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Numero do processo: 10680.003391/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISSOCIAÇÃO ENTRE DISPOSITIVO E ACÓRDÃO.
Havendo dissociação ou contradição entre o dispositivo do voto do relator que julga o recurso e o que constou do acórdão, é de acolher-se os embargos de declaração para rerratificar o acórdão para que fique alinhado com o dispositivo do voto do relator que representa o resultado do julgamento.
Embargos conhecidos e acolhidos.
Numero da decisão: 1201-000.706
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer e acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 1201000.234, de 06.03.2010, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.022340/99-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1994
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. TESE SUPERADA. SÚMULA 08 STF.
Nos casos em que o Recurso Especial tem fundamento na contrariedade à lei, a partir do momento em que é editada súmula encerrando a discussão sobre o tema, não deverá ser conhecido o recurso em razão da ausência de requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-001.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,
por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann.
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NÃO CONHECIMENTO. TESE SUPERADA. SÚMULA 08 STF. Nos casos em que o Recurso Especial tem fundamento na contrariedade à lei, a partir do momento em que é editada súmula encerrando a discussão sobre o tema, não deverá ser conhecido o recurso em razão da ausência de requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 23 40 /9 9- 81 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR 2 Tratase de Recurso Especial (fls. 220/231) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7º, incisos I e II, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n° 147, de 25 de junho de 2007. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 10516.192 de fls. 202/211 por meio do qual os membros da Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolheram a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos até julho de 1994 em relação ao IRPJ, IRRF e, por maioria em relação à CSL e COFINS e, no mérito, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso do contribuinte para afastar a exigência do PIS. O acórdão recorrido foi assim ementado: DECADÊNCIA Nos casos de tributos sujeito ao regime de lançamento homologação o prazo decadencial iniciase com a ocorrência do fato gerador. Lançamento realizado após a homologação tácita não subsiste. (Lei 5.172/66 art. 150 parágrafo 4°). OMISSÃO DE RECEITA LUCRO PRESUMIDO Anos de 1.994 e 199 Artigos 43 e 44 da Lei 8.541/92 Indevido o lançamento com base em 100% da receita omitida, por violar o conceito de presunção de custo contida na referida forma de tributação e, por afrontar o conceito de renda contida no artigo 43 do CTN. SALDO CREDOR DE CAIXA LUCRO PRESUMIDO – Havendo lançamento a débito de caixa e crédito de bancos no final do mês, em valores que superam o saldo credor transportado, e realocados os valores dos cheques em seus dias de saque no curso do mês desaparecem os saldos credores objeto da acusação, tornando improcede o lançamento. CSLL COFINS E IRRF Aos decorrentes aplicase a decisão dada ao IRPJ, em virtude da intima relação de causa e efeito que os une. PIS Indevido o lançamento cujos fatos geradores ocorreram até fevereiro de 1.996, que considera a base de cálculo do PIS o próprio mês da omissão SUMULA N° 15 do 1° CC. A Recorrente apresentou Recurso Especial insurgindose contra a parte que excluiu a exigência do IRPJ, IRRF, CSLL e COFINS, relativamente aos fatos geradores ocorridos até julho de 1994, em razão da decadência. Em suas razões recursais contestou a decadência do direito do Fisco em constituir crédito tributário relativo ao IRPJ e argumentou que no caso houve lançamento de Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR Processo nº 10880.022340/9981 Acórdão n.º 9101001.491 CSRFT1 Fl. 260 3 ofício em razão da ausência de recolhimento do imposto devido e por isso o prazo aplicável é aquele do artigo 173, I, do CTN. Nesse ponto afirmou a existência de divergência jurisprudencial quanto ao prazo para o lançamento do imposto de renda e trouxe as ementas dos seguintes acórdãos paradigmas: IRPJ LANÇAMENTO EX OFFICIO PRAZO DECADENCIAL Tratandose de lançamento de oficio, o prazo decadencial é contado pela regra do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. (Acórdão CSRF/0103.103). IRF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFICIO DECADÊNCIA: No lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Constatada pelo Fisco falta de pagamento de tributo ou insuficiência do pagamento, objeto de auto de infração, a hipótese é de lançamento ex officio. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando ocorrer dolo, fraude ou simulação o termo inicial da decadência é um dos previstos no artigo 173 do Código tributário Nacional. (Acórdão CSRF/0101.994) Argumentou, em síntese, que o lançamento de oficio de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I, do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°, do CTN. Ademais, contestou a decadência do direito do Fisco em constituir crédito tributário relativo à CSLL e à COFINS e afirmou que o acórdão recorrido contrariou e negou vigência ao artigo 45 da lei 8212/91. Argumentou que o direito do Fisco de apurar e constituir seus créditos relativos às contribuições extinguese em 10 (dez) anos no termos do artigo 45 d Lei 8212/91. Por fim, requereu o provimento do recurso para que seja afastada a decadência dos lançamentos apontados pelo acórdão recorrido. Em sede de exame de admissibilidade do Recurso Especial, o presidente da Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, às fls. 247/249 negou seguimento ao recurso em relação ao IRPJ e IRRF, diante da inexistência da divergência argüida já que o acórdão paradigma tratou de fatos geradores ocorridos no exercício de 1.988, ano calendário de 1.987, quando ainda não estava em vigor a Lei 8.383/91, a partir da qual este Conselho passou a entender estar o IRPJ submetido ao lançamento por homologação e deu seguimento ao recurso na parte relacionada à decadência da CSLL e COFINS, fundamentada na contrariedade à lei. Da decisão que deu parcial seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional não foi interposto agravo. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR 4 É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Tratase de Recurso Especial, fundamentado na existência de contrariedade à lei, apresentado pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 10323105, na parte que excluiu a exigência da CSLL e da COFINS. O presente recurso especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Com efeito, não mais existe a contrariedade à lei alegada pela Fazenda Nacional, senão vejamos. Nas razões recursais apresentadas a Recorrente afirmou que a decadência não havia se consumado em função do disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91. Entretanto, o dispositivo legal suscitado foi declarado inconstitucional, senão vejamos a redação da súmula vinculante nº 08 do STF publicada em 20/06/2008: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Assim, a tese arguida pela Recorrente está superada em razão da edição da súmula transcrita. Nesse contexto, cumpre observar o que dispõe o artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria de número 256, de 22 de junho de 2009: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF (...) Assim, considerando que a finalidade do Recurso Especial no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é uniformizar as decisões proferidas e considerando que, no caso, não existem decisões divergentes entre turmas e/ou câmaras porque o artigo suscitado foi declarado inconstitucional, o presente Recurso Especial perdeu seu objeto. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR Processo nº 10880.022340/9981 Acórdão n.º 9101001.491 CSRFT1 Fl. 261 5 Do exposto, tendo em vista a inexistência da alegada contrariedade à lei, bem como que o presente Recurso é fundamentado por tese superada diante da edição da súmula 08 do STF, não conheço do presente Recurso Especial. É como voto. João Carlos de Lima Junior – Relator. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000508/2003-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO
O lançamento deve descrever, com precisão, o fundamento em decorrência do que se faz a exigência. Se nele apenas consta inexistência da ação judicial declarada como origem do crédito compensado e esta tem sua existência comprovada, o lançamento improcede, não cabendo à instância julgadora “remotivá-lo”
a partir das informações trazidas pelo autuado em sua
impugnação.
Numero da decisão: 9303-002.046
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO O lançamento deve descrever, com precisão, o fundamento em decorrência do que se faz a exigência. Se nele apenas consta inexistência da ação judicial declarada como origem do crédito compensado e esta tem sua existência comprovada, o lançamento improcede, não cabendo à instância julgadora “remotiválo” a partir das informações trazidas pelo autuado em sua impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto Relatório Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que afastou lançamento “eletrônico” de PIS que acusava a empresa de “proc jud não comprovad”. Feita a comprovação pela empresa em sua peça impugnatória, e constatado que a compensação informada na DCTF era objeto da ação judicial, a DRJ Curitiba considerou procedente o lançamento e apontou a concomitância entre a esfera judicial e a administrativa para sequer analisála. O recurso especial traz como paradigma acórdão que considerou possível essa atuação da DRJ, visto que o motivo do lançamento, ao fim e ao cabo, seria a falta de recolhimento, o que teria sido comprovado posteriomente. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A admissibilidade, neste caso, foi bem deferida na medida em que, de fato, o acórdão paradigma examinou situação idêntica e propôs solução inteiramente conflitante com o recorrido. Não obstante, entendo que ele não deva ser provido. É que partilho as considerações expendidas no acórdão guerreado: tendo o auto sido motivado em pretensa declaração inexata que o contribuinte logra comprovar não existir, improcede o lançamento. No julgamento proferido ainda na DRJ já se encontram muito bem resumidos os motivos pelos quais tenho, aqui, repudiado essa prática de muitas DRJ em reenquadrar malsinados lançamentos eletrônicos. Refirome à declaração de voto elaborada pelo julgador Jorge Frederico Cardoso de Menezes em que justifica a sua divergência em relação à posição que ali prevaleceu. Peço vênia para transcrevêla na íntegra, adotando como minhas as razões de decidir do julgador: "Declaração de Voto No caso dos autos, divirjo, respeitosamente do entendimento propugnado, tendo em vista que, a meu juízo, ante a equivocada incomprovação da existência do processo judicial, o Fisco, ao proceder o lançamento em causa, sequer tomou conhecimento de aspectos que só .foram carreados para os autos após a impugnação e que não corroboram, pois, bem ao contrário, até evidenciam a inexatidão do motivo que ensejou a autuação em exame, eis que, em razão da existência da ação judicial e dos depósitos relacionados à exigência fiscal resistida, outros passaram a ser os pressupostos que, em tese, autorizariam a lavratura do feito, além do que, na mesma esteira, a autoridade lançadora tampouco cientificou o contribuinte desses novos pressupostos. Nos casos que envolvem os chamados "autos de infração eletrônicos", tenho, aliás, acompanhado a Turma apenas na Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13973.000508/200311 Acórdão n.º 9303002.046 CSRFT3 Fl. 2 3 hipótese em que se verifica a existência, de .fato, da declaração inexata que foi imputada ao contribuinte, isto é, apenas nos casos em que, muito embora exista o processo judicial informado, comprovase que a ação que corre (ou correu) em juízo não guarda qualquer relação com o procedimento declarado pelo sujeito passivo ou dela não se extrai os efeitos que, informados pelo declarante, o eximiriam, a princípio, do recolhimento do débito declarado (por exemplo, a inocorrência de suspensão de exigibilidade, quando esta é informada pelo declarante e o que se verifica é a inexistência de liminar ou de depósitos efetuados pelo montante integral do débito tributário". É dizer, considerados os estreitos limites de cognição que ensejaram a "autuação eletrônica", nos casos em que o contribuinte declara não ter pago o débito em face de ter obtido na .justiça a suspensão de sua exigibilidade, compete à autoridade administrativa inexoravelmente verificar qual fui o ato processual que ensejou a referida suspensão, se tal ato afasta, ou não, a aplicação de penalidades e, ademais disso, tendo sido informada a suspensão com base em depósitos, se os mesmos foram efetuados, de fato, pelo montante integral exigível, se houve, ou não, o trânsito em julgado da ação e, sobretudo, se tais depósitos foram, ou não, convertidos em renda da União e em que medida este último .fato afetou a exigibilidade do crédito. Nada disso, entretanto, foi objeto do procedimento em exame, Vejase, no ponto, que inclusive o Parecer PGFN/CRJN n° 1..064, de 1993, ao tratar da matéria relativa a lançamentos efetuados em face da suspensão de exigibilidade, não descurou da obrigatoriedade de a exigência .fiscal, à vista da suspensão judicial relativa à cobrança, conter precisamente o motivo que a justifica, a teor da conclusão consignada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, à alinea "b" do precitado ato administrativo, e abaixo reproduzida in verbis, "19) uma vez efetuado o lançamento. deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (artigo 145 do CTN c/c o artigo 7'; inciso 1 do Decreto n° 70,235/1972), com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário apurado permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (artigo 1.51 do CTN). " (grifei).. Neste contexto, demonstrada a veracidade do ,fato declarado pelo contribuinte, à época em que foi apresentada a DCTF, a meu ver, resta prejudicado o lançamento, na medida em que é possível comprovar a falsidade do motivo que o teria ensejado e, no caso dos autos, notase que, ao revés do que se encontra precariamente descrito no .feito, o que se comprova é, não só a existência do processo judicial, negligenciada pelo "procedimento eletrônico", mas também a existência de depósitos que indicam a ocorrência da suspensão de exigibilidade do crédito noticiada pelo declarante. Ora, o pressuposto de fato é parte essencial do motivo que serve de . fundamento ao ato administrativo, pois corresponde, precisamente, ao conjunto de circunstâncias que levaram à prática do ato, daí porque tanto a ausência de motivo quanto a Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 indicação de motivo .falso são ambos vícios que invalidam o ato administrativo, aquele por inquinálo de nulidade e este por evidenciar objetivamente a sua improcedência. Com efeito, sabemos todos que, no caso em pauta, o auto de infração foi lavrado mediante simples cruzamento de dados entre o que é informado pelo contribuinte e os demais registros contidos no sistema informatizado da Receita Federal. O procedimento in casu é totalmente eletrônico e não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, fundamentase apenas no estreito limite desse cruzamento de informações. A descrição do fato, além de ser requisito de validade do auto de infração é também elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, e encontrase no âmbito de competência da autoridade lançadora, descabendo à autoridade julgadora (ou mesmo a preparadora) supri1o, ao argumento de que a exigência seria válida sob o prisma da "falta de recolhimento". Ora, a falta de recolhimento é, em sentido amplo e via de regra, a razão de ser de qualquer lançamento de oficio efetuado de modo a constituir o crédito tributário. Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora (ou mesmo a preparadora), já no âmbito do processo, fazêlo acertar no que não viu. É dizer, em uma frase não pode o Fisco autuar primeiro o contribuinte para só depois, acaso venha a ser impugnado o lançamento, procederse à respectiva fiscalização. Em apertada síntese, estas são as razões pelas quais, ante a insubsistência do ato que ensejou a lavratura do auto de infração em apreço, visto que agora são outros, em tese, os pressupostos que o ensejaram, divirjo, respeitosamente, da relatora e dos demais colegas julgadores que votaram pela procedência do feito, eis que, a meu .juízo, eivado de vício irremediável, impõese o cancelamento do auto de infração, cabendo ao Fisco efetuar o lançamento que achar devido, então já sob o pálio de novos pressupostos, e desde que dentro de prazo decadencial, Isto, posto, VOTO PELA IMPROCEDÊNCIA do lançamento, no sentido de cancelar a exigência de contribuição para o PIS, multas lançadas de oficio e juros de moratórios, Com essas mesmas considerações, que eu não expressaria melhor, voto por negar provimento ao recurso fazendário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13973.000508/200311 Acórdão n.º 9303002.046 CSRFT3 Fl. 3 5 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003529/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
IRRF. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito. Por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-002.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 IRRF. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito. Por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
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TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 35 29 /2 00 7- 06 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1630.192 (fl. 47), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação ao Auto de Infração de fls. 04/06, que exige crédito tributário no valor de R$ 22.557,24, a título de multa paga a menor. O lançamento decorre da revisão da DCTF do 2º trimestre do ano calendário de 2003. Conforme demonstrativos de fl. 05, a fiscalização constatou que o IRRF código 3426, no valor de R$ 427.220,56, vencido em 09/04/2003, foi pago em 25/04/2003 sem o acréscimo da multa de mora. Inconformada com a exigência fiscal, a interessada, por meio de seu representante legal e procuradores, apresenta a impugnação de fl. 01 e 23 a 35 protocolizada respectivamente em 25/04/2007 e 15/07/2008, na qual, alega, em apertada síntese, que discorda do referido lançamento, uma vez que o débito encontrase devidamente pago. Complementa na petição de fl. 23 a 35 que o pagamento do débito cm comento se deu exatamente na data do vencimento. Cita o artigo 856 do RIR/99. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2003 DCTF. REVISÃO INTERNA. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. O prazo para 0 recolhimento do IRRF de contribuintes domiciliados no pais, vence no terceiro dia útil da semana subseqüente a de ocorrência do fato gerador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF (fls. 52/63) a recorrente argumenta quedo o tributo em tela guarda lastro com a retenção de crédito oriunda de contrato de emissão de debêntures, devidamente registrado no 1ºo Oficio de Registro de Imóveis desta Capital de São Paulo, sob a matrícula n° 3.984. Aduz que o tributo em tela guarda lastro com a retenção de crédito oriunda de contrato de emissão de debêntures, devidamente registrado no 1ºo Oficio de Registro de Imóveis desta Capital de São Paulo, sob a matrícula n° 3.984, cuja cláusula 8.1 indica como vencimento para pagamento da remuneração o último dia útil do mês subseqüente a que se referir. Entende que, no caso em tela, o período de apuração perdurou durante 31/03/2003 até 30/04/2003, quando esgotouse o prazo para pagamento da remuneração aos titulares das debêntures. Então, somente a partir de 30/04/2003 é que deve ser computado o prazo de vencimento da obrigação tributária, ainda que se considere aplicável o artigo 865, inciso II do RIR/99. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11610.003529/200706 Acórdão n.º 2101002.052 S2C1T1 Fl. 79 3 Argumenta que: considerando o período de apuração esgotado em 30/04/2003; considerando o prazo de vencimento consignado no Art. 865, II do RIR/99, que ocorreu em 07/05/2003, e, finalmente; considerando o efetivo pagamento do tributo em questão em 25/04/2003; conclui que o pagamento é tempestivo e a multa guerreada é absolutamente descabida. No caso concreto, analisa que a fiscalização entende que o recolhimento do IRRF foi feito a destempo, porém, antes do recolhimento efetuado não existiu disponibilidade econômica (percepção efetiva dos rendimentos) e tampouco disponibilidade jurídica (nascimento da exigibilidade do crédito), nos termos do artigo 43 do CTN que "o imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica... ". Não se pode confundir disponibilidade do direito com a disponibilidade da renda. "Fonte" é algo que jorra, emana ou emite. Exigir pagamentos antes da disponibilidade da renda é impor uma retenção e pagamento antes da "fonte", que ainda não se encontra apta a jorrar, emanar ou emitir. Exemplifica que os acionistas de uma sociedade por ações têm o direito a dividendos e podem alienar os cupons relativos a esses direitos, ainda que eventuais e futuros (ou seja, dividendos nem sequer declarados). Entretanto, enquanto não declarados os dividendos, falta pretensão ao acionista, não havendo direito exigível. Assim, não há, ainda, renda disponível. Todavia, uma vez declarados os dividendos, porém, sujeitos a prazo, sucede se o mesmo fenômeno: há direito (sempre disponível) e há renda declarada (porém não disponível) sujeita ao advento do termo, quando, afinal, resultará plenamente disponível, porque exigível e pretendida. Este será o fenômeno hábil a suscitar a retenção na fonte de qualquer imposto sobre renda disponível. O modo como a contabilidade registra esse fenômeno não interfere no direito. Chama a atenção para a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afirma: "o crédito do rendimento só configura disponibilidade jurídica se incondicional, isto é, o recebimento só dependa exclusivamente do beneficiário" (AC. CSRF/01 0.820/88, DO 13/9/96), ou em face de adiantamentos de quaisquer valores fornecidos aos beneficiários, que caracteriza a disponibilidade econômica da renda (AC. 1º CC 10230.269/95 DO 10/11/95 e 104 16.760/98 DO 15/3/98). Por fim, considerando que, antes do efetivo recolhimento do IRRF pela Recorrente não houve disponibilidade econômica ou jurídica, com lastro no pagamento das debêntures aos seus titulares, cujo prazo para tanto restou indubitavelmente demonstrado, conclui que a multa ora guerreada é absolutamente descabida. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O Auto de Infração às fls. 05/06 exige o pagamento da multa de mora não recolhida através do DARF à fl. 14, que indica período de apuração em 31/03/2003, correspondente à 1ª semana do mês de abril/2003 (FG ocorridos no período de 30/03 a 05/04), Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 conforme indicado na DCTF retificadora do 2º trimestre de 2003, apresentada pela contribuinte em 10/08/2006. Assim, o vencimento da obrigação ocorreu no 3º dia útil da semana seguinte, ou seja, quarta feira dia 09/04/2003, enquanto o DARF somente foi pago em 25/04/2003. Segundo a defesa o IRRF guarda lastro com a retenção de crédito oriunda de contrato de emissão de debêntures, devidamente registrado no 1ºo Oficio de Registro de Imóveis desta Capital de São Paulo, sob a matrícula n° 3.984, cuja cláusula 8.1 indica como vencimento para pagamento da remuneração o último dia útil do mês subseqüente a que se referir, e que a disponibilidade da renda ocorreu antes do prazo final assinalado para pagamento da remuneração aos titulares das debêntures. Então, somente a partir de 30/04/2003 é que deve ser computado o prazo de vencimento da obrigação tributária, sendo tempestivo o pagamento do tributo em 25/04/2003. Inicialmente, entendi que seria o caso de se converter o julgamento em diligência, a fim de que a escrituração fiscal/contábil da empresa fosse analisada e certificado nos autos a data em que os debenturistas foram efetivamente remunerados, fato jurídico que deu suporte à retenção do imposto na fonte no valor de R$427.220,56, nos termos do artigo 732 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999. Entretanto, mesmo na hipótese do Hospital ter efetuado o pagamento em atraso, o instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outras. No caso em exame, o vencimento apontado pela fiscalização ocorreu no dia 09/04/2003, o DARF foi quitado em 25/04/2003 (recolhimento dentro do mês não tem fluência de juros de mora) e a entrega da DCTF do 2º trimestre, original e retificadora, ocorreu em momento posterior ao recolhimento. Não há, portanto, qualquer incidência de multa de mora. Neste diapasão decidiu o Egrégio STJ nos autos do REsp nº 1.149.022/SP, processado como Recurso Repetitivo e, portanto, de observância obrigatória por este Colegiado, nos termos do artigo 62A do RICARF. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11610.003529/200706 Acórdão n.º 2101002.052 S2C1T1 Fl. 80 5 contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (Resp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (STJ, Primeira Seção, REsp n° 1.149.022/SP, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 24/06/2010) A jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é unânime neste sentido: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 IRRF TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito, nos termos constatados pelo acórdão recorrido, que considerou parcialmente procedente a pretensão do contribuinte. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Ademais, salvo melhor juízo, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional reconheceu a procedência desta tese através do Ato Declaratório n° 04/2011 (DOU de 21/12/2011, p. 36). Recurso Especial Negado (CSRF, Segunda Turma, Processo n° 16327.001493/200311, Acórdão n° 920202.151, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, julgado em 10/05/2012) Nos termos da decisão do STJ nos autos do REsp nº 1.149.022/SP, processado como Recurso Repetitivo e, portanto, de observância obrigatória pelo CARF, o direito ao indébito dos juros de mora pela denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN, somente se configura quando não há declaração prévia, caracterizando o pagamento em atraso uma verdadeira confissão de dívida. No mesmo diapasão se manifestou expressamente o Acórdão n° 10.254, de 17 de agosto de 2005, exarado pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas: “18. Lembrese, outrossim, que denúncia espontânea não equivale a recolhimento ou pagamento espontâneo, que, na verdade, é apenas voluntário. Este se configura com o pagamento anterior a qualquer medida executiva no sentido de constranger o devedor a cumprir a obrigação, ou retirarlhe parte do patrimônio para tanto. Aquela, a denúncia espontânea, pressupõe a "denúncia" de uma infração. Denúncia, por sua vez, consiste em levar ao conhecimento do Fisco infração por ele desconhecida, o que não ocorre nos casos de mero inadimplemento, máxime de valores já anteriormente confessados. [...] 21. Analisando essa questão, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RESP 180.918/SP, já teve oportunidade de frisar que: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11610.003529/200706 Acórdão n.º 2101002.052 S2C1T1 Fl. 81 7 TRIBUTÁRIO AUTO LANÇAMENTO TRIBUTO SERODIAMENTE RECOLHIDO MULTA DISPENSA DE MULTA (CTN/ART.138). IMPOSSIBILIDADE. Contribuinte em mora com tributo por ele mesmo declarado não pode invocar o Art. 138 do CTN, para se livrar da multa relativa ao atraso. 22. Por outro lado, recentes decisões do próprio Superior Tribunal de Justiça vêm colocando a questão relativa à denúncia espontânea nos seus devidos termos. 23. De fato, coerente com o seu entendimento de que a mera inadimplência não configura infração à lei, para efeito de afastar a responsabilização dos sócios pelos débitos da empresa, aquele egrégio Tribunal já deixou explicitado que a denúncia espontânea não é um estímulo à inadimplência, mas, sim, um incentivo para aqueles contribuintes que estavam à margem da legalidade regularizem sua situação. Beneficiase o denunciante, que não será apenado por sua comunicação da infração, e também o Fisco, que irá receber um valor cujo fato gerador lhe era desconhecido, e iria necessitar de dispendiosas diligências para sua apuração. 24. Nesse sentido, e espancando qualquer dúvida a respeito, trago à colação os seguintes excertos de ementas da Primeira Turma do STJ: RESP 496996/PR, Sessão de 13/05/2003, Relator: Ministro José Delgado. 1. O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. 2. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Ela existe como incentivo ao contribuinte para denunciar situações de ocorrência de fatos geradores que foram omitidas, como é o caso de aquisição de mercadorias sem nota fiscal, de venda com preço registrado aquém do real, etc. RESP 450128/SP, Sessão de 1/10/2002, Relator: Ministro José Delgado. 2. Os autos revelam que a empresa, após lançamentos efetuados em sua escrita fiscal, apurou, por si mesma, débito de ICMS, após o encontro dos saldos devedores e credores, a favor do Estado de São Paulo, nos valores discriminados nos autos, sem, contudo, têlos pago na época dos respectivos vencimentos. 3.. A denúncia espontânea não beneficia o contribuinte que, após lançamento de qualquer espécie, já constituído, não efetua o pagamento do imposto devido no vencimento fixado Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 pela lei. Tal benefício só se caracteriza quando o contribuinte leva ao conhecimento do Fisco a existência de fato gerador que ocorreu, porém, sem terem sido apurados os seus elementos quantitativos (base de cálculo, alíquota e total do tributo devido) por qualquer tipo de lançamento, ou seja, o beneplácito há de favorecer a quem leva ao Fisco ciência de situação que, caso permanecesse desconhecida, provocaria o não pagamento do tributo devido. 4. Na espécie, o imposto já foi apurado pelo contribuinte. O fato gerador, a base de cálculo, a alíquota aplicada e o valor devido estão registrados na escrita fiscal da empresa, por autolançamento. Há, portanto, a caracterização material de uma obrigação já reconhecida pela própria parte devedora, porém, não cumprida no vencimento. 5. Impõese, portanto, que, ao pretender liquidála, pela via do parcelamento ou não, fique sujeita às cominações legais. A denúncia espontânea não favorece a quem está em atraso com as obrigações tributárias já reconhecidas. A infração cuidada pelo art. 138, do CTN, é a que se caracteriza pela fuga total do contribuinte em esconder do fisco a ocorrência do fato gerador e, conseqüentemente, a sua obrigação tributária. (grifos não do original) 25. Recente decisão do Ministro José Delgado, negando provimento a agravo regimental no RESP 727181/RJ, em 14/06/2005, reafirma o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça: 6. O pagamento da multa, conforme decidiu a P Seção desta Corte, é independente da ocorrência do parcelamento. O que se vem entendendo é que incide a multa pelo simples pagamento atrasado, quer à vista ou quer tenha ocorrido o parcelamento. 7. Agravo regimental nãoprovido.(destaques acrescidos) Com efeito, a denúncia espontânea resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, quando há o recolhimento do tributo devido em momento anterior ou concomitante à declaração da dívida. No mesmo diapasão dispõe o Ato Declaratório n° 04/2011 (DOU de 21/12/2011, p. 36), da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, através do qual se autorizou a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, “com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional.”. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para cancelar a exigência da multa de mora. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11610.003529/200706 Acórdão n.º 2101002.052 S2C1T1 Fl. 82 9 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10680.915614/2009-86
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2004
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
Falta ao crédito indicado no pedido de compensação certeza e liquidez. Ausência de comprovação do direito creditório no Recurso Voluntário apresentado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos , em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Antonio Borges, José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/08/2004 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. Falta ao crédito indicado no pedido de compensação certeza e liquidez. Ausência de comprovação do direito creditório no Recurso Voluntário apresentado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos , em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Antonio Borges, José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 111 1 110 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.915614/200986 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801001.743 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente HOSPITAL MATER DEI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2004 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Falta ao crédito indicado no pedido de compensação certeza e liquidez. Ausência de comprovação do direito creditório no Recurso Voluntário apresentado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos , em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 56 14 /2 00 9- 86 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.915614/200986 Acórdão n.º 3801001.743 S3TE01 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Antonio Borges, José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.915614/200986 Acórdão n.º 3801001.743 S3TE01 Fl. 113 3 Relatório Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O ora Recorrente, Hospital Mater Dei S/A, apresentou pedido de PerdDcomp, visando compensar débito nela declarado com credito de COFINS pago a maior, com fato gerador em 31/08/2004. Ocorre que a compensação não foi homologada, uma vez que não foi identificado pelo sistema da Receita Federal do Brasil o crédito alegado no pedido de compensação apresentado. Não concordando com o despacho decisório, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que, de fato, houve um erro de preenchimento na DCTF e que, por isso, os créditos não foram identificados pela RFB. Alegou, ainda, que promoveu a retificação de sua DCTF, o que comprovaria, a princípio, o seu direito creditório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, julgoua como improcedente, alegando, em síntese, que não houve comprovação do direito ao crédito objeto da compensação. Devidamente intimado da decisão da DRJ, o Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, repisando, basicamente, os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.915614/200986 Acórdão n.º 3801001.743 S3TE01 Fl. 114 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Analisando os presentes autos verificase que a Recorrente, com o objetivo de demonstrar e lastrear os créditos indicados em seu pedido de compensação, retificou a sua DCTF. Contudo, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório. Se limitou, tãosomente, a argumentar que suas declarações foram retificadas e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte nas suas declarações (inclusive as retificadas) certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatora Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000320/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2001, 2002, 2003, 2004
IRPJ. GLOSA DE CUSTOS. Tendo o contribuinte comprovado em parte
suas alegações, cumpre ajustar a exigência à verdade dos fatos.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.023
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a tributação às bases de cálculo de R$ 2.804,00 em 2003 e R$ 698.219,52 em 2004 (IRPJ e CSLL), e cancelar as multas de ofício aplicadas isoladamente, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, que mantinha a exigência das multas de ofício sobre a base de cálculo remanescente.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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GLOSA DE CUSTOS. Tendo o contribuinte comprovado em parte suas alegações, cumpre ajustar a exigência à verdade dos fatos. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a tributação às bases de cálculo de R$ 2.804,00 em 2003 e R$ 698.219,52 em 2004 (IRPJ e CSLL), e cancelar as multas de ofício aplicadas isoladamente, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, que mantinha a exigência das multas de ofício sobre a base de cálculo remanescente. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório WR ENGENHARIA LTDA recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ Fortaleza em primeira instância, que julgou parcialmente procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Na sessão de 17/04/2008 o recurso foi apreciado pela então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, mediante Resolução 1051.387, determinou a conversão do julgamento em diligencia (fls. 460 e seguintes). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Segundo a descrição dos fatos detalhadamente expostos no Relatório Fiscal (RF) de fls. 349/352 que leio em Sessão para um perfeito conhecimento do litígio por parte do Colegiado a presente exigência decorreu da constatação de exclusão indevida do lucro líquido, na determinação do lucro real dos anoscalendário de 2002 a 2004, de parcelas da receita auferida no período, correspondentes a vendas de imóveis com cláusula contratual considerada como suspensiva pelo sujeito passivo, cuja classificação não foi acatada pela Fiscalização, levando à glosa da aludida exclusão. A exigência foi fundamentada nos artigos 231, inciso IV, 250, inciso I, e 411, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99). Na oportunidade, com fulcro nos artigos 222, 841, incisos III e IV, 843 e 957, parágrafo único e inciso IV, todos do RIR/99, foi também formalizada a exigência de multa isolada, no montante de R$ 115.411,20, em decorrência da constatação de recolhimentos a menor do imposto de renda mensal calculada em bases estimadas, relativamente a períodos de apuração entre janeiro de 2001 a dezembro de 2004, ensejados pelo mesmo fato motivador da autuação do IRPJ, qual seja, a exclusão indevida nas correspondentes bases de cálculo, dos valores das vendas com a pretensa cláusula suspensiva. Com referência ao último período de apuração (dez/2004), a glosa alcançou, além do fato descrito, a exclusão do montante de R$ 153.500,00 recebido em janeiro de 2005, relativo a 50% do valor da NF nº 1.186, emitida naquele período; como a Contribuinte somente reconheceu a receita correspondente no período de apuração seguinte, a Fiscalização glosou a exclusão levada a efeito na base do imposto recolhido por estimativa. De acordo com o Auto de Infração de fls. 27/32, foi ainda exigida, como lançamento reflexo da infração relacionada à apuração anual do IRPJ, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no qual se constituiu o crédito tributário no valor total de R$ 750.546,14. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 4 3 Inconformada com as exigências, das quais tomou ciência em 15/05/2006 (AR às fls. 353), a Autuada apresentou, em 14/06/2006, a impugnação de fls. 370/394, onde esclarece, inicialmente, que na formalização do contrato da venda de unidades de edifícios em construção, mediante instrumentos de promessa de compra e venda firmados com seus clientes, faz constar a previsão de suspensão do referido contrato inclusive de restituição dos valores recebidos o que caracteriza a existência da condição suspensiva de que trata o item 10 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 84, de 1979, já que a operação de venda somente se dá quando da lavratura da escritura pública definitiva de compra e venda. A Impugnante assevera que os seus procedimentos contábeis e tributários estão em consonância com o citado ato normativo, tendo apresentado detalhadamente à autora do feito os lançamentos contábeis relacionados àquelas operações, conforme descreve, e informado que os recebimentos antecipados, assim como, os valores gastos nas construções e incorporações dos respectivos imóveis, não transitaram na apuração do lucro real dos períodos alcançados pelo procedimento fiscal. Dessa forma, os valores recebidos durante o ano calendário foram excluídos no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), por se referirem a receitas de exercícios futuros, tendo como objetivo ajustar o lucro tributável em observância das condições suspensivas contratadas. Ainda que a cláusula suspensiva dos contratos não se preste para diferir o lucro das unidades imobiliárias vendidas, o AI guerreado não prosperaria, considerando que este se baseou apenas na exclusão do LALUR das receitas que transitaram pelo resultado, sem (considerar) os custos e despesas correspondentes. Como é sabido, o IRPJ tem como base imponível o lucro apurado em determinado período, e não apenas, a receita. Assim, caberia ao Auditor Fiscal apurar o resultado daquelas operações e lançar o imposto sobre o resultado, caso esse fosse positivo, o que não restou observado por aquela autoridade. Acrescenta a defesa que o Primeiro Conselho de Contribuintes tem decidido pela improcedência de lançamentos de ofício na hipótese de venda de unidades imobiliárias com cláusula suspensiva, conforme julgados que menciona. Igualmente não procede a exigência da multa isolada sobre as estimativas, uma vez que as supostas diferenças nos cálculos das bases mensais do imposto referemse a valores recebidos pela empresa, relativamente às unidades imobiliárias negociadas e que ainda não tiveram as suas vendas efetivadas, como já esclarecido anteriormente. Como os referidos valores não fizeram parte das receitas mensais da Impugnante nos períodos lançados, não podem compor as bases de cálculo do pagamento do IRPJ por estimativa. Alega, também, a Autuada, ser inaplicável a referida penalidade após o encerramento dos períodos anuais de apuração do IRPJ e a entrega das respectivas DIPJ, mormente no caso presente, em que nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2004 os recolhimentos realizados por estimativa foram superiores ao imposto apurado para aqueles períodos, não havendo que se falar em multa isolada por supostas diferenças nas correspondentes bases mensais adotadas para o recolhimento. Nesse sentido, a defesa invoca diversos acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes concluindo pela improcedência da cominação que se cuida. A defesa se insurge, ainda, contra a concomitância das multas isolada e de lançamento de ofício sobre um mesmo fato, alegando que a aplicação cumulativa das duas Fl. 793DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 5 4 penalidades é inaceitável e ilegal, segundo o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes, consubstanciado nos julgados trazidos à colação. Por fim, em longo arrazoado, a Impugnante contesta a aplicação da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora exigidos no procedimento fiscal ora combatido, por se tratar aquele índice de taxa remuneratória, não podendo ser utilizada em matéria tributária, além de não se conformar com o disposto no artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN). Ilustra a sua tese com a reprodução de excertos de ata de reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), de publicação do Banco Central do Brasil (BACEN) e de ementas de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tratando do tema. Para encerrar, requer a Impugnante que: a) o presente litígio seja julgado conjuntamente com os contidos nos autos relacionados às demais exigências decorrentes do mesmo procedimento fiscal; b) o AI seja considerado improcedente em sua totalidade ou, alternativamente, que sejam considerados os custos das unidades vendidas correspondentes às receitas arroladas na autuação; e c) seja afastada a multa isolada exigida sobre as diferenças de estimativas do IRPJ. A decisão recorrida está assim ementada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DE BASES MENSAIS PARA O RECOLHIMENTO DO IMPOSTO POR ESTIMATIVA ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. GLOSA DE EXCLUSÃO MULTA ISOLADA. CABIMENTO E CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA APLICADA NO PROCEDIMENTO FISCAL JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não caracterizada, nos termos da legislação aplicável à matéria, a condição suspensiva alegada pelo sujeito passivo para excluir das bases imponíveis mensais e anuais, parcelas da receita auferida no período, tornase legítima a glosa dos valores excluídos levada a efeito pela Fiscalização. O recolhimento a menor do imposto por estimativa sujeita o infrator à multa isolada prevista originalmente no inciso IV, do parágrafo 1°, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Tratandose de fatos jurídicotributários distintos, não há que se falar de aplicação de duplicidade de multa, na hipótese de o procedimento fiscal exigir a multa isolada juntamente com a multa de ofício sobre o imposto lançado. O percentual da multa isolada imposta no procedimento fiscal será reduzido de 75% para 50%, por força do disposto no artigo 14, da MP nº 351, de 2007, que deu nova redação ao artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, em decorrência da aplicação do disposto no artigo 106, II, “c”, do CTN. Os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastarão a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, somente na hipótese de sua declaração de inconstitucionalidade, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Tratando se de lançamento reflexo, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento procedente em parte Fl. 794DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 6 5 Cientificada dessa decisão em 27 de abril de 2007 (AR. de fls. 433), no dia 23 seguinte protocolizou Recurso Voluntário a este Conselho (fls. 434), perseverando nos argumentos impugnativos e apresentando, em síntese, as seguintes contestações quanto à decisão recorrida: que a Turma julgadora de primeira instância contundira "contas patrimoniais com contas de resultado" ao afirmar que a exclusão efetuada "no LALUR deveria estar acompanhada de uma adição dos correspondentes custos deduzidos", porquanto não agira dessa forma "pela simples razão dos custos não terem transitado na apuração dos resultados da empresa", e que "OS CUSTOS, RELACIONADAS ÀS RECEITAS EXCLUÍDAS NO LALUR, PEMANECERAM NA CONTA 'RESULTADOS DE EXERCÍCIOS FUTUROS', NO PASSIVO" (os destaques são do original); que é incorreto o entendimento expressado na decisão recorrida no sentido de que "...a redução dos custos das receitas excluídas, como pretendido pela Impugnante, significaria aceitar a dedução em dobro daqueles custos já deduzidos das receitas na escrituração contábil.", porquanto tais custos, conforme já asseverado, teriam permanecido em conta redutora do passivo, na rubrica "Resultados de Exercícios Futuros", ratificando a alegação de que os recebimentos das parcelas relativas à promessa de venda dos imóveis eram escriturados como receitas do exercício, enquanto os custos respectivos somente seriam transferidos da conta "Resultados de Exercícios Futuros" para o "Resultado do Exercido" quando da "efetiva entrega do imóvel e formalização da venda"; que seus registros contábeis demonstram que nem as receitas nem os custos correspondentes teriam influído na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos períodos objeto do lançamento, bastando, para tanto, que se façam os razonetes de cada uma das contas; que, em consonância com a afirmação da Turma julgadora de I a instância, a apuração do lucro contábil deve refletir a parcela do lucro bruto a ser tributada no período, significando dizer que "se considerada como incorreta a exclusão no Lalur das parcelas recebidas, relativas a vendas com cláusulas suspensivas..., e considerar tais recebimentos como Receita do Exercício, temse que, obrigatoriamente, transferir da conta "Resultado de Exercícios Futuros"para "Custos dos Produtos Vendidos", os valores de custos relativos às parcelas recebidas. Se assim não for feito, estarseá tributando a Receita do Exercício, não o lucro do período." que "para corroborar as afirmações acima, bastaria o julgador de Ia Instância ter solicitado uma diligência para que o Fisco, com base na escrituração contábil da empresa, detalhasse a composição dos valores lançados como custo do exercício, e com base nesse detalhamento verificasse se havia correlação com os valores recebidos por conta de vendas de imóveis, que foram excluídos no Lalur. Certamente não iria encontrar nenhum valor lançado como custo do exercício, que se relacionasse com os valores da receitas excluídas. " O voto condutor da aludida Resolução 1051.347, foi assim redigido (verbis): “Entendo que o presente processo não está em condições de ir a julgamento, porquanto deve ser avaliada a alegação da recorrente no sentido de que, mediante a realização de diligência fiscal na sua escrituração, poderiam ser detalhados os valores lançados como custos do exercício, possibilitandose, Fl. 795DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 7 6 assim, que seja verificada a possível correlação desses custos com os valores recebidos na venda dos imóveis que ensejaram a autuação, cujas receitas foram excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no LALUR. Enfatiza a recorrente, reiterando o que já havia sido alegado na fase impugnativa, que "Certamente não iria encontrar nenhum valor lançado como custo do exercício, que se relacionasse com os valores das receitas excluídas". Sem embargo, a recorrente apresenta argumentos que entendo devam ser convenientemente avaliados quanto à sua procedência, até porque esse tem sido um ponto que reiteradamente tem trazido à baila, ainda no curso da própria ação fiscal e, posteriormente, nas duas instâncias do contencioso administrativo. Dessa forma, afastaríamos qualquer possibilidade de ser argüido cerceamento do direito de defesa, por não termos ido buscar diretamente na escrita contábil da empresa a confirmação, ou não, da real procedência das suas alegações. Essa verificação tornase essencial porque se restar comprovado que o custo dos imóveis não foi considerado para efeito da apuração do lucro tributável nos períodos abrangidos na autuação, não seria de se admitir correto o lançamento de ofício da forma como foi realizado. Se outra vier a ser a conclusão, a de que os custos já teriam sido apropriados na apuração dos seus resultados naqueles mesmos períodos, seria o caso de se concordar com o fundamento exarado no voto condutor do aresto recorrido, no sentido de que o acolhimento da pretensão da então impugnante "significaria aceitar a dedução em dobro daqueles custos já deduzidos das receitas na escrituração contábil." (fls. 431 dos autos, p. 10 do acórdão). Um dos elementos que me fizeram concordar com a realização da sugerida diligência fiscal foi a informação trazida na peça impugnativa e reiterada no recurso voluntário sobre quais teriam sido os lançamentos contábeis efetuados quando da realização da prometida venda dos imóveis, segundo os quais os custos incorridos sobre as unidades vendidas teriam sido escriturados a débito da conta "Custo Diferido (que seria conta redutora do Passivo Resultado de Exercícios Futuros)", não compondo, assim, "a conta de resultados dos períodos auditados" (fls. 443/444). Referidos custos somente seriam apropriados em períodos futuros, quando as condições suspensivas do negócio fossem satisfeitas, oportunidade em que se faria a efetiva entrega do imóvel e a formalização da venda, sendo esse o motivo pelo qual a exclusão dessas receitas, no LALUR, fora efetuada, já que, na mesma linha de entendimento, se estaria tratando de "Receitas de Exercícios Futuros", tendo em vista a relação do litígio com a IN n.° 84/1979. Na diligência, a autoridade fiscal indicada para tal mister deverá solicitar da diligenciada a apresentação dos livros contábeis e fiscais exigidos pela legislação, a partir dos quais serão efetuadas as verificações a seguir enumeradas, e outras que eventualmente venha a considerar relevantes para a perfeita elucidação e entendimento dos fatos: 1. verificar se a escrituração disponibiliza controle individualizado dos custos de cada uma das unidades vendidas; Fl. 796DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 8 7 2. verificar se de fato os valores contabilizados como "Custo Diferido (Passivo — Resultado de Exercícios Futuros)" correspondem às unidades imobiliárias que geraram as receitas contabilizadas a crédito da conta "Receitas Diferidas — (Passivo Resultado de Exercícios Futuros)” conta essa debitada a crédito da rubrica "Receita — Resultado do Exercício" quando do recebimento das parcelas do preço contratado, pagas pelos clientes, verificando ainda se esses valores correspondem às receitas excluídas no LALUR, conforme alega a recorrente; 3. efetuadas essas verificações, elaborar parecer conclusivo informando se realmente os custos dos imóveis cuja venda geraram as receitas que foram excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL teriam sido apropriados nos períodos fiscalizados ou se, conforme alega a recorrente, teriam sido diferidos,. não compondo, portanto, os resultados dos mencionados períodos fiscalizados. Sendo assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, dandose ciência do seu resultado à recorrente para, querendo, se manifestar a respeito no prazo de 10 (dez) dias. Os trabalhos e conclusões de diligência fiscal estão reportados no Relatório de fl. 672676, que traz as seguintes respostas aos quesitos da Resolução acima: (...) (...) Fl. 797DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 9 8 (...) É o relatório. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. Retorna o presente processo após cumprida a diligencia determinada na Resolução 1051.387 de 17/04/2008, cujo objetivo foi verificar, nos registros contábeis, a veracidade da alegação do contribuinte de que não apropriou custos relativos a imóveis que tiveram sua receita diferida a períodos posteriores. Foi comprovado na diligência fiscal que somente nos anos de 2007 a 2010, ou seja, após a lavratura do auto de infração que, a contribuinte reconheceu as receitas de vendas de imóveis que tiveram parte dos custos apropriados em 2004 (vide fl. 674). Isso se deu em face de esclarecimentos do próprio contribuinte em sua manifestação de fls 592 a 595 (verbis): Vejamos o inteiro teor desses esclarecimentos: (...) 1. "verificar se a escrituração disponibiliza controle individualizado dos custos de cada uma das unidades vendidas" 0 AFRFB respondeu: "Não. Os custos são contabilizados por empreendimento e não disponibilizam controle das unidades vendidas" Esclarecemos que o fato da escrituração contábil não disponibilizar controle individualizado dos custos de cada uma das unidades vendidas se dá por absoluta impossibilidade, pois somente é conhecido tal custo ao final das obras e não durante a mesma. A construção se inicia com projetos, fundações e a partir daí são erguidos andar por andar até a finalização do prédio. Concluída a edificação é feito o rateio dos custos totais pela quantidade de unidades produzidas. Tal procedimento não afeta em absolutamente nada a apuração do resultado tributável, pois os custos e receitas são diferidos e contabilizados no grupo de Resultado de Exercícios Futuros. 2. "verificar se de fato os valores contabilizados como "Custos Diferidos [Passivo Resultado de Exercícios Futuros)" correspondem às unidades imobiliárias que geraram as receitas contabilizadas a crédito da conta "Receita Diferida Passivo Resultado de Exercício Futuro)", conta essa debitada a crédito da rubrica "Receita Resultado do Exercício" quando do recebimento das parcelas do preço contratado, pagas pelos clientes, verificando ainda se esses valores correspondem às receitas excluídas no Lalur, conforme alega a recorrente". O Sr. AFRFB confirmou que os Custos Diferidos se relacionavam com os empreendimentos imobiliários, cujas receitas também foram diferidas. Entretanto, informou que tais custos estavam identificados na contabilidade por subconta de cada empreendimento e elaborou demonstrativo para os anos de 2002, 2003 e 2004. Quanto aos anos de 2002 e 2003 não encontrou nenhuma diferença, mas para ao ano de 2004 encontrou uma diferença de R$ 203.484,28. Tal diferença corresponde ao valor contabilizado como Receita Diferida no valor de R$2.619.840,24, menos o valor das Receitas Excluídas do LALUR no valor de R$2.823.324,52. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 11 10 A diferença encontrada pelo AFRFB não corresponde à realidade. A diferença na verdade é de apenas R$ 2.804,00 conforme se demonstra abaixo: 0 engano do Sr. AFRFB se deu pelo fato de ter considerado no demonstrativo o valor de R$ 206.288,28 que pertence ao Empreendimento Bruna Residence que não faz parte deste PAF. 3. "efetuadas essas verificações, elaborar parecer conclusivo informando se realmente os custos dos imóveis cuja venda geraram as receitas que foram excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL teriam sido apropriados nos períodos fiscalizados ou se, conforme alega a recorrente, teriam sido diferidos, não compondo, portanto, os resultados dos mencionados períodos fiscalizados" 0 AFRFB respondeu que os custos dos imóveis cuja venda geraram as receitas que foram excluídas da base de cálculo do IRPJ e CSLL não foram apropriados nos períodos fiscalizados de 2002 e 2003, pois foram contabilizados como Custos Diferidos Resultado de Exercício Futuro. Entretanto, para o ano de 2004, entendeu o Senhor Auditor Fiscal que somente parte foi contabilizada como Custos Diferidos, apresentando demonstrativo da outra parte que teria ficado contabilizada como Custo do período e, portanto, afetando o Resultado do Exercício de 2004 e consequentemente o Lucro Real daquele ano. Mais uma vez o Senhor Auditor se enganou no tocante aos valores que permaneceram no custo do exercício, o que abaixo demonstramos: Fl. 800DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 12 11 ‘ Por fim, quanto às demais informações prestadas pelo AFRFB, concordamos com o mesmo, o que confirma de forma clara os procedimentos adotados pela empresa devidamente demonstrados nas peças de Impugnação e Recurso Voluntário. Diante do exposto é recomendável que o Sr. AFRFB revise o TERMO DE VERIFICAÇÃO EM DILIGÊNCIA FISCAL em tela, baseado nos documentos anexos que corroboram com a presente manifestação, antes de encaminhar o TERMO DE VERIFICAÇÃO EM DILIGÊNCIA FISCAL ao CARF. (...) Pois bem, conferi valores acima transcritos nos documentos de fls. 596 a 671, que foram anexadas pela autoridade fiscal antes de seu relatório final, e formei convencimento de que realmente deve ser mantida a tributação apenas dos valores de R$ 2.804,00 em 2003 e R$ 698.219,52 (somatório de R$ 175.994,73 + 322.078,53 + 200.146,26) no ano de 2004. Multa de oficio Isolada concomitante com a multa proporcional. Quanto matéria em litígio, este Colegiado possui entendimento sedimentado, no sentido de sua inaplicabilidade da multa de oficio isolada concomitante. Nesse sentido, cito, dentre outros, o acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009,.cuja ementa transcrevo. EMENTA: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 13 12 Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração Fl. 802DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10315.000320/200673 Acórdão n.º 140201.023 S1C4T2 Fl. 14 13 substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de manter a tributação apenas sobre os valores de R$ 2.804,00 em 2003 e R$ 698.219,52 em 2004 (base de cálculo do IRPJ e CSLL), com incidência de multa proporcional e juros à taxa Selic, cancelandose também as multas de oficio isoladas por falta de recolhimento das estimativas. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 803DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000731/2010-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2007
PRELIMINAR. NULIDADE DE DESPACHO. INOCORRÊNCIA DE JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS.
O conhecimento, em cumprimento a decisão judicial, de recurso voluntário em face de despacho da unidade de origem que impediu o processamento normal da impugnação ao auto de infração limita-se
à preliminar de nulidade do despacho, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 1202-000.853
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso para anular o Despacho Decisório proferido por meio da intimação DERAT/DICAT/RJ nº 2010/002045 e determinar o encaminhamento dos autos à DRJ de origem para julgamento da impugnação.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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NULIDADE DE DESPACHO. INOCORRÊNCIA DE JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS. O conhecimento, em cumprimento a decisão judicial, de recurso voluntário em face de despacho da unidade de origem que impediu o processamento normal da impugnação ao auto de infração limitase à preliminar de nulidade do despacho, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o Despacho Decisório proferido por meio da intimação DERAT/DICAT/RJ nº 2010/002045 e determinar o encaminhamento dos autos à DRJ de origem para julgamento da impugnação. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11052.000731/201046 Acórdão n.º 120200.853 S1C2T2 Fl. 720 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo em epígrafe, em face de autos de infração a seguir descritos. Conforme o Termo de Constatação Fiscal (fls.266/271), abaixo reproduzido, no anocalendário de 2006, foram apuradas as seguintes infrações fiscais, totalizando um débito de R$ 1.292.917,99: 6.1 Omissão de Receita Operacional, caracterizada pela diferença correspondente a receita proveniente da venda de mercadorias e serviços, apuradas pelas notas fiscais emitidas, e a receita bruta declarada na PJSI/2007 SIMPLES, conforme Demonstrativo de Valores Extratos Bancários, planilha anexa ao presente termo. 6.2 Omissão de Receita, caracterizada pelos depósitos bancários sem a devida comprovação de origem, com infração ao disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, conforme quadro demonstrativo acima. Nos lançamentos dos meses de agosto, setembro e outubro, consideramos os valores oferecidos à tributação na DIPJ 2007, não compensados na omissão do item 6.1. Inconformado com a autuação de fls.283/356, da qual foi cientificado em 29/09/2010, o contribuinte apresentou impugnação, em 29/10/2010, para cada um dos autos de infração (INSSSimples, às fls.358/362; IRPJSimples, às fls.384/388; PISPasepSimples, às fls.407/411; CSLLSimples, às fls.433/437; CofinsSimples, às fls.459/463), em que, após defender a tempestividade da mesma (item I) e apresentar um resumo da autuação total (item II) e do auto de infração específico (item III), diz que o referido auto deve ser revisado, arguindo a impossibilidade da utilização da SELIC como taxa de juros moratórios incidentes sobre débitos de natureza fiscal. Cita doutrina e jurisprudência para sustentar a sua tese e, ao final, pede que seja excluído do Auto de Infração o valor correspondente à taxa de juros Selic. No despacho constante da intimação da Derat/Dicat/RJ nº 2010/002045 (fl.485), ficou consignado, literalmente: Senhor Contribuinte, Na petição de impugnação ao Auto de Infração MPF n° 0719000/ 04859/09, apresentada em 29/10/10, V.Sa. pleiteia somente o direito à utilização de juros de mora de 1% ao mês para a atualização de seus débitos ao invés da SELIC. Ocorre que, conforme demonstrado na tabela do SICALC anexa, a SELIC acumulada para o período é inferior a 1 % ao mês. Ressaltase que há incidência de juros também sobre a multa desde 30 dias após a ciência do Auto de Infração. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11052.000731/201046 Acórdão n.º 120200.853 S1C2T2 Fl. 721 3 Assim sendo, fica V. Sa. intimada a providenciar o recolhimento do(s) débito(s) constante(s) do(s) demonstrativo(s) anexo(s), conforme DARF também anexos, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do "AR"). O não atendimento da intimação acima implicará o encaminhamento do débito à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. Cientificado dessa intimação/despacho em 11/01/2011 (fl.488), o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, em 25/01/2011 (fls.495/500), em que, após defender a tempestividade (item I), faz breve resumo dos fatos (item II), aponta preliminar de nulidade, por inobservância dos requisitos mínimos da decisão, quais sejam, o nome das partes, o resumo do pedido e da defesa (o relatório); a apreciação das provas, os fundamentos da decisão (os fundamentos) e a respectiva conclusão (o dispositivo). No mérito, sustenta que, em que pese a taxa de juros Selic no período apresentado ter sido menor do que a pleiteada pelo Recorrente (de 1% ao mês), a mesma não deve ser utilizada, pois se trata de um índice variável, podendo chegar a patamares elevadíssimos no caso de aumento da inflação. Aponta, ainda, que o Fisco, inadvertidamente, aplica juros sobre a multa de mora, elevando de forma substancial, o valor do débito, fato já reconhecido pela jurisprudência como indevido. Nas conclusões, pede que a “decisão” proferida pela DRF seja considerada nula de pleno direito, por falta dos requisitos mencionados, devendo os autos serem devolvidos a primeira instância administrativa, para que se proceda o julgamento de forma condizente com os requisitos básicos e mínimos de uma decisão. Ultrapassada a preliminar, requer seja o débito majorado pelo percentual fixo de 1%, uma vez que a Selic tratase índice variável, submetida às oscilações da economia e controlada pelo Banco Central do Brasil, podendo chegar a patamares elevadíssimos no caso de aumento da inflação. Por fim, pede anulação do auto de infração para que se excluam os juros sobre a multa de mora, fato que eleva, de forma substancial, o valor do débito. Requer, ainda, que todas as intimações referentes a este processo sejam feitas, exclusivamente em nome do patrono que subscreve o recurso. A DERAT/DICAT/RJ manifestouse sobre a segunda petição fazendo o seguinte despacho de fls. 510: Senhor Contribuinte, Em resposta a petição apresentada em 25/01/2011 intitulada de Recurso Voluntário esclarecemos que a EQCAU Equipe autora da intimação 002045 é uma equipe preparadora de processos para julgamento e não existe previsão legal de Recurso Voluntário contra intimações de órgão preparador. O processo não foi encaminhado para julgamento, pois para impugnar é necessário contradizer, contestar o Auto de Infração (AI) apresentando razoes de fato e de direito e na petição Fl. 721DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11052.000731/201046 Acórdão n.º 120200.853 S1C2T2 Fl. 722 4 apresentada em 29/10/10, intitulada de impugnação, não há qualquer contestação contra as infrações apuradas pelo AI n° 07190000/04859/09. De acordo com o art. 17 do PAF , considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Assim, como não há questionamentos sobre as infrações apuradas pelo AI, e já que V. Sa. pleiteia que o débito seja majorado pelo percentual fixo de 1% e ainda que a SELIC no período em questão é inferior a 1%; fica V. Sa. intimada a providenciar o recolhimento do(s) débito(s) constante(s) do(s) demonstrativo(s) anexo(s), conforme DARF também anexos, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do "AR"). O não atendimento da intimação acima implicará o encaminhamento do débito à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. Cientificado desse despacho em 21/03/2011 (fl.510, verso), o contribuinte, em 20/04/2011, apresenta “recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais” (fls.515/532), em que sustenta: tempestividade do recurso (item I); admissibilidade do recurso pela CSRF (item II); descreve a realidade dos fatos (item II, novamente); aponta preliminares (item III), pela falta de observância do princípio da motivação (item III.I), as nulidades (item III.II) da decisão, por inobservância dos requisitos mínimos (item III.II.I) e do auto de infração, pela não liquidez e certeza do valor (item III.II.II). No mérito, pede o descabimento da taxa de juros superior a 1% a.m.(item IV); aponta vício de julgamento pela EQCAU (item IV.I), usurpação de função por parte da EQCAU (item IV.II) e supressão de instância (item IV.III). Na conclusão, pede, literalmente, que se: acolha as preliminares de nulidade, sendo certo que, a decisão, anteriormente proferida, deve ser considerada nula de pleno Direito, por falta dos requisitos mencionados, além da usurpação de função ocorrida e da supressão de instância, devendo ser julgado pela nulidade do Auto de Infração e, por conseqüência, a extinção do presente processo administrativo com julgamento do mérito [...] Não havendo acolhimento dos pedidos anteriores, fato que não se acredita ocorrer, seja anulado o auto de infração por ter ocorrido erro no cálculo de atualização, não podendo se aplicar a taxa de juros Selic nos meses de janeiro, março e maio de 2007; julho a dezembro de 2008; e, janeiro de 2009, por existir índice de atualização mais benéfico ao contribuinte. Em 28/02/2011, o contribuinte apresenta petição (fls.558/560), em que requer a suspensão da exigibilidade dos créditos objeto deste processo, tendo em vista estar pendente de julgamento o Recurso interposto, bem como seja expedida a Certidão Positiva com Efeito de Negativa. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11052.000731/201046 Acórdão n.º 120200.853 S1C2T2 Fl. 723 5 Em 28/06/2011, a EQCAU foi orientada pelo Gabinete da DICAT da mesma Delegacia a (i) enviar à DRJ a impugnação relativa aos juros e (ii) efetuar a cobrança do principal, juros não contestados e multa e, em caso de não pagamento no prazo legal, remeter para inscrição em Dívida Ativa da União (fls.571/572). Desse despacho e intimação para cobrança foi cientificado o contribuinte em 14/07/2011 (AR de fl.572, verso). Posteriormente, foi juntado ao processo cópia do MEMO n° 840/2011/DRF I/RJO/EAJUD (fl.576), dando notícia de que o contribuinte havia impetrado mandado de segurança (Processo nº 000845414.2011.4.02.5101), junto à 27ª Vara Federal do Rio de Janeiro, através do qual postulava a concessão de medida liminar, confirmada ao final, para determinar “...a remessa do recurso voluntário da Impetrante ao Conselho de Contribuintes, visando sua apreciação e julgamento pela autoridade competente...”. Consta que a liminar foi deferida nos seguintes termos: Nessas circunstâncias, DEFIRO, PARCIALMENTE, A MEDIDA LIMINAR para determinar, tãosomente, que a Autoridade Impetrada envie o recurso voluntário protocolado em 25/01/2011 (fls. 69/74) ao Conselho de Contribuintes para análise do referido recurso, enviandoo, se necessário, à autoridade competente. (grifos no original) Em seguida, o presente processo foi encaminhado ao CARF com vistas ao julgamento do “recurso voluntário”, em cumprimento à referida decisão judicial liminar, através do seguinte despacho (fls.683): Dessa forma, atendendo a ordem judicial de fl. 577 e determinação da Eqjud no verso da fl. 577, propõese o encaminhamento do processo ao CARF para análise ressaltando que este processo ainda não foi encaminhado à DRJ para julgamento. Tendo recebido os autos, mediante sorteio, para relato e julgamento do recurso, solicitei inclusão em pauta para seu devido processamento, em obediência à determinação judicial mencionada. É o relatório. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11052.000731/201046 Acórdão n.º 120200.853 S1C2T2 Fl. 724 6 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Durante a análise do processo para relatar, verifiquei, em consulta ao endereço eletrônico da Justiça Federal do Rio de Janeiro (www.jfrj.jus.br), o teor da sentença prolatada nos autos do mandado de segurança nº 000845414.2011.4.02.5101, cujo trecho pertinente transcrevo a seguir: Nessa perspectiva, e não obstante as alegações da Autoridade Impetrada no sentido de que tendo deixado a parte impetrante de impugnar o crédito tributário em comento, não caberia, sequer, recurso quanto a estes créditos tributários, entendo que houve impugnação por parte da Impetrante ainda que limitada aos juros de mora calculados com base na taxa SELIC. E, sendo este o caso, fica evidenciado o direito da Impetrante a ter o referido recurso analisado, no mérito, pela autoridade competente em segunda instância – qual seja, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Observese que a não apreciação do Recurso Voluntário manejado pela Impetrante constitui violação ao princípio do devido processo legal – tanto mais que o Artigo 35, do Decreto no 70.235/1972 dispõe expressamente, verbis: “Art. 35: O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” (grifei) Em outras palavras: se o órgão de segunda instância administrativa fiscal deve, em razão de dispositivo legal expresso, examinar recursos interpostos pelo contribuinte, ainda que peremptos, não se justifica que o Recurso Voluntário interposto pela parte impetrante deixe de ser examinado, tanto mais que a negativa de recebimento do recurso em questão foi exarada pela Autoridade Impetrada, que sequer pertence ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por conseguinte, impõese a manutenção da liminar deferida às fls.108/111, para que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais examine e se pronuncie sobre o Recurso Voluntário interposto pela Impetrante (fls. 69/74). Nesta ordem de idéias, a concessão parcial da segurança pretendida, com a manutenção da liminar deferida às fls. 108/111, é a medida que se impõe. DISPOSITIVO Fl. 724DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11052.000731/201046 Acórdão n.º 120200.853 S1C2T2 Fl. 725 7 Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO, CONCEDENDO A SEGURANÇA, e mantendo a liminar parcialmente deferida às fls. 108/111, nos exatos termos da fundamentação, com resolução de mérito (Artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil), para determinar, tãosomente, que a Autoridade Impetrada envie o recurso voluntário protocolado em 25/01/2011 (fls. 69/74) ao Conselho de Contribuintes, que deverá se pronunciar sobre o mérito do referido recurso, enviandoo, se necessário, à autoridade competente. (grifos no original) A movimentação mais recente do processo (25/04/2012) confirma o recebimento do recurso de apelação da PFN pelo TRF da 2ª Região, no dia 18/04/2012, para processar e julgar aquele recurso. Assim, considerandose que a decisão judicial chegou a tratar da competência para julgamento dos recursos administrativos, mencionando o art. 25 do PAF, para concluir ordenando o julgamento do recurso voluntário pelo CARF, conheço do recurso em obediência à decisão judicial e passo a decidir. Analisandose o recurso voluntário ao CARF, protocolado em 25/01/2011 (fls.495/500), verificase que o mesmo é tempestivo, consideradas as peculiaridades do caso, visto que foi apresentado menos de 30 (trinta) dias após a data de ciência da cobrança realizada através da intimação Derat/Dicat/RJ nº 2010/002045, em 11/01/2011 (fl.488). Como descrito no relatório, a unidade de origem (Derat/RJO) não considerou o débito impugnado, visto que o contribuinte pleiteava tãosomente o direito à utilização de juros de mora de 1% ao mês para a atualização de seus débitos ao invés da SELIC, e ficara demonstrado que a taxa SELIC acumulada para o período era inferior a 1% ao mês. Assim, deixou de encaminhar a petição denominada “impugnação” à DRJ e efetuou a cobrança do débito sob pena de inscrição em Dívida Ativa da União. Apenas posteriormente, diante da insistência do contribuinte, a Derat/RJO acabou revisando sua decisão inicial e concordando em enviar à DRJ a impugnação relativa aos juros e efetuar apenas a cobrança do principal, juros e multa não contestados. Todavia, nesse ínterim, o contribuinte havia recorrido ao Poder Judiciário para ver garantido seu direito de obter uma decisão administrativa sobre a questão dos juros, tendo sido determinado judicialmente que o CARF aprecie o recurso voluntário apresentado em 25/01/2011. Verificase que a recorrente, nas conclusões do seu recurso voluntário (fl.500), pede, preliminarmente, que o despacho decisório da DRF seja considerado nulo de pleno direito, por falta dos requisitos mencionados, devendo os autos serem devolvidos à primeira instância administrativa, para que proceda ao julgamento da impugnação, de forma condizente com os requisitos básicos e mínimos de uma decisão. Considerandose o rito do processo administrativo fiscal previsto no Decreto nº 70.235/72, a impugnação apresentada em face de auto de infração deve ser analisada, primeiramente, pela turma julgadora da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, correspondente à primeira instância de julgamento. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11052.000731/201046 Acórdão n.º 120200.853 S1C2T2 Fl. 726 8 Diante do quadro fático que se apresenta, resta reconhecer que o despacho proferido nos autos pela unidade de origem, embora não pretendesse substituir uma decisão administrativa, acabou por fazer as vezes de uma decisão definitiva, interrompendo indevidamente o curso legal do processo. Notese que a decisão judicial permite expressamente que o CARF, ao se manifestar sobre o mérito do recurso, envieo, se necessário, à autoridade competente. A análise do mérito propriamente dito pelo CARF, sem a devida manifestação da DRJ, corresponderia a uma supressão de instância, em prejuízo do direito do contribuinte de ver sua inconformidade submetida a duas instâncias administrativas. Diante disso, o pedido preliminar constante do recurso voluntário é de ser deferido. Assim, acatando a preliminar, dou provimento ao recurso para anular o despacho de cunho decisório proferido através da intimação Derat/Dicat/RJ nº 2010/002045 e determinar o encaminhamento dos autos à DRJ para julgamento da impugnação. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 726DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001026/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Existindo pagamento parcial do tributo até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4).
ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE. GUARDA DE DOCUMENTOS.
O espólio sucede o de cujus em suas obrigações tributárias. A obrigação acessória de preservar os documentos fiscais, após o óbito do contribuinte, transfere-se ao espólio, na pessoa de seu representante legal, o inventariante.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Existindo pagamento parcial do tributo até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE. GUARDA DE DOCUMENTOS. O espólio sucede o de cujus em suas obrigações tributárias. A obrigação acessória de preservar os documentos fiscais, após o óbito do contribuinte, transfere-se ao espólio, na pessoa de seu representante legal, o inventariante. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Negado
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Existindo pagamento parcial do tributo até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE. GUARDA DE DOCUMENTOS. O espólio sucede o de cujus em suas obrigações tributárias. A obrigação acessória de preservar os documentos fiscais, após o óbito do contribuinte, transferese ao espólio, na pessoa de seu representante legal, o inventariante. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 10 26 /2 00 9- 11 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 16004.001026/200911 Acórdão n.º 2801002.927 S2TE01 Fl. 75 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 18.661,17, incluídos multa proporcional de 10% (dez por cento) e juros de mora. Consta do Termo de Constatação Fiscal, às fls. 29/31 deste processo digital, que: Em procedimento de diligência fiscal, a Casa de Saúde e Maternidade N. S. Aparecida Ltda, regularmente intimada, apresentou declaração informando que em pesquisas realizadas em seus sistemas de controle e cadastro não foi encontrado nenhum registro que constasse, como usuário, o autuado ou seus dependentes, durante os anoscalendário 2004 e 2005, bem como não foi encontrado nenhum registro de recebimento de valores pagos pelo mesmo. A entidade médica declarou, ainda, que houve registro de recebimento em nome do Fiscalizado durante o anocalendário de 2006, no valor de R$ 450,00. O contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes de todas as despesas médicas declaradas relativas aos períodos fiscalizados. A esposa do contribuinte fiscalizado, Sra. Vera Lúcia Marcelino Campos Cerantola, que se identificou como Inventariante, encaminhou à fiscalização declaração informando a morte de seu esposo e relatando a impossibilidade de apresentar a documentação solicitada, por não localizála em seus arquivos contábeis. À referida declaração, anexou cópia autenticada da certidão de óbito, que ocorreu em 07/11/2009. Em face do exposto, lavrouse, em nome do espólio do contribuinte, o respectivo Auto de Infração AI, onde se apurou o imposto devido após a realização das glosas das despesas médicas declaradas e não comprovadas, relacionadas no demonstrativo que consta do Termo de Constatação Fiscal, aplicandose as multas previstas. Foi admitida pela Fiscalização a despesa médica de R$ 450,00, informada pela Casa de Saúde e Maternidade N. S. Aparecida Ltda. A Inventariante apresentou a impugnação de fls. 35/38 deste processo digital, arguindo, preliminarmente, a nulidade do AI, haja vista que este foi lavrado com base em uma única informação prestada pela Casa de Saúde e os demais por pura presunção. No mérito, alegou que, com o falecimento de seu marido e o sigilo das informações dos demais contribuintes, tornouse impossível elaborar defesa técnica e carrear as provas aos autos, o que inverte o ônus da prova. A impugnação apresentada foi julgada improcedente. Os julgadores da instância de piso entenderam que o direito à dedução de despesas médicas condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Ademais, segundo o acórdão recorrido, o art. 797 do RIR/1999 obriga o contribuinte a manter em boa guarda os comprovantes das deduções. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 16004.001026/200911 Acórdão n.º 2801002.927 S2TE01 Fl. 76 3 À fl. 62 deste processo digital consta Despacho com timbre da Agência da Receita Federal do Brasil – RFB em Votuporanga (SP) com o seguinte teor: Sr. Chefe: Tendo em vista que a jurisdição do contribuinte supra conforme consta da Base CPF é na cidade de Votuporanga, SP, e conforme envelope anexado ao presente processo, consta devolução da correspondência pelos correios com a menção de “RECUSADO”, e ainda considerando que a tentativa de contato telefônico e pessoal vingou infrutífera, proponho a elaboração de EDITAL para que se dê ciência do Acórdão/DRJ 1752.285 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a que se refere o presente processo. De acordo. Proceda conforme proposto. O edital foi afixado, em 02/09/2011, no órgão encarregado da intimação, com a observação de que deveria ser desafixado no final do expediente de 16/09/2011. Em 12/09/2011 a ciência foi dada ao filho do de cujus, Sr. Pedro Henrique Campos Cerantola. Em 11/10/2011 foi apresentado o recurso de fls. 67/69, por intermédio do qual alega a Inventariante, em síntese, que: Preliminarmente: A data da ciência do procedimento fiscal aconteceu em 26/01/2010. Portanto, na data da ciência já havia decorrido mais de cinco anos do início da contagem do prazo decadencial, relativamente ao anocalendário de 2004. No mérito, reitera os argumentos expendidos na peça impugnatória, e acrescenta que: A obrigação tributária do sucessor é restrita à obrigação principal. A obrigação acessória, incluindo aí a apresentação da declaração anual de ajuste, foi cumprida pelo contribuinte, a quem competia a guarda dos documentos pertinentes à declaração. A Fiscalização poderia obter a comprovação da legitimidade das despesas declaradas mediante simples notificação de confirmação dos pagamentos e dos serviços prestados junto aos profissionais prestadores dos serviços, e junto às entidades hospitalares e administradoras do plano de saúde. Não se pode responsabilizar os sucessores por obrigação acessória que cabia única e exclusivamente ao contribuinte. Ao fim, requer o acolhimento do recurso para declarar a decadência do lançamento na parte relativa ao anocalendário de 2004, bem como para cancelar a parte restante face à ausência de responsabilidade dos herdeiros quanto às obrigações acessórias do de cujus. Voto Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 16004.001026/200911 Acórdão n.º 2801002.927 S2TE01 Fl. 77 4 Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. PRELIMINAR Alega o Recorrente que a data da ciência do procedimento fiscal aconteceu em 26/01/2010 e que nesta data já havia decorrido mais de cinco anos do início da contagem do prazo decadencial, relativamente ao anocalendário de 2004. Não lhe assiste razão. Já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo, que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso concreto, o débito referese ao imposto de renda, tributo sujeito a lançamento por homologação, e houve recolhimentos durante o anocalendário de 2004. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do § 4º do art. 150 do CTN, cujo termo a quo é a data da ocorrência do fato gerador (31/12/2004). A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 23 deste processo digital, revela que o mesmo foi lavrado em 02/12/2009 e o Aviso de Recebimento de fl. 34 demonstra que o Interessado foi cientificado do lançamento em 11/12/2009. Assim, descabe falar em decadência, porquanto o lançamento se completou dentro do prazo de cinco anos previsto para constituição do crédito tributário. MÉRITO Ao contribuinte foi endereçada intimação para apresentação dos comprovantes de todas as despesas médicas deduzidas em suas declarações de ajuste anual relativas aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. A esposa do contribuinte fiscalizado, que se identificou como Inventariante, encaminhou à Fiscalização declaração informando a morte de seu esposo e relatando a impossibilidade de apresentar a documentação solicitada, por não localizála em seus arquivos contábeis. O cerne da controvérsia consiste, portanto, em saber se a Inventariante estava ou não obrigada à guarda dos documentos relacionados às deduções lançadas nas declarações de ajuste anual do de cujus, uma vez que o AI foi lavrado em nome do Espólio (óbito ocorrido em 07/11/2009) por falta de apresentação dos comprovantes das deduções pleiteadas. É sabido que, com a abertura do inventário, a administração do acervo patrimonial (bens, direitos e obrigações) caberá ao inventariante, a quem incumbe representar o Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 16004.001026/200911 Acórdão n.º 2801002.927 S2TE01 Fl. 78 5 espólio (CPC, art. 12, V). Na pessoa do inventariante concentramse, assim, todos os poderes de guarda e administração dos bens do espólio. Logo, o inventariante deve manter em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial, todos os comprovantes que serviram de base à dedução das despesas pleiteadas pelo de cujus em suas declarações de ajuste anual. Nesse contexto, entendo que a falta de apresentação da documentação solicitada autoriza a constituição do crédito tributário em nome do espólio, haja vista que o inventariante adquiriu, em face da sua condição de representante legal, a posse direta de todos os bens do espólio. Embora a entrega da declaração de ajuste anual tenha sido feita pelo de cujus, a obrigação acessória de preservar os documentos comprobatórios das despesas deduzidas, após o óbito do contribuinte, transferese ao espólio, na pessoa de seu representante legal, in casu, a Inventariante. Observo que as obrigações tributárias acessórias objetivam dar meios à fiscalização tributária para que esta investigue e controle o recolhimento de tributos (obrigação principal) a que o próprio sujeito passivo da obrigação acessória, ou outra pessoa, esteja, ou possa estar, submetido. No caso em análise não se está responsabilizando os sucessores por obrigação acessória que cabia única e exclusivamente ao contribuinte, conforme alega o Recorrente. Na realidade, o débito lançado referese ao descumprimento de obrigação principal (glosa de despesas médicas declaradas e não comprovadas) que foi apurada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória (a não apresentação, pelo representante legal do espólio, de documentos que deveriam estar em sua posse). A responsabilidade dos sucessores pelos tributos devidos pelo de cujus está prevista no art. 131, III, do CTN, que assim dispõe: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: (...) III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Anoto, por fim, que a prerrogativa atribuída à Administração Tributária de comprovar os pagamentos juntos aos profissionais e empresas prestadores dos serviços médicos não obsta a Fiscalização de exigir, do representante legal do sucessor, os comprovantes das despesas realizadas pelo sucedido. Face ao exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 16004.001026/200911 Acórdão n.º 2801002.927 S2TE01 Fl. 79 6 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 13804.001878/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006 CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM, DESONERADOS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens desonerados do IPI, inclusive isentos e não-tributados, não geram créditos para dedução do imposto devido na saída dos produtos industrializados. CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC. Indeferido o pedido de ressarcimento, o julgamento da incidência ou não de juros compensatórios sobre ele ficou prejudicado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006 CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM, DESONERADOS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens desonerados do IPI, inclusive isentos e nãotributados, não geram créditos para dedução do imposto devido na saída dos produtos industrializados. CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC. Indeferido o pedido de ressarcimento, o julgamento da incidência ou não de juros compensatórios sobre ele ficou prejudicado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos do IPI, apurados nos meses de maio e junho de 2006, e não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados nos Per/Dcomps às fls. 80/83; 84/87; 88/91; 92/94; e 95/99, transmitidos entre as datas de 18/07/2008 e 18/12/2008. Por meio do Despacho Decisório às fls. 100/103, a Derat em São Paulo indeferiu o ressarcimento pleiteado e não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados sob os argumentos de que as aquisições de insumos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero pelo IPI não dão direito a crédito deste imposto, em obediência ao princípio constitucional da nãocumulatividade. Inconformada com o despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 107/118), insistindo no deferimento do ressarcimento e na homologação das compensações dos débitos declarados, alegando, em síntese, que tem direito de se creditar do IPI, como se devido fosse, nas aquisições de insumos não onerados por este imposto. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1432.780, datado de 02/03/2011, às fls. 129/131, sob as ementas: “RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo de presumidos créditos do tributo, alusivos a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem desonerados do IPI, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001878/200733 Acórdão n.º 330101.476 S3C3T1 Fl. 159 3 É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 139/152), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito de se creditar do IPI nas aquisições de insumos isentos, alíquota zero e nãotributados por este imposto, como se devido fosse, acrescido de juros compensatórios à taxa Selic, e homologue as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando, em síntese, que a Constituição Federal (CF/1988), art. 153, §3º, II, que trata da nãocumulatividade desse imposto estabelece que deverá haver compensação do imposto devido em cada operação com o valor cobrado nas operações anteriores, sem quaisquer restrições, conforme reconhecido no RE nº 212.4842, de relatoria do então Ministro Nelson Jobim, e, ainda, que a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, art. 11, assegura à manutenção de créditos diante de saída isenta. Defendeu, ainda, o ressarcimento acrescido de juros compensatórios à taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido, pelo fato de o Fisco ter vedado o ressarcimento/compensação. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A legislação do IPI não prevê direito a créditos escriturais de IPI, como se devido fossem, nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentos, nãotributados e/ ou tributados à alíquota zero por esse imposto, mas tão somente sobre aquisições oneradas e com destaque do seu valor nas respectivas notas fiscais de compras. A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de se deduzir do imposto devido sobre os produtos industrializados e saídos de seus estabelecimentos industriais o valor do IPI que incidiu na operação anterior, ou seja, o valor do imposto pago nas aquisições dos insumos utilizados na industrialização dos produtos cujas saídas são oneradas por este imposto. A Constituição Federal de 1988 assegurou aos contribuintes do IPI o direito de se creditarem do valor do imposto cobrado e pago nas operações antecedentes, deduzindoo nas operações posteriores. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3º, inciso II, da Carga Magna que assim dispõe: “Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: (...). IV produtos industrializados. §3º. O imposto previsto no inc. IV: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 (...). II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;” Em consonância com esse dispositivo legal, o CTN assim determina: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” O legislador ordinário, em cumprimento a essas diretrizes, instituiu o sistema de créditos que, regra geral, confere aos contribuintes do imposto o direito de se creditar do valor do imposto cobrado e pago nas operações anteriores. Assim, o IPI destacado nas notas fiscais de aquisições de matériasprima, produtos intermediários e materiais de embalagens que ingressarem no estabelecimento do produtor industrial pode ser compensado com o valor do imposto devido nas operações de saída dos produtos industrializados e comercializados por ele, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem os débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 195 do RIPI/2002, é deduzir do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado, o valor do IPI cobrado e pago sobre as aquisições das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens empregados na sua produção. Nos casos em que as entradas desses insumos foram desoneradas desse imposto, não há o que deduzir, uma vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Quanto ao RE nº 212.4842/RS, citado pela recorrente, o próprio STF já alterou seu entendimento, conforme se denota dos julgados RE 353.6575/PR e RE 370.682/SC. Tratase de tese superada por diversos outros REs, dentre eles, os de nºs 430.720/RJ e 372.005 AgR/PR, cuja ementa decidiu: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. INEXISTÊNCIA. MODULAÇÃO TEMPORAL DOS EFEITOS DA DECISÃO. INAPLICABILIDADE. 1. A expressão utilizada pelo constituinte originário montante "cobrado" na operação anterior afasta a possibilidade de admitirse o crédito de IPI nas operações de que se trata, visto que nada teria sido "cobrado" na operação de entrada de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 2. O Supremo entendeu não ser aplicável ao caso a limitação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.” Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001878/200733 Acórdão n.º 330101.476 S3C3T1 Fl. 160 5 Especificamente, em relação às aquisições de insumos tributados a alíquota zero, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), já editou súmula, de aplicação obrigatória pela suas Turmas de Julgamento, reconhecendo que tais aquisições não geram créditos, assim dispondo: “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” Dessa forma, não há que se falar em créditos de IPI sobre aquisições de insumos desonerados deste imposto. Quanto à incidência de juros compensatórios, à taxa Selic, no total do ressarcimento pleiteado, seu julgamento ficou prejudicado em virtude do nãoreconhecimento do direito de a recorrente se creditar do IPI, como se devido fosse, nas aquisições de insumos desonerados deste imposto e, conseqüentemente, indeferimento do seu pedido. A compensação de débitos fiscais, mediante a transmissão de Per/Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citado e transcrito anteriormente, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado nas Dcomps é ilíquido e incerto, ou seja, inexiste o ressarcimento pleiteado. Assim não há que se falar em homologação da compensação dos débitos tributários declarados. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (Assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13873.000609/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização.
RECURSO VOLUNTÁRIO. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ TRANSITADA EM JULGADO ADMINISTRATIVAMENTE. IMPOSSIBILIDADE.
Não se conhece de matéria que tenta rediscutir, em sede de recurso voluntário, questões já decididas administrativamente, de maneira definitiva, e cuja decisão já se houve por transitada em julgado no âmbito administrativo.
ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 150, VI, c da CF/88. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado à União instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades de assistência social sem fins lucrativos.
A imunidade prevista no art. 150, VI, c da CF/88 não alcança as contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, eis que tais exações não ostentam natureza jurídica de imposto, mas, sim, de contribuição social.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício, para que a fluência do prazo decadencial seja acatada com base no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Juliana Campos de Carvalho Cruz divergiram por entender correta a aplicação do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, como constou da decisão recorrida. Por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, frente à questão já transitada em julgado na esfera administrativa, e na parte conhecida negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização. RECURSO VOLUNTÁRIO. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ TRANSITADA EM JULGADO ADMINISTRATIVAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Não se conhece de matéria que tenta rediscutir, em sede de recurso voluntário, questões já decididas administrativamente, de maneira definitiva, e cuja decisão já se houve por transitada em julgado no âmbito administrativo. ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 150, VI, “c” da CF/88. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É vedado à União instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades de assistência social sem fins lucrativos. A imunidade prevista no art. 150, VI, “c” da CF/88 não alcança as contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 06 09 /2 01 0- 31 Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, eis que tais exações não ostentam natureza jurídica de imposto, mas, sim, de contribuição social. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício, para que a fluência do prazo decadencial seja acatada com base no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Juliana Campos de Carvalho Cruz divergiram por entender correta a aplicação do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, como constou da decisão recorrida. Por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, frente à questão já transitada em julgado na esfera administrativa, e na parte conhecida negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2005 Data da lavratura do Auto de Infração: 15/10/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 18/10/2010. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da Entidade acima identificada, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais constantes nas folhas de pagamento e GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 35/77. Informa a fiscalização que a entidade apresentou, em 23/10/2003, requerimento para reconhecimento da isenção em relação a contribuições previdenciárias patronais, passando a partir da competência 11/2003 a apresentar GFIP com codificação de isenção das contribuições patronais e de terceiros, as quais não foram recolhidas, nem depositadas e nem reconhecidas contabilmente como custos ou despesas. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13873.000609/201031 Acórdão n.º 2302002.377 S2C3T2 Fl. 499 3 Tal pedido de Isenção houvese por indeferido pela autoridade competente. A 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social deu provimento ao recurso apresentado pela entidade requerente, reconhecendo naquela oportunidade o direito pleiteado à isenção de contribuições previdenciárias, nos termos do Acórdão n° 1875/2004, sendo emitido o ATO DECLARATORIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 006/2005, de 04/04/2005. Não concordando com a decisão de 2ª Instância, a Secretaria da Receita Previdenciária interpôs Pedido de Revisão, o qual se houve por conhecido e provido. Na sequência, após a apresentação de contrarrazões pela FAMESP, a 4ª Câmara de Julgamento, através do Despacho n° 354/2006, de 16/11/2006, encaminhou os autos em diligência, solicitando informações visando ao esclarecimento de pontos controvertidos no litígio. Devidamente cientificada do resultado da diligência fiscal, a FAMESP apresentou Recurso Voluntário, nos autos do Processo n° 35380.001807/200700, de 29 de junho de 2007. A 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes negou provimento ao Recurso, nos termos do Acórdão n° 20601.456, de 09 de outubro de 2008, aviado nos autos do processo nº 35378.001422/200350, acolhendo a revisão de ofício, anulou o Acórdão n° 1875/2004 proferido pela 4ª Câmara do CRPS. A entidade interessada apresentou Recurso Especial perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo seguimento houvese por negado, conforme Despacho nº 240090/2010, proferido pela 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 19 de março de 2010. Transitada em Julgado Administrativo a decisão da 6ª Câmara do 2ª Conselho de Contribuintes, que no Acórdão n° 20601.456, de 09 de outubro de 2008, Houvera negado provimento ao Recurso Voluntário da FAMESP, decorreu a emissão do ATO DECLARATORIO EXECUTIVO n° 02/2009, de 03 de agosto de 2009, da Delegacia da Receita Federal em Bauru, que cancelou a isenção das contribuições previdenciárias, a partir de 23/10/2003. No mesmo ato, anulou o ATO DECLARATORIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 006/2005, de 04/04/2005. Nessa conjuntura, diante da negativa de provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, e estando este, portanto, à calva do direito à isenção de contribuições previdenciárias, houvese por lavrado o vertente lançamento, promovendo o lançamento de contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a contar da competência novembro/2003 até dezembro/2005. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 156/184. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão a fls. 503/508, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para deste fazer excluir as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de novembro/2003 a novembro/2004, em razão Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 da decadência, mantendo o crédito tributário na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 491/502, recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 24/05/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1103. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 1104/1163, fundamentando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nas alegações que se vos seguem: · Que a Entidade atende a todos os requisitos exigidos pelo art. 206 do Dec. nº 3.048/99 para fazer jus ao gozo da isenção de contribuições previdenciárias patronais; · Que os agentes da Receita Federal do Brasil não se atentaram para os efeitos da Medida Provisória 446/2008. Aduz que MP nº 446/2008 pôs fim ao processo reconhecendo o Direito da Recorrente à manutenção do CEBAS e, consequentemente, a manutenção do Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 006/2005; · Que a Recorrente é entidade sem finalidade lucrativa, de caráter social, imune à tributação nos termos do art. 150, VI, ‘c’ da Constituição Federal, e que cumpre os requisitos do art. 14 do CTN. Ao fim, requer a declaração de improcedência do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 24/05/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 21 de junho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO Alega o Recorrente que a Entidade atende a todos os requisitos exigidos pelo art. 206 do Dec. nº 3.048/99 para fazer jus ao gozo da isenção de contribuições previdenciárias patronais. Aduz que os agentes da Receita Federal do Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13873.000609/201031 Acórdão n.º 2302002.377 S2C3T2 Fl. 500 5 Brasil não se atentaram para os efeitos da Medida Provisória 446/2008. Conclui que MP nº 446/2008 pôs fim ao processo reconhecendo o Direito da Recorrente à manutenção do CEBAS e, consequentemente, a manutenção do Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 006/2005. Tais argumentações, todavia, não podem ser conhecidos no presente recurso em razão da incompetência deste Colegiado para a apreciação e julgamento de tais questões. Relembrese que o vertente Processo Administrativo Fiscal trata do lançamento de contribuições previdenciárias patronais destinadas a Outras Entidades e Fundos, devidas pela Entidade e não recolhidas no prazo e na forma prevista na legislação tributária, relativas ao período de apuração compreendido entre novembro/2003 a dezembro/2005, período esse em que a entidade recorrente se encontrava à calva do direito de isenção das contribuições previdenciárias de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/91. Impende ressaltar que a emissão do ATO DECLARATORIO EXECUTIVO n° 02/2009, de 03 de agosto de 2009, da Delegacia da Receita Federal em Bauru, que cancelou a isenção das contribuições previdenciárias, a partir de 23/10/2003, e que anulou o Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 006/2005, de 04/04/2005, decorreu da decisão proferida pela 6ª Câmara do 2ª Conselho de Contribuintes, aviada no Acórdão n° 20601.456, de 09 de outubro de 2008, a qual já se alcançou o trânsito em julgado administrativo, não dispondo este Colegiado de Competência para, afastando tal atributo processual, reapreciar e deliberar sobre a matéria em questão. Por certo, a apreciação de questões dessa estirpe escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. Registrese por relevante que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio em relação a questões já decididas anteriormente e em relação às quais já tenha se convolado o trânsito em julgado administrativo, por uma questão de respeito à segurança jurídica, princípio jurídico esse efusivamente defendido pelo Recorrente em seu instrumento de inconformismo em face da decisão de 1ª Instância. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Nessa perspectiva, o exame da legalidade do lançamento parte da premissa que a Entidade recorrente, no período de apuração em tela, não se configurava como sujeito de direito à isenção de contribuições previdenciárias de que trata o art. 55 da Lei nº 8.212/91, uma vez que tal controvérsia já se houve por decidida, de forma definitiva no âmbito administrativo, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 35378.001422/200350 pela 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes. Mostrase auspicioso enaltecer que, nos termos do inciso V, in fine, do art. 267 do Código de Processo Civil, a coisa julgada figura como causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. Código de Processo Civil Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232/2005) (...) V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; (...) §3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos nº IV, V e VI; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento. (...) Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a extinção do processo não obsta a que o autor intente de novo a ação. A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado. Parágrafo único. Se o autor der causa, por três vezes, à extinção do processo pelo fundamento previsto no no III do artigo anterior, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficandolhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. Citese que o Recurso Especial interposto em face da decisão referido no parágrafo precedente teve seu seguimento negado, conforme Despacho nº 240094R/2010, de 22 de março de 2010. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13873.000609/201031 Acórdão n.º 2302002.377 S2C3T2 Fl. 501 7 Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DO DIREITO À ISENÇÃO O Recorrente alega ser entidade sem finalidade lucrativa, de caráter social, imune à tributação nos termos do art. 150, VI, ‘c’ da Constituição Federal, e que cumpre os requisitos do art. 14 do CTN. As alegações do Recorrente não se prestam a ilidir o lançamento que ora se opera. De fato, a alínea ‘c’ do inciso VI do art. 150 da CF/88 impõe óbice à União de instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades de assistência social sem fins lucrativos. Constituição Federal de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (grifos nossos) (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...) §4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Tal vedação, ao contrário do entendimento do Recorrente, não é incondicionada, uma vez que a própria Constituição Federal prevê a modulação de tal benefício tributário aos requisitos a serem fixados pela lei. Por outro lado, a imunidade prevista na alínea ‘c’ do inciso VI do art. 150 da CF/88 abarca, tão somente, os impostos sobre o renda ou serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades de assistência social sem fins lucrativos, não alcançando as contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social e aos financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, uma vez que estas possuem natureza jurídica de contribuição social, a qual é totalmente distinta da de imposto. De outro eito, o art. 14 do CTN referese aos requisitos exigíveis para o exercício da isenção de que trata a alínea ‘c’ do inciso IV do art. 9º do CTN, o qual trata, exatamente, da imunidade em face da instituição de impostos sobre patrimônio, renda ou serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades de assistência social sem fins lucrativos, repetindo o art. 150, VI, ‘c’ da Constituição Federal, não alcançando, conforme já delineado alhures, as contribuições previdenciárias. Código Tributário Nacional CTN Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lcp nº 104/2001) (...) §1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. §2º O disposto na alínea a do inciso IV aplicase, exclusivamente, aos serviços próprios das pessoas jurídicas de direito público a que se refere este artigo, e inerentes aos seus objetivos. Art. 14. O disposto na alínea ‘c’ do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104/2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13873.000609/201031 Acórdão n.º 2302002.377 S2C3T2 Fl. 502 9 III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. §1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no §1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. §2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, nos exatos termos de sua literalidade. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; 3. DO RECURSO DE OFICIO A decisão de 1ª Instância está a reclamar de reparo parcial. De fato, o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 230201.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário esposado por esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à seguinte tese: Se nos lançamentos de ofício não restar demonstrado e comprovado qualquer recolhimento prévio de contribuições previdenciárias em favor das rubricas que compõem os levantamentos objeto da Notificação Fiscal, aplicarseá o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13873.000609/201031 Acórdão n.º 2302002.377 S2C3T2 Fl. 503 11 Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Por outro viés, consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Sujeitamse também ao regime referido no art. 173 do CTN os lançamentos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, eis que, em relação a tal lançamento, não há que se falar em “pagamento antecipado do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa”, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso em apreciação, colhemos das provas e alegações presentes nos autos que, em favor das rubricas objeto do lançamento, não se houve por efetuado qualquer prévio recolhimento de contribuições sociais. Tal circunstância nos é trazida não somente pela narrativa dos fatos, mas, também, pela verificação de que, no Discriminativo Analítico de Débito, não consta qualquer crédito a favor do Notificado. Tal conclusão é corroborada pelo fato de o Recorrente não reconhecer como devidas as contribuições sociais ora em debate, por considerar ser legitimo detentor do direito à isenção de tais exações. Nessas circunstâncias, somente pelo desenvolvimento de uma ação fiscal específica nas dependências Entidade em questão é que os fatos geradores objeto do presente lançamento poderiam ter sido apurados, evento que atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13873.000609/201031 Acórdão n.º 2302002.377 S2C3T2 Fl. 504 13 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, tem se por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2004 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2006, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2010, inclusive. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência do Auto de Infração em debate realizada aos 18 dias do mês de outubro de 2010, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2004, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, sendo o período de apuração do crédito tributário ora em constituição de novembro/2003 a dezembro/2005, não demanda áurea mestria concluir que se encontram finadas pela decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização, devendo ser excluídas do presente lançamento aquelas relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2004, exclusive, assim como as relativas ao décimo terceiro salário desse mesmo ano. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Outrossim, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso de Ofício, para EXCLUIR do lançamento, tão somente, as obrigações tributárias correspondentes aos fatos geradores ocorridos na competência novembro/2004 e nas competências anteriores a essa, bem como aqueles relativos ao 13º salário desse mesmo ano, mantido o crédito tributário relativo aos demais fatos geradores. É como voto. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13873.000609/201031 Acórdão n.º 2302002.377 S2C3T2 Fl. 505 15 Arlindo da Costa e Silva Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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