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Numero do processo: 10715.006165/2009-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 61 65 /2 00 9- 39 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006165/200939 Acórdão n.º 3801005.336 S3TE01 Fl. 88 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006165/200939 Acórdão n.º 3801005.336 S3TE01 Fl. 89 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 55.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada à fl. 10, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 17 a 25, argumentando, em síntese, que: a) não houve subsunção do fato acusado com a hipótese normativa prevista no art. 107, inciso IV da Lei n° 10.833, de 2003; b) ocorreu violação ao princípio da razoabilidade; c) a exigência para que os dados de embarque sejam registrados no exato momento da saída da aeronave é exacerbada; d) há um excesso de punição, não pode ser considerado cada um dos vôos realizados como base para a aplicação da multa; e e) o registro intempestivo dos dados de embarque das mercadorias não se confunde com a falta de prestação de referidas informações.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006165/200939 Acórdão n.º 3801005.336 S3TE01 Fl. 90 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando ainda que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006165/200939 Acórdão n.º 3801005.336 S3TE01 Fl. 91 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) Originalmente a IN SRF n° 28, de 27/04/1994 previa em seu art. 37 que o registro dos dados pertinentes no SISCOMEX deveria ser efetuado imediatamente após realizado o embarque da mercadoria: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (grifei) A IN SRF n° 510/2005, que entrou em vigor em 15/02/2005, veio dar nova redação ao art. 37 da IN SRF n° 28/1994, determinando que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da inaplicabilidade de infração com base no disposto na redação original do art. 37 da IN SRF n° 28, de 27/04/1994 Verificase que os fatos que geraram a aplicação das multas ocorreram no início de 2005, ou seja, no período em que vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria ". Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006165/200939 Acórdão n.º 3801005.336 S3TE01 Fl. 92 6 Entendo que se trata de regra incerta e a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Como ressalta bem, o I. Relator José Luiz Novo Rossari, no processo de n° 10715.006280/200911, acórdão de n° 320200.364, de 01/09/2011: A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que "imediatamente após" não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão "imediatamente após" não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria" não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Como parte dos fatos que originaram este processo ocorreu entre 6/2/2005 e 11/2/2005, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, "a", da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784/1999, que rege o processo administrativo. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006165/200939 Acórdão n.º 3801005.336 S3TE01 Fl. 93 7 Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Assim devem ser exoneradas as multas relativamente aos fatos que ocorreram até 14/2/2005, no qual vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994. À vista do exposto, dou provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges . Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.007336/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa:
DECADÊNCIA. IRRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. DECADÊNCIA. Rege-se pelo disposto no art. 173, I do CTN o prazo decadencial para lançamento de imposto de renda retido na fonte em decorrência de pagamentos efetuados pelo contribuinte sem causa determinada ou a beneficiário não identificado.
IRRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O pressuposto material para que seja configurada a hipótese de aplicação da alíquota de IRRF de 35% prevista no artigo 61 da Lei n. 8.981/95 é a efetiva ocorrência de pagamento. Ausente a comprovação, pela Fiscalização, de que houve efetivo pagamento pelo contribuinte a terceiros, impõe-se o cancelamento da exigência de IRRFonte correspondente.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-001.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: DECADÊNCIA. IRRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. DECADÊNCIA. Rege-se pelo disposto no art. 173, I do CTN o prazo decadencial para lançamento de imposto de renda retido na fonte em decorrência de pagamentos efetuados pelo contribuinte sem causa determinada ou a beneficiário não identificado. IRRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O pressuposto material para que seja configurada a hipótese de aplicação da alíquota de IRRF de 35% prevista no artigo 61 da Lei n. 8.981/95 é a efetiva ocorrência de pagamento. Ausente a comprovação, pela Fiscalização, de que houve efetivo pagamento pelo contribuinte a terceiros, impõe-se o cancelamento da exigência de IRRFonte correspondente. Recurso voluntário provido.
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COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. Recorrida DRJ Curitiba - PR Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: DECADÊNCIA. IRRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. DECADÊNCIA. Rege-se pelo disposto no art. 173, I do CTN o prazo decadencial para lançamento de imposto de renda retido na fonte em decorrência de pagamentos efetuados pelo contribuinte sem causa determinada ou a beneficiário não identificado. IRRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O pressuposto material para que seja configurada a hipótese de aplicação da alíquota de IRRF de 35% prevista no artigo 61 da Lei n. 8.981/95 é a efetiva ocorrência de pagamento. Ausente a comprovação, pela Fiscalização, de que houve efetivo pagamento pelo contribuinte a terceiros, impõe-se o cancelamento da exigência de IRRFonte correspondente. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAUJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Segunda Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba (PR), assim ementado, verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: PAGAMENTOS SEM CAUSA. A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à aliquota de 35%, a titulo de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. Dispondo expressamente a lei que o imposto vence no próprio dia em que ocorrer o pagamento sem causa a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, por se tratar de fato gerador instantâneo, a autoridade fiscal pode efetivar o lançamento já no dia seguinte ao do inadimplemento, no curso do próprio ano- calendário. Por conseqüência, o primeiro dia do ano-calendário seguinte assinala o termo inicial da decadência, a teor do art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, mantém-se a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento). JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFICIO. Não compete à autoridade julgadora se manifestar sobre eventos futuros e incertos, não presentes no lançamento, como é o caso da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. Lançamento Procedente’ O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007336/2007-45 Acórdão n.º 1102-001.205 S1-C1T2 Fl. 2 3 0 auto de infração de fls. 189 a 206, exige R$ 1.657.213,13 de imposto de renda retido na fonte, acrescido de multa de oficio qualificada, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e juros moratórios em decorrência falta de recolhimento do imposto retido na fonte sobre suposta devolução de empréstimos escriturados no livro razão, efetuados a sócios e pessoas não identificadas, sem a devida comprovação da origem, conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 183 a 188, acompanhado das planilhas de fls. 178 a 180. 2. A base legal para a exigência 6' o artigo 674 e § 1 o do RIR, de 1999 que reproduz o disposto no artigo 61 e § 1 o da Lei n° 8.981, de 1995. 3. A ciência do auto de infração ocorreu em 22/06/2007 e, a interessada apresentou a impugnação de fls. 232 a 245, acompanhada dos documentos de fls. 247 a 371, onde alega em preliminar que a exigência, na forma em que levada a efeito, não pode prosperar. Ainda, em preliminar, pede que os autos de infração 10980.007322/2007-21, 10980.007323/2007-76, 10980.007325/2007-65 e 10980.007337/2007-90, sejam examinados e julgados em conjunto. 4. Repudia as ilações e presunções contidas nos autos, em relação a sua vinculação com outras pessoas, em primeiro porque nada foi comprovado e demonstrado nesse sentido e por outra, por se tratar de raciocínio viciado dos auditores, a partir de antigos vínculos societários, hoje inexistentes. Sustenta que Maria de Lourdes Santos Chevornagura, sócia da ora impugnante e Saul Chevornagura Trosman, impetraram ação judicial contra Isidoro e Rolando Rozemblum, conforme peças que anexa ao processo, além do que, na Ação Penal n° 2004.70.00.008143-3 da 2 Vara Federal Criminal, por meio das informações prestadas por Saul e Maria de Lourdes que o Ministério Público Federal e o Poder Judiciário, obtiveram suporte probatório para condenar Isidoro e Rolando Rozembum. Na seqüência, transcreve trecho da peça recursal em favor de Saul e Maria de Lourdes, cuja cópia também foi anexada ao processo. 5. Discorda da qualificação da multa que, em seu entender, está amparada em três motivos, quais sejam: 1 o o fato de a contribuinte ter, em tese, como sócia, empresa offshore, sediada no Uruguai, o que caracterizaria a existência de interposta pessoa; 2 o o fato de as irregularidades constatadas serem continuas durante os anos de 2002 a 2004 e; 3 o O fato de que a omissão de receitas caracterizada por diferenças no estoque, em tese, configura crime de descaminho e contrabando. 6. Sustenta que nenhuma das situações apontadas é suficiente e hábil para caracterizar a sonegação fiscal prevista no inciso I do artigo 71, da Lei n°4.502, de 1964, utilizada pelo fisco, mesmo porque em relação ao primeiro e terceiro motivo, a autoridade fiscal frisou tratar-se de situação em tese, ou seja, os fatos não Fl. 462DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 restaram efetivamente confirmados. Alega que a autoridade fiscal não tem competência para tratar ou fiscalizar o comércio exterior, razão pela qual não trouxe prova concreta e efetiva da existência de contrabando ou descaminho. Argumenta no sentido de que se tivesse ocorrido contrabando ou descaminho, tratar-se-ia de matéria de competência aduaneira, de fraude às importações, a ser apurada em outro processo e por outros fiscais. 7. Na seqüência transcreve uma série de decisões do Conselho de Contribuintes que sustenta que a multa qualificada só é cabível quando e se restar comprovada a intenção dolosa do contribuinte, desta forma, entende ter demonstrado a improcedência da multa qualificada. 8. Outro ponto atacado na defesa diz respeito a que os efeitos da decadência já teriam atingido os fatos geradores ocorridos até 22 de maio de 2002, tendo em vista que a ciência da exigência se deu em 22 de junho de 2007, portanto, há mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do artigo 150, § 40 do Código Tributário Nacional. Mais uma vez lança mão de jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Camara Superior de Recursos Fiscais. 9. Relativamente à infração que está sendo imputada, afirma ser improcedente o lançamento pois a norma contida no artigo 674 do RIR de 1999 pode ser desdobrada em duas hipóteses a saber: a) todo o pagamento feito a beneficiário não identificado e, b) pagamentos feitos a terceiros ou sócios, quando não comprovada a operação ou a causa. 10. Estando afastada a aplicação do caput do artigo, posto que a própria autoridade fiscal identificou os beneficiários das devoluções, resta saber se as operações podem ser tratadas como operação sem causa e, neste particular, desenvolve toda sua argumentação, para, ao fim, concluir dizendo: ... A pretendida tributação neste processo, ‘data-vênia ‘, mostra-se absolutamente contraditória, inconciliável e fora do espirito legal, pelo que se espera o seu integral cancelamento.’ 11. Em item próprio, ataca a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, por ser indevida, devendo ser aplicada conclusão adotada pelo Conselho de Contribuintes. 12. Ao final, requereu, preliminarmente, a desqualificação da multa de oficio e o reconhecimento dos efeitos da decadência tributária para os meses de janeiro a maio de 2002, e, no mérito, o cancelamento da exigência.” O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação pelos motivos sintetizados na ementa descrita acima. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte suscita preliminar de decadência relativa aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 22/06/2002. No mérito, reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à (i) inexistência de Fl. 463DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007336/2007-45 Acórdão n.º 1102-001.205 S1-C1T2 Fl. 3 5 pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados; (ii) impossibilidade de cobrança de juros sobre multa; e (iii) descabimento da aplicação da multa qualificada. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. (i) Preliminar de Decadência Aduz a Contribuinte que, considerando-se a ciência do auto de infração em 22/06/2007, os créditos tributários de IRRF referentes aos períodos de apuração até 22/06/2002 teriam sido atingidos pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. O acórdão recorrido atesta, por seu turno, que o referido artigo não poderia ser aplicado ao caso, pois o lançamento de IRRF de 35% em virtude da verificação do pagamento sem causa, na dicção do art. 61 da Lei nº 8.981/95, é atividade exclusiva da autoridade lançadora, não sendo possível ao contribuinte fazer o recolhimento antecipado do referido valor, sendo, portanto, aplicável a regra prevista no art. 173, I do CTN. Confira-se (fls. 397): “18. Nas hipóteses legalmente previstas de pagamentos a beneficiários não identificados ou de pagamentos sem causa não se sustenta a aplicação do prazo decadencial do §4º. do art. 150 do CTN, visto que a lei não atribuiu ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o IRRF devido, antes de qualquer procedimento de oficio, mas, pelo contrário, atribuiu ao Fisco o dever de efetuar o lançamento de oficio, quando apurada qualquer daquelas hipóteses de incidência descritas na norma jurídica.” Sendo aplicável a regra do art. 173, I do CTN, o termo de início para a contagem da decadência seria 01/01/2003, findando-se, portanto, em 31/12/2007, o que afastaria a preliminar de decadência argüida pela Contribuinte. O Superior Tribunal de Justiça já consolidou entendimento, sob o rito dos recursos repetitivos (REsp 973.733/SC), de que somente é aplicável o prazo decadencial na forma prevista no art. 150, § 4º do CTN aos casos em que o contribuinte comprove o pagamento antecipado do tributo (objeto da homologação). Caso contrário, aplica-se a sistemática de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I do CTN. Ausente no caso recolhimento antecipado de IRRF em relação aos valores lançados, impõe-se rejeitar a preliminar de decadência suscitada conforme citada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, de observância obrigatória pelo CARF na forma do art. 62-A de seu regimento interno. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 (ii) Mérito: inexistência de pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados Sustenta a Contribuinte ser ilegítima a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95 (pagamento sem causa), pois, além do IRRF, a Fiscalização lavrou lançamentos para constituição de créditos de IRPJ e reflexos decorrentes de alegada omissão de receitas provenientes dos recursos de caixa (supostamente) fornecidos à Contribuinte por administradores, sócios ou acionistas, nos termos do art. 282 do RIR/99. Aduz que os valores pagos aos sócios seriam devolução de mútuo, argumento este que não poderia ser rejeitado, pois a própria Fiscalização havia reconhecido a entrada de recursos na empresa provenientes dos sócios (omissão de receitas), o que legitimaria a sua tese de que se tratava de valores originados de operações de mútuo. Veja-se, nesse sentido, transcrição do recurso voluntário que se reporta a um precedente do CARF (fls. 429). Verbis: “Na verdade o pagamento sem causa terá que estar sempre isolado de qualquer outra operação. Esse é o espirito da lei. Se uma operação — suprimento de numerário — está sendo tributada pela não comprovação dos recursos entregues à empresa, a conclusão inarredável é a de que a devolução tem como causa o pagamento do empréstimo antes efetuado. De outro lado, as mesmas verbas, o suprimento - que é uma entrega de recursos a empresa - e a sua devolução passam a ser multi tributadas, o que é absurdo. Sim, porque, no caso concreto, o que se tem é uma mesma suposta infração com reflexos no IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, além desta exigência de IRF (veja-se, em especial, o processo administrativo - fiscal n° 10980.007322/2007-21, de IRPJ e decorrências). Tributa-se o suprimento como se não existisse operação, mas se lhe dá um tipo que é o suprimento de numerário, tributando-o. E esse tipo que passou a ser tido como operação, quando de sua devolução ao mutuante deixa de ser uma operação e ainda pagamento sem causa? Por outro aspecto, se os suprimentos foram tributados na pessoa jurídica, não há como tomar uma parte deles, a devolução, e dar tratamento autônomo de tributação que a lei diz que é exclusiva. Ou seja, nenhuma outra é aplicável.” O acórdão recorrido, por seu turno, entendeu que as hipóteses legais de tributação da omissão de receitas e do pagamento sem causa são autônomas, não sendo caso de bitributação. Verbis (fls. 402): “42. Adite-se que não é caso de bitributação, muito menos de caráter penal, eis que a tributação na fonte tratada aqui, não se confunde em nada com receita omitida. Ao contrário, se trata de tributação autônoma erigida pelo legislador, mediante o disposto no art. 61 e §§ da Lei n° 8.981, de 1995, sujeitando ao Imposto de Renda na Fonte, a alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), a partir de janeiro de 1995, a hipótese de pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou a sócios, contabilizados ou não, sem comprovação da operação ou da sua causa.” Pois bem. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007336/2007-45 Acórdão n.º 1102-001.205 S1-C1T2 Fl. 4 7 Dispõe o art. 61 da Lei nº 8.981/95 que: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.” Esta Turma de Julgamento já decidiu que, como pressuposto material para que seja configurada a hipótese legal de aplicação da alíquota de IRRF de 35% prevista no artigo reproduzido acima, faz-se necessária a demonstração efetiva de que, de fato, houve pagamento. Veja-se, nesse sentido, trecho do Acórdão 1102-000.947, da lavra do ilustre Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé em sessão de julgamento ocorrida em 09/10/2013. Confira-se: “Consoante o disposto no caput e no § 1o acima transcrito, a efetuação do pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte. O § 2o reforça essa assertiva, ao determinar que a incidência do imposto ocorre no dia do pagamento, seja este “sem causa” ou “a beneficiário não identificado”. Para a aplicação deste dispositivo, portanto, o primeiro pressuposto é que não pode haver dúvida quanto à efetividade do pagamento (saída de numerário da empresa), cujo ônus da prova é do fisco, que deve, portanto, individualizar com clareza os valores e as datas em que estes ocorreram.” A verificação da existência ou não da causa deve ocorrer após a comprovação inequívoca que houve, de fato, pagamento. No caso, verifica-se que o lançamento fiscal se valeu tão somente de documentos contábeis (razão contábil) para basear a sua acusação. Não se restou demonstrado, mediante extratos bancários, comprovantes de transferências ou cópias de cheques que os valores, de fato, foram pagos ou saíram efetivamente do caixa da pessoa jurídica. Neste particular, é válido reproduzir trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 200): “INFRAÇÕES COMETIDAS IMPOSTO DE RENDA NA FONTE- Por todo o exposto, Ficou constatado pelos lançamentos contábeis, conforme livro razão fotocópias de fls.166 a 177, que a empresa objeto dos nossos trabalhos pagou aos sócios e pessoas não identificadas, valores a titulo de devolução de empréstimos, sem esclarecer e tampouco comprovar ao fisco federal a origem dos recursos.” (grifou-se) A documentação contábil não é suficiente para comprovar o fato objeto de acusação no lançamento, pois tal documentação, nos termos art. 923 do RIR/99, faz prova somente a favor do contribuinte quando amparada em documentação hábil e idônea. Na hipótese, a Fiscalização deveria se valer de outros instrumentos para a produção de provas que demonstrassem que, efetivamente, houve pagamento (saída de numerário da empresa), tais Fl. 466DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 8 como comprovantes de depósito em contas de terceiros, cópias de cheque, extratos bancários etc.. Dada a ausência do pressuposto material para a aplicação do art. 61 da Lei 8.981/95, o lançamento não deve prevalecer, restando prejudicadas as demais questões de mérito aduzidas no recurso voluntário. (iii) Conclusões Diante de todo o exposto, orienta-se voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Fl. 467DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13767.000311/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11
Enquanto não há constituição definitiva do crédito tributário, sequer tem início a contagem do prazo prescricional,. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, consoante a Súmula CARF nº 11:
IRPF. DESPESAS COM NUTRICIONISTA.
Pagamento efetuados a nutricionista são indedutíveis por falta de previsão legal, notadamente quando efetuado em favor de pessoa que não é dependente.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS COM PESSOA NÃO DEPENDENTE, INDEDUTIBILIDADE.
São indedutíveis gastos com pessoa que não constam do rol de dependentes na Declaração de Ajuste Anual.
IRPF. DESPESAS COM FISIOTERAPEUTA. AUSÊNCIA DE ENDEREÇO SANADA COM APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL.
Deve-se restabelecer a dedução de despesas médicas, quando o único óbice apontado no acórdão de primeira instância é a falta de endereço e isto é sanado com declaração do profissional apresentada juntamente com o recurso voluntário.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário restabelecer dedução de R$4.000,00 (quatro mil reais) a título de despesas médicas e excluir do lançamento a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial em menor extensão.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheria Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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INAPLICABILIDADE DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11 Enquanto não há constituição definitiva do crédito tributário, sequer tem início a contagem do prazo prescricional,. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, consoante a Súmula CARF nº 11: IRPF. DESPESAS COM NUTRICIONISTA. Pagamento efetuados a nutricionista são indedutíveis por falta de previsão legal, notadamente quando efetuado em favor de pessoa que não é dependente. IRPF. DESPESAS MÉDICAS COM PESSOA NÃO DEPENDENTE, INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis gastos com pessoa que não constam do rol de dependentes na Declaração de Ajuste Anual. IRPF. DESPESAS COM FISIOTERAPEUTA. AUSÊNCIA DE ENDEREÇO SANADA COM APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL. Devese restabelecer a dedução de despesas médicas, quando o único óbice apontado no acórdão de primeira instância é a falta de endereço e isto é sanado com declaração do profissional apresentada juntamente com o recurso voluntário. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 03 11 /2 00 8- 14 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário restabelecer dedução de R$4.000,00 (quatro mil reais) a título de despesas médicas e excluir do lançamento a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial em menor extensão. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheria Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2006, anocalendário 2005, devido a glosa de dedução de despesas médicas e omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. O valor total das despesas médicas glosadas foi de R$21.000,00, a saber (fls. 06): Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13767.000311/200814 Acórdão n.º 2802003.270 S2TE02 Fl. 158 3 a) R$7.000,00 referente a Fernanda Caliman por não ter sido indicado endereço e CPF, por ser dedução sem amparo legal, além de o valor de R$5.000,00 referirse a despesas com pessoa não dependente; b) R$14.000,00 relativo a Adriano Augusto Alves por faltar a indicação de endereço, por ser dedução sem amparo legal, bem como haver valor de R$10.000,00 referente a pessoa não dependente. A omissão de rendimentos foi no valor de R$ 52.307,44 e decorreu de processo judicial trabalhista (RT 1560.1990.141.17.008), tendo sido subtraído do valor bruto o FGTS e os honorários advocatícios. Na impugnação, o contribuinte alegou que os documentos anexos comprovavam a legitimidade da dedução das despesas médicas e que a omissão de rendimentos baseouse em erro contido na DIRF emitida pelo DETRAN/ES, o que se comprova pelo Comprovante expedido pelo DETRAN, em 24/01/2008. A impugnação foi indeferida sob os fundamentos adiante resumidos: 1. Quanto a Fernanda Caliman, a declaração apresentada para suprir os dados faltantes indica que é nutricionista, o que caracteriza despesa indedutível, além do mais somente R$2.000,00 correspondem a despesas próprias; 2. não foi juntada a alegada declaração .do profissional Adriano Alves que supostamente supriria a falta de menção ao endereço, assim como não é dedutível o valor de R$10.000,00 gasto a favor de pessoa não dependente; 3. os documentos apresentados pelo contribuinte, em fase de diligência, esclarecem a natureza tributável dos rendimentos da Reclamação Trabalhista RT e a ata de audiência de fls. 98 e seguintes informa que houve um acordo para redução da importância líquida a ser paga aos exeqüentes em 15%, correspondente à planilha de fls. 108; a planilha de fls. 118 demonstra que somente o valor histórico de R$19.785,74 foi considerado tributável pelo contribuinte; os juros de mora foram tidos como isentos (R$27.353,14) e somados ao FGTS, compuseram o declarado pelo contribuinte a título de rendimentos isentos, entretanto os juros de mora são tributáveis por expressa determinação legal. A ciência do acórdão ocorreu em 15/03/2012 e o recurso voluntário foi interposto no dia 13/04/2012. Na peça recursal, o contribuinte alega que: 1. as despesas foram efetivamente realizadas e pagas em dinheiro e comprovadas com declarações que os profissionais se dispuseram a apresentar, as quais foram Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 autenticadas em cartório, e que os mesmo cumprem com suas obrigações fiscais como se poderá comprovar mediante análise de suas Declaração de Ajuste Anual apresentadas à RFB; 2. que não houve omissão de rendimentos e sim erro do DETRAN ao informar à Receita Federal, o que já foi corrigido; 3. os juros de mora não são tributáveis conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal – STF;. 4. prescrição, pois passados mais de 5 anos. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Rejeitase a alegação de que ocorreu a prescrição, pois sequer teve início a contagem do prazo prescricional, à medida que não houve a constituição definitiva do crédito tributário a que alude o caput art. 174 do Código Tributário Nacional CTN e, também, por ser aplicável a Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Na Declaração de Ajuste Anual do recorrente não constam dependentes (fls. 41). O recorrente centrou sua defesa na tentativa de provar o pagamento, mas não contestou o fato de que parte das despesas em discussão referiramse a pessoas não dependentes, o que por si só, impede admitilas como dedutíveis, por haver expressa vedação legal (inciso II do §2º do art. 8º da Lei 9.250/1995). São elas: a) R$5.0000,00 como a nutricionista Fernanda Caliman ; e b) R$10.000,00 relativo a Adriano Augusto Alves. Além disso, não houve contestação expressa quanto à manutenção da glosa das despesas com Fernanda Caliman por não ser dedutível a despesa com nutricionista, o que é razão adicional para a glosa do item precedente (“a”) e fundamento suficiente para não admitir a dedução, ainda que a despesa tenha sido com o próprio declarante e que tenha sido suprida a omissão quanto ao CPF e endereço da profissional. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13767.000311/200814 Acórdão n.º 2802003.270 S2TE02 Fl. 159 5 Quanto às despesas com o fisioterapeuta Adriano Augusto Alves, resta analisar um montante de R$4.000,00, cujo óbice anotado no acórdão recorrido foi a falta de indicação do endereço (fls. 129). Ao referirse ao valor de R$4.000,00 a DRJ somente poderia estar se baseando nos recibos de fls. 15 (R$1.500,00 e 1.000,00) e no primeiro dos recibos de fls. 12 (R$1.500,00), os quais não indicam se tratar de despesas com não dependentes. Não cabe ao órgão julgador de segunda instância perscrutar outras razões para não admitir a dedução. O emitente dos recibos forneceu declaração indicando o endereço da Clínica de Fisioterapia, essa declaração foi apresentada com o recurso voluntário (fls. 153) e supre o único óbice objetivamente apontado pelo acórdão recorrido, o que implica o restabelecimento da dedução de R$4.000,00. No tocante à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, o litígio existe porque o Fisco entende que a parcela relativa a juros de mora da ação trabalhista é tributável, enquanto o contribuinte declarouos como isentos e defende essa natureza. O recorrente não demonstra que tenha havido rescisão de contrato de trabalho. As evidências são em sentido contrário, pois o litígio trabalhista foi contra o DETRAN, que no anocalendário continuava como a fonte pagadora do recorrente. Ausente a comprovação da rescisão, os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Ainda que outro entendimento tenha sido adotado no bojo da ação trabalhista não opera efeitos em relação à União que não foi parte na RT e porque lá se analisava exclusivamente a retenção, modalidade de antecipação do imposto devido no ajuste anual. De outro giro, é indubitável que se está em análise a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente – como consignado no lançamento – recebidos em 2005. O acordo firmado com o DETRAN, ocorreu após a liquidação e, na modalidade de redução por valor percentual único, não desnaturou a discriminação por competências trabalhistas e segundo as diversas verbas discriminadas. Embora a omissão de rendimentos tenha sido atacada sob a argumentação da não tributação dos juros de mora, o fato de estar sendo contestada, por si só, vincula o Órgão Julgador a apreciar a legalidade do lançamento, ainda que sob outra problemática jurídica. É mais um caso de tributação de rendimentos recebidos de forma acumulada que requer a interpretação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, similar a muitos outros julgados por este Colegiado. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 A título ilustrativo indico os acórdãos 2802003.233, de 05/11/2014, e 2802 003.209, de 04/11/2014, em que fui o relator. Em síntese: 1. Ainda que, por meio do sítio do Supremo Tribunal Federal na rede mundial de computadores, se tenha notícias do julgamento do RE 614406, em 23/10/2014, até o momento não há comprovação do trânsito em julgado dessa decisão ou mesmo do transcurso do prazo de oposição de embargos de declaração, o que impede que seja adotado entendimento diverso do que decidido pelo STJ; 2. A tese consolidada no STJ foi proferida no REsp 1118429/SP, julgado em 24/03/2010, em acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC, portanto de aplicação obrigatória no CARF. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.( REsp 1118429 / SP) 3. Esse entendimento deve ser implementado nos casos de condenações trabalhistas que sejam compatíveis com a solução encontrada pelo STJ, e não apenas ao casos de benefícios previdenciários. Essa exegese vem sendo adotada pelo próprio STJ. Vejamos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO DE RENDA. VERBAS TRABALHISTAS DECORRENTES DE RESCISÃO. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. JUROS DE MORA. ISENÇÃO. 1. "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ" (REsp 1.118.429/SP, processado sob o rito do art. 543C do CPC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. A Primeira Seção desta Corte, apreciando o REsp 1.089.720/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 28/11/12, consolidou entendimento no sentido de que: (I) a regra geral é a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora (art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/1964), inclusive quando fixados em reclamatórias Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13767.000311/200814 Acórdão n.º 2802003.270 S2TE02 Fl. 160 7 trabalhistas; (II) há isenção de IR: a) quando o pagamento for realizado no contexto de rescisão do contrato de trabalho e b) quando a verba principal for igualmente isenta ou fora do âmbito do imposto, aplicandose o princípio do accessorium sequitur suum principale. 3. Hipótese em que o recorrido, por força de decisão judicial, recebeu, acumuladamente, verbas trabalhistas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1238127/RS, Data do julgamento 20/02/2014. No mesmo sentido: REsp 1410118/PE, data do julgado25/02/2014) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. DIFERENÇAS SALARIAIS RESULTANTES DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 269, IV, DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. DISPOSITIVOS APONTADOS COMO VIOLADOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. SÚMULA 85/STJ. VERBAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. CÁLCULO MÊS A MÊS. IMPOSTO DE RENDA. MONTANTE GLOBAL. ILEGITIMIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C, DO CPC. RESP 1.118.429/SP. (...) 3. Na espécie, não se discute nem o direito ao reenquadramento, nem as normas em que se fundou tal ato, mas questionase apenas os valores correspondentes ao reenquadramento salarial do servidor, isso conforme a opção pelo Plano de Cargos e Salários e de acordo com a pontuação obtida pelo Plano de Avaliação de Desempenho, pelo que não há falar em prescrição do fundo de direito, mas tão somente das parcelas anteriores ao quinquênio que precedeu à propositura da ação. Inteligência da Súmula 85/STJ. Precedentes: AgRg no AREsp. 4.355/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 1/7/2011; AgRg no Ag. 1.213.131/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 1/6/2011; e AgRg no Ag 1.076.183/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 9/3/2009. 4. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.118.429/SP, sob o regime do art. 543C do CPC, assentou o entendimento no sentido de que "o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado", não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 5. Agravo regimental não provido.(AgRg no AREsp 434044/SP, Data do Julgamento 20/02/2014) Em razão de debates que vem se travando neste Colegiado acerca da espécie de provimento, passo a resumir os fundamentos para aplicação da solução que resulta em excluir do lançamento os rendimentos recebidos acumuladamente. a) Haveria uma mudança de critério jurídico. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Citamse excertos de ementas de alguns julgados, que trataram de situações análogas, e operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13767.000311/200814 Acórdão n.º 2802003.270 S2TE02 Fl. 161 9 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) Não há razão para adotar entendimento doutrinário controvertido acerca da interpretação do art. 146 do CTN1 para justificar que não haveria mudança de critério jurídico. Ressaltase que a razão subjacente à norma insculpida no referido dispositivo do CTN é a segurança dos direitos individuais do contribuinte. Se entenderse – à guiza de argumentação – que, em relação ao fatos já ocorridos, não seria possível alterar um critério certo por outro igualmente certo, com muita mais razão, em relação a fatos já ocorridos, seria vedada a mudança de um critério errado por outro certo. b) Não cabimento de revisão de ofício do lançamento A possibilidade de revisão de ofício do lançamento encontra, no mínimo, óbice no parágrafo único do art. 149, uma vez que o prazo decadencial já teria sido ultrapassado. c) O vício material do lançamento representa mais do que mero erro de aplicação de alíquota. Deveria ter sido aplicada a interpretação do art. 12 da lei 7.713/1988 segundo a qual o cálculo do imposto deve levar em conta as tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao contribuinte. Diversamente, o lançamento adotou a interpretação do dispositivo legal que corresponde ao regime de caixa sobre o montante recebido acumuladamente. O vício contido no lançamento não pode ser resumido a um mero erro na aplicação da alíquota. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, a autoridade fiscal empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Reduzir a questão à correção da alíquota implica utilizar no lançamento uma fórmula de apuração em que a base de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente é definida independente do ajuste anual. Todavia, o Ajuste Anual é a regra para os rendimentos da pessoa física e não consta da interpretação dada pelo STJ que essa sistemática (ajuste anual) tenha sido afastada. 1 São exemplos da referida divergência na doutrina: CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário 17 ed. Saraiva, São Paulo, 2005. p. 427; AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13 ed. Saraiva, São Paulo, 2007, p. 351 e ss. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 A título de exemplo, cito trecho do Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas da expostas pela Secretaria da receita Federal indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ: 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. (...) Pelo conjunto de razões acima expostas, a manutenção da exigência com uma nova apuração, na essência, representaria um novo lançamento com outro critério jurídico. Ocorre que não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos mas tão somente afastar a exigência indevida. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de R$4.000,00 (quatro mil reais) a título de despesas médicas e excluir do lançamento a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10073.720149/2007-93
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello (relator) que dava parcial provimento ao recurso voluntário e German Alejandro San Martín Fernández que dava provimento parcial em maior extensão que o relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jaci de Assis Júnior.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos André Ribas de Mello (relator) que dava parcial provimento ao recurso voluntário e German Alejandro San Martín Fernández que dava provimento parcial em maior extensão que o relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração, de fls. 01 e ss., através do qual se exige do contribuinte pagamento a título de Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 20 14 9/ 20 07 -9 3 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 12/03/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO Processo nº 10073.720149/200793 Resolução nº 2802000.214 S2TE02 Fl. 97 2 exercício de 2003, decorrente da glosa de áreas de preservação permanente, por falta de comprovação, e de revisão do Valor da Terra Nua Tributável, também por falta de comprovação por meio de laudo conforme NBR 14653 ABNT, incidindo ainda multa de ofício. Cientificado do lançamento, ingressou o contribuinte com as razões de impugnação (fls. 28 e ss,), fazendo as acompanhar dos documentos de fls.3444 e aduzindo, em síntese, que: ao preencher a DITR/2003 referente ao imóvel rural denominada "Simão Dias" situada no local "Praia do Aventureiro" Ilha Grande no distrito e município de Angra dos Reis RJ, por engano, lançou no item "Distribuição da área do imóvel rural" (n° 02) 96,0 hectares de terras a título de "área de preservação permanente, fato que não foi aceito pela revisão da Receita Federal; embora tenha realmente se enganado quanto ao lançamento acima mencionado, a área aproveitável e tributável da sua propriedade é muito menor que a área total encontrada pela Receita Federal (120 hectares); salienta, em preliminares, que o Impugnante não recebeu qualquer das intimações referidas no item "descrição dos fatos e enquadramento legal" do formulário constante do anverso do já mencionado "demonstrativo de apuração do imposto devido", onde se lê: "Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural"; o Impugnante, por engano, entendeu que deveria lançar toda a área não utilizável de sua propriedade (mata atlântica, costão rochoso, área de marinha, etc.) como área de preservação permanente, o que fez gerar a diferença no imposto apurado e conseqüentemente a multa lançada na notificação ora impugnada. procura demonstrar a seguir as áreas distribuídas e utilizadas do imóvel que considera corretas, com destaque para as áreas ambientais de Preservação permanente (35,0 ha); de Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN (69,0 ha) e de Interesse Ecológico (8,0 ha); deveria o Impugnante ter calculado enquanto área de preservação permanente 20% da área de matas, conforme o ilustramos acima (35,0 ha), incluindo o restante da mata atlântica mais o costão rochoso a título de área de reserva particular do patrimônio natural (69,0 ha) e a área de marinha (beira mar) a título de área de interesse ecológico (8,0 ha), restando enquanto área tributável ,0 8ha, na qual estão plantados entorno de 50.000 pés de coqueiros; tais fatos poderão ser facilmente comprovados por uma perícia "in loco", caso a SRF tenha interesse em realizála, o que entendemos ser absolutamente desnecessário, pois se basta assistir às várias emissoras da televisão brasileira em documentários sobre a Ilha Grande para se constatar que a mesma é coberta quase que em sua totalidade pela mata atlântica; para comprovar e ilustrar os fatos narrados, fez juntar à impugnação o Mapa de Situação do imóvel e seu Memorial Descritivo, elaborados pelo Sr. Ivanildo Torquato Libóno, técnico agrimensor devidamente inscrito no CREA sob o n° 5590 TD/RJ e 5061380060/SP Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 12/03/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO Processo nº 10073.720149/200793 Resolução nº 2802000.214 S2TE02 Fl. 98 3 com endereço profissional na Praça Lopes Trovão n° 40 sala 103 centro em Angra dos Reis RJ, tel. (024)33560210 e (024)33652448; anexou fotos "via satélite" da localização do imóvel, também assinadas pelo profissional agrimensor, onde se permite averiguar que praticamente toda a propriedade (mais de 90%) é coberta por mata atlântica, portanto, área inaproveitável, enquanto mata, para quaisquer fins de utilização para finalidade agropecuária; ante o exposto REQUER seja RECALCULADA a área tributável do imóvel, recalculandose também, conseqüentemente, o seu imposto a pagar, não lhe aplicando ainda quaisquer multas por atraso, se houver, pois não recebeu, conforme já dito, qualquer intimação para o esclarecimento dos fatos, razão dos esclarecimentos e juntada de documentos. Em julgamento, a 1ª Turma da DRJ/BSB, a fls.58, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos fundamentos de que a fiscalização procedeu a várias tentativas de intimar pessoas supostamente proprietárias do imóvel e não logrando intimar o contribuinte, o que fica caracterizado pela afirmação contida a fls.62 último parágrafo, não é a mesma exigida por lei para fins de efetivação do lançamento, quando se entender que a infração está devidamente apurada e comprovada; que o contribuinte, mesmo não intimado, tomou conhecimento da autuação, tanto que veio aos autos defenderse por meio da impugnação que apresentou, ocasião em que poderia ter também apresentado os elementos exigidos em fase de fiscalização, já que não recebeu as intimações correspondentes, exercendose o contraditório em fase de impugnação; em relação à área de preservação permanente glosada, não foi apresentado o correspondente ADA, nem consta averbação da mesma à margem da matrícula do imóvel; que o requerimento de realização de perícia não se sustenta, pois o que se questiona não é a existência de áreas dessa ou daquela natureza na propriedade em tela, mas exigências legais para o reconhecimento de sua qualidade, não atendidas pelo contribuinte; quanto à revisão do valor da terra nua, tratase de matéria não impugnada pelo contribuinte. Cientificado o contribuinte da supramencionada decisão, conforme fls. 7677, interpôs tempestivamente Recurso Voluntário a fl. 78 e ss., repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O recurso é tempestivo, razão pela qual conheço do mesmo, exclusivamente quanto à glosa de área de preservação permanente, de vez que a revisão do valor da terra nua restou não impugnada pelo contribuinte, não lhe sendo dado pretender agora questionála em sede de recurso voluntário. No mérito, é preciso atentar ao que contém o auto de infração, fl.02, que afirma o seguinte, na descrição dos fatos e enquadramento legal: “Área de preservação permanente não comprovada, Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural”. Ora, como já contido no relatório supra, a DRJ admite que não houve a regular intimação do contribuinte anteriormente ao lançamento, como se vê a fls.62, parágrafo final. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 12/03/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO Processo nº 10073.720149/200793 Resolução nº 2802000.214 S2TE02 Fl. 99 4 Ainda que de fato tal intimação não seja por lei indispensável para a lavratura do auto de infração, o lançamento constitui ato administrativo absolutamente vinculado, não se admitindo que contenha descrição de fatos que não coincidam com a realidade. Se a autuação baseouse explicitamente em afirmação inverídica, ainda que acerca de fato que, se não constasse da mesma, não seria essencial à sua lavratura, uma vez dela constando, há de se considerar inválido o lançamento, tendo até mesmo em vista a teoria dos motivos determinantes, de vasta acolhida no Direito Administrativo pátrio. Isto posto, dou parcial provimento ao recurso, desconstituir a glosa da área de preservação permanente contida no lançamento, mantendoseo apenas quanto à revisão do valor da terra nua, por tratarse de matéria não impugnada. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Voto Vencedor Conselheiro Jaci de Assis Junior, Redator designado Não obstante o muito bem elaborado voto do Conselheiro Relator, divirjo, exclusivamente, em relação ao argumento de que a autuação tenha e baseado em afirmação inverídica, representada pela descrição de que “Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural”. Compulsando os autos, constatei a existência dos seguintes elementos: a) TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 07105/00195/2007, formalizado em 12/11/2007, fls. 17/18 (numeração digital) intimando o contribuinte, JOSE PEREIRA NETO, a apresentar os seguintes elementos: “ Cópia do Alo Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama. Laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 21 da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Crea, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9° do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002. Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 31 da Lei 4.771165 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder público que assim a declarou. Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14,653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT com fundamentação e grau de precisão li, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 12/03/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO Processo nº 10073.720149/200793 Resolução nº 2802000.214 S2TE02 Fl. 100 5 laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB.”; b) relatório de consulta de postagem, fls. 19, informando que referida intimação foi devolvida com a seguinte motivação: “AUSENTE”. Nenhum outro elemento se constata nos autos que evidencie eventuais procedimentos adotados pela autoridade lançadora em razão da devolução da intimação em referência; c) TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 07105/00115/2007, em nome de MODESTO SOARES CUNHA, CPF 052.435,48715, datado de 03/09/2007, fls. 12 a 14 (numeração digital); d) Consulta Postagem por: NI 28799291; AR, em nome de MODESTO SOARES CUNHA relativamente à postagem de Intimação, realizada em 12/09/2007 e devolvida em 13/09/2007; e) Edital nº 021/2007, publicado em 19/09/2007, nos termos do artigo 23 inciso II e parágrafo 1º, incisos 1 e II do Decreto no 70.235, de 1972, intimando o contribuinte MODESTO SOARES CUNHA do Termo de Intimação Fiscal 07105/00115/2007; Diante disso, para fins de formação da convicção para o julgamento da matéria, entendo a necessidade do retorno dos autos à Repartição de origem para que a autoridade preparadora se pronuncie a respeito dos elementos anteriormente relacionados, com vistas à identificação da efetividade da ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 07105/00195/2007, fls. 17/18 (numeração digital). É como voto. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Ass inado digitalmente em 12/03/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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Numero do processo: 10280.902054/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Numero da decisão: 3402-002.638
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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CONHECIMENTO. A parte, ao recorrer, deve claramente identificar o objeto e os motivos de sua irresignação. Não se conhece do recurso genérico e desprovido de fundamentação. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de formular quesitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 20 54 /2 01 2- 16 Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Alunorte –alumina do Norte do Brasil S/A transmitiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 25093.07614.190110.1.1.085173, visando ao ressarcimento do saldo credor da PIS acumulado no 1° trimestre de 2009, no valor de R$ 8884053,4900000002. A DRF/BEL deferiu o ressarcimento de R$ 6321875,0499999998. De acordo com o Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 617 (fls. 7 a 38), que amparou o Despacho Decisório, a glosa de R$ 2562178,4400000004, deveuse aos seguintes ajustes: (i) no coeficiente de rateio dos créditos, previsto no inciso II do § 8º do art. 3º da Lei de Regência, pelo recálculo das receitas de vendas para o mercado interno, com acréscimos das receitas omitidas contribuinte; (ii) exclusão dos créditos sobre bens que não são empregados na produção de bens destinados à venda, ou descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento do crédito; (iii) exclusão dos créditos tomados sobre ferramentas e equipamentos de segurança e proteção individual; (iv) exclusão dos créditos tomados sobre itens não enquadrados como partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, que não atende aos requisitos para crédito, porque não são partes e peças de reposição que possam comprovadamente ser enquadradas como insumos diretos; Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.902054/201216 Acórdão n.º 3402002.638 S3C4T2 Fl. 1.278 3 (v) exclusão dos créditos tomados sobre itens empregados indiretamente na produção: a aquisição de bens e serviços não enquadrados como insumos diretos, porque não sofrem alterações em decorrência da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; (vi) exclusão dos créditos tomados sobre combustíveis e lubrificantes, não aplicados em máquinas e equipamentos diretamente envolvidos na produção dos bens destinados à venda; (vii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços que não guardam relação direta com as atividades produtivas; (viii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços de manutenção de bens componentes do Ativo Imobilizado; (ix) exclusão dos créditos sobre serviços de hotelaria e sobre serviços prestados por pessoas físicas; (x) exclusão dos créditos tomados sobre o valor das despesas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica; (xi) exclusão dos créditos tomados sobre serviços não especificados adequadamente em relação ao processo produtivo: (xii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, mas que, pela sua descrição, não se destinam ao AI (serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de site da internet); (xiii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, não utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços: (compra de cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas); (xiv) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, sem prova de que efetivamente destinemse ao AI: Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 aquisição de materiais diversos, fornecimento de materiais; (xv) recomposição dos créditos tomados sobre edificações, procedida pelo contribuinte à taxa de 1/12, quando o correto é 1/24., e; (xvi) exclusão dos créditos tomados em aquisições de bens com suspensão das contribuições sociais. Todos esses ajustes foram detalhados, item por item, consolidados em planilha específica. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/BEL. O Acórdão nº 01030.183, de 9/30/2014 (fls. 1.072 a 1.098), teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível sua realização quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. DESCRIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. Em sede de ressarcimento, deve restar demonstrada de forma induvidosa a existência dos créditos alegados. A descrição precisa de bens e serviços, bem como a perfeita identificação de sua concreta aplicação ou consumo na produção ou fabricação do produto, é imprescindível ao reconhecimento da pretensão creditória. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.902054/201216 Acórdão n.º 3402002.638 S3C4T2 Fl. 1.279 5 No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. PIS NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O arrazoado de fls. 1.103 a 1.148, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repetindo integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade, está estruturado em três capítulos. O primeiro, intitulado “DA BREVE SÍNTESE DO PROCESSO PRODUTIVO DA ALUMINA DA APLICAÇÃO DIRETA DE ALGUNS DOS INSUMOS INEXPLICAVELMENTE GLOSADOS DO INCABIMENTO DAS GLOSAS RELATIVAS AO ÁCIDO SULFÚRICO, CALCÁRIO CALDEIRA. INIBIDOR DE CORROSÃO E SERVIÇOS EMPREGADOS COMO INSUMOS DESCRIÇÃO E JUSTIFICATIVA DE SUA INCLUSÃO NO COMPUTO DO CUSTO DE PRODUÇÃO DA ALUMINA EXPORTADA DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF QUE VEM REFORMANDO TAIS GLOSAS ESPECIFICAS”, descreve o processo produtivo da alumina, controverte as glosas dos créditos tomados sobre as compras de ácido sulfúrico, calcário e inibidores de corrosão, explicando seu emprego no processo. Irresignase também contra as glosas dos créditos sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. O segundo capítulo – DO INCABIMENTO DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS RELATIVOS AO ATIVO IMOBILIZADO/EDIFICAÇÕES SEGUNDO O REGIME PREVISTO NAS LEIS 10833/2003 E 10637/2002 ART. 31. INCISO II. DA LE111.196/2005 E §14, DO ART. 3° DA LEI 10833/2003 E INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 457/2004 – pugna pelo direito de tomada de créditos sobre a depreciação acelerada, aplicável para as aquisições de bens de capital realizadas por pessoas jurídicas estabelecidas na área de atuação da SUDAM, com fundamento na Lei nº 11.196, de 2005, que instituiu o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), ou Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 com fundamento na Lei nº 11.488, de 2007, que instituiu o Regime Especial de Investimentos para o Desenvolvimento da InfraEstrututra (REIDI). O último capítulo – DOS CONTORNOS LEGAIS. ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO E JURISPRUDENCIAL RELATIVO AO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE APLICADO A COFINS E CONTRIBUIÇÃO AO PISPASEP – digressiona sobre a não cumulatividade das contribuições sociais. Em conclusão, pede a reversão das glosas e reitera o pedido de realização de perícia, indicando e qualificando o perito. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.103 a 1.148 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ª Turma nº 01030.183, de 9/30/2014. MATÉRIAS CONTROVERTIDAS Dentre os diversos ajustes procedidos pela Fiscalização, o recorrente atevese às glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, de calcário e de inibidores de corrosão e sobre a contratação de serviços de transporte de resíduos industriais. PEDIDO DE PERÍCIA Transcrevo o pedido de perícia formulado na conclusão do recurso para maior clareza: Reiterase, outrossim, o pedido e realização de perícia suplementar em que pese o material probatório que ilustra claramente, não somente a aplicação efetiva dos bens glosados como insumos que integram o custo de produção do produto final destinado à venda como ainda que não houve classificação e apropriação de créditos sobre "edificações" ao Ativo Imobilizado da companhia recorrente, senão de máquinas e equipamentos que, portanto, deveriam ter sido considerados como cabíveis para esse fim, levando em consideração não ter sido realizada qualquer inspeção física presencial na industrial da Refinaria da Recorrente. Na condição de assistente técnico, reitera a nomeação do Sr. Sebastião José Rosa inscrito no CRC/RJ, sob o n.° 039332/04, residente e domiciliada na cidade de Barcarena PA, sito na Tv. Lino José Gomes, 223, CEP 68447 000. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.902054/201216 Acórdão n.º 3402002.638 S3C4T2 Fl. 1.280 7 A propósito, o § 1° do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF determina que se considere não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do mesmo artigo. Embora tenha indicado e qualificado o perito, o recurso deixou de formular quesitos, de sorte que tenho como não formulado o pedido. MÉRITO Conceito de insumo adotado neste voto Com a edição da Emenda Constitucional nº 42, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88. É verdade, da norma constitucional em referência não se extrai a possibilidade de dedução de créditos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido para consecução da atividade empresarial, restando expresso que a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade aplicável às Contribuições Sociais ficaria afeta ao legislador ordinário. Foi o art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , inc. II, com a redação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no que pertine ao PIS, que regulamentou o direito de crédito da Contribuição sobre bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. Interpretando o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Autoridade Tributária veiculou, pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003), e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, orientação necessária à sua execução, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", ao dispor: INSRF nº 247, de 2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) INSRF nº 404, de 2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.902054/201216 Acórdão n.º 3402002.638 S3C4T2 Fl. 1.281 9 produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] O que se deduz da leitura das referidas regras infralegais é que a apuração do creditamento da Contribuição ao PIS e da Cofins foi restrita aos bens que compõem diretamente os produtos da empresa (a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado) ou prestação de serviços aplicados ou consumidos na fabricação do produto. A definição de "insumos" adotada pelo Fisco foi, nitidamente, contrabandeada da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ditada, atualmente pelo art. 226 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010. Comparese: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Todavia, penso não ser possível que a sistemática das Contribuições Sociais nãocumulativas colha o conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI, porque o legislador ordinário simplesmente não fez essa importação. Cabe enfatizar: nas leis que tratam do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, não há remissão a qualquer arcabouço normativo em vigor para se colher o conceito de "insumos". A nãocumulatividade das Contribuições Sociais apresenta perfil totalmente diverso daquela atinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para o IPI, tributo geneticamente informado pelo Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 princípio. As próprias Leis Instituidoras elasteceram a definição de "insumos", ao admitir que prestação de serviços seja considerada como tal, verdadeira heresia no regime do IPI. Ressalta se, ainda, que a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (excetuandose as pessoas jurídicas que permanecem vinculadas ao regime cumulativo elencadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10 da Lei nº 10.833, de 2003), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. A utilização da legislação do IR, como pretende parcela da doutrina e a jurisprudência marginal do CARF, também encontra o óbice do excessivo alargamento do conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a produção de uma empresa, perdendo a conceituação uma desejável proximidade ao processo produtivo e à atividadefim, que é o que se intenta desonerar, passandose a desonerar o produtor como um todo e não especificamente o processo produtivo. Com efeito, o conceito de “insumos” não é próprio da legislação do Imposto de Renda que faz uso de termos jurídicocontábeis, a exemplo dos termos “Custos de mercadorias ou serviços” e “Despesa Operacional”. Sob o signo “Despesas Operacionais” se encontra uma miríade de despesas que sequer se aproximam de um conceito formulado pelo senso comum de “insumos”. Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.902054/201216 Acórdão n.º 3402002.638 S3C4T2 Fl. 1.282 11 a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. O Carf, ao menos majoritariamente, vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com as disposições das Leis de Regência em vista e à luz do conceito acima deduzido, passase à analise do caso concreto. A Alunorte dedicase à extração da alumina (Al2O3) da bauxita por meio do processo Bayer. De 4 a 7 toneladas métricas de bauxita extraemse 2 toneladas métricas de Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.902054/201216 Acórdão n.º 3402002.638 S3C4T2 Fl. 1.283 13 alumina, que permitirão produzir 1 tonelada métrica de alumínio.As principais etapas desse processo são: moagem, digestão (extração com soda cáustica), separação e filtração de resíduos sólidos, precipitação e calcinação, obtendose então a alumina calcinada1. Fluxograma do Processo Bayer 2 Em apertadíssima síntese, a alumina é separada da bauxita por meio de uma solução aquecida de soda cáustica (hidróxido de sódio) e de cal (óxido de cálcio). A mistura é bombeada para o interior de recipientes de alta pressão e aquecida. A soda cáustica dissolve a alumina, que se precipita da solução saturada. A alumina é, então, lavada e aquecida para a remoção da água. O material precipitado é filtrado e lavado, para remover e recuperar a solução cáustica. Todo o restante é eliminado por filtragem e a alumina é seca até atingir a forma de pó branco. Mérito: glosa de créditos a título de insumos No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros 1 Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/78211/, visitado em 04/02/2015. 2 Publicado em http://www.hydro.com/pt/AHydronoBrasil/Sobreoaluminio/Ciclodevidado aluminio/Refinodaalumina/, visitado em 04/02/2015. Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 14 equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. No que pertine à glosa dos créditos sobre serviços, a insurgência recursal resumiuse ao excerto abaixo transcrito: Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos. a D. autoridade fazendária, glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de Transporte de Rejeitos Industriais, Serviço de Limpeza Industrial. Ácido Sulfúrico e Serviços Portuários. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril da alumina produzida e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Não obstante a variada gama de rejeitos produzidos – alguns relacionados com a atividade produtiva, outros não, o fato é que o recurso foi genérico, sem especificar a que resíduo industrial se referia, nem indicar como se dá a prestação do serviço de transporte, de modo que se pudesse aferir sua pertinência com o processo produtivo e certificar a satisfação dos demais requisitos para a tomada de créditos a título de insumo (e.g., ser prestado por pessoa jurídica). Incidentalmente, convém também frisar que o Parecer nº 617 não reporta qualquer glosa com a designação genérica “Transporte de Rejeitos Industriais”. A teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, é dever do contribuinte indicar as matérias contra as quais se insurge, bem como deduzir as razões de alegação, sendolhe vedado fazer contestações genéricas. Nesse sentido, não conheço dessa insurgência recursal. Mérito – glosa dos créditos sobre as despesas de depreciação Da planilha de créditos tomados sobre despesas de depreciação, além daqueles tomados sobre bens que não compõem o AI (e.g. serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês/português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de sítio da internet etc.) e que não são utilizados para utilização na produção de bens (e.g. cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas etc.), a Fiscalização glosou o creditamento em excesso, decorrente, ou do emprego do valor de aquisição do bem como base de cálculo do crédito, ou do emprego de taxa de depreciação acelerada (1/12), sobre bens relacionados a edificações, entendendo que, neste caso, deve ser aplicada taxa de depreciação em função da Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.902054/201216 Acórdão n.º 3402002.638 S3C4T2 Fl. 1.284 15 vida útil da edificação, ou seja, 25 anos ou 1/24 avos na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (art. 6º da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). A Recorrente, por sua vez, não contesta a classificação das operações, tal como realizada pela Fiscalização. O argumento recursal fundamental é o de que, em relação a DRS Depósito de Rejeitos Sólidos; motobombas de diversas capacidades; válvulas angulares de diversos tamanhos; tanques de diversos tamanhos; empilhadeiras de bauxita e carvão; recuperadoras de bauxita e carvão; filtros hiperbáricos para polpa de bauxita; moinhos; Agitadores; aquecedores de polpa de bauxita; digestores pequenos e grandes; aquecedores de licor pobre; flash tanques; hidrociclones para remoção de areia; decantadores de licor rico; lavadores de lama vermelha; filtros de lama vermelha; válvulasfacas nos filtros de lama vermelha; filtros de pressão e licor rico; trocadores de calor de tubos; trocadores de calor de placas; precipitadores de hidrato; hidrociclones de hidrato; classificadores gravimétricos de hidrato; espessadores de hidrato; filtros de hidrato; calcinadores de hidrato/alumina; correias transportadoras de hidrato e alumina, e; silos de hidrato e alumina, os gastos com a aquisição e montagem de tais equipamentos são evidentes passíveis de incorporação ao ativo imobilizado, e os créditos gerados sobre os valores de compra, naturalmente apropriáveis no período apuratório considerado pelos regimes especiais constantes do art. 31, inciso II, da Lei 11.196/2005 e §3°, do art. 14 da Lei 10.833/2003 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004 Alega, a Recorrente, que a Lei de Regência teria assegurado o direito de crédito também para estas hipóteses, conforme previsto categoricamente no art. 3°, incisos VI e VII. Ocorre que, nada obstante se esteja tratando de situação prevista pela Lei como hipótese de creditamento, tratase de hipótese em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção de sua depreciação. O que fez a Fiscalização, portanto, foi glosar o crédito que o contribuinte apropriou pelo valor integral da aquisição, visto que, ao classificarse a operação na hipótese do inciso VI, não poderia haver o creditamento tomando como base de cálculo o valor total pelo qual foi adquirido o bem. Não procede, pois, a alegação do Recorrente, devendo ser mantida a glosa. O Recorrente também sustenta que a Lei nº 11.196, de 2005, concede aos beneficiários do RECAP a possibilidade de optar pela amortização de em periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos referidos pela Lei. A Lei nº 11.196, de 2005, foi regulamentada pelo Decreto nº 5.988, de 2006, que assim dispôs: Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos de 1° de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, terão direito: Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 16 I à depreciação acelerada incentivada, para efeito de cálculo do imposto sobre a renda; e II ao desconto, no prazo de doze meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4° do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, destinados à incorporação ao ativo imobilizado. O Recorrente, no entanto, não demonstrou o preenchimento dos requisitos para a fruição deste benefício de amortização acelerada, não tendo impugnado pontualmente os fundamentos específicos das glosas, nem detalhado as características de cada um dos bens glosados. A arguição já foi apreciada pelo Conselheiro Ivan Allegretti por ocasião do julgamento do recurso voluntário interposto pela própria Alunorte, no processo nº 10280.722278/200932, idêntico ao que ora se analisa, resultando no Acórdão nº 3403 002.764, de 25 de fevereiro de 2014. Confirase as ementas pertinentes, que corroboram a presente decisão: MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3°, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003. Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, tratase de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização. ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei n° 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos. Conclusão Com essas considerações, voto em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Sala de sessões, em 24 de fevereiro de 2015 Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.902054/201216 Acórdão n.º 3402002.638 S3C4T2 Fl. 1.285 17 Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 19515.004520/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006
Ementa:. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar a desistência do recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 Ementa:. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar a desistência do recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.021 1 1.020 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004520/201008 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.570 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente XPLOD CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 Ementa:. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 20 /2 01 0- 08 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar a desistência do recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004520/201008 Acórdão n.º 2402004.570 S2C4T2 Fl. 1.022 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por XPLOD CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA, em face do acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração n.37.313.44950, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais, sócios da recorrente. Consta do relatório fiscal que o presente lançamento fora justificado nos seguintes motivos e razões de fato e direito: 5.1. Dos pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais — sócios 5.1.1. No decorrer do procedimento fiscal, através da análise dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte, durante todo o ano calendário de 2006 foram identificados lançamentos a débito na conta Unibanco Ag. 7335 c/ c 1029217, e com o histórico "PGTO SALARIOS", apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social. 5.1.2. Considerandose, ainda, que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, o contribuinte foi Intimado a apresentar esclarecimentos, tendo informado, conforme declarações em anexo, tratase de transferências feitas aos sócios a titulo de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Estes pagamentos mensais, obtidos dos extratos bancários, encontramse discriminados no ANEXO 3— LUCROS DISTRIBUÍDOS / PAGAMENTO SALÁRIO. 5.1.3. 0 contribuinte entregou a DIPJ 2007 (ano calendário 2006) com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições. 5.1.4. Para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, entendese por lucro passível de distribuição, o valor deste lucro, diminuído dos impostos e contribuições devidos, neles incluídos o IRPJ, CSLL, Cofins e contribuições para o PIS/Pasep. 5.1.4.1. A distribuição de lucros para as pessoas Jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido foi disciplinada pela legislação do IRPJ, conforme disposto no art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, art. 51 da Instrução Normativa SRF no 011, de 21 de fevereiro de 1996 e art. 48 da Instrução Normativa SRF n° 093, de 24 de Dezembro de 1997, que dispõem sobre o lucro das pessoas jurídicas a partir do ano calendário de 1997 e ato Declaratório Normativo n° 4, de 29.02.96 (DOU de 05.03.96). Fl. 447DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 5.1.4.2. Importante dizer que algumas regras devem ser atendidas para a distribuição dos lucros ou dividendos acima do valor determinado permitido, como existência de lucros e o demonstrativo contábil que evidencie a existência desse lucro. 5.1.5. Ao compararmos o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatamos que o contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido. 5.1.6. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais sócios da empresa, a titulo de "pro labore", pelo serviço prestado à empresa. Consta ainda do relatório fiscal que diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, conforme declaração do contribuinte e, considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa e que não foram apresentados todos os contratos prestação de serviço e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, as remunerações foram apuradas por aferição indireta. A base de cálculo das contribuições fora apurada da seguinte forma: 5.2.2. Para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das Receitas Apuradas e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), que resultou no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários), resultando os Valores Distribuídos a Maior, conforme demonstrado abaixo. O lançamento compreende o período de 01/2006 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 30/11/2010 (fls. 01). Fora apresentada impugnação requerendo exclusivamente o apensamento do presente processo ao PAF n. 19515.004529/201019, processo este do qual originouse o presente lançamento, por ser reflexo ao mesmo. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o presente processo deve aguardar o julgamento do processo administrativo n. 19515.004529/201019, do qual originouse como lançamento reflexo, tanto que o julgador de primeira instância analisou os argumentos de defesa constantes na impugnação ofertada naqueles autos, mesmo que de forma indireta, já que ao presente processo fora juntada com a impugnação cópia dos argumentos de defesa utilizados naquele processo. 2. que o processo n. 19515.004529/201019 trata de lançamento de omissão de receitas, por depósitos bancários de origem não comprovada, motivo pelo qual possui irrestrita necessidade do reconhecimento da conexão com o presente caso; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004520/201008 Acórdão n.º 2402004.570 S2C4T2 Fl. 1.023 5 3. que em tendo sido apurada omissão de rendimentos, a fiscalização previdenciária entendeu que tais valores deveriam ser atribuídos aos sócios na condição de pró labore lançado no presente processo; 4. que a exigência fiscal, baseada na suposta distribuição de lucros acima dos limites legais previstos na legislação fiscal/tributária, dando origem, por reflexo, a outros procedimentos fiscais (PT 19515.004520/201008, 19515.004521/201044, 19515.004523/201033 e 19515.004525/201022, é totalmente improcedente porquanto os lucros distribuídos pela Impugnada estão respaldados em seus assentamentos contábeis;: 5. que conforme Demonstrativo de Resultado Econômico do Exercício e o Balanço Patrimonial, no ano calendário de 2006, auferiu receitas no montante de R$ 384.029,20 que subtraído das despesas necessárias à manutenção de suas atividades operacionais na quantia de R$ 103.063,72 gerou o lucro contábil de R$ 280.965,48. 6. que se analisando as demonstrações contábeis acima, verificase que a Impugnante acusou em seu Patrimônio Liquido lucros de exercícios anteriores no montante de R$ 23.211,91, que somados ao lucro do ano calendário de 2006, após a dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na quantia de R$ 280.965,48 perfazem o total de R$ 304.177,39. 7. que a fiscalização, conforme consta dos itens 2.4.3 do Termo de Verificação Fiscal, apurou que no curso do ano calendário de 2006, distribuiu lucros no montante de R$446.681,62 (quatrocentos e quarenta e seis mil, setecentos e oitenta e um reais e sessenta e dois centavos), portanto em valor inferior aos lucros acumulados constantes nos demonstrativos contábeis anexos; 8. que, portanto, o ilustre julgado de primeira instância não poderia desconsiderar as apurações constantes no balanço anual de 2006, equivocandose a afirmar que o balanço patrimonial e demonstração de resultado do exercício social não são instrumentos legais para comprovar o montante de lucro efetivo da sociedade; 9. que a inexistência de empregados não permite ao intérprete inferir que os serviços não possam ser prestados, pois no centro da organização estão os sócios/técnicos habilitados para a realização do objeto social da empresa, que no caso é a prestação de consultoria em informática; 10. nada impede que os sócios abdiquem ao seu direito de retirada de pró labore, optando, somente, pela distribuição dos lucros; 11. que se os sócios não tiverem direito a remuneração via distribuição dos lucros, fica prejudicada a sua remuneração pelo capital investido na empresa, o que não pode ser acatado por este Eg. Conselho; 12. ilegalidade da SELIC; 13. deve ser suspensa a incidência dos juros moratórios durante o período em que perdurar o processo administrativo; Processado o recurso sem Fl. 449DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. Mas, há às fls. 443 informação da autoridade fiscal de que a recorrente aderiu ao parcelamento do débito tributário apurado. É o relatório. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004520/201008 Acórdão n.º 2402004.570 S2C4T2 Fl. 1.024 7 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Da análise dos autos, verifico, à fl.443, reposta à Resolução nº 2402000.380 (fls.431/437), da forma que se segue: “PROCESSO: 19515.004520/201008 INTERESSADO: XPLOD CONSULTORIA EM INFORMATICA LTDA. CPF/CNPJ: 06.246.422/000128 DEBCAD: 37.313.4495 ASSUNTO: AUTO DE INFRACAOASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Em resposta à resolução nº 2402000.380 (fls.431/437), informo que o processo 19515.003425/201089 foi incluído em parcelamento, como se pode verificar por meio de extrato de fls.439/442. Sendo assim, retorno o processo ao CARF para prosseguimento”. Assim, em virtude de haver informação da autoridade fiscal, às fls. 443 dos autos, de que a recorrente aderiu ao parcelamento administrativo, tenho que o contribuinte agiu de forma a reconhecer expressa e irrevogavelmente a procedência do lançamento em questão, motivo pelo qual, porque, a meu ver não havendo matéria de ordem pública que pudesse ser tratadas na presente assentada, entendo que não subsiste o interesse processual da parte ao julgamento do presente Recurso Voluntário. A propósito, cito o art. 78 do RICARF: “ Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.” Sobre o assunto, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se percebe do precedente a seguir, de relatoria do Em. Conselheiro Marcelo Oliveira: “ Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/10/2006 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 RECURSO ESPECIAL. DESISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTERESSE. No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse.” Ante todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.008652/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.589
Decisão: Vistos, relatos e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 08 65 2/ 20 08 -8 6 Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008652/200886 Resolução nº 2202000.589 S2C2T2 Fl. 2.035 2 Relatório Tratase de procedimento de fiscalização que culminou, em 22/12/08, no lançamento de ofício (fls. 419428), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito bancários aos quais o recorrente, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para o períodobase 2003, identificouse como omissão a quantia de R$ 3.379.716,43, a qual foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida parcela de R$ 5.076,90, restando como imposto devido para o período do valor de R$ 929.625,01. Foi também subtraída a parcela de R$ 975,00 a título de imposto pago, culminando como imposto apurado o montante de R$ 928.649,51. Quanto ao períodobase 2004, consideraramse infrações a quantia de R$ 3.702.918,31, a qual foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida parcela de R$ 5.076,90, restando como imposto devido para o período do valor de R$ 1.021.585,63. Foi também subtraída a parcela de R$ 3.283,10 em decorrência do imposto pago, culminando como imposto apurado o montante de R$ 1.018.302,53. Por fim, para o períodobase 2005, apurouse como infração a quantia de R$ 2.366.332,20, a qual foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida parcela de R$ 5.584,20, restando como imposto devido para o período do valor de R$ 662.251,15. Foi também subtraída a parcela de R$ 11.509,80 em decorrência do imposto pago, culminando como imposto apurado o montante de R$ 650.741,35. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 5.830.625,18, incluídos Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, multa de ofício de 75% e juros moratórios. O contribuinte tomou ciência da notificação em 24/12/08. Em 20/05/09, foi lavrado Termo de Arrolamento de Bens e Direitos do contribuinte (fls. 435437). Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 440484) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a autoridade fiscal não pode induzir o cidadão a erro, obrigandoo a produzir prova contra si mesmo. Ademais, a predisposição da autoridade fiscal em constituir o crédito tributário tornou praticamente impossível a defesa do sujeito passivo; b) a autoridade fiscal concedeu tempo exíguo para a comprovação da origem dos depósitos bancários, o que culminou em verdadeiro ato arbitrário, pois após obter as cópias dos extratos das contas de poupança mantida junto ao Banco Bradesco, concedeu o inexequível prazo de três dias para justificar a origem dos depósitos arrolados em dez páginas; Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008652/200886 Resolução nº 2202000.589 S2C2T2 Fl. 2.036 3 c) o lançamento deve ser anulado por vício em sua formação, pois a autoridade fiscal, representando o Estado não pode possuir ideia preconcebida sobre os cidadãos, praticamente impondo uma exação fiscal que abstrai diversos aspectos legais; d) a principal atividade do recorrente é o comércio de títulos antigos, de objetos de valor histórico cujos preços podem ser bastante voláteis. A sua movimentação bancária não é formada apenas por depósitos, mas também por débitos e créditos que claramente revelam sua atividade comercial pelo seu próprio volume; e) o recorrente declara, há vários anos, em sua DIRPF – no campo destinado à discriminação de bens , que é colecionador de antiguidades, o que permite inferir tratarse de pessoa com conhecimento para reconhecer atividades valorizadas pelo mercado de objetos raros. Ademais, é membro da associação de numismatas há muitos anos; f) a atividade do autuado é empresarial, e seu exercício é feito, inclusive, através do escritório que mantém em São Paulo e para a qual conta com os demais membros de sua família; g) o art. 53 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que são nulos os despachos proferidos com preterição de direito de defesa. No caso, o documento através do qual a autoridade fiscal decidiu acerca do lançamento foi exarado com preterição do direito de defesa, pois concedido apenas três dias para o contribuinte justificar depósitos bancários em conta mantida junto ao Banco Bradesco S/A, relativamente a uma lista de dez páginas de valores discriminados um a um. Se esse documento é parte integrante do Auto de Infração, a primeira conclusão a que se pode chegar é que houve, indubitavelmente, cerceamento do direito de defesa, e, portanto, o auto de infração é nulo de pleno direito; h) a fiscalização deixou de considerar fato relevante que é a existência, na declaração de rendimentos do impugnante, de acréscimo patrimonial sem origem, cuja tributação é diferente daquela levada a efeito e, evidentemente, deveria ser considerada para, ao menos, reduzir a base de cálculo encontrada através da somatória dos depósitos bancários, tal como fez em relação aos valores informados nas DIRPF’s como rendimentos tributáveis; i) segundo art. 42, § 4º, da Lei nº 9.430/96, a tributação da omissão de rendimentos com base em depósito bancário não contabilizado deve ser feita no mês em que o valor foi disponibilizado pela instituição financeira. A tributação prevista neste dispositivo não se confunde com a tributação anual: o período de apuração, o fato gerador e a base de cálculo diferentes daqueles informados na DIRPF, não há, inclusive, previsão legal para que os valores oferecidos à tributação na DIRPF sejam deduzidos da base de cálculo para fins do lançamento previsto no art. 42 da Lei nº 9.430/96: em princípio, uma forma de tributação exclui a outra por força do dispositivo legal; Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008652/200886 Resolução nº 2202000.589 S2C2T2 Fl. 2.037 4 j) a tributação dos depósitos é um verdadeiro absurdo se considerarmos o princípio constitucional da isonomia, da capacidade contributiva, da vedação da utilização de tributo com fins confiscatórios, além de desobedecer o preceito legal do emprego da tributação menos gravo quando possível a aplicação de uma outra norma; k) conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, uma vez comprovada a omissão de rendimentos, ela será tributada conforme a legislação própria, portanto, os valores declarados pelo recorrente, ainda que sem origem, deveriam ser abatidos na apuração da base de cálculo do imposto de renda; l) em que pese a autoridade fiscal saber que a conta mantida junto ao Banco Citybank não era apenas de titularidade do recorrente, deixou de observar a prescrição legal e considerou todos os depósitos feitos na conta corrente como base de cálculo para o lançamento; m) alguns dos valores indicados na planilha do auditor fiscal não encontram correspondência nos extratos bancários apresentados pelo recorrente. De modo que, não existindo nos extratos bancários, tais valores não podem ser base de cálculo do lançamento é a falta de comprovação da origem dos depósitos; n) nos extratos da conta corrente mantida junto ao Banco HSBC Bank Brasil existe uma notação que corresponde a estorno ou devolução de cheque, e que a autoridade lançadora deixou de excluir dos valores tributados. A notação utilização é “CH DEP” e sempre corresponde a um lançamento a débito no exato valor de outro levado a crédito. E, em vista do erro na apuração da base de cálculo, tais valores devem ser excluídos da base tributável; o) se verificam transferências entre contas do mesmo titular que acabaram sendo duplamente tributadas; p) existem valores que apenas transitaram pelas contas bancárias. Essas transferências, evidentemente, não podem ser tributadas como se fosse receitas omitidas, pois, com certeza, não pertencem ao sujeito passivo, ou seja, provado o trânsito do valor pela conta corrente, resta, necessariamente, afastada a presunção de omissão de rendimentos; q) durante a ação fiscal, o recorrente logrou obter algumas provas (como o contrato de confissão de dívida do Sr. Devercy de Morais, o contrato de aquisição de títulos da dívida pública e obrigações da Eletrobrás do Sr. Kazumi Hashiomoto, o contrato de compra e venda de títulos da dívida pública e obrigações da Eletrobrás da Sra. Maria Dolores Aranda de Matos) relativas aos depósitos efetuados em suas contas correntes e de poupança, contudo, mesmo diante de elementos que demonstravam exatamente a origem do recurso, a autoridade fiscal, ao invés de acolher a justificativa ou tributar por omissão na declaração de ajuste, conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96, preferiu, sem nenhuma justificativa razoável, dizer que os elementos de prova não mantinham relação com nenhum depósito; Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008652/200886 Resolução nº 2202000.589 S2C2T2 Fl. 2.038 5 Anexo à impugnação, o recorrente apresentou: a) documentação referente à Sociedade Numismática Brasileira; b) auto de infração e TVF; A impugnação foi julgada, por unanimidade, parcialmente procedente pela 8ª Turma da DRJ/SP2 (fls. 522545). Os fundamentos foram os seguintes: a) não há nulidade no lançamento, pois todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração, nem mesmo ocorreram os pressupostos previstos no art. 59 do mesmo Decreto; b) se prende o contribuinte ao fato de que lhe foi concedido três dias para justificar depósitos em conta bancária junto ao Banco Bradesco S;A, no entanto, não se manifesta em relação ao fato de que a primeira intimação para apresentar justificativa de comprovação dos depósitos bancários ocorreu em 01/08/08. Especificamente quanto ao Banco Bradesco, verificouse uma sistemática entre conta corrente e poupança, e somente com relação a conta poupança, cujos extratos chegaram por último, é que a Fiscalização intimou em 16/12/08, o sujeito passivo a comprovar a origem dos valores creditados/depositados na conta de poupança de sua titularidade, dandolhe o prazo de três dias para se manifestar, e sem a manifestação do recorrente, foi lavrado o Auto de Infração em 22/12/08. Isto é, transcorreram mais de quatro meses da primeira intimação à lavratura do auto para o contribuinte justificar a origem dos valores. Ademais, após a lavratura do auto de infração, o contribuinte teve mais trinta dias para impugnar o lançamento, quando então, caso de fato quisesse, teria apresentado a referida comprovação da conta poupança do Bradesco, mas nada apresentou em sua impugnação quanto a isso; c) a legislação prescreve o aspecto temporal do Imposto de Renda, estabelecendo o momento em que se considerada concretizado o estado de fato, no caso, o art. 7º da Lei nº 9.250/96; d) a fiscalização agiu em estrita obediência às disposições legais que regem a matéria, pois os valores omitidos foram apurados mensalmente, conforme discriminação efetuação no Auto de Infração. Após a apuração mensal, e em conformidade com os arts. 787 e 849, §3º, do Decreto nº 3.000/99 e com a INSRF nº 246/02, a tributação foi feita com base na tabela progressiva vigente no anocalendário correspondente; e) não há falar em aplicação do art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96 à conta do Citibank nº 24.000.310, pois o Sr. Cauê de Oliveira, co titular da referida conta, foi incluído como dependente do recorrente na Declaração de Ajuste Anual Simplificada2006; f) os valores apontados pelo recorrente nos demonstrativos sequer foram arrolados pela fiscalização; Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008652/200886 Resolução nº 2202000.589 S2C2T2 Fl. 2.039 6 g) caso o contribuinte realmente tenha nas contas bancárias depósitos resultantes de atividade comercial, estes não foram oferecidos à tributação na pessoa jurídica, além de que, transações comerciais realizadas com o uso da conta corrente particular representam afronta ao princípio da identidade, aprovado pela Resolução CFC nº 750/93, e, por esse princípio, a contabilidade deve ter distinção e separação entre a pessoa física e a pessoa jurídica, ou seja, o patrimônio da empresa jamais se confunde com os dos seus sócios; h) o recorrente não comprovou através de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias; i) a integração da Lei Complementar nº 105/01, com o art. 144, § 1º, do CTN é imposição legal e instrumental obrigatórias, independente da vontade do agente, e não há imposição de qualquer forma de restrição. Assim, o acesso às informações bancárias não trata de prova ilegal, pois autorizados por lei, e se os extratos bancários não forem apresentados pelo próprio contribuinte, em a autoridade fiscal, por força de lei, a possibilidade de solicitálos diretamente às instituições bancárias, mediante RMF, com consequente aplicação de penalidade ao contribuinte por não atendimento à solicitação; j) não compete à autoridade fiscal dar tratamento de pessoa jurídica para fins de imposto de renda, quando o próprio contribuinte não o fez. Ademais, não se vislumbrou nenhuma contabilidade, qualquer tipo de escrituração de receitas e despesas, ou que o recorrente tenha oferecido à tributação como se pessoa jurídica fosse; k) o lançamento com base em depósitos ou crédito bancários tem como fundamento o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Tratase de uma presunção legal de omissão de rendimento contra o contribuinte titular da conta que não lograr comprovar a origem destes créditos; l) o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários condicionada, apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitem em nome do contribuinte em instituições financeiras, ou seja, permitiu que se considerasse ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária; m) a multa aplicada consiste em penalidade pecuniária, de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade lançadora furtarse à sua aplicação; n) o valor de R$ 1.339,04 deve ser excluído da competência março/2006, na proporção de 50% do lançamento do recorrente e 50% do lançamento de seu cônjuge, em face de tratar de equívoco no lançamento da conta do HSBC, por tratar de saldo e não de depósito; Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008652/200886 Resolução nº 2202000.589 S2C2T2 Fl. 2.040 7 o) os valores a serem excluídos de R$ 37.261,92 e R$ 379,20, resgates de aplicações, lançados em julho/2005, referemse aos créditos encontrados em conta corrente do banco Bradesco, que por não se tratar de conta conjunta, a exclusão será total do lançamento em nome do recorrente; Em 28/12/09 o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 552588) repisando os argumentos de sua impugnação, e acrescentado a ilegalidade da aplicação da Taxa Selic sobre a multa de ofício. Posteriormente, em 27/01/10, o recorrente solicitou a juntada de documentos tendentes a reforçar as alegações deduzidas quando da apresentação do seu recurso voluntário (fls. 6671454). Novamente, em 09/11/10, o recorrente solicitou a juntada de documentos necessários à confirmação dos argumentos já aventados em sede de impugnação e reforçado no recurso voluntário (fls. 17681782 do eprocesso). O contribuinte apresentou memoriais repisando, em síntese, os argumentos de sua impugnação e de seu recurso voluntário. É o relatório. Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008652/200886 Resolução nº 2202000.589 S2C2T2 Fl. 2.041 8 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O presente recurso voluntário reúne todos os requisitos de admissibilidade exigidos pelo Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual deve ser conhecido. Da análise dos autos, constatase que o primeiro volume do processo físico não foi digitalizado, constando nos autos apenas os documentos referentes ao segundo e demais volumes, a contar da fl. 201. Embora o Termo de Verificação Fiscal esteja nos autos e contenha breve síntese do procedimento de fiscalização, e que tenha o contribuinte juntado aleatoriamente algumas folhas das intimações feitas pela fiscalização, isto não supre a ausência do primeiro volume do processo físico, no qual, suponho, consta o Termo de Início de Verificação fiscal, bem como todas as intimações feitas ao contribuinte, as respostas e provas apresentadas a fim de comprovar a origem dos depósitos bancários em suas contas correntes, e, ainda, a expedição de RMF a instituições financeiras. O primeiro volume do processo físico é, portanto, de suma relevância não apenas para a análise do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, mas para que não lhe seja cerceado o direito ao contraditório e à ampla defesa, princípios estruturantes do Estado Democrático de Direito, explicitados na Constituição Federal em diversos incisos do art. 5º, bem como nos arts. 3º, 36, 37 e 38 da Lei nº 9.784/99, e os quais, se inobservados, podem acarretar a nulidade deste feito. Sendo assim, entendo por bem converter este julgamento em diligência, solicitando à Secretaria desta Turma que envie cópia integral do primeiro volume do processo físico nº 19515.008652/200886. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720132/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA. PROPRIEDADE OU POSSE DIRETA.
Nos casos em que for constatada a contemporaneidade do exercício da posse direta e da propriedade, o imposto poderá ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos coexistentes.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.
Numero da decisão: 2201-002.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN - Valor da Terra Nua declarado. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Bruno Giembinsky Curvello, OAB/RJ 130.013.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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PROPRIEDADE OU POSSE DIRETA. Nos casos em que for constatada a contemporaneidade do exercício da posse direta e da propriedade, o imposto poderá ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos “coexistentes”. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN Valor da Terra Nua declarado. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Bruno Giembinsky Curvello, OAB/RJ 130.013. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 01 32 /2 00 7- 36 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, anocalendário 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 586.514,69, calculado até 30/11/2007, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Nova Grataú”, cadastrado na RFB sob o nº 3.073.7303, com área declarada de 2.551,0 ha, localizado no Município de Angra dos Reis/RJ. A fiscalização efetuou a glosa integral das áreas declaradas como de utilização limitada (266,0 ha), além de rejeitar o VTN declarado de R$ 6.000.000,00 ou R$ 2.352,01/ha, sendo arbitrado o valor de R$ 21.992.119,98, com base no valor médio de R$ 8.620,98/ha indicado no SIPT (Sistema de Preços de Terras) da Receita Federal. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: · apresenta um relato dos fatos da presente Notificação de Lançamento; · após transcrever o art. 29 do CTN, informa que em 11.08.2006, alienou a FAZENDA aos Srs. Sebastião Emilio do Valle Neto e Luiza Helena Valle, fato que se comprova pela respectiva ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA E VENDA e mostra o quê dispõe o art. 130 do CTN e conclui que a responsabilidade pelo crédito tributário é transmitida ao adquirente do imóvel cuja propriedade lhe foi transmitida, independentemente da forma de transferência (no presente caso, por meio de compra e venda); · nesse sentido, transcreve palavras de HUGO DE BRITO MACHADO e mostra entendimentos do STJ e farta jurisprudência dos 2º e 3º Conselhos de Contribuintes e requer, preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento por ilegitimidade do sujeito passivo; · nos termos do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96, incluído pela Medida Provisória n 2 2.166, de 2001, “a declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multas previstos nessa Lei caso fique comprovado que a Fl. 190DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201002.675 S2C2T1 Fl. 3 3 sua declaração não é verdadeira,sem prejuízo de outras sanções aplicáveis”; · nesse sentido, transcreve entendimentos do CC e da Câmara Superior de Recursos Fiscais; · para fins de comprovação das informações prestadas no DIOT, procurou o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA (órgão legalmente responsável pela fiscalização e comprovação das APPs e das áreas de utilização limitada) e protocolou o Ato Declaratório Ambiental ADA relativo ao ano base de 2003, pelo qual formalizou a existência de uma área total de 266,0 ha de Reserva Legal em seu imóvel rural; · assim, não há como a fiscalização considerar que tal área não poderá ser excluída para fins de ITR, uma vez que, além de informada em seu DIOT, ela foi declarada ao IBAMA por meio de ADA; · e nem se diga que, para o gozo da isenção do referido imposto sobre esta área, seria necessário, ainda, que a IMPUGNANTE tivesse averbado a área de Reserva Legal da FAZENDA no Registro do Geral de Imóveis (RGI); · a falta de averbação da área de Reserva Legal não tem o condão de afastar a isenção de ITR, pois seu objetivo não tributário, já que visa, tãosomente, atribuir a responsabilidade de preservação da referida área a eventuais adquirentes, sem que estes possam alegar o desconhecimento da limitação quanto a sua exploração e nesse sentido, transcreve entendimentos do CC e da Câmara Superior de Recursos Fiscais; · comprovada, portanto, a existência da área de Reserva Legal, visto que a mesma já foi, inclusive, declarada em ADA, e por outro lado, a desnecessidade da averbação dessa área no RGI para fins de isenção do ITR, tornase descabida a sua exclusão do cálculo da área tributável da FAZENDA, razão pela qual o AUTO deve ser cancelado quanto a este item; · transcreve o inciso IV, parágrafo 1º, do art. 10 da Lei n 2 9.393/96 e conclui que havendo as áreas imprestáveis para a exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal (ainda que elas não se enquadrem no conceito de APP, Reserva Legal, interesse ecológico ou servidão florestal ou ambiental, sejam cobertas por florestas nativas ou ocupadas por benfeitorias), devem ser elas excluídas para fins de cálculo do GU do imóvel; · essa conclusão, além de decorrer do próprio texto legal, encontra amparo no fim pretendido pelo legislador ao definir quais seriam as áreas aproveitáveis de imóveis rurais; · a Constituição Federal de 1988 (CF/88), em § 4º, estabelece expressamente que as alíquotas fixadas de modo a desestimular Fl. 191DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 a manutenção de propriedades improdutivas e a Lei 9.393/96 está em linha com a CF; · a correta aferição da Área Aproveitável, deve, portanto, ser determinada a partir da exclusão de todas as áreas que, mesmo não consideradas de utilização limitada (APP, reserva legal etc.) ou não ocupadas por benfeitorias, revelamse comprovadamente imprestáveis para exploração econômica; · o ITR, por sua finalidade extrafiscal, somente poderá tributar de forma mais gravosa aqueles proprietários de terras que, podendo, deixem de utilizar produtivamente áreas de sua propriedade; · de acordo com a certidão emitida pelo IBAMA, datada de 13.07.2004, a FAZENDA possui uma área de 2.335,0 ha recobertas por Mata Atlântica, que exatamente a soma da área de APP (2.069,0 ha) e da área de Reserva Legal (266,0 ha) informadas como existentes na FAZENDA; · a CF/88, em seu § 4º do art. 225, reconhece que as áreas de Mata Atlântica constituem patrimônio nacional, devendo sua utilização ser realizada na forma da lei e dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente; · o art. 1º do Decreto nº 750, de 10.02.1993, proíbe "o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica"; · ou seja, com a publicação do referido Decreto, a IMPUGNANTE ficou impossibilitada de utilizar economicamente uma área total de 2.335,0 ha, dentro dos quais estão inseridos os 266,0 ha referentes a área de Reserva Legal informada no DIOT; · desde o momento em que as referidas áreas foram consideradas intocáveis, passaram a estar automaticamente excluídas da tributação pelo ITR, pois, de fato, tornaramse áreas não passíveis de aproveitamento agrícola, pecuário, granjeiro, aquícola ou florestal, a teor do que dispõe o inciso IV, § 1º, do art. 10 da Lei 9.393/96; · inconteste que a fiscalização não poderia ter considerado aproveitável a área de Mata Atlântica de 2.335,0 ha que o IBAMA atesta existir na FAZENDA (correspondente a soma do total informado a titulo de APP e de Reserva Legal), dai por que é de todo descabido o aumento da alíquota de ITR imposto, de 0,30% para 6,0%, relativo ao ano de 2004; · a IMPUGNANTE alienou a FAZENDA em 2006, e esta, de acordo com avaliação realizada aquela época, a qual, inclusive, serviu de base para fins de cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) estava avalizada em R$ 13.800.000,00, valor que foi adotado na conclusão do negócio (inferior, inclusive, ao valor do imóvel declarado no DIAT); · como desconsiderar o preço de avaliação da FAZENDA, o qual foi utilizado na sua venda, se o método do preço de Fl. 192DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201002.675 S2C2T1 Fl. 4 5 mercado visa justamente estabelecer um valor que a FAZENDA poderia alcançar em caso de negociação?; · não há razão para que a fiscalização atribua o valor de R$ 35.992.119,98, pois, em hipótese alguma, a IMPUGNANTE conseguiria vender a FAZENDA a este valor (correspondente à quase três vezes o prego alcançado com a venda ocorrida em 2006); · da área total da FAZENDA (2.551,0 ha), apenas 214,0 ha constituem área aproveitável para exploração agrícola, pecuária, extrativista e vegetal, pois como visto, 2.069,0 ha correspondem à APP e 266,0 ha, à área de reserva legal; · mostra entendimento do Engenheiro José Carlos Pellegrino e do Engenheiro Adilson José Magossi sobre avaliações de propriedades rurais, mostra entendimentos do CC e conclui que o potencial produtivo influi diretamente no preço de mercado das terras agrícolas; · é evidente que, se a FAZENDA fosse formada apenas de área produtiva, a rentabilidade da sua atividade agrícola seria maior e o seu preço de mercado tenderia a se assemelhar aos propostos pelo SIPT. Todavia, esta não é a realidade dos fatos; · é completamente descabido o valor arbitrado à FAZENDA pela fiscalização, seja porque desconsiderou o efetivo preço adotado em sua venda, seja porque não levou em consideração as peculiaridades do imóvel, baseandose somente em dados genéricos; · finalmente, pede e espera que seja o AUTO integralmente cancelado, com a conseqüente extinção do crédito tributário dele decorrente. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, tendo em vista os dados cadastrais constantes da DITR/2003 e observada a legislação pertinente. A transferência dos direitos de propriedade de bens imóveis pressupõe a existência de escritura pública levada a registro junto ao competente Cartório de Registro de Imóveis, sem o que, não há que se falar em sub rogação do crédito tributário. DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL As áreas de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do cálculo do ITR, devem estar averbadas à margem da matrícula do imóvel em data anterior à do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2003), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 08/06/2012 (fl. 135), a Sociedade Industrial e Agrícola Fazenda Nova Grataú apresenta Recurso Voluntário em 09/07/2012 (fls. 137/170), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a autoridade fiscal efetuou a glosa integral das áreas declaradas como de utilização limitada (266,0 ha), além de rejeitar o VTN declarado de R$ 6.000.000,00 ou R$ 2.352,01/ha, sendo arbitrado o valor de R$ 21.992.119,98, com base no valor médio de R$ 8.620,98/ha indicado no SIPT (Sistema de Preços de Terras) da Receita Federal. Antes de se entrar no mérito, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar suscitada pela recorrente. Ilegitimidade passiva Alega a contribuinte ilegitimidade passiva, uma vez que a propriedade rural denominada “Fazenda Nova Grataú” foi vendida ao Sr. Sebastião Emilio do Valle Neto e a Srª Luiza Helena Valle, em 11 de agosto de 2006, conforme consta da Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 76/81. Assim, de acordo com o art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóveis, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes. De início, cumpre reproduzir o art. 130 da Lei nº 5.172/66 (CTN), invocado pela recorrente como fundamento para exclusão da responsabilidade tributária: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuição de melhoria, Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201002.675 S2C2T1 Fl. 5 7 subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação”. (grifei) Do exposto, verificase que a subrogação do crédito tributário na pessoa do adquirente está subordinada à carência de prova da quitação do tributo no corpo do título aquisitivo. Assim, compulsandose a o Registro R.0213.817, fls. 183, constatase que houve a venda da propriedade rural em 26 de maio de 2004, contudo, as partes acordaram o pagamento parcelado da propriedade a título “prosolvendo”. Ocorre que, por decisão judicial, Registro R.0313817, fl. 184, foi suspenso os efeitos da Escritura Pública de Promessa de Venda. Após idas e vindas, o negócio restou finalmente concluído em 06 de outubro de 2009, consoante se extrai da transcrição do Registro AV.1013.817, verbis: AV.1013.817 QUITAÇÃO DE PREÇO COM HOMOLOGAO.0 JUDICIAL: Nos termos da escritura pública de transação e outras avenças, lavrada nestas notas no Livro n° 282, fls. 132/136, Ato n° 052, datada de 20/08/2009, SOCIEDADE INDUSTRIAL AGRÍCOLA FAZENDA NOVA GRATAÚ LTDA; PAINNA LEMOS DE QUEIROZ (denominados Primeira e Segunda Transatoras); SEBASTIÃO EMÍLIO DO VALLE NETO, LUIZA HELENA VALLE, e, INIMA VALLE MACHADO (denominados Terceiro, Quarta e Quinto Transatores), todos já qualificados, resolveram por fim ao litígio entre eles com relação à escritura de compra e venda objeto dos registros sob nºs 11, 10 e 06 das matriculas nºs 2.899, 2.903 e 13.817 respectivamente, mediante o pagamento da quantia de R$ 5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil reais), pelos terceiro e quarta transatores à primeira transatora, a titulo de saldo do preço de venda do conjunto dos imóveis objetos das matriculas antes mencionadas, os terceiro e quarta transatores pagam à primeira transatora o valor acima descrito na data da assinatura deste instrumento, mediante a entrega dos cheques administrativos nºs 005688 e 005689, emitidos pelo Banco Bradesco S/A agência 0459, que a primeira transatora declara expressamente ter recebido, conferido e achado conforme, em razão da entrega e do efetivo recebimento dos referidos cheques, as primeira e segunda transatoras dão quitação integral, irrevogável e irretratável do valor e do preço da venda dos imóveis objetos da escritura de compra e venda que origem aos registros antes mencionados. A presente transação e a quitação dela decorrente, foram homologadas por Sentença Judicial proferida em audiência realizada em 20/08/2009, cuja Ata foi extraída do processo nº 2007.003.0133108, lavrada pelo Juízo de Direito da 2ª Vara Cível desta Comarca, assinada pela Juíza de Direito Dra Juliana Bessa Ferraz. Custas: Já lançadas à margem da mat. 2899. (protocolado sob o n° 39.919 em 17/00/2009). Angra dos Reis, 06 de outubro de 2009. (grifei) Pelo que se vê, a quitação do contrato de promessa de compra e venda só foi homologada, judicialmente, em 20/08/2009. Assim, na data da lavratura da exigência, 26/11/2007, fl. 01, a posse e a propriedade do imóvel era de fato da contribuinte. Dessarte, rejeitase a preliminar de ilegitimidade passiva arguida pela recorrente. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Área de reserva legal No que diz respeito à necessidade de averbação da área de reserva legal, compete deixar assentado que o § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/1965 Código Florestal, com a redação dada pela MP nº 2.16667/2001, determina seu registro à margem da inscrição de matrícula do imóvel: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) O Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Embora alegue a recorrente a desnecessidade da averbação, em razão da apresentação da cópia do ADA, fl. 83, além do Relatório de Vistoria do IBAMA, fls. 85/86, penso que tais documentos não dispensa a necessidade de averbação da referida área à margem da matrícula do imóvel. No que tange à alegação de que a área declarada como de reserva legal se encontra localizada no Bioma Mata Atlântica, e, por isso, sujeita às restrições de uso impostas pelo inciso II do parágrafo primeiro do art. 10 da Lei n° 9393/1996, entendo que tal fato não tem o condão de excluir o montante de 266,0 ha da tributação do ITR, já que a glosa perpetrada pela fiscalização foi em razão da DITR entregue, bem como pela falta de apresentação da averbação a margem da matricula do imóvel. Transcrevese, outrossim, manifestação da autoridade recorrida sobre o pedido alternativo: Também, o fato de essa área declarada como de reserva legal se encontrar localizada no Bioma Mata Atlântica, e, por isso, sujeita às restrições de uso impostas pela Lei nº 11.428/2006, não pode justificar a sua exclusão do ITR/2003, pois essas áreas somente passaram a ser contempladas, para efeito de exclusão de tributação, a partir do ITR, do exercício de 2007 (Florestas Nativas), com o advento da referida Lei, conforme, inclusive, consta do citado dispositivo legal (alínea “e” do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/96), nos seguintes termos: “Art. 10 (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201002.675 S2C2T1 Fl. 6 9 (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) Grifei. Assim, além da falta de previsão legal para excluir tais áreas (florestas nativas) de tributação, à época do fato gerador do ITR/2003 (1º.01.2003, art. 1º da Lei nº 9.393/96), também há de se levar em consideração a perda da espontaneidade para efetuar qualquer alteração nos dados por ela informados na sua declaração do ITR/2003 e no respectivo ADA, nos termos do art. 138 do CTN c/c o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235/72 e, da mesma forma, no art. 33 do Decreto 7574/2011. Portanto, não há como acatar com outra classificação (preservação permanente/interesse ecológico/floresta nativa), a área preiteada pela Contribuinte na sua DITR/2003, como de utilização limitada/reserva legal, para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR/2003. Portanto, a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente, o que não ocorreu no presente caso. Valor da Terra Nua Quanto ao Valor da Terra Nua considerou a autoridade fiscal que o VTN declarado pela recorrente estava subavaliado, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393/1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (grifei) Por sua vez, o art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/1996 determina: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (grifei) Pelo que se vê, o fisco dispõe da prerrogativa estipulada em Lei de não aceitar informações prestadas pelo sujeito passivo, sempre que tais valores não mereçam fé. Todavia, a utilização do arbitramento com base no SIPT, devese apoiar em parâmetros previstos pelo legislador, inclusive a capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. No caso em exame, entretanto, o arbitramento se baseou única e exclusivamente na média de VTN declarados por outros contribuintes, cuja utilização não atende às exigências legais, como se verifica do extrato da tela do sistema da Receita Federal do Brasil de fls. 114pdf. Nesse passo, entendo que não foram atendidos os requisitos previstos em lei para a realização do arbitramento, razão pela qual deve ser desconsiderado o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Esse é o entendimento majoritário deste Órgão, consoante a ementa destacada: VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO, A menos que o contribuinte apresente Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, com elementos de convicção suficientes para demonstrar que o valor da terra nua é inferior ao valor constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, autorizado está o fisco a arbitrálo. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. (Acórdão nº 220200.722) (grifei) Ante a esses argumentos, devese restabelecer o VTN informado pela contribuinte em sua DITR/2003. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201002.675 S2C2T1 Fl. 7 11 Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer o VTN informado pela contribuinte em sua DITR/2003. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 199DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11384.000616/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/03/2005
ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - AIOP CORRELATO
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores, sendo que a procedência dos mesmos
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade dar provimento parcial de modo que a multa fique limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ALEGAÇÃO DE APRESENTAÇÃO DE TODOS OS DOCUMENTOS DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL A presente autuação não se funda em não apresentação de documentos, conforme alegado pelo recorrente, mas em ausência de informações de fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, o que digase foi devidamente enfrentado na decisão de primeira instância, não tendo o recorrente apresentado os documentos que comprovem a correta informação dos fatos geradores em GFIP. Em se tratandose de AI de obrigação acessória, não há quanto ao mérito qualquer questão a ser apreciada, em especial quanto as alegadas inconstitucionalidades, posto que a procedência dos fatos geradores que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 38 4. 00 06 16 /2 01 1- 09 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ensejaram a multa ora aplicada, já foram objeto de apreciação nesta mesma sessão, processos n. 11384.000614/201110, DEBCAD n. 35.761.5093. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/03/2005 ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AIOP CORRELATO A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores, sendo que a procedência dos mesmos MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade dar provimento parcial de modo que a multa fique limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11384.000616/201109 Acórdão n.º 2401003.807 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n.35.761.5115, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme o Relatório Fiscal fls. 06, a Empresa deixou de registrar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP o valor da Receita Bruta da Comercialização da Produção Rural, o que constitui infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5 da Lei 8.212/91. A multa aplicada corresponde a 100% da contribuição devida. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 03/03/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 18/03/2005. Não conformada com a autuação, foi apresentada impugnação, fls. 246 a 264. Foi proferida Decisão de 1 instância às fl. 288 a 295 que confirmou a procedência do lançamento: PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAR A GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. VALOR DA MULTA ELEVADA EM TRÊS VEZES.. 1) Apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constitui infração ao artigo 32, inciso IV, § 5.°, da Lei 8.212/91. 2) A empresa deixou de registrar na GFIP, o valor da receita bruta da comercialização da produção rural. 3) Ocorrência de reincidência em um mesmo tipo de infração, elevando o valor da multa em três vezes, conforme previsto no artigo 292, IV, do RPS. Não regularizada a falta cometida. Autuação procedente. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 310 a 321. Em síntese, o recorrente em seu recurso traz exatamente as alegações da impugnação, enfatizando a questão da declaração de inconstitucionalidade da legislação que determina a exigência ora sob apreço, quais sejam: 1. Inexiste a infração, pois todos os documentos solicitados pelo Auditor Fiscal foram entregues conforme solicitados e que a autuação ocorreu porque parte da documentação não havia sido, ainda, disponibilizado para o levantamento fiscal. No entanto, afirma que a empresa não estava sonegando documentos e que não havia motivo para o arbitramento mediante aferição indireta pois a empresa precisava tão somente de um prazo maior. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Pede que a autuação seja julgada insubsistente, isentando a Impugnante de qualquer multa. 2. É indevida as contribuições incidentes sobre a aquisição de produto rural diretamente de produtores pessoas físicas, e assim sendo, a multa por ser acessório do crédito previdenciário, também o é. Aduz que somente é possível uma hipótese de incidência que faça nascer uma obrigação tributária desde que vinculada à folha de salários, faturamento e o lucro e que a impugnante, a teor da Lei 8.870/94, art. 25, incisos I e II está obrigada a recolher as contribuições sociais sobre o valor da produção, e esta sendo lei ordinária e não complementar não poderia ter criado outra fonte de custeio, qual seja, o valor da produção. 3. A recorrente alega que sendo empresa da área urbana não tem porque contribuir para o FUNRURAL e INCRA, pois para que ocorra sujeição à contribuição para a previdência social rural é necessária a qualificação do contribuinte como exercente de atividade rural o que não é o caso. Alega ainda que a contribuição para o INCRA só foi exigível até o advento da Lei 8.212/91 e a do FUNRURAL até a Lei n.° 7.787/89, motivo pelo qual deve ser reconhecido indevida a cobrança. 4. Condena a aplicação dos juros SELIC por ter caráter estritamente remuneratório, ressaltando que na taxa SELIC está embutida os juros e a correção monetária, concomitantemente, por isso sendo elevada e onerosa para o contribuinte. Que o parágrafo 1.° do art. 161 do CTN dispõe claramente que somente por legislação ordinária expressa, os juros moratórios podem ultrapassar a 1% ao mês. 5. Inconformada com o percentual aplicado da multa, por ter caráter confiscatório, alega que a administração, apesar do caráter público dos valores em discussão, não pode pretender locupletarse à guisa dessa cobrança excessiva. Protesta contra a aplicação da multa, argumentando que atualmente admitese a imposição de pena em valor não superior a 2%, conforme dicção da Lei 9.298/96. 6. 6. Pede, ao final, que sendo outro o entendimento, seja determinado a aplicação da multa mínima para cada GFIP não apresentada corretamente, eis que a impugnante não agiu de má fé, afastando ainda a elevação da multa pela reincidência. 7. Requer seja conhecido o recurso e dado provimento para, reformando a decisão/notificação 14.422.4/052/2005, decretar a nulidade da NFLD 35.761.5115, eis eis que não houve sonegação de documentação e o funrural é inconstitucional; no mérito, reconhecer a ilegalidade da cobrança das contribuições previdenciárias e, conseqüentemente a multa imposta, pois as contribuições relativas ao Funrural e ao Incra somente eram devidas até o advento das Leis 7.787/89 e 8.212/92; reconhecer ainda a ilegalidade da SELIC e da multa com caráter confiscatório, reduzindoa, se mantida, ao mínimo legal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11384.000616/201109 Acórdão n.º 2401003.807 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 147 e seguintes. Superados os pressupostos, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Conforme descrito no relatório fiscal a autuação teve por fundamento o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, que disciplina que o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Ao contrário do que alega o recorrente, a presente autuação não se funda em não apresentação de documentos, mas em ausência de informações de fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, o que digase foi devidamente enfrentado na decisão de primeira instância, não tendo o recorrente apresentado os documentos que comprovem a correta informação dos fatos geradores em GFIP. Importante salientar, que tratandose de AI de obrigação acessória, não há quanto ao mérito qualquer questão a ser apreciada, em especial quanto as alegadas inconstitucionalidades, posto que a procedência dos fatos geradores que ensejaram a multa ora aplicada, já foram objeto de apreciação nesta mesma sessão, processos n. 11384.000614/2011 10, DEBCAD n. 35.761.5093, cuja ementa abaixo transcrevo respectivamente: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e Fl. 388DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubstanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” A multa aplicada encontrase em perfeita consonância com o disposto no art. 35 da lei 8212/91. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, Fl. 389DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11384.000616/201109 Acórdão n.º 2401003.807 S2C4T1 Fl. 5 7 FUNRURAL, SAT, SELIC, MULTA IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Dessa forma, em relação aos fatos geradores que ensejaram a aplicação da multa, deve o resultado observar exatamente os termos do resultado do processo correlato. Quanto a taxa SELIC entendo que não há o que ser apreciado, considerando que em se tratando de obrigação acessória não há aplicação de juros. DA MULTA APLICADA Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 390DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11384.000616/201109 Acórdão n.º 2401003.807 S2C4T1 Fl. 6 9 · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, limitandoa conforme disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000575/2009-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2007
EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE. CASO FORTUITO. FURTO DE MERCADORIAS.
Furto de carga ocorrido no recinto do depositário, não constitui causa excludente de responsabilidade do depositário, conforme arts. 660 e 664 do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, com o texto vigente à época, se demonstradas falhas nas condições de segurança
Numero da decisão: 3201-001.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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CASO FORTUITO. FURTO DE MERCADORIAS. Furto de carga ocorrido no recinto do depositário, não constitui causa excludente de responsabilidade do depositário, conforme arts. 660 e 664 do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, com o texto vigente à época, se demonstradas falhas nas condições de segurança Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 05 75 /2 00 9- 59 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Referese o presente processo a auto de infração para cobrança de tributos aduaneiros e sanções. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de comunicação de roubo de carga, armazenada no Recinto Alfandegado ARMAZÉNS GERAIS COLUMBIA S/A em 24/09/2008, acondicionada em um container de 40' n° SUDU4484900, consignado à DUFRY DO BRASIL — DUTY FREE SHOP LTDA e amparado pelo conhecimento marítimo n° SUDUR80174242017.Em 07/10/2008, fl. 25, a permissionária protocolizou carta junto à DIVIG — Divisão de Vigilância e Controle Aduaneiro da Alfândega do Porto de Santos, informando que em função do registro da Declaração de Trânsito n° 08/04531960 solicitando o carregamento da carga, buscou pelo container e não logrou localizálo na área de armazenagem. Alegando ser vítima de furto, a impugnante anexou cópia de Boletim de Ocorrência, fl. 27, DTA, fl. 29, Conhecimento de Carga — BL, fl. 31 e Guia de Movimentação de Container — Importação GMCI, fl. 33. Em função dos fatos, a fiscalização apontou a pe(missionária ARMAZÉNS GERAIS COLUMBIA S/A como responsável pelo extravio da carga armazenada, lançando através do presente auto de infração os tributos incidentes sobre a carga (II, IPI, PIS, Cofins), a multa pela não localização de container, a multa pelo extravio e a multa de 100% do valor da mercadoria prevista no art. 631 do Regulamento Aduaneiro. Intimada em 19/02/2009, a interessada apresentou impugnação e documentos em 23/03/09, juntados às fls. 67 e seguintes, alegando, em síntese: 1. Alega que informou o fato do desaparecimento do contêiner assim que teve ciência do mesmo. Alega que empreendeu todos os esforços para localizar o contêiner. Alega que demitiu funcionários, trocou a empresa prestadora de serviços de segurança e alterou procedimentos de controle. 2. Contesta a data do lançamento em 22/01/2009. Alega que deveria ser utilizada a data em que foi constatada a falta, 29/09/2008, ou alternativamente a data da comunicação formal, 07/10/2008. 3. Alega que não entregou a consumo as mercadorias importadas e que não houve fraude ou irregularidade na importação. Alega ainda que a situação não é hipótese de registro de declaração no SISCOMEX. 4. Alega que foi prejudicada em função da variação cambial entre a data da infração e a data em que foi efetuado o lançamento. 5. Requer, por fim, que seja considerado improcedente o presente auto de infração. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11128.000575/200959 Acórdão n.º 3201001.883 S3C2T1 Fl. 94 3 A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO:NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO • TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/01/2009 Ementa: RECINTO ALFANDEGADO. PERMISSIONÁRIO.EXTRAVIO DE CARGA O permissionário de recinto alfandegado é responsável pelo crédito tributário devido pelas mercadorias extraviadas sob sua responsabilidade. CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR A mera comunicação de roubo de carga não se considera como caso fortuito ou força maior capaz de eximir a responsabilidade pelo crédito tributário. • Lançamento Procedente em Parte Em segunda instância, esta Turma converteu o julgamento em diligência, em decisão cujo fundamento se transcreve: Entendo que o processo, no seu estado atual não comporta julgamento, portanto, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora providencie a intimação do recorrente desta decisão e, para que o mesmo traga aos autos cópias dos comprovantes de pagamentos pela Seguradora dos valores relativos à carga que alega ter sido furtada e das correspondências trocadas entre a Seguradora e a recorrente e entre esta e sua cliente, DUFRY DO BRASIL — DUTY FREE SHOP LT DECRETO Nº 6.759, DE 5 DE FEVEREIRO DE 2009.DA, além das cópias do respectivo inquérito policial e suas conclusões e repercussões, se houver, e a apresentar seus comentários acerca desta prova, no prazo de 30 (trinta) dias. Pelo Termo de Intimação nº 31/2012 determinouse a notificação da Recorrente da Resolução nº 3102000.310, da qual, contudo, não consta o Aviso de Recebimento nos autos. Em petição de 10/09/2012, a Recorrente juntou aos autos: cópia integral do Inquérito Policial no 116/08 oriundo do Boletim de ocorrência no 216/08; Fl. 369DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 cópia do processo de sinistro, bem como das correspondências trocadas entre a seguradora e a Recorrente, alem do instrumento de transação extintiva de litígio e quitação com a Dufry; cópia do comprovante de pagamento do valor que ficou a cargo da ELOG (US$ 35.000,00); tela do sistema da Itaú Seguros que indica o pagamento do valor devido a Dufry a titulo de indenização; Ademais, afirma que não é verdadeira a afirmação feita na autuação de que a carga importada teria entrado em circulação econômica sem o devido registro da declaração aduaneira, já que os bens não foram comercializados, consumidos ou entregues a consumo, o que tornaria descabida a cobrança dos tributos aduaneiros e respectivas multas, inclusiva a multa correspondente a 100% do valor aduaneiro das mercadorias prevista no artigo 631 do Regulamento Aduaneiro. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Verificase que a decisão recorrida afastou a argumentação da Recorrente de caso fortuito ou força maior, fundamentada no fato de que o registro de boletim de ocorrência é documento declaratório, de emissão particular junto à autoridade policial, tratase de noticia criminis. Por outro lado, a instauração de inquérito não possibilitaria a exclusão do crédito tributário, já que não demonstra claramente o afastamento de culpa, que possibilitasse a exclusão de responsabilidade em razão do furto da mercadoria. De acordo com o Regulamento Aduaneiro, com o texto vigente à época, Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, temse que: Art. 660. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 655 Art. 664. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 660, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade Fl. 370DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11128.000575/200959 Acórdão n.º 3201001.883 S3C2T1 Fl. 95 5 Considerandose que de acordo com a doutrina civilista clássica, caso fortuito é o acontecimento provindo da natureza sem que haja interferência da vontade humana; e que, força maior é a própria atuação humana manifestada em fato de terceiro, o fato jurídico do furto, quando perfeitamente caracterizado, poderia afastar uma obrigação exigida de determinado sujeito passivo. Contudo, deve ser ponderado que a Recorrente assume a condição de fiel depositária da mercadoria sob sua guarda, e nos termos do DecretoLei nº 37, de 1966, art. 32, caput, inciso II, é responsável pelo imposto, no caso de extravio de mercadoria sob sua custódia e sob controle aduaneiro. O depositário aduaneiro deve zelar pelas mercadorias entregues em depósito, proporcionando condições necessárias de segurança para assegurar a incolumidade das mercadorias que lhe foram entregues. E no caso de desídia, o depositário alfandegário deve responder pelo pagamento dos tributos que deixaram de ser recolhidos ao Erário Público, não se confundindo a responsabilidade criminal ou prisão civil, com a tributária. Observese que na jurisprudência administrativa encontramse diversas decisões nas quais se qualifica como caso fortuito ou força maior o extravio de mercadorias mediante roubo à mão armada, situação em que o depositário está impotente e também é destinatário da obrigação estatal de prover segurança pública aos cidadãos. Contudo, no caso de furto, e mais especificamente, no caso concreto, em que embora caracterizado o furto, este ocorreu sem ao menos a Recorrente darse conta, alegando que pilhas de contêineres obstruíram as câmaras de segurança, verificase que não houve condições de segurança compatíveis com as responsabilidades de um depositário A própria Recorrente indiretamente reconhece as falhas de seu sistema de segurança, quando alega que demitiu funcionários, trocou a empresa prestadora de serviços de segurança e alterou procedimentos de controle, após o desaparecimento do contêiner. Portanto, a análise das condições nas quais ocorreu o furto da mercadoria, revelam que não é possível excluir a responsabilidade tributária da Recorrente, como já julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo: Acórdão 9303001.865, IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO DECORRENTE DE ROUBO DE MERCADORIA DEPOSITADA. FORÇA MAIOR. NÃO OCORRÊNCIA. O furto da mercadoria mantida sob sua guarda não constitui hipótese de força maior prevista no art. 595 do Regulamento Aduaneiro baixado pelo Decreto 4.543/2002 como causa excludente da responsabilidade do depositário prevista nos arts. 591 e 593 do mesmo diploma legal. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Em face do exposto julgo improcedente o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 372DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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