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Numero do processo: 10803.000161/2008-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 61 /2 00 8- 77 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 9202005.811 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 9202005.811 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 9202005.811 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 9202005.811 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 9202005.811 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 9202005.811 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 9202005.811 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 9202005.811 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 9202005.811 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904278/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 26/05/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 26/05/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 78 /2 01 2- 50 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10825.904278/201250 Acórdão n.º 1302002.426 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 12305.44063.010811.1.3.044263, teria origem em pretenso pagamento indevido de CSLL (código de arrecadação:2372) ocorrido em 26/05/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 13/06/2013 (AR de fls. 66/67), tendo interposto o seu recurso voluntário em 26/06/2013 (doc. de fl. 69). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10825.904278/201250 Acórdão n.º 1302002.426 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL (código de arrecadação:2372) ocorrido em 26/05/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.904278/201250 Acórdão n.º 1302002.426 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.904278/201250 Acórdão n.º 1302002.426 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904278/201250 Acórdão n.º 1302002.426 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904278/201250 Acórdão n.º 1302002.426 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904278/201250 Acórdão n.º 1302002.426 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.902224/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/08/2002
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.710
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/08/2002 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 24 /2 01 2- 11 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.902224/201211 Acórdão n.º 3402004.710 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição fundado em suposto pagamento indevido ou a maior face suposta inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições. No que tange esta matéria, o pedido restou indeferido conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada desta decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ, através do Acórdão nº 06041.748, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, tendo em vista que não há, na legislação de regência, previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, tendo apresentado recurso voluntário tempestivo, onde alega que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por não estar abrangido nos conceito de "faturamento", tratandose de mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.699, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.902211/201233, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.699): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10935.902224/201211 Acórdão n.º 3402004.710 S3C4T2 Fl. 4 3 Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/771 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR2, sob a sistemática do art. 543C do 1 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10935.902224/201211 Acórdão n.º 3402004.710 S3C4T2 Fl. 5 4 CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10935.902224/201211 Acórdão n.º 3402004.710 S3C4T2 Fl. 6 5 sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10935.902224/201211 Acórdão n.º 3402004.710 S3C4T2 Fl. 7 6 n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10935.902224/201211 Acórdão n.º 3402004.710 S3C4T2 Fl. 8 7 das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10935.902224/201211 Acórdão n.º 3402004.710 S3C4T2 Fl. 9 8 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito creditório decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.902661/2009-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos.
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. Recorrente CENTRO PRUDENTINO DE IMAGEM S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 26 61 /2 00 9- 59 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10835.902661/200959 Acórdão n.º 1401002.140 S1C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar débitos de CSLL, PIS e COFINS com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante a constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 13/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado em 20 de dezembro de 2012 (fl. 97), apresentou recurso voluntário em 21 de janeiro de 2013 (fl. 99), alegando, em síntese: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10835.902661/200959 Acórdão n.º 1401002.140 S1C4T1 Fl. 4 3 Preliminarmente: que resposta a consulta por ele apresentada lhe confere o direito à utilização dos percentuais de 8% e 12%, respectivamente, para apuração do IRPJ e CSLL, na medida em que se enquadra como empresa prestadora de serviços hospitalares; que demonstrou que o crédito utilizado na compensação é oriundo do pagamento indevido correspondente a quota do IRPJ, cuja declaração foi retificada tendo em vista a resposta da consulta. Nesse sentido, comprovou que o apontamento do débito pela Autoridade Fiscal não levou em consideração a retificação da DIPJ, a qual foi alterada gerando respectivo crédito. que por ocasião da manifestação de inconformidade juntou aos autos cópia do CNPJ, contrato social, solução de consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 466, de 15 de dezembro de 2008; PER/DCOMP; DIPJ; DCTF e os comprovantes de pagamento indevido, e sustenta que tais documentos são hábeis e suficientes para demonstrar que exerce atividade de prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos, na medida em que (i) o seu objeto social está circunscrito, pura e simplesmente, no exercício das referidas atividades; (ii) no seu CNPJ estão cadastrados os seguintes CNAES: 86.40299 Atividades de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica não especificadas anteriormente; 86.40206 Serviços de ressonância magnética; 86.40204 Serviços de tomografia; 86.40 205 Serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, exceto tomografia; 86.40207 Serviços de diagnóstico por imagem sem uso de radiação ionizante, exceto ressonância magnética; (iii) sua DIPJ revela que toda a receita operacional percebida pela Recorrente tem sua origem única e exclusivamente na prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos. que, não obstante, a documentação acima foi considerada insuficiente pela DRJ, do que resta configurada a hipótese do artigo 16 do Decreto 70.235/72, que lhe autoriza a juntada de documentação complementar para contrapor os argumentos dessa decisão, qual seja: declaração do contador da empresa de que a Recorrente exerce exclusivamente serviços de radiologia (134); Licença de Funcionamento da Vigilância Sanitária em que se verifica que a atividade de "serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia" (135). Alega ter juntado ainda cópia da folha do livro razão, mas o documento não se encontra nos autos. afirma, ainda, a necessidade superveniente de realização de diligência, haja vista que "emite, em média, um número muito grande de notas fiscais por mês, o que tornaria inviável carrear aos autos todas as notas fiscais". Discorre sobre a necessidade de a autoridade administrativa na busca de efetividade nas suas decisões perquirir sempre em busca da verdade material, alegando que esta tinha por dever funcional determinar a realização de diligências para se determinar a efetiva natureza da atividade exercida pela empresa. Aponta assistente técnico para tanto. que a DRJ pretende uma prova impossível de ser produzida por meio de documentos contábeis, pois nem mesmo se a recorrente juntasse aos autos todas suas notas fiscais juntamente com todos seus registros contábeis a Autoridade Julgadora não poderia chegar à conclusão pretendida quanto à exclusiva prestação de serviços hospitalares. Sustenta, assim, que cabe à Administração Pública comprovar que a Recorrente não exerce efetivamente as atividades de serviços de radiologia e radiodiagnóstico. reitera o argumento referente à nulidade do despacho decisório pois os dispositivos legais invocados seriam inadequados para a conclusão que o Fisco pretende alcançar, vez que tratam da possibilidade de compensação entre pagamentos indevidos de imposto e débitos de imposto a pagar, em nenhum momento estabelecendo em quais condições Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10835.902661/200959 Acórdão n.º 1401002.140 S1C4T1 Fl. 5 4 uma Declaração de Compensação apresentada por determinado contribuinte pode ser considerada como irregular, e, portanto, nãohomologável. Além disso, foram aplicados correção monetária, juros e multa, sem no entanto se invocar nenhum dispositivo legal que legitimasse tal pretensão. No mérito: afirma que uma das razões para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi o pretenso descumprimento do requisito: “ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil;”. Todavia, o STJ já julgou em sede de recurso repetitivo que "para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde).". Transcreve ementas de julgados do STJ e deste CARF neste sentido. sustenta que ainda que assim não se entenda, é cediço que a natureza empresária da sociedade deve ser analisada mais sob o aspecto material do que sob o aspecto formal, ou seja, é plenamente possível que uma sociedade constituída sob a forma de sociedade simples, mas que ostente todas as características de uma sociedade empresarial, seja assim considerada. por fim, sustenta que na verdade o que ocorreu foi uma presunção por parte das autoridades fiscais sem qualquer respaldo probatório, sendo certo que as provas carreadas aos autos demonstram a efetividade da existência do indébito tributário utilizado na compensação. É o relatório. Voto Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.124, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10835.901284/200931. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.124): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No mérito, primeiramente vislumbro um equívoco quanto à premissa adotada pelo despacho decisório proferido, já que este indeferiu a compensação sob a alegação de que inexistem créditos de IRPJ em um contexto em que a DIPJ e a DCTF, tais como retificadas (em retificações ocorridas antes do despacho decisório), contemplavam tais valores. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10835.902661/200959 Acórdão n.º 1401002.140 S1C4T1 Fl. 6 5 De fato, o Recorrente transmitiu o PER/DCOMP pleiteando a compensação dos créditos ora em análise e alega, ademais, que o direito creditório a seu favor teria sido gerado por ocasião da retificação da DIPJ e da DCTF, após o que o valor do IRPJ a pagar foi reduzido para zero. O despacho decisório que não homologou a compensação foi emitido meses depois. Assim, à época do despacho decisório, o cenário que a autoridade fiscal tinha era a de que o IRPJ "autolançado" em DCTF pelo ora Recorrente era zero e de que a DIPJ contemplava os créditos pleiteados na DCOMP. De fato, a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. No caso, se a empresa apresenta DIPJ e DCTFs contendo tributos a pagar e depois as retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. Isso porque, no mundo jurídico, o débito de IRPJ passou a não mais existir após a transmissão das declarações retificadoras. Assim, se o fisco pretendia cobrar o IRPJ no valor tal como transmitidas a DIPJ e DCTF originais ou seja, se pretendia de alguma forma questionar as retificações deveria ter constituído o crédito tributário por meio do lançamento do tributo. Portanto, da forma como se mostra, o cenário na época da homologação das compensações em questão era de inexistência de débito (lançado ou autolançado) de IRPJ e, por consequência, de aparente existência do crédito pleiteado na compensação tal como declarado na DIPJ retificadora, devendo ser verificada apenas a regularidade de tal crédito ou seja: se os alegados pagamentos efetivamente foram efetuados (e, em se tratando de IRRF, também se os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação). Assim, a DRF deveria ter analisado o crédito pleiteado nas compensações levando em consideração que o débito de IRPJ do anocalendário constante das DIPJ e DCTF retificadoras era zero, conforme declarações retificadoras. Pois bem. Em segundo lugar, noto que a razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10835.902661/200959 Acórdão n.º 1401002.140 S1C4T1 Fl. 7 6 Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde , independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10835.902661/200959 Acórdão n.º 1401002.140 S1C4T1 Fl. 8 7 III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8odaportaria pgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10835.902661/200959 Acórdão n.º 1401002.140 S1C4T1 Fl. 9 8 Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Ante o exposto, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10835.902661/200959 Acórdão n.º 1401002.140 S1C4T1 Fl. 10 9 compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário e determino que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12%, nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002480/2004-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-006.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 24 80 /2 00 4- 44 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11030.002480/200444 Acórdão n.º 9303006.214 CSRFT3 Fl. 3 2 Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3101.000.771 – objeto de embargos de declaração opostos pela Fazenda contra acórdão nº 3101000771, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para: · Afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; · Desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; · Determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito. O Colegiado, assim, consignando acórdão com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir "receita de exportação" e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do 1P1, no sendo confundidos com produtos "NT" que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. "IPI — CRÉDITO PRESUMIDO — RESSARCIMENTO — AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS — A base de cálculo do credito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11030.002480/200444 Acórdão n.º 9303006.214 CSRFT3 Fl. 4 3 aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei n° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente A. relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n° 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IN será calculado, exclusivamente, em relação as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e as Contribuições ao PIS/PASEP (IN n 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao credito presumido (TN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provis6ria, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração face ao decidido no acórdão 3101000.771, que proveu parcialmente o recurso voluntário para afastar o impedimento do uso do benefício da saída de produtos classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI. Traz o pedido de sobrestamento do recurso voluntário. Em acórdão de embargos 3101001.161 refletiuse que o Colegiado, por unanimidade de votos deu parcial provimento aos embargos de declaração para rerratificar o Acórdão 3101.000.771 de 02 de junho de 2011, sem efeitos infringentes, e DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para: · Incluir na receita bruta de exportação os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI; · Afastar a glosa dos créditos referentes à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa físicas e cooperativas; e · Determinar o retorno dos autos do processo ao órgão julgador de primeira instancia para análise das demais questões de mérito. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11030.002480/200444 Acórdão n.º 9303006.214 CSRFT3 Fl. 5 4 Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por divergência contra o acórdão 3101000.771, alegando que no presente caso ocorreu exportação de produtos com notação NT e que, por conseguinte, não devem ser considerados industrializado, ficando “fora” da incidência do IPI. O que se conclui que o sujeito passivo não faz jus ao crédito presumido de IPI estabelecido pela Lei 9.363/96. Em Despacho às fls, 153 a 155, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · A Lei 9.363/96 não deferiu o crédito presumido apenas para o industrial, nem tampouco o limitou aos produtos industrializados exportados; · A Lei visou criar um benefício fiscal que abrangesse indistintamente todas as empresas produtoras e exportadoras de produtos nacionais desde que passe por um “processo produtivo”, aumentando, assim, sua competitividade no mercado internacional. Requer o sujeito passivo a mantença do acórdão atacado, o qual reconheceu o crédito encapsulado no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, reformando na parte vencida para reconhecer a atualização monetária pela taxa Selic desde a protocolização do pedido. Irresignado também, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial de modo “a reformar o acórdão recorrido determinando a incidência da correção mediante a aplicação da taxa referencial Selic ao crédito da embargante desde o protocolo dos pedidos de ressarcimento, quando não, caso se entenda que não há omissão a ser sanada, a atribuição de efeitos infringentes a este recurso e a consequente reforma do acórdão determinando a aplicação da Selic desde o protocolo administrativo. ” Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11030.002480/200444 Acórdão n.º 9303006.214 CSRFT3 Fl. 6 5 Em Despacho às fls. 193 a 196, foi negado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso deva ser conhecido, conforme reza o art. 67, Anexo II, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015. O que concordo com o Despachos de Admissibilidade. Ventiladas considerações, passo a discorrer sobre a questão posta em recurso, qual seja, se o sujeito passivo tem ou não direito ao crédito previsto na Lei 9.363/96; ou seja, se haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado) No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação e industrialização, possui o direito ao crédito fiscal do período de 1997, nos termos da Lei 9.363/96. Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11030.002480/200444 Acórdão n.º 9303006.214 CSRFT3 Fl. 7 6 dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a título de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11030.002480/200444 Acórdão n.º 9303006.214 CSRFT3 Fl. 8 7 A Lei n° 9363/96, em seu artigo 1º estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido é a produção e exportação de mercadorias nacionais, sendo irrelevante que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. Ademais, importante recordar que o sujeito passivo adquire geodos de pedras bruta, passando por todo o processo de corte, queima, transformação das pontas da ametista em citrino, transformando a pedra bruta em pedra preciosa para confecção de jóias, antes de serem exportadas, passaram efetivamente por um processo produtivo industrial. Conforme laudo acostado aos autos, a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo é típico processo produtivo. Nesse processo, as pedras passam pela fase de debulhamento = onde os geodos são desmontados através de equipamentos especiais para a separação de cristais. Posteriormente, são transferidas para a fase de tratamento térmico – para fins de outorga de tendências alaranjadas, avermelhadas ou amarronadas. E, por fim, a fase de martelamento para retiradas das partes não aproveitáveis do cristal para lapidação. Somente após as três etapas, modificando a natureza das pedras – que essas serão comercializadas no mercado interno e externo. O que, por conseguinte, impossível ignorar que o caso vertente trata de processo de industrialização. Em vista do exposto, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11030.002480/200444 Acórdão n.º 9303006.214 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho entendimento diferente a respeito do assunto. Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11030.002480/200444 Acórdão n.º 9303006.214 CSRFT3 Fl. 10 9 cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11030.002480/200444 Acórdão n.º 9303006.214 CSRFT3 Fl. 11 10 do RIPI/98 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11030.002480/200444 Acórdão n.º 9303006.214 CSRFT3 Fl. 12 11 (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11030.002480/200444 Acórdão n.º 9303006.214 CSRFT3 Fl. 13 12 por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.724723/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS - COMPROVAÇÃO DE ESTORNOS
Com base nos elementos probatórios apresentados pela defesa e na diligência realizada, comprovaram-se estornos de receita. Mantida a glosa apenas para aqueles relativos a receitas que não foram oferecidas à tributação.
Numero da decisão: 1401-002.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos oferecidos, dando-lhe provimento para reconhecer a omissão do voto condutor, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso de ofício no tocante à omissão de receita. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Mantida a glosa apenas para aqueles relativos a receitas que não foram oferecidas à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos oferecidos, dandolhe provimento para reconhecer a omissão do voto condutor, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso de ofício no tocante à omissão de receita. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 47 23 /2 01 2- 15 Fl. 106394DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos da Fazenda Nacional (fls. 106.347106.350), tempestivos, interpostos ao amparo do art. 65, Anexo I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. O recurso foi impetrado contra o Acórdão nº 1401001.736 – desta Turma. Nele, a D. Procuradoria aduz que, ao analisar o recurso de ofício, a decisão embargada deixou de apreciar parte da matéria. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Realmente, a decisão da Delegacia de Julgamento (fls. 106.024106.082) deu provimento parcial à impugnação para: (i) aproveitamento de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa, (ii) afastar responsabilidade tributária e (iii) afastar parcialmente omissão de receitas. Nada obstante, a decisão embargada enfrentou apenas os dois primeiros pontos. Deixou de analisar a questão da omissão de receitas, o que caracteriza a omissão suscitada. Com relação a esse ponto, o julgador de primeiro grau assim se manifestou: Por sua vez, foram reputados como receita omitida, por falta de comprovação da regularidade dos “estornos”, os seguintes lançamentos a débito da conta de receita de venda 31100510, nos seguintes valores, totalizados, mensalmente, e no ano, por rubrica: Fl. 106395DF CARF MF Processo nº 10882.724723/201215 Acórdão n.º 1401002.145 S1C4T1 Fl. 106.388 3 Convém explicitar que, para confirmar a tese da defesa, de erro na escrituração, não basta serem verificados os estornos, mas a receita escriturada a ser confrontada com outros documentos disponíveis (in casu, as notas fiscais emitidas pela empresa no período, apresentadas juntamente com a impugnação, e a escrituração fiscal apresentada em atendimento às intimações formalizadas no curso da diligência). Na escrituração do livro Razão apresentada, no curso da diligência, constante do “Arquivo Não Paginável Resposta à Intimação – CD nº 1, Doc. 05, Razões”, nos arquivos mensais, denominados “Razão_Resultado”, temse os seguintes lançamentos contábeis, totalizados mensalmente, na referida conta 31100510: (...) De notar que os débitos registrados na conta de receita 31100510, questionados pela fiscalização, são justamente os registrados na escrituração do Razão apresentada, e que apenas não são coincidentes em todos os meses, porque, conforme visto acima, a fiscalização acatou a validade de alguns dos lançamentos. Outro fato relevante, é que para determinar a receita mensalmente escriturada, bastou compulsar o saldo inicial, os lançamentos a débito e a crédito, e o saldo final das contas de Resultado “3110051010002 – Venda de Mercadorias” e “3110051010006 – Venda de Mercadoria Direta”, conforme abaixo: (...) De notar que a receita escriturada no Livro Razão apresentado pela empresa, no curso da diligência, foi justamente a que deu suporte à informação prestada na DIPJ 2008 acerca da receita auferida no ano de R$ 47.457.372,29. Por ocasião da diligência, a autoridade fiscal encarregada do procedimento, apesar de haver apreciado a documentação apresentada pela defesa, por ocasião da impugnação (Notas Fiscais e Relatórios de Faturamento) e do procedimento da diligência (Livros Comerciais e Fiscais e declarações prestadas aos Fiscos Estadual e Federal), entendeu que, devido a divergências de informações, somente com a apresentação dos originais da escrituração comercial, seria possível uma manifestação conclusiva acerca da regularidade do procedimento adotado pela empresa. Entretanto, como nas cópias do Livro Razão apresentadas no curso da diligência foi possível localizar os lançamentos contábeis que teriam dado ensejo às intimações para esclarecimentos e, posteriormente, ao próprio lançamento de ofício, no entendimento dessa Relatora tal escrituração deve ser admitida como hábil, e ser dado prosseguimento na análise. Conforme diligência anteriormente requerida por este órgão julgador, a prova definitiva da regularidade do procedimento de estorno de receitas adotado pela contribuinte somente se faz mediante a verificação do confronto entre as informações constantes da escrituração comercial e dos Livros Fiscais (Livro Registro de Saídas e de Apuração de ICMS) apresentados, também em atendimento às intimações formalizadas no procedimento de diligência fiscal. De início, para provar a regularidade do procedimento adotado, a contribuinte trouxe aos autos, juntamente com a impugnação (17/01/2013), Relações das Notas Fiscais emitidas (por data, série, nº, CFOP e valor da nota fiscal), e Fl. 106396DF CARF MF 4 demonstrativos de Composição do Faturamento, com Hydrogen (série 1), de julho a dezembro de 2007, totalizadas da seguinte forma: (...) O mesmo foi feito com relação às notas fiscais, série 2 – Jequiti, totalizadas por mês de emissão, com informação sobre o nº da nota fiscal, a data de emissão, CFOP, valor e descrição do produto, e planilhas de composição do faturamento, conforme abaixo: (...) Na seqüência, foram juntadas aos autos cópias das notas fiscais emitidas pela empresa, no período. Segundo a defesa, ao se proceder à soma das Notas Fiscais emitidas Série 1 e 2 (Hydrogen e Jequiti) e do Faturamento, temse o quadro abaixo: Instaurado o procedimento de diligência, a contribuinte teria trazido aos autos demonstrativo de confronto entre as notas fiscais emitidas e os registros efetuados no Livro Registro de Saídas, a partir do qual teria verificado que, para além de pequenas divergências (tais como, notas fiscais canceladas cujos registros de saídas acabaram mantidos no livro fiscal), a divergência relevante seria decorrente de operações com ICMSST, no valor total de R$ 2.225.226,52 Referido demonstrativo se encontra juntado no documento denominado “Arquivo Não Paginável _ Resposta à Intimação – CD nº 1, Doc. 04”, no qual se tem planilhas mensais de análise de faturamento, em que confrontadas as notas fiscais emitidas e a correspondente escrituração no Livro Registro de Saídas (cuja cópia também se encontra juntada ao processo no denominado Doc. 5), com as devidas justificativas das divergências abaixo demonstradas: O mesmo documento foi juntado às fls. 43262/45170 do processo. Em face das divergências entre os totais das notas fiscais mensalmente emitidas, constantes dos demonstrativos apresentados com a impugnação, e os acima mencionados, novamente a contribuinte foi instada a apresentar os arquivos magnéticos de notas fiscais de vendas emitidas no anocalendário 2007 (cf. termos de intimação e reintimação nº 1 de fls. 105897 e 105902). Os arquivos foram apresentados e se encontram juntados aos “Arquivos Não Pagináveis _ Respostas à Intimação – Planilhas Digitais – Parte 1 e Parte 2”. Com base no termo de constatação e intimação nº 2, datado de 16/09/2014, de fls. 105914, a fiscalização intimou a pessoa jurídica a apresentar os originais dos Livros Diário e Razão do anocalendário 2007, e assim se manifestou acerca da documentação juntada ao processo: (...) A ciência do termo acima foi feita, via postal, em 19/09/2014 (AR de fls. 105917). A contribuinte, em petição protocolizada em 13/10/2014 (fls. 105918/105919), esclareceu que os arquivos referentes aos Livros Diário e Razão, anocalendário Fl. 106397DF CARF MF Processo nº 10882.724723/201215 Acórdão n.º 1401002.145 S1C4T1 Fl. 106.389 5 2007, já teriam sido apresentados na resposta ao termo de início da diligência, em março de 2014. Quanto às diferenças apontadas pela fiscalização, assim se pronunciou: (...) Em seguida, às fls. 105920 foi juntado o recibo de entrega de arquivos digitais, e os esclarecimentos abaixo transcritos, às fls. 105921/105940, com data de protocolo em 03/11/2014: (...) Temse ainda, no processo, as cópias do Livro de Apuração de ICMS com a seguinte totalização mensal das saídas por CFOP: (...) E ainda as cópias do Livro de Registro de Saídas, com os seguintes totais mensais: Conforme se verifica acima, a contribuinte afirmou a ocorrência de erro quanto ao total das notas fiscais emitidas no “Arquivo Não Paginável _ Resposta à Intimação – CD nº 1, Doc. 04”, no qual se tem planilhas mensais de análise de faturamento, em que confrontadas as notas fiscais emitidas e a correspondente escrituração no Livro Registro de Saídas. Requer que sejam consideradas as informações prestadas por ocasião da impugnação. De notar que, não houve qualquer manifestação da fiscalização quanto às notas fiscais emitidas pela empresa, constantes dos diversos arquivos magnéticos notas fiscais apresentados: (i) se todas as notas fiscais emitidas teriam sido incluídas nos arquivos; ou (ii) se as notas fiscais constantes dos arquivos magnéticos estariam todas escrituradas nos livros fiscais apresentados (Registro de Saídas e Apuração de ICMS). Diante da falta de pronunciamento, deve se admitir que todas as notas fiscais emitidas no período constam dos arquivos magnéticos apresentados e se encontram escrituradas nos livros fiscais. Assim, partindose das planilhas de notas fiscais e de faturamento apresentadas com a impugnação, a serem confrontadas com a escrituração dos livros fiscais, temse o seguinte quadro: (...) Notese que há divergências entre os totais dos faturamentos mensais, informados na impugnação, apurados a partir das notas fiscais emitidas, e totais dos faturamentos mensalmente registrados nos Livros Registro de Saídas e Apuração de ICMS, mas em valores muito inferiores à omissão de receita, detectada com base apenas nos débitos/estornos das contas de receita. Ademais, haja vista que a acusação diz respeito à receita escriturada nos livros comerciais (Diário e Razão), o confronto relevante é da receita mensalmente neles escriturada, com o total das notas fiscais mensalmente escrituradas nos livros fiscais apresentados, conforme abaixo: (...) Fl. 106398DF CARF MF 6 Em síntese, com base nos elementos probatórios apresentados pela defesa e na diligência realizada, a DRJ reconheceu a comprovação dos estornos de receita, mantendo apenas a glosa quanto àqueles estornos relativos a receitas que não foram oferecidas à tributação. Na verdade, a maior parte da análise empreendida pela DRJ quanto a esse quesito de autuação foi para fundamentar a parte mantida. Não vejo reparos a serem feitos à decisão quanto à parte exonerada. Deve ser negado também provimento ao recurso de ofício quanto a essa questão. Conclusão Voto por conhecer e dar provimento aos embargos oferecidos para reconhecer a omissão do voto condutor e dar efeitos infringentes com o fito de negar provimento ao recurso de ofício no tocante à omissão de receita. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 106399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002583/88-10
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS.
Embarcações ditas de pesca mas na realidade oferecidas pelo fabricante nacional e vendidas como destinadas à prática esportiva e ao lazer. Código 89.01.08.99 da TIPI.
Provido o recurso especial da Fazenda Nacional
Numero da decisão: CSRF/03-03.114
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por
maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Nikon Luiz Bartoli, que dava provimento parcial para excluir a multa 364, inciso II.
Nome do relator: Joao Holanda Costa
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EMBARCAÇÕES DE RECREIO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 1' CÂMARA DO 2° CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO : EMBARCAÇÕES UTILITÁRIAS DE ALUMÍNIO ALUMI-MAR LTDA. SESSÃO DE : 14 DE AGOSTO DE 2.000 ACÓRDÃO N°. : CSRF/03-03.114 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Embarcações ditas de pesca mas na realidade oferecidas pelo fabricante nacional e vendidas como destinadas à prática esportiva e ao lazer. Código 89.01.08.99 da TIPI Provido o recurso especial da Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Nikon Luiz Bartoli, que dava provimento parcial para excluir a multa 364, inciso II. „ DISON PE r4oe RODRIGUES PRESID ' 14ve J A HOLANDA COSTA LATOR FORMALIZADO EM: 1 1 JAN2.0ni Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBEICID GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARE, HENRIQUE PRADO MEGDA e PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES. PROCESSO N° :10875.002583/88-10 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.114 RECURSO N° : RP/201-0.321 SUJEITO PASSIVO : EMBARCAÇÕES UTILITÁRIAS DE ALUMÍNIO ALUMI— MAR LTDA RELATÓRIO Com o Acórdão 201-26.392, de 2 de julho de 1.990 (fl. 308), a 1' Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, deu provimento ao recurso voluntário de Embarcações Utilitárias de Alumínio — Alumi-Mar, entendendo que não cabe classificar como embarcação de esporte e recreio aquela fabricada conforme especificação constante de licença fornecida pela Capitania dos Portos que a identifique como embarcação de trabalho. Trata-se de embarcações de peso inferior a 1.000 Kg, a que o fabricante tem dado saída com isenção de IPI — art. 25, XLIII do RIPI/Dec. 83.263/79 e art. do Regulamento do IPI, Decreto 87.981/82, código 89.01.05.99, fazendo constar nas Notas Fiscais de Saída a advertência: "vedado o uso para esporte e recreio". A fiscalização apurou que os prospectos do fabricante anunciavam como sendo o material próprio para uso em recreação e os adquirentes as registraram na Capitania dos Portos como para esporte e recreio. Deste modo, entendendo que a classificação correta na Tabela do IPI era 89.01.08.99, o imposto teria que ser pago à aliquota de 50%. Foi feito o levantamento do débito de IPI, dos créditos de insumos e bem assim, das cópias das folhas de registro de saída e demonstrativo do cálculo dos acréscimos legais. O Voto do Acórdão está assim redigido, às fls. 313/314: "A recorrente foi autuada por dar saída a embarcações de sua fabricação, classificando-as no código 89.01.05.99 e assim com isenção do IPI, fazendo constar em várias Notas Fiscais a advertência "vedado o uso em esporte e recreio", quando tais embarcações, por suas características PROCESSO N° : 10875.002583/88-10 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.114 seriam próprias para a prática recreativa, o que toma incorreta a classificação e indevido o gozo do benefício fiscal. Entretanto, parece-me que não merece prosperar a exigência fiscal. Com efeito, a isenção é dada à embarcação, ostentando assim a natureza objetiva. Se o produto somente pode ser fabricado depois da autorização pela Capitania dos Portos, que fornece a respectiva licença determinando a utilização do bem, conforme dispõe o decreto n° 87.648, de 24.09.82, especialmente em seu artigo 8°, inciso V, está claro que, havendo a autorização, identificando o bem como aquele próprio da posição 89.01.05.99, somente caberia a autuação da empresa, por dar-lhe saída com isenção do tributo se ficasse constatado que o bem produzido não é aquele autorizado e identificado como de trabalho pela Capitania dos Portos. Na verdade, o próprio fisco está nos autos do processo admitindo que a Capitania é o órgão a que compete a disciplina da fabricação, classificação e fiscalização e utilização da embarcação. Não admito, portanto, que baste à fiscalização entender que embarcação definida como utilitário pela Capitania, na licença que fornece ao fabricante para produzi-la, é, na verdade, embarcação de recreio e lazer para que se possa exigir do produtor o tributo sobre esta incidente. Tenho, pois, que, se a licença de fabricação, fornecida pelo órgão próprio capitania dos Portos — identifica a embarcação fabricada como de trabalho, não cabe autuar o fabricante por uso diverso que lhe tenha sido dado pelo adquirente, ainda que tenha obtido o beneplácito daquele mesmo órgão". Inconformada, a Fazenda Nacional recorre a esta Câmara Superior de Recursos fiscais (fls. 317/319), para dizer o seguinte: "Todavia, conforme as provas trazidas aos autos, tais como fotos e prospectos, às fls. 11 a 15, amostra das inscrições das embarcações, às fls. 18 a 62, não resta a menor dúvida que a aludida empresa fabricou barcos próprios para recreação e esporte e, de forma absurda e inexplicável, beneficiou-se de isenção do recolhimento do IPI, que é destinada a embarcação de trabalho, consoante o art. 45, XIII, do RIPP82. Surpreendentemente, de 88 embarcações fabricadas pela autuada e registradas na Capitania dos Portos, todas sem exceção o foram para a prática esportiva e de recreio, conforme sugestão nos prospectos, da própria empresa, do tipo: "... procurados para clubes — recantos — sítios etc." (modelo pantaneira), - "grande aceitação para pesca esportiva" (modelo guaru), — "pesca, esqui e lazer aquático em geral" (modelo saci) etc. Deste modo, inadmissível é o gozo de isenção, que foi destinada a embarcações para trabalho, quando se fabrica barcos de características esportivas e recreativas, sobretudo apregoando-se por meio de prospecto o uso dos mesmos para esse fim. PROCESSO N° : 10875.002583/88-10 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.114 Observe-se também, que foi adotada a posição fiscal 90.01.05.99, quando na realidade a classificação referente a barcos para recreio ou esporte é 89.01.08.89, sujeita à aliquota de 50% De outro lado, argumenta a empresa em tela, às fls. 306, que o Decreto n° 87648/82, no art. 8°, V, dispõe que a fabricação de embarcações pode ser efetuada depois de autorizada pela Capitania dos Portos, que fornece a licença de fabricação e determina qual a utilização da mesma (grifou-se). A amostra das inscrições das embarcações, fls. 18 a 62, não admite dúvidas de que as mesmas foram fabricadas exclusivamente para recreio e esporte, haja vista que a Capitania dos Portos as classificou de acordo com o art. 173 do Decreto em questão, na letra J, que se refere justamente a esporte e recreio A empresa, conquanto instada a fazê-lo, não apresentou contra-razões (fls. 314). A Egrégia Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos fiscais declinou da competência para apreciar a matéria, em vista do Decreto 2.562/98, remetendo o processo à Terceira Turma. É o relatório PROCESSO N° : 10875.002583/88-10 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03 .114 VOTO CONSELHEIRO JOÃO HOLANDA COSTA, RELATOR Classificação de mercadorias há que se fazer em obediência às Regras Gerais de Interpretação e demais normas inseridas na Nomenclatura vigente à época dos fatos relacionados na ação fiscal, no caso, a TIPI182. Antes, porém, destes dispositivos de natureza legal, há que levar em conta dois prerrequisitos que os antecedem logicamente: Primeiro, o classificador deve ter à mão a perfeita especificação da mercadoria a classificar, suas características, o modo de funcionamento, aplicação etc, de forma clara e objetiva; o outro enfoque é conhecer o sistema da Nomenclatura para que possa fazer a subsunção do fato (a mercadoria a classificar) ao sistema legal pertinente. No caso presente, conquanto diga o contribuinte que seus barcos foram fabricados segundo as especificações da Capitania dos Portos para serem "barcos de trabalho" e até faça constar em a Nota Fiscal que é vedado o seu uso como barco de passeio e lazer, na realidade, os fatos apurados pela fiscalização se passaram de forma diferente. Primeiro, como acentuado no Recurso Especial da Fazenda Nacional, os prospectos distribuídos pelo fabricante apresentam os barcos como para a prática esportiva e de recreio, sendo procurados para clubes — recantos — sítios além de terem grande aceitação para a pesca esportiva, conforme o modelo. Em segundo lugar, é fato incontroverso que, de 88 (oitenta e oito) embarcações fabricadas pela autuada e registradas na Capitania dos Portos, todas sem exceção foram vendidas com a destinação apurada pela fiscalização. Por fim, como acentuado pelo ilustre Procurador da Fazenda Nacional, a PROCESSO N° : 10875.002583/88-10 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.114 Capitania dos Portos classificou as embarcações conforme o art. 173, letra "J" do Decreto nO 87.648/821 que se refere a esporte e recreio. Acolho, por conseguinte, as razões do recurso especial da Fazenda Nacional, para declarar que o código TIPI/82 apropriado para tais embarcações é o código 89.01.08.99. Sala das Sessões, 14 de agosto de 2000 JOÃO H ANDA COSTA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720201/2007-66
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DIPJ. DCTF. APRESENTAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. A DIPJ e a DCTF apresentadas após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A legislação tributária determina expressamente que a recauchutagem ou regeneração de pneus é atividade de prestação de serviços sujeita ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). Tem cabimento, assim, a aplicação do coeficiente 32% (trinta e dois por cento) ao invés de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta para fins de cálculo do lucro presumido pela pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços de recauchutagem de pneus. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em
razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-000.963
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2007; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 93 1 92 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720201/200766 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.963 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria LUCRO PRESUMIDO Recorrente J & J RENOVADORA DE PNEUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DIPJ. DCTF. APRESENTAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. A DIPJ e a DCTF apresentadas após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A legislação tributária determina expressamente que a recauchutagem ou regeneração de pneus é atividade de prestação de serviços sujeita ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). Tem cabimento, assim, a aplicação do coeficiente 32% (trinta e dois por cento) ao invés de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta para fins de cálculo do lucro presumido pela pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços de recauchutagem de pneus. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720201/200766 Acórdão n.º 180100.963 S1TE01 Fl. 94 2 A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 2531 com a exigência do crédito tributário no valor total de R$199.375,30 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2003, apurado pelo regime de tributação com base no presumido. Restou apurada a insuficiência de recolhimento do tributo determinada a partir do cotejo entre os valores informados na Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0321, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e na relação de recolhimentos efetuados, em conformidade com os valores constantes na Tabela 1. Tabela 1 – Crédito tributário constituído pelo lançamento de ofício do ano calendário de 2003 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720201/200766 Acórdão n.º 180100.963 S1TE01 Fl. 95 3 Trimestres Ano Calendário 2003 (A) Receita Bruta R$ (B) Coeficiente (C) Lucro Presumido D=(B*C) IRPJ R$ E=(D*15%) IRPJ R$ F=[D R$60.000,00) *10%] IRPJ Apurado R$ G=(E+F) IRPJ Declarado DCTF R$ (I) IRPJ Recolhido DARF R$ (J) IRPJ Devido R$ H=(GIJ) Primeiro 570.901,99 32% 182.688,64 27.403,30 12.268,86 39.672,16 0,00 812,27 38.859,89 Segundo 349.681,98 32% 111.898,23 16.784,74 5.189,82 21.974,56 0,00 0,00 21.974,56 Terceiro 281.185,11 32% 89.979,24 13.496,89 2.997,92 16.494,81 0,00 2.130,31 14.364,50 Quarto 222.726,68 32% 71.272,54 10.690,88 1.127,25 11.818,13 2.672,71 0,00 9.145,42 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ 4º e 5º do art. 516, art. 541 e incisos I e IV do art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 24.08.2007, fl. 32, a Recorrente apresentou a impugnação em 26.09.2007, fls. 3637. Suscita que na DIPJ originalmente apresentada contém incorreções, uma vez que utilizou o coeficiente de 32% (trinta e dois por cento) ao invés do correto de 8% (oito por cento) para o cálculo do lucro presumido. Refaz os cálculos indicando os valores que entende corretos. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0120.984, de 10.03.2011, fls. 6667: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado Assunto: Impostos sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: DIPJ. ERRO DE FATO. PROVA. ÔNUS DA RECORRENTE. A comprovação de erro de fato no preenchimento da DIPJ deve ser feita mediante a apresentação de prova inequívoca do erro, cujo ônus da prova é da recorrente. RECONDICIONAMENTO DE PNEUS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. As atividades industriais de recapagem, recauchutagem e recondicionamento de pneus usados realizadas por encomenda aplicase o percentual de presunção de lucro de 32%, para determinação da base de cálculo do IRPJ, quando houver preponderância do custo dos insumos fornecidos pelo encomendante sobre o custo total dos insumos utilizados no bem produzido por encomenda. Diversamente, essas atividades estão sujeitas ao percentual de presunção de 8% quando o custo dos insumos fornecidos pelo encomendante não for preponderante, comparado com o Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720201/200766 Acórdão n.º 180100.963 S1TE01 Fl. 96 4 custo total dos insumos utilizados no bem produzido por encomenda, ou quando a industrialização não for realizada por encomenda. Notificada em 20.04.2011, fl. 71, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.05.2011, fls. 7688, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Expõe que a decisão está eivada do vício de insatisfatória justificativa legal. Acrescenta que não se verifica a razoável duração do processo de modo que a cobrança da exigência está prescrita (art. 174 do Código Tributário Nacional). Expõe que apresenta declarações retificadoras com os valores que diz estarem corrigidos. Alega que a atividade de recondicionamento de pneumáticos dirigida a terceiros não pertencentes à cadeia industrial ou mesmo ao suprimento do comércio varejista de pneus, é considerada prestação de serviços tributada pelo ISSQN, o que enquadra e autoriza a empresa em tela pelo aproveitamento do coeficiente de 32% e não o de 8% sobre o lucro presumido. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Como exposto, não havendo atividade industrial na prestação de recondicionamento de pneus, a empresa Recorrente merece ver deferido seu pleito pela total IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO em tela, por ser absolutamente previsto pela lei, doutrina e jurisprudência administrativa da própria RFB, a aplicação da alíquota de 32% no aproveitamento do coeficiente de presunção de lucro. Porém, se ainda assim, a SRFB através do presente Conselho, entender que não há prescrição e que se trata da aplicação do percentual de 8% sobre o lucro, as explanações acima são a razão do erro na Declaração cometido pelo Contribuinte, que como visto, não percorrem o caminho do dolo ou da fraude e sim o do erro escusável pela complexidade na interpretação dos ditames tributários previstos e que são inclusive, objeto de decisões dispares nos próprios CARF's e Turmas de Julgamento da SRFB Brasil afora, o que resulta pela não aplicação da multa de mora e dos juros aplicados, mas sim pela retificação da Declaração sob análise. Por fim, ainda sobre a multa de mora e juros, os mesmos ainda que aplicados com base na legislação pertinente são afrontosos diante da complexidade do caso e portanto, desproporcionais diante do possível e escusável erro. Com base nos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da não confiscatoriedade do tributo e de seus acessórios, não aquiescidos pedidos anteriores, que seja atenuada a imposição das penalidades ora aplicadas no AUTO DE INFRAÇÃO FISCAL. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720201/200766 Acórdão n.º 180100.963 S1TE01 Fl. 97 5 Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Vale ressaltar que a Recorrente discorda expressamente parte da parcela do crédito tributário constituído no presente processo1 discriminado na Tabela 2. Logo esta matéria é objeto de litígio. Tabela 2 – Crédito tributário litigioso do anocalendário de 2003 Trimestres Ano Calendário 2003 (A) Valores Apurados de Ofício Valores Apurados pela Recorrente Parcela Litigiosa IRPJ Devido R$ I=(EH) IRPJ Apurado de Ofício R$ (B) IRPJ Declarado DCTF R$ (C) IRPJ Recolhido DARF R$ (D) IRPJ Devido R$ E=(BCD) IRPJ Apurado R$ (F) IRPJ Recolhido DARF R$ (G) IRPJ Devido R$ H=(FG) Primeiro 39.672,16 0,00 812,27 38.859,89 5.382,35 817,53 4.564,82 34.295,07 Segundo 21.974,56 0,00 0,00 21.974,56 2.560,06 0,00 2.560,06 21.162,29 Terceiro 16.494,81 0,00 2.130,31 14.364,50 2.892,31 2.130,31 762,00 14.364,50 Quarto 11.818,13 2.672,71 0,00 9.145,42 2986,53 2.672,71 313,82 7.015,11 A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas 1 Fundamentação legal: art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720201/200766 Acórdão n.º 180100.963 S1TE01 Fl. 98 6 produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal2. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente alega que a ação para a cobrança do crédito tributário está prescrita. Tem cabimento o exame da objeção de prescrição por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal. Ademais, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.3 No presente caso o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa pela apresentação do recurso voluntário, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal, medida que tem o efeito de suspender o prazo de prescrição. No que se refere à parcela não litigiosa de IRPJ a pagar expressamente reconhecida pela Recorrente em sede de impugnação, cabe esclarecer que à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), compete, no âmbito da respectiva jurisdição pertinente à Recorrente, desenvolver, dentre outras atividades, a cobrança e recolhimento de créditos tributários4. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. A Recorrente expõe que apresenta declarações retificadoras com os valores que diz estarem corrigidos. Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da entrega da DIPJ e da DCTF, temse que não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício quando apresentadas após o início do procedimento fiscal, ou seja, o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária. Neste momento, a sua espontaneidade é excluída em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas5. A DIPJ e a DCTF entregues pela Recorrente depois de cientificada do Termo de Intimação recebido em 31.05.2007, não tem efeito jurídico sobre a exigência. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. A Recorrente discorda da apuração da insuficiência de recolhimento. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: inciso III do art. 151, inciso V do art. 156 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999 e Súmula CARF nº 11. 4 Fundamentação legal: art. 220 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010. 5 Fundamentação legal: art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720201/200766 Acórdão n.º 180100.963 S1TE01 Fl. 99 7 A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. A legislação tributária determina expressamente que a recauchutagem ou regeneração de pneus é atividade de prestação de serviços sujeita ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS)6. Tem cabimento, assim, a aplicação do coeficiente 32% (trinta e dois por cento) ao invés de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta para fins de cálculo do lucro presumido pela pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços de recauchutagem de pneus, ressalvada a prova da sua improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente7. Analisando a situação fática, verificase que no Contrato Social consta, fls. 5153: 6 Fundamentação legal: item 14.04 da Lista de Serviços Anexa à Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, que dispõe sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720201/200766 Acórdão n.º 180100.963 S1TE01 Fl. 100 8 A Sociedade terá como objeto social o Recondicionamento de Pneumáticos, os serviços de Borracharía e Gomaria, e o comércio varejista de Pneus, Câmaras de Ar, Peças e Acessórios novos para veículos automotores. A Recorrente dedicase à prestação de serviço de recauchutagem de pneus e por esta razão está correta a aplicação do coeficiente 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta para fins de cálculo do lucro presumido. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. Os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta8. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.20099 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF10. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado11. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. 8 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 72A do Regimento Interno do CARF. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 10 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 11 Base legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720201/200766 Acórdão n.º 180100.963 S1TE01 Fl. 101 9 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.907076/2014-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EQUIVALÊNCIA ENTRE COMPENSAÇÃO E PAGAMENTO NÃO RECONHECIDA. MULTA DE MORA MANTIDA.
A compensação tributária sujeita a posterior homologação não equivale a pagamento para fins de reconhecimento da denúncia espontânea prevista no artigo 138, do CTN, não podendo afastar, por consequência, também, a multa de mora.
Numero da decisão: 1402-002.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar-lhe provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EQUIVALÊNCIA ENTRE COMPENSAÇÃO E PAGAMENTO NÃO RECONHECIDA. MULTA DE MORA MANTIDA. A compensação tributária sujeita a posterior homologação não equivale a pagamento para fins de reconhecimento da denúncia espontânea prevista no artigo 138, do CTN, não podendo afastar, por consequência, também, a multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por darlhe provimento. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 70 76 /2 01 4- 67 Fl. 245DF CARF MF 2 Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.907076/201467 Acórdão n.º 1402002.791 S1C4T2 Fl. 246 3 Relatório Adoto integralmente o relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade nº 1459.239, proferido em 29 de julho de 2015, pela 15ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, complementandoo com as pertinentes atualizações processuais ao final. Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório (fls.74/77) que reconheceu parcialmente o crédito pleiteado no PERDCOMP n° 08194.64371.3105.11.1.3.022065, que teve origem em Saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2010, exercício 2011, no valor de R$ 2.426.941,09. O valor reconhecido de crédito foi de R$ 2.286.043,27, pelos motivos a seguir expostos. A Autoridade Tributária responsável pela análise do direito creditório pleiteado, o reconheceu em parte, sendo o mesmo insuficiente para compensar integralmente os débitos declarados, o que acarretou na homologação parcial da Dcomp nº 27867.11069.300712.1.3.024561 e na não homologação da compensação declarada na Dcomp nº 29742.48489.250912.1.3.027691. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 14/04/2014, conforme consta às fls.160. Inconformado, o contribuinte ofereceu manifestação de inconformidade em 07/05/2014, juntada aos autos às fls.3. O contribuinte argumenta que o crédito foi reconhecido a menor pelo fato de não terem sido considerados, para fins de composição do saldo negativo de 2010, os valores vinculados às Dcomp nº 07124.77819.310810.1.3.020811 (homologada parcialmente) e nº 18620.27203.271010.1.3.032707 (não homologada). As Dcomp acima citadas estão tratadas no processo nº 10880.914178/2012 77. Esclarece que as referidas compensações não foram integralmente homologadas, tendo em vista que no processamento da declaração foi cobrada multa de mora sobre os débitos da Dcomp nº 07124.77819.310810.1.3.020811 , o que no seu entendimento seria incabível, por força da ocorrência da denúncia espontânea. Assim, embora reconheça que tenha efetuado a quitação a destempo, o contribuinte entende que agiu em total conformidade com a legislação ao não contemplar a incidência da multa de mora sobre os débitos com prazo de pagamento vencido por ocasião da transmissão da Dcomp, posto que entendia estar garantido pela ocorrência da denúncia espontânea, ou seja, sendo devido apenas o valor do principal acrescido dos juros de mora. Ressaltou o contribuinte ainda, que tal procedimento não ocorreu por vontade ou máfé da Impugnante, o atraso no pagamento dos débitos ocorreu por falhas operacionais a que toda grande corporação está sujeita, face a enorme quantidade de obrigações acessórias impostas pela legislação fiscal vigente. Apresenta a legislação de regência da denúncia espontânea, baseando seus argumentos no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN ( Lei nº 5.172/1966). Ressalta que o indeferimento das DCOMP nº 07124.77819.310810.1.3.02 0811 e 18620.27203.271010.1.3.032707 é objeto de Manifestação de Inconformidade no Fl. 247DF CARF MF 4 Processo Administrativo nº 10880.914178/201277, ainda em trâmite na esfera administrativa, mantendose SUSPENSO até a presente data, que persistirá até o julgamento definitivo administrativo. Entende que para estes pedidos de compensação, os despachos decisórios não são definitivos, pois discutidos através de recursos dotados de efeito suspensivo, nos termos do art. 151, III do CTN. Isso quer dizer que, mesmo que não reconhecidos no primeiro momento (Despacho Decisório), esses créditos estão em discussão e as decisões naqueles processos repercutirão diretamente sobre o crédito aqui defendido, motivo pelo qual as discussões devem ser apensadas para evitar decisões conflitantes sobre o mesmo direito creditório. Não obstante, solicita que caso as compensações citadas sejam apreciadas também neste processo, ratifica todos os termos das Manifestações de Inconformidade e Recursos administrativos pendentes de julgamento, que acompanham, em cópia, a presente irresignação (Doc. 4), que devem ser tidas como se transcritas estivessem. Entende também que em relação a todos os saldos negativos de IRPJ relacionados com as compensações de estimativas, deve o julgamento ficar suspenso até que sejam proferidas decisões administrativas definitivas nos processos vinculados a tais parcelas de crédito. Ante o exposto, requer o provimento desta Manifestação de Inconformidade para a consequente homologação da compensação referente aos DCOMP de n° 29742.48489.250912.1.3.027691 e n° 27867.11069.300712.1.3.024561 (PERDCOMP de crédito n° 08194.64371.3105.11.1.3.022065). Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. A Manifestação de Inconformidade da contribuinte foi julgada improcedente, sendo mantido integralmente o Despacho Decisório, bem como restando não reconhecido o direito creditório pleiteado. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 MATÉRIA JÁ APRECIADA EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A Matéria julgada em processo administrativo, constitui coisa julgada, não o cabendo nova apreciação em outro processo. Inconformada com a decisão da DRJ, a fiscalizada interpôs Recurso Voluntário a este Conselho (efl: 187), repisando seus argumentos, exceto pela alegação preliminar sobre a existência de conexão entre o processo ora analisado e o processo administrativo nº 10880.914178/201277, dizendo que há relação de prejudicialidade pela vinculação dos créditos. Vejase (efl. 193): Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.907076/201467 Acórdão n.º 1402002.791 S1C4T2 Fl. 247 5 É o relatório Fl. 249DF CARF MF 6 . Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, o contribuinte ingressou com pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2010, DIPJ 2011. O crédito tributário pleiteado, a título de saldo negativo de IRPJ, foi parcialmente confirmado tendo em vista que estimativas de IRPJ, compensadas no anocalendário 2010, não foram confirmadas (Processo Administrativo nº 10880.914178/201277). Desta forma, os débitos apontados para fins de compensação nos PER/DCOMP nº 27867.11069.300712.1.3.024561 e 29742.48489.250912.1.3.027691 foram homologados parcialmente e não homologados, respectivamente. A suficiência do crédito pleiteado pela Recorrente no presente feito dependia de decisão a ser exarada no processo administrativo nº 10880.914178/201277, fato apontado pelo próprio contribuinte em seu recurso voluntário. Como a decisão naquele processo administrativo não reconheceu a tese da denúncia espontânea passível de afastar a multa de mora imposta pela fiscalização, uma vez que compensação tributária não equivale a pagamento para fins de aplicação do disposto no art. 138, do CTN, não há créditos suficientes neste processo para as compensações pretendidas. Como os julgamentos estão se dando de modo sucessivo, primeiro no processo administrativo nº 10880.914178/201277 e depois neste, transcrevese abaixo os fundamentos da decisão daquele processo administrativo, em resposta aos argumentos dispendidos pela Recorrente em seu recurso voluntário quanto ao instituto da denúncia espontânea inserto no art. 138, do CTN e a compensação tributária: “A questão controvertida já foi objeto de decisão nesta Turma, por ocasião do julgamento do processo administrativo nº 10880.929074/201003, no qual, por voto de qualidade, foi negada a ocorrência de denúncia espontânea nos casos em que o contribuinte efetua a extinção do crédito tributário a destempo, antes de qualquer ato fiscalizatório, mediante compensação via PER/DCOMP. Na ocasião, acompanhei o voto vencido, reconhecendo que a compensação equivaleria a pagamento para fins do disposto no art. 138, do CTN, acompanhando os argumentos firmados pelo i. Relator. No entanto, tendo em mãos o presente caso, no qual pude aprofundar o estudo acerca do tema, observei que não há norma, no âmbito do Ministério da Fazenda, que vincule este Conselho quanto à melhor interpretação dos requisitos necessários à verificação de ocorrência de denúncia espontânea apta a afastar a incidência de multa de mora no caso concreto, ou seja, com extinção do crédito tributário denunciado espontaneamente, antes de qualquer ato fiscalizatório, por meio de compensação tributária. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.907076/201467 Acórdão n.º 1402002.791 S1C4T2 Fl. 248 7 Buscouse, desta forma, precedentes recentes emanados do E. STJ sobre o tema, de tal forma a balizar a melhor interpretação para o caso concreto. Não há, até o presente momento, posicionamento em sede de recurso repetitivo (art. 543C, do CPC) no âmbito do E. STJ. No entanto, as decisões mais recentes são em sentido diverso do defendido pela Recorrente, as quais me filio. Vejase: AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Fl. 251DF CARF MF 8 Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido. (grifamos) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: ""A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)."Os Srs. Ministros Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente) e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator." Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário interposto, mantendo a decisão exarada pela DRJ de Ribeirão Preto, reconhecendo que, para fins de denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, compensação tributária, sujeita a posterior homologação, não equivale a pagamento, não se lhe aplicando, por conseguinte, o afastamento da multa moratória imposta pela fiscalização. Desta forma, mantenho a homologação parcial da PER/DCOMP 07124.77819.310810.1.3.02 0811 e a não homologação da PER/DCOMP 18620.27203.271010.1.3.022707.” Desta forma, não reconhecida o afastamento da multa moratória no processo administrativo nº 10880.914178/201277 e, consequentemente, mantida a homologação parcial da PER/DCOMP 07124.77819.310810.1.3.020811 e a não homologação da PER/DCOMP 18620.27203.271010.1.3.022707, não há créditos suficientes da Recorrente para as compensações pleiteadas através deste processo administrativo. Assim, julgo improcedente o recurso voluntário interposto, mantendo a decisão exarada pela DRJ de Ribeirão Preto, Acórdão 1459.239, de 29 de julho de 2015, que reconheceu a homologação parcial da PER/DCOMP 27867.11069.300712.1.3.024561 e a não homologação da PER/DCOMP 29742.48489.250912.1.3.027691. É o voto Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.907076/201467 Acórdão n.º 1402002.791 S1C4T2 Fl. 249 9 (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 253DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.722492/2016-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
Ementa:
RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO - RTT. NEUTRALIDADE FISCAL EM VIRTUDE DAS MUDANÇAS PROMOVIDAS PELA LEI 11.638/2007.
A edição da Medida Provisória nº 449/08, posteriormente convertida na lei nº 11.941/09, veio justamente com o objetivo de neutralizar os impactos fiscais decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis, na apuração das bases de cálculo de tributos federais, de modo a reduzir a insegurança jurídica criada nos contribuintes em razão da vigência da lei nº 11.638/07 que alterou diversas regras contábeis brasileiras, de modo que as normas pátrias convergissem com o padrão internacional, conhecido como International Financial Standards - IFRS.
Logo, tendo em vista a neutralidade fiscal determinada pelo RTT, deve ser aplicado ao caso em análise os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, o que exclui a limitação temporal que impedia o estorno a partir de 1 de janeiro de 2009, determinada pela lei nº 11.638/07.
RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE ATIVO. ESTORNO DA RESERVA NA DEVOLUÇÃO DE BENS REAVALIADOS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO §1º DO ART. 464 DO RIR/99.
Constatada a possibilidade de realização do estorno da reserva de reavaliação após o ano-calendário 2008, conforme as normas vigentes em 31 de dezembro de 2007 e, restando satisfatoriamente justificadas a razão da constituição da reserva de reavaliação e o motivo pelo qual se operou o estorno da mesma, sem ter havido qualquer oposição da autoridade fiscal quanto à metodologia, os critérios ou ao valor atribuído ao imóvel no laudo de avaliação deste, depreende-se que a devolução da participação societária ocorreu a valor contábil, nos termos do §1º do art. 464 do RIR/99.
Numero da decisão: 1302-002.395
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 Ementa: RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO - RTT. NEUTRALIDADE FISCAL EM VIRTUDE DAS MUDANÇAS PROMOVIDAS PELA LEI 11.638/2007. A edição da Medida Provisória nº 449/08, posteriormente convertida na lei nº 11.941/09, veio justamente com o objetivo de neutralizar os impactos fiscais decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis, na apuração das bases de cálculo de tributos federais, de modo a reduzir a insegurança jurídica criada nos contribuintes em razão da vigência da lei nº 11.638/07 que alterou diversas regras contábeis brasileiras, de modo que as normas pátrias convergissem com o padrão internacional, conhecido como International Financial Standards - IFRS. Logo, tendo em vista a neutralidade fiscal determinada pelo RTT, deve ser aplicado ao caso em análise os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, o que exclui a limitação temporal que impedia o estorno a partir de 1 de janeiro de 2009, determinada pela lei nº 11.638/07. RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE ATIVO. ESTORNO DA RESERVA NA DEVOLUÇÃO DE BENS REAVALIADOS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO §1º DO ART. 464 DO RIR/99. Constatada a possibilidade de realização do estorno da reserva de reavaliação após o ano-calendário 2008, conforme as normas vigentes em 31 de dezembro de 2007 e, restando satisfatoriamente justificadas a razão da constituição da reserva de reavaliação e o motivo pelo qual se operou o estorno da mesma, sem ter havido qualquer oposição da autoridade fiscal quanto à metodologia, os critérios ou ao valor atribuído ao imóvel no laudo de avaliação deste, depreende-se que a devolução da participação societária ocorreu a valor contábil, nos termos do §1º do art. 464 do RIR/99.
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REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO RTT. NEUTRALIDADE FISCAL EM VIRTUDE DAS MUDANÇAS PROMOVIDAS PELA LEI 11.638/2007. A edição da Medida Provisória nº 449/08, posteriormente convertida na lei nº 11.941/09, veio justamente com o objetivo de neutralizar os impactos fiscais decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis, na apuração das bases de cálculo de tributos federais, de modo a reduzir a insegurança jurídica criada nos contribuintes em razão da vigência da lei nº 11.638/07 que alterou diversas regras contábeis brasileiras, de modo que as normas pátrias convergissem com o padrão internacional, conhecido como International Financial Standards IFRS. Logo, tendo em vista a neutralidade fiscal determinada pelo RTT, deve ser aplicado ao caso em análise os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, o que exclui a limitação temporal que impedia o estorno a partir de 1 de janeiro de 2009, determinada pela lei nº 11.638/07. RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE ATIVO. ESTORNO DA RESERVA NA DEVOLUÇÃO DE BENS REAVALIADOS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO §1º DO ART. 464 DO RIR/99. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 24 92 /2 01 6- 93 Fl. 757DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 758 2 Constatada a possibilidade de realização do estorno da reserva de reavaliação após o anocalendário 2008, conforme as normas vigentes em 31 de dezembro de 2007 e, restando satisfatoriamente justificadas a razão da constituição da reserva de reavaliação e o motivo pelo qual se operou o estorno da mesma, sem ter havido qualquer oposição da autoridade fiscal quanto à metodologia, os critérios ou ao valor atribuído ao imóvel no laudo de avaliação deste, depreendese que a devolução da participação societária ocorreu a valor contábil, nos termos do §1º do art. 464 do RIR/99. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da DRJ, complementandoo ao final, verbis: “Trata o presente processo de autos de infração lavrados, em 13/05/2016, contra o contribuinte acima identificado relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 7.854.160,12 (fl. 557) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 2.836.137,64 (fl. 564), acrescidos de juros de mora à taxa SELIC e multa de ofício de 75%, sobre todas as infrações, formalizando o crédito tributário de R$ 22.507.352,89. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 570 a 588) a presente autuação decorreu da distribuição disfarçada de lucros na operação em que a impugnante entregou a sua acionista um bem imóvel por valor notoriamente inferior ao de mercado, em contrapartida à devolução de Fl. 758DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 759 3 parte da participação no capital social que a acionista detinha na impugnante. A infração é relativa ao anocalendário 2012. O presente procedimento fiscal iniciouse com a ampliação de escopo para o anocalendário 2012, e conseqüente prorrogação de ação fiscal inicialmente programada para o anocalendário 2011. O contribuinte foi notificado da prorrogação, em 26/10/2015, além de ser cientificado que a sua Escrituração Contábil Digital (ECD), relativa ao anocalendário 2012, seria acessada. Consoante o Relatório Fiscal, a empresa autuada teria entregue um imóvel de sua propriedade, por valor notoriamente inferior ao de mercado, à empresa SIMPAR, sua acionista, a título de devolução de parte da participação societária que esta detinha sobre a impugnante. Para maior clareza é indispensável a apresentação cronológica dos fatos, tal como descrita no Relatório Fiscal. A empresa JÚLIO SIMÕES TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA, doravante JSTS, celebrou contrato com a Companhia Municipal de Limpeza Urbana COMLURB, em 21 de agosto de 2003, para a execução das atividades de tratamento e destinação final dos resíduos coletados na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Inicialmente, a JSTS utilizaria a Fazenda Santa Rosa do Furado, imóvel situado em Paciência, zona oeste do município do Rio de Janeiro, para a implantação do Centro de Tratamento de Resíduos do Município do Rio de Janeiro – CTRRIO, local de execução do contrato celebrado. Em 03 de abril de 2008, a JSTS, informou à COMLURB acerca da deliberação de sua cisão parcial, de acordo com a qual os recursos humanos necessários, o pessoal técnico especializado e os projetos, assim como a Fazenda Santa Rosa do Furado, seriam transferidos para a nova sociedade – JÚLIO SIMÕES AMBIENTAL S/A, antiga denominação da fiscalizada SERB – SANEAMENTO E ENERGIA RENOVÁVEL DO BRASIL S/A. O patrimônio destacado e vertido da JSTS para a JÚLIO SIMÕES AMBIENTAL S/A constituíase de um bem imóvel (Fazenda Santa Rosa do Furado), no valor de R$ 6.082.271,86 e a respectiva Reserva de Reavaliação, constituída em 2007, no montante de R$ 54.763.004,04, totalizando R$ 60.845.275,00. Dessa forma o capital social da JSTS reduziuse no mesmo montante do valor original do bem, e a reserva de reavaliação foi reduzida a zero. Em 31 de julho de 2009, a Procuradoria Administrativa do Rio de Janeiro relatou que o local inicial (Fazenda Santa Rosa do Furado) não estava apto para a implantação do CTRRIO e não seria aprovado pelos órgãos competentes. Em 30 de setembro de 2009, a JÚLIO SIMÕES AMBIENTAL S/A propôs a COMLURB a substituição da Fazenda Santa Rosa do Furado por imóvel situado no município de Seropédica. Diante da resposta positiva, ocorrem mudanças societárias na JÚLIO SIMÕES AMBIENTAL S/A. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 760 4 Em 13 de novembro de 2009, a empresa JÚLIO SIMÕES AMBIENTAL S/A altera sua denominação para SERB – SANEAMENTO E ENERGIA RENOVÁVEL DO BRASIL S/A. E em 19 de janeiro de 2010, a empresa HAZTEC Tecnologia e Planejamento Ambiental S/A, inscrita no CNPJ sob nº 03.279.285/000130, passa a integrar o quadro societário da fiscalizada, subscrevendo novas ações e integralizandoas no montante de R$ 6.085.273,00, mediante entrega de imóvel localizado em Seropédica. Através de termo aditivo ao contrato, a área de implantação do CTRRIO, originalmente prevista, Fazenda Santa Rosa do Furado, é substituída por outra área localizada no município de Seropédica. A consolidação da reestruturação societária, ocorreu em 23 de agosto de 2010, com as seguintes participações societárias: Júlio Simões Participações – SIMPAR com 75% das ações, cujo valor é de R$ 6.085.272,00 e HAZTEC com 25% das ações, cujo valor é de 2.028.424,00. Cabe observar que a empresa SIMPAR, ainda antes da cisão parcial, já era controladora da JSTS. Até 31/12/2011, a SERB manteve em conta contábil de Reserva de Reavaliação o montante de R$ 54.763.004,04. Em 16 de janeiro de 2012, deliberouse em Assembléia Geral Extraordinária, a redução do capital social da companhia, por ser considerado excessivo, com a conseqüente entrega do imóvel da Fazenda Santa Rosa do Furado a SIMPAR S/A. Com essas alterações a empresa HAZTEC passou a ter a maioria do capital social da fiscalizada. De acordo com o Relatório Fiscal, a fiscalizada, “assim como o Grupo SIMÕES, tiveram dificuldades em ‘emplacar’ o dito terreno de Paciência (Fazenda Santa Rosa do Furado) como o terreno de implantação do CTR RIO, devido à dificuldade de se obter licenças ambientais”. Em setembro de 2010, a empresa HAZTEC, que também participara da licitação que outorgou o contrato de execução para a autuada, passa a fazer parte do quadro societário da fiscalizada, integralizando o capital mediante entrega de um terreno em Seropédica. Portanto, o que houve de fato “foi a permuta de terrenos entre a SERB e a HAZTEC, de modo que a HAZTEC ingressou com o bem de Seropédica no valor de R$ 6.085.273,00 e a SERB retirou os mesmos R$ R$ 6.085.272,00 (1 real de diferença), restituindose este montante a empresa sob a administração de Fernando Simões.” A fiscalização observa que dois anos antes, em 16 de janeiro de 2010, os acionistas da SERB e a HAZTEC, firmaram um acordo de associação, no qual ficou estabelecido que a condição de ingresso da HAZTEC na SERB seria a substituição do imóvel no município de Paciência pelo de Seropédica. Adicionalmente a Fazenda Santa Rosa do Furado seria transferida à SIMPAR, ou a quem esta indicasse, independente de qualquer pagamento ou custo. Ainda, segundo o acordo, haveria redução do capital social na autuada no valor de R$ 6.082.272,00, com restituição à SIMPAR, “do referido montante de redução do valor nominal integral de R$ 6.082.272,00 e pagamento mediante a transferência da propriedade do imóvel Paciência para JS Participações.”. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 761 5 Intimada a esclarecer as razões pelas quais a Fazenda Santa Rosa do Furado foi transferida para a SIMPAR pelo valor contábil, sem a respectiva reserva de reavaliação, a autuada justificou alegando que o imóvel “foi dado a SIMPAR pelo seu valor contábil à época (a saber R$ 6.085.272,00), sem qualquer repercussão tributária para as partes, que não experimentaram ganho, acréscimo ou perda patrimonial.”. Prossegue argumentando que quando da mencionada redução de capital, a reserva de reavaliação já não mais existia. E que a reavaliação do imóvel na sociedade cindida, foi realizada ante a perspectiva de que sobre ele seria implantando o Centro de Tratamento de Resíduos – CTRRio, e que por motivos alheios a sua vontade, o imóvel não teve a pretendida destinação. Considerando, portanto, que a razão determinante da reavaliação não mais subsistia e que a Lei nº 11.638/2007 não mais contemplava a figura da reavaliação, a autuada deliberou o estorno da reserva de reavaliação, que deixou de integrar, conseqüentemente o valor contábil do imóvel. Finaliza a resposta à intimação afirmando que esse estorno ocorreu precedentemente à transferência do imóvel. Todavia, conforme atesta a autoridade fiscal, o estorno da reserva de reavaliação foi escriturado somente em 16 de janeiro de 2012, na data da redução do capital social. Cabe observar que a fiscalizada apresentou à fiscalização dois laudos de avaliação. Um referente ao preço do imóvel propriamente dito, em 2007, e outro lado, em 2008, reratificando o valor do bem. Intimada a apresentar laudo de avaliação do imóvel transferido a SIMPAR, a autuada reiterou que o imóvel foi transferido a SIMPAR pelo valor contábil, de modo que não haveria necessidade de elaboração de laudo de avaliação, pois segundo afirma, o valor contábil é passível de aferição mediante simples verificação de lançamentos contábeis. E prossegue alegando, que somente faria sentido a elaboração de laudo se tivesse optado por transferir o imóvel pelo valor de mercado, o que não ocorreu. A autoridade fiscal, observa que a avaliação para fins de determinação do valor de troca visa a resguardar direitos dos acionistas em manter a paridade econômica de seu investimento após a reorganização societária. Todavia a empresa não observou o dever legal de obedecer ao valor definido pelos laudos. Prossegue invocando os arts. 434 e 435 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto 3.000/99, segundo os quais a tributação das reavaliações somente ocorre no momento de sua realização, que, no caso em tela, ocorreu em 16 de janeiro de 2012. E o valor reavaliado passa a integrar o custo dos bens, do mesmo modo como o custo de aquisição e seus acréscimos. Destaca ainda, que a autuada, ao estornar a reserva de reavaliação, deixaria de cumprir uma das cláusulas do contrato celebrado com a COMLURB, cuja redação obriga a cessionária a manter, durante toda a execução do contrato, as condições de habilitação e qualificação exigidas na fase de licitação, que por sua vez previa que para se qualificar econômicafinanceiramente a licitante deveria comprovar ter capital social Fl. 761DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 762 6 integralizado ou patrimônio líquido superior a R$ 60.000.000,00. Notese que, em várias ocasiões, a autuada sublinha que o imóvel destinado à execução do contrato está avaliado em R$ 60.850.000,00 Segundo o relatório fiscal, o art. 440 do RIR/99, dispõe que a contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão não será computada para determinação do lucro real, enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade resultante da fusão ou incorporação, na sociedade cindida ou em uma ou mais das sociedades resultantes da cisão. Ainda com fundamento na Lei 9.959/00 a tributação só ocorrerá quando houver a efetiva realização econômica do bem objeto da reavaliação. Assim também dispõe o art. 434 do RIR/99 que determina que a contrapartida do aumento de valor de bens do Ativo Permanente, em virtude de nova avaliação, não será computada na determinação do lucro real enquanto mantida em conta de Reserva de Reavaliação. A fiscalização observa que não consta na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário 2012 entregue pela SIMPAR, a reserva de reavaliação aqui discutida. De acordo com a fiscalização, em relação ao SPED/FCONT, a autuada apresentou apenas Dados Agregados, sendo assim, não há lançamentos diários e tampouco distintos, não existindo, portanto, ajustes no FCONT. Salienta a autoridade fiscal, que segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) os saldos que existiam em Reservas de Reavaliação no anocalendário 2008, poderiam durante aquele exercício social de 2008, ser simplesmente revertidos, eliminados contra os respectivos ativos. Se isso não fosse feito, os saldos remanescentes continuariam a figurar no balanço e seriam realizados, ou seja, transferidos para lucros ou prejuízos acumulados, à medida que os respectivos ativos fossem sendo baixados, como já era a prática tradicional. De todo o exposto, a fiscalização concluiu que a autuada, ao devolver o imóvel pelo valor original, desconsiderando a reserva de reavaliação, distribuiu de forma disfarçada dividendos a sua acionista. Fundamenta a autuação no art. 464, inciso I do RIR/99. Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art.20, inciso II): I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; Para justificar a autuação, discorre sobre a finalidade e características da infração denominada distribuição disfarçada de lucros. Afirma que “a avaliação para fins de determinação do valor de troca visa a resguardar direitos dos acionistas em manter a paridade econômica do seu investimento após a reorganização societária”. Dessa forma, toda a avaliação deve procurar a obtenção do valor justo das ações ou quotas de modo que o dever legal de avaliação tem a finalidade de evitar a ocorrência de enriquecimento sem causa de qualquer das partes envolvidas. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 763 7 Tais regras são dirigidas especialmente aos acionistas controladores porquanto normalmente são os acionistas majoritários que dirigem o processo de avaliação pela escolha dos avaliadores e dos métodos de avaliação e, por esta razão, deles é exigido que ajam com lisura e probidade. As partes não podem renunciar à avaliação independente imposta pela lei e devem zelar para que os peritos escolhidos sejam capazes tecnicamente e honestos. Entretanto, aduz que a empresa não observou o dever legal de obedecer ao valor definido pelos laudos. Afirma, que as normas tributárias visam evitar a erosão da base tributável por intermédio da distribuição encoberta de dividendos por intervenção de atos anormais de gestão, assim considerados aqueles que não são realizados no interesse da sociedade ou da Pessoa Jurídica. Prossegue afirmando que os administradores não podem favorecer sociedade coligada, controladora ou controlada, cumprindolhes zelar para que as operações entre as sociedades, se houver, observem condições estritamente comutativas, ou com pagamento compensatório adequado. E que a lei pressupõe que a Pessoa Jurídica – como pessoa distinta dos sócios ou acionistas – tem interesses próprios, de modo que as pessoas ligadas não podem obter vantagens indevidas à custa do patrimônio social. Enfatiza que são condições cumulativas para a caracterização da distribuição disfarçada de lucros que o negócio seja celebrado com pessoa ligada e em condições de favorecimento, que representem qualquer vantagem relativa a preços e prazos de bens e serviços que venha a ser obtida pelo acionista controlador em detrimento do patrimônio social, tomandose como parâmetro as condições e preços pactuados com terceiros. Se o valor do bem não puder ser determinado, a existência de Laudo de Avaliação de perito ou empresa especializada transferirá à autoridade tributaria a prova de que o negócio serviu de instrumento à DDL. Evidencia que o patrimônio da autuada diminuiu, “à medida que teve estornada uma reserva de valor aproximado de R$ 54.000.000,00”. E que, para a incidência tributária, basta que haja lesão aos interesses da Pessoa Jurídica contribuinte em face da ausência de equidade ou razoabilidade nos negócios praticados com Pessoas Ligadas. Salienta que mesmo nos casos em que determinada operação entre a pessoa jurídica e a pessoa ligada seja efetuada por valor inferior ao de mercado, isso não é suficiente para caracterizar a DDL. É necessário que a diferença seja flagrante e insofismável e que não possa ser justificada de forma racional. No caso em tela, tal diferença representa um acréscimo do imóvel em 10 (dez) vezes, ou seja, elevase o bem de R$ 6.000.000,00 para R$ 60.000.000,00 (valores aproximados). A ciência do auto de infração à contribuinte foi dada em 16/05/2016 (fl. 591). Irresignada, a autuada apresentou, em 14/06/2016, representada por seus advogados a impugnação de fls. 659 a 686, em que requer a desconstituição dos créditos tributários lançados. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 764 8 Argumenta, com fundamento nos art. 464 do RIR/99, e no art. 22 da Lei 9.249/1995, que a entrega de bem ou direito avaliado pelo valor contábil ou de mercado, a sócio ou acionista, a título de sua participação no capital social, não caracteriza a distribuição disfarçada de lucros. Cita jurisprudência do CARF para desconstituir o lançamento, argumentando que os dispositivos que supostamente o fundamenta, não dão suporte à autuação. Alega que a reserva de reavaliação não é lucro realizado, portanto, não pode ser base para distribuição de dividendos, participações ou mesmo tributação. Destaca que o objetivo da reserva de reavaliação é atualizar o ativo imobilizado tangível de uso operacional, e permitir o registro de uma depreciação mais condizente com a reposição desse bem. Em relação ao imóvel (Fazenda Santa Rosa do Furado), sublinha que a respectiva reavaliação ocorreu em 2007, tornando possível o cumprimento de requisito imposto pela COMLURB por ocasião da licitação, que exigia que o licitante tivesse ao menos R$ 60.000.000, 00 de capital ou patrimônio líquido. A conta reserva de reavaliação, antes mantida no patrimônio líquido da empresa cindida, passou a incorporar o patrimônio líquido da impugnante. Tendo em vista que o imóvel deixou de ter a finalidade inicial a que se destinava, uma vez que deixou de ter a “aptidão técnica que se supunha e que ensejou sua reavaliação”, a impugnante adquiriu outro imóvel para a implantação e operação do CTRRIO e efetivou o estorno da reserva de reavaliação, devolvendo parte da participação societária que cabia a SIMPAR, com a conseqüente entrega do imóvel pelo valor contábil, já estornada a respectiva reserva de reavaliação. A impugnante assevera que a reserva de reavaliação foi constituída para assegurar a reposição do imóvel reavaliado considerando o lucro em potencial do exercício da atividade operacional, todavia a vedação de sua utilização na execução do contrato tornou impossível a obtenção desse lucro, justificando, assim, o estorno da reavaliação e da respectiva conta de reserva. Prossegue alegando que o imóvel passou a integrar seu patrimônio, porque nele seria implantado o CTRRIO, entretanto por conta da restrição ambiental a sua utilização, não havia mais motivo para que o imóvel permanecesse na impugnante. E os acionistas acordaram em reduzir a participação societária da SIMPAR, mediante a entrega, em contrapartida a essa redução, do imóvel, que já pertencia a SIMPAR, ainda que de forma indireta, uma vez que era controladora da JSTS por ocasião de sua cisão parcial. Invoca a prevalência do princípio da neutralidade dos efeitos das modificações dos critérios contábeis em relação à legislação tributária, para justificar que, embora a Lei nº 11.638, editada em 28/12/2007 tenha disposto, entre outras alterações, que os saldos existentes nas reservas de reavaliação deveriam ser mantidos até a sua efetiva realização ou estornados até o final do exercício social de 2008, a Lei nº 11.941/2009, fruto da conversão da Medida Provisória nº 449/08, estabeleceu o Regime Fl. 764DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 765 9 Tributário de Transição (RTT) para tratamento dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos de apuração contábil dados pela Lei nº 11.638/2007. E procedeu ao estorno, abrigada pelo RTT. Segundo seu entendimento, as alterações promovidas pela Lei nº 11.638/2007 não teriam efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Resumindo, aduz que a Lei nº 11.638/2007 não é norma tributária, mas, sim, de natureza societária. Logo, as modificações e limitações impostas pela referida lei e pelas demais normas contábeis a elas correspondentes dizem respeito, única e exclusivamente, a aspecto societário, com absoluta neutralidade fiscal. Dessa forma, reputa o estorno da reserva de reavaliação, como legítimo sem qualquer reflexo ou conseqüência tributária. Argumenta ainda que o laudo produzido para a reavaliação do imóvel não mais subsistia no momento da entrega do imóvel à SIMPAR, e que a operação deuse a valor contábil, mesmo sem considerar o valor da reserva, o que não é vedado do ponto de vista fiscal, já que o próprio art. 464, § 1º do RIR/99, contempla, como hipótese que não caracteriza a distribuição disfarçada de lucros (DDL), a devolução de participação societária a acionista mediante a entrega de bens ou direitos a valor contábil ou de mercado. Não se confundindo valor de mercado com reserva de reavaliação. Transcreve acórdão exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com o objetivo de demonstrar que há distinção entre valor de mercado e reavaliação. A avaliação a mercado é um critério que pode ser eleito nas operações de fusão, cisão e incorporação (ou a valor contábil), sendo exigido laudo elaborado especificamente para essa finalidade. Já na reavaliação a pessoa jurídica espontaneamente reavalia seu ativo, sem objetivo de alienação, constituindo a reserva de reavaliação. Também reproduz julgados do CARF, nos quais demonstrase que é imprescindível, para a caracterização da DDL, que o Fisco prove o valor de mercado do bem objeto da operação de alienação. Tendo em vista, que o laudo de reavaliação espontânea não se presta à apuração de valor de mercado para fins de alienação do respectivo bem, a fiscalização não teria logrado êxito em provar o valor de mercado do imóvel. Sustenta que a doutrina defende que um dos aspectos fundamentais para a caracterização da DDL é a vantagem auferida pela pessoa beneficiada. Entretanto, no caso em tela, a operação analisada pela fiscalização e objeto das autuações, em nenhum momento, foi prejudicial ao Fisco nem, tampouco, gerou qualquer tipo de vantagem patrimonial à acionista da impugnante. Ademais o imóvel entregue à SIMPAR não foi objeto de subseqüente alienação a terceiro, demonstrando que a entrega do imóvel, teve como único objetivo a devolução de participação societária. Por fim, argumenta que a entrega do imóvel à SIMPAR, representa ainda que de forma indireta, a restituição de um bem que já lhe pertencia, Fl. 765DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 766 10 corroborando a tese de que o objetivo da operação, em nenhum momento, foi disfarçar a distribuição de qualquer lucro. Diante do exposto, requer que as autuações sejam julgadas totalmente improcedentes, desconstituindose os créditos lançados.” A 1ª Turma de Julgamento da DRJRPO entendeu serem improcedentes as razões de impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme denota a ementa da decisão abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 REAVALIAÇÃO DE BENS A partir de 1º de janeiro de 2008, data de vigência da Lei nº 11.638/2007, vedouse às empresas a possibilidade de fazer, de forma espontânea, registros contábeis de reavaliação de ativos, face à extinção da conta “Reservas de Reavaliação”. Entretanto, o saldo existente em 31/12/2007, caso mantido de acordo com o artigo 6º da mesma lei, somente poderá ser computado em conta de resultado ou na determinação do lucro real quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE ATIVO. ESTORNO DA RESERVA NA DEVOLUÇÃO DE BENS REAVALIADOS. Cabível a desconsideração de estorno de reserva de reavaliação, se demonstrado que esse estorno foi realizado somente para ocultar a existência do valor agregado ao bem mediante prévia reavaliação e assim esquivar a contribuinte dos efeitos tributários da realização da reserva ocorrida no momento da devolução do bem, nos termos do artigo 435 do RIR/99. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. NEGÓCIOS EM CONDIÇÕES DE FAVORECIMENTO DE PESSOA LIGADA. Presumese DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS o negócio pelo qual a pessoa jurídica realiza com pessoa ligada qualquer negócio em condições de favorecimento, assim entendidas as condições que sejam mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão acima, a recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário reforçando os argumentos expostos na impugnação. É o relatório. Voto Fl. 766DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 767 11 Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. O contribuinte teve ciência do acórdão de impugnação no dia 12/04/2017, e interpôs Recurso Voluntário em 10/05/2017; tempestivamente, portanto. Assim, preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conheço do presente recurso. Tratase de auto de infração que enquadrou os fatos apurados como distribuição disfarçada de lucros, em decorrência da devolução de participação societária a uma das acionistas da fiscalizada, por meio da entrega de um bem imóvel por valor notoriamente inferior ao de mercado. Mais especificamente: a autuada devolveu a uma de suas acionistas, em contrapartida de redução de capital social, um imóvel registrado pelo valor de R$ 6.085.272,00, desconsiderando o valor da reserva de reavaliação referente ao bem no montante de R$ 54.763.004,04 anteriormente escriturado. Dessa forma, ao constatar que o imóvel avaliado em R$ 60 milhões (custo originário + reserva de reavaliação) foi transferido a empresa ligada por um montante de R$ 6 milhões (valores aproximados); e, não tendo aceito a justificativa para tamanha diferença, a autoridade fiscal lavrou auto de infração enquadrando os fatos na hipótese de distribuição disfarçada de lucros, constituindo créditos de IRPJ e CSLL sobre a diferença entre o suposto valor de mercado do bem imóvel e o valor considerado na operação de redução da participação societária da Recorrente. A decisão recorrida ratifica os termos da autuação apontando que a devolução da participação societária deveria ser feita a valor contábil ou a valor de mercado, diferentemente do procedido pelo contribuinte. A recorrente inicia seu apelo afirmando que a Turma Julgadora não interpretou corretamente o artigo 464, §1º, do RIR/99, pois a apuração do valor – contábil ou de mercado – da reserva, é irrelevante para fins de caracterização da Distribuição Disfarçada de Lucros, ou seja, independentemente do valor atribuído ao bem, sua entrega ao sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, não caracteriza a distribuição disfarçada de lucros. Nessa esteira, afirma que se a devolução do Imóvel a acionista por valor de mercado, em decorrência de redução de capital social, não caracteriza distribuição disfarçada de lucros, a entrega do referido bem em montante notoriamente inferior, ainda que não o valor contábil, igualmente não poderia ensejar a referida caracterização, pois quem pode o mais, pode o menos. Dado o ensejo, atentase ao dispositivo em comento: Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica: I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; (...) Fl. 767DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 768 12 § 1º O disposto nos incisos I e IV não se aplica nos casos de devolução de participação no capital social de titular, sócio ou acionista de pessoa jurídica em bens ou direitos, avaliados a valor contábil ou de mercado. O parágrafo 1º do dispositivo acima, remete ainda, ao art. 22 da Lei nº 9.249/1995, transcrito abaixo: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou a acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Pois bem. O §1º do art. 464 do RIR/99 é bem claro ao afirmar que os bens e direitos que forem entregues a título de devolução de participação no capital social de acionista de pessoa jurídica em bens a valor contábil ou de mercado, não são aptos a ensejar a hipótese de distribuição disfarçada de lucros. Conforme relatado anteriormente, a empresa SIMPAR era acionista da recorrente, a evidência que, a entrega do imóvel para a acionista teve como contrapartida, justamente, a devolução de parte da participação social que a acionista detinha na recorrente. Sendo assim, resta saber se o bem imóvel fora, de fato, devolvido a valor contábil ou de mercado, para verificar o enquadramento dos fatos ao disposto no §1º do art. 464, RIR/99, como pretende a recorrente. O relatório fiscal registra terem sido emitidos dois laudos. O primeiro no final de 2007, cujo escopo discrimina toda a fundamentação técnica e mercadológica do Valor de Venda do Bem, em 2007. O segundo laudo reratifica aquele valor, denominandoo, então, de Valor Contábil do Bem. Desta forma, o laudo da recorrente, de forma expressa, confirmou que o valor contábil aproximado do bem era R$ 60.850.000,00. A empresa, por seu turno, esclarece que esse valor contábil era composto pelo valor do custo originário e pela reavaliação do imóvel. Porém, após o estorno da reavaliação, o valor contábil teria ficado restrito ao valor do custo originário do bem. Nessa esteira de raciocínio, explica que a reavaliação tem a finalidade de assegurar a reposição do bem reavaliado, considerando o lucro em potencial do exercício da atividade operacional da pessoa jurídica. Logo, o fato superveniente que torne impossível a obtenção desse lucro por meio desse mesmo bem, justificaria o estorno da reavaliação. Em sentido oposto, a Turma Julgadora sustentou que a reserva de reavaliação fora extinta pela Lei nº 11.638/2007, e em seu lugar foram criados os ajustes de avaliação patrimonial. Informou que o legislador ofereceu a opção para aqueles saldos de reserva já constituídos, de que fossem mantidos até sua efetiva realização ou estornados até o final do ano de 2008. Logo, o estorno feito pelo contribuinte em 2012, não poderia ser aceito pois já teria transcorrido o prazo legal para a realização do estorno de reserva de reavaliação patrimonial. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 769 13 Todavia, assiste razão à recorrente quando afirma que a lei nº 11.638/2007 não é norma de direito tributário, e sim, de natureza contábil, sendo que as modificações e limitações por ela impostas dizem respeito, exclusivamente, a aspectos contábeis. Isso porque, o Governo Federal editou a Medida Provisória nº 449 (MP nº 449/08), justamente com o objetivo de neutralizar os impactos fiscais decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis, na apuração das bases de cálculo de tributos federais, de modo a reduzir a insegurança jurídica criada nos contribuintes em razão da vigência da lei nº 11.638/07 que alterou diversas regras contábeis brasileiras, de modo que as normas pátrias convergissem com o padrão internacional, conhecido como International Financial Standards – IFRS. Esta MP nº 449/08 foi posteriormente convertida na lei nº 11.941/09, e criou o Regime Tributário de Transição (RTT) que, por seu turno, tinha a finalidade de preservar o princípio da neutralidade fiscal das mudanças inseridas no padrão contábil brasileiro, a evidência de sua exposição de motivos que indica como um de seus objetivos, justamente, “neutralizar os impactos dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, na apuração das bases de cálculos de tributos federais”. Sem embargo, cumpre destacar a disposição do art. 16 da Lei nº 11.941/09: Art. 16. As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Parágrafo único. Aplicase o disposto no caput deste artigo às normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e pelos demais órgãos reguladores que visem a alinhar a legislação específica com os padrões internacionais de contabilidade.” Logo, tendo em vista a neutralidade fiscal determinada pelo RTT, entendo serem aplicáveis ao caso em análise os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, o que exclui a limitação temporal que impedia o estorno a partir de 1 de janeiro de 2009, determinada pela lei nº 11.638/07. Constatada a possibilidade de realização do estorno após o ano calendário 2008, conforme as normas vigentes em 31 de dezembro de 2007, resta averiguar a plausibilidade do motivo pelo qual foi feita a reavaliação patrimonial do Fl. 769DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 770 14 bem imóvel posteriormente estornado, (a Fazenda Santa Rosa do Furado) bem como o motivo que fundamentou o estorno da reserva de reavaliação patrimonial do ativo. Fazse necessário a investigação sobre as razões que motivaram o estorno da reserva de reavaliação pois, caso sejam plausíveis, verificarseá a redução do valor contábil do imóvel de R$ 60.845.275,86 para R$ 6.085.272,00. Para o esclarecimento de tais razões, destacase do relatório fiscal os tópicos a seguir transcritos: (...) Fl. 770DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 771 15 Fl. 771DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 772 16 (...) (...) Fl. 772DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 773 17 Como se detrai dos excertos acima, no item 10, letra “D”, do Contrato Administrativo nº 318/2003, decorrente do edital de licitação pública para outorga de Concessão dos Serviços de Implantação e Operação do Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos do Município do Rio de Janeiro – CTR RIO, o contratante deveria comprovar ter capital social integralizado ou patrimônio líquido superior a R$ 60.000.000,00. Dessa forma, reputo que havia razão para a recorrente proceder a reavaliação do bem imóvel de modo que o laudo de reavaliação possibilitou que a recorrente obtivesse o patrimônio líquido mínimo exigido pelo contrato administrativo. Isso porque, no Laudo para determinação do Valor de Mercado para Venda (fls. 536/548), cujo o método de avaliação utilizado foi o comparativo de dados do mercado, verificase que o Valor de Venda do imóvel em dezembro de 2007 era R$ 60.850.000,00, atendendo, portanto, ao requisito firmado no item 10, letra “D”, transcrito alhures. A esse respeito, cumpre ressaltar, não houve qualquer objeção da fiscalização quanto a metodologia e critérios adotados pelo Laudo, ou quanto ao valor atribuído ao imóvel pelo mesmo. Ainda, denotase do laudo de avaliação mencionado, considerações sobre a futura destinação a ser conferida ao imóvel, ou seja, a implantação de um aterro sanitário. Vejamos: Fl. 773DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 774 18 Em vista disso, é possível estabelecer que ambos os laudos de reavaliação do imóvel – o primeiro em 2007 e o segundo em 2008, ratificando o valor indicado no primeiro – levaram em consideração a finalidade que seria dada ao imóvel, seja pelo atendimento ao pressuposto no contrato, seja pela expressa menção constante no laudo de reavaliação. No relatório fiscal, também, fica consignado que o valor do imóvel é composto pelo seu valor original acrescido da respectiva reserva de reavaliação do bem. Senão, vejamos: Destarte, se a reavaliação do bem levou em consideração o empreendimento que nele seria implantado, mas que, por razões alheias à vontade da contratante – a falta de licenças ambientais – não foi implantado, é razoável concluir que a reavaliação restou prejudicada. Pelo mesmo motivo, não se poderia considerar ocorrida a realização da reserva de reavaliação. Caso houvesse sido realizada a reserva de reavaliação, poderseia considerar ocorrida a alienação do bem por valor notoriamente inferior ao de mercado. No entanto, as situações de fato descritas neste processo, denotam a frustração da expectativa que motivou a reavaliação do imóvel, sendo deferido ao contribuinte dar o bem ao seu acionista pelo valor contábil (a este ponto coincidente com o valor do custo original), a título de devolução da participação do acionista, conforme art. 22 da Lei nº 9.249/95. Assim, entendo ser correto o estorno da reserva de reavaliação, de forma que o valor contábil do bem, antes composto por esta reserva (R$ 54.763.004,04) acrescida do valor originário do bem (R$ 6.085.272,00), foi limitado ao valor deste último, o qual foi reduzido da participação da empresa SIMPAR, conforme os lançamentos contábeis abaixo: Fl. 774DF CARF MF Processo nº 12448.722492/201693 Acórdão n.º 1302002.395 S1C3T2 Fl. 775 19 Logo, satisfatoriamente justificadas a razão da constituição da reserva de reavaliação em comento e o motivo pelo qual se operou o estorno da mesma, além de não ter havido qualquer oposição da autoridade fiscal quanto à metodologia, os critérios ou ao valor atribuído ao imóvel no laudo de avaliação deste, entendo ter a devolução da participação ocorrido a valor contábil, assim, restando configurada a hipótese prevista no §1º do art. 464 do RIR/99. Conclusão Em face do exposto, voto por DAR provimento do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 775DF CARF MF
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