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Numero do processo: 13629.000814/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO.
Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica na condição de micro empresa, que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite estabelecido em lei.
Numero da decisão: 1201-001.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 EXCLUSÃO. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica na condição de micro empresa, que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite estabelecido em lei.
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Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica na condição de micro empresa, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite estabelecido em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 08 14 /2 00 8- 74 Fl. 116DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em razão da exclusão do Simples conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/UBE/MG n° 02/2008 (fl. 25), em face de a recorrente ter ultrapassado o limite de receita bruta permitido, de acordo com artigo 9°, inciso I, c/c o artigo 2°, inciso I, da Lei 9.317/1996, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2005, conforme determina o art. 15, Inciso IV, da Lei 9.317/96. A manifestação de inconformidade foi considerada improcedente, mantendo se a exclusão. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou o recurso de fls. 105 a 113, em que alega, em síntese: a) "a exclusão teve sustentação no Auto de Infração lavrado com fundamento em depósitos realizados em instituições financeiras para os quais o Recorrente não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos (art. 42 da Lei n° 9.430196). A partir dos valores de depósitos apurados, a Fiscalização procedeu ao lançamento das diferenças do imposto de renda pessoa jurídica resultante das diferenças apuradas (receita apurada x receita declarada)"; b) "... a exclusão do Recorrente no SIMPLES é totalmente improcedente porque o lançamento consubstanciado no Auto de Infração objeto do processo n° 13629.000135/200803 é descabida. Com efeito, além do Auto de Infração desconsiderar a atividade do Recorrente — origem dos recursos movimentados nas contas bancárias , não comporta a majoração da multa aplicada e elege base de cálculo incompatível com a realidade dos fatos". Feitas essas considerações, a recorrente aduz: Assim, por se tratar de matéria conexa, o Recorrente reproduz os argumentos tecidos no Recurso Voluntário apresentado no processo n° 13629.000135/200803, demonstrando que a base de cálculo eleita pela fiscalização é incompatível com a realidade dos fatos e com as provas ali juntadas. [...] Os documentos comprobatórios e o demonstrativo elaborado pelo Recorrente referente ao movimento financeiro no Banco do Brasil S/A encontramse acostados no processo n° 13629.000135/200803, apensado a este nos termos do art. 3º da Portaria RFB 666/2008. Da análise de todo material probante, resta claro que a base de cálculo eleita pela fiscalização está equivocada porque não excluiu os financiamentos obtidos iunto aos parceiros. as transferências da conta 1.5903 do Banco do Brasil SIA, os descontos de cheques recebidos de clientes, os recursos movimentados no Unibanco e HSBC de titularidade do Sr. Carlos Maurício da Silva e os depósitos estornados. A remuneração do Recorrente restringiase às comissões por serviços prestados e esta sempre se manteve dentro dos limites estabelecidos em lei para permanência no SIMPLES. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13629.000814/200874 Acórdão n.º 1201001.886 S1C2T1 Fl. 3 3 Ao final, requer seja declarada a procedência "do recurso para, reformandose a decisão de piso, determinarse a reinclusão do Recorrente no SIMPLES". É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admisibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos da legislação, dele devendose conhecer. Exclusão. Excesso de receita. Todas as razões aduzidas no recurso já foram analisadas no processo relativo aos autos de infração: nº 13629.000135/200803. Naquele processo, o recurso foi considerado procedente em parte, exonerandose pequena parcela do crédito tributário lançado, em face da exclusão de valores da base de cálculo dos tributos lançados. Todavia, a receita considerada omitida remanescente é superior ao limite estatuído pela legislação para as microempresas, vigente à época dos fatos. Dessa forma, correta a exclusão do recorrente do Simples, nos termos do artigo 9°, inciso I, c/c o artigo 2°, inciso I, da Lei 9.317/1996, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2005, conforme determina o art. 15, inciso IV, da Lei 9.317/96. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE provimento, mantendo a exclusão do recorrente do Simples. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 118DF CARF MF 4 Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000622/2004-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO RELATIVA AO TRIBUTO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE.
"A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício" (Súmula CARF nº 105). Por aplicação direta da Súmula CARF nº 105, cabe afastar a multa isolada por falta de estimativas de IRPJ que está sendo exigida nos presentes autos, em relação aos meses de janeiro a outubro de 1998.
Numero da decisão: 9101-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO RELATIVA AO TRIBUTO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício" (Súmula CARF nº 105). Por aplicação direta da Súmula CARF nº 105, cabe afastar a multa isolada por falta de estimativas de IRPJ que está sendo exigida nos presentes autos, em relação aos meses de janeiro a outubro de 1998.
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(NOME ATUAL DA MG MASTER LTDA., SUCESSORA DA BAINORTE ESPORTES LTDA.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO RELATIVA AO TRIBUTO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício" (Súmula CARF nº 105). Por aplicação direta da Súmula CARF nº 105, cabe afastar a multa isolada por falta de estimativas de IRPJ que está sendo exigida nos presentes autos, em relação aos meses de janeiro a outubro de 1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 06 22 /2 00 4- 11 Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de petição apresentada pela contribuinte acima identificada, recebida como recurso especial de divergência contra o Acórdão nº 10808.592, de 11/11/2005, por meio do qual a Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, entre outras questões, admitiu a possibilidade de concomitância entre a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal e a multa de ofício que acompanha o tributo apurado no ajuste anual. Apesar do entendimento acima sobre a possibilidade de concomitância das multas, a referida decisão acabou cancelando a multa isolada por falta de estimativa, com o fundamento de que, tratandose de responsabilidade tributária por sucessão, "a incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. O que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN." O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA IRPJ DECADÊNCIA CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO O Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrito à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, deslocase esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como inicio de tal prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2003, é incabível a preliminar de decadência suscitada para a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa lançada no anocalendário de 1998. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas a diferença apurada pela fiscalização no confronto entre as receitas escrituradas/declaradas com aquelas constantes dos boletins de Caixa da loja, principalmente quando a empresa não contesta a infração detectada e efetua parcelamento desses débitos fiscais no PAES. IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturálas nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 4 3 emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A falta de recolhimento do Imposto de Renda, calculado por estimativa com base na receita bruta, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO — COMPATIBILIDADE — A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96. O lançamento é compatível com a exigência do imposto apurado em procedimento fiscal, acompanhado da correspondente multa de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. MULTA DE OFICIO — CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO — A multa de oficio constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. O que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MG MASTER LTDA. (SUCESSORA DA BAINORTE ESPORTES LTDA.). ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nelson Lósso Filho (Relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e José Carlos Teixeira da Fonseca, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado o Conselheiro Margil Mourâo Gil Nunes para redigir o voto vencedor. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 5 4 Num primeiro momento (no julgamento do recurso voluntário), a multa isolada foi totalmente cancelada, mas apenas em razão de uma das teses defendidas pela contribuinte, ou seja, de que a sucessora não deve responder pelas penalidades devidas pelo sucedido Embora tenha cancelado a multa isolada por falta de estimativas, o Acórdão nº 10808.592, da Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, admitiu a possibilidade de concomitância entre a multa isolada por falta de estimativa mensal e a multa de ofício que acompanha o tributo apurado no ajuste anual, refutando a outra tese defendida pela contribuinte. Na seqüência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao julgar recurso especial apresentado pela PGFN (a única parte que restou vencida na 2ª instância administrativa), deu provimento a esse recurso, para fins de restabelecer a responsabilidade da sucessora em relação à multa/penalidade, e determinou o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu, para a análise das demais questões tratadas no recurso voluntário (Acórdão CSRF nº 910100.062, de 10/03/2009). Houve embargos de declaração por parte do Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, manifestando o entendimento de que não havia mais nenhuma questão a ser enfrentada naquele nível de instância, inclusive no que dizia respeito à concomitância das multas. Esses embargos foram acolhidos pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que editou um segundo acórdão (Acórdão nº 910100.735, de 09/11/2010), para fins de suprimir da decisão anterior aquela determinação de retorno dos autos à Câmara de origem. Após tomar ciência desse segundo acórdão da CSRF, a contribuinte apresentou petição intitulada como "embargos", petição que, conforme já mencionado acima, foi recepcionada como recurso especial de divergência contra o Acórdão nº 10808.592, nos termos do despacho exarado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em 06/09/2016, às efls. 465/471. Na referida petição, a contribuinte traz as informações e os argumentos descritos a seguir: DA SÍNTESE DOS AUTOS tratamse os autos de multa isolada pela ausência de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ em casos em que o Contribuinte, ora Embargante, também foi autuado ao final do exercício pela suposta constatação de omissão de receitas, sendolhe exigido o imposto, acrescido da multa de ofício e acréscimos moratórios; o processo em comento é uma das 46 (quarenta e seis) autuações fiscais lavradas contra a Recorrente exatamente sobre o mesmo tema; seguindo o ocorrido com os demais processos, a decisão de 1ª instância administrativa foi desfavorável ao contribuinte, levandoo a interpor o competente recurso voluntário. Tal recurso foi totalmente provido pela antiga 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que afastou a multa isolada; Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 6 5 cumpre ressaltar que dois são os principais argumentos defendidos pela Recorrente para comprovar a impossibilidade de aplicação da multa isolada em casos como o presente: (i) a vedação à sucessão de penalidade, nos termos do art. 132, do CTN; e (ii) a impossibilidade jurídica de cumulação da multa isolada por ausência de recolhimento por estimativa com a multa de oficio por omissão de receitas no final do exercício. em todos os demais processos idênticos ao presente, a multa isolada foi cancelada pela antiga 8ª Câmara unicamente em razão da primeira tese acima, ou seja, a de que a sucessora não responde pelas penalidades devidas pelo sucedido; assim, como a multa foi totalmente cancelada, a ora Recorrente não tinha interesse de agir para interposição de Recursos Especial. Apesar disso, deixou claro nas Contrarrazões aos Recursos Especiais Fazendários que a sua segunda tese (da cumulação de penalidades) não havia sido analisada em momento algum, cerceando a sua oportunidade de discussão perante a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais; em razão dessa particularidade, do total de 46 (quarenta e seis) processos, todos aqueles que foram julgados pela CSRF, tiveram idêntica decisão. O colegiado, nesses casos, entendeu por bem em julgar procedente os Recursos Especiais da Fazenda Nacional quanto à primeira tese mencionada acima (sucessão da penalidade), mas determinou o retorno dos autos à Câmara de origem para a análise da segunda tese (cumulação das sanções); o presente processo teve exatamente essa mesma tramitação dos demais até esse momento (Acórdão n° 910100.062 1ª turma da CSRF); contudo, a partir desse momento o processo tomou outro caminho que, concessa venia, culminou no lapso manifesto que se pretende corrigir, sob pena de cerceamento ao direito de defesa da Recorrente; tal fato ocorre porque os Embargos de Declaração interpostos pelo eminente Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção foram acolhidos para retificar o Acórdão n° 910100.062, da 1ª Turma da CSRF, apenas para retirar a determinação de retorno dos autos à Câmara de Origem para analisar a tese do contribuinte sobre a impossibilidade da cumulação de penalidades; o problema está justamente na ausência de retorno dos autos à Câmara recorrida, mesmo que todas as matérias tenham sido ventiladas nessa instância de julgamento. isso porque a ora recorrente, da forma como ocorrido, ficou sem qualquer possibilidade processual de levar a sua segunda tese citada acima (concomitância das penalidades) para julgamento perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais no caso em comento; a situação é ainda mais teratológica quando se verifica que todos os seus outros processos de matéria idêntica estão seguindo tramitação diferente, com a análise do caso pela CSRF. Inclusive, há casos com decisão definitiva da CSRF em que foi afastada a penalidade exatamente no mesmo caso; Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 7 6 dessa forma, pretendem os presentes Embargos a retificação do julgamento apenas para possibilitar à Recorrente a análise de sua tese sobre a impossibilidade da aplicação concomitante da multa isolada por recolhimento do IRPJ por estimativa e da multa de ofício por não recolhimento do IRPJ que teria sido efetivamente recolhido; DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO a função do presente Recurso, como mencionado acima, não é a de rediscussão da matéria, muito pelo contrário, pretendese apenas que seja oportunizado ao Contribuinte/ Recorrente o acesso à Câmara Superior de Recursos Fiscais de sua tese sobre a impossibilidade de aplicação concomitante das sanções discutidas; não há dúvidas sobre o cabimento dos presentes Embargos a fim de sanar, concessa venia, equívoco que cerceou o direito de defesa do contribuinte, sem que qualquer questão de mérito seja reanalisada; é exatamente nesse sentido que determina o art. 66 da Portaria MF 256/2009; cabe tornar claro que, como se pretende apenas o julgamento da tese da cumulação das multas pela CSRF, efetivamente não há necessidade de novo julgamento na Câmara recorrida, eis que essa matéria já foi analisada; entretanto, dois caminhos devem ser tomados a fim de possibilitar a ampla defesa do contribuinte: (i) ou se possibilita expressamente a interposição de Recurso Especial por parte da ora Recorrente, mediante a abertura de prazo específico em razão das particularidades do caso em comento; ou (ii) se determina diretamente a análise da tese da cumulação das multas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo em vista que tal matéria consta expressamente das contrarrazões apresentadas pelo contribuinte, sendo também parte integrante do julgamento a ser realizado na CSRF; inclusive, cumpre registrar, a titulo informativo, que o i. Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, quando do julgamento do Recurso Especial Fazendário, sugeriu o julgamento, de pronto, da matéria, já prevendo possibilidades na tramitação dos 46 (quarenta e seis) processos que versam sobre a mesma matéria; entretanto, tal proposição não foi acatada, preferindose o retorno à Câmara recorrida o que, especificamente no caso em comento, gerou prejuízo irreparável à Contribuinte; desse modo, tendo em vista, data venia, o equívoco apenas quanto ao cerceamento do direito de defesa da Recorrente, que ficou impossibilitada de ter sua tese da invalidade da cumulação das penalidades (isolada por estimativa e de ofício) aplicadas, não há dúvidas sobre o cabimento dos presentes Embargos; DA IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO DECISÃO TERMINATIVA PROFERIDA PELA COLENDA Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 8 7 CSRF EM PROCESSO DA RECORRENTE DE MATÉRIA IDÊNTICA (ACÓRDÃO N° 910100.457 1ª TURMA) como mencionado acima, a situação é ainda mais grave quando se verifica que a colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu em favor da ora Recorrente, em caso idêntico, no julgamento de Recurso Especial apresentado em 22/08/2008 pela Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 10809.562, proferido pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho, que também deu provimento a Recurso Voluntário da Recorrente, sedimentando ainda mais a questão ora discutida (decisão administrativa definitiva cópia anexa). Vejamos: Acórdão: 910100.457 Texto da Decisão: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso para excluir a multa de ofício isolada em face de concomitância, vencidos os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Adriana Gomes Rêgo e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Praga. Ementa: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual, ou inexistência de saldo de tributo a recolher. no presente caso, resta claro que a multa de oficio isolada é indevida, sendo exigida em concomitância com multa de oficio proporcional, calculada sobre a mesma base de cálculo, qual seja, o tributo devido no encerramento do período de apuração; resta claro que uma vez que não acolhida a hipótese de inaplicabilidade das multas pecuniárias por força da dicção do art. 132 do CTN, deve agora se apreciar a matéria, a fim de consolidar o decisum segundo o majoritário posicionamento desta corte quanto à impossibilidade de cumulação da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento por estimativa; cumpre reiterar: o mesmo Contribuinte já obteve decisão definitiva na esfera administrativa sobre a mesma questão, restando inequívoca a impossibilidade de desfecho distinto para exatamente o mesmo caso; REDUÇÃO DA MULTA ISOLADA LEI N° 11.488/07 RETROATIVIDADE BENÉFICA não obstante os argumentos acima colacionados, que buscam apenas a possibilidade de discussão da cumulação das penalidades, cabe aqui inferir, alternativamente, sobre o percentual da multa isolada, após as modificações impostas pela Lei n° 11.488/07; a nova redação dada pelo artigo 18 da Lei n° 11.488/07 ao art. 44 da Lei 9.430/96, altera o percentual da multa isolada, que passa a ser 50%, e não mais 75%, e ainda, não prevê mais a possibilidade de aplicação de multa qualificada; desse modo, com a alteração promovida pela Lei n° 11.488/07, cabe à autoridade fiscal a obrigação de aplicar ao lançamento da multa isolada o percentual de 50%, e não mais o de 75%, devendo, portanto, no caso em tela, ser o lançamento revisto de ofício, com o fito de atualização do montante supostamente devido; Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 9 8 nos casos em que a lide ainda não está definitivamente julgada, sobrevindo lei prescrevendo penalidade menos severa que a prevista na lei então vigente ao tempo do fato gerador, aplicarseá a nova regra; DA JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA UNIFICAÇÃO DE DECISÕES DIVERGENTES EM CASOS IDÊNTICOS FUNÇÃO PRECÍPUA DA CSRF não há dúvidas de que a função das instâncias superiores de julgamento é justamente unificar as decisões de instâncias inferiores, conferindo maior segurança e efetividade ao processo administrativofiscal. É justamente essa a principal função do Recurso Especial, sendo por esse motivo necessária a comprovação de divergência por parte do Contribuinte/Recorrente; no caso em tela, a jurisprudência da Colenda CSRF em caso idêntico da Recorrente deve, portanto, ser seguida de forma a unificar as decisões na esfera administrativa, conforme a própria função desse órgão superior, tudo em homenagem ao basilar Princípio da Segurança Jurídica; DO PEDIDO espera a ora Embargante que sejam providos os embargos, para que seja sanado o lapso referente ao impedimento do Contribuinte de levar à CSRF a sua tese sobre a impossibilidade de aplicação cumulativa das multas isolada de IRPJ e de oficio no caso em comento, abrindolhe prazo para interposição de Recurso Especial, o que não foi realizado nos autos; caso V. Sa. entenda por bem a impossibilidade/desnecessidade de abertura de prazo para interposição de Recurso Especial, requer a Embargante que a matéria da cumulação indevida das multas seja diretamente levada à julgamento na Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo em vista que já foi devidamente abordada nas Contrarrazões ao Recurso Especial Fazendário apresentadas pelo Contribuinte na época do seu julgamento; alternativamente, caso não seja realizado julgamento da C. CSRF sobre a matéria da cumulação das penalidades ora questionada, fato que se admite apenas para argumentar, pugna a Embargante para que, ao menos, seja aplicada a retroatividade benéfica e reduzida a multa isolada para 50% (cinqüenta por cento), nos termos das razões acima explicitadas; por fim, em última hipótese, caso V. Sa. decida pelo não cabimento dos presentes Embargos, mesmo tendo sido demonstrados os equívocos citados acima, o que se admite apenas para fins de debate, requer que a presente peça seja recebida como Pedido de Reconsideração, sendo possibilitada a análise da concomitância da penalidade pela CSRF. Quando do exame de admissibilidade do recurso da contribuinte, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 10/11/2016, deu seguimento a ele, encampando as seguintes considerações acerca de sua admissibilidade: [...] Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 10 9 Vêse que num primeiro momento (no julgamento do recurso voluntário), a multa isolada foi totalmente cancelada, mas apenas em razão de uma das teses defendidas pela contribuinte, ou seja, de que a sucessora não deve responder pelas penalidades devidas pelo sucedido Embora tenha cancelado a multa isolada por falta de estimativas, o Acórdão nº 10808.592, da Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, admitiu a possibilidade de concomitância entre a multa isolada por falta de estimativa mensal e a multa de ofício que acompanha o tributo apurado no ajuste anual, refutando a outra tese defendida pela contribuinte. Na seqüência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao julgar recurso especial apresentado pela PGFN (a única parte que restou vencida na 2ª instância administrativa), deu provimento a esse recurso, para fins de restabelecer a responsabilidade da sucessora em relação à multa/penalidade, e determinou o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu, para a análise das demais questões tratadas no recurso voluntário (Acórdão CSRF nº 910100.062, de 10/03/2009). Houve embargos de declaração por parte do Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, manifestando o entendimento de que não havia mais nenhuma questão a ser enfrentada naquele nível de instância, inclusive no que dizia respeito à concomitância das multas. Apesar de a manifestação sobre a possibilidade de concomitância das multas não ter sido fundamento para aquilo que efetivamente restou decidido na segunda instância administrativa (obiter dictum), até porque a multa isolada foi cancelada naquela instância, esses embargos foram acolhidos pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que editou um segundo acórdão (Acórdão nº 910100.735, de 09/11/2010), para fins de suprimir da decisão anterior aquela determinação de retorno dos autos à Câmara de origem. Foi com essa segunda decisão da CSRF que o entendimento sobre a possibilidade de concomitância das multas se somou ao entendimento sobre a manutenção da responsabilidade da sucessora em relação às multas, para que a multa isolada por falta de estimativas fosse considerada efetivamente restabelecida. Com efeito, a decisão de segunda instância administrativa em relação à possibilidade de concomitância das multas não produziu qualquer conseqüência processual prática até a segunda decisão da CSRF, no que toca ao interesse de agir da contribuinte. Isto porque, num primeiro momento, a multa isolada havia sido cancelada (ainda que por outro motivo), e num segundo momento, a CSRF havia determinado o retorno dos autos à Turma Ordinária para apreciação das demais questões tratadas no recurso voluntário. É apenas a partir da segunda decisão da CSRF que a contribuinte pode ser efetivamente considerada derrotada na 2ª instância administrativa. A ciência do segundo acórdão da CSRF ocorreu 13/04/2011, e a petição intitulada como "embargos" foi remetida, por via postal, em Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 11 10 28/04/2011, portanto, dentro do prazo de 15 dias previstos para a apresentação de recurso especial de divergência. Nessa petição, a contribuinte traz as informações e os argumentos descritos a seguir: [...] A petição da contribuinte cumpre os requisitos para que seja admitida como recurso especial de divergência, uma vez que: a) ela é tempestiva; b) a matéria objeto do recurso foi préquestionada; c) não foi adotado pela Turma recorrida entendimento constante de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF; d) na decisão recorrida não se decidiu, em apreciação de matéria preliminar, pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999; e e) a divergência foi adequadamente demonstrada por meio de decisões paradigmas, que, até a presente data, não contrariam: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); ou III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Vêse que as ementas das decisões cotejadas (acima transcritas), por si só, são suficientes para a comprovação da alegada divergência. Enquanto o acórdão recorrido (Acórdão nº 10808.592) admitiu a possibilidade de concomitância entre a multa isolada por falta de estimativa mensal e a multa de ofício que acompanha o tributo apurado no ajuste anual, o acórdão paradigma (Acórdão nº 910100.457) entendeu ser inaplicável a mesma multa isolada quando há concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual, ou inexistência de saldo de tributo a recolher. Desse modo, entendo que se deva DAR SEGUIMENTO ao recurso especial da contribuinte. Em 21/02/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso da contribuinte, e o referido órgão não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para exigência de multa isolada por falta de recolhimentos de estimativas de IRPJ em relação aos meses de janeiro a outubro/1998. O início do relatório constante do acórdão recorrido sintetiza bem as razões do lançamento: Contra a empresa MG Master Ltda., sucessora por incorporação de Bainorte Esportes Ltda., foi lavrado auto de infração do IRPJ, fls. 05/08, por ter a fiscalização constatado a seguinte irregularidade nos meses de janeiro a outubro do anocalendário de 1998, descrita às fls. 06/07 e no Termo de Verificação de Infração de fls. 09/21: "MULTAS /SOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, em decorrência de omissões de receitas, no período de janeiro a outubro de 1998, caracterizadas pela falta de contabilização de receitas de vendas, constatadas pelo confronto entre as vendas reais apuradas nos boletins de caixa da loja, retidos por ocasião do cumprimento dos Mandados Judiciais de Busca e Apreensão números 018/2002 e 019/2002, da 4ª. Vara Federal/MG, e os valores escriturados/declarados pelo contribuinte na DIRPJ/1998. Considerando as receitas omitidas, apuramos os valores reais devidos do IRPJ com base na estimativa mensal e como o contribuinte havia apurado prejuízo fiscal em todos seus balanços/balancetes de suspensão/redução, conforme DIRPJ/98, não recolhendo ou declarando nenhum valor a título de IRPJ estimado, configurouse a infração de falta de recolhimento do IRPJ estimado, nos meses de janeiro a outubro de 1998, sendolhe imputado a multa isolada de 150% sobre a falta de recolhimento apurada, tudo conforme Arts. 2, 43, 44, inciso II e §1°, IV da Lei 9430/96 e Art. 24 da Lei 9.249/95. [...] A mesma infração de omissão de receita ensejou lançamento do próprio IRPJ em relação ao ajuste anual de 1998, e de tributos reflexos, exigências que são objeto de outros autos (Processo nº 10680.000531/200486). Nestes outros autos, a infração de omissão de receitas foi mantida. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 13 12 A controvérsia que remanesce nessa fase de recurso especial diz respeito à possibilidade de concomitância de multas (multa isolada por falta de estimativa mensal e multa relativa ao tributo no ajuste anual). O voto que orientou o acórdão recorrido, ao defender a possibilidade da concomitância das multas, consignou as seguintes informações (vol 1, efls. 288): [...] No que tange à dupla tributação sobre uma mesma base de cálculo, vejo que foram impostas sanções sobre fatos ou irregularidades tributárias distintas. Apesar de a base ser idêntica, a multa de oficio foi aplicada em virtude da omissão de receitas e exigida junto com os tributos no processo n° 10680.000531/200486. Já neste processo está sendo exigida a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa mensal a que a empresa estaria sujeita, caso tivesse reconhecido corretamente a receita omitida. Esta Câmara, por maioria de votos, alterando seu entendimento anterior, deliberou pela possibilidade da incidência sobre uma mesma base da multa isolada e da multa de oficio acompanhada do tributo. Os Acórdãos n°: 10807.697 e 10807.660 da sessão de 18 de fevereiro de 2004, da lavra do ilustre Relator José Carlos Teixeira da Fonseca, cuja ementa a seguir transcrevo, traduzem claramente este posicionamento. [...] Assim sendo, são perfeitamente compatíveis a multa de ofício, acompanhada de tributo, e a multa isolada, tendo por base de cálculo a receita omitida. (grifos acrescidos) Para o anocalendário 1998, não há mais controvérsia quanto à questão da concomitância das referidas multas. O CARF, inclusive, já editou súmula a respeito do assunto: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Assim, por aplicação direta da Súmula CARF nº 105, cabe afastar a multa isolada por falta de estimativas de IRPJ, que está sendo exigida nos presentes autos. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 14 13 Fl. 507DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.001136/2004-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano calendário: 2004
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de
declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado
Numero da decisão: 1802-001.168
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores) sob alegação de omissão no Acórdão nº 1802000.993 de 04/10/2011 que negou provimento ao recurso voluntário e possui a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 Ementa: CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – A ciência ao contribuinte do despacho decisório e da decisão de primeira instância que descrevem claramente os motivos que justificam o indeferimento do pleito e a apresentação plena da defesa demonstram que o direito do interessado não foi preterido e afastam a alegada ofensa aos princípios constitucionais do devido processo, contraditório e ampla defesa. Assim, não há nulidade a ser declarada se incomprovado prejuízo ao contribuinte. RETENÇÃO NA FONTE. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. BASE DE CÁLCULO. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela locação de mãode obra estão sujeitos a retenção de 1% na fonte de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, sem permissão legal para excluir da base de cálculo os valores referentes ao pagamento de salários e respectivos encargos sociais pagos pela empresa tomadora do serviço. ANTECIPAÇÃO DA CSLL DEVIDA. COMPENSAÇÃO. Em conformidade com o artigo 36 da mencionada Lei nº 10.833/2003 o valor retido da CSLL será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação a CSLL devida no período de apuração adotado pelo contribuinte (trimestral ou anual). A pessoa jurídica não adquire o direito de pleitear a restituição ou compensação da CSLL em decorrência da retenção do tributo como antecipação do devido. Após o período de apuração (trimestral ou anual), momento da ocorrência do fato gerador da CSLL, conforme se depreende dos artigos, 1º, 6º e 28 da Lei nº 9.430/96 é que poderá ser restituído o pagamento a maior configurado como saldo negativo com a possibilidade da compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a teor do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ÔNUS DA PROVA. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10920.001136/200441 Acórdão n.º 1802001.168 S1TE02 Fl. 2 3 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o artigo 170 do Código Tributário Nacional. À mingua de tal comprovação não se reconhece o direito creditório e por conseqüência a não homologação da compensação efetuada pelo contribuinte. O mencionado acórdão foi recepcionado pela empresa em 28/11/2011 (Aviso de Recebimento – AR), e, os embargos foram protocolizados em 05/12/2011. A Embargante diz que conforme esclarecido nos autos, presta serviços através da cessão de mãodeobra, disponibilização e alocação à terceiros, de trabalhadores que realizam serviços contínuos. E assim, por essa razão recebe o reembolso de salários e encargos sociais e trabalhistas dos trabalhadores, e também, a taxa administrativa preço do serviço e por conseqüência, sua autêntica receita ou faturamento. Alega que, tal matéria foi analisada e julgada em demanda própria, e que, dos autos 2003.72.01.0019840 (processo judicial) ficou assentado que a receita da Embargante, decorrente do preço do serviço prestado, é apenas a taxa administrativa. Essencialmente, a Embargante alega que a decisão embargada, além de desconsiderar os efeitos declaratórios da decisão judicial, igualmente foi omissa ao desprezar e negar vigência aos comandos normativos do art. 30 e 36 da Lei 10.833/03, que obrigam a retenção exclusivamente sobre "pagamentos pela prestação de serviços". E no caso, os reembolsos e encargos não são pagamentos, mas sim, reembolsos, e portanto, não podem sofrer a retenção da CSLL. Finalmente a Embargante requer que os presentes Embargos de Declaração sejam conhecidos e providos para que, com efeitos infringentes, provoquem a manifestação sobre os pontos omissos anteriormente mencionados e reformem a decisão. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Os Embargos de declaração foram apresentados em 05/12/2011, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos, deles conheço. Conforme relatado a Embargante alega, essencialmente, que a decisão embargada, além de desconsiderar os efeitos declaratórios da decisão judicial, igualmente foi omissa ao desprezar e negar vigência aos comandos normativos do art. 30 e 36 da Lei 10.833/03, que obrigam a retenção exclusivamente sobre "pagamentos pela prestação de serviços". E no caso, os reembolsos e encargos não são pagamentos, mas sim, reembolsos, e portanto, não podem sofrer a retenção da CSLL. Ora, pelos próprios fundamentos da Embargante não há omissão na decisão embargada e sim, a alegada desconsideração dos efeitos declaratórios da decisão judicial e negação aos comandos normativos do art. 30 e 36 da Lei 10.833/03. Sobre o assunto, consta do voto condutor do acórdão embargado o seguinte: (...) Como se vê, o processo judicial acima, cingese à determinação da base de cálculo da Cofins a ser retida e sua compensação, razão pela qual não se pode dar elastério à decisão judicial para abranger à CSLL e concluir pela existência de ação judicial com o mesmo objeto e conseqüente renúncia ao presente processo administrativo. Dessarte, cabível a apreciação do processo administrativo em pauta, por esse colegiado administrativo, por se tratar de matéria distinta da constante do mencionado processo judicial. O pleito do contribuinte nos presentes autos fundamentase, em síntese, no fato de alegada retenção na fonte da CSLL incidente sobre o total da Nota Fiscal de Prestação de Serviços (Taxa de Administração + Reembolso de Salários e Encargos) enquanto entende a recorrente que somente deveria incidir sobre a taxa de administração, sendo a diferença considerada pela interessada como pagamento indevido de CSLL, razão pela qual requer a restituição a partir do mês de retenção para compensação com o IRPJ devido. Para comprovar o alegado a recorrente junta as planilhas de fls.13 e 14. Conforme a quarta alteração contratual datada de 15/04/2003, juntada às fls.03/07, o objetivo social da empresa é "a terceirização de prestação de serviços e locação de mão de obra". Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10920.001136/200441 Acórdão n.º 1802001.168 S1TE02 Fl. 3 5 O ponto nodal da lide é a determinação da base de cálculo da CSLL a ser retida à luz da Lei 10.833/2003 e a compensação com o IRPJ. Sabese que, além do artigo 55 da Lei nº 7.713/88 que trata da retenção de 1% (IRRF) aplicável às importâncias pagas ou creditadas a pessoas jurídicas, civis ou mercantis, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, segurança, vigilância e por locação de mãodeobra de que trata o art. 3º do DecretoLei nº 2.462, de 30 de agosto de 1988, o artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 instituiu a retenção na fonte de PIS, Cofins e CSLL, nos seguintes termos: Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valor e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (...) § 3º As retenções de que trata o caput serão efetuadas sem prejuízo da retenção do imposto de renda na fonte das pessoas jurídicas sujeitas a alíquotas específicas previstas na legislação do imposto de renda (...) Art. 31. O valor da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, de que trata o art. 30, será determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0.65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente. (...) Art. 36. Os valores retidos na forma dos arts. 30, 33 e 34 serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação ao imposto de renda e as respectivas contribuições. Gizese que, conforme quarta alteração contratual juntada às fls.03/07, o objetivo social da empresa é "a terceirização de prestação de serviços e locação de mão de obra", atividade relacionada no art. 30 da Lei n° 10.833/2003 como sujeita à retenção da CSLL o que permite concluir ser a retenção devida sobre o montante pago à locadora da mãodeobra, relativo à Nota Fiscal de Prestação de Serviços (Taxa de Administração + Reembolso de Salários e Encargos), nos moldes do artigo 31, sem a exclusão da base de cálculo como pretende a recorrente. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Enfim, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela locação de mãode obra estão sujeitos a retenção de 1% na fonte de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, sem permissão legal para excluir da base de cálculo os valores referentes ao pagamento de salários e respectivos encargos sociais pagos pela empresa tomadora do serviço. É pertinente esclarecer que em conformidade com o artigo 36 da mencionada Lei nº 10.833/2003 o valor retido da CSLL será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação a CSLL devida no período de apuração adotado pelo contribuinte (trimestral ou anual). A pessoa jurídica não adquire o direito de pleitear a restituição ou compensação da CSLL em decorrência da retenção do tributo como antecipação do devido. Após o período de apuração (trimestral ou anual), momento da ocorrência do fato gerador da CSLL, conforme se depreende dos artigos, 1º, 6º e 28 da Lei nº 9.430/96 é que poderá ser restituído o pagamento a maior configurado como saldo negativo com a possibilidade da compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a teor do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Além do mais, apesar de intimada a interessada (intimação n° 162/2004 fls.08/09) a apresentar comprovante de retenção de CSLL no valor de R$ 3.345,39, o contribuinte não apresentou os comprovantes de retenção, limitandose a fornecer mero demonstrativo do crédito, mediante as planilhas de fls.13 e 14. Com efeito, incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o artigo 170 do Código Tributário Nacional. À mingua de tal comprovação não se reconhece o direito creditório e por conseqüência a não homologação da compensação efetuada pelo contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar suscitada de cerceamento ao direito de defesa, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Como se vê, a Embargante pretende rediscutir a matéria litigada insistindo em que a retenção na fonte da CSLL incida somente sobre a “Taxa de Administração” e não sobre o total da Nota Fiscal de Prestação de Serviços (Taxa de Administração + Reembolso de Salários e Encargos), sendo a diferença considerada pela interessada como pagamento indevido de CSLL. Nos termos do art. 65 do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, não se prestando o instrumento processual (embargos de declaração) para instigar à nova apreciação e julgamento. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10920.001136/200441 Acórdão n.º 1802001.168 S1TE02 Fl. 4 7 A Embargante não demonstra a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos no que resta improcedente a alegação suscitada pela Embargante Com as considerações acima, entendo não estar presente no acórdão embargado qualquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental (obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos), razão pela qual voto no sentido de que sejam REJEITADOS os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16682.721218/2013-32
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE. ATO NÃO COOPERATIVO.
Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços. Recurso Especial do contribuinte conhecido e negado.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário. Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e provido.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL.
Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araujo (relator) e André Mendes de Moura, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. Designada para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento do recurso do contribuinte, a conselheira Cristiane Silva Costa. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões, quanto ao conhecimento do recurso fazendário, as conselheiras Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão na sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE. ATO NÃO COOPERATIVO. Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços. Recurso Especial do contribuinte conhecido e negado. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e provido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 18 /2 01 3- 32 Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araujo (relator) e André Mendes de Moura, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. Designada para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento do recurso do contribuinte, a conselheira Cristiane Silva Costa. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões, quanto ao conhecimento do recurso fazendário, as conselheiras Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão na sessão anterior. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte, fundamentados no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. Os recorrentes insurgemse contra o Acórdão nº 1402002.089, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF em 18 de janeiro de 2016 (efls. 1114 e ss.), cujas ementa e decisão abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SÁUDE. ATO NÃO COOPERATIVO. Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 4 3 Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. CSLL. DECORRÊNCIA. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada, parcialmente em relação ao IRPJ e integralmente em relação à CSLL, nos termos do voto do redator designado. Vencido em primeira votação o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por dar provimento ao recurso. Vencidos em segunda votação os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento integralmente ao recurso. Vencidos em terceira votação os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a multa isolada. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada . O Conselheiro Demetrius Nichele Macei fará declaração de voto (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. A exigência versa sobre exclusão indevida de resultados não tributados de sociedades cooperativas, do que resultou diferenças de IRPJ e CSLL no ajuste anual de 2008, bem como a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais neste Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 5 4 período. O Colegiado recorrido decidiu manter integralmente o IRPJ e a CSLL devidos no ajuste anual por considerar irrelevante a discussão acerca do rateio das receitas, na medida em que a cooperativa atua como operadora de plano de saúde e pretendia, indevidamente, a aplicação de benefícios direcionados às cooperativas a atividades de natureza mercantil, sem ter segregado em sua contabilidade a parte do valor contratado destinado à remuneração dos serviços médicos prestados pelos cooperados. Com referência à multa isolada, a exigência correspondente às estimativas de CSLL foi integralmente cancelada, porque concomitante com a multa de ofício aplicada no ajuste anual, e a parcela referente às estimativas de IRPJ foi mantida na parte em que a sua base de cálculo excedia a base de cálculo da multa de ofício proporcional. Inconformada com a parcela da exigência afastada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando, em síntese, que a decisão recorrida emprestou à lei tributária interpretação divergente da acolhida por outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF, no que toca à concomitância das multas de ofício proporcional e isolada por falta de recolhimento de estimativa (efl. 1139 e ss) Referido recurso foi admitido por despacho exarado pelo Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF (efl. 1164 e ss). Por sua vez o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao especial da Fazenda Nacional defendendo o não conhecimento do recurso porque os paradigmas apresentados contrariariam a Súmula CARF nº 105, e apontando a ausência de prequestionamento, bem como de demonstração analítica da divergência. No mérito, argumentou que a melhor interpretação da legislação conduz à impossibilidade de exigência concomitante das penalidades em tela (efl. 1177 e ss.). Ademais, inconformado com a parcela da exigência mantida pelo acórdão nº 1402002.089, o sujeito passivo também contra ela interpôs recurso especial tendo como objeto divergência interpretativa emprestada à lei tributária por outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF, sobre os seguintes temas (efl. 1177 e ss.): a) dever da fiscalização em promover a segregação entre os resultados dos atos cooperativos e dos atos não cooperativos; e b) imposição da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa mensal relativa ao mês de dezembro de 2008, em concomitância com a multa de ofício imposta em razão da falta de pagamento do imposto devido ao final do respectivo anocalendário. O recurso do sujeito passivo foi admitido parcialmente por despacho do Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, apenas em relação à primeira divergência (efl. 1305 e ss.). A interessada apresentou agravo (efls. 1320 e ss.), mas o Presidente da CSRF o rejeitou, mantendo o seguimento parcial do recurso especial (efls. 1343 e ss.) Por fim, apresentou a Fazenda Nacional contrarrazões ao especial do sujeito passivo, observando que a recorrente foi regularmente intimada pela autoridade fiscal para apresentar sua contabilidade nos termos da legislação vigente, mas não apresentou documentação compatível, além de adotar entendimento, ao arrepio da lei, que os atos praticados por ela seriam atos cooperados (não merecendo, assim, qualquer segregação). Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 6 5 É o relatório. Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Voto vencido quanto ao conhecimento do recurso do contribuinte 1) CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo apontou divergências acerca da necessidade de segregação, pela fiscalização, entre os resultados dos atos cooperativos e dos atos não cooperativos, bem como a respeito da multa isolada parcialmente mantida no acórdão recorrido. Todavia, em exame de admissibilidade somente a primeira teve seguimento, sob os seguintes fundamentos: A primeira divergência interpretativa, suscitada no item III.2 do recurso, referese ao alegado dever da fiscalização em promover a segregação entre os resultados dos atos cooperativos e os dos atos não cooperativos, com vistas a promover o lançamento de ofício. A recorrente demonstrou que matéria foi prequestionada, mediante a precisa indicação do trecho do acórdão recorrido em que foi apreciada a matéria objeto da divergência, conforme excerto do voto presente na peça recursal, e a seguir transcrito (efl. 1209): No momento em que essa segregação deixa de ser efetuada ou é executada irregularmente pela premissa equivocada de tratar as receitas de planos de saúde integralmente como derivadas de atos próprios da cooperativa, não há como exigir que esse procedimento seja efetuado pela Fiscalização. Além do que, como já mencionado, não há qualquer indicativo de auferimento de outro tipo de receita em valor digno de menção. (g.n.) (...) Ressaltese que embora o trecho acima transcrito esteja contido no voto "vencido" do acórdão recorrido, a posição da Turma sobre essa matéria não foi objeto de reforma pelo voto "vencedor", o qual tratou apenas da multa isolada. A recorrente também demonstrou analiticamente a alegada divergência interpretativa emprestada à lei tributária pela Turma recorrida frente àquela acolhida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Referida divergência pode ser verificada mediante o cotejo entre o trecho do acórdão recorrido acima transcrito, e os seguintes trechos contidos nos acórdãos paradigmas nos 910100.339 e 180300.187, indicados na peça recursal (efls. 1209/1210), acórdãos esses que foram juntados pela recorrente em seu inteiro teor (fl. 1225 e ss.): Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 8 7 Acórdão Paradigma CSRF nº 910100.339: "(...) É entendimento assente nesse Colegiado o de que não prospera o lançamento de IRPJ sobre a totalidade das receitas da cooperativa (que sabidamente pratica atos cooperativos) nas hipóteses em que a Fiscalização deixa de intimála para promover a segregação entre receitas e despesas provenientes de atos realizados com cooperados/outras cooperativas e terceiros, especificandose nesta intimação o que se entende (pela Fiscalização) por ato cooperado ou não cooperado. De fato, nas hipóteses em que não há separação de resultados (receitas e despesas) pela cooperativa relativos a atos cooperados e a atos não cooperativos, incumbe à Fiscalização identificar a efetiva base de cálculo do tributo ao invés de tributar o resultado global da cooperativa. (...) Não houve determinação específica no sentido de solicitar ao Contribuinte que segregasse o resultado das operações que a Fiscalização considerava decorrentes de atos não cooperativos. Houve tributação pelo valor global das receitas, quando se sabe que o Contribuinte deveria ter ser autuado apenas pelos lucros provenientes de atos não cooperados, tais quais os assim considerados pela fiscalização. (...) a meu ver, à míngua de presunção legal a respeito, ao invés de tributar resultados globalizados da cooperativa, incumbiria à Fiscalização investigar a efetiva ocorrência do fato gerador e especificar seu aspecto quantitativo (base de cálculo). (...)” Acórdão Paradigma nº 180300.187: “(...) se a cooperativa pratica atos, sem visar ao lucro e na busca de seu objetivo social, independentemente de estarse diante de uma relação efetivada entre cooperativa e cooperados ou entre estas e terceiros, a toda evidência estarseá diante de um ato tipicamente cooperativo abrigado de qualquer pretensão fiscal, especialmente no tocante ao Imposto de Renda e seus reflexos. Nos presentes autos, a autoridade fiscal não discriminou de forma pormenorizada a diferenciação entre atos cooperativos e atos não cooperativo. Como já colocado, em razão do peculiar regime jurídico aplicável às cooperativas, a CSLL não incide sobre os resultados dos atos cooperativos. As sociedades cooperativas podem praticar atos não cooperativos, sem que desse fato decorra sua convolação em sociedade mercantil para fins de tributação da totalidade de seus rendimentos. No caso em questão, o lançamento foi efetuado sobre todas as receitas obtidas pela cooperativa na venda de planos de saúde. Entretanto, como parte destas receitas é oriunda da prática de atos cooperativos (intermediação da relação negocial entre o médico cooperado e o paciente não cooperado), devese decotá las do montante passível de tributação. A falta dessa Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 9 8 segregação por parte da autoridade fiscal torna insubsistente o lançamento efetuado. (...)” (g.n.) Isso posto, entendendo que a recorrente demonstrou tanto o prequestionamento da matéria quanto a divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas nos 9101 00.339 e 180300.187 no que concerne à interpretação da lei tributária, minha opinião é que se deva dar seguimento ao recurso especial do sujeito passivo quanto à essa primeira matéria. Ocorre que no referido exame de admissibilidade não foi observada a existência de óbice ao seguimento do recurso especial, vez que os paradigmas apresentados contrariam decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543C da Lei nº 5.689, de 1973, e assim não se prestam à demonstração de divergência na forma do art. 67, §12, inciso II do Anexo II do RICARF. Isso porque os paradigmas, partindo do pressuposto de que as receitas de cooperativa de serviços médicos com a venda de planos de saúde poderiam não ser passíveis de tributação se oriundas da prática de atos cooperativos, demandaram a prévia segregação dos resultados correspondentes a atos cooperativos e não cooperativos. Contudo, depois da edição destes paradigmas, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse no sentido de que se sujeitam à tributação todos os atos praticados por cooperativas com terceiros não associados (inclusive clientes não cooperados). Inicialmente, no âmbito do REsp nº 58.265/SP, apreciando a possibilidade de tributação sobre resultado positivo decorrente de aplicações financeiras realizadas por cooperativas, o Superior Tribunal de Justiça firmou que: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO POSITIVO DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. SÚMULA 262/STJ. APLICAÇÃO. 1. O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ). 2. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária) compreende o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo. 3. O lucro real é definido como o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (artigo 6º, do DecretoLei 1.598/77, repetido pelos artigos 154, do RIR/80, e 247, do RIR/99). 4. As sociedades cooperativas, quando da determinação do lucro real, apenas podem excluir do lucro líquido os resultados positivos decorrente da prática de "atos cooperativos típicos", assim considerados aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 10 9 si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79, caput, da Lei 5.764/71). 5. O artigo 111, da Lei das Cooperativas (Lei 5.764/71), preceitua que são consideradas rendas tributáveis os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de aquisição de produtos ou de fornecimento de bens e serviços a não associados (artigos 85 e 86) e de participação em sociedades não cooperativas (artigo 88), assim dispondo os artigos 87 e 88, parágrafo único, do aludido diploma legal (em sua redação original): "Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de Cooperativismo, poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Parágrafo único. As inversões decorrentes dessa participação serão contabilizadas em títulos específicos e seus eventuais resultados positivos levados ao 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social'." 6. Outrossim, o Decreto 85.450/80 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época) preceituava que: "Art. 129 As sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica, pagarão o imposto calculado unicamente sobre os resultados positivos das operações ou atividades: I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais (Lei n. 5.764/71, artigos 85 e 111); II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais (Lei n. 5.764/71, artigos 86 e 111). III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, desde que prévia e expressamente autorizadas pelo órgão executivo federal competente (Lei n. 5.764/71, artigos 88 e 111). § 1º É vedado às cooperativas distribuir qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 11 10 vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n. 5.764/71, art. 24, § 3º, e DecretoLei n. 1.598/77, art. 39, I, b). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Regulamento." 7. Destarte, a interpretação conjunta dos artigos 111, da Lei das Cooperativas, e do artigo 129, do RIR/80, evidencia a mens legislatoris de que sejam tributados os resultados positivos decorrentes de atos não cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre a cooperativa e não associados, ainda que para atender a seus objetivos sociais. 8. Deveras, a caracterização de atos como cooperativos deflui do atendimento ao binômio consecução do objeto social da cooperativa e realização de atos com seus associados ou com outras cooperativas, não se revelando suficiente o preenchimento de apenas um dos aludidos requisitos. 9. Ademais, o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, ex vi do disposto no parágrafo único, do artigo 79, da Lei 5.764/71. 10. Conseqüentemente, as aplicações financeiras, por constituírem operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos não cooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. 11. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009 destaquei) Posteriormente, no voto condutor do AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.221.603 – SP, o Ministro Mauro Campbell Marques esclareceu que, embora no REsp nº 58.265/SP se estivesse apreciando no caso hipótese de "resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas", nas suas razões de decidir firmouse que: [...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos não cooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). Por esta razão, a Segunda Turma do STJ decidiu que: “a questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros diz respeito a tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, não havendo mais dúvidas quanto Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 12 11 ao seu julgamento, sejam terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde, sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados, motivo pelo qual a tributação do IRPJ e CSLL deverá ocorrer normalmente sobre tais atos negociais”. A ementa do referido julgado evidencia, claramente, o entendimento de que a matéria em debate nestes autos foi decidida pela sistemática de recursos repetitivos: DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. TRIBUTAÇÃO DE DESPESAS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. 2. Na hipótese dos autos, a contratação, pela Cooperativa, de serviços laboratoriais, hospitalares e de clínicas especializadas, atos objeto da controvérsia interpretativa, não se amoldam ao conceito de atos cooperativos, caracterizandose como atos prestados a terceiros. 3. A questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros é tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), os sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados (laboratórios, hospitais e clínicas), deve haver a tributação do IRPJ e CSLL normalmente sobre tais atos negociais. 4. Consoante o julgado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, “[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda” (REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. A tese de que se trata de tributação sobre uma despesa e não sobre uma receita da Cooperativa não foi apreciada pela Corte de origem, o que atrai o teor das Súmulas 282 e 356/STF. 6. Agravo regimental não provido.” (destaquei) Há, ainda, no mesmo sentido, os seguintes julgados: Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 13 12 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada assim a sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não associados caracterizase como ato nãocooperativo, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de Renda. Precedentes: REsp. Nº 237.348 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 17 de fevereiro de 2004; REsp 418.352/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 23.09.02; REsp 215.311 / MA, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 10/10/2000; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006. 3. Agravo regimental nãoprovido.” (AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.2.2009 – destaques acrescidos) TRIBUTÁRIO COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO E ASSEMELHADOS PIS E COFINS ATOS PRATICADOS COM NÃOASSOCIADOS: INCIDÊNCIA PRECEDENTES. 1. É legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF e mais recentemente, dos Recursos Extraordinários 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, dentre outros. 2. De igual maneira, na linha da jurisprudência da Suprema Corte, o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, a que se refere o art. 146, III, “c”, da Carta Magna e o tratamento constitucional privilegiado a ser concedido ao ato cooperativo não significam ausência de tributação. 3. Reformulação do entendimento da Relatora nesse particular. 4. A partir dessas premissas, e das expressas disposições das Leis 5.764/71 e LC 70/91, e ainda do art. 111 do CTN, não pode o Poder Judiciário atuar como legislador positivo, criando isenção sobre os valores que ingressam na contabilidade da pessoa jurídica e que, posteriormente, serão repassados a seus associados, relativamente às operações praticadas com terceiros. 5. Apenas sobre os atos cooperativos típicos, assim entendidos como aqueles praticados na forma do art. 79 da Lei 5.764/71 não ocorre a incidência de tributos, consoante a jurisprudência consolidada do STJ. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 14 13 6. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 635.986/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25.9.2008 – destaques acrescidos) COFINS. COOPERATIVAS MÉDICAS. CARACTERIZAÇÃO OU NÃO DE ATO COOPERATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. CARÁTER EMPRESARIAL. I É assente o entendimento nesta Corte, no sentido de não ser cabível a isenção da COFINS sobre os atos das sociedades cooperativas médicas, relacionados à intermediação entre cooperados e terceiros, estes adquirentes de Plano de Saúde, visto que a prestação de tais serviços não se configura como ato tipicamente cooperativo, mas mercantil, sendo, portanto, cabível a incidência da referida exação. Precedentes: AgRg no REsp nº 788904/RJ, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 15/09/2008; REsp nº 729.947/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 24/05/07; REsp nº 807.690/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 01/02/2007; e REsp nº 778.135/MG, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, DJ de 13/02/2006. II Agravo regimental improvido”. (AgRg no AgRg no Resp 1033732/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, Dje 1.12.2008 destaques acrescidos) TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. ATOS COOPERATIVOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CONCEITO DE FATURAMENTO MATÉRIA CONSTITUCIONAL. EXAME NA VIA DO RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os atos que não são tipicamente cooperativos, tais como os serviços prestados por sociedades cooperativas médicas a terceiros (nãoassociados), são passíveis de incidência do PIS. [...] 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido.” (REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 9.10.2006) Assim sendo, como os paradigmas apresentados pelo sujeito passivo não admitem a tributação do resultado global da cooperativa, sob o pressuposto de que parte das receitas auferidas com a venda de planos de saúde poderia corresponder a atos não cooperativos, concluo que eles contrariam decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, recorrente (REsp. n. 58.265/SP), no qual restou definido que as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos nãocooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Por tal razão, penso que o recurso especial do sujeito passivo não deveria ter sido conhecido. Voto vencedor quanto ao mérito do recurso do contribuinte Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 15 14 1) MÉRITO DO RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO Como fiquei vencido no não conhecimento do recurso, sigo com o exame de seu mérito. A controvérsia se dá em torno da tributação das receitas que a recorrente aufere em decorrência da comercialização de planos de saúde. Cotejando os argumentos apresentados, constato que o acórdão recorrido, da relatoria do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, deve ser mantido por seus próprios fundamentos: "[...] A principal questão sob exame consiste em definir a natureza da receita decorrente da venda de planos de saúde realizada por instituições como a interessada, operadora de planos de saúde organizada como cooperativa. Preliminarmente, o tema que merece discussão é se, em função das atividades exercidas, caberia definir a interessada como cooperativa. Na verdade, anuindo com a recorrente quando reclama seu reconhecimento como operadora de saúde, penso que as atividades que a identificam como tal estão perfeitamente delineadas ao contrário da realização de atos cooperativos, prática essa não vislumbrada no procedimento fiscal. A fiscalizada entende que se o ato é praticado em benefício da cooperativa só haveria distinção entre atos cooperativos principais e auxiliares. Essa tese parte de uma interpretação extensiva da definição do ato cooperativo prevista no art. 79 da Lei nº 5.764/71. Nos termos desse dispositivo, ato cooperativo é aquele praticado entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si. Com base nessa definição, o Parecer Normativo CST nº 38/80 exemplificou várias atividades que seriam tipicamente enquadradas como ato cooperativo e outras que estariam excluídas desse campo. Não vislumbrei qualquer irregularidade no Parecer, até porque discordo de qualquer tipo de ampliação do conceito estabelecido no art. 79 da Lei nº 5.764/71. Os dispositivos da Lei em comento regulamentam a atividade cooperativa em sua essência, inclusive estabelecendo mecanismos de incentivo ao cooperativismo tendo como escopo, seja qual for o objeto social da organização, a prestação de serviços diretamente aos associados. Sob esse prisma, a tentativa de ampliação do conceito de ato cooperativo revela a dificuldade encontrada por uma organização do tipo Unimed para enquadrar suas atividades nos termos da Lei do cooperativismo. Isso porque a recorrente, muito mais do que uma cooperativa de trabalho, é uma operadora de planos de saúde atuando num mercado competitivo que a obriga a transacionar com terceiros sob regras absolutamente estranhas ao espírito do cooperativismo. Assim, pleiteia a recorrente que benefícios tributários direcionados às cooperativas sejam aplicados em atividades de natureza mercantil, o que se constituiria em privilégio injusto com as demais empresas que atuam no ramo, absolutamente contrário à isonomia. Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 16 15 O Fisco constatou que o faturamento da empresa provém fundamentalmente da comercialização de planos de saúde. Não resta dúvida, portanto, de que a recorrente considerou como ato cooperado a atividade tipicamente mercantil exercida como operadora de planos de saúde junto a terceiros. Em função da premissa equivocada por ela assumida, as discussões quanto à regularidade do rateio efetuado tornamse irrelevantes. Caberia à interessada ter especificado na escrituração a parcela correspondente a atos cooperativos e não cooperativos de modo a que ficasse destacado a parte do valor contratado destinado à remuneração dos serviços médicos prestados pelos cooperados. No momento em que essa segregação deixa de ser efetuada ou é executada irregularmente pela premissa equivocada de tratar as receitas de planos de saúde integralmente como derivadas de atos próprios da cooperativa, não há como exigir que esse procedimento seja efetuado pela Fiscalização. Além do que, como já mencionado, não há qualquer indicativo de auferimento de outro tipo de receita em valor digno de menção. Quanto à natureza da atividade de venda de planos de saúde a jurisprudência administrativa caminha na mesma linha do entendimento aqui esposado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Exercício: 2007, 2008 IRPJ. CSLL. SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA PROVENIENTE DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE A TERCEIROS (PACIENTES). ATO NÃO COOPERATIVO. Os resultados de atos nãocooperativos, caracterizados pelo fornecimento de serviços a terceiros não cooperados, não estão abrigados pela nãoincidência do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Precedentes do E. Superior Tribunal de Justiça, inclusive sob a sistemática do art. 543C do CPC.(Acórdão 1102000.936). COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. COMERCIALIZAÇÃO, EM NOME PRÓPRIO, DE PLANOS DE SAÚDE (SEGURO SAÚDE) PARA TERCEIROS NÃO COOPERADOS. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS QUE GERAM RECEITA E LUCRO. NATUREZA MERCANTIL. NECESSIDADE DE SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS, DESPESAS E RESULTADOS DO ATO COOPERATIVO E DO ATO NÃO COOPERADO. [...] No caso, a Unimed, que comercializa planos de saúde, que tem traços de seguro saúde, presta serviços privados de saúde, caracterizando se assim sua natureza mercantil na relação entre seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados.(Acórdão1802001.354) Salientese que o Acórdão 1102000.936, de ementa acima transcrita, refere se à interessada. Se ainda restasse alguma dúvida, o STJ manifestouse no mesmo sentido em relação às Unimeds, como reconheceu a recorrente, eis que a decisão abaixo transcrita foi por ela mencionada na peça de defesa: RECURSO ESPECIAL Nº 237.348 SC (1999/01003660) RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 17 16 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA E OUTROS RECORRIDO : UNIMED DE FLORIANÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO LTDA ADVOGADO : LECYAN MENDES SLOVINSKI E OUTROS EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada,assim sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não associados, caracterizase como atos nãocooperativos, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de Renda. 3. Recurso especial provido. Curiosamente, a recorrente ousou afirmar que o Acórdão estaria “equivocado” como se, numa total inversão de valores, tivesse condições de criticar uma decisão do Tribunal Superior fora do âmbito processual. A jurisprudência apresentada pela interessada não lhe socorre, ao contrário, fortalece o entendimento do Fisco. O Acórdão 3403001.916 foi trazido para fortalecer a tese de que a prática de atos cooperativos e não cooperativos não descaracterizariam a cooperativa, Essa circunstância não está em discussão no presente caso pois não houve tal descaracterização. Por outro lado, ao tratar da receita com a venda de planos de saúde o acórdão em questão manifestase na mesma linha da Fiscalização e da decisão recorrida (destaques acrescidos): "[...] As entradas de recursos nas cooperativas médicas correspondem, basicamente, aos pagamentos de planos de saúde realizados pelos clientes que contratam os serviços da cooperativa e de seus cooperados. Como as receitas são originadas dos pagamentos que são realizados pelo usuários dos planos de saúde, que não são cooperados, tais atos não configuram ato cooperativo, de modo que a receita originada destas vendas deve ser submetida à incidência de PIS/Cofins.; [...]" O acórdão 3403001.884 ao afirmar que as cooperativas podem adotar qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, apenas explicita a previsto na Lei nº 5.764/71. Esse fato também não está em discussão pois o que se aventou não foi eventual proibição, mas sim a inadequação prática da Unimed ao cooperativismo previsto na lei. Da Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 18 17 mesma forma que o exposto no parágrafo anterior, aqui também o acórdão vai na mesma linha da Fiscalização e da decisão recorrida: "[...] Assim, é evidente que a recorrente não age em nome dos associados como mera repassadora de recursos. A recorrente pratica atos jurídicos com não cooperados e figura como contratante dos planos privados de assistência à saúde que comercializa, prestando serviço em caráter oneroso, definido no art. 1º, I, da Lei nº 9.656/98. Portanto, as receitas provenientes da comercialização dos planos de saúde são decorrentes da prestação de serviço (art.1º, I, da Lei nº 9.656/98) a não cooperados, sujeitandose à incidência das contribuições ao PIS e Cofins. [...]" Os Acórdãos 180300.187, 910100.339 e 0105.828 tratam da necessidade de segregação das receitas quando demonstrado pela correta segregação contábil que a cooperativa aufere receitas de atos cooperados e não cooperados. No presente caso não foi comprovada a existência de qualquer receita que não aquela decorrente da venda de planos de saúde considerada, como já explicitado nesse voto, atividade com terceiros caracterizando ato não cooperado. O acórdão 1801001.206 e aquele referente ao recurso 237.603 tratam de diferenciação entre atos fim, meio e auxiliares, matéria essa estranha ao presente feito principalmente por não tratarem de organizações como a Unimed muito menos da natureza da receita oriunda da venda de planos de saúde. Por fim, para dirimir qualquer dúvida que ainda possa persistir, transcrevese abaixo trecho do Acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região, por sua vez extraído da transcrição contida no Acórdão proferido na análise do Resp nº 903.699 interposto pela Fazenda Nacional onde, segundo pronunciamento da própria interessada, a Relatora Ministra Eliana Calmon deu ao ato cooperativo sua correta interpretação. O recurso foi negado e o Acórdão foi mantido em sua integralidade. Ressaltese a importante diferenciação em destaque na texto: "[...] Não assiste razão ao Il. Representante do Ministério Público Federal. Com efeito, a cooperativa Impetrante tem como objeto a prestação de serviços na área de saúde, e como tal procura colocar à disposição do mercado a utilização desses serviços, promovendo a necessária aproximação dos usuários com os cooperados que os prestam, a quem devem ser repassadas as vantagens advindas da operação. In casu, a Impetrante age em nome dos associados, como simples mandatária, sendo certo que a atividade exercida está compreendida no objeto para a qual foi a mesma idealizada, restando caracterizada como ato cooperativo próprio de suas finalidades a relação jurídica praticada. Diferentemente é a hipótese em que a entidade oferece serviços profissionais médicos mediante adesão a determinado plano de saúde. Neste caso, há nítida finalidade mercantil no ato praticado, posto que a cooperativa paga diretamente o profissional pelo serviço prestado, exercendo em favor dos adquirentes do plano a coordenação e supervisão das atividades desenvolvidas pelos cooperados, mediante retribuição mensal de uma quantia previamente fixada. Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 19 18 [...]" " Em seu recurso especial, o contribuinte não conseguiu refutar os argumentos transcritos acima, pelo que os adoto também neste voto. As decisões do STJ que foram apresentadas anteriormente para sustentar a preliminar de não conhecimento do recurso especial do contribuinte também endossam plenamente o que foi decidido pelo acórdão recorrido, em relação ao mérito da divergência suscitada. Tanto é assim que estas foram as razões de decidir do Acórdão nº 1102 000.936, da relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, relativo ao mesmo contribuinte e tratando apenas de período diferente, para negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte; ademais o recurso especial interposto neste processo teve seu seguimento negado pelo respectivo Presidente de Câmara em virtude do repetitivo apontado aqui para não se conhecer do recurso. Por fim, requereuse, em sede de sustentação e memoriais, que as "Receitas de Intercâmbio", constantes das planilhas das efls. 657 a 670, sejam deduzidas da base de cálculo por serem ingressos relativos a transferências entre cooperativas (devidos em razão de recuperação de custos/despesas; não seriam receitas de fato) e, sob esta ótica, não estariam alcançadas pelo repetitivo, nem esta dedução estaria em confronto com o repetitivo. Esse pedido, entretanto, foge ao escopo da matéria que subiu em sede de recurso especial: para que a possibilidade de dedução da base de cálculo de valores relativos a transferências entre cooperativas pudesse ser julgada com base no alegado direito de que essas transferências seriam recuperação de custos/despesas e de que não poderiam ser consideradas como receitas (a despeito de a própria contribuinte tratálas como receitas nos seus registros), então deveria a matéria, para chegar a esta turma da Câmara Superior, estar impugnada desde o início do contencioso fiscal (conforme o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972), ter sido prequestionada e estar acompanhada de paradigmas hábeis que tratassem desta discussão jurídica. "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" Não é possível superar os obstáculos formais acima apontados e este tema não deve ser debatido por esta turma; mas, apenas a título de refletir um pouco o que ocorreu na sessão, faço as considerações a seguir. Foi alegado que essas "Receitas de Intercâmbio" se tratam de transferências entre cooperativas. Ao questionamento quanto à prova desses valores corresponderem realmente a transferências entre cooperativas, foi oposto que não haveria de se exigir essa prova neste momento, pois estarseia cobrando uma prova "negativa", prova esta que o contribuinte não foi solicitado a fazer em nenhum momento do contencioso até agora. Ou seja, na visão da recorrente, não poderia o julgador exigir essa prova e, frente a impossibilidade de esta prova ser produzida imediatamente, deveria o julgador tomar a alegação como prova. Ora, o ônus de provar um direito é de quem o alega, conforme bem determina o inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Se o Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 20 19 julgador entende que a alegação é insuficiente, supera o indício e questiona sobre uma prova válida, isso não quer dizer que esteja impondo uma exigência absurda a quem alega o direito. Pensar assim é desprezar a lógica do ônus da prova e do livre convencimento, é criar uma presunção relativa do direito com base na alegação e transferir ao julgador o ônus de desconstituir esta presunção, algo inconcebível em qualquer ordem jurídica. "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;" Essa forma de pensar é semelhante ao juízo que se tentou fazer valer durante este contencioso: o de que não cabe ao contribuinte o ônus de provar o seu direito e sim à fiscalização de provar a inexistência do pretenso direito alegado pelo contribuinte. O que evidentemente, é improcedente. Verificase que o contribuinte não fez essa prova porque, além da matéria sequer ter sido impugnada, eventual prova documental também já estaria preclusa, conforme prevê o parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, e tampouco ocorreram algumas das hipóteses de situações que autorizam a mitigação da preclusão, dispostas nas alíneas do mesmo dispositivo: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Desse modo, o pedido subsidiário não deve ser conhecido. Retornando ao tema objeto da divergência e por tudo que se disse quanto a esta, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Voto vencedor quanto ao recurso da Fazenda Nacional 2) DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Alega a Fazenda Nacional que inexiste óbice na legislação tributária à aplicação ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo. Isso porque a base de calculo é elemento que apenas quantifica o imposto ou a penalidade tributária, não se confundindo com os fatos/atos que lhe dão origem. Assim, a penalidade tributária decorre sempre de um ato ilícito e a base de cálculo mensura o montante dessa penalidade. Por sua vez, analisandose os autos, vêse que a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, inc. I, da Lei 9.430/96, resultou falta de recolhimento de tributo (IRPJ e CSLL) por parte da empresa. A denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, ‘b’ da Lei 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento da Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 21 20 sistemática de recolhimento por estimativa mensal da CSLL. Logo, nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas. Em suas contrarrazões ao recurso o sujeito passivo arrola os seguintes argumentos: a) os paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional seriam contrários à Súmula CARF nº 105, porque corresponderiam a exigências de 2005, 2006, 2007 e 2008, e aos três primeiros seria aplicável a referida Súmula; b) não houve demonstração de prequestionamento do objeto recursal, pois não se vislumbra na peça recursal a precisa indicação do debate da matéria recorrido pelo órgão julgador e a mera transcrição de excertos do acórdão recorrido não demonstra, de forma detalhada, o debate e a posição assumida pelo órgão julgador. c) não houve demonstração analítica da divergência porque a Recorrente se limitou a transcrever as ementas dos Recursos paradigmas, e sequer transcreveu o acórdão recorrido. d) a interpretação finalística do comando do artigo 44 revela que não são multas distintas, mas apenas formas diferentes de aplicação da multa do art. 44, em consequência de porventura não haver qualquer montante a ser cobrado a título de obrigação tributária principal, consoante já firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.496.354/PR; e) não há razão para que esta Súmula não seja mais aplicada por este E. CARF uma vez que a alteração legislativa trazida pela Lei nº Lei nº 11.488, de 2007 não teve o condão de trazer um “cheque em branco” para que a multa isolada pudesse ser exigida juntamente com a multa de ofício; f) não cabe a aplicação concomitante da multa de ofício e multa isolada, sob pena de violação ao princípio do nãoconfisco e enriquecimento sem causa, bem como ao art. 112, do CTN; Pois bem, não há reparos a fazer no despacho decisório que deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional, pois: a) conforme exposto no exame de admissibilidade, os paradigmas indicados não contrariaram a Súmula CARF nº 105 porque abrangiam períodos em que a nova redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 já se encontrava vigendo e, em face de tais circunstâncias, a conclusão foi no sentido da possibilidade da aplicação concomitante dessas multas; b) a exigência de prequestionamento e de sua demonstração com precisa indicação nas peças processuais, contida no art. 67, §5º do Anexo II do RICARF, é dirigida ao sujeito passivo, vez que a Fazenda Nacional tem seu interesse recursal limitado à matéria em que foi vencida, cumprindolhe evidenciar, apenas, esta ocorrência na demonstração da divergência; e c) a divergência foi regularmente demonstrada porque a Fazenda Nacional relata a matéria em que foi vencida e confronta esta decisão com o entendimento exposto nos paradigmas e, para tanto, basta a transcrição das ementas que são explicitamente favorávels à Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 22 21 exigência concomitante das multas de ofício proporcional e isolada em períodos de apuração posteriores aos alcançados pela Súmula CARF nº 105. Portanto, voto por conhecer do recurso. No mérito, há que se reconhecer a procedência da pretensão da Fazenda Nacional. O objeto da contestação se refere ao entendimento exposto no acórdão recorrido no sentido de que a multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício devida por conta da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual. O acórdão recorrido adotou tal entendimento em relação ao anocalendário 2008, sob o entendimento de que a Súmula CARF nº 105 somente se aplica aos fatos geradores anteriores a 2007. O voto que prevaleceu no acórdão recorrido em relação a este tema considerou ser impossível a cobrança simultânea da multa de ofício estabelecida no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e da multa isolada pelo não pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, independentemente de esta última ter sua previsão retirada do revogado inciso IV do §1º do art. 44 ou da alínea "b" do inciso II do art. 44, ambos da mesma Lei nº 9.430/1996. A mudança do dispositivo legal que prevê a multa isolada foi operado pela MP nº 351/2007, que veio a ser convertida na Lei nº 11.488/2007. A conclusão do voto vencedor do acórdão recorrido foi fundamentada no voto condutor do REsp nº 1.496.354/PR, no sentido de que as multa isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido, sendo que, em caso de concomitância, a exigência de multa isolada é absorvida pela multa de ofício. Considerando que o Superior Tribunal de Justiça não proferiu tal julgado na sistemática dos recursos repetitivos, divirjo de tal entendimento pelas razões que passo a expor. Até o advento da MP nº 351/2007 e da Lei nº 11.488/2007, a multa isolada devida por ausência de pagamento das estimativa mensais de IRPJ e de CSLL tinha a seguinte previsão: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 23 22 (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano calendário correspondente; (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Observemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"; passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser pago na forma prevista no art. 2º da mesma lei; (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do §1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editou se a multicitada Súmula CARF nº 105: Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 24 23 Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Friso que a Súmula CARF nº 105 é explícita ao mencionar a impossibilidade de cobrança concomitante da "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996" com a "multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual". Tendo sido a Súmula editada pela 1ª Turma da CSRF apenas em 08/12/2014, muito tempo após a revogação do inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e o início da vigência da Lei nº 11.488/1997, seria esperado que ela fizesse alguma referência genérica como "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida (...)" caso não desejasse se referir especificamente à multa isolada prevista no dispositivo revogado em 2007. Neste mesmo sentido já se manifestou a CSRF no Acórdão nº 910100.947, cujo voto condutor assim se pronunciou: "Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a titulo de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de oficio passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao anocalendário 1998, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 25 24 em relação a CSLL não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como dito acima, essa dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e por força do principio da consunção, não pode subsistir." (Grifou se) Interpretando a contrario sensu a referida decisão, concluise que, a partir de janeiro de 2007, quando entrou em vigência a MP nº 351/2007, não subsistem os motivos que outrora impediam a cobrança concomitante das duas multas. Esclareço, ainda que não vislumbro identidade entre as previsões contidas no inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (vigente até o final de 2006) e na alínea "b" do inciso II do art. 44 da mesma Lei (vigente a partir do início de 2007). Na redação anterior, previase a exigência de multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no caso de a pessoa jurídica sujeita ao pagamento do IRPJ e da CSLL, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, deixar de fazêlo, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no ano calendário correspondente. O percentual da multa aplicável era de 75%. Já na redação introduzida pela MP nº 351/2007 e pela Lei nº 11.488/2007, prevêse a cobrança de multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. Logo, houve alterações expressas na base de cálculo e nos percentuais aplicáveis. Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007. Portanto, relativamente ao pedido de restabelecimento da exigência das multas isoladas lançadas em vista do não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apuradas ao longo do anocalendário 2008, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. 3) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto: a) por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional; e b) por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 26 25 Voto vencedor quanto ao conhecimento do recurso do contribuinte Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Designada O recurso especial, por decisão da maioria deste Colegiado, é conhecido, diante da similitude fática com o acórdão paradigma 910100.339. O Ilustre Relator votou por não conhecer o recurso especial, considerando decisão do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento submetido ao artigo 543C, do CPC/1973. Em síntese, extraise do voto do Conselheiro Relator: Assim sendo, como os paradigmas apresentados pelo sujeito passivo não admitem a tributação do resultado global da cooperativa, sob o pressuposto de que parte das receitas auferidas com a venda de planos de saúde poderia corresponder a atos não cooperativos, concluo que eles contrariam decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, recorrente (REsp. n. 58.265/SP), no qual restou definido que as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos nãocooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Lembro, também, que o recurso especial fundamentase em divergência na interpretação da lei tributária, tendo sido indicados como paradigmas os acórdãos 910100.339 e 180300.187 relativamente ao tema admitido pelo Presidente de Câmara (segregação dos atos cooperativos pela fiscalização). O primeiro acórdão indicado como paradigma (910100.339) tem a seguinte ementa: IRPJ. COOPERATIVA. NÃO SEGREGAÇÃO DOS ATOS NÃO COOPERATIVOS. BASE DE CÁLCULO. O resultado decorrente de atos não cooperativos deve ser tributado pelo imposto de renda. Na situação em que a cooperativa praticou atos não cooperativos mas não promoveu a segregação, deve a fiscalização intimála para que apresente os resultados segregados, relativos a atos cooperativos e a atos não cooperativos. A tributação pelo resultado global, sem o trabalho da fiscalização para identificar a verdadeira base de cálculo (lucro real), é precipitada. Precedentes da Câmara Superior. A situação fática relatada em tal acórdão paradigma (910100.339) é bastante similar à que originou o recurso especial ora analisado: No que interessa a esta instância recursal, nos limites do despacho de admissibilidade infracitado, o acórdão recorrido afastou a tributação aplicada á Interessada em virtude de a fiscalização ter tributado a totalidade de suas receitas como se estas fossem decorrentes de atos cooperados, mesmo sabendo que esta, reconhecidamente, pratica atos cooperados. De acordo Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 27 26 com o acórdão, a fiscalização deveria ter intimado o Contribuinte a segregar a receita decorrente de atos cooperados da receita decorrente de atos não cooperados, tributandose apenas a segunda. Diante de tal quadro fático, decidiu a Turma Julgadora do acórdão paradigma (910100.339): É entendimento assente nesse Colegiado o de que não prospera o lançamento de IRPJ sobre a totalidade das receitas da cooperativa (que sabidamente pratica atos cooperativos) nas hipóteses em que a Fiscalização deixa de intimála para promover a segregação entre receitas e despesas provenientes de atos realizados com cooperados / outras cooperativas e terceiros, especificandose nesta intimação o que se entende (pela Fiscalização) por ato cooperado ou não cooperado. De fato, nas hipóteses em que não há separação de resultados (receitas e despesas) pela cooperativa relativos aos atos cooperados e a atos não cooperativos, incumbe à Fiscalização identificar a efetiva base de cálculo do tributo ao invés de tributar o resultado global da cooperativa. A despeito da similitude com os fatos narrados pelo acórdão recorrido, a solução jurídica adotada pelo acórdão paradigma (910100.339) é distinta do resultado do acórdão recorrido. Com efeito, decidiu a Turma prolatora do acórdão recorrido: Com base nessa definição, o Parecer Normativo CST nº 38/80 exemplificou várias atividades que seriam tipicamente enquadradas como ato cooperativo e outras que estariam excluídas desse campo. Não vislumbrei qualquer irregularidade no Parecer, até porque discordo de qualquer tipo de ampliação do conceito estabelecido no art. 79 da Lei nº 5.764/71. (...) O Fisco constatou que o faturamento da empresa provém fundamentalmente da comercialização de planos de saúde. Não resta dúvida, portanto, de que a recorrente considerou como ato cooperado a atividade tipicamente mercantil exercida como operadora de planos de saúde junto a terceiros. Em função da premissa equivocada por ela assumida, as discussões quanto à regularidade do rateio efetuado tornamse irrelevantes. Caberia à interessada ter especificado na escrituração a parcela correspondente a atos cooperativos e não cooperativos de modo a que ficasse destacado a parte do valor contratado destinado à remuneração dos serviços médicos prestados pelos cooperados. Ambos os acórdãos, portanto, tratam da segregação de receitas entre atos cooperativos e atos nãocooperativos, como também do ônus da prova de tal segregação. Assim, autorizam a análise do tema do recurso especial devidamente admitido: a existência (ou não) de dever da fiscalização promover a segregação entre os resultados dos atos cooperativos e não cooperativos. Assim, analisandose o primeiro acórdão indicado como paradigma já se conclui pela similitude fática que justifica o conhecimento do recurso especial, confirmandose a decisão do Presidente de Câmara. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 28 27 Ressalto, ainda, que não há impedimento ao conhecimento do recurso especial ora analisado por força da decisão do E. Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 58.265. Em tal julgamento, pelo Superior Tribunal de Justiça, concluiuse que as aplicações financeiras seriam operações realizadas com terceiros não associados constituindo em atos nãocooperativos. Não obstante, o Superior Tribunal de Justiça não tratou do dever da fiscalização em promover a segregação entre os resultados dos atos cooperativos e dos atos não cooperativos, para fins de lançamento tributário, tema admitido pelo Presidente de Câmara para análise por este Colegiado. Por tais razões, voto pelo conhecimento do recurso especial do contribuinte com relação ao tema admitido pelo Presidente de Câmara. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 29 28 Declaração de Voto Não houve apresentação de declaração de voto no prazo regimental de 15 (quinze) dias, contados da data de julgamento do processo. Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, Anexo II: Art. 63. ... § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 1396DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.904338/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ANULAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRAZO REVISIONAL. OBSERVÂNCIA.
O despacho decisório eletrônico, como espécie de ato administrativo vinculado, deve ser revisado e anulado quando constatados vícios de legalidade que o invalidem, mormente aqueles decorrentes de prestação de informações inverídicas ou equivocadas em declarações obrigatórias - base dos procedimentos automáticos -, desde que observado o prazo de 05 (cinco) anos previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, não representando qualquer vilipêndio a direito adquirido do sujeito passivo, porque dos atos nulos não irradiam quaisquer efeitos, como sedimentado na Súmula STF nº 473.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica.
SISTEMA EQUIVALENTE AO REGISTRO DE ENTRADAS E REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE. ARTIGO 388 DO RIPI/2002. LÍNGUA ESTRANGEIRA (INGLESA). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO À PERFEITA APURAÇÃO DO ESTOQUE PERMANENTE.
Pela própria natureza do sistema de controle alternativo de estoque de que trata do artigo 388 do Regulamento do IPI de 2002, as informações mais importantes a serem lidas e examinadas pelo auditor fiscal são relativas a números (código da TIPI, alíquota do imposto, quantidade etc) ou palavras cujo idioma é indiferente (identificação do produto, especificação da unidade como quilograma, litro, etc), sendo certo que as palavras em língua estrangeira devem aparecer intitulando quadros e colunas, de forma repetitiva, o que, em princípio, não se traduz em dificuldade de compreensão e de fiscalizar os dados nela contidos.
Não merece prosperar a acusação genérica de que o sistema de controle alternativo utilizado pelo contribuinte não é adequado e hábil ao controle de mercadorias, em razão de adotar língua estrangeira, devendo haver demonstração concreta de dificuldades na fiscalização.
Numero da decisão: 3401-003.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por voto de qualidade, para reconhecer não ter havido homologação expressa, no caso, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b) por maioria de votos, para (b1) manter as glosas, no que se refere a créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) afastar as glosas de créditos por Devolução ou Retorno de produtos, em razão do sistema de controle alternativo ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque adotado pela recorrente, vencidos o Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
ROSALDO TREVISAN (PRESIDENTE) - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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ANULAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRAZO REVISIONAL. OBSERVÂNCIA. O despacho decisório eletrônico, como espécie de ato administrativo vinculado, deve ser revisado e anulado quando constatados vícios de legalidade que o invalidem, mormente aqueles decorrentes de prestação de informações inverídicas ou equivocadas em declarações obrigatórias base dos procedimentos automáticos , desde que observado o prazo de 05 (cinco) anos previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, não representando qualquer vilipêndio a direito adquirido do sujeito passivo, porque dos atos nulos não irradiam quaisquer efeitos, como sedimentado na Súmula STF nº 473. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica. SISTEMA EQUIVALENTE AO REGISTRO DE ENTRADAS E REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE. ARTIGO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 43 38 /2 01 1- 27 Fl. 1467DF CARF MF 2 388 DO RIPI/2002. LÍNGUA ESTRANGEIRA (INGLESA). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO À PERFEITA APURAÇÃO DO ESTOQUE PERMANENTE. Pela própria natureza do sistema de controle alternativo de estoque de que trata do artigo 388 do Regulamento do IPI de 2002, as informações mais importantes a serem lidas e examinadas pelo auditor fiscal são relativas a números (código da TIPI, alíquota do imposto, quantidade etc) ou palavras cujo idioma é indiferente (identificação do produto, especificação da unidade como quilograma, litro, etc), sendo certo que as palavras em língua estrangeira devem aparecer intitulando quadros e colunas, de forma repetitiva, o que, em princípio, não se traduz em dificuldade de compreensão e de fiscalizar os dados nela contidos. Não merece prosperar a acusação genérica de que o sistema de controle alternativo utilizado pelo contribuinte não é adequado e hábil ao controle de mercadorias, em razão de adotar língua estrangeira, devendo haver demonstração concreta de dificuldades na fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por voto de qualidade, para reconhecer não ter havido homologação expressa, no caso, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b) por maioria de votos, para (b1) manter as glosas, no que se refere a créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) afastar as glosas de créditos por Devolução ou Retorno de produtos, em razão do sistema de controle alternativo ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque adotado pela recorrente, vencidos o Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. ROSALDO TREVISAN (PRESIDENTE) Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.468 3 Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre de Pedido de Ressarcimento de Saldo Credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”) relativo ao 1º Trimestre do ano de 2008, no valor de 16.303.618,04. Conforme despacho decisório de fls. 978 e seguintes, foi anulado o ato decisório anterior, resultante tratamento eletrônico no âmbito do Sistema de Controle de Créditos e Compensações, com fundamento na Lei nº 9.784/1999, e deferido parcialmente o pedido do contribuinte, para reconhecer direito creditório no valor de 13.981.864,19 e glosar o valor de R$ 2.321.753,85. Os motivos da glosa constam no Relatório Fiscal de fls. 905 e seguintes e estão colocados abaixo: a) créditos indevidos decorrentes da aquisição de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus; b) créditos indevidos ante a ausência de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou seu equivalente, relativos a inúmeras operações de retorno de mercadorias (devolução de vendas/revendas, devolução de mercadorias para substituição em garantia etc); Após ter sido cientificada dessa decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente, em 26/03/2014, pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP ("DRJ”), em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DESONERADAS. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS. É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. Fl. 1469DF CARF MF 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. ATO ADMINISTRATIVO. ANULAÇÃO. Um ato decisório exarado ao arrepio de ditames legais quanto a direito creditório é passível de anulação, com a prolação de novo ato decisório antes do transcurso do prazo decadencial e o conseqüente saneamento da ilegalidade. PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa". O contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado dessa decisão em 12/05/2014, conforme documento de fls. 1166, apresentando tempestivo Recurso Voluntário, em 11/06/2014 (fls. 1168), no qual requer a reforma ou a nulidade da decisão recorrida, pelas seguintes alegações: (i) impossibilidade de retificação do ato decisório anterior que havia homologado todas as declarações de compensação da Recorrente; (ii) haveria decadência do direito do Fisco de reclamar alegadas irregularidades referentes a fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2008, tendo em vista que a Recorrente foi cientificada do despacho decisório que não reconheceu o crédito por ela pleiteado no dia 16/07/2012; (iii) não haveria restrições ao crédito de IPI decorrente de aquisições de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus; e (iv) a Recorrente alega que possuiria sistema permanente de controle de estoques alternativo ao Registro de Controle da Produção e Estoque apto a demonstrar de forma quantitativa a movimentação de estoques; nesse tópico, ainda pede que seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida, pois ao apreciar a matéria, justifica o manutenção do indeferimento do pedido por motivos adicionais e estranhos ao que teria sido apontado no despacho decisório. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.469 5 Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, para que o Colegiado aprecie as matérias a seguir. Da anulação do despacho decisório e da alegada decadência A Recorrente defende a impossibilidade de retificação do ato decisório anterior que havia homologado todas as declarações de compensação da Recorrente e que haveria decadência do direito do Fisco de reclamar alegadas irregularidades referentes a fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2008, tendo em vista que a Recorrente foi cientificada do despacho decisório apenas no dia 16/07/2012. Quanto à primeira alegação, a Administração Pública poderá desfazer seus atos por revogação, por uma reavaliação de conveniência e oportunidade do ato, ou por anulação/invalidação, quando detectar alguma ilegalidade. Já o Poder Judiciário só poderá extinguir o ato administrativo quando constatar alguma ilegalidade. O ato decisório que trata de um pedido de ressarcimento com uma declaração de compensação é um dos tipos de ato administrativo, descrito na doutrina de Themístocles Brandão Cavalcanti, conforme a seguir: "[Decisões administrativas] são atos de autoridades administrativas sobre matéria sujeita à sua apreciação, geralmente matéria controvertida em processo administrativo. É o mesmo que despacho. Por esse meio, em questões administrativas e em quaisquer papéis, se concede ou nega um pedido. É a forma de manifestação da vontade do Estado, mas sobre matéria específica, sujeito ao seu conhecimento. É precedida geralmente da apuração de fatos e circunstâncias que orientem o pronunciamento da autoridade e delas pode caber recurso hierárquico para instância administrativa superior. Devem as decisões administrativas ser motivadas e fundadas em lei e para a sua eficácia e execução publicadas ou notificadas aos interessados".1 (grifos nossos) Pelas próprias características do ato decisório, não é um ato motivado por questões de conveniência e oportunidade, devendo a Administração Pública aceitar ou rejeitar o direito de crédito, à luz do ordenamento jurídico. Logo, o despacho decisório que retificou o ato decisório anterior, na realidade, promoveu a sua anulação, o que teria sido feito com fundamento no disposto na primeira parte do Súmula STF nº 473 e artigo 53, da Lei nº 1 Teoria dos Atos Administrativos. Editora Revista dos Tribunais. São Paulo. 1973. p. 137. Fl. 1471DF CARF MF 6 9.784/1999, que determinam: "A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos". Essa hipótese, de anulação de um ato administrativo dito vinculado, como expõe Diego de Figueiredo Moreira Neto, ocorre "quando inexistem os elementos essenciais dos atos administrativos competência, finalidade, forma, motivo e objeto como quando não se apresentam conforme as prescrições paradigmais definidas pela ordem jurídica"2. Portanto, a ilegalidade que se busca corrigir diz respeito aos elementos do ato administrativo, como eventual inexistência de determinado elemento ou a sua desconformidade com a Lei. Por esse motivo, impedese ressalvar que, muito embora a Administração tenha o dever de invalidar os atos praticados de forma contrária ao ordenamento jurídico, é vedada a ela a invalidade de atos, no curso do processo administrativo, por mera mudança de orientação ou entendimento jurídico a respeito de determinada matéria, tendo em conta o disposto no artigo 2º, parágrafo único, XIII, da Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação". Nesse sentido, é a doutrina de Alexandre Santos de Aragão, que afirma: "A simples mudança na interpretação jurídica eventualmente adotada pela Administração Pública não pode levar à invalidação de atos administrativos já praticados. Notese, entretanto, que estamos tratando, aqui, de simples mudanças de orientação a partir de pontos de vista plausíveis, mas diferentes, tão comuns no Direito, mas não de mudanças de interpretação que signifiquem, na verdade, correções de ilegalidades"3. No caso ora em análise, a decisão recorrida parece afastar a hipótese de aplicação retroativa de nova interpretação, expondo a forma como tal ato decisório é exarado, sem que exista intervenção humana, o que levou o pedido a ser efetivamente examinado em momento posterior, conforme abaixo: "O tratamento de PER/DCOMP, no âmbito do SCC, é eletrônico e automático e segue alguns parâmetros. Foi exarada decisão, em 03/01/2012, com o reconhecimento parcial do direito creditório e a homologação das compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. Em ação fiscal encetada posteriormente, conforme o relatório fiscal constante do processo, foi constatado que parte dos créditos reconhecidos é indevida, segundo as provas dos autos. Assim, foi proferido o Despacho Decisório de 12/07/2013, com a anulação do ato decisório anterior (a revisão de ofício é aludida no novo ato decisório, com base na Lei nº 9.784, de 1999, art. 56)". Esse tipo de procedimento já foi objeto de análise no âmbito da Receita Federal e foi por ela validado, ao expor entendimento no sentido de ser possível a retificação 2 Curso de Direito Administrativo. Parte Introdutória, Parte Geral e Parte Especial. Editora Forense. Rio de Janeiro. 2009. 15ª Edição. p. 224. 3 Curso de Direito Administrativo. Editora Forense. Rio de Janeiro. 2012. p. 166. Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.470 7 de despacho decisório, mesmo que em prejuízo do contribuinte, salvaguardando apenas o direito do contribuinte de se opor a tal revisão, mediante o manejo dos recurso cabíveis. É o que prevê o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014: "57. Este posicionamento, todavia, não deve ser aplicado para os casos de reconhecimento de direito creditório e de homologação de compensação alterados em virtude de revisão de ofício do despacho decisório que, mais do que simplesmente afastar a possibilidade de alterar ato primeiro já emitido, tenha implicado prejuízo ao contribuinte. Aí, em atenção ao princípio constitucional do devido processo legal e seus corolários – do contraditório e da ampla defesa –, deve ser concedido o prazo de trinta dias para o sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade e, sendo o caso, recurso voluntário, no rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, enquadrandose o débito objeto da compensação no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. 58. O prejuízo aqui tratado abarca, inclusive, a inovação ou alteração dos fundamentos que embasaram a decisão anterior, devolvendose ao sujeito passivo, com a ciência da decisão revisora, o prazo para interpor manifestação de inconformidade no concernente à matéria modificada". Sobre o tema, há que se observar que o despacho decisório que trata da homologação de crédito tributário é lavrado, nos dias de hoje, a partir de um trabalho substancialmente eletrônico, com pouca ou nenhuma intervenção humana, tendo em vista que "atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP", como exposto no Acórdão n. 1453.004, da Segunda Turma da DRJ/RPO. É dizer. A análise que no passado era feita exclusivamente por ação humana, nos dias de hoje, é realizada com o auxílio de computadores e sistemas que permitem uma maior eficiência e produtividade nas tarefas da Administração Fiscal. Tal fato leva os contribuintes a questionarem a validade de tais despachos decisórios, argumentando que são nulos, por violação ao direito de defesa, já tendo esse Colegiado a oportunidade de reconhecer a validade de tais despachos decisórios eletrônicos, pois, apesar de sucintos e objetivos, eles se revestem de todos os elementos prescritos na Lei para um ato decisório ou decisão administrativa, sendo devidamente fundamentados e expondo a base legal que ampara o seu exame e conclusão. (Acórdão n. 3401003.340, de 25.01.2017; decisão unânime) Assim, do mesmo modo que ao despacho decisório eletrônico é reconhecido o status de uma decisão administrativa que bem examina o direito de crédito do contribuinte e denega fundamentadamente uma não homologação, não havendo que se falar em sua nulidade, entendo que não cabe à Receita diminuir o exame e conclusão performados por atos dessa natureza em situação oposta, quando homologam uma declaração de compensação, para justificar uma posterior revisão. Então, dúvidas não podem existir que, de fato, a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte foi examinada à luz da legislação aplicável e das informações Fl. 1473DF CARF MF 8 que a Receita entendeu como necessárias e suficientes para emitir uma decisão, no caso, pela homologação da compensação. Além disso, uma decisão que reconhece o direito de crédito e homologa a declaração de compensação realizada, extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, e artigo 74, parágrafo 2, da Lei nº 9.430/1996, devendo essa decisão ser considerada perfeita e acabada, introduzida no ordenamento jurídico e apta a produzir efeitos no ordenamento jurídico, a partir de sua publicação ou ciência da parte interessada. Sobre a vigência do ato administrativo, a exteriorização do ato administrativo pela sua publicação ou notificação ao interessado decorre da prevalência da teoria da publicidade frente à teoria da assinatura, como explica Odete Medauar: "De acordo com a primeira, os atos administrativos entram em vigor na data de assinatura. Para a segunda, o início de vigência depende da publicidade do ato, no sentido de divulgação publicação, notificação, intimação, ciência e não da assinatura, geralmente anterior. Na realidade, antes da divulgação o texto aparece como simples projeto, pronto para entrar em vigor se o agente assim o decidir, pois em princípio não é obrigado a ordenar a publicação de ato já assinado, podendo mesmo sustála, no caso de mudança de circunstâncias ou de nova apreciação do assunto. A teoria da publicidade revelase mais adequada à características do ato administrativo, de modo geral. Para provocar repercussão no mundo jurídico a decisão da Administração deve ser exteriorizada mediante os meios de publicidade. A publicidade do ato, ponto relevante da forma, tem por finalidade introduzilo na ordem jurídica. A entrada em vigor, a partir da qual podem decorrer direitos, obrigações, faculdades, subordinase a condições de publicidade posteriores à assinatura, como, por exemplo: a inserção no jornal oficial, afixação em local de fácil acesso, notificação pessoal, ciência no próprio expediente".4 Com isso, com a publicação ou intimação do contribuinte de um ato decisório que expressamente homologa uma compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a extinção do crédito tributário e a inexistência de relação jurídica entre contribuinte e Fazenda em relação ao crédito tributário compensado, há um esgotamento dos efeitos jurídicos produzidos pelo ato decisório, que se revela um ato consumado, assim como é uma desapropriação já paga pelo Poder Público e que se encerrou por completo, ambos não passíveis de revisão. Isso porque a extinção do crédito tributário e a inexistência de relação jurídica não mais dependem de qualquer condição resolutória ou de uma revisão de ofício mediante recurso voluntário, como ocorre em decisões administrativas em processos que decorrem de lançamento. Dessa maneira, entendo incabível uma nova avaliação da Administração para, a partir de um novo entendimento ou nova leitura da legislação de regência sobre o direito de crédito aplicado aos fatos que lhe foram colocados, dentro de um mesmo processo administrativo, fazer ressurgir um crédito tributário já extinto pela compensação. Nesse sentido, já decidiu a Primeira Seção de Julgamento do CARF, em acórdão que possui a seguinte ementa: "Uma vez publicado um Despacho Decisório que 4 Direito Administrativo Moderno. 8ª Edição. Editora Revista do Tribunais. São Paulo. 2004. p. 165. Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.471 9 homologa totalmente a compensação, extinguindo, portanto, o crédito tributário por inteiro, não é possível voltar atrás para publicar um novo Despacho Decisório que homologa apenas parte da compensação e extingue, então, apenas parcialmente o crédito tributário. Havendo publicação de homologação de compensação, extinto está o crédito e preclusa qualquer nova tentativa de examinálo, salvo no caso de nulidade do primeiro Despacho Decisório. É, portanto, nulo o segundo Despacho Decisório". (Acórdão n. 1401001.487; Data da sessão: 19/01/2016; Relator: Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes; Voto Vencedor: Marcos de Aguiar Villas Boas) No Poder Judiciário, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por decisão unânime, afastou a possibilidade de revisão de decisão que homologa declaração de compensação, o que só poderia ser realizado pela Receita Federal em hipóteses de erro de fato, falsidade e omissão, como ocorre em hipóteses de fraude, pois, em tais casos, penso eu, já não se estaria diante de uma mera mudança de entendimento, mas de uma ilegalidade que afeta os próprios elementos do ato administrativo. A seguir, a ementa do acórdão, de relatoria do Desembargador Paulo Roberto de Oliveira Lima: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA PELO FISCO. REVISÃO DE LANÇAMENTO EX OFFICIO. ERRO DE FATO. ÔNUS DA PROVA. IMPROVIMENTO DO APELO E DO REEXAME. 1. Caso em que a empresa requerera e obtivera, em 2.10.2008, compensação de débitos tributários com créditos que possuía, originários do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI, direito reconhecido pelo Despacho Decisório nº 460/2008. Não obstante, findou surpreendida, já em 16.4.2013, por novo Despacho Decisório (nº 49/2013), que anulou, de ofício, a decisão anterior, afastando a compensação e formalizando a inscrição em dívida ativa do crédito anteriormente extinto. 2. Não pode o Fisco, depois de homologada a compensação promovida pelo contribuinte, vir a promover revisão ex offício do ato, anulandoo, se não comprovado o alegado erro de fato. 3. Sabese que a homologação expressa do pedido de compensação equivale ao lançamento; logo, em consonância com o art. 149 do CTN, sua revisão somente é autorizada se presente na declaração do contribuinte, v.g., erro de fato, falsidade e omissão. Contudo, no caso, a Fazenda Nacional não se desincumbiu de comprovar nos autos qualquer equívoco nos dados informados pela demandante, capaz de alterar/anular o Despacho Decisório que homologara a compensação. 4. Apelação e remessa oficial improvidas". (Processo: 08031184720134058300, Desembargador Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima, Segunda Turma, Julgamento: 03/03/2015) Ante o exposto, considerando que a Recorrente foi devidamente cientificada, inclusive, apresentando Manifestação de Inconformidade, o despacho decisório ingressou no ordenamento jurídico e estabeleceu uma relação jurídica entre as partes, pela extinção do crédito tributário, entendo que o segundo despacho decisório que anulou o primeiro deve ser considerado nulo, motivo pelo qual acolho a preliminar suscitada pela Recorrente. Fl. 1475DF CARF MF 10 Ultrapassada a nulidade do segundo despacho decisório e assumindoo como válido, quanto à segunda alegação, no sentido de que teria ocorrido decadência, em razão do transcurso de prazo superior a 5 (cinco) anos entre os fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2008 e ciência da Recorrente, que se deu em 16/07/2012, na realidade, em se tratando de um pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação, a Recorrente parece querer que se reconheça a homologação tácita das compensações declaradas. Segundo o artigo 74, parágrafo 5º, da Lei nº 9.430/1996: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". (grifos nossos) Portanto, em compensações declaradas, o termo inicial da contagem do prazo qüinqüenal da homologação tácita é a data de transmissão ou apresentação da declaração de compensação e não a data de ocorrência de referência do saldo credor de IPI. A decisão recorrida rejeitou essa alegação da Recorrente, expondo o que segue: "O Despacho Decisório fora proferido em 12/07/2013 e a respectiva ciência ocorreu em 16/07/2013. O primeiro PER/DCOMP com compensação declarada (nº 39921.18805.300608.1.3.014419) fora transmitido em 30/06/2008. A ciência do novo ato decisório se deu mais de cinco anos após a transmissão do primeiro PER/DCOMP; todavia, as compensações deste são abrangidas pelo direito creditório reconhecido: R$ 13.981.864,19. As demais declarações foram transmitidas em 18/07/2008, 31/07/2008 e 10/10/2010. Por conseguinte, o novel ato decisório veio a lume antes do transcurso do prazo qüinqüenal de homologação tácita (decadência) relativamente à transmissão da declaração homologada parcialmente (PER/DCOMP nº 19654.49660.310708.1.3.012061), ou seja, com compensações acima do limite do direito creditório reconhecido, consoante o demonstrativo de compensações às fls. 972/977". Assim, a Receita Federal teria até o dia 18/07/2013, 31/07/2013 e 10/10/2015 para cientificar a Recorrente da não homologação das declarações de compensação em referência, o que, de fato, ocorreu, pois a Recorrente foi cientificada da última decisão no dia 16/07/2012, não havendo que se falar em reconhecimento de homologação tácita das compensações declaradas. Direito de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus A questão que se coloca nesses autos é se, à luz do ordenamento jurídico vigente, a Recorrente faz jus ao direito de crédito de IPI decorrente de operações de aquisição de insumos oriundos da Zona Franca de Manaus. Impende esclarecer que não há qualquer questionamento quanto à isenção fruída pelos fornecedores da Recorrente, tendo a Fiscalização se voltado apenas contra o direito de crédito de IPI escriturado pela Recorrente. Também, apesar de a Recorrente mencionar, em Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.472 11 seu Recurso Voluntário, o artigo 237 do Regulamento do IPI, em nenhum momento a Recorrente afirma, muito menos, apresenta notas fiscais e outros documentos comprobatórios, no sentido de que as aquisições se deram com amparo no artigo 6º, parágrafo 1º, do Decreto Lei nº 1.435/1975, dispositivo que prevê o direito de crédito em operações específicas. Desse modo, a discussão se cinge à análise do direito de crédito em aquisições de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, considerando a isenção na saída do fornecedor como válida e diferente da isenção prevista no artigo 6º, do DecretoLei nº 1.435/1975. A Constituição da República prevê, em seu artigo 153, parágrafo 3, inciso II, que o IPI será "será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores" (grifos nossos). Já com relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre prestações de Serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação ("ICMS"), a não cumulatividade encontra assento constitucional no artigo 155, parágrafo 2º, inciso I, da Constituição da República, que determina que o ICMS "será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal" (grifos nossos). Porém, em relação ao ICMS, de forma diversa do que ocorre com o IPI, há uma ressalva expressa ao direito de crédito em relação à isenção, pois, de acordo com o artigo 155, parágrafo 2º, inciso II, da Constituição da República, "II a isenção ou nãoincidência, salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes; b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores". Essa ressalva vem de antes da Constituição de 1988, mais precisamente, decorre da Emenda Constitucional nº 23/1983, conhecida como "Emenda Passos Porto", e alterou unicamente a disciplina de créditos e débitos do ICMS, para transformar o que era regra direito de crédito nas aquisições isentas em exceção, mantendo incólume a disciplina de créditos e débitos referente ao IPI. Nas palavras do Ministro Marco Aurélio: "Deuse a transformação da regra em exceção, como disse: a isenção ou a não incidência implicará crédito e estou modificando a ordem das expressões "não implicará" é a regra "crédito de imposto para abatimento daquele incidente nas operações seguintes, salvo determinação em contrário da legislação". O crédito, portanto, tãosomente no tocante ao ICM, só poderia decorrer de disposição legal. Houve modificação, em si, quanto ao IPI? Não. O IPI continuou com o mesmo tratamento que conduziu esta Corte a assentar uma jurisprudência tranquilíssima no sentido do direito ao crédito. Não houve mudança. A Emenda Constitucional nº 23 apenas alterou o preceito da Carta então em vigor que regulava o ICM"5. Como se verifica, existia uma jurisprudência firme, no sentido de que a aquisição de insumo isento gerava direito de crédito de IPI, com fundamento direto no princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, previsto no artigo 153, parágrafo 3º 5 RE 212.4842. Data de Julgamento: 05/03/98. Fl. 1477DF CARF MF 12 inciso II, da Constituição da República, considerando ainda que o legislador constituinte quando pretendeu ressalvar esse direito em relação à isenção, o teria feito de forma expressa, como se deu em relação ao ICMS. Entretanto, no ano de 2007, houve uma guinada no entendimento do Supremo Tribunal Federal ("STF"), por ocasião dos Recursos Extraordinários nº 353.657/PR e nº 370.682/SC, passando o STF a não reconhecer o direito de crédito de IPI não somente nas aquisições isentas, mas também nas aquisições sujeitas à alíquota zero e não tributadas, conforme ementas de julgados a seguir: "IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. (...) (RE 353.657, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, DJe 7.3.2008) ***** "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido". (RE 370682, Rel. Min. Ilmar Galvão, Relator(a) p/ Acórdão: Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe 19.12.2007) Essa jurisprudência foi reafirmada no ano de 2015, em processo de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, em que foi reconhecida a repercussão geral do tema, em decisão que possui a ementa a seguir: "Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência". (RE 398365 RG, Relator: Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/08/2015) Com base nesse entendimento do STF, a Fazenda Nacional defende a impossibilidade de os contribuintes escriturarem crédito de IPI em decorrência de aquisições isentas de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. Segundo a Fazenda, tal como decidido pelo STF, o princípio constitucional da não cumulatividade não albergaria o direito de crédito em aquisições isentas, sendo necessário para o surgimento do direito de crédito que a operação anterior esteja sujeita ao efetivo pagamento do IPI. Portanto, a ausência de direito de crédito nas aquisições isentas da Zona Franca de Manaus teria como fundamento o artigo 153, parágrafo 3, inciso II, da Constituição da República. Além disso, os defensores dessa corrente, muitas vezes, apontam o artigo 150, parágrafo 6ª, da Constituição da República6, como um fundamento adicional para não se 6 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.473 13 reconhecer o direito de crédito em tais situações, pois esse dispositivo constitucional exigiria lei específica para a concessão do direito de crédito. No CARF, o entendimento quanto à matéria também vacilou, ao longo dos anos, seguindo as oscilações ocorridas no âmbito do Poder Judiciário. No ano passado, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais teve a oportunidade de apreciar novamente a matéria, firmando o entendimento, por maioria de votos, favorável à tese da Fazenda Nacional, em decisão que possui a seguinte ementa: Ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 IPI. CRÉDITOS DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. ZFM. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF, o que não acontece no caso dos produtos adquiridos da ZFM e da Amazônia Ocidental, uma vez que não satisfizeram as condições estabelecidas no art. 82, inc. III do RIPI/2002". (Acórdão nº 9303004.205; Sessão de 09/08/2016; Relatora: Vanessa Marini Cecconello; Redator Designado: Andrada Márcio Canuto) Trecho do Voto Vencedor: "Como a sistemática da nãocumulatividade não dá direito à apropriação de crédito de IPI em entradas de insumos não tributados por tal imposto, este creditamento só poderá ser admitido quando autorizado por lei específica, pois a Constituição Federal proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o §6º do art. 150 da CF, situação que se harmoniza com a opção do constituinte pelo sistema de crédito para efetivação do princípio da nãocumulatividade. (...) Desta forma, para que haja o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados, a título de crédito presumido, fazse necessário lei específica nesse sentido. Por esta razão que, o Regulamento de IPI de 2002, em seu art. 175, estabeleceu o benefício de creditamento ficto de IPI, como se devido fosse, nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus, apenas quando da ocorrência de isenção prevista no inciso III do art. 82 do RIPI/2002". de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. Fl. 1479DF CARF MF 14 Contudo, a situação jurídica da Zona Franca de Manaus é peculiar, de modo que não se pode olhar para as aquisições de insumos isentos daquela região do país e de seus efeitos, no que dizem respeito à tributação do IPI, da mesmo forma que se olha para as demais aquisições isentas de insumos. Tanto é assim que o Ministro Marco Aurélio deixou claro, no julgamento dos Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário nº 566.819 que naquele recurso não se estava em jogo situação jurídica regida "por legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus", a indicar que, não se poderia aplicar diretamente, sem um detido exame de todos os nuances envolvidos, a tese firmada pelo STF quanto à generalidade dos casos de aquisições isentas às aquisições isentas da Zona Franca de Manaus. Como bem observado em seu Voto, nos debates ocorridos em sessão de julgamento, após o Ministro Marco Aurélio fazer essa ressalva, também a Ministra Cármen Lúcia admitiu, dizendo "o caso da Zona Franca, por exemplo, que aí é outra coisa". Aliás, os precedentes do STF que firmaram a tese pela ausência de direito à crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos não tinham como origem fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus. Portanto, é inegável a particularidade existente quanto ao regime jurídico das aquisições de insumos isentos daquela região, para efeito de direito de crédito de IPI, o que decorre da realidade histórica, geográfica, econômica e social da Região Norte do país, que desde a Constituição de 1946 (artigo 199) merece atenção especial dos Poderes Legislativo e Executivo, com vistas ao seu desenvolvimento, proteção e integração ao território nacional. Em 1953, foi editada a Lei nº 1.806/1953, que dispôs sobre o Plano de Valorização Econômica da Amazônia, criou a superintendência da sua execução e deu outras providências. Após, veio a Lei nº 3.173/1957, que cria uma zona franca na cidade de Manaus. Em seguida, a Lei nº 5.173/1966, que tratou do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, extinguiu a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) e criou a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Finalmente, foi editado o DecretoLei nº 288/1967, que regula a Zona Franca de Manaus e, em seu artigo 9º, confere a isenção de IPI da qual se discute a possibilidade de gerar direito de crédito para o adquirente, nos seguintes termos: "Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional". Essa isenção, e aqui começa a distinção que é necessária ser feita, não é uma isenção de natureza fiscal, portanto, não é regida diretamente pelo artigo 176 e seguintes do Código Tributário Nacional. É uma isenção de natureza extrafiscal que tem como fundamento de validade o artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, in verbis: "Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. § 1º Lei complementar disporá sobre: I as condições para integração de regiões em desenvolvimento; Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.474 15 II a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos regionais, integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados juntamente com estes. § 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: (...) III isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas". (grifos nossos) Na realidade, tratase de uma isenção de incentivo regional que tem matriz na própria Constituição, não se sujeitando, portanto, ao requisito de estar prevista em lei específica, tal como determina o artigo 150, parágrafo 6º, da Constituição da República. É da própria Constituição que essa isenção emana, com o objetivo de efetivar os objetivos fundamentais da República, listados no artigo 3º, da Constituição7. Além disso, o regime jurídico aplicável à Zona Franca de Manaus foi expressamente recepcionado pela Constituição de 1988, que no artigo 40 do ADCT afirma: "Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus". E, depois, as Emendas Constitucionais de nº 42/2003 e 83/2014, incluíram os artigos 92 e 92A, para ampliar o prazo previsto no artigo 40 do ADCT, primeiro, por mais 10 (dez) anos, e depois, por mais 50 (cinquenta) anos, o que resulta na manutenção da Zona Franca até o ano de 2073. Sobre esse ponto, a Ministra Carmen Lúcia já teve a oportunidade de afirmar: "Para preservar o projeto desenvolvimentista concebido sob a vigência da ordem de 1967 para a região setentrional do país, o poder constituinte originário tornou expressa a manutenção, por tempo determinado, da disciplina jurídica existente, afirmando a finalidade de apoio ou fomento para a criação de um centro industrial, comercial e agropecuário na região da Zona Franca de Manaus. O quadro normativo préconstitucional de incentivo fiscal à Zona Franca de Manaus foi alçada à estatura constitucional pelo art. 40 do ADCT, adquirindo, por força dessa regra transitória, natureza de imunidade tributária". (ADI nº 310; julgada em 19/02/2014) Portanto, a isenção e demais benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus possuem estatura constitucional, com fundamento de validade nos artigos 43, parágrafo 2º, III, da Constituição da República e artigos 40, 92 e 92A, do ADCT. Agora, com relação à isenção de IPI, a sua particularidade reside justamente na necessidade de estar acompanhada do direito de crédito do adquirente para que tenha 7 Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I construir uma sociedade livre, justa e solidária; II garantir o desenvolvimento nacional; III erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Fl. 1481DF CARF MF 16 efetividade, devendose, portanto, fazer a distinção e afastar a aplicação da jurisprudência que se firmou para a generalidade dos casos. Como mencionado, o objetivo da isenção é extrafiscal, no sentido de estimular a instalação de um pólo industrial na região, ocupála para garantir a segurança nacional e a proteção da Floresta Amazônica e de toda a sua biodiversidade, gerar desenvolvimento econômico e social na região, diminuir a pobreza e fazer a integração dessa região com o restante do país. Porém, nesse caso, se a isenção não andar junta, de mãos dadas, com o direito de crédito, perdese o benefício almejado. A única forma da isenção ser efetiva é acompanhada do direito de crédito. Para ilustrar, peço vênia para tomar emprestado o exemplo singelo, porém, interessante, levantado pelo Ministro Luís Roberto Barroso, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891, que será novamente mencionado adiante. A situação hipotética colocada é a seguinte: uma indústria em São Paulo, capital, tem a opção de comprar ordinariamente um determinado insumo que custa sem o IPI $100. De um fornecedor localizado em Santo André, SP, incide IPI no valor de $20, o que resulta em um custo total de R$120, com a possibilidade de crédito de $20. Portanto, um custo efetivo de $100. Já o fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus está beneficiado pela isenção, portanto, $0 (zero) a título de IPI. Admitindose que a isenção não gera direito de crédito ao adquirente, os dois fornecedores ofertariam o insumo a um mesmo custo à indústria de São Paulo, capital, pelo valor de $100, sendo a única vantagem de se comprar na Zona Franca de Manaus um diferimento no desembolso do IPI. Enquanto ao se comprar do fornecedor de Santo André, SP, a indústria deverá desembolsar o IPI de forma imediata, na compra de fornecedor da Zona Franca de Manaus, a indústria só teria que fazer o desembolso na operação seguinte. A pergunta que deve ser feita é se esse mero diferimento seria incentivo suficiente para que se adquira insumos na Zona Franca de Manaus ou para que determinada empresa se instale na Zona Franca e tenha condições de oferecer com competitividade seus produtos no mercado. A resposta é não. Nesse cenário, as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus perdem, por completo, qualquer atratividade, levando em consideração que elas já largam em desvantagem e nunca conseguiriam ter o mesmo preço sem IPI de uma empresa localizada, por exemplo, em Santo André, SP, em razão de custos de logística, como frete e seguros no transporte. Enquanto a distância entre Manaus e São Paulo, capital, gira em torno de 4.000km, a depender do trajeto, a distância entre Santo André e São Paulo, capital, é de 20km. Mas não é só. A distância do mercado consumidor é apenas uma entre as diversas dificuldades enfrentadas por aqueles que empreendem naquela região, existindo inúmeros desafios a serem enfrentados na instalação e desenvolvimento de um projeto industrial naquela parte do país, como dificuldades para obtenção de mãodeobra especializada, de fornecedores de bens e serviços etc. Por todas essas dificuldades e tendo em vista os objetivos fundamentais da República, arrolados no artigo 3º, da Constituição, é que um plano de desenvolvimento para a região foi concebido, vem sendo pensado, aprimorado e implementado por todas essas décadas. Portanto, a isenção sem que venha acompanhada do direito de crédito, perde se, por completo, e o direito de crédito existe justamente para, em conjunto com outros incentivos, anular esse custo de logística e tentar colocar as empresas lá localizadas em grau de Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.475 17 competitividade com empresas localizadas em outros lugares do país. Não por outro motivo, o Ministro Marco Aurélio, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 212.4842, afirmou: “não podemos confundir isenção com diferimento, nem agasalhar uma óptica que importe reconhecerse a possibilidade de o Estado dar com uma das mãos e retirar com a outra”. Nessa linha de entendimento, oportuno citar o alentado voto do Juiz Federal Roberto Jeuken, no julgamento da Apelação em Mandado de Segurança nº 1999.61.00.014490 0, pela 3ª Turma do Tribunal Regional da 3ª Região: “De fato, as isenções de produtos oriundos das chamadas zonas livre de comércio, qualificamse como um incentivo regional assegurado diretamente no corpo da lei maior, conforme se depreende da análise do art. 43 e § 2º, não obstante a necessidade da lei instituidora, inclusive porque a opção poderá se dar em face dos outros benefícios assegurados no mesmo preceptivo, esmaecendose, portanto as objeções que pudessem ser opostas em face do art. 150, § 6° da mesma, na redação conferida pela EC. 03, de 17.03.93. Não se cuida portanto de desoneração emergida da vontade discricionária do legislador ordinário, com fundamento direto nas raias do art. 176 do CTN, onde a previsão do art. 150 § 6º opera seus efeitos e sim de outorga derivada daquele assento constitucional, desde a promulgação do vigente ordenamento, revestindose assim de igual estatura e de maior antigüidade em relação a exigência contida neste outro cânone magno.(...) Portanto, poderá ser afirmado que a migração destas isenções para o âmbito da lei maior, confere as mesmas, relevo superior ao já desfrutado no âmbito do parágrafo único do artigo 176 do CTN, onde dotada de características especiais, frente as demais normas isentivas, fundadas no seu caput.. Tal peculiaridade coloca estas desonerações de caráter regional, por força daquele preceito, no mesmo patamar constitucional da incumulatividade, em ordem a que a desconsideração dos créditos dela advindos, substanciaria a prática de dar com uma mão e tirar com a outra (voto do Ministro Marco Aurélio no RE 212.484), não admitida no Excelso Pretório. (...) Contudo, naqueles casos onde a outorga deita lastro no art. 43 da lei maior, a atuação legislativa processase no patamar da própria Constituição, e em sede privativa da União, a qual tem dentre suas elevadas funções, a de promover a unidade nacional através do desenvolvimento regional. Portanto, neste contexto, o direito ao crédito emerge das próprias finalidades que estão subjacentes a este especial atuar, proporcionando a efetividade do benefício. De sorte que, no caso, o direito ao crédito é o discrímen que qualifica a utilização destes créditos e não aquele direito fundado tão somente na primeira parte do inciso II do art. 153, §3º (será nãocumulativo) então erigido ao patamar de um princípio absoluto, intocável e balizador da compensação que efetivarseá ao em olvido a técnica indicada na mesma sede e no mesmo dispositivo, porém considerada como de uma categoria, mera regra de aplicação de um princípio maior, a ser ajustada consoante farto Fl. 1483DF CARF MF 18 entendimento doutrinário pátrio, para contemplar crédito de imposto e não imposto pago. Portanto, no caso daquelas isenções concedidas as empresas situadas na Zona Franca de Manaus, a exemplo do que também ocorreria nas chamadas Zonas Livres de Comércio, é preciso ter presente que a desoneração tem objetivos de desenvolvimento regional, colaborando de molde a baratear a aquisição dos insumos, e a obtenção de preço final mais competitivo, nos produtos resultantes do processo de industrialização, na medida em que o adquirente não precisa pagar o valor do imposto. De fato, se as empresas, adquirindo o produto intermediário a preços mais vantajosos, não pudessem creditarse do montante que seria devido à título de IPI, que se erigia no diferencial que motivara a aquisição de empresa situada em local distante, se tomado em conta as regiões sul e sudeste, por certo ela acabaria mudando de fornecedor, tendo em vista outras indústrias do mesmo ramo, situadas na mesma região, barateando o transporte. Portanto, a finalidade buscada com a isenção, barateamento do custo de produção, restaria frustrado e aquelas empresas lá situadas, que fizeram elevados investimentos para iniciar a produção em locais que no muito das vezes, além de distantes, são inóspitos e não possuem mão de obra qualificada, não iriam adiante”. (grifos nossos) Verificase, por conseguinte, que a isenção deve estar acompanhada do direito de crédito, sob pena de se tornar inócua, não atingindo as finalidades para as quais foi instituída, tornando letra morta todo o regime jurídico cuidadosamente editado com esse objetivo e os dispositivos constitucionais que o recepcionaram e lhe deram vida longa até 2076. Além disso, nesse caso, a não aceitação do direito de crédito implica a transformação da figura da isenção e uma figura de mero diferimento que, muito embora seja uma espécie de benefício fiscal, não foi aquele escolhido pelo legislador para o atingimento do fim por ele pretendido. Observem que o legislador possui, nos termos do artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, três instrumentos para atingir o desenvolvimento e reduzir as desigualdades regionais: a isenção, a redução de tributos e o diferimento de tributos. Ao ter escolhido a isenção, que é o maior incentivo possível e adequado ao atingimento dos fins almejados, não se pode interpretar a sua aplicação, de um modo que a torne ineficaz, esvaziada, com a mesma força de um benefício de diferimento que é uma mera alteração no prazo de pagamento do tributo ou na data de ocorrência do fato gerador , justamente o menor incentivo, a arma de menor calibre, dentre os que poderia o legislador se utilizar. E o único modo de a isenção ser plena, na sistemática própria do IPI, é que venha acompanhada do respectivo direito de crédito. Portanto, ante o exposto, podese concluir que: (i) a isenção do artigo 9º DecretoLei nº 288/1967 se qualifica como uma isenção para incentivo regional e tem fundamento direto no artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, sendo recepcionada na ordem constitucional vigente, conforme artigos 40, 92 e 92A, do ADCT; (ii) não tem como fundamento legal, dessa forma, no artigo 176 e seguintes do CTN, não se sujeitando, assim, ao disposto no artigo 150, parágrafo 6º, da Constituição da República; (iii) nesse caso, a outorga de isenção para incentivo regional só é eficaz e produzirá os efeitos pretendidos, atingindo os fins para os quais foi concebida, se acompanhada do direito de crédito, que não tem como fundamento o princípio da não cumulatividade previsto no artigo Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.476 19 153, parágrafo 3º, inciso II, da Constituição da República, mas encontra fundamento de validade de igual estatura, qual seja, o no artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, considerandose ainda a especial posição que ocupa a Zona Franca de Manaus e seu regimento jurídico no ordenamento jurídico pátrio. Por fim, cabe ressaltar que esse entendimento está em linha com as manifestações do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.819, no qual a Ministra Relatora Rosa Weber já proferiu seu voto, reconhecendo o direito de crédito nas aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus, sendo seguida pelos Ministros Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. Todavia, o julgamento foi interrompido com um pedido de vistas do Ministro Teori Zavascki, que expôs que seu entendimento até o início do julgamento era pelo não reconhecimento do direito de crédito, mas que, diante dos debates, havia pensado ser mais prudente pedir vistas para aprofundar seus estudos sobre a matéria. A grande preocupação que o Ministro Teori Zavascki externou dizia respeito ao fundamento para amparar o direito de crédito, já que o direito de crédito no caso não possuía assento no princípio da não cumulatividade, artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Constituição da República, sendo certo que o artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, prevê apenas a isenção e não a isenção acompanhada pelo direito de crédito. Com relação a esse ponto, na linha do que já se expôs, acredito que o direito de crédito tenha fundamento no próprio artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República e artigo 9º, do DecretoLei nº 288/1967, pois essa isenção, para ser efetiva e atingir o seu objetivo de incentivo regional, deve obrigatoriamente estar acompanhada do direito de crédito. Por esse motivo, quando, anos mais tarde, o legislador tratou de projetos específicos para produção de “produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária” e outorgou a isenção na saída dos produtos da Zona Franca de Manaus, ele deixou claro que aquela isenção era acompanhada do direito de crédito (artigo 6, caput, e parágrafo 1º, do Decreto nº 1.435/1975), não havendo razões para se impor tratamento diferenciado para um e outro caso. Além disso, à época da edição da legislação que inseriu a isenção que está a se tratar, o entendimento era firme no sentido de que, ao determinar a isenção em uma operação, a operação seguinte fruiria direito de crédito de IPI, pois, como lembrado pelo Ministro Marco Aurélio no julgamento do RE nº 212.4842, até determinado momento, a "jurisprudência tranquilíssima no sentido do direito ao crédito". Assim, o emprego de uma interpretação histórica, levando em conta a intenção original do legislador e a norma que se extraía da legislação à época e que foi considerada por aqueles que se instalaram na região setentrional, também levaria a essa conclusão. Ademais, o direito de crédito guarda ainda fundamento nos artigos que alçaram o regime jurídico da Zona Franca de Manaus à estatura constitucional, artigos 40, 92 e 92A do ADCT, que indicam e garantem uma proteção e irredutibilidade de direitos que visem o desenvolvimento e proteção da Zona Franca de Manaus. Pelo exposto, entendo que o Recorrente tem direito de crédito de IPI sobre as aquisições de insumos isentas oriundas da Zona Franca de Manaus, motivo pelo qual o pedido de ressarcimento formulado merece ser deferido, homologandose as compensações correspondentes. Fl. 1485DF CARF MF 20 Créditos por Devolução ou Retorno de produtos e sistema equivalente ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque Nesse tópico, a Fiscalização reconhece que há direito de crédito relativo a produtos tributados recebidos em devolução, porém, "condicionado à comprovação inequívoca de que a mercadoria retornou entrou nos estoques do Contribuinte e, teve, posteriormente, saída tributada", na esteira do procedimento e requisitos previstos no artigo 167 e seguintes do Regulamento do IPI de 2002. Porém, a Fiscalização glosou tais créditos, sob o entendimento de que a Recorrente não teria atendido a um dos requisitos desse procedimento, o previsto no artigo 169, inciso II, b, do Regulamento do IPI de 2002, abaixo transcrito: “Art. 169. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências ( Lei nº 4.502, de 1964, art. 27, § 4º): (...) II pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: (...) b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388”; (grifos nossos) De acordo com a Fiscalização, a Recorrente não disporia de sistema alternativo ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque que fosse adequado e hábil ao controle de mercadorias, tal como determina o artigo 388 do Regulamento do IPI, in verbis: “Art. 388. O estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista, que possuir controle quantitativo de produtos que permita perfeita apuração do estoque permanente, poderá optar pela utilização desse controle, em substituição ao livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, observado o seguinte: I o estabelecimento fica obrigado a apresentar, quando solicitado, aos Fiscos Federal e Estadual, o controle substitutivo; II para a obtenção de dados destinados ao preenchimento do documento de prestação de informações, o estabelecimento industrial, ou a ele equiparado, poderá adaptar, aos seus modelos, colunas para indicação do valor do produto e do imposto, tanto na entrada quanto na saída; e III o formulário adotado fica dispensado de prévia autenticação”. (grifos nossos) Isso porque o sistema de controle da Recorrente adotava o inglês e não o português como língua. Ressaltese que esse foi o único motivo apontado pela Fiscalização para não aceitar o sistema adotado pela Recorrente e, por consequência, glosar os créditos escriturados, como se verifica do trecho do Termo de Verificação Fiscal, já transcrito linhas acima, no relatório deste Acórdão. Por sua vez, o acórdão recorrido manteve o lançamento nessa parte, pelos seguintes fundamentos: “Logo, o direito ao creditamento em questão não decorre imediatamente do registro isolado, no Livro de Registro de Entradas, do retorno dos produtos ao estabelecimento industrial. E, quanto ao documento em língua inglesa Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.477 21 denominado “Stock History”, mesmo quando afastados os óbices normativos e a perplexidade diante da manutenção e exibição à Administração Tributária Brasileira, pelo contribuinte, de registros que não se encontram grafados em vernáculo, verificase que o referido documento não exibe, induvidosamente, os mesmos elementos do livro a que pretende substituir e nem representa um controle quantitativo de produtos que permita a perfeita apuração do estoque permanente e de seu fluxo, o mesmo se dando em relação às folhas avulsas (“fichas”) cujos exemplares acompanham a impugnação, as quais não são impressas com os mesmos elementos do livro substituído, não são numeradas tipograficamente e muito menos exibem autenticação do Fisco Estadual ou da Junta Comercial (...), não podendo ser reputadas, à evidência, como “sistema de controle” do fluxo de envio e retorno de mercadorias”. Diante dos termos da decisão recorrida, a Recorrente pede que seja reconhecida a sua nulidade, pois ao apreciar a matéria, mantém o lançamento apresentando motivos adicionais e estranhos ao que teria sido apontado no Auto de Infração. Além disso, a Recorrente defende que possuiria sistema permanente de controle de estoques alternativo ao Registro de Controle da Produção e Estoque apto a demonstrar de forma quantitativa a movimentação de estoques. Para tanto, acosta aos autos documento intitulado “Termo de Constatação” elaborado por firma de auditoria independente que atesta que examinou minuciosamente o sistema utilizado pela Recorrente no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2009 e que tal sistema “possibilita a apuração quantitativa permanente do estoque e de seu fluxo, bem como possibilitam o rastreamento e controle quantitativo das suas saídas (vendas e/ou revenda de mercadoria e devoluções de venda de mercadoria”. Além disso, aduz a Recorrente que as informações em “língua inglesa” são mínimas e não são fundamentais para a compreensão das informações apresentadas, tendo em vista que o objeto de análise consiste na correlação entre números, datas e códigos de identificação de cada produto. Quanto ao pedido de nulidade, há que se concordar com a Recorrente quando alega que a decisão recorrida acaba mantendo a autuação por outros fundamentos que não os expostos para fundamentar o lançamento. Se acusação do lançamento é que o controle alternativo utilizado pela Recorrente é imprestável, pois o sistema de controle quantitativo de produtos adota como idioma o inglês, deve a autoridade julgadora decidir nos limites da acusação, a partir da qual a lide foi instaurada. Desse modo, não pode a autoridade julgadora manter o lançamento, sob o argumento de que aceita o idioma inglês no controle alternativo, porém, o sistema ainda assim é imprestável, não atende ao artigo 388 do Regulamento do IPI, pois os registros nele feitos não têm como observar os requisitos previstos para o Registro de Controle da Produção e do Estoque que pretende substituir, em violação ao disposto nos artigos 383 a 386, do Regulamento do IPI. Tal julgamento levaria a uma alteração no critério jurídico do lançamento, vedada pelo artigo 146, do CTN. Entretanto, o pedido deve ser rejeitado, tendo em vista que, diferente do que alega a Recorrente, a decisão recorrida não tangencia a apreciação quanto à possibilidade de utilização de idioma estrangeiro no sistema de controle alternativo, mas, a meu ver, afasta essa hipótese, apesar de dar mais ênfase na manutenção do lançamento a fundamentos inovadores e adicionais ao que foi apresentado na autuação. Fl. 1487DF CARF MF 22 Com relação à utilização de língua estrangeira em sistemas do contribuinte que devem atender também aos propósitos de fiscalização da Receita Federal, o CARF já decidiu que "a forma de apresentação dos registros e arquivos em meio magnético a que estão obrigadas as pessoas jurídicas por força do disposto no artigo 11 da Lei 8.218/91 é aquela definida no ADE COFIS nº 15/2001, que, como se viu, não faz qualquer referência à língua em que as mercadorias devem ser descritas", em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 ARQUIVOS DIGITAIS. DADOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. CONTEÚDO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. INFRAÇÃO QUANTO À FORMA. INOCORRÊNCIA. Os arquivos digitais e sistemas das pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados devem observar, quanto à forma, as disposições contidas no ADE COFIS nº 15/2001. O fato de as informações estarem em língua estrangeira não constitui infração pelo não atendimento da forma de apresentação dos registros e respectivos arquivos. Recurso de Ofício Negado" (Acórdão nº 3102001.641; 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 23/10/2012; Relator: Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Relator; decisão unânime) No caso específico do sistema de controle alternativo aqui discutido, o CARF também já teve a oportunidade de examinar a sua adequação às normas de regência, em processo da própria Recorrente que tratava de pedido de ressarcimento de IPI do período de apuração relativo ao quarto trimestre de 2006, quando, conforme “Termo de Constatação” acostado pela Recorrente, o sistema adotado era o mesmo que o adotado no período do lançamento ora em julgamento. Na sessão de julgamento do dia 14/10/2014, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara afastou a glosa de créditos em razão de o sistema utilizar a língua inglesa, pelas seguintes razões, expostas no voto do Conselheiro Relator Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto: “A recorrente apresenta inúmeros elementos, com telas do sistema e descrições do funcionamento do mesmo, que demonstram que o seu sistema de controle estaria apto para comprovar o seu direito creditório. A fiscalização, contudo, não aceitou o sistema pois o mesmo utilizaria o idioma inglês, o que o tornaria inábil para este fim. Neste ponto, verificando os documentos trazidos aos autos, constatase que o sistema foi desenvolvido na língua inglesa. Não se trata, contudo, de um documento complexo, redigido em uma língua obscura, mas sim de um software que, assim como tantos outros, utiliza o idioma inglês. Verificase ainda que as informações dos documentos fiscais são apresentadas conforme constam nestes documentos, e que por meio dele é possível a apuração do estoque permanente, o que permite a análise da veracidade dos créditos pleiteados. Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.478 23 Desta forma, constatado que a recorrente possui sistema de controle quantitativo de produtos que permite a apuração do seu estoque permanente, não se mostra correta a glosa de seus créditos referentes a estornos de saídas em razão de retorno à produção própria e revendas referentes aos CFOPs 1.201/2.201/2/1.202/2.202/1.949/2.949, devendo a autoridade fiscal verificar a regularidade dos créditos pleiteados pela recorrente por meio da análise dos dados contidos no sistema por ela utilizado”. (grifos nossos) (Acórdão nº 3201001.767; decisão unânime) Ao se examinar as telas do sistema juntadas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, verificase que são pertinentes as conclusões a que chegou a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, no Acórdão nº 3201001.767: não se trata de um documento complexo, mas sim de um software que possui sua versão na língua inglesa. Além disso, pela própria natureza do sistema de controle alternativo de estoque de que trata do artigo 388 do Regulamento do IPI de 2002, as informações mais importantes a serem lidas e examinadas pelo auditor fiscal são relativas a números (código da TIPI, alíquota do imposto, quantidade etc) ou palavras cujo idioma é indiferente (identificação do produto, especificação da unidade como quilograma, litro, etc), sendo certo que as palavras em língua estrangeira devem aparecer intitulando quadros e colunas, de forma repetitiva, o que, em princípio, não se traduz em dificuldade de compreensão e de fiscalizar os dados nela contidos. Nesse sentido, impende destacar que a Fiscalização em nenhum momento apresenta uma dificuldade concreta na leitura do sistema da Recorrente, fazendo uma acusação genérica de impossibilidade de aceitação do sistema, por utilizar a língua inglesa, deixando, portanto, de apontar, de forma direta de que modo a língua inglesa impede a "perfeita apuração do estoque permanente". Ante o exposto, considerando que a glosa do direito de crédito tem como fundamento exclusivo a adoção da língua inglesa e que não restou demonstrado pela Fiscalização que tal particularidade impede que o sistema “permita perfeita apuração do estoque permanente”, proponho ao Colegiado superar esse óbice e determinar que a autoridade fiscal verifique a regularidade dos créditos pleiteados pela Recorrente pelo exame dos dados contidos no sistema da Recorrente. Conclusão Pelo exposto, proponho ao Colegiado conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a preliminar de nulidade do segundo despacho decisório exarado e, no mérito, para superar os motivos da glosa dos créditos e determinar que a autoridade fiscal verifique a regularidade dos créditos pleiteados pela Recorrente, quantificandoos e homologandose as compensações correspondentes. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 1489DF CARF MF 24 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado A designação para redigir o voto vencedor abarca a possibilidade de revisão do despacho decisório de homologação de compensação, dentro do prazo qüinqüenal estabelecido no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e o direito ao crédito presumido (ficto) de IPI pelas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem da Zona Franca de Manaus ZFM. Concernente à possibilidade de revisão de despacho decisório homologatório de compensação, apesar de concordar com boa parte das premissas adotados pelo i. Relator, divirjo, principalmente, quanto à conclusão apresentada e passo a justificar o posicionamento. Indubitável que o despacho decisório em comento classificase como espécie do gênero ato administrativo, cuja natureza é de ato vinculado, como se extrai do art. 3º do Código Tributário Nacional. Qualificandose como ato administrativo vinculado, afastase a possibilidade de revisão por razões de conveniência e/ou oportunidade, típicos dos atos discricionários, de maneira que o desfazimento do ato eivado de vício configura anulação, ou, nas palavras de José dos Santos Carvalho Filho8, “invalidação”, termo que, a meu ver, melhor se amolda à situação. Como aduzido no voto vencido, a Administração Pública pode rever seus atos quando inquinados de vício de legalidade, ex vi do art. 53 da Lei nº 9.784/99, também pacífico na jurisprudência pátria, consoante Súmula STF nº 473. Da mesma forma, entende José dos Santos Carvalho Filho que esses defeitos são verificáveis nos elementos do ato administrativo – competência, finalidade, forma, motivo e objeto. No caso vertente, a falha constatada residiria no fato que, tratandose de despacho decisório eletrônico, resultado de verificações automáticas realizadas nos sistemas da RFB, a partir do cruzamento de informações prestadas pelo próprio contribuinte, sem qualquer intervenção humana, verificouse, após sua prolação, em procedimento fiscal, a improcedência de determinados direitos de crédito lançados na escrita fiscal do sujeito passivo e indicados nas declarações enviadas. A inserção de dados inconsistentes culminou com a prolação de um despacho decisório claramente insubsistente. O vício de legalidade está no elemento “motivo”, em virtude de uma razão equivocada para sua prolação, consubstanciada na homologação de uma compensação cujo direito creditório, em procedimento fiscal, mostrouse indevido. Ou seja, qualificase como um erro de fato e que, nessa condição, sem maiores debates, admite sua revisão, como demonstrado no precedente judicial citado pelo próprio voto vencido. 8 Manual de direito administrativo. 19ª edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. Lumen Juris: Rio de Janeiro, 2008. Págs. 140/149 Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.479 25 A medida encontraria amparo, ainda, analogicamente, aos casos de revisão de ofício do lançamento catalogados no Código Tributário Nacional, quando comprovado erro na prestação de informações constantes de declarações obrigatórios – art. 149, IV e VIII. A declaração de invalidade do ato administrativo defeituoso é dever da Administração Pública, encontrando seu limite no decurso do prazo, a teor do art. 54 da Lei nº 9.784/99. No caso dos autos, o prazo para homologação da compensação, coincidentemente também de 05 (cinco) anos, consoante art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, foi plenamente observado. O ato administrativo ilegal, ainda que formalmente acabado, dentro do prazo revisional, deve ser anulado, não gerando qualquer efeito jurídico, como assentado na predita Súmula STF nº 473: “A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial” (destacado) Por essa razão, o fato da homologação da compensação extinguir o crédito tributário não é circunstância especialíssima que impeça a revisão do despacho decisório inválido, isso porque dos atos administrativos nulos não se originam quaisquer direitos em favor do administrado. Em face de todo o exposto, obedecidos os requisitos revisionais, não vislumbro qualquer falha ou vedação no ato de anulação no despacho decisório defeituoso, como se verifica nesses autos. Na seqüência, passo ao exame do direito de crédito de IPI pelas aquisições isentas de matériasprimas, materiais intermediários e de embalagem da Zona Franca de Manaus – ZFM. Nesse diapasão, temse que a não cumulatividade do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vem fixada no art. 153, § 3º, II da CF/88, como princípio vetor do tributo, nos seguintes termos: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. Fl. 1491DF CARF MF 26 § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)” (destaquei) Como se observa do preceptivo em destaque, a apuração não cumulativa do IPI, que ora interessa, se dá pelo abatimento do valor cobrado nas aquisições e o valor devido pela saída do produto tributado, de modo que é pressuposto inarredável para o direito ao creditamento, na etapa seguinte do ciclo produtivo, que tenha havido cobrança de imposto na etapa imediatamente anterior e não a mera incidência tributária. Neste sentido a redação do art. 49 do Código Tributário Nacional: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes.” A própria norma legal impositiva do imposto em comento, Lei nº 4.502/64, de maneira transversa, sinaliza nessa direção, quando determina que seja estornado o crédito do imposto relativo aos insumos empregados na fabricação de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, nestes termos: “Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 2º (Revogado pelo DecretoLei nº 2.433, de 1988) Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.480 27 § 3º. O Regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento do débito correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo ou os resultantes da industrialização estejam sujeitos à alíquota zero, não estejam tributados ou gozem de isenção, ainda que esta seja decorrente de uma operação no mercado interno equiparada a exportação, ressalvados os casos expressamente contemplados em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)” Com efeito, se se deveria estornar o crédito efetivo pela aquisição tributada de matériaprima, produto intermediário e material embalagem aplicados na industrialização de produtos que não sofriam a incidência do tributo, lato senso, com mais razão ainda na hipótese em que a própria aquisição do insumo já ocorresse de forma desonerada do imposto, raciocínio não prejudicado pelo advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99. Como se observa dos textos legais, é condição sine qua non para aproveitamento dos créditos de IPI, pela sistemática de apuração não cumulativa, a efetiva cobrança do imposto na aquisição, aqui entendida na acepção de exigir, fazer com que seja pago, e não simplesmente que incida a norma tributária, de modo que a isenção, a não tributação ou a sujeição à alíquota zero, não garantem direito de crédito pela sistemática não cumulativa de apuração do IPI. Essa é a orientação contemporânea do Supremo Tribunal Federal, fixada no RE 398.365/RS, e também no CARF, como exposto no voto vencido, a partir da análise histórica da jurisprudência pátria acerca do tema. Abro um parêntese apenas para dissentir da afirmação que era firme a jurisprudência do STF, desde a promulgação da CF/88, no sentido de admitir o crédito presumido pelas aquisições isentas de IPI, ante a inexistência de vedação constitucional semelhante àquela prevista para o ICMS (art. 155, § 2º, II, “a”), ao passo que esse entendimento somente se sedimentou com a decisão prolatada no RE 212.484/RS, em 05/03/98. Tocante à apropriação do crédito presumido de IPI pelas aquisições de insumos, isentas, provenientes da ZFM, especificamente, a questão está afetada à sistemática da repercussão geral no RE 592.891/SP, porém, pendente de decisão de mérito. Portanto, inexiste qualquer precedente judicial, com força vinculante, que submeta este tribunal administrativo a conferir o direito de crédito em debate, a teor do art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015) e 26A do Decreto nº 70.235/72. Respeitante ao exame históricoeconômico da criação da ZFM engendrado pelo i. Relator, como fundamento para o reconhecimento do direito de crédito, entendo que as razões ali arroladas não são suficientes para garantir o pretendido creditamento, uma vez que não há, na legislação de regência daquela área, qualquer dispositivo que estipule o direito vindicado. Consoante art. 150, § 6º da CF/88, qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só pode ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias taxativamente enumeradas ou o Fl. 1493DF CARF MF 28 correspondente tributo ou contribuição, de sorte que o reconhecimento do crédito ficto pelas aquisições de insumos isentas da ZFM, a meu sentir, viola o texto constitucional. Mesmo a alegação de pretensa extrafiscalidade da isenção sub examine não se apresenta como fundamento ao deferimento do crédito, isto porque a envergadura constitucional da ZFM, como elemento catalisador do desenvolvimento econômico e social da região amazônica, não arrima essa conclusão, porquanto os incentivos fiscais criados pelo DL 288/67 e legislação correlata, como instrumentos para alcance daquele objetivo, não elencam esse crédito presumido (ou ficto, como preferem alguns) dentre eles. Com efeito, quando assim o quis, o legislador textualmente implementou crédito dessa natureza, como ocorreu no art. 6º, § 1º do DecretoLei nº 1.435/75, verbis: “Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o ‘caput’ deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA.” Outrossim, não se pode olvidar que os benefícios fiscais da ZFM não se limitam à isenção do IPI pelas saídas de produtos industrializados para outros ponto do território nacional, mas se estendem à isenção pelas aquisições de insumos, por parte de empresas localizadas na ZFM, de qualquer parte do território nacional ou mesmo do exterior, com garantia de isenção, também, do Imposto de Importação respectivo. Essas medidas necessariamente redundam em desoneração tributária de toda a cadeia produtiva, com claros ganhos de produtividade para empresas instaladas na área de abrangência da ZFM, daí porque a análise de cunho econômico não pode ser, com o devido respeito, simplista, como no exemplo proposto pelo voto vencido, sem considerar todas as demais variáveis. Outrossim, aspectos de natureza econômica, ao menos em sede contenciosa administrativa, não servem de sustentáculo à concessão do crédito postulado. Mesmo porque, se enveredarmos por essa trilha, algumas situações reais constatadas causariam espécie e obnubilariam o pretenso direito creditório arguido, como se verifica, p.e., nesse mesmo processo, relativo a pedido de ressarcimento, onde a apropriação de créditos pelas aquisições isentas da ZFM resultou em elevação do saldo credor apurado e requerido, de maneira que a União foi instada a devolver, sob forma de ressarcimento, valores que nunca adentraram os cofres públicos. Ou seja, pretendese o ressarcimento ou devolução do que nunca foi pago, por força da isenção, o que, a meu sentir, carece de lógica jurídica. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.481 29 Demais disso, os ganhos decorrentes desses incentivos regionais poderiam ser qualificados também como financeiros, pela ótica da ausência de desembolso por parte dos adquirentes, acarretada pela desoneração, dos tributos incidentes diretamente sobre as aquisições. Por esse ângulo, perde força o argumento de necessidade de reconhecimento do direito de crédito como forma de não equiparálo a mero diferimento, como anotado no voto vencido, isso porque, a análise conjuntural exige a avaliação de todas as variantes econômicas, aí incluída a integralidade dos incentivos da ZFM, e não apenas a isenção do IPI pelas saídas de produtos industrializados, isoladamente. Não se pode perder de vista, ainda, que o princípio da seletividade interfere nessa equação, ao estabelecer alíquotas distintas para os produtos, em função da sua essencialidade, ao invés de uma alíquota linear ou única, o que resulta na possibilidade de, em certa etapa do ciclo produtivo, posterior àquela beneficiada com isenção, que incida uma alíquota menor que as etapas anteriores ou até mesmo uma alíquota zero, profligando qualquer possibilidade de se verificar diferimento do tributo. Noutro giro, reconhecer o crédito presumido/ficto pelas aquisições isentas de matériaprima, produto intermediário e embalagens da ZFM equivale, por via oblíqua, a investir o julgador administrativo em legislador ordinário, ao passo que, como enfadonhamente repetido, não existe qualquer dispositivo que, explícita ou implicitamente, confira o direito de crédito ora altercado, seja pela leitura do art. 43, § 2º da CF/88, seja pelos arts. 40, 92 e 92A do ADCT. Por esse motivo, compartilho a mesma perspectiva do saudoso Min. Teori Albino Zavascki, citado pelo i. Relator, segundo o qual, mesmo tomando o art. 43, § 2º da CF/88 como lastro constitucional para as vantagens fiscais atribuídas à ZFM, de modo a pretensamente afastar o art. 153, § 3º e sua regulação ordinária do princípio da não cumulatividade, o seu texto prevê tãosomente que os incentivos regionais compreenderão, dentre outros, isenções, reduções ou diferimento de tributos, nada mencionando sobre créditos presumidos ou fictos. Notese que a própria dicção do sobredito artigo, consubstanciado na expressão “dentre outros”, conduziria à possibilidade de criação do indigitado direito de crédito, ao estabelecer que os incentivos regionais não se limitam àqueles catalogados, todavia é mister do legislador ordinário a sua implementação, não do julgador administrativo. Em apertada síntese: a apropriação de créditos pelas aquisições isentas de insumos da Zona Franca de Manaus carece de respaldo legal, devendo ser mantida a glosa realizada pelas autoridades fiscais. Com essas considerações, voto por negar provimento à impossibilidade de anulação do despacho decisório eletrônico e ao direito de creditamento de IPI por aquisições isentas, mesmo que originárias da Zona Franca de Manaus – ZFM. Robson José Bayerl Fl. 1495DF CARF MF 30 Fl. 1496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000662/00-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 02/03/1999
CRUZEIROS MARÍTIMOS
Mercadorias estrangeiras destinadas à venda para passageiros em viagem pela costa brasileira, ainda que concedidas como "brindes" ou tidas como "daníficadas" estão sujeitas ao tratamento tributário conforme dispositivos estabelecidos na Instrução Normativa n.o 137 de 23 de novembro de 1998.
Numero da decisão: 3201-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente SUBSTITUTO.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente SUBSTITUTO. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 485 1 484 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.000662/0051 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.076 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria Classificação de mercadorias Recorrente COSTA CRUZEIROS AGÊNCIA MARÍTIMA E TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 02/03/1999 CRUZEIROS MARÍTIMOS Mercadorias estrangeiras destinadas à venda para passageiros em viagem pela costa brasileira, ainda que concedidas como "brindes" ou tidas como "daníficadas" estão sujeitas ao tratamento tributário conforme dispositivos estabelecidos na Instrução Normativa n.o 137 de 23 de novembro de 1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente SUBSTITUTO. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 06 62 /0 0- 51 Fl. 485DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1717.154, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP), que assim relatou o feito: A empresa acima qualificada registrou a DSI 099/100.071, nacionalizando as mercadorias consumidas a bordo do navio "Costa Marina" listadas às folhas 22 e 23, nas quantidades ali especificadas. Posteriormente, a fiscalização detectou que o valor do câmbio utilizado não era aquele da data de ocorrência do fato gerador (02/03/1999), bem como as alíquotas para os produtos não eram condizentes com aquelas vigentes à data de ocorrência do fato gerador. Além disso, a fiscalízação detectou que a interessada declarou parte dos produtos como sendo "Brindes ou Mercadorias Danificadas", entendendo que os tributos deveriam ser recolhidos para estas mercadorias . Assim foi lavrado o auto de infração às folhas OI a 19, cobrandose a diferença de lI, IPI, seus juros de mora e as multas de oficio do artigo 44, I, e 45 da Lei 9.430/96. A interessada apresentou sua impugnação às folhas 30 a 43, alegando, em suma, que: a empresa apresentou consulta sobre a aplícação da IN 137/98, que dispõe sobre o tratamento tributário aplicável à operação de navio estrangeiro no Brasil; por estar em procedimento de consulta, a interessada não poderia ser autuada, nos termos do artigo 48 do Decreto 70.235/72; _ a interessada já efetuou o pagamento do II no valor de R$ 392,28 e do IPI no valor de R$ 1.699,75, conforme DARF's à folha 51, nos termos da intimação 12/99; a IN 137/98 apenas obriga o recolhimento das mercadorias vendidas no navio, não abrangendo as mercadorias destinadas a brindes e aquelas danificadas; _ tais mercadorias devem ser consideradas provisões de bordo, à medida que foram utilizadas para proporcionar um status de viagem de cruzeiro, em que são oferecidas aos passageiros diversas opções para a alimentação de seu espirito, o processo foi baixado em diligência pela DRJ em Florianópolís para que fosse atestada a protocolização da consulta e de eventual decisão referente à mesma. A interessada, em 29/12/1998, formalizou petição dirigida ao Delegado da Receita Federal em Santos que somente foi protocolizada como consulta na data de 25/05/2001. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 11128.000662/0051 Acórdão n.º 3201003.076 S3C2T1 Fl. 486 3 Como resultado, a consulta foi declarada ineficaz, em 10/12/200 I, em razão de ter sido feita em desacordo com os artigos 2° e 5° da IN SRF 02/97, pois não apresentava questões relativas à interpretação de dispositivos da legislação aplícáveis às circunstâncias descritas e pelo fato de que a consulta visa a atingir todos os tributos e contribuições a que se encontra sujeita a interessada, por força da IN 137/98. Esta DRJ baixou o processo em diligência para que a repartição de origem atestasse os pagamentos informados pela impugnante, além de prestar outras informa . À folha 122, a EQVIB da ALFlPorto de Santos confirmou os recolhimentos à folha 51, informou que deles não constam os pagamentos dos juros e multas devidos e também que não foi possivel discriminar sua forma de cálculo. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 02/03/1999 Ementa: CRUZEIROS MARÍTIMOS Mercadorias estrangeiras destinadas à venda para passageiros em viagem pela costa brasileira, ainda que concedidas como "brindes" ou tidas como "daníficadas" estão sujeitas ao tratamento tributário conforme dispositivos estabelecidos na Instrução Normativa n.o 137 de 23 de novembro de 1998. Lançamento Procedente Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados. Em primeira análise, o então Conselho Administrativo de Recursos Fiscais houve por bem anular o Auto de Infração, nos seguintes termos: II I IPI. NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO SOB MATÉRIA OBJETO DE CONSULTA AINDA PENDENTE DE DECISÃO E/OU DECRETAÇÃO DE INEFICÁCIA. IMPOSSIBILIDADE . AFRONTA AO ARTIGO 48 DO DECRETO 70.235/72. É DE SER DECLARADA A NULIDADE DO PROCESSO 'AS INITIO" A Fazenda Nacional, contudo, interpôs Recurso Especial que foi provido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos seguintes termos: Fl. 487DF CARF MF 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 02/03/1999 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSULTA GENÉRICA. EFEITOS. AUSÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. POSSIBILIDADE. A apresentação de consulta sobre a correta interpretação da legislação tributária impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que considerada eficaz. Para ser considerada eficaz, exigese, dentre outros, que a consulta esteja circunscrita a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria e, ressalvada a hipótese de matérias conexas, não suscite questões sobre mais do que um tributo ou contribuição. Demonstrado que a consulta ineficaz não tem o condão de obstar o lançamento de ofício, a exigência fiscal não padece de nulidade por ter o sujeito passivo formulado indigitada consulta antes do início do procedimento de ofício. Recurso Especial do Procurador Provido. Desse modo, os autos retornaram para apreciação do Recurso Voluntário, tendo sido a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que parte dos valores exigidos teria sido recolhido antes da lavratura do Auto de Infração: Uma análise mais detalhada dos fatos que envolvem o presente questionamento revelam um procedimento, no mínimo, equivocado da d. autoridade fiscal responsável pela lavratura do presente auto de infração, uma vez que, na descrição dos fatos, não faz qualquer menção a procedimento anterior, no qual já teriam sido exigidas e pagas diferenças em decorrência de aplicação de alíquota e taxa de conversão distintas das aceitas pelo Fisco bem como os valores dos tributos referente às mercadorias consideradas como brindes e danificadas. Isto porque se depreende da descrição dos fatos do presente feito administrativo, os motivos da atuação seriam (i) a aplicação de alíquota incorreta em relação ao Imposto de Importação II, (ii) a utilização de taxa de conversão diferente daquela aplicável, ou Fl. 488DF CARF MF Processo nº 11128.000662/0051 Acórdão n.º 3201003.076 S3C2T1 Fl. 487 5 seja, não teria sido utilizada a taxa vigente na data de registro da D.S.I., e (iii) falta de recolhimento do II e do IPI sobre as mercadorias informadas como" danificadas e brindes". Com efeito, em meados de março de 1999, ou seja, antes da lavratura do presente auto de infração, a Recorrente recebeu o termo de intimação ALF Porto de Santos/SEOPE/EQVIB n° 012/99 para que fossem recolhidos os valores referentes às diferenças em decorrência da aplicação de aliquota e da taxa de conversão distintas das aceitas pelo Fisco, bem como os valores referentes às mercadorias consideradas como brindes e danificadas. Nesse sentido, a autuação somente teria sentido se nela estivesse sendo exigida eventual diferença apurada nos recolhimentos efetuados em atendimento à Intimação. o que não pode agora é a d. autoridade fiscal exigir sobre os valores que foram na época devidamente quitados em decorrência da referida intimação, multa e juros! Em outras palavras: o contribuinte não pode ser autuado por atender uma intimação da própria Secretaria da Receita Federal! Tratase de clara ofensa a verdade material dos fatos. Se por um lado a lavratura do presente auto de infração mostrase indevida em virtude da pendência da consulta formulada, por outro lado também é indevida diante da existência de um outro processo, aberto com a apresentação das guias de recolhimento dos impostos julgados devidos em atendimento à Intimação (anterior a presente autuação). O Relatório do Acórdão recorrido apresenta a seguinte consideração: À folha 122, a EQVIB da ALFlPorto de Santos confirmou os recolhimentos à folha 51, informou que deles não constam os pagamentos dos juros e multas devidos e também que não foi possivel discriminar sua forma de cálculo. A referida fl. 122 corresponde à fl. 231 eprocesso e traz a seguinte informação: Em atendimento aos questionamentos de fls. 108, informo como a seguir: 1) Está confirmado o recolhimento de fl. 51, conforme pesquisa de fl. 111; 2) A intimação de fls. 49 e 50 trata do mesmo lançamento cobrado pelo auto de infração em assunto apenas no seu item 5; Fl. 489DF CARF MF 6 3) Não foi possível demonstrar analiticamente, nem mesmo intimando o interessado, o que foi recolhido pelos DARFs de fl. 51. Entretanto, é improvável que tenha atendido a integralidade dos valores cobrados na intimação 012/99, principalmente n~ que se refere ao item 5 que deu.origem ao auto de infração; 4) Os valores devidos de juros de mora são Rf 62,68 (lI) e R$ 271,62 (IPI), referente a taxa SELIC no período de 15,98%. Deveria ser acrescido ainda de 20% de multa, nos valores de R$ 78,45 (lI) e R$ 339,95 (IPI). 5) Não foram pagos os juros e multas devidos. Sem mais a informar proponho encaminhar à Delegacia da Receita Federal de. Julgamento de São Paulo Segunda Turma para prosseguimento. A referida intimação de fls. 49/50 consta às fls. 100/102 do eprocesso e, os Darf's respectivos, à fls. 104. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 11128.000662/0051 Acórdão n.º 3201003.076 S3C2T1 Fl. 488 7 De fato, a princípio, assiste razão à Recorrente quando afirma que causa estranheza o fato de a DRJ, não obstante o resultado da diligência tenha reconhecido o pagamento realizado, ter deixado de abater os valores recolhidos do lançamento impugnado. Ainda que mantidas as exigências dos acréscimos moratórios, não há dúvida de que parte dos valores principais foram recolhidos ao menos em parte pela Recorrente. Todavia, noto que o acórdão da DRJ, em sua parte dispositiva, determinou que os valores recolhidos devem ser apropriados na execução da decisão, confirase: Desse modo, entendo que não há o que prover relativamente à tal pleito recursal. No mérito propriamente dito, a Recorrente afirma que as mercadorias em questão não podem ser tributadas uma vez que não foram comercializadas, mas fornecidas como brindes aos participantes de seu cruzeiro, ou danificadas. Nesse sentido, defende que, por serem consideradas insumos, tais mercadorias não podem ser tributadas. No entanto, entendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar que os itens incluídos na base de cálculo do lançamento se tratavam efetivamente de brindes ou produtos danificados. Ademais, ainda que o fizesse, temse que a norma não exclui tais itens do campo de incidência dos tributos lançados. Nesse sentido, citase a IN 137/98 utilizada como fundamentação do acórdão recorrido: Fl. 491DF CARF MF 8 Anoto que não se trata, aqui, de inverter o ônus da prova ao contribuinte. No caso, como determina a IN 137/98, o comandante do navio deverá efetuar o controle das vendas realizadas. Ou seja, o contribuinte poderia comprovar que todos os produtos comercializados foram efetivamente tributados, o que não logrou. Ademais, não refutou a argumentação fiscal no sentido de que os produtos em questão eram exatamente os mesmos disponibilizados para venda no Cruzeiro e não destinados ao consumo de víveres por parte da Tripulação Nesse sentido, adoto a fundamentação da DRJ: Fl. 492DF CARF MF Processo nº 11128.000662/0051 Acórdão n.º 3201003.076 S3C2T1 Fl. 489 9 Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO mantendo integralmente o lançamento combatido. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 493DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003396/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. EXISTÊNCIA.
Verificada contradição constante do acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício. No presente caso, os Embargos Declaratórios devem ser admitidos e providos, sem efeitos infringentes, tão somente para sanar contradições suscitadas pela Recorrente.
Numero da decisão: 3301-003.928
Decisão: Embargos Acolhidos e Providos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o Acórdão Embargado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. EXISTÊNCIA. Verificada contradição constante do acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício. No presente caso, os Embargos Declaratórios devem ser admitidos e providos, sem efeitos infringentes, tão somente para sanar contradições suscitadas pela Recorrente.
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decisao_txt : Embargos Acolhidos e Providos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o Acórdão Embargado. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. EXISTÊNCIA. Verificada contradição constante do acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício. No presente caso, os Embargos Declaratórios devem ser admitidos e providos, sem efeitos infringentes, tão somente para sanar contradições suscitadas pela Recorrente. Embargos Acolhidos e Providos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o Acórdão Embargado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado na decisão embargada (fls. 682/694), abaixo transcrito: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 33 96 /2 00 5- 81 Fl. 1927DF CARF MF Processo nº 10675.003396/200581 Acórdão n.º 3301003.928 S3C3T1 Fl. 1.923 2 UNIMED PATOS DE MINAS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através do recurso de fls. 531/602 contra o Acórdão n° 0919.093, de 17/03/2008, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, fls. 517/525, que julgou procedente o auto de infração de Cofins de fls. 284/289, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição, referente a períodos de apuração compreendidos entre fevereiro/1999 e dezembro/2004, cuja ciência ocorreu em 01/12/2005 (fl. 284), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "Contra o interessado foi lavrado em 01/12/2005, auto de infração no valor de R$ 2.122.680,27 de contribuição e 1.592.009,93 de multa proporcional, mais juros de mora a ser calculado no pagamento, relativo a falta/insuficiência de recolhimento de COFINS nos períodos de apuração de 02/1999 a 12/2004 (fls. 284 a 289); A empresa apresenta impugnação (fls. 316 a 391), na qual em preliminar e quanto ao mérito alega que: a) A não aplicação do conceito fiscal de ato cooperativo após outubro/99, gerou tributação indevida da COFINS; b) O cálculo relativo ao inciso III, do § 9", do artigo 3", da Lei 9.718/1998, resultou na aplicação inversa do entendimento da DRJ, pois usou como minuendo o que era subtraendo e vice versa, c) Existe divergência entre os valores constantes das planilhas elaboradas pela fiscalização e as respectivas informações prestadas por ela; d) A decadência atingiu os fatos geradores anteriores a 01/12/2000, tendo em vista que o lançamento foi efetuado em 01/12/2005, e) Não foi observada a anterioridade nonagesimal, para aplicação dos preceitos da MP 1.8386/99, como previsto no Ato Declaratório SRF n° 88/99; f) Os valores deduzidos a titulo de "custos assistenciais", encontramse abrangidos no inciso III do § 9°, do artigo 3°, da Lei 9.718/1998; g) Os atos cooperativos estilo amparados da incidência tributária em face da regra dos artigos 79, 87 e III da Lei 5.764/71; h) Deve ser excluído do auto de infração o valor lançado a titulo de sobras, como determina a Lei n°10.676/2003; A DRJ julgou procedente o lançamento cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 10675.003396/200581 Acórdão n.º 3301003.928 S3C3T1 Fl. 1.924 3 Em se tratando de sociedade cooperativa, o prazo decadência para o lançamento da contribuição para a COFINS é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele que o crédito poderia ter sido constituído. SOCIEDADE COOPERATIVA. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao recolhimento da COFINS, sobre todos os atos por elas praticados, sejam eles classificados de cooperativos ou não. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE Na apuração da base de cálculo da COFINS, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as operadoras de planos de assistência a saúde, poderão deduzir de sua receita bruta o valor da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas desta outra operadora a titulo de ressarcimento por aqueles desembolsos. Lançamento Procedente" Tempestivamente, em 02/05/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 531/602, no qual, em apertada síntese, repisa seus argumentos de defesa anteriormente apresentados, sintetizados em seu pedido nos seguintes termos (fls. 601/602): "IV — DO PEDIDO Diante do exposto, requer a Recorrente a reforma do acórdão no que diz respeito a COFINS, declarandose: No Mérito (i) — a nulidade e a improcedência do auto de infração quanto as competências de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000, tendo em vista a decadência do direito da Fazenda Pública lançar o crédito fiscal combatido, eis que passados 05 (cinco) anos da data da ocorrência do pretenso fato gerador da exação e a notificação do lançamento, tal qual prevê o artigo 150, § 4° do CTN e em consonância com a patente inaplicabilidade do disposto no artigo 45 da Lei n.° 8.212/91; (ii) — a nulidade e improcedência do auto de infração, invocandose a regra legal de não incidência tributária que respalda os atos cooperativos das sociedades cooperativas (artigos 79, 87 e 111 da Lei n.° 5.764/71), e na extensão em que postulado na presente defesa (atendimento médico e pela rede credenciada, e intercâmbio e integralidade das sobras). Subsidiariamente, em se afastando a vigência daquela lei, a aplicação do Ato Declaratório n.° 88/99 na exata extensão do ato cooperativo, até a competência de outubro de 1999; Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 10675.003396/200581 Acórdão n.º 3301003.928 S3C3T1 Fl. 1.925 4 (iii) a nulidade e improcedência do auto de infração, e independentemente do acima postulado, ante a definição jurídicoeconômica de operadora de planos de saúde da Recorrente, reconhecendose a possibilidade de se proceder a necessários ajustes na base de cálculo da COFINS, de forma a se colher somente o que se configurar efetiva receita (comissão/taxa de administração), destacandose a previsão contida no § 9° do artigo 3° da Lei n.° 9.178/98, com redação dada pelo artigo 2° da MP n.° 2.15835/2001; (iv) a nulidade e improcedência do auto de infração, excluindose a exigência do COFINS sobre receitas financeiras, uma vez que excluídas do conceito de faturamento; (V) — a realização de perícia/diligência visando demonstrar os fatos alegados. Ao julgar a impugnação, a 1ª Ordinária da 3a Câmara Acórdão n° 3301 00.696 3a Câmara / la Turma Ordinária com a seguinte Ementa (fl. 682): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante no 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente à Cofins decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 40, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário. COFINS. COOPERATIVAS. BASE DE CALCULO. A partir de novembro/1999 a contribuição passou a incidir sobre todo o seu faturamento, admitidas as exclusões estabelecidas na norma, sendo, portanto, a mesma aplicada As demais sociedades. COFINS. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CALCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 01/2002 A 12/2002. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI N° 9.718/98, ART. 3°, § 9o. Aplicamse às cooperativas de trabalho que operam com planos de saúde o disposto no § 9° do art. 3° da Lei n°9.718/98, introduzido pelo art. 2° da MP n° 2.15835/2001, que permite deduzir da base de cálculo do PIS faturamento e da Cofins, a partir de dezembro/2001, as coresponsabilidades cedidas, a parcela das contraprestações pecuniárias destinada A constituição de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 10675.003396/200581 Acórdão n.º 3301003.928 S3C3T1 Fl. 1.926 5 deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Contudo, em tais deduções se incluem custos e despesas relativos aos eventos com os próprios associados, mas com associados de outras operadoras. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem, de modo a elidir o lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este órgão julgador, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas que não decorram de seu faturamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, às fls. 698/716, os quais tiveram seguimento negado, nos termos dos despachos à fls. 1827/131 e 1832/1833. Das fls. 1842, consta a Informação Fiscal relativa aos cálculos dos débitos remanescentes após o Acórdão do CARF, acompanhada das planilhas elaboradas (fls. 1843/1856). A contribuinte é intimada a pagar no prazo de trinta dias, conforme Intimação 04/2016, constante da fl. 1858. A contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 1869/1874), que foram acolhidos, nos seguintes termos (fl. 1918/1921): Analisando o acórdão vergastado, portanto, há de se acolher os embargos declaratórios por constatada contradição em relação ao período de apuração. (grifos no original) É o Relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Os embargos de declaração opostos pela Unimed Patos de Minas Cooperativa de Trabalho Médico Ltda. (fls. 1869/1874) tiveram o exame de admissibilidade processado regularmente e, nos termos do Despacho de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 10675.003396/200581 Acórdão n.º 3301003.928 S3C3T1 Fl. 1.927 6 A Embargante alega contradição a respeito do período de apuração constante da Ementa, "de 01/2002 a 12/2002", quando dispõe sobre as deduções próprias das operadoras de planos de saúde. Como corretamente assinalado pela Embargante, não se vislumbra no voto condutor do acórdão qualquer referência expressa que justifique esta delimitação temporal. O período de apuração, consoante a própria ementa, em sua parte inicial, alcança os períodos de 01/02/1999 a 31/12/2004. Considerando os seguintes aspectos: a) Consta da Ementa do Acórdão n° 0919093 2a Turma da DRJ/JFA (fl. 555) que: BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE Na apuração da base de cálculo da COFINS, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir de sua receita bruta o valor da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas desta outra operadora a título de ressarcimento por aqueles desembolsos. (grifouse) b) Conta do voto da decisão embargada que: Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência em relação ao período de fevereiro de 1999 até março de 2000, inclusive e ainda, para excluir da base de cálculo do lançamento as receitas financeiras, mantendo, no mais, a decisão recorrida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. (grifouse) c) A norma que fundamenta esta questão da decisão embargada entrou em vigor em 1o de dezembro de 2001, nos termos do art. 92, IV, "a", da MP n° 2.15835/2001: Art. 92. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (..); IV relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de: a) 1o de dezembro de 2001, relativamente ao disposto no § 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998; (grifouse) Voto por acolher aos embargos de declaração da Embargante nesse ponto. Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 10675.003396/200581 Acórdão n.º 3301003.928 S3C3T1 Fl. 1.928 7 A Embargante indica também outra contradição ou omissão, nos seguintes termos: Uma segunda omissão é ainda detectada no que diz respeito à perspectiva da operação de planos de saúde, na medida em que o acórdão embargado, além de não admitir a dedução de todos os custos assistenciais, no atendimento a usuários de outras operadoras (mas apenas de parte dele) e dos custos assistenciais no atendimento a usuários próprios, ainda entendeu que não haveria documentação comprobatória de tais deduções. Os documentos que, segundo memorial apresentado pela Recorrente, respaldam seu direito são: Plano de Contas: fls. 268 e seguintes e fls. 448 e seguintes; Livros Diário: fls. 335 e seguintes; Balancetes: fls. 753 e seguintes, 1.234 e seguintes e 1.565 e seguintes; Livros Razão Analítico: fls. 1.135 e seguintes. O que se depreende do Acórdão embargado é que se concluiu que as deduções pleiteadas no Recurso Voluntário não se sustentam face às determinações legais. Colacionamse alguns trechos: Há, ainda, que se rechaçar a alegação de que as referidas deduções deveriam ser consideradas desde o início da exação, sob a alegação de se tratar de norma interpretativa, uma vez que a norma (MP n° 2.158 35/2001, art. 92, IV), de modo expresso, consigna que produzirá os efeitos relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de dezembro de 2001, relativamente ao disposto no § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, não havendo como se interpretar de modo diverso. (...) Portanto, também em relação a este tópico não há reparos a fazer na decisão recorrida. (grifouse) No entanto, ad argumentandum, consta do referido Acórdão que ainda que assistisse (apesar de não assistir) razão à Embargante, esta não teria juntado elementos de prova da sua discordância, das deduções pleiteadas. Foram também dispensadas as diligências, por se entender desnecessárias. Vejamos trecho da decisão embargada (fl. 690): Ademais, ainda que assistisse razão à contribuinte, esta não trouxe aos autos elementos de modo a demonstrar pontual e numericamente, com memória de cálculo, suas discordâncias, justificando e apresentado documentos comprobatórios. De se ressaltar que a conveniência da conversão do julgamento em diligência decorre da necessária formação de convicção da autoridade julgadora, devendo ser indeferida quando considerar prescindível, conforme dispõe o art. 18 do Decreto n° 70.235/72 e alterações. (grifouse) Assim, é de se observar que a decisão embargada não se ateve aos documentos juntados pelo contribuinte e nem julgou necessárias diligências, por concluir que as deduções não tinham fulcro legal, e foi expresso claramente entendimento no sentido de manter a decisão recorrida. Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 10675.003396/200581 Acórdão n.º 3301003.928 S3C3T1 Fl. 1.929 8 Portanto, cabe retomar os fundamentos da decisão e também reformar a ementa, sem efeitos infringentes, no sentido de afastar o entendimento ad argumentandum de que a Embargante não teria logrado juntar provas dos valores que pugna dedução. Dessa forma, deve a Ementa do Acórdão n° 330100.696 3a Câmara / la Turma Ordinária passar a ter a seguinte redação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n° 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente à Cofins decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4°, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário. COFINS. COOPERATIVAS. BASE DE CALCULO. A partir de novembro/1999 a contribuição passou a incidir sobre todo o seu faturamento, admitidas as exclusões estabelecidas na norma, sendo, portanto, a mesma aplicada às demais sociedades. COFINS. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CALCULO. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI N° 9.718/98, ART. 3°, § 9o. Aplicamse às cooperativas de trabalho que operam com planos de saúde o disposto no § 9° do art. 3° da Lei n°9.718/98, introduzido pelo art. 2° da MP n° 2.15835/2001, que permite deduzir da base de cálculo do PIS faturamento e da Cofins, a partir de dezembro/2001, as coresponsabilidades cedidas, a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Contudo, em tais deduções se incluem custos e despesas relativos aos eventos com os próprios associados, mas com associados de outras operadoras. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este órgão julgador, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas que não decorram de seu faturamento. Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 10675.003396/200581 Acórdão n.º 3301003.928 S3C3T1 Fl. 1.930 9 Determinase ainda a alteração de trecho do voto, da seguinte forma: Redação original: Ademais, ainda que assistisse razão à contribuinte, esta não trouxe aos autos elementos de modo a demonstrar pontual e numericamente, com memória de cálculo, suas discordâncias, justificando e apresentado documentos comprobatórios. De se ressaltar que a conveniência da conversão do julgamento em diligência decorre da necessária formação de convicção da autoridade julgadora, devendo ser indeferida quando considerar prescindível, conforme dispõe o art. 18 do Decreto n° 70.235/72 e alterações. (grifouse) O excerto colacionado acima deve ter sua redação alterada para a que segue: Ademais, mesmo considerando os elementos que a Recorrente acostou aos autos com o intuito de demonstrar suas discordâncias, não lhe assiste razão. De se ressaltar que a conveniência da conversão do julgamento em diligência decorre da necessária formação de convicção da autoridade julgadora, devendo ser indeferida quando considerar prescindível, conforme dispõe o art. 18 do Decreto n° 70.235/72 e alterações. Em face do exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração sem efeitos infringentes, pelas razões de mérito indicadas. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 1935DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900736/2013-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2011
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 36 /2 01 3- 09 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10805.900736/201309 Acórdão n.º 3201003.112 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.975, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10805.900736/201309 Acórdão n.º 3201003.112 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.900736/201309 Acórdão n.º 3201003.112 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.001791/00-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator, que dava provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Paulo Guilherme Deroulede - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator, que dava provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Paulo Guilherme Deroulede Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório. Cuidase de Recurso Voluntário interposto em razão de divergência no ato de liquidação, restou decidido pela DRJ/CGE – Acórdão 04.27.428 de 14 de fevereiro de 2012 indeferiu o pedido de perícia, rejeitou as preliminares e, no mérito, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A matéria discutida neste caderno se refere crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido por força dos Decretos nºs 2445 e 2.449, ambos de 1988. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .0 01 79 1/ 00 -8 1 Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 14 2 O contribuinte solicitou ressarcimento de valores pagos a maior ou indevido em decorrência das modificações introduzidas pelos Decretos nºs 2445 e 2.449/88, que foram considerados Inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. O pedido restou indeferido. Apresentada Manifestação de Inconformidade, fl. 155, julgada improcedente ao argumento de que incabível a interpretação de que tal contribuição deva ser calculada com base nas receitas e transferência do sexto mês anterior. Em razão da negativa, interposto Recurso Voluntário (fl.202), provido conforme Acórdão nº 201.75.756 de 23 de janeiro de 2002, fl.306, afastou a decadência e reconheceu o direito de pleitear o indébito, devendo ser contado da Resolução do Senado de nº 49, de 09 de outubro de 1995. A Fazenda Nacional irresignada com o provimento do Recurso Voluntário interpôs Recurso Especial, fl.330, contrarazões oferecidas à fl. 354. O “RE” foi improvido, fl. 372. Na fase de liquidação as partes, Contribuinte e Fazenda Nacional, passaram a divergir quanto à metodologia da apuração do indébito, em razão dessa discussão foi proferido o Acórdão de nº 04.27.428, do qual o Contribuinte tomou ciência em 25 de abril de 2012, motivou novo Recurso Voluntário, fls. 906/920, ora em apreciação. Aduz a Interessada, que apuração do crédito foi efetivada de modo injusto e injurídico, pois a Receita Federal constituiu a destempo, com base na Lei n 8/70, com utilização de alíquota diversa, o que deu azo à interposição da impugnação. Afirma que Órgão interno em Campo Grande não cumpriu à risca o decidido pelo CARF. A Administração negou a solicitação de perícia, e, o Acórdão configura cerceamento do direito de defesa, motivo pelo qual suscita nulidade da decisão recorrida. Em relação aos cálculos, assevera que a planilha elaborada pela Fazenda é incompreensível. Além dos cálculos ininteligíveis, sustenta, também, que a Fazenda está constituindo débito de PASEP relativos aos períodos anteriores àquele da homologação tácita e ao de decadência. Além do que, não pode compensar débitos não confessados nem lançados com créditos já deferidos por decisão final administrativa. Entende que deve apurar o crédito, contudo, não lançar como vem fazendo, visto que, teria decaído o direito de lançar pela decadência. Em síntese, discorda que nesse momento de apuração do valor correto do indébito a Fazenda aproveita para exigir a contribuição com base na Lei nº 8/70, sob alegação de “encontro de contas”, no entender do contribuinte isso corresponde lançamento para constituir suposto débito indubitavelmente decaído. Concluiu com o pedido de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, e, no mérito pede que seja reconhecida à homologação tácita dos valores pagos entre 1988 e 1995, alternativamente, pede que sejam expurgado do encontro de contas todos os valores indicados como créditos tributários em aberto, mas que não foram objeto de lançamento regular, e, tampouco de confissão por meio de DCTF ou por outro meio qualquer. É o relatório. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 15 3 Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Presente os pressupostos de admissibilidade, impõe o conhecimento do recurso. O cerne da questão se refere apuração de indébito: O primeiro se refere divergência de metodologia dos cálculos elaborados pela Receita Federal, aduz que não são inteligíveis; O segundo: negativa de perícia; O terceiro: se refere a lançamento com base na Lei nº 8/70, a Administração utilizandose do pedido de compensação, que no entender do contribuinte tratase de “encontro de contas”, exigir tributo de fatos geradores passível decadência, §4º do art. 150 do CTN. NULIDADE. Argüição de nulidade, cerceamento do direito de defesa. Perícia. A incompreensão dos cálculos, mesmo diante do não conhecimento da metodologia utilizada na determinação do crédito por ausência de oportunidade de se manifestar, não causa nulidade. O cálculo de liquidação pode a qualquer tempo ser questionado, não há que se falar em matéria preclusa. Tanto é verdade que, continua o Interessado se debatendo para ver modificado o resultado em que chegou a Administração Tributária. Assim, rejeito a preliminar de nulidade. Homologação Tácita. Não há espaço para homologação tácita. O pedido versa sobre indébitos. Fazse necessário averiguar com o objetivo de conhecer a exatidão do indébito. A homologação dos valores pagos entre 1988 a 1995 é o objeto de exame, pois nesse procedimento o que se faz é adequar o fato gerador a sistemática da semestralidade, visto que, o pagamento ocorreu sob a égide dos Decretos 2.445 e 2.449 considerados inconstitucionais. Verificado pagamento a menor do que o devido, influência na determinação do indébito, pois, trata de encontro de contas, crédito contra débito. Portanto, não há como acolher o pleito, sendo assim, cabe rejeitar alegação de ocorrência de homologação tácita. Decadência. No que concerne à decadência, o julgador de Piso ao apreciar esse assunto decidiu bem a questão, pois a Fazenda não está lançando com arrimo na Lei Complementar nº 8/70 como alegado. Em verdade está apurando em processo de restituição o que o contribuinte alega ter pago a maior do que o devido. Apuração do indébito passa pelo cálculo da determinação do quanto devido sobre o faturamento. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 16 4 No caso concreto, a sistemática da semestralidade já foi observada no cálculo demonstrado, isso é, do sexto mês. Esse processo se revela inerente ao conhecimento do montante pago a maior alegado pela Interessada, mesmo em relação aos fatos geradores que não consta pagamento do tributo, pois compreende todo o período que se está pleiteando o indébito. Nesse ponto a jurisprudência administrativa não é uníssona. Há entendimento de que a Fazenda assim procedendo estaria lançando por via inversa. Não comungo desse pensamento nos casos de restituição ou ressarcimento, penso que se trata de mera apuração entre o que é devido a Fazenda e o pagamento efetivado pelo contribuinte. Com esse argumento afasto alegação de decadência. Metodologia do Cálculo do Indébito. Não há dúvida de que os cálculos de fls. 514/663 são de difícil compreensão. Por essa razão tomo como exemplo para decidir o mesmo raciocínio do Julgador de Piso ao buscar elucidar o critério e a metodologia empregada na determinação do indébito (fl.890/891). Transcrevo para melhor entendimento: “De acordo com os dados fornecidos, foram efetuados os seguintes cálculos: no mês de fevereiro de 1992, as receitas totalizaram o valor de Cr$ 128.224.435,96 (balancete à fl. 473). Em face da semestralidade da base de cálculo da contribuição, esse valor corresponde à base de cálculo do Pasep do PA (fato gerador) 08/1992. Aplicandose a essa base de cálculo a alíquota de 0,8%, o resultado é Cr$ 1.025.795,49, que, convertido, resultou em 327,14 UFIR de conversão Cr$ 3.135,62 em 1º de setembro de 1992). O vencimento deuse em 21/09/1992 (fl.517)”. “Para pagamento da contribuição foi efetuado o recolhimento do valor de Cr$ 4.895.533,47 em 1º de setembro de 1992, sendo amortizado todo o débito de Cr$ 1.025.786,72. Restou, portanto, um saldo credor de Cr$ 3.869.746,75 (fl.458 a 529). Esses procedimentos estão ainda mais bem demonstrados na fls. 532, atual 607.” O critério adotado pela Fazenda, a meu sentir, não está correto, mesmo obedecendo à regra da semestralidade como se vê nas planilhas colecionadas, tomando como exemplo o mês de fevereiro de 1992, que é a base de cálculo de agosto de 1992, aplicase alíquota correta, todavia, toma o pagamento realizado em setembro de 1992, quando deveria tomar o valor do DARF utilizado na quitação do débito de fevereiro de 1992, apurado e recolhido no mês seguinte, o débito apurado sobre o fato gerador de fevereiro de 1992 pago em março de 1992. Em primeiramente se faz necessário dizer, como é de conhecimento geral, o surgimento da obrigação dáse com a ocorrência do fato gerador – art. 113, § 1º do CTN, transcrevo como norteamento de decidir: Art. 113 – A obrigação tributária é principal ou acessória; Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 17 5 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidadade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” A Receita Federal toma o pagamento (DARF) realizado no mês seguinte (no caso de fevereiro/92, pagamento em março92) e procede o encontro de conta, se o recolhimento efetuado for maior do que o débito apura o saldo favorável ao contribuinte, se inferior, atribui o saldo negativo, segue essa metodologia até o final do períod pleiteado. Encerrado o período, se for positivo o saldo, declara o direito de restituir ou compensar o montante apurado, se negativo, nada pode fazer em razão da impossibilidade de lançar. O critério da Fazenda causa dano irreparável ao contribuinte, como se vê do exemplo dado acima, o faturamento de fevereiro de 1992 é fato gerador de agosto de 1992, cujo recolhimento deve ocorrer no mês subseqüente apuração, qual seja, setembro/1992, em verdade esse pagamento correu seis meses atrás em razão dos decretos 2.445 e 2.446, descasado da obrigação principal, que só surge com a ocorrência do fato gerador – §1º do art. 113 do CTN.. Nesse passo é preciso lembrar que a inflação naquele período era galopante e beirava a casa de três dígitos, por essa razão entendo que o critério da Fazenda de imputar qualquer pagamento ocorrido desvinculado da obrigação como quitação do débito apurado na semestralidade, sem considerar que esse recolhimento foi antecipado seis meses, desconsiderando correção monetária decorrente da desvalorização, tenho como enriquecimento ilícito, o que é vedado constitucionalmente, uma vez que atualização monetária é a reposição do valor da moeda. O critério adotado pela fazenda de descasar o fato gerador do pagamento da obrigação se revela gravíssimo, causando prejuízo ao contribuinte. É fato que os decretos considerados inconstitucionais modificaram a data do fato gerador, com isso houve pagamento antecipado, portanto, é esse recolhimento deve ser atualizado considerando o fato gerador. Por essa razão que entendo que o valor pago tem que estar atrelado ao imposto devido e recolhido pela regra dos decretos, fato que aconteceu seis meses atrás, é esse pagamento (valor recolhido) que deve ser atualizado, do qual será abatido o débito apurado sem correção da base de cálculo em agosto de 1992, no caso do exemplo aqui mencionado. Para mim a relação jurídica, de cunho patrimonial, vincula o fato gerador, sem o qual não há que se falar em obrigação (principal), por essa razão todo o pagamento efetuado antes do fator gerador, tenho como pagamento antecipado, devendo no caso de indébito incidir atualização monetária correspondente ao período antecipado, no caso concreto seis meses que antecipou apuração do fato gerador, ao qual o pagamento deve atrelado. Se assim não for, causa distorção, pois pode ser que o valor pago de certo período de apuração seja inferior como já afirmado, nesse caso o resultado será negativo. Destacase, que a correção monetária do pagamento antecipado por força dos DecretosLeis por se referir a período de infração assustadoramente alta, a atualização monetária do valor desembolsado, seis meses de antecipado, causa impacto substancial. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 18 6 No caso concreto, tomo como exemplo, e, verifico que o valor recolhido por meio de DARF do mês de fevereiro/1992 como fato gerador pela regra dos Decretos inconstitucionais, fl. 77, foi pago em 4/3/1992. Esse valor deve ser atualizado, do qual deverá ser descontado o montante devido em agosto de 1992, e, não do DARF pago em setembro de 1992 como quer a Fazenda. Já o pagamento efetivado em setembro/92, devidamente atualizado, será utilizado na extinção do débito do período de apuração de fevereiro de 1993 (faturamento de agosto/92 – base de cálculo de fevereiro/93), assim sucessivamente. Enxergo o cálculo elaborado pela Recorrente, bem como, a metodologia empregada como correta, entretanto, o valor apurado do débito foi encontrado utilizando alíquota inferior a de 0,80%, isso é, calculado à alíquota de 0,65%, em sendo assim, inferior à fixada pela Lei nº 8/70. O entendimento do contribuinte de que o emprego da alíquota de 0,80% constitui lançamento após o decurso do prazo do direito da Fazenda em constituir o crédito tributário, segundo ele configura lançamento transverso, discrepo dele, pois penso que a vedação legal se refere à constituição de crédito tributário exigindo diferença de alíquota, vez que, alíquota fixada pelos Decretos era menor do que aquelas fixadas pelas Leis Complementares nºs 07/70 e 08/70. Manifestei anteriormente sobre esse assunto em outro julgado, no caso dos autos está se apurando o débito em conformidade com a regra traçada pelas Leis Complementares nºs 07/70 e 08/70 e, fazendo o encontro de contas. O débito apurado deve, sim, ser norteado pelos diplomas legais aqui mencionados diante da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis 2.445 e 2.449/86. E sendo assim, o valor calculado demonstrado pelo contribuinte em suas planilhas, da qual tomo a título de comparação o faturamento de fevereiro/1992, que compõe a base de cálculo de agosto de 1992, anexo II – fl. 09, observando neste caso que o valor da receita é superior ao encontrado pelo auditor fiscal. O fato gerador de 02/92, o pagamento ocorreu em março de 1992, pela sistemática dos Decretos Leis, e, por essa sistemática, semestralidade, a competência 2/92 passa a ser base de cálculo de agosto de 1992. O fato gerador de 02/92 que serviu de base para o pagamento ocorrido em março de 1992, agora aplicando a regra da Lei Complementar nº 08/70, a competência 02/92 é à base de cálculo de agosto/92, cujo pagamento já ocorreu em março de 1992. Sendo assim, o valor do pagamento acontecido em de março (DARF) que deve ser objeto de atualização monetária, e, é desse mesmo valor agora atualizado que deve ser deduzida a quitação da contribuição devida em agosto/92. E, a base de cálculo de agosto/92, será igual à de fevereiro/92(Decretos Leis 2.445 e 2.449), certamente o saldo positivo se refere exclusivamente o acréscimo decorrente da atualização monetária. A fiscalização toma o fato gerador de fevereiro/92 para compor a base de cálculo de agosto/92, atendendo a sistemática da semestralidade, correto. No entanto, o emprego no cálculo do valor pago referente à competência de AGOSTO/1992 pela regra dos decretos leis inconstitucionais, tratase da base de calculo de fevereiro de 1993. Porque o valor Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 19 7 pago em setembro de 1992 é o pagamento que deverá servir para extinção do débito determinado em fevereiro de 1993. Quanto à reclamação da Recorrente relativamente à atualização monetária, assiste razão. QUANTO APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA PREVISTA PELA LEI COMPLEMENTAR Nº 08/70. A Recorrente está equivocada quando afirma que a Fazenda não pode proceder ao cálculo em procedimento de verificação da certeza do crédito pela alíquota prevista pela LC nº 08/70, que estipulava alíquota de 0,80%, superior a de 0,65% prevista pelos Decretos Leis. Quando da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis, restabeleceu a regra das Leis Complementares nºs 07/70 e 08/70. O que a Fazenda está vedada a praticar é lançar para exigir diferença decorrente de aplicação de alíquotas, é diferente no processo de verificação de indébito, aqui se calcula, a meu ver, aplicando a alíquota fixada pelas Leis vigentes. Portanto, o cálculo deve ser elaborado tomando alíquota prevista pela Lei nº. 08/70, isso é, 0,80%. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e dar provimento parcial para determinar que o valor do pagamento seja atualizado tomando como base o mês do pagamento do débito do critério estabelecido pelos decretos leis do qual deve ser deduzido o imposto determinado pela semestralidade, aplicandose alíquota de 0,80%. É como voto. Domingos de Sá Filho VOTO VENCEDOR Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Com o devido respeito aos argumentos do relator, divirjo de seu entendimento quanto ao encontro de contras efetuado pela Administração Tributária. Embora, certamente, não há decadência do direito de se apurar a liquidez e certeza do indébito tributário, como expôs o relator, concernente à alegação do encontro de contas realizado irregularmente pela autoridade administrativa, razão cabe à recorrente. Verificase no "Demonstrativo de Vinculações Auditadas de Pagamentos" que vários saldos de Darfs foram alocados em períodos subsequentes, efetuando verdadeira compensação de ofício. O valor a ser restituído deve ser a diferença positiva entre o recolhimento e o valor devido, independentemente de este valor devido ter sido confessado ou lançado de ofício, pois o próprio pagamento configura lançamento por homologação, portanto, crédito tributário já constituído, sendo desnecessário novo lançamento. Entretanto, para os períodos em que o recolhimento for inexistente ou inferior ao valor apurado, a diferença deveria ter sido objeto de lançamento de ofício, exceto no caso de o crédito tributário estar constituído mediante confissão de dívida, ou ainda, exceto na hipótese Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 20 8 de a recorrente ter realizado a compensação por conta própria nos termos da IN SRF nº 67/1992, artigo 2º. As exceções acima não estão expressamente consignadas no despacho decisório e os recursos interpostos afirmam a inexistência de constituição de crédito tributário para as parcelas "compensadas de ofício", procedimento que exige créditos previamente constituídos a sua implementação. Concluise, pois, que o procedimento de vincular saldos de Darfs a saldos de débitos posteriores não constituídos pode ter sido, em princípio, irregular, pois constatase no Demonstrativo Resumo de Vinculações Auditadas (efls. 542/664), a amortização de saldos de débitos não declarados com compensações com DARF, conforme expresso no próprio demonstrativo. No mérito, discordase da metodologia defendida pelo relator. A comparação entre o valor devido e o valor recolhido deve levar em consideração os valores recolhidos após o fato gerador, independentemente da apuração originária efetuada com base nos decretosleis declarados inconstitucionais, mas sim com base na Lei Complementar nº 08/1970 e suas alterações posteriores relativas ao prazo de recolhimentos das exações. Assim, os recolhimentos efetuados com base nos Decretosleis não se vinculam às bases apuradas conforme tais decretos, posto que os mesmos deixaram de ter eficácia no mundo jurídico. Os recolhimentos passam a se vincular às bases apuradas conforme a LC nº 08/1970, de acordo com os prazos de recolhimento atribuídos aos fatos geradores, nos termos da referida lei complementar. Aliás, tal metodologia nem foi defendida pela recorrente, cujo demonstrativo de efls. 11/12 (o darf vencido em abril/1989 foi considerado no fato gerador de abril/1989, efl. 13, utilizando o artigo 15 do Decreto nº 71.618/72), comparam os valores devidos com os recolhimentos no mesmo mês de vencimento atribuído pela recorrente ao fato gerador. Assim, a própria recorrente não comunga com esta forma de cálculo, a qual nem foi objeto do recurso voluntário, sendo levantada de ofício pelo relator. Quanto aos expurgos inflacionários, reproduzo voto proferido Acórdão nº 3302 002.163, de lavra da ilustre Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: "É sabido que a Fazenda Nacional sempre manifestouse ser descabida a aplicação dos índices expurgados para fins de correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos, defendendo que somente seria possível, para este fim, a utilização de índices legalmente estatuídos e, neste sentido, foram inúmeras as decisões administrativas de 1ª instância de julgamento. Todavia, encontrase pacificado no âmbito do STJ entendimento diverso no sentido de que devem ser incluídos, para fins de correção monetária de indébitos tributários, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, com a orientação de que os índices a serem utilizados para correção dos débitos judiciais serão aqueles constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561do Conselho da Justiça Federal , de 02/07/2007. Entende o STJ que a incidência da correção monetária decorre de lei (Lei nº 6.988/81), sendo, assim, desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo, a teor do que dispõe o art. 293 do CPC. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 21 9 Exatamente neste sentido foram as decisões proferidas nos Recursos Especiais nºs. 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/09/2010) e 1.012.903/RJ (Rel. Min. Teori Zavaski), submetidos ao Rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), os quais vinculam os julgamentos deste colegiado, nos termos do art. 62A, do RICARF, cuja ementa do Recurso Especial nº 1.112.524/DF se transcreve a seguir: Recurso Especial nº 1.112.524/DF RECURSO ESPECIAL 2009/00421318 (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/09/2010; DJe 30/09/2010): “RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 22 10 Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciarse de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a)substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51);cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC 1228, § 1º), da função social da empresa (CF 170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio jurídico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, § 3º; 301, X; 30, § 4º); incompetência absoluta (CPC 113, § 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e § 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4 ª 53); juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, § 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 23 11 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.") (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, em decorrência da jurisprudência pacificada do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CRJ nº 2601/2008, no sentido de que fosse dispensada a apresentação de contestação, recursos, bem como autorizada a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visassem obter declaração de que era devida, como fator de atualização de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 561 do Conselho da justiça Federal, de 02 de Julho de 2007, o qual foi aprovado pelo o senhor Ministro da Fazenda para fins da Lei nº 10.522, de 19/07/2002 e do Decreto nº 2.346, de 10/10/97, conforme Despacho publicado no DOU em 08/12/2008, e do qual resultou a emissão do Ato Declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional nº 10, de 1º de Dezembro de 2008. 10 Tal Parecer e Ato Declaratório emitidos na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, igualmente respaldam a presente decisão, tendo em vista o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea “a” do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF). 1 Registrese que esta matéria inclusive já foi objeto de apreciação pela egrégia 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,por meio do Acórdão nº 930300.248, de 21/10/2009, que mudou o sentido da jurisprudência administrativa em favor dos contribuintes, da lavra do eminente Conselheiro Henrique Pinheiro Torres." Fl. 961DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 24 12 Como destacado no voto acima proferido, a questão foi submetida à sistemática do artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão deve ser reproduzida nas decisões deste Conselho, a teor do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno. Registrese que a CSRF, no Acórdão nº 9303003.096, de 14/08/2014, referendou tal entendimento: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. Recurso Especial do Contribuinte Provido Concernente às alegações quanto aos pedidos de compensação, com razão a decisão recorrida, uma vez que não há pedidos de compensação formulados neste processo, mas apenas pedido de restituição, consistindo a alegação estranha a este processo, da qual não se conhece. Destacase, ainda, que o Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/2008 dispôs sobre a matéria, concluindo nos seguintes termos: “Por fim, merece ser ressaltado que o presente Parecer não implica, em hipótese alguma, o reconhecimento da correção da tese adotada pelo STJ. O que se reconhece é a pacífica jurisprudência deste Tribunal Superior, a recomendar a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, eis que os mesmos se mostrarão inúteis e apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário e a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. IV 19. Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, recomendase sejam autorizadas pelo Senhor Procurador Geral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” Assim, sobre a eventual apuração de novos saldos de valores originais a serem restituíveis, devem ser aplicados os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da justiça Federal, de 02/07/2007, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/2008. Quanto às compensações, razão não assiste à recorrente. De fato, este processo trata apenas de pedido de restituição e, portanto, somente o direito creditório será aqui analisado. As compensações tratadas no processo 14112.000221/200548 devem ser ali discutidas, conforme esclarecido na decisão recorrida. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 25 13 Diante do exposto e para evitar que nova decisão ilíquida possa ser contestada, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: 1. Refazer o demonstrativo de vinculações auditadas e demonstrativo de amortizações (efls. 521 a 663), mantendose a apuração das bases de cálculo e dos valores devidos de PASEP já calculados (demonstrativos de efls. 514/520) e as vinculações diretas de cada fato gerador com o correspondente Darf, mas desconsiderando a vinculação de saldos de Darfs com saldos devedores de períodos posteriores não constituídos, nem compensados pela recorrente em sua contabilidade ou DCTF, acostando aos autos os documentos que comprovem a constituição dos referidos débitos mediante confissão de dívida ou lançamento de ofício, ou que comprovem a sua extinção mediante compensação realizada pela recorrente; 2. Dos novos saldos credores remanescentes, se porventura surgirem, deverão incidir, se for o caso, os expurgos inflacionários; 3. Informar para cada período, os índices de conversão e atualização, incluindo neste demonstrativo os expurgos inflacionários; Ao final, a autoridade fiscal deve elaborar relatório conclusivo com os saldos valores originais líquidos a serem restituídos, com juntada dos documentos probatórios, facultando à recorrente a oportunidade de se manifestar sobre o resultado no prazo de 30 dias, conforme art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, com posterior retorno dos autos a esta Câmara. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 963DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.724511/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA.
A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO
O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública.
O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.
É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o Auditor-Fiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA.
A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial.
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO
O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública.
O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.
É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o Auditor-Fiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 3302-004.498
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto às matérias referentes à sujeição passiva e a própria sistemática de tributação no âmbito das contribuições no regime de incidência monofásica, vencidos os Conselheiros Lenisa e José Renato e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o Auditor-Fiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o Auditor-Fiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 41; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.188 1 1.187 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.724511/201162 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.498 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS. COFINS INCIDÊNCIA MONOFÁSICA Recorrente HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o AuditorFiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 45 11 /2 01 1- 62 Fl. 1188DF CARF MF 2 Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o AuditorFiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto às matérias referentes à sujeição passiva e a própria sistemática de tributação no âmbito das contribuições no regime de incidência monofásica, vencidos os Conselheiros Lenisa e José Renato e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.189 3 Tratamse de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente ao Período de Apuração de 01/12/2007 a 31/12/2010 com ciência pessoal da contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA, doravante HONDA em 06/10/2011, que constituíram o crédito tributário total de R$ 25.436.483,10, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/10/2011. Os lançamentos foram efetuados contra a contribuinte acima identificada e contra o responsável solidário “ABC MOTORS LTDA”, CNPJ 01.979.916/000106, doravante ABC conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de fl. 582, o qual foi cientificado em 24/10/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 583. Dos excertos da decisão de piso a seguir transcritos, verificase a motivação da autuação: Em 19 de outubro de 2002 a empresa ABC Motors Ltda. ajuizou a ação ordinária n° 2002.61.00.0296324 junto à 13ª Vara Federal de São Paulo, com pedido de antecipação da tutela, objetivando o afastamento do regime monofásico na tributação do PIS e COFINS, instituído pela Lei n° 10.485/2002, incidentes na venda de veículos pelos fabricantes e importadores. Em 18 de fevereiro de 2003 foi deferido o pedido de antecipação da tutela para: (a) afastar o regime de antecipação tributária, estabelecido pela Lei n.10.485/2002 intitulado de regime "monofásico" de recolhimento tributário, pela aparente incompatibilidade com a eleição constitucional do sujeito passivo da obrigação tributária, no tocante aos tributos de natureza pessoal, a saber o PIS e a COFINS e, de conseguinte; (b) determinar às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 3,65% sobre o valor total do veículo, afastandose, por conseqüência, toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário, em razão do aqui decidido, até a solução final do feito; (c) autorizar às autoras que realizem o cálculo e o recolhimento dos tributos PIS e COFINS considerando a diferença entre o valor de venda do concedente e o valor de venda ao consumidor final, dos veículos novos, a exemplo do regime conferido aos veículos usados. Oficiese aos fabricantes e importadores relacionados nos autos, comunicandose a presente decisão, cientificandoos de que, doravante, o recolhimento tributário do PIS e da COFINS será realizado nos termos dessa decisão, devendo proceder ao desconto do percentual de 3,65% sobre o valor das notas fiscais emitidas em nome da autora e suas coligadas, referente a aquisição de veículos novos (zero quilômetros), ficando expressamente afastada a responsabilidade dos respectivos Fl. 1190DF CARF MF 4 fabricantes e importadores, pelos valores devidos pelas concessionárias referente aos tributos mencionados. Em 18 de fevereiro de 2003 foi publicada a sentença de 1ª instância que julgou procedente o pedido do contribuinte, confirmando a antecipação da tutela (...). Em 17 de janeiro de 2011 foi publicado acórdão do TRF3 que deu provimento à remessa oficial, à apelação da União, recebida no duplo efeito, e à apelação da Honda, como terceira interessada, para julgar improcedente o pedido inicial. ... Em 11 de abril de 2005 a ABC Motors Ltda. ajuizou a ação ordinária n° 2005.61.00.0005590 5, junto à 13ª Vara Federal de São Paulo, com pedido de antecipação da tutela, objetivando a declaração do direito à compensação dos valores embutidos nas notas fiscais, desde o início da vigência da Lei n° 10.485/2002 até a data da intimação da montadora para cumprimento da determinação judicial (Ação Ordinária n° 2002.61.00.0296324) para deduzir o percentual de 3,65% sobre o valor total de venda de veículos novos à autora. Requereu, ainda, a intimação da montadora para que deduza do preço total da nota fiscal emitida contra a autora o percentual de 5,13%, referente ao valor de PIS e COFINS embutido na cobrança monofásica, considerando a alteração da alíquota introduzida pela Lei n° 10.864/2004. Em 24 de junho de 2005, foi deferida parcialmente a antecipação de tutela para determinar que a montadora deduza das notas fiscais emitidas o percentual de 5,13%, referente ao PIS e COFINS. Em 02 de agosto de 2005 o TRF3 deferiu o efeito suspensivo ao Agravo de Instrumento interposto pela União. Em 11 de novembro de 2005 foi publicada a sentença de 1ª Instância que julgou procedente do pedido da ABC Motors para: (a) DECLARAR, em caráter incidental, a inconstitucionalidade da sistemática de recolhimento imposta pela Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, com a redação da pela Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2.004, bem como pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, intitulada de incidência monofásica de tributação, e, de conseguinte; (b) DECLARAR a não existência de relação jurídicotributária que obrigue a autora a submeterse a esse regime de tributação e; (c) DETERMINAR às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 5,13% sobre o valor total do veículo, promovendo a entrega dos veículos objeto do contrato de concessão sem a dedução antecipada da mencionada parcela quando da emissão das respectivas notas, afastandose, por conseqüência, toda e Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.190 5 qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário das contribuições do PIS e da COFINS, bem como; (d) DECLARAR o direito de a autora compensarse de todos os valores indevidamente recolhidos pela montadora, em obediência às leis declaradas inconstitucionais pela presente decisão, atualizados tais valores pela variação da TAXA SELIC, desde a data da retenção até o efetivo exercício da compensação. Em 15 de dezembro de 2006 o Juízo de 1o Grau acolheu os embargos de declaração opostos pela autora (ABC Motors) para receber o recurso de apelação no efeito devolutivo tendo em vista a confirmação da antecipação de tutela na sentença. Em 29 de abril de 2011 foi publicado acórdão do TRF3 que deu provimento à remessa oficial e à apelação da União para julgar improcedente o pedido inicial. Em 09 de maio de 2011 a concessionária ABC Motors Ltda opôs embargos de declaração em face do acórdão do TRF3. Até a presente data, conforme site do TRF3, os embargos de declaração continuam aguardando julgamento. ... Em 14 de julho de 2011 a fiscalizada apresentou os elementos solicitados no termo de início, bem como esclareceu: "01 No período de 10/09/2003 à 07/01/2004 em cumprimento a ação judicial n° 2002.61.00.0296324 mantemos o preço total de venda e através de desconto de 3,65% na duplicata, sendo 0,65% referente ao Pis e 3,00% da Cofins atendemos a determinação judicial sendo que o valor deste desconto foi abatido na mesma proporção das referidas contribuições. 02 No período de 11/07/2005 até 29/04/2011 data em cumprimento a ação judicial n° 2005.61.00.0055905 procedemos da mesma forma mencionada no item 01 acima, porém com a alteração dos percentuais sendo 0,89% para o Pis e 4,24% para a Cofins totalizando um desconto de 5,13% e desta forma atender a determinação judicial. 03 O abatimento é efetuado na duplicata, a fim de evitarmos questionamentos por parte de outros tributos (Ex: ICMS...)". Em 09 de agosto de 2011 a fiscalizada foi intimada apresentar cópia das notas fiscais de saída emitidas contra a concessionária ABC Motors Ltda, conforme relação constante no Termo de Intimação Fiscal n° 02. ... A partir de 29/04/2011, data da publicação do Acórdão do TRF3, relativo à ação ordinária n° 2005.61.00.0055905, que Fl. 1192DF CARF MF 6 deu provimento à remessa oficial e ao recursos de apelação da União, a empresa Honda Automóveis do Brasil Ltda ficou sujeita ao recolhimento das contribuições nos termos da legislação pertinente acima descrita. No entanto, passados 30 dias da publicação do referido acórdão, a Honda Automóveis do Brasil Ltda não recolheu e nem declarou em DCTF os valores de PIS e COFINS devidos de acordo com a legislação impugnada na citada ação judicial. Vale dizer, a Honda Automóveis do Brasil não declarou em DCTF, nem recolheu, antes de iniciado o presente procedimento de ofício os valores que passaram a ser devidos, após o desprovimento judicial, relativos ao percentual de 5,13% descontado do total da nota fiscal de venda de veículos automotores à concessionária ABC Motors Ltda. De fato, ao analisar todos os elementos, especialmente a composição dos valores de PIS/COFINS informados pela Honda, referente às vendas efetuadas para a ABC Motors Ltda no período de dezembro de 2007 a dezembro de 2011, verificouse que alíquota aplicada para recolhimento de PIS e COFINS foi de 1,11% e 5,36% respectivamente, ou seja, a diferença de 0,89% mais 4,24%, que representa 5,13%, para as alíquotas previstas na Lei 10.485/2002 (2% de PIS e 9,60% de COFINS) não foram recolhidos em razão da Sentença Judicial. Destarte, tais valores estão sendo lançados de ofício, conforme planilha seguinte, em razão da falta de declaração e/ou pagamento após a ausência do provimento jurisdicional anteriormente concedido. ... Este lançamento de ofício se ateve aos efeitos das Ações Ordinárias n°s 2002.61.00.029632 4 e 2005.61.00.0055905 ajuizadas contra a União pela concessionária ABC Motors Ltda, com a pretensão de afastar a aplicação da Lei n 10.485/2002 que instituiu a incidência concentrada do PIS e COFINS sobre a receita auferida pelos fabricantes e importadores na venda de determinados veículos automotores. Portanto, este lançamento de ofício está sendo feito em face do contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA, CNPJ 01.192.333/000122 e do responsável solidário ABC MOTORS LTDA., CNPJ 01.979.916/000106, nos termos do art. 124 do CTN (...). Da Impugnação pela Honda Automóveis do Brasil Ltda. Cientificada do lançamento através de ciência pessoal em 06/10/2011, fls. 5 e 18, o sujeito passivo, Honda Automóveis do Brasil Ltda., apresentou em 04/11/2011 impugnação de fls. 587/609, alegando, em síntese, que: I DOS FATOS A ação fiscal que deu ensejo aos autos de infração ora impugnados, conforme consta do termo de encerramento, se ateve, unicamente, aos efeitos das ações ordinárias n° 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905 ajuizadas pela empresa concessionária de veículos ABC Motors Ltda., em face da União Federal que tramitam no Tribunal Regional Federal da 3a Região. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.191 7 As referidas ações judiciais propostas pela ABC Motors Ltda. têm por objetivo afastar o regime monofásico na tributação do PIS e da COFINS, instituído pela Lei nº 10.485/2002, incidentes sobre a venda de veículos pelos fabricantes e importadores. (...), em virtude da publicação dos acórdãos pelo TRF da 3a Região que deram provimento à remessa oficial e à apelação da União para julgar improcedente o pedido inicial, a sentença foi reformada, passando o Fisco, então, a partir desse momento, a estar habilitado a proceder ao lançamento dos valores de PIS e COFINS não recolhidos pela ora Impugnante em virtude da ordem judicial. Não obstante o lançamento efetuado pela D. Fiscalização, os AI ora recorridos, não podem prosperar, a uma porque a Impugnante não é sujeito passivo da obrigação tributária, ou sequer responsável pelo recolhimento do PIS e da COFINS, a duas porque a Fiscalização sequer comprovou se os valores exigidos foram, ou não, pagos pela empresa ABC Motors, verdadeira contribuinte da exação fiscal, o que atesta a nulidade dos autos por iliquidez. II.1 PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR ILIQUIDEZ Iliquídez e incerteza decorrentes da falta de comprovação, pelo Sr. Agente fiscal, de que os valores ora exigidos NÃO foram recolhidos pela concessionária ABC Motors. Com efeito, ao ingressar com a ação judicial visando afastar o regime monofásico de recolhimento do PIS e da COFINS, a concessionária ABC Motors não teve eximido o seu dever de recolher o PIS e a COFINS, mas simplesmente obteve ordem judicial para não ter recolhido o percentual total pela montadora pela regra do valor estimado de venda dos veículos ao consumidor final (regime monofásico"). Ou seja, a ação judicial não tinha como intuito eximir a concessionária ABC Motors do recolhimento das contribuições sociais, mas afastar a regra que determinava o recolhimento antecipado pela montadora de veículos, em razão de entender ser inconstitucional este regime de recolhimento. Ao conceder a tutela antecipada e a sentença favorável, o que fez o judiciário foi determinar que a montadora recolhesse o percentual do PIS e da COFINS que lhe cabia para que a concessionária passasse a recolher o PIS e a COFINS pelo percentual que entendia devido sobre a base de cálculo que entendia devida. Portanto, NUNCA houve dispensa de pagamento do PIS e da COFINS pela empresa ABC Motors, o que pressupõe que após a concessão da tutela antecipada e da sentença procedente ela estava obrigada ao recolhimento das contribuições da forma como determinada pela Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 1194DF CARF MF 8 Diante desta constatação uma reflexão se faz necessária: AO LAVRAR O AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA A ORA IMPUGNANTE (MONTADORA) O SR. AGENTE FISCAL FISCALIZOU A CONCESSIONÁRIA ABC MOTORS A FIM DE AVERIGUAR SE ELA RECOLHEU O PIS E A COFINS? A resposta a esta pergunta não é possível de ser respondida, tendo em vista que não há qualquer indício nos autos de infração e nas respectivas descrições da infração se o valor recolhido pela concessionária ABC Motors, da forma como determinada na sentença, foi descontado do valor ora exigido. ... Ao contrário: o cálculo apresentado pela Fiscalização foi simplista, tendo sido cobrado exatamente o percentual restante (4,24%, e 0,89%) que foi excluído do recolhimento pela montadora (5,36% e 1,11%) do valor da alíquota cheia (9,6% e 2%). Indubitavelmente isso acarreta vício material e consequente nulidade do auto de infração por iliquidez e incerteza, na medida em que não se conhece o valor que está sendo exigido e nem mesmo se ele é devido. Afinal, se a concessionária ABC Motors efetuou o recolhimento do PIS e da COFINS, não há razão que justifique a presente cobrança! Ademais, é possível que os valores apurados pela ABC Motors a título de PIS e de COFINS já tenham sido constituídos e declarado ao Fisco via DCTF, e/ou PER/DCOMP, uma vez que um dos pedidos da ação judicial n° 2005.61.00.0055905 era justamente assegurar a compensação dos valores indevidamente recolhidos pela montadora, o qual foi deferido pela sentença como já mencionado. Logo, em tendo havido a constituição dos débitos mediante declaração de compensação entregue à Receita Federal do Brasil, não haveria necessidade de a Fiscalização lavrar auto de infração para exigir os valores devidos pela ABC Motors. Estes valores poderiam ser inscritos diretamente em dívida, e exigidos do efetivo contribuinte dos tributos! Evidente, portanto, que os autos de infração não preenchem os requisitos necessários exigidos pelos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72, na medida em que não há o apontamento de como se chegou ao valor do crédito tributário exigido e consequentemente não há o devido apontamento do crédito tributário, do fundamento legal e da descrição dos fatos (...). Por esta razão requer sejam declarados nulos os autos de Infração por ausência de prova de que os valores exigidos não tenham sido recolhidos anteriormente pelo contribuinte de fato, qual seja a concessionária ABC Motors. Caso não seja este o entendimento de V. Sas., passará a ora Impugnante a demonstrar que, se os valores fossem devidos Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.192 9 deveriam ser cobrados diretamente do contribuinte, in casu, a concessionária ABC Motors. ... II.2 AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DA MONTADORA, ORA IMPUGNANTE II.2.A VIOLAÇÃO AO INCISO I DO ART. 121. C.C. O ART. 128 DO CTN INTERPRETADOS PELO PARECER NORMATIVO CST N° 01. DE 2002 Com a edição da Medida Provisória n° 2.15835/2001 foi instituído o regime de substituição tributária para o recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS para as operações realizadas entre fabricantes/importadores de veículos e comerciantes varejistas. Posteriormente este regime de substituição tributária foi substituído pelo chamado regime monofásico, instituído pela Lei n° 10.485/2002, posteriormente alterada pela Lei n° 10.865/2004, por meio das quais a fabricante/montadora de veículos passou a recolher o PIS e da COFINS por toda a cadeia. Todas estas determinações têm embasamento legal na regra do art. 121, inciso II e art. 128, ambos do Código Tributário Nacional – CTN (...). Esses dispositivos do CTN consagram a regra da "RETENÇÃO NA FONTE" dos tributos, segundo a qual se atribui a terceiro relacionado ao fato gerador de um dado tributo o dever de reter o montante do tributo devido e repassálo ao Poder Público. ... De fato a regra de substituição tributária estabelece que, ao invés de nascer o dever tributário para um determinado sujeito, nascerá para sujeito diverso (...). Entretanto, há orientação manifestada pela própria Secretaria da Receita Federal no Parecer Normativo CST n° 1, de 2002, aprovado pelo então Ministro da Fazenda, Sr. Everardo Maciel, por meio do qual se delimitam os contornos da regra prevista nos referidos artigos do CTN. Deveras, segundo esse Parecer a regra da "Retenção na Fonte" ou mesmo a da antecipação do recolhimento da cadeia assumem nuances específicas para a hipótese impossibilidade de retenção/recolhimento de tributo por força de ordem judicial. Em suma esse Parecer responde dúvida dos substitutos sobre até que instante perdura a sua responsabilidade para arcar com o tributo na sistemática da substituição tributária. No entanto, é preciso considerar que as características jurídicas deste regime de pagamento do Imposto de Renda ("Retenção na Fonte") são muito semelhantes à regra de substituição tributária Fl. 1196DF CARF MF 10 instituída pelo mencionado art. 43, da Medida Provisória n° 2.15835 ou mesmo pela Lei 10.485/2002, até porque todas buscam fundamento de validade nos mencionados dispositivos do CTN. Forçoso concluir que ao regime de substituição tributária ou regime monofásico das contribuições ao PIS e a COFINS deve ser aplicado o tratamento consagrado pela própria Receita Federal neste Parecer Normativo n° 01/2002. Não olvida a Impugnante que tal Parecer Normativo aborda a questão da "Retenção na Fonte" do Imposto sobre a Renda, entretanto, como nele próprio apontado, abordase: ... Ou seja, antes de referirse a questões relacionadas à retenção na fonte do Imposto de Renda, a própria Receita Federal oferece sua interpretação a respeito do regime de substituição tributária previsto nos arts. 121 e 128, ambos do CTN, os quais são também o fundamento de validade para a sistemática estabelecida por aquele dispositivo da Medida Provisória n° 2.15835, no que toca às contribuições ao PIS e a COFINS. ... Ainda que se admita que, no caso do Imposto de Renda, a retenção implique o pagamento do valor líquido para o contribuinte substituído e, quanto a estas contribuições, o preço da mercadoria vendida é acrescido do valor relativo à substituição tributária, isto não é suficiente para descaracterizar o fato de ambos inseriremse no contexto do regime de substituição tributária, de que tratam os arts. 121 e 128 do C T N , de acordo com o qual antecipase um valor relacionado a obrigação tributária futura. A forma de cálculo do valor pertinente ao regime não desqualifica sua natureza jurídica, pois o que importa justamente o fato de atribuirse a terceiro a responsabilidade pela retenção do tributo que, não fosse tal regra pelo efetivo contribuinte seria devido em operação subsequente. Assim, é de todo aplicável à situação deste processo as orientações contidas nesse Parecer Normativo, não sendo relevante a circunstância de ter tratado de problemas pertinentes ao Imposto de Renda, pois tanto este imposto, quanto as contribuições ao PIS e a COFINS possuem, na verdade, regimes jurídicos de substituição tributária delineados originariamente no CTN. .... A interpretação da Secretaria da Receita Federal a respeito da responsabilidade do substituto pela retenção de tributos pode ser sintetizada nas seguintes hipóteses e soluções: 1 quando a incidência e o recolhimento assumirem a natureza da antecipação, sem, portanto, a característica de recolhimento definitivo/exclusivo: a responsabilidade do substituto tributário Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.193 11 extinguese na data de encerramento do período de apuração do respectivo tributo enquadrado no regime de substituição tributária: 2 se o lançamento tributário (de ofício) for efetuado pela Receita Federal ANTES da data de encerramento do período de apuração: a responsabilidade do substituto tributário é pelo recolhimento do tributo e demais encargos moratórios (juros e multa); 3 se o lançamento tributário (de ofício) for efetuado pela Receita Federal APÓS a data de encerramento do período de apuração: (i) a responsabilidade do substituto tributário é apenas dos encargos moratórios (juros e multa). Neste caso, estes encargos deverão ser calculados apenas entre o período havido entre a data que deveria ter sido feito o recolhimento antecipado e a data de encerramento do período de apuração; e (ii) o contribuinte substituído deverá suportar o tributo efetivamente devido e não retido antecipadamente, passando os encargos moratórios a serem devidos depois do encerramento do período de apuração; 4 A RETENÇÃO NA FONTE NÃO É REALIZADA POR FORCA DE DECISÃO JUDICIAL: o pagamento do tributo deve ser exigido exclusivamente do próprio contribuinte. AFASTANDOSE TODA E QUALQUER RESPONSABILIDADE DO SUBSTITUTO. No presente processo aplicamse a 3ª e 4ª hipóteses, sendo a última inquestionável, pois, como já foi dito, o não recolhimento antecipado ("RETENÇÃO NA FONTE") do PIS e da COFINS decorreu de ordem judicial concedida nas ações n° 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905. Vejamos, então, cada uma dessas regras que se aplicam ao caso concreto e, portanto, afastam a possibilidade de cobrança do PIS e da COFINS da ora Impugnante. II.2.A.1.1) OS LIMITES DA RESPONSABILIDADE NO REGIME DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA: HIPÓTESE DE NÃO RETENÇÃO POR FORCA DE DECISÃO JUDICIAL Consoante a 4ª hipótese descrita no referido Parecer Normativo, cassada a decisão liminar que afastava a regra de recolhimento do tributo sujeito à substituição tributária ("RETENÇÃO NA FONTE") o tributo deverá ser suportado pelo contribuinte, ou seja, pelo substituído que, no caso, é a concessionária ABC Motors. No presente caso, o não recolhimento do PIS e da COFINS pela alíquota cheia (9,6% e 2%) decorreu do fato de a ora Impugnante ter recebido expressa determinação judicial para que recolhesse apenas o percentual que lhe cabia, se abstendo de recolher o percentual relativo à concessionária, situação esta que se enquadra na referida 4ª Hipótese descrita no mencionado Parecer Normativo CST n° 01/2002. Fl. 1198DF CARF MF 12 Esta orientação do Parecer Normativo é contundente de que o recolhimento antecipado e não exclusivo de determinado tributo, pelo regime de substituição tributária, não elimina o dever de o efetivo contribuinte suportar a obrigação tributária vinculada à sua própria atividade. Por esta razão, o Parecer Normativo afirma, textualmente, que, impedida por ordem judicial a realização do recolhimento antecipado, o dever retorna a quem é o efetivo contribuinte da obrigação tributária. ... In casu, esse raciocínio se aplica ipsis literis e nem poderia ser diferente, pois em função da ordem judicial a Impugnante ficou impedida de efetuar o recolhimento antecipado, de modo que exigirlhe, após o desfecho da ação, o pagamento do PIS e da COFINS, seria cobrar tributo sobre o seu patrimônio. Esse argumento é suficiente para retirar a responsabilidade pelo recolhimento do tributo da ora Impugnante. De fato, há uma impossibilidade de ordem operacional do sistema de se exigir a retenção do PIS e da COFINS de forma retroativa, pois a materialidade (fato gerador) da contribuição não poderá ser restabelecida, já que ocorrida no momento passado em que houve a emissão da nota fiscal pela Impugnante e o pagamento do preço pela concessionária. Nesse sentido, foi consignado nas próprias notas fiscais emitidas o desconto de 5,13% referente a PIS/COFINS conforme ordem judicial. É o que se vê, exemplificadamente do documento anexo (doc. 03). E a única forma de o Fisco não suportar esse prejuízo é cobrar de quem lhe causou o dano que, in casu, foi a concessionária ABC Motors. Ora, o ordenamento jurídico não admite que alguém impedido de cumprir determinado dever legal em decorrência de ordem judicial, venha a ser apenado com a cobrança posterior. Ainda mais quando esta decisão judicial não afasta do contribuinte a obrigatoriedade de recolhimento do tributo, como ocorreu no presente caso. Não fosse apenas isso, fato é que a coisa julgada tem força de lei obrigando as partes entre as quais foi dada, concessionária ABC Motors e União in casu, por isso não podendo se lhe atribuir responsabilidade que vá além dos limites da lide posta e decidida, ou seja, que vá além do objeto tal qual definido no processo. ... II.A.1.2) OS LIMITES DA RESPONSABILIDADE NO REGIME DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA: ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO DO TRIBUTO ENSEJA A TRANSFERÊNCIA DO DEVER DE PAGAR O TRIBUTO AO CONTRIBUINTE (SUBSTITUÍDO) Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.194 13 De acordo com a 3ª hipótese descrita no referido Parecer Normativo n° 01/2002 que interpretou os arts. 121, I e 128, ambos do CTN, encerrado o período de apuração do tributo, o dever de pagar o tributo e os consectários legais é transferido automaticamente para o contribuintesubstituído. Nos termos do referido Parecer Normativo, considerando que é MENSAL o período de apuração do PIS e da COFINS, conforme se deduz da leitura da Lei n° 9.715/98 e Lei Complementar n° 70/1991 e 10.637/2002 e 10.833/2003, a responsabilidade da ora Impugnante durante o respectivo período de apuração, se fosse admitida, deveria restringirse aos encargos moratórios (juros e multa) devidos por conta da não retenção destas contribuições nos faturamentos emitidos. Isto porque, DEPOIS DO PERÍODO DE APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS A OBRIGAÇÃO DE PAGÁLOS RETORNA AO CONTRIBUINTE (CONCESSIONÁRIASUBSTITUÍPA), na medida em que o regime de substituição tributária atribuído ao fabricante/importador restringese ao mero dever de antecipar os valores devidos por tais concessionárias. Em relação a essa 3ª hipótese, forçoso também concluir que não há respaldo normativo para que a ora Impugnante sofra a cobrança do valor principal e dos encargos, já que de longa data encerrado o período de apuração do crédito objeto do lançamento. III DA AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DIANTE DA DETERMINAÇÃO JUDICIAL DE RECOLHIMENTO DE PARTE DO TRIBUTO PELA CONCESSIONÁRIA ABC MOTORS Há ainda uma terceira hipótese de afastamento da responsabilidade tributária que merece ser consagrada pelo julgador. Conforme já mencionado, tanto a tutela antecipada como a sentença que julgaram procedentes ambas as ações judiciais ajuizadas, afastaram o regime monofásico de recolhimento do PIS e da COFINS, determinando que a empresa ABC Motors recolhesse estas contribuições com base na diferença entre o preço de compra e o preço de revenda do veículo. Ou seja, houve expressa determinação judicial para que a concessionária ABC Motors recolhesse parte do tributo devido. Portanto, ainda que não fosse possível afastar a responsabilidade da ora Impugnante por todo o tributo exigido, ao menos em relação à parcela judicialmente determinada não há como se pretender exigilos. Ora D. Julgador a responsabilidade prevista nos artigos 121 e 128 do CTN não prevê hipótese de responsabilidade do substituto tributário quando há ordem judicial determinando que o substituído recolha parte do tributo. Fl. 1200DF CARF MF 14 Assim sendo, caso se entenda devido o PIS e a COFINS da ora Impugnante, deverá ser afastada a parcela do tributo que judicialmente, determinou o recolhimento pela concessionária ABC Motors. Da Impugnação da empresa ABC Motors Ltda Cientificada do lançamento em 24/10/2011, conforme AR de fl.583 o sujeito passivo solidário, ABC Motors Ltda, apresentou em 23/11/2011 a impugnação de fls. 693/719, alegando, em síntese, que: Da necessidade de abertura de Mandado de Procedimento Fiscal em face da empresa concessionária ABC Motors Ltda. Conforme se depreende da análise dos autos, a Secretaria da Receita Federal determinou a abertura de processo administrativo de "acompanhamento de medida judicial" em relação à ação pelo rito ordinário Processo n.° 2002.61.00.0296324. Foi aberto, então, Mandado de Procedimento Fiscal 0810400 2011006545 EM FACE DA MONTADORA HONDA AUTOMÓVEIS , que deu origem ao Auto de Infração lavrado em face desta montadora. ... A Receita Federal emitiu as intimações e deu ciência do início de fiscalização tãosomente àquela empresa. ... Em momento algum a autora da medida judicial é convidada a participar do processo de fiscalização, com informações que interferissem na consolidação do crédito tributário que dela será exigido por força de previsão expressa da medida judicial. Ora, é inadmissível que a empresa concessionária ABC Motors Ltda. não tenha sido intimada a participar do procedimento fiscalizatório. ... Os atos instrutórios, que constituem parte dos atos preparatórios, são sem dúvida, os atos de maior relevância para recolhimento de provas no procedimento administrativo do lançamento. Esses atos, que visam a demonstração da verdade dos fatos que integram o objeto dos processos e sobre os quais a decisão final do órgão julgador irá se calcar. ... Julgadores, resta expressamente indicado no Termo de Verificação Fiscal, item abaixo transcrito, que a montadora foi intimada a apresentar as informações e os elementos analisados para consolidação do lançamento são os fornecidos por aquela empresa a concessionária de veículos ABC Motors, em momento algum foi intimada a fornecer informações, ou sequer Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.195 15 participar da composição desses valores pelos quais responde solidariamente. Não se pode admitir o prosseguimento da exigência tal como se encontra, em face da concessionária ABC Motors, diante dos vícios incontornáveis acima elencados. A concessionária, que ora se defende, está sendo incluída (às avessas) como responsável solidária do crédito tributário como é possível que não tenha participado, por meio de intimações, para participação do procedimento instrutório. Toda a composição de valores foi fornecida unicamente pela montadora de veículos. Assim, estão sendo dadas por verdadeiras e absolutas as informações fornecidas pela Honda Automóveis. Imprescindível que tais elementos fossem reanalisados pela própria concessionária validando se todas as operações informadas pela montadora efetivamente ocorreram, se não houve cancelamentos, descontos ou outras intercorrências que interferissem diretamente na apuração do quantum exigido. ... Incontroverso que em face da empresa ABC Motors deveria ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal específico, com a sua participação em todo o procedimento de fiscalização. O que se depreende do processo administrativo é a lavratura de MPF em face da Montadora Honda Automóveis, amparando o lançamento realizado, sem a ciência da montadora ABC ao longo de todo o processo de fiscalização, sendolhe vedado o fornecimento de informações de inquestionável relevância para a realização do lançamento. Da Sujeição Passiva Solidária Indevida No presente tópico, relevante se atentar para o fato de que o sujeito passivo solidário, pode participar da discussão sobre o auto de infração. Nesta senda, se de fato a defendente configure como sujeito passivo solidário, por óbvio, deveria ter sido intimada a recolher ou recorrer, nos mesmos termos em que o foi o sujeito passivo ordinário. Contudo, o termo de sujeição passiva solidária telado, não intima a defendente para recolher a cobrança. Sendo certo que o termo apenas dá ciência do auto de infração lavrado contra a empresa e assegura vistas ao processo relativo à exigência. Portanto, independente do posicionamento sobre caber ou não a solidariedade, o termo de sujeição passiva solidária é nulo. Se entendermos, de um lado, que há solidariedade, certamente existe o cerceamento de defesa já que o termo não indica o direito de recorrer do lançamento, ou de pagar/parcelar com Fl. 1202DF CARF MF 16 redução da multa; de outro lado, caso se entenda que não existe a solidariedade, o termo é nulo por falta de base legal. ... Em síntese, caso o Sr. Agente Fiscal Autuante pretendesse que o contribuinte fosse tratados como sujeito passivo, haveria a nítida necessidade de lavrar uma intimação, pela qual exigisse o tributo e informasse das condições de pagamento e impugnação. Contrário senso, deveria ter nominado a empresa, ora responsável solidária no auto de infração, junto com o sujeito passivo de fato. Mas, de modo algum poderia lavrar um termo ou nominar de termo outro tipo de documento. Ainda que fosse relevado o equívoco do nome dado ao documento, concluise inegavelmente que este permanece eivado de vicio material. Notese que fora omitido requisito legal essencial para apontar alguém no pólo passivo. Conforme o inciso V do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, é elemento do auto de infração a intimação para cumprir ou impugnar a exigência. A ausência deste requisito torna o auto (termo) nulo em relação aos dois apontados como sujeitos passivos solidários (...). Após tal analise perfunctória, de grande valia aprofundarmos acerca dos termos de sujeição passiva solidária lavrados, estudando a base legal pela qual o fiscal pretendeu trazer a empresa para o pólo passivo, ou seja, o Inciso I do art. 124 do CTN (...). ... Como visto, com a exegese proposta, o art. 124 de tão didático poderia ser tido como desnecessário. O que serviria de argumento para pretender que a expressão "interesse comum na situação que constitua o fato gerador" alcançasse outras pessoas além daquelas que estejam na mesma posição em relação ao fato gerador. Mas, mesmo com a interpretação didática propugnada, o art. 124 tem forte razão para existir, o que sustenta a interpretação defendida e afasta outras. Primeiro, ele divide e distingue os casos de solidariedade que existem em razão dos fatos tributáveis (inciso I) daqueles que existem em razão da lei e de fatos não tributáveis (inciso II). Outrossim, assegura que a solidariedade só decorra da lei, quer pela realização da hipótese de incidência do tributo (inciso I), quer pela realização da previsão legal de solidariedade estabelecida pelo legislador do ente tributante por razões de administração tributária (inciso II). Portanto, ao dizer "interesse comum", o CTN diz interesse idêntico. Se o interesse é idêntico, significa que as pessoas co realizam o fato gerador. Deste modo, se percebe que é incabível pretender sustentar, como quis o fiscal, que a empresa ora defendente e a pessoa Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.196 17 jurídica autuada estejam na mesma posição em relação aos fatos geradores de tributos da empresa. ... As pessoas têm infinitos interesses e podem comungar algum destes interesses em uma situação que seja o fato gerador de algum tributo, sem que estejam na posição do sujeito passivo. Assim, cada pessoa é distinta e ocupa uma posição jurídica diferente na relação mercantil, possuindo motivações próprias da posição que ocupam. Não é possível confundir vontade parecida, interesse coincidente, desejo semelhante, ou qualquer outra proximidade de intenção, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Por isso, não é possível atribuir ao inciso I do art. 124 do CTN o condão de estabelecer a solidariedade em razão da semelhança de vontades ou coincidência de interesses. A própria frouxidão que resultaria de tal interpretação é suficiente para refutála. Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar "interesse comum" diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. Ora, não há tal interesse comum. ... Assim, se constata que o art. 124 do CTN é totalmente impróprio a estabelecer solidariedade entre as empresas. Da Nulidade por indicação equivocada da Sujeição Passiva face a não aplicação da Monofasidade Pretérito a ação em tela, fora ajuizada Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária, sob o n° 2005.61.00.0055905, objetivando afastar o recolhimento monofásico do PIS e COFINS, previsto na Lei n° 10.485/02, a qual fora concedida liminar nesse sentido. Portanto, fora afastada a monofasidade, tendo sido determinado que cada empresa da cadeia mercantil recolha sua parcela de PIS/ COFINS. Nesse diapasão, notese que o contribuinte, ora defendente, tem agido em estrito cumprimento a provimento jurisdicional, ou seja, recolhendo a parte que lhe compete sem o regime monofásico. Nesta senda, notese que o tributo ora exigido é referente ao PIS/COFINS desta impugnante, que não fora recolhido pela HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL, repise, por exclusivo cumprimento de determinação judicial. Fl. 1204DF CARF MF 18 Outrossim, tendo sido descaracterizado o regime instituído pela Lei 10.485/02, a HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL se viu desobrigada ao recolhimento de PIS/COFINS tocante à parte que compete à ABC MOTORS LTDA. Sob essa ótica, não há como aceitar a mantença da HONDA como Sujeito Passivo, uma vez que, conforme dito, o sujeito passivo da relação jurídica era a ABC, incorrendo em erro, portanto, o Agente Fiscal ao cobrar ao pretender cobrar o imposto da contribuinte HONDA, que, por provimento jurisdicional foi excluído da relação ABC Fisco dentro da qual, repisese, inexistem valores a serem cobrados, dado que a ABC recolheu, causa própria, todos os valores de PIS/COFINS incidentes a seu faturamento, pela sistemática ordinária polifásica. Assim, o presente Auto é nulo por indicação errônea do sujeito passivo, desrespeitando, portanto, o Decreto n° 70.235, o qual determina os requisitos o procedimento federal. Concluindo, face ao vicio apontado no presente auto, não há hipótese de sua perseverança, devendo ser declarado nulo por desrespeito à requisito essencial para a validade do auto de infração, ou seja, ter sido indicado o contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA como sujeito passivo, uma vez que o referido contribuinte é estranho à relação jurídica ora debatida. Da impossibilidade de consolidação de lançamento em face da empresa ABC Motors por meio do "Termo de Sujeição Passiva Solidária" Nesse ponto, de grande relevância questionar a natureza jurídica deste Termo lavrado. Ora, constatase a ausência de consolidação de efetivo lançamento em face da empresa autora da medida judicial que sofre o ônus das contribuições "sub judice". ... Denotase do auto de infração lavrado que a autoridade fiscalizadora lança como sujeito passivo tributário a montadora Honda Automóveis do Brasil Ltda. De forma contraditória e singela, no Termo de Verificação fiscal consigna a fiscalização: "Este lançamento de ofício está sendo feito em face do contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA., CNPJ n° 01.192.333/000122 e do responsável solidário ABC MOTORS LTDA., CNPJ n° 01.979.916/000106, nos termos do art. 124 do CTN" Ora, o lançamento foi consolidado em face da montadora Honda, conforme transcrito acima e, ainda, por meio de MPF instaurado exclusivamente em nome daquela empresa, conforme anteriormente destacado. ... Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.197 19 Evidenciase, no presente caso, que houve o lançamento somente em face da montadora de veículos e não em face da concessionária. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, necessário seria o lançamento contra o responsável pela obrigação tributária (...). Ora, e nem se alegue que o chamado "Termo de Sujeição Passiva Solidária" supriria os requisitos intrínsecos ao "lançamento tributário". Desta feita, o presente lançamento padece de nulidade. Considerando a necessidade de lançamento contra aquele que será o sujeito passivo do crédito tributário, a responsabilidade precisaria ser formalizada inclusive antes do lançamento e para a adequada formalização deste, para que houvesse a transformação em linguagem válida. Se a Administração apresenta o lançamento do crédito tributário tãosomente em face da montadora de veículos, pessoa jurídica essa que foi inclusive a única intimada durante todo o processo de formação de referido lançamento, há evidentemente violação ao devido processo legal, em total contrariedade à Constituição Federal. ... Eventual manutenção do presente lançamento, não poderia gerar qualquer efeito em face da empresa ABC Motors, eis que não consta formalmente incluída no Auto de Infração, enquanto lançamento tributário apto a exigir o crédito neste consignado. ... Neste sentido, ainda que a fiscalização entendesse pela lavratura do Auto de Infração também em face da montadora Honda Automóveis do Brasil, não poderia deixar a empresa ABC Motors segregada do lançamento, e indicada somente em "Termo de Sujeição Passiva Solidária". No mesmo sentido, observado sob outro prisma: o sujeito passivo contribuinte é o que realiza a hipótese de incidência da regra jurídica especificamente tributária. ... Enfim, considerando que o sujeito passivo da relação jurídico tributária é aquela pessoa física ou jurídica, privada ou pública, de quem se exige o cumprimento da prestação pecuniária, deveria ter sido lavrado o competente lançamento contra esse sujeito passivo, in casu, concessionária de veículos. ... Fl. 1206DF CARF MF 20 Do exposto acima, incontroverso concluir que o lançamento deveria ter sido realizado em face da CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS ABC MOTORS, por EXPRESSA DETERMINAÇÃO JUDICIAL. A sentença foi incisa em afastar toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário das contribuições do Pis e da Cofins. Em face do teor expresso da sentença judicial, em plena vigência quando do lançamento, conforme certidão de objeto e pé anexa, o montadora Honda Automóveis não poderia constar como sujeito passivo, conforme realizado pela autuação. Enfim, devidamente demonstrado a essa autoridade julgadora os vícios que contaminam e impedem o prosseguimento da exigência do crédito tributário, tal como posto. ... Do vício material insanável O Código Tributário Nacional, seu art. 173 admitiu a possibilidade de constituição do crédito após a anulação por vício formal do lançamento anteriormente efetuado... Não é o que se apreende no presente caso. O que se constata aqui é VÍCIO MATERIAL. O VÍCIO MATERIAL está diretamente relacionado à existência da dívida, à indicação incorreta do sujeito passivo. Ora, de acordo com o destaco acima, o Auto de Infração, que representa a consolidação do crédito tributário foi lavrado em face da montadora de veículos, pessoa jurídica incompetente para responder pelos valores lançados de acordo com expressa determinação judicial. O art. 142 do Código Tributário Nacional prevê explicitamente os requisitos para o lançamento, sob pena de nulidade absoluta do ato administrativo emanado. ... Diante dos evidentes vícios que fulminaram o lançamento, esse ato administrativo não pode produzir efeitos, merecendo ser reconhecido por esse órgão julgador a impossibilidade de seu prosseguimento. ... Demonstrado de forma inequívoca a impropriedade do ato administrativo que exarou o lançamento, requer seja JULGADA PROCEDENTE a presente defesa administrativa, declarando a nulidade dos Autos de Infração correspondentes ao presente processo administrativo, remetendoo definitivamente ao arquivo. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.198 21 Em decorrência da lide foi prolatado o Acórdão nº 36.752, de 24/01/2012, fls. 732/749, que decidiu pela procedência da exigência e foi assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. Cientificada, a contribuinte Honda, apresentou Recurso Voluntário de fls. 759/789. Por sua vez a responsável solidária, ABC Motors Ltda., apresentou requerimento ao CARF, fls. 844/846, arguindo a falta de intimação para apresentação do Recurso Voluntário da empresa ora peticionaria, coresponsável solidária, incluída no presente processo administrativo. Em apreciação à petição apresentada, A Segunda Turma Ordinária/ Terceira Seção de Julgamento do CARF, emitiu Despacho de Saneamento em 20/03/2013, fls. 847/848, determinando a restituição do processo à SECAT/DRF/CAMPINAS/SP para dar ciência à ABC MOTORS LTDA do Acórdão nº 0536.752, de 24/01/2012, abrindolhe prazo para apresentação de recurso voluntário. Cumprida a determinação e cientificada a responsável solidária, esta apresentou junto à autoridade jurisdicionante a petição de fls. 869/871, arguindo em apertada síntese: (...) da análise de referido acórdão, observase que a impugnação apresentada pela empresa ABC Motors Ltda (cópia anexa), não foi objeto de julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, não sendo esta contemplada no v. acórdão nº 05.36.752. O acórdão analisou somente a impugnação apresentada pela empresa HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA. Em nova apreciação, a Segunda Turma Ordinária proferiu o Acórdão nº 3302002.728, de 15/10/2014, fls. 931/940, anulando o Acórdão de primeira instância conforme a seguir ementado: AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ANULAÇÃO Deve ser anulada, no sentido de ser proferida outra, a decisão de 1ª Instância Administrativa que não contempla a análise de impugnação apresentada pelo o responsável solidário. Processo que se anula, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Fl. 1208DF CARF MF 22 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. SOLIDARIEDADE. REGIME MONOFÁSICO. AÇÃO JUDICIAL. O questionamento do regime monofásico por meio de ação judicial apresentada pelo revendedor automotivo, ao pretender modificar as características do fato gerador cujo sujeito passivo é a montadora, estabelece a solidariedade entre ambos por conta do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. SOLIDARIEDADE. PAGAMENTOS. APROVEITAMENTO. No regime de solidariedade, eventual pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais. AUDITORIA FISCAL. GARANTIA DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. A auditoria fiscal regese pelo princípio do inquisitório e é atividade privativa da autoridade administrativa, não sendo necessária à sua validade a participação do sujeito passivo. A garantia ao contraditório e à ampla defesa está afeita à fase litigiosa do processo, que se inaugura com a impugnação tempestiva do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. SOLIDARIEDADE. REGIME MONOFÁSICO. AÇÃO JUDICIAL. O questionamento do regime monofásico por meio de ação judicial apresentada pelo revendedor automotivo, ao pretender Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.199 23 modificar as características do fato gerador cujo sujeito passivo é a montadora, estabelece a solidariedade entre ambos por conta do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. SOLIDARIEDADE. PAGAMENTOS. APROVEITAMENTO. No regime de solidariedade, eventual pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais. AUDITORIA FISCAL. GARANTIA DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. A auditoria fiscal regese pelo princípio do inquisitório e é atividade privativa da autoridade administrativa, não sendo necessária à sua validade a participação do sujeito passivo. A garantia ao contraditório e à ampla defesa está afeita à fase litigiosa do processo, que se inaugura com a impugnação tempestiva do lançamento. A empresa Honda, cientificada da decisão de primeira instância em 10/03/2015, conforme Termo de Abertura de Documento de fl.1016, através da abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações, apresentou Recurso Voluntário de fls. 1020/1056 e documentos de fls.1.057/1.090, em 07/04/2015, fl. 1.020, os quais podem ser assim resumidos: · Contesta a decisão sobre a concomitância entre a ação judicial da empresa “ABC Motors” e o presente processo administrativo da ora recorrente, aduzindo em síntese que não se tem, nos autos, os pressupostos necessários para a alegada concomitância, quais sejam (identidade de sujeito, o sujeito passivo da obrigação tributária deve ser o autor da ação judicial, bem como, identidade de objetos, ou seja o mesmo pedido. · Defende que a ação ordinária n° 2002.61.00.0296324 não foi proposta pela ora recorrente, mas sim pela concessionária de veículos ABC Motors Ltda e que os pedidos envolvidos nas ações judiciais e administrativas são absolutamente distintos não comportando interpretações sobre a possível concomitância de esferas; · Defende a nulidade dos autos de Infração, por iliquidez e por ausência de prova de que os valores exigidos não tenham sido recolhidos anteriormente pelo contribuinte de fato, qual seja a concessionária ABC Motors, e que, caso não seja este o entendimento do colegiado, de demonstrar que se os valores fossem devidos deveriam ser cobrados diretamente do contribuinte, in casu, a concessionária ABC Motors; · Ao final requer: I) Seja afastada a suposta concomitância entre o presente processo administrativo e a ação judicial nº 2002.61.000296324 proposta pela concessionária ABC Fl. 1210DF CARF MF 24 Motors, reconhecendo, por consequência, a nulidade do julgamento proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, e determinando o retorno dos autos àquela delegacia de julgamento a fim de enfrentar o mérito discutido no presente processo, sob pena de supressão de instância; (II) Alternativamente, caso os D. Conselheiros deste Tribunal Administrativo se julguem aptos a analisar as razões do presente recurso voluntário, o qual reitera argumentos já trazidos à baila pela recorrente em sede de impugnação, mas que não foram apreciados pelo o julgador a quo, a recorrente pugna pelo afastamento da concomitância e o consequente provimento do recurso, declarando a nulidade do lançamento fiscal, cancelandose as cobranças de PIS e COFINS em razão de vício material insanável e da iliquidez e incerteza do auto de infração; (III) Caso assim não entendam V. Sas., requer que se julgue procedente o presente recurso para declarar a improcedência do lançamento tributário diante da ausência de responsabilidade da ora Recorrente pelas contribuições sociais devidas pelo contribuinte de fato (ABC Motors), não recolhidas em razão de determinação judicial, com fundamento no Parecer Normativo nº 01/2002 e artigos 121 e 128 do CTN; ou (IV) Em última análise, caso V.Sas. entendam pela manutenção da responsabilidade da ora recorrente, se requer que seja afastada a responsabilidade pelo recolhimento do tributo que, por ordem judicial, cabia unicamente à concessionária ABC Motors. Inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa ABC após ciência em 06/03/2015, conforme AR de fl. 1.017, apresentou Recurso Voluntário fls. 1.093/1.123 e documentos de fls. 1.124/1.155 em 06/04/2015, onde repisa os argumentos já colacionados e destaca ainda o equívoco da r. decisão recorrida quanto à concomitância, ressaltando que a renúncia à instância administrativa gravita em torno da similitude de objeto, sendo certo que em termos processuais, o vocábulo objeto é sinônimo perfeito de pedido. Os argumentos trazidos em sede recursal podem ser assim resumidos: · A fiscalização utilizouse de processo administrativo de acompanhamento de medida judicial incorreto, eis que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF foi aberto exclusivamente em face da montadora Honda Automóveis; · Não houve abertura de MPF em face da concessionária ABC Motors Ltda.; · A concessionária ABC Motors não foi intimada do procedimento de fiscalização, bem como para fornecer informação para consolidação do crédito tributário; · Os elementos para composição do crédito exigido foram os fornecidos exclusivamente pela montadora Honda Automóveis em ofensa a ampla defesa, contraditório e princípio da publicidade administrativa, ainda que se considere o princípio do inquisitório no procedimento fiscal adotado; · Ambas as sentenças proferidas nas ações ordinárias foram expressas ao afastar a responsabilidade da montadora, como consequência e meio de operacionalizar a declaração de inconstitucionalidade do regime monofásico instituído pela Lei nº 10.485/2002, atribuindo a responsabilidade (sujeição passiva) por eventual passivo tributário às concessionárias e coligadas, como informado por Ofício aos Ilmos. Delegados da Receita Federal em São Paulo e em Contagem/MG; Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.200 25 · O lançamento afrontou expressa determinação judicial quanto ao sujeito passivo pelo crédito tributário, que não é a montadora Honda Automóveis; · O termo de sujeição passiva não precisa o inciso do art. 124 do CTN aplicável à conduta da Recorrente, tratandose de responsabilização genérica e que sequer observou as peculiaridades do caso, já que, por determinação judicial, seria caso de sujeição passiva e não responsabilidade solidária; e · A incorreta indicação do Sujeito Passivo implica em vício material, insanável, que eiva de nulidade absoluta o lançamento tributário. · Ao final requer: I) Seja a sua irresignação devidamente processada e encaminhada à 3a Seção do Colendo CARF, oportunidade em que a 2a Turma da 3a Câmara da 3a Seção, preventa por já ter se debruçado sobre esses autos, deve darlhe integral provimento, com o cancelamento in totum das exigências em causa. II) Na remota hipótese de os lançamentos serem mantidos, deve quando menos a responsabilidade solidária da ora Recorrente ser afastada, eis que a sua situação notadamente não se enquadra em nenhuma das hipóteses insertas no art. 124 do CTN, consoante demonstrado no arrazoado acima. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PRELIMINARES Dos efeitos da Ação Judicial Impetrada Observase das duas peças recursais que há um argumento comum pela inexistência de concomitância, seja pela ausência dos pressupostos necessários para a alegada concomitância, seja pela diferenciação dos objetos nas diferentes instâncias. Repisese, por oportuno, a informação já consignada no relatório do presente voto de que o procedimento fiscal sub examine, conforme item 2, fl.30 do Termo de Verificação Fiscal, doravante TVF, se ateve unicamente aos efeitos das Ações Ordinárias n°s 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905 ajuizadas contra a União, junto à 13ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, pela concessionária ABC Motors Ltda (...), revendedora de automóveis fabricados pela Honda Automóveis do Brasil Ltda. Fl. 1212DF CARF MF 26 Estando precisamente delimitado o contexto fático e jurídico da ação fiscal, uma vez que a tutela antecipatória afastou o regime de antecipação tributária, estabelecido pela Lei nº 10.485, de 2002, que instituiu o regime monofásico na tributação do setor automotivo, analisarseá a seguir os efeitos das referidas ações judiciais ao caso concreto em face da legislação de regência da matéria, com as respectivas alterações pertinentes. · CF de 1988, art. 149, § 4º: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez.(grifei). · Lei nº 10.485, de 2002, artigos 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela Lei n.º 10.865, de 2004: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente.(grifei). (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(grifei). (...) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.201 27 com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(grifei). I o caput deste artigo;e II o caput do art. 1o deste artigo, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. · Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, deu nova redação ao inciso II acima: II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Com escopo na legislação acima foi instituído o regime de incidência monofásica que estabelece a tributação das contribuições do PIS e da COFINS, de forma concentrada, através da aplicação de alíquotas maiores nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Inferese portanto que pela sistemática de incidência monofásica ocorre o fato gerador nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo incidência das referidas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. Estabeleceu portanto a lei o regime de incidência monofásica na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, conforme autorizado pela norma constitucional. Essa é portanto a matéria nuclear da lide, cuja apreciação requer a análise do texto legal, enquanto norma abstrata e a determinação judicial, como norma individual aplicável à espécie dos autos. Nesse sentido, é importante assinalar que conforme destacado no TVF, a empresa Honda, é uma sociedade empresária limitada que tem por objeto a importação, comercialização e exportação de automóveis e peças para automóveis; serviços (treinamento, comissão e intermediação); prestação de serviços de assistência técnica, cadastrada no CNPJ sob o CNAE fiscal 2910701 Fabricação de automóveis, camionetes e utilitários, enquanto que a empresa ABC Motors Ltda é concessionária de veículos automotores fabricados pela Honda Automóveis do Brasil Ltda. Examinase a seguir a tutela judicial: AÇÃO ORDINÁRIA N° 2002.61.00.0296324, (documentos de fls.37/68): · TUTELA ANTECIPATÓRIA, fl.40: Face ao exposto, verificando a presença dos pressupostos que autorizam a antecipação da tutela (art. 273 do CPC), defiro a tutela postulada para o efeito de (a) afastar o regime de antecipação tributária tributária, estabelecido pela Lei n. 10.485/2002, intitulado de regime "monofásico" de recolhimento tributário, pela aparente incompatibilidade com a eleição constitucional do sujeito passivo da obrigação tributária, no tocante aos tributos de natureza pessoal, a saber o PIS e a COFINS e, de conseguinte, Fl. 1214DF CARF MF 28 (b) determinar às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 3,65% sobre o valor total do veículo, afastandose, por conseqüência, toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário, em razão do aqui decidido, até a solução final do feito, bem como (c) autorizar às autoras que realizem o cálculo e o recolhimento dos tributos PIS e COFINS considerando a diferença entre o valor de venda do concedente e o valor de venda ao consumidor final, dos veículos novos, a exemplo do regime conferido aos veículos usados. Oficiese aos fabricantes e importadores relacionados nos autos, comunicandose a presente decisão, cientificandoos de que, doravante, o recolhimento tributário do PIS e da COFINS será realizado nos termos dessa decisão, devendo proceder ao desconto do percentual de 3,65% sobre o valor das notas fiscais emitidas em nome da autora e suas coligadas, referente a aquisição de veículos novos (zero quilômetros), ficando expressamente afastada a responsabilidade dos respectivos fabricantes e importadores, pelos valores devidos pelas concessionárias referente aos tributos mencionados. · ACÓRDÃO DO TRF3 http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?N umeroProcesso=200261000296324 (consulta efetuada em 08/02/2016, às 11:21): APELAÇÃO CÍVEL Nº 002963217.2002.4.03.6100/SP EMENTA MANDADO DE SEGURANÇA. LITISPENDÊNCIA. INEXISTÊNCIA. TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS. LEI Nº 10.485/02. HIGIDEZ RECONHECIDA. LITISPENDÊNCIA AFASTADA. Verificase a inexistência de litispendência, pois as ações apontadas não possuem o mesmo objeto da presente ação, por discutirem legislação anterior a vigência da Lei n. 10.485/02. Preliminar de ilegitimidade ativa das autoras rejeitada. As empresas concessionárias, que compram veículos automotores das montadoras e os revendem a consumidores finais, devem recolher as contribuições sobre sua receita bruta, não sendo viável o desconto do preço de aquisição pago à montadora. Precedentes do STJ.(grifei). O que fez a Lei 10.485/02 foi concentrar a tributação devida ao PIS e ao COFINS no início da cadeia produtiva, estabelecendo alíquota mais elevada para esta etapa de comercialização (artigos 1º e 3º, II), desonerando a fase da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero para as concessionárias (artigo 3º, § 2º). Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.202 29 Preliminar de ilegitimidade ativa rejeitada. Apelação das autoras parcialmente provida para afastar a litispendência. Remessa oficial, tida por interposta, e às apelações da Honda e da União Federal providas para reformar a sentença de Primeiro Grau e julgar improcedente o pedido formulado, invertendose os ônus da sucumbência.(grifei). RELATÓRIO A HONDA AUTOMÓVEIS S/A, terceira interessada, interpôs recurso de apelação (fls. 507/509), pugnando pela reforma da sentença de Primeiro Grau, para que seja mantida a aplicação do disposto na Lei nº 10.485/02 no que se refere à aplicação do PIS e da COFINS incidente nas suas operações de comercialização de veículos automotores novos e desobrigando a de efetuar a dedução de 3,65% no valor dos veículos faturados às apeladas, como determinado pela r. sentença.(grifei). VOTO A apelação da Honda, da União Federal e a remessa oficial, que se tem por interposta, comportam provimento. (...) Quanto ao mérito, pretendem as autoras concessionárias de veículos o afastamento do artigo 1º da Lei nº 10.485/02, possibilitando o recolhimento do PIS e da COFINS nas operações de veículo zero quilômetro com base na diferença do valor da alienação do veículo ao consumidor e do valor repassado à montadora. No entanto, não lhes assiste razão. É entendimento tranquilo, sedimentado na jurisprudência que as empresas concessionárias, que compram veículos automotores das montadoras e os revendem a consumidores finais, devem recolher as contribuições sobre sua receita bruta, não sendo viável o desconto do preço de aquisição pago à montadora.(grifei). Isto porque, no que se refere a veículos novos, o que fez a Lei 10.485/02 foi concentrar a tributação devida ao PIS e ao COFINS no início da cadeia produtiva, estabelecendo alíquota mais elevada para esta etapa (artigos 1º e 3º, II),desonerando a fase da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero para as concessionárias (artigo 3º, § 2º). Nesta senda, concluise que o fato gerador ocorre apenas no momento das vendas realizadas pelas montadoras, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. Há inúmeros precedentes do STJ onde afastada a tese defendida pelas autoras, a saber:(grifei). AÇÃO ORDINÁRIA N° 2005.61.00.0055905 (documentos de fls.69/103): Fl. 1216DF CARF MF 30 · TUTELA ANTECIPATÓRIA, fl.88: Assim, o que se colhe é a não observância por parte do legislador do postulado constitucional da isonomia, ao indicar como único agente sujeito ao regime de tributação monofásico as concessionárias de veículos automotores, situação da empresa autora. Face ao exposto, ANTECIPO PARCIALMENTE aos efeitos da tutela para determinar à montadora de veículos referida pela autora que deduza das notas fiscais emitidas o percentual de 5,13%, referente ao valor das contribuições ao PIS e à COFINS. · SENTENÇA DE 1A INSTÂNCIA, fl.93 Face ao exposto, JULGO PROCEDENTE os pedidos para o efeito de (a) DECLARAR, em caráter incidental, a inconstitucionalidade da sistemática de recolhimento imposto pela Lei n.º 10.485, de 3 de julho de 2002, com a redação da pela Lei n.º 10.865, de 30 de abril de 2.004, bem como pela Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002, intitulada de incidência monofásica de tributação, e, de conseguinte, (b) DECLARAR a não existência de relação jurídicotributária que obrigue a autora a submeterse a esse regime de tributação e (c) DETERMINAR às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 5,13% sobre o valor total do veículo, promovendo a entrega dos veículos objeto do contrato de concessão sem a dedução antecipada da mencionada parcela quando da emissão das respectivas notas, afastandose, por conseqüência, toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário das contribuições do PIS e da COFINS, bem como a (d) DECLARAR o direito de a autora compensarse de todos os valores indevidamente recolhidos pela montadora, em obediência às leis declaradas inconstitucionais pela presente decisão, atualizados tais valores pela variação da TAXA SELIC, desde a data da retenção até o efetivo exercício da compensação. (...) .Oficiese à fabricante (montadora) identificada nos autos, comunicandose a presente decisão, cientificandoa de que, doravante, o recolhimento tributário do PIS e COFINS será realizado nos termos dessa decisão, não devendo ser efetuado o destaque e o recolhimento do percentual de 5,13% sobre o valor das notas fiscais emitidas em nome da autora, referente a aquisição de veículos novos (zero quilômetros).P.R.I. · ACÓRDÃO DO TRF3, fls.99/103: ACÓRDÃO Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.203 31 Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia TURMA D do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Os excertos acima têm o condão de demonstrar que está sob o crivo do Poder Judiciário, a quem competirá a decisão final sobre a lide, a matéria tributável, núcleo principal da presente discussão administrativa, que consiste na tributação das contribuições do PIS e da COFINS no âmbito do regime de incidência monofásica, na origem, estabelecido pela Lei nº 10.485, de 2002, sendo indissociável no âmbito do que está posto à decisão do Poder Judiciário, por fazer parte inerente à própria interpretação da referida legislação, não apenas a sujeição passiva, seja enquanto fabricantes e montadoras, seja enquanto concessionária; como a própria sistemática de tributação, no regime monofásico, haja vista a divergência até então demonstrada nas peças judiciais decisórias. É mister salientar à luz das Normas Gerais de Direito Tributário que ao definir a lei a hipótese de incidência tributária, ocorrido o pressuposto fático temse a ocorrência do fato gerador que dá origem à obrigação tributária nos termos do art. 114 do CTN. Com efeito, o excerto a seguir transcrito do Acórdão TRF3, embora já acima demonstrado deixa antever o nível de abrangência da matéria submetida ao Poder Judiciário, haja vista que perpassa na exegese judicial, da legislação de regência do referido regime desde a definição do momento da ocorrência do fato gerador no âmbito do regime de incidência monofásico até a definição quanto à sujeição passiva no caso concreto, uma vez que está inequivocamente vinculada à matéria em discussão judicial e pendente portanto de definição pelo Poder Judiciário. concluise que o fato gerador ocorre apenas no momento das vendas realizadas pelas montadoras, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. É mister também salientar que a empresa Honda, como ficou sobejamente demonstrado é terceira interessada na ação, nos termos do 1art. 499 do CPC, então vigente, tendo sido oficiada, na condição de fabricante/montadora pelo Poder Judiciário para cumprimento da tutela antecipatória como já consignado. Nesse sentido após a publicação do acórdão do TRF3 que deu provimento à remessa oficial e à apelação da União para julgar improcedente o pedido inicial como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e nos excertos acima transcritos, onde consta expressamente na decisão meritória do referido acórdão que [...o fato gerador ocorre apenas no momento das vendas realizadas pelas montadoras, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica], a empresa Honda ficou sujeita ao recolhimento das contribuições nos termos dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, com as respectivas alterações. 1 Art. 499. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público. § 1º Cumpre ao terceiro demonstrar o nexo de interdependência entre o seu interesse de intervir e a relação jurídica submetida à apreciação judicial. (...). Fl. 1218DF CARF MF 32 Notese que sabedora de sua condição ante a legislação de regência do citado regime a empresa Honda, conforme documento de fl.56, ao invocar na Ação Ordinária n° 2002.61.00.0296324 junto à 13ª Vara Federal de São Paulo, a condição de terceira interessada (CPC, art. 499), justificou o "interesse" na reforma da decisão, arguindo: [Todavia, o cumprimento da determinação constante na respeitável decisão, causará prejuízos à Apelante bem como proporcionará a quebra da igualdade de concorrência, (i) porque terá de reprogramar o sistema de faturamento, a fim de viabilizar o faturamento diferenciado para a Apelada ABC MOTORS LTDA; (II) passivo tributário imensurável à Apelante, pois, a respeitável Sentença poderá ser reformada pelo E.Tribunal Regional Federal. Ocorrendo a reforma da respeitável decisão, a Receita Federal exigirá da Apelante o pagamento do PIS e da COFINS com os acréscimos legais (multa, juros e correção), na medida em que, a respeitável decisão, EM NENHUM MOMENTO, RESSALVOU QUE, NO CASO DE CESSAÇÃO DOS SEUS EFEITOS, A RESPONSABILIDADE PELA QUITAÇÃO DOS VALORES NÃO RECOLHIDOS SERIAM DE TOTAL RESPONSABILIDADE DA AUTORA.] Ante o exposto, depreendese que no caso dos autos, entre as questões postas na lide administrativa nas duas peças recursais estão a sujeição passiva e a própria sistemática de tributação no âmbito das contribuições em destaque no regime de incidência monofásica, matérias que pela própria natureza de suas concepções legais são indissociáveis e estão submetidas ao crivo do Poder Judiciário, uma vez que estão expressamente analisadas nas peças decisórias já demonstradas, visto que compõem a própria decisão meritória sobre o assunto, de modo que terão ao final da lide no âmbito do referido poder a definição definitiva no caso concreto. Nesse mister, verificase quanto a essas matérias a concomitância de pedidos, nas esferas administrativas e judicial, estando portanto afastadas do âmbito decisório na via administrativa, sendo importante ressaltar que, pela sistemática constitucional temse que o princípio da unicidade de jurisdição, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal de 1988, confere exclusividade ao Poder Judiciário para a prestação jurisdicional (“a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito”), estabelecendo, deste modo, uma importante regra limitadora do processo administrativo, qual seja a de que as decisões administrativas não são definitivas e seu cumprimento depende de sua não invalidação por algum provimento judicial. Com efeito, a matéria objeto do processo administrativo pode, a qualquer tempo (antes, durante ou depois do processo administrativo), ser levada à apreciação do Poder Judiciário. Assim, do ponto de vista jurídico, a propositura pelo contribuinte, de ação judicial, amparado pela garantia constitucional da inafastabilidade do controle judicial, contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, em face da concomitância dos pedidos. Essa questão está disciplinada pelo 2art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. 2 Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.204 33 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já sumulou a questão, nos seguintes termos: "SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a matéria estava à época da apresentação das impugnações normatizada pelo Ato Declaratório Normativo (Cosit) nº 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/1996), in verbis: "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de calculo etc.); c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151 do CTN;” Atualmente referida matéria está normatizada pelo Parecer Normativo RFB nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27.8.2014, cuja conclusão a seguir se transcreve apenas como reforço argumentativo sobre o alcance e consequências da concomitância de pedidos: 55. Desse modo, considerando que os arts. 1º, § 2º, do Decreto nº 1.737/1979, e 38, § único, da Lei nº 6.830/80, tem como único objetivo conferir eficácia ao princípio da economia processual, concluise que o não reconhecimento da concomitância pelo CARF resultará numa decisão administrativa prejudicada, redundante e inútil, após a prolação da sentença contrária de mérito no processo judicial que trate da mesma relação jurídica. Fl. 1220DF CARF MF 34 56. Repetindo: o não reconhecimento da concomitância tornará o julgamento administrativo desnecessário e inútil naquilo que for contrário à decisão de mérito do Poder Judiciário, simplesmente porque a coisa julgada judicial faz lei entre as partes em caráter definitivo e sua eficácia (ex tunc) não está condicionada ao resultado do julgamento do processo administrativo (arts. 467 e 468 do CPC). A decisão judicial de mérito passada em julgado tem como atributos especiais a indiscutibilidade, a imutabilidade e a coercibilidade, o que obriga o seu cumprimento pela autoridade administrativa, ainda que exista acórdão do CARF em sentido contrário.(gn) Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Dos efeitos da concomitância Pelo que está posto verificase que no caso dos autos, houve renúncia apenas parcial à instância administrativa, porém no que se refere à matéria objeto de demanda judicial, tornouse definitivo e insuscetível de discussão na esfera administrativa, no entanto a renúncia em tela não tem o condão de tornar nulo o ato, tampouco suspender o curso do processo administrativo, podendo tão somente sobrestálo quanto aos atos executórios até pronunciamento final da justiça, se for o caso. Assim, diante do desprovimento judicial quanto ao pleito inicial, agiu com acerto a autoridade administrativa a quem cumpre aplicar a norma tributária e tem o dever de exigir o crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, ex vi do parágrafo único do art. 142 do CTN, o que foi feito através do lançamento que ora se examina. Nesse mister arrolou ao pólo passivo a empresa Honda, por força das disposições expressas dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, bem como a empresa ABC, como responsável solidária, nos termos do art. 124, visto que o interesse comum, está ampla e sobejamente demonstrado ao longo do presente voto pelas várias transcrições dos excertos das decisões judiciais, cujo fundamento maior amparase justamente na divergência do próprio provimento judicial ao longo da tramitação das referidas ações, se amoldando exatamente à definição do art. 124, sendo irrelevante nesse caso ter deixado a fiscalização de indicar o inciso do art. 124, visto que demonstrou no Termo de Verificação a fundamentação para incluíla no pólo passivo. Portanto para a formalização do lançamento a fiscalização escudouse na decisão judicial, Acórdão do TRF3, fls.99/103, proferido na Ação Ordinária n° 2005.61.00.0005590 5, junto à 13ª Vara Federal de São Paulo publicado em 29/04/2011, que deu provimento à apelação e à remessa oficial e nas disposições dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.205 35 10.485, de 2002 que possibilitou a identificação dos elementos exigidos pelo 3art. 142 do CTN para a feitura do lançamento. No caso dos autos, no que se refere à matéria objeto de demanda judicial, tornouse definitiva e insuscetível de discussão na esfera administrativa, no entanto estando pendente de decisão, se esta ao final for favorável à Fazenda e inexistir o lançamento do crédito tributário pertinente e à época da decisão definitiva tiver transcorrido o prazo decadencial, não poderá a Fazenda constituílo, tampouco converter em renda o crédito cujo provimento adveio de decisão judicial definitiva. Nesse sentido fundamentou a decisão de piso: Em todo esse contexto, o lançamento acerta em constituir o crédito contra a montadora, única passível de exigência das contribuições sobre o faturamento no regime monofásico, alistando a concessionária como responsável solidária em função da existência da ação judicial que visa, ao fim, que o Poder Judiciário afaste o regime monofásico e faça incidir a contribuição sobre a diferença de preços.(grifei). Caso se confirme o insucesso da ABC Motors em sua demanda judicial e venham a ser mantidos os termos da legislação atacada, o crédito há de ser cobrado daquele a quem o Poder Judiciário definir como responsável. Em qualquer dos casos, o Auto de Infração se prestará para resguardar o interesse público. Superada a questão quanto a identificação de matérias diferenciadas nas instâncias administrativa e judicial, analisarseá a seguir referidas matérias arguídas pelas duas empresas que compõem o pólo passivo da autuação em exame. Da liquidez do crédito tributário lançado Destaquese que no tocante ao questionamento da matéria diferenciada, cujo exame não foi contemplado pela decisão judicial, até porque esta é anterior ao lançamento em epígrafe fazse mister, portanto nesse caso o pronunciamento dos órgãos julgadores administrativos. Nesse sentido e em continuidade aos fundamentos já expostos com relação ao acerto do lançamento pela fiscalização, verificase que em conformidade ao decidido pelo acórdão do TRF3 que deu provimento à remessa oficial e à apelação da União para julgar improcedente o pedido inicial, cuja consequência, como já amplamente demonstrado no presente voto, implicou na sujeição da empresa Honda ao recolhimento das contribuições nos termos dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, com as respectivas alterações, consequência aliás reconhecida pela própria recorrente, não ação judicial já destacada, tomou a fiscalização as providências cabíveis ante a constatação do não recolhimento das citadas 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1222DF CARF MF 36 contribuições nem a declaração em DCTF, conforme detalhadamente expõe no TVF de fls.30/36, notadamente nos itens 18/21 do citado termo. Acrescentese que a metodologia e a especificação do quantum a ser lançado estão demonstrados nos itens 23/25, cujos dados foram fornecidos pela própria empresa Honda, estando o crédito tributário apurado quanto à cada contribuição e período de apuração respectivos demonstrados na planilha, item 25 do TVF, parte integrante dos Autos de Infração de fls.4/16 e 17/29. Em 21 de junho de 2011, o contribuinte tomou ciência do Termo de Inicio de Fiscalização n°01, vinculado ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização N° 0810400201100654 5,no qual foi intimado a apresentar: Cópia do Contrato Social Consolidado ou equivalente e suas alterações posteriores; Livro Diário dos meses dezembro/2007 a dezembro/2010, revestido das formalidades legais; Livro Razão dos meses dezembro/2007 a dezembro/2010; Quanto ao cálculo do PIS e COFINS, informar por escrito qual o tratamento dado às vendas efetuadas no período de dezembro/2007 a dezembro/2010 à empresa ABC MOTORS LTDA., CNPJ n° 01.979.916/000106, tendo em vista as ações judiciais n°s 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905, por esta ajuizadas junto a 13a Vara da Justiça Federal em São Paulo; Planilha em papel (assinada pelo representante legal) e meio digital (.xis), por mês de competência, contendo os valores das contribuições ao PIS e COFINS dos meses de dezembro/2007 a dezembro/2010 que foram excluídos dos montantes declarados em DCTF e dos valores recolhidos aos cofres da Fazenda Nacional, em virtude das ações judiciais mencionadas no item anterior. Em 14 de julho de 2011 a fiscalizada apresentou os elementos solicitados no termo de início,bem como esclareceu: "01 No período de 10/09/2003 à 07/01/2004 em cumprimento a ação judicial n" 2002.61.00.0296324 mantemos o preço total de venda e através de desconto de 3,65% na duplicata, sendo 0,65% referente ao Pis e 3,00% da Cofins atendemos a determinação judicial sendo que o valor deste desconto foi abatido na mesma proporção das referidas contribuições. No período de 11/07/2005 até 29/04/2011 data em cumprimento a ação judicial n° 2005.61.00.0055905 procedemos da mesma forma mencionada no item 01 acima, porém com a alteração dos percentuais sendo 0,89% para o Pis e 4,24% para a Cofins totalizando um desconto de 5,13% e desta forma atender a determinação judicial. O abatimento é efetuado na duplicata, a fim de evitarmos questionamentos por parte de outros tributos (Ex: ICMS...)". Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.206 37 Em 09 de agosto de 2011 a fiscalizada foi intimada apresentar cópia das notas fiscais de saída emitidas contra a concessionária ABC Motors Ltda, conforme relação constante no Termo de Intimação Fiscal n° 02. Em 16 de agosto de 2011 o contribuinte apresentou as cópias das notas fiscais solicitadas. Demonstrase portanto que não se vislumbra a iliquidez arguída uma vez que o crédito tributário lançado corresponde exatamente aos valores não recolhidos e não declarados após a ausência do provimento jurisdicional anteriormente concedido como ratifica a fiscalização. Do ônus probatório Além da iliquidez alegada pela empresa Honda a empresa ABC entre os argumentos de defesa argui a falta de intimação para a fornecer informação para consolidação do crédito tributário. Observase da tramitação processual que as empresas arroladas ao pólo passivo foram regularmente cientificadas dos atos processuais, inclusive sendo acolhida a preliminar arguída pela empresa ABC de cerceamento do direito de defesa que oportunizou o contraditório e ampla defesa, restando assim no presente processo plenamente assegurados às duas recorrentes, no entanto a fase de procedimento fiscal, se constituindo em uma fase inquisitorial, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, como será abordado no item posterior. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, então vigente, verificase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. A impugnação da empresa Honda, fl.587/609 se fez acompanhar de cópias do TVF, fl.643/651, cópias do auto de infração e 2(duas) notas fiscais, fls. 657/658. Ao Recurso Voluntário de fls.1020 está acostado apenas a cópia do acórdão de primeira instância, fls.1.061/1.089. Inferese que as notas fiscais visam demonstrar o percentual de desconto destacado nas referidas notas em função da observância ao provimento judicial anterior ao acórdão do TRF3, situação fática contemplada no TVF, parte integrante dos autos de infração onde restou demonstrado o quantum apurado do crédito tributário, não de forma simplista como apregoa a defesa, mas de forma consentânea com a legislação aplicável ao caso em face Fl. 1224DF CARF MF 38 de não estar mais a empresa Honda amparada pelo provimento judicial anteriormente concedido. A empresa ABC apresentou a impugnação de fls.693/719 e à exceção dos documentos de identificação na representação processual não foi anexado qualquer outro documento que vise modificar/extinguir as provas trazidas pela fiscalização ou qualquer outra prova que demonstre recolhimentos efetuados pela referida empresa no período compreendido na autuação e ao Recurso Voluntário de fls. 1.093/1.123 anexou somente cópia do decisão de piso fls. 1.139/1154. Verificase assim que no presente caso a defesa além de não atender as prescrições do inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 que estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir], tampouco se utilizou da faculdade prevista no § 4º do art. 16 do mesmo diploma legal, acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997, que permite ao impugnante apresentar provas documentais em outro momento processual, quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente ou, ainda, se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, o que não ocorreu até o presente momento, sendo portando incabível a arguição na peça recursal da empresa ABC de que [...não foi intimada do procedimento de fiscalização e a fornecer informação para consolidação do crédito tributário], haja vista que a lide administrativa é deflagrada pela impugnação tempestivamente apresentada, momento processual para apresentação das razões e provas que possuir, como já destacado na norma de regência. Embora o Decreto nº 70.235, de 1972 disponha no § 6.º do art. 16 que [Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.], não se constata nos autos documentos apresentados pela Recorrente a serem apreciados por essa colenda turma recursal. Ressalvese que o sistema de apreciação das provas adotado no processo administrativo fiscal, consubstanciado no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 é o sistema de valoração adotado pelo sistema processual brasileiro que é o da persuasão racional, também conhecido pelo princípio do livre convencimento motivado. Como pontua 4Daniel Amorim, em consequência do livre convencimento motivado o julgador é livre para formar seu convencimento, dando portanto às provas o peso que entender cabível em cada processo, sem existir hierarquia entre os meios de prova. Assim restando demonstrado que as Recorrentes permaneceram silentes quando da oportunidade processual de trazer a prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da exigência sub examine subsiste a prova trazida aos autos pela fiscalização, notadamente quanto à apuração do crédito tributário, colhida vale ressaltar, da própria escrituração dos livros/documentos da empresa Honda disponibilizados à fiscalização, como já referido, visto que a autuação oferece os elementos factíveis com a motivação que deflagrou a ação fiscal cujas provas foram referenciadas no TVF. Da alegada inexistência de vínculo Quanto à exclusão da responsabilidade da recorrente pelas contribuições sociais devidas pelo contribuinte de fato (ABC Motors), segundo a recorrente Honda, não 4 Neves, Daniel Amorim Assumpção em manual de direito processual civil – 3ª ed. – Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: MÉTODO, 2011, pág.425. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.207 39 recolhidas em razão de determinação judicial, com fundamento no Parecer Normativo nº 01/2002 e com escopo nos artigos 121 e 128 do CTN, não há como acolher os argumentos da defesa, primeiro porque a sujeição passiva nos termos emanados dos artigos do CTN já identificados está submetida ao Poder Judiciário, não comportando ao julgador administrativo a exegese dos citados artigos para aplicálos ao caso concreto porque lhe falta competência em virtude da já discutida concomitância. Segundo, ainda que fosse a matéria passível de discussão administrativa, o Parecer Normativo nº 01/2002 não se aplica ao caso dos autos, visto tratar de matérias atinentes ao IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF, entre as quais quanto à atribuição de responsabilidade em caso de impossibilidade de recolhimento decorrente de decisão judicial. O mesmo raciocino se aplica ao pedido da empresa Honda quanto à declaração de inexistência de vínculo de responsabilidade por entender que o recolhimento do tributo por ordem judicial, cabia unicamente à concessionária ABC Motors. Natureza do procedimento fiscal Nas questões específicas trazidas pela empresa ABC, quanto a não intimação para o fornecimento de informações, nem a lavratura de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) específico, nomenclatura vigente à época, atualmente, Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF) é de se destacar que a fiscalização age em seus procedimentos fiscais segundo as normas pertinentes, haja vista que seus atos se configuram como atos administrativos, assim, no caso que ora se examina há disposição expressa no 5§ 2º do art. 2º da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, de dispensa de MPF quanto aos responsáveis, além de estar disposto no art. 2º, caput da referida portaria que os AuditoresFiscais, [...na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado]. Também não há na legislação imposição para intimação do sujeito passivo se a fiscalização já dispõe dos elementos necessários à formalização do crédito tributário, haja vista que o procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, de natureza inquisitorial, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública, notadamente no caso em espécie como já tratado minudentemente, que a fiscalização balizada nos contornos da decisão judicial que negou provimento ao pleito inicial e nas disposições artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, ao iniciar o procedimento fiscal contra a empresa Honda colheu os dados necessários para a lavratura do auto de infração com a sujeição passiva solidária, sendo portanto prescindível, por força das circunstâncias fáticas e por estar amparada nas disposições do art. 2º da Portaria RFB nº 2.284, de 2010, a intimação à referida empresa ABC . Também não podem ser acolhidas as alegações quanto ao Termo de Sujeição Passiva. Notese que além de ter sido lavrado o referido termo, a citada empresa está identificada expressamente do TVF e nos respectivos autos de infração de fls.4/16 e 17/29 com 5 Fl. 1226DF CARF MF 40 intimação aos sujeitos passivos para extinguir o crédito tributário constituído pelo lançamento de ofício, por meio do pagamento ou outra forma de extinção prevista em lei ou impugnálo no prazo de 30 (trinta) é textual. Inexistência de nulidade Entre os argumentos aduzidos nas peças recursais pelas empresas Honda e ABC estão a preliminar de nulidade, por vício material do Auto de Infração por iliquidez e incerteza do crédito tributário nele exigido, em decorrência da falta de comprovação, pelo AuditorFiscal, de que os valores ora exigidos não foram recolhidos pela concessionária ABC Motors bem como por indicação equivocada da sujeição passiva face a não aplicação da monofasidade. Restou demonstrado no presente voto as circunstâncias fáticas que motivaram a autuação, a metodologia de apuração do quantum devido, bem como as matérias que não estão sob a apreciação do julgador administrativo, entre as quais como explicitamente fundamentado, a sujeição passiva, logo a arguída indicação errônea da sujeição passiva face a não aplicação da monofasidade é matéria indissociável da lide judicial. Desse modo os fundamentos da autuação, consignados no Termo de Verificação Fiscal, expõem com precisão a motivação da exigência tributária e a indicação da sujeição passiva plural do presente processo, de forma explícita, clara e congruente, consentâneos com a situação jurídica após o não provimento do pleito inicial, já bastante assinalado no presente voto. No presente caso os recorrentes foram regularmente cientificados, o que lhes oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, princípios constitucionais, corolários do devido processo legal, que possibilitam aos interessados arguir suas razões de defesa bem como lhe facultam a contraprova, por todos os meios de prova admitidos em direito, ex vi do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, assim, garantidos pela norma constitucional compareceram aos autos com alentadas peças de defesa, com vasta linha argumentativa, nas quais os já identificados sujeitos passivos rebateram os fundamentos da autuação, no entanto, deixaram de carrear aos autos qualquer elemento probatório com vistas a desconstituir/modificar as provas trazidas pela fiscalização, conforme determina o art. 15 e 16, inciso III do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, os Autos de Infração de fls.4/16 e 17/29 estão formalizados com observância das normas legais, tanto do ponto de vista material e processual, cumprindo portanto a fiscalização o seu mister visto que atendeu às disposições do artigos 69º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e os requisitos do 7artigo 142 do CTN, não se vislumbrando qualquer vício que comprometa a validade dos lançamentos, uma vez que foram atendidas todas as garantias processuais, nos termos do 8art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, além das disposições específicas dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. 6 Art. 9.o. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009) 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 8 O art. 5º, LV, da Constituição Federal assim dispõe: "Art. 5º.(...): Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.208 41 Ante os fundamentos expostos, depreendese que o cerceamento de defesa alegado na peça recursal não pode ser acolhido, uma vez que aos sujeitos passivos foi assegurada a ampla defesa através da ciência do auto de infração que lhes possibilitou assim exercêla através da peça impugnatória, peça processual que tem o condão de instaurar a fase litigiosa do procedimento, permitindo aos autuados oferecerem ao fisco por todos os meios de prova admitidos em direito, elementos que comprovem suas alegações. Diante dos fundamentos acima constatase que não há reparos no feito fiscal, tampouco na decisão de piso. Ante o exposto, VOTO: I) por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO quanto às matérias referentes à sujeição passiva e a própria sistemática de tributação no âmbito das contribuições em destaque no regime de incidência monofásica, matérias portanto de cunho meritório e DECLARAR DEFINITIVO na esfera administrativa o lançamento formalizado nos Autos de Infração de fls.4/16 e 17/29; II) por CONHECER as demais matérias não incluídas no pleito judicial, nos exatos termos dos fundamentos aduzidos no voto, para negarlhes provimento. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar LV Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;" (grifei). Fl. 1228DF CARF MF
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