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Numero do processo: 13210.000018/97-01
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Thu May 13 00:00:00 UTC 1999
Ementa: DECORRÊNCIA - Aos processos decorrentes aplica-se a decisão acordada no matriz quando não se encontra qualquer nova questão de fato ou de direito.
NULIDADE - A falta de descrição precisa dos fatos que ensejam a exigência constitui cerceamento de defesa e provoca a nulidade do auto de infração.
Preliminar acolhida.
Numero da decisão: 108-05734
Decisão: ACOLHER PRELIMINAR POR UNANIMIDADE, do Auto de Infração
Nome do relator: Mário Junqueira Franco Júnior
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score : 1.0
Numero do processo: 13629.000246/97-70
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ITR - CONTRIBUIÇÕES À CNA E À CONTAG - Indevida a cobrança quando ocorrer prodominância de atividade industrial, nos termos do art. 581, parágrafos 1 e 2 da CLT. Ainda que exerça atividade rural, o empregado de empresa industrial ou comercial é classificado de acordo com a categoria econômica do empregador (Súmula STF nr. 196). Recurso provido.
Numero da decisão: 203-04656
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva
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O. U. : 0e19/ 09 / 1999 C 3S-C'3CCÇA•5`)- TÁL.p. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13629.000246/97-70 Acórdão : 203-04.656 Sessão - 28 de julho de 1998 Recurso : 105.443 Recorrente CELULOSE NIPO BRASILEIRA S/A - CENIBRA Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG 1TR - CONTRIBUIÇÕES À CNA E À CONTAG - Indevida a cobrança quando ocorrer predominância de atividade industrial, nos termos do art. 581, parágrafos 1° e 2° da CLT. Ainda que exerça atividade rural, o empregado de empresa industrial ou comercial é classificado de acordo com a categoria econômica do empregador (Súmula STF n.° 196). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CELULOSE NIPO BRASILEIRA S/A - CENIBRA ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 28 de julho de 1998 \\‘ ' 01 Otacilio D. • as C axo President; Franci - . qu: Silva Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Francisco Sérgio Nalini, Daniel Corrêa Homem de Carvalho, Mauro Wasilewski, Elvira Gomes dos Santos, Sebastião Borges Taquary e Renato Scalco Isquierdo. Eaal/cgf 1 . •-•• n..) , MINISTÉRIO DA FAZENDA ,NLPS: SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4471F.1 Processo : 13629.000246/97-70 Acórdão : 203-04.656 Recurso : 105.443 Recorrente : CELULOSE NIPO BRASILEIRA S/A - CENEBRA RELATÓRIO Trata-se de Notificação de Lançamento (fls. 03) para cobrança do ITR196 e Contribuições para a CNA e a CONTAG, sobre o imóvel rural denominado Projeto Fazenda Paulistas, localizado no Município de Antonio Dias - MG, impugnada (fls. 01/02) ao argumento de que, por ser indústria enquadrada no 11° grupo do quadro anexo ao artigo 577 da CLT, por se dedicar à produção de celulose e sendo subsidiária da CENIBRA Florestal S.A., que produz e extrai madeira, enquadrada no 5 0 grupo do mesmo quadro, acha-se filiada aos sindicatos patronais industriais respectivos, e seus empregados industriários, aos seus sindicatos correspondentes. Assim, dizendo serem indevidas as Contribuições para a CNA e a CONTAG, requer reemissão de nova Notificação, onde sejam as mesmas excluídas. Às fls. 07/09 vem a Decisão n° DRJ-JFA/MG n° 2.038/97, julgando o lançamento procedente, em razão de que o plantio de eucaliptos para fins comerciais caracteriza atividade de natureza agrícola, sujeitando a contribuinte ao recolhimento das Contribuições para a CNA e a CONTAG. Inconformada, às fls. 10/11, a recorrente intenta Recurso Voluntário, onde reitera as razões expendidas n. impugnação, acrescentando que, por estar contribuindo para órgãos equivalentes à CNA, à C ONTAG e ao SENAR, em sua área de atuação, caso recolhesse as contribuições exigidas, resiaria ci nfigurada a bitributação. É o relatór e lii eu--, 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • •=t Processo : 13629.000246/97-70 Acórdão : 203-04.656 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FRANCISCO MAURICIO R. DE ALBUQUERQUE SILVA O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Utilizo-me, para decidir, do ilustre voto do Conselheiro ()Maio Dantas Cartaxo, lucidamente articulado no Recurso n° 105.893, da mesma recorrente. A controvérsia reside na interpretação do § 2° do artigo 581 da CLT, que estratifica o conceito de atividade preponderante para disciplinar o recolhimento da Contribuição Sindical, verbis: "Ari. 581 - Para Os fins do item III do artigo anterior, as empresas atribuirão parte do respectivo capital às suas sucursais, filiais ou agências, desde que localizadas fora da base da atividade econômica do estabelecimento principal tia proporção das correspondentes operações econômicas, fazendo a devida comunicação às Delegacias Regionais do Trabalho, conforme a localidade da sede da empresa, sucursais, .filiais ou agências. § 1° - Quando a empresa realizar diversas atividades econômicas, sem que nenhuma delas seja preponderante, cada uma dessas atividades será incorporada à respectiva categoria econômica, sendo a contribuição sindical devida à entidade sindical representativa da mesma categoria, procedendo-se em relação às correspondentes sucursais, agências ou filiaá, na forma do presente artigo. § 2 0 - Entende-se por atividade preponderante a que caracterizar a unidade do produto, operação ou objetivo .final, para cuja obtenção todas as dentais atividades convirjam, exclusivamente, em regime de conexão fitncionat Dai constata-se terem sido fixados • (três) critérios elassificatórios para o enquadramento sindical das empresas ou empregadores: a) critério por atividade única; b) critério por atividades múltip • .s; e •3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , Processo : 13629.000246/97-70 Acórdão : 203-04.656 c) critério por atividade preponderante. In comi, verifica-se a produção de celulose a partir do eucalipto cultivado, desenvolvendo, portanto, atividade agricola típica. Entretanto, o processo de obtenção do produto final é essencial e preponderantemente industrial, sobrepujando, indiscutivelmente, a atividade agrícola que é distinta, porém, subordinada à demanda industrial como fornecedora de matéria- prima em um contexto de verticalização industrial. Este Colegiado tem reiterado o entendimento da atividade preponderante para efeito de enquadramento sindical e o Judiciário, através do Supremo Tribunal Federal (Súmula 196), pacificou a matéria. Assim, a recorrente está excluída do campo de incidência da Contribuição para a CNA, por força do 20 do art. 581 da CLT, que elegeu o critério da atividade preponderante como regra classificatória para o enquadramento sindical e, com relação à Contribuição para a CONTAG, em razão de tratamento analógico e jurisprudencial. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para excluir do lançamento as Contribuições à CNA e ,ONTAG. Sala das Sessões, em . 8 de julhoge 1998 Alá FRANCISC 1, A _ • ; • s -i ISQUERQUE SILVA 4
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000202/96-66
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2001
Ementa: INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes de tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas ligadas.
Recurso não provido
Numero da decisão: 105-13456
Decisão: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Daniel Sahagoff (relator), Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e José Carlos Passuello, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Álvaro Barros Barbosa Lima.
Nome do relator: Daniel Sahagoff
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-18T19:38:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-18T19:38:15Z; Last-Modified: 2009-08-18T19:38:15Z; dcterms:modified: 2009-08-18T19:38:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-18T19:38:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-18T19:38:15Z; meta:save-date: 2009-08-18T19:38:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-18T19:38:15Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-18T19:38:15Z; created: 2009-08-18T19:38:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-08-18T19:38:15Z; pdf:charsPerPage: 1625; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-18T19:38:15Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13603.000202/96-66 Recurso n° : 125.205 Matéria : IRPJ — EX.: 1994 Recorrente : RAVINE CALÇADOS LTDA. Recorrida : DRJ em BELO HORIZONTE/MG Sessão de : 21 DE MARÇO DE 2001 Acórdão n° : 105-13.456 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes de tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas ligadas. Recurso não provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RAVINE CALÇADOS LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Daniel Sahagoff (Relator), Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e José Carlos Passuello, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Álvaro Barros Barbosa Lima. VERINALD0l, RIQUE DA SILVA - PRESIDENTE ÁLVARO : • "BOSA LIMA—RELATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: 26 JUN 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA AMÉLIA FRAGA FERREIRA e FÁBIO TENENBLAT (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros LUIS GONZAGA MEDEIROS NÓBREGA e NILTON PÊSS. • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2 Processo n° : 13603.000202/96-66 Aóórdão n° : 105-13.456 Recurso n° : 125.205 Recorrente : RAVINE CALÇADOS LTDA. RELATÓRIO RAVINE CALÇADOS LTDA, inscrita no CNPJ sob n° 42.816.124/0001-90, foi autuada por atraso na entrega da declaração de imposto de renda de pessoa jurídica, ano calendário de 1993, exercício de 1994. Inconformada, apresentou impugnação à DRJ em Belo Horizonte, alegando, em suma, ter purgado a mora espontaneamente, antes de qualquer procedimento fiscal, estando enquadrada no art. 138 do C.T.N. e transcrevendo, em socorro de sua tese, r. Acórdãos deste Primeiro Conselho. A DRJ em Belo Horizonte manteve a multa, distinguindo entre multa moratória (a do caso em tela) e multa penal (fls. 20). Mais adiante, declara que o art. 138 do C.T.N. se refere à exclusão de responsabilidade por infração ' e, "como a multa de mora não decorre de infração, mas da mora no cumprimento da obrigação", não se aplica o disposto em tal artigo às multas ' moratórias. Quanto aos r. Acórdãos referidos pela contribuinte, declara a DRJ que a jurisprudência administrativa é conflitante e cita outro julgado que conclui pela aplicabilidade da multa. 1 Irresignada, a interessada recorreu a este Conselho. É o Relatório. 11111N . 11i, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3 Processo n° : 13603.000202/96-66 Acórdão n° : 105-13.456 VOTO VENCIDO Conselheiro DANIEL SAHAGOFF, Relator O recurso é tempestivo e inexistem preliminares a serem apreciadas. A matéria em julgamento se refere a multa por atraso na entrega da declaração de imposto de renda de pessoa jurídica imposta à contribuinte, que alega não ser a mesma devida por ter ela purgado a mora, antes de qualquer procedimento judicial, invocando em seu favor o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional, ou seja: Art. 138 — A responsabilidade é excluída por denúncia expontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante de tributo dependa de apuração. Parágrafo único — Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração". Ao interpretar referido artigo e aplicá-lo à hipótese dos autos, há que se destacar a expressão" se for o caso", da qual se depreende que a responsabilidade por infrações é excluída também nos casos em que a desobediência não implica na falta de recolhimento de tributos, como ocorre com as obrigações acessórias. Argumentam os que esposam ponto de vista contrário que o instituto de espontaneidade somente seria aplicável a fatos desconhecidos da administração tributária, o que não ocorreria no caso da falta de entrega de declaração no prazo. Outros, ainda, argumentam que a não aplicação da multa nos casos de denúncia expontânea incentivaria o descumprimento de prazos fixados em lei. 11).n MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 Processo n° : 13603.000202/96-66 Acórdão n° : 105-13.456 Ambos os argumentos apenas carreiam mais água para o moinho da tese de aplicabilidade do art. 138 do CTN: de fato, se a Administração Tributária, possuidora de enorme aparato informático, não consegue identificar, em curto prazo de tempo, os contribuintes faltosos, estes, ante a inércia do Fisco, suprindo a falha, espontaneamente, estão prestando um serviço às Autoridades. Aliás, parece-nos ser essa a " ratio legis" do dispositivo retro-transcrito: premiar os que, espontaneamente , corrigem a falta de cumprimento das obrigações tributárias, ainda que a destempo e, de outro lado, coibir a inércia e/ou ineficiência do Fisco. Quanto à distinção entre multa moratória e multa penal, onde o legislador não fez distinção, não é lícito ao intérprete fazê-lo e, no art. 138, não é possível enxergar essa limitação à sua aplicabilidade. . Face ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO integral ao recurso, cancelando-se a exigência. ‘44.ej(f~ DANIEL SAHAGOFFij MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5 Processo n° : 13603.000202/96-66 Acórdão n° : 105-13.456 VOTO VENCEDOR Conselheiro ÁLVARO BARROS BARBOSA LIMA, Relator Designado Consoante se extrai do voto do ilustre Relator, a controvérsia existente nestes autos versa sobre tema que, pela sua extraordinária relevância, tem mobilizado os estudiosos que militam na área do Direito Tributário, no sentido de determinar o verdadeiro alcance do instituto da DENÚNCIA ESPONTÂNEA, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66. Objetivamente, a questão submetida a exame procura resposta para a seguinte indagação: O cumprimento, fora do prazo, de obrigação acessória, entrega de declaração, afigura-se à denúncia espontânea delineada no artigo 138 do CTN? Exposto o problema, em que pese o respeito que tenho pelo nobre Relator, peço vênia para dele discordar sobre a tese trazida à colação, na qual está sustentado o seu voto. Sobre essa específica questão, manifestou-se o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 190388/G0(98/0072748-5), por unanimidade, em voto do EXMO. SR MINISTRO JOSÉ DELGADO (RELATOR), do qual destaco: "A configuração da denúncia espontânea como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerando acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuint- É regra d~, ft ot • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 6 Processo n° : 13603.000202/96-66 Acórdão n° : 105-13.456 conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes de tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. A multa aplicada é em decorrência do poder de policia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte."(verbis) Como visto, a Egrégia Corte Superior de Justiça, entendeu como diferentes as entidades tratadas, infração formal e infração de natureza tributária, harmonizando-se perfeitamente ao caso ora sob análise. Não se lhe aplicando o comando contido no art. 138, do CTN. Pelo acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões — DF, em 21 de março de 2001. ÁLVARO : *RBOSA LIMA
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Numero do processo: 13116.000532/95-53
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 16 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2005
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Rerratifica-se o Acórdão CSRF/03-03.977 - ITR – VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO – ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. – Constatado de forma inequívoca erro no preenchimento da DITR, nos termos do § 2º, do art. 147 do Código Tributário Nacional, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequá-lo aos elementos fáticos reais. Na inexistência de elementos que possibilitem a correta apuração do valor real da terra nua do imóvel, deve ser utilizado, para fins de base de cálculo do ITR e Contribuições devidas, o Valor da Terra Nua mínimo – VTNm – fixado pela Secretaria da Receita Federal para o município.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: CSRF/03-04.352
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a fim de retificar a ementa e o voto condutor do Acórdão n° CSRF/03-03.977, de 16 de março de 2004, e ratificar a decisão nele consubstanciada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS --.Y G=Ciefre TERCEIRA TURMA Processo n.° :13116.000532/95-53 Recurso n°. :301-121.347 - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Matéria : ITR Embargante : DRF/ANÁPOLIS-GO Embargada : CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Interessado : JOSÉ ALMEIDA DOS SANTOS Sessão de :16 de maio de 2005. Acórdão n° : CSRF/03-04.352 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — Rerratifica-se o Acórdão CSRF/03- 03.977 - ITR — VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO — ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. — Constatado de forma inequívoca erro no preenchimento da DITR, nos termos do § 2°, do art. 147 do Código Tributário Nacional, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequá-lo aos elementos fáticos reais. Na inexistência de elementos que possibilitem a correta apuração do valor real da terra nua do imóvel, deve ser utilizado, para fins de base de cálculo do ITR e Contribuições devidas, o Valor da Terra Nua mínimo — VTNm — fixado pela Secretaria da Receita Federal para o município. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração opostos pela, DRF/ANÁPOLIS-GO ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a fim de retificar a ementa e o voto condutor do Acórdão n° CSRF/03-03.977, de 16 de março de 2004, e ratificar a decisão nele consubstanciada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO G6DELHA DIAS PRESIDENTE ON LU ARTOL2 2ATO FORMALIZADO EM: 27 MAR 2006 Participaram ainda, do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES, ANELISE DAUDT PRIETO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. res • Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 Recurso n°. : 301-121.347 - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante : DRF/ANÁPOLIS-GO Embargada : CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Interessado : JOSÉ ALMEIDA DOS SANTOS RELATÓRIO Tomam os autos a julgamento por esta Eg. Câmara, tendo em vista Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal em Anápolis e acatados pelos despachos de fls. 132/133. Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra decisão da d. 1 8 Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que lavrou o Acórdão 301-29.406, consubstanciado na seguinte ementa: "ITR — IMPOSTO TERRITORIAL RURAL — ERRO NO PREENCHIMENTO. Diante da constatação de erro com relação ao VTN declarado e com base no princípio da verdade material e da oficialidade, deve ser adotado o VTNm fixado na IN/SRF 16/95 para o município do imóvel em questão. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO." Do acórdão cuja ementa encontra-se supra transcrita, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial, alegando que o guerreado acórdão diverge do entendimento de outras Câmaras do Conselho de Contribuintes, no sentido de que somente Laudo de Avaliação elaborado segundo a NBR 8799 da ABNT seria instrumento apto para impugnar o valor antes declarado pelo contribuinte. Aduz que a Notificação de Lançamento ITR194, considerou para fins de apuração do ITR devido, o Valor da Terra Nua declarado na DITR pelo próprio contribuinte, de modo que a autoridade fiscal agiu em conformidade com a legislação aplicável e o ônus de provar a incorreção do valor inicialmente adotado passou a ser do contribuinte, no mesmo sentido do Acórdão 301-28819 do Terceiro Conselho de Contribuintes. ai Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 Ainda que não existe nos autos prova de que tenha havido erro no preenchimento do formulário, incorrendo a decisão recorrida em equivoco ao entender suficiente, para demonstrar a existência de erro de fato no preenchimento da declaração, a mera discrepância de valores. Conclui que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar a incorreção do Valor da Terra Nua por ele mesmo atribuído ao imóvel, não havendo qualquer reparo a ser efetuado na Notificação de Lançamento. Requer sejam mantidos os valores constantes da Notificação de Lançamento, fundados nos elementos da DITR elaborada pelo próprio contribuinte. Acórdão paradigma juntado às fls. 82/86. Instado a apresentar Contra-Razões, conforme AR de fls. 102, o contribuinte não se manifestou. É o Relatório. Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI - Relator Retomam estes autos para novo julgamento, tendo em vista a oposição de embargos de declaração pela DRF/Anápolis, os quais foram acolhidos, posto que consistentes, uma vez que havia contradição entre a ementa e o voto condutor do aresto embargado, não representando o julgamento proferido por esta Câmara. O Recurso Especial de Divergência oposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e contém matéria de competência desta E. Câmara de Recursos Fiscais, o que habilita esta Colenda Turma a examinar o feito. Inicialmente, quer este Relator observar que é obrigação de ofício do Julgador verificar os aspectos formais do processo, antes de iniciar a análise do mérito. E, em que pesem os fundamentos que embasaram o Acórdão recorrido, e ainda os argumentos expendidos pela r. Procuradoria da Fazenda Nacional, após a minuciosa análise de todo o processado, chega-se à conclusão de que a declaração de nulidade da Notificação de Lançamento, constante dos autos, é irretorquível. Senão vejamos. Ao realizar o ato administrativo de lançamento, aqui entendido sob qualquer modalidade, a autoridade fiscal está adstrita ao cumprimento de uma norma geral e abstrata que lhe confere e lhe delimita a competência para tal prática e de outra norma, também geral e abstrata, que incide sobre o fato jurídico tributário, que impõe determinada obrigação pecuniária ao contribuinte. O Código Tributário fornece a exata definição do lançamento no art. 142: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa altuir_o_crédito_tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato. gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Não esquecendo que a origem do Direito Tributário é o Direito Financeiro, entendo oportuno lembrar que também a Lei n°. 4.320, de 17.3.1964, que baixa normas gerais de Direito Financeiro, conceitua o lançamento, no seu art. 53: Art. 53. "O lançamento da receita é o ato da repartição competente, que verifica a procedência do crédito fiscal e a pessoa que lhe é devedora e inscreve o débito desta". As normas legais veiculam, no mundo do direito positivo, conceitos que devem ser observados no momento em que o intérprete jurídico se defronta com uma situação como a que se apresenta nestes autos. O que se verifica é que o lançamento é um ato administrativo, ainda que decorrente de um procedimento fiscal interno, mas é um ato administrativo de caráter declaratório da ocorrência de um fato imponível (fato ocorrido no mundo fenomênico) e constitutivo de uma relação jurídica tributária, entre o sujeito ativo, representado pelo agente prolator do ato, e o sujeito passivo a quem fica acometido de um dever jurídico, cujo objeto é o pagamento de uma obrigação pecuniária. Sendo o ato administrativo de lançamento privativo da autoridade administrativa, que tem o poder de aplicar o direito e reduzir a norma geral e abstrata em norma individual e concreta, e estando tal autoridade vinculada à estrita legalidade, podemos concluir que, mais que um poder, a aplicação da norma e a realização do ato é um dever, pois, como visto, vinculado e obrigatório. Hugo de Brito Machado (op. cit. Pág. 120) ensina: "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142, parágrafo único). Tomando conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, ou do descumprimento de uma obrigação tributária acessória, que a este equivale porque faz nascer também uma obrigação tributária principal, no que conceme à penalidade pecuniária respectiva, a autoridade administrativa tem o dever indeclinável de proceder ao lançamento tributário. O Estado, como sujeito ativo da obrigação tributária, tem um direito ao tributo, expresso no direit el Processo n.° : 13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 potestativo de criar o crédito tributário, fazendo o lançamento. A posição do Estado não se confunde com a posição da autoridade administrativa. O Estado tem um direito, a autoridade tem um dever. Para Alberto Xavier (in, Do Lançamento — Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2 a ed., Forense, Rio de Janeiro, 1998, pág. 54 e 66): "O lançamento é ato de aplicação da norma tributária material ao caso em concreto, e por isso se destingue de numerosos atos regulados na lei fiscal que, ou não são a rigor atos de aplicação da lei, ou não são atos de aplicação de normas instrumentais. Devemos, por isso, aperfeiçoar a noção de lançamento por nós inicialmente formulada, definindo-o como o ato administrativo de aplicação da norma tributária material que se traduz na declaração da existência e quantitativa da prestação tributária e na sua conseqüente exigência. Esses atos dos agentes públicos, provocados pelo fato gerador, se chamam lançamento e têm por finalidade a verificação, em caso concreto, das condições legais para a exigência do tributo, calculando este segundo os elementos quantitativos revelados por essas mesmas condições." (Aliomar Baleeiro, "Uma Introdução à Ciência das Finanças", vol. l/ 281, n.° 193). Américo Masset Lacombe (in, "Curso de Direito Tributário", coordenação de [yes Gandra da Silva Martins, Ed. Cejup, Belém, 1997) ao tratar do tema "Crédito Tributário", postula: "A atividade do lançamento é, assim, conforme determina o parágrafo único deste artigo, vinculada e obrigatória. É vinculada aos termos previstos na lei tributária. Sendo a obrigação tributária decorrente de lei, não podendo haver tributo sem previsão legal, e sabendo-se que a ocorrência do fato imponivel prevista na hipótese de incidência da lei faz nascer o vinculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, o 1 Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 lançamento que gera o vínculo patrimonial, constituindo o crédito tributário (obligatio, haftung, relação de responsabilidade), não pode deixar de estar vinculado ao determinado pela lei vigente na data do nascimento do vínculo pessoal (ocorrência do fato imponível previsto na hipótese de incidência da lei). Esta atividade é obrigatória. Uma vez que verificado pela administração o nascimento do vínculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo (nascimento da obrigação tributária, debitum, shuld, relação de débito), a administração estará obrigada a efetuar o lançamento. A hipótese de incidência da atividade administrativa será assim a ocorrência do fato imponível previsto na hipótese de incidência da lei tributária: Nos conceitos colacionados, vemos a atividade da administração tributária como um dever de aplicação da norma tributária. O agente administrativo, no exercício de sua competência atribuída pela lei, tem o dever-poder de, verificada a ocorrência do fato imponível, exercer sua atividade e lançar o tributo devido. O ato administrativo do lançamento é obrigatório e incondicional. Em contrapartida, a administração tributária tem o dever jurídico de constituir o crédito tributário (art. 142 e parágrafo único do CTN), segundo as normas regentes. No caso em tela, a norma aplicável à notificação de lançamento do ITR é o art. 11 do Decreto n°. 70.235/72, que disciplina as formalidades necessárias para a emanação do ato administrativo de lançamento: Art. 11 - A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Os. Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A norma contida no art. 11 e em seu parágrafo único, esboça os requisitos para formalização do crédito, ou seja, em relação às características intrínsecas do documento, as informações que deva conter, e em relação à indicação da autoridade competente para exará-lo. Há, inclusive a dispensa da assinatura da autoridade competente, mas não há a dispensa de sua indicação, por óbvio. Todo ato praticado pela administração pública o é por seu agente, ou seja, a administração como ente jurídico de direito, não tem capacidade física de prolação de atos senão por intermédio de seus agentes: pessoas designadas pela lei que são portadoras da competência jurídica. Não é, no caso em tela, a Delegacia da Receita Federal que expede o ato, enquanto órgão, mas sim a Delegacia pela pessoa de seu delegado ou pela pessoa do Auditor da Receita Federal. Portanto, supor a possibilidade de considerar válido o lançamento que esteja desprovido da indicação da autoridade que o prolatou é desconsiderar a formalidade necessária e inerente ao próprio ato. Seria entender que é ‘ dispensável a capacidade e a competência do agente para constituição do crédito tributário pelo lançamento. O ato administrativo, como qualquer ato jurídico, tem como requisitos básicos o objeto lícito, agente capaz e forma prescrita ou não defesa em lei. Mas como poder aferir tais requisitos não constantes do ato? Como saber se o agente capaz estava autorizado pela lei para prática do ato se não se sabe quem o realizou? Para Paulo de Barros Carvalho, "a vinculação do ato administrativo, que, no fundo, é a vinculação do procedimento aos termos estritos da lei, assume as proporções de um limite objetivo a que deverá estar atrelado o agente da administração, mas que realiza, mediatamente, o valor da segurança jurídica" (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2000, p.372). Em nenhum momento poderia a administração tributária dispor de seu dever-poder, em face da existência de uma norma que, simplesmente, objetiva o vetor Oh- Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 da relação jurídica tributária acometida ao sujeito passivo. O processo é constituído de uma relação estabelecida através do vínculo entre pessoas (julgador, autor e réu), que representa requisitos material (o vínculo entre essas pessoas) e formal (regulamentação pela norma jurídica), produzindo uma nova situação para os que nele se envolvem. Essa relação traduz-se pela aplicação da vontade concreta da lei. Desde logo, para atingir-se tal referencial, pressupõe-se uma seqüência de acontecimentos desde a composição do litígio até a sentença final. Para que a relação processual se complete é necessário o cumprimento de certos requisitos, quais sejam (dentre outros): Os pressupostos processuais — são os requisitos materiais e formais necessários ao estabelecimento da relação processual. São os dados para a análise de viabilidade do exercício de direito sob o ponto de vista processual, sem os quais levará ao indeferimento da inicial, ocasionando a sua extinção. As condições da ação (desenvolvimento) — é a verificação da possibilidade jurídica do pedido, da legitimidade da parte para a causa e do interesse jurídico na tutela jurisdicional, sem os quais o julgador não apreciará o pedido. A extinção do processo por vício de pressuposto ou ausência de condição da ação só deve prevalecer quando o feito detectado pelo julgador seja insuperável ou quando ordenado o saneamento, a parte deixe de promovê-lo no prazo que se lhe tenha assinado. A ausência desses elementos não permite que se produza a eficácia de coisa julgada material e, desde que não seja julgado o mérito, não há preclusão temporal para essa matéria, qualquer que seja a fase do processo. Inobservados os pressupostos processuais ou as condições da ação ocorrerá a extinção prematura do processo sem julgamento ou composição do litígio, eis que tal vício levará ao indeferimento da inicial. Nessa linha seguem as normas disciplinadoras no âmbito da Secretaria da Receita Federal, senão vejamos: Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 "ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N°. 02 DE 03/02/1999: O Coordenador Geral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n°. 227, de 03109/98, e tendo em vista o disposto nos arts. 142 e 173, inciso II, da Lei n°. 5.172/66 (CTN), nos arts. 10 e 11 do Decreto n°. 70.235/72 e no art. 6° da IN/SRF n°. 94, de 24/09/97, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: • os lançamentos que contiverem vicio de forma — incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5° da IN/SRF n°. 94, de 1997 — devem ser declarados nulos de ofício pela autoridade competente;(sublinhei) Dessa forma, pode o julgador desde logo extinguir o processo sem apreciação do mérito, haja vista que encontrou um defeito insanável nas questões preliminares de formação na relação processual, que é a inobservância, na Notificação de Lançamento, do nome, cargo, o número da matrícula e a assinatura do autuante, essa última dispensável quando da emissão da notificação por processamento eletrônico. Agir de outra maneira, frente a um vício insanável, importaria subverter a missão do processo e a função do julgador. Ademais, dispõe o art. 173 da Lei n°. 5.172/66 — CTN (nulidade por vício formal) que haverá vício de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, for preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não tenha sido na forma legalmente prevista. Tem-se, por exemplo, o Acórdão CSRF/01-0.538, de 23/05/85 cujo voto condutor assim dispõe: "Sustenta a Procuradora, com apoio no voto vencido do Conselheiro Antonio da Silva Cabral, que foi o da Minoria, a tese da configuração do vício formal. O lançamento tributário é ato jurídico administrativo. Como todo o ato administrativo, tem como um dos requisitos essenciais à sua formaçã o da forma, que é definida como seu revestimento material. A inobservância da formas prescrita em lei toma o ato inválido. 01. Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 O Conselheiro Antonio da Silva Cabral, no seu bem fundamentado voto já citado, trouxe a lume, dentre outros, os conceitos de Marcelo Caetano (in "Manual de Direito Administrativo", 10° ed., Tomo I, 1973, Lisboa) sobre vicio de forma e formalidade, que peço vênia para reproduzir: O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal. Formalidade é, pois, todo o ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança ou formação ou da expressão da vontade de um órgão de uma pessoa coletiva." Também DE PLÁCIDO E SILVA (in "Vocabulário Jurídico", vol. IV, Forense, r ed., 1967, pág., 1651), ensina: VÍCIO DE FORMA. É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisito, ou desatenção à solenidade, que prescreve como necessária à sua validade ou eficácia jurídica" (Destaques no original). E no vol. III, págs. 712/713: FORMALIDADE — Derivado de forma (do latim formalistas), significa a regra, solenidade ou prescrição legal, indicativos da maneira por que o ato deve ser formado. Neste sentido, as formalidades constituem a maneira de proceder em determinado caso, assinalada em lei, ou compõem a própria forma solene para que o ato se considere válido ou juridicamente perfeito. As formalidades mostram-se prescrições de ordem legal para a feitura do ato ou promoção de qualquer contrato, ou solenidades próprias à validade do ato ou contrato. Quando as formalidades atendem à questão de forma material do ato, dizem-se extrínsecos. (?),L Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 Quando se referem ao fundo, condições ou requisitos para a sua eficácia jurídica, dizem-se intrínsecas ou viscerais, e habitantes, segundo apresentam como requisitos necessários à validade do ato (capacidade, consentimento), ou se mostram atos preliminares e indispensáveis à validade de sua formação (autorização paterna, autorização do marido, assistência do tutor, curador etc.)." E, nos autos, encontra-se notificação de lançamento que não traz, em seu bojo, formalidade essencial, qual seja o nome, cargo e o número da matrícula da autoridade a quem a lei outorgou competência para prolatar o ato. Não obstante, na fase processual em que se encontra o processo, já passados muitos anos desde que o contribuinte impugnou o lançamento, considerar nulo todo o procedimento ocorrido até então só iria penalizar ainda mais o contribuinte, que nem ao menos deu causa à nulidade. Desta feita, invoco o disposto no § 30 do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, nos termos: "§ 30 - Quando puder decidir no mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir- lhe a falta." Pelo dispositivo supra citado e ainda em observância aos princípios da celeridade e da economia processual, passo analisar o mérito. E no mérito, melhor sorte não assiste às argumentações expendidas pela d. Fazenda Nacional, já que a r. decisão recorrida mostrou-se correta e em consonância com a jurisprudência já firmada no âmbito do Conselho de Contribuintes, no sentido de que é de se reconhecer ao contribuinte, o direito de impugnar o lançamento, ainda que tenha sido realizado com base nas informações por ele prestadas, uma vez que a lei assim o autoriza. Neste ponto, merece comentário o artigo 147 do Código Tributário Nacional: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma d Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1°. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2o. Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela." Se de um lado é verdade, como acentuam alguns Julgadores de primeira instância, que o § 1° do artigo 147 expressamente exige a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, antes de notificado o lançamento, de outro é também verdadeiro que o § 2° permite a retificação de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Não há sentido em se fechar à porta ao contribuinte para a retificação de sua declaração após a notificação do lançamento, quando o mesmo dispositivo, no parágrafo 2°, permite a retificação de ofício pela autoridade. Não se olvide, por outro lado, que a Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT/n.° 01, de 19 de maio de 1.995, que aprovava instruções relativas ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR e receitas vinculadas, aprovou o Anexo IX (Documentação a ser exigida dos Contribuintes para cada uma das situações relacionadas no Anexo VIII), e dentre elas encontra-se a de número 12.6: 12.6 — Os valores referentes aos itens (do Quadro de Cálculo do Valor da Terra Nua da DITR relativos a 31 de dezembro do exercício anterior, deverão ser comprovados através de: a) avaliação efetuada por perito (Engenheiro Civil, Engenheiro Agrônomo, Engenheiro Florestal ou Corretor de Imóveis, devidamente habilitados; b) avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas municipais ou estaduais; c) outro documento eu tenha servido para aferir os valores em questão, como, por exemplo, anúncios em jornais, revistas, folhetos de publicação geral, que tenham divulgado aqueles valores." A mesma Norma de Execução citada acima, no Capitulo II — Reclamação — , dispõe no artigo 46 que: "46. O contribuinte deverá ser orientado a utilizar o procedimentoSt sumário de Solicitação de Retificação de Lançamento através d Gt& . • Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 apresentação do Formulário "Solicitação de Retificação de Lançamento — SR/ITR"(ANEXO VII), para apreciação das DRF e IRF." Não fosse possível a revisão ou retificação do lançamento, por que a Norma de Execução, no campo 17 desse mesmo anexo, utilizaria a expressão "Solicito a retificação do lançamento acima, apresentando as seguintes razões:"??? Em questão envolvendo o assunto, o E. Supremo Tribunal Federal e o E. Superior Tribunal de Justiça já se posicionaram favoravelmente à tese do recorrente, como se depreende abaixo: SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DESCRIÇÃO: MANDADO DE SEGURANÇA NÚMERO: 8798 - JULGAMENTO: 06/04/1964 E MENTA: É LÍCITA A REVISÃO DE LANÇAMENTO RESULTANTE DE ERRO DE FATO. PUBLICAÇÃO: ADJ DATA-02-10-62 PG-02817 DJ DATA-25-01-62 PG-00195 EMENT. VOL-00491-01 PG-00298 RELATOR: HAHNEMANN GUIMARÃES - SESSÃO: TP - TRIBUNAL PLENO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DESCRIÇÃO: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÚMERO: 34342 - JULGAMENTO: 02/05/1957 E MENTA: LANÇAMENTO FISCAL, REVISÃO; NÃO É LÍCITO AO FISCO REVER O SEU LANÇAMENTO COM BASE EM SIMPLES MUDANÇA DE CRITÉRIO ADMINISTRATIVO; SÓ PODE FAZÊ-LO EM VIRTUDE DE ERRO DE FATO. PUBLICAÇÃO: EMENT VOL-00302-02 PG-00644 EMENT VOL-00302 PG-00644 RELATOR: AFRANIO COSTA SESSÃO: 01 - PRIMEIRA TURMA SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DESCRIÇÃO: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÚMERO: 34388- JULGAMENTO: 13/08/1957 E MENTA: REVISÃO DE LANÇAMENTO. O FISCO NÃO PODE PROCEDER À REVISÃO, EM FUNÇAO DA MUDANCA DE CRITÉRIO E SIM, APENAS, COM BASE EM ERRO DE FATO. RECURSO NÃO CONHECIDO. PUBLICAÇÃO: EMENT VOL-00317-02 PG-00810 RELATOR: LAFAYETTE DE ANDRADA SESSÃO: 02- SEGUNDA TURMA likkh" Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DESCRIÇÃO: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÚMERO: 72296 - JULGAMENTO: 14/12/1971 E MENTA: REVISÃO DE LANÇAMENTO DE TRIBUTOS, EM RAZÃO DE ERRO DE FATO. ADMISSIBILIDADE. RECURSO EXTRAORDINARIO CONHECIDO E PROVIDO. ORIGEM: SP - SAO PAULO PUBLICAÇÃO: DJ DATA-03-03-72 PG- RELATOR: BARROS MONTEIRO SESSÃO: 01 - PRIMEIRA TURMA SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DESCRIÇÃO: RECURSO DE MANDADO DE SEGURANCA. NÚMERO: 18443- JULGAMENTO: 30/04/1968 E MENTA: JUSTIFICA-SE A REVISÃO DO LANÇAMENTO DE TRIBUTOS, E A CONSEQÜENTE COBRANÇA SUPLEMENTAR, QUANDO SE PATENTEIA PALPÁVEL ERRO DE FATO. NA ESPÉCIE, NÃO HÁ COGITAR DE REVISÃO LANÇAMENTO FUNDADA NA ALTERACAO DE CRITÉRIO JURÍDICO. RECURSO ORDINÁRIO IMPROVIDO. ORIGEM: SP - SAO PAULO PUBLICAÇÃO: DJ DATA-28-06-68 PG RELATOR: DJACI FALCAO SESSÃO: 01 - PRIMEIRA TURMA SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ACÓRDÃO: RESP 7383/SP (9100007102) RECURSO ESPECIAL DECISÃO: POR UNANIMIDADE, DAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO EXMO. MINISTRO RELATOR. DATA DA DECISÃO: 11/12/1991 - ORGÃO JULGADOR: T 1 - PRIMEIRA TURMA E MENTA: IPTU - ATUALIZAÇÃO NA BASE DE CÁLCULO. O LANÇAMENTO PODE SER ALTERADO DE OFÍCIO. A CORREÇÃO DE ERRO DE FATO NÃO IMPLICA MUDANÇA DE CRITÉRIO. RECURSO PROVIDO. RELATOR: MINISTRO GARCIA VIEIRA INDEXAÇÃO: POSSIBILIDADE, FAZENDA PUBLICA, REVISÃO, LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, OBJETIVO, ATUALIZAÇÃO, BASE DE CÁLCULO, IPTU, HIPÓTESE, FALTA, DECLARAÇÃO, CONTRIBUINTE, VALOR VENAL, IMÓVEL, PRAZO LEGAL, OCORRÊNCIA, ERRO DE FATO, INEXISTÊNCIA, ALTERAÇÃO, CRITÉRIO. CATÁLOGO: TR 0019 IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE PREDIAL E TERRIT. URBANA (IPTU) BASE DE CÁLCULO ALTERAÇÃO OU MAJORAÇÃO FONTE: DJ DATA: 16/03/1992 PG: 03076 - VEJA: AG 114085-SP, AG 99597-SP, RE 72296-SP, ROMS 18443-SP (STF) REFERÊNCIA LEGISLATIVAS: LEG: MUN LEI: 001802 ANO: 1969 ART: 00047 INC: &St "914• Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 00001 ART: 00041 ART: 00109 PAR: 00006 (SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP) LEG: FED: LEI: 005172 ANO: 1966 CTN-66 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL ART: 00145 INC: 00003 ART: 00149 INC: 00002 Na mesma esteira, assim se posicionou o Tribunal Regional Federal da 1. Região, no julgamento da Apelação Cível n° 93.01.24840-9/MG, em que foi Relator o Juiz Nelson Gomes da Silva, 4°. Turma, datada de 06/12/93, DJ de 03/02/94, p. 2.918, cuja ementa a seguir se transcreve: "EMENTA: ... I — Os erros de fato contidos na declaração e apurado:, de ofício pelo Fisco deverão ser retificados pela autoridade administrativa a quem competir a revisão do lançamento. Não o sendo, pode o contribuinte prová-lo, por perícia, em juízo, para afastar a execução da diferença lançada, suplementarmente em razão do erro em questão ..." Também no mesmo sentido, o posicionamento do 1°. TACiv/SP, 2a, Câmara, Relator Juiz Bruno Netto (RT 607/97): "Afastada a existência de dolo, se o lançamento tributário contiver erro de fato, tanto por culpa do contribuinte, como do próprio fisco, impõe- se que se proceda à sua revisão, ainda que o imposto já tenha sido pago, já que em tal hipótese, não se pode falar em direito adquirido, muito menos em extinção da obrigação tributária: O erro de fato vicia, no plano fático da constituição do crédito tributário, o motivo do ato administrativo de lançamento, eivando-o do vício de legalidade, pois a validade da norma impositiva é conferida pela suficiência do fato jurídico que lhe serviu de fonte material. Como a Administração Pública, especialmente no exercício da atividade tributária, deve pautar-se pelo princípio da estrita legalidade, cinge-se na obrigação de retificar o ato administrativo que se encontre nessa situação. O Contencioso Administrativo não se exime de tal dever, e, além da finalidade primordial de exercer o controle da legalidade dos atos da Administração Pública, através d revisão dos mesmos, também, deve adequar suas decisões àquelas reiteradamente . .. ..., Processo n.° :13116.000532/95-53 Acórdão n° : CSRF/03-04.352 emitidas pelo Poder Judiciário, visando basicamente evitar um possível posterior ingresso em Juízo, com os ônus que isso pode acarretar a ambas as partes. Tecidas tais considerações, é de se reconhecer que assiste razão e direito ao contribuinte, no sentido de ver suplantado o erro que ensejou lançamento errôneo acerca de sua propriedade, como decidido pelo Acórdão embargado. Com efeito, cabe ressaltar, como consignado na r. decisão recorrida, que o Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte, em que pese haver sido elaborado por profissional habilitado, não atende aos requisitos legais previstos pela NBR 8.799/85, e portanto, não prestou-se à comprovar o VTN para fins de revisão do lançamento. Contudo, o mencionado Laudo serve de alerta para o fato de que o VTN utilizado no lançamento está além da realidade do imóvel, já que, inclusive, superior ao fixado pela Secretaria da Receita Federal para o município onde encontra- se localizado o imóvel. Isto posto, sendo dever da autoridade administrativa a correção para que seja o lançamento adequado aos elementos da realidade, assim como determinado pela r. decisão recorrida, deve o lançamento adequar-se ao determinado pela Secretaria da Receita Federal para o município, nos termos da IN/SRF 16/95. Diante do exposto, afastada a preliminar de nulidade do lançamento, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões - DF, em 16 de maio de 2005. 77NILT N LU ARTOy Gsx Page 1 _0037200.PDF Page 1 _0037300.PDF Page 1 _0037400.PDF Page 1 _0037500.PDF Page 1 _0037600.PDF Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1 _0037900.PDF Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1 _0038200.PDF Page 1 _0038300.PDF Page 1 _0038400.PDF Page 1 _0038500.PDF Page 1 _0038600.PDF Page 1 _0038700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13530.000030/99-38
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2001
Ementa: FINSOCIAL - COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO - A compensação e a restituição de tributos e contribuições estão asseguradas pelo artigo 66 e seus parágrafos, da Lei nº 8.383/91, inclusive com a garantia da devida atualização monetária. A inconstitucionalidade declarada da majoração das alíquotas do FINSOCIAL acima do percentual de 0,5% (meio por cento) assegura ao contribuinte ver compensados e/ou restituídos os valores recolhidos a maior pela aplicação de alíquota superior a indicada. DECADÊNCIA - O direito de pleitear a restituição ou compensação do FINSOCIAL, a teor do Parecer COSIT nº 58, de 27 de outubro de 1998, juridicamente fundamentado em vigor na data do requerimento, tem seu termo a quo o do início da vigência da Medida Provisória nº 1.110/95. Recurso provido.
Numero da decisão: 201-74549
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Rogério Gustavo Dreyer
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MF - Segundo Conselho de Contribuintes Publicado no Di4=rio Oficial da União .... •21,.: W... de t;) Z I .50 / ZOO A.MINISTÉRIO DA FAZENDA Rubrica ,-''.."..",V• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13530.000030/99-38 Acórdão : 201-74.549 •Sessão . 19 de abril de 2001 Recurso : 115.611 Recorrente : J. CARLOS PINTO FERREIRA Recorrida : DRJ em Salvador - BA F1NSOCIAL - COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO — A compensação e a restituição de tributos e contribuições estão asseguradas pelo artigo 66 e seus parágrafos, da Lei n.° 8.383/91, inclusive com a garantia da devida atualização monetária. A inconstitucionafidade declarada da majoração das alíquotas do FINSOCIAL acima do percentual de 0,5% (meio por cento) assegura ao contribuinte ver compensados e/ou restituídos os valores recolhidos a maior pela aplicação de aliquota superior a indicada. DECADÊNCIA - O direito à restituição ou compensação do FINSOCIAL, a teor do Parecer COSIT n ° 58, de 27 de outubro de 1998, juridicamente fundamentado e em vigor na data do requerimento tem seu termo a quo o do início da vigência da Medida Provisória n°1.110/95. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: J. CARLOS PINTO FERREIRA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 19 de abril de 2001 Jorge Freire 2Presidente , Rogério Gustavó r yer Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Luiza Helena Galante de Moraes, Serafim Fernandes Corrêa, Gilberto Cassufi, José Roberto Vieira, Antonio Mário de Abreu Pinto e Sérgio Gomes Velloso. cl/ovrs 1 J,5 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13530.000030/99-38 Acórdão : 201-74.549 Recurso : 115.611 Recorrente : J. CARLOS PINTO FERREIRA RELATÓRIO O contribuinte requer a restituição dos valores pagos a maior a titulo de FINSOCIAL, fulcrado na inconstitucionalidade declarada das majorações das aliquotas acima de 0,5% (meio por cento), relativa aos recolhimentos ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992. O pedido foi indeferido sob os auspícios da decadência do direito. Inconformado, socorre-se da manifestação de inconformidade para requerer a providência perante a Delegacia de Julgamentos competente, alegando a inocorrência da decadência e reiterando o seu direito à compensação. A DRI, ora recorrida, mantém a decisão da DRF em Feira de Santana - BA. Mais uma vez irresignado, o requerente vem ao Colegiado para contestar os fundamentos das decisões e pedir o deferimento de seu pleito. É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA , • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f Processo : 13530.000030/99-38 Acórdão : 201-74.549 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ROGÉRIO GUSTAVO DREYER O presente processo tem como escopo a compensação do FINSOCIAL pago a maior pelo contribuinte, escudado na Declaração de Inconstitucionalidade manifestada pelo STF no RE n° 150.764/PE (DJ de 02.04.93), que considerou as majorações de alíquotas acima de 0,5% (meio por cento) corno violadoras da Carta Magna. Sua pretensão foi fulminada nas duas instâncias, por desamparo patrocinado pelo decurso do prazo decadencial para o pleito. Por partes. Quanto à decadência, de esclarecer, por primeiro, que as repetições requeridas iniciam-se em setembro de 1989 e encerram-se em março de 1992. O pedido foi protocolado em 29 de junho1999. A questão da decadência do direito à restituição dos tributos sujeitos à homologação, quando antecipado o pagamento antecipado, tem duas correntes: a primeira, praticamente fulminada pela jurisprudência, é de que ocorre o fenômeno após decorridos cinco anos do pagamento do tributo (extinção do crédito tributário decorrente da providência); a segunda, decorrente de entendimento persistente do STJ, de que a extinção do crédito tributário nos casos de tributos sujeitos à homologação, onde tenha havido o pagamento antecipado, tem como termo inicial igualmente a data da extinção do crédito, considerando porém esta ocorrente na data em que se vencer o prazo para homologar o pagamento. Portanto, o termo a quo inicia-se cinco anos após a ocorrência do fato gerador, pela simbiose dos artigos 150, § 40 e 168, I, do CTN. Outra forma ainda, peculiar, por específica ao tributo objeto do processo, igualmente consubstanciada em entendimento defendido pelo STJ, de que o termo inicial para o exercício do direito de repetir começa a fluir da data em que publicado o acórdão que declarou inconstitucionais cps aumentos de alíquota do FINSOCIAL (RESPs 1719991RS, 189188/PR, 226178/SP e 250753/PE entre outros). Tal declaração de inconstitucionalidade, no entanto, decorrente do exercício do controle difuso da constitucionalidade, sem o confortável efeito erga omnes. No entanto, é consabido que, mercê da conjugação de fatores temporais, pode ocorrer a decadência antes de ocorrer a certeza de ter sido indevida a obrigação tributária. Isto é plausível como comentado acima, nos casos de controle difuso da constitucionalidade da norma, quando, antes da manifestação do Senado Federal, não há a certeza da mácula constitucional da regra jurídica inquinada pelo vício da inconstitucionalidade. 3 . MINISTÈ RIO DA FAZENDA • ..X:<;W' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13530.000030/99-38 Acórdão : 201-74.549 Por tal, aí de caráter prescricional, a plausibilidade da contagem do prazo a partir do ato da administração que reconhece de forma expressa a inexistência da obrigação ou da exigibilidade do crédito viciado. Antes de tal expressão, não se admite seja a obrigação tributária indevida, visto que legal na forma e na aplicabilidade pelo órgão tributário, de forma a não garantir o sucesso da empreitada do contribuinte que cumpriu diligentemente a obrigação. E esta questão bem postada, no caso da contagem do prazo para exercer o direito de pedir o indébito relativo à majoração de aliquota do FINSOCIAL, no Parecer COSIT n° 58, vigente à época da interposição do presente pedido. Neste, a certa altura, diz o parecerista: "25 _ Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável; que, no caso, o crédito (restituição) seja exigível. Assim, antes de a lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por presunção, eram a lei constitucional e os pagamento efetuados devidamente devidos. 26. Logo, para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o início da decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Quanto aos demais, só se pede falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos erga omnes, que, conforme já dito no item 12, ocorre apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a edição de ato específico do Secretário da Receita Federal (Hipótese do Decreto n ° 2.346/1997, art. 4°)." Encerra o parecerista a sua peça atribuindo como termo a quo para a contagem do prazo para pedir a restituição aqui pleiteada, a entrada em vigor da Medida Provisória n° 1.110/1995. Plenamente perfilhado com este entendimento para o caso, não vejo o vício do decurso do prazo prescricional para exercer o direito de pedir a devolução das quantias pagas indevidamente. Ultrapassadas tais questões, enfrento o mérito. O direito à compensação e à restituição, indiscutível o seu amparo, em respeito à determinação contida no artigo 165, I, do CTN, que garante ao contribuinte o direito de ver repetido o valor de tributo recolhido a maior ou indevido. Além disto, aplicável à espécie a norma contida no artigo 66 da Lei n.° 8.3 83/91, cuja redação assim dispõe: 4 J‘ ..7 N,,1 .. e • MINISTÉRIO DA FAZENDA - .'ri : .• '''-Y. '..- •.,',. <,./, .' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13530.000030/99-38 Acórdão : 201-74.549 "Art. 66 — Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive providenciarias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1°. A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2°. É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3°. A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4°. O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social — INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." Contém-se neste norma a consagração do direito pleiteado pelo contribuinte, quer pela repetição em si, quer quanto à atualização monetária, esta consagrada pela aplicação do artigo acima reproduzido e pelo § 4° do artigo 39 da Lei n.° 9.250/95, consubstanciados nas determinações da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n.° 08, de 27.06.97. Em face de todo o exposto, voto pelo provimento do recurso interposto, para reconhecer o direito do contribuinte em ter restituídas ou compensadas as quantias recolhidas em montante superior ao decorrente da aplicação da alíquota de 0,5% (meio por cento) nos recolhimento a título de FINSOCIAL, sem prejuízo da atualização monetária nos termos acima dispostos, sem embargos das cautelas da autoridade fiscal executora verificar a liquidez e a certeza do crédito reclamado. É como voto. Sala das Sessões, e 19 de abril de 2001,/ ROGÉRIO GUSTAV IN: R 5
score : 1.0
Numero do processo: 13147.000088/96-71
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 1999
Ementa: ITR - CADASTRO FISCAL - PEDIDO DE CANCELAMENTO - A responsabilidade tributária do proprietário de imóvel rural a qualquer título só cessa com sua transferência para terceiros. O certo é que o Interessado não comprovou que nos anos de 1994 e 1995 não se encontra na posse do referido imóvel como faz crer o Cadastro Fiscal, fato este que caracteriza a ocorrência do fato gerador do ITR, nos termos do artigo 29 da Lei nº 5.172/66 (CTN). Recurso negado.
Numero da decisão: 203-06055
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Sebastião Borges Taquary
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O certo é que o Interessado não comprovou que nos anos de 1994 e 1995 não se encontra na posse do referido imóvel como faz crer o Cadastro Fiscal, fato este que caracteriza a ocorrência do fato gerador do ITR, nos termos do artigo 29 da Lei n° 5.172/66 (CTN). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: DAIR DEITOS. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Daniel Correa Homem de Carvalho. Sala .2Sessões, em 09 de novembro de 1999 itk Otacilio ê antas Cartaxo President % ai idifesrTaq~— elator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Lina Maria Vieira, Francisco Sérgio Nalini, Mauro Wasilewski, Renato Scalco Isquierdo e Francisco Maurício R. de Albuquerque. Imp/ovrs 1 ,4102f4xv MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13147.000088/96-71 Acórdão : 203-06.055 Recurso : 105.119 Recorrente : DAIR DEITOS RELATÓRIO o No dia 23.09.96, o Contribuinte DAIR DEITOS apresentou sua impugnação contra as Notificações de Lançamento dos ITR/94 e 95 (fls. 02 e 03) e outros encargos, relativamente ao seu imóvel rural, situado no Município de Itaituba - PA, inscrito nà Secretaria da Receita Federal sob o n° 4.246.927-9, com área total de 2.420,0ha, ao argumento de que era detentor da posse da referida área, contudo em meados de 1995 ela foi reivindicada pela Estado Maior das Forças Armadas (EMFA) que solicitou sua desocupação imediata. A autoridade monocrática, através da Decisão de fls. 18/19, julgou a exigência fiscal procedente, ao fundamento dos arts. 29 e 31 do Código Tributário Nacional (CTN), alegando que nos autos não constam provas de imissão de posse por parte do EMFA. Com guarda do prazo legal (fls. 20), veio o Recurso Voluntário de fls. 31/32, requerendo a este Conselho o seu provimento para reformar a decisão monocrática, determinando o cancelamento do cadastro em nome do requerente e os respectivos lançamentos, reeditando os argumentos da inicial, acrescentando que o imóvel nem chegou a ser cadastrado junto ao INCRA em nome do requerente e que o Decreto Presidencial de 19/08/97, cópia anexa às fls. 37 comprova que a área pertence ao Ministério da Aeronáutica. É o relatório. 2 .2 G? MINISTÉRIO DA FAZENDA .12:1 á SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13147.000088/96-71 Acórdão : 203-06.055 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SEBASTIÃO BORGES TAQUARY O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de solicitação de cancelamento do Cadastro Fiscal n° 4.246.927-9 e dos respectivos lançamentos relativos aos exercícios de 1994 e 1995 do imóvel rural denominado Fazenda Miúra, com área de 2.420,0ha, localizado no Município de Itaituba - PA, cadastrado em nome do Sr. Dair Deitos. O requerente trouxe aos autos como prova da perda do referido imóvel rural a do Decreto Presidencial de 37, datado de 19 de agosto de 1997. Assim dispõe o art. 12 da Lei n° 8.847/94 sobre imóveis transferidos a órgãos públicos: "Art. 12. O ITR continuará devido pelo proprietário, depois da autorização do Decreto de desapropriação publicado, enquanto não transferida a propriedade, salvo se houver imissão prévia na posse." A simples leitura do comando legal antes transcrito permite concluir que o ITR é devido do período que medeia a publicação do decreto que autoriza a desapropriação ou determina a desocupação no caso de posse até a transferência do imóvel para a propriedade do órgão público, que, no direito brasileiro, se realiza com a transcrição no registro imobiliário competente. Uma exceção ainda a lei estabelece: se o órgão publico tomar posse d'p imóvel antes da transferência da propriedade, hipótese em que igualmente cessa a sujeição passiva do proprietário em relação ao ITR. No caso concreto, conforme comprovam os documentos anexados aos autos, nos anos de 1994 e 1995 o requerente detinha a posse do referido imóvel rural. O Decreto Presidencial de fl. 37 que dispôs sobre área de terra reservada ao Campo de Provas das Forças Armadas, no Estado do Pará, só foi publicado em 19 de agosto de 1997, quando entrou em vigor. 3 Iti;W MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13147.000088/96-71 Acórdão : 203-06.055 Por todo o exposto, e por tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso, para confirmar, como confirmo, a decisão recorrida, por seus judiciosos fundamentos. É como voto. Sala das Sessões, em 09 de novembro de 1999 W3A-STIÃO lálltrES T ZR" 4
score : 1.0
Numero do processo: 13628.000275/2001-15
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. No regime jurídico dos créditos de IPI inexiste direito à compensação ou ressarcimento dos créditos básicos gerados até 31/12/1998, antes ou após a edição da Lei nº 9.779, de 19/01/1999. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-77890
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Sérgio Gomes Velloso. e temporariamente, o Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: VAGO
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ementa_s : IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. No regime jurídico dos créditos de IPI inexiste direito à compensação ou ressarcimento dos créditos básicos gerados até 31/12/1998, antes ou após a edição da Lei nº 9.779, de 19/01/1999. Recurso negado.
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';r417`1.k. Publicado no Diac Oficial da União Processo n2 : 13628.000275/2001-15 De i / n o...s• • Recurso n2 : 124.825 Acórdão n2 : 201-77.890 VISTO Recorrente : INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COLCHÕES VALE DO AÇO LTDA. Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. No regime jurídico dos créditos de IPI inexiste direito à compensação ou ressarcimento dos créditos básicos gerados até 31/12/1998, antes ou após a edição da Lei n2 9.779, de 19/01/1999. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COLCHÕES VALE DO AÇO LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 16 de setembro de 2004. Q21,(2,0thi_ oc, 110C)/er sefa aria Coelho Marques Presidente e Relatora MIN • A I- AZEN' A - 2° CC CONFERE COM O ORIGINAL BRASILIA JJo 09 VISTO Participaram,Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo Gaivão, Antonio Mario de Abreu Pinto, Antonio Carlos Atulim, Roberto Velloso (Suplente), José Antonio Francisco e Gustavo Vieira de Melo Monteiro. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer. 1 2Q CC-MF Ministério da Fazendar's mitj isa r A i:t.:w A • • Fl. - ft f Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM Ci ORIGINAL Processo 112 : 13628.000275/2001-15 BRASiLIA . Recurso n2 : 124.825 VISTO Acórdão n2 : 201-77.890 Recorrente : INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COLCHÕES VALE DO AÇO LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos de IPL referente a créditos nas aquisições de insumos realizadas pela interessada no 22 decêndio de junho de 1996, com fulcro no art. 11 da Lei n2 9.779, de 19/01/1999. O pleito foi indeferido pela autoridade administrativa, sob o fundamento de que o direito previsto por este dispositivo legal não se aplica a créditos gerados antes de 1 2 de janeiro de 1999. Os Membros da 39 Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - MG, através do Acórdão DRJ/JFA n 2 04.370, de 04 de setembro de 2003, indeferiram, por unanimidade de votos, a solicitação contida na manifestação de inconformidade da contribuinte. Cientificada em 22/09/2003 (Aviso de Recebimento de fl. 40), a empresa recorreu a este Conselho de Contribuintes em 20/10/2003 (fls. 41/42), pleiteando a reforma do Acórdão recorrido, alegando que o julgador a quo não levou em conta o entendimento dos órgãos decisórios administrativos e que perante as normas legais e regulamentares é perfeitamente cabível o deferimento do ressarcimento. É o relatório. 2 e e'-en 22 CC-MF Ministério da Fazenda MIN nit 2 A ZEN* A - 2 • CC -t2frif...:Af Segundo Conselho de Contribuintes Fl. CONFERE COM O °RIMAI BRASILIA 49! 1.0 101í Processo n' : 13628.000275/2001-15 Recurso n' : 124.825 VISTO Acórdão n" : 201-77.890 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA JOSEFA MARIA COELHO MARQUES O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica no formulário que inaugurou o presente feito, trata-se de crédito gerado por entradas de insumos ocorridas antes do dia i de janeiro de 1999. Assim dispõe o art. 11 da Lei n' 9.779, de 19/01/1999: "O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à aliquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o dis posto nos arts. 73 e 74 da Lei te 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal - SRF, do Ministério da Fazenda.(.)." (grifei). Ao editar este dispositivo legal, o legislador ordinário, além de acabar com a distinção entre créditos básicos e créditos incentivados, instituiu o direito de compensação e ressarcimento do saldo credor da conta corrente de IPI, direito inexistente até então. Por ter extinguido uma situação jurídica anteriormente existente e também por ter instituído um novo regime jurídico para os créditos de IPI, que agora assegura a compensação com outros tributos e o eventual ressarcimento, é inequívoco que a Lei n' 9.779, de 19/01/1999, criou direito novo, razão pela qual suas disposições não podem retroagir para alcançar créditos gerados antes de sua vigência, a teor do art. 105 do CTN. Do fato de ter criado direito novo, resulta que não é correto o entendimento segundo o qual o art. 11 da Lei n' 9.779, de 19/01/1999, teria "explicitado" o princípio constitucional da não-cumulatividade, mesmo porque não é dado ao legislador ordinário o direito de fazer interpretação autêntica da Constituição por meio de norma de hierarquia inferior. Resulta daí que não cabe a aplicação do princípio da retroatividade benéfica, previsto no art. 106 do CiN, uma vez que no caso concreto não ficou caracterizada nenhuma das situações ali previstas. Por tais razões é que o art. 42 da IN SRF n' 33/1999 estabeleceu que o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI nas condições previstas no art. 11 da Lei n" 9.779, de 19/01/1999, só se aplica a insumos ingressados no estabelecimento a partir de 1 2 de janeiro de 1999. Tendo em vista que os documentos juntados aos autos comprovam que o crédito pleiteado refere-se a insumos ingressados no estabelecimento antes daquela data e que o pedido desatendeu ao que manda a lei, pois foi feito por decendio e não por trimestre calendário, conclui-se que a empresa não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Relativamente à jurisprudência colacionada, as decisões citadas pela defesa referem-se expressamente a créditos gerados a partir de 01/01/1999, situação que é totalmente distinta daquela evidenciada nestes autos. 3 • 4.e• '• tç .4 A - 212 CC-MF - V, Ministério da Fazenda w- COm- hf .l LOM o ORIGINAL FlSegundo Conselho de Contribuintes 4;14f»t';* E I LiRÁ SILIA 4<3 1-0(4 Processo n2 : 13628.000275/2001-15 Recurso n2 : 124.825 VISTO Acórdão n2 : 201-77.890 Considerando que a recorrente não apresentou nenhum motivo de fato ou de direito relevante capaz de ensejar qualquer alteração no julgado recorrido, voto no sentido de negar provimento ao recurso, para manter o Acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. Sala das Sessões, em 16 de setembro de 2004. Qklar.230-t.Lct__ JOSEFA MARIA COELHO MARQUES 4
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000377/97-48
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ITR - CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS - CNA/CONTAG - Ficam subtraídos dos respectivos campos de incidência a empresa comercial ou industrial proprietária de imóvel rural e seus empregados, cuja atividade agrícola ali desenvolvida convirja, exclusivamente, em regime de conexão funcional para a realização da atividade comercial ou industrial (preponderante). Recurso provido.
Numero da decisão: 202-09887
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Oswaldo Tancredo de Oliveira
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CELULOSE NIPO BRASILEIRA S/A - CENIBRA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antonio Sinhiti Myasava. Sala das Sessõ s, -m 8 de fevereiro de 1998 y • Marcos, • 'crus Neder de Lima / 7 77 Pres . este Is swaldo Tancredo de Oliveira Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Tarásio Campelo Borges, José de Almeida Coelho, José Cabral Garofano, Helvio Escovedo Barcellos e João Beijas (Suplente). cgf/ 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA j4iVr •''X4Lr.V SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13629.000377/97-48 Acórdão : 202-09.887 Recurso : 105.205 Recorrente : CELULOSE NIPO BRASILEIRA S/A - CENIBRA RELATÓRIO A Recorrente, pela Petição de fls. 02 e documentos que anexou, impugnou o lançamento do ITR/96 no tocante às Contribuições à CNA e à CONTAG, relativamente ao imóvel inscrito na SRF sob o n° 0671965.1, alegando que é indústria de celulose enquadrada no 112 grupo do quadro anexo ao art. 5771CLT, conseqüentemente, acha-se filiada ao sindicato patronal industrial respectivo, e seus empregados industriários aos correspondentes sindicatos. A Autoridade Singular julgou procedente a exigência do crédito tributário em foco, mediante a Decisão de fls. 07/09, assim ementada: "IMPOSTO TERRITORIAL RURAL CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS - COBRANÇA O plantio de eucaliptos para fins comerciais caracteriza atividade de natureza agrícola, sujeitando a contribuinte ao recolhimento das contribuições CNA e CONTAG. A incorporação da matéria-prima assim obtida ao processo produtivo para obtenção de celulose inicia o ciclo de industrialização, sendo estranha ao mesmo a fase de obtenção do insumo, que permanece como atividade de natureza primária. Lançamento procedente". Tempestivamente, a Recorrente interpôs o Recurso de fls. 10/11, onde, em suma, reedita os argumentos de sua impugnação. É o relatório. • 2 - • , MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13629.000377/97-48 Acórdão : 202-09.887 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR OSWALDO TANCREDO DE OLIVEIRA Conforme relatado, a Recorrente se insurge contra a cobrança das Contribuições à CNA e à CONTAG, relativamente ao imóvel rural em foco de sua propriedade, sob o argumento de que, dada a sua condição de indústria de celulose, ela encontra-se filiada ao sindicato patronal respectivo e seus empregados industriários aos correspondentes sindicatos. Em que pese a prevalência das disposições do Decreto-Lei n' 1.166/71, que trata especificamente "sobre enquadramento e contribuição sindical rural", naquilo que diferir do estabelecido para as contribuições sindicais em geral no Capitulo III da CLT, entendo com razão a Recorrente. Isto porque aquele ato legal não cuidou da hipótese em que a empresa realiza diversas atividades econômicas, circunstância esta disciplinada pelos §§ 1 2 e 2 do art. 581 da CLT, a saber: "Art. 581. § l' Quando a empresa realizar diversas atividades econômicas, sem que nenhuma delas seja preponderante, cada uma dessas atividades será incorporada à respectiva categoria econômica, sendo a contribuição sindical devida à entidade sindical representativa da mesma categoria, procedendo-se, em relação às correspondentes sucursais, agências ou filiais, na forma do presente artigo. § 2' Entende-se por atividade preponderante a que caracterizar a unidade de produto, operação ou objetivo final, para cuja obtenção todas as demais atividades convirjam, exclusivamente, em regime de conexão funcional." Contrário senso, a inteligência do § 1 supra transcrito não deixa dúvidas de que, havendo uma atividade econômica preponderante, a contribuição sindical será devida única e exclusivamente à entidade sindical representativa da categoria econômica preponderante. E, em sendo pacifico que, à luz do conceito inscrito no também supra transcrito § 2, a atividade-fim de produção de celulose prepondera sobre as atividade-meio de obtenção da matéria-prima (cultivo de florestas e extração de madeira), procede a aplicação ao caso em exame dos referidos dispositivos legais. 3 ... MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13629.000377/97-48 Acórdão : 202-09.887 Conseqüentemente, a Recorrente fica subtraída do campo de incidência da Contribuição para a CNA. Igualmente os seus empregados no que concerne à Contribuição para a CONTAG, em razão da transposição do "princípio da preponderância" para as categorias profissionais, o que é corroborado pelo teor da Súmula n' 196 do Supremo Tribunal Federal: "Ainda que exerça atividade rural, o empregado de empresa industrial ou comercial é classificado de acordo com a categoria do empregador." São essas as razões que me levam a dar provimento ao recurso. Sala d Sessões, em 18 de fevereiro de 1998 , O WALDO TANC ' DO DE k>-------. 4
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000288/2004-19
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2004
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. O ajuizamento de qualquer modalidade de ação judicial anterior, concomitante ou posterior ao procedimento fiscal, importa em renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, e o apelo eventualmente interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido pelos órgãos de julgamento da instância não jurisdicional, devendo ser analisados apenas os aspectos do lançamento não discutidos judicialmente. PRELIMINARES DE NULIDADE. DO LANÇAMENTO FISCAL. Não há nulidade a ser pronunciada quando a exigência fiscal foi feita nos estreitos limites da legalidade, observando todos os requisitos inerentes ao Processo Administrativo Fiscal. DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de vício de nulidade a decisão que foi prolatada por autoridade competente, que não cerceou o direito de defesa e que não violou qualquer norma processual ou procedimental. DO SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sobrestamento do julgamento de processo administrativo até final decisão do processo judicial por inexistir previsão legal ou regimental para tanto. MÉRITO. MULTA DE OFÍCIO. Sua dispensa, nos casos de lançamento de ofício, somente está autorizada quando o crédito tributário haja sido constituído para prevenir a decadência, por encontrar-se, à época da autuação, com a exigibilidade suspensa por força de liminar em mandado de segurança ou de outra medida de mesmo efeito. Recurso não conhecido na parte objeto de ação judicial e negado na matéria diferenciada.
Numero da decisão: 202-15863
Decisão: Por unanimidade de votos: I) não se conheceu do recurso, quanto a matéria judicial; e II) negou-se provimento ao recurso, na matéria diferenciada.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. O ajuizamento de qualquer modalidade de ação judicial anterior, concomitante ou posterior ao procedimento fiscal, importa em renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, e o apelo eventualmente interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido pelos órgãos de julgamento da instância não jurisdicional, devendo ser analisados apenas os aspectos do lançamento não discutidos judicialmente. PRELIMINARES DE NULIDADE. DO LANÇAMENTO FISCAL. Não há nulidade a ser pronunciada quando a exigência fiscal foi feita nos estreitos limites da legalidade, observando todos os requisitos inerentes ao Processo Administrativo Fiscal. DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de vício de nulidade a decisão que foi prolatada por autoridade competente, que não cerceou o direito de defesa e que não violou qualquer norma processual ou procedimental. DO SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sobrestamento do julgamento de processo administrativo até final decisão do processo judicial por inexistir previsão legal ou regimental para tanto. MÉRITO. MULTA DE OFÍCIO. Sua dispensa, nos casos de lançamento de ofício, somente está autorizada quando o crédito tributário haja sido constituído para prevenir a decadência, por encontrar-se, à época da autuação, com a exigibilidade suspensa por força de liminar em mandado de segurança ou de outra medida de mesmo efeito. Recurso não conhecido na parte objeto de ação judicial e negado na matéria diferenciada.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-23T19:15:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-23T19:15:30Z; Last-Modified: 2009-10-23T19:15:30Z; dcterms:modified: 2009-10-23T19:15:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-23T19:15:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-23T19:15:30Z; meta:save-date: 2009-10-23T19:15:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-23T19:15:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-23T19:15:30Z; created: 2009-10-23T19:15:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-10-23T19:15:30Z; pdf:charsPerPage: 2716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-23T19:15:30Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA I• Segundo Conselho de Contribuintes ,. ..?. n; ...t Publicado no DIárb Oficiei da UNI° 2° CC-MF ..•.:4-2;e:::. Ministério da Fazenda De IS-7 nG I aog 1'42 ' t ts:-.:4 s , Fl. Segundo Conselho de Contribuintes .----re".• VIITO Processo n° : 13629.00028812004-19 Recurso n° : 127.432 Acórdão n° : 202-15.863 Recorrente : USINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS S/A - USIMINAS Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG NORMAS PROCESSUAIS RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. O ajuizamento de qualquer modalidade de ação judicial anterior, concomitante ou posterior ao procedimento fiscal, importa em renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, e o apelo eventualmente interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido pelos órgãos de julgamento da instância não jurisdicional, devendo ser analisados apenas os aspectos do lançamento não discutidos judicialmente. MIN. DA F 47 ENJOA - 2" CC i1 PRELIMINARES DE NULIDADE. DO LANÇAMENTO FISCAL. Não há nulidade a ser pronunciada quando a exigência fiscal foi feita CONFERE Cu .b: O ORIG:NAl ' nos estreitos limites da legalidade, observando todos os requisitos BRAMIA - 9-3_, 4._) ot{ . inerentes ao Processo Administrativo Fiscal. VISTO ) 1 DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de vício de nulidade a decisão que foi prolatada por autoridade competente, que não cerceou o direito de defesa e que não violou qualquer norma processual ou procedimental. DO SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sobrestamento do julgamento de processo administrativo até final decisão do processo judicial por inexistir previsão legal ou regimental para tanto. MÉRITO. MULTA DE OFÍCIO. Sua dispensa, nos casos de lançamento de oficio, somente está autorizada quando o crédito tributário haja sido constituído para prevenir a decadência, por encontrar-se, à época da autuação, com a exigibilidade suspensa por força de liminar em mandado de segurança ou de outra medida de mesmo efeito. Recurso não conhecido na parte objeto de ação judicial e negado na matéria diferenciada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: USINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS S/A — USIMINAS. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso, quanto a matéria judicial; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso, na matéria diferenciada. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2004 a errere---4,...7. rrue liteiro .1 orres e"9. Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowslci, Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cl/opr I MIN. DA FAZE Nr" - 2- C.0 20 CC-MF5;;;,.. Ministério da Fazenda W Segundo Conselho de Contribuintes CONFEF?E ypi.. O j. Fl. ';itt-XX> BRASlLA3J,l L Processo n° : 13629.000288/2004-19 Recurso n° : 127.432 visercalçt." Acórdão n° : 202-15.863 Recorrente : USINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS S/A - USIMINAS RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, transcrevo o Relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - MG, fls. 151/166: "Em julgamento o auto de infração de jls.8/18, no valor de Rit 143.461.894,80, cuja motivação fálica pode assim ser resumida a partir do Termo de Verificação Fiscal de fls.19/23: Da análise dos documentos apresentados e dos créditos escriturados no RA1PI constatamos que o estabelecimento industrial recolheu a menor o IPI em diversos períodos de apuração por ter se apropriado de créditos de 1PI referentes às aquisições de matérias-primas e de instintos imunes, isentos, não tributados ou tributados à aliquota zero. Conforme cópias do RAIPI (Anexo I do Processo Administrativo n° 13629.000288/2004-19), quadro resumo e resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 02, o contribuinte escriturou e utilizou os créditos, atualizados monetariamente, nos períodos de outubro/02, fevereiro/03 e de julho /03 a fevereiro/04. A legislação tributária , não prevê a apropriação de crédito de IPI na aquisição de matérias-primas e insumos imunes, isentos, não tributados ou tributados à aliquota zero, aplicados na industrialização. (.- ) Tendo em vista entendimento divergente ao da Administração Tributária, o contribuinte buscou o Poder Judiciário para ver declarado o seu direito de creditar-se do IPI referentes às aquisições de instintos isentos, imunes, não tributados ou tributados á aliquota zero utilizados na produção de seus produtos. Buscou, também, ver declarado seu direito ao crédito relativo às operações de compra realizadas nos últimos dez anos. Para tal, foi impetrada, em 30 de setembro de 2002, Ação Ordinária com pedido de Tutela Antecipada na Justiça Federal, Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, sob o n° 2002.38.00.037788-4. O pedido de antecipação de tutela foi indeferido. Na r. sentença, o d. juiz monocrático reconheceu parcialmente os pedidos da autoria declarando: "o seu direito de promover o creditarnento do IPI relativo às matérias-primas e insumos imunes, isentos, tributados à aliquota zero ou 2 4. Ministério da Fazenda MIN. DA FA7Erinft - 2° CC 2° CC-MFrifiãtz.- ir -stt—n, Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE O C :;;SINAL Fl. BRLE! ! Ii ‘ bO,V,4 Processo n° : 13629.000288/2004-19 Recurso n° : 127.432 VISTO Acórdão n° : 202-15.863 não tributados, utilizados na industrialização de seus produtos, nas operações que doravante realizar". Não foi reconhecido o pedido de aproveitamento dos créditos de IPI das operações passadas. Essa decisão proferida em I' instância não é definitiva; poderá ser reformada no Tribunal. Por força do art.475 do CPC, a r. sentença está sujeita ao reexame necessário, não produzindo efeitos perante a União senão depois de confirmada pelo respectivo Tribunal. Acrescente que, como houve apelação por parte da União e de acordo com a regra do art.520 do CPC, enquanto pendente de decisão definitiva do Poder Judiciário, estão suspensos os efeitos da sentença. A decisão proferida não tem, portanto, eficácia imediata. Está claro que não há qualquer causa autorizativa à empresa que permita deixar de recolher o IPI na forma prevista na lei tributária em vigor. Também não há que se falar em exigibilidade suspensa do crédito tributário, por não estar a matéria em debate amparada no rol do art.151 do Código Tributário Nacional." Apresentou a Defendente impugnação ao feito fiscal com fulcro no arrazoado de fls.110/131, assim resumido: "(9 De início, a Autuada vem ressalvar que há equívoco na afirmação da d. Fiscalização de que a sentença só assegurou o direito de crédito do IPI nas operações que a Autuada realizasse a partir da sua publicação. A r.sentença (.) distinguiu expressamente os 2 pedidos da Autuada: um, quanto ao "crédito de IPI relativo às operações futuras (a partir do ajuizamento)" e, outro, "decorrente das operações realizadas nos últimos dez anos". A Decisão deferiu à Autuada o primeiro pedido e indeferiu o segundo (no que é objeto de apelação da contribuinte). A Decisão Judicial (em vigor) garante à Autuada o direito ao crédito de IPI nas operações realizadas a partir de setembro de 2002. Não parece haver, pois, justificativa para essa parte da autuação. O débito fiscal (se é que existe) está suspenso, por força da legislação federal vigente. Como se viu, a d.Fiscalização procedeu à autuação considerando que "por força do art.475 do CPC, a r. sentença está sujeita ao reexame necessário, não produzindo efeitos perante a União senão depois de confirmada pelo respectivo Tribunal". Não obstante, a d. Fiscalização baseou-se em redação anterior do art.475 do CPC. 3 MIN. DA . r "Trz •• • - CC I 22 CC-MF4•:--rest .rl, Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFF r O GRiGINAL -;;•,ti>,2 BRASLit 23) }A Los _ Processo n° : 13629.000288/2004-19 Recurso n° : 127.432 visto Acórdão n° : 202-15.863 ... a Lei Federal n° 10.352, de dezembro de 2001, acrescentou o parágrafo terceiro ao art.475 do CPC (não se aplica o disposto no artigo quando a sentença estiver fundada em jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal Federal). É exatamente essa a situação aqui presente: a r. sentença para deferir o pedido da Autuada baseou-se exatamente na jurisprudência do Plenário do Supremo Tribunal Federal, quanto aos créditos de IPI nas aquisições de produtos isentos, imunes, alíquota zero e assemelhados, representada pelo Recurso Extraordinário 212.484/RS (..) e pelos Recursos Extraordinários 350.446/PR e 353.668/PR ulgamento ocorrido em dezembro de 2002). Essas decisões são expressamente referidas pela r. Sentença às fls.272 e 273 do Processo Judicial atraindo, assim, a incidência do Parágrafo Terceiro do art.475 do Código de Processo Civil, já mencionado. E este continua sendo o entendimento do STF. No caso, caberia à Fiscalização (quando muito) a constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, conforme previsto na Lei Federal 9.430, aguardando o desfecho da ação judicial. Ainda que pudesse prevalecer a autuação fiscal, não pode subsistir a cobrança da multa diante dos exatos termos do art.63 da Lei Federal, 9.430/96... Para o caso de não serem aceitas as alegações retro e para o restante da autuação não abrangida pela r. sentença, a Autuada vem esclarecer que realmente compra, para emprego na sua produção, muitos produtos com as características descritas no Auto de Infração. Ocorre que, justamente para evitar o pagamento futuro do IPI sobre essas aquisições desoneradas, a Autuada creditou-se, em seus livros fiscais, do IPI sobre esses produtos à alíquota incidente sobre aqueles que industrializa. Realmente, caso não fosse feito esse crédito, a Autuada acabaria pagando o IPI incidente sobre os insumos antes não onerados quando desse saída ao produto final, com base na aliquota a este correspondente. Entretanto, creditando-se do imposto, estará sendo atendido o princípio constitucional da não-cumulatividade do IPI, segundo o qual só se tributa o valor acrescido, não cabendo onerar a parcela anterior cuja alíquota foi zero. 4 Ministério da Fazenda si1N DArn 7 ' 7,11-1 A - CC-MF j'(j' ( Segundo Conselho de Contribuintes CONF PP 1 O OFUGINAL Fl.• ae3) Processo n° : 13629.000288/2004-19 Recurso n° : 127.432 VISTO f Acórdão n° : 202-15.863 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora — MG manifestou-se por meio do Acórdão DRJ/JFA no 7.488, 24 de junho de 2004, f1.151, assim ementado: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 20/10/2002 a 29/02/2004 Ementa: REEXAME IVECE.SSA RIO. EFEITOS - O reexame necessário (recurso de oficio) da matéria tratada na ação ordinária impetrado pela contribuinte - interposto pelo juiz de primeiro grau -faz com que a sentença pro latada não produza qualquer efeito senão depois de confirmada pelo tribunal. Assim sendo, não há de se _falar em lançamento do imposto devido com exclusão da multa de oficio, por não se aplicar nenhuma das hipóteses elencadas no art.63 da Lei n° 9.430/96, com as modcações introduzidas pelo art. 70 da Medida Provisória n° 2.158 de 24 de agosto de 2001. A alegação de que a Lei Federal n° 10.352/2001 teria introduzido alterações no art.475 do Código de Processo Civil que dispensariam o recurso de oficio impetrado pelo Exrno. Juiz, em nada altera o presente julgamento, pois à autoridade julgadora administrativa cabe apenas seguir os exatos termos das decisões judiciais, e não formar juízo a respeito de seu teor_ Lançamento Procedente ". Não conformada com a Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a contribuinte recorreu a este Conselho, em 02/08/2004, fls. 169/181, por entender que o feito fiscal está prejudicado, posto estar a matéria objeto da autuação ora tratada sendo discutida no Poder Judiciário. Portanto, conforme inclusive declara a contribuinte, optou-se por recorrer da presente matéria no Poder Judiciário. É o relatório., 5 MIN. DA FAZEMOS - r CC CC-MFf. Ministério da Fazenda •xrt=z--24, Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE çppi o ORlC Fl.IN% EIRASiLIA Processo n° : 13629.000288/2004-19 7E 1145W-Celd Recurso n° : 127.432 VISTO Acórdão n° : 202-15.863 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HENRIQUE PINHEIRO TORRES A teor do relatado, versa o presente processo sobre lançamento de oficio lavrado para constituir o crédito tributário relativo ao IPI que deixou de ser recolhido em virtude de o sujeito passivo haver utilizado, no entender da Fiscalização, créditos indevidos do imposto. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora — MG manteve integralmente o lançamento fiscal sob o fundamento de que a exação era legitima e a decisão judicial favorável à reclamante não suspendera a exigibilidade do crédito tributário que veio a ser lançado de oficio. Inconformada com decisão a quo, a reclamante apela a este Colegiado suscitando preliminar de nulidade do lançamento fiscal por não haver justificativa para o auto de infração em virtude de encontrar-se o débito fiscal suspenso por força da legislação vigente. Requer ainda o sobrestamento do julgamento do processo até que se decida a questão judicial. No mérito, aduz a licitude do creditamento por ela efetuado, bem como a da atualização com base na Taxa SELIC dos créditos de IPI por ela utilizados, e, finalmente, a improcedência da multa de oficio em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força do provimento judicial. No que concerne ao primeiro ponto abordado no recurso, entendo não haver qualquer nulidade a ser pronunciada, pois a exigência fiscal foi feita nos estreitos limites da legalidade, observando todos os requisitos inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e, como será abordado mais adiante, o crédito tributário não se encontrava com a exigibilidade suspensa, e ainda que estivesse, não poderia o Fisco exigir o tributo, mas isso não o impediria de exercer seu dever de oficio consistente em apurar a ocorrência do fato gerador, em determinar a matéria tributável, em calcular o montante do tributo devido, em identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, em aplicar a penalidade cabível. Nessa hipótese, o crédito tributário apurado ficaria com a exigibilidade suspensa até que se resolvesse a questão suspensiva, mas, repita-se, não haveria impedimento de sua constituição de oficio pela para a autoridade fazendária. Merece aqui ser lembrado que o judiciário já apascentou o entendimento de não poder o juiz impedir a autoridade administrativa de proceder ao lançamento, pois até ai não vai o poder de cautela do magistrado, o que este pode fazer é manter suspensa a exigibilidade do crédito. O que não ocorreu no caso em análise, já que a tutela antecipada foi indeferida e a sentença que deferiu parcialmente o pedido foi apelada, o que acarretou a suspensão de seus efeitos. Por outro lado, a decisão recorrida não incorreu em qualquer vício, posto que foi prolatada por autoridade competente, não cerceou o direito de defesa e não violou quaisquer das normas atinentes ao Processo Administrativo Fiscal. Daí, não haver razão nas palavras da defesa quando requer a anulação da decisão a quo. Quanto ao sobrestamento do processo pretendido pela reclamante, entendo não ser possível seu deferimento, a uma porque não existe previsão regimental para tanto; a duas porque as matérias objeto destes autos e, também, de ação judicial não serão aqui apreciadas, pois, uma vez submetidas à tutela jurisdicional, as mesmas questões não podem ser discutidas na 6 MIN. DA FA7E190 1̀ , - 2" cr. 2° CC-MF•••.:14 Ministério da Fazenda- Fl. "dr Segundo Conselho de Contribuintes CCMFFIrte_,çv O cin:rnt ';;-",ttik• Oq Processo n° : 13629.000288/2004-19 }(~_— Recurso n° 127.432 Acórdão n° : 202-15.863 esfera administrativa; por outro lado, as diferenciadas, que podem ser aqui examinadas, sua análise independe do que vier a ser decidido no processo judicial. Como se vê, é totalmente injustificável o diferimento do exame destes autos como quer a recorrente, razão pela qual se nega o pedido de sobrestamento do processo postulado pela defesa. No mérito, a questão primeira que se apresenta ao debate é a da licitude dos créditos de IPI pertinentes à aquisição de insumos imunes, isentos, não tributados ou tributados à aliquota zero, bem como a da atualização monetária desses créditos pela Taxa SELIC Essas questões foram submetidas à apreciação do Poder Judiciário, o que impede este Colegiado de discuti-las, já que a procura da tutela jurisdicional implica renúncia (tácita) à via administrativa. Da análise dos autos, verifica-se que a glosa desses créditos constituiu, justamente, o objeto do auto de infração ora em foco. Assim sendo, é indubitável que a matéria aqui controvertida, a glosa do creditamento feito pela reclamante decorrente da suposta ilicitude dos mencionados créditos, está sob o crivo do Judiciário, o que configura a renúncia tácita a sua discussão na esfera administrativa. Muito embora o termo "renúncia" sugira que a ação judicial tenha sido interposta posteriormente ao procedimento fiscal, na essência, com o devido respeito dos que defendem o contrário, as conclusões são as mesmas, porquanto, após iniciada a ação judicial, o julgador administrativo vê-se impedido de manifestar-se sobre o apelo interposto pelo contribuinte, vez que a questão passou a ser examinada pelo Poder Judiciário, detentor, com exclusividade, da prerrogativa constitucional de controle jurisdicional dos atos administrativos. Neste sentido é a jurisprudência mansa e pacifica do Segundo Conselho de Contribuintes e, também, da Câmara Superior de Recursos Fiscais que tem aplicado a renúncia à via administrativa quando o sujeito passivo procura provimento jurisdicional pertinente à matéria objeto do processo fiscal. Outro entendimento não caberia, pois a ordem constitucional vigente ingressou o Brasil na jurisdição una, como se pode perceber do inciso XXXV do artigo 5° da Carta Política da República: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito". Com isso, o Poder Judiciário exerce o primado sobre o "dizer o direito" e suas decisões imperam sobre qualquer outra proferida por órgãos não jurisdicionais. Por conseguinte, os conflitos intersubjetivos de interesses podem ser submetidos ao crivo judicial a qualquer momento, independentemente da apreciação de instâncias "julgadoras" administrativas. A tripartição dos poderes confere ao Judiciário exercer o controle supremo e autônomo dos atos administrativos; supremo porque pode revê-los, para cassá-los ou anulá-lo; autônomo porque a parte interessada não está obrigada a recorrer às instâncias administrativas antes de ingressar em juízo. De fato, não existem no ordenamento jurídico nacional princípios ou dispositivos legais que permitam a discussão paralela em instâncias diversas (administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza), de questões idênticas., 7 MIN. DÁ FAZENDA- ' CC CC-MFMinistério da Fazenda 'ta • Segundo Conselho de Contribuintes Cr-WFER`:. flM O RiEA. Fl. 2/.3. oti• Processo n° : 13629.000288/2004-1994244_0x-r- Recurso n° : 127.432 VISTO Acórdão n° : 202-15.863 Diante disso, a conclusão lógica é que a opção pela via judicial, por qualquer modalidade de ação, antes ou concomitante à esfera administrativa, torna completamente estéril a discussão no âmbito não jurisdicional Na verdade, como bem ressaltou o Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no voto proferido no julgamento do Recurso n° 102.234 (Acórdão n° 202-09.648), "tal opção acarreta em renúncia ao direito subjetivo de ver apreciada administrativamente a impugnação do lançamento do tributo com relação a mesma matéria sub judice.". Por oportuno, cabe citar o § 2° do art. 1° do Decreto-Lei n° 1.737/1.979, que, ao disciplinar os depósitos de interesse da Administração Pública efetuados na Caixa Económica Federal, assim estabelece: "Art. I ° omissis . § 2° A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto." Ao seu turno, o parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/1980, que disciplina a cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública, prevê expressamente que a propositura de ação judicial por parte do contribuinte importa em renúncia à esfera administrativa, verbis: "Art. 38. Ornissis Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." A norma expressa nesses dispositivos legais é exatamente no sentido de vedar- se a discussão paralela, de mesma matéria, nas duas instâncias, até porque, como a Judicial prepondera sobre a administrativa, o ingresso em juizo toma inócuo qualquer pronunciamento administrativo. Esse é o entendimento dado pela Exposição de Motivo n° 223 da Lei n° 6.830/1980, assim explicitado: "Portanto, desde que a parte ingressa em juizo contra o mérito da decisão administrativa — contra o título materializado da obrigação — essa opção pela via superior e autônoma importa em desistência de qualquer eventual recurso porventura interposto na instância inferior.". Por derradeiro, cabe ressaltar que o pressuposto para configurar a renúncia à esfera administrativa é o simples fato de o sujeito passivo haver propostos ação judicial versando sobre a mesma matéria que deu origem ao processo administrativo. In casu, é irrelevante o tipo de ação ou o momento de sua propositura, pois, qualquer que seja a hipótese, se se admitisse a concomitância de processos judiciais e administrativos, estar-se-ia violando o princípio constitucional da unicidade de jurisdição. Por essas razões é que a exigência fiscal fundada em glosa de créditos pertinentes à aquisição de insumos imunes, isentos, tributados à aliquota zero ou não tributados 8 fr.r. Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - 2 r e 2 CC-MF Fl. tS:jr_ZZ, Segundo Conselho de Contribuintes CONFERÇ 2< ,^G5A O GRIGW• ';-""tra->. BRASiLIA Processo n° : 13629.000288/2004-19 Recurso n° : 127.432 VISTO Acórdão n° : 202-15.863 (NT), bem como a atualização desses créditos pela Taxa SELIC, por constituírem-se, esses créditos (e sua atualização monetária), em objeto de ação judicial, tomou-se definitiva na esfera administrativa, nos termos postos no lançamento fiscal, eis que a opção pelo Poder Judiciário importa em renúncia à esfera administrativa, além do que, a decisão judicial tem efeito substitutivo e prevalente sobre a não jurisdicional. Em relação à multa de oficio, como não há qualquer óbice a impedir sua análise nesta instância administrativa, passo, de imediato, a examiná-las. Razão não tem a reclamante quando se insurge contra a multa de oficio referente ao crédito tributário lançado, para o qual obtivera sentença judicial em ação ordinária, pois, a teor do artigo 63 1 da Lei n° 9.430/1996, nas hipóteses de lançamento de oficio, a multa só é excluída quando o crédito tributário encontra-se, no momento da lavratura do auto de infração, com a exigibilidade suspensa, por meio de liminar em mandado de segurança ou outra medida de mesmo efeito, e o lançamento fiscal seja efetuado apenas para prevenir a decadência. No caso em análise, na data do lançamento de oficio, o crédito tributário não se encontrava com a exigibilidade suspensa, haja vista que a sentença de I° grau em ação ordinária não se encontra relacionada no artigo 151 do CTN, que elenca, nurnerus clausus, as medidas que suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Demais disso, a apelação interposta pela Fazenda Nacional, que fora recebido no duplo efeito (suspensivo e devolutivo), por força do artigo 520 do CPC, suspendeu a eficácia da sentença que havia sido favorável à reclamante. Com isso, quando do lançamento, não havia qualquer medida judicial impedindo a Fazenda Nacional de exercer o poder-dever de constituir o crédito tributário que entendesse devido. Por conseguinte, o lançamento foi efetuado com a exigibilidade normal, pois não se encontrava o sujeito passivo acobertado por quaisquer das medidas previstas no artigo 151 do CIN. Tem-se, pois, que o caso em exame não se subsume à norma excluidora da multa de oficio, pois, como já mencionado, quando da autuação, a exigibilidade do crédito não estava suspensa, e, por conseguinte, o lançamento não foi efetuado apenas com o intuito de prevenir a decadência, restando assim desatendidas as condições legais para exclusão da multa de oficio. Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário na parte objeto de demanda judicial e, na matéria diferenciada, rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2004 CifOrrE f&O TOIÍRS 'Art. 63. Não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n°5.172 de 25 de outubro de 1966JVide Medida Provisória n°2.158-35, de 28.4.2001). 9
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002534/99-18
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IRPJ - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 108-07.695
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Henrique Longo
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ementa_s : IRPJ - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso de ofício negado.
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OITAVA CÂMARA»tr. rà.,2;tte Processo n° : 13603.002534/99-18 Recurso n° : 128.719- EX OFFICIO Matéria : IRPJ - EX. 1996 Recorrente : DRJ - BELO HORIZONTE/MG Interessada : ISOMONTE S/A Sessão de : 18 de fevereiro de 2004 Acórdão n° : 108-07.695 IRPJ - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso de oficio negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO em BELO HORIZONTE/MG. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESI e NTE 44 Nb - JQS__ TO LHE,N12 e Et.:,\JGO R ÉLMR FORMALIZADO EM: o 1 MAR .2004 Participaram ainda do presente julgamento, os Conselheiros: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, FERNANDO AMÉRICO WALTHER (Suplente convocado), KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO, JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Ausente, justificadamente, o Conselheiro NELSON LÓSSO FILHO. rcs Processo n° : 13603.002534/99-18 Acórdão n° : 108-07.695 Recurso n° :128.719 - EX OFFICIO Recorrente : DRJ - BELO HORIZONTE/MG Interessada : ISOMONTE S/A RELATÓRIO Retornam os autos da diligência determinada pela Resolução 108- 00.178 (sessão de 22/05/2002) com objetivo de calcular o correto saldo credor da Reserva de Correção Monetária Complementar Diferença IPC/BTNF (Lei 8.200/91, art. 3°), correspondente à linha 28 do quadro 04 do Anexo A da DIRPJ 1992/91, e, consequentemente, apurar eventual lucro inflacionário acumulado realizado a menor na demonstração do lucro real no ano de 1995. Como se disse no Relatório da Resolução, o contribuinte alegou que: a) a exigência decorre da diferença IPC/BTNF do ano de 1990, registrada na DIRPJ do ano-calendário de 1991; b) na linha 28 do quadro 4 do Anexo A da Declaração de Imposto de Renda do exercício de 1992 (saldo da conta de correção monetária — diferença IPC/BTNF) lançou valor equivocado, de Cr$5.894.068.885,00 (fl. 118); c) esse valor correspondia à correção monetária especial do Capital Social; d) o valor correto deveria ser Cr$54.265.704,00, conforme planilha no bojo da impugnação; e) o valor da realização, no ano de 1995, atualizando-se o saldo a cada período-base, seria de R$7.531,83 E a DRJ em Belo Horizonte acatou as argumentações do contribuinte e concluiu que "a importância a ser considerada como saldo credor de correção monetária da diferença ocorrida, no período-base de 1990, entre os índices IPC e o BTNF, na referida linha 28, do quadro 04, do Anexo "A" de sua declaração de 2 Processo n° : 13603.002534/99-18 Acórdão n° : 108-07.695 rendimentos, relativa ao exercício financeiro de 992, período-base de 1991, deverá ser de R$ 54.265.704,80" (sic) . O Relatório da DRF em Contagem d,e fls. 504/508 informa que: 1. o valor lançado na linha 28 do quadro 4 do anexo A da Declaração de Imposto de Renda do exercício de 1992, no valor de Cr$ 5.894.068.885,00 foi um equivoco do contribuinte; 2. o valor declarado é o saldo em 31/12/1991 da conta contábil Correção Monetária Complementar IPC/90 que compõe as Reservas de Capital, e contabiliza o valor da Correção Monetária Complementar pelo IPC sobre o Capital Social Realizado; 3. o contribuinte deveria ter lançado na referida linha 28 do quadro 4 do anexo A o valor de Cr$ 507.292.606,24, correspondente ao Resultado da Correção Monetária Complementar IPC/90; 4. o contribuinte cometeu outro erro ao contabilizar a diferença da correção monetária apurada pelo IPC e pelo BTNFiscal do Capital Social Integralizado informando o valor corrigido, Cr$ 1.021.813.337,96, em lugar do valor da Correção Monetária, Cr$ 924.460.317,96; 5. a partir da correção dos erros, o contribuinte passa aos ajustes das demais contas de seu Patrimônio Líquido, chegando aos valores informados em sua impugnação; 6. cabe acatar os demais cálculos apresentados, inclusive quanto à apuração do correto saldo credor da Reserva de Correção Monetária Complementar Diferença IPC/BTNF (Lei 8.200/91, art. 3°) — Linha 28 do quadro 04 do Anexo A da DIRPJ 1992/91 e da apuração do Lucro Inflacionário acumulado adicionado a menor na demonstração do Lucro Real. É o Relatório. 3 Processo n° : 13603.002534/99-18 Acórdão n° : 108-07.695 VOTO Conselheiro JOSÉ HENRIQUE LONGO, Relator Estão presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso de ofício, e portanto ele deve ser conhecido. Com o cumprimento da diligência, ficou demonstrado que o contribuinte cometeu equívoco ao preencher sua DIRPJ 1992/91, incluindo valor de outra conta na linha 18 do quadro 04 do Anexo A. Pelo relatório também ficou evidente que, corrigido o erro, o resultado era efetivamente o verificado pelo DRJ. A questão passa a ser, então, da supremacia da verdade material. A declaração de rendimentos apresentada pelo contribuinte, indiscutivelmente, tem o condão de servir de base para um lançamento válido, mas não pode estar acima da verdade material, quando esta, comprovadamente, refletir outra realidade. Não se pode ignorar o efetivo Resultado de Correção Monetária Complementar IPC/BTNF e tributar o contribuinte em face do número aposto indevidamente numa determinada linha da DIRPJ. A jurisprudência deste E. Conselho preza pela verdade material: "IRPJ - LANÇAMENTO SUPLEMENTAR - ERRO DE FATO - RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO - Uma vez comprovado o erro cometido no preenchimento da Declaração, caracterizado pela inadequada classificação de desembolso - in casu, 'royalties e assistência técnica no pais' em lugar de 'custos operacionais'- esta pode ser 4 C47V \?' Processo n° : 13603.002534/99-18 Acórdão n° : 108-07.695 retificada através de pedido formulado pelo contribuinte antes de notificado o lançamento e, depois disso, mediante impugnação apresentada ou revisão de ofício pela administração tributária. Ademais, havendo - a partir do teor da Impugnação oferecida - indícios de que possa ter havido erro material quando da elaboração da DIRPJ objeto do procedimento revisional, impõe-se à Autoridade Administrativa, em nome do principio da verdade material, promover as averiguações e/ou diligências necessárias a confirmar - ou não - a sua efetiva ocorrência, sem limitar-se, simplesmente, a acatar como verdadeiro e inconteste o que se encontra expresso - ainda que erroneamente - na Declaração de Rendimentos apresentada pela Contribuinte. Recurso provido." (Acórdão n° 107-1.438). "LANÇAMENTO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO - Deve a verdade material prevalecer sobre a formal, pelo que se demonstrado que o erro pelo preenchimento da declaração provocou o lançamento, deve ser reconhecida a sua invalidade." (CSRF, rel. Afonso Celso Mattos Lourenço, sessão de 15 de maio de 1995 - acórdão n°01 - 1 -854, processo n° 10920.000.270/91-11, recda.: 3 6 C. do CC, grifou -se). Em face do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões - DF, em 18 de fevereiro de 2004 , n044 • o' ir 0JOSÉ- ENI)JRIC) 1 -ONGO 5 Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1
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