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Numero do processo: 13863.000231/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
IRPF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega da declaração do imposto de renda de pessoa física, e tendo-a feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a exigência da multa pelo atraso.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ENTREGA FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69.
A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo.
Numero da decisão: 2401-006.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega da declaração do imposto de renda de pessoa física, e tendoa feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a exigência da multa pelo atraso. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ENTREGA FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 3. 00 02 31 /2 00 6- 17 Fl. 27DF CARF MF Processo nº 13863.000231/200617 Acórdão n.º 2401006.766 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório ELISEU JOSE DE CARVALHO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 10a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1726.010/2008, às efls. 11/13, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da multa exigida por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física DIRPF, em relação ao exercício 2003, conforme peça inaugural do feito, à fl. 03, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 22/08/2006, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, com o seguinte fato gerador: Fica o contribuinte acima identificado, com base nos arts. 780 e 964 do Decreto no 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) e nos arts.9°, caput. e 11 do Decreto n° 70.235/72. notificado a recolher, no prazo de trinta dias, contado do recebimento desta notificação, a importância de R$506,55 . correspondente a multa por atraso na entrega da Declaração de Rendimentos do exercicio de 2003, anocalendário de 2002. Inconformado com a Decisão recorrida. o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 18, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, esclarecendo que ao lançar o valor total de Fl. 28DF CARF MF Processo nº 13863.000231/200617 Acórdão n.º 2401006.766 S2C4T1 Fl. 4 3 rendimentos, houve um erro de digitação, o qual veio a ser percebido após notificação, que foi feita retificação, sendo entregue fora do prazo legal. O valor de rendimentos declarado o qual houve erro de digitação foi de R$ 41.409,81 quando o valor correto é de RS 13.000,00 conforme comprovante de rendimentos apresentado em anexo a retificação de declaração entregue fora do prazo legal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Versam os autos sobre multa por atraso na entrega da DIRPF do exercício 2003, anocalendário 2002, entregue apenas em 28/06/2006. A Instrução Normativa SRF n.° 290, de 30/01/2003 estabeleceu que a pessoa fisica que, no anocalendário 2002, recebeu rendimentos tributáveis cuja soma foi superior a R$ l2.696,00 estava obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda DAA até o dia 30 de abril de 2003. Conforme consta do banco de dados da Receita Federal do Brasil, na DAA apresentada pelo contribuinte (fl.04), o mesmo recebeu o total de R$ 4l.409,8l de rendimentos tributáveís, o que o obrigado a apresentar a DAA . Ademais, a alegação de erro e digitação não condiz com a realidade dos fatos uma vez que o contribuinte não apresenta nenhuma prova em seu favor. Dito isto, não há como ser acolhida a pretensão do recorrente. Não sendo o bastante, a matéria já se encontra pacificada CARF, nos termos da Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Apenas para esclarecimento, fora aplicado o valor mínimo. Fl. 29DF CARF MF Processo nº 13863.000231/200617 Acórdão n.º 2401006.766 S2C4T1 Fl. 5 4 Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 30DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003402/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
PRELIMINAR. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. INITMAÇÃO PRÉVIA.
A legislação não exige intimação prévia para aplicação de MAED na hipótese de não apresentação da declaração. A lei prevê intimação para prestar esclarecimentos apenas quando houve a apresentação da declaração, contudo com omissões ou incorreções nas informações prestadas.
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL.
A apresentação de declaração fora do prazo, antes do início de qualquer procedimento fiscal, garante o benefício de redução de 50% nos termos da lei. A denúncia espontânea tem o condão de afastar tão somente a multa moratória sobre os tributos devidos.
Numero da decisão: 1301-003.983
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10865.003391/2007-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 PRELIMINAR. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. INITMAÇÃO PRÉVIA. A legislação não exige intimação prévia para aplicação de MAED na hipótese de não apresentação da declaração. A lei prevê intimação para prestar esclarecimentos apenas quando houve a apresentação da declaração, contudo com omissões ou incorreções nas informações prestadas. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. A apresentação de declaração fora do prazo, antes do início de qualquer procedimento fiscal, garante o benefício de redução de 50% nos termos da lei. A denúncia espontânea tem o condão de afastar tão somente a multa moratória sobre os tributos devidos.
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. INITMAÇÃO PRÉVIA. A legislação não exige intimação prévia para aplicação de MAED na hipótese de não apresentação da declaração. A lei prevê intimação para prestar esclarecimentos apenas quando houve a apresentação da declaração, contudo com omissões ou incorreções nas informações prestadas. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. A apresentação de declaração fora do prazo, antes do início de qualquer procedimento fiscal, garante o benefício de redução de 50% nos termos da lei. A denúncia espontânea tem o condão de afastar tão somente a multa moratória sobre os tributos devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10865.003391/200782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 34 02 /2 00 7- 24 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10865.003402/200724 Acórdão n.º 1301003.983 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o auto de infração eletrônico de Multa por atraso na entrega da DCTF, referente ao mês de agosto de 2005, entregue apenas em fev/2006, no valor de R$ 34.404,29. Ciente do lançamento, a empresa apresentou impugnação onde alegou: • Nulidade do auto de infração pela falta de prévia intimação da impugnante para esclarecimentos, conforme regra do art. 7º da Lei n. 10.426, de 24 de abril de 2002; • Impossibilidade de se fundamentar o lançamento tãosomente em informações eletrônicas da Receita Federal, pois o auto foi lavrado sem que qualquer auditorfiscal tenha ido até a impugnante para verificar a efetiva ocorrência da infração apontada, ou qualquer outra causa que tivesse impossibilitado o cumprimento da obrigação acessória; • No mérito, impossibilidade de transmissão da DCTF por ausência de certificação digital, requisito essencial para a entrega, conforme § 2° do art. 7º da Instrução Normativa (IN) SRF n° 695, de 2006, pois só conseguiu a liberação de seu certificado digital no começo do ano de 2006, quando tratou de efetuar a transmissão de todas as suas declarações fiscais, sem que houvesse intenção de lesar o Fisco, mas somente a impossibilidade de cumprimento da obrigação acessória; • Descaracterizada a intenção de fraude à fiscalização, resta descaracterizado o critério material de conduta ilícita para aplicação da multa punitiva; • Impossibilidade de aplicação da multa por ocorrência de denúncia espontânea, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 138, pois a declaração foi entregue antes de qualquer intimação de inicio de ação fiscal; • Ausência de prejuízo ao Erário, capaz de incidir a imputação de penalidade, uma vez que apresentou a declaração, ainda que a destempo. A DRJ rejeitou as preliminares e, no mérito, negou provimento à impugnação, em acórdão assim ementado: "ASSUNTO": OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10865.003402/200724 Acórdão n.º 1301003.983 S1C3T1 Fl. 4 3 Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. A multa pelo atraso na entrega de declaração será exigida sempre, independentemente de prévia intimação para que o sujeito passivo entregue a declaração original. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. "ASSUNTO": PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. PERICIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Ciente da decisão em 20/06/2009, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 20/07/2009, no qual reitera argumentos despendidos na impugnação, e argui: Nulidade do auto pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; Impossibilidade de se fundamentar o lançamento tão somente em informações eletrônicas da Receita Federal; Impossibilidade de transmissão da DCTF por ausência de certificação digital; Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10865.003402/200724 Acórdão n.º 1301003.983 S1C3T1 Fl. 5 4 Impossibilidade de Aplicação da Multa por ocorrência de denúncia espontânea; Ausência de prejuízo ao erário. Ao final, o contribuinte requereu provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.977, de 13/06/2019 proferido no julgamento do Processo nº 10865.003391/200782, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1301003.977): Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar de Nulidade Por falta de Intimação Prévia A Recorrente argui nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, posto que não foi previamente intimado para prestar esclarecimentos, nos termos caput do art. 7º da Lei n. 10.426/02, in verbis: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: O artigo 7º trata de duas infrações distintas. A primeira delas é deixar de apresentar as declarações no prazo fixado, a segunda trata da apresentação da declaração com incorreções ou omissões. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10865.003402/200724 Acórdão n.º 1301003.983 S1C3T1 Fl. 6 5 Na primeira hipótese, o contribuinte deverá ser intimado para apresentar declaração e, no caso da ocorrência da segunda infração, o sujeito passivo é intimado para prestar esclarecimentos. Caso o contribuinte se encontre omisso da apresentação da declaração e o faça espontaneamente, antes da prévia intimação, ele é beneficiado com uma redução de 50% do valor da multa por atraso. E foi justamente o que ocorreu no processo em comento. A Recorrente cometeu a primeira infração (não apresentar declaração) e, antes de ser intimado, em fevereiro de 2006, apresentou espontaneamente a declaração em atraso. Sendo assim, a multa devida seria de R$ 231.714,22, correspondente à seguinte fórmula: Valor Total Declarado em DCTF (R$ 1.158.571,13) x Percentual da Multa/por mês (2%) x Nº de Meses de Atraso (10) = R$ 231.714,22 O valor da multa (R$ 231.714,22) foi reduzido à metade (R$ 115.857,11), em virtude da entrega espontânea da declaração, ainda que com atraso. Não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a legislação não exige prévia intimação para prestar esclarecimentos nas hipóteses de mera não apresentação da DCTF. Se houver a apresentação prévia a qualquer intimação, terá direito à redução de 50% do valor da multa nos termos do §2º, inciso I do art. 7º da Lei n. 10.426/02: § 2ºObservado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; Logo, voto por rejeitar a preliminar de nulidade por falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos. Do mérito. A Recorrente alega impossibilidade de se fundamentar o lançamento tão somente em informações eletrônicas da Receita Federal. Argumenta que não se pode aceitar a lavratura de lançamento tributário sem que o Fisco tenha efetivamente e materialmente apurado a ocorrência da infração apontada, através da verificação de documentos do contribuinte hábeis a demonstrar tal falta. Acontece que no caso em tela, a materialidade e a efetiva ocorrência do fato gerador podem ser constantas através de simples consultas aos sistemas da Receita Federal para que sejam verificados dois requisitos para a caracterização da infração: 1º data do vencimento do prazo para entrega da DCTF e 2º data da efetiva entrega da declaração. Isto posto, mostrase legítimo o lançamento fundamentado apenas em informações constantes dos sistemas da Receita Federal, quando estas sejam suficientes para provar a ocorrência da infração. Argumenta a Recorrente a impossibilidade de transmissão da DCTF por ausência de certificação digital. Aduz que o §2º, do art. 7º da IN SRF n.695/06 determinava a obrigatoriedade de transmissão da DCTF com assinatura digital, mediante utilização de certificado digital válido. Acrescenta que só obteve certificado digital no começo do ano de 2006, que não houve intenção de lesar o Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10865.003402/200724 Acórdão n.º 1301003.983 S1C3T1 Fl. 7 6 Fisco e, que restaria descaracterizado o critério material de conduta ilícita para aplicação de multa punitiva. Neste caso, a responsabilidade é objetiva e independente da intenção do agente, bastanto para sua imposição a realização do fato gerador, seja por ação ou omissão. Veja o que dispõe o art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O art.113 do CTN dispõe que a obrigação tributária é principal ou acessória, e que a obrigação acessória, qual seja, o dever de apresentar DCTF mensalmente, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Não se cogita de dolo ou culpa do agente para fins de caracterizar a ocorrência do fato gerador. Acrescentese que a Recorrente não esclarece as razões pelas quais só obteve o certificado digital em 2006, limitandose a afirmar que não teve intenção de lesar o Fisco e de que agiu de boafé. Portanto, não merece se acolhido o argumento de impossibilidade de não transmissão por ausência de certificado. Com efeito, esta mesma condição, a de apresentação de DCTF com assinatura digital, foi imposta a outros contribuintes que se encontravam em situação semelhante à Recorrente e, certamente a exigência foi cumprida ou lhes foi imputada a multa por atraso na entrega da declaração. Não é possível afastar a penalidade a todos imposta, sob pena de ferir o princípio da isonomia. A Recorrente alega ainda que a multa não poderia ter sido aplicada em razão da ocorrência da denúncia espontânea. O instituto da denúncia espontânea está previsto no art. 138 do CTN, da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A denúncia espontânea afasta a incidência de penalidade (multa) de caráter moratório, qual seja, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n.9.430/96: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10865.003402/200724 Acórdão n.º 1301003.983 S1C3T1 Fl. 8 7 O art. 138 do CTN não abarca a multa que tem por fato gerador justamente a entrega de declaração fora do prazo, ainda que seja antes de qualquer procedimento fiscal. Contrário senso, seria reconhecer o art. 7º da Lei n.10.426/02, nas hipóteses de entrega da DCTF antes de iniciado o procedimento fiscal, seria letra morta. É de se ressaltar que estamos tratando de uma penalidade por descumprimento de obrigação acessória, diferentemente do art.138, que trata dos débitos com União pagos fora do vencimento. Portanto, não se aplica o instituto da denúncia espontânea para afastar multas por atraso na entrega de declaração. A Recorrente argui ainda ausência de prejuízo ao erário. A existência de prejuízo ao erário deve ser avaliada pelo sujeito ativo, e não pela Recorrente. É a Receita Federal quem tem a competência para avaliar os prejuízos sofridos pelo atraso na entrega da declaração. Mas é possível, de antemão, citar alguns: o atraso na entrega da DCTF impossibilita o fisco de averiguar a regularidade no recolhimento dos tributos, pode implicar alteração de critérios do contribuinte para fins de enquadramento de seu porte (ME, EPP, contribuinte diferenciado), entre outros. O prejuízo não há de ser aquele meramente financeiro e imediato. Os pontos levantados acima servem apenas para desconstituir a premissa trazida pela Recorrente de que não houve prejuízo ao erário. Como dito, esta declaração haveria de ser dada apenas pelo sujeito ativo. Além disso, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente e também independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ou seja, a caracterização da infração independe do prejuízo causado ao erário. Conclusão. Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000041/2009-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
SÚMULA CARF Nº 125
No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. PARADIGMA REFORMADO EM MOMENTO ANTERIOR.Não se configura a divergência, se o acórdão indicado como paradigma, ao tempo do protocolo do recurso especial, já se encontrava reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Aplicação do disposto no §15º do art. 67 do Anexo II do RICARF.
COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL A SER APLICADO. FUNÇÃO DO PRODUTO FABRICADO
Deve ser observada a natureza do produto fabricado, e não dos insumos adquiridos, para se buscar a definição do percentual a ser aplicado de crédito presumido da agroindústria
Numero da decisão: 9303-008.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação à aplicação do percentual do crédito presumido da agroindústria e juros sobre o valor ressarcido e, no mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento parcial para aplicar o percentual do crédito presumido de acordo com o produto fabricado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. PARADIGMA REFORMADO EM MOMENTO ANTERIOR.Não se configura a divergência, se o acórdão indicado como paradigma, ao tempo do protocolo do recurso especial, já se encontrava reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Aplicação do disposto no §15º do art. 67 do Anexo II do RICARF. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL A SER APLICADO. FUNÇÃO DO PRODUTO FABRICADO Deve ser observada a natureza do produto fabricado, e não dos insumos adquiridos, para se buscar a definição do percentual a ser aplicado de crédito presumido da agroindústria Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação à aplicação do percentual do crédito presumido da agroindústria e juros sobre o valor ressarcido e, no mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em darlhe provimento parcial para aplicar o percentual do crédito presumido de acordo com o produto fabricado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 41 /2 00 9- 79 Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 9303008.607 CSRFT3 Fl. 715 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e Contribuinte, ao amparo do art.67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em face do Acórdão nº 3102 01.039, de 02/06/2011, que possui a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO REGIMENTAL DO CARF. Nos termos da Súmula n° 2 do CARF, esta instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8°, §3°, da Lei n° 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO) A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 9303008.607 CSRFT3 Fl. 716 3 proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional suscita divergência quanto a possibilidade de aplicação da taxa Selic sobre o ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS não cumulativos. O Presidente da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, conforme depreendese do exame de admissibilidade, ás efls. 495 496. Regularmente notificada do Acórdão recorrido, do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais foram rejeitados, contrarrazões ao recurso fazendário e recurso especial, apontando divergência para as seguintes matérias: 1) "DA NULIDADE DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO – DO CERCEAMENTO AO DIREITO À AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO – DO FUNDAMENTO NOVO NUNCA ANTES QUESTIONADO NOS PRESENTES AUTOS – DOS CRÉDITOS QUE SÃO EXCLUSIVAMENTO REFERENTIS AO 4º TRIMESTRE DE 2008 – OMISSÃO NÃO SANADA”; 2) Da utilização do saldo credor art. 8º da Lei 10.295/2004; 3) Da aplicação do Percentual de 60% na apuração do montante do crédito; e 4) Da aplicação da atualização monetária (termo inicial). O Presidente da 3ª Seção de Julgamento, deu seguimento parcial ao recurso da Contribuinte, admitindo a rediscussão das seguintes matérias: 1) Da utilização do saldo credor art. 8º da Lei 10.295/2004; 2) Da aplicação do Percentual de 60% na apuração do montante do crédito; e 3) Da aplicação da atualização monetária(termo inicial). Não conformada com despacho que deu seguimento parcial ao recurso, a Contribuinte apresentou agravo, o qual a Presidente do CARF manteve na integra o despacho do Presidente da 3ª Seção de julgamento. A Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões, pugna pela inadmissão do recurso interposto pela Contribuinte quanto à utilização do saldo credor art. 8º da Lei 10.295/2004, e no mérito, seja negado provimento ao recurso especial. No essencial é o Relatório. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 9303008.607 CSRFT3 Fl. 717 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator Os recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, deles tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. In caso, o Colegiado recorrido decidiu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à apuração de créditos pela sistemática não cumulativa sobre os insumos aplicados pela recorrente em relação de parceria, na qual o bem produzido pela parceira retorna ao processo produtivo daquela, limitados ao valor do débito incorrido em cada período de apuração. Reconheceuse, ainda, a correção dos créditos ora deferidos partir da data da ciência do despacho decisório. Decido. Recurso da Fazenda Nacional A matéria devolvida no Recurso Especial da Fazenda Nacional, cingese quanto a possibilidade de aplicação da taxa Selic sobre o ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS não cumulativos. Com relação à questão da correção monetária e incidência da taxa Selic sobre os créditos de PIS e da COFINS, importante lembrar pela impossibilidade do pedido, face à expressa vedação por dispositivo legal, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003 (conversão da MP 135, de 31/10/2003, que tratou da cofins nãocumulativa). Esta discussão foi definitivamente dirimida por este Conselho, por meio da edição da Súmula nº 125. Vejamos: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 9303008.607 CSRFT3 Fl. 718 5 Recurso da Contribuinte O Presidente da 3ª Seção de Julgamento, deu seguimento parcial ao recurso da Contribuinte, admitindo a rediscussão das seguintes matérias: 1) Da utilização do saldo credor art. 8º da Lei 10.295/2004; 2) Da aplicação do Percentual de 60% na apuração do montante do crédito; e 3) Da aplicação da atualização monetária(termo inicial). 1. Da utilização do saldo credor art. 8º da Lei 10.295/2004 Em que pese o Presidente da 3ª Seção de Julgamento ter considerada matéria divergente, o acórdão paradigma nº 3402002.333, antes da interposição do recurso especial, já havia sido reformado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no acórdão nº 9303003.812, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/09/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002. (...)” Nos termos do §15 do art. 67 do Anexo II do RICARF, dispõe que: “Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente”, com redação dada pela Portaria MF nº 39, de 15 de fevereiro de 2016. Dessa forma, resta ausente a demonstração de divergência exigida pelo caput do art. 67 do RICARF. 2. Da aplicação do Percentual de 60% na apuração do montante do crédito No que tange o direito ao crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, fazendo incidir, no entanto, o percentual de que versa os incisos do § 3º do art. 8º em razão da natureza do produto e não do insumo adquirido pelo beneficiário, inclusive aplicando o percentual de 60%, esta E. Câmara Superior, no julgamento do acórdão nº 9303008.216, de 20 de fevereiro de 2019, relatado pelo Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, o colegiado entendeu que o direito ao crédito presumido, apurado no percentual de 60%, é definido não pela natureza dos insumos adquiridos, mas em função do produto fabricado, por se tratar de matéria idêntica, utilizo o presente acórdão como razões de decidir, o qual passa fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: "Inicialmente há que se delimitar esse litígio. Ele referese somente sobre qual percentual do crédito presumido da agroindústria, 60% ou 35%, a ser aplicado sobre os insumos utilizados para sua produção. Portanto os demais itens de Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 9303008.607 CSRFT3 Fl. 719 6 crédito presumido da agroindústria que foram glosados por outros motivos não se incluem no presente recurso especial. Em relação ao percentual a ser utilizado, tal matéria já está definitivamente pacificada na jurisprudência do CARF, sobretudo após a inclusão do §10 ao artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, conforme abaixo: Art. 8 As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei nº Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 9303008.607 CSRFT3 Fl. 720 7 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (...) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Portanto o direito ao crédito presumido, apurado no percentual de 60%, é definido não pela natureza dos insumos adquiridos, mas em função do produto fabricado. Diante do exporto voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte nesta matéria. 3) Da aplicação da atualização monetária(termo inicial). Quanto ao termo da atualização monetária dos referidos créditos, não há o que se falar em correção, considerando que ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003, e Súmula nº 125 do CARF. Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional, conheço em parte do Recurso da Contribuinte, apenas em relação à aplicação do percentual do crédito presumido da agroindústria e juros sobre o valor ressarcido e, no mérito, na parte conhecida, dou provimento parcial para aplicar o percentual do crédito presumido de acordo com o produto fabricado. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13053.000041/200979 Acórdão n.º 9303008.607 CSRFT3 Fl. 721 8 Fl. 721DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11176.000319/2007-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
MULTA. PENALIDADE. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. STJ-RESP nº 923.012/MG. ART. 62, §2º, DO RICARF. SÚMULA CARF 113.
A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão, independentemente de esse crédito ser formalizado, por meio de lançamento de ofício, antes ou depois do evento sucessório.
Numero da decisão: 9202-007.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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PENALIDADE. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. STJRESP nº 923.012/MG. ART. 62, §2º, DO RICARF. SÚMULA CARF 113. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão, independentemente de esse crédito ser formalizado, por meio de lançamento de ofício, antes ou depois do evento sucessório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 03 19 /2 00 7- 24 Fl. 740DF CARF MF 2 Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória caracterizada pelo fato do contribuinte ter deixado de inscrever no cadastro competente parte dos seus empregados, violando o disposto no art. 17 da leinº 8.213/91 c/c art. 18, inciso I do regulamento da previdência social aprovado pelo decreto nº 3.048/99. O auto de infração foi lavrado em nome do contribuinte, empresa que incorporou a contribuinte originária das obrigações. Após o trâmite processual, a 3ª Turma Especial deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer de ofício a decadência dos fundamentos da infração anteriores a 11/2000, inclusive, bem como para determinar o cancelamento das multas até a competência 12/2003, pois referente a prática de infração pela sucedida. Para o período de 01/2004 a 06/2006, o crédito lançado foi reduzido tendo em vista que o número de segurados não inscritos caiu de cinco para dois empregados. O acórdão 280300.113 recebeu a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/08/2006 DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. MULTA PUNITIVA. IMPOSIÇÃO À EMPRESA SUCESSORA. IMPOSSIBILIDADE. INFRAÇÃO. PRÁTICA ANTERIOR AO ATO DE INCORPORAÇÃO. LANÇAMENTO POSTERIOR À INCORPORAÇÃO. DIVERSIDADE DE PESSOAS JURÍDICAS. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial. Citando como paradigmas os acórdãos 10516.233 e CSRF/0202.396 é devolvido para este Colegiado a discussão acerca da manutenção da multa punitiva aplicada à empresa sucessora nos casos de lançamento lavrado após a incorporação. Defende a recorrente a aplicação do art. 62A em razão da decisão proferida pelo STJ, em sede de Recurso Repetitivo, no RESP 923.012/MG. Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do julgado. Concomitantemente, foi apresentado recurso especial ao qual foi negado seguimento nos termos do despacho de fls. 731/733. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos regimentais razão pela qual, ratificando o despacho de admissibilidade, dele conheço. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 11176.000319/200724 Acórdão n.º 9202007.847 CSRFT2 Fl. 3 3 Conforme exposto, tratase de recurso especial por meio do qual é devolvida a este Colegiado a discussão acerca da responsabilidade da empresa sucessora por multas decorrentes de lançamentos cujos fatos geradores ocorreram antes da operação societária de incorporação/sucessão. A divergência relativa à exigência de multa punitiva à sucessora nos casos em que o lançamento se dá após a incorporação é discussão superada pela jurisprudência deste Conselho, isso porque o que temos hoje é a existência de decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 923.012/MG, recurso julgado pela sistemática dos recursos repetitivos cujo trânsito em julgado se seu em 04.06.2013. O tribunal superior firmou a seguinte tese: Tema 382: A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Vale transcrever a parte da ementa que nos interessa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o Fl. 742DF CARF MF 4 passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) ... O Ministro Napoleão Nunes Maia Filho ao analisar embargos de declaração opostos pelo contribuinte, afastando qualquer dúvida quanto ao alcance da decisão, assim se manifestou: 4. Quanto à responsabilidade do sucessor pelas multas (moratórias ou punitivas), observese que o ordenamento jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. 5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227 da Lei 6.404/76 e art. 1.116 do CC/02) é a absorção de uma ou várias sociedades por outra ou outras, com a extinção da sociedade incorporada, que transfere integralmente todos os seus direitos e obrigações para a incorporadora. 6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de que modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. Além da decisão acima, temos ainda a Súmula CARF nº 113, a qual confirma a tese exposta: Súmula CARF nº 113 A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão, independentemente de esse crédito ser formalizado, por meio de lançamento de ofício, antes ou depois do evento sucessório. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 11176.000319/200724 Acórdão n.º 9202007.847 CSRFT2 Fl. 4 5 Diante do exposto, aplicandose ao caso o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 923.012/MG e da Súmula CARF nº 113, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 744DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.919896/2017-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Exercício: 2017
"DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES.
O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado.
No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos.
Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-007.144
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2017 "DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES. O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2017 "DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES. O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 98 96 /2 01 7- 44 Fl. 154DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 Relatório Trata-se de processo administrativo no qual discute-se a tributação dos valores recebidos pela recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes. O reconhecimento do direito creditório foi requerido por meio de Pedido de Restituição Eletrônico – PER/DCOMP, no qual é alegado pagamento indevido e/ou a maior de contribuições, apontando-se o DARF correspondente. Conforme Despacho Decisório Eletrônico, o direito creditório não foi reconhecido com o fundamento de que o pagamento apontado foi integralmente utilizado, seja em alocação a débito confessado em declaração entregue pela contribuinte, seja em DCOMP transmitida pela contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Devidamente cientificada, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, onde observa que tomou ciência de um total de 48 despachos decisórios de não homologação de indébitos de PIS e Cofins com a mesma fundamentação. Pede o reconhecimento da conexão e interdependência dos processos administrativos correspondentes e julgamento conjunto, de forma a evitar decisões conflitantes. Argumenta que os créditos de PIS/COFINS foram aproveitados de forma extemporânea pela requerente e decorrem do pagamento a maior de PIS/COFINS, em virtude da indevida inclusão na base de cálculo de tais contribuições de valores referentes a receitas de outras operadoras, relacionadas à interconexão de redes, o que motivou o pedido de restituição/compensação. Esclarece que, para a prestação dos serviços de telecomunicação a seus clientes, as prestadoras de serviços de telecomunicação, invariavelmente, têm que se valer da rede de outras prestadoras de telecomunicação, na forma denominada “interconexão de rede”, prevista nos dispositivos que menciona integrantes da legislação que rege os serviços de telecomunicações no âmbito da Anatel. Registra que a disponibilização da rede de telecomunicação para a Requerente é compulsória, por imposição legal e regulatória. Cita previsão legal de que as redes sejam interconectadas e de que haverá preço justo e adequado para esse uso da rede alheia. Nos casos em que a prestação do serviço de telecomunicação por parte da requerente envolve a cessão de meio de redes de um terceiro (doravante denominada genericamente de “interconexão de redes”), uma parte dos valores recebidos pela requerente dos seus clientes será necessariamente transferida a esse terceiro, como forma de remuneração por esse uso da rede. Portanto os valores recebidos pela requerente dos usuários a título de interconexão de rede não podem integrar a base de cálculo das contribuições, uma vez que esses valores não configuram receita da requerente, mas sim das outras operadoras que cederam as suas redes. Todavia, no entender da fiscalização, os valores pagos pela “interconexão de redes”, nada mais são do que uma despesa das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, havendo duas relações jurídicas distintas no caso, uma entre a requerente e os usuários e outra entre a requerente e as operadoras. Ou seja, os usuários não teriam relação jurídica com as operadoras cedentes, mas apenas com a requerente. Assim, os valores recebidos pela requerente dos usuários a título de interconexão de rede, ainda que repassados às operadoras cedentes, configurariam receita da requerente. Fl. 155DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 Na sequência, procura fazer a distinção entre receitas e meros ingressos patrimoniais, para concluir que valores como aqueles recebidos e repassados a título de interconexão de redes, que não incrementam o patrimônio da empresa, que simplesmente é obrigada, por lei ou por acordo, a arrecadar e a transferir tais valores para outra empresa, havendo um mero trânsito de numerário pelo caixa da empresa que arrecada. Tais valores, portanto, não podem ser considerados como receitas próprias, para fins de incidência das contribuições. Discorre também acerca de seu entendimento de que as receitas de interconexão configuram repasse a terceiros, sobre os quais não incidem tributos, não havendo necessidade de previsão legal para exclusão da base de cálculo. Cita decisões do CARF e decisão judicial do TRF da 4ª Região, bem como invoca, como discussão análoga, decisão acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, no RE 574.706, com repercussão geral. Também defende a ocorrência de dupla tributação de uma única prestação de serviço o que entende caracterizar bis in idem, invocando a sujeição das receitas decorrentes de prestação de serviço de comunicação à sistemática cumulativa (art. 8º, VIII, da Lei 10.637, de 2002, e art. 10 da Lei 10.833, de 2003). Em suas palavras há tributação pelo PIS/Cofins da receita total auferida pela requerente pela prestação do serviço de telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/Cofins pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada. Finaliza reprisando seus argumentos e pedindo a integral procedência do pedido de restituição. Após a análise do processo a DRJ não reconheceu o crédito pleiteado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consignando que receitas auferidas por empresas de telecomunicação (ainda que utilizem redes interligadas de outras operadoras) não têm sua exclusão prevista na determinação da base de cálculo estabelecida pela Lei nº 9.718, de 1998. Observou ainda que a interessada não trouxe aos autos qualquer documento que comprove a existência do crédito que pretende ver reconhecido. Registra que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ser restituído. Conforme consignado no acórdão, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito passível de restituição, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na fase em que aconteceu a conferência eletrônica do Pedido de Restituição e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nessa fase de contestação do despacho resultante. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de que se trata de um mero ingresso patrimonial e não uma receita, bem como que, ao contrário do entendimento esposado pela DRJ, não há necessidade de previsão legal para a exclusão da base de cálculo. Fl. 156DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.140, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.919888/2017-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.140): O Recurso Voluntário é tempestivo e a matéria é de competência deste Colegiado, razão pela qual dele conheço. A discussão em torno da qual gravita o presente processo é sobre a composição da base de cálculo das contribuições, especificamente se os valores recebidos a título de interconexão telefônica a integram, ou não. Em ocasiões anteriores, a última dela em 31 de janeiro de 2018 Acórdão 3302-006.530 exarado no processo 10880.919894/2017-55, de Relatoria do Conselheiro Jorge Lima Abud, tive a oportunidade de votar no sentido de que os referidos valores não integram a referida base de cálculo, em harmonia com o entendimento de outras Turmas deste Colegiado. Contudo, atualmente este entendimento é isolado, como se infere do julgamento do processo 10768.906953/200669, acórdão 3301005.669 proferido por unanimidade pela Primeira Turma desta mesma Câmara também no dia 31 de janeiro de 2019, Por esta razão, em homenagem à colegiabilidade, adoto e transcrevo o voto do Conselheiro Jorge Lima Abud, no qual restei vencido em 31 de janeiro de 2019, nesta Turma, ainda que com composição diversa, para admitir a inclusão da "Receita de Interconexão de Rede" na base de cálculo do PIS e da COFINS. "Para o adequado deslinde da questão é necessária uma abordagem a respeito da forma como as redes são organizadas como vias integradas de livre circulação. O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa TIM CELULAR S.A. é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. A organização dos serviços de telecomunicações está regulada pelo art. 146 da Lei n o 9.472, de 16 de julho de 1997, que assim estabelece: Art. 146. As redes serão organizadas como vias integradas de livre circulação, nos termos seguintes: - é obrigatória a interconexão entre as redes, na forma da regulamentação; - deverá ser assegurada a operação integrada das redes, em âmbito nacional e internacional; - o direito de propriedade sobre as redes é condicionado pelo dever de cumprimento de sua função social. Parágrafo único. Interconexão é a ligação entre redes de telecomunicações funcionalmente compatíveis, de modo que os usuários de serviços de uma das redes possam comunicar-se com usuários de serviços de outra ou acessar serviços nela disponíveis. Fl. 157DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. Essa regra decorre das disposições contidas nos arts. 2 o e 3 o da Lei n~ 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterada pela Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, editadas, portanto, após a publicação da Lei n° 9.472, de 1997, que assim dispõe: Art. 2° As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1° Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluem-se da receita bruta: (Grifou-se) I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II - as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita;- revogado pela alínea “b” do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.991-18, de 09 de junho de 2000, atual Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001; III - a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. § 4° Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considera-se receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5° Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5°, poderão excluir ou deduzir: I - no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; deságio na colocação de títulos; perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; Fl. 158DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II - no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III - no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV - no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. § 7° As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6° restringem-se aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. § 8° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: I - imobiliários, nos termos da Lei n° 9.514, de 20 de novembro de 1997; II - financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I - co-responsabilidades cedidas; II - a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III - o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (NR) Não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e deduções da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços”. Nesse sentido, as Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que tratam da incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, em seus art. 8°, inciso VIII e art. 10, inciso VIII, assim dispõem: - Lei n° 10.637, de 2002. Art. 8° Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 6°: (...) VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; (...) - Lei n ° 10.833, de 2003. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 8°: (...) VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; Fl. 159DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 (...) Transcreve-se os itens 13 a 16 da Solução de Consulta da COSIT de nº 06, de 31/03/2004: Assim sendo, deve ser ressaltado que, em matéria de exclusão e dedução de base de cálculo, a interpretação deve ser estrita, afastando-se a possibilidade de uma interpretação que permita, por via de uma abordagem mais restritiva do conceito de receita bruta, excluir valores da base de cálculo não expressamente autorizados por lei. Logo, analisada a legislação transcrita que trata da matéria sob exame, chega- se ao entendimento de que não há qualquer dispositivo legal que autorize as concessionárias prestadoras de serviços ao usuário demandante a excluir ou deduzir de seu faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os valores pagos ou repassados a outras operadoras pela “co-prestação dos serviços”. Desta forma, conclui-se que o legislador entendeu que os valores pagos pela “co-prestação de serviços”, nada mais é que uma despesa das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, uma vez que se não fossem utilizados os serviços de outras concessionárias para a conclusão do serviço solicitado, a empresa operadora teria que possuir instalações próprias, equipamentos, empregados etc., nas diversas localidades para executar o serviço requerido pelo usuário do sistema, o que implicaria, sem dúvida alguma, para a operadora que atendeu o seu cliente, incorrer em novos custos e despesas próprios para a obtenção daquela mesma receita. Cabe registrar ainda, por ser oportuno, que as notas fiscais/faturas emitidas, recentemente pelas concessionárias de serviços de telecomunicações aos usuários finais de seus serviços, deixam claro e evidente, e sem qualquer equívoco, que sobre os valores totais das contas/telefônicas faturadas aos usuários, incluem-se os custos das mencionadas contribuições. Ademais, cabe esclarecer que outros setores da economia nacional devido à natureza de suas atividades também se sujeitam a disciplinamentos e regulamentos baixados pelo Poder Público, tais como: o de produção, transmissão e comercialização de energia elétrica, o de seguros, o de saúde, o de exploração de petróleo (onde existe o pagamento obrigatório de royalties), o de combustíveis líquidos gasosos, o de transportes coletivos (que se obriga ao pagamento de taxas de embarques). Sendo certo que os valores do PIS/Pasep e da Cofins são recolhidos sobre os 100% da receita bruta arrecadada. E, por fim, a conclusão: Conclusão 17. Diante do exposto, ... os valores pagos pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres, a título de “co-prestação de serviços”, por serem considerados despesas das operadoras, não podem ser excluídos do faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No mesmo sentido, a Solução de Consulta DISIT / SRRF da 7 a Região, de n° 329, de 22 julho de 2004, está assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins RECEITA. CONCEITO. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÃO. CUSTOS COM USO DE REDE ALHEIA PARA COMPLEMENTAÇÃO DE LIGAÇÃO TELEFÔNICA. roaming .Receita, que não se confunde com o lucro, significa o preço recebido pela prestação de serviço contratado de modo bilateral com o cliente, sem qualquer consideração a respeito dos custos e despesas necessários à prestação. Se o ajuste de vontade dá-se única e exclusivamente entre a operadora de telefonia e seu cliente, que não conhece e nem se relaciona com Fl. 160DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 eventuais empresas cujas redes são necessárias para o complemento da ligação, o valor pago pelo segundo é receita exclusiva da primeira. Não é lícito às prestadoras de serviços de telecomunicações excluir da base de cálculo da contribuição os custos conhecidos como roaming . (destaques incluídos) - A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS E AS RECEITAS DE INTERCONEXÃO DE REDES - A DISTINÇÃO ENTRE RECEITA E MEROS INGRESSOS PATRIMONIAIS. É alegado nos itens 19 e 20 do Recurso Voluntário: 19. Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não se configuram como receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não são "receitas" da Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. 20. Do ponto de vista jurídico, para que possa ser qualificada como "receita", a entrada de recursos no patrimônio da pessoa jurídica não deve ser meramente transitória, mas sim em caráter definitivo, como que se integrando e aumentando o patrimônio da entidade. E prossegue nos itens 24 a 27 do Recurso Voluntário: No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação. Em suma, os valores de interconexão são cobrados ou arrecadados por conta e ordem dos terceiros titulares efetivos desses ingressos, pois foram esses terceiros que viabilizaram uma parte do serviço de telecomunicação e deverão auferir e tributar a receita correspondente a essa parcela que executaram. Não se trata de equiparar receita a lucro, mas saber distinguir entre receitas verdadeiras e meros ingressos patrimoniais transitórios. Como dito no tópico anterior, não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e deduções da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços”. Nesta matéria, a NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federa de Contabilidade, dispõe que Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge Fl. 161DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecê-la. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Previamente, cabe esclarecer que, na legislação tributária, não se encontra a definição do conceito de receita. Por se tratar de um conceito eminentemente contábil, utilizado pela legislação tributária, a definição que melhor representa o conceito de receita, inequivocamente, é que aquele veiculado pelas normas contábeis editadas pelo CFC, de obediência obrigatória por todo o profissional que atua na área contábil. E no âmbito das referidas normasn contábeis, a definição de receita encontra-se estabelecida no item 7 da Resolução CFC 1.412/2012 1 , que deu nova redação à “NBC TG 30 – Receitas”, com os seguintes dizeres: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. No “Apêndice A - Definição de termos” da Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TG 47 2 , de 25 de novembro de 2016, vigente a partir de 1/1/2018, a definição de receita passou ter a seguinte redação: Aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil, originado no curso das atividades usuais da entidade, na forma de fluxos de entrada ou aumentos nos ativos ou redução nos passivos que resultam em aumento no patrimônio líquido, e que não sejam provenientes de aportes dos participantes do patrimônio. Com mais detalhes, a referida definição também encontra-se estabelecida na Norma Brasileiro da Contabilidade, que dispõe sobre a Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro (NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL), aprovada pela Resolução CFC 1.374/2011 3 , a seguir reproduzido: 70. Receitas e despesas são definidas como segue: (a) Receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultem em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade; e (b) Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída de recursos ou redução de ativos ou incremento em passivos, que resultem em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição aos proprietários da entidade. 1 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1412.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 2 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG47.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 3 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1374.pdf> Acesso em 21 mar. 2017. Fl. 162DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 71. As definições de receitas e despesas identificam os seus aspectos essenciais, mas não especificam os critérios que precisam ser satisfeitos para que sejam reconhecidas na demonstração do resultado. Os critérios para o reconhecimento das receitas e despesas são comentados nos itens 82 a 98. 72. As receitas e despesas podem ser apresentadas na demonstração do resultado de diferentes maneiras, de modo que prestem informações relevantes para a tomada de decisões. Por exemplo, é prática comum distinguir entre receitas e despesas que surgem no curso das atividades usuais da entidade e as demais. Essa distinção é feita porque a fonte de uma receita é relevante na avaliação da capacidade que a entidade tenha de gerar caixa ou equivalentes de caixa no futuro; por exemplo, receitas oriundas de atividades eventuais como a venda de um investimento de longo prazo normalmente não se repetem numa base regular. Nessa distinção, deve-se levar em conta a natureza da entidade e suas operações. Itens que resultam das atividades ordinárias de uma entidade podem ser incomuns em outras entidades. 73. A distinção entre itens de receitas e de despesas e a sua combinação de diferentes maneiras também permitem demonstrar várias formas de medir o desempenho da entidade, com maior ou menor abrangência de itens. Por exemplo, a demonstração do resultado pode apresentar a margem bruta, o lucro ou prejuízo das atividades ordinárias antes dos tributos sobre o resultado, o lucro ou o prejuízo das atividades ordinárias depois desses tributos e o lucro ou prejuízo líquido. Receitas 74. A definição de receita abrange tanto receitas propriamente ditas como ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias de uma entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e aluguéis. 75. Ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos e, como tal, não diferem, em natureza, das receitas. Conseqüentemente, não são considerados como um elemento separado nesta Estrutura Conceitual. 76. Ganhos incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não- correntes. A definição de receita também inclui ganhos não realizados; por exemplo, os que resultam da reavaliação de títulos negociáveis e os que resultam de aumentos no valor de ativos a longo prazo. Quando esses ganhos são reconhecidos na demonstração do resultado, eles são usualmente apresentados separadamente, porque sua divulgação é útil para fins de tomada de decisões econômicas. Esses ganhos são, na maioria das vezes, mostrados líquidos das respectivas despesas. 77. Vários tipos de ativos podem ser recebidos ou aumentados por meio da receita; exemplos incluem caixa, contas a receber, mercadorias e serviços recebidos em troca de mercadorias e serviços fornecidos. A receita também pode resultar da liquidação de passivos. Por exemplo, a entidade pode fornecer mercadorias e serviços a um credor em liquidação da obrigação de pagar um empréstimo. [...] (grifos não originais) Com base nos textos transcritos, pode-se afirmar que as receitas se caracterizam pelos aumentos nos benefícios econômicos, que podem ser representados pela (i) aumento de ativos com a entrada de recursos, ou (ii) diminuição de passivos sem a saída de recursos, que resultem, nas duas hipóteses, em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de recursos aportados pelos proprietários da entidade. O conceito amplo (lato sensu) de receita compreende o conceito estrito (stricto sensu) de receita ou receita propriamente dita e os Fl. 163DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 ganhos. As receitas propriamente ditas incluem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária, enquanto que os ganhos compreendem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária ou não. No mesmo sentido a abalizada doutrina de Solon Sehn, para quem: [...] O dispositivo [art. 1º, § 1º, da Lei 10.833/2003]deve ser interpretado conforme a Constituição, de modo que por receita se entendam apenas os ingressos de soma em dinheiro ou qualquer outro bem ou direito susceptível de apreciação pecuniária decorrente de ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo. Daí resulta que não podem ser incluídos na base de cálculo da Cofins, os ingressos que não se enquadram no conceito de receita, como as simples entradas de caixa, os reembolsos, as cauções, depósitos, os empréstimos contraídos ou amortizações dos concedidos, enfim, todas as demais somas escrituradas sob reserva de serem restituídas ou pagas a terceiro por qualquer razão de direito e as indenizações (por dano emergente) 4 . (os últimos destaque não constam dos originais). Com base nesse entendimento, chega-se à conclusão de que o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços” representam ingressos de valores no ativo sem correspondência no passivo, o que implica aumento do patrimônio líquido. Dessa forma, se o referido valor representa ganho não decorrente da atividade principal, ele representa receita da atividade não ordinária, sob a forma de incremento do ativo e do patrimônio líquido, portanto, receita integrante da base de cálculo das contribuições. E como não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização. - AS RECEITAS DE INTERCONEXÃO E O REPASSE A TERCEIROS - A NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO E A DESNECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. É alegado nos itens 34 a 37 do Recurso Voluntário: Cabe destacar que não há, no caso da interconexão de redes, uma duplicidade de relações jurídicas: uma primeira, entre a Recorrente e o seu cliente, e uma segunda, entre a Recorrente e outras operadoras de telecomunicação. O que existe é uma única relação jurídica incindível relativa à prestação do serviço de telecomunicação, que, para ser executada, depende da intervenção de um terceiro - outra operadora - que deve necessariamente ceder os meios de rede para que a prestação de telecomunicação se aperfeiçoe. Não há propriamente uma prestação do serviço de telecomunicação entre a Recorrente e a outra operadora. Na verdade, a outra operadora tem que compartilhar a sua rede para que a Recorrente possa prestar o serviço de telecomunicação. E será devidamente remunerada por esse uso. Considerar a interconexão de redes uma prestação de um serviço é, data venia, admitir que, quando a rede de mais de uma prestadora é acionada na prestação de um serviço de telecomunicação, tem-se não a prestação de um único serviço de telecomunicação, mas tantas prestações de serviços quantas forem as redes utilizadas. Esse raciocínio não faz qualquer sentido, tendo em vista que a prestação do serviço de telecomunicação se estabelece para que uma pessoa 4 SEHN, Solon. PIS-COFINS: Não Cumulatividade e Regime de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 230. Fl. 164DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 consiga transmitir uma mensagem a outra, por meio de um terceiro, que é o prestador do serviço. (Grifo e negrito próprios do original) Repisa-se: O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa TIM CELULAR S.A. é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. (...) - A DUPLA TRIBUTAÇÃO DE UMA ÚNICA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO - O BIS IN IDEM TRIBUTÁRIO. É alegado no item 63 do Recurso Voluntário: Na prática, a tributação pelo PIS/COFINS das receitas de interconexão de rede implica um bin in idem tributário, isto é, a dupla imposição dessas contribuições sobre um único fato gerador consubstanciado na receita oriunda da prestação do serviço de telecomunicação. E prossegue nos itens 68 e 69 do Recurso Voluntário: Isso significa, portanto, que a receita da prestação do serviço de telecomunicação é tributada sem que haja a possibilidade de desconto de créditos decorrentes do tributo incidente sobre prestações de serviço necessárias àquela prestação do serviço de telecomunicação. Não há, pois, qualquer desconto de crédito sobre eventuais valores repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes. Daí porque se verifica que a tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica uma dupla incidência tributária de PIS/COFINS sobre uma mesma prestação de serviço. A argumentação de bis in idem não procede. Isso porque a empresa TIM CELULAR S.A. assume com outras operadoras uma dívida por utilização de redes interconectadas e esse fato não guarda qualquer relação com o pagamento da conta individual pelo cliente. Os dois fatos se revelam independentes. Mesmo que o cliente não pague ou atrase o pagamento de sua conta, a empresa TIM CELULAR S.A. permanece devedora da outra operadora cuja rede foi utilizada por seu cliente. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. Entendimento análogo foi adotado pela Primeira Turma da Terceira Câmara dessa Terceira Sessão, que também nega a pretensão da Recorrente de retirar as receitas de interconexão da base de cálculo das contribuições sociais, acórdão 3301005.669 proferido nos autos do processo 10768.906953/200669, verbis. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. DESPESAS DE INTERCONEXÃO Fl. 165DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.144 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919896/2017-44 TELEFÔNICA - INDEDUTIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins é o total do valor cobrado pela prestação de serviços de telecomunicação. A remuneração recebida dos usuários é preço do serviço de comunicação e as despesas incorridas pelas operadoras de telefonia para interconexão telefônica, utilizando-se de infraestrutura de telecomunicações de outra concessionária de serviço para a adequada prestação de seu serviço é despesa operacional da prestação de serviços, não podendo ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Do preço do serviço cobrado dos consumidores, a parcela repassada para outras empresas de telefonia compõem a receita bruta, não se tratando de mero ingresso financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Ari Vendramini, Marco Antônio Marinho Nunes e Valcir Gassen, votaram pelas conclusões, para negar provimento em razão da aplicação do art. 62 do Regimento Interno do CARF que determina a reprodução nos julgados das decisões do STJ em repetitivo. Julgou-se suspeita a Conselheira Semírames de Oliveira Duro e não participou do julgamento. Desta feita, concordando com tais argumentos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001537/00-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA.
Não se exige que entre os acórdãos recorrido e paradigma se tenha uma identidade fática, contudo, a similitude fática é de extrema relevância para se garantir segurança jurídica a pacificação da divergência jurisprudencial alegada. Não satisfeito tal requisito, nega-se conhecimento ao recurso especial.
Numero da decisão: 9101-004.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente) Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. Não se exige que entre os acórdãos recorrido e paradigma se tenha uma identidade fática, contudo, a similitude fática é de extrema relevância para se garantir segurança jurídica a pacificação da divergência jurisprudencial alegada. Não satisfeito tal requisito, negase conhecimento ao recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente) Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 15 37 /0 0- 77 Fl. 428DF CARF MF 2 Relatório Tratase o presente processo de pedido de restituição no valor de R$ 364.401,77, cumulado com pedidos de compensação, tendo como origem de crédito o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1999, após considerada a compensação espontânea. O despacho decisório (efls. 85 a 87) deferiu parcialmente o pedido de restituição, ressaltando que deveria ser deduzida a compensação espontânea do saldo apurado. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. (efls. 91 e 92). Por meio do despacho de efls. 120, o SECOJ/DRJ/SP1 intimou a interessada a apresentar o Estatuto Social da empresa, para que fosse verificado se o signatário da Manifestação de Inconformidade da empresa detinha poderes para representála. Através do despacho de fls. 156/157, o Presidente da Quarta Turma Julgadora da DRJ/SPI entendeu que havia precluído o direito da empresa oporse ao decidido no Despacho Decisório de fls. 81/83, uma vez que o signatário da Manifestação de Inconformidade não tinha poderes para tanto. Por esta razão, entendeu também que não chegou a ser instaurado o contraditório administrativo. Cientificada do referido despacho (fls. 163), a interessada apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 169/188), pedindo em preliminar a nulidade do despacho que não admitiu a Manifestação do Inconformidade por ofensa ao princípio da ampla defesa. No mérito, requereu o reconhecimento da totalidade do pleito creditório. O Acórdão do Recurso Voluntário nº 130200.687, de 4 de agosto de 2011 (efls 385 a 388), por unanimidade de votos, não conheceu do recurso voluntário. Vejase a ementa de tal decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. O recurso voluntário se presta para atacar decisão colegiada de primeira instância (PAF, art. 25, II). Não havendo decisão de primeira instância, não há que se falar em conhecimento de recurso voluntário Inconformada, a Contribuinte interpôs recurso especial em 11/05/2012 (efls. 392 a 403) alegando divergência jurisprudencial em relação ao entendimento do acórdão recorrido que não conheceu do recurso voluntário, uma vez que a manifestação de inconformidade não foi conhecida pela autoridade de primeira instância, em virtude de defeito de representação. Apresentou os seguintes Acórdãos paradigmas: Acórdão nº 20170.852 ITR FALTA DE INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. 1 O próprio sujeito passivo, em Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11831.001537/0077 Acórdão n.º 9101004.216 CSRFT1 Fl. 429 3 processo administrativo, ao contrário do judicial, pode subscrever impugnações e recursos. 0 fazendo através de Advogado, deverá ser anexado instrumento de procuração. Não estando o processo devidamente instruído com a mesma, devera a autoridade julgadora a quo, saneando o processo nos termos do art. 13 do CPC, intimar o contribuinte para anexála. Decisão que não conheça do recurso por falta de instrumento de procuração, sem antes intimálo nos termos supra, será nula por afetar o direito de defesa do contribuinte. 2 Não sendo válida a decisão "a quo", nula será a decisão de órgão julgador recursal enquanto pendente aquela, pois seria suprimida uma instancia julgadora, o que feriria o principio do devido processo legal. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive, para que outra seja prolatada atacando o mérito. Acórdão nº 20178.412 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE NÃO CONHECE DA IMPUGNAÇÃO POR DEFEITO DE REPRESENTAÇÃO. RATIFICAÇÃO IMPLÍCITA DOS ATOS PELOS DIRETORES DO CONTRIBUINTE. NULIDADE. Reformase o Acórdão de primeira instância que não conhece da impugnação, por defeito de representação processual, quando, pelos atos praticados no processo, possase concluir ter ocorrido ratificação implícita do mandado, posteriormente ratificado expressamente. Na hipótese, os autos devem retomar à DRJ para apreciação do mérito da manifestação de inconformidade. O Despacho de Admissibilidade (efls. 417 a 420) entendeu estar presente a divergência apontada e deu seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (efls. 422 a 425), reiterando seus argumentos, sem questionar conhecimento. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento No que pese o despacho de admissibilidade ter admitido os dois acórdãos paradigmas apresentados pela recorrente, quais sejam: 20170.652 e 20178.412, com o devido respeito, discordo de tal análise, pois os acórdãos paradigmas carecem de similitude fática com o caso concreto. De fato, ambos os paradigmas tratam de representação processual deficitária; isto é inconteste. Contudo, nos dois casos, o vício na representação se deu por falta de procuração do advogado ou problemas no teor da própria procuração. Comprovase: Acórdão paradigma nº 20170.652 – efl. 406 Excerto do Relatório: A autoridade julgadora monocrática, em 25/05/1992, à época a Delegacia da Receita Federal em Cuiabá – MT, não conheceu da impugnação (fls. 07/08), forte no fato de que não havia instrumento de procuração dando poderes ao Advogado que assinou a impugnação. Em 05/08/92, o procurador do contribuinte anexa procuração pública lhe dando poderes para litigar nesta esfera e pedindo a apreciação da impugnação. Excerto do Voto: Certo é, porém, que não houve decisão de primeiro grau, após sanado o processo quanto a regularidade da procuração. É sabido por todos e por mim já várias vezes manifestado, que o duplo grau de jurisdição é corolário do due process of law, estendendo seus efeitos ao processo administrativo. Não tendo havido decisão meritória na instância a quo, viciada de nulidade estará a decisão deste Colegiado enquanto pendente àquela, pois estaria sendo suprimida uma instância, e, desta forma, maculado estarão os cânones processuais constitucionais que regulam a matéria. Acórdão paradigma nº 20178.412 – efl. 409 (excerto do voto) Basicamente, foram três as razões pelas quais o Acórdão de primeira instância deixou de tornar conhecimento da manifestação de inconformidade: 1) ausência de procuração ou substabelecimento válidos, anteriormente ao pedido; 2) nova procuração apenas para o “foro em geral”, sendo que os poderes do novo substabelecimento extrapolam os da procuração, e 3) ausência de convalidação dos atos praticados pela nova procuração. Todavia, no caso destes autos, os fatos são outros. O contribuinte apresentou pedido de restituição cumulado com pedidos de compensação (efls. 3; 64 a 74) de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano de 1999. O direito créditório foi parcialmente reconhecido (despacho decisório – efls. 85 a 88). Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11831.001537/0077 Acórdão n.º 9101004.216 CSRFT1 Fl. 430 5 Valendose de seu direito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 91 a 92) requerendo a revisão e o reconhecimento do saldo credor total por ela indicado e a consequente homologação das compensações. A questão é que quem assinou esta peça impugnatória foi o Sr. Flávio Márcio P. Barreto – Diretor da impugnante. Logo na sequência dos autos, há um despacho da DRF (e fl. 120) dizendo que não consta nos autos o estatuto social da empresa para verificar o poder do signatário quanto à assinatura da manifestação de inconformidade, ordenando que os autos fossem encaminhados para a ECRER/DIOT/DERAT/SP para que seja intimado o contribuinte para regularizar essa omissão e, só então, dispor os autos para julgamento. À efl. 121 foi juntada ata de assembleia ordinária e extraordinária que não solucionava a questão do signatária. Tanto que, à efl. 127, novamente a DRF se pronunciou dizendo o seguinte: Retornemse os autos à DERAT/SPO/DIORT/ECRER para cumprimento do solicitado no despacho (fl. 115) uma vez que a documentação juntada, fls. 116 a 119, não corresponde à cópia do Estatuto Social, único instrumento capaz para se verificar que o signatário da manifestação de inconformidade tem poderes para representar a sociedade. Após, retornem os autos para julgamento. A intimação encontrase à efl. 128, e o AR da efl. 129, comprova o recebimento em 27 de setembro de 2007. A DRJ ao analisar o estatuto social, constatou que pelo artigo 26, quem possui poderem para representar a sociedade ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, é o Direito Presidente e, como o signatário da manifestação de inconformidade é o Diretor da sociedade, a defesa da contribuinte não foi conhecida, razão pela qual, em seu recurso especial ela pleiteia a nulidade tanto do acórdão da DRJ quanto do acórdão da segunda instância, que também não conheceu do recurso voluntário. Reproduzse abaixo o artigo 26, do estatuto social: Art. 26 – Observado o disposto no artigo seguinte, cada um dos membros da Diretoria é investido de poderes para representar a sociedade e praticar os atos necessários ao seu funcionamento regular, ressalvado competir, privativamente: I – ao Diretor Presidente: a) cumprir e fazer cumprir o estatuto social, assim como as resoluções das Assembléias Gerais, do Conselho de Administração e da Diretoria; b) representar a sociedade, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, especialmente para receber citação inicial e prestar depoimento pessoal sendo a ele facultado designar e constituir procurador especial para estas duas últimas hipótese; (…) Evidenciase, portanto, no presente caso, que a contribuinte teve oportunidade de sanar o vício na representação processual e quando lhe dada tal oportunidade, Fl. 432DF CARF MF 6 apresentou seu estatuto social que não lhe dá poderes ao Diretor para representála em juízo. Ou seja, o caso em apreço é bem diferente dos expostos no acórdãos paradigmas, e em não havendo similitude fática, entre os acórdãos recorrido e paradigmas, não tomo conhecimento do recurso especial. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 433DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.904392/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/01/2012
DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir jUnto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-003.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2012 DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir jUnto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 43 92 /2 01 2- 21 Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13005.904392/201221 Acórdão n.º 1402003.941 S1C4T2 Fl. 307 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13005.904392/201221 Acórdão n.º 1402003.941 S1C4T2 Fl. 308 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. Tratase de Dcomp 33663.46915.300712.1.3.045458 que visou à compensar crédito de R$ 157.384,82 ali informado como decorrente de pagamento indevido/a maior. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade a contribuinte, resumidamente, aduz que: o recolhimento a maior, foi tempestivamente informado na respectiva DCTF; no entanto, "mesmo após a constatação do recolhimento indevido, que ocorreu após a entrega da referida DCTF, o Contribuinte não procedeu com a necessária retificação da DCTF supra mencionada, permanecendo, até a data da nossa ciência do DESPACHO DECISÓRIO, o valor a pagar errado (a maior) de IRPJ [...]" A DRJ, decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade devido a falta de comprovação de liquidez e certeza do crédito, eis que o mesmo foi utilizado para pagar outro débito da Recorrente. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as mesmas alegações da manifestação de inconformidade e acostou ao recurso a DCTF retificada, juntamente com a DIPJ/2012, anocalendário 2011. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13005.904392/201221 Acórdão n.º 1402003.941 S1C4T2 Fl. 309 4 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Segundo o r. Despacho Decisório proferido nos autos do processo em epigrafe, o crédito que a Recorrente pretende compensar não foi homologado nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Os fundamentos do v. acórdão recorrido para manutenção do indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação foi devido a falta de provas para comprovar a liquidez e certeza do crédito. A Recorrente, interpôs Recurso Voluntário rebatendo o fundamento do v. acórdão para manutenção do r. Despacho Decisório e acostou ao a DIPJ/2012, anocalendário 2011 e a DCTF retificada para tentar comprovar a liquidez e certeza do crédito. Entretanto, apenas a DCTF retificada e a DIPJ não são suficientes para comprovar a existência e regularidade do crédito em discussão nos autos, conforme muito bem explicado na decisão "a quo". Assim, como a Recorrente, por ocasião do presente contencioso, não se desincumbiu do ônus da prova constitutiva do direito que alega possuir (CPC, art 333, I), carreando aos autos documentos tais como: os registros contábeis, livros "Diário" e os registros pertinentes do livro "LALUR", entendo que o v. acórdão deve ser mantido. Feitos estes esclarecimentos e levandose em conta que a DCTF traduz confissão de divida (Decretolei n° 2.124, de 1984, artigo 5°, § 1 0) e a Recorrente não trouxe elementos contábeis que pudessem embasar seu entendimento de existência do crédito, entendo que deve sr mantido o r. Despacho Decisório. Desta forma, como o r. Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação por ter considerado que tal montante relativo a pagamento a maior Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13005.904392/201221 Acórdão n.º 1402003.941 S1C4T2 Fl. 310 5 de IRPJ teria sido utilizado para extinguir outros débitos da própria Recorrente e como não foi apresentado nos autos documentos contábeis e fiscais para comprovar a certeza e liquidez do crédito, não resta alternativa senão manter o v. acórdão, deixando de reconhecer o crédito e não homologar a compensação requerida. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 310DF CARF MF
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Numero do processo: 13161.720791/2017-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015
COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO RURAL ADQUIRIDO DE SEGURADO ESPECIAL. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES.
A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei 8.540/92, declarada com repercussão geral pelo STF no RE 596.177/RS, de 2011, não se estende á Lei 10.256/01, sobre a qual foi declarada a constitucionalidade, por meio do RE 718.874/RS, de 2017.
RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N° 15/2017. ALCANCE DOS SEUS EFEITOS. FATOS GERADORES APÓS A LEI N° 10.256, DE 2001. INAPLICABILIDADE.
A Resolução n° 15/2017, editada pelo Senado Federal, que suspendeu a execução de dispositivos da Lei n° 8.212, de 1991, atinge a contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas, inclusive a responsabilidade tributária, por sub-rogação, da empresa adquirente da produção rural, porém tão somente para fatos geradores anteriores à Lei n° 10.256, de 2001.
Numero da decisão: 2402-007.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira (presidente) Fernanda Melo Leal (suplemente convocada), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO RURAL ADQUIRIDO DE SEGURADO ESPECIAL. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei 8.540/92, declarada com repercussão geral pelo STF no RE 596.177/RS, de 2011, não se estende á Lei 10.256/01, sobre a qual foi declarada a constitucionalidade, por meio do RE 718.874/RS, de 2017. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N° 15/2017. ALCANCE DOS SEUS EFEITOS. FATOS GERADORES APÓS A LEI N° 10.256, DE 2001. INAPLICABILIDADE. A Resolução n° 15/2017, editada pelo Senado Federal, que suspendeu a execução de dispositivos da Lei n° 8.212, de 1991, atinge a contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas, inclusive a responsabilidade tributária, por sub-rogação, da empresa adquirente da produção rural, porém tão somente para fatos geradores anteriores à Lei n° 10.256, de 2001.
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SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei 8.540/92, declarada com repercussão geral pelo STF no RE 596.177/RS, de 2011, não se estende á Lei 10.256/01, sobre a qual foi declarada a constitucionalidade, por meio do RE 718.874/RS, de 2017. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N° 15/2017. ALCANCE DOS SEUS EFEITOS. FATOS GERADORES APÓS A LEI N° 10.256, DE 2001. INAPLICABILIDADE. A Resolução n° 15/2017, editada pelo Senado Federal, que suspendeu a execução de dispositivos da Lei n° 8.212, de 1991, atinge a contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas, inclusive a responsabilidade tributária, por subrogação, da empresa adquirente da produção rural, porém tão somente para fatos geradores anteriores à Lei n° 10.256, de 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 07 91 /2 01 7- 43 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13161.720791/201743 Acórdão n.º 2402007.420 S2C4T2 Fl. 295 2 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira (presidente) Fernanda Melo Leal (suplemente convocada), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. O lançamento, com multa de ofício qualificada, referiuse às contribuições sociais devidas pelo sujeito passivo à seguridade social, por subrogação, no período de 1/1/13 a 31/12/15, incidentes sobre a comercialização da produção rural de produtores rurais pessoas físicas, cujas bases de cálculo foram aferidas por meio as NFe de emissão do próprio contribuinte. Foi atribuída responsabilidade tributária ao Sr Antônio Adão Mavailler Vendas, com fulcro no artigo 124, I, do CTN, ao argumento de ser o real proprietário da empresa. O Relatório Fiscal encontrase às fls. 17/23. O lançamento foi impugnado pela autuada às fls. 222/227. Como já dito, a DRJ julgoa improcedente às fls. 259/266, em acórdão assim ementado: Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13161.720791/201743 Acórdão n.º 2402007.420 S2C4T2 Fl. 296 3 Contra o decisum acima, interpôs Recurso Voluntário às fls. 274/280, no qual aduziu, em síntese: Que não houve a ocorrência da revelia, pois não há intimação válida para terceiros. Além do quê, essa responsabilidade de terceiros só poderia ocorrer se delineada de forma clara e provada por autoridade judiciária. Que há nulidade absoluta do auto de infração por enquadramento legal da infração. Ademais, não consta o relatório do processo em questão. Que não comercializa produção rural. Logo, não poderia ser a receita bruta a base de cálculo para as contribuições. Que inexiste relação jurídica tributária, na medida em que o STF, no julgamento do RE 363.852, reconheceu expressamente a inconstitucionalidade do artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, ao tempo em que a Lei 10.256/2001 não restabeleceu a subrogação. Que a Resolução do Senado Federal nº 15, de 12/9/17, que suspendeu a execução do inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º da Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao art. 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao art. 30, inciso Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13161.720791/201743 Acórdão n.º 2402007.420 S2C4T2 Fl. 297 4 IV, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997. Que a Lei 10.256/2001, embora tenha restabelecido o artigo 25 da Lei 8.212/91, não alterou ou restabeleceu a subrogação que tratava o artigo 30 IV, da mesma lei. Que a LC 95/1998 veda o aproveitamento de artigos declarados inconstitucionais ou suspensa a sua execução pelo Senado Federal. Que o artigo 30 da Lei 8.212/91 disciplina a simples obrigação de recolhimento, não impondo obrigação de retenção, recolhimento e muito menos responsabilidade tributária. Que deveria constar dos autos a retenção nas notas de compra e a ausência dos recolhimentos. Aliás, nem relatório válido auxilia o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O requerente tomou ciência do acórdão recorrido em 3/9/18, consoante se denota de fl. 270 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 6/9/18 (fl.272). Preenchidos os demais requisitos, dele passo a conhecer. Cumpre registrar inicialmente, que o processo administrativo apensado a estes autos, a saber, o de nº 13161.721061/201760, encontrase instruído com auto de infração lavrado e relacionado ao processo 13161.720899/201736, que tramita em apartado. E mais, não há evidência de contencioso nesse processo em apenso. Feitas essas observações, voltemos à análise do recurso. Sustenta o recorrente que não haveria a ocorrência da revelia, pois não haveria intimação válida para terceiros. Além do quê, essa responsabilidade de terceiros só poderia ocorrer se delineada de forma clara e provada por autoridade judiciária. Todavia, há de se destacar que foi lavrado "Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal Responsabilidade Tributária" em desfavor do Sr. Antônio Adão Manvailler Vendas (fls. 215/217), do qual tomou ciência, via postal, mediante Aviso de Recebimento, em 25/9/17 (fls. 219). Segundo consta daquele termo, os documentos abaixo teriam sido a ele apresentados. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13161.720791/201743 Acórdão n.º 2402007.420 S2C4T2 Fl. 298 5 Nesse sentido, além de tratar de alegação genérica quanto à não validade da intimação, os fatos não militam a seu favor, sobretudo no que toca à necessidade de que tais circunstâncias precisarem ser "provada(s) por autoridade judiciária" (sic). No que diz respeito à suscitada nulidade absoluta do auto de infração por enquadramento legal da infração e a de que não constaria o relatório do processo em questão, tenho que não é bem assim. A descrição dos fatos e o procedimento adotado foram suficientemente claros para que o autuado soubesse qual a infração que lhe estava sendo imputada. Imputoulhe o Fisco, a responsabilidade, por subrogação, das contribuições (empresa + RAT) devidas à seguridade social pelas pessoas físicas, incidentes sobre a receita bruta da comercialização de sua produção rural, correspondentes aos exercícios de 2013 a 2015. Para tanto, o autuante cotejou as NFe de Entradas emitidas pelo próprio sujeito passivo e comparouas com os valores declarados em GFIP e/ou recolhidos, após produzir a planilha de fls. 26/68, na qual discriminou o número da nota, seu valor e a data de sua emissão, o CPF e nome do participante (que deu saída aos produtos), o CFOP e sua descrição. Feito isso, não vejo como prosperar qualquer alegação que conduza a nulidade do lançamento for falta de enquadramento legal. O fato de não comercializar a produção rural não é, a rigor, relevante para a incidência do artigo 30, IV, da Lei 8.212/91. Percebase que a receita bruta tomada como base de cálculo para a exação não é aquela decorrente de suas vendas, mas aquela caracterizada pelas vendas dos produtores rurais, dos quais adquirira a produção, que é, em última análise, consubstanciada pelo total das notas fiscais de entrada de sua emissão. Da inconstitucionalidade declarada no julgamento do RE 363.852/MG e ao alcance da Resolução do Senado de nº 15/2017. Por sua vez, no que toca à alegação que inexistiria relação jurídica tributária, na medida em que o STF, no julgamento do RE 363.852, teria reconhecido expressamente a inconstitucionalidade do artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, ao tempo em que a Lei 10.256/2001 não teria restabelecida a subrogação, não comungo desse entendimento. De igual sorte, quanto a assertiva de que Resolução do Senado Federal nº 15, de 12/9/17, que suspendeu a execução do inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º da Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao art. 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, penso não ter aplicação como pretende o recorrente. Vejamos: Quanto a esse tema, peço vênia para transcrever o voto condutor no acórdão nº 9202007.044, de 24/7/18, da lavra da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que negou provimento ao Recurso Especial daquele contribuinte. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13161.720791/201743 Acórdão n.º 2402007.420 S2C4T2 Fl. 299 6 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13161.720791/201743 Acórdão n.º 2402007.420 S2C4T2 Fl. 300 7 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13161.720791/201743 Acórdão n.º 2402007.420 S2C4T2 Fl. 301 8 [...] Somese aos fundamentos acima, o posicionamento da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no julgamento do acórdão 9202007280, de 23/10/18, abaixo parcialmente transcrito e que também negou provimento ao Recurso Especial daquele contribuinte, especialmente ao tratar da aplicabilidade do artigo 30, III e IV, da Lei 8.212/01: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13161.720791/201743 Acórdão n.º 2402007.420 S2C4T2 Fl. 302 9 [...] [...] Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13161.720791/201743 Acórdão n.º 2402007.420 S2C4T2 Fl. 303 10 Na sequência, no que tange à alegada suspensão da execução dos dispositivos por força da Resolução do Senado Federal n 15/2017, reproduzo aqui, por alinharme a ele, excerto do voto proferido pelo Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho no julgamento do acórdão 2402005.994, nos termos a seguir: Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13161.720791/201743 Acórdão n.º 2402007.420 S2C4T2 Fl. 304 11 Nesse rumo, forte nas fundamentações acima, as quais adoto como razões suficientes para decidir, concluo neste ponto por não assistir razão ao recorrente. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13899.001367/2003-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO PROCEDENTE. PAGAMENTO POSTERIOR. CONTROLE DO DÉBITO. COMPETÊNCIA DA DRF.
Procedente o lançamento, o controle do credito tributário constituído e do pagamento a ele correspondente, posteriormente efetuado, é de competência da Delegacia da Receita Federal.
Numero da decisão: 1001-001.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO PROCEDENTE. PAGAMENTO POSTERIOR. CONTROLE DO DÉBITO. COMPETÊNCIA DA DRF. Procedente o lançamento, o controle do credito tributário constituído e do pagamento a ele correspondente, posteriormente efetuado, é de competência da Delegacia da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 13 67 /2 00 3- 86 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13899.001367/200386 Acórdão n.º 1001001.311 S1C0T1 Fl. 256 2 O presente processo trata de Auto de Infração lavrado em 18/06/2003 (fls. 16 a 24). O auto teve por objeto Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF declarado e não recolhido, e acréscimos legais sobre recolhimentos em atraso de IRRF (juros de mora e multa de ofício), devidos no anocalendário de 1998. Transcrevo, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância, que resume o pleito (fls. 199 a 201): Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente de auditoria interna da DCTF/1998 indicativo de saldo em aberto de Irfonte no valor originário de R$ 1.199,19 bem como juros de mora e multa de oficio isolados como consequência de recolhimento de imposto de renda retido na fonte com atraso e sem os acréscimos devidos. Houve revisão de oficio parcial procedimento do qual resultou o cancelamento de Irfonte no valor originário de R$ 97,72. O remanescente de R$ 1.089,77 foi recolhido pelo contribuinte, com acréscimo de multa e juros de mora, conforme DARF fls.88, 90, 92, 94 e 96. As folhas citadas correspondem às folhas 175, 179, 183, 187 e 191 do processo digital. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, no Acórdão às fls. 199 a 201 do presente processo (Acórdão 0523.267, de 19/09/2008), julgou o lançamento procedente em parte. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. Comprovado o erro, cancelase o lançamento dele decorrente. MULTA DE OFICIO. DÉBITOS DECLARADOS. PAGAMENTO. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de pagamentos não localizados apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e n° 11.196/2005. O pagamento é forma de extinção do crédito tributário. No voto, esclareceuse que remanesciam para apreciação da DRJ, após revisão de lançamento efetuada pela autoridade administrativa: (i) os juros de mora e multa de ofício isolados, decorrentes de recolhimento de imposto com atraso e sem os acréscimos legais devidos; (ii) análise dos recolhimentos, posteriores ao lançamento, efetuados com acréscimos moratórios, e (iii) valor originário de IRRF não pago de R$ 11,70. Quanto aos pagamentos efetuados em atraso sem acréscimos legais, considerouse que os documentos juntados aos autos comprovavam que o contribuinte havia errado na indicação dos períodos de apuração. Que se constatava que os recolhimentos haviam sido efetuados no prazo. Que, assim, impunhase o cancelamento da multa de ofício isolada. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13899.001367/200386 Acórdão n.º 1001001.311 S1C0T1 Fl. 257 3 Quanto ao valor originário de R$ 11,70, que os documentos juntados aos autos permitiam concluir que havia sido declarado em duplicidade na DCTF do período de apuração da 1ª semana de outubro de 1998. Dessa forma, impunhase seu cancelamento. Quanto ao valor originário remanescente de R$ 1.089,77, que não restou justificada a falta de pagamento que deu origem ao lançamento. Porém, o valor foi recolhido pela empresa após o auto de infração. Esclareceuse que o lançamento obedecia ao determinado no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Que tal sistemática havia perdurado até a edição da MP nº 135/2003, convalidada na Lei nº 10.833/2003, cujo art. 18 havia limitado as hipóteses de incidência do referido art. 90. Que assim, pelo princípio da retroatividade benigna (art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN), exoneravase a penalidade referente ao valor lançado, de sorte que eram válidos os recolhimentos efetuados após o lançamento, porque acrescidos de juros e multa de mora. Concluiuse pela procedência parcial o lançamento, mantendose o valor originário de R$ 1.089,77, acrescido de multa de mora. E concluiuse pela quitação de tal débito pelos recolhimentos às fls. 175, 179, 183, 187, 191, considerandose, assim, extinto o crédito tributário, conforme o quadro abaixo reproduzido (valores em reais, nº das folhas atualizado): Exigido Revisto de Ofício e Cancelado Cancelado Mantido/Pago 1.199,19 97,72 11,70 1.089,77 * * cancelar multa de ofício; recolhido conforme DARF fls. 175, 179, 183, 187 e 191 Não consta no processo a data da ciência da decisão de primeira instância. Constam apenas a data da intimação enviada para cientificar o contribuinte da decisão – 10/11/2009 (fl. 211), e a data em que a empresa teve vistas do processo – 25/11/2009 (fl. 221). O contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/11/2009 (recurso às fls. 223 a 225, carimbo aposto na primeira folha), passados quinze dias contados da lavratura do referido Termo de Intimação, e no mesmo dia das vistas. No recurso a empresa ressalta que, conforme esclarecido na decisão recorrida, o débito remanescente foi integralmente recolhido, com acréscimos moratórios. Anexa os DARF correspondentes às fls. 239 a 241. Assim, pede o cancelamento do débito. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora Apesar da ausência do AR, a ciência não poderia ser anterior a 10/11/2009, data em que foi lavrada a intimação enviada ao contribuinte. Como o Recurso Voluntário foi apresentado apenas quinze dias após essa data, concluise que é tempestivo. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13899.001367/200386 Acórdão n.º 1001001.311 S1C0T1 Fl. 258 4 Assim, o recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal (PAF). Dele conheço. Conforme relatório, os débitos remanescentes em litígio referemse a débitos de IRRF declarados em DCTF e não pagos até a data da lavratura do auto de infração (18/06/2003), no valor total de R$ 1.089,77. Os comprovantes de pagamento encontramse à fls. 175, 179, 183, 187 e 191. Todos datam de 08/08/2003, após a ciência do auto, que se deu em 17/07/2003, de acordo com os documentos à fls. 149 e 151. Assim, conforme decidido em primeira instância, em relação a este valor o lançamento de ofício foi procedente e não merece reparos. Ocorre que, posteriormente, a empresa recolheu aos cofres públicos valores que quitam os débitos constituídos. Não há que se exonerar os débitos, mas extinguilos através dos pagamentos posteriormente efetuados. Porém, a competência para controle do crédito tributário e do pagamento a ele referente é da Delegacia da Receita Federal, conforme o Regimento Interno da RFB (Portaria MF nº 430/2017), Anexo I, artigo 270. Diante do exposto, voto negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917915/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.970
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
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(assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Trata o presente de PER/DCOMP apresentada eletronicamente, que restou indeferida, consoante razões consignadas no Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho decisório é nulo porque não buscou a verdade material que é o elemento fundamental da validade dos atos administrativos; que o valor recolhido a título de COFINS se tornou indevido por ter incidido sobre as demais receitas nãooperacionais uma vez que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que havia dado suporte à referida exigência foi declarado inconstitucional; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 91 5/ 20 11 -0 6 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.917915/201106 Resolução nº 3201001.970 S3C2T1 Fl. 3 2 que as informações constantes na DCTF não são válidas porque o cálculo do débito declarado considerou as prescrições contidas no dispositivo declarado inconstitucional; que para provar o alegado, juntou cópia da ficha Razão com o registro das “outras receitas” que foram, também, tomadas como base de cálculo para a incidência das contribuições declaradas inconstitucionais e cópia da ficha Razão da conta de Cofins e PIS a recolher, na qual há o registro da apuração dessas contribuições sobre as demais receitas, cujos valores foram recolhidos nos DARF indicados nos PER/Dcomp; que no caso das provas contábeis apresentadas serem insuficientes para formar o juízo que seja determinada a realização de diligência; A DRJ julgou improcedente a impugnação. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: I Dos Fatos A Recorrente expõe que o objeto do presente processo consiste no pedido de restituição (PER) decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (REsp 346.084/PR), que permitia a incidência do PIS/COFINS sobre toda e qualquer receita do contribuinte. II Do Direito A Recorrente relata que os fundamentos da negativa do pedido de restituição são dois: no despacho decisório, foi o de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte; na decisão recorrida, foi o da ausência de provas da base de cálculo da COFINS que se pretende restituir. Em seguida discorre sobre a PER/DCOMP como tendo força constitutiva e autônoma. Conclui afirmando que houve pagamento a maior vinculado a DARF. A Recorrente alega que não pode ser responsabilizada pela não apresentação de DCTF retificadora. Nessa linha, o despacho decisório seria nulo pois não buscou a verdade material. A decisão ora recorrida também não observou o princípio da verdade material. Alega a legitimidade do crédito pleiteado em razão dos valores indevidamente recolhidos. Relata a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que erroneamente considerou como base de cálculo a receita bruta. Cita jurisprudência do CARF. Passa a descrever os efeitos da declaração de inconstitucionalidade e alegar quanto a invalidade das declarações preenchidas com base no dispositivo declarado inconstitucional. Sustenta que o débito confessado em DCTF está majorado, pois foi apurado de forma inválida. Argumenta quanto a superficialidade do exame centrado apenas na DCTF. No tocante a prova do crédito requerido, a Recorrente alega que juntou a folha do livro razão. Em continuidade, diz que uma simples análise da DIPJ evidencia que o valor recolhido a título de COFINS foi indevido. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.917915/201106 Resolução nº 3201001.970 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente tem plena certeza das razões e provas acostadas aos autos, e em caso de dúvidas requer a realização de diligência fiscal. Elenca os quesitos para a diligência. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.968, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10830.917911/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.968): "Inicialmente cabe reforçar o alegado pela Recorrente quanto a declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/98 em decisão plenária do STF. Além disso, o mesmo foi revogado pela Lei n.º 11.941/09, não havendo, portanto, mais que se falar na ampliação da base de cálculo da COFINS às receitas financeiras. Assim o ponto relativo a inconstitucionalidade está pacificado. O cerne do presente processo está, todavia, na capacidade de comprovação do crédito por parte da Recorrente. No processo administrativo fiscal, incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Assim, para o caso concreto que trata de pedido de restituição, as alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Nesse ponto, a Recorrente acredita ser suficiente a apresentação de folha do livro razão e da DIPJ. Diante da existência de escrituração do contribuinte, comprovada por meio da apresentação do livro Razão, bem como da apresentação da DIPJ, surge a dúvida quanto ao recolhimento indevido sobre receitas financeiras da COFINS. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boa fé. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.917915/201106 Resolução nº 3201001.970 S3C2T1 Fl. 5 4 Estabelecem os arts. 16, §§4º e 6 e 29 do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância." "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível, em casos como o presente, a conversão do feito em diligência. Neste sentido cito os seguintes precedentes desta Turma: "Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe demonstrativos e balancetes contábeis. Ainda que não tenha trazido os respectivos lastros, entendo que a nova prova encontra abrigo na dialética processual, como exigência decorrente da decisão recorrida, e por homenagem ao princípio da verdade material, em vista da plausibilidade dos registros dos balancetes. Assim, e com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos balancentes apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respecivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento." (Processo nº 10880.685730/200917; Resolução nº 3201001.298; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 17/07/2018) Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.917915/201106 Resolução nº 3201001.970 S3C2T1 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando a documentação juntada, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se levando em conta o livro razão, bem como a DIPJ, há o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando a documentação juntada, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se levando em conta o livro razão, bem como a DIPJ, há o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira . Fl. 70DF CARF MF
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