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Numero do processo: 16000.000217/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2006
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. AUSÊNCIA DE ENQUADRAMENTO LEGAL ADEQUADO. NULIDADE.
A responsabilização dos sócios da pessoa jurídica depende de adequado enquadramento legal e preenchimento dos respectivos requisitos. Na ausência de enquadramento legal e demonstração do preenchimento dos requisitos legais, o lançamento padece de nulidade por vício material.
Lançamento Anulado.
Numero da decisão: 2301-002.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento, pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em anular a decisão de primeira instância; b) em conceituar o vício como material nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituo o vício como formal. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
1.0 = *:*
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PREV CONSTRUÇÃO CIVIL ARBITRAMENTO RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS Recorrente TUBOCITY IND E COM DE TUBOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2006 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. AUSÊNCIA DE ENQUADRAMENTO LEGAL ADEQUADO. NULIDADE. A responsabilização dos sócios da pessoa jurídica depende de adequado enquadramento legal e preenchimento dos respectivos requisitos. Na ausência de enquadramento legal e demonstração do preenchimento dos requisitos legais, o lançamento padece de nulidade por vício material. Lançamento Anulado. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento, pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em anular a decisão de primeira instância; b) em conceituar o vício como material nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituo o vício como formal. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de voto Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de lançamento, lavrado em 08/03/2007, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 17/24, deixado de recolher a totalidade das contribuições incidentes sobre as remunerações de empregados utilizados em construção civil apuradas por aferição indireta, nas competências 12/1999 a 04/2007, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 10.650,20, fls. 01. Segundo o Relatório Fiscal, a base de cálculo utilizada no presente levantamento foi obtida por aferição com a emissão do Aviso para Regularização de Obra ARO de 22/12/2006, referente à construção de duas casas com um total de 150,00 m2 e um conjunto de salas de escritório com 100,00 m2, no endereço acima, matricula CEI38.390.07569/79, obra nova, padrão baixo, enquadramento H012Q, salário de contribuição R$ 21.759,94. A fiscalização narrou alguns fatos que a levaram a atribuir a responsabilidade aos atuais sócios e aos antigos sócios Terezinha e Agnaldo. Especialmente, foi narrado que a empresa não foi localizada em seu endereço. Após tomarem ciência postal da autuação em 27/12/2066, fls. 36, os sócios Terezinha e Agnaldo apresentaram impugnação, fls. 124/137, na qual apresentaram argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16000.000217/200734 Acórdão n.º 230102.831 S2C3T1 Fl. 235 3 A 3ª Turma da DRJ/Campo Grande, no Acórdão de fls. 152/173, julgou o lançamento procedente, tendo os recorrentes sido cientificados do decisório em 12/03/2008, fls. 185/186. O recurso voluntário, apresentado em 04/04/2008, fls. 194/227, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Os recorrentes, Terezinha e Agnaldo, alegam que falta a assinatura do chefe da unidade, o que resultaria em nulidade. Insistem que não detém poderes para representar a empresa, pois não são sócios da Tubocity desde 02/07/1997. A fiscalização baseouse em meras suposições para lavrar o auto, sem juntar provas de qualquer vinculação dos interessados. Alegam ter ocorrido cerceamento de defesa É descabida a desconsideração jurídica da empresa, uma vez que os requisitos legais não foram provados. Pleiteiam a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Entendem que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN Afirmam que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Como a devedora principal, Tubocity, não apresentou impugnação, o presente processo trata do lançamento que atribuiu a responsabilidade pelo crédito tributário aos sócios Terezinha e Agnaldo, qualificados no Relatório Fiscal. Observamos que nem nos Fundamentos Legais do Débito (FLD) nem no Relatório Fiscal (REFISC) a fiscalização apresentou o enquadramento legal que permitia responsabilização dos sócios recorrentes. Os fatos narrados no REFISC tratam de demonstrar que a empresa não foi localizada em seu endereço e que foi realizada uma busca dos sócios. A narrativa induz a concluir que a responsabilização dos sócios deuse por dissolução irregular da sociedade, mas em nenhum momento foi citado o art. 134 do CTN apontando o inciso utilizado. De outro lado, poderíamos imaginar que o enquadramento é aquele do art. 135. De uma forma ou de outra haveria que ser demonstrado a existência dos requisitos legais para tanto. No caso presente, na medida em que a fiscalização não apontou o enquadramento legal, os recorrentes não puderam concentrar os esforços de sua defesa para contraditar a acusação, o que evidencia o cerceamento de defesa e macula de nulidade o referido ato administrativo, nos moldes do art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO e ANULAR O LANÇAMENTO, em relação aos recorrentes, por vício material, mantendose o crédito tributário em relação à devedora principal e demais sócios, tendo em vista que em relação a estes nem houve início do litígio. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16000.000217/200734 Acórdão n.º 230102.831 S2C3T1 Fl. 236 5 1. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio, em conformidade ao exposto pelo douto redator, e dou provimento ao recurso voluntário, nos termos seguintes: 2. A responsabilidade da pessoa física não pode decorrer da simples falta de pagamento de tributo. É inquestionável que o lançamento tributário tem sua exigibilidade em face da sociedade contribuinte. Porém, o que é questionável é a exigibilidade de tais créditos perante o administrador dessa sociedade. 3. A sujeição passiva da obrigação principal no direito tributário, como é sabido, se dá de duas formas: por contribuição (CTN 121, parágrafo único, inciso, I) ou por responsabilização (CTN 121, parágrafo único, inciso II). No caso em tela, inegável a condição de contribuinte da sociedade. De outro lado, é completamente dúbia a condição de responsável do administrador por esses créditos. 4. Inexiste, no direito tributário pátrio, espécie de responsabilização objetiva do sócio por créditos tributários inadimplidos pela sociedade. O que o sistema prevê é a responsabilidade tributária do administrador por atos irregulares – atos ultra vires –, seja este administrador sócio ou não. 5. Destarte, insta salientar que sem a presença dos requisitos dos arts. 134 ou 135, não há de se falar em responsabilidade do sócio administrador. 6. Nesse sentido leciono o prof. Luciano Amaro: “Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver prática de ato para qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. Se inexistir esse ato irregular, não cabe a invocação do preceito em tela”(in Direito Tributário Brasileiro. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. P.319). 7. Em uníssono é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO. RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ART. 135, III. DO CTN. PRECEDENTES.1. A arguição da exceção de pré executividade com vista a tratar de matérias de ordem pública em processo executivo fiscal – tais como condições da ação e pressupostos processuais – somente é cabível quando não for necessária, para tal mister, dilação probatória. 2. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.3. Recurso especial provido”[g.n] Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 (REsp 426.157/SE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 18.08.2006 p. 361).” 8. Assim, tendo em vista que em nenhum momento da autuação o Fisco demonstrou qual a hipótese para o enquadramento dos sócios, minguado de legalidade encontrase os autos, devendo o mesmo ser anulado por vício material. CONCLUSÃO 9.Dado o exposto, voto no sentido de CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO e ANULAR O LANÇAMENTO, em relação aos recorrentes, por vício material. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de voto Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012860/2008-01
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS NÃO COMPROVADAS. FUNDAMENTO
DA GLOSA.
Não sendo as objeções fiscais suficientes para embasar a completa rejeição
das despesas apontadas, não procede a exigência nesta parte.
BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DESCONTOS
INCONDICIONAIS. DISTINÇÃO.
A bonificação em mercadorias se constitui em abatimento concedido sob a
forma de unidades físicas do produto, sendo dedutível do lucro bruto na
apuração do lucro operacional, como despesa operacional; já o desconto
incondicional se constitui em redução sobre o preço do produto vendido,
sendo dedutível da receita bruta na apuração da receita líquida de vendas e
serviços, como dedução da receita bruta.
DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS VENDIDAS, NÃO
COMPROVADAS. FORMA DE COMPROVAÇÃO.
A comprovação da ocorrência de devoluções de mercadorias vendidas se faz
mediante a apresentação de notas fiscais de devolução estritamente
vinculadas às notas fiscais de aquisição, contendo os mesmo dados destas
(número, data de emissão e valor da operação), inclusive o destaque do
imposto, quando for o caso.
DESCONTOS CONCEDIDOS E NÃO COMPROVADOS. FORMA DE
COMPROVAÇÃO.
A comprovação da existência de descontos concedidos no pagamento de
duplicatas se faz por meio da apresentação das próprias duplicatas pagas, nas
quais constariam as quitações por valores menores do que os de sua emissão.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOExercício: 2004
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS
TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS
PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE.
NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO.
No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ
19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz
rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata
de imposição tributária (STF Repercussão
Geral).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que
tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem
fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
MULTA DE OFÍCIO. SUPOSTO CARÁTER CONFISCATÓRIO.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente
para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula
CARF nº 2).
Numero da decisão: 1803-001.481
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir de tributação as parcelas relativas a “prestações de serviços não comprovadas” e a “bonificações concedidas em mercadorias, não dedutíveis” (itens 1 e 2 do Termo de Verificação Fiscal, de fls. 24 a 44), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
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anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS NÃO COMPROVADAS. FUNDAMENTO DA GLOSA. Não sendo as objeções fiscais suficientes para embasar a completa rejeição das despesas apontadas, não procede a exigência nesta parte. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. DISTINÇÃO. A bonificação em mercadorias se constitui em abatimento concedido sob a forma de unidades físicas do produto, sendo dedutível do lucro bruto na apuração do lucro operacional, como despesa operacional; já o desconto incondicional se constitui em redução sobre o preço do produto vendido, sendo dedutível da receita bruta na apuração da receita líquida de vendas e serviços, como dedução da receita bruta. DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS VENDIDAS, NÃO COMPROVADAS. FORMA DE COMPROVAÇÃO. A comprovação da ocorrência de devoluções de mercadorias vendidas se faz mediante a apresentação de notas fiscais de devolução estritamente vinculadas às notas fiscais de aquisição, contendo os mesmo dados destas (número, data de emissão e valor da operação), inclusive o destaque do imposto, quando for o caso. DESCONTOS CONCEDIDOS E NÃO COMPROVADOS. FORMA DE COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência de descontos concedidos no pagamento de duplicatas se faz por meio da apresentação das próprias duplicatas pagas, nas quais constariam as quitações por valores menores do que os de sua emissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOExercício: 2004 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF Repercussão Geral). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. MULTA DE OFÍCIO. SUPOSTO CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS NÃO COMPROVADAS. FUNDAMENTO DA GLOSA. Não sendo as objeções fiscais suficientes para embasar a completa rejeição das despesas apontadas, não procede a exigência nesta parte. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. DISTINÇÃO. A bonificação em mercadorias se constitui em abatimento concedido sob a forma de unidades físicas do produto, sendo dedutível do lucro bruto na apuração do lucro operacional, como despesa operacional; já o desconto incondicional se constitui em redução sobre o preço do produto vendido, sendo dedutível da receita bruta na apuração da receita líquida de vendas e serviços, como dedução da receita bruta. DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS VENDIDAS, NÃO COMPROVADAS. FORMA DE COMPROVAÇÃO. A comprovação da ocorrência de devoluções de mercadorias vendidas se faz mediante a apresentação de notas fiscais de devolução estritamente vinculadas às notas fiscais de aquisição, contendo os mesmo dados destas (número, data de emissão e valor da operação), inclusive o destaque do imposto, quando for o caso. DESCONTOS CONCEDIDOS E NÃO COMPROVADOS. FORMA DE COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência de descontos concedidos no pagamento de duplicatas se faz por meio da apresentação das próprias duplicatas pagas, nas quais constariam as quitações por valores menores do que os de sua emissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.794 2 Exercício: 2004 TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF Repercussão Geral). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. MULTA DE OFÍCIO. SUPOSTO CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.795 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir de tributação as parcelas relativas a “prestações de serviços não comprovadas” e a “bonificações concedidas em mercadorias, não dedutíveis” (itens 1 e 2 do Termo de Verificação Fiscal, de fls. 24 a 44), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.796 4 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte objeto de Recurso (fls. 400 a 407 – destaques do original): Exigese da interessada o crédito tributário a seguir demonstrado: Imposto / Contribuição Principal Juros de Mora Multa Proporcional Total Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) 29.811,58 19.142,01 22.358,68 71.312,27 Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) 831,71 560,76 623,77 2.016,24 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) 1.512,21 1.019,57 1.134,14 3.665,92 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 17.886,94 11.485,20 13.415,20 42.787,34 Total (R$) 50.042,44 32.207,54 37.531,79 119.781,77 A seguir, indicamse os autos de infração objeto do presente processo, bem como, em síntese, as infrações neles descritas: Auto de infração de IRPJ (fls. 02/07) Infração 001: Custos ou despesas não comprovados. Glosa de custos. Devoluções de vendas não comprovadas, conforme item 3 do termo de verificação fiscal. Período de apuração: anocalendário de 2003. Enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 247, 248, 249, I, 251 e parágrafo único, 277 a 280 e 288 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99); e IN SRF nº 51, de 1978. Infração 002: Custos ou despesas não comprovados. Glosa de despesas. Prestações de serviços não comprovadas, conforme item 1 do termo de verificação fiscal. Período de apuração: anocalendário de 2003. Enquadramento legal: arts. 249, I, 251 e parágrafo único, 299, 300 e 301 do RIR/99. Infração 003: Custos, despesas operacionais e encargos não necessários. Bonificações concedidas em mercadorias não dedutíveis, conforme item 2 do termo de verificação fiscal. Período de apuração: anocalendário de 2003. Enquadramento legal: arts. 247, 248, 249, I, 251 e parágrafo único, 280, 299, 300 e 304 do RIR/99; art. 13, §2º, da Lei nº 9.249, de 1995; e IN SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Infração 004: Glosas de despesas financeiras. Despesas financeiras contabilizadas a título de descontos concedidos, sem a comprovação de sua efetividade, por meio de documentação hábil e idônea, conforme item 4 do termo de verificação fiscal. Período de apuração: anocalendário de 2003. Enquadramento legal: arts. 247, 248, 249, I, 251 e parágrafo único, 299 e §§ 1º e 2º, 300, 374, I, do RIR/99. Auto de infração de PIS (fls. 08/12) O lançamento de PIS decorre da fiscalização do IRPJ. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.797 5 Infração 001: PIS – Incidência não cumulativa – Apuração reflexa. Falta de recolhimento do PIS – Incidência não cumulativa. Devoluções de vendas não comprovadas, conforme item 3 do termo de verificação fiscal. Período de apuração: meses de setembro, outubro e novembro do anocalendário de 2003. Enquadramento legal: arts. 1º, 3º e 4º da Lei nº 10.637, de 2002. Auto de infração de Cofins (fls. 13/17) O lançamento de Cofins decorre da fiscalização do IRPJ. Infração 001: Cofins. Falta/insuficiência de recolhimento da Cofins. Devoluções de vendas não comprovadas, conforme item 3 do termo de verificação fiscal. Período de apuração: meses de setembro, outubro e novembro do ano calendário de 2003. Enquadramento legal: arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002. Auto de infração de CSLL (fls. 18/23) O lançamento de CSLL decorre da fiscalização do IRPJ. Infração 001: CSLL. Falta de recolhimento da CSLL. a) Devoluções de vendas não comprovadas, conforme item 3 do termo de verificação fiscal. b) Prestações de serviços não comprovadas, conforme item 1 do termo de verificação fiscal. c) Bonificações concedidas em mercadorias não dedutíveis, conforme item 2 do termo de verificação fiscal. d) Despesas financeiras contabilizadas a título de descontos concedidos, sem a comprovação de sua efetividade, por meio de documentação hábil e idônea, conforme item 4 do termo de verificação fiscal. Período de apuração: anocalendário de 2003. Enquadramento legal: art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996; art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002. Termo de verificação fiscal (fls. 24/44) Das informações consignadas pela autoridade lançadora no termo de verificação fiscal, extraise, em resumo, que: 1) Início da ação fiscal: Em 09/01/2008, teve início a fiscalização da Suviminas Comércio de Tintas Ltda., CNPJ nº 02.705.681/000119 (antiga Suviminas Distribuidora Ltda). Constatouse que a Suviminas Comércio de Tintas Ltda. foi incorporada pela interessada, conforme instrumento de alteração contratual registrado na junta comercial em 26/01/2007 (fls. 53/66). A alteração cadastral junto à RFB somente foi providenciada em 06/05/2008. O procedimento fiscal originário foi então encerrado, iniciandose, em 20/05/2008, a fiscalização da interessada. Às fls. 48/49, consta autorização do Delegado da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte para reexame de período já fiscalizado (anocalendário de 2003). 2) IRPJ e CSLL. Glosa de despesas. Prestações de serviços não comprovadas: Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.798 6 Com relação à escrituração de despesas de prestação de serviços por pessoa jurídica, a interessada foi intimada a comprovar os pagamentos e a efetiva prestação dos serviços (fls. 45/47). A partir dos elementos apresentados e das diligências efetuadas, a autoridade lançadora apresentou suas constatações quanto aos seguintes prestadores de serviços: 2.1) Transportadora Miranda Ltda, CNPJ nº 04.755188/000139: Os Correios devolveram a intimação que a ela foi dirigida. O seu domicílio tributário corresponde a uma caixa postal situada na sede da Prefeitura Municipal de Rio Acima/MG (fls. 165/167). De acordo com o sistema da RFB “Consulta Declarações IRPJ”, a transportadora encontrase inativa desde o anocalendário de 2003 (fls. 168). No contrato de prestação de serviços de fls. 169/172, não se indicam nem o tipo societário, nem o número de inscrição no CNPJ da sociedade – que é ali representada por sócia não integrante do quadro societário constante do sistema da RFB “Consulta CNPJ”, qual seja: Luciane de Miranda Gomes Teixeira. Inexiste veículo de propriedade da transportadora no sistema do Departamento Nacional de Trânsito “RENAVAM”. As cópias de notas fiscais às fls. 176, 178 e 180, sem a discriminação das notas fiscais e/ou conhecimentos de transporte que identifiquem as mercadorias transportadas, não comprovam a efetiva prestação dos serviços. Consta do referido contrato que “a contratada poderá prestar serviços de entrega de mercadorias para outras empresas, que tenham vínculo societário com a contratante”. Os cheques, cujas cópias estão anexas às fls. 176/181, foram sacados diretamente no caixa das instituições bancárias, não sendo prova cabal de que o desembolso efetuado veio a integrar o patrimônio da transportadora. Assim, devem ser objeto de glosa os respectivos valores deduzidos pela incorporada em sua contabilidade, a título de serviços prestados por pessoa jurídica (R$ 4.047,38 – fls. 29). 2.2) R & C Prestação de Serviços Ltda., CNPJ nº 02.764.712/000102: As notas fiscais por ela emitidas assim discriminam os serviços: “prestação de serviços de acordo com a planilha” (fls. 188/213). Nenhuma planilha foi apresentada à autoridade lançadora. Tais notas não discriminam as notas fiscais e/ou conhecimentos de transporte que identifiquem as mercadorias transportadas. O contrato de locação de caminhão firmado entre a incorporada (locadora) e a R & C Prestação de Serviços Ltda. (locatária) estabelece que “o pagamento da locação será efetuado através de prestação de serviços de transportes à locadora” e que “a locatária poderá prestar serviços de entrega de mercadorias para outras empresas que tenham vínculo societário com a locadora” (fls. 183). Os cheques, cujas cópias estão anexas às fls. 189/214, foram sacados diretamente no caixa das instituições bancárias, e não possuem valores coincidentes com os destacados nas notas fiscais. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.799 7 Em diligência levada a efeito na R & C Prestação de Serviços Ltda. (fls. 215/217), não foram obtidos elementos suficientes a evidenciar que as notas fiscais referemse à prestação de serviços de transporte para a incorporada. Assim, devem ser objeto de glosa os respectivos valores deduzidos pela incorporada em sua contabilidade, a título de serviços prestados por pessoa jurídica (R$ 39.088,57 – fls. 30). [...]. 3) IRPJ e CSLL. Custos, despesas operacionais e encargos não necessários. Bonificações concedidas em mercadorias não dedutíveis: Relativamente aos meses de janeiro a dezembro de 2003, a incorporada escriturou despesas a título de bonificações em mercadorias concedidas aos seus clientes (fls. 34). A interessada foi intimada a comprovar a necessidade, usualidade ou normalidade das despesas (fls. 226). As informações contidas na resposta de fls. 229/234 “confirmam o fato de que as bonificações concedidas a seus clientes não se configuram descontos incondicionais, para serem dedutíveis na apuração do lucro real”. Isto pode ser observado quando a interessada esclarece, às fls. 230, que “a concessão deste tipo de benefício depende realmente do volume de negociações” (grifo da autoridade lançadora). Não foi anexada a mencionada “planilha 01”, que, de acordo com os esclarecimentos prestados, “demonstra a política da empresa, comprovando as bonificações concedidas em relação a várias empresas”. As notas fiscais apresentadas, às fls. 239/273, foram emitidas apenas para fins de bonificação. As bonificações deveriam ter figurado como parcela redutora do valor da venda nas notas fiscais de venda dos bens a que se referem. Não consta das notas fiscais de bonificação a indicação da operação ou a causa que lhes deu origem. Não se atendeu ao que dispõem a IN SRF nº 51, de 1978, e o art. 304 do RIR, de 1999. Algumas das notas, mesmo intituladas como se fossem de bonificações, concedem descontos (fls. 264, 266, 267, 268 e 273). Os valores escriturados de algumas das notas correspondem aos seus montantes líquidos da base de cálculo do ICMS (fls. 230/231, 252, 253, 254, 257, 265, 266, 268 e 271). A nota fiscal de fls. 271 referese à bonificação que a incorporada concedeu à própria interessada, o que enfraquece a afirmação de que as bonificações visam à captação e manutenção da clientela. Não comprovada a natureza necessária da despesa para a consecução do objetivo social, e não se coadunando as bonificações com o desconto incondicional (por não constar o valor delas como parcela redutora do preço de venda nas notas fiscais), não há como admitir a dedutibilidade das despesas para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Valor tributável: R$ 92.598,79 (fls. 34). 4) IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Devoluções de mercadorias vendidas não comprovadas: Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.800 8 As notas fiscais de devolução, relacionadas às fls. 38, não indicam o transportador nem as respectivas notas de venda (fls. 283/335). Intimada (fls. 227), a interessada esclareceu que o seu cliente estava em período de encerramento de atividades e, não conseguindo saldar seus débitos, devolveu as mercadorias que ainda estavam em seu poder, no intuito de abatimento da dívida; e que algumas notas de devolução referemse a vendas efetuadas em período já prescrito (fls. 231). Na tabela elaborada pela interessada, às fls. 232/233, as notas de vendas são vinculadas aos produtos e às notas de devolução, mas ela não apresenta todas as notas de vendas ali relacionadas. Os produtos indicados ora não correspondem àqueles relacionados nas notas de venda apresentadas, ora inexiste qualquer nota fiscal que lhes sirva de origem, ora possuem valores, quantidades e embalagens divergentes daqueles relacionados nas notas de devolução. Nos termos do art. 264, § 3º, do RIR, de 1999, os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Na verdade, a interessada obrigou seu cliente a quitar os valores a ela devidos em face das duplicatas pendentes, adquirindolhe as mercadorias em estoque, razão pela qual não se vislumbra uma vinculação perfeita entre os dados contidos nas notas fiscais de venda e aqueles produtos cujos valores a interessada pretende sejam deduzidos a título de devolução de mercadorias. Valor tributável: R$ 50.407,56 (fls. 39). 5) IRPJ e CSLL. Glosas de despesas financeiras. Descontos concedidos e não comprovados: Intimada a comprovar os registros contábeis a título de descontos concedidos (fls. 228), a interessada deixou de apresentar as provas documentais de que os clientes obtiveram, de fato, os descontos (fls. 233). Valor tributável: R$ 11.251,58 (fls. 39/40). Consignese, por fim, que no item II.1, intitulado “Créditos decorrentes da não cumulatividade” (fls. 40 e 41), o termo de verificação fiscal versa sobre exigências de PIS diversas da acima relatada. Entretanto, tais exigências não são objeto de nenhum dos autos de infração deste processo, razão pela qual não serão aqui detalhadas. Impugnação Intimada da exigência em 30/09/2008, a interessada, em 30/10/2008 (fls. 355), apresentou a impugnação de fls. 357/378, suscitando, em resumo, as seguintes razões de defesa: a) Glosa de despesas com prestadoras de serviços. Transportadora Miranda Ltda.: Anexamse o contrato social desta, bem como documentos que comprovam a existência do contrato de prestação de serviços firmado entre ela e a Suviminas Distribuidora Ltda (antiga razão social da incorporada). A transportadora locava da Suviminas Distribuidora Ltda. o caminhão que utilizava para fazer as entregas, pagando a locação através dos próprios serviços de transporte que lhe eram Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.801 9 prestados. E Luciane de Miranda Gomes Teixeira possui procuração, registrada em cartório, para assinar em nome da transportadora. (documentos juntados às fls. 02/16 do Anexo I) b) Glosa de despesas com prestadoras de serviços. R & C Prestação de Serviços Ltda.: Os serviços por esta prestados estão comprovados pelas notas fiscais juntadas aos autos, bem como pelos cheques que indicam o seu pagamento. Anexa se planilha que informa os serviços prestados, as datas, o percurso das entregas, as notas fiscais dos produtos entregues e quantidade dos produtos. (documentos juntados às fls. 17/107 do Anexo I) c) Glosa das bonificações concedidas em mercadorias: As bonificações eram concedidas incondicionalmente. Quando da compra da mercadoria pelo cliente, independentemente da realização de evento futuro, havia a concessão da bonificação, que pode ser traduzida como desconto incondicional. Lado outro, se as bonificações não forem entendidas como descontos incondicionais, devem então ser enquadradas como despesas operacionais, conforme Solução de Consulta nº 298, de 28 de novembro de 2007 (fls. 363). A única intenção era aumentar a carteira de clientes e manter a fidelidade dos já captados. Os fornecedores exigiam o cumprimento de metas de vendas para que fosse possível continuar representando a sua marca. O montante das bonificações, em relação ao total das vendas para cada cliente, é absolutamente tolerável e usual no ramo. Se não fossem praticadas as bonificações, não seria possível concorrer em patamar de igualdade com as outras empresas do ramo, que normalmente as concedem. (documentos juntados: Anexo I, fls. 165/178; Anexos II, III e IV) d) Devoluções de mercadorias vendidas: A planilha anexa (fls. 162/164 do Anexo I) demonstra que as mercadorias devolvidas, em sua esmagadora maioria, são as mesmas que as vendidas. Por uma falha no gerenciamento das devoluções, foram indevidamente tidos como objeto de devolução os produtos indicados nas notas fiscais de ns. 14267 (itens 5 e 10), 14447 (item 6), 14501 (itens 1, 4, 7, 11 e 13) e 14502 (itens 12, 19 e 20). Somam R$ 1.296,97 os produtos a que se referem os aludidos itens. Os demais produtos foram realmente devolvidos e somam R$ 30.959,71. (documentos juntados às fls. 108/164 do Anexo I) e) Descontos concedidos não comprovados: Exigese da interessada prova impossível. Os fatos ocorreram há um tempo considerável, em 2003. Ela não pode exigir daqueles clientes que exibam documentos para comprovar que realmente se beneficiaram dos descontos. Somente o agente da fiscalização tributária teria esse poder, se munido de um mandado de procedimento fiscal. A interessada pode apenas apresentar cópia do livro razão, provando que não houve o ingresso dos valores descontados. (documentos juntados às fls. 179/221 do Anexo I) f) Ilegalidade e inconstitucionalidade na utilização da taxa Selic como juros de mora: Devem ser descontadas do débito todas as parcelas exigidas a título de juros de mora com base na taxa Selic, naquilo que exceder 1% ao mês, por ofender o disposto no art. 161, § 1º, do CTN, bem como os princípios constitucionais da legalidade, indelegabilidade de competência e segurança jurídica. g) Caráter confiscatório da multa. Necessidade de redução: a multa aplicada deve ser reduzida para patamares condizentes com a realidade econômica do país e com o ordenamento pátrio, mormente a carta política de 1988. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 399 e 400): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.802 10 Anocalendário: 2003 DESPESAS COM CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS. As importâncias registradas a título de despesas ou custos com a contratação de serviços somente são dedutíveis, para determinação do lucro real, mediante a comprovação, com documentação hábil e idônea, do pagamento e da efetiva realização dos trabalhos por parte do beneficiário. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. Bonificações concedidas em mercadorias serão indedutíveis, para determinação do lucro real, quando não revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente e não houver comprovação da necessidade e usualidade ou normalidade da despesa. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS VENDIDAS. As notas fiscais de devolução devem fazer referência às respectivas notas de venda, indicando o número, a data de emissão e o valor da operação do documento original. A falta de comprovação das devoluções de mercadorias enseja lançamento. DESCONTOS CONCEDIDOS. Correta a tributação dos valores escriturados a título de descontos concedidos no pagamento de duplicatas, quando não comprovada, por meio de documentação hábil, a veracidade dos registros contábeis. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, aplicase multa de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. JUROS DE MORA. Sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidem juros de mora calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL, PIS E COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Cientificada da referida decisão em 29/03/2012 (fls. 1.767 – numeração digital ND), a tempo, em 25/04/2012, apresenta a interessada Recurso de fls. 1.775 (ND) a 1.790 (ND), nele argumentando, em síntese: Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.803 11 a) que o lançamento foi construído em cima de premissas falsas, levantadas pela Fiscalização, que preferiu entender pela manutenção do crédito, em vez de acatar a realidade dos fatos consubstanciada em cerca de quatro centenas de folhas de documentação hábil e idônea, juntada pela Recorrente quando do protocolo da Impugnação; b) que, dessa forma, novamente se demonstrará que as glosas efetuadas pela Fiscalização não merecem prosperar, posto que as deduções efetuadas pela Recorrente foram feitas em função de exercício regular de direito garantido pelas normas legais que disciplinam os tributos que se tenta exigir; c) que, com relação à Transportadora Miranda Ltda. (prestações de serviços não comprovadas), as notas fiscais juntadas aos autos para a comprovação da prestação de serviços não podem ser analisadas isoladamente, devendo ser observadas em conjunto com os contratos de prestação de serviços e respectivos aditivos; d) que, dessa forma, verificase que as notas fiscais referemse às operações de prestação de serviço da Transportadora Miranda Ltda. em favor da Recorrente; e) que o fato de a transportadora encontrarse inativa junto ao sistema da Receita Federal é questão que se restringe à relação entre a Recorrida e a transportadora, em nada alterando o direito de terceiros de boafé (no caso, a Recorrente); f) que o fato de que, nas notas fiscais não havia referência às notas fiscais das mercadorias transportadas não quer significar que sejam elas inválidas ou inidôneas, posto que, para fins de dedução destes valores da base de cálculo dos tributos exigidos, não é necessário que haja a discriminação requerida pela Fiscalização; g) que a redação ressaltada pela Fiscalização, do contrato de prestação de serviço apenas significa que, se outra empresa que possua vínculo societário com a Recorrente utilizar os serviços da transportadora, este serviço já se encontra incluso no contrato, não sendo necessárias tratativas paralelas; h) que as demais alegações da Fiscalização fogem do âmbito de atuação da Recorrente, não podendo ela ser responsabilizada pela escolha de domicílio fiscal da transportadora ou pela opção do meio de resgate dos cheques; i) que, no que se refere à empresa R & C Prestação de Serviços Ltda. (prestações de serviços não comprovadas), o caminhão utilizado pela transportadora era de propriedade da Recorrente, que o alugava àquela; j) que, no final do mês, subtraíase, do valor devido pela Recorrente, os valores referentes ao aluguel e a despesas com abastecimentos e manutenção em geral do caminhão locado; Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.804 12 k) que esta é a origem da diferença entre o valor das notas e dos pagamentos efetuados; l) que, ainda que a fiscalização não considerasse o valor informado pela Recorrente como passível de ser deduzido, deveria ela ter acatado, no mínimo, a dedução no patamar dos pagamentos efetuados, qual seja, o valor pago à transportadora já com os abatimentos referentes aos custos que envolvem a manutenção do caminhão e seu aluguel; m) que, dessa forma, caso não se entenda pela dedução integral, a glosa deveria pesar apenas sobre as diferenças encontradas pela Fiscalização, e não sobre o valor total dos pagamentos efetuados à R & C Prestação de Serviços Ltda.; n) que, no tocante às bonificações concedidas em mercadorias, não dedutíveis, o único requisito para que a dedução seja regular e válida é de que o desconto ou bonificação seja concedido incondicionalmente; o) que a fiscalização fracassou em demonstrar qualquer condição vinculada à concessão das bonificações e descontos; p) que as notas fiscais de bonificações atendem a todas as especificações necessárias, sendo necessário ressaltar que a legislação mineira não obriga a que se faça qualquer observação na nota fiscal, quando se tratar de nota fiscal de bonificação; q) que, sendo considerados bonificação incondicionada, sendo considerados despesa operacional, os valores referentes a este tópico precisam ser decotados do lançamento recorrido; r) que, no pertinente às devoluções de mercadorias vendidas, não comprovadas, em que pese a Recorrente ter juntado todas as notas fiscais correspondentes às devoluções, bem como ter apresentado planilha que demonstra a vinculação entre as operações de venda e as respectivas devoluções, o órgão julgador manteve a glosa das deduções efetuadas, referentes a este item; s) que, pela mera divergência de valores entre a nota fiscal de saída e a nota fiscal de devolução não se pode concluir pela inidoneidade das operações de devolução; t) que, referentemente aos descontos concedidos e não comprovados, a fiscalização e a DRJ responsável afirmaram que o livrorazão da Recorrente não tem valor probatório, pois não houve juntada de documentação hábil que demonstre o porquê dos números da Recorrente; u) que a fiscalização não provou que a escrituração da Recorrente é irreal, limitandose a rejeitar documento idôneo sem elidilo, apenas levantando suspeitas, mas mantendoas infundadas, por não conseguir demonstrálas; Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.805 13 v) que a Recorrente não tem autoridade legal para requerer de seus clientes os documentos necessários à comprovação de seu pleno direito; w) que o seu livrorazão, isoladamente, tem o condão de demonstrar, com confiabilidade, os dados contábeis da Recorrente; x) que é, portanto, descabida a glosa efetuada em função da dedução do valor referente aos descontos concedidos no pagamento de duplicatas, devendo ocorrer o decote do crédito lançado na razão das deduções glosadas; y) que é ilegal e inconstitucional a utilização da taxa Selic como juros de mora; e z) que é confiscatória a multa de ofício aplicada. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.806 14 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Prestações de serviços não comprovadas 5. Tratase de despesas de prestações de serviços por pessoas jurídicas, consideradas não comprovadas pela fiscalização (fls. 25). 6. Após a decisão de primeira instância, subsistem as seguintes objeções da fiscalização quanto a esse item, no que se refere à Transportadora Miranda Ltda. (fls. 408): Os Correios devolveram a intimação dirigida à transportadora. O seu domicílio tributário corresponde a uma caixa postal situada na sede da Prefeitura Municipal de Rio Acima/MG (fls. 165/167); De acordo com o sistema da RFB “Consulta Declarações IRPJ”, a transportadora encontrase inativa desde o ano calendário de 2003 (fls. 168); As notas fiscais não discriminam as notas fiscais e/ou conhecimentos de transporte que identifiquem as mercadorias transportadas; Consta do referido contrato de prestação de serviços que “a contratada poderá prestar serviços de entrega de mercadorias para outras empresas, que tenham vínculo societário com a contratante”; Os cheques que comprovariam o pagamento dos serviços foram sacados diretamente no caixa das instituições bancárias, não sendo prova cabal de que o desembolso efetuado veio a integrar o patrimônio da transportadora. 7. Alega a Recorrente que as notas fiscais juntadas aos autos para a comprovação da prestação de serviços não podem ser analisadas isoladamente, devendo ser observadas em conjunto com os contratos de prestação de serviços e respectivos aditivos (fls. 1.777 ND). 8. Entendo que as objeções acima não são suficientes para embasar a completa rejeição das despesas apontadas: a) o simples fato de a referida transportadora não haver sido encontrada pelos Correios em 30/06/2008, com a observação “mudouse” (fls. 166 e verso) não comprova a sua inexistência já no ano de 2003. Pesquisando na Internet, verificou este relator que Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.807 15 aquela empresa somente foi considerada inexistente de fato, pelo fisco mineiro, em outubro de 2008 (http://portal6.pbh.gov.br/dom/Files/dom0311smarespecial2.rtf): EDITAL DE DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE FATO DE ESTABELECIMENTO PRESTADOR DE SERVIÇOS O Gerente de Tributos Mobiliários, da Secretaria Municipal Adjunta de Arrecadações, da Secretaria Municipal de Finanças, da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, no uso de suas atribuições legais, especialmente a contida no artigo 2º, do Decreto nº 12.689 de 20 de abril de 2007, mediante apuração efetuada em PTA específico, DECLARA A INEXISTÊNCIA DE FATO DOS ESTABELECIMENTOS DAS SEGUINTES EMPRESAS, localizadas no município de RIO ACIMA, para os efeitos da retenção e recolhimento do ISSQN de que trata o inciso V, do artigo 21, da Lei Municipal nº 8.725/03, com nova redação do artigo 1º da Lei nº 9.335/07. Notifica também todos os tomadores de serviços das mencionadas empresas, estabelecidos em Belo Horizonte, da obrigação de reter e recolher o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza ISSQN incidente sobre os serviços prestados pelos estabelecimentos aqui declarados inexistentes de fato, a partir do dia seguinte ao desta publicação, nos termos do § 2º do artigo 2º do Decreto nº 12.689 de 20 de abril de 2007. Belo Horizonte, 27 de outubro de 2008 Eugênio Eustáquio Veloso Fernandes Gerente de Tributos Mobiliários [...]. PROCESSOCNPJRAZÃO SOCIAL 01.094495.08.2204755188/000139TRANSPORTADORA MIRANDA LTDA. [...]. b) quanto à circunstância de o endereço daquela transportadora ser uma caixa postal, situada na sede da Prefeitura Municipal de Rio Acima/MG, há que se ressaltar que este relator, ao consultar na Internet pelas expressões “Rua Antônio Carlos, 38” box “Rio Acima”, localizou, em data de 4 de setembro de 2012, aproximadamente 1.260 resultados, abrangendo diversas empresas daquela localidade, como demonstra a tela seguinte: Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.808 16 c) o fato de aquela transportadora encontrarse inativa desde o ano calendário de 2003 (tela de fls. 168) não é conclusivo, Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.809 17 comprovando, pelo contrário, a sua existência, pelo menos até 25/03/2008, data da entrega da declaração de inatividade do ano calendário de 2007 (fls. 168); d) no contrato de prestação de serviços não se indica, realmente, nem o tipo societário, nem o número de inscrição no CNPJ da transportadora, como afirma a fiscalização, o que não a impediu, porém, de identificála no cadastro da RFB (fls. 173); e) a exigência da fiscalização de que as notas fiscais de serviços de transporte deveriam discriminar as notas fiscais e/ou conhecimentos de transporte que identificassem as mercadorias transportadas é irrazoável, em face da existência de contrato de prestação de serviços correspondente, vigente pelo prazo de doze meses, prorrogável (fls. 169 e 170); f) a cláusula de que “a contratada poderá prestar serviços de entrega de mercadorias para outras empresas que tenham vínculo societário com a contratante” apenas flexibiliza o que consta da mesma cláusula (cláusula segunda, fls. 169), no sentido da exclusividade na prestação de serviços de transportes de mercadorias para a Recorrente, já que é desta o caminhão utilizado no serviço. Não ficou claro o motivo da estranheza da fiscalização quanto a esse ponto; e g) quanto aos cheques de pagamento, todos eles são nominais à transportadora (fls. 176 a 181), não havendo qualquer impedimento legal a que esta efetue, a seu critério, o saque da importância respectiva diretamente na boca do caixa. 9. Com relação à empresa R & C Prestação de Serviços Ltda., a decisão recorrida aponta diversos erros na escrituração do livro Caixa da referida transportadora, além de divergências entre os dados indicados em planilha, as notas fiscais respectivas e os pagamentos em cheque (fls. 409 e 410). 10. Subsistem, ainda, após a decisão de primeira instância, as seguintes objeções da fiscalização (fls. 410): o contrato de locação de caminhão firmado entre a incorporada (locadora) e a transportadora (locatária) estabelece que “a locatária poderá prestar serviços de entrega de mercadorias para outras empresas que tenham vínculo societário com a locadora”; os cheques que comprovariam o pagamento dos serviços foram sacados diretamente no caixa das instituições bancárias; em diligência levada a efeito na transportadora, não foram obtidos elementos suficientes a evidenciar que as notas fiscais referemse à prestação de serviços de transporte para a incorporada. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.810 18 11. Afirma a Recorrente que a origem da diferença entre o valor das notas e dos pagamentos efetuados está no fato de o caminhão utilizado pela transportadora ser de sua propriedade (Recorrente), que o alugava àquela, e que, no final do mês, subtraíase, do valor devido, os valores referentes ao aluguel e a despesas com abastecimentos e manutenção em geral do caminhão locado (fls. 1.779 ND). 12. Entendo que as objeções acima não são suficientes para embasar a completa rejeição das despesas apontadas: a) os erros na escrituração do livro Caixa da transportadora e as divergências entre os dados indicados em planilha, as notas fiscais respectivas e os pagamentos em cheque, poderiam, quando muito, resultar na glosa das correspondentes diferenças, mas não na total desconsideração da despesa, como bem afirmou a Recorrente (fls. 1.779 ND); b) as divergências apontadas pela fiscalização e pela decisão recorrida entre as notas fiscais e os pagamentos em cheques se referem, apenas a valores, já que as datas dos cheques e das respectivas notas fiscais são coincidentes entre si (fls. 189 a 214); c) a cláusula de que “a locatária poderá prestar serviços de entrega de mercadorias para outras empresas que tenham vínculo societário com a locadora” apenas flexibiliza o que consta da mesma cláusula (cláusula terceira, fls. 183), no sentido da exclusividade na prestação de serviços de transportes de mercadorias para a Recorrente, já que é desta o caminhão utilizado no serviço. Não ficou claro o motivo da estranheza da fiscalização quanto a esse ponto; d) quanto aos cheques de pagamento, todos eles são nominais à transportadora (fls. 189 a 214), não havendo qualquer impedimento legal a que esta efetue, a seu critério, o saque da importância respectiva diretamente na boca do caixa; e) há cheques que não foram sacados na boca do caixa, mas depositados em outro banco (fls. 210, 212 e 214), e, pelo menos um deles foi utilizado, em boa parte, para pagamento de títulos, conforme anotação em seu verso (fls. 206); e f) ao afirmar a fiscalização, genericamente, que, em diligência levada a efeito na transportadora, não foram obtidos elementos suficientes a evidenciar que as notas fiscais referemse à prestação de serviços de transporte para a incorporada Suviminas Distribuidora Ltda. (fls. 30), não esclareceu, ela, a que elementos exatamente se referia. 13. Voto, assim, pelo cancelamento desta parte da autuação. Bonificações concedidas em mercadorias, não dedutíveis Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.811 19 14. Entendeu a fiscalização, com relação às bonificações concedidas em mercadorias, não estar comprovada a natureza necessária da despesa para a consecução do objetivo social, não se coadunando, essas bonificações, com o desconto incondicional, por não constar o valor delas como parcela redutora do preço de venda nas notas fiscais (fls. 36). 15. Afirma a decisão recorrida que as bonificações concedidas em mercadorias não são dedutíveis, para fins de determinação do lucro real, pois a concessão não se deu sob a forma de desconto incondicional (fls. 411). Afirma, ainda, que as bonificações concedidas devem guardar estrita consonância com as operações mercantis que lhes originaram, o que, no caso em apreço, não estaria comprovado por meio de documentação hábil e idônea (fls. 412). 16. Subsistem, ainda, após a decisão de primeira instância, as seguintes objeções da fiscalização (fls. 35 e 36): as notas de bonificações às fls. 264, 266, 267, 268 e 273 concedem descontos; os valores escriturados das notas de fls. 230/231, 252, 253, 254, 257, 265, 266, 268 e 271 correspondem aos seus montantes líquidos da base de cálculo do ICMS; a nota fiscal de fls. 271 referese à bonificação que a incorporada concedeu à própria interessada, o que enfraquece a afirmação de que as bonificações visam à captação e manutenção da clientela. 17. Contrapõe a Recorrente que, sendo considerados bonificação incondicionada, sendo considerados despesa operacional, os valores referentes a este tópico precisam ser decotados do lançamento recorrido (fls. 1.781 ND). 18. O que se observa quanto a este tópico é uma grande confusão, tanto da parte da fiscalização, quanto da instância a quo, sobre o que realmente seria a bonificação concedida em mercadorias. 19. Inicia a fiscalização o seu arrazoado fazendo referência ao art. 304 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), que se refere a situação distinta – importâncias pagas ou creditadas a título de bonificação (comissão). Entende, ela, também, que, somente seriam dedutíveis as bonificações se se equiparassem, estas, aos descontos incondicionais, ou seja, como parcelas redutoras do preço de venda. Vejamse as seguintes afirmações fiscais (fls. 35): Por outro lado, observese que as informações trazidas pela empresa somente confirmam o fato de que as bonificações concedidas a seus clientes não se configuram descontos incondicionais, para serem consideradas dedutíveis na apuração do lucro real [...]. Observese, ainda, que, do exame das notas fiscais apresentadas pela empresa, verificase que, por se tratar de notas fiscais emitidas simplesmente para fins de bonificação, não poderão seus respectivos valores ser considerados descontos incondicionais, por não figurarem tais bonificações como Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.812 20 parcela redutora do valor da venda, ou seja, devidamente constantes das notas fiscais de vendas dos bens a que tais bonificações se refiram. 20. Na mesma trilha, ingressou, inadvertidamente, a decisão recorrida (fls. 411): Portanto, tais bonificações concedidas em mercadorias não são dedutíveis, para fins de determinação do lucro real, pois a concessão não se deu sob a forma de desconto incondicional. 21. A diferença entre bonificação em mercadorias e desconto incondicional é que aquela (bonificação) se constitui em abatimento concedido sob a forma de unidades físicas do produto; já este (desconto incondicional), em redução sobre o preço do produto vendido. 22. As bonificações são dedutíveis do lucro bruto na apuração do lucro operacional (despesas operacionais); já os descontos incondicionais são dedutíveis da receita bruta na apuração da receita líquida de vendas e serviços (dedução da receita bruta). 23. No presente caso, constou o seguinte, do Termo de Verificação Fiscal (fls. 34): A incorporada Suviminas Comércio de Tintas Ltda., registrou, nos meses de janeiro a dezembro de 2003, a débito da rubrica contábil “DESPESAS GERAIS” (código 3360), subconta “BONIFICAÇÕES” (código 3388), e a crédito da conta “Estoque de Mercadorias” (Código 1440), os valores abaixo relacionados, a título de bonificações em mercadorias concedidas aos seus clientes. 24. Para logo se vê, pela contabilização procedida pela própria Recorrente, estar se diante de uma despesa operacional (bonificação), e não de uma dedução da receita bruta (desconto incondicional), como equivocadamente entenderam a fiscalização e a decisão recorrida. 25. Quanto à necessidade e utilidade do registro desta despesa para a consecução do objetivo social da empresa (comércio atacadista e varejista de tintas), transcrevo trecho do voto prolatado no Acórdão nº 10195.072, de 6 de julho de 2005, abordando situação similar: De fato, é incontestável que as despesas (custos) referentes aos produtos distribuídos gratuitamente pela Recorrente a seus distribuidores, como forma de promover seus produtos e alavancar suas vendas são usuais e normais e atendem aos conceitos genéricos de despesas operacionais, previstos no art. 191 do RIR/80. 26. Finalizo este tópico transcrevendo o seguinte trecho do voto proferido no Acórdão nº 10502.581, de 22 de março de 1988, que enfrentou situação análoga: A hipótese, no caso que se julga, é a de descontos condicionais, classificados pela recorrente no rol das “Despesas com vendas”, conforme demonstrações do resultado de cada exercício, anexadas aos autos. Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.813 21 A circunstância foi alegada pela contribuinte, mas a autoridade recorrida não se dignou de considerála, persistindo na tese de que somente os descontos incondicionais são dedutíveis, sem revelar a mínima preocupação com a legitimidade dos valores deduzidos. Há no procedimento inequívoca impropriedade, que não pode prosperar como sustentáculo da pretensão fiscal. Como os fundamentos da tributação não se ajustam à natureza dos fatos, a exigência deve ser considerada improcedente. 27. Ficam, pois, prejudicadas, em decorrência, as demais objeções da fiscalização (fls. 35 e 36). Devoluções de mercadorias vendidas, não comprovadas 28. A fiscalização tributou o valor escriturado a título de devoluções de mercadorias vendidas, não comprovadas, por ausência de comprovação da efetividade e vinculação dessas devoluções às operações de venda (fls. 38). 29. Afirma a decisão recorrida que as notas fiscais de devolução apresentadas com a impugnação não fazem nenhuma referência às respectivas notas de venda e não indicam, como deveriam, o número, a data de emissão e o valor da operação do documento original. Já quanto à planilha apresentada pela Recorrente, haveria divergências entre os valores unitários dos produtos vendidos e devolvidos ou especificações diferentes entre esses produtos. Assim, segundo a decisão recorrida, não teria havido devolução de vendas, mas dação em pagamento (fls. 413). 30. Retruca a Recorrente que, pela mera divergência de valores entre a nota fiscal de saída e a nota fiscal de devolução, não se pode concluir pela inidoneidade das operações de devolução (fls. 1.782 ND). 31. Temse que a operação de devolução de mercadorias compreende aquela operação em que o destinatário recebe a mercadoria com a respectiva nota fiscal de venda, mas, por algum motivo específico, não tem interesse em ficar com ela. Nesse caso, para a devolução, é necessário emitir uma outra nota fiscal que acobertará o trânsito da mercadoria até o seu destino. 32. Essa nota fiscal de devolução, que objetiva anular os efeitos da operação de compra, deve estar estritamente vinculada à nota fiscal de aquisição, contendo os mesmo dados desta, inclusive o destaque do imposto, quando for o caso. 33. Nesse sentido, consta do Regulamento do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) do Estado de Minas Gerais o seguinte (Decreto MG nº 43.080, de 13 de dezembro de 2002), em seu Anexo V, Parte 1, art. 2º (Dados Adicionais da Nota Fiscal, modelo 1 ou 1A) (grifouse): 3 Na nota fiscal emitida relativamente à saída de mercadorias em retorno ou em devolução deverão ser indicados, ainda, no campo “Informações Complementares”, o número, a data de emissão e o valor da operação do documento original. Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.814 22 34. De igual modo, dispunha o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) (Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos) (destacouse): Art. 169. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências (Lei nº 4.502, de 1964, art. 27, § 4º): I pelo estabelecimento que fizer a devolução, emissão de nota fiscal para acompanhar o produto, declarando o número, data da emissão e o valor da operação constante do documento originário, bem assim indicando o imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução; e [...]. 35. Não sendo este o presente caso por absoluta inexistência de notas fiscais de devolução estritamente vinculadas às notas fiscais de aquisição , mantémse a autuação nesta parte. Descontos concedidos e não comprovados 36. Afirma a fiscalização que, intimada a comprovar os registros contábeis a título de descontos concedidos, a interessada deixou de apresentar as provas documentais de que os clientes obtiveram, de fato, esses descontos (fls. 39). 37. Entendeu a decisão recorrida que a força probante da escrituração, quanto aos fatos nela registrados, depende da comprovação por documentação hábil, nos termos do art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) (fls. 414): Art.923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). 38. Por sua vez, redargúi a Recorrente que o seu livrorazão, isoladamente, tem o condão de demonstrar, com confiabilidade, os seus dados contábeis (fls. 1.785ND). 39. Como se sabe, todo e qualquer lançamento contábil deve estar, necessariamente, estribado em algum documento que o suporte e que a ele se vincule. 40. No caso em questão, tratandose de descontos concedidos no pagamento de duplicatas, esses documentos seriam as próprias duplicatas pagas, nas quais constariam as quitações por valores menores do que os de sua emissão. 41. Não tendo sido, em nenhum momento, apresentadas essas duplicatas, correto o procedimento fiscal nesta parte. 42. Por fim, com relação ao contido no § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, transcrito pela Recorrente (fls. 1.784 ND), é necessário destacar que cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados na escrituração, Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.815 23 desde que, na forma do disposto no § 1º do mesmo artigo, estes fatos, “estejam comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”, o que – como se viu não é o presente caso. Demais exigências 43. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Taxa de juros Selic 44. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 45. Relativamente à questão da incidência da taxa Selic para atualização de débitos tributários, é o seguinte o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática de Repercussão Geral (art. 543B do CPC): 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. [...]. 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 582461, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL0256802 PP00177) Multa de ofício supostamente confiscatória 46. Tratandose de alegação de inconstitucionalidade de lei, incide na espécie a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.012860/200801 Acórdão n.º 1803001.481 S1TE03 Fl. 1.816 24 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para excluir de tributação as parcelas relativas a “prestações de serviços não comprovadas” e a “bonificações concedidas em mercadorias, não dedutíveis” (itens 1 e 2 do Termo de Verificação Fiscal, de fls. 24 a 44). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000730/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 22/09/2000
Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação.
Cumprimento das Exigências Documentais.
A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de
país não signatário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.338
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ALADI. Triangulação. Cumprimento das Exigências Documentais. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Leonardo Mussi, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausentes o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes e, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000730/200541 Acórdão n.º 310201.338 S3C1T2 Fl. 136 2 Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais, no valor total de R$ 166.529,54 objeto do Auto de Infração fls. 02/11. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação de no 00/09028018, registrada em 22/09/2000, pleiteou redução tarifária da alíquota “ad valorem” de 6%, para os produtos classificados no código NCM 2710.00.31, que à época era a alíquota normal vigente, para a alíquota reduzida de 3% para o imposto de importação, prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, (PaísesMembros da Comunidade Andina). Esclarece a Fiscalização, quanto à operação, o seguinte: a) o certificado de origem nº ALD 1001034135, fl.23 emitido na Venezuela, em 18/10/2000, indicou como país de origem da mercadoria, a Venezuela e declarou como empresa exportadora a PDVSA PETROLEO Y GAS, S.A; b) o certificado de origem registra em seu corpo como país exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à fatura comercial nº 1163480, emitida pela empresa PDVSA PETRÓLEO Y GAS S/A e não apresentada no despacho; c) a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação foi a de nº PIFSB 1026/2000, fl. 22, emitida em 14.11.2000 pela Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa com sede nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI; d) no conhecimento de embarque, fl.21, documento que assegura a propriedade da mercadoria, esta foi consignada a Petrobras International Finance Company, logo essa empresa situada nas Ilhas Cayman era a proprietária da mercadoria; e) diante dos fatos e documentos apresentados, a operação comercial foi analisada à luz da Resolução nº 252, do Comitê de Representantes da ALADI, recepcionada na legislação brasileira através do Decreto nº 3.325/99. Oferece ainda a Fiscalização os seguintes esclarecimentos, fls. 06: Embora o artigo nono da Resolução nº 252, do Comitê de Representantes da ALADI, recepcionada na legislação brasileira através do Decreto nº 3.325/99 admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro país, não se aplica ao caso, uma vez que não há interveniente de um operador, nos termos da citada Resolução, mas a participação de um terceiro país na qualidade de exportador, na medida e que uma empresa situada nas Ilhas Cayman, fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000730/200541 Acórdão n.º 310201.338 S3C1T2 Fl. 137 3 O importador, através da correspondência UMREMAM/CMB 019/02, de 19/08/02, fls.32/34, confirma que adquire a mercadoria da Venezuela, revende para sua subsidiária, a empresa Petrobras International Finance Company e posteriormente a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro país na qualidade de exportador, isto é, uma operação comercial entre uma empresa brasileira e outra nas Ilhas Cayman sem respaldo em certificado de origem. Conclui a fiscalização que a importação não contempla o acordo tarifário, seja em razão da divergência entre a Fatura Comercial, fl.22 e o Certificado de Origem nº ALD 1001034135, fl.23, seja também porque o produto foi comercializado por terceiro país sem que tenham sido atendidos os requisitos estabelecidos na legislação vigente. Cientificado do lançamento em 01/09/2005, conforme fls. 03, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 14/09/2005 a impugnação de fls. 38/57, nos seguintes termos a seguir resumidos em apertada síntese: inicialmente se reporta aos fatos que ensejaram a ação fiscal esclarecendo a operação comercial em foco, ou seja, Petróleo Brasileiro S.A – PETROBRAS, através de empresa integrante de seu grupo econômico, a Petrobras International Finance Company (Pifco), sediada nas Ilhas Cayman, adquiriu querosene de aviação, produzido na Venezuela, junto à PDVSA – Petróleo e Gás S/A, empresa sediada no mesmo país, com redução de 80% da alíquota do Imposto de Importação, com base no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE39), conforme Decreto de execução nº 3.138/99; destaca ainda que o envolvimento das três empresas na operação comercial gerou a expedição de duas faturas comerciais, sendo a primeira, emitida pela PDVSA e destinada à PFICO e, a segunda, PIFSB, expedida pela PFICO para a Petróleo Brasileiro S.A – PETROBRAS. Esclarece que a última fatura que instruiu a declaração de importação, fez referência expressa à fatura comercial originária (PDVSA); a operação comercial acima explicitada é conhecida por triangulação comercial que consiste numa prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; o Certificado de Origem foi expedido na Venezuela contendo a declaração da produtora e exportadora do produto, a PDVSA, e a certificação propriamente dita, do Ministério da Indústria e Comércio daquele país, assim o Certificado de Origem trouxe a indicação da fatura comercial expedida pela vendedora, conforme previsto no artigo 10 da Resolução; razão alguma assiste ao órgão autuante quanto à suposta falta de correspondência entre o Certificado de Origem e a fatura expedida pela PFICO, vez que essa fatura traz informações condizentes com aquelas contidas no Certificado, inclusive faz Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000730/200541 Acórdão n.º 310201.338 S3C1T2 Fl. 138 4 referência a ele em seu corpo. Tudo em consonância com o disposto no artigo oitavo da Resolução 252, aprovada pelo Decreto nº 3.325, de 30/12/1999; o órgão autuante ainda impôs multa regulamentar à impugnante alegando que mencionada fatura, emitida pela PFICO, apresentada no despacho aduaneiro, não cumpriu as exigências estabelecidas no art. 425, alíneas “a”, “h”, “i” e “m” do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85; defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI; – a PFICO, sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com sua revenda, inclusive o transporte da mercadoria ocorreu diretamente da Venezuela para o Brasil, como demonstram o Certificado de Origem e o Conhecimento de Embarque; ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, enfatizando que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos; – nesse sentido traz à colação os dispositivos da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional que regem o citado imposto bem como respeitável doutrina; discorre sobre a interpretação dos tratados ressaltando que o autuante equivocouse ao tentar interpretar o Tratado de Montevidéu e suas regras complementares; analisa a Resolução 252 destacando que a conclusão do autuante de que “a certidão de origem é feita em função da fatura comercial que acoberta a mercadoria” é um grande e lamentável equívoco. Ao contrário do que afirma o autuante a legislação não vincula duas formas de documentos (Certificado de Origem e Nota Fiscal), mas tão somente a identidade de seu conteúdo representado pela descrição das mercadorias e a correspondência com a mercadoria efetivamente negociada; o vínculo que legitima o gozo da preferência tarifária, não é o desenho do formulário ou informações complementares, mas o objetivo de sua expedição, qual seja, atestar que a mercadoria negociada tem origem num país participante do Acordo; ao permear a autuação cm o art. 129 do Decreto nº 91.030/95, o que fez o Auditor foi desconsiderar a literabilidade das normas estabelecidas no Tratado de Montevidéu; o alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro está vinculado à questão da falta de previsão de procedimento específico para os casos de triangulação comercial, pois na ausência de norma específica, o importador apresentou somente uma fatura, mas diligenciou Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000730/200541 Acórdão n.º 310201.338 S3C1T2 Fl. 139 5 para que no corpo desse documento fossem anotados os números do certificado de origem e da fatura originária; o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e, no caso, a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora; invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13 de 10/09/2002, destacando os artigos 100, I e 106, I, ambos do Código Tributário Nacional – CTN, a fim de seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96; – tendo sido o CTN recepcionado pela Constituição Federal, argúi que a instituição de taxa de juros diferente daquela prevista no § 1º, do artigo 161 do CTN, somente pode ocorrer através de Lei Complementar, o que não aconteceu no caso da aplicação da SELIC, que decorre da Lei Ordinária nº 9.065/95; – ademais a ilegalidade não está apenas na forma da instituição da SELIC, como taxa de juros, mas também na sua essência, uma vez que não foi instituída para remunerar a mora, assim requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros moratórios; – tendo a taxa SELIC a característica de taxa de remuneração de capital investido, quando o Fisco aplica a taxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo como agente financeiro, equiparando a relação tributária a uma operação de financiamento, o que carece de sustentação legal; Ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente protestando o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos; Cita respeitável doutrina. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 22/09/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/09/2000 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000730/200541 Acórdão n.º 310201.338 S3C1T2 Fl. 140 6 MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Incabível a exigência da multa de ofício capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, quando a mercadoria se encontra corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, em consonância com Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA FORMAL DAS LEIS. FORO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DO MÉRITO. O processo administrativo está adstrito à observação do cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável à análise de questões atinentes a supostas incongruências formais existentes no texto legal ou no processo legislativo. Lançamento Procedente em Parte. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou parcialmente a exigência. Considerando que a análise da fatura comercial relativa à operação entre a pessoa jurídica PDVSA e a Petrobras International Finance Company (Pifco) seria essencial para decidir acerca do cumprimento dos requisitos inerentes à preferência tarifária pleiteada e que o Sujeito Passivo não foi intimado para apresentar tal fatura, decidiu esta Segunda Turma Ordinária, por meio da Resolução 3102000.142. converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que fosse providenciada a juntada desse documento. Cumprida tal providência, retornaram os autos para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e as determinações da resolução 252 da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto nº 3.325, de 30 de dezembro de 1999. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000730/200541 Acórdão n.º 310201.338 S3C1T2 Fl. 141 7 Segundo aduz a autoridade fiscal: a) há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; b) a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria; c) a Petrobras Finance Corp (Pifco), pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da ALADI, atuara na operação na qualidade de exportadora, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de “operador”; d) ainda que a Pifco atuasse como operador, restariam descumpridas as exigências fixadas pela Resolução ALADI, eis que o certificado de origem apresentado não consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador. Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não fora apresentada declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental. Apesar do zelo demonstrado pela autoridade Fiscal, penso, com o máximo respeito, que tais fundamentos não dão suporte à manutenção da exigência. Explico. Em primeiro lugar, considero que a falha documental na instrução do despacho de importação foi devidamente saneada pela apresentação da fatura comercial nº 11634801, o que permitiu o cotejamento entre a mercadoria submetida ao crivo do Fisco e a constante do certificado de origem objeto do presente litígio. Em segundo, diferentemente do que se verificou em outras operações análogas envolvendo a recorrente, no caso do presente recurso, a mercadoria que tem sua origem questionada pelo Fisco embarcou no porto de Punta Cardon, Venezuela, a bordo do Navio THEANO, com destino ao Brasil, tendo sido descarregada no Porto de Belém, conforme se constata na leitura da averbação constante do extrato da Declaração de Importação e do conhecimento de transporte2. Cabe aqui destacar o que diz o artigo Quarto da Resolução 252 (os destaques não constam do original): QUARTO. Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. Sendo certo que a mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, encontrase satisfeita a exigência de expedição direta da mercadoria. 1 Cópia à fl. 131. 2 Docs. às fls. 13 e 21, respectivamente. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000730/200541 Acórdão n.º 310201.338 S3C1T2 Fl. 142 8 Também discordo que a intervenção da pessoa jurídica Pifco tenha ocorrido em desacordo com o que preceitua o regime de origem da ALADI. Cabe relembrar, nessa esteira, a distinção entre país de origem, procedência e aquisição gizada nas alíneas “h”, “i” e “j” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985: h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; j) país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea “i”, vêse que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. Nessa linha, não há como afirmar validamente que o acordo proíba que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da ALADI. O artigo nono da Resolução ALADI nº 252 nesse ponto é explícito: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (os destaques não constam do original) A mercadoria, diversamente do afirmado no auto de infração, é unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman, na medida em que, conforme já mencionado anteriormente, é embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Não se discute, ademais, sua produção em país diverso. Restaria, finalmente, avaliar se há vício formal no certificado de origem nº 569213 capaz de invalidálo. Chamo atenção para algumas informações consignadas no certificado que se entende imprestável para comprovar a origem da mercadoria: no campo 1 do certificado consignase expressamente a intervenção da Venezuela como país exportador e, no campo 2, o Brasil, como país importador, já no campo 9, identificase a pessoa jurídica PDVSA Petroleo Y GAS S.A. como produtor. Finalmente, no campo 10 (observações), indicase a participação da 3 Doc. à fl. 23. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000730/200541 Acórdão n.º 310201.338 S3C1T2 Fl. 143 9 pessoa jurídica Petrobras Internacional Finance Company, o navio que transportará a mercadoria e a data de emissão do conhecimento de transporte. Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido certificado, identificamse claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao endereço do estabelecimento da Pifco estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 15971.001416/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
LIVRO CAIXA. RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não-assalariado podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, até o valor do rendimento recebido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.025
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho nãoassalariado podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, até o valor do rendimento recebido. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 25/06/2012 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15971.001416/200710 Acórdão n.º 210202.025 S2C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Relatório Contra JOSÉ ROBERTO DE CASTRO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 04/06, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 27.230,47, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/10/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal foi dedução indevida de despesas de Livro Caixa e está assim descrita: De acordo com a legislação em vigor, somente pode deduzir despesas escrituradas em LivroCaixa, o contribuinte que receber rendimentos do trabalho nãoassalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro. Em razão de o contribuinte ter declarado apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vinculo empregatício, está sendo glosado o valor de R$ 46.975,63, informado a titulo de Livro Caixa, indevidamente deduzido. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.01, onde esclarece que os rendimentos declarados são decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, com exceção daqueles recebidos de Castro Serviços e Cobranças S/S Ltda – ME. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, sob a alegação de que o contribuinte deixou de apresentar o Livro Caixa e a correspondente documentação (Acórdão DRJ/SPOII nº 1748.103, de 03/02/2011, fls. 55/58). Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 21/03/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 62, o contribuinte apresentou, em 12/04/2011, recurso voluntário, fls. 63/66, no qual traz as alegações a seguir resumidamente transcritas: Discorda com a glosa das despesas escrituradas em livro caixa do ano calendário 2004 sob o argumento da falta de comprovação com documentação hábil e idônea de que o valor declarado pelo contribuinte satisfaz todas as condições legais para ser admitido, acrescentando que em momento algum a Notificação de Lançamento que iniciou tal processo, solicitou tais documentos, deixando claro que o motivo seria que os "rendimentos declarados referemse a recebimentos de pessoas jurídicas com vinculo empregatício". Fl. 702DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15971.001416/200710 Acórdão n.º 210202.025 S2C1T2 Fl. 3 3 As cópias do Livro Caixa do ano calendário 2004 e os respectivos documentos lançados, em anexo, comprovam sua regular escrituração e idoneidade. A título exemplificativo, apresenta documentação comprobatória dos lançamentos realizados nos meses de Janeiro a Dezembro de 2004. É o Relatório. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15971.001416/200710 Acórdão n.º 210202.025 S2C1T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2005, o contribuinte pleiteou dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa, no valor de R$ 46.975,63, que foi integralmente glosada pela autoridade fiscal, sob o argumento de que os rendimentos declarados seriam decorrentes do trabalho com vínculo empregatício. Em sua impugnação, o contribuinte esclareceu que os rendimentos recebidos no anocalendário 2004 são decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, com exceção daqueles recebidos de Castro Serviços e Cobranças S/S Ltda ME. Para comprovar sua alegação juntou aos autos, cópias dos Comprovantes de Rendimentos Pagos, fls. 09/47, dos quais se infere que os rendimentos sem vínculo empregatícios perfizeram a quantia de R$ 61.392,25. Muito embora, o contribuinte tenha comprovado que os rendimentos eram em sua maioria decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, a decisão recorrida manteve o lançamento, desta feita, sob a alegação de que o contribuinte deixou de apresentar o Livro Caixa e os documentos nele escriturados. Observese que, conforme bem afirmou a defesa, em nenhum momento, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar os referidos documentos. E mais, os rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício superam o valor da dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa. Logo, não pode prosperar o lançamento, nos termos em que consubstanciado na Notificação. Acrescentese que, no recurso, o contribuinte apresentou o Livro Caixa, acompanhado dos documentos nele escriturados. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 704DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15971.001416/200710 Acórdão n.º 210202.025 S2C1T2 Fl. 5 5 Fl. 705DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13706.002541/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. RESTITUIÇÃO. IMPOSTO SABIDAMENTE INDEVIDO.
Cientes as autoridades fiscais de que o imposto recolhido pelo contribuinte era indevido, na medida em que havia decisão judicial transitada em julgado assim o reconhecendo, cabe o reconhecimento do seu direito è restituição do imposto indevidamente recolhido.
Numero da decisão: 2102-001.412
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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RESTITUIÇÃO. IMPOSTO SABIDAMENTE INDEVIDO. Cientes as autoridades fiscais de que o imposto recolhido pelo contribuinte era indevido, na medida em que havia decisão judicial transitada em julgado assim o reconhecendo, cabe o reconhecimento do seu direito è restituição do imposto indevidamente recolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relator EDITADO EM: 28/07/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 43/46, para exigência de IRPF em razão da glosa do valor por ele informado em sua DIRPF/2005 a título de imposto complementar, conforme descrição dos fatos à fl. 44. Inconformado com a lavratura da Notificação, o contribuinte apresenta a Impugnação de fls. 01/06, por meio da qual alega que propusera ação judicial perante o 1º Juizado Especial Federal do Rio de Janeiro, e que lá fora proferida decisão judicial reconhecendo o seu direito à isenção do IR sobre os valores recebidos a título de complementação e suplementação de aposentadoria. Afirmou que parte do imposto a ser devolvido a ele em razão da ação judicial já havia sido pago por meio daquele mesmo processo, e que por isso a Impugnação tinha o seguinte objetivo, verbis: Considerando que a devolução do imposto pago em 2002 deuse nos autos do processo, outra alternativa não teve o recorrente senão retificar as demais declarações de ajustes, como a de 2005, ano base 2004, objeto da presente irresignação, consignando o rendimento recebido da Fundação Real Grandeza, no valor total de R$ 32.306,00, como NÃO TRIBUTÁVEL, em cumprimento da DECISÃO JUDICIAL, permanecendo, como rendimento tributável, apenas os proventos de sua aposentadoria, pagos pelo INSS (R$ 5.814,09 + R$ 13.754,00 = R$ 19.568,09), ressalvado, é claro, o beneficio de maiores de 65 anos, da seguinte forma: (...) Na análise da referida Impugnação, os membros da DRJ no Rio de Janeiro negaram a pretensão do contribuinte, pelos seguintes argumentos, verbis: Em consulta aos sistemas internos deste Órgão, verificase que não há recolhimentos efetuados no curso do anocalendário de 2004 que justifiquem o valor informado pelo contribuinte na DIRF/2005 a titulo de imposto complementar, sendo correta, portanto, a glosa efetuada pela Fiscalização. Há um recolhimento no valor R$1.312,68, efetuado em 13/04/2005, sob o código de pagamento de quotas na declaração de ajuste anual (0211) e não de imposto complementar (0246), conforme extrato de fl. 51. Este pagamento, ainda que restasse comprovado erro de preenchimento do código não poderia ser objeto de compensação na DIRPF/2005 como imposto complementar, já que somente os recolhimentos efetuados no decorrer do ano de 2004 poderiam ser objeto de compensação nessa Declaração, conforme determina a legislação já transcrita. Caso o contribuinte entenda que o pagamento foi efetuado indevidamente, tal matéria deveria ser objeto de pedido de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13706.002541/200751 Acórdão n.º 210201.412 S2C1T2 Fl. 67 3 restituição, cuja análise originária não pertence a esta Delegacia de Julgamento. Ainda não se conformando, o contribuinte interpõe o Recurso Voluntário de fls. 56 e seguintes, por meio do qual, em síntese reitera o conteúdo de sua Impugnação. Os autos então vieram a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 06.08.2009. O Recurso Voluntário foi interposto em 03.09.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de Recurso Voluntário em processo que se originou em Impugnação a lançamento decorrente da glosa do valor declarado pelo Recorrente como tendo sido recolhido a título de Imposto Complementar. Foi objeto de glosa o valor de R$ 1.312,68, o qual o Recorrente alega ter recolhido. A autoridade fiscal afirmou não haver qualquer recolhimento a este título em seu nome, e a decisão recorrida manteve o lançamento, tendo em vista que o único recolhimento efetuado pelo Recorrente se dera sob o código 0211, e não 0246. Da documentação constante dos autos, não há cópia da DIRPF original apresentada para o anocalendário 2004. Porém, consta que em 29.03.2007, o Recorrente apresentou DIRPF Retificadora, por meio da qual declarou ter recolhido “Imposto Complementar” no valor de R$ 1.312,68 (cf. fls. 47). Este valor, acrescido do IR já retido na fonte, implicava em um recolhimento alegadamente antecipado do imposto de R$ 2.261,79, o que geraria o direito a uma restituição integral deste montante, já que a quase totalidade dos valores recebidos pelo Recorrente naquele ano seria isenta (cf. também consta desta DIRPF, sendo que a isenção foi reconhecida por meio da decisão judicial mencionada pelo Recorrente). Através da Notificação ora em exame, foi glosado o valor declarado como tendo sido pago a este título (de imposto complementar), já que o sistema da Receita Federal não acusava estes pagamentos. Foi somente acolhido o IRRF de R$ 949,11. Em sua defesa, o Recorrente insiste que tem o direito à isenção do imposto – com base na decisão judicial transitada em julgado; e afirma que, sendo os rendimentos isentos, o imposto recolhido lhe deve ser integralmente restituído. Através da decisão recorrida foi esclarecido que o recolhimento alegado pelo Recorrente (de R$ 1.312,68) fora efetuado através do código 0211 (que se refere ao pagamento Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 das quotas do IR decorrentes do Ajuste Anual), e não 0246 (Imposto Complementar) – como deveria. Foi esclarecido também ao Recorrente que a Notificação não dizia respeito à ação judicial, e que caberia a ele pleitear a restituição do imposto recolhido (sob o código 0211), já que esta não poderia se dar através da retificação da DIRPF. Não se conformando, o Recorrente vem a este Conselho esclarecendo que a Notificação versa sim sobre o mesmo objeto da ação judicial, reiterando que a isenção sobre os rendimentos recebidos já foi reconhecida em juízo, e que tal decisão deveria ser obedecida, com a conseqüente restituição do imposto recolhido. Há que se esclarecer, antes de mais nada, que não se discute, aqui, o direito do Recorrente à isenção do IR sobre as parcelas recebidas a título de complementação de aposentadoria, pois esta questão já foi submetida ao Poder Judiciário e devidamente acolhida. No entanto, o que impediu a restituição pleiteada pelo Recorrente – e que gerou a Notificação de Lançamento em questão – é o fato de ter sido feita uma confusão entre o recolhimento de imposto complementar e o pagamento das cotas correspondentes ao imposto apurado após o Ajuste Anual. De fato, a DIRPF originalmente apresentada para o anocalendário 2004 não consta dos autos, mas tudo indica que o Recorrente apurou, por ocasião de sua apresentação, saldo de imposto a pagar, e por isso efetuou o recolhimento de R$ 1.312,68 sob o código de receita 0211, em 13.04.2005 (cf. extrato de fls. 51). Quando teve ciência da decisão judicial, porém, o Recorrente apresentou DIRPF Retificadora, no intuito de ver devolvido o montante recolhido de imposto para aquele anocalendário. Assim, declarou na Retificadora apresentada que efetuara recolhimento de “Imposto Complementar” no valor de R$ 1.312,68. Ocorre que a natureza de tais pagamentos é diversa e, de fato, a forma de devolução do imposto recolhido é o que está aqui em discussão. Na DIRPF, onde se lê “Imposto Complementar”, querse referir ao imposto de que trata o art. 7º da Lei nº 8.383/91, e não ao pagamento das quotas do IR apurados após o ajuste, e por isso a forma correta de se obter a restituição do imposto assim pago não seria através da DIRPF, mas sim através de Pedido de Restituição. No entanto, a despeito de tais considerações, é inquestionável o fato de que o referido imposto foi recolhido, e que seu recolhimento foi indevido – na medida em que os rendimentos sobre os quais incidiu o imposto são reconhecidamente isentos (através de decisão judicial transitada em julgado). Tratandose de recolhimento flagrantemente indevido, é de ser reconhecido o direito do Recorrente ao crédito de R$ 1.312,68, devidamente corrigidos de acordo com a variação da taxa Selic a partir do mês seguinte ao mês do pagamento. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso para que seja cancelada a Notificação de Lançamento, com o reconhecimento do direito creditório do Recorrente, nos termos acima delineados. Sala das Sessões, em 28 de julho de 2011 Assinado Digitalmente Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13706.002541/200751 Acórdão n.º 210201.412 S2C1T2 Fl. 68 5 Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16707.002353/00-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Resolvem os membros do colegiado, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 67 07 .0 02 35 3/ 00 -4 6 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16707.002353/0046 Resolução nº 3401000.573 S3C4T1 Fl. 201 2 RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição protocolizado em 29/09/2000, por meio do qual a Recorrente pleiteia a restituição de R$ 8.808.516,25 (oito milhões, oitocentos e oito mil, quinhentos e dezesseis reais e vinte e cinco centavos), referente aos recolhimentos de PIS/PASEP que teriam sido efetuados a maior no período de apuração de janeiro/1989 a dezembro de 1995. Conforme item 02, reservado ao “Motivo do Pedido”, assim preencheu a Recorrente, verbis: “PIS/REPIOUE X PIS/PASEP RECEITA OPERACIONAL Diferença decorrente do tratamento próprio para a empresa privada, como todas as demais prestadoras de serviços que exploram atividade econômica (CF/88, art. 173, §§ 1o e 2o), a partir da CF/88, art. 239 (prevendo nova finalidade e natureza jurídica diversa para o PIS/PASEP), até fevereiro/96 (MP 1.212/95, art. 13), segundo critério da LC 07/70 (já que declarados inconstitucionais os DLs. 2445 e 244/88, Resolução/SF 49 de 10/10/95), c/c: CF/88, arts. 5 °, caput, 150, II (proibição de tratamento desigual entre contribuintes em situação equivalente ), 194, V (eqüidade na forma de participação do custeio), a contrário senso da EC 20/98 (aplicável restritivamente e não de forma retroativa CTN, aras. 144 e 106) e evolução legislativa: LCs 17/73 (art. 3% 19/74 (art. 1o), 26/75 (art. 1o), Mensagem n° 97/88 Diário do Congresso Nacional, 18/08/88, p. 652, item 2., e parte final do item 4., NOTA MF/SRF/COSIT/COTEX/DICOF 546, 05/10/99 itens 3., 4., 6., parte final, especialmente o item 9. , e PARECER PGFN/CAT/1581/99, item 2., com remissão expressa ao item 9., supra, e pela conclusão constante do item II.” A Recorrente peticiona na fl. 53 para que na “hipótese de ser entendido aplicável a LC 08/70, alternativamente, solicitar o respeito ao critério da semestralidade, nos termos do artigo 14 do Decreto n° 71.618/72, conforme precedentes do Egrégio 2° Conselho de Contribuintes (...)”. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária – RJ em Vitória, por meio da Divisão de Maiores Contribuintes – Dimco/Derat, prolatou o Despacho Decisório de fl. 71, em 31/07/2008, conforme trecho que abaixo se transcreve, verbis: “Deixo de apreciar o mérito concernente ao recolhimento de PASEP, período de apuração março/1989 a setembro/1995, e relativamente ao período de apuração outubro a dezembro/1995, NÃO RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO da interessada no valor total de R$ 8.808.516,25 (oito milhões oitocentos e oito mil quinhentos e dezesseis reais e vinte e cinco centavos). Conseqüentemente, NÃO HOMOLOGO A COMPENSAÇÃO EFETUADA por meio da Dcomp no 38453.96634.150903.1.3.04 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16707.002353/0046 Resolução nº 3401000.573 S3C4T1 Fl. 202 3 3660, objeto do processo no 10768.7202501200726, apenso ao presente.” (grifos no original) A Recorrente protocolou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade e em 28/09/2009, foi prolatado o Acórdão nº 1326.191 pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro II, o qual considerou Improcedente a Manifestação de Inconformidade, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 Pedido de restituição O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributos pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, conforme disposto nos arts. 165 e 168 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN). As sociedades de economia mista encontravamse sujeitas à contribuição ao Pasep nos termos dispostos no art. 3° da Lei Complementar n° 8/70, tendo por base de cálculo as receitas operacionais e transferências recebidas através dos orçamentos da União e do Estado, e, por alíquota o percentual de 0,4%, de julho a dezembro de 1971, 0,6% em 1972 e 0,8% no ano de 1973 e subseqüentes. BASE DE CÁLCULO PASEP LC n° 08/70. A base de cálculo da contribuição é a receita orçamentária apurada no próprio mês, e não aquela verificada no sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em Recurso Voluntário tempestivo protocolado em 20/04/2010, de fls. 219/237, a Recorrente, alega, em síntese: Do Direito. Do prazo decadencial de dez anos, ao tempo da realização do pedido de restituição Aplicase ao pedido, de restituição o mesmo prazo prescricional válido para a repetição do indébito. Esse prazo, seja quando do nascimento do crédito compensado, seja quando da realização da compensação (setembro de 2000), era de dez anos a contar do fato Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16707.002353/0046 Resolução nº 3401000.573 S3C4T1 Fl. 203 4 gerador, já que se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação. Traz jurisprudências nesse sentido. Da inaplicabilidade da LC no 118/05 Em que pese a tentativa da aplicação do art. 4o da LC no 118/05 para aplicar retroativamente o novo prazo estabelecido no art. 3o da citada Lei, o fato é que nas compensações decorrentes de pagamentos indevidos realizados antes da vigência da Lei, que é em julho de 2005, o prazo decadencial continua sendo de 10 anos, a contar da data do pagamento. Apesar do art. 4o da LC no 118/05 pretender uma aplicação retroativa, ao argumento de que seria uma lei interpretativa, nos termos do art. 106 do CTN, a LC no 118/05 inova a ordem jurídica ao modificar o prazo decadencial para a restituição do indébito tributário, uma vez que não há cabimento uma lei meramente interpretativa vir mais de 40 (quarenta) anos após a edição da lei interpretada. Restando evidente o equívoco do Acórdão recorrido, vez que o único fundamento para afastar a compensação efetuada foi a suposta alegação de decadência, que não ocorreu. Traz jurisprudências nesse sentido. Dos pagamentos a maior Da inconstitucionalidade dos Decretoslei no 2.445/88 e 2.449/88 e da legislação aplicável entre 1989 e 1995. Alega ainda que, a Recorrente por ser uma sociedade de economia mista, sucedida, em agosto de 2001, por incorporação pela Recorrente, sujeitavase ao recolhimento de contribuições ao PASEP, nos termos da LC no 08/70. Além da Lei Complementar n° 08/70, a contribuição ao PASEP era regulamentada pelo Decreto no 71.618/72, recepcionado pela nova ordem constitucional com força de lei. Já as empresas privadas eram submetidas ao recolhimento de contribuições ao PIS, instituído pela Lei Complementar n° 07/70. Quanto à base de cálculo, a contribuição para o PASEP (vale lembrar que não havia PASEP/Repique) incidiria sobre a receita operacional das sociedades de economia mista (ao que se somava às transferências das pessoas públicas, nos casos em que a empresa recebesse aporte de capital) apurada no sexto mês anterior ao nascimento da obrigação, conforme estabelecido no art. 14 do Decreto no 71.618/72. Vejase que a base de cálculo do PASEP seguiu regra semelhante à base de calculo do PIS/Faturamento definida pela LC n° 07/70, que também determinava a incidência da alíquota sobre o faturamento do sexto mês anterior ao que se realizava o pagamento. Já para o PIS/Repique, a base de cálculo era o valor do imposto de renda apurado pela empresa no exercício, sobre o qual se fazia incidir a alíquota da contribuição. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16707.002353/0046 Resolução nº 3401000.573 S3C4T1 Fl. 204 5 Por conta das referidas normas, os contribuintes do PASEP e do PIS/Faturamento recolhiam as contribuições sempre tomando como base de cálculo a receita operacional e transferências (no caso do PASEP) e o faturamento (no caso do PIS), auferidos no sexto mês anterior ao do nascimento da obrigação tributária (o que se convencionou chamar de semestralidade do PIS/PASEP), sem que houvesse qualquer questionamento por, parte do Fisco. Já os contribuintes do PIS/Repique faziam o recolhimento tendo com base de cálculo o imposto de renda declarado no ano calendário. Diante da nova postura fazendária, de exigir o recolhimento do PASEP (e também do PIS) com base da receita auferida no próprio mês de entrada, não restou outra alternativa à Recorrente senão recolher suas contribuições ao PASEP tomando como base de cálculo a receita operacional do mês anterior, como se pode observar das guias de pagamento juntadas ao pedido de restituição. No entanto, em face dos questionamentos dos contribuintes, o STF, por meio do RE n° 148.7542/RJ, declarou a inconstitucionalidade formal dos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88, tendo o Senado Federal publicado a Resolução n° 49/95, retirando a eficácia dos referidos Decretoslei. Diante disto, a legislação aplicável ao PIS e ao PASEP voltou a ser as Leis Complementares n° 07/70 e 08/70 (esta última regulamentada pelo Decreto n° 71.618/72), restabelecendose a semestralidade da base de cálculo do PASEP e do PIS/Faturamento, assim como o regime do PIS/Repique para as empresas prestadoras de serviço. Da submissão da Requerente ao regime do PIS/Repique após a Constituição Federal de 1988. Se no início da vigência das contribuições a Recorrente era contribuinte do PASEP, por ser sociedade de economia mista, o fato é que após a Constituição Federal de 1988, sua tributação deveria ser feita pelo PIS. E, sendo a Recorrente uma empresa de prestação de serviços, deveria ela se submeter ao regime do PIS/Repique (calculado com base em percentual do imposto de renda apurado ao final do anocalendário). Isto porque a Constituição Federal, nos termos do art. 173 parágrafos 1o e 2o, fundada no princípio maior da isonomia, estabeleceu norma no sentido de colocar em igualdade de condições, ao menos do ponto de vista fiscal, as empresas privadas e as sociedades de economia mista que explorem atividades econômicas. Neste contexto, é manifesto que os recolhimentos efetuados pela antiga Telecomunicações do Rio Grande do Norte a título de PASEP (utilizandose como base de cálculo a receita operacional do mês anterior) foram indevidos, de modo que, descontados os débitos decorrentes do PIS/Repique a que deveria ser submetida a Requerente, devem gerar créditos em favor da empresa, tal qual foram liquidados nos pedido de restituição. Entretanto, ainda que por hipótese não se considere a empresa, como contribuinte do PIS após a Constituição de 1988, mas sim contribuinte do PASEP, o fato é que mesmo neste caso haveria créditos em favor da Requerente, decorrentes semestralidade da base de cálculo da contribuição ao PASEP. Sucessivamente, da semestralidade da base de cálculo do PASEP Fl. 324DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16707.002353/0046 Resolução nº 3401000.573 S3C4T1 Fl. 205 6 A Fazenda Nacional, apesar de haver consentido ao longo dos anos que a base de cálculo da contribuição ao PIS/Faturamento e ao PASEP era o faturamento e a receita operacional auferida no sexto mês anterior ao nascimento da obrigação (semestralidade do PIS/PASEP), passou a defender a tese de que as normas do parágrafo único do art. 6° da LC n° 07/70 (para o PIS) e do art. 14 do Decreto n° 71.618/72 (no caso do PASEP) tratariam apenas de prazo para pagamento das contribuições, e não da base de cálculo das exações. Sendo assim, mesmo com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos lei n° 2.445/88 e 2.449/88, a base de cálculo das contribuições ao PIS e ao PASEP continuariam sendo o faturamento e a receita operacional do próprio mês em que estes se verificassem, mormente após a Lei n° 7.691/88, que, havia estabelecido um novo prazo para pagamento das exações (além de determinar a aplicação de correção monetária dos créditos tributários até a data do efetivo pagamento). A Primeira Seção do STJ, no julgamento dos RESP's n° 144.708/RS e 248.893/SC, pacificou o entendimento de que a base de cálculo do PIS/Faturamento até a MP n 1.212/95 (que começou a gerar efeitos em março de 1996) era o faturamento auferido no sexto mês anterior, sem que sobre essa base de cálculo incidisse correção monetária, como pretendia do fisco. Dada a total similitude entre a contribuição ao PIS/Faturamento e a contribuição ao PASEP (que inclusive passou a ter tratamento legal unificado a partir dos Decretoslei n° 2.445/89 e 2.449/89), é manifesto que o entendimento fixado pelo STJ para o PIS se aplica na íntegra para a contribuição ao PASEP, razão pela qual a exação, até março de 1996 (quando entra em vigor a MP n° 1.212/95) deveria ser recolhida tomandose como base de cálculo á receita operacional bruta auferida no sexto mês anterior, nos termos do art. 14 do Decreto n° 71.618/72 (PASEP/semestralidade). Do Pedido Ao final a Recorrente requer a procedência do Recurso Voluntário para que sejam homologadas as compensações cujos débitos estão sendo cobrados. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16707.002353/0046 Resolução nº 3401000.573 S3C4T1 Fl. 206 7 VOTO Conselheira Ângela Sartori Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Tratase de Pedido de Restituição por meio do qual a Recorrente pleiteia a restituição de R$ 8.808.516,25 (oito milhões, oitocentos e oito mil, quinhentos e dezesseis reais e vinte e cinco centavos), referente aos recolhimentos de PIS/PASEP que teriam sido efetuados a maior no período de apuração de janeiro de 1989 a dezembro de 1995. Ocorre que não houve diligência para se apurar o montante do indébito no período compreendido em relação aos fatos geradores entre: 09/1990 a 12/1995. No entanto, entendo necessária a conversão deste julgamento em diligência para que a unidade preparadora apure o montante do crédito do contribuinte. Para tanto, deve ser observado que a base de cálculo da contribuição é o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, sem correção monetária, nos termos da remansosa jurisprudência administrativa e judicial. O indébito deve ser apurado da seguinte forma: A partir do fato gerador correspondente ao mês de setembro de 1990, sem correção monetária. Esse cálculo deve ser feito para cada mês até o fato gerador de dezembro de 1995, para se determinar o que seria devido. A diferença entre o recolhido e o devido é o indébito e deve ser atualizado nos termos da Norma de Execução COSIT/COSAR nº 08. Deve ainda ser comprovado pela unidade se alguma parcela desse valor já foi objeto de alguma compensação. A Recorrente deverá ser cientificada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30 dias. Após, o processo deverá retornar a este Colegiado. Angela Sartori (assinado digitalmente) Fl. 326DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16707.002353/0046 Resolução nº 3401000.573 S3C4T1 Fl. 207 8 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000680/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.
O Mandado de Procedimento Fiscal serve primordialmente à função de garantir segurança ao fiscalizado. Não constitui limitação ao exercício da fiscalização e jamais conduz a uma nulidade do auto de infração.
Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. NECESSÁRIA OCORRÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Descabida a alegação de nulidade quando inexiste prejuízo à defesa.
IRRF. BENEFÍCIOS INDIRETOS. USO DE VEÍCULO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. DESCABIMENTO QUANDO NÃO APRESENTADO AO MENOS UM INDÍCIO DE PROVA DO USO DO VEÍCULO PARA OBJETIVOS OUTROS QUE NÃO AS ATIVIDADES INERENTES AO OBJETO SOCIAL.
Os encargos de depreciação e as despesas de custeio e de manutenção com os veículos utilizados no transporte de empregados, em atividades extra operacionais da pessoa jurídica, integram a remuneração do beneficiário como salário indireto. Caso a empresa não identifique os beneficiários e não
adicione os benefícios indiretos às respectivas remunerações, deve ser a tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35%.
Na hipótese, não foi apresentado ao menos um indício de prova de que os veículos eram utilizados para fins que não visassem a atingir o objeto social da empresa.
Numero da decisão: 2101-001.879
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, afastar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao
recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal serve primordialmente à função de garantir segurança ao fiscalizado. Não constitui limitação ao exercício da fiscalização e jamais conduz a uma nulidade do auto de infração. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. NECESSÁRIA OCORRÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Descabida a alegação de nulidade quando inexiste prejuízo à defesa. IRRF. BENEFÍCIOS INDIRETOS. USO DE VEÍCULO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. DESCABIMENTO QUANDO NÃO APRESENTADO AO MENOS UM INDÍCIO DE PROVA DO USO DO VEÍCULO PARA OBJETIVOS OUTROS QUE NÃO AS ATIVIDADES INERENTES AO OBJETO SOCIAL. Os encargos de depreciação e as despesas de custeio e de manutenção com os veículos utilizados no transporte de empregados, em atividades extra operacionais da pessoa jurídica, integram a remuneração do beneficiário como salário indireto. Caso a empresa não identifique os beneficiários e não adicione os benefícios indiretos às respectivas remunerações, deve ser a tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35%. Na hipótese, não foi apresentado ao menos um indício de prova de que os veículos eram utilizados para fins que não visassem a atingir o objeto social da empresa.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal serve primordialmente à função de garantir segurança ao fiscalizado. Não constitui limitação ao exercício da fiscalização e jamais conduz a uma nulidade do auto de infração. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. NECESSÁRIA OCORRÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Descabida a alegação de nulidade quando inexiste prejuízo à defesa. IRRF. BENEFÍCIOS INDIRETOS. USO DE VEÍCULO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. DESCABIMENTO QUANDO NÃO APRESENTADO AO MENOS UM INDÍCIO DE PROVA DO USO DO VEÍCULO PARA OBJETIVOS OUTROS QUE NÃO AS ATIVIDADES INERENTES AO OBJETO SOCIAL. Os encargos de depreciação e as despesas de custeio e de manutenção com os veículos utilizados no transporte de empregados, em atividades extra operacionais da pessoa jurídica, integram a remuneração do beneficiário como salário indireto. Caso a empresa não identifique os beneficiários e não adicione os benefícios indiretos às respectivas remunerações, deve ser a tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35%. Na hipótese, não foi apresentado ao menos um indício de prova de que os veículos eram utilizados para fins que não visassem a atingir o objeto social da empresa. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, afastar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurado Imposto sobre a Renda Retido na Fonte em razão da falta de recolhimento do imposto sobre remuneração indireta (beneficiário não identificado). Em 7.4.2009, a interessada impugnou o lançamento (fls. 131 a 147), alegando, em preliminar, que o Auto de Infração é nulo, haja vista que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que suportou a ação fiscal não abrangia o Imposto sobre a Renda na Fonte no momento da solicitação das informações que geraram a presente autuação, o que, a seu ver, ocasionou prejuízo ao seu direito de defesa. No mérito, sustenta que os veículos disponibilizados a seus empregados caracterizam instrumento de trabalho. Complementa que os próprios livros contábeis demonstram um controle com a devida identificação da área/departamento da pessoa jurídica a que estes carros estavam vinculados, bem como, sendo o caso, identificam o usuário do veículo. Esclarece que alguns veículos eram utilizados em sistema de "pool" pelos empregados, alguns constituíam uma "reserva" e alguns vinculados à utilização de um único empregado, em sua maioria, empregados da área de venda ou de engenharia, e as despesas relacionadas com esses carros eram alocadas pelo sistema de rateio de custo, nos termos da legislação comercial e fiscal. A 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou o lançamento procedente, por meio do Acórdão n.º 1621.767, de 10 de junho de 2009, que contou com a seguinte ementa: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.000680/200936 Acórdão n.º 2101001.879 S2C1T1 Fl. 2 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 RENDIMENTOS DO TRABALHO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRF SOBRE REMUNERAÇÃO INDIRETA (BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO). Por disposição expressa de lei, vantagens tais como veículos utilizados pela diretoria, dentre outros, integrarão a remuneração do beneficiário como salário indireto e serão computados para efeito do montante mensal tributável. Caso a empresa não indique os beneficiários e, por via de conseqüência, não adicione aludidos benefícios indiretos as respectivas remunerações o imposto, então, deverá ser pago na fonte pela pessoa jurídica. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 285 a 305, no qual, reitera os argumentos de impugnação. Anexa documentos e pede, ao final, seja declarada (i) preliminarmente a nulidade do Auto de Infração em razão da sua incompatibilidade com os preceitos legais mencionados, e (ii) no mérito, a insubsistência do lançamento efetuado e a reforma da decisão de primeira instância administrativa, por entender que ficou demonstrado que as despesas com veículos não correspondem a remuneração indireta concedida a seus empregados. Na hipótese de os julgadores entenderem que as despesas com veículos constituiriam remuneração indireta, que (i) afastem a aplicação da alíquota de IRRF mais gravosa de 35% e o reajustamento da base de cálculo do imposto, visto que os usuários dos veículos foram identificados e (ii) apliquem o quanto estabelecido pelo Parecer Normativo COSIT n° 11/92, relativamente ao veiculo de utilização mista, para cancelar a parcela da autuação relativa ao uso do veiculo em dias úteis para o trabalho. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da preliminar de nulidade do Auto de Infração A interessada alega, em preliminar, que o Auto de Infração é nulo, por padecer de insanável vicio formal, caracterizando cerceamento ao seu direito de defesa, visto que o MPF que suportou a ação fiscal abrangia apenas o IRPJ no momento da solicitação das informações que geraram a autuação (Termo de Intimação Fiscal, recebido em 9.2.2009). Por Fl. 374DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 esse motivo, não tinha conhecimento que o agente fiscal estivesse inspecionando o recolhimento de seu IRRF quando respondeu ao referido Termo de Intimação Fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF foi instituído pela Portaria SRF n.º 1.265, de 1999 (DOU de 24/11/1999), tendo como um dos seus objetivos conferir transparência ao procedimento fiscal e dar maior segurança ao fiscalizado, indicando, por exemplo, a data de início da fiscalização e o Auditor Fiscal responsável, a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência) e o prazo para a sua realização. O MPF, regulado, na época dos fatos, pela Portaria RFB n.º 11.371, de 2007 (DOU de 20.12.2007), indica ainda o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo fixar o respectivo período de apuração. Todavia, a indicação do tributo a ser fiscalizado, contida no Mandado de Procedimento Fiscal, não impede, nem poderia impedir que o Auditor Fiscal, com base nos mesmos elementos de prova coletados no curso da ação fiscal referente a esse tributo, verificasse a existência de infrações a normas de outros tributos. Vejamos o que prescreve o artigo 8.º da Portaria RFB n.º 11.371, de 2007 (DOU de 20.12.2007): Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. É que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, não podendo o agente da fiscalização proceder de forma diferente daquela prevista em lei. Sendo assim, verificando a ocorrência da hipótese tributária e/ou de infração à legislação de qualquer tributo, a autoridade administrativa deve proceder ao lançamento do tributo e aplicar a multa prevista, por força do artigo 142 do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os dados nele constantes podem ser modificados, de acordo com as diretrizes da Fiscalização. Por ser passível de alteração, a qualquer momento, o Mandado de Procedimento Fiscal não constitui limitação ao exercício da fiscalização e jamais conduz a uma nulidade do auto de infração, mesmo que a sua expedição esteja viciada, o que, registrese, não ocorreu na hipótese Ademais, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem reiteradamente decidido que o Mandado de Procedimento Fiscal, mesmo contendo vícios, o que não é o caso, não opera como um limitador da competência do agente da fiscalização, e serve primordialmente à função de garantir segurança ao fiscalizado, indicando que a pessoa que se apresenta como AuditorFiscal é realmente titular do cargo. Vejamos: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.000680/200936 Acórdão n.º 2101001.879 S2C1T1 Fl. 3 5 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FISCALIZAÇÃO O mandado de procedimento fiscal (MPF) é apenas um instrumento de controle interno da Receita Federal, que não afeta a relação da fiscalização com contribuinte. No que tange ao contribuinte, o MPF é um documento neutro. Os trabalhos da fiscalização não são afetados por qualquer elemento do MPF, que nesse aspecto apenas serve para garantir ao contribuinte que a pessoa que se apresenta como fiscal, de fato o é. (CARF, 1.ª Seção de Julgamento, 1.ª Câmara, 1.ª Turma Ordinária. Acórdão n.º 1101000.699, de 15.3.1012). AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem a nulidade do auto de infração, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (CARF, 2.ª Seção de Julgamento, 1.ª Câmara, 1.ª Turma Ordinária. Acórdão n.º 2101001.435, de 20.1.2012) Por outro lado, para que haja nulidade, é necessário que se demonstre ter ocorrido prejuízo ao direito de defesa do interessado. Todavia, na hipótese, tal não se verificou. Podese constatar, do exame dos autos, que, durante a ação fiscal, as intimações foram feitas de forma regular e, quando solicitou, a interessada logrou êxito, obtendo maior prazo para o cumprimento das exigências feitas pela Fiscalização (vide fls. 106, 117, 118, 121 e 122). Os requisitos de validade do Auto de Infração são aqueles previstos no artigo 10 do Decreto n.º 70.235, que a seguir transcrevese: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Como se verifica do exame dos autos, o Auto de Infração integrante do presente processo, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Além disso, na impugnação e no recurso voluntário ficou demonstrado que a interessada tinha pleno conhecimento da matéria sobre a qual versou o Auto de Infração, tanto que se defendeu adequadamente, demonstrando não ter qualquer dúvida sobre o conteúdo do lançamento perpetrado. Sem razão, portanto, a recorrente, ao sustentar a nulidade do Auto de Infração, por preterição do seu direito de defesa no curso da ação fiscal, devido ao fato de o Mandado de Procedimento Fiscal referente ao Imposto sobre a Renda na Fonte abranger apenas o IRPJ no momento da solicitação das informações que geraram a autuação. 2. Do mérito O lançamento constante do presente processo fundamentase nos artigos 622 e 675 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que têm por matriz legal a Lei n.º 8.383, de 1991, artigo 74 e a Lei n.º 8.981, de 1995, artigo 61, que assim dispõem: Lei n.º 8.383, de 1991: Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. 1° A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento. Lei n.º 8.981, de 1995 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.000680/200936 Acórdão n.º 2101001.879 S2C1T1 Fl. 4 7 Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. No caso que aqui se coloca, tratase de lançamento de imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, sobre os encargos de depreciação e despesas com a conservação, o custeio e a manutenção de veículos utilizados no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores, sem que tivesse havido a identificação do beneficiário. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 122, a Fiscalização declara ter encontrado os valores de R$138.064,66, a título de depreciação de veículos, R$ 27.231,90 de despesas com licenciamento e IPVA e seguro obrigatório e R$ 147.998,23 de manutenção e conservação de veículos, e constata que os valores pertinentes a veículos haviam sido contabilizados como relativos a carros utilizados pela diretoria, sem que tivessem sido apresentados documentos que comprovassem as despesas ou a inclusão do beneficio na declaração dos beneficiários. Por meio do Termo de Intimação Fiscal às fls. 118, a interessada foi intimada a informar, com relação aos valores de R$ 138.064,66 depreciação de veículos; R$ 27.231,90 licenciamento de veículos, IPVA e seguro obrigatório e R$ 147.998,23 manutenção/conservação de veículos, quais os diretores e gerentes que utilizaram estes veículos e se os desembolsos foram incorporados à sua remuneração. Ante a documentação apresentada pela pessoa jurídica e com fundamento nos dispositivos adrede mencionados, do Regulamento do Imposto sobre a Renda, tendo em vista a falta de identificação do beneficiário da remuneração indireta integrada por despesas e vantagens, bem como a não incorporação das vantagens aos respectivos salários dos beneficiários, foi feito o lançamento do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte dos respectivos valores, à alíquota de 35%. O valor apurado a título de pagamento de benefícios (R$ 313.294,79) foi considerado líquido e a base de cálculo reajustada foi calculada em R$ 432.772,61, resultando no valor de imposto de R$ 131.470,41 (fls. 123). Em sua impugnação, a interessada esclarece que os carros que geraram as despesas referidas no Termo de Verificação do Auto de Infração encontramse relacionados em lista anexa, na qual constam 29 carros utilizados durante 2005 que se relacionam com as despesas que originaram o Auto de Infração, sendo que tais carros se encontram identificados por suas placas e estão sempre vinculados a um setor da empresa ou a um empregado de uma Fl. 378DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 área da pessoa jurídica. Essa identificação, segundo a interessada, permite o cruzamento de tais veículos com o controle dos ativos permanentes relativo a carros da empresa, de forma a identificar, nos próprios livros contábeis, o empregado ou a área que usa o carro, onde os gastos são alocados. Ainda em sede de impugnação, a interessada complementa que os 29 carros distribuemse em dois grupos: (i) veículos utilizáveis em sistema de "pool" pelos empregados, no qual se incluem também os carros denominados de "reserva" (totalizando, 9 veículos); e (ii) veículos vinculados à utilização de um empregado como instrumento de trabalho, em sua maioria, empregados da área de venda ou de engenharia (totalizando 20 veículos). Assim, segundo a interessada, cerca de um terço das despesas que motivaram o Auto de Infração correspondem a veículos utilizados em sistema de "pool", no qual o veículo permanece no estabelecimento da empresa e somente pode ser utilizado mediante solicitação por empregado, conforme ficha cujo modelo anexa, na qual fica indicada a razão do uso do veiculo, que somente pode ser utilizado como instrumento de trabalho. Esclarece ainda que há também os carros classificados no controle contábil do ativo denominados como "reserva", que não visam a atender a um empregado especifico da empresa, mas sim qualquer empregado que necessite de um transporte para realizar um trabalho. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I indeferiu a impugnação, alegando que a lista de veículos e usuários apresentada, conjugada com o registro dos veículos na conta do imobilizado não permite identificar com precisão a correlação entre os usuários e os veículos, porque as descrições contidas na conta do imobilizado estão abreviadas. Refutando esse argumento, a interessada repisa, em sua peça recursal, que, dos 29 carros cuja despesa com depreciação, manutenção e conservação foi objeto do lançamento que integra o presente processo, 20 são para uso exclusivo de determinados empregados e 9 pertencem a um “pool” (fls. 168), ficando vinculados a departamentos ligados à área de vendas ou de atendimento a clientes, sendo utilizados de acordo com as necessidades da empresa, mediante solicitação por escrito do empregado, conforme formulário de solicitação. Para comprovar, anexa modelo de “Autorização de Saída de Serviço”, que informa ser necessário tanto para os veículos do sistema de "pool", como para os veículos utilizados por determinado empregado. Acosta ainda fichas dos funcionários que teriam supostamente utilizado veículos da empresa em 2005, denominadas "Registro de Empregados", as quais indicam e descrevem a função e o cargo de cada um. Segundo o artigo 4.º do Contrato Social da empresa fiscalizada, nos termos da 34ª alteração contratual, a sociedade tem por objeto: “(a) a indústria e o comércio, inclusive importação e exportação, de produtos de informática e de automação, de componentes e acessórios, necessários, complementares ou afins, referentes a dispositivos, aparelhos e sistemas mecânicos, elétricos e eletrônicos, bem como a prestação de serviços de engenharia e desenvolvimento de sistemas de serviços de engenharia, desenvolvimento de sistemas aplicativos, inclusive cessão de direito de uso pertinente, prestação de serviços de montagem, reparo e manutenção, prestação de serviços de representação, por conta própria ou de terceiros, de Fl. 379DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.000680/200936 Acórdão n.º 2101001.879 S2C1T1 Fl. 5 9 intermediação comercial; de assessoria econômicofinanceira e de ensino e treinamento na área de informática e eletrônica; e (b) a participação em outras sociedades, na qualidade de sócia e/ou acionista.” Examinando as fichas de registros de alguns empregados, com a descrição da função exercida, anexadas pela empresa interessada, verificase que, dentre as suas atribuições, incluemse atividades que demandam deslocamento a serviço. Apesar de não comprovarem a efetiva utilização de veículo da empresa para esse fim no anocalendário fiscalizado, denotam tendência da pessoa jurídica a determinar o deslocamento de empregados visando, entre outros objetivos, à prestação de serviços de assistência técnica e visitas periódicas a clientes, em sintonia com o seu objeto social. Essa tendência está expressa nas fichas de descrição dos cargos dos funcionários, a exemplo do cargo de engenheiro júnior (fls. 358), cujas atividades incluem “prestar serviços de assistência técnica pósvenda aos clientes, efetuando os devidos reparos”, assim como do cargo de analista de campo (fls. 351), ao qual compete, entre outras atribuições, “prestar serviço de assistência técnica ao cliente e fazer o atendimento em campo para a realização de reparos em peças e equipamentos”, além de outros cargos, da área de vendas, que prevêem visitas semanais a clientes. Existem, portanto, indícios de que os veículos postos à disposição dos empregados da empresa são, tal como alegado pela defesa, utilizados em benefício da pessoa jurídica, para o desempenho das funções inerentes ao seu objeto social, que, entre outras, compreende a prestação de serviços de engenharia e desenvolvimento de sistemas de serviços de engenharia, desenvolvimento de sistemas aplicativos, prestação de serviços de montagem, reparo e manutenção, prestação de serviços de representação, por conta própria ou de terceiros, de intermediação comercial; de assessoria econômicofinanceira e de ensino e treinamento na área de informática e eletrônica. Por outro lado, a Fiscalização não esclareceu a razão pela qual entende que os veículos postos à disposição dos diretores, gerentes e outros empregados da empresa estariam sendo utilizados para fins outros que não o desempenho de suas funções, no interesse da pessoa jurídica, de modo a justificar o lançamento do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte a título de rendimento pago a beneficiário não identificado. Também não demonstrou haver, no mínimo, indícios de que a autuada estaria conferindo benefícios indiretos a seus empregados. É que o valor das despesas com a depreciação, manutenção e conservação dos veículos utilizados no transporte do empregado com o objetivo de bem desempenhar as atribuições que lhe são próprias visando a atingir o objeto social da pessoa jurídica não pode ser entendido como benefício pago à pessoa física do empregado, isto é, não deve ser incorporado à sua remuneração. Para que isso ocorra, necessário ficar demonstrado, ou haver, no mínimo, uma suspeita fundamentada que o veículo estaria sendo utilizado pelo empregado em atividades extraoperacionais. O antigo Primeiro Conselho de Contribuintes assim se manifestou sobre o assunto: BENEFÍCIOS E VANTAGENS PAGAMENTO DE SALÁRIOS INDIRETOS "FRINGE BENEFITS" USO DE VEÍCULOS Fl. 380DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 As despesas pagas ou incorridas com os veículos utilizados no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros, em quaisquer atividades extraoperacionais da pessoa jurídica, integram a remuneração do beneficiário como salário indireto. Caso a empresa não identifique os beneficiários e, por via de conseqüência, não adicione os benefícios indiretos às respectivas remunerações, os valores pagos não integram os rendimentos tributáveis da pessoa física e o imposto será pago na fonte pela pessoa jurídica, à alíquota de 35%, o qual será considerado exclusivo na fonte. Recuso negado. (g.n.) (Primeiro Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, Acórdão n.º 10423.730, de 5.2. 2009). Nesse sentido, para o lançamento ter possibilidade de prosperar, forçoso que a Fiscalização tivesse fornecido, no mínimo, indícios de que os veículos estariam sendo utilizados para outros fins que não os visados no objeto social da empresa, e o fossem em benefício de empregados ou terceiros, o que não se verificou nos autos. Por esse motivo, isto é, pela ausência de, ao menos, indícios de ter havido utilização de veículos para fins estranhos ao objeto social da pessoa jurídica, em benefício de empregados, mesmo considerando a fragilidade das provas apresentadas pela defesa, é de se dar razão à recorrente. Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 381DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.001898/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. Considera-se simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Ao restar comprovada a prática de negócios simulados, com declaração enganosa de vontade, com o único propósito de esquivar-se das obrigações tributárias, impõe-se a aplicação de multa qualificada no percentual de 150%. Os atos aparentes praticados, ao mesmo tempo que buscavam modificar as características essenciais do fato gerador, tentavam ocultar das autoridades fazendárias o ganho de capital efetivamente auferido. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. APURAÇÃO ANUAL. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual do tributo, deixam de recolher as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes por ele próprio levantados, sem a inclusão das receitas omitidas apuradas em procedimento de fiscalização, impõe-se a aplicação de multas exigidas isoladamente sobre as parcelas não pagas, em face do descumprimento do dever legar de antecipar as estimativas. Tal penalidade não se confunde com outra, a ser aplicada pela falta de pagamento do tributo eventualmente apurado ao final do exercício.
Numero da decisão: 1301-000.810
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Jenier, que dava provimento ao recurso. Por voto de qualidade, mantidos os juros de mora sobre a multa de ofício e a multa isolada por falta de pagamento dos tributos sobre a base estimada, vencidos os conselheiros Carlos Jenier, Guilherme Pollastri e Edwal Casoni. Designado redator para o voto vencedor o Conselheiro Waldir Rocha.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. Considerase simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Ao restar comprovada a prática de negócios simulados, com declaração enganosa de vontade, com o único propósito de esquivarse das obrigações tributárias, impõese a aplicação de multa qualificada no percentual de 150%. Os atos aparentes praticados, ao mesmo tempo que buscavam modificar as características essenciais do fato gerador, tentavam ocultar das autoridades fazendárias o ganho de capital efetivamente auferido. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. APURAÇÃO ANUAL. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual do tributo, deixam de recolher as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes por ele próprio levantados, sem a inclusão das receitas omitidas apuradas em procedimento de fiscalização, impõese a aplicação de multas exigidas isoladamente sobre as parcelas não pagas, em Fl. 629DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 601 2 face do descumprimento do dever legar de antecipar as estimativas. Tal penalidade não se confunde com outra, a ser aplicada pela falta de pagamento do tributo eventualmente apurado ao final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Jenier, que dava provimento ao recurso. Por voto de qualidade, mantidos os juros de mora sobre a multa de ofício e a multa isolada por falta de pagamento dos tributos sobre a base estimada, vencidos os conselheiros Carlos Jenier, Guilherme Pollastri e Edwal Casoni. Designado redator para o voto vencedor o Conselheiro Waldir Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. – Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ de São Paulo/SP. Observase do presente processo administrativo, que em desfavor da recorrente acima identificada foi lavrado Auto de Infração (fls. 199 – 205) para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ e Contribuição social sobre o Lucro Líquido referentes ao anocalendário 2003. As imputações da Fiscalização se acham descritas no Termo de Verificação Fiscal encartado às folhas 182 a 198 sendo oportuno o registro das principais constatações consoante destacado abaixo: (...) No decorrer dos trabalhos de fiscalização, que estão sendo realizados junto ao Contribuinte acima identificado e que se encontram amparados pelo Mandado de Procedimento Fiscal n. 08190002005030098, foram apuradas Fl. 630DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 602 3 irregularidades em dois processos distintos de alienação de participações societárias. Embora a sistemática adotada pelo GRUPO KLABIN nesses dois processos seja bastante semelhante optamos por lavrar dois Termos de Verificação Fiscal distintos a fim de trabalhar isoladamente cada uma das operações. Assim o presente Termo tratará da operação NORSICESKOG, enquanto o outro se ocupará da operação RIOCELL. I IRREGULARIDADES: Em decorrência de processo de reposicionamento no país, o grupo norueguês NORSKE SKOG promove uma série de negócios jurídicos que, ao final, redundam na aquisição de todas as atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal que pertenciam – ao GRUPO KLABIN, bem como a garantia de que o alienante não iria explorar essa atividade por, pelo menos, dez anos. Com essa aquisição o grupo norueguês passou a ser o único grande grupo empresarial a produzir papel jornal no mercado nacional. Ocorre que, em razão da forma utilizada nos negócios jurídicos efetuados, o ganho de capital obtido no processo de alienação, deixou de ser oferecido à tributação, vejamos. 1. O GRUPO KLABIN, através de suas controladas Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda., cnpj n. 03.627.572/000130 e Klabin Paraná Produtos Florestais Ltda., cnpj n. 76.171.479/000190, adquire em 01.05.2003, uma empresa, denominada Lille Holdings (cujo capital era de R$ 100,00 e que não possuía à época qualquer atividade), com o fim específico de alienar ao grupo norueguês todas as suas atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal, bem como os direitos de não fabricação do referido produto por 10 anos. 2. Em 27.05.2003 o GRUPO KLABIN, através da Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. em 27.05.2003, promove um aumento de capital no valor de R$ 31.250.900,00 através da integralização, de bens e direitos (compostos sobretudo por sua carteira de clientes). 3. Com essa integralização a Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. destaca de seu patrimônio a parte que interessa ao grupo norueguês e que lhe será alienada a seguir. 4. Passados menos de 30 dias (24.06.2003), o GRUPO NORUEGUÊS, através de sua controlada Norske Skog Pisa Ltda., cnpj n. 31.985.633/0001 20, realiza nova subscrição e "integralização" de capital no valor de R$ 88.280.486,00, sendo R$ 11.158.843,00 como capital e R$ 77.121.643,00 a título de ágio. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 603 4 5. Em 02.07.2003 (uma semana após), Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. e Klabin do Paraná Produtos Florestais Ltda. (ambas do GRUPO KLABIN) retiramse da sociedade Lille Holdings, mediante o cancelamento de suas ações e o recebimento de R$ 88.027.000,00, ou seja, quase a totalidade do capital e da reserva "integralizados" pelo GRUPO NORUEGUÊS. 6. 0 Ganho de Capital obtido nessa operação, no valor de R$ 56.296.134,08 [R$ 88.027000,00 (Valor recebido pelo GRUPO KLABIN) menos R$ 31.730.865,92 (valor da Lille Holdings, ou seja, dos bens repassados ao GRUPO NORUEGUÊS)] deixou de ser oferecido à tributação ao simularse que teria sido auferido por meio de variação nos percentuais de participação das empresas Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. e Klabin do Paraná Produtos Florestais Ltda. em seus investimentos na empresa Lille Holdings (ganho não tributável conforme art. 428 do RIR/99), dos quais R$ 56.296.044,12 teriam sido auferidos na Klabin Monte Alegre e restantes R$ 89,96 na Klabin do Paraná Produtos Florestais Ltda. 7. Entretanto, o que realmente ocorreu foi à alienação de parte dos ativos do GRUPO KLABIN, segregados na empresa Lille Holdings (e que estavam avaliados em R$ 31.730.865,92), para o GRUPO NORUEGUÊS, pelo valor de R$ 88.027.000,00, o que implica em um resultado tributável de R$ 56.296.134,08. 8. O desfecho de toda essa operação ocorre com a alteração da razão social da Lille Holdings S/A para Norske Skog Jaguariaiva S/A que, em seguida, é incorporada por Norske Skog Pisa Ltda., cnpj n. 31.965.633/000120 (GRUPO NORUEGUÊS). Todo esse procedimento, que teve por finalidade única a transferência das atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal que pertenciam ao GRUPO KLABIN para o GRUPO NORUEGUÊS, foi o desfecho de uma negociação que se iniciou bem antes, conforme se pode observar do "EXTRATO DA ATA DE REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO", de 21.02.2000, de Klabin Fabricadora de Papel e Celulose, cnpj n. 59.368.100/000118 (cuja razão social foi posteriormente alterada para Indústrias Klabin S/A) que aprova a "joint venture" entre a Klabin e a Norske Skogindustrier Asa, e do "ACORDO DE QUOTISTAS (NORSKE SKOG — KLABIN)" de 25.02.2000, cujos principais pontos citamos abaixo: II ACORDO DE QUOTISTAS (NORSKE SKOG — KLABIN): 1. Vigência do Acordo 31/03/2000 a 31/03/2003 (subitem 3.2 e 12.1). 2. O Acordo menciona que foi assinado, em 16/12/1999, Carta de Intenção não vinculativa, estabelecendo os princípios gerais que regem sua potencial associação numa empresa denominada Norske Skog Klabin Com. e Ind. Ltda: (Considerando I): Fl. 632DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 604 5 3. As Indústrias Klabin locarão à Norske Skog Klabin ativo imobilizado para produção, marketing e venda de papel de imprensa (subitem 8.3 do Acordo) (Contrato de Arrendamento de Estabelecimento Industrial, assinado pelas partes em 25/03/2000). 4. A Norske Skog Klabin terá o direito de usar a marca "K" em forma figurativa exclusivamente à sua atividade de produção e comercialização de papel de imprensa. 5. As Indústrias Klabin têm direito de vender à Norske Skog do Brasil a totalidade de suas quotas do capital da sociedade; o preço das quotas corresponderá a US$ 46.370.000,00 caso o Grupo Norske Skog se decida a construir uma nova máquina (subitem 10.2.1), ou US$ 28.370.000,00, caso contrário (subitem 10.2.2). 6. Se após o pagamento previsto no subitem 10.2.2, e dentro de 3 anos constados do término do período de validade (vigência) (até 30/03/2006), o Grupo Norske Skog decidir dar início à construção de uma nova máquina para produção de papel ou decidir reformar uma máquina no Brasil, desde que resulte em aumento de capacidade substancial, o Grupo Norske Skog pagará a Klabin uma quantia adicional de R$ 18.000.000,00. 7. As partes concordam que antes do pagamento ou pagamentos à Klabin do preço das quotas das cláusulas 10.2.1 e 10.2.2, os melhores esforços de ambas as partes serão envidados na tentativa de minimizar legalmente o impacto tributário sobre a Klabin em relação a seu recebimento dos valores correspondentes, com estrita observância da legislação brasileira vigente, e desde que tal tentativa não cause nenhum impacto tributário sobre o Grupo Norske Skog (subitem 10.3). Dando sequência às constatações acima reproduzidas, às folhas 185 a 187 do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora delineou de forma esquematizada as alterações societárias ocorridas durante a "joint venture" e estas podem ser estratificadas da seguinte maneira: (...) 1) 03/01/2000 Constituição da Norske Skog Klabin Com. e Ind. Ltda. (CNPJ n° 03.624.572/000130). 2) 31/03/2000 Alteração no quadro societário da Norske Skog Klabin Com. e Ind. Ltda. A sócia KPF Export cede e transfere a sua única quota (R$ 100,00) para a Norske Skog do Brasil. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 605 6 As Indústrias Klabin e a nova sócia deliberam em aumentar o capital social, de R$ 1.000,00 para R$ 34.742.000,00, de modo que a participação de cada sócia seja de 50%. 3) 28/12/2001 Incorporação das Indústrias Klabin pela Klabin S.A. 4) 23/05/2003 A Norske Skog do Brasil aliena todas as quotas da Norske Skog Klabin para a Klabin S.A., por R$ 2.425.864,72. Com o retorno do controle da Norske Skog Klabin para o Grupo Klabin termina a fase de "jointventure" entre os 2 grupos e passase à fase da efetiva alienação de todas as atividades relacionadas a industrialização e comercialização de papel jornal que pertenciam ao Grupo Klabin para o Grupo Norueguês, bem como a garantia de que o alienante não iria explorara essa atividade por, pelo menos, 10 anos. (...) No mesmo propósito de demonstrar as operações realizadas, a Fiscalização encartou às folhas 187 a 189, quadro demonstrativa do processo de alienação, abaixo resumido: (...) 22/10/2002 Constituição da Lille Holdings S.A., por Maria Cristina Cescon Avedissian e Alexandre Gossn Barreto. 1) 01/05/2003 A Norske Skog Klabin e a Klabin do Paraná Produtos Florestais adquirem os investimentos na Lille Holdings. 2) 27/05/2003 A Norske Skog Klabin aumenta o capital social na Lille Holdings, mediante subscrição e integralização com bens e direitos. 3) 24/06/2003 Ingressa na Lille Holdings a investidora Norske Skog Pisa, mediante a emissão de 11.158.843 ações ordinárias, a R$ 7,91 por ação. A integralização ocorreu mediante contrato de mútuo de R$ 88.027.000,00, assinado em 16/06/2003, entre a Norske Skog Pisa e a Klabin S.A., e uma nota promissória "prósoluto" de R$ 253.486,00. Absurda a forma de integralização, pois houve a substituição do dever de integralizar por um dever de pagar (contrato de mútuo e nota promissória). Fl. 634DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 606 7 Embora a Norske Skog Pisa tenha subscrito 26,31% das ações, contribuiu com 73,86% do capital social. 4) 02/07/2003 Norske Skog Klabin e Klabin do Paraná Produtos Florestais retiraramse da Lille Holdings, mediante cancelamento de 31.251.000 ações ordinárias e redução de R$ 88.027.000,00 no capital social da investida. 6) 23/01/2004 Por parte do Grupo Norske Skog, a operação é finalizada com a incorporação da Lille Holdings S.A. (Norske Skog Jaguariaiva S.A.) pela Norske Skog Pisa. 7) 22/03/2004 Klabin do Paraná Produtos Florestais aliena investimentos na Norske Skog Klabin para a Klabin S.A. (operação que precede a incorporação em 23/03/2004). 8) 23/03/2004 Por parte da Klabin S.A., a operação é finalizada com a incorporação da Norske Skog Klabin pela Klabin S.A. (...) Desta forma, o Ganho de Capital que deixou de ser oferecido a tributação foi, como acima detalhado, de R$ 56.296.134,08, sendo R$ 56.296.044,01 na Norske Skog Klabin e R$ 90,07 na KPPF (ambas do GRUPO KLABIN). (...) Feitas essas demonstrações, no tópico VI do Termo de Verificação Fiscal (fls. 189 em diante) a autoridade lançadora consignou suas conclusões dispondo, resumidamente, da seguinte maneira: (...) Os grupos envolvidos realizaram uma série de atos jurídicos, através de suas controladas, com o único objetivo de transferirem a empresa NORSKE SKOG KLABIN, cnpj n. 03.624.572/000130 (responsável pelas atividades de industrialização e comercialização de papel jornal do GRUPO KLABIN), para o GRUPO NORSKE SKOG (GRUPO NORUEGUÊS). Ocorre que, como a pura e simples alienação dessa empresa sujeitaria a alienante à tributação do ganho de capital auferido, optouse por simular que esse ganho de capital adveio de uma variação percentual na participação que a NORSKE SKOG KLABIN possuía na empresa LILLE HOLDINGS. Assim a Norske Skog Klabin integraliza na Lille Holdings os bens e direitos que o Grupo Norueguês deseja adquirir. Por sua vez, o grupo norueguês integraliza na mesma Lille Holdings o valor que irá pagar pela compra R$ 88.027.000,00 (equivalente a US$ 28.370.000,00 do subitem 10.2.2 do Acordo de Quotistas). Fl. 635DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 607 8 Nesse momento ocorre a troca de ativos, a Norske Skog Klabin sai da empresa recebendo em contrapartida o valor que o grupo norueguês integralizou, e este fica com a empresa Lille Holdings (braço do Grupo Klabin que operava com papel jornal). Segundo as atas das AGE da Lille Holdings todos esses eventos ocorreram entre 27.05.2003 e 02.07.2003. Assim fica claro que o objetivo de todo o procedimento era a mera passagem do controle da exploração das operações de papel jornal do GRUPO KLABIN para o GRUPO NORUEGUÊS. Objetivo que poderia ter sido alcançado por uma simples alienação. Entretanto optouse por um intrincado emaranhado de alterações societárias a fim de se dissimular o verdadeiro negócio jurídico. (...) Demais disso, a Fiscalização consignou tratarse de simulação discorrendo acerca do posicionamento legal, lançado notas doutrinárias e precedentes jurisprudenciais para os exatos fins de fundamentar suas conclusões. Teceu considerações acerca dos efeitos da simulação no direito tributário. No tópico VIII do Termo de Verificação Fiscal (fls. 195 em diante) a autoridade lançadora teceu cuidadosas considerações acerca da caracterização da multa de ofício qualificada, fazendoo nos termos abaixo reprisados: (...) A multa de ofício aplicável sobre a diferença apurada de tributo devido é a de 150%, conforme o inciso II do art. 44 da Lei n°. 9.430, de 1996 (art. 957 do RIR/1999): (...) Da leitura do presente Termo, fica evidente que a forma utilizada pelo contribuinte para a implementação das operações demonstra, inequivocamente, a intenção de "impedir (...) o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária", configurandose a sonegação definida no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964. A forma dada ao negócio teve ainda o objetivo de "modificar as suas características essenciais (do fato gerador) de modo a reduzir (a zero) o montante do imposto devido", caracterizando a fraude definida no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Enfim, o conluio definido no art. 73 da Lei n° 4.502, de 1964, fica caracterizado pelo fato de todos os atos simulados terem envolvido as empresas interessadas e seus diretores ou representantes. (...) Na mesma ordem das ideias a autoridade administrativa no item IX do Termo de Verificação Fiscal descreveu as razões pelas quais se aplicaria a Multa Isolada, sendo oportuna sua constatação: Fl. 636DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 608 9 (...) Ao excluir o referido Ganho de Capital na apuração de suas bases de cálculo, tanto do IRPJ por estimativa, quanto da CSLL por estimativa, no período de 07/2003, o Contribuinte reduziu indevidamente os valores a recolher dessas estimativas, sujeitandose, dessa forma a multa isolada prevista no art. 44, inciso I e parágrafo único, inciso IV da Lei 9.430 de 1996, alterada pelo art. 14 da MP 351/2007. (...) X — COMPENSACAO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL Em razão da autuação do Ganho de Capital auferido em 2003 o Lucro Real da empresa KLABIN MONTE ALEGRE passa de R$ 2.496.193,24 para R$ 58.792.237,25, possibilitando a compensação de R$ 17.637.671,75 de Prejuízos Fiscais de anos anteriores. Como seu saldo de Prejuízos Fiscais de anos anteriores era de R$ 19.522.529,54, restou, ainda um saldo de R$ 1.884.858,37. Tendo o contribuinte apurado um Prejuízo Fiscal de R$ 195.114,50 no AC 2004 o seu saldo final passa a ser de 2.079.972,87. Já em relação à Base de Cálculo da CSLL o valor apurado pelo Contribuinte em 2003 foi de R$ 13.362.959,03, como a autuação foi no valor de R$ 56.296.044,01, a nova BC passou a ser de R$ 42.933.084,98, possibilitando a compensação de R$ 12.879.925,49 de BC Negativa da CSLL de anos anteriores. Como seu saldo de BC Negativa de CSLL de anos anteriores era de R$ 19.879.513,67, restou, ainda um saldo de R$ 6.999.588,17. Tendo o contribuinte apurado uma BC negativa de CSLL de R$ 195.114,50 no AC 2004 o seu saldo final passa a ser de 7.194.702,68. Isto se encontra detalhado nos Demonstrativos anexos aos Autos de Infração. (...) No mais, constouse os enquadramentos legais e demais determinações de praxe, cientificandose a Contribuinte em 27 de julho de 2007 como se atesta pela assinatura ao final da folha 198. Inconformada com as exigências fiscais relatadas acima, a Recorrente apresentou tempestiva Impugnação (fls. 240 – 267), alegando de início que antes de refutar as constatações da Fiscalização seria de rigor relatar os acontecimentos, fazendoo para os fins de evidenciar a motivação das transações ocorridas, afirmando que desde o início do ano de 2000 a Indústrias Klabin S.A, depois incorporada pela Recorrente, mantinha uma associação com o Grupo Norske, da Noruega, em virtude da qual foi criada a Norske Klabin, na qual esse grupo entrou com cinquenta por cento do capital social através da Norske Skog do Brasil. Com efeito, a Recorrente afirmou que essa associação começou com uma carta de intenção assinada pelos dois grupos em 16 de dezembro de 1999, tendo se consolidado com o acordo de quotistas da Norske Klabin datado de 25 de fevereiro de 2000 o qual previu todos os termos e condições em que os negócios dessa empresa seriam desenvolvidos, Fl. 637DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 609 10 incluindo a gestão e outras cláusulas atinentes a esse tipo de acordo, tendo previsto sua duração por três anos nos termos das suas cláusulas 3.2 e 21.1 (doc. 6 da impug.) Diante disso, afirmou a Recorrente que a dita associação esgotouse em 2003 quando o Grupo Klabin retirouse dela, deixando o negócio que até então desenvolvera em conjunto com o grupo norueguês. Nessa toada, aduziu que para efetivar sua saída do empreendimento a Norske Pisa aportou capital na Lille, da qual a Norske Klabin retirouse mediante redução de capital e que tais fatos ocorreram em meados de 2003, de sorte que sua saída da associação com o grupo Norske, além de ser decorrente do término do prazo determinado para essa associação, deveu se a outros fatores que a cercavam naquela época, porquanto no ano de 2002, devido ao fechamento de mercados financeiros internacionais e à conturbação interna que precedeu as eleições presidenciais, viuse com dificuldades insuperáveis para refinanciar suas dívidas de curto prazo. Afirmou, destarte, que essas mesmas causas levaram o Real a ser desvalorizado em mais de cinquenta por cento, sendo certo que os impactos sobre a Recorrente teriam sido devastadores eis que suas dívidas vencidas no segundo semestre daquele ano, e não pagas, ascenderam a sessenta e nove por cento do seu total; seus pareceres de auditoria externa foram emitidos com ressalva por descumprimento de índices financeiros aos quais a estava contratualmente comprometida, consoante se demonstraria nos relatórios de revisão especial dos segundo e terceiro trimestres de 2002, e do primeiro trimestre de 2003, apresentados à CVM como partes das informações trimestrais — ITR (doc. 7, 8 e 9 da Impug.). No mesmo sentido informou a Recorrente que seus "ratings" de crédito corporativo nas moedas local e estrangeira teriam sido rebaixados pela Standard & Poors (doc. 10 e 11 da Impug.) e que mencionou que sendo companhia de capital aberto, em 5 de novembro de 2002 teve que publicar anúncio de fato relevante, conforme exigência da Lei n. 6.404, dando notícia ao mercado das tratativas desenvolvidas com credores, algumas com êxito outras não (doc. 12 da Impug.). Seguiu a Recorrente reiterando toda a circunstância fática que revelaria a necessidade de equacionamento definitivo da sua posição financeira e a continuidade operacional que dependia do sucesso na implementação dos referidos planos, aduzindo nesse contexto que para fazer frente aos financiamentos vencidos e a vencer, em novembro de 2002 foi estruturado um empréstimoponte com o BNDES e um "pool" de bancos credores, que envolveu a caução de mais da metade do capital da Recorrente, além de avais pessoais dos seus controladores (doc. 13 da Impug.), e que tal empréstimo, inclusive, teria sido mencionado no anúncio de fato relevante acima referido. No mesmo intuito de nortear as circunstâncias fáticas ocorridas à época, afirmou que em dezembro de 2002, em substituição ao empréstimoponte, foi efetivada uma nova operação com o BNDES e o "pool" de bancos, com garantias adicionais às concedidas antes, passando a envolver caução de ações da controlada Riocell S.A e de debêntures de sua emissão, e hipotecas sobre as unidades industriais da Riocell e de imóveis rurais (doc. 14 da Impug.). Relatou ainda, que dentro das obrigações assumidas pela Recorrente nessa nova operação, figurava a de realizar financeiramente ativos necessários à liquidação de obrigações, com antecipação dos vencimentos contratuais caso não cumprida essa obrigação, Fl. 638DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 610 11 argumentando que foi em cumprimento dessa obrigação, e tendo em vista o final do prazo de associação com o grupo Norske, que ocorreu a retirada da Recorrente do empreendimento conjunto de que participava, sendo transferidas as respectivas atividades para a Lille, e tendo esta passado a pertencer exclusivamente à Norske Pisa. Aduziu por outro turno, que em consequência do ocorrido, sua participação, até então desenvolvida por meio da Norske Klabin, deixou de ter sentido, tendo esta inicialmente sofrido alteração de denominação social para Klabin Monte Alegre Comércio e Indústria S.A, sendo depois incorporada pela Recorrente por falta de objeto. No mesmo sentido, afirmou ser imprescindível, no histórico dos fatos, apresentar listagem das negociações das suas ações em bolsa, mês a mês, pela qual se pode constatar que, de uma posição de queda de cotações na segunda metade de 2002 e no primeiro trimestre de 2003 (já iniciada antes), passouse a um constante crescimento dali em diante, o que demonstraria, entre outros fatores, o bom resultado do equacionamento do seu passivo (doc. 17 da Impug.). Em suma, afirmou a Recorrente que tinha uma antiga associação com outro grupo econômico cujo prazo contratado para vigência se esgotara. Simultaneamente tinha que se desfazer de ativos, por obrigação contratual assumida perante credores em decorrência da sua premência financeira, até como medida necessária à sua sobrevivência, sendo certo que dentro desse escopo, e para implementálo, adotou estruturação jurídica que não lhe acarretou a incidência do IRPJ e da CSLL que uma venda direta de ativos teria produzido, tendo sido diligente no cumprimento da sua finalidade empresarial e na procura de orientação com seus assessores jurídicos, e tomado como base precedentes da jurisprudência administrativa. Feitas essas considerações de ordem fática, a Recorrente passou a discorrer acerca da inexistência de simulação e de fato gerador do IRPJ e da CSLL, considerando nesse mister que a autuação concentrase na ocorrência de simulação, porquanto toda a fundamentação da alegação de evasão fiscal resumese nesse vício dos atos ou negócios jurídicos. Segundo afirmou a Recorrente, o item VII do termo de verificação fiscal, em todos os seus subitens, mencionaria as razões da autoridade fiscal para suportar a defendida acusação, sendo este o cerne da questão, evidenciado segundo afirmou a contribuinte, pelas referências subsidiárias aos artigo 169, 170, 171 e 184 do estatuto civil, e que tornaria supérfluas as alusões aos artigos 109, 116 e 118 do CTN, bem como ao art. 51 da Lei n. 7450 e ao Parecer Normativo CST n. 46/87, vinculado a este e, portanto, igualmente inaplicável aos fatos deste processo. Em síntese afirmou a Recorrente que a imputação fiscal cuidou de afirmar ser inaplicável o disposto no artigo 428 do RIR/99 porque o conjunto de atos praticados seria dissimulatório de outro negócio realmente realizado pelas partes, qual seja, o de uma compra e venda pura e simples, daí se justificando a aplicação do inciso II, do parágrafo 1º do artigo 167, destacado em negrito como sendo representativo da disposição legal especificamente aplicável à espécie. Após marcar os limites da imputação fiscal a Recorrente passou a aduzir o equívoco em que teria incorrido a Fiscalização, mencionando nesse mister o trecho abaixo reproduzido e colhido a partir da folha 247: Fl. 639DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 611 12 (...) Embora em tese a disciplina jurídica para os atos simulados seja a resumida acima, nos fatos descritos no tópico I deste recurso não se deu a nulidade apontada, pelas razões que a impugnante passa a expor. Realmente, não há a mínima controvérsia doutrinaria ou jurisprudencial quanto a que a simulação se caracteriza pela desconformidade entre a vontade interna (subjetiva) das partes do negócio simulado e a prática ostensiva deste perante o mundo exterior. Em vista disso, tanto a doutrina quanto a jurisprudência admitem que a comprovação da simulação seja feita por meios indiciários, isto é, pela reunião de uma série de indícios com densidade suficiente para permitir a formação da convicção sobre a vontade interna das partes. Alguns desses indícios são a proximidade temporal entre atos praticados ostensivamente, ou a ausência de interesse de associar, ou ainda a inexistência de propósitos negociais nesses atos. Mas nem sempre um, ou o conjunto de dois ou mais, desses indícios é suficiente para corroborar a suspeita de simulação, pois, como diz a jurisprudência, eles devem constituir um conjunto de circunstâncias logicamente convergentes para a verdade que se procura estabelecer. Seja como for, um outro indício pode e deve ser mencionado, por ter caráter geral e alcance amplo, e porque é relevante no caso presente. Tratase da publicidade das ocorrências, ao invés de serem elas encobertas pelos véus do disfarce ou da ocultação, o que é essencial, pois deriva mesmo da própria noção de simulação, na qual se esconde o que se quer fazer. Contudo, diferentemente disso, no caso concreto nada foi ocultado porque não havia o que esconder, eis que foi feito exatamente aquilo que as partes queriam. Por isso mesmo, tudo foi declarado à CVM e a quem mais tivesse interesse, tendo constado de documentos publicados em obediência à determinações legais, além de que nada foi escamoteado à fiscalização da RFB, eis que tudo foi devidamente contabilizado e, quando da fiscalização, tudo foi abertamente exposto ao auditorfiscal, com a entrega de toda a documentação atinente aos atos praticados. Não foi por outro motivo que a fiscalização pôde, sem qualquer dificuldade, ver facilmente tudo o que ocorrera. Disso, a prova mais eloquente é a descrição dos fatos, feita em detalhes no termo de verificação fiscal, fatos esses descobertos não através do "garimpo" de elementos que estivessem "enterrados em algum esconderijo", mas, sim, expostos à luz através da contabilidade e de todos os demais elementos de exteriorização já referidos. Outro indício comumente utilizado pela jurisprudência para considerar a ocorrência de simulação, este já mencionado antes, é o da inexistência de propósitos negociais nos atos conducentes à economia fiscal. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 612 13 Ora, diferentemente dos casos em que a pessoa jurídica nada tenha a fazer, e "faça um planejamento fiscal" com a única finalidade de reduzir a sua tributação, no caso deste processo havia razões empresariais para a prática dos atos retrodescritos, pois a impugnante estava em difícil situação financeira, em consequência da qual tinha obrigação de se desfazer de ativos, e para a consecução desse objetivo empresarial encontrou um caminho menos oneroso tributariamente. E, efetivamente, houve o negócio com pessoas jurídicas não ligadas a ela, realizado realmente pela estrutura jurídica livre e conscientemente adotada, não um negócio falso e diferente do pretendido. Ademais, a necessidade de realização de ativos veio coincidir com o término da sua longa associação com o grupo Norske que também torna inaplicável o indício da inexistência de interesse de associação. Em suma, a impugnante tinha propósito negocial e tinha um negócio a fazer, e o fez. Podia fazêlo por mais de uma via jurídica, escolheu uma delas e a pôs em prática efetiva, sem a mínima desconformidade com a sua intenção. Isto, portanto, exclui a hipótese de simulação. Neste sentido, não se pode perder de vista a conceituação fundamental de simulação, isto é, a desconformidade entre a intenção e a prática, coisa que não ocorreu "in casu". Neste passo, a prova da desconformidade caracterizadora da simulação, ainda que por conjunto indiciário, se impõe em qualquer ramo do direito, mas especialmente se apresenta como um imperativo necessário no campo do direito tributário, em que a ocorrência do fato gerador (com todos os seus elementos constitutivos) deve estar inequivocamente demonstrada, constituindose tal prova em premissa condicionante da validade do lançamento (art. 142 do CTN). Ademais, a segurança da conclusão incontroversa impõese ante a norma segundo a qual a lei tributária deve ser interpretada mais favoravelmente ao acusado quando houver dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza ou às circunstâncias materiais do mesmo, ou à extensão dos seus efeitos (art. 112 do mesmo CTN). Independentemente disso, no caso "sub judice" as partes desejaram efetivamente o que praticaram. Isto nos conduz à distinção entre negócio simulado (ilícito) e negócio jurídico indireto (lícito), a qual repousa exatamente em que neste, ao contrário daquele, as partes querem o negócio que praticaram e se submetem inteiramente aos seus efeitos jurídicos e econômicos decorrentes da respectiva disciplina legal. O negócio jurídico indireto é válido desde que seja praticado para atingir algum fim de direito privado que não seria vedado pela lei se tivesse sido praticado o negócio direto. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 613 14 E é essencial compreender que o negócio indireto diferenciase da simulação porque nesta há desconformidade entre o desejado e o praticado, ao passo que nos negócios indiretos as partes desejam os atos praticados e se submetem ao seu regime jurídico e às suas consequências. Apesar da nítida distinção teórica, muitas vezes se pensa que no negócio jurídico indireto, tanto quanto na simulação, também haja uma desconformidade entre a vontade interna e o ato praticado. Contudo, nele as partes efetivamente o querem e o adotam, segundo o que o direito determina para o negócio praticado. No quadro de fatos acima exposto não se pode dizer que tenha havido simulação, nem mesmo, e principalmente, juntandose os vários atos, pois: os vários atos foram praticados dentro das suas finalidades jurídicas (as causas dos respectivos atos ou negócios jurídicos), e sem ocultação da realidade; os vários atos não são simuladores de uma realidade inexistente (portanto, não há simulação absoluta) ou de uma outra realidade diferente (portanto, não há simulação relativa); as partes submeteramse às consequências dos atos, subordinandose às suas disciplinas jurídicas. Em suma, houve conformidade entre a vontade subjetiva das partes e os atos que foram praticados, conformidade esta que elimina a simulação, pelo próprio conceito de simulação. Esta conformidade vem à tona exatamente quando se confronta cada ato com tudo o que foi feito, pois o conjunto demonstra escancaradamente o que se desejava, fazendoo de modo até mais eloquente do que cada ato considerado isoladamente. Com efeito, a impugnante estava em fim de associação com a Norske, e, além disso, precisava desfazerse de ativos, e não precisava fazêlo por via de compra e venda, pois podia atingir esse objetivo por quaisquer meios. Assim, o fez por estrutura jurídica que lhe propiciou atingir seu objetivo negocial e econômico sem incorrer no fato gerador do IRPJ e da CSL, e tudo validamente perante o direito privado e o direito tributário. Em conclusão, não existindo a simulação, não se sustenta a exigência do IRPJ e da CSL, seja face ao artigo 167 do Código Civil, seja face aos demais dispositivos citados no termo de verificação fiscal. (...) Na mesma intenção de infirmar as conclusões fiscais, a Recorrente discorreu acerca da inaplicabilidade da multa qualificada nos seguintes termos: (...) III — DESCABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA Fl. 642DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 614 15 Se, "ad argumentandum", a impugnante tivesse cometido uma infração, ou o caminho escolhido para a realização de ativos não propiciasse o amparo do art. 428 do RIR199, haveria a incidência do IRPJ e da CSL que ela julgou indevidos. Neste caso, caberia a aplicação da penalidade correspondente, além dos juros sobre o valor do principal de IRPJ e CSL. Não obstante, é descabido o agravamento da penalidade, tal como feito nos autos de infração, por aplicação do inciso II do art. 44 da Lei n. 9430. O termo de verificação fiscal justifica a multa agravada porque teriam ocorrido as hipóteses dos art. 71 a 73 da Lei n.4502, a que alude o art. 44. Entretanto, o art.71 descreve hipótese em que o contribuinte dolosamente visa impedir o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade fiscal. Ora, no caso não há dolo, e já foi visto sobejamente que não houve sequer tentativa de impedir o conhecimento dos atos praticados, dada a evidência com que eles se externaram e como foram dados ao direto conhecimento da fiscalização. Quanto ao art. 72, descreve hipótese em que o contribuinte dolosamente modifica as características essenciais do fato gerador, o que pressupõe a ocorrência do fato gerador seguida de modificações naquelas características, introduzidas pelo contribuinte para se safar da obrigação já existente, coisa que não ocorreu, quer por não ter havido dolo, quer porque a impugnante não introduziu qualquer modificação em qualquer fato ocorrido, seja ele gerador ou não de obrigação tributária. Pelo contrário, os atos praticados estão conservados em sua forma documental e escritural reveladora da sua efetiva substância jurídica, tais como eles ocorreram, sem a mínima modificação. Por fim, o art. 73 referese a conluio em qualquer das ações anteriores, de modo que fica prejudicado se nenhuma delas houver ocorrido efetivamente. Este breve introito, contudo, não esgota o assunto, sendo necessária uma análise mais profunda, com base na qual a impugnante contesta a validade da multa aplicada. (...) Após essas considerações, passou a discorrer acerca do tratamento dado à matéria pela jurisprudência administrativa e pela mais respeitada doutrina, sempre tendente a demonstrar a inafastável necessidade de comprovação do intuito de fraude para caracterização da multa qualificada. Por outro turno, no tópico IV da Impugnação (a partir da fl. 262), a Recorrente manifestou seu inconformismo com a aplicação da multa isolada, expediente que traria consigo a dupla penalização, argumentando ainda, que após o encerramento do período base não seria cabível a exigência de tributo antecipado que tenha deixado de ser recolhido no mês próprio, porquanto seu valor desde então já integra o tributo devido ao final do período e apurado na respectiva DIPJ, não cabendo a cobrança da multa que seria devida sobre a falta ou Fl. 643DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 615 16 insuficiência de recolhimento da antecipação, citando precedentes administrativos e doutrina a respeito. Por fim, concluiu a recorrente que: (...) Por todo o exposto, a impugnante requer seja a presente recebida, processada em seus trâmites regulares e afinal julgada para cancelamento de todas as exigências ora impugnadas. Para provar os fatos expostos, a impugnante protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, tais como a juntada de documentos e a realização de diligências. Em atenção ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto n. 70.235/72, com a redação dada pela Lei n. 11196, de 21.11.2005, informa que não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos. Requer que as futuras intimações sejam efetuadas em nome dos advogados da impugnante, devidamente especificados no instrumento de mandato anexo (doc. 1), todos com escritório na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr., n. 758, 16° andar, São Paulo, Capital. (...) A 5ª Turma da DRJ de São Paulo, nos termos do acórdão e voto de folhas 467 a 495, julgou o lançamento procedente, ficando assim ementada a decisão: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003 SIMULAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. A realização de operações simuladas com o fito de elidir o surgimento da obrigação tributária principal ou de gerar maiores vantagens do que as proporcionadas pela lei fiscal não deve inibir a aplicação de hipóteses de incidência do imposto de renda sobre a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos e ganhos de capital. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MU LTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõese a aplicação de multa qualificada. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. Por determinação expressa da Instrução Normativa n° 93, de 1997, constatada a falta de pagamento do imposto por estimativa, devem ser exigidas as multas sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, e Fl. 644DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 616 17 o imposto apurado pelo ajuste anual, acrescido da MULTA de ofício pelo seu não recolhimento. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente. (...) A partir da folha 483 da decisão recorrida se acha estampado o Voto Vencido do relator que julgava procedente em parte o Auto de Infração, reconhecendo a simulação, a multa agravada, mas, afastando a multa isolada. Para os fins de relatar esse feito, colho os seguintes trechos do aludido voto: (...) Klabin S.A. foi autuada como sucessora por incorporação da Klabin Monte Alegre Comércio e Indústria Ltda. (antiga Norske Skog Klabin Comércio e Indústria Ltda., CNPJ n° 03.624.572/000130), que deixara de oferecer à tributação o ganho de capital decorrente da alienação de bens e direitos relacionados à industrialização e comercialização de papel jornal à Norske Skog Pisa Ltda., utilizando como intermediária a empresa Lille Holdings S.A. Conforme admite a própria contribuinte, o Grupo Klabin tinha que se desfazer de ativos, por obrigação contratual assumida perante seus credores em decorrência da sua premência financeira. Nesse sentido, conforme se comprova pelos fatos descritos no Relatório desta decisão e pelas peças juntadas aos autos, os atos jurídicos praticados pela contribuinte e pelas demais empresas envolvidas tiveram o único objetivo de transferir as atividades, os bens e os direitos relacionados à industrialização e comercialização de papel jornal do Grupo Klabin à Norske Skog Pisa Ltda. (Grupo Norueguês), sem que se verificasse a incidência de tributos sobre o ganho de capital apurado. Nunca houve a intenção de os Grupos supracitados se associarem na empresa Lille Holdings S.A., que serviu, simplesmente, de instrumento para a simulação constatada pela fiscalização, perpetrada com o intuito de alcançar o objetivo supracitado, qual alienação de ativos sem a tributação do correspondente ganho de capital. O fato de todas as operações estarem registradas, de não estarem ocultas, de serem facilmente constatadas, não afasta a simulação. A intenção é, exatamente, ostentar e provar uma situação que é falsa, para ocultar a verdadeira. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 617 18 A aparência de legalidade é uma das características dos atos simulados e fraudulentos, assim como a intenção de se utilizar da norma jurídica com finalidade diversa da que foi concebida. (...) Após citar notas doutrinárias, seguiu o relator da decisão recorrida afirmando (vide fl. 487 em diante): (...) Não há como qualificar o caso de planejamento lícito, eis que nele está presente a divórcio entre a vontade real (alienar ativos) e a operação praticada (uma série de alterações societárias). Presente, no caso, a densidade de indícios e circunstâncias referidos por Ricardo Mariz de Oliveira, a revelar a simulação: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores entre eles; o desfazimento dos efeitos do ato simulado. Os atos simulados não têm eficácia contra o Fisco, que não necessita, portanto, demandar judicialmente a anulação deles para propiciar a extraversão, ou seja, o aparecimento do ato realmente praticado que, no caso, foi a venda de ativos, com ganho de capital tributável pelo IRPJ e pela CSLL. (...) No que toca à multa qualificada, assim destacou a decisão recorrida: (...) Entendo que não resta caracterizada a sonegação (stricto sensu, considerada apenas a definição do artigo 71 da Lei n° 4.502/64), pois, como bem argumenta a impugnante, não houve tentativa de impedir o conhecimento dos atos praticados. No entanto, entendo que tanto a fraude (artigo 72) quanto o conluio (artigo 73) se fizerem presentes no caso. As operações dolosamente (tinha a intenção de praticar os atos, a fim de evitar a tributação) engendradas pela contribuinte, juntamente com as demais empresas envolvidas (o que caracteriza o conluio), visaram impedir a ocorrência do fato gerador (o que caracteriza a fraude) do IRPJ e da CSLL (ganho de capital). Dessa forma, correta a aplicação da multa qualificada de 150%. (...) Por fim, na parte em que foi vencido, o eminente relator cuidou de afastar a multa aplicada isoladamente, assim se manifestando: (...) Além do lançamento relativo à tributação do ganho de capital omitido e da respectiva multa de ofício (de 150%) a fiscalização efetuou lançamento, relativo a julho de 2003, de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas (IRPJ e CSLL), decorrente da mesma infração (falta de tributação de ganho de capital, apurada em ação fiscal). Fl. 646DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 618 19 Dessa forma, assiste razão à impugnante, ao afirmar que houve duplicidade de penalização para uma mesma infração, não sendo possível, portanto, a manutenção do lançamento relativo à multa isolada, devendose manter exclusivamente a multa qualificada de 150%. (...) Diante desse posicionamento, votou o eminente relator pela parcial procedência do auto de infração assentando suas conclusões conforme reprodução abaixo: (...) Diante do exposto, voto no sentido de se considerar PROCEDENTES EM PARTE os lançamentos, exonerandose as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ (R$ 6.991.617,56) e de CSLL (R$ 1.778.896,21), no total de R$ 8.770.513,77. (...) Como já mencionado acima, no entanto, a parte em que se dispôs a exoneração da multa isolada não foi acatada pela 5ª Turma da DRJ de São Paulo e o voto vencedor se acha encartado a partir da folha 492 pelo qual se manteve a multa aplicada isoladamente. Regularmente notificada da decisão desfavorável (vide Termo de Ciência de fl. 502), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 503 – 562), relatando os fatos que circundam o caso em análise, fazendoo em termos coincidentes aqueles já mencionados na Impugnação, afirmando inexistir qualquer simulação, citando preciosa doutrina, sendo oportuna a transcrição dos trechos abaixo destacadas: (...) Contudo, diferentemente disso, no caso concreto nada foi ocultado porque não havia o que esconder, eis que foi feito exatamente aquilo que as partes queriam. Por isso mesmo, tudo foi declarado A CVM e a quem mais tivesse interesse, tendo constado de documentos publicados em obediência à determinações legais, além de que nada foi escamoteado à fiscalização da RFB, eis que tudo foi devidamente contabilizado e, quando da fiscalização, tudo foi abertamente exposto ao auditorfiscal, com a entrega de toda a documentação atinente aos atos praticados. Até na impugnação, e neste recurso, a recorrente admitiu, e está admitindo, o que quis fazer, isto é estruturar o desfazimento de ativos, que precisava realizar em virtude de obrigações assumidas, através de meio jurídico que lhe pareceu adequado e que não lhe acarretava incidências fiscais que existiriam se adotasse outros procedimentos. Jamais escondeu isto, declarandoo sempre da maneira a mais clara possível. Não foi por outro motivo que a fiscalização pôde, sem qualquer dificuldade, ver facilmente tudo o que ocorrera. Disso, a prova mais eloquente é a descrição dos fatos, feita em detalhes no termo de verificação fiscal, fatos esses descobertos não através do "garimpo" de elementos que estivessem "enterrados em algum esconderijo", mas, sim, expostos à luz através da contabilidade e de todos os demais elementos de exteriorização já referidos. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 619 20 Outro indício comumente utilizado pela jurisprudência para considerar a ocorrência de simulação, é o da inexistência de propósitos negociais nos atos conducentes economia fiscal. No caso "sub judice", diferentemente dos casos em que a pessoa jurídica nada tenha a fazer, e "faca um planejamento fiscal" com a única finalidade de reduzir a sua tributação, no caso deste processo havia razões empresariais para a prática dos atos retrodescritos, pois a recorrente estava em difícil situação financeira, em conseqüência da qual tinha obrigação de se desfazer de ativos, e para a consecução desse objetivo empresarial encontrou um caminho menos oneroso tributariamente. E, efetivamente, houve o negócio com pessoas jurídicas não ligadas a ela, realizado realmente pela estrutura jurídica livre e conscientemente adotada, não um negócio falso e diferente do pretendido. Ademais, a necessidade de realização de ativos veio coincidir com o término da sua longa associação com o grupo Norske, o que também torna inaplicável o indício da inexistência de interesse de associação. Em suma, a recorrente tinha propósito negocial e tinha um negócio a fazer, e o fez. Podia fazêlo por mais de uma via jurídica, escolheu uma delas e a pôs em prática efetiva, sem a mínima desconformidade com a sua intenção. Isto, portanto, exclui a hipótese de simulação. Neste sentido, não se pode perder de vista a conceituação fundamental de simulação, isto é, a desconformidade entre a intenção e a prática, coisa que não ocorreu "in casu". Mesmo o inciso II do parágrafo 1º do art. 167, tido pelo auditorfiscal como o dispositivo definidor da simulação da impugnante, não se aplica ao caso, pois a inveracidade da declaração, confissão, condição ou cláusula tem que ser aferida em função de um referencial de verdade, e este é a intenção das partes. Com razão, a inveracidade a que alude o inciso II não é uma inverdade qualquer, em relação a uma indeterminada referência tida como verdadeira, mas é inveracidade quanto à vontade interna das partes, tida como verdadeira. (...) No mais, seguiu a Recorrente reiterando os argumentos contidos na Impugnação e anteriormente reproduzidos, citou precedentes da jurisprudência administrativa pretendendo demonstrar não ter havido qualquer simulação. A partir da folha 522 a Recorrente passou a arrazoar acerca dos princípios constitucionais e oponibilidade ao Fisco, conforme se lê abaixo: (...) III — PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E OPONIBILIDADE AO FISCO Fl. 648DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 620 21 Os autos de infração não invocaram princípios constitucionais para justificar as cobranças feitas, nem a inoponibilidade, ao fisco (ou ineficácia perante ele), de atos ou negócios jurídicos válidos perante o direito privado. Ao contrário, a fiscalização se bate pela invalidade dos atos praticados, que estariam contaminados pela simulação. De sua parte, a r. decisão recorrida segue nesta mesma trilha. Assim, embora a decisão a ser proferida em grau de recurso não possa se afastar da motivação dos atos processuais que a antecederam, a recorrente pede vênia para fazer algumas considerações a respeito desses pontos, que têm sido levantados em alguns acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes. Os princípios constitucionais geralmente mencionados são os da capacidade contributiva, da isonomia e da solidariedade social, que justificariam ações fiscais contra práticas de elisão fiscal. Além disso, dizem alguns julgados que esses princípios superariam o da estrita legalidade, pois, embora haja o direito à procura da economia fiscal, não existem direitos absolutos. Acontece que, como já proclamado pelo Supremo Tribunal Federal, os princípios do direito tributário estão postos na Constituição em defesa dos particulares contra o Estado, e não deste, e da sua arrecadação, contra aqueles. Ademais, em nome da inexistência de direitos absolutos, o que é verdade porque há limite para tudo, não se pode colocar em segundo plano princípios fundamentais que outorgam direitos ao contribuinte, com isto afastando a necessária atividade de sopesar a aplicação simultânea de todos os princípios e regras do sistema constitucional, através da qual, havendo eventual colidência entre eles, há prevalência dos que forem mais específicos. Em outras palavras, há que se proceder à ponderação de interesses e princípios envolvidos, e que em determinado momento sejam contraditórios, com a qual se dá a sobrelevação momentânea de um princípio (ou alguns princípios) numa situação concreta, sem a revogação de quaisquer outros. (...) (...) Realmente, os princípios constitucionais se interpenetram e se aplicam simultaneamente, de maneira a atuarem sem se prejudicar ou se anular, e por modo o mais consentâneo e harmonioso possível. Mas em cada campo de abrangência dos princípios, ou em cada situação em que devam ser aplicados, podese perceber a existência de uma prevalência de uns obre outros, ou mesmo de apenas um sobre os outros. Assim, por exemplo, segundo o inciso II do art. 5° da Constituição, ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei, o que significa que a lei pode obrigar alguém a fazer algo, ou a deixar de fazê lo. Contudo, esse princípio, tão fundamental nos Estados Democráticos de Direito, cede força perante um outro, igualmente insculpido no art. 5° ("caput" e inciso XLVII, letra "a"), que assegura o direito à vida. Dai que, no Fl. 649DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 621 22 confronto entre um e outro principio prevalece o segundo, caso alguma lei estipule a obrigação de alguém matar outra pessoa, ou proíba alguém de defender a sua vida e a de outros em caso de agressão, ainda que motivada essa lei em razões declaradas como a solidariedade social. Neste exemplo percebese claramente a prevalência de um princípio sobre o outro, e também que, representando ambos proteção da pessoa individual contra o Estado, não pode este se valer de um deles em detrimento das pessoas. Seria o caso também, por exemplo, de alguém ser proibido de defender a sua vida e da sua família em caso de invasão da sua propriedade por pessoas desabrigadas, a pretexto de ser justa a invasão face ao principio da solidariedade imperante no Estado Democrático de Direito. E, na extensão do exemplo, o mesmo ocorreria se a mesma lei autorizasse a invasão pelo desabrigado, ferindo o direito de propriedade, sob o pretexto de que esta deve exercer uma função social, olvidando o exato conceito de função social e a sua definição dada pelo parágrafo único do art. 1228 do Código Civil, além de olvidar que o interesse social supera o interesse individual apenas através da desapropriação com prévia e justa indenização (Constituição, art. 5°, art. XXIV). Pois é isto o que ocorre quando se trata de obrigação tributária, a qual não pode ser estabelecida por uma lei que, pretensamente baseada no inciso II do art. 150, obrigasse a pessoa a praticar o fato gerador, ou a praticar fato gerador mais oneroso, situação em que na verdade se estaria frente a um confisco disfarçado de tributo. Ao contrário disso, a obrigação tributária, tanto quando a atividade de lançamento tributário, está sujeita ao inafastável principio da legalidade, ainda quando confrontado com outros princípios e normas da própria Constituição, acrescentandose que esse principio não vem isoladamente, pois que está acompanhado de outros, que igualmente representam direitos individuais e/ou limites do poder de tributar, como o princípio da liberdade de fazer ou não fazer, o direito de propriedade com todos os seus atributos (inclusive o de protegêla), o direito de iniciativa privada e de organização, e outros. Portanto, não é possível ao fisco se valer de princípios abstratos que afrontam outros mais concretos perante o próprio direito tributário constitucional, e que, ademais, ganham concretude efetiva pelas normas do direito infraconstitucional de nível complementar e ordinário. (...) No mais, teceu outras tantas considerações no mesmo sentido, citou abalizada doutrina e precedentes e, por fim, se insurgiu contra a multa qualificada e multa isolada aplicada, fazendoo em idênticos termos da impugnação já relatada, insurgindose ainda contra a incidência de juros sobre as multas aplicadas, pugnando assim, pelo provimento do Recurso Voluntário. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 622 23 A zelosa Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas Contrarrazões às folhas 567 a 597, sede na qual reprisou os fatos envolvidos no caso em exame e se manifestou pela caracterização da simulação e o consequente ganho de capital tributável: (...) Da narrativa esposada, fica claro que o objetivo de todo o procedimento era a mera passagem do controle da exploração das operações de papel jornal do Grupo Klabin para o Grupo Norueguês, objetivo esse que poderia ter sido alcançado por uma simples alienação. Entretanto, optouse por um intrincado emaranhado de alterações societárias, a fim de dissimular o verdadeiro negócio jurídico. Pretendeuse simular que a NorskeSkop Klabin Com. Ind. Ltda. (futura Klabin Monte Alegre Com. Ind. Ltda.) teria obtido um ganho não operacional de R$ 56.296.044,01 (elisão ilegítima), através de uma variação no percentual de sua participação na empresa Lille Holdings (objeto da alienação). Para isso, os grupos envolvidos realizaram uma série de atos jurídicos, através de suas controladas, com o único objetivo de transferirem a empresa Norske Skog Klabin (CNPJ n° 03.624.572/000130), responsável pelas atividades de industrialização e comercialização de papel jornal do Grupo Klabin, para o Grupo Norske Skog (Grupo Norueguês). A confirmação da simulação pretendida reforçase, ainda, pelo fato de a NorskeSkop Klabin Com. Ind. Ltda. (Klabin Monte Alegre Com. Ind. Ltda.) ter contabilizado os ganhos não operacionais como ganho de capital apurado por variação na participação na Lille Holdings, na tentativa de fazer incidir a operação no artigo 428 do RIR/99, com o fim especifico de não tributar o mencionado resultado. Mais adiante, seguiuse refutando as afirmações da Recorrente ao se mencionar que: (...) A intenção da lei é atribuir aos fatos e atos jurídicos praticados pelo recorrente os efeitos tributários previstos na legislação tributária, devendo os mesmos serem interpretados abstraindose a validade jurídica e considerandose a sua expressividade econômica. A realização de operações simuladas, com o objetivo de elidir o surgimento da obrigação tributária principal ou de gerar maiores vantagens fiscais, não inibe a aplicação de preceitos específicos da legislação de regência. Essas operações não podem ser aceitas para legitimar conseqüências tributárias, visto que são procedimentos legais apenas no seu aspecto formal, mas ilícitas na medida em que pretendem encobrir ato de natureza jurídica com efeitos tributários mais onerosos para o contribuinte; por isso mesmo devem prevalecer os efeitos tributários do negócio dissimulado, ao revés daqueles decorrentes do ato jurídico formalizado apenas para gerar conseqüências entre as partes. A simulação se prova por meio de indícios e circunstâncias, que a jurisprudência administrativa vem aplicando sabiamente, tais como: a Fl. 651DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 623 24 proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores entre eles; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a prática de certos atos entre partes ligadas, entre outros. Tais indícios se mostram perfeitamente visíveis no caso em ela, principalmente se verificarmos que, segundo as Atas das Assembléias da Lille Holdings, todos os negócios jurídicos narrados nos autos ocorreram entre 27/05/2003 e 02/07/2003. (...) (...) Dos fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 182/198, concluise efetivamente que, o caso em telam tratase não de elisão ou planejamento tributário, como afirma o recorrente, mas de clara evasão fiscal. Como a pura e simples alienação dessa empresa sujeitaria a recorrente tributação do ganho de capital auferido, optouse por simular que esse ganho de capital adveio de uma variação percentual na participação que a Norske Skog Klabin possuía na empresa Lille Holdings S.A. Dessa forma, a Norske Skog Klabin integralizou na Lille Holdings os bens e direitos que o Grupo Norueguês desejava adquirir. Por sua vez, o Grupo Norueguês integralizou na Lille Holdings o valor que iria pagar pela compra (R$ 88.027.000,00, equivalentes a US$ 28.370.000,00, conforme subitem 10.2.2 do Acordo de Quotistas). Nesse momento ocorre a troca de ativos: a Norske Skog Klabin sai da empresa, recebendo em contra partida o valor que o Grupo Norueguês integralizou, e este fica com a empresa Lille Holdings (braço do Grupo Klabin que operava com papel jornal). Assim, analisando os fatos relatados percebese que não h fundamentação jurídica que embase o pleito recursal ora contra arrazoado. (...) (...) Por fim, convém ressaltar que o fato de todas as operações estarem registradas não afasta a simulação, pois a intenção no negócio simulado é justamente essa: ostentar e comprovar uma situação falsa para ocultar uma verdadeira. A constatação da fraude exige a realização de atos amparados em lei ditada com finalidade diversa, que geram um resultado contrário ao previsto na norma jurídica. A fraude à lei tem como características a aparente legalidade, a conveniência particular do sujeito, a utilização da norma jurídica, porém com finalidade distinta da que originariamente possui, e a violação do ordenamento jurídico. Na fraude tributária, ao observador mostrase uma aparência de total legalidade. (...) (...) Frisese, por fim, que a simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente realização formal e o ato que se quer materializar oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Portanto, para fins de caracterizar, ou não, simulação, é irrelevante terem as partes verdadeiramente manifestado publicamente vontade de formalizar Fl. 652DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 624 25 determinados atos por natureza lícitos, pois tal fato em nada influi sobre o cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. Para que não se configure simulação, é necessário mais que isso, é necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente. (...) Dando sequência, a Procuradoria da Fazenda Nacional manifestouse pela caracterização e consequente aplicabilidade da multa qualificada: (...) A multa de ofício aplicável sobre a diferença apurada de tributo devido é a de 150%, nos termos do inciso II, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (artigo 957 do RIR199), c/c artigos 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei n°4.502/64: Com a integralização a Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. destacou de seu patrimônio a parte que interessava ao grupo norueguês, que será alienada a seguir; Passados menos de 30 dias (24/06/2003), o GRUPO NORUEGUÊS, através de sua controlada Norske Skog Pisa Ltda. (CNPJ n° 31.985.633/000120) realizou nova subscrição e "integralização" de capital, no valor de R$ 88.280.486,00, sendo R$ 11.158.843,00 como capital e R$ 77.121.643,00 a titulo de ágio; Em 02/07/2003 (uma semana depois), as empresas Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. e Klabin do Paraná Produtos Florestais Ltda. (ambas do Grupo Klabin) retiraramse da sociedade Lille Holdings S.A., mediante o cancelamento de suas ações e o recebimento de R$ 88.027.000,00, ou seja, quase a totalidade do capital e da reserva "integralizados" pelo GRUPO NORUEGUÊS; O ganho de capital obtido nessa operação, no valor de R$ 56.296.134,08 (R$ 88.027.000,00 (valor recebido pelo Grupo Klabin) menos R$ 31.730.865,92 (valor da Lille Holdings S.A., ou seja, dos bens repassados ao Grupo Norueguês), deixaram de ser oferecido tributação, ao simularse que teria sido auferido por meio de variação no percentual de participação das empresas Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. e Klabin do Paraná Produtos Florestais Ltda. em seus investimentos na empresa Lille Holdings S.A. (ganho não tributável, conforme artigo 428 do RIR199), dos quais R$ 56.296.044,12 teriam sido auferidos na Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. e os restantes R$ 89,96 na Klabin do Paraná Produtos Florestais Ltda.; O que realmente ocorreu foi a alienação de parte dos ativos do GRUPO KLABIN, segregados na empresa Lille Holdings S.A. (que estavam avaliados em R$ 31.730.865,92), para o Grupo Norueguês, pelo valor de R$ 88.027.000,00, implicando um resultado tributável de R$ 56.296.134,08; O desfecho de toda essa operação ocorreu com a alteração da razão social da Lille Holdings S.A. para Norske Skog Jaguariaiva S.A., que, em seguida, Fl. 653DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 625 26 foi incorporada pela Norske Skog Pisa Ltda CNPJ n°31.985.633/000120 (Grupo Norueguês). Todo esse procedimento, que teve por finalidade única a transferência das atividades relacionadas a industrialização e comercialização de papel jornal que pertenciam ao GRUPO KLABIN para O GRUPO NORUEGUÊS, foi o desfecho de uma negociação que se iniciou bem antes, conforme se pode observar do extrato da Ata de Reunião Ordinária do Conselho de Administração, de 21/02/2000, da Klabin Fabricadora de Papel e Celulose (CNPJ n° 59.368.100/000118, cuja razão social foi posteriormente alterada para Indústrias Klabin S.A.), que aprova a "joint venture" entre a Klabin e a Norske Skogindustrier Asa, e do "Acordo de Quotistas (Norske Skog — Klabin)", de 25/02/2000, cujos pontos principais estão citados às fls. 184 e 185. Um rápido relance sobre o conjunto de operações acima, realizadas em seqüência, durante um curto espaço de tempo e mediante estipulação prévia, permite concluir que as partes envolvidas se utilizaram de caminho tortuoso para atingir o mesmo objetivo que seria alcançado com uma simples operação de compra e venda. (...) (...) Portanto, quando o agente, por meio de simulação, fraude e conluio, induz ou mantém em erro os Auditores da Secretaria da Receita Federal, omitindo receitas de forma consciente, há evidente intuito de fraude. Provado, nos autos, a sonegação (intenção de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária), a fraude (a forma dada ao negócio teve, ainda, o objetivo de modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir, a zero, o montante do imposto devido) e o conluio (em todos os atos simulados estavam envolvidas as empresas interessadas e seus diretores ou representantes), urge a manutenção da multa qualificada de 150%, nos termos do inciso II, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. (...) No mesmo sentido de prevalência da decisão recorrida e dos autos de infração, manifestouse a Procuradoria da Fazenda Nacional pela aplicabilidade conjunta das multas de ofício e isolada: (...) II.III DA APLICAÇÃO CONJUNTA DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA. Ao excluir o ganho de capital na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL por estimativa o recorrente reduziu indevidamente os valores a recolher dessas estimativas, sujeitandose, dessa forma, à multa isolada de 50%, prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, alterada pela Lei n° 11.488, de 2007 (...) Fl. 654DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 626 27 (...) Com efeito, o recorrente deve pagar a multa disposta no art. 44, II, alínea b da Lei 9.430/96, pois não se configura, no presente caso, hipótese que dispense a exigência. A teor art. 44, II, alínea b da Lei 9.430/96, a "multa isolada" é devida em função do não pagamento do imposto devido pelo regime de estimativa, ainda que o contribuinte tenha apurado, ao final do período, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. No caso, não há dúvida de que o recorrente optou por recolher a CSSL e o IRPJ pelo regime de estimativa. Por outro lado, também não hi dúvida de que descumpriu o regime, pois não recolheu integralmente, e não justificou o não recolhimento mediante a apresentação dos balancetes de suspensão ou redução. O recorrente aduz que não poderia ser exigida a multa isolada porque não se encontra no artigo em referencia, autorização legal para que o Fisco lance concomitantemente duas penalidades sobre uma única infração deixar de recolher a CSLL e IRPJ. Data maxima venia, há equívoco na afirmação de que o Fisco estaria exigindo duas multas sobre uma única infração. Com efeito, as infrações apenadas pela chamada "multa de oficio" e pela "multa isolada" são diferentes. A multa de oficio decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte. Já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa. A Lei 9.430/96 prevê claramente que a multa decorrente do descumprimento do regime de estimativa não possui nenhuma relação com o pagamento ou não de imposto pelo contribuinte. Inclusive, o inciso II, alínea b do seu art. 44 dispõe que a multa sera devida ainda que o contribuinte "tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente"; ou seja, cabe a multa, ainda que ao final do período não exista tributo a recolher. Por isso a denominação de "multa isolada". Por outro lado, a multa isolada e a multa de ofício não estão incidindo sobre a mesma base de cálculo. Com efeito, a multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo recorrente, que, no caso, tendo em vista a sua opção pelo regime de estimativa, é apurado ao final do ano calendário, com base no resultado final auferido pelo contribuinte. As estimativas, como o próprio nome diz, não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada dos Conselhos de Contribuintes, são meros adiantamentos do tributo, que será calculado ao final do ano. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 627 28 Em suma, as multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração, e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configuram nenhum bis in idem. Portanto, não se pode concluir que estaria havendo "confisco", ou "excesso punitivo". Data maxima venia, o recorrente cometeu dois atos ilícitos, previstos em lei, e a lei dispõe uma pena para cada um deles. (...) Por fim, teceu outras tantas considerações no mesmo sentido, citou doutrina que entende favorável e precedentes que respaldariam a tese defendida requerendo seja desprovido o Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. Atento aos pressupostos de admissibilidade, anoto que o recurso é tempestivo e dotado dos demais requisitos, razão pela qual, dele tomo conhecimento. Nas linhas acima foram lançados cuidadosamente os argumentos sustentados tanto pelo ente tributante quanto pelo contribuinte, reprisandose, textualmente, as razões pelas quais as partes pretendem fazer prevalecer seu alegado direito. Diante do relatório acima, necessário apenas pontuar a matéria ventilada para apreciação em sede de julgamento de Recurso Voluntário, sendo oportuno lembrar que a Fiscalização constatou que a Recorrente teria engendrado uma simulação com vistas a burlar o fato gerador do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (com reflexo óbvio na CSLL). A considerada simulação teria ocorrido no ano de 2003 na medida em que, resumidamente, o grupo Klabin e um grupo de origem norueguesa (grupo Norske), teriam se associado com o único fim de transferir ao citado grupo norueguês, a produção e comercialização de papel jornal até então pertencente à Recorrente, expediente este, que segundo sustenta a Fiscalização, seria alcançado com uma simples “compra e venda” (na qual o ganho de capital seria tributável). Verificase pelas imputações da Fiscalização, cuja materialidade fática não é negada pela Recorrente, que o Grupo Klabin, por intermédio de suas controladas, adquiriu uma empresa (Lille Holdings) e em momento posterior promoveu um aumento de capital no valor de R$ 31.250.900,00, integralizando bens e direitos. Ainda nas circunstâncias dos fatos tidos por simulados, vêse que cerca de 30 dias após o citado aumento de capital na empresa adquirida (Lille) o grupo norueguês, por meio de sua controlada Norske, realizou por igual turno nova subscrição e integralização de Fl. 656DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 628 29 capital (na Lille) no valor de R$ 88.280.486,00, sendo R$ 11.158.843,00 como capital e R$ 77.121.643,00 a título de ágio. Na sequência dos acontecimentos, e aqui entende a Fiscalização ter residido o cerne da simulação, a Recorrente retirouse da sociedade Lille Holdings, mediante o cancelamento de suas ações e o recebimento de R$ 88.027.000,00, ou seja, quase a totalidade do capital e da reserva integralizados pelo grupo norueguês. Nessa toada, ante a considerada simulação, entende o ente tributante ter havido ganho de capital no valor de R$ 56.296.134,08 (R$ 88.027.000,00 valor recebido pelo GRUPO KLABIN menos R$ 31.730.865,92 valor da Lille Holdings, ou seja, dos bens repassados ao grupo norueguês), ganho de capital que por sua vez, considerada a simulação, não teria sido tributado, surgindo aí a presente autuação por inaplicável que seria o disposto no artigo 428 do RIR/99. De se observar, portanto, que o deslinde da questão passa pela análise da validade do negócio jurídico aqui versado, por um lado alega o Fisco que tudo não passou de simulação para encobrir o real propósito das partes, sendo certo, também, que a Recorrente não nega a materialidade dos fatos descritos, argumentando por seu turno, que não houve qualquer simulação porquanto tudo foi escriturado e levado ao conhecimento do Fisco, não negando, sequer, que procurou dar vazão ao seu objetivo de forma a evitar a ocorrência do fato gerador do tributo exigido, valendose nesse mister de planejamento tributário lícito que manifestou por meio de negócio jurídico indireto. Feitas essas breves marcações no limite do enfretamento que se põe no caso dos autos, importa registrar que a questão da legítima elisão fiscal é ponto de conturbada verificação na medida em que se deve aferir até que ponto é possível, ao sujeito passivo das obrigações tributárias, empreender métodos e negócios jurídicos que impliquem na não ocorrência do fato gerador de determinado tributo, aferindo na mesma circunstância o momento em que essa busca se torna mera simulação de um negócio jurídico sem o condão, portanto, de gerar seus efeitos e esquivar o contribuinte da incidência do tributo. Se a existência das operações descritas pela Fiscalização é ponto pacífico, como de fato o é, e se a Recorrente não nega que pretendeu de forma lícita atingir seus objetivos da forma menos onerosa, necessário se faz aferir a validade e eficácia do negócio jurídico mencionado, situação que reclama sejam lançadas breves notas conceituais acerca da simulação. I DA SIMULÇÃO E DO NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. Para chegarse ao resultado do propósito investigativo noticiado no parágrafo precedente, de bom alvitre visitar a esclarecedora e sempre didática lição de Silvio de Salvo Venosa, em sua obra “Direito Civil, Parte Geral, Editora Atlas Jurídico, 6ª edição”, que a partir da página 523, lança os conceitos e efeitos da simulação. Oportunamente, o referido autor conceitua a simulação como declaração enganosa da vontade e destaca seus demais atributos, como se observa abaixo: Fl. 657DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 629 30 “simular é fingir, mascarar, camuflar, esconder a realidade. Juridicamente é prática de ato ou negócio que esconde a real intenção. A intenção dos simuladores é encoberta mediante disfarce, parecendo externamente negócio que não espelhado pela vontade dos contraentes. As partes não pretendem originalmente o negócio que se mostra à vista de todos; objetivam tão só produzir aparência. Tratase de declaração enganosa de vontade”. (meus os destaques) Ainda seguindo o sempre didático magistério, Silvio de Salvo Venosa caracteriza a simulação, fundamentalmente, como divergente, de maneira intencional, a vontade e a declaração realizada, confirase: “Há, na verdade, oposição entre o pretendido e o declarado. As partes desejam mera aparência do negócio e criam ilusão de existência. Os contraentes pretendem criar aparência de um ato, para assim surgir aos olhos de terceiros. A disparidade entre o querido e o manifestado é produto da deliberação dos contraentes. Na simulação, há conluio. Existe uma conduta, um processo simulatório; acerto, concerto entre os contraentes para proporcionar aparência exterior do negócio”. Pelo que se pode extrair da citada conceituação, simular é o ato de camuflar o objetivo de um negócio jurídico valendose de outro eis que o objetivo intentado seria alcançado por negócio diverso, daí o motivo de o artigo 167 do Código Civil dispor que o negócio jurídico simulado será nulo, porém, subsistirá o que se dissimulou, se for válido na substância e na forma. Têmse presente, destarte, que para caracterização do ato simulado será necessário que os contraentes tenham praticado um negócio jurídico pretendendo dissimular o resultado que seria obtido por meio de outro negócio. Já delineados os conceitos mínimos do negócio simulado, que apenas reforçam aqueles já trazidos pelas partes em suas manifestações, recursos e substanciosos pareceres, para aferir sua ocorrência no caso concreto é mister verificar um contraponto lógico e perfeitamente diferenciável do ponto de vista conceitual e interpretativo, falo, por óbvio, do negócio jurídico indireto. Nessa ordem de propósitos, anoto que a Recorrente fez juntar autos, Memoriais contendo Pareceres de dois dos maiores juristas da atualidade, a saber, os Professores Doutores José Carlos Moreira Alves e Tercio Sampaio Ferraz Junior. Diante das lições trazidas pelos citados mestres, cujos ensinamentos não se pode desprezar, colho oportuno trecho do Parecer do Ministro Moreira Alves (vide fl. 5, do citado parecer) no qual o eminente doutrinador, citando Trabucchi, tece considerações sobre a caracterização do negócio jurídico indireto: Fl. 658DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 630 31 “... O negócio indireto tem como característica a divergência entre o escopo prático perseguido em concreto pelas partes e a função típica da categoria do negócio realizado...”. O motivo vai além da causo negócio; tratase de um procedimento por meio do qual se busca a realização de um efeito jurídico ulterior, tendo em conta a causa típica do negócio escolhido, seguindo um via oblíqua”. (grifos do original) No mesmo sentido, ao citarse obra de Orlando Gomes, o eminente Ministro salienta que o negócio jurídico indireto é caracterizado pela incongruência entre o fim visado e a causa típica do negócio jurídico escolhido, ou em outras palavras, uma contraposição entre a causa do negócio e o motivo que induziu as partes em determinado concreto a realizálo. Daí porque, podese dizer amparado na doutrina citada no aventado Parecer, que o negócio jurídico dito indireto, se traduz num negócio real cujo emprego se dá para o atingimento de um fim ulterior, sendo certo que este, falo do fim ulterior, não se aperfeiçoa por meio de um negócio diverso daquele que aparece celebrado, residindo aí, a preponderante diferenciação com a simulação (vide página 7 do Parecer do Ministro Moreira Alves). Resumidamente, e por aqui se pode encerrar a conceituação de negócio jurídico indireto, este se caracteriza pelo fato de os agentes empregarem um determinado negócio para se conseguir, por intermédio daquele negócio, não o escopo típico, mas objetivos ulteriores, mediatos, ou termos mais claros, indiretos, e como arremata o citado Ministro, objetivos que assumem aspecto de motivo e não de causa do negócio adotado. (página 8 em diante do parecer). Feitos os destaques do que menciona Moreira Alves, é imperioso considerar seu arremate no que toca à diferenciação entre simulação e negócio jurídico indireto, sendo certo que após revisitar essa distinção, já será possível aferir em qual das duas modalidades se amoldam os atos praticados pela Recorrente: “... Assim sendo, tem razão a imensa maioria da doutrina quando acentua, como faz DOMINGUES DE ANDRADE, que o negócio jurídico sempre se destinguirá da simulação (relativa) uma vez que as partes querem verdadeiramente o negóciomeio, com os efeitos que lhe são próprios, embora só para conseguirem através dele um resultado prático diverso do eu lhe é normal, ou como, em substanciosa monografia sobre a simulação nos negócios jurídicos, refere DISTASO, aderindo à posição de PUGLIESE n sentido de que a decisiva diferença entre negócio indireto e o negócio relativamente simulado é que o negócio indireto é um negócio real, empregado efetivamente pelas partes como meio de para alcançar o escopo ulterior, que não se realiza na verdade através de um negócio diverso daquele que a aprece celebrado, enquanto, no caso de simulação relativa, o negócio simulado não é senão uma forma negocial aparente diversa da forma negocial que assume a intenção realmente perseguida pelas partes”. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 631 32 De tudo o que se expôs até o momento podese depreender que para caracterização do ato simulado, será necessário que os contraentes tenham praticado um negócio jurídico pretendendo dissimular o resultado que seria obtido por meio de outro e negócio jurídico indireto, por sua vez, é aquele em que os contraentes buscam não o escopo típico, mas objetivos ulteriores, mediatos, indiretos, caracterizado pela própria incongruência entre o fim visado e a causa típica do negócio jurídico escolhido. Resta saber, destarte, se os fatos praticados pela Recorrente se amoldam ao conceito de simulação, hipótese em que os autos de infração hão de ser julgados procedentes e a decisão recorrida prevalecerá por inaplicáveis os efeitos do negócio jurídico praticado pela Recorrente, situação que evidenciaria o ganho de capital, ou, se por outra vertente, a Recorrente teria praticado um negócio jurídico indireto e, portanto, válidos os fins ulteriores e mediatos para todos os efeitos pretendidos, inclusive, obstar a ocorrência do fato gerador, sendo precisamente essa a análise a ser realizada no tópico seguinte. II DA CARACTERIZAÇÃO DO CASO CONCRETO COMO SIMULAÇÃO OU NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. Com efeito, já noticiei no início do presente voto ser muito tênue a linha de aferição entre um legítimo procedimento de elisão fiscal, no qual em absoluta conformidade com a lei o contribuinte procura evitar a ocorrência do fato gerador do tributo, e aquele procedimento travestido de aparente legalidade, mas, que em sua essência comporta falseamento na declaração de vontade das partes a se configurar em nula simulação e ao revelar hipótese de incidência tributária, seus efeitos, os do ato simulado, são desconsiderados para dar lugar à tributação. Sendo tênues os caminhos investigativos para análise do intérprete, no caso concreto muito mais estreita me parece a linha divisória de tais condutas, ao analisar o presente processo – confesso – oscilei por diversas vezes minha interpretação dos fatos sucedidos. Pela peculiaridade do caso concreto, ante a lisura com que a Recorrente defendeuse, sem tergiversar ou omitirse ao enfretamento das imputações que lhe foram feitas, pela ampla publicidade dada aos seus atos, jamais negando que pretendeu realizar uma operação da forma menos onerosa do ponto de vista tributário, chegase de fato a considerar regulares as operações realizadas com o indigitado grupo Norske. No entanto, em prejuízo destas primeiras impressões, após analisar e refletir sobre as circunstâncias envolvidas na tantas vezes referida operação, não me parece legítimo concluir senão pela ocorrência de simulação. Com efeito, ao lerse o Termo de Verificação Fiscal e a sucessão dos negócios envolvidos na operação com o grupo norueguês, aflorase a conclusão inarredável de que tudo não passou de simulação para que se transferisse, como de fato se transferiu, ao aventado grupo econômico, a produção e comercialização do papel jornal que pertencia à Recorrente. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 632 33 Ao se proceder uma análise detida do que argumenta a Recorrente, mormente à luz dos conceitos de simulação e de negócio jurídico indireto, não há como concluirse pela ocorrência de negócio jurídico indireto, tampouco, caso o admitíssemos, convalidar seus efeitos para os fins de afastar a incidência tributária e conferirlhe consequente caracterização como se legítima elisão fiscal fosse. Digo isso porquanto ainda que não se negue ser admissível ao contribuinte utilizarse de quaisquer meios lícitos para esquivarse da tributação e, por decorrência, considerese como legítima a implementação de planejamento tributário o que deve ser investigado é se a estrutura adotada em determinado caso concreto foi legítima e se o seu regime jurídico foi observado. Em outras palavras, impende confirmar na circunstância concreta se o negócio jurídico realizado pelas partes é autorizado pelo direito privado e se revelam às verdadeiras intenções das partes, pois se assim não for, é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização no ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formalizados por negócios simulados ou dissimulados, com o objetivo de causar prejuízo ao Erário. Diante disso e, guardados os conceitos delineados no tópico anterior temse que na simulação há declaração não verdadeira, sendo certo que a falsidade reside na declaração das partes, motivo pelo qual, ao verificarse o que se deu na espécie, não se tem como afastarse do fato de que a Recorrente pretendeu transferir ao grupo Norske toda a estrutura de produção do chamado “papel jornal” e o fez por meio de expediente impregnado de falseamento na declaração de vontade, eis que as partes estabeleceram para tanto (transferir a unidade de produção), negócio jurídico no qual exteriorizavam a vontade de se associar, sendo certo que a retirada quase imediata da Recorrente, revelou a real (e falseada) vontade das partes. Ora, falseada a declaração da vontade das partes, que manifestaram formal intenção em firmar parceria, mas, a bem da verdade pretendiam resultado absolutamente diverso, resultado que por seu turno, implicaria na incidência tributária, tenho por configurada inarredável hipótese de simulação e na mesma situação, presente o argumento da Recorrente no sentido de ter praticado negócio jurídico indireto, verificase que nele, falo do negócio indireto, todas as declarações são verdadeiras, sendo incompatível com tal definição, o fato de se pretender, por exemplo, uma compra e venda e realizar naquele intuito de comprar e vender, uma suposta parceria associativa. Ao meu sentir, não prospera o argumentos da Recorrente pela inexistência de simulação porquanto não teria havido falseamento na adoção de estrutura jurídica típica, conquanto não se tenha adotado a mais usual, todas as cláusulas do negócio se aperfeiçoaram de forma verdadeira e não se teve na espécie, a realização de um negócio jurídico para encobrir o resultado que seria alcançado por negócio diverso, contrário disso, observo que a declaração de vontade foi enganosa, revelando aos expectadores e ao próprio Fisco, uma situação que perdurou por menos de trinta dias. Ainda que impressione positivamente as afirmações inequívocas da Recorrente, que desde os seus primitivos arrazoados afirmou que sua intenção sempre foi realizar um negócio jurídico da forma menos onerosa do ponto de vista tributário, valendose, nesse mister, de um negócio com incongruência entre os meios e o fim pretendido, em clara subsunção ao conceito de negócio jurídico indireto, não observo essa intenção tão flagrantemente declarada em momento anterior à glosa. Ou seja, quando realizou a operação, Fl. 661DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 633 34 no momento exato em que se deu por aperfeiçoado o fato capaz de gerar a tributação, afastado por simulação, a vontade manifestada pela Recorrente era inequivocamente enganosa. Diante dessas conclusões de ordem fática, não se pode olvidar que o Código Tributário Nacional estatui que “a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose a validade jurídica dos atos efetivamente praticados, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos”, presente a norma contida no artigo 118 do citado código. Em outras palavras, numa perspectiva de interpretação meramente literal seria desnecessário até mesmo o esforço investigativo feito acima para identificar a real vontade das partes na consecução do ato tido por simulado, reconhecendose que o fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declarada pelas partes contratantes ou pelos contribuintes, sendo essa, contudo, uma afirmação lateral, eis que já identificada a real intenção do contribuinte. Ainda se mostra oportuno, citar de modo exemplificativo alguns precedentes enfrentados no âmbito administrativo a traduzir com fidedignidade a jurisprudência do CARF, confirarse: "SIMULAÇÃO/DISSIMULAÇÃO — Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida entre a vontade e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade, ao passo que a dissimulação contém em seu bojo um disfarce, no qual se encontra escondida unta operação em que o fato revelado não guarda correspondência com a efetiva realidade, ou melhor, dissimular é encobrir o que é". (acórdão 10194.771). "SIMULAÇÃO. Caracterizada a simulação, as atos praticados com o objetivo de reduzir artificialmente os tributos não são oponíveis ao fisco, que pode desconsiderálos se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Subscrição de participação com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao ágio, traduz verdadeira alienação de participação societária". (acórdão 101 95.537). Como já afirmado por diversas vezes, no caso concreto se pode identificar inadequação entre a forma jurídica realizada, constituição de uma sociedade e saída imediata, com a substância e natureza daquilo que de fato se pretendia, vale lembrar que a Recorrente confessadamente, pretendeu transferir ao grupo norueguês todas as suas atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal, bem como os direitos de não Fl. 662DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 634 35 fabricação do referido produto por 10 anos constituindo para tanto, determinada sociedade que, na qual promoveu um aumento de capital no valor de R$ 31.250.900,00 mediante integralização de bens e direitos e com essa integralização destacou o gruo Klabin a parcela seu patrimônio que seria alienada, sendo certo que passados menos de 30 dias (24.06.2003), o citado grupo norueguês realizou nova subscrição e "integralização" de capital no valor de R$ 88.280.486,00, sendo R$ 11.158.843,00 como capital e R$ 77.121.643,00 a título de ágio. Já se reproduziu no relatório, mas é conveniente lembrar que na sequência, uma semana após, a recorrente se retirou da sociedade constituída para os fins da considerada simulação, mediante o cancelamento de suas ações e o recebimento de R$ 88.027.000,00, ou seja, quase a totalidade do capital e da reserva "integralizados" pelo grupo norueguês. Presente a simulação, não vejo como desconsiderar que o negócio jurídico engendrado teve por finalidade única a transferência das atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal que pertenciam à Recorrente, razão pela qual tenho caracterizada a simulação, situação que irradia, no caso concreto, a tributação decorrente do ganho de capital. III – DA MULTA QUALIFICADA Mantida a glosa da Fiscalização no tocante à caracterização da simulação e a natural desconstituição dos efeitos do ato considerado simulado, prevalece a decisão recorrida, por óbvio, na parte em que confirmou a referida exigência do ganho de capital. No entanto, o caso concreto merece detida ponderação na parte em que concerne à qualificação da multa aplicada. Com efeito, pode parecer corolário da manutenção da glosa por simulação a qualificação da multa por evidente intuito de fraude. Tal assertiva, no caso concreto, contudo, demonstrase equivocada e a decisão recorrida, neste tópico em particular, merece ser reformada. Como já se adiantou no relatório a Recorrente afirma que procurou obter não o escopo típico do negócio realizado, mas objetivos ulteriores, mediatos, do negócio jurídico, valendo dizer, na concretude, que afirma ter pretendido transferir a produção de papel jornal, objeto ulterior, por meio de uma associação com o grupo norueguês, escopo típico. Se como visto no tópico precedente, tal afirmação não se presta a afastar o inequívoco falseamento na declaração da vontade exteriorizada, gerando o reconhecimento da simulação, por outro não se pode negar que pela própria natureza das operações e pelas partes envolvidas, empresas de capital aberto, todos os atos foram amplamente divulgadas, em atendimento às prescrições das normas comerciais e da Comissão de Valore Mobiliários. De fato, todos os dados utilizados pela Fiscalização foram obtidos da escrituração da Recorrente, a demonstrar que malgrado o negócio tenha sido considerado Fl. 663DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 635 36 simulado, afastandose os seus efeitos para fins de tributação, fica evidente que a Recorrente agiu como se estivesse a praticar um negócio jurídico indireto. A circunstância de a Fiscalização desconsiderar a validade do negócio jurídico indireto, não acarreta por si só a caracterização de evidente intuito de fraude, sendo certo que o procedimento da Recorrente se deu de forma absolutamente pública, respaldado por entendimentos abalizados de que o negócio estaria abarcado pela chamada elisão fiscal, orientada e defendida que foi, por profissionais do mais alto conhecimento. Não existiu no caso concreto dolo específico, situação inarredável a subsunção ao que disposto nos artigos 71, 72 e 73 da lei n° 4.502, de 1964, elemento essencial para se promover a qualificação da multa de ofício, ainda que tenha havido alteração das chamadas circunstâncias materiais ou a modificação das características essenciais do fato gerador. Em tais circunstâncias, é conveniente registrar que o fundamento legal para afastar o ato simulado e dar azo à tributação (art. 167 do Código Civil) é diverso daquele que respalda a qualificação da multa (artigo 71 a 73 da Lei n° 4.502), ora, verificase que a lei exige que o intuito de fraude seja evidente, que aflore, portanto, com tal clareza que não se possa suscitar dúvida acerca da má fé nos atos praticados, com o inequívoco propósito de violar a lei, cabendo à autoridade fiscal apresentar as provas, irrefutáveis da conduta configurada, além de contrária à lei como fraudulenta, com o objetivo de escusarse ao pagamento do tributo ou de pagar importância a menor, ou seja, a intenção dolosa de esconder o fato gerador da obrigação tributária da Administração. Conforme se verifica dos autos, após desconsiderar as operações de subscrição de capital, posterior saída e exigir o tributo com base em ganho de capital, a Fiscalização procedeu ao agravamento da multa de ofício em 150%, mas seria mister demonstrar em qual momento se aperfeiçoou, por parte da Recorrente, as hipóteses descritas na legislação de regência como autorizadoras da qualificação da multa, não bastando para tanto, que se configure, como se tem configurado na espécie, a clara intenção do contribuinte em implementar procedimento para elisão fiscal. Confirase oportuno precedente do então Conselho de Contribuintes, in verbis: IRPJ — ATO NEGOCIAL — ABUSO DE FORMA — A ação do contribuinte de procurar reduzir a carga tributária, por meio de procedimentos lícitos, legítimos e admitidos por lei revela o planejamento tributário. Porém, tendo o Fisco demonstrado à evidência o abuso de forma, bem como a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabível a desqualificação do negócio jurídico original, exclusivamente para efeitos fiscais, requalificandoo segundo a descrição normativotributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. MULTA QUALIFICADA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e Fl. 664DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 636 37 observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos.(acórdão 10195. 552). SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES COM ÁGIO E SUBSEQUENTE CISÃO — ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA — SIMULAÇÃO. Os negócios jurídicos envolvendo as reorganizações societárias de que tratam os finos, com subscrição de ações com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao aumento de capital, precedida de pacto simulatório, e sem vivência dos riscos do negócio jurídico, revelam uma verdadeira alienação de participação societária e caracterizam a simulação, nos termos do art. 102, e seu inciso II, do Código Civil de 1916, uma vez que os atos formais são apenas aparentes e diferem do negócio efetivamente praticado. Tais atos não são oponíveis ao fisco, e nessa situação é devido o tributo incidente sobre o ganho de capital obtido com a alienação do investimento. MULTA QUALIFICADA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — INEXISTÊNCIA — IMPROCEDÊNCIA — As operações societárias praticadas pela recorrente, desqualificadas pelo fisco porque imputadas de dissimuladas (simulação relativa) porém tidas como possíveis em face de parcela da doutrina e de decisões ainda recentes deste Tribunal, que sustentam tratarse de negócio jurídico indireto , pelas suas próprias características, não pode ser considerada como praticadas com evidente intuito defraude, inclusive porque realizadas com toda publicidade que os atos exigiram. (acórdão 10708.837). Diante dos precedentes acima citados e em análise dos fatos envolvidos no caso concreto, verificase que não ocorreu a fraude tributaria, mas tão somente o uso de negócios jurídicos artificiais, com a utilização de comportamentos opostos à real intenção das partes aos estabelecimentos das normas de regência, distorcendo com isso a causa típica do negócio com o intuito de obter uma vantagem tributária, ou seja, tratase de abuso de forma com o propósito de evitar o pagamento de tributo, não em revelado intuito de sonegação. Diante do acima exposto, entendo inaplicável para o presente caso o agravamento da multa prevista no inciso II, art. 44 da Lei n. 9.430/96, razão porque, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para determinar sua redução para 75%. IV – DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 665DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 637 38 Tendo em vista o argumento da Recorrente no tocante ao descabimento de juros sobre as multas aplicadas, importa registar que também nestes tópico específico a decisão recorrida está a merecer reforma. A pretensão do Fisco neste sentido ofende o disposto no art. 61 e no seu parágrafo 3°, da Lei n. 9430, os quais somente autorizam a incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo que os parágrafos 1° e 2° tratam minuciosamente do cálculo das multas sem prescrever a incidência de juros sobre elas. Ora, em decorrência do art. 3° do CTN, as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, o que, inclusive, é pacífico na doutrina e na jurisprudência. Em decorrência disso, sobre as multas não cabe a aplicação do art. 61 da Lei n. 9430/96, pois ele não previu a incidência de juros sobre penalidades, mas apenas sobre o valor do principal decorrente de "tributos e contribuições". Não bastasse a clareza da norma constante do art. 61 e seus parágrafos, que distinguem claramente quando são devidos juros, há na lei outra indicação de que ela não determinou que a multa cobrada juntamente com os tributos seja acrescida de juros. O parágrafo único do art. 43 da mesma Lei n. 9430/96, quando tratou da incidência de encargos sobre a multa cobrada isoladamente, determinou a incidência de juros sobre ela. A simples comparação entre os dispositivos citados demonstra claramente que a lei determinou a cobrança de juros apenas sobre a multa isolada, que se constitui em crédito tributário principal, e não a determina sobre o valor da multa calculada proporcionalmente ao principal do tributo devido, pois é este que constitui o crédito tributário principal. A Lei n. 9430/96, ao não prever a incidência de juros de mora, pelas taxas Selic e por 1% apenas no último mês, mas apenas sobre multa isolada, e não sobre a que acompanha o principal. Portanto, sob a égide da Lei n. 9430/96, cuja aplicação afasta a incidência do art.161, parágrafo 1°, do CTN, não há previsão legal para a cobrança de juros sobre a multa lançada juntamente com o principal dos tributos, devendo, portanto, ser cancelada tal exigência no caso dos autos. Observese o oportuno precedente, citado de maneira meramente exemplificativa: (...) "JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO — INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada." (acórdão: 10196009) Pelas razões expostas, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para reformar a decisão recorrida quanto à aplicabilidade de juros sobre a multa de ofício, declarando que sobre ela, multa de ofício, não incidem juros com base na taxa SELIC, por falta de previsão legal. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 638 39 V – DA MULTA ISOLADA A exemplo de tantos outros casos nos quais tenho me manifestado, entendo pelo descabimento da multa isolada exigida após o encerramento do período de apuração e em concomitância com a multa de ofício. Sabidamente a Câmara Superior de Recursos Fiscais já entendeu que a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas somente é aplicável quando o lançamento se der antes do fechamento do anocalendário, sendo certo que, após este encerramento, a aplicação da multa de ofício, tomando por base o tributo que deixou de ser recolhido no anocalendário e a multa isolada, tomando por base o valor das estimativas que deixaram de ser recolhidas no mesmo período, configura dupla penalização do mesmo fato gerador tributário. O que se tem, portanto, é que o recolhimento do imposto de renda mensal por estimativa configura antecipação do tributo que será apurado no encerramento do ano calendário, tanto que o montante eventualmente recolhido a maior no curso do ano deve ser restituído caso o fato gerador tributário, após efetivamente ocorrido ao final do período, alcance tributação inferior àquela recolhida por antecipação. Assim, encerrado o exercício fiscal, fazse o imposto recolhido no ano calendário consolidarse face a imposto apurado no exercício em torn de urna única realidade, qual seja, a ocorrência do fato gerador do imposto de renda ocorrido em 31 de dezembro de cada ano. Diante disso, considero não ser possível penalizar o contribuinte (i) pelo não recolhimento das estimativas e (ii) pelo não recolhimento do imposto anual, visto que a primeira nada mais é do que antecipação do segundo. Como dito acima, neste sentido, é farta a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, valendo ressaltar os seguintes precedentes: (...) Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no dever de recolher o tributo. Recurso Especial negado. CSRF/0105.844 (...) (...) Ementa: MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei n°9430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo Fl. 667DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 639 40 devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício...APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço, a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso Especial negado. CSRF/01 05.875. (...) Pelo exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, para reformando a decisão recorrida nesse ponto em particular, afastar a exigência da multa isolada. VI – DA CONCLUSÃO. Em vista de tudo que se afirmou acima, encaminho meu voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a simulação, mas afastando a qualificação da multa, a incidência de juros na multa de ofício e impossibilidade exigirse após o encerramento do anocalendário e em duplicidade, a multa isolada. É como voto. Sala das Sessões, em 01 de fevereiro de 2012. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 668DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 640 41 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que tange: (i) à qualificação da multa; (ii) à incidência de juros sobre a multa de ofício; e (iii) às multas exigidas isoladamente por falta/insuficiência no recolhimento de estimativas. Passo a tratar de cada um dos pontos acima, expondo os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. i) Da qualificação da multa de ofício No ato de constituição do crédito tributário, o Fisco considerou que as circunstâncias levariam à imposição de multa qualificada (150%). Às fls. 194/195, no Termo de Verificação Fiscal, após transcrever o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 e os artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, o Auditor Fiscal assim justifica seu entendimento: Da leitura do presente Termo, fica evidente que a forma utilizada pelo contribuinte para a implementação das operações demonstra, inequivocamente, a intenção de "impedir (...) o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária", configurandose a sonegação definida no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964. A forma dada ao negócio teve ainda o objetivo de "modificar as suas características essenciais (do fato gerador) de modo a reduzir (a zero) o montante do imposto devido", caracterizando a fraude definida no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Enfim, o conluio definido no art. 73 da Lei n° 4.502, de 1964, fica caracterizado pelo fato de todos os atos simulados terem envolvido as empresas interessadas e seus diretores ou representantes. Na mesma linha decidiu o julgador em primeira instância, como se pode depreender da leitura do trecho à fl. 475. No julgamento do presente recurso voluntário, o douto Conselheiro Relator, após marcar, conforme doutrina e jurisprudência, as linhas distintivas entre negócio jurídico indireto e negócio simulado, adentrou em detalhes do caso concreto, concluindo tratarse inequivocamente de simulação. Houve um descasamento entre a vontade externada pelas partes e aquela efetivamente pretendida, sendo certo que esta última, se viesse à luz, traria junto consigo o fato gerador tributário do ganho de capital. Seus fundamentos foram de tal modo claros e contundentes que levaram a maioria do colegiado a acompanhálo quanto a este ponto, entendendo também presente a simulação e mantendo o tributo lançado. Tomo a liberdade, por amor à clareza, de reproduzir alguns parágrafos do voto do ilustre Conselheiro Relator, em que ficam expressas suas conclusões acerca da simulação nas operações aqui analisadas (grifos não constam do original). Fl. 669DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 641 42 [...], após analisar e refletir sobre as circunstâncias envolvidas na tantas vezes referida operação, não me parece legítimo concluir senão pela ocorrência de simulação. [...] Em outras palavras, impende confirmar na circunstância concreta se o negócio jurídico realizado pelas partes é autorizado pelo direito privado e se revelam às verdadeiras intenções das partes, pois se assim não for, é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização no ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formalizados por negócios simulados ou dissimulados, com o objetivo de causar prejuízo ao Erário. [...] Ora, falseada a declaração da vontade das partes, que manifestaram formal intenção em firmar parceria, mas, a bem da verdade pretendiam resultado absolutamente diverso, resultado que por seu turno, implicaria na incidência tributária, tenho por configurada inarredável hipótese de simulação [...]. [...], observo que a declaração de vontade foi enganosa, revelando aos expectadores e ao próprio Fisco, uma situação que perdurou por menos de trinta dias. [...] quando realizou a operação, no momento exato em que se deu por aperfeiçoado o fato capaz de gerar a tributação, afastado por simulação, a vontade manifestada pela Recorrente era inequivocamente enganosa. [...] Presente a simulação, não vejo como desconsiderar que o negócio jurídico engendrado teve por finalidade única a transferência das atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal que pertenciam à Recorrente, razão pela qual tenho caracterizada a simulação, situação que irradia, no caso concreto, a tributação decorrente do ganho de capital. Firmado este ponto, não é demais insistir que, até aqui, o Colegiado acompanhou o insigne Conselheiro Relator. A divergência surgiu especificamente no que tange à multa qualificada aplicada ao lançamento, na sequência da análise empreendida. Entendeu o Colegiado que, caracterizada como foi a prática de simulação nos negócios aqui descritos, com o único propósito de evitar a incidência tributária, a conduta da interessada se encaixaria, sim, nas hipóteses dos dispositivos legais autorizadores da qualificação da multa. Os atos externados buscavam modificar as características essenciais do fato gerador (não haveria alienação com apuração de ganho de capital, mas sim operações de constituição e dissolução societárias) e, ao mesmo tempo, os atos reais (a alienação e o correspondente ganho de capital, fato gerador do imposto) eram ocultados do conhecimento das autoridades fazendárias. Ainda, a conduta foi intencional, vale dizer, dolosa, no sentido de esquivarse às obrigações tributárias. A conferir a dicção dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 670DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 642 43 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Cumpre, ainda, ressaltar que a publicidade conferida aos atos formalmente praticados não milita a favor da interessada, posto que tal publicidade foi dada aos atos aparentes, àqueles reveladores tão somente da vontade enganosa, e que buscavam ocultar o ganho de capital efetivamente ocorrido e ensejador da tributação. No caso, a publicidade foi, na verdade, parte da simulação. Em síntese, o Colegiado decidiu pela impossibilidade, no caso concreto, de dissociar a simulação da multa qualificada, pelo que foi negado provimento ao recurso voluntário, quanto a este ponto. ii) Da incidência de juros sobre a multa de ofício. De se observar, inicialmente, que, por uma visão mais estreita e rigorosa, a matéria estaria fora da competência deste colegiado, desde que a incidência de juros sobre a multa não integra o lançamento ora sob discussão. No entanto, deve ser reconhecido que a questão surge no momento da cobrança do crédito tributário, e negar ao contribuinte a possibilidade de discutir o assunto seria mesmo cercearlhe o direito à defesa. A matéria tem sido objeto de discussões ao longo do tempo, comportando decisões por vezes divergentes. A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de ofício, conforme procedimento das Autoridades Administrativas, encontra seu fundamento no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e, ainda, no art. 161 c/c art. 139, ambos da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), os quais transcrevo para maior clareza: Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 643 44 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Lei nº 5.172/1966 (CTN): Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A polêmica gira em torno da abrangência que se há de atribuir à expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal, mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O débito do contribuinte para com a União, visto pela ótica do sujeito passivo da obrigação tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma obrigação. Essa discussão já foi travada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Peço vênia para transcrever, por sua clareza e por espelhar com exatidão meu pensamento sobre o assunto, excerto do voto condutor do acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, da lavra do ilustre Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Desde já, adoto seus fundamentos também aqui como razões de decidir (grifo consta do original). Consoante relatado, a matéria ora posta à apreciação deste Colegiado se circunscreve à questão atinente a incidência de juros de mora, à taxa SELIC, sobre a multa de oficio proporcional aplicada. O art. 139 do CTN determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113 do CTN, por sua vez, determina, em seu parágrafo primeiro, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da penalidade pecuniária dela decorrente. Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. Observese que tanto o tributo quanto a multa de oficio proporcional serão devidos com a consumação do fato gerador. A multa de oficio proporcional, embora seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza pelo objeto não pecuniário, classificandose como uma obrigação de fazer. A obrigação tributária principal consiste, assim, em todo e qualquer pagamento devido, incluindose o tributo, a multa ou penalidade pecuniária. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 644 45 Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. Frisese, por oportuno, que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a depender das circunstancia do lançamento, pode (considerando, por exemplo, a espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar acrescido da multa de oficio proporcional, cabe ao aplicador da norma afastar a respectiva concomitância, cuja eventual aplicação, contudo, não tem o condão de modificar a legislação sobre a matéria, afastando a inclusão da multa de oficio proporcional na obrigação principal. Não é correta a afirmação de que toda penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é decorrente da observância de obrigação acessória. Não pagar tributo é o descumprimento de uma obrigação principal, constituindo parte desta. O fato de o dispositivo legal atribuir, à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a natureza de obrigação principal, não significa que toda e qualquer penalidade pecuniária é, em sua origem, uma obrigação acessória. Ou seja: a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento de obrigação acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal em sua natureza, independentemente de conversão. Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. Adicionalmente, especificamente quanto ao art. 43 da Lei n° 9.430/96, invocado pelo Contribuinte em sua defesa, destaquese que esse dispõe sobre a hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", razão pela qual não disciplina a aplicação da juros sobre a multa de oficio proporcional, que somente é exigida com o tributo. Ao final, por maioria de votos, a Câmara Superior decidiu conforme ementa abaixo: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, Fl. 673DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 645 46 incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Pelas mesmas razões, o Colegiado decidiu negar provimento, também quanto a esta matéria, ao recurso voluntário interposto. iii) Das multas exigidas isoladamente por falta/insuficiência no recolhimento de estimativas. Embora a matéria seja polêmica, comportando interpretações divergentes, o entendimento do Colegiado foi de que a obrigação de recolher as estimativas não se confunde com a apuração do tributo ao final do período de apuração. É o que se extrai dos dispositivos legais aplicáveis, abaixo transcritos: Lei nº 8.981/1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Lei nº 9.430/1996: Fl. 674DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 646 47 Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2oA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art.28.Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 647 48 A regra é a da apuração trimestral do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Se o contribuinte opta pela apuração anual, deve se submeter às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente à obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. Para que possa suspender ou reduzir esses recolhimentos, a lei impõe a elaboração de balanços ou balancetes de suspensão ou redução do imposto. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual e pela suspensão/redução do imposto com base em balancetes, deixam de efetuar o recolhimento ou o fazem a menor, a sanção é aquela estabelecida pelo inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; [...] Esse artigo teve sua redação alterada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e o percentual aplicável passou a ser de 50%, conforme o inciso II, alínea “b”. Eis a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 à época do lançamento: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Fl. 676DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 130100.810 S1C3T1 Fl. 648 49 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] No caso em tela, mantida como foi a exigência pela exclusão indevida do Ganho de Capital no mês de julho/2003, esse mesmo montante deveria integrar o cálculo das estimativas no mês de competência. Deve, então, a contribuinte se sujeitar à penalidade que lhe é exigida mediante este processo. Para fins da multa isolada, deve ser considerado o montante apurado mensalmente em face da receita bruta e acréscimos ou em cada balanço/balancete de suspensão/redução, e a sanção é aplicável diante do descumprimento do dever de antecipar o tributo, nos montantes determinados em lei. Essa penalidade não se confunde, em absoluto, com a multa proporcional aplicada ao final do período de apuração anual pela falta de recolhimento do tributo. O Colegiado decidiu, então, negar provimento ao recurso voluntário, quanto a este ponto. iv) Conclusão No mais, a decisão se deu conforme o bem fundamentado voto do ilustre Relator. Em conclusão, a decisão do Colegiado foi por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 677DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
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Numero do processo: 11618.000785/2006-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COFINS. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS CANCELADAS.
Confirmada pela autoridade fiscal de jurisdição do contribuinte a
recomposição da base de cálculo da Contribuição Social, em decorrência de vendas canceladas, o débito cobrado deve ser cancelado.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.569
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao Recurso Voluntário.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COFINS. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS CANCELADAS. Confirmada pela autoridade fiscal de jurisdição do contribuinte a recomposição da base de cálculo da Contribuição Social, em decorrência de vendas canceladas, o débito cobrado deve ser cancelado. Recurso Voluntário provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1 1 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.000785/200682 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.569 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2012 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente TEXNOR TEXTIL DO NORDESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COFINS. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS CANCELADAS. Confirmada pela autoridade fiscal de jurisdição do contribuinte a recomposição da base de cálculo da Contribuição Social, em decorrência de vendas canceladas, o débito cobrado deve ser cancelado. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Irene Souza da Trindade Torres – Presidente (assinado digitalmente) Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório O presente processo trata de pedido eletrônico de restituição cumulado com compensação PER/DCOMP n° 0507.80343.150903.13.048801 (fls.02 a 06), A interessada solicita restituição de supostos créditos de COFINS, período de apuração de junho/2001, que alega serem oriundos de vendas canceladas, e pretende compensar com débitos da COFINS para o período de apuração de junho/2003, sendo o valor a ser compensado de R$ 54.007,06. Por bem descrever os fatos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: 1. Cuida o presente processo de Pedido de Restituição/Compensação (fl. 01), PER/DOOMP no 0507.80343.150903.13.048801 (fls. 02/06), de 21/02/2006, visando Compensação de débito da Cofins, do período de apuração junho de 2003, utilizando crédito de Cofins, relativo ao mês de junho de 2001, indicando como crédito inicial o valor original de R$ 364.957,44 (fl. 04) e o valor do débito de R$ 54.007,06 (fl. 05)). 2. O Despacho Decisório (fl. 10) do Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa/PB, com fulcro no Parecer No. 214/2006 (fls. 10/11), decidiu: 2.1. NÃO HOMOLOGAR o pedido de Compensação consignado na PER/DCOMP no 0507.80343.150903.13.048801, por inexistência de crédito disponível, cujo valor original importa em R$ 364.957,44 (trezentos e sessenta e quatro mil, novecentos e cinquenta e sete reais e quarenta e quatro centavos), nos termos do art. 26, 2 da IN SRE no 460/2004,; 2.2. PROCEDER a cobrança do débito não compensado, com fundamento no art. 26, 4, da instrução Normativa No. 600 de 28 de dezembro de 2005, acrescido dos encargos legais na forma do art. 52 da referida Instrução Normativa. 3. Cientificada de tal decisão, em 20/10/2006, conforme "AR" (fl.16), a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 17/22), de 14/11/2006, por sua representante legal, em que contesta o decisum sob os seguintes argumentos: 3.1. pela cópia da PER/DCOMP 0507.80343.150903.13.048801 que foi homologada pela Receba Federal, verificase que o débito de Cofins, do mês de 07/2003, no valor de R$ 54.007,06 foi compensado com um crédito de Cofins no valor de R$ 364.957,44, originado de pagamento a maior do mesmo tributo efetuado em 13/07/2001, relativo ao fato gerador da Cofins, do mês de 05/2001; 3.2.entretanto a compensação não foi homologada por pelo motivo de "inexistência de crédito disponível, cujo valor original importa em R$ 364.957,44"; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11618.000785/200682 Acórdão n.º 3202000.569 S3C2T2 Fl. 2 3 3.3. conforme relatado em impugnação a auto de infração anteriormente lavrado contra a impugnante, para cobrar Cofins, do período de 04/2000 a 06/2002, que deu origem ao processo administrativo no 11618.003134/200211, cópias anexas, vendas realizadas pela impugnante nos meses de maio a julho de 2001 foram canceladas, tendo a devolução sido contabilizada, nos meses de agosto e setembro de 2001, por terem as correspondentes notas fiscais sido emitidas por valores superiores aos corretos. A impugnante junta planilha, demonstrando as bases de cálculo dos anos de 1999 a 2002 (fl.24); 3.4. em decorrência desse erro, a impugnante pagou, com relação aos meses de maio a julho/2001, quantias mais elevadas do que as de fato devidas, tendo em vista que vendas canceladas não integram a base de cálculo da Cofins, segundo art. 3o, § 2o, inciso I da Lei no 9.718/98; 3.5. portanto, ao calcular a Cofins sobre vendas canceladas, a impugnante pagou além do que era devido, passando então a ter o direito de compensar com outros débitos, mormente da própria Cofins, o crédito contra o fisco resultante do montante indevidamente pago; 3.6. ao tomar conhecimento da autuação, a impugnante alterou a forma de demonstrar em DCTF as compensações efetuadas, formalizando as DCOMP e informando em DCTF que o pagamento da Cofins se dava através de compensação, informando a origem do crédito que, nesse caso foi o valor de Cofins pago a maior em 07/2001, tendo como fato gerador as receitas do mês 06/2001; 3.7. afirma que o crédito no valer de RS 364.957,44, informado na PERD/DCOMP no 40507.80343.150903.1.3.048801, não foi localizada pela SRF em seus sistemas, conforme informada no despacho transcrito, pelo fato de a impugnante ter se equivocado no preenchimento da PER/DCOMP. O valor correto da Cofins no mês 06/2001 é de R$ 506.538,88, conforme se verifica pela cópia do DARF em anexo (doc. 25); 3.8. a impugnante junta planilha demonstrando a origem do crédito e as compensações efetuadas, pela qual se pode observar que havia crédito suficiente para a Compensação da Cofin,, demonstrada em DCTF do 3o trimestre de 2003 e na PER/DCOMP citada, objeto da não homologação ora contestada; 3.9. requer que seja homologada a compensação efetuada de acordo com o pedido de compensação consignado na aludida Declaração de Compensação e seja cancelada a cobrança do débito ora impugnado. . Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 Após analisar a manifestação de inconformidade da interessada, a DRJ – Recife proferiu o Acórdão No. 1124.117, em 15 de outubro de 2008, (fls. 54/ss), por meio do qual se manteve o indeferimento do pedido de restituição, no termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. A compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), como em qualquer outra compensação dessa natureza, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Recife em 04/11/2008 (fl. 59/60). Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, em 28/11/2008 (fls. 62/ss), reiterando as razões de sua manifestação de inconformidade e inovando na argumentação no seguinte ponto: 1. Que o cancelamento das vendas é fato incontroverso, em decorrência da informação constante do Parecer SAORT/DRF/JPA no. 054/2004, processo 10467.501133/200679, onde faz a seguinte transcrição do Parecer (fl. 64): "7. Por sua vez, os valores das vendas canceladas ocorridas nos meses de agosto (R$ 10.979.502,26) e setembro (R$ 23.127.065,58,)... ...10. Esclareçase ainda que nos presentes autos inexiste controvérsia acerca dos valores das vendas canceladas, os quais foram confirmados pela fiscalização desta Delegacia, conforme Informação Fiscal de fls. 174/179." Junta cópia de DARF e documentos da sua escrita fiscal (fls. 69/ss). Requer, por fim, a Recorrente seja provido o presente recurso homologando se todas as compensações por ela pleiteadas. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. Com vistas a confirmar as alegações trazidas pela Recorrente, o processo foi baixado em diligência por meio da Resolução n° 320100.171, de 30 de setembro de 2010 (fls. 88/91), no intuito de verificar se efetivamente existe o direito ao alegado crédito da Cofins em decorrência das supostas vendas canceladas. Os autos retornaram à DRFJoão Pessoa para a realização da diligência solicitada. A autoridade fiscal dessa Delegacia da Receita Federal, então, lavrou o “Relatório Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11618.000785/200682 Acórdão n.º 3202000.569 S3C2T2 Fl. 3 5 Circunstanciado”, datado de 06/09/2011 (fls. 116/119), onde após explanação sobre os fatos ocorridos, concluiu que: 09 Em relação ao período de apuração 07/2003, objeto deste processo, o contribuinte informou em DCTF que o débito da COFINS de R$ 63.638,31 foi extinto por pagamento (R$ 9.631,25) e por compensação (R$ 54.007,06). 10 Se a COFINS fosse calculada na nova base de cálculo de R$321.040,99, seu valor seria de R$ 9.631,25 e estaria extinto por pagamento. 11 O crédito de pagamento indevido ou a maior de COFINS (código 2172) recolhido em 15/07/2001, no valor de 364.957,44, informado na ficha de crédito dos PER/DCOMP, 10115.50489.180903.1.7.045187(processo 11618.000784/2006 38),11294.25769.180903.1.7.041186(processo 11618.000782/200649) e 40507.80343.150903.1.3.048801 (processo 11618.000785/200682), não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fl. 114), razão pela qual as respectivas compensações foram NÃO HOMOLOGADAS. 12 No entanto, as devoluções de vendas registradas em agosto e setembro de 2001 mudaram a base de cálculo nos períodos de apuração 08/2001 a 07/2003 tornando os débitos dos processos 11618.000834/200687, 11618.000784/200638, 11618.000782/200649 e 11618.000785/200682 (todos em julgamento no CARF) insubsistentes. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A autoridade fiscal da DRF – João Pessoa afirma que ficou demonstrada (fl. 117/118) a apuração de saldo negativo de base de cálculo no período de apuração junho/2003 e, por conseguinte, a inexistência de saldo a pagar nesse período. Portanto, o valor do débito que a Recorrente pretende compensar (R$ 54.007,06) seria indevido, segundo informação da autoridade fiscal da unidade de jurisdição da empresa. Aduz, ainda, a autoridade fiscal que as devoluções de vendas registradas em agosto e setembro de 2001 alteraram a base de cálculo nos períodos de apuração 08/2001 a 07/2003, tornando os débitos dos processos 11618.000834/200687, 11618.000784/200638, 11618.000782/200649 e 11618.000785/200682 insubsistentes. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Deste modo, em face das informações e declarações trazidas aos autos pela autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, entendo que o débito declarado na DCOMP, relativo ao mês de junho/2003, deve ser cancelado. Ante o exposto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário e declarar indevida a cobrança da Cofins, período de apuração de junho/2003, no valor de R$ 54.007,06. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000651/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES SEGURADAS EMPREGADAS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado
na legislação de regência.
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS.
NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO.
Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.644
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES SEGURADAS EMPREGADAS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório. Recurso Voluntário Negado.
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OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10932.000651/200806 Acórdão n.º 2401002.644 S2C4T1 Fl. 150 3 Relatório INSTITUTO METODISTA DE ENSINO SUPERIOR, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 9a Turma da DRJ em Campinas/SP, Acórdão nº 05 26.145/2009, às fls. 79/83, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, em relação ao período de 04/2003 a 12/2003, conforme Relatório Fiscal, às fls. 18/20. Tratase de Auto de Infração (obrigações principais) lavrado em 18/12/2008, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 230.515,73 (Duzentos e trinta mil, quinhentos e quinze reais e setenta e três centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, a presente autuação fora lavrada em substituição da NFLD nº 35.752.4780, declarada nula pela Decisão Notificação nº 21.434.4/0148/2004, em razão da constatação de vício insanável. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem decretar a improcedência parcial do lançamento, acolhendo em parte a decadência do crédito tributário, com base no artigo 150, § 4o, do CTN. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 90/100, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela manutenção da decisão recorrida, na parte em que acolheu a decadência parcial da exigência fiscal, sobretudo em razão da edição da Súmula Vinculante nº 08 pelo Supremo Tribunal Federal. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla a imunidade e/ou isenção, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Insurgese contra a pretensão fiscal, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da pretensa isenção da contribuinte, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 14 do CTN e, bem assim, no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente sendo detentora do CEBAS desde 1972, ininterruptamente, em virtude dos pedidos de renovação efetivados, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Argumenta que a adesão da contribuinte ao PROUNI, nos termos da legislação de regência, lhe confere o direito de usufruir da isenção inscrita no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, inclusive abrangendo os dois últimos triênios. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Defende que a Medida Provisória nº 446/2008 assegurou a todas as entidades beneficentes a isenção dos tributos em referência, independentemente de decisão exarada pelo CNAS, sobretudo por ter contemplado que os pedidos de renovação do CEBAS foram automaticamente deferidos. Arremata pleiteando sejam aplicadas à hipótese vertente as disposições contidas na Lei nº 11.941/2009, a qual trouxe regras mais benéficas ao contribuinte, devendo retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto e Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10932.000651/200806 Acórdão n.º 2401002.644 S2C4T1 Fl. 151 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte da exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade/isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 14 do Código Tributário Nacional e 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, a começar pelo CEBAS, detentora desde 1972, ininterruptamente, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal. A corroborar esse entendimento, argumenta que a adesão da contribuinte ao PROUNI, nos termos da legislação de regência, lhe confere o direito de usufruir da isenção inscrita no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, inclusive abrangendo os dois últimos triênios. Acrescenta que a Medida Provisória nº 446/2008 assegurou a todas as entidades beneficentes a isenção dos tributos em referência, independentemente de decisão exarada pelo CNAS, sobretudo por ter contemplado que os pedidos de renovação do CEBAS foram automaticamente deferidos. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida encontrase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. Como se verifica, a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender que possui imunidade da cota patronal. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Fl. 185DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Decisão recorrida, a contribuinte em momento algum logrou comprovar ser efetivamente entidade isenta, cumpridora de todos os requisitos para tanto, inobstante as inúmeras alegações nesse sentido. Ao contrário, como se extrai do bojo da decisão de primeira instância, a contribuinte não obteve êxito em sua empreitada no sentido de demonstrar que requereu o reconhecimento da isenção em epígrafe, na forma que exige a legislação previdenciária, especialmente o artigo 208 do Decreto n° 3.048/99, então vigente, não havendo que se falar na pretensa isenção argüida pela notificada. Observese, ainda, que os pressupostos do benefício fiscal sob análise estabelecidos na norma legal supratranscrita, devem ser observados cumulativamente, razão pela qual o fato de a contribuinte deter o CEBAS, na forma que sustenta, seja por conta dos eventuais pedidos e/ou renovações ou mesmo em face da adesão ao PROUNI, não tem o condão de rechaçar a pretensão fiscal, uma vez não comprovado o cumprimento dos demais requisitos. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10932.000651/200806 Acórdão n.º 2401002.644 S2C4T1 Fl. 152 7 Aliás, com a finalidade de afastar qualquer dúvida quanto à matéria, impende registrar que a autoridade previdenciária competente emitiu em 06 de Setembro de 1999, o Ato Cancelatório nº 001/1999, de fl. 67, cancelando a partir de 01/01/1994, a isenção da contribuinte, diante da inobservância dos incisos III, IV e V, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, o que veio a ser corroborado pela 4a Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, consoante se infere do Acórdão nº 04/00299/2003, às fls. 70/72. Dessa forma, não há se falar em irregularidade e/ou ilegalidade no procedimento adotado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância aos dispositivos legais que regulamentam a matéria. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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