessariamente, sob pena de nulidade, discriminar nominalmente(individualizar um a um) todos os empregados a que se referem os depósitos exigidos(CC, art. 82, 145, III e IV). 14. Afirma que os depósitos do FGTS têm, pois, endereço certo e conhecido: os empregados beneficiários dos mesmos, ou excepcionalmente, a empresa. Diz que para que a embargante pudesse se defender, mister se fazia que os autuantes identificassem quais os empregados a que se referem os depósitos de FGTS exigidos, quais seus salários e as datas em que ocorreram tais pagamentos. 15. Questiona como apresentar defesa ampla se o demonstrativo do Banco Arrecadador é global, nada individualiza, não contém nome de nenhum empregado nem a prova de relação empregatícia? E foi esse demonstrativo global do Banco Arrecadador que serve de base às inscrições da divida e embasou a impugnação. 16. Com relação a contribuição da empresa sobre a remuneração de empregados afirma que bem antes de qualquer ação fiscal, procedeu o pagamento na íntegra de todo débito existente com o INSS, referente a recolhimento de contribuição social dos empregados, portanto torna nula qualquer ação fiscal a esse respeito. 17. Alega inconstitucionalidade do recolhimento do SalárioEducação até janeiro de 1997 e do dever de restituir durante todo o período que recolheu indevidamente. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.004040/200717 Acórdão n.º 240101.868 S2C4T1 Fl. 295 5 18. Diz que até algum tempo atrás, predominava o consenso de que é de 5 anos o prazo para o contribuinte pedir restituição de indébito, contado da ocorrência dos fatos geradores do tributo. Essa crença veio porém a ser desconstituída pelo Superior Tribunal de Justiça, que demonstrou a falsidade da interpretação do CTN sobre a qual ela se apoiava, no que se refere aos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação(que hoje abrangem a quase totalidade das exações fiscais).Transcreve acórdão e explica as razões que a levaram a essa conclusão. 19. Com relação a remuneração paga aos segurados autônomos contribuintes individuais, não podem ser acatadas por contrariar os dispostos constitucionais. 20. Diz que foi declarada a inconstitucionalidade das expressões autônomos, avulsos e administradores, de acordo com o inciso I do art. 30 da Lei 7787/89, por não estarem compreendidas entre as fontes de custeio do inciso I, do art. 195 da Constituição Federal: a instituição da contribuição social incidente sobre tais remunerações somente poderia efetivarse por meio de Lei Complementar(§ 40 do art.. 195 e inciso I do art. 154 da Constituição Federal. 21. Alega que a impetrante tem o direito líquido e certo de somente recolher tributo ou contribuição social, criado modificado ou alterado, de acordo com o regramento expresso na Constituição em vigor(art. 195, I, da CF/88) e sempre com respeito ao direito adquirido, ao princípio da anterioridade ou da anualidade e ao princípio da legalidade. 22. Que sendo a contribuição social para INSS de administradores, somente poderia ser alterada ou modificada por Lei Complementar, nunca através de Regimento Interno e ou Portaria, o que fere e ofende direta e frontalmente a Constituição. Diz que não estava obrigado a recolher uma contribuição que se tornou inconstitucional, por vício formal do ato legislativo que a modificou. 23. A impugnante argúi a inconstitucionalidade do regimento interno do INSS quanto ao seu artigo 145, VIII, e a Portaria no 4690/98. 24. Afirma que as Constituições Brasileiras sempre usaram o termo empregador salário, em sentido próprio e técnico como se encontram no Direito do Trabalho, que as formas de custeio existentes na Previdência Social eram compatíveis com esse sentido e que, assim, a hipótese não é de equívoco histórico, já amplamente absorvido e aceito pelo direito posto. 25. Afirma que o INSS não sofreu qualquer lesão, porque todos os tributos e contribuições foram recolhidos, o que pode ser comprovado com o exame dos documentos a disposição na Secretaria do Estado da Administração e respectivos lançamentos contábeis. 26. Diz não ter existido qualquer dolo ou má fé porque todos os tributos cobrados ou retidos na fonte foram recolhidos integralmente ao INSS. 27. Diz que a finalidade da GFIP é a comunicação espontânea do contribuinte ao fisco, relativamente aos tributos e contribuições devidos a serem recolhidos, desde que fiscalizados pelo órgão, nomeadamente em relação aos cobrados ou retidos na fonte. Que se o contribuinte, espontaneamente recolheu dentro dos prazos legais ou com acréscimos devidos, a finalidade da GFIP foi cumprida, e o contribuinte não pode ser apenado com multa confiscatória(como se tratasse de punir o delito de apropriação indébita do Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 6 recolhimento de INSS de empregados que, declarados na GFIP, não fosse não fosse recolhidos espontaneamente pelo contribuinte. 28. Argumenta que a multa confiscatória, no presente caso, através de uma interpretação forçada, completamente contrária à lei (art. 1° da Lei 840/49, CF/88, arts. 5 0, II. 37 caput, e 150, I, CTN, arts. 141 e 142). 29. Diz que o fundamento constitucional que veda a aplicação do confisco tributário e a multa com este caráter, reside na impossibilidade de quebra de certas regras ou garantias que a própria Constituição assegura a todas as empresas privadas, citando o art 5 0, XIII, art 170, caput„ art 50 caput, ia parte, 150, II e 170,IV. 30. Cita o art. 194, VII da Lei 1711/52 e diz que nenhum servidor público está obrigado a cumprir ordem manifestamente ilegal, mas se cumpre, age voluntária e conscientemente, arcando com as conseqüências do ato abusivo e ilegal, nomeadamente as decorrentes do art. 40, "h" da Lei n° 4898/65. 31. Alega a impugnante ser parte ilegítima na autuação, como também é carecedor de ação, de acordo com a Lei objetiva, sabendose que todos os prestadores de serviços em relação ao recolhimento de contribuições sociais, são de competência dos mesmos. 32. Que se é que existe um pretenso crédito a ser adimplido frente a Previdência Social, ou uma obrigação a cumprir literalmente não será apenado o responsável pelo débito constitutivo, ainda porque cada um por si, responde pelo recolhimento de suas contribuições, devido serem terceiros responsáveis. 33. Diz que a fixação do prazo pelo pagamento de tributo é matéria reservada à lei, não podendo ter por veículo ato interno da administração, no caso, portaria. 34. Requer ao fim, seja julgado improcedente a NFLD. A receita Previdenciária apresenta contrarazões às fls. 223 a 229, em rebate os argumentos apresentados pelo recorrente, requerendo ao final a improcedência do recurso. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.004040/200717 Acórdão n.º 240101.868 S2C4T1 Fl. 296 7 Voto PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 292. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Apesar de não arguido preliminares, da análise do recurso, entendo que alguns argumentos trazidos pelo recorrente, devem ser apreciados preliminarmente, uma vez que interferem na validade do procedimento adotado, e por consequência da NFLD lavrada. VALIDADE DO PROCEDIMENTO Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou descumprimento dos preceitos legais por parte da autoridade fiscal, quando da lavratura da NFLD. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade cumprido os requisitos legais não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal da infração, como também os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, não cumpridos a tempo e modo, demonstram o descumprimento da obrigação acessória. Notese, que não existe qualquer irregularidade no encaminhamento dos documentos pelos correios, tendo em vista que foram solicitados os documentos, conforme consta do Termo de Intimação para apresentação de documentos – TIAD. Ainda no que pertine a nulidade, por ter o AI sido encaminhado pelo correio sem que o recorrente tivesse ciência pessoal, ou mesmo recebida por pessoa não autorizada Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 8 para o mesmo, razão também não confiro ao recorrente. Tendo o AI sido encaminhada por via postal, o recebimento independe de que a haja recebido. No mesmo sentido posicionase o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. SÚMULA NO 6 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal e fatos relacionados as contribuições apuradas na NFLD , argumentando que não foram considerados todos os créditos, tendo em vista o recolhimento centralizado bem como inconstitucionalidade de contribuições, contudo, sem refutar, qualquer dos fatos geradores que ensejaram a autuação . Dessa forma, em relação aos fatos que ensejaram a autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presume se a concordância da recorrente com a Decisão Notificação. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a DecisãoNotificação. Caso não concordasse com as faltas que lhe foram imputadas deveria o recorrente, manifestarse a respeito, sendo que ao não fazêlo acaba por concordar com a autuação. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, quanto a contribuições para o SALÁRIO EDUCAÇÃO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, bem como da multa aplicada, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Contudo, não compete apreciar dita matéria no corpo do processo em questão, visto tratarse de AI e não NFLD. No mesmo sentido, não devem ser apreciados argumentos não pertinentes ao lançamento ora analisado, quais sejam, direito a restituição, aplicação de juros e multa, tendo em vista não se trata de matéria afeta a autuação. QUANTO A INFRAÇÃO Tratase de auto de infração por não ter o contribuinte realizado a entrega de documento GFIP. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.004040/200717 Acórdão n.º 240101.868 S2C4T1 Fl. 297 9 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores, para competência 13/2005. Importante salientar, que no recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal, por considerar as multas exorbitantes para uma micro empresa sem refutar propriamente, qualquer dos fatos geradores apurados, porém em momento algum, questionou a inexistência dos fatos geradores Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a DN. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 10 Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, convertida na Lei 11941/2008, inseriu o art. 32 A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.004040/200717 Acórdão n.º 240101.868 S2C4T1 Fl. 298 11 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio de notificação fiscal, tendo em vista que no termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF consta a lavratura de NFLD para as competências em que se constatou a omissão de GFIP e, no caso de ter havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da procedência dos lançamentos, prevalece o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 4º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de contribuição não declarada, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular o Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 12 valor da multa, limitandoa de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 12DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002087/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1991 a 30/07/1994
Ementa: COMPENSAÇÃO Compensação das contribuições recolhidas indevidamente, incidentes sobre a remuneração paga aos administradores e autônomos.
FALTA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para que se aceite a compensação, sobre os tributos administrados pela Receita Federal, de créditos que a empresa possui perante o Instituto Nacional do Seguro Social.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-002.131
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1991 a 30/07/1994 Ementa: COMPENSAÇÃO Compensação das contribuições recolhidas indevidamente, incidentes sobre a remuneração paga aos administradores e autônomos. FALTA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para que se aceite a compensação, sobre os tributos administrados pela Receita Federal, de créditos que a empresa possui perante o Instituto Nacional do Seguro Social. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 55 1 54 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.002087/200722 Recurso nº 259.554 Voluntário Acórdão nº 2301002.131 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2011 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PLANALTO DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1991 a 30/07/1994 Ementa: COMPENSAÇÃO Compensação das contribuições recolhidas indevidamente, incidentes sobre a remuneração paga aos administradores e autônomos. FALTA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para que se aceite a compensação, sobre os tributos administrados pela Receita Federal, de créditos que a empresa possui perante o Instituto Nacional do Seguro Social. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Ausência momentânea: Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10805.002087/200722 Acórdão n.º 2301002.131 S2C3T1 Fl. 56 3 Relatório Tratase de pedido de compensação de crédito que a empresa possui perante o INSS, com débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, para o período de 08/1991 a 07/994. A empresa requerente esclarece que, junto com outras empresas por ela incorporadas, promoveu Ação Ordinária n° 95.00286432 face ao INSS, visando que fosse determinada a compensação das contribuições recolhidas indevidamente, incidentes sobre as remunerações pagas aos administradores e autônomos (prólabore). Informa que foi proferida decisão judicial favorável às impetrantes, transitada em julgado em 30/06/2003. Alega que, em contrapartida ao crédito de que é possuidora, a recorrente é devedora da Receita Federal na quantia de R$ 659.754,67, atualizada até set/2007, e requer, dessa forma, a compensação dos referidos valores. A Delegacia da Receita Federal Do Brasil em Santo André indeferiu o pleito (fls. 38), informando que não há previsão legal que ampare a pretensão da requerente, salientando que a legislação não autoriza a compensação de ofício entre créditos previdenciários com débitos decorrentes de tributos internos (arrecadados por meio de DARF), e esclarecendo que o crédito previdenciário somente poderá ser utilizado para abatimento de débitos previdenciários, não sendo possível sua utilização para compensação de débitos relativos a tributos internos. Inconformada com o indeferimento, a interessada apresentou recurso (fls. 47) alegando, em síntese, o que se segue. Argumenta que não pode concordar com a interpretação tão restritiva, pois a compensação de créditos que a Recorrente tem junto ao INSS, com seus débito, representados por tributos administrados pela Receita Federal, é legal e justa sob todos os títulos. Entende que se a Secretaria da Receita Federal pode extinguir de ofício débito do contribuinte junto ao INSS, por conta dos créditos objetos de pedidos de restituição ou de ressarcimento, nada mais lógico que essa mesma Secretaria extinga débito que o sujeito passivo tenha junto a Receita Federal, por conta de seus créditos, objetos de restituição perante o órgão securitário. Defende que o fato dessa faculdade de compensação não estar expressa na Instrução Normativa Conjunta, SRF/SRP n° 629/2006 não significa que não possa ser aplicado o princípio da simetria, e esclarece que a Recorrente está com suas atividades paralisadas desde dez/1999, o que a impede de compensar seu crédito junto ao INSS com futuras contribuições a esse órgão. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora A requerente solicita que sejam compensados créditos que possui junto ao INSS com débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, para o período de 08/1991 a 07/994. Contudo, vale esclarecer que a compensação requerida não encontra amparo legal. O Código Tributário Nacional – CTN, em seu art. 170, remeteu à lei a função de estipular as condições para que seja autorizada a compensação de créditos líquidos e certos, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador ordinário. De fato, a Lei 8.212/91, em seu art. 89, estipulou as condições em que poderá haver a compensação, ou seja: Art.89.Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido § 1ºAdmitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. §2ºSomente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência.na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido Assim, a compensação e restituição dos créditos atinentes aos Títulos da Dívida Pública que a recorrente afirma possuir não se encontram nas hipóteses previstas no art. 89 da Lei n.º 8.212/91. Ademais, o § 1º do art. 66 da Lei 8.383/91 assim determina: Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie.(grifei). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10805.002087/200722 Acórdão n.º 2301002.131 S2C3T1 Fl. 57 5 Portanto, a Fazenda Pública, conforme dizeres do CTN, apenas pode compensar suas dívidas e créditos quando a lei autorizar. E a lei 8.212/91 não autoriza a compensação requerida. E o parágrafo único, do art. 26, da Lei 11.457/07, expressamente exclui as contribuições sociais de que trata a Lei 8.212/91 da compensação referida no art. 74, da Lei 9.430/96. E como o ato praticado pela administração pública é vinculado, o seu agente só pode agir em conformidade com o que a lei determina. E considerando que não é facultado ao administrador público eximirse de aplicar a lei, a autoridade administrativa, ao indeferir o pedido formulado pela recorrente, agiu em conformidade com os ditames legais, em obediência ao princípio da legalidade, e em observância ao contido no art. 2º da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Ademais, na ação judicial movida pela recorrente o pedido era para que fosse determinada a compensação das quantias recolhidas indevidamente a título de 20% de contribuição incidente sobre a remuneração paga aos administradores e autônomos (prólabore) com outras contribuições previdenciárias vincendas , ou que fossem devolvidos os valores que não possam ser compensados, conforme Certidão de Objeto e Pé, às fls. 8. Assim, reiterase, a compensação requerida pela empresa não possui amparo legal, como também não há nenhuma decisão definitiva a amparála, já que o pedido analisado pelo judiciário é para a compensação com outras contribuições previdenciárias, e não com outros tributos administrados pela Receita Federal. Nesse sentido, CONSIDERANDO que não existe previsão legal que ampare a pretensão da recorrente. CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10680.008795/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Obrigação Acessória
Período do fato gerador: 01/01/1998 a 31/12/2003.
DECADÊNCIA. COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO –
CAT. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO
PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO A LEGISLAÇAO PREVIDENCIÁRIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Constitui descumprimento de obrigação acessória deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao Órgão Previdenciário, em época própria.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.977
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido à regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN, os fatos ensejadores da multa até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator; e b) em negar provimento ao recurso nas demais questões apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Obrigação Acessória Período do fato gerador: 01/01/1998 a 31/12/2003. DECADÊNCIA. COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO – CAT. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO A LEGISLAÇAO PREVIDENCIÁRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Constitui descumprimento de obrigação acessória deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao Órgão Previdenciário, em época própria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte
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Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente MAGNESITA S/A Recorrida DRP EM BELO HORIZONTE MG Assunto: Obrigação Acessória Período do fato gerador: 01/01/1998 a 31/12/2003. DECADÊNCIA. COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO – CAT. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO A LEGISLAÇAO PREVIDENCIÁRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Constitui descumprimento de obrigação acessória deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao Órgão Previdenciário, em época própria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 27/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido à regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN, os fatos ensejadores da multa até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator; e b) em negar provimento ao recurso nas demais questões apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 27/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.008795/200721 Acórdão n.º 2301001.977 S2C3T1 Fl. 579 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MAGNESITA S/A em face da decisão de primeira instância que julgou procedente auto de infração por ter deixado o contribuinte de comunicar acidente do trabalho à Previdência Social no período compreendido entre 01/1998 a 12/2003. 2. A decisão recorrida restou ementada nos termos que transcrevo abaixo: “ACIDENTE DE TRABALHO. NÃO COMUNICAR. DECADÊNCIA DECENAL. Deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao INSS até o primeiro dia útil ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, caracteriza infração legislação previdenciária. É de dez anos o prazo para a constituição do crédito previdenciário. Lançamento Procedente.” 3. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte arguiu, em síntese, os argumentos que seguem: a) preliminarmente, a decadência quinquenal de parte do período fiscalizado; b) inexistência de eventos típicos de acidente de trabalho, tendo em vista que os empregados foram atendidos pelo serviço médico da empresa, não tendo resultado em perda ou redução da capacidade laborativa; c) que trouxe aos autos cópias das Comunicações de Acidentes do Trabalho referentes aos seguintes segurados: José Carlos de Souza, Antônio Geraldo de Melo, Geraldo Agostinho de Souza e Wilson Gonçalves de Castro; d) por fim, alega que o trabalhador Luiz Henrique Souza Costa, considerado como vítima de acidente do trabalho em função de doença comum não relacionada com suas atividades profissionais, sofreu acidente em 31 de janeiro de 1997, data não incluída dentro do período fiscalizado – 01/1998 a 12/2003. 4. Devidamente notificado do recurso apresentado pela empresa, o fisco não apresentou contrarrazões, sendo os autos remetidos para a análise desta Câmara. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 27/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme alegado pelo contribuinte, pois uma parte do período fiscalizado encontra óbice no prazo decadencial quinquenal, previsto no Código Tributário Nacional CTN. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo. Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 27/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.008795/200721 Acórdão n.º 2301001.977 S2C3T1 Fl. 580 5 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. (...)” 6. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, verificase que a ação fiscal teve início no dia 09/01/2006 (fl. 37) e o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 16/10/2006, referente às contribuições do período de 01/01/1998 a 31/12/2003, ficando alcançadas pela decadência quinquenal as competências 01/1998 a 12/2000, incluindo décimo terceiro, nos termos do art. 173, I, do CTN. Restando, entretanto, mantidas as competências 01/2001 a 12/2003. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 27/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 9. Em razão do exposto, retiro do lançamento fiscal as competências 01/1998 a 12/2000, inclusive décimo terceiro. E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DA AUTUAÇÃO 10. A empresa foi autuada porque teria deixado de “comunicar acidentes do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência dos mesmos”(fl. 04). Segundo narrado pelo relatório fiscal temos as seguintes informações: “Foram emitidos os seguintes Temos de Intimação para Apresentação de Documento – TIAD: TIAD de 05/04/2005: estão relacionados os tipos de documentos solicitados e que serviram de base para verificação da emissão dos CAT – Comunicação de Acidente do Trabalho e sua comunicação ao Instituto Nacional do Seguro; TIAD de 05/10/2006: estão relacionados os acidentes ocorridos na empresa, tendo por base a verificação dos documentos listados no TIAD de 05/04/2006, cópias em anexo. TIAD de 10/10/2006: estão relacionados os acidentes ocorridos na empresa, tendo por base a verificação dos documentos listados no TIAD de 05/04/2006, cópias em anexo. Está sendo anexado na via destinada ao INSS, por amostragem cópias fornecidas pela empresa dos documentos relacionados no TIAD de 05/10/2006 e 10/10/2006. Os acidentes, alguns deles, também foram constatados através das Atas de Reunião da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA, que a seguir relacionamos: Data da Ata de Reuniões Ordinárias da CIPA Nome do Funcionário Data do Acidente constante da CIPA 23/03/00 José Alves de Oliveira 01/02/00 27/04/00 Geraldo Pinto de Oliveira 15/03/00 29/06/00 Wenderson Ramos Martins 22/05/00 29/06/00 José Luiz Valicelli 29/04/00 18/12/01 Wilson Vieira de Souza 08/12/01 29/10/02 Luiz Henrique Souza Costa 24/09/02 29/10/02 Antônio Pereira Diniz 21/09/02 20/02/03 Vicente de Oliveira Lopez 29/01/03 20/02/03 Ismael Augusto dos Santos 25/01/03 24/04/03 Marceliandro Fernandes Martins 19/03/03 23/10/03 Geraldo de Paula Santos 09/10/03 A empresa deixou de comunicar a ocorrência de 384 (trezentos e oitenta e quatro) acidente à Previdência Social.” (fl. 04) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 27/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.008795/200721 Acórdão n.º 2301001.977 S2C3T1 Fl. 581 7 11. Segundo o contribuinte, “as empresas somente estão obrigadas a emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT quando diante de acidentes do trabalho típico (definidos pelo artigo 19 da Lei n.º 8.213/91) e os chamados acidentes do trabalho por equiparação legal (definidos pelos artigos 20,21 e 23 da Lei n.º 8.213/91).” (fl. 551) 12. Contudo, no meu sentir, a infração apontada pelo fisco está devidamente comprovada pela farta documentação apresentada pela própria empresa e carreada aos autos. Há elementos robustos no sentido de demonstrar que a conduta adotada pela recorrente era a de não comunicar os acidentes de trabalho envolvendo os seus empregados. 13. Portanto, a motivação para a lavratura do Auto de Infração está de acordo com o art. 22 da Lei 8.213/91: “Art. 22. A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do saláriodecontribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência Social.” 14. A diligência realizada pelo fisco retira qualquer dúvida quanto à legalidade do Auto ao resumir que não constam nos sistemas da Previdência Social as Comunicações de Acidente de Trabalho da empresa Magnesita S.A., referente a acidentes de trabalho objeto desta autuação no que diz respeito aos trabalhadores enumerados pela fiscalização. 15. Diante do exposto, concluo que a empresa deixou de comunicar acidente de trabalho ao Órgão Previdenciário, o que caracterizou infração legislação previdenciária. CONCLUSÃO 16. Dado o exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 27/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 27/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000561/2007-30
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS E MULTA DE MORA. ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009. RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART.
106, II, C, CTN.
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.449
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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CUSTEIO. INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS E MULTA DE MORA. ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009. RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN. Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10540.000561/200730 Acórdão n.º 240300.449 S2C4T3 Fl. 195 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 182 a 190, com Anexos às fls. 191, apresentado contra Acórdão nº 1513.949 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 169 a 178, que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.028.5778, no valor consolidado de R$ 151.459.67 (cento e cinqüenta e um mil, quatrocentos e cinqüenta e nove reais e sessenta e sete centavos), às fl. 01. A NFLD se refere às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas para a Seguridade Social, relativas à parte patronal, à parcela de segurados, à relativa ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa SAT e Terceiros, incidentes sobre a obra matrícula CEI nº 40.380.00029/79 da empresa Zokiss Construtora e Empreendimentos Ltda., ora Recorrente. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 18 a 22, os fatos geradores do crédito previdenciário foram apurados por aferição indireta, sendo que a AuditoriaFiscal desconsiderou a contabilidade por infração ao art. 32, II, da Lei 8.212/91, tendo o lançamento a fundamentação no art. 33, parágrafos 3º, 4° e 6° da Lei 8.212 de 1991: 3.3 A construtora ZOKISS firmou contrato de empreitada total com a empresa Calçados Azaléia Nordeste S.A. para realização da obra objeto do presente levantamento pelo custo global de R$ 3.148.292,20. Referido contrato não discrimina os valores relativos a serviços e materiais. 3.4 A empresa não contabilizou em títulos próprios os valores devidos à Seguridade Social, relativos a essa obra. incluídos nesses as contribuições previdenciárias parte patronal e terceiros, conforme se evidencia da análise do Plano de Contas, Livros Diário e Razão apresentados, cópias anexas. Senão vejamos: 3.4.1 O Diário não registra lançamentos de provisão de contribuições previdenciárias nos meses de AGO a DEZ/2005. 3.4.2 Na conta 4.20.1.83.0001 –5 SALÁRIOS foram lançados pagamentos de Salários nos meses de JUL a DEZ/2005, no entanto nas contas 2,10.4.01 .00397 INSS e 4.20.1.83.00031 INSS só foi lançada a provisão de JUL/2005. 3.5 Esses fatos por si determinam a desconsideração da contabilidade da empresa uma vez constatada a existência de situação que comprova que a escrituração contábil não reflete a real situação dos negócios da mesma, ferindo os princípios e Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 convenções contábeis geralmente aceitos, conforme resoluções do Conselho Federal de Contabilidade (...). 3.6 Diante do exposto c com esteio na lei 8.212/91, §§ 3º, 4° e 6° do artigo 33, abaixo transcritos, foi efetuado o lançamento do crédito previdenciário pela técnica do arbitramento, com base na área is construída, utilizandose o Custo Unitário Básico – CUB (...). 3.7 Os salários de contribuição informados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência GFIP apresentadas pela empresa, constantes dos Sistemas da Previdência, cujas contribuições previdenciárias foram recolhidas na Matricula CEI da obra, seja através de retenção pela contratante, ou em Guia da Previdência Social GPS pela própria empresa, foram considerados quando da emissão do Aviso para Regularização de Obra ARO, anexo ao processo, transformados em área regularizada, utilizandose a Tabela CUB de 12/2006, sendo objeto da NFLD em tela apenas a diferença das contribuições relativas ao salário de contribuição de RS 345.716,25, correspondente à área a regularizar. Informa ainda o Relatório Fiscal, às fls. 18 a 22, que o Aviso para Regularização de Obra ARO foi emitido de ofício pela fiscalização, em 02.12.2006, conforme fls. 23 a 24: indica que a obra em questão, com Matrícula CEI 40.380.00029/79, tem datas de início em 01.07.2005 e de término em 14.08.2006, se refere à área a regularizar de 6.124,64 m2,, o que significa uma salário de contribuição total a regularizar no valor de R$ 345.716,25. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09362434F00 é de 01/1996 a 12/2006, fls. 13. O período do débito, conforme o Relatório Fiscal, às fls. 18 a 22, é 07/2005 a 08/2006. O Recorrente teve ciência da NFLD no dia 20.04.2007, conforme o Aviso de Recebimento – AR nº 648772067BR, às fls. 01 e 150. O Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 153 a 160, com Anexos às fls. 161 a 165. A Recorrida analisou a autuação e a Impugnação, julgando procedente a autuação, conforme o Acórdão nº 1513.949 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 169 a 178, cuja Ementa segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2006 LANÇAMENTO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE PELA FALTA DE ESCRITURAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10540.000561/200730 Acórdão n.º 240300.449 S2C4T3 Fl. 196 5 Se, no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Lançamento Procedente Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 182 a 190, com Anexos às fls. 191, onde alega em síntese que: Em sede de Mérito: (a) Improcedência do lançamento. (b) Alega que se houve omissão da provisão do INSS, no entanto, por outro lado, foram recolhidos com atraso, acrescidos de multa e acréscimos legais no mês de março de 2007. (c) Arbitramento: aduz pela não utilização do arbitramento de valores posto que motivado apenas pela falta de provisionamento das contribuições previdenciárias de 08/2005 a 12/2005 nos Livros Diário e Razão, fato que posteriormente foi corrigido quando da época do pagamento das contribuições, ocorrida somente no mês de março e devidamente registrada nos livros contábeis da Recorrente. (d) Também não há previsão legal que diga que a única forma de comprovação dos saláriosdecontribuição seja a provisão de valores pagos ou a pagar. Neste sentido, transcreve jurisprudência acerca do tema, rechaçando o arbitramento que eleva indevidamente a base de cálculo de incidência previdenciária em mais de 25%. (e) Também alega que no lançamento por aferição indireta não se levaram em conta outros fatores como a existência de pré moldados. (f) A regularização da obra e emissão de CND. Requer, outrossim, a regularização da obra e posterior emissão de CND. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 193. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 193: em 08.01.2008, ocorreu a ciência do Acórdão nº 1513.949 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador – BA, conforme Aviso de Recebimento – AR às fls. 181; em 07.02.2008 foi interposto o Recurso Voluntário, às fls. 182 a 190. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para o Mérito. DO MÉRITO. (a) Improcedência do lançamento. A Recorrente alega pela improcedência do lançamento. Analisemos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10540.000561/200730 Acórdão n.º 240300.449 S2C4T3 Fl. 197 7 Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.028.5778 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10540.000561/200730 Acórdão n.º 240300.449 S2C4T3 Fl. 198 9 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.028.5778, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (b) Recolhimento já efetuados posteriormente A Recorrente alega: (b) Alega que se houve omissão da provisão do INSS, no entanto, por outro lado, foram recolhidos com atraso, acrescidos de multa e acréscimos legais no mês de março de 2007. Analisemos. De plano, conforme o relatório Fiscal às fls. 18 a 22, cumpre informar que todos os valores recolhidos pela Recorrente, em relação à matrícula CEI nº 40.380.00029/79 da empresa Zokiss Construtora e Empreendimentos Ltda., foram devidamente apropriados pela unidade da Receita Federal do Brasil da jurisdição correspondente, ou seja, os valores de salário decontribuição informados na GFIP e os recolhimentos efetivados foram devidamente considerados na apuração do crédito previdenciário. Desta forma, pelos motivos acima expostos, não assiste razão à Recorrente. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 (c) Aferição indireta arbitramento A Recorrente alega: (c) Arbitramento: aduz pela não utilização do arbitramento de valores posto que motivado apenas pela falta de provisionamento das contribuições previdenciárias de 08/2005 a 12/2005 nos Livros Diário e Razão, fato que posteriormente foi corrigido quando da época do pagamento das contribuições, ocorrida somente no mês de março e devidamente registrada nos livros contábeis da Recorrente. (d) Também não há previsão legal que diga que a única forma de comprovação dos saláriosdecontribuição seja a provisão de valores pagos ou a pagar. Neste sentido, transcreve jurisprudência acerca do tema, rechaçando o arbitramento que eleva indevidamente a base de cálculo de incidência previdenciária em mais de 25%. Analisemos. Primeiramente, a Recorrente afirma que a aferição indireta não poderia ter sido utilizada porque motivada apenas pela falta de provisionamento das contribuições previdenciárias de 08/2005 a 12/2005 nos Livros Diário e Razão, não haveria previsão legal que diga que a única forma de comprovação dos saláriosdecontribuição seja a provisão de valores pagos ou a pagar. De toda forma, segundo o Relatório Fiscal, às fls. 18 a 22, os motivos que ensejaram a aferição indireta foram: 3.4 A empresa não contabilizou em títulos próprios os valores devidos à Seguridade Social, relativos a essa obra. incluídos nesses as contribuições previdenciárias parte patronal e terceiros, conforme se evidencia da análise do Plano de Contas, Livros Diário e Razão apresentados, cópias anexas. Senão vejamos: 3.4.1 O Diário não registra lançamentos de provisão de contribuições previdenciárias nos meses de AGO a DEZ/2005. 3.4.2 Na conta 4.20.1.83.0001 –5 SALÁRIOS foram lançados pagamentos de Salários nos meses de JUL a DEZ/2005, no entanto nas contas 2,10.4.01 .00397 INSS e 4.20.1.83.00031 INSS só foi lançada a provisão de JUL/2005. 3.5 Esses fatos por si determinam a desconsideração da contabilidade da empresa uma vez constatada a existência de situação que comprova que a escrituração contábil não reflete a real situação dos negócios da mesma, ferindo os princípios e convenções contábeis geralmente aceitos, conforme resoluções do Conselho Federal de Contabilidade (...). Fl. 10DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10540.000561/200730 Acórdão n.º 240300.449 S2C4T3 Fl. 199 11 A fundamentação legal para a desconsideração da contabilidade como fonte inequívoca de registro dos fatos geradores está expressa na legislação. Lei 8.212/1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Verificamos, para a utilização do arbitramento, portanto, que: (i) Deve ocorrer a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; ou (ii) Deve ocorrer o não registro do movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. Na hipótese do presente Recurso Voluntário, no item (i) não foi registrado a recusa ou sonegação de documentos, pois a AuditoriaFiscal utilizou a documentação apresentada pela Recorrente como base para a aferição indireta. Então devese analisar o item (ii), ou seja, a falta de registro do movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 De plano, exsurge a consideração de que a AuditoriaFiscal possui razão em aferir a base de cálculo quando ficou comprovado, e confessado no Recurso Voluntário, que a Recorrente não contabilizou em títulos próprios os valores devidos à Seguridade Social, relativos a essa obra. incluídos nesses as contribuições previdenciárias parte patronal e terceiros, conforme se evidencia da análise do Plano de Contas, Livros Diário e Razão apresentados, vide fls. 18 a 22. Aliás, cabe ressaltar que não houve subjetivismo algum na ação do Fisco. O Fisco seguiu o que determina os §§ 3º, 4º, 6°, do Art. 33, da Lei 8.212/1991: Lei 8.212/1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Portanto, correta a utilização da aferição. Assim, o lançamento e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. (d) Existência de outros fatores A Recorrente alega: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10540.000561/200730 Acórdão n.º 240300.449 S2C4T3 Fl. 200 13 (e) Também alega que no lançamento por aferição indireta não se levaram em conta outros fatores como a existência de prémoldados. Analisemos. De plano, observase que tal argumento trazido aos autos pela Recorrente tanto em sede de Recurso Voluntário quanto em sede de Impugnação, não foi acompanhado de elementos probatórios que demonstrassem nos autos que a Recorrente tenha se utilizado de componentes préfabricados ou prémoldados (Préfabricado ou prémoldado é o componente ou a parte de uma edificação, adquirido pronto em estabelecimento comercial ou fabricado por antecipação em estabelecimento industrial, para posterior instalação ou montagem na obra), atendidos os requisitos do art. 456, IN SRP 3/2005: Art. 456. A obra de construção civil que utilize componentes pré fabricados ou prémoldados será enquadrada de acordo com o disposto nos arts. 437 a 440 e terá redução de setenta por cento no valor da remuneração apurada de acordo com o art. 451, desde que: I sejam apresentados, conforme o caso: a) a nota fiscal ou fatura mercantil de venda do préfabricado ou do prémoldado e a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, emitidas pelo fabricante, relativas à aquisição e à instalação ou à montagem do préfabricado ou do prémoldado; b) a nota fiscal ou fatura mercantil do fabricante relativa à venda do préfabricado ou do prémoldado e as notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidas pela empresa contratada para a instalação ou a montagem; c) a nota fiscal ou fatura mercantil do fabricante, se a venda foi realizada com instalação ou montagem; II o somatório dos valores brutos das notas fiscais ou das faturas previstas no inciso I, em cada competência, atualizado com a aplicação das taxas de juros previstas no caput e na alínea "b" do inciso II, todos do art. 495, desde a data da emissão desses documentos até o mês anterior ao da emissão do ARO, seja igual ou superior a quarenta por cento do CGO, calculado conforme o art. 442, observado o enquadramento no tipo 11 (alvenaria), previsto no § 2º. (Nova redação dada pela IN MF/RFB nº 829, de 20/03/2008) Redação original: II o somatório dos valores obtidos pela divisão, em cada competência, do valor bruto das notas fiscais ou das faturas previstas no inciso I, pelo CUB vigente na data da emissão desses documentos e multiplicados pelo CUB vigente na data da Fl. 13DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 aferição, seja igual ou superior a quarenta por cento do CGO, calculado conforme o art. 442, observado o enquadramento no tipo 11 (alvenaria), previsto no § 2º deste artigo. § 1º Préfabricado ou prémoldado é o componente ou a parte de uma edificação, adquirido pronto em estabelecimento comercial ou fabricado por antecipação em estabelecimento industrial, para posterior instalação ou montagem na obra. § 2º O percentual a ser aplicado sobre a tabela CUB para apuração da remuneração por aferição indireta será sempre o correspondente ao tipo 11 (alvenaria). § 3º A remuneração da mãodeobra contida em nota fiscal ou fatura relativas à fabricação ou à montagem, de préfabricado ou de prémoldado, não poderá ser aproveitada no cálculo por aferição indireta da mãodeobra. § 4º A edificação executada por empresa construtora, mediante empreitada total, com fabricação, montagem e acabamento (instalação elétrica, hidráulica, revestimento e outros serviços complementares), deverá ser regularizada pela própria empresa construtora, para fins de obtenção da CND. § 5º Nos casos em que o préfabricado ou o prémoldado se resumir à estrutura, a obra deverá ser enquadrada no tipo madeira ou mista, não se lhe aplicando o disposto neste artigo. § 6º Se a soma dos valores brutos das notas fiscais de aquisição do préfabricado ou do prémoldado e das notas fiscais de serviços de instalação ou de montagem não atingir o valor correspondente ao percentual previsto no inciso II do caput, o enquadramento da obra observará o disposto nos arts. 437 a 441. Pelo exposto acima, não prospera a argumentação da Recorrente. (f) A regularização da obra e emissão de CND. A Recorrente argumenta: Requer, outrossim, a regularização da obra e posterior emissão de CND. Analisemos. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10540.000561/200730 Acórdão n.º 240300.449 S2C4T3 Fl. 201 15 De plano, temse que as providências administrativas relacionadas à regularização da obra e a emissão da CND – Certidão Negativa de Débito são da esfera de competência da unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente. Desta forma, não resta competência a esta Colenda Turma para conhecer tal matéria. MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 16DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 04/04/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 12045.000408/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1999 a 21/05/2005
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o
pleno direito à ampla defesa e ao contraditório.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-001.718
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/1999; e II) e declarar a nulidade do lançamento, por vício material
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/1999; e II) e declarar a nulidade do lançamento, por vício material. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 234DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Kleber Ferreira De Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12045.000408/200729 Acórdão n.º 240101.718 S2C4T1 Fl. 212 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 35.773.2928, com lavratura em 14/07/2005, posteriormente cadastrado na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A penalidade aplicada foi de R$ 32.864,69 (trinta e dois mil e oitocentos e sessenta e quatro reais e sessenta e nove centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 08, a empresa deixou de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, no período de 02/1996 (sic!) a 05/2005 a remuneração concedida aos seus empregados a título de “Auxílio Educação”. Assevera que tal benefício, disponibilizado aos segurados que cursavam nível superior, consistia em 1/3 do valor do curso. Acosta farta documentação para comprovar as alegações. A autuada apresentou impugnação, fls. 64/71, na qual defende a inexistência da infração, porquanto não havia remuneração a ser declarada. A partir de então, passa a reproduzir a defesa contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 35.773.2944, a qual supostamente guarda conexão com o AI sob debate. Na referida peça alega, em síntese, que: a) está obrigada a constituir fundo de assistência educacional extensivo aos seus empregados, consoante previsão estatutária; b) não há norma que preveja a incidência de contribuição sobre esse fundo, ao contrário, a própria Lei de Custeio da Previdência isenta a parcela relativa à educação; c) esse é o mesmo tratamento dado pela legislação trabalhista, que exclui do conceito de salário as utilidades relativas à educação; d) o benefício é disponibilizado a todos os seus empregados, desde que o curso seja vinculado à atividade que desenvolve; e) tal parcela é expressamente desvinculada do salário, conforme cláusula constante do termo de compromisso firmado entre empresa e empregado, a qual transcreve; f) a multa aplicada no AI representa um bis in idem, posto que a empresa já foi penalizada com multa presente na NFLD, que inquestionavelmente tem caráter sancionatório. O órgão de julgamento de primeira instância determinou a realização de diligência fiscal, fls. 73/75, posto que detectou que os relatórios e planilhas anexados ao AI não identificavam, de forma clara e precisa, quais segurados receberam as remunerações. Foram apresentados novos demonstrativos, fls. 79/89. Oportunizado prazo para empresa se pronunciar, essa compareceu aos autos, fls. 94/96, para reafirmar as razões apresentadas na defesa. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Foi, então, exarada a DecisãoNotificação – DN n.º 19.401.4/0382/2006, fls. 99/103, declarando procedente a autuação. Em sua fundamentação o julgador monocrático afastou a alegação de que multa aplicada não poderia ser cumulada com a multa constante na NFLD, sob a justificativa de que as mesmas tem natureza jurídica diversa. No mais, fez uma análise dos aspectos formais da autuação, concluindo pela manutenção da multa aplicada. Não se conformando, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 109/119, no qual pede o julgamento conjunto do presente AI com a NFLD já mencionada. Passou, a partir de então, a transcrever o recurso contra a DN que considerou procedente a notificação. Na referida peça recursal, além dos mesmos argumentos constantes da defesa apresentada no processo ora julgado, foram acrescidas as seguintes considerações: a) que não procede a alegação da DN de que a legislação previdenciária é especial em relação a trabalhista, haja vista que ambas trazem determinações expressa no sentido de excluir a verba sob discussão do conceito de remuneração; b) também não assiste razão ao julgador original quando afirma que muitos dos beneficiários do Auxílio Educação não estudam em cursos vinculados as atividades da empresa, posto que, além das atividades administrativas da Cooperativa, a recorrente é proprietária de unidade hospitalar. Assim, os conhecimentos profissionais nas áreas de Administração de Empresas, Contabilidade, Biologia, Nutrição, Química, Bioquímica e Administração Hospitalar são, sem dúvida, vinculados as suas atividades. Os autos foram baixados novamente em diligência pelo órgão a quo, fls. 140/141, para que a auditoria se pronunciasse sobre a vinculação entre a recorrente e o hospital mencionado no recurso; sobre a pertinência temática entre os cursos indicados nos termos de compromisso e, ainda, sobre declaração firmada pelo Sindicato Estadual dos Empregados das Cooperativas de Serviços Médicos do Rio Grande do Sul, na qual se afirma que o benefício era fornecido pela recorrente a todos os empregados que o requeressem. Às fls. 145/146, consta resposta da autoridade lançadora na qual afirmase: a) que o Hospital UNIMED Vale do Caí, possui vinculação com a recorrente; b) que o benefício não é extensível a todos os funcionários, posto que há duas condições nos termos de compromisso que limitam a concessão da verba, quais sejam: i) o término do curso no período previsto e ii) obtenção de pontuação mínima nas avaliações. Conclui o auditor que é incompatível a empresa afirmar que os conhecimentos adquiridos nos cursos superiores são imprescindíveis para a atividade da empresa e ao mesmo tempo impor estabelecer critérios limitadores para a concessão do benefício. O órgão de primeira instância apresentou contrarazões, fls. 148/151, pugnando pelo desprovimento do recurso. Em 20/08/2009, mediante o Acórdão 240100.582, fls. 157/162, esta Turma de Julgamento anulou, por unanimidade de votos, a decisão de primeira instância, por entender que a mesma não houvera enfrentado suficientemente os pontos da defesa. A DRJ em Santa Maria exarou nova decisão, fls. 171/175, mantendo o entendimento anterior e declarando procedente a lavratura. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12045.000408/200729 Acórdão n.º 240101.718 S2C4T1 Fl. 213 5 A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 185/197, postulando a improcedência da autuação ou, alternativamente, a redução da multa. Foi acostada decisão da 1.ª Turma Ordinária da 3.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF, fls. 198/209, na qual apreciando o processo relativo a NFLD n. 35.773.2944 (processo n. 12045.000409/200773), que contém os mesmos fatos geradores relativos ao presente AI, o colegiado decidiu por anular por vício material o crédito tributário. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Embora não suscitada, inicio pela análise da decadência do direito do fisco de lançar a multa. Vejo que a mesma deve ser reconhecida, embora que, parcialmente. É cediço que após a edição da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias passou a ser regido, com efeito retroativo, pelas disposições do Código Tributário Nacional – CTN, posto que o art. 45 da Lei n.º 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Diante disso, fixouse a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não há nessa situação o que se cogitar de aplicação do art. 150, § 4.º, uma vez que esse é dirigido apenas ao lançamento por homologação e o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória é um típico caso de lançamento de ofício. Tendose em conta que a empresa tomou ciência da autuação em 19/07/2005, pelo critério acima, o período da autuação, 01/1999 a 05/2005, já estava parcialmente alcançado pela decadência. Nesse sentido, já não poderia mais ser lançada a multa relativa às infrações ocorridas no período de 01/1999 a 11/1999, devendo essas competências serem expurgadas do AI sob cuidado. No mérito, é forçoso que se reconheça a conexão entre o AI sob cuidado e a NFLD referida no recurso, a qual foi nulificada por vício material por decisão da 1.ª Turma Ordinária da 3.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF, consubstanciada no Acórdão 230100.508, de 07/07/2009. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12045.000408/200729 Acórdão n.º 240101.718 S2C4T1 Fl. 214 7 Assim, vejo que o AI deve ser também nulificado por vício material. Eis que a fundamentação desse é ainda mais resumida que aquela lançada na NFLD conexa. Para fundamentar meu voto peço vênia para adotar as mesmas ponderações lançadas pela Relatora Bernadete de Oliveira Barros, o qual passo a transcrever: Em seu recurso, a recorrente não nega que efetuou pagamentos relativos a bolsas de estudos concedidas a seus empregados. Ela apenas entende que tais valores não integram o salário de contribuição. De fato, conforme disposto na alínea "t", do § 9°, do art. 28, da Lei 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a planos educacionais. Porém, elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de bolsa de estudo não sejam considerados salário decontribuição, ou seja, devem visar à educação básica, os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes. Todas as hipóteses acima precisam estar devidamente evidenciadas no Relatório Fiscal, sob pena de nulidade do lançamento, pois será mera presunção da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. Verificase, da leitura do Relatório da NFLD (fls. 64/67), que a autoridade notificante não apontou quais os elementos de convicção o levaram ao entendimento de que as vantagens foram concedidas em desacordo com o estabelecido no dispositivo legal encimado, vindo a fazêlo somente após a apresentação do recurso, em diligência proposta pela SRP, da qual, observase, a recorrente não tomou ciência. Tal fato configura ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, já que retirou, do contribuinte, a oportunidade de se defender do entendimento inovador ao lançamento, trazido pela fiscalização após a emissão da decisão recorrida. Entendo que para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que não foram cumpridos os requisitos necessários para que os valores concedidos a títulos de bolsas de estudo não sejam considerados saláriode contribuição. Dessa forma, diante das irregularidades acima apontadas, a nulidade da NFLD merece ser decretada, uma vez que a autoridade lançadora deixou de observar os requisitos formais do lançamento, previstos no art.37 da Lei n° 8.212. E como não houve o preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, concluo que a NFLD deve ser anulada por vício formal. Ouso divergir todavia da nobre Relatora quanto à sua conclusão relativa ao tipo de vício que alcançou os lançamentos.Explicome. O vício formal, no entendimento deste julgador, relacionase aos requisitos de validade do ato administrativo, ou seja, os pressupostos sem os quais referido ato não produziria efeitos. Em outras palavras, guarda relação com as formalidades legais extrínsecas Fl. 240DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 do lançamento. Os artigos 10 e 11, do Decreto nº 70.235/72, são os exemplos mais nítidos que podemos encontrar a respeito do tema, in verbis: “Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art.11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número” Ao tratar da matéria, a Lei nº 4.717/65, que regulamenta a Ação Popular, em seu artigo 2º, parágrafo único, alínea “b”, estabelece que o vício formal é: “ [...] a omissão ou observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato.” Como se observa, o ato administrativo somente terá validade se observados os pressupostos formais, extrínsecos, previstos nos dispositivos legais supra, entre outros, sob pena de ser anulado por vício formal. Repitase, o requisito formal do lançamento representa a observância dos ditames estabelecidos por lei no momento de sua exteriorização. A jurisprudência administrativa, que se ocupou do tema, é mansa e pacífica nesse sentido, senão vejamos: “PROCESSUAL – LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL – NULIDADE – É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, do Decreto nº 70.235/72. Precedentes da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais.Recurso Especial improvido.” (3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 201108717 – Acórdão nº CSRF/0303.305, Sessão de 09/07/2002) Fl. 241DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12045.000408/200729 Acórdão n.º 240101.718 S2C4T1 Fl. 215 9 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. [...]” (8ª Câmara do 1º Conselho, Recurso nº 143.020 – Acórdão nº 10808.174, Sessão de 23/02/2005) (grifamos) O Acórdão nº 10706695, da lavra do então Conselheiro representante da Fazenda, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, nos traz com muita propriedade a diferenciação entre vício formal e material, nos seguintes termos: “[...] RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elemenots básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade a autoridade fiscal descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente o sujeito passivo, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 242DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Aliás, o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, com mais especificidade, impõe ao fisco que discrimine clara e precisamente os fatos geradores do débito constituído, in verbis: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.”’ (grifamos) No mesmo sentido, o artigo 50 da Lei nº 9.784/99 estabelece que os atos administrativos devem conter motivação clara, explícita e congruente, sob pena de nulidade. “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá a autoridade fiscal descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo. A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal por vício material. Outro não é o entendimento do ilustre Dr. Manoel Antônio Gadelha Dias, ex presidente do 1º Conselho de Contribuinte, conforme se extrai do excerto de sua obra “O Vício Formal no Lançamento Tributário”, nos seguintes termos: “[...] O defeito na descrição do fato, por exemplo, não pode caracterizarse mero vício formal, pois a descrição do fato está intimamente ligada à valoração jurídica do fato jurídico, requisito fundamental do lançamento. A descrição do fato defeituosa tanto pode configurar nulidade de direito material como de direito processual. Estaremos diante da primeira situação quando o vício atinge o motivo do ato, ou seja, o seu pressuposto objetivo, que corresponde à ocorrência dos fatos que ensejaram a sua prática.” (Tôrres, Heleno Taveira et al. – coordenação – “Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados – São Paulo : Quartier Latin, 2005, p. 348) A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, consoante se positiva dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO – É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, Fl. 243DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12045.000408/200729 Acórdão n.º 240101.718 S2C4T1 Fl. 216 11 notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência.” (1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº 132.213 – Acórdão nº 10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) “LANÇAMENTO – NULIDADE VÍCIO MATERIAL – DECADÊNCIA Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, por se tratar de vício de natureza material. Aplicável o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN.” (2ª Câmara do 1º Conselho, Recurso nº 138.595 – Acórdão nº 10247201, Sessão de 10/11/2005) Assim, deve ser declarada a nulidade do lançamento, por vício material, em observância à legislação de regência, mais precisamente do artigo 142 do CTN e demais dispositivos das Leis 8.212/91 e 9.784/99 encimados, uma vez que referida incorreção contamina a exigência fiscal, tornandoa precária, não lhe oferecendo certeza ou liquidez, principalmente pelo fato de se mostrar insanável e por cercear o direito de defesa da recorrente. Por todo o exposto, voto por declarar a decadência da multa aplicada para as competência e 01 a 11/1999 e declarar a NFLD integralmente nula por erro/vício material. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 244DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10882.002553/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2002
DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na
forma do artigo 150, § 4°, do CTN.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 1402-000.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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LUCRO REAL Recorrente TAGUASUL COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Viviani Aparecida Bacchmi, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.002553/200757 Acórdão n.º 140200.463 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório A 3a. TURMA DRJ EM CAMPINAS SP , com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão que julgou procedente em parte a exigência lavrada contra a empresa TAGUASUL COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase de impugnação às seguintes exigências fiscais: Imposto de Renda pessoa Jurídica, formalizado no auto de infração de fls. 138/147, à Contribuição para o PIS, formalizada no auto de infração reflexo de fls. 148/155, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, formalizada no auto de infração reflexo de fls. 156/163, e, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, formalizada no auto de infração reflexo de fls. 164/170. O feito, referente a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2002 e dezembro de 2002, constituiu crédito tributário total no valor de R$ 2.597.630,45, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 132/137, a autoridade autuante assim relata os fatos que motivaram o lançamento: 1. Incompatibilidade da Movimentação Financeira com a Receita Declarada Omissão de Receitas: Recebemos da fiscalizada, por força do termo de intimação n° 04/2007 lavrado em 05.06.2007, os extratos bancários, relativos ao ano calendário de 2002, de todas as contas correntes mantidas pela empresa, bem como planilha eletrônica em Excel contendo toda movimentação financeira do ano calendário sob fiscalização (fls.). Da verificação realizada com base nos arquivos magnéticos dos extratos bancários do contribuinte, encontramos indicativos de possível inconsistência entre a Receita Bruta e a movimentação financeira, razão pela qual elaboramos o Termo de Intimação 05, em 27.08.2007 (fls. ), solicitando o esclarecimento das diferenças existentes entres os valores registrados como "entradas" nos arquivos magnéticos e os valores declarados como receita na DIPJ/2003. Em 20/09/2007, o contribuinte esclareceu que as diferenças apontadas no Termo de Intimação Fiscal não foram incluídas na DIPJ/2003 por trataremse de valores que não correspondem à receita, portanto não devendo transitar em contas de resultado. Para justificar essas diferenças argumenta que dentre as operações que a empresa realiza, figura a transferência de recursos entre contas da mesma titularidade, evitandose que uma fique com saldo negativo enquanto que a outra venha a apresentar saldo positivo desnecessário; outro fato que concorre para o aumento das entradas referese à reapresentação de grande número de cheques depositados e devolvidos, na maioria das vezes, por insuficiência de fundos. A par disso esclareceu que a empresa faz parte de um grupo de empresas ligadas ao setor supermercadista e que por conveniência e para evitar ao máximo a capitação de recursos no Sistema Financeiro é prática normal uma empresa socorrer a outra para honrar seus compromissos, com a posterior devolução desses recursos, em Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.002553/200757 Acórdão n.º 140200.463 S1C4T2 Fl. 0 3 valores e nas datas que melhor se adequasse ao fluxo financeiro do grupo, inclusive, devolvendo valores superiores ao que havia tomado, possibilitando que essa outra empresa também pudesse sanar momentâneas dificuldades financeiras. Por fim, afirma que além dessas transações obtém recursos junto a bancos, através de operações de créditos, especialmente aquelas em que são oferecidas como garantia cheques prédatados e os valores dos cartões de créditos a receber, tudo para equilibrar seu fluxo financeiro. Apresentou planilhas demonstrando a composição referente às operações supracitadas, bem como os extratos bancários para comprovação. Com base nas planilhas e justificativas apresentadas, em 27/09/2007, intimamos o contribuinte a apresentar os contratos de mútuo firmados entre as coligadas, bem como os saldos mensais dos valores emprestados. Após a análise de toda documentação apresentada, constatamos que o contribuinte omitiu receitas, uma vez que comparada a receita declarada com o total de créditos realizados em contas correntes de sua titularidade, descontados os valores que não caracterizam receitas operacionais, resultou diferenças, conforme quadro abaixo.(...) Esclarecemos, que o contribuinte informou como Antecipação de cheque, no mês de março/2007, o valor de R$ 943.403,72, sendo que consideramos apenas os valores comprovados através dos extratos, ou seja, R$ 861.936,93; e quanto à Antecipação de Cartão , no mês de janeiro/2007, o contribuinte informou o valor de R$ 419.566,76, sendo que consideramos apenas os valores comprovados através dos extratos, ou seja, R$ 215.240,35. Em 01.10.2207, intimamos o contribuinte a justificar a diferença demonstrada no quadro acima, através do termo de n° 07 (fls. ). Sem que houvesse manifestação por parte do contribuinte, lavramos; em 08.10.2007, o termo de reintimação fiscal n° 08 (fls. ). Uma vez que o contribuinte, até o momento não justificou as divergências constantes do quadro acima, as mesmas são objeto de lançamento tributário, como omissão de receitas. 2. Omissão de Receitas Financeiras e IOF: Observese que dos valores informados a esta Fiscalização e constantes dos extratos bancários fornecidos, destacamse as transferências de valores entre empresas do grupo. Relativamente à essas transferências, constatamos, por força do termo de intimação n° 06/2007 lavrado em 27.09.2007 (fls...), trataremse de mútuos entre empresas coligadas. De acordo com os contratos de mútuo apresentados (fls. a ), sobre o saldo devedor incidem juros de 1% ao mês. Estes juros cobrados sobre os valores contratados no mútuo, caracterizam receita financeira, que verificamos não terem sido submetidas à tributação. Em 01.10.2007 intimamos o contribuinte, através do Termo de Intimação 07, a esclarecer a forma como foram contabilizadas as receitas provenientes dos referidos contratos (fls. ), porém não houve resposta, o que motivou lavratura do Termo de Intimação n° 08 em 08.10.2007. Mais uma vez, o contribuinte não se manifestou. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.002553/200757 Acórdão n.º 140200.463 S1C4T2 Fl. 0 4 Da tabela abaixo constam os valores dos juros calculados à razão de 1% ao mês sobre os saldos devedores, com base no demonstrativo apresentado pelo contribuinte (fls. a ), os quais devem ser lançados como receitas financeiras omitidas: (...) Cientificada da exigência em 22/11/2007, em 19/12/2007, a contribuinte postou a impugnação de fls. 173/192, na qual contesta o lançamento, invocando, preliminarmente, a tese de decadência do direito de a Fazenda Pública proceder à constituição do crédito tributário, relativamente ao período anterior a 23 de novembro de 2002, de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, e da respectiva tributação reflexa. Diz a autuada, em resumo, que as exigências consignadas nos autos de infração objeto do presente, por se tratarem de tributos sujeitos a lançamento por homologação nos termos do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional, à data da ciência dos autos de infração, 22/11/2007 (fl.30), estariam decaídos. Tais créditos tributários, lançados em 22/11/2007, cujos fatos geradores ocorreram até 22/11/2002, teriam sido atingidos pela decadência, em razão do transcurso do prazo de cinco anos contados entre a materialização da hipótese de incidência e a sua constituição pelo lançamento de ofício. Ademais, acerca da matéria de fato e direito, alega a autuada que independente de ter argüido o instituto da decadência, os autos de infração são desprovidos de sustentação, uma vez que defende a inocorrência dos fatos geradores. Para justificar tal entendimento, tomandose por base o imposto de renda da pessoa jurídica, a contribuinte alega que a simples existência de depósitos bancários, por si só, não representa aquisição de disponibilidade econômica, sendo tais depósitos, pertencentes a categoria de operação financeira. Desta feita, conclui a autuada que a simples existência de depósitos bancários, não atende a condição para servir como base de conclusão de que houve omissão de receita. Em sendo assim, se não houve omissão de receita, não ocorreu o fato gerador que enseje o lançamento. Em relação à omissão de receitas financeiras, a autuada alega que os juros incidentes sobre o saldo devedor dos contratos de mútuo apresentados à fiscalização não foram cobrados, pelo que não poderia haver tributação sobre eles. Em seguida, solicita a autuada que seja dispensado o mesmo procedimento adotado no julgamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para o julgamento da tributação reflexa (da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS, da Contribuição para Financiamento de Seguridade Social – COFINS), devido à relação de causa e efeito a que se vinculam os lançamentos reflexivos, na parte que não sejam específicos de cada contribuição. Por fim, alega a autuada que a taxa Selic não pode ser aplicada, mesmo que fossem devidos os créditos tributários lançados no presente feito, por não ter sido criada com esse propósito. A decisão recorrida está assim ementada: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de IRPJ apurado na modalidade de lucro real trimestral e existindo o recolhimento do imposto apurado, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário se Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.002553/200757 Acórdão n.º 140200.463 S1C4T2 Fl. 0 5 extingue no prazo de cinco anos, contado do último dia do trimestre respectivo, data em que se aperfeiçoa o fato gerador da obrigação tributária. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITA FINANCEIRA. TRANSFERÊNCIA DE VALORES ENTRE EMPRESAS. COBRANÇA DE JUROS SOBRE SALDO DEVEDOR CONSIGNADA NOS CONTRATOS DE MÚTUO APRESENTADOS. É legítima a exigência de ofício dos tributos incidentes sobre as receitas financeiras não submetidas à tributação, decorrentes de transferências de valores entre empresas, identificadas em registros bancários, e informadas à fiscalização como oriundas de contratos de mútuo apresentados, nos quais esteja consignada a cobrança de juros sobre o saldo devedor. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (Lei nº 5.172, de 1966), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS CSLL. PIS. COFINS. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do lapso decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4º, nos mesmos moldes do imposto de renda pessoa jurídica. JUROS DE MORA SELIC. A aplicação de juros com base na taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastála. Lançamento Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte não apresentou recurso voluntário, tendo informado que quitou o credito tributário remanescente (fl.246). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso de oficio preenche os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. As importâncias exonerados ultrapassam o limite de alçada atual das DRJ que é de R$ 1.000.000,00. Conforme relatado a decisão de 1a. instância exonerou parte das exigências do IRPJ/CSLL/PIS e confis tendo em vista que a ciência do lançamento ocorreu após o prazo Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.002553/200757 Acórdão n.º 140200.463 S1C4T2 Fl. 0 6 de 5 anos, contados do fato gerador, considerando que contribuinte realizou pagamentos espontâneos dentro do vencimento. Correta pois a aplicação do art. 150 parágrafo 4o. do CTN, nesse sentido vem decindo o Superior Tribunal de JustiçaSTJ, cite como exemplo o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.002553/200757 Acórdão n.º 140200.463 S1C4T2 Fl. 0 7 Vejamos a fundamentação do voto condutor recorrido no que tange a contagem do prazo decadencial A cópia da declaração de rendimentos DIPJ/2003, anocalendário 2002, às fls. 05/31verso, demonstra que a tributação do lucro real foi trimestral, com apuração de imposto e contribuições a pagar nos quatro trimestres. Sendo assim, são objeto deste feito os fatos geradores do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL apurados ocorridos em 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002 e 31/12/2002. Para a Contribuição para o PIS cumulativa, são objeto deste feito os fatos geradores da contribuição apurados ocorridos em 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002. Em relação a Contribuição para o PIS nãocumulativa, são objeto deste feito os fatos geradores da contribuição apurados ocorridos em 31/12/2002. No caso da Contribuição para Financiamento de Seguridade Social – COFINS, são objeto deste feito os fatos geradores da contribuição apurados ocorridos em 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, e 31/12/2002. Havendo o pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tal exigência se insere no rol dos tributos lançados por homologação. Tal sistemática, como se sabe, encontrase regulada no Código Tributário Nacional — CTN, art. 150, § 4º, que é taxativo no sentido de fixar o prazo de 5 (cinco) anos para o exame da autoridade administrativa, com vistas à homologação ali referida, com ressalva prévia de seu caput: “se a lei não fixar prazo à homologação”. O mesmo se dá para a tributação reflexa, ou seja, vigora o prazo de 5 (cinco) anos, para a efetivação do lançamento, por parte do Fisco, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. O relatório de fls. 211/212, extraído do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, que controla a arrecadação federal, comprova que a contribuinte efetivou os recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, informados na declaração de imposto de renda pessoa jurídica, ou seja, efetuou as antecipações necessárias à aplicação do disposto artigo 150, § 4º, do CTN . A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 22/11/2007 (fls. 138, 148, 156 e 164), portanto, quando já havia exaurido o prazo qüinqüenal decadencial, à luz do dispositivo legal invocado, para os fatos geradores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS ocorridos anteriores a 22/11/2002. Nessas condições, os lançamentos de IRPJ e CSLL constantes dos autos de infração, referentes aos fatos geradores dos 1º, 2º e 3º trimestres do anocalendário 2002, devem ser cancelados, porque decaído o direito de o Fisco promover a sua efetivação. Na mesma toda, os lançamentos da Contribuição para o PIS, e da Contribuição para Financiamento de Seguridade Social – COFINS constantes dos autos de infração, referentes fatos geradores ocorridos anteriores a 22/11/2002, do Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.002553/200757 Acórdão n.º 140200.463 S1C4T2 Fl. 0 8 anocalendário 2002, devem ser cancelados, porque decaído o direito de o Fisco promover a sua efetivação. Portanto são devidos os lançamentos de IRPJ e CSLL para os fatos geradores ocorridos em 31/12/2002. Da mesma forma, estão também mantidos os lançamentos da Contribuição para o PIS, e da Contribuição para Financiamento de Seguridade Social – COFINS para os fatos geradores de 30/11/2002 e 31/12/2002. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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