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Numero do processo: 15374.901630/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas.
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte.
PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior.
VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
Numero da decisão: 2202-005.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte. PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazêlo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior. VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 16 30 /2 00 8- 98 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15374.901630/200898 Acórdão n.º 2202005.110 S2C2T2 Fl. 3 2 PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 15374.901804/200812, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2202005.099 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não homologou o pedido de compensação. Do Pedido de Compensação O pedido de compensação tratase de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico no qual a Soft Consultoria Ltda pretende aproveitar o crédito de IRRF que teria sido recolhido indevidamente. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 15374.901630/200898 Acórdão n.º 2202005.110 S2C2T2 Fl. 4 3 Da Análise do PER/DCOMP De acordo com o Despacho Decisório eletrônico, a compensação não foi homologada, pois o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, uma vez que o recolhimento realizado pelo DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos declarados pela contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito requerido no pedido de compensação (PER/DCOMP): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP Regularmente intimada do Despacho Decisório com a não homologação da compensação declarada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: Do direito ao crédito de imposto de renda retido na fonte sobre royalties remessa ao exterior. Logo, diante dos fundamentos apresentados, entende a Manifestante que os valores referentes ao IRRF pagos por ela sobre remessas para pagamento de importações de "softwares" de prateleira são passíveis de pedido de indébito e por isso a impossibilidade de se manter o indeferimento em tela. Por fim, outro argumento deve ser realçado pela ora Manifestante, é a necessidade expressa de se realizar perícia a fim de se apurar o tipo de software comercializado pela empresa no presente processo. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou a Manifestação de Inconformidade, proferiu o Acórdão negandolhe provimento, mantendo o Despacho Decisório e não homologando o PER/DCOMP. Do Recurso Voluntário A Soft Consultoria, devidamente intimada da decisão da DRJ, conforme aviso de recebimento, apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, alegando que: Concessa maxima venia, cabe ao Contribuinte eleger o meio de prova que julga adequado à demonstração dos fatos. Na espécie, dada a natureza da matéria sub examine, entendeu ser a prova pericial. A própria norma reguladora da matéria é clara ao determinar tal possibilidade. Nos termos postos, a defesa do Contribuinte fica inviabilizada, vez que não carreou aos autos a prova apontada pelo nobre relator, a saber, embalagens dos softwares "de prateleira" e respectivos documentos de importação. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15374.901630/200898 Acórdão n.º 2202005.110 S2C2T2 Fl. 5 4 Paralelamente, além de indeferir o pedido formulado, o julgador administrativo também não oportunizou ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Alegou também a necessidade de se observar o Princípio da Verdade Material, afirmou que em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material e que a referida verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil, bem como alegou ainda que: Nesse diapasão, a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. É que em nome dos princípios da ampla defesa, legalidade, oficialidade e verdade material, dentre outros, não se pode negar ao Administrado a produção de prova em outra fase. Não poderia ser de outra forma, vez que, o órgão judicante, ao afastar a prova pretendida pelo Contribuinte, não poderia negarlhe a possibilidade de apresentar, em outra oportunidade, a prova que ele mesmo julgou conveniente. Ademais, pelo Princípio da Informalidade Moderada, que é a mais adequado ao autocontrole da legalidade pela Administração Pública e mais aberta à busca da verdade material (base de todo sistema), poderia, sem qualquer violação, o julgador administrativo ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Do Pedido Ao final, a Recorrente requer que seja reformado o acórdão e analisados os documentos acostados junto ao recurso: 1 A reforma do v. acórdão fustigado, com o conseqüente deferimento do pedido de produção de prova pericial; conforme formulado da Manifestação de Inconformidade, ou, caso assim não entendam Vs.Sas., 2 Seja, com base nos princípios apontados e na economia processual, analisada a documentação ora acostada, a qual corresponde aos meios de prova apontados pelos julgadores a quo, com o conseqüente deferimento do PER/DCOMP versado na aludida Manifestação de Inconformidade. É o relatório." Fl. 174DF CARF MF Processo nº 15374.901630/200898 Acórdão n.º 2202005.110 S2C2T2 Fl. 6 5 Voto Ronnie Soares Anderson Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 15374.901804/200812, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202005.0992 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Da Apresentação De Provas e Da Verdade Material A Recorrente questionou, invocando a necessidade de observância ao Princípio da Verdade Material, que a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. No mesmo sentido, a Recorrente ainda questionou a decisão de primeira instância alegando que o julgador administrativo poderia ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Além disso, a Recorrente, quando da apresentação do recurso voluntário, solicitou a juntada de diversos documentos com o objetivo de comprovar suas alegações. No que diz respeito ao pedido da recorrente, entendo que não merece acolhimento, uma vez que, a partir da Manifestação de Inconformidade, início da fase litigiosa, era dever da contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas no seu pedido de compensação. Neste contexto, cabe registrar que a fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a contribuinte deveria, sob pena de preclusão, instruir sua Manifestação de Inconformidade apresentando junto com os motivos de fato e de direito que fundamentaram sua pretensão, os documentos que respaldassem suas afirmações, conforme disciplina os dispositivos legais pertinentes à matéria, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 175DF CARF MF Processo nº 15374.901630/200898 Acórdão n.º 2202005.110 S2C2T2 Fl. 7 6 (...) Assim, como não apresentou elementos necessárias para comprovar suas alegações, apenas requereu a realização de perícia, a autoridade julgadora de primeira instância apreciou a Manifestação de Inconformidade, negandolhe provimento, pois verificou a inexistência de elementos probantes, dessa forma indeferiu o pedido de perícia e não homologou a compensação declarada, confirmando as razões do despacho decisório. No tocante as novas provas apresentadas, entendo que, além de extemporâneas, estão ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Do mesmo modo, observo não há fato ou razão renovada trazida aos autos pela DRJ, porquanto o voto proferido pelos julgadores daquela DRJ, apresentou considerações no sentido de que tais provas independem de perícia, pois poderiam ter sido produzidas por meio de documentos. Todavia, ao fazer estas considerações, entendo que a DRJ estava demonstrando que a contribuinte perdeu a oportunidade legal de apresentar os documentos que, em tese, poderiam comprovar o seu pleito. Inclusive, no que diz respeito a apresentação de prova apenas em sede de recurso voluntário, compartilho o entendimento apresentado no Acórdão nº 3201 004.710, sessão de 29 de janeiro de 2019, proferido pela 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, que em situação semelhante negou provimento ao recurso do contribuinte. Com base no citado Acórdão, observo o entendimento de que a jurisprudência apresenta certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, afastandoa em alguns casos referentes a fatos notórios ou incontroversos que podem permitir o pronto convencimento do julgador. No mesmo sentido, entendo que o direito da parte produzir provas posteriores, até o momento da decisão administrativa, comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fundamento em seu juízo de valor, acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que no caso é de responsabilidade da contribuinte. No caso dos autos, notase que a Recorrente não produziu oportunamente os documentos que poderiam justificar as suas alegações, responsabilidade esta que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Decreto nº 70.235/72 e, de forma subsidiária, pela Lei nº 13.105/2015 (CPC). Neste contexto, observase que o princípio da verdade material confere ao julgador administrativo maior liberdade na apreciação das provas, podendo coletar provas ou determinar a produção de provas não produzidas pelas partes, se assim for necessário para o seu convencimento diante das provas já apresentadas. Contudo, não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Desse modo, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também, em sede de julgamento se oportunize tais demonstração e comprovação, pois a busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia da contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas Fl. 176DF CARF MF Processo nº 15374.901630/200898 Acórdão n.º 2202005.110 S2C2T2 Fl. 8 7 necessárias a possível comprovação do crédito alegado, bem como não permite a supressão de instância. Isto posto, rejeito, preliminarmente, o pedido para acatar os documentos apresentados após a decisão de primeira instância administrativa. Da Perícia Na peça de defesa inicial, a contribuinte requereu a realização de perícia com o objetivo de comprovar os seus argumentos, todavia, quando apreciou a Manifestação de Inconformidade, a DRJ indeferiu o pedido de realização de perícia, porque entendeu desnecessária, uma vez que a pretensão da contribuinte poderia ser comprovada por meio de prova documental. Dessa forma, percebese que a contribuinte optou por não apresentar documentos que pudessem comprovar suas alegações, pois, no seu entendimento, poderia eleger o meio de prova que julgasse adequado e neste caso, devido a natureza da matéria em exame, a empresa optou pelo pedido de prova pericial, que a seu ver seria a mais adequada. Neste aspecto, observo que não podem prosperar os argumentos e os questionamentos apresentados, pois entendo que a Recorrente ao invés de apresentar oportunamente os documentos que, em tese, poderiam comprovar suas alegações, optou por substituir sua incumbência probatória com providências a cargo do Fisco ou do perito técnico, por meio de realização de perícia. Ademais, a prova pericial, além do caráter específico, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos, para quando o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, pudesse melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. À vista disso, entendo que seja prescindível a realização da perícia, tendo em vista que a mesma se destinava a suprir prova que poderia ser produzida pela contribuinte com a juntada de documentos carreados aos autos no momento oportuno. Esclarecendo ainda que a contribuinte tem a obrigação jurídica de manter os meios probatório de seu interesse. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia, por considerálo desnecessário à produção das provas pretendidas pela empresa Soft Consultoria Ltda, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que permite a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Da Defesa Inviabilizada No tocante a alegação da Recorrente de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, também não merece acolhida, pois a recorrente teve oportunidade de apresentar tempestivamente a documentação pertinente relativo aos fatos, mas não o fez. Além do mais, cabe registrar que nos pedidos de compensação/restituição o ônus da prova cabe ao sujeito passivo, como pode ser observado no disposto do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, disciplinando que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto Fl. 177DF CARF MF Processo nº 15374.901630/200898 Acórdão n.º 2202005.110 S2C2T2 Fl. 9 8 que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. No mesmo sentido, dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que as impugnações administrativas já devem trazer os elementos de prova: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Dessa forma, entendo que não caberia ao julgador de primeira instância oportunizar ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, pois as provas já deveriam ser apresentadas no momento da contestação por meio da Manifestação de Inconformidade, conforme disciplina o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que caberia à contribuinte, ao ofertar a sua defesa, produzir a prova em contrário, por meio de documentação hábil e idônea. Como não o fez, o seu pedido de compensação não foi homologado, conforme decisão proferida no Acórdão de primeira instância que manteve o Despacho Decisório. Por tudo aqui exposto, rejeito o argumento da contribuinte de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Da Ausência de Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito De acordo com os autos, percebese que a Recorrente alegou que houve recolhimento indevido de tributo e por este motivo requereu, mediante apresentação de PER/DCOMP, compensação destes valores. No entanto, quando da análise do seu pedido de compensação, o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, pois o crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos, motivo pelo qual se fundamentou a não homologação da compensação declarada, conforme o Despacho Decisório. Além disso, quando apresentou a sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte não apresentou documentos que pudessem comprovar que houve recolhimento indevido bem como se o valor pleiteado estaria disponível, demonstrando a existência da liquidez e certeza do crédito. Isto posto, cabe esclarecer que o ponto chave para atender pedido de compensação diz respeito a necessidade de comprovar que o crédito aludido estivesse disponível para ser utilizado na quitação do débito indicado no PER/DCOMP. Dessa forma, caberia a contribuinte demonstrar a existência da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, para um análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido, o montante e comparálo ao pagamento efetuado, nos termos do art. 1701 do CTN, que estabelece as condições para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 15374.901630/200898 Acórdão n.º 2202005.110 S2C2T2 Fl. 10 9 Por fim, percebese que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a liquidez e certeza do crédito e, dessa forma, entendo como correto o resultado exarado no Despacho Decisório eletrônico bem com na decisão proferida pelo Acórdão de primeira instância administrativa que negou provimento à Manifestação de Inconformidade e não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o crédito indicado na DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos declarados pela contribuinte. Destarte, com base em tudo que foi exposto, entendo que não há espaço para reanálise do despacho decisório e nem qualquer reforma na decisão recorrida. No tocante ao pedido de realização de perícia, entendo desnecessária. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia" Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901772/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas.
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte.
PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior.
VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
Numero da decisão: 2202-005.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte. PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazêlo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior. VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 17 72 /2 00 8- 55 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15374.901772/200855 Acórdão n.º 2202005.123 S2C2T2 Fl. 3 2 PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 15374.901804/200812, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2202005.099 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não homologou o pedido de compensação. Do Pedido de Compensação O pedido de compensação tratase de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico no qual a Soft Consultoria Ltda pretende aproveitar o crédito de IRRF que teria sido recolhido indevidamente. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15374.901772/200855 Acórdão n.º 2202005.123 S2C2T2 Fl. 4 3 Da Análise do PER/DCOMP De acordo com o Despacho Decisório eletrônico, a compensação não foi homologada, pois o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, uma vez que o recolhimento realizado pelo DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos declarados pela contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito requerido no pedido de compensação (PER/DCOMP): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP Regularmente intimada do Despacho Decisório com a não homologação da compensação declarada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: Do direito ao crédito de imposto de renda retido na fonte sobre royalties remessa ao exterior. Logo, diante dos fundamentos apresentados, entende a Manifestante que os valores referentes ao IRRF pagos por ela sobre remessas para pagamento de importações de "softwares" de prateleira são passíveis de pedido de indébito e por isso a impossibilidade de se manter o indeferimento em tela. Por fim, outro argumento deve ser realçado pela ora Manifestante, é a necessidade expressa de se realizar perícia a fim de se apurar o tipo de software comercializado pela empresa no presente processo. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou a Manifestação de Inconformidade, proferiu o Acórdão negandolhe provimento, mantendo o Despacho Decisório e não homologando o PER/DCOMP. Do Recurso Voluntário A Soft Consultoria, devidamente intimada da decisão da DRJ, conforme aviso de recebimento, apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, alegando que: Concessa maxima venia, cabe ao Contribuinte eleger o meio de prova que julga adequado à demonstração dos fatos. Na espécie, dada a natureza da matéria sub examine, entendeu ser a prova pericial. A própria norma reguladora da matéria é clara ao determinar tal possibilidade. Nos termos postos, a defesa do Contribuinte fica inviabilizada, vez que não carreou aos autos a prova apontada pelo nobre relator, a saber, embalagens dos softwares "de prateleira" e respectivos documentos de importação. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 15374.901772/200855 Acórdão n.º 2202005.123 S2C2T2 Fl. 5 4 Paralelamente, além de indeferir o pedido formulado, o julgador administrativo também não oportunizou ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Alegou também a necessidade de se observar o Princípio da Verdade Material, afirmou que em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material e que a referida verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil, bem como alegou ainda que: Nesse diapasão, a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. É que em nome dos princípios da ampla defesa, legalidade, oficialidade e verdade material, dentre outros, não se pode negar ao Administrado a produção de prova em outra fase. Não poderia ser de outra forma, vez que, o órgão judicante, ao afastar a prova pretendida pelo Contribuinte, não poderia negarlhe a possibilidade de apresentar, em outra oportunidade, a prova que ele mesmo julgou conveniente. Ademais, pelo Princípio da Informalidade Moderada, que é a mais adequado ao autocontrole da legalidade pela Administração Pública e mais aberta à busca da verdade material (base de todo sistema), poderia, sem qualquer violação, o julgador administrativo ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Do Pedido Ao final, a Recorrente requer que seja reformado o acórdão e analisados os documentos acostados junto ao recurso: 1 A reforma do v. acórdão fustigado, com o conseqüente deferimento do pedido de produção de prova pericial; conforme formulado da Manifestação de Inconformidade, ou, caso assim não entendam Vs.Sas., 2 Seja, com base nos princípios apontados e na economia processual, analisada a documentação ora acostada, a qual corresponde aos meios de prova apontados pelos julgadores a quo, com o conseqüente deferimento do PER/DCOMP versado na aludida Manifestação de Inconformidade. É o relatório." Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15374.901772/200855 Acórdão n.º 2202005.123 S2C2T2 Fl. 6 5 Voto Ronnie Soares Anderson Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 15374.901804/200812, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202005.0992 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Da Apresentação De Provas e Da Verdade Material A Recorrente questionou, invocando a necessidade de observância ao Princípio da Verdade Material, que a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. No mesmo sentido, a Recorrente ainda questionou a decisão de primeira instância alegando que o julgador administrativo poderia ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Além disso, a Recorrente, quando da apresentação do recurso voluntário, solicitou a juntada de diversos documentos com o objetivo de comprovar suas alegações. No que diz respeito ao pedido da recorrente, entendo que não merece acolhimento, uma vez que, a partir da Manifestação de Inconformidade, início da fase litigiosa, era dever da contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas no seu pedido de compensação. Neste contexto, cabe registrar que a fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a contribuinte deveria, sob pena de preclusão, instruir sua Manifestação de Inconformidade apresentando junto com os motivos de fato e de direito que fundamentaram sua pretensão, os documentos que respaldassem suas afirmações, conforme disciplina os dispositivos legais pertinentes à matéria, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 15374.901772/200855 Acórdão n.º 2202005.123 S2C2T2 Fl. 7 6 (...) Assim, como não apresentou elementos necessárias para comprovar suas alegações, apenas requereu a realização de perícia, a autoridade julgadora de primeira instância apreciou a Manifestação de Inconformidade, negandolhe provimento, pois verificou a inexistência de elementos probantes, dessa forma indeferiu o pedido de perícia e não homologou a compensação declarada, confirmando as razões do despacho decisório. No tocante as novas provas apresentadas, entendo que, além de extemporâneas, estão ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Do mesmo modo, observo não há fato ou razão renovada trazida aos autos pela DRJ, porquanto o voto proferido pelos julgadores daquela DRJ, apresentou considerações no sentido de que tais provas independem de perícia, pois poderiam ter sido produzidas por meio de documentos. Todavia, ao fazer estas considerações, entendo que a DRJ estava demonstrando que a contribuinte perdeu a oportunidade legal de apresentar os documentos que, em tese, poderiam comprovar o seu pleito. Inclusive, no que diz respeito a apresentação de prova apenas em sede de recurso voluntário, compartilho o entendimento apresentado no Acórdão nº 3201 004.710, sessão de 29 de janeiro de 2019, proferido pela 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, que em situação semelhante negou provimento ao recurso do contribuinte. Com base no citado Acórdão, observo o entendimento de que a jurisprudência apresenta certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, afastandoa em alguns casos referentes a fatos notórios ou incontroversos que podem permitir o pronto convencimento do julgador. No mesmo sentido, entendo que o direito da parte produzir provas posteriores, até o momento da decisão administrativa, comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fundamento em seu juízo de valor, acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que no caso é de responsabilidade da contribuinte. No caso dos autos, notase que a Recorrente não produziu oportunamente os documentos que poderiam justificar as suas alegações, responsabilidade esta que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Decreto nº 70.235/72 e, de forma subsidiária, pela Lei nº 13.105/2015 (CPC). Neste contexto, observase que o princípio da verdade material confere ao julgador administrativo maior liberdade na apreciação das provas, podendo coletar provas ou determinar a produção de provas não produzidas pelas partes, se assim for necessário para o seu convencimento diante das provas já apresentadas. Contudo, não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Desse modo, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também, em sede de julgamento se oportunize tais demonstração e comprovação, pois a busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia da contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas Fl. 175DF CARF MF Processo nº 15374.901772/200855 Acórdão n.º 2202005.123 S2C2T2 Fl. 8 7 necessárias a possível comprovação do crédito alegado, bem como não permite a supressão de instância. Isto posto, rejeito, preliminarmente, o pedido para acatar os documentos apresentados após a decisão de primeira instância administrativa. Da Perícia Na peça de defesa inicial, a contribuinte requereu a realização de perícia com o objetivo de comprovar os seus argumentos, todavia, quando apreciou a Manifestação de Inconformidade, a DRJ indeferiu o pedido de realização de perícia, porque entendeu desnecessária, uma vez que a pretensão da contribuinte poderia ser comprovada por meio de prova documental. Dessa forma, percebese que a contribuinte optou por não apresentar documentos que pudessem comprovar suas alegações, pois, no seu entendimento, poderia eleger o meio de prova que julgasse adequado e neste caso, devido a natureza da matéria em exame, a empresa optou pelo pedido de prova pericial, que a seu ver seria a mais adequada. Neste aspecto, observo que não podem prosperar os argumentos e os questionamentos apresentados, pois entendo que a Recorrente ao invés de apresentar oportunamente os documentos que, em tese, poderiam comprovar suas alegações, optou por substituir sua incumbência probatória com providências a cargo do Fisco ou do perito técnico, por meio de realização de perícia. Ademais, a prova pericial, além do caráter específico, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos, para quando o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, pudesse melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. À vista disso, entendo que seja prescindível a realização da perícia, tendo em vista que a mesma se destinava a suprir prova que poderia ser produzida pela contribuinte com a juntada de documentos carreados aos autos no momento oportuno. Esclarecendo ainda que a contribuinte tem a obrigação jurídica de manter os meios probatório de seu interesse. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia, por considerálo desnecessário à produção das provas pretendidas pela empresa Soft Consultoria Ltda, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que permite a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Da Defesa Inviabilizada No tocante a alegação da Recorrente de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, também não merece acolhida, pois a recorrente teve oportunidade de apresentar tempestivamente a documentação pertinente relativo aos fatos, mas não o fez. Além do mais, cabe registrar que nos pedidos de compensação/restituição o ônus da prova cabe ao sujeito passivo, como pode ser observado no disposto do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, disciplinando que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto Fl. 176DF CARF MF Processo nº 15374.901772/200855 Acórdão n.º 2202005.123 S2C2T2 Fl. 9 8 que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. No mesmo sentido, dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que as impugnações administrativas já devem trazer os elementos de prova: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Dessa forma, entendo que não caberia ao julgador de primeira instância oportunizar ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, pois as provas já deveriam ser apresentadas no momento da contestação por meio da Manifestação de Inconformidade, conforme disciplina o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que caberia à contribuinte, ao ofertar a sua defesa, produzir a prova em contrário, por meio de documentação hábil e idônea. Como não o fez, o seu pedido de compensação não foi homologado, conforme decisão proferida no Acórdão de primeira instância que manteve o Despacho Decisório. Por tudo aqui exposto, rejeito o argumento da contribuinte de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Da Ausência de Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito De acordo com os autos, percebese que a Recorrente alegou que houve recolhimento indevido de tributo e por este motivo requereu, mediante apresentação de PER/DCOMP, compensação destes valores. No entanto, quando da análise do seu pedido de compensação, o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, pois o crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos, motivo pelo qual se fundamentou a não homologação da compensação declarada, conforme o Despacho Decisório. Além disso, quando apresentou a sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte não apresentou documentos que pudessem comprovar que houve recolhimento indevido bem como se o valor pleiteado estaria disponível, demonstrando a existência da liquidez e certeza do crédito. Isto posto, cabe esclarecer que o ponto chave para atender pedido de compensação diz respeito a necessidade de comprovar que o crédito aludido estivesse disponível para ser utilizado na quitação do débito indicado no PER/DCOMP. Dessa forma, caberia a contribuinte demonstrar a existência da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, para um análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido, o montante e comparálo ao pagamento efetuado, nos termos do art. 1701 do CTN, que estabelece as condições para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 15374.901772/200855 Acórdão n.º 2202005.123 S2C2T2 Fl. 10 9 Por fim, percebese que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a liquidez e certeza do crédito e, dessa forma, entendo como correto o resultado exarado no Despacho Decisório eletrônico bem com na decisão proferida pelo Acórdão de primeira instância administrativa que negou provimento à Manifestação de Inconformidade e não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o crédito indicado na DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos declarados pela contribuinte. Destarte, com base em tudo que foi exposto, entendo que não há espaço para reanálise do despacho decisório e nem qualquer reforma na decisão recorrida. No tocante ao pedido de realização de perícia, entendo desnecessária. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia" Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720329/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO.
As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega.
Numero da decisão: 1302-003.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo, 13749.720339/2012-76 paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega.
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CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo, 13749.720339/201276 paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 03 29 /2 01 2- 31 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13749.720329/201231 Acórdão n.º 1302003.505 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de ato de lançamento eletrônico por meio do qual foi imposto ao recorrente multa por falta/atraso na entrega de DCTF relativa ao mês de novembro de 2010. Em suas razões de impugnação, sustenta o contribuinte que, por se tratar de entidade religiosa, faria jus ao gozo da regra imunizante preconizada pelo art. 150, IV, "b", da Constituição da República Federativa do Brasil CRFB e, ato contínuo, estaria dispensada do cumprimento, não só da obrigação principal, mas também das obrigações acessórias tendentes à apuração de impostos e contribuições federais (DCTF). Instada a analisar a defesa oposta, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente, ao argumento sintetizado na ementa abaixo reproduzida: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega. O contribuinte foi intimado do resultado do julgamento acima em 10/06/2013, tendo interposto seu recurso voluntário em 03/07/2013, por meio do qual reprisa os argumentos já deduzidos em suas razões de impugnação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado , Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1302003.502, de 16/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº13749.720339/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.502): O recurso é tempestivo e preenche todos os demais pressupostos de cabimento, razões pelas quais dele tomo conhecimento. A matéria aqui tratada não é, nem de longe, complexa. Outrossim, como o contribuinte se limita a reprisar os argumentos já aviados em sua impugnação, e por concordar em absoluto com os argumentes despendidos pela Turma a quo, valendo Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13749.720329/201231 Acórdão n.º 1302003.505 S1C3T2 Fl. 4 3 me dos preceitos do art. 57, § 3º, do anexo II, do RICARF, tomoos, agora, como minhas razões de decidir, reproduzindoos a seguir: De conformidade com o art. 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, que trata das DCTF com fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 2010, temos que: Art. 2º As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, as autarquias e fundações da administração pública dos Estados, Distrito Federal e Municípios e os órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados e do Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios, desde que se constituam em unidades gestoras de orçamento, deverão apresentar, de forma centralizada, pela matriz, mensalmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). No art. 3º da mesma Instrução Normativa, que trata das pessoas jurídicas dispensadas e das hipóteses de dispensa de apresentação das DCTF, não constam as pessoas jurídicas imunes, como os templos de qualquer culto, citadas no item “b”, do inciso VI, do art. 150 da Constituição Federal, que faz menção à limitação de instituição de impostos federais, estaduais e municipais, e não de obrigações acessórias, como a entrega de declarações, ou à imposição de multa punitiva por atraso na apresentação das mesmas. Assim, correta está a imposição à pessoa jurídica imune, como a interessada, da multa prevista no inciso II, do § 3º, do art. 7º, da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, por atraso na entrega da DCTF do mês de janeiro de 2010, uma vez que o prazo final para a mesma se encerrava em 19/03/2010, e a interessada somente apresentou a em 24/08/2012. Quanto a qualquer argüição de inconstitucionalidade na peça impugnatória, há que se destacar que a mesma refoge à competência desta autoridade administrativa julgadora, por ser da alçada dos órgãos judiciais. Não há ato do Supremo Tribunal Federal de declaração de inconstitucionalidade dos atos legais embasadores do feito. Portanto, o procedimento fiscal não ofende o principio da legalidade, porque tais atos não se acham com sua execução suspensa. Cabe ressaltar que a lei e os atos normativos tem força vinculante para a administração, não lhe cabendo a opção de descumprila, principalmente ao se tratar de aplicação da legislação tributária, que se faz mediante atividade plenamente vinculada. Por outro lado, à 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, compete julgar, em primeira instância, os processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Seu Poder é limitado a examinar se os atos praticados pelos Agentes da Administração Federal estão de acordo com a lei e com os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores e aplicáveis ao caso. Portanto, não cabe ao julgador administrativo de primeira instância apreciar a constitucionalidade dos atos normativos expedidos pelas autoridades competentes. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13749.720329/201231 Acórdão n.º 1302003.505 S1C3T2 Fl. 5 4 Assim, tendo a exigência sido corretamente efetuada com fulcro em bases legais e normativas vigentes, não cabe neste voto quaisquer ajustes em virtude inconstitucionalidade. Com efeito, as regras de imunidade preconzidas pela CRFB tem razões axiológicas em outros princípios e garantias constitucionais descritos ao longo de seu texto, conformando, assim, hipótese de incompetência tributária. Nada obstante, semelhantes disposições ainda se encontram condicionadas à verificação efetiva da condição imunizante dos entes por elas "beneficiados", mormente se o resultado de suas atividades se afeiçoam, v.g., ao fim a que destina o preceitos constitucional. As obrigações acessórias, neste particular, não tem o condão de constituir, per se, a obrigação tributária (especialmente no caso de entidades imunes) e, ato contínuo, não representam ofensa à prescrição contida no art. 150, IV, "b", servindo, de outra sorte, como instrumento de confirmação das condicionantes alhures mencionadas. A míngua de determinações legais que "isentem" (e termo correto, aqui, é, de fato isenção) as entidades imunes do cumprimento da obrigação acessória, não há como dar sustento à tese exarada no recurso voluntário, restando absolutamente correta a DRJ e, também, a autoridade fiscal. A luz do exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720094/2006-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PROVAS — APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
À autoridade julgadora é concedido o poder de formar livremente a sua convicção quanto à verdade emergente dos fatos constantes dos autos, ou seja, o julgador apreciará e avaliará a prova dos fatos e formará a sua convicção livremente quanto a verdade dos mesmos (art 29, do Dec, 70.235, de 1972).
ITR — VTN ARBITRAMENTO — TABELA SIPT
A fixação do VTN, por meio de informações sobre preços de terras, advindos de sistemas instituídos pela Secretaria da Receita. Federal., encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
VTN DECLARADO - SUBAVALIAÇÃO.
A subavaliação materializa-se pela simples constatação de diferença Considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na. tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN.
VAI OR. DA TERRA NUA - VTN.
Devera ser Mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, por falta de documentação hábil para comprovar o valor declarado do imóvel e suas características particulares desfavoráveis, que o justificassem.
A fixação do Valor da Terra Nua (VTN) pela lei, para a formalização do lançamento do ITR, tem como efeitos principais criar uma presunção juris tantum em favor da Fazenda Pública, invertendo o ônus da prova caso o contribuinte se insurja contra o valor de pauta estabelecido na legislação, sendo as instâncias administrativas de julgamento o foro competente para tal discussão. A autoridade administrativa competente poderá rever o VTN, que vier a ser questionado, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou profissional devidamente habilitado, desde que demonstrados os elementos suficientes ao embasamento da revisão do VTN.
Preliminar Rejeitada,
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2101-000.878
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA NEYLE OLIMPIO HOLANDA
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PROVAS — APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. À autoridade julgadora é concedido o poder de formar livremente a sua convicção quanto à verdade emergente dos fatos constantes dos autos, ou seja, o julgador apreciará e avaliará a prova dos fatos e formará a sua convicção livremente quanto a verdade dos mesmos (art 29, do Dec, 70.235, de 1972). ITR — VTN ARBITRAMENTO — TABELA SIPT A fixação do VTN, por meio de informações sobre preços de terras, advindos de sistemas instituídos pela Secretaria da Receita. Federal., encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996. VTN DECLARADO - SUBAVALIAÇÃO. A subavaliação materializa-se pela simples constatação de diferença Considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na. tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. VAI OR. DA TERRA NUA - VTN. Devera ser Mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, por falta de documentação hábil para comprovar o valor declarado do imóvel e suas características particulares desfavoráveis, que o justificassem. A fixação do Valor da Terra Nua (VTN) pela lei, para a formalização do lançamento do ITR, tem como efeitos principais criar uma presunção juris tantum em favor da Fazenda Pública, invertendo o ônus da prova caso o contribuinte se insurja contra o valor de pauta estabelecido na legislação, sendo as instâncias administrativas de julgamento o foro competente para tal discussão. A autoridade administrativa competente poderá rever o VTN, que vier a ser questionado, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou profissional devidamente habilitado, desde que demonstrados os elementos suficientes ao embasamento da revisão do VTN. Preliminar Rejeitada, Recurso Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAI, Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - li R Exercício: 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PROVAS — APRFCIA60 PELOJULGADOR. autoridade julgadora é concedido O poder de formar I vremente a sua COI1Vicçao quanto ir verdade emergente dos fatos constantes dos autos, ou seja, o julgador apreciará e avaliará a prova dos faros e formará a sua convicção livremente quanto a verdade dos mesmos (art 29, do Dec, 70.235, de 1972). ITR — VTN ARBITRAMENTO — TABELA SIPT A fixação do VTN, por meio de informações sobre preços de tena.s, advindos de sistemas instituídos pela Secretaria da Receita. Federal., encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da i ei n" 9.393, de 1996. V'I'N DFCI ,AR ADO --- SUBA VALIAÇÃO . A subavaliação materializa-se pela simples constatação de diferença considerdvel cane o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veieulado na. tabela STPT para as terras da area em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do .VTN.. VAI O.R., DA. TERRA NUA - VIN. Devera ser Mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, por falta de documentação hábil para comprovar o valor declarado do imóvel e suas características particulares des favordveis, que o justificassem . A fixação do Valor da Terra Nua (VTN) pela lei, para a formalização do lançamento do ITR, tem como efeitos principais criar uma presunção furls tantum em favor da Fazenda Pública, invertendo o ônus da prova caso o contribuinte se insurja contra o valor de pauta estabelecido na legislação, sendo as instancias administrativas de julgamento o [Oro competente para tal discussão. A autoridade administrativa competente podera rever o V IN, que vier a ser questionado, corn base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica OU profissional &Oda-merge habilitado, desde que demonstrados os elementos suficientes ao embasamento da revisão do VEN, Preliminar Rejeitada, Recurso Ne,ado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisao de primeira instância e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da-R -datora, , . Ana le 0 hum 1 olant Relatora Editado em: 08.02.2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ana Neylc Olimpio Holanda, Caio Marcos Cdndido, Alexandre .Naoki Nishioka, José Raimundo tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de Notificação de .1 ,anornento N" 0 .1301/00475/2006, que diz respeito a impost() sobre a propriedade territorial rigal (1TR), referente ao imóvel rural l'azendas Reunidas, localizado no Municipio de Nova tibirata (M'1), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 970.143,35, a titulo de imposto, acrescido da multa de oficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da glosa de valores apresentados Ira declaração do tributo, no exereicio 2003, - com supedaneo nos artigos 10, § 1" e inciso 1, e 14 da Lei n" 9.393, de 19/11/1996, nos seguintes moldes: i) Valor da Terra Nua (VTN) de R$ 17 000,00 para R$ 7.985.977,76 A autoridade fiscal efetuou o arbitramento do VTN com base eft] intinmações do Sistema de Preços de Terms (SIP I). instituído por meio da Portaria SR 1'; Jr" 447, de 28/03/2002, sob o argumento de que o sujeito passivo deixara de apresentar o J Mudo de 2 ProceY;o n" I 018.3 7200N/20(16-93 SI-C I I I Auieio " 210 I-0).8 78 H.. 101 Avaliação de I móveis Rurais para comprovação do VTN.. O VTN declarado foi de R$ 0,42/ha (quarenta e dois centavos de real por hectare), enquanto que o valor do SIPT apurado pela média das declarações entregues para o município da localização do imóvel é dc RS 199,62/ha. 3. Ern contraposição ao I:Ina -M.(31W, foi apresentada a impugnação de fls.. 09 a 16.. 4. Submetida a lide a julgamento, os membros Turma da Delegacia da keceita Federal do Brasil de ulgamento em Campo Grande (MS) acordaram por dar o lanomenio como procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir ranscrita ASSUNTO: IMPOST() SOBRE A PROPRI ED AIIM: ERR ITORIA1 RURAL — TIR Exe rc do 200$ li alh tcuIe/Incon stitucionalidade Fin process() ac/i inisttativo ci (Ides° apt-eel-at awiii(ties de inconstituelonalidade, pot tialar-se de nuttc; ia reset vada ao Podei J UI! 11/10 Valor Da 7"/'cí Nua 0 lançamento Tie tenha alto-ado o FIN declarado, utilizando valotcs de teirets eonstantcs' do &sterna de Preços de Terms da Secretaria da Receita Federal - STPT, nos termos da 1Q_.),-istação, e passivel de modif ica(ão, somente, na contestação cm oferecidos elementos de convicção„ como solicitados na intimação pain' tal, embasados em [(ludo Teciico , elaborado em consomincia cum as normas. da Associação Buts.ileira de Noi nuts Tecnicas - ABNT, (pie apresente valor de mercado diferente relativo ao ano-have qUe-StiOilade. .Lançamento Procedente. .5 Intimado aos 20/09/2007, o sujeito passivo apiesenta sua irresignação pot meio de recurso voluntário tempestivo (Hs. 59 a 65) 6. No apelo interposto, o recorrente expõe, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: — preliminarmente, cerceamento dc defesa, pela falta de analise por parto da. instãncia julgadora a quo, dos fatos que lhe foram submetidos e demonstrados com a. documentação acostada, bem como pela insistência do fisco em sustentar a existência de urn levantamento, que nunca fez, de preços para composição do Sistema de Preços de Terms para o Estado de Mato Grosso, contrariando as evidências e afrontando o direito dos contribuintes; H --- no mérito, afirma que, sem qualquer suporte para invalidar a declaração do contribuinte, o fisco se ampara na propalada Tabela de Preços para glosar os valores indicados nas dectarações do ITR, vez que procedcu ao lançamento de oticio dizendo 3 considerar as informações sobre preços de tenus, constantes de sistema a ser por eia institindo e faz referencia a Nota COSFIA.7,0TIR n() 330, de 26/09/2002, que substitui o conteúdo da lei pelo simples calculo de preço médio, e não minim°, de valor da .terra nua obtido pelas declarações apresentadas para os imóveis localizados em cada município„ tato este que fere de morte o dispositivo legal; III- o fisco não obedeceu aos parâmetros estabelecidos no artigo 14 da I,ei n" 9,393, de 1996, comutadamente coin o artigo 12, § 1 0 , Inciso IL da Lei n' 8,629, de 25/02/1993, 'não tendo realizado o levantamento do VTN com observância dos aspectos de localização do imóvel, capacidade potencial da terra e sua dimensão; IV - juntou copia do Oficio if 013/2005 -- SRF/SRRF01/GAI3, °ride aquela Superintendência da Receita 'Federal, em março de 2005, solicita da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso (antiga Secretaria de Agricultura) que de conformidade com o determinado pelo artigo 14 da Lei a' 9,393, de 1996, 1,ossem informados os valores de mercado por hectare e por aptidão das terms de cada município do Estado para períodos de V' de janeiro de 2000 a 2005; V a Secretaria de Desenvolvimento Rural, através do Oficio OF/SEDER/GS/441/2005, de 21/07/2.005, encaminhou resposta a. Secretaria da Receita. Federal informando que para rounecer as informações solicitadas seria necessário coleta de dados a campo e que não poderia utilizar valores de terra nua baseados em dados históricos, ainda que corrigidos, face a existência de distorções da realidade constatada nos diversos municípios do Estado; VI - a Nota COSIT/COTIR/SRF a" 330, de 26/09/2002, não poderá ser interpretada com visão distorcida, pois a mesma de forma. clam e objetiva, mesmo desprovida de legalidade, pois modifica o determinado em Lei, ressalta que apenas na hipótese de não sex tbrnecidos Os preços de terras para um determinado município nem pela Secretaria Estadual de Agricultura, e nem pela Secretaria .1\4.unicipal de Agricultura, em obecha.cia aos termos do artigo 14 da. Lei. 9.393, é que deverá ser aplicado o preço médio do hectare a partir de valores inlOrmados nas declarações do ITR apresentado para os imóveis localizados em cada município. 7.. Ao final, defende que se acatem os termos da defesa para retbrmar o entendimento de primeira instância a considerar o lançamento improcedente. 8, Submetidos os autos a julgamento na Primeira Timm Ordinária da Segunda Cámara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, os membros do colegiado decidiram por diligência, com o escopo de que unidade de origem esclarecesse os pontos a seguir relacionados: 1 - se o levantamento de valores de mercado, por hectare e aptidão, das terras do nurnicipio onde se localiza o imóvel rural objeto do auto de infração, foi realizado e qual o valor obtido referente à data de 1 0 de janeiro de 2003; 11 - caso este levantamento não tenha sido realizado, informar cam° foi apurado o VTN, pela média das declarações do ITR do município de localização do imóvel, especialmente, se foram levados ern cant' os valores por aptidão (cerrado pastagem, floresta, cultura, campos, etc), 9, 0 agente fiscal, por meio da Informação Fisca.l SI/EIS DRF-CUlABA n" 0015/09, compareceu aos autos, para prestar Os seguintes esclarecimentos: 4 l'Ioceso If' 101 2 720(19/1/2006-93 S2-C11 Acol (1E0 " 2.1 . 011 -00..878 1 , 1 102 Por meio do term° de intimação acostado às fls 0.5 e 06, verifica-sc que /Oram estabelecidos requisitos mínimos, pamados na norma, para elabora(ão e apresentação do Lando de avaliação, corn. objetivo de se estabelecer o valor do Item, e infOr incido ao contribuinte que ci firlta de apresenta(ão desse laud() ensejaria o arbitramento do valor da terra nua, coin base 7làti ii/fOrMUOVS do Sistema de Preços de l'erras — SIPT, da entrio No entanto, confOrme informado na descricão dos . falas do auto de infração, às fls. 02, o contribuinte não Upresentou o laudo de avaliação de imovels i nicos para comprovar o El 'N declarado Por esse motivo, adotou-se ci medida excepcional de arbitraï VTIV corn base nos valores registrados no S.fP1: crnrc.sporukntes a() p» eço medic) do hectare obtido cc partir dos valores infOrmados nas declarações do impost() .sobre a propriedade lenitorial rural (1)11',R) aprosentadas pala as intóveis localizados no município de Nova tIbiratii/11T no esercicio 2003, Irma vez que a Secretaria de Desenvolvimento Rural do .tstado de Mato Grosso, atra vs do OMSE1.)E1?/GS/441/2005, de 21107/2005, às .21 e 22, informou que não teria condkães de fornecer os valores de terra nua, sugerindo que a ("rail() SRb- wilizasse valores históricos constardes de seas acervos., ati que /05 se virthilizada, naquele órgão, a realização do trabalho de co/eta de informações ern coda município de Mato Grosso Assim, oonsiderando a área do imóvel rural declarada pelo contribuinte (/10 005,9 her) e 0 preço m&lio do hectare constante rio S1PP (R$199,62/ha), cujo estrato encontra-se as fis. 07, opurou-se ol/TAÏ de R$7.985 977, 76 10. Intimado, o sujeito passivo vem ao caderno processual para repisar os argumentos apresentados no recurso voluntário. . Após as providencias adotadas, vieram os autos a . 1 .tilgarriento nesse colegiado, de acordo coin as determinaçOes de competência veiculadas pela 'Portaria ME n" 256, de 22/06/2009, em seu artigo 3", III. O Relatório Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo con hecimento.. O Objeto do presente processo é o auto de infra0o para cobrança dc valores (pre dizem respeito a imposto sobre a. propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel rural Fazendas Reunidas, localizado no Município de Nova Ubiratd (MT), em thee da glosa dc valores apresentados na deolaraçao do tributo, no exercício 2003, do Valor da. Terra Nua (VIN) de R$ 1T000,00 para R$ 7.985.977,76 s..717 L Como primeiro argumento de defesa, alega o sujeito passivo cerceamento de defesa, pela finta de andlise por parte da instância julgadora a quo, dos latos que The foram submetidos e demonstrados com a documentação acostada, bear corn.° pela insistência do lisco cm sustentar a existência de um levantamento, que nunca fez, de preços .para composição do Sistema de Preços de Terms para o Estado de Mato Grosso, contrariando as evidências e aliontando o direito dos contribuintes. Primeiramente, impende observar que os documentos acostados ii impugnação pelo sujeito passivo dizem respeito à solicitação do Seeretario da Receita Federal, dos valores de mercado, por hectare e por aptidão, das terms de cada Inunicipio, aos 1" de janeiro de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, ao Secretario de Estado de Desenvolvimento Rural do Mato Grosso, e a resposta deste, em que reporta a dificuldade de obtenção dos dados requeridos, e sugere âquele órgão arrecadador que utilize os valores históricos constantes de seus acervos, até que possa viabilizar a realização do trabalho de coleta de informações em cada Município do Estado. Neste ponto, o relator do voto condutor do acórdão de primeira instancia reportou-se ut pertinêarcia da alimentação da SlPT corn os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas e com os valores de terra nua da base de declarações do 11.E., em contraponto as argumentações de impossibilidade da arbitrament() do V .- 11\1 pela Secretaria da Receita Federal, sem as alegadas intormações das secretarias estaduais de agricultura ou correlatas.. Poi- outro lado, a fixação do VTN, por meio de inlbrmações sobre preços de terms, ad vindos de sistemas instiandos pela Secretaria da Receita Federal, encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da Lei IV 9.393, de 19/11/1996, nos seguintes termos: /11 't. 14, No caso de falta de entrega do 1)/AC ou do 1)147: beat corno de subavaliaciia ou prestação de in/Or-m(10es - ineTatas, incorretas ou It -audulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinaclio e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e as &trios de area total, area tributável e grau de tfilliza(iio do imóvel„ opurados cm procedimentos de fiscalização §L V. As informações sobre preços de terra observardo os critérios estabelecidos no art. 12, I", inciso 11 da Lei n° 8.629, de 25 de fepereito de 1993, e considerarão lowntamentos realiz,ados pelas Secretarias de A,t;ricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (destaques da l i anscrição) Por seu turno, no artigo 12, § 1", inciso II da 1,ci n' 8.629, de 25/02/.1993, que deterntina os parâmetros para justa indenização em desapropriações para reforina agraria, indica os aspectos que devem ser considerados para a determinação do valor da terra nua do imóvel, e que serão levados em conta pela Secretaria da Receita Federal para a fixação dos preços de tetras, para fins de 'base de calculo do ITR, com a seguinte dicção: tigo 12 Consideqa-,se justa a indenização que perrinta ao dewy». opriado a reposição, ern sett pairimónio, do valor do bon que polieu pot' social l" - A identificaçáo do valor do bem a ser indenizado seró feita, jn'c/ór'enciairnente, corn base nus seguintes reterenctais tterticos e mercadológicos, entre outros' Us tal Itilente mnjn ega dos'' Vroccsm:) rl" I O I 83 /20094,Q006-93 S2-(71T1 AcoriLio 2101-0CL878 Fl 103 valor das berifelloria,s Uteis e necessciiias, desefinitada a dcprecia(ão conlbrineO estarlo de conic) vação; ii - valor da terra mia, observados Os sei:zuintes aspectos: localização do imóvel: b) capacidade potencial dir terra; dimensão do imóvel, (destaques da transeriçdo) A Portaria SRF n" 447, de 28/03/2002, cm seu aitigo 3, indica as Secretarias de Agricultura dos Estados ou entidades conelatas como fontes das informações solve os valores das terras que serdo inseridos para a formaçdo da tabela do SIN', litter is: Art. 3 4 alimentação do SI/'T coin os valores de terras demais darks recebidos das Secretarias de A Iv-Feu/fun/ on entidades cm-T(4(1nm, e coin Os valores de terra 111111 da base de declarações do .1TR, seró efetuada pela Coils e pelas Superintendências .Rettionals da Receita Federal, Assim, COMO se depreende da determinação do referido ato normativo, que encontra respaldo na Lei n" 9.393, de 19/11/1996, em conformidade com as determinações do artigo 97 do Cod igo Tributário Nacional, alem dos possíveis dados fornecidos pelas Secretarias de .Agricultura dos Estados, poderia a Secretaria da Receita 'Federal utilizar-se de in prestadas por entidades correlatas, Como tanibém, basear-se em dados infirmados nas declarações de 1TR dos imóveis da região. Coin efeito, na espécie, se deixara a Secretaria de Agricultura do Estado de Mato Grosso de informar Os dados a respeito do VTN, para o exercício ern tela, não se pode admitir o prejuizo alegado pela recorrente, vez que o Olga° administrador do tributo poderia substituir aqueles valores por outros que dispusera. Por °poi -tuna ressalte-se que a determinação para tal providaicia encontra-se inscrita na Nota COS1T/COTIR n° 330, de 26/09/2002, li/lei is: .13 Por °poi tun°, deve-se ressaltai epic, na hipólese de não screw JOrnecidos Os. preços. de terms para um deteiminado municipio, nem pela SC2Cletatia T.stadual de Agricultura, nem pela Secreku la A4unicipal de Agricultura, tendo em vista o comando lef;a1 para a instituição do SIPT, nos imolas do art. 14 da Lei ri" 9 393, de 1996, a 5'eeretaria da Receita Fade' al dispor(i, para Iins de lançamento dc olicio do 1TR, do preço médio do hectare obtido a partir dos valores inflamados nas .Declaraçôes clo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (1)17R) apresentadas para os imóveis localizados ern eada munielpio Destarte, prescindíveis, na espécie, as informações que a Secretaria de .Agricultura do Estado de Mato (ii osso teria deixado de fornecer, Ultrapassada a preliminar, passamos à análise das questões de mérito, As considerações de defesa aduzidas pelo recorrente podem SOY resumidos na arimmentacao de que o fisco procedeu ao lançamento de oficio sem observar os pardmetros estabelecidos no artigo 1 4 da Lei n" 9.393, de 1996, c/c o artigo 12, § O, Ti, da Lei •i." 8.629, de 25/02/1993, não tendo realizado o levantamento do VTN com observancia dos aspectos dc localizaçdo do imóvel, capacidade potencial da terra e sua dimensdo. Como antes reportado, o artigo 14 da Lei n" 9.393, de 19/11/1996 da respaldo a determinação do VTN, corn base em informações sobre preços de terras, advindos de sistemas instituidos pela Seer daria da Receita Federal, observando os pardmetros deternainados no artigo 12, § .1. 0, ¡MIA) II da Lei a" 8 629, de 25/02/1993, que indica os aspectos clue devem ser considerados para a determinação do valor da terra Ewa do imóvel, eiIi casos dc desapropriação, e que serão levados em conta pela Secretaria da Receita Fedentl, para fins de base de eater:do do 11 - R rios seguintes termos: i) localização do imóvel; ii) capacidade potencial da terra; iii) dimensão do imovel.. Na espécie, a Secretaria da Receita Federal utilizou, para coati aditar a declaração do sujeito passivo, o valor médio do VTN infonnado nas declat ações de .1TR dos imoveis da região. Sob tal portico, estaria atendida a exigência de observancia da localização do imóvel . Quanto à capacidade potencial da terra, é de se supor, clue por se et -wont-rat -ern Os imóveis na mesma regido, seja similar. Entretanto, tal característica poderia ter sido contraditada pelo sujeito passivo, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor cientifico suliciente a firmar - a convicção do fisco ou das iustancias administrativas dc julgamento. A dimensão do imóvel, no caso do calculo do [FR, influencia no valor total .terra nua , que se obtem multiplicando-se o VTN/ha pela extensão da terra. Por outro lado, ao considerar o valor médio dos VTN declarados da região, o fi sco procura evitar grandes distorções entre aquele arbitrado e os declarados, tornando o método mais conliavel. Assim, forte no exposto, somos por negar provimento ao recurso voluntdrio apresentado Sala das Sessões, em 1 de dezembro de 2010 ,»Ana dyle Olimio Holanda 8
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001135/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA, COMPROVAÇÃO DE NÃO PARTICIPAÇÃO DA EMPRESA. DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando se demonstrar que a pessoa não participou como sócio, titular ou acionista de pessoa jurídica, e que não se enquadra nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Paralelo com a Súmula CARF n° 44.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-000.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA, COMPROVAÇÃO DE NÃO PARTICIPAÇÃO DA EMPRESA. DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando se demonstrar que a pessoa não participou como sócio, titular ou acionista de pessoa jurídica, e que não se enquadra nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Paralelo com a Súmula CARF n° 44. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T19:19:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T19:19:15Z; Last-Modified: 2010-11-18T19:19:16Z; dcterms:modified: 2010-11-18T19:19:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:afd5991d-1c50-4bf5-abf3-a28f7a7cb8e7; Last-Save-Date: 2010-11-18T19:19:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T19:19:16Z; meta:save-date: 2010-11-18T19:19:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T19:19:16Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T19:19:15Z; created: 2010-11-18T19:19:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-11-18T19:19:15Z; pdf:charsPerPage: 1258; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T19:19:15Z | Conteúdo => 1.1)) S2-CITI H 149 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10120.001135/2005-01 Recurso n" 500„555 Voluntário Acórdão n" 2101-00.797 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente ANTONIO CARLOS DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 IRPF . DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA, COMPROVAÇÃO DE NÃO PARTICIPAÇÃO DA EMPRESA. DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando se demonstrar que a pessoa não participou como sócio, titular ou acionista de pessoa jurídica, e que não se enquadra nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Paralelo com a Súmula CARF n° 44. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido - Presidente. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo- Relator, 1)1' CARI- :\ EDITADO EM: 05/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage, Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado fbi lavrada a Notificação de Lançamento de 11 28, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência de Multa no valor de R$165,74. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (ff 1), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 115), que abriram uma empresa em seu nome sem o seu conhecimento e solicitou a compreensão cia Receita Federal, pois não teve culpa desta multa e que era pobre e precisava do seu CU'. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 4a Turma da DRI/Brasilia/DFJulgou procedente o lançamento com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 114 a 115): Analisando os documentos que compõem o processo, verifica-se que foi apresentado em nome do contribuinte, por meios eletrônicos, a DIRPF de 2003, em 20/05/2003, folhas 26, portanto fora do prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do artigo 3" da IN SRF n" 290/2001 A referida Instrução Normativa estabeleceu o dia 30/04/2003 como data final de entrega da declaração de IRPF para o exercício de 2001 Por outro lado, constata-se que o interessado enquadrava-se em uma das hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DIRPF de 2003, prevista na Instrução Normativa SRP n° 290/2003, qual seja, era responsável pelo CNPJ n" 05.645 666/0001-10, desde 28/10/1996, que se encontra na situação "Ativa", folhas 03. O requerente solicitou a exclusão do seu CPI ; do quadro societário da empresa CNPI n0 05 645.666/0001-10, e teve o pedido indeferido pelo SECAT/DRF/Goiânia/GO, folhas 104 a 106 O contribuinte afirma que não deve o valor desta multa e que é pobre e precisa do seu CPI'. Porém em que pese os seus argumentos, são irrelevantes ao deslinde da pendência, uma vez que, o ato do lançamento é vinculado à lei e de não existir previsão legal para a dispensa da multa pelos motivos acima alegados. De acordo com o constante nos autos estou convencido de que o contribuinte estava obrigado a apresentar as declarações de imposto de renda pessoa física para o exercício de 2001 2 i.1 1 Processo n" 10120 001135/2005-01 S2-CITI Acórdão n 2101-00,797 El 150 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 06/07/2009 (11120), o contribuinte apresentou, em 04/08/2009 (11.125), por meio de seu representante legal, o recurso de fls, 1.25 a 127, onde reafirma que não é sócio da citada pessoa jurídica, e que já apresentou provas de que seu nome foi utilizado indevidamente. Ao final, pugnou pelo cancelamento da multa apl i cada.. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 148, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, É o Relatório, Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há argüição de qualquer preliminar, O contribuinte apresentou, no dia 20 de maio de 2003, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do exercício de 2003 (11, 26), A Instrução Normativa SRF n" 290, de 30 de janeiro de 2003, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art 1 0 , inciso III, que estava obrigado a declarar quem participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa, e fixava o prazo de entrega para 30 de abril de 2003 (art. 3°). Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste por ser sócio da empresa CENTRO OESTE WET BLUE REPRESETACOES LTDA, CNN 05,645,666/0001-10 (fl., 3), e por fazê- lo em atraso, recebeu a multa no valor mínimo de RS165,74. O recorrente pugna pela não aplicação da multa, alegando que foi incluído ardilosamente na pessoa jurídica, não sendo sócio, de fato, da empresa. Verifica-se que foi acostada aos autos farta documentação que comprova a irresignação do recorrente contra o uso indevido de seu nome na citada pessoa jurídica. Senão vejamos: a) às fls. 05 a 21, consta sentença proferida, em 09 de junho de .2004, na Reclamação Trabalhista n° 081/2004-6 da 3" Vara do Trabalho de Goiânia, movida pelo recorrente contra IVANA MARIA TEIXEIRA, FABRÍCIO TEIXEIRA CURADO E ANTÔNIO FELIX CURADO NETO, onde foi estipulada uma indenização por danos morais de R.821.500,00, por ter se comprovado que os reclamados agiram de má-fé ao constituírem a empresa Centro Oeste Wet Blue Representações Ltda, tendo o reclamante como principal sócio, falsificando, inclusive, sua assinatura; 3 b) às fis. 50 a 52, consta cópia do contrato social da empresa Centro Oeste Wet Blue Representações, onde a assinatura aposta pelo recorrente é diferente daquela por ele firmada na impugnação (fi I), em sua carteira de identidade (fl, 2); c) às fis, 55 a 59, consta cópia da Manifestação 145/2003-SEC/COR da Polícia Federal de Goiânia, de 25 de novembro de 2003, que reporta que diversas pessoas, inclusive o recorrente, apresentaram noticias crime em que relatam que seus nomes foram usados indevidamente para a constituição de pessoas jurídicas, e solicita que a Receita Federal instaure procedimento fiscal para verificar a existência de dano à Fazenda Pública Federal; d) às ils. 68 a '71, consta cópia de laudo pericial, assinado por perita criminal especializada em exames grafotécnicos, em 12 de julho de 2004, que constata que a assinatura aposta em um cheque da empresa Centro Oeste Wet Blue Representações foi feita por . Antônio Félix Curado Neto, mas que não se pronuncia sobre as assinaturas apostas no contrato social da empresa porque só possui cópia reprográfica do documento Mesmo com todas essas evidências,, a Delegacia da Receita F ederal do Brasil. de Goiânia, por meio do Despacho SACAPDRF/G01, de 19 de julho de 2007 (fis, 104 a 106), indeferiu o pedido do recorrente de que seu nome fosse excluído do quadro societário da empresa Centro Oeste Wet Blue Representações, porque o laudo pericial não afirmou que a assinatura do contribuinte aposta no contrato social era falsa e os atos de constituição da empresa foram devidamente arquivados na Junta Comercial do Estado de Goiás. Afirmou, ainda, que só procederia a retirada do nome da sociedade por determinação judicial. Lembro que a Súmula CARF if 44 firmou o entendimento de que "Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração.." A essa súmula foi atribuído efeito vinculante aos órgãos da administração tributária federal pela Portaria MF n" 383, de 12 de julho de 2010, Sabe-se que esse enunciado surgiu da jurisprudência do antigo 1° Conselho de Contribuintes em afastar a multa por atraso na entrega de declaração de ajuste anual da pessoa física em determinado ano-calendário, quando não comprovado que a pessoa física efetivamente tenha participado do quadro societário da empresa no ano em questão. Ora, verifico que o recorrente despendeu todos os esforços para provar que seu nome foi utilizado indevidamente na constituição de pessoa jurídica, que procurou a ajuda da Polícia Federal e da Receita Federal, e que já obteve reconhecimento do fato pela Justiça Trabalhista, Assim, mesmo sem provimento . judicial especifico que ordene a retirada do nome do recorrente do quadro societário da empresa Centro Oeste Wet Blue Representações, considero que o conjunto probatório demonstrou que o contribuinte nunca participou da empresa. Assim, como os rendimentos tributáveis declarados foram de R$12.000,00 (ff 26), valor inferior ao limite de isenção do ano de 2002 (R$ 12 696,00, IN 290/2003, art. I", inciso I), não se verificando outra hipótese de obrigatoriedade de apresentação de Min:, há que se considerar a multa aplicada como indevida, Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. 4 Processo n" / 0120 001135/2005-01 82-C1T I Acórdão El 2101-00797 Fl 151 5
score : 1.0
Numero do processo: 10283.904875/2012-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 76 em face da decisão de primeira instância proferida no âmbito da DRJ/MG de fls. 70, que julgou a Manifestação de Inconformidade de fls. 12 improcedente e manteve o Despacho Decisório de fls. 7, que não homologou a compensação requerida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 04 87 5/ 20 12 -5 9 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10283.904875/201259 Resolução nº 3201002.033 S3C2T1 Fl. 177 2 Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 40884463 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 41388.84034.160212.1.3.046004. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$28.050,00, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/01/2012. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 18/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 27/12/2012, solicitando a reanálise do Despacho Decisório, tendo ressaltado que, para fins de comprovação, estava anexando cópia do PER/DCOMP, da DCTF e do comprovante de pagamento referente ao processo de crédito. Posteriormente, anexou cópia da DCTF nº 25.63.04.31.5700. A Turma de julgamento da DRJ/MG proferiu o Acórdão de primeira instância administrativa fiscal com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10283.904875/201259 Resolução nº 3201002.033 S3C2T1 Fl. 178 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Após, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Em que pese a Manifestação de Inconformidade ser muito breve, é importante considerar que o Despacho Decisório foi mais breve ainda e, em razão destes fatos, a materialidade da presente lide administrativa fiscal adquiriu substância somente com o julgamento em primeira instância e Recurso Voluntário. O contribuinte juntou ao Recurso Voluntário o mencionado acordo com o banco, assim como juntou o comprovante de pagamento em fls 41 e seguintes e Dacon em fls. 134 e seguintes. Sob o risco de devolver integralmente o valor recebido, o contribuinte diferiu a homologação ao longo do prazo do contrato com o banco e entende que seu pagamento antecipado da Cofins, é o próprio pagamento indevido, uma vez que está recolhendo, de forma dupla, o mesmo tributo, só que de forma diferida. Alega que retificou a Dacon e que está pagando duas vezes o mesmo tributo e, logo, na hipótese de não reconhecimento do pagamento indevido, estaria incorrendo em bi tributação. Os documentos mencionados permitem a busca da verdade material neste caso em concreto. Em face do exposto, com fundamento na regra administrativa fiscal da busca da verdade material, votase para que ps autos sejam convertido em diligência para que: Os autos retornem à unidade de origem para que a fiscalização aprecie o mérito em face dos documentos apresentados e também avalie na escrita fiscal e documentos juntados aos autos se é possível concluir que o contribuinte realmente diferiu e pagou novamente o mesmo tributo ou não. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10283.904875/201259 Resolução nº 3201002.033 S3C2T1 Fl. 179 4 Após o relatório fiscal, deve ser aberta a vista ao contribuinte para seu pronunciamento. Cumprida a diligência, retornem os autos ao CARF. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001208/2005-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO EM OUTRA EMPRESA. EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Verificado que o sócio participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, é correta a exclusão da sistemática do Simples.
ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA JUNTA COMERCIAL. EFEITOS.
Não sendo arquivada a alteração do contrato social no órgão de registro de comércio no do prazo de trinta dias de sua assinatura sua eficácia perante terceiros, só se dá a partir do despacho que conceder o registro.
Numero da decisão: 1302-003.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO EM OUTRA EMPRESA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Verificado que o sócio participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, é correta a exclusão da sistemática do Simples. ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA JUNTA COMERCIAL. EFEITOS. Não sendo arquivada a alteração do contrato social no órgão de registro de comércio no do prazo de trinta dias de sua assinatura sua eficácia perante terceiros, só se dá a partir do despacho que conceder o registro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 141 1 140 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.001208/200557 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.602 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2019 Matéria Simples Exclusão Recorrente ESTRUTURA IND. E COM. DE VIDROS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO EM OUTRA EMPRESA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Verificado que o sócio participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, é correta a exclusão da sistemática do Simples. ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA JUNTA COMERCIAL. EFEITOS. Não sendo arquivada a alteração do contrato social no órgão de registro de comércio no do prazo de trinta dias de sua assinatura sua eficácia perante terceiros, só se dá a partir do despacho que conceder o registro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 12 08 /2 00 5- 57 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10805.001208/200557 Acórdão n.º 1302003.602 S1C3T2 Fl. 142 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0518.618, da 1ª Turma da DRJ/Campinas/SP, proferido em 03 de agosto de 2007, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada em face da exclusão da contribuinte do Simples Nacional no anocalendário 2002, conforme sintetizado na seguinte ementa: Assunto: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO EM OUTRA EMPRESA. EXCLUSÃO. Constatado que o sócio participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, é cabível a exclusão da sistemática do Simples. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. DATA DE REGISTRO. EFICÁCIA. Não arquivado no prazo de trinta dias de sua assinatura, o instrumento de alteração contratual somente produz seus efeitos, perante terceiros, a partir de sua apresentação para registro. Cientificada em 16/08/07 (AR fls. 123), a interessada apresentou recurso voluntário em 28/08/2007, alegando em síntese: a) Que teria promovido alteração em seu contrato social, em 01/12/1999, mediante a qual o exsócio Sebastião Pereira, que detém participação de mais de 10% em outra sociedade que deu ensejo à exclusão do Simples pela soma da receita global ultrapassar o limite legal, se retirou da empresa; b) que a referida alteração não foi levada à registro, por lapso dos sócios, que presumiram que tivesse sido concretizado e formalizado, passando assim a exercerem suas atividades sociais, principalmente, com relação à inclusão do SIMPLES, visto que suas cotas nas empresas referidas não ultrapassavam os limites estabelecidos pela Lei n° 9.317/06; c) que no momento do recebimento do aviso de exclusão do SIMPLES, os sócios da recorrente foram surpreendidos com o Ato Declaratório Executivo ADE, pois levaram em consideração que o ato jurídico produzido em 1999 encontravase regular, pois tais quotas foram declaradas corretamente na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física dos Sócios, no exercício de 2000, anobase de 1999, ou seja, mesmo antes do recebimento de sua exclusão do SIMPLES; d) que não se discute se a participação deste sócio é superior a décima parte do capital da outra empresa, ou mesmo se a soma da receita de ambas, ultrapassa o limite legal, mas apenas que houve uma alteração contratual em 1999, ocasião que esta pessoa deixou de ser Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10805.001208/200557 Acórdão n.º 1302003.602 S1C3T2 Fl. 143 3 sócio desta empresa e que este fato está devidamente provado através do reconhecimento de suas assinaturas em cartório no ano de 1999 e nas declarações de imposto de renda do exsócio e da pessoa jurídica; e) que o arquivamento da alteração contratual perante as Juntas Comerciais Estaduais produzem efeitos retroativos a assinatura, desde que apresentados dentro de trinta dias, por expressa disposição do artigo 36 da Lei 8934/1994 e que não o fazendo, passa a produzir efeitos a partir do depósito, porém o intuito desta disposição legal é a proteção de terceiros; f) que neste caso não é o ato do arquivamento daquela alteração contratual firmada em 1999 que passa a produzir efeitos perante o fisco federal, pois ele foi corretamente cientificado do desligamento do Sr. Sebastião Pereira do quadro societário desde aquela época, através das declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios subseqüentes; g) que o Fisco Federal também foi cientificado da retirada do exsócio através das declarações de Imposto de Renda da Pessoa Juridica e desta forma, havendo a prova inequívoca da ciência anterior ao arquivamento do ato na JUCESP, deve produzir seus efeitos desta ciência e não do arquivamento dos atos na Junta Comercial; h) que os sócios não agiram com máfé, nem se aplica o vício de simulação ao presente caso e que o ato praticado não trouxe qualquer prejuízo às partes; invoca ainda a aplicação dos princípio da isonomia e da capacidade contributiva. Na sequência solicita a realização de diligências com vistas à juntada aos autos da Declaração de IRPF do exsócio Sebastião Pereira, à qual não tem acesso, para que fique comprovada a ciência do Fisco de seu afastamento da sociedade. Ao final requer o provimento do recurso, com o cancelamento do ato declaratório executivo de exclusão no simples e a reinclusão a partir de 01/01/2002. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10805.001208/200557 Acórdão n.º 1302003.602 S1C3T2 Fl. 144 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. A exclusão do Simples decorreu do fato de um dos sócios da recorrente possuir participação em outra sociedade superior a 10% e de a receita global das duas sociedades extrapolarem o limite para a opção no Simples, nos termos do inc. IX do art. 9º da Lei nº 9.317/1996. A recorrente não discute este fato, mas tão somente argumenta que o sócio já havia se retirado da sociedade por meio de alteração contratual formalizada em 12/1999, porém, por um lapso dos sócio, não foi levada a registro junto à JUCESP no prazo legal. O acórdão recorrido aponta que a ausência de registro da alteração na junta comercial impede a produção dos efeitos pretendidos pela recorrente, verbis: Outrossim, a alteração contratual ocorrida em 01/12/1999 (fls.07/08), na qual o Sr Sebastião Pereira retirouse da sociedade, não tem o condão de beneficiálo, tendo em conta que a referida modificação no contrato social não foi apresentada para arquivamento na JUCESP, razão pela qual não tem eficácia contra terceiros não intervenientes do ato. Ressaltese que o art. 36 da Lei 8.934, de 1994, prevê o prazo de trinta dias para apresentação dos documentos de constituição e alteração contratual, para que surtam efeitos desde a data da assinatura. No caso sob exame, não há como se admitir a alteração contratual já que não consta no documento apresentado o registro efetuado na J UCESP. Desse modo, ao permanecer o sócio Sebastião Pereira na empresa em epígrafe no anocalendário 2001, e tendo em conta que ele participava do quadro societário de outra empresa, GARANTE INDÚSTRIA DE VIDROS Ltda, CNPJ N° 53.578.126/000104, com participação de 95% do capital social, cuja receita bruta corresponde a R$ 2.511.971,81 (fl 95) que somada a receita bruta da empresa Estrutura Ind e Comércio de Vidros Ltda EPP 03.091.223/000108, de R$ 772.425,57 importou no montante de R$ 3.284.397,38, verificase que receita bruta global no anocalendário de 2001 de fato ultrapassou o limite legal permitido pela legislação. A recorrente alega a boafé dos sócios e que o mero lapso do não registro imediato da alteração nenhum prejuízo ao Fisco, que teria sido cientificado da exclusão do sócio Sebastião Pereira da sociedade por meio de sua DIRPF relativa ao anocalendário 1999 e, também, por meio das próprias DIPJ da recorrente apresentadas ao Fisco desde 1999. Ressalta também que a alteração contratual conteria o reconhecimento de firma dos sócios no próprio ano de 1.999. Entendo que, no caso, não há que se discutir a boafé dos sócios, posto que a opção ao Simples está sujeita ao preenchimento aos requisitos legais que, diante dos elementos fáticos juntados aos autos, não foram preenchidos pela recorrente no anocalendário 2002. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10805.001208/200557 Acórdão n.º 1302003.602 S1C3T2 Fl. 145 5 De qualquer forma, os documentos trazidos aos autos depõem contra a tese da recorrente. A cópia da alteração contratual apresentada (fls. 11/12) não contém qualquer registro de reconhecimento de firma em cartório dos signatários do instrumento. As cópias da Declarações da Pessoa Jurídica juntada aos autos também não favorecem à recorrente. As DSPJ's dos anoscalendário 2002 (fls. 26/30), 2001 (31/35), e a DIPJ´s dos anoscalendário 2000 (fls. 36/66) e 1999 (fls. 67/96) apontam o Sr. Sebastião Pereira como o representante legal da empresa (exceto a de 1999 que tem o contador como representante legal informado) e informa o pagamento de rendimentos e/ou lucros e dividendos nos quadros que informam o Rendimento de Dirigentes, Sócios ou Titular. Com relação à DIRPF do sócio Sebastião Pereira que não foi trazida aos autos e objeto de pedido de diligência para sua juntada aos autos pela recorrente, ainda que espelhasse a informação alegada, a referida declaração não tem o condão de cientificar o Fisco da alteração da situação societária e cadastral da pessoa jurídica, ora recorrente, o que somente se concretiza mediante comunicação de alteração no CNPJ. Pelo mesmo motivo considero inócua a diligência solicitada e voto por indeferila. Com efeito, no presente caso, nem os atos contratuais foram arquivados tempestivamente na Junta Comercial, nem os dados cadastrais no CNPJ foram alterados pela recorrente antes da comunicação de sua exclusão do Simples. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 17883.000220/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR.
Proposta no voto a confirmação e adoção da decisão recorrida e em não havendo novas razões de defesa perante a segunda instância é possibilitado ao Relator, a transcrição integral daquela decisão de primeira instância, a teor do § 3º do artigo 57 do RICARF.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COTA DA EMPRESA. RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO.
São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, uma vez configurados os pressupostos caracterizadores da relação de emprego, mormente quando o recorrente não á capaz de contrapor a fundamentação fática posta na acusação fiscal.
Numero da decisão: 2402-007.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Thiago Duca Amoni (suplemente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR. Proposta no voto a confirmação e adoção da decisão recorrida e em não havendo novas razões de defesa perante a segunda instância é possibilitado ao Relator, a transcrição integral daquela decisão de primeira instância, a teor do § 3º do artigo 57 do RICARF. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COTA DA EMPRESA. RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO. São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, uma vez configurados os pressupostos caracterizadores da relação de emprego, mormente quando o recorrente não á capaz de contrapor a fundamentação fática posta na acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 20 /2 00 8- 11 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 17883.000220/200811 Acórdão n.º 2402007.225 S2C4T2 Fl. 123 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Thiago Duca Amoni (suplemente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do acórdão da DRJ/RJO I, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem relatar o caso, valhome do relatório da decisão acima citada. Em sua impugnação, naquilo que interessa à lide, aduziu o contribuinte que: * A fiscalização considerou como empregados alguns prestadores de serviços, sem sequer questionar a carga horária de trabalho desses prestadores, sem verificar se os mesmos tinham outro vínculo empregatício e, se a natureza do serviço prestado era de natureza trabalhista. Necessário responder a essas indagações para se pensar em contribuições devidas a terceiros sob a égide da Lei 8.212/91; * Os termos previstos na CLT foram utilizados para caracterização dos empregados, no entanto, para caracterizar vínculo empregatício, tem de estar presentes todos os pressupostos básicos: Não Eventualidade, subordinação, Pessoalidade e remuneração, não restando plenamente configurado tais pressupostos; e Fl. 123DF CARF MF Processo nº 17883.000220/200811 Acórdão n.º 2402007.225 S2C4T2 Fl. 124 3 * a caracterização dos segurados como empregado resulta na possibilidade de serem devidas, não apenas as contribuições previdenciárias, mas também as verbas de natureza trabalhista, sendo que as despesas com encargos trabalhistas ultrapassariam o limite de capacidade de pagamento do Clube, que vem passando por sérias dificuldades financeiras. Como já dito, o lançamento foi mantido pela primeira instância, por meio do acórdão a seguir ementado (fls. 107/112): Em seu Recurso Voluntário de fls. 116/119, insistiu o recorrente que o órgão fiscalizador não levou em consideração todos os requisitos necessários para que fosse reconhecido o vínculo empregatício. Assim sendo, haveria de estar presente todos os requisitos. Se um deles não estiver, não tem como dizer que existiu relação de emprego. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator Conhecimento. O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 24.3.09, consoante se denota de fls. 115, e apresentou seu Recurso Voluntário em 24.4.09, conforme fl. 116. Em sua peça, no tópico atinente à "Tempestividade do Recurso", após admitir o término do prazo para sua interposição como sendo dia 23 de abril, sustentou que esse último dia seria ponto facultativo decretado junto às repartições públicas federais e estatuais, sem, todavia, mencionar o normativo em questão. Consultando a Portaria da Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão nº 525, de 06 de novembro de 2008, por meio da qual foram divulgados os dias de feriado nacional e de ponto facultativo no ano de 2009, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, não traz o dia 23 de abril de 2009 como sendo ponto facultativo como alegado pelo recorrente. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 17883.000220/200811 Acórdão n.º 2402007.225 S2C4T2 Fl. 125 4 Contudo, a Lei 5.198/2008, do Estado do Rio de Janeiro, instituiu como feriado estadual o dia 23 de abril, "Dia de São Jorge" Nesse ponto, assiste razão ao recorrente, no sentido de que teria até o dia 24/4/09 para a apresentação de sua defesa. Assim procedendo, passo a conhecer do recurso. Mérito. Como já noticiado, o Fisco descaracterizou pagamentos efetuados pelo recorrente tidos como retribuição a serviços prestados por contribuintes individuais, por entender que estariam presentes, in casu, os requisitos que caracterizam a relação de emprego. Nesse rol, foram incluídas 5 pessoas físicas, com remuneração que podem ser assim resumidas: Profissional => Alessandro C S Diniz Glauco de O Silva João Rodrigues Marco Antônio Sonia M da S Machado TOTAL Atividade => Futsal Vôlei Feminino Manutenção Piscina Vôlei Masculino Serviços Avulsos janeiro 600,00 200,00 800,00 fevereiro 800,00 200,00 1.000,00 março 600,00 600,00 400,00 1.600,00 abril 600,00 600,00 200,00 1.400,00 maio 720,00 240,00 960,00 2003 junho 720,00 240,00 960,00 julho 600,00 720,00 240,00 1.560,00 agosto 600,00 720,00 240,00 1.560,00 setembro 600,00 720,00 240,00 1.560,00 outubro 600,00 720,00 240,00 1.560,00 novembro 600,00 1.080,00 360,00 2.040,00 dezembro 900,00 1.080,00 360,00 2.340,00 janeiro 600,00 720,00 240,00 1.560,00 fevereiro 600,00 720,00 276,00 1.596,00 março 720,00 276,00 996,00 abril 720,00 276,00 996,00 maio 720,00 276,00 996,00 2004 junho 780,00 276,00 1.056,00 julho 780,00 276,00 1.056,00 agosto 780,00 276,00 1.056,00 setembro 780,00 276,00 1.056,00 outubro 780,00 780,00 novembro 780,00 688,00 1.468,00 dezembro 1.140,00 1.140,00 janeiro 780,00 276,00 1.056,00 fevereiro 780,00 780,00 março 780,00 276,00 1.056,00 abril 780,00 300,00 1.080,00 2005 maio 780,00 300,00 1.080,00 junho 200,00 780,00 300,00 1.280,00 julho 200,00 250,00 780,00 300,00 1.530,00 agosto 200,00 250,00 780,00 300,00 1.530,00 setembro 200,00 250,00 780,00 300,00 1.530,00 outubro 200,00 250,00 780,00 300,00 1.530,00 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 17883.000220/200811 Acórdão n.º 2402007.225 S2C4T2 Fl. 126 5 TOTAL=> 6.300,00 1.000,00 1.000,00 26.300,00 8.948,00 43.548,00 Sobre esse tema, aduziu o recorrente que o órgão fiscalizador não teria levado em consideração todos os requisitos necessários para que fosse reconhecido o vínculo empregatício. Assim sendo, haveria de estar presente todos os requisitos. Se um deles não estivesse, não teria como dizer que existiu relação de emprego. Na verdade, a autuante efetuou uma série de levantamentos e constatações que a conduziram a entender, acertadamente, estarem presentes aqueles requisitos. Frisese aqui, que o sujeito passivo não foi capaz de contrapor, tecnicamente acerca da circunstância fática, os argumentos postos pelo Fisco, limitandose a centrar sua defesa em alegações genéricas e/ou voltadas à sua capacidade financeira para arcar com os ônus trabalhistas e previdenciários decorrentes do enquadramento imputado pela auditoria. A auditoria iniciouse a partir dos recebidos de pagamentos efetuados ao ditos profissionais. Naqueles documentos foi feito constar que referiamse a "futsal", "vôlei feminino", "vôlei masculino", "manutenção piscina" e "serviços avulsos", sendo que com relação aos serviços esportivos de futsal e vôlei, teria sido informado que se tratavam de professores de educação física. Ainda demonstrou o Fisco, que tais entretenimentos faziam parte da atividade fim da recorrente. Na sequência, após elencar os pressupostos para a conceituação de empregado, como sendo: i) ser pessoa física, ii) prestar serviço de natureza não eventual, iii) trabalhar para empregador (empresa urbana ou rural), iv) prestar serviço sob dependência do empregador (subordinação) e v) receber salários, procurou relacionálos aos fatos identificados no caso concreto, vejamos, segundo cada pressuposto: Pessoalidade: o professor não se faz substituir por outra pessoa, sendo que quem contrata é o Clube dos Coroados, com o fim de atingir seus objetivos desenvolver a educação física e promover diversões de caráter desportivo, dentre outros. Não eventualidade: o clube contrata profissionais com o objetivo de atingir suas finalidades, quais sejam: desenvolver a educação física e promover diversões de caráter desportivo, bem como profissional para manutenção de sua piscina, que é uma disponibilidade para seus sócios. Esses serviços são essenciais e necessários para a sua atividade. Logo, tratase de trabalho efetivo, pois constitui uma necessidade da empresa e destinase ao atendimento de suas fins empresariais. Subordinação (dependência) a empregador: referidos profissionais não comparecem no clube quando querem. Os professores exerceram seu ofício nos dias e horários que a empresa determinou para as atividades daqueles esportes, assim como a necessidade da manutenção de sua piscina. Onerosidade (receber salário): todos os envolvidos receberam remuneração pelos serviços prestados, consoante procurou demonstrar a planilha acima colacionada. Os elementos acima, em grande medida, bem fundamentam a conclusão da acusação fiscal, demonstrando existirem, de fato, forte evidência de que a relação existente Fl. 126DF CARF MF Processo nº 17883.000220/200811 Acórdão n.º 2402007.225 S2C4T2 Fl. 127 6 entre a recorrente e aquelas pessoas físicas derase sob as regras trabalhistas, a dar ensejo ao reconhecimento do sustentado vínculo empregatício. Por fim, considerando que o recorrente não apresentou novas razões de defesa quando comparadas com aquelas já deduzidas em primeira instância, passo a adotar, in totum, os fundamentos e conclusão da decisão guerreada, como complementação do aqui já exposto, eis que em que com eles concordo, com fulcro no § 3º do artigo 57 do RICARF. Confirase: Fl. 127DF CARF MF Processo nº 17883.000220/200811 Acórdão n.º 2402007.225 S2C4T2 Fl. 128 7 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 17883.000220/200811 Acórdão n.º 2402007.225 S2C4T2 Fl. 129 8 Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901653/2013-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2011 a 30/11/2011
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.874
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de COFINS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 53 /2 01 3- 49 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16682.901653/201349 Acórdão n.º 3302006.874 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12082.411. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16682.901653/201349 Acórdão n.º 3302006.874 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16682.901653/201349 Acórdão n.º 3302006.874 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16682.901653/201349 Acórdão n.º 3302006.874 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16682.901653/201349 Acórdão n.º 3302006.874 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10831.008658/2006-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Período de apuração: 14/06/1999 a 12/06/2000
REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK. AFERIÇÃO DA
REGULARIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO DE CONCESSÃO DO
REGIME. ILEGITIMIDADE ATIVA DA SECRETARIA DA RECEITA
FEDERAL.
Compete à Secretaria da Receita Federal fiscalizar os tributos federais, inclusive aqueles inerentes às operações de comércio exterior beneficiadas com a concessão do regime aduaneiro especial drawback. Todavia, pertence a outro órgão da administração páblica federal tanto a concessão do benefício
como eventual aferição da regularidade do ato concessório.
DRAWBACK SUSPENSÃO, INADIM.PLEMENTO DE COMPROMISSOS DO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA.
Na modalidade suspensão, a fruição do beneficio do drawback está
subordinada ao princípio da vinculação fisica, que impõe aos insumos importados com suspensão dos tributos aplicação direta e fisicamente à mercadoria exportada, seja integrando-se isicamente a ela, seja, excepcionalmente, consumindo-se no processo produtivo. Não há se falar em aplicação do disposto no Ato Declaratório Cosit 20, de 1996, senão para os setores econômicos definidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 14/06/1999 a 12/06/2000
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. DIES A
QUO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK SUSPENSÃO.
Decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar, é matéria disciplinada nos artigos 150, § 4", e 173 do Código Tributário Nacional. Na importação com suspensão do crédito tributário, não há se falar em pagamento antecipado de tributos nem na aplicação do disposto no citado artigo 150, §40, Segundo a regra do artigo 173, incisol, o prazo decadencial
tem início no "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado". Forte no princípio constitucional da eficiência administrativa e dada a impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o trintídio posterior ao prazo concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo primeiro dia subsequente à validade do ato concessório do drawback é o dies a quo para medir o prazo decadencial do inciso I do artigo 17,3 do Código Tributário Nacional.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, MULTA DE OFÍCIO (75%).
Tem fundamento no ordenamento .jurídico a multa de oficio de setenta e cinco por cento incidente sobre o montante do tributo lançado, Não há se falar em ofensa ao princípio constitucional da proporcionalidade. O principio constitucional da vedação ao uso do tributo com efeito de confisco não alcança as penalidades do direito tributário. A vedação ao confisco por meio da tributação visa coibir os excessos da administração tributária perante o contribuinte. A penalidade tem por fim reprimir os excessos do administrado em face da administração, inclusive com ações eminentemente confiscatórias.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, SUSPENSÃO DA
EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LANÇADO. JUROS DE MORA..
Irreparável o lançamento de juros de mora sobre o crédito tributário apurado ex officio. A impugnação da exigência e os recursos interpostos apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário, mas não inibem a incidência de juros sobre os valores não recolhidos tempestivamente, independentemente do motivo dessa falta.
Numero da decisão: 3101-000.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar.
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: TARÁSIO CAMPELO BORGES
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ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 14/06/1999 a 12/06/2000 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK. AFERIÇÃO DA REGULARIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO DE CONCESSÃO DO REGIME. ILEGITIMIDADE ATIVA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Compete à Secretaria da Receita Federal fiscalizar os tributos federais, inclusive aqueles inerentes às operações de comércio exterior beneficiadas com a concessão do regime aduaneiro especial drawback. Todavia, pertence a outro órgão da administração páblica federal tanto a concessão do benefício como eventual aferição da regularidade do ato concessório. DRAWBACK SUSPENSÃO, INADIM.PLEMENTO DE COMPROMISSOS DO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. Na modalidade suspensão, a fruição do beneficio do drawback está subordinada ao princípio da vinculação fisica, que impõe aos insumos importados com suspensão dos tributos aplicação direta e fisicamente à mercadoria exportada, seja integrando-se isicamente a ela, seja, excepcionalmente, consumindo-se no processo produtivo. Não há se falar em aplicação do disposto no Ato Declaratório Cosit 20, de 1996, senão para os setores econômicos definidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/06/1999 a 12/06/2000 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. DIES A QUO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK SUSPENSÃO. Decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar, é matéria disciplinada nos artigos 150, § 4", e 173 do Código Tributário Nacional. Na importação com suspensão do crédito tributário, não há se falar em pagamento antecipado de tributos nem na aplicação do disposto no citado artigo 150, §40, Segundo a regra do artigo 173, incisol, o prazo decadencial tem início no "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Forte no princípio constitucional da eficiência administrativa e dada a impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o trintídio posterior ao prazo concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo primeiro dia subsequente à validade do ato concessório do drawback é o dies a quo para medir o prazo decadencial do inciso I do artigo 17,3 do Código Tributário Nacional. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, MULTA DE OFÍCIO (75%). Tem fundamento no ordenamento .jurídico a multa de oficio de setenta e cinco por cento incidente sobre o montante do tributo lançado, Não há se falar em ofensa ao princípio constitucional da proporcionalidade. O principio constitucional da vedação ao uso do tributo com efeito de confisco não alcança as penalidades do direito tributário. A vedação ao confisco por meio da tributação visa coibir os excessos da administração tributária perante o contribuinte. A penalidade tem por fim reprimir os excessos do administrado em face da administração, inclusive com ações eminentemente confiscatórias. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LANÇADO. JUROS DE MORA.. Irreparável o lançamento de juros de mora sobre o crédito tributário apurado ex officio. A impugnação da exigência e os recursos interpostos apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário, mas não inibem a incidência de juros sobre os valores não recolhidos tempestivamente, independentemente do motivo dessa falta.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 14/06/1999 a 12/06/2000 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK. AFERIÇÃO DA REGULARIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO DE CONCESSÃO DO REGIME. ILEGITIMIDADE ATIVA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Compete à Secretaria da Receita Federal fiscalizar os tributos federais, inclusive aqueles inerentes às operações de comércio exterior beneficiadas com a concessão do regime aduaneiro especial drawback. Todavia, pertence a outro órgão da administração páblica federal tanto a concessão do benefício como eventual aferição da regularidade do ato concessório. DRAWBACK SUSPENSÃO, INADIM.PLEMENTO DE COMPROMISSOS DO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA, Na modalidade suspensão, a fruição do beneficio do drawback está subordinada ao princípio da vinculação fisica, que impõe aos insumos importados com suspensão dos tributos aplicação direta e .fisicamente à mercadoria exportada, seja integrando-se fisicamente a ela, seja, excepcionalmente, consumindo-se no processo produtivo. Não há se falar em aplicação do disposto no Ato Declaratório Cosit 20, de 1996, senão para os setores econômicos definidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/06/1999 a 12/06/2000 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. DIES A QUO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK SUSPENSÃO. Decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar, é matéria disciplinada nos artigos 150, § 4", e 173 do Código Tributário Nacional. Na importação com suspensão do crédito tributário, não há se falar 1MrIm)tz 03.i0912010 por TAR/1.151(.) CAMPELO BORGL. S 08/09r2010 HENRIQUE. P11,11-1EIRO TOR digiUrm., ntz.2. 03.i11912010 por 1A1-11,..biu u RES fm.itenticado tligitalmeifile oro 03;09/2010 por TARASIO CAMPE.1...0 OORGES Emitido em 16109/2010 polo Min1st6rio da Fazenda DF- CARI Mi' 1'1 992 em pagamento antecipado de tributos nem na aplicação do disposto no citado artigo 150, §40 , Segundo a regra do artigo 173, incisol, o prazo decadencial tem início no "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Forte no princípio constitucional da eficiência administrativa e dada a impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o trintídio posterior ao prazo concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo primeiro dia subsequente à validade do ato concessório do drawback é o dies a titio para mediu o prazo decadencial do inciso I do artigo 17,3 do Código Tributário Nacional, NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, MULTA DE OFÍCIO (75%). Tem fundamento no ordenamento .jurídico a multa de oficio de setenta e cinco por cento incidente sobre o montante do tributo lançado, Não há se falar em ofensa ao princípio constitucional da proporcionalidade. O principio constitucional da vedação ao uso do tributo com efeito de confisco não alcança as penalidades do direito tributário. A vedação ao confisco por meio da tributação visa coibir os excessos da administração tributária perante o contribuinte. A penalidade tem por fim reprimir os excessos do administrado em face da administração, inclusive com ações eminentemente confiscatórias. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LANÇADO. JUROS DE MORA.. Irreparável o lançamento de juros de mora sobre o crédito tributário apurado ex officio. A impugnação da exigência e os recursos interpostos apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário, mas não inibem a incidência de juros sobre os valores não recolhidos tempestivamente, independentemente do motivo dessa falta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar. provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente TARÁSIO CAMPELO BORGES - Relator, EDITADO EM: 03/09/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campeio Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente, Assinalo i!eiralmonteerr i13/0020 10 por TARASIO CAMPEIO LtOP,GEE3 0 ,309 1 2010 por HENRIOUE PINHEIRO ToR s Adlienlic&lo digitalmente oro 03 10020 -10 por TARASIO CAMPEI.° BoRo ES Emitido orn I6'0020 1n polo N.lsrrio da Fazenda 2 1-1. 993 S3-C1T1 Fl. 826 Dr CAIU Níf Processo n" 108.31008658/2006-34 Acórdão n "3101-00,493 Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Segunda Turma da DR.1 São Paulo (SP) que julgou procedente [ 1 ] o lançamento do imposto de importação [2], acrescido de juros de mora equivalentes à taxa Selic e multa proporcional (75%, passível de redução), do qual preposto da sociedade empresária teve ciência no dia 5 de dezembro de 2006. Segundo a denúncia fiscal [3 ], a fiscalização aduaneira constatou o inadimplemento de compromissos originalmente assumidos por CYANAMID QUiMICA DO BRASIL LTDA., em 16 de abril de 1999, substituída, em 27 de dezembro de 2000, no polo passivo dessa obrigação por CYANAMID AGRICULTURA DO BRASIL LTDA. [4 ], objeto de incorporação pela BASF S.A. aprovada em Assembléia Geral Extraordinária de 1° de dezembro de 2000 [5]. A fruição dos beneficias do drawback suspensão outorgados no Ato Concessório 00001-99/000042-5 [ 6] tinha prazo de validade das exportações inicialmente fixado no dia 16 de outubro de 1999, alterado por aditivos e finalmente fixado no dia 8 de abril de 2001 [7]. Para a concessão do regime aduaneiro especial, a beneficiária assumiu o compromisso de exportar monocrotofós (Azodrin Técnico) e requereu suspensão dos tributos incidentes na importação de MMCAA (monometil-2-cloro-acetoacetamida) e TMP (Fosfito de Trimetila). A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), por intermédio do Banco do Brasil, encaminhou à Receita Federal o Relatório Unificado de Drawback de folhas 133 a 145, sem emitir juízo de valor acerca do adimplemento do regime aduaneiro especial. No encerramento da ação fiscal, o autuante assevera que o sujeito passivo da obrigação tributária sonegou informações à fiscalização, "impossibilitando a verificação, pela Receita Federal, do Principio da Vinculação Física e da conseqüente e efetiva exportação dos produtos importados ao amparo do regime especial de drawback [...] ficando caracterizado, consectariamente, o inadimplemento total do regime especial fiscalizado" [13] Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 767 a 777 (volume IV) Auto de infração do imposto de importação acostado às folhas 1 a 79. Fatos geradores: 14 de junho de 1999 a 12 de junho de 2000, 3 Descrição dos fatos de folhas 2 a 4 e termo de constatação fiscal acostado às folhas 17 a 79 (nas folhas I 7 a 43 550 apresentados os fundamentos legais, doutrinários e jurisprudenciais do regime aduaneiro especial) 'I Aditivo ao ato concessório acostado à folha 131. Termo de constatação fiscal, folha 44. Ato concessório acostado à folha 127 Aditivo ao ato concessório acostado à folha 130 e termo de constatação fiscal, folha 41 H Descr 1 ição dos fatos follp 2,, diLiilainK3nte 1.t3m9!2n O por t'AKA,1(.) GAMPELO BORGES C)E .;i0/20 o por 1-1ENR€OUE PINHERO TOE; RE Autr,..,ntinack) dtalmente em D2/09/2(110 por ÏAiASO CAMPELO 13ORGE.: Errilide oro 16/09/210 polo Ministério da Fazenda 5 6 1.)I . CARI :\11 . 11 994 Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 251 a 284 (volume II), assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: - seja reconhecida a decadência das exações impostas no auto de infração tendo em vista a última exportação validade [sie] ser datada de novembro de 2000 ou que seja reconhecida a decadência das operações caso a caso, uma vez que em cada exportação era aberto o prazo decadencial para a fazenda contestar a operação efetivada lançando os créditos que achasse pertinente; - seja dado provimento à impugnação tendo em vista que já havia sido concedida baixa pelo Banco do Brasil, bem corno por não existir regra que permita a desconsideração de toda documentação acostada para glosa total dos valores impugnados; - requer o afastamento da imputação dos juros calculados pela taxa SELIC, tendo em vista a mesma ser patentemente inconstitucional, bem como da multa, devido esta ultrapassar o limite do razoável, tendo efeito confiscalório, bem corno da imputação dos juros, que só podem incidir a partir da constituição definitiva dos valores; - requer a produção de provas, principalmente a pericial, possibilitando a indicação de assistente técnico para a questão, perguntando se o material importado é utilizado no processo de produção do material exportado e se as quantidades indicadas na importação tem equivalência com as mercadorias exportadas. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-li Período de apuração: 14/0611999 a 12/06/2000 DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO, INADIMPLEMENTO, IMPOSTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. - Em caso de inadimplernento do regime de drawback, modalidade suspensão, o termo de inicio do prazo decadencial para lançamento de oficio decorrente de descumprimento de compromissos assumidos para obtenção do Ato Concessorio será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que venceu o prazo de validade para exportação dos produtos incentivados (com acréscimo de mais 30 dias previstos no art 319, inciso I e parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos), referente aos insurnos supostamente amparados pela suspensão, aplicando-se, pois, ao caso, o disposto no art. 173, inciso I, do CTN, DRAWBACK. PRINCIPIO DA V1NCULAÇÃO FÍSICA. DOCUMENTAÇÃO COIVIPROBATORIA - A legislação de regência do drawback impõe a observância do principio da vinculação fisica, segundo o qual a mercadoria importada ao amparo desse regime deve ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação de outra a ser exportada, o que requer seu emprego físico no processo industrial do produto exportado. Diante da falta de comprovação do atendimento ao principio da 9 A pessoa jurídica fiscalizada, regularmente intimada no termo de início de fiscalização (folhas 65 e seguintes), deixou de apresentar ao fisco federal, dentre outros documentos: laudos técnicos, livro de registro de controle . da.produção e clf. ergue, platVill MS dernowitratias cfasela0o insupo x rr,Nuto, clwitolniunte ern 9.i1...dlo por -\ piq • LU_ esc") 914'11 11 no' 1- 11\1011E. PINI•lEIRO TOR RES jtiio digii.:111T1ente oni WinEi!.i20-10 por TARABIO AMPFLO BO1 G17.S 4 Emitido ént 16/0O12010 poto Ministério da Fazenda 4 H 5 S3-C1 TI Fl 827 DE CARI' MF. Processo n° 10831 008658/2006-34 Acórdão n 03101-00,493 vinculação fisica, em razão da não-apresentação da documentação solicitada pelo fisco, deixa o beneficiário de demonstrar o adimpIernento do regime drawback DRAWBACK DOCUMENTAÇÃO INSTRUTORIA E COMPROBATOR1A OBRIGATORIEDADE DE GUARDA ATÉ A EXPIRAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL - No caso do drawback, até que se opere a decadência ou a prescrição das penalidades e dos créditos tributários já constituídos, deverá ser mantida em boa guarda toda a documentação hábil à comprovação do atendimento dos requisitos inerentes ao incentivo à exportação em questão, DRAWBACK-SUSPENSÃO MULTA DE OFÍCIO - Cabível a multa de oficio, prevista no art, 44, inciso 1, da Lei 9.430/96, sobre o imposto de importação, pela caracterização de inadimplemento dos compromissos assumidos quando da concessão do regime de drawback-suspensão, conforme previsto peia legislação de regência. DRAWBACK-SUSPENSÃO JUROS DE MORA/TAXA SELIC - Cabíveis os juros de mora calculados com a Taxa SELI C, na vigência do art. 13 da Lei 9.065/95 e/co art. 161, § I° do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 795 a 817 (volume 1:\) Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa [ 10] os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em quatro volumes, ora processados com 824 folhas,. É o relatório, Voto Conselheiro Tarásio Campeio Borges, Relatar 11) Despacho acostado à folha 824 determina o encaminhamento dos autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O3CI9t2010 por TARASID CAMPELO BORGES 08/IIIP/2010 poi HENRIOL I E PINHEIRO TOR RES Autenticado digitalrnúnte:Uhl 0310IL],2010 por "I"ARASIO CAMPEL.C) BORGES Emitida •,-. r1 10/0010Q i O pelo Mi€)istério da Fazenda 1)1 ARE M E El Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 795 a 817 (volume IV), porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade, Versa o litígio, conforme relatado, sobre a exigência do imposto de importação, acrescido de juros de mora equivalentes à taxa Selic e multa proporcional (75%, passível de redução), decorrente de denunciado inadimplemento de regime aduaneiro especial drawback, na modalidade suspensão. Quanto à invocada decadência dos fatos motivadores dos lançamentos de folhas 1 a 79, entendo-a desmotivada. Com efeito, decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar por força do disposto no artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal de 1988, é matéria disciplinada nos artigos 150, § 4 0 [ H l e 173 [ 12] do Código Tributário Nacional. Na situação fática que se apresenta, importação com suspensão do crédito tributário, não há se faiar em pagamento antecipado de tributo, Assim, afasto o artigo 150, § 4 0 , para considerar pertinente ao caso concreto a regra do artigo 173. Por conseguinte, é de cinco anos o prazo concedido à Fazenda Pública para a constituição do crédito tributário, esse prazo é contado a partir "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" 13 e o primeiro desafio que se apresenta é definir o dies a gira do prazo previsto no inciso 1 do artigo 173 do Código Tributário Nacional Neste ponto, creio relevante lembrar que o ônus financeiro decorrente da estrutura administrativa do Estado é suportado pela sociedade, Esse ônus é diretamente proporcional ao tamanho e inversamente proporcional à eficiência da estrutura administrativa. Conseqüentemente, não é razoável exigir determinada ação de qualquer órgão do Estado senão direcionada para a consecução do interesse coletivo. Fiz essa digressão porque não considero dever da autoridade administrativa, para prevenir a decadência e sob pena de responsabilidade funcional, promover o lançamento dos créditos de todos os tributos suspensos em face da outorga de benefícios fiscais, inclusive incentivos à exportação, na tese mais favorável ao fisco, com guarda do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do ano imediatamente subseqüente àquele da ocorrência do fato gerador do tributo. CTN, artigo 150: O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislaçã'o atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa [ .3 § 4' Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 12 CTN, artigo 173: O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: (I) do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (II) da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento 13 ri-Nj nrl i, ri 7 -; inrkn n riurt iVIWUR:7:, f par TARPS10 CAMPELO 1:10R etES EAO3 P2ÍI1 t3 per HENEICIUE P3t ,11-tEIRO -FOR HES it.. ott:ffltict atik'y tfitjti talmertle pot 1'AF",!(,,t2310 C,AMPItt_ BORC-)Et:'; Etttitide era ItStt ü9:20 10 peto Mtnist(r.ttrio da Fazetndil 11 6 1-1 15 16 DE CA RE ME . Fl 997 Processo n" 10831 00808/2006-34 S3-C1T1 Acórdão a "3101-00.493 Fl 828 Proceder dessa forma é desperdiçar os já insuficientes recursos públicos para movimentar a máquina da Fazenda Nacional e lançar tributos que somente serão exigidos se infrações às normas tributárias forem praticadas no futuro. Não é essa a interpretação que faço do inciso 1 do artigo 173 do CIN. Como a eficiência da administração pública é um dos princípios enumerados no capuz' do artigo 37 da Constituição Federal 14 e o enunciado da norma jurídica pospõe o dies a TI° para a aferição do prazo nele previsto para o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" 15 , considero razoável entender que a Fazenda Nacional deve otimizar o uso de sua máquina de fiscalização direcionando-a para a auditoria de procedimentos em contribuintes com indícios de infrações à legislação tributária, Logo, como o inadimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial não pode ser anunciado senão depois de esgotado o trintídio posterior ao prazo concedido no ato administrativo de outorga do benefício I6, o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo primeiro dia subsequente à validade do ato concessório do drawback é o dies a gila" para medir o prazo decadencial do inciso 1 do artigo 173 do CTI\L É certo que a ora recorrente pretende fixar o marco vestibular do prazo decadencial com um ano de antecedência. Para tanto, alega que a última exportação vinculada ao ato concessório ora examinado ocorreu no ano anterior ao do prazo de validade das exportações. Nada obstante, considero esse fato de somenos importância, por dois motivos principais: (1) a Fazenda Nacional não foi comunicada que essa exportação seria a última vinculada àquele ato concessorio; e (2) independentemente da existência dessa comunicação, o inadimplemento do regime aduaneiro especial, repito, não pode ser aferido senão perante o decurso do trintidio ulterior à validade do ato concessório. Destarte, rejeito a tese de decadência dos fatos motivadores dos lançamentos efetivados no dia 5 de dezembro de 2006. Sobre o beneficio do drawback, um incentivo à exportação, é cediço que ele pode ser concedido nas modalidades suspensão, isenção ou restituição, cada qual com suas peculiaridades. No Regulamento Aduaneiro (RA) vigente à época da ocorrência dos fatos geradores 18 , então aprovado pelo Decreto 91.030, de 5 de março de 1985, a matéria era regulada em capítulo próprio, nos artigos 314 a 334, Constituição Federal, artigo 37 [redação dada pela EC 19, de 19981: A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [ CTN, artigo 173, inciso I Prazo de validade das exportações: 8 de abril de 2001 [Aditivo ao ato concessório acostado à folha 130 e termo de constatação fiscal, folha 411 17 Dies a giro para contar o prazo deeadencial: 1" de janeiro de 2002 . 1B Período de ocorrên0a dos,fatosferadores: _14 de junho de 199,9 a p..(1101191)19 1g 200,q., daValm ràrde por 0,0,1,p,_CHO por riEk • , 1.1 u Autrúic.aik) dirjiLánel'ile cri 03,'W.-1/20 I() por TARASIO CAMPELO F.,ORGES Firlitido em 16,q)912010 polo Ministério da Fazenda 7 DF CARI : NU' 1'M Aqui se discute o denunciado inadimplemento de compromissos assumidos para a fruição do beneficio do drawback, na modalidade suspensão, por inobservância do princípio da vinculação física, que impõe aos insumos importados com suspensão dos tributos aplicação direta e fisicamente à mercadoria exportada, seja integrando-se fisicamente a ela, seja, excepcionalmente, consumindo-se no processo produtivo, A propósito dessa modalidade do benefício fiscal, permite o RA, no inciso 1 do artigo 314, cuja matriz legal é o inciso 11 do artigo 78 do Decreto-lei 37, de 18 de novembro de 1966, a "suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada". No § 1" do artigo 315, está explicitada a norma excepcional: "O beneficio também poderá ser concedido para matéria-prima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação em condições que justifiquem a concessão". Na busca da melhor exegese dessas normas, vale recordar determinação contida no Código Tributário Nacional, quando cuida da interpretação e integração da legislação tributária: Art I 1 I. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Também vigiam naquela época outras normas jurídicas, de hierarquia inferior, todas com a finalidade precípua de controlar o adimplemento do compromisso de exportação assumido como condição indispensável ao gozo do benefício fiscal. In casu, pelo Ato Concessorio 00001-991000042-5, de 16 de abril de 1999 ,1 j, com as alterações introduzidas por seus aditivos, a ora recorrente assumiu o compromisso de exportar, no prazo assinalado, determinada quantidade de monocrotofós (Azodrin Técnico) e, em contrapartida, foi autorizada a promover importações de MMCAA (monometil-2-cloro- acetoacetamida) e TMP (Fosfito de Trimetila) com suspensão do pagamento dos tributos exigíveis nessa operação. Portanto, amparado, principalmente, no CTN, artigo 111, caput e inciso 1 [21, bem como no Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91,030, de 5 de março de 1985, artigo .314, inciso 1 [21 ], e no artigo 315, § 1 0 [22], entendo como únicos aspectos relevantes para o deslinde dessa questão perquirir a existência e a procedência de denúncia quanto ao 19 Ato concessório acostado à folha 127. 2') CTN, artigo I 1 I: Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (I) suspensão ou exclusão do crédito tributário; [.. 1. RA 1985, artigo 314: Poderá ser concedido [. ], nos termos e condições estabelecidos no presente Capítulo, o beneficio do "drawback" nas seguintes modalidades (Decreto-Lei 37/66, art. 78, I a III): (I) suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; [ .]. 22 RA 1985, artigo 315: O beneficio do "drawback" [.. ] I') O beneficio também poderá ser concedido para matéria-prima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação.cm condições que justifiquem a epncessão. . • - — - - 1./..-4TUI-V2[.) CrIX:Ir 1».1-,A,r,11) 1.»,r,11-ELU É-15,n1+..PUE digii.a3rwmie E9rn 031W:112,f)1{) por TARA....;10 CA: ELO 13()IGE.`.; 8 Emindonr 16:W2010 poo Klinklõrin do Fazenda 8 1 99 9 S3-C1 TI Fl 829 DF CARI' Processo n" 10831 008658/2006-34 Acórdão n "3101-00,493 inadimplemento do compromisso de exportação de monocrotofós (Azodrin Técnico) produzido mediante o uso de MMCAA (monometil-2-cloro-acetoacetamida) e TMP (Fosfito de Trimetila) importados com suspensão dos tributos. O adimplemento do compromisso de exportação deve ser levado a efeito sob o aspecto da ternpestividade e da suficiência, No entanto, a aferição do principio da vinculação física resta prejudicada, porquanto o sujeito passivo da obrigação tributária, a despeito de regularente intimado [23], deixou de apresentar os documentos necessários para esse cotejo, tais como: laudos técnicos, livro de registro de controle da produção e do estoque, planilhas demonstrativas da relação insumo x produto. Consequentemente, dada a impossibilidade de ser realizada a auditoria de produção mediante o necessário confronto dos resultados teóricos inerentes à produção industrial com os assentamentos fiscais do controle da produção e do estoque do estabelecimento, entendo não comprovada a veracidade das exportações declaradas de mercadorias produzidas mediante o uso de insumos importados com suspensão dos tributos sob o amparo do Ato Concessório 00001-99/000042-5, de 16 de abril de 1999 Ademais, ante a lógica das razões recursais, sequer existe controvérsia no que respeita ao inadimplemento do drawback, pois a própria recorrente admite que tentou, sem sucesso, modificar o ato concessorio, posteriormente ao escoamento das prorrogações do seu prazo de validade para nele incluir outro produto no compromisso de exportação, senão vejamos: Cabe exaltar que, não se pode levar em conta para o cálculo decadencial indicado o pedido de inclusão do produto AZODRIN 400 no campo de mercadorias a serem exportadas, datado de 14/08/2001. A negativa indicada tem lastro em dois fatores: o primeiro, o fato de que o pedido de inclusão não foi aceito pelo BANCO DO BRASIL, autoridade competente paia tal ato, e o segundo que o pedido foi efetivado fora do prazo legai, data limite do ato concessário. Por esses exatos motivos, verifica-se que o pedido de inclusão datado de 14/08/2001 é completamente nulo, ao podendo assim ser utilizado para fins de computo do inicio da contagem do prazo decadencial. [2] Ora, se a ora recorrente solicitou alterar seu compromisso de exportação em momento posterior ao prazo compromissado é porque sabia que se encontrava inadimplente com o regime aduaneiro especial e vislumbrava, com esse artificio, sair da inadimplência. Quanto à multa contestada, ela foi aplicada em conformidade com o disposto no artigo 44, inciso 1, da Lei 9,430, de 1996: 75% sobre o tributo devido A contrário das 23 Termo de inicio de fiscalização às folhas 65 e seguintes Rectmo yOulgátio folhap 8Q2 9 w. Assirtwit digitarrnr-t-ntc: . , 1 3Ç r201 por 17.t. C.) - BORGES OFV01,1 20 10 prni- HENRIQUE PINHEIRO TOR •,,utériticarto en 0:10:ti2010 por TARAS° CAMPEI.( 3OR3ES Ernitido 1W09.2í.) I O pelo Ministério da Fazenda 1)1 :: R.1 F : 1'1. 1.000 25 30 razões reeursais, não existe, nos autos deste processo administrativo, lançamento simultâneo de outra multa igual a 30% do débito apurado [-]. Igualmente impertinente, ao meu juizo, a alegada inconstitucionalidade do lançamento fundada em suposta extrapolação da capacidade contributiva e na inobservância da vedação ao confisco ou suposta ofensa ao princípio da proporcionalidade. Malgrado posições doutrinárias em sentido contrário, não entendo extensível às penalidades do direito tributário a vedação constitucional ao uso do tributo com efeito de confisco. O tributo é uma "prestação pecuniária compulsória [...] que não constitua sanção de ato ilícito"26 e a penalidade é a sanção de ato ilícito. A vedação ao confisco por meio da tributação visa coibir os excessos da administração tributária perante o contribuinte. Alidatis inutandis, a penalidade tem por fim reprimir os excessos do administrado em face da administração, inclusive com ações eminentemente confiscatórias.. As penas de perdimento do veículo 27, da mercadoria" e de moeda29 são exemplos desse confisco. No que respeita à incidência de juros de mora, o acórdão recorrido também é irreparável. Está amparado no ordenamento jurídico o lançamento de .juros sobre tributos devidos e não pagos nem depositados integralmente no vencimento. Com efeito, o artigo 161 [30], caput e § 2°, do Código Tributário Nacional impõe a incidência de juros de mora sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, independentemente do "motivo determinante da falta", exceto na "pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito". Destaco, a propósito, outra exceção à regra de incidência dos juros de mora sobre os créditos não pagos no vencimento: depósito do seu montante integral, regra enunciada no caput do artigo 83 [31 ] do Decreto 93..872, de 23 de dezembro de 1986. Recurso voluntário, folha 809 (volume IV): "Veja-se que, multa aplicada em razão do suposto não recolhimento do diferencial de aliquota sobre o produto foi quantificada percentagem de 75% e 30% sobre o valor do suposto débito, nos termos do artigo 44, inciso 1, da Lei 9,430/96" 26 Código Tributário Nacional, artigo 3" 27 Decreto-lei 37, de 1966, artigo 104 28 Decreto-lei .37, de 1966, artigo 105, com um dos incisos alterado pelo Decreto-lei 1 804, de 1980 29 Lei n" 9 069, de 1995, artigo 65, capta e § 1", incisos 1 cll CTN, artigo 61: O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária [.. ] § 2. O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito 31 ' I Decreto 93.872, de 1986, artigo 83: Será também feito na Caixa Econômica Federal, voluntariamente pelo contribuinte, depósito em dinheiro para se eximir da incidência de juros e outros acréscimos legais no processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários. Parágrafo único O depósito de que trata este artigo, de valor atualizado do litígio, nele incluídos a multa e os juros de mora devidos nos termos da legislação específica, será feito à ordem da Secretaria da Receita Federal, podendo ser convertido em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito, à ordem dojuizo comoetente „ B ORGE S , olgttaErnemte oro 121 ,.)9mt) -1U por ARA:510 GAMRELO SURGES 03/09 n 2010 por HENRIQUE El ,11-1E1 RO ToR At.donlicado iqoIITonlo en1 0.3/02/201 O por fARASIO CAN ,IBELO BORGES 10 Emifido .1(vriv2O 10 polo k.linistério da Fazenda 10 Dr CARI M l 1. 1 00 I Processo n" 10831 008658/2006-34 S3-C1T1 Acórdão n "3101-00,493 1;1 830 Ao revés do pretendido pela recorrente, a impugnação da exigência e os recursos interpostos apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário lançado, mas não inibem a incidência de juros sobre os valores não recolhidos tempestivamente. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Tarásio Campeio Borges ii.uíodia[rnunte em O:3 109 ,201U ür TARASIO CAMPELO BORGES O5i09/201+à por HENR1OUE -..3 [EIRO TOP. RES Atitenlicw_io digitalmenle 03i0W2010 por TARASK) CAMPEI...0 BORGES E milido n 16/0'.=)1201Q p p..fD Miniszério da Fazenda 11
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