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Numero do processo: 10530.000018/88-37
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-78160
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Sessão de 09 de novembro deu 88 ACÓRDÃO N9....11:713-4.1 6 O Recurso n2 93 .105 — IRPJ = EX : 1986 Recorrente CASA IMPÉRIO COMÉRCIO DE FERRAGENS E MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrid SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL 'DA RECEITA FEDERAL 5a. REGIÃO FISCAL ICM SOBRE TRANSFERÊNCIA: Embora possa o valor superior a 17% do ICM, deduzido da receita de venda, na demonstra- ção da receita liquida indicar anomalia,es- , se fato por si só não justifica a tributa - ção, merecendo ser pesquisada a causa, que poderá decorrer das transferências ocorri — das entre a matriz e suas filiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por CASA IMPÉRIO COMÉRCIO DE FERRAGENS E MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao re curso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sess-. e , em 09 de novembro de :1988. e, URGEL 1 "--EIRA PRESIDENTE A0)0111k5 /°: CEL,Se'rAL - TO-Aie - RELATOR VISTO EM C AR PALM' MAR INS BARBOSA - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: 1 O NOV 198: NACIONAL v.v. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA,CRIS TÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, ARY TORIBIO, RAUL PIMENTEL e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. 2 „ SERVIÇO PUBL ICO F EDERAL PROCESSO N? 10530/000.018/88-37 REcURsow 93.105 ACÓRDÃO N9: 101-78.160 RECORRENTE : CASA IMPÉRIO COMÉRCIO DE FERRAGENS E MATERIAIS DE CONSTRU — ÇÃO LTDA. RELATORI 0 As fls. 52/61 apresenta a empresa CASA IMPÉRIO COMÉRCIO DE FERRAGENS E MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA. recurso voluntário con— tra a decisão da SUPERINTENDÊNCIA DA RECEITA FEDERAL EM SALVADOR,5a. Região Fiscal, que houve por bem, reformando decisão da Delegacia da Receita Federal, entender procedente o lançamento suplementar de fls. 05, especificado nestes termos: "Receita liquida informada a menor em vir- tude do valor do ICM(item 11 do quadro 10) ser superior a 17% das vendas (itens 05, 06 e 07 do quadro 10). Art. 178 do RIR aprovado pelo decreto n9 85.450/80." A contestação ach lançamento suplementar teve por funda- mento o fato de que não havia ele considerado o ICM incidente sobre as transferências e devoluçaes de mercadorias, demonstradas através' dos gráficos de fls. 2 e 3. • Baixado o processo em diligência (fls. 151 para constata ção dos argumentos de defesa, resultou a informação de fls. 42, que concluiu: /// "Fiz a diligência junto a Empresa .. - e (;--) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530/000-018/88-37 3 Acôrdão n9 101-78.160 pude constatar .... que não houve intenção de aumentar o (ICM) a fim de reduzir a Receita Líquida do contribuinte e conseqflente dimi nuição do Imposto de Renda a recólher batendo com o total apresentado na Declara ção do Imposto de Renda ano-base de 1985- exercício de 1986..." A decisão da Delegacia foi no sentido de cancelamento da notificação (fls. 44), assim justificada; "No caso, o relatõrio da diligência reali- zada comprovou por meio dos registros fis- cais do contribuinte, fls. 16/41, a corre- ção dos informes contidos na declaração a- presentada." O recurso de ofício mereceu provimento, assim esposada a sua causa pela Superintendência da Receita Federal: "O artigo 178 do Regulamento do Imposto de renda RIR/80, aprovado pelo Decreto n9 85.450, de 04.12.80, no qual esta embasado o lançamento suplementar em julgamento,de- fine a receita líquida de vendas e servi- ços como sendo a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos conce didos incondicionalmente, e dos impostos T incidentes sobre vendas. 5. Considerando que para o ICM sobre trans ferência não corresponde nenhuma receita 7 a sua inclusão no item 11 do quadro 10 do Fomulário implicaria numa antecipação de despesa, o que a legislação não permite." O recurso voluntário, em longo arrazoado, defendeu a cor - reção dos lançamentos constantes da declaração de rendimentos da Re- corrente, já que observada toda a legislação para apuração do lucro' real. Demonstrou, através dos lançamentos entre matriz e fi- lial, as repercussOes da incidência do ICM sobre as transferências de mercadorias, que deram origem ao lançamento suplementar. /7 Concorda com a afirmação de que o ICM não incid obre SERVICO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530/000.018/88-37 4 Acórdão n9 101-78.160 vendas, pelo que não deveria ele ter sido consignado no quadro 10 item 11 do Formulário I do IR, para em seguida afirmar: "Todavia, segundo entende a recorrente, o engano que teria sido cometido no preenchi mento do Formulário I, registrando o esti- pêndio do Item 11do" Quadro 10, ao invés de consigná-lo na linha 11, Item 21, do Quadro 12, não pode, como é evidente, cons tituir um fato gerador do ~et:ide renda."" Segundo a Recorrente: "É, portanto, absolutamente irrelevante,pa ra a correta apuração do "LUCRO REAL", que" o valor do ICM incorrido sobre as transfe- rãncias e devoluções seja consignado no Item 21 do Quadro 12 (DESPESAS OPERACIO NAIS), uma vez que o resultado final sujei to à tributação, nas duas situáçSes, n EX71. TAMENTE O MESMO", com o que requer provimento ao recurso. É o relatório. , 5 SEJ2V1ÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.018/88-37 Acordao n9 101-78.160 •• VOTO Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA, Relator; O recurso é tempestivo, razão pela qual deve ser aprecia do. Entendo que mereça ele total provimento, uma vez que, inobstante tenha razão a decisão recorrida ao afirmar não ser o 1CM um tributo sobre vendas ( art. 178 do RIR/80), os lançamentos constante dos au- tos, segundo os gráficos e razOes da Recorrente, comprovam não ter si do reduzido o resultado tributável para o imposto de renda. O critério utilizado pelo FISCO para o lançamento suple- mentar, conquanto seja um dado indicativo de anomalia, baseado no si logismo: O ICM tem como alIquota máxima o percentual de 17%. Da receita bruta apurada no exercício, deve o contribuin te deduzir o ICM incidente, Logo o valor a ser deduzido no poderá ultrapassar 17%, não representa uma verdade absoluta, se considerado que quando das transferências entre os diversos estabelecimentos de um mesmo contri- buinte, fato irrelevante para a tributação do IR, o ICM,embora inci- dente, se anula pelo registro da conta fiscal de débito e crédito. Em outras palavras: o que é irrelevante para o IR relevante para oICM, no caso. Em verdade,embora o ICM da transferência por saída d ma- triz para a filial gere débitonaquela e crédito nesta, a operação não indica,para os efeitos do tributo federal, receita tributável, o que provoca a distorção detectada pelo lançamento suplementar. Segundo o preenchimento da declaração de rendas, quadro 10, a receita liquida é o resultado dareceita darevenda de mercado- rias item (07), menos (-) ICM item 11, enquanto que naapuração do it4ÚW 6 sERvico PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000,018/88-37 Acórdão n9 101-78.160 custo quadro 11, as compras são lançadas já com o imposto estadual deduzido. Ora, claro está que o ICM incidente sobre as transfere!' cias, pelo método utilizado, ao mesmo tempo que e um redutor da re- ceita líquida é um redutor também do custo, resultando que o débito da matriz por saldas importa em um igual crédito na filial pelas en- tradas. Portanto, os valores se anulam. Exemplificado com dados hipo teticos: Receita de venda 120.000. Custo 100.000 (-1 imposto (17%) 20.400 C-1 imposto (17%1 17.000 99.600 83.000 diferença = 16.600 (99,600 -,83.000) Receita de venda 120,000 Custos - 100.000 (-) imposto sobre venda 20.400 (-) imposto compras 17.000 (-) Unposto transfer& C-) imposto transfe cia — 1.000 relida 1.000 98,600 82.000 diferença = 16.600 (98,600 - 82.000) É que, segundo a sistemática adotada para o registro do ICM, as transferências reduzem o custo e, na mesma proporção, a re- ceita, não sendo elas importantes para a apuração de resultado para o Fisco Federal, o que ocorre também com as devoluçiSes. Cremos que o programa do FISCO FEDERAL é válido enq to parapara apontar posslvel distorção a ser verificada por ação fiscal, não sendo por si só capaz de justificar lançamento suplementar, por falta de certeza. No caso em exame, bem determinada a diligência, consta- tou-se a veracidade das alegaçEes da Recorrente, o que levou a Dele .40ú 7 SERVICO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.018/88-37 AcOrdão n9 101-78.160 gacia da Receita Federal a dar provimento a Impugnação, tendo a meu ver laborado em erro a decisão recorrida que,preocupada com a fria letra da lei, fez abstração, fazendo prevalecer sobre a verdade mate rial a verdade. formal. Por todo o expo -,•ovimento ao recurso. A- É. o meu •• • CELSO OSA - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10855.001538/2004-76
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/07/2003
DECADÊNCIA. Nos termos do art. 150, § 4', do CTN é de 5 anos, a contar
do Fato gerador, o prazo que dispõe a Fazenda para cobrar tributos sujeitos a
lançamento por homologação.
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO LEI 9718/98.
COFINS Deve ser reconhecida e aplicada de oficio, por qualquer autoridade
administrativa, a declaração de inconstitucionalidade do § 1 0 do artigo 3" da
Lei n" 9 718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a
totalidade das receitas auferidas pot pessoas jurídicas, independentemente da
atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-00.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/07/2003 DECADÊNCIA. Nos termos do art. 150, § 4', do CTN é de 5 anos, a contar do Fato gerador, o prazo que dispõe a Fazenda para cobrar tributos sujeitos a lançamento por homologação. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO LEI 9718/98. COFINS Deve ser reconhecida e aplicada de oficio, por qualquer autoridade administrativa, a declaração de inconstitucionalidade do § 1 0 do artigo 3" da Lei n" 9 718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pot pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Nos termos do art.. 150, § 4', do CTN é de 5 anos, a contar do Fato gerador, o prazo que dispõe a Fazenda para cobrar tributos sujeitos a lançamento por homologação. COVINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO LH 9718/98. (/OVINS Deve ser reconhecida e aplicada de oficio, por qualquer autoridade administrativa, a declaração de ineonstitucionalidade do § 1 0 do artigo 3" da Lei n" 9 718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pot pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos AG( -dom os 'àembros 'Io 1 Colegiado, por unanimidade de volos, em dar i provimento parcial ) r Laus° v untarir , nois termos do voto do Relator, " i 4 a li' a Siivl . -e..i'l'i.dent.e,011Ili exanc a, Gomes - Relato' EDITADO EM: "-, 8/07/2010 I articiparam do presente Julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo O Barbieri, Alexandre Gomes (Relator) e Ciileno Ciurjao Barreto. i Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em virtude da apuração de talta recolhimento da COVINS no período de 03/99 a 07/03, cuja ciência do contribuinte ocorreu em 30/06/2004 km sua Impugnação, a Recorrente alegou: (i) a decadência da competência 03/99, nos termos do art. 1.50, § 4", do Código Tributário Nacional; (h) a ilegalidade da exigência da C011NS com base na Lei 9.718/98, pois se trata de Lei Ordinária que não poderia promover altelações na Lei n" 70/91, que tem natureza de Lei Complementar, sendo ilegal a majoi ação da aliquota e da base de cálculo; (iii) a ilegalidade da aplicação da Taxa SLIAC. A DR' de Ribeirão Preto, após análise da 'impugnação, entendeu pot bem manter o lançamento fiscal em decisão que assim lieou ementada: Contiibuicão paia o hitanciainewo daSe.,:,nridade Social C'OP1NS Período de apuração: : 01/03/L999 a 31/0712003 .LMENTA.: FAL14 DL RECOLJI/MLNT() .4 'alia ot.i in.wificiência de recolhimento da (1 01 amuada cm pi °cedimento /i a!, ensvja o lançamento de oficio com os SCi MOS' 1Cg(ti .S• DLCADENCL4 O prazo decadencial pai a O lançamento da COFINS é dc dez anos çontados do !mimar() dia cwrcic.to .ticgninte àquele em que o eédto podei ia lei COiV,STITUCIONALIDADE Á instancia admill1StraliVa e incompetente paia se manilc.star c a c()111fithr(;i011alida(/t.' das leis Lançamento Pi °cedente Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente alega: a) a decadência da competência 03/99; b) no mérito, tealirma a ilegalidade da Lei n" 9.718/99 no tocante a nova base de cálculo determinada pelo artigo 3', posto que esta deve se resti ingir apenas ás receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços; e, a ilegalidade da majoração da. aliquota de 2% paia 3% c) informa que, no Mandado de Segurança impeli ado sob n" 1999,61 .10.002519-2, obteve êxito parcial reconhecendo a ilegalidade da alteração da base de cálculo, sendo vencida quanto à questão da majoração de aliquota; d) deve a presente autuação retornar em diligência para que apure o valor devido relativo à diferença de 2% para 3% da aliquota, desconsiderando- se a receitas excedentes ao latinamente); e) requereu o sobrestamento do feito até o trânsito em julgado do Man ' ai o de Segurança protocolado pelo Recorrente; e, a não aplicação do A. .s Uft 2 l'roceo o" 10855 001538/2004-76 S3-(312 Acói dâo u " 3302-00.475 ri 283 COSI 03/96, posto que o presente Auto de Inflação abrange multa e juros, matéria não tratada no processo .judicial Consta ainda do processo, nas Ti. 257, informação promovida pela DR.F de Sorocaba, dando conta da interposição do Recurso Parcial tendo em vista ter o Recorrente reconhecido e requerido a apuração do valor devido de COHNS relativo à majoração da aliquota promovida pela 1,ei n" 9..718/98. Mais adiante, na 11 271, apresenta-se planilhas onde foram apurados os valores contra os quais não houve recurso O Recorrente foi intimado para procedei ao pagamento dos valores que foram transferidos para o processo 1.3876 000347/2008-61 o relatório. Voto Consel hei i o Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento Conforme se depreende do relatório acima elaborado o Recurso apresentado foi parcial, alcançado apenas duas matérias, quais sejam: (i) a decadência da parcela relativa a março de 1999-, e, (ii) a ilegalidade do alargamento da base de cálculo promovida pela Lei 9.718/98, que foi afastada por meio de decisão ,judicial em Mandado de Segurança impetrado pela Recor rente junto à Justiça Federal" Em relação ao primeiro tema, com razão o Recorrente. O presente processo é oriundo de Auto de Infração relativo ao PIS e a COFINS nas competências 0.3/99 a 07/03, tendo o contribuinte sido cientificado em 30/06/2004. A despeito da COFINS se tratar de contribuição previdenciária, a muito a sua natureza de tributo já roi reconhecida pela doutrina e pela jur isprudência. Conlbrme o art 149 da CF, inserido no Capítulo 1, denominado Sistema Tributário Nacional, é da União a competência para instituição de contribuições sociais, vejamos: t 149 Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e oy interesse das categorias profissionais ou econômicas, COO O iftSiri1irleflt0 (.1C Stta atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos anis 146, .111, e 150, 1 e Til, e sem prejuízo ) evisto no art. 19.), 6", relativamente às contribuições a que. alado O diyasitiva " Ao determinar a competência da União para legislar sobre contribuição providenciaria, espécie do gênero contribuição social, a Constituição registrou, expressamente, que estas deveriam observar o disposto no art. 146, Hl, que assim dispõe: ".41- 1 146 Cabe à lei complementar .) 111 - estabe.le.'cer normas gerkliS' CM matéria de le,..islaç:ão ti ibuián ia, espec.:ia/mente sobre: ) 19 obrigação, lanç anwnto, (rédito, prescrição e docadéricia tributários; Sobre o assunto, trazemos Os importantes ensinamentos de Hugo de Brito Machado', que assim alirrna: "Pensamos que as (ontribuições autor ibadas pelos artigos 149 e 195 da vigente Con.slituição na verdade.' são espécics. de tributo, /a porque se enquadram no conceito implicno iia (orislituição que a final pode ser considerado 11171 001-2(..Ci !O praticamente universal de ti ibuio, seja porque cor) C.NIJOildCM ao conce.'ito consubstanciado no ai 1 3" do Código Tributário Nacional que a final nada lin fis é do que uma forma de expressão daquele conceito implícito no Fs:latuto Básico Assim, possuindo natureza jurídieo-tributária, as contribuições previdenciarias, a que se refere o art. 195 da Constituição, estão automaticamente sujeitas às determinações constantes no art. 146 da Constituição Federal, que assegura que somente a 1 ,ei Complementar disporá sobre as matérias relativas à decadência e prescrição Isto significa que, embola a 1,ei 8.212/91., em seu art. 45, estabeleça prazo de dez anos para a constituição dos seus créditos, esta imposição não pode prevalecer sobre a legislação de caráter complementar, no caso, sobre as determinações do Código lributátio Nacional, que regula inteiramente a matéria em. seus arts. 150, 168, 173 e 174 .FSpeciticamente sobre, tema colhe-se decisão do Supcior Tribunal de Justiça: PROCkS'SUAL ( 7 171 1, i TRIBUlÁRIO 7iÁo DE(1„.1RATÓRL4 .1.11 .1PRESCRVI7BILIT)..41)E INOCORIdArlA CONTR.IBUI-0)LS PARA A SLGUR1DADL 500 I.11, PRA/0 DECADLNCIAL PARA O A IV( 111/1EN70 INCONSTITUCION.A-LIDA DE 1)0 ARTIGO 45 /),4 .L.L1 8.212, DL 1991 OLP:1114 AO ART 14(), 111 B. DA CONSTITUA-À.0 1 Não há, em nosso direito, qualquer disposição normativa assegurando a imprescritibilidade da ação declaralor ia A doutrina processual clássica é que as entoao entendimento, baseada em que (a) a prescrição rem como pressulmsto necessário a evistencia de um estado de fato contrário e lesivo ao direito e em que (19 tal pressuposto à á-lex:isto/1e e incompatível C011 1 a ação deelaratoria, nutrir:Cl:a é ln As Contribuições lio S istema tributário Biasileho, Coordenador Hug- d/: Brito Machado São Paulo: Dialética/h ortalcza: Instituto Cearense de bstudos Tributários ECO 1,2003 p Proces;s0ii 1W55 .001.5:-')S/200,1-76 S3-C3 "I" 2 Ac(mbo " 3302-00.475 H 284 eu/Men/eme/a(' preventiva Entende-se, aS sim, que a ação declaratória (a) não está .sujeiia a prazo prescricional quando seu objeto for', sinq?lesmente, juízo de eet reza sobre a relação jurídica, quando ainda não hansgredido o direito, todavia, (1) não há iniereSw jurídico em obter tutela dechnatória quando, ocorrida à desconformidade entre estado de tato e estado de direito, já se encontra prescrita a ação destinada a obter a c-orrespondente tutela rtparatória 2 As contrihtii.„.3es sociais, inclusive as destinadas a ,finaneiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no ali 146, III, b, tia Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em rua/ária de prescrição e decadência tributai ias, compr cem/ida nes.sa cláusula inclusive a .fixação dos respectivos pra:--,os Conseqüentemente, padece de inconstüncionalidade formal arti!zo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. 3 Instauração do incidente dc ineonstitucionalidade perante a Corte Especial (CF, mi 97, CPC, arts 48(1-482; RLSTI, art. 20(9 (AgRg no .REsp 616.348/MG; AGRAVO RE C71MLN11/11., NO RECIIRSO ESPECIAL 2003/0229004-0 Mini TEOR/. ;IMMO LI V4SY1KI PRIMEIRA TURMA 11111 74 02 2005 p 144 RD1)7 - 3.,o1 115, p 164) Por :fim, a respeito da inconstitucionalidade do art. 4,5 e 46 da Lei 8.212/91, recente decisão do Pleno do V. colocou fim ?.1 discussão, editando, inclusive, súmula vineulante, que assim restou redigida: SCJAIULA 8 - SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAT O ÚNICO DO ARTIGO 5"1)0 DKCRE,T0-1,H N" I 569/1977/ OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N" 8 212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADL'WCIA DE CRÉDITO IRIBUTÁR.I0 Afastada a aplicação dos dispositivos inconstitucionais, busca-se no CTI\I solução para a questão Via de regra, o CIN estabelece que o lançamento tri b tári o deve observar o art. 17.3 do Código Tribu(ái io Nacional, que determina: "Ari 17.3 O direito de a b'azenda Pública constituir O crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados - do primeiro dia do exerelcio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, . - da data em que se tornar definitiva a decisão que houeerk anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente (*tutu ). Parágrafo unico O direito a que se refere este artigo extingue-s\ dcjiniiivamemite com o decurso tio prazo nele previsto, contado). 5 da data em que lenha ido iniciaria a umstituição do cr(Wito tributário pela notificação, 00 .sr.(jeito VO, do qualquer medido paporatória indispensável do lançamento Relerida regra, no entanto, comporta exceções para os casos em que os tributos c.stão sujeitos ao pagamento através do regime de homologação, como é o caso das contribuições discutidas nestes aulos Nestes casos, aplicável o prazo estabelecido pela redação do art. 150 do Código I ributái io Nacional, senão vejamos: "Ar 1 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos Ir i1)u1o,s cura legislação atribua ao yujeitc.) /10 N 5 O deve.'t de anteópat o pagamento s. ern o ptévio evame da autor idade administrahva„ opera-se pelo ato em que a reler ida autoridade, tomando conhecimento da atividade a Lni exercida polo obrigado, expre yyamente a homologa ) 4" Se a lei não fixar prazo (/ homologação, será ele de 5 6inco) anos. , a cornar da ocorrência do jato .gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Publica se tenha pronunciado, considera-se homolonmdo o lancamenlo e definitivamente ex.-tinto O crédito, salvo se comprovada ri ocorrência de dolo, fraude ou simulação (grifou-se) Neste sentido, é a jurisprudência do STJ: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO À L1NCAMEN1O P014 110MOLOG1ÇÃO DECLARAÇÃO DO CON7RIBU1N1E 1E54('0114PA LIDA DE PAG A 114 ENTO . 'REN'f: RICÃO 1. Nos. tributos suleito.s a lançamento poi • hornolo,gaç.ão, 0001. 1-umlo a datai ação do contribuinte desacompanhado do pagamento no vencimento, não Te 0,5„,ruarda o decurso do prazo decadenchd para o lançamento. A decidi-ação do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do débito, podendo este ser imediatamente inscrito em divida ativa, tornam/o- se exigível, independentemente de qualquer pr.ocedimento whninistralivo Ou de notificação ao corai i bui nte Precedentes 2 O teimo inicial da /nesei ição, em caso de tributo declarado o não pao, não se inicia da declaração, mas da data estabelecido como Pendmeino para O pagamento da ol)figação declarada 3 Cuida-se de Imposto de Renda de Pessoa Ti.sico-IRPE ano- ba ye 19.95, exercício 1996, Caso 001 que o pagamento da refi0 ido exação poderia ser realizado em parcelas. até o mês de setembro de 1996 ..1ç5h11, O pl 020 precricional começou a correr em outubro de 1996 e consumou-5.e em outubro de 2001 Corno a execução fiscal fOi ajui::.cula em setembro de 2003, ocorreu a prescrição do tributo executado 4 Recurso especial provido2 2 Resp n" 7{0 443-SC (2005/0173276-6) Relator Minish o Castro Mcita . Pt occ_sso [1.'10855 0015.3W20!)1-76 S3-C3 1 2 Ai (Vio n." 3302-00.475 H 285 Este Conselho de Contribuintes também já decidiu neste sentido: Ementa PRLI1M1N4R DL DEC1D12NC1A - DECADÊNCIA DO 1)1RPTIO 10,. CONSTITUIR O Cld.;DITO — No.s caso, lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco (.0;712.11111 O CI édito ti ibutátio via lançamento de o//cio, COMOÇO a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, independentemente tenha havido pagamento ou não, eis que o que se homologa ó a atividade eYercido pelo e onn ibuinte e não o pagamento, volvo se comprovada O oeonencia de dolo, Ti ilude ou s'imulação, caso OJII que o pioro começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício .scguinte àquele em que o lançamento poderia lei sido eutado (Numero do Recurso 154203 Camelia. PRIMEIRA CÁMARA Numero .Proccsso..10875 005130/2003-54 do Recurso •VOLUNIÁRIO Relator Vahnir ,Sándri Decisão 4cordão 101-96613 Data da 06/03/08) Em dezembro de 2008, o Pleno do antigo Conselho de Contribuintes, consolidou o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pela Fazenda Nacional tem seu inicio no mês seguinte à ocorrência do fato gerador, independente da realização do pagamento, nos termos dos 1" e 4" do artigo 150 do CIFN 3 Assim, em relação à competência 03/99 ocorreu a decadência Quanto à segunda questão a ser analisada, também assiste razão a Recorrente. Sobre o alargamento da base de cálculo, o tema encontra-se pacificado no E. que decidiu no seguinte sentido: .0/V,S-1.1.7V(.10./V4LIDADE SUPERVENIENTE - ART. -Bi() 3, 1", DA LET N" 718, DE. 27 DL NOVEMBRO DE 1998 - -EMENDA (Y)N8TITUCIONAT, N" 20, DE i DE DEZEMBRO DE 1998 O sistema jurídico brasileiro não contempla o .figura da consliniejonalidadesuperveniente TRIBUTÁRIO - INSTITUTOS - .E.XPRESSOLS E VOCÁBULOS - ,S'ENTIDO A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional i,essolta a impo.s.sibilidade de a lei tributo' ia alterar a definição, o conteádo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e feri mas de direito privado utilizados expresso ou implicitamente ,S'obtepõe-se ao aspecto formal o princípio da realidade, consideí actos os elementos tributários CO7'URD3 50CI.41 - PIS - RECE11 4 BRUT,4 - NOÇÃO - INCONSTITUCIONAUDADE DO 1" DO ARTIGO 3" DA LEI N" 9 718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do ai figo 195 da Carla Federal anterior à Emenda Constitucional n" 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e fautramento como .sinónimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o /" do artigo 3' da 1,ci n" 9 718/98, no_.yue,:' ampliou o conceito de recita bruta para envolver a total da RI 201-121531 - Processo 10980 003190/2002-54; RE 201-122746 - Processo 10280. 05672/00-21; RE. 201- 123568 - Processo 13891.000209/00-29; RI/ 301-125569 - Processo 10805 002709/98-24 WE\ _ 7 das receitas auferidas por pCS S• MIN /Ui áfiCaS, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da ela s,srficaç ao contabil adorada (RE 346 084/P1k) Ik'elator(a) Min 1LMA1? GALVÃO Relator(a) p/ Acórdão Min MARCO AURELIO Julgamento 09/11/200.5 Órgão Julgador. Tribunal Pleno) Do voto do Relatou, Ministro Marco Aurélio, destaca-se: - Vale dizer que se está diante de diploma normativo cujo 1 do art 3 veio à luz sob O signo da inconstitucionalidade parcial, ao fazei compreender no conceito do receita bruta do connilmintes entradas outras diversos do produto da venda de mercadorias e serviços, instituindo, por consequência, nova fonte destinada a ,e,"(11aidif a manutenção da seguridade social , o que somente por kl complementar poderia ye feito validamente, como previsto no 4 do rei/riria ali` 195 da Corra Impodarde ressaltar que, embora o julgador administrativo táleca de competência para declarar a ineonstilucionalidade de lei, o Regimento trilei:iro deste Conselho, em seu ar t, 62, parágrató único, inc 1., assim. prescreve: Ai 1 62 lira vedado ao.s. incm/)ros das turmas de julgamento do (ARE afastar a aplicação ou deixai' de observar ttatado. acot do itnet nacional, lei ou deo elo, .sob »m(1(11'1(.7110 de mconstitucionalidade Parágrafb único O disposto 110 caput não Ne aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou 010 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal. Federal, Olf Neste sentido, este Conselho Administrativo vem alastando a incidência das contribuições sobre as receitas que não sejam decorrentes do !atui amento da empresa, senão vejamos: ....UNTO CVNTRIBUIÇÃO PARA O 1INAN(7AMEN10 DA SEGURIDADE SOCIAL - (..'O11A Pei iodo de apuração 31/08/1998 a 31/07/2003 PROCESSO A Mil A/ ISTRAT IVO l'ALT.4 DE COMPRO VÁ ("ÃO D 0,5" 1,•:.'11 ALEGADOS E pi eciNo que o contribuinte comprove os fatos alegados, ou ao menos traga aos autos provas circunstanciais ou indícios suficientes para que se requisite a perícia comabil A não apresentação do documentos suficientes ou finos objetivos neste sentido tor. naln verdadeiras as alegações da Fiscalização CONNS LEI N" .9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE) iNCON„NrIlEUCIONALIDADE DA SELIC O recente jukamento de inconstitucionalidade da Leiç-n" .9. 718/98 pelo Supremo Tribunal F'ederal mio pode i.znorada pelo tribunal administrativo, devendo. inclusire, se. reconhecida e aplicada de ofício por qualquer autoridade €31s 8 ()cesso n'' 1 0855 00 1538/2004-76 S343.1-2 Acouião n " 3302-00.475 F1 286 administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. Acertada a aplicação da taxa SEUL". Recurso provido em parte (Acórdão 201-81 031 Relatora 17 4 R OL A C' A SS7A NO IslY4 AI I DA Si) ASSUMO CON1RIBIIIGió PARA O PliVANClIAMENTO DA SLGURIDADE,S'OCIAL- COP NS Data do . foi o gcradok 31/08/2000 INCONS-TITTICIONAI IDADE DECI8ÃO 1)L111n1111k51 DO $TF APLICAÇÃO Tendo o Pleno do Sn decidi (Ido, de /õ; ma definitiva, a ineonstittwionalidade do .1 do art. 3'' da Tei ri" 9.718/98, pode o ,S'egundo Consrlho de Contribuinte aplicar esta de(::tsão para afastai a exigènCia do PL.Sv e da COL'INS sobre receita de dest.io. keciwso movido (4eórdão .201-80.899 Relato) Ifaiber losé da Silva) No presente caso, as demais receitas obtidas pela Recorrente que foram indevidamente incluídas na base dc cálculo da (.-',OFINS, encontram-se eleneadas na planilha elaborada pela Recorrente, às fis. 10 a 14. de se destacar lambém que, como dito anteriormente, a Recorrente possui ação . judicial discutindo as alterações promovidas pela Lei 9.718/98, ação que transitou em julgado 26/03/2008, com decisão parcialmente procedente prolerida pelo Supremo Tribunal federal, que assim ficou ementada: [RIMA ÁRIO COFINS. MUS. 3", § I" E 8" DA N 9 718/98 AMPLIA(.)ÃO DA BASE DE C Á LCVII .0: IMPOSSIBILIDADE MAJORAÇÃO 1)E AI ,IQUOT.A.: CONSTITUCRYNALIDADE PRECEV)EN1 ES PROVIMENTO PARCIAL DO RFCUR.SO. Assim., deve ser cancelado o Auto de Inflação em relação à parcela incidente sobre as receitas estranhas ao 1:aturamento da Recorrente, nos termos já informados nas planilhas de fls. 10 a 14 Por todo o -,x,postc VOto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para. (i) reconhecer a decader id do ançaMento em relação à competência 03/99 e, (ii) afastar a majoração da base le-'calcul.o pro. ovic la pela Lei n" 9.718/98, devendo a COHNS incidir apenas sobre o faLir nto, -nten lido como o decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviço Al s. 'anda,' Goinel s1t. L 521 .585. Relatora MIN CÁRMFN 1ÚCIA til" 12/06/07
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000518/2009-91
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 30/04/2005 a 31/12/2006
CRÉDITO DE IPI. COMERCIANTES ATACADISTAS NÃOCONTRIBUINTES
IDO IPI. FUMO EM FOLHA.
A partir de 01/08/2004, por expressa disposição do art. 41, da dei nº
10.865/04, o produto fumo
(tabaco) em folha classificado
nas posições
2401.10.20, 2401.10.30, 2401 I.10.40 e 2401.20 da TIPI passaram a fazer
parte do campo de incidência do IPI, razão pela qual é legitima a apropriação
dos créditos do imposto em atenção ao princípio da nãocumulatividade,
cuja
observância é obrigatória. O montante do crédito deve respeitar o
estabelecido no art. 165, do RIPI/02.
Numero da decisão: 3302-000.959
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral,
pela recorrente, o Dr. José Antonio Minatel, OAB/SP 37065.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 615 1 614 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.000518/200991 Recurso nº 203.591 Voluntário Acórdão nº 330200.959 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de maio de 2011. Matéria IPI Recorrente CTA CONTINENTAL TOBACCOS ALLIANCE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 30/04/2005 a 31/12/2006 CRÉDITO DE IPI. COMERCIANTES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTES IDO IPI. FUMO EM FOLHA. A partir de 01/08/2004, por expressa disposição do art. 41, da dei nº 10.865/04, o produto fumo (tabaco) em folha classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30, 2401 I.10.40 e 2401.20 da TIPI passaram a fazer parte do campo de incidência do IPI, razão pela qual é legitima a apropriação dos créditos do imposto em atenção ao princípio da nãocumulatividade, cuja observância é obrigatória. O montante do crédito deve respeitar o estabelecido no art. 165, do RIPI/02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. José Antonio Minatel, OAB/SP 37065. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 30/06/2011 Fl. 637DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria sob discussão no presente processo, transcrevese o relatório produzido pelo acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração lavrado em 20/05/2009, referente ao período de 30/04/2005 a 31/12/2006, no valor total de R$ 46.795.502,70, fls. 21/23, por insuficiência de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os enquadramentos legais das irregularidades apuradas, bem assim dos acréscimos legais, estão discriminados nos dispositivos das fls. 23 e 29. Segundo Relatório de Ação Fiscal de fls. 31/44, o estabelecimento acima epigrafado, cuja atividade industrial é o destalamento das folhas de fumo e acondicionamento para venda, sendo o fumo cru em folhas e as embalagens os insumos básicos do processo industrial, foi autuado com base nas infrações que seguem. Aplicação indevida do art. 165 do RIPI/2002, o qual reproduz os termos do art. 6º' do Decretolei 400/68. No entender da fiscalização, a autuada não poderia se utilizar desta norma que prevê a manutenção de crédito de IPI em compras de MP, PI e ME, sobre 50% do valor constante em nota fiscal de aquisições de comerciantes atacadistas nãocontribuintes do IP1, pelo que os mesmos foram glosados. Em síntese, entende o Fisco que "o direito de crédito de que trata o art.165 do RIPI/2002 deve ser calculado com base na alíquota de IPI a que esteja sujeito o produto; logo, não há direito a crédito quando o fumo é adquirido de comerciante atacadista nãocontribuinte do IPI se este o houver comprado de produtores rurais pessoas físicas porque, nessa hipótese, o fumo ainda não ingressou no campo de incidência do imposto". Destaca no relatório "que vários contribuintes pessoas jurídicas industriais produtores de fumo destalado formularam consulta especificamente sobre o assunto em tela, ou seja, referente á possibilidade de creditarse de IPI nos termos do art. 165 do RIPI/2002 sobre suas aquisições de fumo cru junto a comerciantes atacadistas nãocontribuintes que o adquiriram de produtores rurais pessoas físicas. As soluções proferidas pela Superintendência da Receita Federal da 10ª Região Fiscal a essas consultas negaram a possibilidade de crédito." Em segundo, não tributação integral dos valores correspondentes às operações de industrialização por encomenda efetuadas para outras empresas, na forma do disposto no § do art. 41 da Lei 10.865/04. O contribuinte ao dar saída às mercadorias em retorno ao encomendante sob os CF0Ps 5.902 e 6.902 (Retorno de mercadoria utilizada na Fl. 638DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13005.000518/200991 Acórdão n.º 330200.959 S3C3T2 Fl. 616 3 industrialização por encomenda), nos meses de maio, junho e julho de 2005, e janeiro e março de 2006, não tributou integralmente tais valores, conforme relação de notas constante no anexo II do relatório. Constatadas tais irregularidades, a fiscalização refez a escrita do contribuinte c lançou o valor do IPI resultante, conforme tabelas de fls. 41/42. Regularmente cientificado, em 20/05/2009, conforme consta do auto de infração, Il. 21, o autuado apresentou impugnação tempestiva em 16/06/2009, lis. 526/541, subscrita por procurador devidamente habilitado nos autos (instrumento de mandato nas folhas 543), na qual, após breve relato dos fatos, alega ser legitimo o creditamento de IPI nas operações de aquisições de matériaprima (fumo em folha) diretamente de pessoas jurídicas que se qualificam como comerciantes atacadistas, nos termos do art. 6' do DecretoLei no 400, de 30 de dezembro de 1968, incorporado ao Regulamento do IPI no art. 165 do RIP1 de 2002. Entende que a aquisição de insumos empregados no processo de industrialização adquiridos de comerciante atacadista não contribuintes do IPI são as únicas condições previstas nos dispositivos legais citados, sendo o creditamento uma presunção legal absoluta prevista em regulamento. Na seqüência, insurgese contra a exigência do imposto das notas fiscais de nºs 27883 e 27884, porquanto o IPI está nelas destacado, e o crédito de R$ 41.623,53 estornado no demonstrativo de apuração do imposto, de acordo com art. 193 do AIPI, alega que a fiscalização não examinou atentamente o livro registro de saídas da empresa. Irresignase pela inclusão na base de cálculo do IPI de produtos com notação NT, tais como folha Galpão • Burley (notas fiscais 28314 e 38315), fumo Burley (notas fiscais 29922, 29923 e 29930), ambos com classificação NCM 2401.10.90, alega que tais remessas, assim como as referentes às notas fiscais 34491 e 35467, foram destinadas a outro estabelecimento da mesma empresa, sujeitandose a disciplina do artigo 42. inciso X do Regulamento do 1P1, que permite que "os produtos saiam com suspensão do imposto quando remetidos, para industrialização ou comércio, de um para outro estabelecimento. Por fim, protesta pela inclusão na base de cálculo de valores referentes aos talos e resíduos de folha, denominados "screps", classificado pela NCM 2401.3000, recebendo notação NT, alegando que se tratam de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, por afronta ao art. 2' do Decreto 4.544/2002, RIPI. Entende que "o valor total da operação" deve ser compreendido como valor total de cada item, separadamente. É o relatório” A par dos argumentos lançados na impugnação e de tudo mais que constava dos autos, a DRJ de Porto Alegre manteve o lançamento em decisão que assim ficou ementada: Fl. 639DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 30/04/2005 a 31/12/2006 DIREITO A CRÉDITO FUMO Não existe o direito ao crédito de que trata o art. 165 do RIPI/2002 sobre aquisições de fumo cru em folhas de comerciantes atacadistas não contribuintes do IP1, se o produto houver sido comprado, em fase anterior, de produtores rurais pessoas físicas, porque, nessa hipótese, o fumo ainda não ingressou no campo de incidência do imposto, não estando sujeito a qualquer alíquota de IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. FUMO. BASE DE CÁLCULO DO IPI. A base de cálculo do IPI, quando a industrialização for realizada por encomenda, é o valor total da operação. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Contra esta decisão foi interposto recurso voluntário que, em síntese, argumenta que: a) nos termos do art. 6º do DecretoLei nº 400/68 e art. 165 do RIPI/2002 possui direito ao credito presumido de IPI decorrente das aquisições de matéria prima (fumo em folha) de comerciantes atacadistas, mesmo que estes não sejam contribuintes do IPI; b) a Lei nº 10.865/04, em seu art. 41, inclui os insumos utilizados pela Recorrente no campo de incidência do IPI, e que o disposto na Lei nº 11.051/04 não pode ser aplicado ao caso pois está direcionado para os fornecimentos de produtores rurais pessoas físicas, enquanto as aquisições efetuadas pelo Recorrente foram de pessoas jurídicas (comerciantes atacadistas); c) somente com o advento da Lei nº 11.452/2007 é que os produtos relacionados nos códigos 2401.10.20, 2401.10.30, 2401.10.40 e na subposição 2401.20 da TIPI deixaram de estar qualificados como produtos industrializados e sujeitos a alíquota de 30%; d) “se a lei assegura direito de crédito para "produto industrializado" adquirido de "comerciante atacadista nãocontribuinte do IPI", no valor presumido equivalente a alíquota a que estiver sujeito o produto (30%), aplicada sobre 50% (cinqüenta por cento) do valor constante da nota fiscal, estão presentes todos os requisitos para legitimar o registro do crédito efetuado, na medida em que o "produto industrializado" adquirido se qualifica como insumo que passou a integra o processo produtivo de produto final também sujeito ao IPI”; e) a Quarta Câmara do antigo Segundo Conselhos de Contribuintes já julgou a matéria e garantiu, de forma unânime, o direito ao crédito. Transcreve ementa do Processo 13052.000019/200777; e, f) no tocante os apontamentos relativos a industrialização por encomenda, houve “equivoco do agente fiscal, na medida em que efetuou o lançamento de outra espécie de Fl. 640DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13005.000518/200991 Acórdão n.º 330200.959 S3C3T2 Fl. 617 5 fumo, não sujeita à tributação por ele apontada, bem como na falta do exame atento do livro de saidas da empresa”; bem como a “não sujeição das mercadorias apontadas (talos e "screps" – NCM 2401.30.00) no regime da tributação que tornasse exigível a sua inclusão no custo total das operações. Por fim, requereu “seja acolhido o presente Recurso Voluntário, dandolhe provimento para anular o auto de infração n. 13005.000518/200991, e, conseguintemente afastar a cobrança contida na exação”. É o relatório Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. No presente processo são discutidos basicamente, (a) a possibilidade de utilização de credito presumido de IPI decorrente de fumo em folha adquiridos de comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI e (b) a desconsideração do estorno da base de calculo do IPI efetuada pelo Recorrente. a) Crédito Presumido de IPI – Aquisição de fumo de comerciantes atacadistas. Para melhor situarmos a matéria ora tratada, importante transcreverse os dispositivos legais citados como suporte para o direito ao credito utilizado pelo Recorrente. A possibilidade de utilização de crédito na aquisição de matéria prima de comerciante atacadista surgiu com o advento do Decreto Lei 400/68, que assim prescrevia: Art. 6º O imposto relativo à matériaprima, produto intermediário e material de embalagem e acondicionamento, adquirido de comerciante atacadista, será calculado pelo contribuinte adquirente, para efeito de crédito, mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% (cinqüenta por cento) do seu valor constante da nota fiscal. Tal dispositivo foi sendo regulamentado pelas legislações posteriores, e na época dos fatos aqui analisados encontrava regulação no disposto no art. 165 do RIPI/2002, in verbis: Art. 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos de comerciante atacadista não contribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal (Decreto lei nº 400, de 1968, art. 62). Fl. 641DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES 6 Assim, para fazer jus ao crédito o estabelecimento industrial deveria adquirir (i) insumos que seriam (ii) empregados em processos de industrialização diretamente de (iii) comerciante atacadista não contribuinte do IPI. Presentes os três requisitos acima listados, o crédito seria calculado mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre 50% do seu valor. Posteriormente foi editada a Lei nº 10.865/04, que passou a determinar que diversos produtos relacionados ao fumo fossem incluídos no campo de incidência do IPI, como segue: Art. 41. Ficam incluídos no campo de incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados — IPI, tributados à alíquota de 30% (trinta por cento), os produtos relacionados nos códigos 2401.10.20, 2401.10.30, 2401.10.40, e na subposição 240120 da TIPI. § 1° A incidência do imposto independe da forma de apresentação, acondicionamento, estado ou peso do produto. § 2° Quando a industrialização for realizada por encomenda, o imposto será devido na saída do produto do estabelecimento que o industrializar e o encomendante responderá solidariamente com o estabelecimento industrial pelo cumprimento da obrigação principal e acréscimos legais. § 3º As disposições deste artigo produzirão efeitos a partir do 1º (primeiro) decêndio posterior ao 3º (terceiro) mês contado da mesma publicação. Ou seja, correto ou não, é induvidoso que a partir da entrada em vigor do dispositivo acima transcrito os produtos nele relacionados passaram a ser considerados industrializados, e a partir desta data os estabelecimentos industriais que os adquiriram de comerciantes atacadistas possuíam direito ao crédito nos termos do estabelecido no art. 165 do RIPI/2002. Este verdadeiro “benefício fiscal” perdurou até a edição da Lei nº 11.452/07, que excluiu do campo de incidência do IPI diversas posições da TIPI, como se vê a seguir: Art. 41. Ficam incluídos no campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tributados à alíquota de 30% (trinta por cento), os produtos relacionados na subposiçâo 2401.20 da TIPI. § 1º A incidência do imposto independe da forma de apresentação, acondicionamento, estado ou peso do produto. § 2º(Revogado). § 3º (Revogado). No presente caso, a fiscalização efetuou a glosa do crédito sob o argumento de que as empresas comerciais atacadistas adquiriam os produtos vendidos à Recorrente de produtores rurais pessoas físicas, o que impediria a fruição do credito presumido. Do relatório fiscal que acompanha o auto de infração, destacase: Fl. 642DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13005.000518/200991 Acórdão n.º 330200.959 S3C3T2 Fl. 618 7 Esse argumento, no entanto, não resiste às seguintes constatações: 1 — A compra de fumo cru em folhas junto e diretamente de pequenos produtores rurais pessoas físicas, minifundiários, que não possuem escala e condições econômicas para promoverem individualmente a entrega de sua produção às grandes indústrias destaladoras, é da própria essência da atuação dos comerciantes atacadistas, ou seja, esses atacadistas atuam comprando o fumo cru em folhas de produtores pessoas físicas, sem IPI, e, etapa seguinte, o revendem imediatamente às indústrias destaladoras igualmente sem IPI; 2 — É de conhecimento público na região de produção fumageira que a cada nova safra as entidades associativas dos produtores rurais e das indústrias destaladoras de fumo acordam e fixam os preços referentes aos diferentes tipos e classes de fumo cru em folhas, produzido na lavoura, a ser pago aos produtores rurais. Conforme a fiscalizada declara em suas respectivas DIPJ, nas fichas de IPI, relativamente aos seus fornecedores de insumos, verificase que, conjuntamente às aquisições de comerciantes atacadistas, ocorre um significativo volume de compras diretamente de produtores rurais pessoas físicas. Assim, o possível argumento referente à boa fé no creditamento efetuado por não se saber se houve incidência de IPI ou não em etapa anterior à entrada do fumo cru em folhas no estabelecimento do comerciante atacadista não se sustenta. Não se sustenta pelo fato de que, caso, por alguma razão qualquer, houvesse havido a incidência de IPI a uma significativa alíquota de 30% em etapa anterior ao comerciante atacadista não contribuinte, o fumo comprado junto a esse atacadista necessariamente carregaria este significativo custo tributário embutido, permitindo, pelo preço praticado pelo atacadista, claramente a identificação acerca da incidência ou não de IPI nessa cadeia. Assim, em virtude do exposto até o momento, cabe anular e estornar, em cada mês, o crédito registrado pelo contribuinte no RAIPI a pretexto da aplicação do art. 165 do RIPI/2002 sobre as aquisições de fumo cru em folhas de comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI. A lógica aplicada pela fiscalização pode ser resumida da seguinte forma: não existe direito ao crédito decorrente das aquisições promovidas junto a comerciantes atacadistas, pois estes adquiriram os produtos de produtores rurais, pois isto é publico e notório. Da análise dos documentos juntados aos autos verificase claramente que não há prova de que os produtos que foram adquiridos de comerciantes atacadistas foram de fato comprados de produtores rurais pessoas físicas. Constam dos autos apenas as notas fiscais emitidas por comerciantes atacadistas pessoas jurídicas. Fl. 643DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES 8 Como bem destacado pelo recorrente, esta matéria já foi analisada pela Quarta Câmara do antigo Conselho de Contribuintes que, de forma unânime, entendeu por bem afastar a glosa dos créditos calculados com base no art. 165 do RIPI/2002, em caso análogo ao presente, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 15/08/2004 a 31/12/2006 SOLUÇÃO DE CONSULTA. NÃO VINCULAÇÃO. Solução de consulta não vincula o contribuinte, tampouco o julgador, haja vista que não tem força normativa e não pode eliminar os direitos constitucionais do contribuinte ao devido processo legal e à ampla defesa. DIREITO A CRÉDITO DE IPI. COMERCIANTES ATACADISTAS NÃOCONTRIBUINTES IDO IPI. FUMO EM FOLHA. INTELIGÊNCIA DOS ARTIGOS 41, LEI N° 10.865 E 165 DO RIPI/02. A partir de 01/08/2004, por expressa disposição do art. 41, da dei nº 10.865/04, o produto fumo (tabaco) em folha classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30, 2401 I.10.40 e 2401.20 da TIPI passaram a fazer parte do campo de incidência doi IPI, razão pela qual é legitima a apropriação dos créditos do imposto em atenção ao Principio da NãoCumulatividade, cuja observância é obrigatória. O montante do crédito deve respeitar o estabelecido no art. 165, do RIPI/02. VALOR TRIBUTÁVEL. SAÍDA DE PRODUTOS FABRICADOS POR ENCOMENDA. VALOR TOTAL. IPI. É obrigatório o destaque do IPI na saída os produtos fabricados por encomenda sobre o valor total, incluindo o das matérias primas, mesmo que uma parte dos produtos fabricados seja NT. REGISTRO DE CRÉDITOS NA ENTRADA DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. FUMO CRU. REVENDEDORAS DE FUMO. A partir de 01/08/2004, por expressa disposição do art. 41, da Lei nº 10.865/04, o produto . fumo (tabaco) em folha classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30, 2401110.40 e 24401.20 da. TIPI passaram a fazer parte do campo de incidência do IPI, razão pela qual é legitima a apropriação dos créditos do imposto em atenção ao princípio da Não Cumulatividade, cuja observância é obrigatória. O montante do crédito deve respeitar o estabelecido no art. 165, do RIPI/02. MULTA. FALTA DE DESTAQUE. IPI. O art. 45 da Lei nº 9.430/96 continha a mesma disposição do art. 80 da Lei nº 4.502/64. A Medida provisória n° 351/07, convertida na Lei n.° 11.488/07, revogou o art. 45, mas dispôs sobre o art. 80 da Lei n.° 4.502/64 em; seu art. 13, mantendo, portanto, a previsão da multa por falta de destaque do imposto 2 sobre produtos industrializados IPI. Fl. 644DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13005.000518/200991 Acórdão n.º 330200.959 S3C3T2 Fl. 619 9 Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo nº. 13052.000019/200777. Recurso 140.053. Relator Leonardo Siade Manzan. 03/09/2008) Do voto condutor, lavrado pelo eminente conselheiro Leonardo Siade Manzan, que com muita propriedade tratou do assunto, fazse remissão como razão de decidir: A DRJ em Porto Alegre/RS alega que o produto "Fumo: (tabaco) em folhar, classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30, 2401.10.40 e 2401.0 , da TIPI, quando produzido por produtores rurais pessoas físicas, não é produto industrializado, isto, é, não Se inclui no campo de incidência do IP1, não estando sujeito, portanto, a qualquer alíquota, hipótese em que a legislação não admite direito ao crédito. O argumento é simples, embora falacioso: nas aquisições de comerciantes atacadistas não contribuintes do MI, não há direito á crédito, pois não houve IPI cobrado na entrada do produto neste estabelecimento, isto é, não houve cobrança de IPI nas etapas anteriores. Agora, o mais curioso: não há prova nos autos de que o referido Comerciante atacadista adquiriu a folha de fumo de produtor rural pessoa física, muito embora toda a argumentação da Solução de Consulta e da decisão de Primeira instância tenha considerado, este fato como verdade absoluta. Isso mesmo. A fiscalização presumiu que a aquisição anterior se realizou com produtores rurais pessoas físicas. (...) Ora, se este é o principal fato que embasa a argumentação da acusação, deveria estar cabalmente comprovado nos autos!. Compulsandose os autos, notase que a contribuinte não utilizou crédito dos insumos adquiridos de pessoas físicas, mas tão somente de pessoas jurídicas (comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI). A prova disso é simples, basta analisai as notas fiscais acostadas aos autos pela contribuinte. As normas que regem a matéria não deixam margem, a divagações, senão vejamos. Desde a instituição do IPI, pela Lei n.° 4.502, de 30 de novembro 1964, os produtos classificados na posição 2401 sempre foram considerados, nas diversas tabelas publicadas, NT (não tributados) . Isso ocorreu até 2004, quando a Lei n.° 10.865, de 30 de abril.de 2004, por seu artigo 41, incluiu no campo de incidência do IPI os produtos relacionados nos códigos 2401.10.20, 2401.10.30, 2401.10.40 e na subposição 2401.20 da TIPI. Confirase a redação deste dispositivo: (...) Fl. 645DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES 10 Sendo assim, não há, em sã consciência; quem possa discordar da referida inclusão, pois e dispositivo expresso da lei, que não permite qualquer especulação. Por conseguinte, a partir de 01/08/2004, tanto a produção de folhas de fumo cru, classificáveis nos códigos 2401.10 da TIPI, quanto o fumo destalado e Picado, classificável no Código n°2.401:20, foram incluídos no campo de incidência do IPI, e, portanto, transmutados de produtos "nãotributados (NT) em produtos industrializados tributados à alíquota de 30%. Posteriormente, por meio do art. 12, da Lei n° 11.051/2004, foram excluídas da incidência do IPI as operações relacionadas com folhas de fumo não destaladas, quando promovidas por pessoas físicas. Veja sua redação: Art. 12. Não se considera industrialização a operação de que resultem os produtos relacionados nos códigos 2401.10.20, 2401.,10.30, 2401.10.90 e na subposição 2401.20 da TIPI, quando exercia por produtor rural pessoa física. (Grifas nossos). Esse foi o principal dispositivo utilizado pela fiscalização paia fundamentar a autuação. Ocorre que, com respaldo em vasta prova documental carreada aos autos, a contribuinte comprovou que não adquiriu produtos de pessoa físicas e sim de comerciantes atacadistas não contribuintes. Frisese, ainda, que o dispositivo legal acima transcrito não tem o condão de retirar o produto do campo de incidência do IPI, visto que o art. 41, da Lei n.°11.865/04, continuou vigente até o advento do art. 9°, da Lei n.° 11.452, de 27 de . fevereiro dê 2007, que deu nova redação ao art. 41, da Lei n.° 10.865/04, passando a restringir seu alcance. Confirase o dispositivo legal declinado: (...) Ressaltese que houve várias tentativas para alcançar está atual redação, basta conferir o conteúdo das Medidas Provisórias 303/06 e 340/06, ambas rejeitadas pelo Poder Legislativo. Ora, se a restrição utilizada pela fiscalização fosse :válida, não haveria necessidade de alterar a redação do art. 41, da Lei n.° 10.865/04. Desta feita, se não há dúvida de que o produto está incluído no campo de incidência do 1PI, mesmo que isso possa parecer estranho (mas é dispositivo da lei vigente à época), devese exigir o 1P1 na operação de saída é permitir a apropriação do crédito na operação de entrada, por simples e evidente aplicação do Princípio da NãoCumulatividade. Frisese que o Principio da NãoCumulatividade, para o IPI, é imposição constitucional esculpida no art. 153, § 3º, II, CF/88, cuja redação é a seguinte: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: ; IV produtos industrializados; § 3" O imposto previsto na inciso IV: Fl. 646DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13005.000518/200991 Acórdão n.º 330200.959 S3C3T2 Fl. 620 11 II será nãocumulativo compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (Grifamos). No Código Tributário Nacional (CTN), a matéria encontra disciplina no art. 49, abaixo transcrito: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de ihrma qué o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento d, o pago relativamente aos produtos nele entrados. Do ponto de vista infralegal, mencionado Princípio está disciplinado no art. 163, do RIP1/02, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2602, cuja redação é a seguinte: (...) Ora, quando a aquisição dos insumos for feita de pessoa jurídica contribuinte do IPI, a aplicação da nãocumulatividade é simples: o valor do imposto contido no preço dos produtos adquiridos é discriminado na nota fiscal correspondente à operação, de forma que não se tenha qualquer dúvida no tocante ao montante do crédito a ser registrado pelo adquirente. No caso vertente, os insumos foram adquiridos de pessoas jurídicas (comerciantes atacadistas) não contribuintes do IPI. Como garantir, então, o comando constitucional da não cumulatividade quando há interferência de um nãocontribuinte no ciclo produtivo? A interferência, na cadeia de transferências do ciclo ;produtivo, de um nãocontribuinte do IPI quebraria o sistema de créditos, ensejando a inobservância do principio da nãocumulatividade. A lei, contudo, para permitir a preservação do princípio constitucional, estabeleceu uma regra especifica para essas situações. (...) Note que a lei estabeleceu urna presunção, pela qual o valor do imposto contido no preço da mercadoria adquirida foi arbitrado pelo legislador. Isso em razão da impossibilidade fática de se apurar o real valor do IPI contido no preço da mercadoria, ou mesmo da verificação da origem das mercadorias adquiridas pelo comerciante. Por outro lado, a probabilidade de ter ocorrido a incidência do IPI nas operações anteriores, por se tratar de produto sujeito ao referido imposto, da ensejo ao registro do crédito para a preservação do princípio da nãocumulatividade. . Uma vez estabelecida a presunção legal, não cabe indagar sobre as razões para sua instituição. Deve o julgador aplicar o que foi estabelecido pelo legislador. (...) Fl. 647DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES 12 Ora, a redação do art. 165 acima transcrito é cristalina tio Prever a possibilidade de creditamento do imposto relativo a MP, PI e ME na aquisição de comerciante atacadista não contribuinte! Dizer o contrário (como fez a acusação), alegando que não houve pagamento do imposto nas etapas anteriores, é negar a aplicação de um ato normativo vigente, aplicável e eficaz. E mais, tratandose de presunção legal absoluta (que não admite prova em contrário), não cabe ao Fisco questionar as etapas anteriores à aquisição, .pois não é possível a produção de qualquer prova para afastar (ou ainda aumentar ou diminuir) o direito ao crédito da contribuinte em tela. Seria ferir de morte o Principio da Estrita Legalidade, alicerce de todo o Sistema Tributário Nacional Portanto, com base nos nestes argumentos entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas efetuadas nos créditos decorrentes das aquisições de comerciantes atacadistas. b) Insuficiência do IPI no retorno de industrialização por encomenda Segundo o relatório fiscal a Recorrente promoveu estorno de IPI em decorrência de saída ao encomendante de produtos que resultaram da industrialização do fumo, tais como talos e resíduos de folhas e de talos, sem submetêlos, portanto, a incidência do IPI. A Recorrente por sua vez alega que os resíduos de industrialização seriam classificados como NT e por isto estariam fora da incidência do IPI, motivo pelo qual foi correto o estorno efetuado. Melhor sorte não socorre a recorrente neste particular. Isto porque o Regulamento do IPI é claro ao tratar da matéria, como se vê a seguir: Art. 131. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: (...) II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a indt4trial (Lei n2 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei n2 7.798, de 1989, art. 13). Art. 132. Nos casos de produtos industrializados por encomenda será acrescido, pelo industrializador, ao valor da operação definido.no art. 131, salvo se se tratar de insumos usados, o valor das MP, PI; e ME, fornecidos pelo encomendante, desde que este não destine os produtos industrializados (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 4º, Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 27, e Lei n s 7.798, de 1989, art. 15): I a comércio; Fl. 648DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13005.000518/200991 Acórdão n.º 330200.959 S3C3T2 Fl. 621 13 II a emprego, como matériasprimas ou produtos intermediários, em nova industrialização; ou III a emprego no acondicionamento de produtos tributados. Como se vê não há previsão para os estornos, devendo ser tributado o valor total da operação de saída, estando correta a decisão exarada pela DRJ de Porto Alegre, cujos fundamentos se faz remissão nos termos do art. 50 § 1º da Lei 9.784/99. Por todo o exposto, voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso para, tão somente, afastar as glosas relativas ao crédito decorrente de aquisições de fumo de comerciantes atacadistas. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 649DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 30/06/2011 por ALEXANDRE GOMES
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IRPF - DECORRÊNCIA: Não reconhecida em segunda instância a ocorrência do fato econômico que, no processo ma- triz, embasou o lançamento decorren-- cial, impõe-se a reforma da decisão da autoridade "a quo" que manteve a tributação reflexa na pessoa fisica do sócio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por ANTONIO BERNAL GRAU. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao re- curso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presen- te julgado. Sala das Sessões (DF), em 21 de junho de 1990 URGE - PERE'' , LOP'-,' - PRESIDENTE CARLOS ALB O 1.0NÇALVES NUNES - RELATOR st_ P VISTO EM AFONSO SO FERREIR Á DE CAMPOS - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: 0, 1 ,AV- lOnn NACIONAL I 'c/4,n.! IJZiti Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, CELSO AL- • VES FEITOSA, RAUL PIMENTEL e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. Ausente . por motivo justificado o Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA. • - k•-4, , aeti, .41W: SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10980-000.157/89-80 RECURSO N9: 57.807 ACÓRDÃO N9: 101-80. 267 RECORRENTE : ANTONIO BERNAL GRAU 1 RELATÓRIO ANTONIO BERNAL GRAU, qualificado nos autos, inconfbr c mado com a decisão de fls. 113/4 do Sr. Delegado da Receita Fede- ral em Curitiba (PR) que julgou improcedente a sua impugnação de fls. 24, recorre a este Colegiado. A exigência fiscal versa sobre retirada de numerário - pelo sócio e não escriturada, sendo Cz$ 218.692,10, Cz$ 1.201.449,98 e Cz$ 3.630,313,54, nos exercícios de 1986 a 1988 respectivamente. O lançamento fundamenta-se no art. 34, incisos I e II do RIR/80. - Em seu recurso, renova o peticionário argumento já expendido em primeira instância e no processo principal, razões já examinadas pela Câmara ao ensejo do julgamento do apelo da empresa. Os recursos apresentados nos processos matrizes rece beram, neste Conselho, os n9s 96.281 e 96.282, sendo:providos em parte como fazem certo os Acórdãos n9 ioi-gai” e 101- gt01/0 Nos fundamentos dessas assentadas a Câmara não acolheu a tese da retirada definitiva, sustentadas pelo fisco. 77/5 ,N n o relatório.dA • SERVIÇO POBLICO FEDERAL Processo n9 10980-000.157/89-80 3. Acórdão n9 101-80.267 VOTO , Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, Relator: , Em se tratando de lançamento decorrencial, a deci- são de mérito proferida no processo referente ã pessoa jurídica I constitui prejulgado em relação ã matéria formalizada como refle _ I xo. .• 1 I i A exigência fiscal teve por suporte retiradas defi_ , nitivas pelo sócio como descrito no item 5 e subitem 5.3 do Ter- I mo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e Auto de Infra- I ção lavrados contra a empresa COLORAMA-LABORATÓRIO FOTOGRÁFICO 1 1 LTDA. Este fato ensejou o lançamento de que trata o presente pro ,1 I cesso na pessoa física do sócio e, na jurídica, a autuação por i , omissão de receitas indiciada por saldo credor de caixa e glosa de despesa de correção monetária do património líquido correspon I dente ao valor das retiradas. I A Câmara ao julgar os recursos 96.281 e 96.282 I I interpostos pela pessoa jurídica não considerou as saídas de cai I I xa como retiradas definitivas, uma vez que reconhecera que os numerários retornaram ao Caixa. Os valores tiveram destinação di _ I versa da que lhes atribuíra a fiscalização. II O fato que justificou o lançamento na pessoa jurí- dica e na pessoa física do sócio é , portanto, o mesmo. [ [ Diante do exposto, deve-se harmonizar a decisão a ser aqui proferida com o resolvido no processo principal, dispen sando-se o recorrente da exigência tributária constante dos au- tos. 2 Dou provimento ao recurso. x CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES - RELATOR. 1 I Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 18336.000344/2003-43
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 27/03/1998
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. TRIANGULAÇÃO. RASTREABILIDADE DOCUMENTAL.
A não apresentação da fatura comercial identificada no certificado que comprova o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado no referido acordo de preferência.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-001.222
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declaram-se impedidos de votar.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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TRIANGULAÇÃO. RASTREABILIDADE DOCUMENTAL. A não apresentação da fatura comercial identificada no certificado que comprova o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado no referido acordo de preferência. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declaramse impedidos de votar. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. EDITADO EM: 26/10/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial proposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 199/209) dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no artigo 7º, inciso I, c/c art. 15, do Regimento Interno desse órgão — CSRF, insurgindose contra decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, mediante o Acórdão n° 30238.265, fls. 180/195, de 05/12/2006, cuja ementa transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Importação Data do fato gerador: 27/03/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA ALADI. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de país não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do país interveniente, suprem as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no Regime Geral de origem da ALADI. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Da autuação 1. Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de oficio no percentual de 75% perfazendo, na data da autuação, um credito tributário no valor total de R$ 901.055,57. 2. Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa registrou a Declaração de Importação n° 98/02852392, em 27/03/1998, utilizandose da redução de 80% da alíquota do Imposto de Importação prevista no Acordo de Complementação Econômica n°39 (ACE 39), assinado pelo Brasil no âmbito da ALADI, instituído pelo Decreto nº 3.138, de 16/08/1999. 3. Após análise dos documentos que instruíram a DI (fatura comercial, certificado de origem e conhecimento de carga), a fiscalização concluiu que em se tratando de urna operação comercial entre uma empresa brasileira e uma sediada nas Ilhas Cayman, não haveria como a interessada invocar a redução tarifária prevista nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 18336.000344/200343 Acórdão n.º 930301.222 CSRFT3 Fl. 232 3 4. A negativa à redução tarifária nos termos do ACE 39, conforme pleiteada na citada DI, oi justificada pela fiscalização com base nos seguintes fatos e irregularidades: a) “no Certificado de Origem n° ALD 980400024CS emitido na Venezuela emitido em 01/04/1998, está declarado que as mercadorias indicadas correspondem a fatura comercial nº 141270 emitida pela Empresa PDVSA Petróleo y Gas, situada na Venezuela e não apresentada no despacho. Entretanto, a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação foi a de n° PIFSB010 (fls. 18), emitida pela empresa Petrobras International Finanee Company (PIFC0) situada nas Ilhas Cayman, pais não membro da ALAD1, documento que a fiscalização aduaneira utilizou para fazer as verificações e procedimentos fiscais necessários para o desembaraço aduaneiro da mercadoria ...”; b) quanto ao “conhecimento de embarque (fls. 19), documento que assegura a propriedade da mercadoria, este foi consignado à empresa Petrobras International Finance Company (PIFC0), logo essa empresa situada nas Ilhas Cayman era a proprietária da mercadoria”; c) “a Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI, apenso ao Decreto n° 3.325, de 30/12/1999, que trata de sua execução no seu artigo quarto, não prevê a intervenção de um terceiro pais não membro da ALADI na qualidade de exportador caracterizada nesta operação"; d) conquanto o artigo nono da Resolução n° 252 do Comitê de Representantes da ALADI, apenso ao Decreto n°3.325, de 30.12.1999, "admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro pais, não se aplica ao caso, uma vez que não houve interveniência de um operador, nos termos da Resolução acima mencionada, mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI"; e) "mesmo que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração ser faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato, o que não ocorreu"; f) a indicação da invoice emitida pela PDVSÁ PETRÓLEO Y GAS S/A em um campo da fatura emitida pela Petrobras International Finance Company (PIFC0) não supre as exigências da citada Resolução n° 252, tampouco a referência feita à PIFCO neste documento, "visto que não identifica efetivamente a operação pretendida"; g) em função do disposto no artigo 129 do Regulamento Aduaneiro de 1985, então vigente (Interpretase literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre outorga de isenção ou redução do Imposto de Importação), qualquer situação excepcional em matéria tributária, como a redução de imposto, só poderá ser reconhecida se expressamente prevista na Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 4 legislação, se utilizada conforme estabelece na legislação, sendo que a não observância dos requisitos da lei implicará na perda da redução. 5. Deste modo, concluiu a fiscalização que as preferências e contrapartidas econômicas, assentadas no regime de origem, contemplam exclusivamente o comércio praticado entre dois países signatários, destinandose tal regime a coibir qualquer interveniência nociva aos objetivos dos acordos pactuados entre os paísesmembros, pois conforme a legislação de vigência á época, o legislador não deixou margem para a interveniência de um terceiro pais, nos moldes da operação de fato ocorrida, de que resultou a importação efetuada pela fiscalizada. 6. Em função do constatado, foi lavrado o auto de infração de fls. 02 a 11 para cobrança da diferença do Imposto de Importação, acompanhada dos juros de mora e da multa de oficio de 75%. Da impugnação 7. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 21/03/2003, fl. 01, a autuada apresentou impugnação, em 0804/2003, documentos às fls. 28/47, nos termos a seguir resumidos: 7.1. após traçar um histórico acerca dos fatos que permeiam à lide, a impugnante se reporta à operação comercial realizada onde explica que se trata de uma triangulação comercial, prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; 7.2. defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI; 7.3. reconhece a ocorrência de equivoco no preenchimento da DI, na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, isso se referindo à condição da PIFCO, onde afirma também que esta sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a revenda; 7.4. diz que a própria fiscalização reconhece que o contribuinte procedeu à importação da PDVSA (Venezuela) com transporte direto ao Brasil; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 18336.000344/200343 Acórdão n.º 930301.222 CSRFT3 Fl. 233 5 7.5. destaca ainda que a PIFC0 figura corno exportadora pelo fato da Receita Federal não prever o procedimento especifico nos casos de triangulação comercial; 7.6. defende que os documentos que instruíram a DI são regulares, e estão em consonância com a Resolução n°252; 7.7 opõese a uma suposta multa regulamentar ao descumprimento dos requisitos do art. 425 do Regulamento Aduaneiro/85 inerentes à fatura comercial por entender que tal fato ocorre pela falta de previsão do procedimento de triangulação comercial; 7.8. alega que a fiscalização laborou em equivoco ao tentar interpretar o Tratado de Montevidéu e suas regras complementares, conforme razões apresentadas às fls. 40 a 49, onde aduz que a legislação não vincula duas formas de documentos (certificado de origem e nota fiscal), mas tão somente a identidade do seu conteúdo, representado pela descrição das mercadorias e a correspondência com a mercadoria efetivamente negociada; 7.9. considera que a Resolução n°252 não definiu afigura do operador, bem como não informou como deveria ser a operação; 7.10. rebate o argumento de que a autuada não cumprira as formalidades exigidas na Resolução nº 252, ressaltando a conduta formalista do autuante, dando destaque aos princípios da razoabilidade e da instrumentalidade das formas; 7.11. ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, onde aduz que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos; 7.12. discorda da aplicação da multa proporcional de 75 %, tomando por base o Ato Declaratório Interpretativo SRF n°13, de 10/09/2002, e ainda, destaca a inaplicabilidade da taxa SELIC. 8. Ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente, protestando por lodos os meios de prova em direito admitidos. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 6 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Do Cabimento da Preferência Tarifária No presente recurso, a recorrente não logrou êxito em demonstrar o saneamento da falha perpetrada quando da instrução do despacho de importação da mercadoria objeto do presente litígio. Ou seja, não foi apresentada a fatura comercial atrelada ao certificado de origem e, por essa razão, não há como se considerar cumpridas as exigências inerentes ao regime de origem da Aladi. Nesse ponto, preciso é o parágrafo único do art. 434 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, vigente à época dos fatos controvertidos: Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único. Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Nessa esteira, entendo aplicáveis, na espécie, as considerações formuladas por ocasição do voto vencido, prolatado quando do julgamento do recurso nº 137831, onde atuou como relator o conselheiro Luís Marcelo Guerra de Castro, onde foram enfrentadas as alegações trazidas na jurisprudência da CSRF que apoiaria as considerações do sujeito passivo. Transcrevo: Por sintetizar o raciocínio que orienta esse entendimento, transcrevo ementa de acórdão da CSRF prolatado nos autos do Recurso Especial nº 302124323, que teve como relatora a i. Conselheira Anelise Daudt Prieto, no qual, por maioria de votos, decidiuse: CERTIFICADO DE ORIGEM PREFERENCIA TARIFÁRIA RESOLUÇÃO ALADI 232 Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de país não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado da fatura do país interveniente e do conhecimento de embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso especial provido. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 18336.000344/200343 Acórdão n.º 930301.222 CSRFT3 Fl. 234 7 Apesar de entender que tal decisão está em harmonia com a regra geral de origem estampada no art. 9º do Decretolei nº 37, de 19661, peço licença para discordar das conclusões consignadas no aresto. Penso que, na espécie, o dispositivo nacional deve ceder espaço ao regime da Aladi, onde não foram produzidos os documentos corretos para a concessão da preferência tarifária objeto do presente litígio, nem suprida a sua ausência pelos meios definidos no mesmo acordo. Por uma questão de sistematização, analiso separadamente os fatores que me levaram a adotar essa conclusão. 1 Tipicidade e Relação Jurídica Tributária Interessa à solução do litígio, a meu ver, avaliar se os fatos carreados aos autos se subsumem perfeitamente à hipótese abstratamente prevista na norma negocial que estabeleceu a preferência tarifária objeto do presente litígio. Caso isso não se verifique, afastado estaria o fundamento para sua concessão. Ou seja, independentemente de ser conceituada como uma isenção parcial ou alíquota diferenciada, a aplicação da preferência tarifária negociada é necessariamente orientada pelo princípio da tipicidade cerrada, dogmatizado pelos arts. 97, VI e 111, II do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966)2 Vejamos o que diz Alberto Xavier3 Como já mais de uma vez se sublinhou, o lançamento é o ato administrativo pelo qual a Administração aplica a norma tributária material a um caso concreto. Nuns casos, essa aplicação tem por conteúdo reconhecer a tributabilidade do fato e, portanto, declarar a existência de uma relação jurídica tributária e definir o montante da prestação devida. Noutras hipóteses, porém, da aplicação da norma ao caso concreto resulta o reconhecimento da não tributabilidade do fato e, portanto, da não existência no caso concreto de uma obrigação de imposto. Nos primeiros, a Administração pratica um ato de conteúdo positivo; nas segundas, um ato de conteúdo negativo. (destaquei) 1 Art. 9º Respeitados os critérios decorrentes do ato internacional de que o Brasil participe, entenderseá por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida ou, no caso de mercadoria resultante de material ou mãodeobra de mais de um país, aquele onde houver recebido transformação substancial. 2 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; 3 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1998, 2.ed. p. 100. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 8 José Souto Maior Borges4, a seu turno, pontifica: É o fato gerador, consoante se demonstrou, uma entidade jurídica (supra, III). Por força do princípio da legalidade da tributação, o fato gerador existe si et ia quantum estabelecido previamente em texto de lei: os contornos essenciais da hipótese de incidência (núcleo e elementos adjetivos) integram todos a lei tributária material. Sem a previsão legal hipotética dos fatos ou conjunto de fatos que legitimam a tributação inexiste portanto fato gerador de obrigação tributária. Por isso, afirmase corretamente que o fato gerador é fato jurídico. Sob outro ângulo, a análise jurídica revela ser a extensão do preceito que tributa delimitada pelo preceito que isenta. A norma que isenta é assim uma norma limitadora ou modificadora: restringe o alcance das normas jurídicas de tributação; delimita o âmbito material ou pessoal a que deverá estenderse o tributo ou altera a estrutura do próprio pressuposto da sua incidência. A norma de isenção, obstando o nascimento da obrigação tributária para o seu beneficiário, produz o que já se denominou fato gerador isento, essencialmente distinto do fato gerador do tributo. (destaquei) Possivelmente, a principal conseqüência da préfalada tipicidade cerrada, pelo menos para a solução do vertente processo, é a impossibilidade se pode recorrer à analogia a pretexto de colmatar supostas lacunas da norma. Nesse caso, há que se aplicar a doutrina do Silêncio Eloqüente do legislador, com as restrições brilhantemente defendidas pelo Min. Moreira Alves, nos autos do RE Nº 130.5525 DF (DJ de 28/06/1991): “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o que os alemães denominam ‘silêncio eloqüente’ (Beredtes Schweigen) que é o silêncio que traduz que a hipótese contemplada é a única a que se aplica o preceito legal, não se admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.” Tal ressalva é importante para a solução do presente litígio porque, como se verá a seguir, o regime de origem do ACE 39, que isola a aplicação do regime do DL 37, de 1966, definiu as formas de suprir eventual falha documental perpetrada na demonstração do cumprimento dos requisitos de origem. É defeso ao intérprete, portanto, considerar suprida eventual falha documental por meios diversos dos previstos no Acordo, invocando, por exemplo, analogicamente, o comando do art. 9º, que trata do Regime Geral de Origem. Conforme se observa na leitura do já transcrito art. 9º do Decretolei nº 37, de 1966, delimitou com razoável precisão o conceito jurídico de “origem”, que, aliás, muito se aproxima do 4 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ªed. p.p. 190/191 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 18336.000344/200343 Acórdão n.º 930301.222 CSRFT3 Fl. 235 9 significado coloquial da expressão (local onde a mercadoria foi produzida ou sofreu transformação substancial). Assim, para efeito de aplicação da legislação, sempre que a delimitação da origem da mercadoria for relevante, caberia ao intérprete investigar o local onde a mercadoria foi produzida ou sofreu transformação substancial Tratarseia então do emprego do que Alfredo Augusto Becker5, apoiado na doutrina de Emilio Betti, denominou Cânone Hermenêutico da Totalidade do Sistema Jurídico, que a unicidade dos conceitos jurídicos, independentemente do contexto em que o mesmo esteja sendo empregado. Diz o autor: “...uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão.” Ocorre que, segundo o próprio art. 9º, o conceito de origem ali consignado cede espaço aos critérios fixados em ato internacional de que o Brasil participe, hipótese que se verifica no presente julgamento, onde se encontra em discussão a aplicação de preferência tarifária outorgada nos termos do Acordo de Complementação Econômica nº 39, promulgado pelo Decreto nº 3.138, de 16/08/1999. Vendo por outro ângulo, para efeito de reconhecimento de preferência tarifária, se o acordo que a concede possuir regime próprio, mercadoria originária de país signatário é aquela que preenche as condições daquele ato, ainda que tais condições não guardem relação com conceitos consagrados no plano da linguagem corriqueira ou no regime nacional de origem. Ou seja, assim como, para efeito de lei, determinados bens evidentemente móveis podem ser tratados como imóveis, para efeito da aplicação de preferência, mercadorias evidentemente extraídas de determinado país podem deixar de ser reconhecidas como originárias ou, em sentido inverso, ainda que não tenham sofrido qualquer transformação substancial, fazem jus ao regime diferenciado. O acordo que concede a preferência é soberano. Tanto em um quanto em outro exemplo, configurarseia uma ficção jurídica, onde o mundo fático, por disposição legal, é distorcido pelo jurídico. Preciso, a meu ver o conceito de ficção jurídica apresentado por Maria Rita Ferragut6, citando a obra de Perez de Ayala: 5 Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo, Lejus, 3ª ed. p. 123 6 Presunções no Direito Tributário. São Paulo, Dialética, 2001 p. 85 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 10 De acordo com José Perez de Ayala a ficção jurídica constituise na valoração contida num preceito legal, em virtude do qual se atribuem, a determinados supostos de fatos, certos efeitos jurídicos, violentando ou ignorando a natureza real das coisas. E uma técnica que permite ao legislador atribuir efeitos jurídicos que, na ausência da ficção, não seriam possíveis a certos fatos ou realidades sociais. (grifei) No caso da preferência tarifária em debate, o regime de origem a ser considerado, por determinação expressa do artigo 87 do ACE nº 39, é o estabelecido na Resolução 78 da Aladi e pelas demais regras que a complementam, dentre as quais destacase a Resolução 252 do Comitê de Representantes da Aladi, promulgada pelo Decreto nº 3.325, de 1999. Cabe registrar, desde já, que. diferentemente do entendimento consignado no acórdão hostilizado, não vejo a “triangulação” comercial represente uma violação à regra do artigo Quarto da Resolução Aladi nº 78, atualmente consolidado na Resolução nº 252, que condiciona o reconhecimento da origem à expedição direta da mercadoria. Com efeito, o Conhecimento de Transporte juntado por cópia à fl. 17 não faz menção ao fato de que a mercadoria tenha transitado, sido transbordada ou armazenada em um país estranho ao ACE 39: a mercadoria, segundo aquele documento, foi embarcada em Punta Cardon, Venezuela, com destino ao Território Brasileiro. Ou seja, a meu ver, assim como consignado no citado acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a regra em questão impõe restrições ao trânsito físico da mercadoria por um terceiro país, não à sua comercialização por um operador nele estabelecido. Tanto é assim que a Resolução nº 252 estabeleceu regra específica para a importação de mercadoria onde figure como exportador operador sediado em país nãoparticipante do ACE. Vejase o que diz o artigo nono da Resolução 252, incorporado ao Regime de Origem da Aladi por essa mesma resolução: NONO Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (destaquei) Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente 7 Para a qualificação da origem das mercadorias que se beneficiem do presente Acordo as Partes Signatárias aplicarão o Regime Geral de Origem previsto na Resolução 78 e nas disposições complementares e modificativas do Comitê de Representantes da ALADI, salvo se as Partes Signatárias convierem diferentemente. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 18336.000344/200343 Acórdão n.º 930301.222 CSRFT3 Fl. 236 11 do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. (os grifos não constam do original) Notese que, a mesma resolução 252 estabelece, por via oblíqua, as conseqüências do descumprimento das regras inerentes ao certificado de origem, literalmente: SÉTIMO Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos países participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, esses países deverão acompanhar os documentos de exportação, no formuláriopadrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar. (destaquei) Com efeito, se a norma condiciona o reconhecimento da preferência à apresentação da declaração própria do Certificado de Origem, segundo os ditames do acordo, por óbvio, afasta o tratamento diferenciado se descumpridas as condições préestabelecidas. De se observar, ademais que, analisando o parágrafo único do artigo nono da mesma resolução, podese inferir que a norma definiu com clareza quais são as providências a adotar nas hipóteses em que a triangulação comercial impede o preenchimento na forma préestabelecida, rito que, conforme apontado pelas autoridades autuantes, não foi seguido. Nessa esteira, a meu ver, a tipicidade cerrada que norteia a avaliação do cumprimento dos pressupostos inerentes ao Acordo proíbe que se busquem outros meios para, supostamente demonstrar a observância do regime de origem. Ora, o regime de origem fixado pela Resolução 252 é aquele cuja prova é feita nos termos das regras procedimentais nele previstas, saber o último porto de embarque da mercadoria, neste caso, não supre o descumprimento daquelas regras. Ou seja, não é suficiente, para aplicação do tratamento diferenciado, a demonstração, por outros meios documentais, que a mercadoria, aparentemente foi produzida e embarcada na Venezuela. Isso seria suficiente se o reconhecimento estivesse sujeito à regra geral gizada no artigo 9º do Decretolei nº 37, de 1966. Repisese que, em obediência ao princípio da tipicidade, não se pode partir do pressuposto que a sistemática definida na Resolução 252 contém lacunas. Ela simplesmente optou por não Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 12 admitir, por exemplo, que a falha na adoção das providências elencadas no art. nono sejam supridas pela apresentação de uma fatura comercial estranha àquela que constou do Certificado de Origem. Finalmente, a meu ver, razão assiste às autoridades autuantes quando apontaram a impossibilidade de se cotejar a quantidade da mercadoria amparada pelo certificado de origem coligido aos autos, que não contém essa informação. Sem que tal informação conste do certificado ou não for possível vincular certificado e fatura comercial, como saber se a totalidade das mercadorias desembarcadas no Brasil foi embarcada na Venezuela? Resta prejudicado portanto o cumprimento do requisito estabelecido no artigo oitavo da Resolução 252, literis: OITAVO A descrição das mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde à mercadoria negociada, classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro.(grifei) Logo, a certificação da origem é feita com base também em função da fatura comercial que acoberta a saída de mercadorias. Pelas normas internacionais vigentes (art. 4º do Acordo 91 do Comitê de representantes da Aladi), é necessário que haja a vinculação do certificado de origem da mercadoria à fatura comercial correspondente. O próprio formulário adotado para formalizar a certificação possui um campo específico destinado à clara e perfeita informação do número da fatura a que se relaciona. Assim, qualquer certificado de origem somente pode ser usado para amparar a mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. Com efeito, é o vínculo entre certificado de origem e fatura comercial que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo e legitima a fruição do benefício tarifário quanto á mercadoria importada. No momento em que há divergência nas informações prestadas no certificado de origem e na fatura comercial, ou a ausência dos requisitos previstos nos acordos internacionais, O estado importador fica impedido de reconhecer o tratamento preferencial, devendo ser aplicado o regime normal de tributação previsto para os países não signatários dos acordos internacionais. Não se pode olvidar, por outro lado que a avaliação do cumprimento das condições fixadas pela legislação específica do regime reclama a observância das normas que disciplinam a fruição da isenção condicionada, especialmente o pelo art. 179, caput e § 2º, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que dizem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 18336.000344/200343 Acórdão n.º 930301.222 CSRFT3 Fl. 237 13 (...) § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Aplicar o art. 179 e, se for o caso, o art. 155, significa, a meu ver, avaliar, conforme o caso, o cumprimento das condições fixadas no Acordo, inclusive no que se refere ao cumprimento das exigências de ordem instrumental. Sobre a imperiosidade da coexistência dos aspectos instrumental e material, bem assim da obrigatoriedade do sujeito passivo trazer ao processo, pelos meios adequados, os elementos que permitam a avaliação do cabimento da isenção, vale a pena relembrar trecho da obra de Alberto Xavier8: “... Na verdade, enquanto a Administração fiscal tem o dever de investigar oficiosamente os fatos arvorados por lei em elementos do tipo tributário, nem sempre esse dever lhe cabe quanto aos fatos impeditivos da obrigação de imposto. Não pode afirmarse que a Administração não tenha o dever de investigar a verdade material quanto ao fato isento, nos casos a que nos referimos: o que sucede é que a lei faz depender o início da investigação de um pressuposto processual, que é um requerimento ou solicitação expressa do particular, sem o qual a Fazenda não pode reconhecer a isenção, nem portanto operar a sua eficácia impeditiva. É o que resulta do artigo 179 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão”. (destaquei) De se reafirmar, portanto, que, como frisou o mestre lusitano, a regra isencional de caráter especial não gera efeitos ope iuris. É necessário que se cumpra o rito procedimental próprio, consubstanciado no pleito do benefício e na apresentação de prova do preenchimento das condições definidas na norma de caráter substancial. De maneira semelhante, pondera Souto Maior Borges9: “Toda isenção deve ser concedida mediante prova documental da sua causa que remova as contestações e incertezas. (...) 8 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro. Forense, 1998, 2ª ed., p. 103/104. 9 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ª ed. p. 336 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 14 Devese distinguir assim, consoante o ensinamento de Amílcar de Araújo Falcão, no estudo das isenções, dois momentos ou aspectos distintos: I) o aspecto substancial ou material, ou seja, os requisitos ou elementos de perfeição ou integração dos pressupostos da isenção; regime que estabelece os pressupostos para o surgimento do direito à isenção (Tatbestandsstücke), os destinatários da norma (Normadressaten) e o âmbito, o alcance ou extensão do preceito isentivo; II) o aspecto formal, um processus, um requisito de eficácia para que o efeito desagravatório da isenção se produza (Wirksamkeitserfordernis). Distinguese, deste modo, entre pressupostos integrativos da relação jurídica de isenção e pressupostos de eficácia do resultado legalmente estabelecido. Estes últimos relacionamse pois com as circunstâncias que condicionam a produção dos efeitos jurídicos. (destaquei) Não existe, pois, como debater a incidência da norma isentiva de cunho material ignorando aquelas de natureza processual. Sem o cumprimento dos pressupostos de eficácia, a cargo do sujeito passivo. A norma simplesmente não produz efeitos sem a intervenção do beneficiário. Nesse contexto, à luz do fixado no caput do art. 179 do CTN, é imperioso que o sujeito passivo que pretende usufruir do benefício faça prova que reúne condições para tanto. Ausente a comprovação documental pelos meios estabelecidos no Acordo de Complementação Econômica, incabível é a preferência tarifária. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 14DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO
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Numero do processo: 00950.051046/83-21
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ACORDÃO N o J01-75.489 Recurso n° 88.524 - IRPJ - Exercícios de 1982 e 1983. Recorrente PISMEL MARINGÁ S.A - COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO DE AUTOS E ACESSÓRIOS. Recorrido SUPERINTENDENCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL - 9Q . R.F. (PR) , DESPESAS OPERACIONAIS - Os pressupostos de sua dedutibilidade são os contidos na lei vigente no período-base em que irão afetar o lucro real. _ CORREÇÃO MONETÃRIA - Não é susceptível' de correção monetária do patrimônio lí- quido a parcela do lucro havido na yen- da de bem do ativo permanente que, nos termos do art. 319 do RIR/80, não for reconhecida no período-base a que se re ferir a correção. Vistos, relatados e discutidos os presentes'. , autos de recurso interposto por PISMEL MARINGÃ S.A - COMÉRCIO E IM- PORTAÇÃO DE AUTOS E ACESSÓRIOS: , ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Pri meiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar pro vimento ao recurso, nos t.r, os dd relatório e voto que passam a in- tegrar o presente julgado/ v fS. a das 5 , -/O-im DF, em 24 de outubro de 1984 01/ AMADOR 0 1...i l' uf 0 F.RNÃNDEZ - PRESIDENTE CA"LOS ALBE ' -GONÇALVENUNES - RELATOR _ - P' -- - -- AGOSTIN O FLORES - PROCURADORDA VISTO EM FAZENDA NACIONAL SESSÃO DE: 25 Ga IS if ,, v.v. , Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, AGOSTINHO SERRANO 7 FILHO, JOSR EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, ALCEU DE AZEVEDO FONSECA PINTO' e RAUL PIMENTEL. 2. -.; SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO 1\19 0950-051.046/83-21 RECURSO N9: 88.524 ACÓRDÃO N9: 1 O 1-75.489 RECORRENTEN9: PISMEL MARINGA S.A - COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO DE AUTOS E ACESSÓRIOS. RELATÓRIO pISMEL MARINGÁ S.A ,- COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO DE AUTOS E ACESSÓRIOS recorre a este Colegiado contra a decisão do Sr. Superintendente da Receita Federal da SRRF - 9 RF (f is. 58 a 62) que reformou a de fls. 54/57, do Sr. Delegado da Receita Federal em Maringá - PR - na parte em que a Fazenda Nacional fora sucumben te. 2. A sociedade recolheu o imposto corrigido, mul- ta e juros referentes ã parcela não impugnada e que se referia ao exercício de 1981. 3. O litígio trazido ao conhecimento do Colegiado - pode ser resumido da seguinte forma: 4. A empresa no ano-base de 1980, alienou imóveis a prestação, e nos exercícios de 1982 e de 1983, corrigiu moneta- riamente o valor da conta de lucros a Realizar, apropriando os re- sultados como despesas, com o que não concordou a fiscalização, em vista do diferimento do lucro apurado feito com base no art. 319 , do RIR/80, entendendo haver infringência ao disposto no art. 69 e seu parágrafo único do Decreto-lei 1892/81. A glosa importou na re dução do prejuízo do exercício de 1982 e em exigência do imposto. r : I DMF - DF /19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0950-051.046/83-21 3. Acórdão n9 101-75.489 multa e juros de 9.423,41 ORTNS, no exercício de 1983. 5. Irresignada, a empresa impugnou a exigência (fo lhas 24 a 41), logrando êxito, em relação ã matéria sob litígio, por que o Sr. Delegado da Receita Federal em Maringá - PR - acolheu a tese da defesa de que, contrariando a Constituição Federal, o CTN, a lei de introdução ao Código Civil e o entendimento da Administra - ção Tributária e da Jurisprudência, a fiscalização aplicara retroa- tivamente a lei nova a ato jurídico perfeito (fls. 56). 6. Em grau de recurso de ofício, a decisão foi re- formada pelo Sr. Superintendente da Receita Federal da 9 RF, por entender que o art. 69 do Decreto-lei 1892/81 apenas determina a forma de execução da faculdade prevista no art. 31, § 29, do Decre- to-lei 1.598/77. O benefício, por envolver valores apropriáveis em - diferentes momentos, se sujeita aos princípios gerais da correção' monetária. De acordo com o § 39 do art. 39 do Decreto-lei 1.598/77' a matéria, tratando de "outras situações especiais não reguladas em lei", pendiade-instruções do Sr. Ministro da Fazenda com base _nos objetivos e princípios da correção monetária, orientação com a qual - não se afina o procedimento da fiscalizada, como se verifica das conclusões do PN CST 108/78, inciso 10.5.2.0 RIR/80 (art. 319, § úni co), no caminho da determinação da forma de execução do favor legal, prescreve o controle no LALUR do lucro então diferido, medida com- plementada no art. 69 do Decreto-lei 1.892/81. E este comando não foi obedecido pela empresa. Em se tratando de glosaïasparcelas redu tivas referentes aos períodos-base dos exercícios de 1982 e de 1983, em que já estava em vigor o mencionado Decreto-lei 1.892/81, o pro- cedimento fiscal está de acordo com as conclusões do PNCST 49/76 . Nega que o Parecer CST n9 302/82 confirme a tese da não aplicaçãore troativa do art. 69, mas, ao contrário, envolve situação semelhante a da autuada e propugna solução corretiva ao procedimento erróneo I por ela adotada. 7. Na peça recursal, a sucumbente, em síntese, ar-//:_ gumenta que se utilizou da faculdade concedida pelo § 29 do art(áh / /// SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0950-051.046/83-21 4. Acórdão n9101-75.489 31 do Decreto-lei n9 1.598/77, diferindo o lucro líquido da provi-- . são do imposto de renda; o fato gerador ocorreu no exercício de 1980 e portanto regula-o a lei então vigente; o lucro diferido sujeita- -se às mesmas regras que disciplinam a correção monetária do balan- ço (RIR/80, art. 347); diz que não havia proibição de corrigir esse lucro e a prova está no fato de que o .§ 29 do art. 69 do Decreto- -lei 1892/81 veio criar esta restrição; o PN CST n9 49/76 dirime a dúvida criada com o advento desse mandamento legal; sustenta ter ha - vido aplicação retroativa da lei nova, contrariando a Constituição' Federal (art.153, §§ 29 e 29),e o CTN (art. 105). Constesta a argu- mentação da autoridade recorrida, afirmando que: o inciso 10.5.2.do - PN CST 108/78 só pode ter-se referido aos casos em que a legislação determina que os valores diferidos sejam computados devidamente cor - rigidos, não se aplicando à hipótese em discussão; o controle no LA - LUR nada tem a ver com exigência de correção; o julgador se contra- diz ao dizer que a postulante infringiu o citado parecer normativo' ao não proceder a correção monetária do lucro diferido que somente poderia ser feita no LALUR e que ao apropriar em despesa o valor da correção, contrariou o art. 69 do Decreto-lei n9 1892/81, dando a entender que, se houvesse corrigido o lucro diferido, estaria dis- pensadada exigência do art. 69 citado; não houve privilégio por to do o período do diferimento, mas simplesmente inexistência de previ são legal que tornasse indedutível a correção e ainda que não obri- gava a correção do lucro diferido no LALUR; a continuidade da apro- priação da despesa nos exercícios seguintes se deveu ao direito ad- quirido de fazê-lo; a interpretação dada ao Parecer CST n9 302/82 criando uma compensação pela correção monetária do lucro diferido é criação cerebrina do julgador que se arrogou em legislador e que o julgamento se fez no interesse da administração tributária e não consoante a lei. 8. A petiço recursal é lida na íntegra para me lhor conhecimento do Prenário. E- o r ,7 rio., SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0950-051.046/83-21 5. Acórdão n9 101-75.489 VOTO Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, Relator: 9. Recurso tempestivo e assente em lei, dele tomo conhecimento. 10. Os pressupostos de dedutibilidade das despesas' operacionais e de resto de determinação dos resultados para efeitos fiscais são os constantes da lei vigente no período-base. 11. E este princípio se coaduna com o § 29 do art. 153 da Constituição Federal, na interpretação consagrada na Súmula 584, do Supremo Tribunal Federal, e o Código Tributário Nacionaltar tigo 105 , e as conclusões do Parecer Normativo n9 13/82. 12. E tal entendimento repousa em um princípio lógi- co: se o lucro operacional é obtido no período-base que será afeta- do, nada mais racional que a lei nele vigente é,que estabeleça as condições de dedutibilidade. 13. No caso concreto, a fiscalização glosou despesas operacionais dos períodos-base de 1981 e de 1982, quando já em vi- gor o Decreto-lei 1.892, de 16/12/81, com vigência na data da sua publicação, o que se deu em 17 seguinte. 14. A alegação de aplicação retroativa da lei nova portanto, é de todo improcedente. 15. Também não procede o argumento de que fora viola do direito adquirido da parte porque o §, 29 do art. 31 do Decreto- -lei 1.598/77 não dava ã recorrente o direito de deduzir o valor da correção monetária calculada sobre a parcela d.o, lucro a realizar. Assegurava- -lhe sim e tão somente o direito de, na determinação do lucro real' de cada período-base, "reconhecer o lucro na Groporção da parcela do preço recebida em cada período-base"./ " lr qr //;/) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0950-051.046/83-21 6. Acórdão n9 101-75.489 16. O RIR/80, consolidando as disposições legais per tinentes ã espécie, assim dispõe: "Art. 319. Nas vendas de bens do ativo per- manente para recebimento do preço, no todo . ou em parte, após o término do exercício so cial seguinte ao da contratação, o contri- buinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada pern= do-base (Decreto-lei 1.598/77, art. 31, §. 29)". (grifei). "Parágrafo único. Será mantido controle, no Livro de Apuração do Lucro Real, do lucro' diferido nos termos deste artigo". . 17. Se a empresa na escrituração comercial reconhe- ceu todo o lucro, mas pretendia, para efeitos fiscais, considerar a penas o lucro proporcional da parcela do preço recebida em cada pe- ríodo-base, deveria promover os necessários ajustes na escrituração i fiscal, mais precisamente no Livro de Apuração do Lucro Real, de sorte que, ao corrigir, na época própria, os valores do Patrimônio' Líquido, atualizasse apenas a parcela referente ao lucro realizado' e não relativa ao lucro a realizar. E- intolerável não reconhecer - para efeito de tributação o lucro a realizar e, ao mesmo tempo , fazer incidir a correção monetária sobre um lucro não _reconhecido perante a lei fiscal e, corrigindo-o, produzir uma despesa _ que iria.afetar o resultado de um exercício para cuja formação o lucro - correspondente não contribuíra. 18. Seria um rematado absurdo que a lógica e o bom senso não poderia admitir e, muito menos, o Direito. 19. A falta de ajuste e a concomitante correção da - Páróela do "lucro a realizar" propiciaria duplo benefício ao sujei- to passivo: Não seria tributado pelo lucro não submetido ã tributa- ção e ainda ,deduziria, como despesa, o valor da atualização dele.Em um só período-base (1981), o lucro a tributar estaria eliminado pe- - lo valor de sua correção deduzido do lucro operacional e ainda pro- piciaria reduzir o referido lucro de quase outro tanto, em face oo: 1 , , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0950-051.046/83-21 7. Acórdão n9101-75.489 elevado índice de correção monetária para o período. E além disso , enquanto perdurasse lucro a realizar novas despesas de correção monetária iriam reduzir os lucros do período. 20. O absurdo criado pelo desajuste descabido entre' a legislação comercial ou fiscal, salta aos olhos e está em _total desacordo com a finalidade da correção monetária e seus princípios. 21. Dai, o Parecer CST 302/82 buscar um fórmula de corrigir a distorção gerada em caso idêntico, como se observava do í documento de fls. 48. 22. Se o contribuinte quer reconhecer todo o lucro . e corrigi-1o, como parte do património líquido e produzir, assim , despesa dedutível, deve também corrigi-lo, no LALUR, para efeito de inclusão no lucro líquido na determinação do lucro real. 23. E isso porque o tratamento concedido no art. 391 do RIR/80 era, para quem reconhecesse o lucro proporcionalmente à parcela do preço recebida no período-base, e não para quem reconhe- ce o lucro em sua totalidade. 24. A medida propugnada pelo parecerista objetivou a penas corrigir a distorção causada pelo procedimento errado, em de- = sacordo com a lei que concedia o favor e que, por isso mesmo, a ri gor, não faria jus sequer ao benefício porque a opção não se fizera . na forma devida. 25. Ao lado do procedimento semelhante ao adotado pe lo contribuinte, o parecerista cuidou também dos efeitos produzidos pelo processo adequado à sistemática da correção monetária então vi -_ gente e concluiu pela desnecessidade, ali, da correção do lucro con trolado em conta de resultados de exercícios futuros e transferido' paraoresultado do exercício à medida que deva ser tributado porque, deste modo, o património líquido não é aumentado pela parcela ainda - não tributada. Esclareceu que o entendimento não era aplicado às vendas de bens do ativo permanente efetuados após a vigência do -1 I ér f ./; SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0950-051.046/83-21 8. Acórdão n9 creto-lei 1.892/81 pela razão Obvia de que o referido mandamento le gal estabeleceu regra rígida sobre o assunto proibindo a correção sobre a parcela não realizada, e alijando, desta forma, qualquer ou tra alternativa. E jamais em reconhecer validade ao procedimento a dotado pelo contribuinte. 26. Mas, voltando ao raciocínio interrompido no paxá_ grafo 16, quando ficou demonstrado que as regras do Decreto-lei n9 1.892/81 têm aplicação ao período-base de 1981 e também que a ine- xistência de direitos adquiridos de dedução de despesas, cumpre exa- minar o que diz o mencionado mandamento legal em, seu artigo 69 e - respectivo parágrafo único, "in verbis": "Art. 69 - Caso o contribuinte se utilizeda - faculdade prevista no § 29 do art. 31 do Decreto-lei n9 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e o lucro seja reconhecido na escritu ração comercial no período-base da venda, a correção monetária da parte do patrimônio líquido Correspondente ao ganho de capital' auferido somente será admitida para efeito' de determinar o lucro real, a partir da da- ta do balanço do exercício social em que o- correr o respectivo recebimento, na propor- ção da parcela do preço recebida. parágrafo único. Os ajustes decorrentes da aplicação do disposto neste artigo _serão' z feitos fio Livro de Apuração do Lucro Real!: - 27. Primeiramente, o texto não diz "venha a se utili_ zar", mas emprega a expressão "se utilize da faculdade prevista no § 29 do art. 31 do... " o que demonstra tratar de fatos ocorrentes; depois, a clareza de seu texto dispensa interpretação, sendo indis- cutível que, pelo seu comando, se o lucro é reconhecido na escritu ração comercial do perícido-base da venda, a correção monetária do patrimônio líquido somente alcançará a parcela de lucro recebida no perlódo da correção. 28. Como se viu, tanto anteriormente ao Decreto-lei' 1.892/81, como apôs o seu ad nto o procedimento adotado pela re- / corrente era descabido., , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0950-051.046/83-21 9. Acórdão n9 101-75.489 29. Como as glosas das despesas se fizeram emexerci cios em que dominava o mandamento legal citado, a fundamentação em proibição nele contida está correta. Assim, nesta ordem de juízos, nego provimento' ao recurso / ^ CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13808.000170/2001-30
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/1992 a 31/10/2000
PIS/COFINS. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. TERMO INICIAL.
0 direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do credito tributário.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS.
INEXISTÊNCIA DE PROVAS.
Tratando-se de prestação de serviços, a receita relativa à atividade da empresa, locação de aeronaves, integra a base de cálculo do PIS e da Cofins, antes ou após a vigência da Lei n° 9.718/98.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.498
Decisão: Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto à decadência. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez López (Relatora) e Leonardo Siade Manzan, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho; II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Leonardo Siade Manzan votaram pelas conclusões.
Nome do relator: Maria Teresa Martinez Lopez
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/1992 a 31/10/2000 PIS/COFINS. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. TERMO INICIAL. 0 direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do credito tributário. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. INEXISTÊNCIA DE PROVAS. Tratando-se de prestação de serviços, a receita relativa à atividade da empresa, locação de aeronaves, integra a base de cálculo do PIS e da Cofins, antes ou após a vigência da Lei n° 9.718/98. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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TÁXI AÉREO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/1992 a 31/10/2000 PIS/COFINS. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. TERMO INICIAL. 0 direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do credito tributário. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. INEXISTÊNCIA DE PROVAS. Tratando-se de prestação de serviços, a receita relativa à atividade da empresa, locação de aeronaves, integra a base de cálculo do PIS e da Cofins, antes ou após a vigência da Lei ri2 9.718/98. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto A decadência. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez L6pez (Relatora) e Leonardo Siade Manzan, que davam provi e to. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho; II) no mérito, por 1 Caio Marcos Candido - President AAA. Maria T res Martinez López - Relatora son Macedo osenburg Filho - Redator Designado unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Leonardo Siade Manzan votaram pelas conclusões. EDITADO EM: 23/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffinann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo Cardozo Miranda, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez López, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de indeferimento de pedidos de restituição/compensação apresentada pela contribuinte, ora recorrente. A contribuinte, por seu procurador, com fundamento no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, interpõe recurso especial a esta Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, contra decisão consubstanciada em acórdão n° 201-77.820, da então Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por entender (i) não ter ocorrido prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e; (ii) que tem direito ao crédito uma vez que é incabível a cobrança do PIS e da Cofins sobre as receitas obtidas com os aluguéis de bens móveis. Tais pedidos dizem respeito à compensação de valores que a ora recorrente pagou a titulo de PIS e Cofins, desde agosto de 1992 a novembro de 2000, fls. 74/75, e foram protocolizados em janeiro de 2001, fl. 1, março de 2001, fls. 163/166, maio de 2001, fls. 157/160, agosto de 2001, fls. 212/220, outubro de 2001, fls. 221/226, novembro de 2001, fls. 254/263, e em dezembro de 2001, fls. 228/233, onde pede para compensar com débitos próprios relativos a diversos tributos e contribuições. De acordo com a requerente, que é empresa de táxi aéreo, ela sujeitou-se ao pagamento de PIS e Cofins "inclusive sobre receitas de loca çâo de bens móveis que praticou no pretérito e continua a praticar", porém, tais recolhimentos seriam inconstitucionais porque o Supremo Tribunal Federal, no RE n2 116.121-3, já se manifestou que a locação de bens móveis não corresponde A. prestação de serviços, mas sim A. cessão de direito de uso. Relativamente ao período posterior a Lei n2 9.718/98, aduz que a pretensão de tributar tais receitas ainda padece de inconstitucionalidade porque, ao estipular conceito 2 -131•I■ Processo n° 13808.000170/2001-30 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.498 Fl. 814 novo de faturamento, nonnatiza matéria reservada à lei complementar, além do que, de acordo com o art. 110 do CTN, a lei tributária não pode alterar conceitos do direito privado. A ementa da decisão, na parte objeto de recurso especial, possui a seguinte redação: NORMAS PROCESSUAIS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. luz do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, é defeso a este Colegiado afastar lei vigente ao argumento de sua inconstitucionalidade. PIS/COFINS. RESTITUICÃO/COMPENSAC:4 -0. PRESCRIÇÃO. 0 direito de pedir a restituição de valores pagos indevidamente ou a maior prescreve passados cinco anos do pagamento. RECEITA DA LOCAÇ:4 - 0 DE BENS MÓVEIS. Tratando-se de receita relativa à atividade da empresa, a receita da locação de bens móveis integra a base de cálculo do PIS e da Cofins, antes ou após a vigência da Lei n2 9.718/98. As fls. 769/772, por meio do despacho n° 201-071, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte quanto h decadência e recebido na questão das receitas de locação de bens móveis uma vez que, sobre a segunda matéria foi demonstrada a divergência. Inconformada com a parte do despacho que não recebeu o recurso especial, tempestivamente a contribuinte interpôs agravo de instrumento. Em decisão de reexame de admissibilidade de Recurso Especial (fls.795/797), entendeu-se pela existência da divergência apontada pela contribuinte relativamente A. decadência, pelo que o recurso foi admitido também quanto a essa matéria (decadência — prazo de restituição). As fls. 799/811, contra-razões da interessada, Fazenda Nacional. Pede para que seja mantida a decisão recorrida. o Relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martinez López, Relatora 0 recurso especial da contribuinte atende aos requisitos formais e, portanto, dele torno conhecimento. Trata-se de pedidos de restituição/compensação de valores da Contribuição para o PIS e COFINS solicitado no decorrer de 2001, pagos sobre a receita de locação de bens móveis ("LOCAÇÃO DE EQUIP. DE N/PROP. REF PERIOD() DE ...) , sob o argumento de que, não havia previsão legal antes da edição da Lei n° 9.718/98, e que, mesmo após, não é 3 cabível a cobrança das contribuições sobre aquela receita em face da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo. Os pedidos de restituição foram formulados no decorrer do ano de 2001 e referem-se aos períodos de apuração de 08/1992 a 11/2000. 0 recurso interposto abrange a discussão sobre (i) a decadência (prazo para solicitar a restituição) e (ii) a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, se devido ou não sobre a receita proveniente de locação de bens móveis. Passo ao exame discriminado. Decadência Os pedidos administrativos foram formulados no decorrer do ano de 2001 (12/01/2001 — fl. 1; 12/03/2001 — fl. 163; 21/05/2001 — 11. 157; 14/08/2001 — fl. 216; 15/08/2001 — fl. 212; 03/10/2001 — fl. 221; 21/11/2001 — fl. 254 e 21/12/2001 — fl. 228) e referem-se aos períodos de apuração de 08/1992 a 11/2000. Mesmo tendo durante algum tempo, me curvado ao entendimento de que o prazo decadencial é de 5 anos contados da publicação da Resolução do Senado, sempre ressalvei minha opinião particular de acordo com a linha de interpretação do STJ no sentido de que os pedidos efetuados antes da vigência do disposto no art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 deveriam obedecer ao prazo de 10 anos retroativos a contar do pleito 1 . Somente para relembrar, o artigo 3° da LC n° 118/2005 suplantou a tese dos 5 + 5 ao estabelecer o prazo prescricional de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, seja no caso de homologação tácita ou expressa, e a segunda parte do artigo 4° da precitada lei fez retroagir o artigo 3° nos termos do artigo 106, I do CTN. Considerando julgamento do Pleno do STJ, no EResp no 644.736/PE, no qual declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/05, deixo de apenas ressalvar minha opinião para adotar esse entendimento, quando expresso pela contribuinte. Ressalte-se, ainda, que em novo julgamento (Agravo de Instrumento no EResp n° 644.736/PE — em formalização), a Corte Especial (Min. Teori Albino Zavascki) esclareceu corno deve ser aplicada a nova regra prevista no artigo 3° da Lei Complementar no 118/05, sustentando que a transição da regra de prescrição deve obedecer a entendimento doutrinário já consagrado no Supremo Tribunal Federal ("STF"), segundo o qual será aplicado o novo prazo, tendo como termo inicial a data da vigência da lei que o estabelece. Portanto, segundo anotado pelo próprio Ministro, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC no 118/05 (09.06.05), o prazo para pedido de restituição é de 5 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido ou a maior; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (5 + 5) limitada, porem, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 1 0 prazo para ao pedido de restituição/compensação de indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentes do STJ - Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 435.835-SC). 4 Processo n° 13808.000170/2001-30 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.498 Fl. 815 Desta forma, considerando que (i) os créditos se referem aos períodos de apuração de 08/1992 a 11/2000, e (ii) os pedidos de restituição foram protocolizados em 2001 - dentro do prazo de 10 anos, entendo não ter ocorrido a decadência (prescrição para alguns). Caso seja vencida, eis que a maioria de meus pares adota o entendimento dos 5 anos passados do pagamento, resta ainda analisar o período não decaído. Período não decaído (pagamentos ocorridos após 12/01/1996) Mérito — base de cálculo No tocante aos recolhimentos que a recorrente considera indevidos, a análise dos mesmos cinge-se na verificação se as receitas decorrentes do aluguel de bens móveis (LOCAC -AO DE EQUIP. DE N/PROP. REF PERIODO DE ...) devem ou não ser incluídas na base de cálculo das contribuições cujos créditos a empresa alega possuir. A matéria pode ser dividida em dois períodos. Antes e depois da lei n° 9.718/98. A) período anterior à Lei n2 9.718/98 - legislação Assim, analisando inicialmente o período anterior a Lei n2 9.718/98, temos que a Cofins era regida pela Lei Complementar n2 70/91 e o PIS pela Lei Complementar n2 7/70, com as alterações da LC n2 17/73, e a partir de março de 1996 pela MP n2 1.212/95. Dispunha a Lei Complementar n2 70/91, quanto ao fato gerador o que a seguir reproduzo: "Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza." (negritei) Já, no que se refere ao PIS, a Lei Complementar n2 7/70 dispunha: "Art. 2" - 0 Programa de que trata o artigo anterior será executado mediante Fundo de Participação, constituído por depósitos efetuados pelas empresas na Caixa Econômica Federal. Parágrafo único - A Caixa Econômica Federal poderá celebrar convênios com estabelecimentos da rede bancária nacional, para o fim de receber os depósitos a que se refere este artigo. Art. 3" - 0 Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: a) a primeira, mediante dedução do Imposto de Renda devido, na forma estabelecida no ssç 1° deste artigo, processando-se o seu recolhimento ao Fundo juntamente com o pagamento do Imposto de Renda; b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: (..)". (negritei) 5 Posteriormente a Medida Provisória n2 1.212/95, por sua vez, dispôs: "Art. 2" A contribuição para o PIS/PASEP sera apurada mensalmente: I - pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; ". (negritei) Extrai-se que, a COFINS foi instituída pela LC no 70/1991, que elegeu como base de cálculo o faturamento, conceituando-o no art. 2' como "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". As exclusões estão previstas no parágrafo único do art. 2°, quais sejam: o valor do IPI, as vendas canceladas, as devolvidas e os descontos concedidos. 0 Programa de Integração Social — PIS foi instituído pela LC no 7/70 e sua incidência era sobre o faturamento. O acórdão recorrido assim se manifesta: Considerando perfeitamente adequado este entendimento dos doutrinadores de que o faturamento tent ligação com as "operações" da empresa, verifico, a partir das notas fiscais que recorrente traz aos autos para justificar seu pedido de emissão de notas fiscais relativas as locações de bens móveis, que estas dizem respeito a uma receita decorrente de sua própria atividade, qual seja, a de táxi aéreo, onde, na nota fiscal de 149, a empresa está locando um equipamento e discriminando ainda uma "taxa de pouso helic". (destaques, não do original) Também em sua impugnação e recurso, aduz a recorrente que praticava e pratica a locação de bens móveis. Logo, sendo a locação objeto de sua atividade principal, tais receitas integram, sim, o seu fatummento, e não será porque o STF entendeu, incidentahnente, que a atividade de locação de bem móvel não se insere no conceito de prestação de serviço, para fins de incidência do ISS, por entender inconstitucional o item 52 da Lista de Serviços da Lei Municipal de Santos nf 3.750/71. Trata-se, alias, de decisão não unânime, e que, por ser pela via incidental, não tem qualquer efeito vinculante sobre o que ora se decide. b) Após a lei n° 9.718/98 - legislação Com a eficácia da Lei n° 9.718/98 ampliou-se o espectro de incidência das contribuições sociais que passaram de" faturamento" obtido com a venda de mercadorias e/ou prestação de serviços (v. art. 2° da LC n° 70/91) para" receita bruta" (v. arts 2° e 3° da Lei n] 9718/98). Com relação A. Lei n° 9.718/98, a questão já restou julgada perante o plenário do Colendo STF quando se decidiu pela inconstitucionalidade do § 1 0, art. 3° da L. 9.718/98, que ampliava o conceito de faturamento, para abranger a receita bruta auferida pela pessoa jurídica - a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de 6 Processo n° 13808.000170/2001-30 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.498 Fl. 816 atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Entendeu-se que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. Superada, portanto, a discussão quanto à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo perpetrada pela Lei 9.718/98, no tocante A contribuição ao PIS e A Cofins. Mérito: A alegação de que não incide o PIS e a Cofins sobre as receitas obtidas com a locação de bens móveis ("LOCAÇÃO DE EQUIP. DE N/PROP. REF PERIOD() DE ...) por não se tratar de prestação de serviços torna-se vazia ao passo que trata-se de conteúdo diverso daquele decidido pelo RE n° 116.121-3/SP 2, relativo A cobrança do ISS sobre a locação de bens móveis, não guardando qualquer pertinência com a questão da exigibilidade de contribuições sociais, incidentes sobre o faturamento. Nesse sentido, vem sendo decidido pelo Colendo STJ: "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO CONFIGURADA. PIS/COFINS. ATIVIDADE DE LOCAÇÃ 0 DE BENS MÓVEIS. INCIDÊNCIA. 1. As receitas decorrentes de atividade de comercialização de bens imóveis sujeitam-se a incidência do PIS e da COFINS, por integrarem esse valores o faturamento da empresa, compreendido como o resultado econômico da atividade empresarial exercida. 2. Por essa mesma razão, equipara a jurisprudência as operações compra e venda de imóveis a de locação desses bens, já que ambas geram valores que irão compor o faturamento da empresa. 3. Dado que a base de incidência do PIS e da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial, e o conceito de mercadoria compreende até mesmo os bens imóveis, com mais razão se 176 de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis a essas contribuições. 4. Recurso especial improvido." (RESP 706725/PR, SEGUNDA TURMA, Di:] 0/10/2005, Relator Min. CASTRO MEIRA) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE A LOCAÇÃ 0 DE BENS MÓVEIS. POSSIBILIDADE. 2 TRIBUTO - FIGURINO CONSTITUCIONAL. A supremacia da Carta Federal é conducente a glosar-se a cobrança de tributo discrepante daqueles nela previstos. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS - CONTRATO DE LOCAÇÃO. A terminologia constitucional do Imposto sobre Serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo considerado contrato de locação de bem móvel. Em Direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprio, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, práticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável - artigo 110 do Código Tributário Nacional. 7 1. A Primeira Turma, nos EDcl no REsp 534.190/PR, publicado no DJ de 6.9.2004, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, julgados ci unanimidade, entendeu ser devida a contribuição da COFINS ã sujeição das receitas auferidas com a operação de locação de bens móveis. 2. Não sendo as razões apresentadas suficientes para a reforma do entendimento manifestado na decisão agravada, o desprovimento do agravo regimental se impõe." (STJ - AgRg no REsp 544884 / SC - REL. Ministra DENISE ARRUDA - J. 04/10/2005 - DJ 07.11.2005 p. 87) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE A LOCACJO DE BENS MOVEIS. POSSIBILIDADE. I. Sendo a base de incidência do PIS e da Colins o resultado das receitas auferidas pela atividade empresarial — faturamento impõe-se reconhecer a sujeição das receitas provenientes das operações de locação de bens móveis a essas contribuições. Precedentes. 2. Agravo Regimental não provido.(STJ — AgRg no Ag 984932/RJ — REL. Ministro HERMAN BENJAMIN — J. 17/02/2009— DJ 19/03/2009) Não pode ser considerado razoável o acolhimento da tese da não incidência do PIS e da Cofins sobre o faturamento auferido com a locação de bens móveis, excluindo o resultado obtido das atividades básicas e principais da empresa, as quais constituem o objeto da empresa de acordo com seu contrato social (fls. 04/10). Seria o mesmo que eximir tais empresas, injustificadamente, de ônus incidente sobre todas as demais pessoas jurídicas, sem a utilização de discrimen a justificar o tratamento privilegiado, principalmente considerando a norma inserta no art. 195 da Constituição Federal a qual prevê ser a seguridade social financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta. A nossa Corte Suprema fixou a exegese de que o faturamento corresponde A. totalidade das receitas advindas com as atividades principais ou acessórias que constituam objeto da pessoa jurídica, ou seja, será composto pelas receitas advindas das atividades da empresa que compõem a receita operacional bruta. Incide o PIS e a Cofins sobre o faturamento, neste caso entendido como a receita bruta obtida em função da comercialização de produtos e da prestação de serviços, entendendo-se por produto, qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial, como prevê o art. 3", § 1' do Código de Defesa do Consumidor, que preconiza: "Art. 3" (...) §1" - Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial." No mais, é de suma importância observar não ter a contribuinte caracterizado, pelos poucos documentos juntados, aliás, cópias de notas fiscais de prestação de serviços, de "LOCAÇÃO DE EQUIP. DE N/PROP. REF PERÍODO DE ..." a inexistência da prestação de serviços. Deveria ter anexado cópia de contratos firmados com os locatários, onde restaria evidente se a locação se verificou apenas da aeronave. 8 Maria Ter }frts2" Martinez López Voto Vencedor Processo n° 13808.000170/2001-30 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.498 Fl. 817 Entende esta Conselheira que, se a aeronave (equipamento subentendido como objeto de locação) foi locado com o piloto, fato corriqueiro nos dias atuais e dentro do objeto social "exploração de transporte aéreo de pessoas e cargas na modalidade de táxi aéreo", dentro do conceito de prestação de serviços. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial assim justificado: Prejudicial de mérito: afastar a decadência de todo o período (regra dos 10 anos), e: Mérito: negar provimento de forma a manter a incidência das contribuições sobre as receitas de alugueis. Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator Designado A controvérsia se instaurou por entendimentos divergentes quanto ao prazo decadencial para apresentar pedido de restituição de indébito referente à contribuição para o PIS e para a Cofins. Cabe observar que dentro do sistema jurídico tributário, como definido no Código Tributário Nacional, inexiste base legal para que se estabeleça um novo prazo para os pedidos de restituição, mesmo que o pagamento tenha sido considerado indevido por interpretação superveniente. A arrecadação que por cinco anos não foi objeto de demanda restituitória não mais pode ser restituida. E o que determina o art. 168, I, do CTN sem que haja qualquer exceção a essa regra. 0 art. 165 do CTN reconhece o direito a repetição do indébito, todavia este direito deve ser exercido no prazo assinalado pelo art. 168 do mesmo diploma legal. Art. 165. 0 sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4" do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; .2i. II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo a pagamento; 9 III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria. Art. 168 - 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenató ria. Em relação à decadência, devemos notar que as normas processuais, ao fixarem os prazos que limitam o direito de ação, são essenciais à segurança jurídica, pois delimitam o período em que se pode validamente questionar um direito. Pe lo conteúdo ser puramente formal, essas normas exigem, para a sua aplicação, a mera constatação da ocorrência, no mundo real, do transcurso ou não deste prazo. Como delimitam o campo em que se admite o direito de ação, constatando-se o transcurso do prazo em que se extingue este direito, não se pode admitir em juizo argumentos casuisticos que venham a questionar se este prazo é justo ou não. Do contrário, estar-se-ia ameaçando o direito investido no outro pólo da relação jurídica, que se encontra garantido exatamente pelo transcurso deste prazo. Esgotando-se o prazo legal, extingue-se o direito de pleitear a restituição, ainda que o pagamento tenha sido materialmente indevido. Assim, o contribuinte não mais o poderá reaver, se não pleitear a sua restituição dentro do prazo, sem que isto represente um enriquecimento ilícito do Erário. A lei não distingue entre as possíveis formas de pagamento indevido para estabelecer prazos distintos para o pedido de restituição; conseqüentemente, não cabe fazer esta distinção corn base em argumentações estranhas à norma. Portanto, existindo norma legal conferindo ao contribuinte o direito de pleitear a restituição de que trata o presente processo, e extinguindo-se esse direito no prazo de cinco anos, como previsto na legislação retrocitada, não cabe considerá-lo de outra forma, até mesmo em face das restrições impostas 6. autoridade administrativa para aplicação de seu poder discricionário em matéria explicitamente legislada. Considerando que o prazo para o pedido de restituição está definido no art.168, I, do Código Tributário Nacional — CTN, como exposto, para um melhor enfoque do assunto é interessante ser notado, nesta altura, que a exação em exame é contribuição sujeita a lançamento por homologação, pois cabe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Desse modo, cumpre esclarecer em que data deve-se considerar extinto o credito tributário no caso do lançamento por homologação. A solução esta contida de forma clara no § 1° do artigo 150 do CTN: Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ,sç 1" 0 pagamento antecipado pelo/obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob co Ri tio resolutória da ulterior homologação ao lançamento. 1 0 Processo n0 13808.000170/2001-30 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.498 Fl. 818 Para melhor compreender o significado desse dispositivo, cito a lúcida lição de ALBERTO XAVIER: ... a condição resolutiva permite a eficácia imediata do ato jurídico, ao contrário da condição suspensiva, que opera o diferimento dessa eficácia. Dispõe o artigo 119 do Código Civil que "se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercer-se desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, manifestada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se opõe". Ora, sendo a eficácia do pagamento efetuado pelo contribuinte imediata, imediato é o seu efeito liberatório, imediato é o efeito extintivo, imediata , é a extinção definitiva do crédito. 0 que na figura da condição resolutiva sucede é que a eficácia entretanto produzida pode ser destruída com efeitos retroativos se a condição se implementar." (Do Lançamento, Teoria Geral do Ato e do Processo Tributário", Editora Forense, 1998, pags. 98/99). 0 pagamento antecipado, portanto, extingue o crédito tributário e é a partir da sua data que se conta o prazo de cinco anos; o crédito é extinto quando ocorre a antecipação do seu pagamento, sob condição resolutória, consoante art.150, § 1 0, do Código Tributário Nacional — CTN. Registra o mestre ALIOMAR BALEEIRO (Direito Tributário Brasileiro, 10a ed., Forense, Rio, 1.993, p. 570) que o prazo de que cuida o art. 168 do CTN é de decadência; essa realidade criada pelo direito — a decadência — que da ao tempo o condão de aperfeiçoar as relações, garantindo que, com o decurso de prazo, as situações tornem-se definitivas. Nessa linha, a Lei Complementar no 118, de 09 de fevereiro de 2005, estabelece: Art. 3" Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § lo do art. 150 da referida Lei. Repare-se que o art. 106, I, do CTN, mencionado no art. 40 da LC n° 118/05, dispõe que a lei se aplica a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Por ser de caráter interpretativo, o dispositivo acima se apli a a fato pretérito, como se depreende da leitura do art. 106 do CTN: Art. 106- A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 11 12 cedo Rose urg ilho — em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade ã infração dos dispositivos interpretados; Voltando ao caso em análise, o recorrente pretendeu compensar débitos tributários referentes ao períodos de apuração de outubro de 1998 a dezembro de 1998, com créditos de supostos recolhimentos indevidos de períodos de apuração compreendidos entre dezembro de 1989 e fevereiro de 1992. Diante deste fato, o fisco efetuou o lançamento tributário em decorrência de haver se passado mais de cinco anos entre os supostos recolhimentos indevidos e os períodos compensados via DCTF. Ressalto que o recorrente não apresentou pedido de restituição, o que nos leva a utilizar os procedimentos de compensação da sistemática da Lei n° 8383/91 como instrumento capaz de marcar a data do pedido de restituição. Apenas para elucidar, a compensação contemplada nos termos da Lei n° 8383/91 deve seguir a seguinte sistemática: 0 contribuinte apura o indébito e faz a compensação em sua contabilidade. 0 ciclo se completa com a informação em DCTF da compensação efetuada. Neste caso, não é preciso formular um pedido de restituição/compensação, bastando observar os procedimentos acima citado. sobremodo importante assinalar que o período de apuração mais próximo que o contribuinte pretendeu compensar foi o de outubro de 1998, cuja entrega estava programada para o 150 dia do mês de janeiro de 1999. Ora, se o débito que se pretendeu compensar é de outubro de 1998, não é preciso empreender qualquer esforço matemático para concluir que, quando foi entregue a DCTF que completou o ciclo da compensação acima descrita, já se tinha transcorrido mais de cinco anos do recolhimento dos valores referentes aos períodos de apuração compreendidos entre dezembro de 1989 e fevereiro de 1992. Portanto, o direito de utilizar os referidos recolhimentos já havia sido extinto, pois foi alcançado pela decadência, que se operou com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilibrio patrimonial. 0 direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto 6, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a "todo aquele que recebeu o que lhe não era devido", e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo.
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Numero do processo: 19740.000410/2006-19
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004
Ementa: OMISSÃO DE RECEITA A defesa alega que 15% a 30% dos
valores depositados e que comporiam o objeto da autuação são relativos a garantias passiveis de devolução e, portanto, não se enquadram no conceito de receita. Nada obstante, além de não comprovar concretamente o que afirma, sua alegação, mesmo provada, não afetalia em nada a autuação, pois esta não roi promovida sobre a totalidade dos valores depositados, mas sim
por meio da aplicação de taxa de spread, indicada pelo próprio sujeito passivo, cujo percentual variou de 5,49% a 7,67% dos valores depositados.
PIS E COFINS — BASE DE CÁLCULO — como a incidência do PIS e da
COHNS é mensal, uma vez realizado o lançamento sobre a receita cio trimestre, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas relativas aos dois meses que não se referem à data do fato gerador.
DECADÊNCIA — MULTA QUALIFICADA — caracterizado o aspecto
volitivo da conduta delitiva, deve ser aplicada a regra de decadência prevista no art„ 173, inciso 1, do CTN, bem como qualificado o patamar sancionador.
Numero da decisão: 1201-000.272
Decisão: Acordam os membros do colegiada por maioria de votos, em preliminar
suscitada de oficio, excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas relativas aos meses não contemplados na autuação do IRPJ, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito negar provimento ao recurso
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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MINISTÉRIO DA FAZENDA -'','',( ieWt;wC 4" fl'INWw CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS mpoo,..-1.:,„Nv. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMEN'I'0 Processo n° 19740 „ 000410/2006-19 Recurso n" 158 962 Voluntário Acórdão n" 1201-00.272 — 2" Câmara /1" Turma Ordinária Sessão de 08 de julho de 2010 Matéria IRPI e outros Recorrente A 1d i va Fomento Mercantil Ltda. Recorrida 2" Turma/DRJ-Rio de Janeiro/RI-I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRP.1 Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA A defesa alega que 15% a .30% dos valores depositados e que comporiam o objeto da autuação são relativos a garantias passiveis de devolução e, portanto, não se enquadram no conceito de receita. Nada obstante, além de não comprovar concretamente o que afirma, sua alegação, mesmo provada, não afetalia em nada a autuação, pois esta não roi promovida sobre a totalidade dos valores depositados, mas sim por meio da aplicação de taxa de spread, indicada pelo próprio sujeito passivo, cujo percentual variou de 5,49% a 7,67% dos valores depositados, PIS E COFINS — BASE DE CÁLCULO — como a incidência do PIS e da COHNS é mensal, uma vez realizado o lançamento sobre a receita cio trimestre, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas relativas aos dois meses que não se referem à data do fato gerador. DECADÊNCIA — MULTA QUALIFICADA — caracterizado o aspecto volitivo da conduta delitiva, deve ser aplicada a regra de decadência prevista no art„ 173, inciso 1, do CTN, bem como qualificado o patamar sancionador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por maioria de votos, em preliminar 7-) suscitada de oficio, excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas relativas aos meses não contemplados na autuação do IRPJ, nos termos do relatório e voto do relator, / vencido o conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, Por unanimidade de votos, rejeitai' a , preliminar de decadência e, no mérito negar provimento ao recurso 1 , kl N Claudemir R() -igu 's Malaquias- Presidente (-) , Guilherm (id(9-)()(11.f(/)Idk/os ,,k 7 Santos Mendes - Relator. MI'l ADO HM: o 6 Au ---.' 2111',,,, Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Maiaquias (Presidente), Guilherme AdoltO dos Santos Mendes, Leonardo Henrique M" de Oliveira (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (suplente convocado), Flávio Vilela C.ampos(substituto de Conselheiro), Antonio Carlos Cnridoni Filho (Vice Presidente). Valmir Sandri (Suplente convocado), Marcelo Cuba Netto e Ausente justificadamente Rcgis Magalhães Soares Queiroz 2 Processo o" 19740 000110/2006-19 SI -C2T1 Acimifio ii" 1201-00.272 Fl.. 2 Relatório Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, sirvo-me do relatório da autoridade a (pio: Traia a presente processo de autos de infração lavrados no ambito da DEINF/R.1, relativas- aos anos-calendário de 2001 a 2003, por mcio dos- quais são exigidos- do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pe.ssocijurídica-IRIU, valor de R$ 221 331,29 (fts..86/9.5), a contribuição para o programa de integração social-P1S, no valor de R$ 7 466,5.3 (fls. 95-verso a 99), a contribuição para financiamento da seguridade social-C'OF1NS, no valor de .R$ 37.406,56 (fls. 99- verso (1 10$) e a contribuição social sobre o lucro líquido-CSU, no valor de R$ 103,383,38 (fts.103-verso a 108-verso), acrescido.s de multa de oficio de 150% e encargos moratórios. 2.. De acordo com o termo de verificação fiscal de fls.72/8.2, atendendo equerimento do Ministério Público Federal, objeto da medida cautelar 2005.5101515101-0, foi dada autorização pela Juíza Federal Substituta da 7' Vara Federal no Rio de - Janeiro para o afastamento do sigilo bancário do interessado e mais 21 (vinte e uma ) empresas do setor de faclor ag, relativo ao período compreendido entre janeiro de 2001 e dezembro de 2003 3. Cotejando-se 0-5 informações enviadas. pelo Juízo da 7'' Vara Federal e pelas instituições financeiras (arquivo eletrõnkv), fiscalização verificou que o interessado mantinha à margem de sua contabilidade a conta corrente 43.830-8, mantida junto ao BRADESCQ, na agá nela 1075. 4. O interessado foi então inumado, cm 24/08/2006 e 17/11/2006, a apresentar os borderós das operações de facto' ing realizadas no período sob ação fiscal, a indicar a taxa de .spread praticada, bem como a esclarecer o que o motivou a não escriturar a conta corrente em seu nome mantida junto ao banco BRADESCO, além de comprovar a OP igen"' dos recursos movimentados- na referida conta corrente .5 Os borda:os apresentados deram origem ao anexo 11 Relativamente aos extratos bancários enviados pelo BRADF,SCO por meio de arquivo eletrônico, a fiscalização verificou a fidedignidade das informações, excluindo OS mimes a: débito e a crédito cujos históricos não interessavam ao escopo do trabalho, tais como. : CPMF, estorno, resgate de títulos de capitalização, baixa arnonuitica de poupança, resgate de . fiutdos, baixa automática de fundos, doe/Te.d devolvidos, redução de saldo devedor e (.7'111F-baixa de mora. 3 6. Do.s créditos selecionados Mann excluídos os cheques devolvidos (fls 66/68) e os valores advindos da conta corrente mantida junto ao 'toá, remanescendo os créditos das operações - de litetoring 7. boi, ainda, elaborado o demonstrativo de . 11s 69/71, que evidencia, mensalmente, a conciliação dos créditos da conta corrente do BRADÉSCO e os valores de receitas omitidas, !astreadas nos respectivo.s bordarás. 8.face ao exposto, efiltiou-se a devida constituição do crédito tributário, aplicando-se as taxas de spl ead C011Stantes dos bordarás (anexo 11) sobre CIN recebivels adquiridos pelo interessado, determinando-se desta .forme a receita omitida trimestralmente. Enquadramento legal . anis. 287, j5' 2 v, 288, 537, 672, 84.1 e 926 do RIR/1999 9. Foram ainda lavrados as autos de infração de PIS, C.VPINS e Enquadramentos legais às fls. 98 -verso e 99; 102-verso e 103 e 108, respectivamente, 10.!)os elementos de prova reunidos, a fiscalização entendeu que restou evidente a conduta dolo.sa do interes.sado visando impedir o conhecimento por parte da autoridade .fi7zendía-ia ocorrência do lato gerador que originou o crédito tributário lançado nos autos, o que caracteriza sonegação fiscal, definida no art. 71 da Lei n" 4 502, de 30/11/1964 11.A conduta do interessado implicou a qualificação da multa em 150%, como previsto no art 44, inciso II, da Lei n". 9 430/1996. 12.Irresignado, o interessado apresentou a impugnação de fls. 204/220, acompanhada dos documentos de fis 221/311, alegando, em síntese, o que se segue.. - decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento relativo ao período de janeiro a novembro de 2001,- - incorreção no cálculo dos tributos ora cobrados, tendo em vista que as garantias não )(Oram desconsideradas dos valores recebíveis-. utilizados no cálculo do valor tributável; -a não escrituração da conta bancária foi um lapso na entrega dos documentos correspondentes ao contador o qual não recebeu toda a documentação e dessa firrma não tomou conhecanento da existência da conta, - ajustamento da multa de ofício agravada, visto que não cometeu .simulação, sonegação ou fraude, -não sc pode cogitar de sirinchição quando a vontade declarada corresponde ao que consta nos bordarás. Uma vez que não houve dolo, a omissão de receita não configura sonegação ou fraude„ - caso o jukador entenda necessário, seja o julgamento convertido em diligência para a verificação dos fato.s alegados Processo n" 19740 000410/20061 9 Si-€2 El Acó, dão ri 1201-00.272 1'1 3 DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 315 a 327) negou provimento à defesa, confbrme ementa abaixo transcrita: Assunto Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário 2001, 200.2, 2003 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA IIIRIIECA DECAUÍNCIA Comprovada a ocorrência de fraude, decai em cinco anos, contados do ft f. ifrileiTO dia do exercício •seguinte àquele em que o lançamento poderia ler sido efetuado, o direito de a Fazenda Nacional proceder ao huiçamento Tributário CONTRIBUIÇÕES ,S'OCIALS D1/CADÊNCIA... Ex-vi do disposto no art 45, I, da Lei n" (S) 212/1991, decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido el étuado, o direito de a Pàzenda Nacional proceder ao lançamento das contribuições para a .seguridade social MLLTA QUALIFICADA É cabível a imposição de multa de ofício qualificada de 150% restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art 71, inciso 1, da Lei n'4 502/64. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa .Jurídica - IRR1 Ano-calendário 2001, 2002, 2003 OMISSÂO DE RECEITA DE FACTORING MATLRIA .NÃO IMPUGNADA EXIGÊNCIA DE GARANTIA DO TÍTULO ADQUIRIDO FALIA DE COMPROVAÇÃO Consolida-se, administrativamente, matéria tributária não evpressamente impugnada Improcede a etclusão da receita omitida do valor supostamente exigido do cliente como garantia do título adquirido pch) contribuinte, asei' devolvido na data da liquidação do crédito, por falta de comprovação com documentação hábil e idónea.. Assunto Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário- 2001, 2002, 2003 PROGRAMA DE INTEGRAÇÂO SOCIAL CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL CONTRIBUIÇÃO SOC IA L SOBRE O LUCRO LÍQUIDO LANÇAMENTOS REFLEXOS 5 Na medida em que não há fatos novo.s a ensejarem conclusões diversas. ignal sorte colhe O que tenha sido decidido em relação ao lançamento principal Vale, ainda destacar Os seus principais fundamentos. Em relação à omissão de receita, teceu as seguintes considerações, in verbis: 33. Pelo modus operandis de uma empresa de ftctoring acima descrito, conclui-se que não faz sentido a alegação do interessado de que parte do valor recebivel refere-se à garantia O risco de eventual inadimplência do devedor do título é dele, o interessado, tanto que a taxa de .spread é variável em [Unção do vencimento como também do possível risco. 34 Mas .se de fato o interessado exige do cliente algum percentual a título de garantia (15% a 30%) deveria apresentar comprovação, pois meras alegações desprovidos de elementos de prova não têm o condão de alterar o lançamento tributário, conforme princípio as.serne da jurisprudência administrativa. e rio mesmo sentido dispõe o inciso III do uri 16 do Decreto n" 70.235/1972, com redação determinada pela Lei n v 8.748, de I 993 35 Nenhum contrato ou qualquer tipo de documento fOi trazido à colação para comprovação do feito. No Direito se diz que alegar .sem provar, é o mesmo que não alegar 36 Outrossim, não tem qualquer corre/ação com a .suposta margem de garantia cobrada a diferença apontada pelo interes.sado entre o somatório do valor nominal dos borderôs e o somatório dos créditos das operações de filetoring do extrato. isso porque os borderó.s evidenciam os reeebiveis (títulos) adquiridos pelo interessado em uma determinada data (como dito anteriormente, as receitas de serviço devem ser reconhecidas pelo regime de competência) enquanto que os extratos bancários indicam os valores efetivamente recebidos na data da liquidação desses títulos (vencimentos diversos) Já quanto is qualificação da multa, se esteou nos argumentos a seguir, literalmente: ...não há que .se admitir que a conduta do interessado durante três anos consecutivos (no mínimo), que impediu ou retardou o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, ocorFêTlela do fato gerador; possa ser decorrente de mero distração 42 Os extratos bancários do BRADESCO juntados no anexo I comprovam que além dos créditos decorrentes das operações de táctming objeto do presente lançamento outras. operações baneária, tais como resgates de . fundos e de títulos de capitalização, baixa automática de poupança, transf érências interbancários, descontos de cheques etc, foram também 6 Pwcesso 11" 19740 00(1410/2006-19 S1-C21-1 Acórdào ii' 1201-00.272 01 4 eftruadas pelo interessado. Será que o contador desconhecia tambL',In L,,ssas Operuçõe? ,S'erá que flesses tri, anos nunca Pila uma reconciliação bancat ia? 43. Ademais, todos os bordiTôs de operações de fáctoring fornecidos pelo próprio interessado em atendimento ao pedido da fiscalização (Anexo II) trazem infinmações comphwientares .kitas com caneta esferográfica, que, entre outras coisas, identificam as .supostas contas contábeis (débito e crédito) onde a.vopeffições ..ÇCFlatil (ou deveriam ser) registradas 44. O lapso na entrega de alguns bort/LT(3s ao contador poderia ser até justificável, mas o que dizer do esquecimento de contabilizar mais de 400 (quatrocentos) borderós ao longo de fres anos? Ainda mais que 88% dos borderós registraWITH operações de 11111 .só cliente, identificado nos documentos pela sigla " Cif— e que resuhou na omissão de receita na ordem de R$ 15 milhões 1)0 RECU RS O VOL1 J MÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fis..341 a 362, mediante o qual aduz essencialmente idênticas razões já carreadas na peça impugnatória... Em síntese, são elas: (i) a preliminar de decadência; (ii) devem ser afastados da autuação os valores relativos a. garantias; (iii) a inaplicabilidade da multa qualificada de 150%, pois (iii.1) só teria havido um lapso na entrega de documentos ao contador, (iii.2) entregou toda a documentação à fiscalização, o que caracteriza a sua boa fé, (iii.3) não houve simulação e, portanto, dolo de sua. parte, (iii.4) não se pode presumir ter havido sonegação, fraude ou simulação, (iii.5) em qualquer dos documentos relativos às suas operações, há elementos falsos. É o relatório.. 7 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Erro no período de apuração do P1S/Colins Entendo ser necessário, antes de enfrentarmos as alegações da defesa, levantar de oficio uma preliminar: erro relativamente ao aspecto temporal do PIS e da Cotins. Tais contribuições foram lançadas com as seguintes datas do- fitto gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/1.2/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, Como a sua. base de incidência é mensal, ou seja, a base de cálculo é o faturamento de cada mês e não do trimestre, para o lançamento estar correto, deveria toda a receita omitida ser relativa aos meses múltimos de três • de cada ano (março, junho, setembro e dezembro) o que é muito • pouco provável, Ao compulsarmos os autos, verificamos que realmente tal hipótese não ocorreu.. Há, às lis. 69 a 71, a discriminação mensal da receita omitida e, por de tal discriminação, verificamos que, nã.o só a receita dos meses de março de cada ano, foram lançada. para aferição da.s contribuições relativas ao fato gerador de 31/03, como também foram incluídas as receitas de janeiro e fevereiro tio respectivo ano, as quais deveriam ter sido adotadas corno base •imponível para latos de 31/01 e 28/02. O .mesmo procedimento foi adotado para os demais trimestres de cada ano.. Desse modo, entendemos ser necessário afastar o lançamento das contribuições ao PIS e à COF1NS exceto em relação as receitas relativas efetivamente aos meses de março, junho, setembro e dezembro dos anos de 2001 a 2003.. Abaixo, seguem Os valores discriminados: • Fatos • geradores • Valor lançado Mantido Exonerado' _ 31/03/2001: R$ 44.706,68 R$ 13.560,99 R$ 31.145,69 30/06/2001:. -.-- • R$ 53.799,04 R$ 12.463,40 R$ 41.335,64 30/09/2001: • R$ 89.675,54. R$ 34.169,75 R$ 55.505,79 31/12/2001: .. • . R$ 112.396,82 R$ 42.796,00 R$ 69.600,82 -- 31/03/2002: -• • R$ 80.507,20 R$ 21.090,1.9 R$ 59.417,01 30/06/2002: • R$ 106.138,41 R$ 34.958,25 R$ 71.180,16 30/09/2002: • • R$ 89.203,69 R$ 25.183,52 R$ 64.020,17 31/12/2002:-. . • R$ 115.838,91 R$ 38.529,44 R$ 77.309,47 31/03/2003: R$ 77.358,88 R$ 26.752,89 R$ 50.605,99 •30/06/2003: • R$ 84.534,52 R$ 28.966,83 . R$ 55.567,69 8 Processo n° 19740.00(1410/2006-19 SI-( 2111 AcáiTio n.." 1201-00272 1.1. 5 30/09/2003: . . . • R$ 141.061,92 R$ 44.066,05 R$ 96.995,87 31/12/2003: R$ 153.483,68 R$ 49.249,97 R$ 104.233,71 Decadência 1.111 relação à decadência, se adotássemos a regra estampada. no art. 150, § 4°, do CIN, os fatos geradores relativos ao ano-calendário de 2001 (exceto os de dezembro) teriam sido alcançados pelo lapso temporal extintivo, uma vez que a ciência da autuação foi promovida em 18/12/2006 (11. 97).. - • Todavia, a autuação foi qualificada em razão do aspecto doloso da conduta delitiva, o que remete a disciplina da decadência ao art. 173, inciso 1, com. base no qual nenhum dos períodos foi abaixado pela caducidade„ .Dessarte, postergo a análise desse tema para depois da. verificação da materialidade da autuação. Omissão de receita Realmente, como já apontado pela DEU, o lançamento foi realizado) pela autoridade empregando a taxa de vread, indicada pelo próprio sujeito passivo, a qual variou no período de 5,49% a 7,67%, 13em inferior ao percentual alegado pela defesa de 15% a 30%. Note-se que os depósitos somaram R$ 18.842.803,42, ao passo que a receita considerada omitida foi de R$ 1..148.705,30, que corresponde a 6,1(Yo do valor total dos créditos bancários, Dessarte, uma vez que os elementos do feito infirmam a alegação da defesa de que a autoridade teria deixado de considerar valores que seriam relativos apenas a garantias, a acusação de omissão de receita deve ser mantida na. sua integral idade. (./.7 z•-•• Multa qualificada Ao compulsarmos sua declaração, podemos constatar que os valores omitidos foram significativamente superiores aos valores declarados.. Vejamos: Valor lançado Declarado 31/03/2001: R$ 44.706,68 R$ 6.961,1 2 30/06/2001: R$ 53.799,04 R$ 5.961,83 30109/2001: - R$ 89.675,54 R$ 12.000,11 :3142/2001: . R$ 1.12.396,82 R$ 14.301,00 31/03/2002: R$ 80.507,20 R$ 8,844,1.9 9 • 30/06/2002: R$ 106.138,41 R$ 7..562,93 30/09/2002: R$ 89..203,69 R$ 9.536,39 31/1212002:• R$ 115..838,91 R$ 9.674,31 . 31103/2003:. R$ 77.358,88 R$ 10.912,22 3010612003; R1 84.534,52 R$ 8,888,52 30/09/2003; . R$ 141,.061,92 R$ 11,840,63 _ 3 .1/12/2003: R$ 153.483,68 R$ 15,388,45 A qualificação da sanção deve sempre ser aplicada no caso de o sujeito passivo ter praticado o delito intencionalmente. É evidente que não é dada à condição sensorial humana a aptidão de penetrar a consciência alheia. A aferição de se um sujeito quis ou .não praticar essa ou aquela conduta deve ser promovida pelas próprias circunstâncias. É razoável se acreditar que alguém possa ter matado outrem acidentalmente se houve apenas um disparo. No entanto, se foram promovidos vários tiros à "queima roupa", todos na cabeça da vítima, as circunstâncias da conduta levam à conclusão de que o agir foi intencional: o autor quis disparar e para matar! () mesmo se pode dizer aqui.. Omissões em. alguns períodos, ou mesmo em. vários, mas pouco significativas, não revelariam a vontade de ocultar, Todavia, as omissões foram reiteradas (em 12 trimestres, ou seja, três anos consecutivos) e de valores sempre significativos, conforme podemos constatar da tabela acima, o que me leva a urna só conclusão: houve o querer de "não fa.zer" e com a clara motivação de se evadir. Dessarte, há plena justificativa para a aplicação da multa qualificada de 150%, bem como da regra de decadência. estampada no art., 173, inciso 1, do CTN. DISPOSITIVO Por todo o exposto, voto para excluir da base de cálculo do PIS e da COHNS as receitas relativas aos meses não contemplados na autuação. ())). ,-- ' 67 )1/ Guilherme dolfo dos Santos Mendes - Relator lo
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Numero do processo: 10830.005446/90-22
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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DE 1986 a 1988 Recorrente N BHM - CO4SULIOR1A 1MOBiLVAR1A S/C LiDA. Recorrida u DRF EM CAMPFNAS . SP. 1RIBUTAÇA0 REFLEXA - PIS/REPIOUE - Parcialmente provido o recurso voluntário apresentado no pro- cesso principal. - IRPj -, por uma refocilo de causa e efeito, è de se prover parcialmente a exigCncia decorrente - pis/repique. Vistos, relatados e disc:utidos os presemtes autos de recurso interposto por BHM - CONSULTORIA IMOBILIÁRIA S/C 1.1DA.0 ACORDAM os Membros da Primeira Càmaua do Primeiro Con solho de Contril ...minles„ por unanimidade de votos, dar provimento par- cial ao recurso, para ajustar a exigOncia ao decidido no processo principal, através do acórdilo nr. 101-85.992, de 24.01.94, nos termos do relatÓrio e voto que passam a integrar o presente iufgado. ...3 . a d ..s Sessbes, em 25 de janeiro de 199q ' MAR :i ...if pRE. s .r DE.1.41 E. , Ár 40007)40 ' • /', '. . -. -,, , 0, .-/-- ' ,f, 7 dr. c E. „.F. ° Al. vr....3 FE:!:1 OS/7 . RELAIOR1 .Z''''' 7 '7 WISIO EM LUIZ 1 ::ERW....1D0 0.I)ESRA DE MORAES . PROCURADOR DA FA -,.. SESSA0 DEu , ZENDA KIN...1,1MAIzi" 9 A B R 1994 — 2 PROCESSO NR. 10830-005.446/90-22 Ácórdão nr. 101-86.0,JB Participarain, ainda, do presente ju:lx..jillento, os seguintes Conselilei- rosN JEZER DE OLIVEIRA CANDIDO, MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS, RAUL PI- MENTEL e SEBASTIA0 RODRIGUES CABRAL. Ausentes por motivo justificado, os Conselheiros FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA e ROBERTO WILLIAM GONÇAL- VES. 41I) (114 , ... , .,....,-- '...... 3 MINTSTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . PROCESSO NR. 10830-005.446/90-22 RECURSO NR.: 74.500 ACORDA° NR.: 101-86.008 RECORRENTE N :OHM - CONSULTORIA 'MOBILIARIA S/C UIVA. R E , L. A . T . O R 1. p, Foi a Recorrente autuada, em U-11....d.t.taçf,..N:o Reflexa PT,Es/RE"....- PIQUE, assim descrita a imputação refercmte ao( s) exercicio(s) de 1986/1988, verbise "DESCRIÇMO DOS FATOS ENQUADRAMENTO LEGAL 1.......¡Arn¡mmito decorrente da fiscalizaç%b do Imposto de Renda Pessoa Juridica, na qual foi apurada reduçUo in- devida da base de cálculo daquele tributo, gerando suficie,,ncia na determina0o da base de cálculo deta. Dontribuição. ANEXOSN Demonstrativos de cálculo e acrescimos legais do PIS/REPIQ., e cópia do Auto de In.- fração Matriz (IRPJ). ENQUADRAMENTO )..EGALN Art. 3o., e seus parágrafos lo. e 2o. da Lei Comple- mentar .. nr. 7/70, c/c o art- 4o. e seu parágrafo 3o. do Regulamento anexo a Res. nr. 174/71 do DAGEN e item 6 da Norma de Servico CEF/PIS nr. JUROS DE MORAN arl.- 2o. do DL•1736/79 c/c art- lp., inc. TI do DL-.... "73(1433 e ar t. 16 do DL-2323/87, com re-. dação dada pelo art. 6o. do DL-2331/87. ATUALIZAÇAD MONETARIAN art. 15 parágrafo único 1... DL-1967/82 c/c o art. lo., parágrafo ünico do L DL-2052/83 e arl:.is. lo. e 12 parágrafo ünico e 18 do f-• DL-2323/87 e art- 10 do DL-2471/88, art. 22 e seu para- v• grafo (Áníco, alinea b, da Lei nr, 7730/89, J pa- j... ragrafo ünico e Port. MF nr. 22/89 e arts. lo, parágra- .... fos lo. e 2o., e 61 e seus parágrafos da Lei nr.. . ...-- 7799/89. . 1P... 110 '' X .........-.,.,7 4 MINTSTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NR. 10830-005.446/90.22 ACORDA.° •R. 101'86.008 leltA IA g art. 4o. do D1.-2052/83, c/c o item II da Porta- ria MF 01/84, e ar .t- 86, parágrafo lo. da Lei nr. 7450/85, art. 11 do DL-2470/88 c/c art.. 2o. da Lei nr. 7683/88 (a base de cálculo e o percentual da mula estão indicados no demonstrativo dos acréscimos legais, em anexo)." A impugnação da Recorrente encontra se a fls. 08 com referOncia ã apresentada no processomatriz de nr. 10830-005.443/90-34. A decisão recorrida assim se manifestou para manter o lançamento. CONSIDERANDO que a exígOncia fiscal consubstanciada no processo nr. 10830-005.443/90 34, originario de ação fiscal - 1RPJ • _ realizada na empresa impugnante foi julgada procedente neseta ínst .án- cia, conforme Decisão nr. 10830/0D/139/92 (fls. 23/24). CONSIDERANDO que os processos instaurados por reflexo devem seguir a mesma orientação decisória daqueles dos quais decorremg CONSIDERANDO que a atividade administrativa do lança- mento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcio- nal, consoante o parágrafo r'ulico do aty. 142 do CíNg CONSIDERANDO o disposto no art. lo., parágrafo 1.o., DL 1940/82, item I, "a" da Port. NE nr. 119/82 e arts. 2o., 3o., I, 14, 16, 36 e 85 do RECOFIS, aprovado pelo Decreto nr. 92.698/86 CONSIDERANDO tudo mais que do processo consta, 101 PROCESSO NR. 10830-005.446/90.22 Acórdão nr. IOL -86.008 JULGO PROCEDENiE a exigOncia fiscal e DEfERM1NO se prossiga na cobrança do crédito tribulArio com 05 acréscimos Legais. A fls. 29 se vÉ) o recurso voluntâvio, repelindo, de forma geral, a impugnação. E: o rela '04 ,..-5 11 1:: 1,1 I: Z.:::3 1. ' Es: R 11: O DA F.:AZE:1,mA 1:: ' R I PIE: :I. Re) C 01,1S E:1...1 10 DE: C 01,11'R :1: E11,1 1: 1,1'1"ES - E'ROCE: S S O 1,1R . 1. Of930 - 005., 446./90 . 22.: ACORDO NR . 10 J.. -86 „ 008 v. O . 1, " , o 1...cmise .1. hiã i. r o : CELSO AL, VES FE:" .1 OSA „ Re :1, a t..0r. I: em p e s t: :1 vo „ 1,10 processo cakR5.â't .1: R 1::* , I I' c; :i dado pa r • ci. a 1 p r . o v :1, in,......:r1 I: o . o reit:Ur-5C) V O J. I. tf '.1 1. à l' À O- A 1..:: fiR DAI) NI R „ '1 Os .i'll.f"1 Cl a file ri 1.05 Cl a Ci f..: C:À, 5 2(0 CI a ...,:k tk tini' À. Cl Cl e it) O 11 C) C: r á t:i. c: a 9 1"1 O p 1'0 C:e IS 5 O r e .f: .1 e \u „ "f i. c: .i:tift 5 Lt . :i C:: À. 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Numero do processo: 10640.003009/2006-94
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003, 2004
DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ. MULTA DE OFICIO. CABIMENTO.
Com o advento da DCTF, a partir do ano-calendário de 1998 o valor dos tributos informado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica passou não mais representa confissão de dívida passível de inscrição em Dívida Ativa. Sob esse prisma, correta a imputação da multa de oficio sobre diferença de tributos não informada em DCTF.
Numero da decisão: 9101-000.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recuso da Fazenda Nacional para restabelecer a exigência da multa de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Leonardo Lobo de Almeida
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ASSUNTO: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003, 2004 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ. MULTA DE OFICIO. CABIMENTO. Com o advento da DCTF, a partir do ano-calendário de 1998 o valor dos tributos informado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica passou não mais representa confissão de dívida passível de inscrição em Dívida Ativa. Sob esse prisma, correta a imputação da multa de oficio sobre diferença de tributos não informada em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiz • o, por unanimidade de votos, dar provimento ao recuso da Fazenda Naci*'ai para - h baleou a exigência da multa de oficio, nos termos do relatório e voto que integr o prosem julgado. 1 4 , 4 CARLOS ALBE • • AFITAS r. ARRETO - Presidente. PutroÀ."6- ' LEONARDO DE A ',RADE COUTO - Relator. EDITADO EM: 1 2 mAR 2010 Participaram da gess; • de julgamento os conselheiros: Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Ivete Malaquias Pessoa, Antonio Carlos Guidoni Filho, Leonardo de Andrade Couto, Vahnir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias, João Carlos Lima Junior, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata o presente de recurso especial (fls. 253/258) interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 101-96.464 (fls. 237/247) que deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo e cancelou a exigência da multa de oficio sobre as diferenças apuradas pela fiscali7ação entre os valores informados na DIN e aqueles declarados na DCTF, para os anos-calendário de 2003 e 2004. No entendimento da decisão recorrida, a informação prestada na DIPJ representa confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência respectivo crédito, não sendo cabível a imputação de multa de oficio sobre valores não declarados em DCTF. Manifesta-se em sentido diverso a recorrente eis que, defende, a partir da Instrução Normativa SRF n° 126/98, apenas os saldos de tributo a pagar informados em DCTF são considerados confissão de dívida e a DIPJ teria caráter meramente informativo. No despacho de fls. 258 o então Presidente do 1° Conselho de Contribuintes entendeu que o recurso preenche as condições de admissibilidade. O sujeito passivo apresentou contrarrazões (fls. 262/268) onde contesta a existência de omissão de receitas, questiona a imputação da multa qualificada e reclama pela impossibilidade de utilização dos balancetes para apuração da matéria tributável. É o Relatório. V4) 2 Processo n° 10640.003009/2006-94 • CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.503 FI. 2 VOTO Conselheiro Leonardo de Andrade Couto As contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo em nada acrescentam ao feito, tendo em vista que não foi abordada pela interessada a incidência da multa de oficio sobre valores informados em DIPJ, matéria essa que se constitui no objeto da lide. O Decreto-lei n° 2.124/84, no qual a decisão recorrida foi embasada para _ _ excluir a multa, estabelece: Art. 50 O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. ) Entendeu-se que a DIPJ enquadrar-se-ia no dispositivo citado e representaria a confissão de dívida que permitiria a cobrança do tributo nela informado. De fato, durante um certo tempo foi isso que ocorreu. Entretanto, a Instrução Normativa SRF n° 126, de 30/10/1998, criou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) estabelecendo que o valor do saldo a pagar referente aos tributos nela informados poderia ser encaminhado diretamente à Dívida Ativa da União, se não recolhido no prazo. Portanto, a norma deu ao documento então instituído os atributos estabelecidos no art.5° do Decreto n° 2.124/84. Por outro lado, a partir daí essa característica não mais se aplicou à 131PJ que passou a ter um caráter eminentemente informativo. Ilustra bem a questão o fato de que até aquele momento não havia que se falar em DIPJ mas sim em Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIRPJ). A criação da Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídicas(DIPJ) ocorreu com a Instrução Normativa SRF n° 127/1998, imediatamente após a instituição da DCTF. Veja-se a preocupação da Administração em substituir a DIRPJ por um documento de cunho informativo, característica essa ressaltada na própria denominação. Registre-se ainda que no preâmbulo do instrumento normativo que criou a DCTF fica patente a definição desse documento como instrumento de confissão de dívida, pois o já transcrito 5° do Decreto n°2.124/84 é textualmente mencionado. — Por fim, a jurispnidência dessa CSRF não dá margem a-dúvidas: R-1 3 CONFISSÃO DE DÍVIDAS — D1PJ E DCTF — Nos termos da IN 512F 127/98, a Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica — DIPJ — no ano-calendário de 1998 não configura confissão de dívida em relação ao Imposto e às contribuições. Nesse ano, é a DCTF que representa o instrumento hábil à constituição do crédito tributário conforme dispõe o art. 5°, § 1°, do Decreto-lei 2.124/84. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFICIO — Legitimo o lançamento de oficio para constituição dos créditos tributários não recolhidos no prazo legal e apenas informados na DIPJ do ano-calendário de 1998, exercício de 1999. Recurso especial parcialmente provido. (Acórdão CSRF/01-05.624, sessão de 26/03/2007) Do exposto, considerando que a partir da criação da DCTF a DIPJ não mais representa confissão de divida em relação ao valor dos tributos nela indicados, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e restabelecer a multa de oficio no percentual de 75% incidente sobre as diferenças indicadas no item 002 do auto de infração do TRPJ. Leonardo de Andrade Couto - Relator 4
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