Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 18088.000063/2009-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
PEDIDO DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO.
Não se verifica obstáculo ao conhecimento de pedido do contribuinte, formulado após a oposição do recurso voluntário e antes do julgamento deste, atinente à consideração de documentos pertinentes à matéria tributável e que foram por ele previamente apresentados no bojo de outros processos administrativos que deveriam ter sido unificados pela administração fiscal, tendo em vista a identidade de contribuinte e os elementos comuns de prova. Inexistência de afronta ao art. 16 do Decreto n. 70.235/72.
Numero da decisão: 9101-003.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para admitir o exame das provas apresentadas apo´s o recurso volunta´rio, com retorno dos autos ao colegiado de origem para aprecia´-las, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo, que entendeu estar preclusa a mate´ria. Votaram pelas concluso~es os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Re^go. Manifestou intenção de apresentar declarac¸a~o de voto a conselheira Adriana Gomes Re^go.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente em exerci´cio).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 PEDIDO DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO. Não se verifica obstáculo ao conhecimento de pedido do contribuinte, formulado após a oposição do recurso voluntário e antes do julgamento deste, atinente à consideração de documentos pertinentes à matéria tributável e que foram por ele previamente apresentados no bojo de outros processos administrativos que deveriam ter sido unificados pela administração fiscal, tendo em vista a identidade de contribuinte e os elementos comuns de prova. Inexistência de afronta ao art. 16 do Decreto n. 70.235/72.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18088.000063/2009-55
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5800771
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-003.146
nome_arquivo_s : Decisao_18088000063200955.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS FLAVIO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 18088000063200955_5800771.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para admitir o exame das provas apresentadas apo´s o recurso volunta´rio, com retorno dos autos ao colegiado de origem para aprecia´-las, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo, que entendeu estar preclusa a mate´ria. Votaram pelas concluso~es os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Re^go. Manifestou intenção de apresentar declarac¸a~o de voto a conselheira Adriana Gomes Re^go. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente em exerci´cio).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
id : 7021378
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734404374528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 6.818 1 6.817 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18088.000063/200955 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.146 – 1ª Turma Sessão de 04 de outubro de 2017 Matéria Conhecimento de provas. Recorrente ENGEFORT SISTEMA AVANÇADO DE SEGURANÇA LTDA Interessado UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 PEDIDO DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO. Não se verifica obstáculo ao conhecimento de pedido do contribuinte, formulado após a oposição do recurso voluntário e antes do julgamento deste, atinente à consideração de documentos pertinentes à matéria tributável e que foram por ele previamente apresentados no bojo de outros processos administrativos que deveriam ter sido unificados pela administração fiscal, tendo em vista a identidade de contribuinte e os elementos comuns de prova. Inexistência de afronta ao art. 16 do Decreto n. 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para admitir o exame das provas apresentadas após o recurso voluntário, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciálas, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que entendeu estar preclusa a matéria. Votaram pelas conclusões os conselheiros Flávio Franco Correâ, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 00 63 /2 00 9- 55 Fl. 9134DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto por ENGEFORT SISTEMA AVANÇADO DE SEGURANÇA LTDA, (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em que, em face do acórdão n. 1202001.204 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 2a Turma Ordinária, 2a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido traz a seguinte descrição dos fatos (efls. 4.913 e seg.): “Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infraca̧õ exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), anoscalendário .2004 e 2005, nos seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), R$ 3.607.513,58 (fl. 01); e Contribuicã̧o Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), R$ 1.096.654,06; acrescidos de multa de oficio (qualificada) e juros de mora. totalizando crédito tributário no valor de R$ 14,131.282,46. A empresa em epígrafe foi autuada para exigen̂cia de crédito tributário de IRPJ e CSLL, mediante arbitramento do lucro, ante a não apresentaçaõ à Fiscalização dos Livros Diário e Razão, com fulcro nos artigos 258, 259, caput e § 2°, 260, inciso III e 264 do RIR/99, e nos artigos 13 e 14 da Lei n.° 8.218, de 1991, com a redacã̧o alterada pelo art. 62 da Lei n° 8.383, de 1991. No Relatório de Descrição dos Fatos, As fls. 45/57 e 71/83, a autoridade fiscal explicita os critérios adotados para arbitramento do lucro, nos anoscalendário de 2004 e 2005, demonstrando assim os valores que serviram de base à determinação do IRPJ e CSLL devidos. Com efeito, constatada a não apresentação dos Livros Diário e Razão, bem como a insuficiência das informações prestadas à RFB, pela contribuinte, em DIPJ e DCTF, a autoridade fiscal adotou como referencial informações sobre o faturamento da empresa. oriundas de demonstrativos de fls. 402 a 461 e 660 a 733, intitulados "Balancete de Verificação", do que resultou os demonstrativos de fls. 49 (a/c 2004) e 56 (a/c 2005), cujos totais mensais de receita apurada foram considerados para efeitos de apuração do lucro arbitrado (trimestral) e determinação do IRPJ e CSLL devidos. Ciente em 13/02/2009 (fls. 963), a interessada apresentou, em 13/03/2009, impugnação ao lançamento (fls. 904/962), alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que embora tenha sido adotado arbitramento do lucro para a apuraçaõ da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a impugnante teria atendido a todas as intimações feitas pela fiscalização e entregue todos os documentos exigidos relativos aos períodos fiscalizados, tais como livros,de registro de notas fiscais de prestação de serviços, contratos de mútuo, balancetes mensais, balanço patrimonial e demonstrativo de resultados, Lalur, plano de contas, DCTF e DIPJ. Assim, não haveria razões suficientes a embasar a adoção do lançamento por arbitramento, já Fl. 9135DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 9101003.146 CSRFT1 Fl. 6.819 3 que os documentos por si entregues permitiriam apuraçaõ do lucro real para determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; que teria providenciado a entrega, em treŝ oportunidades, de CDs contendo as informações contábeis e fiscais exigidas em formato eletrônico, tendo sido a gravação dos dados acompanhada pelo auditorfiscal. Ao desconsiderar os arquivos eletrônicos entregues sem conferir à impugnante a oportunidade de exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa, não poderiam ser tomados como válidos e legítimos os fundamentos que justificaram o arbitramento do lucro (não entrega dos livros Diário e Razão), pelo que seria nulo o lançamento efetuado, por ausência de motivação e ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa; que "a prova (insuficien̂cia de dados) utilizada pela fiscalização, foi produzida de forma unilateral, sem qualquer comunicação ou ciência à impugnante, o que, indiscutivelmente, acaba por macular todo o procedimento do lançamento dos créditos tributários contidos no auto de infração"; que estariam caracterizadas ausen̂cia de motivação bem como ineficácia da prova (dados insuficientes), cujo acesso não teria ocorrido na presença da impugnante, redundando em inobservância dos princípios do contraditório e da ampla defesa e da vedação da produção de provas contra si mesmo (erros em arquivos eletrônicos); que a autoridade fiscal teria desconsiderado, no lanca̧mento, retenções efetuadas em notas fiscais de prestaca̧õ de serviços, a título de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, nos termos dos artigos 30 a 32 da Lei n.° 10.833, de 2003, implicando indevida majoraca̧õ dos valores devidos. Caracterizadas tais antecipações como retenções, nos termos do artigo 34 da Lei n.° 10.833, de 2003, as respectivas empresas estariam autorizadas a compensar os valores retidos com tributos devidos a‘partir do mês da retenção; que o texto do art. 1° da Lei n.° 9.316. de 1996, ao prever a inclusão da CSLL na base de cálculo do IRPJ e em sua própria base de cálculo, estaria a afrontar preceitos legais e constitucionais, pelo que caberia desconsiderar sua aplicacã̧o; que requer seja determinada a realização de diligência para realização dos ajustes necessários à apuracã̧o do lucro real; que o arbitramento do lucro ofenderia o conceito de renda constitucionalmente estabelecido; que seria nulo o lançamento, por fundado em presunções ou indícios de omissão de receitas, e não apreciaca̧õ de provas; que a alegação de que a empresa não teria respondido intimação e reintimação não daria respaldo ao agravamento da multa; que seria ilegal e/ou inconstitucional a exigen̂cia de juros de mora com base na taxa Selic; que a aplicacã̧o de multa de oficio ao percentual de 75% caracterizaria confisco, contrariando dispositivos da Constituicã̧o Federal; que caberia reduçaõ da sanção pecuniária, por ausente qualquer intenção de fraude ou dolo por parte da impugnante; que seria dever da Administração apreciar e deixar de aplicar conteúdo de lei com indicativos de inconstitucionalidade; que caberia anulaçaõ do Termo de Arrolamento de Bens, por constituir forma ilegal de vedacã̧o de disposição de bens, e por encontrarse suspensa a exigibilidade do crédito tributário; que inexistiriam razões para prosseguimento da representação fiscal para fins penais, pelo que caberia a suspensão de seus efeitos. Ao final, requer o reconhecimento da nulidade e improcedência do auto de infraçaõ, ou, alternativamente, a realização de diligência para que seja efetuada nova apuração dos valores lançados no auto de infração, exclusão dos juros de Fl. 9136DF CARF MF 4 mora e redução das multas aplicadas, e conseqüente reconhecimento da improcedência do lanca̧mento.” O acórdão a quo indeferiu o pedido de acolhimento de razões aditivas por encontraremse preclusas, bem como as preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Improcedentes as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art: 59 do Decreto n° 70.235/72. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas; incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a inconstitucionalidade de Leis. ILEGALIDADE DE ATOS INFRALEGAIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas; incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a ilegalidade de atos infralegais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% prevista no artigo 44. §1°, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lanca̧mentos decorrentes. dada a relação que os vincula. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Consta da Súmula do CARF a exigen̂cia de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidaca̧õ e de Custodia para Títulos Federais SELIC, acumulada mensalmente. O contribuinte opos embargos de declaração em face da decisão ora recorrida (efls. 4.944 e seg.), arguindo omissões no acórdão, inclusive quanto à ausência de análise provas suscitadas nas razões aditivas apresentadas. Referidos embargos foram admitidos por despacho (efls. 8.564 e seg.), mas rejeitados pelo Colegiado da Turma a quo (efls. 8.621 e seg.). O contribuinte, então, interpos recurso especial quanto às seguintes matérias (efls. 8.637 e seg.): a) Matéria de Ordem Pública; b) Exame Das Provas Apresentadas após o Recurso Voluntário; c) Arbitramento do Lucro Quando a Receita Bruta foi Apurada com Base nos Livros Fiscais; e d) Imposiçaõ da Multa Qualificada Baseada na Ausência de Declaração ou em Declaração a Menor do Tributo. Contudo, nenhuma das matérias foi admitida por despacho (efls. 8.844 e seg.; efls. 8.934 e seg.), o que ensejou a oposição de agravo pelo contribuinte (efls. 8.880 e seg.). O despacho de admissibilidade de agravo constatou “a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de nova apreciação da admissibilidade do recurso especial acerca de todas as matérias apresentadas pela recorrente”, com a determinação do “retorno dos autos à 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento para novo juízo acerca da admissibilidade do recurso especial, contemplando todas as alegações da recorrente” (efls. 8.925 e seg.). O então Presidente da 2a Câmara proferiu “Exame Retificador de Admissibilidade de Recurso Especial”, mantendo a negativa integral de seguimento do recurso especial (efls. 8.934 e seg.). Fl. 9137DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 9101003.146 CSRFT1 Fl. 6.820 5 Nesse seguir, foi apresentado novo agravo pelo contribuinte, requerendo novo reexame da admissibilidade (efls. 8.997 e seg.). Ao analisar o aludido agravo, o i. Presidente da CSRF decidiu (efls. 9.057 e seg.): “REJEITO o segundo agravo relativamente às matérias "matéria de ordem pública" e "arbitramento quando a receita bruta foi apurada com base nos livros fiscais", e confirmo a negativa de seguimento ao recurso especial nesta parte. ACOLHO PARCIALMENTE o segundo agravo para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "exame das provas apresentadas após o recurso voluntário" e "imposição da multa qualificada baseada na ausência de declaração ou em declaração a menor de tributo", mas apenas em relacã̧o, respectivamente, aos paradigmas no 10616.716 e 1402001.271. Os autos devem retornar à origem para ciência da rejeição parcial do agravo, na forma do art. 71, §8o do Anexo II do RICARF, e do esgotamento de todas as possibilidades de recurso nesta parte. Posteriormente, os autos devem retornar ao CARF para distribuiçaõ e julgamento pela 1a Turma da CSRF. Na sequência, os autos devem ser restituídos ao CARF para que se intime o representante da Fazenda Nacional para ciência: a) dos Acórdãos no 1202001.204 (efls. 4913/4933) e 1201001.422 (efls. 8621/8625); b) dos despachos de admissibilidade do recurso especial do sujeito passivo (efls. 8844/8868, 8925/8933 e 8934/8963); e c) deste despacho, facultandolhe a apresentaçaõ de contrarrazões ao recurso especial do sujeito passivo na parte admitida, com observan̂cia do art. 70 do Anexo II do RICARF.” Com o seguimento parcial do recurso especial, quanto às matérias “exame das provas apresentadas após o recurso voluntário” e “imposição da multa qualificada baseada na ausência de declaração ou em declaração a menor de tributo”, a PFN apresentou contrarrazões (efls. 9.092 e seg.). Destacase que a recorrida não se opôs, em suas contrarrazões, ao conhecimento do recurso especial. Por fim, verificase que o contribuinte peticionou nos autos para informar do acórdão n. 3201002.849, atinente ao processo Processo 18088.00051/200921 (Cofins), bem como do Relatório Diligência Fiscal elaborado pela Autoridade Fiscal no Processo 18088.000050/200986 (PIS). Suscita que, em tais processos administrativos, instaurados em face dos mesmos fatos e MPF do presente caso, a consideração das notas fiscais em questão teriam conduzido à substancial redução do valor de tributo exigido (efls. 9.107 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Quanto às matérias admitidas em sede de agravo, compreendo que devem ser conhecidas por este Colegiado. Fl. 9138DF CARF MF 6 Quanto ao “exame das provas apresentadas após o recurso voluntário”, o despacho de agravo assim se manifestou, admitindo o recurso do contribuinte em face do acórdão paradigma n. 10616.716: “A agravante destaca que o exame das provas diz respeito às Notas Fiscais apresentadas na Impugnação (e não nas Razões Aditivas) e distribuídas nos três processos formalizados por ocasião do procedimento fiscal ao qual foi submetida. Observa que, por não ter sido cientificada do resultado da diligência promovida em 1a instan̂cia, somente constatou a juntada parcial dos documentos a estes autos depois da apresentaca̧õ do recurso voluntário, e que as mencionadas razões aditivas destinavamse a pleitear o exame dos documentos juntados por ocasião da impugnação. Noticia como fato novo subsequente ao Recurso Especial o resultado favorável na diligência fiscal solicitada pela 1a Turma Ordinária da 2a Cam̂ara da 3a Seção de Julgamento, declarando insubsistente a exigência correlata de COFINS. Relatando que o acórdão recorrido indeferiu o pedido de acolhimento das razões aditivas por preclusão apesar de não se tratar de novas provas, mas apenas do requerimento de reunião das provas existentes nos outros processos , bem como que a questão foi renovada em sede de embargos, os quais foram rejeitados, a interessada reportouse a princípios constitucionais e legais em seu recurso especial e asseverou que em situação fiscal iden̂tica, a jurisprudência do CARF e ́ no sentido de acolher as provas que foram acostadas aos autos mesmo após o prazo de interposica̧õ do Recurso Voluntário. (...) De fato, apesar de o exame complementar de admissibilidade ter exposto as razões de decidir dos acórdãos confrontados, suprindo a deficiência que determinou o retorno dos autos à Câmara, a conclusaõ nele exposta é incompatível com os elementos descritos no próprio despacho. Se os paradigmas admitem a análise de documentação extemporaneamente juntada, e o acórdão recorrido declara precluso o pedido de acolhimento de razões aditivas, há, a primeira vista, divergen̂cia a ser solucionada pela 1a Turma da CSRF. A confirmar esta impressão inicial, vêse no recurso especial que o questionamento da interessada dirigiase ao fato de que não foram levados em consideração a totalidade dos valores das antecipações do imposto e da contribuição destacados nas Notas Fiscais de Serviços Prestados no período autuado, cujo exame foi requerido pela contribuinte depois da interposica̧õ do recurso voluntário, em razões aditivas acompanhadas das notas fiscais que já haviam sido antes apresentadas, mas juntadas apenas aos lanca̧mentos de Contribuição ao PIS e Cofins. (...) No Acórdão n. 10616.716 as razões aditivas apresentadas pelo sujeito passivo quase um ano após a interposição do recurso voluntário foram apreciadas em respeito ao princípio da verdade material, mormente tendo em conta sua relevância para o deslinde da controvérsia instaurada acerca da condição do sujeito passivo como produtor rural e provas das receitas correspondentes, hábeis a afastar a acusação de acréscimo patrimonial a descoberto. A divergência, portanto, está patente: o acórdão recorrido, com fundamento no art. 16, §4o do Decreto no 70.235/72, limita a prova documental à impugnação, e o paradigma aceita prova documental trazida em razões aditivas ao recurso voluntário, como ocorrido nestes autos. Já com referência ao paradigma n. 10321.761, observase que a argumentação da interessada dirigese a firmar a possibilidade de prova de retenções sofridas pelo sujeito passivo por meio de notas fiscais de serviços. Em seu recurso especial, assevera que a negativa de conhecimento dos documentos trazidos em razões aditivas representaria divergência em face deste segundo paradigma. Porém, como o Colegiado recorrido não apreciou os documentos, não houve manifestação acerca da sua validade como prova das retenções, o que impede a Fl. 9139DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 9101003.146 CSRFT1 Fl. 6.821 7 caracterização da divergência sob esta ótica. Logo, este aspecto somente terá relevo se, no exame da divergência caracterizada em face do paradigma n. 106 16.716, firmarse a necessidade de conhecimento das razões aditivas em questão. Por tais razões, devese reconhecer demonstrada a divergência acerca desta matéria, mas apenas em face do paradigma n. 10616.716. Por sua vez, em relação ao tema “imposiçaõ da multa qualificada baseada na ausen̂cia de declaração ou em declaração a menor de tributo”, o despacho de agravo assim se manifestou, admitindo o recurso do contribuinte em face do acórdão paradigma n. 1402 001.271: De fato, apesar de o exame complementar de admissibilidade ter abordado os dois paradigmas indicados pela interessada, suprindo a deficiência que determinou o retorno dos autos à Câmara, a conclusão nele exposta é incompatível com os elementos descritos no próprio despacho. Se o segundo paradigma (n. 1402001.271) afasta a qualificação da penalidade nos casos em que a receita tomada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos foi colhida em livro contábil ou fiscal da própria contribuinte, e está indicado no acórdão recorrido que as receitas tomadas como referen̂cia para arbitramento dos lucros foram extraídas do registro de receitas de prestação de serviços e de demonstrativos apresentados pela contribuinte, ha,́ a primeira vista, divergência a ser solucionada pela 1a Turma da CSRF. A confirmar esta impressão inicial, vêse no recurso especial que o questionamento da interessada dirigiase ao fato de a qualificacã̧o da penalidade estar fundamentada na suposta omissão de receitas e na inexatidão de informações prestadas pela recorrente, dado inexistir débitos informados em DIPJ e DCTF, apesar de sua indicação em LALUR, além de eles se externarem publicamente e na sua escrita fiscal e contábil. Apontou que o próprio Relatório Fiscal reconhecia a existência de informações em DIPJ, e observou que como a declaracã̧o foi apresentada não teria havido sonegaca̧õ ou fraude, mas apenas declaracã̧o inexata. Além disso, houve retencõ̧es na fonte nos períodos fiscalizados, consoante destacado nas notas fiscais de serviços. O caso, portanto, seria de aplicação da Súmula CARF no 14. No acórdão recorrido (n. 1202001.204) firmouse caracterizar sonegação a apresentaçaõ de DIPJ e DCTF zeradas, as quais retardaram o conhecimento do fato gerador. Destacouse, ainda, a seguinte conclusão incorporada da decisão de 1a instância: Com efeito, restou nos autos comprovado que a autuada .deixou de contabilizar resultados de suas atividades em Livros Diário e Razão, obrigatórios por forca̧ da legislação de regência (artigos 251, 258 e 259 do RIR/99), em reiterados períodos de apuraçaõ (trimestres) nos anoscalendário de 2004 e 2005, e abstevese de informar tais valores à RFB, em DIPJ e DCTF. caracterizando omissões de receitas por vultosas somas, nos totais de R$ 16.610.697,73 (anocalendário 2004, fls. 13) e R$ 21.467.569,64 (anocalendário 2005, fls. 15). Observese que o acórdão recorrido não reconheceu que as receitas estavam declaradas em DIPJ, afirmando vultosos os valores omitidos. Assim, na análise da divergência, estas circunstâncias não podem ser consideradas, apenas, sob a ótica da contribuinte. De toda a sorte, no segundo paradigma (n. 1402001.271), a contribuinte declarara apenas 11% da receita escriturada. E, sob a premissa de que a qualificaca̧õ da penalidade depende da convicção de que o sujeito passivo cometeu a conduta dolosa de sonegação e/ou fraude e/ou simulaçaõ, por meio de um conjunto probatório suficiente, o Colegiado concluiu inexistir motivo para a qualificaca̧õ da penalidade quando os valores omitidos foram descobertos com a Fl. 9140DF CARF MF 8 ajuda do contribuinte. Assim, mesmo frente a 90% das receitas omitidas, se o sujeito passivo apresentou informações e documentos fiscais e contábeis, legalmente previstos, não seria possível a qualificação da penalidade sobre tributos apurados se a receita tomada em conta pelo procedimento fiscal para o lanca̧mento dos tributos foi colhida em livro contábil ou fiscal da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata. Como, no presente caso, as receitas foram tomadas de livro fiscal da contribuinte (registro de notas fiscais de servico̧s) e dos balancetes que evidenciavam as demais receitas da atividade, e a omissão em DIPJ e DCTF também foi considerada vultosa, confirmase que há divergência acerca da possibilidade de qualificaca̧õ da penalidade quando os valores omitidos foram descobertos com a ajuda do contribuinte. Já com referência ao primeiro paradigma (n. 1301000.355), a interessada destacou, em seu recurso especial, que nele se decidiu situação idêntica à presente, em que houve o arbitramento do lucro da empresa pela não apresentaçaõ de livros obrigatórios, com a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% por ter o sujeito passivo deixado de proceder à declaracã̧o/pagamento de tributos. Todavia, o exame daquele julgado evidencia que, não tendo sido apresentados os livros contábeis, a autoridade fiscal promoveu o arbitramento dos lucros a partir da receita informada em DIPJ, motivando a qualificaca̧õ da penalidade apenas no fato de os débitos apurados em DIPJ não terem sido informados em DCTF. Por sua vez, a decisão do paradigma confirmou a redução da penalidade promovida em 1a instância porque o procedimento da contribuinte não resultou em qualquer exigência direta de omissão de receitas, especialmente quando nos autos foram tributados somente as receitas espontaneamente informadas na DIPJ. Logo, o primeiro paradigma apresenta substancial diferença em relação ao caso tratado nestes autos, porque as receitas consideradas no cálculo dos tributos devidos foram informadas em DIPJ, ao passo que no presente caso as omissões de receitas por vultosas somas, que a contribuinte abstevese de informar à Receita Federal, em DIPJ e DCTF, foram determinantes para a manutenção da multa qualificada no acórdão recorrido. Por tais razões, devese reconhecer demonstrada a divergência acerca desta matéria, mas apenas em face do paradigma n. 1402001.271.” O contribuinte pugna sejam conhecidos outros temas, que seriam questões de ordem pública. Contudo, é necessário observar que tais matérias foram expressamente não admitidas por despacho, razão pela qual compreendo que não podem ser conhecidas por este Colegiado em respeito às normas regimentais. Portanto, a primeira questão de mérito a ser analisada diz respeito ao exame de provas apresentadas pelo contribuinte, supostamente apresentadas por ele após a apresentação da impugnação administrativa. Verificase que o contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 4.789 e seg.) e, após, por meio de novo patrono, apresentou “razões aditivas ao recurso especial”. Nas aludias razões aditivas, o contribuinte rememorou que o presente processo, que tem como objeto a cobrança de IRPJ e CSLL, originouse do mesmo MPF atinente a dois outros processos, nos quais a autoridade fiscal formalizou correspondente cobrança de PIS (18088.000050/200986) e COFINS (18088.000051/200921). Explicitou, então, que uma mesma prova seria pertinente a todos os processos, a fim de evidenciar que parcela da cobrança desses tributos já havia sido retida pelas fontes pagadoras: notas fiscais de prestação de serviço, com destaque de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Contudo, justifica que, tendo em vista a grande quantidade de documentos em questão e os custos envolvidos, as notas fiscais em questão foram distribuídas entre os três processos, contando o contribuinte que a Fl. 9141DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 9101003.146 CSRFT1 Fl. 6.822 9 autoridade fiscal os analisasse em conjunto. Explicitou, ainda, que como não foi intimado quanto ao resultado da diligência realizada por resolução da DRJ, não teve a oportunidade de verificar que nesta apenas teria sido levado em consideração as notas fiscais anexadas a este processo, o requerimento para a consideração das notas fiscais anexadas àqueles outros dois processos foi realizada nas razões aditivas. A Turma a quo, contudo, compreendeu que tais provas, bem como todas as demais questões apresentadas nas “razões aditivas”, não poderiam ser apreciadas, por força do art. 16 do Decreto n. 70.235/72. Este Colegiado tem analisado a questão de Direito relacionada ao tema, merecendo destaque o bem fundamentado voto do i. Conselheiro André Mendes de Moura (ac. 9101003.097, de 14 de setembro de 2017), ao qual rendo homenagens, in verbis: “A matéria devolvida diz respeito à preclusão processual na apresentação de provas em sede de recurso voluntário, o que estaria em desacordo com o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). A princípio, cumpre esclarecer que o processo administrativo tributário emana da Lei Maior, que assegura o contraditório e a ampla defesa às partes, no art. 5º, inciso LV: aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Tratou a Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, de consagrar os princípios no art. 2º: A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Devidamente consolidados no ordenamento jurídico, cabe à norma processual a missão de operacionalizar, de criar mecanismos para o exercício da ampla defesa e do contraditório. Nesse contexto, o Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, trata do assunto: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 9142DF CARF MF 10 (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Grifei) Observase que, no exercício que lhe compete, a norma processual estabelece prazos para a apresentação das peças processuais pelas partes. Estabelece a necessária ordem ao processo, e permite a devida estabilidade para o julgamento da lide. Apesar de o texto mencionar apenas "impugnação", entendo que a interpretação mais adequada não impede a apresentação das provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão da matéria em litígio, ou seja, podem ser apresentadas desde que não disponham sobre nenhuma inovação”. É preciso observar que, naquele caso, analisouse hipótese de provas apresentadas com o recurso voluntário, compreendendose restaria cumprido o prazo do art. 16 do PAF. No presente caso, o pedido para a consideração de provas emprestadas de outros processos administrativos surgiu em face da não consideração destas pela DRJ, após a apresentação do recurso voluntário, mas aproximadamente um ano antes do julgamento proferido pela Turma Ordinária do CARF, de forma a não interferir na ordem processual. Compreendo que igualmente não há obstáculo ao conhecimento do pedido de análise de documentos formulado pelo contribuinte no presente caso, considerando as circunstâncias em que este ocorreu. Deve ser considerado que o contribuinte já havia apresentado a prova em questão (notas fiscais) no bojo de outros processos administrativos (n. 18088.000050/200986 e n. 18088.000051/200921) que dizem respeito à mesma autuação fiscal, compreendem os fatos e períodos de apuração deste processo ora sob julgamento e são dependentes dos mesmos elementos de prova, cuja reunião em um único processo teria cumprido de forma mais adequada as normas do processo administrativo (Decreto n. 70.235, art. 9o, §1º; Portaria Portaria RFB nº 666, de 24/04/2008) e, assim, evitado uma série de intempéries como a que ora se analisa. Em especial, foi a não reunião das autuações que deu causa à não análise imediata e conjunta da grande quantidade de notas fiscais apresentadas pelo contribuinte à administração fiscal. Não pode ser ignorado que, nos outros processos administrativos pertinentes aos mesmos fatos ocorridos nestes autos, este Tribunal tem realizado a análise global de todas as notas fiscais de serviços emitidas pelo contribuinte em questão, inclusive aquelas anexadas aos presentes autos e pertinentes ao IRPJ e à CSLL. Nesse sentido, no processo n. 18088.000050/200986, a 2a Turma, 3a Câmara, 3a Seção, proferiu o acórdão n. 3302004.632, em que restou consignado, in verbis: "Vasculhando as informações e documentos acostados aos autos, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama em voto proferido na Resolução 3202000.186, entendeu que: Fl. 9143DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 9101003.146 CSRFT1 Fl. 6.823 11 "Passada a descrição das questões trazidas pela recorrente, vêse que para o deslinde da lide, é essencial, no caso vertente, a comprovação da liquidez e certeza dos referidos créditos, o que, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: ∙ Providencie a juntada de todas as Notas Fiscais relativas a esses eventos e períodos ora aqui discutidos e que, por sua vez, se encontram em outros Processos Administrativos: Processos nºs 18088.000051/200921 (Auto de Infração da Cofins) e 18088.000063/200955 (Auto de Infração do IRPJ e CSLL), ∙ Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ∙ Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento." Atendia a Resolução, veio aos autos o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 12997/13010), apontando somente a existência de crédito remanescente de PIS, referentes ao período de apuração de fevereiro, março, abril e julho de 2004, no valor de R$ 1.066,72." Do mesmo modo, nos autos do processo 18088.000051/200921, atinente à COFINS, a 1a Turma, 2a Câmara, 3a Seção, proferiu o acórdão n. 3201002.849, em que restou consignado, in verbis: Do relatório, extraise que a autoridade fiscal, em procedimento de diligência, confirmou o equívoco do lançamento em relação às notas fiscais anexadas ao presente processo, tendo o acórdão recorrido cancelado a exigência em relação a estes recolhimentos considerados comprovados. Verificase ainda que a recorrente, em sede de memoriais, informa a localização de cada uma das notas fiscais que demonstrariam o recolhimento dos tributos ora exigidos, que teriam sido anexados a outros dois processos da recorrente, referentes aos mesmos períodos de apuração. Desta forma, tendo em vista os fatos trazidos em sede de julgamento de recurso voluntário, mostrase necessário que o presente processo seja encaminhado em diligência a unidade de origem para que sejam adotadas as seguintes providências: elaboração de relatório conclusivo acerca da inclusão (ou não) dos valores correspondentes às Notas Fiscais anexadas junto aos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955, no cômputo dos totais de receitas apuradas que ensejaram na presente autuação. manifestação acerca da necessidade de retificação dos valores lançados, informando o valor que entende devido, tendo em vista as notas fiscais anexadas junto aos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955. Após prestadas as informações acima, abrase vistas a recorrente para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias, se entender necessário, bem como intimese a douta Procuradoria da Fazenda Nacional para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias, sobre o resultado desta diligência. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para prosseguimento no julgamento. (...) Fl. 9144DF CARF MF 12 Em diligência realizada, a Autoridade Fiscal concluiu (efls. 5953 a 5961, grifei): Em atendimento ao contido no encaminhamento do CARF – Conselho Administrativo de recursos Fiscais a fl. 5834 do processo de lançamento de crédito tributário da COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social nº 18088.000051/200921, efetuo a presente informação fiscal. Junto ao presente o TDPF – D – Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal nº 08122002015000965. Esta informação fiscal é elaborada ante a solicitação de diligência exarada na Resolução nº 3201000.460 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 5827 a 5832), para que sejam adotadas as seguintes providências: 1) elaboração de relatório conclusivo acerca da inclusão (ou não) dos valores correspondentes às Notas Fiscais anexadas nos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955, no cômputo dos totais de receitas apuradas que ensejaram na presente autuação. 2) manifestação acerca da necessidade de retificação dos valores lançados, informando o valor que o Auditor Fiscal autuante entende devido, tendo em vista as notas fiscais anexadas nos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955. Quanto ao item 1 supra, as Notas Fiscais anexadas pelo contribuinte nos eProcessos nº 18088.000050/200986 (PIS) e 18088.000063/200955 (IRPJ), quando da impugnação apresentada, localizamse as fls. 1807 a 4959 e as fls. 1178 a 4528, respectivamente em cada processo, e o valor de cada uma das notas fiscais encontrase incluído nos totais mensais de receitas apuradas segundo as planilhas representativas dos demonstrativos contábeis do período de apuração de 08/2006 até 12/2006 (fl. 55), de 01/2007 até 12/2007 (fl. 62), e de 01/2008 até 06/2008 (fl. 66). Considero nessa informação fiscal que a recorrente, em sede de memoriais, informou a localização de cada uma das notas fiscais que, segundo afirmou a fiscalizada, demonstrariam o recolhimento dos tributos ora exigidos do período de apuração de 08/2006 até 12/2006, de 01/2007 até 12/2007, e de 01/2008 até 06/2008; são as notas fiscais as fls. 2948 a 4959 do processo nº 18088.000050/200986 (PIS) e as fls. 2352 a 4528 do processo 18088.000063/200955 (IRPJ). Contudo, conforme apurei do exame das planilhas de 181 fls. de minha elaboração que junto a esse relatório, nem toda nota fiscal emitida pela fiscalizada informou o valor da retenção da Cofins, inferindo eu que a retenção da Cofins não foi feita nas notas fiscais que não apontam que houve retenção dessa contribuição. Mediante essa prova material de não retenção da Cofins, consubstanciada em várias notas fiscais sem retenção dessa contribuição, apontadas nas planilhas anexas, não concedi ao contribuinte valor algum de Cofins retida na fonte nas notas fiscais em que não há expressamente apontamento de retenção na fonte da Cofins. Quanto ao item 2 supra, segue minha manifestação acerca da necessidade de retificação dos valores lançados, informando desde já que inexiste valor remanescente devido, tendo em vista as notas fiscais anexadas junto aos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955 e as fls. 4945, 5836, 5837, 5838 e 5839. (...) Entendo, portanto, atendendo ao item nº 2 da Resolução nº 3201000.460 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, que não restou nenhum valor devido de COFINS no anocalendário 2008. Fl. 9145DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 9101003.146 CSRFT1 Fl. 6.824 13 Por fim, chama a atenção que os julgadores da Turma Ordinária, em face da alegação e da demonstração apresentada pelo contribuinte quanto às retenções sofridas a título de antecipação de IRPJ e CSLL, com o propósito garantir a determinação da matéria tributável e exigível conforme preceitua o art. 142 do CTN, gozaria inclusive da prerrogativa para converter o julgamento em diligência para a verificação das notas fiscais acostadas aos autos dos processos 18088.000050/200986 e 18088.000051/200921, atinentes ao PIS e à COFINS. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte quanto a esta primeira matéria, no sentido de se admitir as provas apresentadas em sede de razões aditivas do recurso voluntário, de forma a devolver os autos para a Turma a quo apreciar as notas fiscais acostadas aos autos n. 18088.00051/200921 (COFINS) e 18088.000050/200986 (PIS). Tendo em vista o retorno dos autos para a Turma a quo, resta prejudicada a análise, neste momento processual, por esta CSRF, da questão atinente à qualificação da multa de ofício. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso especial e, no mérito, para darlhe PARCIAL PROVIMENTO, de forma a devolver os autos para a Turma a quo apreciar as notas fiscais acostadas aos autos n. 18088.00051/200921 (COFINS) e 18088.000050/200986 (PIS). (assinatura digital) Luís Flávio Neto Declaração de Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Acompanhei o Relator pelas conclusões, porque não entendo que a hipótese é de aplicação ou não do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. É bem verdade que a decisão recorrida aplicou tal dispositivo para não acolher as razões aditivas trazidas pela Contribuinte às efls. 4.853/4.884, motivo pelo qual a Contribuinte apresentou acórdãos paradigmas discutindo a conhecida tese de se admitir ou não a prova após a impugnação. Contudo, se se analisar o conteúdo dessas razões aditivas, é possível constatar que não se trata propriamente de trazer provas após a impugnação, mas sim de um pedido para que as provas juntadas por ocasião de uma diligência realizada no curso de outro processo, juntada a processos decorrentes do mesmo procedimento fiscal que ensejou no presente lançamento, fossem também aqui juntadas. Por oportuno, transcrevo dessas razões os seguintes trechos: Fl. 9146DF CARF MF 14 Decorrente do mesmo MPF 0812200/00465/08, emitido em face da Recorrente, foram lavrados além do Auto de Infração de IRPJ e tributação reflexa da CSLL, objeto deste processo, os Autos de Infração para exigência do PIS/Pasep (processo n 2 1888.000050/200986 e da Cofins (Processo n 9 18088.000051/2009 21). ............................................................................................................................. 0 contencioso administrativo foi instaurado em face de todos os lançamentos de oficio. Contudo, tendo em vista o grande volume de Notas Fiscais comprobatórias das retenções na fonte do PIS/Pasep, da Cofins, do IRPJ e da CSLL, e considerando a inviabilidade de anexar a totalidade de cópias autenticadas de todo o documentário fiscal em cada uma das três Impugnações, inclusive por medida de economia processual, a totalidade das notas fiscais foi dividida nos três processos (PIS, Cofins e IRPJ;CSLL), de maneira de modo que todo o universo de notas fiscais pudesse ser examinado pelo julgador. Em procedimento fiscal de diligência, determinado pela 5 2 Turma da DRJ/RPO, foram examinadas as Notas Fiscais apresentadas em cada uma das impugnações, tendo o Auditor Fiscal elaborado demonstrativo contendo: (i) número da folha dos processos, (ii) número das Notas Fiscais, (iii) valor total das Notas Fiscais, e as contribuições/impostos destacados nas Notas Fiscais. Nas Informações Fiscais apresentadas nos respectivos processos, o AFRF fez a seguinte observação: ............................................................................................................................ A seguir, apresentamos planilha com a indicação do número das Notas Fiscais de Serviços Prestados que foram anexadas às respectivas Impugnações, em ordem sequencial e segregadas por processo administrativo: Fl. 9147DF CARF MF Processo nº 18088.000063/200955 Acórdão n.º 9101003.146 CSRFT1 Fl. 6.825 15 É de se constatar, portanto, que se os autos estivessem reunidos em um único processo administrativo fiscal, essas notas fiscais estariam todas reunidas também desde a impugnação, em um único processo administrativo fiscal. É bem verdade, também, que esses argumentos, essas razões aditivas, já poderiam ter sido trazidas desde o recurso voluntário e não após o prazo de apresentação deste. Tal fato, aliás, ensejaria o não conhecimento das razões, não por força do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235, de 1972, mas porque não foi observado o prazo de que trata o art. 33 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972. Ocorre que, por força do art. 9º, §1º, do Decreto nº 70.235, a Secretaria da Receita Federal do Brasil orienta a Fiscalização a formalizar autos de infração decorrentes do mesmo elementos de prova em um único processo. Nesse sentido, ao tempo da formalização do presente processo (2009), vigia a Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, que dispunha: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235, Fl. 9148DF CARF MF 16 de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 113 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 18 da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, resolve: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); Assim, somente em razão deste aspecto, ou seja, pelo fato de que, tivesse a autoridade fiscal observado tal portaria, a instrução processual buscada por meio das razões aditivas já teria sido providenciada, sensibilizome no sentido de determinar que sejam trazidas as provas constantes nos outros processos ao presente processo, e, por conseguinte, que após tal providência, o colegiado a quo se manifeste sobre essas notas fiscais, ficando por ora prejudicada a análise da matéria relativa à multa qualificada, que também havia sido admitida por ocasião do juízo de admissibilidade do recurso especial de divergência. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 9149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721638/2013-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
DESMUTUALIZAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. MULTA DE OFÍCIO ACRESCIDA DE JUROS.
O ganho de capital auferido na desmutualização enseja obrigação tributária compreendendo tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o principal e multa de ofício incidem juros de mora à taxa Selic (Súmulas CARF nº 4 e 5; e Lei nº 9.430, de 1996, art. 61).
PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO COM LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. PDD. CANCELAMENTO DO AUTO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL E BASE CSLL
Desenvolvido e fundamentado no voto do acórdão embargado, contemplando-se os elementos necessários para que, no retornos dos autos, a DRF proceda à correta cobrança dos créditos tributários remanescentes, relativos à desmutualização, juros e multa de ofício, exonerando-se aqueles referentes ao ágio, não há omissão a ser reparada.
JURISPRUDÊNCIA DO CARF. DESMUTUALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE EXPRESSA MANIFESTAÇÃO
O fato de não haver expressa referência no acórdão embargado, sobre os acórdãos colacionados, não significa que foram objeto de análise, sobretudo, para viabilizar a conclusão exarada que, no caso, foi em sentido diverso, concluindo-se e fundamentando-se pela ocorrência de ganho de capital e a devida incidência de juros e multa.
AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO. QUADRO DEMONSTRATIVO. INDICAÇÕES DA DRJ EM DESACORDO COM O ACÓRDÃO EMBARGADO. NECESSIDADE DE EXCLUSÃO DO QUADRO
Diante de lapso material manifesto, ao se reproduzir o referido quadro apresentado pela DRJ, sem a necessária adequação para refletir as amortizações de ágio, cuja despesa havia sido glosada pela DRJ, ainda que o quadro, em si, não tenha o condão de modificar a conclusão do voto, a respeito de tal matéria, cabe a exclusão do referido quadro.
GANHO DE CAPITAL. VALORIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS. EMBARGANTE CITA APENAS PARTE DO ACÓRDÃO
Não há contradição quando verificado que a Embargante transcreveu apenas parte do voto em questão, e o trecho a que se refere, em verdade, trata-se de transcrição do acórdão da DRJ, em que, de forma correta e precisa, indica a parte que concorda com as alegações da Embargante (trecho transcrito nos embargos de declaração), e parte em que a DRJ concorda com a Fiscalização.
Numero da decisão: 1302-002.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta)..
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DESMUTUALIZAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. MULTA DE OFÍCIO ACRESCIDA DE JUROS. O ganho de capital auferido na desmutualização enseja obrigação tributária compreendendo tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o principal e multa de ofício incidem juros de mora à taxa Selic (Súmulas CARF nº 4 e 5; e Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO COM LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. PDD. CANCELAMENTO DO AUTO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL E BASE CSLL Desenvolvido e fundamentado no voto do acórdão embargado, contemplando-se os elementos necessários para que, no retornos dos autos, a DRF proceda à correta cobrança dos créditos tributários remanescentes, relativos à desmutualização, juros e multa de ofício, exonerando-se aqueles referentes ao ágio, não há omissão a ser reparada. JURISPRUDÊNCIA DO CARF. DESMUTUALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE EXPRESSA MANIFESTAÇÃO O fato de não haver expressa referência no acórdão embargado, sobre os acórdãos colacionados, não significa que foram objeto de análise, sobretudo, para viabilizar a conclusão exarada que, no caso, foi em sentido diverso, concluindo-se e fundamentando-se pela ocorrência de ganho de capital e a devida incidência de juros e multa. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO. QUADRO DEMONSTRATIVO. INDICAÇÕES DA DRJ EM DESACORDO COM O ACÓRDÃO EMBARGADO. NECESSIDADE DE EXCLUSÃO DO QUADRO Diante de lapso material manifesto, ao se reproduzir o referido quadro apresentado pela DRJ, sem a necessária adequação para refletir as amortizações de ágio, cuja despesa havia sido glosada pela DRJ, ainda que o quadro, em si, não tenha o condão de modificar a conclusão do voto, a respeito de tal matéria, cabe a exclusão do referido quadro. GANHO DE CAPITAL. VALORIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS. EMBARGANTE CITA APENAS PARTE DO ACÓRDÃO Não há contradição quando verificado que a Embargante transcreveu apenas parte do voto em questão, e o trecho a que se refere, em verdade, trata-se de transcrição do acórdão da DRJ, em que, de forma correta e precisa, indica a parte que concorda com as alegações da Embargante (trecho transcrito nos embargos de declaração), e parte em que a DRJ concorda com a Fiscalização.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.721638/2013-68
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805442
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.373
nome_arquivo_s : Decisao_16327721638201368.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 16327721638201368_5805442.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta)..
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7047633
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734412763136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2008; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721638/201368 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302002.373 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria DESMUTUALIZAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. NÃO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Embargante NACIONAL ALVORADA CARTOES, CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. (SUCESSOR: BANCO BRADESCO BERJ S.A.) Interessado FAZENDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DESMUTUALIZAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. MULTA DE OFÍCIO ACRESCIDA DE JUROS. O ganho de capital auferido na desmutualização enseja obrigação tributária compreendendo tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o principal e multa de ofício incidem juros de mora à taxa Selic (Súmulas CARF nº 4 e 5; e Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO COM LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. PDD. CANCELAMENTO DO AUTO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL E BASE CSLL Desenvolvido e fundamentado no voto do acórdão embargado, contemplandose os elementos necessários para que, no retornos dos autos, a DRF proceda à correta cobrança dos créditos tributários remanescentes, relativos à desmutualização, juros e multa de ofício, exonerandose aqueles referentes ao ágio, não há omissão a ser reparada. JURISPRUDÊNCIA DO CARF. DESMUTUALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE EXPRESSA MANIFESTAÇÃO O fato de não haver expressa referência no acórdão embargado, sobre os acórdãos colacionados, não significa que foram objeto de análise, sobretudo, para viabilizar a conclusão exarada que, no caso, foi em sentido diverso, concluindose e fundamentandose pela ocorrência de ganho de capital e a devida incidência de juros e multa. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO. QUADRO DEMONSTRATIVO. INDICAÇÕES DA DRJ EM DESACORDO COM O ACÓRDÃO EMBARGADO. NECESSIDADE DE EXCLUSÃO DO QUADRO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 38 /2 01 3- 68 Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 16327.721638/201368 Acórdão n.º 1302002.373 S1C3T2 Fl. 3 2 Diante de lapso material manifesto, ao se reproduzir o referido quadro apresentado pela DRJ, sem a necessária adequação para refletir as amortizações de ágio, cuja despesa havia sido glosada pela DRJ, ainda que o quadro, em si, não tenha o condão de modificar a conclusão do voto, a respeito de tal matéria, cabe a exclusão do referido quadro. GANHO DE CAPITAL. VALORIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS. EMBARGANTE CITA APENAS PARTE DO ACÓRDÃO Não há contradição quando verificado que a Embargante transcreveu apenas parte do voto em questão, e o trecho a que se refere, em verdade, tratase de transcrição do acórdão da DRJ, em que, de forma correta e precisa, indica a parte que concorda com as alegações da Embargante (trecho transcrito nos embargos de declaração), e parte em que a DRJ concorda com a Fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta).. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte ao Acórdão nº 1302002.0001 de 06 de outubro de 2016, desta 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento, sob as alegações a seguir expostas. Primeira Omissão O Acórdão embargado afastou a multa de ofício, em relação à dedução das despesas de amortização de ágio, mas a manteve, inclusive com acréscimos de juros, quanto ao ganho de capital auferido na referida desmutualização, face ao não oferecimento à tributação. Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 16327.721638/201368 Acórdão n.º 1302002.373 S1C3T2 Fl. 4 3 A Embargante alega que haveria omissão no Acórdão, no que diz respeito a sua alegação de que não caberiam juros sobre multa de ofício. Segunda Omissão A Embargante também alega a ocorrência da seguinte omissão: No acórdão ora embargado, apesar de ter havido o cancelamento integral do auto de infração com relação às despesas com Perdas em Operações de Créditos com Liquidação Duvidosa PDD, deveria o acórdão ter se manifestado que quando da recomposição do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL também deverão ser considerados os efeitos nos saldos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL da Embargante, bem como da necessária compensação de ofício com os valores que foram mantidos no presente processo (relativamente à desmutualização). Tal argumento foi demonstrado às folhas 89 e 90 do recurso voluntário e, como já foi mencionado, não houve qualquer tipo de manifestação sobre essa questão no acórdão recorrido. Por tais razões, mostrase necessária a reforma do acórdão embargado, a fim de que seja suprida a omissão em tela e sejam propriamente analisados os argumentos suscitados pela Embargante no que tange ao item II.3.3 do recurso voluntário, o qual, apesar do cancelamento da exigência de PDD é extensível aos valores que ainda permanecem em discussão no presente processo. Terceira Omissão A Embargante ainda alega a ocorrência da seguinte omissão: É incontroverso que houve o reconhecimento de diversos equívocos relativamente às autuações Fiscais. Tanto isso é verdade que das três matérias objeto do lançamento de ofício (ágio, PDD e desmutualização), apenas uma foi mantida até o presente momento por esse E. CARF (desmutualização). Nessa esteira, foi devidamente demonstrado no recurso voluntário (item II.3.2 p. 85 a 89) que, quando há erro na composição da base de cálculo, devese cancelar a integralidade dos autos de infração. Isso porque, uma vez constituído o crédito tributário baseado em determinado critério jurídico, cabe à Autoridade Julgadora, além de determinar a realização de eventuais diligências e perícias, apenas a declaração: (i) da total improcedência do lançamento, ou (ii) a sua procedência. E o erro na composição da base de cálculo no presente caso foi efetivamente reconhecido quando do cancelamento das autuações, relativamente à questão envolvendo PDD. Assim, a DRJ chega à conclusão de que as perdas não dedutíveis, no montante de R$22.550.070,79, são aquelas referentes aos anos, em que não houve base tributável para absorvêla totalmente, seja porque o valor era menor ou porque tinha se prejuízo fiscal. A DRJ ainda se confunde, pois se a Fiscalização entendeu que a Glosa deveria ser de R$56.674.319,95 e a DRJ entende que a parcela não dedutível é R$22.550.070,79, como a parte dispositiva da DRJ poderia estar assim: Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 16327.721638/201368 Acórdão n.º 1302002.373 S1C3T2 Fl. 5 4 Ante o exposto, há que se exonerar do lucro real o valor de RS34.124.249,16 (RS56.674.319,95 R$22.550.070,79) e RS29.502.777.40 da base de cálculo da CSLL (R$56.674.319,95 RS27.171.542,55) o que equivale ao montante de R$8.531.062,29 a título de IRPJ/adicional e RS4.425.416,61 a título de CSLL. Ora, a Fiscalização entendeu que RS56.674.319,95 era o total das perdas indedutíveis em 2008, a DRJ entendeu que era R$22.550.070,79, aí a DRJ desonera das bases a diferença entre os dois valores, sem fundamento algum. Com relação à CSLL, seguiuse com os mesmos equívocos. Assim, diante de tais equívocos, é de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, quanto a tais deduções de perdas no recebimento de crédito, cancelando se integralmente os respectivos lançamentos. Contudo, não há qualquer manifestação no acórdão embargado sobre a necessidade de se cancelar a integralidade dos autos de infração, quando há vícios (que são, inclusive, de natureza material) na composição da base de cálculo objeto do lançamento de ofício. Portanto, também deve ser sanada a presente omissão, para que a turma se manifeste pelo acolhimento do argumento exposto no recurso sobre a necessidade de cancelamento da integralidade dos autos de infração, em razão da iliquidez e incerteza nas bases de cálculo autuadas. Quarta Omissão A Embargante alega que teria havido omissão no Acórdão recorrido, no que diz respeito às jurisprudências do Carf, colacionadas no Recurso Voluntário, relativamente à Desmutualização, as quais estariam em consonância com o entendimento da Embargante, no sentido de que, em tal operação teria havido apenas permuta de ativos, sem ganho de capital. O acórdão embargado demonstra que teria ocorrido a devolução de patrimônio, o que justificaria a manutenção da autuação fiscal. Contudo, sem manifestarse sobre a jurisprudência do Carf sobre a mesma questão: "A extinção da CETIP Associação ocorreu na prática, visto que os títulos patrimoniais que representavam os quinhões associativos, deixaram de existir, justamente porque foram trocados pelas ações da CETIP S/A. E, neste sentido, a palavra troca não tem o significado de mera substituição, mas sim de equivalência de valor. A única possibilidade jurídica para que a operação se efetivasse da forma ocorrida era a devolução de patrimônio efetuado pela Associação pelo seu valor patrimonial dividido pela quantidade de títulos que o representavam e a subsequente e imediata subscrição de capital na CETIP S/A na mesma quantidade de ações que tal valor representava." (p. 69 do acórdão) Obscuridade A Embargante alega que, o quadro utilizado pela DRJ, reproduzido no acórdão embargado para ilustrar o entendimento desta Segunda Turma, não estaria representando, corretamente, a conclusão do Acórdão. Alega que tal quadro, em realidade, Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 16327.721638/201368 Acórdão n.º 1302002.373 S1C3T2 Fl. 6 5 contém somente as conclusões da DRJ, mas não estaria contemplando a amortização do ágio, cuja decisão embargada lhe foi favorável. Contradição A Embargante alega que teria demonstrado em seu Recurso Voluntário que teriam havido equívocos por parte da Fiscalização, no que diz respeito ao cálculo da suposta valorização dos títulos patrimoniais, até então pertencentes à Embargante, quando da apuração do suposto ganho de capital. Alega que, sem justificativa, o Fiscal teria assumido que, o custo de aquisição seria o mesmo que estava registrado nas sociedades incorporadas, qual seja, R$148.325,18 (Banco Mercantil) e R$ 182.105,31 (Banco BEC). Alega que, o próprio Fiscal teria concluído que o custo unitário dos títulos patrimoniais, na data da incorporação dos Bancos BEC e Mercantil, seria de R$237.025,60, perfazendo o montante de R$474.051,20, e não, R$148.324.18 e R$ 82.105,031. Prossegue argumentando que, os valores representativos das ações que foram recebidas pelos associados, no momento da desmutualização, teve como base o valor registrado nas demonstrações financeiras e não o valor do Patrimônio Líquido avaliado após o evento da cisão. Por esse motivo, o valor representativo de cada título patrimonial a ser considerado para fins de cálculo do ganho de capital deveria ser de R$ 406.650,00 e não de R$ 444.460,88. O acórdão embargado ao se manifestar sobre essa questão, no entanto, que a Embargante tem razão quando afirma que "as ações foram registradas pelo valor das demonstrações da data base de 31/03/2008, tanto que, como visto, na alienação das ações, ocorridas em 2011, era este o valor contábil registrado na linha 70 das fichas 06B e 07B." Contudo, de maneira contraditória conclui pela correta quantificação feita pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração: "Desta maneira reputase acertada a quantificação feita pela fiscalização, devendo os autos se manterem incólumes quanto a este quesito." É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conforme despacho de admissibilidade os Embargos de Declaração da contribuinte são tempestivos. Na forma relatada, os embargos de declaração indicam quatro pontos em que teria havido omissão no acórdão recorrido: a) juros sobre multa de ofício; b) recomposição do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL; Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 16327.721638/201368 Acórdão n.º 1302002.373 S1C3T2 Fl. 7 6 c) falta de manifestação sobre o pedido de cancelamento do auto de infração, em virtude de supostos vícios na composição da base de cálculo objeto do lançamento de ofício; e d) falta de manifestação sobre jurisprudência do Carf sobre Desmutualização. Com relação à incidência de juros de mora (Selic) sobre a multa de ofício imputada pela Fiscalização face ao não oferecimento à tributação dos valores relativos ao ganho de capital auferido na referida desmutualização, já tive a oportunidade de manifestarme sobre a matéria, em que concluí no sentido de que, a obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Os débitos a que se referem o art. 61, caput, e seu § 3º da Lei nº 9.430/96 são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo. Assim, os juros incidirão sobre o principal e a multa de ofício aplicada. É o que manda o citado § 3º; A Lei nº 9.430, de 1996, art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. De outra lado, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Pelo exposto, nesse primeiro ponto, voto por acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para afastar tal omissão, com base nas razões e fundamentos retro expostos. Com relação à recomposição do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL e à falta de manifestação sobre o pedido de cancelamento do auto de infração, em virtude de supostos vícios na composição da base de cálculo objeto do lançamento de ofício, verificase que, na forma como desenvolvido e fundamentado o voto do acórdão embargado, contemplaramse os elementos necessários para que, no retornos doa autos, a DRF proceda à correta cobrança dos créditos tributários remanescentes, relativos à desmutualização, juros e multa de ofício, exonerandose aqueles referentes ao ágio. Nesse sentido, analisandose os valores já considerados pela DRJ e a conclusão do acórdão embargado, favoráveis à embargante, não há que se falar em cancelar o auto de infração, com base no argumento de que seria ilíquido e incerto. Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 16327.721638/201368 Acórdão n.º 1302002.373 S1C3T2 Fl. 8 7 Nesse sentido, sobre esses segundo e terceiro pontos, verificase que, em realidade, a Embargante busca, a revisão do julgamento. Com a devida vênia, não identifico as alegadas omissões. Pelo exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração quanto às referidas segunda e terceira alegações de omissão. Com relação à quarta alegação de omissão, relativa à falta de manifestação sobre jurisprudência do Carf sobre Desmutualização, cabe salientar que, não obstante o fato de não haver expressa referência no acórdão embargado, a jurisprudência colacionada foi devidamente analisada, sobretudo, para viabilizar a conclusão exarada que, no caso, foi em sentido diverso, concluindose e fundamentandose pela ocorrência de ganho de capital e a devida incidência de juros e multa. Pelo exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração quanto à referida quarta alegação. A Embargante alega que haveria obscuridade no acórdão embargado, pelo fato de que o quadro utilizado pela DRJ, reproduzido no acórdão embargado para ilustrar o entendimento desta Segunda Turma, não estaria representando, corretamente, a conclusão do Acórdão. Alega que tal quadro, em realidade, contém somente as conclusões da DRJ, mas não estaria contemplando a amortização do ágio, cuja decisão embargada lhe foi favorável. Verificase que, houve lapso material manifesto, ao se reproduzir o referido quadro apresentado pela DRJ, sem a necessária adequação para refletir as amortizações de ágio, cuja despesa havia sido glosada pela DRJ. De toda forma, o quadro, em si, não tem o condão de modificar a conclusão do voto, a respeito de tal matéria. Nesse sentido, voto por acolher como embargos inominados para excluir do acórdão embargado (do voto) o referido quadro reproduzido do acórdão da DRJ, em virtude do referido lapso material manifesto. A Embargante alega contradição no acórdão embargado, pelo fato de que teria demonstrado em seu Recurso Voluntário a ocorrência de equívocos por parte da Fiscalização, no que diz respeito ao cálculo da suposta valorização dos títulos patrimoniais, até então pertencentes à Embargante, quando da apuração do suposto ganho de capital. Alega que, sem justificativa, o Fiscal teria assumido que, o custo de aquisição seria o mesmo que estava registrado nas sociedades incorporadas, qual seja, R$148.325,18 (Banco Mercantil) e R$ 182.105,31 (Banco BEC). Alega que, o próprio Fiscal teria concluído que o custo unitário dos títulos patrimoniais, na data da incorporação dos Bancos BEC e Mercantil, seria de R$237.025,60, perfazendo o montante de R$474.051,20, e não, R$148.324.18 e R$ 82.105,031. Prossegue argumentando que, os valores representativos das ações que foram recebidas pelos associados, no momento da desmutualização, teve como base o valor registrado nas demonstrações financeiras e não o valor do Patrimônio Líquido avaliado após o evento da cisão. Por esse motivo, o valor representativo de cada título patrimonial que deveria ter sido Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 16327.721638/201368 Acórdão n.º 1302002.373 S1C3T2 Fl. 9 8 considerado para fins de cálculo do ganho de capital, seria de R$ 406.650,00 e não de R$ 444.460,88. O acórdão embargado ao se manifestar sobre essa questão, no entanto, que a Embargante tem razão quando afirma que "as ações foram registradas pelo valor das demonstrações da data base de 31/03/2008, tanto que, como visto, na alienação das ações, ocorridas em 2011, era este o valor contábil registrado na linha 70 das fichas 06B e 07B." Contudo, de maneira contraditória conclui pela correta quantificação feita pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração: "Desta maneira reputase acertada a quantificação feita pela fiscalização, devendo os autos se manterem incólumes quanto a este quesito." Com a devida vênia, verificase que não há contradição no acórdão. Em realidade a Embargante transcreveu apenas parte do voto em questão, e o trecho a que se refere, em verdade, tratase de transcrição do acórdão da DRJ, em que, de forma correta e precisa, indica a parte que concorda com as alegações da Embargante (trecho transcrito nos embargos de declaração), e parte em que a DRJ concorda com a Fiscalização. Por sua vez, a Embargante transcreveu apenas o trecho em que, da mesma forma, o acórdão embargado também concordou com a conclusão da DRJ. Vejase o trecho completo, como consignado no acórdão embargado: Aqui, há que se conferir parcial razão a ambos, sendo que no cálculo permanece correto o Fisco. O impugnante tem razão em afirmar que as ações foram registradas pelo valor das demonstrações da data base de 31/03/2008, tanto que, como visto, na alienação das ações, ocorridas em 2011, era este o valor contábil registrado na linha 70 das fichas 06B e 07B. Já o autuante tem razão ao afirmar que o valor recebido a título de devolução de patrimônio seria o de R$ 444.460,88 (R$ 406.650,00 + R$ 37.810,88), visto que este valor adicional foi considerado na CETIP S/A em conta de Reserva de Capital. Ou seja, há um descasamento entre o valor das ações e aquele recebido a título de devolução de patrimônio, o que só corrobora o entendimento exposto no presente voto de que houve devolução seguida de subscrição. Fica patente que uma parte do valor recebido em devolução foi utilizado para a subscrição das ações e a outra parte para a constituição de reserva de capital. Desta maneira reputase acertada a quantificação feita pela fiscalização, devendo os autos se manterem incólumes quanto a este quesito. Por essas razões, voto por rejeitar os embargos de declaração, quanto a este ponto. Por todo o exposto, voto por acolher parcialmente os embargos de declaração, de acordo com a conclusão de cada um dos tópicos tratados, a seguir resumidos: a) primeira omissão, voto por acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para afastar tal omissão, com base nas razões e fundamentos retro expostos; b) segunda e terceira omissões, voto por rejeitar os embargos de declaração quanto às referidas segunda e terceira alegações de omissão; c) quarta omissão, voto por rejeitar os embargos de declaração quanto à referida quarta alegação; Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 16327.721638/201368 Acórdão n.º 1302002.373 S1C3T2 Fl. 10 9 d) obscuridade, voto por acolher como embargos inominados para excluir do acórdão embargado (do voto) o referido quadro reproduzido do acórdão da DRJ, em virtude do referido lapso material manifesto; e e) contradição, voto por rejeitar os embargos de declaração, quanto à alegação de contradição. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720107/2011-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
O princípio da legalidade tributária albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei.
O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em valores devidos a título de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferires àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96. Noutros termos, a referida Instrução Normativa em hipótese alguma majorou tributo frente à Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
Numero da decisão: 9101-003.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em valores devidos a título de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferires àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96. Noutros termos, a referida Instrução Normativa em hipótese alguma majorou tributo frente à Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16561.720107/2011-13
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801251
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-003.022
nome_arquivo_s : Decisao_16561720107201113.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : GERSON MACEDO GUERRA
nome_arquivo_pdf_s : 16561720107201113_5801251.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
id : 7024088
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734433734656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16561.720107/201113 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.022 – 1ª Turma Sessão de 9 de agosto de 2017 Matéria IRPJ E CSLL PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Recorrente WOBBEN WINDPOWER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em valores devidos a título de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferires àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96. Noutros termos, a referida Instrução Normativa em hipótese alguma majorou tributo frente à Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 07 /2 01 1- 13 Fl. 1463DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte em epígrafe, admitido para discussão da matéria legitimidade do cálculo do Preço Parâmetro, no método PRL 60, nos termos do disposto na Instrução Normativa nº 243/2002. Na origem, sobre a infração ora em discussão, conforme descrição dos fatos do auto de infração, para aplicação das regras de preços de transferência nas importações de insumos de pessoas ligadas, utilizados na fabricação de produto final, o contribuinte ao utilizar o método preço de revenda menos lucro (PRL) não o fez de acordo com o que determinava a instrução normativa SRF n ° 243/2002. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, alegando, dentre outros argumentos que a IN SRF n° 243/2002 prevê um procedimento diverso daquele previsto pela Lei n° 9.430/96 para a determinação do preço parâmetro segundo o método PRL60, quando deveria limitarse a regular tais dispositivos. Em face dessa ilegalidade da IN SRF n° 243/2002, os cálculos que fundamentaram o Auto de Infração devem ser desconsiderados. No julgamento da impugnação a DRJ, sobre o assunto em questão decidiuse que as Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não possuem competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Novamente inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF, repisando os argumentos da impugnação. No julgamento do Recurso, a 2ª Turma da 4ª Câmara, da 1ª Seção de julgamento, a ele negou provimento, assim se manifestando: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 3 3 final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete e seguro cujo ônus tenha sido do importador Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento. Ciente dessa decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando discutir a ilegalidade da IN 243/02. Conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara, o Recurso do Contribuinte foi admitido. Em suas razões alega o contribuinte: ü São distintas as regras de apuração do preço parâmetro baseado no PRL60, previstas na Lei 9.430/96 e na IN 243/2002. As regras da instrução normativa implicam em ônus muito mais elevado para o contribuinte; ü Concluise claramente, do exposto, que a IN SRF 243/02 prevê um procedimento diverso daquele previsto pela Lei 9.430/96, para determinação do preço parâmetro segundo o método PRL60, quando deveria limitarse a regular os dispositivos da lei que o estabeleceu; ü Tendo restado claro que a IN 243/02 inovou o ordenamento jurídico, frente aos preceitos estabelecidos pelas Leis 9.430/96 e 9.959/00 para o cálculo do método PRL60, importante repisar que o sistema tributário brasileiro tem como seu principal alicerce o principio da estrita legalidade, previsto no artigo 150, I da Constituição Federal; ü Todo ato normativo infralegal deve restringirse a regulamentar dispositivos legais, dispondo sobre aspectos formais, procedimentais ou esclarecendo seu conteúdo, nada mais. Daí concluirse que não é dado a uma Instrução Normativa extrapolar os limites que foram delimitados através de Lei, nem mesmo estabelecer procedimento diverso a ser seguido pelo contribuinte que possa ter efeito mais oneroso; Fl. 1465DF CARF MF 4 ü O entendimento de que a IN criou nova regra de preço de transferência foi corroborado com a edição da Lei 12.715/12, que alterou a Lei 9.430/96, de forma a adequar o texto legal ao texto da IN. Cientificada do Recurso, a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou contrarrazões, argumentando, em suma: ü Que a metodologia de cálculo exposta na IN SRF nº 243/2002 simplesmente regulamenta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, em estrita conformidade à intenção do legislador: evitar a transferência indireta de lucros para o exterior nas operações praticadas entre partes vinculadas, através do controle dos preços dos bens importados; ü A sistemática delineada pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96 é voltada para a quantificação de um preçoparâmetro para o bem importado, e não para o bem produzido localmente, razão pela qual não há coerência em se apurar a margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de revenda do produto final; ü A interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, constatação esta que se agrava pela impropriedade de redação da Lei, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, e dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa, de acordo com a finalidade da Lei. Assim, pediu o não provimento do Recurso do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator A admissibilidade do Recurso do Contribuinte não foi questionada pela Fazenda Nacional. A par disso, entendo não haver há reparos a se fazer na análise realizada pelo então Presidente da Câmara. De acordo com o contribuinte, a Instrução Normativa n. 243/2002 seria ilegal por carrear fórmula para a mensuração do Preço Parâmetro pelo método PRL 60% que destoa daquela fórmula que decorreria do art. 18 da Lei n. 9.430/96, na redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Diversamente, o Fisco e a Fazenda Nacional entendem que a Instrução Normativa n. 243/2002 jamais contrariou a Lei n. 9.430/96 – na redação dada pela Lei n. 9.959/00 –, mas apenas deu à Lei a sua melhor interpretação. Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 4 5 Vejamos, pois, os textos desses atos normativos. Frisese que o período objeto dos vertentes Autos de Infração é anterior ao advento da Lei n. 12.715/2012, razão pela qual não serão transcritas as alterações que essa lei impôs ao texto da Lei n. 9.430/96. Lei n. 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado, observadas as condições previstas no presente dispositivo, por um dos seguintes métodos: (...) II – Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Instrução Normativa n. 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) Fl. 1467DF CARF MF 6 § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Como se percebe na regra da Lei, o valor do prego liquido de revenda (PLV) é alcançado quando se descontam os valores relativos ás alíneas "a", "b" e "c". Assim, para se obter o prego parâmetro (PP), deste PLV deve ser deduzida a margem de lucro de 60%, calculada com base no PLV, deduzido o valor agregado (VA) no pais. Valor agregado (VA) é o montante relacionado ás demais matérias primas e custos inerentes à produção do produto acabado, excluindose o valor relativo ao item importado sob análise. Em outras palavras, é o custo de produção do produto acabado vendido (CPV) menos o custo da matéria prima importada de pessoa vinculada (CMP). Feitas as observações acima, o cálculo do PRL na margem de 60% segundo a Lei 9.430/96 resumese à seguinte fórmula: PP = PLV {[PLV — (CPV — CMP)] x 60%) Já o artigo 12 §11 da IN 243/02 prevê uma metodologia de apuração do PRL60 diferente, na qual a margem de lucro é obtida por meio da aplicação do percentual de 60% sobre a "participação do bem importado no prego de venda do bem produzido". Esta participação deve ser calculada com o "percentual correspondente ao custo do bem importado em relação ao custo total do produto". Apesar de a IN SRF 243/02 mencionar o termo valor agregado, ela desconsidera este conceito e se utiliza de um critério de rateio para obter a participação da matéria prima dentro do produto acabado. Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 5 7 Este rateio consiste numa divisão do custo do produto acabado vendido (CPV) pelo custo da matériaprima importada. de pessoa vinculada (CMP). Desta divisão se obtém um fator que deverá ser multiplicado pelo preço liquido de venda (PLV) o que gera a seguinte fórmula matemática para este cálculo: PP = [(CPV / CMP) x PLV] — {[(CPV / CMP) x PLV] x 60%) Concluise claramente, do exposto, que a IN SRF 243/02 prevê um procedimento diverso daquele previsto pela Lei 9.430/96, para determinação do preço parâmetro segundo o método PRL60, quando deveria limitarse a regular os dispositivos da lei que o estabeleceu. Com efeito, à instrução normativa caberia somente dar efetividade lei, jamais alternandoa ou criando inovações inexistentes no diploma de hierarquia superior, especialmente se tais inovações, na esfera do direito tributário, implicam em ofensa a direitos do contribuinte, como resulta do cálculo de um preço parâmetro muito mais baixo que aquele calculado nos termos da lei, implicando adições excessivas às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Desse modo, claramente ilegal a referida instrução normativa, de modo que o lançamento efetuado não pode prevalecer. Mas não só por essa razão o lançamento não pode prevalecer. A interpretação do artigo 18, da Lei 9.430/96 pode gerar diferentes fórmulas de cálculo, conforme bem expressou o Conselheiro BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, relator do Acórdão n.º 1101001.080, em seu voto vencido proferido no processo, cujos trechos nesse sentido abaixo transcrevo: Retornando à tese que pretendo demonstrar, percebese que a dupla possibilidade de formulação aritmética da equação prevista no citado art. 18 da Lei n. 9.430/96 decorre do fato de que, em termos aritméticos, a estatuída supressão do valor agregado pode operarse de duas formas distintas. A primeira delas é justamente aquela vislumbrada pelo sujeito passivo, fórmula essa que concebe o Valor Agregado como um dado nominal, que basicamente emerge da diferença entre o custo total do bem produzido e o custo do item importado que se agrega ao bem produzido. Ocorre que, em termos aritméticos, também é possível proceder à referida supressão do Valor Agregado concebendoo (leiase, concebendo o Valor Agregado) como um quociente, como um número maior do que zero e menor do que um a ser multiplicado pela variável (Preço Líquido de Revenda) da qual deve ser subtraída a referida parcela (Valor Agregado). É que a Lei n. 9.959/00 jamais determinou se o Valor Agregado se exprimiria por uma cifra nominal – que é a interpretação do sujeito passivo – ou por um percentual, sendo que ambas as formulações podem ser vislumbradas em se tratando de uma grandeza como essa. Alega a Fazenda Nacional, inclusive, que a fórmula descrita na IN 243/02 é uma das interpretações possíveis do texto da lei (argumento com o qual não concordo). Fl. 1469DF CARF MF 8 Nesse contexto, ao realizar o trabalho fiscal a autoridade tributária deveria ter invalidado o cálculo elaborado pelo contribuinte, ao argumento de que não se enquadrava nem nas fórmulas passíveis de serem extraídas da Lei, nem da fórmula descrita na IN 243/02. Vale frisar, ainda, que não há dúvidas de que a Lei é lei de eficácia plena, que não depende de regulamentação para surtir efeitos. Logo, não poderia a fiscalização ter desconsiderado seus comandos e se pautado exclusivamente no texto na instrução normativa para efetuar o lançamento. Logo, também por esse motivo entendo que o lançamento em questão não merece prosperar. Faltou à fiscalização refutar o cálculo elaborado pelo Contribuinte. Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Redator designado. Em que pesem as razões expostas pelo Relator, peço licença para delas divergir, conforme argumentação a seguir. 1) Da Alegação de Ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 PRL60 Como bem relatado, o recurso especial interposto pelo sujeito passivo tem como objeto a solução de divergência de entendimento existente entre Turmas do CARF no tocante à (i)legalidade da apuração do preço parâmetro PRL60 conforme regulado pelo art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, frente ao disposto no art. 18 da Lei nº 9.430/96. Referida divergência interpretativa já foi trazida ao exame desta Turma em diversas outras ocasiões, sendo importante ressaltar que o Colegiado vem sistematicamente decidindo pela legalidade da referida norma. 1.1) O PRL60 e a Lei nº 9.430/96 Antes mesmo de examinarmos a alegação de ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 frente à Lei nº 9.430/96, questão essa que será objeto do item seguinte, é imprescindível identificarmos o que realmente estabelece a própria Lei nº 9.430/96 acerca do PRL60. Isso porque, para verificarmos a existência, ou não, de violação da Lei nº 9.430/96 pela IN SRF nº 242/2002, é necessário que antes determinemos exatamente o que aquela Lei prescreve. Partamos, então, do texto legal: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 6 9 (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) No caso, duas interpretações bem distintas acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 vêm sendo defendidas no presente processo. A seguir encontrase a representação matemática dessas duas interpretações: (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA (3B) PParam = 40%*PLV VA onde: • PParam é o preço parâmetro do bem importado junto a pessoa vinculada residente no exterior • PLV é o preço líquido de venda de um determinado produto produzido no Brasil, em cuja fabricação foi empregado o bem importado. • VA é o valor agregado no país. A equação (3A) representa a interpretação defendida pelo sujeito passivo para o art. 18 da Lei nº 9.430/96, enquanto a equação (3B) representa a interpretação da Fazenda Nacional para a mesma norma. A demonstração matemática das equações (3A) e (3B) encontrase, respectivamente, nos anexos 1 e 2 deste voto. No anexo 3 demonstrase matematicamente que a interpretação proposta pelo sujeito passivo (3A) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas derivadas da interpretação defendida pela Fazenda Nacional (3B). A interpretação (3A), advogada pela recorrente, também vinha sendo adotada pelo próprio Fisco, inicialmente por meio da Instrução Normativa SRF nº 38/1997, com a Fl. 1471DF CARF MF 10 redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 113/2000, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF nº 32/2001, a qual manteve o mesmo entendimento sobre o assunto. Com o advento da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, o Fisco passou a refutar essa interpretação. A interpretação (3B), sustentada pela Fazenda Nacional, é aquela que, a meu juízo, corretamente reproduz as exigências contidas no art. 18 da Lei nº 9.430/96. São ao menos dois os argumentos que sustentam essa afirmação, a saber: Argumento Linguístico Para melhor compreendermos o art. 18 da Lei nº 9.430/96 sob o ponto de vista meramente linguístico é necessário recordarmos que, em sua redação original, essa norma não albergava o PRL60, mas tãosomente os métodos de cálculo do preço parâmetro PIC (inciso I), PRL com margem de 20% (inciso II) e CPL (inciso III), senão vejamos: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...) O cálculo do preço parâmetro PRL com margem de 60% só passou a ter existência jurídica a partir do advento da Lei nº 9.959/2000, que deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. Reconheçase inicialmente que o texto legal em sua nova redação, acaso lido apressadamente, conduz à interpretação ora defendida pela recorrente, segundo a qual o valor agregado no país compõe a margem de lucro. Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 7 11 Ocorre que uma leitura atenta do texto legal revela que o valor agregado no país não compõe a margem de lucro. Os trechos da norma abaixo negritados deixam clara essa afirmação: II Método do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) De fato, se o valor agregado compusesse a margem de lucro, a expressão “valor agregado no País” contida no texto legal deveria estar precedida do artigo “o”, como abaixo simulado, e não da preposição “do”, como visto acima. II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) Argumento LógicoEconômico Mas se sob a ótica linguística o equívoco da interpretação defendida pelo sujeito passivo só pode ser constatado através de uma leitura mais atenta do texto legal, sob o ponto de vista lógico essa mesma interpretação revelase manifestamente equivocada. Fl. 1473DF CARF MF 12 Veja que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 estabelece as regras para apuração do preço parâmetro, o qual pode ser definido como sendo o preço presumivelmente praticado na importação de um bem acaso essa operação seja realizada entre pessoas não vinculadas. No caso do PRL60, o preço parâmetro do bem importado junto à pessoa vinculada residente no exterior é apurado a partir do preço de venda de um determinado produto produzido no Brasil a pessoa não vinculada, produto esse em cujo processo produtivo foi empregado o referido bem importado. Em outras palavras, no preço de venda do produto produzido no país logicamente estará incluído o custo de aquisição do bem importado (CIF + Trib. s/imp.), o valor agregado no país e a margem de lucro do empresário (Preço de Venda = Custo do Prod. Imp. + Valor Agreg. + Margem de Lucro). É uma lógica econômica do modelo capitalista que, na formação do preço de venda de um produto qualquer, o empresário embuta ali todos os custos incorridos, mais uma margem de lucro. Isso posto, é economicamente lógico que, para apurarse o preço parâmetro do bem importado pelo PRL60 é necessário que, do preço de venda do produto produzido no país sejam subtraídas as parcelas referentes ao valor agregado no país e à margem de lucro, tal como representado na equação (3B). Ocorre que no cálculo do preço parâmetro PRL60 defendido pelo sujeito passivo o valor agregado no país, ao invés de ser subtraído do preço de venda do bem produzido no país, é a ele adicionado, conforme demonstra a equação (3A). Tal interpretação, evidentemente, subverte a lógica econômica, daí porque não pode ser admitida. Isso posto, seja com base no argumento linguístico, seja com fundamento no argumento lógicoeconômico, a correta interpretação do cálculo do preço parâmetro PRL60 previsto na Lei nº 9.430/96 é aquela sustentada pela Fazenda Nacional, e representada matematicamente pela equação (3B), e não aquela defendida pelo sujeito passivo e representada matematicamente pela equação (3A). 1.2) A Legalidade da IN SRF 243/2002 Como dito anteriormente, a partir do advento da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 o Fisco abandonou a interpretação que até então vinha emprestando ao art. 18 da Lei nº 9.430/96, no que toca ao cálculo do preço parâmetro PRL60, passando a adotar uma nova interpretação. Alega a recorrente que essa nova interpretação é incompatível com os ditames art. 18 da Lei nº 9.430/96, devendo, portanto, ser declarada ilegal. Vejamos, então, o que prescreve o art. 12 da IN SRF 243/2002. Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 8 13 III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A representação matemática do cálculo do preço parâmetro PRL60, segundo a Instrução Normativa SRF nº 243/2002, encontrase no anexo 5 a este voto. Pois bem, conforme dito anteriormente, a questão da legalidade, ou não, do art. 12 da IN SRF 243/2002 frente ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 somente pode ser apropriadamente examinada tomandose por base a correta interpretação desta última norma, qual seja, aquela matematicamente representada na já referida equação (3B). Fl. 1475DF CARF MF 14 Isso posto, em primeiro lugar cabe destacar que o cálculo do preço parâmetro PRL60, conforme estabelecido na IN SRF 243/2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas exigidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96 corretamente interpretado, conforme demonstrado no anexo 6. Em segundo lugar é necessário recordar que o princípio da legalidade tributária contido no art. 150, I, da Constituição, abaixo transcrito, veda a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça, mas não veda a redução de tributo já instituído por lei. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) E esse é exatamente o caso em questão, pois, como a aplicação do PRL60, conforme estabelecido pela IN SRF 243/2002, resulta em exigência de IRPJ e CSLL sempre igual ou inferior àquela decorrente da correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, não há que se falar em aumento de tributo, daí porque também não há violação ao princípio da legalidade. Portanto, ainda que seja verdadeira a afirmação da recorrente segundo a qual a fórmula para o cálculo do preço parâmetro PRL60 prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 é distinta daquela determinada no art. 18 da Lei nº 9.430/96, é falsa a conclusão de que os ajustes ao lucro líquido resultantes da IN são superiores àqueles resultantes da Lei, pois, conforme matematicamente demonstrado no anexo 6, tais ajustes são sempre iguais ou inferiores. Alega ainda a recorrente que o posterior advento da Medida Provisória nº 478/2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715/2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002, demonstram a ilegalidade anterior desse ato normativo. Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478/2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715/2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa, da mesma forma que uma norma legal posteriormente constitucionalizada por meio de Emenda ao Texto Magno não autoriza, por si só, a conclusão de que tal norma era anteriormente inconstitucional. Por fim, é de se dizer que o Poder Judiciário igualmente vem entendendo inexistir ilegalidade na IN SRF 243/2002, como é possível observarse, a título exemplificativo, na Apelação Cível nº 2154372/SP, julgada pelo TRF da 3ª Região, decisão essa publicada em 24/06/2016, e cuja ementa abaixo se transcreve: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. LEI 9.430/1996. IN/SRF 243/2002. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60. PREÇO PARÂMETRO. VALOR AGREGADO. CSL E IRPJ. VALIDADE. RECURSO DESPROVIDO. Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 9 15 1. A IN 243/2002 foi editada na vigência da Lei 9.959/2000, que alterou a redação da Lei 9.430/1996, para distinguir a hipótese de revenda do próprio direito ou bem, tratada no item 2, da hipótese de revenda de direito ou bem com valor agregado em razão de processo produtivo realizado no país, tratada no item 1, ambos da alínea d do inciso II do artigo 18 da lei. 2. O cálculo do preço de transferência, pelo Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, no caso de direitos, bens ou serviços, oriundos do exterior e adquiridos de pessoa jurídica vinculada, passou, na vigência da Lei 9.959/2000, a considerar a margem de lucro de 60% "sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção" (artigo 18, II, d, 1). 3. A adoção, na técnica legal, do critério do valor agregado objetivou conferir adequada eficácia ao modelo de controle de preços de transferência, aderindo aos parâmetros da Convenção Modelo da OCDE, evitando distorções e, particularmente, redução da carga fiscal diante da insuficiência das normas originariamente contidas na Lei 9.430/1996 e refletidas na IN/SRF 32/2001. O legislador, independentemente de obrigação convencional, pode adotar, na disciplina interna das relações jurídicas, modelos ou parâmetros internacionalmente aceitos ou discutidos, sendo, para tal efeito, irrelevante a subscrição da convenção ou se os próprios países subscritores descumprem o avençado. Imperioso ressaltar que a liberdade de conformação do legislador, adstrita aos vetores maiores de Constituição e legislação complementar sem que, a propósito, esteja presente qualquer violação ao ordenamento hierárquico interno , não pode, portanto, ser invalidada, como se pretende, ao argumento de que o Brasil não aderiu à Convenção Modelo da OCDE. 4. O cálculo do preço de transferência a partir da margem de lucro sobre o preço de revenda é eficaz, no atingimento da finalidade legal e convencional, quando se trate de importação de bens, direitos ou serviços finais para revenda interna, não, porém, no caso de importação de matériasprimas, insumos, bens, serviços ou direitos que não são objeto de revenda direta, mas são incorporados em processo produtivo de industrialização, resultando em distintos bens, direitos ou serviços, agregando valor ao produto final, com participações variáveis na formação do preço de revenda, que devem ser apuradas para que seja alcançado corretamente o preço de transferência, de que trata a legislação federal. 5. A IN 243/2002, ao tratar, nos §§ 10 e 11 do artigo 12, do Método do Preço de Revenda Menos Lucro , para bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção, com exclusão do valor agregado e da margem de lucro de 60%, para tanto com a apuração da participação de tais bens, serviços ou direitos no custo e preço de revenda do produto final industrializado no país, não inovou nem violou o artigo 18, II, d, item 1, da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 9.959/2000. (g.n.) Fl. 1477DF CARF MF 16 6. Houve a necessária e adequada explicitação, pela instrução normativa impugnada, do conteúdo legal para permitir a sua aplicação, considerando que o conceito legal de valor agregado, conducente ao conceito normativo de preço parâmetro, leva à necessidade de apurar a sua formação por decomposição dos respectivos fatores, abrangendo bens, serviços e direitos importados, sujeitos à análise do valor da respectiva participação proporcional ou ponderada no preço final do produto. 7. O artigo 18, II, da Lei 9.430/1996, com redação da Lei 9.959/2000, previu que o preço de transferência, no caso de bens e direitos importados para a aplicação no processo produtivo, calculado pelo método de preço de revenda menos lucros PRL 60, é a média aritmética dos preços de revenda de bens ou direitos, apurada mediante a exclusão dos descontos incondicionados, tributos, comissões, corretagens e margem de lucro de 60%, esta calculada sobre o preço de revenda depois de deduzidos os custos de produção citados e ainda o valor agregado calculado a partir do valor de participação proporcional de cada bem, serviço ou direito importado na formação do preço final, conforme previsto em lei e detalhado na instrução normativa. (g.n.) 8. O preço de transferência, assim apurado e não de outra forma como pretendido, é que pode ser deduzido na determinação do lucro real para efeito de cálculo do IRPJ/CSL. Há que se considerar, assim, a ponderação ou participação dos bens, serviços ou direitos, importados da empresa vinculada, no preço final do produto acabado, conforme planilha de custos de produção, mas sem deixar de considerar os preços livres do mercado concorrencial, ou seja, os praticados para produtos idênticos ou similares entre empresas independentes. A aplicação do método de cálculo com base no valor do bem, serviço ou direito em si, sujeito à livre fixação de preço entre as partes vinculadas, geraria distorção no valor agregado, majorando indevidamente o custo de produção a ser deduzido na determinação do lucro real e, portanto, reduzindo ilegalmente a base de cálculo do IRPJ/CSL. 9. Para dar eficácia ao método de cálculo do preço de revenda menos lucro, previsto na Lei 9.430/1996 com alteração da Lei 9.959/2000, é que foi editada a IN/SRF 243/2002, em substituição à IN/SRF 32/2001, não se tratando, pois, de ato normativo inovador ou ilegal, mas de explicitação de regras concretas para a execução do conteúdo normativo abstrato e genérico da lei, prejudicando, pois, a alegação de violação aos princípios da legalidade e da capacidade contributiva, sem que exista, tampouco, fundamento para cogitarse de ofensa à anterioridade tributária. (g.n.) 10. Apelação desprovida. 2) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial interposto pelo sujeito passivo e, no mérito, por negarlhe provimento. Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 10 17 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1479DF CARF MF 18 Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*(PLV VA) PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 11 19 Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação "Correta" (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Fl. 1481DF CARF MF 20 Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430/96, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%*VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLVenB) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação "correta" da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 12 21 Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 (5A), e a interpretação "correta" sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430/96 – Interp. do Contrib. – Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV VA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParam = PLV ML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430/96 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 1483DF CARF MF 22 Anexo 5 Istrução Normativa SRF nº 243/2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002 (1C) PParam = PartBI®PP – ML, conforme art. 12, § 10, V, da IN SRF 243/2002. (2C) ML = 60%* PartBI®PP, conforme art. 12, § 10, IV, da IN SRF 243/2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI®PP 60%*PartBI®PP (3C) PParam = 40%* PartBI®PP, onde: PartBI®PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, III, da IN SRF 243/2002, ou seja: (4C) PartBI®PP = %PartBI>PP*PLV, onde: %PartBI>PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, II, da IN SRF 243/2002, ou seja: (5C) %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 13 23 Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243/2002 vs. "Correta" Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação do 18 da Lei nº 9.430/96 (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF243/2002 (7C) resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação "correta" da Lei nº 9.430/96 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 1485DF CARF MF 24 Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243/2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243/2002, e a aplicação do mesmo método segundo a "correta" interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243/2002 – Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI>PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Lei 9.430/96 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 16561.720107/201113 Acórdão n.º 9101003.022 CSRFT1 Fl. 14 25 Fl. 1487DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000908/2003-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
PRAZO DECADENCIAL PARA O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO
TRIBUTÁRIO – Nos casos de lançamento por homologação, o prazo
decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de
ofício, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária,
salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que
o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele
em que o lançamento poderia ter sido efetuado
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE
COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
Caracteriza-se omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados
em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição
financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica,
regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e
idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SELIC.
A Súmula nº 4 do 1º Conselho de Contribuintes dispõe que “a partir de 1º de
abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários
administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de
inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e
Custódia - SELIC para títulos federais”.
INOCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO.
Não há que se falar em transcurso do prazo prescricional, uma vez que o
crédito tributário ainda não foi definitivamente constituído, pois pendente de
julgamento definitivo a defesa (recurso) apresentada pela Recorrente.
Numero da decisão: 1401-000.353
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, reconhecer a decadência dos fatos geradores anteriores a 10.04.98, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, e no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a conselheira Karem Jureidini Dias
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 PRAZO DECADENCIAL PARA O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO – Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de ofício, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracteriza-se omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SELIC. A Súmula nº 4 do 1º Conselho de Contribuintes dispõe que “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. INOCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em transcurso do prazo prescricional, uma vez que o crédito tributário ainda não foi definitivamente constituído, pois pendente de julgamento definitivo a defesa (recurso) apresentada pela Recorrente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 19515.000908/2003-01
conteudo_id_s : 5815064
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.353
nome_arquivo_s : Decisao_19515000908200301.pdf
nome_relator_s : Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
nome_arquivo_pdf_s : 19515000908200301_5815064.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, reconhecer a decadência dos fatos geradores anteriores a 10.04.98, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, e no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a conselheira Karem Jureidini Dias
dt_sessao_tdt : Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
id : 7077627
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734478823424
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-27T13:00:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2390905_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-27T13:00:00Z; Last-Modified: 2010-12-27T13:00:00Z; dcterms:modified: 2010-12-27T13:00:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2390905_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:f1c6a762-aa02-44c9-9aca-aeb619328b15; Last-Save-Date: 2010-12-27T13:00:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-27T13:00:00Z; meta:save-date: 2010-12-27T13:00:00Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2390905_0.doc; modified: 2010-12-27T13:00:00Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-27T13:00:00Z; created: 2010-12-27T13:00:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-12-27T13:00:00Z; pdf:charsPerPage: 2274; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-27T13:00:00Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fl. 196 1 195 S1-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000908/2003-01 Recurso nº 175.016 Voluntário Acórdão nº 1401-00.353 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2010 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Recorrente ANTÔNIO TORRALVO PUBLICIDADE E PROPAGANDA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 PRAZO DECADENCIAL PARA O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO – Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de ofício, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracteriza-se omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SELIC. A Súmula nº 4 do 1º Conselho de Contribuintes dispõe que “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. INOCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em transcurso do prazo prescricional, uma vez que o crédito tributário ainda não foi definitivamente constituído, pois pendente de julgamento definitivo a defesa (recurso) apresentada pela Recorrente. Recurso Voluntário provido em parte. Fl. 207DF CARF MF Emitido em 12/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, reconhecer a decadência dos fatos geradores anteriores a 10.04.98, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, e no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner- Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão n° 16-15.390, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo 1 (SP). Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “A contribuinte acima qualificada, em ação fiscal direta, foi autuada e intimada a recolher ou impugnar os créditos tributários relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), devidos em relação a fatos geradores observados no ano-calendário de 1998, em que foi optante pela tributação com base no lucro presumido. As exigências fiscais vêm consubstanciadas nos autos de infração de fls. 68/71, 76/79, 84/87, e 91/94 com os enquadramentos legais neles descritos bem como no Termo de Verificação de fls. 61/64, perfazendo um total de R$ 260.971,85, incluídos neste valor a multa de oficio e os juros de mora calculados até 28.02.2003. A autoridade fiscal, em breve resumo, relatou que ficou caracterizada a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, uma vez que, depois de ser intimada por duas vezes, a contribuinte não comprovou, Fl. 208DF CARF MF Emitido em 12/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 19515.000908/2003-01 Acórdão n.º 1401-00.353 S1-C4T1 Fl. 197 3 mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em sua conta-corrente n° 11.393- 7 do Banco Baú, cujo montante alcançou a R$ 1.021.468,90. À fl. 97, foi juntado o aviso de recebimento que acompanhou a via do auto de infração enviada ao contribuinte por via postal, expedido em 21.03.2003 (sic), sem a assinatura do contribuinte ou de seu preposto. A contribuinte interpôs de impugnação ao lançamento em 25.03.2003 (sic), às fls. 99/102, da qual se depreende as seguintes alegações defensórias: (i) A planilha apresentada pelos auditores-fiscais contém movimentação bancária de duas contas-correntes mantidas junto ao Banco Itaú, sendo que a de n°11.392-2 é da titularidade de uma pessoa física e contém créditos oriundos de reembolso e que teriam sido repassados à Imprensa Oficial do Estado de São Paulo — IMESP, conforme cópias de faturas que se seguem; (ii) A outra conta, de n° 11.393-7, pertence à pessoa jurídica, cujos créditos foram contabilmente lançados, tendo sido apresentados os livros fiscais, contábeis, cópias dos cheques emitidos com a indicação da origem do pagamento, mas que não foram analisados pelos autuantes; (iii) Aduz a ocorrência de anatocismo e ofensa ao art. 1° do Decreto n° 22.626/1933, caracterizando-se a cobrança de juros de acordo com os índices aplicados em usura; (iv) Os valores apurados são da titularidade da pessoa física e não da jurídica o que imporia a decretação da nulidade da autuação; (v) Pede, ao final, que "Após o cálculo do expurgo de todas as parcelas arbitrárias e ilicitamente lançadas sobre a autuação, a declaração real do débito somente da pessoa física, e não de dois CPF, para que o pagamento devido pelo Requerente a Receita Federal, seja efetuado em consonância com o ordenamento jurídico pátrio.” A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998 AUTOS REFLEXOS A ocorrência de eventos que representam ao mesmo tempo fato gerador de vários tributos implica a obrigatoriedade de Fl. 209DF CARF MF Emitido em 12/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 4 constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que o julgamento que reconhece a ocorrência desses eventos repercute em todos os lançamentos a eles vinculados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/1011998, 30/11/1998, 31/12/1998 JUROS DE MORA. ANATOCISMO. USURA, INOCORRÊNCIA. A taxa Selic incide sobre o débito tributário a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo legal para seu pagamento até o mês anterior em que ele é efetivado, acrescido de um por cento, inexistindo capitalização de juros e tampouco o delito de usura uma vez que o tipo infracional pressupõe a existência de uma relação jurídica de natureza contratual que é diversa daquela existente na relação jurídico-tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/06/1998, 30/09/1998, 31/12/1998 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracteriza-se omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente.” Inconformada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento que: “Se não bastasse, toda a gama aposta num presente julgamento, acresce por fim, a prescrição dos impostos cobrados se levarmos em conta que os fatos gerados da presente ilegalidade cometida, ocorreram no ano de 1998, o que perfaz um tempo de 10 anos transactos.” É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 12/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 19515.000908/2003-01 Acórdão n.º 1401-00.353 S1-C4T1 Fl. 198 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como adiantado acima, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão que manteve a procedência do lançamento de crédito tributário relativo à cobrança de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), incidente sobre receitas omitidas, oriundas dos valores creditados em conta bancária mantida pela Recorrente junto ao Banco Itaú S/A, sem qualquer comprovação da sua origem. Reflexamente, foi mantida a exação tributária decorrente da incidência, sobre as mesmas receitas, da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e, ainda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Vale consignar, mais uma vez, que toda a exação em exame é referente a fatos geradores observados no ano-calendário de 1998, exercício em que a Recorrente foi optante pela tributação com base no lucro presumido. Reconhecimento, de ofício, da decadência de parte do crédito tributário Embora a matéria aqui versada não tenha sito suscitada no presente recurso, declaro, de ofício, a decadência parcial do crédito tributário, fulminando o lançamento relativo ao 1° trimestre de 1998, consoante se passa a expor. Nos termos do que dispõe o art. 23, § 2°, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, a intimação do contribuinte poderá ser realizada por via postal, desde que haja a prova do seu recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Neste caso, considera-se realizada a intimação na data em que for certificado o recebimento da respectiva correspondência. Na eventual hipótese de omissão acerca da referida data de recebimento, presume-se intimado o contribuinte depois de transcorrido o prazo de quinze dias após a data da expedição do termo de intimação. Confira-se: “SEÇÃO IV DA INTIMAÇÃO Art. 23. Far-se-á a intimação: (...) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (Redação dada ao inciso pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997) (...) § 2° Considera-se feita a intimação: Fl. 211DF CARF MF Emitido em 12/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 6 (...) II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação.” Voltando-se a atenção para os autos, verifica-se que o lançamento impugnado foi encaminhado para a ciência da contribuinte, ora Recorrente, mediante via postal, em 26/03/2003. No entanto, conforme certificado pela própria Autoridade Administrativa, às fls. 160, “o carteiro esqueceu de (sic) pegá-lo datado e assinado pelo contribuinte.” A simples leitura do documento utilizado pelos correios para atestar o recebimento da referida correspondência, juntado à fl. 97, é suficiente para se constatar que não foi registrada a data em que a mencionada intimação foi recebida. Diante da omissão acerca da data de entrega do referido termo de intimação, foi aplicada a presunção prevista no inciso II do § 2° do art. 23 do Decreto 70.235/72, considerando-se, para todos os fins, que a contribuinte, ora Recorrente, somente tomou ciência do lançamento em 10/04/2003 (isto é, quinze dias após a data da expedição da intimação, ocorrida em 26/03/2003). Confira-se: “Anexei ao presente processo, nesta data, impugnação de fls. 99 a 153 encaminhada por via postal (fls. 98). Informo que a data da ciência do lançamento do auto de infração é 10 de abril de 2003, ou seja, quinze dias após a data da expedição da intimação feita por via postal, tendo em vista que foi omitida a data do recebimento no comprovante – ‘AR’ (fls. 97). O ‘AR’ foi devolvido pelo próprio contribuinte anexado ao envelope de fls. 154, uma vez que o carteiro esqueceu de pegá-lo datado e assinado pelo contribuinte.” Feitas as considerações acima, analisando-se o presente caso sob o prisma da decadência, tem-se que, por se tratar de exigência de crédito tributário de imposto de renda pessoa jurídica e demais contribuições sujeitas ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável é o previsto no art. 150, § 4° do CTN, qual seja: cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No caso do Imposto de Renda, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já consolidou seu entendimento no sentido de que se trata de tributo sujeito ao lançamento por homologação e, nesta hipótese, a decadência rege-se pelo disposto no art. 150, § 4°do CTN. Veja-se: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – IRPJ – PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário rege-se pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional.” (Acórdão n° 101-95547. Recurso n° 142596. Processo n°: 10640.002763/2002-83. Sessão de Julgamento: 24/05/2006) Fl. 212DF CARF MF Emitido em 12/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 19515.000908/2003-01 Acórdão n.º 1401-00.353 S1-C4T1 Fl. 199 7 Desta feita, havendo lançamento por homologação com pagamento parcial e sem imputação de dolo ou fraude, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia após a ocorrência do fato gerador, independentemente de ter havido pagamento ou não, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação. Isso porque, é o meio de apuração do crédito tributário que define a modalidade de lançamento e não o pagamento do tributo devido. É o que se extrai do entendimento firmando no julgado abaixo: “IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – 1° T DE 1998. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, com decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a atividade exercida pelo sujeito passivo para apurar a base de cálculo, com ou sem pagamento de tributos, está homologada e não pode mais ser objeto de lançamento. Acolhida preliminar de decadência.” (Número do processo: 10665.002223/2003-01. Número do Recurso: 144.986. Acórdão: 101-95.403. Sessão de Julgamento: 23/02/2006) Aplicando-se tudo o que foi exposto ao caso em tela, tem-se que para os fatos geradores de março de 1998, a contagem do prazo decadencial iniciou-se em 1° de abril de 1998, exaurindo a possibilidade de lançamento em 1° de abril de 2003. Como a contribuinte, ora Recorrente, somente tomou ciência do Auto de Infração em 10/04/2003, conforme já consignado na certidão de fls. 160, está bem caracterizada a decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento do crédito tributário para as competências relativas ao 1° trimestre do exercício de 1998. Do exposto, reconheço de ofício a decadência do crédito tributário cujos fatos geradores sejam anteriores a 10/04/1998. Omissão de receitas. Depósitos bancários sem origem comprovada. Presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96 não afastada. Quanto ao mérito do recurso, não merecem acolhida os fundamentos expostos pela Recorrente, ao sugerir que, tanto na sua impugnação, quanto no presente recurso, a autoridade fiscal teria efetuado a exigência tributária tomando por base valores depositados em sua conta-corrente (pessoa jurídica) e também na conta bancária da pessoa física. Apesar da confusão que se pretendeu estabelecer, verifica-se que, embora as planilhas anexas aos termos de intimação (fls. 50/51 e 56/57) demonstrem, separadamente, as quantias depositadas nas contas bancárias de n° 11392-9 e 11393-7, está evidenciado nos autos que a autuação somente recaiu sobre os valores creditados na segunda conta, qual seja, a de n° 11.393-7, de titularidade da pessoa jurídica Recorrente. Assim, não merece acolhida a defesa apresentada pela Recorrente, no que diz respeito à sua pretensão de justificar a origem dos valores depositados na conta bancária n° 11.392-9 (pessoa física), aduzindo que, na realidade, corresponderiam a créditos oriundos de reembolso de créditos repassados ao IMESP — Imprensa Oficial de São Paulo. Tais alegações não se relacionam ao objeto da autuação analisada, visto que os Autos de Infração foram Fl. 213DF CARF MF Emitido em 12/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 8 lavrados em razão dos valores creditados, sem origem comprovada, na conta bancária n° 11393-7, da pessoa jurídica Recorrente. No tocante às supostas provas apresentadas pela Recorrente, que seriam aptas a afastar a presunção aplicada nos termos do art. 42, da Lei n° 9.430/96, tem-se que não merecem prosperar as alegações por ela sustentadas. Isso porque, apesar de a contribuinte, ora Recorrente, ter afirmado que apresentou aos Auditores Fiscais os documentos que comprovam a contabilização da origem dos recursos creditados em sua conta bancária, apresentando, inclusive, os livros fiscais, contábil e cópias de todos os cheques emitidos a cada dia, com a indicação dos respectivos pagamentos efetuados, não há nos autos qualquer indício de que este procedimento tenha ocorrido. Em outras palavras, não há provas de que a Recorrente tenha entregado seus livros contábeis e ficais que demonstrariam a regular escrituração e comprovação da origem dos valores creditados em sua conta bancária, aptas a afastar a tributação em tela. Vale consignar que, mesmo que a Recorrente tivesse entregado toda a documentação que sustentou ter apresentado, caberia a esta acompanhar os trabalhos dos fiscais e apresentar na fase impugnatória (ou até mesmo na fase recursal) os documentos que poderiam afastar a aludida presunção, com a comprovação da origem dos recursos creditados em sua conta bancária, demonstrando que jamais poderiam ser consideradas como base de cálculo dos tributos em tela. No entanto, a Recorrente não apresentou conjunto probatório que pudesse afastar a exação em análise. São improcedentes, portanto, as alegações tecidas pela Recorrente, do que se denota que foi corretamente aplicada a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Inocorrência de anatocismo e ofensa ao art. 1° do Decreto n° 22.626/1933 (caracterização de prática de usura). Conforme bem assentado no acórdão recorrido não há, no lançamento efetuado, qualquer elemento que dê margem à configuração de usura ou anatocismo, uma vez que os consectários legais foram aplicados de acordo com os ditames da legislação que disciplina a matéria. Apenas para recapitular, o art. 161, § 1° do Código Tributário Nacional assim dispõe: "Art. 161 - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° - Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento) ao mês." O Poder Legislativo, exercendo a autorização dada pelo § 1° do art. 161 do CTN, determinou, por meio do art. 84 da Lei n° 8.981/95, que os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil seriam acrescidos de “juros de mora equivalentes à Fl. 214DF CARF MF Emitido em 12/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 19515.000908/2003-01 Acórdão n.º 1401-00.353 S1-C4T1 Fl. 200 9 taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna.' Em momento posterior, foi estabelecido, por meio do art. 13 da Lei n° 9.065/1995, que os mesmos tributos seriam atualizados por juros de mora equivalentes à taxa Selic. Dessa forma, (i) como há lei específica que dispõe sobre a incidência de juros de mora distintos do percentual de um por cento ao mês, e (ii) não havendo qualquer vedação legal para a utilização de outras taxas como referencial para os juros de mora, desde que esteja expressamente prevista em lei, tem-se por preenchido o requisito estabelecido pelo CTN. É improcedente, portanto, a alegação sustentada pelo Recorrente, valendo transcrever o trecho do acórdão recorrido, ao tratar da matéria: “Portanto, improcedente a alegação de que os que os juros lançados configurariam usura, pois sua cobrança está plenamente respaldada pela legislação. Ademais, para que seja configurado o delito de usura, faz-se necessário que o agente venha infringir as disposições contidas no Decreto n° 22.626/1933, diploma legal que traz comandos normativos a serem observados no âmbito das relações contratuais. Portanto, o tipo delituoso pressupõe a existência de um prévio acordo de vontades e interesses, situação que não se observa na relação obrigacional tributária uma vez que não é dada a opção ao sujeito passivo de aderir ou não ao comando legal que determina o pagamento do tributo. Também não procede a alegação de que ocorre a figura do anatocismo, conforme se verifica da leitura do § 3º do art. 61 da Lei n° 9.430/1996, que orienta o cálculo dos juros de mora: O anatocismo consiste em somar os juros devidos ao capital em razão de seu não pagamento no prazo combinado, fazendo com que a taxa a ser aplicada incida também sobre aqueles. Tem-se, assim, a incidência dos juros sobre juros, além do próprio capital. Da leitura do dispositivo legal transcrito, percebe-se não existe determinação para que ocorra a capitalização dos juros. A taxa Selic incide sobre o débito tributário — o principal — a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo legal para seu pagamento até o mês anterior em que ele é efetivado, acrescido de um por cento.” (sem destaques no original) Assim, mantendo as conclusões expostas no acórdão recorrido, constata-se que não há a aplicação de uma taxa de juros compostos, mas de juros simples incidentes somente sobre o valor do principal, sendo plenamente exigíveis, a teor dos aludidos dispositivos legais. Inocorrência de prescrição Fl. 215DF CARF MF Emitido em 12/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 10 Sustenta a Recorrente, ao final da peça recursal, que haveria ocorrido a “prescrição dos impostos cobrados se levarmos em conta que os fatos gerados da presente ilegalidade cometida, ocorreram no ano de 1998, o que perfaz um tempo de 10 anos.” Não merece acolhida a linha de defesa estabelecida pela empresa Recorrente, por dois motivos principais: Primeiramente, não há que se falar em transcurso do prazo prescricional, uma vez que o crédito tributário ainda não foi definitivamente constituído, pois pendente de julgamento definitivo a defesa (recurso) apresentada pela Recorrente. Além disso, não há que se cogitar a configuração da prescrição intercorrente, visto que o processo não permaneceu paralisado por tempo superior a cinco anos, por culpa exclusiva do credor, sem que fosse realizada qualquer movimentação. Pelo contrário O processo foi movimentado normalmente, o que se infere dos seguintes dados: o lançamento foi efetuado em 26/03/2003, a impugnação foi oposta em 26/04/2003, julgada em sessão de julgamento realizada em 12/11/2007, o recurso voluntário foi interposto em 08/01/2009. Portanto, rejeito o argumento de ocorrência de prescrição sustentado pela Recorrente. DISPOSITIVO Ante todo o exposto, voto por reconhecer a decadência dos fatos geradores anteriores a 10/04/1998 e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 216DF CARF MF Emitido em 12/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 12/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 27/12/2010 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE
score : 1.0
Numero do processo: 13805.006918/96-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9101-000.029
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta proceda à análise e se manifeste quanto ao laudo e documentação acostados aos autos.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 1ª SEÇÃO
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13805.006918/96-37
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5794052
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-000.029
nome_arquivo_s : Decisao_138050069189637.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 138050069189637_5794052.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta proceda à análise e se manifeste quanto ao laudo e documentação acostados aos autos. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6992577
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734493503488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13805.006918/9637 Recurso nº Voluntário Resolução nº 9101000.029 – 1ª Turma Data 09 de agosto de 2017 Assunto VARIAÇÃO MONETÁRIA SOBRE DEPÓSITOS JUDICIAIS Recorrente UNISYS INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta proceda à análise e se manifeste quanto ao laudo e documentação acostados aos autos. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, com fundamento nos arts. 8° e 18 do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, c/c art. 3º do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A contribuinte pretende reverter o que restou decidido no Acórdão n° 103 22.355, proferido pela antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 28/04/2006, que deu provimento a recurso de ofício para restabelecer lançamento fiscal a título RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 05 .0 06 91 8/ 96 -3 7 Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 13805.006918/9637 Resolução nº 9101000.029 CSRFT1 Fl. 3 2 de IRPJ, IRRF e CSLL, tributos que foram apurados em razão de omissão de receita de variação monetária ativa referente a depósitos judiciais. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS SOBRE DEPÓSITOS JUDICIAIS. Se a instituição financeira atualiza os depósitos judiciais é certo que a atuada, para o provimento de improcedência do lançamento de ofício, deve reunir as evidências de que contabilizara variações passivas em idêntico montante ou, então, juntar aos autos as provas de que, malgrado não houvesse registrado variações ativas, também deixara de registrar as variações passivas. Não o fazendo, preservase o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO/SP. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso ex officio para restabelecer a exigência tributária, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Pretendendo reverter a decisão acima, a contribuinte apresenta os seguintes argumentos em seu recurso voluntário à Câmara Superior de Recursos Fiscais: PRELIMINARMENTE: DO ENCERRAMENTO DAS AÇÕES EM RELAÇÃO ÀS QUAIS ESTAVAM VINCULADOS OS DEPÓSITOS JUDICIAIS preliminarmente, a recorrente adverte que se faz necessária a conversão do presente do feito em diligência, eis que, à época da lavratura do Termo de Verificação integrante do Auto de Infração FM n° 95.0020, a quase totalidade das ações judiciais no bojo das quais foram realizados os depósitos judiciais encontravase pendente de decisão definitiva; considerando que se passaram quase 20 (vinte) anos desde o ajuizamento das ações judiciais listadas no supracitado Termo de Verificação, cujos tributos nelas discutidos foram objeto dos depósitos judiciais em relação aos quais o Fisco exige, no presente lançamento, a contabilização das variações monetárias ativas para efeito de apuração da diferença a pagar de IRPJ e CSLL, é de se presumir que o seu desfecho definitivo repercuta no sentido de encerrar a celeuma em torno da ilegitimidade da cobrança ora perpetrada contra a recorrente; isso porque, caso os montantes tenham sido convertidos em renda da União Federal, não se pode admitir que a recorrente seja compelida ao pagamento de tributo em razão de variações monetárias ativas de depósitos judiciais transferidos, de forma imutável, ao patrimônio da Fazenda Pública; DAS RAZÕES QUE IMPÕEM A REFORMA DO ACÓRDÃO N° 10322.355 a base de cálculo do Imposto de Renda deve se adequar ao pressuposto de fato estipulado no texto constitucional, isto é, permitir que incida tãosomente sobre o acréscimo patrimonial; o mesmo vale para a CSLL, que incide sobre o lucro; Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 13805.006918/9637 Resolução nº 9101000.029 CSRFT1 Fl. 4 3 sob esse contexto, não se pode cogitar da inclusão da variação monetária ativa incidente sobre os depósitos judiciais para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, visto que, somente ao final da disputa judicial, se terá a certeza se tais recursos se reverterão ou não em renda do contribuinte; a propósito, convém ressaltar que a atualização monetária, consoante ensina a doutrina e a jurisprudência pátria, serve apenas para remunerar o valor depositado judicialmente dada a sua defasagem no curso do tempo. Não é um plus que se agrega ao valor originário à disposição do juízo, mas tão somente a sua atualização pelo decurso do tempo; a atualização monetária é mera recomposição do valor da moeda e, portanto, não representa um ingresso patrimonial efetivo, nenhum elemento novo que se agrega ao patrimônio do contribuinte, pelo menos não antes do advento de decisão judicial que reconheça a procedência do direito em favor dele e em detrimento do Fisco, a justificar a tributação pelo IRPJ e pela CSLL, de acordo com os pressupostos de fato (renda e lucro) delimitados pela Constituição Federal; a admitir a incidência do IRPJ e da CSLL sobre tais valores fictícios temse apenas a tributação de meras representações gráficas que demonstram nada mais que a oscilação dos índices monetários que atualizam passivos e ativos, sem significar qualquer ingresso efetivo de valores, fato típico sem o qual não se perfaz a hipótese de incidência dos tributos ora debatidos; a considerar que os fatos gerados são, no entendimento da melhor doutrina tributária, "signospresuntivos" de riqueza ou de capacidade contributiva, imperiosa é a conclusão de que esta capacidade, para que a imposição tributária dela decorrente possa se legitimar, deve revelarse como efetiva e irreversível; se a Carta Magna determina que o IRPJ e a CSLL devem incidir sobre a renda ou o lucro, qualquer desvio maquinado pelo legislador infraconstitucional para atingir riqueza incompatível com estas grandezas, e, portanto, desproporcional à capacidade contributiva da pessoa jurídica macula, de modo insanável, a norma legal e compromete o requisito de racionalidade da exigência fiscal, tornandoa inconstitucional; ao se exigir os aludidos tributos sem a observância da capacidade contributiva, o Fisco acabou por conferir à tal exação efeito confiscatório, o que é vedado pela Carta Magna em seu artigo 150, IV; o Tribunal Regional Federal da 3ª Região já decidiu nesse sentido (Apelação em Mandado de Segurança no 97.03.02318°2/SP ementa transcrita); também existe precedente deste Egrégio Conselho de Contribuintes que ratifica o posicionamento acima veiculado (Processo Administrativo n° 10880.029013/9508 ementa transcrita; não bastassem os argumentos acima desenvolvidos para motivar a reforma do acórdão recorrido, o lançamento está baseado em mera presunção; em consonância com o artigo 174 e seus parágrafos do Decreto n° 85.450/80 (Regulamento do Imposto de Renda em vigor ao tempo da autuação), competia à autoridade Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 13805.006918/9637 Resolução nº 9101000.029 CSRFT1 Fl. 5 4 administrativa a produção de provas capazes de ilidir a veracidade dos fatos registrados pelo contribuinte em seus livros fiscais; "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados" (art. 174, § 1°, do RIR/80); se isso não aconteceu, incorreu o AuditorFiscal em mera presunção, o que conduz, inevitavelmente, à conclusão de que não há nenhum valor a pagar a título de diferença de IRPJ e CSLL; transcrevese ainda alguns precedentes deste Colendo Conselho de Contribuintes que tratam da neutralização dos efeitos entre as variações monetárias ativas e passivas decorrentes da contabilização dos depósitos vinculados a ações judiciais ainda em curso isto é, sem decisão definitiva sobre a procedência da tese em favor do contribuinte ou da Fazenda Pública (ementas transcritas); destarte, é de rigor a reforma do Acórdão n° 10322.355 para reconhecer a insubsistência do lançamento fiscal ora contestado; DO PEDIDO a recorrente requer que o presente recurso voluntário seja conhecido e provido para, preliminarmente, determinar a conversão do feito em diligência com o objetivo de apurar se as ações no bojo das quais foram realizados os depósitos judiciais transitaram em julgado e se os respectivos valores foram ou não convertidos em renda da Fazenda Pública; no mérito, requer seja provido o recurso voluntário para reformar o Acórdão n° 10322.355 e julgar improcedente o lançamento fiscal correlato, haja vista a ilegitimidade da cobrança do IRPJ e da CSLL sobre as variações monetárias ativas decorrentes da atualização dos depósitos judiciais, no período compreendido entre 01/01/1990 e 31/12/1994. CONTRARRAZÕES DA PGFN Em 25/01/2016, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do recurso apresentado pela contribuinte, e em 02/02/2016 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: não merece prosperar a pretensão do recorrente; relata a autoridade fiscal, às fls. 03/04, que a empresa autuada não registrou na contabilidade as variações monetárias ativas incidentes sobre depósitos judiciais, relativas ao período entre 01/01/1990 e 31/12/1994; a DRJ de origem decidiu anular os referidos autos de infração, sob o fundamento de que a variação monetária ativa só pode ser reconhecida após o pronunciamento judicial definitivo que determine o levantamento do depósito, considerando não ocorrida, antes do trânsito em julgado, a aquisição de disponibilidade sobre a importância respectiva; ao contrário do que afirma a recorrente e da conclusão da decisão de primeira instância, o e. Colegiado a quo fez uma leitura bastante precisa do quadro fático e jurídico ora em debate (fundamentos transcritos); Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 13805.006918/9637 Resolução nº 9101000.029 CSRFT1 Fl. 6 5 a recorrente não trouxe qualquer prova ou argumento apto a refutar as conclusões do acórdão recorrido, razão pela qual ele não merece qualquer censura, devendo ser mantido por seus próprios fundamentos; ante todo o exposto, pugna a Fazenda Nacional para que seja negado provimento ao recurso interposto pelo contribuinte interessado, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios e jurídicos fundamentos com relação à matéria recorrida. DILIGÊNCIA DEMANDADA PELA CSRF Em 14/06/2016, esta 1ª Turma da CSRF, ao examinar o referido recurso voluntário, concluiu que deveria demandar realização de diligência, para que a Fiscalização verificasse se a contribuinte conseguia demonstrar que realmente não procedeu à escrituração das despesas de variação monetária passiva incidentes sobre os tributos objeto dos depósitos judiciais, com vistas à aplicação da Súmula CARF nº 58. A determinação para essa diligência foi formalizada por meio do Acórdão nº 9101000.017, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1994 Em sede de recurso voluntário à CSRF, se o colegiado a quo acrescenta outros argumentos para restabelecer lançamento que havia sido exonerado pela decisão de primeira instância, e se após a interposição do recurso voluntário, há superveniência de direito, urge converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização verifique se o contribuinte logra comprovar, tal como aduzido em sede de sustentação oral, que se subsume ao que consagra esse novo direito. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado à Delegacia de origem (DRF/Campo Grande), e a contribuinte foi intimada a, "relativamente ao período de apuração de 01/01/1990 a 31/12/1994, comprovar documentalmente que não houve a escrituração das despesas de variação monetária passiva incidentes sobre os tributos objeto dos depósitos judiciais". Em resposta, a contribuinte apresentou laudo de uma empresa de consultoria, acompanhado de cópias de registros contábeis referentes ao período acima mencionado. A Fiscalização não fez qualquer análise sobre as afirmações contidas no laudo, e nem sobre os registros contábeis apresentados, e devolveu os autos ao CARF, para a retomada do julgamento do recurso em questão. O processo foi novamente a mim distribuído. É que de acordo com o §5º do art. 49 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os "processos que retornarem de diligência [...] serão distribuídos ao mesmo relator [...]". É o relatório Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 13805.006918/9637 Resolução nº 9101000.029 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Tratase de recurso voluntário contra decisão de câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que deu provimento a recurso de ofício, para restabelecer lançamento fiscal a título de IRPJ, IRRF e CSLL, tributos que foram apurados em razão de omissão de receita de variação monetária ativa referente a depósitos judiciais. O referido recurso era previsto nos arts. 8° e 18 do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. Atualmente, seu processamento está também regulado pelo art. 3º do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A contribuinte foi cientificada do acórdão recorrido em 19/07/2008 (sábado), e apresentou em 19/08/2008 o recurso voluntário sob exame. A apresentação do recurso ocorreu dentro do prazo de 30 dias previsto no art. 18 do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. Ele é, portanto, tempestivo. O recurso também atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A controvérsia abrange lançamento para constituição de crédito tributário a título de IRPJ, IRRF e CSLL. De acordo com a autoridade fiscal, a contribuinte não registrou na contabilidade as variações monetárias ativas incidentes sobre depósitos judiciais, relativamente ao período entre 01/01/1990 e 31/12/1994. A decisão de primeira instância administrativa tinha cancelado o lançamento, por considerar "improcedente a exigência do reconhecimento da variação monetária ativa sobre depósitos judiciais, no curso da pendência, em vista da total indisponibilidade dos recursos por parte do contribuinte". Houve recurso de ofício, e a antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento a ele, restabelecendo a exigência fiscal por meio do Acórdão n° 10322.355 (que é objeto do recurso a ser agora examinado). É importante transcrever os fundamentos do acórdão recorrido: VOTO Conselheiro FLÁVIO FRANCO CORRÊA, Relator A jurisprudência deste Colegiado assinala que a variação monetária ativa sobre depósito judicial se contrapõe à correção da divida tributária correspondente ao depósito efetuado, para anular os efeitos da correção monetária. Todavia, os depósitos são atualizados pela instituição financeira, Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 13805.006918/9637 Resolução nº 9101000.029 CSRFT1 Fl. 8 7 enquanto pendente a lide. Ou seja, para o provimento de improcedência do lançamento de ofício, a autuada deve reunir as evidências de que contabilizara variações passivas em idêntico montante ou, então, juntar aos autos as provas de que, malgrado não houvesse registrado variações ativas, também deixara de registrar as variações passivas. Não o fazendo, preservase o lançamento. No entanto, a fiscalizada preferiu manterse no discurso superado da indisponibilidade dos depósitos judiciais e, por conseqüência, da variação monetária incidente, sem trazer as provas acima indicadas, ou sequer a aludir à eventualidade daqueles fatos impeditivos. Importa considerar que a linha de pensamento da defesa induz igual raciocínio à aplicação da correção da dívida tributária, afinal, se o litigante sair vitorioso do embate, em sede judicial, com o ente que detém a capacidade tributária ativa, a eventual variação monetária registrada sobre o débito tributário revelarseá também indevida. Pelo exposto, divirjo do órgão a quo, que adotou em seus fundamentos os motivos da então impugnante, já ultrapassados a esta altura. Nesse sentido, curvome ao disposto nos artigo 18 do DL n° 1.598, de 1977, e 8°, da lei n° 9.249, de 1995, para DAR PROVIMENTO ao recurso ex officio. É como voto. (grifos acrescidos) Por meio do presente recurso voluntário dirigido a esta CSRF, a contribuinte pretende ver cancelado o lançamento, conforme havia sido decidido na primeira instancia administrativa. Em 14/06/2016, esta 1ª Turma da CSRF, ao examinar o referido recurso, concluiu que deveria demandar realização de diligência, para que a Fiscalização verificasse se a contribuinte conseguia demonstrar que realmente não procedeu à escrituração das despesas de variação monetária passiva incidentes sobre os tributos objeto dos depósitos judiciais, com vistas à aplicação da Súmula CARF nº 58. Minha posição naquela ocasião, diante do conteúdo do recurso apresentado, foi no sentido de que o acórdão recorrido não merecia nenhum reparo; que a contribuinte continuou sem empreender nenhum esforço para comprovar que não tinha registrado as variações passivas, mantendo apenas o mesmo discurso sobre a indisponibilidade dos depósitos judiciais; e que a diligência solicitada para que se verificasse o resultado final das ações judiciais relacionadas aos depósitos em nada contribuiria para a solução do caso, porque, independentemente do resultado da ação judicial, o cômputo de variação monetária passiva já teria influído negativamente nos resultados anteriores. O contribuinte, em sua sustentação oral na referida sessão da Câmara Superior, apresentou uma série de documentos, que, segundo ele, seriam capazes de infirmar a decisão contida no meu voto. Em relação a esses documentos, entendi que, em razão do momento em que foram apresentados, eles não deveriam ser conhecidos. Contudo, fiquei vencido nessa matéria preliminar. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 13805.006918/9637 Resolução nº 9101000.029 CSRFT1 Fl. 9 8 O voto vencedor naquela ocasião, proferido pela Conselheira Adriana Gomes Rêgo, foi no sentido de que quando da apresentação do recurso à CSRF não havia ainda a Súmula CARF nº 58; que estávamos diante de direito superveniente, de que trata a alínea “b” do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972; que a única oportunidade que a contribuinte tinha para trazer esses novos argumentos seria em sede de sustentação oral; e que, portanto, o julgamento deveria ser convertido em diligência para verificação de efeitos dos documentos apresentados pelo contribuinte. A determinação para essa diligência foi formalizada por meio do Acórdão nº 9101000.017, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1994 Em sede de recurso voluntário à CSRF, se o colegiado a quo acrescenta outros argumentos para restabelecer lançamento que havia sido exonerado pela decisão de primeira instância, e se após a interposição do recurso voluntário, há superveniência de direito, urge converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização verifique se o contribuinte logra comprovar, tal como aduzido em sede de sustentação oral, que se subsume ao que consagra esse novo direito. Recurso Voluntário Provido em Parte (grifos acrescidos) Os autos foram, então, remetidos à Delegacia de origem (DRF Campo Grande). A contribuinte foi intimada a, "relativamente ao período de apuração de 01/01/1990 a 31/12/1994, comprovar documentalmente que não houve a escrituração das despesas de variação monetária passiva incidentes sobre os tributos objeto dos depósitos judiciais". Em resposta, ela apresentou laudo de uma empresa de consultoria, acompanhado de cópias de registros contábeis referentes ao período acima mencionado. A Fiscalização não fez qualquer análise sobre as afirmações contidas no laudo, e nem sobre os registros contábeis apresentados, e devolveu os autos ao CARF, para a retomada do julgamento do recurso em questão. O processo foi novamente a mim distribuído. É que de acordo com o §5º do art. 49 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os "processos que retornarem de diligência [...] serão distribuídos ao mesmo relator [...]". O que se solicitou, em resumo, foi uma averiguação na contabilidade da empresa, para que a DRF de origem, por meio do setor de fiscalização, informasse se houve ou não escrituração de despesas de variação monetária passiva incidentes sobre os tributos objeto dos depósitos judiciais. A Delegacia da Receita Federal intimou corretamente a empresa, e esta apresentou um laudo e vários documentos contábeis visando atender a intimação recebida. Contudo, era necessário que a Delegacia de origem, antes de devolver o processo ao CARF, examinasse os documentos/esclarecimentos apresentados pela empresa, e Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 13805.006918/9637 Resolução nº 9101000.029 CSRFT1 Fl. 10 9 outros mais que entendesse necessários, prestando, ao final, informação a respeito do que foi indagado pelo CARF, e isso não foi feito. Assim, feitos os exames necessários com a consequente elaboração, pela fiscalização, de relatório conclusivo; deve, então, ser aberto prazo para o contribuinte se manifeste a respeito do mesmo. Desse modo, fazse necessário que os autos sejam novamente encaminhados à DRF Campo Grande, para atendimento do solicitado. Em síntese, voto por CONVERTER o julgamento do recurso em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem, para que esta proceda à análise e se manifeste quanto ao laudo e documentação acostados aos autos. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 13805.006918/9637 Resolução nº 9101000.029 CSRFT1 Fl. 11 10 Fl. 1254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910697/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 13/12/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.563
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 13/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.910697/2011-47
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789363
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.563
nome_arquivo_s : Decisao_16327910697201147.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 16327910697201147_5789363.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6986673
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734519717888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910697/201147 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.563 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 13/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 97 /2 01 1- 47 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 16327.910697/201147 Acórdão n.º 3402004.563 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.307, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 13/12/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 47DF CARF MF Processo nº 16327.910697/201147 Acórdão n.º 3402004.563 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 48DF CARF MF Processo nº 16327.910697/201147 Acórdão n.º 3402004.563 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 49DF CARF MF Processo nº 16327.910697/201147 Acórdão n.º 3402004.563 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001048/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/10/2002
NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o acórdão de primeira instância que não analisou todos os documentos relacionados ao custo de aquisição indicados pelo contribuinte para fins de apuração de eventual ganho de capital, caracterizando preterição do direito de defesa.. Inteligência do art. 108, I do CTN c/c art. 128 §8º do RIR. Comprovação nos autos que o contribuinte ressalvou o ônus do dispêndio com reformas para si após a alienação.
Numero da decisão: 2201-004.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 31/10/2002 NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão de primeira instância que não analisou todos os documentos relacionados ao custo de aquisição indicados pelo contribuinte para fins de apuração de eventual ganho de capital, caracterizando preterição do direito de defesa.. Inteligência do art. 108, I do CTN c/c art. 128 §8º do RIR. Comprovação nos autos que o contribuinte ressalvou o ônus do dispêndio com reformas para si após a alienação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18471.001048/2007-39
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5806336
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-004.019
nome_arquivo_s : Decisao_18471001048200739.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001048200739_5806336.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
id : 7053696
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734543835136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1323; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.747 1 1.746 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001048/200739 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.019 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de novembro de 2017 Matéria imposto de renda pessoa física Recorrente GERMANA HELENA RIBEIRO COUTINHO GUINLE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/10/2002 NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão de primeira instância que não analisou todos os documentos relacionados ao custo de aquisição indicados pelo contribuinte para fins de apuração de eventual ganho de capital, caracterizando preterição do direito de defesa.. Inteligência do art. 108, I do CTN c/c art. 128 §8º do RIR. Comprovação nos autos que o contribuinte ressalvou o ônus do dispêndio com reformas para si após a alienação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 48 /2 00 7- 39 Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 18471.001048/200739 Acórdão n.º 2201004.019 S2C2T1 Fl. 1.748 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão da DRJRJII que manteve o lançamento em parte. Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 1515/1529) por sua clareza: "Inicialmente, a contribuinte foi Intimada, por meio do Termo de fl. 16, a apresentar documentação comprobatória da aquisição e alienação dos imóveis situados na Av. Pref. Mendes de Moraes, n° 1.100, apto 501 e Casa Rua do Meio, Rodov. RioSantos, n° 23, Km 123 Angra dos Reis/RJ. Além disso, a intimação abrangeu a comprovação de evetuais incrementos dos custos de aquisição dos imóveis por ocasião da alienação. A resposta da contribuinte consta das tis. 18/20. Reintimada à fl. 22, a contribuinte apresentou esclarecimentos às fls. 24/27 e documentos de tis. 28 a 50. Na seqüência, a Fiscalização intimou a interessada a apresentar documentação hábil e idônea , legível, comprobatória do valor total das benfeitorias realizadas nos imóveis objeto das intimações anteriores. Em virtude da documentação apresentada pela contribuinte no curso da ação fiscal, a Fiscalização elaborou as planilhas de fls. 128/129, nas quais discriminou todas as benfeitorias que restaram devidamente comprovadas, resultando no incremento do custo de aquisição dos imóveis. No entanto, não restou comprovada a totalidade do valor informado pela contribuinte como custo de aquisição dos imóveis quando das respectivas alienações. Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 18471.001048/200739 Acórdão n.º 2201004.019 S2C2T1 Fl. 1.749 3 Assim, em vista das irregularidades apuradas, a autoridade fiscal lavrou o auto de infração de fls. 127 a 135, com a descrição da infração de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, com fato gerador em 31/10/2002. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 31/08/2007, por meio de mandatária, e apresentou, em 01/10/2007, a impugnação de fls. 144 a 193, na qual apresenta, em síntese, os argumentos a seguir expostos. O instrumento de mandato consta da fl. 124. conforme comprovado à exaustão durante a ação fiscal, é inegável que as reformas realizadas nos imóveis nos ano de 2001 e 2002 efetivamente ocorreram. Tal fato é provado por extensa prova composta de comprovantes das despesas incorridas, notas fiscais, recibos, microfilmagens de cheques e laudos técnicos elaborados por profissionais habilitados, tudo corroborado pelos respectivos projetos arquitetônicos e pelos alvarás de licença para construção. A documentação apresentada comprova nada menos do que 100% das despesas incorridas e custeada pela impugnante nas mencionadas reformas; a impugnante integralizou no capital social da sociedade JOGU1 dois imóveis de sua propriedade pelos valores apurados pelo somatório dos preços de aquisição discriminados nas respectivas escrituras públicas de compra e venda e dos dispêndios incorridos em reformas realizadas nos anos de 2001 e 2002. Assim, não houve qualquer acréscimo patrimonial passível de tributação pelo imposto sobre a renda nas aludidas operações; os documentos apresentados pela impugnante são hábeis e idôneos para comprovar as reformas havidas nos imóveis, já que as reformas realmente ocorreram tal como declarado pela impugnante, sendo certo que as respectivas despesas foram efetivamente incorridas e custeadas pela impugnante com recursos próprios, licitamente auferidos e regularmente oferecidos à tributação e declarados ao fisco federal; um orçamento apresentado, tido como um documento que não retrata fatos concretos "mas sim intenções", passa a ser uma prova cabal da despesa incorrida na reforma quando associado à microfilmagem do respectivo cheque nominal ao fornecedor, destinado ao pagamento daquele orçamento. Nesse caso o orçamento deixa de retratar uma mera intenção para consubstanciar verdadeiro acordo/contrato firmado entre o fornecedor e cliente e devidamente cumprido após o comprovado pagamento do preço; grande parte dos documentos apresentados pela impugnante relativamente à reforma realizada no ano de 2002 no imóvel de Angra dos Reis não foi aceita ao falacioso argumento de que a 4%data do pagamento e/ou realização dos serviços se deu cm data Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 18471.001048/200739 Acórdão n.º 2201004.019 S2C2T1 Fl. 1.750 4 posterior à de alienação". Foi com fundamento nesta absurda premissa que o auditor fiscal simplesmente ignorou praticamente todos os documentos apresentados pela impugnante, tendo aceito apenas aqueles do período anterior à data de referência (21/10/2002); é prática de mercado comum, rotineira e até mesmo esperável que uma mercadoria ou serviço adquirido para construção ou reforma seja pago depois de um determinado prazo, principalmente considerandose os valores envolvidos na obra em questão (superiores a um milhão de reais); somente no momento da execução específica dos serviços é que as mercadorias e serviços adquiridos foram paulatinamente entregues e agregados no imóvel, sendo que depois de determinado prazo avençado entre fornecedores e a impugnante é que os pagamentos começaram a ser realizados e os recibos de pagamento, então, devidamente emitidos; além dos laudos técnicos já apresentados no curso da fiscalização a impugnante junta outros laudos específicos de avaliação dos imóveis em referência. Estes laudos visam a demonstrar que os valores utilizados para fins de integralização realizada em outubro de 2002 correspondem aos valores de mercado dos imóveis decorrentes, exatamente, das melhorias advindas das reformas em referência; outro ponto que não foi considerado pela fiscalização e que, assim como os dispêndios com reformas, também integra o custo de aquisição dos imóveis é o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante. Cita art. 128, §° 7o do RIR/99; no caso do imóvel no Rio de Janeiro, consta da respectiva escritura de compra e venda registrada perante o 23° Oficio de Notas do Rio de Janeiro (anexo 10), ti. 26, a certificação de que o imposto de transmissão devido foi recolhido à Secretaria Municipal de Fazenda no valor de RS36.000,00. O referido valor pago em 08/06/2001 representava, na data de alienação, o montante devidamente atualizado de R$45.481,35 (anexo1 1); e relativamente ao imóvel de Angra dos Reis, consta da Certidão do Cartório do Io Ofício de Angra dos Reis, acostada às tis. 28/31, a informação de que foi pago o ITBI de n° 2071/93 no valor de CRS3.200.000,00. Este valor devidamente convertido para Reais e atualizado até a data de alienação do imóvel totaliza a quantia de R$79.550,45 (anexo 12), que igualmente integra o custo de aquisição." Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 18471.001048/200739 Acórdão n.º 2201004.019 S2C2T1 Fl. 1.751 5 2 A decisão da DRJ em decisão ementada abaixo julgou parcialmente procedente a impugnação: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ~ Data do fato gerador: 31/10/2002 GANHO DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR. Uma vez comprovada a apuração de ganho de capital na alienação de bens imóveis, resta caracterizada a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda. CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCREMENTO. Em se tratando de bens imóveis, os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, com projetos aprovados por órgãos municipais competentes. e as pequenas obras podem integrar o custo de aquisição, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual. No entanto. a aquisição de bens móveis, tais corno cortinas. almofadas, artigos de decoração em geral, eletrodomésticos. entre outros. não representam incremento no custo de aquisição do imóvel para fins de apuração de ganho de capital. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3 Em recurso voluntário de fls. 1.544\1.592 aduz em síntese que deve ser reformada a r. decisão da DRJ por conta que o custo de aquisição foi fartamente comprovado. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso voluntário de fls. 1544/1592 é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – No presente recurso o contribuinte questiona as demais diferenças do custo de aquisição dos imóveis abaixo identificados não reconhecidos pela decisão da DRJ Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 18471.001048/200739 Acórdão n.º 2201004.019 S2C2T1 Fl. 1.752 6 após análise por parte da fiscalização e do julgador de piso, em que ambos reconheceram parte do custo de ambos os imóveis objeto do presente lançamento: 6 O contribuinte destaca em seu recurso a justificativa para o aumento do custo de aquisição de ambos os imóveis destacando os documentos que devem ser reconhecidos e outros que foram reconhecidos em parte. 7 Abaixo a tabela dos valores reconhecidos pela DRJ por imóvel: Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 18471.001048/200739 Acórdão n.º 2201004.019 S2C2T1 Fl. 1.753 7 "A tabela a seguir sintetiza os valores das despesas devidamente comprovadas pela contribuinte, aceitas no presente Voto, que devem ser consideradas como incremento do custo de aquisição do imóvel situado em São Conrado, além do valor já considerado pela Fiscalização." ALUFAMA 17.330,00 FLS 235 a 237 e 240 AQUALAR 2 600,00 FLS. 246 a 250 HIGHCOM TELEF 1.400,00 FLS 309/311 JOSE AMERICO 11 385.64 FLS, 334 a 340 AMISSANI 134 764,00 FLS 342 a 381 KFB 13 145.76 FLS 387 a 407 MAYMA 31 575,22 FL 440 MARC. ENG. MADEIRA 98.100.00 FLS 457 a 466 MURILO BOABAID 10.000,00 FLS 471/472 NAVONA 1.64535 FLS 474 a 485 PLAKLINE 19.600.00 FLS 491 a 500 POLIVIDROS 10.015,50 FLS 502 a 511 PROREVEST 2..985.00 FLS 516a 519 SARTY METAL 10.362,00 FLS 530 a 535 TEC RIO 5 .350,00 FLS 537 a 541 TEC TEMPER 3 096,00 FLS 544 a 549 TOLDISA 4..209.00 FLS 551 a 554 WEB AIR 10.633,00 FLS 556 a 571 W SANTIAGO 5.847.13 FLS. 573 a 577 TOTAL 394.243.80 8 Além desses valores considerou os valores com os impostos recolhidos na época constantes do documento de transmissão da propriedade. 9 Abaixo o valor relativo ao imóvel de Angra dos Reis que foram reconhecidos em parte pela DRJ: "A tabela a seguir sintetiza os valores das despesas devidamente comprovadas pela contribuinte, aceitas no presente Voto, que devem ser consideradas como incremento do custo de aquisição do imóvel situado em Angra dos Reis." ALUFAMA 34.000,00 FLS. 625 c 626 COMANDAR 10.161,24 Fl. 681 FLORENSE 34.743,31 FLS. 752, 778c779 LIGUE SERVICE 5.836,50 FLS. 854.1155 MEKAL 8.949,00 FLS 1046 Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 18471.001048/200739 Acórdão n.º 2201004.019 S2C2T1 Fl. 1.754 8 METALFERCO l.972,58 FLS. 1106 e 1107 SUPERDECK 12. 870,00 Fl 1194 TERRACOR 4.401,01 Fl 1206 TOTAL 112.9.13.71 10 Além desses valores da mesma forma que o imóvel de São Conrado houve o reconhecimento do valor relativo aos impostos sobre transmissão como custo de aquisição. 11 Em seu recurso o contribuinte pretende o reconhecimento de outros valores com base em documentos juntados durante a fiscalização cuja a fiscalização e a DRJ reconheceram ora em parte ora totalmente. 12 Em relação ao imóvel de Angra dos Reis tanto a fiscalização quanto a DRJ reconheceram apenas em parte sobre os documentos juntados pela recorrente, asseverando em síntese que não iriam verificar os documentos relativos a despesas pelo fato da alienação do imóvel ter ocorrido em 21/10/2002 conforme justificativa na decisão de piso: "Em princípio, esclareçase que a alienação do imóvel ocorreu em 21/10/2002 e, portanto, todos os pagamentos efetuados e orçamentos emitidos após essa data não podem integrar o custo de aquisição do imóvel para fins de apuração de ganho de capital. Correto o entendimento da Fiscalização nesse sentido exposto na descrição dos fatos do auto de infração (fl. 131)." 13 Contudo, nessa parte entendo equivocada a r. decisão de piso, posto que não há fundamento legal que restrinja tal fato, sendo certo que pela análise conjunta do art. 108, I do CTN aplicando a analogia aos termos do § 8º do art. 128 do RIR/99, verbis: Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 18471.001048/200739 Acórdão n.º 2201004.019 S2C2T1 Fl. 1.755 9 Art.128.O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, § 4º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). §8ºPodem integrar o custo de aquisição dos demais bens ou direitos os dispêndios realizados com conservação, reparos, comissão ou corretagem, quando não transferido o ônus ao adquirente, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens. 14 Por analogia aplicando a questão dos dispêndios com conservação e reparo contidos no § 8º do art. 128 para integração da legislação do § 7º, I do art. 128 abaixo indicado podemos considerar que tais dispêndios podem ser considerados após a alienação: Art. 128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, § 4º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). § 7º Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens: I os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; 15 Deve ser considerado que no caso concreto a alienação ocorrida foi decorrente de conferência de bens imóveis para a capitalização da sociedade Jogui Participações Ltda, fls. 50/65: Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 18471.001048/200739 Acórdão n.º 2201004.019 S2C2T1 Fl. 1.756 10 Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 18471.001048/200739 Acórdão n.º 2201004.019 S2C2T1 Fl. 1.757 11 16 Pela leitura da cláusula 6.2 da alteração contratual da empresa Jogui Participações Ltda. verificamos que a recorrente se obriga a terminar a execução das benfeitorias e portanto não transfere o ônus para a sociedade para a qual o imóvel foi capitalizado nos termos do art. 128, § 8º do RIR/99: 17 Portanto, nesse caso, entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado toda a farta documentação juntada pela contribuinte relativo ao imóvel de Angra dos Reis, se atendo apenas a alegar que o fato de ter alienado o imóvel em 21/10/2002 não tendo avaliado e dado juízo de valor a respeito dos demais documentos juntados aos autos. 18 Outrossim, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão do Ac. 1330.129 da C. 3ª Turma da DRJ/RJ2 para que a DRJ analise a documentação relativa ao imóvel de Angra dos Reis mesmo após a alienação, ressalvado ao contribuinte posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. 19 Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 18471.001048/200739 Acórdão n.º 2201004.019 S2C2T1 Fl. 1.758 12 20 Diante do exposto, DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância administrativa para que outra seja proferida e a C. DRJ analise a documentação relativa ao imóvel de Angra dos Reis mesmo após a alienação, ressalvado ao contribuinte posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 1758DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000405/2005-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2004
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.632
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2004 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10840.000405/2005-22
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805375
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.632
nome_arquivo_s : Decisao_10840000405200522.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10840000405200522_5805375.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7045402
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734553272320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10840.000405/200522 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.632 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USINA BAZAN S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2004 REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 04 05 /2 00 5- 22 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10840.000405/200522 Acórdão n.º 9303005.632 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.270, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para, na parte que interessa ao presente julgamento: · reconhecer o direito de crédito sobre as despesas com o transporte de funcionários; · reconhecer o direito de crédito sobre os gastos com combustíveis e lubrificantes para o maquinário utilizado no corte e transporte da canadeaçúcar. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao reconhecimento do direito de crédito sobre os itens relacionados acima. Em síntese, argumenta a Recorrente que tais bens/serviços não são consumidos diretamente em contato com o produto em elaboração, não fazendo jus, portanto, ao creditamento das contribuições. Mediante despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentados pelo sujeito passivo, requerendo o não provimento do recurso. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial apontando divergência quanto à possibilidade de aproveitar o crédito presumido da agroindústria em pedidos de restituição e compensação. Todavia, mediante despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi negado seguimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. Em agosto de 2017 foi juntado aos autos Memorando e Termo de Desistência. Nesse último, o contribuinte reclama da não inclusão de parte dos débitos do presente processo na consolidação do parcelamento da Lei 12.996/14, conforme pedido apresentado em 18/06/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.631, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10840.000403/200533, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10840.000405/200522 Acórdão n.º 9303005.632 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.631): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Recordo apenas que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional traz discussão acerca da constituição ou não de crédito sobre gastos com transporte de funcionários e com combustíveis e lubrificantes." Do Mérito "(...)1 Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da contribuição para o PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS sobre despesas com serviços de transporte de funcionários utilizados no corte da canadeaçúcar e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais itens integram o conceito de insumos utilizados na produção dos bens produzidos e vendidos pelo produtor/vendedor. 1 Deixouse de transcrever o voto da relatora do paradigma, que defendia o direito ao creditamento dos bens/serviços objeto do recurso, pois esse entendimento foi vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Transcrevese, como mencionado, apenas o entendimento que prevaleceu. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10840.000405/200522 Acórdão n.º 9303005.632 CSRFT3 Fl. 5 4 A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotado pelo acórdão recorrido e pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO); IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007); X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...). Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10840.000405/200522 Acórdão n.º 9303005.632 CSRFT3 Fl. 6 5 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as despesas com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes não foram utilizadas diretamente na produção dos bens produzidos/vendidos. Tais gastos foram incorridos com o custeio agrícola da canadeaçúcar, mais especificamente com o maquinário utilizado no corte e transporte da canadeaçúcar e no transporte de pessoas (trabalhadores rurais) entre a sede da empresa e a lavoura. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos (açúcar e álcool) não é possível tal creditamento. Assim, por se tratar de despesas com bens e serviços que não foram utilizados diretamente no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas no custeio agrícola da canadeaçúcar, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, devem ser mantidas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10840.000405/200522 Acórdão n.º 9303005.632 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.727003/2016-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. DECRETO-LEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO.
Em respeito ao instituto constitucional do direito adquirido, ganho auferido sobre operação de alienação de participação societária, mesmo que ocorrida após a revogação do Decreto-Lei que instituiu a isenção de IRPF, faz jus a tal benefício se as condições para a sua concessão foram cumpridas antes da vigência da legislação posterior que transformou a isenção em hipótese de incidência.
AÇÕES BONIFICADAS. INCORPORAÇÃO DE LUCROS OU RESERVAS DE LUCROS AO CAPITAL SOCIAL. INEXISTÊNCIA DE EFETIVO AUMENTO DO PATRIMÔNIO.
O aumento do valor do capital social em razão da incorporação de lucros ou reservas não devem ser considerados como aquisição de novas participações societárias uma vez que representa mero de aumento contábil, e não um aumento efetivo, decorrente do remanejamento de valores já existentes no balanço, sem mudança efetiva na consistência do patrimônio. As ações bonificadas são expansão das ações antigas, tendo a natureza de acessões.
Havendo o reconhecimento do direito adquirido à isenção prevista no art. 4º, d, do Decreto-Lei n° 1.510/76 em relação a determinada participação societária, o benefício fiscal também deve se estender às bonificações destas ações englobada pela isenção.
AUMENTO DO CAPITAL SOCIAL. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Apenas integra o custo de aquisição o aumento de capital realizado mediante incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros, hipótese em que o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado. Neste sentido, reservas não constituídas pelos lucros da empresa não podem compor o custo de aquisição de cotas/ações quando da capitalização.
A reserva de incentivos fiscais não é constituída pelos lucros da empresa, mas sim por subvenções para investimento concedidas pelo governo. Ou seja, eventual capitalização de tal reserva não representa um custo em relação aos sócios. O mesmo entendimento deve ser observado em relação às reservas de capital, eis que a lei distinguiu claramente as reservas de capital das reservas de lucros, quer quanto à sua constituição, quer quanto ao destino de seus saldos.
Numero da decisão: 2201-003.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava provimento ao recurso e manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
(assinado digitalmente)
José Alfredo Duarte Filho - Declaração de Voto.
EDITADO EM: 25/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. DECRETO-LEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO. Em respeito ao instituto constitucional do direito adquirido, ganho auferido sobre operação de alienação de participação societária, mesmo que ocorrida após a revogação do Decreto-Lei que instituiu a isenção de IRPF, faz jus a tal benefício se as condições para a sua concessão foram cumpridas antes da vigência da legislação posterior que transformou a isenção em hipótese de incidência. AÇÕES BONIFICADAS. INCORPORAÇÃO DE LUCROS OU RESERVAS DE LUCROS AO CAPITAL SOCIAL. INEXISTÊNCIA DE EFETIVO AUMENTO DO PATRIMÔNIO. O aumento do valor do capital social em razão da incorporação de lucros ou reservas não devem ser considerados como aquisição de novas participações societárias uma vez que representa mero de aumento contábil, e não um aumento efetivo, decorrente do remanejamento de valores já existentes no balanço, sem mudança efetiva na consistência do patrimônio. As ações bonificadas são expansão das ações antigas, tendo a natureza de acessões. Havendo o reconhecimento do direito adquirido à isenção prevista no art. 4º, d, do Decreto-Lei n° 1.510/76 em relação a determinada participação societária, o benefício fiscal também deve se estender às bonificações destas ações englobada pela isenção. AUMENTO DO CAPITAL SOCIAL. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Apenas integra o custo de aquisição o aumento de capital realizado mediante incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros, hipótese em que o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado. Neste sentido, reservas não constituídas pelos lucros da empresa não podem compor o custo de aquisição de cotas/ações quando da capitalização. A reserva de incentivos fiscais não é constituída pelos lucros da empresa, mas sim por subvenções para investimento concedidas pelo governo. Ou seja, eventual capitalização de tal reserva não representa um custo em relação aos sócios. O mesmo entendimento deve ser observado em relação às reservas de capital, eis que a lei distinguiu claramente as reservas de capital das reservas de lucros, quer quanto à sua constituição, quer quanto ao destino de seus saldos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.727003/2016-55
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5799645
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.955
nome_arquivo_s : Decisao_10880727003201655.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10880727003201655_5799645.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava provimento ao recurso e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. (assinado digitalmente) José Alfredo Duarte Filho - Declaração de Voto. EDITADO EM: 25/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
id : 7015674
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734573195264
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-10-26T00:50:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2017-10-26T00:50:04Z; dcterms:modified: 2017-10-26T00:50:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2017-10-26T00:50:04Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-10-26T00:50:04Z; meta:save-date: 2017-10-26T00:50:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-10-26T00:50:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; pdf:charsPerPage: 2107; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 620 1 619 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.727003/201655 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.955 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de outubro de 2017 Matéria GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA Recorrente MITSUO MATSUNAGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. DECRETOLEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO. Em respeito ao instituto constitucional do direito adquirido, ganho auferido sobre operação de alienação de participação societária, mesmo que ocorrida após a revogação do DecretoLei que instituiu a isenção de IRPF, faz jus a tal benefício se as condições para a sua concessão foram cumpridas antes da vigência da legislação posterior que transformou a isenção em hipótese de incidência. AÇÕES BONIFICADAS. INCORPORAÇÃO DE LUCROS OU RESERVAS DE LUCROS AO CAPITAL SOCIAL. INEXISTÊNCIA DE EFETIVO AUMENTO DO PATRIMÔNIO. O aumento do valor do capital social em razão da incorporação de lucros ou reservas não devem ser considerados como aquisição de novas participações societárias uma vez que representa mero de aumento contábil, e não um aumento efetivo, decorrente do remanejamento de valores já existentes no balanço, sem mudança efetiva na consistência do patrimônio. As ações bonificadas são expansão das ações antigas, tendo a natureza de acessões. Havendo o reconhecimento do direito adquirido à isenção prevista no art. 4º, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76 em relação a determinada participação societária, o benefício fiscal também deve se estender às bonificações destas ações englobada pela isenção. AUMENTO DO CAPITAL SOCIAL. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Apenas integra o custo de aquisição o aumento de capital realizado mediante incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros, hipótese AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 70 03 /2 01 6- 55 Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 621 2 em que o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado. Neste sentido, reservas não constituídas pelos lucros da empresa não podem compor o custo de aquisição de cotas/ações quando da capitalização. A reserva de incentivos fiscais não é constituída pelos lucros da empresa, mas sim por subvenções para investimento concedidas pelo governo. Ou seja, eventual capitalização de tal reserva não representa um custo em relação aos sócios. O mesmo entendimento deve ser observado em relação às reservas de capital, eis que a lei distinguiu claramente as reservas de capital das reservas de lucros, quer quanto à sua constituição, quer quanto ao destino de seus saldos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava provimento ao recurso e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. (assinado digitalmente) José Alfredo Duarte Filho Declaração de Voto. EDITADO EM: 25/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 579/603, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 554/573, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 622 3 Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 02/08, lavrado em 16/06/2016, relativo a fato gerador ocorrido no anocalendário 2012, com ciência do RECORRENTE em 20/06/2016 (fl. 511). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 55.807.716,54, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. O Termo de Verificação Fiscal – TVF encontrase acostado às fls. 09/42. Em breve síntese, os principais pontos que originaram o lançamento foram os seguintes: I. A fiscalização apurou que o RECORRENTE auferiu ganho de capital na operação de alienação de ações da Yoki Alimentos S/A, CNPJ nº 61.586.558/001329, da qual era acionista, para a empresa General Mills Brasil One Ltda, CNPJ nº 15.715.537/000105, em agosto de 2012; II. No curso da fiscalização, quando intimado para apresentar demonstrativo contendo a evolução da quantidade e valor de suas ações na Yoki, o contribuinte forneceu folhas do Livro de Registro de Ações da Yoki, contendo o registro de suas aquisições de ações da companhia. Informou que na data da alienação possuía 16.765.005 ações, tendo sido todas elas alienadas à General Mills em 2012. Informou que as referidas ações foram adquiridas conforme se demonstra abaixo: III. Em relação ao critério de valoração do custo de aquisição, afirmou que “tendo em vista as diferentes moedas que existiram no sistema financeiro nacional no período, (...), os diferentes critérios para indicação de bens na DIRPF neste período, (...), com o registro de acréscimos ao custo pela capitalização de lucros e reservas na empresa, ocorridas desde 1996, (...), adotouse como custo médio de aquisição das ações alienadas, o valor de R$ 2.19 por ação, correspondente ao valor nominal delas, determinado na AGE de 24 de julho de 2012, após a Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 623 4 última capitalização de reservas e de lucros, antes de efetivada a alienação das referidas ações”; IV. Na mesma resposta, o RECORRENTE esclareceu “que, para fins de cálculo do ganho de capital auferido na alienação das ações da Yoki Alimentos S.A. por ele detidas na data de fechamento da transação, considerou como isento do imposto de renda o valor do ganho correspondente ao lote de 15.406.975 ações adquiridas no período de 1971 a 1981, antes portanto de 1988, por serem beneficiárias da isenção determinada pelo disposto na alínea "d" do art. 4° do Decretolei n. 1.510, de 1976, cuja revogação só se deu por meio da Lei n. 7.713, de 1988”; V. Em 06/11/2015 o contribuinte informou que ofereceu à tributação no DAGC somente as 1.358.030 ações adquiridas após 31/12/1983. Esclareceu que não houve pagamento de comissões para a efetivação do negócio. Quanto ao Decretolei 1.510/76, informou que não era parte de qualquer ação judicial sobre a matéria e alegou que a garantia do benefício previsto na referida lei foi adquirida antes de sua revogação; VI. Em decorrência da operação de compra e venda, o RECORRENTE vendeu 16.765.005 ações da Yoki de sua propriedade, correspondente a 12,06% das ações adquiridas pela General Mills. Em 01/08/2012 o contribuinte recebeu o valor de R$ 207.961.813,00, como remuneração da parcela à vista do contrato. No dia 09/10/2012 recebeu o valor de R$ 3.122.837,47, correspondente a sua participação na parcela do reajuste do preço, disponibilizados, via TED, na conta de sua esposa no Banco Santander; VII. Na DIRPF do RECORRENTE relativa ao anocalendário de 2012, houve o preenchimento do Demonstrativo do Ganho de Capital referente à alienação das ações da Yoki. Foi tributado o ganho de capital proveniente das 1.358.030 ações que entende o contribuinte não estarem acobertada pela isenção do Decretolei 1.510/76, já que adquiridas após o ano de 1983. Foram efetuados dois pagamentos nos valores de R$ 1.656.448,26 e R$ 468.425,62, nos dias 28/09/2012 e 31/11/2012, como o imposto devido pelo ganho de capital; VIII. Ainda de acordo com a DIRPF, constatouse que o contribuinte atribuiu o valor unitário da ação em R$ 0,038. Contudo, de acordo com o TVF, esse não corresponde ao valor efetivo das ações neste período, já que, por diversas vezes, houve a incorporação de lucros ao capital da empresa, chegando o lote de 16.562.911 ao valor patrimonial de R$ 19.875.529,63 no final de 2011. Por ocasião da venda, em agosto de 2012, este bem alcançou o valor unitário de 2,19, conforme pode ser comprovado pelas atas das Assembleias Ordinárias – AGE da Yoki, lavradas em 12/04/2011 e 24/07/2012; IX. Após tecer suas considerações, a autoridade fiscal concluiu que, à época do fato gerador – agosto de 2012 – a isenção alegada pelo contribuinte havia sido revogada e não há direito adquirido ao benefício, eis que a Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 624 5 nãoincidência prevista no Decretolei n° 1.510, de 1976, art. 4°, alínea "d", não era onerosa e nem foi estabelecida a prazo determinado; X. A auditoria fiscal ressalva que, de qualquer forma, ainda que o contribuinte fizesse jus ao benefício fiscal, o que admitiu apenas para argumentar, somente pequena parcela da sua participação societária estaria abrangida (quotas alienadas em 2012 denominadas no Termo de Verificação Fiscal como quotas passíveis de isenção); XI. Afirma que tal distinção se faz necessária, pois não é razoável admitir que a parcela do capital da Yoki pertencente ao contribuinte e vendidas em 2012 é a mesma que possuía em 31/12/1983, ainda que, em números absolutos de ações ou do percentual representativo no capital, tal parcela não sofresse qualquer alteração. Aquele quinhão de capital passou por diversas mudanças provocadas por aumento de valor por incorporações de reservas gerados por lucros produzidos após 1983, supressão do número de ações da companhia contra contas de reservas, distribuição de bonificações propiciadas por incorporações de reservas, todas constituídas com lucros advindos da atividade da empresa após 1983, etc.. Ou seja, o capital sofreu mutações no curso do tempo que não são acobertadas pela lei isentiva; XII. Entende que o sujeito passivo informou a maior o percentual passível de isenção e, assim, com base nas informações coletadas nas atas da Yoki e nos outros documentos apresentados, elaborou uma planilha, denominada ANEXO I, às fls. 35/38, para apurar a real participação detida anteriormente a 31.12.1983 que, eventualmente, poderá ser considerada isenta de tributação por força do DecretoLei 1.510/1976. XIII. Nas colunas à direita do ANEXO I procedeuse ao acompanhamento do valor financeiro das ações, resultante da correspondente alteração societária, objetivando determinar a sua composição no momento da alienação, classificandoos como: XIV. a) Fração Anterior (FA) – a fração remanescente (incluindo atualizações) do capital existente em 31.12.1983; e XV. b) Fração Posterior (FP) – a fração correspondente ao capital posteriormente a esta data, incluídas suas atualizações. Tratase, portanto, da parte complementar do capital incorporado à empresa tendo como origem os lucros ou reservas produzidos após 31/12/1983 (FA + FP = 100%). XVI. Conforme demonstram os cálculos do ANEXO I, no momento da alienação das ações da Yoki, em 02/08/2012, 1,93% do capital correspondiam à fração remanescente (incluindo atualizações) das ações ou parcela do capital de 31/12/1983 (FA). XVII.No que diz respeito à participação do RECORRENTE, elaborou a planilha acostada como ANEXO II (fls. 39/41) a fim de demonstrar que a Fração Anterior (FA) corresponderia a 1,12% da participação do Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 625 6 contribuinte, ao passo que a Fração Posterior (FP) seria 98,88% de sua participação; XVIII. Afirma que, de acordo com o ANEXO I, as alterações no Capital Social da Yoki ocorreram devido a diversos fatores. Algumas das alterações foram produzidas por incorporações de lucros acumulados ou reservas existentes no patrimônio da companhia. Discorreu de forma detalhada sobre os procedimentos adotados na distribuição de tais incrementos no Anexo I entre as FA e FP, especificamente sobre: (i) Correção Monetária do Capital (CMC); (ii) Lucros e Reservas Constituídas com esses Lucros; (iii) Redução do Capital Social; e (iv) Cancelamento de Ações em Tesouraria (fls. 26/28); XIX. Em relação ao custo de aquisição, a autoridade fiscal observou no Demonstrativo da Apuração do Ganho de Capital DAGC, que o valor das ações na Yoki pertencentes ao RECORRENTE foi registrado por um custo de R$ 2,19 cada; XX. Partindo do art. 135, do RIR/99, a Autoridade Fiscal considerou integrante do custo de aquisição os aumentos de capital em decorrência da integralização de lucros ou reservas de lucros, na proporção do aumento cabível ao acionista. Depois, examinou a integralização dos lucros, separando os operacionais e as reservas constituídas por eles dos demais não operacionais. XXI. Assim, ao observar os aumentos de capital da empresa, a autoridade fiscal levantou incorporações de reservas de incentivos fiscais em 30/04/2010, 30/04/2011 e 12/04/2011 e, analisando a natureza jurídica e contábil dessas reservas, concluiu não terem natureza de receitas operacionais (fls. 29/30); XXII.Da mesma forma, tratou as capitalizações feitas com reservas de capital em 30/04/2011 e em 14/04/2012, na medida em que é constituída por valores que não transitam pelo resultado, nos termos do art. 182 da Lei das S/A (fls. 30/31); XXIII. Assim concluiu que as capitalizações procedidas com recursos advindos da Reserva de Incentivos Fiscais e Reserva de Capital não integram aquelas que podem majorar o custo de aquisição das ações para efeito de ganho de capital da pessoa física; XXIV. Feitos os expurgos, a Autoridade Fiscal chegou ao custo das ações do contribuinte, considerada a evolução do capital da Yoki, conforme exposto a fls. 31 (R$ 23.376.342,49 para as 16.765.005 ações, o que vela ao custo de R$ 1,39/ação); XXV. Reiterou que o contribuinte recebeu pela alienação das 16.765.005 ações o valor de R$ 207.961.813,00, recebidos no dia 01/08/2012, e R$ 3.122.837,47 recebido em 09/10/2012. Considerando se que na data da alienação, 98,88% das quotas eram tributáveis e 1,12% Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 626 7 eram passíveis de isenção (conforme demonstrado no ANEXO II – fls. 39/41) apurou o ganho de capital conforme demonstrado abaixo: XXVI. Afirmou que o tributo é devido em duas parcelas já que os recebimentos dos montantes pactuados foram feitos em 01/08/2012 e 09/12/2012. Na lavratura do Auto de Infração, segregou o imposto em duas ocorrências, uma contendo 98,88% do imposto devido e outra contendo 1.12%, conforme demonstrado no quadro abaixo: XXVII. Observou que excesso de pagamento referente à 2ª parcela no montante de R$ 51.875,29 é passível de restituição e pode ser compensado, caso seja do interesse do contribuinte; XXVIII. Assim, constituiu o crédito tributário de IRPF no valor de R$ 26.083.247,59. O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 520/541 em 11/07/16. Posteriormente, apresentou a petição de fls. 547/548 informando que houve a “publicação, em 12 de maio de 2016, da Portaria PGFN n. 502, a qual incluiu a matéria objeto deste procedimento administrativo, no item 1.22, alínea "u", na lista contendo os temas que a administração, por força do artigo 19 da Lei n. 10.522/02 e da Portaria PGFN n. 502, de 12 Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 627 8 de maio de 2016, está autorizada a não constituir créditos tributários, não contestar, não recorrer ao CARF ou, ainda, desistir de recursos já interpostos”. Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo/SP julgou procedente o lançamento (fls. 554/573), conforme ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI Nº 1.510/1976. NÃO INCIDÊNCIA. REVOGAÇÃO PELA LEI N° 7.713/1988. Inexiste direito adquirido a isenção, salvo se houver sido concedida a prazo certo e demais condições (CTN, art. 178). Para que possa haver a fruição do benefício, a lei isentiva deve estar em vigor no momento em que ocorre o fato gerador. Raciocínio que se aplica a hipóteses de nãoincidência. A nãoincidência prevista no Decretolei nº 1.510/1976, art. 4º, alínea “d”, não gerou direito adquirido ao contribuinte, eis que não era onerosa e nem foi estabelecida a prazo determinado. Está sujeita ao imposto sobre o ganho de capital a alienação de participação societária efetuada a partir de 1o de janeiro de 1989, ainda que, nessa data, já houvesse decorrido o período de cinco anos da subscrição ou aquisição da participação. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do ato administrativo. DIREITO CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 08/12/2016, conforme AR de fl. 577, apresentou o recurso voluntário de fls. 579/603 em 16/12/2016. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 628 9 Em suas razões, alegou, em síntese, o seguinte: I. Como questão de ordem, afirma que que o presente processo poderia ter sido encerrado em sede de impugnação, a qual foi rejeitada com base em argumentos que já se encontram superados pela jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça que, inclusive, já foi reconhecida pela própria administração que dispensou a constituição de crédito tributário e também a apresentação de recurso em face da matéria objeto deste feito, conforme informado pelo Recorrente neste processo, por meio da petição protocolizada em 25 de julho de 2016, novamente acostada ao presente como documento anexo 1 (fls. 604/605); II. Portanto, em relação à venda do lote de 15.406.975 ações da Yoki S.A., deve ser aplicado ao presente processo a disposição contida na Portaria PGFN n. 502, de 12 de maio de 2016, posto que a matéria objeto do presente encontrase ali descrita no item 1.22, alínea "u", que determina o cancelamento de crédito tributário decorrente de tal matéria (direito adquirido à isenção do art. 4°, "d", do Decretolei nº 1.510, de 1976); III. Afirma que a operação de venda do lote de 15.406.975 ações da Yoki, detidas pelo Recorrente e por ele adquiridas antes de 1983, tal como descrita e comprovada pelo próprio TVF, não obstante tenha sido realizada em julho de 2012, após a revogação do Decretolei n. 1.510/1976, está amparada pela norma isentiva revogada, porquanto, quando dessa revogação, ocorrida em 31/12/1988, o Recorrente já preenchia todas as condições para gozo de tal benefício; IV. Dentre esses princípios conformadores pragmáticos da segurança jurídica e da própria sustentação do Estado Democrático, repontam como de marcante importância àqueles consignados no inciso XXXVI do art. 50 da Constituição Federal, atinentes à proteção absoluta ao direito adquirido, à coisa julgada e ao ato jurídico perfeito; V. Impossível, portanto, à lei nova (Lei n. 7.713/1988) retrooperar, afetando situações jurídicas consolidadas na vigência de norma anterior e válida (Decretolei 1.510/1976); VI. Assim, considerando que o Recorrente adquiriu aquele lote de ações da Yoki antes de 1983, como atestado e fartamente comprovado pelo agente fiscal, e manteveas sob sua titularidade por, no mínimo, 5 (cinco) anos, por óbvio que adquiriu o direito a mencionada isenção, a qual não pode ser simplesmente revogada por lei superveniente por se tratar de isenção concedida sob condição onerosa, a qual, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal, não pode ser simplesmente suprimida, nos termos da Súmula 544 do STF; VII. Reitera que o E. Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento sobre o tema, conforme diversos precedentes citados. Além disso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF também já decidiu no mesmo sentido de que os contribuintes que mantiveram, por 5 anos a titularidade de ações representativas do capital de sociedades, adquiriram Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 629 10 o direito à isenção do IR incidente sobre o ganho de capital que viesse a ser auferido por ocasião da alienação dessas ações; VIII. A respeito dos aumentos de capital ocorridos ao longo dos anos, afirma que os aumentos de capital descritos no TVF não resultaram em emissão de novas ações, o que significa que a mesma quantidade de ações adquiridas durante a vigência do DL 1.510/1976 foi a alienada em 2012. Dessa forma, completamente equivocada está a decisão ora recorrida, porquanto, NUNCA HOUVE DISTRIBUIÇÃO DE AÇÕES BONIFICADAS AOS ACIONISTAS DA YOKI em decorrência dos aumentos de capital realizados, devendo, portanto, todo o ganho de capital auferido na alienação do lote de 15.406.975 ações, ser considerado isento; IX. Conforme constou no TVF, o valor do capital social da Yoki, neste período de quase 30 (trinta) anos, sofreu diversas majorações em razão da incorporação de reservas e dos lucros acumulados. Todavia, conforme restou comprovado pela análise realizada pela fiscalização, nenhum desses aumentos resultou em emissão de novas ações, haja vista que não tinham elas valor nominal; X. Não tendo sido emitidas novas ações em decorrência dos sucessivos aumentos de capital da Yoki, podese afirmar que todas as 15.406.975 ações que o Recorrente detinha até 1988 estavam, portanto, sujeitas à isenção do IR sobre o ganho de capital apurado na sua alienação. Assim, não há qualquer sentido no raciocínio desenvolvido pelo agente fiscal, na direção de que, em 2012, as 15.406.975 ações da Yoki não representavam o mesmo quinhão de capital que representava quando da aquisição dessas ações. As ações possuídas pelo Recorrente, antes de 1988, são exatamente as mesmas ações alienadas em 2012, como está amplamente demonstrado e comprovado no próprio TVF; XI. A valorização das ações não significa e não são, do ponto de vista legal, aquisição ou subscrição de novas ações a justificar a substancial perda da isenção defendida pelo provedor do lançamento; XII. Inobstante tenha o capital da referida sociedade sofrido alterações decorrentes de aumentos com reservas e lucros, não ocorreram, desde a aquisição do lote de ações em questão até a data da sua venda, aportes ou integralização de capital em dinheiro dos quais decorreria a emissão onerosa de novas ações representativas do capital da sociedade; XIII. Neste sentido, os aumentos de capital decorrentes da incorporação de reservas, sem emissão de novas ações, não constituem motivo para se concluir pela perda da isenção; XIV. De igual forma, mesmo que os aumentos de capital com reservas tivessem resultado na emissão de novas ações, as ações emitidas teriam sido distribuídas como bonificações aos acionistas. E, conforme a orientação da Portaria MF 454/1977, tais ações bonificadas continuariam, se fosse o caso, atreladas às ações originárias, devendo carregar consigo Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 630 11 as mesmas características daquelas, conforme dispõe o art. 169, §2º, da Lei das S/A, e art. 5° do Decretolei 1.510/76; XV. Cita doutrinas de direito societário a respeito do tema; XVI. Em suma: os aumentos do valor do capital social da Yoki, realizados com reservas e lucros, não representaram a emissão de novas ações por dita companhia, e, mesmo que isto tivesse ocorrido, as novas ações emitidas (bonificações), entregues gratuitamente aos acionistas, deveriam ser consideradas apenas acessórias das ações originais, seguindo, dessa forma, a mesma sorte daquelas qual seja, se a ação principal já gozava da isenção, a bonificada igualmente sujeitarseia a tal benefício; XVII. No caso em tela, ressaltou que o lote de 15.406.975 ações detidas pelo Recorrente em 1988, permaneceu inalterado desde a sua aquisição até a data da alienação, não tendo havido, nem sequer a emissão de ações bonificadas, o que reforça, ainda mais a conclusão no sentido de que não poderá prevalecer a tese do lançamento; XVIII. A respeito das ações adquiridas após a entrada em vigor da Lei n. 7.713/1988, correspondentes às: (i) 1.155.936 e 202.094 ações adquiridas por compra em 26/06/2000 e 21/02/ 2008, respectivamente, temse que o ganho de capital auferido por ocasião de sua venda foi levado à tributação, estando fora, portanto, da discussão até aqui travada, relacionada à isenção do lote de 15.406.975 ações, adquirido antes de 1983; XIX. Requereu a nulidade do lançamento por erro na apuração da base de cálculo, o que resulta na iliquidez e incerteza do lançamento; XX. Alega que não se sustenta a lógica adotada pela fiscalização ao promover a exclusão de valores do custo de aquisição das ações alienadas, especificamente a respeito da capitalização procedida com recursos advindos da Reserva de Incentivos Fiscais e Reserva de Capital; XXI. Afirma que a extinta reserva de correção monetária do capital, que só servia para aumento do capital social, não gerava qualquer acréscimo para o sócio ou acionista da empresa; XXII. Já com relação à reserva de capital oriunda de incentivos fiscais, estas tinham origem nos resultados da empresa, e por força do disposto na Lei n. 11.638, de 2007, deve ser registrado na contabilidade em face dos novos procedimentos contábeis exigidos. Não há menor dúvida que os incentivos fiscais correspondem a um acréscimo patrimonial, resultando daí a previsão legal para sua não tributação. O requisito de se registrar o valor dos incentivos em conta de reserva de capital, não lhe retira a natureza de receita e, portanto, a sua natureza de crédito no resultado, do qual é ela parte integrante; XXIII. A regra prevista no art. 135 do Regulamento do IR não excepcionou tais reservas, formadas com os valores de incentivos fiscais, Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 631 12 daquelas que, quando capitalizadas, resultam em acréscimo do custo de aquisição da participação do sócio ou acionista. Assim, concluiu que o fiscal adotou entendimento absolutamente contrário à disposição legal, devendo ser o procedimento desconsiderado por ser ilegal e arbitrário; XXIV. Cita a Solução de Consulta DISIT/SRRF 04 n. 43, de 05/06/2013, a respeito da capitalização de reserva de capital; XXV. Assim, pleiteou a nulidade do lançamento por erro na apuração da base de cálculo; XXVI. Em conclusão, defendeu: (i) no que se refere ao lote de 15.406.975 ações não incide o Imposto de Renda, por ter o Recorrente direito adquirido à isenção, já que adquiriu esse antes de 1983 e o manteve em seu poder por mais de 5 anos e, mesmo que assim não fosse, o custo de aquisição utilizado pelo agente fiscal para cálculo do imposto de renda supostamente devido está equivocado; e (ii) no que tange ao lote de 1.358.030, levado à tributação, o custo de aquisição apurado pelo agente fiscal está completamente errado, como acima comprovado; XXVII. Por fim, defende que a multa aplicada pelo agente fiscal possui nítido caráter confiscatório; Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Nulidade por suposto erro na apuração da base de cálculo O RECORRENTE requer a nulidade do lançamento, por entender que seria ilíquido e incerto o lançamento, já que o pretenso valor do crédito tributário nele citado, foi apurado sobre base de cálculo irreal. Afirma que “por cálculos equivocados e sem fundamento, promoveuse a redução indevida do valor do custo de aquisição das ações com o único objetivo de apurar ganho de capital maior do que o apurado e devidamente tributado, no caso do lote de ações adquiridas posteriormente a 1988”. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 632 13 No entender do RECORRENTE, houve afronta ao art. 142 do CTN na medida que “a falta de verificação integral e completa, por parte das autoridades administrativas, no cálculo do montante tributável afeta, de forma absoluta, a LIQUIDEZ e CERTEZA do lançamento”. Contudo, entendo que não deve prosperar tal alegação de nulidade. Ao contrário do que defende o RECORRENTE, não houve qualquer motivo ensejador. O presente processo tem por objeto a apuração de ganho de capital decorrente de alienação de participação societária. A questão envolvendo eventual erro de cálculo do custo de aquisição, no meu entendimento, não é pretexto para anular o lançamento. É certo que a apuração da base de cálculo do ganho de capital envolve também a correta verificação do custo de aquisição do bem alienado. No entanto, discussões acerca dos valores que compõem o custo de aquisição podem ser discutidas durante o procedimento fiscal sem que, para isso, seja preciso anular o lançamento. Neste sentido, entendo que não foram apontados vícios relacionados ao ato de constituição do crédito tributário especificados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, nem qualquer afronta ao art. 142 do CTN, quais sejam: Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Da leitura do TVF verificase de forma clara que a autoridade fiscal sustenta a tese de que “a capitalização procedida com recursos advindos da Reserva de Incentivos Fiscais e Reserva de Capital não integram aquelas que podem majorar o custo de aquisição das ações para efeito de ganho de capital da pessoa física”. Assim, munida das justificativas e documentos apresentados pelo contribuinte, apurou o ganho de capital na forma que entendeu como correta, conforme já exposto, deixando tudo explicitado no TVF. A autoridade fiscal demonstra suas razões pela qual entende que o custo de aquisição não pode ser acrescido da capitalização procedida com recursos advindos da Reserva Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 633 14 de Incentivos Fiscais e Reserva de Capital. O contribuinte apresentou sua defesa a fim de afastar a tese apresentada pela fiscalização. Daí, questões simples envolvendo a composição da base de cálculo do tributo podem ser ajustadas durante o procedimento fiscal, não havendo necessidade de anular o lançamento sob o pretexto de que houve erro na sua construção. Conforme acima exposto, o lançamento não se encontra eivado de vícios. Tanto que o RECORRENTE, em sua defesa, rebateu os fatos descritos pela autoridade lançadora, demonstrando entender perfeitamente as acusações que lhes foram imputadas. Assim, entendo que não houve qualquer afronta ao art. 142 capaz de ensejar a anulação do auto. Portanto, não merecem prosperar esses argumentos da RECORRENTE As questões acerca da composição do custo de aquisição com valores provenientes da capitalização com recursos advindos da Reserva de Incentivos Fiscais e Reserva de Capital serão tratadas no mérito. MÉRITO Do direito adquirido à isenção de IRPF em alienação de participação societária O RECORRENTE defende possuir direito adquirido à isenção de Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF sobre os lucros auferidos em operação de alienação de cotas societárias ocorrida em 2012. Para tanto, alega que do total das 16.765.005 ações que possuía da Yoki, 15.406.975 foi adquirida até 1981. Desta forma, faz jus ao benefício fiscal pois já havia cumprido o requisito exigido pelo DecretoLei nº 1.510/76 (permanecer por pelo menos 05 anos com a participação societária) quando este fora revogado pela Lei n° 7.713/88. Neste sentido, afirma que a participação isenta é representada pelo lote de 15.406.975 ações da empresa, de forma que a participação não isenta corresponde ao lote de 1.358.030 ações, já levado à tributação quando da alienação de sua participação total na sociedade. Conforme adiante fundamento, entendo que assiste razão ao RECORRENTE. Antes de mais nada, fazse mister enfatizar que o DecretoLei 1.510/76, ao passo que incluía a operação de alienação de participações societárias no rol de fatos geradores do IRPF em seu artigo 1º, listava as situações em que tal imposto não incidiria já no art. 4º. Dentre estas últimas hipóteses, estava incluído o caso de alienação ocorrida após decorrido o período de 05 (cinco) anos entre a aquisição ou subscrição e a efetivação da venda. “Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula “H” da declaração de rendimentos. (...) Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (...) Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 634 15 d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação.” Estes dispositivos, contudo, foram revogados com a promulgação da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, a qual determina a tributação pelo imposto de renda de “rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989”. No entanto, quando da revogação do DecretoLei 1.510/76 e seu benefício de isenção, o RECORRENTE já havia cumprido a condição exigida para a sua concessão: a manutenção das cotas de participação societária em seu patrimônio pelo período de cinco anos. Isso porque o lote de 15.406.975 ações apontado como isento pelo RECORRENTE foi adquirido entre 1971 e 1981, enquanto que à lei revogadora só foi publicada em 23/12/1988, com vigência a partir de 1º de janeiro de 1989. Nesse sentido, já havendo o contribuinte atendido o requisito objetivo estabelecido para a concessão da isenção, é certo que possui o direito adquirido para fazer gozo desta quando entender melhor para si, independente da superveniência de Lei que revogue tal benefício. É que a própria Constituição Federal de 1988, em nome da segurança jurídica, impediu a modificação de direito adquirido por lei posterior, mais precisamente no artigo 5º, inciso XXXVI. Confirase: “XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;” A possibilidade de aplicação de uma norma mesmo após a sua revogação, dá se o nome de “ultratividade”. Sobre a ultratividade em matéria de direito adquirido, vale destacar a lição do professor Roque Antônio Carraza (Curso de direito constitucional tributário. São Paulo: Malheiros, 1999, 13ª ed., p. 555.), oportunidade em que o doutrinador demonstra com clareza a impossibilidade de lei posterior suprimir direito adquirido: “Em remate, convém assinalarmos que o direito adquirido e o ato jurídico perfeito mais do que imunes ao efeito retroativo da lei nova, impedem que esta, de algum modo, os desconstitua. (...) “Neste sentido, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito asseguram a ultratividade da lei velha, que continuará a disciplinar as situações que sob sua égide se consumara, mesmo depois da entrada em vigor da lei nova. Tudo em homenagem ao princípio da segurança jurídica.” (grifos acrescidos) Em se tratando diretamente de matéria tributária, mais especificamente com relação às isenções, o direito adquirido é disciplinado pelo Código Tributário Nacional – CTN. De acordo com o art. 178 deste código, as isenções podem ser revogadas ou modificadas por lei, exceto quando estas forem concedidas mediantes determinados requisitos ou condições, as chamadas isenções condicionadas. “Art. 178 – A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104.” Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 635 16 Depreendese, a partir da leitura deste dispositivo, que o contribuinte passa a ter direito adquirido a uma isenção condicionada a partir do momento em que cumpre as exigências legais para tanto. Além de que, como demonstrado anteriormente, esse direito não se esvazia com a eventual revogação póstera da norma concedente do referido benefício. O doutrinador Aurélio Pitanga Seixas (Teoria Geral das Isenções Tributárias, Rio de Janeiro: Forense, 1999, 2 ed, p. 164) demonstra possuir o mesmo entendimento acerca da interpretação do art. 178 do CTN quando leciona sobre o direito adquirido nas hipóteses de isenção condicionada: “No plano normativo, como já visto, toda e qualquer norma jurídica pode ser revogada, em qualquer tempo, mesmo que contenha um prazo certo de vigência. Não pode, nem existe qualquer dispositivo constitucional neste sentido, vedando a um legislador de uma determinada legislatura, revogar normas isencionais instituídas em legislações anteriores. Portanto, a lei, a norma isencional, pode ser revogada, sempre e a qualquer tempo. Como já foi examinado em capítulo anterior, se a pessoa isenta já cumpriu os requisitos e exigências fixados na norma isencional, passa a ter direito adquirido ao gozo do favor fiscal, cuja duração dependerá do tributo e do eventual prazo concedido pelo legislador.” (grifos acrescidos) Ademais, assiste razão ao RECORRENTE quando defende que a condição imposta para o gozo da isenção de IRPF no caso em análise – a manutenção das ações no patrimônio do contribuinte por cinco anos – é dotada de onerosidade. É que a conservação da propriedade de ações por um prazo de cinco anos configura uma condição onerosa, vez que se tratam de bens negociáveis cujo valor sofre com as inflexões e intempéries do mercado. Além disso, estava implícito no ditame normativo do DecretoLei 1.510/76 que, para usufruir da isenção, deveria o contribuinte renunciar a qualquer oportunidade de negociação das cotas nos cinco anos subsequentes a sua aquisição ou subscrição. Ele deveria privarse, então, de obter lucro imediato e certo caso optasse por desfrutar de um benefício maior – a alienação isenta de IRPF – porém incerta. É nesse exato sentido que se posiciona o ilustre doutrinador José Souto Maior Borges (Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo: Malheiros, 2006, 2ª ed, p. 79 e 80): “Ao contrário, nas isenções condicionais, a lei estabelece as condições e os requisitos para a sua concessão. Tais condições e requisitos ordinariamente exigem do titular da isenção, como pondera Carlos Maximiliano, esforço dispendioso, obra cara, imobilização de capitais próprios ou tomados a juros. Se nessas circunstâncias fosse juridicamente possível a cessão de plano da fruição do benefício fiscal, restabelecido total ou parcialmente, o ônus da tributação, ninguém arriscaria a seu futuro financeiro; ninguém acudiria aos acenos do Estado, através da legislação de incentivos fiscais, particularmente em Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 636 17 matéria de isenções. A qualquer tempo, poderse ia dar a ruptura do equilíbrio financeiro do investimento privado, com a superveniência da lei revogadora.” (grifos acrescidos) Outrossim, mostrase necessário ressaltar que a jurisprudência dos tribunais superiores demonstra a concordância destes com o entendimento de que há a configuração de direito adquirido às isenções condicionadas. O Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, inclusive, editou a súmula nº 544, na qual posicionouse expressamente pela configuração de direito adquirido: “Súmula 544. Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas.” Doutro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ possui inúmeras decisões no sentido de considerar isentas de tributação pelo imposto de renda operações de alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do DecretoLei 1.510/76, mesmo que a transação tenha ocorrido após a entrada em vigor da Lei nº 7.713/88. Esse posicionamento, vale ressaltar, foi reafirmado em recentíssima decisão do STJ, datada de 02 de maio de 2017, proferida nos autos do Agravo Interno no Recurso Especial 1.647.630/SP. Confirase, abaixo, esta decisão bem como decisões análogas: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. INOCORRÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. DECRETOLEI N. 1.510/76. NECESSIDADE DE IMPLEMENTO DAS CONDIÇÕES ANTES DA REVOGAÇÃO. TRANSMISSÃO DO DIREITO AOS SUCESSORES DO TITULAR ANTERIOR DO BENEFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. ISENÇÃO ATRELADA À TITULARIDADE DAS AÇÕES POR CINCO ANOS. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. III O acórdão adotou entendimento consolidado nesta Corte segundo o qual a isenção de Imposto sobre a Renda concedida pelo art. 4º, d, do DecretoLei n. 1.510/76, pode ser aplicada às alienações ocorridas após a sua revogação pelo art. 58 da Lei n. 7.713/88, desde que já implementada a condição da isenção Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 637 18 antes da revogação, não sendo, ainda, transmissível ao sucessor do titular anterior o direito ao benefício. IV O recurso especial, interposto pelas alíneas a e/ou c do inciso III do art. 105 da Constituição da República, não merece prosperar quando o acórdão recorrido encontrase em sintonia com a jurisprudência desta Corte, a teor da Súmula n. 83/STJ. V Os Agravantes não apresentam, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI Agravo Interno improvido. (STJ AgInt no REsp 1647630 SP 2017/00034220. Relatora: Ministra REGINA HELENA COSTA, Data de Julgamento, 02/05/2017, Data dePublicação: 10/05/2017) – Grifos acrescidos AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DERENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI N.1.510/1976. A Primeira Seção do STJ fixou o entendimento de que é isento do Imposto de Renda o ganho de capital decorrente da alienação de ações societárias após 5 (cinco) anos da respectiva aquisição, ainda que transacionadas após a vigência da Lei n. 7.713/1988, conforme previsão do DecretoLei n. 1.510/1976.Agravo regimental improvido. (STJ – AgRg no Ag: 1425917 AL 2011/01966926, Relator: Ministro CESAR ASFOR ROCHA, Data de Julgamento:01/12/2011, Data de Publicação: DJe 07/12/2011) DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕESSOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU ONEROSA. DECRETOLEI1.510/1976. REVOGAÇÃO PELA LEI 7.713/1988. DIREITO ADQUIRIDO AOBENEFÍCIO FISCAL. 1. A discussão nos autos consiste na caracterização ou não de direito adquirido de isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias, isenção esta instituída pelo DecretoLei 1.510/1976 e revogada pela Lei 7.713/1988, tendo em vista que a venda das ações ocorreu em janeiro de 2007, ou seja, após a revogação. 2. A legislação em regência (arts. 1º e 4º, d, do Decreto Lei1.510/76) concede isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, o de a alienação ocorrer somente após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. Tratase, portanto, de isenção sob condição onerosa. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 638 19 3. A isenção onerosa ou condicionada não pode ser revogada ou modificada por lei. Acerca do tema, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 544, que dispõe: "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas". 4. Em minuciosa leitura do art. 4º, d, do DecretoLei 1.510/1976, constatase que o referido dispositivo legal estabelecia isenção do Imposto de Renda sobre lucro auferido por pessoa física pela venda de ações, se a alienação ocorresse após cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. 5. In casu, o contribuinte cumpriu os requisitos para o gozo da isenção do Imposto de Renda, nos termos da referida lei, antes mesmo da revogação da norma, tendo direito adquirido ao benefício fiscal. 6. A Primeira Seção passou a adotar orientação em sentido contrário à que foi acolhida pelo Tribunal local, entendendo ser isento do Imposto de Renda o ganho de capital decorrente da alienação de ações societárias após cinco anos da respectiva aquisição, ainda que transacionadas após a vigência da Lei 7.713/1988, conforme previsão do DecretoLei 1.510/1976.7. Agravo Regimental não provido. (STJ – AgRg no AgRg no REsp 1137701 RS 2009/00823207. Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 23/08/2011, Data da Publicação: DJe 08/09/2011) Por fim, cumpre demonstrar que este próprio Conselho Administrativo de Recursos – CARF possui acórdãos que reconhecem o direito adquirido à isenção requerida pelo RECORRENTE: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS. A HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 4°, ALÍNEA "d" DO DECRETOLEI 1510/76 DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI 7.713/88). Se a pessoa física titular da participação societária, sob a égide do art. 4°, "d", do DecretoLei 1.510/76, subsequentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienou a, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação. Recurso Provido Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 639 20 (CARF. Acórdão n. 2102002.967 no Processo n. 16048.000047/200822. Relatora: ALICE GRECCHI, Data da Sessão: 13/05/2014) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000, 2001 IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 4°, ALÍNEA "d" DO DECRETOLEI 1510/76 DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI 7713/88) Se a pessoa física titular da participação societária, sob a égide do art. 4°, "d", do DecretoLei 1.510/76, subsequentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienou a, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação. Recurso provido. (CARF – Acórdão n. 2202002.468 no Processo n. 11831.002650/200112. Relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ) Ante o exposto, resta claro que o RECORRENTE tem direito adquirido à isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física incidente sobre o ganho de capital auferido pela alienação de participação societária, vez que atendeu a condição imposta pelo art. 4º, alínea “d” do DecretoLei 1.510/76 antes mesmo de sua revogação pela Lei n. 7.713/88 Da isenção do IRPF em relação às ações bonificadas (aumento de capital mediante capitalização de reservas ou lucros) Conforme exposto no relatório, segundo a fiscalização, ainda que o RECORRENTE fizesse jus ao benefício fiscal, apenas 1,12% da participação do autuado corresponderia a ações adquiridas até 31.12.1983 (data limite para fazer jus à isenção do DecretoLei n° 1.510/76) e, portanto, passíveis de isenção. Neste sentido, para facilitar a segregação do lançamento em decorrência de eventual reconhecimento do direto adquirido do RECORRENTE à isenção prevista pelo DecretoLei n° 1.510/76, a autoridade lançadora classificou o lançamento em duas partes, quais sejam (fls. 24 e seguintes dos autos): Fração Anterior (FA) a fração remanescente (incluindo atualizações) do capital existente em 31/12/1983; e Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 640 21 Fração Posterior (FP) a fração correspondente ao capital posteriormente a esta data, incluídas suas atualizações. Tratase, portanto, da parte complementar do capital incorporado à empresa tendo como origem lucros ou reservas produzidos após 31/12/1983 (FA + FP = 100%). De acordo com a fiscalização, “no momento da alienação das ações da Yoki, em 02/08/2012, 1,93% do capital correspondiam à fração remanescente (incluindo atualizações) das ações ou parcela do capital de 31/12/1983 (FA)”. Para chegar a tal percentual, elabora os cálculos indicados no anexo I do TVF (fls. 35/38), onde demonstra que a chamada Fração Posterior (FP) é decorrente de incorporação de lucros ou reservas de lucros ao capital social (e respectivas atualizações monetárias), ocorridas após 31/12/1983. No entender da fiscalização, as “diversas mudanças provocadas por aumento de valor por incorporações de reservas gerados por lucros produzidos após 1983, supressão do número de ações da companhia contra contas de reservas, distribuição de bonificações propiciadas por incorporações de reservas, todas constituídas com lucros advindos da atividade da empresa após 1983, (...) não são acobertadas pela lei isentiva”. Afirma que “não é razoável admitir que a parcela do capital da Yoki pertencente ao contribuinte e vendidas em 2012 é a mesma que possuía em 31/12/1983, ainda que, em números absolutos de ações ou do percentual representativo no capital, tal parcela não sofresse qualquer alteração”. Neste sentido, considerou que tais parcelas teriam sido adquiridas nas datas das respectivas capitalizações de lucros ou reservas estando, assim, fora do alcance da isenção prevista pelo DecretoLei n° 1.510/76, uma vez que ocorridas após 31/12/1983. Contudo, não compartilho do mesmo entendimento adotado pela autoridade lançadora. S.m.j., assim como as ações ou quotas distribuídas em bonificação aos sócios em virtude da integralização de lucros ou reservas, a valorização das ações decorrente dos aumentos do valor do capital ocorridos mediantes as referidas capitalizações de lucros e reservas não correspondem a novas aquisições de ações. O aumento decorrente da capitalização de lucros ou reservas não acresce a participação societária percentual na empresa. Ou seja, o percentual de participação do RECORRENTE na sociedade Yoki não se alterou. Isso porque tratase de mero ato contábil, e não negocial. Ou seja, as capitalizações de lucros ou reservas não exerceram qualquer influência sobre a situação patrimonial do RECORRENTE. Quando o capital social é aumentado pela capitalização de reservas, há apenas um mero remanejamento de valores já existentes no balanço. Neste caso, não há que se falar em incremento do patrimônio líquido, apenas movimentação de valores entre contas que fazem parte do PL (reservas e/ou lucros acumulados para o capital social). Sendo assim, o valor da empresa não se altera, pois não há entrada de novos recursos decorrentes da subscrição em dinheiro, bens ou direitos (aumento oneroso). Neste sentido, entendo que o aumento de capital das pessoas jurídicas por aproveitamento de reservas ou lucros não distribuídos não se revestem de aquisição de nova participação societária. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 641 22 Conforme doutrina citada pelo RECORRENTE (Modesto Carvalhosa, "Comentários a Lei das Sociedades Anônimas", 3° Volume, Editora Saraiva, pág. 601:): "O aumento mediante a capitalização de lucros ou reservas constitui mero remanejamento de valores já existentes no balanço, não havendo, consequentemente, mudança no volume financeiro, nem entrada de novos valores no patrimônio social, nem aumento do encargo dos acionistas (art. 106 e s.). Tratase de aumento contábil, nominal ou gratuito, em contraposição ao aumento efetivo, real ou oneroso, que decorre da subscrição em dinheiro, bens ou direitos (art. 170). Tratase de mera transferência, parcial ou total, do montante da conta de reserva para a conta de capital. O aumento é contábil, porque a elevação do valor do capital é produzida sem mudança efetiva na consistência do patrimônio. Difere também do aumento por subscrição (art. 170), já que, somente após a homologação deste, é que o valor acrescido passa a pertencer ao patrimônio social.". Neste sentido, entendo que o aumento do valor do capital social em razão da incorporação de lucros ou reservas não devem ser considerados como aquisição de novas participações societárias. Portanto, não há sentido em diferenciar estas majorações da participação societária adquirida pelo contribuinte, eis que esta última não se altera mesmo com as capitalizações apontadas pela autoridade fiscal. Conforme defende o RECORRENTE, nem mesmo as bonificações ensejariam tal distinção entre as ações originárias, na medida que “as ações bonificadas representam mera expansão das antigas, tendo a natureza de acessões” (José Edwaldo Tavares Borba, Direito Societário, Editora Renovar, 9ª edição, págs. 422/423); elas se incorporam e acompanham um bem principal, que é justamente a participação societária que originou tal bonificação. Assim, os aumentos decorrentes das capitalizações dos lucros e reservas estão atrelados às respectivas participações societárias a que corresponderem, não havendo que cogitar, em razão da capitalização, a possibilidade de atribuir novas datas de aquisição de participação na sociedade. Isto porque a participação societária não se altera Portanto, os aumentos provocados pela capitalização de lucros ou reservas não causam mudança no volume financeiro, nem representam entrada de novos valores no patrimônio social, não havendo que se falar em aquisição de novas participações societárias. No caso dos autos, é fato incontroverso de que a parcela de participação societária do RECORRENTE objeto do presente processo (correspondente às 15.406.975 ações que possuía) foi integralmente adquirido até 31/12/1983. Todos os demais acréscimos indicados pelo fiscal na planilha de fls. 35/41 foram decorrentes de integralização de lucros e Reservas de Lucros e Lucros Acumulados Portanto, tendo em vista o reconhecimento do direito adquirido do RECORRENTE à isenção prevista no art. 4º, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76 (pelo fato de ter cumprido os requisitos ainda enquanto vigorava o referido diploma legal) em relação à participação societária correspondente às 15.406.975 ações da empresa Yoki, entendo que tal Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 642 23 benefício fiscal também deve se estender à valorização da mencionada participação societária mediante a capitalização de lucros ou reservas. Deste modo, não deve subsistir o lançamento, haja vista que tem por objeto unicamente parcela de participação societária adquirida pelo RECORRENTE até 31/12/1983, também não merecendo prosperar a tributação de qualquer bonificação correspondente a tal participação que tenha ocorrido após a data 31/12/1983. Da apuração do custo de aquisição A despeito de reconhecer a isenção total do ganho de capital relativo às 15.406.975 ações adquiridas pelo RECORRENTE antes de 31/12/1983, observo que a fiscalização levantou possível erro na apuração do custo de aquisição da totalidade da participação societária alienada em 2012, o que influencia no cálculo do ganho de capital relativo à parcela da participação societária não atingida pela isenção do art. 4º, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76, representada pelas 1.358.030 ações adquiridas após 31/12/1983 (1.155.936 adquiridas em 26/06/2000 e 202.094 adquiridas 21/02/2008). É de conhecimento que o RECORRENTE apurou e pagou o ganho de capital que entendeu ser correspondente à referida parcela não isenta. Contudo, a apuração equivocada do custo de aquisição compromete o cálculo do imposto a pagar relativo ao ganho de capital. Conforme aponta a fiscalização, “a capitalização procedida com recursos advindos da Reserva de Incentivos Fiscais e Reserva de Capital não integram aquelas que podem majorar o custo de aquisição das ações para efeito de ganho de capital da pessoa física”. Desta forma, efetuou a glosa de tais valores computados pelo RECORRENTE quando da apuração do custo de aquisição das ações vendidas. Em sua defesa, o RECORRENTE argumenta que: (i) a extinta reserva de correção monetária do capital só servia para aumento do capital social, não gerava qualquer acréscimo para o sócio ou acionista da empresa; e (ii) a reserva de capital oriunda de incentivos fiscais tinham origem nos resultados da empresa, não havendo dúvida que os incentivos fiscais correspondem a um acréscimo patrimonial. No entanto, entendo que está correta a posição adotada pela fiscalização. É que o art. 135 do RIR/99 disciplina que, quando houver incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição desse aumento de capital será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado: “Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista” Neste sentido, a reserva de incentivos fiscais não é constituída pelos lucros da empresa, mas sim por subvenções para investimento concedidas pelo governo à empresa. A Lei n° 11.638/07 determina que tal subvenção deve transitar pela receita, porém, quando da Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 643 24 apuração do resultado do exercício, essa parcela é retirada do cômputo do lucro e passa a integrar a conta no PL denominada de Reserva de Incentivos Fiscais (art. 195A da Lei nº 6.404/76): “Art. 195A. A assembléia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, que poderá ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório (inciso I do caput do art. 202 desta Lei)” Como fica no PL, representa sim um certo "valor" para a empresa. No entanto, tal reserva não é abastecida com lucros da pessoa jurídica, mas sim com parcela das subvenções governamentais. Ou seja, eventual capitalização de tal reserva não representa um custo em relação aos sócios. Sendo assim, entendo que a capitalização com recursos da Reserva de Incentivos Fiscais não deve computar o custo de aquisição, conforme apontado pela fiscalização. De igual modo, o mesmo entendimento deve ser observado em relação às reservas de capital. Conforme apresentado no TVF, “as reservas de capital são constituídas com valores recebidos pela companhia e que não transitam pelo resultado, por não se referirem à entrega de bens ou serviços pela empresa (...). O parágrafo 1º do artigo 182 da Lei n° 6.404/76 determina quais os recursos que serão classificados como reservas de capital, senão vejamos”: “Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; § 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto não capitalizado. § 3º Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou, em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3o do art. 177 desta Lei. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 644 25 § 4º Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia. § 5º As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição.” O dispositivo legal acima prevê no §1º as contas classificadas como reservas de capitais, claramente às diferenciando das contas classificadas como reservas de lucros, previstas no seu §4º. Ou seja, não obstante a reserva de capital corresponder sempre a ingresso efetivo de recursos na empresa, a lei faz clara distinção entre as reservas de capital e as reservas de lucros. Neste sentido são os ensinamentos de Sacha Calmon Navarro Coêlho (Subvenções para investimentos à luz das leis 11.638/2007 e 11.941/2009. Disponível em: http://sachacalmon.wpengine.netdnacdn.com/wpcontent/uploads/2010/09/Subvencaopara investimentosaluzdasleis11638e11941.pdf): “Não obstante a reserva de capital corresponder sempre a ingresso efetivo de recursos na empresa (exceto a do resultado da correção monetária do capital realizado, que foi revogada pelo art. 4º da Lei nº 9.249/95), a lei distinguiu claramente as reservas de capital das reservas de lucros, quer quanto à sua constituição, quer quanto ao destino de seus saldos. NILTON LATORRACA, ao analisar a composição do patrimônio líquido e seus efeitos na apuração do lucro real, assim se manifestou quanto às subvenções para investimento: ‘É importante observar que os valores recebidos a esse título aumentarão o patrimônio social, mas não serão considerados como receita do exercício, nem demonstrados como lucros; irão diretamente para a conta de reserva de capital. A lei define quais as quantias que constituirão as contas de reservas de capital, do mesmo modo que especifica no art. 200 como essas reservas poderão ser utilizadas’”. Assim, percebese que a reserva de capital não é conta constituída com os lucros apurados pela empresa e, consequentemente, não podem ser utilizadas para compor o custo de aquisição quando da capitalização de tais reservas, nos termos do art. 135 do RIR/99. Portanto, quanto à apuração do custo de aquisição das ações alienadas pelo RECORRENTE em 2012, deve prevalecer o disposto no presente lançamento. Deste modo, a unidade preparadora deve realizar a apuração do ganho de capital relativo à alienação das ações não isentas (correspondente a 1.358.030 ações adquiridas nos anos 2000 e 2008) tendo como custo de aquisição total o valor de R$ 23.376.342,59. Assim, deve ser apurado o custo proporcional às ações não isentas, bem como seja feito o cálculo, também de forma proporcional, relativo aos dois pagamentos recebidos em decorrência da venda, ocorridos em 01/08/2012 e 09/10/2012, devendo ser retirado do cálculo o percentual relativo à parcela isenta das ações (correspondente a 15.406.975 ações). Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 645 26 Apresento, abaixo, esboço de cálculo relativo à apuração do imposto de renda devido em decorrência do ganho de capital relativo à parcela não isenta das ações: Total de ações alienadas: 16.765.005; Ações não isentas: 1.358.030 (8,10% do total = fração tributável); R$ 211.084.650,47 x 8,10% = R$ 17.097.856,69 (proporção do valor da venda correspondente à parcela não isenta); R$ 23.376.342,59 x 8,10% = R$ 1.893.483,75 (proporção do custo de aquisição correspondente à parcela não isenta); Ganho de capital apurado em razão da venda da parcela não isenta: R$ 15.204.372,94; Apuração do imposto de renda referente à 1ª parcela da venda, recebida em 01/08/2012 (98,52% do total da venda): R$ 15.204.372,94 x 98,52% = R$ 14.979.348,22; R$ 14.979.348,22 x 15% = R$ 2.246.902,23; R$ 2.246.902,23 – R$ 1.656.448,26 (já pagos na época) = R$ 590.453,97 é o saldo de imposto devido relativo ao período de 08/2012; Apuração do imposto de renda referente à 2ª parcela da venda, recebida em 09/10/2012 (1,48% do total da venda): R$ 15.204.372,94 x 1,48% = R$ 225.024,72; R$ 225.024,72 x 15% = R$ 33.753,71; R$ 33.753,71 – R$ 468.425,62 = – R$ 434.671,91 (valor pago a maior relativo ao período de 10/2012). Sendo assim, conforme esboço de cálculo acima, o auto de infração deve ser parcialmente mantido, apenas para cobrar do RECORRENTE o valor de R$ 590.453,97, correspondente ao saldo do imposto de renda devido em relação ao período de 08/2012, o qual deverá ser acrescido da respectiva multa e juros. Por sua vez, conforme bem demonstrado pela autoridade lançadora no TVF (fl. 33), o RECORRENTE pagou a maior o imposto de renda em relação à 2ª parcela do valor recebido pela venda das ações, em 09/10/2012. Segundo o mesmo esboço de cálculo acima, o valor paga a maior foi da ordem de R$ 468.425,62. Sendo assim, replico a manifestação externada pela autoridade fiscal naquela oportunidade, a fim de ratificar que "tal valor é passível de restituição e poderá ser compensada, caso seja do interesse do contribuinte, com débitos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, via Per Dcomp", desde que observado o prazo legal CONCLUSÃO Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 646 27 Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física incidente sobre alienação de participação societária (inclusive respectivos aumentos decorrentes de capitalização de lucros e reservas), ocorrida no ano de 2012, vez que o RECORRENTE possui direito adquirido à isenção instituída no art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei 1.510/7676. No entanto, mantenho o custo de aquisição apurado pela autoridade lançadora, devendo o cálculo do ganho de capital relativo às 1.358.030 ações não passíveis de isenção (adquiridas nos anos 2000 e 2008) ser realizado proporcionalmente ao custo de aquisição correspondente, bem como ser apurado de forma proporcional aos dois pagamentos ocorridos em 01/08/2012 e 09/10/2012. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Declaração de Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho De início, importante ressaltar a qualidade do voto do Relator pela forma clara e objetiva que abordou as questões da lide, fazendo este Conselheiro discordante somente no que se refere à segunda parte da conclusão do voto, notadamente no que se refere à apuração do custo de aquisição, fator determinante para a quantificação do ganho de capital das ações não abrangidas pela isenção definida no art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510/76. O voto do competente Relator finaliza com a conclusão em duas partes finalizadoras, como segue: CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física incidente sobre alienação de participação societária (inclusive respectivos aumentos decorrentes de capitalização de lucros e reservas), ocorrida no ano de 2012, vez que o RECORRENTE possui direito adquirido à isenção instituída no art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei 1.510/7676. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 647 28 No entanto, mantenho o custo de aquisição apurado pela autoridade lançadora, devendo o cálculo do ganho de capital relativo às 1.358.030 ações não passíveis de isenção (adquiridas nos anos 2000 e 2008) ser realizado proporcionalmente ao custo de aquisição correspondente, bem como ser apurado de forma proporcional aos dois pagamentos ocorridos em 01/08/2012 e 09/10/2012. No que se refere ao reconhecimento do direito à isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física incidente sobre alienação de participação societária, bem como a capitalização de lucros e reservas, por toda a argumentação e justificação legal exposta ao longo do voto, não se apresenta aqui divergência de entendimento ao reconhecimento do direito do contribuinte, conforme pleiteado no Recurso em relação a este item. O voto do Relator bem define a isenção condicionada, pela necessidade de permanência obrigatória do investimento pelo tempo mínimo definido na Lei, e a onerosidade que esta obrigação temporária exerce sobre o investimento, de vez que o contribuinte se vê compelido a perder oportunidades de realização de lucros surgidas durante o período a ser cumprido com a indisponibilidade de venda da participação societária, com vista à obtenção do direito à isenção pretendida. A condição e a onerosidade andam juntas neste caso, em que uma é dependente da outra. Das Ações Bonificadas Nesta declaração de voto, dúvidas não pairam, inclusive com relação às ações bonificadas, resultado de capitalizações mediante utilização de reservas e/ou lucros, vez que não correspondem a novas aquisições de participação societária. É comum no mercado de capitais a ocorrência do que se denomina “desdobramento de ações”, ou o termo “Split” em inglês, como é mais utilizada no jargão do mercado negocial de ações. No processo em comento o número total de ações representativa do capital aumenta em quantidade, reduzindo de forma proporcional o valor de cada ação, sendo que o valor do investimento permanece o mesmo. Esse movimento contábil escritural apenas divide em maior número de ações o valor total da participação societária do contribuinte na empresa. À medida que as reservas e lucros são incorporados ao capital, as ações representativas deste investimento passam a ter valores individuais maiores, o que pode passar a ser um elemento inibidor da versatilidade na composição das carteiras de investimentos. Por esse motivo o desdobramento das ações e a correspondente bonificação ao acionista é fator de simpatia no mercado porque permite negociação do título/ação de forma mais ágil e em lotes de menor valor, possibilitando inclusive ao pequeno investidor realizar suas operações de forma a montar uma carteira mais diversificada em vários tipos de ações, de várias empresas. O desdobramento ou “Split” nada mais é do que apresentar a empresa ao mercado acionário com um maior número de pequenos pedaços da propriedade. Na verdade, a bonificação somente torna o acionista possuidor de um número maior de ações com o mesmo patrimônio que detinha anteriormente na empresa. Assim, nesta operação, como não ocorreu novos investimentos com recursos de origem externa no capital social da empresa, fica evidente o direito do Recorrente no benefício à isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física sobre o ganho de capital auferido Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 648 29 pela alienação de participação societária, em atendimento às condições impostas pelo art. 4º, alínea “d” do DecretoLei 1.510/76. Da Apuração do Custo de Aquisição A fiscalização observou suposto erro na apuração do custo de aquisição na parte da participação societária alienada em 2012, em relação à 1.358.030 ações adquiridas após 31/12/1983 (1.155.936 adquiridas em 26/06/2000 e 202.094 adquiridas em 21/02/2008), o que teria causado efeito aumentativo no cálculo do ganho de capital não abrangido pela isenção definida no art. 4º, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76. É sabido que o Recorrente apurou e pagou o ganho de capital que entendeu ser correto no que corresponde à parcela tributada. Porém, o cálculo do ganho de capital efetuado pelo contribuinte diverge daquele realizado pela fiscalização, porquanto o Fisco não reconhece como custo de aquisição, contrário aos moldes do acima exposto, a incorporação de reserva de capital (originada de lucros) ao valor da participação societária anteriormente detida pelo Recorrente, mesmo que tal ocorrência aconteça com lastro em valores da reserva de correção monetária, geradora de lucro extra operacional. A lide trata, neste item, do quantitativo de custo a ser considerado na determinação do custo de aquisição da participação acionária, incluindose ou não a capitalização procedida com reserva de capital e reserva oriunda da correção monetária efetuadas nas contas de balanço da empresa. A argumentação fiscal busca sustentar que tanto a constituição da reserva de capital quanto a reserva de correção monetária têm, origem externa, em ambos os casos, conforme apresentado no TVF – Termo de Verificação Fiscal, na expressão seguinte: (...) “as reservas de capital são constituídas com valores recebidos pela companhia e que não transitam pelo resultado, por não se referirem à entrega de bens ou serviços pela empresa (...). O parágrafo 1º do artigo 182 da Lei n° 6.404/76 determina quais os recursos que serão classificados como reservas de capital, senão vejamos”: “Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 649 30 § 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto não capitalizado. § 3º Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou, em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3o do art. 177 desta Lei.” (grifei) Divirjo dessa interpretação no sentido de que, embora os três tipos de reservas sejam classificados como de capital, não há igualdade de origem e nem semelhança de constituição. O caput do art. 182 se refere à Conta de Capital com o seu conjunto de subcontas, que constam separadamente em seus três parágrafos, diferenciandoas na constituição, por origem. A Conta de Capital registra o volume de recursos que os sócios se propõem a aportar na empresa, com recursos externos a ela, identificando quando integralizado ou não. Ressalte se, que os recursos externos à sociedade são aqueles recebidos por aporte de seus sócios, até então estranhos à atividade da organização societária, porque não gerados internamente. O § 1º, por sua vez diz que esta conta de capital será também constituída de reservas e que serão classificadas, todas, como reservas de capital. Diz ainda o § 1º, nas letras “a” e “b” que estão ali qualificadas como reservas de capital “a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal...” e, “o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição;”, nestes casos, claramente observável que de origem externa à organização societária. A partir daí evidenciase a diferenciação entre essas reservas e aquelas constituídas com RESULTADOS da correção monetária e ajustes de avaliação patrimonial, ambos, fruto da vinculação direta ou indireta das atividades da empresa, simplesmente porque se relacionam com efeitos de ações e providências de aplicação de índices sobre suas próprias contas de ativo e passivo, gerando resultado de prejuízo ou lucro, mesmo que não operacional. Cabe ressaltar, por oporutuno, que resultado não operacional positivo também é lucro. Portanto, resultado positivo da correção monetária é resultado não operacional, mas também é lucro, que vai à conta de reserva de capital, conforme § 2º, do art. 182, da Lei 6.404/76. Por isso, a convicção desse entendimento contrasta e diverge da afirmação fiscal de que, “as reservas de capital são constituídas com valores recebidos pela companhia e que não transitam pelo resultado,...”. Transitam sim pelo resultado embora não estejam vinculados diretamente ao processo de compra e venda de bens e serviço da empresa, submetendose ao resultado do gerenciamento das contas de ativo e passivo da companhia. Em reforço a esse entendimento cabe citar o texto do § 3º que diz: “Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo,...” (grifei) Por derradeiro, se todas as reservas de capital tivessem a mesma origem não haveria necessidade de separação de identificação em letras e parágrafos diferentes. Se iguais, bastaria relacionar as diferentes reservas sequencialmente somente em letras. A lei é sábia ao dizer que as reservas de capital de origem externa são aquelas classificadas nas letras “a” e “b” do § 1º, e as de origem interna estão classificadas nos §§ 2º e 3º. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 650 31 Cabe observar, por estranho que possa parecer, que a capitulação legal utilizada no embate da lide é exatamente a mesma, somente com interpretação diversa, no que se refere especificamente do art. 182 da Lei nº 6.404/76, que trata do Patrimônio Líquido, da Conta de Capital e das Contas de Reservas de Capital. Neste contexto, a Lei nº 11.638/07 incorporou o § 3º, que orienta, para efeito de registro contábil, o momento e o trânsito do registro no caso de avaliação patrimonial, devendo transitar pela conta de ajustes, enquanto aguarda o curso do tempo até atingir o período correspondente ao regime de competência, momento que se realiza de fato. § 3º Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou, em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3o do art. 177 desta Lei.” (grifei) Pelo texto legal acima resta evidente que a lei reconhece o valor do ajuste como resultado da empresa e vinculado as suas atividades, à semelhança do § 2º que trata da reserva de capital com origem no resultado da correção monetária do capital realizado, como gerados internamente, ao contrário do disposto nas alíneas “a” e “b”, de origem externa inequivocamente. Nesta linha de entendimento, o próprio art. 135 do RIR/99, utilizado pela fiscalização para desconsiderar o valor capitalizado oriundo da conta de reserva de correção monetária carece de sustentação, visto que o resultado da correção monetária pode ser positivo ou negativo. Se positivo gera lucro, o chamado lucro inflacionário. Assim, o resultado é gerado como lucro e a lei (art. 182, Lei 6.404/76) manda registrálo à conta de reserva de capital. Por isso, tomase o texto do art. 135 do RIR/99, para justificar o aproveitamento deste resultado como componente do custo de aquisição da participação acionária, como segue: “Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista” (grifei e sublinhei) Observese no sublinhado que a lei diz “reservas constituídas com esses lucros”. Importante ressaltar que o art. 135 não diz reservas de lucros. Expressa, claramente, reservas constituídas com esses lucros. Ou seja, pode perfeitamente se referir à reserva de capital constituída com esses lucros da correção monetária. Neste sentido, os lucros incorporados ao capital, sejam eles quais forem, serão utilizados para o que dispõe o RIR/99, especialmente aqueles tratados no Título X – Tributação Definitiva, Capítulo I – Ganho de Capital na Alienação de Bens ou Direitos, Seção IV – Custo de Aquisição, Subseção III. Assim, diante dessas identificações fica permitido interpretar que as reservas de lucros, estejam elas registradas na conta de reservas de lucros ou nas reservas de capital oriundas desses lucros resultantes de correção monetária, incorporam tais valores como custo de aquisição da participação acionária correspondente a cada sócio ou acionista. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 651 32 De outra parte, é absolutamente inadequada denominação de subvenções do poder público tendo como beneficiária a empresa que, utilizandose dos dispositivos legais, promove a correção monetária de suas contas de ativo e passivo para ter um resultado positivo ou negativo. A correção monetária do balanço nada mais é do que fazer a apresentação das contas de balanço a valor presente. Há inocorrência absoluta de qualquer tipo de subvenção, senão vejamos: Subvenção, conforme o dicionário da língua portuguesa: “É um auxílio pecuniário, em geral concedido pelo poder público. É uma modalidade de transferência de recursos financeiros públicos, para instituições privadas e públicas, de caráter assistencial, sem fins lucrativos, com o objetivo de cobrir despesas de seus custeios. Pecuniário: “É a designação comum de dinheiro. Forma de pagamento apresentado através de notas e/ou moedas. O que se usa como forma de pagamento. Pagamento efetuado em pecúnia”. Vêse, de pronto, pelo exposto acima a inapropriada utilização, pelo Fisco, do termo subvenção para classificar a correção monetária do balanço. O art. 195A da Lei nº 6.404/76 em nada se relaciona com o tratado nesta lide. Inexiste doação ou subvenção governamental para investimento na realização da correção monetária. Repitase, nenhum recurso ingressa na empresa oriundo do erário público. O que se apresenta é uma disposição legal para que a empresa atualize os valores de ativo e passivo contábil, o que poderá gerar um lucro, o chamado lucro inflacionário, de vez que a realização fática do lucro real pode ocorrer em período futuro. A infrutífera tentativa da entidade tributante de cobrar imposto de renda sobre o lucro inflacionário consiste em matéria já pacificada no judiciário, firmandoa como não incidência. O STJ entendeu que a base de cálculo para o tributo é o lucro real. O lucro inflacionário, diferentemente, mesmo que decorrente de correção de valores, também consiste em lucro da empresa. Por fim, a não permissão de agregar a correção monetária como custo de aquisição na participação acionária significaria não considerar a inflação ocorrida sobre o valor do investimento, dando origem a um ganho de capital irreal porque desconsidera a perda do valor da moeda e ao cabo, majora o imposto de renda sobre a inflação ocorrida em determinado período. Significaria, inclusive, anular a não incidência do imposto de renda sobre lucro inflacionário, matéria já definida no poder judiciário. Portanto, improcedente a exclusão de valores com origem nos fundos de reservas de que trata os §§ 2º e 3º, do art. 182, da Lei nº 6.404/76, como custo de aquisição, por se tratar de correção dos mesmos valores referentes à participação societária anteriormente mantida na empresa. Aceitar a exclusão constituiria onerosidade ao detentor de participação societária, reduzindo seus direitos de contribuinte sustentados em legislação própria. Assim, por todo o exposto considero correto o critério da determinação do custo de aquisição efetuado pelo contribuinte respaldado na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos, apurandose o custo proporcional das ações não abrangidas pela isenção do art. 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510/76, computandolhes o resultado da correção Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10880.727003/201655 Acórdão n.º 2201003.955 S2C2T1 Fl. 652 33 monetária levado à conta de reservas e incorporado ao patrimônio da empresa e por consequência à participação societária do Recorrente. Neste sentido, no mérito, DOU PROVIMENTO INTEGRAL ao requerido no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Alfredo Duarte Filho Declaração de Voto Fl. 652DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001744/2010-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.057
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11020.001744/2010-18
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5829544
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.057
nome_arquivo_s : Decisao_11020001744201018.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11020001744201018_5829544.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
id : 7112884
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734588923904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2269; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.001744/201018 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.057 – 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 44 /2 01 0- 18 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11020.001744/201018 Acórdão n.º 9303006.057 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.630, proferido em 28/02/2013, que possui ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11020.001744/201018 Acórdão n.º 9303006.057 CSRFT3 Fl. 4 3 Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito de crédito das contribuições não cumulativas com relação a materiais de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade apresentou recurso especial, que, todavia, teve o seguimento negado, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.045, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001732/201085, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11020.001744/201018 Acórdão n.º 9303006.057 CSRFT3 Fl. 5 4 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.045): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11020.001744/201018 Acórdão n.º 9303006.057 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11020.001744/201018 Acórdão n.º 9303006.057 CSRFT3 Fl. 7 6 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11020.001744/201018 Acórdão n.º 9303006.057 CSRFT3 Fl. 8 7 processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11020.001744/201018 Acórdão n.º 9303006.057 CSRFT3 Fl. 9 8 sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; [...] Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11020.001744/201018 Acórdão n.º 9303006.057 CSRFT3 Fl. 10 9 Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/2012 12 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11020.001744/201018 Acórdão n.º 9303006.057 CSRFT3 Fl. 11 10 presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11020.001744/201018 Acórdão n.º 9303006.057 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
