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Numero do processo: 11516.722628/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 01/03/2012
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Para que seja realizada a compensação pelo contribuinte, devem estar evidenciadas a liquidez e a certeza dos créditos tributários, nos termos do art. 170 do CTN.
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. OBRIGATORIEDADE.
Ao deixar de cumprir as solicitações feitas pela autoridade fiscal, há infringência ao art. 4º, inciso IV, da Lei nº 9.784/99.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MULTA. CARÁTER NÃO CONFISCATÓRIO. SÚMULA 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.835
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Para que seja realizada a compensação pelo contribuinte, devem estar evidenciadas a liquidez e a certeza dos créditos tributários, nos termos do art. 170 do CTN. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. OBRIGATORIEDADE. Ao deixar de cumprir as solicitações feitas pela autoridade fiscal, há infringência ao art. 4º, inciso IV, da Lei nº 9.784/99. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MULTA. CARÁTER NÃO CONFISCATÓRIO. SÚMULA 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 26 28 /2 01 2- 18 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 11516.722628/201218 Acórdão n.º 2402004.835 S2C4T2 Fl. 252 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 11516.722628/201218 Acórdão n.º 2402004.835 S2C4T2 Fl. 253 3 Relatório 1. Os autos retornam de diligência solicitada por este relator. Desse modo, trago o relatório produzido na assentada anterior. “1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE BALNEÁRIO ARROIO DO SILVA, em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve os créditos tributários. 2. A autuação se refere à glosa de contribuições compensadas indevidamente realizadas em GFIP, nos meses de 02/2009, 10/2010, 11/2010, 13º/2010 e 11/2011, ao descumprimento de obrigação acessória em razão da não apresentação da documentação solicitada relativa à ação judicial promovida pelo Município da RFB, e a diferença de contribuição por ter declarado em GFIP o FAP ajustado com taxa inferior à devida e consequentemente em recolhimento a menor da Contribuição GILRAT. 3. O contribuinte foi cientificado da constituição do credito tributário e, por não se conformar, apresentou impugnações de fls.125/171 e 175/180. 4. O acórdão de primeira instância, que julgou as impugnações apresentadas pelo contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 01/03/2012 AUXÍLIO DOENÇA. PRIMEIROS 15 DIAS DE AFASTAMENTO. RISCO NÃO COBERTO PELO REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Incorre em uma técnica quem denomina de auxílio doença os quinze primeiros dias de afastamento do trabalhador por incapacidade laboral. O direito ao auxíliodoença se inicia a partir do décimo sexto dia. O pagamento da primeira quinzena de afastamento tem natureza salarial, é um infortúnio não coberto pelo RGPS a ser suportado pelas empresas, que ao assumir os riscos da atividade econômica, deve também suportar uma parcela dos riscos sociais, em consonância com o princípio da solidariedade e da determinação constitucional que a seguridade social será financiada por toda sociedade. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 11516.722628/201218 Acórdão n.º 2402004.835 S2C4T2 Fl. 254 4 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. 1/3 DE FÉRIAS. AVISO PRÉVIO. AÇÕES JUDICIAIS. Para que determinada verba seja excluída do salário de contribuição É necessário que a não incidência esteja contida de forma expressa em uma norma válida ou que o interessado seja beneficiário de sentença judicial transitada em julgado, não servindo para este propósito posicionamentos jurisprudenciais relacionadas a causas de terceiros sem efeito vinculante para a Administração Tributária Federal. JULGADOR ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU DE ILEGALIDADE. LIMITAÇÃO. O julgador administrativo não recebeu autorização de nenhuma norma jurídica brasileira para decidir sobre a constitucionalidade ou não de leis que, eventualmente, fundamentaram a confecção de determinado lançamento tributário. Pelo contrário, a opção do sistema jurídico pátrio foi pela unicidade da jurisdição, portanto, é vedado ao julgador administrativo negar vigência a determinado dispositivo normativo sob a alegação de ilegalidade ou de inconstitucionalidade. Esta atribuição foi reservada ao poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. Intimado da decisão da instância a quo, em 10/10/2013, conforme se faz aviso de recebimento da ECT de fls.204, o Recorrente interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 206/235, alegando em síntese, que: a) Em relação à “multa por utilização indevida de créditos” o recorrente requer que “seja revisto o lançamento e o Auto de Infração, com a anulação do mesmo da referida parte, considerando todas as informações ora trazidas e, por conseguinte, sejam também anuladas as multas correspondentes”; b) Defende o recorrente que não incidência de contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado: alegando que se trata de uma indenização que uma parte deve pagar pelo rompimento imediato do vinculo, sem que a outra tenha prazo razoável para se restabelecer; c) Aduz o interessado que o Auto de Infração nº 51.004.3119 não pode prosperar, pois o Município “informou o número da ação e consignou como era possível fazer a busca do processo atualizada, diretamente do site do Tribunal Regional Federal da 4ª Região”. Ademais, continua o impugnante, o Auditor Fiscal poderia ter diligenciado junto à Procuradoria da Fazenda Fl. 254DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 11516.722628/201218 Acórdão n.º 2402004.835 S2C4T2 Fl. 255 5 Nacional para obter informações sobre o caso já que a parte contrária é a própria União; d) e por fim, salienta a “ilegalidade da ausência de informação da posição da empresa nos outros quesitos analisados em comparação com as demais empresas da mesma subclasse da CNAE” e do caráter punitivo do tributo em contrariedade do conceito estampado no art. 3º do Código Tributário Nacional: “O FAP incidente sobre o RAT tem o objetivo de beneficiar os contribuintes que investem em saúde e segurança do trabalho e punir aqueles que não apresentam bons resultados nesta área”. 6. Ao final, requer que seja reformada a decisão proferida pela DRJ, para dar integral provimento a presente impugnação cancelando assim o débito fiscal. 7. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho." 2. Os autos foram levados a julgamento, tendo o Colegiado decidido por converter o julgamento em diligência para que o contribuinte trouxesse aos autos cópia da ação judicial em trâmite. Em resposta à Resolução n° 2803000.250 (fls.238/241), cabe informar que, mesmo intimado, conforme AR de fls. 244, o contribuinte não se manifestou. Por esta razão, a Equipe de Ações Judiciais da DRF apensou a este processo os autos do processo nº 11516.004473/200777, que acompanha a ação judicial nº 2007.72.00.016052. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 11516.722628/201218 Acórdão n.º 2402004.835 S2C4T2 Fl. 256 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. 1. Considerando que em assentada anterior já foi feita a análise dos requisitos de admissibilidade, passo ao mérito do recurso. DA COMPENSAÇÃO EFETUADA PELA RECORRENTE DEBCAD 51.034.1284 2. A recorrente foi autuada por ter realizado compensações de contribuições previdenciárias em GFIP a título de 1/3 de férias, auxíliodoença e aviso prévio, sem a competente decisão judicial que permitisse a compensação. Intimada a apresentar os documentos comprobatórios do direito compensatório que alegava ter, a recorrente em momento algum assim procedeu, sob a alegação de que o auditorfiscal poderia ter diligenciado para obter informações sobre o caso, já que a parte contrária é a própria União. 3. Como resultado da fiscalização, foram lavrados três DEBCAD’s em desfavor do contribuinte: a) DEBCAD 51.034.1284: Relativo à glosa de contribuições compensadas indevidamente realizadas em GFIP nos meses 02/2009, 10/2010, 11/2010, 13º/2010 e 11/2011. b) DEBCAD 51.004.3119: Pelo descumprimento de obrigação acessória em razão da não apresentação da documentação solicitada relativas à ação judicial promovida pelo Município em face da RFB; e c) DEBCAD 51.004.3054: Em razão da diferença de contribuição por ter declarado em GFIP o FAP ajustado com taxa inferior à devida e consequentemente um recolhimento a menor da Contribuição GILRAT. 4. A recorrente alegou que o procedimento amoldase à Súmula CARF nº 1, diante da existência de concomitância entre a esfera administrativa e a judicial. 5. Para elucidar os fatos, os autos foram baixados em diligência para que fosse juntada ação judicial porventura existente que autorizasse a compensação. Em resposta, foram apensados a este processo os autos de nº 11516.004473/200777, que acompanha a ação judicial nº 2007.72.00.016052. 6. Da análise dessa ação judicial, verificase que a mesma se refere às compensações das contribuições dos agentes políticos, tratadas no processo nº 11516.722629/201262, já julgado por este Conselho, no qual decidiuse negar provimento ao recurso do contribuinte. 7. Desse modo, não há que se falar em concomitância entre o processo em via judicial citado pelo recorrente e a presente demanda em via administrativa, não devendo ser aplicada ao caso a Súmula CARF nº 1. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 11516.722628/201218 Acórdão n.º 2402004.835 S2C4T2 Fl. 257 7 8. Quanto à natureza jurídica das verbas utilizadas para efetuar a compensação, teço as seguintes considerações. 9. Auxíliodoença: Quanto à contribuição previdenciária sobre a remuneração paga durante os quinze primeiros dias do auxíliodoença, entendo tratarse de verba não salarial, incidindo assim a regra de isenção do art. 28, § 9º, alínea “a”, 1ª parte, da Lei 8.212/91. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firmado sobre a não incidência tributária, uma vez que tal verba não tem natureza salarial, conforme se depreende do seguinte julgado, v.g.: “2. A jurisprudência desta Corte firmou entendimento no sentido de que não incide a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pelo empregador ao empregado, durante os primeiros dias do auxíliodoença, uma vez que tal verba não tem natureza salarial. Inúmeros precedentes. 3. Primeiro recurso especial não conhecido. Segundo recurso especial não provido”. [g.n.] (REsp 793796/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/05/2008, DJe 26/05/2008). 10. 1/3 de férias: Em relação ao terço adicional de férias, essa verba tem natureza compensatória, pois é um reforço financeiro para que o trabalhador possa usufruir de forma plena o direito constitucional do descanso remunerado. Nos termos do art. 201, § 11, da CF, somente as parcelas incorporáveis ao salário para fins de aposentadoria sofrem incidência da contribuição previdenciária. Em novembro de 2009, o STJ resolveu adequar a sua jurisprudência ao entendimento firmado pelo STF para declarar que a contribuição previdenciária não incide sobre o terço de férias. A decisão nos Embargos de Divergência 956.289 serviu para se adequar ao entendimento da Corte Suprema, concluindo pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 11. Aviso prévio indenizado: Na contramão do entendimento posto no acórdão recorrido, que se ampara na tese de que o art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91 deve ser analisado de forma restritiva, a doutrina e a jurisprudência albergam o entendimento majoritário de que o aviso prévio indenizado tem natureza jurídica indenizatória e não salarial. O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerálo pelo tempo que ficou à disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que, nos autos do REsp 1.230.957, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, decidiu afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre tal rubrica. A decisão supramencionada foi proferida em sede de Recurso Repetitivo, sob a sistemática do art. 543 C, do CPC, o que enseja, nos termos do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, a sua reprodução obrigatória. 12. Contudo, apesar de considerar indevida a incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas em questão, entendo que não assiste razão ao contribuinte, pelas razões abaixo transcritas. 13. A compensação encontra previsão em diversos dispositivos legais, dos quais ressalto os seguintes: Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 257DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 11516.722628/201218 Acórdão n.º 2402004.835 S2C4T2 Fl. 258 8 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Lei nº 8.383/91: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Código Tributário Nacional – CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 14. A compensação de contribuições previdenciárias, por sua vez, encontra previsão no art. 89 da Lei nº 8.212/91. 15. Da análise dos dispositivos em comento, verificase que, para que seja realizada a compensação pelo contribuinte, devem estar evidenciadas a liquidez e a certeza dos créditos tributários. 16. In casu, verificase que, no momento em que o contribuinte realizou a compensação, os créditos tributários pleiteados não eram líquidos e certos, visto que não havia qualquer decisão judicial ou lei que autorizasse a realização do procedimento pelo contribuinte. 17. A recorrente, baseandose apenas no entendimento esposado pelo Judiciário quanto a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas, realizou, à margem de qualquer autorização legal, as compensações, que foram, acertadamente, consideradas indevidas pela fiscalização. 18. Assim, embora entenda que as verbas não devem estar sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias, entendo que o contribuinte não realizou as compensações da maneira devida, diante da ausência de permissivo legal para o procedimento adotado pelo sujeito passivo. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 11516.722628/201218 Acórdão n.º 2402004.835 S2C4T2 Fl. 259 9 19. Por esta razão, não assiste razão ao contribuinte, estando correto o lançamento fiscal. DO DEVER DE APRESENTAR DOCUMENTOS DEBCAD 51.004.3119 20. Em relação ao objeto do DEBCAD n° 51.004.3119, mantenho o entendimento apresentado no acórdão do tribunal a quo. Isso porque não há nos autos a prova das protocolizações tempestivas das respostas a todas as solicitações contidas nas intimações fiscais. O próprio recorrente deixa claro seu posicionamento sobre a desnecessidade de fornecer as informações pedidas, informando apenas o número da ação para que o AuditorFiscal fizesse a busca, e que este poderia ter diligenciado junto à Procuradoria da Fazenda Nacional para obter as informações, já que a parte contrária é a própria União. 21. Ademais, este Conselho editou resolução determinando que o contribuinte apresentasse a referida ação judicial, o que também não foi feito, mesmo com a comprovação nos autos de que foi devidamente intimado para tanto. 22. Por essa razão, entendo que não assiste razão o posicionamento do recorrente, pois não há como se considerar atendida uma intimação fiscal com sugestões à fiscalização de novas diligências fiscais, uma vez que as informações estavam ao alcance do interessado. 23. Ao deixar de cumprir as solicitações feitas pela autoridade fiscal e por este Conselho, a recorrente infringiu o disposto no art. 4º, inciso IV, da Lei nº 9.784/99, que assim dispõe: Art. 4o São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. 24. Nesse mesmo sentido, a Lei nº 8.212/91, em seu art. 33, §§ 2º e 3º, e o Regulamento da Previdência Social, em seu art. 233, dispõem sobre a obrigatoriedade de apresentação dos documentos solicitados e a aplicação de penalidade em razão do descumprimento: Lei nº 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. [...]. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 11516.722628/201218 Acórdão n.º 2402004.835 S2C4T2 Fl. 260 10 § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Regulamento da Previdência Social – RPS Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. 25. A partir dessas considerações, resta claro que a recorrente tinha o dever de apresentar os documentos solicitados, o qual não foi cumprido, cabendo a ele o ônus da prova em contrário. 26. Desse modo, correta a decisão da primeira instância, que entendeu devida a aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DEBCAD 51.004.3054 27. Embora a recorrente tenha abordado, no recurso voluntário, apenas de maneira genérica as razões pelas quais entende que o DEBCAD 51.004.3054 não merece prosperar, analiso a questão, por ter sido expressamente impugnada. 28. A recorrente sustenta a “ilegalidade da ausência de informação da posição da empresa nos outros quesitos analisados em comparação com as demais empresas da mesma subclasse do CNAE” e do caráter punitivo do tributo em contrariedade do conceito estampado no art. 3º do CTN: “O FAP incidente sobre o RAT tem o objetivo de beneficiar os contribuintes que investem em saúde e segurança do trabalho e punir aqueles que não apresentam bons resultados nesta área”. Conclui aduzindo que deve ser reconhecida a inconstitucionalidade de forma que seja suspensa a exigibilidade do FAP sobre o RAT. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 11516.722628/201218 Acórdão n.º 2402004.835 S2C4T2 Fl. 261 11 29. Sobre a questão, esclareço que esses argumentos trazidos pela recorrente não são passíveis de análise na esfera administrativa, visto que o Decreto nº 70.235, de 1972, o qual regula o Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 26A, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, veda expressamente essa análise: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 30. Ademais, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF já se manifestou sobre a questão por meio da seguinte súmula: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." 31. Portanto, afasto os argumentos trazidos pela recorrente, negando provimento ao recurso nesse ponto. DA MULTA APLICADA 32. Conforme aduzido acima, a recorrente, ao descumprir obrigação acessória, está sujeita à penalidade prevista em lei, corretamente aplicada pela autoridade fiscal. 33. Contudo, não se conformando com a penalidade aplicada, a recorrente sustenta o seu caráter confiscatório. Porém, esta alegação não deve prosperar, pois o caráter confiscatório da multa somente resta configurado quando o valor agredir violentamente o patrimônio do contribuinte, o que não ocorre na hipótese analisada. 34. Ademais, reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que, conforme demonstrado acima, é vedado a esse Conselho, salvo quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único, do seu Regimento Interno, quais sejam: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) Dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 11516.722628/201218 Acórdão n.º 2402004.835 S2C4T2 Fl. 262 12 35. Desse modo, afasto os argumentos da recorrente nesse ponto, mantendo a penalidade aplicada. CONCLUSÃO 36. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos acima delineados. É como voto. Natanael Vieira dos Santos Fl. 262DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
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Numero do processo: 10320.900659/2008-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBSCURIDADE OU OMISSÃO.
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso.
A Turma de julgamento efetivamente apreciou as questões pertinentes para o deslinde da questão e expressamente manifestou sua posição acerca da matéria, lastreada na legislação e em documentos acostados aos autos.
Embargos de Declaração Rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto do Relator que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dra. Joselene Poliszezuk, OAB/SP nº. 182.338.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBSCURIDADE OU OMISSÃO. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso. A Turma de julgamento efetivamente apreciou as questões pertinentes para o deslinde da questão e expressamente manifestou sua posição acerca da matéria, lastreada na legislação e em documentos acostados aos autos. Embargos de Declaração Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto do Relator que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 06 59 /2 00 8- 64 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Declarouse impedida de votar a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dra. Joselene Poliszezuk, OAB/SP nº. 182.338. Relatório Tratase de Embargos declaratórios, tempestivamente opostos por BRASIL KIRIN BEBIDAS LTDA., nova denominação social de COMPANHIA DE BEBIDAS BRASIL KIRIN, anteriormente denominada COMPANHIA DE BEBIDAS PRIMO SCHINCARIOL, com fundamento no art. 65, Anexo II, do RICARF, em face do Acórdão nº 3802004.101, de 25/02/2015 (fls. 104/107), prolatado pela extinta 2ª Turma Especial, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. CONTENCIOSO NÃO INSTAURADO. O prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias em conformidade com o disposto pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, constatado o decurso do prazo, impõe o não conhecimento. Não instaura o contencioso a apresentação de recurso posteriormente ao prazo de 30 dias prescrito pelo caput do artigo 15 do Decreto no 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Alega a Embargante que, apesar de expressamente suscitada nas razões recursais, os julgadores incorreram em obscuridade e omissão contidas no Acórdão embargado, requerendo que se digne em conhecer e prover os presentes Embargos de Declaração, a fim de sanálas e que, por intermédio dos efeitos infringentes, conheçam o recurso voluntário e, analisando seu mérito, reformem o Acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, para homologar integralmente a DComp nº 16399.20730.151204.1.3.04.5750. As alegações da Embargante, foram, desta forma formuladas: a) De acordo com o acórdão embargado, a interposição do recurso voluntário em 28/11/12 pela embargante estaria intempestiva, eis que o prazo de 30 dias teria esgotado em 27/11/12, visto que a embargante tomou ciência do acórdão recorrido em 26/10/12. b) Ocorre, no entanto, que, ao contrário do defendido no acórdão embargado, a embargante tomou ciência do acórdão recorrido em 29/10/12, conforme comprova extrato do rastreamento do objeto de nº RQ212641126BR obtido junto aos Correios (DOC. Nº 3), que confere com o nº de objeto contido no AR de fls. 61/62 e no envelope –com o acórdão recorrido – recebido pela embargante (DOC. Nº 3). Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10320.900659/200864 Acórdão n.º 3402002.803 S3C4T2 Fl. 182 3 c) Diante dos documentos trazidos aos autos, constatase que houve equivoco quanto à data informada no AR de fls. 61/62 como sendo aquela em que a embargante tomou ciência do acórdão recorrido. e) Portanto, totalmente tempestivo o presente recurso voluntário, tendo em vista que o início do prazo se deu em 30/10/12, sendo seu término em 28/11/12, data em que a embargante interpôs o presente recurso voluntário. f) Daí a omissão e a obscuridade contidas no acórdão recorrido, quando afirma ser intempestivo o presente recurso, por ter sido apresentado em 28/11/12. Repisando, ao final, requer o conhecimento e o provimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma expressamente se manifeste sobre a omissão e a obscuridade alegada no Acórdão embargado. Esse seria, portanto, em breve relatório, o motivo dos presentes aclaratórios solicitados. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator Assim, com esteio em alegada omissão e a obscuridade, passo à análise do mérito dos embargos. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente desta Turma Ordinária (fl. 180), na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento deste Colegiado. A ciência do Acórdão embargado ocorreu em 09/06/2015 (fl. 115/116), tendo a oposição dos embargos ocorrido em 15/06/2015 (fl. 118), uma segunda feira. Tratase, assim, de Embargos declaratórios opostos tempestivamente e que atendem aos demais pressupostos para o seu cabimento. Como já dito, em seus argumentos a Embargante alega conter omissão e obscuridade em pontos do Acórdão, explicitando as razões pela qual entende que tais pontos devem ser aclarados e o Recurso Voluntário conhecido e dado provimento. Para tanto, objetivando melhor esclarecer os fatos, destacamos os excertos do Acórdão embargado que versaram sobre o tema em comento (fl. 111): "(...) Examinandose os autos, constatase que a ciência do Acórdão recorrido se deu em uma sexta feira, 26/10/2012 (fl. 65 – despacho da Unidade preparadora e fl. 66, cópia do AR). Assim, contase o prazo, prorrogado, a partir de segunda feira, 29 de outubro, 30 (trinta) dias. Portanto, o prazo findo para apresentação do recurso ocorreu em 27 de novembro de 2012. Porém, a petição de recurso voluntário só foi apresentada em 28/11/2012, quarta feira (conforme carimbo de protocolo às fls. 70), portanto, posteriormente ao prazo de 30 dias de que dispõe Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 o sujeito passivo para formalizar sua contestação, tanto na primeira quanto na segunda instância de julgamento, nos termos dos artigos 15 e 33 do Decreto n° 70.235/72 ( ...). Embora entendo que esteja clara a conclusão, acolhese os presentes embargos para melhor explicitar os motivos que conduziram o voto a concluir pelo não conhecimento do recurso voluntário. O cerne da questão, se dá com a divergência apontada pela Recorrente, quanto a data da ciência no AR (Aviso de Recebimentos dos Correrios) do Acórdão proferido pela DRJ em Fortaleza (CE) e a conseqüente intempestividade do seu Recurso Voluntário. Em seus Embargos aduz que, "(...) ao contrário do defendido no acórdão embargado, a embargante tomou ciência do acórdão recorrido em 29/10/12, conforme comprova extrato do rastreamento do objeto de nº RQ212641126BR obtido junto aos Correios (DOC. Nº 3), que confere com o nº de objeto contido no AR de fls. 61/62 e no envelope – com o acórdão recorrido – recebido pela embargante". Verificase que o documento em referência, anexado aos autos às fls. 172/174, denominado SRO Rastreamento de Objetos (fl. 174), tratase de um extrato/consulta do sistema dos Correios, em que aparecem três datas, quais sejam: 24/10/2012 (Postado); 26/10/2012 (Aguardando retirada) e 29/10/2012 (Entregue). No próprio documento, observase que encontrase impresso a seguinte observação (grifouse): "O horário não indica quando a Situação ocorreu, mas sim quando os dados foram recebidos pelo sistema, exceto no caso do SEDEX 10 e SEDEX HOJE em que ele representa o horário real da entrega". Isto pode significar que a data informada pela Embargante, constante do documento (SRO), foi de quando o servidor inseriu tais dados no sistema dos Correios. Por outro lado, encontrase nos autos às fls. 66 e 67, cópia do AR dos Correios, cuja data de postagem foi 24/10/12 (fl. 67) e a data de recebimento (campo próprio), bem como o carimbo datado da agência (carimbo de entrega AC CaxiasMA), no dia 26/10/2012. E mais, observase que no corpo do AR consta o numero deste processo e do Acórdão (0823.277 4ª Turma da DRJ/FOR), contendo além da data do recebimento, assinatura do recebedor, nome legível e o numero do documento de identificação. É cediço que basta o recebimento do AR no endereço do eleito pelo contribuinte para que a ciência da notificação via postal seja oficializada, mesmo que a pessoa quem assinou o recibo da ECT não seja o próprio contribuinte. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a intimação do contribuinte está regulada no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, diploma normativo com força de Lei. Vale ressaltar que são três os meios de intimação consagrados na norma em questão: i) pessoal; ii) por via postal ou similar, desde que se obtenha prova de recebimento da cientificação no domicílio tributário do sujeito passivo e iii) por meio eletrônico. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10320.900659/200864 Acórdão n.º 3402002.803 S3C4T2 Fl. 183 5 Destase a existência de expresso comando legal definidor da inexistência de ordem de preferência entre os expedientes aludidos. Regra expressa do Decreto nº 70.235, de 1972 (art. 23, parágrafo segundo, inciso II), estabelece que no caso de intimação por via postal ou similar considerase feita a intimação na data do recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo, ou, se omitida, 15 (quinze) dias após a data de expedição da intimação. Importa registrar que não descuidou o legislador de definir o que se considera domicílio tributário do sujeito passivo. Essa definição está presente no parágrafo quarto do art. 23, onde consta expressamente: “(...) o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária”. Por fim, vale reproduzir a Súmula CARF nº 9: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Portanto, as alegações da Embargante, acerca de questões processuais, não caracterizam a omissão ou obscuridade do acórdão embargado. A Turma de julgamento efetivamente apreciou as questões pertinentes para o deslinde da questão, e expressamente manifestou sua posição acerca da matéria, lastreada em documentos acostados aos autos. Na omissão ou obscuridade, o vício que enseja a interposição de Embargos de Declaração diz respeito ao esquecimento e à clareza do posicionamento do julgador naquele julgamento. Ou seja, tratase da hipótese de uma decisão que por sua leitura, a parte tem dúvidas a cerca da real posição do julgador, em virtude de uma manifestação confusa, o que não é o caso. A extinta 2ª Turma Especial, ao examinar o recurso voluntário, concluiu que o mesmo foi interposto a destempo, isso é, após o lapso temporal de trinta dias. Portanto, considero salutar a insistência do contribuinte, no entanto, não comungo com o mesmo raciocínio traçado para ultrapassar o obstáculo processual impeditivo do conhecimento do Recurso Voluntário. Enxergo empecilho intransponível pela norma do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Conclusão Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Em face do exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos de declaração, por serem tempestivos e REJEITÁLOS por ausência de omissão e obscuridade a serem sanados. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator De acordo. Diante da argumentação supra, e com fundamento no § 3° do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343, de 09/06/2015), acolho os Embargos, nos termos do relatório e voto, para REJEITÁLOS, mantendose, portanto, o resultado do julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10435.001783/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
INTEMPESTIVIDADE.
Demonstrado nos autos, à luz da regra de contagem dos prazos processuais que a Manifestação de Inconformidade foi intempestivamente apresentada, deixa-se de acolher a preliminar de tempestividade.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-002.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Demonstrado nos autos, à luz da regra de contagem dos prazos processuais que a Manifestação de Inconformidade foi intempestivamente apresentada, deixase de acolher a preliminar de tempestividade. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 17 83 /2 00 8- 58 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto em parte o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta aos 15/07/2013, fls. 155/201, contra o Despacho Decisório de fl. 148, do qual a contribuinte foi cientificada aos 12/06/2013 (fl. 152), que, acatando a proposta contida no Parecer de fls. 144/147, decidiu: (i) REVER DE OFÍCIO o Despacho Decisório DRF/Caruaru/PE nº 462, de 02 de outubro de 2008 (fls. 44/53); de forma a indeferir totalmente o Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI de fl. 03, referente ao 2º trimestre de 2008; (ii) DETERMINAR o cancelamento da homologação das compensações de que tratam as DCOMPs identificadas no item 2 do Parecer de fls. 144/147, uma vez que foram lastreadas em crédito indevido e ainda não decorreram 05 (cinco) anos das datas de entrega de tais declarações de compensação. 2. Menciona o Parecer acima, no qual se fundamentou o Despacho Decisório proferido, que, de acordo com a Informação Fiscal de fls. 135/136 “que reporta ao que foi apurado através da Fiscalização de que trata o Mandado de Procedimento Fiscal nº 04.1.002012000146, foi enviada Representação Fiscal (fls. 133 a 134), contida no Processo Administrativo nº 10480.720472/201311, relatando que foi verificado pela Equipe Regional de Fiscalização que não há valor passível de ressarcimento ou de compensação relativo ao presente processo, referente ao 2º trimestre de 2008”. 3. Expõe que “O Termo de Informação Fiscal de fls. 110 a 132, que passa a ser parte integrante deste Parecer, decorre da fiscalização realizada pela Equipe Regional de Fiscalização da 4ª Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil – 4ª SRRF, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 04.1.002012000146, onde foi constatado que os valores de crédito presumido de IPI considerados foram totalmente absorvidos pelos débitos gerados pelas saídas, não sobrando ao final dos trimestres (...) qualquer valor passível de ressarcimento ou de compensação com débitos de outros tributos/contribuições administrados pela RFB; exceção feita ao 3º trimestre de 2007 e ao 3º trimestre de 2010, em que foram apurados os saldos passíveis de ressarcimento/compensação de R$ 1.485.688,59 e R$ 399.613,57, respectivamente”. 4. Narra, também, que “Relativamente aos pedidos de ressarcimento acima discriminados, foi proposto pela Equipe de Fiscalização da 4ª RF, através de Representação Fiscal (fls.133/134), contida no processo 10480.720.472/201311, à autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caruaru – PE, que o reconhecimento do direito creditório seja limitado aos valores passíveis de ressarcimento/compensação apurados em tal fiscalização (...); servindo o Termo de Fl. 743DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10435.001783/200858 Acórdão n.º 3302002.887 S3C3T2 Fl. 731 3 Informação Fiscal e todos os documentos ali referidos e anexados como lastro aos resultados da auditoria”. (...) Na Manifestação de Inconformidade, a recorrente, inicialmente, assevera que “tomou ciência do Despacho Decisório nº 112, de 27 de maio de 2013, em 18/06/2013. Nos termos dos §§7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é de trinta dias o prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade, contado a partir do recebimento pelo contribuinte” e “Portanto, é tempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada na presente data”. 11. Na seqüência, sustenta que, como o Parecer de fls. 144/147, bem como o Despacho Decisório que o aprovou aos 27/05/2013 e que reviu o Despacho Decisório aqui antes proferido aos 02/10/2008, foram elaborados, única e exclusivamente, em virtude da Informação Fiscal relacionada ao Auto de Infração objeto do processo administrativo nº 10480.720471/201369 (que então aguardava julgamento perante esta Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife), requereu a distribuição por dependência do presente processo administrativo para julgamento concomitante com o da Impugnação apresentada contra a mencionada autuação. Fundamentou a pretensão no art. 47, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e, ainda, no art. 9º, da Portaria MF nº 341, de 12/07/2011. ... Fala que as Declarações de Compensação aqui tratadas, em que foi utilizado o crédito previsto no art. 1º, IX, da Lei nº 9.440/97, foram homologadas pelo Despacho Decisório nº 462/2008, e que, passados mais de quatro anos, a contribuinte foi cientificada de Despacho Decisório que resolveu anular o anteriormente proferido, nisto havendo “grave afronta à legalidade tributária na tentativa de aplicar novo critério jurídico a fatos tributários já julgados e analisados pela Receita Federal do Brasil”, devendo prevalecer o Despacho Decisório inicial. ... Argumenta que a natureza jurídica do ato administrativo de homologação “tornase ainda mais clara em matéria de IPI. Sobre o regime desse tributo, o regulamento do IPI dispõe que o lançamento constitui o crédito tributário a partir da homologação de atos de ‘iniciativa do sujeito passivo’ (pagamento ou compensação), conforme Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10), arts. 181, 183, 268, e Decreto nº 4.544/02 RIPI/02, arts. 122, 124 e 208”. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 17. Ressalta que a atribuição da natureza de “lançamento” ao ato homologatório da compensação é determinante para o exame das hipóteses de sua revisão, que estão taxativamente previstas no art. 149, do CTN, e não caracterizadas nos presentes autos. ... Externa que a doutrina e a jurisprudência entendem que “somente o ‘erro de fato’ autoriza a revisão do lançamento (o que estaria refletido nas hipóteses listadas pelo art. 149 do CTN, incluindo o elemento fraude e dolo, mas excluindo o que é determinante ao caso concreto, o ‘erro de direito’). Esclareçase que ‘o erro de fato situase no conhecimento dos fatos, enquanto simples fatos, independentemente da relevância jurídica que possam ter’. O Superior Tribunal de Justiça entende que somente erro de fato autoriza a revisão do lançamento (afastando o erro de direito)”. 1 ... Pelas razões acima, requereu fosse julgado improcedente tanto o Parecer quanto o Despacho Decisório nº 112/2013, por violação ao comando do art. 149, do CTN, tornandoos sem efeito e restabelecendo o Despacho Decisório inicialmente proferido nos presentes autos. ... Informa que apresentou “Solicitação de Habilitação no Regime Automotivo”, aprovada foi pelo Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo por meio do Parecer SPI/MICT/Nº 2939/97. 30. Comenta que o benefício fiscal enfocado, inicialmente concedido até 31/12/19992, foi estendido até 31/12/2010 pelo Decreto nº 3.893/2001, cujo art. 1º, caput, fixou, para o cálculo do benefício, a alíquota de “7,3% sobre o valor do faturamento decorrente da venda de produtos de fabricação própria”, equivalente ao dobro das contribuições à época devidas pelo regime cumulativo. 31. Externa que, com a instituição do regime nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o Decreto nº 5.710, de 24/02/2006, inseriu no Decreto nº 3.893/2001 o art. 1A. ... E, depois de mencionar que “Como explicitado nestes autos, a estrutura necessária à fabricação do produto incentivado é mantida no Nordeste. No caso da Contribuinte, como já demonstrado à exaustão, não existe produção de baterias pelas filiais 903 (exclusivamente comercial) ou 906 (a quem compete tão somente a injeção de solução eletrolítica e a rotulagem). Todas as baterias vendidas pela Contribuinte foram por ela integralmente fabricadas na planta industrial situada no Nordeste. Quando a bateria se destina à venda no Sul – Sudeste, Fl. 745DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10435.001783/200858 Acórdão n.º 3302002.887 S3C3T2 Fl. 732 5 por questões de logística e qualidade, depois de fabricadas, são remetidas à filial 906 para adição de solução eletrolítica, energização e rotulagem”, afirma que “ainda que se considere que a lei nº 9.440/97 e o Decreto nº 3.893/2001 restringiram o incentivo ao faturamento dos estabelecimentos localizados no Nordeste (interpretação, data vênia, equivocada e contrária ao posicionamento da própria RFB externado através da Solução de Consulta nº 17/2012), deveria ter sido considerada, no lançamento, no mínimo a proporcionalidade do custo na formação do preço de venda”. Finalizando, pugnou a requerente: (i) preliminarmente, a distribuição por dependência, para julgamento concomitante, da Manifestação de Inconformidade ao processo administrativo nº 10480.720471/201369; (ii) seja julgado totalmente improcedente o Despacho Decisório nº 41, de 21/03/2013 e restabelecido o anteriormente proferido nos autos, por não estarem presentes os requisitos para anulação da compensação anteriormente homologada (iii) como pedido sucessivo, que sejam julgados improcedentes o Despacho Decisório acima citado e o Parecer que o embasa. Servidor lotado na SARAC/DRF/CRU/PE da Delegacia de Origem proferiu o Despacho de fl. 496, propondo o “encaminhamento do presente processo ao Secoj/DRJ/Recife/PE, tendo em vista a Manifestação de Inconformidade (fls 151/153, 155/274 e 277/494). Devese ressaltar que, embora alegue tempestividade, o contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 12/jun/2013, enquanto que a Manifestação foi entregue fora do prazo regular de 30 dias, justamente em 15/jul/2013 (conforme fls 151/153 e 155)”, o que foi aprovado pela respectiva Chefia à fl. 498, nos seguintes moldes: “De acordo. À DRJ/RCE/PE tendo em vista que o contribuinte suscitou a tempestividade, nos termos do Ato Declaratório Normativo nº 15, de 12 de julho de 1996”. 60. Este julgador anexou aos presentes autos cópias do Acórdão nº 1144.201, proferido por esta 2ª Turma nos autos do processo administrativo nº 10480.720471/201369 em sessão realizada no dia 11/12/2013. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstram a ementa e parte dispositiva da decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DESPACHO DECISÓRIO NÃOHOMOLOGATÓRIO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO APÓS O PRAZO DE TRINTA DIAS DA CIÊNCIA. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente a preliminar de tempestividade quando o prazo decorrido entre a data de ciência do Despacho Decisório Fl. 746DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 recorrido e a interposição da Manifestação de Inconformidade superou 30 (trinta) dias. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão de primeira instância em 10/02/2014, conforme Aviso de Recebimento de fl. 716, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 543/590 em 12/03/2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada, fl.542, ex vi do art. 3º da Portaria MF nº 527, de 09/11/2010, DOU de 10/11/2010, onde reitera os mesmos argumentos já aduzidos na manifestação de inconformidade, acrescentando a preliminar de tempestividade, nos seguintes termos: de acordo com o acórdão ora recorrido, a data de recebimento da intimação foi 12/06/2013 e não em 18/06/2013 como acreditava a contribuinte; a intimação em questão foi realizada na portaria do parque fabril da contribuinte, localizado na cidade de Belo Jardim/PE. Conforme quadro indicado no item 12, o centro administrativo da contribuinte onde estão localizados os representantes legais da empresa, é localizado na cidade de Jaboatão dos Guararapes/PE, distante centenas de quilômetros do local da intimação. Tal fato é confirmado pela própria procuração acostada aos autos outorgada na cidade de Jaboatão dos Guararapes/PE que comprova ser nessa cidade o domicílio dos representantes da empresa; o endereçamento da intimação para o parque fabril, frisese onde não há nenhum representante legal da empresa, acarretou a ineficácia do controle interno e consequente extrapolação do prazo para apresentação da manifestação de inconformidade; com base nos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, considerando a realidade em que se insere a contribuinte e tendo ultrapassado apenas 3 dias do término deve ser afastada a declaração de intempestividade e conhecidas as razões do Recurso Voluntário; no processo em que se discute matéria tributária prevalece o princípio da verdade material, destacando que a Lei nº 9784, de 1999 apresenta diversas contribuições à flexibilização da rigidez processual, a exemplo dos artigos 36 e 37; não obstante a necessidade do instituto da preclusão para o bom andamento do processo administrativo, sua observância deve ser flexibilizada em benefício da aplicação da justiça, pois obstar a apreciação de defesa intempestiva, em qualquer situação, deixando o administrador de cancelar um ato administrativo notoriamente destituído de legalidade, é um ato desarrozado e desproporcional, sendo em última análise, ilegal. Ao final requer: a) a distribuição por dependência, para julgamento concomitante, nos termos do RICARF ao processo nº 10480.720471/201369, em virtude da intrínseca relação de causa e efeito entre o auto de infração ora impugnado com o Termo de Informação Fiscal decorrente do MPF nº 04.1.002012000146, que gerou o citado Auto de Infração, atualmente pendente de julgamento de Recurso Voluntário; b) que seja julgado totalmente improcedente o Despacho Decisório nº 112/2013, por afronta ao art. 149 do CTN, em virtude de não estarem presentes os requisitos para anulação de compensação anteriormente homologada, devendo ser restabelecidos os efeitos do DESPACHO DECISÓRIO DRF/CARUARU/PE Nº 461, de 02 de outubro de 2008; Fl. 747DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10435.001783/200858 Acórdão n.º 3302002.887 S3C3T2 Fl. 733 7 c) como primeiro pedido eventual, no caso de não ser acatado o pedido anterior em face do propósito do incentivo do Regime Automotivo instituído pela Lei nº 9.440, de 1997, de assegurar a competitividade das empresas incentivadas, e em face da ausência de restrição em contrário, assim como em respeito ao conceito de faturamento e à base de cálculo do incentivo, que sejam julgados totalmente improcedentes o Despacho Decisório nº 112/2013 e Parecer Fiscal S/N (Intimação nº 155/2013), reconhecendose o direito da Contribuinte de calcular, sobre seu faturamento integral no mercado nacional, o incentivo fiscal previsto na Lei nº 9.440, de 1997 e regulamentado pelo Decreto nº 3.893, de 2001 de crédito presumido de IPI correspondente ao dobro de PIS e COFINS; d) como segundo pedido eventual, que sejam julgados totalmente improcedentes o Despacho Decisório nº 112/2013 e Parecer Fiscal S/N (Intimação nº 155/2013), reconhecendose o direito da Contribuinte ao cálculo do crédito presumido de IPI previsto na pela Lei nº 9.440, de 1997 e regulamentado pelo Decreto nº 3.893, de 2001, atendendo à proporcionalidade entre o preço da venda realizada por estabelecimento localizado fora da região Nordeste e o custo incorrido para a produção nos estabelecimentos industriais localizados na região Nordeste, conforme item 67 e seguintes e respectivo anexo 07 da impugnação ao auto de IPI; e) protesta provar o alegado por todos os meios de prova, inclusive por juntada posterior de documentos; f) que a intimação e publicação de todos os atos processuais em nome da contribuinte e de seus advogados; ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO (OAB/PE 14.799), GRACE KAT MEDEIROS DA COSTA NEVES (OAB/PE 26.237) sob pena de nulidade. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Da Arguição Preliminar de Tempestividade Para a análise preliminar a seguir expendida é importante a cognição das disposições normativas vigentes, conforme disposições do Processo Administrativo Fiscal PAF, através do Decreto nº 70.235, de 1972, aplicáveis ao caso em tela: · Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.(grifei). Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 748DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.(grifei). SEÇÃO IV Da Intimação Art. 23. Farseá a intimação: I – (...); II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).........................................................................................” § 2° Considerase feita a intimação: I (omissis); II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) .................................................................................................” § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)............................................................................................... ......” Compulsandose os autos e como já bem demonstrado pela decisão de piso, constatase que o contribuinte em 12/06/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 152 teve ciência do teor do Despacho Decisório nº 112 /2013/DRF/CRU/PE, de 27/mai/2013. Com efeito, estando a intimação do referido Despacho Decisório submetida à regra de contagem disciplinada no § 2º, II do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o momento em que se considera efetuada a intimação por via postal, constatase que a data da ciência do referido Despacho Decisório, fl. 148, ocorreu no dia 12/06/2013 (quarta feira), (data de recebimento do Aviso de Recebimento – AR, fl. 152), cujo conteúdo da INTIMAÇÃO nº 155/2013/DRF/CRU/PE/Sarac e endereço do domicílio tributário do sujeito passivo indicados no citado documento consistem em: “ACUMULADORES MOURA S.A. Rua Diário de Pernambuco, 195, B. Edson Mororó Moura . 55150615 Belo JardimPE (INTIMAÇÃO nº 155/2013/DRF/CRU/PE/Sarac, processo nº 10435.001783/200858 e 10435.003185/200813, Ressarcimento IPI 2º Trim/2008", iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subseqüente, conforme art. 5º, do Decreto nº. 70.235, de 1972, dia 13/06/2013 (sextafeira), tendo como termo final o dia 12/07/2013 (sextafeira), último dia para entrega tempestiva da Manifestação de Inconformidade, peça processual que o tem condão de instaurar o litígio administrativo. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10435.001783/200858 Acórdão n.º 3302002.887 S3C3T2 Fl. 734 9 Ocorre que a apresentação da Manifestação de Inconformidade, fls. 155/274 ocorreu em 15/07/2013 (segundafeira), conforme fls. 155, portanto, no 33º (trigésimo terceiro dia) da data da ciência do Despacho Decisório, fl. 148, logo, após o prazo estabelecido pelo 1artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. À luz das normas acima transcritas, notadamente o artigo 5º que dispõe sobre a forma de contagem dos prazos processuais, verificase que estes, excluído o dia do início, são contínuos, incluindose o dia do vencimento, logo, o 30º (trigésimo) dia, prazo final no presente caso para a entrega de Manifestação de Inconformidade tempestiva, será o último dia da contagem contínua do prazo, independente de ter o mês/meses, objetos da contagem, 29 ou 30 dias. Logo, para fins de contagem do prazo processual em exame, segundo as regras acima dispostas, verificase que a intimação por via postal com data de recebimento, ocorreu em dia útil e efetuada no domicílio do interessado, conforme comprovam os dados de identificação apostos tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, não sendo passível de acolhimento o argumento de que no referido endereço não havia representante legal da empresa sendo também despiciendo a invocação dos artigos 236 e 37 da Lei nº 9784, de 1999, visto que além de não disciplinarem prazos processuais, no caso ora em apreço a norma específica para a contagem do prazo processual é o Decreto nº 70.235, de 1972. Estando expresso na lei de regência da matéria a forma de contagem dos prazos, não há como acolher também o pleito de flexibilização das regras aplicáveis ao caso. Nesse mister, sendo a instauração do litígio, através da Manifestação de Inconformidade tempestiva, pressuposto para julgamento de processos administrativos fiscais, nas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ex vi dos artigos 314, 15 e 25, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, não merece reparos a decisão de piso, visto que caracterizada a intempestividade como escorreitamente demonstrado, não competia ao colegiado a quo 1 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 2 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 3 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 qualquer exame sobre a matéria dos autos, salvo quanto à apreciação da preliminar de tempestividade suscitada na defesa, a teor do 4art. 56, 2º do Decreto nº 7.574, de 2011. Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expostos, o presente Recurso Voluntário é conhecido tão somente quanto a preliminar de tempestividade, para rejeitála, ex vi do que dispõem os artigos 14 e 15 c/c o artigo 25, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. Nesses termos voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 4 § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 13116.721895/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VALE-REFEIÇÃO OU VALE-ALIMENTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO UNICAMENTE POR PARTE DE PESSOA JURÍDICA QUE EXPLORE AS ATIVIDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS admite-se o creditamento no que concerne a dispêndios com vale-refeição e com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003), mas isso exclusivamente por parte de pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Não sendo esse o caso da interessada, dedicada ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários, não há como reconhecer o direito pela mesma pleiteado, por falta de previsão legal.
Recurso do qual se conhece em parte para negar-lhe provimento.
Numero da decisão: 3301-002.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VALE-REFEIÇÃO OU VALE-ALIMENTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO UNICAMENTE POR PARTE DE PESSOA JURÍDICA QUE EXPLORE AS ATIVIDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS admite-se o creditamento no que concerne a dispêndios com vale-refeição e com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003), mas isso exclusivamente por parte de pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Não sendo esse o caso da interessada, dedicada ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários, não há como reconhecer o direito pela mesma pleiteado, por falta de previsão legal. Recurso do qual se conhece em parte para negar-lhe provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARGUMENTOS ADUZIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DE RESSARCIMENTO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO NA FORMA ELETRÔNICA. LEGITIMIDADE. Ressalvadas as exceções previstas na norma que regulamenta o assunto, a exigência de apresentação de pedido de ressarcimento e de restituição por via eletrônica é legítima, e está alicerçada no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VALEREFEIÇÃO OU VALEALIMENTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO UNICAMENTE POR PARTE DE PESSOA JURÍDICA QUE EXPLORE AS ATIVIDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 18 95 /2 01 3- 97 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721895/201397 Acórdão n.º 3301002.732 S3C3T1 Fl. 173 2 No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS admite se o creditamento no que concerne a dispêndios com valerefeição e com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003), mas isso exclusivamente por parte de pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Não sendo esse o caso da interessada, dedicada ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários, não há como reconhecer o direito pela mesma pleiteado, por falta de previsão legal. Recurso do qual se conhece em parte para negarlhe provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Brasília (fls. 138/143 da cópia digitalizada do eprocesso, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, mantendo, consequentemente, o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento que inaugurou o processo. O pleito diz respeito a pedido de ressarcimento de PIS/PASEP em formulário em papel, no valor de R$ 4.055,09, apurado nos anoscalendários de 2008 a 2012. Irresignada com o indeferimento do pedido a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou em síntese: a) que ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins/PIS seguindo o conceito de insumo de acordo com a legislação do imposto de renda, calculado sobre os custos incorridos com alimentação do trabalhador nos termos do art. 369 do RIR (Decreto 3000/1999); Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721895/201397 Acórdão n.º 3301002.732 S3C3T1 Fl. 174 3 b) que a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins sobre valerefeição e valetransporte está prevista literalmente no inciso X do art. 3º da Lei 10.833/2003; c) que teria legítimo direito ao crédito sobre os custos operacionais (e não sobre as atividades administrativas); d) que as instruções normativas que exigem o uso do Programa PER/Dcomp para pedir restituição/ressarcimento são ilegais porque contrariam normas hierarquicamente superiores que nunca condicionaram o direito à utilização da via eletrônica; e, e) que a aplicação da multa de 50% sobre o valor do crédito pleiteado é ilegal, pois os parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996 ofendem e não observam os princípios legais estipulados pela Lei 9.784/1999, que regulam e norteiam o processo administrativo no âmbito da administração pública federal. Requereu, por fim, o reconhecimento do direito aos créditos solicitados e o afastamento da multa de 50%. Não obstante os argumentos aduzidos pela reclamante, a manifestação de inconformidade não foi acolhida pela instância a quo, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. UTILIZAÇÃO DE FORMULÁRIO. CONDIÇÕES. O pedido de ressarcimento, utilizandose de formulário, só pode ser feito observandose as condições estabelecidas nos parágrafos 2º ao 5º do art. 113 da IN RFB nº 1.300/2012. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS NÃOCUMULATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A alimentação do trabalhador não é aplicada ou consumida na prestação de serviços, não podendo ser considerada insumo para fins de creditamento de Cofins. Além disso não há previsão legal para o desconto de crédito incidente sobre esse tipo de despesa (custo). EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA DE LANÇAMENTO VINCULADA E OBRIGATÓRIA. O parágrafo 15 do art. 74 da Lei 9.430/1996 estabelece que será aplicada multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721895/201397 Acórdão n.º 3301002.732 S3C3T1 Fl. 175 4 Cabe ao Poder Judiciário se manifestar sobre a inconstitucionalidade/ ilegalidade das leis e normas, por força do princípio da unidade jurisdicional. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da referida decisão em 1º/10/2014 (fls. 145), a interessada, em 29/10/2014 (fls. 147), apresentou o recurso voluntário de fls. 147/169, onde reitera os argumentos apresentados na primeira instância, reclamando ainda pelo cancelamento da multa isolada em vista da revogação do § 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 656, de 2014. Diante do exposto, requer seja afastada a aplicação da multa de 50% sobre o direito creditório pleiteado, bem como seja considerada válida a utilização dos formulários da IN RFB nº 1.300/2012, afastandose a utilização exclusiva do pedido de ressarcimento via eletrônica. É o relatório. Voto Do conhecimento em parte recurso O recurso é tempestivo e formalizado por parte legítima. Não obstante, só poderá ser conhecido em parte em vista da renúncia parcial à instância administrativa, conforme demonstraremos a seguir. Conforme relatado, diante do indeferimento do pedido de restituição / ressarcimento foi aplicada a multa capitulada no § 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249/10, cuja redação era no seguinte sentido: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. O preceito em tela foi explicitamente revogado pelo artigo 4º, inciso II, da Medida Provisória nº 668, de 30/01/2015. Mas a discussão quanto à legitimidade da multa em questão foi levada ao Poder Judiciário, como informa a PGFN mediante ofício de fls. 135. De fato, nos termos do citado ofício, o sujeito passivo formalizou ação judicial questionando exatamente a exigência da multa em evidência. Aludido processo foi autuado sob o nº 201383.2014.4.01.3502 na 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Anápolis. A formalização de pleito junto ao Poder Judiciário representa renúncia à instância administrativa, não podendo esta se manifestar sobre assunto já demandado na via judicial, em vista do princípio da unidade de jurisdição, previsto no artigo 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Essa questão, inclusive, já está pacificada no âmbito do CARF, cuja Súmula no 1 estabelece o seguinte: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721895/201397 Acórdão n.º 3301002.732 S3C3T1 Fl. 176 5 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Não se pode, pois, conhecer do pedido de exoneração da multa de ofício, em vista da renúncia à presente instância administrativa pela propositura de ação judicial onde o mesmo direito é discutido. Conhecese, portanto, do pleito, exclusivamente quanto à suposta validade do pedido de restituição / ressarcimento em formulário de papel, bem como no que concerne ao direito de creditamento no regime de nãocumulatividade do PIS/Pasep. Do pedido de ressarcimento em dissonância com as normas editadas pela Receita Federal O sujeito passivo alega que a instrução normativa que exige o uso do Programa PER/DCOMP para a solicitação de restituição ou de ressarcimento seria ilegal, uma vez que contrariaria normas hierarquicamente superiores que nunca teriam condicionado o direito à utilização da via eletrônica. Vejamos como a questão é tratada pela instrução normativa RFB nº 1.300, de 2012, questionada pelo sujeito passivo: Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII a esta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [...] Art. 46. A autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41. § 1º Também será considerada não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para declarar a compensação. [...] Art. 111. Será indeferido sumariamente o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para formular o pedido. [...] Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721895/201397 Acórdão n.º 3301002.732 S3C3T1 Fl. 177 6 Art. 113. Ficam aprovados os formulários: I Pedido de Restituição ou Ressarcimento Anexo I; [...] § 2º Os formulários a que se refere o caput poderão ser utilizados pelo sujeito passivo somente nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento, o reembolso ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerido ou declarado eletronicamente à RFB mediante utilização do programa PER/DCOMP. § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação no aludido programa, bem como a existência de falha no programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1425, de 19 de dezembro de 2013) § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à RFB no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no § 1º do art. 46 ou no art. 111. § 5º Aplicase o disposto no § 1º do art. 46 e no art. 111, quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária. § 6º Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. (grifos nossos) Pelo exposto, constatase que a IN RFB nº 1.300, de 2012, de fato, exigia a apresentação do pedido de compensação do sujeito passivo por via eletrônica mediante o uso do programa PER/DCOMP. Como bem ressaltado pelo acórdão recorrido, o pleito da interessada se enquadra dentre aqueles cujo uso do programa PER/DCOMP é obrigatório, razão pela qual a não utilização da via eletrônica, ou seja, a opção pela apresentação de pleito com o uso de formulário, configura, na norma infra legal, hipótese de indeferimento sumário do pedido de compensação (artigo 111 da IN RFB nº 1.300/2012). Diante disso, a recorrente questiona a legalidade da reportada instrução normativa. Segundo entende, a norma em comento contrariaria normas hierarquicamente superiores que nunca condicionaram o direito à utilização da via eletrônica. Não obstante, entendo que a instrução normativa em comento está, sim, devidamente respaldada pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que reproduzo abaixo nas suas partes mais relevantes para o exame da questão: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721895/201397 Acórdão n.º 3301002.732 S3C3T1 Fl. 178 7 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Como se vê, o § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 dá competência à Receita Federal para que a mesma discipline o rito procedimental do pedido de compensação de que trata o preceito em comento, ou seja, todo o artigo 74. Portanto, o legislador ordinário conferiu à administração tributária competência para a definição de condições e de regras destinadas a possibilitar o exame dos pleitos de compensação, de restituição e de ressarcimento, dentre os quais a exigência de apresentação eletrônica da maior parte desses pedidos, sem cuja exigência restaria impossível para o fisco a análise de tão exacerbado número de informações. Diante do exposto, e considerando que as exigências contidas na IN RFB nº 1.300/2012, aqui comentadas, estão alicerçadas pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, correto o entendimento da unidade de origem quando, fundamentada no artigo 111 da citada instrução normativa, indeferiu sumariamente o pedido de restituição / ressarcimento indevidamente apresentado em formulário de papel, já que a questão se subsume à obrigatoriedade de utilização do programa PER/DCOMP. Da inexistência de direito ao creditamento do PIS/Pasep Ainda que o caso não fosse de indeferimento sumário do pedido de restituição / ressarcimento, cumpre destacar, subsidiariamente, que a legislação que trata do regime de nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS não dá direito ao creditamento em que se funda o sujeito passivo. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721895/201397 Acórdão n.º 3301002.732 S3C3T1 Fl. 179 8 A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. A discussão a respeito do alcance do conceito de insumo é acirrada e, de fato, há os que defendem que tal conceito deveria acompanhar a definição de custos e despesas nos termos da legislação do Imposto de Renda, tese encampada pela interessada, mas que entendemos não encontra respaldo legal. Com efeito, para Marco Aurélio Greco1, os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da não cumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS2, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. 1 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 2 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721895/201397 Acórdão n.º 3301002.732 S3C3T1 Fl. 180 9 Afastase, pois, a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade adotado pela legislação do Imposto de Renda. Especificamente no que concerne a valerefeição ou a valealimentação, o artigo 3º, inciso X, restringe a possibilidade de creditamento em relação a aludidas rubricas exclusivamente a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. É o que está explicitado no preceito em comento, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) (grifo nosso) Não é esse, porém, o caso da interessada, que se dedica ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários (conforme seu cadastro junto ao CNPJ). Por conseguinte, e ainda que o pleito não se enquadrasse em hipótese de indeferimento sumário, resta evidente que não haveria como se reconhecer direito ao crédito pleiteado por falta de alicerce legal para tanto. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para conhecer em parte do recurso interposto pelo sujeito passivo, negandolhe, no entanto, provimento. Sala de Sessões, em 25 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10950.002388/2005-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/02/2005
DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL - RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO - AUSÊNCIA DE COM PROVAÇÃO DE CESSAMENTO DA IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET.
Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, torna-se não devida a multa haja vista que com relação à data imposta como limítrofe para a entrega, nada há que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.292
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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materia_s : DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL - RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO - AUSÊNCIA DE COM PROVAÇÃO DE CESSAMENTO DA IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET. Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, torna-se não devida a multa haja vista que com relação à data imposta como limítrofe para a entrega, nada há que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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DRJ-CURITIB A/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL - RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATóRIO EXECUTIVO - AUSÊNCIA DE COM PROVAÇÃO DE CESSAMENTO DA IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET. Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, torna-se não devida a multa haja vista que com relação à data imposta como limítrofe para a entrega, nada há que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Processo n° 10950.002388/2005-11 Acórdão n.° 303-35.292 CC03/CO3 Fls. 29 ANE SE i UDT PRIETO Presidente )?TON LU/ ARTO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Tardsio Campelo Borges. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. • 2 Processo n° 10950.002388/2005-1 I Acórdão n.° 303-35.292 CC03/CO3 Fls. 30 Relatório Trata-se de Auto de Infração constante As fls. 03, referente A multa por entrega fora do prazo de Declarações de Débitos e Créditos Federais — DCTF, referente ao 4° trimestre de 2004, fundamentada no art. 113, § 3° e 160, Lei 5172/66 do CTN, art. 4° e 2° da IN SRF 126/98, combinado com o item I da Portaria MF 118/84, art. 5° do DL n° 2124/84 e art. 7° da MP 16/2001 convertida na Lei 10.426/02. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação As fls. 01/02, na qual alega, em suma, que: a DCTF não foi entregue no prazo estipulado (15/02/2005) por motivo de congestionamento no site da Receita Federal,. foi orientado pela Sra. Alacir Braz, MD chefe CAC/DRF/Mg6 para que continuasse tentando acessar o site e, no caso de não conseguir efetuar a transmissão que entregasse a DCTF no dia seguinte diretamente no balcão da SRF — Maringá; ao levar a DCTF diretamente it SRF, esta não foi recebida, com alegação de não havia instruções para recebê-la; até que no dia 22/02/2005, durante uma palestra no auditório da SRF — Maringá, obteve a orientação que efetuasse a transmissão da DCTF pela internei mesmo fora do prazo e esperasse a notificação da SRF para entra com pedido de impugnação do lançamento da multa. Diante do exposto, requer o acolhimento de suas alegações e cancelamento do lançamento em foco. Instruem os autos os documentos de fls. 03 e 05/13. Encaminhados os autos A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR), esta indeferiu a solicitação As fls. 19/23, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/02/2005 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS - DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeita-se à multa estabelecida na legislação de regência. Lançamento Procedente" Processo n° 10950.002388/2005-11 Acórdão n.° 303-35.292 CC03/CO3 Fls. 31 Ciente da decisão proferida à fl. 26, o contribuinte apresentou tempestivamente o Recurso Voluntário As fls. 27/30, no qual reitera os argumentos já apresentados em sede de impugnação. Trouxe aos autos os documentos de fls. 31/35. Não efetuado arrolamento de Bens e Direitos, para seguimento do Recurso Voluntário, devido ao valor ser inferior a R$ 2.500,00, aplicando-se assim o disposto no parágrafo 7 0 do art.2° da IN SRF 264/02. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 27/02/2008, em um único volume, constando numeração até a fl. 36, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo A Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. o relatório. • • Processo n° 10950.002388/2005-11 Acórdão n.° 303-35.292 CC03/CO3 Fls. 32 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Por conter matéria deste E. Conselho, conheço do Recurso Voluntário, tempestivamente, interposto pelo contribuinte. Quanto ao arrolamento de bens e direitos, consigne-se que este não é mais exigido como condição para seguimento do recurso voluntário, haja vista o que dispõe o Ato Declaratório n° 9, de 05/06/07, com fulcro na Ação Direta de Inconstitucionalidade no 1976 do STF. Ultrapassadas as análises dos requisitos de admissibilidade, passemos ao mérito. Em inúmeras oportunidades já externei meu entendimento acerca da inaplicabilidade de multa minima por atraso na entrega da DCTF, com respaldo na Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Sendo, vejamos: Todo ato realizado segundo um determinado sistema de direito positivo, com o fim de nele se integrar, deve, obrigatoriamente, encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior a esta, que, por sua vez, também deve encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior, e assim por diante, até que se encontre o fundamento de validade na Constituição Federal. Nestes termos, qualquer que seja a norma deve-se confrontá-la com a Constituição Federal, pois não estando com ela compatível, não estará compatível com o sistema. Segundo se verifica, a fonte formal da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, é a Portaria do Ministério da Fazenda n° 118, de 28.06.84, que delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para eliminar ou instituir obrigações acessórias. Já o Ministro da Fazenda foi autorizado a eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, por força do Decreto-lei no 2.124, de 13.06.84. O Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, encontra fundamento de validade na Constituição Federal de 1967, alterada pela Emenda Constitucional n° 01/69, que em seu art. 55, cria a competência para o Presidente da República editar Decretos-Leis, em casos de urgência ou de interesse público relevante, em relação As matérias que disciplina, inclusive a tributária, mas não se refere A delegação de competência ao Ministério da Fazenda para criar obrigações, sejam tributárias ou, não. 5 Afora isto, a antiga Constituição também privilegiava o principio da legalidade e i . da vinculação dos atos administrativos A lei, o que de plano criaria um conflito entre a norma editada no Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984 e a Lei Maior de 1967 (art. 153, §2°). Processo n° 10950.002388/2005-11 Acórdão n.° 303-35.292 CC03/CO3 Fls. 33 Da análise do artigo 97, inciso V, do Código Tributário Nacional, também não resta dúvida que somente à lei é dada autorização para criar deveres e direitos, não escapando regra as obrigações acessórias. Por outro lado, incabível dar ao artigo 100, do mesmo diploma, a conotação de que está aberta a possibilidade de um ato normativo vir a substituir a função da lei, ou por falha da lei cobrir sua lacuna ou vicio. No mais, atos normativos de caráter normativo são assim caracterizados por introduzirem normas atinentes ao "modus operandi" do exercício da função administrativa tributária, tendo força para normatizar a conduta da própria administração em face do contribuinte, e em relação as condutas do contribuinte, servem, tão somente, para explicitar o que fora estabelecido em lei. E nesse contexto que os atos normativos cumprem sua função de complementaridade das leis. Ressalte-se que todo ato administrativo tem por requisito de validade cinco elementos: objeto licito, motivação, finalidade, agente competente e forma prescrita em lei. Ocorre que, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 cumpriu os desígnios orientadores da validade do ato administrativo no concernente aos três primeiros elementos, vez que a exigência de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, com o fim de informar à Secretaria da Fazenda Nacional o montante de tributos devidos e suas respectivas bases de calculo, é de materialidade licita, motivada pela necessidade de a Fazenda ter o controle dos fatos geradores que fazem surgir cada relação jurídica tributária entre o contribuinte e o Fisco, tendo por finalidade o controle do recolhimento dos respectivos tributos. Porém, no que tange ao agente competente, o mesmo não se verifica, uma vez que o Secretário da Receita Federal não tem a competência legiferante, privativa do Poder Legislativo, para criar normas constituidoras de obrigações de caráter pessoal ao contribuinte, cuja cogência é imposta pela cominação de penalidade. Ainda que se admitisse que o Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, fosse o veiculo introdutório para outorgar competência ao Ministério da Fazenda para que criasse deveres instrumentais, o Decreto-lei não poderia autorizar ao Ministério da Fazenda a delegar tal competência, como na realidade não o fez, tendo em vista o principio da indelegabilidade da competência tributária (art. 70 do Código Tributário Nacional) e até mesmo o principio da indelegabilidade dos poderes (art. 2° da CF/88). Assim, se o Ministério da Fazenda não tinha a competência para delegar a competência que recebera com exclusividade do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, a Portaria MF n° 118, de 28/06/1984, extravasou os limites do poder outorgados pelo Decreto- Lei. Quanto 6, forma prescrita em lei, a instituição da obrigação de entrega da DCTF, por instrução normativa, também não cumpre o requisito de validade do ato administrativo, uma vez que tal instituição é reservada à Lei. Somente a Lei pode criar um vinculo relacional entre o Fisco e o contribuinte e a penalidade pelo descumprimento da obrigação fulcral desse vinculo. E tal poder é indelegivel, com o fim de que sejam garantidos o Estado de Direito Democrático e a Segurança Jurídica. 6 Processo n° 10950,002388/2005-11 Acórdão n.° 303-35.292 CC03/CO3 Fls. 34 Ademais, a delegação de competência legiferante introduzida pelo Decreto-Lei no 2.124, de 13.06.1984, não encontra supedâneo jurídico na nova ordem constitucional instaurada pela Constituição Federal de 1988, uma vez que o art. 25 estabelece o seguinte: "Art. 25 — Ficam revogados a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição, sujeito este prazo a prorrogação por lei, todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a: I — ação normativa; II — alocação ou transferencia de recursos de qualquer espécie" (Grifei) Assim, a competência de legislar sobre a matéria pertinente ao sistema tributário é do Congresso Nacional, como determina o art. 48 da Constituição Federal, sendo que a delegação outorgada pelo Decreto-Lei n° 2,124, de 13.06.1984, ato do Poder Executivo auto disciplinado, que ainda que pudesse ter validade na vigência da constituição anterior, perdeu sua vigência 180 dias após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Tendo a norma que dispõe sobre a delegação de competência perdido sua vigência, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, ficou sem fonte material que a sustente e, consequentemente, também perdeu sua vigência em abril de 1989. Quanto à cominação da penalidade estabelecida no próprio texto da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, Anexo II — 1.1 (e, posteriormente, na Instrução Normativa no 73, de 19.12.1996, que a alterou), entendo que os argumentos retro mencionados são plenamente aplicáveis, isto é, a imposição de qualquer tipo de multa só poderá ser prevista em Lei. Desta feita, a ausência de perfeita tipicidade na lei de conduta do contribuinte, implica a carência da ação fiscal e, como tais elementos estão ausentes no presente caso, dai também não ser punível a conduta do agente. Tudo isto para dizer que a Instrução Normativa no 129, de 19.11.1986 não constitui o veiculo próprio a criar, alterar ou extinguir direitos, seja porque não encontra em lei seu fundamento de validade material, seja porque inova o ordenamento jurídico extrapolando sua própria competência. Tal assertiva veio a ser confirmada com a edição da Lei n° 10.426, de 25.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001) que assim dispõe: "Art. 7° 0 sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á as seguintes multas: Processo n° 10950.002388/2005-11 Acórdão n.° 303-35.292 CC03/CO3 Fls. 35 II — de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Did; ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no/3° Com efeito, a adoção da Medida Provisória n° 16, posteriormente convertida na Lei no 10.426/02, determinando sanções para a não apresentação, pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), atesta cab almente a inexistência de legislação válida até a sua edição, uma vez que não haveria lógica em se editar norma, de caráter extraordinário, que simplesmente repetisse a legislação anterior. Ao adotar Medida Provisória, o Poder Executivo Federal reconheceu a necessidade de disciplinar a instituição de deveres instrumentais e penalidades para seu descumprimento, que até então não se encontrava (validamente) regulada pelo direito pátrio. Assim, após a entrada em vigor da Medida Provisória n° 16/2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24.04.2002, surgiu a disciplina válida ou vigente no sistema tributário nacional para o cumprimento do dever acessório de entrega da DCTF, e, consequentemente, para a cominação de sanções para sua não apresentação, vindo a confirmar todo o entendimento exposto com relação à Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Assim, consubstanciada na Lei n° 10.426, de 24.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), a Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005 (a qual revogou a IN SRF n° 532, de 30.03.2005, que alterou a IN SRF n° 482, de 21.12.2004), validamente, estabelece quanto à multa a ser aplicada, que: "Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitar-se-á Its seguintes multas: I — de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3 0,. §3° A multa minima a ser aplicada será de: I — R$200,00 (duzentos reais) tratando-se de pessoa jurídica inativa; II — R$500,00 (quinhentos mats), nos demais casos. Desta forma, como mencionado anteriormente, atos normativos, tal como a vigente Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005, são para explicitar o que fora 8 Processo n° 10950.002388/2005-11 Acórdão n.° 303-35.292 CC03/CO3 Fls. 36 estabelecido em Lei (Lei n° 10.426, de 24.04.2002, conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), cumprindo, nesse contexto, sua função de complementaridade da Lei. Ocorre que, in casu, tem-se situação em que o contribuinte fora impossibilitado de entregar a DCTF do 4° trimestre de 2004 dentro do prazo, em razão de congestionamento de dados no site da Receita Federal. Tanto é que a própria Receita Federal acabou por reconhecer que houve problemas técnicos nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serpro para a recepção e transmissão de declarações, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08/04/2005. Em observância a referido ato, a Receita Federal considerou como entregues em 15/02/2005, as declarações apresentadas até 18/02/2005. A controvérsia, no entanto, se estabeleceu pelo fato do contribuinte ter apresentado a DCTF, relativa ao 40 trimestre de 2004, somente em 28/02/2005, ou seja, após 18/02/2005. Note-se, primeiramente, que a própria Receita Federal reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos de recepção e transmissão de declarações. Outrossim, embora tenha ampliado a data limítrofe de entrega para 18/02/2005, como se tivessem sido entregues em 15/02/2005, não há nada que comprove que, naquela data (18/02/2005), haviam cessado tais problemas. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, visto que comprovada a impossibilidade de transmissão da DCTF, referente ao 4° trimestre de 2004, no prazo. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2008 TON BARTO I - Relator 9 O •
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Numero do processo: 11516.003484/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis, nos termos da Súmula CARF nº 2.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. INCIDÊNCIA DO ART. 59 DA LEI 9.069/1990.
O contribuinte que pratica fraude inconteste que configura crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no ano-calendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado.
Numero da decisão: 3402-002.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Valdete Aparecida Marinheiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro, que votaram por dar provimento parcial para anular o despacho decisório e determinar que a autoridade administrativa apurasse o crédito presumido de IPI. Designado o Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
(assinado digitalmente)
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis, nos termos da Súmula CARF nº 2. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. INCIDÊNCIA DO ART. 59 DA LEI 9.069/1990. O contribuinte que pratica fraude inconteste que configura crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no ano-calendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Valdete Aparecida Marinheiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro, que votaram por dar provimento parcial para anular o despacho decisório e determinar que a autoridade administrativa apurasse o crédito presumido de IPI. Designado o Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora (assinado digitalmente) JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis, nos termos da Súmula CARF nº 2. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. INCIDÊNCIA DO ART. 59 DA LEI 9.069/1990. O contribuinte que pratica fraude inconteste que configura crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no anocalendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Valdete Aparecida Marinheiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro, que votaram por dar provimento parcial para anular o despacho decisório e determinar que a autoridade administrativa apurasse o crédito presumido de IPI. Designado o Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 84 /2 00 9- 00 Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 2 MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora (assinado digitalmente) JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Salvador/BA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Adoto o relatório da decisão recorrida para descrever os fatos que sucederam no processo até a apresentação da manifestação de inconformidade: (...) Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 351/390) apresentada contra Despacho Decisório de efls. 341/342, que indeferiu o direito creditório relativo ao crédito presumido do IPI no valor de R$150.949,45, homologou parcialmente a compensação de créditos de ressarcimento de IPI relativos ao 3º trimestre/2003, transmitida no PER/DCOMP. Às efls. 188/334, foi juntada a cópia do Termo de Verificação FiscalTVF da DRF/Florianópolis, no qual a fiscalização apontou e descreveu supostas infrações que apuradas demonstram três tipos de fraudes contábeis, lá descritas. A Fiscalização esclareceu que: · a verificação fiscal abrangeu em conjunto as quatro empresas do mesmo grupo, coligadas à época, Indústria de Molduras Moldurarte, Indústria de Molduras Catarinense Ltda, Indústria de Molduras H. Effting Ltda, Incomarte Indústria e Comércio de Molduras Ltda, denominadas como “Moldureiras”, tendo a análise relativa aos pedidos de ressarcimento de IPI, constituídos de créditos básicos e presumidos, oriundos da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados pelas empresas, concluído que não fazem, as referidas contribuintes, jus ao crédito presumido haja vista a prática reiterada de fraudes contábeis no pagamento de matériasprimas, nos anos calendários de 2002 e 2006, que desqualificou a escrita contábil quanto ao Documentário Fiscal apresentado; · as empresas tinham como objeto social, à época, a fabricação de molduras para decoração, tendo como matériaprima principal a madeira. Em média, quase metade dos pagamentos efetuados pelas quatro empresas fiscalizadas (Incomarte, Modurarte, H. Effting e Catarinense) na aquisição de madeira foi efetuada por meio “pagamentos antecipados”. A conta Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003484/200900 Acórdão n.º 3402002.729 S3C4T2 Fl. 1.198 3 contábil era utilizada para registrar adiantamentos e devoluções de adiantamentos, “nem sempre com respaldo em registros bancários”; · o crédito presumido baseado na Lei 10.276, de 2001, tendo por base de cálculo os pagamentos antecipados aos fornecedores não foram devidamente demonstrados, pois mostraramse inexatos e inconsistentes, supervalorizando os custos, pagamentos sem causa. Os cheques relativos aos pagamentos foram emitidos em nome das próprias moldureiras, e não em nome dos fornecedores. Segundo o contador da empresa, “esses cheques eram transformados em moeda corrente, para que fossem assim repassados aos fornecedores, ‘em mãos’”; · observaramse casos em que os adiantamentos eram reduzidos, “supostamente pelos mesmo fornecedores adiantados”, a título de “devolução de adiantamentos realizados a maior”, muitas vezes na mesma data do próprio adiantamento. As devoluções, ao contrário dos adiantamentos, seriam efetuadas por transações bancárias e não em moeda corrente, conforme descrição no TVF: Os valores contabilizados são deveras significativos e o que mais chamou a atenção, já numa avaliação inicial, é que mesmo quando ainda existiam valores consideráveis de créditos (adiantamentos) atribuídos a um fornecedor, antes mesmo de se fazer um abatimento desses créditos (com o esperado fornecimento da madeira), constatava se novas transferências a titulo de adiantamento. Tudo isso lançado na contabilidade, mas nem sempre com respaldo nos registros bancários, pois nesses as transações que se tem são outras, especialmente diferentes, conforme se detalhará no decorrer deste Termo. · vários fornecedores nunca entregaram as madeiras compradas e nem devolveram os adiantamentos, equivalentes a milhões de Reais, mas continuavam a receber os tais adiantamentos, inclusive até a data de encerramento da ação fiscal em 2010; · a Fiscalização efetuou diligência em vários fornecedores e os intimou a apresentar os lançamentos contábeis e extratos bancários, tendo obtido resposta de apenas duas empresas: Madeireira Menagali Ltda, que tinha os registros contábeis dos adiantamentos, mas não das devoluções e a Madedino Madeiras Ltda, esta que não tinha registros contábeis. Uma não foi localizada e as demais não atenderam às intimações; · as irregularidades observadas são enquadradas na Lei n° 8.137, de 27/12/1990, art. 1º, inciso II, que levaram a aplicação do art. 59 da Lei 9.069, de 1995, e proposta de glosa do crédito presumido do período em tela, pois se trata de incentivo fiscal à exportação: Ressaltese também que as irregularidades contábeis encontradas nos pagamentos dos adiantamentos de madeira, assim como nos pagamentos diretos desta, que é a principal matériaprima para Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 4 produção de varetas para molduras, além da supervaloração de custos, pagamentos sem causa sugerindo a possibilidade de manutenção de "caixa dois" – entre outras irregularidades encontradas, possibilitaram não só a supressão e redução dos tributos envolvidos nessas transações, como também um acréscimo indevido no cálculo dos créditos presumidos. E, como tais créditos presumidos (fraudados) foram utilizados para pagamento de tributos, mediante declarações de compensação (Dcomp's), caracterizouse de forma ainda mais evidente a redução indevida de tributação. Por isso, os fatos adiante narrados enquadramse duplamente na Lei n° 8.137, de 27/12/1990, art. 1 0, inciso II, acima referido. Isto posto, não restam dúvidas que deve ser aplicado o art. 59 da Lei 9.069/95 para glosar o crédito presumido do período em tela, pois se trata de incentivo fiscal ã exportação, o que não pode prosperar num ambiente maculado pelos atos aqui encontrados. · a Fiscalização requereu aos bancos do Brasil e o Bradesco, cópias de alguns cheques e de “fitas detalhe de caixa”, relativamente aos valores superiores a R$ 5.000,00, concluindo o seguinte: O cotejamento POR AMOSTRAGEM destas fitas de caixa com os registros contábeis das Moldureiras permitiu a esta auditoria compreender o "modus operandi" destas empresas e confirmar que os registros contábeis eram fraudados, reduzindo a base tributária, e incorrendo nos crimes tributários anteriormente citados. Foram identificadas três tipos de fraudes realizadas de forma reiterada pelas contribuintes, que passaremos a descrever: O primeiro tipo de fraude, foi identificado no Bradesco e, em geral, envolvia duas ou mais Moldureiras ao mesmo tempo. Uma das empresas registrava na contabilidade um adiantamento a determinado fornecedor (contrapartida conta Bancos) e a segunda empresa registrava na contabilidade uma devolução de adiantamento de outro fornecedor (também com contrapartida conta Bancos). Porém, a análise das fitas de caixa do Bradesco permitiu, verificar que os valores eram sacados das contas de uma Moldureira e na seqüência depositado na conta da outra Moldureira. Desta forma uma empresa omitia recebimentos e a outra empresa deixava de registrar um pagamento. A maioria das vezes este procedimento envolvia mais de duas Moldureiras. Porém, identificouse também que em alguns casos, assombrosamente, o depósito era realizado na conta bancária da mesma Moldureira que realizou o saque!!!. [...] Um segundo tipo de fraude foi realizado tanto no Bradesco quanto no Banco do Brasil e consistia em registrar o adiantamento para um fornecedor e efetuar o pagamento para pessoa física ou jurídica totalmente distinta daquela para qual era feito o registro contábil (e/ou, quando não fosse o caso da pessoa ser distinta ao lançamento contábil, os depósitos eram realizados em valores diferentes daqueles em que haviam sido contabilizados). Em diversos casos, inclusive, constaram como beneficiários dos cheques contabilizados como adiantamento a fornecedores de madeira nada mais nada menos que familiares dos sócios da empresa (Nilza Effting e Patricia Effting Goes). Um terceiro tipo de fraude foi identificado tanto no Banco do Brasil quanto no Bradesco e consistia em emitir o cheque no valor da nota fiscal de venda de madeira, porém o depósito na conta do fornecedor era feito num valor inferior ao valor contabilizado. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003484/200900 Acórdão n.º 3402002.729 S3C4T2 Fl. 1.199 5 Houve até mesmo caso em que nada foi repassado ao fornecedor de madeira. A diferença era simplesmente depositada na própria conta bancária da Moldureira (ou de uma coligada). Nestes casos a fraude ampliava diretamente, e de forma fictícia, o valor dos custos com aquisição de insumos. É importante ressaltar que este último procedimento foi identificado apenas nos pagamentos das notas fiscais de um único fornecedor de madeira, a Madecamp (ou Madecap). Justamente uma das empresas denunciada por envolvimento em fraudes na emissão de autorização de transporte de madeira, conforme descrito posteriormente neste Termo de Verificação Fiscal (Operação Isaias). Notese também que a Madecamp era um dos raros fornecedores de madeira para os quais as Moldureiras não registravam adiantamentos, efetivando os pagamentos diretamente, contra entrega deste insumo, só que muitas vezes em valor inferior ao registrado na nota fiscal e na contabilidade. Portanto, as fraudes contábeis existiram tanto nos "adiantamentos a fornecedores" quanto nos "pagamentos diretos" a fornecedores. Grifos nossos (...) · relacionou várias operações bancárias que demonstraram os procedimentos e tratou de cada tipo de fraude, discriminando várias operações nos dois bancos, descrevendoas; · a suposta beneficiária dos pagamentos inexistentes, a empresa Madecamp Indústria e Comércio, fora objeto de um processo por falsidade ideológica, o que seria uma confirmação da suposta falsidade ideológica de documentos emitidos; · citase a “Operação Isaías”, reproduzindo partes do Inquérito Policial n. 44, de 2006, o que demonstraria a grande proximidade entre as empresas de moldura e as madeireiras, vindo acrescentar as apurações nos seguintes termos: · Não se pretende aqui afirmar que o grupo era totalmente responsável pelas más condutas de seus fornecedores de madeira, mas, mesmo não sendo este um dos motivos para as glosas dos créditos ora em discussão, não se pode deixar de apresentar os cálculos feitos referentes aos recolhimentos de Pis/Cofins destas empresas. Conforme planilha abaixo, estimouse que, no mínimo, em torno de 64% dos recolhimentos de Pis/Cofins dos 50 maiores fornecedores de madeira das contribuintes não foram efetivados: [...] · a interessada foi intimada a justificar a falta de contabilização de pagamentos e a divergência de beneficiários nos depósitos bancários. Ao final a fiscalização concluiu que: Ficou devidamente comprovado, pelas diversas irregularidades demonstradas no presente Termo de Verificação Fiscal, que o grupo Moldurarte cometeu ilícitos contábeis, fiscais e tributários, ao longo do período analisado, que se constituíram, inclusive, em crimes contra a ordem tributária, motivos mais do que suficientes para indeferir os pedidos de ressarcimento de créditos do IPI, no que tange Aqueles decorrentes de crédito presumido para ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, conforme preconiza o art. 59 da Lei n° 9.069/95. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 6 Consta à efolha 335, que os documentos originais utilizados pela Fiscalização, e ora também juntados ao presente, estão anexados ao processo 11516.002223/201006 (Ressarcimento de IPI). Segundo informação fiscal e o despacho decisório cientificado em 16/07/2010 (efl.344), com subsídio na diligência, foram constatadas e descritas diversas irregularidades, que levaram a conclusão de que as informações relativas a crédito presumido prestadas no PER diferem do escriturado no livro RAIPI. Conforme informações constantes do item IV do Termo de Verificação Fiscal, relativo a aquisição irregular de madeira, constatouse que o grupo de empresas formado por INCOMARTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MOLDURAS LTDA, INDÚSTRIA DE MOLDURAS MOLDURARTE LTDA, INDÚSTRIA DE MOLDURAS H. EFFTING LTDA e INDÚSTRIA DE MOLDURAS CATARINENSE LTDA praticaram reiterada e continuamente, durante anos a fio, fraudes contábeis, que se constituem indubitavelmente em crimes contra a ordem tributária, irregularidades previstas no artigo 1º, incisos I e II, da Lei 8.137/90 e no artigo 59 da Lei 9.069/95. Assim, considerando a inexistência de controles de entrada e de consumo de madeira, porém existente e razoável o controle dos demais materiais, levandose ainda em conta que os adiantamentos para pagamento de madeira e os próprios pagamentos eram realizados com cheques nominais à própria contribuinte, constatouse que somente são ressarcíveis os créditos decorrentes de entradas de Matériasprimas (MP), Produtos Intermediários (PI) e Material de Embalagem (ME) no trimestre de referência no valor de R$29.307,02. Os documentos disponíveis apresentados foram anexados ao Termo de Verificação Fiscal. Em sua manifestação de inconformidade, a Interessada informa que: · é sucessora por incorporação; · tinha como principal objeto social a fabricação e a importação e exportação de molduras de madeira, consoante comprova a inclusa cópia de seu contrato social inicialmente; · narrou as operações que realizava, os fatos ocorridos e a legislação que ampara seu pedido, reproduzindo trechos relevantes do termo de verificação fiscal TVF e do despacho decisório que fundamentou o indeferimento do crédito; · entende que não merece prosperar a decisão atacada em relação ao crédito presumido, pois não praticou nenhuma fraude na aquisição dos insumos que dão direito ao Crédito Presumido do IPI postulado. Não omitiu informações sobre a origem, quantidade e valores dos insumos adquiridos e, principalmente, não cometeu nenhum crime de sonegação fiscal; · as supostas fraudes contábeis (que não ocorreram, conforme será demonstrado em item específico), além de configurarem crime por si só, teriam colaborado para o não recolhimento de Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003484/200900 Acórdão n.º 3402002.729 S3C4T2 Fl. 1.200 7 tributos e a prática de crimes contra a ordem econômica e a flora, pelos quais foi indiciada a empresa Madecamp Indústria e Comércio de Madeiras Ltda., a qual fornecia madeira à ora recorrente e diante disso a DRF/Florianópolis entendeu que a interessada não faz jus ao aproveitamento do Crédito Presumido do IPI correspondente aquele anocalendário, nos termos do artigo 59 da Lei n° 9.069/1995. · transcreve legislação e doutrina que entende apoiar sua defesa contra o indeferimento; · alega que não se aplica ao presente o art. 59 da Lei n. 9.069, de 1995, como causa impeditiva ao crédito pois inexiste ação penal (denúncia) ou decisão judicial imputando e reconhecendo a prática de crime; não se teria configurado crime pela atipicidade das condutas (irregularidades contábeis), à vista da ausência de constituição de crédito tributário; seria impossível imputar a prática de crime sem comprovação da conduta; não teria ocorrido nenhuma das hipóteses dos arts. 1º e 2º da Lei n. 8.137, de 1990; impossibilidade para estender a responsabilidade fiscal dos fornecedores à Interessada; inexistência de supressão ou redução de tributos e de fraude de documentos exigidos pela lei fiscal das empresas optantes pela tributação pelo lucro presumido, com a finalidade de suprimir ou reduzir ou eximirse dos pagamentos de seus tributos; · a Receita Federal não indicou no processo administrativo a existência de qualquer processo ou ação penal judicial contra a interessada, muito menos de decisão judicial condenatória transitada em julgado, pois somente decisão de juiz federal teria o efeito de caracterizar a prática de crime, sendo inconcebível conceder à autoridade administrativa tal prerrogativa, para condenar antecipadamente mediante um simples despacho decisório; · o Conselho de Contribuintes teria decidido em sentido similar no julgamento do Recurso Voluntário nº 112.565, cujo teor reproduziu. Citou também acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e outras decisões do Judiciário; · em relação ao crime contra a ordem tributária, mediante à Lei nº 8.137, de 1990, a consumação do crime dependeria da demonstração da supressão do pagamento do tributo pelo autor e da constituição definitiva do crédito tributário, sem a qual é obstada a condenação pela prática do delito de sonegação fiscal. Citou ementas e trechos de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal; · se não há demonstração clara e específica de que as irregularidades contábeis tipifiquem crime contra a ordem tributária e se não há lançamento não há mesmo que se falar crime. A utilização do crédito presumido do IPI é legítima, razão pela qual também não há supressão ou redução de tributo neste ponto; Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 8 · considerando que as supostas fraudes teriam ocorrido no ano de 2003, o lançamento fiscal e a conseqüente consumação do crime, nesse momento, são impossíveis, eis que nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a Fazenda decaiu do direito de constituir o suposto crédito tributário suprimido ou reduzido pela contribuinte, em face do transcurso de mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, sendo esse o entendimento consolidado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Habeas Corpus n° 81.6118, que afirmou a necessidade de constituição do crédito tributário para a consumação do crime previsto no artigo 1º da Lei n° 8.137/1990; · supostas fraudes apontadas pelo Fisco, são, em verdade, apenas irregularidades contábeis, ainda que existentes, o que se admite apenas para argumentar, não teriam o condão de suprimir ou reduzir tributos devidos pela interessada e, por isso mesmo, não configuram crimes contra a ordem tributária; · de acordo com o inciso LVII do artigo 5º da CF, em face do princípio da presunção de inocência "toda pessoa se presume inocente até que tenha sido declarada culpada"; · a autoridade fiscal não identificou qual a conduta praticada pela empresa que configuraria o tipo penal tributário, limitando se a alegar genericamente o enquadramento da sua conduta nos artigo 1º e 2º da Lei n° 8.137/1990; · era optante pela tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com base no lucro presumido. Transcreve artigos da legislação que disciplina a tributação e dá as definições da base de cálculo, art.25 da Lei n° 9.430/1996, artigos 15 e 20 da Lei n° 9.249/1995, art. 31 da Lei n° 8.981/1995, e conclui que as irregularidades contábeis, rotuladas pela fiscalização como fraudes, relativas a contabilização dos pagamentos realizados a fornecedores não alteram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, que incidiam sobre a receita da empresa, nem tem reflexo sobre a base de cálculo de Cofins e PIS, de modo que não poderiam caracterizar crime. Se não houve supressão ou redução de tributo, não há como se imputar a ela a prática de crime contra a ordem tributária; · a opção da interessada pela tributação com base no lucro presumido a desobriga de escrituração contábil completa, situação reconhecida pela própria Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal; · todos os tributos devidos foram pagos pela empresa, tanto que a Fiscalização não indica qualquer tributo que tenha sido suprimido ou reduzido pela empresa, o que reforça a inocorrência dos supostos crimes a ela imputados. Já aqueles débitos extintos mediante compensação com o crédito presumido do IPI foram regularmente declarados à Receita Federal do Brasil; Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003484/200900 Acórdão n.º 3402002.729 S3C4T2 Fl. 1.201 9 · a Fiscalização, igualmente, em nenhum momento afirmou que os insumos que formam a base de cálculo do Crédito Presumido do IPI não ingressaram na empresa. Também não afirmou que não foram industrializados, o que desautoriza o indeferimento do benefício fiscal; · as irregularidades constatadas são meramente formais, pois não há nenhum pagamento de fornecedor pendente. Aliás, a Fiscalização também não afirma e nem demonstra que os insumos ingressados na empresa não foram pagos; · ademais, o fato de a Interessada ter optado pelo lucro presumido e estar desobrigada à escrituração comercial implica que a “contabilidade da empresa que extrapola a exigência legal serve apenas para controle interno e gerencial da sua atividade. Não pode, portanto, ser oposta contra a interessada, em face da expressão "em documento ou livro exigido pela lei fiscal" contida no artigo 1º da Lei n° 8.137/1990.”; · o Fisco pretende estender à Recorrente a responsabilidade fiscal/tributária e penal dos fornecedores de matériaprima mas tal ato fiscal não procede porque não se enquadra nos arts.121, 124, 134 ou 135 do Código Tributário Nacional, dada a ausência de qualquer vínculo obrigacional previsto em norma tributária; · a Recorrente não é responsável solidária pelos tributos devidos pelas suas fornecedoras, porque não tinha qualquer interesse na venda da madeira, mas sim na sua aquisição. A solidariedade não se presume. Decorre de lei; · nos termos do parágrafo único do artigo 18 do Código Penal, salvo os casos previstos expressamente em lei, somente está sujeito a punição o agente que praticar conduta dolosa; · não tinha qualquer ingerência sobre a administração das suas fornecedoras, que possuíam diretores e personalidade jurídica própria; · a contabilidade da empresa não possui qualquer relação com a administração dos seus fornecedores. A relação entre eles é meramente de compra e venda de matériaprima, documentada em notas fiscais que deram ingresso em seu estabelecimento. A Recorrente não poderia supor que eventuais ATPF's não correspondessem à realidade; · as origens dos recursos são perfeitamente identificáveis, porém há um equivoco nos registros contábeis que dificultam essa correlação; · não se verifica na hipótese qualquer intenção de fraudar o Fisco. A Recorrente não deixou de oferecer à tributação qualquer receita de fato auferida. A presumida omissão apontada pela Fiscalização é infundada. Os equívocos na Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 10 escrituração da Recorrente não geraram qualquer falta de recolhimento de tributos, eis que não tiveram reflexos em contas de resultado, conforme passa a demonstrar; · eventuais aquisições em montantes um pouco superiores à pauta fiscal, como ocorreu em algumas operações acima listadas não levam à conclusão de que tenha havido superfaturamento. Isso é mera conjuntura do mercado; · a fiscalização apenas aventa uma suposta supervaloração das compras, mas em nenhum momento apontou um só parâmetro ou fato concreto que pudesse levar à conclusão e comprovação de superfaturamento; · nesse trimestre ante as altas vendas de varetas de madeira para moldura necessitou de aquisição de grande quantidade de madeira, matériaprima (madeira), não havendo como serem reputadas de ilegítimas as aquisições por ela realizadas; · consoante se pode extrair do quadro que apresenta, não só adquiriu a madeira, como esta ingressou no seu estoque, foi industrializada e revendida como varetas de madeira para moldura tanto no mercado interno como no mercado externo; · não se tem notícias de que alguma das notas fiscais de aquisição de madeiras tenha sido declarada inidônea. Conforme o Termo de Verificação Fiscal no inquérito policial instaurado contra a Madecamp somente foi declarado a inidoneidade do ATPF's expedidos pelo IBAMA e de responsabilidade das madeireiras e não os seus documentos fiscais; · as autoridades fiscais podem ter apurado o corte ilegal da madeira. Não obstante, como já antecipado, as notas apresentadas pelo fornecedor tinham aparência normal e continham carimbos das fiscalizações estaduais, não tendo a adquirente, por ocasião das compras, condições de saber se eram ou não eram idôneas, assim como as ATPF's que acompanhavam e acobertavam essas operações; · o inquérito policial instaurado para a verificação de crime das empresas Madecamp, CSS e A. B Abreu ME só se iniciou em 22/03/2006, não tendo o contribuinte como saber, na época das aquisições, que os seus fornecedores estavam fraudando o Fisco; · eventual operação de sonegação praticada pelos fornecedores da Recorrente não tem o condão de infirmar o direito ao Crédito Presumido do IPI assegurado à ela exportadora, que adquiriu, pagou, industrializou e exportou; · a obrigação de se verificar a inidoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do Fisco e não do contribuinte. Permitir à autoridade administrativa criar a obrigação para o comprador de investigar a regularidade tributária do fornecedor é atribuir ao próprio Fisco uma função legislativa, no sentido de criar uma norma inexistente. Transcreve julgado do Superior Tribunal de Justiça que entende apoiar sua defesa; Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003484/200900 Acórdão n.º 3402002.729 S3C4T2 Fl. 1.202 11 · a irregularidade contábil atribuída à Recorrente não se deu no vínculo obrigacional consistente no contrato de aquisição da matériaprima, documentado pelas notas fiscais. A irregularidade contábil se deu no registro do pagamento dos fornecedores, como está claramente demonstrado no próprio relatório fiscal. O pagamento é apenas satisfação de prestação; · as cópias dos livros de entrada (livros fiscais) demonstram que todas as notas fiscais de aquisição de madeira foram devidamente registradas. O Livro de Inventário, por sua vez, confirma o saldo anual de madeiras da empresa, conforme documentos anexados; · além da legítima aquisição de matériaprima, do seu ingresso e industrialização no estabelecimento da empresa, a empresa também efetuou todos os pagamentos aos seus fornecedores; · o fato de haver algumas inconsistências na contabilidade, que não causam qualquer prejuízo ao Erário, não infirma o que se quer comprovar, que é o efetivo recebimento das mercadorias adquiridas, inexiste demonstração da omissão de entradas pelo Fisco. Inclusive, as inconsistências na contabilidade já estão sendo corrigidas; · totalmente falaciosa a afirmação de que a Recorrente teria supostamente contribuído para as fraudes cometidas (e provadas) pelas madeireiras, ao manter uma escrituração contábil deficiente dos pagamentos relativos a aquisição da madeira; · não há como se verificar em relação as notas fiscais de aquisição a ocorrência de crime que possibilite a perda do Crédito Presumido do IPI. Mesmo que o fornecedor não tenha efetuado o recolhimento das contribuições que se pretende o ressarcimento, conforme alegado pela autoridade administrativa, tal fato não gera efeitos tributários para o contribuinte; · a Lei n° 9.363/1996 (estabeleceu o crédito presumido do IPI) não exige a comprovação do pagamento das contribuições pelos fornecedores, sendo suficiente o contribuinte provar a aquisição do insumo com o documento hábil. Os documentos de aquisição são hábeis, mesmo que haja irregularidade contábil no registro dos pagamentos na escrita da Recorrente; · o art. 82 parágrafo único da Lei n° 9.430/1996 estabelece que não se pode presumir a máfé do adquirente quando houver prova do ingresso da mercadoria e do respectivo pagamento; · preenche os requisitos e condições para se beneficiar do crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1º da Lei n. 9.363, de 1996. Optou pela apuração alternativa. Quanto às aquisições registradas entende que restou perfeitamente demonstrado o recebimento das mercadorias e a satisfação do preço (crédito), Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 12 estando assim preenchidos os requisitos para o aproveitamento do Crédito Presumido do IPI estabelecido pela lei n° 9.363/1996, bem como afastado a aplicação de qualquer dolo da interessada e demonstra a boafé da empresa adquirente; · a cobrança dos tributos devidos pelas Madeireiras (fornecedores de matériaprima) é dever do Fisco. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento representativo de controvérsia, sob o rito do art. 543C do CPC, é pacífica no sentido de considerar terceiro de boafé o adquirente de mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea; · caso a empresa não pudesse utilizar os créditos decorrentes das aquisições de matériaprima das empresas Madecamp (Madecap), CSS e B.A. de Abreu ME, o que se admite apenas para fins de argumentação, deveriam ser desconsideradas somente tais notas; · ressalta que neste trimestre somente parte do percentual de madeiras foram adquiridas da empresa Madecamp e não houve nenhum recebimento das demais empresas referidas no termo de verificação fiscal, consoante comprova o livro de Registro de Entradas e planilha com nome dos fornecedores, conforme documento que anexa; · no relatório de verificação fiscal consta que o indeferimento do pleito da Recorrente se daria pela aplicação à hipótese do artigo 59 da Lei n° 9.069/1995, no qual cita que a pessoa jurídica infratora perde no ano calendário correspondente os benefícios e incentivos da legislação tributária se praticado crime contra a ordem tributária; · os créditos fiscais e eventuais condutas ilícitas são fatos e circunstâncias distintas não havendo qualquer sustentação no argumento da autoridade fiscal, tendo assim direito ao crédito presumido do IPI nas aquisições de MP, PI, ME, para utilização no processo produtivo; · requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, para reformar o Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC, reconhecendo a existência dos créditos em favor da Contribuinte, em face da argumentação específica contida em cada um dos itens retroexpostos e que os créditos tributários já extintos pela compensação com o Crédito Presumido do IPI sejam homologados; · requer, por fim, que as intimações relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor, mandatário do Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, no endereço constante do mandato. Anexa documentos que relaciona ao fim da manifestação. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003484/200900 Acórdão n.º 3402002.729 S3C4T2 Fl. 1.203 13 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB o processo foi encaminhado para esta DRJ para julgamento. (...) Mediante o Acórdão nº 1535.421, de 30 de abril de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SDR julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. O contribuinte que pratica ato que configure crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no ano calendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. Constitui crime contra a ordem tributária o superfaturamento de aquisições de madeira com o fim de majorar irregularmente a base de cálculo do crédito presumido de IPI a ser compensado com débitos de outros tributos ou contribuições. A contribuinte apresentou, em 16/12/2014, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), repisando as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentando, em síntese, a tempestividade do recurso em face da nulidade da intimação por edital da decisão de primeira instância, bem como a ilegalidade das provas obtidas da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Assiste razão à recorrente no que concerne à preliminar de tempestividade do recurso voluntário, eis que, não obstante já constasse nos sistemas da Receita Federal que a contribuinte tinha sido baixada por incorporação pela empresa de CNPJ nº 86.429.834/000132 (vide extrato do processo de 09/05/2014 nas fls. 1087/1088), a correspondência para a ciência da decisão de primeira instância foi enviada, pela autoridade preparadora, para empresa já Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 14 baixada no seu endereço original. Desta forma, não se configurou a hipótese descrita no art. 23, §1° do Decreto nº 70.235/72 para a intimação por edital: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Como a contribuinte compareceu aos autos com a apresentação do recurso voluntário, considerase suprida a irregularidade processual quanto à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do §5º do art. 26 da Lei nº 9.784/99. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Quanto à preliminar suscitada pela recorrente relativa à quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, efetuada pela fiscalização com base no art. 6º da Lei Complementar 105/20011, como os argumentos utilizados pela recorrente estão no âmbito da verificação da constitucionalidade desse dispositivo de lei, entendo que se encontra fora da alçada desse Conselho examinar a matéria, nos termos da Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". 1 Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003484/200900 Acórdão n.º 3402002.729 S3C4T2 Fl. 1.204 15 A atividade administrativa é vinculada, cabendo ao agente administrativo prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Assim, não conheço da preliminar da recorrente relativa à ilegalidade das provas obtidas por quebra do sigilo bancário da recorrente. Passase à análise do mérito. Depreendese da leitura dos autos que, diante das irregularidades contábeis da contribuinte que possibilitaram "não só a supressão e redução dos tributos envolvidos nessas transações, como também um acréscimo indevido no cálculo dos créditos presumidos", a fiscalização entendeu que se caracterizava o crime contra a ordem tributária previsto no art. 1º, II da Lei n° 8.137/90: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) (...) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Em decorrência desse fato, entendeu a autoridade fiscal que a contribuinte não fazia jus aos Créditos Presumidos do IPI no período, em conformidade com o artigo 59 da Lei n° 9.069/95, o qual dispõe: Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Cabe primeiro indagar se a autoridade fiscal teria competência para verificar a "prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária". Obviamente que não, segundo entendo. Como é consabido, a configuração de um crime somente se dá após o devido processo legal na esfera judicial. Assim, apenas após a manifestação do Poder Judiciário, Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 16 mediante sentença penal condenatória, poderseá dizer que a prática de determinado ato pela contribuinte configurou um crime contra a ordem tributária. Em referência ao princípio da presunção de inocência, não é lícito que a autoridade administrativa antecipese à manifestação judicial para declarar que a prática de determinado ato configura um crime contra a ordem tributária. Com efeito, quando o AuditorFiscal identificar fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária, incumbelhe a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais, para a devida comunicação ao Ministério Público, que é o órgão competente para verificar a existência de prova de materialidade e indícios de autoria de crime suficientes para a deflagração da persecução penal. Nesse sentido, dispõe o art. 1º do Decreto nº 2.730/98: Art 1º O AuditorFiscal do Tesouro Nacional formalizará representação fiscal, para os fins do art. 83 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em autos separados e protocolizada na mesma data da lavratura do auto de infração, sempre que, no curso de ação fiscal de que resulte lavratura de auto de infração de exigência de crédito de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda ou decorrente de apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento, constatar fato que configure, em tese; I crime contra a ordem tributária tipificado nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990; II crime de contrabando ou descaminho. [grifos da Relatora] De forma que ao AuditorFiscal incumbe tão somente a comunicação ao Ministério Público do fato que configura, em tese, um crime contra ordem tributária, para que, sendo o caso, se instaure o correspondente processo penal para a verificação, pela autoridade judicial, se efetivamente está configurado o referido crime. No sentido de que não cabe a aplicação do art. 59 da Lei n° 9.069/95 quando ausente a sentença penal condenatória à contribuinte pelo crime contra a ordem tributária, muito bem se manifestou o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, em seu Voto, no Acórdão no 340200.887 4° Câmara / 2ª Turma Ordinária, em sessão de julgamento de 28 de outubro de 2010: (...) Inicialmente anoto que o fato invocado na motivação, tanto da r. decisão ora recorrida, como do r, despacho decisório da DRJ (suposta "pratica, pelo interessado, nos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003, de atos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, como consta no Relatório Fiscal das fls. 61/63 do procedimento fiscal"), por não apurado em processo criminal regular não autoriza as respectivas conclusões (perda do direito ao crédito), posto que somente autorizaria a perda do crédito, após de sentença condenatória transitada em julgado, cuja noticia não consta dos autos. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003484/200900 Acórdão n.º 3402002.729 S3C4T2 Fl. 1.205 17 De fato, inserido no "âmbito ou núcleo de proteção" dos direitos de defesa, a Constituição tutela o principio constitucional da "nãoculpabilidade" (art. 5°, inc. LVII da CF/88) que, no entendimento da Suprema Corte "consagra uma regra de tratamento que impede o Poder Público de agir e de se comportar, em relação ao suspeito, ao indiciado, ao denunciado ou ao réu, como se estes já houvessem sido condenados definitivamente por sentença do Poder Judiciário" sendo certo que essa "prerrogativa jurídica da liberdade" por possuir "extração constitucional (CF, art. 5º, LXI e LXV) não pode ser ofendida em detrimento de direitos e garantias fundamentais proclamadas pela Constituição"( cf. Ac. da 2' Turma do STF no HC n° 80.719, em sessão de 26/06/01, REI. Mm. Celso de Mello, publ. in DJU de 28/09/01, pág. 37, EMENT VOL0204501 pág. 143 e in RTJ vol. 180/262), não se expõe, nem deve submeterse, a qualquer juízo de oportunidade ou de conveniência, muito menos a avaliações discricionárias fundadas em razões de pragmatismo governamental" vez que "a relação do Poder e de seus agentes, com a Constituição, há de ser, necessariamente, uma relação de respeito" (cf. Ac. do STF Pleno, na ADInQO 2010DF, em sessão de 30/09/99, Rel. Min. Celso Mello, publ. in DJU de 12/04/02, pág. 51, e in RTJ vol. 181/73) (...) Sustentase também o Ilustre Conselheiro Relator em decisão anterior do Conselho de Contribuintes, proferida no Acórdão n° 20310.061, da 3° Câm. do antigo 2° CC, Rel. Cons. Walter Ludvig, cujo voto se transcreve parcialmente abaixo: (...) Portanto, quanto aos fatos em tela e à pretensa aplicação das penas do art. 59 da Lei n° 9.069/95, entendo que apenas as condutas que configurem crime, tal como o ordenamento jurídico pátrio entende o que seja crime, podem dar ensejo perda dos benefícios fiscais.. Não considero razoável pretender que o legislador tenha querido, com a norma em exame, conceituar uma nova modalidade de crime: aquela a ser utilizada apenas para efeitos .fiscais ou administrativos. A interpretação sistemática do ordenamento jurídico determina a necessidade de que se conjugue, à hipótese de incidência do mencionado art, 59 atos que configurem crime o conceito do mesmo tal como entendido pelo legislador penal, pena de se ver criada modalidade administrativa de crime, o que não pode ser aceito. Assim, para que seja dada aplicação ao art. 59 da Lei n° 9.060/95, é necessário que os atos cometidos pelo contribuinte sejam típicos (objetiva e subjetivamente) e antijuridicos. Sem tais pressupostos, inexistem atos que configurem crime. Desse modo, à vista de que a Lei n° 8137/90 não prevê a modalidade culposa dos tipos que descreve, apenas aqueles atos que, além de serem objetivamente descritos na norma penal, Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 18 sejam informados pelo dolo do autor e, ainda, que não sejam acobertados por nenhuma das hipóteses de exclusão da antijuridicidade previstas no art. 23 do CP, podem dar ensejo aplicação das penalidades descritas na norma em exame. E, para comprovação do elemento subjetivo do tipo, a norma processual penal prevê um longo caminho a ser trilhado, de modo que fique aquele cabalmente demonstrado na instrução, caso contrário será o denunciado absolvido por ausência de prova. Em arremate, não incumbe ao Poder Executivo, através da Administração Tributária, considerar determinado fato como se crime fosse. Apenas a manifestação do poder Judiciário através de sentença penal condenatória dará ensejo aplicação da penalidades do artigo 59 da Lei n° 9069/95 A partir daí sim, poderá dar ensejo a aplicação da aludida norma no que se refere a perda de benefícios fiscais. Assim, a mencionada perda dos benefícios e incentivos constitui se inequívoca conseqüência de sentença penal, não cabendo à SRF, desprezando os dispositivos constitucionais do devido processo legal, da universalidade da jurisdição exclusivamente através do Poder Judiciário e da presunção de inocência criminal (CF, art. 50, incisos XXXV, LIII, LIV, LV, LVII), impor ao contribuinte a pena típica de condenação penal sem que a mesma se tenha verificado no caso. (...) Assim, diante da ausência de sentença penal condenatória à contribuinte por crime contra a ordem tributária, entendo que é incabível a aplicação do art. 59 da Lei n° 9.069/95 ao presente caso concreto. Desta forma, não se configurou o justo motivo que prejudicava a análise do mérito do crédito presumido pleiteado, tendo sido, então, o Despacho Decisório, nesta parte, proferido com preterição do direito de defesa da contribuinte, devendo ser declarada a sua nulidade e dos atos posteriores dele decorrentes, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para anular o Despacho Decisório e os atos dele decorrentes, a fim de que a autoridade fiscal, com o afastamento da norma veiculada pelo art. 59 da Lei n° 9.069/95, pronunciese sobre a verificação da legitimidade do crédito presumido pleiteado, retomandose, a partir desse ponto, o curso do devido processo legalmente previsto para o contencioso administrativo do ressarcimento e compensação tributários. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003484/200900 Acórdão n.º 3402002.729 S3C4T2 Fl. 1.206 19 Voto Vencedor Com a devida vênia, divirjo da relatora quanto à conclusão de seu voto no sentido de anular o despacho decisório, medida extrema, para que outro seja prolatado afastando a incidência do art. 59, que a seguir transcrevo novamente, da Lei 9.069/95. Entende a ilustre relatora que a dicção legal "A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária..." só incide após sentença penal de crimes dessa natureza com trânsito em julgado. Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Já tive oportunidade de me debruçar sobre o tema há muito anos. A situação fática era outra, havendo ínfimos documentos fiscais com algum vício e, por isso, a fiscalização, glosou a todos. Naquela hipótese, entendi que não se aplicava a referida norma porque não restara provado o animus dolandi do contribuinte em relação aos crimes contra a ordem tributária. Naquele caso concreto, entendi que a prova do dolo seria formada nos autos de um processo penal, uma vez ausente tal prova nos autos. Aqui estamos diante de outra circunstância: há prova inexorável das fraudes perpetradas pelas empresas (que, em verdade, atuavam como se fosse um só "ser"), fazendo com que o Fisco, embasado em vastíssimo material probatório, desqualificasse, "tanto a escrita contábil quanto o documentário Fiscal apresentado". Na forma em que feita, levada a cabo para inflar artificialmente um crédito em prejuízo do Erário e ainda usar este crédito falseado propositalmente para quitar débitos seus líquidos e certo contra o Tesouro nacional, o animus dolandi da fraude é inexpugnável no caso vertente. A questão reside, a meu juízo, ao que se refere à expressão "a prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária". Assim, a questão a ser deslindada é se os autos fraudulentos se subsumem aos fatos típicos da Lei 8.137/1990. Faço, antes, porém, um breve relato dos fatos. Versam os autos pedido de compensação com supostos créditos de IPI no período de apuração em epígrafe. O presente processo, conforme atesta a fiscalização, abrangeu quatro empresas de molduras (Incomarte Ind. e Comércio de Molduras Ltda. e Ind. de Molduras Catarinense Ltda., pela Ind. de Molduras Moldurarte Ltda., conforme de fls. 218 e segs, e Ind. de Molduras H. Effiting Ltda.), sendo a recorrida sucessora por incorporação. O extenso Termo de Verificação Fiscal (148 páginas) concluiu que a empresa não tem direito ao ressarcimento do crédito presumido "haja vista terem praticado, reiterada e continuamente, durante anos a fio, fraudes contábeis no pagamento de matérias primas", ou seja, na aquisição de madeiras. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 20 Verificou o Fisco que os adiantamentos a fornecedores de madeira (identificados no Termo Fiscal) foram realizados em sua maior parte por intermédio de cheques nominais às próprias moldureiras (Catarinense, Moldurarte, Effting, Incomarte), em vez de serem emitidos nominalmente às fornecedoras de madeira. Por que os cheques de adiantamento a fornecedores deixariam de ser emitidos diretamente aos fornecedores, mas sim, transformados em dinheiro (descontados pelas "moldureiras" na boca do caixa), para depois, então, supostamente, serem pagos em numerário (ou depositados nas contas dos fornecedores), questionouse a fiscalização? Surpreendeuse o Fisco ao perceber que nos registros contábeis das contribuintes um notável quantitativo desses "adiantamentos a fornecedores" que eram reduzidos, provavelmente pelos mesmos fornecedores adiantados, a titulo de "devolução de adiantamentos realizados a maior", devoluções essas que muitas vezes ocorriam concomitantemente com os supostos "adiantamentos" ("no mesmo dia, vindo do mesmo fornecedor supostamente adiantado"). Além disso, a auditoria fiscal concluiu, em face à contabilidade das contribuintes (moldureiras), que alguns desses fornecedores, ao final de vários anos recebendo tais "adiantados", terminavam por não quitar completamente o suposto compromisso de fornecer a madeira paga antecipadamente. Pontua o Fisco: "Isso acarretou um crédito às moldureiras de proporções milionárias, uma vez que seus fornecedores deviam vultosas quantias e continuavam recebendo tais adiantamentos (alguns supostamente até hoje em dia em 2010)." Estranhando esses adiantamentos/devoluções, o Fisco solicitou informações bancárias das empresas. Assim, foram analisadas as transações bancárias das recorrentes com os bancos do Banco do Brasil e Bradesco, obtidas conforme LC 105/2001, já tendo sido a questão acerca da legalidade da quebra do sigilo bancário enfrentada pela relatora, acompanhada à unanimidade pelos demais membros desta Câmara. A fiscalização solicitou além da cópia dos cheques, as FITAS DETALHE DE CAIXA dos adiantamentos (e devoluções), "superiores a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para tentar descobrir o que mais poderia estar envolvido em tais singulares procedimentos." O cotejo por amostragem dessas fitas de caixa com os registros contábeis das moldureiras permitiu a auditoria compreender o modus operandi dessas empresas e confirmar que os registros contábeis eram fraudados, reduzindo a base tributária, e, em consequência, incorrendo, com a fraude, em tese, do tipo penal da Lei 8.137/90. Foram constatadas pela fiscalização três tipos de fraudes realizadas de forma reiterada pelas contribuintes: Foi identificado no Bradesco que uma das empresas registrava na contabilidade um adiantamento a determinado fornecedor (contrapartida conta Bancos) e a segunda empresa registrava na contabilidade uma devolução de adiantamento de outro fornecedor (também com contrapartida conta Bancos). Porém, a análise das fitas de caixa do Bradesco permitiu verificar que os valores eram sacados das contas de uma moldureira e, na seqüência, depositado na conta da outra moldureira. Desta forma uma empresa omitia recebimentos e a outra empresa deixava de registrar um pagamento. A maioria das vezes este procedimento envolvia mais de duas moldureiras. Identificouse também que em alguns casos, curiosamente, o depósito era realizado na conta bancária da mesma moldureira que realizou o saque. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003484/200900 Acórdão n.º 3402002.729 S3C4T2 Fl. 1.207 21 Restou provado que o primeiro intento para aqueles procedimentos (desconto na boca do caixa dos cheques de adiantamento a fornecedores e surpreendentes devoluções, algumas até no mesmo dia) foi revelado pelas fitas de caixa fornecidas pelas instituições financeiras. Dessa análise, foi constatado, em exauriente trabalho fiscal, ao longo de no mínio mais de três anos (Termo de Constatação item II) que boa parte desses "adiantamentos a fornecedores" tiveram como destino final, em vez dos fornecedores que a contribuinte contabilizava como beneficiárias dos pagamentos/adiantamentos, as contas bancárias das próprias contribuintes (as moldureiras), que emitiram os cheques como se fossem para adiantamentos aos fornecedores (contabilizavam como se assim o fosse), descontaramnos em conjunto, e ao mesmo tempo, num mesmo caixa bancário (com se viu anteriormente, em seu próprio nome), para logo em seguida, minutos ou segundos depois, por intermédio do mesmo caixa bancário, depositálos de volta nas contas bancárias das mesmas empresas do grupo (II sob registros contábeis de "devolução de adiantamento" a fornecedor. O segundo tipo de fraude foi realizado tanto no Bradesco quanto no Banco do Brasil e consistia em registrar o adiantamento para um fornecedor e efetuar o pagamento para pessoa física ou jurídica totalmente distinta daquela para qual era feito o registro contábil (e/ou, quando não fosse o caso da pessoa ser distinta ao lançamento contábil, os depósitos eram realizados em valores diferentes daqueles em que haviam sido contabilizados). Em diversos casos constaram como beneficiários dos cheques contabilizados como adiantamento a fornecedores de madeira, familiares dos sócios da empresa (Nilza Effting e Patricia Effting Goes). O terceiro tipo de fraude foi identificado tanto no Banco do Brasil quanto no Bradesco e consistia em emitir o cheque no valor da nota fiscal de venda de madeira, porém o depósito na conta do fornecedor era feito num valor inferior ao valor contabilizado. Houve até mesmo caso em que nada foi repassado ao fornecedor de madeira. A diferença era simplesmente depositada na própria conta bancária da Moldureira (ou de uma coligada). Nestes casos a fraude ampliava diretamente, e de forma fictícia, o valor dos custos com aquisição de insumos, superestimando os valores do créditos supostamente ressarcíveis. Impende ressaltar que este último procedimento foi identificado apenas nos pagamentos das notas fiscais de um único fornecedor de madeira, a Madecamp (ou Madecap), justamente uma das empresas denunciada por envolvimento em fraudes na emissão de autorização de transporte de madeira, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (Operação Isaias). Notese também que a Madecamp era um dos raros fornecedores de madeira para os quais as Moldureiras não registravam adiantamentos, efetivando os pagamentos diretamente contra entrega desse insumo, só que muitas vezes em valor inferior ao registrado na nota fiscal e na contabilidade. Portanto, as fraudes contábeis existiram tanto nos "adiantamentos a fornecedores" quanto nos "pagamentos diretos" a fornecedores. Gisese, conforme item IV do termo fiscal ( a partir página 138 deste), que o inquérito policial 44/2006 demonstrou uma enorme proximidade entre o grupo Moldurarte e algumas empresas ali denunciadas, tais como a "Madecamp" (ou "Madecap"), referida, a "CSS" (que segundo aquele relatório nada mais era do que uma ramificação da Madecamp, possuindo os mesmos sócios: Jairo Serra e Sueli Pires Campanhola, que também foram denunciados pela Justiça Federal), e "B. A de Abre ME", de propriedade dos senhores Benedito Almeida Abreu e José Antonio Almeida. Este último, José Antonio Almeida, inclusive, nos autos de inquérito policial, chegou a afirmar que "trabalhava para o grupo Moldurarte". Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 22 Não se está aqui a afirmar que o grupo era totalmente responsável pelas más condutas das madeireiras citadas, mas também não se pode olvidar que ao simular pagamentos (ou antecipações) para as empresas em questão, maculadas por falsidades ideológicas, o grupo Moldurarte, no mínimo, colaborou para que os documentos emitidos pelas acusadas estejam à margem de qualquer tipo de controle fiscal, ou florestal, e também por isso se vejam alcançados por uma constante suspeita de inidoneidade (além daquelas suspeitas levantadas no inquérito policial 44/2006, que tinham como objetivo principal, apurar apenas falsidades ideológicas em documentos do IBAMA, as ATPF). Como dito alhures, minha divergência com a i. relatora é quanto à leitura que a mesma faz do art. 59 da Lei nº 9.06/1990. Enquanto ela entende que a norma se reporta à decisão condenatória penal com trânsito em julgado, eu entendo, atualizando meu alcance sobre a quaestio, que a norma, em verdade, incide quando estiver provado, mesmo que em nível administrativo, como in casu, o animus dolandi do contribuinte de modo que esse dolo possa ser enquadrado, em tese (A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária), como crime contra a ordem tributária a que alude a Lei 8.137. Em tese, por que a competência para editar a decisão penal é do Judiciário, por certo. Os arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990, assim dispõem: Art. 1º. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...) Ora, dúvidas não há que as fraudes levadas a efeitos pela recorrente (ou seja a prática de atos) se subsumem às hipóteses tanto dos incisos I e II do art. 1º da norma penal quanto do inciso I do art. 2º. Ao inflar fraudulentamente seus créditos e os compensando com débitos líquidos e certo perante à Fazenda Nacional, estreme de dúvida que teve como desiderato "suprimir ou reduzir tributo", bem como "fazer declaração falsa ..." "para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo". Ademais, inconteste que os valores declarados na PER/DCOMP divergiam daqueles escriturado no RAIPI. Não nos esqueçamos que alem da verificação da certeza do crédito, estamos frente à análise de um pedido de compensação. Nestes autos o que restou hialino é que de um lado temos um crédito absolutamente incerto e, portanto, ilíquido, com débitos do contribuinte que ele mesmo confessou sua dívida, em consequência, certos e liquidados. Nesse sentido, concluiu a CSRF no Acórdão CSRF/0202.995/2008, cujo excerto transcrevo: Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.003484/200900 Acórdão n.º 3402002.729 S3C4T2 Fl. 1.208 23 A questão diz respeito a saber, unicamente, se o referido dispositivo referese à hipótese de haver ou não sentença penal condenatória transitada em julgado. ... Dispõe o art. 59 da Lei n 9.069, de 1995: "Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei n° 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária." Portanto, a hipótese legal referese a "atos que configurem crimes contra a ordem tributária", não exigindo a sentença transitada em julgado. Primeiramente, se houvesse a intenção de subordinar a perda dos incentivos ou benefícios aos casos em que houvesse condenação judicial, certamente a Lei terseia referido a esse requisito especificamente, estabelecendo que "a condenação por prática de crimes contra a ordem tributária" importaria a perda dos incentivos ou benefícios. Segundo o paradigma, a caracterização da hipótese do artigo dependeria da configuração específica de crime, que dependeria da tipicidade e da antijuridicidade dos atos praticados. Dai a necessidade de trânsito em julgado da sentença condenatória. Entretanto, o dispositivo referese à "prática de atos que configurem crimes" e não à prática de crimes ou, mais especificamente, à condenação por crime contra a ordem tributária, que seria a real condição da perda dos incentivos e benefícios, segundo o acórdão paradigma. Assim, a prática de atos passíveis de configurar crimes contra a ordem tributária é razão suficiente para a perda dos incentivos e benefícios fiscais, não havendo que se cogitar de sentença penal condenatória transitada em julgado. A redação do artigo, ademais, subentende, na expressão "a perda, no anocalendário correspondente", a possibilidade de perda imediata do incentivo ou beneficio, o que seria impossível se fosse necessária a sentença transitada em julgado.(grifei) No mesmo rumo, Parecer COSIT nº 75/99: "... b) a autoridade administrativa tributária constatando, no exercício de suas atribuições, a prática de atos que, em tese, configurem crimes contra a ordem tributária é competente para a aplicação, contra a pessoa jurídica, da sanção administrativa Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 24 de decretação da perda de incentivos e benefícios fiscais, no anocalendário da infração, cominada no art. 59 da Lei nº 9.069, de 1995, independentemente de intervenção prévia do Poder Judiciário.(grifei) Por fim, apenas para argumentar, ainda divirjo da relatora quanto ao alcance processual versado em sua decisão. Se a conclusão é que a indigitada norma (art. 59 da Lei 9.069/90) não se aplica para fins de "perda do incentivo", a consequência processual, a meu sentir, é que o processo seria nulo ab initio, pois a informação fiscal fundou sua decisão de glosa na referida norma. Assim, forte em todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Numero do processo: 15540.720009/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
PASSIVO NÃO COMPROVADO. INOCORRÊNCIA.
Em que pese as incertezas suscitadas acerca da existência da obrigação contabilizada no passivo da interessada, as circunstâncias do caso não autorizam o entendimento de que os recursos empregados para a quitação dessa obrigação, em época anterior à constituição da empresa, tenham se originado de receitas omitidas. Não pode subsistir a presunção de omissão de receitas apurada mediante passivo não comprovado, quando empregada fora de seu correto contexto.
Numero da decisão: 1301-001.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 PASSIVO NÃO COMPROVADO. INOCORRÊNCIA. Em que pese as incertezas suscitadas acerca da existência da obrigação contabilizada no passivo da interessada, as circunstâncias do caso não autorizam o entendimento de que os recursos empregados para a quitação dessa obrigação, em época anterior à constituição da empresa, tenham se originado de receitas omitidas. Não pode subsistir a presunção de omissão de receitas apurada mediante passivo não comprovado, quando empregada fora de seu correto contexto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 09 /2 01 1- 61 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 279 2 Relatório AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1267.873, de 22/08/2014, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do minucioso relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Trata o presente processo de exigência fiscal em face da pessoa jurídica AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA – CNPJ nº 07.986.552/000160, doravante denominada simplesmente “CONTRIBUINTE”, consubstanciada nos autos de infração de imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 514.298,15; Contribuição para o PIS, no valor de R$ 42.274,22; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$ 195.111,80 e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 187.307,33. Sobre os valores lançados foram acrescidos a multa de ofício de 75% e os juros moratórios com base na variação da selic até 31/03//2011. Os autos de infração indicam a apuração das seguintes infrações: AUTO DE INFRAÇÃO REFERENTE AO IRPJ Infração OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE O auto de infração remete para o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVCF) que, em resumo, assim descreve os fatos: 1. A autuada foi constituída em 06/04/2006, pelo advogado Eduardo Duarte. CPF n° 024.974.41715 e Simone Burck Silva. CPF n° 841.420.30730, ambos com domicílio na Rua da Candelária, 106, Centro, Rio de Janeiro, RJ, com a subscrição e integralização do Capital Social no valor de R$1.000,00, tendo por Objeto Social a participação com capitais próprios em outras sociedades, civis ou comerciais, a compra, a venda e a administração de imóveis próprios e incorporações imobiliárias, conforme registro n°. 33.2.07690232, arquivado na JUCERJA, em 03/05/2006; 2. As quotas do capital social da fiscalizada, recém criada, foram transferidas para a empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, estabelecida em paraíso fiscal, em Bahamas, CNPJ n° 07.616.690/000157, que passou a ser a sócia majoritária, com 99,9% das quotas da fiscalizada, e 0,01% para o Sr. Marcus Vinicius de Abreu Elias, CPF n° 641.942.13734, em 14/07/2006. O endereço da sede da empresa também foi alterado para Av. Ewerton Xavier, quadra 86, lote 1 e 2, Serra Grande, Itaipu, Niterói, RJ, de acordo com o registro n°. 1644996, arquivado na JUCERJA, em 11/10/2006 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 280 3 3. Em 19/12/2006 a AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA, adquiriu, entre outras, 99,99% das ações da empresa SOHAGRO MARINA DO NORDESTE S/A, CNPJ n° 13.432.174/000175, pertencente ao GRUPO MPE S/A Participações e Administração, CNPJ n°. 04.743.819/000108, através de uma Assunção de Dívida com Dação em Pagamento de forma IMPERFEITA, em desacordo com o ordenamento jurídico pátrio, conforme se pode verificar na escritura lavrada pelo Cartório do I o Ofício de Notas do Rio de Janeiro, em 19/12/2006, ato n° 44, do livro 4979, fls. 170/171, demonstrado a seguir. Em decorrência, a empresa sob fiscalização, contabilizou um PASSIVO FICTÍCIO no balanço patrimonial de 31/12/2006, conforme se verifica no livro Diário n° 1 da fiscalizada. 4. A ação fiscal foi iniciada em 10/12/2009, com o Termo de Início de Fiscalização, encaminhado ao sócio Marcus Vinícius de Abreu, CPF n° 641.942.13734, e ao representante no Brasil da pessoa jurídica sócia majoritária, PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, após infrutíferas tentativas da fiscalização para localizar a empresa no endereço informado pelo contribuinte no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da Secretaria da Receita Federal. Também não foi possível aos Correios à localização do endereço informado por se tratar de endereço inexistente; 5. A fiscalizada foi intimada a apresentar, além dos livros contábeis e fiscais, os EXTRATOS BANCÁRIOS da empresa, a documentação comprobatória das COMPRAS PARA O ATIVO PERMANENTE, no valor de R$ 8.376.356,57 e o CONTAS A PAGAR, no valor de R$ 18.312.226,97 declarados em sua DIPJ/2007; 6. Após reintimações, a fiscalizada encaminhou à fiscalização cópias de escrituras de ASSUNÇÃO DE DÍVIDA E DAÇÃO EM PAGAMENTO, lavradas em de 19 de dezembro de 2006, pelo Cartório do I o Ofício de Notas do Rio de Janeiro, além dos EXTRATOS BANCÁRIOS e os LIVROS DIÁRIO E RAZÃO da pessoa jurídica sob ação fiscal; 7. Em 12/04/2010, a contribuinte foi reintimada a comprovar que a PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, liquidou, em 16 de outubro de 2002, o empréstimo de US$ 2.000.000,00 (dois milhões de dólares norteamericanos), da empresa MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S/A, CNPJ n°. 31.876.709/000189 com o Citibank N.A., International Banking Facility; 8. Em 06/08/2010, a fiscalizada foi intimada a comprovar a substituição dos avalistas do contrato de empréstimo (Credit Agreement) da MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S/A, com o Citibank N.A., International Banking Facility, quais sejam, Sr. RENATO RIBEIRO ABREU, CPF n° 181.839.56734, e esposa, pela PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED. 9. Em 17/09/2010, a fiscalizada foi mais uma vez intimada a apresentar os documentos (contratos, adendos, escrituras, documentação emitida oficialmente pela instituição bancária, contratos entre PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S.A e o Citibank N.A., International Banking Facility, tempestivamente registrados em Cartório de Registro de Títulos e Documentos, registros obrigatórios no Banco Central, lançamentos contábeis à época dos fatos, etc.) que comprovassem que a empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, é de fato CREDORA do contrato objeto da escritura pública de Assunção de Dívida e Dação em Pagamento n° 44, lavrada pelo Cartório do I o Ofício de Notas do Rio de Janeiro, em 19 dezembro de 2006; Fl. 280DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 281 4 10. Assim, da análise procedida na escrituração contábil e documentos apresentados pela fiscalizada, verificamos que: a) A contribuinte adquiriu, entre outras, as ações da empresa SOHAGRO MARINA NORDESTE S/A, CNPJ n° 13.432.174/000175, pertencente ao grupo MPE S/A Participações e Administração, pelo valor de R$ 6.503.726,97 (seis milhões, quinhentos e três mil, setecentos e vinte e seis reais e noventa e sete reais), em 19 de dezembro de 2006, de acordo com a escritura pública de Assunção de Dívida e Dação em Pagamento lavrada pelo Cartório do I o Ofício de Notas do Rio de Janeiro; b) Em contrapartida à aquisição, a fiscalizada contabilizou um passivo, na conta Empréstimo e Financiamento a Pagar (conta "Partners International Limited"), conforme se constata nos lançamentos contábeis às fls. 2 e 3, do livro Diário n° 1, no Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2006, transcrito às fls. 8 e 9 e no Razão da conta "Partners International Limited" n° 210103, às fl. 14, do livro Diário n° 1, em decorrência da dívida que teria assumido da empresa MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S/A, CNPJ 31.876.709.000189, através da Assunção de Dívida; c) Todavia, da análise procedida no referido contrato (Credit Agreement), firmado entre a MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S/A, CNPJ 31.876.709.000189, e o Citibank N.A., International Banking Facility, em 02 de agosto de 1999, constatamos que a empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED não consta como fiadora do referido contrato, como faz crer a escritura de Assunção de Dívida e Dação em Pagamento. O que se verifica é que os Srs. RENATO RIBEIRO ABREU, CPF n° 181.839.56734, e MARIA DE LOURDES MAIA ABREU, CPF. n° 019.154.15756, presidente do grupo MPE e esposa, são os avalistas do empréstimo, inclusive, ambos assinaram a carta de aval, anexa ao referido contrato de empréstimo, "GARANTIA INCONDICIONAL BOM POR AVAL"; d) Destarte, a empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED não efetuou o pagamento da dívida na qualidade de fiadora, conforme se verifica na documentação apresentada pela fiscalizada, não podendo, desta forma, se subrogar nos direitos do credor. Assim, o pagamento, efetuado em 16 de outubro de 2002, extinguiu o contrato de empréstimo, da MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S.A com o Citibank N.A., International Banking Facility. Ou seja, não se trata, no presente caso, de um terceiro interessado que paga a dívida, conforme especifica o art. 346 do Código Civil Brasileiro de 2002, ao tratar do Pagamento com SubRogação: Art. 346. A subrogação operase, de pleno direito, em favor: I do credor que paga a dívida do devedor comum; II do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; III do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte. e) Conforme itens acima, a fiscalizada foi intimada a comprovar a substituição dos avalistas do referido empréstimo, e intimada a apresentar os documentos (contratos, adendos, escrituras, documentação emitida oficialmente pela instituição Fl. 281DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 282 5 bancária, contratos entre PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S.A e o Citibank N.A., International Banking Facility, tempestivamente registrados em Cartório de Registro de Títulos e Documentos, registros obrigatórios no Banco Central, lançamentos contábeis à época dos fatos, etc.) que comprovem a veracidade da subrogação pretendida pela empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED; f) Entretanto, além de não ter apresentado comprovação relativa à substituição dos avalistas, também não foi apresentada a esta fiscalização documentação hábil comprobatória de que a empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED era de fato a credora, por subrogação, da dívida do empréstimo contraído pela MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S/A, no contrato objeto da escritura de Assunção de Dívida e Dação em Pagamento, n° 44, lavrada pelo Cartório do I o Ofício de Notas do Rio de Janeiro; g) Para comprovar que a dívida, existente entre a MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S/A, e o CITIBANK N. A, foi de fato liquidada pela PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, pelo valor de US$2.000.000,00, a fiscalizada apresentou uma carta de um gerente (manager) do Citibank que informa que no dia 16 de outubro de 2002 recebeu pagamento da PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, como avalista, de todos os valores pendentes devidos sob o contrato de crédito. O que se constata na leitura da referida carta é que sequer o valor do pagamento é mencionado, tratase de mero expediente do banco e não se trata de documento hábil para comprovação da substituição dos avalistas. h) Constatase, então, que a fiscalizada adquiriu as ações da empresa SOHAGRO MARINA NORDESTE S/A, CNPJ n° 13.432.174/000175, pelo valor de R$ 6.503.726,97 (seis milhões, quinhentos e três mil, setecentos e vinte e seis reais e noventa e sete reais), em 19 de dezembro de 2006, e pretende comprovar a forma de aquisição através de uma Assunção de Dívida e Dação em Pagamento, efetuada de forma imperfeita, em desacordo com o ordenamento jurídico pátrio, conforme acima demonstrado, valendose de uma dívida já liquidada de um contrato já extinto, o que caracteriza a existência de obrigação já paga, no valor de R$ 6.503.726,97, mantidas no passivo da fiscalizada, constante do Balanço Patrimonial da empresa, em 31/12/2006, o que evidência a ocorrência de PASSIVO FICTÍCIO, conforme art. 281 do RIR 3000/99; i) Verificamos que a fiscalizada registrou, inclusive, o seguinte histórico no lançamento contábil do passivo, no livro Diário n° 1, às fl. 02, 03 e 14 Valor ref. a dívida assumida junto ao Citibank cf escritura de Assunção de Dívida e Dação em Pagamento, livro 4979 fls. 170 e 171, ato 44, cf Cartório do Io. Oficio de Notas RJ R$ 6.503.726,97. Tal valor consta, também, no Balanço Patrimonial da empresa, em 31/12/2006, transcrito às fls. 9, do Diário n° 1, compondo o total do PASSIVO CIRCULANTE no valor de R$ 18.312.226,97; j) Posteriormente, em 06/06/2007, a fiscalizada deu baixa nesse passivo para aumentar o capital pertencente à PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, empresa estabelecida e organizada de acordo com as leis de paraísos fiscais. E a referida escritura de Assunção de Dívida e Dação em Pagamento foi utilizada para transferir, em 18 de maio de 2007, o contrato de câmbio, registrado no Banco Central, da MPE com o Citibank, para a fiscalizada e a PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED. k) Dos exames procedidos ficou contatada omissão de receitas, na importância de R$ 6.503.726,97, caracterizada pela existência, no passivo da fiscalizada, de obrigação já paga, relativamente à dívida da empresa MPE Fl. 282DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 283 6 MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S/A, CNPJ 31.876.709.000189, empréstimo contraído junto ao Citibank N.A., International, e transferida à fiscalizada, através de Assunção de Dívida, conforme a escritura pública n. 44, de ASSUNÇÃO DE DÍVIDA E DAÇÃO EM PAGAMENTO, lavrada pelo Cartório do I o Ofício de Notas do Rio de Janeiro, em 19 de dezembro de 2006. O enquadramento legal indicado no auto de infração é Art. 281, inciso III, art. 288 e Art. 528, todos do RIR/99 AUTOS DE INFRAÇÃO CORRELATOS CSLL, PIS e Cofins. Os autos de infração correlatos decorrem da mesma infração que serviu de base para a autuação do IRPJ. E teve por base os seguintes enquadramentos legais: [...] A contribuinte foi cientificada em 11/04/2011 conforme Aviso de Recebimento dos Correios às fls. 172 e, irresignada, apresentou a impugnação de fls. 177/185 em 10/05/2011. Em resumo a impugnação contém as seguintes argumentações/requisições: 1) Em 19/12/2006 a AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINSTRAÇÃO LTDA, adquiriu, entre outras, 99,99% das ações da empresa SOHAGRO MARINA DO NORDESTE S/A, CNPJ 13.432.174/000175, pertencente ao GRUPO MPE S/A Participações e Administração, CNPJ 04.743.819/000108, através de uma Assunção de Dívida com Dação em Pagamento conforme escritura lavrada pelo Cartório do 1o Ofício de Notas do Rio de Janeiro, em 19/12/2006, ato n° 44, do livro 4979, fls. 170/171. 2) Em contrapartida à aquisição, a AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA contabilizou um passivo, na conta Empréstimo e Financiamento a Pagar (conta "Partners International Limited"), conforme se constata nos lançamentos contábeis às fls. 2 e 3, do livro Diário n° 1, no Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2006, transcrito às fls. 8 e 9 e no Razão da conta "Partners International Limited" n° 210103, às fi. 14, do livro Diário n° 1, em decorrência da dívida que teria assumido da empresa MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S/A, CNPJ 31.876.709.000189, através da Assunção de Dívida conforme os termos a seguir: CLAUSULA PRIMEIRA: A Devedora Originária firmou um contrato de empréstimo (Credit Agreement), em 02 de agosto de 1999, com o Citibank N .A., International Banking Facility, no valor de US$ 2.000.000,00 (dois milhões de dólares norteamericanos); CLAUSULA SEGUNDA: A credora, PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, efetuou, em 16 de outubro de 2002, em sua capacidade de fiadora no âmbito do contrato de empréstimo (credit Agreement), o pagamento de todo valor devido pela devedora original, até a referida data, tendo recebido a devedora original, inclusive, plena quitação do Citibank N. A, International Bankin Facility. CLAUSULA TERCEIRA: ASSUNÇÃO DE DÍVIDA: Que com o fim de substituir o sujeito obrigado pelo pagamento da dívida de que trata a CLAUSULA PRIMEIRA, a Nova Devedora, e com a concordância expressa da Credora, assume a obrigação pelo pagamento da mesma, comprometendose com a Credora, a realizar o pagamento da dívida comentada acima. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 284 7 3) Deste momento em diante o Termo de Verificação e de Constatação Fiscal passa a analisar a operação feita alegando, em linhas gerais, que: 3.1) – “a empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED não consta como fiadora do referido contrato, 3.2) a empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED não efetuou o pagamento da dívida na qualidade de fiadora, desta forma não podendo se subrogar nos direitos do credor. " 3.3) o pagamento, efetuado em 16 de outubro de 2002, extinguiu o contrato de empréstimo, da MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S.A com o Citibank N.A., International Banking Facility, não se tratando de um terceiro interessado que paga a dívida, conforme especifica o art. 346 do Código Civil Brasileiro de 2002, ao tratar do pagamento com SubRogação. 3.4) a AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA adquiriu as ações da empresa SOHAGRO MARINA NORDESTE S/A, CNPJ n° 13.432.174/000175, pelo valor de R$ 6.503.726,97 (seis milhões, quinhentos e três mil, setecentos e vinte e seis reais e noventa e sete reais), em 19 de dezembro de 2006, através de uma Assunção de Dívida e Dação em Pagamento, efetuada de forma imperfeita, em desacordo com o ordenamento jurídico pátrio, conforme acima demonstrado, valendose de uma dívida já liquidada de um contrato já extinto. 4) Cumpre esclarecer inicialmente o conceito de subrogação. 5) A subrogação é uma forma de pagamento. Ocorre quando um terceiro interessado paga a dívida do devedor, colocandose no lugar de credor. Neste caso, a obrigação só se extingue em relação ao credor satisfeito, mas continua existindo em relação àquele que pagou a dívida. 6) Um exemplo de subrogação é o caso do fiador que paga ao credor a dívida do devedor. Como coresponsável pela dívida, ou seja, como terceiro interessado, o fiador se antecipa ao devedor insolvente pagando a dívida, e colocandose no lugar do credor, em relação ao qual a dívida se extingue. 7) A modalidade de subrogação mencionada no auto de infração foi a legal constante do inciso III do artigo 346 do CC. 8) entretanto a forma de subrogação empregada na assunção de dívida com dação em pagamento firmada entre a impugnante e MPE S/A – Participações e Administração é a convencional, qual seja a que deflui exclusivamente da vontade das partes, tendo o caráter puramente contratual. 9) O art. 347 do Código Civil define: " A subrogação é convencional: 1 quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos; II quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante subrogado nos direitos do credor satisfeito." Fl. 284DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 285 8 Na hipótese do inciso I, a subrogação assemelhase a cessão de crédito, onde o credor e a terceira pessoa ajustam entre si a transferência do crédito e todas as suas garantias, independentemente da ciência ou não do devedor. Na hipótese do inciso II, a subrogação se dá por iniciativa do devedor, que ajusta com terceiro, independentemente da ciência ou não do credor, o empréstimo da quantia certa necessária para sanar a sua dívida. A justificativa legal para o credor não ser cientificado está no fato de que o este, recebendo aquilo que lhe é devido, não tem do que reclamar; não lhe interessa de que forma o devedor pagou a dívida, o que realmente lhe importa é que recebeu seu crédito. 10) Portanto não há que se falar em obrigatoriedade da relação de fiança da PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED e MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS S.A. A subrogação da PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED é a convencional, ou seja, fruto da vontade das partes expressa na Assunção de Dívida com Dação em Pagamento, já citada. Logo, todas as intimações e solicitações para comprovação de substituição de avalistas e existência de relação de fiança são sem eficácia, pois não há necessidade que esta relação se caracterize por não se tratar de subrogação legal e sim da convencional, conforme descrito no ordenamento jurídico pátrio, ao contrário do que está afirmado no Termo de Verificação e de Constatação Fiscal. 11) Na continuidade do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal, nos itens 4.8 e 4.9, é feita menção a existência de obrigação já paga, no valor de R$ 6.503.726,97, mantida no passivo da impugnante, constante de seu Balanço Patrimonial, em 31/12/2006, o que caracterizaria omissão de receita consoante inciso III do artigo 281 do RIR/99. 12) Da forma como está descrito nos itens 4.8 e 4.9 do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal depreendese que a Obrigação da empresa AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA para com a empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, registrada no Passivo da empresa AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA foi quitado e não há registro deste lançamento durante o período fiscalizado. 13) Mas, justo o que ocorre e é descrito no mencionado Termo, é que houve quitação da empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED para com o CITIBANK N. A. Não existe quitação da obrigação da empresa AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA, objeto da presente fiscalização, com a empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED. A obrigação continuou registrada na contabilidade da empresa AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA, tendo como contrapartida as ações da SOHAGRO MARINA NORDESTE S/A. Portanto não há Passivo Fictício da empresa AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA, ora impugnante. 14) A razão e o sentido, dentro da ciência contábil, para este artigo do RIR Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3000/99, resultar em um valor passível de autuação, é a presunção de omissão de receita decorrente da liquidação da obrigação pelo sujeito passivo objeto da fiscalização. É obvio e suficientemente claro que não há, no caso em tela, esta ocorrência. O que temos é simplesmente a compra de um ativo (participação societária) em contrapartida a um valor exigível por terceiros (assunção de dívida). O que vem a ocorrer com o auto de infração ora impugnado é praticamente um erro material de sujeito passivo, pois quem liquidou a operação e teria que comprovar a disponibilidade de numerário para o pagamento, Fl. 285DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 286 9 foi a empresa PARTNERS INTERNATIONAL LIMITED, quando da liquidação da operação com o Citibank N.A. International Banking Facility. 15) A fiscalização também não logrou êxito em demonstrar que a obrigação constante do Passivo da empresa impugnante, AGRO PARTICIPAÇÕES e ADMINISTRAÇÃO LTDA, não tenha sido comprovada. Em momento algum existe menção no aludido Termo de Verificação e Constatação Fiscal, de que a obrigação não existisse. Ressaltamos o motivo da autuação fiscal pela transcrição do Termo no item 4.9: "4.9 O fato acima exposto caracteriza a existência de obrigação já paga, no valor de R$ 6.503.726,97, mantidas (sic) no passivo da fiscalizada, constante do Balanço Patrimonial da empresa, em 31/12/2006, o que evidência a ocorrência de PASSIVO FICTÍCIO" Desta forma, a fiscalização comprova e usa a existência da obrigação no Passivo da impugnante para o lançamento tributário. Mas erra de forma evidente e elementar, pois essa obrigação não foi quitada ou paga pelo sujeito passivo objeto da fiscalização e sim por outro, em momento e oportunidade absolutamente diferentes da data da autuação. 16) no aludido Termo de Verificação e Constatação Fiscal descreve com minudência o lançamento contábil da empresa ora impugnante, servindo, em nosso entender, como motivação para a legitimidade e conformidade legal da operação de Assunção de Dívida com Dação em Pagamento firmada entra as partes, AGRO PARTICIPAÇÕES E administração LTDA e MPE S/A Participações e Administração como transcrevemos abaixo: "4.10 Verificamos que a fiscalizada registrou, inclusive, o seguinte histórico no lançamento contábil do passivo, no livro Diário n° 1, às fl. 02, 03 e 14 Valor ref. a dívida assumida junto ao Citibank cf escritura de Assunção de Dívida e Dação em Pagamento, livro 4979 fls. 170 e 171, ato 44, cf Cartório do 1o. Oficio de Notas RJ R$ 6.503.726,97. Tal valor consta, também, no Balanço Patrimonial da empresa, em 31/12/2006, transcrito às fls. 9, do Diário n" 1, compondo o total do PASSIVO CIRCULANTE no valor de R$ 18.312.226,97;" Esta descrição atende perfeitamente aos requisitos contábeis para sua validade e efetividade. Repisamos uma vez mais que a operação acima descrita, em momento algum foi descaracterizada ou considerada inexistente de fato pela fiscalização. Ao contrário, ela comprovou e motivou seu lançamento tributário de ofício nos documentos e nos assentos contábeis do contribuinte ora impugnante. Desta forma, em atendimento às normas legais baseadas na própria Constituição Federal, na Lei do Processo Administrativo, Lei 9784/99, no Código Tributário Nacional, Lei 5172/66, no Processo Administrativo Fiscal, Decreto 70.235/72 e em incontáveis documentos legais levam o Lançamento Tributário, que tenha por base fatos, circunstâncias e provas obtidas sem o concurso da plena motivação, razoabilidade e proporcionalidade, à completa nulidade. [...] Fl. 286DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 287 10 A 6ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1267.873, de 22/08/2014 (fls. 219/232), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA.PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção no passivo de uma obrigação cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receitas. Contribuição Social Sobre Lucro Líquido CSLL; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS AUTOS DE INFRAÇÃO CORRELATOS. Sendo uma mesma infração fato gerador que enseja a incidência de outro tributo, a mesma sorte terá o auto de infração correlato observada sua base de cálculo, período de apuração e alíquota própria. Ciente da decisão de primeira instância em 22/09/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 246, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/10/2014 Termo de Solicitação de Juntada à folha 250. No recurso interposto (fls. 252/266), após historiar o ocorrido, sob sua ótica, a interessada passa a rebater, ponto a ponto, a acusação fiscal, com argumentos semelhantes àqueles aduzidos em sede de impugnação. Ressalta, com especial ênfase, o reconhecimento, pelo Banco Central do Brasil, da escritura de Assunção de Dívida e Dação em Pagamento, para fins de transferir o contrato de câmbio registrado da MPE com o Citibank para a fiscalizada e a Partners. Reafirma que a subrogação discutida seria a convencional, tratada pelo art. 347, inciso I, do Código Civil/2002. Conclui com o pedido de cancelamento do crédito fiscal exigido. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno da acusação de omissão de receitas, quantificada com base na presunção legal conhecida como “passivo fictício” ou “passivo não comprovado” estatuída pelo art. 12, § 2º, do DecretoLei nº 1.598/1977 e art. 40 da Lei nº 9.430/1996, bases legais do art. 281, inciso III, do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Isso fica muito claro no item 4.9 do Termo de Verificação Fiscal, fl. 11: Fl. 287DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 288 11 4.9 O fato acima exposto caracteriza a existência de obrigação já paga, no valor de R$ 6.503.726,97, mantidas no passivo da fiscalizada, constante do Balanço Patrimonial da empresa, em 31/12/2006, o que evidencia a ocorrência de PASSIVO FICTÍCIO, conforme art. 281 do RIR [...] Eis o dispositivo em comento: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): [...] III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. As presunções legais são um instrumento que permite ao Fisco a constituição de créditos tributários em situações que seriam de muito difícil alcance. Uma vez verificado, na prática, que um determinado fato econômico está, na grande maioria dos casos, associado ao fato gerador tributário, a lei atribui àquele primeiro fato (denominado fato indiciário) a condição de necessário e suficiente para a constituição de crédito tributário, sem a necessidade de provar diretamente a ocorrência do fato gerador. A presunção dizse relativa quando o contribuinte tem a faculdade de provar que, em seu caso particular não ocorreu o fato gerador, apesar de ter ocorrido o fato indiciário. É a inversão do ônus da prova. Naturalmente, o fato indiciário deve ser provado sem qualquer sombra de dúvida. Além disso, a presunção deve ser aplicada dentro da situação fática que, reiteradamente observada na vida econômica das empresas, conduziu o legislador a estatuir a presunção legal. Especificamente sobre a presunção legal aqui discutida, Higuchi1 leciona que: Passivo fictício, como o próprio nome está a indicar, é o passivo inexistente, ou seja, duplicatas de fornecedores ou contas a pagar já liquidadas mas não baixadas na contabilidade por falta de saldo contábil suficiente na conta Caixa. O dinheiro existiu fisicamente para pagar as contas, mas se os pagamentos fossem contabilizados a conta Caixa ficaria com saldo credor, isto é, denunciaria que houve mais saídas que entradas de dinheiro. A inteligência da presunção é de que o contribuinte efetivamente fez o pagamento, mediante o emprego de recursos que não constavam de sua escrita contábil. Não pode haver dúvidas de que a obrigação foi efetivamente quitada, e que os recursos eram pertencentes ao próprio contribuinte. Observese: se o contribuinte conseguir provar que, apesar de não registrada a baixa em sua contabilidade, a obrigação foi extinta com recursos de terceiros, a presunção legal não subsiste. No caso concreto, a acusação de passivo fictício se baseia no fato de que, no entender da fiscalização, a obrigação no valor de R$ 6.503.726,97, mantida no passivo da então fiscalizada em 31/12/2006, já teria sido anteriormente paga. Em 2002, muito antes mesmo da existência no mundo jurídico da interessada no presente processo, a Partners teria liquidado um 1 HIGUCHI, Hiromi, e outros. Imposto de Renda das Empresas Interpretação e Prática. 29ª Ed. São Paulo: Editora do Autor, 2004, pp. 598/599. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 289 12 contrato de financiamento entre a MPE Montagens e Projetos Especiais S/A e o Citibank. Não sendo a Partners parte do contrato, nem mesmo como avalista ou fiador, o Fisco questiona a subrogação da dívida. É questionada, até mesmo, a própria liquidação do débito, se integral ou parcial, visto que o documento do Citibank não o especifica. No entender do Fisco, se a Partners não se subrogou nos direitos de credor em face da MPE, então a MPE não era devedora da Partners, não existiria qualquer dívida a ser assumida pela então fiscalizada Agro, em contrapartida ao recebimento das ações da Sohagro. O passivo da fiscalizada, obrigação em face da Partners, seria então inexistente. Nas discussões travadas até o momento, muita importância se deu à questão da subrogação da dívida, se seria a subrogação legal, nos termos do art. 346 do Código Civil Brasileiro/2002, ou, por outro lado, se seria a subrogação convencional, prevista no art. 347 do mesmo diploma legal. Sustenta o Fisco que não poderia ter ocorrido a subrogação legal, por ausência dos pressupostos para tanto. Por outro lado, a interessada afirma que se tratou, na hipótese, de subrogação convencional, apesar de não apresentar um instrumento legal, datado da época dos fatos, no qual os direitos fossem expressamente transferidos do credor (no caso, o Citibank) para o terceiro que efetuou o pagamento (no caso, a Partners). No meu entender, tal discussão perde relevância, diante do fato de que, ainda que se possa concluir pela inexistência da dívida entre Partners e MPE, não vejo como se possa entender que o desembolso para satisfazer o Citibank, em 2002, teria sido feito pela fiscalizada Agro, que nem mesmo existia à época. Diante disso, o contexto para a aplicação da presunção de passivo fictício se mostra inadequado. O máximo a que se poderia chegar, em tese, seria à afirmação de que a Agro teria recebido da MPE as ações da Sohagro graciosamente, sem qualquer contrapartida, já que o passivo assumido seria inexistente (ou já teria sido quitado pela Partners em 2002). Mas em lugar algum dos autos encontro qualquer afirmação, muito menos prova, de que teria havido um desembolso por parte da Agro, à margem da escrituração, como pagamento das ações recebidas, e que, como conseqüência lógica, toda a operação de assunção de dívida seria simulada. Acrescento, ainda, que não existe nos autos qualquer afirmação ou prova de que a Partners e a MPE tivessem algum vínculo, seja de controle societário, seja de dirigentes em comum, de tal forma que se pudesse pensar em uma operação orquestrada. Por qualquer vertente que se analise a situação, o resultado é o mesmo. Se assumirmos que a obrigação da MPE junto ao Citibank foi quitada pela Partners em 2002, mas que esta (por qualquer motivo) não se subrogou nos direitos de credor, a obrigação contabilizada no passivo da Agro em 2006 se revela inexistente, mas isso não autoriza o entendimento de que os recursos empregados para a quitação da obrigação junto ao Citibank (em 2002) se originaram da Agro, nem que a quitação das ações da Sohagro (em 2006) tenha sido feita em numerário proveniente de receitas omitidas, e não mediante a assunção de dívida. Por outro lado, se for considerado que o documento de quitação da obrigação da MPE junto ao Citibank é insuficiente para comprovar que o pagamento foi feito (integralmente) pela Partners, esta não poderia se subrogar (integralmente) nos direitos de credor em face da MPE, e as conclusões anteriores se repetem. Nessa linha de raciocínio, concluo que a presunção de omissão de receitas com base em passivo fictício não se aplica à situação sob exame. Não se trata de negar validade à presunção legal, importante instrumento que o legislador põe à disposição do Fisco para coibir a sonegação, mas de aplicála corretamente, dentro do contexto em que concebida. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301001.929 S1C3T1 Fl. 290 13 Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário, com o que restam afastadas as exigências do presente processo. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10830.003540/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2003
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.900
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima acompanhou pelas conclusões.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003540/200719 Acórdão n.º 140200.900 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório FORT DODGE MANUFATURA LTDA recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de procedimento fiscal realizado pelo SEFIS DRF/Campinas SP, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.04.002006 006044, concluído com a lavratura de Autos de Infração no total de R$ 2.147.224,59, abrangendo o anocalendário de 2003 e contemplando os tributos e valores a seguir descritos, incluindose o principal, multa de ofício à razão de 75,00% e juros de mora calculados até 31/05/2007: (...) DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL A ação fiscal iniciouse com o Termo de Intimação lavrado 16/01/2007, ciência por via postal em 22/01/2007 (fls. 25/26), no qual a contribuinte foi cientificada de que, mediante procedimento de revisão de sua DIPJ do ano calendário/2002 – exercício/2003, foi constatado que os valores informados em DIPJ referentes ao IRPJ a Pagar e CSLL a Pagar, estavam superiores ao que foi declarado em DCTF ou superiores aos efetivos recolhimentos realizados e que deveria a fiscalizada no prazo de cinco dias, prestar os esclarecimentos necessários, inclusive com disponibilização de livros e documentos necessários à análise por parte do Fisco. Em 25/01/2007, a fiscalizada apresentou pedido de prorrogação de prazo para atendimento (fls. 27). Em 31 do mesmo mês, a Auditora responsável pela ação fiscal lavrou o Termo de Intimação n 2, no qual cientificou o sujeito passivo de que o procedimento de revisão da DIPJ foi ampliado para o anocalendário/2003 – exercício/2004 (fls. 30), ciência em 05/02/2007 (fls. 31). Às fls. 32/154, o Fisco juntou os documentos que lastrearam a ação fiscal. DA ACUSAÇÃO FISCAL Em Termo de Verificação de fls. 14/24, datado de 12/06/2007, a Autoridade Fiscal relatou o resumo de todo o procedimento havido, discorrendo sobre as irregularidades apuradas, sobre o procedimento da fiscalizada em utilizarse do instituto da compensação para extinguir créditos tributários e fez outras observações relativas à ação fiscal realizada, concluindo, naquilo que se insere nos presentes autos: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003540/200719 Acórdão n.º 140200.900 S1C4T2 Fl. 0 3 i) que, “os valores do IRPJ e da CSLL foram obtidos nas respectivas Declarações de Imposto de Renda entregues à Secretaria da Receita Federal” e que referidos impostos, nos anoscalendário de 2002 e 2003, “foram apurados com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução”; ii) que, “parte do imposto e da contribuição social mensal apurada nos anos de 2002 e 2003 foi compensada com o pagamento a maior efetuado durante o ano de 2000”; iii) que, “nas respectivas DCTF entregues à SRF, foram declarados como “Débitos” apenas os valores com pagamentos correspondentes, não tendo sido informados os valores totais apurados mensalmente, com as respectivas compensações efetuadas. Também não foram entregues as respectivas Declarações de Compensação à SRF, conforme legislação pertinente”; iv) que, “as compensações foram registradas na contabilidade, conforme documentos apresentados pelo contribuinte, mas não foram informadas à SRF; v) que, “a Instrução Normativa SRF nº 21 [que regulava a matéria] foi revogada pela Instrução Normativa nº 210, de 30 de setembro de 2002”; vi) que, “sob a luz da legislação, parte dos débitos de IRPJ e Contribuição Social do contribuinte, apurados mensalmente no ano de 2003, estão compensados contabilmente mas não estão declarados em DCTF, não estando, portanto, lançados. Os referidos débitos também não se encontram extintos por compensação, uma vez que não foram entregues as respectivas Declarações de Compensação, conforme exigência legal, a partir de 1º/10/2002, para que ocorresse a extinção”; vii) que, por todo o exposto (...) concluise pela necessidade de efetuar o lançamento de ofício de parte do IRPJ e da CSLL apuradas durante o ano de 2003”; viii) que, “a base de cálculo do lançamento foi obtida na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica entregue à Secretaria da Receita Federal”; ix) que, “como parte do IRPJ e da CSLL apurados mensalmente no ano de 2003 deixaram de ser pagos, também será lançada multa de 50% , exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal”; x) que, “em relação ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003, farão parte do Auto de Infração, do qual o presente Termo é parte integrante, os valores constantes da DIPJ/2004 e compensados com o crédito de pagamento a maior efetuado durante o ano de 2000, e não declarados em DCTF, conforme a seguir demonstrado”: A/C 2003 VLR.TOTAL APURADOR$ VLR. DECL.DCTF DEZ/2003R$ VLR.TOTAL A LANÇARR$ IRPJ 119.758.891,23 119.259.468,87 499.422,36 CSLL 43.102.308,49 42.822.423,84 279.884,65 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003540/200719 Acórdão n.º 140200.900 S1C4T2 Fl. 0 4 xi) que, “em relação à multa exigida isoladamente pelo não pagamento mensal do IRPJ e da CSLL, farão parte do Auto de Infração, do qual o presente Termo é parte integrante, os valores de 50% do IRPJ e da CSLL apurados mensalmente, constantes da DIPJ/2004, e não pagos, conforme a seguir demonstrado”: MÊS VLRS. APURADOS MULTA 50% VLRS. APURADOS MULTA 50% ANO IRPJ R$ IRPJ R$ CSLL R$ CSLL R$ mar/03 16.452,95 8.226,48 8.083,06 4.041,53 abr/03 227.291,35 113.645,67 82.544,89 41.272,44 mai/03 70.891,80 35.445,90 26.241,05 13.120,53 dez/03 184.786,26 92.393,13 163.015,65 81.507,83 TOTAL 499.422,36 249.711,18 279.884,65 139.942,33 xii) que, “os valores do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurados na presente ação fiscal foram objeto de lançamento de ofício, com os devidos acréscimos legais, constituindose o Crédito Tributário, nos termos do artigo 142 do CTN”. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS Os autos de infração relativos às diferenças de IRPJ e de CSLL, bem como os de MULTA ISOLADA DO IRPJ e MULTA ISOLADA DA CSLL, foram lavrados em 12/06/2007, formalizado e protocolizado o processo administrativo pertinente e estão juntados às fls. 01 a 13 e 71/72. A ciência da contribuinte fezse em 05/07/2007, por seu diretor financeiro, na forma do Contrato Social de fls.144/154. DA IMPUGNAÇÃO Ciente da conclusão do procedimento fiscal e da lavratura dos autos de infração, a contribuinte, em 03/08/2007, através procuradores devidamente constituídos, apresentou a Impugnação de fls. 156/162, juntando, ainda, documentos de fls. 163/211. Na peça impugnatória a defesa faz, inicialmente, um breve relato dos fatos e declina: > que, por “opção eminentemente gerencial, não pretende discutir o mérito das exigências fiscais formuladas, tendo realizado, nos dias 1.8.2007 e 2.8.2007, a liquidação de parte dos 2 Autos de Infração lavrados (docs. 6 a 12). Precisamente, do principal e seus acréscimos legais, de modo a extinguilos com base no artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN)” (destaques no original); > que, “resta como objeto da presente Impugnação, a multa isolada imposta à Requerente, que, pautada nos mesmo fatos geradores que, somados, basearam o Fl. 313DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003540/200719 Acórdão n.º 140200.900 S1C4T2 Fl. 0 5 cálculo da multa de ofício, vem constituir, inadmissível duplicidade, como reconhece a jurisprudência do E. Conselho de Contribuintes”; > que, “como já reportado, a D. Fiscalização opôs à Requerente, além da multa de ofício acrescida ao principal devido (e já liquidado), uma multa Isolada, com base no artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, com a redação atribuída pelo artigo 14 da Medida Provisória nº 351/07 (convertida na Lei nº 11.488/07)”; > que, “a multa isolada é exigida quando a pessoa jurídica, no pagamento de tributo por estimativa, deixa de fazêlo, mesmo que tenha apurado prejuízo fiscal/base de cálculo negativa no anocalendário correspondente”; > que, “não são necessárias maiores digressões para evidenciar a inexigibilidade dessa multa em hipóteses como a presente, em que também foi imposta à requerente a multa de ofício, calculada sobre a soma dos (mesmos) fatos geradores” (sublinhado no original); > que, “repisese: os valores dos tributos devidos (…) que basearam o cômputo da multa isolada, foram, exatamente os mesmos que, somados, constituíram a “base de cálculo” da multa de ofício. A unicidade da infração e a duplicidade da pena são claras” (destaques constam da peça de defesa). A seguir, a defesa transcreve inúmeras decisões do Conselho de Contribuintes sobre o tema, “todas proferidas no curso deste ano de 2007”, como realça. E complementa: “Enfim, é livre de dúvidas que a exigência da multa isolada expressa, senão imoralidade (artigo 37, “caput”, da CF/88), clara falta de razoabilidade e verdadeiro confisco do patrimônio do contribuinte”. Para requerer, finalmente: “Em vista disso, em face da extinção dos créditos tributários objeto de liquidação [item 4 da impugnação – fls. 157], a Requerente pleiteia o acolhimento da presente Impugnação, reconhecendose a inexigibilidade da multa isolada frente ao IRPJ e a CSLL devidos, com o cancelamento dos Autos e o arquivamento deste processo administrativo”. A decisão recorrida está assim ementada: Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Matéria Não Impugnada. Preclusão. A não apresentação de impugnação oportuna ao lançamento tornao matéria definitivamente julgada, restando preclusos novos questionamentos a respeito. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003540/200719 Acórdão n.º 140200.900 S1C4T2 Fl. 0 6 Multa Isolada. Falta de Recolhimento de Estimativas Mensais. O não recolhimento de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano calendário. Impugnação Improcedente. Cientificada da aludida decisão em 9/2/2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/3/2011 (fls. 240), no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): . Fl. 315DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003540/200719 Acórdão n.º 140200.900 S1C4T2 Fl. 0 7 É o relatório. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003540/200719 Acórdão n.º 140200.900 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigência em face do não recolhimento dos tributos devidos no ajuste anual, com multa de oficio de 75%, bem como da multa de oficio isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais em relação a esses mesmos valores, ou seja, a multa de oficio e a multa de mora estão sendo exigidas sobre a mesma base de cálculo. O contribuinte não contesta o principal e a multa de oficio de 75%, apenas a multa isolada. Quanto a multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre as bases estimadas, que está sendo exigido em concomitância com a multa de oficio proporcional, este Colegiado possui entendimento sedimentado, no sentido de sua inaplicabilidade. Nesse sentido, cito, dentre outros, o acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009,.cuja ementa transcrevo. EMENTA: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... Fl. 317DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003540/200719 Acórdão n.º 140200.900 S1C4T2 Fl. 0 9 § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003540/200719 Acórdão n.º 140200.900 S1C4T2 Fl. 0 10 Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Portanto, as multas de oficio isoladas, exigidas em concomitância com a multa de oficio proporcional, devem mesmo ser canceladas. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido dar provimento ao recurso voluntário, apenas para excluir a exigência da multa de oficio isolada do IRPJ e CSLL, lavrada em concomitância com a multa de oficio proporcional. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 319DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10166.000638/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
RESTITUIÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para aceitação de pedido de restituição, sobre créditos oriundos de debêntures emitidos pela Companhia Vale do Rio Doce.
Numero da decisão: 1301-001.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 RESTITUIÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para aceitação de pedido de restituição, sobre créditos oriundos de debêntures emitidos pela Companhia Vale do Rio Doce. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 06 38 /2 00 9- 58 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Relatório ITABA INDUSTRIA DE TABACO BRASILEIRA LTDA., apresentou pedido de restituição de crédito decorrente de debêntures emitidas pela Companhia Vale do Rio Doce, cujo total seria de R$ 20.282.065,92, conforme declarou. Encontrase também apensado a este processo o de nº 10166.007324/2009 86. A DRF em Barueri indeferiu o pedido, conforme Parecer Seort/DRF/BRE, assim fundamentado: as 63.636 debêntures participativas da empresa VALE, tipo CVRDA6, emitidas em julho/1997, não se enquadram no conceito de tributo ou contribuição administrado pela RFB, nem constitui outra receita da União arrecadada mediante Documento de Arrecadação Federal — DARF ou Guia de Recolhimento de Previdência Social — GPS, não atendendo ao disposto no art.1º, caput da IN RFB nº 900/2008. Não se conformando a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: a) as debêntures consistem em títulos extrajudiciais, nos termos do art. 585, I, do Código de Processo Civil, tendo sido incluídas no ordenamento jurídico nacional, como títulos de crédito que conferem a seus titulares direito de crédito contra o emitente pelo valor nominal e os juros nela estipulados, pela Lei n° 9.457/93 (que alterou a Lei n° 6.404/76); b) quanto à Instrução Normativa SRF n° 900/08, esta tratou de disciplinar critérios não previstos em lei, mister ao considerar vedada a restituição de créditos que não se refira a tributos administrados pela RFB, no presente caso as debêntures. Tal Instrução Normativa, em assim prevendo, extrapola sua função, ofendendo o Principio da Legalidade (artigo 5°, II, da CF/88); c) outrossim, requer que todas as intimações sejam feitas exclusivamente em nome de ALEXANDRE CESTARI RUOZZI, inscrito na OAB/SP sob o n° 120.662, e FABIANA DE ALMEIDA CHAGAS, inscrita na OAB/SP sob o n° 169.510, ambos com escritório na Av. Paulista, 2421, 8° andar, CEP 01311300, São Paulo/SP. A DRJ/JUIZ DE FORA (MG), analisando a matéria em lide, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, consubstanciado no Acórdão 09.52.160, de 29/05/2014, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 DEBÊNTURES EMITIDAS PELA VALE DO RIO DOCE O crédito decorrente de Debêntures emitidas pela Companhia Vale do Rio Doce não se presta à restituição pela Secretaria da Receita Federal, por inexistência de previsão legal. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade e da inconstitucionalidade de dispositivos legais, por se tratar de Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10166.000638/200958 Acórdão n.º 1301001.845 S1C3T1 Fl. 12 3 matéria de competência privativa do Poder Judiciário, nos termos da Constituição Federal. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador deve ser indeferido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal repete as argumentações iniciais, aduzindo em síntese que: "o v.acórdão recorrido não fez a devida análise dos fatos e a aplicação da legislação federal, de forma que inexiste óbice à restituição de valores constantes em debêntures, uma vez que representam um título executivo devido pela Administração Federal". Nessa linha, a recorrente traz um extenso arrazoado na tentativa de demonstrar que as debêntures utilizadas no pedido de restituição por se constituírem em espécie de títulos executivos são aptas ao procedimento requerido. Os argumentos da contribuinte/recorrente já foram analisados pela autoridade fiscal de origem e pela decisão recorrida que concluíram pela sua improcedência, expondo, em síntese, as razões e fundamentos que reproduzo. Nas condições expostas, as debêntures se constituem em títulos de crédito, negociáveis no mercado que lhe é próprio, sistematizadas através do SND – Sistema Nacional de Debênture e como tal, não se encontram contempladas na lei, como forma de compensação de créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. No que tange à restituição de tributos e contribuições, a matéria tem tratamento no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação que lhe foi dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(sem o destaque no original) A redação não deixa margem a dúvidas: para restituição, o sujeito passivo deverá apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrada pela Secretaria da Receita Federal, o que, conforme já se viu, não é o caso das Debêntures da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), que conforme explicitado se configuram em títulos de crédito. E quanto aos títulos, a Lei nº 10.179, de 2001, contempla os títulos da Dívida Pública de responsabilidade do Tesouro Nacional, dispondo da seguinte forma: “Art.1º Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos da dívida pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional, com a finalidade de: [...] Art. 2º Os títulos de que trata o caput do artigo anterior terão as seguintes denominações: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10166.000638/200958 Acórdão n.º 1301001.845 S1C3T1 Fl. 13 5 I – Letras do Tesouro Nacional – LTN, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; II – Letras Financeiras do Tesouro – LFT, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; III – Notas do Tesouro Nacional – NTN, emitidas preferencialmente para financiamento de médio e longo prazos. Parágrafo único. Além dos títulos referidos neste artigo, poderão ser emitidos certificados, qualificados no ato da emissão, preferencialmente para operações com finalidades específicas definidas em lei. [...] Art. 6o A partir da data de seu vencimento, os títulos da dívida pública referidos no art. 2o terão poder liberatório para pagamento de qualquer tributo federal, de responsabilidade de seus titulares ou de terceiros, pelo seu valor de resgate.” Assim, os títulos que poderiam ser usados para pagamento de qualquer tributo federal são aqueles expressamente relacionados no art. 2º supra, entre os quais é impossível classificar as Debêntures da Companhia Vale do Rio Doce. Observase, que a autoridade julgadora de primeira instância fundamentou sua decisão na ausência de fundamento legal que ampare a pretensão da recorrente. Deixa claro, de toda análise legal e procedimental do caso em apreço, que a restituição dos créditos originários de debêntures da Companhia Vale do Rio Doce não se encontravam nas hipóteses de restituição/compensação previstas em lei e, è evidente, que a Fazenda Pública, conforme dizeres do CTN, apenas pode restituir/compensar suas dívidas e créditos quando a lei autorizar. A Lei 9.430, de 1996, deixa claro que a compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, o que, reitera se, não é o caso do título apresentado pela recorrente. Nessa linha a Lei 10.637/2002, posteriormente modificada pela Lei 11.051/2004, veio alterar o §. 12, art. 74, da Lei 9.430/1996, que ficou com a seguinte redação: Art. 74 (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 (...) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Cabendo destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. No mais, entendo que as argumentações trazidas na peça recursal não lograram afastar as conclusões da autoridade tributária de origem e mantidas pela decisão recorrida, cujos fundamentos são aqui adotados como razão de decidir, com a permissão do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, para manter a autuação, verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Dessa forma, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 10074.000194/2005-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 03/06/2002
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO SH. CARACTERÍSTICA ESSENCIAL DO PRODUTO.
Se mesmo diante de laudos e relatórios técnicos sobre determinado produto químico resta impossível aferir sua devida classificação fiscal pelos textos constates das posições da NCM, cabe a utilização das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. E, sendo o produto como um todo impassível de classificação, cumpre diagnosticar a matéria essencial da mistura para fins de classificação fiscal.
Numero da decisão: 3402-002.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente a Dra. Alessandra Craveiro, OAB/RJ 87.500.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Thais de Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente da Turma), Carlos Augusto Daniel Neto (Vice-presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Indústria e Comércio Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/06/2002 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO SH. CARACTERÍSTICA ESSENCIAL DO PRODUTO. Se mesmo diante de laudos e relatórios técnicos sobre determinado produto químico resta impossível aferir sua devida classificação fiscal pelos textos constates das posições da NCM, cabe a utilização das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. E, sendo o produto como um todo impassível de classificação, cumpre diagnosticar a matéria essencial da mistura para fins de classificação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente a Dra. Alessandra Craveiro, OAB/RJ 87.500. Antonio Carlos Atulim Presidente. Thais de Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente da Turma), Carlos Augusto Daniel Neto (Vicepresidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 01 94 /2 00 5- 56 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da DRJ em Florianópolis (SC), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo integralmente o débito lançado. Por bem descrever os fatos ocorridos até o momento da decisão da DRJ, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Tratase, o presente processo de auto de infração decorrente de classificação fiscal incorreta que trata o Imposto de Importação, juros, multa proporcional, multa do controle administativo e multa por classificação fiscal incorreta que totalizam R$ 14.775,72. Seguem as alegações da fiscalização aduaneira. A empresa autuada importou, mediante Declaração de Importação (DI) n. 02/04865152, mercadorias descritas como "Ultrafine Filler GM U 1,0um" e "ultrafine Filler GM 27884 UF 0,7um" e as classificou no código NCM/SH 2811.22.90. Quando do desembaraço da DI, foi solicitado exame laboratorial, tendo sido emitidos laudos técnicos do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda que descreveu a mercadoria como Borosilicato de alumínio e bário", classificada no código NCM/SH 2842.10.90. Intimada a contribuinte (fl 04) ingressou a mesma com impugnação de fl (36). Seguem as alegações da empresa autuada. O Auditor Fiscal da Receita Federal desclassificara as mercadorias diferentemente dos laudos de análise n. 10013/02 e 10014/02 que concluíram que as mercadorias importadas eram produtos químicos inorgânicos. As mercadorias importadas são de fato produtos químicos inorgânicos, sendo que a Nota 4 do Capítulo 28 não deixa dúvidas que a classificação fiscal adotada na DI está correta. Não há sentido em tarifar o insumo com alíquota maior que o produto final (resina para obturação dentária NCM/SH 3006.40.12). Criarseia empregos no experior. Invocada a ADN Cosit n. 12/97. Solicita a improcedência da autuação." Em seu julgamento, a DRJ entendeu que a posição estampada no auto de infração é a correta ao produto em questão, julgando então procedentes os lançamentos tributários. Isto porque, no seu entender, os produtos importados seriam "sais" (sal duplo ou complexo), uma vez que o laudo técnico emitido pelo LABOR descreveu as mercadorias importadas como "produto químico inorgânico, borosilicato de alumínio de bário". Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10074.000194/200556 Acórdão n.º 3402002.855 S3C4T2 Fl. 156 3 Irresignado, o contribuinte recorre (fls 46 e seguintes) a este Conselho essencialmente afirmando existir: i) inconsistência do laudo técnico, trazendo relatório de análise química do produto, sendo necessária contraprova; ii) o produto não tem posição específica na TEC, devendo ser utilizada a regra 3b de interpretação (obras compostas), ou seja, classificase o produto pela sua característica essencial; iii) pelas notas explicativas do sistema harmonizado na posição 2842, item 5, letra k também se constata a correta classificação do produto, precisamente adotada pelo contribuinte em sua DI; iv) a aplicação, uso ou emprego do produto é determinante para a sua posição fiscal, sendo que a empresa recorrente tem como atividade predominante a fabricação de material farmacêutico/odontológico. Por esses fundamentos, pleiteia o cancelamento da diferença de imposto a pagar, bem como as multas que lhe foram aplicadas (artigo 84 inciso I da MP n. 215835, artigo 44, inciso I e artigo 61, §3º da Lei n. 9.430/96). Ainda, tendo em vista a ausência de comprovação de dolo ou máfé da recorrente, que instruiu a declaração com todos os documentos requeridos pelo artigo 493 do Regulamento Aduaneiro (RA), todos fidedignos e fiéis à fatura comercial da mesma importação, requer o cancelamento da multa de 30% do valor da mercadoria (artigo 633. inciso II, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro), com fulcro no ADNCOSIT n. 12/97. Nesse sentido, afirma que nunca houve a intenção em infringir a lei. Finalmente, lembra o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, que deve lhe socorrer em caso de dúvida. Quando da análise da questão por este Conselho, em 03 de fevereiro de 2010, o I. Conselheiro Relator entendeu que subsistia a dúvida quanto à natureza e composição das mercadorias importadas, bem como apresentou suspeita acerca da exigência de licenciamento não automático para produtos classificados na posição 2842.10.90. Por tais razões, decidiu converter o julgamento em diligência para a Unidade de Origem. Por meio do Relatório Técnico n. 109/11 (fls 125 e seguintes) do Laboratório de Química Analítica e Metrologia em Química (LAQAM) do Instituo Nacional de Tecnologia (INT), foram apresentadas todas as informações e respostas requeridas para o julgamento do processo. Intimado a se manifestar sobre tal relatório, a Recorrente trouxe suas considerações em fls 139 a 147. Em razão do afastamento do antigo Conselheiro Relator, os autos foram a mim distribuídos para o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, como já bem reconheceu este Conselho. Destarte, passo ao julgamento de seu mérito. Em síntese, a Recorrente e a Autoridade Fiscal divergem sobre a correta posição NCM/SH em que se enquadram os produtos objeto de importação mediante a DI n. 02/04865152, quais sejam "Ultrafine Filler GM 27884 UF 0,7um" e "Ultrafine Filler GM 27884 U 1,0um", doravante designados simplesmente "produtos" Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Haja vista que a discussão dos presentes autos versa sobre a classificação fiscal de mercadorias, para fins de recolhimento do Imposto de Importação ("II"), é válido tecer um breve esclarecimento a respeito da sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) para que, em seguida, seja possível a aplicação das regras estabelecidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”) acerca da forma utilizada para a classificação de mercadorias. Pois bem. A sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) obedece à seguinte estrutura: 00 00 00 0 0 No presente caso, a classificação no NCM/SH pretendida pela Recorrente é a 2811.22.90, enquanto a posição sustentada pela Fiscalização no auto de infração e ratificada pela DRJ é a 2842.10.90. Vejamos abaixo os capítulos, posições, subposições itens e subitens que tais número representam: · CLASSIFICAÇÃO 2811.22.90 (entendimento do contribuinte): Capítulo 28: Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou isótopos; Posição 11 Outros ácidos inorgânicos e outros compostos oxigenados inorgânicos dos elementos não metálicos; Subposição 22: dióxido de silício; Item/subitem 90: outros · CLASSIFICAÇÃO 2842.10.90 (entendimento fazendário): Capítulo 28: Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou isótopos; Posição 42 Outros sais dos ácidos ou peroxoácidos inorgânicos (incluindo aluminossilicatos de constituição química definida ou não) exceto as azidas; Subposição 10: silicatos duplos ou complexos, incluídos os aluminossilicatos de constituição química definida ou não; Item/subitem 90: outros. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10074.000194/200556 Acórdão n.º 3402002.855 S3C4T2 Fl. 157 5 Diante de complexidade das fórmulas químicas dos produtos sob análise, foi requerida diligência por este Conselho, que retornou com Relatório Técnico n. 109/11 do LAQAM INT. Saliento que os quesitos formulados por este Conselho, quando da requisição da citada diligência, foram extremamente precisos, justamente no objetivo de que a resposta sobre o correto enquadramento dos produtos na classificação NCM/SH fosse embasada em determinações técnicas. Seguem abaixo os quesitos ipsis litteris levados ao Instituto Nacional de Tecnologia: Percebase que, o primeiro quesito busca as características gerais do produto. Já, o segundo quesito permite que o aplicador do direito confirme que os produtos sob análise nestes autos efetivamente devem estar no "Capítulo 28" ("Produtos químicos inorgânicos ...)" da NCM. A seu turno, a resposta ao terceiro quesito permitiria a este Conselho averiguar a "Posição" correta na NCM, seja ela a 11 ("outros ácidos inorgânicos e outros compostos oxigenados inorgânicos dos elementos não metálicos") ou a 42 ("Outros sais dos ácidos ou peroxoácidos inorgânicos, incluindo aluminossilicatos de constituição química definida ou não" exceto as azidas), como pretendem contribuinte e fisco, respectivamente. Ou, caso inexista uma resposta precisa ao terceiro quesito, a resposta ao quarto traria maiores elementos ("grupo químico") para a classificação das mercadorias em questão. Ocorre que, apesar de muito bem formulados os quesitos para a solução do processo, as respostas trazidas no Relatório Técnico n. 109/11 não conseguem nos encaminhar para um sólido entendimento sobre classificação dos produtos. Isto porque as únicas respostas categóricas que o Relatório Técnico traz são: i) tratase sim um produto químico inorgânico, ii) mais precisamente é um "aluminoborosilicato de bário" de composição não definida, utilizado para formulação de produtos de restauração odontológica. Ademais disto, o Laudo Técnico n. 109/11 descreve os elementos representados como "óxidos", sendo essa uma "tentativa de melhor descrever a composição das amostras em questão". Traz, em seguida, uma tabela para apresentar a composição química dos produtos, ressalvando que "a análise elementar não é conclusiva quanto a forma como os elementos estão associados e sim quanto a quantidade de elementos presente, no caso silício (Si), bário (Ba), alumínio (Al) e Boro (B), que na tabela abaixo são expressos como Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 porcentagem em peso dos óxidos, como uma melhor forma de expressão dos resultados." Vejamos: Passando à análise do terceiro quesito, o Relatório Técnico esclarece que o produto em questão possui uma "estrutura química não definida, com ligações aleatórias", ou, em suas próprias palavras, é uma "substância amorfa" que não reagiu aos experimentos como se espera de nenhuma das substâncias elencadas pelo CARF (sal dos ácidos ou peroxoáciso inorgânicos incluídos os aluminossilicatos de constituição química definida ou não , exceto azidas ou um ácido inorgânico ou um composto oxigenado inorgânico dos elementos não metálicos), mesmo consideradas como misturas. Na resposta ao quarto quesito, tão somente confirmou tratase de "aluminoborosilicato de bário" de composição não definida, utilizado para formulação de produtos de restauração odontológica. Ou seja, muito embora tenhamos certeza que a classificação como produtos químicos inorgânicos é correta para os produtos sob discussão, permanece a dúvida com relação à Posição mais precisa, se a 11 ou a 42. Dessa forma, fazse imperioso debruçarnos sobre as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, na tentativa de dirimir a questão. São elas: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na nomenclatura regese pelas seguintes regras: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: REGRA 2 a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10074.000194/200556 Acórdão n.º 3402002.855 S3C4T2 Fl. 158 7 apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. REGRA 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. REGRA 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. REGRA 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Verificase que a classificação fiscal é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Desta feita, não basta a constatação de que os produtos em questão são "químicos inorgânicos" para podermos classificálo dentro do Capítulo 28, pois, como expressamente posto pela Regra 1 do SH, "os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo". Esta é a regra principal para qualquer classificação. Vejamos então as Notas do Capítulo 28: Capítulo 28 Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos Notas de Capítulo. 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: a) os elementos químicos isolados ou os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; (...) CONSIDERAÇÕES GERAIS Ressalvadas disposições em contrário, o Capítulo 28 só compreende os elementos químicos isolados (corpos simples) ou Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10074.000194/200556 Acórdão n.º 3402002.855 S3C4T2 Fl. 159 9 os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente. Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, especialmente) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo. Os elementos de um composto de constituição química definida apresentado isoladamente combinamse em proporções características precisas determinadas pela valência dos diferentes átomos presentes, e pela maneira como as ligações entre esses átomos devem efetuarse. Quando a proporção de cada elemento é invariável e característica de cada composto, dizse que ela é estequiométrica. A relação estequiométrica de certos compostos é às vezes ligeiramente modificada em razão de lacunas ou inserções na rede cristalina. Estes compostos são então chamados de quasi estequiométricos e podem ser classificados como compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, desde que essas modificações não tenham sido efetuadas deliberadamente. (grifei) Ressalto que o "aluminoborosilicato de bário de composição não definida" não se subsume a qualquer das exceções à Nota de Capítulo, explicativa no sentido de que somente "compostos de constituição química definida" podem ser classificados no Capítulo 28. Já se percebe que Dita Nota resolveria o presente caso, pois os produtos importados não são "compostos de constituição química definida apresentados isoladamente", como claramente dito pelo Relatório Técnico n. 109/2011. Não poderiam, consequentemente, serem classificados no Capítulo 28. Com efeito, lembremos o conteúdo dos laudos técnicos apresentados nestes autos. O primeiro, emitido pelo LABOR (fls 29), ofereceu resultados numéricos dos ensaios efetuados e a singela conclusão "tratase de produto químico inorgânico, Borosilicato de alumínio e bário." Posteriormente, junto ao recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos do processo Relatório de Análise Química da UFRJ, no qual constam as composições químicas dos produtos. Para dirimir às persistentes dúvidas, o Relatório Técnico n. 109/11 respondeu os quesitos formulados por este Conselho, da forma destaca linhas atrás. Enquanto os primeiros laudos deixaram margens de dúvidas, o Relatório Técnico n. 109/11 foi claro: os produtos tem "estrutura química não definida, com ligações aleatórias", sendo uma "substância amorfa" que não reagiu aos experimentos como se espera de nenhuma das substâncias elencadas pelo CARF (sal dos ácidos ou peroxoáciso inorgânicos incluídos os aluminossilicatos de constituição química definida ou não , exceto azidas ou um ácido inorgânico ou um composto oxigenado inorgânico dos elementos não metálicos). Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Por tal razão, a fundamentação do auto de infração também teria se equivocado ao classificar os produtos pelo código 2842.10.90, pois não se trata de substância que poderia enquadrarse no Capítulo 28. Assim, caberia a este Conselho julgar o auto de infração nulo, haja vista a impossibilidade de ser alterado o critério do lançamento tributário (artigo 142 c/c artigo 149 do Código Tributário Nacional) para uma eventual classificação fiscal mais apropriada. Entretanto, a parte final da Regra 1 do SH estabelece que " (...) e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes". Ou seja, a própria Regra 1 submete os dizeres das Notas dos Capítulos às demais regra de interpretação. Na minha visão, a Regra 3 b permite que o "aluminoborosilicato de bário de composição não definida" seja enquadrado no Capítulo 28. Explico. A Regra 2 do SH introduz a questão dos produtos misturados, explicando que a referência a uma determinada matéria diz respeito a ela sendo também parte do produto. Já pela “Regra 3 a”, caso ocorra determinada situação em que o produto possa ser classificado em duas ou mais posições, a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Não sendo possível classificar por esse critério, resta utilizar aquele constante da "Regra 3 b", a qual nos remete ao material preponderante, essencial do produto misturado. E é justamente esta a regra que resolve o presente caso. Repito que a conclusão do Relatório Técnico 109/11 é uma só: os produtos não se enquadram com perfeição a nenhuma das posições em discussão, nem aquela pretendido pelo Fisco (2842), nem aquela pretendida pelo contribuinte (2811). Disto é possível constatar o erro da afirmação da DRJ em seu acórdão, no sentido de que os produtos seriam "sais", e por conseguinte estaria correto o enquadramento da infração no lançamento tributário, bem como as multas exigidas do contribuinte. Ora, se sais fossem, teriam composição química definida como a de um sal e teriam reagido quimicamente como sais, o que não aconteceu, segundo o Relatório Técnico n. 109/11. Tampouco reagiram como ácidos, ou qualquer outra substância pura discriminada pelo CARF em seus quesitos, recordese. Concluise assim que os produtos sob discussão não podem ser classificados pelo seu "todo". Afinal, é um todo amorfo e sem estrutura química precisa, ao qual só foi dado o nome de "aluminoborosilicato de bário", mas de composição indefinida. Necessário, então, utilizar as regras de interpretação do Sistema Harmonizado que tratam da parte proeminente do produto (Regra 3 b), parte esta justamente determinada pelo Laudo Técnico n. 109/11, vale dizer o Dióxido de Silício, produto este sim, de estrutura química precisa e definida, como requer o Capítulo 28. De fato, na tabela colacionada acima, notase que 53,4% e 55,8% dos produtos importados pela DI n. 02/04865152 são Dióxido de Silício (SiO2), sendo esse composto, portanto, que deve reger a classificação da mercadoria (Subposição 2811.22). Os produtos importados são compostos que em si não têm uma finalidade específica. Eles devem, isto sim, ser utilizados com outros componentes para então passarem a ter uso odontológico. Por conseguinte, não há outra maneira de analisar a "característica essencial" do produto, posta pela da Regra 3 b, se não pela preponderância dos elementos em sua composição química, no caso, o óxido que aparece em maior quantidade na sua estrutura: Dióxido de Silício (SiO2). Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10074.000194/200556 Acórdão n.º 3402002.855 S3C4T2 Fl. 160 11 Por fim, caso fosse necessária a análise da utilização prática dos produtos importados, a informação de que o produto serve justamente para a formulação de materiais odontológicos acaba por confirmar ser muito mais longínqua da finalidade do produto a classificação pretendida pela Fiscalização, os aluminosilicatos, que, pelo item II, letra L das Notas explicativas do Sistema Harmonizado, são utilizados em vidraçaria ou como isolantes, trocadores de íons, catalisadores, peneiras moleculares, etc. Não se pode olvidar que o Relatório Técnico n. 109/11 esclarece que os produtos em questão são utilizados para formulação de produtos odontológico, o que é justamente o objeto social da Recorrente. Considero, dessa forma, correta a classificação fiscal adotada pela Recorrente, na posição 2811.22.90. Assim, não há que e falar em diferença de imposto a pagar, tampouco os juros e multas aplicados pelo auto de infração aplicadas (artigo 84 inciso I da MP n. 215835, artigo 44, inciso I e artigo 61, §3º da Lei n. 9430/96). Com relação à licença utilizada para a importação (fls 24), julgo estar correta, justamente porque justificada a importação de "dióxido de silício", composto que determina a classificação da mercadoria em questão. Destarte, tampouco a multa baseada no artigo 633, inciso II, "a" do Regulamento Aduaneiro deve ser mantida. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. Thais de Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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