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Numero do processo: 10580.005689/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2000
Ementa:
ERRO DE DECLARAÇÃO – BENEFÍCIO SUDENE – Devidamente comprovado o erro pelo qual os valores compensados de IRPJ foram informados como valores de incentivo SUDENE, não deve prevalecer o
lançamento que se funda unicamente no erro.
COMPENSAÇÃO – EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – No ano-calendário
de 2001, a compensação tempestiva de débito de IRPJ com crédito
decorrente de pagamento a maior de IRPJ em 2000 era feita e comprovada na escrita contábil da contribuinte. Existindo o crédito compensado e havendo verossimilhança entre os valores compensados na escrita contábil e os valores lançados por correção da DIPJ, deve ser reconhecida a extinção do crédito
tributário por compensação e, logo, deve ser extinto o lançamento fiscal.
Numero da decisão: 1302-000.382
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2001, 2000 Ementa: ERRO DE DECLARAÇÃO – BENEFÍCIO SUDENE – Devidamente comprovado o erro pelo qual os valores compensados de IRPJ foram informados como valores de incentivo SUDENE, não deve prevalecer o lançamento que se funda unicamente no erro. COMPENSAÇÃO – EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – No ano-calendário de 2001, a compensação tempestiva de débito de IRPJ com crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ em 2000 era feita e comprovada na escrita contábil da contribuinte. Existindo o crédito compensado e havendo verossimilhança entre os valores compensados na escrita contábil e os valores lançados por correção da DIPJ, deve ser reconhecida a extinção do crédito tributário por compensação e, logo, deve ser extinto o lançamento fiscal.
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COMPENSAÇÃO – EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – No ano calendário de 2001, a compensação tempestiva de débito de IRPJ com crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ em 2000 era feita e comprovada na escrita contábil da contribuinte. Existindo o crédito compensado e havendo verossimilhança entre os valores compensados na escrita contábil e os valores lançados por correção da DIPJ, deve ser reconhecida a extinção do crédito tributário por compensação e, logo, deve ser extinto o lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente Fl. 167DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10580.005689/200551 Acórdão n.º 1302000.382 S1C3T2 Fl. 841 2 “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Trata o processo de Auto de Infração(fls 05/14) lavrado contra o sujeito passivo CONSTRUTORA E INCORPORADORA A N P LTDA, referente aos anos calendário de 2000 e 2001, de IRPJ no valor de R$ 29.713,26, além da multa de ofício e dos juros de mora. O auto de infração foi proveniente de: (i) Ausência de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, do lucro inflacionário realizado, calculado com base no percentual mínimo obrigatório de 10% ao ano, ou 2,5% ao trimestre. (ii) Glosa na dedução a titulo de isenção do imposto de renda de empresa instalada na área da SUDENE, por inobservância de requisitos legais para gozo de benefício fiscal, nos valores de R$ 6.808,92 e R$12.904,34, respectivamente para os 2º e 3º trimestres do ano calendário de 2001. Em decorrência da compensação de prejuízos de exercícios anteriores, o imposto remanescente restringiuse aos 2° e 3" trimestres do anocalendário de 2001. A contribuinte apresentou impugnação (fls 20/25) alegando, em resumo, que: (i) intimada através do Termo de Intimação datado de 16/06/2005 (doc. 01), apresentou, em 18/07/2005, os esclarecimentos pertinentes às diferenças de lucro inflacionário apontadas, informando que todo o lucro inflacionário havia sido tributado com os benefícios do art. 31 da Lei n° 8.541, de 1992, e as orientações dos arts. 60 a 9° da Instrução Normativa SRF n°96, de 1993, juntando inclusive cópia das páginas do LALUR e do DARF (doc. 02). Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10580.005689/200551 Acórdão n.º 1302000.382 S1C3T2 Fl. 842 3 (ii) O estoque do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1992 foi demonstrado na sua declaração de rendimentos do anocalendário de 1993 (doc. 03). O saldo, corrigido monetariamente até o mês da opção da tributação favorecida (novembro de 1994), foi integralmente pago, consoante informado no parágrafo precedente. (iii) O estoque do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1992 foi demonstrado na sua declaração de rendimentos do anocalendário de 1993 (doc. 03). O saldo, corrigido monetariamente até o mês da opção da tributação favorecida (novembro de 1994), foi integralmente pago, consoante informado no parágrafo precedente. (iv) A Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF n° 96, de 30/11/2003, elencando nos arts. 6° a 9° (transcreve) todos os procedimentos necessários à operacionalização da opção. Verificase, então, que o documento único para formalizar a opção da tributação à alíquota reduzida é o pagamento do imposto até 31/12/1994, com a indicação do código 3320 e demais informações referidas nos dispositivos transcritos. (v) Portanto, a Requerente deduziu, do saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/1992, a parcela realizada em 31/12/1993, no valor de CR$5.498.690,00, conforme anexos 04 e 02 da DRPJ/1994. Após a dedução, restou um saldo de CR$55.637.273,00, que, convertido para quantidade de UFIR pelo seu valor em 31/12/1993 (CRI85,12) importou em 300.547,06 UFIR. Convertendo para reais no mês da opção (novembro de 1994), pelo valor da UFIR nessa data (R$0,6428), alcançouse o valor de R$193.191,65. (vi) O imposto, no valor de R$9.659,58, foi pago em parcela única, à alíquota de 5%, em 30/11/1994, inexistindo, assim, imposto a pagar sobre o saldo do lucro inflacionário. Solicita, então, que sejam procedidas às correções necessárias no saldo do lucro inflacionário constante da base de dados da Receita Federal. Em virtude de o autor da peça principal ter compensado prejuízos fiscais de exercícios anteriores, Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10580.005689/200551 Acórdão n.º 1302000.382 S1C3T2 Fl. 843 4 solicita também o restabelecimento do estoque de seus prejuízos. (vii) Quanto ao item 2 do auto, existiu um equívoco no preenchimento da declaração do ano calendário de 2001 (doc 04), quando foi inserido nos 2º e 3º trimestres, linha 10 da ficha 12A, valores relativos a isenção do imposto de renda, já que as referidas quantias referemse à compensação de saldo negativo do imposto de renda apurado na declaração do anocalendário de 2000 (doc 05). (viii) Assim, ocorreu um erro de fato no preenchimento da DIPJ/2002, ano calendário 2001, ao serem transcritos na linha 10 da ficha 12A (2° e 3° trimestres) valores pagos a maior (saldo negativo de IRPJ), apurados na linha 18 da ficha 12A da DIPJ/2001, anocalendário de 2000, saldo esse comprovado mediante cópia dos onze DARF em anexo (doc. 06). (ix) A comprovação do erro de fato consta de sua escrituração contábil, em diários apresentados pelo contribuinte. (x) Em 31/12/2000, consoante DIPJ/2001, foi apurado saldo negativo dê IRPJ, na linha 18 da ficha l2A, no valor de RS 27.105,28. Esse valor atualizado pela SELIC até o 2° trimestre de 2001, chegou a R$29.159,42, sendo compensada a quantia de R$16.808,92, restando o valor de R$12.350,50, atualizado até o 3° trimestre de 2001, alcançando o montante de R$12.904,33, integralmente compensado no período. (xi) Por fim, pede a impugnante a improcedência total do lançamento, inclusive que seja restabelecido o estoque de prejuízos fiscais e o ajuste do lucro inflacionário acumulado. A decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de Salvador/BA, por unanimidade de votos, foi de considerar o lançamento procedente em parte. Foi reconhecida a improcedência da primeira acusação do Auto de Infração (Ausência de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, do lucro inflacionário realizado) e, embora reafirmando os argumentos despendidos pela impugnante, foi mantido o crédito principal da segunda acusação (Glosa na dedução a titulo de isenção do imposto de renda de empresa instalada na área da SUDENE). Foram exonerados juros e multa de ofício. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10580.005689/200551 Acórdão n.º 1302000.382 S1C3T2 Fl. 844 5 A decisão restou assim ementada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO DE MULTA E JUROS DE MORA. Ainda que não declarada em DCTF, a compensação tempestiva de débito apurado pelo contribuinte com crédito decorrente de pagamento a maior, caso devidamente comprovada na impugnação mediante a apresentação de seu registro na escrituração contábil, deve ser homologada, autorizando a exoneração da multa de oficio e dos acréscimos moratórias que compõem o crédito tributário lançado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 1RPJ Anocalendário: 1994, 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO. TRIBUTAÇÃO ANTECIPADA. Restando comprovado que a pessoa jurídica optou pela tributação antecipada do lucro inflacionário acumulado e que, a partir dai, não mais apurou lucro inflacionário nos exercícios subseqüentes, descabe a exigência de realização mínima obrigatória. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Infirmados valores tributáveis apurados em ação fiscal, cabe desconsiderar as decorrentes compensações de prejuízos fiscais efetuadas. Em breve síntese, a contribuinte, cientificada da decisão, apresentou recurso voluntário para pedir esclarecimentos com relação à decisão da DRJ, pois, segundo a contribuinte, o voto da DRJ foi obscuro quando tratou do segundo item do Auto de Infração, não explicando adequadamente sua decisão. Em suma, o relator concordou com todas as fundamentações da Recorrente, quanto ao item 002 do Auto de Infração, entretanto, ao firmar seu voto, manteve a cobrança do crédito tributário principal do item 002, apenas exonerando a contribuinte da cobrança de multa de ofício e juros de mora. A contribuinte reconhece que o instrumento adequado para tratar de obscuridade ou omissão contido em decisão administrativa seriam os Embargos de Declaração. Entretanto, em face do prazo exíguo, vem por meio do Recurso Voluntário submeter seu pleito a este Conselho. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10580.005689/200551 Acórdão n.º 1302000.382 S1C3T2 Fl. 845 6 Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, tomo, pois, dele conhecimento. O único valor que resta em cobrança, no presente processo, é o valor principal de imposto de renda cobrado pelo lançamento fiscal. Ele decorre de erro no preenchimento da DIPJ sendo que a contribuinte acusou uso do benefício SUDENE sem ter direito a ele. A diferença de IRPJ cobrada no lançamento fiscal fica evidente na tabela abaixo. Período em 2001 IRPJ segundo DIPJ sem o benefício SUDENE IRPJ segundo a DCTF Diferença de IRPJ lançada 2o. trimestre R$ 16.808,92 0 R$ 16.808,92 3o. trimestre R$ 49.972,59 R$ 37.068,25 R$ 12.904,34 A contribuinte compensou os valores lançados de IRPJ do anocalendário de 2001 com saldo de IRPJ pago a maior em 2000, como se evidencia pelos seguintes documentos. 1 – No anocalendário de 2000, a contribuinte teve saldo de IRPJ pago a maior de R$ 27.105,28. É o que fica demonstrado em sua DIPJ/2001 e pelos DARF comprovando a quitação desse saldo às fls. 87 a 92. Tudo isso foi informado na escrita contábil da contribuinte e consta DCTF dos respectivos períodos, fevereiro a dezembro de 2000, de acordo com o “Extrato do Declarante” (fls. 119/120). 2 – Esse valor foi atualizado ao longo de 2001 somando no total o valor aproximado de R$ 29 mil. A diferença entre o saldo de IRPJ a pagar apontado pela DIPJ sem o benefício SUDENE e a DCTF da contribuinte, conforme tabela acima, foi efetivamente compensada pela contribuinte com saldo de IRPJ pago a maior em 2000, conforme análise do Livro Diário nº 18 (fls. 93/97) e do Razão Analítico (fls. 98/99). As compensações foram regularmente e tempestivamente escrituradas contabilmente pela contribuinte. 3 – Fica portanto, por provas verossímeis, comprovado o erro no preenchimento da DIPJ em que essas compensações foram indevidamente declaradas como incentivo fiscal SUDENE, nos valores de R$ 16.808,92 e R$ 12.904,34, constantes da ficha 12A, linha 10, nos 2º e 3º trimestres (fls. 73/74). O ônus da prova da contribuinte foi devidamente sanado. Verifico que a DRJ acolheu as argumentações da contribuinte de erro na DIPJ provas apresentadas pela contribuinte acerca da compensação efetuada no ano de 2001, do saldo de imposto de renda recolhido a maior no ano de 2000 com o imposto de renda devido de 2001. Tal compensação está devidamente amparada pela escrita contábil e fiscal da contribuinte. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10580.005689/200551 Acórdão n.º 1302000.382 S1C3T2 Fl. 846 7 À época, a compensação de imposto de renda a pagar com imposto de renda pago a maior não dependia de qualquer formalidade acessória, podendo ser efetuada na escrita contábil da contribuinte, nos termos da Lei 8.383/91. Feita e comprovada essa compensação do valor principal do imposto de renda devido e declarado em 2001, extinta está a obrigação tributária nos termos do artigos 156, II e 170 do Código Tributário Nacional. Não procede o lançamento que visa exigir o mesmo valor uma segunda vez e que se consubstancia unicamente em um erro de DIPJ devidamente comprovado. Nessa medida, dou provimento integral ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 09 de Novembro de 2010. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
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Numero do processo: 10314.720504/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2014
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA.
A suposta imprecisão do MPF, ainda que impedisse a precisa identificação temporal para o seu encerramento, não implicaria a sua nulidade e do correlato lançamento, uma vez que não trouxe prejuízo às defesas dos contribuintes e, ainda, porque a data do termo final do MPF tem implicações para fins de resgate da espontaneidade do contribuinte (art. 7o, § 2° do Decreto 70.235/72) e para a configuração da decadência do crédito tributário, mas não para a sua validade formal.
DENEGAÇÃO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM JULGAMENTO DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A denegação de sustentação oral em sede de julgamento realizado pela Delegacia Regional de Julgamento não viola o devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa), uma vez que tais valores jurídicos não são absolutos e devem ser conjugados com outros valores jurídicos também tutelados pelo ordenamento constitucional, tais como celeridade e duração razoável do processo. Ademais, não há previsão legal para tal sustentação oral em sede de DRJ. Precedentes do STF.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Haveria alteração de critério jurídico se a decisão recorrida intentasse promover a alteração dos fundamentos fático-jurídicos que sustentaram a acusação fiscal, o que inexiste no caso em tela.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. PROVA
O vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelos recorrentes nos autos é suficiente para demonstrar a inexistência de interposição fraudulenta comprovada no caso em espécie. Em verdade, o que existe são atividades lícitas, promovidas em compasso com as ideias de livre iniciativa privada e autonomia de vontade, sem qualquer mácula de caráter aduaneiro e/ou fiscal. Logo, não há que se falar em incidência de diferenças de IPI nas operações fiscalizadas.
Numero da decisão: 3301-004.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2014 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. A suposta imprecisão do MPF, ainda que impedisse a precisa identificação temporal para o seu encerramento, não implicaria a sua nulidade e do correlato lançamento, uma vez que não trouxe prejuízo às defesas dos contribuintes e, ainda, porque a data do termo final do MPF tem implicações para fins de resgate da espontaneidade do contribuinte (art. 7o, § 2° do Decreto 70.235/72) e para a configuração da decadência do crédito tributário, mas não para a sua validade formal. DENEGAÇÃO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM JULGAMENTO DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A denegação de sustentação oral em sede de julgamento realizado pela Delegacia Regional de Julgamento não viola o devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa), uma vez que tais valores jurídicos não são absolutos e devem ser conjugados com outros valores jurídicos também tutelados pelo ordenamento constitucional, tais como celeridade e duração razoável do processo. Ademais, não há previsão legal para tal sustentação oral em sede de DRJ. Precedentes do STF. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Haveria alteração de critério jurídico se a decisão recorrida intentasse promover a alteração dos fundamentos fáticojurídicos que sustentaram a acusação fiscal, o que inexiste no caso em tela. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. PROVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 05 04 /2 01 5- 54 Fl. 6724DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.663 2 O vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelos recorrentes nos autos é suficiente para demonstrar a inexistência de interposição fraudulenta comprovada no caso em espécie. Em verdade, o que existe são atividades lícitas, promovidas em compasso com as ideias de livre iniciativa privada e autonomia de vontade, sem qualquer mácula de caráter aduaneiro e/ou fiscal. Logo, não há que se falar em incidência de diferenças de IPI nas operações fiscalizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Auto de Infração (AI) exigindo o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não lançado na revenda de mercadoria importada em saídas com emissão de nota fiscal. O procedimento fiscal instaurado destinouse a verificar a origem de recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate a interposição fraudulenta de pessoas. A conclusão foi de que a GLIKIMPORT utiliza recursos de terceiros em suas operações de comércio exterior, não sendo a real adquirente das mercadorias registradas nas DI relacionadas às fls. 16 a 21. A verificação constatou que a real adquirente de tais mercadorias é a empresa OITO BRASIL DISTRIBUIDORA LTDA, CNPJ nº 02.099.642/000115. O benefício de tal operação foi de que a OITO BRASIL se afastou da condição de estabelecimento equiparado a industrial, não se configurando como contribuinte do IPI, e portanto deixando de recolher o imposto. A seguir, tratouse da cessão de nome a terceiros no comércio exterior, apresentando um histórico da legislação e penalidades aplicadas, com a seguinte conclusão: Fl. 6725DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.664 3 "Atualmente, parte destes órgãos entende que a diferença das infrações tipificadas nos dispositivos legais apontados reside no fato de que a Lei n.º 11.488/2007 dirigese ao importador ou exportador ostensivo, aquele que cede o seu nome, enquanto o DecretoLei nº 1.455/1976 tem por objetivo sancionar o sujeito oculto, verdadeiro responsável pela operação. Para essa corrente, o importador ou exportador ostensivo, que consiga comprovar a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei, deixou de se submeter à multa prescrita no DecretoLei nº 1.455/1976 por força de derrogação pela lei posterior, de modo que referido agente a partir de então deve se submeter apenas à multa de 10% sobre o valor da operação acobertada, proibindose a declaração da inaptidão de seu CNPJ. Essa é a posição, por exemplo, de alguns julgados da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, 2ª Turma no Acórdão nº 1725849, de 17/07/2008, conforme descrito abaixo: [...] "O que diferencia as infrações tipificadas no artigo 23, V, do DecretoLei nº 1.455/76 e no artigo 33 da Lei nº 11.488/07 é o fato de que a prevista na Lei nº 11.488/07 tem como agente apenas o importador ou exportador ostensivo, ao passo que a do DecretoLei nº 1.455/76 destinase a punir o sujeito oculto, o verdadeiro responsável pela operação. "Com o advento do artigo 33 da Lei nº 11.488/07 deixou de ser imputável ao importador ou exportador ostensivo, em coautoria, a infração do artigo 23, V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Pelo mesmo motivo, não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/07. "Tal conseqüência é fruto do princípio do non bis in idem o qual, no direito aduaneiro, está albergado nos artigos 99 e 100 do DecretoLei nº 37/66. "Na importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável a esse terceiro (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V) e, ao interveniente ostensivo, aquele em cujo nome é realizada a operação (aquele que “cede o nome”), é aplicável a multa de 10% do valor da operação (Lei nº 11.488/07, artigo 33, caput).” No entanto, esta não é a posição desta fiscalização. Conforme pode ser verificado claramente no texto do art. 33 da Lei nº 11.488/07, a multa de 10%, aplicada quando da comprovação da cessão de nome, vem substituir unicamente a declaração de inaptidão no CNPJ. Não há qualquer menção à multa prevista no DecretoLei nº 1.455/76, e não houve qualquer alteração nas normas que tratam da aplicabilidade desta. As alterações subsequentes à entrada em vigência da Lei nº 11.488/07 se restringiram à normatização relativa ao CNPJ. Quando da entrada em vigor da Lei n° 11.488/07, estava vigendo a IN RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005, que tratava a cessão de nome como uma das hipóteses de inaptidão por inexistência de fato, conforme demonstrado abaixo: Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: (...) Fl. 6726DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.665 4 III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; (grifei) (...) Portanto, fica bem claro que a penalidade criada pela Lei nº 11.488/07 veio substituir somente a aplicação da proposição de inaptidão por inexistência de fato àquelas empresas que cederam seu nome para a realização de operações de comércio exterior. Não houve qualquer alteração em relação à aplicabilidade da pena de perdimento em relação às mercadorias objeto das operações. Mediante este fato, fica a fiscalização obrigada a aplicar ao importador e ao adquirente, solidariamente, a penalidade prevista no art. 23, V, §3º, do DecretoLei nº 1.455/1976. Outra questão que suscitou divergência quando da edição da Lei nº 11.488/07 diz respeito à aplicação retroativa do disposto em seu art. 33. Segundo os termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, havendo cominação de penalidade menos severa, pode excepcionalmente a lei retroagir, para alcançar fatos pretéritos à sua vigência, desde que ainda não definitivamente julgados: [...] RS PORTO ALEGRE DRJ Fl. 5016 Com base nisso, parte dos órgãos administrativos e judiciais passou a se entender que em vista do disposto no CTN, o art. 33 da Lei 11.488/07 poderia ser aplicado a fatos ocorridos anteriormente à entrada em vigor dessa. Essa é a posição consolidada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, 2.ª Turma no Acórdão n.º 1724.053, de 14/03/2008: [...]” Na sequência, explicou a diferença entre interposição e ocultação: “Cabe aqui uma observação importante quanto à distinção entre os institutos da Interposição Fraudulenta e Ocultação do Real Adquirente das mercadorias importadas, ambos constantes da IN/SRF 228 de 21 de outubro de 2002, que disciplina sobre o procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas. Apesar de tanto a Interposição Fraudulenta quanto a Ocultação do Real Adquirente resultarem em pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, eles têm origens diversas. A Ocultação do Real Adquirente caracterizase pela cessão de nome do importador, que declarase na DI como sendo o adquirente da mercadoria importada, enquanto que, na verdade, o real adquirente é uma terceira empresa, que se oculta. Os recursos empregados na importação geralmente são fornecidos por esse terceiro oculto, mas, em alguns casos, também podem ser oriundos do próprio importador, desde que aplicados a uma importação destinada, de fato, ao terceiro oculto. Já a Interposição Fraudulenta caracterizase por não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Nesse caso, não se sabe quem, de fato, é o real adquirente das mercadorias importadas e nem de onde vêm os recursos financeiros utilizados na Fl. 6727DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.666 5 importação. Sendo assim, resta não comprovada a licitude da origem dos recursos empregados, o que resulta em declaração de inaptidão da empresa com base no § 2°, art. 23, DecretoLei 1.455/76, §1°, art. 81, Lei 9.430/96 e III , art. 39, IN RFB 1005/10 combinado com art. 42 da mesma IN. (...) Consequentemente, quando o DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, eleva a ocultação do sujeito passivo ao status de dano ao erário, ele não apenas protege o erário sob o aspecto da sonegação, mencionados nos itens “g” e “h” acima, mas também (e principalmente) sob o aspecto de todas as outras inúmeras formas de dano que uma importação fraudulenta pode causar à economia e à sociedade brasileiras. Já é pacífico, inclusive, afirmar que a ocultação é, por si só, causa de dano ao erário. E o motivo para isso é simples: o dano é muito maior do que se pode ser observado de forma objetiva e direta. Ele não se resume a responder à pergunta “quanto de tributo deixou de ser recolhido?”. Resumindo, quando da análise do presente auto de infração, é importante que não se esqueça que o bem tutelado é o controle aduaneiro, não se restringindo o dano ao erário ao aspecto da sonegação.” Tratou a seguir da importação e suas modalidades, do regulamento do IPI, em especial sua aplicação às operações de importação, dos procedimentos de habilitação para operar no comércio exterior, e dos resultados – frutos – da ocultação do real adquirente em operações de comércio exterior. “Assim, a ocultação dos reais adquirentes em operações de comércio exterior, tão combatida pela Receita Federal do Brasil, seja quando ocultando uma operação por conta e ordem de terceiro, seja quando ocultando uma operação por encomenda, permite ao real adquirente oculto: · Burlar o controle Aduaneiro, ocasionando danos graves à sociedade, conforme exemplificado no item 3 desse relatório. · deixar de ser equiparado à industrial, não pagando IPI na saída das mercadorias, quebrando a cadeia desse imposto; · sonegar outros tributos, como ICMS, PIS, COFINS, IR etc; · praticar o crime de lavagem de dinheiro; · atuar no comércio internacional sem estar habilitado no sistema SISCOMEX, contrariando as legislações pertinentes; · subfaturar as importações, assim como cometer qualquer outra irregularidade tributária, pois o verdadeiro interessado pela mercadoria (o real adquirente), estando oculto, não é alcançado pela autoridade aduaneira, recaindo somente sobre o importador (“laranja”, em muitos casos) as penalidades devidas.” Além disso, apresentou as inconsistências encontradas em diligência junto à empresa GLIKIMPORT que motivaram a ação fiscal. Descreveu e demonstrou as etapas do procedimento fiscal na GLIKIMPORT, do depoimento do Sr. Renato Rudge, da análise da diligência, da análise do sítio da Fl. 6728DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.667 6 OITO BRASIL na Internet, da análise do quadro societário, das informações fornecidas pelo cartório, dos documentos entregues pela GLIKIMPORT (documentos contábeis e fiscais, anexos, extratos bancários). Segundo a Fiscalização, com base em toda a análise feita anteriormente nos itens acima descritos, o procedimento fiscal na empresa GLIKIMPORT levou às seguintes conclusões: “A GLIKIMPORT vende todas as mercadorias que importa para apenas um cliente, a OITO BRASIL, uma clara demonstração de que essas mercadorias já tinham destinatários predeterminados, antes mesmo do registro da DI, ou seja, a Real Adquirente das mercadorias; Os documentos fornecidos pelo Cartório, assim como a análise dos quadro societário, ilustram que tanto a empresa GLIKIMPORT como a empresa OITO BRASIL são administrados pelas mesmas pessoas, ou seja, essas empresas nada mais são que uma empresa só. De onde se conclui que a GLIKIMPORT foi criada com o objetivo de ocultar a Real compradora das mercadorias, a OITO BRASIL; O saldo da conta Bancos da contabilidade da GLIKIMPORT nos anos de 2011 a 2013 são insignificantes, uma visível evidência de que a empresa era financiada pela OITO BRASIL; Em sua contabilidade, no Razão das contas Clientes e Bancos, a GLIKIMPORT exibe de forma transparente o adiantamento de cliente, no caso OITO BRASIL, para pagamento das importações; Os extratos mostram de forma irrefutável os depósitos efetuados pela OITO BRASIL na conta da GLIKIMPORT para pagamentos diversos, entre eles os títulos referentes às notas fiscais de venda de mercadorias importadas pela empresa SERTRADING;” Sobre a fraude do IPI, assim se manifestou a fiscalização: “De acordo com o disposto no inciso I, do art. 9º, do RIPI (decreto n°7.212/10), que reproduz o inciso I, do art. 4º, da Lei nº 4.502/64, as pessoas jurídicas que importarem diretamente produtos industrializados e que derem saída a esses produtos no mercado interno são considerados estabelecimentos equiparados a industrial para efeitos da incidência do IPI. Nesse mesmo caminho, as pessoas jurídicas que importarem indiretamente produtos industrializados, por meio da contratação de pessoas jurídicas para operar por sua conta e ordem ou por sua encomenda, também são considerados, pelo inciso IX, do art. 9º, do RIPI, estabelecimentos equiparados a industrial. Para as operações de importação de produtos industrializados de procedência estrangeira, a base de cálculo do IPI consiste no valor aduaneiro do produto, acrescido do montante do II e dos encargos cambiais efetivamente recolhidos pelo importador ou dele exigíveis, conforme disposto na alínea "b", do inciso I, do artigo 14, da Lei nº 4.502/64 e no inciso I, do artigo 47, do CTN. No que diz respeito às operações de saída de produtos industrializados para o mercado interno, a base de cálculo é, em regra, o valor total da operação de saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. É de fácil identificação, que no caso em tela, a GLIKIMPORT seria equiparada a industrial, uma vez que se enquadra no inciso IX do art. 9° do RIPI, e por conseguinte contribuinte do IPI. Fl. 6729DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.668 7 Porém, conforme se demonstra nesse relatório, a GLIKIMPORT apareceu apenas para ocultar a real adquirente das mercadorias, a OITO BRASIL, e por conseguinte ocultar o contribuinte de fato do IPI na saída das mercadorias como estabelecimento equiparado a industrial. Abaixo ilustro o caminho das mercadorias importadas pela GLIKIMPORT até seu destino final: TOTAL DAS IMPORTAÇÕES JAN/2011 A JAN/2014 (vide fluxo fl. 64 do Relatório Fiscal) Pelo que se pode depreender do esquema montado acima, a OITO BRASIL se ocultou das importações realizadas com o objetivo de se afastar da sua condição de contribuinte do IPI, ou seja, equiparado a industrial. Para isso criouse a figura da GLIKIMPORT para atuar como encomendante das importações e, por conseguinte equiparado a industrial, de forma a manipular fraudulentamente a base de cálculo do IPI na venda para o Real Adquirente das mercadorias. Apesar de existir fisicamente, com endereço fixo, com empregados e com armazém de estoque de mercadoria, a GLIKIMPORT nada mais é que uma empresa criada e financiada para se interpor na operação de forma a reduzir a base de cálculo do IPI. O fluxograma acima mostra de forma clara porque houve a inserção da figura da GLIKIMPORT nessa cadeia de empresas. O que se depreende em valores aproximados é uma sonegação de aproximadamente R$ 12.3 milhões (R$ 16.2 – R$ 3.9) de IPI. Conforme já se mencionou no item 1 deste relatório, já houve a autuação do IPI sonegado pela matriz da empresa OITO BRASIL. Este auto visa a lavratura da sonegação do IPI do estabelecimento filial da OITO BRASIL, conforme ilustrado no desenho acima. Concluise então que nessa situação, na qual foram utilizados métodos fraudulentos, com o objetivo de ocultar o real comprador dos produtos de procedência estrangeira, fica configurado o afastamento doloso das suas condições de contribuintes do IPI na figura de estabelecimentos equiparados a industrial, acarretando no intencional não recolhimento do IPI e no descumprimento das obrigações acessórias derivadas da legislação de regência desse imposto.” Dadas as conclusões a que chegou a fiscalização, foram abertos procedimentos fiscais nos estabelecimentos matriz e filial da OITO BRASIL. Foram solicitados documentos e informações sobre as compras de produtos da GLIKIMPORT, recebidos e cuja análise trouxe as seguintes conclusões: “Dentre os documentos entregues pela OITO BRASIL se ressalta a planilha (Tabela 1) com as informações detalhadas sobre as compras de produtos da empresa GLIKIMPORT dos anos de 2011 a 2014. Esta tabela corrobora mais uma vez a informação de que os depósitos efetuados na conta da GLIKIMPORT que financiam os pagamentos à SERTRADING, vem da empresa OITO BRASIL. Segundo a OITO BRASIL, esses depósitos correspondem a venda de mercadorias da GLIKIMPORT para OITO BRASIL. Porém em diversas ocasiões, esses valores ficam muito perto dos valores correspondentes aos serviços pago de importação prestados pela SERTRADING, conforme já demonstrado nesse relatório. Quando isso não acontece, os valores são superiores aos necessários, uma vez que correspondem a esses serviços assim como também ao pagamento de tributos da GLIKIMPORT (IRPJ, CSLL, ICMS e etc), conforme já exposto no item 6.7.3. Fl. 6730DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.669 8 ... Tomandose como base os documentos fornecidos pelas GLIKIMPORT, e nos demais documentos citados nesse relatório é fácil concluir que a empresa OITO BRASIL é o real adquirente das mercadorias importadas por meio das DIs identificadas no inicio desse relatório. Em outras palavras, ficou demonstrado a identificação da OITO BRASIL como o contribuinte oculto do IPI uma vez que esse relatório deixou claro sua condição de real adquirente das mercadorias. ... Com base nas informações da fiscalização na matriz da OITO BRASIL, CNPJ 02.099.642/000115, da qual resultou a lavratura do Auto de infração na OITO BRASIL com solidariedade na empresa GLIKIMPORT, do IPI devido em face de sua real condição de estabelecimento equiparado a industrial, conforme disposto no art. 46, inciso II, combinado com o art. 51, inciso II e parágrafo único, do CTN, e no art 9, inciso I do decreto 7.212/2010, através do PAF n° 10314.724465/201483, fezse necessário a abertura deste procedimento fiscal na filial da OITO BRASIL, CNPJ 02.099.642/000387. Este auto visa a lavratura da sonegação do IPI do estabelecimento filial da OITO BRASIL, CNPJ 02.099.642/000387, conforme ilustrado no desenho acima.” No item seguinte, a Fiscalização citou os dispositivos do Regulamento do IPI que se aplicariam à matéria, além de ementas de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Descreveu a formação da base de cálculo para efeito do lançamento e tratou da sujeição passiva e da responsabilidade tributária. A conclusão final foi a seguinte: “Considerando: a) ter ficado demonstrada a ocultação da OITO BRASIL e a sua condição de real adquirente de mercadorias introduzidas em território nacional mediante fraude, assim como sua condição de contribuinte do IPI; b) que, em decorrência disso, as mercadorias importadas pela GLIKIMPORT para a OITO BRASIL estão sujeitas ao lançamento do IPI na saída das mercadoria do estabelecimento equiparado a industrial; Concluise que resta a esta fiscalização a lavratura de auto de infração dos débitos apurado do IPI com acréscimos de multa e juros , nos termos da legislação vigente, conforme explanado neste relatório. Do total de documentos apresentados pela empresa no curso da fiscalização, procuramos juntar ao presente processo administrativo apenas aqueles diretamente relacionados com as infrações acima referidas e úteis ao entendimento da matéria tributável.” As folhas seguintes (94 a 116) discriminam os valores por período, totalizando, na data do lançamento, R$ 1.301.476,82. O AI foi cientificado aos sujeitos passivos em três de fevereiro de 2015, e as impugnações (GLIKIMPORT – fls. 3618 a 3664 e OITO BRASIL – fls. 2218 a 2261) foram protocolizadas em quatro de março de 2015, portanto tempestivamente. Acompanharam as impugnações os contratos sociais, procurações, inscrição no Fl. 6731DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.670 9 CNPJ, documentos de identificação dos signatários da impugnação; cópias do auto de infração, dos MPF, dos termos de ciência, dos despachos de encaminhamento, dos autos de infração relacionados; históricos das fiscalizações nas empresas Glikimport e Oito Brasil, pedidos de acesso à informação para defesa, pedidos de devolução de prazo para impugnação, comprovantes de bloqueio de acesso aos processos administrativos via eCAC, laudo técnicocontábil, importação e distribuição de produtos concorrentes, jurisprudência do STJ sobre a não incidência do IPI). Nas impugnações, dividiram os assuntos nos seguintes tópicos: reunião dos processos por conexão, histórico e objeto dos autos de infração, nulidades dos autos de infração e do procedimento fiscal, motivos de direito para o cancelamento das autuações, outros aspectos jurídicos envolvidos, inexistência de responsabilidade solidária (Glikimport) e o pedido. Julgamento conjunto dos processos A impugnação iniciou requerendo o julgamento conjunto das impugnações com as apresentadas no cursos dos processos 10314.723792/201418, 10314.724463/201494 e 10314.724465/201483. Acrescentou que, uma vez já terem sido julgados em primeira instância os dois primeiros processos antes referidos, requer o seu sobrestamento até a apreciação dos demais (este e o processo 10314.724465/201483). Complementou o pedido para que, se negada a solicitação acima, que pelo menos o presente processo fosse julgado em conjunto com o processo 10314.724465/201483, pois tratam de matéria idêntica. Acrescenta que a defesa trata de todos os processos de forma consolidada, conforme segue: “De qualquer forma, a Impugnante pede venia para,. no curso da presente defesa, atacar as teses acusatórias tecidas em todos os autos de infração de forma consolidada, o que se repetirá na impugnação a ser apresentada também pela Glikimport contra este auto de infração, na condição de responsável solidária, tendo em vista que os seus conteúdos foram elaborados pelos mesmos patronos e, portanto, serão bastante similares.” Histórico e Objetos do AI As Interessadas descrevem como foram efetuadas as ações fiscais, alegando que, a certa altura, "a fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal n° 354/2014contra a Impugnante, exigindo a entrega de mercadorias importadas à DELEX ou a apresentação de declaração formal de que as mercadorias já teriam sido revendidas ou consumidas." De acordo com as Interessadas, o referido termo listava apenas os números das declarações de importação registradas pela Sertrading (BR) Ltda. e, depois disso, nada mais teria ocorrido, "até que, no último dia 11.7.2014, a Impugnante recebeu em seu domicílio, pelo correio, o Termo de Ciência de Auto de Infração n° 455/2014, dandolhe ciência da lavratura do auto de infração ora impugnado [...]". Referiramse, ainda, aos autos de infração lavrados nos processos 10314.723792/201418, 10314.724463/201494 e 10314.724465/201483, apresentando o seguinte esquema gráfico das autuações: (. . .) Fl. 6732DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.671 10 NULIDADES DOS AUTOS DE INFRAÇÃO E DO PROCEDIMENTO FISCAL As Interessadas referiramse ao conteúdo dos MPF e do relatório fiscal relativo à multa de 10%, no âmbito dos quais foram mencionados fatos relacionados à apuração de "inconsistências encontradas em pesquisas internas na seleção efetuadas por esta Inspetoria" e a valores retirados da "base de dados da Receita Federal, por meio do DW aduaneiro". Afirmaram haver apresentado pedidos de informação sobre as inconsistências, de cópia da Portaria Suari nº 2.906, de 2009, esclarecimentos sobre a base de dados do sistema DW Aduaneiro. Ademais, na mesma ocasião, registraram a falta de resposta ao pedido de devolução do prazo de impugnação, por impossibilidade de acesso ao eCAC (segundo as interessadas, somente tiveram ciência integral do auto de infração, por meio de "CDRom" entre 25 e 28 de julho de 2014). Acrescentouse o seguinte: “Diante desse cenário, algumas questões chamavam e continuam chamando a atenção, conduzindo para a inequívoca nulidade formal dos autos de infração e dos procedimentos fiscais que lhes deram origem: ao contrário do que a fiscalização afirma nos relatórios fiscais, o Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação n° 301/2013 não se fundamentava em nenhum MPFD, mas, sim, no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 0815500213 016741. A confirmar que se tratava de MPF, o Termo n° 301/2013 alertava que o não cumprimento da intimação poderia implicar inclusive embaraço à fiscalização e suspensão de habilitação no RADAR; o Termo n° 301/2013 em momento algum fez qualquer referência à IN 228; em 29.10.2013, quando questionados pelo procurador da Glikimport a respeito da natureza da visita recebida naquela data, os agentes fiscais encarregados afirmaram o seguinte: “só esclarecendo, ainda não existe uma fiscalização aberta em vocês, não... é uma diligência..."; de acordo com o artigo 7º, inc. III, da Portaria n° 3.014/2011, desta Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portaria RFB 3.014), é obrigatório que o mandado de procedimento fiscal contenha a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência)". Se os trabalhos fiscais foram de fato iniciados por MPFD, tal informação foi omitida do texto do Termo n. 301/2013, em descumprimento da citada norma; o mesmo artigo 7º, no seu § 1º, determina que o MPFF indique “o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado”, o que igualmente não foi cumprido no Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação n° 301/2013 (isto, é claro, se partimos da premissa de que se iniciou uma fiscalização em 29.10.2013, o que diverge do próprio esclarecimento verbal dado pelos agentes fiscais ao procurador da Glikimport naquela ocasião); era fundamental identificar se a fiscalização havia sido iniciada ou não por MPFF, MPFD ou mediante o procedimento especial de fiscalização da IN 228, pois os prazos para conclusão do trabalho fiscal são completamente distintos em cada situação, de tal sorte que, se estivéssemos diante de um MPFD, não relacionado à IN 228, a validade do mandado de procedimento fiscal teria se Fl. 6733DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.672 11 exaurido após 60 (sessenta) dias, o que provocaria a nulidade formal de todos os atos subsequentes, inclusive dos próprios autos de infração; o acesso às tais “inconsistências encontradas em pesquisas internas” e à Portaria Suari n° 2.906/2009, era fundamental para verificar se, não obstante jamais se tivesse feito referência à IN 228, a fiscalização teria sido iniciada nos termos do que dispõe o seu artigo 1º, que permite o procedimento especial de fiscalização no caso de “indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira”. Saber quais seriam esses indícios é algo fundamental ao pleno exercício do direito de defesa, não obstante todos os pontos da acusação fiscal estejam a seguir devidamente rebatidos; a abertura dessas informações era também de suma importância para que se pudesse averiguar a adequação da fiscalização e de todos os seus procedimentos àqueles princípios expressamente listados no artigo 1o, § 1o, da Portaria RFB 3.014/11; e por fim, a divulgação da base de dados do sistema DW Aduaneiro também é indispensável, sob pena de prejudicar a verificação dos critérios adotados para cálculo do crédito tributário exigido. (...) Por último, apesar de adiante se comprovar a independência e autonomia existente entre a Impugnante e a Glikimport (em contraposição à tese fiscal), é importante registrar a nulidade da lavratura dos autos de infração enquanto ainda se encontrava pendente de resposta o Termo de Intimação Fiscal n° 354/2014, entregue à Impugnante em 13.6.2014. Referido termo intimava essa empresa a, de duas, uma: (a) entregar à DELEX as mercadorias adquiridas da Glikimport, objeto das Dls ali relacionadas; ou (b) informar se tais mercadorias teriam sido revendidas ou consumidas. Como visto, a Impugnante atendeu à intimação, esclarecendo não deter as informações necessárias para prover nenhuma das duas respostas, uma vez não lhe ser dado saber quais exatamente eram as mercadorias objeto de cada Dl, sendo impossível identificálas e individualizálas. Apesar disso, o auto de infração de pena de perdimento foi ainda assim lavrado, justificandose para tanto que a resposta da Impugnante seria inverídica e teria como objetivo protelar o procedimento fiscal, tendo em vista que as duas empresas teriam “em comum o quadro societário, o endereço e os procuradores”. Além disso, na deturpada visão fiscal, “a GLIKIMPORT é financiada pela OITO BRASIL". Por esses motivos, “em face à não localização das mercadorias importadas com ocultação do sujeito passivo”, se justificaria a pena de perdimento, juntamente com a lavratura dos demais autos.” Afirmaram, por fim, que as duas empresas seriam independentes e autônomas, com sistemas fiscais e contábeis distintos, endereços distintos, quadros societários não idênticos e procuradores independentes. MOTIVOS DE DIREITO PARA O CANCELAMENTO DAS AUTUAÇÕES Segundo as Interessadas, "os quatro autos de infração estão apoiados, direta ou indiretamente, na acusação de que a Glikimport teria incorrido na infração tipificada no artigo 33, da Lei n° 11.488/2007, o que se caracterizaria, nas próprias palavras da fiscalização, pela cessão de nome do importador, que declarase na Dl como sendo o adquirente da mercadoria importada'." Fl. 6734DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.673 12 Após breve histórico, mencionouse a Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, que criou a importação por conta e ordem e a sanção por inaptidão de CNPJ e ajustou a pena de perdimento. Também citaramse a Lei n° 11.281, de 2006, relativamente à importação por encomenda, e a Lei n° 11.488, de 2007, relativamente à ocultação do real interessado na importação. Apresentouse esquema gráfico das modalidades de importações irregulares que teriam sido objeto das mencionadas leis, concluindo que "a hipótese de ocultação somente pode ocorrer mediante a inserção de informação sabidamente incorreta na Declaração de Importação, o que, em qualquer dos cenários acima, apenas pode ser realizado por aquele que se coloca como importador em tal documento." Acrescentouse ainda o seguinte: “O cerne da norma sancionadora é “ceder seu nome, inclusive pela disponibilização de documentos próprios”, revelando tratarse de ilícito que pode ser cometido apenas por quem assume o papel de importador na Dl, sabendo que não é essa a realidade da operação. Ademais, o ato ilícito só pode ser cometido no curso da “realização de operações de comércio exterior”, o que reforça a especificidade da conduta, que obrigatoriamente ocorrerá no curso de uma importação ou exportação, fatos esses utilizados sempre pela legislação federal como sinônimos de “operação de comércio exterior”. O próprio artigo 33, ao estabelecer a base de cálculo da multa de 10%, referese ao “valor da operação acobertada”, cuidando evidentemente do valor da importação, conforme bem regulamenta o artigo 727, § 2o, do Regulamento Aduaneiro (aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009).” Citouse, a seguir, ementa e parte de voto de acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf (Acórdão n° 3102002128, de 28/01/2014. Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento): “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO COMPROVADA. COMPROVADA A OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. MULTA POR CESSÃO DO NOME APLICADA AO IMPORTADOR OSTENSIVO. CABIMENTO. A pessoa jurídica que ceder o nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para fim de realização de operação de importação de terceiros, com a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias, fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação, prescrita pelo art. 33 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Recurso Voluntário Negado” Após analisarse novamente o objetivo das alterações legais, afirmouse o seguinte: No caso sob exame, a tese fiscal é no sentido de que o estratagema ilícito baseado na ocultação redundaria não na falta de pagamento de tributos sobre a importação de mercadorias, mas na ausência de recolhimento do IPI sobre uma terceira operação subsequente à importação, realizada pela Impugnante com os seus clientes. Isto nada tem que ver com aquela figura típica do “dano ao Erário", conforme já bem decidiu o CARF, verbis: "IMPORTAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRINCÍPIO DA TIPICIDADE ATIPICIDADE DA CONDUTA. Fl. 6735DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.674 13 Principio da Tipicidade exige, não só que as condutas tributáveis e as respectivas obrigações e sanções tributárias delas decorrentes, sejam prévia e exaustivamente tipificadas pela lei, mas que a tributabilidade e responsabilidade de uma conduta somente se dêem quando ocorra sua exata adequação ao tipo legal, sendo incabível o emprego de analogia ou interpretação extensiva, para a instituição ou imputação de obrigação tributária (arts. 108, § 1° e 111, inc. III do CTN), não prevista expressamente na descrição da lei tributária especifica. Para a configuração das infrações previstas no art. 105, inc. XI do Decretolei n° 37/66 e art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76, que autorizam a aplicação da severa pena de perdimento ou da multa alternativa (art. 23, § 3o do DecretoLein° 1.455/76), é imprescindível a comprovação do efetivo dano ao erário consubstanciado na falta de pagamento parcial dos tributos aduaneiros em razão de “artifício doloso”, bem como da “ocultação” “mediante fraude ou simulação”, de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, sob pena de atipicidade da conduta." (acórdão 3402002362, Rel. Cons. Fernando Luiz da Gama D’Eça,. em 23.4.2014, g.n.) MOTIVOS DE FATO PARA O CANCELAMENTO DAS AUTUAÇÕES No âmbito deste tópico, as Interessadas defenderam a independência e a autonomia de ambas, mencionando a elaboração de laudo técnico, cujas conclusões principais foram as seguintes: • “As duas empresas são independentes dos pontos de vista legal, financeiro, comercial e operacional; • Ambas as empresas apuram lucros nas suas atividades, operações e sobre eles efetuam os cabíveis recolhimentos de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro; • Os imóveis utilizados pelas matrizes e filiais das empresas são totalmente segregados e pertencem a proprietários distintos; • A Glikimport possui filial no Estado do Espírito Santo, voltada para o suporte às suas operações de importação, enquanto que a Oito Brasil possui filial no Município de São Paulo utilizada como Centro Técnico para treinamento de vendedores, clientes e potenciais clientes; • A Glikimport importa e comercializa, no atacado, apenas duas marcas de cosméticos (L'anza e Paul Mitchell), enquanto que a Oito Brasil adquire e revende, preponderantemente no varejo, diversas marcas de produtos para cabelos (L'anza, Paul Mitchell, Control System I e Control System II), bem como diversos acessórios de uso profissional; • A movimentação de estoques e os fluxos financeiros das duas empresas evidenciam as suas consistências e a inexistência de confusão patrimonial; • Os sistemas contábil, fiscal e de controles de estoques são igualmente distintos e segregados, inexistindo qualquer tipo de confusão. Ademais, o laudo ainda indicaria outras provas, como localização das sedes e das filiais em endereços diferentes, contratos de locação e de armazenagem geral e movimentação próprios etc. Acrescentou o seguinte: Notese que todos esses esclarecimentos foram informados à fiscalização, por escrito e verbalmente, em 29.10.2013, além de terem sido evidenciados in loco, com a sua visita aos estabelecimentos das duas empresas, realizada nessa mesma data Fl. 6736DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.675 14 (não obstante tivesse sido a Glikimport informada que não estava sob fiscalização, como já se viu). Apesar disso, tais elementos foram todos ignorados, tendo preferido a fiscalização se ater a uma falsa percepção da realidade, ou, por exemplo, a fatos irrelevantes como uma simples caixa de papelão reaproveitada, como sendo esse um elemento determinante para sustentar a sua tese de confusão entre as empresas ou de uso de uma para acobertar operações da outra. Ainda neste tópico, alegaram inexistirem adiantamentos financeiros de uma empresa a outra. O laudo técnico juntado com as impugnações teria esclarecido o seguinte: QUESITO 2: Os autos de infração alegam que a Oito Brasil financiaria as operações da Glikimport, antecipandolhe recursos para que essa empresa adquirisse mercadorias da Sertrading (BR) Ltda., que realiza importações por sua encomenda. A fiscalização apresenta gráfico ‘Série Temporal de Saldos das Contas de Nível 2’, onde alega, a partir da conta ‘bancos conta movimento’, que, no período de 1.1.2011 a 1.10.2013, a Glikimport apresentaria saldo bancário em conta corrente próximo do zero. Favor analisar a movimentação bancária do período e confirmar qual a real situação. RESPOSTA AO QUESITO 2: O gráfico apresentado pela fiscalização induz a uma interpretação equivocada da real movimentação financeira da GLIKIMPORT, porque desconsidera os saldos de aplicação financeira automática, contabilizados na própria c/c n ° 3020002 do Bradesco. Examinandose a movimentação bancária efetiva, a partir dos extratos bancários disponibilizados pela GLIKIMPORT à própria fiscalização, conforme item Disponibilidade Bancária na PARTE 2 deste laudo, chegamos a gráfico bastante distinto, que comprova as efetivas disponibilidades em banco durante o período de 1.1.2011 a 1.10.2013. [...] “QUESITO 4: Ao examinar o livro Razão da Glikimport, a fiscalização apresenta duas acusações, que, em conjunto, conduziriam à conclusão de que a Glikimport receberia adiantamentos financeiros da Oito Brasil, o que seria inclusive encoberto por ‘dissimulação contábil'. A primeira acusação é que o lançamento de R$ 251.000,00, na conta ‘Bradesco S/A C/C 3020002’, em 14/02/2011, não corresponderia a nenhum faturamento da Impugnante para a Oito Brasil, representando assim um adiantamento de recursos financeiros. A segunda acusação é que o lançamento de R$ 767.930,26, na conta ‘Cliente Diversos’, em 31/01/2011, estaria ocultando um adiantamento da ordem de R$ 674.812,19, pois em tal data a Glikimport teria emitido somente duas notas fiscais de venda para a Oito Brasil (notas n°s. 156 e 157), que juntas somariam R$ 93.118,07. Estão corretas as duas afirmações feitas pela fiscalização? Houve dissimulação contábil ou algum tipo de fraude na contabilização das operações analisadas? Favor explicar. RESPOSTA AO QUESITO 4: Negativa a resposta, as acusações não procedem. Em relação ao lançamento de R$ 251.000,00 na conta ‘Bradesco S/A C/C 3020002’, realizado em 14/02/2011, este referese ao depósito bancário realizado pela Oito Brasil para pagamento das notas fiscais n°s 153 a 159, emitidas pela Glikimport entre 27/01/2011 e 02/02/2011, conforme informações e relatórios disponibilizados à própria fiscalização. Tratase, portanto, de pagamento de faturas já emitidas e relativas a mercadorias já entregues pela Glikimport para a Oito Brasil, não havendo que se falar em adiantamento. Fl. 6737DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.676 15 Quanto ao lançamento de R$ 767.930,26, este referese às notas fiscais n°s 132 a 157, emitidas pela Glikimport entre 05/01/2011 e 31/01/2011, cujo lançamento contábil na conta ‘Clientes Diversos’ foi efetuado integralmente em 31/01/2011, seguindo o regime de competência, o que é permitido por lei (veja quadro abaixo). Não há que se falar, portanto, em dissimulação, pois tais lançamentos contábeis possuem integridade, existência e exatidão. [...] “QUESITO 3: Ainda com relação à movimentação bancária da Glikimport, favor analisar qual foi o histórico da política de administração de fluxo de caixa dessa empresa. A partir dessa análise, favor informar como a Glikimport financiava as suas operações comerciais de 2011 a 2013. RESPOSTA AO QUESITO 3: Analisada a evolução do capital de giro da Glikimport, conforme item Capital de Giro na Parte 2 deste laudo, concluise que a empresa financiava as suas operações comerciais com o próprio resultado das suas vendas, reinvestindoo em estoque, ao invés de mantêlo em disponibilidades bancárias ou de distribuílo substancialmente aos sócios (embora tenha havido distribuição de lucros). Resumidamente, analisadas as contas do ativo circulante que compõe o capital de giro (bancos + estoques + duplicatas à receber), menos as contas do passivo circulante (fornecedores + Impostos + salários etc...), podese chegar à seguinte representação gráfica da evolução da empresa: [...] Da análise das informações e do gráfico elucidativo acima, constatase que o ILC índice de Liquidez Corrente da Glikimport variou entre 1,56 e 3,84 ao longo do período, o que equivale dizer que a empresa poderia reduzir entre 35,90% e 73,96% o seu ativo circulante e, mesmo assim, manteria seu passivo circulante coberto pelo capital de giro. Graficamente, essa realidade pode ser assim representada: [...] Esses índices demonstram claramente que a empresa possuía capital de giro suficiente e com margem de segurança para manter suas atividades. ” Além disso, haveria outros equívocos nas conclusões da Fiscalização: Com efeito, conforme revelam os dados levantados na “parte 2” do laudo anexo: (i) enquanto a Glikimport paga as faturas da Sertrading (BR) Ltda. num prazo médio de 21 dias; (ii) as suas faturas para a Impugnante são pagas, em média, em 32 dias; enquanto que, por fim, (iii) os clientes finais têm cerca de 55 dias para quitar as faturas dessa última empresa. Diante desse cenário, como se pode pretender afirmar que a Impugnante financiaria a Glikimport, se o prazo médio de pagamento das suas faturas é mais largo do que o prazo de que dispõe a Glikimport para pagar a Sertrading (BR) Ltda.? Não faz sentido lógico, tampouco econômico. [...] “QUESITO 5: Examinando a documentação fiscal e contábil da Glikimport, disponibilizada à fiscalização, é possível identificar se, em algum momento, aquela empresa emitiu notas fiscais de venda para entrega futura contra a Oito Brasil? Fl. 6738DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.677 16 Houve emissão de nota fiscal de simples faturamento, i.e., para recebimento do preço da mercadoria antes da sua entrega à Oito Brasil? RESPOSTA AO QUESITO 5: Negativas são as respostas para ambos os questionamentos. Durante o período em análise, com base nos documentos apresentados à fiscalização, verificamos que a Glikimport emitiu somente notas fiscais com CFOP 5.403 referente à venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, na condição de contribuinte substituto. [...] QUESITO 7: A partir dos elementos examinados e dos argumentos empregados pela fiscalização, nos relatórios fiscais que instruem os autos de infração, é possível afirmar a existência de adiantamentos da Oito Brasil para a Glikimport ou de existência de ‘dissimulação contábil’ para acobertar que a Glikimport era financiada por outra empresa? RESPOSTA AO QUESITO 7: Negativa é a resposta. É importante e fazse necessária a conceituação de ‘Adiantamento de clientes’: Adiantamento de clientes são valores recebidos por conta de compras de produtos ou mercadorias que ainda serão produzidos ou entregues para revenda ou ainda para futuras prestações de serviços. Os valores recebidos devem ser registrados em conta específica de adiantamentos de clientes’, no Passivo Circulante, quando serão baixados quando a mercadoria for entregue ou o serviço for prestado. [...] A respeito, mencionou o Acórdão Carf n° 3201001.033. “QUESITO 6: Nos relatórios fiscais que fundamentam os autos de infração, a fiscalização afirma que, após visita ao estabelecimento da Glikimport em São Paulo, ao analisar as fotos tiradas, notou a presença de uma caixa de papelão com o logotipo da Oito Brasil. A partir desse elemento, afirmou que 'as mercadorias vendidas pela empresa OITO BRASIL saem diretamente do endereço da GLIKIMPORT para seus clientes. Em outras palavras, as mercadorias importadas pela GLIKIMPORT e posteriormente vendidas para a OITO BRASIL permanecem no armazém da GLIKIMPORT. As mercadorias só saem quando a OITO BRASIL as vendas para seus clientes’. A tese procede? RESPOSTA AO QUESITO 6: Negativa é a resposta, a tese não procede. Conforme constatação feita na Parte 1 deste laudo, os fluxos operacionais das duas empresas são independentes e as atividades desenvolvidas em cada um dos seus estabelecimentos são distintas, especialmente do ponto de vista de gestão de estoques e despacho de cargas a clientes. Além disso, os fluxos de giro de estoque abaixo evidenciam que, se estivesse correta a fiscalização, as curvas de oscilação de estoques das duas empresas observariam flutuações idênticas ou similares, o que não ocorre. [...] OUTROS ASPECTOS JURÍDICOS ENVOLVIDOS. Fl. 6739DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.678 17 Neste tópico, as Interessadas reforçam suas afirmações de independência e autonomia entre as empresas, abordando questões como as atividades específicas de cada uma, diversidade da gestão de riscos, representação comercial diversa etc. Na sequência, tratouse da inexistência de fraude ou violação ao art. 112 do Código Tributário Nacional, citando entendimento da doutrina e do Carf. Abordou se, ainda, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre a equiparação do estabelecimento importador a industrial (cópia do acórdão acompanhou as impugnações). PEDIDO Ao final, as Interessadas requereram o seguinte: “Diante de todo o exposto acima, requerse seja dado provimento à presente impugnação, para que então se cancelem este e os demais autos de infração presentemente combatidos, reconhecendose a sua total insubsistência. Ademais, requerse seja deferida à Impugnante a oportunidade para realização de sustentação oral perante a própria DRJ encarregada da análise desta defesa, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa.”. Os documentos que acompanham as respectivas impugnações foram relacionados na fl. 2262 e 3665, e encontramse às fls. 2263 a 3617 e 3666 a 5004. É o relatório." Em 17/06/16, a DRJ em Porto Alegra (RS) julgou as impugnações improcedentes e o Acórdão n° 1057.104 foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2014 PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL NO ÂMBITO DA DELEGACIA DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É descabido o requerimento de sustentação oral, no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por ausência de previsão na legislação que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. CONEXÃO. REUNIÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO CONJUNTO. PERDA DE OBJETO. O pressuposto básico para julgamento conjunto de processos é de que todos estejam pendentes de julgamento. Estando julgados os demais processos que se deseja ver reunidos, resta perdido o objeto do pedido, devendo este ser desconhecido. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A competência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário tem origem na lei. O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de Fl. 6740DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.679 18 controle administrativo da atividade fiscal e eventuais falhas na sua execução não configuram motivo suficiente para abalar a constituição do crédito tributário, se esta se deu conforme os ditames dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 142 do CTN. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. CESSÃO DE NOME PARA A REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR DE TERCEIROS. QUESTÃO ATINENTES E DECIDIDAS, EM PRIMEIRA INSTÂNCIA, EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS ANTERIORES. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 50, § 1º, DA LEI N. 9.784, DE 1999. A motivação da decisão administrativa pode consistir em declaração de concordância com fundamentos de acórdãos anteriores decididos em outros processos administrativos conexos, que, neste caso, serão parte integrante do ato. IPI. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NÃO VINCULAÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA ADMINISTRATIVA. Ainda que proferida em sede de embargos de divergência, não vincula a autoridade julgadora administrativa a decisão do Superior Tribunal de Justiça sobre hipótese de incidência do IPI, desfavorável à Fazenda Nacional, não proferida em sede de recursos repetitivos, ainda não transitada em julgado e, em tese, sujeita à revisão pelo Supremo Tribunal Federal, por aplicar interpretação implícita da Constituição Federal para afastar disposição expressa de lei, compatível com o Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2014 ESTABELECIMENTO IMPORTADOR. SAÍDA DE PRODUTOS IMPORTADOS DIRETAMENTE. SUJEIÇÃO PASSIVA. O estabelecimento importador de produtos estrangeiros é contribuinte do IPI em relação às saídas de tais produtos, independentemente de operar exclusivamente no varejo, excludente que se aplica unicamente a estabelecimentos que não tenham importado os produtos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformados, o sujeito passivo e o responsável solidário interpuseram recursos voluntários, em que repisaram os argumentos contidos nas impugnações e aos quais adicionaram os seguintes "nulidades do julgamento de primeira instância": "denegação de pedido de sustentação oral"; "omissão na análise das provas apresentadas pela recorrente"; e "pretensão à modificação dos critérios jurídicos". Fl. 6741DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.680 19 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira A OITO BRASIL DISTRIBUIDORA LTDA e a responsável solidária, GLIKIMPORT COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., apresentaram recursos voluntários que preenchiam os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Em sede do PAF n° 10314.723792/201418, foi lavrado auto de infração contra a empresa Glikimport Comércio, Importação e Exportação de Cosméticos Ltda. (Glikimport), em que lhe foi aplicada a multa de 10%, prevista no artigo 33, da Lei nº 11.488/2007, sob a acusação de que teria ela cedido o seu nome à Oito Brasil Distribuidora Ltda (Oito) para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, no período de 11/01/11 a 16/01/14. O objetivo seria o evitar que a Oito Brasil Distribuidora Ltda fosse equiparada a industrial e, por conseguinte, tivesse de recolher IPI sobre as vendas dos seus produtos no mercado nacional. Como consequência deste auto de infração, foram lavrados mais três, como segue: i) PAF nº 10314.724463/201494: auto de infração contra o estabelecimento matriz da Oito, com responsabilidade solidária atribuída à Glikimport, para cobrança da pena de perdimento; ii) PAF nº 10314.724465/201483: auto de infração contra o estabelecimento matriz da Oito, com responsabilidade solidária atribuída à Glikimport, para cobrança do IPI sobre a revenda de produtos; e iii) o presente processo, PAF n° 10314.720504/201554, lavrado contra a filial da Oito, com responsabilidade solidária atribuída à Glikimport, também para cobrança do IPI sobre a revenda dos produtos transferidos da matriz para a filial e então vendidos para consumidores finais. Em 30/08/17, os PAF n° 10314.723792/201418 (multa por cessão de nome contra a Glikimport), n° 10314.724463/201494 (pena de perdimento contra o estabelecimento matriz da Oito) e o n° 10314.724465/201483 (IPI sobre revenda de produtos contra o estabelecimento matriz da Oito) foram julgados em segunda instância, em conjunto e pelo mesmo relator, o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Por maioria de votos, foi dado provimento a todos os recursos voluntários, tendo sido apresentadas Declarações de Voto, em sentidos contrários aos do relator, pelo Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Fl. 6742DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.681 20 Em suas essências, os votos condutores são iguais, uma vez que provocados por idênticos recursos voluntários (docs. 07/09, do recurso voluntário). E os votos discordantes também. O recursos voluntários são iguais, motivo pelo qual o presente voto aplicar seá ao sujeito passivo principal (Oito) e ao responsável solidário (Glikimport). PRELIMINAR Vício material nulidade do auto de infração Ao expor suas razões de mérito, as recorrentes suscitaram questão que, por sua natureza, julgo que deve ser tratada como "preliminar", pois dispõe sobre possível vício material que tornaria nulo o auto de infração. Nos recursos voluntários, foi apresentada a seguinte alegação (fls. 5.094 e 5.095): "(. . .) Mesmo que se admitisse a tese da ocultação da Recorrente pela Glikimport, o IPI incidente sobre a posterior saída dos produtos importados deveria ser exigido exclusivamente do estabelecimento matriz da Recorrente, e nunca do seu Centro Técnico, nas posteriores vendas que ele realiza esporadicamente aos profissionais cabelereiros que ali realizam seus cursos. Com efeito, caso prevalecesse a tese fazendária, seria na saída do estabelecimento equiparado a industrial (matriz da Recorrente) que incidiria o IPI. A cobrança do imposto no Centro Técnico somente poderia ser feita caso a matriz a ele transferisse produtos de seu estoque mediante a aplicação facultativa da suspensão do IPI prevista no artigo 43, inc. X, do Regulamento (aprovado pelo Decreto nº 7.212/2010), o que obviamente não ocorreu, pois a Recorrente jamais tributou referidos produtos com o IPI. A possibilidade de suspensão do imposto em questão é uma faculdade concedida pela lei ao contribuinte desse imposto e não pode ser utilizada para fins de a fiscalização alterar a operação a ser fiscalizada e, ao seu bel prazer, escolher exigir parte do IPI contra o Centro Técnico. E mais, ao assim o fazer, negar a esse estabelecimento os créditos do IPI relativos à aquisição desses produtos, como foi reconhecido pela própria fiscalização no processo administrativo nº 10314.724465/201483. Em outras palavras, a incidência do IPI ocorreria, se fosse o caso, no momento da transferência das mercadorias entre matriz e filial, aí se compensando o imposto exigido com os créditos correspondentes, tal como se fez naquele outro auto de infração. Quando a legislação permite a suspensão do IPI nesse tipo de transferência, outorga uma faculdade ao contribuinte, a qual não poderia ser empregada pela fiscalização, tal como aqui feito, como arma para a um só tempo exigir ilegalmente o pagamento do imposto, e mais, negar à Recorrente os créditos das operações anteriores, em flagrante violação ao princípio da nãocumulatividade do IPI. Como se vê, portanto, a autuação é inválida por qualquer ângulo que se tente olhála. Fl. 6743DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.682 21 (. . .)" De acordo com as fls. 72 a 74 do Relatório Fiscal, foram levantadas notas fiscais de entrada e saída da Glikimport e dos estabelecimentos matriz e filial da recorrente. A partir dos códigos internos dos produtos, foram identificadas as mercadorias que saíram da Glikimport e o estabelecimento da Oito (matriz ou filial) que realizou a respectiva revenda. Então, foram apurados os débitos de IPI. De fato, os créditos foram integralmente alocados para o estabelecimento matriz, em razão de terem sido para ele vendidos e posteriormente transferidos para a filial. Contudo, se, para cada mercadoria, foi efetuado somente um lançamento de IPI, relativo à revenda no mercado interno, não vejo prejuízo algum ao contribuinte no procedimento adotado pela fiscalização. Tampouco ilegalidade ou violação ao princípio da não cumulatividade do IPI. Com efeito, nas peças recursais não foi indicada a ocorrência de dupla incidência de IPI sobre um mesmo produto. Desta forma, nego provimento ao argumento. PRELIMINARES E MÉRITO Adoção do Acórdão n° 3402004.367 PAF nº 10314.724465/201483 Por considerálo irretocável, e sob o amparo do § 1° da Lei n° 9.784/99, adoto o voto do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, relativo ao PAF em epígrafe, o qual enfrentou, inclusive, as mesmas preliminares de nulidade. Há robusto conjunto probatório, que demonstra de forma cabal que a recorrente (Oito) e a responsável solidária (Glikimport) eram independentes sob os pontos de vista operacional e financeiro, praticando atividades empresariais distintas, o que justifica plenamente existirem, sob o ponto de vista legal, sob pessoas jurídicas diferentes. Em diversas ocasiões, manifesteime por não acatar alegações da fiscalização, que tinham como objetivo descaracterizar negócios e/ou pessoas jurídicas, em razão de pertencerem aos mesmos sócios, terem negócios que se apresentavam em uma mesma cadeia produtiva ou existirem mútuos ou outro tipo de transferência de recursos, ao invés de recorrerem ao mercado financeiro, onde os juros são geralmente muito altos, o que é comum em um mesmo grupo econômico, em que se procura a otimização do fluxo financeiro. Também rechaço a idéia que geralmente paira sobre contendas desta natureza, ao arrepio da faculdade conferida pela Constituição Federal aos empresários de livremente se organizarem, de que é no mínimo suspeito a organização de negócios, quando o formato não é aquele que redundaria na mais onerosa carga tributária. Enfim, no caso tela, além de irrefutavelmente comprovado, reputo como absolutamente plausível haver uma atividade de importação, com todo o expertise comercial e logístico de que necessita, separada, para todos fins legais, da prática da venda no varejo, que por óbvio, requer a reunião de outros conhecimentos. Passo então à reprodução do voto condutor: "Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro Fl. 6744DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.683 22 14. Os recursos voluntários interpostos preenchem os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento de ambos. I. Das nulidades aventadas pelos Recorrentes (i) Do vício no procedimento fiscal a macular a presente autuação fiscal 15. O primeiro fundamento trazido pelos contribuintes em suas peças recursais é no sentido de que o procedimento fiscal instaurado seria maculado por vícios, fato esse que, por conseguinte, afetaria o próprio auto de infração então decorrente. Nesse sentido é o trecho de fls. 4.404/4.405 da manifestação da recorrente. 16. Em suma, os contribuintes alegam que a suposta imprecisão do MPF impede a precisa identificação temporal para o seu encerramento, o que poderia redundar em uma indevida extensão quanto ao tempo de duração da fiscalização. 17. Entendo, entretanto, que os contribuintes não possuem razão em suas assertivas. Primeiro porque um MPF pode ter seu prazo prorrogado por intermédio de termos de renovação. Ademais, este Tribunal tem jurisprudência consagrada que mesmo a ausência ou superação do prazo de 60 (sessenta) dias para a renovação do MPF não contamina a fiscalização de nulidade, o que digase de passagem não conflita com o disposto no art. 7o, § 2° do Decreto 70.235/721. Em verdade, o que aludido dispositivo faz é explicitar um dos efeitos para o não cumprimento da renovação do mandado de procedimento fiscal em 60 (sessenta) dias, qual seja, o de resgatar a espontaneidade do contribuinte, isso tudo sem prejuízo do transcurso do prazo decadencial do fisco para lançar eventual crédito ou impor uma determinada sanção. 18. Ademais, a Instrução Normativa n. 3.104/11 assim previa: Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; ou II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela expedição do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. (grifos nosso). ______________________________________ 1 "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 2 Efeito este que, digase de passagem, foi reconhecedo pela súmula CARF n. 75, "in verbis": Fl. 6745DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.684 23 "A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo" 19. Conforme se observa do sobredito art. 15, o eventual decurso de prazo de um mandado de procedimento fiscal não implica a nulidade dos atos até então praticados, o que seria flagrantemente atentatório ao princípio da eficiência da Administração Pública. Logo, tal mandado de procedimento fiscal pode ser objeto de ressurreição pelo ato formal de expedição de termo de intimação para a sua continuidade. 20. Nem se alegue, ainda, que seria necessário a expedição de um "novo" mandado de procedimento fiscal, com a mesmíssima substância do anterior, sob pena de uma indevida sobreposição da forma em detrimento do conteúdo, o que também implicaria notória ofensa ao já citado princípio da eficiência da Administração Pública. 21. Ademais, diferentemente do alegado, as recorrentes tiveram pleno acesso ao objeto da fiscalização, o que, inclusive, permitiu que desenvolvessem robustas peças impugnatórias, lastreadas de farta documentação trazida aos autos a título de contraprova. O procedimento fiscal, tal como efetivado, não trouxe qualquer prejuízo para o substancial exercício do direito de defesa das recorrentes, motivo pelo qual afasto a pretensão de nulidade aventada pelos contribuintes. (ii) Da nulidade do julgamento de 1a instância pela denegação do pedido de sustentação oral na DRJ 22. Não obstante, outro fundamento colacionado pelos recorrentes seria a pretensa nulidade da decisão proferida pela DRJ pelo fato de ter sido denegada a oportunidade dos contribuintes realizarem sustentações orais perante o órgão de 1a instância administrativa. 23. Embora reconheça a importância da sustentação oral como instrumento de defesa dos contribuintes e, ainda, como medida cooperativa da parte litigante para o aperfeiçoamento da atividade judicativa atipicamente exercida no âmbito do processo administrativo fiscal (art. 6o do CPC/2015), não identifico ofensa ao princípio do devido processo legal e seus consectários lógicos (ampla defesa e contraditório) na hipótese de denegação de sustentação oral no seio dos julgamentos realizados pelas DRJ's, exatamente como ocorrido no caso em tela. 24. Primeiramente, insta destacar que o princípio do devido processo legal e seus consectários lógicos, embora sejam considerados garantias fundamentais dentro do ordenamento constitucional brasileiro e, por isso, cláusulas pétreas (art. 60, § 4o, inciso IV da Constituição Federal), não apresentam um caráter absoluto. Em outros termos, o que se afirma aqui é que mesmo direitos fundamentais podem ser objeto de limitações, em especial quando ponderados em face de outros valores constitucionais também caros para o direito, como as ideias de celeridade e duração razoável do processo. 3 Mesmo o direito a vida, considerado o mais importante direito tutelado pelo ordenamento constitucional, é passível de limitações, como, "e.g.", na hipótese de guerra externa ou ainda em situações em que tal bem é ofendido em razão do exercício de legítima defesa ou estado de necessidade. 25. Na hipótese questionada pelos contribuintes não há previsão legal para a sustentação oral o que, eventualmente, poderia ensejar a convocação subsidiária do Fl. 6746DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.685 24 art. 937 do CPC/2015, o que, em tese, daria subsídio ao pleito do contribuinte. Há que se lembrar, entretanto, que o citado Codex entrou em vigência em março de 2016, enquanto que o caso em julgamento foi decidido pela DRJ em 24 de fevereiro de 2015, não havendo, portanto, que se falar em pretensa aplicação subsidiária do CPC à época do julgamento. 26. Ademais, pela necessidade de previsão legal ou regimental para fins de sustentação oral assim já decidiu o STF quando do julgamento da ADI 705: ADIN ENTIDADE DE CLASSE NOÇÃO CONCEITUAL CONFEDERAÇÃO SINDICAL INOCORRÊNCIA DOS SEUS REQUISITOS CONFIGURADORES AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM AÇÃO DIRETA DE QUE NÃO SE CONHECE. AGRAVO REGIMENTAL QUESTÃO DE ORDEM IMPOSSIBILIDADE DE SUSTENTAÇÃO ORAL (RISTF, ART.131, PAR. 2.) NORMA REGIMENTAL COMPATÍVEL COM A CONSTITUIÇÃO DE 1988 INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA OU _____________________________ OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. O preceito inscrito no regimento interno do Supremo Tribunal Federal (art. 131, par. 2.), que exclui a possibilidade de sustentação oral nos julgamentos de agravo, embargos declaratórios, arguição de suspeição e medida cautelar, não ofende o princípio do contraditório e nem vulnera o postulado da plenitude de defesa, proclamados pela Constituição da República em seu art. 5., inciso lV. (...) (ADI 705 AgRQO, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 24/06/1992, DJ 08041994 PP 07224 EMENT VOL0173903 PP00431 RTJ VOL0015203 PP00782). 27. Em outra oportunidade, o STF deixou expresso que circunstâncias concernentes à celeridade e à racionalização do funcionamento do órgão julgador são causas idôneas para conformar limitações a participação dos advogados no julgamento, sem, com isso, afetar o conteúdo jurídico dos princípios do contraditório e da ampla defesa: QUESTÃO DE ORDEM EM AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEI 9756/98. ARTIGO 557/CPC. AGRAVO INTERNO. SUSTENTAÇÃO ORAL. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. 1. Recurso extraordinário. Aplicação do artigo 557 do Código de Processo Civil. Procedência da impugnação por estar o acórdão recorrido em confronto com a jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental contra a decisão do relator, no qual à parte agravante caberá infirmar a existência dos requisitos necessários à prolação do ato monocrático. Fl. 6747DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.686 25 2. Agravo regimental. Sustentação oral. Impossibilidade, por cuidarse de procedimento contrário à ratio do artigo 557, § 1º, do Código de Processo Civil, tornando inócua a alteração legislativa, cuja finalidade essencial é a de dar celeridade à prestação jurisdicional. Ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Inexistência, visto que a norma constitucional não impede a instituição de mecanismos que visem à racionalização do funcionamento dos Tribunais. 3. Questão de Ordem resolvida no sentido do nãocabimento de sustentação oral no julgamento do agravo interposto da decisão fundamentada no § 1o do artigo 557 do Código de Processo Civil. (RE 227089 AgRQO, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 08/06/2000, DJ 21112003 PP 00008 EMENT VOL0213304 PP00653) (grifos nosso). 28. Diante do exposto, também rechaço essa preliminar desenvolvida pelas recorrentes. (iii) Da suposta alteração de critério jurídico por parte da decisão recorrida 29. Outro fundamento preliminarmente desenvolvido pelas recorrentes diz respeito a suposta alteração de critério jurídico por parte da decisão recorrida. 30. Em um primeiro momento, alegam que a acusação fiscal foi no sentido de que a Glikimport teria cedido seu nome para a Oito Brasil, enquanto que o acórdão recorrido teria tratado a questão como interposição fraudulenta. 31. Em relação a tal ponto, não é demais reforçar que os fatos aqui apurados redundaram em 03 diferentes autos de infração, aqui reunidos para julgamento único em razão da conexão vindicada pelo contribuinte e reconhecida por este Tribunal. Nestes 03 autos de infração foram exigidas duas sanções de caráter aduaneiro e uma importância de natureza tributária. Em relação às sanções aduaneiras, a particular acusação formulada neste auto de infração é no sentido de que a empresa Oito Brasil seria a real importadora dos bens aqui tratados, tendo sido acobertada, fraudulentamente, pela empresa Glikimport que, por seu turno, teria cedido seu nome para a Oito Brasil. 32. Logo, não há dúvida que, desde o início da fiscalização, a acusação fiscal adequada ou não sempre foi de fraude por parte das empresas Oito Brasil e Glikimport, fraude essa que redundou em diferentes sanções aduaneiras. Aliás, o termo fraude é recorrentemente empregado pelo fiscal no Auto de Infração, mais particularmente no Relatório Fiscal. Logo, não há que se falar em alteração do critério jurídico por parte da decisão vergastada. 33. Por fim, os outros fundamentos para uma aparente alteração do critério jurídico por parte da decisão recorrida se confundem com o mérito, motivo pelo qual serão analisadas no tópico subsequente. ____________________ 4 Relatório fiscal (fl. 35): "(...). O Sr. Renato esclarece que o endereço que está registrado como sendo da empresa GLIKIMPORT, Rua Américo Brasiliense 2119, é na verdade o armazém da empresa. O endereço da matriz é na Rua Américo Brasiliense 2109, ou seja, no mesmo endereço da empresa OITO BRASIL. (...)." Fl. 6748DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.687 26 II. Do Mérito 34. Ainda preliminarmente, os contribuintes alegam a nulidade da decisão recorrida, uma vez que a mesma não teria analisado o farto acervo probatório acostado com as com as impugnações. Entendo, todavia, que tal questão se confunde com o mérito, motivo pela qual será tratada no presente tópico. (i) Das provas e contraprovas produzidas nos autos 35. Neste momento do presente voto é indispensável analisar se houve ou não em concreto a chamada interposição fraudulenta a configurar, pois, o acobertamento da empresa Oito Brasil pela cessão de nome da empresa Glikimport. Assim, a presente decisão necessariamente perpassa pela ponderação acerca das provas realizadas pela fiscalização e das contraprovas produzidas pelos Recorrentes. 36. Nesse sentido, insta aqui destacar que a fiscalização pauta a acusação de interposição fraudulenta com base nos seguintes elementos fáticojurídicos: (i) confusão entre os endereços da Glikimport e Oito Brasil, uma vez que no endereço da importadora cadastrado perante a RFB seria apenas o seu armazém para o estoque das mercadorias importadas, sendo o seu escritório no prédio ao lado, no mesmo estabelecimento em que situada a Oito Brasil; (ii) que o quadro societário de ambas empresas autuadas apresentam os mesmos sócios, i.e, as pessoas de Natália Amadeu Landsberger Glik e Cristiane Amadeu Vasconcelos; (iii) que ambas empresas autuadas possuem os mesmo procuradores, i.e., os Srs. Renato Santos Telles Rudge, Brunno Amadeu Muniz Barreto Romano e Cláudio Cabido Vasconcelos, os quais possuem poderes para, isoladamente, independente da ordem de nomeação, tratar e resolver sobre qualquer assunto, negócio e interesse das outorgantes, podendo praticar, resumidamente, entre outros, os seguintes atos: movimentar contas bancárias, emitir e endossar cheques, representálas perante Repartições Públicas, dentre outras atividades; (iv) que todos os produtos adquiridos mediante importação pela empresa Glikimport são revendidos apenas para a empresa Oito Brasil, já que está última é a encarregada de distribuir no Brasil os produtos das marcas L'anza e Paul Mitchell. Assim, a Oito Brasil existiria com o único propósito de comprar e revender as mercadorias importadas pela Glikimport; e, ainda _____________________ 5 Relatório fiscal fl. 53: "O quadro abaixo mostra que no mesmo dia do pagamento para a importadora SERTRADING dos valores das notas fiscais de vendas das mercadorias importadas por encomenda, ou em dias muito próximos, a OITO BRASIL depositava, de forma recorrente, valores semelhantes na conta da GLIKIMPORT. Há também depósitos de valores maiores aos pagamentos à SERTRADING, mas que são facilmente explicados uma vez que havia também no mesmo dia outros pagamentos a serem realizados pela GLIKIMPORT como pagamentos de tributos (ICMS, IRPJ e Contribuições). Exemplificando: no dia 14/02/11, abaixo, foi feito o pagamento de R$ 245.444,25 para pagamento da NF 5323 e no mesmo dia houve um deposito de R$ 251.000,00 na conta da GLIKIMPORT feito pela empresa OITO BRASIL e assim sucessivamente para pagamento da SERTRADING. (...)." (v) ao analisar o balancete da empresa Glikimport a fiscalização constatou saldo finais de contas bancárias praticamente zeradas, o que atestaria que a importadora teria suas operações financiadas por interposta pessoa, i.e., a Oito Brasil. Tal fato seria reforçado com a prova de que, em algumas importações por encomenda realizadas pela Glikimport por intermédio da empresa Sertrading, o Fl. 6749DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.688 27 pagamento da trading era feito no mesmo dia ou em dias próximos em que a Glikimport recebia valores da Oito Brasil. 37. Em suma, a fiscalização defende que a suposta interposição fraudulenta descortinada teria por propósito, preponderantemente, minorar a base de cálculo do IPI incidente na operação, o que redundaria, por conseguinte, na redução do valor devido para este imposto. É o que se depreende do seguinte trecho do Relatório Fiscal (fl. 70): (...). Pelo que se pode depreender do esquema montado acima, a OITO BRASIL se ocultou das importações realizadas com o objetivo de se afastar da sua condição de contribuinte do IPI, ou seja, equiparado a industrial. Para isso criouse a figura da GLIKIMPORT para atuar como encomendante das importações e, por conseguinte equiparado a industrial, de forma a manipular fraudulentamente a base de cálculo do IPI na venda para o Real Adquirente das mercadorias. Apesar de existir fisicamente, com endereço fixo, com empregados e com armazém de estoque de mercadoria, a GLIKIMPORT nada mais é que uma empresa criada e financiada para se interpor na operação de forma a reduzir a base de cálculo do IPI. (...). 38. Com o objetivo de fazer contraprova à acusação fiscal e, em especial, para demonstrar o propósito negocial das diferentes operações empresariais perpetradas pela Glikimport e pela Oito Brasil, as recorrentes trouxeram robusto laudo técnico (fls. 2.671/2.832) que atestaria a absoluta autonomia das atividades empresariais por elas desempenhadas. 39. Em relação ao endereço das empresas em questão, as recorrentes fazem questão de frisar que, embora vizinhas, tratamse de estabelecimentos nitidamente distintos, como demonstram as fotos acostadas as fls. 2.691 e 2.698 dos autos. 40. Para reforçar a autonomia física das empresas provam que os dois imóveis são locados e apresentam proprietários distintos. A recorrente Glikimport prova, inclusive, que contrata serviço de armazenagem e estocagem dos produtos por ela importados junto a empresa Cotia Armazéns Gerais S.A. (contrato de fls. 2.783/2.785), o que afasta qualquer ilação de que a recorrente não teria estrutura física para realizar suas operações ou de que se valeria da estrutura física da empresa Oito Brasil para tanto. Ainda quanto a este tópico, as recorrentes comprovam que ambas empresas possuem filiais em locais absolutamente distintos. A Glikimport possui filial em Vitória/ES, em um imóvel também locado, enquanto a Oito Brasil possui ainda outros 03 imóveis locados na cidade de São Paulo, todos situados na Avenida Nove de Julho, n. 3.452 (salas 72, 73 e 74), onde o contribuinte promove o treinamento de equipes de vendas e realiza apresentação para clientes e potenciais clientes. É o que se observa das fotos extraídas do citado laudo técnico (fls. 2.691 e 2.698). 41. Em relação ao fato de possuírem as mesmas sócias as recorrentes alegam, e com razão, que não há qualquer ilicitude em tal fato e, ainda, que tal estruturação societária não é, por si só, suficiente para atestar uma pretensa confusão entre as empresas recorrentes, o mesmo valendo para a questão dos seus representantes legais. 42. Não obstante, a recorrente Oito Brasil também refuta a acusação de que existiria apenas com o fito único de comprar e revender as mercadorias importadas Fl. 6750DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.689 28 pela Glikimport. Para comprovar tal fato, atesta que além das mercadorias adquiridas pela empresa Glikimport, também adquire os produtos Contro System I, da empresa Farmoderm, bem como o produto Control System II, da empresa Concepcion (notas fiscais exemplarmente acostadas as fls. 2.809/2.810), ou seja, adquirem produtos de fabricantes distintos e concorrentes da exportadora das marcas L'anza e Paul Mitchell. 43. Por fim, em relação ao último apontamento da acusação fiscal, qual seja, de que o balancete da empresa Glikimport apontaria saldos finais de contas bancárias próximos de zero, o que atestaria que a importadora teria suas operações financiadas por interposta pessoa, a recorrente Glikimport demonstra o equívoco da assertiva fiscal. Segundo o laudo pericial, o gráfico elaborado pela fiscalização e referente aos lançamentos contábeis na conta Bradesco n. 3020002 simplesmente desconsiderou os saldos de aplicação financeira automática, contabilizados na própria conta (extratos de fls. 370/508 dos autos n. 10314.724463/201494). Vejamos a resposta do expert para a presente questão: (...). RESPOSTA AO QUESITO 02: O gráfico apresentado pela fiscalização induz a uma interpretação equivocada da real movimentação financeira da GLIKIMPORT, porque desconsidera os saldos de aplicação financeira automática, contabilizados na própria c/c n. 3020002 do Bradesco.Examinandose a movimentação bancária efetiva, a partir dos extratos bancários disponibilizados pela GLIKIMPORT à própria fiscalização, conforme item Disponibilidade Bancária na PARTE 2 deste laudo, chegamos a gráfico bastante distinto, que comprova que as disponibilidades em banco durante o período de 1.1.2011 a 1.10.2013. Comparativamente temos o seguinte: (...). RESPOSTA AO QUESITO 2: Analisada a evolução do capital de giro da GLIKIMPORT, conforme item Capital de Giro na PARTE 2 deste laudo, concluise que a empresa financiava as suas operações comerciais com o próprio resultado das suas vendas, reinvestindoo em estoque, ao invés de mantêlo em disponibilidades bancárias ou de distribuílo substancialmente aos sócios (embora tenha havido distribuição de lucros). Resumidamente, analisadas as contas do ativo circulante que compõe o capital de giro (bancos + estoques + duplicatas à receber), menos as contas do passivo circulante (fornecedores + impostos + salários etc...), podese chegar à seguinte representação gráfica da evolução da empresa: (. . .) Da análise das informações e do gráfico elucidativo acima, constatase que o ILC Índice de Liquidez Corrente da GLIKIMPORT variou entre 1,56 e 3,84 ao longo do período, o que equivale dizer que a empresa poderia reduzir entre 35,90% e 73,96% o seu ativo circulante e, mesmo assim, manteria seu passivo circulante coberto pelo capital de giro. Graficamente essa realidade pode ser assim representada: (. . .) 44. Não obstante, outro ponto relevante trazido pelo laudo técnico e que refuta a acusação de que a Glikimport teria suas operações "financiadas" previamente pela Oito Brasil é a comparação de movimentação de estoques das duas empresas, as fls. 2.682/2.683 dos autos. Fl. 6751DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.690 29 45. Se de fato houvesse o "patrocínio" das operações da Glikimport pela Oito Brasil haveria, por conseguinte, uma sinergia para a movimentação de estoques das empresas. Em outros termos, haveria uma aproximação das linhas apontadas nos gráficos alhures transcritos, o que, como visto, não ocorreu para o período fiscalizado. A análise, em especial, do período posterior a maio de 2011 deixa isso muito claro. Neste período observase uma curva ascendente de movimentação de estoque por parte da Glikimport, enquanto que, para a Oito Brasil, há uma tendência de estagnação. 46. Por fim, para clarificar de vez a autonomia entre as empresas fiscalizadas, as recorrentes descrevem as particularidades das operações perpetradas por ambas, demonstrando existir gestão de risco e expertise próprias para cada uma das atividades empresariais desenvolvidas. 47. Nesse sentido, destaco que a Glikimport atua no mercado exterior, o que demanda o preenchimento de inúmeros pressupostos formais e requisitos particulares para esse fim. Além disso, é responsável pela internação no país de produtos de beleza, os quais demandam registro perante a ANVISA, o que exige uma expertise no atendimento de uma burocracia muito particular (e.g. fls. 2.740/2.761). Ademais, no âmbito nacional, atua no mercado atacadista, o que implica a existência de uma logística muito mais simples. Não obstante, a concentração das suas vendas em um adquirente gera um menor risco creditício, permitindo, pois, que tal empresa recorrente trabalhe com uma margem de lucro menor. 54. (ERRO NA NUMERAÇÃO DOS PARÁGRAFOS) Por sua vez, a Oito Brasil é uma empresa que comercializa produtos de beleza profissionais no varejo, i.e., para salões de beleza espalhados pelo país. Tal fato já denota a existência de uma equipe de representante comerciais, a qual deve ser devidamente treinada para vender produtos com especificidades que lhes são próprias. Além disso, as vendas são difundidas por todo o país, o que além de tornar complexa a logística, também implica em um maior risco de inadimplência. Logo, é natural que tal empresa recorrente trabalhe com uma margem de lucro maior. 55. Neste tópico em particular insta registrar que, apesar de acusar as recorrentes de segregar suas atividades para fim de se beneficiarem de uma incidência diminuta de IPI, em momento algum a fiscalização prova que (i) tal modelo de negócio (segregação de atividades empresariais) é incomum no âmbito do nicho empresarial das recorrentes e que (ii) haveria uma discrepância em relação às margens de lucro praticadas pelos contribuintes, em especial no caso da empresa Glikimport (importadora). Em verdade, quer parecer que a fiscalização parte da equivocada e obsoleta premissa que toda e qualquer atividade empresarial deve estruturar de modo a gerar a maior carga tributária possível, subvertendo, portanto, a ordem das coisas e ignorando, por completo, a lícita existência de medidas de elisão fiscal. Ao assim agir a fiscalização quer se arvorar de uma competência que não tem, qual seja, de pautar operações empresariais, denotando um absurdo viés ideológico próprio de ordenamentos totalitaristas. 56. Em conclusão, não se ignora aqui uma óbvia aproximação entre as atividades empresariais desenvolvidas pelas recorrentes, fato este que, por si só, no presente caso decidendo, não redunda na configuração de um negócio jurídico dissimulado ou fraudulento. Aliás, essa aproximação lícita é própria das operações empresariais entre empresas atacadistas e varejistas. 57. Diante de tais justificativas, entendo ser perfeitamente compreensível sob uma perspectiva econômica a existência de uma empresa importadora de produtos Fl. 6752DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.691 30 de beleza profissionais e que, no âmbito nacional, atua no mercado atacadista, segregada de outra pessoa jurídica, que comercializa estes mesmos produtos em outro nicho comercial, i.e., o comércio varejista. Nesse sentido, i.e., entendendo ser juridicamente válida a segregação lícita de atividades empresariais, já decidiu este tribunal administrativo: Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. ABUSO DE DIREITO. SEGREGAÇÃO DE ATIVIDADES ECONÔMICAS. REQUISITOS. A segregação de diferentes atividades econômicas em duas entidades é admissível, mesmo que dela decorra economia tributária, quando realizada previamente à ocorrência dos fatos geradores e revelar evidentes ganhos extrafisais decorrentes do efetivo desenvolvimento dessas atividades separadamente e em estruturas independentes e com administração, corpo de funcionários e instalações próprios. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. (Acórdão n. 3403002.854, j. em 26/03/2014; Relator Conselheiro Alexandre Kern) (grifos nosso). Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. (Acórdão n. 1302001.713, j. em 26/03/2014; Relator Conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araújo) (g.n.). 58. É exatamente o caso dos autos, já que as empresas em questão, com atividades econômicas próprias, iniciaram suas atividades muito antes (mais de 10 anos) dos fatos aqui fiscalizados. Aliás, no caso da Glikimport isso era imprescindível, já que para operar no mercado exterior o tempo de existência da empresa e volume de operações empresariais (o que só ocorre no fluxo do tempo) são pressupostos para obtenção e condições do RADAR. Fl. 6753DF CARF MF Processo nº 10314.720504/201554 Acórdão n.º 3301004.854 S3C3T1 Fl. 6.692 31 59. Assim, diante do vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelo contribuinte, resta claro que não houve, no presente caso, interposição fraudulenta, mas sim operações empresariais válidas e com nítido propósito econômico, em perfeita sintonia, portanto, com o princípio constitucional da livre iniciativa privada. Logo, não há que se falar em incidência de diferenças de IPI nas operações fiscalizadas. Dispositivo 60. Diante do exposto, voto pelo provimento total dos recursos voluntários interpostos pelos contribuintes. 61. É como voto. Relator Diego Diniz Ribeiro Relator" CONCLUSÃO Nego provimento às preliminares de nulidade e, no mérito, dou provimento aos recursos voluntários interpostos por OITO BRASIL DISTRIBUIDORA LTDA. e pela responsável solidária, GLIKIMPORT COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 6754DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000621/2010-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.330
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 06 21 /2 01 0- 51 Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11020.000621/201051 Acórdão n.º 9303007.330 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 330201.518, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2012. O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: despesas com embalagens e com aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras. Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens reconhecidos como insumos pela decisão recorrida: despesas com manutenção de empilhadeiras; com aquisição de GLP e despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11020.000621/201051 Acórdão n.º 9303007.330 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.328, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.000608/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.328): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras (manutenção e aquisição de GLP) e despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11020.000621/201051 Acórdão n.º 9303007.330 CSRFT3 Fl. 5 4 consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11020.000621/201051 Acórdão n.º 9303007.330 CSRFT3 Fl. 6 5 empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 412DF CARF MF Processo nº 11020.000621/201051 Acórdão n.º 9303007.330 CSRFT3 Fl. 7 6 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os Fl. 413DF CARF MF Processo nº 11020.000621/201051 Acórdão n.º 9303007.330 CSRFT3 Fl. 8 7 efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. (...) No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; (2) despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11020.000621/201051 Acórdão n.º 9303007.330 CSRFT3 Fl. 9 8 atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do direito de crédito quanto às despesas com material de embalagem (embalagem de transporte), por ser entendimento que foi vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.328. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 11020.000621/201051 Acórdão n.º 9303007.330 CSRFT3 Fl. 10 9 Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11020.000621/201051 Acórdão n.º 9303007.330 CSRFT3 Fl. 11 10 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11020.000621/201051 Acórdão n.º 9303007.330 CSRFT3 Fl. 12 11 2) Materiais utilizados para embalagens de transporte Conforme acórdão recorrido, tratam se dos seguintes itens: "tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets". Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos itens referentes às embalagens de transporte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para restabelecer as glosas de crédito em relação aos itens referentes às embalagens de transporte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.005938/98-14
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRF - IMPOSTO DE RENDA NA FONTE — FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO — GLOSA DA COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — A tributação pela pessoa física, na declaração de ajuste anual, da base de cálculo reajustada e a compensação do imposto considerado ônus da fonte pagadora só é admissível caso a fonte pagadora
tenha efetuado o reajuste e fornecido ao beneficiário o informe de rendimentos que evidencie o valor reajustado e o imposto correspondente. Por outro lado, a falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de inclui-los, para tributação, na declaração de ajuste anual. Desta forma, a falta de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte enseja a glosa da compensação, na declaração de ajuste, de montante equivalente.
IRF — IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TITULO DE ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO APURADO APÓS A DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO - Se a previsão da tributação na fonte dá-se por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e se a ação fiscal ocorrer após a data de entrega desta declaração anual, descabe a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a titulo de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome do beneficiário do rendimento.
VISTAS DO PROCESSO FORA DOS ÓRGÃOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO LANÇAMENTO - O art. 38, da Lei n° 9.250, de 1995, proíbe a saída de processos fiscais relativos a tributos, contribuições e penalidades isoladas, dos órgãos da Secretaria da Receita Federal, excetuando quando se tratar de encaminhamentos de recursos à instância superior, de restituições de autos aos órgãos de origem ou de encaminhamentos de documentos para fins de processamento de dados.
REABERTURA DO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO LANÇAMENTO - O § 3° do art. 18, do Decreto n° 70.235, de 1972, introduzido pelo art. 1°, da Lei n° 8.748, de
1993, somente autoriza a reabertura do prazo para impugnação concernente a matéria modificada em exames posteriores, diligências ou pendas realizados no curso do processo.
DEMORA NA ENTREGA DA CÓPIA DO PROCESSO - AUSÊNCIA DE PEDIDO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE DO LANÇAMENTO - O Interessado tem o direito de ter vistas ao processo fiscal
dentro da repartição lançadora e no prazo para a impugnação. Não
exercendo esse direito, a discussão sobre a demora na entrega da cópia do processo, cujo fornecimento não foi requerido pelo interessado, não pode ser oposta como uma das hipóteses prováveis de cerceamento do direito de defesa, aludido no art. 59, do Decreto n° 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pelo art. 1°, da Lei n° 8.748, de 1993.
IRPF — GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA DISPONÍVEL — SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA - BASE DE CÁLCULO - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 1° de janeiro de 1989, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de
capital forem percebidos, incluindo-se, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurada através de planilhamento financeiro (-fluxo de caixas), onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade da apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais, o saldo de disponibilidade de um mês pode ser aproveitado no mês subsequente, desde que seja dentro do mesmo ano-calendário.
IRPF - MEIOS DE PROVA - A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (C.P.C., art. 131 e 332 e Decreto n° 70.235/72, art. 29).
Recurso de ofício provido.
Preliminares rejeitadas.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 104-17.769
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos DAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol, que provia parcialmente para excluir do acréscimo patrimonial o montante relativo ao mês de dezembro de 1996.
Nome do relator: Nelson Mallmann
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MINISTÉRIO DA FAZENDA '11 fiN ka PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "' "CÇA.C: #* QUARTA CAMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Recurso n°. : 122.056— EX OFF/C/O e VOLUNTÁRIO Matéria : IRPF - Ex(s): 1995 a 1997 Recorrentes : DRJ no RIO DE JANEIRO - RJ e BELINE JOSÉ SALLES RAMOS Sessão de : 05 de dezembro de 2000 Acórdão n°. : 104-17.769 IRF - IMPOSTO DE RENDA NA FONTE — FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO — GLOSA DA COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — A tributação pela pessoa física, na declaração de ajuste anual, da base de cálculo reajustada e a compensação do imposto considerado ónus da fonte pagadora só é admissivel caso a fonte pagadora tenha efetuado o reajuste e fornecido ao beneficiário o informe de rendimentos que evidencie o valor reajustado e o imposto correspondente. Por outro lado, a falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de inclui-los, para tributação, na declaração de ajuste anual. Desta forma, a falta de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte enseja a glosa da compensação, na declaração de ajuste, de montante equivalente. IRF — IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TITULO DE ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO APURADO APÓS A DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO - Se a previsão da tributação na fonte dá-se por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e se a ação fiscal ocorrer após a data de entrega desta declaração anual, descabe a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a titulo de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome do beneficiário do rendimento. VISTAS DO PROCESSO FORA DOS ÓRGÃOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO LANÇAMENTO - O art. 38, da Lei n.° 9.250, de 1995, proíbe a saída de processos fiscais relativos a tributos, contribuições e penalidades isoladas, dos órgãos da Secretaria da Receita Federal, excetuando quando se tratar de encaminhamentos de recursos à instância superior, de restituições de autos aos órgãos de origem ou de encaminhamentos de documentos para fins de processamento de dados. REABERTURA DO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO LANÇAMENTO - O § 3° do art. 18, do Decreto n.° 70.235, de 1972, introduzido pelo art. 1°, da Lei n.° 8.748, de 1993, somente autoriza a reabertura do prazo para impugnação concernente .1' e b. - 1' • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 a matéria modificada em exames posteriores, diligências ou pendas realizados no curso do processo. DEMORA NA ENTREGA DA CÓPIA DO PROCESSO - AUSÊNCIA DE PEDIDO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE DO LANÇAMENTO - O Interessado tem o direito de ter vistas ao processo fiscal dentro da repartição lançadora e no prazo para a impugnação. Não exercendo esse direito, a discussão sobre a demora na entrega da cópia do processo, cujo fornecimento não foi requerido pelo interessado, não pode ser oposta como uma das hipóteses prováveis de cerceamento do direito de defesa, aludido no art. 59, do Decreto n.° 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pelo art. 1°, da Lei n.° 8.748, de 1993. IRPF — GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA DISPONÍVEL — SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA - BASE DE CÁLCULO - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 1° de janeiro de 1989, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo-se, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurada através de planilhamento financeiro (-fluxo de caixas), onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade da apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais, o saldo de disponibilidade de um mês pode ser aproveitado no mês subsequente, desde que seja dentro do mesmo ano- calendário. IRPF - MEIOS DE PROVA - A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (C.P.C., art. 131 e 332 e Decreto n.° 70.235/72, art. 29). Recurso de ofício provido. Preliminares rejeitadas. Recurso voluntário negado. 2 • , e 1: 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA -r n PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos interpostos pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO no RIO DE JANEIRO - RJ e por BELINE JOSÉ SALLES RAMOS. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos DAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol, que provia parcialmente para excluir do acréscimo patrimonial o montante relativo ao mês de dezembro de 1996. -~ke. LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE 1,1 (S-01( • Ntf" LATO' FORMALIZADO EM: 26 JAN 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ELIZABETO CARREIRO VARÃO e JOÃO LULS DE SOUZA PEREIRA. 3 • n • r4 a . .n MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Recurso n°. : 122.056 Recorrentes : DRJ no RIO DE JANEIRO — RJ e BELINE JOSÉ SALLES RAMOS RELATÓRIO O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO no RIO DE JANEIRO — RJ, recorre de ofício, a este Conselho de Contribuintes, de sua decisão de fls. 775/787, que deu provimento parcial à impugnação interposta pelo contribuinte, declarando insubsistente, em parte, o crédito tributário constituído pelo Auto de Infração de fls. 693/700. Da mesma forma, BELINE JOSÉ SALLES RAMOS, contribuinte inscrito no CPF/MF 575.873.537-04, com domicilio na cidade de Vitória, Estado do Espírito Santo, à Praça San Martin, n.° 84— Sala P.01, Praia do Canto, jurisdicionado à DRF em Vitória - ES, inconformado com a decisão de primeiro grau de fls. 7751188, prolatada pela DRJ no Rio de Janeiro - RJ, recorre a este Conselho pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 808/816. Contra o contribuinte, acima mencionado, foi lavrado, em 29/09/98, o Auto de Infração - Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 6931100, com ciência, através de AR, em 16/10/98, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.293.256,66 (Padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário ), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício de 75%, para os fatos geradores de mai/94 a jan/96; e de 150% para o fato gerador de dez/96; e juros de mora, de, no mínimo, de 1% ao más, calculados sobre o valor do imposto, referente aos exercícios de 1995 a 1997, correspondente, respectivamente, aos anos- calendários de 1994 a 1996. 4 . • ..41 e 4T, — • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde constatou-se as seguintes irregularidades: 1 — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, caracterizando sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda mensalmente auferida e não declarada, detalhadamente demonstrada nos itens 1 e 2 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal Final de fls. 667/692, e nas planilhas e demonstrativos de fls. 637/666. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3° e parágrafos e 8°, da Lei n.° 7.713/88, artigos 1° ao 4°, da Lei n.° 8.134/90; artigos 4° ao 6°, da Lei n.° 8.383/91, c/c o artigo 6° e parágrafos, da Lei n.° 8.021/90; artigos 7° e 8°, da Lei n.° 8.981/95; e artigos 3° e 11, da Lei n.° 9.250/95. 2 — GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE: Glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte, pleiteado indevidamente, conforme descrição detalhada nos itens 2 e 3 do Termo de Constatação e Verificação Fiscal Final. Infração capitulada no artigo 12, inciso V, da Lei n.° 9.250/95, artigos 8°, parágrafo único, 15, inciso II, da Lei n.° 8.383/91 e artigo 55, da Lei n.° 7.450/85. Os Auditores- Fiscais da Receita Federal, autuantes, esclarecem, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 669/692, entre outros, os seguintes aspectos: - que solicitamos ao contribuinte em tela que apresentasse toda documentação, bem como quaisquer outros elementos, considerados pertinentes para a prestação das informações, que esclarecesse os desembolsos, más a mês, efetuados no período em epígrafe, sobretudo e muito principalmente no que tange aos gastos com aquisição e manutenção de bens imóveis, aquisição de bens e direitos móveis, aquisição e 5 • 4 , • ?:;•• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 manutenção de veículos automotores, despesas com instrução e médicas, gastos com cartão de crédito, entre outros; - que por outro lado, também solicitamos ao contribuinte, relativamente ao mesmo período, que comprovasse, mês a mês, as origens dos recursos utilizados, tais como os rendimentos recebidos de Pessoas Jurídicas e Físicas, rendimentos isentos e não tributáveis, e tributados exclusivamente na fonte, e ainda os saldos em contas correntes, aplicações financeiras e cadernetas de poupança, mantidas no período, por ele e seus dependentes, bem como a comprovação das dívidas e ónus reais indicadas nas Declarações de Suste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física, relativa aos exercícios de 1995 a 1997; - que ressaltamos, que até a presente data, não foi apresentado pelo contribuinte a documentação que comprovasse os saldos mensais em instituições financeiras, mas tão somente os saldos finais dos meses de dezembro de cada ano, através das declarações de imposto de renda, e de comprovantes de saldos emitidos pelas Instituições financeiras; - que o procedimento de apuração da variação patrimonial a descoberto baseou-se no cômputo mensal de recursos/origens e dispèndios/aplicações, que se fundamentaram em informações prestadas pelo próprio contribuinte, e em informações disponíveis nos sistemas referenciadores da Secretaria da Receita Federal, sobretudo e muito principalmente no tocante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte; - que além dos rendimentos considerados como origens/recursos no cálculo da variação patrimonial mensal, foram considerados também outros rendimentos tributados exclusivamente na fonte, auferidos a título de aplicações financeiras, não declarados pelo contribuinte em suas declarações anuais, e levantados através de consulta ao sistema 6 k • c' . c• MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘P *-L PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 referenciador de Imposto de Renda Retido na Fonte da Secretaria da Receita Federal, tais como os rendimentos auferidos pelo dependente Thiago Xible Saltes Ramos, em aplicações junto a Caixa Econômica Federal, a titulo de renda fixa, durante o ano calendário de 1996, no valor global de R$ 61.270,10, com um correspondente imposto de renda retido no valor de R$ 9.190,00, conforme detalhamento mensal no demonstrativo mensal dos rendimentos tributados exclusivamente na fonte, às folhas 640/641, e planilha de consulta ao sistema IRF/CONS à folha 556; - que ainda a titulo de exemplo, também foram considerados, relativamente ao ano calendário de 1995, os rendimentos tributados exclusivamente na fonte, auferidos pelo próprio contribuinte em aplicações no Fundo de Renda Fixa Curto Prazo Banestes, FDC Curto Prazo Banco do Brasil, e FIF FCP Banco Brasil, conforme detalhamento mensal no demonstrativo mensal dos rendimentos tributados exclusivamente na fonte; - que, assim, pelo exposto, baseado nos elementos apresentados pelo contribuinte e em decorrência da análise da variação patrimonial mensal, ficou constatada variação patrimonial a descoberto nos anos-calendários 1994 a 1996, sendo apurado efetivamente, e corroborados por documentação hábil, os acréscimos patrimoniais mensais, descritos na tabela abaixo; - que em procedimento de averiguação e fechamento final de auditoria, realizada nas Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física, do contribuinte em tela, e com o objetivo de garantir ao sujeito passivo ampla defesa na produção e apresentação de provas, sobretudo de comprovantes de origem de rendimentos/recursos, ainda durante o procedimento de lançamento, solicitamos ao contribuinte informações e esclarecimentos, através da intimação de fls. 602/603, que basicamente se restringia a indagações quanto a origens e recursos, ainda não declarados, que pudessem ser comprovados por documentação hábil e idónea, e que por fim ilidissem 7 . • , e; 4 4 -e 4; MINISTÉRIO DA FAZENDArr, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 as variações patrimoniais a descoberto, apuradas nos Demonstrativos Mensais de Evolução Patrimonial de lis. 6531684; - que em atendimento a intimação supra citada, o sujeito passivo informou, em resposta datada de 31/07/98 em linhas gerais, que já havia prestado todas as informações a respeito das indaga95es; - que em relação a existência de disponibilidades financeiras, não declaradas anteriormente, o contribuinte não informou nenhuma disponibilidade, por ventura omitida; - que quanto a comprovação de outros rendimentos isentos e não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte o contribuinte não apresentou nenhuma novação em relação ao questionamento em tela, restringindo-se a informar que os documentos comprobatórios já haviam sido apresentados; - que já em atendimento ao item que lhe solicitava informações a respeito de empréstimos e mútuos, contraídos no período de 01/01/94 a 31/12/96, o contribuinte informou, em sua resposta, à folha 606, que havia contraído um empréstimo junto à firma Revendedora de Derivados de Petróleo São Torquato Ltda., em 18/01/96, no valor de R$ 400.000,00, ainda não quitada, e por um equívoco deixou de constar das declarações de Ajustes Arruais; - que em função da informação prestada pelo contribuinte, indicando que havia tomado um empréstimo junto à firma Revendedora de Derivados de Petróleo São Torquato Ltda., reintimamos o contribuinte a fim de que fossem comprovados, através de documentação hábil, não só a forma de transferência dos recursos, mas também a efetiva transferência dos recursos, ou seja o efetivo recebimento da quantia informada; • B e 491¡\54 ãía3,11/47i, MINISTÉRIO DA FAZENDA -.irl @ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES t_Kf: QUARTA CAMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 - que como resposta a intimação, o contribuinte informou, à folha 609, que a transferência dos recursos havia se dado em moeda corrente nacional na data do mútuo, apresentando como comprovação da transferência tão somente a cópia do referido contrato, sem oferecer qualquer elemento subsidiário que comprovasse e efetivo recebimento da importância acordada, tais como depósitos identificados, extratos bancários, cópia de cheques e etc.; - que com objetivo de comprovar a efetiva transferência dos recursos da firma Revendedora de Derivados de Petróleo São Torquato Ltda., para o contribuinte, intimamos a empresa em tela, a comprovar a efetiva transferência dos recursos, através de elementos subsidiários tais como cópia de cheques, depósitos identificados, bem como a capacidade financeira à data do empréstimo, e ainda apresentar os livros diário e razão; - que em atendimento a intimação, acima citada, o contribuinte em tela informou, em resposta, datada de 14/09/98, às folhas 618/623, que não dispunha dos documentos solicitados, uma vez que eles haviam sido extraviados e destruídos, conforme comunicação a Secretaria da Receita Federal, datado de 10/07/98, comunicados em jornais às fls. 621/622 e boletim de ocorrência policial n.° 696/98, datado de 10/09/98; - que considerando os boletins de ocorrências policiais números 552/98, de 08/07/98 e 696/98, de10/09/98, ambos da 50 Delegacia de Policia Civil, que tinham por noticiante o Sr, Aldecir Basseti, que informavam o extravio de documentos fiscais e contábeis da Revendedora de Derivados de Petróleo São Torquato, e com o fim especifico de se apurar a idoneidade dos documentos apresentados, sobretudo e muito principalmente a veracidade dos fatos neles descritos, que supostamente alicerçavam a efetiva contratação de mútuo entre o contribuinte e a sociedade no valor de R$ 400.000,00, solicitamos que o 9 •• , zyr.,.. MINISTÉRIO DA FAZENDA .".let PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,•••4-1- QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Sr. Aldecir Bassetti comparecesse à Delegacia da Receita Federal a fim de prestar esclarecimentos acerca dos fatos mencionados; - que desta maneira, em função dos esclarecimentos prestados pelo Sr. Aldecir Bassetti, ficou demonstrada e evidenciada a intenção fraudulenta dos contratantes do suposto mútuo em confirmar um contrato sem fundo concreto, o que caracteriza a intenção deliberada em reduzir ou postergar imposto de renda a pagar, pelo uso de documentos ideologicamente falsos; - que constatamos ainda, que os valores supostamente recebidos em função do contrato acima mencionado, não foram consignados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, do contribuinte, tendo sido apresentado com objetivo claro e evidente de comprovar a variação patrimonial verificada no ano calendário de 1996; - que considerando, desta forma, que o contribuinte não comprovou a efetiva transferência dos recursos, relativo ao contrato de mútuo em tela, e que o mesmo tinha por objetivo a redução ou supressão da variação patrimonial a descoberto, ficou evidenciado a intenção fraudulenta do contribuinte, em reduzir imposto a pagar, através da utilização de documentos sem suporte fático; - que o agravamento da multa sobre os rendimentos mensalmente auferidos e não declarados, apurados em função da variação patrimonial a descoberto, alicerça-se no fato de que o mútuo, declarado intempestivamente, em relação a entrega das Declarações de Ajuste, e sem comprovação, e que hipoteticamente acobertava as variações patrimoniais apuradas, foi objeto de tentativa de comprovação por intermédio de instrumentos ideologicamente falsos, evidenciando o intuito fraudulento do contribuinte em reduzir o imposto devido; to ., MINISTÉRIO DA FAZENDA n't PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 - que solicitamos ainda ao contribuinte que apresentasse cópia do processo judicial de cobrança de honorários, impetrados contra a Companhia Docas do Espírito Santo, bem como o comprovante da retenção de imposto de renda na fonte, por ocasião do levantamento dos saldos bloqueados judicialmente, conforme peças processuais do referido processo judicial de cobrança de honorários; - que frisamos que, até a presente data, não foi apresentado pelo contribuinte documentação que comprovasse a retenção do imposto de renda na fonte, por ocasião do exercício do direito dado pelo Alvará Judicial lavrado em 19/01/96, que autorizou o levantamento da importância bruta de R$ 2.036.112,59; - que em atendimento a Intimação, no tocante a comprovação do imposto de renda retido na fonte, quando do levantamento da importância bloqueada nos autos do processo judicial de cobrança de honorários, o contribuinte informou, que: 'Quanto ao valor do imposto de renda lançado no campo de fonte, de origem da CODESA, tenho a esclarecer que o valor dos rendimentos pagos pela CODESA foram de origem judicial, recebidos mediante alvará, no valor de R$ 2.036.112,59, sendo lançado na declaração de rendas o valor de R$ 2.715.336,50, por força da norma contida no artigo 13, parágrafo 3° da IN n.° 25/96,...'; - que, assim, ficou evidenciado que o contribuinte, sem embasamento legal, tomou para si o dever de reajustar a base de cálculo, conforme preceito normativo acima explicitado, considerando que a fonte pagadora o tivesse pago liquidamente, quanto no entanto não há menção de pagamentos líquidos de imposto de renda, nem no contrato de risco, celebrado entre a CODESA, e a SR Consultoria Empresarial Tributária e Contábil Ltda., que deu origem a lide, 's fls. 25/27, nem na sentença que acolheu o pedido e condenou a ré ao pagamento dos honorários devidos, às fls. 30133; • z. • 1:• • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 - que em se tratando de importâncias bloqueadas judicialmente e totalmente a disposição da justiça, como se antevê pelo litígio instaurado pelo requerente, liberadas para que fossem levantadas através de alvará judicial, que determinava em seus parágrafos clara e indiscutivelmente a ordem de que fossem observadas as cautelas e prescrições legais, e ainda que o contribuinte em tela, como advogado tributarista de reconhecida e notória militância no campo do direito tributário, como evidenciado por ele mesmo na inicial do processo de cobrança de honorários (fls. 06/11), e comprovado nos autos do processo por divulgações na imprensa escrita, cópia às fls. 46/50, é de se esperar que o mesmo não desconhecesse que tal ordem deveria, e deve ser, cumprida, sob todos os aspectos legais, não só para fruição dos direitos, mas também pelo cumprimento dos deveres e obrigações inerentes; - que destacamos que inequívoca e inquestionavelmente é de todo procedente e imperativo a obrigação da retenção do imposto de renda na fonte, no caso de disponibifização de rendimentos a beneficiários pessoas físicas, a título de honorários, ainda que pagos sob a tutela judicial, afirmando-se como prescrição legal que deverá ser observada por aqueles de uma forma ou de outra tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; - que assim, no momento em que estava de posse do alvará judicial, o contribuinte não observou tal prescrição legal, deixando a um plano secundário a obrigatoriedade da retenção do imposto de renda na fonte, sem fornecer a fonte pagadora oportunidade ou até mesmo elementos que lhe propiciassem a devida retenção do imposto devido; - que considerando ainda, que a Lei n.° 7.450185, em seu artigo 55, estabelece claramente, e de forma imperativa, que: `Art. 55 — O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de 12 1k • 1 -Z • . e; MINISTÉRIO DA FAZENDA "4 • Lntr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome peta fonte pagadora dos rendimentos.'; - que assim, como o contribuinte, para o caso em tela, não comprovou a efetiva retenção do imposto de renda na fonte, por parte da CODESA, por ocasião do levantamento dos depósitos, através de documentação hábil e idônea toma-se inadmissível a aceitação da compensação do imposto de renda retido na fonte, informado na declaração de imposto de renda de ajuste anual, relativa ao exercício de 1997, às fls. 536/544, no valor de R$ 678.809,13, por falta de comprovação do fato; - que em função da inadvertida majoração da base de cálculo dos rendimentos auferidos, a título de honorários recebidos judicialmente da CODESA, em que ficou configurado erro grosseiro do declarante no cômputo da base de cálculo, e em função do art. 147, § 20 do CTN, e no reconhecimento destes fatos nos tomou imperativo a minoração da base de cálculo do imposto declarada, de forma que os honorários recebidos judicialmente da CODESA, fossem recompostos aos valores originais. Assim, pelo acima exposto, resolvemos rever de ofício os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, no ano calendário de 1996, especialmente os recebidos da CODESA, para R$ 2.036.112,59. Irresignado com o lançamento, o autuado, apresenta, tempestivamente, em 17/11/98, a sua peça impugnatória de fls. 719/725, solicitando que seja acolhida a impugnação, declarando, por via de conseqüência, a insubsistência, parcial, do Auto de Infração com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que antes de adentramos no mérito, cumpre desde já demonstrar a parcimônia e parcialidade da ação fiscal, especialmente face a agressividade e truculência 13 41 I. 4 t• Ir MINISTÉRIO DA FAZENDA.„ .•-*. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES g-tkr.f:1 QUARTA CAMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 do linguajar contido da peça acusatória, muito embora, o autuado, sequer conheça os nobres autuantes; - que recaindo a data de intimação em uma sexta-feira (16/10/98) já no primeiro dia Útil seguinte (19/10/98), o defendente requereu vistas dos autos fora da repartição fazendária, sendo que no dia 20/10/98, em mais uma diligência de preservar seus direitos requereu também suspensão do prazo para impugnação, enquanto não fosse analisado o requerimento de suspensão do prazo; - que como a Repartição Fazendária, não tivesse despachado de imediato, ingressou com medida judicial, no que lhe foi indeferido; - que ressalte-se que o Setor que recebeu inicialmente o requerimento, no próprio dia 20/10/98 encaminhou para análise e definição, junto ao Departamento competente (fls. 709), sendo que no dia 23 foi elaborado parecer indeferindo o petitório, mas, com a atenuante de que "sejam fornecidas, sem ónus para o contribuinte, cópias dos autos-, sendo referido parecer aprovado integralmente pela autoridade máxima administrativa em 27/10/98; - que ocorre que de tal despacho, a defendente só teve ciência no dia 16/11/98, portanto, faltando apenas um dia para o prazo final de apresentação de sua defesa; - que maior prova de cerceamento de defesa impossível. Razão porque, requer seja reaberto prazo para defesa, começando a contar após a intimação ao contribuinte de que encontrasse à sua disposição na repartição fazendária, cópia integral do processo administrativo fiscal, cumprindo ressaltar que a tal intimação ocorreu somente em 14 ..` • . tr., MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 16/11/98, enquanto que o requerimento foi protocolado em 19/10/98, portanto, ainda restante 29 dias; - que no devaneio em que se lançou os nobres auditores, o que será objeto de procedimento judicial próprio, os nobres AFTN's, entenderam que no ano-calendário de 1996, o contrato de mútuo efetuado com a empresa Revendedora de Derivados de Petróleo São Torquato Ltda. evidenciava fraude; - que para evitar que a praga da irresponsabilidade funcional se alastrasse ainda mais, pois, até ser proferido julgamento dos autos, quando certamente será declarado a insubsistência da ação fiscal, se demandará razoável tempo, o defendente, providenciou o pagamento integral deste item, quando então, após o julgamento dos autos, se verá ressarcido de tais valores; - que ressalte-se que o pagamento decorreu única e exclusivamente em face do devaneio dos ilustres AFTN's, que lançaram sobre o defendente graves imposições, o que em tese, conforme declarado pelos auditores, caracterizaria ilícito penal; - que o pagamento de tal item se deu apenas para que a grave e infundada acusação não perpetuasse, provocando prejuízos irreparáveis na vida pessoal e profissional do defendente; - que sob a alegação de ocorrência de variação patrimonial a descoberto, os AFTN's, em demonstrativos pelos mesmos elaborados, sem obediência 'data venia' a qualquer técnica, quer seja contábil, que seja jurídica, concluíram pela ocorrência de passivo a descoberto nos anos de 1994, 1995 e 1996; 15 s.Jt. MINISTÉRIO DA FAZENDA t- i .or PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'fr;t€:cf:" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 - que basta dar uma olhada na declaração do defendente para ver a improcedência da ação fiscal, já que os comprovantes encontram-se nos autos; - que no ano-calendário de 1996, o que ocorreu foi a glosa do empréstimo efetuado junto a empresa Revendedora de Derivados de Petróleo São Torquato Ltda, no dia 18101/96, conforme peremptoriamente confirmou a referida empresa ao responder a intimação a ela dirigida; - que quanto ao referido contrato de mútuo, encontra-se o mesmo revestido de todas as formalidades legais, devendo ser ressaltado que o mesmo serviu de pagamento ao empréstimo contraído anteriormente junto a empresa Pancieri & Cia Ltda. Aliás a coincidência de data e valores entre a tomada de um empréstimo e o pagamento de outro não deixa qualquer margem para a infundada e despropositada acusação dos autuantes; - que a lei é peremptória ao determinar que os rendimentos pagos em virtude de decisão judicial, deverá ter quando for o caso o imposto de renda incidente pela fonte pagadora, determinando ainda que na ausência de retenção considera-se o rendimento auferido líquido do imposto, devendo ser reajustado sua base imponível; - que vê-se pois, que o defendente, ao contrário do alegado pelos AFTN's, somente aplicou a legislação tributária, pois, sua condição no processo judicial era a de mero beneficiário, sendo que a responsabilidade tributária, na exegese da lei pode ser aplicada tanto a CODESA quanto a instituição bancária, mas nunca ao beneficiário. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a autoridade singular conclui pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção, em parte, do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações. 16 , • e À (4i • . 9:0, MINISTÉRIO DA FAZENDA b, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 - que a Lei n.° 8.906/94, dispondo sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB, impôs no item 2 do § 1° do artigo 7°, restrições quanto à retirada de processo administrativo, quando existirem nos autos documentos originais de difícil restauração ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência dos mesmos na repartição; - que por sua vez, o artigo 38 da Lei n.° 9.250/95, proíbe, especificamente, a saída dos processos fiscais relativos a tributos, contribuições e à penalidades isoladas, dos órgãos da Secretaria da Receita Federal, exceto quando se tratar de encaminhamento de recursos à instância superior, de restituições de autos aos órgãos de origem ou de encaminhamento de documentos para fins de processamento de dados, facultando, todavia, o fornecimento de cópias ao sujeito passivo ou a seu mandatário; - que por conseguinte, no controle interno da legalidade do lançamento, observo que a Delegacia da Receita Federal em Vitória, através do despacho do Delegado, interpretou corretamente a exegese do artigo 38 da Lei n.° 9.250/95, indeferindo o pedido do interessado de ter vistas do processo fiscal fora dos órgãos da Secretaria da Receita Federal e fornecendo a cópia do processo, ainda que o mesmo não tenha se manifestado nesse sentido; - que além disso, o § 3° do artigo 18 do Decreto n.° 70.235/72, introduzido pelo artigo 1° da Lei n.° 8.748/93, somente autoriza a reabertura do prazo para impugnação concernente a matéria modificada em exames posteriores, diligências ou perícias realizadas no curso do processo. Não é o caso do presente auto de infração, cujo lançamento está sendo examinado pela primeira vez e sem qualquer modificação na matéria originalmente tributada; 17 „ . fs. MINISTÉRIO DA FAZENDA jt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 - que desse modo, a discussão sobre a demora na entrega da cópia do processo, cujo fornecimento não foi requerido peto interessado, portanto, de iniciativa da repartição lançadora, não pode ser oposta como uma das hipóteses prováveis de cerceamento do direito de defesa, aludido no artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72, com as modificações introduzidas pelo artigo 1° da Lei n.° 8.748/93; - que ademais, o processo esteve a disposição do interessado na repartição lançadora durante todo o prazo para impugnação. Nesse período podia ter vistas ao processo tantas vezes quanto desejasse sem qualquer obrigação de deferimento de pedido; - que, porém, o interessado não exerceu esse direito. Limitou-se, apenas, a aguardar a resposta do pedido de retirada dos autos do processo da repartição, ainda que diante da vedação expressa do artigo 38 da Lei n.° 9.250195, o qual não pode alegar desconhecer, porque é advogado e tributarista; - que indefiro o pedido de reabertura do prazo para a impugnação; - que não se constitui em lide a matéria tributada referente ao acréscimo patrimonial do fato gerador do mês de dezembro de 1996, pois o interessado comprovou o recolhimento do imposto e acréscimos legais decorrente do valor tributável de R$ 406.580,03. Segundo o artigo 34 da Lei n.° 9.249/95, o pagamento do tributo extingue a punibilidade prevista nas Leis n.° 4.729/65 e 8.137/90; - que os artigos 2° e 30 da Lei n.° 7.713/88, reiterado pelo artigo 2° da Lei n.° 8.134/90, estabelecem que o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que forem percebidos os rendimentos, sem prejuízo de ajuste do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual; 18 4`k.'44 1.4 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA .. tt. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 - que nessa ênfase, os rendimentos, dispêndios ou aplicações consolidados pelo interessado na respectiva declaração de ajuste anual dos exercícios de 1995 e 1996, por não traduzirem valores recebidos mensalmente não podem ser utilizados na apuração mensal da análise de evolução patrimonial; - que no ano-calendário de 1994, foram extraídas da declaração de ajuste anual do respectivo exercício de 1995, as importâncias alegadas na impugnação equivalentes a 176.534,54 UFIR, sendo 75.857,29 UFIR de rendimentos tributáveis, 97.064,39 UFIR de rendimentos isentos e não tributáveis e 3.612,86 UFIR de rendimentos sujeitos a tributação exclusiva na fonte, bem como os rendimentos líquidos do cônjuge no montante de 122.821,67 UFIR, constituído da base de cálculo de 27.096,63 UFIR, somado aos rendimentos isentos e não tributáveis de 96.558,29 UFIR subtraído do imposto retido na fonte de 833,25 UFIR; - que o mesmo fato se repetiu com relação ao ano-calendário de 1995. Da declaração de ajuste anual do respectivo exercido de 1996, foram obtidas as importâncias alegadas na impugnação nos valores de R$ 514.304,74, sendo R$ 110.083,14 de rendimentos líquidos tributáveis, R$ 403.991,60 de rendimentos isentos e não tributáveis, R$ 230,00 de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, e o montante de R$ 507.087,20 referente aos rendimentos líquidos do cônjuge, constituído da base de cálculo de R$ 103.095,84, somado aos rendimentos isentos e não tributáveis de R$ 403.991,36; - que por conseguinte, os valores informados na impugnação não podem justificar o acréscimo patrimonial apurado mensalmente, nos termos dos artigos 2° e 3° da Lei n.° 7.713188 e do artigo 2° da Lei n.° 8.134/90; - que mantenho no lançamento o acréscimo patrimonial a descoberto apurado no item 1 do auto de infração; 19 . „ xs I. 4n t••• • es MINISTÉRIO DA FAZENDA sg Nt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1t::?? QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 - que o inciso III do artigo 95 do RIR/94 e o inciso V do artigo 12 da Lei n.° 9.250/95, que tratam da compensação do imposto retido na fonte, dispõem que o imposto calculado segundo a tabela progressiva anual pode ser compensado do imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; - que consoante os dispositivos acima mencionados, para que seja válida a compensação, é indispensável que tenham havido desconto do imposto de renda sobre os rendimentos percebidos. Caso isso não ocorra, o interessado não pode compensar o valor do imposto na fonte, cujo ónus não suportou; - que entretanto, no caso de falta de retenção, o interessado pode compensar o valor do imposto na fonte, desde que ofereça à tributação o valor reajustado na forma descrita na IN SRF 0411980, e que a fonte pagadora forneça o comprovante de rendimentos discriminando o valor dos rendimentos efetivamente pagos ao interessado — que será considerado como valor líquido a ser reajustado, e o valor efetivamente recolhido como imposto na fonte; - que o artigo 796 do RIR/94 e o § 30 do artigo 13 da IN SRF n.° 25/96, estabelecem que no caso de a fonte pagadora não efetuar a retenção do imposto a que está obrigada, o rendimento será líquido, ou seja, já descontado do imposto na fonte; - que na falta de retenção, qualquer que seja a razão, para todos os efeitos legais, a presunção legal é de que os rendimentos pagos ao interessado já se encontram descontado do imposto na fonte; 20 . , ='-% • .. MINISTÉRIO DA FAZENDA --sp-Ric PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 - que na verdade, o interessado antecipou uma obrigação que deveria ser da pessoa jurídica, reajustando a base de cálculo como medida preventiva contra a possibilidade da acusação de omissão de rendimentos; - que os rendimentos líquidos, já descontado do imposto de renda, foram pagos no valor de R$ 2.036.112,59. O valor reajustado pelo interessado proporcionou o rendimento tributável de R$ 2.715.336,50 e o correspondente imposto na fonte de R$ 678.809,13; - que não houve prejuízo na apuração do tributo. Em que pese o reajustamento efetuado pelo interessado, todavia, lembro, a necessidade de o imposto na fonte ser exigido da pessoa jurídica, conforme as recomendações contidas no PN 01195. Assim, exonero do lançamento o item 2 do auto de infração. A ementa que consubstancia os fundamentos da decisão da autoridade singular é a seguinte: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Data do fato gerador 31/05/1994, 30/06/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/12/1996 VISTAS DO PROCESSO FORA DOS ÓRGÃOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL O art. 38 da Lei n.° 9.250/1995, proíbe a saída de processos fiscais relativos a tributos, contribuições e penalidades isoladas, dos órgãos da Secretaria da Receita Federal, excetuando quando se tratar de encaminhamentos de recursos à instância superior, de restituições de autos aos órgãos de origem ou de encaminhamentos de documentos para fins de processamento de dados. REABERTURA DO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO O § 3° do art. 18 do Decreto n.° 70.235/1972, introduzido pelo art. 1° da Lei n.° 8.748/1993, somente autoriza a reabertura do prazo para impugnação 21 L-• • K. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 concernente a matéria modificada em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo. DEMORA NA ENTREGA DA CÓPIA DO PROCESSO. AUSÊNCIA DE PEDIDO. TESE DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O interessado tem o direito de ter vistas ao processo fiscal dentro da repartição lançadora e no prazo para a impugnação. Não exercendo esse direito, a discussão sobre a demora na entrega da cópia do processo, cujo fornecimento não foi requerido pelo interessado, não pode ser oposta como uma das hipóteses prováveis de cerceamento do direito de defesa, aludido no art. 59 do Decreto n.° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pelo art. 1° da Lei n.° 8.748/1993. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APURAÇÃO MENSAL Com A edição dos artigos 2° e 30 da Lei n.° 7.713/1988, a partir do ano- calendário de 1989 passou a ser apurado mensalmente o acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos tributáveis na declaração, por rendimentos não tributáveis, por rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, por dividas e ónus reais de origem comprovada. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA Por força do disposto no artigo 796 do RIR/1994, caso a fonte pagadora não efetue a retenção do imposto a que está obrigada, o rendimento será considerado líquido, devendo ser efetuado o reajuste da base de cálculo, assumindo a fonte pagadora o ônus do pagamento do imposto na fonte e devendo fornecer ao beneficiário o informe de rendimentos que evidencie o valor reajustado sujeito à tabela progressiva para o cálculo do imposto anual e o imposto de renda na fonte correspondente e compensável na declaração de ajuste anual. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE? Deste ato, o Delegado da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro — RJ, recorre de ofício ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em conformidade com o art. 3°, inciso II, da Lei n.° 8.748/93. 22 . • 4.131..-40 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA .41• P 13: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Da mesma forma, cientificado da decisão de Primeira Instância, em 02/12/99, conforme Termo constante às folhas 803/804, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (03/01100), o recurso voluntário de fls. 8081816, instruído pelos documentos de fls. 817/904, no qual demonstra total irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: - que inicialmente, durante o prazo de impugnação houve cerceamento de defesa, conforme fartamente demonstrado naquela peça impugnatória, face o recorrente ter tido apenas um dia para elaborar sua defesa, sendo que somente a ação fiscal contém mais de 700 laudas, tomando assim, impossível, contrapor adequadamente com a documentação necessária as supostas infrações apontadas pelos autuantes, que usaram de agressividade e intimidação durante os dez meses de duração dos trabalhos fiscais; - que os relatórios dos autuantes referentes a evolução patrimonial, não condizem com a realidade, até mesmo porque, todos os pagamentos concernentes a investimentos, aquisição de bens móveis e imóveis, bem ainda os direitos e valores mobiliários constam expressamente da declaração de rendas do recorrente; - que os alegados 'sinais exteriores de riqueza' constantes da peça acusatória, carecem de fundamentação legal, uma vez que, os bens informados pelo recorrente constam integralmente de sua declaração de rendas, não havendo qualquer omissão, inclusive, com relação a valores, considerando que os auditores não externaram qualquer manifestação em contrário; - que o recorrente foi coagido no curso da ação fiscal, para recolher o IRPF devido sobre o contrato de mútuo, constante das folhas 617 dos autos, ou então responder a processo criminal, embora o mesmo tenha sido confirmado em indagação à mutuante pelo 23 tTt MINISTÉRIO DA FAZENDA ;gr-ir:g PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESHadc-L -* • QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 fisco, cujo aporte serviu para quitação de outro contrato tendo como mutuante a empresa Pancieri & Cia. Ltda, no mesmo dia 16/01/96. Consta às fls. 817 o depósito recursal de 30% do valor do crédito tributário em discussão, para que o contribuinte possa interpor recurso ao Conselho de Contribuintes. É o Relatório. 24 „ C-4, e:: MINISTÉRIO DA FAZENDA v: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .” QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator RECURSO DE OFICIO O recurso de ofício está revestido das formalidades legais. Como se vê dos autos, a peça repousa no recurso de ofício de decisão de 1° Instância, onde foi conhecido parcialmente a impugnação para dar provimento parcial a reclamação interposta, declarando insubsistente o item n.° 02 do Auto de Infração — Glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte -, por entender - que o inciso III do artigo 95 do RIR/94 e o inciso V do artigo 12 da Lei n.° 9.250/95, que tratam da compensação do imposto retido na fonte, dispõem que o imposto calculado segundo a tabela progressiva anual pode ser compensado do imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a titulo de recolhimento complementar correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; - que consoante os dispositivos acima mencionados, para que seja válida a compensação, é indispensável que tenham havido desconto do imposto de renda sobre os rendimentos percebidos. Caso isso não ocorra, o interessado não pode compensar o valor do imposto na fonte, cujo ônus não suportou; 25 • , 44i104i teztVi, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 - que entretanto, no caso de falta de retenção, o interessado pode compensar o valor do imposto na fonte, desde que ofereça à tributação o valor reajustado na forma descrita na IN SRF 0411980, e que a fonte pagadora forneça o comprovante de rendimentos discriminando o valor dos rendimentos efetivamente pagos ao interessado — que será considerado como valor líquido a ser reajustado, e o valor efetivamente recolhido como imposto na fonte; - que o artigo 796 do RIR/94 e o § 3° do artigo 13 da IN SRF n.° 25/96, estabelecem que no caso de a fonte pagadora não efetuar a retenção do imposto a que está obrigada, o rendimento será líquido, ou seja, já descontado do imposto na fonte; - que na falta de retenção, qualquer que seja a razão, para todos os efeitos legais, a presunção legal é de que os rendimentos pagos ao interessado já se encontram descontado do imposto na fonte; - que na verdade, o interessado antecipou uma obrigação que deveria ser da pessoa jurídica, reajustando a base de cálculo como medida preventiva contra a possibilidade da acusação de omissão de rendimentos; - que os rendimentos líquidos, já descontado do imposto de renda, foram pagos no valor de R$ 2.036.112,59. O valor reajustado pelo interessado proporcionou o rendimento tributável de R$ 2.715.336,50 e o correspondente imposto na fonte de R$ 678.809,13; - que não houve prejuízo na apuração do tributo. Em que pese o reajustamento efetuado pelo interessado, todavia, lembro, a necessidade de o imposto na fonte ser exigido da pessoa jurídica, conforme as recomendações contidas no PN 01/95. 26 xhi • . e. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Após a análise da questão do recurso de ofício, com a devida vênia, não posso acompanhar a decisão singular, já que o meu entendimento sobre o caso é divergente, pelas razões alinhadas na seqüência: O Código Tributário Nacional — CTN reconhece a existência de duas possíveis entidades pessoais no pólo passivo de qualquer relação jurídica tributária, quais sejam: o contribuinte e o responsável (art. 121, parágrafo único). Desta forma, somente pode ser sujeito passivo a pessoa que tenha relação direta e pessoal com o fato gerador — hipótese em que a pessoa é contribuinte -, ou a pessoa que não seja o contribuinte mas tenha necessariamente algum tipo de vínculo com o fato gerador — hipótese prescrita no art. 128 do CTN para a figura do responsável. O art. 45 do CTN conceitua o contribuinte do imposto de renda como a pessoa que seja titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou provento tributável. Como, também, no parágrafo único do mesmo artigo estatui que 'a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam'. Assim, aquele que aufere a renda ou o provento é o contribuinte do imposto de renda, por ter relação direta e pessoal com a situação que configura o fato gerador desse tributo, que é a aquisição da disponibilidade económica ou jurídica da renda ou provento. Por outro lado, a fonte pode ser responsabilizada legalmente pelo cumprimento da obrigação de recolher o imposto de renda porque possui um vínculo com o fato gerador, eis que efetua o pagamento ou crédito que decorre da renda ou do provento tributável, embora não tenha relação natural com o fato sujeito à tributação, já que não é a pessoa titular da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou do provento tributável. 27 . , • +. MINISTÉRIO DA FAZENDA3/4 c.: ft, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Nesta Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Jurisprudência é pacífica no sentido de que quando a fonte tenha efetuado a retenção e fornecido o respectivo comprovante ao beneficiário da renda ou do provento, e caso o imposto seja considerado antecipação do imposto devido pelo beneficiário na declaração de ajuste anual, este tem o direito de compensar o imposto retido, ainda que a fonte não o tenha recolhido, já que a responsabilidade passa a ser exclusiva da fonte pagadora. Da mesma forma, a Jurisprudência é pacífica no sentido de que se a previsão da tributação na fonte dá-se por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e se a ação fiscal ocorrer após a data de entrega desta declaração anual, descabe a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome do beneficiário do rendimento. Em síntese, a fonte tem o direito de descontar o imposto de renda na fonte quando paga a renda ou provento e por outro lado, o contribuinte tem o direito de receber da fonte o informe de rendimento e retenção, para que possa exercer os efeitos de direito daí eventualmente derivados, inclusive o de compensar o imposto retido na fonte com o imposto que tiver que pagar na declaração de ajuste anual. Assim, é conclusivo que, segundo a lei tributária, para que o contribuinte possa exercer o direito de compensar o imposto pago na fonte com o imposto a pagar sobre os rendimentos na declaração anual de ajuste, é necessário que a fonte lhe forneça o comprovante de retenção. fato inegável que o autuado obtive rendimentos de trabalho sem vinculo empregaticio, e se estes rendimentos não decorreram de rendimentos isentos ou não 28 4.‘ - • . ia . MINISTÉRIO DA FAZENDA 1,-tr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 tributáveis, são rendimentos sujeitos a retenção na fonte, como antecipação do imposto na declaração. Por outro lado, tem-se como regra básica que a percepção de rendimentos pode gerar a obrigação de ser pago o tributo correspondente; para tanto, a legislação ordinária fixa os parâmetros que, uma vez atingidos, dão lugar ao nascimento da obrigação tributária. Dentre as regras traçadas pela lei tributária, está a que marca o momento em que se considera ocorrida a disponibilidade da renda ou dos proventos e, consequentemente, em que nasce a obrigação tributária correspondente. Dada a riqueza de informações das diversas peças dos autos, me afigura legítima a decisão da autoridade lançadora em efetuar a glosa do imposto de renda na fonte lançado na declaração do autuado, já que houve não houve esta retenção, somado ao fato de que a assunção do ânus do imposto e o reajuste da base de cálculo pela fonte pagadora caracterizariam pagamento a maior do que a prevista na decisão judicial e que inviabiliza o reajuste da base de cálculo e a assunção do ónus do imposto, seu recolhimento e o fornecimento de informe de rendimentos com a base de cálculo reajustada pela fonte pagadora, através de decisão judicial. É de se frisar que, até a presente data, não foi apresentado pelo contribuinte documentação que comprovasse a retenção do imposto de renda na fonte, por ocasião do exercício do direito dado pelo Alvará Judicial lavrado em 19101/96, que autorizou o levantamento da importância bruta de R$ 2.036.112,59. Depreende-se da análise do processo de cobrança de honorários que o levantamento dos depósitos da conta bancária 700003-0, Banco do Brasil, Agência Vila 29 1. "" • MINISTÉRIO DA FAZENDA** * -3 * ...kt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •• QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Velha, deu-se pela fruição da autorização exarada no alvará expedido pelo M.M. Juiz de Direito Joseph Haddad Sobrinho, em 19/01/96, sem que no entanto o contribuinte Beline José Salles Ramos observasse integralmente a determinação judicial que dispunha que para o bem e fiel cumprimento do alvará deveriam ser praticados todos os atos necessários, observadas as cautelas e prescrições legais. Observa-se, ainda, nos autos que quando intimado, no tocante a comprovação do imposto de renda retido na fonte, quando do levantamento da importância bloqueada nos autos do processo judicial de cobrança de honorários, o contribuinte informou, que: 'Quanto ao valor do imposto de renda lançado no campo de fonte, de origem da CODESA, tenho a esclarecer que o valor dos rendimentos pagos pela CODESA foram de origem judicial, recebidos mediante alvará, no valor de R$ 2.036.112,59, sendo lançado na declaração de rendas o valor de R$ 2.715.336,50, por força da norma contida no artigo 13, parágrafo 3° da IN n.° 25/96,...'. Este argumento não pode prosperar, haja vista que ficou evidenciado que o contribuinte, sem embasamento legal, tomou para si o dever de reajustar a base de cálculo, considerando que a fonte pagadora o tivesse pago liquidamente, quanto no entanto não há menção de pagamentos líquidos de imposto de renda, nem no contrato de risco, celebrado entre a CODESA, e a SR Consultoria Empresarial Tributária e Contábil Ltda., que deu origem a lide, às fls. 25/27, nem na sentença que acolheu o pedido e condenou a ré ao pagamento dos honorários devidos, às fls. 30/33. Ora, em se tratando de importâncias bloqueadas judicialmente e totalmente a disposição da justiça, como se antevê pelo litígio instaurado pelo requerente, liberadas para que fossem levantadas através de alvará judicial, que determinava em seus parágrafos clara e indiscutivelmente a ordem de que fossem observadas as cautelas e prescrições legais, e ainda que o contribuinte em tela, como advogado tributarista, é de se esperar que o 30 • • - t••• • . MINISTÉRIO DA FAZENDA 1 4. 2' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 mesmo não desconhecesse que tal ordem deveria, e deve ser, cumprida, sob todos os aspectos legais, não só para fruição dos direitos, mas também pelo cumprimento dos deveres e obrigações inerentes. É de se destacar que inequívoca e inquestionavelmente é de todo procedente e imperativo a obrigação da retenção do imposto de renda na fonte, no caso de disponibilização de rendimentos a beneficiários pessoas físicas, a título de honorários, ainda que pagos sob a tutela judicial, afirmando-se como prescrição legal que deverá ser observada por aqueles de uma forma ou de outra tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Desta forma, entendo, que no momento em que estava de posse do alvará judicial, o contribuinte não observou tal prescrição legal, deixando a um plano secundário a obrigatoriedade da retenção do imposto de renda na fonte, sem fornecer a fonte pagadora oportunidade ou até mesmo elementos que lhe propiciassem a devida retenção do imposto devido. Também se faz necessário observar que o julgador singular partiu de uma premissa equivocada, já que destacou em sua decisão que ano caso de falta de retenção, o interessado pode compensar o valor do imposto na fonte, desde de que ofereça à tributação o valor reajustado na forma prescrita na IN SRF n.° 04/80, e que a fonte pagadora forneça o comprovante de rendimentos discriminando o valor dos rendimentos efetivamente pagos ao interessado e que será considerado como valor líquido a ser reajustado, e o valor efetivamente recolhido como imposto na fonte. Ora, tudo estaria certo se a fonte pagadora tivesse tido a oportunidade de proceder na forma descrita na decisão. Porém, nada disso aconteceu, ou seja, a fonte 31 „ . ,..41•‘*•ki -‘•' • . K. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 pagadora não forneceu comprovante algum e não houve nem retenção na fonte e nem o recolhimento do imposto. Da mesma forma, não procede a argumentação da decisão singular de que *na falta de retenção, qualquer que seja a razão, para todos os efeitos legais, a presunção legal é de que os rendimentos pagos ao interessado já se encontram descontado do imposto na fonte”. Isso seria pretender, que sob qualquer razão, a responsabilidade pelo recolhimento seja assumida pela fonte pagadora, sem considerar as condições objetivas do caso concreto. O julgador deve observar a materialidade do caso, ou seja, às circunstâncias que revestiam a disponibilidade dos recursos ao beneficiário. Ademais, mesmo no âmbito da Secretaria da Receita Federal, há interpretação contrária à da DRJIRJ. Exemplo disso é o Parecer COSIT/n.° 50/98, o qual afirma que a compensação do imposto considerado ônus da fonte pagadora só é admissivel caso a fonte pagadora tenha efetuado o reajuste e fornecido ao beneficiário o informe de rendimentos que evidencie o valor reajustado e o imposto correspondente, conforme esclarece o item 9 do PN COSIT n.° 01/95. É fato inconteste que em momento algum o legislador excepcionou os rendimentos recebidos, mesmo que fossem a qualquer titulo, até porque se assim o fizesse, o recorrente estaria imune do recolhimento do imposto de renda. Assim, interpretar em matéria de leis, quer dizer não só descobrir o sentido que está por detrás da expressão, como também, dentre as várias significações que estão cobertas pela expressão, eleger a verdadeira e decisiva verdade dos fatos. Também é mister esclarecer que no sistema de retenção de fonte, a pessoa obrigada a satisfazer a obrigação, a princípio, é a pessoa que lhe atribuiu esse rendimento. Assim, a lei elegeu a fonte pagadora do rendimento para sujeito passivo da obrigação. 32 . . • MINISTÉRIO DA FAZENDA 1.-̂ k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Desta forma, a princípio, rendimentos recebidos a titulo de honorários, integra o rol dos rendimentos sujeitos a incidência por antecipação, ou seja, a tributação na fonte dá-se por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, de cujo imposto apurado será deduzido o pago na fonte. Sendo que a obrigação da fonte pagadora é a de recolher o imposto de renda na fonte. Por outro lado, é obrigação do beneficiário declarar o rendimento auferido e pagar o imposto apurado na declaração de ajuste anual, compensando o imposto retido quando tiver ocorrido a retenção. Assim sendo, não se justifica, no entendimento deste relator, a manutenção da decisão singular de exigir da fonte pagadora o imposto de renda na fonte, que representa simples antecipação do tributo devido pela pessoa física envolvida no caso em questão. Como também é entendimento deste relator, acompanhado pelos demais membros da Quarta Câmara, que se a previsão da tributação na fonte dá-se por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e se a ação fiscal ocorrer após a data de entrega desta declaração anual, descabe a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome do beneficiário do rendimento. Pelos fatos mencionados, e destacando que mesmo que a fonte pagadora tivesse liberdade para reter o imposto sobre os honorários pagos, e não o fizesse, ainda assim, pelo entendimento desta Câmara, não caberia o lançamento na fonte pagadora, em virtude de que a ação fiscal ocorreu após a data da entrega da declaração de ajuste anual. 33 • " • 11' • . yr. MINISTÉRIO DA FAZENDA tffk PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Diante do exposto, e considerando que todos os elementos de prova que compõem a presente lide foram objeto de exame, VOTO pelo conhecimento do presente recurso de oficio, e, no mérito, dou provimento ao recurso para que se restabeleça o lançamento na forma proposta pela fiscalização. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo e preenche as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Estão em julgamento duas questões: as preliminares pela qual o recorrente pretende ver declarada a nulidade do procedimento fiscal, por cerceamento do direito de defesa, e outra relativa ao mérito da exigência, denominada de omissão de rendimentos, caracterizada por sinais exteriores de riqueza. Inicialmente, é de se ressaltar que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiado, verificar o controle interno da legalidade do lançamento. Na análise do procedimento como um todo, verifica-se a necessidade de se proceder uma correção no item relativo a Glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte, tratado no recurso de oficio. Tal medida justifica-se em razão do provimento por esta Câmara do recurso de oficio, já que, por erro praticado pelo próprio autuado, que reajustou a base de cálculo do rendimento recebido através de uma decisão judicial de R$ 2.036.112,59 para R$ 2.715.336,50, lançando um imposto de fonte no valor de R$ 678.809,13, sem ter havido a retenção pela fonte pagadora. 34 , . . r; MINISTÉRIO DA FAZENDA •k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 A Câmara ao dar provimento ao recurso de ofício, convalidou o lançamento de glosa na fonte nos termos do lançamento original. Assim sendo, se faz necessário a correção da base de cálculo sobre a qual deve ser feito o cálculo do imposto omitido. Não resta dúvidas que deve ser pelo valor efetivamente recebido de R$ 2.036.112,59 e não pelo valor com base de cálculo reajustada de R$ 2.715.336,50. Se mantido o lançamento conforme o original se estaria cobrando imposto a maior do suplicante já que, no caso em discussão, deve ser sobre o valor de R$ 2.036.112,59 efetivamente recebido. Desta forma, o lançamento poderá ser revisto, a critério da autoridade administrativa, com base no artigo 149, da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Na seqüência, voltamos ao recurso voluntário em si, onde nota-se que de acordo com os autos, a autoridade singular rejeitou as preliminares argüidas, com base nas seguintes considerações: • A Lei n.° 8.906/94, dispondo sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB, impôs no item 2 do § 1° do artigo 7°, restrições quanto à retirada de processo administrativo, quando existirem nos autos documentos originais de difícil restauração ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência dos mesmos na repartição. Por sua vez, o artigo 38 da Lei n.° 9.250/95, proíbe, especificamente, a saída dos processos fiscais relativos a tributos, contribuições e à penalidades isoladas, dos órgãos da Secretaria da Receita Federal, exceto quando se tratar de encaminhamento de recursos à instância superior, de restituições de autos aos órgãos de origem ou de encaminhamento de documentos para fins de processamento de dados, facultando, todavia, o fornecimento de cópias ao sujeito passivo ou a seu mandatário. Por conseguinte, no controle interno da legalidade do lançamento, observo que a Delegada da Receita Federal em Vitória, através do despacho do Delegado, interpretou corretamente a exegese do artigo 38 da Lei n.° 9.250/95, indeferindo o pedido do interessado de ter vistas do processo 35 „ . f MINISTÉRIO DA FAZENDA "'P ^br PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES l• QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 fiscal fora dos órgãos da Secretaria da Receita Federal e fornecendo a cópia do processo, ainda que o mesmo não tenha se manifestado nesse sentido. Além disso, o § 30 do artigo 18 do Decreto n.° 70.235/72, introduzido pelo artigo 1° da Lei n.° 8.748/93, somente autoriza a reabertura do prazo para impugnação concernente a matéria modificada em exames posteriores, diligências ou perícias realizadas no curso do processo. Não é o caso do presente auto de infração, cujo lançamento está sendo examinado pela primeira vez e sem qualquer modificação na matéria originalmente tributada. Desse modo, a discussão sobre a demora na entrega da cópia do processo, cujo fornecimento não foi requerido pelo interessado, portanto, de iniciativa da repartição lançadora, não pode ser oposta como uma das hipóteses prováveis de cerceamento do direito de defesa, aludido no artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72, com as modificações introduzidas pelo artigo 1° da Lei n.° 8.748/93. Ademais, o processo esteve a disposição do interessado na repartição lançadora durante todo o prazo para impugnação. Nesse período podia ter vistas ao processo tantas vezes quanto desejasse sem qualquer obrigação de deferimento de pedido. Porém, o interessado não exerceu esse direito. Limitou-se, apenas, a aguardar a resposta do pedido de retirada dos autos do processo da repartição, ainda que diante da vedação expressa do artigo 38 da Lei n.° 9.250/95, o qual não pode alegar desconhecer, porque é advogado e tributarista.'. Sou de opinião, que a posição adotada pela autoridade julgadora está totalmente correta, razão pela qual adoto na íntegra as suas considerações de decidir como argumentos do meu voto. Nesse contexto, passo ao exame da questão principal da lide. Inicialmente, se faz necessário ressaltar que não se constitui em lide a matéria tributada referente a omissão de rendimentos relativo ao fato gerador do mês de dezembro de 1996, pois o interessado comprovou, durante a fase impugnatória, o 36 e MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938198-14 Acórdão n°. : 104-17.769 recolhimento do imposto e acréscimos legais decorrente do valor tributável de R$ 406.580,03, por esta razão o mérito desta questão não foi analisada pela autoridade julgadora singular, motivo pelo qual não será analisado nesta instáncia. Quanto a discussão de mérito, o mesmo gira em tomo de acréscimo patrimonial a descoberto apurado, mensalmente, através de 'fluxo de caixa'. Neste aspecto, tem-se que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava "um acréscimo patrimonial a descoberto', 'saldo negativo mensal', ou seja, aplicava elou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Como se vê, o fato que resta a ser julgado é a omissão de rendimentos, apurado através do fluxo financeiro do suplicante. Sobre este 'acréscimo patrimonial a descoberto', 'saldo negativo mensal' cabe tecer algumas considerações. Sem dúvida, sempre que se apura de forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é lícita a presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos. No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatada na posição do final do período em comparação da mesma situação no seu início é considerada como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em receitas auferidas (tributadas, não tributadas ou tributadas exclusivamente na fonte). 37 , k SP"' .• i,, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4.f.,n e QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 No caso em questão, a tributação não decorreu do comparativo entre as situações patrimoniais do contribuinte ao final e início do período. Não pode se tratada, portanto, como acréscimo patrimonial. Assim não há que se falar de acréscimo patrimonial a descoberto. Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação tributária principal que é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 114 do CTN). Esta situação é definida no art. 43 do CTN, como sendo a aquisição de disponibilidade económica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que no caso em pauta é a omissão de rendimentos. Ocorrendo o fato gerador, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142). Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os princípios da legalidade estrita e da tipicidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se dê exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais. Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer o fato gerador, ou, o lançamento será constituído quando se constatar que concretamente houve a disponibilidade económica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. 38 e e 41 1.4 • . r.; MINISTÉRIO DA FAZENDA St , 0: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 10783.005938198-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Desta forma, podemos concluir que o lançamento somente poderá ser constituído a partir de fatos comprovadamente existentes, ou quando os esclarecimentos prestados forem impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Ora, se o fisco faz prova, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos - fluxo financeiro, que o recorrente efetuou gastos além da disponibilidade de recursos declarados, é evidente que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser apurada no mês em que ocorreu o fato. Diz a norma legal que rege o assunto: 'Lei n.°7.713/88: Artigo 1° - Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, serão tributados pelo Imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Artigo 2° - O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Migo 3° - O Imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvando o disposto nos artigos 9° a 14 desta Lei. § 1°. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados. Lei n.° 8.134/90: 39 e 1...41 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Art. 1° - A partir do exercício-financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2° - O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. Art. 4°- Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1° de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8° da Lei n.° 7.713, de 1988: I - será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês. Lei n.° 8.021/90: Art. 6° - O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far- se-á arbitrando os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° - Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° - Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte? Como se depreende da legislação anteriormente citada o imposto de renda das pessoas físicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, já que com a edição da Lei n° 8.134, de 1990, que introduziu a declaração anual de ajuste para efeito de apuração do imposto devido pelas pessoas físicas, tanto o imposto devido como o saldo do imposto a pagar ou a restituir, passaram a ser determinados anualmente, donde se conclui que o recolhimento mensal passou a ser considerado como antecipação do devido e não como pagamento definitivo. 40 py C •N -• • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 É certo que a Lei n° 7.713, de 1988, determinou a obrigatoriedade da apuração mensal do imposto sobre a renda das pessoas físicas, não importando a origem dos rendimentos nem a natureza jurídica da fonte pagadora, se pessoa jurídica ou física. Como o imposto era apurado mensalmente, as pessoas físicas tinham o dever de cumprir sua obrigação com base nessa apuração, o que vale dizer, seu fato gerador era mensal. Desse modo, o imposto devido, a partir do período-base de 1990, passou a ser determinado mediante a aplicação da tabela progressiva sobre a base de cálculo apurada com a inclusão de todos os rendimentos de que trata o art. 10 da Lei n° 8.134, de 1990, e o saldo a pagar ou a restituir, mediante a dedução do imposto retido na fonte ou pago pelo contribuinte pessoa física, mensalmente, quando auferisse rendimentos de outras pessoas físicas. Relevante observar que a obrigatoriedade do recolhimento mensal nasceu com o advento da Lei n° 7.713, de 1988, que introduziu na legislação do imposto de renda das pessoas físicas o sistema de bases correntes. Assim, entendo que os rendimentos omitidos apurado, mensalmente, pela fiscalização, a partir de 01/01/89, estão sujeita à tabela progressiva anual (IN SRF n.° 46/97). É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal exterior de riqueza caracterizado pelos gastos excedentes da renda disponível, e deve ser quantificada em função destes. Não comungo com a corrente de que os saldos positivos (disponibilidades) apurados em um ano possam ser utilizados no ano seguinte, pura e simples, já que entendimento pacífico nesta Câmara que o Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo-se, quando comprovados pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilhamento financeiro onde são considerados os ingressos e dispêndios realizados pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dividas e ónus reais e pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subsequente, desde que seja dentro do mesmo ano-base. Assim, somente poderá ser aproveitado, no ano subsequente, o saldo de disponibilidade que constar na declaração do imposto de renda - declaração de bens, devidamente [astreado em documentação hábil e idónea. Não concordo com o suplicante quando afirma que o lançamento foi feito com base em presunções. Na realidade, o procedimento fiscal decorreu de uma análise das origens e aplicações de recursos ("fluxo de caixa'), ou seja, verificou-se todos os ingressos e todas as saídas. Assim, onde a fiscalização constatou a existência de saldo 'negativo' houve a tributação, que facilmente se justifica: ' se o suplicante aplicou/gastou mais do que tinha de recursos justificáveis, de algum lugar veio os referidos recursos. Neste caso há a presunção legal de que houve omissão de rendimentos, evidentemente, admitindo-se prova em contrário. Porém, o ónus é do autuado. É de se rejeitar o argumento de que os documentos acostados, na fase recursal, às fls. 819/899, fazem comprovação, hábil e idónea, de que não houve a omissão de rendimentos apurada, mensalmente, pela fiscalização. É de se ressaltar que tais documentos referem-se a extratos bancários de contas movimentadas pelo autuado. 42 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 O levantamento mensal do 'fluxo bancário' em nada ajuda o contribuinte, haja vista que na elaboração dos Demonstrativos Mensais da Evolução Patrimonial de fls. 6531665 ('Fluxo de Caixa'), a fiscalização, somente, utilizou os saldos iniciais e finais constantes da declaração de ajuste anual, ou seja, os saldos iniciais em janeiro do ano- calendário e os saldos finais em dezembro do ano-calendário, conforme demonstrativo de fls. 642. Ora, se não foram considerados os movimentos mensais de contas correntes e de aplicações financeiras no Demonstrativo de Origem e Aplicações de Recursos não há como afetar o levantamento realizado pela fiscalização. Ademais, se houve entrada de algum recurso não considerado pela fiscalização, se faz necessário vir acompanhada da respectiva origem do recurso, demonstrando que o mesmo já foi tributado, não tributável ou que fosse isento. No processo nada consta. Não é lícito obrigar-se a Fazenda a substituir o particular no fornecimento da prova que a este competia. Mesmo porque somente o contribuinte pode explicar as origens dos seus recursos. No caso, os valores apurados nos demonstrativos elaborados pela fiscalização caracterizam presunção legal, do tipo condicional ou relativa (juris tantum) que, embora estabelecida em lei, não tem caráter absoluto de verdade indiscutível, valendo enquanto prova em contrário não a vier desfazer ou mostrar sua falsidade. Observe-se que as presunções juris tantum, embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidi-las. 43 • MINISTÉRIO DA FAZENDA -N tz' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Teve o contribuinte, seja na fase preliminar à instauração do processo fiscal, seja na própria impugnação ao lançamento, oportunidade de exibir documentos que comprovem que os rendimentos em questão foram originados de rendimentos não tributáveis, ou somente tributáveis na fonte. Ao se recusar ou se omitir à produção dessa prova, em qualquer fase do processo, a presunção 'juris tantum' acima referida — necessariamente, transmuda-se em presunção "jure et de jure', suficiente, portanto, para o embasamento legal da tributação, eis que plenamente configurado o fato gerador. Não qualquer possibilidade de dispensa da tributação em razão do silêncio ou omissão do contribuinte em indicar a fonte dos recursos. O fisco adotou essa forma de cobrança do tributo por ser a que melhor se adapta ao sistema de tributação do imposto de renda vigente nesse período. Em resumo, na hipótese em litígio, a Fazenda Pública tem a possibilidade de exigir o imposto de renda com base na presunção legal e a prova para infirmar tal presunção há de ser produzida pelo contribuinte que é a pessoa interessada para tanto. Também inexiste incoerência em relação à forma de cobrança do tributo correspondente, como base nos recolhimentos mensais do imposto de renda, sujeitos ao ajuste anual. Finalmente, no presente caso, são oportunas algumas considerações a propósito da interpretação das leis, especialmente no campo do Direito Tributário: 'Ensina FRANCISCO FERRARA, in 'Ensaio Sobre a Teoria de Interpretação das Leis' - Studiu, Coimbra, 1978 • 3° Ed. pág. 26: "... interpretar, quando de leis se trata, significa algo diverso de interpretar em outros casos: interpretar, em matéria de leis, quer dizer não só descobrir o sentido que está por detrás da expressão, como também, dentre as várias 44 • e MINISTÉRIO DA FAZENDA 'k:Pci 11 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 significações que estão cobertas pela expressão, eleger a verdadeira e decisiva? Ensina, ainda, que 'Assim, não há dúvida que as palavras da lei podem comportar, e em regra comportam, diversos pensamentos. Mas nem todos têm, sob este ponto de vista, a mesma legitimidade. Um deles representará a significação natural, imediata, espontânea dos dizeres legais; outro uma significação artificiosa ou reservada. Um deles encontrará no teor verbal da lei uma expressão perfeitamente adequada; outro uma notação vaga, tosca, infeliz. Um deles sente-se como que à sua vontade dentro do texto legal; outro só lá se agüenta com certo mal estar? CARLOS MIXIMILIANO, em sua obra 'HERMENÊUTICA APLICAÇÃO DO DIREITO', Forense, 1981, 9' ed. Pags. 1651166, preleciona: 'Prefere-se o sentido conducente ao resultado mais razoável, que melhor corresponda às necessidades da prática, e seja mais humano, benigno, suave. É antes de crer que o legislador haja querido exprimir o conseqüente e adequado à espécie do que o evidentemente injusto, descabido, inaplicável, sem efeito. Portanto, dentro da letra expressa, procura-se a interpretação que conduza a melhor conseqüência para a coletividade. Deve o Direito ser interpretado inteligentemente: não de modo que a ordem legal envolva um absurdo, prescreva inconveniências, vá ter conclusões inconsistentes ou impossíveis. Também se prefere a exegese de resulta eficiente a providência legal ou válido o ato, à que tome aquela sem efeito, inócua, ou este juridicamente nulo? "Desde que a interpretação pelos processos tradicionais conduz a injustiça flagrante, incoerências do legislador, contradição consigo mesmo, impossibilidades ou absurdos, deve-se presumir que foram usadas expressões impróprias, inadequadas, e buscar um sentido eqüitativo, lógico e acorde com o sentido geral e o bem presente e futura da comunidade." 45 4' e a MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,• QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 Assim, interpretar não significa desobedecer ao mandamento legal, mas, cumprir o seu ordenamento, seu preceito, só de forma a tomá-lo consentâneo com a realidade que nos cerca. O que se busca, em última análise, é tomar o comando legal exeqüível, eficiente, eficaz, de alcance lógico, racional, principalmente, jurídico. Por isso mesmo, as ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real intenção, e assim se beneficiar indevidamente do tratamento diferenciado, deve merecer a ação saneadora contrária, por parte da autoridade administrativa fiscal, em defesa até dos legítimos beneficiários daquele tratamento. Dessa forma, não podia e não pode o fisco permanecer inerte diante de procedimentos dos contribuintes cujos objetivos são exclusivamente o de ocultar ou impedir o surgimento das obrigações tributárias definidas em lei. Detectado esse procedimento irregular, como no presente caso, compete ao fisco proceder como o fez: apurar a omissão de receitas e calcular o imposto devido. No Direito Privado, se a simulação prejudica um terceiro, o ato toma-se anulável. O Estado é sempre um terceiro interessado nas relações entre particulares que envolvem recolhimento de tributos; por conseguinte, poderia provocar a anulação destes atos. Entretanto, a legislação tributária preferiu recompor a situação e cobrar o imposto devido. Assim, as simulações que envolvem tributos não são tratadas no Direito Tributário como seriam no Direito Privado. Neste último, a conseqüência é a anulabilidade do ato praticado; e no Direito tributário é o lançamento ex-offício do imposto, que o verdadeiro ato geraria, acrescido das penalidades cabíveis. A Fazenda Nacional, representante legítimo da União, tem o poder de impor normas que visem a impedir a manipulação de bens ou valores que repercutam negativamente nos resultados da cobrança de tributos. 46 k:41 MINISTÉRIO DA FAZENDA :k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,r2.5 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10783.005938/98-14 Acórdão n°. : 104-17.769 E, como no direito processual brasileiro, para provar-se um fato, são admissíveis todos os meios legais, inclusive os moralmente legítimos ainda que não especificados na lei adjetiva, sendo livre a convicção do julgador, firmo a minha convicção que estão corretos, tanto o procedimento fiscal como a decisão recorrida, no que se refere a omissão de rendimentos apurados através do fluxo de caixa, caracterizados como acréscimo patrimonial a descoberto no auto de infração. À vista do exposto, e por ser de justiça meu voto é no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do procedimento fiscal, por cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 05 de dezembro de 2000 47 Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028800.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1 _0029000.PDF Page 1 _0029100.PDF Page 1 _0029200.PDF Page 1 _0029300.PDF Page 1 _0029400.PDF Page 1 _0029500.PDF Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029700.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1 _0031200.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1 _0031400.PDF Page 1 _0031500.PDF Page 1 _0031600.PDF Page 1 _0031700.PDF Page 1 _0031800.PDF Page 1 _0031900.PDF Page 1 _0032000.PDF Page 1 _0032100.PDF Page 1 _0032200.PDF Page 1 _0032300.PDF Page 1 _0032400.PDF Page 1 _0032500.PDF Page 1 _0032600.PDF Page 1 _0032700.PDF Page 1 _0032800.PDF Page 1 _0032900.PDF Page 1 _0033000.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1 _0033200.PDF Page 1
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Numero do processo: 11444.000318/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) que o presente processo seja movimentado à unidade local, onde deverá permanecer sobrestado até a ulterior comprovação da existência de decisão final irrecorrível do Mandado de Segurança nº 1999.61.11.007816-8 e do Mandado de Segurança nº 2006.61.11.002829-9; (ii) confeccionar "Relatório Conclusivo" fundamentado da diligência, com os esclarecimentos que entender necessários, manifestando-se acerca das petições protocoladas pela contribuinte, em especial aquelas situadas às fls. 1676 a 1679 e às fls. 1721 a 1722, apontando os efeitos do conteúdo por elas veiculado sobre o crédito tributário em debate no presente processo; e (iii) intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento dos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) que o presente processo seja movimentado à unidade local, onde deverá permanecer sobrestado até a ulterior comprovação da existência de decisão final irrecorrível do Mandado de Segurança nº 1999.61.11.007816-8 e do Mandado de Segurança nº 2006.61.11.002829-9; (ii) confeccionar "Relatório Conclusivo" fundamentado da diligência, com os esclarecimentos que entender necessários, manifestando-se acerca das petições protocoladas pela contribuinte, em especial aquelas situadas às fls. 1676 a 1679 e às fls. 1721 a 1722, apontando os efeitos do conteúdo por elas veiculado sobre o crédito tributário em debate no presente processo; e (iii) intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento dos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) que o presente processo seja movimentado à unidade local, onde deverá permanecer sobrestado até a ulterior comprovação da existência de decisão final irrecorrível do Mandado de Segurança nº 1999.61.11.0078168 e do Mandado de Segurança nº 2006.61.11.0028299; (ii) confeccionar "Relatório Conclusivo" fundamentado da diligência, com os esclarecimentos que entender necessários, manifestandose acerca das petições protocoladas pela contribuinte, em especial aquelas situadas às fls. 1676 a 1679 e às fls. 1721 a 1722, apontando os efeitos do conteúdo por elas veiculado sobre o crédito tributário em debate no presente processo; e (iii) intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento dos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 14 44 .0 00 31 8/ 20 10 -7 8 Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 11444.000318/201078 Resolução nº 3401001.500 S3C4T1 Fl. 1.744 2 Relatório Transcrevese, abaixo, o relatório da decisão a quo: Trata o presente processo do auto de infração, lavrado em 29/03/2010, para exigência da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, relativa aos anoscalendário 2005 e 2006, no valor total de R$ 397.317,37, incluindo multa de ofício (75%) e juros de mora calculados até 02/2010, em virtude da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição. A infração foi enquadrada nos dispositivos legais constantes de efls. 15. De acordo com o Relatório Fiscal, constante do auto de infração, a contribuinte impetrou as seguintes ações judiciais: 1) Mandado de Segurança Preventivo (1999.61.11.0078168), com pedido de liminar, objetivando “reconhecer a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a Impetrante ao recolhimento da COFINS em razão da imunidade”, o qual foi julgado em 05/12/2000, com a concessão parcial da segurança “de forma a autorizar o recolhimento da COFINS nos termos da Lei Complementar nº 70/91, respeitadas as alterações posteriores, salvo a tocante ao alargamento da base imponível introduzida pela Lei nº 9.718/98, supra mencionada, permanecendo o recolhimento da COFINS sob o percentual de 3% (...)”. O Recurso de Apelação apresentado pela contribuinte foi recebido apenas no efeito devolutivo. 2) Mandado de Segurança (2006.61.11.0028299), objetivando “reconhecer o direito da Impetrante em usufruir da isenção concedida pelo art. 14, X, da MP n. 2.15835/01, inclusive em relação as receitas recebidas em caráter contraprestacional direto, afastando, assim as restrições referidas no § 2º do art. 47 da Instrução Normativa nº 247/02”, cuja sentença, proferida em 06/10/2006, assim dispôs: “Diante de todo o exposto e considerando o mais que dos autos consta, REJEITO O PEDIDO FORMULADO e DENEGO A SEGURANÇA, por inavistar direito publico subjetivo a ser tutelado, extinguindo o feito com fundamento no artigo 269, I, do CPC”. O Recurso de Apelação apresentado pela contribuinte também foi recebido apenas no efeito devolutivo. A fiscalização afastou a isenção de que trata o art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, frente os valores de receitas auferidos em decorrência da prestação de serviços educacionais, porque tidos como de caráter contraprestacional direto, Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 11444.000318/201078 Resolução nº 3401001.500 S3C4T1 Fl. 1.745 3 nos termos da IN SRF nº 247/2002, não se enquadrando, portanto, como receitas de atividades próprias isentas. E, considerando a obtenção da medida judicial mencionada acima, conferindo o direito de recolher a contribuição sem os acréscimos à base de cálculo previstos na Lei nº 9.718, de 1998, com a observância da alíquota de 3%, aliada à constatação de que nada foi recolhido, nem confessado em DCTF e nem depositado judicialmente, a autoridade fiscal efetuou o presente lançamento. A fiscalização ainda destaca que a interessada fez sua adesão ao PROUNI (Programa Universidade para Todos), em 25/11/2004, válida para o 1º semestre de 2005, com termos aditivos para os períodos seguintes, ressaltando que as receitas alcançadas pela isenção da COFINS são as decorrentes da realização de atividades de ensino superior, provenientes de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica, em conformidade com a Lei nº 11.096/2005, fato considerado no presente lançamento em relação às receitas auferidas em decorrência da prestação de serviços educacionais e respectivas contas de deduções. Deste modo, a partir de jan/2005, conferiu a isenção da COFINS em relação às receitas decorrentes da realização de atividades de ensino superior. As bases de cálculo apuradas foram consolidadas nas planilhas denominadas “Demonstrativo das Bases de Cálculo da Cofins”, tomandose os lançamentos constantes dos livros Diário e Razão nas contas de receitas e respectivas contas de deduções, tendo sido analisados os lançamentos por centros de custos, nos termos informados pela contribuinte em atendimento à intimação fiscal, a fim de determinar a parcela isenta em razão da adesão ao PROUNI. Quanto às demais receitas que também não se enquadram nas isenções citadas, ou seja, não são consideradas isentas de acordo com o inciso X, do artigo 14, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, nem isentas de acordo com a legislação do PROUNI (art.8º, inciso III, §1º, da Lei nº11.096/2005; e art.1º, inciso I, §1º, da IN SRF nº 456/2004), referentes ao “alargamento da base imponível introduzida pela Lei nº 9.718/98”, foram objeto de outro auto de infração, com exigibilidade suspensa, por força do inciso IV, do artigo 151 da Lei nº 5.172/66 (CTN), em conformidade com a sentença judicial obtida, estando, porém, também demonstradas nas planilhas denominadas “Demonstrativo das Bases de Cálculo da COFINS”, dos anos de 2005 e 2006. A interessada foi cientificada do auto de infração, por via postal, em 09/04/2010. Inconformada, a contribuinte legalmente representada apresentou, em 11/05/2010, impugnação, acompanhada de documentos. Alega que se constitui em entidade filantrópica sem fins lucrativos, não distribuindo qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas a título de lucro ou participação no seu resultado, com finalidade assistencial e aplicação de seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, mantendo escrituração em livros revestidos das formalidades legais e capazes de assegurar sua exatidão, sendo declarada de utilidade pública e considerada entidade beneficente de Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 11444.000318/201078 Resolução nº 3401001.500 S3C4T1 Fl. 1.746 4 assistência social, portadora do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEBAS), expedido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. Desse modo, julga preenchidos os requisitos legais, quer do art. 14 do CTN, quer do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, estando, portanto, amparada pela imunidade tributária quanto às contribuições sociais, prevista na Constituição Federal, art. 195, § 7º, sendo incontroverso que aí se insere a Cofins, fato o qual, por si só, enseja a extinção do lançamento. E que acaso sejam superadas as razões acima, entende que ainda assim o lançamento não deve prosperar, pois o entendimento da Secretária da Receita Federal (SRF) sobre o conceito de receitas de atividades próprias das entidades, contido na IN SRF nº 247, de 2002, é totalmente incabível, pois inova a matéria de maneira restritiva, sendo, portanto, ilegal e inconstitucional. Afirma que “as mensalidades representam a contraprestação natural pelos serviços prestados. Não há receita que mais se revestiria dessa característica do que as mensalidades, que, aliás, são contratuais”. Julga que, por razões lógicas, nas receitas de atividades próprias só poderia estar compreendida a totalidade das receitas auferidas pela entidade no desempenho de suas atividades típicas. E que “o fato de receber receitas de contraprestação por serviços prestados, por si só, não descaracteriza a finalidade não lucrativa das entidades”. A corroborar a ilegalidade e inconstitucionalidade da citada IN, aponta que Administração acabou por confirmar o regime jurídico da isenção das contribuições nos pagamentos de serviços prestados por entidades sem fins lucrativos, ao dispensar a retenção na fonte, como disciplinado na IN SRF nº 306/2003. Ainda, contrariamente à afirmação contida no relatório fiscal, acusa que no lançamento a fiscalização incluiu receitas abrangidas pela isenção em decorrência da adesão ao PROUNI, fato o qual também o torna inválido. Diz que, nos termos da Lei nº 11.096/2005, qualquer receita decorrente da realização de atividades de ensino superior, provenientes de curso de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica, está abrangida pela isenção face adesão ao PROUNI. E que nesse conceito se enquadra com perfeição a receita decorrente da taxa de inscrição para vestibular, constante na conta 3.01.01.02.0004, porquanto é decorrente da realização de atividade de ensino superior, razão pela qual não poderiam compor a base de cálculo da Cofins, devendo ser excluídos os respectivos valores, conforme indicado abaixo: (...) Diz que o mesmo entendimento se aplica com relação às receitas de multas e juros recebidos em decorrência da mensalidade da graduação, constantes da conta 3.02.01.02.0003, e que a fiscalização não se preocupou em separar os juros e multas da graduação, da pós graduação e mestrado, lançando todas. Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 11444.000318/201078 Resolução nº 3401001.500 S3C4T1 Fl. 1.747 5 Quanto à penalidade, alega que a multa de 75% é confiscatória, devendo ser anulada. Do contrário, a despeito dos Tribunais Superiores sugerirem a multa no patamar de 20%, o qual julga deveras elevado, protesta pela analogia e isonomia para a redução da penalidade a 2%, com fulcro na Lei nº 9.298/1996. Acerca dos juros, entende que a taxa Selic é inconstitucional e ilegal, devendo ser afastada. Cita doutrina e jurisprudência a corroborar sua defesa. Encerra protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, tais como documentais, testemunhais, periciais e outros que se fizerem necessários. Em 20/01/2015, a contribuinte apresentou recurso voluntário, situado às fls. 119 a 154, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte busca devolver à cognição deste colegiado as seguintes questões: (i) preencher os os requisitos legais, quer do art. 14 do CTN, quer do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, estando, portanto, amparada pela imunidade tributária quanto às contribuições sociais, prevista na Constituição Federal, art. 195, § 7º, sendo incontroverso que aí se insere a Cofins, fato o qual, por si só, enseja a extinção do lançamento; (ii) o conceito de receitas de atividades próprias das entidades, contido na IN SRF nº 247, de 2002, é incabível, pois inova a matéria de maneira restritiva, sendo, portanto, ilegal e inconstitucional, nos termos da Lei nº 11.096/2005, qualquer receita decorrente da realização de atividades de ensino superior, provenientes de curso de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica, está abrangida pela isenção face adesão ao PROUNI. E que nesse conceito se enquadra com perfeição a receita decorrente da taxa de inscrição para vestibular, constante na conta 3.01.01.02.0004, porquanto é decorrente da realização de atividade de ensino superior, razão pela qual não poderiam compor a base de cálculo da Cofins; (iii) o mesmo entendimento se aplica com relação às receitas de multas e juros recebidos em decorrência da mensalidade da graduação, constantes da conta 3.02.01.02.0003, e que a fiscalização não se preocupou em separar os juros e multas da graduação, da pósgraduação e mestrado, lançando todas; (iv) que Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 11444.000318/201078 Resolução nº 3401001.500 S3C4T1 Fl. 1.748 6 a multa de 75% é confiscatória, devendo ser anulada, ou subsidiariamente, e a despeito dos Tribunais Superiores sugerirem a multa no patamar de 20%, o qual julga deveras elevado, protesta pela analogia e isonomia para a redução da penalidade a 2%, com fulcro na Lei nº 9.298/1996; (v) a taxa Selic é inconstitucional e ilegal, devendo ser afastada. Tem este colegiado entendido que a isenção constitucionalmente qualificada das contribuições sociais para instituições de educação e assistência social está condicionada ao cumprimento das disposições do art. 14 do Código Tributário Nacional, ainda que ausente certificado ou ato declaratório do direito correspondente, em conformidade com o posicionamento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.622, com repercussão geral reconhecida, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2028, nº 2036, nº 2228 e nº 2621. Tal questão, no entanto, foi desafia 1) Mandado de Segurança Preventivo (1999.61.11.0078168), com pedido de liminar, objetivando “reconhecer a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a Impetrante ao recolhimento da COFINS em razão da imunidade”, o qual foi julgado em 05/12/2000, com a concessão parcial da segurança “de forma a autorizar o recolhimento da COFINS nos termos da Lei Complementar nº 70/91, respeitadas as alterações posteriores, salvo a tocante ao alargamento da base imponível introduzida pela Lei nº 9.718/98, supra mencionada, permanecendo o recolhimento da COFINS sob o percentual de 3% (...)”. O Recurso de Apelação apresentado pela contribuinte foi recebido apenas no efeito devolutivo. 2) Mandado de Segurança (2006.61.11.0028299), objetivando “reconhecer o direito da Impetrante em usufruir da isenção concedida pelo art. 14, X, da MP n. 2.15835/01, inclusive em relação as receitas recebidas em caráter contraprestacional direto, afastando, assim as restrições referidas no § 2º do art. 47 da Instrução Normativa nº 247/02”, cuja sentença, proferida em 06/10/2006, assim dispôs: “Diante de todo o exposto e considerando o mais que dos autos consta, REJEITO O PEDIDO FORMULADO e DENEGO A SEGURANÇA, por inavistar direito publico subjetivo a ser tutelado, extinguindo o feito com fundamento no artigo 269, I, do CPC”. O Recurso de Apelação apresentado pela contribuinte também foi recebido apenas no efeito devolutivo. Observese, ademais, que o segundo mandado de segurança contempla também a discussão a respeito do conceito e a extensão de receitas de atividades próprias das entidades, citando expressamente, ademais, o debate acerca da pretensa ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, uma vez que inovaria a matéria de maneira restritiva, sendo, portanto, ilegal e inconstitucional, nos termos da Lei nº 11.096/2005. Sob o pálio de tal discussão é que se desbordará a resposta acerca de serem ou não receitas de atividades próprias das entidades, como a contribuinte, a taxa de inscrição para vestibular (conta 3.01.01.02.0004), e a mensalidade da graduação (conta 3.02.01.02.0003), o que implicaria, na espécie, a aplicação da Súmula CARF nº 01 devido ao reconhecimento da concomitância entre as discussões administrativa e judicial. Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 11444.000318/201078 Resolução nº 3401001.500 S3C4T1 Fl. 1.749 7 Por outro lado, entendeu a decisão a quo que, como as alegações sucessivas de: (i) isenção conferida face à adesão ao PROUNI, (ii) a inaplicabilidade da multa de ofício no patamar de 75%, e (iii) a ilegalidade da taxa Selic como parâmetro para a cobrança dos juros de mora, seriam matéria diversa daquela discutida em juízo, optou por conhecer das matérias, ainda que para negar provimento à recalcitrância da contribuinte. Observase, em primeiro lugar, que a solução de mérito das ações judiciais acima referidas guarda relação de prejudicialidade externa com relação às matérias versadas no presente processo, sobretudo a se ter em vista o atual posicionamento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça a respeito da primeira matéria versada pela ora recorrente, concernente ao § 7º do art. 195 da Constituição de 1988. Em segundo lugar, apenas com o decisium judicial irrecorrível é que se terá maior clareza a respeito da extensão da concomitância açambarcada pela Súmula e, portanto, infensa à cognição deste Conselho. Desta feita, em prestígio à prudência, aguardar pela decisão judicial contemplará tanto o posicionamento tendente a reconhecer a concomitância total, que será confirmada ou infirmada pela extensão da disposição pro judicato, como aquele, defendido pelo percurso racional da presente assentada, no sentido da existência de uma prejudicialidade externa ao presente feito. Assim, da maneira em que se encontra, o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Que o presente processo seja movimentado à unidade local, onde deverá permanecer sobrestado até a ulterior comprovação da existência de decisão final irrecorrível do Mandado de Segurança nº 1999.61.11.0078168 e do Mandado de Segurança nº 2006.61.11.0028299; (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” fundamentado da diligência, com os esclarecimentos que entender necessários, manifestandose acerca das petições protocoladas pela contribuinte, em especial aquelas situadas às fls. 1676 a 1679 e às fls. 1721 a 1722, apontando os efeitos do conteúdo por elas veiculado sobre o crédito tributário em debate no presente processo; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento dos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1749DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001506/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO.
O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício.
LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO.
O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO.
Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA.
O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
Numero da decisão: 2402-006.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
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INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 06 /2 00 8- 11 Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 7 2 responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 18471.001856/200887, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário em Processo nº 18471.001856/200887, caracterizado como o mais representativo da controvérsia contida em multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito tendo como Recorrente a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. e Recorrida a FAZENDA NACIONAL. Em conformidade com os dispositivos contidos no Art. 47, Anexo II do RICARF vigente (com redação dada pela Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018), o resultado do mesmo será paradigma para aplicação em lote repetitivo composto pelos processos de número 11330.000085/200795; 11330.000087/200784; 11330.000937/200744; 11330.001348/200783; 18471.000127/200811; 18471.000315/200831; 18471.001456/200871; Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 8 3 18471.001506/200811; 18471.001580/200837; 18471.001586/200812 e 18471.001592/200861. Por bem registrar o andamento do processo até a fase recursal, adotaremos o relatório da Decisão recorrida de folhas 265 a 274: "DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.496.3643 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 34.258,57, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 12/1999 a 12/2000. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA, CNPJ: 65.045.619/000168, em cumprimento ao contrato 270.2.044.998. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. 2.2. A empresa contratante deixou de apresentar a Discriminação da Redução da Base de Cálculo do Valor Retido nas Faturas de 12/1999 a 12/2000. 2.3. Os dados para o levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Contrato de Prestação de Serviços, Relação de Faturas e Boletins de Medições, GPS de Retenção de 07/1999 a 11/1999, que foram aproveitadas (não gerando débito nestas competências), GPS de retenção de 11/1999 a 01/2000 e 03/2000 a 12/2000, que foram devidamente aproveitadas, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 10/10/2002, através do instrumento de fls. 40/43, alegando, em síntese: 3.1. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 9 4 obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.2. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.3. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.4. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.5. a Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.6. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutidos no valor das notas fiscais ou da fatura, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.7. a atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.8. o INSS transfere para a recorrente, sem lei que o autorize, toda a fiscalização tributária sobre o contribuinte, ofendendo diretamente o princípio da legalidade e não pode prevalecer; 3.9. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.10. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. Do aditamento à impugnação 4. A PETROBRAS ainda apresentou aditamento à impugnação em 23/12/2002, fls. Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 10 5 49, com a juntada de documentos (fls. 50/111), para comprovar suas alegações. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A IMIGRANTES, notificada do lançamento por edital, publicado em 09/05/2003 O DIA (fls. 118) não apresentou impugnação. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, através do aditamento à impugnação, os autos foram encaminhados ao Serviço de Fiscalização em 27/06/2003, fls. 119. Após análise dos documentos, de fls. 50/111, a fiscalização elaborou Informação Fiscal em 11/07/2003, fls. 120, na qual concluiu pela manutenção do débito, afirmando que os documentos apresentados em nada alteram o lançamento. DO JULGAMENTO E RECURSO 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0788/2003, de 29/08/2003, fls. 122/129. Devidamente notificada a PETROBRAS em 04/09/2003, (fls. 130) e a IMIGRANTES, através de edital, publicado em 17/10/2003 (fls. 131). 8. Apenas a PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 30/09/2003 (fls. 134/137). 9. Após a elaboração das ContraRazões, em 27/02/2004 o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001134, de 28/06/2004 (fls. 142/149), decidiu anular, por maioria, a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizálo, já que publicou edital de citação em praça diversa do contribuinte. DO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, o INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 150/154). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão nº 0001134, assim como do Pedido de Revisão, Petrobrás em 19/10/2004 (fls. 155) e IMIGRANTES através de edital publicado no Jornal do Comércio em 14/01/2005 (fls. 163). Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 11 6 Foi concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 158/161). 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0000631, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 166/169). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 15. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 16. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, em 16/01/2008, fls. 202/203, o AuditorFiscal afirma inicialmente que o INSS tentou dar ciência da NFLD à empresa prestadora, sem êxito, fazendoo em seguida através de edital e, que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da SRFB CNAF/CFE, fls. 199, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 –REFIS em 21/03/2000 (fls. 200), mas foi excluída em 01/01/2002 por inadimplência, assim como aderiu ao parcelamento da Lei nº 10684/2003 – PAES (fls. 201), mas encontrase inadimplente desde 20/11/2005. 17. Assim sendo, a Petrobrás foi notificada do Resultado da Diligência de 16/01/2008, dos Acórdãos nº 1134 e nº 631 assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 644/2011 (Petrobrás – fls. 208) em 01/04/2011 (fls. 213) e a IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA através de edital publicado no Diário Oficial da União em 10/08/2011 (fls. 221), entretanto não se manifestaram." Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 12 7 O Recurso Voluntário apresentado após o reinício do contencioso aborda questões relacionadas a falhas ocorridas no processo. Inicia suas questões preliminares sustentando ser a Nulidade da NFLD por ausência de requisitos mínimos relacionados a fundamentação e identificação do fato gerador, afirmando que a "indicação genérica pode apenas compreender o motivo, porém não o faz em face da motivação para embasar o ato jurídico administrativo." Argumenta haver ilegalidade quanto ao "reinício do contencioso administrativo" frente a coisa julgada administrativa. Ainda que se admita a possibilidade de reinício do contencioso, sustenta ter ocorrido novo lançamento em momento onde o crédito já havia decaído. Articula pela impossibilidade de revisão do lançamento indicando ter ocorrido violação ao disposto no Art. 149 do CTN e sustenta ainda haver impossibilidade de retroatividade da aplicação do Enunciado 30 do CRPS. Entende ter ocorrido o descumprimento da Decisão do CRPS quanto a anulação da DN e realização de diligencia fiscal suplementar. Trata ainda de apresentar tese quanto a impossibilidade de estabelecimento da solidariedade sem a preexistência do crédito constituído contra o devedor principal e discorre a respeito da adoção de base de calculo inadequada. Por derradeiro, trata da exclusão de responsabilidade dos representantes legais e pugna pela realização de diligência suplementar. É o Relatório." Voto Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e Denny Medeiros da Silveira, dignos Relator e Redator designado da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 13 8 Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido " Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. ADMISSIBILIDADE. O presente processo é marcado por uma forte atipicidade ritualística, impondo uma cuidadosa análise de admissibilidade. Para além do fato de tratarse de paradigma de recursos em matéria de direito repetitivas, o processo padece de falhas procedimentais com grande impacto quanto aos pontos do Recurso Voluntário que devem ser conhecidos e aqueles que representam inovação na lide. A Recorrente apresentou impugnação total da NFLD nº 35.496.3643 e aditamento da mesma para juntar documentos e em tais manifestações limitouse a tratar de questões de mérito relacionadas a solidariedade e base de calculo adotada, nada tratando a respeito de outros pontos. Em julgamento da impugnação o lançamento foi mantido nos termos da Decisão Notificação n° 17.401.4/0788/2003, em razão disso a Recorrente apresentou seu primeiro Recurso Voluntário, este contraarrazoado pelo INSS. Em julgamento de tais peças, foi proferido o Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 onde os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, decidiram anular a decisão recorrida. A Secretara da Receita Previdenciária SRP emitiu Pedido de Revisão do Acórdão. Em resposta, a Recorrente apresentou manifestação no sentido de manutenção da decisão e não conhecimento do pedido de revisão, sendo emitido o Acórdão n° 631 de 27/05/2005 em que os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS decidiram não conhecer do Pedido de Revisão. Em decorrência do julgamento e de outras discussões foi providenciada a devolução do depósito recursal referente à NFLD n° 35.496.3643. Os contribuintes principal e solidário foram cientificados dos Acórdãos n° 1134 e 631 da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS e do Resultado de Diligência de 16/01/2008, conforme intimação de fls. 210 e Edital de fls. 222, no entanto não apresentaram manifestações. Por meio de mero despacho da Superintendência Regional 7ª Região Fiscal DEMAC foi determinado o reinício do contencioso administrativo. O Recurso Voluntário em julgamento é interposto contra nova decisão de primeira instância emitida em razão do reinício do contencioso e tomando por base a impugnação original. Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 14 9 Portanto, é um corolário lógico que o Recurso trate de temas não articulados na Impugnação. Entretanto, há limites para tal. As questões relacionadas a ordem processual devem ser conhecidas ainda que representem inovação, pois, decorrem de atos processuais posteriores a apresentação da impugnação. Contudo, outros temas constantes do Recurso Voluntário em julgamento, mas que não decorrem de atos posteriores a impugnação, não merecem ser conhecidos. Nesse sentido, por representar inovação na lide, voto por não conhecer a preliminar de nulidade, eis que poderia ter sido apresentada desde a impugnação, assim como voto por não conhecer das alegações de relacionadas a exclusão de responsabilidade dos representantes legais. Quanto aos demais pontos do recurso, voto por conhecêlos integralmente eis que, dadas as circunstâncias processuais, preenchem os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. 2. DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS AO MÉRITO. Embora não tenham sido articuladas como preliminares, devem ser conhecidas e votadas de modo prioritário as matérias recursais com potencial prejudicialidade à análise dos demais pontos. Sob tal pressuposto técnico há de se conhecer de modo prioritário os argumentos de ilegalidade do denominado "reinício do contencioso e Decadência". Em análise do andamento processual, nos parece claro que o objeto da lide foi resolvido de modo inequívoco e definitivo por meio dos Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 e confirmado por meio do Acórdão n° 631 de 27/05/2005 emitidos pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS. O Acórdão nº 0001134, proferido pela 2ª CAJ em 28/06/2004 recebeu a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. E necessário que o INSS constate a j . existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN. O referido Acórdão apresentou o seguinte resultado: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do CRPS, por Maioria em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 15 10 fundamentação. Apresentou voto divergente, sendo vencido, o Representante do Governo, Marco André Ramos Vieira. Apresentou Declaração de Voto, acompanhando o voto do Relator, o Representante do Governo, Mário Humberto Cabus Moreira. Quanto aos termos fundamentais do Acórdão é relevante observar que o decisório contém o voto do Relator, um voto vencido e uma declaração de voto que apresentam ligeira divergência quanto as razões, mas todas as manifestações votaram por anular a decisão notificação. Em todas as manifestações restou claro haver dúvidas quanto a própria materialidade da obrigação tributária, uma vez que nenhum procedimento para verificação do inadimplemento tributário por parte do devedor original foi realizado. O lançamento se deu por mera presunção, não se adotando nenhum tipo de cautela fiscal com vistas a averiguar se, por exemplo, não haveria duplicidade de pagamentos. As divergências se estabeleceram quanto a necessidade de realização de diligência fiscal suplementar e outros aspectos teóricos relacionados ao estabelecimento da solidariedade. Mas, mesmo diante das divergências, restou uníssono o entendimento quanto a necessária indicação do fato gerador e seus elementos caracterizadores, sendo este o fundamento dado para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por consequência, anulada a decisão restou anulado o próprio lançamento, eis que os fundamentos que conduziram a tal resultado fazem referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora. A anulação não tomou por base a decisão recorrida e seus elementos formais ou processuais, mas o lançamento, sendo inegável a sua desconstituição. Seguindo no contencioso, verificamos a existência de um pedido de reconsideração apresentado pelo próprio INSS obtendo decisão com a seguinte ementa: CUSTEIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Lançamento fiscal é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do I art. 142, do Código Tributário Nacional. A apuração do crédito tributário Junto ao prestador é necessária. Caso ocorra a não apresentação ou apresentação, deficiente pelo prestador, da documentação contábil ou trabalhista necessária a comprovar a extinção previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 16 11 devidas. Nos ditames do parecer 2.376/2000, o INSS deve evitar os lançamentos em duplicidade, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhidas. A interpretação divergente por si só não enseja não gera a revisão de acórdão. Pedido de Revisão Não Conhecido. O Denominado "Pedido de Revisão" equivale ao Recurso Especial e, por consequência, sua admissibilidade está condicionada à demonstração efetiva de existência de julgados semelhantes com interpretação divergente, o que não se demonstrou no presente caso, levando o referido pedido ao não conhecimento. Com efeito, este processo seguiu seu rito e se esgotou em definitivo na data de 31/05/2005. Importante observar que consta dos autos despacho confirmando a definitividade da decisão e encerramento do processo (Fls. 170), tendo o Recorrente intimado da decisão em 12/07/2005. Portanto, restou conformada a situação jurídica de que trata o inciso II do Art. 42 combinado com o disposto no Art. 45, ambos do Decreto 70.235/71: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. [...] Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio." Entretanto, em afronta aos princípios da legalidade, segurança jurídica, ampla defesa e contraditório, sem qualquer razão ou fundamento legal, por mero despacho de integrantes da fiscalização, determinouse o reinício do contencioso. (Fl. 261) Em que pese haver indicação quanto a necessidade de realização de diligência suplementar no voto vencedor do Acórdão que decidiu pela nulidade do lançamento, não há como confundir o decisório como mera resolução ou mesmo aceitar tratase de anulação por vicio meramente formal, o que viabilizaria a reemissão do lançamento nos termos do Art. 173, II do CTN. Não seria uma Resolução por ter conteúdo decisório extintivo, tão pouco poderia ser atribuído ao fisco o direito de reemitir o lançamento, nos termos dispostos no Art. 173, II do CTN, por absoluta ausência de fundamentação neste sentido ou compatibilidade dos elementos decisórios às previsões do Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 17 12 referido dispositivo, eis que a nulidade declarada tem natureza material. Se considerarmos que o Acórdão nº 1134 foi proferido em 28/06/2004 e fazia referência a fatos geradores ocorridos entre 12/1999 e 12/2000, tal indicação tinha por pressuposto o fato de que, naquele momento, o direito de realizar novo lançamento ainda não havia decaído, sendo mera indicação. De modo que tal determinação, tomada pelo próprio órgão lançador, sem qualquer fundamentação, fere diversos direitos e garantias fundamentais dos contribuintes e a ordem pública, em especial o direito ao devido processo legal, legalidade, segurança jurídica e ampla defesa e contraditório. Além de afrontar qualquer lógica processual, o chamado "reinício do contencioso" tem como ato seguinte não um novo lançamento, notificação do lançamento ou qualquer ato inequívoco que permita aos contribuintes exercerem o seu direito a ampla defesa e contraditório de modo amplo e adequado, mas, parte, ato contínuo, para o julgamento de lançamento já anulado por decisão definitiva, sem dar a oportunidade dos contribuintes apresentarem nova impugnação. Ainda que tal oportunidade fosse conferida aos contribuintes solidário e principal, à que elementos deveriam resistir? O lançamento fora anulado, novo lançamento não foi emitido e ainda que fosse, como a anulação não se deu por elementos meramente formais, os créditos em foco já estariam sob decadência, eis que o processo alcançou sua definitividade em 12/07/2005 e nenhum novo lançamento foi realizado até a presente data. Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso quanto a impossibilidade de reinício, uma vez que decisão definitiva fora proferida, voto ainda por reconhecer a extinção do direito de constituição do crédito ante a decadência, bem como a nulidade da decisão também por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica. 3. MÉRITO. Em atenção ao princípio da eventualidade, dada a possibilidade de não ser acompanhando pelo colegiado nos pontos anteriores, analiso os demais argumentos recursais passíveis de conhecimento. 3.1. Impossibilidade de Revisão do Lançamento. Um dos fundamentos trazidos aos autos para tentar dar ares de legalidade ao reinício do contencioso com revisão do lançamento, foi introduzido pelo Relator do Acórdão nº 12 60.032 da 10ª Turma da DRJ/RJ1, de 25/09/2013, nos seguintes termos: Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 18 13 "14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços" O reinício do contencioso tomou por base uma mudança dos critérios jurídicos da autoridade administrativa sobre o tema ocorrida posteriormente ao momento em que a decisão que anulou o lançamento se tornou definitiva. O relatório da decisão recorrida indica que a reabertura do contencioso já encerrado teve por fundamento a alteração do "entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007". Contudo, conforme já abordado anteriormente, a decisão que anulou o lançamento, tornouse definitiva em 12/07/2005 conforme despacho de [Fls. 170]. O Código Tributário Nacional nos revela, em diversas passagens, uma forte preocupação do legislador com a manutenção da segurança jurídica, dentre tais passagens, na solução do presente caso, destacase o Art. 146 do referenciado Código que assim vincula a autoridade fiscal e julgadora: "Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." O sujeito passivo não pode ficar exposto às variações interpretativas que as normas jurídicas podem suscitar nas autoridades fiscais ou julgadoras, menos ainda, pode o processo administrativo ser um elemento de propagação das incertezas jurídicas sobre situações jurídicas anteriores e já resolvidas por meio de decisão definitiva. Portanto, ainda que se entenda pela possibilidade de reinício do contencioso por mero despacho de agente fiscal sem qualquer fundamentação legal, não pode o julgador, tentando dar ares de legalidade ao reinício do contencioso, introduzir nova fundamentação e ainda, tal fundamentação estar baseada na alteração dos critérios jurídicos trazidos por meio do Enunciado Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 19 14 nº 30 exarado dois anos depois que a decisão de nulidade do lançamento tornouse definitiva. Admitir uma aplicação retroativa do Enunciado em questão de modo a permitir a reinício do contencioso e, mais do que isso, a alteração do resultado do julgamento com base em tal entendimento inovador fere a segurança jurídica e contraria o disposto no Art. 2º, Parágrafo único XIII da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto declarando nula a decisão recorrida e por conseqüência o crédito a que se refere. 3.2. Da Solidariedade, Descumprimento da decisão do CRPS. Ainda em atenção ao princípio da eventualidade, eis que outro Conselheiro pode apresentar melhor juízo sobre os fatos e fundamentos relativos ao caso e contidos no presente voto, seguiremos na análise do Recurso. Outrossim, o Código Tributário Nacional, em seu art. 142 define, como um dos requisitos do lançamento de oficio, a perfeita identificação do sujeito passivo como essencial, não sendo possível exigir tributo de quem não tem relação com o fato gerador. Já o Art. 121 define como sujeito passivo da obrigação principal a pessoa obrigada ao pagamento de tributos contra ou penalidade e, seguindo em suas definições, o referido artigo divide tal sujeito da obrigação em: I Contribuinte, promovedor do fato gerador, e II Responsável, sem ação na promoção do fato gerador, mas assim definido por imposição legal. Por derradeiro o Art. 124 do mesmo Código trata da responsabilidade solidária a dividindo em: I decorrente de interesse comum e II a que tem origem através de imposição legal, ambas não comportando beneficio de ordem. Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 20 15 As obrigações para com a seguridade social incidentes sobre fatos geradores relacionados à obras de construção civil, o art. 30, VI, da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, impõe a responsabilidade solidária e sem beneficio de ordem ao incorporador, proprietário ou empreiteiro: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Assim, não resta dúvida quanto a possibilidade de atribuição de responsabilidade solidária ao "proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo" Como estamos diante de uma espécie de responsabilidade solidária decorrente de Lei, sua imposição ao caso concreto deve ser vinculada aos seus dispositivos e termos e devendo ser comprovada a natureza da relação jurídica entre contratante e contratado. E recorrendo às lições de Leandro Pausen1: Devese destacar, neste particular que a lei, em vez de simplesmente se referir às atividades inerentes à construção civil e de deixar ao intérprete descortinar sua amplitude, referiuse expressamente à "construção, reforma ou acréscimo", delimitando seu âmbito de incidência. São relevantes, pois, tais definições. "Construção" implica e edificação de prédio novo, abrangendo todas as suas fases, desde as fundações até o acabamento. "Reforma" implica alteração em características do prédio, mediante modificações nas divisórias ou aberturas ou substituição de materiais com vistas à melhoria na aparência ou na funcionalidade. "Acréscimo" envolve a ampliação, com aumento de área. As obrigações atinentes a construções, reformas e acréscimos estão submetidas ao regime de responsabilidade solidária. 1 Pausen, Leandro Contribuições:custeio da seguridade social / Leandro Pausen. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2007, pags 76/77 Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 21 16 Outra é a situação de serviços que possam ser enquadrados como de simples manutenção, não alcançados pela norma. A pintura, por exemplo, embora seja inerente à construção civil, pois, o prédio construído é pintado, ao menos internamente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, porque lhe é inerente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, não pode ser considerada, separadamente, como construção. De fato a pintura, como parte de um empreendimento maior, não desborda da construção, porque lhe é inerente, de outro lado, tomada separadamente, não pode ser considerada como obra de construção. Pintar um prédio, considerada esta atividade separadamente, não é construílo. Assim considerada, a pintura enquadrase num quarto conceito, o de conservação ou manutenção, não apanhado pelo dispositivo legal em discussão. Restando claro os limites normativos geradores da responsabilidade solidária na construção civil, cabe, de modo prévio, verificar se as operações tomadas por geradoras de tal responsabilidade por parte do i. Agente Fiscal enquadramse no conceito de construção, reforma ou acréscimo, eis que não sendo estes os objetos contratuais e fatos identificados pelo i. Agente Fiscal para viabilizar o lançamento, não restaria configurada hipótese legal de incidência da referida norma. O próprio relatório fiscal nos dá tal informação com clareza cristalina ao descrever a situação fática tomada por base para realizar o lançamento, tendo o contratante como Responsável Solidário com fundamento no art. 30, Vi da Lei 8.212/91: 3 Foi verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratou com empresa construtora, identificada no item 1 deste, a construção em cumprimento ao(s) contrato(s) nº 270.2.044.998 cujo(s) objeto(s) era(m): A EXECUÇÃO SOB REGIME DE EMPREITADA POR PREÇOS UNITÁRIOS, DE SERVIÇOS DE LIMPEZA INDUSTRIAL INCLUINDO MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. Ocorre que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para obra contratada,nem apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada. Ora, não estamos nos referindo a uma empresa qualquer, trata se de uma sociedade de economia mista que teve sua criação autorizada pela Lei 2.004/53 e que dentre suas especificidades está sujeita a procedimentos próprios de contração por meio de processo especifico de licitação. Desse modo, além do relatório fiscal, nada indica nesse sentido, não há como admitir hipótese do objeto do referido contrato estar em desacordo com a realidade. Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 22 17 Assim, no presente caso, não há subsunção da operação indicada pelo i. Agente fiscal a hipótese de incidência da responsabilidade solidária atribuída ao recorrente. Não estamos diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil é possível ser identificada com clareza, eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas. Em adição a impugnação o Recorrente juntou notas fiscais que deixam clara a realização do referido objeto, portanto, a situação fática não, a verdade que se ignorou desde o lançamento, não permite a conformação da responsabilidade solidária por absoluta falta de previsão e enquadramento da operação ao referido normativo. Ainda que, analisando as provas contidas nos autos, os demais conselheiros apreendam a situação fática de modo diverso da leitura ora exposta, não há como negar que o lançamento padece de nulidade, eis que nenhum procedimento tendente a verificar a materialidade do descumprimento das obrigações foi realizada pelo i. Agente fiscal de modo claro e seguro. Ainda com apoio nas valiosas lições de Leandro Paulsen, temos que2: [...] quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o Fisco a efetuar lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo construtor, das contribuições relativas à obra. Impõese que o Fisco verifique se o construtor efetuou ou não os recolhimentos. De fato, não há que se confundir a causa que atrai a responsabilidade solidária do dono da obra (ausência de documentação exigida comprobatória do pagamento pelo contribuinte) com a pendência da obrigação tributária em si. A responsabilidade solidária recai sobre obrigações que precisam ser apuradas adequadamente, junto aos empreiteiros/construtores, de modo a se verificar a efetiva base de calculo e a existência de pagamentos já realizados, até porque, na solidariedade, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais, nos termos do art. 125, I, do CTN. A análise da documentação do construtor é, assim, indispensável ao lançamento. Em existindo dívida, terseá a possibilidade de exigila de um ou de outro, forte na solidariedade, sem benefício de ordem, conforme se infere do art. 124, parágrafo único do CTN. Alinhados a tal fundamento é que os julgadores quer nos precederam antes do malfadado "reinício do contencioso" votaram por anular o lançamento. Portanto, não há como deixar de entender nulo o referido ato decisório que votou pela 2 ob.cit. pags 77/78 Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 23 18 manutenção do lançamento, eis que o procedimento de fiscalização não realizou diligências mínimas no sentido de demonstrar a ocorrência do fato gerador e seu inadimplemento. A Lei nº 8.212/91 não criou nova hipótese de incidência das referidas contribuições, não há base constitucional ou legal para admitir um lançamento cujo o fato gerador seja a não comprovação de que um terceiro relacionado deixou adimplir obrigação tributária. Apurar o tributo, realizar procedimentos fiscalizatórios mínimos aptos a comprovar o inadimplemento das obrigações indicando seus aspectos quantitativos de modo objetivo, claro e alinhando a realidade fática é ato prévio a identificação de situação jurídica apta a trair ao pólo passivo da obrigação um responsável solidário, o que se faz somente se as condições de tal atribuição de responsabilidade estiverem claramente alinhadas as hipóteses legais. Ainda que se possa admitir que ausência de comprovação do atendimento as obrigações fiscais previdenciárias por parte dos empreiteiros gere a presunção de ocorrência do fato gerador e, por consequência, atribuição de responsabilidade solidária ao contratante, isto não implica em autorização do fisco para cobrar tributos já recolhidos ou realizar o lançamento apenas contra o responsável solidário. No presente caso o lançamento foi realizado sem qualquer cuidado quanto a tais elementos essenciais e vinculantes, eis que nenhum ato tendente a demonstrar que o contribuinte principal efetivamente deixou de adimplir as obrigações em lide não foi realizado até o momento do lançamento. Observem que apenas em retorno de diligência alguns procedimentos foram realizados com o objetivo de demonstrar que, de fato, as obrigações em lide deixaram de ser adimplidas e, mesmo neste caso, restou demonstrado que o contribuinte principal aderiu ao REFIS e ao PAEX indicando os fatos geradores em questão para composição dos referidos parcelamentos. Ora, uma condição de todos esses parcelamentos é justamente o pagamento de uma parcela das obrigações, portanto, ainda que tais parcelamentos não tenham seguido seu curso de modo pleno, parte das obrigações tidas por inadimplidas, em realidade foram pagas, não havendo nos autos qualquer demonstração quanto a exclusão de valores duplicados. Assim, independente do posicionamento dos demais membros do colegiado resta claro que não há segurança quanto a inadimplência das referidas obrigações. Outro ponto relevante é que o lançamento foi realizado apenas contra o Responsável Solidário, eis que, nos autos não constam qualquer indicativos de ter havido o lançamento e notificação original contra o contribuinte principal, o que ocorreu apenas na fase contenciosa do processo. Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 24 19 Quanto a alteração dos critérios jurídicos adotados pela administração tributária ao exarar o Enunciado 30/2007, conforme já exposto, não há como admitir sua retroatividade de modo a possibilitar que situações já resolvidas em favor do contribuinte ou responsável retornem a litigiosidade e com base em tal mudança alterem o resultado original do julgamento, o que fere a segurança jurídica e legalidade em clara afronta o art. 149 do CTN. De outro lado, ainda que o Recorrente não tenha suscitado tal questão, considerando que o fundamento do reinício do contencioso tomou por motivador uma alteração dos critérios jurídicos quanto aos requisitos necessários para atribuição de responsabilidade solidária e ainda, em atenção ao disposto no Anexo II, art. 45, inciso VI e art. 62 ambos do RICARF, é necessário analisar a aplicabilidade da Súmula CARF nº 66 ao presente caso. Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Para definir o alcance do termo "órgão da administração pública" podemos recorrer ao que dispõe o DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967 que dispõe sobre a organização da Administração Federal que em seu art. 4º define a estrutura da administração. Art. 4° A Administração Federal compreende: I A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. II A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas. Portanto, considerando que a Recorrente é Sociedade de Economia Mista, integra a administração pública, entendimento esse compartilhado pela doutrina e jurisprudência de modo majoritário3. 3 STJ MANDADO DE SEGURANÇA MS 18574 DF 2012/01080270 (STJ) Data de publicação: 07/05/2013 Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 25 20 De modo a afastar eventuais dúvidas quanto compatibilidade da referida Súmula ao presente caso, em atenção ao disposto no art. 926, §2º do CPC, realizamos uma analise dos precedentes que deram azo a referida súmula e identificamos que dentre os paradigmas adotados na sua edição o Acórdão n.º 206.00.611, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil tinha por interessado uma fundação pública estadual integrante da administração indireta, tem por interessado a Fundação Clóvis Salgado e Outros, vejamos sua ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 — INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, §2°da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95,somente nas situações previstas no art.31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Assim como a Recorrente, a Fundação Estadual a que se refere o precedente, integra a administração pública indireta, esta na condição de fundação pública e aquela na condição de sociedade de economia mista, portanto, para este relator não há dúvida quanto a possibilidade de aplicação do referido entendimento sumulado ao sociedades de economia mista como a Petrobrás, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENSÃO DE DESCONSTITUIR O CARÁTER SIGILOSO ATRIBUÍDO ÀS INFORMAÇÕES RELATIVAS À EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA PETROBRAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO SR. MINISTRO DE ESTADO DE MINAS E ENERGIA. 1. A PETROBRAS ostenta natureza jurídica de sociedade de economia mista e integra a Administração Pública Indireta, estando, apenas, vinculada ao Ministério de Minas de Energia (art. 4º , II , c , do DecretoLei n. 200 /67). Logo, ainda que tal empresa tenha a União como sua sócia majoritária, não se sujeita ao Poder Público Central, mas apenas à tutela administrativa, máxime porque goza de autonomia administrativa e financeira. 2. A autoridade impetrada não foi a responsável para atribuição de caráter reservado às informações prestadas, razão pela qual exsurge a sua ilegitimidade passiva ad causam. 3. Segurança denegada (art. 6º , § 5º , da Lei n. 12.016 /2009 combinado com art. 267 , VI, do CPC ). STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1096552 RJ 2008/02341791 (STJ) Data de publicação: 14/09/2009 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – HABEAS DATA – SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA – ADMINISTRAÇÃO INDIRETA – ENTIDADE GOVERNAMENTAL – CABIMENTO – REGISTRO PESSOAL – DOCUMENTO PARA INSTRUIR PROCESSO DE REINTEGRAÇÃO DE PERSEGUIDO POLÍTICO. 1. Hipótese em que o particular impetrou habeas data contra a Petrobrás, para que essa apresentasse documento interno com informações pessoais, que comprovariam as razões eminentemente políticas para seu afastamento do quadro de funcionários da sociedade de economia mista ocorrida durante o Regime Militar. 2. As sociedades de economia mista integram a Administração Pública Indireta como 'entidade governamental', para fins do disposto no art. 7º , inc. I , da Lei 9.507 /1997. 3. A informação pleiteada pelo impetrante não é mera comunicação interna da empresa, mas se refere a registro pessoal, inegavelmente, do seu interesse. 4. Recurso especial não provido. Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 26 21 Considerando que o instrumento de lançamento nada tratou quanto a assunção de responsabilidade direta e total pela obra e nos autos não consta cópia do contrato, é relevante observar que a Recorrente, no período dos fatos geradores, estava obrigada a observar o que dispõe o Decreto nº 2745 de 24 de agosto de 1998 que aprova o Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS previsto no art . 67 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. Neste regulamento consta do item 7.1.3, alínea "j", que a definição da responsabilidade pelo recolhimento dos tributos era definida a época nos próprios instrumentos contratuais: 7.1.3Os contratos deverão estabelecer, com clareza e precisão, os direitos, obrigações e responsabilidades das partes e conterão cláusulas específicas sobre: [...] i) as condições referentes ao recebimento do material, obra ou serviço; j) as responsabilidades por tributos ou contribuições; Assim, em que pese a possibilidade de aplicação do Enunciado em operações simulares, ante a ausência de provas quanto a assunção de responsabilidade total direita e total pela obra pelo contribuinte principal, não é possível verificar, com segurança, a Súmula CARF nº 66 ao presente caso. A inaplicabilidade da Sumula nº 66 não altera o entendimento já manifestado quanto a nulidade da decisão recorrida, eis que há ausência de subsunção da operação aos preceitos autorizadores do estabelecimento da responsabilidade solidária na construção civil, seja pelo fato de não estamos tratando de construção, reforma ou ampliação, seja em razão da ilegalidade de estabelecer tal responsabilidade sem segurança quanto a certeza e liquidez do crédito conforme já demonstrado. 3.3. Da mensuração de base de cálculo. Considerando a possibilidade de restar vencido quanto aos pontos anteriores, em que o colegiado teria emitido entendimento no sentido da existência de responsabilidade solidária da Recorrente, há de se avaliar a questão da base de calculo sob a premissa de conformação de tal responsabilidade, eis que, em sendo vencedor, não haveria razão para proceder a tal discussão. E uma vez decidido pela existência de solidariedade, não há outro posicionamento a ser tomado que não a rejeição da tese da Recorrente neste ponto. O questionamento da Recorrente quanto a mensuração da base de calculo é equivocado, pois, tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a legislação aplicável é aquela vigente por ocasião do lançamento fiscal, em respeito ao caput Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 27 22 do art. 144 do CTN, conforme já manifestado pela decisão Recorrida: Apenas no que diz respeito à forma de apuração da base imponível das contribuições, foi utilizada a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/07/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/05/2000, que fundamentou os critérios de apuração do crédito tributário. No caso de aferição indireta, prevista no art. 33 § 3º da Lei 8.212/1991, o ato normativo definiu o percentual da nota fiscal a ser considerado como saláriodecontribuição por ocasião da ação fiscal. 32. Portanto, o critério de aferição utilizado não fere o princípio da legalidade, eis que: a) O Código Tributário Nacional prevê esta normatização em seu art. 100, inc. I; b) O art. 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, vigente no período do lançamento, também legitimava este procedimento; Ressaltese que os atos normativos não estabelecem alíquota, mas sim parâmetros de aferição nos casos autorizados pela Lei e pelo Decreto pertinente, conforme devidamente exposto no item 13 do Relatório Fiscal. Isto posto, apenas se vencido quanto aos demais pontos, no que se refere as alegações recursais quanto a base de calculo, voto por não acolher a tese da Recorrente. 3.4. Da exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais. A Recorrente argumenta haver atribuição de responsabilidade dos representantes, sócios e diretores com fundamento no Art. 13 da lei 8212/93, argumentando ser ilegal tal atribuição eis que tal situação jurídica seria decorrência da prática de atos que constituam excesso de poder, infração à lei ou a instrumentos societários, podendo os administradores da pessoa jurídica recorrente figurar no pólo passivo apenas em casos excepcionais. Em tais caso se aplicaria o disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) VII os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicos direito privado." (g.n.) Tal argumento, nos parece advir do malogrado nome adotado pelo Relatório de Fls. 5/6 CORESP Relação de Co Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 28 23 Responsáveis, eis que não há maiores fundamentações sobe o caso no Relatório fiscal. Com relação a CORESP, apesar de adotar denominação fora de qualquer critério técnico, o CORESP não se presta a definir responsabilidade pessoal dos administradores, mas apenas indicar os representantes legais da pessoa jurídica. O Relator da decisão recorrida, sobre esse tema, lembrou que 'a Instrução Normativa SRP n° 20, de 11.01.2007, alterou a denominação do referido relatório para "Relatório de Representantes Legais", adequandoo definitivamente à sua verdadeira natureza e encerrando qualquer controvérsia sobre o tema. Tal tema foi objeto da Súmula CARF nº 88 e, no caso concreto, não vislumbramos qualquer nuance que imponha a não aplicação da referida súmula. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Assim sendo, no caso em tela, despicienda maior argumentação, tal ponto não merece prosperar. 3.5. Da Necessidade de Diligencias Suplementares. A realização de Diligência suplementar é desnecessária, eis que, pela conformação dos autos, foi possível conhecer a matéria de forma plena e favoravelmente as pretensões da Recorrente. Considerando que nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71 as diligencias e sua necessidade ingressam no âmbito de discricionariedade do julgador que, entendendo por sua desnecessidade, pode dispensála. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 29 24 § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De modo que voto por rejeitar tal pedido, eis que a matéria está devidamente instruída tendo viabilizado a emissão de voto favorável a Recorrente. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, de modo preliminar, acolher as alegações de nulidade da decisão recorrida e decadência do lançamento e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator " Voto Vencedor "Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao reinício do processo, quanto à mudança de critério jurídico e quanto à discussão acerca da natureza dos serviços contratados. Do alegado reinício do processo Segundo o Relator, ao anular a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) teria anulado o próprio lançamento, pois os fundamentos que conduziram a tal resultado teriam feito “referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora”. O Relator também faz referência ao despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMAC), no qual é dito que "deverá ter reinício o contencioso administrativo". Em face a essa situação, o Relator conclui pela impossibilidade de reinício do processo e que teria se extinguido “o direito de constituição [de um novo] crédito ante a decadência”, bem como que seria nula a decisão recorrida “por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica”. Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 30 25 Pois bem, em que pese toda a argumentação feita pelo CRPS, no julgamento do recurso interposto pela ora Recorrente, o acórdão proferido por aquele Conselho foi claro ao anular, expressamente, a decisão de primeira instância e ao determinar a realização de diligência, nos seguintes termos: Entendo ainda que o INSS não se esforçou em localizar o contribuinte (prestador dos serviços), fazendo publicar edital de citação em praça diversa do contribuinte. Assim deverão ser adotados outros meios para idealizar seu paradeiro (exemplo: diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, cadastro do ISS, etc., utilizandose inclusive edital na praça de localização do contribuinte). Assim entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado. CONCLUSÃO Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO N° 17.401.4/0788/2003, fls. 121/'28, determinando que seja observado o que foi exposto no voto acima. Conforme se observa na transcrição acima, apesar do texto não ter seguido a melhor técnica de redação, o CRPS foi inequívoco ao anular, unicamente, a Decisão Notificação e determinar a realização de diligência para que o prestador fosse intimado e para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentasse elementos capazes de justificar o procedimento adotado. Diante desse quadro, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro (Centro) encaminhou os autos ao Serviço de Fiscalização para que fosse providenciada a diligência solicitada. Em resposta ao pedido de diligência, a Secretaria da Receita Federal do Brasil4, por meio de sua delegacia correspondente, informou que o INSS não logrou êxito em notificar a empresa prestadora, nem mesmo por edital. Também informou que não houve ação fiscal na prestadora, com exame de contabilidade, no período referente ao lançamento em pauta. Na sequência, a DEMAC intimou a ora Recorrente e a empresa prestadora da decisão proferida pelo CRPS e do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, no entanto, nenhuma das duas se manifestou. Sendo assim, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no Rio de Janeiro, para que fosse proferida nova decisão de primeira instância. Portanto, apesar da palavra “reinício” ter sido mencionada no citado despacho da DEMAC, tomandose por base a sequência de procedimentos descritos acima, notase, de forma cristalina, 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil foi criada em 2/5/07, como resultado da fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Lei 11.457, de 16/3/07. Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 31 26 que em nenhum momento o contencioso administrativo foi concluído (ou finalizado) e reiniciado, mas sim que está em trâmite desde a sua instauração. Até porque, nenhuma mácula restou evidenciada na base de cálculo apurada pela fiscalização. Ademais, o contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. Dessa forma, como o crédito lançado ainda está em discussão, não há que se falar em decadência e nem mesmo em afronta ao devido processo legal e à segurança jurídica, uma vez que todos os procedimentos adotados pela Administração Tributária estiveram devidamente amparados na legislação de regência, tendo sido concedido à Recorrente e à empresa prestadora o direito de se defenderem de todas as decisões proferidas. Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Na natureza do serviço contratado No item 3.2 do seu voto, o Relator questiona a natureza dos serviços contratados, apontando que, no caso em análise, não 5 Còdigo Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25/10/66). 6 Portaria MPS nº 548, de 13/9/11. Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 32 27 estaríamos “diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil [...], eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas”. Todavia, a natureza dos serviços prestados não chegou a ser questionada na impugnação, a qual, inclusive, em dois momentos, fez menção expressa a obra de construção, nos seguintes termos: DOS FATOS. Através da NFLD acima identificada, o INSS realizou a constituição de créditos previdenciários, os quais decorreriam de contrato de construção civil, formalizado entre a Recorrente e a empresa mencionada na referida notificação. [...] NO MÉRITO. Da solidariedade. [...] Não tem qualquer cabimento fazer incidir as contribuições sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose a alíquota sobre um percentual das notas fiscais, eis que tal norma foi criada por mera normatização interna do INSS. Além disso, em uma nota fiscal, o valor dos materiais empregados em uma construção de grande porte é bem superior ao valor referente à mãodeobra, não chegando ao percentual consignado. Portanto, como a natureza dos serviços não chegou a ser prequestionada em sede de impugnação e nem, obviamente, foi objeto de análise pela decisão recorrida, não cabe a este colegiado dispor a respeito. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator designado" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 18471.001506/200811 Acórdão n.º 2402006.245 S2C4T2 Fl. 33 28 Fl. 1746DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722327/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2002 a 20/09/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. VERIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Constatada em procedimento fiscal a existência dos créditos declarados pelo sujeito passivo, resta à autoridade fiscal homologar as compensações pleiteadas com base nesses créditos.
Numero da decisão: 3201-004.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que a compensação siga o que decidido no processo administrativo nº 10580.720094/2006-19.
(assinatura digital)
Charles Mayer Castro de Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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CRÉDITOS. VERIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Constatada em procedimento fiscal a existência dos créditos declarados pelo sujeito passivo, resta à autoridade fiscal homologar as compensações pleiteadas com base nesses créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que a compensação siga o que decidido no processo administrativo nº 10580.720094/200619. (assinatura digital) Charles Mayer Castro de Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 23 27 /2 00 8- 71 Fl. 145DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 109 em face da decisão da DRJ/BA de fls. 98, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 46 apresentada em face do Despacho Decisório de fls 37, restando não homologada a compensação de pagamento indevido de Cofins com outros débitos. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o mesmo relatório apresentado na decisão de primeira instância para acompanhamento dos fatos e trâmite processual: "Tratase de Manifestação de Inconformidade da interessada contra o Despacho Decisório nº 280, de 10 de março de 2009, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA (DRF/SDR), que não homologou as compensações pretendidas. Entendia a contribuinte possuir um direito a crédito originário de um pagamento a maior de Cofins referente ao período de apuração de 09/2002, e pretendia utilizar esse crédito para compensar débitos próprios. Sobre a origem do crédito, assim escreveu a autoridade fiscal da DRF/SDR no despacho decisório: (...) Devese salientar que o mesmo crédito foi objeto de pedido de compensação na PER/DCOMP inicial de nº 06278.59771.021004.1.3043030 (fls. 18/22) baixada para tratamento manual no processo nº 10580.720094/200619, juntamente com a declaração retificadora nº 39961.97348.050307.1.7.041652 (fls. 23/27). O aludido processo foi apreciado pelo Seort/DRF Salvador que não reconheceu em favor da interessada o direito creditório requerido (...) (...) É importante destacar que o indeferimento do direito creditório postulado na declaração inicial e sua respectiva retificação no processo nº 10580.720094/200619 implica inexistência de crédito a ser compensado em todas as PERDCOMP a ele vinculadas, (...) (...) Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: • O processo nº 10580.720094/200619 ainda se encontra em tramitação, não sendo possível, destarte, o indeferimento deste pedido, mormente ante a possibilidade de alteração da decisão naquele processo. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10580.722327/200871 Acórdão n.º 3201004.171 S3C2T1 Fl. 146 3 • No processo nº 10580.720094/200619 entendeu a Receita Federal que não havia direito creditório, visto que foram apurados em fiscalização valores devidos de Cofins superiores aos débitos declarados pela Coelba, o que resultou no auto de infração do processo administrativo nº 10580.002752/200506. Ocorre que esse auto de infração ainda está sendo questionado nas vias administrativas, não podendo interferir neste processo de PER/DCOMP enquanto pendente de julgamento definitivo. • Nesse processo do auto de infração citado (nº 10580.002752/200506), ainda cabe recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face de divergências em julgados semelhantes por diferentes Câmaras do Conselho de Contribuintes. • Em face da clara inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, que norteou o auto de infração citado, haverá reversão da decisão do Conselho de Contribuintes junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais. • Enquanto não houver desfecho no processo do auto de infração (nº 10580.002752/200506), permanece a dúvida quanto à circunstância material do fato tributário, de tal modo a incidir perfeitamente o art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN). • Se não for para homologar as compensações conforme pleiteado, pelo menos que haja a suspensão do presente processo até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo do auto de infração (nº 10580.002752/200506). É o relatório." O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão proferido no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 20/09/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO EM OUTRO PROCESSO. Deve ser negado o pedido de compensação vinculado a direito creditório indeferido pela autoridade competente da RFB, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 147DF CARF MF 4 O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade. Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Os autos foram distribuídos por conexão, conforme despacho de fls. 143 e foram pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Conforme relatado e, não havendo controvérsia após o resultado de diligência realizada no âmbito do conexo processo de n.º 10580.720094/200619, deverá ser destinado à compensação o valor apontado neste processo conexo, dada a conexão com o presente. Os outros dois processo conexos mencionados (10580.002753/200542 e 10580.002752/200506) foram julgados a favor do contribuinte, conforme pode ser verificado nos Acórdãos de n.º 930301.575 e 9303006.314. Portanto, em encontro positivo com as alegações do contribuinte, o direito ao crédito deve ser reconhecido e deve acompanhar o resultado do Acórdão de n.º 3201003.659, proferido dentro do conexo processo de n.º 10580.720094/200619, julgado por esta Turma de julgamento em abril de 2018. Diante de todo o exposto, votase para que seja dado PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10580.722327/200871 Acórdão n.º 3201004.171 S3C2T1 Fl. 147 5 Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006048/2006-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-001.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do processo. Os autos devem ser remetidos à Secretaria da Câmara para aguardar decisão definitiva a ser proferida no âmbito do processo nº 19647.010151/2007-83, atualmente aguardando apreciação pela CSRF.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
André Almeida Blanco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do processo. Os autos devem ser remetidos à Secretaria da Câmara para aguardar decisão definitiva a ser proferida no âmbito do processo nº 19647.010151/200783, atualmente aguardando apreciação pela CSRF. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) André Almeida Blanco Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 06 04 8/ 20 06 -5 8 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 19647.006048/200658 Resolução nº 1201001.166 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo originado por 3 (três) declarações de compensação apresentadas pela contribuinte no ano de 2005 e 2007 com a identificação de crédito de saldo negativo (IRPJ) relativo ao exercício de 2005. São as seguintes PERDCOMPs e respectivos débitos: (i) 26699.59875.010207.1.7.025040, transmitida em 01/02/2007 (retificadora), tratando de débito de estimativa mensal de IRPJ no importe de R$ 2.546.578,55, com vencimento em 28/02/2005, (cópia às fls. 12/20) (ii) 34379.52048.101105.1.3.023810, com identificação de débito de COFINS (não cumulativa), transmitida em 10/11/2005, no valor de R$ 2.807.377,08 (fls. 21/24), (iii) 22348.27785.280607.1.3.026359, na qual se tratava de débito de estimativa de CSLL com vencimento em 28/06/2007 no importe de R$ 26.026,72, data em que esta PER/DCOMP foi transmitida (fls. 25/28). Nas DCTFs apresentadas pela empresa relativamente aos citados débitos constam as compensações acima referidas, como se atesta às fls. 57/68 dos autos. Em 26 de setembro de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife reconheceu a existência de crédito em favor da contribuinte no importe de R$ 1.147.337,78, homologando parcialmente a compensação relacionada à PER/DCOMP 26699.59875.010207.1.7.025040 e rejeitando as demais, em síntese sob os fundamentos que seguem: “(...) 1. HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação efetuada através da PER/DCOMP 26699.59875.010207.1.7.025040, até o limite do crédito existente, a saber: Débitos Declarados na PER/DCOMP Per/Dcomp Data de transmissã o Tributo/contr. Código Per. Apuração Valor compensado Valor Admitido para Compensação 26699.59875.010207 .1.7.025040 01/02/2007 IRPJ Estimativa 2362 Jan/2005 2.546.578,55 1.147.337,78 2. NÃO HOMOLOGO as compensações efetuadas através das PER/DCOMP: Débitos Declarados na PER/DCOMP Per/Dcomp Data de transmissã o Tributo/contr. R$ 1.147.33 7,78 Per. Apuração Valor compensado Valor Admitido para Compens ação Débito Levantado para Cobrança 34379.52048.101105 .1.3.023810 10/11/2005 COFINS 5856 Out/2005 2.807.377,08 0,00 2.807.377,08 22348.27785.280607 .1.3.026359 28/06/2007 CSLL Estimativa 2484 Mai/2007 26.026,72 0,00 26.026,72 Fl. 482DF CARF MF Processo nº 19647.006048/200658 Resolução nº 1201001.166 S1C2T1 Fl. 4 3 Sendo intimada quanto a esta decisão em 27 de setembro 2007, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 145), alegando: (i) a impossibilidade de reconhecimento do direito creditório antes do término do processo administrativo nº 19647.010151/200783; (ii) como demonstrado no referido processo administrativo nº 19647.010151/200783, é legítima a dedução do ágio para fins de apuração do IRPJ e CSLL. Com fundamento nestas razões, pleiteou o julgamento conjunto deste processo com aquele referido, que fosse determinado o sobrestamento do presente processo administrativo, ou, subsidiariamente, que houvesse a análise do mérito, com a homologação das compensações realizadas. A 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife, à unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator: “(...) Conforme relatado, este processo se refere ao pedido de compensação de crédito decorrente do saldo negativo do IRPJ apurado pela contribuinte no ano calendário de 2004, exercício 2005. Ocorre que, antes que fosse apreciada a pretendida compensação, a contribuinte foi alvo de fiscalização promovida pela Delegacia da Receita Federal em Recife, no anocalendário em questão, ensejando lançamento de auto de infração formalizado no Processo nº 19647.010151/200783, no qual foi verificado, entre outras, a falta de adição ao lucro líquido de despesas indedutíveis de amortização de ágio, ensejando a apuração de um imposto a restituir / compensar no montante de R$ 1.120.665,93, inferior ao crédito do IRPJ objeto do pedido de compensação em lide. O citado processo (...) foi objeto de julgamento pela 5ª Turma de Julgamento desta DRJ Recife, através do Acórdão nº 1123.277 de 30/06/2008, o qual manteve a glosa da dedução de despesa a título de ágio efetuada pela fiscalização (...) O Acórdão acima citado foi objeto de Recurso voluntário e encontrase no 1º Conselho de Contribuintes, para apreciação desde 12/11/2008 (...) Vale salientar que, mesmo que o auto de infração ainda não houvesse sido julgado nesta instância, haveria de ser mantida a decisão denegatória do crédito suplicado. Isto porque, à época do despacho, já fora lavrado o auto de infração, tendose então a circunstância de que, naquele momento, como agora, inexistiam créditos líquidos e certos a ampara a compensação pleiteada, em face do que se tinham por não atendidos os pressupostos estabelecidos no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (...) A arguição da impugnante no sentido de que a decisão proferida neste processo deveria aguardar o trâmite do processo supracitado, de nº 19647.010151/2000783, queda desamparada. Primeiro, porque não há, na legislação de regência, previsão para o rito pretendido. Segundo, porque, já a partir do despacho exarado pela Delegacia da Fl. 483DF CARF MF Processo nº 19647.006048/200658 Resolução nº 1201001.166 S1C2T1 Fl. 5 4 Receita Federal em Receita, temse a circunstância de que os créditos lá postulados careciam dos atributos de liquidez e certeza, em face do que não poderiam, à luz do art. 170 do Código Tributário Nacional, ser utilizados na compensação de débitos neste ou em qualquer processo. O rito processual cabível é o constante da Lei nº 9.430/96 (artigos 73 e 74), não cabendo a suspensão do processo nos termos do art. 265 do CPC citado pela interessada. Vale ressaltar que, de acordo com o disposto no inciso III do art. 151 do CTN se encontra suspensa a exigibilidade dos débitos objetos de compensação no presente processo até a decisão definitiva desse julgado. Relativamente às alegações trazidas contra a glosa de despesa a título de ágio não será apreciada no presente processo em vista não fazer parte da lide. Ressaltese que tal matéria foi apreciada no processo nº 19647.010151/200783, conforme citado anteriormente. Conclusão. Ante o exposto, voto por indeferir a solicitação, para manterse a decisão de fl. 141, que homologou parcialmente a compensação.” A Recorrente, intimada quanto a este acórdão em 22/09/2009 (fls. 361), interpôs recurso voluntário em 14/10/2009. Em razões recursais, a Recorrente pleiteou: (i) o julgamento conjunto do presente processo com o processo administrativo nº 19647.010151/200783; ou (ii) o sobrestamento do presente processo até o julgamento final do processo anteriormente referido. Sucessivamente, requereu seja reconhecida a dedutibilidade da despesa com a amortização de ágio, afastandose a glosa levada a termo pela Receita Federal do Brasil. É o relatório. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 19647.006048/200658 Resolução nº 1201001.166 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro André Almeida Blanco Conheço do recurso voluntário, pois é tempestivo e preenche os requisitos legais e regimentais de admissibilidade. Passo a análise a questão central tratada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, como também pela recorrente, relacionada à existência de lançamento de IRPJ com a glosa de despesa de amortização de ágio. Esta Turma julgou o processo nº 19647.01051/200783, que tratou de lançamento de glosa de dedutibilidade de ágio, relacionada à ora Recorrente, decidindo o quanto explicitado pelo acórdão nº 120100.689, do qual se destaca o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anoscalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 (...) AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO RECONHECIDO. AUSÊNCIA DE ABUSO DE DIREITO. A aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada, permite a dedução do ágio pago, no cálculo do lucro real, pela incorporadora, haja vista que se extinguiu o investimento anteriormente realizado com a incorporação às avessas, a teor do inciso II do §6º do artigo 386 do RIR/99. A existência de documento (demonstrativo ou laudo) que contempla por metodologia o valor dos ativos em razão da rentabilidade futura permite que a contribuinte realize o aproveitamento do ágio apurado. Inexistência de ágio interno, visto que o valor do ágio apurado na aquisição da Celpe foi transmitidos Às demais empresas pelo mesmo valor, conforme laudos juntados nos autos. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – REDUÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL. Considerando que a dedutibilidade do ágio foi correta, o saldo de prejuízo fiscal em 2006 se mantém conforme declarado pela Recorrente. (...) Tendo esta Turma decidido por acolher o recurso voluntário no que se refere à dedutibilidade da despesa de amortização de ágio, foi interposto recurso especial no processo acima referido, sendo os autos remetidos à Câmara Superior deste Conselho, onde aguarda julgamento. Recentemente, os autos foram distribuídos à relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araujo. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 19647.006048/200658 Resolução nº 1201001.166 S1C2T1 Fl. 7 6 Nesse contexto, é apresentado a esta Turma o presente recurso voluntário, no qual se foi requerido o julgamento conjunto com o processo administrativo nº 19647.010151/200783, o sobrestamento do presente processo até o julgamento final do processo anteriormente referido, ou, subsidiariamente, fosse reanalisada a dedutibilidade do ágio, referida anteriormente. A despeito de já ter sido julgado o recurso voluntário no processo administrativo nº 19647.010151/200783, de rigor seja sobrestado o presente feito para que aguarde o julgamento do Recurso Especial interposto. Afinal, aquele julgamento cancelou o auto de infração de IRPJ, tendo como reflexo regular a confirmação da correção das compensações, quando o seu indeferimento teve como única causa a glosa da dedutibilidade do ágio, devidamente identificada como aquela ocorrida nos autos do processo nº 19647.010151/200783. Em julgamento de caso similar ao presente, esta Turma decidiu pelo julgamento reflexo de pedido de compensação da contribuinte, ora Recorrente: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO RECONHECIDO. REFLEXO EM RAZÃO DA CORRETA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. No acórdão proferido nos autos do processo administrativo n° 19647.01051/200783 a dedutibilidade do ágio foi considerada legítima, fazendo, portanto, referência aos fundamentos trazidos no acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Diante disso, o saldo negativo apurado pelo contribuinte é legítimo e pode ser compensado com outros débitos devidos à Receita Federal. Recurso conhecido e provido. (Acórdão nº 1201000.690, Processo Administrativo nº 19647.008200/200718, sessão em 08/05/2012) No mesmo sentido, foram os julgamentos desta Turma nos acórdãos 1201 000.691 (Processo Administrativo nº 19647.008201/200762), 1201000.692 (Processo Administrativo nº 19647.008586/200768) Acórdão nº 1201000.693 (Processo Administrativo nº 19647.008587/200711), todos envolvendo a ora Recorrente, julgados na mesma sessão de julgamento em que proferido o julgamento do processo administrativo nº 19647.01051/2007 83 (lançamento de glosa da despesa). A solução a ser dada no presente processo administrativo não deve destoar das anteriores, afinal, esta Turma já concluiu pela correção da dedutibilidade do ágio no processo citado, devendo, por reflexo, ser confirmado o saldo negativo pleiteado pela Recorrente. Entretanto, devido ao fato de que esta Turma já decidiu por acolher o recurso voluntário no que se refere à dedutibilidade da despesa de amortização de ágio, e que o recurso especial interposto no processo acima referido aguarda julgamento pela Câmara Superior deste Conselho, de rigor a suspensão do julgamento deste processo até que seja ali definitivamente jugada referida dedutibilidade, prejudicial à analise deste caso. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 19647.006048/200658 Resolução nº 1201001.166 S1C2T1 Fl. 8 7 Por tais razões, proponho a suspensão do julgamento deste processo até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 19647.01051/200783, ora pendente de julgamento pela Câmara Superior deste Tribunal. É como voto. (assinado digitalmente) André Almeida Blanco Fl. 487DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.002123/2008-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Ementa:
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE.
Demonstrada a similitude fática e a divergência de entendimento entre o acórdão recorrido e os paradigmas carreados aos autos, deve ser admitido o recurso especial de divergência.
MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA, ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
Inexistente no preceptivo legal óbice ao lançamento da multa pela falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) após o encerramento do período de apuração, há que se manter a exação.
Numero da decisão: 9101-003.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Flávio Franco Corrêa (relator), que não conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gerson Macedo Guerra. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 Ementa: RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. Demonstrada a similitude fática e a divergência de entendimento entre o acórdão recorrido e os paradigmas carreados aos autos, deve ser admitido o recurso especial de divergência. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA, ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Inexistente no preceptivo legal óbice ao lançamento da multa pela falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) após o encerramento do período de apuração, há que se manter a exação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Flávio Franco Corrêa (relator), que não conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gerson Macedo Guerra. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Re^go - Presidente (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-09-08T00:21:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-09-08T00:21:17Z; Last-Modified: 2018-09-08T00:21:17Z; dcterms:modified: 2018-09-08T00:21:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:2f4edfbe-dc40-4b04-a5bd-055c4a19b668; Last-Save-Date: 2018-09-08T00:21:17Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-09-08T00:21:17Z; meta:save-date: 2018-09-08T00:21:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-09-08T00:21:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-09-08T00:21:17Z; created: 2018-09-08T00:21:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2018-09-08T00:21:17Z; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-09-08T00:21:17Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 680 1 679 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13502.002123/200831 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.602 – 1ª Turma Sessão de 10 de maio de 2018 Matéria MULTA ISOLADA LANÇAMENTO APÓS O EXERCÍCIO Recorrente ITF CHEMICALS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. Demonstrada a similitude fática e a divergência de entendimento entre o acórdão recorrido e os paradigmas carreados aos autos, deve ser admitido o recurso especial de divergência. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA, ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Inexistente no preceptivo legal óbice ao lançamento da multa pela falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) após o encerramento do período de apuração, há que se manter a exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Flávio Franco Corrêa (relator), que não conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gerson Macedo Guerra. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 21 23 /2 00 8- 31 Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13502.002123/200831 Acórdão n.º 9101003.602 CSRFT1 Fl. 681 2 Flávio Franco Corrêa Relator (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial do sujeito passivo, em face do acórdão nº 1301 000.981, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DAS BASES ESTIMADAS MEDIANTE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA AO FISCO. A compensação de débitos tributários só tem eficácia quando formalmente declarada ao Fisco. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA, ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Inexistente no preceptivo legal óbice ao lançamento da multa pela falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) após o encerramento do período de apuração, há que se manter a exação." De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, "o diploma legal instituidor da sanção administrativa, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, não fez menção à circunstância de que, encenado (sic) o período de apuração, a multa isolada só subsistiria no caso de apuração de saldo positivo de imposto. Destacouse, inclusive, que a norma impositiva estabelece, de forma expressa, que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, a penalidade deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada." Contribuinte cientificado em 18/06/2013, à efl. 627. Recurso Especial interposto no dia 03/07/2013, à efl. 629. Nessa oportunidade, alegouse que a decisão ora combatida adotou entendimento divergente daquele que prevaleceu nos acórdãos 10709.191 e 10516096. No mérito, aduziuse o seguinte: Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13502.002123/200831 Acórdão n.º 9101003.602 CSRFT1 Fl. 682 3 1) conforme se depreende da leitura do auto de infração e da decisão ora recorrida, exigese da recorrente o pagamento de penalidades e acréscimos legais, calculados sobre o saldo de IRPJ e CSLL a recolher após o ajuste de estimativas, bem como sobre o valor das estimativas que a Fiscalização considerou não liquidadas, em razão da ausência de recolhimento ou em decorrência da invalidade das compensações intentadas, no prazo regulamentar; 2) cabe esclarecer, inicialmente, que a decisão recorrida reputou a falta de entrega de PER/DCOMP como causa suficiente para a negativa à compensação então vindicada. Ocorre, porém, que os créditos objeto da compensação requerida derivavamse de depósitos judiciais, os quais não têm a natureza de tributo, motivo por que carece de base legal a imposição de que se veiculasse tal encontro de contas por meio de PER/DCOMP; 3) esses depósitos foram efetuados nos autos do mandado de segurança n° 2003.33.00.0340748, no anocalendário de 2004, em montante equivalente às estimativas de IRPJ e CSLL relativas aos meses desse período, com exceção de setembro e dezembro; 4) além disso, ao final do anocalendário de 2004, apurouse prejuízo financeiro (sic), o que se refletiu no saldo das estimativas anteriormente apuradas e declaradas pelo recorrente; 5) depois da apresentação da DIPJ/2005, as estimativas do anocalendário de 2004 foram recalculadas, sofrendo sensível redução; 6) assim, tanto o prejuízo financeiro (sic) suportado como a diminuição das estimativas devidas tornaram parte significativa dos depósitos judiciais livres para compensação, ao final do anocalendário de 2004, porquanto excedentes; 7) essa parte excedente dos depósitos judiciais foi empregada para liquidar, na contabilidade da recorrente, as estimativas do anocalendário de 2005; 8) como afirmado anteriormente, não se pode dizer que tenha havido compensação, propriamente, entre os depósitos judiciais excedentes e as estimativas de 2005, pois não houve crédito de tributo, mas sobra de depósitos de estimativas que se mostraram em excesso por conta do prejuízo fiscal verificado; 9) em que pese o não uso de PER/DCOMP, deve prevalecer a verdade material que aponta para a regularidade das operações comprovadas pela DIPJ/2006 e pelos livros contábeis escriturados em 2004 e 2005; 10) nesse contexto, as estimativas questionadas foram honradas em sua integralidade, via pagamento proveniente de ajustes financeiros, efetuado com os depósitos judiciais do mandado de segurança n° 2003.33.00.0340748, realizados no anocalendário de 2004, motivo por que não há que se falar em cobrança de multa isolada de 50%; 11) outrossim, ultrapassado o anocalendário no qual se supõe a ausência de recolhimento por estimativas, a manutenção da cobrança da multa isolada apenas se justifica quando há efetivo prejuízo para o Fisco, ou seja, quando há saldo remanescente de IRPJ e CSLL a recolher, o que não é o caso, já que a recorrente encerrou o anocalendário de 2005 em prejuízo fiscal e apurando base negativa de CSLL; Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13502.002123/200831 Acórdão n.º 9101003.602 CSRFT1 Fl. 683 4 12) não fosse pela razão acima, a jurisprudência do CARF não acolhe a concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas 12) por derradeiro, ainda que fosse admitida a existência de saldo de tributo a recolher, a multa devida em razão do descumprimento de obrigação principal absorve a multa isolada devida em razão da falta de recolhimento de antecipações. Alfim, requer seja recebido o presente recurso, dandoselhe provimento, no mérito. Despacho de encaminhamento à PGFN do dia 15/03/2016, à efl. 673. Contrarrazões apresentadas no dia 18/03/2019, à efl. 679. Nessa oportunidade, alegouse o seguinte: "A teor do então art. 44, §1º, “IV”, da Lei nº 9.430/96 (atual redação contida no inc. II, alínea “b”), a “multa isolada” é devida em função do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa, ainda que o contribuinte tenha apurado, ao final do período, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. O recorrente aduz que não poderia ser exigida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após o encerramento do ano calendário. Esta condicionante não se aplica ao caso, uma vez que a penalidade isolada incide se descumprida a obrigação de antecipação do tributo ao longo do ano, ainda que se apure prejuízo fiscal ou base negativa no final do ano calendário. Ora, descumprida a obrigação tributária, deve ser aplicada a penalidade correspondente, não cabendo sujeitála ao exercício dentro do período de apuração do tributo. Após o encerramento do exercício, apurado saldo a pagar do tributo, surge uma nova infração, que atrai a incidência de multa diversa da aplicada em razão da falta de recolhimento das estimativas devidas. Com efeito, as infrações apenadas pela chamada “multa de ofício” e pela “multa isolada” são diferentes. A multa de ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte. Já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa. Observese, nesse ponto, que essa sistemática de recolhimento se justifica diante da necessidade que possui a União de auferir receitas no decorrer do ano, precisamente a fim de fazer face às despesas em que incorre também nesse período. Caso não ocorresse essa antecipação mensal, a União apenas teria acesso às receitas decorrentes da arrecadação do IRPJ e CSLL ao final do anocalendário, ou no exercício seguinte, por ocasião do Ajuste Anual. Logo, observase que com a sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada, o contribuinte desses tributos auxilia a União a fazer frente às despesas incorridas durante o anocalendário, o que não ocorreria se a referida exação apenas fosse paga no exercício seguinte. Sob essa ótica, percebese que o não pagamento de referidos tributos sobre bases estimadas é infração bastante diversa daquela consistente em desrespeito às regras de determinação do lucro real praticada pelo sujeito passivo. Sendo assim, Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13502.002123/200831 Acórdão n.º 9101003.602 CSRFT1 Fl. 684 5 nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas: da infração às normas de determinação do lucro real decorre a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, enquanto que do descumprimento da sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada decorre a multa isolada prevista atualmente no art. 44, II, alínea “b” da mesma Lei. Notese, nesse ponto, que a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do Ajuste Anual. Por outro lado, a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa do IRPJ e CSLL, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto. É o que se extrai do art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, segundo o qual a multa isolada será devida ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Sendo assim, com a multa isolada o contribuinte está sendo penalizado por não auxiliar a União a fazer frente às despesas incorridas no decorrer dos anos, pelo regime de pagamento de estimativas, e não, propriamente, por não pagar o IRPJ ou a CSLL, até por que, como se percebe da Lei nº 9.430/96, tal multa será devida ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para tais tributos. Por fim, importa destacar que a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. Com efeito, a multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o Ajuste Anual. Já a multa isolada deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas. Essas antecipações, como o próprio nome diz, não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada neste Conselho Administrativo, são meros adiantamentos do tributo, que será calculado ao final do ano. Como se sabe, nem sempre o conjunto dessas antecipações pagas equivalerá ao tributo efetivamente devido, já que, no cálculo do imposto, feito por ocasião do Ajuste Anual, o contribuinte poderá deduzir determinadas despesas incorridas no decorrer do ano. Em suma, as multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração, e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei." É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo. Todavia, o conhecimento do presente apelo demanda estudo mais detalhado, como será mostrado, a seguir. A ação fiscal originouse, no primeiro momento, do cotejo entre DIPJ e DCTF, o qual apontou valores de estimativas não declarados em DCTF para os meses de janeiro, março, abril, junho e setembro, no que diz respeito ao IRPJ, e janeiro, março e abril do mesmo ano, relativamente à CSLL. Sobre tais estimativas não declaradas incidiu a multa Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13502.002123/200831 Acórdão n.º 9101003.602 CSRFT1 Fl. 685 6 isolada por falta de recolhimento, prevista no artigo, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, já reduzida para 50%, na forma da Lei nº 11.488/2007. No segundo momento, a Fiscalização apurou o montante das estimativas de IRPJ e CSLL efetivamente recolhidas para recalcular os valores de IRPJ e CSLL a pagar, ao final do anocalendário, deparandose com uma diferença, lançada de ofício, nestes autos. Essa diferença decorre do fato de que o montante das estimativas consideradas pela Fiscalização é inferior ao total das estimativas que o recorrente computou na apuração do IRPJ e CSLL a pagar. Ao fim e ao cabo, a Fiscalização efetuou lançamento para cobrar a diferença dos referidos tributos, acrescida de multa de ofício e juros de mora. Na presente instância, apenas se examina a multa isolada, afastada pela Turma a quo ao argumento de que não pode ser exigida após o término do anocalendário de competência das estimativas não recolhidas. Em sua defesa, a recorrente expôs os seguintes argumentos: 1) efetuou depósitos, nos autos do mandado de segurança n° 2003.33.00.0340748, no anocalendário de 2004, em montante equivalente às estimativas de IRPJ e CSLL relativas aos meses desse período, com exceção de setembro e dezembro; 2) ao final do anocalendário de 2004, apurouse prejuízo financeiro (sic), o que se refletiu no saldo das estimativas anteriormente apuradas e declaradas; 3) depois da entrega da DIPJ/2005, as estimativas do anocalendário de 2004 foram recalculadas, sofrendo sensível redução; 4) tanto o prejuízo financeiro (sic) suportado como a diminuição das estimativas devidas tornaram parte significativa dos depósitos judiciais livres para compensação, ao final do anocalendário de 2004, porquanto excedentes; 5) essa parte excedente dos depósitos judiciais foi empregada para liquidar, na contabilidade da recorrente, as estimativas do anocalendário de 2005; 6) não se pode dizer que tenha havido compensação, propriamente, entre a parte excedente dos depósitos judiciais e as estimativas de 2005, pois não houve crédito de tributo, mas sobra de depósitos de estimativas que se mostraram em excesso por conta do prejuízo fiscal verificado; 7) a decisão recorrida reputou a falta de entrega de PER/DCOMP como causa suficiente para a negativa à compensação então vindicada. Porém, os créditos objeto da compensação almejada derivavamse de depósitos judiciais, os quais, despidos da natureza de tributo, não atraem a incidência do artigo 170A do CTN como também invalidam o argumento que deu suporte ao acórdão recorrido, segundo a qual tal encontro de contas deveria ser veiculado por meio de PER/DCOMP; 8) em que pese o não uso de PER/DCOMP, deve prevalecer a verdade material, que aponta para a regularidade das operações comprovadas pela DIPJ/2006 e pelos livros contábeis escriturados em 2004 e 2005, desmerecendo mero requisito de forma; Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13502.002123/200831 Acórdão n.º 9101003.602 CSRFT1 Fl. 686 7 9) nesse contexto, as estimativas questionadas foram honradas em sua integralidade, via pagamento proveniente de ajustes financeiros, efetuado com os depósitos judiciais constante dos autos do mandado de segurança n° 2003.33.00.0340748, realizados no anocalendário de 2004, motivo por que não há que se falar em cobrança de multa isolada de 50%; 10) ultrapassado o anocalendário no qual se supõe a ausência de recolhimento por estimativas, a manutenção da cobrança da multa isolada apenas se justifica quando há efetivo prejuízo para o Fisco, ou seja, quando há saldo remanescente de IRPJ e CSLL a recolher, o que não é o caso, já que a recorrente encerrou o anocalendário de 2005 com prejuízo fiscal e base negativa de CSLL; 11) não fosse pela razão acima, a jurisprudência do CARF não acolhe a concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas; 12) ainda que fosse admitida a existência de saldo de tributo a recolher, a multa devida em razão do descumprimento de obrigação principal absorve a multa isolada devida em razão da falta de recolhimento de antecipações. Em síntese, podese dizer que o Recurso Especial do contribuinte está embasado em cinco razões, assim reunidas, cada uma delas com força bastante para desconstituir a multa isolada: A) o excedente dos depósitos judiciais, efetuados em 2004, foi empregado para compensar, na contabilidade, as estimativas do anocalendário seguinte, embora não houvesse apresentado PER/DCOMP para tal encontro de contas, já que não caberia, ao caso, a incidência de regras aplicáveis à compensação com créditos de origem tributária, apurados pelo contribuinte; B) em que pese o não uso de PER/DCOMP, deve prevalecer a verdade material, que direciona para a regularidade das operações comprovadas pela DIPJ/2006 e pelos livros contábeis escriturados em 2004 e 2005, desmerecendo o erro de forma. As razões acima foram refutadas na instância a quo. No voto condutor do acórdão recorrido, asseverouse que "as compensações só têm validade e só extinguem o débito tributário quando declaradas formalmente à Receita Federal, por meio da transmissão de PER/DCOMP, de acordo com o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, e informadas em DCTF. Ou seja, não parece razoável, vigente o sistema atual, que o simples fato de a recorrente dispor de determinado crédito e controlar em sua contabilidade, seja situação apta a extinguir as estimativas devidas ao longo do anocalendário, e tendo em conta que o auto de infração exige o próprio tributo que não fora pago, entendo que a decisão recorrida não está a merecer qualquer censura em relação a este tema." Desde logo salientase que o recorrente oportunamente presquestionou os temas, como também aduziu supostas divergências em relação aos acórdãos nº 20178.205, 10808.805, 10809.581, os quais, submetidos a cotejo com o acórdão recorrido, foram rechaçados. C) Ultrapassado o anocalendário no qual se supõe a ausência de recolhimento por estimativas, a manutenção da cobrança da multa isolada apenas se justifica Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13502.002123/200831 Acórdão n.º 9101003.602 CSRFT1 Fl. 687 8 quando há efetivo prejuízo para o Fisco, ou seja, quando há saldo remanescente de IRPJ e CSLL a recolher, o que não é o caso, já que a recorrente encerrou o anocalendário de 2005 com prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, o diploma legal instituidor da sanção administrativa, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, não fez menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, a multa isolada só subsistiria no caso de apuração de saldo positivo de imposto. Destacouse, inclusive, que a norma impositiva estabelece, de forma expressa, que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo de CSLL negativa, a penalidade deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada. O recorrente trouxe ao cotejo o paradigma de nº 107.09.191, que restou admitido por Despacho, na comprovação do dissídio interpretativo. D) a jurisprudência do CARF não acolhe a concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas; O voto vencido do acórdão recorrido manifestouse a esse respeito, acolhendo o argumento favorável à impossibilidade da concomitância entre a multa isolada e a multa de ofício. Na verdade, o voto vencido acresceu a essa razão de decidir uma outra, em prol da desconstituição da multa isolada: a impossibilidade de se aplicar tal sanção após o encerramento do anocalendário. Anotese: "Tratandose da multa isolada, exigida em vista do não recolhimento integral das estimativas devidas, conforme tenho reiteradamente me manifestado, entendo que encerrado o anocalendário, não há mais base de cálculo para exigência da multa, eis que, com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem por recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro real anual, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do anocalendário, surgindo, com a apuração do lucro real ao final do ano calendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Em verdade, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/96 têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário, a revelar o inerente dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só pode ser exigida durante aquele anocalendário, de vez que, com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique, sendo certo que a partir daí, surge uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1º do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex offício, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal. Até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13502.002123/200831 Acórdão n.º 9101003.602 CSRFT1 Fl. 688 9 tributo e seus acessórios, e a segunda, relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. Relembrese, por oportuno que a jurisprudência predominante neste E. Conselho e mesmo da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante das duas multas, conforme se depreende do Acórdão CSRF/0105.838, Sessão de 15 de abril de 2008." (grifei) Entretanto, o voto vencedor do acórdão recorrido não se debruçou sobre a existência de vedação à concomitância entre a multa isolada e a multa de ofício, não obstante constituir fundamento autônomo do voto vencido. Em outras palavras, o voto vencedor limitouse a contrastar os argumentos contrários àquele em que se baseou o voto (vencido) a favor da tese que não admite, depois de encerrado o anocalendário de competência das estimativas, o lançamento da multa isolada. E só. Dessa forma, seguiu soberano o fundamento autônomo não atacado no voto vencedor, sem a oposição por meio de Embargos de Declaração. E) Ainda que fosse admitida a existência de saldo de tributo a recolher, a multa devida em razão do descumprimento de obrigação principal absorve a multa isolada, devida em razão da falta de recolhimento de antecipações. No ponto, é irretorquível que o recorrente não trouxe à baila acórdão divergente que adotasse o curso de ação defensiva a favor da absorção da multa isolada pela multa de ofício. Assim expostos os fatos, depreendese que, ainda que o recorrente não lograsse êxito na pretensão submetida à presente instância, subsistiria, como de fato, subsiste, o fundamento autônomo da impossibilidade de se cobrar a multa isolada concomitantemente com a multa de ofício. Isso porque a existência de fundamento autônomo, no voto vencido, que não tenha sido hostilizado no voto vencedor ou motivado a oposição por meio de embargos de declaração, confere definitividade à decisão decorrente do fundamento autônomo não rechaçado. Por tal perspectiva, certificase a definitividade da decisão administrativa proferida no julgamento do acórdão voluntário, uma vez constatandose, como realmente se constata, que o contribuinte foi vitorioso quanto à desconstituição da multa isolada, o que patenteia a desnecessidade do Recurso Especial em exame. Nesse sentido, opino pelo não conhecimento do apelo, por perda de objeto. Se vencido, prossigo, no mérito. De início, é preciso assinalar que o pagamento do imposto por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, o Estado aguarda a entrada desses recursos. Por isso, o contribuinte pode ser autuado com a imposição de uma multa isolada, caso não observe o dever de efetuar o recolhimento das estimativa sem o amparo de balanço de suspensão ou redução previsto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995, a teor do disposto na redação original do inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13502.002123/200831 Acórdão n.º 9101003.602 CSRFT1 Fl. 689 10 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; " Ressaltese, de plano, que não é o caso de aplicação do entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 82, já que o Recurso Especial da PGFN não trata da exigência de estimativa após o fim do encerramento do anocalendário, mas da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa. Também não é o caso de aplicação do entendimento consolidado na Súmula CARF nº 105, pois os autos não versam sobre a incidência concomitante da multa de ofício. Percebase que o inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, vigente à época, estabelecia, em sua redação original, que a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência do recolhimento de estimativas também deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Isso, por si só, já revelava que a multa isolada em lume poderia ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. A opção pela apuração anual já implicava submissão às normas determinantes do recolhimento por estimativa. Assim, o contribuinte não pode alegar que, sem o amparo de balanço de suspensão ou redução, não estava sujeito à multa isolada após o encerramento do anocalendário, tendo em conta que dessa proposição resultaria inegável desestímulo à realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas ou mesmo sobre bases de cálculo efetivas apuradas trimestralmente, colocando em risco o fluxo de caixa da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais. Todavia, é preciso considerar o advento da Lei nº 11.488/2007, que reduziu a multa em questão ao percentual de 50%, verbis: “Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13502.002123/200831 Acórdão n.º 9101003.602 CSRFT1 Fl. 690 11 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” Localizando a infração no tempo e não se verificando, nos autos, justificativa fundada em balanços/balancetes de suspensão ou redução, revelase procedente a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, consoante o artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, já com a redução para 50% prevista na Lei nº 11.488/2007, observada pelo agente fiscal autuante. Conclusão: em face do exposto, devese negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Voto Vencedor Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Redator Designado. Em relação à admissibilidade do recurso, data máxima vênia, discordo do i. relator. Como visto, o acórdão recorrido manteve a multa isolada ao argumento de que "o diploma legal instituidor da sanção administrativa, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, não fez menção à circunstância de que, encenado (sic) o período de apuração, a multa isolada só subsistiria no caso de apuração de saldo positivo de imposto". Esse, entretanto, não foi o entendimento do relator do acórdão, que ficou vencido na questão. Logo, foi designado conselheiro para elaboração do voto vencedor. Contudo, ao cotejar os votos vencido e vencedor constantes do recorrido, o relator entendeu que o redator do vencedor não refutou um dos argumentos trazidos no voto vencido, de modo que em relação àquele argumento prevaleceu o entendimento do relator, sendo, portanto, afastada a cobrança da multa. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 13502.002123/200831 Acórdão n.º 9101003.602 CSRFT1 Fl. 691 12 Com isso, concluiu pelo não conhecimento do recurso especial, já que o Contribuinte foi vencedor em relação à matéria. Importante transcrever o entendimento do i relator: Assim expostos os fatos, depreendese que, ainda que o recorrente não lograsse êxito na pretensão submetida à presente instância, subsistiria, como de fato, subsiste, o fundamento autônomo da impossibilidade de se cobrar a multa isolada concomitantemente com a multa de ofício. Isso porque a existência de fundamento autônomo, no voto vencido, que não tenha sido hostilizado no voto vencedor ou motivado a oposição por meio de embargos de declaração, confere definitividade à decisão decorrente do fundamento autônomo não rechaçado. Por tal perspectiva, certificase a definitividade da decisão administrativa proferida no julgamento do acórdão voluntário, uma vez constatandose, como realmente se constata, que o contribuinte foi vitorioso quanto à desconstituição da multa isolada, o que patenteia a desnecessidade do Recurso Especial em exame. Nesse sentido, opino pelo não conhecimento do apelo, por perda de objeto. Penso de forma diferente. O relator do recorrido ficou vencido em seu entendimento, em todas as suas nuances. Sobre a questão, o entendimento da maioria foi pela aplicação da multa, compreendendo a matéria de forma contrária ao relator. Não há a necessidade de se refutar todos os argumentos do relator no voto vencido, para que o vencedor prevaleça. Para fins de análise dos termos do quanto decidido no julgamento, o voto vencedor é suficiente. Nesse contexto, o recurso deve ser conhecido, posto que carreou paradigmas com entendimentos contrários ao quanto decidido pela Turma a quo. Sobre o mérito da questão, acompanho o relator. É como voto (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 691DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.721914/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2010, 2011
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONFIGURAÇÃO AGROINDÚSTRIA.
Para que seja afastado o enquadramento da empresa como agroindústria, é necessário demonstrar que ela não industrializa a sua própria produção, pois caso industrialize apenas produção adquirida de terceiros, deve ser enquadrada como uma indústria. Demonstrada a prática de industrialização de produção própria, é de rigor a sua classificada como agroindústria, e a cobrança das contribuições previdenciárias sobre a receita bruta, nos moldes previstos no art. 22-A da Lei nº 8.212/1991.
AGROINDÚSTRIA. PRÁTICA DE OUTRAS ATIVIDADE AUTÔNOMAS. IRRELEVÂNCIA.
A contribuição substitutiva devida pela agroindústria à Previdência Social, incidente sobre a receita bruta de comercialização da produção, engloba também o valor oriundo da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não.
Não se pode confundir os efeitos jurídicos de uma Pessoa Jurídica produtora rural praticar atividade autônoma com o caso desta mesma atividade ser praticada por uma agroindústria, já que a legislação é expressa ao determinar que a prática de atividades autônomas não influencia no regime de apuração das contribuições previdenciárias das agroindústrias.
Ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, a contribuição previdenciária incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. VENDA A EMPRESA EXPORTADORA.
A receita decorrente da venda de bens a "trading companies" tem origem no mercado interno e, consequentemente, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção, não sendo alcançada pela norma imunizante do inciso I, §2° do art. 149 da CF.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AGROINDÚSTRIAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. ICMS SUBSTITUIÇÃO.
A contribuição para a seguridade social das agroindústrias prevista no art. 22-A da Lei nº 8.212, de 1991, incide sobre a receita bruta, que é integrada pelo ICMS. Contudo, o mesmo entendimento não se aplica no caso de ICMS destacado na condição de substituto tributário (ICMS-ST).
O valor destacado na nota de venda como ICMS-ST é um reembolso pago pelo comprador (substituído) pelo recolhimento do tributo efetuado antecipadamente pelo vendedor (substituto). Assim, referidos valores são meros ingressos na contabilidade da empresa substituta que se torna apenas depositária de tributo.
Desta forma, o ICMS-ST não pode ser considerado receita da empresa vendedora (substituta), não sendo, portanto, base de incidência das contribuições previdenciárias calculadas sobre a receita bruta.
CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. NÃO IMUNIDADE.
A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR, com base de cálculo prevista pelo art. 22A, da Lei n.º 8.212, de 1991 é de contribuição de interesse de categorias econômicas. Assim, inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2ºdo art. 149 da Constituição.
Numero da decisão: 2201-004.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão, da base de cálculo do tributo lançado, dos valores relativos às devoluções de vendas (ou vendas canceladas) comprovadas pela recorrente e do ICMS destacado na condição de substituto tributário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso, que deram provimento parcial em maior extensão, para afastar o lançamento sob todas as receitas provenientes de comercialização para Trading Companies. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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AGROINDÚSTRIA. Recorrente GOIÁS VERDE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2010, 2011 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONFIGURAÇÃO AGROINDÚSTRIA. Para que seja afastado o enquadramento da empresa como agroindústria, é necessário demonstrar que ela não industrializa a sua própria produção, pois caso industrialize apenas produção adquirida de terceiros, deve ser enquadrada como uma indústria. Demonstrada a prática de industrialização de produção própria, é de rigor a sua classificada como agroindústria, e a cobrança das contribuições previdenciárias sobre a receita bruta, nos moldes previstos no art. 22A da Lei nº 8.212/1991. AGROINDÚSTRIA. PRÁTICA DE OUTRAS ATIVIDADE AUTÔNOMAS. IRRELEVÂNCIA. A contribuição substitutiva devida pela agroindústria à Previdência Social, incidente sobre a receita bruta de comercialização da produção, engloba também o valor oriundo da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. Não se pode confundir os efeitos jurídicos de uma Pessoa Jurídica produtora rural praticar atividade autônoma com o caso desta mesma atividade ser praticada por uma agroindústria, já que a legislação é expressa ao determinar que a prática de atividades autônomas não influencia no regime de apuração das contribuições previdenciárias das agroindústrias. Ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, a contribuição previdenciária incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. VENDA A EMPRESA EXPORTADORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 19 14 /2 01 4- 66 Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 842 2 A receita decorrente da venda de bens a "trading companies" tem origem no mercado interno e, consequentemente, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção, não sendo alcançada pela norma imunizante do inciso I, §2° do art. 149 da CF. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AGROINDÚSTRIAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. ICMS SUBSTITUIÇÃO. A contribuição para a seguridade social das agroindústrias prevista no art. 22 A da Lei nº 8.212, de 1991, incide sobre a receita bruta, que é integrada pelo ICMS. Contudo, o mesmo entendimento não se aplica no caso de ICMS destacado na condição de substituto tributário (ICMSST). O valor destacado na nota de venda como ICMSST é um reembolso pago pelo comprador (substituído) pelo recolhimento do tributo efetuado antecipadamente pelo vendedor (substituto). Assim, referidos valores são meros ingressos na contabilidade da empresa substituta que se torna apenas depositária de tributo. Desta forma, o ICMSST não pode ser considerado receita da empresa vendedora (substituta), não sendo, portanto, base de incidência das contribuições previdenciárias calculadas sobre a receita bruta. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. NÃO IMUNIDADE. A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR, com base de cálculo prevista pelo art. 22A, da Lei n.º 8.212, de 1991 é de contribuição de interesse de categorias econômicas. Assim, inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2ºdo art. 149 da Constituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão, da base de cálculo do tributo lançado, dos valores relativos às devoluções de vendas (ou vendas canceladas) comprovadas pela recorrente e do ICMS destacado na condição de substituto tributário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso, que deram provimento parcial em maior extensão, para afastar o lançamento sob todas as receitas provenientes de comercialização para Trading Companies. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 843 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 758/831, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, de fls. 731/742, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário consubstanciado no lançamento de Contribuições Previdenciárias de fls. 178/207 (DEBCAD 51.009.4015) e fls. 208/236 (DEBCAD 51.054.4100), lavrados em 16/10/2014, relativo às competências de 01/2010 a 12/2011, com ciência da RECORRENTE 29/10/2014, conforme AR de fl. 362. Foram lavrados dois autos de infração (ambos objeto do presente processo), quais sejam: (i) DEBCAD 51.009.4015, relativo a contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização do produtor rural agroindústria, prevista nos artigo 22A, I e II da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/2001, incidente na alíquota de 2,5% bem como a alíquota RAT de 0,1% (ajustada pelo FAP), objeto do Levantamento 01 – RB COMERCIALIZAÇÃO PRODUÇÃO; no valor global histórico de R$ 52.845.968,82, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%.; e (ii) DEBCAD 51.054.4100 (Terceiros), relativo à contribuição ao SENAR, na alíquota de 0,25%, conforme art. 22A, §5º, da Lei 8.212/91, incidente sobre os mesmos fatos geradores objeto de Levantamento 01 – RB COMERCIALIZAÇÃO PRODUÇÃO no DEBCAD 51.009.4015, no valor total de R$ 5.028.706,60, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício no percentual de 75% . Conforme o Relatório Fiscal (fls. 237/240), “a contribuinte, nos períodos fiscalizados, se enquadrava como agroindústria, pois desenvolvia atividades de produção rural e industrialização de produção própria e adquirida de terceiros, como se depreende do Contrato Social e alterações, e da Resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal (folhas nos 06 a 120), e, portanto, contribui para a Previdência Social sobre a receita bruta da comercialização da produção, com fundamento no artigo 22A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e no artigo 173 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009”. Assim, as contribuições lançadas são referentes às contribuições previdenciárias e de Terceiros incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção sem subrogação, apurada nos seguintes termos: II.1.2) Do Procedimento de Fiscalização A receita bruta proveniente da comercialização da produção da Contribuinte foi obtida através das Notas Fiscais Eletrônicas, Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 844 4 “extraídos” do sítio SPED (folhas nos 127 a 173), e detalhadas em planilhas anexas a este relatório intituladas: “BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS – NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS (SÍTIO SPED)”. A contribuinte não informou em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) a receita bruta proveniente da comercialização da produção, conforme extratos anexos a este Relatório. Assim, foi realizado o lançamento de ofício das contribuições patronais (INSS e SENAR), incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção da Contribuinte. Os valores que serviram de suporte para o lançamento do crédito tributário foram apurados por meio deste processo administrativo fiscal, cuja discriminação de cada um encontrase às fls. 241/248 do Relatório Fiscal. Da Impugnação Intimada pessoalmente dos lançamentos em 29/10/2014, conforme AR de fl. 362, a RECORRENTE apresentou Impugnação de 367/434 em 24/11/2014. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Salvador/BA, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Afirma que a impugnante possui sete filiais, além do estabelecimento matriz. São oito unidades de negócios nas quais desenvolve várias atividades, em locais diferentes, comercializando bens, em valores expressivos, que não são de origem animal ou vegetal. Ainda assim, foi considerada uma agroindústria pela fiscalização. Traz à colação uma série de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como decisões judiciais, nas quais se discute o enquadramento de empresas com diversos estabelecimentos na condição de agroindústria. Afirma que as atividades de industrialização de fertilizantes não se enquadram no conceito de agroindústria, assim como não se encaixam neste conceito as atividades de comércio de fertilizantes e defensivos agrícolas, a compra e venda de gado bovino, a comercialização de sementes e a atividade de arrendamento mercantil de máquinas e a prestação de serviços de frete. A receita bruta obtida no período de 2010/2011 foi da ordem de R$ 1,023 bilhões de reais. Deste montante, apenas R$ 282 milhões de reais são provenientes da industrialização de produção de origem animal ou vegetal. Mas, destes R$ 282 milhões, R$ 41 milhões referemse à aquisição de matéria prima de origem vegetal. Por conta destes números, entende que a empresa não pode ser enquadrada como agroindústria. Em seguida, alega que, na hipótese de se reconhecer o enquadramento da empresa como agroindústria, devem ser Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 845 5 excluídas as receitas de revendas de mercadorias, tais como adubos, fertilizantes, herbicidas, fungicidas, inoculantes, sementes, mudas, etc. Tratase de receitas que não estão compreendidas na hipótese de incidência das contribuições lançadas. Em seguida, discorre sobre o conceito de produto rural, a fim de deixar claro que os produtos mencionados nele não se encaixam. Alega não ser possível exigir a contribuição sobre a receita destas outras atividades (que não sejam a comercialização da produção própria ou adquirida de terceiros) sob o fundamento de que a agroindústria desenvolve uma outra atividade econômica autônoma, conforme previsto no parágrafo único do art. 173 da IN RFB nº 971, de 2009. Entende que, neste ponto, a IN ampliou a hipótese de incidência prevista no art. 22A da lei nº 8.212, de 1991. Quanto às receitas oriundas da comercialização de gado bovino e cereais, afirma que elas não integram a base de cálculo das contribuições lançadas, uma vez que não houve a industrialização do produto rural de origem animal ou vegetal. Afirma que a legislação tributária não entende como rural a atividade de compra e venda de produtos rurais. Argumenta que também a receita oriunda da venda de sementes não compõe a base de cálculo das contribuições lançadas, uma vez que as sementes não são consideradas produtos rurais. Tratase de material com finalidade reprodutiva, empregado como insumo na elaboração de produtos rurais. Em seguida, o impugnante aduz a não incidência de contribuições sobre a parcela da receita correspondente ao ICMS – substituição tributária, bem como sobre os valores relativos às devoluções, retornos e cancelamentos de vendas. Neste sentido, cita o Parecer Normativo nº 03, de 2012. Alega que, a despeito de terem sido identificadas operações relativas à venda de produtos para empresas exportadoras, ainda assim foram lançadas contribuições incidentes sobre as referidas receitas. Entende que as vendas feitas para empresas comerciais exportadoras também estão alcançadas pela imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição. Na mesma linha, argumenta que a imunidade mencionada também alcança as contribuições devidas ao SENAR. Requer a improcedência dos lançamentos efetuados. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em Salvador/BA, às fls. 731/742, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 846 6 AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. ATIVIDADES AUTÔNOMAS. Correto o enquadramento do contribuinte na condição de agroindústria quando o conjunto probatório presente nos autos leva à conclusão de que a mesma empresa desenvolve atividades rurais e também industrializa a sua própria produção. O fato de a empresa desenvolver outra atividade econômica autônoma, além das atividades agroindustriais, ainda que estivesse plenamente demonstrado nos autos, não seria suficiente para afastar o enquadramento como agroindústria. IMUNIDADE. AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECEITAS DECORRENTES DE COMERCIALIZAÇÃO PARA EMPRESA NACIONAL COM O FIM DE EXPORTAÇÃO. NÃO ABRANGIDAS. A imunidade constitucional sobre receitas decorrentes de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo. A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que será dada ao produto na operação seguinte. AGROINSDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMUNIDADE DAS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. NÃO ALCANCE. É devida pela agroindústria a contribuição social para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidente sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural própria e de terceiros, industrializada ou não, no mercado interno ou externo, nos termos da norma legal. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não alcança a contribuição ao SENAR. AGROINDÚSTRIA. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DA RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para a exclusão do ICMS relativo à substituição tributária da base de cálculo da contribuição substitutiva devida pela agroindústria, que é o valor da receita bruta da comercialização da produção. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 847 7 fundamento de inconstitucionalidade. Por esta razão, as alegações de inconstitucionalidade da multa isolada não são apreciadas nesta decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No mérito, entendeu que para fins de incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros (SENAR) prevista no art. 22A da lei nº 8.212/1991, agroindústria é toda empresa que pratica atividades agropecuárias e industriais, conduta praticada pela ora RECORRENTE, portanto cabível as contribuições previdenciárias nos moldes exigidos. Afirmou a DRJ que o fato da agroindústria desenvolver outra atividade econômica não afasta a incidência das contribuições previdenciárias sobre a totalidade da Receita Bruta, por expressa disposição do art. 201C do Decreto nº 3.048/1999, bem como do art. 173 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, cujas alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade não podem ser apreciadas. Entendeu, também, que o ICMS compõe a base de cálculo das contribuições previdenciárias por ausência de disposição legal expressa autorizando o entendimento em sentido contrário. No tocante a imunidade tributária estabelecida pela constituição federal no seu art. 149, §2º, inciso I, entendeu que apenas as receitas provenientes da comercialização direta para o exterior podem usufruir de tal benefício. Portanto, as contribuições previdenciárias e para Terceiros devem incidir sobre as receitas provenientes das chamadas exportações indiretas, realizadas através de trading companies. Quanto ao SENAR, entendeu que tem natureza jurídica de contribuição de interesse de categoria profissional, não sendo aplicável a imunidade prevista no art. 149, §2º, inciso I da Constituição Federal. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, intimada da decisão da DRJ em 20/6/2016, conforme termo de abertura de documento de fls. 755, apresentou o recurso voluntário de fls. 758/831 em 4/7/2016. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou o alegado em sua Impugnação. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 848 8 Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO 1. Alegada inexigibilidade da contribuição social previdenciária sobre outras receitas que não correspondam à receita “proveniente da comercialização da produção” A autuação fiscal se refere a omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias sobre Receita de Comercialização de Produção Rural, alíquota 2,5%, mais 0,1% de Sat/Rat (ajustado pelo FAP), no período 01/2010 a 12/2011, a que está obrigada a RECORRENTE pelo artigo 22A da Lei 8.212/91, por ser uma agroindústria: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social;(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade.(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Além dos tributos acima, a fiscalização lavrou sobre o mesmo levantamento RB a contribuição destinada ao SENAR na alíquota de 0,25%, conforme artigo 22A, §5º, da Lei 8.212/91. Art. 22A. (...) § 5º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 849 9 As contribuições apuradas não foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Os valores foram apurados por intermédio da contabilidade do contribuinte. A RECORRENTE afirma que possui oito estabelecimentos (7 filiais e o estabelecimento matriz) que “comercializam bens, em valores expressivos, que não são de origem animal e vegetal, e ainda assim a autoridade fiscal considerou a requerente como sendo agroindústria, o que causou a constituição do credito tributário”. Desta forma, o cerne da questão é saber se a RECORRENTE pode ser enquadrada como agroindústria. Pois bem, conforme se infere do Relatório Fiscal (fls. 237/240), apenas 6 dos oito estabelecimentos do contribuinte são objetos do presente processo, conforme compilado pela DRJ na tabela abaixo, elaborada tomando como base as informações declaradas pelo próprio RECORRENTE em GFIP durante o período objeto do lançamento: Percebese, portanto, o caráter preponderantemente rural das atividades desenvolvidas nas filiais 0002 e 0003, ao passo em que na matriz, filial 0004 e filial 0006 destacamse as atividades de natureza industrial. Analisando o conjunto de estabelecimentos do contribuinte, resta, conforme informações declaradas pela RECORRENTE, caracterizado as atividades agroindustriais. Com maestria definiu a DRJ: Esta constatação decorre da análise das atividades previstas no contrato social do impugnante, visto que em todas as unidades da empresa existe a previsão contratual de desenvolvimento de atividades agroindustriais e de comércio de alimentos. As informações prestadas pelo impugnante em GFIP também levam a esta conclusão. Além disso, a simples consulta a informações publicadas pela revista EXAME, de circulação nacional e especializada em negócios, reforça este entendimento: [...] Para que fosse afastado o enquadramento da empresa como agroindústria, seria necessário demonstrar que ela não industrializa a sua própria produção. Caso industrializasse apenas produção adquirida de terceiros, seria uma indústria. Mas o conjunto probatório contido nos autos resulta em sentido Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 850 10 oposto. Ressaltese ainda que a empresa é reconhecida como detentora de significativa parcela do mercado nacional de vegetais em conserva, possui unidades destinadas ao cultivo dos vegetais e unidades industriais destinadas ao processamento industrial. Desenvolve outras atividades, certamente, como sói acontecer com empresas do mesmo porte, mas o exercício destas outras atividades, ainda que fosse comprovado, o que não ocorreu, não afetaria o seu enquadramento como agroindústria. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte não apresentou qualquer argumento capaz de afastar o entendimento da DRJ, em especial, porque fundado em informações declaradas pelo próprio contribuinte. Portanto, entendo como correta seu enquadramento como agroindústria. Desta forma, uma vez classificada como agroindústria, incidem as contribuições previdenciárias nos moldes previstos no art. 22A da Lei nº 8.212/1991, que assim determina: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social;(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade.(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). A lei é clara ao determinar que a contribuição substitutiva devida pela agroindústria à Previdência Social incida sobre a receita bruta de comercialização da produção. Por sua vez, o § 1º do art. 201A do Decreto nº 3.048, de 1999 (RPS), determina que também entendese por receita bruta da agroindústria o valor oriundo da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não: Art. 201A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 64 a 70, e daqueles concedidos em razão do Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 851 11 grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. § 1º Para os fins deste artigo, entendese por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. Concluise que “o fato de uma parte da receita ser oriunda da comercialização de produtos industrializados (não rurais) não os exclui da base de incidência.” Também neste sentido dispõe o art. 173 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, in verbis: Art. 173. A partir de 1º de novembro de 2001, a base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, exceto para as agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura e para as sociedades cooperativas. Parágrafo único. Ocorre a substituição da contribuição tratada no caput, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta decorrente da comercialização em todas as atividades, ressalvado o disposto no inciso I do art. 180 e observado o disposto nos arts. 170 e 171. De igual modo, o art. 201B do Decreto nº 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social – RPS) estabelece o seguinte: Art. 201B. Aplicase o disposto no artigo anterior, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente. A RECORRENTE alegar não ser possível exigir a contribuição sobre a receita destas outras atividades por ela consideradas como autônomas. Contudo, conforme previsão constante na instrução normativa acima colacionada e no RPS, não há qualquer discussão sobre a incidência da contribuição previdenciária e para terceiros sobre o valor decorrente da receita bruta de todas as atividades da RECORRENTE. A contribuinte não pode confundir os efeitos jurídicos de uma PJ produtora rural praticar atividade autônoma com o caso desta mesma atividade ser praticada por uma agroindústria. Como visto, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta. Por outro lado, o art. 201, § 22, do Decreto nº 3.048/99 (RPS) prevê que a PJ produtora rural que explore outra atividade econômica autônoma deve recolher a contribuição Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 852 12 previdenciária sobre a folha. Contudo, tal dispositivo é expresso ao afastar as agroindústrias de sua abrangência: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 22. A pessoa jurídica, exceto a agroindústria, que, além da atividade rural, explorar também outra atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, no mesmo ou em estabelecimento distinto, independentemente de qual seja a atividade preponderante, contribuirá de acordo com os incisos I, II e III do art. 201 e art. 202. Isto porque, conforme visto, a agroindústria deve recolher as contribuições previdenciárias com base em sua receita bruta, independentemente de realização de atividade autônoma, de preponderância de atividade, etc. Notase que a legislação específica não fala sobre atividade preponderante, mas sim que a agroindústria é aquela que industrializa a produção rural própria ou a produção rural própria e a adquirida de terceiros. Ou seja, imperioso reforçar que, ainda que houvesse a comprovação de que a RECORRENTE exerceu de modo relevante outras atividades além da atividade agroindustrial, tal prática não afasta a sua caracterização como agroindústria para fins de apuração da contribuição previdenciária devida, pois resta incontroverso que a mesma industrializa sua própria produção. Além do acima exposto, cumpre argumentar que a atividade de beneficiamento e de abate de gado também são consideradas industrialização para efeitos de enquadramento da contribuinte como agroindústria. A definição de agroindústria, para efeitos de incidência das contribuições previdenciárias, é aquela trazida pelo art. 165, I, “b”, “2”, e §§1º e 2º, da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 971/2009: “Art. 165. Considerase: (...) b) produtor rural pessoa jurídica: (...) 2. a agroindústria que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização da produção rural própria ou da produção rural própria e da adquirida de terceiros, observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 175 e no § 3º deste artigo; (...) III beneficiamento, a primeira modificação ou o preparo dos produtos de origem animal ou vegetal, realizado diretamente pelo próprio produtor rural pessoa física e desde que não esteja sujeito à incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), por processos simples ou sofisticados, para posterior venda ou industrialização, sem lhes retirar a característica original, assim compreendidos, dentre outros, os processos de Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 853 13 lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, debulhação, secagem, socagem e lenhamento; (...) § 1º Considerase industrialização, para fins de enquadramento do produtor rural pessoa jurídica como agroindústria, a atividade de beneficiamento, quando constituir parte da atividade econômica principal ou fase do processo produtivo, e concorrer, nessa condição, em regime de conexão funcional, para a consecução do objeto da sociedade. § 2º Considerase agroindustrial o produtor rural pessoa jurídica que mantenha abatedouro de animais da produção própria ou da produção própria e da adquirida de terceiros.” A RECORRENTE pretende afastar o enquadramento como agroindústria a partir de alegações de que seus estabelecimentos exercem outras atividades que não a industrialização e cita um rol de atividades praticadas pela matriz e filiais (fls. 784/787). Nota se que a própria RECORRENTE afirma que seus estabelecimentos exercem a atividade de beneficiamento de sementes e cereais, além do abatedouro de bovinos. Sendo assim, também por este motivo, deve a RECORRENTE ser considerada uma agroindústria para fins de apuração das contribuições previdenciárias. Por todo o exporto, não merecem prosperar os argumentos de não incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros sobre as receitas provenientes de: (i) adubos, fertilizantes e herbicidas; (ii) gado bovino e cereais; e (iii) comercialização de sementes. Em especial por força do disposto no art. 173 da IN RFB nº 971/2009. Quanto as demais alegações, passemos a analisar o tema conforme cada tese apresentada pela RECORRENTE. 2.a) Receitas de vendas para Trading Companies: A RECORRENTE contesta a incidência de contribuição sobre mercadoria destinada à exportação, por fundamento na imunidade prevista na Constituição Federal. Com efeito, com o advento da Emenda Constitucional n° 33/01, o art. 149, § 2°, inciso I, da Constituição Federal, passou a ter a seguinte redação: “Art. 149 Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2 As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 854 14 I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;” Como bem referido pelo acórdão da DRJ, o art. 149, § 2°, inciso I, da Constituição Federal, na redação dada pela Emenda Constitucional nº 33/01, retirou da esfera da tributação as contribuições sociais e as de intervenção sobre o domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. Daí decorre que as contribuições sociais, como as destinadas ao financiamento da Seguridade Social, passaram a não ser mais devidas se incidentes sobre receitas decorrentes de exportação, em face da imunidade prevista no referido art. 149, § 2°, inciso I, da CF/88. A DRJ de origem, baseada na IN RFB nº 971/2009 (art. 170, §§ 1º e 2º), afirmou que somente estão acobertadas pela imunidade as receitas decorrentes de exportação de produtos comercializados diretamente pelo contribuinte com adquirente domiciliado no exterior. Assim, julgou improcedente o pleito da RECORRENTE, pois entendeu que “a receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto”. Contudo, entendo que merece reforma o acórdão recorrido. O art. 149 da CF/1988 tem o nítido propósito de viabilizar a comercialização da produção rural brasileira no exterior. Conforme bem apontou a RECORRENTE, as trading companies atuam somente como intermediadoras das exportações, objetivando viabilizálas. Assim, não há como dissociar tais operações das exportações realizadas diretamente pelos contribuintes, já que ambas possuem um mesmo objetivo: levar os produtos nacionais para fora do Brasil. Neste sentido, o DecretoLei nº 1.248/72 assegura ao produtorvendedor os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação quando forem realizadas operações por empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação: “Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. (...) Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo 1º do Decretolei nº 491, de 05 de março de Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 855 15 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora.” Assim, entendo que o DecretoLei nº 1.248/72 dispõe de forma expressa que, para fins tributários, as operações de exportação indiretas são equiparadas às exportações diretas, desde que a empresa adquirente (trading companies) tenha atividade de exportação como finalidade própria, atendidos os requisitos legais. Ademais, o já citado art. 149, §2º, da CF/88 não faz restrição de que somente são imunes as exportações realizadas de forma direta pelos produtores. Neste ponto, adoto como razões de decidir o voto da Conselheira Ana Cecília Lustosa Cruz, proferido no Acórdão nº 2201003.863, desta Turma julgadora, cujo trecho transcrevo abaixo: “Além disso, consoante se extrai do art. 149, § 2º, inciso I, não há distinção entre o tipo de exportação passível de ser abrangida pela imunidade nele prevista, isto é, não diferencia a exportação direta daquela realizada por intermédio de trading compenies, não cabendo à Administração Pública determinar que apenas as operações de exportações realizadas diretamente com o adquirente domiciliado no exterior é que são aptas ao gozo do referido favor constitucional, pois onde o legislador não distingue, não cabe ao intérprete distinguir, o que é decorrência da aplicação do princípio da legalidade. O art. 150, inciso I, da Constituição Federal, de forma clara, veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a exigência ou aumento de tributo sem lei que o estabeleça. Ora, a criação de uma distinção acerca do alcance da expressão "exportação", para fins de subsunção à regra de imunidade constitucional, seja por meio de Instrução Normativa ou por mera interpretação, tem como consequência a exigência de um tributo sem o manto da lei, em clara afronta à Constituição. Assim, se a tributação só pode decorrer do que é expressamente previsto em lei e havendo clara previsão constitucional no sentido de determinar a imunidade de contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação, não cabe à administração pública estabelecer, por meio de simples Instrução Normativa, o tipo de exportação apto a usufruir do referido favor constitucional. É inviável, desse modo, que uma emanação normativa de inferior hierarquia à lei e à Constituição, sob o pretexto de regulamentar e dar efetividade ao preceito, termine por inovar e modificar seu sentido e finalidade. Entender que a imunidade em discussão aplicarseia tão somente às receitas de exportação, sem nelas incluir as receitas advindas da receita proveniente de uma exportação indireta seria um contra senso, pois acabaria por ser tributada receita decorrente de uma exportação, quando o espírito da norma é exatamente o de conceder vantagens a quem as realiza. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 856 16 Cumpre acrescentar que o art. 9º da Lei 10.833/2003, sobre a atividade típica das tradings companies assim dispõe: ‘Art. 9o A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago.’ Tal regramento deixa clara a responsabilidade das intermediadoras, bem como aponta que muitos impostos e contribuições deixam de ser pagos pela vendedora, tendo em vista o fim de exportação ao qual se presta a intermediação da trading, o que corrobora os fundamentos expostos. Assim, com a análise finalística do art. 149, § 2º, inciso I, da CF, observase que o seu objetivo é fomentar a indústria nacional, desonerando a operação de exportação de produtos, em quaisquer de suas modalidades, tornando o produto nacional competitivo no mercado externo. Desse modo, independentemente de a exportação ser realizada diretamente ou por interposta pessoa (trading companies), considerase, para efeitos da imunidade, operação de exportação e, dessa forma, a receita dela decorrente não poderá ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta.” Cito também outro precedente desta Turma sobre o mesmo tema (Acórdão nº 2201003.802), representado pela ementa abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. IMUNIDADE DAS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CABIMENTO QUANDO DA VENDA A EMPRESA EXPORTADORA. A receita decorrente da venda de produtos ao exterior, por meio de 'trading companies', não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção. Imunidade. Cabimento.” Portanto, entendo que a unidade preparadora deve observar o anexo único Relatório Fiscal e verificar quais valores referemse a vendas da RECORRENTE para empresa comercial exportadora (trading companies) e, ao final, excluir tais montantes da base de cálculo das contribuições sociais (da empresa, cuja alíquota é 2,5%, e para o SAT/RAT, cuja alíquota é 0,1%, ajustada pelo FAP). Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 857 17 Cumpre salientar que, ao contrário das contribuições sociais da empresa e para o STA/RAT, não deve ser afastada a contribuição ao SENAR (0,25%) apurada sobre as receitas de vendas para trading companies, conforme detalhado em tópico específico adiante. 2.b) Da não imunidade em relação à contribuição destinada ao SENAR calculada sobre receitas de exportação. Neste tópico, a RECORRENTE defende, em suma, que a contribuição ao SENAR é espécie do gênero contribuição social e, por esse motivo, encontrase alcançada pela imunidade constitucional prevista no art. 149, § 2° da CF/88. Contudo, não assiste razão à RECORRENTE, uma vez que o art. 149, § 2°, I, da CF/88 afirma expressamente que somente estão acobertados pelo manto da imunidade sobre as receitas decorrentes de exportação as contribuições sociais e as contribuições de intervenção no domínio econômico. Neste sentido, importante transcrever mais uma vez a mencionada norma constitucional: “Art. 149 Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2 As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;” Ora, se o caput do art. 149 apresenta três espécies de contribuições (contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas) e logo em seguida seu §2º disciplina que não incidirão sobre as receitas de exportação apenas duas espécies de contribuições (contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico), resta evidente que o interesse do constituinte foi de não afastar a incidência das contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas sobre as receitas de exportação. A contribuição ao SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem) foi criada pela Lei nº 8.315/91, cujo art. 1º dispõe o seguinte: “Art. 1° É criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com o objetivo de organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. Parágrafo único. Os programas de formação profissional rural do Senar poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 858 18 Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senar e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locai” Da leitura do dispositivo acima, resta evidente que a natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR é de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, haja vista que se presta, precipuamente, a atender a categoria dos trabalhadores rurais. Sendo o referido tributo uma contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica, a norma imunizante não poderá ser aplicada, havendo incidência da contribuição sobre as receitas decorrentes da exportação. Neste ponto, adoto como razões de decidir o voto proferido pela Conselheira Ana Cecília Lustosa Cruz em acórdão recentemente proferido pela 2ª Turma da CSRF (Acórdão nº 9202006.595, julgado em 20/03/2018), com o fim de demonstrar que a contribuição ao SENAR não possui características de CIDE nem de contribuição social: “Para a caracterização das contribuições ao SENAR como contribuição de intervenção no domínio econômico seria necessário entender elas possuem caráter extrafiscal como nítidos instrumentos de planejamento, corrigindo as distorções e abusos de seguimentos descompassados, e não somente carreando recursos para os cofres públicos. A mencionada intervenção ocorre com a regulação das atividades econômicas as quais se atrelam, geralmente relativas às disposições constitucionais da Ordem Econômica e Financeira, art. 170, I a IX, e seguintes da Constituição Federal, consoante os princípios abaixo colacionados: I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 859 19 IX tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte. IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995 De fato, existem atividades econômicas que precisam sofrer a intervenção do Estado, a fim de que sobre elas se promova um fim fiscalizatório, regulando seu fluxo produtivo para a melhoria do setor beneficiado, não sendo essa a finalidade precípua das contribuições ao SENAR, cujo objetivo é organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais, servindo como fomento da atividade, por meio da educação. Cabe acrescentar que o fato gerador da contribuição debatida é a comercialização da produção rural e ocorre com a venda ou a consignação da produção rural; a base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização de tal produção, o que destoa das demais contribuições destinadas ao Sistema S (SESI, SENAI...), as quais incidem sobre as folhas de salários. Extraise, assim, que a contribuição ao SENAR, sendo esta desenvolvida para o atendimento de interesses de um grupo de pessoas (formação profissional e promoção social do trabalhador rural), inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica. Ao meu ver, as contribuições de intervenção no domínio econômico são mais abrangentes, no aspecto da sua destinação, que as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois aquelas fomentam determinado setor com o fim de incentivar e instigar o mercado, de forma pragmática, principalmente em momentos de crise, contribuindo na regulação da ordem econômica e refletindo políticas do governo que afetam toda a sociedade, e estas têm sua aplicação adstrita ao financiamento das respectivas categorias profissionais ou econômicas, em áreas específicas, apenas para o seu fomento. No que tange à distinção entre as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas e as contribuições sociais, entendo que estas contribuições também possuem maior abrangência, ao se destinarem ao financiamento social (bem estar e justiça social), de um modo geral, e não voltado ao interesse de determinadas categorias. Além disso, outra distinção salutar reside no fato de que os recursos o produto das contribuições sociais gerais que ingressam aos cofres públicos decorrentes da sua arrecadação Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 860 20 mantém o caráter público e serão aplicados conforme sua vinculação (as verbas arrecadadas são mantidas em poder do Estado para sua aplicação finalística), enquanto os produtos das contribuições que ingressam aos cofres do SENAR perdem o caráter de recurso público, como já decidiu o STF (AG .REG. NA AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA 1.953). Feitas essas colocações, entendo que; embora reflexamente as contribuições ao SENAR beneficiem a sociedade, no âmbito da educação e assistência aos trabalhadores rurais, bem como causem efeitos na economia, tendo em vista que a educação é pilar relevante no desenvolvimento de um país; em sua essência jurídica tal contribuição se presta, precipuamente, a atender uma categoria econômica específica, qual seja a dos trabalhadores rurais.” Neste sentido, por verificar que a contribuição ao SENAR é uma contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas (categoria econômica dos trabalhadores rurais), entendo que a mesma não é englobada pela imunidade do art. 149, §2º, I, da CF/88. Sendo assim, deve ser mantido o lançamento da contribuição ao SENAR sobre as receitas decorrentes das exportações da produção realizadas diretamente e indiretamente pela RECORRENTE (o que inclui as vendas para Trading Companies), visto que não enquadrada na regra constitucional imunizante. 2.c) Não incidência das contribuições previdenciárias e para terceiros sobre o ICMSST incidente sobre as vendas Neste ponto, entendo que assiste razão à RECORRENTE em seu pleito. É que o ICMS substituição é aquele destacado pelo contribuinte na condição de substituto tributário, de forma que ele não compõe receita do contribuinte já que este recolhe tal tributo representando toda a cadeia de consumo do bem. Tanto que, para quem compra a mercadoria, o ICMS substituição tributária (ICMSST) não constitui um custo de aquisição, justamente porque o ICMSST é uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. Tanto que o CARF entende ser incabível, por exemplo, a apuração de créditos da Cofins e do PIS (em regime de não cumulatividade) em relação ao valor do ICMSST destacado na nota fiscal de aquisição de bens, conforme ementa do acórdão nº 3302005.319, abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 REGIME NÃO CUMULATIVO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de contribuinte substituto, não integra o Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 861 21 valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. 2. É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2012 1. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. 2. É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMS ST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. (...) (acórdão nº 3302005.319, julgado em 21/03/2018) Ou seja, nas operações de compra e venda com substituição tributária do ICMS, o comprador (substituído tributário) paga de forma antecipada o ICMS que será devido na futura operação de venda dessa mercadoria. A retenção e recolhimento deste ICMS ST é de responsabilidade do vendedor (substituto tributário), que, no presente caso, seria o polo ocupado pela RECORRENTE. No entanto, o valor do ICMS ST, pago antecipadamente pelo substituído e retido/recolhido pelo substituto, não compõe o custo da mercadoria para o comprador (substituído), daí porque não gera, por exemplo, crédito do PIS/Cofins na compra, conforme visto no acórdão acima. De igual forma, o ICMSST não compõe a receita do vendedor (substituto), já que não é base de cálculo do PIS e da Cofins na venda. Ao julgar tema envolvendo creditamento de PIS e Cofins, no âmbito do regime nãocumulativo, o STJ, quando da apreciação do REsp 1.456.648/RS, entendeu que o contribuinte substituído (comprador) não teria direito ao creditamento dos valores pagos ao contribuinte substituto (vendedor) a título de ICMSST. No voto condutor, o Ministro Mauro Campbell expôs com clareza a razão pela qual o ICMSST não pode ser considerada receita do contribuinte substituto (vendedor): Quando ocorre a retenção e recolhimento do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ICMSST), a empresa substituta não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 862 22 cadeia, o substituído. Nessa situação, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa substituta que se torna apenas depositária de tributo (responsável tributário por substituição ou agente arrecadador) que será entregue ao Fisco. Então não ocorre a incidência das contribuições ao PIS/PASEP, COFINS, já que não há receita da empresa prestadora substituta. Em outras palavras: o valor destacado na nota de venda como ICMSST é um reembolso pago pelo comprador (substituído) pelo recolhimento do tributo efetuado antecipadamente pelo vendedor (substituto), pois referidos valores “são meros ingressos na contabilidade da empresa substituta que se torna apenas depositária de tributo”. Desta forma, o ICMSST não pode ser considerado receita da empresa vendedora, não sendo, portanto, base de incidência das contribuições previdenciárias. Assim, os valores de ICMS destacados pela RECORRENTE na condição de substituto tributário devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas, por não fazer parte da receita bruta proveniente da comercialização da produção da agroindústria (art. 22A da Lei nº 8.212/1991). 2.d) Da Exclusões Obrigatórias – Das Vendas Canceladas Apesar de não ter sido objeto de profunda análise por parte da DRJ entendo que merece prosperar o argumento do contribuinte acerca da ilegalidade da inclusão das vendas canceladas no conceito de Receita Bruta. Ora, não cabe a Lei Tributária alterar a definição e o alcance dos institutos de direito privado, nos termos do art. 110 do CTN, verbis: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Desta forma, o conceito de Receita Bruta utilizada pela administração pública como base de cálculo para incidência de tributos deve ser compatível com os do direito privado. Por se tratar de um conceito contábil, a Receita Bruta deve ser àquela entendida nos termos da Norma Brasileira de Contabilidade – NBCTG nº 30. Inclusive, não há qualquer discussão acerca dos efeitos tributários da norma contábil, por força do expresso no artigo art. 58 da Lei nº 12.973/2014, verbis: Art. 58 A modificação ou a adoção de métodos e critérios contábeis, por meio de atos administrativos emitidos com base em competência atribuída em lei comercial, que sejam posteriores à publicação desta Lei, não terá implicação na apuração dos tributos federais até que lei tributária regule a matéria. Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 863 23 O ato NBCTG nº 30 é um ato administrativo emitido com competência atribuída em lei comercial anterior a promulgação da lei nº 12.973/2014, razão pela qual, plenamente aplicável. Assim dispõe a NBCTG nº 30: A receita é definida na NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro com o aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento dos ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade ... A receita deve ser reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Nesta toada, em que pese a distinção legal entre Receita Bruta e Receita Líquida apresentada pelo DecretoLei nº 1.598/1977, se não há efetivo ingresso de recursos na entidade, tais valores não podem compor a receita bruta. Em verdade, tais valores não compõem receita alguma, simplesmente porque não há operação mercantil. Ademais, perceba que com o cancelamento da venda, a mercadoria jamais saiu do estabelecimento do contribuinte, portanto, haverá tributação no momento da venda futura desta mercadoria. Ora, verdadeiro caso de bis in idem caso ambas as operações fossem tributadas, o que é vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro. Também neste sentido, perceba que na maioria dos tributos o legislador explicitamente ressalva que não faz parte do conceito de receita bruta as vendas canceladas, como no caso no disposto no art. 8º da Lei nº 12.546/2011 (Contribuição previdenciária sobre a receita bruta) ou no §1º do art. 3 da Lei Complementar nº 123/2006 (Simples Nacional). Ora, a expressa disposição legal nestes casos chega a ser desnecessária e apenas existem para garantir segurança jurídica ao contribuinte. O fato de inexistir previsão legal expressa nesse caso não altera o conceito contábil de receita bruta, não podendo tal ausência ser interpretada como autorização para tributar algo cujo fato gerador sequer ocorreu. Ressaltase, nos casos de venda cancelada não existe receita. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para: No DEBCAD nº 51.009.4015 (contribuição da empresa e SAT/RAT), afastar o lançamento sob todas as receitas provenientes de comercialização para Trading Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 864 24 Companies, mantendo tais valores no lançamento objeto do DEBCAD nº 51.054.4100 (Terceiros – SENAR). Deduzir da base de cálculo de ambos os DEBCADs os valores relativos às devoluções de vendas (ou vendas canceladas) comprovadas pela RECORRENTE assim como os valores de ICMSsubstituição recolhidos e que compuseram a base de cálculo da presente autuação (Levantamento RB). (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Relator, com a devida vênia, ouso divergir de sua tese em relação à aplicação da imunidade tributária nos casos de comercialização da produção com empresas que se dediquem ao comércio internacional, as conhecidas "Trading Companies". Concordo com o Sr. Relator em relação às demais matérias, conclusões e fundamentos legais tratados em seu voto, por considerálas irretocáveis. A questão divergente está relacionada à regra de imunidade contida no Inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal de 1988, que assim dispõe: (...) Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (...) Grifouse. O teor do preceito constitucional destacado não dá espaço para maiores dúvidas em relação ao seu conteúdo. Temse que, sobre as receitas decorrentes das operações de exportação, não há incidência de contribuições sociais. Contudo, o que se tem nos autos é que a exigência fiscal está lastreada sobre receita de vendas da produção no mercado interno para, na sequência, a entidade adquirente promover sua exportação. O DecretoLei nº 1.248/72, que assegurava ao produtorvendedor os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação quando fossem realizadas operações por empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, não Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 865 25 empresta seus efeitos ao caso ora sob análise, já que editado sob a vigência da Constituição anterior, em que não havia previsão de imunidade das contribuições sociais para as receitas decorrentes de exportação. Entendo que a imunidade em comento está limitada às operações de venda efetuadas diretamente a adquirentes sediados no exterior, pois tal regra está em plena vigência desde a sua inclusão no texto Constitucional pela EC nº 33/2001, impondo, inclusive, a não incidência de Pis/Pasep sobre tais receitas. Ocorre que, em 2002, no corpo da Lei 10.637, ao dispor sobre a não comutatividade na cobrança do Pis/Pasep, o legislador ordinário estabeleceu que este tributo não incidiria sobre as operações de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Desta forma, considerando que, mesmo antes da Lei 10.637/02, tinha, e ainda hoje tem, plena vigência a barreira Constitucional que impede a incidência de contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação, a regra imunizante está e sempre esteve completa, não apresentando qualquer lacuna. Portanto, se o DecretoLei nº 1.248/72 tivesse aplicação ainda nos dias atuais, não haveria necessidade de tal previsão na Lei 10.637/02. Por outro lado, estender a regra editada em 2002 às demais contribuições sociais implicaria a aplicação de analogia para excluir a incidência da contribuição previdenciária discutida no presente processo com base em regra isentiva de Pis/Pasep nas vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Com isso, ao contrário de representar uma interpretação ampliativa da regra de imunidade, representaria uma alargamento da norma isentiva, o que é expressamente vedado pelo art. 111 da lei 5.172/66 (CTN). Assim, entendo que sobre o produto da venda da produção a pessoa jurídica sediada no país, ainda que esta, posteriormente, promova a exportação dos itens adquiridos, deve incidir o tributo previdenciário, já que a receita decorrente de tal operação não provém do exterior. Ademais, se entendêssemos de modo diverso, colocaríamos em risco o controle sobre benefícios concedidos às empresas que, efetivamente, promovem comercialização direta com o mercado externo, em particular aqueles que objetivam devolver ou eliminar resíduos tributários remanescentes da cadeia de produção dos bens exportados. Tal conclusão se mostra absolutamente alinhada aos expressos termos da Instrução Normativa RFB nº 971/09: Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 13116.721914/201466 Acórdão n.º 2201004.687 S2C2T1 Fl. 866 26 proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Mesmo entendimento foi expresso pelo Parecer PGFN/CAT nº 1.724, de 2012, que assim dispôs: (...) O cerne da imunidade é a receita de exportações. A princípio, a contribuição do produtor rural, substituindo a folha de salários, voltase para o resultado da venda de sua produção com a finalidade precípua de financiar a Previdência Social. Quando, no entanto, esta receita, por se direcionar ao mercado externo, passa indubitavelmente a integrar o rol das receitas de exportação, não pode ser objeto de tributação. É importante frisar que apenas as receitas dirigidas diretamente ao mercado externo estarão imunes. Por isso fazse necessário o exame da natureza das operações, se se constituem em compra e venda no mercado interno ou exportação. Por exemplo, a natureza das operações realizadas no Brasil entre as tradings e os produtores rurais é, em termos fiscais, de compra e venda no mercado interno, razão pela qual não são favorecidas pela imunidade da contribuição do produtor rural pessoa física. (...) Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim pelo teor das razões e fundamentos legais acima expostos, nego provimento ao recurso voluntário neste tema, devendo ser mantidas as demais proposições do voto do Ilustre Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 1045DF CARF MF
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