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Numero do processo: 19740.000410/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/1995 a 31/01/1999
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A CONTRIBUIÇÕES NÃO ADIMPLIDAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO.
A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento das mesmas.
LANÇAMENTO CONTENDO CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. SANEAMENTO PELO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE DE NULIFICAÇÃO DO CRÉDITO. Verificando-se a exigência de contribuições improcedentes, deve o órgão de julgamento afastá-las, mantendo o crédito na parte cobrada regularmente, não havendo necessidade de nulificação integral do crédito.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1995 a 31/01/1999
LANÇAMENTO NULIFICADO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DE DECADÊNCIA.
Declarada a nulidade do crédito por vício formal, a Fazenda dispõe de cinco anos para reconstituí-lo, prazo esse contado da data da decisão anulatória, não tendo o mesmo qualquer relação com a ocorrência dos fatos geradores.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1995 a 31/01/1999
DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR.
A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora.
LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GUIAS DE RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO.NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO ESPECÍFICA.
Na apuração da responsabilidade solidária do tomador para com o prestador de serviços executados mediante cessão de mão de obra,
somente são admitidas, para efeito de aproveitamento, as guias de recolhimento inequivocamente vinculadas ao serviço prestado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.485
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a arguição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1995 a 31/01/1999 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A CONTRIBUIÇÕES NÃO ADIMPLIDAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO. A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento das mesmas. LANÇAMENTO CONTENDO CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. SANEAMENTO PELO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE DE NULIFICAÇÃO DO CRÉDITO. Verificando-se a exigência de contribuições improcedentes, deve o órgão de julgamento afastá-las, mantendo o crédito na parte cobrada regularmente, não havendo necessidade de nulificação integral do crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1995 a 31/01/1999 LANÇAMENTO NULIFICADO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DE DECADÊNCIA. Declarada a nulidade do crédito por vício formal, a Fazenda dispõe de cinco anos para reconstituí-lo, prazo esse contado da data da decisão anulatória, não tendo o mesmo qualquer relação com a ocorrência dos fatos geradores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1995 a 31/01/1999 DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR. A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora. LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GUIAS DE RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO.NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO ESPECÍFICA. Na apuração da responsabilidade solidária do tomador para com o prestador de serviços executados mediante cessão de mão de obra, somente são admitidas, para efeito de aproveitamento, as guias de recolhimento inequivocamente vinculadas ao serviço prestado. Recurso Voluntário Negado.
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AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO. A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento das mesmas. LANÇAMENTO CONTENDO CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. SANEAMENTO PELO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE DE NULIFICAÇÃO DO CRÉDITO. Verificandose a exigência de contribuições improcedentes, deve o órgão de julgamento afastálas, mantendo o crédito na parte cobrada regularmente, não havendo necessidade de nulificação integral do crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1995 a 31/01/1999 LANÇAMENTO NULIFICADO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DE DECADÊNCIA. Declarada a nulidade do crédito por vício formal, a Fazenda dispõe de cinco anos para reconstituílo, prazo esse contado da data da decisão anulatória, não tendo o mesmo qualquer relação com a ocorrência dos fatos geradores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1995 a 31/01/1999 DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DEOBRA. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora. LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GUIAS DE RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO.NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO ESPECÍFICA. Na apuração da responsabilidade solidária do tomador para com o prestador de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, somente são admitidas, para efeito de aproveitamento, as guias de recolhimento inequivocamente vinculadas ao serviço prestado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a arguição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000410/200881 Acórdão n.º 2401002.485 S2C4T1 Fl. 301 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.179.5605, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, na condição de devedor solidário, pelas contribuições decorrentes da remuneração paga aos trabalhadores que laboraram para a empresa Locatime Barra Serviços Temporários LTDA, CNPJ 39.134.820/000101, que prestou serviço à autuada mediante cessão de mãodeobra no período do levantamento. O AI em questão contempla a contribuição dos segurados. Afirma o fisco que o sujeito passivo não apresentou as guias de recolhimento específicas de 04/95 (tampouco de recolhimento globalizado), 06/95, 01/96, 05/96, 04/97, 06/97, 07/97, 10/97 11/97, 12/97, 01/98, 02/98, 03/98, 04/98, 05/98, 06/98, 07/98, 08/98, 09/98, 10/98, 11/98, 12/98 e 01/99. Asseverase ainda que também não foram exibidas as folhas de pagamento especificas para os meses de 05/95, 06/95, 01/96, 04/96, 05/96, 06/96, 12/96, 04/97, 06/97, 07/97, 087/97, 09/97, 10/97, 11/97, 12/97, 01/98, 02/98, 03/98, 04/98, 05/98, 06/98, 07/98, 08/98, 09/98, 10/98, 11/98, 12/98 e 01/99. De acordo com Agente Fiscal, tais omissões impossibilitaram a verificação da regularidade dos recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos empregados cedidos. Continuando, asseverase que, para a competência 03/95, a guia específica apresenta uma remuneração inferior a 50% do valor bruto da nota fiscal. Para 01/97 e 02/97, as folhas de pagamento e as guias apresentadas também registram remuneração inferior a esse percentual, e como não houve comprovação de que o prestador mantinha contabilidade regular, nos termos do item 20 da Ordem de Serviço INSS/DAF n° 87, de 20 de agosto de 1993, as bases de cálculo dessas competências foram arbitradas. Segundo o relato fiscal, verificouse não haver nenhum recolhimento para as competências 07/97, 03/98, 04/98, 05/98, 12/98 e 01/99. Informase que, conforme o Termo de Constatação Fiscal, a empresa tomadora foi intimada mais de uma vez a exibir os documentos que afastariam a responsabilidade solidária, todavia, não os apresentou. A base de cálculo, afirma o fisco, foi obtida por aferição indireta, equivalendo a cinquenta por cento do valor das notas fiscais de prestação de serviço apresentadas. O fisco mencionou que, em pesquisas sobre a regularidade fiscal da prestadora, verificouse que a mesma nunca houvera sido fiscalizada, nem havia débitos em seu nome. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Afirmase ainda que o lançamento foi efetuado em substituição à NFLD n.º 35.005.8423, nulificada por vício formal em decisão proferida pela 4.ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, datada de 25/10/2005. Mencionase no relato que a análise do contrato de prestação de serviço evidenciou que se tratava de execução mediante cessão de mãodeobra. Apresentada impugnação apenas pela Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I decidiu pela procedência parcial do lançamento. Foram afastadas as competências que não estavam incluídas no lançamento substituído (NFLD n.º 35.005.8423), assim como, foram excluídas as bases de cálculo que excederam aquelas originariamente lançadas. A utilização de Auto de Infração para constituição do crédito, rechaçada na defesa, foi tida como regular pela DRJ, que também não acolheu o argumento relativo à falta de precisão na fundamentação legal da contribuição ao RAT, haja vista que o lançamento em questão diz respeito à contribuição dos segurados. Por fim, argumentouse que os autos da NFLD nulificada tinham sido apensados para subsidiar a análise das defesas apresentados, não sendo necessário esse pedido por parte da empresa autuada. Inconformada com a notificação, a tomadora apresentou recurso, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o lançamento está viciado, posto que, nos termos dos artigos 243, 244 e 293 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, o instrumento hábil para constituir o crédito tributário decorrente do inadimplemento da obrigação principal é a Notificação de Lançamento e não o Auto de Infração, este reservado para aplicação de multa em razão do descumprimento da obrigação tributária acessória; b) o crédito de que se cuida não decorreu de um lançamento substitutivo, haja vista que foram acrescentadas competências diversas e bases de cálculo majoradas em relação à NFLD anulada por vício formal; c) o fisco, em obediência aos manuais de procedimento da Administração Tributária, estaria limitado a unicamente corrigir os vícios que deram ensejo a nulidade da NFLD substituída. Como houve inovação nos critérios de apuração, não cabe a aplicação do prazo decadencial fixado do art. 173, II, do CTN, estando todas as competências lançadas fulminadas pela decadência, seja pela contagem do art. 150, § 4.º, ou do 173, I, ambos também do Codex Tributário; d) considerandose que anulação da NFLD n.º 35.005.8423 ocorreu em 2005, o lançamento substitutivo somente poderia alcançar fatos geradores ocorridos do ano de 2000 em diante; e) a decisão recorrida ao tentar manter o lançamento, utilizouse da argumentação de que o AI contemplaria crédito substitutivo e revisão de valores, todavia, essa linha argumentativa sequer foi utilizada no relatório fiscal, portanto, há de se concluir que a DRJ inovou nos próprios fundamentos do lançamento, o que é inadmissível; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000410/200881 Acórdão n.º 2401002.485 S2C4T1 Fl. 302 5 f) o fisco deveria diligenciar no sentido de verificar no Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS a existência de compatibilidade entre os dados ali lançados e os recolhimentos efetuados pela empresa prestadora. Esse argumento da defesa, inclusive, deixou de ser apreciado pelo órgão recorrido; g) no processo referente à NFLD anulada há guias específicas que não foram apropriadas no presente AI, neste sentido fazse necessária a apensação daquele processo aos demais para que se verifiquem as referidas guias. Ao final pede que se dê efeito suspensivo ao presente recurso e que no seu julgamento se cancele o crédito fiscal consubstanciado no presente AI. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O efeito suspensivo do mesmo é decorrência da lei, não havendo necessidade de requerêlo. Da inadequação do instrumento de constituição do crédito Alega a recorrente que o AI seria nulo, por não ser instrumento hábil a constituir crédito tributário decorrente do inadimplemento da obrigação principal, conforme preceituam os artigos 243, 244 e 293 do RPS. Sobre essa questão há de se ter em conta que, quando da ciência do AI pelo sujeito passivo, em 12/09/2008, já eram aplicadas às contribuições sociais as disposições procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972. Tal alteração decorreu da fusão das Secretarias da Receita Federal e da Receita Previdenciária na atual Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. A inovação legislativa que criou a nova estrutura da Administração Tributária da União foi a Lei n.º 11.457, de 16/03/2007. Esta determinou em seu art. 25 que, a partir de abril de 2008, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de exigência das contribuições previdenciárias passariam a ser regidos pelo Decreto n.º 70.235/1972. Eis o dispositivo: Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972: 1 a partir da data fixada no § 1.º art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2.º e 3.º desta Lei; O referido Decreto, por sua vez, determina: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, vigente na data da lavratura) Assim, não há de se querer aplicar à situação sob enfoque as regras do RPS invocadas pelo sujeito passivo, uma vez que houve revogação tácita de todos os dispositivos incompatíveis com a novel legislação, conforme prevê o § 1.º do art. 2.º do DecretoLei n.º 4.657/1942 (Lei de Introdução ao Código Civil): Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000410/200881 Acórdão n.º 2401002.485 S2C4T1 Fl. 303 7 Art.2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. Nesse sentido, a utilização de Auto de Infração para constituição de crédito decorrente de contribuições não recolhidas encontra amparo na legislação atualmente em vigor, não devendo ser acatada a tese de nulidade do lançamento por essa razão. Da inovação do lançamento substitutivo Outra alegação do recorrente é que o lançamento, por haver inovado no período e nas bases de cálculo em relação à NFLD que fora anulada por vício formal, encontra se viciado não podendo ser aproveitado, mesmo com as correções procedidas pelo órgão de primeira instância. A DRJ, ao contrário, defende que o presente AI contempla uma parte substitutiva e outra concernente à revisão de lançamento, não sendo esta cabível posto que estariam decadentes todas as contribuições que não foram lançadas na NFLD anulada, devendo remanescer, todavia, os valores originariamente constituídos, uma vez que aos mesmos seria aplicado o inciso II do art. 173 do CTN. A meu ver, a inclusão em determinado lançamento de contribuições indevidas, seja por decadência ou mesmo por improcedência não é causa de sua nulidade integral, devendo serem expurgadas apenas os valores exigidos ao arrepio da legislação. A principal função dos órgãos de julgamento administrativo é garantir a higidez do crédito tributário, afastando do mesmo valores que indevidamente cobrados, ou sendo o caso de ocorrência de prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, mediante a nulificação do ato, que pode vir a ser refeito, respeitado, é claro, o prazo decadencial para constituição do crédito. O princípio da eficiência, ao qual está jungida a Administração Pública (art. 37, “caput”, da Constituição Federal), não admite que se repita um ato administrativo quando é possível, mediante o seu saneamento, que o mesmo venha a surtir os efeitos que lhes são próprios. É o caso do lançamento em questão, no qual a DRJ, ao verificar que o fisco extrapolou as balizas legais, resgatou a legalidade do ato administrativo, ao expurgar do crédito as competências e os valores de base de cálculo que não constavam no lançamento substituído. Não vislumbro na espécie prejuízo ao direito do defesa do sujeito passivo ou mesmo preterição de formalidade essencial no lançamento. Os fatos geradores estão descritos a contento, a base imponível encontrase bem delineada e as contribuições devidas foram devidamente apresentadas no AI e anexos, não se verificando atropelo aos ditames do art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. As causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972 também não se fazem presentes, como se pode ver: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. No momento em que foram pinçados do ato administrativo os vícios de legalidade já comentados, há a possibilidade de convalidação do lançamento pela Administração, conforme prevê a Lei n.º 9.784/1999, em seu art. 55: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administra Pois bem, não encontro na espécie motivo suficiente para que se decrete a nulidade do lançamento se, após a retificação de valores indevidamente exigidos, o mesmo encontrase apto a produzir os efeitos que lhe fizeram vir ao mundo. Não hei de acatar o pedido de nulificação do AI, quando a recorrente não consegue demonstrar a ocorrência de prejuízo aos seus direitos, posto que não há o que se falar em nulidade de ato administrativo se inexistiu prejuízo explícito ou aparente para o administrado. Não há nulidade sem prejuízo. É desnecessário, do ponto de vista prático, anular se ou se decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. A doutrina tem chamado de princípio da transcendência àquele de que se origina a regra de que, para que a nulidade seja declarada, é necessário que esta produza prejuízo. Do contrário, não se deve nulificar o ato. Assim, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em provas convincentes, afasto essa preliminar. Devo reconhecer também que a DRJ enfrentou a contento os argumentos defensórios relativas a inovação no lançamento substitutivo, posto que afastou as contribuições que não estavam lançadas na NFLD n.º 35.005.8423 e justificou a manutenção da parte coincidente. Não se vislumbra, assim, motivos para a nulificação da decisão guerreada. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000410/200881 Acórdão n.º 2401002.485 S2C4T1 Fl. 304 9 Decadência Conforme já exposto, o órgão a quo afastou a exigência de contribuições não incluídas no lançamento substituído, eliminando assim a ilegalidade perpetrada pela Auditoria. Por outro lado, não há dúvida quanto à natureza do vício que ensejou a declaração de nulidade da NFLD n.º 35.005.8423 pelo CRPS, basta ver a ementa da decisão: EMENTA CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA AFERIÇÃO INDIRETA VÍCIO FORMAL. A omissão, no Relatório de Fundamentos Legais do Débito, quanto ao fundamento de direito que autoriza o procedimento de aferição indireta das contribuições previdenciárias, vicia o procedimento fiscal. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, nos termos do art. 53, da Lei n o 9.784, de 29/01/99. ANULADA A NFLD, N.º do(a) Acórdão: 2492/2005. Pois bem, anulado o crédito por vício formal, a contagem do prazo decadencial se dá pela norma inserta no art. 173, II, do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) Ao contrário do que defende a recorrente, o dies a quo para definição do lapso de decadência se baseia, nesse caso, não em marco relacionado à ocorrência do fato gerador, mas se vincula diretamente à data em que houve a declaração de nulidade. Não se tendo constatado no lançamento original o transcurso do prazo decadencial para quaisquer das competências, posto que o período lançado é 03/1995 a 01/1999 e a ciência da NFLD n.º 35.005.8423 ocorreu em 25/02/2000, verificase que o prazo para que o fisco pudesse reconstituir este lançamento não houvera transcorrido em 12/09/2008, uma vez que a decisão anulatória do CRPS foi de 25/10/2005. A tese da empresa de que, a partir da decisão que declarou a nulidade do crédito, o fisco teria que respeitar o prazo de cinco anos, contados dos fatos geradores, para efetuar a substituição do mesmo, não deve subsistir. É que o art. 173, II, do CTN, representa interrupção do prazo de decadência, contandose, a partir da decisão anulatória, integralmente o lustro para todo o período lançado, o que faz com que a Fazenda Pública, passe a dispor de cinco anos, da nulificação do crédito, para reconstituir a integralidade do lançamento declarado nulo por vício formal. Afasto, assim, a suscitada decadência. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Necessidade de fiscalização prévia no prestador de serviço Um primeiro aspecto a ser examinado neste tópico é a possível ocorrência de fiscalização prévia na empresa prestadora. Sobre essa questão o fisco assim se pronunciou: 17. Buscando evitar o lançamento de crédito tributário já extinto ou devidamente constituído, e assim conferir maior certeza e liquidez ao ora lançado, foram realizadas consultas aos sistemas informatizados do Fisco a fim de verificar a possibilidade de existência de débitos já registrados e de ocorrência de ações fiscais com exame de contabilidade. No Sistema de Cobrança SICOB não há débito registrado para o prestador no período abrangido pelo lançamento; e no Cadastro Nacional de Ações Fiscais CNAF, não consta qualquer ação de fiscalização desenvolvida no prestador. Outra questão apontada pela empresa autuada é que a Autoridade Fiscal deveria, antes de constituir o crédito na tomadora, verificar, mediante consulta ao CNIS, se os recolhimentos efetuados pela prestadora eram compatíveis com as remunerações informadas. A bem da verdade, no período do débito, as informações prestadas através da RAIS – Relação Anual de Informações Sociais, do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados e do FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, disponíveis no banco de dados do CNIS, não seriam úteis para verificar se a empresa prestadora teria efetuado o recolhimento relativo à mão de obra disponibilizada à recorrente. É que os dados de remuneração constantes no cadastro do CNIS eram precários, haja vista não conterem as informações individualizadas por tomador de serviço, como hoje ocorre, após o advento da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Quanto essa questão, vou mais além. De acordo com a legislação tributária e previdenciária a Administração tem o direito de escolher e de exigir o valor total das contribuições devidas de quaisquer dos devedores solidários, sem que estes tenham qualquer benefício de ordem, considerando a determinação contida no parágrafo único do artigo 124 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: (...) II – as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Nesse sentido, pode o débito ser exigido de qualquer dos coobrigados, ressalvado o direito regressivo do tomador dos serviços e admitida a retenção das importâncias devidas para garantia do cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Sobre o argumento de que a falta de fiscalização prévia no prestador de serviço invalidaria o lançamento, tenho a dizer que o entendimento reinante nesse colegiado é contrário ao mesmo. Percebese que nem sempre é possível essa verificação, até porque em muitos casos a empresa contratada nem mais existe. A prevalecer essa exigência, criarseia mais uma dificuldade para recuperação de contribuições em um seguimento em que, sabidamente, a evasão tributária era considerável. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000410/200881 Acórdão n.º 2401002.485 S2C4T1 Fl. 305 11 Sensível a essa problemática, esse tribunal administrativo sedimentou o entendimento de que é válido o lançamento por solidariedade com base na documentação apresentada pelo contratante de obra realizada por empreitada total, sem que seja necessária uma verificação prévia na empresa prestadora. Trago à colação ementa de recentes julgados que abonam a tese acima expressa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1999 a 31/01/1999 EMENTA. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. Em se tratando de responsabilidade solidária o Fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Recurso Voluntário Negado. (Recurso n.º 254368, Segundo Conselho de Contribuintes, 5.ª Câmara, Rel. Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Seção 03/12/2008, Negado Provimento por Maioria) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, entendeuse ter havido antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que defendem ser determinante à aplicação do instituto. LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO SOLIDARIEDADE CONSTRUÇÃO CIVIL ELISÃO NÃO OCORRÊNCIA O proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91, se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR DESNECESSIDADE Em se tratando de responsabilidade solidária o Fisco tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviço INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da Fl. 310DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Recurso n.º 255769, Segunda Seção do CARF, 4.ª Câmara, 1.ª Turma, Rel. Conselheiro Ana Maria Bandeira, Seção 08/05/2009, Provimento Parcial por Unanimidade) Esses julgados bem demonstram que não havendo a elisão da responsabilidade solidária pela empresa tomadora, tem o Fisco a prerrogativa de constituir o crédito independentemente de fiscalização na empresa contratada. Das guias de recolhimento apresentadas As guias de recolhimento específicas apresentadas pela empresa foram devidamente apropriadas na apuração, conforme demonstrado pelo fisco. Quanto às demais, não se prestam a comprovar o recolhimento das contribuições exigidas, por não terem vinculação ao serviço prestado à autuada. O § 4.º do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, vigente no período do lançamento, assim prescrevia: § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Para que todos os pagamentos pudessem vir a ser aproveitados na presente apuração, haveria de ser feito uma fiscalização prévia na empresa tomadora, o que contraria frontalmente a técnica de arrecadação baseada na responsabilidade solidária do tomador para com as contribuições devidas em razão da prestação de serviço por cessão de mãodeobra. Assim, por haver deixado de exigir, para todo o período fiscalizado, as guias de recolhimento específicas para o serviço que lhe foi prestado, quando da quitação das notas fiscais de prestação de serviço, a recorrente deve ser responsabilizada pelas contribuições, haja vista que o seu adimplemento não foi comprovado. É bom que se ressalte que a empresa autuada não indicou expressamente nenhuma guia de recolhimento que deixou de ser apropriada, fazendo simplesmente menção genérica à falta de aproveitamento de guias específicas, o que não pode ser admitido, posto que o fisco indicou expressamente os documentos que foram considerados. O pedido para a juntada do autos da NFLD anulada aos processos substitutivos perdeu o objeto na medida em que essa providência já havia sido adotada mesmo antes do julgamento a quo. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000410/200881 Acórdão n.º 2401002.485 S2C4T1 Fl. 306 13 Conclusão Diante do exposto, voto por afastar as preliminares e a decadências suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 312DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000974/2003-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercicio: 1999
ITR - ILEGALIDADE QUANTO A EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41 "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4º, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente ser á considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior a ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação a área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o lançamento em relação à área de reserva legal. Vencidos os conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-14T14:13:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-14T14:13:46Z; Last-Modified: 2011-09-14T14:13:46Z; dcterms:modified: 2011-09-14T14:13:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:36ed348d-31e2-4a1f-b9ee-ce262c19f687; Last-Save-Date: 2011-09-14T14:13:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-14T14:13:46Z; meta:save-date: 2011-09-14T14:13:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-14T14:13:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-14T14:13:46Z; created: 2011-09-14T14:13:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2011-09-14T14:13:46Z; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-14T14:13:46Z | Conteúdo => CSRF,T2 ri I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10620,000974/2003-09 Recurso n" 330,269 Especial do Procurador' Acórdão n" 9202-01.172 — 20 Turma Sessão de 19 de outubro de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA SUZANO DE PAPEL E CELULOSE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercicio: 1999 ITR - ILEGALIDADE QUANTO A EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA. De acordo coin o Enunciado de Súmula CARE n° 41 "A ncTo apresentaçao do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo 1BAMA, ou órgiio conveniado, ncio pode motivar o langamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 40 , combinado corn o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ITR. AREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.. A área de reserva legal somente ser á considerada como tal, para efeito de exclusão da area tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior a ocon'encia do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. al° Freire Redator-Designado Elias Sa Carlos Alberto Gon s Barreto — Presidente hag- — Rela Proceso n" 10620 000974/2003-09 CSRF-I2 Ac6rdio n ° 9202-01,172 Fl 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do ICCUISO em relação a area de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam.. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o lançamento em relay -do à area de reserva legal. Vencidos os conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Gustavo Lian Haddad, Rycardo Hen 'que Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Designado o Conselheiro Elias Samp o Freire ara redigir o voto vencedor. EDITADO EM: 07 DEZ 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Arruda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Processo ri" 10620 000974/2003-09 CSRF-T2 AcOrdilo r; ' 9202-01.172 Fl 3 Relatório Em face de Companhia Suzano de Papel e Celulose, CNP.). n° 60.651.726/0001-16, foi lavrado o auto de infração de fls. 05-09, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercicio 1999, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de reserva legal, pela ausência de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA e de averbação da área de utilização limitada à margem da matricula do imóvel, relativamente A Fazenda Caiçara I, situada no município de Turmalina (MG). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 07-08): Conforme determinado pela Lei 4.771/65, com as alterações introduzidas pela Lei 7.803/89, determinação esta reafirmada no art. 10, § 40, I da IN/SRF 43/97, a área de reserva legal deverá ser averbada er margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente. Para efeitos de exclusão de ITR, esta averbagão precisa ter sido efetuada até a data do fat() gerador do tributo, no caso 01/01/1999. Liii análise ás matriculas de imóveis apresentadas, conforme demonstrativo abaixo, constatOu-se que as averbagões foram efetuadas em datas posteriores a 01/01/1999, sendo procedida, portanto, à glosa da circa de 2.618,6011a, declarada como sendo de utilização Conforme estabelecido no art. 10„§ 40 da IN/SRF 43/97, com redação dada pela IN/SRF 67/97 em seu art. 1°, II, para fins de apuração de ITI?, .faz-se necessário que as áreas declaradas como sendo de preservação permanente ou de utilização limitada sejam reconhecidas mediante Ato Declaratório do IBAMA. Ainda segundo a IN/SRF 43/97, art. 10, § 4 0, H, com redação dada pelo art. I°, I da IN/SRF 67/97, o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data de entrega da declaração de ITR, no caso efetuada em 23/09/1999, para protocolar requerimento de Ato Declaratório junto ao IBAMA Em análise ao Ato Declaratório apresentado, verificou-se que o carimbo de recepção do órgão Ambiental data de 03/05/2002, posterior ao prazo supracitado, sendo, portanto, procedida a glosa da área de 1.887,0011a declarada como sendo de preservação permanente. As Areas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas de 1.887,0 ha para 0,0 ha e de 2.618,6 ha para 0,0 ha, respectivamente (fls. 02). 3 Processo n 0 10620.000974/2003-09 CSRF-T2 Acárd5o n 9202-01.172 Fl 4 A 1' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia (DP) considerou o lançamento procedente (fls. 69-79). Por sua vez, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, proferiu o acórdão n° 301-33.917, que se encontra As fls. 117-124, cuja ementa é a seguinte: Assunto.. Imposto sobi -e a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício; 1999 Ementa: ITR - RESERVA LEGAL — Estando a reserva legal registrada a Inargem da matricula do registro de imóveis, ainda que intempestiva, deve ser excluída da base de cálculo do ITR, sob pena de alionta a dispositivo legal. A cirea registrada a destempo, 170 entanto, não é válida para retificar a declaração após a revisão de oficia ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE — A obrigação de comprovação da álea declarada em D1TR como de preservação permanente por Meio do ADA, foi facultada pela Lei n° 10,165/2000, que alterou o art. 17-0 da Lei n°. Lei »' 6 938/1981, A é (sic) apropriada a comprovação da área de preserva cão permanente por meio de laudo técnico, subsidiado de elementos que demonstrem sua existência RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para considerar improcedente o lançamento. Intimada do acórdão em 15/08/2007 (fls. 125), a Fazenda Nacional interpôs, corn fundamento no artigo 7 0, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial As fls. 127-144, acompanhado dos documentos de fls. 145-169, no qual, após fazer diversas consideragaes a respeito do ADA, alegou, em apertada síntese, que: a) Divergindo do posicionamento adotado pelo acórdão recorrido, a 2" Camara do 3° Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 302- 37.037, segundo o qual é obrigatória a averbação à margem da matricula do imóvel das Areas de reserva legal; b) A Lei 4771/65 (Código Florestal), dispunha na época em discussão, em seu artigo 44 (com redação pela Lei n° 7803, de 18 de julho de 1989), que a reserva legal deveria ser averbada A margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente; c) As áreas de utilização limitada/reserva legal somente serão excluídas de tributação se cumprida a exigência de sua averbação A margem da matricula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício; 4 Processo nn 10620 000974/200.3-09 CSRF-T2 AcórdZio n " 9202-01.172 Fl 5 d) A Medida Provisória n° 2.166-67/2001 não pode ser aplicada retroativamente; e) Requer seja dado provimento ao recurso, restabelecendo-se a decisão de primeira instância. Admitido o recurso por intennédio do Despacho n° 1382.130269 (fls. 171- 176), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões As fls. 235-270, onde defendeu, inicialmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso com relação A Area de preservação permanente, vez que o acórdão paradigma está em total consonância com a decisão recorrida. Quanto ao mérito, pugnou, fundamentalmente, pela manutenção do acórdão de segunda instância. o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Camara do Terceira Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, considerando improcedente a exigência fiscal. A recorrente insurgiu-se contra a exclusão da base de cálculo do ITR das Areas de preservação permanente e de reserva legal, suscitando que s6 faz jus a este beneficio o contribuinte que tiver apresentado tempestivamente o ADA e promovido a averbação da Area de utilização limitada à margem da matricula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, o que não ocorre no caso em tela, invocando como paradigma o acórdão n° 302- 37.037. Eis as matérias em litígio. Inicio a análise de recurso pela Area de preservação permanente, cuja glosa decorre da falta de apresentação tempestiva do ADA. A contribuinte, inclusive, defendeu a impossibilidade de conhecimento do recurso quanto a este ponto. Muito se poderia escrever sobre a ausência de amparo legal para a exigência do ADA em momento anterior A alteração promovida no artigo 17-0 da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000. Até então, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam tal obrigação (IN/SRF n° 43/97, com redação dada pela IN/SRF n° 67/97). /- 5 Procc5.so n" 10620.00097412003-09 CSR - T2 Acórdiio n." 9202 -01.172 H 6 No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a matéria não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 41 tem o seguinte conteúdo: "A 12F10 apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgiio conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a ,fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". No caso, cumpre reiterar, a exigência envolve o exercício 1999. Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado corn o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juizos, concluo que a decisão recorrida merece ser confirmada quanto à improcedência do lançamento relativamente à área de preservação permanente de 1.887,0 hectares. Resta par a apreciação, ainda, a glosa da área de reserva legal de 2.618,6 hectares. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tern a seguinte redação: Art. 10 A apin ação e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. .sç I°. Para os eleitos de apuração do ITR, considerar-se-6: I - VTN, o valor do imóvel, excluidos os valores me/ativos a) construções, instalações e benfeitot ias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II - área tributável, a circa total do imóvel, menos as áreas a) de preservação pemanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989. Portanto, de acordo com tal regra, as Areas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. 6 Processo n" 10620.00097412003-09 CSRF-T2 AcOrd -do n " 9202-01.172 Fl 7 A chamada area de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente corn a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória no 2.166-67/2001, da seguinte forma: Art 16. As florestas e outras . formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a titulo de reserve legal, no mínimo • I - oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazónia Legal; II - trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazónia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 72 deste artigo; - vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras foi ,'nas de vegetação nativa localizada na.s demais regiões do Pais, e IV - vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer regido do Pais. § 1°. 0 percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os indices contidos nos incisos J e ll deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas set utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, -.ressalvadas as hipóteses previstas no § 3 deste artigo, sem prejuízo das demais legisla cães especificas. § 3 0. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal emu pequena propriedade ou posse rural familiar; podem ser computados os plantios de árvores frutiferas ornamentais ou industriais, composto.s pot espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no proce.sso de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver . - o plano de bacia hidrográfica; II - o piano diretor municipal; 7 Processo n° 10620.000974/2003-09 CSRF-T2 Acórdão n" 9202-01.172 Fl. 8 Ill - o zoneamento ecológico-econômico; IV- outras categorias de zoneamento ambiental, e V - a proximidade com outra Reserva Legal, Area de Preservação Permanente, unidade de conseivação ou outra área legalmente protegida § 5°. 0 Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Económico - ZEE e pelo Zoneamento Agricola, ouvidos' o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, podei ci: I - reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta par cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os eartonas, os sítios e eco.ssistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos,' e II - ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos indices previstos neste Código, em todo o território nacional § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas areas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a - I - oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal,' II - cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas- demais regiões do País; e III - vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso Ido § do art. P. § 7°. 0 regime de uso da área de preservação petmanente não se altera na hipótese prevista no § § 8°, A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua de.stinaçao, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da circa, com as exceções previstas neste Código. § 9 0. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Páblico prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário § 10, Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o orgão ambiental estadual ou federal competente, com força de titulo Pvocesso n" 10620 000974/2003-09 CSRF-T2 AcórIlo n." 9202-01.172 H 9 executivo e contendo, no minim, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11, Poderá ser instituída reserva legal em regime de condominio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos A necessidade ou não de averbação da referida area no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da area de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbá-la à margem da matricula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da area de reserva legal na matricula do imóvel 6, como regra geral, condição para sua exclusão da base de calculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da Area de reserva legal, embora coin função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n°5 939.3/96 e 4371/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, da ensejo b. aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008 O ITR é tributo de natureza eminentemente extra-fiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de urn meio ambiente ecologicamente equilibrado,. Salvo melhor juizo, o beneficio tributário consistente na exclusão da base de calculo do 1TR da area de reserva legal s6 pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, penso que o lançamento não pode prosperar corn relação a area de reserva legal, pois o contribuinte atendeu a todas as exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador ., que se deu em 01/01/1999, promoveu a respectiva averbaço de área, inclusive, superior àquela declarada, de 2.618,6 hectares (a averbaçãc foi de 2.726,38 hectares), de acordo corn afirmação da própria autoridade lançadora (fls. 07-08), acima transcrita. Sob minha ótica, a averbação da área de utilização limitada pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador. 9 Processo n° 10620.000974/2003-09 CSRF-T2 AcOrcliio " 920241.172 Fl 10 Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342.455, ".... havendo uma área de reseiva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o beneficio tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR." Considerando a averbação da Area de reserva legal, ainda que em momento posterior à ocorrência do fato gerador, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada. Diante cio exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 10 Processo n° 10620 000974/2003-09 CSRF-T2 AeórdZio 11 0 9202-01.172 Fl 11 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado De feito, divirjo do ilustre conselheiro relator tãosomente no diz respeito á exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do ITR. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de ITR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqiientemente, do próprio conceito de Area de reserva legal. 0 art 10, § 1", inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10.... . § l' Para os efeitos de apuração do 1TR, considerar-se-ri: 11-. area tributável, a area total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n" Lei no 4.771; de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), passou a prever a obrigatoriedade de averbação cia Area de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis - de exploração, obedecidas as seguintes restrições. § .2"A reserva legal, assim entendida a área de , no minim, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá sei- averbada ei margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de .sua destinação, nos casos de transmissão, qualquer titulo, ou de desmembramento da &ea. (Incluído pela Lei n" 7.80.3 de 18.7 1989). Atualmente, a exigência da averbação da área de reserva legal no registro de imóveis encontra respaldo legal no art, 16, § 80 da Lei IV Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001, in verbis: 1 1 Processo n" 10620 000974/2003-09 CSRF-12 Accirao n '9202-01.172 Fl 12 área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de mat, icula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembt amento ou de retificação da circa, com as exceções previstas neste Código (Incluído pela Medida Provisória n°2 166-67, de 2001) No meu entender a averbação da Area de reserva legal A margem da inscrição de matricula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida Area seja, efetivamente, considerada como Area de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explicito no sentido de que determinada Area somente pode ser considerada como Area de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de refbrma agi ária, F, eliminar de perda de objeto da segulança que se rejeita - No mérito, não fizerem os impetrantes prova ela averba çâo da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (11s. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averba 00 existente nos autos data de 26.11.96 (11s. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.(GRIFE1) Mandado de segurança indeferido Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro SepUlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.77111965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não ave; bada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade A reserva legal não é tuna abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel Sem que esteja determinada, não é possível saber se o pi oprietzirio vem cuniprindo as obrigações positivas e negatives que a legislação ambiental The impõe. Poi out; o lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não fbi medida e demaicada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novas proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria unia diminuição do tamanho da reserva, proporcional diminuição do tamanho do imóvel, coin o que rota, ia frustrada proibição da mudança de sua destinação nos casos de 12 Pi ocesso n" 10620 000974/2003-09 CSRIT-T2 AcOrdrio n." 9202-01.172 Fl 13 transmissão a qualquer find° ou de desmembramento, que a lei florestal presci eve. Estou assin: em que, sem a averbação deteminada pelo §2" do art. 16 da lei n" 4,771/1965 não existe reserva IegaI (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrario, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Precedente do ST.1 neste sentido: PROCESSUAL CIViL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART .53.5 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO, EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARA TORIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA AREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art .53.5 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, a acórdão que adota . fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. 0 art, 2" do Código Florestal prevé que as areas de preservação permanente (Milli o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietatio pal a sua caracterização. Assim, ha óbice legal á incidência do tributo sobre areas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação (lestas na matricula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no pi crente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3 Ademais, a orienlaçao das Turmas que integi am a Primei; a Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territoi ia! Rural - 1TR é tribal() sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9393/1996, permite a exclusão da vita bare de calculo de area de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do 1BAMA" (REsp 66.5.12.31PR, Segunda Turma, Rel , Min. Eliana Cahnon, DJ de 5 2„2007) 4 Ao contrario da area de preservação permanente, para a area de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matricula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a area de preservação destinada reserva legal. Assim, somente coin a averbação da area de reserva legal na matricula do imóvel é que poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, ,sç 8", do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise, (REsp 1125632 / PR, PREMEIRA TURMA, Relator: Ministro BENEDITO GONÇALVES, D.Je 31/08/2009) 0( 13 Elias Sampa's Freire PIOCCSSO e 10620.000974/2003-09 CSIZI- 12 Acárciiio n ° 9202 -01.172 Fl 14 Destarte, a area de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Por todo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda N I, para restabelecer o lançamento em relação A Area de reserva legal. 1 4
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720161/2006-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Ano calendário: 2.003
A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO SOFRE ÓBICE PELA DISCUSSÃO DA TRIBUTAÇÃO NO ÂMBITO DO PODER JUDICIÁRIO. PRELIMINAR AFASTADA
É atribuição das autoridades fiscais a constituição do crédito tributário, através do lançamento, independentemente da existência de discussão sobre a incidência do imposto na esfera judicial. A constituição do crédito justifica-se para evitar eventual decadência, não obstante, a decisão definitiva sobre a
incidência dependa do posicionamento do Poder Judiciário. No presente caso, a demanda judicial ainda não transitou em julgado e está sendo feita através de Federação a que os autuados pertencem.
ALEGAÇÃO DE SUSPEIÇÃO DO RELATOR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR AFIRMAÇÃO INEXISTENTE DE OBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
Não prospera alegação de suspeição do Relator da decisão recorrida, pelo fato do mesmo justificar seu entendimento no principio da legalidade, a que efetivamente está restrito, não encontrando outra, tal como afirma a autuada, que esta obediência englobaria entendimento do órgão fiscalizador.
A ÁREA TOTAL DO IMÓVEL ATRIBUÍDA PELA FISCALIZAÇÃO PODE SER QUESTIONADA COM PROVAS DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE, DOMÍNIO ÚTIL OU POSSE, O QUE NÃO OCORREU.
Desprovidos de documentos públicos ou privados que atestem as alegadas vendas de parte do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, somente as alegações, não são suficientes para afastar a pretensão fiscal, nem tão pouco, averbações na matrícula do imóvel, com data posterior à da ocorrência do fato gerador.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu
art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções
previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um
imposto fundamentalmente de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR.
Nos termos do art. 17-O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR, não se podendo interpretar o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 como regra exonerativa dessa obrigação, pois este último versa apenas sobre o caráter homologatório da informação das áreas isentas, que podem, por óbvio, sofrer auditoria por parte da autoridade fiscal competente.
O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE
O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstâncias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso.
UTILIZAÇÃO DA COBRANÇA DO IMPOSTO E MULTA COM EFEITOS DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA
Não fere o princípio constitucional da vedação à utilização do tributo com efeitos de confisco, a cobrança do imposto feita dentro dos parâmetros legais, acrescida da multa em função do não recolhimento, esta, também com percentuais previstos na lei.
Numero da decisão: 2102-001.803
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli (relator) que dava parcial provimento para acatar uma área de utilização limitada de 24.160 hectares. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Ano calendário: 2.003 A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO SOFRE ÓBICE PELA DISCUSSÃO DA TRIBUTAÇÃO NO ÂMBITO DO PODER JUDICIÁRIO. PRELIMINAR AFASTADA É atribuição das autoridades fiscais a constituição do crédito tributário, através do lançamento, independentemente da existência de discussão sobre a incidência do imposto na esfera judicial. A constituição do crédito justifica-se para evitar eventual decadência, não obstante, a decisão definitiva sobre a incidência dependa do posicionamento do Poder Judiciário. No presente caso, a demanda judicial ainda não transitou em julgado e está sendo feita através de Federação a que os autuados pertencem. ALEGAÇÃO DE SUSPEIÇÃO DO RELATOR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR AFIRMAÇÃO INEXISTENTE DE OBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Não prospera alegação de suspeição do Relator da decisão recorrida, pelo fato do mesmo justificar seu entendimento no principio da legalidade, a que efetivamente está restrito, não encontrando outra, tal como afirma a autuada, que esta obediência englobaria entendimento do órgão fiscalizador. A ÁREA TOTAL DO IMÓVEL ATRIBUÍDA PELA FISCALIZAÇÃO PODE SER QUESTIONADA COM PROVAS DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE, DOMÍNIO ÚTIL OU POSSE, O QUE NÃO OCORREU. Desprovidos de documentos públicos ou privados que atestem as alegadas vendas de parte do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, somente as alegações, não são suficientes para afastar a pretensão fiscal, nem tão pouco, averbações na matrícula do imóvel, com data posterior à da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto fundamentalmente de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR. Nos termos do art. 17-O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR, não se podendo interpretar o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 como regra exonerativa dessa obrigação, pois este último versa apenas sobre o caráter homologatório da informação das áreas isentas, que podem, por óbvio, sofrer auditoria por parte da autoridade fiscal competente. O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstâncias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso. UTILIZAÇÃO DA COBRANÇA DO IMPOSTO E MULTA COM EFEITOS DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA Não fere o princípio constitucional da vedação à utilização do tributo com efeitos de confisco, a cobrança do imposto feita dentro dos parâmetros legais, acrescida da multa em função do não recolhimento, esta, também com percentuais previstos na lei.
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PRELIMINAR AFASTADA É atribuição das autoridades fiscais a constituição do crédito tributário, através do lançamento, independentemente da existência de discussão sobre a incidência do imposto na esfera judicial. A constituição do crédito justificase para evitar eventual decadência, não obstante, a decisão definitiva sobre a incidência dependa do posicionamento do Poder Judiciário. No presente caso, a demanda judicial ainda não transitou em julgado e está sendo feita através de Federação a que os autuados pertencem. ALEGAÇÃO DE SUSPEIÇÃO DO RELATOR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR AFIRMAÇÃO INEXISTENTE DE OBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Não prospera alegação de suspeição do Relator da decisão recorrida, pelo fato do mesmo justificar seu entendimento no principio da legalidade, a que efetivamente está restrito, não encontrando outra, tal como afirma a autuada, que esta obediência englobaria entendimento do órgão fiscalizador. A ÁREA TOTAL DO IMÓVEL ATRIBUÍDA PELA FISCALIZAÇÃO PODE SER QUESTIONADA COM PROVAS DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE, DOMÍNIO ÚTIL OU POSSE, O QUE NÃO OCORREU. Desprovidos de documentos públicos ou privados que atestem as alegadas vendas de parte do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, somente as alegações, não são suficientes para afastar a pretensão fiscal, nem tão pouco, Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 401 2 averbações na matrícula do imóvel, com data posterior à da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto fundamentalmente de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR. Nos termos do art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR, não se podendo interpretar o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 como regra exonerativa dessa obrigação, pois este último versa apenas sobre o caráter homologatório da informação das áreas isentas, que podem, por óbvio, sofrer auditoria por parte da autoridade fiscal competente. O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstâncias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso. UTILIZAÇÃO DA COBRANÇA DO IMPOSTO E MULTA COM EFEITOS DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA Não fere o princípio constitucional da vedação à utilização do tributo com efeitos de confisco, a cobrança do imposto feita dentro dos parâmetros legais, acrescida da multa em função do não recolhimento, esta, também com percentuais previstos na lei. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 402 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli (relator) que dava parcial provimento para acatar uma área de utilização limitada de 24.160 hectares. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 1a Turma da DRJ/CGE, de 06 de novembro de 2009 (fls. 353/364), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, mantendo integralmente o crédito tributário no valor total de R$ 4.155,280,87, sendo R$ 1.845.397,20 a título de imposto suplementar, R$ 925.835,77 de juros de mora e R$ 1.384.047,90 de multa de ofício, que recaem sobre o imóvel rural denominado Gleba Raposo Tavares II, localizado no município de Paranaíta, comarca de Alta FlorestaMT. De acordo com o Auto de Infração lavrado em 20/11/2006 (fl. 03), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre dos seguintes fatos: a) divergência sobre a área total do imóvel, que foi declarada pelo contribuinte como sendo de 30.200,00 hectares, quando o apurado pela fiscalização são 40.200,00 hectares, e sobre esta área calculado o imposto que neste processo está sendo exigido, sem considerar a de utilização limitada, de 24.160,00 hectares que o contribuinte em função desta alegada destinação, excluiu da base de cálculo; b) o VTN também foi alterado para R$ 9.299.466,00, não aceitos como tal os R$ 362.400,00 considerados pelo autuado, o que resultou na apuração do imposto de R$ 1.859.893,20, restando a exigência suplementar de R$ 1.845.397,20, conforme demonstrativo de fl. 7. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 403 4 Com destaques, estão assim descritas as infrações no Auto de Infração: Área de Utilização Limitada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da Área declarada a titulo de utilização limitada no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E ALS L 9393/96 Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Complemento da Descricão dos Fatos: 1. Do procedimento fiscal: contribuinte, sendo intimado em 03/10/06, apresentou pedido de prorrogação de prazo em 18/09/06, sendo deferida uma prorrogação do atendimento da intimação para até o dia 23/10/06. Em 23/10/06, a contribuinte, através de seu procurador, Valter Stavarengo, CP:47469056904, apresenta termo onde solicita que se acate as informações contidas no esboço de DITR retificadora com diversas informações alteradas, e esboço, pois não foi transmitida aos sistemas da SRF. Declarações retificadoras não são aceitas, quando o contribuinte já se encontra em procedimento fiscal, por isso, não goza do beneficio da espontaneidade, sendo analisado apenas a DITR original. 2. Da Area Total do Imóvel:contribuinte informa que a Área total do imóvel no exercício de 2003 era de 3.988,9 ha, diferentemente do que ele próprio havia declarado em DITR e da Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 404 5 Área que consta na matricula, pois até a data limite para entrega da DITR aconteceram diversas alienações. Nas matriculas não há registros de alienações até a data de ocorrência do fato gerador, 01/01/2003, e conforme art.1245 da Lei 10.406/2002 (Código Civil), abaixo transcritos, a propriedade só é transferida pelo registro em cartório do titulo translativo: Ar. 1.245: Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do titulo translativo no Registro de Imóveis. § 1o Enquanto não se registrar o titulo translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel." Portanto, a área para fins de tributação do ITR continua sendo de 40.200,0 ha, conforme registrado em matriculas até a data de ocorrência do fato gerador, e não 30.200,0ha, como declarado em DITR. 3. Do Sujeito Passivo: Para o imóvel um condomínio de contribuintes, analisandose as matriculas de n°1197 e seus desmembramentos, mat. 15695, 15696, 15697, ficou caracterizada a existência dos seguintes condôminos e percentuais em 01/01/2003, considerandose a partilha do espólio de Sidney Sousa Pinto (ver R1 das mat. 15695, 15696 e 15697). a) CPF 513.038.09168, RENATE ANNA WELLMANN DA RIVA, 14,5%; b) CPF 202.135.308 72, MARILIA DA RIVA SOUSA PINTO, 16,66%; c) CPF 219.187.59804, VICENTE DA RIVA, 18,7%; d) CPF 063.193.75876, MARIA LUISA MANCINI DA RIVA, 14,5%; e) CPF 621.402.56115, LUDOVICO WELLMANN DA RIVA, 3,8%; f) CPF 851.802.54787, CRISTINE WELLMANN DA RIVA ARAUJO, 3,8 96; g) CPF 321.636.81149, ARIOSTO DA RIVA NETO, 3,81s; h) CPF 106.897.71835, ANELISE WELLMANN DA RIVA MARTINEZ, 3,8%; i) CPF 066.803.57810, KARIN WELLMANN DA RIVA DE ALMEIDA, 3,8%; j) j) CPF 105.025.358 22, CIBELE SOUSA PINTO, 8,33%; 1) CPF 090.446.16889, MONICA SOUSA PINTO, 8,33%. Sendo assim, o lançamento está sendo efetuado em nome dos condôminos; tendo como representante a contribuinte RENATE ANNA WELLMANN DA RIVA. Em anexo, os extratos dos contribuintes constantes dos cadastros da SRF onde são informados os seus respectivos endereços e demais dados Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 405 6 cadastrais. Uma cópia da Notificação de Lançamento com seus anexos será enviada a todos os contribuintes, por via postal. 4. Da Área de Utilização Limitada: nas matriculas do imóvel apresentadas não há averbação de reserva legal, conforme art. 10,* § lo, inciso II,letra a da Lei 9393/96, e art. 16, §20 da Lei 4771/65 (redação dada pelo art. lo da Lei 7803/89), em data anterior A do fato gerador do ITR, conforme art. 12 § lo do Decreto 4.382/02; além disso, não foi apresentado o comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6(seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. Contribuinte alega que, por conta da MP216667, de 2001, não estaria obrigado a apresentálo. A alegação do contribuinte, não possui base legal, uma vez que a Lei n° 6.938, de 1981, art. 170, § 1°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165, de 2000 encontrase em perfeita vigência e obrigando a apresentação de ADA para exclusão da base de cálculo do ITR. Esta Lei não colide com a regra inserida no art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393, de 1996, pela MP2.16667 de 2001, que determina unicamente a não comprovação prévia por parte do declarante na apuração do ITR quando da apresentação da declaração, mas não impede que essa comprovação, mediante o requerimento do ADA, seja exigida posteriormente b. apresentação da declaração do imposto sobre a propriedade territorial rural. Pelo exposto, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse titulo. (Enquadramento Legal: Lei n° 6.938, de 1981, art. 170, §1°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 10165, de 2000 e IN/SRF n° 60, de 2001, e IN/SRF 256, de 2002). 5. Valoração da Terra Nua: o laudo apresentado pelo contribuinte apresenta as seguintes inconsistências: 5.1. Os elementos da Amostra não estão corretamente identificados, não permite saber a localização precisa dos elementos em relação ao imóvel avaliando, não descreve as suas características físicas, como Nota Agronômica, para homogeneização dos elementos da amostra em relação ao avaliando. 5.2. Não foram apresentados os cálculos detalhados; 5.3. 0 autor do laudo chega A conclusão, através da média dos elementos da amostra, que o VTN/ha é de R$ 198,34, entretanto, apresentando alegações subjetivas, reduz esse valor para R$ 12,00 por hectare. As alegações não subsistem, pois, considerandose que os elementos da amostra foram homogeneizados e são semelhantes ao avaliando, nos valores da amostra já estariam considerados os fatores de localização e propriedade. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 406 7 Pelas inconsistências apresentadas em laudo, está sendo, conforme art. 14, § 1 0 da Lei 9393/96, substituído o VTN declarado pelo VTN do SIPT. Após intimada da lavratura do Auto de Infração, a Recorrente tempestivamente apresentou impugnação, assim Relatada na decisão: A interessada apresentou a impugnação de f. 221/247. Preliminarmente, alega ilegitimidade passiva, ao argumento de que o imóvel foi alienado a terceiros em data anterior à da ocorrência do fato gerador. Afirma que, para efeitos do ITR, não é necessária a transcrição na matricula imobiliária, pois a posse deve preponderar sobre a propriedade, para fins de identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Pugna pela nulidade do lançamento, que defende ser ilegal. Aduz que não há previsão legal que condicione a isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal A entrega do ADA ou A prévia averbação. Levanta também preliminares de inconstitucionalidade. Argumenta que as áreas de preservação permanente e de reserva legal são isentas pelo simples efeito da Lei (Código Florestal), não estando sujeitas A prévia comprovação ou a formalidades acessórias, consoante disposição da Medida Provisória n° 2.16667, que alterou o § 7° do art. 10 da Lei 9.393/96.Com relação ao valor da terra nua apurado, questiona a utilização do SIPT. Alega que o valor é irreal e superior ao valor de mercado. Requer que seja aceito o Laudo Técnico de Avaliação apresentado. Insurgese contra a multa aplicada, que afirma ser confiscatória. Solicita a realização de perícia. A decisão recorrida afastou as preliminares argüidas pelos Recorrentes, a partir da fl. 355, primeiro, sobre a solicitação de diligência, sob a alegação de que a mesma seria desnecessária, pois redundaria em provas que elas poderiam produzir através de outros meios, e que a ilegitimidade passiva também não ocorreu, uma vez que a exigência do imposto recai sobre o proprietário do imóvel rural, cuja titularidade só se transfere através de registro da escritura pública, e que este ocorreu em data posterior (19/04/2005) ao ano base em questão, não contendo o trabalho fiscal qualquer vício, pois foram assegurados os meios de defesa. Também afasta preliminar de inconstitucionalidade de diploma legal, sob o fundamente de falta de competência do órgão administrativo para esta declaração. Para as razões de mérito, fundamentou destacando que o trabalho fiscal foi desenvolvido com base na DITR do respectivo exercício, e que o art. 14 da lei 9.393/96 prevê a exigência do imposto com multa no caso de informações inexatas ou incorretas. O art. 61, par. 3o da lei 9.430/06, prevê a incidência de juros pela taxa SELIC, não competindo ao julgador administrativo afastála ou reduzila. Correta também a alteração de ofício efetuada pelo autuante, da área de imóvel, que foi considerada aquela constante na matrícula do imóvel. Ainda sobre o mérito, externou seu entendimento com relação à exigência do ADA e da prévia averbação da área destinada à reserva legal, ficando a decisão devidamente motivada. Sobre o VTN, atesta que o contribuinte foi devidamente intimado para comprovar elementos que comprovassem o valor por ele declarado, não o fazendo a contento, pois apresentou um laudo que não atende as normas da ABNT, e segundo o CREAMT, que o Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 407 8 profissional que o elaborou extrapolou a sua competência, razão pela qual, concluiu que o valor apurado pela fiscalização deveria ser mantido. Em grau de Recurso Voluntário, a partir da fl. 369, a exemplo dos termos da impugnação, os Recorrentes aduzem que: a) intitulado como preliminares, inicialmente, a impossibilidade de cobrança de ITR sobre áreas destinadas à Reserva Legal e de Preservação Permanente, por estar representada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, em Mandado de Segurança impetrado junto ao TRF da 1a Região, cuja decisão acolheu a tese de inexigibilidade de averbação das áreas destinadas à reserva legal e preservação permanente, para que as mesmas sejam excluídas da base de cálculo do imposto, citando precedentes outros do Poder Judiciário, inclusive, para a desnecessidade do ADA para exclusão destas áreas da base de cálculo do imposto; b) a decisão proferida é nula, pois com a afirmação feita pelo seu Relator de que os julgadores devem observância à norma e regulamentos, bem como ao entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários e aduaneiros, o que coloca a Turma de Julgamento na condição de defensores dos interesses da Receita Federal, tornando seus integrantes suspeitos, e que o Decreto n.o 70.235/72 não criou Turmas de Julgamento da Receita Federal e sim Turmas de Julgamento Administrativo de Questões Fiscais; c) o art. 53 da lei n.o 9.784/99, que disciplina o Processo Administrativo Federal, assim como a Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal determinam que a Administração deve anulas seus próprios atos quando eivados de vícios de legalidade; d) no que denomina de mérito, inicialmente, protesta pelo acolhimento da declaração retificadora da quantidade de hectares do imóvel, apresentada na ocasião da solicitação das informações, cuja avaliação ficou prejudicada, sob a alegação de perda da espontaneidade, em função do trabalho fiscal já ter se iniciado, exigindo com isso, imposto sobre uma área maior do que a devida; e) exigir imposto sobre a área destinada a reserva legal e preservação permanente, por falta de ADA ou averbação na matrícula do Registro de Imóveis, fere o princípio constitucional da legalidade, conforme precedentes do Poder Judiciário e que a mesma não consta da lei 9.393/96, figurando na IN SRF 43/97, sucedida por outras, portanto, a exigência não decorre de lei, e a sua Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 408 9 exclusão da base de cálculo dependeria de constatação feita pelo IBAMA ou SRF, de que estas áreas não existem; f) a taxa exigida para a expedição do ADA é inconstitucional, pois em função da natureza desta espécie de tributo, exigese a contrapartida de um serviço, que não é prestado pelo IBAMA, que é o de vistoriar e constatar a existência as áreas declaradas como de reserva legal e de preservação permanente; g) o VTN aplicado pela fiscalização, que foi ratificado pela decisão recorrida não levou em consideração os noticiários em jornais da época apresentados juntos com o Laudo Técnico, identificando o local da área, e que levaram o engenheiro a atribuir ínfimo o valor de mercado da região, inclusive, sendo objeto de inúmeros conflitos agrários, bem como, na época, sem acesso e a cabeceira da área com acidente geográfico (serra) onde existe muita pedra, tudo tornando de difícil exploração, e que a DRJ deixou expressa na decisão que nenhum laudo afastaria o VTN atribuído, quando assegurou que “A avaliação da terra nua, por parte da fiscalização, independe de elaboração de laudo ou contralaudo, visto que há disposição legal ... determinando a utilização dos valores coletados e organizados no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal, “, consistindo mais em relatório de acusação e não de análise, em detrimento ao seu direito; h) a decisão recorrida guerreou a alegação do confisco somente com relação a multa, e na verdade ela foi feita em função da multa e do imposto, pois o valor da exigência corresponde ao valor da propriedade, contrariando assim o inciso IV do art. 150 da CF e o valor tão exorbitante decorre da inclusão da área da reserva legal e de preservação permanente na tributável; i) todo o relatório constante da decisão proferida reportase ao princípio da legalidade para não acatar as alegações das Recorrentes, mas de forma estranha, insiste na aplicação do decreto 4.382/2002 – Regulamento do ITR, para convalidar as exigências, de data posterior à tributação, portanto, impor a sua observância ofende ao princípio da anterioridade, o que torna questionável e passível de nulidade o procedimento fiscal; j) a decisão também merece reforma em função da utilização do valor constante no SIPT Sistema de Preços de Terras utilizado pela fiscalização, em detrimento do Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 409 10 Laudo de Avaliação e do Laudo de Caracterização do imóvel apresentado, elaborado por profissional técnico, com ART do CREA e respeitando a norma técnica da ABNT, e que o relator, colocado sob suspeita, ora fala em preço apurado com base em informações da Secretaria de Agricultura Estadual e Municipal, e noutra, em preços médios das declarações do ITR do município, e ainda, que os valores da SIPT fere os princípios da publicidade, do contraditório, legalidade e anterioridade, pois como afirmou o relator, constitui “comunicado interno”, com preços adstritos apenas aos servidores do setor de auditoria da Receita Federal; k) foram tributadas áreas já vendidas e informadas na defesa, com fornecimento de CPF e NIRF dos proprietários, sendo que o Relator constatou que houve recolhimento do ITR por alguns deles, detentores da posse. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O Recurso Voluntário é apresentado tempestivamente e está assinado por procurador com instrumento de mandato incluso aos autos, dele conhecendo. Inicialmente cabe apreciar as questões que os Recorrentes apresentam na peça de defesa como preliminares às de mérito, partindo da alegada impossibilidade de cobrança de ITR com a lavratura do lançamento, sobre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, em função do Mandado de Segurança impetrado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso. É atribuição do fisco a constituição do crédito tributário, independentemente da questão estar sendo objeto de apreciação pelo Poder Judiciário, que efetivamente tem a competência final para apreciar a procedência ou não do lançamento, mas esta realidade não afasta o dever da sua lavratura, até mesmo, para evitar a eventual decadência do seu dever de constituílo. No caso, a Recorrente afirma estar representada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, mas não noticia o transito em julgado da decisão proferida pelo TRF da 1a Região, portanto, não podendo obstar a constituição do crédito tributário. Sobre a suspeição que lança sobre o Relator da decisão recorrida, também não merece ser acolhida, pois a atribuição de julgar em primeira instância administrativa, tal como são conferidas às Turmas das DRJs, também decorrem da legislação fiscal, e estão em Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 410 11 consonância com o art. 27 do decreto n.o 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, e a decisão proferida está devidamente motivada, facultando assim, o direito ao devido processo legal, e o contraditório está sendo exercido, não vislumbrando na decisão recorrida qualquer afirmação que justifique colocar sob suspeita o seu Relator, cujo entendimento foi por unanimidade acolhido pelos seus pares. Portanto, nenhum vício que justifique a nulidade da decisão proferida. Passando para análise das questões que os Recorrentes denominaram como sendo de mérito, na ordem apresentada na peça recursal, está destacada a possibilidade de retificação da área total do imóvel, decorrente de vendas não observadas quando do preenchimento da DITR, e que não foi aceita pelo autuante e mantida na decisão recorrida, sob a alegação de que a mesma ocorreu após iniciado o procedimento fiscal, com perda da espontaneidade para a retificação desejada através de declaração substitutiva. Na impugnação, reiterando protestos em peças anteriores, os Recorrentes insurgemse novamente quanto à área total do imóvel, sendo que com base em dados extraídos da matrícula do Registro de Imóveis n.o 1.197 e desdobramentos que constituíram o condomínio (fl. 139), o agente autuante considerou 40.200 hectares, conforme demonstrativo de fl. 7, e quando do atendimento às solicitações da fiscalização, em expediente objeto da fl. 37, informa os Recorrentes que a pessoa encarregada de prestar as informações, erroneamente, fez constar na DITR 2003, como área total, 30.200 hectares (fl. 20), sendo que o correto, seria 26.725,4 hectares, tal como consta em DITR retificadora que pretendeu apresentar, mas não foi aceita, sob a alegação de ser extemporânea e já ter se iniciado o trabalho fiscal. A área de 26.725,4 também consta no laudo apresentado, objeto da fl. 74. Com efeito, não obstante as referências a vendas realizadas, com os compradores identificados pelas inscrições no CPF e áreas respectivas, que deduzidas da área de 40.200, hectares constante na matrícula e na qual se baseou o autuante, chegase à área de 26.725.4 hectares, que após iniciado o trabalho fiscal alegam os Recorrentes compor corretamente o total do imóvel, os Recorrentes não apresentaram, em nenhuma das oportunidades de defesa neste processo, qualquer documento, de escritura pública ou mesmo contrato particular que evidenciassem a transferência da propriedade ou mesmo da posse, razão pela qual, pela ausência de provas que poderiam ser produzidas sem exigir muito esforço dos Recorrentes, entendo que a área total a ser considerada é de 40.200,00 hectares, tal como consta no trabalho fiscal, que por outras considerações, foi mantida pela decisão recorrida. Assim, entendo que o não acolhimento das alegações dos Recorrentes no tocante à retificação da área total do imóvel para menor do que apurado pela fiscalização, prendese pela falta de provas de que as transferências, no mínimo da posse, ocorreram antes do fato gerador do imposto que está sendo exigido, e não, pelo não acolhimento da DITR retificadora. Corrobora ainda a assertiva do trabalho fiscal, o fato da averbação de n.o 9, efetuada na matrícula n.o 1.197 (fl. 141), constar que a pedido dos proprietários, em 22/04/2003, foi efetuado desdobramento da área em 6 matrículas, sem qualquer alteração do total dela, que permaneceu de 40.200,00 hectares. Oportuno destacar aqui, que o imposto exigido referese ao ano de 2.003, quando o fato gerador ocorreu no dia 1o daquele ano. Uma das matrículas originárias da n.o 1.197, de n.o 15.695 (fl. 145), com área de 10.000 hectares, somente em 02 de fevereiro de 2.004 dá conta, através da averbação de n.o 4, que esta área foi vendida aos Srs. José Vital Lembrance, Laudecyr Fuzari Júnior e Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 411 12 Hygino Hildebrando Pitelli Junior, sendo aos dois primeiros, uma área de 4.840 hectares, e ao último, 5.160,00 hectares. O mesmo ocorreu com a matrícula n.o 15.697, outra decorrente da n.o 1.197, com área de 7.000 hectares, quando venda de partes dela começaram a ocorrer a partir de 10 de agosto de 2.004, conforme averbação n.o 2, nela constante à fl. 160. Portanto, considerando que o fato gerador do imposto em questão, por tratar se do ano de 2.003 ocorreu no dia primeiro daquele ano, não há razão para qualquer reparo na decisão recorrida ou lançamento com relação à área total do imóvel no momento da incidência. No tocante à exclusão da base de cálculo das áreas de utilização limitada e de preservação permanente, conforme tenho externado entendimento em casos como este, compartilho daqueles que votam pela inexigibilidade da averbação na matrícula do Registro de Imóvel da área destinada à reserva legal, bem como, da condicionante à apresentação do ADA para a exclusão destas áreas daquela tributável. Com efeito, a letra “a” do inciso II do art. 10 da lei 9.393/96, que dispõe sobre a cobrança do ITR, exclui da base de cálculo do imposto, sem condicionantes, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, e a letra “d”, as áreas sob regime de servidão florestal, não podendo diploma legal que trate de outra matéria, ou menos ainda, diploma de inferior escalão criar condições ou condicionantes para este benefício, como ocorre com a criação do ADA. Também não compartilho da inversão do ônus da prova, pois o par. 7o do art. 10 da lei 9.393/96 atribui ao fisco a comprovação da incorreção ou inexistência das áreas de preservação permanente e reserva legal declaradas na DITR, que por força da MP 2166 67/2001, passou o lançamento para a modalidade de homologação. A este respeito, muitos são os precedentes do STJ, como este que exemplificativamente, abaixo é destacado: REsp 969091 /SC RECURSO ESPECIAL2007/01647955 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador 1A PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 15/06/2010 Data da Publicação/Fonte DJ 01/07/2010 Ementa Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 412 13 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. LEI N.º 9.393/96. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. 1. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, porisso que ilegítimo o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis. (Precedentes: REsp 998.727/TO, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/04/2010, DJe 16/04/2010; REsp 1060886/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2009, DJe 18/12/2009; REsp 665.123/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/12/2006, DJ 05/02/2007) 2. O ITR é tributo sujeito à homologação, porquanto o § 7º, do art. 10, daquele diploma normativo dispõe que: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) 3. A isenção não pode ser conjurada por força de interpretação ou integração analógica, máxime quando a lei tributária especial reafirmou o benefício através da Lei n.º 11.428/2006, Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 413 14 reiterando a exclusão da área de reserva legal de incidência da exação (art. 10, II, "a" e IV, "b"), verbis: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelocontribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; V área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; 4. A imposição fiscal obedece ao princípio da legalidade estrita, impondo ao julgador, na apreciação da lide, aterse aos critérios estabelecidos em lei. 5. Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que, litteris: "Assim, entendo que deve ser promovida a subtração da área de reserva legal. Embora não houvesse a averbação da área demarcada como reserva legal na época do fato gerador (1998), o que só ocorreu em 2002, entendo que deve haver a subtração de 20% da área do imóvel. Devese considerar como área de reserva apenas o limite mínimo de 20% estabelecido pelo art. 16 da Lei nº 4771/65, e é o caso dos autos. Mesmo enquanto não averbada, havia a proteção legal sobre o mínimo de 20% da área rural. Convém lembrar que a imposição fiscal obedece ao princípio da legalidade estrita, o que impõe ao julgador na apreciação da lide aterse aos critérios estabelecidos em lei e ao conteúdo da prova produzida, quando existente. Se é verdadeira a assertiva de que a "Administração Pública" não pode ir contra fato que ela mesmo deu origem, também o é que o juiz não está adstrito às alegações das partes, devendo aplicar, em matéria tributária, as disposições legais pertinentes. No que tange ao imposto referente ao exercício de 1998, à época já se encontrava em vigor a Lei nº 9.393/96, que, inovando o regramento legal até então existente, promoveu alteração significativa na sistemática de lançamento do ITR abandonou o Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 414 15 lançamento de ofício (art. 6º da Lei nº 8847/94) para adotar o lançamento por homologação (art. 10 da Lei 9393/96). Mero ato administrativo de averbação não pode ilidir a prova material da existência da área de reserva legal, consubstanciada em ato de vistoria e/ou prova pericial, esta rejeitada de plano." 6. Os embargos de declaração que enfrentam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 7. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial a que se nega provimento. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Benedito Gonçalves (Presidente) e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator. Quanto à apresentação do ADA, também há inúmeros precedentes, merecendo apenas para destaque, parte da ementa do RE 1261964 GO, julgado em 17/11/2011, que teve como Relator o Ministro Mauro Campbell Marques, da Segunda Turma, que destacamos: Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA ADA. 3. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que não é necessária a exigência prevista na Instrução Normativa – SRF 73/2000, quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental – ADA do IBAMA, para a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Precedentes: REsp 1125632/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/08/2009, Dje 31/08/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007, p. 296; REsp 665123/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/12/2006, DJ 05/02/2007, p. 202; REsp 587429/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/06/2004, DJ 02/08/2004, p. 323. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 415 16 Assim, comungando deste entendimento, voto pela exclusão da base de cálculo do ITR das áreas declaradas de utilização limitada, assim como, pela inexigibilidade do ADA para que os Recorrentes usufruam deste benefício. Destarte, estabelecida a área total do imóvel, tal como consta no trabalho fiscal, dela deverá ser excluída da tributável as de utilização limitada, no caso, 24.160,00 hectares, que é a constante da DITR (fl. 22) por eles apresentada referente ao período base 2.003. Necessário agora apreciar a questão do VTN, uma vez que o valor declarado pelos Recorrentes foi rejeitado e sobre a área tributável aplicado valor constante na SIPT, que de acordo com o demonstrativo de fl. 7, pelo autuante foi atribuído ao hectare o valor de R$ 231,33, refutando o declarado pelos Recorrentes, de R$ 12,00 apenas. Os valores constantes do SIPT encontram sua validade em diploma legal, não obstante, são de presunção relativa, passível de contestação pelos contribuintes, e no entender deste Relator, não necessariamente através de laudo elaborado por engenheiro, nos termos da Norma ABNT, podendo ser afastada através de qualquer outro meio de prova obtido licitamente, de que a SIPT não corresponde com a realidade da área discutida, mas necessariamente, através de documentos efetivamente convincentes. Ocorre, neste particular, que no laudo apresentado pelos Recorrentes, à fl. 113, o profissional por eles contratado para elaborálo apresenta o preço médio para a região o valor de R$ 160,18 o hectare, para em seguida, no que denomina de Intervalo de Confiança, o menor valor de R$ 112,13 e como sendo o maior, R$ 208,24, para concluir em seguida que devido a conflitos agrários na região e distancia da capital CuiabáMT, com difícil acesso ou mesmo intransitável em determinados períodos do ano, o valor do hectare seria de R$ 12,00, tal como declarado pelos Recorrentes. Ocorre, que os autuados Recorrentes não apresentaram um único documento que comprovasse a existência de ação possessória para que evidenciasse que suas áreas eram objeto de medida judicial desta natureza, ou que apresentasse qualquer outra peculiaridade que a diferenciasse das demais referidas no laudo, para as quais foram atribuídos valores bem superiores. Por esta razão, não acolho os argumentos e voto pela manutenção do VTN atribuído pelo agente autuante, pois os noticiários de jornais acostados, sobre as contingências causadas pela chuva na região, não permitem afirmar que as mesmas são permanentes ou circunstanciais. Sobre o profissional que emitiu o laudo apresentado pelos Recorrentes, em resposta a Ofício expedido pela Receita Federal (fl. 192), o CREAMT, através de Câmara Especializada de Agricultura, informa que o mesmo teria extrapolado à sua habilitação técnica, dando a entender que estaria inscrito na qualidade de técnico em agropecuária, constituindo penalidade ainda mais grave, a utilização do título de Engenheiro Agrimensor. Não obstante, como tenho me posicionado contrário à padronização de um único meio de prova para estas questões, e dele nada extrair para o entendimento proferido, considerando oportuno apenas destacar este fato para conhecimento dos meus pares, deixando a questão apenas para aquela autarquia de profissionais. Sobre a alegação dos Recorrentes de que o lançamento fiscal não obedeceu ao princípio constitucional que veda a utilização da cobrança do imposto como confisco, a Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 416 17 mesma também não pode prosperar, quer com relação ao imposto, ou mesmo, com relação à multa, uma vez que ambos decorrem de lei, e dentro das suas disposições foram aplicadas. Quanto às citações na decisão recorrida, que externou o seu vínculo à legislação, nela incluindo menções ao decreto n.o 4.382/2002 que regulamenta o ITR, não poderia ser diferente, pois seu ato está vinculado a este princípio constitucional, o que não impede que as citações sejam contestadas através da peça recursal, tal como está sendo exercida neste ato. Pelas razões acima expostas, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso, para excluir da base de cálculo do imposto, a área de 24.160 hectares, constante na DITR como de utilização limitada. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Voto Vencedor A controvérsia centrase na necessidade, ou não, da apresentação do ADA como condição para fruição de redução no cálculo do ITR a pagar em área de reserva legal, bem como na necessidade de sua averbação cartorária. Especificamente, a reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1º, § 2º, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que deve ser afetada à reserva legal, nas diversas regiões do país, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel (art. 16, § 8º, do Código Florestal). Inicialmente, farseá um breve apanhado jurisprudencial sobre a necessidade, ou não, da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Primeiramente, apreciase a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Começase pelo REsp 1.125.632/PR, da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, onde há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 417 18 DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. O art. 2º do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (grifouse) Acima se exigiu a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel como condição para fruição da redução do ITR. Porém, a mesma Primeira Turma do STJ julgou o Resp nº 1.060.886/PR, na sessão de 1º/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel ou a averbação a destempo, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto com o REsp 1.125.632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do benefício no âmbito do ITR, ressaltando que a decisão de dezembro de 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, vejase o excerto da ementa do Resp nº 1.060.886/PR, verbis: Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 418 19 Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área". Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do STJ sobre a presente controvérsia, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrará. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR até março de 2009, era oscilante no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao ITRexercício 2001, em decisões prolatadas no ano de 2008, trazendo também algumas informações sobre a exigência de ADA, já que, em regra, debatese a exigência do ADA e da averbação cartorária para deferimento da fruição da benesse tributária no tocante à área de reserva legal: 1. exigência de averbação da área de reserva legal somente a partir do Decreto nº 4.382/2002 (Regulamento do ITR) – Acórdão nº 301 34459, sessão de 20/05/2008, unânime; 2. área de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material – Acórdão nº 30134475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão nº 30239586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 39100031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de área de preservação permanente); 3. Ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si só, não afasta a benesse legal – Acórdão nº 30335421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 30335734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 4. área de reserva legal averbada e ADA extemporâneo reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão nº 30134632, sessão de 10/08/2008, unânime; 5. área de reserva legal averbada extemporaneamente reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134788, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 419 20 6. comprovação da área de utilização limitada (reserva legal) a depender do ADA e da averbação cartorária tempestivos – Acórdão nº 302 39244, sessão de 29/01/2008, por maioria; Acórdão nº 30239866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 39300083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima sobre a averbação da área de reserva legal, temse: • averbação após a publicação do Decreto nº 4.382/2002 (1ª Câmara); reconhecimento da área por laudos técnicos (1ª, 2ª, 3ª Câmaras e 3ª TE); averbação cartorária e ADA intempestivo (1ª Câmara); averbação cartorária intempestiva (1ª Câmara); averbação e ADA tempestivos (2ª, 3ª e 3ª TE); Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada no tocante à averbação cartorária para a área de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras ordinárias com reconhecimento da área de reserva legal a partir de laudos técnicos), sendo certo que as posições mais formais, com exigência do ADA e da averbação tempestivos para a área de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 6, acima), a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer críticas à jurisprudência do Terceiro Conselhos de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante a averbação cartorária da reserva legal para reconhecimento dos benefícios isentivos no âmbito do ITR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessa controvérsia, como se viu acima, com a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando decisões divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva à posição pretérita. Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passase a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente à averbação da área de reserva legal. Da área tributável para fins do ITR se excluem as áreas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1º, II, “a” a “f”, da Lei nº 9.393/96. Claramente vêse que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. O nó górdio é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma área seja considerada de reserva legal para fins de fruição da isenção no âmbito do ITR. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 420 21 Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área aproveitável da propriedade (área tributável menos a área de benfeitorias), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, pareceme claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas áreas de utilização limitada, ou seja, caso as áreas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastarseia a isenção legal. De outra banda, existindo tais áreas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal. Entretanto, para a fruição da isenção, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias áreas ambientalmente protegidas). Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, para isenção do IRPF, não basta o contribuinte portar alguma das moléstias constantes no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, mas deve comproválas mediante um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95. Nessa mesma linha, o art. 4º, V, da Lei nº 8.661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI pode ter um crédito de 50% do IRRF incidente sobre as remessas para o exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferência de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbálo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), para fruição do benefício legal. Agora, passase a verificar a existência de requisitos formais para fruição do benefício no âmbito do ITR para a área de reserva legal. Em relação à área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I Omissis; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei nº 4.771/65 definemse os percentuais de cobertura florestal a título de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, Fl. 420DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 421 22 sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do benefício no âmbito do ITR, já que a Lei nº 9.393/96 assevera a exclusão da área de reserva legal, porém remetendoa ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da área de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei nº 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto nº 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 – MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI Nº 4.771/65. MATRÍCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE. I A questão controvertida referese à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matrícula do imóvel. II "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam à conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS nº 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matrícula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV Recurso Especial provido. (grifouse) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis nºs 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 422 23 preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica.. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o benefício tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei nº 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, pareceme que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima está alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho1: Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinamse mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tãosó a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma figura impositiva, sendo apenas lícito verificar que, por vezes, um predomina sobre o outro. No dizer de José Marcos Domingues Oliveira2 (1999, p. 37) a “Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captação de dinheiro para o Erário, tais como a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do desenvolvimento regional ou setorial etc.”, sendo certo que é do conhecimento geral que o ITR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agrária e gravando de forma mais vertical os latifúndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64) e com as alterações perpetradas pela Lei nº 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei nº 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei nº 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das áreas de interesse ambiental, já que tais áreas não compõem as áreas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio área total do imóvel/grau de utilização. Apenas para se ter uma idéia da irrelevância do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do ITR atingiu a mísera quantia de 480 milhões reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado3, isso no país que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes áreas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundária. 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário – Linguagem e Método. 2ª ed., São Paulo: Noeses, p. 241. 2 OLIVEIRA, José Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente: proporcionalidade, tipicidade aberta, afetação de receita. 2ª ed. (rev. e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 37. 3 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/arre/2009/Analisemensaldez09.pdf. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 423 24 De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: • imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; • progressividade das alíquotas, como se vê no anexo da Lei nº 9.393/96, no qual uma propriedade com o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a alíquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; • tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; • exclusão da área de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (áreas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente. Em um cenário dessa natureza, devese privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do ITR e, dentre esses, avulta a relevância das áreas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da área de reserva legal é um importante requisito para a conservação da área protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do ITR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei nº 9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, obrigação propter rem, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insistese que afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 424 25 ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Devese, porém, definir um termo final de quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar o início do procedimento fiscal para fazêla, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a quantidade de imóveis de um país continental como o Brasil é imensa, não sendo razoável imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país. Dessa forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir das benesses tributárias. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. O entendimento acima, no tocante à necessidade de averbação cartorária da área de reserva legal, já foi adotado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, como se viu no Acórdão nº 920201.639, sessão de 25 de julho de 2011, redator do voto vencedor este Conselheiro relator, por maioria, que restou assim ementado (excerto): (...) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto fundamentalmente de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Agora, passase a apreciar a necessidade do ADA para fruição do benefício tributário. Essa questão não oferece qualquer dúvida, já que o art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória) é expresso quanto à exigência do ADA para fruição de benefício no âmbito do ITR, com Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720161/200670 Acórdão n.º 2102001.803 S2C1T2 Fl. 425 26 vigência em relação aos exercícios posteriores a 2001, e não se compreende como o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 (na redação dada pela MP nº 2.16667/2001), que versa sobre aspectos homologatórios da declaração das áreas de utilização limitada, poderia ter revogado tacitamente o art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, como aqui se discutiu anteriormente. Mais uma vez, entretanto, como a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja prova outras da existência das áreas de preservação permanente e utilização limitada. Explanada a posição deste relator sobre as controvérsias referentes ao ADA para as áreas de utilização limitada e de preservação permanente e sobre a averbação cartorária da área de reserva legal, passase a apreciar o caso concreto aqui em discussão. Nestes autos, não foi apresentado o ADA nem a averbação cartorária para a área de utilização limitada (reserva legal), sendo de rigor manter a área de 24.160 hectares sob incidência do ITR, negando provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002720/2002-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração representam recurso de natureza excepcional, com limites expressos nos artigos 65 e 66 do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ou seja, têm cabimento em casos de obscuridade, de omissão ou de contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou, ainda, quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma, além dos casos de inexatidões materiais, não se
prestando, contudo, a rediscutir matéria já julgada.
No caso, a matéria em discussão, objeto do auto de infração, está relacionada, unicamente, à glosa de área de reserva legal em razão da ausência de averbação h. margem da matricula do imóvel à época da ocorrência do fato gerador, sendo que no acórdão embargado se analisou, indevidamente, a questão do ADA para Área de preservação permanente.
Embargos da Fazenda Nacional acolhidos.
Numero da decisão: 9202-001.007
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão n° 9202-00.543, de 10/0.3/2010, para dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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No caso, a matéria em discussão, objeto do auto de infração, está relacionada, unicamente, à glosa de area de reserva legal em razão da ausência de averbação h. margem da matricula do imóvel ir época da ocorrência do fato gerador, sendo que no acórdão embargado se analisou, indevidamente, a questão do ADA para Area de preservação permanente. Embargos da Fazenda Nacional acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão n° 9202-00.543, de 10/0.3/2010, para dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Processo n0 13971.002720/2002-44 Acórdão ri O 9202-0L007 Fl 2 Carlos Albe reitas Barr o - Presidente 41" 001,1 Gonçalo Afkilage - Relator EDITADO EM: 22 SET 2010 Participar am, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Fr citas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior ., Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magallides de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face do acórdão n° 9202-00.543, de 10/03/2010, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração As fls. 200-205, onde alegou, em apertada síntese, que tal decisão contém obscuridade, pois apreciou matéria estranha (Area de preservação permanente e ADA) àquela veiculada no presente feito (averbação tempestiva na matricula do imóvel no Cartório de Registro competente da Area de utilização limitada/reserva legal). Corn este argumento, requereu o saneamento do vicio apontado, com a exclusão do julgado da matéria relativa à Area da preservação permanente e ao ADA, que é estranha aos autos, de modo que o provimento do MUMS() deve ser integral e não apenas em parte, conforme ocorreu. o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Ressalto, inicialmente, que os embargos de declaração foram opostos tempestivamente, motivo pelo qual entendo que devem ser conhecidos, de modo que a matéria nele ventilada merece apreciação pelos membros desta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Pois bem, a ementa da decisão recorrida é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Prop,. iedade Territorial Rural - IT!? Exer cicio: 1998 Processo n° 13971,002720/2002-44 CSRF-T2 Acórcitio n ° 9202-01.007 Fl. 3 ÁREA DE RESERVA LEGAL. A VERBAÇÃO NO REGISTRO DE 1.11/16 VEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbado junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do ,fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.. 1TR - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, De acordo coin o Enunciado de Súmula CARP n° 41 "A mio apresentação do Ato Declaratório Anzbiental (ADA) emitido pelo ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". Tal posicionamento deve ser observado por este julgada; conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como resultado do julgamento está anotado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para restabelecer a tributação referente 4 área de Reserva Legal e, por unanimidade de votos, man ter a decisão recorrida em relação 4 área de preservação permanente.. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Rogério de Lellis Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. A Conselheira Susy Games Hoffinann votou pelas conclusões, que apresentará declaração de voto. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor." Não se pode olvidar que os embargos de declaração representam recurso de natureza excepcional, com limites expressos no artigo 65 do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARE, ou seja, têm cabimento em casos de obscuridade, de omissão ou de contradição entre a decisão e os seus fundamentos on, ainda, quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma, não se prestando, contudo, a rediscutir matéria já julgada. Trago à colação as seguintes passagens do relatório do acórdão embargado (fls. 190 e 190-v): Em face de Horst Gerhard Purnhagen foi lavrado o auto de infração de .fis 19-27, pare a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rum-al, exercício 1998, em razão da glosa de área declarada como sendo de utilização limitada, pela ausência de averbação a margem da matricula do imóvel a época da ocorrência do fato gerador. ) Intimada do acórdão em 09/10/2006 ('fis. 141), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo .5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais c 0 então vigente, recurso especial as ils_ 143- 1.57, acompanhado 3 Proccsso n" 13971.002720/2002-44 CSRF-12 Acárdiin n 9202-01..007 Fl 4 dos documentos de lis 158-164, cujas razães podem se' sintetizadas - d) A IN/SRI ,' n° 43/97, com redação do artigo I°, inciso II, da IN/SRF n° 67/97, ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Páblico, através do ADA, fitou condição paraffin de não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização Portanto, o lançamento decorre, unicamente, da glosa de area de reserva legal, em razão da ausência de averbação à margem da matricula do imóvel à época da ocorrência do fato gerador, sendo apenas esta a matéria em litígio, embora no recurso especial a Fazenda Nacional tenha se insurgido, também, com relação ao ADA e à area de preservação permanente. Deste modo, assiste razão à embargante, pois inexiste controvérsia sobre area de preservação permanente e sobre ADA, ou seja, merecem acolhimento os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. Diante do exposto, voto no sentido de ACOLFIER os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão n° 9202-00.543, de 10 de março de 2010, corn alteração do resultado do julgamento, pois o recurso especial da Fazenda Nacional deve ser provido, por maioria de votos, para se considerar procedente o lançamento, com o restabelecimento da tributação sobre a area de reserva legal glosada, 4
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008318/2003-87
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: MULTA QUALIFICADA - Sendo o fato “auferir receitas” indicador de
possível ocorrência do fato gerador de IRPJ, a conduta reiterada de, por cinco anos consecutivos o contribuinte deixar de informar à Receita Federal que auferiu receitas, quando seus livros fiscais estaduais demonstram que ele as auferia e conhecia seu valor, denota a intenção de subtrair (ou retardar) o conhecimento, pela autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador, tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 9101-001.319
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, Por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a multa qualificada referente aos anos calendário relativos a 1999 a 2003.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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MULTA QUALIFICADA Sendo o fato “auferir receitas” indicador de possível ocorrência do fato gerador de IRPJ, a conduta reiterada de, por cinco anos consecutivos o contribuinte deixar de informar à Receita Federal que auferiu receitas, quando seus livros fiscais estaduais demonstram que ele as auferia e conhecia seu valor, denota a intenção de subtrair (ou retardar) o conhecimento, pela autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador, tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a multa qualificada referente aos anos calendário relativos a 1999 a 2003. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 2 Relatório Cuidase de recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão n° 10808.545, sessão de 09/11/2005, por meio do qual a oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindoa de 150% para 75% e, por conseqüência, acolheu a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte em relação aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 1998 (a primeira instância reconhecera a decadência até setembro de 1998). Alega a Procuradoria da Fazenda Nacional que o entendimento da Oitava Câmara diverge do manifestado por outros colegiados, apresentando como paradigmas os Acórdãos 10514.210, de 10/12/2003, e 20216.243, de 12/04/2005. Para exame de admissibilidade foi feito o confronto com o primeiro dos acórdãos acima referidos, cuja ementa expressa: Ac. Nº10514.210, de 2003. "IRPJ — PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ARBITRAMENTO DOS LUCROS OMISSÃO DE RECEITA MULTA QUALIFICADA A falta de escrituração contábil ou de manutenção do livro Caixa, por parte de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, constitui hipótese de arbitramento de lucros, o qual tomará por base a receita bruta conhecida. Não logrando o contribuinte justificar as diferenças a menor entre os valores da receita bruta declarada e os informados ao Fisco Estadual, é legítimo o arrolamento, para fins de arbitramento dos lucros, dos valores constantes das Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA 's) entregues à Administração Fazendária. Aplicase, no lançamento de oficio, a multa prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, sobre os fatos descritos no auto de infração que se ajustam à hipótese nele preconizada". Constatada a divergência de interpretações, o Presidente da Oitava Câmara deu seguimento ao recurso. É o relatório. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.008318/200387 Acórdão n.º 9101001.319 CSRFT1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os requisitos que o legitimam. Dele conheço. Conforme se depreende dos autos, pretende a Fazenda Nacional que seja reformado o acórdão recorrido, no que respeita à desqualificação da multa, com conseqüência na decadência referente ao 4º trimestre de 1998. A qualificação da multa está prevista no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, nos seguintes termos: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Portanto, o que justifica a duplicação da multa é a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, conforme definem os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/94, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 4 Da redação desses dispositivos percebese que a qualificação da multa está diretamente ligada à conduta dolosa do contribuinte. Portanto, para decidir sobre a qualificação, é imperioso analisar a conduta do contribuinte. O voto condutor do acórdão guerreado assim apreciou a questão: “Pelos procedimentos adotados e relatados pelo fisco, vemos que o fato determinante da qualificação da multa de ofício em 150%, referiuse a ausência de apresentação das DIPJ dos Exercícios 2000 a 2004 e, como também, das DCTF dos anos 1998 a 2003, tendo sido entregue apenas a DIPJ 1999/1998. O entendimento exarado às folhas 462 do acórdão recorrido para a manutenção da multa de ofício qualificada foi de que o sujeito passivo não apresentou qualquer razão para o fato de não ter apresentado as declarações exigidas pelo Fisco Federal, nem tampouco para as divergências entre os valores declarados e aqueles na escrituração dos livros de apuração do ICMS. Ambos os entendimentos, do fisco e da autoridade "a quo", não podem prevalecer, devendo ser apenas aplicada a multa de ofício em 75%, senão vejamos. A simples ausência de cumprimento de obrigações acessórias – o fato de não entregar declarações não pode ser considerado elemento para se caracterizar do evidente intuito de fraude. Caracteriza sim, infração à legislação tributária, sujeito a cominação de multas isoladas, como definido nas normas instituídas. Ademais, tendo o contribuinte entregue a DIPJ 1999 do ano calendário 1998, doc. fls.36/45, como informou o auditor fiscal em seu relatório, inaplicável seria a multa de ofício qualificada neste mesmo ano calendário. Mesmo que o fiscalizado apresentasse quaisquer razões para o fato de não ter apresentados as Declarações DIPJ e DCTF, ou justificado as divergências de valores apurados pelo procedimento de ofício, a ele seria imputada a multa de ofício. Portanto, considero como incorreta as conclusões da autoridade recorrida em seu voto na parte da imposição da multa qualificada. Não se pode estabelecer diferenças entre os valores da base de cálculo da Contribuição Social pela DIPJ 1999/98, cuja forma de apuração foi de fato pelo Lucro Real Anual, com os aqueles valores objeto de lançamento por arbitramento trimestral. A aplicação de multa qualificada depende de prova inequívoca de fraude e de dolo da contribuinte, o que não se vê nos autos. Ao contrário, o agente fiscal efetivou o lançamento de ofício com base em documentos entregues pela contribuinte (declarações prestadas ao fisco estadual e livro de apuração do ICMS). Temse que, a não prestação de declarações ao fisco federal, ou, a prestação de declarações incorretas ou a menor, por si só, não servem como prova da intenção de fraude e do dolo da contribuinte, que devem ser devidamente comprovados para a aplicação desta multa majorada. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.008318/200387 Acórdão n.º 9101001.319 CSRFT1 Fl. 3 5 Não há que ser aplicada a multa na forma qualificada se não estão presentes nos autos as provas da fraude e do dolo da contribuinte.” É inegável, como assentou o voto condutor, que a simples ausência de cumprimento de obrigações acessórias (o fato de não entregar declarações), não pode ser considerado elemento caracterizador do evidente intuito de fraude. Contudo, essa verdade não é suficiente para afastar a qualificação, pois não foi com base apenas nessa omissão que o fisco concluiu pela caracterização do dolo. A apresentação de declaração é obrigação acessória, instituída pela legislação no interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos, e o fato de o contribuinte deixar de prestar as declarações ou prestálas de forma inexata não é suficiente para caracterizar o dolo previsto nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, ensejadores da qualificação da multa. Todavia, no presente caso, a conduta do contribuinte não está representada pela simples falta de cumprimento de obrigação acessória, estando aliada a não manutenção de escrituração contábil nos termos da lei e à constatação de informações ao Fisco estadual de significativos valores de receitas. Por cinco anos consecutivos o contribuinte deixou de informar à Receita Federal que auferiu receitas, quando seus livros fiscais estaduais demonstram que ele as auferia e conhecia seu valor. Sendo o fato “auferir receitas” indicador de possível ocorrência do fato gerador do imposto de renda e de ocorrência do fato gerador de contribuições que têm por base o faturamento, a conduta reiterada de omitir a informação denota a intenção de subtrair (ou retardar) o conhecimento, pela autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador, tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502/64. A consistência/reiteração da conduta, no caso, é elemento relevante para que se diferencie o simples erro da intenção de subtrair fatos ao conhecimento do fisco. Ao meu sentir, equivocouse, portanto, a Oitava Câmara ao considerar não caracterizada a intenção dolosa do contribuinte, justificativa da imposição da multa de 150%. Contudo, para o anocalendário de 1998, em que foi apresentada a DIPJ, considero inaplicável a penalidade exacerbada. As informações foram prestadas e, não obstante não se encontre anexada aos autos a DIPJ completa, a partir da cópia de sua Ficha 32, que se encontra às fls. 38 a 49 do Processo nº 10120.008293/200311, relativo à auto de infração em face da mesma pessoa jurídica, referente ao PIS, não há como afirmar que as divergências entre os valores informados ao fisco estadual e os informados ao fisco federal resultam de dolo, e não de erro. A conferir: mês Declarado DIPJ Livro ICMS 06 153.626 305.574 07 123.857 180.411 08 86.288 86.202 09 69.006 69.006 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 6 10 140.955 78.535 11 115.029 115.029 12 107.640 106.880 O mesmo não se pode dizer em relação aos anos de 1999 a 2003, em que nenhuma receita foi informada (e tributada) à Receita Federal. Pelas razões declinadas, DOU provimento PARCIAL ao recurso da D. Procuradoria, para manter a qualificação da multa apenas em relação aos anoscalendário de 1999 a 2003. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 635DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11080.011827/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/01/2005
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Não se podendo constatar, com esteio nos elementos constantes dos autos, a ocorrência de antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/01/2005
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
A autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO.
Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-000.990
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 09/2001. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar
a decadência até 11/2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Não se podendo constatar, com esteio nos elementos constantes dos autos, a ocorrência de antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4. 0 do art. 150 do urN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1996 a 31/01/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Camara / la Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 09/2001. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até 11/2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recu ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente WAN KLEBER FERREIRA DE A A ÚJO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 11080.011827/2007-05 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.990 Fl. 260 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD no 37.025.917-3, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A notificação, lavrada em nome da contribuinte já qualificada nos autos, traz em seu bojo a contribuição dos segurados contribuintes individuais ( a partir de 04/2003) e as contribuição patronal. O credito em questão reporta-se a competências de 05/1996 a 01/2005 e assume o montante, consolidado em 06/10/2006, de R$ 408.098,96 (quatrocentos e oito mil, noventa e oito reais e noventa e seis centavos). De acordo como relatório fiscal, fls. 91/98, as contribuições lançadas incidiram sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço A. empresa notificada. Apresenta-se ainda planilha relativa às bases de cálculo, as quais foram obtidas na contabilidade do sujeito passivo. A empresa apresentou impugnação, fls. 183/207, a qual não foi acatada pelo 61-ga-do de primeira instância, que declarou procedente o lançamento, fls. 214/224. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 231/244, no qual, em apertada síntese, alega que: a) é inexigível o depósito prévio para garantia de instância; b) as contribuições constantes na NFLD estão fulminadas pela decadência; c) a aplicação da taxa SELIC para fins tributários é inconstitucional; d) respeitado o prazo decadencial de cinco anos, procedeu ao recolhimento das contribuições previdenciarias devidas bem como a retificação das GFIP das respectivas competências. Ao final, pede o cancelamento da NFLD.. o relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que a recorrente possuía decisão judicial garantindo o seguimento do recurso independentemente de depósito prévio. Vamos A. decadência do direito de lançar as contribuições em questão. Na data da lavratura, o fisco previdencidrio aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o credito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Sumula Vinculante n.° 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do decreto- lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n°8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisães sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (-) Então, urna vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n° 8.212/1991, aplica-se às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.°, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. E o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL n2 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS).0MISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARA' TER PROTELATÓ RIO. MULTA. 1. 0 aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito 4 Processo n° 11080.011827/2007-05 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.990 Fl. 261 tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, ,sç 4°, do CT1V)". 2. Devem ser repelidos os embargos declarcztórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de I% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento deu-se em 18/10/2006 e o período do credito é de 05/1996 a 01/2005. Nem do relato fiscal, nem dos anexos que acompanham a NFLD há como se chegar a uma conclusão segura acerca da existência ou não de antecipação de pagamento, nesses casos, tenho me posicionado pela adoção do critério previsto no art. 150, § 4.°, do CTN. Diante desse cenário, devem ser excluídas do crédito em razão da decadência o período de 05/1996 a 09/2001. A alegação de inconstitucionalidade da taxa SELIC não pode ser apreciada nessa instância de julgamento. Para enfrentar esse tipo de alegação é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, dai, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato noi inativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, note-se que o escopo do processo administrativo fiscal 6. verificar a regularidade/legalidade do lançamento â. vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente 6. Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. 0 disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n°10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n 2 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da Republica, na forma do art. 40 da Lei Complementar n2 73, de 1993. Observe-se que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portria CARF n.° 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF N" 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributciria. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do "caput" do art. 72 do Regimento Interno do CARF 1 . Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade de lei trazida pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros. Por fim, embora alegue que efetuou o recolhimento das contribuições que encontravam-se fora do período decadencial, além de afirmar que fez a correta declaração das mesmas, a recorrente não trouxe aos autos qualquer evidência do alegado, nem na defesa, nem no recurso, ficando prejudicada a análise da matéria. Diante do exposto, voto pelo acolhimento da decadência das contribuições relativas ao período de 05/1996 a 09/2001 e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2010 KLEBER FERREIRA DE ARA JO - Relator Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CART' serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (..-) 6 6 de abril de 2010 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 11080.011827/2007-05 Recurso n°: 149.979 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-00.990 ELIAS S PAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Corn Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 35204.007362/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1998, 01/11/1999 a 31/12/1999, 01/08/2000 a 30/10/2000, 01/0112001 a 31/05/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO -PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'.
Em se tratando de valores apurados GFIP e em folha de pagamento,
constatando a existência de recolhimento antecipado, aplicável o art. 150, §4° do CTN.
GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - INCONSTITUCIONALIDADE.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.091
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência até 10/1998; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n "8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. Em se tratando de valores apurados GFIP e em folha de pagamento, constatando a existência de recolhimento antecipado, aplicável o art. 150, §4° do CTN. GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - INCONSTITUCIONALIDADE. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder • Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. .. .7 il Iii, 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência até 10/1998; e II) no mérito, em negar prosii Lt ao recurso. ELIAS S • i • AIO FREIRE - Presidente ELA _ t 1 , • • • • • EIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente os Conselheiros deusa Vieira de Souza e Kleber Peneira de Araújo. 2 Processo n°35204.00736212006-13 S2-C4T1 Acórdão n.°2401-01.091 Fl. 227 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas fisicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 07/1997 a 05/2003, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP, bem como folhas de pagamento. Para o período de 0711997 a 13/1998, o levantamento teve com intuito o fato da empresa ter aderido ao PAES. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 03/10/2003, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/11/2003. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 65 a 70. Em síntese o recorrente argumenta a decadência parcial de contribuições, bem como a ilegalidade de taxa SELIC, SAT, Tereciros A Decisão-Notificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 148 a 158. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 172 a 189 Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: Preliminarmente, o crédito em relação a 1997 encontra-se decadente. Utilizou o INSS de forma indevida TAXA SELIC, índice inaplicável aos débitos dessa natureza., o que eleva consideravelmente os valores envolvidos incorrendo em enriquecimento ilícito do erário previdenciário. Tanto a contribuição para o SAT, como para o INCRA, são inaplicáveis ao caso concreto uma vez que trata-se de empresa urbana, e que sua cobrança, por ser espécie tributária nova submete-se aos preceitos contidos no § 40 do art. 195 c/c art. 154 da CF/88. Requer a nulidade do lançamento, bem como no mérito sua improcedência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho sem o oferecimento de contra-razões. É o relatório. Á3 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação â fl. 198. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em primeiro lugar cumpre-nos apreciar o argumento de que o crédito encontra-se decadente, o que entendo razão assiste ao recorrente nos termos abaixo expostos. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CIN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela ia Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: 4i2" Processo n" 35204.00736212006-13 S2-C4T1 Acórdão a° 2401-01.091 Fl. 228 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA COA. IMPOSTO SOBES SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI NI' 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.° DO AR?'. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. RED1SCUSSÃO DE MATÉRIA FÁ TICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÉNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; ali) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3° Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do 5 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CITY), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como ir:existindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do CI7V, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do C77V), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4°, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura . ampliação do lapso decadencial, in casa, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CIN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita Processo n°33204.007362/2006-13 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.091 Fl. 229 do pagamento antecipado" (afico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 1731 .u, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da vercação de vicio formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória, 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do 1SSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo 1SSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GR1FOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) 4(1t." 7 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3°- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 40, é possível quando reali7ado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. 8 egi Processo n°35204.0073621200643 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.091 Fl. 230 Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 40. NO caso em tela, observamos que o lançamento veio simplesmente para apurara diferenças já declaradas em GFIP, ou mesmo descritas em folhas de pagamento, sem que o contribuinte tivesse recolhido a totalidade das contribuições devidas. Tal conclusão toma-se evidente pela análise do relatório fiscal, em conjunto com o Discriminativo Analítico de Débito — DAD e demais relatórios anexos a NFLD, inclusive para o período de 1997, fls. 141 a 144. Em assim sendo, considerando que a lavratura da NFLD -deu-se 03/10/2003, com a cientificação do sujeito passivo em 03/11/2003 e que os fatos geradores ocorreram no período de 07/1997 a 05/2003, pela aplicação do art. 150, § trnos termos acima expostos, há de se declarar a decadência dos crédito até a competência 10/1998. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a decadência, bem como a inconstitucionalidade do SAT e INCRA, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos valores dos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão-Notificação (DN) presume-se a concordância da recorrente com a DN. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão-Notificação. Ademais, os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1 0 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (-) IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecido, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdencãria e outras informações de interesse daquele Instituto; (.) § I° As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das .#9r 9 contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos beneficias previdenciários, bem corno constituir- se-ao em termo de confissão de dívida, na hipótese do não- recolhimento. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, sejam declarados em GFIP, ou descrito em FOPAG, conforme informação nos registros documentais da empresa deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Ainda, no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições para o SAT e para o INCRA, frise-se que incabivel seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogado por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posiciona-se este 2° Conselho de Contribuintes ao publicar a súmula n°. 2 aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1 pág. 28: SÚMULA N. 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Não procede o argumento do recorrente de que a cobrança da contribuição devida em relação ao RAT — Riscos Ambientais do Trabalho (antigo SAT) é ilegal/inconstitucional, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante; estando tais conceitos descritos em Decreto (que não possui atribuição para tanto). PrOCCS.50 n°35204.00736212006-13 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.091 Fl. 231 A exigência da contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho - RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (-) II - para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n°8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das renumerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I - um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; - dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III - três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § I° As aliquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a 41.- concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2° O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade fisica. § 3° Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 40 A atividade económica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V § 5° O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade económica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto-enquadramento em qualquer tempo. § 60 Verificado erro no auto-enquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 70 0 disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9°. § 8° Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique á produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero virgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9° (Revogado pelo Decreto n°3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços especifica para a atividade exercida pelo 12 Processo n° 35204.007362/2006-13 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.091 Fl. 232 cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceu os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", deve-se afastar a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446-SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo: "CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3°E 4°,. LEI 8212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, ,§ 4°: ART. 154, II; AR?". 5°, II; AR?". 150, I. 1 - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - St42' . Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal . improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, 1 Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. Ii - O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. - As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 50; II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que Mio integra o contencioso constitucional. V. - Recurso extraordinário não conhecido." Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Não se deve considerar que a cobrança do RAT (antigo SAT) ofenderia o princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 30 da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho, não havendo que se falar em tratamento igual entre contribuintes em situação desigual. Nesse sentido, dispõe o § 3° do art. 22 da Lei n ° 8.212/1991: 41. 13 Art. 22 (..) § 3° ao dispor que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Não há que se falar em violação do art. 3° do CTN, pois toda a atividade de cobrança da referida contribuição é vinculada ao que dispõe as normas regulamentares acima expostas, não permanecendo ao alvedrio da autoridade fiscal. Também não há violação ao art. 153, § 1° da Constituição Federal pelo já exposto. Com relação à cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições correspondera a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DI em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL, CDA. VALIDADE MATÉRL1 FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1°, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1°/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na pane conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poder-se-ia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento 1 similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. 14 Processo n° 35204.007362/2006-13 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.091 Fl. 233 Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal, as contribuições até a competência 10/1998, e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 eCUICL) — ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 35204.007362/2006-13 Recurso n°: 145.112 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto á. Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.091 Brasília, 19 de abril de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial ( ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10920.000272/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR DEPENDENTES. OMISSÃO.
O fato de o contribuinte ter incluído o dependente na declaração de ajuste anual, por opção, justifica o lançamento que constatou os rendimentos recebidos não oferecidos à tributação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.992
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR DEPENDENTES. OMISSÃO. O fato de o contribuinte ter incluído o dependente na declaração de ajuste anual, por opção, justifica o lançamento que constatou os rendimentos recebidos não oferecidos à tributação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram deste julgamento os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atílio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio de Notificação de Lançamento (fl. 7), em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual (DAA) exercício 2005, com apuração de Imposto de Renda Pessoa Física suplementar no valor de R$ 7.206,54 (sete mil, duzentos e seis reais e cinqüenta e quatro centavos), no código 2904, que sofre incidência de multa de ofício e juros de mora. O lançamento é decorrente da omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas Jurídicas, sujeitos à tabela progressiva, cuja somatória é de R$ 26.455,72 (vinte e seis mil, quatrocentos e cinquenta e cinco reais e setenta e dois centavos). Os valores foram informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), sendo compensado R$ 68,70 (sessenta e oito reais e setenta centavos) do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos (fl. 8). O contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL) e, posteriormente, a impugnação, na qual alega que o ordenamento jurídico pátrio não autorizaria a presunção de que os valores recebidos pelos dependentes se revertam em benefício do declarante, mantenedor, a ponto de justificar que sirvam de base para a exação. E, não havendo norma que obrigue a acumulação dos rendimentos auferidos pelos dependentes, seria vedada tal exigência. Argui, ainda, que os tribunais regionais já teriam consolidado o entendimento de que nada obsta que sejam incluídos na DAA, “onde há a efetiva comprovação do estado de dependência dos filhos que residem com o genitor contribuinte”; e que o disposto no § 2º do art. 4º do RIR trata diz que a declaração desses rendimentos seria opcional e não obrigatória. Pede a produção de provas por todos os meios admitidos em Direito, em especial a juntada de novos documentos e a oitiva de testemunhas que comprovaram a dependência econômica dos filhos e todos os demais meios necessários à instrução dos autos. Por fim, o recorrente defende que, quando muito, poderia ser compelido a restituir o valor que obteve a título de dedução com a inclusão dos filhos como seus dependentes. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA decidiu, por unanimidade, considerar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. O recorrente teve ciência do julgamento de primeira instância em 24 de março de 2011 (fl. 25) e interpôs recurso em 19 de abril de 2011 (fls. 18 a 22), no qual alega que: a) o lançamento ocorreu ao arrepio do ordenamento jurídico, que não autoriza a mera presunção de os rendimentos recebidos pelos dependentes se revertam em benefício ao declarante, a ponto de justificar que sirvam de base a exação, e, portanto, é vedado ao administrador público exigir tal situação face ao princípio da legalidade; b) embora os filhos exercessem atividades remuneradas, não se auto sustentavam, residiam com o declarante e não auxiliavam nas despesas domésticas, em momento algum agregandose esses valores à renda familiar; Fl. 37DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10920.000272/200766 Acórdão n.º 210201.992 S2C1T2 Fl. 31 3 c) acostou aos autos comprovantes de que no ano de 2004 os filhos declarados como dependentes estudavam e eram absolutamente dependentes da renda paterna, o que justifica a inclusão na declaração de ajuste a teor do que dispõe o artigo 77, § 1º, inciso III, combinado com o § 2º do Decreto nº 3000/99. d) não caberia sequer a alegação de incidência nos termos do § 2º do art. 4º do RIR/99, pois o caput é claro ao estabelecer a inclusão dos rendimentos dos dependentes como “opcional” e, nos termos do art. 112 do CTN, a lei tributária não pode ser interpretada de modo a prejudicar o contribuinte quanto à eventual penalidade, tratando o “opcionalmente” como “obrigatoriamente”; e e) seja decretada o total provimento do recurso ou, quando muito, seja o recorrente compelido a restituir o valor a menor que obteve a titulo de dedução que obteve com a inclusão dos filhos. É o relatório. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve a omissão de rendimento tributável recebido por dependentes constante da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004. Não tem relevância aos autos o destino dos rendimentos dos dependentes e a alegação de que os rendimentos não se incorporaram à renda familiar, pois o fato gerador, neste caso, é auferir renda e não sua destinação ou o consumo. O recorrente incluiu os dependentes na sua declaração de ajuste anual por opção, nos termos do § 2º do art. 4º do RIR/99, que não pode ser interpretado separadamente do caput. A outra alternativa era, como responsável pelos menores, apresentar suas declarações em separado nos termos do § 1º, conforme transcrição a seguir: Art. 4º Os rendimentos e ganhos de capital de que sejam titulares menores e outros incapazes serão tributados em seus respectivos nomes, com o número de inscrição próprio no Cadastro de Pessoas Físicas CPF (Lei nº 4.506, de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 1.301, de 31 de dezembro de 1973, art. 3º). § 1º O recolhimento do tributo e a apresentação da respectiva declaração de rendimentos são da responsabilidade de qualquer um dos pais, do tutor, do curador ou do responsável por sua guarda (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 192, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 134, incisos I e II). § 2º Opcionalmente, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por menores e outros incapazes, ainda que em valores inferiores ao limite de isenção (art. 86), poderão ser tributados em conjunto com os de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador, sendo aqueles considerados dependentes. § 3º No caso de menores ou de filhos incapazes, que estejam sob a responsabilidade de um dos pais, em virtude de sentença judicial, a opção de declaração em conjunto somente poderá ser exercida por aquele que detiver a guarda. Assim, ao relacionar os dependentes em sua declaração, os rendimentos existentes devem ser somados à renda do titular para fins de tributação. Esse, também, é o entendimento descrito no artigo 38, alínea “a”, § 8°, da Instrução Normativa SRF n° 15/2001: “§ 8º Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração.” Não cabe a solicitação de retirada dos valores recebidos da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, pois não há previsão legal para a exclusão de rendimentos declarados recebidos por titular ou seus dependentes, após o início da ação fiscal, como expresso no Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 39DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10920.000272/200766 Acórdão n.º 210201.992 S2C1T2 Fl. 32 5 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. E, quanto à modificação ou extinção do crédito tributário, assim trata o CTN: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Assim sendo, não há nenhuma irregularidade no lançamento, razão pelo qual voto em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 40DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10380.100722/2003-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/12/1998
ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVA. AUSÊNCIA.
Não se acolhe a alegação de que o débito lançado fora compensado antes da lavratura do auto de infração quando desacompanhada de prova, mormente após a realização de diligência solicitada com este fito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.548
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/12/1998 ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVA. AUSÊNCIA. Não se acolhe a alegação de que o débito lançado fora compensado antes da lavratura do auto de infração quando desacompanhada de prova, mormente após a realização de diligência solicitada com este fito. Recurso Voluntário Negado.
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PROVA. AUSÊNCIA. Não se acolhe a alegação de que o débito lançado fora compensado antes da lavratura do auto de infração quando desacompanhada de prova, mormente após a realização de diligência solicitada com este fito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 282DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração eletrônico para exigir o pagamento de Cofins relativa a fatos geradores ocorridos em 1998, tendo em vista que não foram localizados pagamentos informados na DCTF. Inconformada com a autuação, no dia 08/09/2003, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas alegações estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE julgou o lançamento procedente em parte, nos termos do Acórdão DRJ/FOR nº 9.712, de 07/12/2006, considerando devidos os valores de R$ 8.838,57 e R$ 2.492,85, referentes aos períodos de apuração de 08/98 e 12/98, respectivamente, exonerando do pagamento da multa de ofício. Ciente desta decisão em 29/01/2007, a interessada ingressou, no dia 26/02/2007, com o recurso voluntário de fls. 83/84, no qual concorda com o débito remanescente do PA 08/98, cujo pagamento efetua, e contesta o do PA 12/98 sob o fundamento de que a diferença apurada referese a valor efetivamente compensado com pagamento efetuado a maior no PA 11/98 (Valor devido R$ 347.013,62 – Valor pago R$ 349.897,64). Na sessão do dia 04 de março de 2009 a Segunda Turma Ordinária, da Primeira Câmara, da Segunda Seção de Julgamento deste CARF, resolveu converter o julgamento em diligência a UL da RFB, nos termos da Resolução nº 210200.004, para as seguintes providências: 1 informar se o valor recolhido a maior, relativo à Cofins do PA 11/98, foi objeto de pedido de restituição por parte da recorrente ou utilizado na compensação de débitos outros que não o objeto do litígio; 2 intimar a recorrente a provar que a compensação alegada foi lançada em sua contabilidade. 3 prestar as informações e os esclarecimentos que julgar oportuno; 4 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligências, abrindolhe prazo para manifestação. Intimada a apresentar cópia dos livros contábeis em que conste o lançamento da compensação que diz ter feito (fl. 242 eletrônica), a recorrente solicitou, no dia 27/10/2010, dilação do prazo em 30 dias para atender à intimação, no que foi atendida (fl. 246 eletrônica). Em face do não atendimento à intimação supra, no dia 07/12/2010 a DRF em Fortaleza CE encerrou a diligência e lavrou a Informação Fiscal de fl. 276 (eletrônica) na qual informa que a empresa “nada acrescentou visando elucidar os pontos obscuros da lide”. Desta Informação Fiscal a recorrente teve ciência em 11/01/2011 e sobre ela não se manifestou, sendo os autos devolvidos para este CARF em 15/03/2011. É o Relatório. Voto Fl. 283DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.100722/200341 Acórdão n.º 330201.548 S3C3T2 Fl. 283 3 Conselheiro Walber José da Silva, Relator. Como relatado, a lide versa sobre o lançamento da Cofins do PA 12/98, cujo Darf informado na DCTF não foi localizado. No recurso voluntário a empresa recorrente alega que o débito fora compensado com pagamento a maior da Cofins de 11/98, sem contudo, comprovar o alegado. Em homenagem ao princípio da verdade material os autos retornaram à UL da RFB de origem para intimar a recorrente a apresentar prova do lançamento contábil da compensação realizada e para informar se o pagamento a maior que a recorrente diz ter realizado foi, de alguma forma, aproveitado. Em cumprimento à decisão do Colegiado, a recorrente foi intimada a comprovar que realizou a compensação e não apresentou a comprovação da efetiva compensação. Não resta nenhuma dúvida de que é improcedente a alegação da recorrente por absoluta falta de prova, mesmo depois de realização da diligência. Alegar e não provar é quase não alegar. Não há razão, portanto, para reformar a decisão recorrida. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.010915/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
ANO-CALENDÁRIO: 2008
DÉBITOS DA EMPRESA JUNTO A FAZENDA NACIOAL. FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE.
É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que
não indique as pendências da empresa junto a Secretaria da Receita
Federal do Brasil, limitando-se a consignar a existência de tais
pendências junto a esse órgão da administração (Súmula 22 do CARF).
Numero da decisão: 1301-000.891
Decisão: Os membros da turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL ANO-CALENDÁRIO: 2008 DÉBITOS DA EMPRESA JUNTO A FAZENDA NACIOAL. FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não indique as pendências da empresa junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, limitando-se a consignar a existência de tais pendências junto a esse órgão da administração (Súmula 22 do CARF).
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SIMPLES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO: 2008 DÉBITOS DA EMPRESA JUNTO A FAZENDA NACIOAL. FALTA DE INDICAÇÃO DE REQUISITOS ESSENCIAIS NO ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que não indique as pendências da empresa junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, limitandose a consignar a existência de tais pendências junto a esse órgão da administração (Súmula 22 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwar Casoni de Paula Fernandes e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.010915/200806 Acórdão n.º 1301000.891 S1C3T1 Fl. 2 3 Versa o presente processo sobre exclusão do Simples Nacional do contribuinte acima identificado, em face da existência de débitos para com a Fazenda Nacional, com exigibilidade não suspensa, com efeitos a partir de 01/01/2009. O Ato Declaratório Executivo no.097459, de 22/08/2008, da DRF/NITERÓI (as fl. 05) não relaciona os débitos, mas, informa que os mesmos encontramse relacionados no item “Pessoa Jurídica”, assunto “Simples Nacional”, do sítio da Receita Federal do Brasil, na internet. Na manifestação de inconformidade a interessada, simplesmente, alega compensação dos débitos em PerdComp (docs. de fls. 14/23). A relatora do julgamento de primeira instância requereu análise das respectivas PerdComp (Despacho de fl. 37), do qual foi atendido pela DRF/Niteroi (Despacho de fls. 39). A autoridade julgadora de primeira instância (DRF/RJI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1224.454, de 29/05/2009 (fls. 42/44), tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Ano calendário: 2008 Ementa: Simples. Exclusão. Débitos Sem Exigibilidade Suspensa. A interessada, ao verificar que as causas originárias de sua exclusão são débitos ainda não recolhidos, tem o dever de trazer à colação as provas de que tais pendências não mais existem, através de documentação comprobatória, coincidentes em datas e valores conforme aqueles que desencadearam sua exclusão. Caso contrário, a permanência no regime simplificado tornase inviável. Solicitação Indeferida É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. As argumentações são as mesmas da manifestação de inconformidade, ou seja, simplesmente que compensou os débitos com crédito próprios. Vêse do relatório que da análise das Dcomp de fls. 14/23 a DRF/NIT informa as fl. 39, que somente a Dcomp no. 34908.29211.310807.1.7.040011 (fl. 23) foi concluída sua análise, as demais, sequer foram indicadas para tratamento manual. Constatase que o Ato Declaratório Executivo de exclusão (fl. 5), não consigna o rol dos débitos cuja pendências determinou a exclusão objeto da lide, informando, tão somente, que a relação dos débitos encontrase à disposição do contribuinte no endereço eletrônico da RFB. Ressaltese, que encontrase acostado as fls.10 do presente processo a lista dos débitos extraída do sistema SIVEX, mas, de qualquer forma, não há como se averiguar se providenciado pela própria Receita Federal ou pelo contribuinte, ou ainda, se antes ou depois do ato de exclusão. O comunicado de exclusão do Simples (ADE) tem caráter abrangente, de forma a tãosomente discriminar como motivo de exclusão a existência de débitos com exigibilidade não suspensa. Assim sendo, entendo que o ato de exclusão objeto da lide não possui os elementos necessários para o fim a que se destina. Ressaltese que a matéria encontrase pacificada no âmbito do CARF, através da Súmula 22 que a seguir transcrevo: Súmula CARF n 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limita a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Alem do mais, no caso, constatase existência de compensação através das PerdDcomps (docs. de fls. 14/23) e, conforme informação de fl. 39 a Dcomp no. 34908.29211.310807.1.7.040011 (fl. 23) foi concluída sua análise e homologada sua compensação. Destarte, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.010915/200806 Acórdão n.º 1301000.891 S1C3T1 Fl. 3 5 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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