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5026527 #
Numero do processo: 19515.004254/2003-86
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:1999 Ementa: IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Não há decadência se o lançamento foi realizado dentro do prazo decadencial a contar dessa data. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. Se em sede recursal o único depósito que mantém a autuação tem sua origem comprovada pelo contribuinte com documentação hábil e idônea, deve-se cancelar o lançamento. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:1999 Ementa: IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Não há decadência se o lançamento foi realizado dentro do prazo decadencial a contar dessa data. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. Se em sede recursal o único depósito que mantém a autuação tem sua origem comprovada pelo contribuinte com documentação hábil e idônea, deve-se cancelar o lançamento. Recurso provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE02  Fl. 303          1 302  S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.004254/2003­86  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2802­002.457  –  2ª Turma Especial   Sessão de  13 de agosto de 2013  Matéria  IRPF  Recorrente  PÉRSIO EPAMINONDAS DE ALMEIDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício:1999   Ementa:  IRPF.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  DATA DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.  O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão  de  rendimentos  apurada  a  partir  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro  do  ano­calendário.  Não  há  decadência  se  o  lançamento  foi  realizado  dentro  do  prazo  decadencial  a  contar dessa data.  IRPF.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM  DOS  RECURSOS.  CANCELAMENTO  DA AUTUAÇÃO.  Se em sede recursal o único depósito que mantém a autuação tem sua origem  comprovada  pelo  contribuinte  com  documentação  hábil  e  idônea,  deve­se  cancelar o lançamento.  Recurso provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  DAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.  (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 54 /2 00 3- 86 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2  EDITADO EM: 14/08/2013  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte  Cardoso  (Presidente),  Jaci  de Assis  Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse  Fernandes  Leite  e  Carlos  André  Ribas  de  Mello.  Ausente  justificadamente  a  Conselheira  Julianna Bandeira Toscano.    Relatório  Trata­se de  lançamento de  Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício  1999,  ano­calendário  1998,  em  razão  da  apuração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  pela identificação de depósitos bancários, cuja origem dos  recursos não foi comprovada pelo  contribuinte após a intimação fiscal, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996.  Os extratos bancários foram apresentados pelo contribuinte após a intimação  fiscal.  Encontra­se no Termo de Verificação Fiscal (item 10, fls. 212) os depósitos  computados como de origem não comprovada e as respectivas conclusões da autoridade fiscal:  a) um cheque administrativo de R$59.000,00 depositado em maio de 1998 na  conta  mantida  no  Banco  do  Real,  em  virtude  de  “ter  ocorrido  uma  falta  de  coerência  nas  justificativas” acerca desse depósito; e  b) um conjunto de depósitos de valor individual inferior a R$12.000,00, que  totalizaram  R$38.894,12  no  ano  de  1998,  na  conta  mantida  no  Banco  Safra,  por  não  ter  o  contribuinte “manifestado interesse em esclarecer os depósitos”.  O contribuinte havia alegado que o depósito foi parte do pagamento recebido  pela venda de um automóvel Mercedez Benz a um revendedor de automóvel, Sr. José Soares  dos Santos, e juntou o contrato de contra e venda.  A autoridade fiscal informa que promoveu diligências, que embora o Sr. José  Soares dos Santos tenha declarado que pagou a compra do veículo Mercedez Benz e assumido  o saldo do consórcio, outras  informações impediriam aceitar como comprovado o depósito, a  saber:  a) o cheque administrativo foi emitido por Osvaldo de Sousa Vieira que, ao  ser  intimado,  declarou  que  desconhece  o  recorrente  e  a  agência  Basílio  da Gama  do  Banco  Bradesco na qual foi emitido o referido cheque, bem como nada sabe informar sobre o mesmo;  e  b)  o  Consórcio  Rodobens  afirmou  que  o  automóvel  em  questão  foi  transferido ao recorrente por meio de Proposta de Transferência em Consórcio, em 18/06/1997,  permanecendo  alienado  fiduciariamente  à  administradora  até  a  quitação  integral  em  11/04/2000.  Na impugnação, o contribuinte alegou que:  a) o cheque administrativo de R$59.000,00 nominal a sua pessoa foi parte do  pagamento do automóvel,  conforme contrato anexo,  sendo  insignificante que o cheque  tenha  Fl. 313DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.004254/2003­86  Acórdão n.º 2802­002.457  S2­TE02  Fl. 304          3 sido  emitido  por  outra  pessoa  que  não  o  comprador,  o  que  comprova  a  origem  do  recurso,  tendo a autoridade fiscal lançado por presunção;   b)  ilegalidade do computo dos valores  inferiores a R$12.000,00 quando não  atingiram o total anual de R$80.000,00;  c)  ilegalidade  do  lançamento  com  base  em  depósitos  bancários  por  não  constituírem renda e constituir presunção; e  d) inconstitucionalidade da multa de 75%.   A impugnação foi deferida em parte. O acórdão recorrido exclui a totalidade  dos depósitos no Banco Safra, mantendo o lançamento quanto ao depósito de R$59.000,00 sob  o  fundamento  de  que  “Conforme  consta  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  à  fl.  211,  após  diligências  efetuadas  nas  partes  envolvidas,  não  foi  possível  a  vinculação  do  depósito  de  R$59.000,00 (cheque de fl. 99) com a operação de venda do veículo Mercedez Benz, ano 1997.  Assim, está correto o lançamento desse valor como depósito de origem não comprovada.”  A multa  foi mantida  sob  o  fundamento  de  que  a  autoridade  administrativa  não é competente para apreciar inconstitucionalidade.  Ciência  por  via  postal  em  15/07/2008.  Peça  recursal  protocolada  em  14/08/2008.  Em  sede  de  recurso,  o  recorrente  ratifica  as  alegações  de  que  o  cheque  de  R$59.000,00 foi parte do pagamento pela venda do automóvel Mercedez Benz, ano 1997,  tal  como  contido  no  contrato  firmado  com  o  comprador,  que  pagou  R$500,00  em  dinheiro,  R$59.000,00 com o referido cheque e assumiu o saldo do consórcio.  Esclarece que, não tendo a autoridade fiscal diligenciado a pessoa para a qual  o  carro  foi  transferido,  o  próprio  recorrente  cuidou  dessa  tarefa,  anexando  declaração  dessa  pessoa de que o comprou em 1998 de um intermediário.  Alega ainda que a  informação prestada pelo Sr. Osvaldo à autoridade fiscal  não desabona sua versão, devendo se concluir que não há evidencia de que essa pessoa seja a  mesma  que  consta  dos  registros  do  Bradesco  e  que  o  comprador  do  veículo,  que  firmou  contrato confirmou a narrativa do recorrente.  Subsidiariamente,  alega  decadência,  arbitrariedade  das  autoridades  fiscais  e  direito à dedução padrão autorizada em lei.  Requer  prioridade  de  tramitação  do  processo  com  amparo  no  Estatuto  do  Idoso.   É o relatório.    Voto             Fl. 314DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     4  Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele deve­se tomar conhecimento.  O  recorrente  sem  razão  alega  decadência,  isto  porque  o  fato  gerador  nesse  caso considera­se ocorrido em 31/12/1998, de forma que qualquer que seja a forma de definir o  termo inicial da decadência – se §4º do art. 150 do art. 173 do CTN, o lançamento realizado  antes de 31/12/2003 respeitou o prazo decadencial.  Súmula CARF nº 38:  O  fato  gerador  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Física,  relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro do ano­calendário.  A questão  central  do  litigo  é  a  comprovação  da  origem do  depósito  de  um  cheque administrativo na conta do recorrente em maio de 1998.  Há provas suficientes para considerar comprovado que esse valor foi parte do  pagamento pela venda do Mercedez Benz ano 1997:  a)  contrato (fls. 285);  b)  confirmação  do  comprador,  Sr,  José  Soares  dos  Santos,  que  funcionou  como intermediário;  c)  coerência com a informação da pessoa que em seguida adquiriu o veículo  e transferiu para o próprio nome, após quitação do saldo do consórcio;  As  objeções  feitas  pela  autoridade  fiscal  não  são  consistentes  o  suficiente  para rejeitar as provas trazidas pelo contribuinte.  Portanto, deve­se DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.   (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso                                Fl. 315DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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6243563 #
Numero do processo: 35358.000499/2007-74
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 NULIDADE. ENTREGA DE DOCUMENTOS EM VIA DIGITAL. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando o contribuinte restou cientificado de documentos levantados pela fiscalização ainda que em meio digital, haja vista expressa disposição legal sobre o tema. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. O produtor rural pessoa jurídica que industrializa produção própria e adquirida de terceiros, ainda que a primeira seja inferior à segunda, enquadra-se no conceito legal de agroindústria. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-001.659
Decisão: Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator
Nome do relator: Adriano Gonzáles Silverio

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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 NULIDADE. ENTREGA DE DOCUMENTOS EM VIA DIGITAL. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando o contribuinte restou cientificado de documentos levantados pela fiscalização ainda que em meio digital, haja vista expressa disposição legal sobre o tema. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. O produtor rural pessoa jurídica que industrializa produção própria e adquirida de terceiros, ainda que a primeira seja inferior à segunda, enquadra-se no conceito legal de agroindústria. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado

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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-11-07T13:26:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: CNC Solution; dcterms:created: 2011-11-07T13:26:36Z; Last-Modified: 2011-11-07T13:26:36Z; dcterms:modified: 2011-11-07T13:26:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2011-11-07T13:26:36Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-11-07T13:26:36Z; meta:save-date: 2011-11-07T13:26:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2011-11-07T13:26:36Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solution; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solution; meta:author: CNC Solution; meta:creation-date: 2011-11-07T13:26:36Z; created: 2011-11-07T13:26:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2011-11-07T13:26:36Z; pdf:charsPerPage: 1438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: CNC Solution; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2011-11-07T13:26:36Z | Conteúdo => S2-C.VI 1 n . m MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35358.000499/2007-74 Recurso n" 157.923 Voluntário Acórdão n° 2301-01.659 - 3 a Câmara / I a Turma Ordinária Sessão de 22 de setembro de 2010 Matéria Entrega de documentos em via digital - Agroindústria - Enquadramento Recorrente MÓVEIS RUECKL LTDA. Recorrida DRJ-FLORIANÓPOLIS-SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 NULIDADE. ENTREGA DE DOCUMENTOS EM VIA DIGITAL. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando o contribuinte restou cientificado de documentos levantados pela fiscalização ainda que em meio digital, haja vista expressa disposição legal sobre o tema. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. O produtor rural pessoa jurídica que industrializa produção própria e adquirida de terceiros, ainda que a primeira seja inferior à segunda, enquadra- se no conceito legal de agroindústria. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 3 a Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso volilntá/io\ nos termos do voto do relator. IEIRA GOMES - Presidente. DRIANO GONZALEZ SILVÉRIO - Relator Fl. 182SC SAO BENTO DO SUL ARF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Participaram do presente julgamento, os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzalez Silvério, Damião Cordeiro dc Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD 37.060.772-4, a qual exige contribuições previdenciárias em relação a remuneração paga a segurados empregados que lhe prestaram serviços no período de 10/2005 a 13/2006. O item "3.b" do Relatório Fiscal, às fl. 44 dos autos, aponta o seguinte: "b. A partir de 06/2003 até 12/2006 (última competência sujeita fiscalização) a contribuinte passou a declarar-se AGROINDÚSTRIA, entretanto, analisada a contabilidade da empresa, verificou-se que a empresa não deve ser assim caracterizada, pois não atende os requisitos legais para tanto, devendo ser classificada no FPAS 507, já que se trata de uma indústria comum, conforme esclarece o anexo "Relatório Sobre a Natureza Jurídica da Atividade da Empresa", que faz parte deste relatório fiscal. " Ainda de acordo com o acima citado, a fiscalização elaborou um "Relatório Sobre a Natureza Jurídica da Atividade da Empresa" para fundamentar as razões pelas quais entende que ora recorrente não deveria estar enquadrada como agroindústria. Transcrevo as conclusões fiscais às fl. 57 dos autos: "44. Considerando que é ZERO o percentual de produção rural própria utilizada pela empresa em seu processo produtivo desde a primeira competência em que a mesma passou a declarar-se agroindústria, 06/2003, até a competência 09/2005, ou seja, nesse período a empresa não utilizou matéria prima própria (conforme verificado em sua contabilidade (conta razão 6109, 1135, 9706, 1979, 8129 e 1492), documento anexado (doe 1) e informações prestadas pelo responsável pela contabilidade da empresa) tendo a empresa adquirido de terceiros a totalidade de seus insumos; 45. Considerando que o percentual de produção rural própria em /•e/ação ao total de matéria prima utilizada no período de 10/2005 a 12/2005 foi de apenas 1,47% e que no período de 01/2006 a 12/2006foi de apenas 5,39%, (conforme verificado na contabilidade da empresa (conta razão 6109, 1135, 9706, 1979, SI29 e 1492), documento anexado (doe 1) e informações prestadas pelo responsável pela contabilidade da empresa) tendo a empresa adquirido de terceiros quase que a totalidade de seus insumos. 46.Considerando que empresa não atende objetivamente ao requisito contido no art 22 A da lei 8212/91, de utilizar produção rural própria em seu processo produtivo no período de 06/2003 Fl. 183SC SAO BENTO DO SUL ARF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Processo n° 35358.000499/2007-74 Acórdão n.° 2301-01.659 S2-C3TI Fl. L25 a 09/2005 e que a produção rural própria utilizada pela empresa no período de 10/2005 a 12/2006 é ínfima em relação a produção adquirida de terceiros. 47.Considerando que os gastos salariais da empresa com os trabalhadores envolvidos em atividade rural correspondem ao singelo percentual 1% de sua folha de pagamento total, fato que demonstra a insignificância de sua atividade rural. 48.Esta auditoria conclui pelo não enquadramento da empresa como aqroindüstria desde 06/2003, período em que a empresa passou assim a enquadrar-se, com vistas à substituição das contribuições previdenciárias previstas no art. 22 da Lei 8.212/91, pelas do art. 22-A da mesma Lei, na redação da Lei 10.256/01". A autuada apresentou impugnação às íl. 133 a 141, alegando que a Lei n' 10.256, de 9 de julho de 2001 ao incluir o artigo 22A à Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, não estabeleceu limites de produção própria ou de terceiros que deveriam ser seguidos pelos contribuintes para se enquadrarem como agroindústria. Assim discorreu, em breve síntese, sobre o tema: Com efeito, a norma não estabelece que a agroindústria, para ser agroindústria, deva transformar um determinado percentual de produção própria. Para a norma, basta que o contribuinte faça uso de suas reservas de matéria-prima, pouco importando a quantidade; basta que a produção origine-se de suas reservas de matéria-prima. Ao exigir que o contribuinte industrialize um mínimo de 10% (dez por cento) de suas resen>as de matéria-prima, está a digna autoridade lançadora a inserir na letra da lei elementos que ela não possui. Não duvidamos de sua boa intenção; contudo, em quão difícil situação ficaria o contribuinte se estivesse a depender apenas das intenções, boas ou más, dos agentes fiscais. Não teria ele nenhuma segurança. Não teria ele nenhuma baliza legal. Por exemplo, em situações como a destes autos, o fiscal exige 10% (dez por cento) como percentual mínimo de matéria- prima própria industrializada; numa outra oportunidade, ou num outro contribuinte, um outro exator poderia entender que o correto seria 15% (quinze por cento), ou 20% (vinte por cento) ou 50% (cinqüenta por cento) ou 90% (noventa por cento). O contribuinte simplesmente não saberia como proceder. Ademais, pugna pela nulidade do auto de infração, uma vez que o fisco entregou as informações apuradas na fiscalização por meio de um CD - "compact disc" Julgada a impugnação pela DRJ de Florianópolis, a autuação foi mantida integralmente, pelos seguintes fundamentos: i) preliminarmente, o envio de documentos (anexos e relatórios) do lançamento fiscal ao contribuinte em meio digital é procedimento previsto na legislação; Fl. 184SC SAO BENTO DO SUL ARF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A ii) no mérito, a autuada "é uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que. com o objetivo de beneficiar-se da tributação diferenciada destinada à agroindústria, procura realizar alguma atividade rural a fim de enquadrar-se na hipótese legal." Devidamente intimada da decisão proferida pela DRJ-Florianópolis em 20/12/2007, a autuada interpôs recurso voluntário em 14/01/2008 repisando os argumentos então deduzidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro ADRIANO GONZALEZ SILVÉRIO, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Em sede de preliminar a ora recorrente alega a nulidade da autuação sob o argumento de que o Fisco "desrespeitou o procedimento, vez que, ao invés de formalizar a notificação por escrito, impresso e em vias autenticadas, limitou-se a entregar ao contribuinte as informações em CD - compact disc." Nesse ponto, importante registrar, para que dúvidas não pairem sobre a validade da cientificação do contribuinte, que a autuada foi cientificada pessoalmente da presente NFLD cm 27 de março de 2007, por meio de pessoa que se qualificou como sendo seu diretor. No tocante à entrega de documentos pela via digital, a Medida Provisória 2.200, de 28 de junho de 2001, determinou em seu artigo 14, o seguinte: "Ari. 14. A utilização de documento eletrônico para fins tributários atenderá, ainda, o disposto no art. 100 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional. " 0 artigo 100, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, dispõe que: "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 1 - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente obsen>adas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Fl. 185SC SAO BENTO DO SUL ARF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Processo n° 35358.000499/2007-74 Acórdão n.° 2301-01.659 Parágrafo único. A obsen>ância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. " Determina o dispositivo acima, em especial seu inciso 1, que são normas complementares à legislação tributária os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. À época da autuação vigia a Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cuja redação era a seguinte: "Art. 663. Os relatórios e documentos previstos no art. 660, quando emitidos em procedimento fiscal, serão entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo Auditor- Fiscal da Previdência Social em Sistema Informatizado próprio da SRP, devendo ser entregues também em meio impresso: I- os relatórios previstos nos incisos XI, XII, XIII, XIV, X\ r e Xl / I e as folhas de rosto dos documentos NFLD, LDC, LDCG, DCG, Al e IFD, que deverão obrigatoriamente conter a assinatura do sujeito passivo; II - os relatórios e documentos previstos nos incisos I, IX e XVII §1" 0 O sujeito passivo poderá verificar a autenticação dos arquivos digitais, a qualquer tempo, por meio de sistema gerador de código,disponível na Internet, na página institucional do Ministério da Previdência Social. §2° Os relatórios e documentos em arquivos digitais serão entregues ao sujeito passivo por meio de mídia não-regravável, mediante recibo emitido pelo AFPS a ser assinado pelo sujeito passivo, contendo o número da autenticação digital da mídia, devendo cada arquivo ser enumerado e identificado com seu respectivo número de autenticação digital. §3" Na impossibilidade técnica da entrega dos documentos citados no caput em meio digital, o AFPS poderá entregá-los em meio impresso,mediante justificativa do fato à chefia do Sen>iço/Seção de Fiscalização da DRP. §4" O sujeito passivo que não dispuser de meios eletrônicos para processamento contábil poderá solicitar os relatórios mencionados no caput em meio impresso. " Como visto, apenas os documentos arrolados no inciso I do mencionado artigo 663 devem ser entregues na forma impressa, quais sejam, respectivamente: relação de vínculos, MPF, TIAD, AGD, TAB e TEAF, bem como a folha de rosto da NFLD. No caso em análise, conforme se apura a fl. 1 foram entregues todos os documentos pertinentes à fiscalização empreendida. Registre-se ainda que, a recorrente, em momento algum, afirma que não ficou ciente dos documentos produzidos pela fiscalização. A sua insurgência restringe-se apenas ao fato de que esses lhe foram entregues em documento digital. Sequer houve qualquer irresignação inclusive em relação a aplicação do § 4 o do citado dispositivo, qual seja, o que Fl. 186SC SAO BENTO DO SUL ARF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A prevê a hipótese de o contribuinte não possuir meios para acessar os documentos pela via digital. Não restam dúvidas, portanto, restando incontroverso no bojo dos autos, de que houve a ciência de todos os documentos elaborados pela fiscalização, inclusive aqueles entregues por meio digital, razão pela qual ficam afastadas as alegações consectarias de violação a ampla defesa. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade da NFLD. No mérito, a recorrente sustenta o seu escorreito enquadramento como agroindústria no período objeto dessa Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, alegando que: a) "E conveniente frisar, inclusive, em reforço ao exposto, que o enquadramento da pessoa jurídica como agroindústria independe de consulta ou anuência do instituto previdencicirio, bastando, simplesmente, que a pessoa jurídica preencha os requisitos estabelecidos na norma de regência, quais sejam, que industrialize produção própria ou produção própria e produção adquirida de terceiros, daí passando a recolher as contribuições destinadas á autarquia previdenciária em percentual sobre o seu faturamento. " b) "A matéria-prima oriunda destes reflorestamentos também é utilizada pela recorrente em seu processo produtivo; não seria crivei que a recorrente, tendo, como de fato tem, propriedades rurais onde cultiva sua matéria-prima, não a utilizasse no seu processo produtivo. Igualmente, não seria crível que a recorrente adquirisse árvores, arcasse com sua manutenção, cultivo e extração por um determinado período de tempo e não utilizasse esta matéria-prima em sua atividade industrial. " Podemos extrair desses autos que no decorrer da procedimento fiscal, a autoridade administrativa apontou que a recorrente no período até 05/2003 declarava-se como indústria moveleira, passando a partir de 06/2003 a declarar-se como agroindústria, sendo que a presente autuação compreende o período de 10/2005 a 12/2006. Entendeu a fiscalização que no lapso temporal objeto do presente lançamento a recorrente teria utilizado primordialmente matéria-prima de terceiros, sendo que a matéria- prima própria seria muito insignificante (1,47% entre 10/2005 a 12/2005 e 5,39% entre 01/2006 a 12/2006), razão pela qual não poderia se beneficiar da tributação diferenciada instituída pela Lei n" 10.256, de 9 de julho de 2001. Essa afirmação fica evidente na premissa fixada pela fiscalização e registrada no item 29 do "Relatório Sobre a Natureza Jurídica da da Atividade da Empresa" o qual transcrevo abaixo: "29. Entende esta auditoria que, em qualquer caso, não há como conceber uma empresa como sendo uma AGROINDÚSTRIA, quando, do total da produção rural empregada em seu processo de industrialização, mais de 90 % provém de terceiros. " Além disso, baseada na premissa de que a recorrente enquadrar-se-ia como indústria moveleira, a fiscalização elaborou quadro analítico às fl. 56 a 57 dos autos Fl. 187SC SAO BENTO DO SUL ARF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Processo n° 35358.000499/2007-74 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.659 F l - ^ ' í - r 7 li* demonstrando que a massa salarial da atividade rural variava, no período objeto dessa autuação, entre 0,98% a 1,20% do total dos salários pagos pela empresa durante um ano. Em suma, discute-se aqui se o contribuinte, que utilize matéria prima oriunda de terceiro e uma pequena parcela de matérias-primas próprias pode ou não ser enquadrado como agroindústria. A Lei n° 10.256, de 9 de julho de 2001 ao incluir o artigo 22A à Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, prescreveu o seguinte: "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei n" 10.256, de 2001). I - dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluídopela Lei n" 10.256, de 2001). II - zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n" 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei n" 10.256, de 2001). § I a (VETADO) (Incluído pela Lei n" 10.256, de 2001). § 2 a O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdencicirias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. (Incluído pela Lei n" 10.256, de 2001). § 3 a Na hipótese do § 2°, a receita bruta correspondente aos sennços prestados a terceiros será excluída da base de cálculo da contribuição de que trata o caput. (Incluído pela Lei n" 10.256, de 2001). § 4 a O disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carciiucultura, suinocultura e avicultura. (Incluído pela Lei n" 10.256, de 2001). § 5 a O disposto no inciso I do art. 3° da Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Seniço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei n" 10.256, de 2001). § 6r Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matéria-prima para industrialização própria mediante a Fl. 188SC SAO BENTO DO SUL ARF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei n" I0.684, de 2003). $ 7~ Aplicase o disposto no § 6 a ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei n" 10.684, de 2003)." Com efeito, o dispositivo legal acima citado foi introduzido na ordem jurídica para estabelecer uma tributação diferenciada às agroindústrias, qual seja, ao invés de tradicionalmente recolher as contribuições previdenciárias sobre a folha de salários e demais rendimentos, passou a ser tributada sob o signo receita bruta. Sob o ponto de vista social, a norma procurou, ao desonerar a atividade da agroindústria de recolher contribuição social sobre a folha de salários, incentivar maior contratação de mão-de-obra, utilizada em larga escala nesse setor. Não obstante, definiu o conceito de agroindústria como sendo essa o produtor rural pessoa jurídica que industrialize produção própria ou produção própria e adquirida de terceiros. Há, portanto, duas espécies de agroindústria, quais sejam: i) aquelas que só industrializam produção própria; e ii) aquelas que industrializam produção própria e de terceiros. No caso em apreço, a fiscalização apontou que a recorrente a partir de outubro de 2005 até dezembro de 2006 utilizou produção própria e de terceiros para realizar a industrialização de seus produtos finais. Não obstante, a irresignação fiscal revelou-se, como xisto alhures, diante do fato de que a empresa autuada teria utilizado quantidades pequenas, módicas de matérias-primas oriundas de produção própria. A seu ver, não seria possível enquadrar a ora recorrente como agroindústria, pois mais dc 90% (noventa por cento) da sua produção decorre de matérias-primas oriundas de terceiros. Assinala, ademais, que a despeito de o artigo I o da Lei n° 10.256, de 9 de julho de 2001 não ter estipulado uma quantidade mínima de produção rural própria a ser empregada no processo de industrialização, haveria, sim, um "limite mínimo aceitável". Discordamos dessa posição. E cediço que o sistema tributário nacional, além de observar o princípio magno da legalidade, está adstrito, inarredavelmente, à estrita legalidade, a qual impõe ao Poder Legislativo, enquanto órgão expedidor das regras-matrizes de incidência tributária por excelência, mediante lei, o dever de descrever os seus elementos. Nesse sentido a lição doutrinária de Paulo de Barros Carvalho, na obra Curso dc Direito Tributário, 13 a edição, pág. 155 a 156: "O veículo introdutor da regra tributária no ordenamento há de ser sempre a lei (sentido lato), porém o princípio da estrita legalidade diz mais do isso, estabelecendo a necessidade de que a lei adventícia traga no seu bojo os elementos descritores do fato jurídico e os dados prescritores da relação. " Fl. 189SC SAO BENTO DO SUL ARF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Processo n° 35358.000499/2007-74 Acórdão n.° 2301-01.659 S2-C3TI Fl. \A ãl Voltando ao caso concreto, a Lei n°. 10.256, de 9 de julho de 2001 ao descrever os dados da relação, ou melhor, ao identificar o sujeito passivo da relação jurídica tributária, a agroindústria, não trouxe qualquer elemento de discrimen relacionado à preponderância, na industrialização, de matérias-primas próprias ou de terceiros, não cabendo à fiscalização fazê-lo, sob pena de invadir esfera de competência que não lhe é própria. Basta para o citado dispositivo legal que haja utilização integral de produção própria ou utilização de produção própria e de terceiro, não havendo que se falar, nesse último caso, em preponderância de um ou de outro. Aplica-se aqui a regra hermenêutica segundo a qual onde a lei não faz distinção, não cabe ao intérprete fazê-la ("ubi lex non distinguit nec nos distinguere debcmus"). caso contrário, ficaria ao alvedrio puramente subjetivo o enquadramento de uma dada pessoa jurídica ao conceito de agroindústria. Esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando ainda denominado Conselho de Contribuintes, por meio da 6 a Câmara do Segundo Conselho, analisou questão semelhante nos autos do processo administrativo n° 16000.000345/2007-88. Ocorre que naquele processo a fiscalização, por ter verificado que o contribuinte utilizava 0,30% de produção própria na sua industrialização, classificou o como agroindústria. Ou seja, em patamar de produção própria em nível inferior ao discutido nesses autos, o Fisco entendeu que a empresa subsumia-se ao conceito de agroindústria. Mais uma razão, a meu ver, para discordar do presente lançamento. Aproveito o ensejo para transcrever trechos do voto vencedor lançado naqueles autos pela Ilustre Conselheira Bernadete de Oliveira Barros: "Preliminarmente, a recorrente alega que o enquadramento como agroindústria feito'pela fiscalização é inadequado, tendo em vista que o volume de atividade de produção rural pela filial 0006-68 é desprezível em relação ao faturamento total da notificada, não alcançando 0,30% do montante faturado. Verifica-se que não existe, na legislação que trata da matéria, limite mínimo de produção própria a ser industrializada para que uma empresa seja considerada agroindústria. Portanto, o fato de a produção rural da filial 0006-68 não alcançar 0,30% do total faturado não exclui a notificada do conceito legal de agroindústria. Assim, ao utilizar-se de produção própria em seu processo industrial, a recorrente cumpriu os requisitos indispensáveis para caracterização do enquadramento agroindústria/. Dessa forma entendo que, como a lei não estipula limites mínimos de industrialização de produção própria, o não enquadramento de agroindústria com base na relação do faturamento decorrente da comercialização própria em relação ao total faturado pela empresa, como quer a recorrente, implica violação ao fundamental princípio da lega/idade. " 9 Fl. 190SC SAO BENTO DO SUL ARF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de CONHECER o recurso para, rejeitando a preliminar suscitada, no mérito, DAR- LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 22 de setembro de 2010 ADRIANO GONZÁLEZ SILVÉRIO - Relator 10 Fl. 191SC SAO BENTO DO SUL ARF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A

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5901698 #
Numero do processo: 10670.000851/2004-55
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTEMPESTIVIDADE. Nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto n° 70.235/72, sendo intempestiva a manifestação de inconformidade ou a impugnação, porque protocolizada após o prazo de trinta dias a contar da decisão que indeferiu o pedido de restituição, não se instaura o litígio. Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-00.132
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Alexandre Gomes

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Numero do processo: 10280.002361/2001-34
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece recurso especial de divergência quando não atendidos os pressupostos de admissibilidade. A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial. Recurso especial não conhecido
Numero da decisão: 9202-000.879
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:06:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:06:15Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:06:15Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:06:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:06:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:06:15Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:06:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:06:15Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:06:15Z; created: 2010-06-16T12:06:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-06-16T12:06:15Z; pdf:charsPerPage: 1240; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:06:15Z | Conteúdo => CSRUT2 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS taZ, 114 7-- CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ht4):0 Processo e 10280.002361/2001:34 Recurso n° 328.839 Especial do Procurador Acórdão n0 9202-00.879 — r Turma Sessão de 11 de maio de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGILDO SÉRGIO LIMA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece recurso especial de divergência quando não atendidos os pressupostos de admissibilidade. A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial. Recurso especial não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em n"/1 conhecer do recurso. 54,fl vvi CARLOS ALBERTO F Bs RRETO - Presidente • lb MOISE CIA 01 E • le DA SILVA - Relator EDITADO EM: 3 1 mAl 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (Suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório Trata-se de exigência de pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, incidente sobre a propriedade rural denominada "Fazenda Palmeiras", em razão do contribuinte não ter declarado a área de exploração extrativa da propriedade, no exercício de 1997. De acordo com a fiscalização, a área relativa à atividade extrativa foi alterada de 635,6 hectares para 0,0 hectares, por falta de preenchimento das áreas indicadas na coluna Ficha n° 07, da DITR/1997, destinada à informação dos respectivos dados de produção. Intimado, o contribuinte alegou que a DITR/1997 foi entregue em disquete, tendo o programa gerador da Receita Federal calculado automaticamente o valor relativo à área. Às fls. 17 a 28, apresentou os documentos, sendo que à fl. 22, consta cópia autenticada da DITR11997, Ficha n°07, informando justamente a área extrativa de 635, 6 hectares. O acórdão recorrido (fl. 72/79), proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para desconstituir o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: ITR/97 - AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR PRETENSA FALTA DE INDICAÇÃO NA DITR DA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Restando comprovado mediante documentos hábeis, revestidos de formalidades legais como o "Extrato da Declaração Original" do ITR 1997, Documentos de Informação e Apuração do ITR -- Ficha 4 da DIAT Distribuição e Área Utilizada e Grau de Utilização da Área do Imóvel e da Atividade Extrativa - Ficha 7 da DIAT como sendo a utilização das terras da propriedade, aquela declarada e demonstrada pelo autuado no processo é de se reformar o lançamento como efetivado pela fiscalização. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional ingressou com o recurso especial de divergência às fls. 85 e seguintes, apontando corno paradigma o acórdão n° 301- 321.847, cujo voto foi proferido pela Conselheira Atalina Rodrigues Alves, na sessão de Lti 20/05/2005, nos termos da ementa que segue abaixo: 2 Processo n° 10280.002361/2001-34 CSRF-T2 Acórdão e.° 9202-00.879 Fl, 2 ITR. TRIBUTAÇÃO. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. A área de exploração extrativa aceita para fins de apuração do 1TR depende da comprovação da quantidade de madeira extraída. ITR. ÁREAS IMPRESTÁ VE1S. Para efeitos de sua exclusão da base de cálculo do ITR, as áreas, comprovadamente imprestáveis', têm de ser declaradas como áreas de interesse ecológico pelo órgão competente. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO. O recurso foi admitido às fls. 100/102 e o recorrido apresentou contrarrazões de fls. 106 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro MOISES GIACOIVEELLI NUNES DA SILVA, Relator Ao tratar da admissibilidade de recurso especial, à Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos artigos 7° e 15 do Regimento Interno, vigente à época, assim dispunha: Art. 70. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I — decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II — decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatmlo a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7' deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. § 2°. Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7' deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de inteiro teor ou de cópia de publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos K 3 acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara Recorrida. § 3°. A cópia de publicação de ementa referida no § 2 0, quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. No caso dos autos se está diante de recurso interposto com base no artigo 7°, II, do Regimento Interno, em face de decisão unânime de Câmara do Conselho de Contribuintes. Ao tratar dos requisitos de admissibilidade em relação às decisões unânimes, o Regimento Interno, nos parágrafos 20 e 3°, do artigo 15, vigente à época, dispunha que compete à parte recorrente demonstrar, fundatnentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de inteiro teor ou de cópia de publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara Recorrida. Desta forma, quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, passo a confrontar a decisão recorrida e o acórdão paradigma: Decisão recorrida Acórdão paradigma ITR/97 - AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO ITR. TRIBUTAÇÃO. ÁREA DE POR PRETENSA FALTA DE INDICAÇÃO EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. NA DITR DA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. A área de exploração extrativa aceita para fins de apuração do 1TR depende da Restando comprovado mediante documentos comprovação da quantidade de madeira hábeis, revestidos de formalidades legais extraicla. como o "Extrato da Declaração Original" do ITR 1997, Documentos de Informação e ITR. _ÁREAS IMPRESTÁVEIS. Apuração do 17'R — Ficha 4 da DIAT Distribuição e Área Utilizada e Grau de Para efeitos de sua exclusão da base de Utilização da Área do Imóvel e da Atividade cálculo do ITR, as áreas, comprovadamente Extrativa - Ficha 7 da DIAT como sendo a imprestáveis, têm de ser declaradas como utilização das terras da propriedade, aquela áreas de interesse ecológico pelo órgão declarada e demonstrada pelo autuado no competente. processo é de se reformar o lançamento como RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRO VIDO.efetivado pela fiscalização. (Acórdão n 303-34.625) (Acórdão n" 301-321.847) No caso dos autos, a fiscalização lavrou o auto de infração de lis. 3 a 4 e glosou a área relativa à atividade extrativa, por falta de preenchimento das áreas indicadas na coluna Ficha n°07, da DITR11997, destinada à informação dos respectivos dados de produção. No entanto, tendo o contribuinte comprovado, mediante documentação oficial, que efetivamente havia declarado a área extrativa, o acórdão recorrido entendeu por desconstituir o lançamento. De outra parte, o caso relatado no acórdão paradigma refere-se à autuaçãq. com base na declaração indevida da área extrativa pelo contribuinte, que não logrou êxito em demonstrar a efetiva existência da respectiva área, através de laudo técnico. 4 Processo n° 10280.002361/2001-34 CSRF-T2 Acórdão o.° 9202-00.879 Fl. 3 Assim, da analise da divergência jurisprudencial suscitada, verifica-se que está ausente o requisito da identidade fálico-jurídica entre os acórdãos confrontados. Neste sentido, está a jurisprudência do STJ, nos terrnos da ementa abaixo transcritas: PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. REQUISITOS. SÚMULA 7/ST1 RESSARCIMENTO AO SUS. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. TUIVEP. MATÉRIA FÁTICO- PROBATÓRIA, RECURSO ESPECIAL. ALÍNEA "C". NÃO- DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. 5. A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais (art. 591, parágrafo único, do CPC e art. 255 do RÉSTJ) impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "e" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. 6. Agravo Regimental não provido. (AgRg no Ag 1190456/RJ, ReL Ministro Herman Benjamin, file 13/11/2009); Pelo exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial. É o voto. Moisés Giacomelli Nunes • a va - Relator • 5

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Numero do processo: 10670.000337/2001-77
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, ADA. DESNECESSIDADE APRESENTAÇÃO. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei n° 9.363/1996, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de preservação permanente. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN's de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.496
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por maioria de votos, dar provimento parcial para restabelecer a tributação referente à área de Reserva Legal e, por unanimidade de votos, manter a decisão recorrida em relação à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Rogério de Lellis Pinto ( suplente convocado) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Votou pelas conclusões a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que apresentará declaração de voto. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, ADA. DESNECESSIDADE APRESENTAÇÃO. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei n° 9.363/1996, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de preservação permanente. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN's de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial provido em parte.

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiada por maioria de votos, dar provimento parcial para restabelecer a tributação referente à área de Reserva Legal e, por unanimidade de votos, manter a decisão recorrida em relação à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Rogério de Lellis Pinto ( suplente convocado) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Votou pelas conclusões a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que apresentará declaração de voto. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor.

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AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, ADA. DESNECESSIDADE APRESENTAÇÃO. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei n° 9.363/1996, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de preservação permanente. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN's de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por maioria de votos, dar provimento parcial para restabelecer a tributação referente à área de Reserva Legal e, por unanimidade de votos, manter a decisão recorrida em relação à átea de preservação permanente. Vencidos os_ _ Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Rogério de Lellis Pinto ( suplente convocado) e Mois 's Giacomelli Nunes da Silva. Votou pelas conclusões a Conselheira Susy Gomes Hoffm que apresentará declaração de voto. Designado o Conselheiro Elias Sampaio F e para red o voto vencedor. CARLOS Ai.BER ITASRRTO - Presidente RYC • • 411 ENRIQU MAGATÃES DE OLIVEIRA - Relator • ELIAS • '' • O FREIRE — Redator-Designado EDITADO EM: 2 3 ABR 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises GiacomeLli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. 2 Processo n° 10670.000337/2001-77 CSRF-T2 Acórdão n. 9202-00496 Fl. 2 Relatório DOMICIO MAMA DE VASCONCELOS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 07/05/2001, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, em relação ao exercício de 1997, incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Santo Antonio / Boa Vista, localizado no município de Grão Mogol -MG, cadastrado na RFB sob o n° 3413145-0, conforme peça inaugural do feito, às fls. 01/10, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interpoátolecurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da l a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão n° 6.925/2003, às fls. 67176, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia i a Câmara, em 20/05/2005, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTARIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n°301-31.840, sintetizados na seguinte ementa: "ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. Não há previsão legal para exigência do ADA como requisito para exclusão da área de preservação permanente da tributação do ITR, bem como da averbação de área de reserva legal com data anterior ao fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 100/123, com arrimo no artigo 5°, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos n's 302-36.539, 302-36.585 e 302-36.278, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovadas as divergências argüidas. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que impõem que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel e protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, respectivamente, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão tece comentários a propósito do conceito e finalidade da "Reserva Legal" traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, especialmente Código Florestal, aprovado pela Lei n° 4.771/1965, bem como Lei n° 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente -)3 atender o fim precipuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõe-se ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que Áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas "existi?' no mundo fático, mas devem "existi?' também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, notadamente a Lei n° 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, à fatos geradores ocorridos anteriormente à esse ato, em observância ao disposto no artigo 144, do Código Tributário Nacional, com vistas à assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente, consoante jurisprudência do STJ transcrita em sua peça recursal Relativamente à área de Preservação Permanente, defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao LBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4°, inciso I, da IN SRF n° 43/1997, que disciplinou a Lei n° 9.393/1996, com redação do artigo 1°, inciso II, da Instrução Normativa SRF n°67/1997. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente a averbação em comento e a protocolização atempada do requerimento do ADA, impõe-se à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da então Câmara do 3° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito das mesmas matérias, quais sejam, necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador e o requerimento atempado do ADA relativamente às áreas de preservação permanente, para fins de não incidência do tributo (FIR), conforme Despacho n°1078.128637, às fls. 152/155. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 160/172, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. \4\ 4 Processo n° 10670.000337/2001-77 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.496 FI. 3 Voto Vencido Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da P Câmara do 3° Conselho a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado nos Acórdãos n's 302-36.539, 302-36.585 e 302-36.278, ora adotados como paradigmas, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel. Igualmente, exige o protocolo atempado do requerimento do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fruição da isenção sub examine, relativamente às áreas de preservação permanente, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência da prévia averbação de reserva legal e requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a 1° Câmara do então 3° Conselho de Contribuintes, contrariou as normas inserias no Código Florestal Nacional (Lei n° 4.771/65 e atualizações), bem como as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10 § 4°, inciso I, da IN SRF n° 43/1997, que disciplinou a Lei n° 9.393/1996, com redação do artigo I°, inciso H, da Instrução Normativa SRF n° 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo e, bem assim, a exigência do requerimento do Ato Declaratório Ambiental — ADA, quanto as áreas de preservação permanente, dentro do prazo legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural - ITR. Consoante se infere dos autos, conclui-se que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1°, inciso II, e parágrafo 7°, da Lei n° 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3° da Medida Provisória n° 2.166/2001, nos seguintes termos: \4. _ "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. 6 1 0 Para os efeitos de apuração do 1TR, considerar-se-á: 1- VT61, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; XI - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989. b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; P A declaração para fim de isenção do 1TR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II. 6 I", deste artigo. não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com furos e multa previstos nesta Lei caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira sem arejais° de outras sanções aplicáveis. !Incluído Medida Provisória n°2.166-67, de 20011" (grifamos) DA ÁREA DE RESERVA LEGAL Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo a gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destina-se a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Trata-se, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que 6 \drià Processo n° 10670.000337/2001-77 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.496 Fl. 4 sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis — CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada a proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando- se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e Lido CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6° do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta- se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurando-lhe o beneficio fiscal se comprovada a observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforça-lhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal, é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito'. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório, ou ainda a não requisição atempada do ADA condição lenall para obtenção Ky I Misabel Demi, Comentários de atualização da 1 l • Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. 7 do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerá-la como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tentam, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não toma essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ABA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. • Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, devera ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR a parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Mais a mais, com esteio no principio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE No que concerne às áreas de preservação pç-Imanente, onde a recorrente pretende seja reformada a decisão atacada, sustentando que a contribuinte deixou de cumprir o requisito legal para fruição da isenção do 11R, especialmente quanto ao protocolo tempestivo do requerimento do Ato Declaratório Ambiental — ADA, da mesma forma, melhor sorte não está reservada à. Procuradoria da Fazenda Nacional. Destarte, não bastassem as razões de fato e de direito acima delineadas afastando a pretensão fiscal, sobretudo em homenagem à verdade material/real, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente. Nesse sentido, aliás, o ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire se manifestou como muita propriedade a respeito do tema, conforme se extrai do voto exarado nos autos do processo administrativo n° 10140.000907/2001-17, Recurso n° 303-132801, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: A questão controvertida posta à apreciação trata-se da obrigatoriedade ou não do Ato Declaratório Ambiental — ADA, nos termos em que dispõem as normas do fisco federal, para fins da não incidência do ITR. Para se dirimir a controvérsia dos autos, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural - 1TR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei 9.393/96 os trechos que interessam: Processo n° 10670.000337/2001-77 CSRF-T2 AcerdAo n.° 9202-00.496 Fl. 5 Da transcrição acima, destaca-se que, quando da apuração do imposto devido, exclui-se da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico e das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, remetendo o dispositivo citado para a Lei 4.771/65 (Código Florestal). O Código Florestal (Lei n° 4.771/65, na redação da Lei n° 7.803/89) foi extremamente minucioso ao estabelecer os parâmetros específicos para a conceituação das áreas de preservação permanente e as de reserva legal, nos arts. 2°, 30, 16 e 44, que vão aqui reproduzidos: A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve ater-se à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Portanto Administração Tributária não pode instituir obrigações acessórias sem que haja pertinência objetiva entre ela e a obrigação tributária principaL Não deve o contribuinte ser onerado com exigências desnecessárias e impertinentes para o pagamento do imposto. A leitura das normas constantes no Código Florestal evidencia que ali foram expostos de modo minucioso todas as particularidades relativas à caracterização das áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Não há pertinência entre o cumprimento da obrigação tributária principal, no que tange à apuração e o pagamento do imposto, no que diz respeito à exclusão das áreas em tela e a exigência de Ato Declarató rio AmbientaL Entendo que a IN n° 67/97, no quanto comporta à regulamentação do art. 10, § 1°, inc. II, alínea 'a', da Lei n° 9.393/96, desbordou de seus limites, vale dizer, o ato administrativo operou extra-legem . Com efeito, a exigência de ato declaratório se encontra tão-só nas alíneas 'te' e 'c' do inciso II do 6 1° da Lei n° 9.393/96. Nessas hipóteses tal exigência da EV n° 67/97 encontra fundamento na lei, condição necessária para sua validade enquanto ato normativo derivado. clY" 9 Entretanto, no que diz com a alínea 'a' do inciso II do 1° da Lei n° 9.393/96, não se vislumbra esse fundamento, até porque essa alínea faz remissão expressa à lei n° 4.771/65 e à Lei n° 7.803/89. que definem quais sejam as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Diferentemente, quando o legislador entendeu necessária a declaração para a determinação de áreas de interesse ecológico e comprovadam ente imprestáveis, o fez de maneira expressa. Portanto, a irresignação da Fazenda Nacional, neste ponto, não merece prosperar. Inclusive, porque o r. acórdão se mostra em sintonia com a jurisprudência da CSRF que firmou entendimento de que a comprovação da área de Preservação Permanente não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declarató rio Ambiental (ADA). [1" (grifamos) Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nos 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária especifica não condiciona a isenção em comento averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo e a protocolização atempada do ADA, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: "Art. 100. São norntas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 1 — os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra "Comentários ao Código Tributário Nacional", volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: " Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições,. as intruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos mas não podem criar obrigações para os contribuintes que /á não esteiam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos" Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: lo \:è Processo n° 10670.000337/2001-77 CSRF-T2 Acórdão n.° 920240.496 Fl. 6 "Vinculauão absoluta dos atos normativos à lei. "... As instruções normativos editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico- formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessonedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciar-se-á de ilegalidade..." (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)" (DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional a luz da Doutrina e da Jurisprudência" — 5' edição, Porto Alegre: Livrada do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela I' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que r-: Iam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPEC P, DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. I e I. 4,4 (11NÁlliii'ea'e ...--- Rycar É n - enrique Magalhães de Oliveira - Relator II _ Voto Vencedor Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIR_E, Designado Ouso divergir do ilustre relator no que diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do ITR. A decisão recorrida partiu da premissa de que o Código Florestal ao tratar da averbação da área de reserva legal o fez com finalidade diversa da tributária, ao concluir que a exigência de averbação como pré-condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na lei ambiental. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de IIR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2°Á reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989). 12 Processo n° 10670.000337/2001-77 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.4% Fl. 7 No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matricula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) e explicito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (TI• 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (lis. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.(GRIFED Mandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só • estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2" do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legaL (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação IÇi ç 13 acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a tributação da área declarada como de reserva legal. Elias Samp Freire — Redator-Designado 14 Processo n° 10670.000337/2001-77 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.496 Fl. 8 Declaração de Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN Deixo consignado que o voto do Ilustre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira muito bem relata os fatos e coloca o embate das questões jurídicas de forma precisa. O objetivo desta Declaração de Voto é tão somente de extemar o meu entendimento sobre a interpretação do parágrafo 7°. do artigo 10 da Lei 9.393/96. O referido dispositivo legal possui o seguinte texto: "Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 1- VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; 11- área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [. § 7° A declaração para fim de isenção do fTR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-57, de 2001)" 15 Entendo que a inteligência do referido parágrafo 7°, introduzido pela Medida Provisória 2.166-67 de 2001 teve por fim trazer ao Contribuinte do ITR a condição de excluir as áreas referidas (reserva legal e preservação permanente) do cálculo da área tributável para fins de ITR, sem que tenha que fazer qualquer prova pré-constituída. Todavia, entendo, diversamente do Conselheiro Relator, que uma vez instado a trazer tal prova, isto é, a prova da existência da área de reserva legal e da área de preservação permanente, cabe ao contribuinte, efetivamente, trazê-la. Portanto, não basta apenas a declaração do contribuinte, posto que no caso de fiscalização, quando o contribuinte é chamado a provar a existência e caracterização ou qualificação da área o ônus desta prova é dele. Pois bem. Diante destas considerações, passemos a analisar a questão do ônus da prova no processo administrativo. Segundo Hugo de Brito Machado2, pode-se dizer que o ônus da prova g dividido entre as partes, veja-se: "O desconhecimento da teoria da prova, ou a ideologia autoritária, tem levado alguns a afirmarem que no processo administrativo fiscal o ônus da prova é do contribuinte. Isto não é, nem poderia ser correto em um Estado de Direito democrático. O ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, expressos, aliás, pelo Código de Processo Civil, cujas normas são aplicáveis ao processo administrativo fiscal. No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333 I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune ou isento ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituida a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo. e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil". (grifo nosso) Depreende-se da leitura do texto acima transcrito que a alegação de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário deve ser comprovada pelo contribuinte. Dessa forma, caberia ao contribuinte comprovar as suas alegações, o que no presente caso poderia ter ocorrido por meio de laudo para comprovação da existência da área de reserva legal. A palavra ônus, do latim onus, significa carga, peso, encargo, obrigação. Quando se indaga — a quem cabe o ônus da prova? —, quer se saber, a quem cabe a necessidade de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do convencimento do julgador. 2 Machado, Hugo de Brito; Mandado de Segurança em Matéria Tributaria, 5. ed., São Paulo: Dialética, 2003, p273 16 Processo n° 10670.00033712001-77 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.496 Fl. 9 No processo administrativo fiscal federal tem-se como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Nesse sentido, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Por outro lado, o meu entendimento é que a prova da existência da área de reserva legal não exige a averbação da existência desta área junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Basta um laudo técnico que se refira à época do fato jurídico tributário e que ateste a existência e a extensão da área de reserva legal. Realmente, e sem maiores delongas jurídicos, pode-se considerar de plano, que a legislação concedeu isenção para a área localizada em Reserva Legal, não podendo recair tributação de ITR. E não poderia ser outro o entendimento, visto que o interesse defendido é o ecológico, pertinente a toda coletividade, que impede a incidência tributária sobre patrimônio de utilidade pública, cujo destino é dado no interesse exclusivo da Administração Pública, não mais do particular. Desta feita, da questão supracitada para o caso em apreço, tem-se que a área de Reserva Legal limita em muito o direito de propriedade do contribuinte, vez que fora destinado para finalidade específica de proteção integral do Meio Ambiente ecologicamente equilibrado. Assim, ainda que o contribuinte não tenha averbado a existência de tal área à margem da matricula do imóvel, ele pode e deve provar a existência de tal área por meio de laudo técnico, pois o que importa para o Direito, sob o meu ponto de vista, é a efetiva proteção ao Meio-Ambiente por meio da preservação da área de reserva legal, e se há prova de que a área está preservada, este fato é o relevante, sendo a averbação da existência da área, ato declaratório da existência e preservação da referida área. Portanto, a minha declaração de voto é para externar o meu posicionamento de que: a) para provar a existência da área de reserva legal para fins de exclusão desta área para fins de ITR não é condição a averbação da área junto à matrícula do imóvel, podendo tal prova ocorrer por meio de laudo; b) cabe ao contribuinte a realização da prova da existência da área de reserva legal pelos meios de prova admitidos em direito. SU;342:011 offmann 17

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Numero do processo: 13971.003029/2002-88
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997, 1999, 2000, 2001, 2002 NULIDADE. DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRENCIA. A nulidade do auto de infração somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas na legislação. Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70,235, de 1972) sobrepõem-se as recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais alterações nele inseridas, ou até mesmo a inexistência deste instrumento, não caracterizam vícios insanáveis. CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1997, 1999, 2000, 2001, 2002 COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS EFETUADA ANTES DE OUTUBRO DE 2002. A compensação efetuada a conta e risco do contribuinte, nos moldes permitidos anteriormente à Medida Provisória nº 66, de 2002, não exigia requerimento à Receita Federal, nem tampouco que constasse em declarações. Em contrapartida, o encontro de contas requisita lançamentos contábeis tendentes a demonstrar sua efetivação e, entre outros, a quantificação dos indébitos, a identificação das dividas anuladas e a época do evento. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA Descabida a exigência de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, tendo ambas as mesmas bases de cálculo do lançamento.
Numero da decisão: 1102-000.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de nulidade por irregularidade do MPF, vencidos Silvana Rescigno Guerra Balleto e João Carlos de Lima Júnior, e por maioria de votos DAR parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Relator, Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos Lima Júnior.
Nome do relator: José Sérgio Gomes

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DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRENCIA. A nulidade do auto de infração somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas na legislação. Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei IV 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n" 70,235, de 1972) sobrepõem-se as recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais alterações nele inseridas, ou até mesmo a inexistência deste instrumento, não caracterizam vícios insanáveis. ASSUNTO: CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 1997, 1999, 2000, 2001, 2002 COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS EFETUADA ANTES DE OUTUBRO DE 2002. A compensação efetuada a conta e risco do contribuinte, nos moldes permitidos anteriormente à Medida Provisória n" 66, de 2002, não exigia requerimento à Receita Federal, nem tampouco que constasse em declarações. Em contrapartida, o encontro de contas requisita lançamentos contábeis tendentes a demonstrar sua efetivação e, entre outros, a quantificação dos indébitos, a identificação das dividas anuladas e a época do evento, MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA Descabida a exigência de multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo ambas as mesmas bases de cálculo do lançamento. IV z- LÀ Jost ES — Relator Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pot maioria de votos, afastar a preliminar de nulidade por irregularidade do MPF, vencidos Silvana Rescigno Guerra Ballet° e João Carlos de Lima Júnior, e por maioria de votos DAR parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Relator, Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Joao Carlos Lima Júnior, IVE h QUE S PESSÕA MONTEIRO Presidente JOÃO CARLOS UM OR Redator designado EDITADO EM: 2 5 [.-F. v 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), João Otávio Opperman •Thorrié (Relator), Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). 2 Processo n° 13971 003029/2002-88 Sl-C1T2 Acórdzio n° 1102-00,219 Fl 463 Relatório Ern foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 6a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro-I/RJ que julgou parcialmente procedente o lançamento efetuado em 26/03/2003 pela Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC, con -i vistas A exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) relativa aos três últimos trimestres civis do ano-calendario de 1997, acrescida de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios correspondentes A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), bem assim, de multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre a base de calculo mensal estimada afeta aos meses de novembro de 1999 a abril de 2000 e junho de 2000 a outubro de 2001 e, ainda, janeiro de 2002. A ação fiscal imputa diferença entre o valor do tributo escriturado e o efetivamente declarado/pago no ano de 1997. Quanto aos períodos mensais, em que se exige multa isolada, registra a existência de divergências nos valores da base de calculo que serviram para o recolhimento das estimativas, resultando insuficiência das antecipações obrigatórias. Impugnando o lançamento a contribuinte alegou preliminar de nulidade do auto de infração em razão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) ter sido prorrogado intempestivamente e como é técnica e ,juridicamente impossível prorrogar algo já vencido estaria o ato viciado. Também invocou preliminar de decadência do direito fiscal de lançar o tributo afeto ao ano-calendário de 1997, o que só poderia ser exercido até 31/12/2005, conforme artigo 150, § 40, do Código Tributário Nacional e, ainda que se interprete não ter decaído o direito fiscal, é insubsistente a exigência vez que extinta por compensações. No tocante à multa isolada aduziu que ha equívoco no trabalho fiscal por não reconhecer os lançamentos a débito na conta "Rend depósito a prazo fixo" nos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001, inadvertida e incorretamente desconsiderados pelos autuantes, e também que tanto o Fisco quanto ela própria equivocaram-se ao considerar o valor das devolugaes pela Conta Contábil, cujo resultado está "liquido" do 'CMS, resultando em pagamentos indevidos ou a maior em todos as meses do ano-calendário 2001, conforme demonstrado nos Anexos. Além disso, que os valores das estimativas de janeiro de 2000 e fevereiro de 2000 (parte) foram compensandos em 29/02/2000 e 31/03/2002 com o saldo da declaração, respectivamente, nas quantias de R$ 27,426,91 e R$ 1,831,45, sendo a operação declarada na Declaração de Informações Econômico-Fiscais (DIM) de 2001, de forma que não cabe o fútil argumento fiscal de impossibilidade ante o fato dela não ter sido informada na Declaração de Créditos e Débitos Federais (DCTF). Quanto aos demais períodos, formulou as seguintes razões suplementares: março de 2000 - os autuantes incluíram o valor de R$ 26,30 Como sendo "Variação Cambial", sem que, no entanto, fosse possível aferir de onde proveio este valor; maio de 2000 - por evidente erro de calculo recolheu R$ 7,176,63 a maior que o devido, tendo os autuantes silenciados a este respeito; julho de 2000 - ignorando o lançamento de ajuste "a débito" da conta "Rend Apl Fine os autuantes lançaram o valor de R$ 23.074,10 quando o efeito correto do resultado da referida conta era de R$ 18.673,21; novembro de 2000 - os autuantes informaram como "Descontos obtidos" o valor de R$ L908,08 quando o correto é R$ 1.098,08; dezembro de 2000 - os autuantes incluiram na base de cálculo o valor de R$ 4.605,11 sob o titulo de "Desp Recuperadas", cuja origem não pode ser apurada pelo contribuinte; Relativamente ao ano-calendário de 2001 disse que consta na DIN 2002 o valor a titulo de CSLL mas, por descuido em não transportar para a linha 38 da ficha 17 a estimativa mensal paga por estimativa, no total de R$ 410.984,99, apurou CSLL a pagar no valor de R$ 213.339,03, quando, na verdade, seria saldo negativo de R$ 197.645,96. Além disso, que durante o ano de 2001 foram lançados como "outras", de forma englobada, uma série de valores referentes a créditos presumidos de IN, de ICMS, de ICMS 1/48 sobre aquisição de Imobilizado entre outros, sem a necessária aferição da origem de cada valor específico. Especificamente em relação aos meses de janeiro, fevereiro e abril de 2001 que o Fisco não considerou que a obrigação foi extinta por compensações e os débitos informados na DIN, mais uma vez forrado na simples fundamentação de que os débitos e os créditos não foram informados na DCTF. Quanto ao mês de junho de 2001, por entender equivocadamente que a conta contábil não pode receber ajustes A débito para adequá-los a realidade das receitas auferidas, os autuantes lançaram o valor de R$ 10,263,68 a titulo de "Rend Aplic Fine", o que resulta, em última análise, tributação de valor que não representa disponibilidade jurídica ou econômica de renda, por se tratar apenas de ajuste de uma inclusão antecipada de renda na base de cálculo dos meses anteriores. Com referência ao ano-calendário de 2002 disse que a diferença da CSLL entre o valor constante na contabilidade e originariamente declarado em DCTI: (R$ 3.448,70) foi corrigida mediante apresentação de DCTF retificadora em data de 09/01/2003, época que ainda não estava sob fiscalização, o que caracteriza abusividade da exigência. Por fim, salientou que mesmo admitidos como corretos os demonstrativos fiscais de fls. 167 e 231 destes autos, o que entende não ser o caso, há que se levar em consideração que no ano calendário de 2000 a DIPJ informa valor de estimativa em montante superior ao tributo devido no final do exercício, situação semelhante a ocorrida no ano- calenddrio de 2001, e que isso se deu antes de qualquer procedimento fiscal, de sorte ser razoável afirmar que o valor devido no final do ano-calendário encontrava-se liquidado/extinto, portanto, ao abrigo do disposto no art. 138 do GIN, consoante linha de entendimento do Conselho de Contribuintes. Aquela 6a Turma de Julgamento admitiu a impugnação e decidiu inexistir nulidade do lançamento sob o entendimento de que o MPF é mero instrumento de excecução dos procedimentos de fiscalização, a par de instrumentalizar o conhecimento ao contribuinte da autorização da Administração Tributária para os trabalhos fiscais, de forma que eventuais falhas não viciam o ato administrativo do lançamento se este atender aos requisitos do artigo 142 do CTN e do Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto n°70.235, de 1972. Quanto ao mérito entendeu que o direito fiscal na constituição do crédito tributário afeto aos três trimestres do ano de 1997 foi fulminado pelo fenômeno decadencial, já 4 Processo n° 13971 003029/2002-88 S1-C1T2 Acõrdo n ° 1102-0(L219 Fl. 464 que em março de 2003 o prazo de cinco anos a que alude o artigo 150, § 4 0, do CTN, já teria sido ultrapassado. No que concerne à multa isolada fundamentou que os artigos 29 e 30 da Lei n° 9A30, de 1996 dispõe que a CSLL deve ser recolhida mensalmente sobre base de calculo estimada, e sobre esta devem ser adicionados os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras e demais receitas. Assim, quanto aos períodos de novembro e dezembro de 1999, em se tratando de rendimentos de aplicação em renda fixa, descabe deduzir os ajustar os valores dos rendimentos nominais auferidos nem tampouco realizar compensações de eventuais perdas entre fundos diversos, de sorte que o lançamento fora acertado . No que respeita ao ano-calendário de 2000 consignou que embora a DIPJ do ano-calendário de 1999 aponte saldo negativo de CSLL nada se informou acerca da alegada compensação da estimativa de janeiro (e parte de fevereiro) com esse apontado credito, seja em DCTF ou em requerimento dirigido à Receita Federal, assim arrematando: "ainda que a interessada dispusesse de crédito em sua escrituração ou outro meio próprio, tal controle não se presta como prova de quitação do débito tributário, uma vez que o pretenso crédito só poderá ser compensado com crédito tributário, após seu reconhecimento pela autoridade administrativa (DRF, Inspetor, etc)." Reconheceu, todavia, equívoco no trabalho fiscal relativo aos meses de março, novembro e dezembro de 2000, excluindo da exigência o acréscimo correspondente a "variação cambial", a parcela afeta A inversão de valores (R$ 1.908,08 ao invés de R$ 1,098,08) e a rubrica "Desp recuperadas", respectivamente. Relativamente ao ano-calendário de 2001 reafirmou o entendimento de que as alegadas compensações nos meses de janeiro, fevereiro e abril não se sustentam em face da necessidade do pedido próprio junto a Receita Federal e, em relação ao mês de junho, reprisou falecer razão nos ajustes a débito na conta contábil Rendimentos a Depósito a Prazo Fixo, pois a base de calculo da CSLL deve refletir a totalidade dos valores escriturados, sem espaço para dedução das perdas . Quanto ao ano-calendário de 2002 consignou que a ação fiscal iniciou-se em 22/03/2002, fl, 07, e somente em 09/01/2003 foi apresentada a DCTF retificadora (1° trimestre de 2002), motivo pelo qual procede o lançamento. Julgou prejudicado, ainda, o pedido de acatamento das compensações noticiadas, consignando que competência para apreciação de pedidos dessa estirpe é do Delegado da Receita Federal jurisdicionante. Ao final, houve por aplicar a retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional (CTN) ern face da nova redação do artigo 44 da Lei n° 9A30, de 27 de dezembro de 1996, trazida pelo artigo 14 da Lei n° 1 L488, de 15 de junho de 2007, reduzindo a multa para o patamar de 50% (cinqüenta por cento). Ciente do decisório em 10 de dezembro de 2007 a contribuinte apresentou ern 09 de janeiro seguinte o recurso de fls, 431/450 pelo qual reprisa as razões originarias, inclusive naqueles pontos já deferidos pela decisão . de primeiro grau, asseverando, outrossim, que os lançamentos a débito nas contas de receitas financeiras são efetivos estornos em face de 7/ 5 erros anteriores (valores de receitas lançados a maior em meses antecedentes) e não propriamente compensação de perdas entre fundos diversos como entendeu a decisão recorrida, e que as compensações efetuadas em 2000 e 2001 foram realizadas ao abrigo do artigo 14 da 1N/SRF n° 21/97, as quais não dependiam da anuência/concordância da Delegacia da Receita Federal. o relatório, em apertada síntese. Voto Vencido Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintidio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Cediço que o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que cuida do processo administrativo fiscal, tem status de Lei, uma vez que derivado da delegação atribuida pelo artigo 2' do Decreto-lei n° 822, de 05 de setembro de 1969, a ver: "DECRETO-LEI N° 822/1969; Os Ministros da Marinha de Guerra, do Exército e da Aeronáutica Militar, usando das atribuições que lhe confere o art. 1.° do Ato Institucional n.° 12, de 31 de agosto de 1969, combinado com o § I do art. 2.° do Ato Institucional n.° 5, de 13 de dezembro de 1968, decretam: Art. 2 °. 0 Poder Executivo regulará o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais, penalidades, empréstimos compulsár ias e o de consulta. Art. 3.°. Ficará revogada, a partir da publicação do Ato do Poder Executivo que regular o assunto, a legislação referente á matéria mencionada no art. 2.° deste Decreto-lei." Assim, qualquer alteração desse diploma requer norma de idêntica hierarquia, a tanto não servindo nem mesmo outro Decreto. Neste sentido, a cristalina jurisprudência: "PROCESSUAL CIVIL - EXECUÇÃO FISCAL - PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO - ART 37, § 3° DO DECRETO 70.235/72 - IMPOSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO DO RECURSO ADMINISTRATIVO PELO DECRETO 75.445/75 INTERPOSIÇÃO ANTERIOR A VIGÊNCIA DA LEI 8.541/92 1 - O Pedido de Reconsideração de decisões dos Conselhos de Contri fUntes foi autorizado, inicialmente, pelo ait 37 do 6 Processo n° 13971.003029/2002-88 S1-C1T2 Acórciiio n." 1102-00219 F1 465 Decreto 70.23.5, de 06 de março de 1972, editado por forgo do art. 2° do Decreto-lei 822/69 2 - O entendimento consolidado nos Tribunais pátrios pacificou- se no sentido de que a supressão do pedido de reconsideração pelo Decreto 75.445/75 operou-se de forma ilegal, na medida em que o Decreto 70.235/72, .fruto de delegação legislativa (DL 822/69), não poderia ser suprimido por legislação de hierarquia inferior, de natureza meramente regulamentar. Destarte, somente com a vigência da Lei 8 541/92 referido recurso deixou de ser admitido. 3- , TRY 1° Regido, AC 1997.34 00.030843-3/DF, turma 30/06/2009 De plano, portanto, a impossibilidade das disposições da Portaria SRF n° 3,007, de 26 de novembro de 2001, a qual criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), e/ou outras que lhe sucederam, disporem contrariamente ao estatuido na norma processual em questão. Nesse contexto, tenho que eventuais alterações, omissões ou prorrogações do mandado de procedimento fiscal, ou até mesmo a inexistência deste instrumento, não caracterizam vícios insanáveis, urna vez que voltado a questões da administração tributária, notadamente como meio de controle e acompanhamento das ações fiscais, sem o condão, portanto, de constituir elemento indispensável à validade do ato administrativo do lançamento, atividade vinculada e obrigatória por força do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), cujos pressupostos para surtir os efeitos a que se destina têm sede, apenas, no Decreto no 70.235, de 1972, a ver pelo seu artigo I° que reza: "Art. 1 0 Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tribut 'aria federal " Por sua vez, consta que a contribuinte foi cientificada do procedimento fiscal através do Termo de Inicio de Ação Fiscal de fls, 05/07, cuja cópia lhe foi entregue em data de 22/0.3/2002, com o que lhe foi exigida a apresentação de arquivos, documentos livros correspondentes ao período de janeiro de 1998 a dezembro de 2001. Aqui, portanto, a regularidade do procedimento, na forma do artigo 7° do diploma legal em foco: "Art. 7°O procedimento fiscal tem inicio com: - o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor. competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto,- ,sç 1° 0 inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. y'f 7 Ao longo do procedimento fiscalizatório houve, ainda, os Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal e Termos de Intimação de fls. 31, 72, 96, 155, 222 e 235, enquanto o término da fiscalização operou-se com o Termo de Encerramento de if 264, todos devidamente encaminhados e/ou entregues a contribuinte, consoante comprovantes próprios, Eventuais nulidades, portanto, apenas se incorridas as hipóteses expressamente previstas no artigo 59 da norma processual, admitindo-se, ainda, a nulidade por utilização de instrumento diverso daqueles previstos no artigo 9°, que versam: "Art 9,°_ A exigência cio crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada sendo formalizadas em autos de infração ou not de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruidos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis a comprovação do ilícito (Redação dada pelo art, 1.° da Lei a.° 8.748/1993) Art. 59. São nulos, I — os atos e termos lavrados pot pessoa incompetente, II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Encontrando-se os autos de infração, como efetivamente se encontram, lavrados e assinados por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil regularmente investido na competência legal atribuida pelo artigo 6° da Lei n° 10,593, de 06 de dezembro de 2002 (corn a redação dada pela Lei n° 11.457, de 16/03/2007), descaber cogitar a incidência de nulidade do lançamento em face de desobediência a preceitos de regras que cuidam do MPF. Quanto ao mérito, e no que diz respeito as pretendidas deduções das contas de receitas financeiras, assiste razão à Recorrente no sentido de que eventuais equívocos de escrituração são corrigidos mediante os devidos estornos. Todavia, os enunciados destes lançamentos "a débito" em contas de receitas sequer expressam tratarem-se de estornos e sim repetem a mesma denominação utilizada nos lançamentos "a crédito", como, por exemplo, REND DEP PRAZO FLY° B BRASIL, De qualquer forma, ainda que se tome o enunciado como estorno, também é assente que o lançamento contábil, qualquer que lhe seja a natureza, ha de estar lastreado em provas. No caso dos autos a contribuinte respondeu a indagações fiscais dizendo que ditos ajustes se referiam ao fato de que o rendimento efetivo, por ocasião do resgate da aplicação financeira, foia inferior ao já escriturado anteriormente em face do regime contábil de competência, fl, 97, Contudo, a contribuinte não produziu as devidas demonstrações, externando as aplicações de renda fixa (já que a conta contábil é dessa natureza) e o montante já reconhecido anteriormente, de sorte a permitir a exclusão por ela levada a efeito nos meses trabalhados pelo Fisco. Noutro giro, o instituto da compensação a que alude o artigo 66 da Lei 8383, de 1991, e que deixou de existir após o advento da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° Lei n° 10,637, de 30 de dezembro de 2002, era cristalino no sentido 8 Processo n° 13971.003029/2002-88 S1-C1T2 AcOrao ° 110240,219 H 466 de permitir o encontro de contas pelo próprio contribuinte (autocompensação) quando envolvidos tributos da mesma espécie tributária, verbis: "Art 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributo, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. §1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3 0 A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigida monetariamente com base na variação da Ufir." (fase acrescida) Patente, pois, que eventuais créditos da contribuinte a titulo de saldo negativo de CSLL serviam para a extinção de dividas da própria CSLL, bem assim as antecipações, em procedimento de compensação efetuado pela própria interessada. Dai porque o artigo 14 da Instrução Normativa SRF no 21, de 10 de março de 1997, realmente autorizava a realização da compensação unilateralmente, sem a participação do Fisco, 6 dizer, expressamente dispensava o requerimento à Administração, enquanto o artigo 12 cuidava dessa exigência quando envolvidos tributos de espécie distinta, a ver: Art, 12. Os créditos de que tratam os arts 20 e 3°, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de oficio ou a requerimento do interessado. § 1° A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional, • ,,,,,,,,,,,, § 3°A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo 1H, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendo,s, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte." (énfase acrescida) Art 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contri5uições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não 9 apurados em procedimento de oficio, independentemente de requerimento Neste contexto, o unilateral encontro de contas, para ser eficaz, também não dependia da entrega da DCTF e nesse particular ouso divergir do entendimento do Fisco e do r_ acórdão recorrido, mesmo porque, como é sabido, em antanho, e em certas circunstâncias (piso de receita global, optantes pelo SIMPLES, etc) sequer obrigatoriedade de entrega da DCIF existia. O que se exige, isso sim, é que o encontro de contas encontre-se na escrituração comercial ou fiscal, ainda que a empresa esteja desobrigada da escrita, como acontece nas hipóteses de opção pelo regime de tributação do lucro presumido ou do SIMPLES, sendo que neste caso o livro "Caixa" faz-lhe as vezes. No caso, indispensáveis os registros contábeis da alegada compensação ou ainda a expressão deste direito em balanços ou balancetes, mesmo porque se trata de contribuinte sujeita ao regime do lump real, para o qual exige a lei contabilidade regular, a ver pelo artigo 70 e seu § 4', e também o artigo 8°, inciso I, "b", ambos do Decreto-lei n° 1,598, de 1977, dispondo que a pessoa jurídica deve manter escrituração coin observância das leis comerciais e fiscais. A Recorrente nada apresentou neste sentido, quer ao longo da fiscalização, ou com a peça impugnatória, ou ainda corn o recurso voluntário. No que concerne ao alegado erro do Fisco em considerar as devoluções de vendas pelos valores "líquidos" do ICMS, do que se ventila ate a hipótese de pagamentos a maior que os devidos em todos os meses analisados, verifico que a própria Recorrente, por suas próprias palavras, diz que eles foram extraldos de "Conta Contábil" e, mais, que ela também teria incidido no mesmo equívoco ao formatar suas Declarações de Informações Econômico- fiscais (DIM Corn o fito de esclarecer dita questão, ou comprovar que há erro, cuidou a Recorrente de encartar aos autos planilhas comparando o valor mensal de devoluções de vendas por ela levado na DIPJ, mesmo quantum tomado em conta pelo Fisco, com aquele que entende facorreto, tão só. Insuficiente, pois, o instrumento utilizado para dar lastro ao alegado. Por último, cumpre observar que a aplicação da multa isolada, prevista no art. 44, II, "h" (antigo art. 44, § 1°, IV) da Lei n° 9.430 de 1996, decorre, exclusivamente, do descumprimento da obrigação de se efetuar o recolhimento por estimativa nos prazos e condições estabelecidos na legislação tributária, independentemente do resultado anual (lucro ou prejuízo) apurado pelo sujeito passivo. Excetua-se do disposto nessa regra a pessoa jurídica que comprovar, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já antecipado excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso, na forma do art, 35 da Lei n,' 8.981, de 1995, e alterações posteriores. A empresa optou pela apuração do lucro real anual e efetuou antecipações em bases estimadas, porém, com insuficiência, e sobre essa parcela que deixou de ser computada no cálculo das estimativas mensais fez-se incidir a penalidade prevista no ordenamento jurídico. Considerando que essa situação atica foi apurada em procedimento de oficio não há de se aplicar reclamado instituto da denúncia espontânea a que alude o artigo 138 do Código Tributário Nacional. io Processo 13971.003029/2002-88 Acárao n° 119240.219 Fl 467 Corn ta1 infração e, no mérito, p José S es VOTO pela rejeição da preliminar de nulidade do auto de vimento do recurso, ( o drnesL"':* Voto Vencedor João Carlos de Lima Junior — Redator Designado Trata-se de lançamento fiscal efetuado em 26.03.2003 que objetiva a cobrança de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) relativa aos tits Últimos trimestres civis do ano-calendário de 1997, acrescida de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e juros, bem como de multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento). Em relação A. multa isolada aplicada pela falta de recolhimento do IRP1 sobre a base de cálculo estimada, entendo que incabível, pois, o Sr. Agente Fiscal, ao aplicar a multa isolada em ato concomitante à multa de oficio, penalizou duplainente a recorrente, fazendo incidir duas multas sobre uma mesma base de cálculo . Neste sentido pronunciamento anterior deste Conselho, a seguir transcrito: "COMCOMITÁNCL4 COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA PELA CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS — Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de oficio exigida pela constatação de omissão de receitas, que tiveram como base o mesmo valor apurado em procedimento fiscal." (1' Conselho de Contribuintes / 8 Camara / .ACORDÃO 108-07493, em 14/08/2003) "IRPF - MULTA DE OFÍCIO CUMULADA COM A MULTA ISOLADA — Pacifica a jurisprudência deste Conselho de Contribuintes no sentido de que não é cabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de oficio com a inulta isolada." (Conselho de Contribuintes, Relator Dr José Oleskovicz, acórdão n° 102-47. 087) "PENALIDADE - MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOB BASE ESTIMADA Não cabe a aplicação concomitante da multa de oficio e da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento .fiscal Incabível a exigência da multa isolada." (Conselho de Contribuintes, Relator Dra. Albertina Silva Santos de Lima, acórdão n" 107-08. 274) "IRPF MULTA ISOLADA - MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base de cálculo." (Conselho de Contribuintes, Relator Dr Remis Almeida Estol, acórdão n° 104-21. 431) "MUM ISOLADA E Mum DE OFÍCIO CONCOMITÂNCLI - MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo." (Conselho de Contribuintes, Relator Dr Alexandre Barbosa Jaguaribe, acórdão n°103-22. 217) Desta feita, dou provimento parcial ao recurso a fim de excluir do lançamento a multa isolada, frente à anterior multa de oficio aplicada. como voto. Joao Carlos L ma J tor k 12

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Numero do processo: 19515.002516/2006-11
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO SEM CAUSA/OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE FORMA GENÉRICA. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. O imposto de renda na fonte, de que trata o artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1995, é tributo sujeito a lançamento por homologação. Havendo pagamento antecipado de imposto de renda na fonte de forma genérica o direito de a Fazenda Nacional lançar o crédito tributário decai após cinco anos contados do fato gerador que, no caso de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento sem causa/operação não comprovada é a data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Súmula CARF nº 27). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. ILEGITIMIDADE PASSIVA. PAGAMENTO SEM CAUSA. FALTA DE RETENÇÃO DO IRRF. ALEGAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL EXCLUSIVA DOS ADMINISTRADORES. A responsabilidade tributária da pessoa jurídica pela retenção do imposto de renda na fonte decorre de previsão legal expressa nos casos de pagamento a beneficiário não identificado e/ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular. Incabível a objeção de responsabilidade pessoal exclusiva do administrador da empresa, quando tal questão não é objeto de imputação no lançamento fiscal. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. LEI Nº 8.981, DE 1995, ART. 61. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado e/ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. Assim, na operação de aquisição de títulos externos, para que seja comprovada sua existência para fins da legislação tributária, requer, além do instrumento contratual de aquisição dos títulos, a comprovação de transferência de titularidade para o nome do adquirente junto à instituição financeira intermediária, comprovação da posse ou usufruto dos títulos, a comprovação da custodia dos títulos em instituição financeira intermediária, extrato da conta bancária utilizada para aquisição dos títulos mantida na instituição financeira intermediária ou recibo de pagamento. MEIOS DE PROVA. CARACTERIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. CARACTERIZAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio os valores questionados. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Argüição de decadência acolhida. Recurso Voluntário no mérito negado
Numero da decisão: 2202-002.242
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, QUANTO A ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA: Por maioria de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao período anterior a 27/11/2001. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, que não acolhia a argüição de decadência. QUANTO AS DEMAIS QUESTÕES: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelsonn Mallmann

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO SEM CAUSA/OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE FORMA GENÉRICA. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. O imposto de renda na fonte, de que trata o artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1995, é tributo sujeito a lançamento por homologação. Havendo pagamento antecipado de imposto de renda na fonte de forma genérica o direito de a Fazenda Nacional lançar o crédito tributário decai após cinco anos contados do fato gerador que, no caso de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento sem causa/operação não comprovada é a data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Súmula CARF nº 27). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. ILEGITIMIDADE PASSIVA. PAGAMENTO SEM CAUSA. FALTA DE RETENÇÃO DO IRRF. ALEGAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL EXCLUSIVA DOS ADMINISTRADORES. A responsabilidade tributária da pessoa jurídica pela retenção do imposto de renda na fonte decorre de previsão legal expressa nos casos de pagamento a beneficiário não identificado e/ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular. Incabível a objeção de responsabilidade pessoal exclusiva do administrador da empresa, quando tal questão não é objeto de imputação no lançamento fiscal. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. LEI Nº 8.981, DE 1995, ART. 61. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado e/ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. Assim, na operação de aquisição de títulos externos, para que seja comprovada sua existência para fins da legislação tributária, requer, além do instrumento contratual de aquisição dos títulos, a comprovação de transferência de titularidade para o nome do adquirente junto à instituição financeira intermediária, comprovação da posse ou usufruto dos títulos, a comprovação da custodia dos títulos em instituição financeira intermediária, extrato da conta bancária utilizada para aquisição dos títulos mantida na instituição financeira intermediária ou recibo de pagamento. MEIOS DE PROVA. CARACTERIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. CARACTERIZAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio os valores questionados. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Argüição de decadência acolhida. Recurso Voluntário no mérito negado

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2202­002.242  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de março de 2013  Matéria  IRRF  Recorrente  BOMBRIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2001  DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR  O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO  E/OU  PAGAMENTO  SEM  CAUSA/OPERAÇÃO  NÃO  COMPROVADA.  MODALIDADE  DE  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  EXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO ANTECIPADO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE  FORMA  GENÉRICA.  TERMO  INICIAL  PARA  A  CONTAGEM  DO  PRAZO.  O  imposto  de  renda  na  fonte,  de  que  trata  o  artigo  61  da Lei  n°  8.981,  de  1995, é  tributo sujeito a  lançamento por homologação. Havendo pagamento  antecipado  de  imposto  de  renda  na  fonte  de  forma  genérica  o  direito  de  a  Fazenda Nacional lançar o crédito tributário decai após cinco anos contados  do  fato  gerador  que,  no  caso  de  pagamento  a  beneficiário  não  identificado  e/ou pagamento sem causa/operação não comprovada é a data da ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação.  Ultrapassado  esse  lapso  temporal  sem  a  expedição  de  lançamento  de  ofício  opera­se  a  decadência,  a  atividade  exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário  extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156,  inciso V, ambos do  Código Tributário Nacional.  PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA.  É valido o lançamento formalizado por Auditor­Fiscal da Receita Federal do  Brasil  de  jurisdição  diversa  da  do  domicílio  tributário  do  sujeito  passivo  (Súmula CARF nº 27).  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE  DEFESA.  CAPITULAÇÃO  LEGAL.  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS.  LOCAL DA LAVRATURA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 16 /2 00 6- 11 Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     2 O  auto  de  infração  deverá  conter,  obrigatoriamente,  entre  outros  requisitos  formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total  dessas  formalidades  é  que  implicará  na  invalidade  do  lançamento,  por  cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer  plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo­as, uma a uma,  de  forma  meticulosa,  mediante  extensa  e  substanciosa  impugnação,  abrangendo  não  só  outras  questões  preliminares  como  também  razões  de  mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.  NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO  DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Somente a partir da lavratura do auto de  infração é que se  instaura o  litígio  entre o  fisco  e o  contribuinte,  podendo­se,  então,  falar  em ampla defesa ou  cerceamento  dela,  sendo  improcedente  a  preliminar  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  concedida,  na  fase  de  impugnação,  ampla  oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.  DILIGÊNCIA/PERÍCIA  FISCAL.  INDEFERIMENTO  PELA  AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE  DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.  A  determinação  de  realização  de  diligências  e/ou  perícias  compete  à  autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou  a  requerimento  do  impugnante.  A  sua  falta  não  acarreta  a  nulidade  do  processo administrativo fiscal.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO.  Descabe  o  pedido  de  diligência  quando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção.  Por  outro  lado,  as  perícias  devem  limitar­se  ao  aprofundamento  de  investigações  sobre  o  conteúdo  de  provas  já  incluídas  no  processo,  ou  à  confrontação  de  dois  ou  mais  elementos  de  prova  também  incluídos  nos  autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal.  Assim,  a perícia  técnica destina­se  a  subsidiar a  formação da  convicção do  julgador,  limitando­se  ao  aprofundamento  de  questões  sobre  provas  e  elementos  incluídos  nos  autos  não  podendo  ser  utilizada  para  suprir  o  descumprimento de uma obrigação prevista na legislação.  ILEGITIMIDADE  PASSIVA.  PAGAMENTO  SEM  CAUSA.  FALTA  DE  RETENÇÃO  DO  IRRF.  ALEGAÇÃO  DE  RESPONSABILIDADE  PESSOAL EXCLUSIVA DOS ADMINISTRADORES.   A responsabilidade tributária da pessoa jurídica pela retenção do imposto de  renda na fonte decorre de previsão legal expressa nos casos de pagamento a  beneficiário não  identificado e/ou não comprovar a operação ou a causa do  pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou  titular.  Incabível  a  objeção  de  responsabilidade  pessoal  exclusiva  do  administrador da empresa, quando tal questão não é objeto de imputação no  lançamento fiscal.  PAGAMENTO  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO  E/OU  PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU  CAUSA. LEI Nº 8.981, DE 1995, ART. 61. CARACTERIZAÇÃO.  A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado e/ou  não  comprovar  a  operação  ou  a  causa  do  pagamento  efetuado  ou  recurso  Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 3          3 entregue  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular,  contabilizados  ou  não,  sujeitar­se­á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de  35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a  beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material  para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte,  conforme  o  disposto  no  artigo  61,  da  Lei  nº  8.981,  de  1995.  Assim,  na  operação  de  aquisição  de  títulos  externos,  para  que  seja  comprovada  sua  existência  para  fins  da  legislação  tributária,  requer,  além  do  instrumento  contratual  de  aquisição  dos  títulos,  a  comprovação  de  transferência  de  titularidade  para  o  nome  do  adquirente  junto  à  instituição  financeira  intermediária, comprovação da posse ou usufruto dos títulos, a comprovação  da  custodia  dos  títulos  em  instituição  financeira  intermediária,  extrato  da  conta  bancária  utilizada  para  aquisição  dos  títulos  mantida  na  instituição  financeira intermediária ou recibo de pagamento.  MEIOS DE PROVA. CARACTERIZAÇÃO. POSSIBILIDADE.  A prova de infração fiscal pode realizar­se por todos os meios admitidos em  Direito,  inclusive  a  presuntiva  com  base  em  indícios  veementes,  sendo,  outrossim, livre a convicção do julgador.  PRESUNÇÕES  LEGAIS  RELATIVAS.  DO  ÔNUS  DA  PROVA.  CARACTERIZAÇÃO.  As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão­ somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFICIO.  RESPONSABILIDADE  OBJETIVA.  A  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má­fé do contribuinte  não descaracteriza o poder­dever da Administração de  lançar com multa de  oficio os valores questionados.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  CARÁTER  DE  CONFISCO.  INOCORRÊNCIA.   A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento  de  ofício,  para  exigi­lo  com  acréscimos  e  penalidades  legais.  A  multa  de  lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo  Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista  em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150  da Constituição Federal.   INCONSTITUCIONALIDADE.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  Fl. 2257DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     4 período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).  Preliminares rejeitadas.  Argüição de decadência acolhida.  Recurso Voluntário no mérito negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  QUANTO  A  ARGUIÇÃO  DE  DECADÊNCIA:  Por  maioria  de  votos,  acolher  a  arguição  de  decadência  suscitada  pela  Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário  relativo ao período anterior a 27/11/2001. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, que  não  acolhia  a  argüição  de  decadência.  QUANTO  AS  DEMAIS  QUESTÕES:  Por  unanimidade de votos,  indeferir o pedido de perícia e  rejeitar as preliminares suscitadas pela  Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.       (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann ­ Presidente e Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de  Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro  Anan Junior e Nelson Mallmann.     Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 4          5 Relatório  BOMBRIL S/A contribuinte  inscrita no CNPJ/MF sob nº 50.564.053/0001­ 03, com domicílio fiscal na cidade de São Bernardo do Campo, Estado São Paulo, na Rua Via  Anchieta,  Bairro  Rudge  Ramos  jurisdicionado  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Administração  Tributária  em  São  Paulo  ­  SP,  inconformada  com  a  decisão  de  Primeira  Instância de fls. 1958/1991, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil  de Julgamento em Brasília ­ DF, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,  pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 2001/2081.  Contra  o  contribuinte,  acima  identificada,  foi  lavrado  pela  Delegacia  da  Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo ­ SP, em 27/11/2006, Auto de Infração  de Imposto de Renda Retido na Fonte com ciência pessoal, em 27/11/2006 (fl. 1553), exigindo­ se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 476.928.464,77 a título de Imposto  de Renda Retido na Fonte, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e dos juros de mora  de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente ao  exercício de 2002, correspondente ao ano­calendário de 2001, respectivamente.  A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização  onde a autoridade fiscal  lançadora entendeu haver falta de recolhimento do imposto de renda  na fonte sobre pagamentos a beneficiário não identificado. Infração capitulada no artigo 674 do  RIR/99.  Os  Auditores  Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil  responsáveis  pela  constituição  do  crédito  tributário  lançado  esclarecem  o  lançamento  através  do  Termo  de  Constatação (fls.1513/1537) amparado, em síntese, nas seguintes considerações:  ­ que o vendedor da grande maioria das mesmas é IGNÁCIO ROSPIDE DE  LEON — CORREDOR DE BOLSA, cujo endereço é a Rua Misiones, n° 1.444, 1° andar, em  Montevidéu, na República Oriental do Uruguai;  ­ que é importante fazer algumas considerações sobre o alienante dos títulos,  pois, em publicação no jornal "Diário La República”, Uruguai, em seu caderno de Política, do  dia 24/3/2004, página 8,  informa que o  Juiz Criminal da 4a Vara,  Jose Balcaldi,  recebeu da  fiscal Cristina González os pedidos de condenação definitiva em primeira instância para as sete  pessoas  que  em  18  de  maio  de  2003  foram  processadas  pelo  esvaziamento  do  ex  Banco  Comercial.  A  fiscal,  representante  do Ministério  Público,  pediu  22  meses  de  prisão  para  o  corretor de bolsa IGNÁCIO ROSPIDE DE LEON, por encobrimento;  ­ que a empresa vendedora ALIEX ­ AMÉRICA LATINA IMPORTADORA  E  EXPORTADORA  LTDA.,  que  transacionou  títulos  americanos  no  importe  de  R$  9.001.450,00,  esta  inscrita  no  CNPJ  sob  o  n°  02.767.893/0001­20,  com  sede  na  PRAÇA  FRANCISCO  TEIXEIRA  DA  CRUZ,  N°  16,  SALA  806,  ED.  NAVEMAR,  CENTRO,  MUNICÍPIO DE VITORIA ­ ES, sendo constituída em 06/06/1998;  Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     6 ­  que  os  contratos  de  Compra  e  Venda  de  Notas  do  Tesouro  dos  Estados  Unidos, objetivando a compra de T­BILLS pela fiscalizada com tal estabelecimento, constam  dos autos do presente procedimento administrativo­fiscal:  ­  que  a  grande  maioria  dos  títulos  adquiridos  pela  Bombril  S/A  foram  as  LETRAS DO TESOURO DOS ESTADOS UNIDOS ­ T­ BILLS;  ­ que as aquisições de T­Bills não obedeceram nenhum critério de segurança  que  o  mercado  opera,  e,  sobre  os  mesmos  deve­se  levar  em  consideração  as  informações  prestadas  pelo  Departamento  de  Comissão  de  Valores  Mobiliários  dos  Estados  Unidos  —  (SECURITIES AND EXCHANGE COMISSION — WASHINGTON, D.C. 20549) através do  expediente  datado  de  27/01/2005,  em  resposta  ao  Dr.  Luiz  Henrique  Casemiro,  Adido  Brasileiro Tributário  e Aduaneiro, Washington, DC,  em que  solicita  esclarecimento  sobre  as  atividades  da  CHOY  SING  INVESTMENTS  USA  LTD.  (a  qual  participou  ativamente  de  operações  com  a  fiscalizada  no  decorrer  do  Ano­Calendário  de  2.000,  mas  não  manteve  relacionamento  com  a  fiscalizada  no  de2.  001),  além  de  particularidades  e  procedimentos  pertinentes ao mercado financeiro americano;  ­ que para que os senhores possam entender melhor as situações hipotéticas  abaixo e quais informações e documentos seriam necessários para a realização de uma venda e  transferência  de  valores  mobiliários,  inclusive  os  T­Bills,  gostaria  de  explicar  o  sistema  de  propriedade  de  valores  mobiliários  nos  Estados  Unidos.  A maioria  dos  valores  mobiliários,  inclusive  títulos  da  divida  pública,  é  detida  em  um  sistema  de  propriedade  indireta  onde  o  usufrutuário  não  pode  constar  no  registro  oficial  de  titulares  de  valores mobiliários mantido  pelo agende de transferência em nome do emissor. Em vez disso, as participações da maioria  dos investidores são registradas em uma instituição financeira, como uma corretora de valores  ou  um  banco,  onde  o  investidor  tem  um  relacionamento  de  custódia  com  aquela  instituição  (que é chamada de "intermediária financeira");  ­ que "especificamente, os T­Bills são emitidos eletronicamente e detidos de  forma imaterial. Normalmente, um investidor compra T­Bills de uma intermediária financeira,  como uma corretora de valores ou banco, e a intermediária financeira abre uma conta em nome  do  investidor  onde  constará  a  participação  do  investidor  nos  T­Bills.  O nome  da  instituição  financeira que detiver o valor mobiliário, direta ou indiretamente, para investidor, seria o titular  registrado  no  agente  de  transferência.  A  Secretaria  de  Dividas  do  Ministério  da  Fazenda  (Department of Treasury) dos Estados Unidos é o emissor e o agente de transferência dos T­ Bills.  A  participação  do  investidor  nos  T­Bills  seria  registrada  na  intermediária  financeira  daquele  investidor  e  os  registros  da  intermediária  financeira  mostrariam  o  investidor  como  usufrutuário dos T­Bills;”  ­  que  conforme declarado acima, os T­Bills  são  emitidos  eletronicamente  e  detidos de forma imaterial. Não há certificados disponíveis. Para comprovar o usufruto dos T­ Bills,  é  preciso  examinar  os  registros  da  intermediária  financeira  que  tenha  a  custódia  dos  mesmos;  ­ que queiram observar que apenas o fato de uma consultora de investimentos  deter  T­Bills  em  nome  de  seu  ciente  não  é  suficiente  para  comprovar  o  cliente  como  usufrutuário desses títulos. Geralmente, é necessário haver algo mais para comprovar o cliente  como usufrutuário, como, por exemplo, uma prova de que os T­Bills foram colocados em uma  conta em uma intermediária financeira onde o cliente seja o titular da conta. Extratos de contas  de uma corretora de valores ou de alguma outra intermediária financeira, onde o cliente conste  como  o  usufrutuário  dos  T­Bills,  são  suficientes  para  comprovar  que  o  cliente  possuía  os  valores mobiliários na data da emissão do extrato;  Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 5          7 ­ que para comprovar a operação a fiscalizada apresentou contratos de venda  dos  títulos  com  o  referido  corretor,  assim  como  suas  notas  de  compra.  Nos  documentos  apresentados,  não  existe  nenhuma  identificação  do  título,  entidade  custodiante,  "Letter  Confirmation"  títulos  pelo  "arranger"  e  "lead  manager"  ou  mesmo  um  extrato  do  título  emitido pela custodiante. Não há como saber qual titulo foi adquirido, qual sua série etc.;  ­  que  da  mesma  forma,  em  todas  as  operações  de  compra  de  T­BILLS  pactuadas com as empresas ALIEX AMÉRICA LATINA  IMP E EXP. LTDA., BOUTIQUE  DASLU LTDA., MCON III WIRELESS S.A. e TECNOLOGIA BANCARIA S.A., não restou  provado que tais empresas tivessem a posse ou a propriedade dos referidos títulos;  ­  que  é  IMPORTANTE  ressaltar  que  em  nenhum  momento  a  fiscalizada  comprovou a existência, custódia, posse ou propriedade dos títulos adquiridos;   ­ que deve ser  levado em consideração de que a simples citação do número  CUSIP, nos contratos supra elencados, não é suficiente para demonstrar a existência dos títulos  norte americanos, conforme alerta o próprio Departamento do Tesouro dos Estados Unidos;  ­  que,  todavia,  a  fiscalizada  em momento  algum  apresentou  documentação  probante  tanto  da  custódia  dos  referidos  títulos  como  do  fracionamento  (split)  e  as  transferências de titularidade aos beneficiários por suas aquisições;  ­ que relevante registrar que o Sr. RONALDO SAMPAIO FERREIRA, sócio  majoritário  QUILOMBO,  foi  um  dos  controladores  da  fiscalizada,  detendo  à  época  1/3  do  Capital Social, vendida para o notório e polêmico empresário italiano Sérgio Cragnotti, o qual  esta questionando judicialmente, desde o ano de 2.002, objetivando reaver o controle acionário,  como foi amplamente divulgado pela imprensa, com destaque na edição do dia 28/09/2005 da  revista ISTO E DINHEIRO;  ­  que  certificado  de  Depósito  Bancário  é  um  Instrumento  de  captação  de  recursos  financeiros  largamente  utilizado,  emitido  por  um  banco  ou  financeira.  Os  CDBs  costumam render apenas juros prefixados;  ­  que  nessas  operações  de  compra  de  "CERTIFICATES  OF  DEPOSITS"  pactuadas  com  o  Sr.  RONALDO  SAMPAIO  FERREIRA,  sua  esposa  ALICE  MARIA  BARRETO  PRADO  SAMPAIO  FERREIRA  e  sua  holding  QUILOMBO  EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., não se comprovou que os vendedores  tivessem a posse ou a propriedade dos  referidos  títulos, nem  indicou a  financeira emissora e  custo diante dos mesmos, caracterizando­se, via de conseqüência,  em PAGAMENTOS SEM  CAUSA;  ­ que o contribuinte sob ação fiscal promoveu a aquisição, no dia 06/07/2001,  de "EURO SHORT­TERM NOTES", emitidas no exterior pela empresa brasileira "IOCHPE­ MAXION  S.A.",  ISIN  n°  XS0130107815,  no  valor  de  face  de  US$  100.000,00,  por  US$  100.988,46, pelo valor de R$ 245.200,00, de conformidade com o instrumento de PURCHASE  AGREEMENT  firmado  com  a  EURO  VEST  GLOBAL  SECURITIES  INC,  constante  do  contrato de n° 32, anexado ao presente termo;  ­  que  da  mesma  forma  de  tantas  outras  operações,  a  liquidação  de  citada  compra foi promovida através do Adendo ao Instrumento de mutuo datado de 02/01/1997 entre  a fiscalizada e a BOMBRIL OVERSEAS INC;  Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     8 ­ que a vista do exposto, todas as transações financeiras aqui relatadas serão  objeto  de  constituição  de  crédito  tributário  da  Fazenda Nacional,  incidindo­se  o  Imposto  de  Renda  na  Fonte,  na  alíquota  de  35%,  determinada  'pela  Lei  8.981/95,  atualizada  pela  Lei  9.065/95, em seu artigo 61, parágrafo primeiro;  ­ que os pagamentos efetuados pela Bombril S/A, na aquisição dos títulos T­ Bill,  Certificado  de  Depósito  Bancário  "CERTIFICATES  OF  DEPOSITS";  ou  "EURO  SHORT­TERM  NOTES",  ou  seja,  "NOTES"  emitidos  pela  "IOCHPE­MAXION  S.A."  no  exterior, através de cheques ou transferências de disponibilidades, da TIR ou mútuo com BB  Overseas, não tem a causa.  ­ que a fiscalizada, apesar de intimada nunca apresentou nenhum documento  que comprovasse efetivamente a propriedade ou a custódia dos títulos adquiridos.  Em sua peça impugnatória de fls. 1568/1660, instruída pelos documentos de  fls.1661/1854,  apresentada,  tempestivamente,  em 26/12/2006,  a  autuada se  indispõe  contra  a  exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à  impugnação para declarar a insubsistência do  Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos:  ­ que conforme se pode verificar no próprio auto de infração e no Termo de  Constatação,  os  Srs.  Auditores  Fiscais  que  autuaram  a  Impugnante  são  funcionários  fazendários  lotados na Delegacia da Receita Federal  de Fiscalização de São Paulo  (DEFIC),  estabelecida no Município de São Paulo;  ­ que por tal razão, os fiscais lotados nessa Delegacia devem atuar dentro dos  limites territoriais delimitados pelo artigo primeiro da Portaria da Secretaria da Receita Federal  no 1.096, de 17 de maio de 2005, que "estabelece a área de jurisdição fiscal das Delegacias,  Inspetorias, Alfândegas e Agências da Secretaria da Receita Federal”;  ­  que  conforme  se  extrai  das  informações  contidas  no Anexo  I  da  Portaria  SRF nº 1.096/05, a DEFIC de São Paulo, integrante da 8a Região Fiscal, tem jurisdição apenas  no Município de São Paulo, ou seja, os seus agentes  têm o dever de atuar dentro dos  limites  geográficos dessa capital;  ­ que nota­se, assim, que os Srs. Auditores fiscais usurparam da competência  que lhes foi atribuída para a realização dos atos fiscalizatórios que culminaram na lavratura do  auto  de  infração  em  apreço,  porquanto  a  Impugnante  não  está  sediada no Município  de São  Paulo, mas no Município de São Bernardo do Campo, que está sob a jurisdição da Delegacia da  Receita  Federal  própria  desse  município,  conforme  prevê  o  Anexo  I  da  Portaria  SRF  no  1.096/05;  ­  que  não  obstante  a  incompetência  da  SRF  para  questionar  a  legitimidade  das  operações  realizadas  pela  Impugnante  (causa  do  pagamento),  caso  os  fatos  objeto  da  imputação fiscal venham a ser confirmados, o que se alega apenas a titulo de argumentação, é  de  se  reconhecer,  também  em  sede  de  preliminar,  a  ausência  de  responsabilidade  da  Impugnante pelo tributo e acréscimos constituídos;  ­  que  a  responsabilidade  tributária  no  CTN  está  prevista  nos  artigos  121,  parágrafo  único,  inciso  II;  128;  129  a  133  (responsabilidade  dos  sucessores);  134  e  135  (responsabilidade de terceiros); e 136 a 138 (responsabilidade por infrações);  ­  que  conforme  se  extrai  dos  dispositivos  legais  acima  transcritos,  a  responsabilidade dos  administradores de  empresa pelo adimplemento do crédito  tributário da  Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 6          9 pessoa jurídica advém de fatos ilícitos, suscetíveis de desencadear um vínculo, obrigacional de  índole sancionatória;  ­  que  nesse  contexto,  nota­se  que  os  administradores  de  empresas,  via  de  regra, não são sujeitos passivos de uma relação tributária stricto sensu quando em decorrência  de fatos praticados pela empresa. Primeiro, porque tal relação fica a mercê da concretização de  um fato jurídico lícito; e, em segundo lugar, porque estes administradores não são as pessoas  descritas  pelo  antecedente  da  norma  impositiva  tributária  para  realizar  o  fato  Jurídico  tributário, não revelando, pois, capacidade contributiva. Somente em casos especiais, previstos  no artigo 135 do Código Tributário Nacional, é que ocorre esta sujeição passiva tributária dos  administradores;  ­ que para configurar a solidariedade passiva imprescindível a existência de  dois  ou  mais  devedores  que,  por  ocuparem  o  mesmo  pólo  da  relação,  encontram­se  coobrigados  pela  integridade  da  prestação  jurídica.  Bastante  elucidativo  é  a  solidariedade  existente  na  incidência  do  IPTU,  quando  duas  ou mais  pessoas  são  proprietárias  do mesmo  imóvel;  ­  que nesse  caso,  todos  os devedores  solidários  pagam crédito  tributário  ao  Fisco por integrarem a mesma relação tributária strict sensu, diferentemente da empresa e dos  seus  administradores,  que  são  integrantes  do  pólo  passivo  de  duas  relações  jurídicas  de  naturezas  distintas  (tributária  e  sancionatória,  respectivamente),  legalmente  interligadas  para  garantir o cumprimento de uma das duas prestações obrigacionais;  ­ que nota­se, assim, que não há responsabilidade solidaria no artigo 134, mas  sim  uma  responsabilidade  supletiva  dos  administradores,  posto  que  o  Estado­Administração  não  pode,  discricionariamente,  exigir  do  responsável  tributário  a  entrega  de  certa  soma  em  dinheiro,  ainda  que  a  título  de  punição,  em  sua  totalidade,  mas  somente  nos  casos  de  impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte;  ­ que enquanto o artigo 134,  inciso III estabelece que a responsabilidade do  administrador (sanção administrativo­fiscal), que agiu ou omitiu­se indevidamente, pressupõe  o nascimento da obrigação tributária advinda de FATO LÍCITO; ou ainda que ilícita sem dolo;  o artigo 135, inciso III, dispõe sobre uma obrigação tributária decorrente da prática de FATO  ILÍCITO DOLOSO por parte do administrador de empresa;  ­ que dessa forma, caso o diretor, gerente ou representante não tivesse agido  de forma ilícita, jamais teria a empresa realizado o fato jurídico tributário, impedindo, destarte,  o nascimento da obrigação tributária;  ­  que  ao  realizar  conduta  ilícita,  o  administrador  passa  a  integrar  o  pólo  passivo  de  relação  sancionatória,  oportunidade  na  qual  exclusivamente  os  seus  bens  responderão pela prestação punitiva administrativo­fiscal que lhes compete. A responsabilidade  nessas hipóteses é, portanto, pessoal e não solidária;  ­ que se depreende, assim, que o  terceiro que age com dolo, contrariando a  lei, o mandato, o contrato social ou o estatuto, dos quais decorrem os seus deveres, em relação  ao contribuinte,  torna­se, no lugar do próprio contribuinte, o único responsável pelos tributos  decorrentes da infração praticada;  Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     10 ­ que verifica­se, dessa forma, que tanto a doutrina quanto a jurisprudência já  pacificaram o entendimento segundo o qual se um dos agentes arrolados no art. 135 agir com  excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, em detrimento dos interesses  do contribuinte, essa pessoa será a única responsável pelos tributos decorrentes da infração;  ­ que conclui­se, portanto, que, por se tratar de hipótese de responsabilidade  pessoal dos administradores, o lançamento deveria ter sido formalizado única e exclusivamente  contra eles;  ­  que  assim,  mesmo  que  os  argumentos  expostos  a  seguir  não  sejam  suficientes para ilidir a presunção firmada nesse ato administrativo do lançamento e cobrança  de penalidade, a Impugnante aguarda que esta E. Delegacia da Receita Federal de Julgamento  acolha  esta preliminar,  a  fim de que  seja  reconhecida  a  sua  ilegitimidade passiva,  porquanto  somente  os  administradores  podem­  ser  responsabilizados  pelos  eventuais  atos  ilícitos  praticados, em desconformidade com os objetivos tragados no estatuto social, já que os agentes  fiscais imputaram a eles a responsabilidade por esses fatos;  ­  que  depreende­se  dessa  regra  que  o  administrador  que  age  com  dolo  ou  culpa  incorre  em  infração à  lei que  lhe  impõe os deveres de diligência e  lealdade. Por outro  lado, em toda violação à lei ou estatutos perpetrada por administrador de empresa, verifica­se  uma conduta culposa ou dolosa;  ­  que  nesse  sentido,  a  despeito  da  inexistência  de  qualquer  ilegalidade  nas  operações de compra dos títulos em análise, caso se entenda que as irregularidades levantadas  pelos agentes fiscais efetivamente ocorreram, ficará caracterizada, além das infrações às leis já  mencionadas  (artigo  23  da  Lei  n.°  4.131/62  e  artigo  21  da  Lei  n.o  7.492/86),  a  infração  ao  Estatuto Social por parte dos administradores quando realizarem tais operações;  ­ que, por conseguinte, ao prevalecer o entendimento dos Srs. Agentes Fiscais  de que os títulos negociados não existiam, o que se admite apenas a titulo de argumentação, em  homenagem ao principio da eventualidade, pode­se dizer que a Impugnante foi utilizada apenas  como uma pessoa interposta em um esquema de remessa ilegal de recursos para o exterior, pelo  que não se pode cogitar de qualquer tipo de responsabilidade da Impugnante pela prática dos  atos  ilícitos  realizados  inadvertidamente  pelos  seus  administradores,  desprezando  as  determinações contidas no estatuto social da companhia;  ­  que  lembre­se,  novamente  apenas  a  título  de  argumentação,  que  a  Impugnante  é  uma  sociedade  anônima de  capital  aberto  e,  portanto,  um  esquema  como  esse  nunca seria aprovado por seu conselho de administração, tampouco por sua assembléia, já que  não  tinha como objetivo beneficiar a companhia, mas única e exclusivamente alguns de seus  administradores,  que  se  utilizaram  de  uma  empresa  com  a  reputação  e  porte  da  Impugnante  para fins ilegais, como é o caso da remessa de divisas para o exterior;  ­  que  logo,  somente os  administradores da  Impugnante poderiam  responder  pelas conseqüências advindas dessa autuação, mas  jamais a  Impugnante, conforme dispõe os  artigos 135, inciso III, e 137 do CTN;  ­ que assim, aguarda a Impugnante que seja acolhida a presente preliminar, a  rim  de  que  seja  reconhecida  a  sua  ilegitimidade  passiva  da  Impugnante,  em  virtude  da  responsabilidade exclusiva e pessoal dos seus administradores;  ­  que  logo,  estando  devidamente  demonstrado  os  atos  praticados  em  desconformidade com os deveres contidos no estatuto social, tem­se que os administradores da  Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 7          11 Impugnante  deverão  responder  pessoalmente  pelas  infrações,  conforme  prevêem  os  artigos  135,  inciso  III,  e 137 do CTN, razão pela qual esta colenda Turma Julgadora deverá acolher  esta preliminar e reconhecer a ilegitimidade passiva da Impugnante na presente ação fiscal;  ­  que  ora,  considerando  que  não  foi  a  Impugnante  que  procedeu  tais  pagamento ela não tem legitimidade para compor o pólo passivo nessa autuação. Com efeito,  como  a  responsabilidade  pelo  cometimento  dos  supostos  fatos  ilícitos  narrados  pelos  Srs.  Auditores  fiscais, conforme  já comprovado é exclusiva e pessoal dos seus administradores, a  teor do disposto nos artigos 135, inciso III, e 137 do CTN, não se pode cogitar da incidência da  norma prevista no art. 61 da Lei n° 8981/95, pois o fato jurídico tributário somente irradiará os  efeitos previstos no consequente dessa norma caso  tal  fato  tivesse sido praticado pela pessoa  jurídica;  ­  que  logo,  como  não  houve  a  necessária  subsunção  do  fato  infracional  relatado no lançamento em apreço à hipótese da norma geral e abstrata prevista no artigo 61 da  Lei no 8981/95, deduz­se  logicamente que não ocorreu o fato  jurídico  tributário  (previsto no  antecedente  da  norma  individual  e  concreta  veiculada  nessa  ocasião)  indispensável  à  constituição da obrigação tributária em tela;  ­  que  os  fatos  geradores,  bem  como  as  datas  de  vencimento,  do  tributo  exigido são diários isto é, ocorrem no mesmo dia em que são liquidadas as operações, e se trata  de um recolhimento definitivo na fonte. É isto o que estabelece o artigo 61 da Lei no 8.981/95;  ­ que assim, para o correto desenlace da presente discussão, é de fundamental  importância o estudo da natureza jurídica do lançamento tributário do IR/Fonte, bem como do  prazo  que  o  Fisco  tem  para  constituir  eventual  crédito  tributário mediante  o  lançamento  de  oficio;  ­  que  isto  porque,  estando  o  tributo  em  tela  sujeito  ao  lançamento  por  homologação, o prazo decadencial para a constituição de eventual crédito pelo Fisco deve ser  contado  de  acordo  com  o  disposto  no  artigo  150,  parágrafo  4°  do  CTN,  ou  seja,  em  não  concordando  a  autoridade  fiscal  com  o  procedimento  efetuado  pelo  contribuinte,  poderá  proceder  ao  lançamento de oficio do valor que  entender devido, no prazo de 5  (cinco) anos,  contados da ocorrência do fato jurídico tributário;  ­ que ressalte­se que, em não ocorrendo no prazo de cinco anos o lançamento  de  oficio  pelo  Fisco,  relativamente  ao  montante  supostamente  devido  e  não  recolhido  pelo  contribuinte, homologado estará o lançamento e extinta a obrigação tributária;  ­  que  assim,  há  que  se  concluir  que,  em  se  tratando  de  lançamento  por  homologação, e não havendo oposição por parte do Fisco no prazo de 5 (cinco) anos contados  da ocorrência do fato jurídico­tributário, manifestada mediante a lavratura de auto de infração  ou de notificação de lançamento, decaído estará o direito de a administração pública constituir  novo crédito tributário;  ­  que  analisando­se o  presente  caso,  em que  o  tributo  exigido  (IR/Fonte)  é  sujeito ao lançamento por homologação, bem como que a constituição do crédito ocorreu em  27/11/2006 e que os fatos geradores ocorreram entre os dias 02/01/2001 e 26/12/2001, conclui­ se  que  apenas  os  fatos  geradores  ocorridos  após  27/11/2001  não  foram  atingidos  pela  decadência;  Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     12 ­ que, portanto, como o lançamento tributário foi cientificado Impugnante no  dia  27  de  novembro  de  2006,  a  autuação,  salvo  para  a  exigência  dos  tributos  com  fatos  geradores ocorridos após o dia 27 de novembro de 2001, foi lavrada após o término do lapso  temporal da decadência;  ­  que  assim,  diante  dos  argumentos  apresentados,  embasados  na  jurisprudência firmada pelo E. Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, requer­se  o  reconhecimento da extinção de parte do crédito  tributário  lançado, pois este  se deu após o  dies  ad  quem  do  prazo  decadencial  de  5  (cinco)  anos,  contados  da  ocorrência  dos  fatos  jurídicos tributáveis;  ­ que aliás, ainda que não prevaleça a tese sustentada pela Impugnante de que  se aplicaria ao presente caso a hipótese contida no artigo 150, § 4º do CTN (5 anos contados a  partir do fato gerador), caso se entenda pela aplicação do artigo 173, inciso I do CTN, o que se  admite apenas a titulo de argumentação, em homenagem ao principio da eventualidade, é certo  que, mesmo assim, o direito de lançar a maior parte do crédito constituído teria sido fulminado  pelo instituto da decadência;  ­ que no caso do IR/Fonte, cujo período de apuração é diário (vide § 2º, do  artigo  61,  da  Lei  n.°  8.981/95),  o  lançamento  tributário  poderia  ser  realizado  a  partir  do  primeiro  dia  após  a  ocorrência  do  fato  gerador,  que  será  sempre  o  dia  em  que  houver  a  ocorrência do evento "pagamento sem causa";  ­ que assim, no presente caso, o exercício seguinte, cujo primeiro dia será o  dies a quo para a contagem do prazo decadencial, não será o ano seguinte da ocorrência do fato  gerador,  mas  sim  o  dia  imediatamente  após  aquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado e, por conseqüência, o segundo após a ocorrência do fato gerador;  ­ que a Impugnante, uma das mais tradicionais empresas nacionais, detentora  de marcas de alto prestigio e de grande aceitação na Área de produtos domésticos, presente no  mercado há mais de trinta anos, teve o seu controle acionário vendido, no inicio da década de  1990, ao empresário italiano Sergio Cragnotti;  ­  que  assim,  a  Impugnante  passou  a  fazer  parte  do  grupo  de  empresas  controlado por mencionado empresário, dentre  as quais o clube  italiano de futebol Lazio e a  Círio Holding S.A., empresa da área de alimentos;  ­  que  desde  então,  a  maneira  da  Impugnante  ser  administrada  foi  radicalmente alterada, pois, fazendo parte de um grupo econômico multinacional, iniciaram­se  operações  com  diversas  das  companhias  pertencentes  a  esse  grupo,  com  o  intuito  de  racionalização dos  recursos, de  forma a  serem obtidos melhores  resultados e maiores ganhos  financeiros;  ­  que  contudo,  era  fato  conhecido,  notório  no  mercado  financeiro  internacional, que, em que pese à aquisição do controle acionário da Impugnante, o grupo do  qual ela fazia parte não estava em boas condições financeiras. Tanto isto e verdade que hoje a  Impugnante voltou ao comando dos seus antigos controladores;  ­ que assim, desde que a  Impugnante passou a integrar o grupo empresarial  sob o controle do mencionado empresário italiano, os bancos e demais instituições financeiras  com  as  quais  a  Impugnante  estava  habituada  a  negociar,  aos  poucos,  foram  se  afastando  e  deixaram de lhe emprestar os recursos necessários para o financiamento das atividades por ela  desenvolvidas;  Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 8          13 ­  que  em  razão  daquela  necessidade  premente  de  capital  de  giro,  a  Impugnante  passou  a  se  utilizar  da  operação  denominada  de  "blue  chip  swap",  usualmente  praticada  no  mercado  financeiro  nacional  e  internacional,  para  que  pudesse  obter  o  capital  necessário para manter suas atividades;  ­  que  assim,  a  Impugnante  consultou  os  seus  consultores  jurídicos  e  financeiros,  para  saber  se  poderia  se  utilizar  dessas  operações,  os  quais  foram  unânimes  em  afirmar sobre a licitude e a necessidade de utilização destas, uma vez que elas fariam com que  a Impugnante pudesse obter o necessário capital de giro de curtíssimo prazo;  ­ que dessa forma, ela conseguiu reduzir o seu endividamento com terceiros e  acabou  reduzindo o  seu  endividamento  com  instituições  de  crédito  (isto  decorreu  do  fato  de  que tais instituições não mais cediam créditos à Impugnante);  ­  que  é  importante mencionar  que,  atualmente,  a  situação  da  Impugnante  é  muito parecida. Contudo, ao invés de captar recursos no mercado internacional, por intermédio  destas  operações,  passou  a  fazê­lo  junto  à  factorings,  pagando  altos  valores  pelos  recursos  recebidos, uma vez que os bancos continuam lhe negando crédito;  ­ que com a prática dessas operações, a  Impugnante  trouxe para si  recursos  financeiros,  ora  disponibilizados  por  sua  controlada  no  exterior,  ora  pelos  adquirentes  dos  títulos, os quais foram utilizados para manter suas atividades aqui no Brasil;  ­  que no  auto de  infração ora  atacado,  foi  exigido o  IR/Fonte  referente  aos  pagamentos feitos no _ ano­base de 2001. Nesse ano, as operações de "Blue Chip Swap" foram  realizadas com a aquisição de."T­Bills", de "Certificates of Deposits" ou de "Notes", que eram  repassados  à  Impugnante  pelos  proprietários  (Sr.  Ignácio  Rospide,  de  Leon,  Aliex  América  Latina Imp. e Exp. Ltda., Boutique Daslu Ltda., Mcon Wireless S/A, Tecnologia Bancária S/A,  Inchope Maxion S/A e pelas pessoas físicas mencionadas);  ­ que para o pagamento dos títulos repassados pelos adquirentes originais, a  Impugnante, após a utilização dos recursos obtidos com a venda à vista dos títulos a empresas  brasileiras, remetia o dinheiro recebido pela venda dos títulos, cumprindo com a sua obrigação  de pagar aos respectivos vendedores;  ­ que perceba­se que, sem exceção, essas operações possuíam contratos que  as suportavam, assinados pelos representantes legais das sociedades envolvidas (docs. juntados  aos  autos).  Ademais,  mencionadas  operações  eram  perfeitamente  válidas  e  juridicamente  possíveis,  de  acordo  com  as  regras  cambiais  emanadas  peio  Banco  Central  do  Brasil  ("BACEN"),  o  que  já  foi  reconhecido  pelos  Conselhos  de  Contribuintes  (acórdãos  no  201­ 77.174 e nº 303.28281), conforme se demonstrará adiante;  ­  que  como  a  necessidade  de  capital  de  giro  por  parte  da  Impugnante  era  premente, a adoção destes mecanismos foi suficiente para que ela conseguisse captar dinheiro  no mercado  interno  (à vista), quitar parte de  seus passivos de curtíssimo prazo e, quando do  vencimento,quitar  suas  obrigações  com  os  vendedores  dos  títulos,  ora  por  meio  de  sua  controlada, ora diretamente;  ­  que  quaisquer  destes  casos  representavam,  pois,  operações  financeiras,  meramente instrumentalizadas pelos títulos adquiridos, cujo objetivo não era a aquisição para  investimento. Com efeito, como é muito comum no mercado financeiro, mencionados  títulos  Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     14 só eram utilizados para dar lastro às operações. Frise­se: o único interesse da Impugnante com  estas operações era a obtenção do capital de giro, decorrente da compra a prazo e venda à vista  dos títulos.  ­ que assim, para a Impugnante, a existência de um contrato de compra destes  títulos ("T­Bills", "Certificates of Deposits" ou "Notes"), firmado com uma pessoa jurídica ou  física no Brasil  ou no  exterior,  legalmente habilitada,  e,  portanto,  sujeita  às  sanções  cíveis  e  penais de cada pais no caso de cometimento de alguma fraude, sempre foi suficiente para que  procedesse ao pagamento dos títulos adquiridos e ao registro contábil das operações, mormente  quando  a  Impugnante  já  tinha  identificado  compradores  dispostos  a  adquirir  esses  títulos —  note­se  que  ela  nunca  teve  problemas  no  recebimento  dos  recursos  da  vendados  títulos  no  mercado interno;  ­  que  em  nenhuma  dessas  operações  houve  a  hipótese  de  pagamento  (remessa) sem causa. Existiu sempre uma causa para a remessa desses valores: (i) ora para que  a empresa controlada no exterior efetivasse o pagamento dos títulos por ela adquiridos, (ii) ora  para que  a  Impugnante quitasse diretamente as obrigações advindas da aquisição dos  títulos.  Isso sempre ocorria de modo que a Impugnante pudesse permanecer efetuando continuamente  essas  operações,  para  o  financiamento  de  seu  capital  de  giro.  Da  mesma  forma  com  os  pagamentos  feitos  pessoas  jurídicas  localizadas  no  Brasil:  a  causa  sempre  conhecida  foi  a  quitação da aquisição dos títulos;  ­ que portanto,  se  sempre existiu causa para as  remessas e para as  compras  dos títulos, no mercado interno, descabida a aplicação do artigo 61, § 1º, da Lei no 8.981/95, ao  caso em análise, vez que a Impugnante não só possuía justificativa para a remessa dos valores e  das compras  internas, como  também necessitava fazer essa  remessa e esses pagamentos para  que pudesse continuar obtendo financiamento ao capital de giro, com o objetivo de manter as  suas  operações.  Ou  seja,  a  causa  da  operação  sempre  foi  a  disponibilização  de  recursos  da  Impugnante à sua controlada ou o pagamento pela aquisição dos títulos no exterior e no Brasil;  ­  que  dentre  os  cuidados  que  teve  a  Impugnante  para  a  realização  dessas  operações,  certificou­se  que  estava  contratando  com  pessoas  reconhecidamente  operantes  no  mercado e habilitadas a contratar e sugerir a compra e venda de títulos, pois, conforme se verá,  caso existisse algo de errado nestas operações, tais pessoas seriam responsabilizadas por isto;  ­  que  frise­se,  ainda,  que  a  Impugnante  obteve  êxito  total  com  essas  operações, considerando­se exclusivamente os objetivos para os quais elas  foram propostas e  adotadas, na medida em que conseguiu vender no mercado interno todos os títulos previamente  adquiridos  no  Brasil  ou  no  Exterior,  em  prazo  menor  (ou,  no  máximo,  igual)  àquele  do  pagamento (vencimento) pela aquisição de tais títulos, de sorte a possibilitá­la trabalhar com o  dinheiro resultante da venda dos títulos no mercado interno, até o momento da disponibilização  desses recursos como forma de quitação dos títulos;  ­ que portanto, imputar que houve pagamento sem causa é negar a existência  de  um  fato  claramente  ocorrido,  consistente  na  compra  e  venda  de  títulos  públicos,  comprovado pelos  contratos de compra  (mencionados  inclusive no Termo de Constatação)  e  por  meio  do  êxito  nas  vendas  dos  tais  títulos.  De  fato,  esses  pagamentos,  conforme  demonstram todos os contratos firmados, com a devida vênia, possuíam causa e fundamento,  razão pela qual a autuação ora impugnada deve ser totalmente cancelada;  ­  que uma das  formas de  captação de  recursos utilizadas pelo Governo dos  Estados  Unidos  da  America  e  a  emissão  de  títulos  da  divida  pública.  Esses  títulos  são  Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 9          15 caracterizados  como  investimentos de  alta  confiabilidade  e  segurança  e  cada um possui uma  característica diferenciada para cada tipo de investidor;  ­  que  por  serem  títulos  que  proporcionam  alta  segurança  para  seus  investidores,  estão  entre  aqueles  que  o mercado  denomina  "blue  chip",  em  alusão  às  fichas  azuis utilizadas nos cassinos norte americanos na virada do século passado, ou seja, as de mais  alto valor;  ­ que existem duas formas de aquisição de "T­Bills". A primeira é a "oferta  sem  competitividade",  na  qual  o  investidor  aceita  a  taxa  de  desconto  determinada  em  uma  espécie de  leilão,  sendo  a ele  garantido o  recebimento de  tantos  títulos quantos desejados;  a  segunda  forma  consiste  na  "oferta  com  competitividade",  na  qual  o  investidor  especifica  o  valor do desconto desejado. Nesse caso a oferta pode ser totalmente aceita, parcialmente aceita  ou totalmente rejeitada;  ­  que  a  aquisição  dos  títulos  pode  ser  feita  por  meio  de  uma  instituição  financeira  (Bank),  de  um  corretor  da Bolsa  de Valores  (Broker),  de  revendedor  (Dealer)  ou  diretamente no endereço eletrônico da "TreasuryDirect", ou "Legacy Treasure Direct"  (oferta  sem  competitividade).  Para  adquirir  títulos  nas  ofertas  com  competitividade  é  necessário  utilizar  um  intermediador,  que  pode  ser  um banco,  um  corretor  da 6olsa  de Valores,  ou  um  revendedor (negociante);  ­ que os "Treasure Notes",  também conhecidos como "T­Notes", são  títulos  emitidos para captação de recursos a  longo prazo. Eles possuem taxas fixas de  juros pagas a  cada seis meses ate o vencimento, sendo que, nesta data, será pago o valor de face do titulo.  Seus prazos de vencimento podem ser de 2, 3, 5 ou 10 anos. As demais características, formas  de aquisição e negociação são as mesmas dos "T­Bills";  ­  que  nota­se,  portanto,  que  a  diferença  entre  "T­Bills"  e  "T­Notes"  reside  basicamente na forma de remuneração dos juros e no prazo vencimento (investimentos de curto  e longo prazo, respectivamente);  ­ que verifica­se, portanto, que não importa se foram negociados "T­Bills" ou  "T­Notes"  nas  operações  de  "Blue  Chip  Swaps",  diferentemente  do  entendimento  dos  Srs.  Agentes Fiscais, pois ambos os títulos são instrumentos hábeis para realização do negócio;  ­ que ademais, segundo as informações acima mencionadas, há várias formas  de  negociação  dos  títulos,  inclusive  por  meio  de  revendedores  ou  negociantes  ("Dealers").  Neste  sentido,  não  há  nenhuma  irregularidade  na  negociação  dos  títulos  com  o  corretor  Sr.  Ignácio Rospide de Leon e com as empresas Aliex América Latina Imp. e Exp. Ltda., Boutique  Daslu Ltda., Mcon Wireless S/A e Tecnologia Bancária S/A;  ­ que a própria  Impugnante, após a aquisição dos títulos, assumiu a posição  de  "Dealer",  tendo  revendido  os  títulos  no mercado  brasileiro  para  a  obtenção  de  caixa  por  meio da operação de "Blue Chip Swap" já mencionada;  ­ que não obstante a codificação ser utilizada para conferir maior segurança  para  os  investidores,  em  decorrência  da  possibilidade  de  ocorrência  de  erros  humanos  e  mecânicos,  existe  a manifestação  expressa  da  "Standard &  Poor's"  e  da  "American Bankers  Association"  de  que  não  se  responsabilizam  pela  exatidão  das  informações  ou  resultados  obtidos com seu uso;  Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     16 ­ que assim percebe­se que,  independentemente de  se  tratar de "T­Bills" ou  de  "T­Notes",  o  lastro  necessário  para  garantir  a  legitimidade  das  operações  de  "Blue  Chip  Swaps" continua existente e válida;  ­ que assim, em se tratando de títulos, geralmente emitidos ao portador, todos  os  contratos  apresentados  pela  Impugnante  e  mencionados  no  Termo  de  Constatação  são  instrumentos  hábeis  para  comprovar  a  circulação  dos  títulos,bastando  o  atual  possuidor  do  titulo solicitar a transferência do registro para seu nome caso entenda prudente ou conveniente;  ­  que  ainda,  a  fim  de  ratificar  a  causa  dos  pagamentos  efetuados  pela  Impugnante,  afirme­se  que  a  própria  Fiscalização  apurou  os  vendedores  dos  certificados  e  3inda os cheques nominais a ele entregues. Assim, a causa dos pagamentos foi: quitação dos  títulos adquiridos das pessoas físicas vendedoras que,  inclusive,  receberam cheques nominais  pela venda;  ­ que sendo assim e como não poderia deixar de ser, por ocasião da compra  do "Euro Short­Term Note", emitida pela empresa IOCHPE­MAXION S/A, foi identificado no  contrato de compra ("purchase agreement") o número ISIN, o qual demonstra, sem sombra de  dúvidas, a existência do titulo (a própria fiscalização reconhece a existência do número ISIN,  porém de forma contraditória, afirma não ser possível identificar o titulo);  ­ que nesse caso, os pagamentos foram feitos em razão do contrato de mútuo  existente  entre  a  Impugnante  e  a Bombril Overseas,  conforme  reconhece  o  Fiscal. Assim,  a  causa  desse  pagamento  foi  o  envio  de  dinheiro  para  a  empresa  contratada  arcar  com  suas  obrigações;  ­  que  portanto,  em  face  de  todas  as  informações  acima  expostas,  dos  documentos apresentados e das explicações acerca da natureza das informações, não há como  se negar  a  legitimidade  de  todas  as operações que deram suporte para os pagamentos  feitos,  não podendo subsistir as alegações imputadas a Impugnante;  ­ que deve­se observar que diferentemente do que afirmam os Srs. Agentes  Fiscais —  todos  os  contratos  existentes  suportam  as  operações  da  forma  como  elas  foram  realizadas,  ou  seja,  contratos  que  efetivamente  obrigavam  as  partes,  no  cabendo  ao  Fisco  simplesmente tentar desconstituídos;  ­ que no caso analisado, a anuência das partes no foi tácita, mas sim expressa,  já  que  todas  as  operações  foram  devidamente  registradas  na  contabilidade  da  Impugnante,  estando devidamente espelhadas nas suas demonstrações contábeis;  ­  que  esses  registros,  juntamente  com  o  trânsito  financeiro  dos  recursos,  demonstram que as partes estavam e estão de acordo com as operações efetivadas e constituem  provas de que elas foram realizadas;  ­  que  portanto,  no  caso  em  tela,  pode­se  afirmar  que  restaram  cumpridos  todos os requisitos necessários para a validade dos contratos pactuados pela Impugnante, uma  vez  que:  (a)  foram  firmados  por  agentes  capazes,  quais  sejam,  os  agentes  financeiros/intermediadores,  a  Impugnante,  a  Bombril Overseas  Inc.  e  demais  empresas;  (b)  tiveram objeto licito; e (c) e tinham forma prescrita e no defesa em lei;  ­  que  assim,  com  base  nos  documentos  apresentados,  a  Fiscalização  nada  consegue  provar  contra  a  Impugnante,  que  possa  imputá­la  qualquer  responsabilidade  por  alegados pagamentos sem causa. Ou seja, todas as supostas provas nada mais são do que meras  presunções, o que já se demonstrou a saciedade desde o inicio da presente;  Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 10          17 ­ que dessa maneira, ante o exposto, como não é admissível a tributação com  base em meros indícios, presunções, demonstrado está que a manutenção da autuação fiscal em  comento não deve prosperar;  ­  que  portanto,  comete  a  fiscalização  uma  ilegalidade  ao  exigir  da  Impugnante  imposto  sobre  um  fato  jurídico  não  tributável,  extrapolando  a  hipótese  de  incidência e o momento de ocorrência do fato imponível descritos em nossa Carta Magna. No  caso em tela, para que o auto de infração pudesse subsistir, seria necessário que a fiscalização  comprovasse,  documentalmente,  por  meios  diretos  e  não  indiretos  (presuntivos)  a  alegada  inexistência  dos  títulos,  ante  toda  a  documentação  que  lhe  foi  apresentada.  Ou  ainda,  que  tivesse comprovado a ocorrência da realização de atos simulados, o que ensejaria a fraude, com  a aplicação da multa agravada, o que também não foi feito;  ­  que  como  já  mencionado  em  momentos  anteriores,  a  Fiscalização  fundamenta o  lançamento do crédito  tributário no suposto  fato de que a  Impugnante efetuou  pagamentos sem causa durante o ano de 2001. 0  fundamento essencial para tal entendimento  reside  na  desconsideração  da  validade  jurídica  dos  contratos  de  compra  de  títulos  firmados  entre  a  Impugnante  e  os  vendedores  dos  títulos  (contratos  esses  que  foram  devidamente  apresentados ã Fiscalização);  ­ que pode­se concluir, portanto, conforme já mencionado, que, aos olhos dos  Srs. Agentes Fiscais, as operações de compra de títulos nunca existiram de fato, razão porque  se justificaria a tributação exclusiva do IR/Fonte, à alíquota de 35%;  ­  que  no  entanto,  o  que  se  percebe  é  uma  total  incoerência  no  raciocínio  adotado pela Fiscalização, notadamente porque, se por um lado ela desconsiderou us contratos  relativos às aquisições dos títulos, tributando as saídas de dinheiro como pagamento sem causa,  por outro, não desconsiderou os contratos de venda dos títulos;  ­ que frise­se,  apenas a  titulo de argumentação, que em momento algum os  Srs. Agentes Fiscais autuaram o ingresso do capital no patrimônio da Impugnante, decorrente  da venda dos  títulos,  o qual,  se obedecido o mesmo critério,  poderia  representar  ingresso de  capital  sem  a  devida  comprovação  da  origem,  isto  é,receita  omitida  (artigo  287  do  Regulamento do Imposto de Renda);  ­ por essa razão, pode­se concluir que a Fiscalização reconheceu corno sendo  legítimos  os  ingressos  de  capital  e,  obviamente,  por  conseqüência  lógica,  assim  também  a  venda dos títulos adquiridos;  ­ que caberia, portanto, à Fiscalização analisar  todos os  fatos  informados na  presente  impugnação  para  fins  de  verificação  do  cumprimento  da  obrigação  tributária  pela  Impugnante e, não somente, como efetivamente ocorreu, proceder ao lançamento com base em  presunções,  razão  pela  qual  o  presente  auto  de  infração  é  totalmente  nulo,  devendo  ser  rechaçado por esta I. Delegacia da Receita Federal de Julgamento;  ­  que  dessa  forma,  a  incoerência  dos  atos  fiscalizatórios  na  apuração  do  tributo devido pela  Impugnante  e  a  falta da busca da verdade material  por meio de  todos os  meios  de  prova  admitidos,  por  óbvio,  ofendem  a  tipicidade  da  autuação,  ocasionando  a  invalidade  desse  ato  administrativo  de  lançamento,  devendo  essa  D.  Turma  de  Julgamento,  também por esse aspecto, desconstituir o presente auto de infração;  Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     18 ­  que  assim,  em  vista  de  existência  dos  contratos  de  compra  e  venda,  comprovantes  das  realizações  das  transações  financeiras,  bem  como  das  cópias  do  razão  contábil da Impugnante, no qual se registrou todas as operações por ela efetuadas, resta claro  que houve a realização das operações financeiras analisadas;  ­ que o dinheiro efetivamente ingressou na Impugnante e, provavelmente, .o  custo com a aquisição destes títulos deve ter sido contabilizado nas empresas que os adquiriram  aqui no Brasil, de modo que, restando documentalmente comprovadas as operações, o auto de  infração deve ser cancelado por esta D. Turma Julgadora;  ­  que  é  muito  importante  que  se  esclareça  que  existiam  duas  operações  distintas  denominadas  de  mútuos,  que  representavam  fatos  jurídicos  distintos,  com  efeitos  distintos, pois, talvez a falta de compreensão dos I. Agentes Fiscais sobre este fato é que tenha  resultado na autuação que ora se combate;  ­  que  como  já  se  disse,  os  títulos  adquiridos  no  exterior  internalizados  no  Brasil  por  meio  de  contratos  de  compra  e  venda  internacional  de  títulos  ("Purchase  Agreement")  eram  pagos  com  recursos  provenientes  de  uma  conta  contábil  denominada  "Mútuo — Bombril Overseas Inc — 15110070";  ­ que nessa conta eram registrados ingressos de capitais e remessa de recursos  ao  exterior,  os  quais  decorriam  de  outras  relações  jurídicas  que  não  contratos  de  in  :au°  necessariamente. Essa conta foi aberta em razão do Instrumento Particular de Mútuo firmado  entre a .Impugnante e a empresa controlada em 02 de janeiro de 1997 mencionado, inclusive,  no  Termo  de  Constatação,  mas  na  verdade  tratava­se  de  um  contrato  de  conta­corrente  mercantil. (doc. 07);  ­  que  por  mencionado  instrumento,  sempre  que  necessário,  a  Impugnante  enviaria  recursos para a  sua empresa controlada no exterior,  estabelecendo­se, portanto, uma  outra relação jurídica, distinta daquela pactuada quando do recebimento;  ­ que é por isso que a  Impugnante, quando recebia o dinheiro decorrente da  venda  dos  títulos  no  mercado  interno,  registrava  esse  recurso  a  crédito  na  conta  de  mútuo  existente em seu ativo (na verdade, conta­corrente), pois esses recursos seriam utilizados para o  pagamento dos títulos por ela adquiridos;  ­  que  contudo,  quando  a  empresa  controlada  novamente  necessitava  de  recursos,  ainda  que  fosse  para  quitar  os  títulos  por  ela  adquiridos  no  exterior  ou  por  outros  motivos  quaisquer,  a  Impugnante  procedia  a  um  lançamento  a  débito  nesta  conta­corrente  mercantil e aumentava o saldo credor existente;  ­  que  exatamente  pelo  fato  de  nos  contratos  de  conta  corrente  as  remessas  realizadas  nas  contas  perderem  a  sua  existência  autônoma,  que  não  se  pode  afirmar  que  o  contrato  de  conta­corrente  constitui  um  mútuo  entre  os  contratantes.  No  mútuo,  cada  empréstimo tem a sua individualidade patente;  ­ que assim, conforme se pode verificar pela análise da Cláusula Terceira do  Contrato firmado pela Impugnante, nas planilhas constantes dos autos, e no razão contábil da  conta de Mútuo registrada pela  Impugnante, o que existia neste contrato era exatamente esse  aproveitamento recíproco de recursos, ora a Impugnante depositava recursos na conta­corrente,  ora a Bombril Overseas,  sendo que,  somente na  liquidação do contrato  é que  se verificará o  saldo devedor apurado;  Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 11          19 ­ que equivocadamente se tenha afirmado tratar­se de um contrato de mútuo,  pelas  características  pactuadas,  as  quais  determinam  a  natureza  jurídica  deste  ato,  trata­se,  efetivamente, de um contrato de conta­corrente mercantil;  ­  que  ainda  com  relação  aos  contratos  de  numeração  de  02  a  12,  uma  observação muito  importante deve ser  feita pela  Impugnante: as  remessas de  recursos nesses  casos  foram  feitas  à  sua  controlada,  perfeitamente  identificada,  e  cujos  resultados  são  todos  refletidos no patrimônio da Impugnante pela equivalência patrimonial;  ­ que ora, não se pode admitir que a Bombril Overseas seja um terceiro, ou  seja, uma pessoa estranha â Impugnante. Ao contrário, a Bombril Overseas é uma subsidiária  integral da Impugnante, conforme será analisado a seguir;  ­  que  ("Lei  das  S.A."),  a  qual  estabelece,  em  seus  artigos  251  a  253,  o  procedimento para constituição ou transformação de uma companhia em subsidiária integral;  ­ que nos termos da Lei das S.A., caracteriza­se a subsidiária integral por ser  uma  companhia  (que  revestirá  sempre  a  forma  de  sociedade  por  ações)  que  tem  um  único  acionista, o qual deve ser necessariamente uma sociedade brasileira;  ­ que ao revestir­se de personalidade o patrimônio unipessoal, todas as regras  aplicáveis às sociedades pluripessoais e às relações entre elas e seus acionistas prevalecem na  subsidiária integral, que assume obrigações em seu nome próprio e exerce direitos como pessoa  jurídica autônoma;  ­  que  tendo  em  vista  a  peculiaridade  de  possuir  um  único  acionista,  a  fiscalização da observância dos deveres e responsabilidades de sua controladora são exercidos  internamente,  através da vigilância  exercida pelos  acionistas da própria  sociedade dominante  sobre o acionista controlador desta última. Assim, pode­se afirmar que a referência a interesses  internos  de  uma  subsidiária  integral  compreende  não  apenas  os  da  sociedade  controlada  (unipessoal), como também os da controladora;  ­  que  os  conceitos  e  princípios  aplicáveis  relativamente  às  subsidiárias  integrais  aplicam­se,  por  óbvio,  à  Bombril  Overseas  Inc.  Apesar  de  não  ser  sociedade  brasileira,  ela  é  100%  controlada  pela  Impugnante,  sua  única  acionista,  existindo  portanto  vinculo peculiar entre controladora e  controlada — neste mister, não seria demais esclarecer  que a lei pátria não  faz qualquer distinção em função da  localização da sede de controladora  e/ou  controlada,  para  fins  do  tratamento  ou  reconhecimento  do  vinculo  entre  sociedades  relacionadas;  ­ que frise­se que sob o ponto de vista contábil e de mercado de capitais, faz­ se  clara  distinção  entre  partes  relacionadas  de  um  lado  (com  referência  expressa  a  controladoras,  de  um  lado,  e  coligadas  e  controladas,  de  outro),  e  terceiros  alheios  à  companhia, de outro. A controlada não é, perante sua controladora, um terceiro, mas Una parte  relacionada;  ­  que  também no  campo  do  direito  tributário  não  pode  uma  controlada  ser  considerada como um terceiro perante sua controladora. É bem sabido que todas as variações  patrimoniais da controlada da Impugnante são, por imposição legal, refletidas no patrimônio da  controladora,  sendo  que  os  lucros  da  Bombril  Overseas  Inc.  também  são,  desde  1996,  tributados pela Impugnante, por se tratar de lucros da própria sociedade controladora;  Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     20 ­  que  restou,  destarte,  demonstrado  que  não  houve,  no  presente  caso,  incidência da norma veiculada pelo artigo 61, parágrafo 1º, da Lei n° 8.981/95, justamente por  não ter ocorrido o pagamento a terceiros, mas sim de trânsito de recursos dentro da propriedade  da própria Impugnante;  ­ que assim, o Fisco não pode pretender conceituar a Bombril Overseas  Inc  como sendo sócia, acionista ou titular da Impugnante, tampouco terceiro, Como demonstrado  alhures, sob pena de afrontar o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional;  ­  que  ora,  se  a  empresa  controlada  da  Impugnante  no  exterior  não  é  sócia,  acionista, titular e muito menos um terceiro, jamais se poderia fundamentar o lançamento em  questão  com  fulcro  no  parágrafo  1º  do  artigo  61  da  Lei  n°  8.981/95,  por  absoluta  falta  de  conformidade  entre  o  conceito  de  fato  ã  hipótese  de  incidência  dessa  norma  de  caráter  sancionatório;  ­  que  não  bastasse  os  fundamentos  apontados  ate  o  momento  para  descaracterizar a subsunção da hipótese legal prevista no § 1° do artigo 61 da Lei no 8.981/95  nas  operações  realizadas  entre  a  Impugnante  e  sua  controlada,  essas  operações  também  não  configuram sequer um pagamento, conforme se passa a demonstrar;  ­ que conforme se pode observar, para a existência do mútuo, é necessária a  existência d,e obrigatoriedade de restituição do objeto/montante dos recursos disponibilizados,  e que, exista a presença de um lapso de tempo determinado contratualmente, que se encontra  entre a realização da prestação presente e a contraprestação futura;  ­ que opera­se, assim, uma operação de crédito, que segundo J. X. Carvalho  de  Mendonça,  é  aquela  "mediante  a  qual  alguém  efetua  uma  prestação  presente,  contra  a  promessa de uma contraprestação futura (..). A operação de crédito por excelência é aquela em  que a prestação se faz e a contraprestação se promete em dinheiro;  ­ que no caso em análise, esses dois requisitos não existem, ou seja, as partes  que  firmaram  o  contrato  de  conta­corrente  entre  si  não  estabeleceram  a  obrigatoriedade  de  restituição  do montante  dos  recursos  disponibilizados,  e  nem  sequer  existência  de  um  lapso  temporal  entre  a  realização  da  prestação  presente  e  a  contraprestação  futura.  Isto  se  deve  própria natureza do contrato de conta­corrente, que se diferencia da do contrato de mútuo;  ­ que assim, tem­se que os valores remetidos para o exterior não constituíam  pagamentos,  vez  que  se  trataram  de  mera  disponibilização  de  recursos  para  a  empresa  controlada, por intermédio do conta­corrente mercantil existente;  ­ que com efeito a  Impugnante nunca pagou nada com o dinheiro remetido.  Quem efetuava os pagamentos era a Bombril Overseas no exterior. A remessa de recursos pela  impugnante, repita­se, existia somente para que a empresa no exterior obtivesse recursos para  honrar os seus compromissos;  ­  que ora,  se não  se  trata de pagamento,  jamais  se poderia  imputar  ao  caso  presente o lançamento, sob o argumento de que as remessas ao exterior configuram pagamento  sem causa;  ­  que assim, o presente  lançamento deve ser  julgado  improcedente por  esta  Turma Julgadora, pois além do fato de a  Impugnante não  ter efetuado nenhum pagamento, a  causa pela qual ela remeteu os recursos para o exterior, foi a existência do contrato de mútuo  (conta­corrente) firmado entre ela e a Bombril Overseas. Percebe­se que a relação jurídica ­que  regula a remessa dos recursos é distinta daquela que regula a vinda dos títulos ao País, razão  Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 12          21 pela  qual  ainda  que  estes  títulos  não  existam  (fato  este  que  Impugnante  acredita  não  ser  verdadeiro,  conforme  se  comprova  dos  documentos  anexos),  existe  causa  que  justifique  a  remessa dos recursos para o exterior;  ­ que tendo em vista a comprovação da realização das operações financeiras,  bem  como  da  existência  de  todos  os  contratos  que  fundamentam  as  operações  realizadas,  importante  destacar  que,  nos  termos  do  artigo  276  do  RIR/99,  a  escrituração  mantida  com  observância das disposições legais (in casu, o que jamais foi questionado pelo Fisco) faz prova  em  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais;  ­  que  essa  exagerada  exigência  fiscal  ofende  vários  princípios  tributários,  notadamente  o  que  estabelece  o  conceito  de  tributo,  contemplado  no  artigo  30  do  Código  Tributário  Nacional,  bem  como  os  não  menos  importantes  princípios  da  razoabilidade,  proporcionalidade  e  da  vedação  de  utilização  de  tributo  com  efeito  de  confisco,  conforme  restará amplamente demonstrado abaixo;  ­  que  não  é  de  mais  lembrar  que  os  Srs.  Agentes  Fiscais  constituíram  o  crédito  tributário  sob  o  fundamento  que  a  Impugnante  teria  efetuado,  no  ano  de  2001,  pagamentos  sem  causa,  em decorrência  do  que  exigiram o  vultuoso  1R/Fonte  e  a  respectiva  multa, nos termos da legislação aplicável;  ­  que  isso  se  deu  justamente  para  que  a  Impugnante  caísse  na  excessiva  incidência  tributária  prevista  no  artigo  61,  §  1º,  da  Lei  n.o  8.981/95,  que,  conforme  demonstrado acima,  torna exigível o  imposto em montante praticamente  igual ao do seu fato  gerador;  ­  que  por  conseguinte,  nota­se  que  a  vultosa  quantia  exigida  a  título  de  Imposto de Renda Retido na Fonte e de multa imposta nesse caso importam em nítida violação  aos  princípios  da  razoabilidade,  proporcionalidade,  além  de  possuírem  nítido  caráter  confiscatório, razão pela qual deverá essa D. Turma de Julgamento declarar a insubsistência do  presente auto de infração;  ­  que  restou,  destarte,  nitidamente  demonstrado  que,  além  de  não  ter  sido  comprovada  pelos  Agentes  Fiscais  a  suposta  infração  cometida,  fruto  de  suposições  desprovidas  das  provas  necessárias,  a  validade  desse  ato  administrativo  de  lançamento  está  comprometida, pois o imposto de renda não pode ser exigido com base na norma sancionatória  prevista no artigo 61, § 1º, da Lei n° 8.981/95;  ­ que verifica­se que o aspecto material contido na hipótese de incidência da  norma  acima  transcrita  (efetuar  pagamento  sem  causa  a  terceiros)  está  absolutamente  em  desconformidade  com  o  conceito  de  renda  previsto  no  artigo  43  do  Código  Tributário  Nacional.  Pretende­se  tributar  não  a  renda,  mas  sim  o  pagamento  sem  causa  efetuado  a  terceiros não identificados;  ­ que por tal razão, tendo em vista que o artigo 61 da Lei n° 8.981/85 violou o  Código Tributário Nacional ao pretender tributar algo que não reveste as qualidades de renda,  ele não pode ser aplicado, devendo ser cancelada por essa Colenda Turma Julgadora a autuação  lavrada;  Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     22 ­ que com relação a  todos os contratos de compra e venda e mútuo  (conta­ corrente)  abordados  nessa  ação  fiscal,  mister  se  faz  um  breve  estudo  dos  aspectos  mais  relevantes inerentes à atividade de corretagem, na qual estão incluídos os corretores de títulos  públicos;  ­  que  na mais  escorreita  terminologia  comercial  e  jurídica,  pode­se  afirmar  que  o  profissional  denominado  "corretor"  é  aquele  que  se  presta  a  se  interpor  entre  duas  ou  mais pessoas, com a finalidade de aproximar essas pessoas para a realização de uma operação,  de um negócio contratual;  ­  que  em outras palavras,  pode­se dizer que o  corretor  é o profissional  que  procura  partes  interessadas  em  realizar  o  mesmo  negócio,  convergindo  os  interesses  antagônicos em uma relação jurídica negocial;  ­  que  portanto,  o  corretor  profissional  é  aquela  pessoa  em  quem  alguém  confia seus interesses para promover um negócio, para "encontrar" outra pessoa com interesse  oposto, para que se realize o negócio almejado pelas partes;  ­  que  no  entendimento  da  Impugnante,  ela  se  precaveu  de  todas  as  formas  para  adquirir  os  títulos  públicos  de  instituições  financeiras  sérias  e  idôneas  no  mercado  internacional.  Isto porque, mencionados títulos foram adquiridos de pessoa cuja credibilidade  era acima de qualquer suspeita. Com efeito, o Sr. Ignacio Rospide de Leon era ex­presidente da  Bolsa de Valores de Mercadorias do Uruguai e maior corretor de bolsas daquele pais;  ­ que talvez esteja ai o maior  indicio de que a  Impugnante pode mesmo ter  sido apenas mais uma vitima dessa fraude, de modo que não seria  responsável pelos  tributos  exigidos na autuação praticada, motivo pelo qual deve ser anulada por essa Colenda Turma de  Julgamento;  ­ que diante do exposto, como no ficou provada a inexistência dos títulos ou a  ocorrência  de  qualquer  ato  fraudulento  por  parte  da  Impugnante,  mas  apenas  conjecturas  insuficientes para fundamentar essa aço fiscal, os Srs. Julgadores deverão excluir a penalidade  imposta em respeito ao artigo 112,  inciso  II do CTN, aplica­se a  interpretação mais benéfica  possível, que é o cancelamento da exigência fiscal;  ­  que  com  respaldo  no  disposto  no  inciso  IV,  do  artigo  16,  do Decreto  no  70.235/72, na redação da Lei no 8.748/93, a  Impugnante  requer a realização de perícia cujos  termos desta Impugnação a justificam.  Após  resumir  os  fatos  constantes  da  autuação  e  as  principais  razões  apresentadas pelo  impugnante, em 21/12/2007, os membros da Segunda Turma da Delegacia  da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF concluíram pela procedência do  lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações:  ­  que  a  impugnante  alegou  que  os  Auditores­Fiscais  autuantes  seriam,  no  caso, incompetentes para a execução do procedimento de fiscalização e para a lavratura do auto  de  infração  do  IRRF,  pois  seu  domicilio  fiscal  (impugnante)  não  seria  o Município  de  São  Paulo­ Capital, mas sim o Município de São Bernardo do Campo/SP; que os Auditores­Fiscais  autuantes,  bem  como  o Delegado  que  emitiu  o MPF,  estão  lotados  na Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil  de  Fiscalização  ­  DEFIC/SP — Capital;  que,  por  conseguinte,  o  Auto  de  Infração seria nulo, por vicio formal na emissão e execução do MPF, pois  teria sido emitido  por Delegado  incompetente,  em  face  do  disposto  na Portaria  SRI;  n°3.007001,  art.  6',  §  4°.  Trata­se de preliminar infundada;  Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 13          23 ­ que no ano­calendário 2002, ano em que o iniciou a fiscalização conforme  ciência  do  MPF  pela  contribuinte  em  06/11/2002  (IL  01),  o  domicilio  da  contribuinte  —  conforme consta da D1PJ 2002, ano­calendário 2001 (transmitida eletronicamente pela internet  em  27/06/2002)  e  da  DIPJ  2003,  ano­calendário  2002  (transmitida  eletronicamente  pela  internet  em  30/06/2003  —  era  o  Município  de  São  Paulo/Capital,  no  seguinte  endereço,  conforme extraído da DIPJ 2003;  ­ que não obstante, houve a mudança do domicílio fiscal da autuada para São  Bernardo  do  Campo,  apenas,  no  ano­calendário  2004,  conforme  DIPJ  2004,  transmitida  eletronicamente pela internet cm 30/06/2004;  ­ que houve mudança do domicilio fiscal da autuada no curso da ação fiscal,  fato  que  não  constitui  óbice  algum  ao  lançamento  fiscal  efetuado,  pela  ocorrência  da  prevenção;  ­ que o domicilio fiscal da autuada cm São Paulo/Capital, na data de inicio da  fiscalização,  fora  escolhido  pela mesma  com base  no  art.  212,  inciso  I,  alínea  "b",  primeira  parte,  do  RIR/999  (...  à  opção  da  pessoa  jurídica,  o  lugar  onde  se  achar  o  estabelecimento  centralizador de suas operações ...);  ­  que  ademais,  não  consta  nos  registros  da  RFB  que  a  contribuinte  tenha  comunicado a transferência de domicilio fiscal, do Município dc São Paulo para o Município  de São Bernardo do Campo, antes do inicio da fiscalização, na forma do art. 213 do RIR/99;  ­  que  portanto,  inexistiu  vicio  algum  quanto  à  competência  na  emissão  e  execução  do  MPF,  que  culminou  na  lavratura  do  Auto  de  Infração.  Rejeita­se,  assim,  a  preliminar de nulidade, pela inexistência vicio quanto à competência dos Agentes do Fisco;  ­ que a impugnante alegou que não seria responsável pela infração imputada  e  pelo  crédito  tributário  lançado,  pois  a  infração  teria  ocorrido  na  gestão  anterior  (a  qual  detinha  o  controle  acionário  da  empresa)  c  não  na  gestão  atual  que  retomou  o  controle  acionário,  colocando  a  empresa  em  ordem;  que,  no  caso,  a  infração  imputada  foi  praticada  pelos  administradores  da  gestão  anterior,  antes  da  retomada do  controle  acionário  pela  atual  gestão;  que,  por  conseguinte,  aqueles  administradores  são  responsáveis  pessoalmente  pelo  crédito  tributário  lançado,  conforme  art.  135  do  CTN;  que  se  trata  de  responsabilidade  exclusivamente pessoal; que não cabe atribuir à impugnante responsabilidade solidária. Trata­ se de alegação descabida, extemporânea e absurda;  ­  que  a  responsabilidade  pessoal  não  é  objeto  do  lançamento  fiscal.  A  impugnante  foi  autuada  como  sujeito  passivo  da  obrigação  principal,  na  condição  de  responsável, uma vez que sua obrigação decorre de disposição expressa de lei (CTN, arts. 121,  parágrafo único, inciso II, e 128; e Lei 8.981, art. 61, § 1º);  ­  que  por  conseguinte,  a  legitimidade  para  figurar  como  sujeito  passivo  da  relação jurídico­tributária em tela 6, indubitavelmente, da impugnante;  ­  que  quanto  à  suposta  responsabilidade  pessoal  dos  administradores,  essa  discussão, como já frisado, não é objeto da lide;  Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     24 ­ que entretanto, apenas a titulo de argumentação, a responsabilidade pessoal  não  exclui  a  responsabilidade  da  autuada;  persiste  a  solidariedade  da  empresa  e  dos  administradores, segundo a atual jurisprudência do STJ;  ­ que entendimento diverso, daria margem a fraudes fiscais, pois, nos tempos  atuais  de  globalização  da  economia  e  cm  face  das  vultosas  somas  dc  recursos  que  são  movimentadas pelas  empresas de um pais para  o outro ou mesmo dentro do Pais,  bastaria  a  empresa e seus administradores estarem mancumunados (para que estes — administradores  ­  assumissem  a  responsabilidade  pelos  ilícitos  praticados  pela  empresa),  para  atribuir  responsabilidade tributária pessoal exclusiva a administradores insolventes, e assim subtrair da  arrecadação federal vultosas somas, para depois ser rateada entre esses mesmos fraudadores;  ­ que portanto, rejeito a preliminar em tela, pois a legitimidade passiva para  figurar no pólo passivo da relação jurídico­tributária é da impugnante, e a matéria suscitada da  responsabilidade pessoal dos administradores não é objeto da lide;  ­ que a  impugnante alegou que a maior parte do crédito  tributário do  IRRF  constituído  via  auto  de  infração  do  IRRF  do  ano­calendário  2001,  quando  da  ciência  da  autuação,  já  estava  fulminado  pela  decadência,  especificamente  os  fatos  imponíveis  de  01/01/2001 a 27/11/2001 (CNT, art. 150, § 4 0); que os fatos geradores do IRRF, no caso, são  diários,  ou  seja,  que  os  fatos  imponíveis  ocorreram  nas  respectivas  datas  de  liquidação  das  operações;  que,  nesse  caso,  o  lançamento  tributário  poderia  ter  sido  realizado  a  partir  do  primeiro  dias  após  a  ocorrência  do  fato  gerador;  que,  por  conseguinte,  apenas  os  fatos  geradores ocorridos após 27/11/2001 estariam a salvo da decadência, pois a impugnante tomou  ciência do lançamento fiscal cm 27/11/2006; que mesmo quo se entenda pela aplicação do art.  173,1,  do  CTN,  ainda  assim  teria  ocorrido  a  decadência  parcial,  pois,  no  caso,  segundo  a  impugnante, por primeiro dia do exercício seguinte deve ser entender o primeiro dia imediato  após àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado c, por conseqüência, é o segundo  dia após a ocorrência do fato gerador;  ­ que a alegação totalmente infundada. A impugnante faz uma interpretação  equivocada e às avessas do Código Tributário Nacional;  ­ que o IRRF é tributo de terceiros que a impugnante tem a responsabilidade  de fazer a retenção e o  recolhimento por  ter efetuado pagamentos de valores ou rendimentos  sem causa a terceiros ou a sócios ou acionistas da empresa, tudo conforme arts. 121, parágrafo  único, inciso II, e 128, do CTN, e Lei 8.981/95 (art. 61, § 1º)  ­ que é verdade que o IRRF, cm relação aos fatos geradores ocorridos no ano­ calendário 2001, poderia ter sido exigido pelo Fisco no próprio ano­calendário 2001;  ­ que agora, não tem razão a impugnante quando invoca o art. 150, § 4º, do  CTN. Também não tem guarida à interpretação que externou quanto ao termo inicial do prazo  de decadência de que trata o art. 173, I, do CTN;  ­  que  na  situação  do  art.  61,  §  1º,  da  Lei  8.981/95  é  inaplicável  o  prazo  decadencial  do  art.  150,  §  4º,  do CTN,  pois  a  apuração  do  imposto  depende  de  lançamento  fiscal direto. Jamais a empresa iria apurar o  IRRF espontaneamente, ou declarar que efetuara  pagamento sem causa ou que efetuara pagamento a beneficiário não identificado, uma vez que  tais fatos sempre serão apurados de oficio, via lançamento direto;  ­  que  assim,  para  o  lançamento  fiscal  direto  ou  do  oficio,  o  prazo  de  decadência e do art. 173, I, do CTN;  Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 14          25 ­ que portanto,  rechaço a preliminar de decadência, pois o crédito  tributário  — objeto dos autos  ­  foi  lançado  tempestivamente via auto de  infração; vale dizer, o credito  tributário está totalmente a salvo da suscitada decadência;  ­  que  a  Bombril  Círio  S/A,  com  a  nova  denominação  Bombril  S/A,  no  decorrer do ano­calendário 2001, escriturou várias operações com Ativos Financeiros Externos,  no vultoso somatório de R$ 325.696.985,42, assim  sintetizadas:  (I) — Letras do Tesouro do  Estados Unidos,  denominadas  de  T­Bills,  no  valor  de R$  323.077.785,42:  (a)  adquiridas  no  exterior pela controlada integral domiciliada no exterior, a Bombril Overseas Inc., situada nas  Ilhas Virgens Britânicas (paraíso fiscal), tendo como vendedor o Sr. Ignacio Rospide de Leon  (Corretor de Bolsa), e repassadas à autuada; (b) adquiridas, diretamente, pela autuada do citado  Corretor de Bolsa;  (e) adquiridas, no mercado  interno,  junto a pessoas  jurídicas domiciliadas  no Brasil; (II) — Certificados de Depósitos Bancários no valor de R$ 2.374.000,00, que teriam  sido emitidos por estabelecimentos bancários situados no exterior, denominados de Certificates  of Deposits; e  (III) — Euro Short — Term Notes no valor de R$ 245.200,00, ou seja, Notes  emitidos pela empresa nacional Ioclipe­Maxion S/A, no exterior;  ­ que para a Fiscalização, todos os pagamentos efetuados, quanto à aquisição  desses  títulos  foram  pagamentos  sem  causa,  pois  a  impugnante  não  tomou  as  cautelas  necessárias para operar com os citados títulos estrangeiros;  ­  que  a  autuada  jamais  comprovou,  em  nenhum  momento,  durante  o  procedimento de  fiscalização  a  existência dos  títulos  e das operações de  aquisição,  custódia,  posse  ou  usufruto  dos  títulos  adquiridos.  Para  tanto,  deveria  ter  fornecido  recibo  de  pagamentos,  extrato  da  conta  bancária  no  exterior  da  aplicação  ­  aquisição  dos  títulos  —  mantida no agente  financeiro  intermediário autorizado a vender  tais  títulos da divida pública  norte  americana;  deveria  ter  comprovado  a  custodia  dos  títulos  pelo  agente  financeiro  intermediário da operação; porém, ela Dada comprovou nesse sentido;  ­  que  por  isso,  da  imputação  da  infração  pagamentos  sem  causa,  com  exigência de IRRF com alíquota de 35% sobre base de calculo reajustada, mais multa de oficio  e juros de mora;  ­  que  em  sua  impugnação,  a  contribuinte  reflita  que  existiram  Pagamentos  sem  Causa  nas  Operações  de  Compra  dos  citados  Títulos.  Alega  que  as  operações  foram  realizadas para aquisição de capital de giro, uma vez que no mercado domestico a empresa não  teria  credito  junto  às  instituições  financeiras,  para  desenvolver  sua  atividade  operacional,  conforme  já  narrado  no  relatório  alhures;  que  não  haveria  nenhuma  irregularidade  na  negociação dos  títulos com o corretor Sr.  Ignácio Rospide de Leon e com as empresas Aliex  América Latina  Imp. E Exp. Ltda., Boutique Daslu Ltda., Mcon Wireless S/A  e Tecnologia  Bancária  S/A;  que  realizou  essas  operações  dc  aquisição  de  títulos  com  fins  meramente  financeiros,  sem  intenção  de  registrar,  quanto  aos  citados  títulos,  sua  propriedade  ou  posse  (usufruto),  nem  teve  a  preocupação  de  saber  qual  instituição­financeira  intermediária  teria  a  custódia de tais títulos; que seu objetivo era tão­somente obter capital dc giro (comprar a prazo  e vender à vista).   ­  que  na  verdade,  todas  as  alegações  da  impugnante —  já  sumarizadas  no  relatório e que buscam descaracterizar a imputação da infração ­ são improcedentes, conforme  será demonstrado abaixo;  Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     26 ­ que para justificar a causa dos pagamentos, a autuada teria que comprovar  nos  autos  a  existência  dos  títulos  adquiridos,  a  transferência  para  sua  titularidade  (posse  ou  usufruto) mediante registro na instituição financeira internacional intermediária, a custódia dos  títulos  (instituição  financeira  internacional  intermediária  onde  os  títulos  estão  registrados  e  custodiados), recibo de pagamento pelas operações de aquisição dos títulos ou extrato bancário  das aplicações, quanto aos títulos adquiridos;  ­ que, entretanto, tal intento ela jamais conseguiu comprovar, seja durante o  procedimento de fiscalização, seja na impugnação;  ­  que  por  outro  lado,  a  fiscalização  atuou  de  forma  diligente;  não  existe  nenhum  subjetivismo  na  imputação  da  infração.  Os  vários  anos  que  durou  e  perdurou  a  Fiscalização comprovam a maturidade do trabalho do Fisco;  ­  que  a  infração  imputada  —  pagamento  sem  causa  —  está  sobejamente  comprovada nos autos pela Fiscalização;  ­  que  quanto  à  alegação  de  quo  os  títulos  eram  adquiridos  a  prazo  e  revendidos  à  vista,  inexiste  tal  comprovação  nos  autos.  Pelos  instrumentos  contratuais  constantes  dos  autos,  tanto  nas  aquisições,  quanto  nas  revendas,  operações  teriam  sido  efetuadas à vista, com preço de cotação da data de  fechamento,  cuja quitação ou pagamento  seria na mesma data;  ­ que concerne à existência de contratos de mútuo com a empresa controlada  Bombril Overseas, situada no exterior (nas Ilhas Virgens Britânicas) e que tais contratos teriam  a natureza de conta­corrente, e que, por conseguinte, as remessas efetuadas para a controlada  teriam uma causa (que tais transferências de recursos não poderiam ter sido enquadradas como  pagamento  sem  causa),  aqui,  também,  tudo  não  passa  de  mera  falácia  pela  impugnante;  A  impugnante não tem razão.  ­ que primeiro, a Bombril Overseas é uma empresa off­shore (Box), situada  em  paraíso  fiscal  (Ilhas  Virgens  Britânicas),  só  tem  existência  jurídica,  não  tem  existência  operacional;  ­  que  não  existe  dúvida  quanto  à  capitulação  legal  da  infração  imputada,  quanto  ocorrência  da  infração  imputada  c  quanto  à  penalidade  aplicada,  logo  incabível  o  pedido de interpretação mais favorável, nos termos do art. 112 do CTN;  ­ que no que concerne à alegação de que a impugnante agiu de boa­fé e que,  provavelmente, tenha sido vitima nessa s. operações com aquisição de títulos, isso é falácia tão  somente.  A  empresa  não  ­  somente  no  ano­calendário  2001  escriturou  tais  operações  de  aquisição  de  títulos,  mas,  também,  nos  anos­anteriores.  Logo,  a  empresa  tem  um  histórico  imenso  e  reiterado  de  condutas  de  pagamentos  sem  causa.  Por  conseguinte,  as  alegações  da  impugnante não podem prosperar;  ­  que  a  impugnante  deixou  de  produzir  provas  durante  o  procedimento  de  fiscalização  e,  agora,  quando  da  apresentação  da  impugnação,  quanto  à  existência  das  operações de aquisição desses títulos;  ­  que  a  impugnante  alegou  que  a Taxa SELIC,  Como  sucedânea  dos  juros  demora, seria ilegal e inconstitucional, pois sua forma de cálculo ou apuração não está prevista  em lei. As leis que determinam sua aplicação como sucedâneo dos juros de mora, não explicam  como  apurada  a  Taxa  SELIC;  que,  ainda,  ela  teria  caráter  remuneratório  e  não  de  juros  de  mora;  Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 15          27 ­  que  sempre  que  não  houver  o  recolhimento  tempestivo  do  tributo,  a  incidência dos juros de mora é implacável e inexorável;  ­  que  juros  de mora  não  são  penalidade;  possuem  natureza  compensatória,  pelo fato do contribuinte moroso estar na posse de recurso público, após o prazo de vencimento  da  obrigação  tributária;  fato  que  obriga  o  Poder  Publico  ir  ao  mercado  financeiro  captar  recursos financeiros, pagando a taxa SELIC, para realizar o seu mister constitucional;  ­ que por isso, é justa e eqüitativa a imposição dos juros de mora com base na  Taxa  SELIC  na  cobrança  de  crédito  tributário,  quanto  aos  contribuintes  recalcitrantes  e  inadimplentes;  ­ que quanto à alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade da exigência  dos juros de mora com base na Taxa SELIC, não cabe ao julgador administrativo conhecer de  tal questão quanto à legislação que impõe a cobrança juros de mora, pela falta de competência.  Somente cabe ao Poder Judiciário conhecer dessa questão, em face do principio da unidade de  jurisdição;  ­  que  art.  16,  §  4º,  do  Decreto  70.235/72,  estabelece  que  as  provas  documentais  devem  ser  apresentadas  por  ocasião  da  impugnação. Caso  as  provas  não  sejam  apresentadas nessa ocasião, essa faculdade processual fica preclusa;  ­ que, entretanto, não se verifica a preclusão, caso o contribuinte demonstre a  impossibilidade de apresentação das provas por ocasião da impugnação, ou seja, comprove o  motivo de força maior;  ­ que no caso, o sujeito passivo não comprovou o motivo de força maior que  impedira  a  apresentação  de  outras  provas,  quando  da  apresentação  da  peça  impugnatória  do  lançamento fiscal;  ­ que diante do exposto, cm relação a novas juntadas de provas documentais  na primeira instância de julgamento ­ como quer a autuada ­ entendo que já ocorreu a preclusão  processual, nos  termos do art. 16, § 4º, do PAF, em face da não comprovação do motivo de  força maior;  ­ que em relação ao pedido de perícia técnica/diligencia fiscal, trata­se pedido  desnecessário para resolução de lide;  ­ que ainda, trata­se de pedido com intuito meramente protelatório;  ­  que  incabível  o  pedido  de  realização  de  perícia  técnica  para  análise  de  documentos  ou  instrumentos  contratuais  registrados  na  contabilidade,  ou  de  análise  dos  registros  contábeis,  pois  tais  análises  ou  verificações  não  requerem  conhecimento  técnico  especial.  A presente decisão esta consubstanciada nas seguintes ementas:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA  FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2001  Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     28 Ementa:  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  FISCAL  POR  INCOMPETÊNCIA  DOS  AUDITORES­FISCAIS.  INÍCIO  DA  FISCALIZAÇÃO  ANTES  DA  MUDANÇA  DO  DOMICÍLIO FISCAL. PREVENÇÃO.  INOCORRÊNCIA  DE  NULIDADE.  A  mudança  de  domicilio  fiscal por parte da contribuinte, no curso do procedimento  de  fiscalização,  não  afasta  a  jurisdição  inicial,  cm  face  da  prevenção.  PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. OPERAÇÃO DE  AQUISIÇÃO  DE  TÍTULOS  EXTERNOS  NÃO  COMPROVADA (T­BILLS, CERTIFICATES OF DEPOSITS E  EURO SHORT — TERM NOTES). PAGAMENTO SEM CAUSA.  FALTA  DE  RETENÇÃO  DO  IRRF.  ALEGAÇÃO  DE  RESPONSABILIDADE  PESSOAL  EXCLUSIVA  DOS  ADMINISTRADORES.  PRELIMINAR  REJEITADA.  A  responsabilidade  tributária da pessoa  jurídica pela  retenção  do  imposto  de  renda  na  fonte  decorre  de  previsão  legal  expressa, nos pagamentos sem causa. Incabível a objeção  de  responsabilidade pessoal exclusiva do administrador da  empresa,  quando  tal  questão  não  é  objeto de  imputação no  lançamento fiscal.  PRELIMINAR  DE  DECADÊNCIA.  INOCORRÊNCIA  DE  CADUCIDADE. O imposto de renda na finte de que trata  o art. 61, § 1 0, da Lei 8.981/95 sujeita­se a lançamento direto  ou  de  oficio,  tendo  como  termo  inicial,  para  efeito  de  contagem do prazo decadencial, o primeiro dia do exercício  seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  O  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  é  o  primeiro  dia  do  ano  seguinte ao de ocorrência do fato gerador (CTN, art. 173, I, do  CTN).  PAGAMENTOS  SEM  CAUSA  —  SUPOSTAS  OPERAÇÕES  COM  ATIVOS  FINANCEIROS  EXTERN  OS  (T­BILLS,  CERTIFICATES  OF  DEPOSITS  E  EURO  SHORT  —  TERM  NOTES).  PAGAMENTOS  SEM  CAUSA.  A  operação  de  aquisição  de  títulos  externos,  para  que  seja  comprovada  sua  existência  para  fins  da  legislação  tributária,  requer,  além  do  instrumento contratual de aquisição dos títulos, a comprovação  de transferência de titularidade para o nome do adquirente junto  h. instituição financeira intermediária, comprovação da posse ou  usufruto dos  títulos,  a  comprovação da custodia  dos  títulos  em  instituição  financeira  intermediária,  extrato  da  conta  bancária  utilizada  para  aquisição  dos  títulos  mantida  na  instituição  financeira intermediária ou recibo de pagamento.  JUROS  DE  MORA  —  TAXA  SELIC.  PAGAMENTOS  SEM  CAUSA.  ARGÜIÇÃO  DE  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE DA RESPECTIVA LEGISLAÇÃO  TRIBUTARIA.  Não  compete  ao  julgador  administrativo  conhecer  de  pretensa  ilegalidade  ou  inconstitucionalidade  de  dispositivo  legal vigente. Ao  julgador administrativo  compete o  controle de legalidade do lançamento fiscal, ou seja, verificar se  a  lei  e  os  atos  normativos  vigentes,  emitidos  pelo  do  Poder  Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 16          29 Público,  foram  aplicados  conforme  editados,  urna  vez  que  são  dotados  de  presunção  de  legitimidade  e  legalidade.  O  conhecimento c julgamento de eventual vicio formal ou material  na  formação  da  legislação  aplicada  e  em  vigor  compete,  apenas,  ao  Poder  Judiciário,  o  qual  tem  a  última  palavra  em  face do principio da unidade de jurisdição.  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA,  PERÍCIA  E  PROTESTO  PELA  JUNTADA  DE  DOCUMENTOS.  PEDIDO  REJEITADO.  Para  que  seja  deferido  o  pedido  de  diligência,  perícia,  produção  ou  juntada  de  outras  provas,  o  requerimento  deve,  além  de  demonstrar com fundamentos a  sua necessidade,  ser  formulado  em consonância com o  inciso IV e § 1 artigo 16 do Decreto nº  70.235/72.   Lançamento Procedente  Cientificado  da  decisão  de  Primeira  Instância,  em  07/08/2008,  conforme  Termo constante à fl. 1998, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo  hábil  (05/09/2008),  o  recurso  voluntário  de  fls.2001/2081,  no  qual  demonstra  irresignação  contra  a  decisão  supra,  baseado,  em  síntese,  nas  mesmas  razões  expendidas  na  fase  impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações:   ­  que  depreende­se  da  leitura  da  decisão  proferida  pela  DIU,  que  os  Julgadores a quo rejeitaram a preliminar de incompetência dos Agentes Autuantes, arguida na  pega impugnatória, sob a alegação de que no ano calendário de 2002, ano em que se iniciou a  fiscalização,  a  Recorrente  estava  domiciliada  no  Município  de  São  Paulo  e  não  em  São  Bernardo do Campo;  ­ que conforme se extrai do auto de infração, originário do presente processo  administrativo, os I. Agentes Fiscais que autuaram a Recorrente eram funcionários fazendários  lotados na Delegacia da Receita Federal de Fiscalização de São Paulo ("DEFIC"), estabelecida  no Município de São Paulo;  ­  que  deveras,  conforme  se  extrai  das  informações  contidas  no Anexo  I  da  Portaria  SRF  no  1.096/05,  a  DEFIC  de  São  Paulo,  integrante  da  8ª  Região  Fiscal,  tem  jurisdição  apenas no Município de São Paulo,  ou  seja,  os  seus  agentes  têm o dever de  atuar  dentro dos limites geográficos dessa capital;  ­ que dessa forma, nota­se que os Srs. Auditores Fiscais, ao lavrarem o auto  de  infração  contra  a  Recorrente,  usurparam  da  competência  que  lhes  foi  atribuída  para  a  realização  dos  atos  fiscalizatórios,  porquanto  a  Recorrente  não  estava  sediada,  quando  da  lavratura do  auto de  infração em questão, no Município de São Paulo, mas no Município de  São Bernardo  do Campo,  que  está  sob  a  jurisdição  da Delegacia  da Receita  Federal  própria  desse município, conforme prevê o Anexo I da Portaria SRF n° 1.096/05;  ­ que assim, em razão da alteração do domicilio fiscal da Recorrente de São  Paulo para São Bernardo do Campo, o curso do procedimento de fiscalização também deveria  ter  sido  alterado  para  a  Delegacia  da  Receita  Federal  em  São  Bernardo  do  Campo,  em  atendimento aos artigos 138 da Portaria MF n.° 30/05 e 90, § 3° do Decreto n.° 70.235/72;  Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     30 ­  que  como  isso  não  ocorreu,  conclui­se  que  os  Srs. Auditores  Fiscais  que  lavraram  o  auto  de  infração,  originário  do  presente  processo  administrativo,  eram  incompetentes para tanto, uma vez que, por serem lotados na DEFIC, a competência que lhes  foi  atribuída  abrangia  apenas  e  tão  somente  a  realização de  atos  fiscalizatórios  em empresas  sediadas no Município de São Paulo;  ­  que  por  esse  motivo,  como  não  houve  nenhum  ato  que  autorizasse  a  execução  dos  trabalhos  no  Município  de  São  Bernardo  do  Campo,  constata­se  que  os  Srs.  Auditores Fiscais que lavraram o auto de infração em questão eram incompetentes para tanto,  motivo pelo qual deverá esse E. Conselho reformar a decisão ora recorrida;  ­  que  de  acordo  com  o  entendimento  exposto  pelos  I.  Julgadores,  a  responsabilidade  da  Recorrente  somente  pode  ser  redirecionada  aos  administradores  no  processo de execução fiscal, caso haja a comprovação de excesso de poderes, de violação de lei  ou estatuto social;  ­ que contudo, o entendimento manifestado pela Turma Julgadora não poderá  prevalecer,  merecendo  ser  reformado  por  esta  C.  Câmara,  pois,  conforme  demonstrado,  de  forma exaustiva, na peca impugnatória, ainda que a Recorrente tenha efetuado pagamentos sem  causa,  o que  se  alega a  titulo meramente  argumentativo,  somente os  seus  administradores,  à  época dos fatos, podem ser responsabilizados, nos termos do artigo 135 do Código Tributário  Nacional ("CTN"). É o que se passará a demonstrar;  ­  que  tal  responsabilização  dos  administradores  decorre  da  prática  de  atos  abusivos  ou  com  infringência  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos  da  sociedade  que  tenham  desencadeado uma  relação  jurídica  obrigacional  stricto  sensu entre Fisco  e  a pessoa  jurídica  por eles administrada;  ­ que com efeito, ao realizar conduta ilícita, o administrador passa a integrar o  pólo  passivo  de  relação  sancionatória,  oportunidade  na  qual  exclusivamente  os  seus  bens  responderão pela prestação punitiva administrativo­fiscal que lhes compete. A responsabilidade  nessas  hipóteses  é,  portanto,  pessoal,  exclusiva  e  não  solidária,  como  entendeu  a  Turma  Julgadora de forma equivocada;  ­ que conforme demonstrado na pega impugnatória, o artigo 15, alínea "t", do  Estatuto Social da Bombril — Círio S/A, com as alterações procedidas pela Assembléia Geral  Extraordinária  de  30  de  abril  de  1998,  dispõe  que  compete  ao  Conselho  de  Administração,  dentre  outras  prerrogativas,  "autorizar  a  venda  ou  aquisição  de  ativos  da  Sociedade  e/ou  sociedades coligadas e controladas, em valor substancial e quando não previstas no orçamento  anual;  ­ que desse modo, resta claro que os administradores da Recorrente, à época  dos fatos, infringiram o estatuto social, em especial o artigo 15, pelo que não houve qualquer  autorização  por  parte  do  Conselho  de  Administração  para  a  realização  das  operações  de  compra e venda dos títulos;  ­  que  logo,  somente  os  administradores  da  Recorrente  poderiam  responder  pelas  conseqüências  advindas  dessa  autuação, mas  jamais  a Recorrente,  conforme dispõe  os  artigos  135,  inciso  III  do  CTN,  razão  pela  qual  tem­se  que  a  decisão  recorrida  no  poderá  prosperar, devendo ser reformada por esta colenda Câmara Julgadora;  Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 17          31 ­ que conforme informado alhures, a Turma Julgadora sustentou, ainda, que  somente após a propositura da execução fiscal, a responsabilidade poderá ser redirecionada aos  administradores;  ­  que  no  entanto,  diversamente  do  entendimento  exposto  pela  Turma  Julgadora,  a  responsabilidade  tributária  não  só  é  matéria  de  competência  da  esfera  administrativa,  como  a  sua  discussão,  nessa  seara,  é  de  fundamental  importância  para  o  deslinde do executivo fiscal;  ­  que  logo,  estando  devidamente  demonstrado  os  atos  praticados  em  desconformidade com os deveres  contidos no  estatuto  social,  somente os  administradores da  Recorrente  podem  responder  exclusiva  e  pessoalmente  pelas  supostas  infrações  cometidas,  conforme  prevêem  os  artigos  135,  inciso  III,  e  137  do  CTN,  razão  pela  qual  a  Recorrente  aguarda que este E. Conselho reforme a decisão  recorrida e acolha a preliminar argüida para  reconhecer a sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo do auto de infração originário do  presente processo administrativo;  ­  que  como  se  não  bastassem  os  argumentos  trazidos  nas  preliminares  anteriores,  que  são  suficientes  para  que  este  E.  Conselho  determine  a  reforma  da  decisão  recorrida, há ainda que se mencionar que o presente processo administrativo padece de vicio de  origem (ou fundamento) que macula todo o procedimento e causa­ lhe nulidade;  ­ que isto porque, conforme se verifica pela análise do Termo de Constatação,  as  I.  Autoridades  Fiscais  desconsideraram  todos  os  contratos  firmados  pela  Recorrente,  atinentes  às  aquisições  de  títulos,  de  tal  forma  a  fundamentar  a  suposta  ocorrência  de  pagamentos sem causa na ilegitimidade dos instrumentos;  ­  que  a  desconsideração  (ou  o  fato  de  considerá­los  insuficientes)  dos  contratos  baseia­se  essencialmente  na  afirmativa  de  que  os  contratos  não  representam  a  verdade  dos  fatos  e,  por  isso,  não  dão  suporte  válido  aos  pagamentos.  Nas  palavras  da  fiscalização, os contratos são fictícios, falsos;  ­ que todavia, para que prevaleça o entendimento de falsidade material e da  insuficiência  da  prova  e,  por  conseguinte,  a  existência  de  pagamentos  sem  causa,  far­se­ia  necessário que a Fiscalização obedecesse as regras e os procedimentos acerca da matéria, sem  o que jamais poderia negar a existência de algum documento, seja ele público ou particular;  ­  que  com  efeito,  todos  os  documentos  e  lançamentos  são  essencialmente  válidos  e  verdadeiros,  até  que  se  prove  o  contrário.  Trata­se,  em  verdade,  de  presunção  de  legitimidade;  ­ que em casos tributários, apenas deixam de surtir seus regulares efeitos os  documentos  que,  após  analisados  em  processo  administrativo  próprio,  sejam  oficialmente  assim declarados, mediante decisão fundamentada, que deverá ser expressamente homologada  pelo Sr. Delegado da Receita Federal;   ­ que enquanto não houver a decisão final, expressamente homologada pelo  Delegado da Receita Federal, a falsidade do documento será apenas indício e, nesta condição,  não terá o condão de tornar juridicamente nulo, ineficaz ou insuficiente o referido documento;  Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     32 ­ que como assim não foi feito, tem­se que o auto de infração, que originou o  presente processo administrativo, é nulo por vicio de origem (ou de fundamento) e a decisão  ora  recorrida  não  poderia  ter  ratificado  o  entendimento  da  Fiscalização, motivo  pelo  qual  a  Recorrente aguarda seja dado provimento ao presente recurso, a fim de que seja reformada a  decisão  em  questão  e,  consequentemente,  decretada  a  nulidade  do  auto  de  infração  que  originou o presente processo administrativo;  ­ que conforme se extrai da decisão ora recorrida, os I. Julgadores rejeitaram  a  preliminar  de  decadência  do  direito  do  Fisco  constituir  parte  dos  créditos  tributários  de  IR/Fonte,  sob  a  assertiva  de  que  o  referido  imposto,  previsto  no  artigo  61,  §1°,  da  Lei  n°  8.981/95,  estaria  submetido  ao  lançamento  de  oficio,  razão  pela  qual  seria  aplicável,  no  seu  entender, a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I do CTN;  ­  que  com  efeito,  ao  contrário  do  entendimento  exposto  pela  Turma  Julgadora, é perfeitamente possível que a fonte pagadora realize, nos termos do artigo 61, §1°  da  Lei  n°  8.981/95,  o  "pagamento  sem  causa"  e  recolha,  de  forma  antecipada,  o  IR/Fonte  à  alíquota de 35%, conforme dispõe o artigo 150, § 4° do CTN.;  ­  que  de  fato,  qualquer  pessoa  jurídica  pode  perfeitamente  efetuar,  por  exemplo,  um  pagamento  aos  seus  sócios  ou  acionistas  sem  justificar,  contudo,  a  sua  causa.  Nessa  hipótese,  o  ordenamento  jurídico  estabelece  o  dever  de  a  fonte  pagadora  efetuar  o  recolhimento  do  IR/Fonte  à  alíquota  de  35%  (ao  contrário  do  que  ocorreria  se  efetuasse  o  pagamento,  a  título  de  pró­labore,  a  um  beneficiário  identificado,  quando,  então,  haveria  incidência do IR/Fonte de acordo com a tabela progressiva);  ­ que trata­se, na verdade, de mera opção da fonte pagadora, que pode fazer,  com amparo legal, a retenção a uma alíquota mais gravosa do IR/Fonte, caso deseje efetuar um  pagamento sem causa.   ­  que  ademais,  a  própria  Receita  Federal  do  Brasil  reconheceu,  expressamente,  a  legitimidade  de  o  contribuinte  efetuar  o  pagamento  sem  causa  e  reter  o  Imposto de Renda nessa hipótese ao expedir, com fundamento no artigo 61 da Lei n° 8.981/95  (publicada em 23/01/95), o Ato Declaratório da Coordenação­Geral do Sistema de Arrecadação  (COSAR) n° 20, de 21/07/95, o qual “dispõe sobre os códigos para recolhimento do Imposto  de Renda retido na Fonte" (documento anexo);  ­  que  de  acordo  com  o  referido  Ato  Declaratório,  o  contribuinte  poderá  utilizar o código 5217 sempre que desejar efetuar pagamentos destinados a beneficiários não  identificados (hipótese do caput do artigo 61 da Lei n° 8.981/95) ou "pagamentos efetuados ou  recursos  entregues  a  terceiros ou  sócios,  acionistas ou  titular,  contabilizados ou não, quando  não for comprovada a operação ou a sua causa" (hipótese do parágrafo 1º do artigo 61);  ­ que nem se alegue, por oportuno, que o código 5217 somente poderia  ser  utilizado para o recolhimento do IR/Fonte após a lavratura do auto de infração, pois o referido  Ato Declaratório não estabelece qualquer  restrição nesse  sentido. Assim,  tal  código pode ser  utilizado,  inclusive, na hipótese em que o próprio contribuinte apura e efetua o recolhimento  desse imposto, ou seja, efetua o lançamento por homologação;  ­ que dessa forma, não merece prosperar o entendimento da Turma Julgadora  no sentido de que o  IR/Fonte, previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, somente poderia  ser  lançado  de  oficio,  porquanto  a  própria  Administração  Tributária  reconheceu,  por  meio  do  aludido  Ato  Declaratório,  a  possibilidade  de  o  contribuinte  apurar  e  recolher  o  IR/Fonte  incidente sobre o pagamento sem causal mediante a utilização do código 5217;  Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 18          33 ­ que conforme exposto na peça impugnatória, no caso do IR/Fonte, os fatos  jurídicos  tributários  são  diários,  isto  é,  ocorrem  no  mesmo  dia  em  que  são  liquidadas  as  operações, conforme estabelece o artigo 61, § 2° da Lei no 8.981/95 ;  ­ que dessa forma, o prazo de cinco anos que dispõe o Fisco para constituir o  crédito  tributário  de  IR/Fonte,  na  hipótese  de  pagamento  sem  causa,  inicia­se  no  dia  do  pagamento efetuado;  ­ que dessa forma, diversamente da alegação exposta pela Turma Julgadora, o  IR/Fonte,  previsto  no  artigo  61,  §1°,  da  Lei  n°  8.981/95,  não  se  submete  ao  lançamento  de  oficio,  mas,  sim,  ao  lançamento  por  homologação,  razão  pela  qual  o  prazo  para  o  Fisco  constituir eventual crédito tributário deve ser regido nos termos do artigo 150, § 4° do CTN;  ­  que  assim,  considerando  que  (i)  o  IR/Fonte  é  um  tributo  sujeito  ao  lançamento por homologação;  (ii) não  ficou caracterizado o dolo nas operações realizadas (a  multa  aplicada  foi  no  percentual  de  75%);  (iii)  os  fatos  jurídicos  tributários  ocorreram  no  período compreendido entre 02/01/01 e 26/12/01 e (iv) a Recorrente somente foi cientificada  do  auto  de  infração  em  27/11/06,  conclui­se  que  transcorreu  o  prazo  de  cinco  anos  que  dispunha o Fisco para constituir os créditos  tributários  relativos  aos  fatos  jurídicos ocorridos  entre 02/01/01 e 22/11/01, nos termos do artigo 150, §4° do CTN;  ­ que ainda que prevaleça a tese sustentada pela Turma Julgadora, no sentido  de que seria aplicável, ao presente caso, o disposto no artigo 173, inciso I do CTN, é certo que,  mesmo assim, o direito de lançar a maior parte do crédito constituído teria sido fulminado pelo  instituto da decadência;  ­  que verifica­se,  ainda,  que a partir  do  ano­calendário de 1992, os  tributos  são devidos mensalmente, na medida em que os  lucros  forem auferidos  (artigo 38 da Lei n°  8.381/91)  e  que  a  regra  de  incidência  de  cada  tributo  é  que  define  a  sistemática  de  seu  lançamento,  independentemente do pagamento  tributos,  já que o  sujeito  passivo pode  apurar  prejuízo num determinado mês;  ­ que deveras, mesmo que se entenda pela aplicação do artigo 173, inciso I do  CTN, restou decaído o direito do Fisco constituir a maior parte dos créditos tributários quando  do  lançamento consumado pela  lavratura do auto de infração originário do presente processo  administrativo;  ­ que no tocante aos T­Bills, a Turma Julgadora simplesmente alegou que (i)  os  contratos  de  compra  e  venda  desses  títulos  seriam  insuficientes  para  a  comprovação  das  operações  de  aquisição  desses  títulos  e  (ii)  a  Recorrente  teria  que  comprovar,  nos  autos  do  presente  processo,  a  existência  dos  títulos  adquiridos  para  justificar  a  causa  dos  pagamentos  efetuados;  ­ que com relação aos demais  títulos  (Certificates of Deposits e Euro Short  Term Notes),  a Turma  Julgadora  também sustentou, de  forma  singela,  que a Recorrente não  teria  comprovado,  no  curso  do  presente  processo  administrativo,  a  existência  dos  aludidos  títulos;  ­ que no entanto, diversamente das alegações expostas pela Turma Julgadora,  fundamentados, basicamente, no entendimento da Fiscalização, todos os contratos de compra e  Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     34 venda  dos  títulos  acima  indicados  são  suficientes  para  justificar  a  causa  dos  pagamentos  realizados pela Recorrente. E o que se passará a demonstrar;  ­  que conforme  exposto na peça  impugnatória,  a Recorrente,  uma das mais  tradicionais empresas nacionais, detentora de marcas de alto prestigio e de grande aceitação na  área de produtos domésticos, presente no mercado há mais de trinta anos, teve o seu controle  acionário vendido, no inicio da década de 1990, ao empresário italiano Sergio Cragnotti;  ­  que  assim,  a  Recorrente  passou  a  fazer  parte  do  grupo  de  empresas  controlado por mencionado empresário, dentre  as quais o clube  italiano de futebol Lazio e a  Círio Holding S.p.A., empresa da área de alimentos;  ­ que desde então, a maneira da Recorrente ser administrada foi radicalmente  alterada,  pois,  fazendo  parte  de  um  grupo  econômico multinacional,  iniciaram­se  operações  com diversas das companhias pertencentes a esse grupo, com o  intuito de racionalização dos  recursos, de forma a serem obtidos melhores resultados e maiores ganhos financeiros;  ­  que  contudo,  era  fato  conhecido,  notório  no  mercado  financeiro  internacional, que,  em que pese a  aquisição do  controle acionário da Recorrente, o grupo do  qual ela fazia parte no estava em boas condições financeiras. Tanto isso e verdade que hoje a  Recorrente  está  envolvida  em  uma  disputa  societária  decorrente  da  falta  de  pagamento  das  ações adquiridas por esse grupo estrangeiro;  ­  que  assim,  desde  que  a Recorrente passou  a  integrar  o  grupo  empresarial  sob o controle do mencionado empresário italiano, os bancos e demais instituições financeiras  com  as  quais  a  Recorrente  estava  habituada  a  negociar,  aos  poucos,  foram  se  afastando  e  deixaram de lhe emprestar os recursos necessários para o financiamento das atividades por ela  desenvolvidas;  ­  que  em  razão  da  necessidade  premente  de  capital  de  giro,  a  Recorrente  passou  a  se  utilizar  da  operação  denominada  de  "blue  chip  swap",  usualmente  praticada  no  mercado financeiro nacional e  internacional, para que pudesse obter o capital necessário para  manter suas atividades;  ­  que  assim,  a  Recorrente  consultou  os  seus  consultores  jurídicos  e  financeiros,  para  saber  se  poderia  se  utilizar  dessas  operações,  os  quais  foram  unânimes  em  afirmar  sobre  a  licitude  e  a  necessidade  de  utilização  dessas  operações,  uma  vez  que  elas  fariam com que a Recorrente pudesse obter o necessário capital de giro de curtíssimo prazo;  ­ que dessa forma, ela conseguiu reduzir o seu endividamento com terceiros e  acabou reduzindo o seu endividamento com instituições de crédito;  ­  que  com  a  prática  dessas  operações,  a  Recorrente  trouxe  para  o  Pais  recursos financeiros, ora disponibilizados por sua controlada no exterior, ora pelos adquirentes  dos títulos, os quais foram utilizados para manter suas atividades aqui no Brasil;  ­ que, assim, para a Recorrente, a existência de um contrato de compra destes  títulos  ("T­Bills",  "Certificates  of  Deposits"  ou  "Notes",  que  estão  nos  autos),  firmado  com  uma  pessoa  jurídica  ou  física  no  Brasil  ou  no  exterior,  legalmente  habilitada,  e,  portanto,  sujeita  ás  sanções  cíveis  e  penais  de  cada  pais  no  caso  de  cometimento  de  alguma  fraude,  sempre foi, a despeito do entendimento da Turma Julgadora, suficiente para que procedesse ao  pagamento  dos  títulos  adquiridos  e  ao  registro  contábil  das  operações,  mormente  quando  a  Recorrente já tinha identificado compradores dispostos a adquirir esses títulos;  Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 19          35 ­  que  em  nenhuma  dessas  operações  houve  a  hipótese  de  pagamento  (remessa) sem causa, como entendeu a Fiscalização e  referendou a Turma Julgadora. Existiu  sempre  uma  causa  para  a  remessa  desses  valores:  (i)  ora  para  que  a  empresa  controlada  no  exterior efetivasse o pagamento dos  títulos por ela adquiridos,  (ii) ora para que a Recorrente  quitasse diretamente as  obrigações  advindas da  aquisição dos  títulos.  Isso  sempre ocorria de  modo que a Recorrente pudesse permanecer efetuando continuamente essas operações, para o  financiamento de seu capital de giro;  ­  que  portanto,  se  sempre  existiu  causa  para  as  remessas,  descabida  a  aplicação do artigo 61, § 1º, da Lei n° 8.981/95, ao caso em análise, uma vez que a Recorrente  não  só possuía  justificativa para  a  remessa  ao  exterior,  como  também necessitava  fazer  essa  remessa para que pudesse continuar obtendo financiamento ao capital de giro, com o objetivo  de  manter  as  suas  operações.  Ou  seja,  a  causa  da  operação  sempre  foi,  insista­se,  a  disponibilização de recursos da Recorrente à sua controlada ou o pagamento pela aquisição dos  títulos;  ­  que  conforme  aduzido  exaustivamente  na  pega  impugnatória,  todos  os  contratos  existentes,  que  se  encontram  aos  autos,  suportaram  as  operações  realizadas  pela  Recorrente, a despeito do entendimento exposto pela Turma Julgadora;  ­  que percebe­se,  pois,  que  a Fiscalização,  assim  como  a Turma  Julgadora,  tentam justificar a possibilidade de imputação do pagamento sem causa a Recorrente com base  em mera presunção de que os  títulos não existiam, pois não há qualquer elemento nos autos  que comprove suas alegações;  ­ que tanto é verdade que a própria SEC (a Comissão de Valores Mobiliários  nos Estados Unidos) deixa claro que, com os elementos apresentados pela Fiscalização, não há  como  tirar nenhuma conclusão,  só  é possível  tecer  comentários GENÉRICOS para  situações  HIPOTÉTICAS;  ­  que  noutras  palavras,  com  fundamento  em  orientações  genéricas  e  hipotéticas,  a  Fiscalização  e  a  Turma  Julgadora  simplesmente  ignoraram  os  documentos  apresentados pela Recorrente  (contratos, documentos contábeis, demonstrações de  trânsito de  recursos, etc.) que comprovam a causa dos pagamentos efetuados;  ­  que  verifica­se,  assim,  que  a  mera  descrição  da  SEC  acerca  de  como  é  realizada  um  operação  de  compra  e  venda  de  "T­Bills"  (mesmo  com  a  ressalva  de  que  se  tratavam de informações genéricas), foi o fundamento utilizado pela Fiscalização para lavrar o  auto de infração;  ­ que o originário do presente processo administrativo e, posteriormente, pela  DRJ  na  decisão  recorrida!  Não  houve,  contudo,  a  efetiva  produção  de  provas  contra  a  Recorrente, requisito indispensável para a validade do lançamento, nos termos do artigo 142 do  CTN!;  ­ que conforme exposto na pega impugnatória, os Certificate of Deposits são  títulos  geralmente  emitidos  ao  portador.  Assim,  todos  os  contratos  apresentados  pela  Impugnante e mencionados no Termo de Constatação são instrumentos hábeis para comprovar  a circulação dos títulos, bastando o atual possuidor do titulo solicitar a transferência do registro  para seu nome caso entenda prudente ou conveniente;  Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     36 ­  que  ainda,  a  fim  de  ratificar  a  causa  dos  pagamentos  efetuados  pela  Impugnante,  afirme­se  que  a  própria  Fiscalização  apurou  os  vendedores  dos  certificados  e  ainda os cheques nominais a ele entregues;  ­ que assim, a causa dos pagamentos foi: quitação dos títulos adquiridos das  pessoas físicas vendedoras que, inclusive, receberam cheques nominais pela venda;  ­  que  novamente,  o  trecho  utilizado  pela  DRJ  para  fundamentar  a  decisão  recorrida,  extraído  do  Termo  de  Constatação,  deixa  evidente:  (i)  o  vendedor  do  título;  (II)  montante pago e (iii) o número do ISIN;  ­ que ainda, às fls. 1989 cita a DRJ trecho que comprova o efetivo trânsito da  moeda  para  a  aquisição  dos  títulos.  Efetivamente,  restou  reconhecido  que  o  pagamento  efetuado pela Recorrente deu­se por: cheques ou transferências de disponibilidades;  ­ que portanto, claro está que a decisão recorrida não se ateve documentação  acostada  aos  autos  nem,  tampouco,  aos  trechos  extraídos  do  próprio Termo  de Constatação,  pois  se  assim  tivesse procedido, não  teria dúvidas  com  relação ocorrência das operações  e  a  causa dos pagamentos;  ­ que evidente, pelo até aqui exposto, que a fiscalização e a Turma Julgadora  utilizaram­se de recursos presuntivos para lavrar o auto de infração, em face da Recorrente e,  consequentemente, para mantê­lo em sua integralidade, o que não poderá ser validado por esse  E. Conselho de Contribuintes;  ­  que  ainda,  conforme  se  extrai  da  decisão  recorrida,  a  Turma  Julgadora  simplesmente  alegou  que  caberia  a  Recorrente  comprovar,  nos  autos  do  presente  processo  administrativo,  a  existência  dos  títulos  adquiridos  para  justificar,  então,  a  causa  dos  pagamentos efetuados;  ­  que  contudo,  ao  assim decidir  (apesar de  a Recorrente  ter  apresentado  os  diversos documentos já mencionados que fazem prova inequívoca da causa dos pagamentos),  percebe­se que a Turma Julgadora está  transferindo a  responsabilidade pela comprovação de  tais títulos à Recorrente, em nítida inversão do ônus na prova em favor da Fiscalização, o que  no pode ser admitido sob qualquer pretexto;  ­  que  com  efeito,  no  âmbito  do  procedimento  administrativo  tributário,  a  prova  há  de  ser  feita  em  toda  a  sua  extenso,  de  tal  modo  que  se  assegure  as  prerrogativas  constitucionais de que desfruta o contribuinte, de ser gravado nos exatos termos que a norma  tributária especificar;  ­ que ora, não são necessárias longas elucubrações para que se chegue â óbvia  conclusão de que a Fiscalização não possui argumentos suficientes para a comprovação de que  os títulos em questão não existiram, de modo a macular os contratos celebrados;  ­ que de fato, tantos os títulos existiam, que alguns deles foram devidamente  apresentados pela Recorrente, com a devida identificação do número CUSIP e a identificação  da  entidade  custodiante  e  do  ISIN,  foram  identificados  os  vendedores  e  as  provas  de  pagamento;  ­  que  dessa  forma,  ante  a  nítida  inversão  do  Ônus  da  prova  por  parte  da  Turma Julgadora, que não pode ser admitido em qualquer circunstância, tem se que a decisão  recorrida  não  poderá  prevalecer,  devendo  ser  integralmente  reformada  por  este  E.  Primeiro  Conselho de Contribuintes;  Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 20          37 ­  que  a  Turma  Julgadora,  ao  apreciar  questão  referente  conta  corrente  existente entre a Recorrente e a Bombril Overseas, alegou que "tudo não passa de mera falácia  pela impugnante";  ­ que como aduzido na pega impugnatória, os  títulos adquiridos no exterior  eram internalizados no Brasil por meio de contratos de compra e venda internacional de títulos  ("Purchase  Agreement"),  os  quais  eram  pagos  com  recursos  provenientes  de  uma  conta  contábil denominada "Mútuo — Bombril Overseas Inc — 15110070";  ­  que  por  meio  do  mencionado  instrumento,  sempre  que  necessário,  a  Recorrente  enviaria  recursos  para  a  sua  empresa  controlada  no  exterior,  estabelecendo­se,  portanto, uma outra relação jurídica, distinta daquela pactuada quando do recebimento;  ­ que é por  isso que a Recorrente, quando  recebia o dinheiro decorrente da  venda  dos  títulos  no  mercado  interno,  registrava  este  recurso  a  crédito  na  conta  de  mútuo  existente em seu ativo (na verdade, conta­corrente), pois esses recursos seriam utilizados para o  pagamento dos títulos por ela adquiridos;  ­  que  dessa  forma,  como  nos  contratos  de  conta­corrente  as  remessas  realizadas nas contas perdem a sua existência autônoma, não se pode afirmar que o contrato de  conta­corrente constitui um mútuo entre os contratantes. No mútuo, cada empréstimo tem a sua  individualidade patente;  ­ que assim, conforme se pode verificar pela análise da Cláusula Terceira do  Contrato  firmado pela Recorrente, nas planilhas  constantes dos  autos,  e no  razão contábil  da  conta de Mútuo  registrada pela Recorrente,  o que  existia nesse  contrato  era  exatamente  esse  aproveitamento recíproco de recursos, ora a Recorrente depositava recursos na conta­corrente,  ora a Bombril Overseas,  sendo que,  somente na  liquidação do contrato  é que  se verificará o  saldo devedor apurado, pelo que não se pode admitir o entendimento da Turma Julgadora  ­ que portanto, apesar de a Recorrente ter registrado as transações de remessa  de recursos ao exterior como se fossem mútuos, a natureza jurídica desses contratos é, insista­ se, de conta­corrente mercantil;  ­  que  além  do  exposto,  suficiente  para  o  cancelamento  da  decisão  ora  recorrida,  não  consta,  no  Termo  de  Constatação,  qualquer  afirmação  de  que  a  empresa  controlada  da  Recorrente,  Bombril  Overseas,  seria  uma  empresa  off­shore,  que  não  teria,  portanto, existência operacional, como alegou, inadvertidamente, a Turma Julgadora;  ­  que  ora,  se  a  Fiscalização,  em  nenhum  momento,  alegou  tais  fatos,  não  poderia  a Turma  Julgadora,  por óbvio,  fazê­lo,  sob pena de aperfeiçoar o  lançamento,  o que  não pode ser admitido em qualquer hipótese;  ­ que com efeito, questões estranhas, que não foram abordadas no lançamento  e  discutidas  no  curso  do  processo  administrativo,  não  podem  ser  aventadas  pela  Turma  Julgadora  por  ocasião  do  julgamento,  sob  pena  de  indevida  intromissão  da  competência  outorgada à autoridade lançadora e nítido cerceamento de defesa;  ­ que dessa forma, deve a autoridade julgadora solucionar a lide com base nos  argumentos  que  lhe  foram  submetidos  pelas  partes,  sendo­lhe  vedado  apresentar  novos  fundamentos para justificar a providencia adotada pelo agente enunciador do lançamento;  Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     38 ­ que claro está, portanto, que a Turma Julgadora jamais poderia aperfeiçoar  o lançamento fiscal, apresentando, para tanto, argumentos distintos daqueles já invocados pela  fiscalização, por não ser competente para tanto;  ­ que não poderia a Turma Julgadora alegar, sem qualquer comprovação, que  a  empresa  controlada  da  Recorrente,  Bombril  Overseas,  não  teria  existência  operacional  e  muito menos alegar que as alegações expostas pela Recorrente seriam falaciosas;  ­  que  ante  o  exposto,  é  imperioso  que  este  E.  Conselho  de  Contribuintes  reconheça a nulidade da decisão ora recorrida, em razão da incompetência da Turma Julgadora  para inovar o lançamento, como ocorreu na decisão ora recorrida;  ­  que  no  presente  caso,  a  Turma  Julgadora  não  poderia  ter  afirmado  que  a  empresa  controlada  da  Recorrente  não  teria  existência  operacional,  tendo  em  vista  que  tal  alegação não consta no "Termo de Constatação", como demonstrado alhures;  ­ que além de ser incompetente para inovar o lançamento, a Turma Julgadora  não  comprovou  tal  situação  e  afirmou,  ainda,  que  "tudo  não  passa  de  mera  falácia  pela  impugnante", o que afronta, flagrantemente, o principio da impessoalidade;  ­  que  é  evidente  que  essa  absurda  alegação,  desprovida  de  qualquer  prova,  não pode ser  admitida no processo administrativo  tributário, onde deverão ser  respeitados os  padrões éticos de probidade, decoro e boa­fé, nos termos do artigo 2° da Lei n° 9.784/99;  ­  que  ante  o  exposto,  não  pode  prosperar,  em  respeito  ao  princípio  da  impessoalidade,  a  afirmação  da  Turma  Julgadora  no  sentido  de  que  o  contrato  de  conta­ corrente  mercantil  seria  uma  falácia,  devendo  esse  E.  Conselho  de  Contribuintes  reformar,  também por esse motivo, a decisão ora recorrida;  ­  que  não merece  também  guarida  a  alegação  da  Turma  Julgadora  de  que  inexiste o  registro dos  contratos de mútuo no BACEN. Ora,  o Banco Central  do Brasil,  que  detém a competência para fiscalizar a regularidade das contratações das operações de câmbio  realizadas  no  Brasil  e  as  remessas  de  recursos  ao  exterior,  não  questionou,  em  nenhum  momento,  a  lisura  das  operações  praticadas  pela  Recorrente,  justamente  porque  todos  os  registros  necessários  para  internalizar  os  títulos  no  Brasil  e  remeter  os  recursos  das  vendas  desses títulos ao exterior foram efetivados;  ­ que assim, por ser  incompetente para analisar  tais aspectos, não poderia a  Turma  Julgadora  questionar  a  regularidade  dos  registros  dos  contratos  de  mútuo  (conta­ corrente mercantil) para concluir que teria havido pagamento sem causa;  ­  que  ante  o  exposto,  não  poderia  a  Turma  Julgadora  alegar  que  houve  remessa  sem  causa  dos  recursos  da  Recorrente  para  a  sua  controlada,  sediada  no  exterior,  porquanto em nenhum momento o Banco Central do Brasil questionou a regularidade dessas  remessas, motivo pelo qual não pode a Secretaria da Receita Federal do Brasil fazê­lo;  ­ que conforme restou demonstrado na pega impugnatória, ao lavrar o auto de  infração originário do presente processo administrativo, a Fiscalização foi incoerente, pois não  foram desconsiderados os contratos de venda dos títulos no mercado interno, mas tão somente  as saídas de dinheiro como pagamento sem causa;  ­  que  ao  apreciar  tal  questão,  a Turma  Julgadora  no  se manifestou  sobre  o  tema. Simplesmente alegou, de forma singela, que "para efeito do art. 61, § 1°, da Lei 8.981/95  Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 21          39 são  objeto  de  análise  os  pagamentos  efetuados  pela  autuada  (saídas  de  recursos),  e  não  as  operações de vendas (ingresso de recursos) 1975.  ­ que assim, como a Turma Julgadora não se pronunciou expressamente sobre  o  tema,  faz­se  necessário  reiterá­lo  neste  recurso,  a  fim  de  demonstrar  a  incoerência  da  autuação fiscal. E o que se passará a demonstrar;  ­  que  ademais,  conforme  também exposto  na pega  impugnatória,  não  ficou  evidenciado, durante o procedimento fiscaliza tório, que a Fiscalização teria procedido a todas  as diligências para apurar o ocorrido nas empresas que adquiriram os  títulos, bem como para  que se verificasse o que eles teriam a dizer acerca do assunto, apesar da Turma Julgadora ter  entendido que a Fiscalização atuou "de forma diligente (fls. 1974);  ­ que noutras palavras, a Fiscalização não se valeu de todos os elementos de  prova para a verificação dos fatos narrados pela Recorrente,  infringindo, destarte, o princípio  da verdade material, que deve nortear o processo administrativo tributário;  ­ que caberia, portanto, à Fiscalização analisar todos os fatos informados para  fins  de  verificação  do  cumprimento  da  obrigação  tributária  pela Recorrente  e,  não  somente,  como efetivamente ocorreu, proceder ao lançamento com base em presunções;  ­  que  dessa  forma,  a  incoerência  dos  atos  fiscalizatórios  na  apuração  do  tributo supostamente devido pela Recorrente e a falta da busca da verdade material acarretam a  invalidade  do  lançamento,  originário  do  presente  processo  administrativo,  devendo  este  E.  Conselho, também por esse aspecto, reformar a decisão recorrida;  ­ que conforme exposto no item 5, se a Recorrente realmente negociou títulos  "inexistentes", tal como entendeu a Fiscalização e referendou a Turma Julgadora, os depósitos  decorrentes das vendas dos títulos para as empresas brasileiras não possuiria, por decorrência  lógica,  origem  comprovada,  justificando­se,  portanto,  a  aplicação  do  artigo  42  da  Lei  n°  9.430/96;  ­ que por esta  razão,  jamais poderia a  fiscalização autuar a Recorrente  com  base no artigo 61 da Lei 8.981/95. Isso porque, para que se configure a hipótese de pagamento  sem causa, é necessário que a pessoa jurídica, dentre outras hipóteses inaplicáveis ao presente  caso, efetue pagamento a beneficiário não identificado ou efetue/entregue recursos a terceiros,  sócios acionistas ou titular sem que haja redução do lucro liquido da pessoa jurídica;  ­ que assim, o Fisco não pode pretender conceituar a Bombril Overseas  Inc  como  sendo  sócia,  acionista  ou  titular  da Recorrente,  tampouco  terceiro,  como  demonstrado  alhures, sob pena de afrontar o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional;  ­  que  ora,  se  a  empresa  controlada  da  Recorrente  no  exterior  não  é  sócia,  acionista, titular e muito menos um terceiro, jamais se poderia fundamentar o lançamento em  questão  com  fulcro  no  parágrafo  1º  do  artigo  61  da  Lei  n°  8.981/95,  por  absoluta  falta  de  conformidade  entre  o  conceito  de  fato  é  hipótese  de  incidência  dessa  norma  de  caráter  sancionatório;  ­ que no presente caso, essa efetiva coincidência entre a hipótese normativa e  o  fato  ocorrido  não  existe,  de modo  que  a  obrigação  tributária  constituída  pelo  lançamento  Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     40 efetuado deve ser desconstituída pelos  I. Conselheiros,  sob pena de violação ao principio da  tipicidade cerrada;  ­ que além de todos os argumentos aduzidos até o momento, suficientes para  a  reforma  da  decisão  recorrida,  a  Recorrente  demonstrou,  na  sua  pega  impugnatória,  a  impossibilidade  da  incidência  do  IR/Fonte  no  presente  caso,  em  virtude  da  natureza  sancionatória da norma veiculada pelo artigo 61, §1°, da Lei n° 8.981/95;  ­  que  ao  apreciar  tal  questão,  a Turma  Julgadora  não  acolheu  tal  alegação,  conforme se extrai da decisão ora recorrida;  ­  que  com  efeito,  a  norma  extraída  do  enunciado  prescritivo  veiculado  no  artigo 61, §1º, da Lei no 8.981/95, tem por hipótese de incidência a prática de um fato ilícito,  qual  seja,  efetuar  pagamentos  ou  entregar  recursos  ás  pessoas  nela  indicadas  quando  não  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa,  o  que,  insista­se,  não  ocorreu  no  caso  em  questão,  conforme demonstrado anteriormente;  ­  que  da  análise  do  enunciado  prescritivo  supra  transcrito,  extrai­se  que  a  aplicabilidade  dessa  norma  tem  por  premissa  o  descumprimento  do  dever  de  comprovar  a  operação ou a causa do pagamento, sempre que o contribuinte pretender remete­lo às pessoas  indicadas nesse enunciado;  ­ que por se tratar de um descumprimento de um dever legal (quando não for  identificado o beneficiário ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa), conclui­ se logicamente que a hipótese de incidência dessa norma prevê, evidentemente, a ocorrência de  um  fato  ilícito,  que  se  verificado  no mundo  fenomênico,  dará  ensejo  a  instauração  de  uma  relação  jurídica de  índole  sancionatória,  na qual o  sujeito  infrator  terá que  entregar ao Fisco  uma quantia pecuniária a titulo de sanção;  ­ que assim, não subsiste qualquer dúvida quanto à natureza sancionatória da  norma prevista no artigo 61, § 1º, da Lei no 8.981/95, diferentemente do que foi alegado pela  Turma Julgadora;  ­  que  restou,  destarte,  nitidamente  demonstrado  que,  além  de  não  ter  sido  comprovada  a  suposta  infração  cometida  pela  Recorrente,  a  validade  do  lançamento,  que  originou o presente processo administrativo, está comprometida, pois o  IR/Fonte, previsto no  artigo 61, § 1°, da Lei n° 8.981/95  tem nítida natureza sancionatória, não podendo, portanto,  ser exigido, sob pena de afronta ao artigo 3° do CTN;  ­  que  assim,  a Recorrente  aguarda  que,  caso  esse E. Conselho  entenda que  ocorreram  pagamentos  sem  causa,  o  que  se  alega  a  título  de  argumentação,  deve  ser  reconhecido o caráter sancionatório da norma veiculada pelo artigo 61, §1° da Lei n° 8.981/95,  determinando,  também  por  esse  motivo,  a  reforma  integral  da  decisão  recorrida  e  o  cancelamento do auto de infração em obediência ao disposto no artigo 3° do CTN;  ­  que  depreende­se  também,  da  análise  da  decisão  recorrida,  que  a  Turma  Julgadora  deixou  de  apreciar  os  argumentos  expostos  pela  Recorrente  no  que  concerne  ao  reajustamento da base de cálculo para fins de apuração do IR/Fonte, previsto no artigo 61, §3°  da Lei n° 8.981/95, sob o argumento de ser incompetente para apreciar a inconstitucionalidade  da norma;  ­  que  com  efeito,  não  espera  a  Recorrente  que  este  E.  Conselho  de  Contribuintes  declare  a  inconstitucionalidade  de  qualquer  dispositivo  legal,  posto  que  tal  função é precípua do Poder Judiciário, como bem observou a Turma Julgadora;  Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 22          41 ­  que o  se  requer  aos  Ilustres Conselheiros  é  que determine  a  aplicação  de  princípios  constitucionais,  sobretudo  quando  se  analisa  os  nefastos  efeitos  decorrentes  do  reajuste da base de cálculo para fins de apuração do IR/Fonte;  ­ que conforme informado na pega impugnatória, a base de cálculo utilizada  pela Fiscalização para apurar o suposto montante devido pela Recorrente sofreu a aplicação do  chamado reajustamento, previsto no artigo 61, § 3°, da Lei n.º 8.981/95;  ­ que enfim, de acordo com o principio da razoabilidade, o Estado não pode  impor obrigações,  vedações ou  sanções  aos  administrados  em medida  superior  ao necessário  para  atender o  interesse  público,  segundo  critério  de  razoável  adequação  dos meios  aos  fins  constitucionalmente estabelecidos;  ­  que  por  conseguinte,  nota­se  que  a  vultosa  quantia  exigida  a  titulo  de  IR/Fonte  e  a multa  imposta nesse  caso  (a  alíquota de 75%)  importam em nítida violação ao  conceito  de  tributo,  aos  princípios  da  razoabilidade,  proporcionalidade,  além  de  possuírem  nítido  caráter  confiscatório,  razão  pela  qual  a  Recorrente  aguarda  que  este  E.  Conselho  de  Contribuintes reforme a decisão recorrida, aplicando os princípios constitucionais mencionados  e, consequentemente, afaste o reajustamento da base de cálculo, caso os pagamentos efetuados  pela Recorrente sejam considerados como sem causa, o que se alega a titulo de argumentação;  ­ que apesar da comprovação da boa­fé da Recorrente, e da aplicação ao caso  da multa no percentual de 75% (que indica a inexistência do dolo ou fraude) a Turma Julgadora  alegou,  na  decisão  recorrida,  que  "tudo  não  passa  de mera  falácia  pela  Impugnante". —  fls.  1975;  ­  que  para  justificar  esse  lastimável  comentário,  a  Turma  Julgadora  simplesmente  alegou  que  "a  empresa  tem  um  histórico  imenso  e  reiterado  de  condutas  de  pagamento sem causa";  ­  que,  assim,  a  declaração  de  vontade  consubstanciada  nos  contratos  de  mútuo, não havendo forma especial legalmente prevista, e sendo os agentes capazes e licito o  objeto, é documento hábil para comprovar o fato, o que faz prova em favor da Recorrente;  ­ que não procede também a alegação da Turma Julgadora quanto aplicação  da taxa SELIC como juros de mora;  ­  que  com  efeito,  a  Taxa  Selic  foi  criada  pela  Resolução  no  1.124/96  do  Conselho  Monetário  Nacional  e  definida  pela  Resolução  no  2.868/99  e  pela  Circular  no  2.900/99 do Banco Central do Brasil  (BACEN), nos seguintes  termos: “Define­se Taxa Selic  como  taxa  média  ajustada  dos  financiamentos  diários  apurados  no  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia (SELIC) para títulos federais.  Em  24  de  março  de  2010,  a  Fazenda  Nacional,  por  intermédio  do  seu  representante  legal  apresenta,  tempestivamente,  com  fundamento  no  §  2º  do  art.  48  do  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF nº 256, de 22 de junho de 2009, as suas Contrarrazões ao Recurso Voluntário interposto,  com base, em síntese, nas seguintes considerações:  ­ que a recorrente não logrou comprovar a existência dos títulos americanos  (em  sua  maioria  T­bills)  supostamente  objeto  dos  contratos  de  mútuo  e  compra  e  venda  Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     42 apontados em sua contabilidade (a listagem completa dos contratos se encontra às fls. 1515 a  1519 ­ Volume VIII);  ­ que afirma a recorrente que no decorrer do ano calendário de 2001, adquiriu  TBills junto a Bombril Overseas S.A e ao Sr. Ignácio Rospide Leon; entretanto, não foi capaz  de comprovar quer a existência desses títulos, quer a sua titularidade/propriedade, apesar de lhe  competir o ônus probandi;  ­  que  vale  frisar  que  a  recorrente,  ao  negociar  com  T­Bills,  cuja  natureza,  como se  sabe, é de  títulos públicos escriturais, poderia  ter comprovado a  sua existência e/ou  propriedade de qualquer uma das seguintes formas: (a) mediante a obtenção, junto ao Tesouro  Americano,  de documento  que  indicasse  a  titularidade da  cártula;  (b)  indicação  do  nome da  entidade  custo  diante  do  titulo;  (c)  indicação  do  contrato  de  custódia;  (d)  na  ausência  das  provas antes mencionadas, indicação do documento de cessão particular do titulo. 0 recorrente  não fez uso de qualquer desses meios a fim de comprovar que os T­Bills existiam e que eram  de sua propriedade;  ­ que nesse, ponto, é de se destacar que a indicação da entidade que possui a  custódia  dos  títulos  escriturais  negociados  configura­se  como  prova  mínima  de  existência  desses títulos; assim, não se concebe a ocorrência de operações com títulos escriturais em que o  negociante, ao adquirir o titulo, não saiba, e nem sequer procure saber, quem é a entidade que  mantém a sua custódia;  ­ que enfim, não há, nos autos, qualquer elemento, por mínimo que seja, que  comprove  a  existência  dos  T­Bills  supostamente  objeto  dos  contratos  registrados  na  contabilidade  da  recorrente. Aliás,  não  há  nos  autos  cópia  dos  já mencionados  contratos  de  mútuo e de compra e venda;  ­  que  o  fato  de  os  contratos  de  mútuo  e  de  compra  e  venda  estarem  registrados nos livros contábeis da empresa não serve, por si só, de prova da sua existência. E  isso por que, como se sabe, a escrituração contábil apenas faz prova em favor do contribuinte  se  os  lançamentos  nela  contidos  estiverem  amparados  em  documentação  hábil  e  idônea,  tal  como se infere do art. 923 do RIR/99, o que não ocorreu no caso dos autos;  ­  que  é  oportuno  ressaltar  que  o  registro  de  operações  no Banco Central  é  meramente declaratório. Este é o teor dos próprios esclarecimentos e manuais do Bacen sobre o  tema . Isso significa que o BACEN realiza primeiramente um controle meramente quantitativo  e para fins estatísticos;  ­ que assim, a verificação da higidez e da licitude das operações declaradas,  sob as penas da lei, ao Banco Central não faz parte da rotina dos bancos. Isso apenas reforça o  caráter declaratório destes registros prévios;  ­  que  ademais,  ao  "aprovar",  ou melhor  dizendo,  ao  permitir  o  registro  de  operações de recebimento ou remessa de recursos do/para o Exterior, o Bacen de forma alguma  pôde ter uma visão ampla ou macro da situação e detectar que houve, em verdade, indícios de  pagamento sem causa;  ­  que  assim,  não  havendo,  repita­se,  qualquer  elemento  probatório  que  indique a existência dos títulos da divida pública americana, pode­se concluir: os contratos de  mútuo  e  de  compra  e  venda  antes mencionados  são  inexistentes,  não  havendo,  nesse  passo,  causa para as remessas de valores ao exterior efetuados pela recorrente no decorrer do ano de  1999. Aplica­se, portanto, o art. 61 da Lei 8.981/05;  Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 23          43 ­ que em algumas passagens do seu Recurso Voluntário  (fls. 2045 e segs.  ­ Volume XI),  a  recorrente  afirma  que,  embora  tenha  registrado  as  transações  de  remessa  de  recursos ao exterior como mútuo, a natureza destas operações seria de conta corrente;  ­  que  primeiramente,  é  de  se  afirmar  que  são  inexistentes  os  negócios  jurídicos  alegadamente  efetuados  pelo  recorrente  qualquer  que  tenha  sido  a  sua  natureza  jurídica: não importa se foram mútuos ou contratos de conta corrente, posto que, não havendo  objeto, inexiste o negócio jurídico;  ­ que entretanto, não há como deixar de referir que, na fase de fiscalização, a  recorrente, em momento algum, afirmou que as remessas para o exterior derivavam de contrato  de conta corrente mercantil; apenas o fez em seu Recurso Voluntário. As remessas de recursos  sempre foram justificadas pela recorrente como sendo decorrentes de contratos de mútuo e de  compra e venda;  ­ que nesse passo, tratando­se de contratos de mútuos, caberia ao contribuinte  demonstrar  ter  procedido  aos  competentes  registros  no  BACEN,  conforme  determina  a  Lei  4.131, de 3 de setembro de 1962, bem como a Resolução n. 2.337, de 28.11.1996;  ­ que como bem observou a Fiscalização, qualquer titulo de renda emitido por  um  banco  deve  possuir,  necessariamente,  suas  características  essenciais  de  controle  e  segurança, tais como: as datas de emissão e de seu vencimento; o valor de face ou de resgate; a  fixação da periodicidade e das taxas de juros; a completa identificação do banco ou financeira  emitente;  o  nome  do  seu  titular,  salvo  se  ao  portador;  se  escritural,  a  identificação  da  custo  diante ou depositária;  ­ que ocorre que não há comprovação nos autos de que os vendedores de tais  títulos,  nomeados  acima,  tivessem  a  posse  ou  a  propriedade  dos  referidos  títulos,  nem  há  indicação da financeira emitente ou custo diante de tais títulos;  ­ que da mesma forma, conforme esclarecimento às folhas 1526 do Termo de  Constatação,  embora  intimada  para  tanto,  a  Contribuinte  Recorrente  não  logrou  êxito  em  apresentar qualquer documentação probante da existência física de tais Notas ou títulos;  ­ que não há, da mesma forma, comprovação da transferência de titularidade  e  propriedade  junto  ao  estabelecimento  depositário  ou  custo  diante,  razões  pelas  quais  as  liquidações dessas operações constituem nitidamente pagamento sem causa;  ­ que defende a Contribuinte Recorrente (fls. 2057 e segs.) que, se realmente  os  títulos  eram  inexistentes,  tal  como  entendeu  a  Fiscalização,  os  depósitos  decorrentes  das  vendas dos títulos para as empresas brasileiras não possuiriam, por decorrência lógica, origem  comprovada, justificando­se a aplicação do art. 42 da Lei 9.430/96;  ­  que  ainda  segundo  a  Recorrente,  para  que  se  configure  a  hipótese  de  pagamento sem causa, incidindo o art. 61 da Lei 8.981/95, é necessário que a pessoa jurídica,  dentre  outras  hipóteses,  efetue  pagamento  ou  entregue  recursos  a  terceiros,  sócios  ou  titular  sem que haja redução do lucro liquido da pessoa jurídica;  ­ que da análise da cadeia de fatos que culminou na remessa, pela recorrente,  de  vultosa  soma  de  recursos  ao  exterior,  resta  patente  a  ocorrência  da  simulação.  Como  demonstrado, a recorrente simulou a realização de contratos de mútuo e de compra e venda de  Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     44 títulos  da  divida  pública  argentina  e  americana  com  o  exclusivo  intuito  de  justificar  os  lançamentos  feitos  em sua  contabilidade  e possibilitar  o  envio de  recursos  ao  exterior  sem a  incidência da exação prevista em lei;  ­  que  repita­se,  por  oportuno,  que  os  títulos  apontados  como  objeto  dos  negócios  jurídicos antes  referidos eram falsos, sendo falsa, portanto, a causa dos pagamentos  efetuados pela recorrente ao exterior. Toda a operação de mútuo e compra e venda de títulos  foi fraudulenta, simulada com o objetivo de transferir recursos para o exterior sem pagamento  de tributo;  ­ que em sua defesa, alega a recorrente que, admitindo­se que eram falsos os  títulos externos, a mesma  teria sido vitima, e não autora dos negócios  jurídicos fraudulentos.  Sustenta, portanto, que participou dos negócios jurídicos, mas não sabia da sua falsidade, razão  pela qual não pode ser responsabilizada pela simulação, ante a ausência de dolo;  ­  que  ora,  como  se  sabe,  a  caracterização  do  dolo  do  agente  praticante  de  ilícitos  (tanto  administrativos,  quanto  penais)  é  tarefa  árdua  ao  interprete  ou  ao  julgador,  justamente  face  ã  dificuldade  de  se  demonstrar,  objetivamente,  os  seus  elementos. Afinal,  a  intenção  e  a  vontade  interna  do  agente  são  terrenos  de  difícil,  ou  mesmo  impossível,  penetração;  ­  que  é  de  se  ressaltar  que  a  conduta  fraudulenta,  conforme  já  dissemos  acima,  foi  realizada  de  forma  reiterada,  na  medida  em  que  se  estendeu  por  diversos  anos­ calendários;  ­  que  segundo  a  recorrente,  o  prazo  decadencial  para  o  Fisco  constituir  os  créditos  tributários em foco seria aquele previsto no art. 150, parágrafo 4º, sendo o  inicio do  seu  curso  na  data  da  ocorrência  do  fato  gerador,  por  ser  o  IR­fonte  tributo  sujeito  ao  lançamento por homologação;  ­ que ocorre que, conforme restou plenamente demonstrado no item anterior,  o recorrente agiu em fraude ao Fisco, ao criar operações simuladas a fim de evitar a incidência  de  Imposto  de  Renda  sobre  as  remessas  de  valores  que  efetuou  ao  exterior.  Sendo  assim,  incide, na espécie, o art. 173, I do CTN, por força do que determina o art. 150, parágrafo 4° , in  fine, do CTN;  ­ que o prazo de 5 anos, portanto, para o Fisco constituir o crédito tributário  tem início, de acordo com o art. 173, I do CTN, no exercício seguinte àquele em que poderia  ter sido efetuado o lançamento. In casu, tendo os fatos geradores ocorridos em 2001, a partir de  1  0  de  janeiro  de  2002  poderia  o  Fisco  ter  realizado  os  lançamentos;  o  prazo,  portanto,  esgotava­se em 31 de dezembro de 2007;  ­ que como o lançamento em foco foi realizado em 27 de novembro de 2006,  não  se  consumou  a  decadência  do  direito  da  Fazenda  Nacional  de  constituir  os  créditos  tributários em foco;  ­  que  no  caso  dos  autos,  a  simulação,  como  visto,  ocorreu  para  todas  as  operações  apontadas  (títulos  externos),  razão  pela  qual  deve  incidir  a  regra  de  contagem  do  prazo decadencial prevista no art. 173, I do CTN;  ­  que  não  merecem  prosperar  as  alegações  da  Contribuinte  Recorrente  no  sentido de que o lançamento deveria ter sido efetuado apenas contra os sócios participantes das  decisões  relativas  às  operações  fraudulentas,  e  não  contra  si,  sob  a  alegação  de  que  estes  possuem responsabilidade pessoal e exclusiva pela satisfação do crédito tributário;  Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 24          45 ­  que  com  efeito,  o  pagamento  do  crédito  tributário  pode  competir  os  seguintes sujeitos: àquele que pratica o fato gerador do tributo (contribuinte); àquele que a lei  aponta  como  responsável  pelo  seu  recolhimento  (por  exemplo,  a  fonte  pagadora);  aos  responsáveis  pela  satisfação  do  credito,  que  perfaçam  as  situações  fáticas  descritas  nos  arts.  134 e 135 do CTN;  ­ que nos dois primeiros casos, os sujeitos passivos devem, obrigatoriamente,  constar do Auto de Infração, uma vez que é durante o procedimento administrativo fiscal que  se investiga quem praticou o fato gerador, assim como se estabelece quem, por força de lei, é  responsável pelo pagamento do tributo, como ocorre no caso da responsabilidade da fonte pela  retenção e pelo recolhimento do tributo;  ­  que  assim,  vê­se  que  a  posterior  responsabilização,  em  sede  de  execução  fiscal,  dos  sócios  gerentes  pela  satisfação  do  crédito  tributário  não  depende  do  fato  de  o  lançamento  tributário  ter  sido  realizado  em  nome  destes;  além  disso,  constando,  ou  não,  o  nome dos sócios na Certidão de Divida Ativa­ CDA que servirá de titulo para o ajuizamento da  execução fiscal, esta poderá ser redirecionada contra os mesmos, desde que a Procuradoria da  Fazenda Nacional  logre  comprovar  o  atendimento  dos  requisitos  previstos  nos  artigos  134  e  135 do CTN.  É o Relatório.  Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     46 Voto             Conselheiro Nelson Mallmann, Relator  O  presente  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  e  deve,  portanto,  ser  conhecido por esta Turma de Julgamento.  Da  análise  da  matéria  contida  nos  autos,  verifica­se  que  a  autoridade  lançadora  entendeu  haver  falta  de  recolhimento  de  Imposto  de  Renda  na  Fonte  sobre  pagamentos  sem  causa  ou  de  operação  não  comprovada.  Ou  seja,  em  razão  da  recorrente,  regularmente  intimada,  não  ter  conseguido  comprovar  a  operação  ou  causa  dos  pagamentos  realizados aplicou­se a Lei nº 8.981, de 1995, atualizada pela Lei nº 9.065, de 1995, em seu  artigo 61, § 1º, que prevê a incidência na fonte à alíquota de 35% com base reajustada a todos  os  pagamentos  efetuados  ou  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular,  contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.   Agora  em  virtude  de  não  ter  logrando  êxito  na  instância  inicial,  a  contribuinte  apresenta  a  sua  peça  recursal  a  este  E.  Conselho  de Contribuintes  pleiteando  a  reforma  da  decisão  prolatada  na  Primeira  Instância  onde,  argúi  uma  série  de  preliminares  (decadência,  ilegitimidade  passiva,  nulidade  do  lançamento,  etc.),  bem  como  solicita  perícia/diligência e a improcedência da autuação.  1 – Da decadência  A  Recorrente  requer  seja  reconhecida  a  decadência  do  direito  do  Fisco  constituir os créditos tributários de IR/Fonte referentes aos fatos jurídicos ocorridos no período  compreendido entre os dias 02/01/2001 e 26/11/2001, tendo em vista que já havia transcorrido  o lapso temporal de cinco anos, contados da ocorrência dos fatos jurídicos tributários, quando a  Recorrente  foi  cientificada  da  lavratura  do  auto  de  infração  (27/11/2006).  Afirma  que  este  Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais  já se posicionou reiteradas vezes no sentido  de que o prazo decadencial para o Fisco constituir eventual crédito tributário de IR/Fonte deve  ser contado a partir do dia seguinte ao da ocorrência do "fato gerador".  Alega que, diversamente do  entendimento  exposto pela Turma Julgadora,  a  falta de pagamento prévio do IR­Fonte não tem o condão de transferir o dies a que do prazo  decadencial  previsto  no  artigo  150,  §  4°  do  Código  Tributário  Nacional  para  o  artigo  173,  inciso I do mesmo diploma, pois o que se homologa não é o pagamento mas sim a atividade  exercida pelo contribuinte, conforme já se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais.  Acrescenta que,  ainda que fosse aplicável a  regra prevista no artigo 173,  inciso  I do Código  Tributário  Nacional,  o  que  se  alega  a  título  meramente  argumentativo,  teria  ocorrido  a  decadência  dos  fatos  jurídicos  ocorridos  até  26/11/2006.  Isto  porque,  como  o  IR­Fonte  é  apurado diariamente, o "exercício seguinte" não será o ano seguinte ao da ocorrência do fato  gerador, como entendeu a Turma Julgadora, mas sim o dia imediatamente posterior aquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado  e,  por  conseqüência,  o  segundo  dia  posterior  à  ocorrência do evento "pagamento sem causa".  Por fim, considerando que a própria fiscalização reconheceu a inexistência de  qualquer  prática  simulada  nas  operações  que  envolviam  os  T­Bills  e  os  B.E.  Bonds,  não  se  aplica,  a  essas  operações,  a  regra  decadencial  do  artigo  173,  inciso  I  do  Código  Tributário  Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 25          47 Nacional, mas sim a do artigo 150, § 4° do mesmo diploma. Assim, em razão da inexistência  de simulação nas operações que envolviam os títulos em apreço, a Recorrente aguarda, também  por  esse motivo,  o  reconhecimento  da  decadência  do  direito  do  Fisco  constituir  os  créditos  tributários de IR­Fonte nos períodos compreendidos entre 02/01/2001 e 26/11/2006.  Rejeito, de plano, a alegação no sentido de que o primeiro dia do exercício  seguinte seria o segundo dia após a ocorrência do fato gerador. Isso porque o "exercício" a que  se  refere  o  art.  173  inciso  I  do  Código  Tributário  Nacional  é  o  "exercício  financeiro",  que  corresponde  ao  ano  civil,  conforme  tratado  em  vários  outros  dispositivos  naquele Código,  a  exemplo do art. 9°, inciso II, verbis:  É  vedado  à  União,  aos  Estados,  ao  Distrito  Federal  e  aos  Municípios [...] – cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda  com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a  que corresponda [...], e do art. 104, caput "Entram em vigor no  primeiro dia do exercício  seguinte àquele em que ocorra a  sua  publicação os dispositivos de  lei,  referentes a  impostos  sobre o  patrimônio ou a renda.  Inicialmente se faz necessário observar a natureza do lançamento em relação  ao imposto de renda na fonte, previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, que dispõe:  Art.  61.  Fica  sujeito  à  incidência  do  imposto  de  renda  exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota  de  35%  todo  pagamento  efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado,  ressalvado o disposto em normas especiais.  §  1°.  A  incidência  prevista  no  caput  aplica­se,  também,  aos  pagamentos efetuados ou aos  recursos entregues a terceiros ou  sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não  for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa,  bem  como  à  hipótese  de  que  trata  o  §  2°,  do  artigo  74  da  Lei  n°8.383,  de  1991.  § 2°. Considera­se vencido o  imposto de  renda na  fonte no dia  do pagamento da referida importância.  No  caso  de  pagamento  efetuado  a  beneficiário  não  identificado,  ou  de  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular,  quando não  for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa,  o  contribuinte,  pela  legislação  vigente,  não  presta  qualquer  informação prévia à fiscalização para que esta calcule o montante do tributo devido e efetue o  lançamento.  Cabe  ao  sujeito  passivo,  independente  de  qualquer  procedimento  prévio,  identificar a ocorrência do fato gerador; determinar a matéria tributável e calcular o montante  do  tributo  devido,  com  obrigação  de  realizar  o  respectivo  pagamento.  Assim,  a  hipótese  prevista  no  artigo  61  da  Lei  n°  8.981,  de  1995,  enquadra­se  nos  casos  de  lançamento  por  homologação, devendo a decadência ser contada, a princípio, a partir da data de cada um dos  respectivos  fatos  geradores,  isto  é,  a  partir  de  cada  um  dos  dias  que  os  pagamentos  foram  realizados.  Em  síntese,  considerando  que  o  imposto  de  renda  encontra­se  entre  os  tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever apurar o montante devido e antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  dito  tributo,  como  já  referido  anteriormente, amolda­se à sistemática de lançamento por homologação, onde a contagem do  Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     48 prazo decadencial, salvo os casos de falta de pagamento antecipado, dolo, fraude e simulação,  que devem ser reconhecidos no ato da lavratura do auto de infração, encontra respaldo no § 4°  do artigo 150, do Código Tributário Nacional, hipótese na qual os cinco anos têm como termo  inicial a data da ocorrência do fato gerador.  Não há dúvidas de que quando se fala em decadência do direito de a Fazenda  Pública constituir o crédito tributário, é preciso admitir, antes de mais nada, que se está diante  de uma das mais polêmicas questões embutidas em nosso direito tributário.  Entretanto, entendo, que nos dias atuais, no que diz respeito à discussão sobre  o  termo inicial da contagem do prazo decadencial,  tornou­se pacifica,  já que em 21/12/2010,  houve  a  edição  da  Portaria  MF  nº.  586,  que  alterou  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho  de 2009.   Dispõe o art.62 do RICARF:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou   II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543­B.  § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo  relator ou por provocação das partes.  Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  devem  se  adaptar,  nos  casos  de  Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 26          49 decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B  e 543­C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados.  A contagem do prazo decadencial é um destes temas.  A  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  decidiu,  por  ocasião  do  julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/0176994­0), que a contagem do prazo  decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir  o  rito  do  julgamento  do  recurso  especial  representativo  de  controvérsia,  cuja  ementa  é  a  seguinte:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     50 Documento: 6162167 ­ EMENTA / ACÓRDÃO ­ Site certificado  ­ DJe:  18/09/2009 Página  1  de  2  Superior Tribunal  de  Justiça  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Nos  julgados  posteriores,  sobre  o  mesmo  assunto  (contagem  do  prazo  decadencial),  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  aplicou  a  mesma  decisão  acima  transcrita,  conforme  se  constata  no  julgado  do  AgRg  no  RECURSO ESPECIAL Nº.  1.203.986  ­ MG  (2010/0139559­7), verbis:   PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA  N°  973.733/SC.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  PRESCRIÇÃO  DO  DIREITO  DE  COBRANÇA  JUDICIAL  PELO  FISCO.  PRAZO  QÜINQÜENAL.  TRIBUTO  SUJEITO  À  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA.  1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência,  causa  extintiva  do  crédito  tributário,  assim  estabelece  em  seu  artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir  o crédito tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:I ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal,  o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito  a  que  se  refere  este  artigo  extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória  indispensável ao lançamento."  Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 27          51 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras  jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência  do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento  de ofício, ou nos casos dos  tributos sujeitos ao  lançamento por  homologação  em  que  o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento  antecipado;  (ii)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  nos  casos em que notificado o  contribuinte de medida preparatória  do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento  de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação  em  que  inocorre  o  pagamento  antecipado;  (iii)  regra  da  decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a  lançamento por homologação em que há parcial pagamento da  exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em  que  o  pagamento  antecipado  se  dá  com  fraude,  dolo  ou  simulação,  ocorrendo  notificação  do  contribuinte  acerca  de  medida  preparatória;  e  (v)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  perante  anulação  do  lançamento  anterior  (In:  Decadência  e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos  Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210).  Documento: 12878841 ­ EMENTA / ACÓRDÃO ­ Site certificado  ­ DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3.  A Primeira Seção, quando do  julgamento do REsp 973.733/SC,  sujeito  ao  regime  dos  recursos  repetitivos,  reafirmou  o  entendimento  de  que  “o  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida regra decadencial rege­se pelo disposto no artigo 173, I,  do CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo,  2004, págs.  183/199).  (Rel. Ministro  Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR)  4.  À  luz  da  novel  metodologia  legal,  publicado  o  acórdão  do  julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no  artigo  534­C,  do  CPC,  os  demais  recursos  já  distribuídos,  fundados  em  idêntica  controvérsia,  deverão  ser  julgados  pelo  relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ  8/2008).  5.  In  casu:  (a)  cuida­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado  de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente  Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     52 ao  fato  gerador  compreendido  a  partir  de  1995,  consoante  consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar  iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a  constituição  do  crédito  tributário  pertinente  ocorreu  em  15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito  que  formalizou  os  créditos  tributários  em  questão,  sendo  a  execução ajuizada tão somente em 21.03.2005.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7. Agravo regimental desprovido.  É de  se  esclarecer,  que  na  solução  dos Embargos  de Declaração  impetrado  pela  Fazenda  Nacional  no  Recurso  Especial  nº.  674.497  ­  PR  (2004/0109978­2),  houve  o  acolhimento  em  parte  do  embargo  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  para modificar  o  entendimento  sobre  os  fatos  geradores  ocorridos  em  dezembro  cuja  exação  só  poderia  ser  exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.  2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000.  Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.  3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.  O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim  se manifestou em seu voto:  Sobre  o  tema,  a  Primeira  Seção  desta  Corte,  utilizando­se  da  sistemática  prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  introduzido  no  ordenamento  jurídico  pátrio  por  meio  da  Lei  dos  Recursos  Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j.  12.8.2009),  reiterou  o  entendimento  no  sentido  de  que,  em  se  tratando de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação não  declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe  de  cinco  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado  para  a  constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173,  I, do  CTN.  Somente  nos  casos  em  que  o  pagamento  foi  feito  Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 28          53 antecipadamente,  o  prazo  será  de  cinco  anos  a  contar  do  fato  gerador (art. 150, § 4º, do CTN)  (...)  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994.  Sendo  assim,  na  forma  do  art.  173,  I,  do  CTN,  o  prazo  decadencial  teve  início  somente  em 1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000. Considerando que o auto de  infração  foi  lavrado em  29.11.1999, tem­se por não consumada a decadência, in casu.  Desta  forma, para  lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é  de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de  que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado  corresponde,  de  fato,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação,  revelando­se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos  150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional.  Por outro  lado, para os  lançamentos em que houve pagamento antecipado a  contagem  do  prazo  decadencial  tem  início  na  data  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  discutida.  O caso em questão trata de cobrança de Imposto de Renda na Fonte em razão  da recorrente, regularmente intimada, não ter conseguido comprovar a operação ou causa dos  pagamentos realizados no período de 02/01/2001 a 26/12/2001, aplicou­se a Lei nº 8.981, de  1995, que em seu artigo 61, § 1º, que prevê a incidência na fonte à alíquota de 35% com base  reajustada  a  todos  os  pagamentos  efetuados  ou  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas ou  titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua  causa.   Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada  pelo  Superior  Tribunal  de  justiça  está  em  definir  o  que  seria  considerado  “pagamento  antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo.  Compartilho  o  entendimento  de  que  o  pagamento  antecipado  deve  ter  uma  abrangência maior  no  sentido  de  englobar  as  modalidades  de  extinção  do  crédito  tributário  previsto no art. 156 do Código  tributário Nacional, quais  sejam: pagamento, compensação, a  transação, a remissão, a conversão de depósito em renda, etc.  Por outro lado, o pagamento antecipado deve ser visto dentro dos grupos de  tributos,  a  título  de  exemplo  podemos  citar  imposto  antecipado  de  IRPJ,  IRPF,  IPI,  PIS  COFINS, CSLL, IRRF, Ganho de Capital, etc.  Observando, que nos casos de  imposto de  renda  retido na  fonte,  a  retenção  deve ser observado de forma genérica e não especifica, ou seja, não necessariamente deve se  restringir a mesma espécie de retenção.  Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     54 Assim,  se  o  contribuinte  tem  retenção  de  fonte  sobre  salários  serviria  para  amparar pagamento antecipado de, por exemplo, aplicações financeira ou mesmo de IRRF do  art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.   Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do  prazo  do  art.  150,  §  4º,  sem  manifestação  do  Fisco,  significa  a  aquiescência  implícita  aos  valores  declarados  pelo  contribuinte,  porque  o  silêncio,  neste  caso,  é  qualificado  pela  lei,  trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há  pagamento  antecipado,  que  de  acordo  com  Superior  Tribunal  de  Justiça,  se  aplicaria,  para  efeitos  de marco  inicial  do  prazo  decadencial,  o  art.  173,  I,  do  Código  Tributário  Nacional  (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que  dispõe  o  parágrafo  único  deste  mesmo  preceptivo.  Exaurido  o  prazo,  o  Fisco  não  poderá  manifestar  qualquer  intenção  de  cobrar  os  valores.  Há,  pois,  falar­se  em  decadência  nos  tributos sujeitos ao lançamento por homologação.  No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o  significado  de  “pagamento  antecipado”,  já  que  houve  recolhimento  de  Imposto  de  Renda  Retido na Fonte,  sobre  aplicações  financeiras,  operações SWAP,  juros  sobre  capital  próprio,  pró­labore, salários, etc., conforme consta ás fls. 055/128, mas especificamente às fls. 125/128.  Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça,  o  termo  inicial  da  contagem  do  prazo  decadencial  é  o  fato  gerador,  que  no  caso  dos  autos  ocorreu  no  período  de  02/01/2001  a  26/11/2001.  Ou  seja,  de  acordo  com  a  linguagem  do  Superior Tribunal de Justiça “o  termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos  em que houve pagamento antecipado, é a data do fato gerador da exigência tributária". O prazo  fatal para a constituição do lançamento do último fato gerador relativo a este período, ocorreria  em  26/11/2006,  tendo  ocorrido  a  ciência  do  lançamento  em  27/11/2006,  está  decadente  o  direito  de  a  Fazenda  Nacional  constituir  o  crédito  tributário  questionado  para  o  período  de  02/01/2001 a 26/12/2001.  Ultrapassado  esse  lapso  temporal  de  cinco  anos  sem  a  expedição  de  lançamento  de  ofício  opera­se  a  decadência,  a  atividade  exercida  pelo  contribuinte  está  tacitamente  homologada  e  o  crédito  tributário  extinto,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4°  e  do  artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.  2 ­ Da competência para a lavratura do auto de infração  No  tocante  à  incompetência  da  autoridade  fiscal  autuante,  a  Recorrente  sustenta que seu domicilio fiscal é na cidade de São Bernardo do Campo – SP, razão pela qual  a  autoridade  fiscal  da  cidade  de  São  Paulo  ­  SP  seria  incompetente  para  lavrar  a  presente  autuação,  razão  pela  qual  o  Auto  de  Infração  seria  nulo,  por  vicio  formal  na  emissão  e  execução do MPF, pois teria sido emitido por Delegado incompetente, em face do disposto na  Portaria SRF n. 300/2001, art. 6º, § 4º.  Entendo que não assiste razão à Recorrente.  O Decreto n°.  70.235/72, que  regulamenta o processo  administrativo  fiscal,  dispõe in verbis:  Art. 7º. O procedimento fiscal tem início com:  I  ­  o  primeiro  ato  de  oficio,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  cientificando  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária ou seu preposto;  Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 29          55 II ­ a apreensão de mercadorias, documentos ou livros;  III ­ o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada.  §  1°.  O  início  do  procedimento  exclui  a  espontaneidade  do  sujeito  passivo  em  relação  aos  atos  anteriores  e,  independentemente  de  intimação,  a  dos  demais  envolvidos  nas  infrações verificadas.   § 2.° Para os efeitos do disposto no § 1.°, os atos referidos nos  incisos  I  e  II  valerão  pelo  prazo  de  60  (sessenta)  dias  ,  prorrogável,  sucessivamente,  por  igual  período  com  qualquer  outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.  Art.  9.°  A  exigência  de  crédito  tributário,  a  retificação  de  prejuízo  fiscal  e  a  aplicação  de  penalidade  isolada  serão  formalizadas  em  autos  de  infração  ou  notificações  de  lançamento,  distintos  para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis à comprovação do ilícito.  § 1º Quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de  infrações  a  dispositivos  legais  relativos  a  um  imposto,  que  impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou  de  contribuições,  e  a  comprovação  dos  ilícitos  depender  dos  mesmos  elementos  de  prova,  as  exigências  relativas  ao mesmo  sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo  todas  as notificações de lançamento e autos de infração.  §  2.°  Os  procedimentos  de  que  tratam  este  artigo  e  o  art.  7.°  serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente  de  jurisdição  diversa  da  do  domicilio  tributário  do  sujeito  passivo.  §  3.°  A  formalização  da  exigência,  nos  termos  do  parágrafo  anterior,  previne  a  jurisdição  e  prorroga  a  competência  da  autoridade que dela primeiro conhecer.  Assim, verifica­se com base nos dispositivos  legais  acima  transcritos  que  a  autuação é valida, ainda que lavrada por servidor de jurisdição diversa daquela do domicílio da  Recorrente.  Nessa  situação,  resta  preventa  a  jurisdição,  prorrogando­se  a  competência  da  referida autoridade.  No  mesmo  sentido,  cito  as  decisões  abaixo,  proferidas  por  este  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais:  NORMAS  PROCESSUAIS  ­  INICIO  DA  AÇÃO  FISCAL  POR  SERVIDOR  DE  JURISDIÇÃO  DIVERSA  DO  DOMICÍLIO  FISCAL DO SUJEITO PASSIVO ­ Os atos lavrados por servidor  de  jurisdição  diversa  do  domicílio  do  sujeito  passivo  serão  válidos,  tendo  em  vista  o  disposto  no  art.  9°,  §§  2°  e  3°  do  Decreto n°. 70.235, de 1972? (Acórdão n°. 104­18407, Rel. João  Luís de Souza Pereira, Sessão de 17/10/2001)  Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     56 IRPF ­ NULIDADES ­ DOMICILIO FISCAL ­ Os procedimentos  relativos  a  créditos  tributários  serão  válidos  mesmo  que  formalizados  por  servidor  de  jurisdição  diversa  do  domicilio  fiscal do sujeito passivo (art. 9° § § 2° e 3° do Dec. 70.235/72).  Afastadas  também  as  hipóteses  previstas  no  artigo  59  do Dec.  70.235/72, não há que se falar em nulidades." (Acórdão n°. 104­ 16857, Rel. José Pereira do Nascimento, Sessão de 29/01/1999)  Verifica­se, por fim, que a matéria em discussão está sumulada no âmbito do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através da Súmula CARF nº 27, verbis:   É  valido  o  lançamento  formalizado  por  Auditor­Fiscal  da  Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio  tributário do sujeito passivo.  3 – Da nulidade do lançamento  Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante,  sob  o  entendimento  de  que  tenha  ocorrido  ofensa  aos  princípios  constitucionais  do  devido  processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais,  não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo.   Entendo,  que  o  procedimento  fiscal  realizado  pelos  agentes  do  fisco  foi  efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer  ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal.  O princípio da verdade material  tem por  escopo,  como a própria  expressão  indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no  sentido  de  que  a Administração  possa  valer­se  de  qualquer meio  de  prova  que  a  autoridade  processante ou julgadora tome conhecimento, levando­as aos autos, naturalmente, e desde que,  obviamente  dela  dê  conhecimento  às  partes;  ao  mesmo  tempo  em  que  deva  reconhecer  ao  contribuinte  o  direito  de  juntar  provas  ao  processo  até  a  fase  de  interposição  do  recurso  voluntário.  O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a  notificação  de  lançamento  como  instrumentos  de  formalização  da  exigência  do  crédito  tributário, quando afirma:  A  exigência  do  crédito  tributário  será  formalizado  em  auto  de  infração  ou  notificação  de  lançamento  distinto  para  cada  tributo.  Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993:   A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal  e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos  de  infração ou notificações  de  lançamento,  distintos para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.  O  auto  de  infração  e  a  notificação  de  lançamento  por  constituírem  peças  básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua  lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de  uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal,  Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 30          57 seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos  a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna  inexistente  o  ato,  sejam  os  atos  formais  ou  solenes.  Se  houver  vício  na  forma,  o  ato  pode  invalidar­se.  Ademais,  a  jurisprudência  é mansa  e  pacífica  no  sentido  de  que  quando  o  contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendo­as, uma a uma, de  forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares  como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.  Da  mesma  forma,  não  procede  à  nulidade  do  lançamento  argüida  sob  os  argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art.  10  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  ou  seja,  erro  de  capitulação  legal,  descrição  confusa dos  fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração  cometida pela recorrente.  Inicialmente, verifica­se que para a contribuinte foi concedido o prazo legal  de  30(trinta)  dias,  a  contar  da  ciência  do  auto  de  infração,  para  apresentar  a  impugnação,  sendo­lhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias  a sua defesa, caso quisesse, garantindo­se desta forma o contraditório e a ampla defesa.   Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verifica­se que  foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972,  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal,  não  se  vislumbrando,  no  caso  sob  análise,  qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo  legal.  Verifica­se,  ainda,  que o Auto  de  Infração  às  fls.  1552/1561,  identifica  por  nome e CPF a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Fiscalização em São Paulo ­ SP, cuja ciência foi através de AR e descreve, as irregularidades  praticadas  e  o  seu  enquadramento  legal  assinado  pelo  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal,  cumprindo  o  disposto  no  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  ou  seja,  o  ato  é  próprio do agente administrativo investido no cargo de Auditor­Fiscal.   Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de  depósitos  bancários  sem  que  a  recorrente  comprovasse  a  respectiva  origem  destes  recursos.  Constam  dos  autos  diversos  chamados  ao  sujeito  passivo  para  que  esse  apresentasse  as  justificativas acerca das movimentações financeiras pesquisadas.   O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita  compreensão  do  procedimento  adotado,  da  base  tributável  apurada  e  do  cálculo  do  imposto  resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa.  Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebra­se com estrita  observância  dos  pressupostos  estabelecidos  pelo  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização  de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve  estar  consubstanciado  por  instrumentos  capazes  de  demonstrar,  com  segurança  e  certeza,  os  legítimos  fundamentos  reveladores  da  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário.  Isso  tudo  foi  observado  quando  da  determinação  do  tributo  devido,  através  do Auto  de  Infração  lavrado.  Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas  Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     58 pelo  recorrente,  neste  processo,  já  que  o  mesmo  preenche  todos  os  requisitos  legais  necessários.   Da análise dos autos, constata­se que a autuação é plenamente válida.  Faz­se necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão  apolítico,  destinada  a  prestar  serviços  ao  Estado,  na  condição  de  Instituição  e  não  a  um  Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na  legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto  rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu  dever de participação.  Ademais,  o  Processo  Administrativo  Fiscal  ­  Decreto  n.º  70.235,  de  1972  manifesta­se da seguinte forma:  Art. 59 ­ São nulos:  I ­ Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  Os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Como  se  verifica  do  dispositivo  legal,  não  ocorreu,  no  caso  do  presente  processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários  ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para  lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por  funcionários com competência para tal.  Ora,  a  autoridade  lançadora  cumpriu  todos  os  preceitos  estabelecidos  na  legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante,  conforme  se  constata  nos  autos,  com  perfeito  embasamento  legal  e  tipificação  da  infração  cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não  se  verificam,  por  isso,  os  pressupostos  exigidos  que  permitam  a  declaração  de  nulidade  do  Auto de Infração.  Haveria  possibilidade  de  se  admitir  a  nulidade  por  falta  de  conteúdo  ou  objeto, quando o  lançamento que, embora  tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de  forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na  descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao  sujeito  passivo  conhecer  com  nitidez  a  acusação  que  lhe  é  imputada,  ou  seja,  não  restou  provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o  caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre  o assunto.  É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no  litígio  propriamente  dito,  ou  seja,  correspondem  a  elementos  cuja  ausência  não  impede  a  compreensão  dos  fatos  que  baseiam  as  infrações  imputadas.  Circunscrevem­se  a  exigências  legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao  seu  conteúdo  material.  Por  outro  lado,  quando  a  descrição  defeituosa  dos  fatos  impede  a  compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, tem­se o vício  material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações  imputadas.  Além  disso,  o  Art.  60  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  prevê  que  as  irregularidades,  incorreções e omissões diferentes das  referidas no art. 59 do mesmo Decreto  Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 31          59 não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.   4 – Da nulidade da decisão de primeira instância – realização de perícia  técnica  No que diz  respeito ao pedido de perícia  técnica, é de se esclarecer, que da  análise dos autos, se verifica que a decisão de Primeira Instância, através do voto do relator da  matéria, entendeu que não merece ser acolhida às alegações apresentadas.   Entendeu a autoridade  julgadora, que é  incabível o pedido de  realização de  perícia  técnica  para  análise  de  documentos  ou  instrumentos  contratuais  registrados  na  contabilidade,  ou  de  análise  dos  registros  contábeis,  pois  tais  análises  ou  verificações  não  requerem conhecimento técnico especial.  Por fim, entendeu a autoridade julgadora que a própria contribuinte poderia,  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  ter  apresentado  todos  os  seus  esclarecimentos  e  documentos ao fiscal autuante, em atendimento às intimações feitas, notadamente em relação à  comprovação  das  operações  realizadas  que  originaram  o  presente  lançamento  e  não  o  fez,  ficando no mero terreno abstrato das alegações sem prova.  Ora, como visto, a autoridade julgadora fundamentou com rigor a negativa da  perícia  técnica  solicitada,  com  fundamentos  convincentes.  É  de  se  alertar  de  que  para  um  pedido de perícia seja deferido é necessário que existam dúvidas de ordem técnica que exijam a  manifestação de um profissional capacitado a esclarecê­las, bem como entende que o ônus da  prova  recai  sobre  o  contribuinte,  responsável  pela  comprovação  dos  valores  contestados  e  demais documentos.  Só posso confirmar a negativa da autoridade de primeira instância, já que, a  princípio, a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte  que  praticou  a  irregularidade  fiscal,  não  cabendo  a  determinação  de  diligência  ou  perícia  de  ofício para a busca de provas em favor do contribuinte.  Ademais, a solução das questões trazidas não demanda conhecimento técnico  especializado  e  complementar,  sendo que  parte  das  informações  que  o  contribuinte pretende  sejam prestadas por perito são as que cabem a ele produzir.   Ora, o Decreto n.º 72.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº. 8.748, de  1993 ­ Processo Administrativo Fiscal ­ diz:  Art. 16 – A impugnação mencionará:   (...).  IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito.  § 1º. Considerar­se­á não  formulado o pedido de diligência ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.   Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     60    (...).  Art.  18  ­  A  autoridade  julgadora  de  Primeira  Instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.  § 1º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua  realização,  a  autoridade  designará  servidor  para,  como  perito  da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a  realizar  o  exame  requerido,  cabendo  a  ambos  apresentar  os  respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de  complexidade dos trabalhos a serem executados.  Como se verifica do dispositivo legal, o colegiado que proferiu a decisão tem  a competência para decidir sobre o pedido de diligência ou perícia, e é a própria lei que atribui  à autoridade julgadora de primeira instância o poder discricionário para deferir ou indeferir os  pedidos  de  diligência  ou  perícia,  quando  prescindíveis  ou  impossíveis,  devendo  o  indeferimento constar da própria decisão proferida.   É  de  se  ressaltar,  que  o  poder  discricionário  para  indeferir  pedidos  de  diligência  e perícia  não  foi  concedido  ao  agente  público  para  que  ele  disponha  segundo  sua  conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema,  que,  em  última  análise,  consiste  em  fazer  aflorar  a  verdade  material  com  o  propósito  de  certificar a legitimidade do lançamento.  Já  se manifestou a autoridade  julgadora de primeira  instância no sentido de  que  as  perícias  destinam­se  à  formação  da  convicção  do  julgador,  devendo  limitar­se  ao  aprofundamento  de  investigações  sobre o  conteúdo de provas  já  incluídas  no  processo,  ou  à  confrontação  de  dois  ou  mais  elementos  de  prova  também  já  incluídos  nos  autos.  Jamais  poderão as perícias estender­se à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da  ação fiscal.   Ademais,  descabe  o  pedido  de  perícia  técnica  quando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos  necessários  para  que  a  autoridade  julgadora  forme  sua  convicção.  As  perícias devem limitar­se ao aprofundamento de  investigações sobre o conteúdo de provas  já  incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos  nos  autos,  não  podendo  ser  utilizadas  para  reabrir,  por  via  indireta,  a  ação  fiscal  e  busca de  provas que são de competência exclusiva do recorrente.  Ora, o que se questiona nos autos desde o início do procedimento fiscal é a  comprovação  documental  dos  fatos. A  recorrente  somente  alega  de que  comprovou  todas  as  operações questionadas, porém, nada comprova, quer transferir o ônus da prova, que é de sua  responsabilidade, para a responsabilidade da autoridade fiscal.  5 – Da sujeição passiva – ilegitimidade passiva  A recorrente alegou, ainda, que não seria responsável pela infração imputada  e  pelo  crédito  tributário  lançado,  pois  a  infração  teria  ocorrido  na  gestão  anterior  (a  qual  detinha  o  controle  acionário  da  empresa)  e  não  na  gestão  atual  que  retomou  o  controle  acionário,  colocando  a  empresa  em  ordem;  que,  no  caso,  a  infração  imputada  foi  praticada  pelos  administradores  da  gestão  anterior,  antes  da  retomada do  controle  acionário  pela  atual  Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 32          61 gestão; que, por conseguinte, aqueles administradores são responsáveis pessoalmente pelo credito  tributário  lançado,  conforme  art.  135  do  Código  Tributário  Nacional;  que  se  trata  de  responsabilidade exclusivamente pessoal; que não cabe atribuir à impugnante responsabilidade  solidária.  Não dúvidas de que o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa que  se enquadra na definição do inciso I ou do inciso II do parágrafo único do art. 121 do Código  Tributário Nacional. In casu, a própria Bombril, que realizou os pagamentos.   Ora,  com  as  devidas  vênias,  a  responsabilidade  pessoal  não  é  objeto  do  lançamento  fiscal.  A  recorrente  foi  autuada  como  sujeito  passivo  da  obrigação  principal,  na  condição  de  responsável,  uma  vez  que  sua  obrigação  decorre  de  disposição  expressa  de  lei  (CTN, arts. 121, parágrafo único, inciso II, e 128; e Lei 8.981, art. 61, § 1º). Por conseguinte, a  legitimidade  para  figurar  como  sujeito  passivo  da  relação  jurídico­tributária  em  tela  é,  indubitavelmente, da recorrente.  6 – Do mérito – relativo ao período de 27/11/2001 a 26/12/2001  Quanto  ao mérito,  em  primeiro  lugar,  cabe  equacionar  as  questões  de  fato  constatadas  durante  a  análise dos  autos  do  processo  em discussão,  para  tanto,  se  nota  que  a  infração lançada foi falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem  causa  ou  operação  não  comprovada,  ou  seja,  sendo  intimada  a  contribuinte  não  comprovou  através  da  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea  a  operação  e/ou  a  causa  dos  pagamentos efetuados.  Em primeiro lugar, cabe equacionar as questões de fato constatadas durante a  análise dos autos do processo em discussão, para tanto, se nota que a infração lançada foi falta  de recolhimento do  imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou operação não  comprovada, ou seja, sendo intimada a contribuinte não comprovou através da apresentação de  documentação hábil e idônea a operação e/ou a causa dos pagamentos efetuados.   A Bombril Círio S/A, com nova denominação Bombril S/A, no decorrer do  ano­calendário 2001, escriturou várias operações com Ativos Financeiros Externos, no valor de  R$ 325.696.985,42, assim sintetizadas:  I — Letras do Tesouro do Estados Unidos, denominadas de T­Bills, no valor  de R$ 323.077.785,42:  a) adquiridas no  exterior pela controlada  integral  domiciliada no  exterior,  a  Bombril  Overseas  Inc.,  situada  nas  Ilhas  Virgens  Britânicas,  tendo  como  vendedor  o  Sr.  Ignácio Rospide de Leon (Corretor de Bolsa), e repassadas à autuada;  b) adquiridas, diretamente, pela autuada do citado Corretor de Bolsa;  e) adquiridas,  no mercado  interno,  junto  a pessoas  jurídicas domiciliadas no  Brasil.  II — Certificados de Depósitos Bancários no valor de R$ 2.374.000,00, que  teriam  sido  emitidos  por  estabelecimentos  bancários  situados  no  exterior,  denominados  de  Certificates of Deposits; e  Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     62 III — Euro Short — Term Notes no valor de R$ 245.200,00, ou  seja, Notes  emitidos pela empresa nacional Ioclipe­Maxion S/A, no exterior.  Ainda,  do  Termo  dc  Constatação  lavrado  pela  Fiscalização,  quando  do  encerramento do procedimento de fiscalização, extrai­se o seguinte (fl. 1514):   Conforme  informação  da  fiscalizada,  quase  a  totalidade  dos  pagamentos  foi  através  de  cheques  emitidos  contra  o  Banco  Bradesco e Fibra ou TIR (Transferência Internacional de Reais),  com  base  na  Circular  2677  de  10/04/96  do  BACEN.  As  TIR's  foram para crédito da (s) conta (s) da BOMBRIL S/A no exterior,  Co1110 disponibilidade no exterior, operação 55000.50.0.89.90.  Para  a  Fiscalização,  todos  os  pagamentos  efetuados,  quanto  à  aquisição  desses títulos foram pagamentos sem causa, pois a autuada não tomou as cautelas necessárias  para operar com os citados títulos estrangeiros, ou seja:  a)  não  comprovou  a  efetiva  existência  das  operações  (as  operações  de  aquisição  não  preenchem  os  requisitos  mínimos  dc  segurança  exigidos  para  operações  internacionais com os tais títulos);  b)  os  instrumentos  dos  contratos  apresentados,  em  si,  não  comprovam  a  existência das operações, pois não houve a transferência desses títulos para o nome da autuada  ou  para  o  nome  de  sua  controlada,  junto  à  instituição  financeira  intermediária  que  teria  a  custodia desses títulos;  c) a autuada, simplesmente, alegou que teria operado no mercado secundário  ou terciário com tais títulos, com fins meramente especulativos, ou seja, com fins meramente  financeiros,  sem maiores  formalidades,  pois  não  tinha  intenção  de  ficar  com  os  títulos  até  a  data  de.  vencimento  (resgate);  que  seu  propósito  foi  adquirir  e  revendê­los  o  mais  rápido  possível,  por  isso  não  promoveu  a  transferência  de  titularidade  (posse ou  usufruto)  para  seu  nome junto instituição financeira internacional, nem teve a preocupação de saber se tais títulos  realmente  existiam  e  em  nome  de  quem  estariam  registrados  (caso  existissem  e  estivessem  registrados ou custodiados).  No entender da autoridade fiscal lançadora a autuada jamais comprovou, em  nenhum  momento,  durante  o  procedimento  de  fiscalização  a  existência  dos  títulos  e  das  operações de aquisição, custódia, posse ou usufruto dos títulos adquiridos. Para tanto, deveria  ter  fornecido  recibo  de  pagamentos,  extrato  da  conta  bancária  no  exterior  da  aplicação  ­  aquisição  dos  títulos — mantida  no  agente  financeiro  intermediário  autorizado  a  vender  tais  títulos da divida pública norte americana; deveria  ter comprovado a custodia dos  títulos pelo  agente financeiro intermediário da operação; porém, ela nada comprovou nesse sentido.   Por isso, da imputação da infração pagamentos sem causa, com exigência de  IRRF com alíquota de 35% sobre base de calculo reajustada, mais multa de oficio e  juros de  mora.  Em  sua  peça  recursal,  a  contribuinte  insiste  que  não  existiram  pagamentos  sem  causa  nas  operações  de  compra  dos  citados  Títulos.  Alega  que  as  operações  foram  realizadas para aquisição de capital de giro, uma vez que no mercado doméstico a empresa não  teria credito junto às  instituições financeiras, para desenvolver sua atividade operacional, que  não  haveria  nenhuma  irregularidade  na  negociação  dos  títulos  com  o  corretor  Sr.  Ignácio  Rospide de Leon e com as empresas Aliex América Latina Imp. E Exp. Ltda., Boutique Daslu  Ltda.,  Maçom  Wireless  S/A  e  Tecnologia  Bancária  S/A;  que  realizou  essas  operações  dc  Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 33          63 aquisição  de  títulos  com  fins  meramente  financeiros,  sem  intenção  de  registrar,  quanto  aos  citados  títulos,  sua  propriedade  ou  posse  (usufruto),  nem  teve  a  preocupação  de  saber  qual  instituição  financeira  intermediária  teria  a  custódia  de  tais  títulos;  que  seu  objetivo  era  tão­ somente obter capital dc giro (comprar a prazo e vender à vista).  Não tenho dúvidas, que o raciocínio utilizado pela autoridade fiscal lançadora  pode ser contestada, desde que seja feita de forma clara, demonstrando o equívoco cometido  pela  fiscalização.  Ou  seja,  qualquer  fato  e/ou  qualquer  presunção  utilizada  pela  fiscalização  pode ser contestada, quando um  juízo  razoável de determinado  fato não  leva à  existência do  fato que se pretende provar.  A presunção é justamente essa ilação mental entre o  fato indiciário e o fato  que  se  pretende  provar.  O  indício  e  a  presunção  são  partes  de  um  mesmo  expediente  probatório, são como duas faces de uma mesma moeda. Não faz sentido separá­los: primeiro  provar por  indícios, sem uso de qualquer presunção, a entrega de numerários aos sócios ou a  terceiros para, em seguida, aplicar­se à presunção. Não pode ser este o sentido da norma em  exame.  Da analise dos autos, verifica­se que a suplicante não logrou comprovar por  meio  do  necessário  lastro  contábil/documental  que  a  saída  recursos  se  destinaram  a  outros  eventos  a  não  ser  aqueles  constantes  da  peça  acusatória,  qual  seja:  pagamentos  realizados  a  terceiros sem a devida comprovação da causa ou da operação.  Em suma, restou comprovado, pela autoridade fiscal, da utilização por parte  da  suplicante  de  um  artifício  na  movimentação  de  seus  recursos  via  estabelecimentos  bancários. Emitia recursos para terceiros sem a devida comprovação da causa ou da operação.  Ou  seja,  efetuava pagamentos,  através de  cheques,  para pagamentos  a  terceiros,  a mando da  recorrente, real proprietária dos recursos movimentados, cujo destino final dos recursos omitiu  na  contabilidade  e  quando  intimada  não  declinou  o  destino  dado  aos  recursos  retirados  (pagamentos sem causa e/ou operação não comprovada).   Assim,  a  conjugação  dos  pagamentos  sem  causa  efetuados  está  em  acordo  com o preceito legal contido no art. 61 e parágrafos, da Lei n.º 8.981, de 1995, atributivo de  efeito àquele acontecimento, compõe o fato jurídico gerador do imposto de renda na fonte ali  vislumbrado.   Nestes termos, e por ser da essência daquele dispositivo, torna­se necessário à  discussão sobre a necessidade ou não da identificação do beneficiário e da origem da operação,  bem como do nexo causal com o emitente (comprovação da operação ou a sua causa).  Existe o princípio genérico da legalidade segundo o qual somente a lei é fonte  de  direito.  Há,  ainda,  um  princípio  específico  de  legalidade  que  supõe  a  existência  de  lei  específica  para  qualquer  tributo  possa  ser  cobrado  do  contribuinte.  Não  basta,  portanto,  existência de lei anterior, mas faz­se necessário que esta especifique em que circunstâncias se  há de cobrar o tributo. É o que certos tributaristas denominam de princípio da reserva da lei. O  poder Público está impedido, de instituir ou aumentar tributo sem lei específica a respeito. Se  ninguém é obrigado a fazer ou não fazer alguma coisa senão em virtude de lei, é obvio que o  Estado não poderá impelir alguém a pagar tributo, a não ser que exista lei anterior prevendo a  hipótese.   Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     64 Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o  indivíduo  só  se  sentirá  forçado  a  fazer  ou  não  fazer  alguma  coisa  compelido  pela  lei.  Daí  porque o  lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade  plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário,  e,  por  outro  lado,  obrigatória,  isto  é  o  órgão  da  administração  não  pode  deixar  de  cobrar  o  tributo previsto em lei.  Diz o diploma legal ­ Lei n° 8.981, de 1995:  Art.  61  ­  Fica  sujeito  à  incidência  do  imposto  de  renda  exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota  de  35%,  todo  pagamento  efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado,  ressalvado o disposto em normas especiais.   §  1°  A  incidência  prevista  no  caput  aplica­se,  também,  aos  pagamentos efetuados ou aos  recursos entregues a terceiros ou  sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não  for comprovada a operação ou sua causa, bem como à hipótese  de que trata o § 2°, do art. 74, da Lei n° 8.383, de 1991.  § 2° Considera­se vencido o imposto de renda na fonte no dia do  pagamento da referida importância.  §  3°  O  rendimento  de  que  trata  este  artigo  será  considerado  líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto  sobre o qual recairá o imposto.  De acordo com a norma acima reproduzida, a lei estabelece 3 (três) hipóteses  distintas de incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, a saber:  a)  –  Pagamentos  efetuados  a  beneficiários  não  identificados  –  quando  a  Pessoa  Jurídica,  devidamente  intimada,  não  logra  êxito  em  identificar  para  quem  efetuou  o  pagamento, ou se o Fisco fizer prova de que o beneficiário que a Pessoa Jurídica registrou e  aponta como recebedor do pagamento, de fato, nada tenha recebido;  b) – Pagamentos sem causa – a Pessoa Jurídica não logra êxito em comprovar  a  efetividade  da  operação  relacionada  ao  pagamento,  ou  se  o  Fisco  fizer  prova  de  sua  inidoneidade, ou seja, de que a operação não se realizou. No caso de pagamentos efetivos de  operações  inexistentes,  lastreados em documentação  inidônea, além do  lançamento do  IRF, é  cabível a glosa dos custos/despesas, tratando­se de Pessoa Jurídica optante pelo lucro real;  c) – Concessão de benefícios  indiretos de que  tratam o  artigo 74 da Lei  nº  8.383,  de  1991  –  se  o  valor  correspondente  ao  benefício  for  tratado  como  remuneração  dos  beneficiários para fins de incidência do imposto de renda.  Em  relação  às  hipóteses  “a”  e  “b”  cabe  ao  fisco,  antes  de  qualquer  coisa,  assegurar­se de que os pagamentos foram realizados, pois o fato gerador ocorre justamente pela  percepção desses valores pelos beneficiários. A ocorrência do pagamento deve estar provada.  Todavia,  essa  prova  pode  ser  feita  com  a  própria  contabilidade  da  empresa.  Nesse  caso,  se  houver erro nos registros contábeis, o ônus da prova é do interessado.  No  que  tange  ao  item  “c”,  cabe  ao  fisco  fazer  prova  da  ocorrência  dos  benefícios indiretos.   Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 34          65 É de se frisar, que o que está sendo tributado, exclusivamente na fonte, são os  rendimentos  recebidos pelos  terceiros, sócios ou pessoas não  identificadas. O  interessado é o  sujeito passivo da obrigação tributária por ter realizado o pagamento irregular. Não se trata de  tributação dos recursos utilizados nos pagamentos, até porque, em princípio, o ingresso de tais  recursos se deu de forma regular.  Todavia,  em  que  pese  tudo  isso,  data  máxima  vênia,  entendo  que  ficou  perfeitamente definido o fato gerador do imposto de renda na fonte com base no artigo 61 da  Lei n.º 8.981, de 1995. Já que o seu aparente nó górdio situa­se na fronteira entre a ocorrência  ou  não  da  efetuação  do  pagamento  dos  valores  lançados,  pressupostos  materiais  para  o  necessário enquadramento naquele tipo legal. Nos autos, restou devidamente comprovado que  os pagamentos existiram e a autuada não justificou, de forma convincente, a operação e/ou a  causa destes valores pagos.  A  fiscalizada,  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  apresentou  cópias  reprográficas  autenticadas  dos  instrumentos  de  contratos  de  aquisição  e  venda  dos  títulos  americanos, os T­BILS (fls. 238/272, 717/799, 802/999, 1002/1199, 1202/1399, 1402/1485).  Tanto na fase impugnatória, quanto na fase recursal, sem juntar novas provas,  a  autuada,  simplesmente,  reporta­se  a  esses  instrumentos de contratos  já  carreados  aos  autos  pela Fiscalização, alegando que eles —  tais  instrumentos de contrato de aquisição — seriam  suficientes para comprovar a existência das operações com os T­Bills, para afastar a infração  imputada, e que não haveria pagamentos sem causa.  Vale  dizer,  que  a  recorrente  não  trouxe  aos  autos  novos  elementos  probatórios  a  seu  favor,  quando  da  apresentação  da  peça  recursal,  para  afastar  a  infração  imputada; pelo contrário, sua peça recursal ficou apenas nas alegações sem comprovação.  Tais  instrumentos  de  contratos  são  insuficientes  para  comprovação  da  existência das operações de aquisição desses títulos.  Para  justificar  a  causa  dos  pagamentos,  a  autuada  teria  que  comprovar  nos  autos  a  existência  dos  títulos  adquiridos,  a  transferência  para  sua  titularidade  (posse  ou  usufruto) mediante registro na instituição financeira internacional intermediária, a custódia dos  títulos  (instituição  financeira  internacional  intermediária  onde  os  títulos  estão  registrados  e  custodiados), recibo de pagamento pelas operações de aquisição dos títulos ou extrato bancário  das aplicações, quanto aos títulos adquiridos.  Entretanto,  tal  intento  ela  jamais  conseguiu  comprovar,  seja  durante  o  procedimento de fiscalização, seja na impugnação e seja agora no recurso voluntário.  A  infração  imputada  —  pagamento  sem  causa  —  está  sobejamente  comprovada nos autos pela Fiscalização.  Não há como aceitar os argumentos apresentados pela  recorrente diante das  premissas básicas adotadas nesta decisão: i) as operações com os títulos são inexistentes; ii) os  recursos transitaram pela contabilidade e pelas contas bancárias da Bombril, mas não há prova  de  que  pertencem  à  recorrente,  ou  que  são  oriundo  de  suas  operações  societárias,  pelo  contrário,  tudo evidencia que seriam de terceiros e que a Bombril foi utilizada para efetuar a  remessa desses valores ao exterior.  Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     66 Portanto, os valores recebidos por sua venda, e sua remessa ao exterior, para  controlada, não influíram no resultado da Recorrente. Trata­se de movimentação de valores de  terceiros,  assim  reconhecida  em  sua  contabilidade.  Os  pagamentos  assim  realizados  não  resultaram  em  redução  do  lucro  líquido  da  pessoa  jurídica. Os  valores  remetidos  não  foram  reconhecidos, pela Recorrente, como despesa ou custo, redutores da base de calculo do IRPJ.  Nesse  ponto,  a  equipe  de Auditores­Fiscais  responsável  pela  fiscalização  e  lavratura do auto de infração,  foram precisos:  identificaram pela contabilidade da Recorrente  que os recursos recebidos mediante depósitos bancários simplesmente transitaram pela empresa  e destinaram­se às remessas (pagamentos sem causa) ao exterior.  Tais  depósitos  não  poderiam  ser  considerados  receitas  da  empresa,  isso  estava patente. É possível que a recorrente tenha recebido alguma vantagem financeira nessas  operações, que não seria mensurável a partir das normas de tributação dos depósitos bancários.   Ora, o que a autoridade fiscal lançadora buscou durante a sua auditoria fiscal  era saber a motivação dessa cadeia de pagamentos, cujos recursos que saíram do Brasil, tendo a  Bombril  como  fonte  pagadora.  Isso  não  foi  esclarecido.  Durante  a  auditoria  a  fiscalizada  insistiu na alegação de que esses pagamentos decorriam das operações com os  títulos, o que  não corresponde com os fatos constantes dos autos.  Restou  claro  nos  autos,  que  a  suplicante  não  explicou  e  nem  comprovou  através de documentação hábil e idônea, de forma convincente, as razões que a levaram efetuar  ao  pagamentos  questionados  pela  autoridade  fiscal  lançadora.  Apresenta  somente  alegações  não  lastreadas  por  documentos  hábeis  que  demonstrassem  de  forma  clara  o  acontecido.  Os  documentos alegados como prova, por si só, não são suficientes para justificar qualquer dúvida  quanto à efetividade da infração que lhe é imputada, uma vez se tratarem de alegações com a  juntada de documentos, que não demonstram de forma cabal o ocorrido.   Da  mesma  forma,  é  improcedente  e  sem  qualquer  fundamento  o  entendimento  da  recorrente  de  que  o  fisco  se  apegou  somente  a  aspectos  formais  do  lançamento.   Ao contrário de suas alegações, exatamente no que competia à empresa é que  o  fisco  encontrou  irregularidades,  pois os dados  que  lhe  foram apresentados  são  inidôneos  e  não  hábeis  para  lastrear  os  argumentos  apresentados,  e  isso  é  fruto  das  irregularidades  praticadas  (movimentar  recursos  financeiros  para  terceiros  e  omitir  estes  dados  na  contabilidade da empresa).   É  fato,  que  o  direito  processual  consagrou  o  princípio  de  que  a  prova  incumbe  a  quem  afirma.  Porém,  é  igualmente  sabido  que  não  se  pode  apresentar  prova  inconteste  de  fato  negativo,  como  por  exemplo,  no  caso  da  lide,  que  os  pagamentos  não  existiram. Nesses casos admite­se que a prova se faça por meios dos lançamentos bancários e  remessas  para  o  exterior  existentes,  cabendo  à  parte  demandada  a  contraprova  de  que  os  pagamentos  efetuados  se  destinaram  a  beneficiário  identificado,  comprovando  a  respectiva  operação e causa.   É remansoso nos autos, que houve a realização dos pagamentos. Entretanto,  se  a  suplicante  não  trouxe  aos  autos  documentação  comprobatória  que  os  pagamentos  se  destinaram  a  beneficiário  identificado,  indicando  a  causa  e  comprovando  a  operação,  está  evidente,  que  os  recursos  foram  repassados  para  alguém  não  identificado  ou  quando  identificado não ficou comprovada a operação ou a sua causa.   Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 35          67 Ora, só no fato de não restar comprovada a sua causa, já estaria caracterizada  com perfeição uma das hipóteses previstas no  artigo 61, da Lei n°  8.981/95. Ou  seja,  restou  para a autoridade fiscal lançadora a aplicação da presunção legal do art. 61 da Lei nº 8.981, de  1995, em face da não identificação da causa dos pagamentos.   No  presente  caso,  não  existem  comprovantes  indicando  as  razões  de  ter  como  beneficiários  de  pagamentos  as  pessoas  jurídicas  arroladas.  Ou  seja,  não  ficou  comprovada a causa dos pagamentos realizados, razão pela qual a autoridade fiscal lançadora  considerou ilícitos os procedimentos, porque, entendia que estes revelavam a intenção clara da  recorrente em omitir a verdadeira intenção do repasse dos recursos.  É  de  se  esclarecer,  que  é  cristalino  que  os  pressupostos  de  incidência  são  diversos, ou seja, “quando não for indicada a operação”, “quando não for indicada a causa”, e  “quando  o  comprovante  do  pagamento  não  individualizar  o  beneficiário”.  Como  também  é  evidente que os pressupostos de incidência previstas neste artigo não são cumulativos, ou seja,  basta ocorrer um deles para que flore o fato gerador do imposto de renda na fonte.  Não  nos  parece  relevante  o  argumento  fundado  exclusivamente  no  fato  de  que  os  discutidos  valores  estavam  devidamente  registrados  e  escriturados,  já  que  não  há  discussão  sobre  este  fato,  e  sim  que  não  houve  comprovação  que  aqueles  pagamentos  realizados,  estivessem  realmente  vinculados  a  pagamentos  que  correspondessem  a  compromissos  reais  assumidos  pela  empresa,  com  a  devida  documentação  hábil  e  idônea.  Indiscutivelmente,  a  escrituração  só  é  válida  quando  lastreada  em  documentos  hábeis  e  idôneos.  Entendo, que é  inútil examinar se a escrituração era regular ou não, ou se o  valor encontrava­se ou não escriturado, pois o artigo 61, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995, é claro  ao dispor que “a incidência prevista no caput aplica­se, também, aos pagamentos efetuados ou  aos  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular,  contabilizados  ou  não,  quando não for comprovada a operação ou a sua causa.”. No caso sob exame a contribuinte,  com  ou  sem  escrituração  regular,  não  logrou  provar  a  causa  dos  pagamentos  objeto  da  autuação.  Entendo  que  está  perfeitamente  caracterizada  a  hipótese  descrita  na  lei  –  a  falta  de  comprovação  da  causa  dos  pagamentos  realizados  ­,  por  outro  lado,  é,  totalmente,  descabidas as alegações de que o pagamento está escriturado regularmente com a emissão do  documentário  fiscal  relativo  às  operações,  já  que  não  foi  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa.   Ora,  o  efeito  da  presunção  “júris  tantum”  é  de  inversão  do  ônus  da  prova.  Portanto, cabia ao sujeito passivo se o quisesse apresentar provas da efetiva operação ou causa.  Oportunidade que lhe foi proporcionada tanto durante o procedimento administrativo, através  de  intimação,  como  na  impugnação,  na  fase  ora  recursal.  Nada  foi  acostado  aos  autos,  que  afastasse a presunção legal autorizada de que os pagamentos foram realizados a beneficiários  sem causa.   Insurge­se a suplicante, com ênfase, em oposição a essa conclusão do fisco.  Na  sua  veemência  argumentativa,  a  suplicante  chega  afirmar,  em  algumas  passagens  de  sua  defesa,  que  não  pode  acordar  com  a  prática  adotada  pela  auditoria  fiscal,  indevidamente  endossada pela decisão de primeira instância, que, abstendo­se de aprofundar o procedimento  Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     68 investigatório de fiscalização, colheram, por amostragem, informações estanques, desconexas e  nada conclusivas, para, embasados nestas, impor à empresa tão despropositado ônus tributário.  Ora, se bem compreendi o sentido das afirmações da suplicante nessa  linha  de  exposição  de  seu  pensamento,  constituem  elas,  “data  vênia”,  flagrante  despropósito,  haja  vista que a  função precípua do fisco é a de examinar a essência e a natureza dos fatos e dos  negócios jurídicos, sendo irrelevante o nome que os contribuintes lhes tenham emprestado na  escrituração ou na operacionalização.  Nesta  linha  de  raciocínio,  que  está  em  conformidade  com  a  jurisprudência  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  também  improcedente  assertiva  da  suplicante no sentido que o fisco efetuou o lançamento por presunção, nada provando.  Não  se  pode  questionar  a  validade  do  emprego  de  indícios  para  mediante  ilações deles extraídas provarem­se situações que, em face de particularidades próprias, não se  poderiam  provar  de  outra  forma.  Situações,  que  as  partes  envolvidas  procuram  manter  em  sigilo por prejudicarem interesses de terceiros os quais, mais  tarde,  iriam tentar demonstrar o  oposto.  Por  isso,  não  se  documentam  estes  atos  e mantém­se  cuidadosamente  guardados  os  apontamentos ou registros paralelos a eles correspondentes. E, por questão de segurança,  tais  papéis não são, em regra autografados por ninguém.   A  prova  da  existência  desses  atos  torna­se  assim  dificultados  e  só  mesmo  através  de  indícios  se  pode  chegar  ao  fato  final.  E  este  indício  serve  de  base  à  presunção  comum capaz de convencer o julgador da verdade de um fato.  Como  no  direito  processual  brasileiro,  para  provar­se  um  fato,  são  admissíveis  todos  os  meios  legais,  inclusive  os  moralmente  legítimos  ainda  que  não  especificados na lei adjetiva e, sendo livre a convicção do julgador, não há porque se afastar a  presunção como meio de prova no caso dos autos.  A presunção comum que convence a autoridade administrativa da existência  de um fato que o contribuinte procura ocultar ao fisco é a mesma.  A  propósito  de  presunção,  valemo­nos  do magistério  de Gilberto  de Ulhôa  Canto  (Presunções  no Direito Tributário  – Resenha Tributária – SP 1991 –  pág.  3  e  4),  que  assim leciona:  2.2 – Na presunção toma­se como sendo a verdade de  todos os  casos,  aquilo  que  é  verdade  da  generalidade  dos  casos  iguais,  em virtude de uma lei de freqüência ou de resultados conhecidos,  ou  em  decorrência  da  previsão  lógica  do  desfecho.  Porque  na  grande maioria das hipóteses análogas determinada situação se  retrata  ou  define  de  um  certo  modo,  passa­se  a  entender  que  desse  mesmo  modo  serão  retratadas  e  definidas  todas  as  situações  de  igual  natureza.  Assim,  o  pressuposto  lógico  da  formulação preventiva consiste na redução, a partir de um fato  conhecido,  da  conseqüência  já  conhecida  em  situações  verificadas no passado; dada à existência de elementos comuns,  conclui­se  que  o  resultado  conhecido  se  repetirá.  Ou,  ainda,  infere­se o acontecimento a partir do nexo casual lógico que liga  aos dados antecedentes.  2.3  –  As  presunções  podem  ser,  segundo  a  sua  origem:  a)  simples ou comuns, quando inferidas pelo raciocínio do homem  a partir daquilo que ordinariamente acontece, ou b) legais ou de  Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 36          69 direito, quando estabelecidas na lei. Em ambos os casos terá de  haver  nexo  causal  entre  duas  situações  (a  atual  e  a  sua  conseqüente); a diferença entre elas consiste apenas em que no  segundo  é  a  lei  que  recorre  à  presunção,  enquanto  que  no  primeiro é o  seu aplicador ou  intérprete que a  formula. Daí, a  conseqüente  distinção  entre  as  duas  figuras  possíveis  da  presunção, a que incide na própria elaboração da norma (direito  substantivo)  e  a  que  constitui  modalidade  probatória  (direito  adjetivo).  2.4 – Segundo a sua força, as presunções podem ser a) relativas  (júris  tantum)  ou  absolutas  (júris  et  de  jure).  Nas  do  primeiro  tipo  a  norma  é  formulada  de  tal  maneira  que  a  verdade  legal  enunciada  pode  ser  elidida  pela  prova  de  sua  irrealidade. Nas  do segundo tipo, pelo contrário, tem­se como certo aquilo que a  norma previu, até mesmo em face da eventual prova de que na  realidade a previsão deixou de materializar­se.  Ora, o artifício é tão manifesto que salta aos olhos de quem está analisando os  fatos descritos nos autos, pois se os fatos levantados e descritos pela  fiscalização não fossem  verdadeiros  a  suplicante  já  teria  apresentado  provas  cabais  de  que  os  pagamentos  realizados  para  os  terceiros,  se  destinaram  a  saldar  compromissos  reais  assumidos  pela  empresa  apresentado a respectiva documentação hábil e idônea para esclarecer o assunto, e não ficaria  em meras alegações, com lastro probante muito frágil.  Por outro lado, as evidências, colhidas pela  fiscalização, vão muito além da  simples  presunção,  pois  demonstrou,  ao  rastrear  a  movimentação  financeira  das  quantias  despendidas,  que  estas  não  tiveram  por  efetivas  destinatárias  os  supostos  emitentes  dos  cheques,  já que, como aceito pela suplicante, os  recursos movimentados nas contas bancárias  em questão pertenciam à empresa.   Assim, é cristalino que os recursos não ficaram com as pessoas que constam  da  contabilidade,  mas  terceiros  não  conhecidos  (pagamentos  sem  causa  e/ou  operação  não  comprovada). Os  elementos  apresentados  pela  fiscalização  são  contundentes  ao  evidenciar  o  reiterado emprego de subterfúgios.  Ademais,  a  matéria  foi  devidamente  detalhada  no  julgamento  de  primeira  instância,  razão pelo qual peço vênia  a nobre Relator para  adotar o  seu  voto,  como  se  fosse  aqui transcrito, como reforço ao meu entendimento sobre a matéria   Concluo,  pois,  que  permanece  sem  comprovação  a  causa  dos  pagamentos  efetuados, motivo pelo qual é de se manter o imposto de renda na fonte sobre os pagamentos  relacionados  no  auto  de  infração,  relativo  ao  período  de  27/11/2001  a  26/12/2001,  face  ao  disposto na Lei nº 8.891, de 1995, art. 61 (artigo 674, do RIR/1994).  Por fim, a recorrente questiona a legalidade da aplicação do art. 61 da Lei nº  8.981, de 1995, à luz do art. 43 do CTN. Alega que a norma tem natureza sancionatória e que o  reajustamento  da  base  cálculo  é  confiscatório.  Questiona,  ainda,  ilegalidade  /  ofensas  a  princípios  constitucionais  (razoabilidade,  capacidade  contributiva,  inconstitucionalidade,  não  confisco e juros abusivos).  Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     70 Ora,  com  todas  as  vênias  necessárias,  não  cabe  razão  a  recorrente  no  que  tange  a  estas  alegações,  já  que  o  exame  das  mesmas  escapa  à  competência  da  autoridade  administrativa julgadora. Senão vejamos.   Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento  da  legislação  em vigor,  independentemente  de  questões  de  discordância,  pelos  contribuintes,  acerca  de  alegadas  ilegalidades/inconstitucionalidades,  sendo  a  atividade  de  lançamento  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  como  previsto  no  art.  142,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional.  Não  há  dúvidas  de  que  se  entende  como  procedimento  fiscal  à  ação  fiscal  para  apuração  de  infrações  e  que  se  concretize  com  a  lavratura  do  ato  cabível,  assim  considerado  o  termo  de  início  de  fiscalização,  termo  de  apreensão,  auto  de  infração,  notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de  suas  funções  inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles  tomar conhecimento pela intimação.  Os  atos  que  formalizam  o  início  do  procedimento  fiscal  encontram­se  elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo  138,  parágrafo  único  do  Código  Tributário  Nacional,  esses  atos  têm  o  condão  de  excluir  a  espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a  ser verificadas.  Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito  passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não  exclui  suas  responsabilidades,  sujeitando­os  às  penalidades  próprias  dos  procedimentos  de  ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e  torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização.  Ressalte­se, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada  pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida  de  fiscalização  tem o condão de constituir­se  em marco  inicial da ação  fiscal, mas,  também,  consoante  reza  o  mencionado  dispositivo  legal,  “qualquer  procedimento  administrativo”  relacionado  com  a  infração  é  fato  deflagrador  do  processo  administrativo  tributário  e  da  conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável  sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na  forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972.  O  entendimento,  aqui  esposado,  é  doutrina  consagrada,  conforme  ensina  o  mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220:  O processo  contencioso administrativo  terá  início  por  uma das  seguintes formas:  1.  pedido  de  esclarecimentos  sobre  situação  jurídico­tributária  do sujeito passivo, através de intimação a esse;  2.  representação  ou  denúncia  de  agente  fiscal  ou  terceiro,  a  respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo  à assunção de responsabilidades tributárias;  3 ­ autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular  perante a legislação tributária;  Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 37          71 4.  inconformismo  expressamente  manifestado  pelo  sujeito  passivo, insurgindo­se ele contra lançamento efetuado.  (...).  A  representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da  intimação  para  esclarecimentos,  sendo  peças  iniciais  do  processo que irá se estender até a solução final, através de uma  decisão  que  as  julguem  procedentes  ou  improcedentes,  com os  efeitos naturais que possam produzir tais conclusões.  No  mesmo  sentido,  transcrevo  comentário  de  A.A.  CONTREIRAS  DE  CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando  de Atos e Termos Processuais:  Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários.  São atos processuais os que se realizam conforme as regras do  processo,  visando  dar  existência  à  relação  jurídico­processual.  Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas  em  razão  de  outro  processo,  do  qual  depende.  No  processo  administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros:  a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a  notificação  (...).  Mas,  retornando  a  nossa  referência  aos  atos  processuais,  é  de  assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada,  privativamente,  por  agentes  fiscais,  em  fiscalização  externa,  já  no  que  concerne  às  faltas  apuradas  em  serviço  interno  da  Repartição  fiscal,  a  peça que  as  documenta  é a  representação.  Note­se que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal  (...).  Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a  penalidade  aplicável,  a  sua  ausência  implicará  na  invalidade  do  lançamento.  A  falta  ou  insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi­lo com  acréscimos e penalidades legais.   É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte,  entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levando­se em conta a ausência de má­fé,  de  dolo,  e  antecedentes  do  contribuinte. A multa  que  excede  o montante  do  próprio  crédito  tributário,  somente  pode  ser  admitida  se,  em  processo  regular,  nos  casos  de  minuciosa  comprovação,  em  contraditório  pleno  e  amplo,  nos  termos  do  artigo  5º,  inciso  LV,  da  Constituição  Federal,  restar  provado  um  prejuízo  para  fazenda  Pública,  decorrente  de  ato  praticado pelo contribuinte.  Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de  1988,  é  dirigida  ao  legislador.  Tal  princípio  orienta  a  feitura  da  lei,  que  deve  observar  a  capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse  princípio,  a  lei  deixa  de  integrar o mundo  jurídico  por  inconstitucional. Além disso,  é  de  se  ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas  pelo Direito Fiscal e, por não constituir  tributo, mas penalidade pecuniária prevista em  lei,  é  Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     72 inaplicável o conceito de confisco previsto no  inciso V, do art. 150 da Constituição Federal,  não cabendo às autoridades administrativas estendê­lo.  Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração  às  regras  instituídas  pela  legislação  fiscal  não  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em  lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150,  IV da CF., não conflitando  com o estatuído no  art.  5°, XXII  da CF.,  que  se  refere  à  garantia do direito de propriedade.  Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência.   Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados  pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém,  com  exclusividade,  tal  prerrogativa.  É  inócuo,  portanto,  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa.  De  qualquer  forma,  há  que  se  esclarecer  que  o  Imposto  Renda  da  Pessoa  Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levando­se  em  consideração  aos  rendimentos  tributáveis  auferidos  e  em  razão  do  valor  é  enquadrada  dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito  passivo da obrigação tributária.   Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na  elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que  orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo  a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis.  Da  mesma  forma,  não  vejo  como  se  poderia  acolher  o  argumento  de  inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como  juros  de  mora  sobre  o  débito  exigido  no  presente  processo  com  base  na  Lei  n.º  9.065,  de  20/06/95,  que  instituiu  no  seu  bojo  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia de Títulos Federais (SELIC).  É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento,  que  quanto  à  discussão  sobre  a  inconstitucionalidade  de  normas  legais,  os  órgãos  administrativos  judicantes  estão  impedidos  de  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  regulamento, face à inexistência de previsão constitucional.  No  sistema  jurídico  brasileiro,  somente  o  Poder  Judiciário  pode  declarar  a  inconstitucionalidade de  lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle  incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade.  No caso de  lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle  seria  mesmo  incabível,  por  ilógico,  pois  se  o  Chefe  Supremo  da  Administração  Federal  já  fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a  lei,  não  seria  razoável  que  subordinados,  na  escala  hierárquica  administrativa,  considerasse  inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional.  Exercendo  a  jurisdição  no  limite  de  sua  competência,  o  julgador  administrativo  não  pode  nunca  ferir  o  princípio  de  ampla  defesa,  já  que  esta  só  pode  ser  apreciada no foro próprio.  Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda  inconstitucional, maior  insegurança  teriam  os  cidadãos,  por  ficarem  à mercê  do  alvedrio  do  Executivo.  Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.002516/2006­11  Acórdão n.º 2202­002.242  S2­C2T2  Fl. 38          73 O  poder  Executivo  haverá  de  cumprir  o  que  emana  da  lei,  ainda  que  materialmente possa ela ser  inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo  afasta ­ sob o ponto de vista formal ­ a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no  seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá­la­ia, nos termos do artigo  66,  §  1º  da Constituição. Rejeitado  o  veto,  ao  teor  do  §  4º  do mesmo  artigo  constitucional,  promulgue­a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza,  não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta­se­lhe,  tão­somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a  decisão,  continuará  o  Poder  Executivo  a  lhe  dar  execução.  Imagine­se  se  assim  não  fosse,  facultando­se  ao  Poder  Executivo,  através  de  seus  diversos  departamentos,  desconhecer  a  norma  legislativa  ou  simplesmente negar­lhe  executoriedade por  entendê­la,  unilateralmente,  inconstitucional.  A evolução do direito,  como quer o  suplicante, não deve pôr em risco  toda  uma construção  sistêmica baseada na  independência  e na harmonia dos Poderes,  e  em cujos  princípios repousa o estado democrático.  Não  se  deve  a  pretexto  de  negar  validade  a  uma  lei  pretensamente  inconstitucional, praticar­se inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de  competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder.   Ademais, matéria  já pacificada no  âmbito  administrativo,  razão pela qual o  Presidente  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  objetivando  a  condensação  da  jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento  Interno dos Conselhos de Contribuintes  (RICC),  aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de  março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas  no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas  a partir de 28 de julho de 2006.  Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  – CARF,  pela Portaria CARF  nº  106,  de  2009  (publicadas  no DOU de  22/12/2009),  assim  redigidas:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).”  Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas  as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de acolher  a arguição de decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda  Nacional constituir o crédito  tributário  relativo ao período anterior a 27/11/2001. No que diz  respeito  as  demais  questões  voto  no  sentido  de  indeferir  o  pedido  de  perícia  e  rejeitar  as  preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.   (Assinado digitalmente)   Nelson Mallmann               Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN     74                   Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN

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Numero do processo: 10865.001848/2008-03
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/01/2008 AUXÍLIO-DOENÇA, AUXÍLIO-ACIDENTE - VERBAS RECEBIDAS NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO - SALÁRIO - MATERNIDADE - FÉRIAS. ADICIONAL DE 1/3, VERBAS DE CARÁTER REMUNERATÓRIO - INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre as rubricas pagas pela empresa e que não estão incluídas nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. A verba recebida a título de férias, com o terço adicional, ostenta natureza remuneratória, sendo, portanto, passível da incidência da contribuição previdenciária. O salário-maternidade possui natureza salarial e integra, consequentemente, a base de cálculo da contribuição previdenciária. O fato de ser custeado pelos cofres da autarquia previdenciária não exime o empregador da obrigação tributária relativamente à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários, incluindo, na respectiva base de cálculo, o salário-maternidade auferido por suas empregadas gestantes. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-002.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em retirar da base de cálculo da exação os valores correspondentes ao pagamento de terço de férias, auxílio-doença e auxílio-acidente nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator(a) Designado(a): Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/01/2008 AUXÍLIO-DOENÇA, AUXÍLIO-ACIDENTE - VERBAS RECEBIDAS NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO - SALÁRIO - MATERNIDADE - FÉRIAS. ADICIONAL DE 1/3, VERBAS DE CARÁTER REMUNERATÓRIO - INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre as rubricas pagas pela empresa e que não estão incluídas nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. A verba recebida a título de férias, com o terço adicional, ostenta natureza remuneratória, sendo, portanto, passível da incidência da contribuição previdenciária. O salário-maternidade possui natureza salarial e integra, consequentemente, a base de cálculo da contribuição previdenciária. O fato de ser custeado pelos cofres da autarquia previdenciária não exime o empregador da obrigação tributária relativamente à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários, incluindo, na respectiva base de cálculo, o salário-maternidade auferido por suas empregadas gestantes. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em retirar da base de cálculo da exação os valores correspondentes ao pagamento de terço de férias, auxílio-doença e auxílio-acidente nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator(a) Designado(a): Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA   2 afastamento do empregado; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso  nas  demais  alegações  da  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a).  Redator(a)  Designado(a): Bernadete de Oliveira Barros.   (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Damião Cordeiro de Moraes ­ Relator.    (assinado digitalmente)  Bernadete de Oliveira Barros ­ Redatora designada.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Adriano Gonzales  Silverio, Bernadete  de Oliveira  Barros, Damião Cordeiro  de  Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.  Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.001848/2008­03  Acórdão n.º 2301­002.400  S2­C3T1  Fl. 143          3   Relatório  1.  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  pelo  contribuinte  ISOTRAFO  COMERCIAL  DE  ISOLADORES  E  TRANSFORMADORES  LTDA,  contra  decisão  de  primeira  instância  que  julgou  procedente  o  lançamento  referente  às  contribuições  devidas  à  Seguridade Social em decorrência da não comprovação do recolhimento no período de 02 a 09  e 12 de 2001; 07 a 08 e 10 a 12/2005; 01 a 08/2006, incluindo os 13º salários de 2004 a 2007.   2. Também  foi  averiguada  a  falta de pagamento das  contribuições  relativas  aos segurados individuais, nos termos do art. 22, III, da Lei 8.212 c/c art. 4º da Lei 10.666/03,  referente ao período de 4/2003; 7 a 8 e 10 e 12/2005, 1 a 8/2006; 11 a 12/2007 e 1/2008.  3. A ementa do julgamento a quo restou vazada nos seguintes termos:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2001 a 31/01/2008  OBRIGAÇÃO DA EMPRESA.  A  empresa  é obrigada a  recolher  as  contribuições  a  seu  cargo  incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas,  a  qualquer  titulo,  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  a  seu  serviço,  no  prazo  estabelecido  na  legislação  previdenciária.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  JUNTADA  DE  DOCUMENTOS.  A ausência de juntada dos documentos em que a Fiscalização se  baseou para apurar a infração A legislação tributária que levou  A  autuação  fiscal  só  acarreta  nulidade  do  procedimento  se  o  sujeito passivo delas não  tiver conhecimento, hipótese afastada  no  caso  da  utilização  de  documentos  elaborados  e  fornecidos  pelo próprio autuado à Fiscalização.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DECLARAÇÃO  DO  CONTRIBUINTE  As informações prestadas em Guia de Recolhimento do FGTS e  Informações A Previdência Social servem como base de cálculo  das  contribuições  arrecadadas  pela  SRP  e  constituem­se  em  termo de confissão de divida, na hipótese do não­recolhimento.  Não havendo comprovação de erro nas informações confessadas  em  GFIP  ou  nos  valores  lançados,  não  há  como  acolher  a  irresignação quanto ao montante das contribuições exigidas.  LAVRATURA DO AI. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO.  O  lançamento  contempla  todas  as  informações  previstas  na  Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com  correta  identificação  e  demonstração  do  sujeito  passivo,  da  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA   4 matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal  que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao  contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há  que se falar em nulidade.  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Presentes os requisitos legais do AI e inexistindo ato lavrado por  pessoa  incompetente  ou  proferido  com preterição  ao  direito de  defesa, descabida a arguição de nulidade do feito.  DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL.  Prescreve  a  Súmula  Vinculante  n°  8  do  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF,  de  12/06/2008,  DOU  20/06/2008,  que  são  inconstitucionais  os  artigos  45  e  46,  da  Lei  n°  8.212/91,  que  tratam de  decadência  e  prescrição,  razão  pela  qual o  lapso de  tempo  para  a  constituição  dos  créditos  previdenciários  será  regido  pelo  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN  (Lei  n°  5.172/1966)  PRAZO  DECADENCIAL.  INÍCIO  DA  CONTAGEM.  PAGAMENTO PARCIAL DA OBRIGAÇÃO.  Para aplicação da homologação tácita prevista no art. 150, § 4°  do CTN é imprescindível que tenha ocorrido recolhimento, ainda  que parcial, das contribuições.  Lançamento Procedente em Parte”  4. O contribuinte, por sua vez, em suas razões recursais, insurge­se contra os  seguintes pontos da decisão recorrida:  a)  que  as  contribuições  são  referentes  às  prestações  de  trabalho,  de  acordo  com  o  art.  22,  I,  da  Lei  8.212/91,  e  que  o  contribuinte  estaria  obrigado  a  incluir no valor total das remunerações pagas a seus trabalhadores verbas não  decorrentes de prestações de serviços; e   b) sendo tais verbas isentas de contribuições, os valores devem ser abatidos  do lançado na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito.  5.  Sem  contrarrazões,  os  autos  foram  encaminhados  a  esta  Câmara  para  apreciação do recurso voluntário.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes  ADMISSIBILIDADE DO RECURSO  1. Conheço do  recurso voluntário,  uma vez que atende aos pressupostos de  admissibilidade.  MÉRITO DO RECURSO.  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.001848/2008­03  Acórdão n.º 2301­002.400  S2­C3T1  Fl. 144          5 2.  Em  síntese,  o  recurso  cinge­se  ao  pedido  de  exclusão  da  base  de  lançamento da tributação previdenciária incidente sobre:  “I­  importâncias  pagas  nos  15  primeiros  dias  de  afastamento  do  funcionário  doente  (auxílio­doença)  ou  acidentado (auxilio­acidente);  II­ valores pagos a titulo de salário­maternidade;  III­  importâncias  pagas  a  titulo  de  férias  e  adicional  de  férias (1/3)” (f. 123)  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  SOBRE  A  REMUNERAÇÃO  DURANTE  OS  QUINZE  PRIMEIROS  DIAS  DO  AUXÍLIO­DOENÇA  E  AUXÍLIO­ ACIDENTE  3.  Quanto  à  primeira  rubrica,  contribuição  previdenciária  sobre  a  remuneração  paga,  durante  os  quinze  primeiros  dias  do  auxílio­doença,  entende­se  tratar  de  verba não salarial, incidindo, assim, a regra de isenção do art. 28, § 9º, al. “a”, 1ª parte da Lei n.  8.212/91.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  tem  entendimento  firmado  acerca  da  não  incidência tributária, uma vez que tal verba não tem natureza salarial, verbis:  “TRIBUTÁRIO  –  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  –  VERBAS  RECEBIDAS  NOS  15  (QUINZE)  PRIMEIROS  DIAS DE AFASTAMENTO POR MOTIVO DE DOENÇA –  IMPOSSIBILIDADE  –  BENEFÍCIO  DE  NATUREZA  PREVIDENCIÁRIA  –  RECURSO  ESPECIAL  INTERPOSTO  ANTES  DO  JULGAMENTO  DOS  EMBARGOS DECLARATÓRIOS –  INTEMPESTIVIDADE.  1.  O  recurso  especial  interposto  antes  do  julgamento  dos  embargos  de  declaração  ou  dos  embargos  infringentes  opostos junto ao Tribunal de origem deve ser ratificação no  momento  oportuno,  sob  pena  de  ser  considerado  intempestivo.  Precedente  da  Corte  Especial  do  STJ.  2.  A  jurisprudência desta Corte firmou entendimento no sentido  de  que  não  incide  a  contribuição  previdenciária  sobre  a  remuneração paga pelo empregador ao empregado, durante  os primeiros dias do auxílio­doença, uma vez que tal verba  não  tem  natureza  salarial.  Inúmeros  precedentes.  3.  Primeiro recurso especial não conhecido. Segundo recurso  especial  não  provido”.  [g.n.]  (REsp  793796/RS,  Rel.  Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA,  julgado  em 13/05/2008, DJe 26/05/2008).    “TRIBUTÁRIO  E  PREVIDENCIÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO.  AUXÍLIO­DOENÇA.  QUINZE  PRIMEIROS  DIAS  DE  AFASTAMENTO. NÃO­INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1.  Tratam os autos de mandado de segurança  impetrado por  HAENSSGEN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO objetivando  a  declaração  da  ilegalidade  da  exigência  de  contribuição  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA   6 previdenciária  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  auxílio  doença  ao  empregado  nos  primeiros  quinze  (15)  dias  de  afastamento  do  trabalho,  além  da  compensação  das  parcelas discutidas dos últimos dez (10) anos. Sentença que  julgou  improcedente  o  pedido  "denegando  a  segurança  pleiteada  e  extinguindo  o  processo  com  julgamento  de  mérito,  forte no art. 269, I, do Código de Processo Civil".  (fl.  60).  Interposta  apelação,  o  Tribunal  de  origem,  por  unanimidade,  negou­lhe  provimento  (fls.  95/97)  por  entender que é incontroversa a natureza salarial do auxílio  doença devido pela  empresa até o 15º dia de afastamento  do  trabalhador  razão  pela  qual  deve  incidir  contribuição  previdenciária.  No  recurso  especial,  além  de  divergência  jurisprudencial,  a  empresa  recorrente  alega  negativa  de  vigência do art. 60, § 3º, da Lei nº 8.212/91 e divergência  jurisprudencial.  Em  suas  razões  alega  que  a  verba  que  a  empresa  paga  aos  funcionários  durante  os  15  (quinze)  primeiros dias de afastamento do  trabalho, por motivo de  doença,  não  tem  natureza  salarial,  razão  pela  qual  não  deve  incidir  a  contribuição  previdenciária.  Sem  contrarrazões, conforme certidão de fl. 130. 2. A diferença  paga  pelo  empregador,  nos  casos  de  auxílio­doença,  não  tem  natureza  remuneratória. Não  incide,  portanto,  sobre  o  seu  valor,  contribuição  previdenciária.  3.  Precedentes:  REsp 479935/DF, DJ de 17/11/2003, REsp 720817/SC, DJ  de  21/06/2005,  REsp  550473/RS,  DJ  de  26/09/2005.  4.  Recurso  especial  provido”.  [g.n.]  (REsp  783804/RS,  Rel.  Ministro  JOSÉ  DELGADO,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em 17/11/2005, DJ 05/12/2005, p. 253)  4. Assim como no auxílio­doença, o valor pago nos primeiros quinze dias de  afastamento do funcionário por motivo de acidente é isento da contribuição previdenciária. O  auxílio­acidente  ostenta,  da  mesma  forma,  natureza  indenizatória,  porquanto  destina­se  a  compensar  o  segurado  quando,  após  a  consolidação  das  lesões  decorrentes  de  acidente  de  qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho  que  habitualmente  exercia,  razão  pela  qual  consubstancia  verba  infensa  à  incidência  da  contribuição previdenciária.   5.  O  STJ  também  tem  inúmeros  precedentes  sobra  a  matéria,  v.g.:  “3.  O  auxílio­acidente ostenta natureza  indenizatória, porquanto destina­se a compensar o  segurado  quando,  após  a  consolidação  das  lesões  decorrentes  de  acidente  de  qualquer  natureza,  resultarem sequelas que  impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente  exercia,  consoante  o  disposto  no  §  2º  do  art.  86  da  Lei  n.  8.213/91,  razão  pela  qual  consubstancia verba  infensa à  incidência da contribuição previdenciária. Precedentes.”  (REsp  1098102/SC,  Rel. Ministro  Benedito  Gonçalves,  DJe  17/06/2009.  No mesmo  sentido:  REsp  973436/SC, Rel. Ministro José Delgado, DJ 25/02/2008, p. 290).  6. Sendo pacífico o entendimento no STJ sobre  ilegalidade da exigência de  contribuição  previdenciária  sobre valores  pagos  a  título  de  auxílio­doença  e  auxílio­acidente  nos  primeiros  quinze  dias  de  afastamento  do  empregado,  assiste  razão  o  sujeito  passivo,  devendo ser afastada da tributação neste ponto.  Fl. 147DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.001848/2008­03  Acórdão n.º 2301­002.400  S2­C3T1  Fl. 145          7 CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  SOBRE  SALÁRIO­ MATERNIDADE, FÉRIAS E ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE UM TERÇO.  7.  Em  sentido  contrário,  o  salário­maternidade  possui  natureza  salarial  e  integra,  consequentemente,  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária,  conforme  previsão  do  art.  28,  §  9º,  al.  “a”,  parte  final  da  Lei  n.  8.212/91.  O  fato  de  o  benefício  ser  custeado  pelos  cofres  da  autarquia  previdenciária  não  exime  o  empregador  da  obrigação  tributária  relativamente  à  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  a  folha  de  salários,  incluindo, na respectiva base de cálculo, o salário­maternidade auferido por suas empregadas  gestantes.  8.  A  respeito  da  questão,  já  se  pronunciou  o  STJ,  corroborando  o  esse  entendimento:  “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVOS REGIMENTAIS NO  RECURSO ESPECIAL.  APELO  DA  EMPRESA:  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA. FÉRIAS  E  ABONO  CONSTITUCIONAL.  SALÁRIO­MATERNIDADE. INCIDÊNCIA.  CARÁTER  REMUNERATÓRIO.  APELO  DA  UNIÃO: CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  NÃO­INCIDÊNCIA  SOBRE  OS VALORES  PAGOS  PELO  EMPREGADOR  AO  EMPREGADO  NOS  PRIMEIROS QUINZE DIAS DO AUXÍLIO­DOENÇA. PRECEDENTES  DESTE TRIBUNAL. ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART.  97 DA CARTA  MAGNA. NÃO­OCORRÊNCIA. CONTRARIEDADE AO ART. 195, I, A,  DA  CF∕88. IMPOSSIBILIDADE  DE  APRECIAÇÃO  NESTA  INSTÂNCIA  SUPERIOR. AGRAVOS  REGIMENTAIS  DESPROVIDOS.1.  Esta  Corte  já  consolidou  o  entendimento  de  que é devida a contribuição previdenciária sobre os valores pagos  pela  empresa  a  seus  empregados  a  título  de  férias  e  abono  constitucional, bem como de salário­maternidade, tendo em vista  o  caráter  remuneratório  de  tais  verbas.  2.  Precedentes:  REsp  731.132∕PE, 1ª  Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de  20.10.2008;  AgRg  no  REsp  901.398∕SC,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; AgRg no EDcl no REsp  904.806∕RS,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJe  de  16.12.2008;  AgRg  no  REsp  1.039.260∕SC,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  DJe  de  15.12.2008;  AgRg  no  REsp  1.081.881∕SC,  1ª  Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJe de 10.12.2008.” [g.n.]  (AgRg  no  REsp  1.024.826∕SC,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  Primeira Turma, julgado em 19∕3∕2009, DJe 15∕4∕200. No mesmo  sentido: REsp 932.592∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki,  Primeira Turma,  julgado em 2∕4∕2009, DJe 22∕4∕2009; AgRg no  REsp  1.081.881∕SC,  Rel.  Ministro  Francisco  Falcão,  Primeira  Turma, julgado em 2∕12∕2008, DJe 10∕12∕2008).  9.  Quanto  à  verba  recebida  a  título  de  férias,  essa  rubrica  também  ostenta  natureza remuneratória, sendo, portanto, passível da incidência da contribuição previdenciária.   10. O STJ tem entendimento pacificado no sentido de que a referida parcela  possui caráter remuneratório, verbis:  “PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO. PRESCRIÇÃO.  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DO  ART.  3º  DA  LC  118∕2005.INCONSTITUCIONALIDADE.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  SALÁRIO MATERNIDADE  E  ADICIONAL  DE  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA   8 FÉRIAS.  INCIDÊNCIA.1. Conforme decidido pela Corte Especial  (AI  nos EREsp 644736∕PE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em  6.6.2007, DJ 27.8.2007), é inconstitucional a segunda parte do art. 4º  da LC 118∕2005, que determina a aplicação retroativa do disposto em  seu  art.  3º. 2. O  salário­maternidade  tem  natureza  salarial  e  integra  a  base de cálculo da Contribuição Previdenciária. Precedentes do STJ. 3.  A  Primeira  Seção  pacificou  o  entendimento  de  que  incide  Contribuição Previdenciária sobre a gratificação natalina (13º salário) e  o acréscimo de 1∕3 sobre a remuneração de férias, direitos assegurados  pela  Constituição  aos  empregados  e  aos servidores  públicos,  por  integrarem  o  conceito  de  remuneração.  Precedente:  REsp 731.132∕PE  (Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJ 20.10.2008)  4.  Agravos  Regimentais  não  providos”  [g.n.] (AgRg  no  REsp  1.076.883∕PR,  Rel. Ministro  Herman  Benjamin,  Segunda  Turma,  julgado em 17∕2∕2009, DJe 19∕3∕2009).     “TRIBUTÁRIO.  SERVIDOR  PÚBLICO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.783∕99. 1. No regime  previsto  no  art.  1º  e  seu  parágrafo  da  Lei  9.783∕99  (hoje  revogado  pela Lei 10.887∕2004), a contribuição social do servidor público para a  manutenção  do  seu regime  de  previdência  era  "a  totalidade  da  sua  remuneração",  na  qual  se compreendiam,  para  esse  efeito,  "o  vencimento  do  cargo  efetivo,  acrescido  de vantagens  pecuniárias  permanentes  estabelecidas em  lei, os adicionais de caráter individual,  ou quaisquer vantagens, excluídas:  I  ­ as diárias para viagens,  desde  que não excedam a cinquenta por cento da remuneração mensal; II ­ a  ajuda de  custo  em  razão  de mudança de  sede;  III  ­  a  indenização de  transporte;  IV  ­  o  salário família".  2.  A  gratificação  natalina  (13º  salário),  o  acréscimo  de  1∕3  sobre  a  remuneração de  férias  e  o  pagamento  de  horas  extraordinárias,  direitos  assegurados  pelaConstituição  aos  empregados  (CF,  art.  7º,  incisos  VIII,  XVII  e  XVI)  e  aos servidores  públicos  (CF,  art.  39,  §  3º),  e  os  adicionais  de  caráter permanente  (Lei 8.112∕91, art. 41 e 49)  integram o conceito de  remuneração,  sujeitando­se, conseqüentemente,  à  contribuição  previdenciária.  3.  O  regime  previdenciário  do  servidor  público  hoje  consagrado na Constituição  está expressamente  fundado  no  princípio  da solidariedade (art. 40 da CF), por força do qual o financiamento da  previdência  não  tem  como  contrapartida  necessária  a previsão  de  prestações  específicas  ou  proporcionais  em  favor  do  contribuinte.  A  manifestação mais evidente desse princípio é a sujeição à contribuição  dos  próprios inativos  e  pensionistas.  4.  Recurso  especial  improvido”  [g.n.] (REsp 512.848∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira  Turma, julgado em 12∕9∕2006, DJ 28∕9∕2006, grifo nosso).    ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE UM TERÇO   11.  Em  relação  ao  terço  adicional  de  férias,  essa  verba  tem  natureza  compensatória,  pois  é  um  reforço  financeiro  para  que o  trabalhador possa  usufruir  de  forma  plena o direito constitucional do descanso remunerado.  12. Nos termos do art. 201, § 11, da CF, somente as parcelas incorporáveis ao  salário para fins de aposentadoria sofrem a incidência da contribuição previdenciária, verbis:  “§  11.  Os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei”.  Fl. 149DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.001848/2008­03  Acórdão n.º 2301­002.400  S2­C3T1  Fl. 146          9 13. Em novembro de 2009, o STJ resolveu adequar a sua  jurisprudência ao  entendimento  firmado  pelo  STF  para  declarar  que  a  contribuição  previdenciária  não  incide  sobre o terço de férias. A decisão nos Embargos de Divergência 956.289 serviu para se adequar  ao  entendimento  da  Corte  Suprema,  concluindo  pela  não­incidência  da  contribuição  previdenciária sobre o terço constitucional de férias, verbis:  “TRIBUTÁRIO  E  PREVIDENCIÁRIO  ­  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA  ­  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  ­  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS  ­  NATUREZA  JURÍDICA  ­  NÃO­ INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  ­  ADEQUAÇÃO  DA  JURISPRUDÊNCIA  DO  STJ  AO  ENTENDIMENTO  FIRMADO  NO  PRETÓRIO EXCELSO.  1.  A  Primeira  Seção  do  STJ  considera  legítima  a  incidência  da  contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias.  Precedentes.  2. Entendimento diverso foi firmado pelo STF, a partir da compreensão  da  natureza  jurídica  do  terço  constitucional  de  férias,  considerado  como  verba  compensatória  e  não  incorporável  à  remuneração  do  servidor para fins de aposentadoria.  3.  Realinhamento  da  jurisprudência  do  STJ,  adequando­se  à  posição  sedimentada no Pretório Excelso.  4. Embargos de divergência providos.  (EREsp  956289/RS,  Rel.  Ministra  ELIANA  CALMON,  PRIMEIRA  SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 10/11/2009)”  14. Sendo certo que o salário­maternidade possui natureza salarial e integra o  salário­de­contribuição,  assim  como  a  verba  recebida  a  título  de  férias,  ostenta  natureza  remuneratória, sendo, portanto, parcelas passíveis da incidência da contribuição previdenciária,  razão não assiste ao contribuinte nesses pontos. (cf. REsp 1098102/SC, Rel. Ministro Benedito  Gonçalves, DJe 17/06/2009), devendo o recurso ser provido nas demais rubricas.  CONCLUSÃO  15.  Ante  o  exposto,  CONHEÇO  do  recurso  voluntário,  para,  no  mérito,  DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos  temos acima delineados, a  fim de retirar da base  de  cálculo  da  exação,  os  valores  correspondentes  ao  pagamento  de  auxílio­doença,  auxílio­ acidente nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado, bem como o terço adicional  de férias.  (assinado digitalmente)  Damião Cordeiro de Moraes ­ Relator    Voto Vencedor  Conselheira Bernadete de Oliveira Barros ­ Redatora  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA   10 Permito­me divergir do entendimento do Conselheiro Relator, quanto à não­ incidência de contribuição sobre as parcelas pagas a título de auxílio­doença e auxílio­acidente,  durante os primeiros quinze dias de afastamento, pelas razões a seguir expostas.  O  Relator  defende  que,  tanto  o  auxílio­doença  quanto  o  auxílio­acidente,  pagos  nos  primeiros  quinze  dias  de  afastamento  do  funcionário,  são  isentos  da  contribuição  previdenciária, pois ostentam natureza indenizatória.   No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I  da Lei  8.212/91  é  “...a  totalidade  dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados a qualquer  título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive  as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades...” (grifei).   A própria Constituição  Federal,  preceitua,  no  §  4º  do  art.  201,  renumerado  para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte:  §  11.  Os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüentemente  repercussão  em  benefícios,  nos casos e na forma da lei. (grifei)  Ademais,  é  oportuno  lembrar  que,  conforme  art.  176  do  CTN,  “a  isenção,  ainda  que  prevista  em  contrato,  é  sempre  decorrente  de  lei  que  especifique  as  condições  e  requisitos exigidos para a sua concessão...”.   No presente caso, não resta dúvida que o auxílio­doença e auxílio­acidente,  pagos pela empresa a segurado que lhe presta serviço, não estão incluído nas hipóteses legais  de isenção previdenciária previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91 devendo, portanto, sofrer  incidência de contribuição previdenciária.  Dessa  forma,  o  auxílio­doença  e  ao  auxílio­acidente,  pagos  pela  empresa  durante os 15 primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou acidente, se  enquadram no conceito legal de salário de contribuição, devendo, portanto, serem mantidos no  lançamento.  Com relação às demais matérias, acompanho o entendimento do Relator.  Nesse sentido,  VOTO  por  CONHECER  DO  RECURSO  e,  no  mérito,  NEGAR­LHE  PROVIMENTO.                      Fl. 151DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA

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6093576 #
Numero do processo: 11128.000265/2006-91
Data da sessão: Wed Jun 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/01/2004 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Uma vez que não houve o correto enquadramento legal do ilícito no auto de infração, este deve ser anulado, por não permitir a ampla defesa do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3102-00.688
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Vencido o conselheiro Paulo Sérgio Celani, que negou provimento ao recurso. Os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Luis Marcelo Guerra de Castro votaram pela conclusão.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena

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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/01/2004 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Uma vez que não houve o correto enquadramento legal do ilícito no auto de infração, este deve ser anulado, por não permitir a ampla defesa do contribuinte, Recurso Voluntário Provido, Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos as presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Vencido o conselheiro Paulo Sérgio Celani, que negou provimento ao recurso. Os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Luis Marcelo Guerra de Castro votaram pela conclusão. Lu1s-Mer'c'erUa-- uerra de Castro - Presidente EDITADO EM: 20/07/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Femandes do Nascimento, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Eufrásio (Suplente). Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para lançamento de multa pela não prestação de resposta à intimação lavrada em sede de procedimento fiscal no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, sanção essa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "co , do Decreto-Lei n o 37/66, combinado com o art. 37 da Instrução Normativa ri° 28, de 27/04/1994. De acordo com a autoridade fiscal, o Contribuinte deixou de registrar os dados de embarque das mercadorias despachadas por meio da DDE tf 2041489292/5, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas estabelecido na legislação. Cientificado da lavratura do auto de infração, o Contribuinte apresentou impugnação, na qual alegou que a multa seria inaplicável, porque teria o Contribuinte teria sanado o equívoco, apresentando as informações exigidas, tão logo percebeu o erro. Incidiria, assim, o beneficio da denúncia espontânea, prevista no art, 138 do CTN, Por outro lado, a Notícias Siscomex Transportador 002/2005 teria ampliado o prazo de 24 horas para 7 dias para prestação de informações,. Argumentou, ainda, que sua conduta não estaria tipificada nas alíneas "c" e "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/66. Examinando os autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento, por meio de acórdão assim ementado (fi. 71): ASSUNTO.. REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 05/01/2005 EMBARAÇO À EXPORTAÇÃO. DESPACHO DE EXPORTA ÇÃO, No despacho de exportação o transportador deve registrar os dados do embarque no Siscomex, dentro do prazo previsto na legislação aduaneira O desatendimento constitui embaraço à fiscalização, Lançamento procedente, Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual requer a reforma da decisão proferida pela DR..1 pelos seguintes fundamentos: a) ilegitimidade passiva, na medida em que a empresa CP Ships Ltda. não é a transportadora, mas sim agente de navegação; b) inexistência de prazo expressamente previsto à época da suposta infração para a prestação de informações sobre exportação; c) ausência de embaraço à fiscalização; Processo a' 11128 000265/2006-91 53-C1T2 Acórdão a,' 3102-00,688 Fl. 2 d) ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade previstos no art. 20 da Lei n° 9,784/99. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Entendo que o lançamento merece ser anulado, na medida em que o ilícito praticado pelo Contribuinte não foi devidamente enquadrado no auto de infração. Conseqüentemente, não consta o dispositivo legal efetivamente violado no auto de infração. Consta do auto de infração que o Contribuinte foi multado por atrasar na entrega das informações atinentes ao embarque de mercadorias para exportação, em porto. O auto de infração foi lavrado mencionando expressa e unicamente a alínea "e" do art. 107 do Decreto-Lei n o 37/66, dentre os dispositivos desse Decreto-Lei. O art. 107, inciso IV, encontra- se assim redigido: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas • ) IV- de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): a) por ponto percentual que ultrapasse a margem de 5% (cinco por cento), na diferença de peso apurada em relação ao manifesto de carga a granel apresentado pelo transportador marítimo, .fluvial ou lacustre,' b) por mês-calendário, a quem não apresentar à fiscalização os documentos relativos à operação que realizar ou em que intervier, bem como outros documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal, ou não mantiver os correspondentes arquivos em boa guarda e ordem; c) a quem, por qualquer meio ou forma, ontissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de .fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento.fiscal; d) a quenz promover a saída de veículo de local ou recinto sob controle aduaneiro, sem autorização prévia da autoridade aduaneira; e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e I) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na .forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; ( (destacou-se) Entendo que a conduta descrita na alínea "e" do inciso IV do art, 107 do Decreto-Lei n° 37/66 descreve o fato gerador', sendo muito mais específica para o enquadramento da hipótese em exame do que a hipótese da alínea "c". A conduta descrita na alínea "c" consiste em "embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". 'Trata-se, portanto, de previsão de aplicação de multa pelo silêncio ou atraso na apresentação de resposta à procedimento fiscal instaurado para fiscalização ou averiguação de outra natureza conduzido pela Receita Federal do Brasil. Esse dispositivo versa sobre qualquer ato que atrapalhe a ação fiscal em matéria aduaneira, seja qual for a natureza dos esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal. A conduta ilícita descrita na alínea "e" do art. 107, por sua vez, consiste em "deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Essa sanção seria aplicável não apenas à empresa de transporte internacional, mas também ao agente de carga, conforme expressa previsão legal dessa alínea "e". Portanto, a conduta da alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/66 expressamente indica a informação sonegada (sobre veículo ou carga transportada), prevê a possibilidade de aplicação de multa quando a informação é apresentada a destempo e, ainda, estabelece-a para os casos em que a norma legal exige informações sobre veículo ou carga em operações de comércio exterior. Trata-se da hipótese em exame, na qual o Contribuinte deixou de apresentar no prazo legal informação sobre embarque de mercadorias. Contudo, a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/66 não foi citada no auto de infração. Na verdade, a autoridade fiscal enquadrou o Contribuinte na conduta descrita na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/66, no que incorreu em nulidade. Assim não poderia deixar de ser, pois na medida em que falta ao auto de infração a correta cominação legal, com a devida e indispensável motivação de sua lavratura, cerceia-se os direitos à ampla defesa e ao devido processo legal. Uma vez inadequados a descrição e o enquadramento legal conferidos à hipótese, não deve ser mantido o lançamento. Conclusão Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário para anular o presente processo administrativo fiscal desde o auto de inflação, inclusive. Beatriz Veríssimo de Sena

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5891144 #
Numero do processo: 11060.724059/2011-60
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício:2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida pela DRJ, cabe o enfrentamento das questões , pela instância a quo, para que não sobrevenha supressão de instância Embargo acolhido.
Numero da decisão: 2202-002.550
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios para retificar o Acórdão nº 2202-02.240, de 13/03/2013, sanando a contradição, atribuir efeitos infringentes para anular o acórdão da primeira instância, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta se pronuncie quanto as questões em que não ficou evidenciada a opção pela via judicial.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez

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2202­002.550  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de janeiro de 2014  Matéria  IRPF  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  HERMINDO FRAÇÃO    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício:2008  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.   Serão  cabíveis  Embargos  de  Declaração  sempre  que  a  decisão  embargada  albergar  em  seu  bojo  alguma  espécie  de  omissão,  contradição  e/ou  obscuridade.  SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.  Afastada  a  concomitância,  anteriormente  reconhecida  pela  DRJ,  cabe  o  enfrentamento das questões  , pela  instância a quo, para que não sobrevenha  supressão de instância  Embargo acolhido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do Colegiado,  por  unanimidade  de votos,  acolher os  embargos  declaratórios  para  retificar  o  Acórdão  nº  2202­02.240,  de  13/03/2013,  sanando  a  contradição,  atribuir  efeitos  infringentes  para  anular  o  acórdão  da  primeira  instância,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  instância  a  quo  para  que  esta  se  pronuncie  quanto  as  questões em que não ficou evidenciada a opção pela via judicial.  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 40 59 /2 01 1- 60 Fl. 830DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     2   Composição  do  colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir  Doniak  Junior  (Suplente  Convocado),  Marcela  Brasil  de  Araújo  Nogueira  (Suplente  Convocado),  Ewan  Teles  Aguiar  (Suplente  Convocado),  Vinicius Magni  Verçoza  (Suplente  Convocado).  Fl. 831DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.724059/2011­60  Acórdão n.º 2202­002.550  S2­C2T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se aqui de Embargos da Fazenda, assentado no argumento da existência  de omissão no acórdão questionado, buscando amparo legal no artigo 65 do Regimento Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº.  256,  do  Ministro de Estado da Fazenda, de 22 de junho de 2009.  Impressionou a representante da Fazenda Nacional, o fato do colegiado, da 2ª  TO  –  2ª  Câmara  –  2ª  Seção  de  Julgamento  do  CARF,  ter,  por  unanimidade  de  votos,  dado  provimento  ao  recurso  do  contribuinte  sob  o  argumento  básico  de  que  a  decisão  judicial  transitada em julgado favorável ao contribuinte em matéria tributária com o mesmo objeto do  processo administrativo fiscal faz coisa julgada e importa no cancelamento do processo na área  administrativa.  Observou,  a  representante  da  Fazenda  Nacional,  em  sua  assertiva  de  embargos, os seguintes aspectos:  ­  que  entendeu  a  Turma,  em  suma,  haver  concomitância  entre  as  esferas  administrativa e judicial (Mandado de Segurança nº 2007.71.02.0014672/ RS), razão pela qual  cancelou integralmente o lançamento;  ­ que ocorre que, s.m.j., a concomitância é apenas parcial, razão pela qual se  revela imperioso o julgamento da matéria não submetida ao Poder Judiciário;  ­  que  atente­se  que  no  mandamus  o  contribuinte  limitou  se  a  requerer  a  isensão de imposto de renda sobre o lucro auferido pela alienação das participações societárias  adquiridas no período anterior a 31 de dezembro de 1983. É o que se extrai do pedido expresso  na petição inicial, na qual o contribuinte requer, verbis: “A concessão da segurança pleiteada,  com o  reconhecimento e declaração da  isenção a  incidência do  Imposto de Renda da Pessoa  Física  sobre  o  lucro  auferido  pela  alienação  de  participações  societárias  de  propriedade  dos  Impetrantes no período anterior a 31 de dezembro de 1983, nos termos da fundamentação”;  ­  que,  no  presente  processo  administrativo,  entretanto,  o  auto  de  infração  abrange não só o ganho de capital auferido em relação a ações adquiridas antes de 31/12/1983,  mas também o ganho auferido em relação a ações adquiridas após tal marco temporal;  ­  que  se  registre,  inclusive,  que  atento  à  possibilidade  do  Mandado  de  Segurança nº 2007.71.02.0014672/RS  transitar  em  julgado  favoravelmente  ao  contribuinte,  a  autoridade fiscal responsável pela autuação separou o cálculo da apuração do ganho de capital  na alienação das participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e a partir de 01/01/1984;  ­  que  se  tem  que  o  auto  de  infração  ora  analisado  abrange  a  cobrança  de  crédito não submetido à análise do Poder Judiciário e que, portanto, merece ser examinado na  via administrativa;   Fl. 832DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     4 ­ que se frise que a discussão acerca da incidência de imposto de renda sobre  o ganho de capital auferido com a alienação das participações societárias adquiridas a partir de  01/01/1984 não foi submetida ao crivo do Judiciário;  ­  que  também  não  foi  abordada  no  Mandado  de  Segurança  nº  2007.71.02.0014672/RS a forma de cálculo da apuração do ganho de capital  auferido, o que  envolve  a  questão  da  tributação  das  ações  decorrentes  de  bonificações  adquiridas  pela  incorporação de reservas diversas e/ou reservas de lucros;  ­  que,  nesse  contexto,  e  considerando  que  o  Colegiado  foi  omisso  no  que  tange  à  análise  dos  contornos  da  lide  levada  à  apreciação  do  Judiciário,  faz  se  mister  que  esclareça seu posicionamento sobre o tema, explicitando, fundamentadamente, se concorda ou  não com a seguinte afirmação constante do relatório fiscal (fls. 20/21): “Assim, mesmo que o  sujeito  passivo  obtenha  decisão  judicial  transitada  em  julgado  favorável  no  mandado  de  segurança impetrado, tal decisão apenas contemplará o reconhecimento e declaração da isenção  a  incidência do  Imposto de Renda da Pessoa Física sobre o  lucro  auferido pela alienação de  participações  societárias  de  propriedade  dos  Impetrantes  no  período  anterior  a  31/12/1983,  restando  tributável  o  ganho  de  capital  auferido  com  a  alienação  das  ações  adquiridas,  por  qualquer  forma,  a  partir  de  01/01/1984,  inclusive  as  ações  adquiridas  por  distribuição  de  bonificações desde aquele período”;  ­ que caso essa Turma conclua que a concomitância entre as esferas judicial e  administrativa circunscreve se ao período anterior a 01/01/1984, restando em aberto a questão  da  incidência  do  imposto  de  renda  sobre  o  ganho  de  capital  auferido  com  a  alienação  de  participações  societárias  adquiridas  a  partir  da  data  supramencionada,  conceda  efeitos  infringentes  aos  presentes  embargos  de  declaração  para  rever  o  entendimento  outrora  manifestado sobre a abrangência da concomitância, procedendo se ao conseqüente julgamento  da matéria não submetida ao Judiciário.  Por fim, a representante da Fazenda Nacional, requer que sejam conhecidos e  acolhidos os presentes Embargos de Declaração, a fim de sanar os vícios apontados e que se  conceda efeitos infringentes aos presentes embargos de declaração para rever o entendimento  outrora  manifestado  sobre  a  abrangência  da  concomitância,  procedendo  se  ao  conseqüente  julgamento da matéria não submetida ao Judiciário.    Fl. 833DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.724059/2011­60  Acórdão n.º 2202­002.550  S2­C2T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator  Os embargos devem ser acolhidos.Cabe apontar a questão prejudicial da falha  no reconhecimentos dos limites da ação transitado em julgado.  Não  é  necessário  se  aprofundar  na  matéria  para  se  comprovar  que  o  embargante tem razão em seu apelo. Consta de forma clara no relatório fiscal, que a discussão  no processo instaurado vai além da discussão judicial, conforme se constata no excerto abaixo  transcrito:  Em  função  de  o  sujeito  passivo  ter  impetrado  mandado  de  segurança visando o  reconhecimento da  isenção de  Imposto de  Renda sobre o ganho de capital, pleiteando o benefício para as  ações  adquiridas,  por  qualquer  forma,  até  31/12/1983,  atualmente  encontrar­se  pendente  de  julgamento  no  STJ  os  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  e  considerando,  ainda,  que  pode  transitar  em  julgado  a  ação  concedendo  a  segurança  requerida  pelo  sujeito  passivo,  apresentarei  o  cálculo  da  apuração  do  ganho  de  capital  na  alienação  das  participações  societárias  adquiridas  até  31/12/1983  e  a  partir  de  01/01/1984  de  forma  separada,  ressalta­se:  apenas  com  o  intuito  de  separar  os  ganhos  de  capital  ocorridos  nos  dois  períodos  para  facilitar  o  entendimento  caso o  sujeito passivo obtenha êxito na referida  ação  judicial,  ficando  demonstrada  a  parcela  do  ganho  de  capital  auferida  com  a  alienação  da  participação  societária  adquirida até 1983, que, porventura, seja declarada, pelo Poder  Judiciário,  isenta  em  função  do  possível  reconhecimento  do  direito adquirido.   [...]  Após  o  levantamento  do  custo  de  aquisição,  já  demonstrado  e  explicitado  neste  relatório,  a  fiscalização apurou os  valores  de  ganho  de  capital  por  período  (para  melhor  compreensão  e  comparação  com  os  valores  apurados  pelo  sujeito  passivo)  e  total, considerando também o ganho de capital diferido referente  à parcela da alienação retida no valor de R$ 3.571.872,00.  Assim  sendo,  cabe  razão  ao  Recorrente  de  que  a  discussão  acerca  da  incidência  de  imposto  de  renda  sobre  o  ganho  de  capital  auferido  com  a  alienação  das  participações  societárias  adquiridas  a  partir  de  01/01/1984  não  foi  submetida  ao  crivo  do  Judiciário.  Da  mesma  forma,  cabe  razão  ao  Recorrente  de  que  não  foi  abordada  no  Mandado de Segurança nº 2007.71.02.0014672/RS a forma de cálculo da apuração do ganho  de  capital  auferido,  o  que  envolve  a  questão  da  tributação  das  ações  decorrentes  de  bonificações  adquiridas  pela  incorporação  de  reservas  diversas  e/ou  reservas  de  lucros.  Tal  Fl. 834DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     6 circunstância,  aliás,  restou  registrada  na  própria  inicial  do mandado  de  segurança  impetrado  pelo contribuinte, o qual consignou em sua peça  inaugural o  seguinte: “Não se discute neste  feito o cálculo de apuração do custo de aquisição das ações vendidas e o valor do imposto de  renda pago por força do ganho de capital, até porque tais discussões escapariam à via estreita  do Mandado de Segurança”.  Uma vez que as questões referentes as alienações de participações adquiridas  a partir de 01/01/84 e as base de cálculo de operação do ganho de capital auferido, não foram  submetidas  a  apreciação  do  judiciário,  deveriam  ter  sido  conhecidas  pela  DRJ  quando  da  análise  da  impugnação.  Com  a  preocupação  de  assegurar  a  dupla  instância,  entendo  que  é  indispensável que as questões não apreciadas sujeitem­se a análise da primeira instância.   Nestes  termos,  voto  por  acolher  os  embargos  declaratórios  para  retificar  a  decisão  embargada  (Acórdão  nº  2202­02.240,  13/03/2013)  sanando  a  contradição,  e  determinando o retorno dos autos para que a instância a quo se pronuncie quanto ao mérito.    (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez                                Fl. 835DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

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