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Numero do processo: 13502.000585/2001-48
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 12 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.873
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA 13502.000585/2001-48 12 de maio de 2003 124.850 PROCHROM INDÚSTRIAS QUÍMICAS S.A. DRJ/FORTALEZA/CE R E S O L U ç Ã O N°303-00.873 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • • RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 12 de maio de 2003 i! f í .! ! '24 JUN 2003 -~-~~.~: IRINEU BIANCHI Relator ) f~~ P~ifiparam, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAPDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, PAULO DE ASSIS, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS, NILTON LUIZ BARTOLI e NANCI GAMA (Suplente). tIne • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESTERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR 124.850 303-00.873 PROCHROM INDÚSTRIAS QUÍMICAS S.A. DRJ/FORTALEZNCE IRINEU BIANCHI RELATÓRIO • • • • Contra a empresa acima foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/11, através do qual é exigido o recolhimento do Imposto de Importação, juros de mora e multa de oficio, num total de R$ 78.733,40, decorrente de procedimento de auditoria fiscal (relatório de fls. 13/25), em que o agente fiscal apurou as seguintes infrações: "~ a) não enquadramento, no SISCOMEX, das exportações efetuadas na operação própria de Drawback; b) descumprimento do disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro - Falta de vinculação no documento de exportação; e c) exportação efetivamente realizada fora do prazo. Cientificada do lançamento, a contribuinte interpôs impugnação (fls. 206/215), alegando, em resumo que ocorreu a decadência do direito de constituição do crédito tributário, já que decorrido tempo superior a 5 (cinco) anos do fato gerador do imposto, ou seja, do registro das declarações de importação descritas no item 3.3.4 do Relatório de Fiscalização . Ressaltou a importância do Drawback como mecanismo de incentivo à exportação, destacando tratar-se de prática que remonta à época do mercantilismo. Enfatizou que os próprios fiscais autuantes não negaram que o Drawback existiu, foi comprovado e aceito junto à CACEX, acrescentando apenas que a operação deveria ter sido realizada com a total utilização dos insumos importados, o que na realidade ocorreu, sendo que a autuação afrontou as finalidades precípuas do regime previstas pelo legislador pátrio. Salientou que as comprovações das exportações, como demonstrado pelos documentos que junta, se deram nos prazos estabelecidos pela antiga CACEX, atual DECEX, ou por ela prorrogados, por julgar procedente tal situação, já que a razão final do processo é a exportação dos bens comprometidos, gerando com isto as divW,asesperadas. 'It -~~ '. Destacou, quanto à primeira acusação de erro de classificação, que tal fato não implica descaracterização de todos os registros de exportação que foram devidamente averbados no SISCOMEX, bem como seus respectivos códigos de 2 .r.\ " , - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA • RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 124,850 303-00.873 identificação foram aceitos pela CACEX como 80000 ou 80116 ao invés de 81101 apenas, comprovando assim, de forma cabal, a vinculação das exportações com seus respectivos Atos Concessórios, como demonstram os documentos anexos. Quanto à inobservância do prazo de exportação referente ao Ato Concessório n° 6-95/132-4, de 27/10/95, improcede a alegativa do autuante de que excedeu os dois anos concedidos. Salientou que no caso não foi observada a concessão pelo Serviço de Comércio Exterior do Banco do Brasil, do aditivo nO0006-97/000198-2, de 05/09/97, que prorrogou o prazo para 22/12/97,ôu seja, suficiente para abrigar o embarque, visto que.•..a exportação foi efetivada em 28/10/97, consoante confirma o Relatório da Fiscalização. ' • Acrescenta que sob o ponto de vista fiscal, não pode prosperar a acusação, pois a exportação em 28/1 0/97, ainda estaria dentro do prazo, pois teria que incluir o dia seguinte aos dois anos. Finalmente, alega que se alguma multa fosse cabível no caso, teria que ser imputada ao Banco do Brasil e não à autuada que agiu de boa-fé. Citou várias decisões administrativas e pediu o acolhimento da impugnação. • Remetidos os autos à DRJIFORTALEZA/CE, os membros da Segunda Turma, à unanimidade, rejeitaram a preliminar de decadência e no mérito julgaram procedente o lançamento, estando a decisão assim ementada: DECADÊNCIA - O início do prazo decadencial para lançamento do Imposto de Importação relativo às importações efetuadas ao amparo do regime de drawback suspensão é o do primeiro dia do ano seguinte ao da emissão do Relatório Final de Comprovação de Drawback. DRA WBACK SUSPENSÃO COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO - Somente serão aceitos para comprovação do regime drawback, Registros de Exportação devidamente vinculados ao Ato Concessório, e que contenham a informação de que se referem uma operação de drawback. Termo de Arrolamento de Bens às fls. 261." " Cientificada da decisão (fls. 248), tempestivamente a interessada int~ôs o Recurso Voluntário de fls. 251/258, reiterando os termos da impugnação. ;~~t É o relatório . • 3 .t: "' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONfRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA• RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 124.850 303-00.873 VOTO • • • • A garantia da instância consistiu no arrolamento de bens, conforme requerido na petição de fls. 251, consoante o disposto no ~ 30 do art. 33 do Decreto nO 70.235, acrescido na Medida Provisória n° 1.973, de 29 de junho de 2000. Já o 9 50, do mencionado dispositivo legal, também acrescido na mesma oportunidade, dispôs que "o poder executivo editará as normas regulamentares necessárip para a operacionalização do depósito, da prestação de garantias e do arrolaménto referidos nos parágrafos anteriores". Na data de interposição do recurso ditas normas já estavam regulamentadas através do Decreto n° 3.717, complementado posteriormente pela IN SRF n° 26, de 6 de março de 2001. o art. 4° da Instrução Normativa prevê a averbação no Registro Imobiliário dos bens que forem arrolados como garantia da instância, providência que não se acha demonstrada nos autos. Assim, entendo que ainda não se acha concretizada a garantia da Instância, razão pela qual proponho o retomo dos autos à DRJ de origem para que se proceda a sua formalização, à luz dos diplomas regulamentares em vigor . Outrossim, verifico que a procuração de fls. 260 tem prazo de validade até 1° de dezembro de 2002, achando-se, portanto, vencida. Assim, para que na data do julgamento a defesa não sofra qualquer tipo de restrição neste particular, oportuna se faz a intimação da recorrente para que traga aos autos novo instrumento de mandato DIANTE DO EXPOSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligências para que na repartição de origem seja providenciada a formalização do arrolamento e a obteIl'ção de novos instrumento de mandato. SalJ das Sessões, em 12 de maio de 2003 . i .__ .__:~~.~~ . i IRINEU BIANCHI - Relator I I 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002671/2006-98
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA.
Os rendimentos tributáveis, percebidos pelo contribuinte, omitidos na declaração de ajuste anual ficam sujeitos a lançamento de ofício. Somente são isentos os rendimentos de aposentadoria até o limite legalmente estabelecido e recebidos por contribuintes após completar sessenta e cinco anos de idade.
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DEPENDENTES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para efeito de dedução dos rendimentos tributáveis, a relação de dependência deve atender aos requisitos legais e estar devidamente comprovada. As despesas de instrução com os dependentes do contribuinte, devidamente comprovadas, mas restritas ao limite individual legalmente estabelecido, e
pleiteadas na declaração de ajuste anual podem ser deduzidas da base de cálculo do tributo
DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DESPESAS MÉDICAS
As despesas médicas comprovadas e lastreadas em documentação hábil e idônea que atende aos requisitos legais são dedutíveis. Somente parte das despesas médicas informadas foram comprovadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-000.796
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para admitir a dedução de dependentes no valor de R$ 2.544,00 (dois mil, quinhentos e quarenta e quatro reais), restabelecer despesas com instrução de R$ 3.996,00 (três mil, novecentos e noventa e seis reais) e de despesas médicas de R$
2.893,17 (dois mil, oitocentos e noventa e três reais e dezessete centavos).
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. Os rendimentos tributáveis, percebidos pelo contribuinte, omitidos na declaração de ajuste anual ficam sujeitos a lançamento de ofício. Somente são isentos os rendimentos de aposentadoria até o limite legalmente estabelecido e recebidos por contribuintes após completar sessenta e cinco anos de idade. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DEPENDENTES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para efeito de dedução dos rendimentos tributáveis, a relação de dependência deve atender aos requisitos legais e estar devidamente comprovada. As despesas de instrução com os dependentes do contribuinte, devidamente comprovadas, mas restritas ao limite individual legalmente estabelecido, e pleiteadas na declaração de ajuste anual podem ser deduzidas da base de cálculo do tributo DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DESPESAS MÉDICAS As despesas médicas comprovadas e lastreadas em documentação hábil e idônea que atende aos requisitos legais são dedutíveis. Somente parte das despesas médicas informadas foram comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. Os rendimentos tributáveis, percebidos pelo contribuinte, omitidos na declaração de ajuste anual ficam sujeitos a lançamento de ofício. Somente são isentos os rendimentos de aposentadoria até o limite legalmente estabelecido e recebidos por contribuintes após completar sessenta e cinco anos de idade. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DEPENDENTES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para efeito de dedução dos rendimentos tributáveis, a relação de dependência deve atender aos requisitos legais e estar devidamente comprovada. As despesas de instrução com os dependentes do contribuinte, devidamente comprovadas, mas restritas ao limite individual legalmente estabelecido, e pleiteadas na declaração de ajuste anual podem ser deduzidas da base de cálculo do tributo DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DESPESAS MÉDICAS As despesas médicas comprovadas e lastreadas em documentação hábil e idônea que atende aos requisitos legais são dedutíveis. Somente parte das despesas médicas informadas foram comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para admitir a dedução de dependentes no valor de R$ Fl. 88DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO 2 2.544,00 (dois mil, quinhentos e quarenta e quatro reais), restabelecer despesas com instrução de R$ 3.996,00 (três mil, novecentos e noventa e seis reais) e de despesas médicas de R$ 2.893,17 (dois mil, oitocentos e noventa e três reais e dezessete centavos). (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Relator. EDITADO EM: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de fls. 42/ 47, que considerou procedente em parte o lançamento relativo a: falta de comprovação de despesas médicas no valor de R$4.130,17 (quatro mil, cento e trinta reais e dezessete centavos),(fl.04) omissão de rendimentos tributáveis recebidos da VALIA Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social no valor de R$3.645,80 (três mil, seiscentos e quarenta e cinco reais e oitenta centavos),conforme DIRF dessa empresa; dedução indevida de dependentes no valor de (R$2.544,00) e de despesas com instrução (R$5.316,00). Na decisão de 1ª instância, mantevese em parte o lançamento, considerando: em relação à omissão de rendimentos Tempestivamente, o autuado apresentou impugnação alegando inicialmente que é parte em processo judicial de n°200.50.01.00355067 contra a Secretaria da Receita Federal do Brasil — SRF onde há decisão judicial dirigida a Fundação de Vale do Rio Doce de Seguridade Social — VALIA para depósito judicial do IRRF, visto que estão sendo discutidos com a Fazenda Pública e tendo sua exigibilidade suspensa. Tal fato levou a Fonte Pagadora a informar os rendimentos pagos ao impugnante sob o titulo de "Exigibilidade Suspensa" na DIRF (f1.40). Portanto, aceitando tais rendimentos como tendo a exigibilidade suspensa, não é admissível o aproveitamento dos valores depositados em juízo para dedução do Imposto Devido. Primeiramente porque não foram efetivamente recolhidos aos cofres públicos e. além disto, não há decisão definitiva quanto à exigibilidade do crédito tributário. Neste sentido, não há como aceitar os Fl. 89DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO Processo nº 11543.002671/200698 Acórdão n.º 280200.796 S2TE02 Fl. 85 3 valores deduzidos pelo impugnante a título de IRRF e Contribuição de Assistido dos rendimentos mensais pagos pela VALIA (fl.10). Quanto ao item "b" da peça impugnatória, não assiste razão ao contribuinte, posto que a isenção só se aplica aos proventos de aposentadoria e pensões, até o limite de R$1.058,00, ao titular dos rendimentos com mais de 65 anos e, tendo o impugnante nascido em 28/09/1941, completou 61 anos em 28/09/2002, não atendendo ao quesito de idade para fazer jus ao benefício. Os rendimentos declarados pelas Fontes Pagadoras na DIRF, acrescidas dos rendimentos da Fundação São João Batista, no valor de R$1.936,48, perfazem Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa jurídica de R$23.143,01, ou seja, os rendimentos declarados pela VALIA foram de RS 10.899,10, não tendo o impugnante apresentado prova em contrário. ... No presente caso, mesmo intimado, não comprovou a relação de parentesco dos dependentes e, tampouco, a submissão econômica. A falta de comprovação excluiu os pagamentos feitos a titulo de despesas com instrução de dependentes, posto que não comprovada esta condição quando da impugnação ... não sendo comprovada nos autos através de documentos a dependência daqueles declarados como tal, não há como aceitar o argumento do impugnante. Embora tenha trazido comprovantes de pagamentos de despesas com educação de ANA LAURA GERVÁSIO DE MENEZES e de ANA BEATRIZ GERVASIO MENEZES, não comprovou a relação de dependência, logo não há como aproveitar os pagamentos efetuados. Da mesma forma, não poderão ser aproveitados os recibos de despesas médicas em nome dos dependentes não comprovados. Além disto, o documento da folha 15 não configura despesa odontológica por tratarse de mero orçamento, não comprovando o efetivo dispêndio. Aceitase a despesa com Plano de Saúde PASA comprovado pelo contribuinte com o documento da folha 11 e a despesa com serviço de radiologia, nota fiscal da fl. 14. Admitise como dependente apenas a esposa por apresentar a Declaração de Ajuste Anual de forma conjunta e, neste caso, sem rendimentos.” A ciência de tal julgado se deu por via postal em 13/07 /2009, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 53 . À vista da decisão, foi protocolizado, em 30/ 07 /2009, recurso voluntário de fls. 54, no qual o pólo passivo questiona a decisão proferida. Na peça recursal, o contribuinte alega: Fl. 90DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO 4 “a) com relação à alegação de omissão de Rendimentos Tributáveis recebidos da VALIA, ....informo que os referidos rendimentos foram lançados como Rendimentos Isentos e não Tributários e o desconto do Imposto de Renda igual a zero, disto resultando a declaração somente dos Rendimentos Tributáveis da UFES e da Fundação São João Batista como pessoa Jurídica; b) com relação â comprovação de despesas médicas, anexo recibos no valor de R$ 2.892,17 (dois mil oitocentos e noventa e dois Reais e dezessete centavos), comprovando a referida dedução; c) comprovantes de contribuição à VALIA no montante de R$ 2.912,46 (dois mil novecentos e doze Reais e quarenta e seis centavos); d) com relação à comprovação dos dependentes (2 filhas uma menor e outra estudante universitária com 23 anos) seguem documentos comprovatórios de dependência econômica (moradia, instrução, alimentação etc.) e, endereço residencial, Certidão de Casamento ocorrido em 16/03/2007, cinco anos após a referida declaração. Certidão de Nascimento e comprovação de residência da ainda menor; e) comprovantes de despesas com instrução dos dependentes, no valor de R$ 7.502,77 (sete mil quinhentos e dois Reais e setenta e sete centavos) f) comprovante da Declaração anterior dos pagamentos efetuados ao PASA no valor $ 4.630,10 (quatro mil seiscentos e trinta Reais e dez centavos).” É o relatório. Voto Conselheiro Lucia Reiko Sakae, Relator O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Tratase de recurso voluntário em face da decisão que restabeleceu apenas parte da dedução com despesas médicas, mantendo os demais valores lançados, ou seja, a omissão de rendimentos e, ainda, com as demais glosas efetivadas ( com dois dependentes e com instrução dessas dependentes). Primeiramente , cabe registrar que o lançamento cientificado em 20/12/2006, tomou como base as informações constantes na DIRPF entregue em 30/04/2003, conforme cópia juntada às fls. 32/36, o que exclui a espontaneidade do sujeito passivo quanto às infrações verificadas e lançadas, sujeitandoo às penalidades cabíveis, tudo a teor do disposto no §§´s 1° e 2c do artigo 7° do Decreto n° 70.235/72 PAF Fl. 91DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO Processo nº 11543.002671/200698 Acórdão n.º 280200.796 S2TE02 Fl. 86 5 DAS DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DAS DEDUÇÕES COM DEPENDENTES E COM INSTRUÇÃO Foram juntados às fls. 55/56 respectivamente a Certidão de Nascimento de Ana Laura Gervasio de Menezes, nascida em 21/02/1.992 (à época com 10 anos) e a Certidão de Casamento de Ana Beatriz Gervasio de Menezes, nascida em 25/11/1979 (com 23 anos em 2.002), cujo matrimônio se realizou em 16/03/2007. Como Ana Beatriz com vinte e três anos em 2.002 cursava ensino superior, conforme atesta o extrato de pagamento da Faculdades Integradas de Vitória, a teor da legislação de regência (§§ 1º e 2º do artigo 77 do RIR/99), tanto ela como Ana Laura podem ser consideradas dependentes. Desta feita, deve ser restabelecida a dedução com mais essas duas dependentes (dedução deR$ 1.272,00 por dependente). Consta, ainda, à fl. 13, declaração de que Ana Laura (filha do recorrente), cursava ensino fundamental, tendo pago a importância de R$ 4.080,67 referente à anuidade de 2.002 (comprovantes às fls. 61/ 66) e às fls. 16/23 pagamentos ao Instituto de Ensino Superior de Vitória, comprovandose as despesas com instrução, o que possibilita a dedução a esse título no montante de R$ 3.996,00 (sendo o limite anual individual da dedução com instrução o valor de R$1.998,00) DAS DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS Como o recorrente apresenta a documentação a seguir para comprovação das despesas médicas, o valor de R$ 2.893,17 deve ser considerado a esse título para dedução da base de cálculo: DESPESAS MEDICAS VALOR FL PASA PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE DO APOSENTADO 2.597,17 58 Maria da Penha Guarçoni de Paula 166,00 79 RX Dentário 130,00 14 subtotal 2.893,17 DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Quanto a alegação de que os valores lançados como omitidos foram informados como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis e o desconto do Imposto de renda igual a zero, devendose manter como rendimentos recebidos de Pessoas Jurídicas tributáveis apenas os da “UFES e da Fundação São João Batista” cabe registrar que: Fl. 92DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO 6 Segundo a DIRPF originalmente apresentada os valores informados foram os a seguir discriminados, diferentemente dos comprovantes DIRPF Quadro ! (FL. 32) RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS PELO TITULAR CNPJ pertencente a DIRF/ COMPROVANTE CNPJ;CPF Rendimentos I R F Fl. Rendimento s I R F 32.479.123/000143 10.307,43 11,28 UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPIRITO SANTO 39 10.307,43 11,28 27.450.709/000145 1.936,48 0,00 FUNDACÃO SÃ0 JOAO BATISTA 12 1.936,48 0,00 42.271.429/000163 7.253,30 5.237,43 FUNDACAO VALE DO RIO DOCE DE SEGURIDADE SOCIAL VALIA 40 10.899,10 0,00 Total 19.497,21 5.248,71 TOTAL 23.143,01 11,28 diferença 3.645,80 Ainda, como bem explicitado na decisão a quo, somente são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos por contribuinte que completara sessenta e cinco anos de idade, até o limite legalmente estabelecido, desta feita, sendo o contribuinte nascido em 28/09/1.941, completou 61 (sessenta e um anos) em 28/09/2002, não atendendo ao requisito disposto no inciso XXXIV do artigo 39 do RIR/99, como a seguir transcrito: “RIR/99 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: .... Proventos e Pensões de Maiores de 65 Anos XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XV, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 28); Desta feita, fora os valores informados como de exigibilidade suspensa pela Fundação Vale do Rio Doce no valor de R$ 42.213,85 mais R$ 3.645,80, o que totaliza o montante de R$ 45.859,65 (quarenta e cinco mil, oitocentos e cinquenta e nove reais e sessenta e cinco centavos), o total de R$ 10.899,10 (dez mil oitocentos e noventa e nove reais e dez centavos), mais o referente ao 13° no valor de R$ 941,30) são tributáveis, inclusive conforme o comprovante juntado pelo próprio contribuinte de fl. 24 e confirmados pela DIRF de fl. 40. Tendo, portanto informado apenas o valor de R$ 7.253,30 (sete mil, duzentos e cinquenta e três reais e trinta centavos como tributável no quadro I, correto o lançamento de mais R$ 3.645,80 (três mil, seiscentos e quarenta e cinco reais e oitenta centavos) para resultar Fl. 93DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO Processo nº 11543.002671/200698 Acórdão n.º 280200.796 S2TE02 Fl. 87 7 no montante total tributável de R$ 10.899,10 (dez mil oitocentos e noventa e nove reais e dez centavos) RESUMO. Em resumo, a omissão de rendimentos deve ser mantida e em termos de dedução da base de cálculo, devem ser: Acrescidos o valor de R$ 2.544,00 a título de mais duas dependentes; deduzidos o valor de R$ 3.996,00 a título de despesas com instrução das duas dependentes acatadas e a título de despesas médicas o valor total de R$ 2.893,17, Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para admitir a dedução de dependentes no valor de R$ 2.544,00 (dois mil, quinhentos e quarenta e quatro reais), restabelecer despesas com instrução de R$ 3.996,00 (três mil, novecentos e noventa e seis reais) e de despesas médicas de R$ 2.893,17 (dois mil, oitocentos e noventa e três reais e dezessete centavos). (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Fl. 94DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 16/05/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDO SO
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001899/2003-69
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RETENÇÃO DO IRF.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção( Súmula CARF n. 12).
DEDUÇÃO INDEVIDA IRF.
MULTA DE MORA
Correta a aplicação da multa de mora sobre o valor declarado a maior como retido na fonte.
DEDUÇÃO PENSÃO
ALIMENTÍCIA. DEPENDENTES.
O pagamento de pensão impede que o beneficiário seja considerado
dependente para fins de dedução dos rendimentos do alimentante, a não ser que a decisão judicial assim o determine.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
As despesas com honorários advocatícios deverão ser rateadas entre os rendimentos tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e os isentos/não tributáveis recebidos na ação judicial, e somente a parcela correspondente aos tributáveis poderá ser deduzida para fins de determinação do valor sobre o qual incidirá o imposto de renda.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
Correta a aplicação da Taxa SELIC, conforme Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-001.132
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade NEGAR
PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martin Fernandez (relator), Carlos André Ribas de Mello e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Lúcia Reiko Sakae.
Matéria: IRPF- processos que não versem s/exigência cred.tribut.(NT)
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RETENÇÃO DO IRF. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção( Súmula CARF n. 12). DEDUÇÃO INDEVIDA IRF. MULTA DE MORA Correta a aplicação da multa de mora sobre o valor declarado a maior como retido na fonte. DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEPENDENTES. O pagamento de pensão impede que o beneficiário seja considerado dependente para fins de dedução dos rendimentos do alimentante, a não ser que a decisão judicial assim o determine. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. As despesas com honorários advocatícios deverão ser rateadas entre os rendimentos tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e os isentos/não tributáveis recebidos na ação judicial, e somente a parcela correspondente aos tributáveis poderá ser deduzida para fins de determinação do valor sobre o qual incidirá o imposto de renda. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Correta a aplicação da Taxa SELIC, conforme Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado.
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RETENÇÃO DO IRF. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção( Súmula CARF n. 12). DEDUÇÃO INDEVIDA IRF. MULTA DE MORA Correta a aplicação da multa de mora sobre o valor declarado a maior como retido na fonte. DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEPENDENTES. O pagamento de pensão impede que o beneficiário seja considerado dependente para fins de dedução dos rendimentos do alimentante, a não ser que a decisão judicial assim o determine. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. As despesas com honorários advocatícios deverão ser rateadas entre os rendimentos tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e os isentos/não tributáveis recebidos na ação judicial, e somente a parcela correspondente aos tributáveis poderá ser deduzida para fins de determinação do valor sobre o qual incidirá o imposto de renda. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Correta a aplicação da Taxa SELIC, conforme Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 16/05/2012 po r GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martin Fernandez (relator), Carlos André Ribas de Mello e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Redator designado EDITADO EM: 16/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Versam os presentes autos sobre recurso voluntário interposto de decisão a quo que julgou procedente a ação fiscal, derivada de Auto de Infração lavrado em virtude da dedução indevida de honorários advocatícios de valores recebidos em ação judicial, despesas com instrução não comprovadas e glosa pela falta de comprovação de imposto de renda retido na fonte e decorrente de ação trabalhista. Insurgese o recorrente em Voluntário, alegando: a) responsabilidade da fonte pagadora e prova da retenção e recolhimento integral por compensação; b) comprovação das despesas com instrução; c) direito à dedução integral dos honorários advocatícios, e; d) impossibilidade de exigência do imposto calculado com base na taxa SELIC. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 16/05/2012 po r GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10909.001899/200369 Acórdão n.º 280201.132 S2TE02 Fl. 101 3 Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández De início, rejeito a alegação no tocante à impossibilidade de utilização da taxa SELIC, com fulcro na Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Quanto à alegação de que a fonte pagadora responsável pela retenção procedeu à compensação de valores indevidamente pagos a terceiro com o valor do IR Fonte relativo ao contribuinte ora recorrente, é de se reconhecer que apesar de noticiado o equívoco nos autos do processo judicial, a jurisprudência desde E. Conselho tem se firmado no sentido do dever do contribuinte em oferecer esses valores à tributação, na hipótese de não retenção ou de retenção parcial dos rendimentos pela fonte pagadora. Ademais, o processo administrativo tributário contencioso não é o foro adequado para reconhecer eventual direito à compensação, ainda mais quando realizado pela fonte pagadora. Portanto, a falta de retenção do imposto de renda por parte da fonte pagadora, possibilita ao Fisco exigir a exação diretamente do contribuinte, se a ação fiscal se iniciar após 31 de dezembro do anocalendário. É de se concluir que em se tratando de IRPF, tributo no qual a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada exclusivamente na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário oferecer os rendimentos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. (precedentes da 2a. Seção/2a. Turma da 2a. Câmara/ACÓRDÃO 220200.641 em 27/07/2010 e Súmula CARF n. 12: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. Entretanto, é de reconhecer que há elementos suficientes nos autos para crer que o contribuinte foi induzido a erro escusável pela fonte pagadora, ao realizar preenchimento o declaração de ajuste anual. Logo, entendo inexigível a multa de mora imposta pela suposta falta cometida ao excluir o valor total da retenção que deveria ter sido feita, sem a observância do erro inescusável da fonte pagadora em recolher o valor em nome de terceiro e se utilizar do instituto da compensação para reparar o equívoco cometido. Correta a glosa de despesas com instrução dos filhos, justamente em virtude do pagamento de pensão alimentícia judicial a estes, e por somente serem dedutíveis do imposto de renda as despesas efetuadas pelo contribuinte em nome próprio ou de seus dependentes. Conforme lição de José Ribamar Barros Penha: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 16/05/2012 po r GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 “O pagamento de pensão impede que o beneficiário seja considerado dependente para fins de dedução dos rendimentos do alimentante, a não ser que a decisão judicial assim o determine (IRPF, MP editora, 2ª edição, p. 290). De igual modo, correta a glosa referente à dedutibilidade integral dos honorários advocatícios pagos, dos rendimentos oferecidos à tributação e recebidos em decorrência de ação judicial. A autoridade lançadora somente considerou dedutível a parcela dos honorários proporcionais aos rendimentos tributáveis, excluindo o montante relativo aos rendimentos isentos e não tributáveis percebidos. Isso porque, para fins tributários, as despesas com advogados necessárias ao recebimento dos rendimentos decorrentes de ações judiciais, assim como as demais despesas necessárias ao recebimento destes rendimentos, cujo ônus tenha sido do contribuinte, podem ser deduzidas do total dos rendimentos oferecidos à tributação. Em conseqüência, as despesas com honorários advocatícios deverão ser rateadas entre os rendimentos tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e os isentos/não tributáveis recebidos na ação judicial, e somente a parcela correspondente aos tributáveis poderá ser deduzida para fins de determinação do valor sobre o qual incidirá o imposto de renda. Apesar de não ter sido suscitado em sede recursal, convém lembrar que não há nos autos elementos suficientes que permitam aplicar as alíquotas vigentes à época em que eram devidos os referidos rendimentos a impor o recálculo mensal do IRPF devido, ainda que inequivocamente a tributação dos rendimentos recebidos em decorrência de sentença judicial trabalhista tenha se dado de forma acumulada. Ante o exposto, conheço do recurso e no mérito lhe dou parcial provimento apenas para excluir a multa de mora da dedução indevida de IR Fonte não recolhido. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 16/05/2012 po r GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10909.001899/200369 Acórdão n.º 280201.132 S2TE02 Fl. 102 5 Voto Vencedor Conselheiro Lucia Reiko Sakae, Redator designado Peço vênia para discordar do voto proferido pelo ilustre Relator apenas quanto a sua proposta de exclusão da multa de mora aplicada sobre o imposto de renda declarado como retido na fonte, cuja retenção não restou comprovada. Segundo o demonstrativo de infração de fl. 10: “Contribuinte efetuou dedução a maior do IRRF referente aos rendimentos auferidos através da ação trabalhista movida contra o banco Bamerindus. O IRRF informado na DIRF e no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora foi r$ 38.510,63. A diferença teria sido recolhida em nome de Vitor Marques, sendo compensada pela fonte pagadora, o que não pode ser aceito, tendo em vista não terem sido adotados os procedimentos regulares para a compensação”. Pelos documentos acostados aos autos, como o Darf de fl. 34 foi recolhido apenas o valor de R$ 38.510,63 a título de imposto de renda retido na fonte do recorrente, inexistindo prova de eventual recolhimento alegado de R$ 47.998,51. Constou, ainda, do demonstrativo de infração que o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora também indicava o valor de R$ 38.510,63, tal como indicado na DIRF. Desta feita, correta a aplicação da multa de mora sobre a dedução a maior a título de imposto de renda retido na fonte. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Fl. 114DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 16/05/2012 po r GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10865.903810/2009-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.195
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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BENEFICIAMENTO DE MATERIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Redator designado [assinado digitalmente] Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito apresenta Recurso Voluntário contra decisão denegatória de PER/DCOMP eletrônico referente ao recolhimento a maior de COFINS referente ao PA de 31.03.2004. O despacho eletrônico anexo fls. 06 indeferiu o pedido de homologação da compensação com fundamento no fato de que o “suposto” pagamento a maior não foi comprovado pelo contribuinte. Na manifestação de inconformidade anexa fls. 11/14 o contribuinte sustentou que a partir de 1º de novembro de 2002 a Lei n.º 10.485/2002 reduziu para zero a alíquota da COFINS incidente sobre as receitas auferidas com a venda e industrialização por encomenda de autopeças. Afirmou ainda que com a edição da Lei n.º 10.865/2004 foi afastado o regime monofásico do setor automotivo, retornando a incidência do PIS e da Cofíns a todos os componentes da cadeia, a partir de 1º de agosto de 2004. Alegou ainda ter recolhido indevidamente PIS e COFINS durante o período de dezembro de 2002 ao final de julho de 2004, incidente sobre suas receitas de venda e industrialização sob encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e por essa razão tem direito a homologação da compensação desses créditos, embora não tenha retificado a DCTF para informar a alteração do valor correto devido. Por fim, o contribuinte alegou na Manifestação de Inconformidade que não informou o número do recibo da DCOMP na correspondente DCTF, sendo que, por outro equívoco, pagou o tributo informado nesta DCOMP por meio de DARF, ocasionando um pagamento em duplicidade (Darf e Dcomp). As fls. 26/28 sobreveio a Decisão n.º 1428.862 4 º Turma da DRJ/POR, cuja ementa foi lavrada com o seguinte teor: A s s u n t o : C o n t r i b u i ç ã o p a r a o F i n a n c i a m e n t o d a S e g u r i d a de S o c i a l C o f i ns Data do fato gerador: 31/03/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Extraise da decisão atacada que os julgadores de primeiro grau têm ciência de que a alíquota do PIS e COFINS foi reduzida a zero relativamente à receita bruta de venda de produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei n.º 10.485/2002 dos produtos classificados nos códigos da TIPI mencionados no art. 1º desta Lei. Entretanto, a decisão recorrida concluiu que o direito creditório pleiteado não restou comprovado por meio de documentação idônea, uma vez que o contribuinte não demonstrou que toda ou parte das receitas auferidas foram Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903810/200940 Acórdão n.º 3803003.195 S3TE03 Fl. 106 3 provenientes de venda de produtos classificados nos códigos da TIPI, conforme definido no art. 1º da Lei n.º 10.485/2002, logo o motivo do indeferimento decorreu da ausência de provas, segundo a decisão recorrida. Em Recurso Voluntário, anexo fls. 30/40 o contribuinte alega nulidade da decisão de primeiro grau, com fundamento no art. 59, II do Decreto n.º 70.235/72 tendo em vista que a mesma desconsiderou o direito a ampla defesa e contraditório, pois o Fisco não o intimou a apresentar documentos e deixou de reconhecer o direito creditório sob o argumento de que não foram apresentada prova contábil que fizesse lastro com o direito pretendido, quando na realidade é obrigação da Fazenda Nacional realizar diligência e buscar informações no sentido de apurar a existência do crédito. Afirmou que o cerne da questão neste processo se refere a discussão da alíquota zero da contribuição incidente sobre as receitas auferidas com a venda e com a industrialização por encomenda relacionadas nos anexos I e II da Lei nº 10.845/02, durante o período compreendido entre dezembro de 2002 a julho de 2004. Argumenta ter acontecido equívoco da não retificação da DCTF informando sobre a alteração do valor efetivamente devido de PIS e COFINS, isto é, deveria ter informado na DCTF que sobre estas contribuições incidia alíquota zero, razão pela qual houve o pagamento a maior do tributo no período de apuração em tela. Neste sentido, ressalta o contribuinte que por não ter acontecido a retificação da DCTF, o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito para fazer frente aos débitos apontados no PER/DCOMP. Assim, com fulcro no princípio da verdade material o contribuinte solicita que seja homologada a Dcomp apresentada e que seja cancelado o saldo devedor constante no despacho decisório, principalmente porque agora trás em seu recurso voluntário planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais por amostragem, conforme se observa dos DOCUMENTOS 2 e 3, respectivamente. Por fim, requer que seja homologada a Dcomp e seja cancelado o saldo devedor apurado. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso é tempestivo e por isso merece ser analisado. Conforme relatado, tratase de decisão denegatória de pedido de compensação em razão de pagamento a maior de PIS/Pasep, sob o argumento de que o pagamento indevido não foi comprovado pelo contribuinte. Retirase da decisão recorrida, que os julgadores de primeiro grau concluíram não ter trazido o contribuinte “quaisquer” elementos de prova por meio das quais a Fazenda Nacional pudesse verificar quais receitas do período apontado se referem efetivamente a Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 industrialização por encomenda, principalmente se os produtos estariam relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002. Já compulsando os autos, constatase que o despacho decisório foi emitido de forma eletrônica e se limitou a indeferir o pedido por falta de comprovação do crédito apontado para realizar a compensação pleiteada. Acontece que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte teceu comentários a respeito da incidência da alíquota zero da COFINS para as operações de industrialização por encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e informou também ter recolhido indevidamente o tributo, pois indicou valores equivocados em DCTF. É verdade que em sua Manifestação de Inconformidade não trouxe elementos probatórios capazes de derruir a premissa fazendária de ausência de crédito e por conta disso a DRJ concluiu pelo indeferimento do pedido. Entretanto, agora em seu recurso voluntário o contribuinte trouxe importantes provas da existência do crédito, ou seja, planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais, ainda que por amostragem. Com efeito, “data vênia”, entendimento contrário, manifesto posicionamento de que os autos devem ser encaminhados à repartição de origem, com o propósito de que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar todas as notas fiscais relacionadas na referida planilha, bem como lançamentos contábeis, relatório do seu processo produtivo e demais documentos que entenda necessários para a apuração do direito creditório. Alertase ainda para o fato de que em momento algum ocorreu a intimação, por parte da Fazenda Nacional, para que o contribuinte apresentasse qualquer documento fiscal. Assim, ainda que seja ônus do sujeito passivo colacionar aos autos provas constitutivas do seu direito, por outro lado também é verdade que uma vez trazidos pelo contribuinte elementos de provas do seu direito, ainda que posteriormente a decisão da DRJ, não deve ser criado óbice a apuração da verdade material. Ante o exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se proceda à verificação se os produtos sob os quais ocorreu a industrialização por encomenda estão relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002, pois tal constatação é fundamental para a apuração do direito crédito. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Juliano Eduardo Lirani Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator designado A compensação declarada não foi homologada porque o pagamento apontado como indevido estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A decisão recorrida, por sua vez, não reconheceu o direito creditório reivindicado, no valor de R$ Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903810/200940 Acórdão n.º 3803003.195 S3TE03 Fl. 107 5 19,85, mantendo o Despacho Decisório atacado, porque o interessado não trouxe quaisquer elementos de prova que permitisse a verificação de se toda ou parte das receitas daquele período referemse à industrialização por encomenda especificamente daqueles produtos classificados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Fazendo tabola rasa das regras processuais de preclusão e apoiandose em noção arrevesada do princípio da verdade material, o redator, equivocadamente, propôs a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o contribuinte produzisse a prova que toca ao interessado produzir, nos momentos processuais adequados. Evidentemente, a 3ª Turma Especial, à exceção do Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, jamais respaldaria tal proposição. A natureza extintiva –ainda que condicionada a ulterior homologação – da Declaração de Compensação, impõe que o interessado assegurese que crédito oposto no encontro de contas seja líquido e certo, já no momento da transmissão da Dcomp, sob pena de não têlo homologado. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, apresentando, não apenas as alegações que fez, vazias, pois desacompanhadas de qualquer embasamento documental, mas de documentação contábilfiscal idônea e hábil para demonstrar o erro cometido e afastar o atributo de irretratabilidade da confissão feita na DCTF. O que o recorrente – e o relator também não pode esperar é que a autoridade fiscal suplemente a sua vontade e o intime a tanto. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 6 impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903810/200940 Acórdão n.º 3803003.195 S3TE03 Fl. 108 7 Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 8 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903810/200940 Acórdão n.º 3803003.195 S3TE03 Fl. 109 9 No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 10 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar planilha de bases de cálculo, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposta na compensação declarada. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Alexandre Kern Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 10283.902834/2009-22
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2007
Ementa: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação por meio da qual busca a contribuinte compensar crédito de PIS/Pasep, oriundo de pagamento a maior ou indevido, no valor de R$ 10.984,67, com débito de CSLL no valor de R$ 13.422,17. Em despacho decisório eletrônico a DRF em Manaus não homologou a compensação declarada tendo em vista que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte, não restando saldo credor a compensar. Cientificada em 02/04/2009, apresentou manifestação de inconformidade na qual alega: O motivo da inconsistência detectada é que, embora tenha sido emitido o PER/DCOMP em 31/01/2007, compensando o PIS com a CSLL, não houve na época, de parte da ora inconformada, a retificação da DCTF do 2º Trimestre de 2004, razão pela qual, em 29/04/2009, foi efetuada a correspondente retificação. Desta forma, a DCTF retificadora do 2° Trimestre de 2004 apresentou a exclusão do débito, pois o mesmo já não era devido. Analisando o caso, a DRJ em Belém não reconheceu o direito creditório, à unanimidade, por entender que considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Após ciência do acórdão em 16/06/2011, apresentou recurso voluntário em 07/07/2011, alegando o que segue: a) Quanto à necessidade de apresentação de nova declaração (DCTF), retificando a anterior, foi devidamente provado na Manifestação de Inconformidade que isso ocorreu. Juntase, novamente, a prova de tal alteração. b) No tocante ao fato de que a recorrente teria feito a retificação somente após o despacho decisório, isto está correto porque a detecção da inconsistência somente foi verificada quando do recebimento do despacho decisório. Ora, não há prazo para a entrega de uma declaração retificadora, salvo em casos de decadência. Portanto, é legítimo direito da empresa, em nada devendo em relação ao que se discute, proceder à retificação da DCTF. Respeitosamente, o relacionamento entre fisco e contribuinte não é um jogo de gato e rato, onde um pecado formal temporal trará como penalização o pagamento de um tributo manifesta e comprovadamente não devido. c) No que concerne à alegação de que a recorrente não acostou qualquer prova de seu direito, é de responder, inicialmente, que a DCTF retificadora, por si só, é uma das provas. Pugna ao final pela homologação da compensação declarada. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10283.902834/200922 Acórdão n.º 380302.783 S3TE03 Fl. 2 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Pelo que se observa do breve relato dos fatos tecido acima, a contribuinte buscou compensar créditos com débitos próprios, porém, encontrou óbice no despacho decisório, que não homologou o procedimento tendo em vista a insuficiência de crédito. Após notificação do despacho decisório (02/04/2009), a ora recorrente percebeu ter cometido um equívoco quando do preenchimento da DCTF, o que ensejou a retificadora em 29/04/2009. Contudo, a DCTF retificadora foi acostada aos autos despida de qualquer lastro probatório que lhe desse guarida, razão pela qual a DRJ de piso não reconheceu o direito creditório nem homologou a compensação declarada. Diante dos fatos, a contribuinte trouxe aos autos, por ocasião do contraditório e ampla defesa, Recibo de entrega da DCTF 2º Trimestre de 2004, enviado em 21/07/2005 (recibo n° 18.63.46.04.8919); Comprovante do pagamento do DARF do PIS, no valor de R$ 10.984,67; Livrosrazão consolidado das contas de PIS A PAGAR e de PIS A COMPENSAR do período de julho de 2004; Recibo de entrega da DCTF Retificadora do 2º Trimestre de 2004, enviado em 29/04/2009 (recibo n° 03.67.04.78.8781). Esta Turma tem firmado entendimento no sentido de que a retificação da DCTF, mesmo após a ciência do despacho decisório não homologatório da compensação, não constitui condição sine qua non para o não conhecimento do crédito, este pode ser reconhecido através de prova inequívoca da existência do crédito por meio de documentação hábil. Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Frisase que, nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. Contudo, conforme preceitua o Decreto nº 70.235/72, que o momento oportuno para a apresentação de provas que venham a comprovar ou corroborar o direito do contribuinte é a impugnação. Não apresentado os elementos de prova neste momento processual, preclui o direito do contribuinte de fazêlo em momento posterior, a menos que demonstre a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN 4 a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, entendo não ser este o caso. Ademais, ainda que se superasse a questão do momento oportuno para apresentação das provas, nenhum dos documentos trazidos pela ora Recorrente, demonstrou cabalmente que os valores corretos são aqueles constantes da DCTF retificadora e não da originalmente transmitida, motivo este que impossibilita o acatamento do pleito. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, mantendo a decisão proferida pela DRJ/BEL. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10283.902834/200922 Acórdão n.º 380302.783 S3TE03 Fl. 3 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10283.902834/200922 Interessada: BERTOLINI DA AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.783, de 24 de abril de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 37280.001348/2006-29
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/09/2005
Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conheceido.
Numero da decisão: 206-00.370
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/09/2005 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conheceido.
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Siape 751683 ,44€4 MINISTÉRIO DA FAZENDA 7 ir SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES se>• SEXTA CÂMARA Processo n° 37280.001348/2006-29 Recurso n° 144.413 Voluntário COmoo dlie»"W"rt:toes mfanund°,.:00sAritalic Matéria AUTO DE INFRAÇÃO pub_r5".. de Is Acórdão n° 206-00.370 News Sessão de 12 de fevereiro de 2008 Recorrente AMÉRICAS BARRA RIO LTDA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA NO RIO DE JANEIRO SUL - RJ Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/09/2005 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conheceido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. r OC/NIF - Sexta Camara CONFERE SOM O ORIGINAL Processo n." 37280.00134812006-29 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-00.370 Brasília. O 4," / O)1 Qç5 Maria de Fátima Fe Wth Fls. 75 Metr. Siada 751683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente ge I et ARIA BAN EIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.' 37280.001348/2006-29 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.370. COrNeFECRIME5NF -1:IVIegOta0CRatinGaINni Fls 76 AL Brasília, Ut / (te te a Mana de Fatima Fe • rva o Matr. Slane 751683 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei n° 8.212/1991, art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II e § 13 a 17 do Decreto n° 3.048/1999 que consiste em a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 13/16) informa que verificou-se que no Livro Diário n° 25, a partir da competência 03/2004, o valor registrado na conta Despesas com Pessoal, lançado em um único título é menor que o total das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais obtido na folha de pagamento. A notificada apresentou defesa tempestiva (fls. 36/39), onde alega que não foi demonstrado o fato alegado pela auditoria fiscal. Afirma que não existe Notificação Fiscal de Lançamento de Débito-NFLD lavrada na ação fiscal que tenha por base os dados mencionados no referido Relatório Fiscal da Infração. Como nenhum lançamento de débito foi produzido em razão das supostas omissões, questiona se a auditoria fiscal estaria reconhecendo que não reúne condições técnicas para identificar e lançar as hipotéticas obrigações tributárias decorrentes das mesmas. Entende inconcebível que seja declarada omissão de lançamentos contábeis sem a correspondente materialização da obrigação tributária material e conclui que a farta imprecisão no trabalhão da auditoria fiscal cerceia a defesa da empresa, imputando-lhe multa em patamar elevado sem esclarecer os motivos determinantes para tal conduta. Pela Decisão-Notificação n° 17.403.4/0143/2006 (fls. 43/47), a autuação foi considerada procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso INTEMPESTIVO (fls. 50/57) onde afirma que o auto de infração foi lavrado porque a recorrente deixou de mencionar na folha de pagamentos os valores relacionados com o habitual fornecimento de refeições, lanches, cafés, cestas básicas e etc, e que tais valores constituiriam parcela in natura, portanto, integrante do salário de contribuição. A seguir passa a tecer considerações sobre o conceito de remuneração na legislação trabalhista para concluir que a parcela in natura relativa à alimentação do trabalhador não integra o salário de contribuição. A SRP apresentou contra-razões (fls. 71/73) onde manteve a decisão recorrida. É o Relatório. . . Processo n.• 37280.001348/2006-29 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.370 2° CC/MF - sexta Camara Fls. 77 CONFERE COM O ORIGINAL Brasília 09- /_&.6.4t Mana de Fátima For a Matr. Siam, 751683 Voto Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora Quanto à apresentação do recurso, verifica-se que a recorrente foi intimada da decisão-notificação em 19/05/2006 (fi 49) e apresentou recurso em 21/06/2006, portanto, após findo o prazo para apresentação do mesmo. O § 1° do art. 305 do Dec. n° 3.048/1999 estabelece o prazo para a apresentação de recurso contra decisão do INSS de interesse dos contribuintes e este, após alteração trazida pelo Dec. n° 4.729 de 09/06/2003, é de trinta dias. Assim, o recurso apresentado pela interessada foi intempestivo e, dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento. Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, por ser intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2008 -ri) 7A ii A CIAN EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 36378.000354/2007-06
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/1998
Ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - PRESTAÇÃO DE SERVIÇO NA ÁREA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - DECADÊNCIA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - LANÇAMENTO ARBITRADO.
A Previdência Social possui o prazo de dez anos para constituir seus créditos.
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade de dispositivo legal no âmbito administrativo.
A empresa responde solidariamente com a contratada para execução de obra ou serviço de construção civil. A falta do cumprimento dos requisitos dispostos na legislação como necessários à elisão da responsabilidade solidária enseja o lançamento do débito por arbitramento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00136
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/1998 Ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - PRESTAÇÃO DE SERVIÇO NA ÁREA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - DECADÊNCIA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - LANÇAMENTO ARBITRADO. A Previdência Social possui o prazo de dez anos para constituir seus créditos. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade de dispositivo legal no âmbito administrativo. A empresa responde solidariamente com a contratada para execução de obra ou serviço de construção civil. A falta do cumprimento dos requisitos dispostos na legislação como necessários à elisão da responsabilidade solidária enseja o lançamento do débito por arbitramento. Recurso Voluntário Negado.
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SEXTA CÂMARA Processo n° 36378.000354/2007-06 Recurso n° 144.555 Voluntário Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA c./70- • àoconsestoà:* Acórdão n° 206-00.136 of Serro o C5f),1 L5 15„.1 4.0, Sessão de 20 de novembro de 2007 te 0 Recorrente CONSTRUTORA ÉPURA LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/1998 Ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - PRESTAÇÃO DE SERVIÇO NA ÁREA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - DECADÊNCIA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - LANÇAMENTO ARBITRADO. A Previdência Social possui o prazo de dez anos para constituir seus créditos. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade de dispositivo legal no âmbito administrativo. A empresa responde solidariamente com a contratada para execução de obra ou serviço de construção civil. A falta do cumprimento dos requisitos dispostos na legislação como necessários à elisão da responsabilidade solidária enseja o lançamento do débito por arbitramento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. - SErjtFOERCOL 4.817fE9 rTMAL • Processo n.° 36378.00035412007-06 . g_ Is, ccovco6Acórdão n.° 206-00.136 Fls. 133 Maris de ar' • acuo de Carvalho Met. Siaoe 751683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente 1/4..). BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. MP •giabaX) CONSELHO te cotam 13217 Processo o.° 36378.000354/2007-06 ( -.NUR t •,,t1 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.136 12rabh.-. 2.̀ O 9-- Fls. 134 4 mas de . eira de Centelho '3 Met Siape 751683 Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal da NFLD (fls. 55 a 58), a notificada foi contratante da empresa ANDORINHAS SANTIAGO EMPREITEIRA E CONSTRUÇÕES LTDA para execução de serviços de obra de construção civil, sendo, portanto, responsável solidária pelas contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados da prestadora. A autoridade notificante informa que a recorrente, apesar de intimada por meio de TIAD, não apresentou a comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, bem como a cópia das folhas de pagamento dos segurados utilizados nas obras de construção civil executadas mediante empreitada/subempreitada, e esclarece que o débito foi lançado por arbitramento, e as bases de cálculo apuradas de acordo com percentuais de aferição estabelecidos nos normativos legais vigente à época do lançamento. Consta, ainda, que na apuração do débito foram verificados os registros contábeis, confrontados com as correspondentes notas fiscais de serviços, tendo sido aplicado o percentual de 40% para determinação do valor de mão-de-obra contida nos documentos não exibidos, tendo em vista a impossibilidade de se identificar o tipo de serviço prestado. A empresa notificada impugnou o débito (fls. 73 a 85) alegando, em síntese, decadência do débito, cerceamento de defesa por falta de tempo hábil para elaboração da impugnação, inobservância de requisitos para aplicação da arbitragem, impossibilidade de aplicação do princípio da solidariedade em relação aos 20% da parte da empresa, solidariedade apenas em relação à contribuição dos segurados, ilegitimidade da cobrança do SAT/RAT e ilegalidade e inconstitucionalidade na utilização da taxa SELIC como juros de mora e natureza confiscatória da multa aplicada. A empresa contratada não apresentou defesa. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão-Notificação n° 11.401.4/0622/2006 (fls. 106 a 112), julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD procedente, esclarecendo que o prazo legal concedido para a apresentação de defesa é aplicável a todos os contribuintes e não viola o direito à ampla defesa, e defendendo a decadência decenal para as contribuições previdenciárias e a legalidade da aplicação da multa e juros. Esclarece que o presente lançamento pautou-se no instituto da solidariedade, uma vez que a recorrente não apresentou nenhum documento previsto na legislação como necessário à elisão da responsabilidade solidária e informa que foi verificado que a empresa prestadora não foi fiscalizada no período do débito, conforme tela anexada à fl. 105. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 120 a 127), repetindo as alegações já apresentadas na impugnação. ME SECUNDO CONSELHO De CONTRIBU"rtS • Processo n.• 36378.000354/2007-06 09".- • CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.136 2. 1 (9-•I Fls. 135 Maria de Faóma t2in de Carvalho Mat. S . .. 751683 Preliminarmente, reit- • ue a et : • por ser ordinária, não pode disciplinar os institutos de decadência e prescrição, matéria reservada à lei complementar, conforme o art. 146, Hl, da Constituição Federal, e que o art. 150, § 4°, do CTIV determina que a Fazenda Publica possui o prazo de 5 anos para lançar o débito, nos casos de tributos por homologação. Insiste que não cabe o arbitramento por não apresentação de documentos, já que, além das notas fiscais terem sido colocadas à disposição da fiscalização, os serviços prestados encontram-se nelas discriminados, não havendo que se falar na aplicação de 40%, previsto apenas para o caso em que os serviços não foram especificados, devendo, pois, serem utilizados os percentuais referentes aos serviços discriminados nas notas fiscais. Reafirma que a intenção do legislador, ao editar a Lei 9.711/98 alterando o art. 31 da Lei 8.212/91, é no sentido de que o contratante seja solidariamente responsável apenas pela parte dos empregados, o que condiz com o percentual de 11% estabelecido pela lei de 1998. Repete que não há na Lei 8.212/91, definição do que seriam as atividades que oferecem risco leve, médio ou grave, o que foi disciplinado por ato do Poder Executivo e destaca que, sendo a lei omissa em relação à matéria, não cabe ao Decreto suprir a lacuna legal existente e insiste na ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC como juros moratórios e no caráter confiscatório da multa aplicada. A empresa prestadora não apresentou recurso e a SRP, em contra-razões de fl. 131, manteve a procedência da notificação. É o Relatório. L 07°CalE": • Processo n.° 36378.0003542007-06 11APCCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.136 o 106 Fls. 136 Mala Fé& " " 11.6à3 Voto Brunia sitis léjs_ t:pciloevaniof Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e a recorrente efetuou o depósito recursal (fl. 128) Em preliminar, a recorrente alega que a Lei 8212/91, por ser ordinária, não pode disciplinar os institutos de decadência e prescrição, matéria reservada à lei complementar, conforme o art. 146, III, da Constituição Federal, e que o art. 150, § 4 0, do CTN determina que a Fazenda Publica possui o prazo de 5 anos para lançar o débito, nos casos de tributos por homologação. Porém, o aludido § 40, do art. 150 do CTN remeteu à lei a função de fixar o prazo para a homologação, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador ordinário ao editar a Lei 8.212/91, que instituiu o prazo decenal de decadência para as contribuições previdenciárias. Com relação ao entendimento de que apenas a lei complementar pode dispor sobre a matéria e a Lei 8.212/91, por ser ordinária, está impossibilitada de estabelecer normas gerais sobre a decadência, é oportuno registrar que parte da doutrina defende a tese de que à lei complementar cabe apenas indicar as diretrizes e regras gerais da decadência e da prescrição, cabendo ao ente tributante fixar prazos prescricionais e decadenciais por intermédio de lei ordinária, e não de complementar. Nesse sentido nos ensina Roque Antônio Carrazza, em seu Curso de Direito Constitucional Tributário. 19 ed. São Paulo: Malheiros, 2003, pág. 817, cujo trecho transcrevemos a seguir: "Não é dado, porém, a esta mesma lei complementar entrar na chamada "economia interna", vale dizer, nos assuntos de peculiar interesse das pessoas políticas. Estas, ao exercitarem suas competências tributárias, devem obedecer, apenas, às diretrizes constitucionais. A criação in abstracto de tributos, o modo de apurar o crédito tributário e a forma de se extinguirem obrigações tributárias, inclusive a decadência e a prescrição, estão no campo privativo das pessoas políticas, que lei complementar alguma poderá restringir, nem muito menos, anular. Eis por que, segundo pensamos, a fixação dos prazos prescricionais e decadenciais depende de lei da própria entidade tributante. Não de lei complementar. Nesse sentido, os arts. 173 e 174 do Código Tributário Nacional, enquanto fixam prazos decadenciais e prescricionais, tratam de matéria reservada à lei ordinária de cada pessoa política. Portanto, nada impede que uma lei ordinária federal fixe novos prazos prescricionais e decadenciais para um tipo de tributo federal. No caso, para as "contribuições previdenciárias". "---. - - — ME - SEGUNDO COM:: MIO De CONTRIBUrrt'S 1 CONFERE C iGIN • Processo n.' 36378.000354/2007-06 oot 1000, CCO2/C06Acórdão n.° 206-00.136 Fia 137 11Ib Xr O» e Maria de Fátima Ferreira de Carvalho Mat. Stape 751683 Falando de modo mais exato, ente ' emos • ". • e,,.jda cia e de prescrição das "contribuições previdenciárias" são, agora, de 10 (dez) anos, a teor, respectivamente, dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, que, segundo procuramos demonstrar, passam pelo teste da constitucionalidade". E, ainda, Fábio Zambitte Ibrahim, em seu "Curso de direito previdenciário, Rio de Janeiro: Impetus, página 331", após analisar as diversas jurisprudências do STJ, assim concluiu: "Esta questão ainda está na pauta principal do debate previdenciá rio, provavelmente longe de um consenso. Ficamos aqui com aqueles que entendem perfeitamente aplicável o prazo decadencial de dez anos, sendo despicienda a previsão em lei complementar. É o entendimento mais correto, não somente do ponto de vista técnico-jurídico, mas também pela lógica previdenciária, sistema necessariamente contributivo, carecedor de recursos para sua própria sobrevivência." Evidenciam a existência de uma jurisprudência nesse sentido os seguintes julgados: REsp. n° 169.246/SP, data do julgamento 19/09/2001, relator Min. Milton Luiz Pereira, D.J.U. de 04/03/2002, da P Seção; n° 341.3521SP, data de julgamento 16/05/2002, relator Min. Francisco Falcão, 1' Turma; n° 419.066/SC, data do julgamento 06/08/2002, relator Min. Garcia Vieira i a Turma; Resp 205232/SP, DJ de 01/0711999; AGREsp n° 327057/MG, DJ de 29/10/2001; e Resp n° 408.617/SC, relator Min. Humberto Gomes de Barros, data da decisão 13/08/2002, l' Turma, entre outros. A recorrente alega, ainda, que deva ser reconhecida a irretroatividade do art. 30, da Lei 8.212/91 e a aplicabilidade do beneficio de ordem na responsabilidade solidária relativamente aos fatos geradores de 1996 e 1997, além da necessidade de que se comprove a tentativa de recebimento da devedora principal. Porém, não houve retroatividade da norma, como entendeu equivocadamente a recorrente, pois, apesar de a Lei 8.212/91, em sua redação original, não fazer referência à beneficio do ordem, o CTN sempre vedou tal beneficio no parágrafo único do art. 124, não trazendo a Lei 9.528/97 qualquer alteração a respeito. Ademais, o débito lançado por meio da NFLD em comento se refere à competência 09/1998. Portanto, os argumentos utilizados pela recorrente restaram prejudicados. Cumpre observar que, a recorrente, como contratante de obra de construção civil, responde solidariamente pelas contribuições previdenciárias com a empresa executora da obra. Responsabilidade Solidária é a obrigação legalmente imposta ao contratante de obra de responder pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, isoladamente ou em conjunto com o contratado. O art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, assim determina: "Art. 30 (..). mF SECUND°(»NSELHO De 917 ..S Lir *fie C • ' ^-, reerm, • Processo n.•36378.000354/2007-06 Bria:b49'" \• O C5" • 200 IN Cal2/C06 Acórdão n.°206-00.136 lis.s. 138aa Marie de Fatima -4 -.41 carvalho Mat. Slape 751683 VI -o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.5 , e Iô de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem"; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97) O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, dispõe: "Art.220. O proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão-de-obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem. § 1° Não se considera cessão de mão-de-obra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. § 2° O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento. Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia". (g.n). Dessa forma, a notificada tinha a obrigação legal de exigir da prestadora, cópias dos documentos acima relacionados, quando da quitação da nota fiscal, não sendo necessária a comprovação "de tentativa de recebimento da devedora principal", como quer a recorrente. A legislação dispõe sobre os requisitos a serem cumpridos para a elisão da responsabilidade solidária, conforme o art. 220 acima, § 3°: 3° A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: 1- pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e 11 - pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social ME - SEGUNDO CONSELHO De CONTR181.• CONFF-RE ^ r‘r-i01NAL • Processo n.°36378.000354/2007-06 &espia, (2- O a /9.0098 CCOVC06 Acórdão n.° 206-00.136 Atia s. 139 Mana Fl a de FM erieira de Carvalho Mat Sive 751683 111 - pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do an. 219". (Inciso acrescentado pelo Decreto n°4.032, de 26/11/2001. As normas que tratam da elisão da responsabilidade solidária, referentes ao período do débito é a OS INSS/DARF n° 165, de 11/07/97. A recorrente demonstra desconhecimento da legislação previdenciária ao afirmar que "o próprio artigo 31 da Lei 8.212/91, que previa a solidariedade, fora modificado pela Lei 9.711/98 para determinar a retenção de 11% do valor da mão de obra pelo tomador de serviço". Na verdade, o citado dispositivo legal determina a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, e não sobre o valor da mão de obra nela contida. É oportuno esclarecer que o legislador, ao estabelecer o percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, não intencionou demonstrar que o contratante seja solidariamente responsável apenas pela parte dos empregados, como entendeu equivocadamente a recorrente, e sim objetivou facilitar a arrecadação e a fiscalização do recolhimento das contribuições para a Previdência Social, prevenindo a sonegação. O percentual foi estipulado de forma a se aproximar ao máximo do valor das contribuições devidas pela contratada sobre a mão de obra empregada na prestação dos serviços. Os 11% sobre o valor total da nota fiscal correspondem a aproximadamente 28% sobre 40% do valor bruto da nota. Ou seja, estipulou-se em 40% o valor da mão de obra contida na nota fiscal de prestação de serviços e sobre esse valor, aplicou- se os 20% referente à contribuição da empresa e os 8% referente à dos empregados, que é o mesmo que aplicar aproximadamente 11,2% sobre o valor bruto da nota. Portanto, não há que se falar em responsabilidade solidária apenas pela parte dos empregados, como quer a recorrente. A notificada afirma, ainda, que não há na Lei 8.212/91, definição do que seriam as atividades que oferecem risco leve, médio ou grave, o que foi disciplinado por ato do Poder Executivo e destaca que, sendo a lei omissa em relação à matéria, não cabe ao Decreto suprir a lacuna legal existente. Esse entendimento é descabido já que o conteúdo e alcance de tais normativos restringem-se aos das leis em função das quais eles foram expedidos (art. 99 do CTN). O art. 97 do CTN, citado pela recorrente, determina que somente a lei pode fixar a aliquota do tributo. Portanto, para o SAT, que tem perfil tributário, a Lei 8212/91 estabelece as aliquotas de 1%, 2% e 3% para os graus de risco acidentário leve, médio ou grave. Assim, o Decreto 3.048/99 não ultrapassou o conteúdo e alcance da lei para a qual foi expedido, em atendimento ao disposto no referido art. 99 do CTN. A empresa entende que a aplicação da taxa SELIC é inconstitucional e que a multa moratória possui natureza confiscatória. Contudo, cumpre salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8212/91 e a multa encontra-se amparada no art. 35 do mesmo diploma legal. Vale ressaltar, ainda, que o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 49. ME - SEGUNDO CONSEL140 DE CONTR1Bly ‘,TLIS • Processo n.° 36378.000354/2007-06 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.°206-00.136 &sadia, a NI I t)"- /—kM. Fls. 140 ‘titt9AP Maria de E de Carvalho Nesse sentido e Mat. Siape 751683 n.t Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de novembro de 2007 tOL BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Page 1 _0029400.PDF Page 1 _0029500.PDF Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029700.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10283.010709/2002-18
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001
PIS. BASE DE CÁLCULO. VALORES DE INCENTIVOS FISCAIS CONCEDIDOS PELO GOVERNO DO ESTADO.
0 valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado do Amazônia,
em cumprimento ao Programa PRO VIN, não se caracteriza como
subvenção para custeio e não deve ser registrado contabilmente
como receita integrante da base de cálculo da contribuição para o
PIS.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: CSRF/02-02.777
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento ao recurso. Os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martinez Lopez, Leonardo Siade Manzan, José Carlos Passuello e Manoel Antônio Gadelha Dias acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. VALORES DE INCENTIVOS FISCAIS CONCEDIDOS PELO GOVERNO DO ESTADO. 0 valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado do Amazônia, em cumprimento ao Programa PRO VIN, não se caracteriza como subvenção para custeio e não deve ser registrado contabilmente corno receita integrante da base de cálculo da contribuição para o PIS. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento ao recurso. Os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjdo Barreto, Maria Teresa Martinez Lopez, Leonardo Siade Manzan, José Carlos Passuello e Manoel Antônio Gadelha Dias acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. /- enrique Pinheiro Torres - Kelator EDITADO EM: 30/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gileno GurjAo Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martinez Lopez, Antonio Bezerra Neto, Leonardo Siade Manzan, Henrique Pinheiro Torres, José Carlos Passuello e Manoel Antônio Gadelha Dias. Relatório Por bem relatar a discussão aqui analisada, adoto e transcrevo o relatório do Acórdão n°201-77.707, de 06 de julho de 2004: "Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n" 1.104, de 17 de março de 2003, as fls. 2.680/2.693, da lavra da DRJ em Belém - PA, que julgou procedente o lançamento atinente à insuficiência no recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, no período de apuração compreendido entre janeiro/98 e dezembro/01. Irresignada, a recorrente, tempestivamente, impugnou o lançamento, às .11s. 2.582/2.606, alegando, em suma, que a autoridade autuante tributou receitas advindas de operações estranhas às suas atividades, tais como, receitas financeiras e de aluguel percebidas antes e após a edição da Lei n" 9.718/98. Argumentou, ainda, invocando julgados do STF e posições doutrinarias, ser ilegal e inconstitucional tanto o conceito de faturamento adotado por tal diploma legal como a majora cão da alíquota da exação em apreço para 3%. Outrossim, aduziu que parte dos valores exigidos no lançamento decorreria de operações de venda de produtos pela ora recorrente a CCE Indústria e Comércio de Componentes S/A para o finz especifico de exportação, logo, concluiu que tal operação, ã luz do art. 14 da MP n" 2.158-35, seria isenta do PIS. Ademais, argüiu que o quantum concernente às vendas não recebidas não deveria ser computado na base de tributação da exação em testilha, por não constituir de fato "receita bruta" da recorrente. Ressaltou que, por estar localizada na Zona Franca de Manaus, detém incentivo fiscal, caracterizado pela isenção total ou parcial do ICMS, o qual deve ser considerado como subvenção para investimento, de modo que os valores das subvenções não poderiam ser tributados, uma vez que são registrados na contabilidade da recorrente diretamente na conta de Reserva de Capital, não constituindo, pois, receita. Acresceu, ainda, que o ICMS é receita do Erário Estadual, não do contribuinte, razão pela qual deveria ser excluído da base de cálculo da contribuição ao PIS. No embate analítico a tal impugnação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém - PA, às fls. 2.680/2.693, como alhures apontado, decidiu pela procedência do lançamento, fundamentando que, da análise das planilhas de fls. 72, 77, 81 e 85, depreende-se que foram tributadas as receitas financeiras e de aluguel dos anos de 1999, 2000 e 2001, não do ano de 1998, como alega a recorrente. Esclareceu, também, que os órgãos administrativos não têm competência para apreciação de matéria relativa a 2 Processo n° 10283.010709/2002-18 Acár(15o 0. 0 02- 02.777 CSRF/T02 Fls. 2.994 ilegalidade/inconstitucionalidade de leis, cabendo esta exclusivamente ao Poder Judiciário. Quanto à isenção suscitada pela recorrente, argumentou que esta é concedida não em razão da saída da mercadoria do estabelecimento com o fim de exportação, mas com a venda ou efetiva exportação dessa mercadoria para o exterior, o que não foi constatado da documentação acostada pela contribuinte, em razão do que rechaçou as alegações suscitadas nesse sentido. No tocante a possibilidade de exclusão das vendas não recebidas, esclareceu não ser possível, haja vista a falta de previsão legal para tanto. Sobre o pedido de afastamento de incentivos fiscais a titulo de ICMS da base de cálculo do PIS, afirmou, coin supedâneo no Parecer Normativo Cosit n" 112/1978 e na Lei n" 9.718/98, que subvenções para investimentos integram o resultado não-operacional e as subvenções correntes para custeio ou operação integram o resultado operacional da pessoa jurídica, assim, de uni jeito ou de outro, as subvenções sofreriam a tributação do PIS, outrossim, por não constarem das possibilidades de exclusão da base de tributação de tal exação, pelo que também seria impossível a exclusão dos valores concernentes ao ICMS. Irresignada, a ora recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, às fls. 2.697/2.718, reiterando os mesmos argumentos expendidos na sua manifestação de inconformidade. As fls. 2.762/2.763, a recorrente informa que optou pela quitação de parte da divida ora em discussão, mediante inclusão no Parcelamento Especial — PAES, previsto na Lei n" 10.684/03. Com efeito, a contribuinte desiste parcialmente do recurso voluntário, no tocante ao montante incluso no parcelamento referido, subsistindo a controvérsia tão-somente no que pc/-tine a exigência do PIS sobre os valores relativos às subvenções de investimentos, da qual discorda." Acordaram os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Sintetizando a deliberação trazida por meio do Acórdão n° 201-77.707, de 06 de julho de 2004, na seguinte ementa: "PIS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os valores recebidos a titulo de subvenções, ante o conceito de receita bruta instituída pela Lei le 9.718/98 e a falta de previsão legal para sua exclusão da base de cálculo cio PIS. Recurso negado." Cientificado da decisão do Segundo Conselho de Contribuintes em 03/12/2004, A fl. 2.838-verso, a contribuinte apresentou embargos de declaração ao Acórdão no 201- 77.707/2004 com esteio no artigo 27, § 1 ° do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Anexo II da Portaria no 55, de 26/03/98). Por meio do Despacho n° 201-059, de 10/02/2005, foram rejeitados os embargos declaratórios, As fls. 2871/2872. 3 O sujeito passivo, então, apoiado nos artigos 5 °, II, e 7° da Portaria MF n° 55/1998, apresentou em 28/04/2005, recurso especial a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, solicitando a reforma da decisão proferida por este Segundo Conselho de Contribuintes. 0 especial defendeu que a decisão recorrida diverge da decisão constante do acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 101-94.676), o qual, ao apreciar a questão de mérito da exigência fiscal, similar à dos autos, foi favorável ao contribuinte. 0 recurso especial teve sua admissibilidade analisada pela Presidente da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que, por meio do DESPACHO N° 201-323, de 26 de agosto de 2005, recebeu o recurso interposto pela contribuinte quanto tributação ou não dos valores recebidos a titulo de subvenções. A recorrente, em 10/03/2006, fls. 2.946/2979, trouxe a estes autos mais dois acórdãos administrativos que foram publicados após a apresentação do recurso especial. o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator 0 recurso interposto merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Quanto ao correto enquadramento contábil das subvenções e, por decorrência, a incidência do PIS, entendo não merecer prosperar os argumentos de defesa, pelas razões seguintes. A Lei das Sociedades Anônimas em seu art. 44 dispunha, literalmente, que as subvenções integravam a receita bruta operacional. A seu turno, o Decreto-Lei 1.598/77, dispondo sobre a tributação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, diz, textualmente, no § 2° de seu art. 38 que as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estimulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos não sera) computados na determinação do lucro real quando registradas como reserva de capital, que somente poder á ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, ou quando feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas, o que não e, absolutamente, o caso aqui tratado. Os requisitos para que as subvenções pudessem ser tratadas como investimento e fossem lançadas diretamente em conta de reserva de capital sem transitar pelo resultado do período foram explicitado pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, por meio do Parecer Normativo (PN CST) n° 112/78, nos termos seguintes: 2.12 — Observa-se que a subvenção para investimento apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o" animus" de subvencionar para investimento. Impõe- se, também, a efetiva e especifica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em/' 4 Processo 11 0 10283.010709/2002-18 AcórcEio rt.° 02-02.777 CSRF/T02 Fls. 2.995 investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Mais adiante em seu item 2.14: ... As SUBVENÇÕES, em principio, serão todas elas, computadas na determinação do lucro liquido: as subvenções para custeio ou operação, na qualidade de integrantes cio resultado operacional; as subvenções para investimento, como parcelas do resultado não- operacional. Dos autos não consta qualquer prova de que as subvenções recebidas pela reclamante foram especificamente aplicadas no investimento previsto na implantação ou expansão do empreendimento projetado. A simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A aplicação tem de ser especifica no investimento previsto na implantação ou expansão do empreendimento projetado. Da análise detalhada dos autos, verifica-se que a subvenção classificada pela reclamante corno de investimento, na realidade, é corrente ou de custeio, corno bem demonstrou o Conselheiro hallo César Ramos em voto vencedor que deu origem ao Acórdão n ° 204-00.419, da Quarta Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, que tratava de matéria análoga a aqui discutida. Corn as merecidas homenagens, faço minha as palavras do ilustre conselheiro, e transcrevo excerto do referido voto: Resta ainda definir se essa inclusão das subvenções no resultado operacional, se de custeio, e não-operacional, se para investimento, implica sua tributação pela COFINS, após a edição da Lei n" 9.718/98. É que entendem alguns que, mesmo integrando o resultado operacional, não se conformariam a um conceito de receitas, mais restritivo, que exigiria uma efetiva contraprestação em bens ou serviços por parte da recebedora dos recursos. Essa linha de raciocínio pretende estabelecer unza distinção entre acréscimo patrimonial, o gênero, e receitas, definindo-as como espécie daquele, que incluiria ainda as recuperações de despesas, as subvenções e as doações. Pode-se encontrar na literatura contábil exemplo (embora aparentemente isolado) de tal definição, na seguinte conceituagdol Receita é a expressão monetária, validada pelo mercado, do agregado de bens e serviços da entidade, em sentido amplo, em z determinado período de tempo e que provoca um acréscimo concomitante no ativo e no patrimônio liquido, considerado separadamente da diminuição do ativo (ou do acréscimo do passivo) e do patrimônio liquido provocados pelo esforço em produzir tal receita. Entretanto, tal definição (ou, melhor dizendo, a interpretação que nela pretenda ver a possibilidade de excluir alguns tipos de acréscimo patrimonial) não encontra guarida nas normas técnicas de contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), órgão legal//lente habilitado a disciplinar o exercício da profissão. Coln efeito, a Norma Técnica NBT 10, .subitenz 10.16, aprovada pela Resolução CFC n°922, de 13 de dezembro de 2001 estabelece: 10.16.2 - REGISTRO CONTÁBIL IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. 2" ed. São Paulo: Atlas, 1986. p. 127 r 10.16.2.1 - As transferências a titulo de subvenção que correspondam ou no a uma contraprestaçlio direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.2 - As transferências a titulo de contribuição, mesmo que não correspondam a uma contraprestacão direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.3 - Os auxílios ou contribuições para despesas de capital devem ser contabilizados diretamente em conta especifica de Reserva de Capital, no Patrimônio Liquido. De igual modo, os auxílios ou contribuições deVC171 ser contabilizados em conta especifica, designativa da operação, no Patrimônio Social das entidades que se sujeitam ás normas contábeis mencionadas no item 10.16.1.4. 10.16.2.4 - As doações financeiras para custeio devem ser contabilizadas em contas especificas de receita. As doações para investimentos e imobilizações, que são consideradas patrimoniais, inclusive as arrecadadas na constituição da entidade, devem ser contabilizadas no Patrimônio Liquido ou Social, conforme seja o caso especifico da pessoa jurídica beneficiaria da transferência. Essa determinação do órgão responsável pelo disciplinamento do exercício da contabilidade no nosso Pais, ratifica, como não poderia deixar de ser, o que já vem expresso na norma legal especifica do assunto, qual seja a Lei n" 6.404/76: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § I" Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do prep de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. § 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto não-capitalizado. § 3° Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas .de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do artigo 8", aprovado pela assembléia-geral. § 4" Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia 6 Processo n° 10283.010709/2002-18 AcOrdAo n.° 02-02.777 CSRF/T02 Fls. 2.996 ,sç 5" As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio liquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição. Guarda, além disso, e igualmente como não poderia deixar de ser, inteira coerência com as resoluções do mesmo Conselho que definem e explicam os princípios de contabilidade geralmente aceitos. Sao elas a Resolução CFC n" 750, de 29 de dezembro de 1993, que diz SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9" - As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do' resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independenteniente de recebimento ou pagamento. - 0 Principio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam ern aumento ou diminuição no patrimônio liquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio cia OPORTUNIDADE. 2° - O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. ,sç 3" - As receitas consideram-se realizadas: I — nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II — quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de 11172 ativo de valor igual ou maior; III — pela geração natural de novos ativos independentemente c/a intervenção c/c terceiros; IV— no recebimento efetivo de doações e subvenções. e a de n" 774, de 16 de dezembro de 1994 (DOU de 18.01.1995) que, aprofundando a anterior, menciona: 1.4 - Dos objetivos cia Contabilidade. O objetivo cientifico da Contabilidade manifesta-se na correta apresentação cio Patrimônio e na apreensão e análise das causas das suas mutações. Já sob ótica pragmática, a aplicação da Contabilidade a uma Entidade particularizada, busca prover os usuários com informações sobre aspectos de natureza econômica, financeira e fisica cio Patrimônio da Entidade e suas mutações, o que compreende registros, demonstrações, análises, diagnósticos e prognósticos, expressos sob a forma de relatos, pareceres, tabelas, planilhas e outros meios. O tema, tão claro no quadrante cientifico, comporta comentários mais minuciosos quando direcionado aos objetivos concretos perseguidos na aplicação da Contabilidade a uma Entidade em particular. Adentramos, 110 caso, o terreno operacional, regulado pelas normas. Assim, ouve-se com freqüência dizer que um dos objetivos da Contabilidade é o acompanhamento da evolução econômica e financeira de uma Entidade. No caso, o adjetivo "econômico" é empregado para designar o processo de formação de resultado, isto as mutações quantitativo-qualitativas do patrimônio, as que alteram o valor do Patrimônio Liquido, para mais ou para menos, correntemente conhecidas como "receitas" e "despesas". Já os aspectos qualificados coma "financeiros" concernem, em última instância, aos fluxos de caixa. E mais adiante: 2.6.1 - As variações patrimoniais e o Principio da Competência. A compreensão do cerne do Principio da COMPETÊNCIA está diretamente ligada ao entendimento das variações patrimoniais e sua natureza. Nestas encontramos duas grandes classes: a daquelas que somente modificam a qualidade ou a natureza dos componentes patrimoniais, sem repercutirem no montante do Patrimônio Liquido, e a das que o modificam. As primeiras são denominadas de "qualitativas", ou "pennutativas", enquanto as segundas são chamadas de "quantitativas", ou "modificativas". Cumpre salientar que estas últimas sempre implicam a existência de alterações qualitativas no patrimônio, a fim de que permaneça inalterado o equilíbrio patrimonial. A COMPETÊNCIA é o Principio que estabelece quando um determinado componente deixa de integrar o patrimônio, para transformar-se em elemento modificador do Patrimônio Liquido. Da confrontação entre o valor final dos aumentos do Patrimônio Liquido — usualmente denominados "receitas" — e das suas diminuições — normalmente chamadas de "despesas" emerge o conceito de "resultado do periodo": positivo, se as receitas forem maiores do que as despesas; ou negativo, quando ocorrer o contrário. Observa-se que o Principio da Competência não está relacionado com recebimentos ou pagamentos, mas com o reconhecimento das receitas geradas e das despesas incorridas no período. Mesmo com desvinculação temporal das receitas e despesas, respectivamente do recebimento e cio desembolso, a longo prazo ocorre a equalização entre os valores do resultado contábil e o fluxo de caixa derivado das receitas e despesas, em razão dos princípios referentes c't avaliação dos componentes patrimoniais. Quando existem receitas e despesas pertencentes a um exercício anterior, que nele deixarem de ser consideradas por qualquer razão, os competentes ajustes devem i ser realizados no exercício em que se evidenciou a omissão. Por tudo quanto exposto, não parece haver dúvida de que, sendo as subvenções para custeio, RECEITAS integrantes do sub-grupo dos Resultados Operacionais, estão englobadas no conjunto de elementos 8 Processo n° 10283.010709/2002-18 Acórdao n.° 02-02.777 CSRF/T02 Fls. 2.997 contábeis sujeitos a tributação pela COFINS após o advento da Lei n" 9.718/98. No caso em discussão, a impropriedade de sua classificação corno subvenção para investimento avulta da leitura da documentação acostada aos autos, da qual inequivocamente se conclui não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado do Amazonas sejam obrigatoriamente aplicados na aquisição de ativos necessários h implantação ou à expansão do parque fabril da autuada. Muito ao contrário, a concessão de tais recursos apenas encontra corno condições: 1. a implantação do empreendimento no Estado do Amazonas; 2. uma vez implantado, a sua continuidade dentro de padrões de desempenho vagamente definidos e acompanhados pelo governo do Estado. Assim, considerando que: I. as subvenções ora sob exame são classificáveis corretamente como subvenções correntes para custeio; 2. tais subvenções integram, na condição de receitas, o resultado operacional da empresa; 3. o ,sç I" do art. 3" da Lei n" 9.718/98 determina a tributação pela COFINS da totalidade das receitas obtidas pela pessoa jurídica. De todo o exposto, pode-se concluir que o incentivo fiscal recebido pela reclamante configura receita passível de tributação pelo PIS. Inclusive, depois da Lei 9.718/1998, para que ocorra a incidência tributária dessa contribuição, basta que o ingresso possa ser legalmente classificável corno receita, não importando se registrada corno subvenção de custo ou de investimento. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. ," .■■••■, ■.2 e /1; enri qu en) inhei ro Ton-es Voto Vencedor Conselheiro Gileno Gurjdo Barreto, Redator Designado Acolhido o Recurso, e submetido este à apreciação deste órgão colegiado, peg() licença para discordar do voto do ilustre relator. Como bem salientado, a questão diz respeito à glosa do Fisco em razão da contribuinte não ter tributado pelo PIS e pela COFINS, o valor do ICMS proveniente do 9 incentivo fiscal no âmbito do SUFRAMA, o qual, a titulo de subvenção, foi contabilizado diretamente a crédito nas contas de Patrimônio Liquido. De acordo com as autoridades fiscalizadoras, tal beneficio do ICMS seria uma receita e, como tal, deveria compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, pois que se classificaria corno receita bruta toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação contábil (EC no 20/1998, Lei n° 9.718/98, Lei n° 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003). Entretanto, vejo que este entendimento, para o caso em análise, não é adequado, eis que o beneficio do ICMS em análise corresponde a incentivo do Governo do Estado do Amazonas para o custeio das atividades da contribuinte, sendo portanto subvenção para custeio, e não receita. Vejamos: A escrituração mercantil é a ação ou efeito de reunir, classificar, avaliar e assentar em registros pennanentes, com a observância da técnica contábil, mutações patrimoniais relativas a. organização e ao funcionamento de uma unidade de produção. Uma das funções da escrituração mercantil é a arrecadação de tributos 2 . A arrecadação de diversos tributos baseia-se nessa escrituração, e a legislação da maioria dos impostos impõe aos contribuintes a escrituração de livros fiscais, alem de comerciais. A Lei n° 6.404/76 dispõe que a escrituração mercantil e as demonstrações financeiras que a companhia está obrigada a elaborar e publicar devem obedecer exclusivamente a lei comercial, segundo Bulhões Pedreira, e os princípios contábeis. Para esse autor, se a legislação tributária, ou prescrevendo métodos ou critérios contábeis diferentes dos da lei comercial, ou determinando a elaboração de outras demonstrações financeiras, seus preceitos deverão ser observados em registros auxiliares, sem modificação da escrituração comercial e das demonstrações financeiras reguladas pela lei. A exposição de motivos da referida lei explica essa situação, quando disse que "a omissão na lei comercial, de um mínimo de normas sobre demonstrações financeiras levou à. crescente regulação da matéria pela legislação tributária, orietada pelo objetivo da arrecadação de impostos. A proteção dos interesses dos acionistas, credores e investidores do mercado, recomenda que essa situação seja corrigida, restabelecendo-se a prevalência - para efeitos comerciais - da lei da sociedade por ações na disciplina das demonstrações financeiras da companhia". Quanto ao interesse do legislador, ressalva deve ser feita quanto à sua interpretação, uma vez que os princípios de hemenêutica jurídica nos ensinam que a intentio legis apenas existe até o momento da positivação da norma. A partir de então, esta evolui a partir de seu conteúdo e dos efeitos trazidos à sua interpretação pela realidade, pelo ambiente, ao longo do tempo. E essa visão é atualmente permanente e consistentemente confrontada pelo fisco. Outro aspecto que deve ser considerado diz respeito A. natureza jurídica das "receitas- . Nesse sentido, importante continuar reproduzindo os conceitos de Bulhões Pedreira, que se não o único, certamente dos melhores e mais aclamados tributaristas. Julgo importante tecer alguns comentários de ordem contábil, como objetivo precipuo de, mais adiante, analisar juridicamente a pretensão da fazenda pública, prevalecente no Acórdão recorrido, no qual ficou decidido que as subvenções deveriam ser incluídas na base 2 BULHOES PEDREIRA, J.L. Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia. Ed. Forense. Pg. 214 10 Processo n° 10283.010709/2002-18 Acórdão n.° 02-02.777 CS RF/T02 Fls. 2.998 de cálculo da Contribuição em epígrafe, não apenas por estarem englobadas no conceito de receita bruta, constante da Lei n2 9.718/98, mas também por não se enquadrarem nas hipóteses de exclusão, previstas de modo taxativo no art. 3 2, § 22, da referida lei. Cabível também, introdutoriamente, rememorar o disposto no Decreto-lei n° 1.598/77, em seus art. 6°, 7° c/c o art. 9°, norte sempre presente ao julgador que pretenda bem aplicar a legislação tributária respeitando a realidade econômica pátria: "Art 6" - Lucro real é o lucro liquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. " - O lucro liquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial." Art 7" - O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. - A falsificação, material ou ideológica, da escrituração e seus comprovantes, ou de demonstração financeira, que tenha por objeto eliminar ou reduzir o montante de imposto devido, ou diferir seu pagamento, submeterá o sujeito passivo a multa, independentemente da ação penal que couber. e Art 9" - A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração cie outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. - A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (grifos nossos) A NPC n° 14, norma contábil diretiva à escrita contábil, assim conceitua o que seja "receita" : "Receita inclui somente a entrada bruta dos benefícios econômicos recebidos e a receber pela empresa em transações por conta própria. Importâncias cobradas por conta e em favor de terceiros, tais como impostos sobre vendas, mercadorias e serviços e impostos de valor agregado, não são beneficios econômicos que fluem para a empresa e não resultam em aumentos no patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita. Senielhantemente, no contexto de um relacionamento como agente ou administrador, a entrada bruta dos benefícios econômicos inclui as importâncias cobradas em t favor de quem outorgou os poderes para cobrar e que não resultant em aumentos no patrimônio liquido da empresa(..)" II Dessa forma, no caso concreto dos incentivos fiscais relacionados ao ICMS, qualquer que seja, ocorre o fato gerador do tributo, que deveria ser (e o foi) contabilizado em conta própria de resultado de exercício. Para que tais incentivos observem a legislação complementar do ICMS, no caso, dentre outras a LC no 24/75, o ente federado "financia" o pagamento desse tributo devido, cujo saldo, quando devedor, acumula-se no passivo pelo tempo previsto na legislação estadual de regência. Ao final do período, o passivo é liquidado de alguma forma, e resulta em um ganho financeiro ao contribuinte. Essa denominada "subvenção" pode ou não estar condicionada ao cumprimento de requisitos ou de metas, o que a distinguirá entre as espécies de "subvenção para custeio" ou "subvenção para investimento". Muito embora exista tal orientação contábil, é de se observar que, no entendimento atual das autoridades tributárias, deve classificar-se como receita bruta toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação contábil (EC 20/1998, Leis n° 9.718/98 e arts. 10 da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002). Sendo estas leis ordinárias, suas normas prevaleceriam sobre a classificação contábil retromencionada — esposada por Deliberação do IBRACON, norma infralegal — em respeito aos princípios da legalidade e da hierarquia das leis, respectivamente regidos pelos arts. 5°, II; e 59 c/c art. 69, todos da CF/88. Destarte, o "ganho" auferido por essa subvenção estaria açambarcado no conceito de receita bruta para fins contábeis. A questão que nos propomos a analisar é se as leis tributárias em comento, leis, portanto hierarquicamente superiores a atos normativos, em particular se o conteúdo dos dispositivos do art. 1° das Leis n° 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03 (cujo texto reproduzimos adaptado) alcançaria esse "ganho", o que ocorrerá se "receita" esse ganho for. Importante ah mito ressaltar que não é intenção desse julgador discorrer sobre o conceito de receita, ou se esse conceito alcançaria esse "ganho" como se receita fosse, mas objetivamente decidir se esse "ganho" 6, ou não receita. Negar portanto a subvenção com sendo receita. "Art. 1' A contribuição para o PIS/Pasep (COFINS) tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. ,sç 2' A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep (COFINS) é o valor do faturamento, conforme definido no caput" (adaptação nossa) A solução para a controvérsia decorrerá da análise acima, vis-a-vis as questões jurídicas e principiológicas, adiante elencadas. A escrituração mercantil é a ação ou efeito de reunir, classificar, avaliar e assentar cm registros permanentes, com a observância da técnica contábil, mutações patrimoniais relativas à organização e ao funcionamento de uma unidade de produção. Uma das funções da escrituração mercantil é a arrecadação de tributos 3 . A arrecadação de diversos tributos baseia-se nessa escrituração, e a legislação da maioria dos impostos impõe aos contribuintes a escrituração de livros fiscais, além de comerciais. 3 BULHÕES PEDREIRA, J.L. Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia. Ed. Forense. Pg. 214 12 Processo no 10283.010709/2002-18 Acórdão 02-02.777 CSRF/T02 Fls. 2.999 A Lei n° 6.404/76 dispõe que a escrituração mercantil e as demonstrações financeiras que a companhia está obrigada a elaborar e publicar devem obedecer exclusivamente a lei comercial, segundo Bulhões Pedreira, e os princípios contábeis. Para esse autor, se a legislação tributária, ou prescrevendo métodos ou critérios contábeis diferentes dos da lei comercial, ou determinando a elaboração de outras demonstrações financeiras, seus preceitos deverao ser observados em registros auxiliares, sem modificação da escrituração comercial e das demonstrações financeiras reguladas pela lei. A exposição de motivos da referida lei explicita essa situação, quando disse que "a omissão na lei comercial, de um mínimo de normas sobre demonstrações financeiras levou A. crescente regulação da matéria pela legislação tributária, orientada pelo objetivo da arrecadação de impostos. A proteção dos interesses dos acionistas, credores e investidores" (e porque não dizer, dos reguladores, enquanto fiadores do equilíbrio econômico-financeiro de concessões de serviço público, no extremo) "do mercado, recomenda que essa situação seja corrigida, restabelecendo-se a prevalência — para efeitos comerciais — da lei da sociedade por ações na disciplina das demonstrações financeiras da companhia". Quanto ao interesse do legislador, ressalva deve ser feita quanto A sua interpretação, urna vez que os princípios de hennenêutica jurídica nos ensinam que a intentio legis apenas existe até o momento da positivação da non-na. A partir de então, esta evolui a partir de seu conteúdo e dos efeitos trazidos à sua interpretação pela realidade, pelo ambiente, ao longo do tempo. E essa visão é atualmente permanente e consistentemente confrontada pelo fisco. Outro aspecto que deve ser considerado diz respeito A natureza jurídica das "receitas". Nesse sentido, importante continuar reproduzindo, muitas vezes literalmente, os conceitos proferidos por Bulhões Pedreira, (a quem este julgador humildemente, e através desse voto, rende homenagem) que se não o único, certamente dos melhores e mais aclamados tributaristas pátrios, em especial pelo domínio do Direito, mas também da ciência contábil e da ciência econômica. Para ele, a receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do seu resultado. 0 recebimento da receita, em regra, ocorre mediante entrada no patrimônio de um fluxo que compreende a transferência de valor financeiro positivo, do objeto de direito que contem esse valor e do respectivo direito patrimonial. 0 processo de recebimento da receita consiste, portanto, na aquisição de um direito patrimonial e de poder sobre o objeto desse direito, que tem valor financeiro. 0 resultado positivo pode, entretanto, ser recebida sob a forma de extinção da obrigação previamente assumida pela sociedade empresária, se esta dá em pagamento bem do patrimônio ou serviço, compensa crédito de receita com obrigação sem pagamento, ou com pagamento inferior ao valor da obrigação extinta. Nesses casos, a aquisição da propriedade de valor financeiro, que caracteriza esse resultado positivo, para o autor, ocorre depois de adquirido o direito patrimonial que confere poder sobre o bem que tem valor financeiro: o valor cuja propriedade é adquirida já se encontrava no ativo da sociedade empresária como capital de terceiros (correspondente a obrigação do passivo exigível). Sobre esse capital a sociedade exercia apenas poder de usar e a extinção da obrigação e transfere para a sociedade empresária a propriedade desse capital. 13 As receitas podem ser classificadas segundo tenham origem no exercício da função empresarial ou nas demais fontes de resultado da sociedade empresária, ou, ainda, como recuperação de custo que, segundo Bulhões Pedreira, é a quantidade de valor financeiro cuja propriedade a sociedade empresária adquire em reposição, no patrimônio, de valor que anteriormente havia perdido como custo. Importante ressaltar, também, a influência das receitas nos resultados das empresas. Resultado da sociedade empresária é a conseqüência financeira do seu funcionamento, ao exercer as atividades próprias das funções econômicas que desempenha. A sociedade empresária é subsistema do grupo social da empresa, mas os conceitos de resultado da empresa e da sociedade empresária são essencialmente diferentes (a) resultado da empresa é renda ( econômica ) produzida - é o output liquido da empresa, que consiste em bens econômicos; e (b) resultado da sociedade empresária é renda financeira — é input liquido da sociedade empresária, que consiste em ganho financeiro. Esses dois conceitos são analisados corn muita propriedade por Bulhões Pedreira. Para esse autor, o conhecimento acerca de dois conceitos são necessários para qualquer análise relacionada A. resultado, e por conseguinte da receita. Distingue ainda o autor a renda efetivamente produzida do que decorre de trocas externas: a. Renda Produzida — o efeito da atividade da empresa, para o autor, é renda produzida, medida pelo valor dos bens econômicos que cria: é o resultado liquido da produção — a diferença entre o valor dos bens produzidos e dos destruidos ou desgastados no processo produtivo b. Trocas Externas — a empresa é sistema aberto, de acordo com o autor, que exerce a função de produzir bens econômicos mediante trocas com o ambiente: (a) importa serviços de recursos ( humanos, naturais e de capital) e produtos de outras empresas (bens de capital, matérias-primas e demais insumos), entregando em troca moeda; e (b) exporta os produtos que cria (bens econômicos materiais ou imateriais), recebendo em troca moeda. Os objetos trocados pela empresa com seus ambientes podem ser classificados em duas categorias: uma, que compreende serviços produtivos e produtos, a que o autor se refere como "serviços" (porque os produtos são fontes de serviços) e outra que abrange apenas moeda. E, conforme o sentido do deslocamento dos serviços e da moeda, as trocas externas da empresa são de duas espécies: de importação de serviços, nas quais recebe serviços e entrega moeda, e de exportação de serviços, nas quais entrega serviços e recebe moeda. Duas são, portanto, as relações input-output que a empresa mantém corn seu ambiente: uma de serviços ( importa e exporta serviços) e outra de moeda ( importa e exporta moeda). A relação principal é a de serviços, pois seu fim é criar bens econômicos: a relação input-output de moeda é instrumental — a moeda é meio para facilitar as trocas de serviços. Prossegue Bulhões Pedreira, distinguindo e classificando os fluxos econômicos (e contábeis) da atividade empresarial. a) Transformação Interna — a atividade da empresa compreende, para o autor, além de trocas externas, o processo interno de transformação em novos bens econômicos dos serviços produtivos e produtos importados do ambiente. Esse Processo n° 10283.010709/2002-18 Accircido n.° 02-02.777 CSRF/T02 Fls. 3.000 processo — que não implica trocas com exterior, mas ocorre no interior da empresa — é alimentado por fluxos de serviços produtivos, de produtos importados o ambiente e de serviços originários dos recursos naturais e de capital que compõem a empresa. b) Fluxos de Serviços de Moeda — para o autor, a visão de conjunto das trocas externas e da transformação que ocorre no interior da empresa nos leva a descrever o efeito da sua atividade como dois fluxos coletivos (ou conjuntos de fluxos singulares) em sentidos opostos — um de serviços e outro de moeda: • o fluxo de serviços entra na empresa sob a forma de serviços produtivos ou produtos, a atravessa enquanto os serviços são transformados, e sai sob a forma de bens econômicos exportados; • o fluxo de moeda entra na empresa nas trocas de exportação de bens econômicos e sai nas de importação de serviços e produtos. Não houve, no caso concreto, transformação interna ou fluxo de serviços ou de moeda. Não houve renda produzida ou trocas externas, há uma recuperação do valor anterionnente perdido como custo, ao seu patrimônio. Disso podemos preliminarmente concluir que eventual resultado auferido pela contribuinte decorrente da transferência de recursos do ente público para o privado, independentemente da forma adotada para tanto, a subvenção, independentemente da espécie, não poderia ser considerada corno "receita" tributável. Adicionalmente, é sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destaca-se o ICMS devido e lança-se em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao principio da não-cumulatividade, a contribuinte credita-se dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de créditos supera os de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Recuperar, para ser compensado dos débitos do imposto em períodos posteriores. Do contrário, resulta o ICMS a Pagar De acordo com o Manual de Contabilidade da FIPE-CAFI, 6 a edição, página 334, "o ICMS é um imposto incidente sobre o valor agregado em cada etapa do processo de industrialização e comercialização da mercadoria, até chegar ao consumidor final. 0 valor do imposto a ser pago pelas empresas é representado pelas diferenças entre o imposto incidente nas vendas e o imposto pago na aquisição das mercadorias que integram o processo produtivo, ou para serem revendidas." Prossegue, "por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador.". Exemplifica os respectivos cálculos e arremata afirmando que apesar de não haver recolhimento do ICMS (em casos de apuração de saldo credor), em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa. Traduzindo, na apuração do resultado do exercício, o valor que constará do demonstrativo contábil sera sempre o valor do "débito" do ICMS, sem que seja cotizado com os "créditos" decorrentes das aquisições. Aqueles créditos já foram "débitos" de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo PIS e pela COFINS, está no prego da mercadoria pago pelo contribuinte. Os créditos serão ativo seu, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que o ganho decorrente da realização do ativo, ou da baixa do passivo seria receita, seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS corno se receitas fossem, o 15 que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil, e consequentemente jurídico, vista do Decreto-lei n° 1.598/77. Assim, em verdade, tal operação não transitou, ou pelo menos não deveria, em contas de resultado, e tampouco representa ingresso de receita para a contribuinte, sendo mera operação patrimonial, Ora, apenas se houvesse algum efetivo ganho nesta operação (e ainda assim discutível, se de natureza financeira ou não) é que se poderia cogitar em receita, e se discutir a eventual incidência de PIS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS e COFINS. Juridicamente, a subvenção, em qualquer de suas modalidades, caracteriza-se como uma doação, quando concedida pelo poder público. A subvenção para investimento (deixando de lado o mérito de tratar-se, juridicamente, de uma doação), caracteriza-se em função de sua natureza - de uma transferência de capital sendo irrelevante a destinação do seu valor. Vale dizer, "a palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos - de criação de bens de produção e de aplicação financeira", segundo Bulhões Pedreira, jamais como condicionante de que o valor recebido deva estar vinculado à implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos ou à aquisição de determinados bens ou direitos sujeitos a imobilização. Latorraca (2) afirma que "as isenções ou reduções tributárias não se confundem, juridicamente, com subvenção. Todavia, quando concedidas como estimulo implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, por ficção legal, equiparam-se às subvenções para investimento, gozando de idêntico tratamento tributário. Quanto ao art. 33 da Lei n° 4.506/64, afirma o doutrinador que este fora revogado pelo decreto-lei n° 1.598/77. Conseqüentemente, as transferências de recursos promovidas pelo poder público, de qualquer espécie (para investimentos ou correntes), atendidas as condições impostas, não mais poderiam ser consideradas receitas operacionais. Resumindo, para Bulhões Pedreira, a receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do seu resultado. 0 recebimento da receita, em regra, ocorre mediante entrada no patrimônio de um fluxo que compreende a transferência de valor financeiro positivo, do objeto de direito que contem esse valor e do respectivo direito patrimonial. 0 processo de recebimento da receita consiste, portanto, na aquisição de um direito patrimonial e de poder sobre o objeto desse direito, que tem valor financeiro. As receitas podem ser classificadas segundo tenham origem no exercício da função empresarial ou nas demais fontes de resultado da sociedade empresária, ou, ainda, corno recuperação de custo que, segundo Bulhões Pedreira, é a quantidade de valor financeiro cuja propriedade a sociedade empresária adquire em reposição, no patrimônio, de valor que anteriormente havia perdido corno custo. Tenho que, no caso em epígrafe, é patente a condição de subvenção para custeio, o que difere de recuperação de custo, não se configurando em receita. De qualquer forma, ainda que o fosse, não poderia .ser tributado pelo PIS e pela COFINS, pois se trataria de recuperação de custos e despesas, os quais são excluídos da base de cálculo das referidas contribuições, nos termos da legislação que rege a matéria.' Além disso, o art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR199, ao tratar do assunto quanto ao imposto de renda, assim dispõe: "Regulamento do Imposto de Renda — Decreto n ° 3.000/99 lefr 16 Processo n° 10283.010709/2002-18 Acórdão n.° 02-02.777 CSRF/T02 Fls. 3.001 Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para in inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estimulo a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (Decreto-Lei n" 1.598, de 1977, art. 38, 2", e Decreto-Lei n" 1.730, de 1979, art. 1", inciso I - registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II - feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão cio balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas." Está explicito que é a própria legislação ordinária que possibilita ao contribuinte a contabilização das subvenções em contas de patrimônio liquido, o que resta claro que elas não podem ser igualadas a receitas, como intenta o Fisco. Aliás, este nada mais parece querer do que adotar essa classificação para justificar, diga-se indevidamente, o seu intento de glosa. E como se os argumentos ate aqui apontados já não fossem suficientes, constato que a tese defendida pela autoridade fiscalizadora decorre de ter a mesma entendido que não foi incluído o ICMS financiado na base de calculo do PIS e da COFINS. Contudo, a operação em questão é meramente patrimonial, não repercutindo em lançamento A. conta de resultado. Assim, não há que se falar em receita. F, sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destaca-se o ICMS devido e lança-se em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao principio da não-cumulatividade, a contribuinte credita-se dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de débitos supera os de créditos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Pagar. No entanto, o beneficio concedido no âmbito do SUFRAMA previu a hipótese de financiamento de parte do ICMS a Pagar, a titulo de incentivo das atividades da empresa, sendo portanto realizada a transferência de valores na conta de ICMS a Pagar para conta de Patrimônio Liquido, conforme exigido pela legislação ordinária do imposto de renda, já apontada anteriomente. Assim, em verdade, tal operação não transitou em contas de resultado, e nem representa ingresso de receita para a contribuinte, sendo mera operação patrimonial. Ora, apenas em se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS e COFINS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS e COFINS. Por fim, há que se ressatar que recentemente a nossa Corte Suprema manifestou- se sobre a tributação do PIS e COFINS sobre outras receitas, vigentes sob os ditamens da Lei no 9.718/98 4 . Decidiu o STF que não incide PIS e COFINS sobre tais receitas, em matéria assim ementada: 4 RE 358.273-9 e 346.084-6, publicados no Diário da Justiça de 15/08/2006 e 01/09/2006, respectivamente. 17 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE — ARTIGO 3°, § I", DA LEI N" 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 — EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. 0 sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO — INSTITUTOS — EXPRESSÕES E VOCÁBULOS — SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o principio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PIS — RECEITA BRUTA — NOÇÃO — INCONSTITUCIONALIDADE DO § I° DO ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior a Emenda Constitucional n" 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e .faturamento como sinônimas, jungindo-as a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. E inconstitucional o § I" do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classifica cão contábil adotada." (grifos nossos) Percebe-se assim que não são de hoje as tentativas do Fisco em ampliar o tanto quanto possível o conceito de receitas para fins de tributação pelo PIS e pela COFINS, necessitando nossos tribunais de se manifestarem, por inúmeras vezes, para frear essa ânsia arrecadora do Fisco. 0 caso nos autos não foge a essa regra, pois que a subvenção para custeio da contribuinte é absurdamente comparada a receita pelas autoridades fiscalizadoras, o que não deve prosperar. Além disso, qualquer valor glosado quanto ao PIS e à COFINS que ainda tenha por base legal a interpretação da Lei n° 9.718/98 deve ser cancelado, uma vez que, nos termos do entendimento do próprio STF, a tributação pelas referidas contribuições das chamadas outras receitas é indevida. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto, para reformar o v. Acórdão recorrido, para excluir da base de cálculo do PIS os valores recebidos do Estado do Amazonas a titulo de subvenção. 18
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001975/2006-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. PREVISÃO LEGAL.
A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência do
lançamento, por expressa previsão legal.
PEREMPÇÃO.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
IMPUGNAÇÃO APRESENTADA INTEMPESTIVAMENTE.
Comprovada a intempestividade da impugnação, temse
como ocorrida a
perempção e não instaurada a fase contenciosa.
Numero da decisão: 2802-000.782
Decisão: Acordam os membros do colegiado Por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência do lançamento, por expressa previsão legal. PEREMPÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA INTEMPESTIVAMENTE. Comprovada a intempestividade da impugnação, temse como ocorrida a perempção e não instaurada a fase contenciosa.
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PREVISÃO LEGAL. A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência do lançamento, por expressa previsão legal. PEREMPÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA INTEMPESTIVAMENTE. Comprovada a intempestividade da impugnação, temse como ocorrida a perempção e não instaurada a fase contenciosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado Por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 17/05/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : : Lúcia Reiko Sakae, Luis Fabiano Alves Penteado (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 02/07), exercício 2003, anocalendário 2002, exigindo imposto suplementar de RS 11.870,20, multa de oficio de 75% e acréscimos legais correspondentes, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, à fl. 3, foi constatada dedução indevida de despesas médicas. Cientificado, por via postal, em 24/01/2006 (fl. 37), o interessado apresentou, em 02/03/2006, a impugnação de fls. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/23, na qual alegou ,, consoante o relatório da decisão em primeira instância, que estava anexando recibos e declarações que comprovariam supostas despesas com os profissionais: Oziris R. de Souza (R$ 2.050,00); Paulo Kagnexama Júnior (R$ 2.270,55); Rogério P. de Lima (R$ 6.000,00); Cesar R. Pegoretto (R$ 5.000,00); Lilian X. R. Paino (R$ 5.000,00); Vivian Magalhães (R$ 15.280,00); Ricardo Kryzanowski (R$ 5.000,00), e com os planos de saúde Uniplan (R$ 1.293,12) e Unimed (R$ 1.270,68). À fl. 36, a repartição preparadora encaminha o processo para julgamento, considerando tempestiva a impugnação sob o seguinte argumento:” Tendo o contribuinte impugnado o lançamento, e inexistindo, até a presente data, o AR no sistema SUCOP e, considerando a data de vencimento dos créditos tributários no sistema Conta Corrente, considerase tempestiva a impugnação por falta de prova em contrário. Isso posto, encaminhe se o presente à DRJ/CTBA para julgamento.” A impugnação não foi conhecida pela DRJ, sob o fundamento de ter sido apresentada intempestivamente (fls. 38/40). Ciente da decisão de primeira instância em 01/04/2009 (fls. 43), o requerente apresentou recurso voluntário em 28/04/2009 (fls. 44), no qual apresenta os seguintes argumentos: 1)Foi notificado a apresentar os documentos solicitados pelo Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, Sr. Plínio Rogério Busetti, e compareceu na Secretaria da Receita Federal em 16/09/2005, para apresentar os referidos documentos conforme protocolo. 2)Com base nos documentos apresentados, foi feita dentro do prazo legal a impugnação do débito tributário alegado, conforme apresentação em 02/03/2006. 3)Diante dos fatos acima expostos, solicita reconsideração da decisão e que seja novamente verificada a documentação apresentada. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 47, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 10980.001975/200616 Acórdão n.º 280200.782 S2TE02 Fl. 49 3 O ponto central do litígio é o conhecimento ou não da impugnação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que não foi conhecida sob o fundamento da intempestividade. Como conseqüência do não conhecimento não se instaurou o contencioso e as razões de defesa não foram apreciadas. Os fatos que motivaram a decisão da DRJ não foram negados pelo recorrente, são portanto incontroversos, quais sejam: a) a ciência do auto de infração ocorreu, por via postal, em 24/01/2006 (fl. 37); b) o prazo legal para impugnar a exigência, por conseguinte, encerrarseia em 23/02/2006; e c) o interessado apresentou a impugnação (fls. 01) em 02/03/2006. Conforme determinações do procedimento administrativo fiscal, a partir da data da cientificação do auto de infração teria a Recorrente o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação da impugnação, na forma do Decreto n° 70.235/72, que dispõe em seus artigos 14, 15 e 21: "Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de 30 (trinta) dias, para cobrança amigável." Art. 33 – Da decisão caberá recurso voluntário total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A perempção, caracterizada pela apresentação a destempo da impugnação pelo contribuinte, em decorrência do transcurso de mais de trinta dias entre a data do protocolo da impugnação e a cientificação do auto de infração, impede sua apreciação pelo Órgão Julgador de primeira instância. Com bem apontado no acórdão recorrido: a) No presente caso o interessado foi cientificado por via postal, com o recebimento em seu domicílio tributário em 24 de janeiro de 2006 (AR fls. 37); Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 4 b) a data tomada como referência pela Unidade Preparadora seria aquela constante do extrato de fl. 36, que é mero registro interno de sistema de controle de cobrança da Secretaria da Receita Federal do Brasil. No caso dos autos identificase com clareza a data da ciência do auto de infração, incabível que um ato administrativo se sobreponha a ato legal. Os argumentos apontados pelo recorrente apenas confirmam que a “pretensa” impugnação foi apresentada 02/03/2006. Esses argumentos poderiam, em tese, justificar uma revisão de ofício pela autoridade tributária do seu domicílio fiscal, uma vez verificado, por aquela autoridade, que o caso em apreço atende a alguma hipótese prevista no Código Tributário Nacional (CTN), porém não são hábeis a afastar os dispositivos com força de lei retrocitados, dos quais decorrem a aplicação da perempção da peça impugnatória e a não instauração do contencioso administrativo, impedindo a apreciação dos argumentos e documentos por esse Conselho, que somente pode se manifestar sobre o acórdão recorrido, o qual não merece reparo. Diante do exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 13 de abril de 2011. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 35554.001780/2003-84
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/2000
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE
A apresentação intempestiva do respectivo recurso voluntário constitui óbice intransponível ao seu conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-000.337
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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