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Numero do processo: 10480.913804/2011-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.053
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.913804/201130 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.053 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 80 4/ 20 11 -3 0 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10480.913804/201130 Resolução nº 3401001.053 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.054. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10480.913804/201130 Resolução nº 3401001.053 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10480.913804/201130 Resolução nº 3401001.053 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000153/2010-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/11/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES. MULTA DE CEM POR CENTO DO VALOR DEVIDO RELATIVO ÀS CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS. BASE DE CÁLCULO. EVENTUAL LIMITAÇÃO.
1. A multa aplicada fundamenta-se em redação anterior do § 5º do art. 32 da Lei 8.212/1991, segundo a qual "a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior".
2. Se o valor devido relativo à contribuição não declarada for inferior aos valores previstos na redação anterior do § 4º, a multa deverá tomar por base o valor relativo à contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe parcial provimento, no sentido de que a multa seja recalculada levando-se em conta as exclusões de parcelas da base de cálculo determinadas no acórdão relativo ao processo n. 14367.000154/2010-37.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 30/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES. MULTA DE CEM POR CENTO DO VALOR DEVIDO RELATIVO ÀS CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS. BASE DE CÁLCULO. EVENTUAL LIMITAÇÃO. 1. A multa aplicada fundamenta-se em redação anterior do § 5º do art. 32 da Lei 8.212/1991, segundo a qual "a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior". 2. Se o valor devido relativo à contribuição não declarada for inferior aos valores previstos na redação anterior do § 4º, a multa deverá tomar por base o valor relativo à contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PARLAMENTARES. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Recorrente ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO AMAZONAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES. MULTA DE CEM POR CENTO DO VALOR DEVIDO RELATIVO ÀS CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS. BASE DE CÁLCULO. EVENTUAL LIMITAÇÃO. 1. A multa aplicada fundamentase em redação anterior do § 5º do art. 32 da Lei 8.212/1991, segundo a qual "a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior". 2. Se o valor devido relativo à contribuição não declarada for inferior aos valores previstos na redação anterior do § 4º, a multa deverá tomar por base o valor relativo à contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 01 53 /2 01 0- 92 Fl. 376DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe parcial provimento, no sentido de que a multa seja recalculada levandose em conta as exclusões de parcelas da base de cálculo determinadas no acórdão relativo ao processo n. 14367.000154/201037. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 14367.000153/201092 Acórdão n.º 2402005.576 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A contribuinte foi autuada em função da seguinte infração (fl. 09): A empresa apresentou o documento a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV e § 3º, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Deste ponto em diante, adotase parte do relatório da Resolução de fls. 512/515: [...] Foi aplicada multa equivalente a cem por cento do valor supostamente devido referente à contribuição não declarada, limitado ao multiplicador em função do número de segurados, nos termos do art. 32, IV e § 4º, da Lei nº 8.212/91. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 16/82) requerendo a recomposição da base de cálculo da multa. A DRJ de Belém/PA manteve integralmente o crédito tributário exigido, pois: (i) considerou insuficientes as provas trazidas aos autos pela Recorrente para comprovar a natureza indenizatória das cotas pagas pela ALEAM aos parlamentares, razão pela qual foram consideradas como integrantes do saláriodecontribuição nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/91; (ii) as gratificações extraordinárias pagas aos parlamentares são integrantes do saláriodecontribuição nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/91, pois a legislação previdenciária não excepciona a sua incidência (art. 28, § 9º da Lei nº 8.212/91 c/c art. 214, § 9º do Decreto 3.048/99); (iii) as contribuições previdenciárias estão sujeitas ao princípio contábil de regime de competência, conforme art. 215, § 13, I, do Decreto 3.048/99, razão pela qual estaria correto o lançamento dos reajustes retroativos dos subsídios, dos meses 04 e 05/2007, pagos em 06/2007; (iv) as provas trazidas aos autos para demonstrar a vinculação de determinados parlamentares a regime previdenciário próprio representam meros indícios, mas não são suficientes para anular o lançamento; e (v) não há dupla tributação na aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário requerendo: (i) a exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores referentes às cotas e gratificações extraordinárias, por se tratarem de ressarcimentos de despesas de gabinete e verba indenizatória, respectivamente; (ii) a exclusão dos valores relativos à diferença dos subsídios paga aos parlamentares no mês de 06/2007 e que corresponderiam aos meses de 04 e 05 de 2007, uma vez que se referem a importâncias correspondentes a períodos não abrangidos pela fiscalização; e (iii) a exclusão da Fl. 378DF CARF MF 4 base de cálculo das contribuições das importâncias pagas a parlamentares vinculados a regime previdenciário próprio, apresentando novos documentos. Em sessão de julgamento realizada em janeiro de 2015, verificouse que este processo trata da exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória (apresentar GFIP com informações incorretas/omissas) e que o montante principal, relativamente aos fatos geradores, tidos como declarados, está sendo exigido nos autos nº 14367.000154/201037. Assim, considerando que as exigências do presente processo (multa) são decorrentes das exigências constantes no outro, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização efetuasse os ajustes necessários. Em atendimento à diligência, a Delegacia de Manaus elaborou a informação fiscal de fls. 313/358, na qual apresentou as seguintes considerações: a) Tratase de AI nº 37.289.0342, lavrado pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no CFL 68, associado à multa anterior mais favorável ao Recorrente (valor inferior ao da multa de ofício); b) A alteração das bases de cálculo não modifica a incidência da modalidade da multa aplicada, ou seja, permanece a opção pela multa anterior, por ser mais vantajosa ao recorrente, com incidência, por competência, do percentual de 24% sobre as bases apuradas e com somatório do valor do auto da modalidade 68; c) A redução de 06 segurados/deputados, considerados no regime próprio, não proporciona alteração do valor autuado, já que o enquadramento, para cálculo da multa, deuse na faixa de 1000 a 5000 segurados. A pequena redução da quantidade de segurados não ensejou o reenquadramento na faixa imediatamente inferior, sendo mantido, por isso, o valor inicialmente autuado. O sujeito passivo foi regularmente intimado, conforme aviso de recebimento de fl. 355, mas não apresentou manifestação, o que está corroborado no despacho de fl. 356. É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 14367.000153/201092 Acórdão n.º 2402005.576 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da base de cálculo da multa A recorrente afirma que, como a base de cálculo da multa é o valor da contribuição não declarada, seria necessário que o valor referente à obrigação principal estivesse correto, o que não se verificaria, conforme defendido e demonstrado nos autos 14367.000154/201037. Em contrapartida, na informação fiscal de fls. 313/314, a autoridade administrativa afirmou que a alteração das bases de cálculo não modificaria a incidência da multa aplicada. Cabe destacar que, muito embora, no quadro "SAFIS Comparação de Multas", tenha constado que o "Total Multa Anterior" também tenha tomado por base a multa de mora calculada sobre o montante da contribuição previdenciária devida , observase que o presente auto de infração se restringe ao fundamento legal 68. Vejase, nesse sentido, a folha 01 do presente processo administrativo. Cumpre destacar, igualmente, que não integra o presente auto de infração a multa devida na competência 13/2007, de 75% sobre a diferença de contribuição devida, conforme a redação anterior do art. 35A da Lei 8.212/1991, incluído pela MP 449/2008. Vejase, a esse respeito, que a multa total lançada é o somatório da coluna AI 68, com exceção da competência 13/2007 (fls. 11/12). Todavia, observase que o "AI 68" fundamentase na redação anterior do § 5º do art. 32 da Lei 8.212/1991, segundo a qual "a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior" (destacouse). Quer dizer, se o valor devido relativo à contribuição não declarada for inferior aos valores previstos na redação anterior do § 4º (multa por quantidade de segurados), a sanção deverá tomar por base o valor da contribuição, e não a quantidade de segurados. Fl. 380DF CARF MF 6 Isto é, muito embora se observe, no quadro de fl. 13, que o limite resultante da aplicação do § 4º tenha sido quase sempre inferior ao valor da contribuição, fato é que os ajustes a serem eventualmente empreendidos, em função do julgamento do recurso voluntário do processo conexo nº 14367.000154/201037, podem alterar esse panorama, colocando as contribuições devidas em montantes inferiores. A título ilustrativo, vale transcrever o texto legal: Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo:(Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 0 a 5 segurados1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Destarte, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido, para determinar o recálculo da multa devida em cada competência, considerandose as exclusões determinadas nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 14367.000154/201037 (conexo). Fl. 381DF CARF MF Processo nº 14367.000153/201092 Acórdão n.º 2402005.576 S2C4T2 Fl. 5 7 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 382DF CARF MF
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Numero do processo: 11030.000713/2008-06
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando o contribuinte não efetua o pagamento antecipado. NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não são causa de nulidade do auto de infração, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os suprimentos de caixa efetuados pelo sócio da empresa somente serão aceitos pelo fisco quando, comprovadamente, advindos de rendimentos da atividade da pessoa física, e as transferências dos recursos sejam efetivamente demonstradas, coincidentes em datas e valores. A ausência dos elementos probantes justifica a manutenção da tributação. MULTA ISOLADA. FONTE PAGADORA. Sujeita-se à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento. A nova redação do artigo 44 da Lei n° 9.430 de 1.966, dada pela Medida Provisória 351 de 2.007, convertida na Lei 11.4488 Fl. 737 DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/2008-06 Acórdão n.º 1803-01.220 S1-TE03 Fl. 2
Numero da decisão: 1803-001.220
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando o contribuinte não efetua o pagamento antecipado. NULIDADE DO LANÇAMENTO Não são causa de nulidade do auto de infração, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os suprimentos de caixa efetuados pelo sócio da empresa somente serão aceitos pelo fisco quando, comprovadamente, advindos de rendimentos da atividade da pessoa física, e as transferências dos recursos sejam efetivamente demonstradas, coincidentes em datas e valores. A ausência dos elementos probantes justifica a manutenção da tributação. MULTA ISOLADA. FONTE PAGADORA. Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento. A nova redação do artigo 44 da Lei n° 9.430 de 1.966, dada pela Medida Provisória 351 de 2.007, convertida na Lei 11.4488 Fl. 737DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 2 2 de 2.007, não revogou a aplicação da multa de oficio isolada na hipótese de falta de retenção de IRRF pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, calculado com base no lucro real, CSLL, PIS e COFINS, relativos aos anos de 2003, 2004 e 2005, no valor total de R$ 951.882,36. A fiscalização apontou os seguintes fatos e infrações: Multa isolada por falta de retenção • A Fiscalizada efetuou o pagamento de serviços de consultoria tributária a Valdecir Moschetta, CPF: 253.321.47015, conforme recibos, no valor de R$ 8.060,00 cada – nas datas de 20/04/2004 e 20/08/2004, sem que efetuasse a retenção do IRRF determinado Pelo art. 717 do RIR/99. Foi aplicada multa isolada nos termos do art. 9° da Lei n° 10.426/2002. Suprimentos de caixa efetuados por sócio • Na contabilidade da Fiscalizada havia diversos registros de ingresso de recuros na Conta Caixa com a origem de "Empréstimo n/data." e, sua contrapartida está lançada na Fl. 738DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 3 3 conta contábil "conta 01290 Juarez Riva Vanz" que é o sócio majoritário da Fiscalizada. Não houve comprovação da origem dos depósitos. Diferença entre os valores escriturados e os declarados – IRPJ e CSLL • Os valores apurados na contabilidade do contribuinte e os declarados não conferem, tendo sido lançadas as diferenças apuradas. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese: a) A inexigência do IRPJ e reflexos nos períodos de apuração alcançados pelo instituto decadencial: fatos geradores entre janeiro a abril de 2003. b) Nulidade/invalidade dos lançamentos da CSLL entre 01/2003 a 09/2004, e 01/2005 a 12/2006: ausência de suporte autorizativo no MPFF. c) Os fatos articulados pelo autuante não se amoldam ao fato típico previsto no art. 282 do RIR/99, acaso não seja provada, no curso investigatório, a referida omissão de receita. d) O fisco não pode simplesmente fazer recair a referida norma legal diretamente sobre os numerários detectados sem atestar que há alguma patologia fiscal omissiva ou comissiva, capaz de indicar a ocorrência de sonegação. Observa que cumpria ao autuante aprofundar a investigação e demonstrar que os suprimentos de caixa tinham o condão de escamotear obrigações tributárias da empresa, para então, depois, se provada a omissão, quantificálas e arbitrar o valor das receitas sonegadas. Em apoio aos seus argumentos, estão transcritos entendimentos da doutrina e ementas de julgados. e) O autuante recai em equívoco quando toma subrepticiamente a soma total, em cada trimestrecalendário, dos empréstimos de sócio à conta caixa da impugnante, e não deduz as devoluções inerentes aos mesmos empréstimos. f) Se omissão de receitas houvesse, deveria ser o valor resultante das diferenças entre os empréstimos desconsiderados e as suas correspondentes devoluções, conforme anexo 2. g) Foram desconsiderados empréstimos constantes na DIRPF, nos valores de R$ 5.000,00 e 15.000,00, relativos aos quartos trimestres de 2004 e 2005. h) Os valores lançados a débito da conta caixa como empréstimo tomado junto ao sócio Juarez Riva Vanz, referemse a descontos de títulos levados a efeito pela própria impugnante junto ao Banco, pela via de conta corrente de sua titularidade, o que comprova com o anexo 5. i) Ofensa à capacidade contributiva, e exigência fiscal com características confiscatórias. j) Por se tratar de tributação reflexiva apurada no lançamento principal (IRPJ), e a vista da íntima relação de causa e efeito entre este e as demais exigências, mostramse válidas, em toda a sua inteireza, as argumentações expendidas nos títulos precedente também para o auto de infração relativo à CSLL. k) Só é licito tributar faturamento decorrente das atividades próprias da empresa, repugnando qualquer outra integração ou analogia fiscal aos conceitos jurídicos Fl. 739DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 4 4 adotados pela CF/88 como hipótese de incidência das espécies tributárias PIS e COFINS. l) A redação original do dispositivo legal a que se apegou o Agente Fiscal sofreu recente modificação com a edição da Lei n° 11.488/2007. Esse diploma legal dispensou novo tratamento ao fato gerador em discussão, dispensando a incidência da multa isolada nos casos em que se verificar a falta de retenção após findo o prazo de entrega da declaração de ajuste anual. m) Por força do art. 106 e 112 do CTN, tratandose de norma penal tributária mais benéfica, deve retroagir, enquanto pendente de julgamento a lide, aos fatos ocorridos no ano de 2004. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, em razão da existência de prejuízos fiscais e bases negativas a serem compensados, em decisão assim ementada: “NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INOCORRÊNCIA O MPF constituise em elemento de controle da Administração Tributária, sendo que eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, não afetando, conseqüentemente, o lançamento do crédito tributário. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade e da inconstitucionalidade de dispositivos legais, por se tratar de matéria de competência privativa do Poder Judiciário, nos termos da Constituição Federal. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA A capacidade contributiva é identificada na situação material que a lei elegeu para gerar a obrigação tributária, não se relacionando com lançamentos de ofício. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames que emanam do art. 173 do CTN, diante do qual se conta o prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA POR SÓCIO Os suprimentos de numerários atribuídos a sócio da pessoa jurídica, cujos requisitos cumulativos e indissociáveis de efetividade de entrega e origem dos recursos não forem devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, devem ser tributados como receitas omitidas pela pessoa jurídica. Lançamentos decorrentes. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Fl. 740DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 5 5 COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Relativamente às exigências do PIS e da COFINS, tendose a confirmação da omissão de receitas, também são devidos os valores dessas contribuições, pois a base de cálculo é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim entendido o valor total das receitas auferidas, incluindo as receitas omitidas, inclusive por presunção legal. MULTA ISOLADA. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO É devida a multa isolada de 75% sobre o montante não retido, quando a fonte pagadora deixar de reter ou recolher o imposto incidente sobre rendimentos tributáveis pagos.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) A recorrente parcelou o débito tributário relativo às diferenças entre os valores escriturados e os declarados. b) A recorrente não está defendendo a invasão de competência do Judiciário, mas está pedindo que seja reconhecida, ao invés de declarada – esta sim competência exclusiva daquele Poder – a inconstitucionalidade ou ilegalidade indireta de atos administrativos. c) Requer o reexame dos pontos controversos sem a imposição de quaisquer espécies de limites ao [re] conhecimento das injuridicidades estampadas nos autos de infração. d) A recorrente promoveu o lançamento por homologação de todos os tributos, antecipando – senão o todo – a maior parte do valor devido. e) Ainda que assim não fosse, o pagamento não é condição sine qua non para configurar se o lançamento por homologação, e, por conseguinte, a homologação tácita a que se refere o § 40, art. 150, do CTN. f) Ocorreu a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro a março de 2003, uma vez que o lançamento foi efetuado em 16/05/2008. g) No que tange à CSLL, o campo de atuação da fiscalização no MPF ficou limitado, tão somente, ao último trimestre de 2004. É nulo o lançamento de CSLL entre 01/2003 a 09/2004 e 01/2005 a 12/2006. h) A autoridade fiscal aplicar diretamente o art. 282 sobre os reforços de numerários detectados, sem atestar alguma patologia fiscal, omissiva ou comissiva capaz de indicar a ocorrência de sonegação. i) Cumprialhe (AFRF) aprofundar a investigação (art. 142, CTN) para, se fosse o caso, demonstrar, de forma irrefutável, que os "suprimentos de caixa" tinham o condão de escamotear obrigações tributárias da empresa, para então, somente depois, se provada a "omissão", quantificálos e arbitrar o valor das receitas hipoteticamente sonegadas, o que não foi feito. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 6 6 j) A Recorrente elaborou a PLANILHA carreada no ANEXO 3 da sua impugnação. Por meio dela é possível verificar que o contraste entre os "socorros à contacaixa" e as "devoluções" correspectivas determinam a exasperação dos lançamentos em aproximados 50% do que hipoteticamente seria a indigitada omissão de receitas. k) Se "omissão de receitas" passível de tributação houvesse, sua dimensão deverá ser aquela resultante das diferenças entre os "empréstimos" desconsiderados e as suas correspondentes "devoluções", na forma ilustrada na referida Planinha. l) Junta à presente peça impugnatória as cópias das DIRPF's do sócio Juares Riva Vanz, anos base 2004 e 2005, exercícios 2005 e 2006, donde é possível inferir, do campo destinado à "Declaração de Bens e Direitos", que os empréstimos em tela efetivamente ocorreram (ANEXO 4 da impugnação). m) Os importes lançados à débito da conta caixa como empréstimo tomado junto ao sócio Juares Riva Vanz, tratamse, na realidade, de valores atinentes a "descontos de títulos" levados a efeito pela própria Recorrente junto ao BANCO DO BRASIL S/A, pela via de contacorrente de sua titularidade. n) Para testificar essa situação promove a juntada dos extratos de "Crédito Rural e Comercial", fornecidos pela instituição bancária, relativamente a operações formalizadas nos anosbase exacionados (vide ANEXO 5 da impugnação). o) As importâncias correspondentes aos referidos descontos eram creditados na conta corrente e ingressavam, contabilmente, como se fossem, depósitos feitos pela própria Recorrente, o que, à evidência, não correspondia à realidade. p) As importâncias em tela, advindas de recursos próprios creditados pelo Banco do Brasil S/A em datas diversas, é que supriam a contacaixa, e não os indigitados "empréstimos" de sócio, de modo que a presunção legal calcada no art. 282 do RIR/99 deve ser afastada. q) A simples presunção fiscal de "omissão de receitas" calcada em suprimentos de numerários à contacaixa jamais poderá corporificar o fato gerador do imposto. Nesse sentido, o art. 282 do RIR/99 — alicerce da exigência hostilizada , afronta, a um só tempo, os arts. 146, III, 'a' e 153, III, da CRFB/88, assim como os arts. 43, 113 e ss. do CTN. r) O lançador afastouse da verificação do real fato gerador do tributo sobre a "renda e proventos de qualquer natureza", o que colide frontalmente com a hipótese de incidência legal e constitucional desse Imposto. s) o autuante impôs uma tributação excessivamente gravosa à recorrente, revestida, por conseguinte, da característica sancionatória (punitiva), vedada pelo diploma tributário (CTN). t) Se no âmbito do Direito Privado o lucro é definido como sendo o resultado do exercício subtraídos os prejuízos acumulados, não pode o legislador ordinário, sobremenos o aplicador e o intérprete, movido por interesses imediatistas de arrecadação, alterar o conceito de lucro, sob pena de ofensa frontal ao artigo 110 da Lei n° 5.172/66, hierarquicamente superior. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 7 7 u) O art. 282 do RIR/99 só poderia servir —admitida por aqui a hipotética validade de suas disposições — ao desiderato de lançar o IRPJ e a CSLL sobre a ficção jurídica (relativa) que ostenta em seu caput; no entanto, jamais poderá servir de esteio ao lançamento das contribuições sociais em pauta, cujo fato gerador escapa à ilação fiscal, impondose seja comprovada de forma insofismável a sua efetiva ocorrência no mundo fenomênico. v) A conduta fiscal fundada na conjectura de que todos os "créditos/depósitos bancários" correspondam à receita "auferida" pela recorrente (quando o processo esta despido de qualquer prova nesse sentido, não sendo ocioso repetir que o agente fiscal preferiu esquivarse do dever de buscar a verdade material, preferindo a probabilidade formal), é absolutamente inconsistente, sendo forçoso reconhecer que os lançamentos escorados na figura presuntiva encapsulada no art. 282 do RIR/99 conflito e ultrapassa os limites traçados nas leis complementares 7/70, 70/91, sobretudo com aqueles enraizados na constituição federal de 1988. w) A Lei n° 11.488/2007 dispensou novo tratamento ao fato gerador punitivo em discussão, dispensando a incidência da multa isolada nos casos em que verificarse a falta de retenção após findo o prazo de entrega da declaração de ajuste anual. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 13/01/2010 (AR de fls. 643). O recurso foi protocolado em 12/02/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Apenas são objeto do recurso voluntário duas infrações: i) suprimentos de caixa efetuados por sócio; ii) multa isolada por falta de retenção. I. Preliminares I.1. Nulidade do acórdão por falta de apreciação das ilegalidades e inconstitucionalidades alegadas. O entendimento segundo o qual não compete à jurisdição administrativa a apreciação de argumentos relativos à ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas é matéria sumulada neste Conselho: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 743DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 8 8 Por conseguinte, não devem ser analisados argumentos que questionam a legalidade ou constitucionalidade dos dispositivos legais utilizados na fundamentação da autuação. Não há reparos a fazer na decisão recorrida, que limitouse a verificar se os fatos descritos pela fiscalização subsumemse às normas utilizadas como enquadramento legal do lançamento. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. I.2. Decadência A decisão recorrida assim se manifestou sobre a questão da decadência: Assim, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos por meio do pagamento, ainda que parcialmente efetuado. No caso dos autos, o contribuinte, relativamente ao ano calendário de 2003, como forma de tributação de seu lucro — IRPJ (fl. 361), optou pelo Lucro Real com apuração trimestral. Analisandose a Ficha 12A da DIPJ (fl. 380), que trata do "Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real" — 1° e 2° trimestres do anocalendário de 2003 verificase que a interessada não apurou "imposto a pagar". Na DCTF desses períodos (fls. 160 e 169), também não constam valores de IRPJ a pagar. Nestas circunstâncias, a contagem do prazo decadencial deve ser regida pelo inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" 01 de janeiro de 2004, e não como deseja a defesa. Assim, tendo o contribuinte tomado ciência do lançamento em 16/05/2008, não está configurada a decadência do direito de o fisco proceder ao lançamento do crédito tributário, pois o lançamento do IRPJ poderia ocorrer até 31/12/2008. (...) ... com referência à exigência de CSLL, aplicase o mesmo entendimento do prazo decadencial relativo ao IRPJ, acima exposto, ou seja, o lançamento da contribuição poderia ser efetuado até 31/12/2008, pois não há valores devidos/recolhidos nos períodos questionados (DIPJ Ficha 17— fls. 382383). Quanto As exigências do PIS e da COFINS, a conclusão também é a mesma do IRPJ e da CSLL — o lançamento poderia ocorrer até 31/12/2008. Ocorre que, de acordo com a cópia das DCTFs referentes ao 1° e 2° trimestres de 2003, há débitos declarados para os períodos de apuração contestados pela defesa, no entanto, não há pagamentos desses valores, conforme informações do sistema SINAL10 da RFB, de fls. 606 e 607. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 9 9 Dessa forma, é de se rejeitar a preliminar de decadência argüida pela impugnante, pois a contagem do prazo decadencial deve ser regida pelo inciso I do art. 173 do CTN.” O entendimento expresso na decisão recorrida corresponde ao do Superior Tribunal de Justiça, expresso em acórdão submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Fl. 745DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 10 10 (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Por sua vez, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Assim, restanos verificar se, no caso concreto, foi aplicado corretamente o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Constam nos autos prova da ausência de recolhimento dos tributos (DIPJ, DCTF e demonstrativos do sistema Sinal – fls. 160, 169, 380, 382383, 606607). A recorrente alega pagamento mas não comprova sua afirmação. Por conseguinte, a regra a ser aplicada é a do art. 173, I, não se configurando decadência em relação ao crédito tributário lançado. I.3. Nulidade do lançamento de CSLL entre 01/2003 a 09/2004, e 01/2005 a 12/2006, por falta de MPF A recorrente reitera as alegações de irregularidades no MPF, sem discutir diretamente a fundamentação da decisão recorrida. Como no voto condutor foram satisfatoriamente refutadas as alegações da contribuinte, reproduzimos parcialmente a decisão: “De inicio, registrese que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF),regulado pelo Decreto n 9. 3.724, de 2001, com as alterações do Decreto n° 6.104, de 2007, deve ser analisado sob dois aspectos, quais sejam, o do público interno e o do externo. No interno, tem por objetivo o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos de fiscalização dos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). E uma ordem Fl. 746DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 11 11 especifica emitida por autoridade competente da RFB para a instauração, pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), dos procedimentos fiscais (art. 2 0 da Portaria SRF n° 4.066, de 2007, vigente a época dos fatos). Evidenciase nessa orientação administrativa uma proibição no sentido de que o AFRFB aja por vontade própria na tomada de procedimentos fiscais, além de estabelecer, de forma especifica, a obrigatoriedade de executálas. Atualmente, a Portaria RFB n° 11.371, de 2007, dispõe sobre esses procedimentos fiscais. No externo, assegura ao contribuinte sob fiscalização, como agora é de seu direito, conferir a autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, possibilitando o conhecimento do tributo que será objeto de investigação, dos períodos a serem verificados, do prazo para a realização do procedimento fiscal e do AFRFB que procederá à fiscalização. O MPF (fiscalização, diligência, extensivo, especial e complementar), bem como suas prorrogações, são atos praticados em paralelo àqueles preparatórios ou integrantes do processo administrativo fiscal, mas somente estes se submetem à regência do Decreto n° 70.235, de 1972. (...) Assim, a alegação de que o auto de infração é nulo, porque o período não está relacionado no MPF — Fiscalização, não pode ser aceito, pois o mandado não se destina a anular ou corrigir lançamento já efetuado, mas preencher objetivos técnico administrativos da organização e dar instrumentos ao contribuinte de se defender contra eventuais arbitrariedades da fiscalização e mesmo contra falsos agentes.” Logo, rejeito a preliminar de nulidade por ausência de MPF. II. Suprimentos de caixa Como já ressaltado no tópico acerca da nulidade da decisão recorrida, a controvérsia a ser analisada no recurso gira em torno da aplicação do art. 282 do RIR/99, e não da sua legalidade ou inconstitucionalidade. O crédito tributário relativo a esta infração foi constituído com fundamento no art. 282 do RIR/99: “Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).” Fl. 747DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 12 12 Extraise do artigo em destaque, em sintonia com os princípios basilares da contabilidade, que o simples registro contábil não constitui elemento suficientemente comprobatório, devendo a escrituração ser fundamentada em comprovantes hábeis para a perfeita validade dos atos e fatos administrativos. Inexistindo nos autos prova documental da origem e entrega do suprimento de numerário efetuado pelos sócios à pessoa jurídica, é de se reconhecer a ocorrência de omissão de receitas. A ausência dos documentos que comprovem a efetividade da entrega dos recursos ao “CAIXA” constitui falha inaceitável tanto pela legislação comercial como pela legislação fiscal. A comprovação exigida nesse caso seria a exibição de cópias dos cheques entregues à Autora e extratos bancários demonstrando a sua compensação. Contrariamente ao que alega a recorrente, a fiscalização trouxe aos autos os indícios na escrituração previstos no art. 282, quais sejam, a existência de lançamentos de suprimentos de caixa efetuados por sócio, sem comprovação da origem dos recursos e da efetividade de sua entrega. A fiscalização identificou os seguintes suprimentos registrados na conta Caixa da empresa (DCaixa – C Conta 01290 Juarez Riva Vanz – histórico: Empréstimo n/data), sem documentação comprobatória de origem e efetividade da entrega: Período de apuração Valor no trimestre (R$) – fls. 57/58 1° trimestre de 2003 80.000,00 2° trimestre de 2003 58.000,00 3° trimestre de 2003 235.000,00 1° trimestre de 2004 211.000,00 2° trimestre de 2004 56.000,00 4° trimestre de 2004 95.000,00 1° trimestre de 2005 7.415,60 2° trimestre de 2005 34.000,00 3° trimestre de 2005 91.000,00 4° trimestre de 2005 144.000,00 Conforme resposta de fls. 90, o sócio Juares declarou em suas DIRPF`s os seguintes empréstimos: Ano 2003 2004 2005 2006 Saldo Inicial 30.000,00 30.000,00 35.000,00 50.000,00 Valor Emprestado 0,00 5.000,00 15.000,00 0,00 Saldo Final 30.000,00 35.000,00 50.000,00 50.000,00 A pessoa jurídica assim se manifestou sobre eles (fls. 85): Fl. 748DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 13 13 “a) Os valores declarados no item 3 não são empréstimos, e sim valores lançados para suprir o caixa de despesas lançadas a maior.” A partir da análise dos elementos de prova constantes dos autos, podemos tecer as seguintes considerações: • Em 2003, não há empréstimos declarados pelo sócio Juares, sendo que os suprimentos totalizaram R$ 373.000,00. • Em 2004, o empréstimo declarado é de apenas R$ 5.000,00, ao passo que os suprimentos totalizaram R$ 362.000,00. • Em 2005, o empréstimo declarado é de apenas R$ 15.000,00, ao passo que os suprimentos totalizaram R$ 276.415,60. • Não há prova da efetividade da entrega de nenhum dos recursos creditados à conta “Caixa”, tendo como contrapartida a conta do sócio Juarez Riva Vanz. • Como já salientado na decisão recorrida, “os documentos de fls. 593597 referemse a relatórios de descontos de títulos da impugnante, e não do sócio Juarez Riva Vanz. Além disso, consta na correspondência do banco (fl. 593) que os valores foram creditados na conta corrente da autuada, e a defesa não comprova possível equivoco na contabilização desses valores.” Logo, tais depósitos não podem ser considerados como prova de suprimento de caixa efetuado pelo sócio. Em se tratando de suprimentos de numerário, a doutrina e a jurisprudência exigem que as provas a serem produzidas devem atestar, cumulativamente, dois fatos, quais sejam: a efetiva entre a e a origem dos respectivos recursos, bem assim, devem ser coincidentes em datas e valores com os dados lançados nos registros contábeis. Não estando demonstrada a regularidade dos suprimentos, ou seja, a transferência dos recursos do patrimônio particular dos sócios supridores para o patrimônio da pessoa jurídica suprida, não há como ser afastada a presunção legal de se tratarem de recursos originados da própria atividade operacional da empresa e mantidos à margem da escrituração. A recorrente não logrou desconstituir os indícios de omissão levantados pelo fisco, eis que os documentos que carreou para os autos não suprem as exigências legais necessárias à desconstituição da presunção legalmente erigida. A prova necessária para a exclusão do crédito tributário seria a da transferência dos recursos dos sócios para a recorrente, de forma individualizada por registro contábil, e não de forma genérica. A recorrente deveria provar que em determinado dia o sócio retirou de seu patrimônio (por exemplo: pelo saque em sua conta corrente, ou pela venda de um bem qualquer, etc.) o valor registrado como entrada no seu caixa e que este valor lhe fora entregue. As ementas de acórdãos a seguir reproduzidas demonstram o entendimento dominante neste Conselho: “IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — SUPRIMENTO DE CAIXA — Para afastar a presunção de omissão de receitas, devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea, coincidente em Fl. 749DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 14 14 datas e valores, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supridos à pessoa jurídica por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular de empresa individual ou pelo acionista controlador da companhia.( Acórdão 10193032) Ementa: IRPJ SUPRIMENTOS DE CAIXA. Os suprimentos de caixa efetuados pelo sócio da empresa somente serão aceitos pelo fisco quando comprovadamente advindos de rendimentos da atividade da pessoa física e as transferências dos recursos sejam efetivamente comprovadas, coincidentes em datas e valores. A ausência dos elementos probantes justifica a mantença da tributação. (Acórdão 10705870)” OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADOS. Inexistindo controvérsia acerca do fato indiciário elencado pela lei na descrição da presunção de omissão de receitas, cabe ao contribuinte colacionar aos autos provas da não ocorrência do fato presumido. No caso vertente, em que a própria fiscalizada alega que os suprimentos ao CAIXA foram efetuados pelos sócios, o lançamento tributário só não subsistiria se restassem comprovadas a origem e a efetiva entrega dos recursos.(Acórdão n° 130200.591, sessão em 26/02/2011). OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO POR SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO E EFETIVIDADE. Invertese o ônus da prova quanto à omissão de receitas decorrente de suprimento de numerário por sócio em virtude de presunção legalmente estabelecida. O suprimento de caixa por numerário proveniente de empréstimo de sócio deverá ser comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente com data e valor e deverá estar lastreada na existência de disponibilidade de recursos para o sócio.( Acórdão n° 1301 00.422, sessão em 11/11/2010) O art. 282 do RIR/99 consiste numa presunção legal. As presunções legais, assim como as humanas, extraem, de um fato conhecido, fatos ou conseqüências prováveis, que se reputam verdadeiros, dada a probabilidade de que realmente o sejam. Se, presente “A”, “B” geralmente está presente; reputase como existente “B” sempre que se verifique a existência de “A”, o que não descarta a possibilidade, ainda que pequena, de provarse que, na realidade, “B” não existe. Como preleciona o insigne mestre José Luiz Bulhões Pedreira “o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Na presente presunção legal, temos o seguinte: Fl. 750DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 15 15 A = existência de suprimentos de numerário efetuados pelos sócios sem comprovação da efetividade da entrega e da origem dos recursos. B = configuração de omissão de receitas ou de rendimentos. A fiscalização identificou os suprimentos de numerário e intimou regularmente a contribuinte, e o sócio, a comprovarem mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da entrega e a origem dos recursos utilizados nessas operações. A fiscalizada afirmou que tais valores não eram empréstimos, e o sócio apenas menciona sua declaração de rendimentos. Ou seja, não foi apresentada qualquer documentação até o presente momento, que comprovasse a efetividade da entrega e a origem dos recursos. A presunção legal contida no art. 282 permite reputar como fato existente a omissão de receitas (fatos ou conseqüências prováveis –B), determinando inclusive a sua forma de apuração e dispensando a autoridade fiscal de comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. Por conseguinte, como decorrência do próprio texto legal reputase existente o fato da omissão de rendimentos, cabendo a incidência não só do IRPJ e da CSLL, mas também de todos os tributos incidente sobre a receita. Assim, são improcedentes as alegações de impossibilidade de apuração de tributos a partir de presunções legais. III. Revogação do art. 9° da Lei n° 10.426/2002 pela Lei n° 11.488/2007 A fiscalização lançou a multa isolada prevista no art. 9° da Lei n° 10.426/2002, que assim dispõe: “Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” Alega a recorrente que a Lei n° 11.488/2007 dispensou novo tratamento ao fato gerador punitivo, não havendo mais incidência da multa isolada nos casos em que verificarse a falta de retenção após findo o prazo da entrega da declaração de ajuste anual. Cita dois precedentes do antigo Conselho de Contribuintes. Não esposo o entendimento de que a Lei n° 11.488/2007 tenha revogado o art. 9° da Lei n° 10.426/2002. Ela simplesmente adequou o dispositivo à nova redação do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. A redação original do art. 9° da Lei n° 10.426/2002 era a seguinte: “Art.9o Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Fl. 751DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 16 16 Na norma são descritas duas condutas que ensejam a aplicação de penalidade: • Falta de retenção ou recolhimento pela fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição. • Recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória. A Lei n° 11.488/2007 apenas eliminou a hipótese de incidência da multa de ofício, no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora, como está muito bem demonstrado no item 8 da Exposição de motivos da Medida Provisória n° 351/2007: “8.A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora.” A possibilidade de formalização de auto de infração sem tributo está prevista no art. 43 da Lei n° 9.430/1996, a qual não sofreu nenhuma alteração, in verbis: “Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único.Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A conduta ilícita, qual seja, a falta de recolhimento ou retenção está descrita integralmente no art. 9°, sendo que a referência ao art. 44 da Lei n° 9.430/1996 limitase à definição da sanção a ser aplicada. Na redação original as sanções eram as seguintes: i) 75% nos casos de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; 150% nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Antes de prosseguirmos na análise, é mister confrontarmos a redação original do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 com a redação atual: “Redação original: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 752DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 17 17 Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão)na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 753DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 18 18 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)” A partir deste confronto, concluímos que é perfeitamente possível um dispositivo legal mencionar o inciso I do art. 44 apenas para indicar o percentual da multa de ofício a ser aplicada. Isto fica claro no § 5°, em que a multa de 75% é aplicada sobre o imposto a restituir. Nesse caso não há que se falar em tributo devido, e a menção ao inciso I existe apenas para definir a sanção a ser aplicada, quando se materializar a conduta prevista na norma. Por fim, deve ser destacado que apenas o imposto não poderá ser exigido da fonte pagadora após o término do período de apuração. Pela falta de retenção e recolhimento Fl. 754DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11030.000713/200806 Acórdão n.º 180301.220 S1TE03 Fl. 19 19 do imposto, entretanto, a fonte pagadora fica sujeita a penalidade especifica e aos juros de mora devidos desde o término do prazo em que o imposto deveria ter sido recolhimento. Em síntese, podemos concluir que o art. 9° da Lei n° 10.426/2002 não foi revogado pelos seguintes motivos: • Não foi revogada a hipótese de incidência da multa de ofício sobre a falta de retenção ou recolhimento. • Existe previsão legal para constituição de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa, qual seja, o art. 43 da Lei n° 9.430/1996. A Lei n° 11.488/2007 não alterou a possibilidade de formalização da multa de ofício isolada. • A referência ao art. 44 da Lei n° 9.430/1996 serve apenas para descrever a penalidade a ser aplicada, não havendo qualquer definição da conduta ilícita da fonte pagadora naquele dispositivo legal. Assim, não há que se falar em revogação da hipótese de incidência da multa. • A alteração introduzida pela Lei n° 11.488/2007 corresponde à adequação da penalidade à nova redação do art. 44, e demonstra a intenção clara do legislador de manter a hipótese de incidência da multa no caso de falta de retenção ou recolhimento, pela fonte pagadora. Apenas houve modificação formal – de “incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996”, para “inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o”. Notese que a alteração foi efetuada justamente para permitir a permanência da mesma multa de 75% para os casos de falta de retenção ou recolhimento. • A fonte pagadora fica sujeita a penalidade especifica e aos juros de mora devidos desde o término do prazo em que o imposto deveria ter sido recolhimento, mesmo após o encerramento do período de apuração. Apenas o imposto não poderá ser da fonte pagadora. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 755DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13971.001544/2001-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
EMBARGOS -CONTRADIÇÃO - RESULTADO DE JULGAMENTO
Contradição endógena ao resultado do julgamento consignada na folha de rosto do acórdão em relação à fundamentação do voto gera a necessidade de saneamento como conseqüência lógica ou necessária para a supressão do equívoco.
Numero da decisão: 9303-004.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 15 44 /2 00 1- 42 Fl. 745DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão de embargos 9303003.384 que, por unanimidade de votos, consignou o provimento dos embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo ao acórdão de Recurso Voluntário para retificar a ementa e a parte dispositiva do acórdão embargado – através da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo CARF, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando a sanar o vício apontado. Embargos Providos Para melhor elucidar o consignado nesse acórdão de embargos, importante transcrever o voto da relatora (Grifos meus): “[...] Tratase de análise de embargos de declaração interpostos tempestivamente pela contribuinte. [...] Assiste razão à embargante pelas seguintes razões: Recurso especial da Fazenda Nacional: Analisando o acórdão vergastado, percebese uma contradição no voto vencido do i. Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em relação ao recurso interposto pela d. Procuradoria. Confirase: Estando devidamente fundamentado o entendimento expresso pela Fazenda do que considera contrariedade a lei é patente o preenchimento Fl. 746DF CARF MF Processo nº 13971.001544/200142 Acórdão n.º 9303004.578 CSRFT3 Fl. 746 3 dos pressupostos de admissibilidade do referido recurso, não merecendo prosperar a preliminar apresentada. Contrariamente, ao acima exposto consta da conclusão do voto do nobre Conselheiro relator: 1. Dar provimento parcial ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional nos seguintes termos: a) não conhecer do recurso quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização, por ser matéria estranha aos autos; (grifos inseridos) Consta, no entanto, do acórdão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Nas palavras do voto do Conselheiro Relator: a) não conhecer do recurso quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização, por ser matéria estranha aos autos; (grifos inseridos) Pela motivação exposta no voto, o correto é ter constado também do acórdão, no que se refere ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, "recurso conhecido em parte". Recurso especial da contribuinte: Já em relação ao recurso da contribuinte, há contradição do texto da ementa, devendo ser excluído o seguinte: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.8587/1999 e AD SRF nº 88/99. Fl. 747DF CARF MF 4 Isto porque, a um, independentemente do período dos autos, o voto vencedor do Conselheiro Julio César Vieira Gomes foi por reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI, o valor relativo aos insumos adquiridos tanto das pessoas físicas como de cooperativas. A dois, pelo fato de a matéria pertinente às cooperativas já se encontrar na mesma ementa constante do acórdão embargado. Confirase: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. Por derradeiro, devese também corrigir o texto da ementa, de forma a explicitar o resultado final no que diz respeito à taxa SELIC. Assim, onde se lê: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS, FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Devese ler: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. A exclusão da palavra "SELIC" fazse necessário, tendo em vista já constar da ementa, em outro item específico. Confirase: RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Desta forma, concluo como correto: I em relação ao recurso da Fazenda: pela motivação exposta no voto, o correto é ter também constado do acórdão, "recurso conhecido em parte". II em relação ao recurso da contribuinte, conforme anteriormente exposto, o acerto de redação de forma a explicitar o que foi decidido nos votos vencido e vencedor. Dessa forma, a ementa do acórdão embargado passa a ser a seguinte: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13971.001544/200142 Acórdão n.º 9303004.578 CSRFT3 Fl. 747 5 Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. LENHA. MATÉRIA SUMULADA. Não se conhece de matéria do recurso que contrarie súmula em vigor, nos termos do § 2º do art. 38 do RICSRF. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se conhece de matéria do recurso que não preencha pressuposto de admissibilidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Fl. 749DF CARF MF 6 Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte conhecidos em parte e, na parte conhecida, providos em parte. É como voto. [...]” Considerando o acórdão de embargos, a Fazenda Nacional, opôs Embargos de Declaração, suscitando a existência de contradição/obscuridade em sua fundamentação, trazendo o que segue: “Analisando o inteiro teor da decisão, constatase a existência de contradição/obscuridade em sua fundamentação. A nova ementa recebeu a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. LENHA. MATÉRIA SUMULADA. Não se conhece de matéria do recurso que contrarie súmula em vigor, nos termos do § 2º do art. 38 do RICSRF. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se conhece de matéria do recurso que não preencha pressuposto de admissibilidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 13971.001544/200142 Acórdão n.º 9303004.578 CSRFT3 Fl. 748 7 As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte conhecidos em parte (sic) e, na parte conhecida, providos em parte. Data vênia, em relação ao Recurso da Fazenda Nacional, a redação deveria ser a seguinte: Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido em parte. Na parte conhecida, provido integralmente. Essa conclusão coincide com o que decidido no Acórdão nº 02 03.407. Vejamos (fls. 704) “1. Dar provimento parcial ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional nos seguintes termos: a) Não conhecer do recurso parcial ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional nos seguintes termos: b) Excluir da base de cálculo do crédito presumido o valor dos serviços de industrialização por encomenda; e c) Afastar a aplicação da taxa Selic. Em relação à parte conhecida, o provimento foi integral, e não parcial como está exposto na ementa acima descrita. Desse modo, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja saneado o vício acima. [...]” Fl. 751DF CARF MF 8 Os Embargos de Declaração foram acolhidos em Despacho às fls. 739/744. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora. Depreendendose da análise dos autos do processo, conheço dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional, vez que houve contradição quanto ao resultado de julgamento e os fundamentos do acórdão de embargos – ora embargados. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, temse que se insurgiu contra o entendimento que deu provimento parcial ao recurso voluntário “para incluir no valor das aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem o valor referente à industrialização de latas destinadas a material de embalagem e o valor das aquisições feitas a cooperativas após setembro de 1999 e para deduzir, também da receita operacional bruta, os valores relativos a incidência da taxa Selic sobre os ressarcimentos, a partir da data da protocolização do pedido”. Recordase que o recurso fazendário foi conhecido apenas em parte, haja vista que a matéria atinente à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização foi considerada estranha à lide. Na parte conhecida, referente à tomada de crédito presumido de IPI sobre o custo dos serviços de industrialização por encomenda e à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, o provimento foi integral, haja vista o que consta do ementário reproduzido no voto condutor do julgamento dos Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte (Grifos meus): “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Fl. 752DF CARF MF Processo nº 13971.001544/200142 Acórdão n.º 9303004.578 CSRFT3 Fl. 749 9 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. LENHA. MATÉRIA SUMULADA. Não se conhece de matéria do recurso que contrarie súmula em vigor, nos termos do § 2a do art. 38 do RICSRF. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se conhece de matéria do recurso que não preencha pressuposto de admissibilidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODLTOS NT COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Fl. 753DF CARF MF 10 Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte conhecidos em arte e, na parte conhecida, providos em parte. Sendo assim, vêse que há contradição no acórdão embargado, que merece saneada. Em vista do exposto, é de se acolher os Embargos de Declaração, rerratificando o resultado de julgamento: “DE: Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte conhecidos em arte e, na parte conhecida, providos em parte. PARA: Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte conhecidos em parte e, na parte conhecida, em relação ao: · Recurso Especial do contribuinte, providos em parte. · Recurso Especial da Fazenda, providos integralmente. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 754DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.005330/2006-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Mar 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE DEPREQUESTIONAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO.
Nos termos do § 3º do art. 67 do então Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, o recurso especial de divergência somente tinha seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9303-004.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CRÉDITO PRESUMIDO. SELIC Recorrente PAMPA EXPORTAÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE DEPREQUESTIONAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO. Nos termos do § 3º do art. 67 do então Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, o recurso especial de divergência somente tinha seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 53 30 /2 00 6- 40 Fl. 467DF CARF MF 2 Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 310100.715, de 03/05/2011, proferido pela 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. LEI 10.276/2001. Conforme o disposto pelo §1º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001 a base de cálculo do crédito presumido do IPI será a somatória dos custos relativos à aquisição de matériaprima, produtos industrializados, material de embalagem, energia elétrica e combustíveis adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, além dos custos correspondentes à industrialização por encomenda, quando o encomendante seja contribuinte do IPI, sendo que cabe ao contribuinte a prova de que as aquisições se enquadram nas classe de produtos intermediários, materiais de embalagens e combustíveis. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos do IPI. Alega divergência de interpretação em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 20312.009 e 20173627. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 451/453. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 459/462). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. Os fatos bem o demonstram. A DRJ entendeu não haver previsão legal para incidência da taxa Selic sobre os valores, por ela mesma, parcialmente ressarcidos de IPI (o valor conferido pela DRJ foi superior ao que já houvera sido concedido pela autoridade administrativa competente). O motivo da glosa parcial foi seguido pela Câmara baixa: a contribuinte não lograra comprovar todo o direito vindicado. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10280.005330/200640 Acórdão n.º 9303004.680 CSRFT3 Fl. 468 3 Contudo, o acórdão recorrido nada falou a respeito da incidência da aplicação da taxa Selic (consideroua prejudicada), não obstante matéria arguida no recurso voluntário. Houve, portanto, uma clara omissão, que deveria ter sido sanada – mas não foi – pela interposição de embargos de declaração (a matéria, ressaltese, deve ser debatida no acórdão recorrido, não no recurso voluntário). Os acórdãos paradigmas apenas afirmam a incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos, matéria que, como se demonstrou, não foi discutida no acórdão recorrido. Confirase: Acórdão nº 20312.009: TAXA SELIC Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Acórdão nº 20173627: TAXA SELIC NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Incidindo a Taxa SELIC NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso parcialmente provido. Assim sendo, e sem maiores delongas, entendemos que a falta de debate, pela Câmara baixa, da matéria que, mediante a interposição de recurso especial, pretendese ver debatida neste Colegiado obsta o conhecimento do recurso, nos termos do § 3º da Portaria MF nº 256, de 2009. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 469DF CARF MF 4 Fl. 470DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.010804/2006-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta questão, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.601
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de
Compensação, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta questão, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta questão, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fl. 157DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 02/06), transmitida eletronicamente em 27/12/2004, pela qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de IRPJ apurada em novembro de 2004, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ apurada no mês de fevereiro de 2003 (recolhimento em março/2003), no valor de R$ 229.583,63. Analisando o pleito a DRF em Recife/PE, após diligências realizadas, concluiu pela inexistência do crédito apontado, razão pela qual pelo Despacho Decisório de fl. 11 não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, ao fundamento de que, de acordo com o disposto no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo porventura apurado. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da Telpe Celular S/A, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, já que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não prevê a restrição nele estabelecida e adotada na decisão da DRF/Recife e que quando da realização das compensações ainda não existia a regra do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; b) se não fosse realizada a compensação do IRPJ recolhido a maior haveria saldo negativo ao final do ano. Terseia, então, no máximo um problema de inobservância de exercício, vez que o saldo negativo seria passível de compensação a partir do final do ano de 2003; c) a Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores; d) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito Fl. 158DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010804/200643 Acórdão n.º 180100.601 S1TE01 Fl. 126 3 tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Apreciando o litígio a 5a. Turma da DRJ em Recife/PE, por meio do Acórdão 1124.231 (fls. 60/72) indeferiu a manifestação de inconformidade. Houve declaração de voto. Aquela autoridade observou, inicialmente, que as argüições de ilegalidade do art. 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não poderiam ser apreciadas no âmbito do julgamento administrativo, mas que o dispositivo em comento guardaria consonância com o estabelecido no 6o. da Lei n°. 9.430, de 1996. Nesse sentido, se houvesse permissão da RFB para tais compensações, haveria afronta ao que prevê a lei vigente. No que toca à argüição de que a RFB aceitaria a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior em meses posteriores consignou que a compensação de imposto pago a maior do que o devido, sob o regime de estimativa, com imposto devido em meses posteriores do mesmo anocalendário, estaria condicionada ao levantamento de balanço/balancete de suspensão ou redução. Quanto a afirmação da contribuinte no sentido de que, não fosse realizada a compensação do tributo pago a maior em março de 2003 haveria saldo negativo ao final do período de apuração, esclareceu que, considerando a opção por apurar o IRPJ com base em estimativas mensais, os recolhimentos mês a mês teriam de ser efetuados, ainda que, ao final do anocalendário (2003), viesse a ser apurado saldo negativo do imposto, ocasião em que poderia requerer restituição do saldo credor assim apurado ou proceder a sua compensação com débitos supervenientes. Não se cogitaria, entretanto, da compensação de alegado "pagamento indevido ou a maior feito por estimativa" em um determinado mês com IRPJ/CSLL devido com base em estimativa, apurado com referência a mês posterior do mesmo anocalendário. Quanto à indevida revisão do lançamento consignou: Com respeito à questão, convém ressaltar que a exigência de estimativa do IRPJ do mês de novembro de 2004 (conforme fl. 05), decorre, não de revisão de oficio feita pela autoridade administrativa, mas da própria compensação efetuada pela TELPE CELULAR S/A, mediante PER/DCOMP constante de fls. 02/06, considerando que, de conformidade com o que dispõe o artigo 74, § 6°, da Lei n° 9.430/1996, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débitos indevidamente compensados. Ressaltese, ainda, que o PER/DCOMP acima mencionado foi transmitido pela contribuinte em dezembro de 2004, não constando do presente processo que, na ocasião, a contribuinte estivesse sob procedimento de oficio resultante do inadimplemento da obrigação tributária. Na declaração de voto restou consignado que a motivação para o indeferimento do pleito, pela DRF em Recife/PE, teria sido unicamente a inexistência do direito creditório face as disposições do artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, e todas as demais razões de defesa em outro sentido, como a vinculação ao processo de n° 19647.0096901200699, deveriam ser ignoradas. Nesse sentido a própria impugnante teria assentido que a norma do art.10 da IN SRF n° 600, de 2005, deveria ser entendida em harmonia com o disposto no RIR/99, art. 230, e, portanto, a impossibilidade de consideração do crédito que pretendeu apontar para Fl. 159DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 compensação a ser realizada com a obrigação tributária vencida em dezembro de 2004, imporia a demonstração de existência do referido crédito na data pretendida, e somente seria obtenível pela via do balanço do período janeiro/abril/2003, o que não teria acontecido na ocasião da compensação, nem estaria demonstrado neste processo. Restaria, assim, a regra geral disposta na IN SRF n° 600/05, que conforme teria assentido a interessada, já estava explicitada na IN SRF n° 460/04, mas que decorreria da lógica da base normativa posta desde a Lei n° 8.981/95 e confirmada na Lei n° 9.430/96, de forma que não sendo realizados os balanços de acompanhamento previstos no art. 230 do RIR/99, restaria tão somente apurar no balanço referente a todo o ano de 2003 se haveria finalmente saldo negativo de 1RPJ passível de ser restituído ou compensado. Intimada da decisão a interessada apresentou, em 14/09/2009, o Recurso Voluntário de fls. 76 a 92. Em suas razões de defesa informa, inicialmente, que o presente processo seria decorrente de revisão de ofício em lançamento efetuado no âmbito dos autos n° 19647.009690/200699, especificamente em itens que trataram de (i) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (ii) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal, revisão essa que não teria sido devidamente fundamentada, o que impedia a adequada defesa. Assim, teria sido intimada, em março de 2007, de um Relatório de Informação Fiscal, datado de 13.12.2006, no qual os fiscais responsáveis pela revisão de ofício informaram que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização, razão pela qual alguns valores teriam sido excluídos do processo n° 19647.009690/200699, e passaram a ser tratados em processos específicos, dentre os quais o presente processo de compensação. Reafirma que a previsão contida no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não teria amparo legal. Todas as vedações atinentes à compensação teriam sido expressamente previstas no artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, assim como as compensações consideradas não declaradas, não se encontrando, em nenhuma delas, a referência ao recolhimento indevido ou a maior a título de estimativas mensais e que o disciplinamento do instituto pela Receita Federal não poderia levar ao estabelecimento de novas vedações não previstas na Lei. Observou que os comandos normativos citados pela autoridade julgadora da DRJ que tratariam da referida vedação em verdade cuidariam da forma de pagamento do imposto calculado por estimativa e não de compensação, o que foi disciplinado unicamente pelo artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996. Assim, o procedimento adotado guardaria consonância também com o quanto disciplinado pelo § 1°, II, do artigo 6° da Lei n° 9.430/96, na medida em que teria havido o recolhimento a maior de IRPJ em março de 2003, portanto, passível de restituição, e que foi compensado com débitos de tributos federais de períodos posteriores. Reafirmou que ainda que se considere a sua legalidade, à época da formalização das compensações declaradas não vigoravam as disposições do artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, vigendo, à época, a IN SRF n°. 210, de 2002, que não trazia tal vedação em seu bojo. A DRJ teria, assim, aplicado retroativamente dispositivo normativo a fim de restringir seu direito, violando disposições legais e constitucionais, pois tal comando não teria o escopo de dar interpretação mas unicamente de inserir novas regras restritivas ao sistema de compensação. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010804/200643 Acórdão n.º 180100.601 S1TE01 Fl. 127 5 Reproduz as alegações de que a RFB aceitaria a compensação de indébitos de IRPJ e de CSLL, de que haveria apuração de saldo negativo caso não seja realizada a compensação pleiteada, de vinculação destes autos ao processo de n° 19647.009690/200699 e de indevida revisão de ofício no lançamento perpetrado naqueles autos. Ao final pede pela reforma daquele decisum. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar. LIMITES DO LITÍGIO. Delimitandose o presente litígio cumpre consignar que a DRJ em Recife/PE esclareceu que o presente processo, que trata de Declarações de Compensação, não decorre dos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. Ademais, enquanto o processo de n° 19647.009690/200699 trata de lançamento de ofício decorrente de procedimento de fiscalização direta, estes autos tratam de declarações de compensação transmitidas eletronicamente e que foram baixadas para tratamento manual neste processo e o único fundamento alegado pela DRF para indeferir o pedido de homologação foi a inexistência de crédito do contribuinte que pudesse ser utilizado para compensar com débitos próprios, pois, conforme preceitua o artigo 10 da IN SRF n° 600/05, eventual valor pago a maior a título de estimativa mensal somente poderia vir a ser utilizado ao final do período de apuração, para dedução do valor do imposto afinal devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Portanto, as argüições contra a revisão de ofício praticada no âmbito do processo administrativo n° 19647.009690/200699, que trata de lançamento de ofício para exigência de crédito tributário são alheias ao presente feito e devem ser tratadas unicamente no âmbito daqueles autos, razão pela qual deixo de tomar conhecimento de tais alegações. Mérito A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nesse sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Surgem, contudo, interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes Fl. 162DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010804/200643 Acórdão n.º 180100.601 S1TE01 Fl. 128 7 julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Ressalta, assim, a Conselheira, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Fl. 163DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 Instrução Normativa SRF nº. 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº. 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº. 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o Fl. 164DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010804/200643 Acórdão n.º 180100.601 S1TE01 Fl. 129 9 valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) Fl. 165DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos Fl. 166DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010804/200643 Acórdão n.º 180100.601 S1TE01 Fl. 130 11 percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente o contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se o contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei Fl. 167DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: Fl. 168DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010804/200643 Acórdão n.º 180100.601 S1TE01 Fl. 131 13 I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; Fl. 169DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 14 b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010804/200643 Acórdão n.º 180100.601 S1TE01 Fl. 132 15 Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de IRPJ relativa ao mês de fevereiro de 2003, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2003, já que a DCOMP foi formalizada em novembro de 2004. Entretanto, há notícias nos autos que os recolhimentos a maior a título de estimativas (de IRPJ e de CSLL), cujo indébito é pleiteado nestes autos a título de direito creditório – especificamente nestes autos o indébito de estimativa de IRPJ foram aproveitados como dedução e compuseram o saldo final do tributo –IRPJ – apurado, ao final do período de apuração, em 31/12/2003, em procedimento fiscal de revisão de ofício de lançamento. Dito de outra forma, o valor aqui pleiteado já teria sido reconhecido pela auditoria fiscal, na revisão de ofício, e aproveitado nas antecipações a título de estimativas, servindo como dedução ou compondo o tributo ao final apurado. Por relevante, transcrevo o teor do item “6” do Relatório de Informação Fiscal relativo ao processo n° 19647.009690/200699, cuja cópia encontrase acostada às fls. 95 a 98: “6. Os pagamentos de est imativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art. 10 da IN N."600/2005. . . .” Fl. 171DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 16 Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 229.583,63 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superado este ponto, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 172DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 10480.900040/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo que cuida de PER que pretendia obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior referente ao período de apuração em epígrafe. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 04 0/ 20 12 -0 1 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10480.900040/201201 Resolução nº 3401000.984 S3C4T1 Fl. 3 2 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido. Em sua análise, consta do voto: Na Manifestação de Inconformidade, a recorrente, em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS perpetrada pelo art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98, declarada pelo Supremo Tribunal Federal (cujo entendimento defende que esta instância de julgamento deveria aplicar), diz que "somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços" e que, no caso concreto, teria direito a crédito discutido, correspondente ao valor desta contribuição que teria sido calculado sobre o montante não integrante de seu faturamento. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98, consigno que a contribuinte não comprovou que a COFINS do mês de setembro de 2003 por ela recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF efetivamente incidiu sobre as receitas por ela indicadas na planilha anexa à Manifestação de Inconformidade. Para infirmar a confissão de dívida constante de sua DCTF, sequer demonstrativo (acompanhado dos documentos contábeis/fiscais comprobatórios) da COFINS devida à alíquota de 3% apresentou a recorrente, o que aqui é indispensável, especialmente quando se observa que o sujeito passivo comercializa produtos (tais como veículos) submetidos, a depender do período de apuração, à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada em etapa anterior. Então, não comprovou a recorrente que realizou pagamento a maior da COFINS em razão de ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas outras que não as decorrentes de venda de mercadorias e/ou de prestação de serviços. Ressalto que as provas de que dispõe a recorrente devem ser apresentadas, sob pena de preclusão ressalvadas as exceções legalmente previstas, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade. É o que preceitua o art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10480.900040/201201 Resolução nº 3401000.984 S3C4T1 Fl. 4 3 Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório. O Acórdão proferido ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. COFINS. PAGAMENTO SOBRE OUTRAS RECEITAS QUE NÃO AS DE VENDA DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO EM RAZÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3°, §1°, DA LEI N° 9.718/98. NÃO COMPROVAÇÃO. Não tendo a recorrente demonstrado que o valor confessado em DCTF e por ela recolhido a título da COFINS incidiu sobre outras receitas além daquelas decorrentes de venda de mercadorias e/ou de prestação de serviços, não resta comprovada a realização de pagamento indevido ou a maior que devido em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo desta contribuição perpetrada pelo art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas "a" a "c", do art. 16, do Decreto n° 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio da qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou os seguintes: · não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; · a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; · não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10480.900040/201201 Resolução nº 3401000.984 S3C4T1 Fl. 5 4 posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências. · a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; · Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal. · a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Voto Proposta de resolução: Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas á contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10480.900040/201201 Resolução nº 3401000.984 S3C4T1 Fl. 6 5 Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no0 mínimo considerado princípio de prova. Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. relator. Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000810/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2003 a 30/06/2006
CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Inexiste fato gerador de contribuição previdenciária quando os valores de contrato de mútuo estão devidamente comprovados por meio de documentação hábil e idônea da transferência dos recursos entre a mutuante e a mutuária, bem como o respectivo retorno.
Numero da decisão: 2301-004.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe provimento nos termos do voto da relatora.
Acompanhou o julgamento pela recorrente, Dr. Guilherme de Meira Coelho, OAB/SP 313.533.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora.
EDITADO EM: 08/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe provimento nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento pela recorrente, Dr. Guilherme de Meira Coelho, OAB/SP 313.533. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora. EDITADO EM: 08/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
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COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Inexiste fato gerador de contribuição previdenciária quando os valores de contrato de mútuo estão devidamente comprovados por meio de documentação hábil e idônea da transferência dos recursos entre a mutuante e a mutuária, bem como o respectivo retorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para darlhe provimento nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento pela recorrente, Dr. Guilherme de Meira Coelho, OAB/SP 313.533. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora. EDITADO EM: 08/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 08 10 /2 00 7- 50 Fl. 1029DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.808.9590, correspondente à constituição do crédito tributário relativo a contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a remuneração de dirigentes, prólabore, no período de 03/2003 a 06/2006, no valor de R$ 488.208,04, consolidado em 17/05/2006 (efl. 77). De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 96/101) foi considerado como pagamentos de prólabore aos sócios pessoas físicas da recorrente os valores transferidos desta para credores da empresa PSN Comercial Ltda, igualmente sócia da recorrente, sob o argumento de que os sócios pessoas físicas da Tenda Atacado também eram os únicos sócios da PSN. Assim, conclui a autoridade fiscal (efl.99): Como não houve nenhum retorno financeiro relativo às remessas efetuadas do Tenda para a PSN, como a empresa PSN COMERCIAL LTDA, atualmente se encontra sem movimento, como não nos foi apresentado nenhum contrato formal de mútuo celebrado entre o TENDA a a PSN, como o pagamento aos credores da PSN estava sendo efetuado DIRETAMENTE pelo TENDA ATACADO LTDA, entendemos que tais pagamentos caracterizam retirada dos dois sócios em comum das empresas envolvidas, anteriormente citados e qualificados. Como a empresa TENDA ATACADO LTDA, durante todo o período examinado pela fiscalização, não apresentou lucro contábil e sim apenas prejuízo, consideramos tais retiradas dos citados sócios como prólabore dos mesmos utilizados para PAGAR DÍVIDAS da outra empresa da qual também são sócios. Sendo assim, lançamos nesta NFLD os valores mensais dos pagamentos efetuados pelo TENDA ATACADÃO LTDA. aos credores da PSN COMERCIAL LTDA., conforme planilha elaborada pela empresa e anexada ao processo, como sendo retirada de prólabore dos sócios anteriormente citados e cobramos os valores devidos da contribuição previdenciária. Lavramos também nessa mesma ação fiscal o AI DEBCAD N. 35.808.9573 por falta de informação de fato gerador em GFIP, que incluiu também esse fato gerador lançado nesta NFLD além de outros. Após a apresentação de impugnação tempestiva, a Delegacia da Receita Previdenciária (DRP) em São Paulo/Sul determinou a realização de diligência (efls. 431/436), para que fosse verificada a existência de grupo econômico e, em caso positivo, elaboração de Relatório Fiscal Substitutivo apontando a responsabilidade solidária. Em decorrência, a autoridade fiscal elaborou Relatório Fiscal Substitutivo (e fls. 439/446), no qual foi constatada a existência de grupo econômico. Na sequência foi providenciada a intimação da empresa PSN Comercial Ltda. Por sua vez, em vista do Relatório Fiscal Substitutivo, a Tenda Atacado aditou sua impugnação (efls. 457/479), apontando erro no enquadramento legal relativo aos pagamentos a contribuintes individuais, inexistência de distribuição de lucro, impossibilidade de desconsideração do contrato de empréstimo e ausência de provas com violação ao art. 142 do CTN. A PSN não apresentou impugnação. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 14485.000810/200750 Acórdão n.º 2301004.977 S2C3T1 Fl. 1.030 3 A DRP/São Paulo Sul manteve a autuação, afastando os argumentos da recorrente, nos termos da DecisãoNotificação nº 21.404.4/0023/2007 (efls. 671/688): EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PAGAMENTOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMOS CONSIDERADOS COMO PRÓLABORE PELA FISCALIZAÇÃO. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência. (Art. 30, I, "b" da Lei nº 8.212/91). Nos termos do art. 22, incisos I, II e III e § 1º da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, incide contribuição social sobre o valor pago aos segurados empregados e contribuintes individuais por serviços prestados no decorrer do mês. A teor do art. 4º da Lei nº 10666/03 a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente entre si, na forma da lei. LANÇAMENTO PROCEDENTE A empresa Tenda Atacadão Ltda foi cientificada da decisão em 19/03/2007 (efl. 691), e apresentou Recurso Voluntário (efls. 693/715), alegando em síntese: a) inexigibilidade do depósito recursal de 20%; b) desnecessidade de apresentação do contrato de mútuo, sustentando que a contabilização das respectivas operações e efetivo repasse de numerário seriam suficientes para provar a operação; c) impossibilidade do fisco desconsiderar o negócio jurídico celebrado, sem a apresentação de qualquer prova a justificar a requalificação dos pagamentos a título de empréstimo para prólabore. Em 16/03/2011, esta 1ª Turma/3º Câmara, com composição diversa, converteu o julgamento em diligência , nos termos da Resolução nº 2301000.119(efls. 777/780), determinando a ciência da empresa PSN Comercial Ltda da DN nº 21.404.4/0023/2007. Cientificada em 10/06/2011 (efl. 787), apresentou Recurso Voluntário tempestivamente em 12/07/2011 (efls. 801/812) alegando, em síntese, a validade do contrato de empréstimo e a não ocorrência de pagamento de prólabore. Fl. 1031DF CARF MF 4 Em 21/06/2012, novamente esta 1ª Turma/3º Câmara, com composição diversa, converteu o julgamento em diligência , nos termos da Resolução nº 2301000.237 (e fls. 859/865), determinando que a fiscalização verificasse se todas as etapas da operação de mútuo (entrada dos recursos na mutuária e retorno dos recursos para a mutuante) estavam adequadamente contabilizadas e declaradas, bem como se as operações estavam amparadas em documentação idônea. Em resposta, após cumprimento da diligência, foi emitido Despacho (efl. 990) pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos/SP nos seguintes termos: Conforme solicitado às fls.865 (Volume 3) , diligenciamos o contribuinte e realizamos os seguintes procedimentos: 1. Intimamos o contribuinte a apresentar os lançamentos contábeis e respectivos documentos comprobatórios referentes ao eventual retorno dos recursos transferidos para a PSN Comercial Ltda, transferência essa que originou o lançamento de débito, sob código DEBCAD 35.808.9590. 2. Em resposta, o contribuinte apresentou carta explicativa, datada de 27/03/2013, onde se refere ao empréstimo no valor de R$1.799.321,87 para a PSN, valor que encontra suporte no saldo do Razão da conta 1.2.1.01.001 – Empréstimo PSN em fevereiro de 2005 (fls. 585) (parte dos lançamentos constantes dessa conta foram tomados como base de cálculo para a apuração do débito). 3. Apresentou então os lançamentos contábeis que demonstram o retorno desses recursos, assim como extratos bancários com as transferências da conta corrente da PSN Comercial Ltda para a Tenda Atacado Ltda, nos dias 21 e 22 de julho de 2011, cujo valor alcança exatamente o montante acima referido, sem qualquer correção ou encargo financeiro. As Declarações de Informações EconômicoFiscais de ambas as empresas refletem essa operação no balanço de dezembro de 2011. 4. Os citados lançamentos foram corroborados pela contabilidade digital constante no SPED CONTÁBIL da empresa, verificada pela fiscalização conforme Requisição de Cópia de Escrituração Contábil Digital, que anexamos, nas datas apontadas pelo contribuinte. As empresas ainda apresentaram às efls. 1004/1010 a ratificação de seus recursos voluntários. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 14485.000810/200750 Acórdão n.º 2301004.977 S2C3T1 Fl. 1.031 5 Presentes os pressupostos de admissibilidade dos recursos voluntários apresentados, deles conheço e passo a sua análise. A questão central do processo é verificar se a requalificação jurídica de um suposto contrato de mútuo considerado pela fiscalização como pagamento de prólabore procede ou não. Os itens 2 e 3 do Despacho de Diligência não deixam dúvida de que os valores foram retornados à mutuante: 2. Em resposta, o contribuinte apresentou carta explicativa, datada de 27/03/2013, onde se refere ao empréstimo no valor de R$1.799.321,87 para a PSN, valor que encontra suporte no saldo do Razão da conta 1.2.1.01.001 – Empréstimo PSN em fevereiro de 2005 (fls. 585) (parte dos lançamentos constantes dessa conta foram tomados como base de cálculo para a apuração do débito). 3. Apresentou então os lançamentos contábeis que demonstram o retorno desses recursos, assim como extratos bancários com as transferências da conta corrente da PSN Comercial Ltda para a Tenda Atacado Ltda, nos dias 21 e 22 de julho de 2011, cujo valor alcança exatamente o montante acima referido, sem qualquer correção ou encargo financeiro. As Declarações de Informações EconômicoFiscais de ambas as empresas refletem essa operação no balanço de dezembro de 2011. (grifamos) Com essa informação entendo que não há dúvidas de que os valores do mútuo retornaram à mutuante, ficando comprovada a operação de empréstimo realizada (demonstrando a efetiva transferência de numerários, bem como a prova do retorno dos recursos à mutuante)., não se configurando assim em pagamento de prólabore disfarçado (como havia entendido a fiscalização), portanto não caracterizando salário de contribuição nos termos da legislação previdenciária. Assim, estando comprovada a operação de mútuo entre as recorrentes, verificase a improcedência do lançamento fiscal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer dos Recursos Voluntários e darlhes provimento, exonerando o crédito tributário constituído por meio da presente NFLD. É como voto Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 1033DF CARF MF 6 Fl. 1034DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.001739/2003-28
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A Fazenda Nacional apenas perde o direito de verificar a liquidez e certeza do crédito tributário
após o transcurso do prazo previsto no § 5º, da Lei nº9.430/1996.
IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. NOTAS FISCAIS DESACOMPANHADAS DOS EXTRATOS BANCÁRIOS.
INSUFICIÊNCIA.
Notas fiscais, desacompanhadas dos extratos bancários, não são elementos de prova suficientes para demonstrar a retenção na fonte.
COMPENSAÇÃO. Comprovado parcialmente a existência do direito
creditório, devem ser homologadas as compensações até o limite do crédito
reconhecido.
PRESCRIÇÃO. A alegação de prescrição de débitos encaminhados para
inscrição em Dívida Ativa da União deve ser dirigida à Procuradoria da Fazenda Nacional.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998
DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DE VALORES.
Não se insere no conceito de simples verificação da liquidez e certeza do direito creditório, a glosa de imposto de renda retido na fonte regularmente comprovado, sob pretexto de não escrituração integral das receitas, o que equivale ao lançamento de ofício por vias transversas, vedado ante a ocorrência da decadência relativa ao fato gerador correspondente.
Numero da decisão: 1803-00.673
Decisão: Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos reconhecer direito creditório adicional de R$ 6.149,77, nos termos do voto do relator; b) por maioria de votos reconhecer integralmente o IRRF relativo ao saldo negativo de 1998, constante dos comprovantes apresentados pelo contribuinte, vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Selene Ferreira de Moraes. Designado o Conselheiro Walter Adolfo Maresch para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A Fazenda Nacional apenas perde o direito de verificar a liquidez e certeza do crédito tributário após o transcurso do prazo previsto no § 5º, da Lei nº9.430/1996. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. NOTAS FISCAIS DESACOMPANHADAS DOS EXTRATOS BANCÁRIOS. INSUFICIÊNCIA. Notas fiscais, desacompanhadas dos extratos bancários, não são elementos de prova suficientes para demonstrar a retenção na fonte. COMPENSAÇÃO. Comprovado parcialmente a existência do direito creditório, devem ser homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido. PRESCRIÇÃO. A alegação de prescrição de débitos encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União deve ser dirigida à Procuradoria da Fazenda Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DE VALORES. Não se insere no conceito de simples verificação da liquidez e certeza do direito creditório, a glosa de imposto de renda retido na fonte regularmente comprovado, sob pretexto de não escrituração integral das receitas, o que equivale ao lançamento de ofício por vias transversas, vedado ante a ocorrência da decadência relativa ao fato gerador correspondente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A Fazenda Nacional apenas perde o direito de verificar a liquidez e certeza do crédito tributário após o transcurso do prazo previsto no § 5º, da Lei nº 9.430/1996. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. NOTAS FISCAIS DESACOMPANHADAS DOS EXTRATOS BANCÁRIOS. INSUFICIÊNCIA. Notas fiscais, desacompanhadas dos extratos bancários, não são elementos de prova suficientes para demonstrar a retenção na fonte. COMPENSAÇÃO. Comprovado parcialmente a existência do direito creditório, devem ser homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido. PRESCRIÇÃO. A alegação de prescrição de débitos encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União deve ser dirigida à Procuradoria da Fazenda Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DE VALORES. Não se insere no conceito de simples verificação da liquidez e certeza do direito creditório, a glosa de imposto de renda retido na fonte regularmente comprovado, sob pretexto de não escrituração integral das receitas, o que equivale ao lançamento de ofício por vias transversas, vedado ante a ocorrência da decadência relativa ao fato gerador correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 647DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 2 Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos reconhecer direito creditório adicional de R$ 6.149,77, nos termos do voto do relator; b) por maioria de votos reconhecer integralmente o IRRF relativo ao saldo negativo de 1998, constante dos comprovantes apresentados pelo contribuinte, vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Selene Ferreira de Moraes. Designado o Conselheiro Walter Adolfo Maresch para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Redator designado. EDITADO EM: 31/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “A interessada, qualificada em epígrafe, apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 643/650, em face do despacho decisório de fls. 469/496, exarado pela Eqpir/Diort/Derat/SPO, mediante o qual não foi homologada a declaração de compensação de f1. 01. Consoante consignado nos autos (fl. 01/02), a compensação foi declarada com base em direito de crédito de R$ 48.843,12, correspondente ao saldo negativo do Imposto dc Renda da Pessoa Jurídica referente ao ano-calendário 2001. A Autoridade Fiscal designada para analisar o pedido da contribuinte fundamentou o despacho decisório, em breve síntese, consoante se segue: Fl. 648DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 634 3 (i) O contribuinte compensou, consoante Dctf (fls. 100/103), estimativas recolhidas a título de IRPJ com saldos negativos de períodos anteriores, sendo necessário analisar saldos correspondentes aos anos-calendário de 1998 a 2000; (ii) Quanto ao saldo negativo do IRPJ apurado pela contribuinte em 31.12.1998, de R$ 200.065,14 (fl. 274), depois de analisar as compensações de estimativas, informes de rendimentos e o sistema IRFCONS, foi aceito um montante dedutível de IRRF de R$ 103.731,71 e de R$ 500.160,15, a título de estimativas, confirmando-se um direito de crédito de R$ 153.634,68; (iii) Quanto ao saldo negativo do IRPJ apurado em 31.12.1999, foi confirmado o IRRF por órgãos públicos no montante de R$ 27.048,49, não sendo aceitas notas fiscais emitidos por estes entes, gerando-se um direito de crédito de R$ 111.363,37; (iv) Relativamente ao ano-calendário de 2000, foram confirmados montantes de IRRF de R$ 216.958,81, relativos a entes privados e, de R$ 33.922,95, referentes a órgãos públicos, obtendo-se um saldo credor de R$ 215.714,46, sendo que esse valor foi consumido por compensações sem processo do ano de 2001 (fls. 383/385); (v) Quanto ao ano-calendário de 2001, confrontando-se os valores informados em Dipj, Dirf e informes de rendimentos, foi aceito um montante de IRRF de R$ 284.951,00, não sendo aceitas notas fiscais apresentadas; em relação ao IR retido por órgãos públicos, foi apurado um montante de R$ 21.151,24; o saldo credor de 2000 e as retenções do imposto de renda foram utilizados para compensar estimativas de 1RPJ que foram confirmadas num montante de R$ 658.990,84, gerando, ao final um saldo a pagar de IRPJ de R$ 14.936,19; A Autoridade Fiscal verificou, além do débito objeto da Declaração de Compensação de fl. 01, a existência de outros dois débitos de IRPJ, referentes ao período de apuração de fevereiro e março de 2002, declarados em Dctf, na condição de compensados com crédito de saldo negativo do IRPJ de 2001, sem formalização de processo ou de declaração de compensação. Ante os dados apurados, a Autoridade Fiscal convalidou as compensações sem processo dos débitos do IRPJ, declaradas em Dctf, referentes aos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 2000, até o limite de R$ 67.985,95 (fl. 315) bem como de janeiro a março de 2001, até o limite de R$ 95.570,90 (fl. 384) e, não convalidou as compensações sem processo dos débitos do IRPJ, declaradas em Dctf, referentes aos periodos de apuração de fevereiro de 2000, no montante de R$ 33.503,51, março de 2000 (fl. 315), março de 2001, no montante de R$ 15.425,34 (fl. 384), abril de 2001 (fl. 384) e de fevereiro a março de 2002 (fls. 441/442). Fl. 649DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 4 Ao final, não homologou as compensações declaradas, vinculadas ao crédito em análise. Intimada do despacho decisório em 12.01.2008, consoante "Aviso de Recebimento" encaminhado pelos Correios e juntado à fl. 454, a contribuinte apresentou a presente manifestação de inconformidade, de fls. 469/496, em 12.02.2008, alegando, em resumo, o quanto se segue: (a) Extinção do direito de o Fisco questionar os saldos negativos apurados em Dipj's de anos anteriores, em razão de ocorrida a decadência, nos termos do art. 173 do CTN e, ainda, do § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, razão pela qual merecem ser homologadas e convalidadas as compensações declaradas em Dcomp ou Dctf s apresentadas; (b) Prescrição da cobrança referente às compensações não convalidadas, sendo que seria inviável a exigência de débitos de antecipações de IPRJ depois do encerramento do respectivo período de apuração; (c) No que tange ao ano-calendário 1998, a Auditora- Fiscal esqueceu-se de considerar o valor do IR retido por BankBoston Banco Múltiplo S/A, no valor de R$ 30.955,98, cujo comprovante de pagamento encontra-se à fl. 288 e do valor de R$ 140,17, referente à retenção de código 5706, apontado à f1. 291; (d) Deve ser considerado o valor de R$ 21.171,10, referente ao IR retido pelo Comando da Aeronáutica — Comissão de Implantação de Sistema de Controle do Espaço Aéreo, no curso de 1998, consoante notas fiscais, controles contábeis e respectivos comprovantes de pagamentos (depósitos bancários), feitos pelo tomador de serviços, já descontado o IR (docs. 12 a 27), uma vez que a Manifestante não tem meios para forçar a fonte pagadora a cumprir sua obrigação de preencher os formulários previstos na legislação; (e) Corrobora a correção dos lançamentos o fato de o extrato dos sistemas da RFB mostrar retenções em nome da Manifestante no montante de R$ 299.728,51 (fls. 276), sendo que deduziu um valor inferior em sua Dipj, de R$ 297.967,48; f) Portanto, deve ser reconhecido um saldo credor de R$ 200.065,14 para o ano-calendário de 1998, a ser aproveitado nas compensações efetivadas; (g) No que se refere ao ano-calendário de 1999, a Autoridade Fiscal esqueceu-se de juntar o extrato completo das Dirf’s, uma vez que fez referência apenas ao documento de fl. 01, num total de 57, o que já seria suficiente para tornar inepta, nesta parte, a decisão, ante a Fl. 650DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 635 5 violação ao direito ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa; (h) De toda forma, a Dirf de fl. 01 indica que a SISGRAPH sofreu retenção de IR, num total de R$ 318.566,00, enquanto o Despacho Decisório apenas reconhece um montante de R$ 265.232,65, razão pela qual deve ser confirmado o saldo credor de IRPJ de R$ 121.219,30; (i) No que se refere ao ano-calendário de 2000, a Dirf de fl. 322 indica que a S1SGRAPH sofreu retenção de IR, num total de R$ 313.576,82, tendo a contribuinte utilizado na formação de seu saldo credor apenas R$ 253.350,38 (RS 1.731,00 + R$ 219.904,81 + R$ 31.714,57, referentes aos itens 25 e 26 de fl. 448), não tendo, assim, procedência a redução do IRRF que teria sido aproveitado pela contribuinte para R$ 250.881,36, razão pela qual deve ser confirmado o saldo credor de IRPJ de R$ 272.188,62; (j) Quanto ao ano-calendário de 2001, a Dirf de fls. 388/438 (resumida no Anexo 1) indica que a SISGRAPH sofreu retenção dc IR, num total de R$ 359.702,04, tendo a contribuinte utilizado na formação de seu saldo credor apenas R$ 331.633,78 (R$ 306.103,24 + R$ 25.530,54, referente ao item 39, de fl. 450), não procedendo a redução do IRRF que teria sido aproveitado pela contribuinte para R$ 306.102,24, razão pela qual deve ser confirmado o saldo credor de IRPJ declarado de R$ 46.843,12; Pede ao final, seja declarada a homologação ou convalidação de todas as compensações em razão do decurso do prazo de cinco anos ou, se assim não for, reconhecimento da prescrição, inviabilidade de exigência de antecipações depois de encerrado o período de apuração do IRPJ, correção das compensações, da existência dos saldos credores declarados e suspensão da exigibilidade dos pretensos créditos tributários, relativos às compensações não homologadas ou não convalidadas, até julgamento final da presente Manifestação de Inconformidade, em especial, daquela promovida mediante o processo n° 10880- 720.030/2008-97. A Delegacia de Julgamento julgou deu provimento parcial à manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls.560/578): a) A legislação tributária não previu prazo decadencial para o Fisco verificar a formação de saldos negativos de IRPJ e de CSLL informados em Declaração de Rendimentos de períodos anteriores, quando esses valores influenciam a formação de direito de crédito posterior. Obviamente, eventual infração à legislação tributária porventura observada em procedimento de análise dessas declarações, por força da decadência, não resultará no lançamento do respectivo crédito tributário. b) Trata-se de compensações efetuadas pela contribuinte que não se enquadram em nenhuma das hipóteses alcançadas pelo prazo homologatório previsto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, uma vez que não são "declarações de compensação" apresentadas Fl. 651DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 6 depois da vigência da Lei n° 10.637/2002, nem são "pedidos de compensação" que foram convertidos em declarações de compensação. c) A única compensação passível de homologação por decurso de prazo seria a própria declaração objeto de fl. 01 destes autos, formalizada em 31.01.2003. Assim, é improcedente a alegação de que teria ocorrido a homologação das referidas compensações com base no § 5° art. 74 da Lei n°9.430/1996. d) A alegação de ocorrência de prescrição da cobrança dos débitos verificados em razão da análise feita em Dctf`s e Declarações de Rendimentos de períodos anteriores, da inviabilidade de exigência de antecipações depois de encerrado o período de apuração do IRPJ, ou da suspensão de suas exigibilidades, são atinentes à carta cobrança n° 114/2008, objeto da representação n° 10880-720.030/2008-97, juntada pela Manifestante às fls. 509/513, que extrapolam os limites da presente lide, que está restrita ao inconformismo do contribuinte em face da decisão que não reconheceu o direito crediário informado à fl. 02 e não homologou a declaração de compensação de fl. 01. Saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/1998 e) O valor de R$ 30.955,98, apontado no demonstrativo de fl. 291, diversamente do que alegou a Manifestante, não corresponde à retenção efetuada por BankBoston Banco Múltiplo S/A, mas corresponde à diferença entre o IRRF constante dos informes de rendimentos financeiros juntados aos autos (fls. 279/288) e aquele, que teria sido informado pelas fontes pagadoras de rendimentos de natureza financeira à Receita Federal, armazenado no sistema IRF CONSULTA, cujo resultado encontra-se à fl. 278. f) Embora o quadro de fl. 291 indicasse um total de rendimentos financeiros de R$ 1.146.419,02, a contribuinte declarou em sua Dipj/1999, um montante de R$ 965.732,91, razão pela qual agiu corretamente a Autoridade Fiscal ao aceitar, como dedutível, um valor proporcional de IRRF, correspondente a R$ 163.731,76, ao invés de R$ 194.365,54. g) À fl. 291, consta ainda um quadro em que foram discriminadas as fontes pagadoras de juros sobre o capital próprio, obtidas a partir do sistema IRF CONSULTA, sendo apontado um montante de rendimentos de R$ 934,87 e de retenção de imposto de renda de R$ 140,17. A Autoridade Fiscal fez consignar que esses rendimentos não foram declarados pela, contribuinte, o que pode ser confirmado pela constatação de que a linha 22 da Ficha 07 da I Dipj/1999, destinada a receber essa informação, encontra-se zerada (fl. 266). Desta forma, o valor de R$ 140,17 foi corretamente glosado para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ. h) Quanto ao valor relativo ao IR que teria sido retido por órgãos públicos, os documentos apresentados, associados às informações constantes das cópias de notas fiscais, extratos bancários, e telas de sistema informatizado de contabilidade da contribuinte, juntados às fls. 527/541, permitem aceitar a pretendida dedução a titulo de retenção de IR promovido por pelo Comando da Aeronáutica num montante de R$ 20.801,88 (R$ 16.362,41 + R$ 4.439,47). i) Portanto, o saldo credor do IRPJ relativo ao ano-calendário de 1998 é de R$ 174.436,56. Saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/1999 Fl. 652DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 636 7 j) A divergência entre o valor do IRRF que a contribuinte informou em sua declaração de rendimentos e aquele que foi confirmado pela Autoridade Fiscal se deu, exclusivamente, em relação ao IR retido por órgãos públicos. Assim, caberia à Manifestante provar, especificamente, a correção desse valor informado em sua DIPJ, não restando sanável a inconsistência, com a simples alegação de que o valor total do IRRF constante em Dirf é, superior ao que foi reconhecido pela Autoridade Fiscal. k) O saldo negativo do IR a pagar do ano-calendário de 1999, desta forma, é de R$ 111.363,37, tal como apurou a Autoridade Fiscal. Saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/2000 l) A Autoridade Fiscal aceitou o valor do IR retido por órgãos públicos declarado pela contribuinte (R$ 31.714,57), utilizado para compensar estimativas do ano de 2000, uma vez que ele se mostrou compatível com o equivalente informado em Dirf”s (R$ 33.922,95). m) A Autoridade Fiscal intimou a requerente (fls.243/247) a prestar esclarecimentos, mediante a apresentação de comprovantes de pagamentos e retenção do imposto de renda. Todavia, conforme consignado no relatório fiscal de fl. 448, item 29, os informes de rendimentos apresentados somente certificaram retenções no montante de R$ 216.958,81 (item 33, fl. 449). n) Tendo em vista que os valores confirmados de IRRF foram integralmente utilizados para compensar as estimativas apuradas ao longo do ano, o saldo credor do IRPJ relativo ao período de apuração de 2000 passa a ser de R$ 242.186,05. Saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/2001 o) Tendo em vista que a Manifestante não apresentou todos os informes que poderiam autorizá-la a efetuar as deduções de IRRF para o ano-calendário 2001, mantém-se o valor de IR retido por órgãos públicos e pelas pessoas jurídicas de direito privado, tal como reconhecido pela Autoridade Fiscal, em R$ 21.151,24 e R$ 284.951,00, respectivamente. p) Por fim, recalculando-se o IR a pagar referente ao ano-calendário de 2001, apura-se um saldo credor de R$ 12.853,07. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) A Auditora Fiscal, glosou e reduziu saldos declarados nas DIPJ/98, DIPJ/99, DIPJ/2000 e DIPJ/2001, entendendo que a recorrente não teria comprovado parte dos créditos de IRRF e de IR retido por órgãos Públicos, não levando em consideração o fato de que se tratavam de revisões de declarações formuladas há mais de cinco anos. b) No mesmo ato ao glosar esses saldos, decidiu formular a cobrança dos tributos correspondentes às compensações anteriores, feitas no sistema anterior às DCOMP`s, através de DCTFs, que foram "NÃO CONVALIDADAS”. Fl. 653DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 8 c) Inconteste, pois, que, consoante art. 173 do CTN, todos os fatos e declarações, havidos, feitos e/ou praticados há mais de cinco anos encontram-se atingidos pela decadência, não havendo possibilidade de revisão, neste momento, dos saldos negativos de IRPJ dos anos-calendários de 1998 a 2001, devidamente declarados e contabilizados. d) Nada há a legitimar a pretensão do Fisco de em 12/01/2008, rever os saldos negativos de IRPJ dos anos-calendários de 1998 a 2001, apurados e declarados há mais de cinco anos. e) Às compensações não convalidadas, relacionadas no item 2.1.2 acima, que por força da decisão proferida nestes autos deram ensejo a nova representação fiscal e instauração do processo administrativo n° 10880.720.030/2008-97, para cobrança do montante de R$ 303.252,57, deve ser aplicado o disposto no §4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 segundo o qual os pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, deviam ser considerados declaração de compensação desde o seu protocolo. f) O Fisco, a cobrança desses tributos, fruto da não convalidação das citadas homologações, declarada pelo Despacho Decisório emitido nestes autos, não estaria sujeita a apreciação neste processo, porque seria escopo da Representação n° 10880- 720.030/2008-97. g) Por sua vez, no âmbito da Representação n° 10880.720030/2008-97, diz o acórdão recorrido que uma carta de cobrança não enseja a instauração de contencioso administrativo. h) Estava a DRJ obrigada a conhecer da matéria ventilada na manifestação de inconformidade, consistente na prescrição da cobrança dos tributos compensados há seis, sete e oito anos, sem que nada tenha sido glosado tempestivamente. i) Requer que Conselho aprecie diretamente e de pronto a matéria preliminar pela qual se alega a prescrição da cobrança dos aludidos créditos tributários, com suporte no art. 515, § 3" do CPC, aplicável por analogia, ou, se assim não for, para que se anule o acórdão recorrido, face o julgamento "citra petita", hipótese em que deverá determinar à autoridade julgadora que promova a prolação de novo pronunciamento, decidindo a questão e suprindo as omissões. j) A DRJ também se esquivou de apreciar a matéria consistente na impossibilidade de cobrança de supostos débitos de antecipações de IRPJ (estimativas) após o encerramento dos respectivos períodos de apuração, consoante fls. 569. Da mesma forma como já referido, deve essa matéria ser conhecida e provida pelo E. Conselho, ou, quando não, ser anulado o acórdão, por omissão, determinando-se que outro seja proferido, suprindo-se a falha que o macula. k) De acordo com o posicionamento do Primeiro Conselho de Contribuintes certo é que encerrado o período de apuração do IRPJ (1997), a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece o tributo efetivamente devido com base na apuração do lucro real. Saldo negativo do ano de 1998 l) Se o Fisco pretendia recalcular os saldos de IRPJ, desprezando as Declarações de IRPJ apresentadas pelo contribuinte, devia buscar a verdade real, não podendo sempre Fl. 654DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 637 9 utilizar os dados de sua conveniência, extraindo-os ora das DIPJ`s, ora de seu sistema de controle das retenções. m) A recorrente declarou e aproveitou em sua apuração do saldo de IRPJ de 1998, o IR retido no total de R$ 297.967,48 (itens 10 e 11 do Desp. Desp. Decisório, fls. 445 e 446), quantia essa inferior à que consta no sistema da DRF como a que foi retida da Sisgraph no período. Saldo negativo do ano de 1999 n) Afls. 01 dessa DIRF (fls. 307 dos autos), informa que a SISGRAPH sofreu retenções de IR, no ano-calendário de 1999, no total de R$ 318.566,00. o) No entanto, como se vê do próprio Despacho recorrido, a recorrente utilizou na formação do saldo credor de IRPJ de 1999 apenas o montante de R$ 265.232,65. Saldo negativo do ano de 2000 p) A recorrente utilizou na formação do saldo credor de IRPJ desse AC 2000, apenas a quantia de R$ 253.350,38 (R$ 1.731,00 + R$ 219.904,81 + R$ 31.714,57, constantes dos itens 25 e 26, às fls. 448), o qual é, obviamente, inferior ao total que lhe foi retido e que se encontra registrado no sistema da DRFB. q) Deve, pois, ser mantido o saldo negativo informado pelo contribuinte, às fls. 114 e 448 - item 25 - dos autos, confirmando o montante de saldo negativo de IRPJ de R$ 272.188,62, revisto pelo Acórdão recorrido para R$ 242.186,06 (fls. 576). Saldo negativo do ano de 2001 r) Mais uma vez o extrato do sistema da DRFB relativo à declaração do imposto de renda retido na fonte - DIRF, AC 2001, confirma que a recorrente foi retida de IR no total de R$ 359 702,04 (fls. 388 dos autos). s) Não tem procedência, assim, a revisão feita pela Auditora Fiscal, que reduziu o montante aproveitado pela recorrente para R$ 306.102,24 (itens 46 e 47, lis. 451 dos autos). t) A DRJ deveria de imediato ter determinado a comunicação da decisão com esse reconhecimento de créditos maiores no bojo da Representação que deu origem ao processo administrativo n° 10880-720.030/2008-97, a fim de evitar cobrança indevida. u) Aguarda-se o provimento deste recurso também para que as compensações acima referidas sejam reconhecidas, de acordo com os créditos admitidos. v) Por derradeiro, apenas para que não reste sem menção, enfatiza a recorrente que os saldos negativos que declarou nas suas DIPJs devem ser reconhecidos, com base na farta documentação contábil e fiscal que juntou aos autos. w) a prova dessas retenções, feita nestes autos, mediante as notas-fiscais, acompanhadas dos comprovantes de pagamento/ depósito deve ser admitida, na medida em que demonstra os fatos geradores ocorridos, não podendo existir incidência tributária disassociada da realidade fática. Fl. 655DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 10 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 09/01/2009 (AR de fls. 590). O recurso foi protocolado em 09/02/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. I. Da decadência Aduz a recorrente que consoante o art. 173 do CTN, todos os fatos e declarações efetuados ou praticados há mais de cinco anos encontram-se atingidos pela decadência, não havendo possibilidade de revisão, dos saldos negativos dos anos de 1998 a 2001. O art. 173 do CTN assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” O instituto da decadência está associado à ideia de inércia e transcurso do tempo. O art. 173 regula os efeitos da inércia da Fazenda Pública sobre seu direito de constituir o crédito tributário, ou seja, efetuar o lançamento ex officio. O objeto do presente processo é a compensação, sendo que a norma geral relativa ao instituto da compensação tributária é o art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” O art. 74 da Lei n° 9.430/1996 assim regula o instituto da compensação: Fl. 656DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 638 11 “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)” Existem consequências para a inércia da Fazenda Pública tanto em relação ao direito de constituir o crédito tributário, como em relação ao direito de não homologar a compensação efetuada pelo contribuinte, sob condição resolutória. No entanto, as regras são distintas: em relação ao direito de constituir o crédito tributário deve ser aplicado o art. 173 do CTN; nas hipóteses de compensação, aplica-se o § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996. Não se pode alargar indevidamente o alcance do art. 173 do CTN para abranger o procedimento de verificação da liquidez e certeza do direito creditório utilizado na compensação, e desprezar o conteúdo do § 5º, da Lei nº 9.430/1996. No caso da compensação, o termo inicial do prazo decadencial não é a ocorrência do fato gerador, mas a data de entrega da declaração de compensação. Tal entendimento foi esposado no acórdão nº 103-23032, cuja ementa a seguir transcrevemos: “COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REALIZAR O LANÇAMENTO. O instituto da decadência do direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de compensação.” No presente caso não ocorreu homologação tácita da declaração de compensação, uma vez que a autoridade administrativa questionou a validade da compensação antes do transcurso do prazo de 5 anos – declaração efetuada em 31/03/2003 e ciência do despacho que não homologou a compensação em 12/01/2008. Fl. 657DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 12 Ao verificar a liquidez e certeza do saldo negativo do ano de 2001, objeto da compensação, a autoridade administrativa constatou que as estimativas que compuseram este saldo foram compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, in verbis (fls.445): “8. Analisando-se a DIPJ/2002 — Ano-calendário 2001 (fls 29 a 97), verifica-se que a interessada optou por apuração anual do lucro real, que apurou um saldo credor de IRPJ no montante de R$ 46.843,12 (fl. 40), e que tal montante tem origem nas antecipações mensais de IRPJ e nos valores de IRRF. (fls. 36 a 39). 9. Com relação às estimativas mensais, foi observado através das DCTF (fls. 100 a 103) que parte das antecipações de 2001 foram feitas com compensação com saldo credor de IRPJ do AC 2000. Esse foi parcialmente formado por compensações com o saldo credor de IRPJ de 99 que, por sua vez, foi parcialmente compensado com o saldo credor de IRPJ de 98.” Pergunta-se: podem ser analisados os saldos negativos de períodos anteriores, utilizados para compensar estimativas? A resposta é afirmativa. A autoridade administrativa tem o poder-dever de verificar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, a teor do disposto no art. 170 do CTN. A Fazenda Nacional apenas perde este direito após o transcurso do prazo previsto no § 5º, da Lei nº 9.430/1996. Se o contribuinte optou pela compensação de estimativas com saldos negativos de períodos anteriores, deve conservar a documentação necessária para comprovar a certeza e a liquidez do seu crédito, em obediência ao disposto no art. 264, caput, do RIR/99, cuja matriz legal se encontra no art. 4º do DL 486/69: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.” Por conseguinte, rejeito a preliminar de decadência arguida pela recorrente. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. RECURSO ADMINISTRATIVO. CAUSA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, NOS TERMOS DO ART. 151, III, DO CTN. NÃO INFLUÊNCIA DA LEI N. 10.833/2003, QUE ALTEROU O ART. 74 DA LEI N. 9.430/1996. 1. Caso em que se discute a atribuição do efeito de suspensão da exigibilidade do crédito tributário ao pedido de compensação formulado antes da vigência da Lei n. 10.833/2003, que alterou o art. 74 da Lei n. 9.430/1996. 2. Agravo regimental no qual se sustenta que "o pedido de compensação, bem como a manifestação contra não homologação do mesmo, devem ser analisados à luz da legislação então vigente", razão pela qual defende-se que o Fl. 658DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 639 13 pedido de compensação, realizado antes da Lei n. 10.833/2003, não é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 3. O art. 151, III, do CTN, cuja redação é bem anterior à Lei n. 10.833/2003, já previa que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". 4. Conquanto não se desconheça as controvérsias jurisprudenciais sobre a matéria, não se pode entender como razoável a interpretação dada pela Fazenda Nacional de que o pedido de compensação só teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário a partir da Lei n. 10.833/2003, uma vez que esse efeito já estava previsto no art. 151, III, do CTN. 5. A Lei n. 10.833/2003 não traz nova hipótese de suspensão, mas tão somente dita, previamente, a interpretação que deve ser feita da lei. É a chamada interpretação autêntica. 6. Assim, no caso, não se está diante da hipótese da regra do tempus regit actum, pois, à época, já havia disposição legal que respaldava a atribuição do efeito de suspender à exigibilidade do crédito tributário ao pedido de compensação. 7. O STJ já enfrentou o tema e decidiu que "o pedido de compensação na esfera administrativa, mesmo anteriormente à nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, suspende a exigibilidade do crédito tributário porque enquanto pendente discussão administrativa, a dívida carece de certeza (existência) e exigibilidade" (REsp 972.531/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 6/10/2009, DJe 27/11/2009). 8. Agravo regimental não provido.(AGRESP - AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 1146374- DJE: 25/02/2010). II. Saldo negativo de 1998 O quadro abaixo demonstra as diferenças entre os valores apurados pela contribuinte e os constantes da decisão recorrida: Saldo negativo de 1998 Saldo negativo declarado Saldo negativo reconhecido ( Delegacia e DRJ) Fundamento IRPJ apurado 461.919,24 461.919,24 (-) Dedução PAT 11.662,06 11.662,06 (-) IRRF 127.264,26 103.731,71 Foi computado IRRF relativo aos valores das receitas financeiras declaradas no montante de Fl. 659DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 14 Pagamentos com DARF Compensação IRRF IRRF por órgão público (-) Total do IR mensal pago por estimativa 344.513,94 7.841,00 104.251,24 66.451,98 523.058,16 344.513,94 7.841,00 104.251,24 64.355,85 520.962,03 declaradas no montante de R$ 965.732,91 (fls. 291). Foram computados os valores constantes dos sistemas da RFB e as retenções efetuadas pelo Comando da Aeronáutica (fls. 291). Saldo de IR a pagar -200.065,14 -174.436,56 No extrato do sistema “IRF Consulta”(fls. 276), consta retenção de IR no valor de R$ 299.728,51, estando incluídos nestes valores o imposto retido por órgão púbico. Conforme demonstrativo de fls. 291, a autoridade administrativa, após computar os valores que constavam dos informes de rendimentos apresentados pela contribuinte, mas que não constavam do sistema IRF CONS, verificou que as receitas financeiras não foram integralmente declaradas. A recorrente declarou receitas financeiras no montante de R$ 965.732,91, razão pela qual a autoridade administrativa aceitou, como dedutível, um valor proporcional de IRRF, correspondente a R$ 163.731,76, ao invés de R$ 194.365,54. A recorrente não questionou tal fato na impugnação, nem se contrapôs especificamente contra a fundamentação da decisão recorrida, que considerou correto o procedimento da autoridade administrativa. O art. 3° da Lei n° 8.541/1995, dispõe expressamente que do imposto apurado com base no lucro real apenas pode ser excluído o IRRF sobre as receitas computadas na base de cálculo do imposto, in verbis: “Art. 3º A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, deverá apurar mensalmente os seus resultados, com observância da legislação comercial e fiscal. (...) § 2º Do imposto apurado na forma do parágrafo anterior a pessoa jurídica poderá excluir o valor: (...) c) do imposto de renda retido na fonte e incidente sobre receitas computadas na base de cálculo do imposto.” Por outro lado, todas as retenções efetuadas sob os códigos 6147 e 6190 (produtos e serviços - retenção em pagamento por órgão público) discriminadas no extrato do sistema IRF Consulta (fls. 276/277) foram computados no demonstrativo elaborado pela autoridade administrativa, sendo que a decisão recorrida reconheceu ainda a retenção relativa a pagamentos efetuados pelo Comando da Aeronáutica, CNPJ n° 00.394.429/0048-74, em face dos documentos apresentados. Na fase recursal não foi anexado nenhum comprovante adicional. Não merece acolhida o argumento da recorrente de que teria aproveitado no saldo de IRPJ de 1998 quantia inferior à que consta no sitema da Receita Federal. Como a Fl. 660DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 640 15 recorrente presta serviços e fornece produtos para órgão público, estão contidos nos valores retidos montantes de CSLL, PIS/PASEP e COFINS. Ou seja, sempre que houver retenção nos códigos 6147 e 6190, os valores constantes dos extratos do sistema serão necessariamente menores do que aqueles aproveitados na composição do saldo negativo, uma vez, que apenas pode ser deduzido o imposto de renda retido. Logo, não merece reparos a decisão recorrida, sendo que restou comprovada a liquidez e certeza de saldo negativo no valor de R$ 174.436,56. III. Saldo negativo de 1999 O quadro abaixo explicita as diferenças objeto de litígio: Saldo negativo de 1999 Saldo negativo declarado Saldo negativo reconhecido ( Delegacia e DRJ) Fundamento IRPJ apurado 271.239,65 271.239,65 (-) IRRF 84.314,77 84.314,77 (-) IRRF OP 36.904,43 27.048,49 CompensaçãoSC 98 IRRF (-) Total do IR mensal pago por estimativa 127.226,31 144.013,45 271.239,76 127.226,31 144.013,45 271.239,76 Foram computados os valores constantes dos sistemas da RFB. O valor pretendido está inflado por não terem sido segregados os valores abrangendo os demais tributos. Saldo de IR a pagar -121.219,30 -111.363,37 No tocante ao saldo negativo deste ano, a autoridade administrativa verificou que apenas não foram declaradas as receitas que sofreram retenção no código 5706. Constam dos autos as seguintes informações: Extrato da Dirf (fls. 307) : R$ 318.566,00 Receita não declarada (fls. 307): Código receita: 5706; Rendimento bruto: 762,63 ; IRRF: 114,31. Valor de IRRF a ser considerado (fls. 309) = 318.566,00 – 86.168,15 (IRRF OP) – 114,31 (receita não declarada) = 232.283,54 Valor deduzido nas antecipações por estimativa = 144.013,45 Saldo de IRRF a deduzir = 232.283,54 - 144.013,45 = 88.270,09 Foram considerados todos os valores constantes da Dirf, relativos às retenções por órgão público, nos percentuais previstos na legislação. A recorrente não anexou documentos adicionais para comprovar a existência de outras retenções não declaradas pelas fontes pagadoras. Fl. 661DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 16 Quanto ao valor do IRRF por entes privados, o procedimento da autoridade administrativa não está correto. Como demonstrado acima, após a exclusão do IRRF, código de receita 5706, constata-se a existência de saldo de IRRF a deduzir no valor de R$ 88.270,09. Apesar da autoridade administrativa ter reconhecido que o montante de IRRF a ser considerado no ano de 1999, seria de R$ 232.283,54, apenas computou no saldo negativo o valor de R$ 228.328,22 (144.013,45 + 84.314,77). Ora, o fato da contribuinte ter declarado apenas R$ 84.314,77, não impede a dedução integral dos valores cuja retenção restou comprovada. Assim, deve ser acrescentado ao saldo negativo o montante de R$ 3.955,32, conforme abaixo demonstrado: Saldo negativo de 1999 IRPJ apurado 271.239,65 (-) IRRF 88.270,09 (-) IRRF OP 27.048,49 CompensaçãoSC 98 IRRF (-) Total do IR mensal pago por estimativa 127.226,31 144.013,45 271.239,76 Saldo de IR a pagar -115.318,69 IV. Saldo negativo de 2000 O quadro abaixo sintetiza as diferenças apuradas no ano de 2000: Saldo negativo de 2000 Saldo negativo declarado Saldo negativo reconhecido ( Delegacia e DRJ) Fundamento IRPJ apurado 693.747,40 693.747,40 (-) Dedução PAT 17.225,94 17.225,94 (-) IRRF 1.731,01 0,00 Pagamentos com DARF Compensação SC 98 Compensação SC 99 IRRF IRRF por órgão público (-) Total do IR mensal pago por estimativa 480.994,04 93.146,45 121.219,11 219.904,81 31.714,57 946.979,07 480.994,04 73.619,02 115.421,07 216.958,81 31.714,57 918.707,51 A interessada apresentou parte dos informes de rendimentos solicitados e enviou também demonstrativos de retenções de IR feitas pelos seus clientes em 2000 (fls. 249 a 253) acompanhados das respectivas Notas Fiscais. Os informes de rendimentos apresentados confirmaram os valores encontrados na DIRF. No que se refere às notas fiscais, elas não podem ser consideradas para efeito de comprovação de IRRF. 26. Saldo de IR a pagar -272.188,62 -242.186,05 Fl. 662DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 641 17 As diferenças na apuração do saldo negativo de 2000 são decorrentes da glosa parcial dos valores dos saldos de 1998 e 1999, e da falta de comprovação do IRRF por entes privados. No tocante ao montante retido por órgão público, a autoridade administrativa reconheceu o valor de R$ 33.922,95. No entanto, apenas computou no saldo o valor declarado pela contribuinte, R$ 31.714,57. Ora, não há motivos para desconsiderar a dedução integral dos valores confirmados. Logo, deve ser deduzido como IRRF por órgão público o valor de R$ 33.922,95. Quanto ao IRRF por entes privados, a autoridade administrativa reconheceu quase todos os valores constantes da Dirf. Apenas não computou o IRRF retido sob o código 5706 (fls. 332 e 382): valor confirmado = 216.958,81 [313.576,82 – 45.420,91 (código 6147) - 51.097,21 (código 6190) – 99,89 (código 5706)]. Diferentemente dos anos anteriores, a autoridade administrativa não apresentou nenhum motivo para desconsiderar a retenção de R$ 99,89 (fls. 341/343). Logo, o valor a ser considerado deve ser aquele constante em DIRF – R$ 217.058,70. A recorrente apresentou parte dos informes de rendimentos solicitados e enviou demonstrativos de retenções de IR feitas pelos seus clientes em 2000 (fls. 249 a 253) acompanhados das respectivas notas fiscais. Se é certa a admissibilidade de outros meios de prova para demonstrar a retenção, também é fato que as notas fiscais, desacompanhadas dos extratos bancários, é documentação insuficiente para provar que a contribuinte assumiu o ônus financeiro do tributo. Ao admitirmos as notas fiscais, acompanhadas dos extratos bancários, a fim de comprovar o recebimento dos valores líquidos do imposto de renda na fonte nelas indicados, não estamos descumprindo o art. 55 da Lei n° 7.450/1985. Ao contrário, estamos aplicando integralmente o seu conteúdo normativo, ao interpretá-lo em consonância com sua finalidade, qual seja, a de permitir a compensação do imposto retido, mediante a comprovação da efetiva retenção. No caso concreto, a recorrente apenas anexou notas fiscais em relação às retenções efetuadas no ano de 2000, sendo que tais documentos, desacompanhados dos extratos bancários são insuficientes para demonstrar retenções não declaradas pelas fontes pagadoras. Em decorrência da alteração do saldo negativo do ano calendário de 1999, é necessário refazer o cálculo de fls. 554/556, considerando como valor do saldo negativo apurado em 30/12/99, o montante de R$ 115.318,69. • Compensação 001 de 002 Crédito: IRPJ/2000 valorado em 30/12/1999 – R$ 115.318,69 Débito: 2362(IRPJ) vencido em 28/02/2000 – R$ 20.959,53 Dcomp:28/02/2000 Índice de deflação do débito: 0,97599063 – R$ 20.456,30 Fl. 663DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 18 a. Selic (12/1999 a 02/2000): 2,46% Saldo do débito: R$ 0,00/Saldo de Crédito: R$ 94.862,39 • Compensação 002 de 002 Crédito: IRPJ/2000 valorado em 30/12/1999 – R$ 94.862,39 Débito: 2362(IRPJ) vencido em 31/03/2000 – R$ 101.493,46 Dcomp:31/03/2000 Índice de deflação do débito: 0,96237128 – R$ 97.674,39 a. Selic (12/1999 a 03/2000): 3,91% Saldo do débito: R$ 2.921,94 (2.812,00 * 1,0391)/Saldo de Crédito: R$ 0,00 Valor da estimativa paga: 98.571,52 (101.493,46 – 2.921,94) Portanto, o valor da estimativa paga a ser considerada é a demonstrada no quadro abaixo: AC 2000 Pagto.Darf Comp. SC 98 Comp. SC 99 IRRF IRRF OP Total Estimativa Total 480.994,04 73.619,02 119.027,82 (20.456,30 + 98.571,52) 217.058,70 33.922,95 924.622,53 Por conseguinte, deve ser reformada a decisão recorrida na parte relativa ao ano de 2000, sendo reconhecido o seguinte saldo negativo: Saldo negativo de 2000 IRPJ apurado 693.747,40 (-) Dedução PAT 17.225,94 (-) IRRF 0,00 (-) Total do IR mensal pago por estimativa 924.622,53 Saldo de IR a pagar -248.101,07 V. Saldo negativo de 2001 Por fim, chegamos à análise da liquidez e certeza do saldo negativo objeto da presente compensação, conforme quadro abaixo: Saldo negativo de 2001 Saldo negativo declarado Saldo negativo reconhecido ( Delegacia e DRJ) Fundamento IRPJ apurado 673.927,03 673.927,03 Fl. 664DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 642 19 Pagamentos com DARF Compensação SC 00 IRRF IRRF por órgão público (-) Total do IR mensal pago por estimativa 129.420,26 259.716,11 306.103,24 25.530,54 720.770,15 129.420,26 251.257,60 284.951,00 21.151,24 686.780,10 A interessada apresentou parte dos informes de rendimentos solicitados e enviou também demonstrativos de retenções de IR feitas pelos seus clientes em 2001 (fls. 253 a 259) acompanhados das respectivas notas fiscais. Os informes de rendimentos apresentados confirmaram os valores encontrados na DIRF. No que se refere às notas fiscais, elas não podem ser consideradas para efeito de comprovação de IRRF. 26. Saldo de IR a pagar -46.843,12 -12.853,07 No tocante ao saldo negativo deste ano, a autoridade administrativa verificou que apenas não foram declaradas as receitas que sofreram retenção no código 5706. Constam dos autos as seguintes informações: Extrato da Dirf (fls. 388) : R$ 359.702,04 Receita não declarada (fls. 388): Código receita: 5706; Rendimento bruto: 789,54 ; IRRF: 118,41. Valor de IRRF a ser considerado (fls. 439) = 359.702,04 – 74.632,63 (IRRF OP) – 118,41 (receita não declarada) = 284.951,00 Valor deduzido nas antecipações por estimativa = 284.951,00 IRRF retido por órgão público = 21.151,24 Total do IRRF = 306.103,24 Foram considerados todos os valores constantes da Dirf, relativos às retenções por órgão público, nos percentuais previstos na legislação. A recorrente não anexou documentos adicionais para comprovar a existência de outras retenções não declaradas pelas fontes pagadoras. Quanto ao IRRF por entes privados, a autoridade administrativa reconheceu quase todos os valores constantes da Dirf. Apenas não computou o IRRF retido sob o código 5706 (fls. 388 e 439): valor confirmado = 284.951,00 [359.702,04 – 74.632,63 (IRRF OP) – 118,41 (receita não declarada)]. Fl. 665DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 20 A recorrente apresentou parte dos informes de rendimentos solicitados e enviou demonstrativos de retenções de IR feitas pelos seus clientes em 2000 (fls. 249 a 253) acompanhados das respectivas notas fiscais. Se é certa a admissibilidade de outros meios de prova para demonstrar a retenção, também é fato que as notas fiscais, desacompanhadas dos extratos bancários, é documentação insuficiente para provar que a contribuinte assumiu o ônus financeiro do tributo. Ao admitirmos as notas fiscais, acompanhadas dos extratos bancários, a fim de comprovar o recebimento dos valores líquidos do imposto de renda na fonte nelas indicados, não estamos descumprindo o art. 55 da Lei n° 7.450/1985. Ao contrário, estamos aplicando integralmente o seu conteúdo normativo, ao interpretá-lo em consonância com sua finalidade, qual seja, a de permitir a compensação do imposto retido, mediante a comprovação da efetiva retenção. No caso concreto, a recorrente apenas anexou notas fiscais em relação às retenções efetuadas no ano de 2001, sendo que tais documentos, desacompanhados dos extratos bancários são insuficientes para demonstrar retenções não declaradas pelas fontes pagadoras. Em decorrência da alteração do saldo negativo do ano calendário de 2000, é necessário refazer o cálculo de fls. 557/559, considerando como valor do saldo negativo apurado em 28/12/00, o montante de R$ 248.101,07. • Compensação 001 de 004 Crédito: IRPJ/2001 valorado em 28/12/2000 – R$ 248.101,07 Débito: 2362(IRPJ) vencido em 28/02/2001 – R$ 46.832,29 Dcomp:28/02/2001 Índice de deflação do débito: 0,97780385 – R$ 45.792,79 a. Selic (12/2000 a 02/2001): 2,27% Saldo do débito: R$ 0,00/Saldo de Crédito: R$ 202.308,28 • Compensação 002 de 004 Crédito: IRPJ/2001 valorado em 28/12/2000 – R$ 202.308,28 (saldo) Débito: 2362(IRPJ) vencido em 30/03/2001 – R$ 83.374,01 Dcomp: 30/03/2001 Índice de deflação do débito: 0,96814793 – R$ 80.718,38 a. Selic (12/2000 a 03/2001): 3,29% Saldo do débito: R$ 0,00/Saldo de Crédito: R$ 121.490,90 • Compensação 003 de 004 Crédito: IRPJ/2001 valorado em 28/12/2000 – R$ 121.490,90 (saldo) Débito: 2362(IRPJ) vencido em 30/04/2001 – R$ 110.996,21 Dcomp: 30/04/2001 Índice de deflação do débito: 0,95648015 – R$ 106.165,70 Fl. 666DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 643 21 a. Selic (12/2000 a 04/2001): 4,55% Saldo do débito: R$ 0,00/Saldo de Crédito: R$ 15.325,20 • Compensação 004 de 004 Crédito: IRPJ/2001 valorado em 28/12/2000 – R$ 15.325,20 (saldo) Débito: 2362(IRPJ) vencido em 31/05/2001 – R$ 18.513,56 Dcomp: 31/05/2001 Índice de deflação do débito: 0,94571591 – R$ 17.508,57 a. Selic (12/2000 a 05/2001): 5,74% Saldo do débito: R$ 2.308,70 (2.183,37 * 1,0574)/Saldo de Crédito: R$ 0,00 Valor da estimativa paga: 16.204,86 (18.513,56 – 2.308,70) Portanto, o valor da estimativa paga a ser considerada é a demonstrada no quadro abaixo: AC 2001 Pagto.Darf Comp. SC 00 IRRF IRRF OP Total Estimativa Total 129.420,26 257.407,37 (46.832,29+83.374,01 110.996,21+16.204,86) 284.951,00 21.151,24 692.929,87 Por conseguinte, deve ser reformada a decisão recorrida, a fim de ser reconhecido direito creditório relativo ao ano de 2001, no montante abaixo discriminado: Saldo negativo de 2001 IRPJ apurado 673.927,03 Pagamentos com DARF Compensação SC 00 IRRF IRRF por órgão público (-) Total do IR mensal pago por estimativa 129.420,26 255.936,63 284.951,00 21.151,24 692.929,87 Saldo de IR a pagar -19.002,84 VI. Processo administrativo n° 10880.720030/2008-97 O despacho decisório que não homologou a declaração de compensação de fls. 1/2, manifestou-se expressamente sobre as seguintes compensações, efetuadas nos termos do art. 66, da Lei n° 8.383/1991, e declaradas em DCTF: Fl. 667DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 22 Código tributo Período de apuração Vencimento Valor 2362 02/2000 31/03/2000 33.503,51 2362 03/2000 28/04/2000 18.293,65 2362 03/2001 30/04/2001 17.734,20 2362 04/2001 31/05/2001 18.513,56 2362 02/2002 28/03/2002 11.097,84 2362 03/2002 30/04/2002 32.788,39 Os débitos cuja compensação não foi convalidada são objeto de cobrança no processo n° 10880.720030/2008-97 (fls. 510/512). De imediato, é possível reconhecer a improcedência da cobrança do valores cuja compensação foi reconhecida no curso do processo administrativo, sendo restaram os seguintes saldos devedores: Código tributo Período de apuração Vencimento Saldo devedor 2362 02/2000 31/03/2000 2.921,94 2362 03/2000 28/04/2000 18.293,65 2362 03/2001 30/04/2001 0,00 2362 04/2001 31/05/2001 2.308,70 2362 02/2002 28/03/2002 11.097,84 2362 03/2002 30/04/2002 32.788,39 Além da redução dos valores a serem cobrados em decorrência desta decisão, não há como deixar de acolher a alegação da recorrente acerca da cobrança das estimativas após o encerramento do período de apuração anual do IRPJ. As Instruções de Preenchimento do programa DCTF 2.1, que tem por finalidade permitir ao declarante o preenchimento, validação do conteúdo e gravação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF para entrega à Secretaria da Receita Federal - SRF, com períodos de apuração ocorridos a partir do ano de 1999, traz a seguinte orientação sobre o tratamento dos dados informados: “3. Tratamento dos Dados Informados Os saldos a pagar demonstrados na “Pasta – Resumo” do Programa Gerador da DCTF, relativos a cada imposto ou contribuição, exceto os relativos ao IRPJ e a CSLL apurados anualmente, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, após o término do prazo previsto para a entrega da declaração. (...) Os saldos a pagar relativos ao IRPJ e a CSLL, das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real anual, serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica (DIPJ), antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União.” Conforme extrato do sistema Comprot o processo n° 10880.720030/2008-97, encontra-se no setor de cadastro da dívida ativa da Procuradoria da Fazenda Nacional: Fl. 668DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 644 23 Dados do Processo Número : 10880.720030/2008-97 Data de Protocolo : 21/01/2008 Documento de Origem : REPRESENTACAO Procedência : Assunto : REPRESENTACAO PER/DCOMP - ASSUNTOS TRIBUTARIOS DIVERSOS Nome do Interessado : SISGRAPH LTDA CNPJ : 54.512.587/0001-47 Localização Atual Órgão Origem : SET CONT PROCESSAMENTO-PFN-SP Órgão Destino : SERV CAD DIVIDA ATIVA-PRFN-SP Movimentado em : 15/06/2009 Sequencia : 0008 RM : 10384 Situação : EM ANDAMENTO UF : SP Não há notícias nos autos sobre a realização da auditoria interna. De mais a mais, se os valores das estimativas não foram considerados na composição dos saldos negativos, eventual cobrança desses valores poderia gerar prejuízos ao contribuinte. Se ele pagasse as estimativas não teria como computa-las nos saldos negativos analisados no presente processo. Por fim, as alegações de prescrição da cobrança dos débitos devem ser dirigidas à Procuradoria da Fazenda Nacional, uma vez que o controle do crédito tributário inscrito na Dívida Ativa da União é de sua responsabilidade, a teor do contido no parágrafo 3º, artigo 131 da Carta Magna e dos parágrafos 3.º e 4.º, artigo 2.º da Lei n.º 6.830/80. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer direito creditório adicional de R$ 6.149,77 (19.002,84 – 12.853,07), homologando-se as compensações até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Voto Vencedor Fl. 669DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 24 Conselheiro WALTER ADOLFO MARESCH, Redator designado Não obstante o brilhantismo do bem lançado voto da ilustre conselheira relatora, suas conclusões não foram integralmente acolhidas pela maioria da turma julgadora. Com efeito, com relação ao direito creditório relativo ao imposto de renda retido na fonte, correspondente ao ano calendário 1998, o procedimento adotado pela Administração Tributária não pode prosperar. Ante o pretexto de examinar a liquidez e certeza do direito creditório relativo ao saldo negativo do ano calendário 1998, glosou a autoridade fiscal da unidade de origem, parcela do imposto de renda retido na fonte devidamente comprovado, ante o fundamento de que parte da receita não teria sido oferecida à tributação. Se é certo que tem a autoridade fiscal a prerrogativa de indagar acerca da liquidez e certeza do direito creditório apurado pelo contribuinte, inclusive sobre períodos anteriores que possam ter repercussão no crédito pleiteado, tal direito não abrange a possibilidade de realizar glosas de despesas ou adição de receitas supostamente não declaradas o que é reservado ao lançamento de ofício na forma do CTN. Já o lançamento de ofício somente pode ser realizado no prazo estipulado pelo Código Tributário Nacional, de acordo com as regras do art. 150, § 1º e 173 do Além de utilizar procedimento equivocado pois a simples análise da DIPJ não permite concluir com segurança de que tenha havido qualquer omissão no registro das receitas auferidas, acabou a autoridade fiscal por realizar lançamento de ofício por vias transversas, sobre período de apuração já alcançado pela decadência. Com efeito, inicialmente com relação ao procedimento é de se repudiar a possibilidade de se aferir a regularidade da escrituração de receitas principalmente no caso de receitas decorrentes de aplicações financeiras, simplesmente pelo confronto entre a DIRF e a DIPJ apresentada pela contribuinte. É que as receitas informadas pela DIRF nem sempre ou quase nunca guardam correspondência com as receitas financeiras declaradas na escrituração contábil pois enquanto a DIRF é informada pelo regime de caixa, a escrituração contábil é regida pelo regime de competência. Além do mais, a DIPJ como mera fonte de informação, não se presta a extrair com segurança a efetiva receita escriturada pelo contribuinte, pois as contas contábeis nem sempre guardam correspondência com as linhas da declaração, podendo haver contas englobadas ou desmembradas, de acordo com a conveniência e entendimento do profissional que preenche a declaração. Por outro lado, o que reputo mais grave no procedimento adotado é que se pretende restringir o direito ao imposto de renda retido na fonte devidamente comprovado, efetuando um lançamento por via transversa, o que é defeso pois o ano calendário 1998, já se encontrava decaído há longo tempo por ocasião do despacho decisório cientificado somente em 12/01/2008. Constada a omissão de receita ou registro inexato de receitas, tem a autoridade fiscal o poder/dever de efetuar o lançamento de ofício, adicionando a receita Fl. 670DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 11610.001739/2003-28 Acórdão n.º 1803-00.673 S1-TE03 Fl. 645 25 omitida ao resultado do exercício computando outrossim, o imposto de renda retido na fonte devidamente comprovado. Tal procedimento somente é possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Nacional, sendo defeso à autoridade fiscal, em um exercício de verdadeiro malabarismo, negar o legítimo direito ao imposto de renda retido na fonte, com base em meras suposições e ausentes os pressupostos legais para o exercício do direito que a lei lhe faculta para realizar o lançamento de ofício. Ante o exposto voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito integral ao imposto de renda retido na fonte, relativo ao ano calendário 1998 e suas repercussões em relação aos demais períodos objeto da análise constante do presente processo. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Redator Designado Fl. 671DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
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Numero do processo: 16561.720057/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 05 7/ 20 14 -1 7 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 457 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela 5ª Turma da DRJ/RPO em razão de decisão exarada no Acórdão nº 1458.227, sessão de 29 de abril de 2015 (fls. 418/432)1, que exonerou crédito tributário acima do limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, exigindo, nos termos do artigo 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, o reexame necessário por este Colegiado. Os lançamentos de IRPJ e CSLL fixados nos autos de infração (fls. 02) reportamse ao anocalendário de 2010, somam R$ 271.816.443,88 e têm a seguinte divisão: De acordo com o TVF (fls. 14/36), a infração restou assim caracterizada: i) “Intimada a demonstrar as participações societárias no exterior da empresa incorporada NORMUS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. no anocalendário de 2010, a fiscalizada, por meio de expediente recepcionado em 20/02/2014, informou que no aludido período sua incorporada manteve o seguinte investimento em sociedade com sede no exterior, conforme demonstrativo abaixo: ii) Em resposta à intimação para detalhar as operações e atividades efetivamente exercida por esta entidade no exterior, a fiscalizada informou que a 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 458 3 empresa Fibria Overseas Holding Kft, sediada na Hungria “apenas possuía participação societária na empresa Fibria Trading International Kft, sendo o seu resultado do ano oriundo desta participação.” A fiscalizada informou em resposta protocolizada em 17/04/2014 que a empresa Fibria Overseas Holding Kft detinha 51,7% de participação no capital social de Fibria Trading International Kft; iii) O quadro de resultados da empresa Fibria Overseas Holding Kft nos anos calendário de 2006 a 2010 ficou assim demonstrado: iv) O quadro abaixo apresenta os resultados da controlada em tela, convertidos para reais, seguindo a instrução do § 3º do art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 213, de 7 de outubro de 2002: v) O exame da Linha 07 da Ficha 09A da DIPJ do anocalendário de 2010 revela que a NORMUS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. não adicionou nenhum valor a título de “lucros disponibilizados do exterior” para fim de apuração do lucro real do período: vi) Do todo exposto neste item, concluise que a empresa NORMUS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. – CNPJ 04.872.122/000129 deixou de oferecer à tributação o lucro obtido através de sua controlada Fibria Trading International, sediada na Hungria, no valor de R$ 387.462.228,99, no anocalendário de 2010; vii) Conforme exposto detalhadamente no item 3, a empresa incorporada NORMUS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA não adicionou nenhum valor a título de “lucros disponibilizados do exterior” Fl. 458DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 459 4 para fins de apuração do lucro real e de apuração da base de cálculo da CSLL no AC de 2010, relativamente ao lucro obtido através de sua controlada húngara FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT.; viii) A fiscalizada também informou que não houve pagamento de imposto de renda no exterior referente ao ano calendário de 2010 sobre o lucro de da empresa FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT no anocalendário de 2010; ix) A fiscalizada alegou os seguintes motivos para sua incorporada NORMUS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA não ter efetuado adição do resultado obtido pela sua controlada húngara FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT à Demonstração do Lucro Real, e nem ao Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no anocalendário de 2010: 1) As Demonstrações Financeiras não consolidadas da FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT relativas ao ano calendário de 2010 apresentadas à fiscalização na resposta de 20/02/2014 – informam que FOH apurou prejuízo no ano calendário de 2010; 2) Na Demonstração de Resultados de 2010 da FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT, o valor de US$232.370.161,57 apontado na linha "Equity" referese ao resultado de equivalência patrimonial decorrente de sua participação na empresa Fibria Trading International Kft. ("FTI"). A equivalência patrimonial não está sujeita à tributação na Hungria, sendo por esta razão que não houve, para o ano calendário de 2010, o aferimento de base de cálculo tributável em FOH, sujeita ao recolhimento do imposto sobre a renda em FOH; 3) A subsidiária FTI apurou prejuízo no exercício de 2008, cuja monta é superior aos lucros auferidos nos anos posteriores. Sendo assim, os lucros auferidos pela FTI em 2010 e reconhecidos por meio do método de equivalência patrimonial na FOH, e consequentemente na peticionária, de acordo com estrutura societária já apresentada, foram integralmente compensados com referidos prejuízos. xii) Vejamos que não assiste razão à fiscalizada quanto às alegações acima expostas: x) Quanto à alegação de que a Demonstração de Resultado da FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT, relativa ao ano calendário de 2010, aponta prejuízo no ano calendário de 2010, não assiste razão à fiscalizada, pois, segundo o arquivo apresentado a esta fiscalização em 20/02/2014 [Anexo 6 e 7 (DRE 2009 E 2010)], esta empresa apresentou lucro de US$232.654.154,55 (antes do imposto de renda), conforme cópia da planilha apresentada abaixo: xi) (...) Fl. 459DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 460 5 xii) Observese que, conforme a determinação do § 6º do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 213, de 7 de outubro de 2002, os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da controlada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. xiii) Portanto, o lucro auferido pela empresa Fibria Trading International Kft. ("FTI") em 2010 e reconhecido por meio do método de equivalência patrimonial na FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT no valor de US$232.370.161,57 deverá ser consolidado no seu balanço em 31/12/2010 para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil; xiv) Quanto à alegação de que na Demonstração de Resultados de 2010 da FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT, o valor de US$232.370.161,57 apontado na linha "Equity" referese ao resultado de equivalência patrimonial decorrente de sua participação na empresa Fibria Trading International Kft. ("FTI"), e de que a equivalência patrimonial não está sujeita à tributação na Hungria, sendo por esta razão que não houve, para o ano calendário de 2010, o aferimento de base de cálculo tributável em FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT., sujeita ao recolhimento do imposto sobre a sua renda, também não assiste razão à fiscalizada, pois, como já observado acima, o § 6º do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 213, de 7 de outubro de 2002, determina que os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da controlada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil; xv) Quanto à alegação de que a subsidiária FTI apurou prejuízo no exercício de 2008, cuja monta é superior aos lucros auferidos nos anos posteriores, e que sendo assim, os lucros auferidos pela FTI em 2010 e reconhecidos por meio do método de equivalência patrimonial na FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT., de acordo com estrutura societária já apresentada, foram integralmente compensados com referidos prejuízos, também não assiste razão à fiscalizada, pois, conforme Demonstração de Resultados da empresa FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT. relativo ao ano de 2008, apresentado pela fiscalizada em sua resposta protocolizada em 07/04/2014 (Item 8 e 9 Fibria Overseas Trading 2008), esta empresa teve um lucro de US$157.368.689,81 (antes do imposto de renda). Através da equivalência patrimonial, o prejuízo da subsidiária FTI já está refletido neste resultado, não podendo este prejuízo ser utilizado uma segunda vez para reduzir lucros de anos posteriores da FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT; xvi) Ademais, o § 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 213, de 7 de outubro de 2002, determina que os prejuízos apurados por uma controlada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada (mesmo que seja controle indireto, como é o caso da Normus com relação à FTI)”. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 461 6 Depois de reportarse longamente ao Tratado BrasilHungria e suas diversas nuances, legislativas, normativas e doutrinárias, o Auditor concluiu seu TVF (fls. 34): “Assim, em face do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, resta patente a necessidade do presente lançamento de ofício correspondente à participação da empresa NORMUS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 04.872.122/000129 sobre o lucro auferido através de sua controlada FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT., no anocalendário de 2010”. “Considerandose o resultado proporcional à participação da empresa NORMUS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 04.872.122/000129 (sucedida pela fiscalizada) na sua controlada FIBRIA OVERSEAS HOLDING KFT., concluise que o valor de R$387.462.228,99 deve ser adicionado ao lucro líquido para fins apuração do lucro real e à base de cálculo da CSLL da fiscalizada no anocalendário de 2010, tendo em vista o descumprimento do parágrafo único do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001”. Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação perante a DRJ/RPO, vazada, sintetizadamente, nos seguintes termos (fls. 313/340), juntando documentos: a) que, à época dos fatos, detinha a seguinte participação (fls. 314): b) ter alertado o Agente do Fisco durante a ação fiscal de que “FOH não exerceu atividades operacionais em 2010 e, portanto, não apurou lucros próprios no período; a empresa que obteve resultados positivos (...) foi FTI, conforme esclarecido”; c) que também apresentou uma DRE consolidada da FOH relativa a 2010 (fls. 305 dos autos) que mostra obtenção de lucro, porém derivada de equivalência patrimonial decorrente da participação na FTI; d) em razão dessa informação, o Fisco considerou que a NORMUS “teria deixado de oferecer à tributação o montante de R$ 387.462.228,99”, mas que este valor referese a lucros obtidos por FTI e não por FOH. e) que, todavia, o Fisco desconsiderou por completo “o prejuízo acumulado apurado por FTI desde 2008” (fls. 45 e 303), o qual seria “suficiente para compensação com lucros apurados pela empresa em 2010”; Fl. 461DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 462 7 f) que, “pela documentação apresentada, é patente que, no anocalendário de 2010, FOH não auferiu lucros; a empresa que apurou resultados positivos no período foi FTI, os quais foram evidenciados na DRE de FOH apenas para fins de demonstração”; g) considerando que o objeto dos autos são os lucros apurados por FTI, diz a impugnante, concluise de imediato que a autuação não encontra amparo na IN SRF nº 213/2002, contrariamente a viola, “na medida em que pretende tributar lucros que, conforme o art. 4º, § 2º da IN SRF nº 213/02,podem ser compensados com os prejuízos apurados pela própria FTI” (impugnação – fls. 324); h) prossegue a impugnante dizendo fazer sentido que seja assim, posto que, se mantida a tributação terseia uma situação ilógica e irracional, os lucros apurados por FTI considerados para fins de tributação no Brasil, enquanto os seus prejuízos seriam ignorados pelo Fisco; i) acrescenta: “em outras palavras, a autuação se fundamenta em premissa completamente descabida (...) ao considerar os lucros de FTI e desconsiderar os prejuízos”, e que o Fisco “escolheu aplicar apenas os dispositivos da IN SRF nº 213/02 que lhe convém”; j) que, “nesse particular, é fundamental afastar também o argumento trazido pelo TVF (...) segundo o qual o prejuízo apurado por FTI em 2008 já teria sido refletido nas demonstrações financeiras de FOH daquele ano, de modo que utilizálo em 2010 equivaleria ao uso de um mesmo prejuízo em duplicidade”; k) que o Fisco partiu de premissa errada, posto que a legislação húngara “não determina que a controladora avalie seus investimentos em outras sociedades pelo método de equivalência patrimonial”, e que, por isso o prejuízo de FTI não estaria refletido nas demonstrações financeiras de FOH naquele ano; l) deste modo, “os lucros auferidos por FTI no anocalendário de 2010 não poderiam ter sido simplesmente adicionados aos resultados de FOH, para fins tributação (...) na medida em que tais lucros (de FTI) são compensáveis com os prejuízos até então acumulados, nos termos do art. 4º, § 2º, da IN SRF nº 213/02”; m) que os lançamentos são completamente improcedentes, “por pretenderem exigir tributação sobre lucros que, pela legislação brasileira, não são tributáveis”; n) acrescenta ter o TVF ignorado o Tratado BrasilHungria, assunto sobre o qual discorre com profundidade. Para completar: “Conforme exaustivamente demonstrado nesta impugnação, os AUTOS não podem prosperar, pois: Fl. 462DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 463 8 (i) o art. 74 da MP n° 2.15835/01 cria ficção de fato gerador de IR. e tributa uma não renda, ou renda inexistente, e em poder de quem não teve acréscimo patrimonial algum, no caso, a IMPUGNANTE; (ii) o mero registro contábil do lucro das sociedades no exterior não representa a imediata disponibilidade econômica ou jurídica desses lucros à IMPUGNANTE; (iii) do anocalendário 2008 até 2010, FTI acumulou prejuízos no montante de US$703.443.664,89, de modo que não pode ser exigida tributação sobre seus resultados apurados no anocalendário 2010; e (iv) FOH e FTI são residentes na Hungria, país parceiro de acordo com o Brasil para evitar a bitributação (CONVENÇÃO HUNGRIA), de modo que os lucros apurados por essas empresas, mas não disponibilizados à IMPUGNANTE, não poderiam ter sido tributados no Brasil, nos termos do art. 70 da referida convenção”. E concluir: “Dessa forma, a IMPUGNANTE requer sejam cancelados integralmente os AUTOS. Caso não sejam cancelados os AUTOS, a IMPUGNANTE requer, subsidiariamente, que: (i) sejam compensados os impostos pagos por FTI na Hungria com o IRPJ e a CSL supostamente devidos no Brasil; e (ii) seja excluída a multa de ofício imposta, nos termos do art. 132 do CTN”. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 418/432) Analisando o litígio, a 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade, DEU PROVIMENTO à impugnação interposta, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 CONTROLADA NO EXTERIOR. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Conforme previsto no §1º, do artigo 7º, da IN/SRF nº 213/2002, o valor do resultado positivo da equivalência patrimonial deverá ser considerado para apuração do lucro real e a da base de cálculo da CSLL. IRPJ/CSLL. TRIBUTAÇÃO DE LUCROS AUFERIDOS POR SUBSIDIÁRIA NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE PERÍODOS ANTERIORES. Comprovada a existência de prejuízos de períodos anteriores, passível de compensação com os lucros a ser tributados no Brasil, cancelase a exigência. Impugnação Procedente Fl. 463DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 464 9 Crédito Tributário Exonerado Em seu voto, a Relatoria de 1º Grau, depois de assentar que “a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão”, apreciou o mérito, discorrendo: “Ressalvado meu posicionamento pessoal, exposto em julgamentos na Câmara Superior de Recursos Fiscais e turmas do antigo Conselho de Contribuintes e do CARF, cumpre adotar aqui o entendimento consolidado da Receita Federal do Brasil, consolidado desde a edição da Medida Provisória n° 2.15835 de 2001, especialmente na Instrução Normativa SRF 213 de 2002. Isso porque o dever de observância das normas administrativa pelo julgador de primeira instância abrange também as normas complementares editadas no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, conforme expressa disposição da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. (...) Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. O melhor entendimento no âmbito da RFB da matéria de que trata o presente litígio, tal qual registrado no TVF (fl. 26), é no sentido de que: “(...) a aplicação do disposto no art. 74 da MP n°2.15835,de 2001, não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação pelas seguintes razões: 34.1. a norma interna incide sobre o contribuinte brasileiro, inexistindo qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros; 34.2. o Brasil não está tributando os lucros da sociedade domiciliada no exterior, mas sim os lucros auferidos pelos próprios sócios brasileiros; e 34.3. a legislação brasileira permite à empresa investidora no Brasil o direito de compensar o imposto pago no exterior, ficando, assim, eliminada a dupla tributação, independentemente da existência de tratado. Com relação ao Art. 23, 2, do Acordo Brasil/Áustria, o raciocínio é o mesmo. Não se está tributando os dividendos a serem distribuídos no Brasil, mas os lucros apurados lá fora.” Fl. 464DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 465 10 Registrese que a fiscalização abordou o tema de forma detalhada, apresentando a fundamentação a sua autuação no Termo de Verificação. O enquadramento utilizado foi: artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 e artigos: 1º; 4º e 7º da IN SRF nº 213/2002. (...) Como pode ser verificado pelo que determina a aludida Instrução Normativa, o resultado da equivalência patrimonial representa o meio de inclusão do lucro apurado pela sociedade controlada no exterior na pessoa jurídica brasileira. Evidentemente, o lucro deve ser apurado depois de computada a variação cambial sobre tais investimentos (Consultas n° 54/03 e 55/03, da 9a Região Fiscal). O Art. 7º, § 1º, da IN n° 213/2002, da SRF, que determina a adição, à base de cálculo do IR e da CSLL, dos resultados positivos da equivalência patrimonial em investimentos no exterior está regulamentando a revogação tácita do parágrafo 6°, do artigo 25, da Lei n° 9.249/95 e do parágrafo único, artigo 23, do DecretoLei n° 1.598/77, pelo Art. 74 da MP n° 2.15835. Logo, a determinação contida na IN SRF n° 213/02 para a inclusão na base de cálculo do lucro real e da CSLL do resultado positivo dessa equivalência apenas concretiza o comando fixado pelo Art. 74 da MP n° 2.15835/2001. Quanto à alegação da Impugnante de que a IN SRF nº 213/02 extrapola o permissivo legal e quanto às outras possíveis ofensas às normas, reitero que a apreciação de tais argüições foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses que suscitem a ilegalidade ou a inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da validade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo deste poder. Por conseguinte, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, tendo em vista que é defeso a autoridades da Administração Pública, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar textos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. No que concerne ao tratado entre o Brasil e a Hungria, destinada a evitar dupla tributação, é certo que o Art. 7 do modelo de convenção da OCDE, correspondente ao art. VII da aludida convenção, estabelece a competência tributária exclusiva do Estado Contratante onde a empresa com lucros está situada. Porem, o mesmo Art. 7 do modelo de convenção da OCDE, não restringe a competência tributária exclusiva do Estado Contratante, onde a pessoa jurídica controladora está situada, de tributar em bases universais, inclusive de tributar os Fl. 465DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 466 11 lucros da coligada ou controlada disponibilizado, por competência, para o sócio, como no Brasil. Outrossim, dentre as matérias questionadas na peça impugnatória, destacase a alegação de que a Fibria Trading apurou prejuízo em períodos anteriores (verbis): (...) Pois bem, compulsando os autos verificase que cabe plena razão à impugnante. Isso porque, consoante comprovado pelos documentos de fls. 354 e seguintes, juntados á peça impugnatória, a Fibria apurou resultado negativo no ano de 2008, que suplanta os resultados positivos de 2009 (fl. 355) e 2010 (fl. 356),conforme resumo acima reproduzido. Entendo que o resultado negativo da Fibria no ano de 2008, à época denominada Aracruz Trading Internacional, pode ser sim compensado, consoante disposto no art. 4º. da Instrução Normativa SRF 213 de 7/10/2002, assim redigido: "Tratamento do prejuízo apurado no exterior Art. 4°. É vedada a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 1° Os prejuízos a que se refere este artigo são aqueles apurados com base na escrituração contábil da filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, efetuada segundo as normas legais do país de seu domicílio, correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996. § 2° Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. § 3°. Na compensação dos prejuízos a que se refere o §2° não se aplica a restrição de que trata o art. 15 da Lei n° 9.065 de 1995. § 4o. A pessoa jurídica brasileira que absorver patrimônio de filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, de outra pessoa jurídica brasileira, e continuar a exploração das atividades no exterior, poderá compensar os prejuízos acumulados pela referida filial, sucursal, controlada ou coligada, correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996, observado o disposto neste artigo. § 5o. Tratandose de filiais e sucursais, domiciliadas num mesmo país, quando a matriz no Brasil indicar uma dessas filiais ou sucursais como entidade líder, os resultados poderão ser consolidados por país e os prejuízos de uma poderão ser compensados com os lucros de outra.” Grifei. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 467 12 É certo que a “FIBRIA INTERNATIONAL TRADE GMBH”, atual denominação de FIBRIA INTERNACIONAL GMBH, anteriormente também denominada SU Holdings GmbH, foi adquirida pela autuada em dezembro de 2009. Todavia, as normas não vedam a compensação de prejuízos nessa situação. Alias, caso a Fiscalização verificase que o resultado da Fibria Internacional em 2008 também fosse positivo e não oferecido a tributação, poderia ser exigido da própria autuada, inclusive com multa de oficio, caso comprovado tratarse de empresas coligadas à época. Deixo de apreciar as demais alegações da impugnante, inclusive as preliminares, haja vista que os fundamentos de mérito acima são suficientes para cancelar as exigências. Isso à inteligência do disposto no art. 59, §3º do Decreto n° 70.235/1972”. É o relatório do essencial. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 468 13 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone O Recurso de Ofício atende os requisitos fixados na Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, pelo que o recebo e dele conheço. A matéria tem duas frentes a debater: i) a existência de prejuízos acumulados em controlada indireta da autuada, localizada no exterior (Fibria Trading International FTI), em país sem tributação favorecida (no caso, Hungria) e se tais prejuízos deveriam ser considerados em caso de eventuais lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL na autuada em razão da equivalência patrimonial medida em sua controlada direta – Fibria Overseas Holding (FOH) pela participação societária desta (FHO) na FTI à razão de 51,7%; e, ii) aplicação do Tratado BrasilHungria destinado a evitar dupla tributação. Como a primeira hipótese (existência de prejuízo e possibilidade de sua utilização no caso de eventual lançamento de ofício) pode tornar letra morta a análise do segundo tema (aplicação do Tratado BrasilHungria), inicio o estudo por aquela. Para melhor compreensão, relembrese o organograma de investimento da recorrente: Normus* (Fibria) – Brasil detinha 100% da participação na Fibria Overseas Holding Kft. “FOH” – Hungria. Esta, por sua vez, detinha 51,7% na Fibria Trading International – “FTI” – Hungria. Esquematicamente: (*) Normus foi incorporada pela Fibria Segundo o Fisco, a FOH teria apurado, em 2010, resultado positivo oriundo dos lucros da FTI e não oferecido à tributação pela empresa brasileira (à época, Normus, atualmente Fibria). Tal montante, expresso em dólar norteamericano e convertido em reais pela cotação em 31/12/2010 seria o seguinte (TVF – fls. 19): Fl. 468DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 469 14 Com base neste cálculo, o Fisco procedeu aos lançamentos de IRPJ e CSLL presentes nos autos de infração (fls. 02/13), assentando (TVF fls. 23 e 25): Ø “...a empresa incorporada Normus (...) não adicionou nenhum valor a título de “lucros disponibilizados no exterior” para fins de apuração do lucro real e de apuração da base de cálculo da CSLL no AC de 2010, relativamente ao lucro obtido através de sua controlada húngara FOH”; Ø “Portanto, o lucro auferido pela empresa FTI em 2010 e reconhecido por meio do método de equivalência patrimonial da FOH no valor de US$ 232.370.161,57 deverá ser consolidado no seu balanço em 31/12/2010 para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil”. De sua parte, a autuada pontificou em sua impugnação junto à DRJ que “FOH não exerceu atividades operacionais em 2010 e, portanto, não apurou lucros próprios no período; a empresa que obteve resultados positivos (...) foi FTI, conforme esclarecido”; que também apresentou uma DRE consolidada da FOH relativa a 2010 (fls. 305 dos autos) que mostra obtenção de lucro, porém derivada de equivalência patrimonial decorrente da participação na FTI; que em razão dessa informação, o Fisco considerou que a NORMUS “teria deixado de oferecer à tributação o montante de R$ 387.462.228,99”, mas que este valor referese a lucros obtidos por FTI e não por FOH. Além disso, sustentou que o Fisco desconsiderou por completo “o prejuízo acumulado apurado por FTI desde 2008” (fls. 45 e 303), o qual seria “suficiente para compensação com lucros apurados pela empresa em 2010”. Pois bem, antes de analisar estes autos, cabe, pela sua pertinência e estreita vinculação, fazer breves ponderações acerca de outro procedimento fiscal envolvendo a contribuinte e que se fundamentou em fatos, documentos e valores que se repetem, ainda que parcialmente, neste processo. Ø DO PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR – PROCESSO Nº 16561.720128/201309 Conforme consta do citado processo, foram lavrados autos de infração de IRPJ e de CSLL, relativamente ao anocalendário de 2010, tendo como base tributável o valor de R$ 398.327.649,74 relativos a “lucro obtido através de sua controlada Fibria Trading International, sediada na Hungria” (cf. TVF daquele processo) e que refletiriam proporcionalmente a participação DIRETA da autuada (Fibria – Brasil) naquela pessoa jurídica húngara (48,3%). Fl. 469DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 470 15 A base imponível em dólares norteamericanos (depois convertido para reais) foi de US$ 495.193.303,11 (lucro da FTI em 2010). Na impugnação interposta, a autuada sustentou, longamente, que a FTI teve prejuízos em 2008 e que tais resultados negativos absorveriam todos os lucros obtidos em 2009 e 2010 (ano do lançamento), pelo que os autos de infração seriam improcedentes. Analisando a matéria, a mesma Turma da DRJ (com o mesmo Relator) que apreciou o processo agora em julgamento, decidiu, por unanimidade, CANCELAR os lançamentos por entender, como sustentado pela defesa, que “cabe plena razão à impugnante. Isso porque, consoante comprovado pelos documentos de fls. 6075 a 6078, juntados á peça impugnatória, a Fibria apurou resultado negativo no ano de 2008, que suplanta os resultados positivos de 2009 (fl. 6077) e 2010 (fl. 1993)”, e que, “o resultado negativo da Fibria no ano de 2008, à época denominada Aracruz Trading Internacional, pode ser sim compensado, consoante disposto no art. 4º da Instrução Normativa SRF 213 de 7/10/2002”. Manejado recurso de ofício, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Sejul do CARF, também de forma unânime (Ac. 1301001.857 – sessão de 09/12/2015), negou provimento ao RO e manteve a decisão recorrida, cancelando os lançamentos. Do voto do Relator, Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas, destaco: “Entendo que, no caso, naquilo que faltou durante a ação fiscal, a impugnação complementou ao trazer aos autos a documentação comprobatória (fls. 6.075/6.078 Balanço e Demonstração do Resultado Consolidado) de que a Fibria Trading apurou resultado negativo no ano de 2008 (US$ 1.306.760.673,00), cujo valor ultrapassa os resultados positivos apurados em 2009 (US$ 108.123.705,00) e 2010 (US$ 495.193.303,11). E, como bem assentado no voto recorrido o resultado negativo da Fibria no ano de 2008, à época denominada Aracruz Trading Internacional, pode ser sim compensado, consoante disposto no art. 4o. da Instrução Normativa SRF 213 de 7/10/2002”. Ainda em 2013, enquanto seguia a fiscalização junto à Fibria (CNPJ nº 60.643.228/000121), a RFB iniciou procedimento fiscal em face da Normus Empreendimentos e Participações Ltda. – CNPJ nº 04.872.122/000129, ressaltandose que tal empresa, posteriormente incorporada totalmente pela Fibria em 30 de setembro de 2013, era a detentora, através da FOH (sua controlada direta), dos restantes 51,7% de participação societária da FTI (Fibria Tranding International), pessoa jurídica sediada na Hungria e cujos resultados em 2010 foram alvo dos lançamentos constantes no processo nº 16561.720128/201309, cancelados pela DRJ e CARF. Com isso, fixese que a FTI tinha como acionistas/quotistas: → Fibria – Brasil 48,3% → FOH – Hungria (controlada direta da Normus*) 51,7% (*) Normus, atualmente Fibria Celulose S/A Fl. 470DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 471 16 Postas estas anotações, volto ao presente processo. Como visto, a participação societária na FTI era da Fibria (diretamente, 48,3%) e, indiretamente, da Normus (depois também Fibria), esta através da sua controlada DIRETA na Hungria, FOH, com 51,7%. Sem entrar no mérito da discussão e na decisão presentes no processo nº 16561.720128/201309, vejo que o cenário fático lá estampado, ainda que guarde semelhança com o agora submetido a julgamento, têm contornos diferentes. Explico. A alegação CENTRAL da autuada, tanto no processo antes citado como nos presentes autos é que “FOH não exerceu atividades operacionais em 2010 e, portanto, não apurou lucros próprios no período; a empresa que obteve resultados positivos (...) foi FTI, conforme esclarecido”; que, “o prejuízo acumulado apurado por FTI desde 2008” seria “suficiente para compensação com lucros apurados pela empresa em 2010”; e que, “pela documentação apresentada, é patente que, no anocalendário de 2010, FOH não auferiu lucros; a empresa que apurou resultados positivos no período foi FTI, os quais foram evidenciados na DRE de FOH apenas para fins de demonstração”. É vero que a autuação tomou por fundamento lucros obtidos pela FTI e refletidos na FOH, sua controladora, que, por sua vez, por via direta, é controlada pela Fibria no Brasil. Quanto a isso, inexistem discordâncias. Também incontroverso que FTI teve prejuízos em 2008 que afetaram seus lucros posteriores. Todavia, e aí me parece residir o pomo central da matéria fática, é necessário definir se este prejuízo de 2008 poderia servir de anteparo a que lançamentos futuros fossem perpetrados de ofício pelo Fisco, ou seja, se o resultado negativo de 2008 realmente fulminaria eventuais lucros de anos seguintes, como alegado pela contribuinte. Para isso, imperioso analisar os Balanços e DREs juntados aos autos e fornecidos pela própria contribuinte relativamente à FTI e FOH. Primeiramente, importa ressaltar as diferenças de tratamento que têm os lucros/prejuízos sob o ângulo contábil (e societário) e estas mesmas rubricas na ótica da legislação fiscal, especificamente do IRPJ/CSLL. Inicio pela análise das Demonstrações Financeiras da FTI, naquilo que pertine aos autos (os Balanços e DREs constam de “arquivos não pagináveis” – cf. Termos às fls. 286/287/288/295/296/297/298 e outras). Destaco que os valores estão expressos em dólares norteamericanos, como constante dos originais apresentados. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DA FTI Posição Inicial em 31/12/2006: Fl. 471DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 472 17 FIBRIA TRADING INTERNATIONAL – FTI PATRIMÔNIO LÍQUIDO EM 31/12/2006 Capital 20.000 Reservas 852.498.231 Total PL 852.518.231 RESULTADO DO ANOCALENDÁRIO 2006 Lucro Antes IR 393.604.326 IR (15.771.230) Lucro Líquido 377.833.096 Evolução de 31/12/2006 a 31/12/2010: FIBRIA TRADING INTERNATIONAL FTI EVOLUÇÃO DO PL DE 2006 PARA 2007 PATRIMÔNIO LÍQUIDO EM 31/12/2007 1) PL em 31/12/2007 1.177.164.406 Capital 20.000 2) PL em 31/12/2006 852.518.231 Reservas 1.177.144.406 3) AUMENTO DO PL (12) 324.646.175 Total PL 1.177.164.406 MOTIVO LUCRO de 2007 324.646.176 RESULTADO DO ANOCALENDÁRIO 2007 Lucro Antes IR 344.784.512 IR (20.138.336) Lucro Líquido 324.646.176 FIBRIA TRADING INTERNATIONAL FTI EVOLUÇÃO DO PL DE 2007 PARA 2008 PATRIMÔNIO LÍQUIDO EM 31/12/2008 1) PL em 31/12/2008 70.948.822 Capital 20.000 2) PL em 31/12/2007 1.177.164.406 Reservas 70.928.822 3) DIMINUIÇÃO DO PL (12) 1.106.215.584 Total PL 70.948.822 MOTIVO (PREJUÍZO) de 2008 1.106.215.584 RESULTADO DO ANOCALENDÁRIO 2008 (Prejuízo) Antes IR (1.306.760.673) IR 200.545.089 Lucro Líquido (1.106.215.584) Fl. 472DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 473 18 FIBRIA TRADING INTERNATIONAL FTI EVOLUÇÃO DO PL DE 2008 PARA 2009 PATRIMÔNIO LÍQUIDO EM 31/12/2009 1) PL em 31/12/2009 765.286.859 Capital 579.692.914 2) PL em 31/12/2008 70.948.822 Reservas 185.593.945 3) AUMENTO DO PL (12) 694.338.037 Total PL 765.286.859 MOTIVO a) LUCRO de 2009 114.665.123 RESULTADO DO ANOCALENDÁRIO 2009 b) CAPITALIZAÇÃO em 2009 579.672.914 Lucro Antes IR 108.123.705 c) TOTAL (a+b) 694.338.037 IR 6.541.418 Lucro Líquido 114.665.123 FIBRIA TRADING INTERNATIONAL FTI EVOLUÇÃO DO PL DE 2009 PARA 2010 PATRIMÔNIO LÍQUIDO EM 31/12/2010 1) PL em 31/12/2010 1.214.745.585 Capital 579.786.829 2) PL em 31/12/2009 765.286.859 Reservas 185.593.746 3) AUMENTO DO PL (12) 449.458.726 Lucro Período 449.365.010 Total PL 1.214.745.585 MOTIVO a) LUCRO de 2010 449.365.010 RESULTADO DO ANOCALENDÁRIO 2010 b) Outros Ajustes 93.716 Lucro Antes IR 495.193.303 c) TOTAL (a+b) 449.458.726 IR (45.828.293) Lucro Líquido 449.365.010 Esta simples análise mostra que os prejuízos de 2008 já foram integralmente absorvidos na escrituração comercial da FTI, como aponta o Patrimônio Líquido da sociedade em 31/12/2010, acima demonstrado, como, aliás, exige a normatização contábil. De outro lado, observese a drástica redução do PL em 2008 quando comparado ao ano anterior (2007), fruto exatamente do resultado negativo de mais de 1 milhão e cem mil dólares. Do mesmo modo, é de fácil visualização que o PL foi recomposto em 2009 e 2010 pelo aporte de capital havido e pelos lucros gerados nestes dois períodos. A partir destes dados é possível projetar a equivalência patrimonial aplicada na FOH sobre sua participação acionária na FTI. Observese, todavia, que o cálculo restringirseá aos anoscalendário de 2009 e 2010, posto que somente a partir de dezembro de 2009 é que a FOH “passou a integrar o quadro acionário da Fibria Trading”, conforme informação da contribuinte (fls. 292). DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DA FOH Conta de Ativo Investimentos em Controladas Fl. 473DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 474 19 (fonte arquivo não paginável – documento nos autos): 1 31/12/2009 Investimentos em empresas Controladas US$ 395.653.306,26 2 31/12/2010 Investimentos em empresas Controladas US$ 628.023.467,83 Aplicando o percentual de participação da FOH na FTI (51,7%) sobre o Patrimônio Líquido desta última (conforme antes demonstrado): PL da FTI em 31/12/2009 US$ 765.286.859 (X) Participação da FOH 51,7% (=) Equivalência em 31/12/2009 US$ 395.653.306 (*) PL da FTI em 31/12/2010 US$ 1.214.745.585 (X) Participação da FOH 51,7% (=) Equivalência em 31/12/2010 US$ 628.023.467 (*) (*) Valores que coincidem com os inseridos nos Balanços da FOH. Assim, i) absolutamente consistentes as informações da autuada e a contabilização dos valores tanto na FTI quanto na FOH, relativamente à participação desta na primeira; e, ii) também correta a apropriação dos valores de lucros e prejuízos a partir de 2006 e até 2010 (ano da autuação) na contabilidade da FTI, refletindo no PL as variações positivas e negativas dos resultados nos citados anos. Estáse, assim, diante do ponto central em discussão. Como visto, é inquestionável que o prejuízo de 2008 já se encontra – CONTABILMENTE – escriturado e absorvido no Patrimônio Líquido da empresa estrangeira, pelos lucros havidos em momentos antecedentes e posteriores e pelo aporte de capital havido em 2009, apontando a conta de Lucros Acumulados na FTI 31/12/2010, o saldo de US$ 449.365.010. Tal valor, mais o da conta de Reservas US$ 185.593.746 e o da conta que registra o próprio Capital US$ 579.786.829 leva a somatória do PL ao montante de US$ 1.214.745.585 naquela data. Vejase: Capital 579.786.829 Reservas 185.593.746 Lucro Período 449.365.010 Total PL 1.214.745.585 Procedimento, como dito antes, com amparo nos padrões e normas contábeis que determinam que as contas de resultado sejam “fechadas” a cada período, apurandose o respectivo lucro ou prejuízo e transportandose os saldos das contas patrimoniais para o exercício seguinte. Ou seja, são períodos de apuração estanques. Consequentemente, ao se apurar um lucro ou prejuízo em determinado período e transportálo ao final deste mesmo espaço temporal para o Patrimônio Líquido, a Fl. 474DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 475 20 conta de “Lucros (Prejuízos) Acumulados” refletirá – sempre o saldo JÁ COMPENSADO entre os resultados positivos e negativos, vale dizer, a sua soma algébrica, o que implica no registro de um resultado já líquido. Todavia, se no Patrimônio Líquido da FTI em 31/12/2010, o prejuízo de 2008, da ordem de US$ 1.106.215.584, já se encontrava absorvido por lucros de períodos anteriores ou posteriores e pelo saldo de outras contas do mesmo grupo patrimonial, como antes retratado, para fins fiscais o tratamento a ser dado tem regramento específico. Nesta linha, para correta definição, devese tomar exclusivamente a conta de "lucros acumulados" da FTI, e expurgando valores que possam têla afetado (como aporte de capital), verificar se em 2010 AINDA havia saldo remanescente do prejuízo de 2008 a ser considerado para fins fiscais. Tomando os valores: AnoCalendário Lucro (Prejuízo) em US$ Saldo para Período Seguinte 2008 1.106.215.584 1.106.215.584 2009 108.123.705 998.091.879 2010 495.193.303 502.898.576 Nesse instante, já é possível verificar se o lucro de 2010 da FTI, depois apontado na FOH pela equivalência patrimonial e que, no giro final, foi o alvo dos lançamentos de ofício realizados na Fibria Celulose S/A (Brasil), objeto do que aqui se discute, estaria coberto pelo saldo do prejuízo apurado em 2008. No caso: 1. Lucro da FTI em 2010: US$ 495.193.303 2. Saldo em 31/12/2010 do Prejuízo FTI/2008 antes da compensação: US$ 998.091.879 3. Diferença (12) (prejuízo) após compensação: (US$ 502.898.576) Como a participação da FHO na FTI é de 51,7%, a projeção final é a seguinte: Item Discriminação Valores e Percentuais 1 Lucro da FTI em 2010 em US$ 495.193.303 2 Saldo, em 31/12/2010, do Prejuízo FTI/ 2008 antes compensação em US$ 998.091.879 3 Lucro da FTI refletido por equivalência na FOH Lçto de ofício US$ 232.654.154 4 % participação da FOH na FTI 51,7% 5 Saldo Prejuízo FTI/2008, refletido na FOH por equivalência em US$ (4 X 2) 516.013.501 6 Lucro () Prejuízo resultado na FOH após compensação prejuízo (35) (283.359.347) Resumindo, o prejuízo apurado pela FTI em 2008, mesmo a ele contrapondo se os lucros apurados em 2009 e 2010 (caso dos autos), não só seria suficiente para absorver tais lucros como ainda sobraria valor remanescente para períodos futuros (US$ 502.898.576), Fl. 475DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 476 21 posição repetida quando se projeta a participação da FOH na referida (51,7%), como acima demonstrado: US$ 283.359.347 (US$ 516.013.501 – US$ 232.654.154). Ou seja, sob quaisquer das circunstâncias, o prejuízo de 2008 apontado na FTI cobriria o lucro por ela obtido em 2010 e, consequente, o lucro surgido, por equivalência, na FOH teria o mesmo encaminhamento. Pois bem, voltando ao princípio da argumentação, o prejuízo de 2008 apurado pela FTI já está – NA SUA CONTABILIDADE OU EM REGISTROS GERENCIAS – absorvido pelos lucros anteriores e posteriores havidos e, portanto, sendo seu saldo final em 31/12/2010, de US$ 449.365.010, a princípio – não fosse o regramento específico que tem os “prejuízos” na legislação fiscal e do qual se falará adiante – não haveria sustentação na tese da autuada de que o Fisco teria desconsiderado “o prejuízo acumulado apurado por FTI desde 2008” (fls. 45 e 303), o qual seria “suficiente para compensação com lucros apurados pela empresa em 2010”. Isto porque, se os decantados prejuízos de 2008 já se encontravam comprovadamente compensados com lucros de outros períodos (conforme atestado pela documentação acostada pela própria autuada), os lucros de 2010, no montante de US$ 449.365.010, poderiam, sim, sofrer tributação na FOH pela aplicação de 51,7%, percentual de participação acionária desta na FTI: 1. Valor do lucro da FTI US$ 449.365.010 2. Participação da FHO na FTI 51,7% 3. Valor do lucro da FHO na FTI (1X2) US$ 232.321.710 Valor que, com pequenos ajustes, é o que foi levado ao resultado da FOH por conta de equivalência patrimonial que, embora não exigível pela legislação húngara, foi elaborada e apresentada pela autuada ao Fisco (fls. 305): Todavia – e aí reside o cerne da questão em debate – se sob o ângulo contábil o procedimento antes explanado está correto e pode ter sido a sustentação da Fiscalização para Fl. 476DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 477 22 consecução dos lançamentos, sob o ponto de vista estritamente fiscal, o tratamento a ser dado aos prejuízos (quando perpetrados lançamentos de ofício) sujeitase a regramentos específicos que permitem aos contribuintes manter “em estoque” prejuízos que acumulem ao longo do tempo (sem restrição temporal) e os COMPENSEM com lucros posteriores. Em outro dizer, ainda que os prejuízos (como aqui presente) já tenham sido compensados integralmente na contabilidade do sujeito passivo, sob a ótica da lei fiscal, eles (prejuízos) ficam aguardando o surgimento de lucros subsequentes para que possam ser a eles antepostos. No caso dos autos, incontroversamente, a FTI apurou prejuízos em 2008 no volume de US$ 1.306.760.673 e, com os lucros havidos em 2009 de US$ 108.123.705 e em 2010 de US$ 495.193.303, ainda permaneceu com um “estoque” de prejuízos para compensação futura da ordem de US$ 703.443.664. Resumindo: Ø contabilmente referido prejuízo foi totalmente compensado; Ø fiscalmente, havia saldo para utilização contra lucros. Porém, embora estas premissas sejam consistentes e os documentos acostados aos autos tenham permitido a elas chegarse, há um ponto relevante que resta ser esclarecido, pelo reflexo que poderá vir a ter na decisão a ser exarada neste julgamento e que só pode ser atendido via conversão deste julgamento em diligência: verificar se o prejuízo da FTI, respeitada a participação societária de 51,7% da FOH em sua estrutura social, possa ter sido, total ou parcialmente, aproveitado pela autuada (FIBRIA CELULOSE S/A) em sua escrituração contábil e, eventualmente, no LALUR, reduzindo, de uma ou outra forma, as bases imponíveis de IRPJ e de CSLL ou tendo aumentado o saldo de eventuais prejuízos acumulados ou bases de cálculo negativas da contribuição. Para tanto, encaminho meu voto no sentido de CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que, a autoridade fiscal autuante ou quem lhe faça as vezes, verifique, à vista de livros e documentos da autuada: 1. se a empresa autuada FIBRIA CELULOSE S/A, em algum momento, a partir do anocalendário de 2008 e até o anocalendário de 2010, registrou em sua escrituração comercial e societária ou no LALUR, quaisquer montantes, parciais ou totais que tenham tido origem no “prejuízo” da FTI, seja com base nos registros desta sua controlada indireta, seja com fundamento na escrituração de sua controla direta FOH; 2. igualmente, verifique se referido prejuízo da FTI, no mesmo período, foi utilizado pela diligenciada, parcial ou integralmente, para aumentar os saldos de “prejuízos acumulados” e “bases negativas de CSLL”; Fl. 477DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201417 Resolução nº 1402000.412 S1C4T2 Fl. 478 23 3. se o prejuízo da FTI de 2008, sob qualquer forma ou aspecto, afetou as bases imponíveis de IRPJ e de CSLL da empresa autuada, no mesmo período; 4. se entender necessário, intime a diligenciada a justificar seu procedimento e apresentar documentos entendidos pertinentes; 5. de posse de tais informações e documentos, proceda às observações que entender cabíveis e elabore relatório conclusivo detalhando todo o procedimento e juntando eventuais novos documentos. Do procedimento de diligência, inclusive do relatório referido no item 5, deverá ser cientificada a diligenciada, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência da diligenciada, com ou sem nova intervenção da contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul para prosseguimento de seu julgamento. É como voto. Brasília (DF), 25 de janeiro de 2017. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 478DF CARF MF
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