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Numero do processo: 10814.020796/2006-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 08/05/2006 MULTA REGULAMENTAR ADMINISTRATIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Confirmado que a retificação da Declaração de Importação, foi realizado com o pagamento dos tributos com acréscimos legais e multa moratória, em momento anterior a qualquer procedimento de fiscalização. Aplica-se o benefício da denúncia espontânea previsto no art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66 à multa administrativa, prevista no art. 69, §1° da Lei n° 10.833/2003.
Numero da decisão: 3102-001.462
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 08/05/2006 MULTA REGULAMENTAR ADMINISTRATIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Confirmado que a retificação da Declaração de Importação, foi realizado com o pagamento dos tributos com acréscimos legais e multa moratória, em momento anterior a qualquer procedimento de fiscalização. Aplicase o benefício da denúncia espontânea previsto no art. 102 do DecretoLei nº 37/66 à multa administrativa, prevista no art. 69, §1° da Lei n° 10.833/2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II , alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “Trata o presente de Auto de Infração, fls.01/06, contra a contribuinte acima qualificado, com a exigência da Multa Regulamentar no valor de R$2.200,62, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte requereu pelo processo n° 10814.010265/200607, fls.07 deste processo, a retificação da Declaração de Importação n° 06/05257765, de 08/05/2006, fls.09/13, desembaraçada no canal verde, para alterar o valor do seguro de US$132,11 para US$179,55, juntando cópia da Apólice de Seguros, fls.28/34, e demais documentos relacionados com aquela operação de importação. A retificação da DI foi deferida, entretanto, o requerente foi intimado fls.60, a comprovar o recolhimento da multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria, conforme estabelecido no art. 69, §1° da Lei n° 10.833/2003, pelo descumprimento da obrigação acessória de informar de forma exata e completa os dados de natureza administrativatributária, cambial ou comercial, na declaração de importação, relativamente aquela operação, necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro devido por disposição legal. O contribuinte, fls.54/58, manifestou sua inconformidade com a exigência fiscal, deixando de atendêla, o que motivou a lavratura do presente auto de infração. O autuado intimado e cientificado, apresentou sua Impugnação, fls.70/74, em 12/12/2006, alegando: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10814.020796/200608 Acórdão n.º 310201.462 S3C1T2 Fl. 2 3 ter ocorrido a denúncia espontânea, eximindoo de qualquer responsabilidade, conforme ditame do art. 612 do Regulamento Aduaneiro, inclusive por ter recolhido a diferença de imposto apurada e os acréscimos legais, com a multa moratória; trouxe fato desconhecido pela fiscalização, espontaneamente; traz jurisprudência do 3° Conselho de Contribuintes e do STJ sobre a denúncia espontânea. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração pelo descabimento da exigência da referida multa..” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela improcedência da impugnação, por entender que tratandose de penalidade administrativa não seria alcançada pela denúncia espontânea. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/05/2006 Multa Regulamentar. Denúncia Espontânea. O benefício da denúncia espontânea é aplicável somente às infrações de natureza tributária, de acordo com o disposto no Decretolei 37/66, e a multa do artigo 84 da MP 2158 35/2001 possui caráter administrativo, cabível portanto sua aplicação no caso sob exame. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente vem aos autos questionando a decisão da autoridade de primeira instância que não aceitou o benefício da denúncia espontânea, em razão da penalidade aplicada tratarse de multa administrativa. Os fatos que ensejaram o lançamento, bem como a retificação da Declaração de Importação com o recolhimento dos acréscimos legais devidos é fato incontroverso no processo e portanto, a análise do recurso encontrase unicamente na possibilidade da utilização da denúncia espontânea para as penalidades administrativas. Neste ponto é relevante, destacar que não há reparo a fazer na decisão da autoridade a quo, considerando a legislação vigente à época daquele julgamento. Entretanto, legislação superveniente alterou o § 2º, do art. 102 do Decreto Lei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea. A alteração foi promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010. A nova redação do art. 102 esta transcrita abaixo. "Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." A legislação tributária de forma precípua, trata da vigência das leis sempre com visão de aplicação futura, ou seja, a eficácia da lei se faz sentir a partir da sua existência no mundo jurídico. Entretanto, em algumas situações quis o legislador criar exceções a regra geral, atribuindo a legislação tributária, o que se convencionou chamar de retroatividade benigna. As exceções estão previstas no artigo 106 do CTN. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10814.020796/200608 Acórdão n.º 310201.462 S3C1T2 Fl. 3 5 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática” No caso em tela, apesar do fato gerador da multa ora em discussão, ter ocorrido em data anterior à edição da Lei nº 12.350/10, obedecendo à alínea “c”, do inciso II, do art. 106 do CTN, entendo que a nova sistemática que ampliou a aplicação da denúncia espontânea também para as penalidades administrativas, sem dúvida criou uma situação mais benéfica ao Recorrente, permitindo que à penalidade administrativa seja alcançada pelo instituto da denúncia espontânea. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso voluntário, aplicando a retroatividade benigna para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. Winderley Morais Pereira Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720070/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVA APURADA. PARCELAMENTO. COMPENSAÇÃO. CABIMENTO.
Tendo o recorrente efetuado o parcelamento de débitos decorrentes de estimativa mensal a ser recolhida, cabível a sua compensação com débitos em períodos posteriores.
Numero da decisão: 1302-001.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVA APURADA. PARCELAMENTO. COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. Tendo o recorrente efetuado o parcelamento de débitos decorrentes de estimativa mensal a ser recolhida, cabível a sua compensação com débitos em períodos posteriores.
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SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVA APURADA. PARCELAMENTO. COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. Tendo o recorrente efetuado o parcelamento de débitos decorrentes de estimativa mensal a ser recolhida, cabível a sua compensação com débitos em períodos posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 70 /2 00 6- 11 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 1302001.047 S1C3T2 Fl. 544 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por USINA CAETÉ S/A, em face do acórdão nº 1137.775 4ª Turma da DRJ/REC (fls.506518), proferido em processo administrativo que homologou em parte a declaração de compensação de vários débitos, utilizando crédito de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. O saldo negativo foi composto a partir de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), por diversas fontes pagadoras, no valor de R$ 7.995.793,11. Desse valor, glosouse a quantia de R$ 178.034,40, por entender que tal valor não fora efetivamente pago, já que está incluso no parcelamento da Lei 11.941/09. A controvérsia, no entanto, tem origem anterior. Inicialmente, o pedido de compensação da recorrente não fora homologado pela autoridade fiscal, pois não estaria comprovada a origem dos créditos utilizados. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 177183), o que levou a DRJ/REC de origem a determinar a realização de diligência no domicílio da recorrente para que fosse apurada a existência e origem do crédito utilizado, com a consequente (i) elaboração de relatório circunstanciado, (ii) intimação da recorrente para manifestarse acerca das conclusões bem como (iii) a alteração, se for o caso, da decisão acerca da não homologação (fls. 238242). A diligência e o relatório foram elaborados e encontramse acostados aos autos (fls. 382397) e verificase que foi reconhecido o saldo negativo de Imposto de Renda no valor de R$ 8.173.827,51. Todavia, a autoridade fiscal opinou pela homologação parcial da compensação, limitando o crédito ao valor de R$ 7.977.817,80. Isto porque seria devida glosa nos valores de R$ 42.436,98, referente à diferença entre IR e aplicações financeiras a recuperar constantes em sua contabilidade (R$ 10.244.519,88) e o valor declarado em DCOMP (R$ 10.286.956,86) (fls. 392). Também seria devida a glosa de R$ 153.572,73, relativos ao saldo devedor de estimativas do exercício de 2003 (fls. 390). Intimada, a recorrente manifestouse pelo reconhecimento da existência da totalidade de crédito apurado no valor de R$ 8.173.827,51 (fls. 415422). Para tanto, argumentou: (i) Com base no princípio da verdade material, malgrado a diferença entre IR de aplicações financeiras a recuperar constantes em sua contabilidade (R$ 10.244.519,88) e o valor declarado em DCOMP (R$ 10.286.956,86) ser menor, o próprio fisco reconhece que nos dados do sistema da Receita Federal consta, pelas fontes pagadoras, a efetiva retenção do valor de R$ 10.601.975,88 reais, ou seja, superior ao deduzido na apuração, motivo pelo qual a glosa no valor de R$ 42.436,98 reais é completamente ilegal (fls. 419 420); Fl. 544DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 1302001.047 S1C3T2 Fl. 545 3 (ii) Que a glosa de saldo devedor no valor de R$ 153.572,73, inerente às estimativas do exercício de 2003, é insubsistente, considerando glosas equivocadamente realizadas nos exercícios anteriores (2001 e 2002) (fls. 418 419). Na DRJ/REC, a autoridade julgadora decidiu pela homologação parcial da compensação, nos termos de sua ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAMENTO DE ESTIMATIVA APURADA. Como o pedido de parcelamento importa confissão de dívida, os valores das estimativas que foram parcelados podem ser deduzidos do imposto apurado no ajuste anual. Entretanto, a parcela do saldo negativo porventura gerado, correspondente ao montante parcelado que ainda não foi pago até a data da transmissão da Dcomp, não pode ser objeto de restituição e/ou compensação. IRRF. DEDUÇÃO NO AJUSTE ANUAL. NECESSIDADE DE TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. É passível de dedução do imposto devido no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre rendimento de aplicação financeira de renda fixa computado na determinação do lucro real. Na espécie, todo o rendimento declarado pelas fontes pagadoras, correspondentes ao IRRF, foi tributado pelo contribuinte. O voto condutor reconheceu o crédito no valor de R$ 8.173.827,51, porém homologou a compensação no valor de R$ 7.995.793,11, efetuandose a glosa do valor de R$ 178.034,40, referente à parcela estimativa de fevereiro de 2002, pois fora incluída no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009. Foram utilizados os seguintes fundamentos: 16. No que se refere à parcela da estimativa de fevereiro de 2002, no valor de R$178.034,40, que foi incluída no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, cabe considerar sua dedução no ajuste anual de 2002 indevida, ao contrário do entendimento da autoridade diligenciante, o que acarretará redução deste montante no saldo negativo de 2002 apurado pelo contribuinte. A seguir as considerações que conduzem a esta conclusão. […] 20. Como o pedido de parcelamento importa confissão de dívida, os valores das estimativas que foram parcelados podem ser deduzidos do imposto apurado no ajuste anual. Entretanto, tais valores somente se tornam aptos à restituição e/ou compensação à medida que forem pagos e desde que provado que o montante extinto superou o imposto devido. […] 23. Como na espécie a adesão ao parcelamento foi posterior à transmissão das Dcomp, a parcela do saldo negativo de 2002, decorrente da dedução da estimativa que foi parcelada não Fl. 545DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 1302001.047 S1C3T2 Fl. 546 4 poderia ser utilizada como crédito nas compensações declaradas. (grifouse) (fls. 514516). Desta forma, verificase que a insurgência da recorrente incide em face da glosa realizada pela autoridade julgadora no valor de R$ 178.034,40. Em defesa do referido crédito, a recorrente argumenta ter direito a realizar a compensação do tributo cujo pagamento se deu a maior ou indevidamente, conforme o art. 165, I, do CTN. Argumenta que a inclusão de débito tributário no programa em questão é confissão irretratável e irrenunciável da dívida, segundo dispõe o art. 5º da Lei nº 11.941/2009. Por fim, defende a necessidade de reconhecimento do crédito no valor de R$ 8.173.827,51 na apuração do saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no ano calendário 2002, com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e nos dispositivos legais mencionados acima. É o relatório. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 1302001.047 S1C3T2 Fl. 547 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso é tempestivo e apresenta todas as condições de admissibilidade, então dele conheço. 1. DA DESNECESSIDADE DE REEXAME NECESSÁRIO DA EXONERAÇÃO DO CRÉDITO Conforme se verifica nos autos, inicialmente ocorreu a não homologação por parte da autoridade fiscal da declaração de compensação realizada pela Recorrente, pois não teria sido comprovada a origem do crédito alegado (fls. 169). Após a manifestação de inconformidade da recorrente e a realização de diligência em seu domicílio, a autoridade fiscal alterou as conclusões anteriormente alcançadas, entendendo que ficou comprovada a existência de crédito no valor de R$ 8.173.827,51. No entanto, foi homologada tão somente a compensação no valor de R$ 7.977.817,80, e glosado o valor de R$ 42.436,98 e R$ 153.572,73, conforme narrado acima. A 4ª Turma da DRJ/REC, ao analisar a manifestação de inconformidade e a apuração feita pela fiscalização, reconheceu o crédito no valor de R$ 8.173.827,51. Porém, homologou a compensação no valor de R$ 7.995.793,11, efetuandose a glosa de R$ 178.034,40 reais, haja vista a inclusão do citado valor no programa de parcelamento REFIS. Malgrado se esteja diante de homologação posterior à manifestação de inconformidade, vale lembrar que a IN RFB nº 1.300 de 20 de novembro de 2012, assegura em seu art. 79 que: Art. 79. Não caberá recurso de ofício da decisão que considerar procedente manifestação de inconformidade em processos relativos a restituição, ressarcimento, reembolso ou compensação (grifo nosso). Por consequência, a matéria devolvida a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, restringese à glosa realizada no valor de R$ 178.034,40, pois entendeu a autoridade de origem que não há que se falar em direito de compensação de crédito apurado a partir de estimativas enquanto o mesmo não for efetivamente pago, já que a parcela em questão fora incluída no programa de parcelamento REFIS, o que passa a ser objeto de exame no item seguinte. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 1302001.047 S1C3T2 Fl. 548 6 2. DA LEGALIDADE DO CRÉDITO UTILIZADO Após as diligências realizadas no domicílio da recorrente, tanto o auditor fiscal da RFB quanto a 4ª Turma da DRJ/REC reconheceram a existência de um crédito no valor de R$ 8.173.827,51. Entretanto, segundo conclusões da DRJ de origem, restara um saldo devedor no valor de R$ 178.034,40, em relação à parcela da estimativa de fevereiro de 2002, incluído pela recorrente no programa de parcelamento regulamentado pela Lei nº 11.941/2009, por meio de processo administrativo fiscal nº 10410.004636/9901 (fls. 510). A DRJ afirmou que, nos termos do Código Tributário Nacional, o parcelamento não é modalidade de extinção de crédito tributário (art. 156), mas sim, suspensão do mesmo. Vejamos: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: […] VI – o parcelamento. Aduziu, ainda, que as instruções disponíveis no endereço eletrônico da Receita Federal para o preenchimento da DIPJ e Dcomp são claras em estabelecer que “o pedido de restituição ou a utilização para compensação do saldo de parcelamento de imposto de renda apurado sobre a base de cálculo estimada, ou apurado em balanço ou balancete de suspensão ou redução, ficam condicionados ao pagamento do referido parcelamento” (itens 21 e 22 do acórdão recorrido, fls. 515). Assim, por entender que “tais valores somente se tornam aptos à restituição e/ou compensação à medida que forem pagos” (fls. 515), a DRJ concluiu pela necessidade de se efetuar a glosa do valor de R$ 178.034,40 no valor do crédito utilizado para compensação pela recorrente. A recorrente, por sua vez, insurgiuse da desproporcionalidade e irrazoabilidade da glosa, ao não reconhecer como passível de compensação o valor de R$ 178.034,40, dada sua inclusão no programa de parcelamento regulamentado pela Lei nº 11.941/2009. A recorrente alega que, segundo o art. 165, inciso I, do CTN: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (grifouse). Alerta que, segundo art. 5º da Lei 11.941/2009, o parcelamento é confissão irretratável e irrenunciável do débito, nos seguintes termos: Fl. 548DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 1302001.047 S1C3T2 Fl. 549 7 Art. 5º A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. (grifouse). Por fim, argumenta que nos termos do art. 156, inc. II também do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: […] II a compensação; Logo, com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade não há fundamento legal que justifique a glosa do valor de R$ 178.034,40 sobre o crédito utilizado pela recorrente para compensação. Assiste razão à recorrente. Vejamos. Não obstante o argumento de que a inclusão do débito fiscal no programa de parcelamento da Lei nº 11.941/2009 implica na confissão espontânea da dívida (art. 5º), a recorrente já havia confessado ser devedora do tributo em questão quando da apuração mensal da estimativa devida. Ressaltese ainda que, uma vez confessado o débito tributário, disporá a Fazenda Nacional de outras maneiras de vêlo satisfeito, uma vez que, não efetuado o pagamento do débito tributário, a Fazenda Nacional possui a medida executiva fiscal para satisfação do tributo, conforme amplamente regulamentado pela Lei nº 6.830/1980 – Lei de Execução Fiscal. Isto porque a dívida ativa, título executivo suficiente para exigir em juízo o débito tributário do contribuinte, segundo a citada lei (LEF, art. 3º), “goza da presunção de certeza e liquidez”. Nesse diapasão, vale recordar que a não homologação da compensação da parcela de estimativa em questão, implicará em duplo ônus à recorrente: 1º) a exigência do valor declarado em DCOMP, com a glosa do crédito, pois é considerado confissão de dívida, passível de cobrança pela Fazenda Nacional. É o que leciona José Henrique Longo, vejamos: […] atingese o momento de responder a questão posta: há algum impedimento na utilização do saldo negativo de IRPJ apurado em anocalendário em cuja extinção das estimativas tenha sido promovida compensação não homologada? Há apenas uma resposta: não existe impedimento. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 1302001.047 S1C3T2 Fl. 550 8 Com efeito, a eventual não homologação de compensação em razão da imprestabilidade do crédito já gera, por si só, uma cobrança do débito confessado pelo contribuinte, acrescido de multa de mora e juros Selic. […] Assim, nessa linha de raciocínio, também não pode ser indeferida a homologação da compensação ou restituição solicitada com o crédito do saldo negativo, ainda que seja decorrente de extinção da estimativa por compensação não homologada ulteriormente. Caso contrário, o contribuinte seria devedor em duplicidade de um único débito, tendo em vista que esse sistema de compensação nada mais é do que uma conta corrente, e um eventual crédito indevido somente pode ser cobrado uma vez (de acordo com a legislação atual, apenas o débito confessado no pedido de compensação).( LONGO, José Henrique. “Saldo Negativo de IRPJ Decorrente de Estimativa Quitada por Compensação não Homologada” in Compensação Tributária, DIAS, Karem Jureidini e PEIXOTO, Marcelo Magalhães, coord. São Paulo: 2008, MP Editora, p. 236/237) (grifo nosso). 2º) a exigência do débito por meio do próprio parcelamento “confissão de dívida”, que já vem sendo saldado mensalmente pelo contribuinte e, eventualmente, a rescisão do parcelamento, caso este não seja pago com regularidade, resultando, também, em execução fiscal, (nos termos do art. 1º, § 9º; art. 14B, Lei nº 11.941/2009): Art. 1º. […] § 9º A manutenção em aberto de 3 (três) parcelas, consecutivas ou não, ou de uma parcela, estando pagas todas as demais, implicará, após comunicação ao sujeito passivo, a imediata rescisão do parcelamento e, conforme o caso, o prosseguimento da cobrança. Art. 14B. Implicará imediata rescisão do parcelamento e remessa do débito para inscrição em Dívida Ativa da União ou prosseguimento da execução, conforme o caso, a falta de pagamento: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Em conclusão, o indeferimento da presente compensação poderia implicar na exigência: i) do débito, objeto do presente processo e concomitantemente; ii) exigência do débito incluso no parcelamento da Lei 11.941/2009. Após o pagamento dos dois débitos como poderá fazer o contribuinte para se ressarcir do pagamento indevido? A resposta é simples: será impossível. Ao final do pagamento da estimativa incluída no REFIS da Lei 11.941/2009 serão passados cinco anos do fato gerador e da entrega da declaração, o que impedirá o contribuinte de fazer qualquer retificação e pedido de compensação. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 1302001.047 S1C3T2 Fl. 551 9 Ressaltese, ainda, que o parcelamento da estimativa utilizada para compensação não se limita a esta, mas engloba outros débitos que, após consolidados, constituirão o valor das prestações mensais conforme a opção do programa que o contribuinte aderiu. Adentrando ao caso concreto, conforme informação colhida dos autos, a recorrente optou pelo programa de parcelamento REFIS, efetuando o parcelamento de inúmeros débitos e não somente da estimativa devida no mês de fevereiro de 2002, a qual a DRJ de origem efetuara a glosa (fls. 297). Por consequência, é impossível individualizar qual quantia referente à parcela paga em determinado mês será destinada para o pagamento de um débito específico, no caso, a estimativa de fevereiro de 2002. Os débitos parcelados foram consolidados em parcela única. O certo é que parcelas foram pagas, mas como foram apropriados não foi identificado. Não há prejuízo à Fazenda Nacional, pois o tributo parcelado na Lei 11.941/2009 (REFIS) é indevido, é “saldo negativo”. Assim, a homologação da compensação pleiteada pela recorrente mantém o direito da Fazenda Nacional, visto que o valor em discussão já foi confessado pela recorrente ao incluílo no parcelamento, e poderá ser cobrado em caso de não pagamento. A não homologação, por sua vez, causaria prejuízo e ônus financeiro em duplicidade para a recorrente, conforme demonstrado acima. A recorrente não pode “amargar” um ônus financeiro por se utilizar de uma faculdade (parcelamento) prevista em lei. Desta forma, é patente concluir pela ilegalidade da glosa efetuada no valor de R$ 178.034,40, referente à parte da estimativa de fevereiro de 2002, por encontrarse parcelada nos temos da Lei nº 11.941/2009. 3. CONCLUSÃO Ante ao exposto, julgo pelo provimento do recurso voluntário, para afastar a glosa no valor de R$ 178.034,40 reais na parcela estimativa de fevereiro de 2002 e homologar a compensação realizada pela recorrente no valor de R$ 8.173.827,51, nos termos e fundamentos expostos no presente voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Relator. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 16327.720614/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-001.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que dava provimento parcial para deduzir da exigência o imposto pago pelas pessoas físicas.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 456 1 455 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720614/201120 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.341 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de março de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ / CSLL Recorrente SOCOPA SOCIEDADE CORRETORA PAULISTA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que dava provimento parcial para deduzir da exigência o imposto pago pelas pessoas físicas. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 14 /2 01 1- 20 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório SOCOPASOCIEDADE CORRETORA PAULISTA S/A recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supra qualificado, efetuouse, em 03/06/2011, o lançamento de ofício para a constituição dos créditos tributários, consubstanciados nos autos de infração e demonstrativos de fls. 20 a 29, no valor total de R$ 194.696.993,72 a título de IRPJ e CSLL, decomposto da seguinte maneira: IRPJ..................................................................R$ 68.428.638,32 Juros de mora (calculados até 31/05/2011) .....R$ 23.409.437,16 Multa proporcional (75%)................................R$ 51.321.478,74 Total..................................................................R$ 143.159.554,22 CSLL................................................................R$ 24.634.309,79 Juros de mora (calculados até 31/05/2011) .....R$ 8.427.397,37 Multa proporcional (75%)................................R$ 18.475.732,32 Total.................................................................R$ 51.537.439,50 A lavratura se deu em função da apuração das seguintes infrações, com os respectivos enquadramentos legais: IRPJ 001 – Distribuição disfarçada – Negócios em condições de favorecimento de Pessoa Física/Jurídica ligada. Fato gerador: 31/12/2007 Valor tributável do imposto: R$ 273.714.553,32 Enquadramento legal: Arts. 247, 249, inciso I, 464, inciso VI, 465, 466 e 467, inciso V, do RIR/99. CSLL 001 – CSLL – Distribuição disfarçada (A partir do AC 98 – Financeiras) – Falta de adição ao Lucro Líquido dos valores distribuídos disfarçadamente. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 3 Fato gerador: 31/12/2007 Valor tributável da contribuição: R$ 273.714.553,32 Enquadramento legal: Art. 60 da Lei nº 9.532/97 e Art. 37 da Lei nº 10.637/02 O contribuinte foi notificado da autuação, no mesmo dia da lavratura do auto de infração, ou seja, 03/06/2011, conforme ciências exaradas nas fls. 23 e 28. No Termo de verificação de Infração, de fls. 03 a 19, a autoridade autuante informa, em síntese, o seguinte: O autuado promoveu a apuração do ganho de capital decorrente do processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F, entretanto, repassou parte das ações da Bovespa Holding e a totalidade das ações da BM&F para o Banco Paulista (única acionista da Socopa) e seus respectivos acionistas Álvaro Augusto Vidigal (64,90% do capital do Banco Paulista) e Homero Amaral Junior (35,10% do capital do Banco Paulista). Em 27/08/2007, um dia antes do encadeamento do processo de desmutualização da Bovespa, a Socopa promoveu um aumento de Capital de R$7.540.000,00 (sete milhões, quinhentos e quarenta mil reais) para R$25.530.704,98 (vinte e cinco milhões, quinhentos e trinta mil, setecentos e quatro reais e noventa e oito centavos) sendo o correspondente aumento, no valor de R$ 17.990.704,98 (dezessete milhões, novecentos e noventa mil, setecentos e quatro reais e noventa e oito centavos) operado mediante a emissão de 627 (seiscentos e vinte e sete) ações preferenciais, nominativas e sem valor nominal, ao preço de emissão de R$28.693,31 (vinte e oito mil, seiscentos e noventa e três reais e trinta e um centavos) por ação, conforme Assembléia Geral Extraordinária realizada em 27.08.2007. Por deliberação da Assembléia Geral foi aprovado o seguinte: · Item 5.1 A criação de ações preferenciais nominativas, sem valor nominal. · Item 5.2 – A inclusão, no estatuto social, da possibilidade de resgate, parcial ou total, das ações preferenciais de emissão da sociedade, a qualquer tempo, com sua conseqüente retirada definitiva de circulação, com ou sem redução do capital social, pelo valor patrimonial da ação resgatada; · Item 5.3 – O aumento do Capital Social... · Item 5.4 – Foi dispensada a fixação de prazo para o exercício do direito de preferência na subscrição das ações emitidas em função do aumento de capital, sendo que o acionista Banco Paulista S/A renunciou ao exercício do direito de preferência que lhe assistia em favor dos subscritores Álvaro Augusto Vidigal e Homero Amara Júnior, que, também presentes à Assembléia, e juntamente com o acionista Banco Paulista S/A subscreveram e integralizaram em moeda nacional, a totalidade das ações preferenciais nominativas e sem valor nominal emitidas, nos termos e nas proporções indicadas no Boletim de Subscrição que constitui o Anexo I à presente Ata", conforme segue: a) O acionista Banco Paulista S/A subscreveu e integralizou 157 (cento e cinqüenta e sete) ações preferenciais nominativas, e sem valor nominal, ao preço total de R$4.504.849,57; Fl. 458DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 4 b) O acionista Álvaro Augusto Vidigal subscreveu e integralizou 305 (trezentos e cinco ações) preferenciais nominativas, e sem valor nominal, ao preço total de R$8.751.459,36; c) O acionista Homero Amaral Júnior subscreveu e integralizou 165 ações preferenciais nominativas, e sem valor nominal, ao preço total de R$ 8.751.459,36 (sic) (o valor correto é R$ 4.734.396,05, conforme anexo de fls. 62); · Item 5.9 Aprovou as alterações dos artigos do Estatuto Social; · Item 5.10 Aprovou a renumeração de alguns artigos e a consolidação do Estatuto Social. A elevação do Capital Social da Socopa foi submetida à aprovação do Banco Central do Brasil, que, conforme comunicado Deorf/GTSPl2007/0920, em despacho proferido em 17.10.2007, aprovou o acima citado aumento de capital e a reforma estatutária. O valor do aumento de capital corresponde ao valor do custo de aquisição das ações das empresas Bovespa Holding S/A e BM&F S/A que seriam entregues aos acionistas em operação de resgate das 627 ações preferenciais. Os processos de desmutualização das bolsas consistiram, em síntese, na redução da Bovespa e na extinção da BM&F, duas associações sem fins lucrativos. Essas reduções se deram mediante transferência de seus patrimônios para duas empresas constituídas sob a forma de Sociedades Anônimas, com fins lucrativos, a Bovespa Holding S/A, a Bolsa de Mercadorias e Futuros BM&F. Nestes processos, os títulos patrimoniais na respectiva bolsa de propriedade dos associados membros, foram substituídos por ações da pessoa jurídica incorporadora do patrimônio das bolsas. Antes de ocorrer a desmutualização, os associados já tinham conhecimento do fato, tanto que efetuaram consulta à RFB para saber o efeito tributário advindo destes processos, em datas anteriores aos mesmos. Pela documentação acostada, no processo de desmutualização da BOVESPA, a Socopa recebeu um total de 5.534 ações (Bovespa + CBLC) no valor total de R$ 11.525.831,14 (valor unitário de R$2,08). Já na da BM&F a mesma recebeu 9.869.625 ações pelo valor unitário de R$ 1,00. Para a colocação das novas ações no mercado foram promovidas ofertas públicas iniciais conhecida pela sigla "IPO" (do inglês initial public offering). O IPO da Bovespa foi realizado em 25/10/07 (lote principal) e em 29/10/07 (lote suplementar), cujas ações alcançaram o valor unitário de R$23,00. O IPO da BM&F S/A foi realizado em 28/11/2007 (lote principal) e em 30/12/2007 (lote suplementar), cujo valor por ação foi de R$20,00. Do total de 5.534.816 ações da Bovespa Holding recebidas, 4.149.816 foram transferidas para o Banco Paulista e seus sócios em 22/10/07, em operação de resgate das ações preferenciais emitidas em 27.08.2007, a seguir descrita. O saldo de 1.385.000 ações foi alienado nas duas ofertas iniciais. Em reunião da diretoria da Socopa, realizada em 22/10/2007, foi aprovado o resgate da totalidade das 627 ações preferenciais, com a consequente retirada de circulação, sem a redução do Capital Social, pelo valor patrimonial líquido da ação resgatadas. O valor total do resgate foi de R$ 18.912.717,60, sendo parte em ações e parte (R$ 417.719,17) em Fl. 459DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 5 moeda nacional. O valor contábil das ações transferidas da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A era de R$9.859.331,39 e R$8.641.667,45 respectivamente, conforme resumo a seguir: TRANSFERENCIA DE AÇÕES CONFORME ATE DE REUNIÃO REALIZADA EM 22/10/2007 ACIONISTA BM&F S/A BOVESPA HOLDING S/A QTE VALOR QTE VALOR BANCO PAULISTA S/A 2.471.341 2.468.763,39 1.039.109 2.163.863,90 ALVARO AUGUSTO VIDIGAL 4.801.014 4.796.006,54 2.018.650 4.203.679,67 HOMERO AMARAL JÚNIOR 2.471.341 2.594.561,46 1.092.057/ 2.274.123,88 TOTAL 9.869.625 9.859.331,39 4.149.81Ê 8.641.667,45 Em conseqüência, as ações da Socopa voltaram a ser todas ordinárias. O resgate das ações preferenciais foi realizado sem redução do capital social que permaneceu em R$25.530.704,98 agora dividido em 1.200 ações ordinárias nominativas e sem valor nominal, com lastro nas contas de Reserva de Capital e Lucros Acumulados. A alteração do Estatuto Social com as modificações propostas se deu em 20/03/2008 conforme AGO/E. O Banco Central aprovou as alterações estatutárias em despacho de 27.08.2008, em cujo comunicado Deirf/GTSPl2008/ de 02.09.2008, item "2.b.ii", registrou irregularidade por descumprimento das disposições da Circular 518/80, com as alterações introduzidas pela Circular 624/81, consistente na falta de envio, no prazo estabelecido, de mapa com as modificações da composição de capital da Sociedade, conforme alterado pelo resgate da totalidade das ações preferenciais ocorrido em 22.10.2007. No item "3" ressalva que não entrou no mérito de questões de competência de outros órgãos da administração pública. Assim sendo, a posse precária das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A pelos acionistas, considerando que a aprovação do Banco Central se deu apenas em 27.08.2008, não autorizava os mesmos a efetuarem vendas de ações antes desta data. Entretanto, em 28/11/2007 e em 30/12/2007, o Banco Paulista e seus acionistas, Homero Amaral Júnior e Álvaro Augusto Vidigal, participaram do IPO da BM&F conforme se verifica no "Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S/A. A tributação incidente sobre os ganhos auferidos na venda de ações, à época da ocorrência dos fatos, era menos onerosa para a pessoa física (IR exclusivo na fonte = 15%) do que na pessoa jurídica (IRPJ = 15%, adicional = 10%, CSLL = 9%, PIS = 0,65% e COFINS = 4%). Concluise que a operação foi montada e executada às pressas, de forma a transferir as ações da BM&F S/A e Bovespa Holding S/A para os acionistas, sem redução de suas participações societárias na SOCOPA e no Banco Paulista, de forma a permitir uma tributação menos onerosa para a instituição financeira. Desta maneira, a interpretação legal assumida pela instituição financeira para embasar sua conduta, consubstanciada na figura da "DEVOLUÇÃO DE CAPITAL SOCIAL EM BENS E DIREITOS", prevista no art. 22 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, matriz legal dos arts. 238 e 419 do RIR/99, não se configurou, caracterizandose então a ocorrência da hipótese "distribuição disfarçada de lucros" prevista no inciso VI do art. 464 do RIR/99 (DecretoLei nº 1.598/77, art. 60, e DecretoLei nº 2.065/83, art. 20, inciso II). Fl. 460DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 6 Em sede do direito aplicamse ao caso o art. 10 da Lei nº 4.595/64 que trata de competências privativas do BACEN (Banco Central do Brasil), dentre as quais se destaca a concessão de autorização para alterações dos estatutos das instituições financeiras; artigo 1º da Lei nº 8.934/94 que dispõe sobre a necessidade de registro público do ato de natureza societária e os artigos 32 e 36 da mesma lei que estabelecem os atos que devem ser submetidos a registro e sua eficácia. Como não houve a redução do Capital Social da SOCOPA, pois o patrimônio liquido em outubro de 2007 é praticamente igual ao de julho de 2007, restou não cumprido o disposto no artigo 419 do RIR/99. Segundo este normativo, a SOCOPA deveria ter efetuado a devolução de capital em ações da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A diretamente ao Banco Paulista seu único acionista. Por sua vez, de posse destas ações, o Banco Paulista deveria ter efetuado a preconizada devolução de capital aos seus acionistas mediante entrega das referidas ações e analisando a DIPJ do Banco Paulista se verificou que não houve devolução de capital, pois houve aumento do patrimônio líquido. A operação engendrada pelo contribuinte encontra previsão legal no artigo 44 da Lei nº 6.404/76. É direito do contribuinte a busca pela redução do ônus tributário, desde que respeitados os limites impostos pelo ordenamento jurídico. Entretanto a licitude formal dos atos praticados e seu propósitos não são suficientes para impedir que a Autoridade Fiscal conteste os resultados produzidos, cumprindo verificar, não apenas as formalidades, mas também os propósitos e resultados alcançados. Os atos praticados pelo contribuinte devem se revestir de razões econômicofinanceiras, comercial ou societária que os justifiquem, e não somente embutir exclusivamente a finalidade de pagar menos tributos. Desta forma, não haveria razão para se aceitar que a existência de um ato societário ainda sem eficácia jurídica pudesse alterar a regra de incidência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica no seu aspecto pessoal (quem aufere ganho/renda/lucro) e neste caso não há dúvidas de que quem auferiu lucros foi a SOCOPA, correspondente a diferença entre o custo de aquisição das ações e seus valores de mercado atribuídos nas ofertas públicas iniciais. No caso presente ficou constatado que não houve alteração do capital social da instituição financeira e nem de seu único acionista Banco Paulista, tendo em vista que a mesma realizou um aporte de capital em dinheiro no mesmo montante do valor contábil das ações entregues em devolução deste capital, subscrito por acionistas provisoriamente incluídos, de forma a permitir que no resgate deste investimento os mesmos recebessem ações das empresas BM&F S/A e Bovespa Holding S/A sem redução, de suas participações societárias. Assim, não sendo observado pelo contribuinte o disposto na legislação tributária, ficou plenamente caracterizada a presunção de "distribuição disfarçada de lucros", sendolhe aplicável o disposto no inciso VI do art. 464 do RIR/99. Presente os pressupostos legais impôsse o refazimento fiscal dos cálculos, para fins de apuração e valoração jurídica dos fatos concretos. Assim considerando os valores contábeis das ações e os respectivos valores alcançados nas ofertas públicas iniciais das ações da BM&F S/A e Bovespa Holding S/A, apurouse o valor tributável de R$ 273.714.553,32 e efetuouse a recomposição do Lucro Real e da Base de cálculo da CSLL, do anocalendário 2007, conforme os seguintes quadros: (...) Fl. 461DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 7 Irresignado com a autuação o contribuinte apresentou, em 01/06/2011, a impugnação de fls. 103 a 146, informando e arguindo, em síntese, o seguinte: No momento do aumento do Capital Social de R$ 7.540.000,00 para R$ 25.530.740,98, mediante emissão de 627 ações preferenciais, dado o aumento de competitividade do mercado, existiam negociações em curso que caminhavam para a provável alienação das ações preferenciais emitidas pelo Impugnante, que seria uma alternativa para a angariação de novos recursos. Também foi reformulado o estatuto para prever mecanismos que permitissem uma adequada composição de interesses entre a Sociedade e seus acionistas. Em 28/08/2007 e 20/09/2007, respectivamente ocorreram as desmutualizações da BOVESPA e da BM&F, havendo sido oferecido à tributação, por parte do impugnante, os valores do suposto ganho de capital advindos deste processo. Em 22/10/2007, tendo em vista que as negociações para ingresso de novo parceiro não prosperaram, ocorreu o resgate da totalidade das ações preferenciais, sem redução do Capital Social (contrapartida em conta de reserva de capital), pelo valor patrimonial líquido de R$ 18.912.717,60. Não houve a exclusiva finalidade de pagar menos tributos, como alega a fiscalização, visto que grande parte das ações foram entregues ao Banco Paulista S/A, pessoa jurídica sujeita à mesma carga tributária do impugnante. Assim, pelo menos com relação a estas ações entregues ao Banco Paulista S/A, não há que se falar em DDL, uma vez que tal instituição se sujeitou à mesma carga tributária do impugnante, não havendo assim o intuito de economia tributária. Em 25/10/2007 (lote principal) e 29/10/2007 (lote suplementar), foi realizado o IPO da Bovespa Holding, com o preço da ação estabelecido em R$ 23,00 e em 28/11/2007 (lote principal) e 30/12/2007 (lote suplementar) o da BM&F S/A, com o valor de R$ 20,00. Posteriormente, em 27/08/2008 foi aprovado pelo BACEN o resgate das ações preferenciais (formalidade não essencial para que o resgate de ações gerasse efeitos definitivos, pois o BACEN poderia, no máximo, ter aplicado alguma sanção à Impugnante, como uma advertência ou uma multa, nos termos do artigo 44 da Lei n° 4.595/64 o que não aconteceu no presente caso). Não ocorreu a hipótese legal de DDL prevista no inciso VI do artigo 464 do RIR/99, pois o artigo 467 do mesmo regulamento dispõe no seu inciso V que nestes casos “as importâncias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condições de favorecimento, não serão dedutíveis”, tratandose assim de despesas pagas ou creditadas, que seriam indedutíveis, e não de suposta receita recebida a menor, como é o caso em tela. A fiscalização fundamentou o acréscimo da diferença apurada no art. 6º, §2º da Lei nº 1.598/77, base legal do artigo 249 do RIR/99, no entanto este dispositivo menciona a adição de “resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real”. Ocorreu, assim, uma falha por parte da Autoridade Fiscal, pois o mandamento utilizado remete à adições previstas em lei, não havendo tal previsão para a presente situação. Ante o exposto acima, não houve subsunção da situação fática à hipótese legal descrita pela Autoridade Fiscal, em clara afronta aos princípios da legalidade e tipicidade, ensejando a nulidade e o conseqüente cancelamento dos lançamentos consubstanciados nestes autos. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 8 Mesmo que fosse possível a aplicação da regra de DDL ao presente caso, os autos de infração lavrados não poderiam subsistir pois o impugnante efetuou a transferência das ações da BM&F S/A pelo valor de mercado vigente à época, não ocorrendo, portanto, qualquer condição de favorecimento aos acionistas. Conforme se extrai do próprio Termo de Verificação Fiscal o autuado recebeu as referidas ações em decorrência dos processos de desmutualização das bolsas, em troca dos títulos patrimoniais que detinham e optou por tributar os ganhos advindos deste processo, assim, no momento do resgate das ações preferenciais pelos acionistas, as ações da BM&F e da Bovespa Holding já haviam sido avaliadas a valor de mercado, com o pagamento do respectivo ganho de capital pelo impugnante, no valor de R$ 21.385.162,53, ou seja, em razão do registro da atualização periódica do valor dos títulos patrimonias detidos pelo Impugnante (que foram substituídos pelas ações no processo de desmutualização), decorrente da oscilação do patrimônio das Bolsas, verificase que o valor contábil de registro desses ativos/ações (que foi utilizado como base para a devolução de capital) estava em consonância com o seu valor de mercado., pois este valor atualizado não foi arbitrado pelo autuado e sim calculado conforme informes anexos fornecidos pela BM&F e pela BOVESPA e a atualização dos títulos patrimoniais estavam de acordo com as orientações expedidas pelo Conselho Monetário Nacional. As ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais não eram bens costumeiramente negociados em mercado no momento em que foram entregues aos acionistas a título de devolução de capital. Somente passou a existir um mercado ativo para elas com o advento dos IPO (Initial Public Offering) mencionado pelo Sr. Agente Fiscal, mas que era um evento futuro e incerto no momento da devolução. A legislação que trata da apuração do “valor de mercado” define que este deve se dar em função de negociações anteriores e recentes do mesmo bem, sendo que, no presente caso, a Autoridade Fiscal se pautou em valores futuros, totalmente imprevisível e incerto. Se o autuante tivesse consultado a base de dados da própria Receita Federal do Brasil teria verificado que a maior parte das negociações anteriores e recentes com os mesmos bens haviam sido feitas ou a custo histórico ou pelo valor corrigido no momento da desmutualização. Verificase, assim que o valor de mercado existente à época da entrega dessas ações para os acionistas do Impugnante era o próprio valor fornecido pela BM&F e pela Bovespa, por meio dos já citados informes, em decorrência das oscilações de seus patrimônios, que foi efetivamente reconhecido no momento das desmutualizações (processos realizados entre partes independentes, que podem ser considerados como suporte para o valor de mercado). Ainda que se considere que o valor contábil no momento do resgate das ações não correspondia ao valor de mercado, não pode prosperar a apuração feita pelo Agente Fiscal, uma vez que este utilizou, como valor de mercado, aquele atingido nas IPOs, quais sejam, R$ 23,00 para as ações da Bovespa Holding S/A e R$ 20,00 para as ações da BM&F S/A Os valores utilizados na autuação não possuem qualquer substância. Primeiramente porque as ações não possuíam mercado ativo no momento da entrega aos acionistas, motivo pelo qual a regra a ser aplicada ao caso deveria ser a do § 3º do artigo 465 do RIR/99 (determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem). Mesmo que se admitisse a existência de um mercado ativo para tais ações, ainda não se aplicaria o § 2º do artigo 465 do RIR/99, pois o referido dispositivo menciona o Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 9 “preço das vendas efetuadas em condições normais de mercado” o que não poderia ser aquele definido em um prospecto, sem qualquer relação com uma avaliação concreta de valor com base em vendas concretas à época da entrega aos acionistas. Para ficar claro o equivoco cometido, basta mencionar o preço adotado para as ações da BM&F S/A (R$ 20,00, sem o desconto das comissões, sendo que o valor líquido seria R$ 19,45) que fora definido no prospecto definitivo, sendo que antes de sua edição houve o prospecto preliminar no qual se estimava que o preço da ação estaria situado entre R$ 14,50 e R$ 16,50, o que demonstra a incongruência na adoção do valor de R$ 20,00, já que estes valores representavam mera expectativa. O mesmo equívoco foi cometido na definição do preço das ações da Bovespa Holding S/A (R$ 23,00), cujo prospecto preliminar previa o preço entre R$ 15,50 e R$ 18,50. Basta observar os exemplos e as notícias juntadas para se concluir que o preço efetivamente praticado poderá ficar abaixo do definido em prospecto, mostrando assim que este último trata de mera expectativa. Ademais, para a BM&F S/A, consta na notícia anexada, que parte das ações foram vendidas, antes da IPO, para a CME e para a General Atlantic a um valor médio de R$ 10,00, valor bem abaixo do adotado pela Autoridade Fiscal como supostamente sendo o valor de mercado, sendo que sequer tal valor fora considerado como parâmetro para o cálculo. Ainda, para evidenciar o equivoco cometido, o impugnante havia celebrado “Acordo de Restrição à Negociação de Ações Acionista Não Vendedor" em 02 de outubro de 2007. Neste Acordo, restou evidente que sequer seria possível a venda da integralidade das ações no IPO, em razão do "período de Lockup", em que a venda, negociação, transferência ou oneração de parte das ações estava proibida (ou seja, adotouse como parâmetro o valor de negociação que sequer poderia ser exercido pela Impugnante já que "bloqueado" pelo período de lockup). Neste sentido é de se ressaltar que as ações recebidas pelos acionistas foram negociadas posteriormente a valores diversos, muitas por valores abaixo do que definido pelo Sr. Agente Fiscal (o que mostra a grande volatilidade de negociações desses papéis). Com base também em decisão do antigo Conselho de Contribuintes, no sentido de que a prova do valor de mercado constitui parâmetro indispensável para a configuração de DDL, os autos de infração devem ser integralmente cancelados pelo fato do valor adotado pela Autoridade Fiscal não guardar suporte com a realidade dos fatos ocorridos à época. Houve a entrega de bens a título de devolução do capital, conforme prevista no artigo 22 da Lei nº 9.249/95, pois pela interpretação literal de tal dispositivo é possível extrair os seguintes elementos: Se os bens do ativo da pessoa jurídica (Elemento 1) forem entregues aos acionistas (Elemento 2) em razão da devolução de sua participação no capital social (Elemento 3), tais bens podem ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado (Elemento 4). A situação fática ocorrida se subsumiu aos elementos descritos, uma vez que entrega de bens escriturados no ativo permanente do impugnante, aos acionistas titulares das ações preferenciais, a título de devolução da participação no capital social (pois com o resgate das ações preferenciais, houve a devolução de recursos aos titulares destas ações, que deixaram de ter a referida participação após o resgate), configurandose assim a hipótese de autorização da entrega de bens aos acionistas pelo valor contábil (caso não seja aceito o argumento de que as ações foram entregues a valor de mercado). Assim, havendo expressa autorização legal para o praticado, o fato não caracteriza a DDL, devendo os autos de infração serem integralmente cancelados. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 10 Não houve planejamento tributário mas sim “opção legal” feita pelo contribuinte. Com base no entendimento de Marco Aurélio Greco, o impugnante se utilizou de uma opção legalmente estabelecida (devolução de participação no capital social a valor contábil), configurandose assim uma conduta lícita e expressamente prevista pelo legislador. O próprio Agente Fiscal reconhece ser cabível a operação de devolução de capital, ao afirmar que “a Socopa deveria ter efetuado a devolução de capital em ações da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A diretamente ao Banco Paulista seu único acionista. Por sua vez, de posse destas ações, o Banco Paulista deveria ter efetuado a preconizada devolução de capital aos seus acionistas mediante entrega das referidas ações”. Em vista disto, não haveria razão para descaracterizar como devolução de capital as ações recebidas pelo Banco Paulista S/A, mostrando total incongruência no entendimento firmado pela fiscalização. Não havendo razão para se diferenciar o ocorrido da situação descrita pelo Agente Fiscal, há que ser considerada legitima a opção legal feita pelo impugnante. Mesmo que seja considerado como planejamento tributário o mesmo deve ser considerado válido, pois segundo Marco Aurélio Greco, o primeiro limite positivo reconhecido como aplicável em nosso sistema jurídico corresponde ao motivo, à finalidade e à congruência do negócio jurídico. Para este autor, o motivo e a finalidade do negócio jurídico não podem ser predominantemente tributários. Com efeito, a intenção das partes (motivo) em obter uma economia tributária não seria suficiente para a realização do negócio. Seria necessário demonstrar que houve outros motivos para sua realização. Além de existir o motivo e a finalidade predominantemente não tributários, seria necessário que eles fossem congruentes entre si. Portanto, deveria ser possível demonstrar que o motivo não predominantemente tributário era compatível com a finalidade pretendida com a realização do negócio jurídico. No presente caso o motivo era a reorganização societária (patrimonial e política) de forma a permitir o ingresso de possível investidor estrangeiro e a finalidade da operação era atrair um parceiro externo, sendo que todos os atos praticados inseriamse congruentemente neste contexto: (i) criação de ações preferenciais, que poderiam ser vendidas ao potencial investidor externo; (ii) capitalização do Impugnante, conferindo maior solidez patrimonial; e (iii) reorganização dos poderes políticos dos sócios titulares das ações preferenciais, para corresponder aos interesses dos potenciais investidores. Resta evidente que a finalidade da operação não era predominantemente tributária havendo propósito negocial e pressuposto econômico, devendo assim ser afastada a caracterização do planejamento fiscal. Ainda poderia se questionar se a operação estaria inserida coerentemente no planejamento estratégico do empreendimento econômico, ou seja, haveria que se verificar se a mesma se relacionava coerentemente com as estratégias e os planos futuros do empreendimento como um todo. Este limite não é reconhecido nem mesmo por Marco Aurélio Greco, entretanto, a despeito de sua aplicabilidade em nosso ordenamento jurídico, é de se ressaltar que a operação encontrase claramente inserida no planejamento estratégico do impugnante. Num cenário de desmutualização das bolsas era preciso tomar todas as medidas possíveis para que o impugnante continuasse a ser um agente competitivo nesse novo mercado que se descortinava. Uma medida que se lhe apresentava à época era o ingresso de um investidor externo, que poderia contribuir com a robustez patrimonial necessária nesse novo contexto. Como a negociação não prosperou, o impugnante houve por bem fazer o resgate das ações preferenciais emitidas. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 11 4.6.3 Restaria claro que mesmo com aplicação da doutrina e jurisprudência mais restritas acerca dos limites para a realização de operações que tenham efeitos tributários, a presente operação seria válida, uma vez que (i) está demonstrada claramente a congruência entre o motivo e a finalidade da operação realizada pelo Impugnante, que não era predominantemente tributária (gerar economia fiscal); e (ii) as operações realizadas inseriamse evidentemente no contexto do planejamento estratégico do Impugnante, ou seja, no contexto de desmutualização existente à época. Os acionistas, ao contrário do afirmado pela fiscalização, poderiam ter vendidos as ações da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A antes da aprovação das alterações estatutárias pelo BACEN, pois não houve a “posse precária” (classificação do Agente Fiscal), uma vez que o Banco Central acabou autorizando tal alteração, ainda que posteriormente. Se houvesse alguma irregularidade o próprio BACEN teria formado um processo administrativo para penalizar o impugnante. Ademais, no âmbito do Direito Civil, a “posse precária” seria uma espécie desse injusta, decorrente daquele que recebe uma coisa com a obrigação de restituir mas se arroga da qualidade de possuidor, abusando da confiança, ou deixando de devolvêla ao proprietário (ou ao legítimo possuidor). Tal não é a situação dos autos, pois, no presente caso, houve a entrega das ações de boafé aos acionistas. Além do que, segundo o artigo 44 da Lei nº 4.595/64, as penalidades aplicáveis, no caso de constatação de irregularidade pelo BACEN, não abarcam a hipótese de tornar “precária a posse” das ações da BM&F e da Bovespa Holding recebidas em resgate de capital. Os autos devem ser cancelados pois houve incorreta apuração por parte da Autoridade Fiscal. Deveria o Agente fiscal, ao menos, ter compensado de ofício o valor já recolhido pelos antigos acionistas do impugnante, sob pena de haver a dupla incidência , claramente vedada pelo sistema tributário nacional. Ainda que se entenda pela manutenção das autuações em análise, os juros calculados com base na taxa SELIC não poderiam ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. O artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança de juros de mora com base na Taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos, estes, segundo o artigo 3º do CTN, não constituem sanção de ato ilícito. Assim a multa, por ser penalidade pecuniária, não se confunde com o tributo e conseqüentemente não pode sofrer a incidência dos juros moratórios calculados à Taxa Selic. Ao exigir os juros sobre a multa de ofício lançada a Autoridade Fiscal agiu em evidente afronta ao princípio constitucional da legalidade. Também não pode se alegar que a referida incidência encontra amparo no artigo 43 da Lei 9.430/96, pois tal dispositivo se refere à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos. Diante de todo o exposto, protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, além dos documentos anexados, requer sejam acolhidas as razões expostas, com a decretação da improcedência integral das autuações e a consequente extinção dos créditos tributários de IRPJ e CSLL exigidos. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 12 ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO. PESSOAS LIGADAS. VALOR INFERIOR AO DE MERCADO. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. Considerase distribuição disfarçada de lucros a alienação, efetuada a qualquer título, a pessoas ligadas à pessoa jurídica por valor inferior àquele praticado no mercado. PREÇO DE MERCADO. BENS SEM MERCADO ATIVO. VALOR QUE PODE SER ALCANÇADO NA VENDA. Considerase preço de mercado, para bens que normalmente não sejam freqüentemente negociados no mercado e/ou não tenham mercado ativo, o valor que o mesmo pode atingir numa negociação no mercado. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. FRAUDE À LEI. SIMULAÇÃO (VÍCIO NA CAUSA/MOTIVO DO NEGÓCIO JURÍDICO). INOPONIBILIDADE AO FISCO. É inoponível ao Fisco o ato ou a sequência de atos praticados com distorção na amplitude da dimensão do exercício do direito em qualquer de suas variáveis (abuso de direito); com vício na causa/motivo do negócio jurídico (simulação) e com fraude à legislação tributária, assim entendida como conduta formalmente enquadrável a determinado dispositivo legal com tributação mais favorecida do que aquela prevista em outra norma imperativa. Aplicamse, nestes casos os efeitos advindos do negócio real, quando demonstrado que há vícios na motivação ensejadora do negócio aparente, bem como os da norma contornada (no caso de fraude à lei). ERRO NA MENÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO INOCORRÊNCIA A simples ocorrência de erro no enquadramento legal da infração não é bastante, por si só, para acarretar a nulidade do Auto de Infração, quando a descrição dos fatos, que dele é parte integrante, e os cálculos efetuados pelo fisco para encontrar a matéria tributável permitem ao autuado o conhecimento por inteiro do ilícito que lhe é imputado. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos: É o relatório. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 13 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP DRJ/SP1, que manteve o lançamento consubstanciado no Auto de Infração lavrado em face de SOCOPA SOCIEDADE CORRETORA PAULISTA SA. No caso, a Fiscalização entendeu que a contribuinte realizou operações para distribuir disfarçadamente lucro e, com isso, reduzir indevidamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse entendimento foi confirmado no acórdão recorrido. No caso em tela, conforme relatado, houve a emissão de 627 ações preferenciais pelo impugnante, subscritas e integralizadas, em dinheiro, por Álvaro Augusto Vidigal (305 ações), Homero Amaral Junior (165 ações) e Banco Paulista S/A (157 ações), em 27/08/2007 (um dia antes da desmutualização da BOVESPA) e um posterior resgate das mesmas ações, em 22/10/2007 (3 dias antes da IPO da Bovespa Holding S/A), em ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A. Ressaltese que o valor subscrito e integralizado para aumento do capital social, quando da emissão das ações preferenciais, seria bem próximo do valor contábil das ações da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A recebidas pelos subscritores quando do resgate das mesmas. A despeito de qualquer outra consideração a ser feita com relação às operações realizadas neste intervalo de tempo, e levando em conta apenas as participações referentes às ações preferenciais, percebese que os referidos acionistas entraram na sociedade com dinheiro e saíram com o valor equivalente em ações da BM&F S/A e Bovespa Holding S/A, gerando o efeito similar a uma situação em que a Socopa viesse a alienar tais ativos, pelo seu valor contábil, às pessoas mencionadas, que de acordo com o artigo 465 e 466 do RIR/99 se enquadrariam no conceito de pessoas ligadas à companhia. A finalidade lucrativa de uma sociedade anônima, como é o caso do impugnante, encontra respaldo no artigo 2º da Lei nº 6.404/76, que define poder ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo. Aliás é consensualmente aceito que o objetivo precípuo de uma sociedade comercial é o alcance e a maximização de lucros. Tendo em vista tal entendimento, não seria crível que numa legítima operação de resgate de ações, onde os envolvidos fossem outros, sem qualquer poder decisório dentro da companhia, esta viesse a repassar bens do seu ativo a um valor bem inferior àquele que poderia ser atingido numa negociação a ser realizada no mercado. Vejase: a Socopa promoveu o resgate das ações preferenciais três dias antes da oferta pública de ações da Bovespa Holding S/A, quando já era de conhecimento do impugnante que o preço desses ativos, mesmo considerando as projeções dos prospectos preliminares, seria bem superior àquele pelo qual os mesmos estavam registrados em sua contabilidade. Qualquer empresa, visando o lucro, dificilmente repassaria seus ativos a um determinado valor (no caso das ações da Bovespa Holding S/A, R$ 2,23) sabendo que poderia 03 dias depois vender os mesmos ativos a um valor bem superior (de R$ 20,00 a R$ 23,00, considerando o comunicado ao mercado, fls. 254, onde constava esta previsão e R$ 23,00, Fl. 468DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 14 considerando o prospecto definitivo). Fica assim patente a não realização de um lucro extraordinário por parte da Socopa em favor das pessoas ligadas a ela. Ao se interpretar restritivamente o disposto no inciso I do artigo 464, ora analisado, poderia se entender que tal dispositivo somente faria referência à venda propriamente dita, o que não é verdade, conforme se verá adiante, daí o enquadramento das operações no inciso VI do mesmo artigo. No caso em tela foi realizado um resgate das ações preferenciais com a entrega de bens (ações da BM&F S/A e Bovespa Holding S/A) como forma de pagamento. Assim, não restam dúvidas que houve a realização de um negócio em condições de favorecimento, conforme já explicitado anteriormente. Neste diapasão, mister se faz a adoção dos procedimentos cabíveis para a adequação da falta cometida pelo contribuinte. O recorrente alega que não seria possível o enquadramento legal das operações por ele realizadas no inciso VI, uma vez que o mesmo estaria a se referir apenas a despesas pagas ou creditadas a maior, enquanto que na presente situação houve supostamente uma receita recebida a menor. Arrima suas argumentações no inciso V do artigo 467 do RIR/99 que assim dispõe: “Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 62, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): I nos casos dos incisos I e IV do art. 464, a diferença entre o valor de mercado e o de alienação será adicionada ao lucro líquido do período de apuração; II no caso do inciso II do art. 464, a diferença entre o custo de aquisição do bem pela pessoa jurídica e o valor de mercado não constituirá custo ou prejuízo dedutível na posterior alienação ou baixa, inclusive por depreciação, amortização ou exaustão; III no caso do inciso III do art. 464, a importância perdida não será dedutível; IV no caso do inciso V do art. 464, o montante dos rendimentos que exceder ao valor de mercado não será dedutível; V no caso do inciso VI do art. 464, as importâncias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condições de favorecimento, não serão dedutíveis”. Segundo o seu entendimento não haveria base legal para a adição efetuada pela fiscalização quando do cálculo do lucro real uma vez que o inciso VI do artigo 464, interpretado conjuntamente com o inciso V do artigo 467 do RIR/99, só estaria a se referir a despesas pagas ou creditadas a maior e, portanto, não se aplicaria ao presente caso. Ora, a legislação não consegue prever especificamente todas as situações presentes na realidade fática, até mesmo porque a lei é estática, enquanto que a realidade se encontra permanentemente em mutação, notase que o legislador pretendeu abarcar toda e qualquer situação em que as pessoas ligadas realizassem negócio em condições de favorecimento e assim, a despeito do disposto nos incisos I a V artigo 464, inseriu também o inciso VI, para situações em que o negócio formal não pudesse ser enquadrada especificamente nos incisos anteriores, desta feita, pela interpretação sistemática do referido dispositivo legal, o mesmo está a disciplinar toda e qualquer situação de favorecimento, seja ela de despesas pagas a maior ou de receitas recebidas a menor. O inciso V do artigo 467 é nitidamente Fl. 469DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 15 exemplificativo, havendo necessidade de adição quando houver receita recebida a menor em condições de favorecimento. Ademais, o autuante fundamentou a adição no artigo 6º, § 2º do DL 1.598/77, base legal do artigo 249 do RIR e na existência de uma aparente lacuna na legislação, recorre se à norma geral que disciplina a matéria. De fato, não há como se questionar que os fatos ocorridos podem perfeitamente ser enquadrados no disposto no inciso VI do artigo 464 do RIR/99, configurandose assim a DDL combatida. Verificada a infração há que se aplicar os devidos ajustes, bem como as sanções pertinentes ao caso, não podendo o ato irregular permanecer sem a devida penalidade. Assim na ausência de regra específica a ser aplicada ao caso, visto que o legislador apenas disciplinou a matéria de forma exemplificativa, não há alternativa outra senão a aplicação da norma geral, neste caso, o artigo 6º, § 2º do DL 1.598/77. Nesta questão o impugnante ainda questiona a aplicabilidade da norma geral, uma vez que a alínea b do § 2º do artigo 6º do DL 1.598/77 se refere a “resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária; devam ser computados na determinação do lucro real” (grifo nosso). E como a lei determina que as adições devam ser feitas de acordo com o estabelecido na legislação tributária, também não haveria previsão legal para tal adição, visto que o inciso V do artigo 467 do RIR/99 dispõe apenas sobre a indedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas a maior. Novamente não merece acolhida tal alegação, visto que o dispositivo legal está a se referir à legislação tributária como um todo, o que não se restringe apenas ao disposto no artigo 467 do RIR e respectiva base legal. No caso em tela, não pairam dúvidas sobre a não realização de um lucro evidente, pelo Socopa, em favor dos acionistas preferenciais. Em permanecendo as ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A no ativo da Empresa, poucos dias após a operação de resgate, a Socopa realizaria um lucro de monta significativa, quanto a isso, a meu ver, não paira a menor dúvida. Todavia, a recorrente afirma, com fulcro no artigo 22 da Lei 9.249/95, base legal do § 1º do artigo 464 do RIR/99, que a situação versada nos não pode ser tratada como DDL em face do permissivo legal. De fato, as Fiscalização, apesar de enquadrar a infração como sendo de “custo ou despesa não dedutível na apuração do lucro real” (fls. 24 e 29), deixa claro no Termo de Verificação de Infração (fls. 15 e 17) que está a tributar o lucro decorrente da diferença entre o custo de aquisição das ações e seus valores de mercado: “Desta forma, não há razão para se aceitar que a existência de um ato societário ainda sem eficácia jurídica possa alterar a regra de incidência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica no seu aspecto pessoal (quem aufere ganho/renda/lucro). No presente caso, não há dúvida de quem auferiu lucros foi a SOCOPA, correspondente a diferença entre o custo de aquisição das ações e seus valores de mercado atribuídos nas ofertas públicas iniciais (...) Fl. 470DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 16 A diferença entre o custo contábil e o valor de mercado no valor de R$ 187.522.875,00 corresponde ao lucro tributável na transferência das ações da BM&F S/A.” (grifos nossos) Resta determinar se é mesmo possível contornar a aplicação da presunção legal de DDL, tal qual alega o Recorrente. Pois bem, no caso em tela, o autuado emitiu 627 ações preferenciais que foram subscritas e integralizadas, em dinheiro, pelos acionistas Álvaro Augusto Vidigal, Homero Amaral Junior e Banco Paulista S/A, sob o fundamento de que, no contexto da desmutualização, pretendia tornar a companhia mais robusta com o fim de atrair novos investidores para fazer frente a um cenário de forte concorrência que se descortinava. Com as frustrações das negociações que estavam em andamento o mesmo promoveu o resgate das ações preferenciais dando como pagamento bens do seu ativo (ações da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A) avaliados a valor contábil. Como, no seu entendimento este valor foi repassado como forma de devolução da participação dos acionistas preferenciais no capital social tal fato não se configuraria como distribuição disfarçada de lucros, pois teria o amparo do artigo 22 da Lei 9.249/95 (base legal do § 1º do artigo 464 do RIR/99). Já para o Fisco, o contribuinte teria engendrado todas estas operações num curto espaço de tempo para repassar as referidas ações, aos acionistas acima mencionados, sem incidir na regra de DDL prevista no artigo 464,I do RIR/99, por supostamente se tratar de devolução de participação no capital social. Analisando os fatos e os documentos apresentados, é de se concluir que, pelas circunstâncias expostas, resta evidente que não houve congruência entre as operações efetuadas e o motivo apresentado, ou seja, o propósito da Socopa era reduzir a carga tributária ao submeter o lucro a uma tributação favorecida (nas pessoas físicas), isso porque: I) Ao analisar o motivo que levou o autuado a realizar a emissão das ações preferenciais, verificase que este de fato existiu. É verdade que a desmutualização já era de conhecimento público e que, neste novo cenário, seria importante que as corretoras se fortalecessem com o fim de enfrentar a forte concorrência que se descortinava, visto que as sociedades corretoras não necessitavam mais dos títulos patrimoniais para operar nas bolsas de valores e também é pertinente que se fizesse isto através da emissão de ações preferenciais a serem posteriormente alienadas para novos investidores, no entanto, os elementos, sobre os quais se discorrerá, apontam para a incongruência entre a motivação e a forma utilizada. II) observase que o aumento do Capital Social se deu , praticamente no mesmo valor das ações que seriam repassadas posteriormente aos acionistas. Este valor já era de conhecimento tanto do autuado, quanto dos subscritores, pois era o equivalente ao valor contábil dos títulos patrimoniais que futuramente seriam substituídos (devolução de capital e subscrição de ações) por ações de emissão da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A. No caso da Bovespa a desmutualização se deu no dia seguinte ao da subscrição das ações preferenciais. É bastante coincidência que o aumento tenha se dado exatamente nesta proporção. III) o resgate das ações preferenciais ocorreu, a três dias da IPO da Bovespa Holding S/A, coincidentemente, na mesma data em que houve a publicação de um comunicado ao mercado (fls. 254), onde se informava que haveria alteração do preço indicado no prospecto preliminar, ou seja, devido à grande demanda das ações, o valor não ficaria mais entre R$ 15,50 e R$ 18,50, mas sim entre R$ 20,00 e R$ 23,00. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 17 IV) a devolução de capital é uma operação típica do exercício do direito de retirada dos sócios (quando estes não se encontram satisfeitos com as decisões tomadas pela administração da companhia, ou por necessidade) ou ainda de dissolução da sociedade, fatos que não aconteceram no presente caso. É claro que, na forma da lei, estas condutas estavam de acordo com o estabelecido, entretanto a lei também tem o seu conteúdo finalístico, e esta interpretação sistêmicafinalística é atribuição do aplicador do direito como foi o Fisco no caso em questão. Analisando a situação anterior à emissão, subscrição e integralização das ações preferenciais e àquela posterior ao resgate percebese nitidamente que houve entrada de dinheiro na companhia e a entrega de ações no mesmo valor deste ingresso àqueles que o efetuaram, assemelhandose assim, na sua essência, a uma típica operação de compra e venda. Ainda esta alienação (em sua substância) teria sido feita com os ativos a valor contábil (bem inferior ao preço de mercado) à pessoas ligadas. Por todo o exposto, entendo que em verdade, não houve opção legal, mas sim um encadeamento de operações, formalmente válidos em cada uma das etapas, destinados a fins específicos. Ocorre que até 1995, antes da vigência da Lei nº 9.249/95, a hipótese aqui tratada estava sujeita às regras de Distribuição Disfarçada de Lucros, conforme acima fundamentado. Porem, o artigo 22 da aludida norma estabelece: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. O próprio artigo 464, § 1º, do RIR/99 estipula expressamente que não se aplica os casos de DDL na hipótese de devolução de participação no capital social. Vejamos: “Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): (...) § 1º O disposto nos incisos I e IV não se aplica nos casos de devolução de participação no capital social de titular, sócio ou acionista de pessoa jurídica em bens ou direitos, avaliados a valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22).” Grifei. Evidenciase, pois, que o contribuinte realizou uma verdadeira maratona de eventos societários com a principal finalidade de tributar os notórios ganhos com esses nas pessoas físicas, com de fato fez, sendo que poderia ter feito diretamente, haja vista o respaldo legal. Estou certo de que constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720614/201120 Acórdão n.º 1402001.341 S1C4T2 Fl. 0 18 Repito: a partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Frisese: a distorção está nas próprias normas tributárias que estabelecem alíquota de 15% para o ganho de capital na pessoa física e de até 34% de IRPJ/CSLL sobre os ganhos de mesma natureza das pessoas jurídicas. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar as exigências contra a empresa Socopa, confirmando a correta tributação nas pessoas físicas. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 473DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10247.000065/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 FALTA DE PAGAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Demonstrado que parte dos créditos do sujeito passivo foram indevidamente glosados e que tal fração é suficiente para fazer face aos débitos apurados, afasta-se a exigência do PIS/Pasep não-cumulativo. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Restando afastada a exigência de contribuição, afasta-se igualmente a multa de ofício capitulada no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.142
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e determinar a apensação do presente processo ao de nº 10247.000140/2005-61.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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NÃO CARACTERIZAÇÃO Demonstrado que parte dos créditos do sujeito passivo foram indevidamente glosados e que tal fração é suficiente para fazer face aos débitos apurados, afastase a exigência do PIS/Pasep nãocumulativo. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Restando afastada a exigência de contribuição, afastase igualmente a multa de ofício capitulada no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e determinar a apensação do presente processo ao de nº 10247.000140/200561. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 O presente processo versa sobre lançamento de Pis/Pasep no montante de R$5.251,15, refrente ao mês de 07/2005. Fundamentouse a autuação pelo saldo devedor resultante do processo de ressarcimento n° 10247.000140/200561. 2. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 92/107), na qual alegou em suma: (a) O auditor fiscal no processo de ressarcimento/compensação chegou ao seguinte parecer: para o mês de julho/2005, o contribuinte tem a recolher o valor de R$ 2.580,04; para o mês de agosto/2005, o contribuinte tem a ressarcir a quantia de R$ 9.640,79; para o mês de setembro/2005, o contribuinte tem a ressarcir a importância de R$ 45.372,13. (b) Sendo assim, computados todos os meses que compõem o trimestre, o contribuinte tem na realidade um saldo credor de R$ 57.592,96, e não um saldo devedor. (c) No mérito do processo de ressarcimento/compensação, considerou que o referido Despacho Decisório negou vigência ao princípio da nãocumulatividade do PIS, entendendoo como um benefício fiscal. (d) Tal resistência do Fisco é absolutamente desarrazoada, não só em virtude de uma interpretação sistemática da Lei n° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, como também pela disposição contida no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, que delimita toda e qualquer dúvida sobre o princípio da não cumulatividade aplicável de forma ampla e irrestrita à contribuição em tela. (e) O Despacho Decisório desconsiderou o direito da defendente ao aproveitamento do crédito da contribuição social calculados sobre serviços de transporte, tais como a contratação do frete relacionada à comercialização da produção da pasta de celulose, bem como a prestação de serviços contratados para a manutenção de seu parque fabril. (f) A DISIT da 2ª Região Fiscal da Secretaria da Receita Federal já se posicionou em favor do creditamento do frete na operação de venda, consoante Solução de Consulta n° 01, de 13/01/2004. (g) Tem direito ao crédito da contribuição social sobre os valores de insumos empregados na produção da sua própria matériaprima, destinada a produção de celulose, de acordo com o previsto na Lei n. 10.833/2003 e parágrafo 12 do art. 195 da CF. (h) Seu processo produtivo, que tem como produto final a pasta química de madeira, conhecida como celulose, dividese em três etapas, através das quais verticalizou a produção, por estratégia de mercado: a primeira etapa consiste na produção da madeira em suas áreas de reflorestamento; a segunda no corte das árvores e preparação das mesmas para a extração da celulose (onde são descascadas, picadas e transformadas em cavacos) e a terceira etapa consiste no cozimento dos cavacos em soluções alcalinas de onde se obtém a fibra celulósica. Esclarece que Fl. 346DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000065/200709 Acórdão n.º 3102001.142 S3C1T2 Fl. 333 3 produz produtos químicos consumidos e reaproveita resíduos obtidos no processo. (i) Entende que os custos advindos do emprego de bens e de serviços na sua atividade florestal enquadramse no conceito de insumos para a produção da pasta química de madeira (celulose) , comercializada pela defendente, devendo, portanto, ser admitidos como passíveis de creditamento na apuração da Cofins. (j) Se a defendente adquirisse a madeira de terceiros não teria havido questionamento e o benefício seria admissível, o que seria uma violação ao princípio da igualdade. Tal entendimento não se encontraria presente na Lei n. 10.833/2003, que previria em seu art. 3° a possibilidade de se creditar todos os bens e serviços utilizados desde o início do processo produtivo ou de fabricação. (k) Já com relação aos créditos apurados sobre os custos da prestação de serviços da manutenção do parque fabril da Defendente, restaria claro que sem a realização de tal manutenção as atividades relacionadas à produção de celulose ficariam seriamente prejudicadas, razão pela qual tais crédito deveriam ser reconhecidos. (l) De acordo com o artigo 30 da IN SRF n° 600/2005, poder seia aplicar multa de natureza isolada nos casos de ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, circunstâncias essas não configuradas no presente caso. Não há, entretanto, menção expressa no caput do citad artigo de que o acréscimo legal relacionado à penalidade corresponderá à multa de ofício, existindo assim dúvida sobre ser essa de ofício ou a denominada multa de mora. (m) De forma equivocada, a autoridade fiscal entendeu que a penalidade a ser utilizada seria a denominada multa de ofício, prevista no artigo 44, inciso I, da lei n° 9.430/1996, quando o correto seria a multa de mora do artigo 61 da mesma lei, devendo ser aplicado o artigo 112, inciso IV, do CTN. (n) Tendo em vista que a possível confirmação em sua integralidade do pleito de reconhecimento de créditos da contribuição social ensejará o cancelamento do débito tributário ora em cobrança, em caráter subsidiário, é requerida a reunião deste feito com o correspondente processo de ressarcimento. (o) Aduziu decisões administrativas. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. MESES SUBSEQÜENTES. O crédito de Pis/Pasep nãocumulativo não aproveitado em determinado mês poderá sêlo somente nos meses subseqüentes PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. ÔNUS DO VENDEDOR. Do valor apurado da contribuição para a Cofins ou o PIS/Pasep, poderá, a partir de 1º de fevereiro de 2004, ser descontado o crédito calculado em relação ao frete contratado na operação de venda, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor e pago à pessoa jurídica domiciliada no País. MULTA DE OFÍCIO. DEDUÇÃO. COMPENSAÇÃO. Em caso de lançamento efetuado para constituir o débito a que se refere o inciso I do § 1° do artigo 6° da Lei n° 10.8333/2003 (dedução), não há falar em aplicação do artigo 30 da IN SRF n° 600/2005 que trata sobre compensação. MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO INEXATA. No caso de declaração inexata, aplicase o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 (multa de ofício), e não o artigo 61 (multa de mora) da mesma lei. Inexistindo dúvida quanto à aplicação da legislação regente da matéria, o benefício do artigo 112, inciso IV, do CTN tornase inaplicável ao caso. Lançamento Procedente em Parte. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção 1 Preliminarmente Demarcação do Litígio Fl. 348DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000065/200709 Acórdão n.º 3102001.142 S3C1T2 Fl. 334 5 Antes de passar à análise dos fundamentos do recurso, entendo prudente demarcar a matéria litigiosa. Não há questão preliminar a ser enfrentada. Conforme já antecipado, praticamente a totalidade da exigência sob litígio decorre da matéria discutida nos autos do processo n° 10247.000140/200561, onde o sujeito passivo pleiteou o ressarcimento de saldo credor do PIS/Pasep. Após as verificações inerentes a tal processo, acusa o Fisco que o sujeito passivo, ao invés de saldo credor, possuiria um saldo devedor de R$5.251,15, na medida em que os créditos apurados não seriam suficientes para fazer face aos débitos do PIS/Pasep devido no mês de 07/2005. O que se constata, portanto, é que o débito cobrado separadamente no presente litígio só subsistirá se mantidas as conclusões do Fisco assentadas no processo em que se discute a higidez das glosas. Confesso que, inicialmente, me inclinei no sentido de adotar, no presente recurso, a solução levada a efeito nos autos do julgamento dos processo nº 10247.000063/200710 e 10247.000064/200756, quando propuz a conversão do julgamento em diligência para os processos permanececem na unidade de jurisdição até o julgamento dos processos onde se trava discussão idêntica à que é travada no processo n° 10247.000140/2005 61. Ocorre que, diferentemente daqueles litígios, no caso do presente, o processo em que se discute questão prejudicial encontrase no mesmo estágio, o que permite seu julgamento em conjunto e a sua juntada por apensação, por meio da aplicação subsidiária do art. 105 do Código de Processo Civil1, tomando como referência, ainda, o princípio formalidade moderada, gizado no inciso IX do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784, de 19992, igualmente aplicado de maneira subsidiária. 2 Mérito No mérito, tomando como referência o decidido nos autos do processo n° 10247.000140/200561, onde, relembrese foram acatados os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira, incorridos quando da sua extração, além dos dados consolidados na planilha à fl. 33 do presente, que é cópia da juntada à fl. 239 daquele outro processo, onde estão discriminados os valores incorridos com tais despesas, concluo pela insubsistência da exigência litigiosa. Com efeito, aplicandose a alíquota do PIS/Pasep sobre tais gastos, apurarse á um crédito mais do que suficiente para fazer face à exigência ora debatida. 1 Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. 2 Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; Fl. 349DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Noutro giro, afastada a exigência, resta igualmente afastada a multa calculada sobre eventual débito, nos termos do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996 que, na versão aplicável ao fato gerador litigioso, possuía a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte 3 Conclusão Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 9 de agosto de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 350DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.725478/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi - Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
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RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2007 Data da lavratura do Auto de Infração: 10/12/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 20/12/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Juiz de Fora que julgou improcedentes as impugnações oferecidas pelo sujeito passivo e pelos devedores solidários do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.257.8004, de 10/12/2010, consistente em contribuições RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .7 25 47 8/ 20 10 -1 4 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.725478/201014 Resolução nº 2302000.210 S2C3T2 Fl. 378 2 sociais a cargo da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados constantes nas folhas de pagamento e em GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 23/27. Informa a fiscalização que houvese por constatado que FCTE deixou de cumprir os requisitos previstos nos incisos I a III do art. 14 do CTN e nos incisos IV a V do art. 55 da Lei nº 8.212/91, razão pela qual houvese por emitido o Ato Declaratório Executivo DRFB/VAR/MG nº 048/2010 que, reconhecendo o descumprimentos de tais requisitos essenciais, suspendeu o benefício da imunidade tributária relativa ao Importo de Renda Pessoa jurídica, CSLL, PIS e COFINS da entidade Autuada, referente ao período de 01/01/2003 a 31/12/2007. Foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária TSPS nº 13, em face do devedor solidário Odair Ribeiro, TSPS nº 14, em desfavor do devedor solidário Luiz Edmundo Baldim e TSPS nº 15, adverso ao devedor solidário Braz Pagani. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 74/87. Os devedores solidários Odair Ribeiro e Luiz Edmundo Baldim ofereceram impugnação a fls. 109/123 e 233/247, respectivamente. Os demais não se pronunciaram nos autos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão a fls. 332/348, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 01/08/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 349. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 355/368, fundamentando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nas alegações que se vos seguem: · Que todos os Autos de Infração lavrados na ação fiscal devem ser apensados e julgados em conjunto; · Que o presente Auto de Infração houvese por lavrado em razão da emissão do Ato Declaratório Executivo DRFB/VAR/MG nº 48, de 27/09/2010, que suspendeu a imunidade tributária do Recorrente no período de 01/01/2003 a 31/12/2007, o qual foi tempestivamente impugnado e se encontra pendente de decisão administrativa; · Que a suspensão da imunidade se deu com base no art. 32 da Lei nº 9.430/96, o qual é aplicável por força do art. 14 da Lei nº 9.532/97, o qual se encontra com eficácia suspensa em razão de liminar concedida nos autos da ADIn nº 1.8023/DF. Ao fim, requer que seja anulado o Auto de Infração. Devidamente intimados do Acórdão da DRJ/Juiz de Fora/MG, os devedores solidários não interpuseram recurso em face da decisão de 1ª Instância. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.725478/201014 Resolução nº 2302000.210 S2C3T2 Fl. 379 3 Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 01/08/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 31 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 3. DAS PRELIMINARES 3.1. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO O Recorrente argumenta que o presente Auto de Infração houvese por lavrado em razão da emissão do Ato Declaratório Executivo DRFB/VAR/MG nº 48, de 27/09/2010, que suspendeu a imunidade tributária do Recorrente no período de 01/01/2003 a 31/12/2007, o qual foi tempestivamente impugnado e se encontra pendente de decisão administrativa. A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na confirmação ou não da efetiva ocorrência do descumprimento dos requisitos objetivos fixados nos incisos IV e V do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Com efeito, o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação não se encontra instruído com os elementos de convicção necessários aptos a indicar, de forma inequívoca, de houve ou não o efetivo descumprimento das exigências contidas nos incisos IV e V do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Realmente, em sua resenha fiscal, informou a Autoridade Lançadora que a fiscalização constatou que FCTE deixara de cumprir os requisitos previstos nos incisos I a III do art. 14 do CTN e nos incisos IV a V do art. 55 da Lei nº 8.212/91, razão pela qual se houve por emitido o Ato Declaratório Executivo DRFB/VAR/MG nº 048/2010 que, reconhecendo o descumprimentos de tais requisitos essenciais, suspendeu o benefício da imunidade tributária relativa ao Importo de Renda Pessoa jurídica, CSLL, PIS e COFINS da entidade Autuada, referente ao período de 01/01/2003 a 31/12/2007. O Ato Declaratório Executivo DRFB/VAR/MG nº 048/2010 acima referido foi impugnado pela entidade interessada, constituindo os autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10660.721680/201069, no qual se analisa o efetivo descumprimento dos requisitos previstos nos artigos 14 do CTN e 55 da Lei nº 8.212/91 e se discute a procedência da suspensão da imunidade acima aludida. Conforme consignado no Relatório Fiscal, no vertente levantamento foram consideradas as informações constantes nos itens 1 a 5 do Termo de Constatação Fiscal a fls. 19/21, cujo item 5 assinala que “... o entendimento do Sr. Delegado da Receita Federal em Varginha/MG é no sentido de que, de fato, os requisitos constantes dos incisos I a III do art. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.725478/201014 Resolução nº 2302000.210 S2C3T2 Fl. 380 4 14 do CTN, bem como aos constantes dos incisos IV e V do art. 55 da Lei nº 8.212/91 não foram observados pele FCTE”. Os grifos constam no original. Tratandose de prova emprestada, obtida na origem do Termo de Constatação Fiscal suso aludido, cujo procedimento desaguou no Ato Declaratório Executivo DRFB/VAR/MG nº 048/2010, necessário se revela o aguardo do desenvolvimento conclusivo do PAF nº 10660.721680/201069, mediante o qual se concluirá pela caracterização ou não do efetivo descumprimento dos requisitos legais para a fruição da imunidade tributária em apreço e, consequentemente, pela procedência ou não do Ato Declaratório Executivo DRFB/VAR/MG nº 048/2010. Consulta realizada ao PAF nº 10660.721680/201069 demonstrou que a impugnação administrativa ofertada em face do lançamento foi julgada improcedente pela DRJ em Juiz de Fora/MG, nos termos do Acórdão nº 0939334 2ª Turma da DRJ/JFA, de 07 de março de 2012. Hostilizando o Acórdão referido no parágrafo precedente, a FCTE interpôs Recurso Voluntário, o qual se encontra, na data de hoje, aguardando distribuição/sorteio para relatoria na 1ª Seção de Julgamento do CARF. Nesse contexto, ante a impossibilidade de se sindicar, de maneira inequívoca, a ocorrência do efetivo descumprimento dos requisitos legais indispensáveis à manutenção da imunidade tributária ora discutida, e almejando nos esquivar da proferição de decisões contraditórias, pautamos pela conversão do julgamento do mérito em diligência, até o desfecho derradeiro, no âmbito administrativo, do PAF nº 10660.721680/201069 acima citado, em razão da incontestável relação de prejudicialidade entre ambos. A diligência deve ser concluída pela juntada de cópia da decisão definitiva, no âmbito administrativo, do Processo Administrativo Fiscal aludido no parágrafo precedente. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 10660.721680/201069, devendo ser acostada aos presentes autos cópia da decisão definitiva em apreço. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser conferida vistas ao Recorrente, para que, desejando, possa se manifestar no processo, no prazo normativo. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.725478/201014 Resolução nº 2302000.210 S2C3T2 Fl. 381 5 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722587/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA.
Até a entrada em vigor da MP n° 351, de 2007, é incabível a imposição de multa isolada pela mera falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo em PER/DCOMP, sem a comprovação de ocorrência de sonegação, fraude ou conluio.
Numero da decisão: 3402-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria estranha ao litígio. Na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mantinha a multa nos termos do § 4º do art. 18 da Lei nº 11.051, de 2004. Votou pelas conclusões a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto
Sílvia de Brito Oliveira
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente).
O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. Até a entrada em vigor da MP n° 351, de 2007, é incabível a imposição de multa isolada pela mera falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo em PER/DCOMP, sem a comprovação de ocorrência de sonegação, fraude ou conluio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria estranha ao litígio. Na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mantinha a multa nos termos do § 4º do art. 18 da Lei nº 11.051, de 2004. Votou pelas conclusões a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto Sílvia de Brito Oliveira Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
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Recorrida DRJ em RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. Até a entrada em vigor da MP n° 351, de 2007, é incabível a imposição de multa isolada pela mera falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo em PER/DCOMP, sem a comprovação de ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria estranha ao litígio. Na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mantinha a multa nos termos do § 4º do art. 18 da Lei nº 11.051, de 2004. Votou pelas conclusões a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidentesubstituto Sílvia de Brito Oliveira Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 25 87 /2 00 9- 15 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA 2 Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Relatório Contra a pessoa jurídica qualificada neste processo foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de multa isolada lançada em virtude de não terem sido homologadas, conforme despacho decisório proferido no processo n° 10980.008534/200815, as compensações pretendidas com a transmissão, no período de 15 de maio de 2003 a 06 de dezembro de 2004, de Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação (PER/DCOMP). Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, a multa foi aplicada com fulcro no art. 18, § 4°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. O lançamento, com ciência à contribuinte em 04 de junho de 2009, foi impugnado e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO) julgouo procedente, ensejando a interposição de recurso voluntário para alegar, em síntese, que: I – o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, vigente à época da ocorrência dos fatos, amparava a aplicação de multa na hipótese de compensação nãohomologada e, neste caso, tratase de compensação nãodeclarada; II – não é possível o cálculo da multa com o percentual utilizado, pois tal percentual está previsto na Lei n° 11.488, de 2007, que não estava em vigor na data da ocorrência do fato; III – não houve dolo, fraude ou intuito de fraude e nem mesmo máfé, pois a compensação foi baseada em decisão judicial que, embora não transitada em julgado, era válida e eficaz; IV – o art. 170A da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), não é aplicável ao caso em questão, pois, de acordo com o Superior Tribunal de Justiça (STJ), ele só pode ser aplicado aos processos ajuizados após sua vigência e os créditos utilizados para a compensação decorrem de Mandado de Segurança impetrado em 1999; e V – a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região confirmou o direito da ora recorrente à compensação nos moldes do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, e o recurso extraordinário interposto pela União não possui o condão de suspender a decisão recorrida. Ao final, a contribuinte solicitou o provimento do seu recurso para cancelar o auto de infração. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 10980.722587/200915 Acórdão n.º 3402001.840 S3C4T2 Fl. 372 3 Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido em parte. Isto porque as razões recursais relativas à compensação são oponíveis no processo que cuida dessa compensação, com observância do rito processual próprio. O litígio fica então restrito à questão relativa à aplicação, no tempo, da legislação tributária, com vista à definição da incidência da multa, seu percentual e a ocorrência de dolo ou fraude. Antes porém de adentrar a matéria litigiosa, em face das razões recurusais trazidas a eestes autos, cumpre esclarecer que, de acordo com o Despacho Decisório cuja cópia consta das fls. 84 a 97, não se trata aqui de compensações consideraddas nãodeclaradas, pois houve homologação tácita das conmpensações atinentes aos débitos de IPI até o 3° decêndio de janeiro de 2003, em virtude da fluência do prazo previsto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações posteriores, e as demais compensações não foram homologadas. Ademais, considerando os estritos termos da legislação vigente à data da prática da infração acusada, verificase que o argumento da recorrente de que o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, não se aplicaria à hipótese de compensação considerada nãodeclarada não resiste à literalidade do comando contido no § 4° deste mesmo art. 18. Agora, voltando ao exame da matéria em litígio, é preciso ter em mente que, tratandose de norma atinente a penalidade, salvo a ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 106 do CTN, sua aplicação fica circunscrita aos fatos geradores futuros. A acusação fiscal é de que a contribuinte agiu com fraude por promover compensações utilizandose de créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado e por apresentar informação falsa em suas declarações de compensação. Com efeito, a contribuinte informou nos PER/DCOMP que a decisão proferida nos autos do processo judicial n° 1999.7000033110, de que proviriam seus créditos, transitara em julgado em 28 de fevereiro de 2002 e, à vista dos elementos probatórios contidos nestes autos, verificase que, de fato, tal decisão só transitou em julgado em 11 de fevereiro de 2008. Constatase, portanto, a ocorrência de falsidade na declaração prestada à administração tributária e, em face disso, cumpre examinar a tipificação da conduta acusada, que, não se tratando de nenhuma hipótese de aplicação da legislação tributária a fatos pretéritos, não pode ter o enquadramento legal indicado pela fiscalização, qual seja, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, visto que a conduta infracionária ocorrera no período de 15 de maio de 2003 a 06 de dezembro de 2004, data da transmissão dos PER/DCOMP com a declaração falsa. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA 4 Notese que o dispositivo legal em questão foi primeiramente veiculado na Medida Provisória (MP) n° 135, de 30 de outubro de 2003, vigente a partir da data da publicação em 31 de outubro de 2003, não podendo, pois, alcançar a suposta infração praticada com a entrega dos PER/DCOMP transmitidos até essa data de vigência. Para os PER/DCOMP transmitidos a partir de 31 de outubro de 2003 até 06 de dezembro de 2004, antes, portanto, da vigência da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, o art. 18 da supracitada MP convertida na Lei n° 10.833, de 2003, fundamento do auto de infração, vigia com a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Por entender a fiscalização que a informação falsa de uma data de trânsito em julgado da ação judicial configuraria a fraude definida no art. 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, foi aplicada isoladamente a multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, em percentual duplicado. Vejamos então o dispositivo legal em que foi tipificada a conduta da recorrente, qual seja, o art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964, que estabelece, ipsis litteris: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Ora, a realização de compensação mediante informação falsa sobre o trânsito em julgado da decisão judicial em nada afeta a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, tampouco exclui ou modifica suas características essenciais. Nesse ponto, cumpre notar que a imposição da multa isolada em questão pela mera falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo só possui matriz legal para os fatos geradores ocorridos a partir da publicação da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 2007. Ademais, não se pode configurar como dolosa a compensação efetuada em data em que não havia sido reformada a decisão judicial que reconhecia à contribuinte o direito ao crédito pleiteado. Decisão esta mantida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, ao apreciar os recursos de apelação interposto pelas partes, afirmou a possibilidade de compensação de tais créditos nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, e negou provimento ao apelo da União e deu provimento ao recurso de apelação da aqui recorrente. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso em parte, por tratarse de matéria estranha ao litígio e, na parte conhecida, por não estar comprovada a ocorrência da fraude acusada, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 10980.722587/200915 Acórdão n.º 3402001.840 S3C4T2 Fl. 373 5 Sala das Sessões, em 18 de julho de 2012 Sílvia de Brito Oliveira Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA
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Numero do processo: 13811.001551/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
MULTA DE MORA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
De acordo com o artigo 62 A do Regimento Interno do CARF e em respeito ao recurso repetitivo do STJ Resp.114.9022 Questão relativa à configuração de denúncia espontânea (art. 138, CTN) na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a antes de qualquer procedimento do fisco, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3101-001.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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De acordo com o artigo 62 A do Regimento Interno do CARF e em respeito ao recurso repetitivo do “STJ Resp.114.9022 Questão relativa à configuração de denúncia espontânea (art. 138, CTN) na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa antes de qualquer procedimento do fisco, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.” RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 15 51 /2 00 7- 72 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /12/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.001551/200772 Acórdão n.º 3101001.233 S3C1T1 Fl. 3 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 60 dos autos emanados da decisão DRJ/SP1, por meio do voto do relator Tacao Oikawa, nos seguintes termos: “Em auditoria fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi constatado “Multa paga a menor” da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS do fato gerador ocorrido no período de 10/2004 declarado na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 46 e 47 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário de multa perfazendo o total de R$ 428.951,79 (quatrocentos e vinte e oito mil, novecentos e cinquenta e um reais e setenta e nove centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 160 L 5172/66; Arts. 43 e 61 e par 1 e 2 L 9430/96; Art 9 e par UN L 10426/02. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 09/04/2007 (AR à fl. 54) a contribuinte protocolizou, em 08/05/2007 a impugnação de fls. 1 a 10 acompanhada dos documentos de fls. 1153, na qual alega: 2.1. Em virtude de um equívoco em seus procedimentos fiscais de apuração e recolhimento de tributos, a Impugnante havia efetuado o pagamento a menor de valores devidos a título de COFINS, relativos ao período de outubro de 2004. 2.2. Contudo, ao identificar essa insuficiência de recolhimento de COFINS, a Impugnante – antes de qualquer procedimento fiscalizatório ou da retificação da correspondente DCTF – denunciou espontaneamente tais débitos às autoridades fiscais, nos termos do artigo 138 do CTN. Para tanto, a Impugnante: (i) efetuou o recolhimento do débito acrescido apenas de juros de mora, conforme comprova DARF anexo (Doc. 03 – fl. 52); (ii) apresentou petição formalizando a denúncia espontânea (Doc. 04 – fl. 53) e, por fim, (iii) retificou sua DCTF, na qual informou os valores efetivamente devidos e recolhidos a título de COFINS. 2.3. O artigo 138 do CTN introduziu no sistema tributário nacional o instituto da denúncia espontânea conforme reproduzido. 2.4. A leitura do dispositivo legal acima permite concluir, desde logo, que o CTN visou incentivar os contribuintes, mediante a exclusão da aplicação de penalidades, a efetuarem espontaneamente o pagamento de tributos devidos e não recolhidos tempestivamente. 2.5. Por fim, requer a Impugnante seja o auto de infração ora atacado julgado inteiramente improcedente.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1625.138 de fls. 59 traz a seguinte ementa: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /12/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.001551/200772 Acórdão n.º 3101001.233 S3C1T1 Fl. 4 3 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A Multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho CARF, em fls.70 a 78, onde repete seus argumentos antes apresentados, com destaque para o seguinte: I – Sumário; II – Dos fatos; III Do Direito – Da denúncia espontânea – destacando que “para compensar o atraso no pagamento de tributos o Sistema Tributário já prevê a incidência de juros de mora, calculados, atualmente, com base na taxa SELIC”; III – Do Pedido – requerendo o integral provimento ao presente Recurso Voluntário, determinandose a reforma da decisão recorrida e, consequentemente, o total cancelamento das exigências fiscais consubstanciadas no auto de infração combatido. Os autos foram encaminhados para este Conselho e distribuídos por sorteio a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar que o crédito em questão decorreria do recolhimento espontâneo, porém em atraso de valores de COFINS. Entende a recorrente que faz jus ao crédito relativo à multa de mora, em face do instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A multa de mora no pagamento de um tributo visa compensar ou indenizar o atraso pela falta de cumprimento de obrigação principal, e deve ser exigida mesmo no caso de recolhimento espontâneo, mas após o prazo fixado na legislação e antes da ação fiscal. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /12/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.001551/200772 Acórdão n.º 3101001.233 S3C1T1 Fl. 5 4 Também, que se o recolhimento espontâneo não acarretasse multa de mora, não haveria necessidade de prazo de recolhimento dos tributos, ou seja, após a ocorrência do fato gerador, desde que o contribuinte recolhesse antes da ação fiscal, nunca ficaria sujeito a qualquer multa de mora. Não podemos confundir multa de mora com multa por infração. O Recolhimento do tributo em atraso já implica em mora e não há como corrigir ou voltar o tempo. Na multa por infração, se o contribuinte se antecipar na correção da infração antes da ação fiscal, não há que se falar em multa punitiva. Daí estaremos diante da denúncia espontânea. Entretanto, de acordo com o artigo 62 A do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria MF n. 256/2009, em respeito ao recurso repetitivo do STJ de nº 114.9022 que trata: “STJ Resp.114.9022 Questão relativa à configuração de denúncia espontânea (art. 138, CTN) na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa antes de qualquer procedimento do fisco, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.” Diante de todo o exposto, voto pelo PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /12/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13808.006151/97-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993, 1994, 1995, 1996 Ementa: LANÇAMENTO. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. DIFERENÇA VARIAÇÃO IPC/BTNF. DESISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. POSTERGAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. PROVA DE REDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO. Tendo a contribuinte desistido da ação judicial, em que discutiu a integral dedução do resultado apurado no ano-base de 1991, da diferença entre a correção monetária de suas demonstrações financeiras de 1990 pelo IPC e pelo BTN, na parte a que se refere aos valores devidos de IRPJ, para valer-se dos benefícios da anistia instituída pelo art. 11 da MP nº 38, de 14.05.2002; tendo o litígio se iniciado com base no inciso II, do art. 22 da MP nº 66/2002; e tomando-se a recomposição do lucro efetuada pela autoridade fiscal que realizou a diligência, que levou em conta a compensação de prejuízos fiscais de exercícios anteriores constantes do Sapli, as orientações do Parecer COSIT 02/96 e os efeitos da postergação até 31.12.98, deve-se ainda ajustar a recomposição do lucro com a compensação dos prejuízos fiscais dos anos- base de 1990 e 1991, cuja glosa anterior não foi comprovada pelo fisco.
Numero da decisão: 1102-000.770
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, somente para reduzir o valor original do IRPJ devido para R$ 14.109.284,34, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. DIFERENÇA VARIAÇÃO IPC/BTNF. DESISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. POSTERGAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. PROVA DE REDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO. Tendo a contribuinte desistido da ação judicial, em que discutiu a integral dedução do resultado apurado no anobase de 1991, da diferença entre a correção monetária de suas demonstrações financeiras de 1990 pelo IPC e pelo BTN, na parte a que se refere aos valores devidos de IRPJ, para valerse dos benefícios da anistia instituída pelo art. 11 da MP nº 38, de 14.05.2002; tendo o litígio se iniciado com base no inciso II, do art. 22 da MP nº 66/2002; e tomandose a recomposição do lucro efetuada pela autoridade fiscal que realizou a diligência, que levou em conta a compensação de prejuízos fiscais de exercícios anteriores constantes do Sapli, as orientações do Parecer COSIT 02/96 e os efeitos da postergação até 31.12.98, devese ainda ajustar a recomposição do lucro com a compensação dos prejuízos fiscais dos anos base de 1990 e 1991, cuja glosa anterior não foi comprovada pelo fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, somente para reduzir o valor original do IRPJ devido para R$ 14.109.284,34, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Plínio Rodrigues Lima, João Carlos de Figueiredo Neto, Meigan Sack Rodrigues e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório I – DA AUTUAÇÃO E DA DECISÃO DA TURMA JULGADORA A autuação diz respeito a lançamento do IRPJ e de CSLL em decorrência da infração de redução indevida do lucro real, em razão da exclusão do lucro líquido do exercício em 31.12.92, do saldo devedor da correção monetária das demonstrações financeiras, correspondente à diferença verificada no ano de 1990, entre a variação do IPC e BTNF, em desconformidade com o disposto no art. 3º da Lei 8.200/91, alterado pela Lei 8.682/93, bem como, da dedução das despesas de depreciação, amortização, exaustão e do custo dos bens baixados a qualquer título, correspondente à diferença verificada no ano de 1990, entre a variação do IPC e a variação do BTNF. As exigências de crédito tributário referemse ao período de apuração de dez/93, 11/94, 12/94 e anocalendário de 1995. Conforme parte A do Lalur o valor total da exclusão é de Cr$ 1.472.993.309.346,83. Tal exclusão resultou em prejuízo fiscal, parcialmente compensado nos anoscalendário de 1993 a 1996, bem como em compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL (Termo de Verificação Fiscal de fls. 31 a 39). O lançamento foi efetuado (em 11.12.97), com exigibilidade suspensa por força das medidas liminares nos mandados de segurança nºs 92.829430 e 93.00149777 da 17ª Vara Federal de São Paulo. Não foi exigida a multa de ofício. Em relação à primeira ação judicial, a contribuinte apresentou durante a ação fiscal, certidão referente ao recurso de apelação nos efeitos devolutivo e suspensivo, mandado de segurança 92.829430 da 17a. Vara da Justiça Federal de São Paulo, relativamente ao direito de recolher o IR, a CSLL e o ILL, período base de 1991, deduzindose as despesas de depreciação, amortização, exaustão ou de custo de bem baixado a qualquer título, decorrentes das diferenças observadas em 1990 entre as variações do IPC e do BTNF. Em relação à segunda ação judicial, a contribuinte apresentou durante ação fiscal, cópia da sentença relativa à ação do mandado de segurança 93.00149776 da 17a. Vara Federal de São Paulo, na qual foi concedida segurança para o fim de proceder à integral dedução do resultado apurado no anocalendário de 1991, da diferença entre a correção monetária de suas demonstrações financeiras de 1990 pelo IPC e pelo BTN, para fins de apuração dos valores devidos de IRPJ, ILL e CSLL. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 3 3 A fiscalização tratou dos efeitos fiscais resultantes das exclusões não autorizadas, decorrentes das diferenças entre as variações do IPC e do BTNF. Com relação ao valor de depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer título, dos bens ou direitos correspondentes à diferença IPC/BTNF, o total apurado de 9.766.699,39 Ufir’s, poderia ter sido excluído a partir de janeiro de 1993, nos termos do art. 39 do mencionado Decreto. De acordo com o art. 3º da Lei 8.200/91, o saldo devedor da correção monetária de balanço complementar, no montante de 190.912.767,78 Ufir’s, poderia ser excluído de acordo com os percentuais máximos que menciona (25% em 1993 e 15% por ano no período de 1994 a 1998). O prejuízo fiscal, no montante de Cr$ 1.302.096.545.536,30, em decorrência das exclusões mencionadas foi parcialmente compensado pela contribuinte nos anoscalendários de 1993 a 1996, restando, ainda, um saldo de R$ 266.956,47, equivalente a 322.138,86 UFIR, conforme Tabela IV, para a qual a contribuinte foi intimada a proceder as alterações em seus controles a fim de excluir o saldo do valor do prejuízo fiscal apurado em 31.12.92, no valor atualizado até 31.12.96, de R$ 266.956,47. A fiscalização afirmou que na prática, a contribuinte transformou uma exclusão autorizada para ser feita, escalonadamente ao longo de 5 anos, conforme Tabela II, em prejuízo fiscal apurado em 31.12.92, compensado, parcialmente nas datas mencionadas na Tabela IV. A tabela VI trata da base de cálculo dos valores a tributar, indicando postergação para os fatos geradores de 12/93 para 01/94, de 11/94 para 12/95, de 12/94 para 12/95 e 12/96 e exclusão indevida do lucro real para os fatos geradores de 12/94, 12/95 e 12/95. O cálculo da postergação foi efetuado pelo método da imputação proporcional de pagamento, incluindose no cálculo a multa de mora e os juros de mora. Explicou a fiscalização que: • A exclusão em 31.12.92, do valor de Cr$ 170.896.763.810,53 equivalente a 23.282.842,69 UFIR, autorizada a ser feita em 31.01.93, não resultou em postergação do pagamento do imposto de renda, uma vez que o vencimento do imposto apurado em 31.12.92 (31/05/93 – ADN 8/93) foi posterior ao apurado em 31.01.93; • O saldo da parcela referente a 01/93, no montante equivalente a 34.212.048,64 UFIR foi parcial (27.618.201,07 UFIR) e regularmente excluído, a título de compensação de prejuízo fiscal, em 30.11.93; • Em 31.12.93, a contribuinte efetuou uma exclusão, sob a rubrica de compensação de prejuízo fiscal, no total de Cr$ 29.924.949,50, sendo 6.593.847,57 UFIR referente a 01/93 e 23.331.101,93 UFIR relativo à parcela a ser excluída em 01/94, resultando em postergação no pagamento do imposto de renda sobre essa última parcela; • Da parcela que deveria ser excluída a partir de 31.01.94, no montante de 28.636.915,17 UFIR, 23.331.101,93 UFIR se refere à exclusão realizada em 31.12.93, conforme letra “a”, resultando saldo a excluir de 5.305.813,24; Fl. 484DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 4 4 • Do total excluído em 30.11.94 (16.124.457,36 UFIR), 5.305.813,24 UFIR se refere ao saldo da parcela de 01/94, e a diferença, no montante de 10.818.644,12 UFIR, corresponde à parte da parcela a ser excluída em 12/95, resultando em postergação no pagamento do imposto de renda sobre esse valor; • Do total excluído em 31.12.94, 17.818.271,04 UFIR e 28.636.915,17 UFIR correspondem, respectivamente, ao saldo da parcela referente a 12/95 e à parcela de 12/96, resultando em postergação do pagamento do imposto de renda sobre esses valores; e a quantia equivalente a 46.820.921,03 está caracterizada como exclusão indevida do lucro real; • Face à inexistência, em 31.12.95, de saldo de parcela a ser excluído, os valores equivalentes a 6.037.102,02 UFIR e 3.969.275,81 UFIR (prejuízo fiscal compensado) foram caracterizados como exclusões indevidas do lucro real; • A contribuinte foi intimada a proceder as alterações em seus controles a fim de excluir o saldo do valor do prejuízo fiscal apurado em 31.12.92, no valor atualizado até 31.12.96, de R$ 266.956,47. Foram impugnados ambos lançamentos conforme impugnação de fls. 63/85 (IRPJ) e 90/95 (CSLL). A decisão de primeira instância de 12.02.1998, não tomou conhecimento da impugnação quanto à parte do crédito tributário objeto da ação judicial e declarou definitivamente constituído na esfera administrativa o crédito tributário relativo ao imposto/contribuição. Sobrestou o julgamento relativamente aos juros de mora, até decisão terminativa do processo judicial com a observação de que o processo fiscal deveria retornar para julgamento apenas se a decisão judicial transitada em julgado fosse desfavorável à contribuinte. Consignou que como aquele ato era mera declaração formal da definitividade da exigência tributária na esfera administrativa, sem julgamento do mérito, não seria cabível a apresentação de recurso à segunda instância julgadora. Dessa decisão houve ciência à contribuinte e não foi apresentado recurso voluntário. Posteriormente, a contribuinte efetuou pagamento do IRPJ com os benefícios da MP 38/2002, e iniciou litígio com base no art. 22 da MP66/2002 e da IN SRF 202 de 12.09.2002, visando afastar a parcela cujo montante encontrase depositado administrativamente, por não concordar com os critérios adotados para o lançamento do IRPJ. Tal litígio diz respeito somente ao IRPJ. Destacase que junto com a impugnação foram apresentados os seguintes documentos: • Demonstrativos (fls. 213/214) do valor devido e do valor impugnado; do valor lançado de R$ 54.912.650,21 considerou devido o valor de R$ 23.484.129,4 e impugnou o valor de R$ 31.428.520,75, sendo R$ 18.882.281,17 de principal, R$ 11.797.649,28 de juros até 31.07.2002 e R$ 748.590,30 de juros de agosto e setembro. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 5 5 • Documento emitido pela contribuinte que tem como título “Resumo da Recomposição do Lucro Real – Lei 8200”, de fls. 217; consta como observações, que foi adicionado no 2º semestre de 1992, o resultado da correção monetária das demonstrações financeiras, que corresponde à diferença IPC/BTNF amparada por decisão judicial e excluiu em períodos consecutivos, a partir de 1993 até 1998, à razão de 25% no primeiro ano e de 15% nos demais anos. Em decorrência alterou os seguintes incentivos fiscais: operação de caráter cultural artístico, programa de alimentação ao trabalhador, vale transporte, audiovisual, fundo da criança e adolescente e ação de informática. • A recomposição do lucro real foi efetuada conforme demonstrativos de fls. 218/221. A Turma Julgadora considerou que a impugnação de fls. 205 a 212 atende aos requisitos estabelecidos pelo art. 22 da MP 66/2002 e pela IN SRF 202/2002, por versar sobre forma de apuração da base de cálculo do IRPJ e por ter sido apresentada no prazo legal, em 30.09.2002, acompanhada de demonstrativos dos valores considerados devidos, bem como de comprovantes relativos aos recolhimento parcial e ao depósito em discussão. Concluiu que não merece reparos a apuração do IRPJ efetuada pelo fisco, tendo proferido a seguinte ementa: POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO Em caso de postergação de pagamento do imposto relativo a períodosbase encerrados até 31.12.96, devese proceder à imputação do recolhimento postergado para determinação do valor do imposto considerado pago na data do vencimento. Lançamento procedente. Transcrevo parte do voto condutor do acórdão da Turma Julgadora: 24. O citado Parecer cuida, precipuamente, de explicitar os efeitos da correção monetária das demonstrações financeiras no caso de postergação do pagamento do imposto em virtude de inobservância do regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas, tendo em vista que nos ajustes para determinação do saldo do imposto devido deve ser considerado o acréscimo de valores ao lucro liquido correspondente ao períodobase do inicio do prazo de postergação. 25. No entanto, é relevante observar que os efeitos da correção monetária do balanço não se verificam quando se tratar de valores cujo controle é efetuado na escrita fiscal, por não acarretar alteração do lucro liquido, mas tão somente do lucro real, como é o caso do saldo devedor de correção monetária relativo A. diferença IPC/BTNF verificada em 1990, bem como dos encargos de depreciação, amortização, exaustão, ou do custo de bem baixado a qualquer titulo, que corresponder 5. aludida diferença de correção monetária, conforme previsto nos artigos 38 e 39 do Decreto n° 332/1991, in verbis: (...) Fl. 486DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 6 6 26. Entende a impugnante que, in casu, não caberia a imputação proporcional de pagamento realizada pelo Fisco, mas a exigência, exclusivamente, de acréscimos relativos a multa e juros, conforme estabeleceria o subitem 6.2 do PN CST n°02/1996, transcrito à. fl. 210. 27. Ocorre que o lançamento de multa e juros, isoladamente, somente foi previsto na Lei n° 9.430, de 27/12/1996, em seu artigo 44, § 1 0, inciso II, que se aplica aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997. 28. Desse modo, em caso de postergação do pagamento do imposto correspondente aos períodosbase encerrados até 31/12/1996, o recolhimento postergado deve ser decomposto em principal, multa de mora e juros de mora, para determinação do valor do imposto considerado pago na data do vencimento. 29. Esse procedimento, denominado imputação proporcional de pagamento, foi adotado pela fiscalização em relação aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993 e em novembro e dezembro de 1994, conforme se constata no Demonstrativo de Apuração do IRPJ de fls. 40 a 44. (...) 35. Devese observar que os efeitos fiscais das exclusões em questão nos anoscalendário de 1997 e 1998 não constituem objeto do lançamento, ocorrido em 11/12/1997. Por conseguinte, não pode a autoridade julgadora se manifestar sobre a apuração do imposto relativo a períodos de apuração não abrangidos pela ação fiscal. 36. Por todo o exposto, concluise não merecer reparos a apuração do IRPJ efetuada pelo Fisco. A ciência da decisão e do despacho da autoridade administrativa foi dada em 03.05.2006 e o recurso foi apresentado em 26.05.2006. Após a decisão, o Delegado da DEINF/SP, por meio do despacho de fls. 282/283, manifestouse em relação ao pagamento efetuado com os benefícios da anistia de que trata a MP 38/2002. Afirmou que o pagamento é insuficiente em função do critério utilizado pelo contribuinte para o cálculo do valor devido ser divergente do calculado pela autoridade autuante. Observou que a contribuinte calculou os efeitos da postergação para períodos posteriores aos da autuação. Reconheceu o direito da contribuinte aos benefícios da MP 38/2002 para o valor principal de IRPJ pago de R$ 14.109.284,34, exonerando os juros de mora incidentes sobre esse valor até 31.01.99. Observou que os pagamentos deverão ser imputados para verificação da suficiência de juros de mora incidentes a partir de fevereiro de 1999. Em relação à CSLL destacou que permanece a suspensão de exigibilidade e determinou que a apartação dos autos da CSLL para fins de controle. Os autos foram apartados e posteriormente houve o cancelamento da apartação voltando os autos da CSLL ao controle deste processo. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 7 7 A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 03.05.2006 e o recurso foi apresentado em 26.05.2006. II – DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente esclareceu que o mandado de segurança 92.00829430, por meio do qual pleiteou a pronta dedução das despesas de depreciação, amortização e exaustão ou dos custos dos bens baixados a qualquer título, derivados das diferenças de correção monetária IPC/BTNF, já se encontra encerrado, com o trânsito em julgado da sentença de primeiro grau favorável à recorrente confirmada no TRF03. Também esclareceu que o mandado de segurança 93.00149776, por meio do qual pleiteou a pronta dedução do saldo devedor da diferença de correção monetária IPC/BTNF e a dedução dos correspondentes encargos de depreciação na determinação da base de cálculo da CSLL, continua pendente de julgamento perante o STF, após a prolação de sentença de primeiro grau e de acórdão do TRF03, favoráveis à recorrente. Apenas em relação ao IRPJ decidiu valerse dos benefícios da anistia instituída pelo art. 11 da MP 38/02 e regulamentada pela Portaria PGFN 900/02 e efetuou o pagamento do imposto por meio do parcelamento previsto nas normas instituidoras da referida anistia fiscal, de acordo com o que seria devido com base nos ditames da Lei 8.200/91. Argumenta que não concorda com os critérios que foram adotados pela fiscalização na quantificação do suposto valor devido no auto de infração de IR, razão pela qual apresentou, com fulcro no art. 22 da MP 66/02, tempestiva impugnação, com base nas razões de fato e direito, visando afastar a parcela do imposto que considera indevida, a qual foi depositada administrativamente. Aduz que na impugnação, em relação aos critérios utilizados pela fiscalização para quantificar o suposto valor de imposto de renda apresentou, em síntese, as seguintes alegações: • A Lei 8.200/91 aceitou a diferença de correção monetária IPC/BTNF determinando, porém, que os efeitos da diferença entre os índices somente fossem levados a cabo, de forma escalonada no tempo, a partir de 1993. As pessoas jurídicas que haviam utilizado a diferença da referida correção monetária antes do ano de 1993, o fizeram antecipadamente, resultando daí postergação dos tributos para os anos de 1993 a 1998, período esse em que foi pacífica a dedução dos correspondentes efeitos da correção monetária dos balanços com a aplicação das referidas diferenças de índices; • A fiscalização reconheceu a ocorrência de postergação, mas ao efetuar o cálculo das supostas diferenças de imposto, utilizou o método da imputação de valores, o qual é inadequado para o caso, tendo em vista as determinações contidas no Parecer COSIT 02/96 (deveriam ser exigidos apenas os acréscimos relativos a juros e multa); • Para fins de apuração do valor devido em face da aplicação da Lei 8.200/91, visando ao aproveitamento da anistia instituída pela MP 38/2002, a recorrente levou em conta (i) os efeitos da postergação de imposto de acordo com o referido PN/COSIT 02/96, (ii) o trânsito em julgado do mandado de segurança 92.00829430, por intermédio do qual pleiteou se a pronta dedução das despesas de depreciação, amortização e exaustão ou dos custos dos bens baixados a qualquer título, derivados das diferenças de correção monetária IPC/BTNF, além do que (iii) efetuou o depósito administrativo da diferença verificada entre o valor exigido Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 8 8 de ofício e o calculado, na importância de R$ 31.428.520,75, conforme demonstrativo de cálculos que anexou. Discorda da decisão recorrida, a qual sustentou que as disposições do Parecer Normativo COSIT 02/96 não poderiam ser aplicadas ao caso, porque os ajustes decorrentes das diferenças de correção monetária IPC/BTNF eram controladas na escrita fiscal, sem acarretar efeitos na correção monetária dos balanços, e conseqüentemente, na determinação do lucro líquido. Entende a recorrente que o Parecerista não se refere à escrituração contábil, mas sim à escrituração em geral, a qual contempla, a escrituração fiscal, que em relação ao IR é efetuada por meio do LALUR. Destaca que por outro lado, ainda que se pudesse dizer que é correta a afirmação do julgador no sentido de que os ajustes decorrentes da diferença de correção monetária IPC/BTNF verificada em 1990, somente deveriam ser efetuados na escrita fiscal, isso não afastaria a aplicabilidade do PN COSIT 02/96 ao caso, mesmo porque tais ajustes fiscais afetam as provisões do IR e da CSLL, calculadas com base no lucro real, as quais acarretam efeitos na correção monetária dos balanços. Transcreve trecho do Parecer, que reproduzo: “4. Por isso, antes de iniciar a apreciação do assunto, entendemos relevantes rememorar o significado e os efeitos da correção monetária das demonstrações financeiras em relação aos resultados da empresa e o lucro real: (...) II – contas de provisões para o pagamento de imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido e contas do patrimônio líquido: a correção monetária dessas contas afeta definitivamente os resultados da empresa e, por conseqüência, o lucro real” (grifos e omissões da recorrente) Conclui que a inaplicabilidade do PN ao caso, pelos motivos apresentados pela DRJ/SP é argumento que não se sustenta diante da matéria de fato e de direito apresentada. Também discorda de outro argumento contido na decisão recorrida. Tratase da aplicação do parecer aos fatos geradores ocorridos até 31.12.96. Segundo a decisão o Parecer não se aplicaria ao caso em tela, porque a hipótese de lançamento de multa e juros isoladamente somente foi prevista pelo art. 44, § 1º, inciso II, o qual somente se aplicaria aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997. Aduz que referido Parecer foi publicado em 29.08.96, para dirimir dúvidas remanescentes relacionadas aos procedimentos a serem observados para a correta determinação do montante de imposto de renda devido, nos casos de inobservância do regime de competência, ou seja, esclarecer as dúvidas acerca da aplicação da legislação em vigor, antes da publicação do Parecer, mais especificamente, em relação aos dispositivos legais contidos no art. 6º do DL 1598/77. Ademais o assunto já havia sido objeto de manifestação por parte da SRF por meio do PN CST 57/79, bem antes da publicação da Lei 9.430/96. Transcreve o item 5.2 desse Parecer. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 9 9 Entende que o procedimento indicado no Parecer foi exatamente o adotado pela recorrente para efetuar os cálculos do montante que considerou devido nos autos, o qual teria sido totalmente pago com os benefícios da anistia instituída pela MP 38/2002. Ressalta que para fins de apuração do valor devido em face da aplicação da Lei 8.200/91, visando ao aproveitamento da referida anistia pela MP, levou em conta conforme demonstrado em planilha anexa: a) a possibilidade de aproveitamento da diferença de correção monetária IPC/BTNF no período compreendido entre os exercícios de 1993 a 1998, nos termos da Lei 8.682/93 (comando); b) trânsito em julgado da sentença proferida nos autos do MS 92.00829430, que permitiu a imediata dedução das despesas de depreciação, amortização, exaustão ou de custo de bem baixado a qualquer tipo, derivadas das diferenças de correção monetária apuradas em 1990 (IPC/BTNF), garantindose o direito de recolhimento do IRPJ e da CSLL do ano calendário de 1992, por esse critério (direito) e; c) a incorporação da variação de alíquotas do IRPJ no período de 1993 a 1998, que foi de 30% em 1992, 25% entre 1993 e 1995 e 15% entre 1996 e 1998 (finalidade). Entende ter adotado procedimentos de tal forma que o regime de competência foi totalmente aplicado, não havendo, por conseqüência, prejuízo para o sujeito passivo e tampouco para o fisco, hipótese aventada pelo item 5.2 do PN CST 57/79 citado. Ademais, o inciso II do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, citado na decisão, não cuidaria dos efeitos decorrentes da inobservância do regime de competência e sim da aplicação de multa de ofício nos casos de pagamentos efetuados espontaneamente pelos contribuintes após o vencimento do prazo previsto para o recolhimento da totalidade ou diferença de tributo ou contribuição sem a inclusão de multa de mora, de modo que tal dispositivo não pode ser invocado como fundamento legal para decidirse sobre a matéria em debate. Conclui que a alegação de que a reforma do lançamento efetuado pelas autoridades fiscais não pode ser determinada, tendo em vista que o art. 44 da Lei 9.430/96 somente se aplicaria aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997 não pode subsistir. Acrescenta que ainda que fosse o caso de aplicação da referida Lei, em atenção ao princípio da retroatividade benigna, o ato de lançamento praticado pelas autoridades fiscais, também por esse motivo, deveria ser reformado, de acordo com as disposições legais contidas no art. 43 da Lei 9.430/96 e no art. 106 do CTN. No que se refere à aplicabilidade das disposições do PN 02/96 a fatos geradores ocorridos antes de 1997, cita os acórdãos 10193.494, 10806.468, 10193.360. Assim, seja pelos efeitos verificados na correção monetária dos balanços, quer pela aplicação das disposições do PN 02/96, ao caso em tela, pede a reforma da decisão. Pede a homologação do recolhimento dos valores efetuados nos termos da anistia instituída pela MP 38/02, afastandose aqueles valores indevidamente lançados no auto de infração referente ao IRPJ. Requer seja determinado o levantamento do montante depositado em 30.09.2002, correspondente à parcela divergente ora discutida, no valor de R$ 31.428.520,75. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 10 10 III DA RESOLUÇÃO 10700.705, de 13.08.2008 Tendo em vista que o lançamento foi cientificado à contribuinte em 11.12.97, e apurou os efeitos fiscais da antecipação das exclusões até 31.12.96; que implicou em apuração de tributo para os anoscalendário de 1993 a 1995, e na intimação para que a contribuinte fosse intimada a proceder as alterações em seus controles a fim de excluir o saldo do valor do prejuízo fiscal apurado em 31.12.92, no valor atualizado até 31.12.96, de R$ 266.956,47, e que nos demonstrativos de recomposição apresentados está indicado que a contribuinte não efetuou pagamentos nos anoscalendário de 1993 e 1994, e que pagou imposto de renda nos anos calendário de 1995 e 1996, e ainda que não consta dos autos as respectivas DIRPJ, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal se pronunciasse sobre a exatidão dos cálculos apresentados nas planilhas apresentadas, levando em conta a recomposição do lucro até 31.12.96, e que esclarecesse se efetivamente ocorreu a postergação do pagamento do imposto de renda, nos termos do Parecer COSIT 02/96. Foi consignado na resolução que o crédito tributário da CSLL deveria ser transferido para outro processo, conforme havia determinado o Delegado da DEINF, uma vez que o recurso não diz respeito a essa exigência e não houve desistência do processo judicial. IV DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA A autoridade fiscal que realizou a diligência iniciou seu relatório com a abordagem dos critérios utilizados, que são os seguintes: a) A contribuinte apurou no 2º semestre de 1992 um prejuízo fiscal no valor de Cr$ 1.302.096.545.536,30; em análise ao lalur foi constatado que a contribuinte excluiu como ajuste do lucro líquido do exercício os valores de Cr$ 71.687.866.490,56 a título de despesas de depreciação, amortização, exaustão ou de custo de bem baixado a qualquer título decorrentes das diferenças observadas em 1990 entre as variações do IPC e do BTNF (MS 92.8929430) e de Cr$ 1.401.305.442.856,27, a título da diferença da correção monetária das demonstrações financeiras de 1990 pelo IPC e pelo BTNF (93.00149776); b) O MS 92.8929430 já se encontra encerrado com o trânsito em julgado a favor da contribuinte, portanto, ratificase a exclusão ao lucro líquido no 2º semestre de 1992, no valor de Cr$ 71.687.866.490,46; c) A contribuinte decidiu valerse dos benefícios da anistia instituída pelo art. 11 da MP 38/02 e consequentemente houve a desistência do MS 93.00149776, portanto, do prejuízo fiscal apurado no 2º semestre de 1992, a autoridade fiscal adicionou a parcela no valor de Cr$ 1.401.305.442.856,27 e excluiu em 6 períodos consecutivos a partir de 1992 até 1998, à razão de 25% no primeiro ano e de 15% nos demais anos; d) Quando da recomposição do lucro foram compensados os prejuízos fiscais de períodos anteriores controlados pelo SAPLI; e) Para cálculo do IRPJ foram adotadas as alíquotas descritas na tabela de fls. 446. A seguir a autoridade fiscal aborda a recomposição do lucro. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 11 11 Da recomposição do lucro nos termos do Parecer COSIT 02/96 e utilizandose do critério da compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores constatou os seguintes fatos: Período IRPJ devido Infração 30.11.93 265.103,49 Compensação indevida de prejuízo fiscal 31.12.93 10.898.842,10 Idem 31.12.94 29.403.263,84 Idem 31.12.95 (10.204.506,98) Pagamento a maior do IRPJ devido 31.12.96 (5.423.389,57) Pagamento a maior do IRPJ devido 31.12.97 *54.484.914,45 IRPJ devido auto de infração exig.suspensa 31.12.98 (3.757.549,86) Pagamento a maior do IRPJ devido Total (1) Total (2) 75.666.677,46 (54.484.914,86) (4.396.601,30) 16.785.161,72 Total (2) – excluindo efeito do IRPJ devido 1997 (suspenso) e os efeitos decorrentes da compensação do prejuízo fiscal no período de 1998. * IRPJ devido em 1997 lançado por meio do auto de infração PA 16327002295/200103 encontrase na CSRF aguardando decisão. Observa que a desconsideração da exclusão, efetuada pela contribuinte, em 31.12.92 do valor de Cr$ 1.401.305.442.856,27 não resultou em IRPJ devido no respectivo período tendo em vista haver prejuízo fiscal de períodos anteriores a serem compensados, bem como, que das exclusões, da parcela adicionada em 31.12.92, em seis períodos consecutivos a partir de 01/93, a razão de 25% do primeiro período e 15% nos demais períodos, e da recomposição do lucro foi constatada a ocorrência de compensação indevida de prejuízo fiscal de períodos anteriores nos anoscalendário de 1993, 1994 e pagamento a maior do IRPJ efetuado pela contribuinte nos anoscalendário de 1995, 1996 e 1998 conforme demonstrativo acima. Conclui o autor da diligência o seguinte: a) Quando da lavratura do auto de infração, a autoridade fiscal efetuou a recomposição do lucro conforme o disposto no parecer cosit 02/96, ou seja, adicionou as despesas ao lucro líquido do período base indevido e excluiu do lucro líquido do período base de competência. A autoridade fiscal apenas não adotou como critério, as compensações de prejuízos fiscais de períodos anteriores, acarretando as infrações (postergação de pagamento) nos períodos e valores constantes no termo de verificação e auto de infração. Valor do IRPJ lançado pelo fisco: R$ 32.991.565,51 (principal); b) A contribuinte valendose dos benefícios da anistia instituída pelo art. 11 da MP 38, de 14.05.2002, manifestouse sobre a desistência do MS 93.00149776, no que se refere exclusivamente ao imposto de renda, apresentando a planilha do resumo do lucro real – lei 8.200/91 (fls. 189) que consta como IRPJ devido o valor de R$ 14.109.284,34, apresentando ainda, a impugnação em relação ao débito constituído e cópia do depósito administrativo da parte questionada; c) A divergência entre o valor lançado pela autoridade fiscal e o valor calculado pela contribuinte, como imposto de renda devido, consiste na utilização do critério de Fl. 492DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 12 12 utilização de compensação do prejuízo fiscal de períodos anteriores e do método da imputação proporcional no cálculo das diferenças do imposto de renda apurado; d) Conclui a autoridade fiscal que realizou a diligência, que sobre a exatidão dos cálculos apresentados nas planilhas, efetuou a recomposição dos lucros até o anocalendário de 1998, segundo o parecer COSIT 02/96, e constatou a existência de excesso de compensação de prejuízo fiscal nos anoscalendário de 1993 e 1994 e pagamento a maior do imposto de renda nos anoscalendário de 1995, 1996 e 1998 culminando com o cálculo do imposto de renda devido no valor de R$ 16.785.161,72 (valor do principal); e) Ressalta que tal valor de imposto de renda devido, diverge do calculado pela contribuinte tendo em vista o SAPLI apontar um saldo de prejuízo fiscal de períodos anteriores, no anocalendário de 1992, menor do que o controlado pela contribuinte no lalur; e em consulta ao histórico de compensação de prejuízos fiscais constatou que foram reduzidas, em fiscalização externa, parcelas dos prejuízos fiscais de 1990, 1991 e 1997; f) Deu ciência à contribuinte do relatório de diligência. V DA MANIFESTAÇÃO DA INTERESSADA A contribuinte não concorda com a recomposição efetuada pela autoridade fiscal, no que toca às divergências injustificadas, entre os saldos de prejuízos fiscais que constam do relatório da RFB, Sapli, e no livro Lalur da contribuinte, referentes aos anos calendário de 1990 e 1991. Registra que analisandose o relatório intitulado “Histórico da Compensação de Prejuízos Fiscais”, verificase que os prejuízos referentes aos anoscalendário de 1990 e 1991 foram reduzidos de Cr$ 2.716.783.233,00 para Cr$ 2.319.242.205,00 e de Cr$ 18.457.396.618,00 para Cr$ 16.237.055.792,00, respectivamente, apenas com a identificação do motivo “05” – “Fiscalização Externa”, sem identificar a qual processo administrativo correspondem as referidas glosas de prejuízos fiscais. Entende que a glosa de prejuízos fiscais sem a correspondente identificação dos devidos processos administrativos não pode prevalecer, devendo ser considerados como prejuízos, referentes aos anoscalendário de 1990 e 1991, os valores de Cr$ 2.716.783.233,00 e Cr$ 18.457.396.618,00, respectivamente. Ressalta que da recomposição das planilhas elaboradas pelo AFRF, considerando os prejuízos fiscais sem as glosas da diligência, referentes aos anoscalendário de 1990 e 1991, nos valores ora apresentados, apurarseá o IRPJ na importância de R$ 14.109.284,34, que confere com o apresentado pela contribuinte em sede de impugnação. VI – DA RESOLUÇÃO 140200.019, DE 06.07.2010. Na sessão de 06.07.2010, o julgamento foi convertido novamente em diligência para que a autoridade fiscal indicasse por todos os meios disponíveis, o número dos processos relativos à glosa de prejuízos e informasse se a glosa foi ou não mantida e respectiva fase atual de cada processo, bem como, que refizesse os cálculos, caso as glosas tivessem sido indevidas. A autoridade administrativa da Delegacia de Fiscalização de São Paulo, assim se pronunciou: Fl. 493DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 13 13 Em atenção à solicitação formulada As fls. 479verso informamos que como esta DEFISSPO também foi criada em data posterior à lavratura do presente auto de infração, não possuímos documentação ou outros registros que possam elucidar as alterações registradas no SAPLI em relação aos prejuízos fiscais dos anos base de 1990 e 1991. Em consulta ao Ação Fiscal Sief verificamos também que não há informação de ações fiscais nos referidos anoscalendários talvez porque foram controladas em outro aplicativo ao qual hoje não temos mais acesso, e soubemos ainda que os dossiês de ação fiscal que remontam Aqueles períodos já foram destruídos. A seguir, a autoridade fiscal da DEINF/SP retornou o processo a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O litígio em apreciação neste recurso foi iniciado com base no art. 22 da MP 66/2002 e da IN SRF 202/2002, e diz respeito somente ao lançamento do IRPJ1, sendo que a Turma Julgadora concluiu que não merece reparos a apuração do IRPJ efetuada pelo fisco. Transcrevo o art. 22 da MP 66/2002 de 29.08.2002: Art.22.Relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte ou o responsável que, a partir de 15 de maio de 2002, tenha efetuado pagamento de débitos,em conformidade com norma de caráter exonerativo, e divergir em relação ao valor de débito constituído de ofício, poderá impugnar, com base nas normas estabelecidas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a parcela não reconhecida como devida, desde que a impugnação: Iseja apresentada juntamente com o pagamento do valor reconhecido como devido; IIverse, exclusivamente, sobre a divergência de valor, vedada a inclusão de quaisquer outras matérias, em especial as de direito em que se fundaram as respectivas ações judiciais ou impugnações e recursos anteriormente apresentados contra o mesmo lançamento; 1 A exigência da CSLL não é contestada no recurso voluntário e a contribuinte informa que não desistiu do processo judicial em relação a essa exigência. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 14 14 IIIseja precedida do depósito da parcela não reconhecida como devida, determinada de conformidade com o disposto na Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998. §1ºDa decisão proferida em relação à impugnação de que trata este artigo, caberá recurso nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972. §2ºA conclusão do processo administrativo fiscal, por decisão definitiva em sua esfera ou desistência do sujeito passivo, implicará a imediata conversão em renda do depósito efetuado, na parte favorável à Fazenda Nacional, transformandose em pagamento definitivo. §3ºA parcela depositada nos termos do inciso III do caput que venha a ser considerada indevida por força da decisão referida no §2º, sujeitarseá ao disposto na Lei nº 9.703, de 1998. §4ºO disposto neste artigo também se aplica a majoração ou a agravamento de multa de ofício, na hipótese do art. 20. Conforme o inciso II, do art. 22 da MP 66/2002, a impugnação poderia versar exclusivamente, sobre a divergência de valor, vedada a inclusão de quaisquer outras matérias, em especial as de direito em que se fundaram as respectivas ações judiciais ou impugnações e recursos anteriormente apresentados contra o mesmo lançamento; A Turma Julgadora entendeu que a impugnação apresentada com base no inciso II, do art. 22 da MP 66/2002 atendeu aos requisitos estabelecidos pela norma, e o recurso voluntário foi interposto tempestivamente, razão pela qual o recurso deve ser conhecido. Tratase de lançamento do IRPJ e de CSLL em decorrência do contribuinte ter excluído na determinação do lucro real referente ao 2º semestre do anocalendário de 1992, conforme parte A do Lalur, o montante de Cr$ 1.472.993.309.346,83, a título de parcela de correção monetária das demonstrações financeiras e da dedução das despesas de depreciação, amortização, exaustão e do custo dos bens baixados a qualquer título, correspondente à diferença verificada no ano de 1990, entre a variação do IPC e a variação do BTNF. Os lançamentos foram efetuados com exigibilidade suspensa e não foi aplicada multa de ofício. Desse valor, não resultou em exigência tributária, a importância de Cr$ 71.687.866.490,56, correspondente a 9.766.699,39 UFIR (tabela 1 do TVF) relativa a depreciação de bens arrendados, despesas de depreciação/amortização e perdas de capital, pois, esse valor já poderia ter sido excluído a partir de janeiro de 1993 (vencimento do IRPJ do 2º semestre do anocalendário de 1992, se deu posteriormente), bem como, segundo a autoridade que realizou a diligência, o MS 92.8929430 já se encontra encerrado com o trânsito em julgado a favor da contribuinte, o que ratifica a exclusão ao lucro líquido no 2º semestre de 1992, no valor de Cr$ 71.687.866.490,46. Portanto, somente está em discussão a exclusão na determinação do lucro real, relativa ao 2º semestre do anocalendário de 1992, no montante de Cr$ 1.401.305.442.856,27, efetuada com amparo judicial, sendo que a contribuinte para beneficiarse dos benefícios de anistia, desistiu da ação judicial posteriormente ao lançamento, pagou parte do débito e discute a outra parte. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 15 15 A contribuinte em decorrência das exclusões relativas à diferença IPC/BTNF, em vez de apurar lucro em 31.12.92, apurou prejuízo fiscal, que foi aproveitado em períodos seguintes, chegando em 31.12.96 com saldo a compensar de R$ 266.956,47, enquanto que a fiscalização consigna que a contribuinte deveria ter efetuado a exclusão, utilizandose os percentuais de 25% em 1993, e 15% de 1994 a 1998, e que na prática, o contribuinte transformou uma exclusão autorizada para ser feita escalonadamente, ao longo de 6 anos, em prejuízo fiscal apurado em 31.12.92, compensado parcialmente posteriormente. A autoridade fiscal efetuou a recomposição do lucro e adicionou as despesas ao lucro líquido do período base e as excluiu do lucro líquido do período de competência, o que resultou, que a parcela de 12/93 foi postergada para 01/94, a parcela de 11/94 foi postergada para 12/95 e as parcelas de 11/94 e a de 12/94 foi postergada em parte para 12/95 e parte para 12/96 (calculou o IRPJ decorrente dessas antecipações pelo método de imputação proporcional de pagamento), bem como, gerou exclusão indevida nos meses de 12/94 e 12/95, e ainda o contribuinte foi intimado a excluir o saldo do prejuízo apurado em 31.12.92, atualizado até 31.12.96. A autoridade fiscal não adotou como critério a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, obtendo o valor total do IRPJ original de R$ 32.991.565,51. Já, a contribuinte recompôs o lucro real conforme demonstrativos de fls. 218/221. Conforme planilha de fls. 189 foi obtido o IRPJ no valor original de R$ 14.109.284,34, com o qual a contribuinte concordou em pagar com os benefícios da anistia e foi depositada a parte questionada. A Resolução nº 10700.705, de 13.08.2008 foi determinada para que a autoridade fiscal se pronunciasse sobre a exatidão dos cálculos apresentados nas planilhas apresentadas, levando em conta a recomposição do lucro até 31.12.96, e que esclarecesse se efetivamente ocorreu a postergação do pagamento do imposto de renda, nos termos do Parecer COSIT 02/96. A autoridade que realizou a diligência constatou que a divergência entre o IRPJ apurado no auto de infração e o apurado pela recorrente se deve à compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores e ao método de imputação proporcional de pagamento. Efetuou a recomposição dos lucros até o anocalendário de 1998, segundo o Parecer COSIT 02/96, e constatou a existência de excesso de compensação de prejuízo fiscal nos anos de 1993 e 1994 e pagamento a maior do IRPJ nos anos de 1995, 1996 e 1998, resultando no IRPJ devido de R$ 16.785.161,72. Explicou que o valor diverge do cálculo efetuado pelo contribuinte (apurou R$ 14.109.284,34) porque o SAPLI aponta saldo de prejuízo fiscal de períodos anteriores, no ano de 1992, menor que o controlado pelo contribuinte no LALUR, e que o histórico de compensação de prejuízos fiscais de 1990, 1991 e 1997, aponta redução do prejuízo por conta de fiscalização externa. Neste aspecto, devese apreciar se a compensação de prejuízos de períodos anteriores está contida na divergência de valor, de que trata o inciso II, do art. 22 da MP 66/2002. O § 1º da IN SRF 202/2002 define divergência de valor para efeito de admitir a impugnação, apenas as inexatidões ou erros relativos à apuração da base de cálculo do tributo. Consequentemente, podemos dizer que houve erro na apuração da base de cálculo pelo fato de o auto de infração não levar em conta a compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores, razão pela qual este colegiado pode se manifestar em relação a essa matéria. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 16 16 A contribuinte em sua manifestação ao relatório de diligência, não concorda com a recomposição efetuada pela autoridade fiscal que realizou a diligência, porque essa autoridade não identificou os processos administrativos relativos às glosas de prejuízos. Convertido o julgamento em diligência, na sessão de 06.07.2010, a autoridade administrativa não conseguiu informar quais foram os processos que geraram a redução de prejuízo fiscal, de forma a permitir saber se a exigência fiscal foi ou não objeto de litígio e qual o possível resultado. A recorrente aponta em sua manifestação que os prejuízos relativos aos anos base de 1990 e 1991 foram reduzidos de Cr$ 2.716.783.233,00 para Cr$ 2.319.242.205,00, e de Cr$ 18.457.396.618,00 para Cr$ 16.237.055.792,00, respectivamente, segundo o histórico de compensação de prejuízos fiscais, com a justificativa de fiscalização externa sem identificar os números de processos. Embora a autoridade que realizou a nova diligência, não tenha conseguido identificar quais foram os processos que reduziram os prejuízos fiscais para os anos de 1990 e 1991, anexou aos autos cópia de um acórdão do Conselho de Contribuintes, nº 10702.680, de 27.02.96, relativo ao processo 13805.002462/9221, IRPJ, exercícios de 1991 e 1992. Esse processo referese a lançamento do IRPJ, e pelo relatório que integra o acórdão se constata que o valor da irregularidade foi absorvido inteiramente pelos prejuízos fiscais da recorrente. O julgamento do recurso foi favorável à autuada, com o seu provimento. Entretanto, não consta no relatório ou voto do referido acórdão qualquer referência aos valores dos prejuízos absorvidos, que teriam de ser revertidos. Em consulta ao sítio do CARF na internet, não há informação de que tenha sido interposto qualquer outro tipo de recurso. Assim, é bem provável que a redução dos prejuízos se refira a esse processo, embora não se possa ter certeza disso. Entretanto, tendo em vista que a autoridade fiscal não conseguiu identificar o número do (s) processo (s) relativos à fiscalização externa, que reduziu os prejuízos fiscais, não se pode transferir o ônus à recorrente, uma vez que esse ônus é do fisco, sob pena de cerceamento do direito de defesa, razão pela qual considero que os prejuízos acumulados de períodos anteriores não aproveitados nos valores apurados pela autoridade que realizou a diligência devem ser acrescentados aos já considerados nos cálculos realizados por essa autoridade, constantes no sapli. Há outra discussão a ser travada. A autoridade fiscal efetuou a recomposição do lucro e adicionou as despesas ao lucro líquido do períodobase e as excluiu do lucro líquido do período de competência, o que resultou, que a parcela de 01/94 (2ª), foi deduzida em 12/93, a de 12/95 (3ª) foi deduzida em 11/94 e 12/94, e a parcela de 12/96 foi deduzida em 12/94 (4ª). Também gerou exclusão indevida de prejuízos fiscais em 12/94, e em 12/95. Em função dessas deduções antecipadas, a autoridade que lavrou o auto de infração calculou o IRPJ devido pelo método de imputação proporcional de pagamento, para os períodos em que a despesa foi antecipada, e exigiu os valores relativos às parcelas de compensação indevida de prejuízos fiscais. Temos então, as seguintes questões: a) o método de imputação proporcional de pagamento é válido frente às disposições do Parecer COSIT 02/96? Fl. 497DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 17 17 b) Quando do lançamento (dezembro de 1997), a contribuinte ainda tinha direito à dedução da parcela de 15% em 1997 e 15% em 1998, estava amparada por medida judicial, desistindo da mesma somente em 2002, após o lançamento, e ao usufruir dos benefícios da anistia, com o pagamento da parte que concordava já tinha direito a usufruiur dessas deduções. O autor da diligência, utilizouse das orientações do Parecer COSIT 02/96, sendo que levou em consideração os efeitos da postergação até 31.12.98 e levou em consideração os valores dos prejuízos de períodos anteriores constantes do sapli. Em relação ao referido Parecer em que a Turma Julgadora manifesta o entendimento de que o mesmo somente se aplica à escrituração contábil cujos ajustes afetam o lucro líquido correspondente ao períodobase do início do prazo de postergação, e que para os ajustes de valores controlados na escrita fiscal, o mesmo não se aplicaria, tal Parecer tem como fundamento o art. 6º do DecretoLei 1598/77, tendo sido transcritos no mesmo os §§ 4º a 7º desse artigo. Transcrevo referido artigo: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 18 18 § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. Segundo o § 6º do mesmo artigo, o lançamento da diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito, em decorrência do estabelecido no § 4º, que prevê, que os valores que, por competirem a outro períodobase forem para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. O entendimento de que o tratamento de postergação de que trata o Parecer COSIT 02/96 se aplica somente à escrituração contábil foi superada. Por exemplo, temos a súmula CARF nº 36, que embora não cite o Parecer, dá o tratamento de postergação na inobservância do limite legal de 30% para compensação de prejuízos fiscais, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior. Súmula CARF Nº 36 A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 19 19 O procedimento abordado no art. 6º do DL 1598/77, não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido a postergação do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência, entretanto, essas exigências não foram objeto do lançamento, uma vez que a autoridade fiscal utilizouse da imputação proporcional de pagamento. Assim, nestes termos, o lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período base de competência de deduções deverá ser feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto apurado em outro período base a que o contribuinte tiver direito. Nesse sentido, o autor da diligência ao observar o Parecer COSIT 02/96, constatou a existência de excesso de compensação de prejuízo fiscal nos anos de 1993 e 1994 e pagamento a maior do IRPJ nos anos de 1995, 1996 e 1998, resultando no IRPJ devido de R$ 16.785.161,72. Assim, pelas explicações fornecidas pelo autor da diligência, e levando em conta a recomposição do lucro real efetuada pelo mesmo, de fls. 446, fundamentada nas planilhas de fls. 441/443, e que as diferenças apontadas pela autoridade que realizou a diligência se devem à glosa de prejuízos, e que a redução de prejuízo fiscal relativas aos anos de 1990 e 1991, conforme acima abordado, efetuadas em procedimento de fiscalização externa não puderam ser confirmadas pela autoridade fiscal, ratificase os cálculos efetuados pela contribuinte. Devese ressaltar que dar provimento integral ao recurso significa considerar que o valor original de IRPJ, com o qual a contribuinte concorda e que se propôs a pagar com os benefícios da anistia, é de R$ 14.109.284,34. Há ainda outro ponto a tratar. Poderseia argumentar que o autor da diligência levou em consideração em seus cálculos a recomposição do lucro até o ano calendário de 1998 e não até o anocalendário de 1996, último ano da auditoria realizada pela fiscalização. Entretanto, a recomposição do lucro deve mesmo ser feita até o ano calendário de 1998, porque a contribuinte estava amparada por ação judicial, e ainda poderia se utilizar do aproveitamento das parcelas que poderiam ser deduzidas nos anos de 1997 e 1998, uma vez que a desistência da ação judicial, e pagamento do valor que entendeu correto se deu somente em 2002, quando já tinha direito às deduções de 1997 e 1998. Em relação ao art. 43 da Lei 9.430/96, que prevê que a possibilidade de exigência de juros de mora e multa de mora isolada ou conjuntamente, e os efeitos financeiros da referida lei se darem, pelo art. 87, a partir de 01.01.97, abordado na decisão de primeira instância, esse fato não impede a aplicação do parecer COSIT 02/96, que foi fundamentado em legislação antes existente e não revogada, acima citada, razão pela qual não se aplica a imputação proporcional de pagamento. Ademais, sem entrar na polêmica se poderia ser exigida multa de mora, em casos de postergação de pagamento de tributo, observase que no cálculo da imputação, a fiscalização calculou a multa de mora para obter o valor original não pago, sendo que a contribuinte encontravase sob amparo judicial e o auto de infração não exigiu multa de ofício, Fl. 500DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.006151/9751 Acórdão n.º 110200.770 S1C1T2 Fl. 20 20 o que revela que o cálculo da imputação proporcional não deveria ser feito com multa de mora. Entretanto, este não é ponto relevante para este julgado. Observase ainda que para o ano de 1997, por haver processo fiscal em andamento no CARF, não implicou em efeitos na apuração da ocorrência de postergação, o que está correto, pois o ano de 1997 não faz parte da autuação e não poderíamos fazer exigência de crédito tributário relativo a esse ano. Observase que ainda está sob controle do presente processo a CSLL, que não é objeto do recurso. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso somente para reduzir o valor original do IRPJ devido para R$ 14.109.284,34. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Relatora Fl. 501DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 18471.003883/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator. Tratase de lançamento de crédito tributário de COFINS devido por sociedade prestadora de serviços advocatícios nos períodos de apuração de janeiro de 2003 a dezembro de 2006, sob o fundamento de que a Recorrente deixou de computar na base de cálculo da contribuição a totalidade das receitas de prestação de serviços. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 03 88 3/ 20 08 -9 4 Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.003883/200894 Resolução nº 3101000.252 S3C1T1 Fl. 2.169 2 Diante da impugnação, a DRJ do Rio de Janeiro II (RJ) proferiu decisão para manter parcialmente o lançamento sob fundamento consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 NULIDADE: NÃO OCORRÊNCIA. O fato de outro auditorfiscal estar acobertado por mandado de procedimento fiscal não subtrai de outro auditorfiscal amparado igualmente por MPF de lança tributo sobre fato gerador. NULIDADE: NÃO OCORRÊNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui ato administrativo de controle interno. No âmbito externo, tem a função, ainda, de gerar segurança ao contribuinte de que o procedimento está sendo controlado internamente; não gera, contudo, nulidade de lançamento corretamente efetuado, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional e o Decreto nº 70.235. MULTA QUALIFICADA. Inaplicabilidade no caso vertente. Necessidade de amplo material comprobatório, não se mostrando suficiente a simples discrepância entre declarações formalizadas à RFB, aplicação do princípio tributária da interpretação benevolente. MULTA QUALIFICADA. Ausência de intuito de evasão fiscal não enseja qualificação da multa por infração, mas não a isenta: A penalidade por infração fiscal prescinde de dolo. Alegada boafé da Impugnante. Enseja tão somente não ocorrência da qualificação da penalidade de ofício. Impugnação Procedente em Parte A Recorrente interpôs Recurso Voluntário aduzindo, dentre outros argumentos, que se trata de cobrança em duplicidade do crédito tributário, uma vez que os mesmos períodos já forma cobrados e pagos integralmente no Processo nº 18471.003884/200839. Diante da alegação da Recorrente de que a cobrança do crédito tributário em questão ocorre em duplicidade já que pago integralmente no Processo Administrativo nº 18471.003884/200839, consoante guia anexada ao Recurso Voluntário e constante de petição anterior de fls. 2044, converto o julgamento em diligência à repartição de origem a fim de que atenda ao que segue: 1 Prestar informações acerca do objeto do processo administrativo fiscal 18471.003884/200839, elaborando quadro comparativo acerca dos períodos, valores individualizados e fundamentos para os lançamentos que originaram os Processos Administrativos nºs 18471.003884/200839 e 18471.003883/200894; 2 Confirmação dos períodos cobrados em duplicidade nos Processos Administrativos nºs 18471.003884/200839 e 18471.003883/200894; Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.003883/200894 Resolução nº 3101000.252 S3C1T1 Fl. 2.170 3 3 Informar se o montante pago no Processo Administrativo nº 18471.003884/200839 foi suficiente para quitação integral dos créditos tributários/períodos objeto daquele, e se há valor pago referente a período/débito constante do Processo Administrativo nº 18471.003883/200894. Concluída a diligência, intime a Recorrente para, querendo, manifestarse acerca do resultado da diligência, no prazo de 30 dias. Após, retornem os autos para apreciação do Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 19515.006954/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
INEXISTÊNCIA.
De acordo com o disposto no art. 29 do Decreto n.º 70.235/72, “na
apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.”
No presente caso, sendo despicienda a prova pericial, eis que suficientes os elementos constantes dos autos para a formação do convencimento do julgador, incabível a alegação de cerceamento de defesa, notadamente quando o ônus da prova compete ao contribuinte.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la.
A demonstração da existência de depósitos de origem não comprovada não requer a correspondente correlação com eventual evolução de bens e direitos do contribuinte.
A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada, não sendo cabível o acatamento de simples alegações, desprovidas de elementos de convencimento.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO PRETENDIDO
PELA FISCALIZAÇÃO. DESCABIMENTO.
Sendo certo que a contribuinte integralizou a sua participação societária com cotas recebidas em doação pelo seu valor de mercado no ano-calendário de 1997, eventual ganho de capital deveria ter sido apontado à época, não cabendo a sua cobrança in casu. Nesse sentido, havendo legítima aquisição de ações, após aumento de capital da sociedade, pelo valor correspondente à integralização feita pelo valor de mercado pela Recorrente contabilizado à reserva de ágio da companhia, não há que se falar em ganho de capital, eis que referido valor ingressa no cômputo do custo de aquisição, na forma do art. 16, §2º, da IN 84/01.
Numero da decisão: 2101-001.152
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a tributação do ganho de capital, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. De acordo com o disposto no art. 29 do Decreto n.º 70.235/72, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, sendo despicienda a prova pericial, eis que suficientes os elementos constantes dos autos para a formação do convencimento do julgador, incabível a alegação de cerceamento de defesa, notadamente quando o ônus da prova compete ao contribuinte. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. A demonstração da existência de depósitos de origem não comprovada não requer a correspondente correlação com eventual evolução de bens e direitos do contribuinte. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada, não sendo cabível o acatamento de simples alegações, desprovidas de elementos de convencimento. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO PRETENDIDO PELA FISCALIZAÇÃO. DESCABIMENTO. Sendo certo que a contribuinte integralizou a sua participação societária com cotas recebidas em doação pelo seu valor de mercado no anocalendário de 1997, eventual ganho de capital deveria ter sido apontado à época, não cabendo a sua cobrança in casu. Nesse sentido, havendo legítima aquisição de ações, após aumento de capital da sociedade, pelo valor correspondente à Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.006954/200810 Acórdão n.º 210101.152 S2C1T1 Fl. 524 2 integralização feita pelo valor de mercado pela Recorrente contabilizado à reserva de ágio da companhia, não há que se falar em ganho de capital, eis que referido valor ingressa no cômputo do custo de aquisição, na forma do art. 16, §2º, da IN 84/01. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a tributação do ganho de capital, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 487/517) interposto em 19 de junho de 2009 contra o acórdão de fls. 470/477, do qual a Recorrente teve ciência em 22 de maio de 2009 (fl. 484), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 332/336, lavrado em 4 de novembro de 2008, em decorrência de falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificadas no anocalendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.006954/200810 Acórdão n.º 210101.152 S2C1T1 Fl. 525 3 PROVA PERICIAL. CABIMENTO. O requerimento de prova pericial só pode ser deferido se presentes os requisitos da pertinência, necessidade, possibilidade. Na ausência de um deles, a prova deve ser indeferida. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em contas correntes ou de investimento, mantidas em instituição financeira, geram presunção "juris tantum" de omissão de rendimentos, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. GANHO DE CAPITAL. CUSTO. DOAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL DE PESSOA JURÍDICA. VALOR DE MERCADO. Nos casos de doação ou cessão de bem ou direito em integralização de capital subscrito, a transmissão pode ser feita a valor de mercado, desde que se faça o pagamento do Imposto de Renda incidente sobre a diferença entre o valor original e o de mercado. Lançamento Procedente” (fl. 470). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 487/517, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No tocante ao mérito recursal, aduz a Recorrente que (i) houve nulidade da decisão a quo, em virtude do indeferimento da prova pericial requerida, (ii) parte dos valores apontados pelo agente fiscal corresponderia a transferências bancárias entre contas de titularidade da contribuinte, (iii) diversos depósitos elencados na planilha de fls. 320/322 seriam referentes a pagamentos de natureza salarial efetuados por Prime Capital Asset Management Ltda., apontados devidamente na declaração de ajuste, (iv) efetuadas as exclusões que entende cabíveis, não haveria mais fundamento para a presunção, uma vez que os valores depositados em contas da Recorrente, abaixo de R$ 12.000,00 e não comprovados, seriam inferiores a R$ 80.000,00, (v) inexistiria qualquer ganho de capital imputável à Recorrente, decorrente da alienação da participação societária de Matosul Agroindustrial Ltda., eis que o custo de aquisição seria de R$ 27.805.540,00, e não R$ 2.780.554,00, e, ainda que assim não fosse, acresce que a decisão atacada seria nula, quanto a este ponto, seja em virtude da impossibilidade de alteração do fundamento legal indicado no auto de infração, seja, ainda, em razão de vício de motivação. No que atine à alegação de nulidade da decisão a quo, em virtude do indeferimento da prova pericial requerida, entendo que não mereça prosperar. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.006954/200810 Acórdão n.º 210101.152 S2C1T1 Fl. 526 4 De fato, como se sabe, vigora no processo administrativo fiscal federal o princípio do livre convencimento motivado, cabendo ao julgador o deferimento das provas que entender necessárias ao regular deslinde da controvérsia. Neste sentido, aliás, é expressa a disposição contida no art. 29 do Decreto n.º 70.235/72, in verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Por esta razão basilar, acrescida, igualmente, da própria garantia processual de julgamento célere das demandas, judiciais e administrativas (art. 5º, LXXVIII, da CF), estas últimas inclusive em respeito ao princípio da eficiência, inserido no caput do art. 37 da Constituição pela EC 19/98, não importa em qualquer violação ao devido processo legal (due process of law) o indeferimento de provas que sejam, notoriamente, despiciendas para a análise do litígio. Assim, em que pese à irresignação da Recorrente, afigurase desnecessária a produção de prova pericial, na presente hipótese, eis que a comprovação da origem dos depósitos efetuados nas contas da contribuinte demandaria, pura e simplesmente, a produção de prova documental, atestando a titularidade e apontando, com exatidão, a coincidência de datas e valores entre os rendimentos declarados pela contribuinte e os depósitos de origem não comprovada indicados pela fiscalização. Por esta razão basilar, não havendo a contribuinte se desincumbido do ônus probatório que lhe competia expressamente a teor do dispositivo legal trazido à lume, não há que prevalecer a sua pretensão de desconstituir o decisum atacado, mesmo porque, como se demonstrou, a nulidade demanda a comprovação de prejuízo por parte do contribuinte (art. 60 do Decreto n.º 70.235/72), sem a qual não merece prosperar, em razão da aplicação do brocardo pas de nullité sans grief. No tocante à omissão de rendimentos com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada, por sua vez, dispõe o art. 42 da Lei n.º 9.430/96 o seguinte: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Com a entrada em vigor e, bem assim, com a produção dos efeitos da legislação em espeque, instituise, no ordenamento jurídico pátrio, autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.006954/200810 Acórdão n.º 210101.152 S2C1T1 Fl. 527 5 Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, provase especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Com fundamento na citada presunção legal, verificase que cumpre ao contribuinte, nos casos em que os fatos jurídicos narrados no auto de infração se subsumam, diretamente, à hipótese de incidência da regra contida no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, a comprovação da inaplicabilidade da regra presuntiva, o que não ocorreu in casu. Nesse esteio, consoante apontado anteriormente, aduz a Recorrente que parte dos valores seria decorrente de transferências bancárias entre sua conta corrente n.º 59979904 e a conta poupança n.º 59979904, e que, portanto, o montante de R$ 1.819,07, transferido a este título, deveria ser excluído da base de cálculo na forma do art. 42, §3º, I da Lei n.º 9.430/96. Quanto a este aspecto, entendo que não merece prosperar a alegação da contribuinte, eis que, competindolhe o ônus de apresentar as provas necessárias à demonstração dos eventos por ela apontados, não se poderia conferir força probatória suficiente a simples assertivas, desprovidas de qualquer comprovação. A este respeito, aliás, vale frisar que as transferências apontadas pela contribuinte que, supostamente, dariam azo à sua pretensão, apresentam, pura e simplesmente, como histórico os termos “trans. entre contas” ou “transf. para conta corrente”, não havendo, portanto, qualquer prova de que a transferência tenha sido feita entre contas de mesma titularidade e, pior, entre a conta da Recorrente e a poupança. Além disso, melhor sorte não assiste à Recorrente com relação aos depósitos que, alegadamente, teriam sido recebidos de Prime Capital Asset Management Ltda. De fato, no que atine a este ponto, aduz a Recorrente que a referida fonte pagadora adotava, como procedimento de pagamento, o adiantamento de 40% dos salários na primeira quinzena do mês, o que seria complementado com transferências ocorridas ao final do referido período, no importe de 60% do valor do salário. Com base na referida assertiva, assevera que os depósitos efetuados nos meses entre agosto a outubro de 2003, no valor de R$ 1.212,00, e de novembro e dezembro, no montante, respectivamente, de R$ 1.365,00 e R$ 1.364,00, seriam originários da aludida fonte pagadora e, portanto, já teriam sido declarados, oportunamente, pela Recorrente. Aduz, igualmente, que o complemento do salário, efetuado ao final do mês, nos valores de (i) R$ 1.040,00 (27.08), (ii) R$ 1.258,00 (25.09), (iii) R$ 2.900,00 (23.10), (iv) R$ 1.383,00 (24.12), estariam devidamente comprovados, atestando, assim, um total de R$ 14.180,03 de rendimentos que deveria ser excluído da base de cálculo. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.006954/200810 Acórdão n.º 210101.152 S2C1T1 Fl. 528 6 No entanto, em que pese à proximidade entre os rendimentos líquidos apontados em DIRF da fonte pagadora (R$ 14.328,78) e o valor supostamente comprovado pela contribuinte (R$ 14.180,03), entendo não restar demonstrada, de forma cabal, tal como no item precedente, a alegação de que o valor teria a natureza salarial pretendida, especialmente em virtude da ausência, nos autos, de qualquer documento que comprove a sistemática de pagamento alegada e, mais ainda, a coincidência em datas e valores entre os depósitos utilizados pelo Fisco para presumir a omissão de rendimentos e os pagamentos efetuados pela fonte pagadora. Vale frisar, nesse sentido, que a simples proximidade entre os montantes apontados, especialmente no presente caso, em que decorrem de um somatório de dois depósitos distintos por mês, não tem o condão de retirar a força probante da presunção legal contida no art. 42 da Lei n.º 9.430/96. Deveria a contribuinte, portanto, na hipótese em espeque, munirse de prova documental suficiente a deflagrar a origem efetiva dos depósitos, não sendo cabíveis, para tento, meras alegações, como pretendeu fazer in csau. É entendimento pacífico deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que meras alegações, sem a apresentação de elementos que descaracterizem a acusação, não têm o condão de afastar o lançamento: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – PROVA O valor do acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos declarados, tributados ou isentos, caracteriza omissão de rendimentos, sujeita ao imposto de renda. A tributação de acréscimo patrimonial a descoberto só pode ser elidida mediante prova em contrário” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª. Câmara, Recurso 153.438, Acórdão n.º 10248706, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, j. 09/08/2007). “OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADOS POR ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PROVA TENDENTE A AFASTAR A INFRAÇÃO IMPUTADA Para afastar a infração de omissão de rendimentos apurada em fluxo de evolução patrimonial, há que se apresentar elementos que descaracterizem, infirmem as acusações de aplicações sem origens respectivas. A mera alegação de incorreção do quanto apurado pela fiscalização, não tem o condão de afastar o lançamento. (...) Recurso negado.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 6ª. Câmara, Recurso 138.138, Acórdão n.º 106.14043, Relator Conselheiro Ismael Evangelista, j. 17/06/2004). Por estas razões, portanto, sendo certo que os depósitos de origem não comprovada em valores inferiores a R$ 12.000,00 correspondem a um total de R$ 85.105,91 (fl. 328), superior, assim, ao limite previsto pelo art. 4º da Lei n.º 9.481/97, entendo que, no tocante a esta infração, o auto de infração é manifestamente procedente. Quanto à alegação de falta de recolhimento de imposto de renda sobre ganho de capital, igual conclusão não pode prosperar. Nesse sentido, extraise do Termo de Verificação Fiscal o seguinte, in verbis: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.006954/200810 Acórdão n.º 210101.152 S2C1T1 Fl. 529 7 “(...) 27. na 24ª Alteração Contratual, a contribuinte retirouse do quadro societário da empresa Matosul Agroindustrial Ltda., CNPJ n° 24.600.355/000180, tendo recebido por sua participação o valor de R$ 9.375.587,00, correspondentes a 9.375.587 cotas do capital (192/198); 28. na 23ª Alteração Contratual, o capital da empresa de R$ 28.176.000,00, divididos em 28.176.000 cotas foi aumentado para R$ 95.005.000,00, dividido em 95.005.000 cotas, mediante a capitalização de R$ 66.829.000,00 reservas, com distribuição gratuita de 66.829.000 novas cotas de capital entre os sócios, na proporção das cotas até então possuídas pelos mesmos, sendo R$ 4.362.092,97 da Reserva de Correção Monetária do Capital e R$ 62.466.907,03 da Reserva de Ágio na Subscrição de Capital (fls. 171/182, 183/187 e 188/191); 29. como a contribuinte possuía anteriormente R$ 2.780.554,00, divididos em 2.780.554 cotas de R$1,00, e tendo em vista que o aumento de capital não se deu conforme o disposto no parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995, o custo de aquisição das 6.595.033 cotas foi zero; 30. Portanto quando da venda de sua participação a contribuinte realizou lucro de R$ 6.595.033,00 (seis milhões, quinhentos e noventa e cinco mil e trinta e três reais), tributáveis conforme disposto no art. 117 e seu § 2°, inciso I do art. 123, art. 142 e art. 852 do Decreto 3000, de 26/03/1999 RIR/99, que foram infringidos, tendo em vista que a contribuinte não recolheu o imposto devido, no valor de R$ 989.254,95 (novecentos e oitenta e nove mil, duzentos e cinqüenta e quatro reais e noventa e cinco centavos), ora cobrado” (fls. 328/329, grifos no original). Verificase, portanto, do excerto trazido à colação, que a fiscalização, ao contrário da contribuinte, entendeu que o custo de aquisição das participações societárias seria o valor de R$ 2.780.554,00, valor nominal das ações detidas na Matosul Agroindústria Ltda., razão pela qual teria havido um ganho de capital na alienação de suas ações de R$ 6.595.033,00. Entendo, todavia, assistir razão à contribuinte, no tocante a este ponto. Com efeito, compulsandose os autos do presente processo administrativo, independentemente da aferição de ter sido a doação da participação societária da Matosul Administradora Ltda. realizada pelo pai da contribuinte, de fato, recebida pelo valor de mercado dos bens, isto é, de R$ 27.805.540,00, extraise dos documentos acostados que a Recorrente integralizou referido ativo na sociedade Matosul Indústria de Óleos Vegetais Ltda., anterior denominação de Matosul Agroindustrial Ltda., pelo seu valor de mercado, em operação ocorrida em 08/09/1997. Com efeito, consoante se extrai da ata da assembléia geral extraordinária da Matosul Indústria de Óleos Vegetais Ltda., convocada, especificamente, dentre outros fins, para transformação em sociedade anônima, e “deliberação sobre o aumento do capital social, mediante a conferência de bens” e “aprovação de peritos para a avaliação dos bens a serem entregues para a integralização de capital”, para posterior “efetivação do aumento do capital social” (fls. 415/416), a participação societária detida pela Recorrente foi integralizada a valor de mercado, e não a valor contábil. No referido ato, portanto, consoante consta do citado documento, foram adquiridas, pela Recorrente, assim como por seus irmãos Nicole Perondi e Stéfano Perondi, igualmente donatários de participação idêntica na Matosul Administradora Ltda., 2.780.554 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.006954/200810 Acórdão n.º 210101.152 S2C1T1 Fl. 530 8 ações de Matosul Indústria de Óleos Vegetais S.A. (partes iguais das 8.341.662 ações ordinárias), no valor nominal de um real por cota, subscrição esta realizada com ágio de R$ 25.024.986,00, aportado por cada um dos subscritores da participação societária. O aludido ágio, no valor de R$ 25.024.986,00, pago na aquisição das ações emitidas com o aumento do capital, foi, à época, integralmente registrado à conta de reserva de ágio da Matosul Indústria de Óleos Vegetais S.A., valendo destaque, quanto a este aspecto, a transcrição da ata da assembléia geral extraordinária, acostada aos presentes autos: “(...) Item 7º da ordem do dia: após a suspensão dos trabalhos por quatro (04) horas, aprovado o laudo apresentado pelos peritos, que mostrou valor de R$ 83.416.620,00 (oitenta e três milhões quatrocentos e dezesseis mil seiscentos e vinte reais), para bens a serem dados em conferência de capital, documento este que recebeu o nº “01”. Item 8º da ordem do dia: Aprovada a efetivação do aumento de capital para R$ 18.067.502,00 (dezoito milhões e sessenta e sete mil quinhentos e dois reais) mediante subscrição, por Andressa Perondi, Nicole Perondi e Stéfano Perondi, em partes iguais, de 8.341.662 (oito milhões trezentas e quarenta e uma mil seiscentas e sessenta e duas) ações ordinárias nominativas, no valor nominal de R$ 1,00 (hum real) cada, integralizadas neste ato mediante a entrega de 99.960 (noventa e nove mil novecentas e sessenta) cotas de emissão da empresa MATOSUL ADMINISTRADORA LTDA. Aprovada a locação na conta Reserva de Ágio na Subscrição de Capital da quantia excedente do valor nominal das ações subscritas de R$ 75.074.958,00 (setenta e cinco milhões setenta e quatro mil novecentos e cinquenta e oito reais) (...)” (fl. 416). Ora, sendo certo que o valor das cotas recebidas em doação pela Recorrente foi integralizado a valor de mercado na Matosul Indústria de Óleos Vegetais S.A. em operação ocorrida durante o anocalendário de 1997, verificase que a incidência de eventual imposto de renda sobre o ganho de capital suportado pela contribuinte deveria ter sido apontada àquela época, na forma do art. 23, §2º, da Lei n.º 9.249/95, não se podendo revolver os fatos pretéritos alcançados pelo prazo decadencial. Nesse sentido, portanto, havendo a companhia contabilizado, no ano calendário de 1997, o ágio da rubrica “Reserva de Ágio na Subscrição de Ações” com fundamento em laudo pericial, afigurase plenamente possível a incorporação dos referidos valores, na forma do art. 200, IV, da Lei n.º 6.404/76, ao capital social da companhia, na medida da participação suportada por cada acionista na referida rubrica. Desta maneira, as ações distribuídas aos sócios quando da 23ª alteração estatutária não foram entregues “gratuitamente”, como fez crer o ilustre auditor fiscal, mas em virtude de capital já integralizado à época do aporte da participação societária da Recorrente, em virtude da integralização de participação societária pelo valor de mercado, razão pela qual, de acordo com o disposto pelo art. 16, §2º da IN 84/01, o montante atribuível à contribuinte na reserva de ágio, incorporada ao capital social, deve ser considerado como custo de aquisição da referida participação. Neste sentido, cumpre trazer à baila o quanto disposto pelo referido dispositivo legal, in verbis: “Art. 16. Na hipótese de integralização de capital mediante a entrega de bens ou direitos, considerase custo de aquisição da participação adquirida o valor dos Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.006954/200810 Acórdão n.º 210101.152 S2C1T1 Fl. 531 9 bens ou direitos transferidos, constante na Declaração de Ajuste Anual ou o seu valor de mercado. (...) § 2º No caso de ações ou quotas recebidas em bonificação, em virtude de incorporação de lucros ou reservas ao capital social da pessoa jurídica, considerase custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista ou sócio, independentemente da forma de tributação adotada pela empresa. À guisa de todo o exposto, pois, entendo absolutamente improcedente a capitulação da infração em referência, razão pela qual, no tocante a este aspecto, merece guarida a alegação da Recorrente, de maneira que deixo de me pronunciar a respeito dos vícios de nulidade apontados pela Recorrente quanto ao ponto, na forma facultada pelo art. 59, §3º, do Decreto 70.235/72. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do lançamento a tributação do ganho de capital. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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