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Numero do processo: 16327.901222/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. MUDANÇA NA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. VEDAÇÃO.
A possibilidade de compensações de indébitos de estimativa tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da antecipação. Nessa hipótese não se inclui o desejo de mudança de opção, dentro de um mesmo mês, quanto à sistemática de cálculo das estimativas, seja com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Não demonstrado qualquer erro ou vício na forma de apuração da estimativa originalmente adotada pelo contribuinte, o valor assim recolhido não pode ser caracterizado como indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-002.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ARRENDAMENTO MERCANTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. MUDANÇA NA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. VEDAÇÃO. A possibilidade de compensações de indébitos de estimativa tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da antecipação. Nessa hipótese não se inclui o desejo de mudança de opção, dentro de um mesmo mês, quanto à sistemática de cálculo das estimativas, seja com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Não demonstrado qualquer erro ou vício na forma de apuração da estimativa originalmente adotada pelo contribuinte, o valor assim recolhido não pode ser caracterizado como indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 12 22 /2 00 9- 45 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.901222/200945 Acórdão n.º 1301002.249 S1C3T1 Fl. 139 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL (nova denominação de REAL LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL), já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, em parte. Trata o presente processo da declaração de compensação nº 352500088229090513043586, de pagamento de IRPJ, código de receita 2319, relativo a junho de 2005, no valor de R$ 1.615.343,54, com débito de CSLL relativo ao mês de agosto do mesmo ano calendário. Em 18/02/2009 (fls. 15) foi emitido despacho decisório que não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 565.423,12 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (1RPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Reproduzo quadro do despacho decisório em que são demonstradas as características do pagamento utilizado como direito creditório: A contribuinte protocolou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: [...] Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.901222/200945 Acórdão n.º 1301002.249 S1C3T1 Fl. 140 3 Em 29 de abril de 2013 o julgamento foi convertido em diligência, a fim de que o contribuinte fosse intimado a explicitar e comprovar o erro cometido na declaração original, a fim de fique cabalmente demonstrada a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Em resposta à intimação a impugnante alega o seguinte: a) Na competência junho/2005, o recolhimento do IRPJ mensal a pagar foi efetuado com base no Balanço/Balancete Suspensão ou Redução, conforme quadro resumo abaixo: b) A justificativa para o erro de fato cometido, que ensejou o recolhimento a maior do DARF, competência junho/2005, foi ausência da comparabilidade entre os dois cálculos realizados pela Manifestante, ou seja, para o recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, deveria ter se optado pelo pagamento por Receita Bruta e não Balanço/Balancete Suspensão ou Redução. c) Com objetivo de demonstrar a certeza e a liquidez do crédito tributário pleiteado juntamos a presente, a cópia da Ficha 11 da DIPJ 2006/2005, pág. 8, o demonstrativo da base de cálculo do IRPJ por Receita Bruta de jun/2005 e o balancete CADOC Bacen 4010 de jun/2005. Porém, salienta se que assim que o razão contábil for emitido, este será juntado ao presente PAF. d) A luz do acima exposto, a Requerente reforça a sua legitimidade no pleito da compensação do crédito tributário de R$ 565.423,12, oriundo do recolhimento a maior de IRPJ mensal, competência jun/2005, uma vez que tal DARF deveria ter sido arrecadado considerando o valor do cálculo da Receita Bruta e não do Balanço/Balancete Suspensão ou Redução. E, nesse sentido atribuir o efeito de homologada a DComp nº 3525.000.882.290905.1.3.04.3586. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1651.556, de 11/10/2013 (fls. 85/91), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/07/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.901222/200945 Acórdão n.º 1301002.249 S1C3T1 Fl. 141 4 Ciente da decisão de primeira instância em 10/01/2014, conforme documento de fl. 96, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 04/02/2014 (registro de recepção à fl. 114, razões de recurso às fls. 115/121), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: A recorrente lembra que IRPJ e CSLL pagos mensalmente por estimativa, seja por balanço seja por percentual da receita bruta, são meras antecipações do tributo devido no final do período de apuração anual. E prossegue (grifos no original): No presente caso, embora tenha recolhido uma estimativa de IRPJ (2319) de Jun/2005 no valor de R$ 1.615.343,54 (DARF de fls. 17 do ePAF), a Recorrente informou em sua DIPJ 2006 (AC 2005) ter feito neste mesmo mês um pagamento de apenas R$ 1.049.920,42 (Ficha 11, linha 11 da Discriminação de Junho – fls. 26 do ePAF). Ao proceder desta forma, a Recorrente deixou de computar o recolhimento de R$ 565.423,12 (diferença entre o valor pago e o declarado) no saldo de IRPJ pago no encerramento do anocalendário de 2005 (Linha 12 da Ficha 12B da DIPJ 2006/2005), reduzindo o Saldo Negativo de IRPJ apurado no encerramento do ano calendário. Isto porque a Recorrente, após calcular a base de cálculo mensal (Jun/2005) mediante levantamento de balanço (art. 35 da Lei nº 8.981/95), a Recorrente constatou que a base de cálculo apurada sobre um percentual da receita bruta mensal (2º da Lei nº 9.430/96) implicaria no IRPJ mensal a pagar menor do que o efetivamente recolhido. [...] Além disso, tanto a DCTF Retificadora/Ativa referente a Jun/2005 quanto o IRPJ apurado no encerramento do AnoCalendário 2005 foram devidamente homologadas pela Receita Federal do Brasil, não havendo o que se falar, neste momento, em comprovação da regularidade da base de cálculo (seja da estimativa mensal seja da base anual) do IRPJ apurado pela Recorrente. No entender da recorrente, a decisão a quo teria contrariado disposições basilares atinentes ao fato gerador e à base de cálculo do IRPJ, considerando que estimativas mensais representariam fatos geradores independentes da apuração anual. Colaciona jurisprudência administrativa no sentido da impossibilidade de lançamento de estimativas após o encerramento do período de apuração. A interessada acrescenta que, na pior das hipóteses (pedido subsidiário), o crédito de R$ 565.423,12 deveria ser acolhido como parte do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2005, extinguindose por compensação os débitos da DCOMP até o limite do crédito disponível. Em outra linha argumentativa, a recorrente protesta que o acórdão recorrido teria ido além da verificação objetiva da existência do pagamento indevido/a maior, condicionando a validação da compensação à comprovação dos motivos pelos quais o débito informado na DCTF era inferior ao valor do DARF pago. Ao assim agir, a DRJ teria extrapolado sua competência e invadido a competência da DEINF (lavrar lançamento de ofício para constituir créditos tributários não confessados pelo contribuinte). O acórdão recorrido padeceria de vício insanável, por ter sido praticado por pessoa incompetente. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16327.901222/200945 Acórdão n.º 1301002.249 S1C3T1 Fl. 142 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno do alegado direito creditório, a ser utilizado em compensação tributária, no montante de R$ 565.423,12, correspondente à diferença entre o valor recolhido em DARF (R$ 1.615.343,54, fl. 17) e o valor da estimativa mensal de IRPJ do mês de junho de 2005. Sustenta a recorrente que o valor correto da estimativa seria R$ 1.049.920,42. Por outro lado, o total originalmente declarado em DCTF foi de exatos R$ 1.615.343,54, posteriormente retificado para R$ 1.049.920,42. A questão em discussão, como se vê, é qual seria o correto valor da estimativa de IRPJ de junho de 2005. Inicialmente, foi negada homologação à compensação declarada, ao fundamento de que estimativas somente poderiam ser objeto de aproveitamento ao final do anocalendário, por ocasião do ajuste anual. Não se procedeu, naquele momento, a qualquer análise mais aprofundada do direito creditório, sendo a preliminar suficiente para a decisão então tomada. Essa preliminar foi superada já em primeira instância. A questão é atualmente pacífica, tanto no âmbito da Receita Federal quanto neste CARF, cabendo lembrar a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Nesta fase processual, não há mais qualquer litígio a esse respeito. No entanto, superada a questão preliminar ainda em primeira instância, a autoridade julgadora a quo avançou na análise do direito creditório, o que entendo correto. O reconhecimento do direito creditório para fins de homologação impõe o exame minucioso por parte da autoridade administrativa, não residindo aí qualquer nulidade. Ao contrário do que sustenta a recorrente, o que o julgador de primeira instância buscou, superada a preliminar, foi a comprovação da alegação de que teria havido erro na apuração da estimativa, a caracterizar pagamento a maior do que o devido. Não se trata, em absoluto, de lançamento de ofício para constituir créditos tributários não confessados pelo contribuinte, em invasão de competência de outro órgão da Receita Federal. A realização de diligência evidenciou a origem da diferença entre o valor do IRPJ originalmente apurado pela contribuinte (R$ 1.615.343,54) e aquele a seguir tido por ela própria como correto (R$ 1.049.920,42). O alegado erro, como admite a própria interessada, foi na opção pelo recolhimento de estimativas com base em balanço/balancete de suspensão/redução (BSR art. 35 da Lei nº 8.981/1995). Após determinar o valor a recolher e efetuar o respectivo pagamento, a interessada teria descoberto que, caso houvesse optado pelo Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.901222/200945 Acórdão n.º 1301002.249 S1C3T1 Fl. 143 6 recolhimento com base na receita bruta e acréscimos (RBA art. 2º da Lei nº 9.430/1996) o valor a recolher teria sido menor. Assim, promoveu a retificação da DCTF já apresentada e passou a pleitear o indébito ora discutido. Para o IRPJ, a regra é a apuração do lucro real trimestral, conforme previsto no art. 1º da Lei nº 9.430/1996 Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. A lei permite, por opção da pessoa jurídica, a apuração anual do lucro real, desde que o sujeito passivo promova recolhimentos mensais de estimativas, com base na receita bruta e acréscimos (RBA), conforme a disciplina do art. 2º da Lei nº 9.430/1996. Art. 2o A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1oe 2o do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2ºA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no§ 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.901222/200945 Acórdão n.º 1301002.249 S1C3T1 Fl. 144 7 III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Já anteriormente, o art. 35 da Lei nº 8.981/1995 trazia uma forma alternativa de apuração e recolhimento de estimativas mensais, não derrogada pela Lei 9.430/1996, antes por ela acolhida. Cuidavase da possibilidade de levantamento de balanços/balancetes mensais para reduzir ou mesmo interromper o recolhimento mensal diante do quanto já pago acumuladamente a título de estimativa nos meses anteriores. São os balanços/balancetes de suspensão ou redução do imposto (BSR). Confirase: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário.(Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29.(Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Como se vê, é facultado ao contribuinte optar por uma ou outra forma de apuração das estimativas mensais. Feita essa opção, e sendo apurada estimativa a recolher, impõese o recolhimento, com o aproveitamento do total antecipado na declaração de ajuste anual. É certo que a jurisprudência administrativa já se firmou no sentido da possibilidade da compensação de estimativas mensais, nos termos da supramencionada súmula CARF nº 84. Mas essa possibilidade está vinculada à comprovação da existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido. Feita a opção, em um dado mês, por uma das formas de apuração da estimativa, somente se caracterizaria erro dentro dessa mesma opção, Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.901222/200945 Acórdão n.º 1301002.249 S1C3T1 Fl. 145 8 nunca um "erro de opção", decorrente do posterior desejo de mudança de opção. A mudança de opção é possível de um mês para o outro, nunca dentro do mesmo mês. Melhor explicando: dentro da opção por RBA, é perfeitamente possível que, após o cálculo e o recolhimento da estimativa, o contribuinte verifique haver incluído entre as receitas que integraram a base de cálculo uma rubrica que não pertence àquele mês. Nessa hipótese, comprovado o erro, estarseá diante de um pagamento a maior do que o devido, ou seja, maior do que aquele previsto em lei. Da mesma forma, dentro da opção por BSR, é igualmente possível que, após o cálculo e o recolhimento da estimativa, o contribuinte verifique haver incorrido em erro na determinação da base de cálculo, impondose a mesma conclusão, desde que comprovado o erro. Em ambas as hipotéticas situações aqui delineadas é possível a recuperação imediata do indébito, via restituição ou compensação. Diferente é a situação dos autos. Não se trata de erro na apuração da base de cálculo, seja por BSR, seja por RBA. A alegação da interessada é de erro de opção, ou seja, apurou por BSR, fez o competente recolhimento da estimativa e, posteriormente, verificou que a forma de apuração por RBA lhe seria mais favorável, pretendendo alterar sua opção. Mas observese: o recolhimento na opção inicial, por BSR, não apresenta qualquer vício ou erro capaz de caracterizar o valor indevido ou maior que o devido. Feita a opção, apurado o valor da estimativa na forma da lei e efetuado o respectivo recolhimento, o indébito, se indébito vier a haver, será não mais de estimativa, mas de hipotético saldo negativo do tributo, a ser apurado ao final do período de apuração anual. Este CARF já decidiu nesse sentido. Confirase o Acórdão nº 1801002.227 de 03/02/2015, da lavra da Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, cuja ementa segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. MUDANÇA NA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. VEDAÇÃO. A possibilidade de compensações de indébitos de estimativa tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da antecipação, não se encontrando abarcada na hipótese do “erro”, a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.901222/200945 Acórdão n.º 1301002.249 S1C3T1 Fl. 146 9 Diante disso, não há como acolher o pleito da recorrente. Tendo sido a estimativa de julho de 2005 apurada originalmente (antes das retificações) e paga na forma prevista na legislação pertinente, não se caracteriza o pagamento indevido nem em valor maior que o devido, passível de restituição ou de compensação. Finalmente, cumpre acrescentar que não cabe falar em homologação de estimativas nem de DCTF. O que se homologa é o tributo devido ao final do período de apuração. E não há, nestes autos, qualquer notícia acerca do IRPJ apurado ao final do ano calendário 2005, a menos da cópia de uma única folha da DIPJ, acostada pela própria interessada à fl. 64, nem é aqui que se discute um eventual direito creditório decorrente de saldo negativo apurado naquele ano. Por esse mesmo motivo, o pedido subsidiário da interessada (acolhimento do crédito de R$ 565.423,12 como parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2005) se revela impossível de ser atendido. Tal pedido somente faria sentido no processo em que estivesse sendo analisado esse hipotético saldo negativo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13063.000017/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA PIS/PASEP E COFINS. ALARGAMENTO DA BASE CÁLCULO. PARCELA DOS DÉBITOS DECLARADOS INDEVIDOS POR DECISÃO JUDICIAL. PEDIDOS DE QUITAÇÃO DAS PARCELAS INDEVIDAS APRESENTADOS APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DO VALOR INDEVIDO OBJETO DO PEDIDO DE QUITAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de restituição/compensação as parcelas indevidas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, correspondente ao alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, que a contribuinte pretendeu quitar com a utilização de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), nos moldes da Medida Provisória 470/2009, após o trânsito em julgado da decisão judicial que afastou a cobrança das referidas parcelas por inconstitucionalidade.
PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. COMPENSAÇÃO RESTRITA PARA QUITAÇÃO DE DÉBITOS DECORRENTES DE APROVEITAMENTO INDEVIDO DO CRÉDITO-PRÊMIO DO IPI. UTILIZAÇÃO NA QUITAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE
A utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL próprios, passíveis de compensação, na forma da legislação vigente, relativos aos períodos de apuração encerrados até a publicação Medida Provisória 470/2009, devidamente declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), somente poderão ser utilizados para compensação dos débitos decorrentes do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1º do Decreto-Lei 491/1969 (crédito-prêmio do IPI).
DÉBITOS TRIBUTÁRIOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INCIDÊNCIA DE MULTA E JUROS MORATÓRIOS. POSSIBILIDADE.
1. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (vinte por cento).
2. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).
JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral o Dr. Rafael Marcondes, OAB/SP nº 234.490.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA PIS/PASEP E COFINS. ALARGAMENTO DA BASE CÁLCULO. PARCELA DOS DÉBITOS DECLARADOS INDEVIDOS POR DECISÃO JUDICIAL. PEDIDOS DE QUITAÇÃO DAS PARCELAS INDEVIDAS APRESENTADOS APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DO VALOR INDEVIDO OBJETO DO PEDIDO DE QUITAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de restituição/compensação as parcelas indevidas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, correspondente ao alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, que a contribuinte pretendeu quitar com a utilização de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), nos moldes da Medida Provisória 470/2009, após o trânsito em julgado da decisão judicial que afastou a cobrança das referidas parcelas por inconstitucionalidade. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. COMPENSAÇÃO RESTRITA PARA QUITAÇÃO DE DÉBITOS DECORRENTES DE APROVEITAMENTO INDEVIDO DO CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. UTILIZAÇÃO NA QUITAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE A utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL próprios, passíveis de compensação, na forma da legislação vigente, relativos aos períodos de apuração encerrados até a publicação Medida Provisória 470/2009, devidamente declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), somente poderão ser utilizados para compensação dos débitos decorrentes do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491/1969 (créditoprêmio do IPI). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 06 3. 00 00 17 /2 00 7- 59 Fl. 790DF CARF MF 2 DÉBITOS TRIBUTÁRIOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INCIDÊNCIA DE MULTA E JUROS MORATÓRIOS. POSSIBILIDADE. 1. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (vinte por cento). 2. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral o Dr. Rafael Marcondes, OAB/SP nº 234.490. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase integralmente o relatório encartado na decisão de primeiro grau, que segue transcrito: Trata o presente processo de análise e controle de DCOMPs transmitidas pela contribuinte, onde pretendia a compensação de valores credores de PIS e COFINS decorrentes de medida judicial com trânsito em julgado (inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo previsto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998), com débitos de outros tributos administrados pela RFB. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 13063.000017/200759 Acórdão n.º 3302003.652 S3C3T2 Fl. 765 3 Foi verificada a procedência do crédito pretendido, tendo a DRF de origem proferido Despacho Decisório em 29/08/2006, onde foi reconhecido parcialmente o direito creditório da contribuinte (valores originários de R$ 6.834.844,22 de COFINS e R$ 1.093.501,20 de PIS), com acréscimo de juros legais, bem como foram homologadas parcialmente (até o limite dos créditos existentes) as compensações realizadas através das DCOMPs transmitidas entre 26/12/2006 e 30/07/2007 (débitos indicados no quadro 02 do relatório). Cientificada do ato administrativo, a contribuinte apresentou, através de procurador, manifestação de inconformidade onde, ao início, fala sobre o cabimento da manifestação e sua tempestividade, argumentando, também, a propósito da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão, em virtude da apresentação da peça de contestação. A seguir refere: · o crédito tributário só poderia ser constituído por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, respeitados os requisitos previstos nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. Caso a cobrança fosse feita de forma diversa, não prevista em lei, seria nula, devendo ser cancelada; · no caso em tela, a autoridade Fiscal, por meio de Despacho Decisório, não homologou compensações feitas pela empresa. Além disso, fugindo das suas atribuições, cobrou créditos decorrentes das referidas compensações. Mas a autoridade tributária não pode cobrar crédito sem que ele tenha sido devidamente constituído, seja por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; · a cobrança feita deve ser cancelada, vez que o Despacho Decisório não é via competente para formalização de crédito, havendo contrariedade expressa ao disposto no art. 142, caput, e parágrafo único do CTN, bem como do art. 9° do Decreto nº 70.235, de 1972; · em alguns períodos anteriores à decisão judicial mencionada nos autos, a empresa havia adquirido créditos de terceiros (IPI), buscando utilizálos nas compensações de débitos de PIS e COFINS. Esses créditos estavam, à época, amparados por decisão judicial. Mas as medidas judiciais que amparavam a utilização destes créditos restaram prejudicadas, o que levou ao cancelamento das compensações pretendidas à época, e portanto, à reativação dos débitos existentes. Com a reativação dos débitos de IPI, a empresa optou por quitálos integralmente, pagando com as reduções concedidas pela MP n° 303, de 2006, pela MP n° 470, de 2009, e pela Lei n° 11.941, de 2009. Utilizou, para tanto, prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL; · a autoridade fiscal afirma que os pedidos de compensação feitos com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL foram efetuados após a concessão da Fl. 792DF CARF MF 4 segurança nos autos do Mandado de Segurança mencionado, ou seja, após a extinção da base de cálculo majorada do PIS e da COFINS. Por essa razão, alega que a apuração dos débitos a serem compensados deveria terse limitado ao que efetivamente era devido, nos moldes da LC nº 70, de 1991, e LC nº 07, de 1970, não se aplicando os critérios empregados aos débitos originalmente apurados com fundamento nas bases de cálculo majoradas pela Lei nº 9.718, de 1998; · desse modo, não poderia a autoridade administrativa reconhecer a existência de crédito passível de compensação proveniente dos valores de PIS e COFINS que a empresa buscou quitar nos moldes da MP nº 470, de 2009 (utilização de prejuízos fiscais ou bases de cálculos negativas da CSLL), eis que a decisão judicial que afastou a cobrança sobre o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS transitou em julgado anteriormente à apresentação desse pedido; · na época em que se discutia a inconstitucionalidade contida na Lei nº 9.718, de 1998, a empresa efetuou diversas compensações de débitos de tributos administrados pela RFB com créditos de IPI de terceiros, os quais estavam devidamente amparados por medidas judiciais à época, e por essa razão suas exigibilidades estavam suspensas. Proferida a decisão que reconheceu a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS, acabou por restar um saldo remanescente de créditos de IPI de terceiros, que correspondem àquela parte dos débitos de PIS e COFINS que foram declarados indevidos nos autos do Mandado de Segurança. Nesse sentido, a empresa utilizou o referido saldo remanescente para quitar débitos de IRPJ e CSLL, declarados em DCOMP; · após a reativação da exigibilidade dos débitos que foram compensados com créditos de IPI de terceiros, em virtude da perda das medidas judiciais que os amparavam (o que ocorreu após o reconhecimento da inconstitucionalidade discutida nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.71.05.0019260), a empresa quitou os débitos de IPI através de pagamentos com reduções e compensações com prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, fazendo valer os créditos utilizados para a compensação do PIS e COFINS. No entanto, o montante de débito de PIS e COFINS que foi quitado incluía também a parte majorada, que restou declarada como indevida nos autos do citado Mandado de Segurança, resultando, conseqüentemente, em um pagamento a maior feito pela empresa; · podese concluir que os débitos de IRPJ e CSLL também foram quitados, uma vez que no passado eles foram compensados com o saldo remanescente de créditos de IPI de terceiros, que haviam sido utilizados para compensar a parte majorada dos débitos de PIS e COFINS, então cancelados. Deste modo, não há que se falar nos débitos de IRPJ e CSLL que a autoridade fiscal afirma não estarem quitados. Resta, pois, demonstrada a procedência da apuração dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, as quais são objeto das compensações questionadas; Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13063.000017/200759 Acórdão n.º 3302003.652 S3C3T2 Fl. 766 5 · a não homologação das compensações pretendida pela autoridade fiscal não poderia ser acompanhada da cobrança de multa e juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto dos referidos processos administrativos. No entanto, tal não transcorreu. Pretender cobrar qualquer quantia do contribuinte antes do referido prazo é ato ilegal e que deve ser coibido. Além disso, diante da presente Manifestação de Inconformidade, que suspende a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, inciso III, do CTN), mesmo depois de findo o referido prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse em curso; · a compensação realizada é legal e válida, e implicou a quitação do valor objeto do Despacho Decisório, supostamente devido pela empresa. Desse modo, não há multa ou juros de mora a serem cobrados. Além disso, a empresa, ao proceder a compensação, observou todas as normas e atos normativos expedidos pela Administração, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN. Deve, pois, ser excluída da base de cálculo do tributo a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário; · a empresa requerse o acolhimento de sua manifestação, com a suspensão da exigibilidade do crédito em questão, a homologação integral do pedido de compensação e o conseqüente cancelamento da exigência, seguido do arquivamento do processo administrativo; · caso haja o entendimento de que os argumentos expostos e os documentos anexados não sejam suficientes para o deslinde da questão, a empresa pleiteia seja o processo baixado em diligência, medida esta que se revela fundamental para demonstrar a veracidade dos fatos alegados. Protesta pela eventual juntada de documentos que possa vir a se fazer necessária no curso dos presentes autos, em vista do Princípio da Verdade Material. Pretende, ainda, demonstrar que os débitos de PIS e COFINS objeto do presente processo administrativo não são devidos, posto que foram regular e integralmente extintos por compensação, nos termos do art. 156, inciso II, do CTN. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça de contestação. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 712/718), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. Fl. 794DF CARF MF 6 Considerase não formulado pedido genérico de diligência, por desatender a dispositivo legal que requer indicação de quesitos sobre matéria objeto de discordância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 DCOMP. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A inexistência do crédito informado nas declarações justifica a nãohomologação. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais, nos termos da legislação vigente. DCOMP. INDÉBITO FISCAL. CONFISSÃO. A declaração de compensação, por se constituir em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do tributo confessado, dispensa o lançamento de ofício. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 11/5/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão (fl. 720). Inconformada, em 12/6/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 721/733, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, a recorrente alegou que o presente processo somente poderia ser julgado após decisão final a ser proferida nos autos do processo administrativo n° 13063.000559/200993, ou ao menos fossem julgados em conjunto, por tratarem de matérias diretamente relacionadas. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13063.000017/200759 Acórdão n.º 3302003.652 S3C3T2 Fl. 767 7 O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O presente processo trata de Pedidos de Restituição, no valor total de R$ 15.217.895,70, apresentado no processo nº 13063.800017/200759, formalizado no dia 31/5/2006, e utilizado na compensação dos débitos, no valor total de R$ 16.157.509,49, discriminados nas Declarações de Compensação (Dcomp) integrantes deste processo (fls. 3/8, 147/154, 312/386 e 402/409), apresentadas entre os dias 26/12/2006 a 30/07/2007. O valor do crédito pleiteado corresponde a parcela dos supostos pagamentos maiores que o devido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em decorrência da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, determinado no art. 3o, § 1º, da Lei 9.718/1998, que fora declarada, originariamente, no âmbito do Mandado de Segurança n° 1999.71.05.0019260, impetrado perante a 1a Vara Federal de Santo Ângelo/RS, e em definitivo no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n° 442.872 5/RS, que transitou em julgado no dia 24/3/2006. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 549/558, os valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apontados como devidos pela fiscalização, calculados com base no faturamento mensal, consoante determinou a decisão judicial transitada em julgado, coincidem com aqueles indicados pela recorrente nas planilhas de fls. 200/204. Portanto, não existe controvérsia em relação aos valores dos débitos remanescentes das referidas contribuições, calculados nos moldes da Lei Complementar 7/1970 e Lei Complementar 70/1991 e em consonância com o critério de apuração determinado na referida decisão judicial. Também não existe controvérsia quantos aos valores apurados pela fiscalização e discriminados nas planilhas de fls. 513/547, onde estão demonstrados todos os valores pagos pela recorrente, as quantias alocadas para quitação dos valores remanescentes devidos da Contribuição para PIS/Pasep e da COFINS (calculados em conformidade com a decisão judicial transitada em julgado) e as respectivas importâncias excedentes, cujo somatório corresponde aos valores originários de R$ 6.834.844,22 da Cofins e R$ 1.093.501,20 da Contribuição para PIS/Pasep, que foram reconhecidos no referido Despacho Decisório como sendo passíveis de compensação. Dessa forma, a controvérsia remanescente cingese a parcela dos referidos débitos, objeto de pedidos de quitação com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, nos termos da Medida Provisória 470/2009, que foram apresentados em 27/11/2009 e encartados no processo n° 13063.000559/200993, após serem canceladas as compensações com créditos de terceiros, realizadas em cumprimento de decisões judiciais não transitadas em julgado, que ao final foram declaradas insubsistentes e em consequência determinado o cancelamento das compensações pretendidas e reativada a cobrança dos respectivos débitos indevidamente compensados. Para melhor compreensão do ponto controvertido, segue transcrito o item 9 do Despacho Decisório em que a autoridade fiscal competente apresenta as razões para o indeferimento da parcela do valor crédito pleiteado quitada com prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL: 9. Devese notar que há uma situação peculiar quanto aos débitos do PIS e da COFINS abrangidos no pedido de quitação Fl. 796DF CARF MF 8 formalizado em 27/11/2009, voltados à utilização de saldos de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas da CSLL, nos moldes da Medida Provisória n° 470/2009. 9.1. Com efeito, esse pedido ainda está sob análise da CODAC/DAPAR, no âmbito do processo n° 13063.000559/2009 93, não havendo até o momento a quitação definitiva dos débitos em questão. 9.2. Além disso, constatase que tal pedido foi apresentado após ter sido proferida a decisão judicial do Mandado de Segurança n° 1999.71.05.0019260, que declarou a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da COFINS e do PIS prevista no art. 3o, § 1o, da lei n° 9.718, de 1998. Vale dizer, quando o pedido foi apresentado a parte dos débitos correspondente à majoração da base de cálculo já estava extinta por força da decisão judicial transitada em julgado (art. 156, X, do CTN). 9.3. Nesse caso, o procedimento adequado é o de se ajustar o valor dos débitos do PIS e da COFINS que a empresa buscou quitar com utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, no âmbito do processo n° 13063.000559/200993, os quais devem limitarse ao efetivamente devido nos moldes da Lei Complementar n° 70/91 e Lei Complementar n° 7/1970, conforme determina a sentença judicial. 9.4. Não é cabível, após a concessão da segurança, seguir a exigência dos débitos com os valores originalmente apurados. Cabe às partes dar cumprimento ao que foi decidido na ação judicial, que nesse caso implica para os débitos ainda não quitados no ajuste dos valores exigidos e supressão das quantias que excedem ao devido com base no faturamento mensal. Esta providência redundará necessariamente em redução proporcional do montante de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL a serem aproveitados no processo n° 13063.000559/200993. 9.5. Assim, na análise do processo n° 13063.000559/200993, a quitação dos débitos do PIS e da COFINS com utilização de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas da CSLL deve limitarse aos valores devidos sobre o faturamento mensal, nos moldes da decisão judicial transitada em julgado, excluindose a cobrança das diferenças indevidas. 9.6. Conseqüentemente, não se pode reconhecer a existência de crédito passível de compensação proveniente desses valores do PIS e da COFINS que a empresa buscou quitar nos moldes da MP 470/2009, com a utilização de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas da CSLL, pois a decisão judicial que afastou a cobrança sobre o alargamento da base de cálculo (MS n° 1999.71.05.0019260) transitou em julgado anteriormente à apresentação desse pleito. Da leitura dos trechos transcritos, verificase que o não reconhecimento da parcela do crédito que a recorrente, em 27/11/2009, pleiteou quitar com prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, nos moldes da MP 470/2009, no âmbito do processo n° 13063.000559/200993, foi motivado pelo fato de que, na referida data, a referida quitação Fl. 797DF CARF MF Processo nº 13063.000017/200759 Acórdão n.º 3302003.652 S3C3T2 Fl. 768 9 limitavase aos valores devidos sobre o faturamento mensal, nos moldes da decisão judicial transitada em julgado, excluindose a cobrança das diferenças indevidas. Decidiu com acerto a autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem, pois, com o trânsito em julgado da referida decisão judicial, ocorrida no dia 24/3/2006, não eram mais devidas as parcelas dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins excedentes aos valores calculados com base no valor do faturamento definido, respectivamente, na Lei Complementar 7/1970 e na Lei Complementar 70/1991. E se no dia 31/5/2006, data da formalização dos citados pedidos de restituição, a recorrente já tinha pleno conhecimento dos valores dos débitos das referidas contribuições que eram devidos, logo, a pretensão de quitar, no dia 27/11/2009, as parcelas excedentes a esses valores com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, evidencia a nítida intenção da recorrente de burlar a restrição de utilização desses tipos de créditos apenas para quitação de débitos decorrentes de aproveitamento indevido do crédito prêmio do IPI, determinada no art. 3º, § 2º, da MP 470/2009, a seguir transcrito: Art. 3º Poderão ser pagos ou parcelados, até 30 de novembro de 2009, os débitos decorrentes do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, e os oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota zero ou como não tributados NT. § 1º Os débitos de que trata o caput deste artigo poderão ser pagos ou parcelados em até doze prestações mensais com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de noventa por cento das multas isoladas, de noventa por cento dos juros de mora e de cem por cento do valor do encargo legal. § 2º As pessoas jurídicas que optarem pelo pagamento ou parcelamento nos termos deste artigo poderão liquidar os valores correspondentes aos débitos, inclusive multas e juros, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido próprios, passíveis de compensação, na forma da legislação vigente, relativos aos períodos de apuração encerrados até a publicação desta Medida Provisória, devidamente declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...]. (grifos não originais) Dessa forma, fica demonstrado que o pedido de quitação das parcelas, sabidamente indevidas, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, formalizado no dia 27/11/2009, por meio do processo nº 13063.000559/200993, além de não integrar os referidos pedidos de restituições formalizados no dia 31/5/2006, certamente, implicaria burla direta a forma restrita de utilização dos referidos tipos de créditos, ampliando indevidamente a sua utilização para compensação de débitos que não aqueles estritamente decorrentes de compensação considerada indevida com valores provenientes do créditoprêmio do IPI. Fl. 798DF CARF MF 10 Aliás, tal fato foi levado em conta na análise do referido pedido de quitação dos débitos com base na previsão contida no art. 3º da MP 470/2009, formalizado por meio do processo administrativo n° 13063.000559/200993, uma vez que foram enviados à CODAC/DAPAR, previamente à apreciação do pleito em referência, cópias do referido despacho decisório e das correspondentes planilhas de fls. 525 e 542. Também pelas razões anteriormente aduzidas, não tem cabimento o pedido de sobrestamento do julgamento deste processo até que seja proferida a decisão definitiva nos autos do processo administrativo nº 13063.000559/200993, ou ao menos ambos os processos fossem julgados em conjunto, porque, tais situações não se enquadram nas hipóteses de sobrestamento de julgamento, previstas no art. 6º, § 5º, do Anexo II do RICARF/2015, aplicável apenas a processos principal, decorrentes e reflexos. E, no caso, não há prova da alegada dependência ou decorrência. Ademais, em consulta ao e.Processo, este Relator constatou que, embora cientificada da decisão final, proferida no âmbito do referido processo, a recorrente não apresentou qualquer contestação, logo, a decisão nele proferida passou a ser definitiva na esfera administrativa. Assim, se não há pendência julgamento do referido processo na esfera administrativa, inclusive no âmbito deste Conselho, obviamente, não existe razão para o acatamento do pedido de sobrestamento do julgamento deste processo. Ainda com base nessas considerações, fica demonstrada a prescindibilidade da realização da diligência pleiteada na tribuna, durante sustentação oral do patrono da recorrente, para fim de apuração do quanto dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL aqui discutidos foram utilizados de ofício, pelo Fisco, nos processos nºs 16643.000189/2010 95, 11070.722318/201107 e 11070.720968/201291, em relação aos quais, embora alegado, a recorrente não se dignou apresentar qualquer prova de que, nos referidos processos, foram utilizados parte dos valores dos prejuízos fiscais e dos saldos negativos de CSLL em comento. Ad argumentandum, a recorrente alegou que a multa e os juros de mora não podiam ser cobrados em relação aos débito indevidamente compensados, pois ainda não havia transcorrido o prazo de 30 dias, contado da data da notificação, concedido pela autoridade fiscal; e diante da apresentação da manifestação de inconformidade ficava suspensa a cobrança de qualquer valor a título de mora, por força do artigo 151, inciso III, do CTN. Sem razão a recorrente. A cobrança dos acréscimos moratórios (multa e juros) é devida a partir da data do vencimento, sem pagamento total ou parcial, do crédito tributário devido, conforme expressamente determina o art. 61 da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 13063.000017/200759 Acórdão n.º 3302003.652 S3C3T2 Fl. 769 11 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [...] O fato de a exigibilidade dos referidos débitos encontrarse suspensa por força do disposto no art 151, III, do CTN, não implica interrupção da incidência do juros moratórios. Ao contrário do alegado pela recorrente, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta do pagamento. A fluência do juros moratórios somente é interrompida no caso de pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Nesse sentido dispõe o art. 161 do CTN, que segue transcrito: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Outra forma de interrupção da fluência do juros moratórios dáse mediante o depósito, judicial ou extrajudicial, do montante integral do crédito tributário, na forma estabelecida na Lei 9.703/1998, situação que não se vislumbra no caso em tela. No mesmo sentido, firmouse a jurisprudência deste Conselho, consolidada na Súmula CARF nº 5, de adoção obrigatória pelos integrantes do citado Órgão julgador e que tem o seguinte teor, in verbis: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Também não procede a alegação da recorrente de que a taxa SELIC não podia ser aplicada como taxa de juros no âmbito tributário, uma vez que não fora criada por lei para essa finalidade. Sem razão a recorrente. A utilização da taxa Selic como índice de cálculo dos juros moratórios para fins tributários, ao contrário do alegado pela recorrente, encontrase expressamente prevista no art. 161, § 3º, da Lei 9.430/1996, anteriormente transcrito. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou a respeito do assunto, reconhecendo a constitucionalidade da cobrança do referido gravame, conforme exposto na Fl. 800DF CARF MF 12 enunciado da ementa do acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 803.707/PR, a seguir reproduzida: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. BASE DE CÁLCULO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ART. 161, § 1º, DO CTN. 1. Constitui a base de cálculo da multa de mora prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996 o valor principal da dívida atualizado pela taxa Selic. 2. É lícita, por força do comando contido na Lei n. 9.065/1995, a aplicação da taxa Selic nos casos em que há parcelamento do débito tributário ou em que há quitação total, mas com atraso. Precedentes. 3. Nas ações que tenham por fim a repetição de pagamentos indevidos efetuados antes de 1º.1.96 e cujo trânsito em julgado ainda não tenha ocorrido, incide, na atualização do indébito, a partir dessa data, exclusivamente, a taxa Selic. Desde aquela data, não tem mais aplicação o mandamento inscrito no art. 167, parágrafo único, do CTN, o qual, diante da incompatibilidade com o disposto no art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, restou derrogado. 4. Recurso especial improvido. (REsp 803.707/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/05/2006, DJ 14/08/2006, p. 273) No mesmo sentido, também se firmou a jurisprudência deste Conselho, nos termos da Súmula Carf nº 4, a seguir transcrita: Súmula Carf nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, resta demonstrado que o cálculo dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, tem amparo legal e constitucional, portanto, sendo devida a sua cobrança nos termos da legislação vigente. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 801DF CARF MF Processo nº 13063.000017/200759 Acórdão n.º 3302003.652 S3C3T2 Fl. 770 13 Fl. 802DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.720001/2013-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não se poder estabelecer divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-005.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não se poder estabelecer divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1378; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.060 1 1.059 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10970.720001/201383 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.131 – 2ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria SUBRROGAÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VELOSO TRADING NEW COFFEE COMERCIAL EXPORTADORA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não se poder estabelecer divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 01 /2 01 3- 83 Fl. 1060DF CARF MF 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2803003.608, prolatado pela 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 10 de setembro de 2014 (efls. 962 a 978). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2010 CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. A Suprema Corte, no julgamento do RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92 que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos IV, da Lei nº 8.212/91. Indevido o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais. Recurso Voluntário Provido Decisão: por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira que apresentará declaração de voto. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Júnior votaram pelas conclusões. Enviados os autos à PGFN, para fins de ciência do Acórdão, em 23/09/2014 (efl. 979), esta apresentou, em 21/10/2014 (efl. 997), Recurso Especial (efls. 980 a 996), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara deste CARF, através do Acórdão 2301003.718, prolatado em 18 de setembro de 2013, e, ainda, em relação ao decidido pela 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara deste CARF, através do Acórdão 2302002.909, prolatado em 21 de outubro de 2014, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 2301003.718 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Sempre que uma ou mais empresas, tendo cada uma personalidade jurídica própria, porém sob a direção, controle ou Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 9202005.131 CSRFT2 Fl. 1.061 3 administração de outra; ficará caracterizada a constituição de grupo econômico. AFERIÇÃO INDIRETA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Quanto aos segurados obrigatórios, o inciso V, alínea g, do artigo 12 da Lei 8.212/91, caracteriza como contribuinte individual, “quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego.” CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. POSSIBILIDADE. MULTA. MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. SELIC. JUROS MORATÓRIOS. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Decisão: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso quanto à caracterização do grupo econômico, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso quanto à questão da comercialização da produção rural pessoa física, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; III) a) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se Fl. 1062DF CARF MF 4 mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Bernadete de Oliveira Barros. Acórdão 2302002.909 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 Ementa: PRODUTO RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até a competência 11/2008, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 9202005.131 CSRFT2 Fl. 1.062 5 Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.3409036, seja calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) Não merece prosperar a aplicação do art. 62 do RICARF. Quanto ao RE 363.852/MG, ali se ressalvou a superveniência de nova lei posteriormente à Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Dita legislação é exatamente a Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001 e, assim, não há identidade de substrato jurídico que permita a aplicação ao presente caso do holding do RE nº 363.852/MG. O que foi declarado inconstitucional foi o artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212,de 24 de julho de 1991, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 1997. É dizer: enquanto o STF considerou inconstitucionais dispositivos legais específicos, o Relator entendeu inconstitucional um instituto jurídico amplo. Em termos dogmáticos, o STF declarou inconstitucional um enunciado prescritivo enquanto o Relator entendeu removido um significado abrangente. A lei que lastreou o lançamento não foi apreciada na decisão paradigma, e, portanto, o cancelamento do auto de infração, da forma em que realizado, importa em afastamento da aplicação de lei ao caso fora das hipóteses regimentais, de modo que viola a Súmula CARF nº 2; b) Ainda, ressalta que a decisão nos autos do RE nº 596.177/RS, também dotada de repercussão geral, não abrange a discussão da constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 com a redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001, inclusive posteriormente à Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Tal discussão foi reconhecida como matéria de Repercussão Geral no RE nº 718.874/RS, ainda pendente de julgamento. Em assim sendo, não competiria Colegiado a quo o pronunciamento da inconstitucionalidade da Lei nº 10.256/2001, por força do enunciado nº 2 da Súmula do CARF. c) nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física. Com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício, na forma inclusive delineada por recente decisão oriunda do Tribunal Regional Federal da 4a. Região. Requer, assim, o conhecimento do Recurso e seu provimento para reformar o acórdão recorrido e, conseqüentemente, restabelecer a decisão de primeira instância, mantendose a integralidade do lançamento. O recurso foi admitido, consoante despachos de efls. 999 a 1003. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 12/04/16 (efl. 1015), o contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 1019 a 1047, onde alega que: a) No presente caso, o acórdão recorrido cancelou a autuação com base em dois fundamentos distintos: a) inconstitucionalidade da contribuição ao FUNRURAL mesmo Fl. 1064DF CARF MF 6 após o advento da Lei n° 10.256, de 2001 e b) comprovação da idoneidade das empresas (pessoas jurídicas) vendedoras de café para a Recorrida no período autuado. Todavia, o Recurso Especial contrarrazoado se ateve apenas à questão da constitucionalidade da exigência da contribuição ao FUNRURAL com base na Lei n° 10.256, de 2001, sem, contudo, impugnar o segundo fundamento do acórdão recorrido. De fato, não houve, por parte da Fazenda Nacional, qualquer digressão acerca da alegada inidoneidade das empresas vendedoras de café para a Recorrida, conforme alegado na autuação, fato que, se tivesse ocorrido, ensejaria o enquadramento dessas empresas como pessoas físicas, e, por conseguinte, viabilizaria a exigência da contribuição ao FUNRURAL sobre as aquisições de café realizadas pela Recorrida, junto a essas empresas. Assim, verificase que a Fazenda Nacional não impugnou todos os fundamentos consignados no acórdão recorrido, não tendo havido debate ou demonstração de divergência interpretativa, no pleito fazendário, acerca da alegada inidoneidade das empresas fornecedoras, considerando assim a autoridade lançadora que se tratavam de pessoas físicas travestidas de pessoas jurídicas (tese rejeitada pelo Colegiado a quo, sendo o segundo fundamento da decisão recorrida), permitindo, assim, a aplicação da Lei no. 10.256, de 2001. Segundo a autuada é certo, inclusive, que este segundo fundamento por si só é suficiente para cancelar a autuação em questão e, destarte, tal fato enseja o necessidade de não conhecimento do Recurso, que não se mostra eficaz, mesmo em caso de provimento; b) Alega não haver similitude fática entre o Acórdão recorrido e os paradigmas apresentados pela recorrente, uma vez que estes últimos versaram sobre a legalidade da exigência da contribuição ao FUNRURAL de pessoas físicas, não se amoldando ao presente caso, uma vez que, no presente caso, não há produtor rural pessoa física, conforme devidamente fundamento no acórdão recorrido e novamente demonstrado acima. Dessa forma, caso a Fazenda Nacional objetivasse comprovar a similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrida, deveria ter demonstrado que, assim como nos processos em que foram proferidos os acórdãos paradigmas, no presente caso a exigência da contribuição ao FUNRURAL recaiu sobre pessoas físicas. Como não houve essa demonstração, depreendese pela ausência de demonstração de similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas colacionados no Recurso Especial, o que enseja a inadmissibilidade desse recurso; c) Quanto ao mérito, defende inicialmente a inconstitucionalidade da exigência da contribuição ao FUNRURAL, citando estar tal contribuição, mesmo após o advento da Lei no. 10.256, de 2001, abrangida na discussão travada no âmbito do MS no. 000752856.2010.4.01.3400, a partir de decisões proferidas em sede do Agravo de Instrumento 002132432.2010.4.01.0000 e no mérito do referido MS. Ainda, entende que Lei nº 10.256, de 2001, não instituiu nova exação que suprisse as inconstitucionalidades declaradas pelo STF no julgamento do RE 363.852/MG, as quais subsistem até os dias atuais. As alterações promovidas pela Lei 10.256, de 2001 se dirigem tão somente ao caput do art. 25, da Lei 8.212, de 1991, de modo que não há falar em nova norma tributária introduzida no ordenamento jurídico, mas de mera alteração, pouco substancial, naquela que fora declarada inconstitucional pelo STF, em controle difuso de constitucionalidade; d) De fato, o STF reconheceu a inconstitucionalidade do FUNRURAL exigido com base na Lei 8.540, de 1992, mas a Lei 10.256, de 2001, apesar de editada após a EC 20/98 e de também tratar desta contribuição, não alterou o fundamento de validade da cobrança do FUNRURAL, que continua sendo a Lei 8.540, de 1992. Na verdade, a Lei 10.256, de 2001 deu apenas nova redação ao caput do art. 25, da Lei 8.212, de 1991, consagrando, pela primeira vez, que o produtor rural deve arcar apenas com contribuição sobre receita bruta, dispensado do pagamento da contribuição patronal sobre a folha de salários; Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 9202005.131 CSRFT2 Fl. 1.063 7 e) Entende que mesmo após a edição da EC 20, de 1998, que autorizou a instituição de contribuições sociais sobre a receita bruta, até a presente data não foi editada nenhuma lei formal fixando corretamente a base de cálculo da contribuição do produtor rural pessoa física, persistindo, em verdade, apenas o texto criado pela Lei 8.540, de 1992, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF. Concluise, assim, que ainda não se materializou a situação projetada pelo Exmo. Ministro Marco Aurélio no RE 363.852/MG, em que reconheceu a inconstitucionalidade da exação "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Entende como de extrema importância o tempo verbal adotado pelo Exmo. Ministro ao projetar a necessidade de lei posterior que "venha a instituir' validamente a contribuição. Isso porque, tanto no momento da prolação do seu voto, em 17 de novembro de 2005, quanto na data da lavratura do acórdão do Recurso Extraordinário em questão, em 3 de fevereiro de 2010, a Lei 10.256, de 2001 já havia sido publicada e estava plenamente em vigor. E mesmo diante desse cenário, o STF afirmou a inconstitucionalidade do art. 25, da Lei 8.212/91, até que lei futura "venha" a instituir a exação de forma válida. Ora, é evidente que os Ministros, em decisão unânime de fevereiro de 2010, tinham conhecimento da Lei 10.256/01, editada, então, há quase uma década. Caso pretendessem se referir a este diploma como o que efetivamente instituiu validamente a contribuição, teriam utilizado o termo "viesse" e não "venha"; f) Por outro lado, há de se notar que o recolhimento da contribuição era efetuado por meio da técnica de subrogação prevista no art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, também foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE 363.852/MG. Assim, mesmo que se entendesse que a Lei 10.256, de 2001 reinstituiu validamente a exação (o que não ocorreu), ainda assim inexistiria disposição legal válida que permitisse imputar a terceiros o dever de reter ou recolher por subrogação o tributo, já que a referida lei não promoveu qualquer alteração no art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991; g) Entende como impossível ter a EC 20, de 1998 constitucionalizado a Lei 9.528, de 1997, vez que a higidez de toda e qualquer lei tributária é sempre aferida com base no ordenamento constitucional vigente na data da sua publicação. Se a norma ingressou no ordenamento de forma incompatível com a Constituição, o seu vício é original, impossível de ser suprido por modificação constitucional superveniente. h) Assim, tendo em vista que o lançamento foi julgado improcedente ao reconhecer a patente ilegalidade da cobrança advinda da Lei n° 10.256, de 2001, tendo como escopo a já pregressa declaração de inconstitucionalidade da mesma contribuição, com o reconhecimento inequívoco de que não houve mudança substancial de modo a afastar a inconstitucionalidade, bem como a segurança concedida no Mandado de Segurança 0007528 56.2010.4.01.3400, para os filiados do CECAFE (tal como a Recorrida) "se absterem de reter e recolher, por subrogação, a contribuição denominada FUNRURAL incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural e empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café, instituída pela Lei n° 8.212, de 1991 com redação dada pela Lei n° 8.540, de 1992", é totalmente insubsistente a exigência do FUNRURAL e RAT da Recorrida, razão pela qual o acórdão recorrido deve ser reformado, para que seja cancelada a autuação em sua totalidade. i) Finalmente ressalta que a aquisição das mercadorias pela autuada se deu junto e pessoas jurídicas, em momento anterior à eventual baixa dessas empresas em órgãos Fl. 1066DF CARF MF 8 fazendários da Receita Federal e Estadual. Tal comprovação demonstra a boafé da Recorrida e reforça ainda o ônus da Fiscalização acerca do dever de averiguação da situação fiscal dessas empresas, razão pela qual, conforme acertadamente consignado no acórdão recorrido, não caberia à Recorrida tal averiguação. Nesse contexto, vale repisar que a documentação anexada aos autos por ocasião da apresentação de impugnação comprova a aquisição de mercadorias de pessoas jurídicas que ainda permanecem ativas e/ou habilitadas junto ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas e SIARE, SINTEGRA, etc. (Cadastros de Contribuintes dos Estados de Minas Gerais e São Paulo, entre outros), ou ainda que tiveram a baixa perante os cadastros acima referidos em datas posteriores àquelas em que houve a aquisição das mercadorias pela Recorrida, o que levou ao reconhecimento da idoneidade das notas fiscais pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por esta razão, não há como, ao contrário do que pretendeu a Fiscalização, declarar inidôneas as notas fiscais de aquisição de tais mercadorias, em face da suposta alegação de que tais empresas na verdade tratamse de produtores rurais pessoas físicas travestidas de pessoas jurídicas. Não houve por parte da Recorrida qualquer tipo de negligência na apuração das referências comerciais e fiscais das empresas fornecedoras de café, sendo, por essa razão, ilegal e arbitrário classificar como inidôneas as notas fiscais de aquisição de tais mercadorias, já que para todos os efeitos as empresas fornecedoras existiam ou ainda existem de fato e de Direito. Por outro lado, vale destacar que o próprio Fisco não logrou êxito em seu dever (privativo) de fiscalização, tal exigência não pode ser atribuída à Recorrida, que, mesmo assim, sempre agiu com diligência e com a cautela necessárias na apuração da situação cadastral de seus fornecedores. Entende que não é razoável exigir que uma empresa do porte da Recorrida vasculhe a vida fiscal de todos os seus fornecedores, sendo o único meio de confirmar a idoneidade de suas fornecedoras a verificação sobre a situação de tais empresas nos cadastros fiscais da Receita Federal e dos Estados, como efetivamente realizado pela Recorrida, repise se, o que demonstra de forma inquestionável a sua boafé. Ou seja, em caso de utilização de uma empresa de "fachada" por um produtor rural pessoa física com vistas a comercializar a sua produção de café, à luz da teoria da aparência e com base no princípio da boa fé, por força da regularidade da situação de tal empresa juntos aos cadastros fiscais federal e estadual, conclui se ser inviável a imputação à Recorrida da responsabilidade pelo pagamento da contribuição ao FUNRURAL, RAT e SENAR, partindose da premissa de que os seus fornecedores devidamente regularizados como pessoas jurídicas são na verdade pessoas físicas. Salientese ademais que parte das aquisições das mercadorias pela Recorrida é feita mediante intermediação da Bolsa de Mercados e Futuros, conforme comprovado nos autos, motivo pelo qual sequer havia contato direto entre a empresa fornecedora e a Recorrida em relação a determinadas aquisições. Se houve negligência no presente caso, ela só pode ser atribuída ao próprio Fisco, que forneceu e manteve a inscrição cadastral dos fornecedores sem que eles tivessem um real estabelecimento. Ou seja, cabe exclusivamente ao Fisco constatar a regularidade dos contribuintes e a Recorrida não pode ser responsabilizada por falhas da Administração Fazendária. Assim, requer que requer seja inadmitido e não conhecido o Recurso Especial contrarrazoado em vista da ausência de impugnação de todos os pontos recorridos, inocuidade e inépcia desse recurso e ainda ausência de demonstração da similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Sucessivamente, caso admitido e conhecido esse Recurso Especial, hipótese admitida por argumentar, requerse o seu desprovimento, haja vista que é inconstitucional a Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 9202005.131 CSRFT2 Fl. 1.064 9 exigência da contribuição ao FUNRURAL e mesmo que fosse constitucional, não se mostra aplicável ao presente caso, em vista da aquisição de café pela Recorrida ter sido realizada junto a pessoas jurídicas. É o relatório. Fl. 1068DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade e à devida apresentação de paradigma o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Todavia, entendo haver óbice ao conhecimento do recurso, por força das seguintes constatações: a) Baseiase o recorrido, consoante muito bem observado pela contribuinte em sede de contrarrazões, em dois fundamentos distintos, ambos, suficientes, por si só, para respaldar o provimento ali concedido, quais sejam: a) A contribuição não pode ser exigida por força de declaração de sua inconstitucionalidade, no âmbito de decisão proferida nos REs 363.852/MG e 596.177/RS e b) A regularidade das empresas fornecedoras em questão junto aos orgãos fazendários estadual e federal, o que "decotaria da incidência de contribuição sobre a comercialização da produção adquirida de produtores rurais pessoas físicas" os valores objeto de tributação (efls. 970/971), verbis: "(...) DA INIDONEIDADE DAS NOTAS FISCAIS REFERENTES À AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE PESSOAS FÍSICAS 14. A fiscalização considerou inidôneas as notas fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras de produtos rurais, vez que estas ou estão “não habilitadas” na Fazenda Nacional, ou estão “inaptas” na Receita Federal. Ademais, verificou que os imóveis encontrados nos endereços declarados demonstraram não haver naqueles locais a atividade econômica das empresas. 15. A recorrente, em sua defesa, alega que, no momento da fiscalização, as empresas que efetuaram vendas de café estavam inquestionavelmente ativas no período fiscalizado, vez que sua regularidade estava atestada pelos órgãos fazendários estadual e federal. Para fazer prova do alegado, juntou aos autos, quando da apresentação da impugnação, documentos que comprovam a idoneidade das empresas (fls. 362/536). 16. De fato, a recorrente apresentou os documentos comprobatórios do alegado no momento processual correto, conforme previsão contida no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72: “A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. 17. Ademais, segundo o artigo 333, caput e inciso I, do Código de Processo Civil, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. Devidamente demonstrado que a situação das empresas era regular junto aos órgãos de cadastro, deve ser reconhecida a boafé do contribuinte quanto à realização de operações com Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 9202005.131 CSRFT2 Fl. 1.065 11 estas empresas. Além disso, partindo da regra prevista no artigo 113, do Código Civil, os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boafé das partes contratantes. 18. Isso porque não cabe ao contribuinte a obrigação de fiscalizar a regularidade das empresas com quem realizam negócios, partindo do pressuposto que, se estão licenciadas pelos órgãos competentes, devem ser consideradas idôneas. 19. Dessa forma, a análise da regularidade destas empresas é dever da Administração, como bem salientou o contribuinte em sede de recurso voluntário, não devendo esta responsabilidade recair sobre as empresas no momento da celebração de negócios jurídicos. A própria verificação feita pela recorrente acerca da regularidade destas empresas evidencia o seu interesse em realizar negócios juridicamente válidos, com empresas que estejam com o cadastro atualizado nos órgãos competentes, e demonstram sua confiança nos mecanismos de fiscalização utilizados por estes órgãos. CONCLUSÃO 20. Diante de todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, nos termos acima alinhavados, decotando da incidência de contribuição sobre a comercialização da produção adquirida de produtores rurais pessoas físicas – FUNRURAL (grifei), bem como, por consequência, exonerar a recorrente do pagamento de penalidade referente a descumprimento de obrigação acessória. (...)" Tal fato faz com que, de forma a se caracterizar a divergência interpretativa e, também, de forma que o recurso aproveitasse à recorrente, deveria a Fazenda Nacional ter trazido paradigmas que, além de sustentar a constitucionalidade e legalidade da exação em questão (como o fez), também tivessem promovido análise divergente do recorrido quanto à caracterização da inidoneidade de pessoas jurídicas (de forma a caracterizálas como pessoas físicas, ensejando a incidência das contribuições sob análise). De se notar que, em se tratando tal caracterização de matéria vinculada à necessidade de valoração probatória (o que é cediço, conforme evidencia também, inclusive, a leitura da Declaração de Voto constante do recorrido), só a entendo como admissível para fins de análise nesta instância especial no caso de plena identidade entre as provas dos autos e aquelas carreadas nos feitos paradigmáticos. Faço notar, aqui, que em permanecendo o afastamento de inidoneidade, na forma perpretada pelo Colegiado a quo, não aproveita à Fazenda Nacional o recurso, uma vez que, em se tratando, in casu, formalmente, de pessoas jurídicas fornecedoras, remanesceria inaplicável a hipótese de incidência de subrogação aqui litigada, a menos que se provasse que se tratavam de pessoas físicas travestidas de PJs. Ainda, também a partir do acima disposto, exsurge a dissimilitude fática entre receorrido e paradigma, também levantada pelo contribuinte em sede de contrarrazões, evidenciada objetivamente pelo fato de que não se pode precisar como se posicionariam os Fl. 1070DF CARF MF 12 Colegiados paradigmáticos acerca do feito em litígio, de forma a que se possa caracterizar a existência de divergência interpretativa (impossibilidade de conclusão quanto ao teste de aderência). Assim, diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1071DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.002171/2005-76
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS ORIGINÁRIAS DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. RECONHECIMENTO. IMPOSTO RETIDO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO. No caso de pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido, que optarem pelo regime de competência, as receitas originárias de órgãos públicos também devem ser reconhecidas pelo regime de competência. No entanto, a compensação do imposto retido pelos órgãos públicos somente é possível a partir do mês da retenção. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-001.375
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS ORIGINÁRIAS DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. RECONHECIMENTO. IMPOSTO RETIDO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO. No caso de pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido, que optarem pelo regime de competência, as receitas originárias de órgãos públicos também devem ser reconhecidas pelo regime de competência. No entanto, a compensação do imposto retido pelos órgãos públicos somente é possível a partir do mês da retenção. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10660.002171/200576 Acórdão n.º 180301.375 S1TE03 Fl. 167 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10660.002171/200576 Acórdão n.º 180301.375 S1TE03 Fl. 168 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 122 a 124): Tratase de Auto de Infração relativo à COFINS, fls. 0409, tendo sido constituído crédito tributário no valor de R$ 47.701,30. Tal lançamento decorreu da constatação de falta de recolhimento da contribuição, em razão das diferenças apuradas entre valores devidos àqueles títulos e os declarados/pagos no anocalendário 2001, conforme historiado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) e apurado nas planilhas nele constantes (fls. 1219), resumidamente: a contribuinte fez a opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido. informou que o critério de reconhecimento de suas receitas de vendas, no anocalendário 2001, foi o regime de competência. os valores recolhidos ou confessados em DCTF são inferiores àqueles devidos, conforme detalhadamente apontado nos demonstrativos de fls. Às fls. 108118, impugnação, com razões de defesa abaixo transcritas por excertos, consoante seu articulado: Da fundamentação legal Os pagamentos efetuados por órgãos públicos, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência na fonte do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, na forma do art. 64, e parágrafos, da Lei 9.430/1996, transcritos a seguir: [...] Por outro lado, o art. 5º da IN/SRF/STN/SFC 23/2001, transcrito abaixo, estabelece que os valores retidos somente podem ser compensados a partir do mês da retenção: [...] Ou seja, o ato normativo da Administração Tributária fixou o regime de caixa para tratamento tributário a ser dispensado às retenções efetivadas pelos órgãos públicos, o que implica no diferimento da tributação das receitas correspondentes para a data do recebimento, nos casos de serviços e fornecimentos a órgão público. Não é outro o entendimento trazido pelo art. 7º, e parágrafo único, da Lei 9.718/1998: [...] Do critério adotado pela empresa Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10660.002171/200576 Acórdão n.º 180301.375 S1TE03 Fl. 169 4 [...]. a interessada adotou o regime de competência para todas as receitas, inclusive nos casos de faturamento para órgão público, por considerar, erroneamente, que a opção facultada pela legislação concernente ao lucro presumido, deveria, obrigatoriamente, alcançar todas as receitas, bem como os valores a serem retidos na fonte relativos a essas receitas. Assim fazendo, acabou por infringir o art. 5º da IN/SRF/STN/SFC 23/2001, porém, sem acarretar danos aos cofres públicos [...]: Dessa forma, qualquer falta/insuficiência de recolhimento que viesse a ser apurada pela fiscalização somente poderia decorrer da não inclusão de alguma receita na base de cálculo, como as receitas financeiras, por exemplo, ou da falta do adicional do imposto de renda, devido no quarto trimestre do anocalendário de 2001. Do critério adotado pela fiscalização [...] a fiscalização distorceu os resultados obtidos, ao considerar todas as receitas pelo regime de competência, inclusive as derivadas de fornecimento de bens a órgão público, enquanto que as respectivas retenções foram levadas à compensação pelo regime de caixa, pelas datas dos pagamentos. [...] o procedimento adotado pela fiscalização não se coaduna com a legislação em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores em questão [...]. Dos novos demonstrativos anexos à impugnação [...] foram desenvolvidos novos demonstrativos [...] para cálculo das diferenças que realmente ocorreram nos recolhimentos de impostos e contribuições relativos ao anocalendário de 2001. A única modificação que se faz em relação aos demonstrativos da fiscalização está localizada no quadro que demonstra a receita de vendas, para efeito de cálculo dos impostos e contribuições, onde as vendas para órgãos públicos foram consideradas pelo regime de caixa, enquanto as demais vendas continuam a ser consideradas pelo regime de competência [...]. (original contém negritos e sublinhas) 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 122): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001 FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento, sem que os elementos de prova passivos pudessem elidir o feito fiscal, há que se manter o lançamento. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 14/09/2009 (fls. 134), a tempo, em 29/09/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 135 a 141, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que existe uma regra de exceção, a ser observada pelas empresas tributadas pelo lucro real, para as quais o regime de competência no Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10660.002171/200576 Acórdão n.º 180301.375 S1TE03 Fl. 170 5 tratamento tributário das receitas é obrigatório, e pelas empresas optantes pelo lucro presumido que adotaram o regime de competência facultado pela legislação tributária, qual seja, os valores que serviram de base para a retenção efetivada por órgão público devem ser incluídos na formação da base de cálculo para apuração dos tributos e contribuições devidos a este título no mês do seu efetivo recebimento; b) que a questão foi tratada de forma lúcida e coerente na declaração de voto da Julgadora Maria Helena Cotta de Oliveira Guimarães, que faz parte do Acórdão 02 19.211, da 3ª Turma da DRJ/BHE, integrante do processo nº 10660.002174/200518 IRPJ, conforme se pode verificar no trecho a transcrito, para passar a integrar as razões e fundamentos legais do presente recurso; e c) que, no que diz respeito à falta de apresentação de documentos comprobatórios, citada na parte final da acima citada declaração de voto, equivocouse a Eminente Julgadora, sendo tais documentos desnecessários: primeiramente porque a recorrente não contesta os números trazidos nos demonstrativos anexos ao Termo de Verificação fiscal, contestando, apenas, a distorção produzida nos resultados obtidos pelo fisco ao considerar todas as receitas pelo regime de competência, inclusive as derivadas de fornecimento de bens a órgão público, enquanto as respectivas retenções foram levadas à compensação pelo regime de caixa, pelas datas dos pagamentos; e depois, porque o “demonstrativo dos tributos e contribuições retidos na fonte por órgão público — ano calendário 2001” , elaborado pela própria fiscalização (anexo ao Termo de Verificação Fiscal), traz as datas e valores dos recebimentos que serviram de base ao cálculo das retenções efetivadas, possibilitando, plenamente, o refazimento de todos os demonstrativos do fisco, com o cômputo das receitas advindas dos órgãos públicos pelo regime de caixa e a extinção do imposto devido em função da antecipação efetuada. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10660.002171/200576 Acórdão n.º 180301.375 S1TE03 Fl. 171 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. Em seu Recurso, afirma a Recorrente o seguinte (fls. 136 grifei): Foram lavrados autos de infração separados para exigência do IRPJ (processo 10660.002174/200518), do PIS (processo 10660.002172/200511), COFINS (processo 10660.002171/2005), e CSLL (processo 10660.002173/200565), todos com a mesma fundamentação legal, motivada por insuficiência de recolhimento decorrente da discordância quanto ao tratamento tributário a ser dispensado ao faturamento destinado a órgão público, em razão da retenção obrigatória de impostos e contribuições no ato do pagamento, razão pela qual deveriam ser julgados em conjunto. 6. Está correto o seu entendimento, uma vez que, ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. 7. Sendo este o caso do presente processo, de auto de infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), adoto, como razões de decidir, o que ficou assentado no processo principal de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), de nº 1066.002174/200518, do qual este decorre (Acórdão nº 140100.278, de 8 de julho de 2010, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, unânime): Conforme bem observado pela Recorrente, a questão a ser decidida no presente processo diz respeito à possibilidade ou não de as receitas originárias de órgãos públicos serem tributadas pelo regime de caixa, no caso de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido — modalidade regime de competência. O voto condutor do Acórdão recorrido entendeu que, na hipótese em análise, todas as receitas devem ser computadas segundo o regime de competência, independentemente do fato de algumas destas receitas serem originárias de órgãos públicos. O voto divergente (no tocante às razões de decidir) entendeu que as receitas originárias de órgãos públicos poderiam, em tese, ser tributadas segundo o regime de caixa, desde que houvesse provas acerca da data de ocorrência dos aludidos pagamentos, A Recorrente, por sua vez, adota o entendimento do voto divergente, mas sustenta que os elementos constantes dos autos são suficientes para demonstrar a data de ocorrência de todos os pagamentos originários de órgãos públicos. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10660.002171/200576 Acórdão n.º 180301.375 S1TE03 Fl. 172 7 Não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, vejamos as razões de decidir do voto condutor do Acórdão recorrido, fls. 129130: Não se sustenta a alegação da impugnante de que as receitas pagas por órgãos públicos devem ser reconhecidas, exclusivamente, pelo regime de caixa. O art. 50 da Instrução Normativa SRP/STN/SFC nº 023, de 2 de março de 2001, não obriga as pessoas que adotam regime de competência a reconhecer, por regime de caixa, as receitas pagas por órgãos públicos. O texto desse artigo é abaixo transcrito: Art. 5º Os valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor a ser compensado, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor da fatura, da alíquota respectiva, constante das colunas 02, 03, 04 ou 05 da Tabela de Retenção (Anexo I). A mesma redação se manteve no art 50 da Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003. A disposição acima trata exclusivamente do momento em que a pessoa jurídica que sofreu a retenção deve efetuar a compensação dos valores retidos. Ele nada estabelece sobre o regime de escrituração das receitas. Assim sendo, no caso de ocorrer emissão de nota fiscal em um determinado mês e recebimento em mês posterior, as receitas devem ser reconhecidas pelo regime de competência, mas os valores retidos só poderão ser compensados pelo contribuinte a partir do mês da retenção. O entendimento da Receita Federal sobre a matéria encontrase nos itens 8 e 9 do Boletim Central Extraordinário nº 52, de 19 de março de 1997, [...]. Por sua vez, o voto divergente trouxe as seguintes ponderações sobre o tema (fls. 135): considerando que o imposto retido pelos Órgãos Públicos somente pode ser deduzido pelo contribuinte após a efetiva retenção, ou seja, a partir da data do pagamento do serviço ou bem adquirido, para que a fonte seja deduzida pelo contribuinte, estas receitas não podem ser oferecidas à tributação antes deste pagamento, sob pena de impedir a utilização desta fonte, da forma como foi idealizada pelo legislador. Assim sendo, da mesma forma que as empresas optantes pelo Lucro Real detém a faculdade de diferir os lucros advindos das contratações com os Órgãos Públicos para a data do recebimento do preço, apesar de obrigadas ao regime de competência, não há impedimento aos contribuintes optantes pelo Lucro Presumido para computar as receitas advindas pelos Órgãos Públicos pelo Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10660.002171/200576 Acórdão n.º 180301.375 S1TE03 Fl. 173 8 Regime de Caixa e as demais receitas pelo Regime de Competência. Como facilmente se percebe, o voto divergente se absteve de apresentar o fundamento legal da afirmação de que “não há impedimento aos contribuintes optantes pelo Lucro Presumido para computar as receitas advindas pelos Órgãos Públicos pelo Regime de Caixa e as demais receitas pelo Regime de Competência”. A Recorrente, por sua vez, igualmente se absteve de apontar qualquer dispositivo legal que, tácita ou expressamente, autorizasse o cômputo das receita originárias de órgãos públicos pelo regime de caixa, nos casos em que as demais receitas são, por opção do contribuinte, tributadas pelo regime de competência. Na verdade, existe uma forte razão que impossibilita a tributação de algumas espécies de receitas pelo regime de caixa e de outras receitas pelo regime de competência, no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido. Esta razão repousa no fato de que somente podem optar pelo lucro presumido as pessoas jurídicas que aufiram receita bruta total de até R$ 48 milhões, no anocalendário anterior. A critério de cada pessoa jurídica, esse valor da receita bruta anual pode ser apurado pelo regime de caixa ou pelo regime de competência, mas nunca por uma combinação dos dois regimes, sob pena de total desvirtuamento desse regime de tributação. Em outras palavras: se a tese da Recorrente estivesse correta, poderíamos chegar a uma situação limite na qual uma pessoa jurídica poderia optar pelo lucro presumido mesmo com receita bruta total superior a 48 milhões de reais (na hipótese de optar pelo regime de competência, mas computando pelo regime de caixa as receitas originárias de órgãos públicos). Este conjunto de fatos inexistência de dispositivo legal capaz de sustentar a tese da Recorrente, aliada à necessidade de observância do limite de receita bruta anual para fins de opção pelo lucro presumido me convencem de que as receitas provenientes de órgãos públicos devem ser reconhecidas pelo mesmo critério de reconhecimento das demais receitas, no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido. Importante destacar que as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido preservam o direito de tributar as receitas originárias de órgãos públicos segundo o regime de caixa, desde que procedam da mesma forma em relação às demais receitas auferidas no mesmo anocalendário. No entanto, no tocante às retenções de impostos efetuadas pelos órgãos públicos, deve prevalecer sempre a regra de que sua compensação somente é possível a partir do mês da efetiva retenção (independentemente do regime de reconhecimento das Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10660.002171/200576 Acórdão n.º 180301.375 S1TE03 Fl. 174 9 receitas escolhido pela pessoa jurídica), conforme art. 5º da Instrução Normativa SRP/STN/SFC nº 23/2001. Desta forma, restam prejudicados os demais argumentos e demonstrativos da Recorrente, uma vez que o presente lançamento está inteiramente de acordo com a legislação de regência. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 11080.727364/2012-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2010
APROVEITAMENTO PELA PESSOA JURÍDICA DO IMPOSTO PAGO PELA PESSOA FÍSICA NA REQUALIFICAÇÃO DOS FATOS
Considerando que a fiscalização requalificou uma operação, deslocando o ganho de capital do sócio pessoa física, em função do qual havia recolhido o imposto, para a pessoa jurídica, deve-se tomar em conta os valores pagos por aquele, enquanto responsável solidário, na determinação do montante então apurado a título de IRPJ, não se estando diante de uma compensação, a qual naturalmen te deveria seguir os ritos legais previstos para a espécie.
Numero da decisão: 9101-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que conheceu do recurso.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que conheceu do recurso. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 73 64 /2 01 2- 56 Fl. 5613DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101002.609 CSRFT1 Fl. 5.609 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Recursos Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão n. 1103001.149 (Efl. 5372), proferido pela 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, que unanimemente decidiu, seguindo o voto do Conselheiro Relator André Mendes de Moura (i) que a desistência dos recursos voluntários pelos sujeitos passivos configura renúncia ao direito nos quais fundados, impedindo o seu conhecimento, e (ii) ser possível o aproveitamento, em autuação fiscal, pela pessoa jurídica, do IRRF pago pela pessoa física sobre o ganho de capital apurado com base no mesmo suporte fático, considerando a imputação de responsabilidade solidária. A exigência em questão decorre de autuação fiscal (Efl. 2207 ss.) em que se entendeu haver simulação na operação realizada pelos sócios da DLEGEND LOCAÇÕES LTDA para a venda de fundo de comércio, deslocando a correta apuração do ganho de capital da pessoa jurídica para a física e, assim, reduzindo a alíquota do imposto de 34 para 15%. Além do IRPJ e CSLL relativos aos anos calendário 2007, 2008 e 2010, multa de ofíco e juros, aplicouse ainda multa qualificada de 150% diante da acusão do intuito de fraude no ato simulatório. Foi lavrada Representação Fiscal para fins Penais de que resultou o processo administrativo n. 11080.727365/201209. Em resumo da operação, tomandose emprestado trecho da decisão da DRJ, o fiscal teria concluído “que a verdadeira vontade das partes era a venda de significativa parcela do fundo de comércio da DIRANI para a LPS Brasil, para que esta pudesse ingressar no mercado gaúcho. Todavia, uma vez que a DIRANI continuaria ativa, a alienação do fundo de comércio resultaria na apuração de expressivo ganho de capital, a ser adicionado ao lucro presumido com consequência fiscal mais gravosa. Daí a construção contratual desenvolvida, com a criação da LPS Sul e a venda para ela do conjunto de bens tangíveis e intangíveis por valor insignificante, sem gerar ganho de capital para DIRANI, e a posterior alienação das quotas da LPS Sul por preço vultoso à LPS Brasil, gerando ganho de capital apenas para pessoa física do sócio.” Já adiantando que a avaliação da operação em si não é objeto do julgamento do presente recurso especial, uma vez que a empresa e os responsáveis desistiram de seus recursos como se demonstrará mais adiante, se pedirá licença para fazer referência às páginas do processo que bem esclarecem, sob diferentes pontos de vista, os Fl. 5614DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101002.609 CSRFT1 Fl. 5.610 3 detalhes de todos os passos da transação, atendendo àqueles que se interessarem por uma leitura pormenorizada, que não intervém neste momento no juízo realizado: Termo de verificação fiscal: Efls. 2207 ss. Relatório das contrarrazões da PGFN: Efls. 5299 ss. Relatório da decisão da DRJ: Efls. 4923 ss. Relatório do acórdão do CARF: Efls. 5372 ss. Insurgindose contra o lançamento de ofício, os autuados apresentaram Impugnações (Efls. 2278 ss., 3100 ss, 3897 ss), defendendo (a) a sua perspectiva dos fatos, (b) inexistência de débitos e (c) de simulação ou fraude que autorizassem a aplicação da multa qualificada; (d) nulidade do lançamento que deveria ter atendido o artigo 116 do CTN; (e) ausência de responsabilidade solidária dos sócios; necessidade de (e) compensação/imputação dos valores pagos antes da aplicação de multa e juros, (f) com aplicação da Taxa Selic da data do pagamento à compensação. O posicionamento da Administração Tributária, no entanto, foi mantido por maioria pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, em decisão (Efl. 4923) que detalhou sua análise do processo, entendendose que (a) comprovada a simulação, deverseia desconsiderar os efeitos dos atos tidos viciados; (b) configurada a responsabilidade tributária dos sócios por possuírem interesse comum e pela prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei; (c) devendose manter a multa qualificada de 150% diante do intuito de fraude em simulação utilizada para a redução do tributo devido e (d) aplicandose todas essas considerações reflexamente à CSLL. Particularmente, ao que virá interessar ao julgamento do presente recurso especial, decidiuse (e) pela possibilidade de aproveitamento pela pessoa jurídica do imposto pago a título de ganho de capital pela pessoa física do sócio Rogério Dirani, fundamentado no único argumento de que o artigo 4o. da Portaria RFB 2.284/10 consagra a regra geral da solidariedade de que o pagamento de um aproveitaria aos demais. Em face dessa decisão, os autuados interpuseram seus Recursos Voluntários (Efls. 4977 ss., 5085 ss. e 5186 ss.), resumidamente, (a) constestando a leitura da fiscalização e dos julgadores de primeira instância sobre os fatos realmente ocorridos, ressaltandose que o sujeito ativo da alienação foi a pessoa física do Sr. Rogério Dirani, o objeto da aquisição a DIRANI, a adquirente a LPS Brasil, a carteira de locações só teria relevância se concomitante à cláusula de não concorrência atribuída a esse sócio e o valor na sua presença; apontando (b) a nulidade do lançamento que deveria ter atendido o artigo 116 do CTN; (c) inexistência de simulação, fraude e inaplicabilidade da multa qualificada; (d) ausência de responsabilidade solidária dos sócios e omissão do julgamento quanto à causa dessa imputação; necessidade de (e) compensação/imputaçãoo dos valores Fl. 5615DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101002.609 CSRFT1 Fl. 5.611 4 pagos antes da aplicação de multa e juros; (f) aplicação de Selic do pagamento à compensação; e declaração do indébito. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (Efl. 5928) (a) minuciosas sobre o seu entendimento fático e jurídico da operação realizada e concluiu que efetivamente teria ocorrido uma alienação de fundo de comério, sendo o objetivo das partes reduzir o montante do IRPJ e CSLL a serem pagos em virtude do ganho de capital, (b) defendendo ainda a existência de fraude capaz de justificar a manutenção da multa qualificada e (c) a responsabilização dos sócios nos termos do artigo 135 do CTN. Antes de seu julgamento pelo colegiado, a empresa e seus responsáveis solidários protocolizaram petições de desistência dos recursos e juntaram os comprovantes de pagamento dos débitos relativos às diferenças entre os valores cobrados na autuação fiscal e o que já recolhido em função do ganho de capital apurado pela pessoa física (efls. 5344 a 5433), na linha desenvolvida pela decisão da DRJ, o que constou de extratos demonstrando a exata quitação. O recurso de ofício foi levado à julgamento pelo Acórdão n. 1103 001.149 (Efl. 5372), em que (a) se manifestou pela impossibilidade de conhecimento dos recursos voluntários em função da renúncia ao direito em discussão por força dos pedidos de desistência apresentados e (b) decidiu pelo aproveitamento dos valores recolhidos pela fessoa física sobre o ganho de capital que, ao ser considerada simulada a operação, foi imputado à pessoa jurídica, considerandose que, uma vez solidários, o pagamento de um se aproveitaria aos demais, nos termos da decisão da DRJ. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (Efl. 5379) em face dessa decisão, alegando a existência de omissão, pois o colegiado não teria justificado o afastamento dos artigos 156, II, e 170 do CTN, 73 e 74 da Lei n. 9430/96 e 12, parágrafo 3o., da Instrução Normativa SRF n. 21/97, que impedem o reconhecimento de eventual compensação em procedimento de lançamento de ofício, aproveitandose para consignar que esta não poderia ocorrer com créditos de terceiros e não se confundiria a tributação das pessoas física e jurídicas. Os Embargos de Declaração foram rejeitados (Efl. 5384), por se entender que o acórdão embargado foi devidamente motivado, com fundamento normativo suficiente para confirmar a decisão de primeira instância, objeto do recurso de ofício, não estando o julgador obrigado a detalhar as razões pelas quais deixa de prestigiar algum dispositivo legal hipoteticamente relacionado à matéria, ressaltandose que se a PGFN quisesse ter os referidos artigos apreciados poderia ter veiculado tal pleito antes do julgamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (Efl. 5389) salientando (a) a impossibilidade de compensação tributária no âmbito do Fl. 5616DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101002.609 CSRFT1 Fl. 5.612 5 lançamento de ofício, por ofender o princípio da legalidade e o disposto no artigo 170 do CTN e também não se enquadrar em quaisquer da formas de compensação previstas no ordenamento jurídico, que inclusive segragaria a tributação das pessoas física e jurídica e só permitiria que fosse efetuada com débitos próprios. O recurso foi recepcionado pelo Despacho de Admissibilidade constante na efl. 5433. Por fim, os recorridos ofereceram contrarrazões ao recurso especial, requerendo, preliminarmente, a sua rejeição monocrática pelo presidente da CSRF (a) pela inaplicabilidade dos dispositivos arguídos ao caso, (b) por falta de prequestionamento (c) rejeição dos embargos declaratórios opostos na tentativa de realizalo, porque a compensação não teria sido veiculada anteriormente no processo, (d) o paradigma apresentado (d.1) não guardaria similitude fática, (d.2) trataria de outros tributos, (d.3) não apresentaria dissídico jurisprudencial, (d.4) seria anterior à norma que fundamentou a decisão da DRJ e do colegiado a quo sobre o aproveitamento (Portaria SRF n. 2284/2010). Relativamente ao mérito, requerem a manutenção do cancelamento do débito e sucessivamente, nessa ordem, o direito ao aproveitamento dos valores pagos e, caso não acolhidos, o retorno dos autos para apresentação de recuso voluntário ou pagamento dos valores com os benefícios previstos em lei ou, por fim, a declaração do direito de crédito correspondente ao valor pago pelo Sr. Rogério Dirani. Passase, então, à apreciação do recurso. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. Constam nos autos: Fl. 5617DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101002.609 CSRFT1 Fl. 5.613 6 Efl. 5378: Despacho determinando a intimação do acórdão em face do recurso de ofício em 16.03.2015; Efl. 5379: Embargos de declaração datados pela PFGN de 18.03.2015; Efl. 5387: Despacho determinando a intimação da decisão que rejeitou os embargos em 15.05.2015; Efl. 5388: Despacho de encaminhamento em 20.05.15 determinando a intimação da PGFN; Efl. 5389: Recurso Especial datado de 22.05.2015, mas documento mostrando juntada ao sistema em 20.05.2015. Não se identificou no processo documento demonstrando a movimentação dos autos para a PGFN, recebimento dos autos naquele órgão ou intimação efetiva. Assim, dandose fé publica ao despacho de encaminhamento do CARF em 20.05.15 e verificando se o protocolo imediato do recurso, considerao tempestivo, nos termos do artigo 79, parágrafos 1o. e 2o, do Regimento Interno do CARF. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Fl. 5618DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101002.609 CSRFT1 Fl. 5.614 7 Pois bem, voltandose ao caso concreto, o presente Recurso Especial tem como objeto a afirmação da Fazenda Nacional sobre a existência de decisões divergentes em torno da possibilidade de compensação tributária no âmbito do lançamento de ofício, alegando ofender o princípio da legalidade e o disposto no artigo 170 do CTN e também não se enquadrar em quaisquer da formas de compensação previstas no ordenamento jurídico, que inclusive segragaria a tributação das pessoas física e jurídica e só permitiria que fosse efetuada com débitos próprios. Com efeito, tratase de autuação que requalificou os fatos da operação realizada pela DLEGEND LOCAÇÕES LTDA, por entendêlos simulatórios, deslocando a apuração do ganho de capital apurado e comprovadamente pago pelo sócio pessoa física para exigilo no presente lançamento de ofício da pessoa jurídica. Apesar de a autoridade lançadora não ter procedido ao abatimento dos valores recolhidos pelo Sr. Rogerio Dirani, a decisão da DRJ determinou que tais valores fossem considerados na apuração do IRPJ, porque, enquanto responsável solidário, aplicar seia a regra do artigo 4o. da Portaria RFB 2.284/2010, que determina que o pagamento de um aproveita aos demais. Vejase tudo o que consignado sobre o assunto: “O caput do art. 4º da Portaria RFB 2.284/10 consagra a regra geral do instituto da solidariedade, de que o pagamento de um aproveita aos demais. Por isso, os valores pagos a título de ganho de capital por Rogério Dirani devem ser aproveitados para reduzir a exigência tributária, conforme solicitado em impugnação. Com isso, é possível reconhecer a redução do IRPJ lançado para o período correspondente ao segundo trimestre de 2007, de R$ 4.194.831,00, para R$ 191.422,35, conforme se demonstra a seguir: Tabela (…) Diante do exposto, voto pela procedência parcial das impugnações, no sentido de manter os créditos lançados, salvo quanto ao IRPJ relativo ao segundo trimestre de 2007, que fica reduzido para R$ 191.422,35 no seu valor principal, acompanhado do decréscimo dos respectivos consectários legais.” (destacase) Exatamente nos mesmos termos foi o acórdão do colegiado a quo ao julgar o recurso de ofício, inclusive transcrevendose a decisão acima, leiase: “A matéria devolvida trata do aproveitamento dos valores pagos a título de ganho de capital pessoa física efetuados por Rogério Dirani, para abater do valores de ofício lançados de IRPJ, em autuação fiscal no qual restou descaracterizada a incidência de ganho de capital apurado pelas pessoas físicas, que, na realidade, deveria ter sido oferecido à tributação pela pessoa jurídica. Entendo que não cabe qualquer reparo no entendimento da DRJ/Porto Alegre Fl. 5619DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101002.609 CSRFT1 Fl. 5.615 8 sobre o assunto (fl. 4959), cujas conclusões transcrevo a seguir: ‘O caput do art. 4º da Portaria RFB 2.284/10 consagra a regra geral do instituto da solidariedade, de que o pagamento de um aproveita aos demais. Por isso, os valores pagos a título de ganho de capital por Rogério Dirani devem ser aproveitados para reduzir a exigência tributária, conforme solicitado em impugnação. Com isso, é possível reconhecer a redução do IRPJ lançado para o período correspondente ao segundo trimestre de 2007, de R$4.194.831,00, para R$ 191.422,35, conforme se demonstra a seguir: (...)’ Nesse sentido, deve ser negado provimento ao recurso de ofício.” Como se verifica, o acórdão recorrido foi favorável ao aproveitamento pela pessoa juridica dos valores pagos pela pessoa física na formacão da base tributável exigida no lançamento de ofício objeto deste processo, fundamentandose exclusivamente na regra geral da solidariedade, ora consagrada pelo artigo 4o. da Portaria RFB 2.284/2010, que determina que o pagamento de um aproveita aos demais. O ponto que merece ser constatato é que, muito embora o acórdão recorrido tenha se limitado a fundamentar a possibilidade de aproveitamento pela pessoa juridica dos valores recolhidos pelo sócio na regra de que o pagamento de um débito pelo responsável solidário aplicase aos demais – sem entrar em qualquer questão de compensação –, o recurso especial da PGFN girou todo o tempo em torno deste instituto, defendendose a ofensa ao princípio da legalidade e ao artigo 170 do CTN, não enquadramento nas formas de compensação, segregação da tributação das pessoas físicas e jurídica e vedação à utilização de débitos de terceiros. E a fim de demonstrar a divergência, colacionou como primeiro paradigma apresentado, o Acórdão n. 20312277, que teve como realidade fáctica a exigência de Contribuição ao PIS e COFINS sobre variações cambiais ativas e um pagamento declarado a maior, pretendido compensado no lançamento. Sobre esse tema, considerandoo um pedido de compensação pelos meios impróprios, o voto deduziu exatamente o trecho abaixo, transcrito em sua integralidade quanto a esse assunto: “Nos termos dos arts. 9° da Lei n° 9.718198 e 30 da MP n° 2.158 35/2001, as variações cambiais ativas são incluídas na base de cálculo da Cofins e do PIS/Faturamento a partir de fevereiro de 1999; devendo ser apropriadas pelo regime de caixa ou de competência, à opção do contribuinte e desde que adotado o mesmo regime para a Cofins, o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro. Por fim, a questão do valor declarado a maior em janeiro de 2003. Entendo acertado, mais uma vez, o entendimento da primeira instância. Se comprovado o pagamento indevido, deve este ser aproveitado pela contribuinte por meio do procedimento próprio, inclusive restituição, se for o caso. Não pode o recolhimento a maior servir para redução do lançamento no Fl. 5620DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101002.609 CSRFT1 Fl. 5.616 9 período de apuração de dezembro de 2002, como pretende a recorrente. É que não compete à Fiscalização proceder de ofício ao encontro de contas, deduzindo dos valores a lançar eventuais recolhimentos a maior. Acaso assim procedesse estaria substituindo o contribuinte, a quem cabe decidir o momento e a oportunidade de utilizer eventuais créditos apurados em seu favor. Neste ponto cabe mencionar que o reconhecimento do direito creditório acontece em sede própria, que é a dos processos de restituição ou compensação. Assim, os pedidos de repetição de indébito devem inicialmente ser apresentados à Delegacia ou Inspetoria da Receita Federal do domicílio do contribuinte, conforme já deixou claro a decisão recorrida. Somente após análise por parte do órgão de origem, seguida de manifestação de inconformidade e de posterior recurso voluntário, quando for o caso, é que compete a este Conselho de Contribuintes apreciálo, nos termos dos §§ 90, 10 e 11, do art. 74 da Lei n° 9.430/96, alterado pelas Leis n's 10.637/2002 e 10.833/2003.” Já o segundo paradigma, Acórdão n. 10421.954, teve como plano de fundo a autuação de jogador de futebol sobre os rendimentos recebidos por serviços personalíssimos, desconsiderando a cessão de uso de imagem a pessoa jurídica. Entendeu se, também, incabível a imputação de valores pagos pela pessoa jurídica para aproveitamento pela física: “O recorrente pleiteia, caso for mantida a autuação na pessoa física, a compensação dos tributos e contribuições pagos pela empresa. Improcedente o pedido, porque o valor tributado foi aquele efetivamente recebido sob a rubrica de lucros distribuídos e não de receita da empresa. Depois, porque a acusação é de que os pagamentos feitos pela GOL Consultoria foram apenas uma forma simulada de o Contratante, por intermédio de uma interposta pessoa, remunerar o ora recorrente pelos serviços prestados. Ora, a pessoa física, em seu nome, não pode pleitear os impostos apurados, lançados e recolhidos, mesmo que indevidamente, pela pessoa jurídica, a única entidade competente para pleitear a restituição deste indébito é a própria Pessoa Jurídica, na forma da legislação e por meio de seus representantes, falando em nome da pessoa juridica, uma vez que não teve receita auferida. É responsabilidade da fonte pagadora de reter e recolher aos cofres públicos o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, na forma aplicável às pessoas físicas, entretanto, considerando que os valores recebidos do Clube e repassados ao jogador, suplicante em epigrafe, o foram a titulo de distribuição de lucros, não houve retenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos pagos à pessoa física. Portanto, é incabível o pedido de que, na apuração dos valores eventualmente devidos, que fossem descontados os valores já pagos pela GOL a título de Imposto de Renda, pois, eventual recolhimento de Imposto de Renda foi feito em nome da pessoa Jurídica, e não da física.” Fl. 5621DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101002.609 CSRFT1 Fl. 5.617 10 A primeira consideração, manifestandose sobre algumas alegações das contrarrazões dos autuados, é que não se entende determinante a identidade dos tributos tratados nos acórdãos recorrido e paradigma para se poder conhecer o recurso, desde que a sua natureza não interfira na similitude, a exemplo do que ocorre quando a questão é de normas gerais de direito tributário. Como no presente caso se trata dos efeitos da responsabilidade solidária e extinção do crédito, a priori, não seria a diferença de natureza dos tributos que implicaria um impedimento. Isso significa, ainda, que não interferiria na análise do conhecimento do recurso o fato de os paradigmas apresentados serem anteriores ao dipositivo indicado pelo acórdão recorrido (artigo 4o. da Portaria RFB 2.284/2010), porque se coloca que tal artigo consagra a regra geral da solidariedade, que também se entende que transcenderia a portaria, muito embora até se acredite que o fato de estar positivada por ato da RFB dê peso funcional à sua aplicação. Reconhecese, também, a total inexistência de similitude fática, não só em função do objeto das autuações se referirem, no primeiro acórdão, à exigência de Contribuição ao PIS e COFINS sobre variações cambiais ativas e no segundo IRPF sobre rendiments decorrentes de serviços personalíssimos, o que também talvez pudesse ser superado se não influenciasse na delimitação da divergência jurídica e se houvesse identidade naquilo que realmente importa à matéria recorrida. No primeiro caso, tratouse de um pagamento declaradao a maior que se pretendia compensado no lançamento de ofício; no segundo caso, valor pago pela pessoa jurídica que se pretendia aproveitado pela pessoa física, na desconsideração da operação, sendo que todo recurso especial foi tratado considerando o instituto da compensação e as regras previstas no ordenamento para a sua realização, como se tivesse sido autorizada no acórdão recorrido e rejeitada nos paradigmas, sobretudo por inadequação do meio. Ocorre que no acórdão recorrido os fatos, apesar de num primeiro momento, com menos atenção, poderem indicar a imputação ou até compensação de valores, jamais foram considerados dessa forma. Relendose as decisões da DRJ e do acórdão recorrido, que a ratificou, vêse que se decidiu tão somente que o valor pago por um responsável solidário aproveitase aos demais devedores, no caso, a pessoa jurídica. Não se tratou, substancialmente, de compensação e nem a compensação foi tratada no acórdão recorrido, o que confirma a ausência de similitude fáctica e impede a configuração da divergência necessária ao conhecimento do recurso especial. Assim, concluise que não se vislumbra nem aproximação entre as situações fácticas, tampouco e por via de consequência, paralelo que possa ser estabelecido entre as soluções conferidas nos dois casos, de modo que os acórdãos n. 20312277 e n. Fl. 5622DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101002.609 CSRFT1 Fl. 5.618 11 10421.95410194095 não se prestam como paradigmas para a fixação de divergência com a decisão recorrida a ser dirimida por este colegiado. Portanto, por esses motivos, VOTASE POR NÃO CONHECER o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Fl. 5623DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.901572/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0232.938, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE, em 22 de junho de 2011, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, para não homologar as compensações em litígio. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 01 57 2/ 20 10 -4 1 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13603.901572/201041 Resolução nº 1301000.400 S1C3T1 Fl. 132 2 Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 8, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação efetuada no PER/DCOMP n.º 27552.88491.091006.1.7.030071. A não homologação foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar os débitos informados. Tal crédito decorreria da apuração de saldo negativo de CSLL referente ao exercício de 2004, anocalendário de 2003. Conforme PER/DCOMP, o valor desse saldo negativo seria igual a R$ 23.822,96. As parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP são IR pago no exterior, pagamentos com DARF e estimativas compensadas com saldo negativo de anos anteriores. A soma dos valores dessas parcelas é igual a R$ 184.174,12. No despacho decisório, não foi confirmada a parcela referente ao IR pago no exterior, no valor de R$ 7.778,21. Foram confirmados pagamentos e compensações, nos valores de R$ 34.914,69 e R$ 141.481,22. Assim sendo, a soma das parcelas admitidas no despacho é igual a R$ 176.395,91. Considerandose que, conforme DIPJ, o valor da CSLL anual devida é igual a R$ 160.351,16, foi reconhecido saldo negativo disponível no valor de R$ 16.044,75. Os débitos indevidamente compensados somam R$ 8.727,16 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: art. 168 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN); § 1º do art. 6º e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996; art. 4º da IN SRF n.º 900, de 2008. A ciência do despacho se deu em 21/07/2010 (fl. 12). Em 20/08/2010, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 13 a 17. Nela constam os seguintes argumentos: • a empresa informou créditos suficientes para as compensações efetuadas; • o IR pago no exterior foi lançado na linha 43 da ficha 17 da DIPJ do exercício de 2004; • instruem a impugnação comprovantes de retenção de imposto de renda no exterior, em razão de serviços prestados, referentes a Contrato de Transferência de Tecnologia e Consultoria de Engenharia à empresa Denso Manufacturing Argentina S/A, que demonstram um saldo de CSLL a compensar em 2004 no valor de R$ 7.778,21; • pelo exposto, pedese que a manifestação de inconformidade seja acolhida e que a compensação pretendida seja homologada, não podendo prevalecer a cobrança constante do despacho decisório. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13603.901572/201041 Resolução nº 1301000.400 S1C3T1 Fl. 133 3 Constitui crédito passível de compensação somente o valor efetivamente comprovado do saldo negativo decorrente do ajuste anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório, apresentando o que chamou de "resposta", aos argumentos mencionados na decisão recorrida, pedindo ao final, deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Estes documentos são: i) tradução juramentada dos comprovante de retenções ocorridas no exterior; ii) reconhecimento de "legalização", reconhecido pelo Consulado da Embaixada Brasileira em Córdoba/Argentina; iii) documento denominado "Termo de solicitação de esclarecimentos nº 69/2009, protocolado no dia 19/10/2009 Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13603.901572/201041 Resolução nº 1301000.400 S1C3T1 Fl. 134 4 Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. DA ANÁLISE INICIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO Consoante relatado, por meio da PER/DCOMP n.º 27552.88491.091006.1.7.03 0071, o contribuinte informou a existência de crédito correspondente a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, no valor de R$ 23.822,96, sendo composto por IR pago no exterior (R$7.778,21), pagamentos com DARF (R$ 34.914,69) e estimativas compensadas com saldo negativo de anos anteriores (R$ 141.481,22). De acordo com o despacho decisório, não reconheceu apenas a parcela referente ao IR pago no exterior, no valor de R$ 7.778,21, homologandose parcialmente a compensação declarada. Utilizouse do único fundamento para rejeitar o IR pago no exterior: a receita correspondente não foi oferecida a tributação. Sobre o ponto, a DRJ afirma que o contribuinte não trouxe em sua manifestação de inconformidade nenhuma contraposição sobre a justificativa utilizada para rejeitar o IR pago no exterior. Realmente, ao analisar o referido documento, não encontrei nenhuma alegação a esse respeito. Porém, em sede de recurso voluntário, o contribuinte traz aos autos documento denominado "Termo de solicitação de esclarecimentos nº 69/2009" (fls.109), protocolado no dia 19/10/2009, ou seja, anterior à data em que proferido o despacho decisório (06/07/2010), cujo conteúdo encontrase breve explicação do oferecimento à tributação das receitas que deram origem àquele imposto de renda. Entendo que tal documento deveria já se encontrar aos autos antes mesmo do despacho decisório, e mais, sobre ele deveria haver expresso pronunciamento por parte da autoridade que primeiro analisou o pleito do contribuinte, porém, nenhuma coisa nem outra. Acrescese a isso o fato do contribuinte ter trazido, na parte final do seu recurso, planilha com a composição dos documentos que, segundo seu entendimento, suportam os lançamentos efetuados na linha 05 da ficha 06A da DIPJ/2004, cujo total é o mesmo lançado nesta obrigação acessória. Por estes motivos, entendo ser necessária a CONVERSÃO do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem: 1. Analise toda a documentação apresentada na manifestação de inconformidade e também junto ao recurso voluntário, a fim de verificar se realmente a Recorrente logrou êxito em comprovar a retenção na fonte sobre serviços prestados no exterior, bem como se tais rendimentos foram efetivamente oferecidos à tributação. 2. Verificar ainda se a parcela fonte já foi aproveitada em outra DCOMP, em especial no DCOMP .40186.64129.091006.1.7.028264, vez que esta é a Dcomp mencionada fls. 109111, e também se a parcela já foi compensada parcialmente ou integralmente na apuração de imposto de renda naquele mesmo período; 3. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório fiscal circunstanciado sobre o resultado de sua diligência. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13603.901572/201041 Resolução nº 1301000.400 S1C3T1 Fl. 135 5 4. Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade administrativa poderá intimar o contribuinte a apresentar documentos complementares e esclarecimentos adicionais antes de elaborar o relatório ora requerido. 5. Ao final, a recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723316/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
REALIZAÇÃO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. PEDIDO INDEFERIDO.
Considera-se não formulado o pedido de realização de perícia ou diligência feito em desacordo com as normas que regulamentam a matéria.
Desnecessária a realização de perícia ou diligência quando o julgador administrativo considerar que os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia.
EXECUÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não figura entre as competências do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF decidir sobre questões relacionadas à execução de decisão tomada no curso de Processo Administrativo Fiscal.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
É precluso o direito de recorrer de matérias não suscitadas na impugnação ou na decisão de primeira instância administrativa.
INCIDÊNCIA DE IRPF SOBRE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. RECURSO IMPROVIDO.
Integram a base de cálculo do IRPF os juros e a correção monetária, inclusive os que resultarem de sentença judicial, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS.
Devem ser abatidas, dos rendimentos recebidos acumuladamente, integralmente as despesas com advogados, desde que relativas à ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, que tenham sido pagas pelo contribuinte e sem indenização. Interpretação literal da regra isentiva.
DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. RENDIMENTO SUJEITO A TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. IRRF INDEDUTÍVEL NA DAA.
Não é dedutível na Declaração de Ajuste Anual - DAA a parcela do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF relativa a rendimentos sujeitos a tributação exclusiva, inclusive aquelas pagas a título de décimo terceiro salário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para a apresentação de novas provas e realização de perícia ou diligência, conhecer em parte do recurso e por maioria de votos, na parte conhecida, dar parcial provimento para que se exclua da base de cálculo a integralidade o valor correspondente a honorários advocatícios (R$ 164.600,00). Vencidos os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ronnie Soares Anderson e João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 REALIZAÇÃO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. PEDIDO INDEFERIDO. Considera-se não formulado o pedido de realização de perícia ou diligência feito em desacordo com as normas que regulamentam a matéria. Desnecessária a realização de perícia ou diligência quando o julgador administrativo considerar que os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia. EXECUÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não figura entre as competências do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF decidir sobre questões relacionadas à execução de decisão tomada no curso de Processo Administrativo Fiscal. MATÉRIA NÃO SUSCITADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de recorrer de matérias não suscitadas na impugnação ou na decisão de primeira instância administrativa. INCIDÊNCIA DE IRPF SOBRE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. RECURSO IMPROVIDO. Integram a base de cálculo do IRPF os juros e a correção monetária, inclusive os que resultarem de sentença judicial, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. Devem ser abatidas, dos rendimentos recebidos acumuladamente, integralmente as despesas com advogados, desde que relativas à ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, que tenham sido pagas pelo contribuinte e sem indenização. Interpretação literal da regra isentiva. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. RENDIMENTO SUJEITO A TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. IRRF INDEDUTÍVEL NA DAA. Não é dedutível na Declaração de Ajuste Anual - DAA a parcela do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF relativa a rendimentos sujeitos a tributação exclusiva, inclusive aquelas pagas a título de décimo terceiro salário. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para a apresentação de novas provas e realização de perícia ou diligência, conhecer em parte do recurso e por maioria de votos, na parte conhecida, dar parcial provimento para que se exclua da base de cálculo a integralidade o valor correspondente a honorários advocatícios (R$ 164.600,00). Vencidos os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ronnie Soares Anderson e João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Relator (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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DESNECESSIDADE. PEDIDO INDEFERIDO. Considerase não formulado o pedido de realização de perícia ou diligência feito em desacordo com as normas que regulamentam a matéria. Desnecessária a realização de perícia ou diligência quando o julgador administrativo considerar que os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia. EXECUÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não figura entre as competências do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF decidir sobre questões relacionadas à execução de decisão tomada no curso de Processo Administrativo Fiscal. MATÉRIA NÃO SUSCITADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de recorrer de matérias não suscitadas na impugnação ou na decisão de primeira instância administrativa. INCIDÊNCIA DE IRPF SOBRE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. RECURSO IMPROVIDO. Integram a base de cálculo do IRPF os juros e a correção monetária, inclusive os que resultarem de sentença judicial, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. Devem ser abatidas, dos rendimentos recebidos acumuladamente, integralmente as despesas com advogados, desde que relativas à ação judicial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 33 16 /2 01 3- 61 Fl. 195DF CARF MF 2 necessárias ao recebimento dos rendimentos, que tenham sido pagas pelo contribuinte e sem indenização. Interpretação literal da regra isentiva. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. RENDIMENTO SUJEITO A TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. IRRF INDEDUTÍVEL NA DAA. Não é dedutível na Declaração de Ajuste Anual DAA a parcela do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF relativa a rendimentos sujeitos a tributação exclusiva, inclusive aquelas pagas a título de décimo terceiro salário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para a apresentação de novas provas e realização de perícia ou diligência, conhecer em parte do recurso e por maioria de votos, na parte conhecida, dar parcial provimento para que se exclua da base de cálculo a integralidade o valor correspondente a honorários advocatícios (R$ 164.600,00). Vencidos os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ronnie Soares Anderson e João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10530.723316/201361 Acórdão n.º 2402005.666 S2C4T2 Fl. 196 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis – DRJ//FNS (fl. 130/136), que julgou parcialmente procedente impugnação apresentada em face da Notificação de Lançamento de Imposto de Renda de Pessoas Físicas IRPF, relativa ao ano calendário 2009 / exercício 2010, a qual alterou o valor do imposto a restituir de R$ 72.574,59 (setenta e dois mil, quinhentos e setenta e quatro reais e cinquenta e nove centavos) para R$ 18.413,48 (dezoito mil, quatrocentos e treze reais e quarenta e oito centavos). De acordo com a Notificação de Lançamento (fls. 23/27), o crédito foi constituído em vista da omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação na Justiça Federal, R$ 196.949,50 (cento e noventa e seis mil, novecentos e quarenta e nove reais e cinquenta centavos). Em complementação à descrição dos fatos, a autoridade autuante informa que: O contribuinte declarou erroneamente os valores recebidos decorrentes da Ação da Justiça Federal, conforme documentos apresentados após intimação fiscal. Foram considerados os alvarás de levantamentos do crédito e recolhimentos de tributos, planilhas de cálculos e demais informações fiscais. Somado ao valor líquido recebido em Alvará, adicionei o valor de IR retido e exclui da base de cálculo as custas judiciais recolhidas. O montante tributável bruto é o valor presente identificado. As deduções relativas às contribuições para entidade de previdência privada e FAPI, a dedução de incentivo e a contribuição previdenciária do empregado doméstico foram readequadas ao limite legal, conforme valor declarado e conforme o lançamento das infrações objeto da notificação. O Recorrente apresentou impugnação por meio do documento de fls. 2/17. Por bem retratar as alegações trazidas na peça impugnatória, reproduzse o trecho correspondente do Acórdão nº 0736.257 da 6ª Turma da DRJ/FNS: Alega que na apuração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) foi considerado o valor total dos rendimentos auferidos decorrente de ação judicial trabalhista sem, no entanto, atentar para os rendimentos não tributáveis contidos no rendimento bruto, para os descontos do imposto de renda na fonte e honorários advocatícios. Relata o impugnante que, em virtude de uma ação trabalhista Processo n° 013710005.2001.5.05.0161, que tramitou na Vara do Trabalho de Santo AmaroBA, ajuizada em face da Bacraft S.A Indústria de Papeis, obteve decisão favorável, de modo a condenar a ré ao pagamento do valor bruto de R$ 677.583,92. Fl. 197DF CARF MF 4 Todavia, assinala que dentro do valor total condenado na reclamação trabalhista encontrase R$ 371.958,23 de principal e R$ 305.625,68 de juros, assim como parcela isenta de R$ 26.164,01, referente a parcelas de aviso prévio indenizado e FGTS acrescido da multa de 40%, restando assim apenas o valor de R$ 345.794,22 de rendimentos tributáveis. Além disso, do rendimento tributável de R$ 345.794,22 recebido na ação judicial foi pago o valor de R$ 164.600,00 a titulo de honorários advocatícios. Registra, ainda, que houve desconto de Imposto de Renda na Fonte(IRRF) sobre o valor total recebido na ação judicial, no importe de R$ 212.149,04. Apesar disso, em relação ao preenchimento da Declaração de Ajuste Anual, aduz que informou erroneamente, no campo dos Rendimentos Tributáveis, o importe total desses rendimentos de R$ 473.693,70. Em outro plano, discorda do valor informado pela fonte pagadora Bacraft S.A Industria de Papeis, ao indicar à Secretaria da Receita Federal do Brasil ter efetuado o pagamento no valor de R$ 773.861,74 a titulo de Rendimentos Tributáveis, afirmando que a declaração apresentada pela sociedade foi transmitida com impropriedade, a qual explicitou o valor total pago no campo do rendimento tributável, sem informar parte deste em rendimentos isentos e não tributáveis, conforme consta no próprio comprovante de rendimento enviado ao contribuinte. Nesse plano, assevera que está claramente delineado e comprovado que, do total de rendimentos auferidos no ano de 2009, apenas são tributáveis R$ 289.029,23, conforme se depreende dos comprovante de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras e documentos referentes ao processo judicial 013710005.2001.5.05.0161. Destaca que, de fato, não foram consideradas na apuração do Imposto de Renda as importâncias auferidas a título de aviso prévio, FGTS e juros, ou seja, rendimentos não tributáveis, tampouco os honorários advocatícios pagos, no montante de R$ 164.600,00, ao Dr. Orlando de Oliveira, que, inclusive, foi devidamente informado na DIRPF/2010. Nessa linha de entendimento, assegura que o valor total de rendimentos tributáveis recebidas em decorrência da ação trabalhista em questão foi de R$ 181.194,22. Desse modo, para si, ao refazer os cálculos do Imposto de Renda, apurase uma base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física de R$ 276.285,60, que, aplicada alíquota correspondente, chegase ao valor do imposto devido de R$ 75.315,60. Após isso, deve ser descontando o valor de R$ 221.035,12, referente a Imposto de Renda Retido na Fonte, encontrandose, ao fim, um Imposto a Restituir no importe de R$ 145.719,52 Nesse sentido, conclui que não é devido o valor de R$ 18.413,48 de imposto a restituir e sim o importe de R$ 145.719,52. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10530.723316/201361 Acórdão n.º 2402005.666 S2C4T2 Fl. 197 5 O quadro a seguir resume o cálculo do imposto a restituir com base no entendimento trazido pelo contribuinte na impugnação: DESCRIÇÃO VALORES (R$) Total dos rendimentos da ação trabalhista 677.583,92 Rendimentos não tributáveis da ação trabalhista 331.789,70 Rendimentos tributáveis da ação trabalhista 345.794,22 Dedução honorários advocatícios 164.600,00 Total dos rendimentos tributáveis da ação trabalhista apurados (descontados honorários) 181.194,33 Total dos rendimentos tributáveis todas as fontes pagadoras(R$ 181.194,33, + R$ 82.605,11 + R$ 25.229,90) 289.229,23 Desconto simplificado 12.743,63 Base de cálculo apurada 276.285,60 Imposto apurado após alterações 75.315,60 Total de imposto pago retido (todas as fontes pagadoras) 221.035,12 Imposto a restituir apurado na Notificação de Lançamento 18.413,48* Saldo do Imposto a restituir ajustado 145.719,52 * valor inserido a título de informação e que não interfere no cálculo efetuado pelo Recorrente. A DRJ/FNS, por seu turno, detalhou os valores contidos no alvará judicial (fls. 36 e 37) com o auxílio da Carta Precatória Executória (fl. 35), do Resumo Geral das contas (fl. 105) e da planilha de cálculo das verbas deferidas (fl. 103), determinando o montante das rubricas incluídas na ação judicial em R$ 685.842,74 (R$ 473.693,70 + R$ 212.149,04 IRRF): VERBA VALOR (R$) PRINCIPAL % sobre o principal Adicional de Periculosidade (30%) 53.399,65 18,14% Horas Extras 102.491,10 34,82% Diferença de Repouso Semanal Remunerado 20.498,26 6,96% Diferença de 13º Salário 15.664,95 5,32% Diferença de Aviso Prévio 3.068,72 1,04% Diferença de FGTS + 40% 17.459,68 5,93% Férias + 1/3 81.728,52 27,77% TOTAL 294.310,88 100,00% JUROS + CORREÇÃO MONETÁRIA Correção Monetária 77.647,36 Juros 313.884,51 TOTAL 391.531,87 Das rubricas relacionadas no quadro acima, a título de verbas que compõem o valor principal, a decisão a quo, com base na legislação aplicável, definiu como: VERBA VALOR (R$) % sobre o principal TRIBUTÁVEIS Adicional de Periculosidade (30%) 53.399,65 18,14% Horas Extras 102.491,10 34,82% Diferença de Repouso Semanal Remunerado 20.498,26 6,96% Fl. 199DF CARF MF 6 Férias + 1/3 81.728,52 27,77% TOTAL 258.117,53 87,70% NÃO DEDUTÍVEIS NA DAA % sobre o principal Diferença de 13º Salário* 15.664,95 5,32% Diferença de Aviso Prévio 3.068,72 1,04% Diferença de FGTS + 40% 17.459,68 5,93% TOTAL 36.193,35 12,30% * A Diferença de 13º Salário, apesar de tributável, sujeitase a tributação exclusiva, não sofrendo incidência do IRPF DAA. Além disso, o Colegiado de primeira instância, em homenagem à regra segundo a qual o acessório segue o principal, definiu como não tributável parte dos valores recebidos a título se juros e correção monetária pelo contribuinte (R$ 48.149,25). O cálculo desse valor obedeceu à seguinte sistemática: [(juros + correção monetária = R$ 391.531,87) X (percentual equivalente às parcelas não dedutíveis na DAA = 12,30%)]. Também se excluiu da base de incidência do imposto os honorários advocatícios correspondente às parcelas sujeitas ao ajuste anual, no valor de R$ 144.358,00. Vejamos o cálculo, que segundo a DJR/FNS, foi efetuado para se chegar à referida quantia: [(honorários advocatícios = R$ 164.600,00) X (percentual equivalente às parcelas não isentas ou sujeitas a tributação exclusiva = 87,70%] Com base nas informações constantes do acórdão de primeira instância, a base de cálculo do IRPF, em relação à ação judicial que beneficiou o contribuinte, foi definida conforme o quadro a seguir: Valor recebido em decorrência da ação judicial 685.842,74 Somatório das parcelas não incidentes (36.193,35) Juros e correção monetária não sujeitos à incidência do IRPF (48.149,25) Honorários advocatícios multiplicado pelo percentual das parcelas sujeitas a incidência na DAA (144.358,00) Rendimentos decorrentes da ação judicial que integram a base de cálculo do IRPF 457.141,95 Apurouse ainda o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre o décimo terceiro salário (R$ 11.291,81) decorrente da ação judicial. O cálculo foi assim efetuado: [(valor total do IRRF = R$ 212.149,04) X (percentual equivalente à diferença de décimo terceiro = 5,32%]. Assim, o IRRF a ser dedutível na DAA resultou em R$ 200.857,23 (R$ 212.149,04 – R$ 11.291,81). Com base nessas apurações e naquelas relativas aos demais rendimentos auferidos pelo contribuinte no anocalendário, a DRJ/FNS concluiu pela existência de saldo de imposto a restituir no valor de R$ 65.834,51 (sessenta e cinco mil, oitocentos e trinta e quatro reais e cinquenta e um centavos), conforme demonstrativo que integra acórdão recorrido. Por ocasião do recurso voluntário (fls. 144/162) o sujeito passivo informa ser idoso e portador de moléstia grave e solicita a imediata devolução do saldo do imposto a restituir reconhecido pelo acórdão de primeira instância. Além de repisar as alegações trazidas na peça impugnatória, o Recorrente argumenta ainda que: a) o cerne da notificação referese à possibilidade de dedução integral dos honorários advocatícios e a dedução, da base de cálculo do imposto, das parcelas de natureza indenizatória; Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10530.723316/201361 Acórdão n.º 2402005.666 S2C4T2 Fl. 198 7 b) com base na autuação afigurase evidenciado a tributação do IRPF no ano referente ao lançamento sobre o valor total dos rendimentos auferidos na ação judicial trabalhista, sem dedução do IRRF, dos rendimentos não tributáveis e dos honorários advocatícios; c) não cabe prosperar tal fundamentação sobre a desconsideração do IRRF, devendo ser restabelecida sua dedução. Reproduz trechos de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os quais corroborariam seu entendimento; d) deve ser reconhecida a invalidade da tributação sobre o valor lançado, cuja origem decorre de base de cálculo inadequada; e) há que se reformar o lançamento, pois esse apresenta posicionamento oposto ao esposado em decisões do CARF e das delegacias de julgamento; f) na DAA do exercício 2010 foram declarados rendimentos tributáveis no valor de R$ 581.258,71, sendo que desse valor recebeu: R$ 82.605,11 da Empresa Baiana de Águas e Saneamento, com IRRF de R$ 8.285,02; R$ 25.229,90 do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com IRRF de R$ 601,06; g) declarou erroneamente ter recebido R$ 473.693,70 da Bacraft S.A Indústria de Papéis (ação trabalhista); h) a condenação a seu favor em face da Bacraft S.A Indústria de Papéis teve o importe de R$ 677.583,92. Consoante entende a base de cálculo do IRRF deveria ser definida nos termos apresentados no quadro a seguir Valor recebido em decorrência da ação judicial [principal (R$ 371.958,23) + juros (R$ 305.625,68)] R$ 677.583,92 Juros (R$ 305.625,68) de parcela isenta referente a aviso prévio indenizado e FGTS acrescido de multa de 40% (R$ 26.164,01) Férias indenizadas (R$ 81.728,52) Honorários advocatícios (R$ 164.600,00) Total dos rendimentos tributáveis R$ 99.465,70 i) com base nas considerações resumidas no quadro acima e tendo em conta os valores recebidos de outras fonte pagadoras (Empresa Baiana de Águas e Saneamento e INSS), faz a seguinte composição para apresentar o cálculo do imposto a restituir que julga correto. Vejamos: DESCRIÇÃO VALORES (R$) Total dos rendimentos da ação trabalhista 677.583,92 Rendimentos não tributáveis da ação trabalhista 413.518,21 Rendimentos tributáveis da ação trabalhista 264.065,71 Dedução honorários advocatícios 164.600,00 Total dos rendimentos tributáveis da ação trabalhista apurados (descontados 99.465,70* Fl. 201DF CARF MF 8 honorários) Total dos rendimentos tributáveis todas as fontes pagadoras(R$ 99.465,70, + R$ 82.605,11 + R$ 25.229,90) 207.300,71 Desconto simplificado 12.743,63 Base de cálculo apurada 194.557,09 Imposto apurado após alterações 45.547,82 Total de imposto pago retido (todas as fontes pagadoras) 221.035,12 Imposto a restituir apurado na Notificação de Lançamento 18.413,48** Imposto a restituir apurado no acórdão da DRJ/FNS 65.843,51** Saldo do Imposto a restituir ajustado 175.487,30 * o dado foi ajustado, pois no quadro apresentado no recurso voluntário o contribuinte informou erroneamente o equivalente a R$ 181.194,22. ** valor inserido a título de informação e que não interfere no cálculo efetuado pelo Recorrente. Protesta por fim pela conversão do julgamento em diligência, sobretudo para juntada de documentos em poder de terceiros, perícias etc. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10530.723316/201361 Acórdão n.º 2402005.666 S2C4T2 Fl. 199 9 Voto Vencido Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, entretanto, dele conheço parcialmente, eis que, conforme se verá adiante, em relação à solicitação de antecipação da restituição reconhecida na decisão de primeira instância, tratase de matéria que escapa às competências deste Conselho, não sendo plausível seu exame. Do mesmo modo, não se pode conhecer o recurso em relação a matéria que não foi objeto da impugnação ou da decisão recorrida. DAS PRELIMINARES Do Pedido de Perícia e Diligência Inicialmente, convém mencionar que, em relação à perícia e à diligência solicitadas pelo Recorrente, o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1976, norma que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF em âmbito federal, estabelece que a impugnação mencionará “as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito”. O § 1º do mesmo artigo assevera que “Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. Ainda com relação a perícia e diligência, o caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 estatui que autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Embora os comandos contidos na norma regulamentadora do PAF estejam direcionados à impugnação e aos julgadores de primeira instância, entendo que tais comandos também se aplicam ao julgamento em curso na segunda instância administrativa. Desse modo, em vista de o pedido não ter sido instruído nos termos determinados na legislação de regência e considerando que os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde das controvérsias, entendo desnecessária a realização de diligências ou perícias, razão pela qual indefiro o pedido. Da Antecipação da Restituição Reconhecida na Decisão de Primeira Instância Por ocasião do recurso voluntário o sujeito passivo informa ser idoso e portador de moléstia grave e solicita a imediata devolução do saldo do imposto a restituir reconhecido no acórdão de primeira instância. Fl. 203DF CARF MF 10 À luz do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário tem por finalidade a rediscussão de matérias abordadas na decisão de primeira instância administrativa. Senão vejamos: SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, essa questão não pode ser apreciada tendo em vista que não figura entre as competências do CARF decidir sobre questões afetas à execução de decisão administrativa, seja ela de primeira ou de segunda instância, tampouco referido assunto foi abordado na impugnação ou no acórdão recorrido, o que impõe o não conhecimento do Recurso em relação a esse pedido. DO MÉRITO No que diz respeito às questões de mérito, chamo atenção, inicialmente, para o fato de o Recorrente reclamar, na Impugnação, um saldo de imposto a restituir de R$ 145.719,52 e de ter ampliado esse valor para R$ 175.487,30 no Recurso Voluntário. A diferença verificada entre referidos valores se deve ao fato de o sujeito passivo ter adicionado entre as rubricas que considera não fazerem parte da base de incidência do IRPF a quantia definida na execução da ação judicial como férias indenizadas, equivalente a R$ 81.728,52. Da análise do acórdão recorrido, verificase que a questão também não foi objeto de discussão no julgamento de primeira instância administrativa, tendo precluído o direito do sujeito passivo de suscitála no Recurso Voluntário em face do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, o que justifica o não conhecimento do recurso com relação a esta matéria. Ainda que a questão fosse passível de análise, o inciso II do art. 43 Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR), reproduz norma legal que estabelece que as férias indenizadas integram a base de cálculo do IRPF: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): [...] II férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas, acrescidas dos respectivos abonos; [...] Assim, remanesce a discussão quanto: a) ao valor recebido pelo contribuinte na ação judicial da qual é beneficiário, inclusive a título de juros e correção monetária; b) a incidência de IRPF sobre juros e correção monetária; Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10530.723316/201361 Acórdão n.º 2402005.666 S2C4T2 Fl. 200 11 c) a sistemática de cálculo do valor dos honorários advocatícios dedutíveis na DAA; e d) ao valor do IRRF que pode ser abatido no ajuste anual. Importa ressalvar que carece de fundamento a argumentação trazida no recurso que ora se analisa de que o IRRF foi desconsiderado no cálculo do saldo a imposto a restituir, seja por ocasião do lançamento ou na decisão de primeira instância. Essa afirmação pode ser facilmente verificada no “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” (fl. 26), que integra a Notificação de Lançamento; e no quadro de fls. 135/136, reproduzido no acórdão da DRJ/FNS. De outra parte, da análise dos documentos de fls. 37, 42 e 44, verificase que o valor constante da ação judicial que beneficiou o Recorrente corresponde a R$ 685.842,74, tendolhe sido disponibilizado R$ 473.693,70, com IRRF de R$ 212.149,04. Há que se ressalvar que, do total do IRRF (R$ 212.149,04), R$ 11.291,82 (R$ 212.149,04 x 5,32%) tratase de IRRF que deve ser atribuído ao percentual do décimo terceiro salário pago na ação, sendo, portanto, sujeito a tributação exclusiva e, por essa razão, não dedutível na DAA. O valor remanescente, R$ 200.857,22 corresponde ao quantum dedutível na Declaração de Ajuste, conforme verificado no acórdão vergastado. Do mesmo modo, não vejo reparos nos apontamentos feitos na decisão da DRJ/FNS relativamente ao valor principal apurado (R$ 294.310,88) e sua segregação nas rubricas indicadas na decisão administrativa, ou ao valor correspondentes a juros e correção monetária (R$ 391.531,87). Afigurase adequada ainda a indicação de que, do valor principal apurado na decisão judicial, R$ 258.117,53 (87,70%) referese a parcelas integrante da base de cálculo do IRPF e R$ 36.193,35 (12,30%) a parcelas isentas do imposto ou sujeitas a tributação exclusiva. No que diz respeito à incidência do imposto em relação aos juros de mora e à correção monetária, o inciso XIV do art. 55 do RIR, já suscitados no decisum a quo, indica o tratamento a ser dispensado a verbas dessa natureza: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): [...] XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; De acordo com o dispositivo encimado, os valores recebidos sob a forma de juros e correção monetária relacionados a rendimentos tributáveis estão também sujeitos à incidência do imposto, por consequência, a parcela correspondente a rubricas isentas não se sujeita à tributação. De conformidade com o entendimento consubstanciado no acórdão de primeira instância administrativa, do valor principal recebido pelo contribuinte por virtude de ação judicial, 87,70% (oitenta e sete inteiros e setenta centésimos por cento) corresponde a parcelas sujeitas à incidência do IRPF na declaração de ajuste e 12,30% (doze inteiros e trinta centésimos por cento) a rendimentos isentos ou sujeitos a tributação exclusiva. Por Fl. 205DF CARF MF 12 conseguinte, considerando que o somatório de juros e correção monetária equivale a R$ 391.531,87, temse que, desse montante, R$ 48.149,26 (R$ 391.531,87) X 12,30%) não se constitui em rendimentos tributáveis na DAA e R$ 343.382,61 (R$ 391.531,87) X 87,70%) está sujeito à incidência do imposto no ajuste. Com relação aos honorários advocatícios, o parágrafo único do art. 56 do RIR dispõe: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Não restam dúvidas de que os honorários advocatícios podem ser deduzidos na DAA. Entretanto, entendo adequada a sistemática adotada no acórdão recorrido que considerou que dos R$ 164.600,00 pagos pelo sujeito passivo a advogado, R$ 144.358,00 (R$ 164.600,00 x 87,70%) podem ser abatidos dos rendimentos sujeitos ao imposto na Declaração de Ajuste, sendo que R$ 20.242,00 (R$ 164.600,00 x 12,30%), por estarem corelacionados a rendimentos isentos e não tributáveis, não são dedutíveis. Por todo o exposto, entendo que, dos valores recebidos pelo contribuinte em decorrência de ação judicial, estão sujeitos a tributação R$ 457.141,95. Desse modo, nos moldes definidos na decisão de primeira instância, o saldo do imposto a restituir corresponde a R$ 65.834,51 (sessenta e cinco mil, oitocentos e trinta e quatro reais e cinquenta e um centavos), conforme quadro a seguir: Descrição Valor (R$) Rendimentos tributáveis BACRAFT S.A. Industria de Papeis (Ação judicial) 457.141,95 Empresa Baiana de Águas e Saneamento 82.605,11 INSS 25.229,90 1) Totalização dos rendimentos tributáveis 564.976,96 2) Desconto Simplificado (R$ 564.976,96 x 20% limitado a R$ 12.743,63) 12.743,63 3) Base de Cálculo do IRPF (12) 552.233,33 4) Imposto de Renda Apurado [(3 x 27,5%) 7.955,36] 143.908,80 Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF BACRAFT S.A. Industria de Papeis (Ação judicial) 200.857,22 Empresa Baiana de Águas e Saneamento 8.285,02 INSS 601,06 5) Totalização do IRRF 209.743,31 6) Saldo do Imposto a Restituir (54) 65.834,51 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10530.723316/201361 Acórdão n.º 2402005.666 S2C4T2 Fl. 201 13 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de indeferir o pedido para a apresentação de novas provas e realização de perícia ou diligência, CONHECER PARCIALMENTE do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 207DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira – Redator Designado Concordando com os demais termos do voto do relator, respeitosamente, divirjo quanto à questão dos honorários advocatícios. A redação original do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, vigente à época do fato gerador prescrevia: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (grifouse) Revogado o art. 12, foi inserido na mesma lei o art. 12A, que manteve a possibilidade de diminuir dos rendimentos recebidos acumuladamente as despesas com advogados, conforme §2o, nos seguintes termos: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifouse) No mesmo sentido, temse as normas regulamentares, conforme parágrafo único do art. 56 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto no 3.000/1999: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10530.723316/201361 Acórdão n.º 2402005.666 S2C4T2 Fl. 202 15 rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). As normas transcritas outorgam uma isenção e, para interpretálas, devese ter em mente o disposto no art. 111, inciso II, do CTN (interpretação literal). Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Desse modo, da interpretação literal do art. 12 da Lei no 7.713/1998, temse que o legislador autorizou que sejam abatidas, dos rendimentos recebidos acumuladamente, as despesas com a ação judicial, inclusive com advogados, que tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Notase, portanto, que o legislador restringiu o abatimento, impondo condições: (a) despesas com a ação judicial; (b) pagas pelo contribuinte; e (c) sem indenização. Da interpretação literal, temse que são essas as condições para abatimento das despesas com advogados, não sendo possível à administração tributária criar novas exigências que não constam da lei. Nesse sentido, no caso concreto devem ser abatidas integralmente as despesas com advogados, relativas a ação judicial, pagas pelo contribuinte e sem indenização. Ad argumentandum tantum, entendemos não prosperar a tese de que seria impossível o abatimento da totalidade das despesas com advogados porque, desse modo, poderia se chegar a não haver rendimento a tributar. Primeiramente, e já suficiente para rechaçála, apontase a falta de fundamentação legal para permitir ao Fisco realizar essa discriminação não constante da norma isentiva, como já fundamentado. Além disso, devese observar que, no caso de uma ação judicial na qual os honorários advocatícios pagos fossem superiores às verbas tributáveis, o contribuinte efetivamente não obteve aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos (art. 43 do CTN). Logo, não houve fato gerador do imposto de renda. Nesse caso, a ação judicial não teria logrado qualquer aumento patrimonial ao sujeito passivo, ao contrário, ao fim e ao cabo, gerou uma despesa e, exigir tributo nessa situação, sendo que o contribuinte nada recebeu, afrontaria diversos princípios constitucionais, como o da capacidade contributiva e da proibição ao confisco. Fl. 209DF CARF MF 16 Conclusão Por todo o exposto, pedindo vênia ao bem fundamentado voto do relator, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para que sejam abatidas integralmente as despesas com advogados, relativas a ação judicial, pagas pelo contribuinte e sem indenização. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.935061/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 50 61 /2 00 9- 18 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.935061/200918 Acórdão n.º 3201000.503 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.967, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.935061/200918 Acórdão n.º 3201000.503 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.935061/200918 Acórdão n.º 3201000.503 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.935061/200918 Acórdão n.º 3201000.503 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.935061/200918 Acórdão n.º 3201000.503 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.935061/200918 Acórdão n.º 3201000.503 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.935061/200918 Acórdão n.º 3201000.503 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.935061/200918 Acórdão n.º 3201000.503 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.935061/200918 Acórdão n.º 3201000.503 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.906484/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO INDEVIDAMENTE RECOLHIDA NA SITEMÁTICA DO REGIME NÃO CUMULATIVO, QUANDO DEVIDO PELA SISTEMÁTICA DO REGIME CUMULATIVO.
Comprovado a existência do crédito, faz jus, o contribuinte, à compensação mediante apresentação/transmissão da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 3201-002.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
CÁSSIO SCHAPPO - Relator.
EDITADO EM: 30/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo (Relator), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. CÁSSIO SCHAPPO - Relator. EDITADO EM: 30/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo (Relator), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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CONTRIBUIÇÃO INDEVIDAMENTE RECOLHIDA NA SITEMÁTICA DO REGIME NÃO CUMULATIVO, QUANDO DEVIDO PELA SISTEMÁTICA DO REGIME CUMULATIVO. Comprovado a existência do crédito, faz jus, o contribuinte, à compensação mediante apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. CÁSSIO SCHAPPO Relator. EDITADO EM: 30/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo (Relator), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 64 84 /2 00 8- 18 Fl. 277DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. O interessado transmitiu, em 20/10/2004, PER/Dcomp de folhas 27 a 29 que recebeu o n° 08272.85963.201004.1.3.042836 para compensar os débitos de Cofins — incidência não cumulativa — código 58561 referente ao mês de fevereiro de 2004, com vencimento em 15/03/2004, e de Cofins – código 21721 – referente a maio de 2004, com vencimento em 15/06/2004; com crédito proveniente de pagamento a maior de R$105.089,89 no DARF de R$407.102,08 alocado ao pagamento da Cofins, código 2172, referente ao período de apuração 29/02/2004. A Delegacia da Receita Federal — DRF em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico — folha 03 no qual não homologa a compensação pleiteada sob a justificativa de que o pagamento, apontado pelo contribuinte no PER/Dcomp — folhas 27 a 29, foi totalmente utilizado na quitação de débito da Cofins, código 2172, período de apuração fevereiro de 2004, declarado em DCTF, não restando saldo creditório. Irresignado com o não deferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 30/07/2008 – AR folha 30 — o contribuinte apresentou, em 29/08/2008, a manifestação de inconformidade folhas 01 e 02 — com os argumentos a seguir sintetizados. Afirma que houve pagamento a maior de R$105.089,89 quando efetuou o pagamento da Cofins, código 2172, período de apuração fevereiro de 2004, e que, por equivoco, não ajustou a DCTF do 1° trimestre de 2004 "deforma a refletir o pagamento indevido ". Informa também que, em 28/08/2008, após ciência do Despacho Decisório, transmitiu DCTF retificadora “de forma a caracterizar a existência do pagamento indevido a maior no valor de R$105.089,89 (cento e cinco mil, oitenta e nove reais e oitenta e nove centavos), conforme comprovam os documentos em anexo”. Por fim, requer o reconhecimento do crédito apontado e a consequente homologação da compensação realizada. Em decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que a DACON entregue em 28/04/2004 referente ao primeiro trimestre de 2004, na condição ativa, não confirma os valores contidos na DCTF retificadora. A ementa desse acórdão veio assim fundamentada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10680.906484/200818 Acórdão n.º 3201002.511 S3C2T1 Fl. 278 3 Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozarem de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com a decisão, a Recorrente, tempestivamente, apresentou recurso voluntário, onde alega que as informações da DACON daquele período eram, realmente, contraditórias; que não pode retificála por já ter ultrapassado o prazo de cinco anos. Porém, aduziu que a DIPJ enviada refletia corretamente as informações que suportavam o direito ao crédito requerido. Na data de 27/06/2012, a 1ª TO da 2ª Câmara da 3ª Seção, decidiu com base no voto do Relator, Cons. Luciano Lopes de Almeida Moraes, baixar o processo em diligência, por meio da Resolução nº 3201000.334, nos seguintes termos: Vemos existirem documentos que suportam tanto o entendimento da recorrente quanto da DRJ, motivo pelo qual apenas uma diligência é capaz de sanar a dúvida quanto à real existência do direito creditório. Sendo assim, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique junto à recorrente a existência do crédito utilizado na compensação, verificando, então, se a informação correta da referida base de cálculo foi a DIPJ ou a DACON. Realizada a diligência, deve ser intimada a recorrente para se manifestar em 30 dias e, após, encaminhados os autos para vista à PGFN. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Nos termos da Resolução o processo foi encaminhado a autoridade preparadora, conforme MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – DILIGÊNCIA Nº 06.1.01.002013002490 (fls. 107). Minucioso trabalho de auditoria foi levado a cabo pela autoridade fiscal designada, que detalhou com precisão após análise nos livros e documentos fiscais da contribuinte, apresentados sob intimações devidamente formalizadas, toda a receita do período, as deduções permitidas, chegando a efetiva base de cálculo da contribuição devida. Separou, evidentemente, qual a receita que estaria sob a incidência cumulativa e não cumulativa da contribuição para a COFINS, concluindo os trabalhos com a lavratura do TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA, apresentado às folhas 122/138 dos autos. Fl. 279DF CARF MF 4 Oportuno destacar a parte conclusiva do “Termo de Encerramento de Diligência”, que em elaborada síntese esclarece toda a questão do direito a compensação do crédito requerido na Per/Dcomp que deu causa ao presente processo: 10. CONCLUSÃO 10.1 A partir dos fatos apurados pela fiscalização na amostra analisada caberia tão somente ressaltar a utilização indevida pelo contribuinte na apuração do PIS/COFINS em fevereiro e maço de 2004 de grande parte dos contratos com assinaturas anteriores a 31/10/2003 como se fossem posteriores a aludida data. Por outro lado, se fossem procedidos os ajustes neste procedimento fiscal, ou seja, a migração de receitas do REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVO PARA O CUMULATIVO, seria obtido um novo percentual de rateio menor do que o calculado anteriormente, conforme Memória de Cálculo anexa, tendo em vista que este rateio representa a proporção das receitas dos contratos assinados após 31/10/2003 face ao total das receitas auferidas no respectivo mês. Esses aludidos ajustes resultariam na apuração do PIS/COFINS em valores menores do que aqueles informados na DIPJ do ano calendário de 2004 e consequentemente um acréscimo do valor a ser ressarcido quando comparamos os pagamentos efetuados e o valor apurado. 10.2 Tratando de um lapso de tempo decadencial impossibilitando a revisão de DIPJ, e considerando que a Memória de Cálculo da COFINS em fevereiro de 2004 está em conformidade com as informações da ficha 25 da DIPJ do ano calendário de 2004 (item 5 do presente Termo), bem como os valores considerados pelo contribuinte no cômputo da apuração da COFINS em fevereiro de 2004, conforme a memória de cálculo apresentada, integram os lançamentos contábeis, conforme o balancete analítico anexo apresentado (item 6 e 6.1 do presente Termo), concluo pela procedência do crédito pleiteado originário de pagamento a maior da COFINS relativo a fevereiro de 2004. (sublinhei). 10.3 Na data 19/03/2013, encerro o procedimento, e para constar e surtir os efeitos legais, lavro o presente Termo de Encerramento de Diligência em duas vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor da Receita Federal do Brasil, cuja ciência e cópia do contribuinte se dará via postal, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação de informações ou documentos, se for o caso, visando contestar, modificar ou complementar os fatos acima apurados. A contribuinte foi cientificada do Termo de Encerramento de Diligência por “AR” na data de 21/03/2013 (fls. 259/260) e transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias não houve da parte qualquer manifestação. Em ato contínuo foi efetuado despacho de encaminhamento do processo (fls. 263), intimando o Representante da PGFN, credenciado junto ao CARF, a tomar ciência da Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10680.906484/200818 Acórdão n.º 3201002.511 S3C2T1 Fl. 279 5 diligência, tendo a Procuradora da Fazenda Nacional, Symeia Simião da Rocha, através do ofício de fls. 264, dado por cientificada do Termo de Encerramento de Diligência. Retornando os autos ao CARF foi dado prosseguimento conforme estabelecido no art. 7º da Portaria nº 34/2015 – CARF/MF e distribuído por sorteio a esse relator. É o relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo Relator Superada a questão de admissibilidade do recurso voluntário na sessão de 27/06/2012, dessa mesma Turma Ordinária, passo agora a tratar da diligência objeto da Resolução nº 3201000.334. O ponto central que levou o contribuinte a recalcular a contribuição devida para a COFINS da competência 02/2004, foi o fato de o mesmo ter submetido parcela do seu faturamento a incidência pela sistemática não cumulativa, quando sujeito a sistemática cumulativa. Refeito os cálculos, verificouse que a COFINS devida na competência 02/2004, no código 5856, não cumulativo, era de R$ 66.708,69 cujo valor pago foi de R$ 43.434,81 e no código 2172, cumulativo, era de R$ 302.012,19 cujo valor pago foi de R$ 407.102,08. Diante do pagamento a maior no valor de R$ 105.089,89 no código 2172, o contribuinte requereu via PER/DCOMP a liquidação do saldo devido na competência 02/2004, código 5856, de R$ 23.273,88 e o valor apurado na competência 05/2004, código 2172, no valor de R$ 84.656,90 sem, contudo, retificar a DCTF do 1º Trimestre/2004. Com o surgimento da PER/DCOMP ocorreram as seguintes manifestações nos autos: 1º A DRF de BH não homologou o pedido de compensação, porque a DCTF original apresentada não refletia crédito excedente a compensar; 2º Diante da não homologação pela DRF/BH o contribuinte retificou a DCTF do 1º Trimestre/2004 e protocolou manifestação de inconformidade, pugnando mais uma vez pela compensação antes requerida; 3º A manifestação de inconformidade foi julgada pela DRJ/BHE, improcedente, por não restar comprovada as alterações na base de cálculo, conforme se verifica na ficha 05 do DACON – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais; 4º Cientificado da decisão da DRJ/BHE o contribuinte interpôs recurso voluntário ao CARF, justificando que a não apresentação de DACON retificadora foi por equívoco da Fl. 281DF CARF MF 6 recorrente e que nessa altura estava impedida de fazêlo por decurso de prazo. Além disso, essa divergência apontada não poderia prevalecer porque a DIPJ do ano base de 2004 está correta e confere com os dados da DCTF retificadora; 5º No CARF este processo veio cair nessa 1ªTO da 2ªC da 3ªS, que sabiamente converteu o julgamento em diligência através da Resolução nº 3201000.334, pois só assim, “é capaz de sanar a dúvida quanto à real existência do direito creditório”; 6º Realizada a diligência por auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, retornaram os autos a esse Colegiado para proceder, em fim, o julgamento do recurso voluntário. Conferese razão à Recorrente. A prática da justiça nem sempre trilha por caminhos iluminados, mas presente o bom senso e boa vontade somos capazes de atingila. Louvo aqui dois fatos importantes para a solução da lide, primeiro a resolução de conversão do julgamento em diligência pela 1ªTO da 2ªC da 3ªS do CARF e segundo, o empenho do auditor fiscal em busca da verdade material dos fatos. O relatório contido no Termo de Encerramento de Diligência fez referência a questão principal desse processo, ao de apurar qual parcela do faturamento da recorrente estaria sujeito ao cálculo da contribuição para a COFINS na sistemática CUMULATIVA. Como vimos, esse trabalho foi muito além, que por dever de ofício tornouse necessário conferir também, a base de cálculo de apuração da contribuição na sistemática NÃO CUMULATIVA, computandose as receitas do período e as deduções permitidas em lei. A conclusão dessa diligência nos trouxe a realidade dos fatos, atestando que os cálculos de apuração da COFINS para o mês de fevereiro de 2004 estão em conformidade com os dados contábeis, com as informações na ficha 25 da DIPJ do ano calendário de 2004, sendo, portanto, procedente o crédito como requerido em Per/Dcomp. Diante do exposto, voto pelo integral provimento ao recurso voluntário. Cássio Schappo Relator Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900026/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/11/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.567
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/11/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 26 /2 01 2- 69 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900026/201269 Acórdão n.º 3302003.567 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.793. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900026/201269 Acórdão n.º 3302003.567 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900026/201269 Acórdão n.º 3302003.567 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900026/201269 Acórdão n.º 3302003.567 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900026/201269 Acórdão n.º 3302003.567 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.900026/201269 Acórdão n.º 3302003.567 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.900026/201269 Acórdão n.º 3302003.567 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 56DF CARF MF
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