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Numero do processo: 16327.910672/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 12/03/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.543
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 12/03/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 72 /2 01 1- 43 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910672/201143 Acórdão n.º 3402004.543 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.040, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 12/03/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910672/201143 Acórdão n.º 3402004.543 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910672/201143 Acórdão n.º 3402004.543 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910672/201143 Acórdão n.º 3402004.543 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721620/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca Relatório Cuida o processo de autos de infração lavrados em desfavor dos recorrentes a fim de se lhes exigir créditos tributários relativos ao IPRJ e, reflexamente, à CSLL, PIS e COFINS, todos devidos no anocalendário de 2008. A origem da constatação fiscal cinge à verificação da existência de movimentação financeira em contas bancárias em valores substancialmente superiores aos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 62 0/ 20 13 -3 7 Fl. 846DF CARF MF Processo nº 19515.721620/201337 Resolução nº 1302000.531 S1C3T2 Fl. 847 2 valores declinados pelo contribuinte, devedor principal, em suas DCTF (depósitos de origem não comprovada). De acordo com o TVF, a despeito de ter sido sucessivamente intimado a apresentar livros, documentos e esclarecimentos sobre tal movimentação, a ver da fiscalização, o contribuinte quedouse inerte razão pela qual, além da multa qualificada (á alegação de ter incorrido, o contribuinte, em fraude à fiscalização), foi aplicado, também, o agravamento preconizado pelo art. 44, § 2º, da Lei 9.430/96. Cientificados da autuação, o devedor principal e os solidários apresentaram suas impugnações, tendo, o devedor principal, sustentado, em apertada síntese: a) preliminarmente: a.1) a decadência do direito do fisco de constituir o crédito em relação às competências de janeiro à agosto de 2008, tendo em conta que a intimação dos autos de infração se deram em 05/08/2013, invocando, neste particular, os preceitos do art. 150, § 4º, do CTN; a.2) a nulidade dos autos de infração por cerceamento de defesa, em especial por ter a fiscalização desconsiderado os documentos pretensamente trazidos aos autos, em atendimento às intimações fiscais (de acordo como o contribuinte, "foram disponibilizado todos os seus livros fiscais, entre eles Diário nº 19, 20, 21, 22, 23 e 24, todos referentes ao ano de 2008; Livro Razão nº 2008–1, 2008–2, 2008–3 e 20084, sem prejuízo dos demonstrativos solicitados"), o que, inclusive, tornaria inválido o "Termo de Embaraço à Fiscalização" lavrado; a.3) a nulidade dos "Termos de Sujeição Passiva" dado que, no seu entendimento, não há responsabilidade em relação à créditos que ainda não foram definitivamente constituídos. Nada obstante, o recorrente invoca decisão deste Conselho que trataria da impossibilidade de se impor a responsabilidade tributária tendo em conta os preceitos do art. 124 do CTN (a despeito do TVF justificar a imposição da obrigação aos solidários tanto a luz deste preceito, como também do art. 135, III do diploma legal complementar ex ratione materiae"); a.4) o descabimento da multa agravada porquanto ter atendido às intimações fiscais; alega, neste ponto, que um novo auditor assumiu os trabalhos inicialmente desenvolvidos que passou a exigir os mesmos documentos que já haviam sido apresentados, sendo inválido o "Termo de Embaraço Lavrado", inclusive por falta de prejuízo aos trabalhos fiscais; a.5) a nulidade do auto de infração seja pelo fato da fiscalização não ter declinado como teria obtido as informações concernentes às venda com cartões de crédito (configurando, pois, cerceamento de defesa), seja porque a coletas destas informações sem ordem judicial à embasála constituiria ato ilícito por violação à garantia do sigilo bancário; b) no mérito, aduz que o ônus da prova é do fisco, ônus este do qual não desincumbiu, mormente por desconsiderar os documentos trazidos que demonstrariam, a seu ver, v.g., que "cerca de 30% dos pedidos faturados são cancelados posteriormente por diversas razões" de sorte que a "falta da análise dos livros fiscais e demonstrativos (...) faz com que a fiscalização não alcance o valor real da receita recebida pela empresa ". Fl. 847DF CARF MF Processo nº 19515.721620/201337 Resolução nº 1302000.531 S1C3T2 Fl. 848 3 Já os solidários sustentaram, em suas impugnações, a já aventada nulidade dos "Termos de Sujeição Passiva" com base nos mesmos argumentos já tratados na peça de insurgência do devedor principal. Instada a se pronunciar sobre as impugnações a DRJ houve por manter, integralmente, o lançamento tributário, mantendo, igualmente, a responsabilização solidária dos coobrigados. O contribuinte foi cientificado do resultado do julgamento por meio de termo de ciência por decurso de prazo em 09/05/2014 (doc. de fl. 697), ao passo que os solidários foram intimados em 05/05/2014, conforme ARs juntados à fls. 698/701, tendo, todos, interposto os respectivos recursos voluntários por meio dos quais reprisaram, ipses literis, os termos de suas impugnações. Os autos, então, foram remetidos à Colegiado para análise e julgamento. Este, o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Os recursos são tempestivos e preenchem os pressupostos de admissibilidade, pelo que, deles, conheço. Em três das preliminares aventadas (cerceamento de defesa, nulidade do "Termo de Embaraço à Fiscalização" e do descabimento da multa agravada) o contribuinte sustenta ter apresentado documentos que, sob sua ótica, comprovariam o atendimento às intimações fiscais (e, portanto, o descabimento da lavratura do "Termo de Embaraço") e, outrossim, no próprio mérito, a demonstração de que teria inocorrido a omissão da receita tratada neste feito. Para dar suporte a este alegação, o recorrente, devedor principal, junta aos autos (anexo III fl. 527 a 531) a cópia (sem ateste) de duas petições das quais consta o recebimento, respectivamente, em 08/09/2011, em que o contribuinte pede a prorrogação do prazo por trinta dias para atender às pretensões fiscais, e outro em 08/11/2011, por meio da qual, além de afirmar ter "disponibilizado em sua sede" os livros Diário e Razão do ano de 2008, diz ter apresentado, também, os demonstrativos exigidos em termo de reintimação fiscal. Se é verdade que por "disponibilizar" os livros fiscais em sua sede não se pode, seriamente, considerar como "atendimento à intimação fiscal", também é verdade que a segunda petição veicula a informação de terem sido juntados demonstrativos em relação aos quais não houve manifestação fiscal e, tampouco, constam dos autos. Entendo, particularmente, que o demonstrativo tratado acima, não seria, a toda monta, relevante; mas houve exigência de apresentação pelo fisco e o contribuinte traz, aos autos, pretensa comprovação de que este termo foi, quanto a esta parte, atendido; afirma mais que protocolou o demonstrativo acima e, a despeito disto, semelhante documento não foi juntado ao feito. Tais petições, pois, confrontam diretamente a versão trazida pela fiscalização à fls. 408/409 (TVF): Fl. 848DF CARF MF Processo nº 19515.721620/201337 Resolução nº 1302000.531 S1C3T2 Fl. 849 4 Foram lavrados os Termos de Prosseguimento em 27/01/2011, 02/03/2011. 05/05/2011, 29/06/2011 e um Termo de Constatação e Intimação de 23/08/2011, todos recepcionados pela empresa e anexados ao presente processo. Nesse Termo de Constatação e Intimação de 23/08/2011, a empresa foi informada de que não poderia se enquadrar na tributação com base no Lucro Presumido, e de que deveria apresentar os livros contábeis e os demonstrativos de apurações do IRPJ e CSLL. Tal termo foi enviado via COrreios, com Aviso de Recebimento, tendo sido recepcionado em 24/08/2011. Como nada foi apresentado, emitiuse em 14/10/2011 um termo de Reintimação Fiscal, documento esse que foi recepcionado na mesma data pelo procurador do contribuinte. Os procedimentos acima foram adotados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Marcio Luis Almeida dos Anjos, a quem passei a substituir a partir de 07/08/2012. Lavrei em 13/08/2012 um Termo de Prosseguimento e um Termo de Reintimação Fiscal, solicitando novamente os elementos que até o momento não haviam sido disponibilizados pelo contribuinte e que foram objeto das intimações anteriores. Esses termos foram enviados via Correios, com Aviso de Recebimento, tendo sido recepcionados pelo contribuinte em 14/08/2012. E, justamente por tais constatações, lavrouse o "Termo de Embaraço", em que a D. Auditoria Fiscal conclui o que se segue: Assim sendo, constatado que até a presente data, embora exaustivamente solicitado no curso da ação fiscal, os extratos bancários e demais elementos solicitados, relativos ao ano calendário 2008, não foram exibidos e não havendo qualquer justificativa, por escrito, para este procedimento por parte do contribuinte, é o presente para caracterizar o embaraço à fiscalização, nos termos da legislação aqui já referenciada. A luz destes fatos, existem duas conclusões possíveis: a) o contribuinte, realmente, cumpriu ao menos uma das intimações fiscais, mesmo que parcialmente, antes da lavratura do termo de embaraço, e, neste paço, a juntada dos documentos apresentados ao feito era impositiva, pena de cerceamento de defesa e de invalidação do citado "Termo de Embaraço à Fiscalização"; b) as petições de fls. 527/531 nunca foram, efetivamente, apresentadas ao auditor fiscal... Na segunda hipótese acima, dispensa dizer, as consequências de semelhante constatação são gravíssimas e, por isso mesmo, demanda apuração, até mesmo para se atender ao comando inserto no art. 304 do Código de Processo Penal Brasileiro, segundo o qual, verbis: Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documentos necessários ao oferecimento da denúncia. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 19515.721620/201337 Resolução nº 1302000.531 S1C3T2 Fl. 850 5 Diante de todo o exposto, voto por converter este julgamento em diligência a fim de solicitar à Unidade de Origem: a) que confirme, junto ao Auditor Márcio Luis Almeida dos Anjos, Matrícula 76.299, a autenticidade das assinaturas constantes das petições de fls. 527/531; b) em pertencendo, de fato, ao Auditor Márcio Luis Almeida dos Anjos, as assinaturas constantes das preditas petições, que sejam estas localizadas e juntadas a este feito, incluindose os documentos por ventura à elas anexados, certificando, de outra sorte, caso reste infrutífera esta diligência, o extravio das citadas manifestações; c) que, ao fim, elabore o competente relatório de diligência dando ciência do resultado ao contribuinte e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado. É como voto. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 850DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.721365/2011-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o processo em epígrafe, utilizo o relatório desenvolvido no acórdão n. 0126.128, proferido pela da DRJ de Belém (fls. 941/947), o que passo a fazer nos seguinte termos: Trata o presente processo de autos de infração (fls. 02/25) lavrados pela DRF/Porto Velho/RO, em que foram lançados créditos de PIS/Pasep e Cofins nos valores respectivos de R$ 95.212,18 e R$ 438.822,12 (incluídos nesse montante os juros de mora e a multa proporcional aplicada). 2. Segundo a fiscalização (Termo de Verificação e Constatação de fls. 696/709) os lançamentos decorreram da utilização indevida de créditos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 40 .7 21 36 5/ 20 11 -6 3 Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10240.721365/201163 Resolução nº 3402001.179 S3C4T2 Fl. 992 2 das contribuições em operações de revenda de mercadorias adquiridas através da Área de Livre Comércio de GuajaráMirim (ALCGM) sem incidência das contribuições (redução para zero – Lei nº 10.996, de 2004). 3. Ciente em 15.12.2011 (fls. 14 e 24), a interessada apresentou tempestivamente, em 12.01.2012, impugnação (fls. 713/728), na qual alega: a) Que as notas fiscais destinadas a ALC até 14 de julho de 2009 que não continham menção do valor de PIS e COFINS abatidos, conforme exigência da Portaria Suframa no. 162, de 2005, não faziam jus ao benefício fiscal da alíquota zero, gerando direito à apropriação dos créditos; b) “Assim, as notas fiscais de internamento de mercadoria na ALC que não continham a determinação da Portaria 162/05, de indicar expressamente o desconto, bem como a exigência da lei 10.966/04, com redação dada pela lei 12.350/2010, que exige a informação de venda para a ALC, com o dispositivo legal, não gozaram do benefício da alíquota zero, sendo devidamente tributadas. Consequentemente, a empresa adquirente, estabelecida na ALC, poderia utilizarse dos créditos das referidas contribuições.”; c) “É importante salientar que a impugnante não se creditou dos valores de PIS e COFINS relativos às notas fiscais que fizeram jus ao benefício da alíquota zero. Esse fato restou demonstrado através das memórias de cálculo da apuração das contribuições apresentadas à fiscalização, que continham expressamente os valores estornados dos créditos fiscais ("Estorno de Incentivo Indevido"), relativos às notas incentivadas, que continham os descontos das contribuições, adquiridas pela filial de GuajaráMirim.”; d) Afirma haver ainda procedido “os estornos de créditos de mercadorias isentas e sujeitas ao pagamento monofásico pelo industrial ou fabricante, cuja revenda é sujeita à alíquota zero, conforme relatório de produtos entregue à fiscalização, de todos os meses do ano calendário 2009”; e) Informa que “Os relatórios de produtos que originaram as deduções dos créditos, entregues em nome do estabelecimento Matriz, englobam tanto os produtos adquiridos de outros fornecedores diretamente pelo estabelecimento Matriz, em Porto Velho, quanto os produtos adquiridos pelo estabelecimento filial, em GuajaráMirim, recebidos pela Matriz por transferência. Os estornos de créditos de tais produtos foram considerados de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz, por produto, para evitar o creditamento indevido, tendo em vista o sistema gerencial da empresa disponibilizar relatório de produtos isentos e sujeitos à alíquota zero (operação monofásica do fabricante), por grupo de incidência, relativos à totalidade das entradas (compras e transferências)”, alertando que “Esse fato foi ignorado pela fiscalização, que apenas procedeu à análise da apuração individualizada do estabelecimento filial, sem considerar a apuração centralizada pelo estabelecimento matriz, e os devidos estornos.”; Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10240.721365/201163 Resolução nº 3402001.179 S3C4T2 Fl. 993 3 f) “Para comprovação das alegações, a impugnante anexa a esta defesa planilhas demonstrativas das notas que deram origem aos créditos das contribuições, bem como das notas que deram origem aos estornos de créditos de produtos isentos e sujeitos à alíquota zero (monofásicos) do estabelecimento filial, dos meses de maio, junho e julho de 2009, a título exemplificativo do que ocorreu em todos os meses do ano calendário”; g) Requer a nulidade dos autos sob o argumento de que “restam ausentes dois elementos imprescindíveis para a excelência do ato administrativo, quais sejam, a devida descrição fática para a necessária compreensão da infração e a devida capitulação, a fazer jus à Penalidade que lhe foi imposta.”; h) Aponta caráter confiscatório da multa aplicada; i) Requer a improcedência dos lançamentos, pelos motivos expostos. (...). 2. Uma vez processada, a impugnação de fls. 713/728 foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE A instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. IMPUGNAÇÃO COM PROVAS. O contribuinte possui o ônus de impugnar com provas, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que esteja enquadrado nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10240.721365/201163 Resolução nº 3402001.179 S3C4T2 Fl. 994 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 953/963, oportunidade em que repisou parte das alegações lançadas em sede de impugnação. 4. É o relatório. Resolução 5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, a presente exigência fiscal decorre da glosa de créditos de COFINS aproveitados pela recorrente. Ainda segundo a fiscalização, tais créditos seriam indevidos, uma que decorrentes de operações sujeitas à alíquota zero. Dentre as glosas perpetradas, estão aquelas decorrentes de suposto creditamento de operações monofásicas, os quais foram estornados de forma centralizada pela sua matriz em Porto Velho. É o que se observa do seguinte trecho do seu recurso voluntário: Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10240.721365/201163 Resolução nº 3402001.179 S3C4T2 Fl. 995 5 7. Para comprovar suas alegações, já em sede de impugnação, o contribuinte apresentou as notas fiscais que teriam originado o indevido creditamento, bem como planilhas que atestariam o citado estorno centralizado procedido pela empresa matriz. Ao analisar tal ponto, assim manifestouse o acórdão recorrido: (...). 17. A impugnante alega haver sido ignorado pela fiscalização os estornos de créditos indevidos, que teriam sido feitos pelo estabelecimento matriz, de forma centralizada. Apresentou arquivos contendo uma relação de notas fiscais referentes a três meses, que teria sido objeto desses estornos. Tais valores coincidem com os valores glosados pela fiscalização em cada um desses meses. 18. O que se vê no presente caso é que a fiscalização utilizou para lançamento os dados de apuração das contribuições apresentados pela própria empresa, onde claramente não foram estornados todos os Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10240.721365/201163 Resolução nº 3402001.179 S3C4T2 Fl. 996 6 créditos referentes a aquisições de mercadorias feitas pela filial. Por exemplo, tomese o mês de maio (fl. 302): a empresa registrou créditos referentes a aquisições pela filial da ALC no valor de R$ 967.784,90, estornando em seguida o montante de R$ 718.235,79. A diferença (R$ 249.549,11) foi objeto de glosa pela fiscalização, pois deveria ter sido estornada. 19. Agora, na impugnação, a empresa apresenta uma relação de notas que seriam referentes a aquisições da filial transferidas para a matriz, e que teriam sido objeto de estorno na matriz. Entretanto, os documentos trazidos pela impugnante não fazem prova dessa operação. Aliás, sequer comprovam a alegada transferência dos produtos para a matriz. Observando a apuração das contribuições nas aquisições da matriz, verificase apenas a exclusão dos créditos de mercadorias objeto de substituição tributária. Na hipótese do alegado estorno estar inserido nesse valor, seria necessária a demonstração desse fato mediante a apresentação de documentos, o que não ocorreu. (...). 8. Acontece que, em sede de recurso voluntário, o contribuinte apresentada cópias do seu livro de registro de saída para o período em questão, cópias essas que, aliadas aos demais documentos fiscais previamente acostados nos autos, em tese podem confirmar a alegação do contribuinte. 9. Assim, em face do princípios da verdade material e do formalismo moderado que permeiam o processo administrativo e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos fiscais acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato os créditos aqui glosados foram objeto de estorno realizado de forma centralizada pela matriz da recorrente e, em caso positivo, discrimine o impacto deste suposto estorno no montante exigido no presente auto de infração. 10. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para que, querendo, possa manifestarse a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 11. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 996DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001891/2007-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento.
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA.
Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.824
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO A CRÉDITOS. Recorrente FERTIMOURAO AGRICOLA EIRELI EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 18 91 /2 00 7- 11 Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10950.001891/200711 Acórdão n.º 9303005.824 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801004.386, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10950.001891/200711 Acórdão n.º 9303005.824 CSRFT3 Fl. 4 3 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que a decisão prolatada incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos. Todavia, os embargos foram rejeitados. O sujeito passivo interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Vendas efetuadas com suspensão; e · Atualização monetária. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso. Foram admitidas as matérias “rateio dos créditos apurados”, “glosa das aquisições de combustíveis”, “aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial”, “possibilidade de ressarcimento do crédito”, e “atualização monetária (SELIC)”. Apenas a matéria “vendas efetuadas com suspensão – eficácia do art. 9º da Lei 10.925/04” teve o seguimento negado. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10950.001891/200711 Acórdão n.º 9303005.824 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.815, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 10950.001882/200720, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.815): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, em relação à discussão acerca: · Do rateio dos créditos apurados, foi comprovada a divergência, vez que a decisão recorrida entendeu pela exclusão das receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação do cálculo do rateio proporcional e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 concluiu pela não exclusão dos valores de receita que se originaram de operações com o fim específico de exportação; · Das aquisições de combustíveis, foi comprovada a divergência, eis que enquanto o aresto recorrido adotou um conceito restritivo de insumo e o indicado como paradigma de nº 203.12.896 reconheceu o direito de aproveitar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo e nas operações de vendas e entrega direta da produção; · Do crédito presumido da atividade agroindustrial, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu pela vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido por enquadrar o sujeito passivo como cerealista que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 divergiu da interpretação relativa ao processo produtivo de grão e o conceito de agroindústria, sem a restrição ao direito creditório; · Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, também foi comprovada a divergência, eis que o aresto recorrido não conheceu das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido, divergindo, assim, da interpretação adotada no acórdão paradigma de nº 3803002.336 que, por sua vez não aplicou a restrição prevista na IN Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10950.001891/200711 Acórdão n.º 9303005.824 CSRFT3 Fl. 6 5 SRF 660/06 quanto ao direito a compensação e/ou ressarcimento do Crédito Presumido de PIS e COFINS; · Da atualização monetária, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu não ser cabível a aplicação de correção monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa, por expressa vedação legal, enquanto que o acórdão paradigma de nº 3802001.418 entendeu pela possibilidade de atualização do crédito pela taxa Selic. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Atualização monetária. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Antes de se adentrar a cada matéria, importante trazer breve histórico do caso vertente: · O sujeito passivo desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias de NCM dos capítulos 8 a 12 referidas no art. 8º da Lei 10.925/074, realizando operações no mercado interno e exportações diretas e indiretas; · Observa a sistemática não cumulativa das contribuições, nos termos da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02, sendo que para a sua atividade, adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços – insumos – para a produção de mercadorias; · Tendo acumulado créditos por aquisições – custos, despesas e demais encargos, protocolou pedido de ressarcimento do saldo de crédito. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o critério de rateio dos créditos apurados e em seguida sobre as demais matérias conhecidas." (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno das seguintes matérias: i) rateio das receitas de exportação; ii) glosa de créditos sobre combustíveis; iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria; iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria; e, v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. 1 Deixouse de transcrever, do voto do paradigma, a parte na qual a relatora enfrentou as questões admitidas no recurso, pois todos os entendimentos foram vencidos na votação, não se aplicando, portanto, na solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10950.001891/200711 Acórdão n.º 9303005.824 CSRFT3 Fl. 7 6 i) rateio das receitas de exportação O contribuinte questionou o critério utilizado pela autoridade administrativa para o rateio das receitas, utilizado para apuração dos créditos da Cofins, passiveis de desconto e/ ou ressarcimento. Conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte, as receitas de exportação decorrem de vendas de mercadorias próprias e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre os créditos da Cofins não cumulativa, vinculados às exportações: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação."(destaque não original). Ora, nos termos deste dispositivo, é vedado o aproveitamento (desconto) de créditos vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por da parte da exportadora (comercial/trading). Assim, se tais receitas não geram créditos para a exportadora, obviamente, que não podem integrar as receitas de exportação, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado para a apuração dos créditos da contribuição a que o contribuinte faz jus. No mês de outubro de 2006, as receitas de exportação do contribuinte decorreram integralmente da exportação de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. Portanto, neste mês, o índice apurado foi de zero, caso contrário, estaria permitindo o aproveitamento com base num índice de 100,0%, em total desacordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. ii) glosa de créditos sobre combustíveis. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10950.001891/200711 Acórdão n.º 9303005.824 CSRFT3 Fl. 8 7 A Lei nº 10.833, de 2003, prevê o aproveitamento de créditos sobre custos com combustíveis, desde que utilizados na produção ou fabricação dos bens vendidos, conforme estabelece o art. 3º, inciso II, literalmente: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; " (...)." No presente caso, conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte as glosas foram efetuadas sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados/consumidos no processo de produção ou fabricação dos produtos vendidos e sim em outros setores da empresa. Comprova esta afirmativa excertos transcritos do relatório produzido pela fiscalização, abaixo transcrito: iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria O contribuinte pleiteia créditos presumidos da Cofins sobre as aquisições de produtos agrícolas (soja e milho) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, beneficiados e vendidos por ele. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10950.001891/200711 Acórdão n.º 9303005.824 CSRFT3 Fl. 9 8 códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, do exame da Trigésima Quarta Alteração do Contrato Social às fls. 129/138, constatase que o contribuinte exerce, dentre outras, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, bem como a atividade agrícola, o que o enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que veda o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tais atividades. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo; as mercadorias devem ser destinadas à alimentação humana ou animal; e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir os insumos (conforme alusão ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003) de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que não é o caso em discussão. iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria. Embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar os créditos presumidos da Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10950.001891/200711 Acórdão n.º 9303005.824 CSRFT3 Fl. 10 9 agroindústria, ora reclamados, demonstrase, a seguir, a falta de amparo para o ressarcimento/compensação de tais créditos. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10950.001891/200711 Acórdão n.º 9303005.824 CSRFT3 Fl. 11 10 Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 693DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.725125/2014-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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PERÍODO: 01/05/2010 a 31/05/2010 A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 51 25 /2 01 4- 71 Fl. 32DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra notificação de Lançamento de Multa por Atraso na Entrega da DCTF, do mês de MAIO de 2010, no valor de R$839,74 (com redução, pela entrega espontânea da Declaração). A DCTF do mês de MAIO de 2010 foi entregue em 17/09/2014, quando o prazo para entrega da referida declaração expirara em 22/07/2010. O contribuinte apresentou a impugnação do lançamento, tempestivamente, tendo a DRJ julgado improcedentes os argumentos, consoante o relatório, abaixo transcrito: A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. O recorrente alega, em sua defesa, que foi excluído do Simples Nacional, retroativamente, ou seja, à época da entrega da DCTF não estava obrigado a entregála. A alegação não procede, tendo em vista que, a exclusão do Simples Nacional tem efeitos retroativos, conforme a legislação em vigor, que reproduzo a seguir: LC 123/2006, no § 6º do art. 3º e art. 32, Art. 3º. (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrerem alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do 3 tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10845.725125/201471 Acórdão n.º 1001000.062 S1C0T1 Fl. 3 3 Assim, no presente caso, uma vez excluído do Simples o recorrente passou a sujeitarse (efeito ex tunc) às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive no que diz respeito às obrigações acessórias, observados os prazos legais originais. Portanto, considero irretocável a decisão da DRJ. Adicionalmente, no presente RV, o recorrente menciona o acórdão número 1803002.256, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que excluí multa por atraso na entrega da DCTF pela denúncia espontânea por parte da empresa, alegando ainda o artigo 138, do Código Tributário Nacional. O assunto já foi objeto de súmula por este egrégio Conselho, súmula n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 34DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907315/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ACÓRDÃO DRJ. AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO E MOTIVAÇÃO. MATÉRIA AUTÔNOMA REGULARMENTE ARGUIDA PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR.
A carência da devida análise e motivação em decisão administrativa desfavorável ao contribuinte de matéria claramente autônoma, ainda que subsidiária, regularmente aduzida em sua defesa, configura nulidade parcial.
Deve retornar o processo à instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, retomando-se, posteriormente, o curso natural do feito.
Numero da decisão: 1402-002.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que seja prolatada decisão complementar com apreciação das razões de defesa não analisadas pelo Acórdão original. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que votou por julgar o processo no estágio em que se encontra.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO E MOTIVAÇÃO. MATÉRIA AUTÔNOMA REGULARMENTE ARGUIDA PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR. A carência da devida análise e motivação em decisão administrativa desfavorável ao contribuinte de matéria claramente autônoma, ainda que subsidiária, regularmente aduzida em sua defesa, configura nulidade parcial. Deve retornar o processo à instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, retomandose, posteriormente, o curso natural do feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que seja prolatada decisão complementar com apreciação das razões de defesa não analisadas pelo Acórdão original. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que votou por julgar o processo no estágio em que se encontra. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 73 15 /2 00 9- 31 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13896.907315/200931 Acórdão n.º 1402002.711 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de CSLL, declarado em DCOMP. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente a retroação benigna do art. 11 da IN RFB nº 900/08, a necessidade de aplicação dos princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, a ilegalidade do art. 10 da IN nº 600/05, a possibilidade de se compensar débitos com recolhimento a maior e indevidos, e a impossibilidade de aplicação de multa e incidência de juros, quando mantida a não homologação dos valores, além de demonstrar e juntar documentação provando a existência de seu direito creditório. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa. Confirase a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO Só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante de tal revés, o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido, tanto pela suposta alteração do critério jurídico utilizado para a negativa do crédito, nos termos do art. 146 do CTN, bem como por não ter a DRJ a quo conhecido e enfrentado todas as suas alegações. No mérito, restringese a alegar a procedência material do crédito, apontando, em seus livros contábeis e declarações transmitidas ao Fisco, as evidências sobre a existência do seu direito. Pugna, eventualmente, pela necessidade de realização de diligência, para a análise da documentação acostada e a promoção de investigações pela própria Fiscalização da materialidade do crédito informado, como rezaria ao princípio da verdade material. Subsidiariamente, repete sua alegação de impossibilidade de aplicação de multa e incidência de juros. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o Relatório. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13896.907315/200931 Acórdão n.º 1402002.711 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.708, de 27.07.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.907312/200905. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.708): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega Recorrente ter a DRJ a quo deixado de enfrentar uma de suas alegações, qual seja, a impossibilidade de exigência de multa e juros, caso fosse mantida a não homologação da Declaração de Compensação, ensejando sua nulidade, devendo ser prolatado novo decisório. Verificando o v. Acórdão, confirmase a veracidade dessa alegação da Recorrente. Como se observa da Manifestação de Inconformidade apresentada, o Contribuinte alegou, com base na eventualidade da manutenção do r. despacho decisório, a suposta incorreção de aplicação de multa e incidência de juros sobre os valores decorrentes da denegação sofrida. Tal argumentação jurídica depende, logicamente, da rejeição da tese meritória, atacando elementos distintos da homologação do crédito, tratandose, claramente, de matéria autônoma o que distinguese, diametralmente, de alegações aduzidas cumulativamente, para enriquecer a defesa e reforçar a procedência de seu crédito. Reforçando a afirmação acima colocada, tal tema possui tópico exclusivo na peça de defesa e, não obstante, pedido formulado de forma independente daquele principal, de natureza subsidiária, para seu provimento. Assim, nenhuma das razões de decidir da DRJ, que apenas explora, analisa e julga o mérito da contenda, referente à procedência ou não do direito da Recorrente e as provas trazidas, abarca o conhecimento e o julgamento desse outro tema independente. Digase mais: diante da negativa do pedido principal, de improcedência da Manifestação apresentada, restou imperioso o enfrentamento dessa matéria subsidiária naquele r. decisum, ensejando verdadeiro prejuízo à prerrogativa processual da Parte desfavorecida pelo julgamento do mérito. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13896.907315/200931 Acórdão n.º 1402002.711 S1C4T2 Fl. 5 4 Analisando os termos do v. Acórdão, item a item, fica clara e inquestionável a ausência de qualquer abordagem, menção e, principalmente, motivação em relação a essa matéria, regularmente invocada. A motivação (ou fundamentação) dos decisórios em esfera administrativa é elemento essencial para a sua validade, como extraise das prescrições da Lei nº 9.784/991 e do Decreto nº 70.235/722. Na verdade, tais disposições implementam na esfera processual administrativa as garantias constitucionais ao duplo grau de jurisdição, ao devido processo, ao direito de petição, ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte, assim como o princípio da motivação das decisões jurisdicionais. Ainda que esta C. 2ª Turma Ordinária (segunda instância administrativa) pudesse, agora, em sede de Recurso Voluntário, conhecer, analisar e julgar tal alegação, não só continuaria parcialmente inválido o v. Acórdão recorrido, como restaria suprimida uma instância recursal ordinária concedida ao Contribuinte o que não deve ocorrer. Tanto assim é que, na própria dinâmica processual administrativa deste E. Conselho, no entendimento da sua C. Câmara Superior, quando há decisão meritória, reformando acórdão procedente em relação à tese dos contribuintes, determinase o imediato retorno do feito à Turma Ordinária julgadora para apreciar matérias secundárias, alegadas subsidiariamente, que justamente como no presente feito versam, na maioria da vezes, sobe sanções, juros e correção monetária dos créditos mantidos. Sobre a nulidade dos decisórios carentes de fundamentação, lecionam Fredie Didier Júnior, Paula Sarno Braga e Rafael Alexandria de Oliveira3: Se a decisão não analisa todos os fundamentos da tese derrotada, seja ela invocada pelo autor ou pelo réu, será inválida por falta de fundamentação. Tal entendimento também estampa o Acórdão nº 3402003.465, proferido pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, publicado em 27/12/2016: 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) V decidam recursos administrativos; 2 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. 3 Curso de Direito Processual Civil. 2º vol. 10ª ed. Salvador: Jus Podivm, 2015. p. 337. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13896.907315/200931 Acórdão n.º 1402002.711 S1C4T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2011 Ementa: NULIDADE DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ANALISADO. PROCEDÊNCIA DO RECURSO. É nula, por ausência de motivação, a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação e que, de forma autônoma, é capaz de infirmar a conclusão alcançada pelo órgão julgador na parte dispositiva do julgado. (...) 12. Assim, toda e qualquer decisão proferida no âmbito de processo administrativo federal deve ser fundamentada, ou seja, deve ser justificada em concreto pelo julgador. Com isto o princípio assegura não só a transparência da atividade judiciária, mas também viabiliza que se exercite o adequado controle de todas e quaisquer decisões jurisdicionais. E, quando se fala em controle das decisões de caráter judicativo por meio da sua motivação, se faz menção não só a um controle exterior ao processo, mas em especial a um controle interno, o que se dá pela ideia de recorribilidade. 13. O que se quer dizer, portanto, é que a existência de motivação de uma determinada decisão é que viabiliza (não apenas sob uma perspectiva formal, mas especialmente de modo substancial) o acesso efetivo às instâncias recursais mediante a interposição do recurso cabível. Em contrapartida, decisão imotivada (sem fundamento) é o mesmo que negar acesso ao grau recursal ou reduzilo à uma questão exclusivamente de forma, isso sem falar na própria supressão de instância. 14. Não obstante, ainda quando se fala em decisão motivada, exigise também que a motivação seja completa, sem omitir pontos cuja solução pudesse conduzir o juiz a concluir diferentemente. Assim, sempre que a sentença seja repartida em capítulos, cada um consistindo no julgamento de uma pretensão, todos eles devem ser precedidos de uma motivação que justifique a conclusão assumida pelo juiz. 15. O que se quer dizer, portanto, é que a decisão deve fundamentar o acolhimento ou a rejeição de cada um dos pedidos e, consequentemente, de cada uma das correlatas causas de pedir próximas expostas ao longo da lide. Caso um mesmo pedido e, consequentemente, a mesma causa de pedir próxima correlata tenha mais de um fundamento, basta a adesão ou rejeição de um deles para que a decisão seja motivada. O em contrapartida, é que um determinado pedido e a sua correlata causa de pedir próxima fiquem sem qualquer resolução. Posto isso, resta claro que o v. Acórdão recorrido padece de nulidade processual, ainda que parcial, que ainda pode ser sanada, em prol da validade da demanda como um todo, sem prejudicar a retomada posterior do curso natural do presente processo administrativo. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13896.907315/200931 Acórdão n.º 1402002.711 S1C4T2 Fl. 7 6 Nesse sentido, as demais matérias arguidas, inclusive outras matérias preliminares trazidas pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário, mas referentes a elementos do v. Acórdão que não se cambiarão, vez que alheios a essa nulidade meramente instrumental ora detectada, serão devidamente apreciadas quando do julgamento do mérito. Diante de todo o exposto, voto por conhecer e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade parcial do v. Acórdão recorrido, devendo ser exarado pela DRJ a quo um acórdão complementar, precisamente sobre a matéria de multa e juros, nos termos aduzidos na Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. Após a devida intimação da ora Recorrente de tal decisum, deve serlhe devolvido o mesmo prazo de Recurso Voluntário, propiciando o enfrentamento recursal de tal matéria, garantindo o pleno contraditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que seja prolatada decisão complementar com apreciação das razões de defesa não analisadas pelo Acórdão original. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720406/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
Ementa:
PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEB.
A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindo-se as transferências efetuadas a outras entidades públicas.
O ingresso de valores originários do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), posteriormente substituído pelo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), conta 1724.01.00 - Transferência do FUNDEF, não integra a base de cálculo para apuração do Pasep devido pelas Pessoas Jurídicas de Direito Público Interno.
Referidos valores já foram tributados em momento anterior, quando do aporte para o fundo. Portanto eventual tributação dos valores recebidos pelo ente público da parcela que lhe couber do rateio do fundo, ocasionaria bitributação, vedada pela norma de regência.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.080
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso de Ofício e Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 Ementa: PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEB. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindo-se as transferências efetuadas a outras entidades públicas. O ingresso de valores originários do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), posteriormente substituído pelo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), conta 1724.01.00 - Transferência do FUNDEF, não integra a base de cálculo para apuração do Pasep devido pelas Pessoas Jurídicas de Direito Público Interno. Referidos valores já foram tributados em momento anterior, quando do aporte para o fundo. Portanto eventual tributação dos valores recebidos pelo ente público da parcela que lhe couber do rateio do fundo, ocasionaria bitributação, vedada pela norma de regência. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido.
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. FUNDEB. A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindose as transferências efetuadas a outras entidades públicas. O ingresso de valores originários do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), posteriormente substituído pelo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), conta 1724.01.00 Transferência do FUNDEF, não integra a base de cálculo para apuração do Pasep devido pelas Pessoas Jurídicas de Direito Público Interno. Referidos valores já foram tributados em momento anterior, quando do aporte para o fundo. Portanto eventual tributação dos valores recebidos pelo ente público da parcela que lhe couber do rateio do fundo, ocasionaria bitributação, vedada pela norma de regência. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 04 06 /2 01 2- 98 Fl. 659DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 660 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso de Ofício e Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 661 3 Relatório Por bem representar os fatos, adoto, essencialmente, o relatório do Acórdão recorrido, até aquele ponto. Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 02 a 11 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Pasep no período de 01/01/2008 a 31/12/2009, exigindose contribuição de R$6.095.437,95, multa de ofício de R$ 4.571.578,49 e juros de mora de R$ 1.979.349,81, calculados até 04/2012, perfazendo o total de R$ 12.646.366,25. Do Termo de Verificação de Infração, folhas 12 e ss., consta que a interessada, na apuração das bases de cálculo do PASEP, deduziu os valores contabilizados a título de: > Fundo de Participação dos Municípios FPM, código de receita 1721.01.02; > Demais Transferências da União, código de receita 1721.09.99; > Transferências de Recursos do SUS, código de receita 1721.33.00; > Transferências de Recursos do FNAS, código de receita 1721.34.00; > Transferências de Recursos do FNDE, código de receita 1721.34.00; > Transferências de Recursos do SUS. Código de receita 1722.01.33; > Outras Transferências do Estado, código de receita 1722.09.01; > Transferências de Recursos do FUNDEB, código de receita 1724.01.00; > Outras Receitas Rec. Vinculados, código de receita 1990.99.05; e > Repasses ao IPAMV Instituto de Previdência e Assistência do Município de Vitória. O Fiscal informa que essas deduções são indevidas por completa falta de previsão legal, já que se tratam de receitas que integram a base de cálculo do PASEP, de acordo com a Lei n° 9.715/98. Quanto à dedução de repasses ao IPAMV, entende o fiscal que também é indevida, por se tratarem de despesas contribuição patronal ao Regime Próprio de Previdência incidente sobre a remuneração de servidores, lançadas na conta 3.1.91.13.14 Contribuição ao Regime Próprio de Previdência e de aportes feitos ao IPAMV a título de complementação para pagamento de aposentadorias, lançadas na Conta 5.7.77.99 Complemento IPAMV. Cientificada em 02/05/2012, a interessada apresentou em 01/06/2012 a impugnação de fls. 407 a 421, na qual alegou: Após a conclusão da fiscalização, a Douta Auditora Fiscal responsável pela lavratura do auto concluiu que a dedução de repasses feitos pelo Município à sua autarquia foi feita de forma indevida. Assim, o ente público municipal haveria informado a menor o valor da base de cálculo do PASEP e, conseqüentemente, recolhido valor inferior ao devido. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 662 4 Por esta razão a fiscalização apurou a diferença entre os valores recolhidos e o supostamente devido e procedeu o lançamento. Contudo, este entendimento não merece prosperar, já que o IPAMV Instituto de Previdência e Assistência do Município de Vitória, é pessoa jurídica de direito público interno, na qualidade de Autarquia Municipal, portanto, entidade pública. Os valores registrados na rubrica 1.7.2.4.01.00 Transferências de Recursos do FUNDEB, referemse ao retorno do valor repassado ao FUNDEB pelo Município de Vitória, e que retornou aos cofres municipais de acordo com o percentual do nº de alunos matriculados nas escolas do Município, definido pelo Ministério de Educação e Cultura MEC. A Lei nº 11.494/2007 define o FUNDEB como um fundo de natureza meramente contábil, no qual os recursos retidos dos municípios são redistribuídos aos mesmos municípios de acordo com o percentual definido pelo MEC; Assim, quando da arrecadação das transferências correntes, registradas pelo valor bruto da arrecadação, que é a base de cálculo para as deduções para o FUNDEB, o valor total (antes de se fazer a dedução do valor devido ao FUNDEB) já foi considerado na composição da base de cálculo para o Pasep; Quando é feito o retorno dos recursos do FUNDEB ao Município, seu valor não pode ser considerado e incluído novamente para o cálculo da contribuição, já que os valores estariam sendo considerados duas vezes, entendimento adotado pela auditora fiscal; Por tal motivo, a autuada entende que, sendo aplicado o entendimento adotado pela Fiscalização, estaríamos diante de um bis in idem tributário, já que a mesma renda estaria sendo computada duas vezes na composição da base de cálculo do Pasep; Prossegue afirmando que, da análise dos autos constatou algumas diferenças, ou equívocos, nos valores apontados pela fiscalização e aquele informados pelo Município em seus registros contábeis. Senão vejamos: Exercício de 2008 a) As receitas de transferência do mês de agosto/2008 apresentam uma diferença de R$ 40.000,00, pois o valor correto é R$ 53.898.475,01, e não aquele apontado pela fiscalização R$ 53.938.475,01; b) As receitas de transferência do mês de outubro/2008 apresentam uma diferença de R$ 195,46, pois o valor correto é R$ 57.178.953,63, e não aquele apontado pela fiscalização R$ 57.179.149,09; c) Não foi considerada a retenção do PASEP da Transferência da União FPM do dia 30/10/2008 no valor de R$ 10.281,16; Exercício de 2009 a) O valor correto da retenção do PASEP do mês de janeiro de 2009 é de R$ 55.568,89, apresentando uma diferença de R$ 1.416,13, já que a fiscalização apontou, equivocadamente, o valor de R$ 56.985,02; b) As receitas de transferências do mês de março/2009 perfazem R$ 46.821.684,65, resultando numa diferença de R$ 49.939,04, correspondente à receita 1.7.2.1.33.36, já que a fiscalização apontou, equivocadamente, o valor de R$ 46.871.623,69; c) A receita de transferência do mês de abril/2009 correta é R$ 56.542.409,52, apresentando uma diferença de R$ 2,85, correspondente à dedução da receita 9.7.2.1.01.05, já que a fiscalização apontou, equivocadamente, o valor de R$ 56.542.412,37; Fl. 662DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 663 5 d) Não foi considerada a retenção do PASEP da transferência da União FPM do dia 30/04/2009 no valor de R$ 13.735,68; e) Não foi considerada a retenção do PASEP da Transferência da União Apoio Financeiro aos Municípios no mês de maio/2009 no valor de R$ 9.025,03; f) Não foi considerada a retenção do PASEP da Transferência da União Apoio Financeiro aos Municípios no mês de junho/2009 no valor de R$ 2.545,53; g) A receita de transferência do mês de julho/2009 correta é R$ 43.261.139,03, apresentando uma diferença de RS 42.021,00, já que a fiscalização apontou, equivocadamente, o valor de R$ 43.303.160,03; h) Embora não haja retificação da DCTF, transmitida em 25/03/2010, a informação é que o valor do débito do mês de julho/2009 foi R$ 481.506,13, entretanto o DARF, anexos às fls 103 e 104, referente ao pagamento desse mês, foi no valor de R$ 515.967,41, apresentando uma diferença de R$ 34.461,28 em relação à informação na planilha elaborada pela Auditora Fiscal e não há nenhum PER/DCOMP em relação a esse pagamento; i) A receita de transferência do mês de outubro/2009 correta é de R$ 47.740.325,09, apresentando uma diferença de R$ 159,65, correspondente à dedução da receita 9.7.2.1.01.05, já que a fiscalização apontou, equivocadamente, o valor de R$ 47.740.484,74; i) Não foi considerada a retenção do PASEP da transferência da União Apoio Financeiro aos Municípios no mês de outubro/2009 no valor de R$ 13.005,41; k) Embora não haja retificação da DCTF, transmitida em 25/03/2010, a informação é que o valor do débito do mês de novembro/2009 foi R$ 482.780,32, entretanto o DARF referente ao pagamento desse mês, foi pago no valor de R$ 482.845,42, apresentando uma diferença de R$ 65,10, em relação à informação na planilha elaborada pela Auditora Fiscal e não há nenhum PER/DCOMP em relação a esse pagamento Assim, é evidente que os valores equivocadamente considerados pela fiscalização majoram em demasia os valores aferidos para a composição da base de cálculo do tributo lançado. Por mais esta razão, é evidente que o auto de infração aqui combatido deve ser cancelado, pois não há dúvidas que os valores apontados pela Nobre Auditora Fiscal, não correspondem à realidade, conforme se verifica da documentação juntada à presente impugnação. Em 28/09/2012 a interessada protocolizou o “Termo de desistência de impugnação” de fl. 548. Neste, assim se pronuncia, in verbis: “Desta feita concordamos com uma RETIFICAÇÃO do Auto de Infração, mantendose a parcela incontroversa, excluindose assim da Base de Cálculo de Contribuição os valores referentes a repasses a Autarquia Municipal IPAMV, valores referentes ao retorno do FUNDEB, bem como corrigidos os erros materiais, apresentados na referida impugnação. Dessa forma, a parcela incontroversa referente ao ano de 2008 será no valor de R$ 1.626.061,15 e no ano de 2009 o valor de R$ 1.422.664,16. Declaro, ainda, que renuncio a quaisquer alegações de direito sobre a parcela incontroversa (parcela remanescente excluindo os valores dos repasses ao IPAMV, dedução do retorno do FUNDEB e os erros materiais) as quais se fundam a referida impugnação.” Os valores não questionados encontramse discriminados na tabela de folha 553 e foram objeto de pedido de parcelamento, controlado por meio do processo administrativo nº 10783.722354/201244. Os saldos remanescentes, suspensos por impugnação, encontram discriminados no extrato de folhas 557 a 559. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 664 6 Encaminhado a esta DRJ para apreciação da impugnação interposta, esta Turma de Julgamento decidiu em 21/03/2013, por unanimidade, considerando haver previsão legal para dedução da base de cálculo do Pasep das transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno e sendo o IPAMV uma autarquia municipal, o qual recebe da Prefeitura Municipal de Vitória valores referentes à contribuição previdenciária patronal, converter o julgamento em diligência à DRF/Vitória – ES, para: 1. Apurar os valores mensais (PA 01/2008 a 12/2009) registrados nas contas contábeis 3.1.91.13.14 Contribuição ao Regime Próprio de Previdência e 5.7.77.99 Complemento IPAMV, correspondentes às transferências efetuadas pela autuada ao Instituto de Previdência e Assistência do Município de Vitória IPAMV, a título de contribuição previdenciária patronal; 2. Dar ciência do resultado da diligência à autuada para, no prazo de trinta dias, apresentar complemento à impugnação, relativamente à diligência efetuada, se assim desejar; Em atendimento ao solicitado a DRF Vitória exarou o despacho de folhas 570 e 570 no qual “considerando a previsão legal para dedução da base de cálculo do PASEP das transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno e sendo o IPAMV uma autarquia municipal, para a qual foram transferidos os valores apurados conforme item 1. retificamos os valores do PASEP lançados anteriormente, de acordo com a planilha denominada "PLANILHA DE RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO DE DÉBITO DO PASEP ANOS 2008 E 2009", constante do Anexo III deste despacho”. Cientificada do teor da diligência, a interessada apresentou complemento à impugnação na qual afirma ter constatado não ter havido qualquer manifestação sobre o “retorno do FUNDEB” e sobre os erros materiais demonstrados na impugnação. Repete, então, os mesmos argumentos trazidos inicialmente e requer o cancelamento do auto lavrado. Ao apreciar a Impugnação, a 6ª Turma da DRJ/RJI, expediu o Acórdão 1257.482 17ª Turma, de julho de 2013, que, por unanimidade de votos, Julgoua Parcialmente Procedente para excluir do lançamento os valores referentes aos repasses ao IPAMV e aos erros materiais identificados na apuração, conforme planilha à fl. 615, mantendose hígida a exigência quanto aos valores relacionados ao FUNDEB, assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008, 2009 Ementa: PASEP. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PUBLICO INTERNO Na apuração do PASEP devido pelas Pessoas Jurídicas de Direito Público Interno são dedutíveis as transferências efetuadas a outras entidades públicas. FUNDEB. PASEP. BASE DE CÁLCULO. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 665 7 Os Municípios ao receberem da União valores relativos as transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para o FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o Pasep. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face de a Decisão proferida ter superado o valor de alçada, foi interposto o necessário Recurso de Ofício. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso voluntário, fls. 627/633, sustentenado, em síntese: · A parcela referente ao Fundeb já foi oferecida à tributação quando de seu repasse ao Fundo, portanto quando do retorno da parcela destinada ao município seu valor não pode ser considerado e incluído novamente para o cálculo da contribuição, já que, assim teríamos dupla incidência do tributo sobre a mesma receita, já que esta somente é transferida ao município no retorno dos valores. · apresenta os valores repassados para o Fundeb, pela PMV, comparandoos com os valores dele (Fundo) recebidos, cada qual conforme o modelo de apuração: (i) percentual sobre a base de cálculo, para a formação do fundo; e (ii) rateio, com base no número de alunos, para apurar o montante a ser recebimento pelo Município, Na forma regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 666 8 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator Tratase de Auto de Infração para exigência de contribuição para o Pasep, relativas ao período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009, contra Pessoa Jurídica de Direito Público Interno por falta/insuficiência de recolhimento da contribuição, com fundamento no art. 1º da Lei Complementar nº 8/1970, e nos arts. 2º, III, 7o e 8º, III da Lei nº 9.715/1998. Em sede de primeira instância o colegiado decidiu por julgar procedente em parte a impugnação para exonerar a recorrente dos valores referentes aos repasses realizados para o Instituro de Previdência Assistência do Município de Vitória IPAMV, Autarquia Municipal, e dos valores relacionados aos erros materiais detectados e, manter o lançamento, em relação aos demais itens impugnados, 1 conforme demonstrativo de fl. 615. Nessa oportunidade submetese ao crivo de segunda instância o seguinte: (i) Recurso de Ofício: a exclusão da base de cálculo do Pasep dos valores referentes aos repasses ao Instituro de Previdência Assistência do Município de Vitória IPAMV e a exclusão do lançamento dos valores apurados com erros materiais identificados, conforme planilha à fl. 615, (ii) Recurso Voluntário: a inclusão na base de cálculo do Pasep da parcela destinada ao município oriunda do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Antes de adentrarmos no mérito do caso concreto, considerando os recorrentes questionamentos de alguns Entes Públicos Municipais acerca de eventual bitributação e de erro na apuração da base de cálculo do Pasep, bem assim a coexistência de outros processos, de teor semelhante, de interesse de outros Municípios, também distribuídos ao Conselheiro que subscreve o presente voto, fazse relevante, nessa oportunidade, apreciarmos a matéria em um contexto mais abrangente, de forma a possibilitar a compreensão do conjunto normativo em que se situa o caso concreto. Assim, de início, traçase o histórico do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), desde seu precursor Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), sua natureza jurídica e tributária e a incidência da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) sobre esses fundos. 1 Ressaltese que parte do lançamento foi reconhecido pela autuada e apartado em processo próprio. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 667 9 1.1 HISTÓRICO DO FUNDEF E FUNDEB A Carta Magna de 1988 fez nascer a obrigatoriedade de se priorizar o sistema educacional brasileiro, razão pela qual foi criado o Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), posteriormente substituído pelo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). A criação do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) em 1996 foi, sem dúvida, uma das mais importantes mudanças ocorridas na política de financiamento da educação no Brasil nas últimas décadas. Seu principal mérito talvez tenha sido o de proporcionar uma melhor redistribuição dos recursos financeiros educacionais, mediante o critério do número de alunos matriculados, com o objetivo de atenuar a enorme desigualdade regional existente no Brasil. Vale ressaltar, também, a contribuição do Fundef quanto ao aperfeiçoamento do processo de gerenciamento orçamentário e financeiro no setor educacional, bem como permitindo uma maior visibilidade na aplicação dos recursos recebidos à conta do Fundo. [Excerto de artigo extraído da web em 1/7/2017: Texto Fundeb_PROGED.doc autor não identificado] O Fundef teve como precursor a Emenda Constitucional nº 14, de 1996, que alterou o art. 60, do ADCT, nos termos abaixo transcritos, com os destaques adicionados: Art. 60. Nos dez primeiros anos da promulgação desta Emenda, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios destinarão não menos de sessenta por cento dos recursos a que se refere o caput do art. 212 da Constituição Federal, à manutenção e ao desenvolvimento do ensino fundamental, com o objetivo de assegurar a universalização de seu atendimento e a remuneração condigna do magistério. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 1º A distribuição de responsabilidades e recursos entre os Estados e seus Municípios a ser concretizada com parte dos recursos definidos neste artigo, na forma do disposto no art. 211 da Constituição Federal, é assegurada mediante a criação, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, de natureza contábil. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 2º O Fundo referido no parágrafo anterior será constituído por, pelo menos, quinze por cento dos recursos a que se referem os arts. 155, inciso II; 158, inciso IV; e 159, inciso I, alíneas "a" e "b"; e inciso II, da Constituição Federal, e será distribuído entre cada Estado e seus Municípios, proporcionalmente ao número de alunos nas respectivas redes de ensino fundamental. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º A União complementará os recursos dos Fundos a que se refere o § 1º, sempre que, em cada Estado e no Distrito Federal, seu valor por aluno Fl. 667DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 668 10 não alcançar o mínimo definido nacionalmente. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 4º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ajustarão progressivamente, em um prazo de cinco anos, suas contribuições ao Fundo, de forma a garantir um valor por aluno correspondente a um padrão mínimo de qualidade de ensino, definido nacionalmente. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 5º Uma proporção não inferior a sessenta por cento dos recursos de cada Fundo referido no § 1º será destinada ao pagamento dos professores do ensino fundamental em efetivo exercício no magistério. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 6º A União aplicará na erradicação do analfabetismo e na manutenção e no desenvolvimento do ensino fundamental, inclusive na complementação a que se refere o § 3º, nunca menos que o equivalente a trinta por cento dos recursos a que se refere o caput do art. 212 da Constituição Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 7º A lei disporá sobre a organização dos Fundos, a distribuição proporcional de seus recursos, sua fiscalização e controle, bem como sobre a forma de cálculo do valor mínimo nacional por aluno. [Destaquei] Cumprindo o disposto no §7º, suso transcrito, foi editada a Lei nº 9.424, de 1996, instituindo o Fundef Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (posteriormente substituído pelo Fundeb criado pela Lei nº 11.494, de 2007), no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, com natureza meramente contábil. O Fundef era formado por 15% dos recursos dos Estados e Municípios decorrentes da arrecadação do ICMS (incluindo as compensações por perdas decorrentes da desoneração de exportações – LC 87, de 1996), do FPE e FPM, do IPI proporcionalmente às exportações, na forma do art. 1º, §§1º e 2º da Lei nº 9.424, de 19962: 2 Art. 1º É instituído, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, o qual terá natureza contábil e será implantado, automaticamente, a partir de 1º de janeiro de 1998. (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) § 1º O Fundo referido neste artigo será composto por 15% (quinze por cento) dos recursos: (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) I da parcela do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação ICMS, devida ao Distrito Federal, aos Estados e aos Municípios, conforme dispõe o art. 155, inciso II, combinado com o art. 158, inciso IV, da Constituição Federal; (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) II do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal FPE e dos Municípios FPM, previstos no art. 159, inciso I, alíneas a e b, da Constituição Federal, e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; e (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) III da parcela do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devida aos Estados e ao Distrito Federal, na forma do art. 159, inciso II, da Constituição Federal e da Lei Complementar nº 61, de 26 de Fl. 668DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 669 11 A União contribuia, por sua vez, complementarmente, na forma do art. 6º da referida lei3, de modo a atingir o valor mínimo por aluno definido nacionalmente. Com o fim do prazo de vigência do Fundef [o fundo vigorou por dez anos: 1997 a 2006], foi editado a Lei n. 11.494/07, conversão da MP nº 339, de 2006, que, para substituir o Fundef, instituiu o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) que se estenderá até o ano de 2020. O novo fundo representou um aprimoramento do antigo Fundef, especialmente quando ao volume de recursos a ele aportados (a alíquota passou de 15% para 20%, bem assim alargouse a base de cálculo) e à abrangência do sistema de ensino a ser contemplado, passando a alcançar também o ensino infantil e médio (o Fundef beneficiava unicamente o ensino fundamental). Todavia, foram preservadas, no Fundeb, as naturezas jurídica e tributária inerentes ao extinto Fundef, razão pela qual os contenciosos tributários constituídos fundamse em idênticas controvérsias, seja inaugurado sob a égide de um ou de outro fundo, v.r., questionase a incidência do Pasep sobre o repasse de recursos ao Fundo, pela União. Portanto, no presente voto farseá referência indistintamente ao Fundef ou Fundeb, independentemente de trataremse de fatos ocorridos na vigência temporal ou espacial de um ou de outro. 1.2 DA NATUREZA JURÍDICA E TRIBUTÁRIA A Secretaria do Tesouro Nacional – STN – assim dispôs em seu Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público – Parte III – Procedimentos Contábeis Específicos4, ao tratar do Fundeb: “03.01.02.02 NATUREZA DO FUNDEB O Fundeb não é considerado federal, estadual, nem municipal, por se tratar de um fundo de natureza contábil, formado com recursos provenientes das três esferas de governo e pelo fato de a arrecadação e distribuição dos recursos que o formam serem realizadas pela União e pelos Estados, com a participação do Banco do Brasil, como agente financeiro do fundo. Além disso, os créditos dos seus recursos são realizados automaticamente em favor dos Estados e Municípios, de forma dezembro de 1989. (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) § 2º Incluise na base de cálculo do valor a que se refere o inciso I do parágrafo anterior o montante de recursos financeiros transferidos, em moeda, pela União aos Estados, Distrito Federal e Municípios a título de compensação financeira pela perda de receitas decorrentes da desoneração das exportações, nos termos da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996, bem como de outras compensações da mesma natureza que vierem a ser instituídas. (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) 3 Art. 6º A União complementará os recursos do Fundo a que se refere o art. 1º sempre que, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, seu valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente. (Vide Medida Provisória nº 339, de 2006). (Revogado pela Lei nº 11.494, de 2007) 4 https://www.tesouro.fazenda.gov.br/images/arquivos/artigos/Parte_III__PCE.pdf Fl. 669DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 670 12 igualitária, com base no número de alunos. Esses aspectos do Fundeb o revestem de peculiaridades que transcendem sua simples caracterização como Federal, Estadual ou Municipal. Assim, dependendo do ponto de vista, o fundo tem seu vínculo com a esfera federal (a União participa da composição e distribuição dos recursos), a estadual (os Estados participam da composição, da distribuição, do recebimento e da aplicação final dos recursos) e a municipal (os Municípios participam da composição, do recebimento e da aplicação final dos recursos). É importante destacar, no entanto, que a sua instituição é estadual, conforme prevê a Emenda Constitucional nº 53, de 19/12/2006, art. 1º. [Destaquei] Ressaltese que, embora as considerações feitas pela STN refirase ao Fundeb, elas são igualmente aplicáveis ao extinto Fundef, pois ambos possuem a mesma natureza, conforme explicitado em tópico precedente. Ainda quanto à natureza jurídica, o artigo publicado na revista da PGFN5 Ano I – Número 1 – 2011 pondera: “3 A natureza do Fundeb e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal A classificação dos fundos tem sido recorrentemente um problema para a Administração Pública, especialmente no que se refere aos efeitos práticos de qualquer iniciativa definitiva de taxonomia. Em âmbito federal a questão preocupa, principalmente, o Tesouro Nacional, a quem incumbe, efetivamente, o controle dos fluxos dos altíssimos valores envolvidos. Neste sentido, há previsão de fundos de gestão orçamentária, de gestão especial e de natureza contábil. O Fundeb se encontra no último grupo. Ao que consta, os fundos de gestão orçamentária realizam a execução orçamentária e financeira das despesas orçamentárias financiadas por receitas orçamentárias vinculadas a essa finalidade. De acordo com o Tesouro Nacional entre os fundos de gestão orçamentária se classificam o Fundo Nacional da Saúde, o Fundo da Criança e Adolescente e o Fundo da Imprensa Nacional, entre outros. Os fundos de gestão especial subsistem para a execução de programas específicos, mediante capitalização, empréstimos, financiamentos, garantias e avais. Exemplificase com o Fundo Constitucional do Centro Oeste, com o Fundo de Investimento do Nordeste, com o Fundo de Investimento da Amazônia. Os fundos de natureza contábil instrumentalizam transferências, redefinem fontes orçamentárias, instrumentalizam a repartição de receitas, recolhem, movimentam e controlam receitas orçamentárias (bem como a necessária distribuição) para o atendimento de necessidades específicas. É o caso do Fundo de Participação dos Estados, do Fundo de Participação dos Municípios e do Fundeb, especialmente. O fundo é uma mera rubrica contábil. Não detém patrimônio. Não é órgão. Não é entidade jurídica. Não detém personalidade própria. É instrumento. Não é fim. Propicia meios. Eventual inscrição no Cadastro 5 http://www.pgfn.fazenda.gov.br/revistapgfn/revistapgfn/anoinumeroi/arnaldo.pdf Fl. 670DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 671 13 Nacional de Pessoas Jurídicas (no caso de alguns fundos) é determinação que decorre da necessidade da administração tributária deter informações cadastrais. [Destaquei] O Fundeb, de modo semelhante ao Fundef, não deve ser considerado, portanto, um fundo específico de determinada esfera governamental, mas um fundo multigovernamental, que não possui personalidade jurídica própria, e que é composto por recursos primordialmente dos Estados e Municípios, complementarmente pela União, distribuído pelos Estados e, em carater complementar, pela União, sendo seus recursos aplicados por Estados e Municípios e fiscalizados de forma concorrente pelas três esferas de governo. Relativamente a sua contabilização, a STN publicou a Portaria nº 328, de 2001, na qual explicita os lançamentos contábeis e assim dispôs: Art. 1º Estabelecer, para os estados, Distrito Federal e municípios, os procedimentos contábeis para os recursos destinados e oriundos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF. Art. 2º As receitas provenientes do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal – FPE e dos Municípios – FPM, do Imposto sobre a circulação de mercadorias e de prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, e de comunicação – ICMS, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI sobre as exportações, na forma da Lei Complementar nº 61 e da Desoneração do ICMS, nos termos da Lei Complementar nº 87, deverão ser registradas contabilmente pelos seus valores brutos, em seus respectivos códigos de receitas. Art. 3º Os quinze por cento retidos automaticamente das transferências citadas no artigo anterior, serão registradas na conta contábil retificadora da receita orçamentária, criada especificamente para este fim, cuja conta será o mesmo código da classificação orçamentária, com o primeiro dígito substituído pelo número 9. Neste caso, as classificações de receita 1721.01.00 e 1722.01.00 terão como contas retificadoras as contas contábeis números 9721.01.00 e 9722.01.00 – Dedução de Receita para Formação do FUNDEF. Parágrafo 1º A Proposta Orçamentária conterá a classificação própria da receita com a apresentação da previsão bruta e as deduções para a formação do FUNDEF, ficando a despesa fixada com base no valor líquido da receita prevista. Parágrafo 2º A contabilidade manterá os registros distintos da receita arrecadada em contas abertas em cada ente da federação que representarão, respectivamente a classificação da receita e a dedução correspondente, na forma definida no caput do artigo. Art. 4º Os quinze por cento deduzidos ou transferidos pelos Estados e DF do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação para o FUNDEF serão registrados na Fl. 671DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 672 14 conta contábil retificadora da receita orçamentária, código 9113.02.00 – Dedução para o FUNDEF, devendo aplicar esta regra de criação de contas retificadoras para as demais receitas. Art. 5º Os valores do FUNDEF repassados ao Estado, Distrito Federal e Municípios deverão ser registrados no código de receita 1724.01.00 Transferência do FUNDEF. Parágrafo único – Quando constar do montante creditado na conta do FUNDEF, parcela de complementação de seu valor o mesmo deverá ser registrado destacadamente na conta 1724.02.00 – Transferência de Complementação do FUNDEF. Art. 6º Os procedimentos de registros contábeis, estabelecidos nesta Portaria, das transferências e as respectivas deduções estão evidenciadas no Anexo I. Art. 7° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose seus efeitos a partir do exercício financeiro de 2002, inclusive no que se refere à elaboração da respectiva lei orçamentária. [Destaquei] O Anexo I da referida portaria descreve os lançamentos contábeis atinentes ao fundo. Depreendese que há três lançamentos distintos: (i) o recebimento das transferências correntes dos outros entes públicos, (ii) a dedução para formação do fundo e (iii) o recebimento dos recursos do fundo. Relativamente aos Municípios, que é o caso dos presentes autos, devese contabilizar, pelo seu valor bruto, os valores das transferências constitucionais recebidas da União e dos Estados e, em conta retificadora de receita, o valor relativo aos 15% destinados ao Fundef [20% na vigência do Fundeb]. Já o recebimento dos recursos oriundos do Fundef é contabilizado como transferência corrente recebida, de forma separada, entre os recursos provenientes do fundo, distribuídos pelos Estados, e os distribuídos pela União, como complementação para o valor mínimo nacional, referida no §3º do art. 60 do ADCT e no art. 6º da Lei nº 9.424, de1996. A contabilização segue os ditames da Lei nº 4.320, de 1964, a qual conceitua as receitas correntes, transferências correntes recebidas e efetuadas: Art. 11 A receita classificarseá nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) § 1º São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) Fl. 672DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 673 15 ... Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (Vide DecretoLei nº 1.805, de 1980) § 1º Classificamse como Despesas de Custeio as dotações para manutenção de serviços anteriormente criados, inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. § 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. 1.3 DO PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICO (PASEP) O Pasep constitui contribuição à seguridade social destinada à formação do patrimônio do servidor público, instituída pela Lei Complementar nº 8/70 e, a partir da Constituição Federal de 1988, art. 239, fixouse que os recursos advindos de tal tributo iriam financiar o programa do segurodesemprego e o abono salarial. Constituição Federal de 1988 Art. 239. A arrecadação decorrente das contribuições para o Programa de Integração Social, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, passa, a partir da promulgação desta Constituição, a financiar, nos termos que a lei dispuser, o programa do seguro desemprego e o abono de que trata o § 3º deste artigo. Lei Complementar nº 8/70 Art. 1º É instituído, na forma prevista nesta Lei Complementar, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Art. 2º A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes. II Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; Fl. 673DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 674 16 b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo da União e dos Estados através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo único Não recairá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. Relativamente à questão tributária, a contribuição para o Pasep sobre as receitas governamentais encontrase disposta na Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, que assim dispõe: “Art.2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) §6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) (...) Art.7º Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.” [Destaquei] Portanto, a contribuição para o Pasep sobre as receitas governamentais incide sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. Por oportuno, ressaltese que a Lei nº 12.810, de 2013, alterou a Lei nº 9.715, de 1998, para incluir no art. 2º, o § 7º, para permitir a exclusão da base de cálculo do Pasep as transferências recebidas decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, nos seguintes termos: “Art.2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: Fl. 674DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 675 17 (...) § 7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013). Todavia, referida alteração não alcança o período de que cuida a exigência fiscal ora apreciada, portanto não deve ser considerada para o presente contencioso. 1.4 DA INCIDÊNCIA DO PASEP SOBRE O FUNDEB 6 Conforme já explicitado em tópico precedente, a base de cálculo da contribuição para o Pasep, devida pelas pessoas jurídicas de direito público interno, será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindose as transferências efetuadas a outras entidades públicas(art. 7º). A Lei nº 12.810, de 2013, alterou a Lei nº 9.715, de 1998, para incluir no art. 2º, o § 7º, alterando a base de cálculo do Pasep, permitindo, em sua apuração, a exclusão de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. Porém, o novo dispositivo somente se aplica a partir de 15 de maio de 2013, início da vigência da Lei, não alcançando assim os fatos geradores do presente processo, 2008 e 2009. A receita do ente municipal é alimentada não só pelas denominadas receitas tributárias próprias, mas também pelas transferidas pelos demais entes federados. Argumentam os municípios que, ao lhes creditar tais valores, a União já faria a dedução para alocação dos recursos ao Fundef/Fundeb,7 bem como a correlata retenção na fonte da contribuição para o PASEP. Ocorre que, no entender de alguns entes municipais, haveria dúvida na base de cálculo do PASEP em relação a tais receitas, na medida em que os valores vertidos aos entes federados, pela União, não guardariam consonância com os valores efetivamente recebidos pelos mesmos, em decorrência dos critérios de distribuição estabelecidos pela Lei n. 11.494/2007. Advogam esses Municípios que os valores do Fundeb que compõem a base de cálculo da contribuição ao Pasep devem ser aqueles efetivamente recebidos e não a quantia alocada quando do repasse de verbas pela União. 6 Para a elaboração do presente tópico utilizouse de fundamentos buscados no artigo "O FUNDEB como base de cálculo da contribuição ao PASEP", de autoria de Ana Cristina Leão Nave Lamberti, pesquisado na web em 1/8/2017: http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9743 7 O mesmo raciocínio aplicase ao Fundef, nos termos da Lei nº 9.424/96, que vigorou até 2006 e a seu sucessor, o Fundeb, nos termos da Lei nº 11.494/2007, com vigor até 2020. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 676 18 O ente municipal calca todo seu raciocínio na premissa de que o PASEP deve incidir sobre o valor que recebe do fundo e não sobre o valor alocado, o que levaria a uma retenção indevida pela União do tributo, que teria que ter sua base de cálculo reajustada. Ocorre que o fundamento acima não é sustentável em razão da sistemática do Fundeb, que não obedece à simples equação matemática pretendida pelos municípios. É fato que o valor vertido ao fundo guarda relação com o montante repassado pela União, de forma a compor a base de cálculo do Pasep, alimentada pelos recursos auferidos pelo ente público, seja via arrecadação, seja por transferência. Porém, não há correspondência, por obviedade matemática, entre o valor alocado, que o é genericamente por todos os municípios, e o valor recebido por cada ente municipal, proporcional ao número de alunos. Há de se esclarecer que o Fundeb tem como escopo o fomento da educação, guardando relação com índices que refletem justamente a situação educacional do município. Foi esse o critério utilizado pelo legislador no momento de distribuir os recursos do fundo em questão, entre os entes municipais. Nos ditames da Lei nº 11.494/07, em seu art. 8º, o valor que o Município recebe do fundo, que será destinado à educação, depende diretamente do número de alunos que possui em sua rede de educação básica. É esta grandeza que irá mensurar a fatia do Fundeb que cada município irá receber. Art. 8º: A distribuição de recursos que compõem os Fundos, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, darseá, entre o governo estadual e os de seus Municípios, na proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial, na forma do Anexo desta Lei. Assim, irá contribuir mais com o Pasep o ente que receber maiores recursos da União, alargando a base de cálculo da indigitada contribuição. De outra banda, o município que recebe poucos recursos da UNIÃO, terá baixa retenção ao Pasep. Contudo, isso não irá refletir necessariamente o quantum o ente efetivamente receberá da parcela dos recursos do Fundeb. Verificase a situação posta porque o parâmetro utilizado para o rateio do Fundeb a cada Município é diverso de mero cálculo aritmético encontrado pela quantificação do valor repassado pela União aos entes municipais e que é destinado à constituição do fundo. Referido valor é encontrado com base em grandeza trazida pelo texto legal, compondose do proporcional número de alunos que dado município possui matriculado nas redes de educação básica pública presencial. Portanto, um Município que recebe grande quantidade de recursos da União irá contribuir sobremaneira para o Fundeb, deduzindo a União tal fatia dos recursos que transfere ao ente municipal, e já retendo o percentual ao Pasep, mas, por possuir, p.ex., poucos alunos em sua rede de ensino, receberá uma pequena parcela dos recursos existentes no Fundeb. Ao contrário, podese vislumbrar o seguinte quadro: um município que recebe menor quantidade de recursos da União irá contribuir menos com o Pasep, Fl. 676DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 677 19 mas poderá receber uma quantia maior dos recursos do Fundeb por ter maior número de alunos em sua rede de ensino. Eis o parâmetro eleito pela lei para a distribuição do Fundeb a cada município. Podese verificar na situação descrita uma eficiente forma de distribuição de renda, de maneira que municípios que recebem mais recursos federais, detendo potencialmente melhor situação educacional, contribuem mais para o Fundeb, sendo tal Fundo, por sua vez, objeto de distribuição em maiores proporções aos entes municipais com deficiência em recursos para verter em educação. O intuito da norma que cuida do critério de distribuição do Fundeb a cada Município é justamente amparar a educação básica, de forma a socorrer aqueles entes municipais com potencial deficiência educacional. De qualquer forma, a base de cálculo do PASEP há de ser o valor da receita transferida ao Município pela União e destinada ao Fundeb, por imediata dedução, por compor a definição legal da base de cálculo do referido tributo, e não o valor que efetivamente recebe o ente municipal, quando do rateio do Fundo, que guarda relação com outra grandeza, conforme delineado. Os destaques relativos aos valores repassados ao Fundeb ou Fundef, nas transferências constitucionais, efetuadas pela União ou pelo Estado, possuem a mesma natureza das próprias transferências, ou seja, devem ser oferecidas à tributação da contribuição, pelo Município, sem prejuízo, do aproveitamento, se for o caso, da retenção pela STN, no caso das transferências recebidas da União. Esse entendimento alinhase com a RFB, nos termos da Solução de Divergência nº 12, de 2011, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Base de cálculo de Município. As receitas financeiras auferidas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, em decorrência da remuneração de depósitos bancários, de aplicações de disponibilidade em operações de mercado e de outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes, integram suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas, base de cálculo mensal para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, à alíquota de 1%. Os valores das receitas repassados/alocados para o FUNDEB (antigo FUNDEF) pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ao receberem da União valores relativos às transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para FUNDEF/FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, porque os referidos valores se enquadram como transferências recebidas de outra entidade da administração pública, cuja inclusão na base de cálculo da contribuição Fl. 677DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 678 20 está prevista na alínea “b” do inciso II do art. 2º da Lei Complementar nº 8, de 1970, e o no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Quando ficar comprovado que houve a retenção pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) da Contribuição para o PIS/Pasep na fonte, à alíquota de 1%, incidente sobre o total dos valores transferidos pela União, poderão os Estados, o Distrito Federal e os Municípios excluir de suas respectivas bases de cálculos da Contribuição para o PIS/Pasep os valores recebidos a título de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 8, de 1970: e Lei nº 9.715, de 1998, (art. 2º, inciso III, e § 6º e arts. 7º e 8º). Assim, quanto ao recebimento pelo Município das transferências da União e dos Estados, devem ser incluídas na base de cálculo do Pasep, inclusive quanto aos valores destacados para o Fundef/Fundeb. Festas essas considerações, passaremos à apreciação dos respectivos Recursos, de Ofício e Voluntário. 2 Recurso de Ofício. Preenchidos os requisitos para admissibilidade do Recurso de Ofício, dele tomo conhecimento. O colegiado "a quo" entendeu que os repasses realizados pela Prefeitura de Vitória à sua Autarquia, Instituto de Previdência Assistência do Município de Vitória IPAMV, não deve compor a base de cálculo do Pasep. Não carece reparo o entendimento do colegiado de piso. Conforme já explicitado nas considerações precedentes, a base de cálculo da contribuição para o Pasep, devida pelas pessoas jurídicas de direito público interno, será apurada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, nos termos do art. 2º, III, da Lei 9.715/98, excluindose as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Do compulsar dos autos, resta cristalino que o IPAMV é uma Autarquia, portanto tem personalidade jurídica própria, com natureza de entidade pública. A literalidade do dispositivo legal não deixa margem a dúvidas: as transferências realizadas a outras entidades públicas poderão ser excluídas da base de cálculo do Pasep. No tocante aos erros matérias identificados, e ratificados pela fiscalização, quando da realização de Diligência, seus valores devem ser excluídos do lançamento, nos moldes e pelos fundamentos da Decisão recorrida. Ante o exposto, voto por Negar Provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 679 21 3 Recurso Voluntário Sendo tempestivo e Preenchidos os demais requisitos para admissibilidade do Recurso Voluntário, dele tomo conhecimento. Tratase de inclusão na base de cálculo do Pasep da parcela destinada ao município oriunda do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Coexistem duas espécies de movimentações de recursos entre o município e o Fundeb: (i) relativo ao aporte de recursos por parte do ente público para a formação do fundo e (ii) recebimento pelo ente público da parcela que lhe couber relativo ao rateio do fundo. Vislumbro que o Colegiado de primeiro grau equivocouse quanto à origem do recurso relativo ao Fundeb, incluído na base de calculo do Pasep, pela fiscalização. Isso porque enquanto o Acórdão recorrido cuidou de recurso (i) relativo ao aporte de recursos por parte do ente público para a formação do fundo a fiscalização identificou e incluiu na base de cálculo o valor referente ao (ii) recebimento pelo ente público da parcela relativo ao rateio do fundo. Vejamos. Consta do Relatório Fiscal a inclusão na base de cálculo do Pasep do montante relativo às transferências de Recursos do Fundeb, conta 1724.01.00: [...] [...] Conquanto nos fundamentos utilizados pelo relator do voto condução Acórdão Recorrido foi alicerçado na premissa de tratarse de recurso destinados ao Fundeb: Das Transferências de Recursos do FUNDEB Especificamente quanto à discussão da inclusão ou não do FUNDEB na base de cálculo do Pasep, fazemse as seguintes ponderações. O FUNDEB Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, que sucedeu ao FUNDEF, foi instituído pela Lei n.º 11.494, de 20 de junho de 2007, sendo que se extrai da referida lei que se trata de mero fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, que é gerido pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. Assim, reafirmase aqui que consoante disposto no art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, somente podem ser excluídos da base de cálculo dessa contribuição as transferências efetuadas a outras entidades públicas. O Fl. 679DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 680 22 FUNDEB não é considerado entidade pública, portanto, os valores que, eventualmente, forem repassados a esse fundo não devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição devida pelo Município. Por sua vez, a recorrente enfatiza que o montante glosado pela fiscalização referese à conta 17.24.01.00, em sintonia com os fundamentos constantes do Auto de Infração, e diversamente do que constou do Acórdão Recorrido: Conforme estipulado na Portaria STN nº 328, de 2001, art. 5º, na qual explicita os lançamentos contábeis, Os valores do Fundef (ou Fundeb, conforme o caso) repassados ao Estado, Distrito Federal e Municípios deverão ser registrados no código de receita 1724.01.00 Transferência do FUNDEF: Art. 1º Estabelecer, para os estados, Distrito Federal e municípios, os procedimentos contábeis para os recursos destinados e oriundos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF. Art. 2º As receitas provenientes do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal – FPE e dos Municípios – FPM, do Imposto sobre a circulação de mercadorias e de prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, e de comunicação – ICMS, do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI sobre as exportações, na forma da Lei Complementar nº 61 e da Desoneração do ICMS, nos termos da Lei Complementar nº 87, deverão ser registradas contabilmente pelos seus valores brutos, em seus respectivos códigos de receitas. Art. 3º Os quinze por cento retidos automaticamente das transferências citadas no artigo anterior, serão registradas na conta contábil retificadora da receita orçamentária, criada especificamente para este fim, cuja conta será o mesmo código da classificação orçamentária, com o primeiro dígito substituído pelo número 9. Neste caso, as classificações de receita 1721.01.00 e 1722.01.00 terão como contas retificadoras as contas contábeis números 9721.01.00 e 9722.01.00 – Dedução de Receita para Formação do FUNDEF. Parágrafo 1º A Proposta Orçamentária conterá a classificação própria da receita com a apresentação da previsão bruta e as deduções para a formação do FUNDEF, ficando a despesa fixada com base no valor líquido da receita prevista. Parágrafo 2º A contabilidade manterá os registros distintos da receita arrecadada em contas abertas em cada ente da federação que representarão, respectivamente a classificação da receita e a dedução correspondente, na forma definida no caput do artigo. Art. 4º Os quinze por cento deduzidos ou transferidos pelos Estados e DF do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Fl. 680DF CARF MF Processo nº 15586.720406/201298 Acórdão n.º 3301004.080 S3C3T1 Fl. 681 23 Comunicação para o FUNDEF serão registrados na conta contábil retificadora da receita orçamentária, código 9113.02.00 – Dedução para o FUNDEF, devendo aplicar esta regra de criação de contas retificadoras para as demais receitas. Art. 5º Os valores do FUNDEF repassados ao Estado, Distrito Federal e Municípios deverão ser registrados no código de receita 1724.01.00 Transferência do FUNDEF. Parágrafo único – Quando constar do montante creditado na conta do FUNDEF, parcela de complementação de seu valor o mesmo deverá ser registrado destacadamente na conta 1724.02.00 – Transferência de Complementação do FUNDEF. Art. 6º Os procedimentos de registros contábeis, estabelecidos nesta Portaria, das transferências e as respectivas deduções estão evidenciadas no Anexo I. Art. 7° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose seus efeitos a partir do exercício financeiro de 2002, inclusive no que se refere à elaboração da respectiva lei orçamentária. [Destaquei] Portanto, resta cristalino que a receita considerada pela fiscalização para fins de incidência do Pasep referese ao ingresso de valores originários do Fundef (ou Fundeb, conforme o caso), conta 1724.01.00 Transferência do FUNDEF. Referida conta não deve compor a base de cálculo da contribuição, assistindo razão a recorrente. Com essas considerações voto por Dar Provimento ao Recurso Voluntário. 4 Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 681DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.003260/00-40
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/04/1991 a 01/11/1991
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PERÍODO ANTERIOR LEI COMPLEMENTAR 118/05. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 91.
O prazo para se pleitear a restituição e compensação de tributos cujo lançamento se dá por homologação, anteriormente à Lei Complementar 118/2005, é de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos da súmula CARF 91.
Numero da decisão: 9900-001.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran.
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PERÍODO ANTERIOR LEI COMPLEMENTAR 118/05. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 91. O prazo para se pleitear a restituição e compensação de tributos cujo lançamento se dá por homologação, anteriormente à Lei Complementar 118/2005, é de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos da súmula CARF 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 32 60 /0 0- 40 Fl. 386DF CARF MF 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela União em face do Acórdão nº 0305.605, proferido pela Terceira Turma da CSRF, em sessão de 25/02/2008, onde, foi negado provimento ao Recurso Especial interposto pela União, reconhecendo que o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição de indébito de Finsocial declarado inconstitucional pelo STF começou a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1991 a 30/11/1991 Pedido de Restituição: 10/04/2000 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131404 e 30131.321. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. Vencidas as Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Judith do Amaral Marcondes e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro que deram provimento parcial ao recurso. 0 Conselheiro Antonio Praga acompanha o Conselheiro Relator pelas suas conclusões. Ret. ar á DRF para apreciar o mérito. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13807.003260/0040 Acórdão n.º 9900001.018 CSRFPL Fl. 387 3 O caso analisado foi a realização pedido de restituição e compensação relativo aos recolhimentos da contribuição para FINSOCIAL efetuados com base nas alíquotas superiores a 0,5%, referente ao período de apuração compreendido entre abril de 1991 e novembro de 1991, (ver DARF’s às fls. 05 a 12 e planilhas às fls. 13), protocolado em 10/04/2000. Na decisão recorrida entendeuse que o direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. A União, irresignada, apresentou recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fulcro no artigo 9°. do Regimento Interno da CSRF, aprovado pelo Portaria MF 147/2007, vigente época da aludida decisão. Alega a União que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro Na análise de admissibilidade do Recurso, o então Presidente substituto do CARF verificando divergência jurisprudencial, deu seguimento ao Extraordinário. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator O Recurso Extraordinário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos, nos termos do despacho de admissibilidade. Conforme entendimento do Poder Judiciário, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a Fazenda possui prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o pagamento antecipado realizado pelo sujeito passivo (prazo decadencial). No silêncio da Fazenda, ocorre a homologação tácita do lançamento e consequente extinção do crédito tributário em referido período. Já o prazo para o contribuinte exercer seu direito de pleitear a restituição dos tributos indevidamente pagos é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, de acordo com o artigo 168, I, do CTN. Portanto, no caso de tributos cujo lançamento ocorre pela modalidade homologação, no silencio do fisco no prazo de 05 anos contados do fato gerador, operase a extinção do crédito, fazendo nascer para o contribuinte o direito à pleitear a restituição de eventual valor pago indevidamente. Fl. 388DF CARF MF 4 Isso anteriormente à Lei Complementar 118/05. O STJ, no julgamento do RESP 1.002.932 sob o rito do artigo 543C, §7º, do CPC, em 25/11/2009 asseverou que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. O STF, no julgamento do RE 566.621 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, em 04/08/2011, reconhecendo a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar 118/05, entendeu válida a aplicação do novo prazo de 05 anos para apenas as ações ajuizadas após o prazo de vacatio legis de 120 da publicação da referida Lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Nesse contexto foi publicada a Súmula CARF 91, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Nesse contexto, considerando que os créditos pleiteados pelo contribuinte são relativos ao FINSOCIAL dos períodos de apuração de 04/91 a 11/91 e que o pedido de restituição e compensação foi protocolado em 10/04/2000, não ocorreu a decadência do direito do Contribuinte. Assim sendo, voto por NEGAR provimento ao Recurso Extraordinário. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 389DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.720723/2014-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONVÊNIO. ILICITUDE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO.
1. A irregularidade do convênio firmado pelo sujeito passivo não tem a relevância atribuída pelo agente fiscal para fins de lançamento tributário.
2. Havendo demonstração (a) de não eventualidade; (b) de subordinação e (c) de remuneração, pode ser descaracterizado o vínculo pactuado, corroborando-se a existência efetiva de vínculo empregatício, oculto sob a contração de contribuinte individual, de trabalhador avulso, ou de qualquer outra denominação, inclusive de cooperativas de trabalho.
3. Para o lançamento das contribuições, havia necessidade de demonstração inequívoca dos requisitos da relação de emprego, o que não foi feito.
Numero da decisão: 2402-006.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ronnie Soares Anderson (Relator) e Mário Pereira de Pinho Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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CONVÊNIO. ILICITUDE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO. 1. A irregularidade do convênio firmado pelo sujeito passivo não tem a relevância atribuída pelo agente fiscal para fins de lançamento tributário. 2. Havendo demonstração (a) de não eventualidade; (b) de subordinação e (c) de remuneração, pode ser descaracterizado o vínculo pactuado, corroborandose a existência efetiva de vínculo empregatício, oculto sob a contração de contribuinte individual, de trabalhador avulso, ou de qualquer outra denominação, inclusive de cooperativas de trabalho. 3. Para o lançamento das contribuições, havia necessidade de demonstração inequívoca dos requisitos da relação de emprego, o que não foi feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 07 23 /2 01 4- 82 Fl. 1890DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ronnie Soares Anderson (Relator) e Mário Pereira de Pinho Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 11040.720723/201482 Acórdão n.º 2402006.046 S2C4T2 Fl. 602 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE, que julgou procedente Auto de Infração DEBCAD nº 51.061.4299 (fls. 3/14) referente às contribuições previdenciárias devidas para a seguridade social e contribuição social para os terceiros incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais autônomos declarados ou não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP. Segundo respectivo relatório (fls. 17/27), a ação fiscal realizada no ente público Município de São Lourenço do Sul (RS), com diligência junto à Santa Casa de Misericórdia de São Lourenço do Sul, examinou documentos relativos à execução do Programa Saúde da Família (doravante Programa PSF). Foi frisado que o convênio (fls. 29/32) firmado entre as partes para execução do PSF foi considerado irregular pela auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul TCE/RS, conforme decisão datada de 17/10/2012 no processo 161002.00/09 1 (fls. 1484/1510), tendo sido inclusive constatado pagamento irregular de taxa de administração. O papel da Santa Casa foi considerado apenas formal, pois as autorizações para contratação, demissão, pagamento de horas extras e controle de férias eram efetuados pelo Município conforme documentos acostados no "Anexo D", sendo que o item 4.4 do Anexo 2 da Portaria nº 1.886/97 do Ministério da Saúde não permite a interposição de terceiros para a consecução de programas do gênero. Daí, ao terceirizar irregularmente mão de obra por meio de entidade isenta, o Município utilizouse de simulação, ocultando os fatos geradores das contribuições em comento, o que ensejou a qualificação da multa de ofício. O ente público impugnou o lançamento (fls. 1570/1575), havendo sido a exigência, contudo, mantida pelo aresto guerreado (fls. 1695/1700). O recurso voluntário foi interposto em 12/3/2015 (fls. 1706/1712), aduzindo se, em síntese, que: a decisão do TCE/RS ainda está pendente de recurso de reconsideração, sob apreciação no processo nº 0032080200/131, consoante cópia que anexa (fls. 1723/1729); a DRJ não analisou seu argumento de que a Portaria nº 1.886/97 do Ministério da Saúde já havia sido revogada pela Portaria nº 648/GM/06 daquele Ministério à época dos fatos, sendo que esta última, bem como a Lei nº 8.080/90, permitem a celebração de convênios tais como o focado, citando, ainda, decisões do TCE/RS; a lei municipal que autorizou o convênio não previu repasse de verbas a título de pagamento de taxa de administração, o que portanto não ocorreu. Fl. 1892DF CARF MF 4 Ao final, pede o reconhecimento de sua ilegitimidade passiva tributária, pois não é contratante direto da mãodeobra em questão, e a desconstituição do auto de infração. Em 21/9/2016, foi exarada a Resolução nº 2402000.575, mediante a qual foi convertido o julgamento em diligência, para fins de que a Delegacia de origem demandasse ao TCE/RS cópia das decisões exaradas no processo nº 0032080200/131, concernente ao pedido de reconsideração do contribuinte, bem como esclarecimento acerca da eficácia dessas decisões e eventual possibilidade de sua reforma via recurso no âmbito desse tribunal. Retornando os autos com os documentos relativos ao cumprimento da diligência (fls. 1878/1885), prosseguese o julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 11040.720723/201482 Acórdão n.º 2402006.046 S2C4T2 Fl. 603 5 Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Diz o recorrente que a Portaria nº 1.886/GM de 1997, que aprovou as normas e diretrizes do Programa de Saúde de Família (doravante, PSF) e cuja violação teria sido arguída no auto de infração, já fora revogada àquela ocasião, não devendo assim ser mantido o lançamento, dado a regularidade jurídica do convênio. A despeito dessa revogação, a Portaria nº 648/GM de 2006 do Ministério da Saúde, que a sucedeu (bem como a subsequente Portaria nº 2.448/GM de 2011), traz as mesmas prescrições referidas pela fiscalização como não atendidas pelo ente público, senão vejamos: Portaria GM/MS nº 1.886/97 Responsabilidades do Município (...) 4.4. Eleger áreas para implantação das unidades de saúde da família, priorizando aquelas onde a população está mais exposta aos riscos sociais. Selecionar, contratar e remunerar os profissionais que integram as equipes de saúde da família. Portaria GM/MS nº 648/06 2.1 Compete às Secretarias Municipais de Saúde e ao Distrito Federal: (...) VI selecionar, contratar e remunerar os profissionais que compõem as equipes multiprofissionais de Atenção Básica, inclusive os da Saúde da Família, em conformidade com a legislação vigente; Portaria GM/MS nº 2.448/11 (Anexo I) Compete às Secretarias Municipais de Saúde e ao Distrito Federal: (...) IX selecionar, contratar e remunerar os profissionais que compõem as equipes multiprofissionais de Atenção Básica, em conformidade com a legislação vigente; Notese, contudo, que a partir da Portaria GM/MS nº 648/06, aplicável ao período examinado, a seleção, contratação e remuneração dos programas deve ser feita, por Fl. 1894DF CARF MF 6 alusão expressa, "em conformidade com a legislação vigente", menção que não existia na Portaria nº 1.886/GM de 1997, que serviu de esteio para o lançamento. De sua parte, o autuado afirma que seu proceder foi de acordo com a legislação de regência, citando, nesse sentido a Lei nº 8.080/90, que estabelece em seu art. 18, inciso X, que é de competência dos municípios "celebrar contratos e convênios com entidades prestadoras de serviços provados de saúde, bem como controlar e avaliar sua execução", e em seus arts. 24 e 25, a possibilidade de o poder público recorrer aos serviços ofertados pela iniciativa privada para garantir a cobertura assistencial do SUS (Sistema Único de Saúde). Cita, ainda, o art. 199, § 1º da CF e pareceres e decisões colacionadas ao processo. Sendo o PSF estratégia incluída no âmbito das políticas do SUS, e havendo previsão para a celebração de convênios entre prefeituras e entidades privadas para viabilizar a prestação de serviços, não parece claro que houve descumprimento dessas normas, então vigentes. Reiterese que, nesse ponto, a fiscalização cingiuse (fl. 22) a citar norma já revogada, a Portaria nº 1.886/GM de 1997, e a DRJ/CGE sequer tocou no assunto, alegando incompetência para se esquivar do exame da legislação. Ora, havendo menção de dispositivo normativo pela autoridade lançadora, utilizado para fins de amparar a autuação, faz ele parte da fundamentação legal da infração, devendo eventual questionamento a seu respeito vertido na impugnação, ser enfrentado pelo colegiado de 1ª instância administrativa. De todo modo, a conclusão a que se chega é que, sob esse prisma, não tem razão a decisão guerreada. Noutro giro, impende salientar que a auditoria do TCE/RS concluiu pela existência de repasses de valores não previstos no ajuste entre o município e a Santa Casa, a saber duodécimos destinados à provisão de fundos para pagamentos de gratificações natalinas e férias, assim como taxa mensal pela administração do convênio firmado, alcançando esta a cifra total de R$ 190.725,75. Nessa esteira, tendo em vista julgados do Tribunal de Contas da União, e o teor da Instrução Normativa STN nº 1/97, apontou aquele tribunal a impossibilidade de haver pagamentos a título de taxa de administração, sob pena de nulidade, sendo que esse tipo de irregularidade também abrange a aplicação de recursos vinculados ao SUS, do que ora se trata. Na decisão do pleno TCE/RS em sessão datada de 17/10/2012, que confirmou as constatações da auditoria daquele tribunal, é relatado que houve contratação irregular de pessoal mediante o convênio com a Santa Casa, não se verificando real contratação de serviços, mas sim de mãodeobra, em desatendimento ao disposto no art. 37, incisos II e IX da CF. Já o Ministério Público junto àquele tribunal destacou, conforme mencionado na decisão em comento, haver "deficiências na área de pessoal, como a contratação irregular de pessoal para o Programa PSF, o pagamento em excesso de horas extras, e a terceirização irregular de serviços". Face a tais constatações, foram rejeitadas pelo TCE/RS as contas do ente municipal, pois "as situações evidenciadas nos autos revelam a prática de atos administrativos e de gestão contrários às normas de administração financeira e orçamentária". Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 11040.720723/201482 Acórdão n.º 2402006.046 S2C4T2 Fl. 604 7 Em que pese restar ainda pedido de reconsideração a ser apreciado, o fato é que aquele tribunal, seja por intermédio de auditoria realizada por seus servidores, seja por decisão colegiada, já se manifestou de maneira clara acerca da ocorrência de contratação irregular de mão de obra na espécie, em compreensão partilhada pelo órgão ministerial. Temse, por conseguinte, bastante razoável e condizente com a situação analisada a ponderação da fiscalização, no sentido de que o TCE/RS entendeu ser irregular o convênio focado, a despeito do recurso último que resta, até o momento, pendente de exame. Registrese que, ainda que a Lei Municipal nº 2.781/06, que regrou o convênio, não tenha previsto o pagamento de taxa de administração, o fato é que a equipe de auditoria do TCE/RS assim o identificou examinando as contas municipais; por seu turno, não trouxe o contribuinte, no recurso voluntário, razões de convencimento que pudessem lançar, concretamente, dúvidas sobre o procedimento e as conclusões daquela auditoria. E, quanto à suposta ilegitimidade passiva do recorrente, deve ser esclarecido não se sustentar tal alegação, pois sua responsabilidade decorre de ele ter sido reconhecido como real contratante da mão de obra vinculada ao PSF, face à irregular terceirização. Destarte, exsurge o vínculo laboral diretamente entre município e os contratados para aquele programa, incidindo as contribuições previdenciárias devidas nos termos da Lei nº 8.212/91 sobre os montantes repassados à Santa Casa, com base no convênio irregular, para o pagamento das verbas trabalhistas, tais como remuneração mensal, verbas rescisórias, férias, etc, em contexto em que presentes, conforme alega a fiscalização e não contesta o recorrente, subordinação e não eventualidade. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1896DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Redator Designado Com o devido respeito ao bem fundamentado voto do relator, ouso divergir do seu entendimento, fazendoo nos seguintes termos: A irregularidade do convênio firmado pelo sujeito passivo não tem a relevância atribuída pelo agente fiscal para fins de lançamento tributário. De acordo com o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º. Esse inc. I, por sua vez, preleciona que empregado é que aquele que presta serviço em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração, corroborando, assim, a necessidade de se demonstrar a existência do citado requisito. Vejase: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social [...]: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; ......................................................................................................... Art. 229. [...]: § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Como se vê, havendo demonstração (a) de não eventualidade; (b) de subordinação e (c) de remuneração, pode ser descaracterizado o vínculo pactuado, corroborandose a existência efetiva de vínculo empregatício, oculto sob a contração de contribuinte individual, de trabalhador avulso, ou de qualquer outra denominação, inclusive de cooperativas de trabalho. O art. 3º da CLT preceitua que se considera "empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário". Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 11040.720723/201482 Acórdão n.º 2402006.046 S2C4T2 Fl. 605 9 Segundo a doutrina do Direito do Trabalho, "na definição legal brasileira estão os seguintes requisitos da figura do empregado: a) pessoa física; b) subordinação compreendida de forma mais ampla que dependência; c) ineventualidade do trabalho; d) salário; e) pessoalidade da prestação de serviços, esta resultante não da definição de empregado, mas de empregador"1. O que importa, para fins de aplicação da lei tributária, é a realidade dos fatos, e não a validade ou invalidade dos contratos ou do convênio assinado pelo sujeito passivo. O inc. I do art. 118 do Código Tributário Nacional preleciona que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Ao tratar da nulidade ou anulabilidade, em comentário ao citado preceito legal, o prof. Hugo de Brito Machado afirma, com precisão, que "ao Direito Tributário importa a realidade. Não a forma jurídica"2. Significa dizer que basta a existência do fato, e "não se há de indagar a respeito da validade do ato ou negócio jurídico"3. No tocante ao caso concreto, para o lançamento das contribuições, havia necessidade de demonstração inequívoca dos requisitos da relação de emprego, o que não foi feito pelo agente autuante. A contrario sensu, o relatório fiscal é demasiadamente sintético nesse ponto e não há qualquer demonstração probatória efetiva da ocorrência da citada relação. Expressandose de outra forma, a autoridade lançadora deveria ter demonstrado, exemplificativamente, que as pessoas físicas, a par de receberem sua remuneração do sujeito passivo, de forma não eventual, ainda estavam sujeitas à sua vontade e às suas ordens, transferindolhe o poder de direção sobre as suas atividades. Os ofícios sobre os quais se arvorou o agente fiscalizador são provas muito frágeis a respeito da subordinação, mormente porque o contratante, num contrato de prestação de serviços, não perde o poder de fiscalizar a execução do contrato e nem mesmo de prestar as informações necessárias à pessoa jurídica contratada. Isto é, a fiscalização deveria ter demonstrado, de forma inequívoca, aquela "situação em que se encontra o trabalhador, decorrente da limitação contratual da autonomia da sua vontade, para o fim de transferir ao empregador o poder de direção sobre a atividade que desempenhará. A subordinação significa uma limitação à autonomia do empregado, de tal modo que a execução dos serviços deve pautarse por certas normas que não serão por ele traçadas"4. A descaracterização do vínculo pactuado é uma medida extrema, que, como tal, deve estar amparada em indubitável conjunto probatório. 1 Curso de direito do trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho: relações individuais e coletivas do trabalho. Amauri Mascaro Nascimento. 10. ed. atual. São Paulo: Saraiva, 1992, p. 311. 2 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao código tributário nacional, volume II. São Paulo: Atlas, 2004, p. 396. 3 MACHADO, Hugo de Brito. Obra citada, p. 388. 4 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Obra citada, p. 320. Fl. 1898DF CARF MF 10 Tendo inexistido essa demonstração probatória, deve ser dado provimento ao recurso voluntário, a fim de cancelar o lançamento. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1899DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.004637/2002-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1997
CSLL - RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - Encerrado o período de
apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece o efetivamente devido com base no lucro real.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1401-000.297
Decisão: ACORDAM os membros da 4º Câmara / 1° Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4" Câmara / 1" Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digilahnente) Viviane Vidal Wagner - Presidente (assinado digitahnente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator 4 n. 11 Participaram da sessão os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Alexandre Antonio Alkinim Teixeira (relator), Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Manos. Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.. Relatório VUAL i.2) por ,A.L.EY,i\I',JDRE Al-rFC)1,1K) ;,-.1 LXI-S. Aljjerjj.1 . :adlj pol O 01 rni.) "FEIXE [Jur Al..EXAt ,M)ri}:H 'ANTONIO N1r 1 Cfr1: .̀[..} I Ç.) dz.! dif.:.[ 11211-0 :ântL 07,-1 ; VIVIANE 'AR'', I f.)• VIVIANE VIDAL WAGNER, 2::',.'0!),2U p r..-N. ALEXPsilDRE AN101110 ALKrvIJ 2 DF - (;ARI 1' H 2 Processo n" 10880,00463712002-31 S I-C4 T 1 Acórdào n " 1401-00.297 H 117 Trata o presente feito de Recurso de Oficio tendo em vista ter a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo 1 ter considerado improcedente o lançamento e exonerado o contribuinte do pagamento dos tributos lançados Como bem sintetizou o relatório do voto proferido pela DRJ, passo a transcrevê-lo: DA AUTUAÇÃO Em decorrência de auditoria interna realizada na DCIF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, referente ao 2°, 3° e 4° trimestres de 1997, foi lavrado o auto de infração, do qual a contribuinte fbi cientificada em 19/03/2002, confbrine AR de/is 94, exigindo-lhe o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 7,881.361,14, sendo R$3.002.617,14 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL; R$2.251.962,78 a título de Multa de Ofício (7.5%) e R$ 2 626381,32 a titulo de juros de mora (calculados até 28/02/2002). Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fi. 27), a autuação refere-se à "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo 111". Fundamentação Legal CSLL — código 411 2469: mis, l'c 4' da Lei n°7,689/88; art 25 comb. c/ art, .57 da Lei n° 8,981/1995, art. I° da Lei 110 9 .249/1995; art. 2" da Lei 9 316/1996 e arts 2' e 6° (connb c/ art 28) c ais. 30 c 60 da Lei n° 9,430/1996; Multa ,inclilada: art. 160 da Lei n25 172/1966, ar! 1° da Lei n°9.249/1995 e art. 44, inciso I e ,sç. I 0, I, da Lei n° 9.430/1996; Juros de Mora: art 161, § 1°, da Lei n° 5.172/1966, art. 43, parágrafo único, e 61, § 3°, da Lei n°9. 430/1996 O Anexo I do Auto de Infração (f1 28 a 30) — refere-se ao "Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados" e dele se extrai que os valores declarados como com "exigibilidade suspensa" por força do processo judicial n° 97 0003805-0 não .fbram confirmados pela seguinte ocorrência "Proc jud de outro CNPJ" e "Proc jztd não comprovad". DA IMPUGNAÇÃO O autuado apresentou a impugnação de fls. 01/17, protocolizada em 17/04/2002, expondo, em síntese, que. A exigência ora impugnada não pode prevalecer na medida em que o auto de inflação lavrado é nulo de pleno direito uma vez que: "a) simplesmente desconsiderai as infOrmações constantes da DCTF apresentada pelo ora hnpugnante relativa ao mandado de segurança n° 97.000380.5-0 sem qualquer motivação, e DF CART . N11: Fl 3 Processo n" 10880 004637/2002-31 S1-C4T1 Aeórdiio n." 1401-00,297 Fl 118 b) toma por base valores relativos aos recolhimentos mensais, quando já encenado o período de apuração anual da contribuição social. Ainda que assim não fb,sse, porém, o que se admite apenas a titulo de argumentação, não poderia prevalecer o crédito ti ibutário nos termos em que constituído, uma vez que, a) a multa de 75% é exigida em flagrante desobediência à ordem judicial e ao comando expresso do art, 63 da Lei n°9.430196; b) os juros de mora jamais poderiam ter sido lançados na vigência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário; e c) ainda que .fasse possível a imposição dos juros de mora, o que novamente se admite apenas para argumentai; estes não poderiam ser cobrados na dimensão consignada pelo auto de infração, por terem sido calculados com base na taxa SELIC, índice inadequado para tanto. Em assim sendo, pede e espera a Impugnante seja acolhida a presente impugnação com o fim de reconhecer a nulidade do auto de infração lavrado, ou quando menos, para que seja afastada a exigência da multa de oficio, bem como os juros de mora, ainda mais com base na taxa SELIC, pelas razões acima expostas, como medida de Direito e de Justiça. Nestes termos, e requerendo que todas as intimações relativas ao presente feito sejam dirigidas ao advogado cujo nome consta deste impresso, à Av. Brasil, 5.25, Cep 01431-000, São Paulo - SP." Posto o feito em julgamento, entendeu a DIU ser improcedente o lançamento, relativo à CSLL, por se tratar de estimativa mensal informada em DCTF, não passível de cobrança mediante lançamento de oficio após o encerramento do respectivo ano calendário, Diante disso, o crédito tributário fora totalmente exonerado É o relatório, Voto pc,,ConselheiraAlexandreAntoniarALkmimFTeixeira;-Reiator iti [Jur ALEXANDRE. A/-.1-1-.C.M10 1(1701U inf,:,1•...finiM nYin 3 1)1' CA R i• l 1. E.4 Processo n" 10880.004637/2002-3] SI-CM Acórdão n° 1401-00.297 Fl 119 A decisão recorrida exonerou crédito superior ao limite de alçada, atualmente fixado em R$ 1.000..000,00 (um milhão de reais), razão pela qual o presente recurso de ofício merece conhecimento. A questão posta em debate perante a DRI e que levou à exoneração do crédito tributário ora em análise refere-se à cobrança, após o encerramento do respectivo ano calendário, mediante lançamento de ofício, de estimativa mensal lançada em DCTR. Ressalta-se que o entendimento pacificado neste Conselho é no sentido de que, encerrado o período de apuração do IRPI e da CSLL, não cabe à fiscalização formalizar exigência de crédito que corresponda à diferença de recolhimentos por estimativa mensais, pelo simples fato de que a exigência do tributo recolhido por estimativa deixa de ter a sua eficácia quando finalizado o período de apuração, uma vez que prevalecerá a o tributo apurado com base no lucro real. N" Recurso 118501 -Número do Processo 10640.002104/96-47 - Turma 3" Cêunara Contribuinte FOTO SHOW LABORATORIO FOTOGRAFICO LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Rejeitada Preliminar Por Unanimidade-Data da Sessão 25/02/1999 Relator(a) Márcio Machado Caldeira N"Acórdão 103-19903 -Tributo / Matéria Decisão POR UNANIMIDADE DE VOTOS, REJEITAR PRELIMINAR SUSCITADA E, NO MÉRITO, POR MAIORIA DE VOTOS, DAR PROVIMENTO AO RECURSO. VENCIDOS OS CONSELHEIROS EUGÊNIO CELSO GONÇALVES (SUPLENTE CONVOCADO) E NEICYR DE ALMEIDA QUE NEGARAM PROVIMENTO. Ementa IRPJ — RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA — Encenado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece o efetivamente devido com base no lucro real. Recurso provido. (Publicado no D O U de .30/04/1999) N" Recurso 124946 -Número do Processo 10280.009389/99-26 - Turma I" Turma da 2" Câmara Contribuinte Y YAMADA S/A COMERCIO E INDUSTRIA Tipo cio Recurso Recurso Voluntário - Dado Provimento Por Maioria-Data da Sessão 19/04/2001 th;:»;alrrtnti:- )"'/...10:.201-.,t por VIVIANE VIDAL WAGNER_ 2IIIi()I) , 2n o rit. ;q ALEXANDRE ruvrúl110 A1..KI,,11 TFIXE Aut ,,,:rdicariu 2i:!'0)''20 I pOT AI. EXANIDRE ANTONIO AI.ErvIlM Ernifida ern O01(020 10 4 Dr CA R F l l 11 5 Processo n'' 10880 004637/2002-31 SI-C4T1 Acórdão n° 1401-00.297 El 120 Relator(a) Alexandre Barbosa Jaguaribe N" Acórdão 103-2057.2 -Tributo /14/Iatéria Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Neicyr de Almeida, Mary Elbe Gomes Queiroz e Paschoal Rancei, que negaram provimento ao recurso O Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber apresentará declaração de voto. Ementa IRRI - RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - MULTA ISOLADA - Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deita de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelando-se improcedente e cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido superou, largamente, o efetivamente devido. Recurso provido (DOU 0.5/04/02) Isso ocorre pois as quantias não recolhidas estão contidas no saldo apurado no ajuste anual e, portanto, na hipótese de divergência entre os recolhimentos de estimativas mensais, somente caberia o lançamento de oficio para imposição da multa isolada, com fundamento legal no art. 44, II, da Lei n, 9.430/96 Desta feita, entendo estar correto o posicionamento adotado pela decisão recorrida, posto que, após o encerramento do respectivo ano calendário, com a apuração do lucro real, não é possível a cobrança de diferenças não pagas de estimativas mensais. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio (assinado digitalmente) Alexandre Antonio "ruim Teixeira titL),AL vvAGNJE. r.! pur (*EXAI1DRIE N'rn":)i-W) T Ait.xs-\[..eRE: ANToll[c:) pr,) 5 1)E . CARI . MI 1.'1. Processo n" 10880.004637/2002-31 Acórdão n " 14O1-00,297 Fi. 121 t1W10 dic:fitaln c/.!107i'ICI'2010 oí VIVIANE. VIDAL 4A.IAGNER . 2{1/09 , 20-II) por ALEXANDRE A•TONIO ALI<MI TEIXE por A1.00ANDRE'_ ANTONIO ALEMIM Emitido oro 0;.:51(-1 1 2010 polo NiInirie do Fazçlida 6 -V? MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO QUARTA CÂMARA Processo n° : 10880004637200231 Interessado : BANKBOSTON NA Acórdão n° 1401-00297 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art.. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, o'S / iO / E0Jie aristela de ousaKodrigues-ï- Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ 1 apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n° : 10880004637200231 Interessado : BANKBOSTON NA TERMO DE JUNTADA I" Seção/4" Câmara Declaro que . juntei aos autos o Acórdão/Resolução n° 1401 -00297, assinado digitalmente, às fls. ( ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para ciência do procurador. Brasília, Chefe da Secretaria
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