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Numero do processo: 13830.000533/2004-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. TROCA DE FORMULÁRIO.
Em se tratando da declaração de rendimentos da pessoa física, após o prazo previsto para sua entrega, incabível a retificação que tenha por objetivo a troca de modelo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.348
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. TROCA DE FORMULÁRIO. Em se tratando da declaração de rendimentos da pessoa física, após o prazo previsto para sua entrega, incabível a retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1516; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 210 1 209 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.000533/200401 Recurso nº 172.931 Voluntário Acórdão nº 280101.348 – 1ª Turma Especial Sessão de 8 de janeiro de 2011 Matéria IRPF RETIFICAÇÃO DIRPF Recorrente JOSE WILSON KLEINSCHIMITT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. TROCA DE FORMULÁRIO. Em se tratando da declaração de rendimentos da pessoa física, após o prazo previsto para sua entrega, incabível a retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02 a 09, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 a 2003, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$82.400,98, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 182): OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS, TRIBUTÁVEIS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL SIMPLIFICADA. O contribuinte omitiu rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, tendo em vista as divergências verificadas entre os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte e os valores declarados, a título de pagamentos efetuados pelas pessoas usuárias dos seus serviços (Odontólogo) apontados no dossiê as fls. 13 e 14, nos anos calendário de 2.000, 2.001 e 2.002. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 143 a 150), acatada como tempestiva. Alegou, em apertada síntese, que o escritório de contabilidade contratado para elaborar as declarações de IRPF errou ao optar pelo modelo simplificado, sendo certo que efetuou recolhimentos mensais a título de carnêleão, considerando as despesas escrituradas em Livro Caixa, corroboradas por documentos hábeis e idôneos. Assim, protesta pela prevalência do princípio da verdade material. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 11ª Turma DRJ São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 181 a 185, julgou procedente o lançamento. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL MODELO SIMPLIFICADO. DESCONTO SIMPLIFICADO. SUBSTITUI TODAS AS DEDUÇÕES ADMITIDAS NA LEGISLAÇÃO. A opção pela declaração de ajuste anual no modelo simplificado implica na substituição das deduções previstas na legislação tributária pelo desconto simplificado de vinte por cento do valor dos rendimentos tributáveis na declaração, portanto o desconto Fl. 221DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13830.000533/200401 Acórdão n.º 280101.348 S2TE01 Fl. 211 3 simplificado substitui todas as deduções feitas pelo contribuinte em seu livro caixa. IMPOSSIBILIDADE. TROCA DE MODELO DE DECLARAÇÃO. APÓS O PRAZO DE ENTREGA. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 15/10/2008 (fls. 189), o contribuinte apresentou, em 13/11/2008, o Recurso de fls. 190 a 198. Principia fazendo uma recapitulação dos fatos. Reafirma, em síntese, que a opção pela entrega da declaração em modelo simplificado foi um equívoco do escritório de contabilidade. Pondera que, se desconsideradas as despesas escrituradas em livro caixa, estará pagando tributo sobre valores que efetivamente não representam sua renda. Assim, protesta pela prevalência da verdade material, pedindo que sejam deduzidas as despesas de livro caixa. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 209, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, o contribuinte apresentou declarações de rendimentos em modelos simplificado. Em conformidade com o § 1.º do art. 10 da Lei 9.250, de 1995 e alterações, o desconto simplificado de vinte por cento sobre os rendimentos tributáveis, limitado, nos anoscalendário 2000 e 2001, a R$ 8.000,00 e no anocalendário 2002 a R$ 9.400,00, substitui todas as deduções admitidas na legislação. Sobre a mudança de formulário, o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, assim dispõe: Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 4 Portanto, seguindo as determinações do ordenamento jurídico vigente, não há como acolher a pretensão do reclamante, eis que, por força do art. 3º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN, a autoridade administrativa, tanto a lançadora quanto a julgadora, tem sua atividade plenamente vinculada. Quanto a posições jurisprudenciais invocadas, destaquese que as referidas posições não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 223DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002011/2002-19
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
ILEGITIMIDADE PASSIVA - DOI - OBRIGAÇÃO DO SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA
Não há que se falar em ilegitimidade passiva uma vez que a
obrigação de apresentação da declaração de operações
imobiliárias é atribuída ao serventuário da justiça responsável
pelo cartório de notas ou registro de imóveis. Responsabilidade
de cumprimento de obrigação acessória tributária decorrente do
artigo 122 do Código Tributário Nacional.
ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL - NULIDADE
Inexiste nulidade em virtude de erro na capitulação legal, quando
o fato está devidamente descrito na autuação.
PROCEDIMENTO FISCAL EFETUADO POR AMOSTRAGEM - NULIDADE
Os procedimentos de fiscalização podem adotar como
metodologia a amostragem, sem que isso implique em nulidade
do feito fiscal.
DOI - RESPONSABILIDADE DO SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA - O art. 15, do Decreto-lei n° 1.510/1976 é claro ao estabelecer que a responsabilidade pela comunicação dos referidos atos à Secretaria da Receita Federal é do serventuário da Justiça responsável por Cartório de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e não do Cartório, como pessoa jurídica.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 106-17.047
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: JANAINA MESQUITA LOURENÇO DE SOUZA
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materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 ILEGITIMIDADE PASSIVA - DOI - OBRIGAÇÃO DO SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA Não há que se falar em ilegitimidade passiva uma vez que a obrigação de apresentação da declaração de operações imobiliárias é atribuída ao serventuário da justiça responsável pelo cartório de notas ou registro de imóveis. Responsabilidade de cumprimento de obrigação acessória tributária decorrente do artigo 122 do Código Tributário Nacional. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL - NULIDADE Inexiste nulidade em virtude de erro na capitulação legal, quando o fato está devidamente descrito na autuação. PROCEDIMENTO FISCAL EFETUADO POR AMOSTRAGEM - NULIDADE Os procedimentos de fiscalização podem adotar como metodologia a amostragem, sem que isso implique em nulidade do feito fiscal. DOI - RESPONSABILIDADE DO SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA - O art. 15, do Decreto-lei n° 1.510/1976 é claro ao estabelecer que a responsabilidade pela comunicação dos referidos atos à Secretaria da Receita Federal é do serventuário da Justiça responsável por Cartório de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e não do Cartório, como pessoa jurídica. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1. SEXTA CÂMARA Processo n• 11516.002011/2002-19 Recurso n° 152.926 Voluntário Matéria IRPF/D01 - Ex(s): 1999 a 2002 Acórdão n• 106-17.047 Sessão de 10 de setembro de 2008 Recorrente JOSÉ AUGUSTO LUMMERTZ Recorrida r TURMA/DRJ-FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002• ILEGITIMIDADE PASSIVA - DOI - OBRIGAÇÃO DO SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA Não há que se falar em ilegitimidade passiva uma vez que a obrigação de apresentação da declaração de operações imobiliárias é atribuída ao serventuário da justiça responsável pelo cartório de notas ou registro de imóveis. Responsabilidade de cumprimento de obrigação acessória tributária decorrente do artigo 122 do Código Tributário Nacional. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL - NULIDADE Inexiste nulidade em virtude de erro na capitulação legal, quando o fato está devidamente descrito na autuação. PROCEDIMENTO FISCAL EFETUADO POR AMOSTRAGEM - NULIDADE Os procedimentos de fiscalização podem adotar como metodologia a amostragem, sem que isso implique em nulidade do feito fiscal. DOI - RESPONSABILIDADE DO SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA - O art. 15, do Decreto-lei n° 1.510/1976 é claro ao estabelecer que a responsabilidade pela comunicação dos referidos atos à Secretaria da Receita Federal é do serventuário da Justiça responsável por Cartório de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e não do Cartório, como pessoa jurídica. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ AUGUSTO LUMMERTZ. 411‘ I Processo e 11516.002011/2002-19 CCO 1 iC06 Acórdão ri, 106-17.047 Fls. 171 ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 'Ar AN1 Ir; • 7' 10. REIS Pre- L ente • V, JA ANA M .QUITA LOURENÇO DE SOUZA Re ora F e • ALIZADO EM: 11 MAR 2009 P "c taram, do julgamento, os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta • e Azeredo Ferreira Pagetti, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Sérgio Gaivão Ferreira Garcia (suplente convocado), Ana Paula Locoselli Erichsen (suplente convocada), Gonçalo Bonet Allage (Vice- Presidente da Câmara) e Ana Maria Ribeiro dos Reis (Presidente da Câmara). Relatório O contribuinte, serventuário da justiça, foi autuado por atraso na entrega das Declarações de Operações Imobiliárias — DOI, no período de apuração de 01/1998 a 12/2001, de acordo com Auto de Infração de fls. 59. Devidamente intimado da autuação fiscal, conforme AR de fls. 65, o contribuinte apresentou a defesa de fls. 67/77, alegando em suma: preliminarmente: erro de capitulação — vício formal — nulidade do ato, ressaltando que o enquadramento legal indicado refere-se ao atraso na entrega da DOI, mas o Termo de Encerramento consta crédito tributário apurado referente ao IRPF; que embora a multa por atraso na entrega da DOI esteja prevista no art. 976 do Decreto n° 3000, de 1999, não pode ser tida como Imposto de Renda, pois não é produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; nulidade do Auto de Infração — Decreto n° 70.235/72, art. 10— que o Termo de Encerramento infere-se a verificação foi feita por amostragem, forma que não está agasalhada pela lei, que é taxativa no sentido de que esta deve ser feita no local da verificação da falta, conforme enfatiza o art. 10 do PAF; no mérito, argüiu a irretroatividade da Lei n° 10.426/2002, uma vez que a multa prevista na lei vigente à época em que se configurou a infração está no Decreto-lei n° 1.510/76, por ser menos severa ao contribuinte, bem como, requer o cancelamento das multas lançadas sobre valores de operações imobiliárias inferiores a R$ 20.000,00. A Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC julgou o lançamento procedente em parte (fls. 80/100), de acordo com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/1212001 2 Processo n 11516.002011/2002-19 CCOISC06 Acórdão n,' 1064 7.047 Fls. 1'72 Ementa: PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI — A lei que comina penalidade aplica-se a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado somente quando for mais benigna ao sujeito passivo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. EFEITOS - É válido o Auto de Infração lavrado na repartição fiscal, se o agente competente dispunha dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento tributário correspondente. ERRO NA CAPITULAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA — Estando a descrição dos fatos e o enquadramento legal, constantes no Auto de Infração, em perfeita consonância com a infração constatada, não há que se falar em erro na capitulação da infração. A r. autoridade julgadora "a quo" concorda com a aplicação da retroatividade benigna, mantendo o crédito tributário no valor de RS 41.404,83 (quarenta e um mil, quatrocentos e quatro reais e oitenta e très centavos), de acordo com o seguinte histórico: "De acordo com os dispositivos legais acima transcritos, infere-se que, para sujeição à multa pelo atraso ou falta de entrega da DOI, devem ser consideradas as seguintes assertivas; No período de vigência da IN/SRF n° 04/1998 (16/01/1998 a 31/12/1999), os Cartórios de Oficio de Notas, de Registro de Imóveis e de Registro de Títulos e Documentos, estão obrigados a apresentar a DOI somente quando o valor de alienação do imóvel for superior a RS 20.000,00 (vinte mil reais); A partir de 01/01/2000, a obrigação de apresentação da DOI independe do valor da operação imobiliária (!N/SRF n°163/1999); A infração configura-se no dia seguinte ao termo final para apresentação da DOI; No período de 16/01/1998 a 26/12/2001 (até a vigência da MP 16/2001), a multa devida pela falta ou atraso na entrega da DOI corresponde a 1% do valor da operação imobiliária. A partir de 27/12/2001 aplica-se a MP 16/2001, correspondente a 0,1% ao mês-calendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a I% (máximo) e no mínimo a R$ 500,00. Para aplicação da penalidade pelo atraso na entrega da DOI, deve-se considerar a norma vigente no momento do cometimento da falta, somente aplicando-se retroativamente a Lei mais nova casão a mesma implique em penalidade mais benéfica ao contribuinte. No caso em apreciação, analisando o demonstrativo de fls. 14 a 53, verifica-se que das operações realizadas em 1999, somente as DO! 's de k • 3 Processo n° 11516.002011/2002-19 CCOI/C06 Acórdão ri, 104-17.047 Fls. 173 n.°s 199, 299, 399, 699, 799, 899, 999, 1199, 2799, 6999, 18599 e 18699 corresponderam a operações acima de R$20. 000.00, estando, portanto, sujeitas a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DOI. Todas as outras operações ocorridas em 1999 relacionadas foram de valores inferiores e desta forma, não são devidas as multas lançadas. Já para as operações ocorridas a partir de 02/01/2001 a multa é devida para qualquer valor de operação. Para todo o período fiscalizado o agente autuante aplicou a Lei n° 10.426/2002, impondo, inclusive, a multa mínima de R$ 500,00 (quinhentos reais) prevista. Analisando-se cada uma das operações e seus respectivos valores, verifica-se que para muitos casos a legislação a ser aplicada deveria ser o Decreto-Lei n.° 1.510/1976, calculando-se a multa na base de I% sobre o valor da operação imobiliária, cujos valores são inferiores ao mínimo de R$500, 00 lançado pelo agente. Já para outras as operações verifica-se que a aplicação da Lei n.° 10.426/2002 está correta, haja vista que o cálculo de 1% determinado pelo Decreto Lei é superior ao valor calculado da multa com a redução prevista na Lá O critério adotado pela autoridade fiscal, de aplicação da Lei n.° 10.426/2002 na totalidade das DO! 's não se coaduna com a legislação de regência. Há que se considerar o princípio da retroatividade da Lei mais benéfica e aplicá-la para os casos em que se enquadrem. A tese da retroatividade da lei menos severa defendida pelo impugnante, ampara-se na alínea "c", do inciso II, do art. 106 do CTIT, que tem a seguinte redação: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na aplicação das multas, o auditor fiscal aplicou a legislação mais severa às obrigações acessórias inadimplidas até 26/12/2001 (último data possível para entrega da DOI) quando ainda vigorava o Decreto- lei n° 1.510/76. Somente para algumas operações a aplicação deste Decreto-Lei era mais prejudicial ao contribuinte. Assim sendo, quanto às operações imobiliárias realizadas até 31/12/1999, amparadas pela 1N/SRF n° 4/1998, que prevê a dispensa de obrigatoriedade de entrega da DOI, a multa deverá ser excluída para todas àquelas que possuíam valor abaixo de R$20.000,00. Para as demais operações a multa a ser cobrada será de acordo com o Decreto-Lei n.° 1.510/76 ou com a Lei n.° 10.426/2002, a que for mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o quadro abaixo e, sob estes fundamentos, deverá ser promovido o competente reparo no lançamento tributário, mediante retificação do débito nas seguintes operações:" . . Processo n• 11516.002011/2002-19 0:01/C06 Acórdão n.• 108-17.047 Fh. 174 Cientificado da decisão "a quo" e insatisfeito, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, às fls. 105/114, aduzindo os mesmos argumentos da defesa administrativa, inovando, tão somente, quanto a preliminar da ilegitimidade passiva, pois era mero representante do Cartório, o qual deveria figurar no pólo passivo do procedimento, por possuir personalidade jurídica própria, inscrita no CNPJ sob o n. 75.565.788/0001-82, nos exatos termos do Art. 7° do CPC c/c Art. 18 do Código Civil. No mais aduziu, novamente, em seguintes razões: preliminarmente, pede a anulação do auto em razão da verificação por amostragem por parte do fisco para a lavratura do Auto de Infração; o cancelamento do Auto por erro de capitulação, vício formal, ressaltando que o enquadramento legal indicado refere-se ao atraso na entrega da DOI, mas o Termo de Encerramento consta crédito tributário apurado referente ao IRPF; que embora a multa por atraso na entrega da DOI esteja prevista no art. 976 do Decreto n° 3000, de 1999, não pode ser tida como Imposto de Renda, pois não é produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; que deve ser cancelado já que não houve por parte da recorrente qualquer dolo ou má fé, tanto que tão logo foi notificado o efetivo responsável pelo cartório, Sr. Lênio Leónidas Lopesa, antes mesmo do inicio do procedimento fiscal, foram entregues todas as DOls do período solicitado. Consta nos autos Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte, pleiteando o cancelamento da inscrição em Dívida Ativa dos débitos, já que seus bens não satisfizeram a exigência legal para assegurar o acesso à segunda instância administrativa, bem como, o prosseguimento administrativo. A segurança foi concedida pela Justiça Federal de Santa Catarina, através do Processo n° 2005.72.00.001773-9, de acordo com cópias de fls. 157/160 frente e verso). O processo foi encaminhado ao Terceiro Conselho de Contribuintes que resolveu declinar a competência em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com a Resolução n°301-1.598 (fls. 163). É a síntese do necessário. Voto Conselheira Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Relatora O contribuinte, ora recorrente, defende-se da autuação fiscal de fls. 59 e seguintes, referente ao atraso na entrega da Declaração de Operações Imobiliárias — DOI, do período de apuração: 01/0111998 a 31/12/2001. A priori, conheço do presente Recurso Voluntário por ser tempestivo e por atender aos demais requisitos legais de admissibilidade constante no Decreto n° 70.235/72. A decisão prolatada pela r. DRJ de Florianópolis-SC julgou o lançamento procedente em parte, aplicando o Princípio da Retroatividade Benigna da Lei para redução da multa imposta. Em razões de Recurso Voluntário, o recorrente se insurge contra os argumentos ..k não acatados pela DRJ de Florianópolis, argüindo os argumentos que passo a analisar. ‘.. 5 Processo n° 11516.002011/2002-19 CC01/C06 Acórdão n.°106-17.047 Fls. 175 Ilegitimidade Passiva O contribuinte aduz pela primeira vez a preliminar de ilegitimidade passiva, ressaltando que era mero representante do Cartório, o qual deveria figurar no pólo passivo do procedimento, por possuir personalidade jurídica própria, inscrita no CNPJ sob o n. 75.565.788/0001-82. Ocorre que, de acordo com o art. 15 do Decreto-lei n° 1510/76 e arts. 71 e 72 da Lei n° 9.532/97, art. 940 do Decreto n° 3.000, de 26/03/99, os serventuários da justiça, responsáveis por Cartório de Notas, Registro de Imóveis e de Títulos e Documentos, ficam obrigados a fazer comunicação à Secretaria da Receita Federal dos documentos lavrados, anotados, matriculados, registrados e averbados em seus cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas e/ou jurídicas, a saber: "I - Cartório de Oficio de Notas - emitir DOI, quando da lavratura do instrumento que tenha por objeto a alienação de imóveis, fazendo constar do respectivo instrumento a expressão "EMITIDA A D01"; II - Cartório de Registro de Imóveis - emitir DOI, quando o título levado a registro tiver sido: a) celebrado por instrumento particulanb) celebrado por instrumento particular com força de escritura pública;c) emitido por autoridade judicial, adjudicações (herança, legado e meação) e em decorrência de arrematação em hasta pública;d) lavrado pelo Cartório de Oficio de Notas e não constar a expressão "EMITIDA A DOI"; - Cartório de Títulos e Documentos - emitir DOI, quando efetuar registros de documentos que envolvam alienações de imóveis, celebradas por instrumento particular, apondo carimbo no respectivo instrumento, com a expressão "EMITIDA A DOI". A legislação que trata da obrigação acessória de prestar informações é clara quando atribui uma obrigação ao serventuário da Justiça, cabível a autuação no caso em tela tendo em vista que o recorrente figura no pólo da referida obrigação. Ademais, conforme dispõe o Artigo 122 do Código Tributário Nacional: "Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto." Neste sentido cabe citar jurisprudência deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes: ILEGITIMIDADE PASSIVA - A obrigação de apresentação da declaração de operações imobiliárias é atribuída ao serventuário da justiça responsável pelo cartório de notas ou registro de imóveis. Responsabilidade de cumprimento de obrigação acessória tributária decorrente do artigo 122 do Código Tributário Nacional. DOI - APURAÇÃO DA MULTA - CRITÉRIO UTILIZADO - AMOSTRAGEM - Descrição adequada do fato gerador e de todos os demais elementos constitutivos do lançamento na forma da legislação de regência, admitindo regular defesa do contribuinte, comprovam que a utilização do critério de amostragem não acarretou nenhum prejuízo ao contribuinte. ERRO DE CAPITULAÇÃO DA INFRAÇÃO - Estando a s1/4 _ 6 Processo re 11516.002011/2002-19 CC01/C06 Acórdão n.• 106-17.047 As. 176 descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes do lançamento em perfeita consonância com a infração imputada, ensejando pleno direito de defesa do contribuinte, nenhum vício pode ser atribuído ao auto de infração. Recurso parcialmente provido. (Acórdão 102-47382 - Relatora: Silvana Mancha Karam - SEGUNDA CÂMARA) Ademais, de acordo com informação às fls. 57, a autoridade fiscal afirma no Termo de Ação Fiscal que "segundo consulta ao sistema de Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas — CNPJ, 07. 13), foi confirmado que a representante do Sóbrio Cartório Registro de Imóveis, CNPJ n o 83.815.944/0001-44 é o Sr. José Augusto Lummertz, CPF n o 030.065.819- 20". Contudo, contra este fato o recorrente se insurge, todavia não traz provas para se eximir da autuação fiscal, comprovando não ser o representante legal do Sóbrio Cartório Registro de Imóveis, de modo que afasto tal argumento. Erro da capitulação. O impugnante sustenta mais uma vez a nulidade do auto de infração. Assevera que o enquadramento legal indicado refere-se ao atraso na entrega das DOls, mas no Termo de Encerramento consta crédito tributário apurado referente ao "Imposto de Renda Pessoa Física", ressaltando que embora a multa por atraso na entrega da DOI esteja prevista no art. 976 do Decreto n° 3.000, de 1999, não pode ser tida como Imposto de Renda, pois que não é produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Na verdade não houve o alegado erro na capitulação da infração pelo que se verifica do Auto de Infração e dos Termos de Ação Fiscal e de Encerramento de Ação Fiscal, tanto a descrição dos fatos quanto o enquadramento legal relatam, de forma inconteste, que se trata de procedimento e exigência concementes à multa regulamentar por atraso na entrega das DOIs. Apenas por uma linha no Termo de Encerramento, em que consta que o crédito tributário seria decorrente de Imposto de Renda Pessoa Física, o impugnante entende equivocadamente que houve erro na capitulação da infração. Como muito bem abordado pela autoridade "a quo","a pequena impropriedade cometida pelo agente fiscal nenhum prejuízo causou ao interessado, tendo em vista que demonstrou pleno conhecimento da legislação de regência da matéria constante da autuação. Nesta situação, mesmo que houvesse erro no enquadramento legal, isto não seria motivo para declarar a nulidade do auto de infração". Cabe aduzir decisão administrativa no mesmo sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano- calendário: 1993Ementa: PRELIMINAR — ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL — NULIDADE — ineriste nulidade em virtude de erro na capitulação legal, quando o fato está devidamente descrito na autuação.IRPJ E IRRF - PRELIMINAR — DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, com o decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a atividade exercida pelo sujeito passivo para apurar a base de cálculo, com ou sem o pagamento de tributos, está homologada e não pode mais ser objeto de Processo n°11516.002011/2002-19 CC01/C06 Acórdão n.° 106-17.047 Fls. 177 lança. mento.PRELIMINAR DE DECADÊNCIA — CSLL — INAPLICABILIDADE DO ART. 45 DA LEI N. 8.212/91 FRENTE ÀS NORMAS DISPOSTAS NO C77V — A partir da Constituição Federal de 1988, as contribuições sociais voltaram a ter natureza jurídico- tributária, .aplicando-se-lhes a elas todos os princípios tributários previstos na Constituição (art. 146, III, "b'9, e no Código Tributário Nacional (arts. 150, § 4o. e 173),IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO — se o contribuinte, optante pela tributação com base no lucro presumido, não escritura os livros Caixa e Registro de Inventário e sua escrituração não satisfaz às condições exigidas pela legislação, configura-se legítimo o arbitramento do lucro. COEFICIENTES DE ARBITRAMENTO - a Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou a jurisprudência no sentido de que é incabível o agravamento do percentual de arbitramento do lucro na hipótese de arbitramento em períodos sucessivos, quer pela aplicação da Portaria MF n° 22/1979, quer pela Portaria MF 524/1093.IW — ARBITRAMENTO - PRESUNÇÃO LEGAL DE DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS — quando a própria lei (artigo 22 da Lei n° 8.541/1992) estabelece uma presunção legal de que havendo o arbitramento do lucro, este deverá ser considerado distribuído aos sócios e acionistas, e, por conseqüência, deverá ser exigido o IRRF. (Acórdão 101-95881 —Processo 13747.000419/98-49 - Rel. Caio Marcos Cândido) Portanto, afasto tal preliminar de nulidade, posto que não verificou-se o alegado erro e, ainda que houvesse, inexiste nulidade em virtude de erro na capitulação legal, quando o fato está devidamente descrito na autuação Amostragem Quanto à alegação de que a verificação fiscal teria sido feita por "amostragem", também entendo que não procede tal alegação pois as operações fiscalizadas foram escolhidas por amostragem, mas depois de escolhidas, foram investigadas de forma minuciosa com relação ao cumprimento da obrigação acessória. Ademais, não há impedimento legal na utilização da metodologia da amostragem. Sobre a possibilidade da utilização da amostragem na ação fiscal, cabe destacar a Ementa do Acórdão 201-77693: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL EFETUADO POR AMOSTRAGEM. Os procedimentos de fiscalização podem adotar como metodologia a amostragem, sem que isso implique a nulidade do feito fiscal NORMAS PROCESSUAIS. ARGUIÇÃO DE INCONST1TUCIONALIDADE. É defeso a este Colegiado apreciar e afastar lei ou qualquer ato normativo vigente ao argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. IPL CREDITO DE ESTORNO OU DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. O direito ao crédito decorrente de produtos devolvidos está condicionado às exigências regulamentares, dentre as quais está a obrigatoriedade de escrituração do Livro de • ta4 Processo n° 11516.002011/2002-19 C001/C06 Acórdão n.°10647.047 lis. 178 Registro de Controle da Produção e do Estoque, em conformidade com os requisitos requeridos; somente se dispensa tal requisito legal quando da existência de sistema equivalente, que permita perfeita identcação das operações realizada. Recurso Negado. (ACÓRDÃO 201-77693 - Relatora: Adriana Gomes Régo Gabão - PRIMEIRA CÁMARA) Mérito Quanto ao mérito cabe aduzir que o recorrente não traz argumentos de defesa para infirmar a autuação fiscal. Com efeito, a autuação restou confirmada uma vez que o art. 15, do Decreto-lei n° 1.510/1976 é claro ao estabelecer que a responsabilidade pela comunicação dos referidos atos à Secretaria da Receita Federal é do serventuário da Justiça responsável por Cartório de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e não do Cartório, como pessoa jurídica. Neste caso concreto a responsabilidade pela emissão da Declaração sobre Operação Imobiliária — DOI é do recorrente, por constar como o representante legal do Sóbrio Cartório Registro de Imóveis em documento oficial (CNN). Cabe ressaltar que a presente matéria esta pacificada neste sentido, de acordo com julgamento deste Colegiado Administrativo em processo análogo: DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA - RESPONSABILIDADE DO SERVENTUÁRIO DA JUSTIÇA - O art. 15, do Decreto-lei n° 1.51011976 é claro ao estabelecer que a responsabilidade pela comunicação dos referidos atos à Secretaria da Receita Federal é do serventuário da Justiça responsável por Cartório de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e não do Cartório, como pessoa juridica.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRELIMINAR DE NULIDADE - PROCEDIMENTO FISCAL EFETUADO POR AMOSTRAGEM - Os procedimentos de fiscalização podem adotar como metodologia a amostragem, sem que isso implique a nulidade do feito fiscaLAUTO DE INFRAÇÃO - LOCAL DA LAVRATURA — CAPITULAÇÃO - O artigo 10 0 do Decreto n° 70.235/72 exige que a lavratura do auto de infração se faça no local da verificação da falta, o que não significa o local em que foi praticada a infração e sim onde esta foi constatada, não impedindo que isto ocorra dentro da própria repartição, presentes os elementos necessários para fundamentar a autuação e notificado o sujeito passivo, dando-lhe acesso a todos os elementos e termos que fundamentaram a autuação e a oportunidade para contestar a pretensão fiscal, não dá causa a nulidade. Recurso negado. (Acórdão 102-47124 - Relator: Romeu Buena de Camargo - SEGUNDA CÁMARA) 4 4. ev \"1 9 Processo o' 11516.002011/2002-19 CCOI/C06 Acórdão n." 106-17.047 F1s. 179 Pelo exposto, rejeito as preliminares argüidas pelo recorrente por não possuírem suporte legal e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, para que seja mantida a decisão "a quo". É o voto que submeto ao crivo dos nobres pares da Sexta Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes. Sala Sessões, l d setembro de 2008. okowa J na Mesqu' a Lourenço de Souza • • Page 1 _0053700.PDF Page 1 _0053800.PDF Page 1 _0053900.PDF Page 1 _0054000.PDF Page 1 _0054100.PDF Page 1 _0054200.PDF Page 1 _0054300.PDF Page 1 _0054400.PDF Page 1 _0054500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13884.001183/2002-02
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.
Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem.
SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL.
É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais
exames forem considerados indispensáveis, independentemente de
autorização judicial.
INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO.
Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (artigo 144, §1°, da Lei n° 5.172/1966).
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N° 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.338
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (artigo 144, §1°, da Lei n° 5.172/1966). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N° 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (artigo 144, §1°, da Lei n° 5.172/1966). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 2 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N° 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Edgar Silva Vidal, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Luiz Cherubini, já devidamente qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeira instância prolatada pela 4a Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo II (SP), nos termos do Acórdão n° 1726.636, de 05/08/2008, às fls. 110/122, pleiteia junto a este Egrégio Conselho a sua reforma, por meio do Recurso Voluntário às fls. 130/145. Mediante Auto de Infração, às fls. 45/51, formalizouse exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário de 1998, no valor total de R$ 116.556,32, incluídos a multa de oficio (75%) e os juros de mora, estes calculados até 28/02/2002. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes do Auto de Infração, foi constatada a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários efetuados no ano de 1998, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13884.001183/200202 Acórdão n.º 280101.338 S2TE01 Fl. 167 3 Os valores tributáveis encontramse discriminados à fl. 47 da peça de autuação. Inconformado com a exigência da qual tomou ciência em 13/05/2002, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 54, o contribuinte apresentou, em 12/06/2002, por meio de seu procurador, a impugnação às fls. 56/66, acompanhada dos documentos às fls. 67/101, e posteriormente, em 14/06/2002, a documentação às fls. 105/106, argumentando que: (...) inicialmente a ação fiscal indicava que o contribuinte havia movimentado mais de dois milhões e seiscentos mil reais, em sua conta correntepoupança automática, mantida junto ao Banco Itaú S/A, Ag. Santana, em São José dos Campos, que esta informação errônea foi, posteriormente retificada pelo próprio banco, constatandose que a movimentação bancária do autuado, no anocalendário de 1998, foi de R$ 329.632,63; o impugnante relaciona, mês a mês, valores totais de cheques devolvidos, e, que deveriam ser desconsiderados na base de cálculo do auto de infração, com base nos depósitos bancários não comprovados; ao não excluir da base de cálculo os cheques devolvidos, em determinado mês, o fisco computou um valor não disponível ao contribuinte e o computou novamente, no mês seguinte, quando aludido cheque foi novamente depositado pelo autuado, ora impugnante, como pode ser verificado em simples diligência nos referidos extratos bancários; da análise da conta de poupança do contribuinte vêse que não houve movimentações outras que não os juros básicos e atualizações dos valores da própria conta; da análise da declaração de imposto de renda, observase que não houve nenhum acréscimo patrimonial na situação do contribuinte; pelo contrário, podese afirmar e provar que houve redução do patrimônio do impugnante, pois, se a sua caderneta de poupança rendeu no anocalendário em questão R$ 33.974,04 e se o contribuinte ainda “recuperou” uma quantia de R$ 15.674,88 correspondente a. alienação do bem constante do item 04 da referida declaração de bens, chegase a um total e R$ 49.648,92. Assim, a sua variação patrimonial cresceu R$ 20.766,82 (passou de R$ 866.400,98 para R$ 887.167,80), valor bem abaixo de sua disponibilidade financeira, conforme demonstrado, verificando se, indubitavelmente, que houve um decréscimo do patrimônio do contribuinte; o impugnante teve seus direitos e garantias individuais, previstos e garantidos pelo artigo 5°, da Carta Magna, totalmente vilipendiados, em razão ter sido quebrado seu sigilo bancário, sem que houvesse o necessário MANDADO JUDICIAL; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 4 nem se diga que o impugnante encontravase em procedimento de fiscalização amparado em ordem de Procedimento fiscal, pois este é ato meramente administrativo e não possui o condão de ferir a Lei, muito menos a Constituição Federal; além disso, se o fisco fosse cumpridor de todas as regras do Estado de Direito, deveria, primeiramente, solicitar a conhecida Requisição de Movimentação Financeira (RMF) e pleiteado à instituição financeira a disponibilização dos microfilmes dos cheques que transitaram pela conta corrente do autuado; a fiscalização não agindo sob o manto da Lei, todo o auto deve ser cancelado, o que fica desde já requerido; também ocorreu outra grave infração ao não ser observado o Princípio Constitucional da Irretroatividade, pois a alteração prevista no artigo 11 da Lei n° 9311 (pela Lei n° 10.174, de 09/01/2001),não poderia ter aplicação retroativa; não bastasse isso, deve ser lembrado o Princípio Constitucional da Anterioridade. Vale dizer, a aplicação da Lei Tributária só pode entrar em vigor no primeiro dia do exercício seguinte ao exercício em que foi publicada; citase o disciplinamento dado pelo Ato Declaratório Interpretativo n° 4, de 16/05/2002, relativamente ao alcance da MP n° 2.221, publicada em 04/09/2001, quanto às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas, inclusive por equiparação, de que trata o artigo 30 da Lei 8.891, de 20 de janeiro de 1.995. Neste Ato Declaratório, está explicitado que a aplicação do regime de reconhecimento de receitas, previsto na MP, será aplicado aos fatos geradores ocorridos a partir de 4 de dezembro de 2001; com efeito, depreendese da simples comparação do conteúdo da alteração sofrida pela lei n° 9.311/96 com o conteúdo da alteração sofrida pela lei n° 8.981/95, que esta não transgrediu o artigo 195, § 6°, da Carta Magna, enquanto aquela feriu os princípios gerais de direito, ao ter sua aplicação a fatos geradores passados; o presente auto de infração não pode prosperar, o que fica desde já requerido, uma vez que o contribuinte encontrase amparado pelo artigo 6° e seus parágrafos, da Lei n° 8.021/90 e também por não estar comprovado nenhum acréscimo patrimonial que tivesse como suporte os depósitos bancários que serviram de base para o lançamento de oficio, pelo contrário, como já demonstrado ocorreu decréscimo de seu patrimônio; há que se considerar, ainda, a inconstitucionalidade da taxa SELIC para cobrança de juros incidentes sobre tributos/contribuições pagos em atraso, pois tal incidência tem todas as características de indexação de tributos; não se pode e não deve indexar impostos/contribuições devidos pelos contribuintes disfarçada de juros, pois o contribuinte não pode suportar a cobrança superior da taxa de juros de 12% a.a, prevista na Carta Magna, principalmente se levado em conta a inação da Administração e do Legislativo; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13884.001183/200202 Acórdão n.º 280101.338 S2TE01 Fl. 168 5 temse que se aplicada a taxa SELIC, há aumento de tributo, cuja ocorrência é vedada pela Lex Mater em seu artigo 150, inciso I; a Taxa SELIC não foi criada por lei, como exige o Princípio Constitucional da Estrita Legalidade, mas por simples atos menores, Circular do Banco Central; com efeito, antes os vários motivos acima expendidos, depreendese a flagrante inconstitucionalidade da SELIC, o que enseja o cancelamento do auto de infração, o que fica requerido. Ao final da peça impugnativa, o contribuinte solicitou: o cancelamento do presente auto de infração, pelas razões de fato e de direito apresentadas; seja oficiado ao Banco Itaú S/A ou a qualquer outra instituição financeira os microfilmes dos cheques que transitaram pela conta corrente do impugnante; a produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente a juntada de novos documentos necessários para verificação da veracidade das afirmações constantes., na presente peça defensiva. Após apreciar a lide, em decisão unânime, a 4a Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo II (SP), concluiu por rejeitar as preliminares arguidas, e julgou procedente em parte o lançamento, para excluir da base de cálculo considerada no auto de infração tão somente os montantes mensais de cheques devolvidos e/ou estorno de depósito. Transcrevese, a seguir, as ementas constantes do Acórdão n° 1726.636, de 05/08/2008, às fls. 110/122: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1998 As informações enviadas pelas Instituições Financeiras, relativamente à CPMF, para a RFB, tiveram cunho apenas orientativo para a fiscalização, não servindo como base de cálculo do imposto. DA EXCLUSÃO DOS CHEQUES DEVOLVIDOS NO CÁLCULO DOS DEPÓSITOS. Se houve devolução de cheque depositado e/ou estorno de depósitos, os mesmos não constituem valores efetivamente creditados em sua conta de depósito ou de investimento, conforme o caput do art. 42 da Lei 9430/96. DAS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS. Não se vislumbra ofensa ao art. 5° da CF, tendo em vista o procedimento fiscal levada a efeito, para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias do impugnante contribuinte. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 6 Não há que se falar em necessidade de Mandado Judicial para a quebra do seu sigilo bancário, com a edição do art. 6° da L.C.n° 105/2001. O próprio contribuinte forneceu os extratos bancários, para análise e verificação do cumprimento das suas obrigações tributárias, não havendo neste caso, a necessidade de Requisição de Movimentação Financeira (RMF). DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. As informações, da CPMF, foram obtidas das Instituições financeiras, com base no § 2° do art. 11 da Lei n° 9311/96, respaldadas pelo inciso III, § 3° do art. 1° da Lei Complementar n° 105/2001. Não há que se falar em lesão aos princípios da irretroatividade, da segurança jurídica. Também, não há que se falar em violação do Princípio da Anterioridade, pois não se trata da instituição de um novo imposto, mas, apenas ao conhecimento, por parte da Administração Tributária, de quantitativos mensais da CPMF (com respaldo legal no inciso III, § 3° do art. 11 da Lei Complementar 105/2001), para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias. DO ARBITRAMENTO EQUIVOCADO. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA SELIC. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir a constitucionalidade da taxa Selic, se esta fere ou não os princípios da isonomia, estrita legalidade, anterioridade, capacidade contributiva e a limitação de 12% ao ano estatuída na Carta Magna, art. 192, § 3°. Lançamento Procedente em Parte. Cientificado da decisão de primeira instância em 04/09/2008, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 126, o contribuinte, interpôs, em 02/10/2008, por meio de seu representante legal, o Recurso Voluntário às fls. 130/145, apresentando, basicamente, a mesma argumentação posta na impugnação ao lançamento. Todavia, acrescentou em sua defesa que: inicialmente, é despiciendo o depósito recursal, eis que a sua exigência fere o principio da ampla defesa, já plenamente reconhecido pelo fisco; não se furtou, em nenhum momento, no auxílio à fiscalização na busca da verdade, eis que procedeu, inclusive, solicitação junto ao Banco, da necessária documentação, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13884.001183/200202 Acórdão n.º 280101.338 S2TE01 Fl. 169 7 tais como: microfilmes de todos os cheques emitidos e depositados, inclusive os devolvidos que acabaram sendo redepositados, com o que, se verificou “bis in idem” no quantitativo apurado, sendo que tal fato não foi reconhecido na impugnação, em primeira instância; seu patrimônio, se considerado nos últimos 15 anos, do inicio do procedimento fiscal ora atacado, permaneceu até os dias de hoje inalterado no sentido de crescimento, ao contrário, verificouse no período uma variação patrimonial negativa, logo, não subsistindo a alegação de sinais exteriores de riqueza a justificar a manutenção do lançamento; o procedimento fiscal, que teve inicio numa informação errada, deveria de plano, ser arquivado em face das novas informações trazida ao processo pelo próprio contribuinte, pois essas informações tiveram o condão de esclarecer um equívoco, logo, não poderiam, em nenhuma hipótese, serem utilizadas pelo fisco para dar continuidade à fiscalização; não abriu, portanto, o seu sigilo bancário espontaneamente para que se realizasse devassa em sua vida particular, tãosomente fez prova de que houve um grande engano e que a sua movimentação bancária foi indevidamente invadida pelo fisco; a despeito da impossibilidade de se entrar no mérito de inconstitucionalidade de lei, entende que a Receita Federal não pode dar particular interpretação a dispositivo de lei possibilitando, com isso, que a mesma retroaja para alcançar fatos pretéritos, ferindo, assim, princípios básicos que disciplinam o nosso ordenamento jurídico; diante de doutrina e jurisprudência citada, temse que a autuação levada a efeito, pelo procedimento adotado, fere frontalmente os princípios gerais do direito, notadamente por ser uma afronta à Constituição Federal, eis que a quebra do sigilo bancário somente será possível mediante Ordem Judicial, sendo inadmissível o fato de que uma lei de natureza complementar venha a conferir competência às autoridades fiscais integrantes da estrutura de cargos e funções da Secretaria da Receita Federal, lhes assegurando poderes de verificação de informações e dados sigilosos, que, até então, só poderiam ser quebrados mediante a intervenção e o crivo do Poder Judiciário, em total desrespeito ao Princípio da Inviolabilidade do Sigilo de Dados, consubstanciado no inciso XII, do artigo 5° da Lei Maior; a Lei Complementar n° 105/2001 está eivada de inconstitucionalidade, eis que viola flagrantemente os direitos fundamentais individuais insculpidos no art. 5°, incisos X e XII, da Constituição Federal; a garantia ao direito de intimidade e vida privada, previstos no inciso X do art. 5°, da Carta Magna, não podem ser objeto sequer de emenda constitucional, haja vista ostentarem o status de cláusula pétrea, a teor do disposto no art. 60, § 4°, inciso IV, da Constituição Federal; o parágrafo 1° do art. 145 da Constituição Federal preceitua o dever do fisco em respeitar os direitos individuais, sempre que utilizar de meios para identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte; tanto a Lei Complementar n° 105 como o Decreto n° 3.724/2001 não dispõe expressamente sobre a retroatividade dos seus efeitos; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 8 em conclusão final, as disposições constantes na Lei Complementar n° 105, principalmente no que tange ao disposto no seu art. 6°, somente têm eficácia a partir da data de 10/01/2001; é comum contribuintes sacarem valores, utilizaremnos parcialmente, e depositarem o restante novamente a mesma conta; transferirem valores de uma conta para outra; sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores para a conta correspondente; esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como “rendimento”, para fins de cobrança do imposto de renda, sendo necessário comprovar que o depósito não declarado realmente equivale a um rendimento omitido na respectiva declaração; o Tribunal Federal de Recursos, a propósito, através de sua Súmula 182, consolidou o entendimento segundo o qual “é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários”; A Câmara Superior de Recursos Fiscais, última instância no julgamento de processos administrativos tributários federais, manifestouse sobre a questão concluindo que “(...) a existência de depósitos bancários em montante incompatível com os dados da declaração de rendimentos, por si só não é fato gerador de imposto de renda, e o lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de rendimentos”; não nos parece, contudo, que norma veiculada através de lei ordinária tenha a aptidão de alterar os critérios de fundamentação do lançamento tributário, por se tratar de decorrência do princípio constitucional do devido processo legal, essencial ao exercício do direito de defesa por parte do contribuinte; com efeito, muitas vezes é impossível produzir a prova negativa de que um determinado depósito não representa riqueza nova, mas sim valor já recebido e devidamente declarado e tributado; a partir da Lei n° 9.430/96, portanto, podese até admitir um abrandamento no entendimento anterior do Conselho de Contribuintes, segundo o qual o fisco teria de associar cada depósito a um fato específico que consubstanciasse omissão de rendimentos ou omissão de receitas. Esse abrandamento significa que o Fisco pode fazer esse mesmo lançamento com base nos depósitos bancários associados a outros indícios de omissão de rendimentos, sem ter de associálos a cada um dos depósitos individualmente, desde que o somatório de todos esses indícios consubstancie acervo probatório suficiente para gerar uma presunção relativa e assim inverter o ônus da prova em desfavor do contribuinte. Isso porque a presunção criada, nesse caso, não decorrerá simplesmente dos depósitos, nem imporá ao contribuinte o ônus da prova impossível; tal entendimento harmonizase com aquele sempre adotado pelo Poder Judiciário, segundo o qual o que estaria vedado ao fisco seria o lançamento baseado exclusivamente em depósitos bancários, vedação que, por decorrer da Constituição e não das leis, continua existindo independentemente do que dispõe a Lei n° 9.430/96. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13884.001183/200202 Acórdão n.º 280101.338 S2TE01 Fl. 170 9 Ao final de seu recurso, requer a improcedência total da decisão de primeira instância, para que seja dado provimento ao seu recurso, reconhecendose nulo o auto de infração, e cancelandose o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Primeiramente, da análise dos autos, depreendese que não assiste razão ao recorrente na pretendida nulidade do procedimento fiscal. Não há nele vício que o comprometa. O auto de infração em epígrafe se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 1993. Observase que ao contribuinte foram oferecidas, pela autoridade lançadora, possibilidades de resposta ao que lhe foi questionado ou solicitado comprovar no decorrer da ação fiscal, conforme revelam os termos de intimação acostados às fls. 14/15, 32, e 34 do presente processo. Assim, não procede a alegação do recorrente de que o procedimento fiscal teve início com pedido de informações com o condão de apenas esclarecer equívoco nos valores apontados, relativamente à CPMF, pela instituição financeira. Ao contrário, verificase que, desde então, com base nos mencionados termos de intimação, a autoridade fiscal já solicitava a apresentação dos extratos bancários relativos às contas bancárias que deram origem à movimentação financeira do recorrente no ano de 1998, requisitando que fosse comprovada, mediante apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos movimentados em sua conta bancária. Ademais, sobre isso, cabe destacar que foi o próprio contribuinte que forneceu os extratos bancários, face a tais intimações, para análise e verificação do cumprimento das suas obrigações tributárias, não tendo sido necessária, no presente caso, a Requisição de Movimentação Financeira (RMF). Não se pode olvidar que a atividade administrativa do lançamento é plenamente vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, § único, do Código Tributário Nacional, e artigo 8° da Lei n° 9.250/95. A respeito, destaquese, por relevante, que os fundamentos fáticos e legais utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento em apreço estão todos expressos na peça de autuação, não havendo que se cogitar em cerceamento de defesa, nem tampouco em desrespeito às disposições dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Quanto à alegação de quebra irregular de sigilo bancário, entendo, acompanhando a jurisprudência desse Egrégio Conselho que, atendidas as condições fixadas na lei, o Fisco pode ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes e utilizálas como base para o lançamento tributário, independentemente de prévia autorização judicial. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 10 É verdade que o art. 5°, inciso X, da Constituição Federal garante o direito à privacidade, no qual se inclui o sigilo bancário, mas esse direito não é absoluto e ilimitado, a ponto de se opor aos próprios agentes do Estado, na sua atividade de controle, por exemplo, do cumprimento das obrigações fiscais por parte dos contribuintes. Isto é, não se pode pretender, por exemplo, que o sigilo bancário se preste para acobertar irregularidades passíveis de apuração pelos agentes do Fisco. O ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, embora sempre reconhecendo o sigilo das informações bancárias, tem uma larga tradição em franquear o acesso a essas informações aos agentes do Fisco. Assim, a Lei n° 4.595, de 1964, já prescrevia no seu art. 38, in verbis: Lei n° 4.595, de 1964: Art. 38 — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 5° Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. O próprio Código Tributário Nacional, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 como lei complementar, expressamente determina que as instituições financeiras devem prestar informações sobre negócios de terceiros, o que, obviamente, inclui as operações financeiras, silenciando, inclusive, sobre a exigência de prévio processo administrativo instaurado: Lei n° 5.172, de 1966: Art. 197 Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: ii os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. Ainda nesse mesmo sentido, foi editada, posteriormente, a Lei n° 8.021, de 1990, ampliando, inclusive, o rol das instituições obrigadas a prestar informações ao Fisco: Lei n° 8.021, de 1990: Art. 7° A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13884.001183/200202 Acórdão n.º 280101.338 S2TE01 Fl. 171 11 Art. 8° Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no 1° do art. 7°. Finalmente, a Lei complementar n° 105, de 2001, a qual versa expressamente sobre o dever de sigilo das instituições financeiras em relação às operações financeiras de seus clientes, fez a ressalva quanto ao acesso a essas informações pelos agentes do Fisco, a saber: Lei Complementar n° 105, de 2001: Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] 3° Não constitui violação do dever de sigilo: [...] VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7° e 9° desta Lei Complementar. [...] Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Como se vê, o ordenamento jurídico brasileiro de há muito vem estabelecendo, em caráter sempre excepcional e em determinadas condições previamente estabelecidas, o acesso a informações bancárias dos contribuintes pelos agentes do Fisco. Assim, a legislação brasileira tem, insistentemente, se inclinado no sentido da relativização do alcance do sigilo bancário, prevendo expressamente as situações excepcionais em que se admite a abertura daquelas informações. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 12 Por outro lado, não se deve esquecer que os agentes do Fisco, assim como os auditores do Banco Central do Brasil, e as próprias instituições financeiras, estão sujeitos ao dever de manter sigilo das informações a que tenham acesso em função de suas atividades. Desse modo, a rigor, sequer se pode falar em quebra de sigilo, mas em mera transferência deste. Assim, resta afastada a argumentação em relação à quebra irregular de sigilo bancário, já que há permissão legal para que o Estado, através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Nesse sentido, leiase a opinião de Bernardo Ribeiro de Moraes, contida no Compêndio de Direito Tributário, Ed. Forense, 1a. Edição, 1984, pág. 746: O sigilo dessas informações, inclusive o sigilo bancário, não é absoluto. Ninguém pode se eximir de prestar informações, no interesse público, para o esclarecimento dos fatos essenciais e indispensáveis à aplicação da lei tributária. O sigilo, em verdade, não é estabelecido para ocultar fatos, mas sim, para revestir a revelação deles de um caráter de excepcionalidade. Assim, compete à autoridade administrativa, ao fazer a intimação escrita, conforme determina o Código Tributário Nacional, estar diante de processos administrativos já instaurados, onde as respectivas informações sejam indispensáveis. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os Auditores Fiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo fiscal administrativo instaurado e as respectivas informações sejam consideradas indispensáveis pela autoridade competente. Ressaltese, ainda, que não se verifica do exame dos autos, nenhuma infringência aos dispositivos constitucionais citados pelo contribuinte em sua peça recursal. Não há que falar, portanto, em violação ilegal ou ilegítima de sigilo bancário, razão pela qual rejeito esta preliminar. Apresenta ainda o recorrente argumentação preliminar direcionada à ilegalidade da aplicação da Lei Complementar nº 105/2001 para fins de constituição de crédito tributário a partir de verificação de movimentação bancária anterior à sua vigência. Neste ponto, esclareçase que o art. 1º da referida lei deu nova redação ao § 3º da Lei nº 9.311, de 1996, facultando a utilização das informações relativas à CPMF para instaurar procedimento administrativo e efetuar lançamento de outros tributos, conforme se depreende de sua simples leitura: Art. 1º (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições para lançamento, Fl. 12DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13884.001183/200202 Acórdão n.º 280101.338 S2TE01 Fl. 172 13 no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores.” Logo, ao autorizar a instauração de procedimento de fiscalização referente a qualquer outro imposto ou contribuição, com base nas informações decorrentes da CPMF como no caso concreto a Lei nº 10.174, de 2001, inquestionavelmente, estabeleceu novos procedimentos de fiscalização, que ampliaram o poder de investigação das autoridades administrativas. Sua aplicação regese, pois, pelo § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (...) A análise do artigo leva à conclusão de que o seu caput põe regra de direito material, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto os seus parágrafos contêm uma solução aplicável ao procedimento, processo ou aspecto formal do lançamento. Por outro lado, o § 1º, regulando matéria diferente do caput, consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nesse sentido, citase a lição de José Souto Maior Borges, em sua obra Lançamento Tributário – 2a ed. – São Paulo – Malheiros Editores S.A., posto que, ao tratar do direito intertemporal e lançamento, assim preleciona: Lançamento está, aí, no art. 144, ‘caput’, no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissignificativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento que o antecede. Diversamente, já no seu § 1º o art. 144 reporta se ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O art. 144, § 1º, disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao ‘caput’ desse dispositivo, que Fl. 13DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 14 se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário Nacional. Ao ato de lançamento aplicase, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fato jurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplicase legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente a estabelecer as alterações estipuladas no § 1º do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico – enquanto ‘in fieri’ o procedimento de lançamento legislação nova, aplicarselheá também a legislação coetânea à data do fato jurídico tributário. Também a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional se pronunciou sobre a questão, ao exarar o Parecer PGFN/CAT nº 1.649/2003, cuja conclusão transcrevo a seguir: IV Conclusão 81. Ante o exposto, concluise: 81.1) alteração introduzida na parte final do § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, por força da Lei nº 10.174, de 2001, deve ter aplicação imediata, de modo que a Secretaria da Receita Federal está autorizada a utilizar as informações obtidas no âmbito da fiscalização da CPMF, já disponíveis ou obtidas após o advento da nova Lei, para, após o início da vigência da Lei nº 10.174, de 2001, instaurar procedimento administrativo com o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador de obrigação tributária relativa a tributo distinto da CPMF e de realizar o lançamento respectivo, ainda que se trate de obrigação cujo fato gerador tenha ocorrido antes da vigência da Lei nº 10.174, de 2001; 81.2) não se trata, no caso, de aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001, mas da sua aplicação imediata, com espeque no princípio tempus regit actum, no art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil, e no § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional, pois não ocorre, no caso, ofensa potencial a ato jurídico perfeito, a direito adquirido ou a coisa julgada, devendose, apenas nesta última hipótese, realizar o exame caso a caso; 81.3) não está correto o entendimento adotado pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de que a Lei nº 10.174, de 2001, criou nova hipótese de incidência do imposto de renda; 81.4) o § 2º do art. 144 do Código Tributário Nacional não constitui exceção à regra do § 1º do mesmo dispositivo, não sendo relevante para o deslinde da questão relativa à aplicação no tempo da alteração introduzida pela Lei nº 10.174, de 2001; 81.5) os dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que autorizam o acesso da administração tributária a informações bancárias mais detalhadas acerca da vida financeira dos contribuintes não são inconstitucionais; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13884.001183/200202 Acórdão n.º 280101.338 S2TE01 Fl. 173 15 81.6) os Conselhos de Contribuintes não estão autorizados, atualmente, a afastar a aplicabilidade desses dispositivos com fundamento na sua inconstitucionalidade, mas competelhes apreciar se o acesso às informações em questão foi realizada com a observância do devido processo legal; 81.7) a aplicação no tempo dos dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, ou não oferece conflitos de direito intertemporal, ou, se admitido o conflito, há de ser regulada mediante a regra da aplicação imediata, adotandose a mesma solução proposta para a Lei nº 10.174, de 2001, por se tratar de disciplina jurídica de aspectos processuais da atividade de lançamento. O referido Parecer foi aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, mediante Despacho, abaixo reproduzido, e publicado no Diário Oficial da União de 13/01/2004 (Seção 1, pág. 00007): Despacho: Aprovo o Parecer PGFN/CAT/Nº 1.649/2003, que concluiu pela aplicação imediata da alteração legislativa que possibilita a utilização de informações obtidas no âmbito da fiscalização da CPMF para instaurar procedimento administrativo destinado a verificar a existência de obrigação tributária relativa a outros tributos e a constituir o respectivo crédito, e pela constitucionalidade dos dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permitem a complementação dessas informações. Na mesma linha de entendimento, decisão do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento proferido pela sua Segunda Turma, cuja ementa transcrevese a seguir: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6º DA LC Nº 105/01 E 11, § 3º DA LEI Nº 9.311/96, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 144, § 1º DO CTN. 1. O artigo 38 da Lei nº 4.595/64 que autorizava a quebra de sigilo bancário somente por meio de requerimento judicial foi revogado pela Lei Complementar nº 105/2001. 2. A Lei nº 9.311/96 instituiu a CPMF e no § 2º do artigo 11, determinou que as instituições financeiras responsáveis pela retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federal, especificamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3º a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 3. A Lei 10.174/2001 revogou o § 3º do artigo 11 da Lei nº 9.311/91, permitindo a utilização das informações prestadas Fl. 15DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 16 para a instauração de procedimento administrativofiscal a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. 4. Outra alteração legislativa, dispondo sobre a possibilidade de sigilo bancário, foi veiculada pela o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001. 5. O artigo 144 , § 1º do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF pelo Fisco para apuração de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos são normas procedimentais e por essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes. 7. Ressalvado o prazo que dispõe a Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário. 8. Recurso especial improvido. (RESP 628116, Ac. da Segunda Turma do STJ, Rel. Ministro Castro Meira – Decisão de 15/09/2005 – DJU 03/10/2005, Seção I, pág. 181) No mesmo sentido a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme ementa abaixo transcrita: AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174, DE 2001 – É legítimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei nº. 10.174, de 2001, já que se trata do estabelecimento de novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas (precedentes do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais). (Ac. CSRF/0400.500, sessão de 20/03/2007) Em síntese, é de se concluir, novamente, que as leis que regulam os aspectos formais do lançamento têm aplicação imediata, ou seja, passam a regular a atividade de lançamento na data em que o ato é exercido, ainda que a lei tenha vigência posterior à ocorrência da obrigação. Essa compreensão é perfeitamente válida para as leis que tenham instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, visando à ampliação de poderes de investigação das autoridades fiscais. Não prospera, portanto, a alegação do recorrente de impossibilidade da aplicação da Lei nº 105/2001 ao caso concreto. Verificase ainda que o contribuinte em diversos momentos de sua petição resiste à pretensão fiscal, arguindo inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de lei, no entanto, não vejo como se poderia acolher algum argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal de lei no julgamento administrativo. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13884.001183/200202 Acórdão n.º 280101.338 S2TE01 Fl. 174 17 A matéria encontrase pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Órgão, conforme previsto nos §§ 3º e 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, providenciou a consolidação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, de 29 de dezembro de 2009. Para o caso dos autos (inconstitucionalidade de normas) aplicase a Súmula CARF n° 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao mérito, não prosperam os argumentos do recorrente, já que o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme transcrito a seguir: Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (vide art. 4° da Lei n° 9.481/1997) §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (...) Fl. 17DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 18 Como se vê, no dispositivo legal retrocitado o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais onde o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos e informações/esclarecimentos com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. Fazse necessário, portanto, reforçar que a presunção criada pela Lei n° 9.430/96 é uma presunção relativa passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Diante do exame dos autos verificase que o recorrente, embora intimado diversas vezes, a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, referente ao anocalendário de 1998, não conseguiu equacionar, de forma razoável, os depósitos questionados com os pretensos valores recebidos, e é isso que importa, justificar a origem dos depósitos de forma individualizada, compatíveis em datas e valores. Ressaltese, por relevante, que os valores dos cheques devolvidos ou estornos de depósitos foram excluídos da base de cálculo apurada em relação à omissão de rendimentos, nos termos da planilha anexada à fl. 109 dos autos, que é parte integrante da decisão recorrida (Acórdão DRJ/SPO II n° 1726.636, de 05/08/2008, às fls. 110/122). No mais, não há dúvidas de que a Lei n° 9.430/96 definiu que os depósitos bancários de origem não comprovada caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, tais valores sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3°, § 4°, da Lei n° 7.713, de 1988. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13884.001183/200202 Acórdão n.º 280101.338 S2TE01 Fl. 175 19 Portanto, é conclusivo que a razão está com a decisão de primeira instância, já que no nosso sistema tributário alberga o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária, ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer senão em virtude de lei. Ademais, a legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao longo do anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar. Com base nesta linha de raciocínio, entendo que o recorrente não apresentou provas que pudessem ilidir a presunção de omissão de rendimentos quanto aos valores remanescentes da decisão recorrida. Assim, não comprovada pelo litigante a origem desses depósitos mantidos em suas contas bancárias, no ano de 1998, é de se manter a presunção de omissão de rendimentos, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Isto posto, VOTO em REJEITAR as preliminares suscitadas pelo recorrente, e no mérito, em NEGAR provimento ao recurso apresentado nos autos. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 19DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000763/2001-08
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1998
Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - CONDUTA APARENTEMENTE ESCUSÁVEL – FATOS ALHEIOS À VONTADE DO RECORRENTE QUE PRETENSAMENTE JUSTIFICAM O ATRASO NA ENTREGA DAS DOI - IMPOSSIBILIDADE - Quando da autuação em decorrência do descumprimento de uma obrigação acessória, não se leva em conta o elemento volitivo, sendo desnecessário questionar se o contribuinte agiu com dolo ou culpa, ou mesmo escudado em pretensa causa de inexigibilidade de conduta diversa. Conduta pretensamente escusável não tem o condão de afastar a multa lançada, pois ausente previsão legal para tanto.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR QUE DILATOU O PRAZO DA ENTREGA DAS DOI – APLICAÇÃO PARA EVENTOS FUTUROS OU PARA ENTREGA DE DOI EM ATRASO – IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA – O cumprimento da obrigação acessória referente à entrega de declaração é regido pela legislação vigente à época do nascimento da obrigação, dentro do princípio tempus regit actum. Legislação posterior que dilatou o prazo de entrega das DOI, passando-o do dia 20 para o último dia do mês, não tem o condão de alterar os termos finais de entregas de DOI pretéritas.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI QUE IMPUTA AO RECORRENTE MULTA DE OFÍCIO - REDUÇÃO DA PENALIDADE - MULTA DE OFÍCIO LANÇADA EM DECORRÊNCIA DE ENTREGA A DESTEMPO DA DOI REGIDA PELA LEI Nº 10.426/2002 -
A partir do art. 8º, § 1º, da Lei n° 10.426/2002, a multa por atraso na entrega da DOI passou a ser de 0,1% ao mês-calendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a um por cento. Considerando que a multa de ofício foi lançada no percentual mínimo de 1%, na forma do art. 15, § 2º, do Decreto-Lei n° 1.510/76, mister aplicar o princípio da retroatividade benigna, aplicando a multa nos percentuais da Lei nº 10.426/2002.
Recurso voluntário provido parcialmente
Numero da decisão: 106-16.990
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio para R$272,30, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: GIOVANNI CRISTIAN NUNES CAMPOS
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MINISTÉRIO DA FAZENDA '-'11 s<kr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES )c-n-- SEXTA CÂMARA Processo a° 10825.000763/2001-08 Recurso n° 154.599 Voluntário Matéria DOI - Ex(s): 1999 Acórdão n° 106-16.990 Sessão de 27 de junho de 2008 Recorrente EDUARDO ANGELO PAVANATO Recorrida ia TURMA/DRJ em RIBEIRÃO PRETO - SP Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1998 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA . DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - CONDUTA APARENTEMENTE ESCUSÁVEL — FATOS ALHEIOS À VONTADE DO RECORRENTE QUE PRETENSAMENTE JUSTIFICAM O ATRASO NA ENTREGA DAS DOI - IMPOSSIBILIDADE - Quando da autuação em decorrência do descumprimento de uma obrigação acessória, não se leva em conta o elemento volitivo, sendo desnecessário questionar se o contribuinte agiu com dolo ou culpa, ou mesmo escudado em pretensa causa de inexigibilidade de conduta diversa. Conduta pretensamente escusável não tem o condão de afastar a multa lançada, pois ausente previsão legal para tanto. 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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI QUE IMPUTA AO RECORRENTE MULTA DE OFICIO - REDUÇÃO DA PENALIDADE - MULTA DE OFICIO LANÇADA EM DECORRÊNCIA DE ENTREGA A DESTEMPO DA DO REGIDA PELA LEI N° 10.426/2002 - A partir do art. 8°, § 1 0, da Lei n° 10.426/2002, a multa por atrascV AI . na entrega da DOI passou a ser de 0,1% ao mês-calendário o Processo n° 10825.000763/2001-08 CCO I /CO6 Acórdão n.° 106-18.990 Fls. 108 fração, sobre o valor da operação, limitada a um por cento. Considerando que a multa de oficio foi lançada no percentual mínimo de 1%, na forma do art. 15, § 2°, do Decreto-Lei n° 1.510/76, mister aplicar o princípio da retroatividade benigna, aplicando a multa nos percentuais da Lei n° 10.426/2002. Recurso voluntário provido parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EDUARDO ANGELO PAVANATO. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio para R$272,30, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A /, AN ir fr I • t; IBEI ?IDO' REIS President, G • VANNI CHR t 41fr S rá • 'OS r elator it 00 FORMALIZADO : 14 AGO 2008 Pa i .aram, aind • , do pr, -nte julgamento, os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Maria Licia Mon 7 de Aragão Calomino Astorga, Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Rubens Maurício Carvalho (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Em face do contribuinte Eduardo Angelo Pavanato, CPF/MF n°613.844.538-49, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 23/05/2001, Auto de Infração (fls. 01 a 06), com ciência postal, sem data no aviso de recebimento, porém com data de postagem em 06/06/2001 (fls. 29). Trata-se de lançamento de multa por atraso na entrega da Declaração sobre Operação Imobiliária (DOI), no valor de R$ 2.953,00, com fatos geradores ocorridos no ano de 1998, com base na legislação compilada nos arts. 976 e 1.010 do Decreto n° 1.041/1994. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 31 a 37. Abaixo, breve excerto extraído do relatório da decisão aqui recorrida (fls. 43): • Processo n° 10825.000763/2001-08 CCOI/C06 Acórdão n.° 105-16.990 Rs. 109 Notificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 31/32 alegando que, relativamente à multa que incidiu sobre a transação correspondente à matricula 11479 (fl. 04) houve engano no preenchimento da DOI que registrou a data de alienação (30/03/1998) quando o correto seria a de registro. 02/04/1998. Quanto às demais imposições, argüiu que ocorrera atraso na entrega em vista de que o disquete não fora validado. Acostou cópia da certidão da matricula n° 11.479. A P Turma de Julgamento da DRJ-Ribeirão Preto (SP), por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, em decisão de fls. 42 a 44. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n°4.083, de 18 de agosto de 2003. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 09/10/2003 (fls. 49). !resignado, interpôs recurso voluntário em 05/10/2003 (fls. 50). No voluntário, o recorrente afirma que a entrega a destempo das DOI decorreu de uma sucessão de fatos alheios a sua vontade, começando pela não validação do disquete na Agência da Receita Federal de Jaú (SP), o que obrigou o seu contabilista a gerar novo disquete. Ato contínuo, considerando a interdição da ponte Perdeneiras-Jaú sobre o rio Tietê, não foi possível entregar o novo disquete no mesmo dia, este o termo final do prazo para a entrega das DOI de junho de 1998, o que culminou com a entrega a destempo, com uma dia de atraso (as DOI foram entregues em 21/07/1998, terça-feira). Ainda, o recorrente pleiteou que fosse aplicado ao seu caso a determinação contida no art. 4° da IN SRF 163, de 26 de dezembro de 1999, que dilatou o prazo de entrega para o último dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência do fato, sob a alegação de se aplicar lei posterior mais benéfica. Estes autos foram enviados à Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, pela Resolução n° 301-1.578, julgou-se incompetente para apreciar o feito, devolvendo-o para o Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 71 a 75). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 09/10/2003 (fls. 49) e interpôs o recurso voluntário em 05/11/2003 (fls. 50), dentro do trintídio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, dele tomo conhecimento. Não há qualquer preliminar. Passa-se diretamente ao mérito. Toda a defesa do recorrente centra-se em afirmar que o atraso na entrega das DOI ocorreu por fatos alheios a sua vontade, começando pela não validação do disquete na _ Processo n° 10825.00076312001-08 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-16.990 Fls. 110 Agência da Receita Federal de Jaú (SP), o que obrigou o seu contabilista a gerar novo disquete, o qual não foi entregue no mesmo dia na ARF-Jaú (SP), pois a ponte Perdeneiras-Jaú sobre o rio Tietê estava interditada. O disquete contendo as DOI de junho de 1998 foi entregue em 21/07/1998, terça-feira, um dia após prazo fixado na legislação tributária. Subsidiariamente, o recorrente pleiteou que fosse aplicada ao seu caso a determinação contida no art. 4° da IN SRF 163, de 26 de dezembro de 1999, que dilatou o prazo de entrega para o último dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência do fato, sob a alegação de se aplicar lei posterior mais benéfica. Aquele que infringe a norma legal deve ser sancionado, desde que haja a sanção na norma em questão. Assim, a sanção é o conseqüente da infração. Na lição de Sacha Calmon Navarro Coêlho I : "Com a realização da infração in concretu incide o mandamento da norma sancionante. Vale dizer: realizado o "suposto" advém a "conseqüência", no caso a sanção, conforme prevista e nos exatos termos dessa mesma previsão". Ainda na lição de Sacha Calmon2 : "Multa é prestação pecuniária compulsória instituída em lei ou contrato em favor do particular ou do Estado, tendo por causa a prática de um ilícito (descumprimento de dever legal ou contratual)". A multa é uma sanção do ato ilícito. Assim, o contribuinte que infringiu a legislação tributária, quer pelo descumprimento de uma obrigação principal (não pagamento do imposto ou contribuição devida, no vencimento legal), quer de uma obrigação acessória (um fazer ou um não fazer), será apenado, com aplicação da multa de oficio, que será concretizada com a lavratura de um auto de infração. Cabe enfatizar que essa multa pode ser pecuniária. Entretanto, a sanção não se materializa somente em multas pecuniárias. Quando há uma apreensão de mercadorias ou a aplicação de uma pena de perdimento, isto é a sanção do ato ilícito. O descumprimento da norma tributária enseja a aplicação de multas, em regra, pecuniárias, porém, além das multas, pode ensejar a aplicação de norma penal em sentido estrito, como no caso dos tipos penais da Lei n°8.137/90. Na lição de Ruy Barbosa Nogueira3, há 05 tipos de sanções fiscais administrativas: penas pecuniárias, apreensões, perda de mercadoria, sujeição a sistema especial de fiscalização e interdições. As penalidades pecuniárias são regidas por diversos princípios informadores de sua exigência, estando alguns positivados no Código Tributário Nacional. Devem observar o princípio da legalidade, da interpretação mais favorável e da retroatividade benigna. Entretanto, não há registro do princípio do não confisco. Como já dito, a multa pecuniária é aplicada quando o contribuinte infringiu a legislação tributária, quer pelo descumprimento de uma obrigação principal (não pagamento do imposto ou contribuição devida, no vencimento legal), quer de uma obrigação acessória (um I COÊLHO, Sacha Cahnon Navarro. Teoria e Prática das Multas Tributárias (Infrações Tributárias e Sanções Tributárias). 2. ed. Rio de Janeiro. forense, 2001. p. 39. Op.cit., p41. 3 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Curso de Direito Tributário. 15. ed., São Paulo, Saraiva, 1999. p. 202. 4 • a . Processo n° 10825.000763/2001-08 CC01/C06 Acórdão n.° 106-16.990 ns. i 1 1 fazer, um não fazer ou um suportar), não se perquirindo se o contribuinte agiu com dolo ou culpa, salvo disposição de lei em contrário'. A escusabilidade do erro não é suficiente para afastar a multa lançada, pois não há essa previsão na legislação de regência da obrigação acessória em foco. Quanto à aplicação do art. 4° da IN SRF 163, de 26 de dezembro de 1999, tal norma vigorou apenas para as operações que aconteceram a partir de 1° janeiro de 2000 ou para operações anteriores, desde que a entrega ocorresse a partir de 21 de janeiro de 2000, não podendo retroagir para alcançar a situação fática aqui em debate. Entretanto, o principio da retroatividade benigna deve ser aplicado tendo em vista a legislação superveniente que passou a regular a multa da DOI, in casu, o art. 8° da Lei n° 10.426/2002, verbis: Art.8'0s serventuários da Justiça deverão informar as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, mediante a apresentação de Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), em meio magnético, nos termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. §1151 cada operação imobiliária corresponderá uma 1301, que deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente ao da anotação, averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva operação, sujeitando-se o responsável, no caso de falta de apresentação, ou apresentação da declaração após o prazo fixado, à multa de 0,1% ao mês-calendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a um por cento, observado o disposto no inciso III do .55' 22. (grifei) Considerando que as DOI foram entregues em 21/07/1998, quando o prazo legal era 20/07/1998, deve-se aplicar a multa de 0,1% ao mês-calendário ou fração, limitada a 1%. Assim, como o atraso foi somente de 01 (um) dia, aplica-se apenas 0,1% (fração de um mês) sobre o valor de R$ 272.300,00, o que terá o condão de reduzir a multa lançada de R$ 2.723,00 para R$ 272,30. Ante o exposto, • oto no sentido de DAR provimento parcial para reduzir a multa de oficio para R$ 272,3 ç. - id,Sala das 5- .sões, em 27 • e junho de 2008 - /I Giov. . i Christi • . ;I I n , . Campos 4 Art. 136 do CTN - S. vo disposição de i - . "o . responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intençã, do agente ou do pç .: - ..: efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. / i 5 Page 1 _0048300.PDF Page 1 _0048400.PDF Page 1 _0048500.PDF Page 1 _0048600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10840.001673/2005-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
CONCOMITÂNCIA. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 01).
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2801-001.423
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 CONCOMITÂNCIA. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 01). Recurso voluntário não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 69 1 68 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.001673/200561 Recurso nº 170.511 Voluntário Acórdão nº 280101.423 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de março de 2011 Matéria IRPF Recorrente MARIA LÚCIA BERNARDES BURIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 CONCOMITÂNCIA. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 01). Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Fl. 73DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 24/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 16.112,61, referente ao exercício de 2001, a título de imposto (R$ 9.349,32), acrescido de juros de mora (R$ 6.763,29). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (Banco do Brasil S/A e Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, tendo em vista a existência dos seguintes processos judiciais: 1. Processo Judicial nº. 2000.34.00.0029793 rendimento no valor total de R$ 1.800,00 Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 495,00;foi convertido em deposito judicial; 2. Processo Judicial nº. 2000.34.00.0080652 rendimento no valor total de R$ 2.854,80, Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 102,98, e rendimento no valor total de R$ 34.880,26 Imposto de.Renda Retido na Fonte no valor de R$ 8.619,50; 3. Processo Judicial nº. 2000.34.00.0112297 Imposto de Renda no valor de R$ 255,64;' Em sua impugnação, a contribuinte alegou que não houve omissão, eis que a Receita desde o inicio dos processos judiciais tem conhecimento da interpretação dada pelos beneficiários das liminares, conhecendo portanto estes, e o que almejam com o provimento jurisdicional. Acrescentou que referidos créditos encontramse depositados à ordem dos Juízos respectivos, razão pela qual argumento que o auto de infração não deveria ter sido lavrado. A 4ª Turma da DRJ/Campo Grande/MS, conforme Acórdão de fls. 41/46, não conheceu da impugnação, conforme os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL DA MATÉRIA IMPUGNADA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto da matéria impugnada, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tornando definitivo o lançamento em relação a esta parte. Não se conhece de impugnação em relação à matéria que estiver sendo também objeto de discussão na via judicial, dada a supremacia desta, sobre a via administrativa. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 23/09/2008 (fl. 51), a interessada interpôs recurso voluntário de fl. 52, em 10/10/2008, no qual solicita uma nova análise de seu pedido, bem como o arquivamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora Fl. 74DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 24/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL Processo nº 10840.001673/200561 Acórdão n.º 280101.423 S2TE01 Fl. 70 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia nestes autos se encontra sob apreciação do judiciário, no bojo dos Processos Judiciais nº 2000.34.00.0029793, 2000.34.00.0080652 e 2000.34.00.0112297 impetrados pela ANABB – Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, sem solução definitiva na instância judicial, no que se refere ao dois primeiros, tendo sido já arquivado o último. Vêse que a pretensão da recorrente não pode ser julgada nesta instância administrativa, pois somente cabe a Administração se submeter ao decidido pelo Poder Judiciário, nos termos do que ficar decidido na esfera judicial em cada uma das citadas ações. Neste sentido, não há dúvida de que a contribuinte fez opção pela via judicial, importando em renúncia à instância administrativa, conforme posição já sumulada no âmbito deste Conselho, in verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 01) Ressaltese que a busca da tutela jurisdicional não impede que a autoridade administrativa promova a constituição do crédito tributário, objetivando salvaguardar o interesse da Fazenda Pública, tendo em vista o prazo decadencial, mesmo porque tal procedimento é vinculado e obrigatório conforme dispõem o art. 142 do Código Tributário Nacional. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, em razão de a contribuinte ter optado pela via judicial. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 75DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 23/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 24/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL
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Numero do processo: 10825.001376/96-34
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.592
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, para apensar aos autos do processo n° 13827.000454/99-12 do recurso n° 132.783, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO
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score : 1.0
Numero do processo: 10930.003090/2004-85
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Não procedem as argüições de nulidade do acórdão recorrido, sob a alegação de não apreciação de argumentos, quando os fundamentos de fato e de direito postos na impugnação foram enfrentados.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
DEDUÇÕES E COMPENSAÇÃO DE IRRF INDEVIDAS.
Indefere-se o pedido de restituição quando o efeito da retificação dos rendimentos tributáveis é anulado por erros cometidos pelo contribuinte na declaração de deduções e de retenção na fonte.
AJUSTE ANUAL. IMPOSTO DE RENDA PAGO. COMPENSAÇÃO.
O imposto de renda passível de ser compensado no ajuste anual é aquele cujo ônus foi suportado pelo contribuinte, seja pela retenção na fonte ou como recolhimento complementar, referente a rendimentos incluídos na base de cálculo.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.347
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade do acórdão recorrido, sob a alegação de não apreciação de argumentos, quando os fundamentos de fato e de direito postos na impugnação foram enfrentados. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DEDUÇÕES E COMPENSAÇÃO DE IRRF INDEVIDAS. Indefere-se o pedido de restituição quando o efeito da retificação dos rendimentos tributáveis é anulado por erros cometidos pelo contribuinte na declaração de deduções e de retenção na fonte. AJUSTE ANUAL. IMPOSTO DE RENDA PAGO. COMPENSAÇÃO. O imposto de renda passível de ser compensado no ajuste anual é aquele cujo ônus foi suportado pelo contribuinte, seja pela retenção na fonte ou como recolhimento complementar, referente a rendimentos incluídos na base de cálculo. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade do acórdão recorrido, sob a alegação de não apreciação de argumentos, quando os fundamentos de fato e de direito postos na impugnação foram enfrentados. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DEDUÇÕES E COMPENSAÇÃO DE IRRF INDEVIDAS. Indeferese o pedido de restituição quando o efeito da retificação dos rendimentos tributáveis é anulado por erros cometidos pelo contribuinte na declaração de deduções e de retenção na fonte. AJUSTE ANUAL. IMPOSTO DE RENDA PAGO. COMPENSAÇÃO. O imposto de renda passível de ser compensado no ajuste anual é aquele cujo ônus foi suportado pelo contribuinte, seja pela retenção na fonte ou como recolhimento complementar, referente a rendimentos incluídos na base de cálculo. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 304DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Carlos César Quadros Pierre. Relatório SOLICITAÇÃO O contribuinte acima identificado formalizou pedido de restituição de diferença de imposto a restituir referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000. Defende que teria arcado com honorários advocatícios para auferir os rendimentos submetidos à tributação, os quais não teriam sido considerados para fins de apuração do imposto a restituir que lhe fora disponibilizado. O Delegado da Receita Federal em Londrina/PR indeferiu o pedido, nos seguintes termos (Despacho Decisório às fls. 262): 01. INDEFERIR o pedido de restituição pleiteado pelo interessado acima identificado (a diferença do Imposto a Restituir apurado na DIRPF/Original com o Imposto a Restituir apurado na DIRPF/Retificadora apresentada em 25/08/2004), visto que na Declaração de IRPF Original os “honorários advocatícios” já foram abatidos dos rendimentos tributáveis referente à Ação Judicial Trabalhista RT836/95 e os valores recebidos pela referida Ação Judicial informados pelo contribuinte nas DIRPFs e pela Fonte Pagadora no Comprovante de Rendimentos não encontram consonância com apurado pela Fiscalização da Receita Federal, apuração com base na própria RT836/95. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 265 a 268), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 275): Fl. 305DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10930.003090/200485 Acórdão n.º 280101.347 S2TE01 Fl. 288 3 Após descrição dos fatos aduz que o Banco Itaú S/A recolheu o imposto de renda devido na Reclamação Trabalhista n° 836/95 no montante de R$ 28.812,29, em 24/03/1999, assim como forneceu o comprovante de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte corroborando rendimentos tributáveis no valor de R$ 106.081,07 e imposto retido na fonte na importância mencionada. Diz que elaborou sua declaração de ajuste anual com suporte neste documento e está comprovado que a fonte pagadora recolheu efetivamente o imposto retido informado em DIRF, não podendo "ser penalizado por prestar as informações conforme o comprovante de rendimentos que foi fornecido pela fonte pagadora Banco Itaú S/A, bem como pelo comprovante de recolhimento do imposto". Acrescenta que "a Autoridade Administrativa não demonstrou de forma cabal que o Banco Itaú S/A pediu restituição ou compensação da quantia recolhida aos cofres públicos ou que sequer tenha contestado as informações prestadas ao Fisco através da DIRF". Argúi que a planilha de cálculo do perito judicial apenas aponta incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas a título de juros. Retoma, na forma de motivos numerados, a afirmação desses fatos como ensejadores ao atendimento de seu pleito, consistente no deferimento do pedido de restituição inicialmente formulado. ACÓRDÃO DA DELEGACIA DE JULGAMENTO A 4ª Turma DRJ Curitiba/PR indeferiu a solicitação, consoante acórdão de fls. 274 a 276, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AÇÃO TRABALHISTA. DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Improcede o pedido de restituição fundado na não dedução dos honorários advocatícios necessários à percepção das verbas trabalhistas quando demonstrado que na apuração dos rendimentos tributáveis declarados tais gastos já haviam sido, de fato, subtraídos. Solicitação Indeferida RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Cientificado da decisão da DRJCuritiba/PR em 20/10/2009 (fls. 278), o contribuinte, por intermédio de representante (Procuração às fls. 269), apresentou, em 19/11/2009, o Recurso de fls. 279 a 285. Principia fazendo uma recapitulação dos fatos. Prossegue argumentando que o acórdão recorrido seria nulo eis que os argumentos expendidos na impugnação acerca da retenção do imposto de renda na fonte não foram apreciados. Invoca Fl. 306DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 4 julgado do Conselho de Contribuintes para corroborar sua tese. No tocante à exclusão de honorários advocatícios, assevera que os cálculos a serem aceitos estão espelhados na declaração retificadora. Pondera que se estão errados os rendimentos tributáveis declarados, também o Comprovante de Rendimentos emitido pela fonte pagadora apresenta erros, não podendo ser penalizado por eles. E mais, as informações prestadas em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) corroboram as informações constantes do comprovante de rendimentos. Além disso, o IRRF de R$28.812,29 foi descontado do contribuinte e recolhido pela fonte pagadora, não tendo sido comprovado pela autoridade administrativa que a fonte pagadora – Banco Itaú S/A – retificou a DIRF ou pediu a restituição ou compensação do imposto recolhido em decorrência da Ação Trabalhista nº 836/95. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 286, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, no tocante à alegação de que o acórdão recorrido seria nulo em virtude de não ter apreciado argumentos expendidos na impugnação acerca da retenção do imposto de renda na fonte, essa não merece acolhida, eis que as autoridades julgadoras de primeira instância assim se pronunciaram (fls. 276): Cumpre esclarecer que a discussão acerca do imposto retido na fonte através da ação trabalhista é irrelevante para o deslinde deste processo, pois mesmo na situação mais benéfica para o contribuinte, reconhecendose a retenção de R$ 28.812,29, não há a geração da diferença de restituição pleiteada. Observese que a questão do valor correto da retenção do imposto devida em razão da RT n° 836/95 está sendo discutida em outro processo, cujo objeto é a busca, pela Administração, da devolução da restituição indevida de imposto de renda (fl.242). Rejeito, portanto, a preliminar suscitada. Quanto ao mérito, o interessado ingressou com pedido de restituição sob a alegação de que teria deixado de descontar honorários advocatícios arcados para auferir os rendimentos tributados no ajuste anual. Ocorre que antes de apreciar o pedido de restituição do interessado, a regularidade de sua declaração foi objeto de análise pela autoridade fiscalizadora. Assim, constatouse que algumas incorreções foram cometidas, entre elas compensação de IRRF que não havia sido suportado pelo contribuinte e dedução de contribuição previdenciária oficial em Fl. 307DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10930.003090/200485 Acórdão n.º 280101.347 S2TE01 Fl. 289 5 valor superior ao efetivamente reconhecido como devido. Ao final, foi feita representação para que fosse exigida restituição indevida a devolver corrigida. Quanto ao IRRF, conforme se vê do bem fundamentado relatório de fls. 242 a 251, a reclamada, Banco Itaú S/A, não obstante os Cálculos Periciais Homologados Judicialmente apontassem um IRRF de R$ 8.456,08; promoveu o recolhimento de R$28.812,29. Esse valor veio a ser informado em DIRF e em Comprovante de Rendimentos fornecido ao contribuinte, de forma que a declaração originariamente apresentada (ND 10.221,572, fls. 12 e seguintes) veio a ser processada e o saldo de imposto a restituir ali pleiteado (R$17.538,49) veio a ser disponibilizado ao contribuinte em 15/01/2001 (fls. 17). No tocante à contribuição previdenciária, no curso da ação, o interessado, em um primeiro momento, sofreu um ônus maior do que o previsto na legislação. Não obstante, a fonte pagadora tivesse recolhido o valor inicialmente calculado, em um momento posterior ela recorreu da sentença homologatória dos Cálculos Periciais (fls. 77 a 154), resultando na readequação de fls. 170 a 190. Assim, foi proferido despacho judicial (fl. 194) determinando à fonte pagadora “As providências para devolução das contribuições previdenciárias, recolhidas a maior pelo reclamado, deverão ser tomadas e requeridas perante o órgão competente". Ora, refeitos todos os cálculos da declaração do interessado, como bem demonstrado às fls. 243, não há que se falar em saldo remanescente de imposto a restituir, mas sim em restituição indevida a devolver. Então, se é certo que o interessado faz jus à retificação dos rendimentos tributáveis, também o é que não lhe pode ser assegurada compensação de imposto de renda que não sofreu a retenção, nem dedução de contribuição previdenciária que já foi reconhecida no curso da ação judicial como indevida. Por oportuno, confirase o estabelecido no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, art. 87, acerca da compensação do imposto de renda no ajuste anual: Art.87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (grifos acrescidos) Verificase, portanto, que só é passível de compensação no ajuste anual o imposto cujo ônus foi suportado pelo declarante, seja na forma de retenção na fonte, seja por via de recolhimentos efetuados pelo próprio contribuinte. Assim, são estéreis as alegações do contribuinte de que teria sofrido a retenção do valor constante da DIRF e do Comprovante de Rendimentos, pois as peças extraídas da ação trabalhista não corroboram a afirmativa e os documentos invocados. Também não produz o efeito pretendido pelo contribuinte a inércia da fonte pagadora em providenciar o pedido de restituição e/ou compensação como explicado no Fl. 308DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 6 relatório de fls. 242 a 251 – pois a legislação anteriormente transcrita veda a compensação de imposto que não foi suportado pelo declarante. Verificase, neste caso, que não há direito creditório a ser reconhecido. Quanto a posições doutrinária e jurisprudenciais invocadas, destaquese que as referidas posições não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 309DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10920.001291/2008-91
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PRAZO
Não ocorre a nulidade do feito pelo transcurso do prazo limite de 60 dias de validade do ato inicial da ação fiscal, apenas, sua efetivação sem qualquer outra manifestação do Fisco abre ao sujeito passivo, antes sob procedimento de ofício, a oportunidade de declarar eventuais infrações tributárias e proceder ao respectivo pagamento, acrescido da multa e juros de mora, ou
somente dos juros moratórios quando atendidos os requisitos da denúncia espontânea.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação, rejeita-se a pretensa dedução de despesas médicas.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO.
Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente.
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTES E INSTRUÇÃO DE DEPENDENTES.
Deve ser comprovada, documentalmente, a condição de dependência, para fins de dedução de despesas com dependentes e instrução de dependentes da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física.
IRPF. DESPESAS COM INSTRUÇÃO PRÓPRIA. REQUISITOS PARA A
DEDUTIBILIDADE.
Na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, apenas podem ser deduzidos, a título de despesas com instrução, os pagamentos efetivamente realizados a instituições de educação regularmente autorizadas, pelo Poder Público, a ministrar educação básica - educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e
educação superior.
PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA.
Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das deduções declaradas.
DECADÊNCIA.
O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, cujo prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, contados de 31 de dezembro, no caso de rendimento sujeito ao ajuste na DIRPF.
Preliminar rejeitada.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2801-001.271
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar e, no mérito, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e reconhecer a decadência em relação ao ano-calendário de 2002, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PRAZO Não ocorre a nulidade do feito pelo transcurso do prazo limite de 60 dias de validade do ato inicial da ação fiscal, apenas, sua efetivação sem qualquer outra manifestação do Fisco abre ao sujeito passivo, antes sob procedimento de ofício, a oportunidade de declarar eventuais infrações tributárias e proceder ao respectivo pagamento, acrescido da multa e juros de mora, ou somente dos juros moratórios quando atendidos os requisitos da denúncia espontânea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeita-se a pretensa dedução de despesas médicas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO. Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTES E INSTRUÇÃO DE DEPENDENTES. Deve ser comprovada, documentalmente, a condição de dependência, para fins de dedução de despesas com dependentes e instrução de dependentes da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física. IRPF. DESPESAS COM INSTRUÇÃO PRÓPRIA. REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE. Na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, apenas podem ser deduzidos, a título de despesas com instrução, os pagamentos efetivamente realizados a instituições Fl. 287DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES 2 de educação regularmente autorizadas, pelo Poder Público, a ministrar educação básica - educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação superior . PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das deduções declaradas. DECADÊNCIA. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, cujo prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, contados de 31 de dezembro, no caso de rendimento sujeito ao ajuste na DIRPF. Preliminar rejeitada. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar e, no mérito, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e reconhecer a decadência em relação ao ano-calendário de 2002, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende - Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 81.355,51, referente aos exercícios de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, a título de imposto, acrescido da multa de ofício equivalente a 150% do valor do tributo apurado, além de juros de mora. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES Processo nº 10920.001291/2008-91 Acórdão n.º 2801-01.271 S2-TE01 Fl. 274 3 O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida de dependentes, dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de despesa com instrução. A autoridade fiscal aplicou a multa qualificado de 150%, considerando que o contribuinte ao longo dos últimos cinco anos utilizou-se indevidamente de diversas despesas médicas, com instrução e com dependentes, que reduziram significativamente a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física. Concluiu que o contribuinte agiu com a consciente intenção de reduzir indevidamente o imposto a pagar, incorrendo, assim, em fraude e sonegação fiscal, como definido nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Em sua impugnação, o interessado alegou, em preliminar, a nulidade do Auto de Infração, pelas seguintes razões: 1. Ocorreu a preclusão do prazo previsto no §2°, do art. 7º do Decreto 70.235/72, haja vista que, entre o termo de início da ação fiscal e a intimação do AI, transcorreram 138 dias, sendo que nesse período foi lavrado somente um Termo de Ciência de Prosseguimento Fiscal; 2. O imposto lançado referente ao ano-calendário 2003 já foi objeto do lançamento constante da Notificação de Lançamento nº 2004/60942001094326, cópia à fl. 236; 3. A referida notificação também alcançou o mesmo período objeto da presente autuação (2002 a 2006), o que somente seria permitido por ordem escrita do Delegado ou Inspetor da Receita Federal, nos termos da Lei n° 2.354/54, Lei n° 3.470/58 e RIR/99. No mérito, o impugnante argumentou que as despesas médicas, referentes aos anos de 2002 a 2006, têm suas justificativas em razão da grave situação de saúde que se encontravam seus pais, declarados como dependentes na declaração sob exame. Defendeu a dedução de despesas com instrução realizadas, referentes ao curso de pós-graduação em gestão empresarial na empresa Decision Consultoria e Negócios S/C, conveniada da Faculdade Getúlio Vargas, conforme comprova e-mail em anexo enviado pela própria empresa. Pretendeu fossem admitidas as despesas com instrução de seu irmão, eis que efetivamente arcou com tais despesas, conforme faz prova os documentos às folhas 195 a 230, embora não tivesse a guarda judicial. Por fim, contestou a aplicação da multa de oficio qualificada, já que não houve qualquer espécie de infração no que concerne às deduções das despesas médicas e com instrução. Nesse sentido, quanto às despesas com instrução, alegou novamente que todas foram comprovadas e em relação às despesas médicas não comprovadas defende que: o fato de ele morar em Brusque nos últimos anos o impediu de organizar os recibos de todos os gastos com as despesas médicas de seus pais; e que na presente situação está perfeitamente demonstrado que não há qualquer tipo de dolo com o objetivo de fraudar o Erário, e sim imperícia ou imprudência ao não resguardar toda a documentação necessária. A 4ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, conforme Acórdão de fls. 242/246, julgou procedente em parte o lançamento sob os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006. Fl. 289DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES 4 DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade de despesas médicas e com instrução incorridas pelo contribuinte, dedutíveis nos termos da legislação tributária, está condicionada a sua efetiva comprovação. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte, mediante documentação hábil e idônea, comprovar a relação de dependência, para fins fiscais, havida em relação às pessoas declaradas como suas dependentes em sua Declaração de Ajuste Anual. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 MPF. AUTORIZAÇÃO DE REEXAME. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. O Mandato de Procedimento Fiscal é instrumento que supre a autorização, por consubstanciar a própria autorização. Assunto: Normas de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. O reiteramento das condutas ilícitas ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. INTUITO DE FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de oficio qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, resta constatado que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. Lançamento Procedente em Parte Regularmente cientificado daquele Acórdão em 21/08/2008 (fl. 249), o interessado, representada por seu procurador (fl. 90), interpôs recurso voluntário de fls. 253/268, em 22/09/2008, no qual repete os argumentos da impugnação, acrescentando que: • A comprovação das despesas médicas poderá ser obtida mediante diligência junto aos estabelecimentos que realizaram os serviços médicos descritos na Declaração de Ajuste Anual (Lei n°9.784199, art. 37); • Novos documentos são juntados aos autos nesta oportunidade, posto que de fato realizou curso de pós-graduação em gestão empresarial junto à Fundação Getulio Vargas, conveniada à empresa Decision Consultoria e Negócios S/C Ltda. Há cópia do certificado obtido pelo recorrente (DOC. N°01) que atesta o fato. Consta também Fl. 290DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES Processo nº 10920.001291/2008-91 Acórdão n.º 2801-01.271 S2-TE01 Fl. 275 5 "Declaração" firmada pela Sociedade Educacional de Santa Catarina (SOCIESC), dando conta de que a "Decision Consultoria e Negócios S/C Ltda" lhe cedeu contratualmente o convênio firmado com a Fundação Getúlio Vargas (DOC. N° 02); É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De plano, ressalte-se que não fazem parte do litígio a glosa do dependente Murilo Oliani Vock, dado que não foi contestada pelo interessado desde de a fase impugnatória, bem como o crédito tributário exigido relativo ao ano-calendário de 2003, exercício de 2004, considerando que a decisão recorrida já o cancelou pelo motivo de já ter sido exigido anteriormente por meio de Notificação de Lançamento, conforme cópias de fls. 236/238. Registre-se, ainda, que a citada notificação é restrita ao ano-calendário de 2003, sendo, portanto, equivocado o entendimento do peticionário quando afirma que ela alcança os demais períodos objeto do presente lançamento. Neste sentido, resta prejudicada a preliminar suscitada relativamente a essa questão. A peça recursal também contém questão preliminar acerca da nulidade do feito em razão de sua lavratura ter sido em momento posterior ao encerramento do procedimento pelo transcurso do prazo legal de 60 (sessenta) dias, previsto no artigo 7º, § 2º do Decreto n.º 70.235/72. O procedimento fiscal encontra-se regulado pelo Capítulo I do Decreto n.º 70235/72 que trata do Processo Fiscal, mais especificamente em sua Seção III – Do Procedimento, enquanto o prazo utilizado pelo recorrente como suporte à sua alegação, decorre do artigo 7.º, § 2.º, que limita o tempo de validade do ato inicial da ação fiscal em 60 (sessenta) dias. Deve ser observado que esse texto legal não determina a conclusão do procedimento de ofício em 60 (sessenta) dias, apenas, fixa o limite para a validade do ato inicial, que, uma vez atingido, suspende o curso da ação fiscal até que outro ato lhe dê continuidade. Fácil concluir dessa forma pela ressalva contida ao final do texto, que permite a continuidade do procedimento de ofício mediante ciência ao contribuinte de qualquer outro ato que lhe dê conhecimento do prosseguimento da ação fiscal: “...prorrogável, sucessivamente, por igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.” Portanto, não ocorre a nulidade do feito pelo transcurso desse prazo, apenas, sua efetivação sem qualquer outra manifestação do Fisco abre ao sujeito passivo, antes sob procedimento de ofício, a oportunidade de declarar eventuais infrações tributárias e proceder ao respectivo pagamento, acrescido da multa e juros de mora, ou somente dos juros moratórios quando atendidos os requisitos da denúncia espontânea. Fl. 291DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES 6 Na situação em comento, verifica-se, pelo que dos autos consta, que o contribuinte não se valeu da interrupção do prazo inicial para apresentar as declarações retificadoras e recolher os tributos, ou seja, perdeu a chance de fazer jus ao instituto da denúncia espontânea. Quanto à despesas médicas glosadas, referentes aos tratamentos médicos dos pais do contribuinte, confirma-se, compulsando os auto, que não foram apresentados os correspondentes recibos e/ou pagamentos. As prescrições, receitas e exames médicos apresentados não constituem provas hábeis a garantir a dedutibilidade da alegada despesa à luz da legislação de regência. Ressalte-se que não se está questionando a necessidade ou não dos tratamentos médicos, mas se realmente tais despesas foram pagas no valor declarado, condição necessária à sua dedutibilidade. Portanto, sem a devida prova, considera-se acertada a glosa. Ainda, relativamente à comprovação das despesas médicas, rejeita-se o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente. Desarrazoado imputar tal ônus probatório ao fisco. A autoridade fiscal não tem o dever de produzir a prova necessária à defesa do sujeito passivo. Pretende o recorrente o restabelecimento da glosa com o dependente Ivonei Vock – seu irmão, eis que o mantinha, pagando todas as suas despesas, mesmo sem deter sua guarda judicial. As condições para que sejam as pessoas consideradas dependentes, quanto à dedução do imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), estão estabelecidas no artigo 35 da Lei nº. 9.250, de 26/12/1995, verbis: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I - o cônjuge; II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV - o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. (destaques da transcrição) Fl. 292DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES Processo nº 10920.001291/2008-91 Acórdão n.º 2801-01.271 S2-TE01 Fl. 276 7 No dispositivo legal mencionado, encontra-se demarcado, em seu inciso V, que somente poderá ser listado como dependente do declarante, o irmão, até 21 anos, com o requisito de que dele detenha a guarda judicial. Em não sendo o recorrente detentor da guarda judicial do irmão, deixa de se enquadrar nas exigências legais, devendo, por isso, ser mantida a glosa reclamada Consequentemente, as despesas com instrução do irmão também devem ser mantidas, por estarem interligadas. No que tange à questão relativa às despesas de instrução do próprio contribuinte, a respectiva glosa foi mantida pela decisão recorrida sob o argumento de que os respectivos pagamentos não foram comprovados. Além disso, constatou que a indicada beneficiária não é uma instituição de ensino regularmente autorizada, pelo Poder Público, a ministrar educação básica - educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação superior, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.". Em sede de recurso, o interessado junta cópia do certificado emitido pela Fundação Getúlio Vargas, referente a curso de pós-graduação do período de 08/03/2002 a 26/07/2003, do correspondente histórico escolar e declaração da Sociedade Educacional de Santa Catarina, com o seguinte depoimento: A SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA- SOCIESC, pessoa jurídica de direito privado, com sede e foro na cidade de Joinville-SC, na Rua Albano Schmidt, n° 3333, Bairro Boa Vista, inscrita no CNPF sob o n° 84.684.182/0001-57, DECLARA para os devidos fins e a quem interessar possa que, em data de 01 de dezembro de 2006 firmou Contrato de Cessão de Direitos com DECISION CONSULTORIA E NEGÓCIOS S/C LTDA., DEVELOPMENT CONSULTORIA E NEGÓCIOS LTDA., MARCELO CAUDURO DE CASTRO e SAUL ALCIDENS SGROTT, no qual estes últimos cederam para a SOCIESC o Convênio firmado com a FGV — FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, para oferta de cursos de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização da FGV na cidade de Blumenau e região. Observa-se que a referida declaração é válida para períodos posteriores à data de 01/12/2006. Já o Curso referente ao certificado emitido pela Fundação Getúlio Vargas alcança apenas os anos-calendários de 2002 e 2003. Ademais, importa que não há prova dos pagamentos do curso realizado na FGV no presente processo, razão pela qual não pode ser acolhida a pretensão do contribuinte. Por fim, relativamente à contestação relativa a aplicação da multa de oficio qualificada, impende verificar se a conduta estampada nos autos coaduna-se aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502/1964. As infrações decorrentes de glosas de despesas ou omissões de rendimentos são apenadas, como regra, com multa de ofício de 75%. Inclusive, foi editada a Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude Fl. 293DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES 8 do sujeito passivo”, a demonstrar que a simples omissão de receitas ou rendimentos não autorizam a qualificação da multa de ofício. Nesse sentido, para qualificar a multa de ofício, mister a ocorrência de uma conduta delituosa que exceda a simples omissão de rendimentos ou a glosa de despesas. Neste último caso, como exemplo, a qualificação da multa deve ser mantida quando o contribuinte utiliza um documento que se reputa falso, ideológica ou materialmente, para alicerçar a despesa dedutível, tal como um recibo médico inidôneo. Não foi o que aconteceu nestes autos. Tratou-se, na espécie, de glosa de despesa médicas, despesas com instrução e dependentes, para as quais o contribuinte não apresentou os recibos e/ou comprovante de pagamentos hábeis a confirmar as despesas declaradas. Note-se que foram carreado aos autos vários exames médicos realizados pelo pais do recorrente no período autuado, bem como certificado emitido pela Fundação Getúlio Vargas, referente a curso de pós-graduação do período de 08/03/2002 a 26/07/2003. Contudo, faltou a comprovação dos pagamentos correspondentes. Frise-se, outrossim, que não foi demonstrada a utilização de recibos, material ou ideologicamente, falsos, aí sim, uma hipótese que autorizaria a qualificação para o caso vertente. Assim, considerando que não se conseguiu imputar ao recorrente uma conduta adicional, além da decorrente de mera glosa das deduções de dependente, despesas médicas e despesas com instrução, deve-se desqualificar a multa de ofício. Em sendo assim, deve-se reconhecer que o auto de infração foi lavrado em 17/03/2008, quando já tinha ocorrido a decadência do direito de constituição do crédito tributário sobre os rendimentos recebidos no ano-calendário de 2002, já que o prazo decadencial deve ser contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício e reconhecer a decadência em relação ao ano-calendário de 2002. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 294DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 06/12/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 08/12/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.011522/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Considera-se não impugnada a matéria na que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
MOLÉSTIA GRAVE
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-001.290
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considera-se não impugnada a matéria na que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Recurso Voluntário Provido.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria na que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Eivanice Canário da Silva. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10730.011522/200810 Acórdão n.º 280101.290 S2TE01 Fl. 46 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada notificação de fls. 7 a 9, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006, para formalização de crédito tributário no valor de R$ 2.452,55. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal às fls.8 e 9 foram apuradas omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 15.568,10 e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 2.927,23 O representante legal da contribuinte não concorda com o lançamento alegando que a sua representada foi acometida de doença grave denominada (Demência Frontotemporal) Doença de Pick, conforme registro em prontuário médico, realizado em dezembro de 2003 (f1.5), do Hospital Universitário Pedro Ernesto.Desta forma, os rendimentos de aposentadoria são isentos.” Passo adiante, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: “COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF – MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria na que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator Conheço do Recurso, porque presentes os seus requisitos de admissibilidade. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10730.011522/200810 Acórdão n.º 280101.290 S2TE01 Fl. 47 3 De início, destaquese que a impugnante não questiona a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 2.927,23 (fonte pagadora INSS), restando, nesta parte, intocado o lançamento. No mais, tratase de cobrança de IRPF por não ter o Recorrente declarado os rendimentos provenientes de aposentadoria no Exercício 2006. O Recorrente alega que não declarou os rendimentos porque está abrigado pela isenção de que trata a Lei n° 7.713/88, art. 6º, já que se declara portador de alienação mental. No que concerne às alegações do Recorrente, deve se destacar a legislação pertinente: "Art. 47 No art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dêse ao inciso XIV dá nova redação e acrescentese um novo inciso de número XXI, tudo nos seguintes termos: Art. 6° Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos Percebidos por pessoas físicas: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a,doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma); XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base dn conclusão da medicina espedalizada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão." A partir do 'anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições sobre o assunto trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: O artigo 30 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 dispõe: "Art. 30 A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n°7713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da iei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” A Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6°, da Lei n°7713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: "Art. 5° Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: Fl. 55DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10730.011522/200810 Acórdão n.º 280101.290 S2TE01 Fl. 48 4 XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose); XXXV quantia recebida a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XII deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional; 1°A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1° de janeiro de 1996, só pode ser deferidall se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2° As isenções a que se referem os incisos XLI e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir; 1 do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial.” De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos e indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Ora, restou comprovado que a doença apresentada pela contribuinte faz com que ela apresente alienação mental. A legislação tributária é taxativa, mas o termo “alienação mental” consegue abranger a doença da Recorrente. Ademais, quando da apresentação do Recurso Voluntário, a contribuinte alegou que o documento oficial comprobatório não estava confeccionado a tempo do protocolo da impugnação. No entanto, no momento em que recorreu, juntou laudo médico pericial com base em elementos técnicos emitidos pelo INSS, com a firma do médico subscritor devidamente reconhecida em cartório. Tais elementos, de fato, demonstraram o preenchimento dos requisitos exigidos para fins da pretendida isenção. Pelo exposto, dou provimento ao recurso. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 56DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10730.011522/200810 Acórdão n.º 280101.290 S2TE01 Fl. 49 5 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL
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Numero do processo: 16004.000742/2006-39
Data da sessão: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Configurado o evidente intuito de fraude, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE
COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Presente a intenção de deixar de cumprir a obrigação tributária, a falta deve ser punida de ofício com a penalidade de maior ônus financeiro.
CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula 1° CC nº 2 - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3805-000.162
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Sidney Ferro Barros, que acolhia a preliminar de decadência.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Configurado o evidente intuito de fraude, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Presente a intenção de deixar de cumprir a obrigação tributária, a falta deve ser punida de ofício com a penalidade de maior ônus financeiro. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula I° CC n" 2 - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria d os, em i Processo n° 16004.000742/2006-39 83-TE05 Acórdào n.° 3805-00.162 Fl. 74 NEGAR provimento ao rec rso, no , termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Sidney Ferro Barros, que acolhia a ,erelimin,;r de decadência. SIDNEY F h RO B ROS Presidente em exerci - nf4i---4r, RUBENS RICIO CARVALHO Relator FORMALIZADO EM: 3 Q OUT 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Sandro Machado dos Reis e Núbia Matos Moura (Suplente convocada). Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls, 39 a 50 da instancia a quo, in verbis; Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 14 a 15, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2000, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 7,948,47, dos quais R$ 2,318,49 referem- se a imposto, R$ 3.477,73 correspondem à multa proporcional e R$ 2.152,25 a juros de mora calculados atC 31/08/2006. O procedimento fiscal foi motivado pela constatação, resultante de uma apuração especial, levada a efeito pela DRF/São José do Rio Preto, que um grupo de profissionais com especialidade em Psicologia/Psicoterapia, Fisioterapia e Odontologia, vinham procedendo a uni verdadeiro derramamento de recibos inidôneos na cidade de São José do Rio Preto-SP e região. Da análise da Declara* de Imposto de Renda Pessoa Fisica apresentada pelo interessado referente ao ano-calendário de 2000, a fiscalização constatou a dedução como despesas médicas da profissional Adriana Cristina de Aquilo Rosa, CPF n° 098.354.048-95, no valor de R$ 10.000,00. Todavia, tal dedução foi objeto de glosa em razão da existência da Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz homologada pelo Delegado da Receita federal de São José do Rio Preto-SP, conforme o processo administrativo n° 10850.000844/2002-73, e Ato Declaratório Executivo n° 54, de 22 de abril de 2002, publicado no DOU-Seção 1 de 04 de junho de 2002, concluindo que todos os recibos emitidos a partir de 01/01/1997 até 15/04/2002, pela referida profissional, são inidôneos, haja vista serem ideologicamente falsos, portanto, imprestáveis e ineficazes para dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, como demonstrado no termo de Constatação Fiscal de fls. 08/11, sendo-lhe aplicada a multa de 150%. 2 Processo n° 16004.00074212006-39 S3-TE05 Acórdão n.° 3805-00.162 Fl. 75 Cientificada do Auto de Infração em 28/09/2006 (fl. 19) a interessada apresentou em 27/10/2006, a impugnação de fls. 20/23, acompanhada dos documentos de fls. 24 a 33, alegando, em sintese,que: 1- preliminarmente, no presente auto o fato gerador da multa cobrada é 31/12/2000, sendo que a impugnada tem o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário, como disciplina o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional; 2- sendo assim, transcorreu mais de cinco anos entre a data do fato gerador e a constituição do presente crédito tributário e dessa forma está extinto o presente crédito, devendo ser julgado improcedente o auto de infração, como preceitua o artigo 156, inciso V, do CTN;. 3- apresentou sua declaração em abril de 2001 e o lançamento foi efetuado em setembro de 2006, depois de homologado tacitamente o lançamento, de acordo com o disposto no art.150 do CTN, e dessa forma o crédito tributário também está extinto, a teor do art. 156, inciso VII, do CTN;. 4- no mérito, em nenhum momento cometeu qualquer ilícito fiscal uma vez que ao apurar o seu imposto de renda juntou os recibos que estavam em seu poder, não imaginando em momento algum que a pessoa que o emitira era desqualificada para tal fim; 5- o valor aplicado à multa objeto da presente impugnação é absurdo, muito superior a um possível valor devido, acarretando verdadeiro confisco por parte da impugnada, devendo este ato ser nulo, tendo em vista estar em desacordo com a nossa Constituição Federal. O fiscal autuante formalizou a competente Representação Fiscal para Fins Penais ( processo n° 16004.000743/2006-83 em apenso ) para cumprimento do disposto na Portaria SRF n° 326 de 15 de março de 2005. Considerando esses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou a preliminar de decadência e no mérito, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, pela falta de apresentação de provas em relação as despesas médicas e falta de previsão legal do pedido de redução da multa aplicada, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa e excertos do voto que transcrevo a seguir livremente: DECADÊNCIA. NATUREZA DO LANÇAMENTO. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme o disposto no art. 173, 1(10 CTN. De igual modo, nos casos de evidente intuito de fraude a contagem do prazo clecaclencial do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário rege-se pelo citado dispositivo do CTN. GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. - Mantidos as glosas de despesas médicas, visto que o direito às 3 k Processo n° 16004.000742/2006-39 S3-TE05 Acórdão n.°3805-00.162 Fl. 76 suas deduções condiciona-se à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de uni simples recibo ou declaração unilateral, sem a efetiva comprovação da prestação dos serviços. No caso de impossibilidade de comprovação do pagamento, o conjunto probatório deve estar formado por declaração do profissional acompanhada de outros elementos, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. O principio da vedação ao confisco está previsto no art. 150, IV, da C.F. e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivado a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la. A multa de oficio é devida em face da infração tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecido em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. (...) Vê-se que, no caso de imposto de renda pessoa física, em que tenha ocorrido algum daqueles tipos de pagamento antecipado, o termo inicial será conforme disposto no artigo 150, § 4° do CTN, ou seja, a data da ocorrência do fato gerador, desde que não tenha havido dolo, fraude ou simulação. Conclui-se, então, por óbvio, que, se o sujeito passivo não tiver efetuado alguma daquelas antecipações, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no artigo 173, I. Desse modo, passando novamente para o exame do caso concreto, tem-se que o contribuinte em questão estava obrigado ao pagamento antecipado do imposto, em face das deduções indevidas efetuadas e não houve notificação do Fisco, como medida preliminar para constituição do crédito. Portanto, conforme posto acima, estando a contribuinte obrigado à antecipação e não tendo efetuado estes pagamentos, não pode ser utilizada a regra do artigo 150, § 4°, mas sim a do artigo 173, I. (...) Na situação em tela, portanto, o termo inicial da contagem do prazo decadencial se dá em 01/01/2002. Tendo sido dada a ciência do auto de infração em 28/09/2006 (fl. 19), o lançamento ocorreu dentro do prazo qüinqüenal, não havendo que se falar em decadência. (...) Ocorre que, em procedimento interno da Delegacia da Receita Federal de São José do Rio Preto/SP, ficou constatada a emissão fraudulenta de recibos relativos a despesas médicas naquela jurisdição, o que resultou na emissão da Súmula de Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz objeto do processo administrativo n° 10850.000844/2002-73 e conforme o respectivo Ato Declaratório publicado no Diário Oficial da União em 04 de junho de 2002, contra o profissional Adriana Cristina de Aquino Rosa, concluindo pela inidoneidade para os efeitos tributários, de todos os recibos de pagamento emitidos em nome ou pelo indigitado profissional, no períok de Processo n° 16004.000742/2006-39 S3-TE05 Acórdão n.° 3805-00.162 Fl. 77 01/01/1997 a 15/04/2002, por serem ideologicamente falsos e, portanto, imprestáveis e ineficazes para dedução da base de cálculo do imposto de renda, por quaisquer usuários( fl. 07). (...) Assim, em relação ao mencionado profissional os recibos não podem ser aceitos, em razão da Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz, havendo, portanto, que se manter a glosa das deduções pleiteadas, com a conseqüente imposição da multa qualificada de 150%. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 55 a 59, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, alegando em síntese: a) Decadência do lançamento; b) Que o impugnante não cometeu nenhum ilícito fiscal porque juntou os recibos não imaginando que a pessoa que o emitira era desqualificada, sendo que o emitente deveria ser responsabilizado por tais atos e c) Que a multa aplicada é confiscatória, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para este colegiado para julgamento. É o RELATÓRIO. Voto Conselheiro RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Observo que nos termos da. Portaria MF n '.41/2009, os regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial n°. 147, de 28 de junho de 2007, são aplicáveis a este julgamento. Temos nesse processo questões são decorrentes uma da outra. A falta de comprovação de despesa de recibo sumulado, implica na qualificação da multa que por sua vez afeta a contagem da decadência. Destarte, por essa razão, faço o meu voto nessa mesma ordem. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS Para o exame da questão transcrevem-se a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei n°9.250, de 26 de dezembro de 1995 5 Processo n° 16004.000742/2006-39 83-TE05 Acórdão n.° 3805-00.162 Fl. 78 Art.8" — A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: 1 — de todos os rendimentos percebidos durante o ano- calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora (Decreto-lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 39. § 1" se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não .forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto- lei n°5.844, de 1943, art. 11, áç 4'). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admite-se corno prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais, contudo, nenhum documento nesse sentido foi juntado pelo contribuinte. Preferiu o sujeito passivo durante todo o procedimento de fiscalização e processual administrativo limitar-se as alega:ções. Ainda, a opção pelo pagamento em espécie, de todas as despesas glosadas, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, corno a apresentação de cópias de cheque, extratos bancários ou exames e laudos técnicos atestando o serviço prestado, o que até este ponto do processo não foi feito. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica, pleiteando a aceitação de simples recibos, coi • cf 1p1rovação de despesas médicas pleiteadas, se o fenômeno econômico não ficar provado. 6 Processo n° 16004.000742/2006-39 s3-tEo5 Acórdão ri.° 3805-00.162 Fl. 79 É oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, niodificativo ou extintivo do direito do autor. Conclui-se, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Desta forma, tem-se que no caso de deduções da base de cálculo do imposto de renda, que é o caso das despesas médicas, o ônus da prova da efetividade de tais despesas é do contribuinte, que se beneficia da dedução. Não pode, portanto, prevalecer a tese do contribuinte de que o Fisco deveria comprovar, p.ex., o não-pagamento dos valores consignados nos recibos e a não-efetivação dos serviços, ou ainda, verificar se os prestadores declararam os valores recebidos. Quanto à doutrina e jurisprudência trazida aos autos, embora representem respeitável posição dos órgãos julgadores, não produzem norma geral e abstrata, restringindo sua vinculação aos casos particulares analisados. Além disso, menciono a seguir julgado do Conselho de Contribuintes relativas à matéria, para reforçar o entendimento aqui manifestado: IRPF — DESPESAS MÉDICAS — DEDUÇÃO — Inadmissível a dedução de despesas médicas, da declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1° CC 104— 16647/1998) Considerando o exposto acima, mantenho as glosas das despesas declaradas, objeto do presente julgamento. DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. CONFISCO. Quanto a alegação de decadência, entendo que deva ser apreciada juntamente com a qualificação da multa, haja vista que, caso afastada a multa qualificada, há entendimentos que haveria decadência no ano de 2000. Contudo, uma vez mantida a aplicação da multa qualificada, no ano- calendário de 2000, conforme adiante fundamentado, não há que falar em decadência. Isso porque, nos termos do art. 150, § 4' do Código Tributário Nacional, não se homologa o lançamento quando apurado dolo, fraude ou simulação. Comprovada a fraude, o prazo decadencial é contado na forma do art. 173, inciso I do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Estamos tratando do IRPF devido no ajuste anual, ou seja, fato gerador em 31/12/2000. À luz da jurisprudência desse Conselho, função da fraude, a , tagem do prazo II 7 Processo n° 16004.000742/2006-39 S3-TE05 Acórdão n.° 3805-00.162 Fl. 80 decadencial iniciou-se em 11/2002, com término em 31/12/2006. Tendo o lançamento sido feito em 28/9/2006, conforme fl, 19, não há que se falar em decadência. Portanto, a confirmação do evidente intuito de fraude, desloca a contagem do prazo decadencial para o prazo do art. 173 do CTN. Nesse sentido, cite-se a ementa de um dos inúmeros julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria. "IRRF — IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - DECADÊNCIA Nos casos de tributos sujeito ao regime de lançamento homologação o prazo decadencial inicia com a ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Lançamento realizado após a homologação tácita não subsiste. (Lei 5.172/66 art. 150 parágrafo 4'9. RECURSO IMPROVIDO. " Acórdão CSRF/01-04.907, sessão de 17/02/2004. No que tange à multa qualificada sobre as glosas de despesas médicas, a meu ver, in casu, configurou-se o evidente intuito de fraude do contribuinte quando reduziu a base de calculo do IRPF devido, declarando ter feito pagamentos de serviços fisioterápicos em montantes de superiores a 25% da renda liquida tributável declarada, apresentando recibos tributariamente ineficazes, conforme Ato Declaratório de fl. 7. Enfim, formei convencimento que, no presente caso, configurou-se o evidente intuito de fraude, condição indispensável para aplicação da multa de 150%, conforme disposto no artigo 44, inciso II da Lei 9.430/1996 (verbis): "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (..) - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502 de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." (grifei) Por seu turno, o arts. 72 da Lei n." 4.502/1964, assim reza: . "Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. (grifei) Frise-se: ao pleitear a dedução de despesas médicas que efetivamente não pagou, conforme comprovado nos autos, o contribuinte tentou modificar a base de cálculo do fato gerador da obrigação tributária, reduzindo-o para menor. Essa prática revela uma conduta dolosa e premeditada. Tal situação fática se subsume perfeitamente ao tipo previsto no art. 72 da Lei n." 4.502/1964, acima grifado. O entendimento aqui manifestado é corroborando por outros julgados dos Conselhos de Contribuintes a exemplo dos seguintes acórdãos: "REDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INEXISTENTES - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA - Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, II, da Lei n". 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido COM evidente intuito defraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei te. 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, autorizando a aplicação da multa qualificada, a prática reiterada de redução de imposto de renda devido, através da 8 Processo n° 16004.00074212006-39 S3-TE05 Acórdão n.° 3805-00.162 Fl. 81 informação de valores de deduções de despesas inexistentes, comprovado por meio de circularizações efetuadas pela autoridade lançadora junto às empresas beneficiárias das despesas declaradas.." Acórdão 104-21.460 de 22/03/2006. "MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA — DESPESA INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - A dedução, na Declaração de Rendimentos a titulo de despesas médicas, que o contribuinte sabe inexistentes, caracteriza evidente intuito de fraude e legitima a exasperação da multa de oficio, nos termos do art. 44, II da Lei n°9.430, de 1996." ACÓRDÃO 104-22.137 de 04/12/2006. Sendo assim, mantenho a multa qualificada sobre o IRPF devido e afasto a Decadência. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CONFISCO. Outro questionamento tem por objeto o teórico caráter confiscatório da multa de oficio qualificada, com fundamento na norma do artigo 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 - CF/88. Afirma a defesa sobre o dever do julgador manifestar-se a respeito da constitucionalidade da norma. Pedido pelo conhecimento das normas constitucionais, com fundamento no princípio da legalidade e na observância deste pelos funcionários públicos (art. 37, da CF/88). Jurisprudência STJ no MS 8.810-DF (Revista Dialética de Direito Tributário n" 104, p.27). Decidir sobre a característica da norma e se esta se encontra conformada com a CF/88 não é competência do julgador administrativo, justamente porque, conforme afirmado pela defesa, a ação deste é "vinculada", isto é, somente pode exigir ou deixar de fazê-lo mediante a correspondente autorização normativa. Como inexiste autorização normativa para não considerar a ordem punitiva posta na norma do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, defeso ao julgador afastá-la por considerá-la inconstitucional. A confirmar o raciocínio, a Súmula n° 2, do Primeiro Conselho de Contribuintes: "Súmula 1"CC n" 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Salientamos que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la. A base legal para a multa e juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração. Assim engana-se a impugnante ao reclamar da multa aplicada, pois ela é conseqüência pelo não recolhimento da contribuição, apurada em procedimento de fiscalização, conforme mandamento legal vigente. No pertinente à aplicação da multa qualificada, registro que a constatação de dolo — aqui caracterizada como o intuito deliberado de obter beneficio de dedução fiscal utilizando-se de recibos sumulados sem contraprova — impõe a sua manutenção. Concluo assim que a impugnante apresentou alegações acerca de vícios que estariam presentes na autuação, contudo, da análise dessas alegações, verifica-se que nada de concreto foi realmente apresentado ou comprovado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. 9 1 Processo n° 16004.000742/2006-39 S3-TE05 Acórdão n.° 3805-00.162 Fl. 82 Sala das Sessões, em 30 de junho de 2099 - RUBENS NIS "jr) 10
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