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Numero do processo: 10930.004253/2004-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2000, 2001, 2003
Ementa: VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela
ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para informar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por
infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.966
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as
preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4) Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Fl. 154DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator EDITADO EM: 14/02/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório AGRO PECUÁRIA LUNARDELI LTDA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 119) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 47/59, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente aos exercício de 2000, 2001 e 2003, nos valores, respectivamente, de R$ 10.049,05, 14.810,37 e 45.463,32, acrescidos de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 146.924,09. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão das DITR de 2000, 2001 e 2003 das quais foram alterados os valores da terra nua (VTN) declarados. Segundo o relatório fiscal, a Contribuinte não logrou comprovar os valores declarados, tendo sido arbitrados os VTN com base na tabela SIPT. No seguinte trecho do relatório fiscal a autoridade lançadora declina os critérios de arbitramento que foram adotados: Para chegarmos aos valores mais próximos da realidade, ou seja, o valor de mercado em 1° de janeiro do ano da entrega da declaração, na elaboração da planilha citada, consideramos os valores das terras tendo por base os seguintes critérios: 1. As utilizadas com plantio de Produtos Vegetais, como área mecanizada, que é a mais valorizada; 2.As utilizadas com Pastagens também como área mecanizada, visto não ter • preço definido para mecanizável; 3.As utilizadas com Benfeitorias como área não mecanizável, que são menos valorizadas que as anteriores; 4.As utilizadas com Preservação Permanente e Utilização Limitada (Reserva Legal), como área inaproveitável, conforme definição do próprio DERAL, e estas por sua vez, são as que apresentam a menor avaliação; Cabe esclarecer que as terras utilizadas como Pastagem foram avaliadas como mecanizadas, primeiro por não existir na Tabela do DERAL preços definidos para mecanizável, e também pelo fato de o contribuinte ter reduzido a área de pastagem nos anos de 2002 e 2003, e aumentado à área de produtos vegetais, ficando comprovado que de fato a área é mecanizada. Fl. 155DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10930.004253/200447 Acórdão n.º 220100.966 S2C2T1 Fl. 2 3 A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 64/77 na qual alegou que o procedimento fiscal encontrase viciado por afrontar inúmeros princípios e garantias fundamentais consagrados na Constituição Federal e, ainda, por presumir a apuração do valor de mercado do VTN, através de planilha — DERAL; que, portanto, o auto de infração não poderia prosperar porque está eivado de vícios, que o nulificam; que o Fisco Federal tomou como base para a apuração do valor de mercado da terra nua o VTN constante na tabela DERAL, disponível na Internet, deixando de apurar o real valor de mercado do imóvel junto às áreas limítrofes da região e aos profissionais da área de corretagem; que a tabela do DERAL trouxe distorções com relação ao VTN para o exercício de 2003, em 162,21% a mais que o ano anterior. A Recorrente afirmou que sempre apresentou as declarações do ITR dentro do prazo previsto na legislação e sempre informou o VTN com base no preço de mercado da região e que o Laudo de Avaliação apresentado deve ser considerado pelo Fisco, vez que o valor do DERAL não tem consistência, não podendo servir como parâmetro para se apurar a base de cálculo do ITR; que recolheu o imposto com base no VTN constante do Laudo, com os acréscimos legais. Por fim, a Recorrente questionou os juros calculados com base na Taxa SELIC e a multa de ofício de 75%. A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. A DRJ rejeitou, inicialmente, a arguição de nulidade do lançamento sob a alegação de vícios relacionados com a violação de princípios constitucionais. Ressaltou a regularidade do lançamento nesse aspecto, destacando a incompetência dos órgãos julgadores administrativos para apreciarem esse tipo de alegação. Quanto ao mérito, no que se refere ao procedimento utilizado pela fiscalização para apuração do VTN, com base nos valores constantes em sistema da Secretaria da Receita Federal, a DRJ ressaltou que o mesmo encontra amparo no artigo 14, da Lei n° 9.393/1996 e destacou que o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, e que demonstre que o imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município; que, para tanto, seria indispensável a apresentação de um laudo de avaliação que detalhasse completamente o imóvel e todas as suas possíveis benfeitorias e/ou melhoramentos, comprovando que o VTN é menor do que o apurado com base no SIPT. Pois bem, a DRJ, após analisar o laudo técnico apresentado pela Contribuinte (fls. 78/95), concluiu que o mesmo não atendeu aos requisitos estipulados na norma da ABNT; que, para tanto, o deveria demonstrar os métodos avaliatórios e as fontes pesquisadas que levaram o perito a forma convicção sobre o valor atribuído ao imóvel, demonstrando, de forma inequívoca, que não houve subavaliação nos valores declarados, o que não fez. Quanto à multa de ofício e os juros de mora, a DRJ anotou, em síntese, que se trata de exigências baseadas em disposições legais expressas às quais os órgãos julgadores administrativos estão vinculados. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 23/04/2007 (fls. 130) e, em 18/05/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 131/147, que ora Fl. 156DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 se examina e no qual reproduz, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação para, por fim,. Formular pedido nos seguintes termos: Diante do exposto requer: a) que seja julgado totalmente procedente a presente Recurso; b) que seja atribuído ao valor da terra nua o constante no Laudo de Avaliação do Imóvel conforme apresentado para a análise dos senhores julgadores; c) Mantida a exigência fiscal que seja excluído a cobrança da SELIC como taxa de juros, atribuindo o percentual de 1% conforme o art. 161 do CTN. d) Mantida a exigência fiscal, que seja excluída a multa de oficio por ser confiscatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da revisão das DITR apresentadas pela Recorrente para os exercícios de 2000, 2001 e 2003, das quais foram alterados os valores informados como VTN. Segundo o relatório fiscal, a Contribuinte foi intimada a informar os parâmetros utilizados para o cálculo do VTN e como o Contribuinte nada apresentou, foi então arbitrado o VTN, com base no sistema SIPT. Os parâmetros de cálculo utilizados pela autoridade lançadora estão detalhados na planilha de fls. 46. Ali se vê, os valores estabelecidos na tabela SIPT/DERAL para cada tipo de área. A partir desses cálculos a autoridade lançadora chegou a valores diferentes dos lançados da DITR, conforme planilha a seguir: EXERCÍCIO DECLARADO (R$) APURADO (R$) 2000 5.429.024,00 9.616.137,20 2001 9.299.148,00 10.280.560,00 2003 13.494.046,65 32.436.681,31 Na fase impugnatória, a Recorrente apresenta laudo técnico de avaliação que, em síntese, confirma os valores originalmente declarados. Inicialmente, quanto à validade do procedimento fiscal no que se refere ao arbitramento do VTN, o art. 14 da lei nº 9.393, de 1996 prevê que, nos casos de subavaliação do VTN, a Receita Federal procederá ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre o preço de terras, constante de sistema a ser por ela instituído, que é o SIPT, in verbis: Fl. 157DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10930.004253/200447 Acórdão n.º 220100.966 S2C2T1 Fl. 3 5 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Neste caso, como a Contribuinte intimada que foi a comprovar os valores declarados, poderia o Fisco, como fez, verificar os preços constantes do sistema SIPT e, constatada discrepância em relação aos valores declarados que caracterizem a subavaliação proceder ao lançamento. Caberia ao Contribuinte, então, na fase do contencioso, demonstrar por meio de laudo técnico de avaliação porque o valor do imóvel discrepa do valor médio da região. Neste caso, a Recorrente apresentou, juntamente com a impugnação, o laudo de fls. 78/96 o qual, todavia, foi rejeitado pela decisão de primeira instância como elemento idôneo de prova porque o laudo não atendia a certos requisitos básicos previstos nas normas da ABNT como a explicitação dos critérios avaliatórios e as fontes de informação que levaram ao convencimento do perito sobre a avaliação. A questão a ser examinada na fase recursal, portanto, diz respeito à comprovação ou não da Contribuinte do valor declarado, por meio do referido laudo. Penso que no caso de arbitramento feito com base no SIPT, sistema que é construído a partir da verificação do valor médio das terras de cada região, para infirmar os valore assim apurados, o Autuado deve apresentar laudo técnico que demonstre analiticamente porque o valor do imóvel em particular discrepa dessa média. Deve demonstrar, portanto, características particulares do imóvel que justifiquem uma avaliação menor. Além disso, o laudo deve basear os valores apurados em pesquisa de mercado, com a indicação das fontes. Não se trata, portanto, de mera indicação subjetiva de um preço, que entenda o perito seja o preço de mercado do imóvel. Pois bem, neste caso, o laudo de avaliação em momento algum demonstra os aspectos que justificariam uma avaliação menor do imóvel em relação à média regional e, embora referindose a preços de mercado praticados na região, não indica as fontes de onde extraiu essa informação. No seguinte trecho do laudo isto fica bem claro: Segue os valores avaliados das terras agrícolas para o município de São Sebastião da Amoreira, tendo como referência o mês de Janeiro de 2.000, Janeiro de 2.001, Janeiro de 2002 e Janeiro de 2.003, foram os seguintes: TERRA ROXA VALOR R$/HA JAN/2000 JAN/2001 JAN/2002 JAN/2003 MECANIZADA 3.597,00 4.000,00 4.570,00 5.255,00 MECANIZÁVEL NÃO MECANIZÁVEL 1.384,00 1.600,00 1.900,00 2.185,00 INAPROVEITÁVEL 208,00 400,00 450,00 518,00 Fl. 158DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 Foram consideradas cotações feitas junto a corretores de imóveis que atuam na região e dados obtidos junto ao departamento de avaliação de imóveis para fins de cobrança do ITBI (Imposto sobre transmissão de Bens Imóveis) da Prefeitura do município de São Sebastião da Amoreira. TERRA ROXA Área do Imóvel(ha) VALOR DA TERRA NUA DO IMÓVEL (R$) JAN/2000 JAN/2001 JAN/2002 JAN/2003 MECANIZADA 2.381,33 4.565.644 8.234.512 10.882.678 12.025.889 MECANIZÁVEL NÃO MECANIZÁVEL 619,76 857.747 991.616 1.777.5441 1.354.176 INAPROVEITÁVEL 432,55 89.970 173.020 194.647 244.061 TOTAL 3.433,84 5.513.361 9.399.148 12.254.869 13.604.126 MÉDIA/HA 1.459,98 2.737,37 3.568,85 3.962,01 MÉDIA/ALQ 3.533,37 6.624,43 8.636,62 9.588,06 Notase que, na primeira tabela, o Perito indica os valores médios das terras para o Município de São Sebastião da Amoreira, por hectare, e na segunda tabela apresenta o VTN do imóvel, valor total, por tipo de área e o valor médio por hectares e, como se vê, os valores apurados para o imóvel em particular estão muito abaixo dos valores médios, e o Laudo não explica a razão dessa discrepância, que deveria ser os eu principal objetivo. Limitase a afirmar que foram considerados cotações feitas junto a corretores de imóveis que atuam na região, sem especificar fontes e quais operações consideradas, e valores considerados para fins de ITBI. O laudo, portanto, não demonstra que não houve subavaliação do imóvel, antes confirma a subavaliação. Nestas condições, penso que devem prevalecer os valores apurados com base no SIPT. Quanto à multa de ofício que o Recorrente afirma ser confiscatória, tratase de exigência baseada em disposição expressa de lei. Tratase do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Não cabe ao julgadora administrativo avaliar, subjetivamente, o efeito econômico da multa, tarefa que coube ao legislador ao calibrar a penalidade. Por outro lado, qualquer juízo sobre a compatibilidade da lei ao ordenamento jurídico, será um juízo de constitucionalidade, que escapa à competência dos órgãos administrativos fazer. Portanto, quanto á multa de ofício, nada há a rever no lançamento. Também quanto aos juros calculados com base na taxa Selic este Conselho já há muito firmou o entendimento a respeito da regularidade de sua aplicação, entendimento este que está consolidado em súmula, a saber: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não merece reparos o lançamento também quanto a este aspecto. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10930.004253/200447 Acórdão n.º 220100.966 S2C2T1 Fl. 4 7 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 160DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 13983.000138/2004-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA.
BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.
A condição imposta para o aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativos, gerados pela aquisição de insumos com incidência da contribuição, é a efetiva utilização do insumo no processo produtivo, não podendo o termo "insumo" ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa, mas, tão-somente, aqueles bens/serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, sejam efetivamente aplicados na produção ou fabricação do produto.
CRÉDITO PRESUMIDO/ESTOQUE DE ABERTURA.
O Crédito Presumido/Estoque de Abertura, representado pelas operações de mercado interno e de exportação no mês de dezembro de 2003 deve ser objeto de glosa, já que a apropriação do crédito presumido em questão, iniciada em dezembro de 2002, somente poderia se dar ao longo de 12 meses, encerrando-se,
portanto, em novembro de 2003, descabendo a apropriação do
crédito presumido ora em comento para o mês de dezembro de 2003,
TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
As meras transferências internas de mercadorias, vale dizer, entre os estabelecimentos da própria recorrente, não ensejam a geração de créditos de PIS/Pasep, nos termos delineados no art. 3º, § 3º, I e II da Lei nº 10.637, de 2002, porquanto, de acordo com a sistemática da nãocumulatividade o que se busca é evitar a incidência em cascata da aludida contribuição, e, se em momento anterior não houver a incidência de contribuição não justifica a geração de crédito destinado compensar o fabricante.
AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR.
Somente as aquisições de pessoas jurídicas domiciliadas no País garantem o direito ao crédito presumido de PIS nãocumulativo,
conforme disposto no art. 3º, § 3º, I e II, da Lei n° 10.637/2002,
AQUISIÇÕES DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS.
As aquisições de pessoas não contribuintes da Cofins, inclusive pessoas físicas, não dão direito ao crédito de PIS e COFINS não cumulativos.
DESPESAS FINANCEIRAS.
Somente as despesas financeiras decorrentes de empréstimos e
financiamentos são capazes de gerar crédito de PIS/COFINS com direito de seu respectivo aproveitamento, meras despesas financeiras, não decorrentes de empréstimos e financiamentos não são capazes de gerar crédito com direito ao respectivo aproveitamento.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-000.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Ementa: PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. A condição imposta para o aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS não cumulativos, gerados pela aquisição de insumos com incidência da contribuição, é a efetiva utilização do insumo no processo produtivo, não podendo o termo "insumo" ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa, mas, tão somente, aqueles bens/serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, sejam efetivamente aplicados na produção ou fabricação do produto. CRÉDITO PRESUMIDO/ESTOQUE DE ABERTURA. O Crédito Presumido/Estoque de Abertura, representado pelas operações de mercado interno e de exportação no mês de dezembro de 2003 deve ser objeto de glosa, já que a apropriação do crédito presumido em questão, iniciada em dezembro de 2002, somente poderia se dar ao longo de 12 meses, encerrandose, portanto, em novembro de 2003, descabendo a apropriação do crédito presumido ora em comento para o mês de dezembro de 2003, TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. As meras transferências internas de mercadorias, vale dizer, entre os estabelecimentos da própria recorrente, não ensejam a geração de créditos de PIS/Pasep, nos termos delineados no art. 3º, § 3º, I e II da Lei nº 10.637, de 2002, porquanto, de acordo com a sistemática da nãocumulatividade o que se busca é evitar a incidência em cascata da aludida contribuição, e, se em Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 momento anterior não houver a incidência de contribuição não justifica a geração de crédito destinado compensar o fabricante. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. Somente as aquisições de pessoas jurídicas domiciliadas no País garantem o direito ao crédito presumido de PIS nãocumulativo, conforme disposto no art. 3º, § 3º, I e II, da Lei n° 10.637/2002, AQUISIÇÕES DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de pessoas não contribuintes da Cofins, inclusive pessoas físicas, não dão direito ao crédito de PIS e COFINS não cumulativos. DESPESAS FINANCEIRAS. Somente as despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos são capazes de gerar crédito de PIS/COFINS com direito de seu respectivo aproveitamento, meras despesas financeiras, não decorrentes de empréstimos e financiamentos não são capazes de gerar crédito com direito ao respectivo aproveitamento. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rodrigo Pereira de Mello. Relatório Cuidase de recurso em face de acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ IIRJ) de fls.3254/3264, que manteve o indeferimento ao pedido de ressarcimento de PIS/Pasep, referente ao quarto trimestre de 2003, decorrente de operações com o mercado externo, apurado sob o regime da não cumulatividade, a ser compensado com débito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – Estimativa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.295 3 (código 2484), do período de apuração de julho de 2004, conforme declaração de compensação Dcomp anexado à inicial, conforme depreendese da ementa de fl. 1601, in verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Quando não devidamente comprovadas, as despesas com a aquisição de bens, supostamente utilizados como insumos no processo produtivo da empresa, não ensejam a apuração de créditos do PIS/Pasep, segundo o regime nãocumulativo da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA DE BENS. A apropriação de créditos do PIS nãocumulativo correspondentes ao estoque de abertura de bens encerrase em novembro de 2003. IPI DESTACADO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. O IPI incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o custo dos bens, para efeitos da apropriação de créditos no regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS. DESPESAS FINANCEIRAS. Somente as despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil da pessoa jurídica, exceto de optante pelo SIMPLES, ensejam a apropriação de créditos no regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS, considerando a redação—da—Lei—n° 10.637/2002, até o início de vigência da Lei n° 10.865, de 2004. PIS/PASEP. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Quando se está a tratar da aquisição de bens e serviços, não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de produtos ou na prestação de serviços destinados à venda, ou, ainda, fornecidos por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas não domiciliadas no País, é cabível a manutenção da glosa promovida na base de cálculo de créditos do PIS. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. AVISO DE COBRANÇA. DRJ. INCOMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ) apreciar recurso do contribuinte de caráter impugnatório a avisos ou cartas de cobrança. Solicitação Indeferida” Em razão da clareza e objetividade, por bem descrever detalhadamente os fatos envolvidos no recurso em apreço, peço vênia para transcrever, em parte, o relatório de fls. 3255/3256, nos seguintes termos: após efetuadas verificações por amostragem, constatouse que as receitasde exportação e operacional, informadas no Livro Registro de Saída de Mercadorias e constantes dos arquivos magnéticos enviados pela empresa em resposta a intimações contra ela formuladas, coincidem com os valores informados nos demonstrativos e planilhas de cálculo; também em relação à aquisição de mercadorias, matérias prima, insumos e custos, despesas e os encargos vinculados às receitas retro mencionadas que geram direito a crédito, encontramse as citadas aquisições escrituradas no Livro Registro de Entrada de Mercadorias e nos livros contábeis (Razão), constantes dos arquivos magnéticos encaminhados pelo interessado; entretanto, nas amostragens examinadas, foram detectadas algumas divergências de valores, discriminadas a seguir: Bens Utilizados como Insumos/Comprovação — há divergências entre os valores informados nas linhas 2 a 6 da Ficha 04 do Dacon (v. fls. 3249/3253) e os valores comprovados pelos arquivos magnéticos enviados pela empresa em resposta a intimações (de fls. 04/05, 216/904 e 2453) contra ela formuladas, contemplando a relação de notas fiscais de aquisição, utilizadas no cálculo do crédito do PIS nãocumulativo no trimestre (que se referem às aquisições de materiais e de serviços de pessoas jurídicas, de pessoas físicas, de cooperativas, e os gastos com fretes de materiais pagos a pessoas físicas, pessoas jurídicas e cooperativas), e cujos montantes encontramse sintetizados no "Resumo" de fl. 09, divergências essas, respectivamente, nos valores de R$ 2.762.777,88, R$ 9.875.943,13 e R$ 5.519.389,95, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003; Crédito Presumido/Agroindústria — o contribuinte informou às fls. 08/09 que os valores_ constantes de seus registros eletrônicos correspondentes a "AquisiOW—deMateriaisPessoa____Física" compõem o "Crédito Presumido/Agoindústria", e, nesse sentido, como "Resumo", de R$ 51.928.798,67 (Mats/PF: 51.859.999,40 + PF/Serv: 68.799,27, v. fl. 09), é inferior ao valor de R$ 57.456.135,43, informado no Dacon para o mês de novembro de 2003 (na linha 18 da Ficha 04, v. fl. 3250), devese glosar a diferença (R$ 5.527.336,76), sendo que, com a aplicação da alíquota de 1,155% sobre o valor comprovado (R$ 51.928.798,67), chegase a um valor (R$ 599.777.62) que é inferior ao valor do "Crédito Presumido/Agjoindústria" utilizado no Dacon (R$ 663. Crédito Presumido/Estoque de Abertura — inobstante o contribuinte não houvesse computado nas memórias de cálculo do crédito a parcela relativa ao estoque de abertura correspondente ao mês de dezembro/2003 (vide "Resumo" de fl. 09), todavia, uma vez que o mesmo computou tal parcela no Dacon no referido mês (cf. linha 20 da Ficha 04, v. fl. 3251) e a cota correspondente a 1/12 da contribuição Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.296 5 incidente sobre os estoques se esgotou no mês de novembro/2003, impõese efetuar a glosa sobre o montante de R$ 480.767,94, por falta de previsão legal; IPI destacado na Aquisição de Insumos — o contribuinte computou nos custos dos insumos adquiridos o valor de R$ 81.379,33, que se refere ao IP1 destacado na nota fiscal n° 2749, de 07/11/2003 (v. fl. 961), que se constitui em tributo recuperável, não podendo, portanto, integrar o valor de aquisição dos bens ou mercadorias utilizados como insumos, conforme disposto no art. 1°, § 3°, Vb, da Lei n° 10.637/2002, e tal como consta do Manual Eletrônico do Dacon — versão 1.0, pág. 05 (linha 04/02), aprovado pela IN SRF n° 387/2004; também a IN SRF n° 404/2004, art. 8 0, § 3°, determina a impossibilidade de uso do tributo como custo, impondose, por conseguinte, a glosa do citado valor no mês de novembro de 2003; Aquisição de Insumos — observouse também que o contribuinte computou nos créditos, a título de custos dos insumos adquiridos, operação relativa a empréstimo, sujeita a devolução, formalizada mediante a emissão da nota fiscal n° 7841 (v. fl. 971), sob o CFOP 6.949 — "Outras Saídas", e que contém no seu quadro "Fatura/Condições de Pagamento" a expressão "Empréstimo", não se caracterizando, portanto, em operação de venda pela emitente e de aquisição pela destinatária (Sadia), com ofensa, portanto, ao art. 3 0, II, da Lei n° 10.637/2002 (valor glosado na base de cálculo de créditos: R$ 125.387,54, para o mês de outubro de 2003); Aquisição de Exterior — devem ser glosadas da base de cálculo de créditosdo PIS nãocumulativo as aquisições de insumos de fornecedor no exterior (fls. 3193/199), em desconformidade com a disposição legal (art. 3 0, § 3°, da Lei n° 10.637/2002), que permite apenas o cômputo de insumos adquiridos de pessoa jurídica estabelecida no território nacional, no valor de R$ 2.744.695,59 para o mês de outubro de 2003; Serviços Diversos — o contribuinte também computou como crédito, gastos relativos a despesas gerais correspondentes a serviços médicos e exames radiológicos ou de imagem, prestados por clínicas a empregados/diretores, despesas com encadernação de livros e com limpeza, tratandose, portanto, de gastos e desembolsos, que não se enquadram no conceito de "insumos" utilizados na produção de bens ou de serviços, caracterizandose como despesas normais e usuais, que não se incorporaram aos bens produzidos e deles dissociadas, sem arrimo, portanto, na Lei n° 10.637/2002, devendose proceder à sua glosa (respectivamente, R$ 143.908,25, e R$ 83.334,00, para os meses de outubro e novembro de 2003); Aquisições de não pessoas jurídicas — impõese efetuar a glosa sobre as parcelas de R$ 4.392.743,21, R$ 5.549.793,17, e R$ 3.256.502,26, correspondentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2003, que se referem a aquisições constantes das notas fiscais detalhadas no Anexo "A" do despacho decisório (fls. 2685/2728), cujos emitentes, todavia, não se constituem em pessoas jurídicas, não sendo possível a utilização do crédito correspondente a referidas compras, consoante §§ 2° e 3° do art. 3° da Lei n° 10.637/2002; Despesas Financeiras — relativamente aos créditos do PIS não cumulativo apropriados sobre "despesas financeiras", a análise dos registros do livro Razão às contas "3670201Desp.Financeiras Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Contratos de Financiamentos", "3670210Desp.FinanceirasI0E Comissões s/ Financiamentos", e "3670635Desp.FinanceirasTarifa de Contrato de Câmbio", evidenciou a apropriação de valores que não se caracterizam como receitas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, conceituadas no art. 374 doRIR/99 (Decreto n° 3.000/99), a exemplo de: despesas com repasse de custo — IOF cartão, diferença de custo — IOF cartão, pagamento de corretagem, despesas sobre prépagamento a instituição financeira, e despesa referente à anulação de aplicação de despacho aduaneiro, etc, sendo, portanto, passíveis de glosa os valores de R$ 1.782.577,23, R$ 79.783,98 e R$ 5.927,83, respectivamente, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003; Despesas que não se constituem em Insumo — devem ser glosadas, respectivamente, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003, as despesas com aquisições de materiais de pessoas jurídicas (doações — APAE; despesas médicas com empregados; despesas diversas, em lojas de conveniência, de viagens, com supermercado, manutenção de veículos e máquinas industriais, etc v. fls. 3203/3209), nos valores de R$ 160.933,50, R$ 347.678,26 e R$ 171.701,52, para as quais não há vínculo entre os produtos vendidos pelo interessado e os correspondentes gastos; devem ser também glosadas as despesas com aquisições de serviços prestados por pessoas jurídicas, respectivamente, nos valores de R$ 4.532.824,70 (cf. Anexo 1, fls. 2729/2889), R$ 3.851.785,35 (cf. Anexo 2, fls. 2890/3031), e R$ 5.079.297,63 (cf. Anexo 3, fls. 3032/3187), que se referem a: despesas médicas; despesas com assessoria, planejamento e consultoria; despesas com segurança, vigilância e limpeza; despesas com telecomunicações; despesas ativáveis em construções; despesas de viagem e locomoção; despesas com conservação e manutenção; despesas diversas, tais como com encadernações, locação de veículos, serviços de limpeza de veículo/reparo de pneus; serviço de guincho, chapeação e pintura de veículo, serviços de locução de rádio, serviços de sinalização, tinta automotiva, restaurantes, refeições, lanches, panificadora, casas de carne, de peixes, com supermercados,_bebidas,suprimentos de informática e confecção de chaves e fotografias e imagens, brindes e mudanças, joalheria, decoração e lojas de vestuário, sindicatos, uma vez que somente podem ser considerados como insumos os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção dos serviços ou fabricação dos bens, ou seja, quando aplicados ou consumidos diretamente na produção dos bens ou na produção dos serviços, sendo que, nos casos de desembolsos com gastos em construções que devem ser ativados, representados por projetos e mãodeobra na construção de instalações, ampliações ou reformas, efetuados a construtoras e empreiteiras, e de "despesas com manutenção de máquinas e equipamentos" dos quais resultem aumento de vida útil superior a um ano, como tais gastos contribuem para mais do que um exercício, devem os mesmos segundo a técnica contábil, serem ativados para futura depreciação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.297 7 Cientificada em 03/08/2009 (AR fl. 3265), a interessada protocolou o recurso de fls. 3266 e seguintes, em 02/09/2009, alegando, em síntese, que: Em relação ao item: "A) BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS — COMPROVAÇÃO Aduz que em que pese a Recorrente ter informado valor superior do crédito na DACON, a mesma utilizouse tão somente de valor que efetivamente restou apurado do crédito, não encontrando guarida o procedimento do Fisco no sentido de glosar eventual diferença. B) CREDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA E C) CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE DE ABERTURA. Ora, a Recorrente demonstrou à exaustão as aquisições de mercadorias, matériasprimas, insumos e custos, despesas e os encargos vinculados às receitas de exportação, que geraram direito ao crédito, não agindo de forma alguma em discordância com a legislação de regência. Como bem destacado no despacho decisório, os insumos foram adquiridos de pessoas físicas e não de pessoas jurídicas. Por tal razão, a ora Recorrente teria direto à dedução de crédito presumido no valor de 80% (oitenta por cento) nos moldes preconizados pelo artigo 3°, §§ 5° e 6°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 (MP nº 66/2002), senão vejamos: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam ou comercializem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 0504.00, 0710, 0712 a 0714, 1507 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 1517, 1701.11.00, 1701.99.00, 17.02.90.00, 1803, 1804.00.00, 1805.00.00, 2009, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 6o Relativamente ao crédito presumido referido no § 5o: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 70% (setenta por cento) daquela constante do art. 2o; II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal.” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Considerando os pontos supra levantados e o posicionamento adotado pela mais especializada doutrina pátria, há que se reconhecer à nulidade das exigências supracitadas. II. b) DA AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADE RELATIVA AO ITEM — "1 — IPI DESTACADO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS" nas notas fiscais relacionadas a aquisição dos insumos se tornou um custo/despesa para a mesma, razão pela qual se enquadra perfeitamente ao disposto no artigo 10 da Instrução Normativa n° 379/2003, verbis: "Art. 1° Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços a pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, que não puderem ser deduzidos na forma do inciso I, do § 1° do art. 5° da Lei 10.637, de 2002 e do inciso I do § 6° da Lei 10.833, de 2003, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF) (...)" (grifos e destaques acrescidos do original) Portanto, sendo o IPI um custo suportado pela Recorrente no momento da aquisição dos insumos, resta para esta o direito de creditarse deste imposto para fins de dedução dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos moldes preconizados pela legislação supra. III DESPESAS FINANCEIRAS — DIREITO AO CRÉDITO III. a) AUSENCIA DE IRREGULARIDADES APONTADAS PELA DRF RELACIONADOS AOS SEGUINTES ITENS: "II — AQUISIÇÃO DE INSUMOS (EMPRÉSTIMOS)" E "VI — DESPESAS FINANCEIRAS (EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA)" Recorrente, na qualidade de pessoa jurídica, poderá descontar créditos, conforme determinação disposta no artigo 3°, inciso V, da Lei n° 10.637/2002, IV — DESPESAS E INSUMOS — ENTENDIMENTO EQUIVOCADO DO FISCO — DIREITO DA MANIFESTANTE AO CRÉDITO Argumenta que tal entendimento padece de fundamento, na medida que o conceito de insumo no que diz respeito às contribuições ao PIS e COFINS possuem conotação contrária ao dos impostos IPI e ICMS, como quer fazer crer o Ilustre Julgador Singular. A fim de esclarecer ainda mais a questão ora em discussão, a Recorrente valese das brilhantes palavras do Conselheiro do 1° Conselho de Contribuintes, Natanael Martins: “4. O Conceito de Insumos em face do PIS e da COFINS Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.298 9 Mas, no caso da Contribuição ao PIS e da COFINS, a materialidade do tributo vai além da atividade meramente mercantil, fabril ou de serviços, alcançando todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica. Não sem razão que o PIS e a COFINS "nãocumulativos" elegem outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil. Nesse contexto, a toda evidência, o conceito de insumo erigido pela nova sistemática do PIS e da COFINS não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Vale dizer para que se possa garantir a eficácia do §12 do art. 195 da Constituição Federal, o rol de operações passíveis de creditamento deveria ser interpretado de maneira extensiva ou entendido como tendo caráter meramente explicativo. Não obstante a Receita Federal relativamente a insumos consumidos na produção, tomando como paralelo, indevidamente, o conceito de insumos da legislação do IPI, na IN SRF 247/024, na redação da INSRF 358/03, disciplinou como tais, além dos próprios serviços consumidos na produção, apenas as matérias primas, os produtos 'intermediários e os materiais de embalagem aplicados no processo de produção, o que certamente provocará conflitos entre Fisco e Contribuintes, como já se pode observar em soluções de consulta já editadas por diversas divisões de tributação.” Assim, por exemplo, todos aqueles bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine mia non da Própria existência e/ou funcionamento estariam abrangidos, ensejando o direito ao respectivo creditamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo, pois a recorrente foi cientificada em 03/08/2009 (AR fl. 3265), tendo protocolado o recurso de fls. 3266 e seguintes, em 02/09/2009, bem como revestido das demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, cuidase de recurso em face de acórdão da DRJ do Rio Janeiro (II), que manteve parcialmente as glosas quanto ao aproveitamento de créditos de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 PIS/Pasep nãocumulativo do 4º trimestre de 2004, segundo a DRJ a recorrente apropriouse de crédito em valor superior ao devido, tendo se detectado ainda algumas divergências de valores, nas seguintes rubricas: Bens Utilizados como Insumos/Comprovação — há divergências entre os valores informados nas linhas 2 a 6 da Ficha 04 do Dacon (v. fls. 3249/3253) e os valores comprovados pelos arquivos magnéticos enviados pela empresa em resposta a intimações (de fls. 04/05, 216/904 e 2453) contra ela formuladas, contemplando a relação de notas fiscais de aquisição, utilizadas no cálculo do crédito do PIS nãocumulativo no trimestre (que se referem às aquisições de materiais e de serviços de pessoas jurídicas, de pessoas físicas, de cooperativas, e os gastos com fretes de materiais pagos a pessoas físicas, pessoas jurídicas e cooperativas), e cujos montantes encontramse sintetizados no "Resumo" de fl. 09, divergências essas, respectivamente, nos valores de R$ 2.762.777,88, R$ 9.875.943,13 e R$ 5.519.389,95, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003; No recurso a Recorrente aduz que as glosas apontadas são improcedentes e ao mesmo tempo inexistentes, sustentando que a decisão recorrida não considerou como base para apuração dos créditos as aquisições de serviços (pessoa física e jurídica), conforme demonstrado através de planilhas, denominada "Resumo". Apesar de alegar a improcedência da glosa, citando inclusive planilhas, todavia, conforme constou da decisão recorrida, as glosas se referem às divergências encontradas pela Fiscalização entre os valores informados e os efetivamente comprovados, e, no recurso a recorrente não logrou afastar as divergências encontradas pela Fiscalização, devendo ser mantida a respectiva glosa. Crédito Presumido/Agroindústria — o contribuinte informou às fls. 08/09 que os valores_ constantes de seus registros eletrônicos correspondentes a "Aquisição de Materiais Pessoa Física" compõem o "Crédito Presumido/Agoindústria", e, nesse sentido, como "Resumo", de R$ 51.928.798,67 (Mats/PF: 51.859.999,40 + PF/Serv: 68.799,27, v. fl. 09), é inferior ao valor de R$ 57.456.135,43, informado no Dacon para o mês de novembro de 2003 (na linha 18 da Ficha 04, v. fl. 3250), devese glosar a diferença (R$ 5.527.336,76), sendo que, com a aplicação da alíquota de 1,155% sobre o valor comprovado (R$ 51.928.798,67), chegase a um valor (R$ 599.777.62) que é inferior ao valor do "Crédito Presumido/Agjoindústria" utilizado no Dacon . A glosa relativa ao crédito presumido/agroindústria, assegurado pelos §§10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, incluído pela Lei nº 10.684, de 30.05.2003 (e revogado pela Lei nº 10.925, de2004), contrariamente ao que é alegado no recurso, só foi glosada a diferença existente entre as aquisições relativas ao crédito presumido/agroindústria (R$51.928.798,67) e os valores informados no Dacon (R$57.456.135,43), resultando em uma diferença de R$5.527.336,76, consequentemente apurandose um crédito inferior em R$63.840,74 (5.527.336,76 x 1,155%), nos termos do art. 25, da Lei nº 10.6784/2003, só esta diferença foi glosada, devendo por isso ser mantida. Crédito Presumido/Estoque de Abertura — inobstante o contribuinte não houvesse computado nas memórias de cálculo do crédito a parcela relativa ao estoque de abertura correspondente ao mês de dezembro/2003 (vide "Resumo" de fl. 09), todavia, uma vez que o mesmo computou tal parcela no Dacon no referido mês (cf. linha 20 da Ficha 04, v. fl. 3251) e a cota correspondente a 1/12 da contribuição incidente sobre os estoques se esgotou no mês de novembro/2003, impõese efetuar a glosa sobre o montante de R$ 480.767,94, por falta de previsão legal; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.299 11 Da mesma forma procedeuse em relação ao "Crédito Presumido/Estoque de Abertura", o crédito total de R$ 480.767,94, representado pelas operações de mercado interno e de exportação no mês de dezembro de 2003 (v. linha 20 da Ficha 04 do Dacon, fl. 3251), também deve ser objeto de glosa, já que a apropriação do crédito presumido em questão, iniciada em dezembro de 2002, somente poderia se dar ao longo de 12 meses, encerrandose, portanto, em novembro de 2003, descabendo a apropriação do crédito presumido ora em comento para o mês de dezembro de 2003, consoante disposto nos dispositivos da Lei n° 10.637/2002 a seguir: Art. 11. A pessoa jurídica contribuinte do PIS/Pasep, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3 º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II desse artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes em 1° de dezembro de 2002. § 1 O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque. § 2° O crédito presumido calculado segundo os §§ 1° e 7° será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (gn) Importando frisar, porém, que nos termos do § 4º do art. 3º, da mesma lei, “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Portanto, correta a glosa levada a efeito em relação à apropriação do crédito presumido referente o mês de dezembro de 2003. IPI destacado na Aquisição de Insumos — o contribuinte computou nos custos dos insumos adquiridos o valor de R$ 81.379,33, que se refere ao IP1 destacado na nota fiscal n° 2749, de 07/11/2003 (v. fl. 961), que se constitui em tributo recuperável, não podendo, portanto, integrar o valor de aquisição dos bens ou mercadorias utilizados como insumos, conforme disposto no art. 1°, § 3°, Vb, da Lei n° 10.637/2002, e tal como consta do Manual Eletrônico do Dacon — versão 1.0, pág. 05 (linha 04/02), aprovado pela IN SRF n° 387/2004; também a IN SRF n° 404/2004, art. 8 0, § 3°, determina a impossibilidade de uso do tributo como custo, impondose, por conseguinte, a glosa do citado valor no mês de novembro de 2003; Segundo a Recorrente, "sendo o IPI um custo suportado pela manifestante no momento da aquisição de insumos, resta para esta o direito de creditarse deste imposto para fins de dedução dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal". Todavia, conforme bem registrou a decisão recorrida, pelo fato do IPI destacado tratrarse de um crédito recuperável pela empresa, não compõe a base de cálculo do PIS segundo a sistemática da nãocumulatividade, também não enseja o mesmo IPI a apropriação de seu valor na base de cálculo de créditos nãocumulativos da mesma contribuição (PIS). Havendo, inclusive, disposição normativa sobre o assunto, com expressa vedação à apropriação de crédito do PIS nãocumulativo, decorrente do IPI destacado na nota Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 fiscal de aquisição, conforme disposto no parágrafo 3°, do art. 66, da IN SRF n° 247/2002, a seguir transcrito, in verbis: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: 1— das aquisições efetuadas no mês: § 3º. O IPI incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o custo das bens, para efeitos do disposto no inciso I.” Aquisição de Insumos — observouse também que o contribuinte computou nos créditos, a título de custos dos insumos adquiridos, operação relativa a empréstimo, sujeita a devolução, formalizada mediante a emissão da nota fiscal n° 7841 (v. fl. 971), sob o CFOP 6.949 — "Outras Saídas", e que contém no seu quadro "Fatura/Condições de Pagamento" a expressão "Empréstimo", não se caracterizando, portanto, em operação de venda pela emitente e de aquisição pela destinatária (Sadia), com ofensa, portanto, ao art. 3º, II, da Lei n° 10.637/2002 (valor glosado na base de cálculo de créditos: R$ 125.387,54, para o mês de outubro de 2003); Despesas Financeiras — relativamente aos créditos do PIS não cumulativo apropriados sobre "despesas financeiras", a análise dos registros do livro Razão às contas "3670201Desp.Financeiras Contratos de Financiamentos", "3670210Desp.FinanceirasI0E Comissões s/ Financiamentos", e "3670635Desp.FinanceirasTarifa de Contrato de Câmbio", evidenciou a apropriação de valores que não se caracterizam como receitas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, conceituadas no art. 374 doRIR/99 (Decreto n° 3.000/99), a exemplo de: despesas com repasse de custo — IOF cartão, diferença de custo — IOF cartão, pagamento de corretagem, despesas sobre prépagamento a instituição financeira, e despesa referente à anulação de aplicação de despacho aduaneiro, etc, sendo, portanto, passíveis de glosa os valores de R$ 1.782.577,23, R$ 79.783,98 e R$ 5.927,83, respectivamente, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003; Relativamente às aquisições de insumos decorrentes de empréstimo sujeita a devolução e despesas financeiras, as quais a Recorrente considera estarem os respectivos créditos assegurados pelo teor do disposto no art. 3º, V, da Lei nº 10.637, de 2002, todavia, de acordo com o referido dispositivo, que previa a geração de créditos decorrentes de empréstimos e operações financeiras, vigente nos períodos de apuração em apreço, posto que posteriormente alterado, no sentido de não mais prever a apropriação de créditos do PIS nãocumulativo, por força da Lei nº 10.865/2004 (em vigor a partir de 1º de maio de 2004), cuja redação era a seguinte: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.300 13 pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) ( V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES;” (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (redação atual) As glosas relativas à rubrica “despesas financeiras” levadas a efeito pela fiscalização e mantidas pela decisão recorrida, se deram porque não se enquadram no conceito de “despesas financeiras” acima transcrito, tais como as “despesas de: repasse e diferença de custo IOF — Cartão, pagamento de corretagem, despesas sobre prépagamento a instituição financeira (Standard Bank London Ltda.), despesas referentes à anulação de aplicação de despacho aduaneiro”. Da mesma forma, as despesas apontadas pela recorrente como sendo decorrente de “empréstimo”, também não se enquadram no conceito de despesa financeira capaz de justificar o referido crédito, pois, o referido empréstimo se referiu especificamente, a "suplemento alimentar p/ produção de ração animal", não foi efetivamente adquirido pelo interessado, mas sim objeto de empréstimo, sem qualquer espécie de desembolso, o que pode ser constatado pela descrição constante do campo "Condições de Pagamento" do documento fiscal em questão, onde se lê a expressão "Empréstimo", não guardando qualquer semelhança com empréstimo financeiro ou mesmo financiamento. Aquisição de Exterior — devem ser glosadas da base de cálculo de créditos do PIS nãocumulativo as aquisições de insumos de fornecedor no exterior (fls. 3193/199), em desconformidade com a disposição legal (art. 3 0, § 3°, da Lei n° 10.637/2002), que permite apenas o cômputo de insumos adquiridos de pessoa jurídica estabelecida no território nacional, no valor de R$ 2.744.695,59 para o mês de outubro de 2003; Aquisições de não pessoas jurídicas — impõese efetuar a glosa sobre as parcelas de R$ 4.392.743,21, R$ 5.549.793,17, e R$ 3.256.502,26, correspondentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2003, que se referem a aquisições constantes das notas fiscais detalhadas no Anexo "A" do despacho decisório (fls. 2685/2728), cujos emitentes, todavia, não se constituem em pessoas jurídicas, não sendo possível a utilização do crédito correspondente a referidas compras, consoante §§ 2° e 3° do art. 3° da Lei n° 10.637/2002; Somente as aquisições de pessoas jurídicas domiciliadas no País garantem o direito ao crédito presumido de PIS nãocumulativo, conforme disposto no art. 3º, § 3º, I e II, da Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito, in verbis: "§ 3º. O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.” Desta forma não há reparos a ser feito na decisão recorrida, mantendose as referidas glosas. Serviços Diversos — o contribuinte também computou como crédito, gastos relativos a despesas gerais correspondentes a serviços médicos e exames radiológicos ou de imagem, prestados por clínicas a empregados/diretores, despesas com encadernação de livros e com limpeza, tratandose, portanto, de gastos e desembolsos, que não se enquadram no conceito de "insumos" utilizados na produção de bens ou de serviços, caracterizandose como despesas normais e usuais, que não se incorporaram aos bens produzidos e deles dissociadas, sem arrimo, portanto, na Lei n° 10.637/2002, devendose proceder à sua glosa (respectivamente, R$ 143.908,25, e R$ 83.334,00, para os meses de outubro e novembro de 2003); Despesas que não se constituem em Insumo — devem ser glosadas, respectivamente, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003, as despesas com aquisições de materiais de pessoas jurídicas (doações — APAE; despesas médicas com empregados; despesas diversas, em lojas de conveniência, de viagens, com supermercado, manutenção de veículos e máquinas industriais, etc v. fls. 3203/3209), nos valores de R$ 160.933,50, R$ 347.678,26 e R$ 171.701,52, para as quais não há vínculo entre os produtos vendidos pelo interessado e os correspondentes gastos; devem ser também glosadas as despesas com aquisições de serviços prestados por pessoas jurídicas, respectivamente, nos valores de R$ 4.532.824,70 (cf. Anexo 1, fls. 2729/2889), R$ 3.851.785,35 (cf. Anexo 2, fls. 2890/3031), e R$ 5.079.297,63 (cf. Anexo 3, fls. 3032/3187), que se referem a: despesas médicas; despesas com assessoria, planejamento e consultoria; despesas com segurança, vigilância e limpeza; despesas com telecomunicações; despesas ativáveis em construções; despesas de viagem e locomoção; despesas com conservação e manutenção; despesas diversas, tais como com encadernações, locação de veículos, serviços de limpeza de veículo/reparo de pneus; serviço de guincho, chapeação e pintura de veículo, serviços de locução de rádio, serviços de sinalização, tinta automotiva, restaurantes, refeições, lanches, panificadora, casas de carne, de peixes, com supermercados,_bebidas,suprimentos de informática e confecção de chaves e fotografias e imagens, brindes e mudanças, joalheria, decoração e lojas de vestuário, sindicatos, uma vez que somente podem ser considerados como insumos os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção dos serviços ou fabricação dos bens, ou seja, quando aplicados ou consumidos diretamente na produção dos bens ou na produção dos serviços, sendo que, nos casos de desembolsos com gastos em construções que devem ser ativados, representados por Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.301 15 projetos e mãodeobra na construção de instalações, ampliações ou reformas, efetuados a construtoras e empreiteiras, e de "despesas com manutenção de máquinas e equipamentos" dos quais resultem aumento de vida útil superior a um ano, como tais gastos contribuem para mais do que um exercício, devem os mesmos segundo a técnica contábil, serem ativados para futura depreciação. Em relação aos itens acima relacionados, para o deslinde dessa questão das glosas promovida pela Fiscalização, cabe inicialmente aqui transcrever o art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, in verbis: Lei n°10.637/2002: “Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei n°10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) Logo, a condição imposta para o aproveitamento dos créditos de PIS não cumulativo, gerados pela aquisição de insumos com incidência da contribuição, é o efetiva utilização do insumo no processo produtivo, não podendo o termo "insumo" ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa, mas, tãosomente, aqueles bens/serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, sejam efetivamente aplicados na produção ou fabricação do produto. Assim sendo, sem razão a recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida em sua integralidade. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 19679.002680/2004-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Constatado que as pessoas indicadas
como dependentes do contribuinte enquadram-se nas situações definidas na lei que prevê o direito à dedução, deve ser reconhecida a regularidade da dedução.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.173
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
PARCIAL provimento ao recurso para restabelecer a dedução de dependente.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DEPENDENTES. Constatado que as pessoas indicadas como dependentes do contribuinte enquadramse nas situações definidas na lei que prevê o direito à dedução, deve ser reconhecida a regularidade da dedução. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar PARCIAL provimento ao recurso para restabelecer a dedução de dependente. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 08/06/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 08/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Relatório RINALDO RIBEIRO interpôs recurso voluntário contra acórdão daRJSÃO PAULO/SP II (fls. 58) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 17/18, que alterou o resultado da declaração de rendimetos apresentada pelo contribuinte de imposto a restituir de R$ 1.402,93 para imposto a pagar de R$ 1.556,22. O lançamento decorreu da glosa total do valor declarado como dedução de dependentes (R$ 7.832,00) e pela glosa parcial do valor declarado como despesas de instrução, que foi reduzido de R$ 5.126,54 para R$ 1.998,00. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual afirma que a dedução de despesa com instrução, sem a observância do limite legal, foi feita com amparo em liminar impetrada pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, em vigor à época. O Contribuinte também expressa discordância com a glosa dos dependentes. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a dedução da despesa com instrução, a DRJ ressaltou que, como a matéria está em discussão no âmbito do Poder Judicial, descabe examinar a matéria em sede administrativa e, por outro lado, a medida judicial não impede a formalização da exigência por meio de auto de infração ou notificação de lançamento. Sobre os dependentes, a DRJ observou que o Contribuinte não apresentou nenhum comprovante do direito à dedução. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 02/10/2007 (fls. 6) e, em 24/10/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 66/67, que ora se examina e no qual expressa concordância com a glosa das despesas com instrução e reitera a discordância com a glosa dos dependentes. Sobre este último ponto, apresenta documentos comprobatórios das relações de dependência. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 08/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 19679.002680/200493 Acórdão n.º 220101.173 S2C2T1 Fl. 2 3 Como se colhe do relatório, permanece em discussão em sede recursal apenas a glosa de dependentes, eis que o Contribuinte expressou concordância com a glosa das despesas com instrução. Sobre o ponto em discussão, o Contribuinte se limita a apresentar os documentos comprobatórios das relações de dependências, o que não havia feito na impugnação. Segundo a declaração apresentada pelo Contribuinte, foram indicados como dependentes Robson Lima, Eliana Bosnick Lima, Renan Ribeiro Lima, Paula Bosnick Lima, Jéssica Bosnick Lima e Carolina Bosnic Lima. Foram declarados, portanto, 06 dependentes. Cumpre examinar, portanto, se estas pessoas, de fato, poderiam ser indicadas como dependentes do Contribuinte. Examinando os documentos de fls. 70/75, certidões de nascimentos e casamento, verificase que Robson Lima é pai do Recorrente, com mais de 65 anos; que Eliana Bosnick Lima é esposa do Recorrente e que os demais são seus filhos. Os documentos, portanto, comprovam as relações de dependência e o direito à dedução. Nestas condições, deve ser restabelecida a dedução, como dependente, conforme declarado. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução de dependente. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 08/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002845/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2000
COFINS E PIS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS
ANTECIPADOS. AUSÊNCIA.
Em face da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991,
reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula
Vinculante nº 8, de 2008, aplicamse
às contribuições sociais os prazos de
decadência previstos no CTN. Ainda que não haja pagamentos antecipados, o
prazo iniciase
na data do fato gerador da obrigação tributária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-000.877
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os
Conselheiros José Antonio Francisco (Relator) e Walber José da Silva, que davam provimento
parcial ao recurso. Designado o Conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2000 COFINS E PIS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. AUSÊNCIA. Em face da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula Vinculante nº 8, de 2008, aplicamse às contribuições sociais os prazos de decadência previstos no CTN. Ainda que não haja pagamentos antecipados, o prazo iniciase na data do fato gerador da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido
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DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. AUSÊNCIA. Em face da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula Vinculante nº 8, de 2008, aplicamse às contribuições sociais os prazos de decadência previstos no CTN. Ainda que não haja pagamentos antecipados, o prazo iniciase na data do fato gerador da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco (Relator) e Walber José da Silva, que davam provimento parcial ao recurso. Designado o Conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 305 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Alan Fialho Gandra Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 285 a 300) apresentado em 13 de maio de 2009 contra o Acórdão no 1518.690, de 18 de março de 2009, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 277 a 283), cientificado em 16 de abril de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de janeiro de 2000 a março de 2001, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2001 COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, por meio de Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no Código Tributário Nacional. Para fins de cômputo do prazo decadencial qüinqüenal, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I do CTN. ESCRITURAÇÃO FISCAL. REGIME DE CAIXA E DE COMPETÊNCIA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no Lucro Presumido podem adotar o regime de caixa para fins de incidência da Cofins, desde que a escrituração do Livro Caixa obedeça aos requisitos previstos na legislação de regência. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta e ou insuficiência de recolhimentos da contribuição, decorrente de exclusões da base de cálculo não autorizadas na legislação, ou não comprovadas, correto o lançamento de ofício para exigência do crédito tributário apurado a partir dos registros contábeis e declarações da contribuinte. MULTA AGRAVADA Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 306 3 Nos termos da legislação de regência, o desatendimento a intimações fiscais dá ensejo ao agravamento da multa de ofício, § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2001 PIS. DECADÊNCIA Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, por meio de Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no Código Tributário Nacional. Para fins de cômputo do prazo decadencial qüinqüenal, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I do CTN. Tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do código. ESCRITURAÇÃO FISCAL. REGIME DE CAIXA E DE COMPETÊNCIA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no Lucro Presumido podem adotar o regime de caixa para fins de incidência da Contribuição para o PIS, desde que a escrituração do Livro Caixa obedeça aos requisitos previstos na legislação de regência. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta e ou insuficiência de recolhimentos da contribuição, decorrente de exclusões da base de cálculo não autorizadas na legislação, ou não comprovadas, correto o lançamento de ofício para exigência do crédito tributário apurado a partir dos registros contábeis e declarações da contribuinte. MULTA AGRAVADA Nos termos da legislação de regência, o desatendimento a intimações fiscais dá ensejo ao agravamento da multa de ofício, § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 30 de novembro de 2005, de acordo com os termos de fls. 32 e 33, 84 a 86 (Cofins) e fls. 212 a 215 (PIS). A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração (fls. 80/82 e Demonstrativos de fls.83/90), para exigir a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins referente ao período compreendido entre janeiro/2000 e março/2001, no valor de R$452.077,61, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 307 4 Em face da edição da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, o processo nº10530.002847/200515 foi juntado por anexação ao presente, que ora também pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (Auto de Infração fls.209/219), relativa aos mesmos períodos de apuração acima relacionados, no valor de R$97.959,66, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A infração relatada no auto de infração corresponde à falta de recolhimento ou pagamento da contribuição. Para o no ano calendário de 2000, informa que a contribuinte deixou de declarar nas DCTF, receitas tributadas, apuradas a partir do confronto entre as cópias das declarações de apuração mensal do ICMS DMA, obtidas através do Convênio Cooperação Técnica entre a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e a Secretaria da Receita Federal, deduzidas as devoluções, e as receitas declaradas nas DCTF, para as quais a contribuinte, em correspondência datada de 20/10/2005, alega que decorriam de contabilização diferenciada, regime de competência para a DMA e regime de caixa para a DIPJ, não logrando, contudo apresentar qualquer demonstrativo que sustentasse suas alegações. Para o ano de 2001, utilizouse do demonstrativo apresentado pelo contribuinte, acrescido das receitas informadas nas DIRF. Com base no art.44, §2º, da Lei nº 9.430, de 1996, relativamente ao anocalendário de 2000, foi lavrada a multa agravada para 112,5%. O enquadramento legal do lançamento para exigência da Cofins aponta infração ao art.1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações da Medida Provisória nº1.807, de 1999, e reedições, com as alterações da Medida Provisória nº1.858, de 1999 e reedições. Quanto ao PIS, consta no enquadramento, os artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 07, de 07 de setembro de 1970; art.2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º, da Lei nº 9.715, de 1998; arts. 2º e 3º da Lei nº9.718, de 1998. Cientificado das exigências em 30/11/2005 (Cofins, fl.80, e PIS, fl.209), o contribuinte apresentou impugnações aos lançamentos em 28/12/2005 (fls. 94/106Cofins e fls. 223235PIS), alegando em síntese que: • Preliminarmente pugna pela decadência parcial do crédito tributário com origem no auto de infração datado de 29/11/2005 com notificação em 30/11/2005, para fatos geradores do tributo de janeiro a outubro de 2000; • Transcreve jurisprudência e ementas dos Conselhos de Contribuintes que entende apoiar sua alegação, de que a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral prevista no art.173 do CTN para §4º do art.150 deste mesmo Código, a ocorrência do fato gerador é estabelecida em Lei Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 308 5 nº9.718, de 27/11/1998, mensalmente, a medida em que aufere receitas; • Quanto ao mérito, no período de janeiro a dezembro de 2000, a autuada optou pela tributação com base no Lucro Presumido (conforme doc. Em anexo), conseqüentemente, a receita submetida à tributação das contribuições para o período pautou se no regime de caixa, o fato gerador ocorre quando do efetivo recebimento das faturas emitidas que suportaram as vendas; • O auditor utilizou como base de cálculo da autuação as informações extraídas da DMA/SEFAZ, haja vista que no exercício de 2000 a autuada tinha sua escrituração contábil com base no Livro Caixa, porém quando intimada informou a autoridade fiscal o procedimento utilizado, fls.28/30; • Visando dirimir qualquer dúvida, efetuou um demonstrativo para fins de comparação entre os demonstrativos apurados pela fiscalização às fls.83/84 e o presente, detalhando todas as operações das vendas e as correspondentes exclusões, IPI e devoluções, as quais não foram consideradas, conforme inciso I, §2º, art.3º, da Lei nº9.718, de 1998, segundo o regime de competência, apesar de em 2000 ter optado pelo Lucro Presumido, tendo sido tal demonstrativo entregue a fiscalização, porém não anexada aos autos, vindo a reproduzilo na impugnação, para obtenção da base de cálculo das contribuições em 2000, processando as informações no Livro Caixa, erro material no cálculo; • Em 2000 houve o agravamento da multa para 112,5% com base no art.959 do RIR/99, mas no ano de 2000 optou pelo Lucro Presumido, estava obrigada a escrituração do Livro Caixa e por este motivo não possuía escrituração contábil contendo o Livro Razão solicitado, mas não deixou de prestar informações à autoridade fiscal, como é o caso da intimação datada em 14/10/05 entregue em 01/11/2005 (fls.28/30), não se aplicando o agravamento porque não possuía Sistema Escritural Eletrônico previsto nos arts.265, 266 e 267 do RIR/99 e não estava submetida ao regime de apuração do lucro real, conforme acórdãos que transcreve; • Requer retirar dos autos os valores indevidos: de janeiro a outubro/2000, alcançado pela decadência, haja vista a notificação em 30/11/2005; mesmo utilizandose do regime de competência, houve erro material por não ter havido a exclusão dos valores autorizados pela legislação: o IPI sobre as vendas e as devoluções; não existe prova nos autos da ausência de informação deliberada pela autuada, haja vista que não estava obrigada a escrituração do Livro Razão por ser optante do Lucro Presumido no exercício de 2000. Os débitos do PIS foram transferidos no Sistema RFB Profisc para o presente processo, conforme despacho de fl.249 e extratos de fls.250/254. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 309 6 A contribuinte, em setembro/2006 (fl.258), solicitou, para efeito do que dispõe a Medida Provisória nº 303, de 29/06/2006, a desistência parcial da impugnação/recurso, para inclusão dos débitos do PIS e da Cofins dos períodos de apuração de 11 e 12/2000 e 01, 02 e 03/2001 no parcelamento PAEX (fl.274), os quais foram transferidos para o processo 16151.000576/200687 (fl.257 e extratos PROFISC de fls.260/261), permanecendo para análise os débitos constantes do PROFISC de fls.262/271." No recurso, a Interessada alegou inicialmente, a decadência de parte do lançamento, sustentando a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN ainda que não tenha havido pagamento antecipado, conforme acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que cita. No mérito, alegou que no período de janeiro a dezembro de 2000 optara pelo lucro presumido (fls. 60 a 71 dos autos, segundo alega), ficando as contribuições sociais sujeitas ao regime de caixa. Assim, a apuração fiscal, que adotou o regime de competência, conteria erro material. Ademais, “Na comparação do demonstrativo indicado no item 2.6 acima, preparado pela Autuada segundo o Regime de Competência e o demonstrativo da Fls. 83 e 84 do processo preparado pelo Auditor Fiscal, saltase aos olhos a ausência das exclusões das devoluções e do IPI, constantes do inciso I,§2°, art. 30 da Lei n° 9.718/98”. Contestou o agravamento da multa para 112,5%, alegando não haver deixado de prestar informações à autoridade fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à decadência, o Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20 de junho de 2008, do seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A Súmula teve origem no julgamento do RE nº 559.8829, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, que reconheceu as referidas inconstitucionalidades. O texto da decisão que tratou da modulação temporal dos efeitos da decisão foi o seguinte (http:// www.stf.gov.br/ portal/ processo/ verProcessoTexto.asp? id= 2393382&tipoApp= RTF): Decisão: O Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 310 7 esclarecendo que a modulação aplicase tãosomente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 12.06.2008. A decisão, portanto, atribuiu efeito preclusivo aos casos não litigiosos na data da decisão, aplicandose aos casos em julgamento. A referida súmula, nos termos da Emenda Constitucional nº 45, de 2004, art. 2º, tem efeito vinculante “em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal [...]”. Portanto, aplicase ao PIS, em princípio, o prazo o art. 150, § 4º, do CTN, a não ser que não tenha havido pagamento antecipado, hipótese que desloca o termo inicial do prazo para o estabelecido no art. 173, I, do CTN. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. No caso dos autos, não houve recolhimento dos valores, razão pela qual se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em relação ao regime de apuração e à exclusão do IPI da base de cálculo, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, que abaixo reproduzo, uma vez que a Interessada não trouxe, além de demonstrativos, prova material do que foi alegado: Quanto ao IPI, verificase que de fato caberia sua exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, analisandose a DIPJ do exercício 2001, anocalendário 2000, temse que não consta na declaração valores declarados de IPI (fls.60/68), não tendo a interessada apresentado o Livro Fiscal de Apuração e Registro de IPI que viesse amparar suas pretensões. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 311 8 [...] No caso específico, alega a interessada que houve um descompasso entre as receitas informadas ao Estado nas DMA, que seguiram o regime de competência, e os valores declarados a Secretaria da Receita Federal, os quais obedeceram ao regime da caixa, que determina o momento da escrituração quando do ingresso de dinheiro no caixa por conta dessa venda. Apesar de apresentar tais argumentos para justificar as diferenças encontradas ainda na fase de fiscalização, a interessada não logrou comprovar o alegado e que os procedimentos adotados seguiam os ritos previstos na legislação aplicável, escrituração do Livro Caixa indicando a nota fiscal correspondente a medida em que ocorreram os recebimentos. O fato de adotar o regime de caixa não retira a materialidade para a concretização da hipótese de incidência do PIS/Cofins, conforme legislação transcrita. As exclusões foram exaustivamente tratadas no art.3º da lei pelo legislador ordinário. Não ficando comprovado o recebimento posterior e o respectivo cômputo da receita quando do seu recebimento, com vinculação à nota fiscal que lhe deu origem, é de se considerar procedente o lançamento para exigência da contribuição declarada e/ou recolhida com falta ou insuficiência. Entretanto, em relação ao agravamento da multa, a Fiscalização apenas justificou sua aplicação pelo argumento de que, “Com base no art. 44, parágrafo 2°, da Lei 9.430/96, para as infrações relativas ao anocalendário de 2000, a multa foi agravada para 112,5%.” A argumentação desenvolvida no acórdão de primeira instância, que apresentou um histórico de intimações e reintimações, não constou da fundamentação original. Dessa forma, o agravamento não foi suficientemente fundamentado no auto de infração, não podendo ser suprida tal falta pelos fundamentos do acórdão de primeira instância. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para afastar o agravamento da multa de ofício. Sala das Sessões, em 01 de março de 2011 (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Voto Vencedor Conselheiro Alan Fialho Gandra, RedatorDesignado quanto a decadência do período de apuração de 01/01/2000 a 31/10/2000. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 312 9 Data vênia o posicionamento defendido por outros julgadores deste Conselho, entendo que o início do prazo decadencial citado acima independe de ter ou não havido pagamento, conforme previsto no artigo 150, §§ 1º e 4º; em razão de tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Façamos uma análise jurídica de nosso sistema tributário. O Código Tributário Nacional adotou três modalidades distintas de apuração de tributos, sendo elas: modalidade por declaração (artigo 147), modalidade de ofício (artigo 149) e modalidade por homologação (artigo 150). A sistemática de apuração por homologação – que é a mais utilizada nos dias atuais é regida pelo artigo 150 do Código Tributário Nacional, o qual, em seu parágrafo 4º, impõe à Autoridade Administrativa o prazo de 5 (cinco) anos para homologação dos procedimentos adotados pelo particular. No silêncio do Fisco, uma vez decorrido o prazo em questão, os lançamentos são tacitamente homologados. Neste particular é imperioso reconhecer que a homologação não é do pagamento do tributo, mas sim do seu lançamento. Uma vez estando o tributo lançado, nada – exceto a comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação justifica o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para o artigo 173 do Código Tributário Nacional – CTN. E no presente caso não há sequer menção à comportamento doloso, fraudulento ou simulado, razão pela qual a conduta da Recorrente não está tipificada no artigo 173 do CTN. Contrario sensu, é inquestionável o fato de que o PIS e COFINS são tributos e estão sujeitos à apuração por homologação, sendolhes aplicáveis, pois, as disposições do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Neste sentido já se pronunciou a C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisões assim ementadas, verbis: “CSLL. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN, COM RESPALDO NO ARTIGO 146, III, ‘b’, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. É inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido assegura a aplicação do § 4°, do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso III, ‘b’, da Constituição Federal.” (Recurso Especial nº107133.941, Acórdão nº CSRF/0105.473, sessão de 19.06.06) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 313 10 Vale ressaltar, ainda, que o Pleno do Conselho de Contribuintes (antiga denominação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), em dezembro/2008, consolidou o entendimento que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pela Fazenda Nacional tem seu início no mês seguinte à ocorrência do fato gerador, independente da realização do pagamento, nos termos dos § 1º e 4º do artigo 150 do CTN. (RE 201121531 Processo 10980.003190/200254; RE 201122746 Processo 10280.005672/00 21; RE 201123568 Processo 13891.000209/0029; RE 301125569 Processo 10805.002709/9824). Desta forma, não há meios de se manter a exigência em relação aos fatos geradores anteriores a outubro/2000 (inclusive), uma vez que estão decaídos eis que a ciência do auto de infração ocorreu em 30/11/2005. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do PIS e COFINS relativa ao período compreendido entre 01/01/2000 a 31/10/2000. (ASSINADO DIGITALMENTE) Alan Fialho Gandra Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 10580.006118/2004-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO.
É de 30 (trinta) dias o prazo de interposição do recurso voluntário, nos termos do artigo 33 do Decreto n. 70.235/72.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2101-001.177
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 17883.000234/2006-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
Ementa:
PEDIDO DE PARCELAMENTO. RECURSO. VIA INADEQUADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso na parte em que o Recorrente formula pedido de parcelamento.
MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplica-se aos tributos e não às penalidades.
Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26-A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF n. 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais” (Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.098
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer em parte do recurso e, nessa parte, negarlhe
provimento, nos termos do voto do
relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: PEDIDO DE PARCELAMENTO. RECURSO. VIA INADEQUADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso na parte em que o Recorrente formula pedido de parcelamento. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplica-se aos tributos e não às penalidades. Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26-A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF n. 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Recurso negado.
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RECURSO. VIA INADEQUADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso na parte em que o Recorrente formula pedido de parcelamento. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplicase aos tributos e não às penalidades. Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF n. 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, nessa parte, negarlhe provimento, nos termos do voto do relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 17883.000234/200665 Acórdão n.º 210101.098 S2C1T1 Fl. 9.4 2 (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Maria Paula Farina Weidlich (convocada) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 60) interposto em 04 de março de 2010 contra acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) (fls. 55/56), do qual o Recorrente teve ciência em 11 de fevereiro de 2010 (fl. 59), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 31/34, lavrado em 12 de dezembro de 2006, em decorrência de deduções indevidas de despesas médicas, com instrução, pensão judicial e previdência privada, verificadas nos anos calendário de 2003 e 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003, 2004 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. As deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, consoante previsão do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 17883.000234/200665 Acórdão n.º 210101.098 S2C1T1 Fl. 10.4 3 Uma vez constatada infração à legislação tributária, o crédito apurado somente pode ser satisfeito com a multa do lançamento de oficio expressamente prevista em lei para o pagamento do tributo a destempo. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 55). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 60), requerendo a reconsideração do quanto decidido, a fim de que seja excluído o lançamento da multa arbitrada e eventuais juros moratórios, para cobrança apenas da receita principal, bem como o parcelamento do crédito tributário constituído. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Inicialmente, necessário se faz salientar que o presente recurso, no que tange ao requerimento de parcelamento do crédito tributário, não pode ser conhecido, por falta de interesse recursal, uma vez que esta não é a via adequada para referido pedido. Ainda nesse sentido, cumpre destacar que, de acordo com o art. 25 do Decreto n.º 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, a competência desse Conselho é para julgamento de processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ora, o pedido de parcelamento não está abrangido pelo processo de determinação e exigência do crédito tributário. Ademais, devese esclarecer que a competência desta 2ª. Seção está definida no art. 3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; conforme se verifica, não compete ao Conselho manifestarse, em sede de recurso, a respeito de pedido de parcelamento. Resta, portanto, analisar o pedido de exclusão da multa arbitrada e eventuais juros moratórios, para cobrança apenas da receita principal. Nessa parte, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Com relação à argüição de inconstitucionalidade da multa de ofício por violação ao art. 150, IV, da Lei Maior, temse que igualmente insubsistente. Cabe afirmar, ab initio, que o princípio da vedação ao confisco, tal como explicitado no art. 150, IV, da Constituição Federal, impede a cobrança confiscatória de tributos e não de penalidades. Nessa esteira, é bem de ver que, a teor do que se extrai do art. 3º do Código Tributário Nacional, “tributo é toda prestação pecuniária, em moeda, ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 17883.000234/200665 Acórdão n.º 210101.098 S2C1T1 Fl. 11.4 4 Ora, se o conceito de tributo, como preleciona o CTN, não abrange sanções de atos ilícitos, temse que as normas relativas a tributos não se estendem às penalidades, por tratarem de objetos absolutamente distintos. Confirase, neste ponto, a jurisprudência firmada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, ora CARF: “MULTA DE OFÍCIO É correto o lançamento da multa de ofício, como sanção por descumprimento da legislação tributária, o que não se confunde nem resulta do conceito de "caráter confiscatório" que é dirigido a tributos e não a penalidades.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 134.381, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 14/04/2004) “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO É correta a exigência, e de conseqüência, a cobrança da multa de lançamento de ofício, quando o dever legal venha de ser cumprido por iniciativa da autoridade administrativa, fato que não se confunde com o conceito de ‘caráter confiscatório’.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 133.777, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 05/11/2003) Não bastasse essa razão, por si só suficiente para rejeitar o pleito do Recorrente, vale ressaltar que o montante da multa no percentual de 75% sobre o principal é oriundo de norma cogente, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Portanto, tratandose de norma vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que, como se viu, é vedado pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e pela Súmula n. 2 do CARF. Por derradeiro, cumpre salientar a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, consoante jurisprudência mansa e pacífica firmada por este e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, traduzida na Súmula de n.º 04: Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Eis o motivo pelo qual voto no sentido de conhecer em parte do recurso e, nessa parte, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 17883.000234/200665 Acórdão n.º 210101.098 S2C1T1 Fl. 12.4 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001695/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em
que não foi contestado.
COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO EDUCAÇÃO.
SAT. INCRA. SEBRAE.
A compensação não pode ser realizada em razão de suposta
inconstitucionalidade, que ainda não foi declarada pelo Judiciário de forma definitiva.
CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS.
Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à
constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a
cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-002.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SAT. INCRA. SEBRAE. A compensação não pode ser realizada em razão de suposta inconstitucionalidade, que ainda não foi declarada pelo Judiciário de forma definitiva. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 159 1 158 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.001695/200713 Recurso nº 257.242 Voluntário Acórdão nº 230102.189 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria Cooperativa de Tabalho Recorrente BL BITTAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SAT. INCRA. SEBRAE. A compensação não pode ser realizada em razão de suposta inconstitucionalidade, que ainda não foi declarada pelo Judiciário de forma definitiva. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 160 2 redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Damiao Cordeiro de Moraes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 08/12/2006, em desfavor de BL BITTAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA., correspondente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor dos serviços prestados por cooperados, por intermédio da Unimed de Limeira Cooperativa de Trabalho Médico. Relata o AFRFB, em seu Relatório Fiscal de fls. 22/25, que se trata de contrato coletivo de serviços médicos e hospitalares celebrado entre a empresa notificada e a Unimed Limeira Cooperativa de Trabalho Médico, que garante aos usuários assistência médica de natureza clínica e cirúrgica através dos médicos cooperados, serviços auxiliares de diagnóstico, terapia e rede hospitalar credenciadas pela UNIMED. Salienta, ademais, que o lançamento de crédito está devidamente embasado no disposto no inciso IV, do art. 22, da Lei n° 8.212/91, acrescentado pelo art. 1°, da Lei 9.876/99. Inconformada, a ora Recorrente ofereceu Impugnação de fls. 68/95, tendo sido proferido acórdão de fls. 105/112, que julgou procedente o lançamento, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. JUROS E ACRÉSCIMOS LEGAIS. COMPENSAÇÃO. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 161 3 Ocorrido o fato gerador das contribuições previdenciárias, exsurge o dever de recolher as respectivas contribuições previdenciárias, descontandoas dos segurados empregados a seu serviço e repassandoas aos cofres públicos. É devida a contribuição a cargo da empresa incidente sobre os valores de serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho. Aplicabilidade dos percentuais de multa e juros de mora, de acordo com a legislação de regência, às contribuições sociais em atraso. Não cabe à instância administrativa manifestarse acerca de inconstitucionalidade de Lei, cujo julgamento é prerrogativa dos Tribunais Federais. O exercício do direito de compensação depende da existência do crédito titularizado pelo sujeito passivo, não podendo este, sponte própria, inferilo e proceder à autocompensação. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 116/144, alegando, em síntese: a) Que a tributação decorrente das faturas de mãodeobra prestadas por cooperados, tendo como base de cálculo o total bruto das faturas de serviços, não tem previsão constitucional; b) Que o crédito cobrado é indevido, haja vista que fora compensado com valores credores apurados, tais como pagamentos indevidos da contribuição salárioeducação, SAT, SEBRAE e INCRA; c) Que a multa imposta tem caráter indevido, haja vista a declaração do débito, a denúncia espontânea e, ainda, a compensação do crédito cobrado consoante autoriza a Lei 8.383/91; d) Que a multa deve ser certa e líquida para que goze de presunção de validade, pois a sua progressividade leva a majoração da alíquota somente permitida naqueles impostos previstos como progressivos; e) Que somente seria possível a aplicação da Taxa SELIC se seus juros fossem correspondessem a 1% (um por cento), conforme dispõe o §1° do art. 161 do CTN; Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 162 4 Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da impossibilidade de analisar inconstitucionalidade de contribuições previdenciárias do salárioeducação, SAT, INCRA e SEBRAE. Ilegalidade na compensação O contribuinte alega que procedeu à compensação de contribuições recolhidas indevidamente a título de salárioeducação, SAT e das contribuições destinadas aos terceiros INCRA e SEBRAE, contudo, tal argumento não encontra fundamento na legislação vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. O Regulamento da Previdência Social também dispõe sobre a compensação de contribuições previdenciárias nos seguintes termos: Art. 247. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a seguridade social, arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. No caso dos autos, não restou comprovado que o contribuinte tivesse recolhido valores indevidamente que suscitassem compensação. Isto porque a cobrança das contribuições sociais do salárioeducação é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, tendo o STF publicado a Súmula de n ° 732, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIO EDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. Portanto, totalmente inócua a alegação da ora recorrente de que procedeu a compensações por valores recolhidos indevidamente a título de salárioeducação. Quanto ao argumento da inconstitucionalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, verifico que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 163 5 Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto enquadramento em qualquer tempo. (...) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 164 6 § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementam passo a transcrever: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei. O Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que esta contribuição tem natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 165 7 Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócio econômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 166 8 A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art. 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 167 9 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 168 10 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Outrossim, cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 169 11 “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Neste diapasão, não sendo possível aos órgãos administrativos reconhecer inconstitucionalidade de norma, qualquer compensação considerando como crédito os valores supostamente inconstitucionais é indevida, já que sem qualquer respaldo para afastar a incidência das contribuições. Ocorrendo essa hipótese, os valores compensados serão glosados pelo Fisco, tendo em vista a presunção de legalidade da lei, cuja aplicação somente pode ser afastada quando for declarada sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta; quando for publicada resolução do Senado Federal que suspensa a sua execução; ou ainda quando for proferida decisão no caso concreto, afastando a aplicação da norma por inconstitucionalidade ou ilegalidade, e a extensão dos efeitos da decisão seja autorizada pelo Presidente da República. Por outro lado, ainda que fossem inconstitucionais as contribuições apontadas, não poderia haver a compensação, tendo em vista que, em se tratando de contribuições destinadas a terceiros, o INSS e, atualmente a Receita Federal, apenas é responsável pelo recolhimento, sendo os valores transferidos aos órgãos correspondentes, não sendo possível a devolução pelo Fisco de montante do qual não mais dispõe. Não é por outra razão que o art. 249, do RPS dispõe que “somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, valor decorrente das parcelas referidas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195”, não englobando as contribuições destinadas a Terceiros. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 170 12 A Instrução Normativa nº 3/2005 também dispunha, no art. 193, I, que a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades ou fundos, vedando expressamente a possibilidade de compensar as contribuições previdenciárias devidas com valores destinados a outros fundos. Por todo o exposto, não há que se falar em inconstitucionalidade, menos ainda em compensação de contribuições recolhidas indevidamente. Da alegação de inconstitucionalidade da contribuição sobre valores pagos às cooperativas e da progressividade da multa O contribuinte insurgese contra a contribuição sobre os valores pagos às cooperativas, aduzindo que “a criação desta nova contribuição social devida sobre as faturas de prestação de serviços de mãodeobra prestados por cooperados, sob qualquer ângulo que seja avaliada, não possui amparo constitucional”. Outrossim, opõese à progressividade da multa, sob o fundamento de que representa uma majoração do tributo, permitida apenas naqueles tributos previstos na CF/88, que são postos de maneira taxativa. Conforme já demonstrado no item supra, a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Portanto, não merecem prosperar os argumentos expostos pelo ora recorrente. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 171 13 Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da multa aplicada No tocante aos acréscimos legais, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária, não possuindo natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Imperioso, contudo, destacar que em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 172 14 Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, se for mais benéfica para o contribuinte. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000618/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/07/2007
Ementa:
SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a
remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.
Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam que a parcela não integra o salário de contribuição.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/07/2007 Ementa: SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado
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Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam que a parcela não integra o saláriodecontribuição. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13976.000618/200779 Acórdão n.º 230201.177 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada em 01/11/2007 e cientificada ao sujeito passivo em 05/11/2007, de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de auxílioeducação, nas competências de 03/2004 a 07/2007. O relatório fiscal de fls. 76/79, traz que os valores foram pagos aos segurados lotados no setor administrativo para custear as despesas relativas a curso superior, sendo por isso considerado salário de contribuição. Após a impugnação, Acórdão de fls. 148/149, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo arguindo em síntese: a) que os valores pagos não configuram salárioindireto porque não tem natureza salarial, não retribuem trabalho; b) que o auxílio é extensivo a todos os segurados, o que comprova com os documentos anexos: o manual do colaborador e a carta circular que dispõe sobre a política de concessão de auxílioescolar; c) que o fato de ser concedido o auxílio somente para os funcionários admitidos a mais de uma ano, não desvirtua a natureza indenizatória do pagamento, o que é corroborado pela jurisprudência a que se refere. Requer o provimento do recurso pelas razões expostas, que demonstram a legalidade do procedimento adotado pela recorrente. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Referese o lançamento ao custeio de despesas com curso superior dos funcionários, com mais de um ano de atividade, lotados no setor administrativo da empresa recorrente. Os documentos trazidos por ora da defesa, às fls. 105 a 138, comprovam que foram pagos cursos de nível superior em direito, administração, tecnologia em gestão de negócios e ciências contábeis. A questão de mérito reside no fato dos valores pagos para custear o ensino superior integrar ou não a remuneração dos segurados empregados da recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13976.000618/200779 Acórdão n.º 230201.177 S2C3T2 Fl. 3 5 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13976.000618/200779 Acórdão n.º 230201.177 S2C3T2 Fl. 4 7 não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A verba relativa ao ensino superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei n ° 8.212/1991, pois o que não integra o salário de contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que assim dispõe: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Como se pode depreender da análise do art. 21 acima transcrito, a educação superior não se confunde com a básica. O curso de capacitação profissional também não se confunde com curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária. Concluise portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Portanto, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente ao plano de ensino superior teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não ocorreu. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já referido. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] De acordo com a disposição constitucional, "todos os ganhos habituais”, à qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o saláriodecontribuição. Significa dizer que, além dos pagamentos diretos, abrange também os salários indiretos (utilidades ou salário in natura), não importando a forma ou título. O salário, para todos os efeitos legais, inclui alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. No caso em tela, o oferecimento de ensino superior aos funcionários é sem dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende dos valores para custear o seu ensino. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de educação superior possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Como visto, é despicienda a análise de extensão a todos os segurados da empresa, pois a verba relativa a ensino superior integrará em qualquer hipótese o saláriode contribuição. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Nesse contexto, os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13976.000618/200779 Acórdão n.º 230201.177 S2C3T2 Fl. 5 9 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001289/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito
passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois
do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Súmula nº 1 do Segundo Conselho de Contribuintes.
NULIDADES. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Inexiste nulidade da decisão de primeira instância quando esta decide questão
no mesmo sentido da Súmula de Jurisprudência uniforme dos Conselhos de
Contribuintes.
NULIDADES. AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO NA MOTIVAÇÃO.
Inexiste nulidade por vício na motivação, quando há subsunção lógica entre
os fatos e os dispositivos legais precisamente indicados e comprovados pelo
Fisco.
REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA.
Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração a um mesmo
dispositivo, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado
a decisão administrativa referente à infração anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-000.947
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com a ação judicial e, na
parte conhecida, também por unanimidade, em dar provimento parcial para desagravar a multa
de ofício, reduzindoa
ao patamar de 75% em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 09
de agosto de 2004, inclusive.
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Matéria IPI Recorrente INDUSTRIAL BOITUVA DE ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Súmula nº 1 do Segundo Conselho de Contribuintes. NULIDADES. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Inexiste nulidade da decisão de primeira instância quando esta decide questão no mesmo sentido da Súmula de Jurisprudência uniforme dos Conselhos de Contribuintes. NULIDADES. AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO NA MOTIVAÇÃO. Inexiste nulidade por vício na motivação, quando há subsunção lógica entre os fatos e os dispositivos legais precisamente indicados e comprovados pelo Fisco. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração a um mesmo dispositivo, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado a decisão administrativa referente à infração anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com a ação judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade, em dar provimento parcial para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75% em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 09 de agosto de 2004, inclusive. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 2 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório do Acórdão de primeira instância omitindo os valores da autuação: “O estabelecimento acima qualificado foi autuado pela fiscalização do IPI, para exigência desse imposto, no valor de (...omissis...), acrescido de juros de mora e da multa de ofício majorada, de 150%, por infração qualificada, totalizando a importância de (... omissis ...), na data do lançamento de ofício, conforme Auto de Infração, das fls. 680 a 689 (vol. IV), que foi lavrado em 8 de agosto de 2007, na Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Novo Hamburgo. Os motivos da autuação se acham explicitados no Relatório da Ação Fiscal, das fls. 721 a 739 (vol. IV), a seguir resumido. O interessado compensou, em sua escrita fiscal do IPI, de 2003 a 2006, período objeto da auditoria, créditos desse imposto, relativos a entradas de aguardente, cuja saída do estabelecimento remetente se deu com suspensão do citado imposto. Segundo o interessado, os créditos referidos no item precedente estariam amparados no Acórdão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, elaborado no julgamento da Apelação em Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270/RS, em 21 de fevereiro de 2002, com o que não concordou a fiscalização, para a qual o referido aresto garantiu o direito de o contribuinte se creditar do IPI relativo aos insumos e matériasprimas imunes, isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, sem que fosse autorizado o pretendido crédito, nas entradas de insumos remetidos ao estabelecimento fiscalizado, com suspensão do IPI, como no caso concreto, motivo por que houve a glosa de ofício dos créditos, tendo sido exigido o IPI resultante da glosa, acrescido de juros de mora e da multa de ofício. A fiscalização ressalta e explica que a suspensão do IPI não se confunde com a isenção desse imposto, ao contrário do que sustenta o autuado. As infrações foram enquadradas nos arts. 34, II, 122, 127, 130, 164, I, 199, 200, IV, e 202, II, do Decreto nº 4.544, de 27 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002). Esse enquadramento sujeitou o interessado inclusive à multa de ofício majorada, de 150%, por infração qualificada (reincidência específica e sonegação), conforme art. 80, II, da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e a juros de mora, previstos no art. 61, § 3o, da Lei no 9.430, de 1996. Foi formalizada representação fiscal para fins penais, no Processo no 11065.001290/200755, que se acha apensado ao presente processo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 3 3 Cientificado da autuação em 10 de agosto de 2007, segundo consta nas fls. 681 e 739 (vol. IV), o contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, em 5 de setembro de 2007, por meio do arrazoado das fls. 742 a 760 (vol. IV), firmado por seus advogados, com mandato nas fls. 761 e 762 (vol. IV), e instruído com os documentos das fls. 763 a 799 (vol. IV), 802 a 999 (vol. V) e 1002 a 1043 (vol. VI), alegando, em síntese, o que vem relatado na seqüência. O impugnante principia, dizendo que faz jus aos créditos do IPI, pelo ingresso e/ou saída de insumos/mercadorias sob imunidade e isenção, sendo que, nessa última categoria, entende que estão compreendidos a suspensão, a alíquota zero e os insumos não tributados. Acrescenta que, para garantir seu direito, ajuizou o Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270, que tramita na Justiça Federal de Novo Hamburgo, com decisão favorável no TRF da 4a Região, estando pendente de julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Prossegue a defesa, alegando que houve deficiente descrição do fato, no Auto de Infração impugnado, além de imprecisa indicação do dispositivo legal tido por infringido. Argumenta que o Auto de Infração apresenta vício formal, por ser incapaz de definir e especificar a obrigação jurídica tributária global, pois não apresenta, claramente, o dispositivo legal que supostamente foi infringido, já que os fatos narrados não guardam consonância efetiva com a norma tida por violada. Cita os arts. 10 e 59 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, o art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e doutrina. Diz que os autuantes deixaram de observar esses requisitos, porque glosaram crédito tributário reconhecido judicialmente, e interpretaram de maneira equivocada a decisão judicial, inclusive, importante salientar que a União, no caso concreto do Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270, até o momento está sucumbindo. Na seqüência, diz o interessado que além da deficiente descrição dos fatos, a falta de indicação precisa de dispositivo legal específico, que nega o direito de crédito reconhecido judicialmente, impossibilita a identificação normativa da motivação utilizada no ato administrativo analisado, acarretando a nulidade da decisão, conforme inteligência do art. 10 c/c com o art. 59 do Decreto no 70.235, de 1972. Cita ementas de acórdãos de Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, em apoio à sua tese. Considera que houve preterição do seu direito de defesa, afrontando o art. 5o, LV, da Carta Magna. Menciona excerto de livro de autoria de Pontes de Miranda. Quanto ao mérito, diz que pleiteou, na ação judicial, o reconhecimento do direito aos créditos também com suspensão do IPI, direito esse que diz ter sido reconhecido pelo TRF da 4a Região. Se assim não fosse, a melhor exegese é de que suspensão é uma espécie do gênero isenção. Para corroborar seu ponto de vista, de que suspensão é uma espécie do gênero isenção, transcreve ementa, relatório e voto do Acórdão da Apelação em Mandado de Segurança no 2002.72.03.0002452/SC, julgada pelo TRF da 4a Região. Sobre a multa de 150%, diz que não houve reincidência, nem sonegação, tendo sido, isso sim, aproveitados créditos legítimos do IPI, reconhecidos por decisão judicial, circunstância que exclui a aplicação de qualquer multa, conforme acórdão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, do qual transcreve excertos da ementa, do relatório e do voto. Por último, requer a insubsistência do crédito tributário constituído no Auto de Infração impugnado, seja porque o lançamento contém vícios insanáveis, que acarretam a sua nulidade, seja porque o direito ao crédito judicialmente reconhecido Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 4 4 no Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270, abrange os produtos/insumos adquiridos/saídos com isenção, lato sensu, onde se inclui a suspensão, alíquota zero e nãotributados, conforme melhor exegese do acórdão do processo judicial referido, além de todos serem espécies do gênero isenção, conforme entende o próprio Poder Judiciário. Encerra, afirmando que, na hipótese de não serem acolhidos os argumentos da defesa, deverá ser afastada a multa qualificada de 150%, e/ou reduzida, pois não há que se falar em reincidência ou sonegação, no caso em espécie, até mesmo porque o impugnante está, até o momento, ao abrigo de uma decisão judicial, consoante amplamente demonstrado e fundamentado.” O Acórdão 1015.059 da 3ª Turma da DRJ em Porto Alegre – RS recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes da autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. NULIDADE POR SUPOSTA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. É improcedente a alegação de nulidade do Auto de Infração, por preterição do direito de defesa, que teria impedido o entendimento dos fatos e do enquadramento legal, por estabelecimento que é autuado pela terceira vez, pela prática da mesma infração, sempre muito bem descrita e enquadrada, nos respectivos relatórios fiscais e autos de infração. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração de um mesmo dispositivo, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado a decisão administrativa referente à infração anterior. Regularmente notificada da decisão de primeira instância, a contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, a nulidade do Acórdão 10 15.059 da 3ª Turma da DRJ em Porto Alegre – RS por violação do direito de defesa, uma vez que não enfrentou todas as matérias alegadas na impugnação. Acrescentou que o ADN Cosit nº 3/96 interpretou incorretamente o art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80 e que ele é inaplicável ao caso concreto porque o mandado de segurança antecedeu o auto de infração. No mais, reiterou as alegações feitas em primeira instância. Por meio da Resolução nº 340300.003, de 07 de julho de 2009, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que a repartição de origem juntasse aos autos peças dos processos nº 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197, capazes de demonstrar as datas em que os Acórdãos 20215.422 e 20215.423 se tornaram definitivos na esfera administrativa. Os autos retornaram com os documentos de fls. 1123 a 1201, que atenderam plenamente o que foi solicitado na diligência. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 5 5 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. É incontroverso nos autos que apenas foram glosados os créditos pelas entradas de produtos sob o regime de suspensão do imposto. Não houve glosa quanto a créditos pela entrada de produtos isentos, imunes ou sujeitos à alíquota zero. Da nulidade da decisão recorrida por violação do direito de defesa e da inaplicabilidade do ADN Cosit nº 3/96. A decisão recorrida, invocou o ADN Cosit nº 3/96 para não conhecer da questão do direito ao crédito ficto por entradas desoneradas do imposto, uma vez que a matéria está submetida ao crivo do Judiciário. Em razão disso, alegou a recorrente violação dos princípios constitucionais pertinentes ao processo. Analisandose a fundamentação e o pedido da inicial do mandado de segurança nº 1999.71.08.0099270 (fls. 18/97) verificase que realmente a questão do direito ao crédito de IPI pelas entradas de insumos desoneradas do imposto foi submetida ao crivo do Poder Judiciário antes da autuação. A Súmula nº 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, assim estabelece: “SÚMULA Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.” Portanto, não é nula e nem merece reparo a decisão recorrida, posto que decidiu a questão no mesmo sentido da súmula de jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Embora o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996 tenha esclarecido exaustivamente a questão, a concomitância entre processos judiciais e administrativos ainda vem criando dificuldades para a fiscalização, julgadores e contribuintes. Assim dispõe a Lei n.º 6.830, de 22 de setembro de 1980 o art. 38, parágrafo único: “Art 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 6 6 dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” Como se vê, existe previsão legal expressa no sentido da renúncia ou da desistência do recurso administrativo, com o único objetivo de vedar a concomitância de processos nas esferas administrativa e judicial. Tal vedação nada tem de inconstitucional, uma vez que atende simultaneamente aos princípios da unidade da jurisdição e da economia processual. É totalmente inútil discutirse no âmbito administrativo questão submetida ao crivo judicial, pois ao final prevalecerá a decisão judicial, independentemente do que for decidido pela Administração. Interpretando este dispositivo legal, o Superior Tribunal de Justiça assim se manifestou: “Recurso Especial nº 24.0406RJ (92.00162444) (DJU 16/10/1995) EMENTA: Tributário. Ação declaratória que antecede a autuação. Renúncia ao poder de recorrer na via administrativa e desistência do recurso interposto. O ajuizamento de ação declaratória que antecede a autuação impede o contribuinte de impugnar administrativamente a mesma autuação interpondo os recursos cabíveis naquela esfera. Ao entender de forma diversa, o acórdão recorrido negou vigência ao art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, 22.09.80. Recurso Especial conhecido e provido. RECURSO ESPECIAL Nº 7.630RJ (91.012831) (DJU 22/04/1991) EMENTA:TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DO DEVEDOR. EXIGÊNCIA FISCAL QUE HAVIA SIDO IMPUGNADA POR MEIO DE MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO, RAZÃO PELA QUAL O RECURSO MANIFESTADO PELO CONTRIBUINTE NA ESFERA ADMINISTRATIVA FOI JULGADO PREJUDICADO, SEGUINDOSE INSCRIÇÃO DA DÍVIDA E AJUIZAMENTO DA EXECUÇÃO. Hipótese em que não há falarse em cerceamento de defesa e, conseqüentemente, em nulidade do título exeqüendo. Interpretação da norma do art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, que não faz distinção, para os efeitos nela previstos, entre ação preventiva e ação proposta no curso do processo administrativo. Recurso provido.” Vale a pena transcrever excerto do voto do relator no Resp. nº 7.630RJ, Exmo. Sr. Ministro Ilmar Galvão, verbis: "(...) Como ficou visto, os agentes fiscais do Estado efetuaram lançamento fiscal contra a Recorrida, instaurandose processo contencioso administrativo, o qual já se achava no Conselho de Contribuintes, para julgamento de recurso contra a Fazenda, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 7 7 quando se apercebeu esta de que o contribuinte havia impetrado mandado de segurança visando exonerarse da obrigação fiscal em tela, razão pela qual o recurso foi considerado prejudicado e o lançamento definitivamente constituído, inscrevendose a dívida ativa e iniciandose a execução. Na verdade, havia o Recorrido tentado porse a salvo da autuação, por meio de mandado de segurança impetrado antes do lançamento, o qual, aliás, foi extinto sem apreciação do mérito. Defendendose agora na execução, alega nulidade do título que a embasa, ao fundamento de ausência do julgamento de seu recurso. Não tem razão, entretanto. Com efeito, havendo atacado, por mandado de segurança, ainda que preventivo, a legitimidade da exigência fiscal em tela, não havia razão para julgamento de recurso administrativo, do mesmo teor, incidindo a regra do art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, segundo a qual, a impugnação da exigência fiscal em juízo "importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Em tais circunstâncias, abreviase a ultimação do processo administrativo que, mediante a inscrição do debitum, dá ensejo à execução forçada em juízo. Embargada esta, corre o processo em apenso ao da primeira ação, para julgamento simultâneo, em face da conexão, na forma do art. 105 do CPC. Tratase de medida instituída em prol da celeridade processual, e que, por outro lado, nenhum prejuízo acarreta para o contribuinte devedor. Com efeito, se a decisão judicial lhe foi favorável, a execução resultará trancada; e se desfavorável, não terá retardado injustificadamente a realização do crédito fiscal. A circunstância de a exigência fiscal ter sido impugnada antes, ou depois, da autuação, não tem relevância, de vez que, em qualquer hipótese, produzirá a sentença os efeitos descritos. O que não faz sentido é a invalidação do título exeqüendo pelo único motivo de não haver o contribuinte logrado um pronunciamento sobre o mérito, no julgamento da ação, sabendose que poderá obtêlo por via dos embargos, sem que se possa falar, por isso, em nulidade processual, notadamente cerceamento de defesa. (...)" Como se pode verificar, para os fins do art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, é irrelevante que a propositura da ação judicial ocorra antes ou depois da autuação e que o processo judicial se extinga com ou sem julgamento de mérito. Diante da interpretação fixada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, que é o tribunal competente para uniformizar a interpretação do direito federal (CF/1988, art. 105, III, alínea c), o CoordenadorGeral do Sistema de Tributação transplantou o entendimento jurisprudencial para a esfera administrativa, ao baixar o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3, de 1996, com o seguinte teor: “O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. l47, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de l992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 8 8 DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. l49 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança),do art.l5l, do CNT; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC). PAULO BALTAZAR CARNEIRO” (grifei) Portanto, ao contrário do alegado, o ADN Cosit nº 3/96, interpretou corretamente o art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, posto que adotou a interpretação fixada pelo STJ. Ainda que o processo judicial venha a ser extinto sem julgamento de mérito, a renúncia às vias administrativas não viola nenhuma garantia constitucional do contribuinte, porque o mérito da autuação poderá ser rediscutido em embargos do devedor, a teor do disposto no art. 745, do CPC: “Art. 745. Quando a execução se fundar em título extrajudicial, o devedor poderá alegar, em embargos, além das matérias previstas no art. 741, qualquer outra que Ihe seria lícito deduzir como defesa no processo de conhecimento.” Preliminar rejeitada. Nulidade do auto de infração por vício na motivação. Alegou a recorrente que o auto de infração não apresenta, claramente, o dispositivo legal que supostamente foi infringido, já que os fatos narrados não guardam consonância efetiva com a norma dita por violada (fl. 2084, parte final). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 9 9 A alegação da recorrente é contraditória, pois se é possível à defesa afirmar que os fatos narrados não guardam consonância com a norma dita por violada, então é porque o autuante disse claramente qual foi a norma violada. Na fl. 692 encontrase a descrição do único fato narrado: “Crédito Básico Indevido”. Nas fls. 721/731 encontrase o Relatório da Ação Fiscal, onde se pode obter o motivo pelo qual o crédito básico foi considerado indevido: as entradas com suspensão não dão direito ao crédito e nem estão abrigadas pelo provimento judicial. E finalmente, na fl. 689, está citado expressamente o art. 164, inciso I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002, que prevê o seguinte: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I – do imposto relativo a MP, PI e ME, para emprego na industrialização de produtos de produtos tributados, (...)” (grifei) Ora, se o Regulamento só permite o crédito fiscal do imposto e a fiscalização considerou que nas entradas com suspensão não tem imposto e que elas não estão abrigadas pela decisão judicial, então realmente não há nada a ser creditado. Se não há imposto a ser creditado, o crédito básico é indevido. E se houvesse imposto a ser creditado nas entradas com suspensão a recorrente não precisaria ter batido às portas do Judiciário para pleitear tal direito. Portanto, ao contrário do alegado não existe nenhum vício na motivação do auto de infração. O motivo, ou seja, a causa do lançamento, assim como o dispositivo legal que lhe dá sustentáculo foram expressamente indicados pelo Fisco e existe subsunção lógica entre a hipótese normativa e o motivo indicado. Preliminar rejeitada. Direito ao crédito pelas entradas com suspensão – interpretação equivocada da decisão judicial. A contribuinte impetrou o Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270 em 26 de outubro de 1999. Na petição inicial respectiva (fls. 18/97) foi pedido o reconhecimento do direito de aproveitamento de créditos do IPI, decorrentes de compras de insumos isentos e/ou beneficiados pela alíquota zero. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 10 10 Na fundamentação do impetrante verificase que existe argumentação no sentido de que a isenção abrange também as “isenções parciais”, entre as quais estariam enquadradas as saídas com alíquota zero e as com suspensão do imposto (fls. 19). Portanto, está correta a decisão de primeira instância na parte em que decidiu pela concomitância com o processo judicial, já que o lançamento impugnado e a ação judicial possuem o mesmo objeto, no tocante ao direito aos créditos do imposto nas entradas de insumos com suspensão do IPI. Por outro lado, a sentença, datada de 30 de outubro de 2000 (fls. 98/105), denegou a segurança. O julgamento da apelação ocorreu em 21 de fevereiro de 2002, conforme fls. 169/177, cuja ementa transcrevo a seguir: “TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITO PRESUMIDO. 1. O princípio constitucional da nãocumulatividade tem como finalidade essencial a proteção do consumidor final, evitando que este venha a suportar carga tributária excessiva, decorrente da incidência cumulativa de IPI, nas operações que envolvem o processo de industrialização. 2. O contribuinte tem direito de creditarse do IPI relativo aos insumos e matérias primas adquiridos sob o regime de isenção, imunes, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, a fim de que o benefício possa ser efetivamente refletido no preço final do produto oferecido ao consumo. 3. Sobre os créditos apurados incide correção monetária, a fim de conservarlhes o poder aquisitivo da moeda.” A literalidade do julgado não deixa nenhuma dúvida no sentido de que o pronunciamento judicial não fez nenhuma menção ao direito de crédito do IPI nas entradas de insumos com suspensão desse imposto. O exame do inteiro teor do referido acórdão (fls. 169/177) não deixa nenhuma dúvida de que o Judiciário não se manifestou sobre as entradas com suspensão do imposto. Do cotejo do inteiro teor da petição inicial com o inteiro teor do acórdão acima citado, verificase que, conquanto a recorrente tenha revelado a pretensão de utilizar créditos de IPI pelas entradas de insumos com suspensão, o acórdão do TRF da 4a Região foi omisso quanto a esta questão, tendo se limitado a autorizar créditos do IPI em relação a outras entradas desoneradas do imposto. Não há notícia nos autos de que a recorrente tenha oposto embargos de declaração ao Acórdão do TRF da 4ª Região, o que tornou definitivo o não reconhecimento pelo Poder Judiciário do direito aos créditos de IPI pelas entradas com suspensão do imposto. Alegou a recorrente que a Procuradoria da Fazenda Nacional, ao interpor o recurso extraordinário, não recorreu do direito ao crédito quanto aos produtos isentos. Acontece que da ausência de recurso da PFN nesta parte, não decorre logicamente a conclusão de que houve o reconhecimento por parte do Judiciário do direito ao crédito pelas entradas com suspensão de IPI, pois o Acórdão do TRF da 4ª Região foi omisso quanto a esta matéria. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 11 11 A recorrente citou o julgamento pelo TRF da 4ª Região da Apelação em Mandado de Segurança no 2002.72.03.0002452/SC, cuja transcrição que foi feita no recurso voluntário, demonstra que naquele caso concreto foi reconhecido o direito ao crédito de IPI pelas entradas com suspensão do imposto. Contudo, além deste julgado beneficiar outro contribuinte, ele foi proferido em 11/06/2006, mais de quatro anos após o julgamento da apelação da recorrente, o que pode caracterizar uma mudança no posicionamento do Tribunal Regional da 4ª Região. Inexistindo pronunciamento do Judiciário quanto ao crédito de IPI pelas entradas com suspensão do imposto, é óbvio que o lançamento não configura nenhum desrespeito à ordem judicial. Da majoração da multa de ofício pela reincidência específica Ao contrário do alegado, a decisão de primeira instância não enquadrou a conduta da recorrente na sonegação, prevista no art. 480 do RIPI/2002. Eis o excerto do voto condutor do acórdão recorrido ao decidir a questão (fls. 1051/1052): “(...) No tocante à exigência da multa de ofício majorada, de 150%, por infração qualificada (reincidência e sonegação), cabe dizer, inicialmente, que o enquadramento no art. 480, II, do RIPI, de 2002, a seguir transcrito, não pode ser acolhido: “Art. 480. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71): I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71, inciso I); e II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71, inciso II).” Embora os motivos para o nãorecolhimento do IPI, no caso concreto, sejam altamente reprováveis, o sujeito passivo, na verdade, não praticou ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das suas condições pessoais. Pelo contrário, os créditos do IPI, posto que absurdos, foram escriturados e documentados, bastando examinar a escrita fiscal do estabelecimento para flagrar a irregularidade, o que, aliás, foi feito. (...)” Portanto, ficou decidido em caráter imutável no âmbito administrativo que não houve sonegação por parte da recorrente. Todavia, no que diz respeito à reincidência específica, o entendimento do acórdão recorrido está parcialmente correto, merecendo reparo apenas quanto ao momento em que a reincidência se aperfeiçoou sob o aspecto jurídico. Vejamos. A figura da reincidência específica está prevista no art. 479 do Regulamento de 2002, nos seguintes termos: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 12 12 “Art. 479. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração de um mesmo dispositivo, ou de disposição idêntica, da legislação do imposto, ou de normas contidas num mesmo Capítulo deste Regulamento, por uma mesma pessoa ou pelo sucessor referido no art. 132, e parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 1966, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior (Lei nº 4.502, de 1964, art. 70).” (grifei) Nos processos nº 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197, tornaramse definitivas, na via administrativa, as exigências do IPI fundadas nas glosas de supostos créditos pelas entradas de insumos remetidos ao estabelecimento do interessado com suspensão do imposto, mesma infração que gerou este processo. Os documentos que vieram com a diligência demonstraram que o contribuinte foi notificado por edital dos Acórdãos nº 20215.422 e 20215.423 proferidos naqueles processos. Na fl. 1152, consta que o Edital nº 27/04/Sacat foi fixado no painel do saguão da Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo no dia 08/07/2004, dando publicidade ao Acórdão nº 20215.422. Na fl. 1199, consta que o Edital nº 26/04/Sacat foi fixado no painel do saguão da Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo no dia 08/07/2004, dando publicidade ao Acórdão nº 20215.423. O art. artigo 23, inciso III, § 1º e § 2º, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, na redação que lhe foi dada pelo artigo 67, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelecia o seguinte: “Art. 23 Farseá a intimação: I e II omissis III Por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. § 1º O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2º Considerase feita a intimação: (...) III Quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado;” Segundo esta regra, considerase que o contribuinte foi cientificado dos Acórdãos acima citados no 16º dia, contado da fixação do edital, ou seja, a ciência ocorreu no dia 24/07/2004, sábado. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 13 13 O prazo de 5 dias para a interposição de embargos de declaração e o prazo de 15 dias para interposição do recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais começaram a fluir na segundafeira, dia 26 de julho de 2004. O prazo para embargos de declaração transcorreu in albis e terminou no dia 30 de julho de 2004, sextafeira. O prazo para o recurso de divergência também transcorreu in albis e terminou no dia 09 de agosto de 2004, segundafeira. Portanto, segundo a regra do art. 42, II, do Decreto nº 70.235/72, os dois Acórdãos tornaramse definitivos na via administrativa no dia 10 de agosto de 2004, terça feira. Tendo em vista que segundo a regra do art. 479 do RIPI/2002 (art. 70 da Lei nº 4.502/64), a reincidência específica somente se constitui do ponto de vista jurídico a partir da data em que passar em julgado a decisão condenatória referente à infração anterior, o agravamento da multa só pode ser mantido para fatos geradores ocorridos a partir de 10 de agosto de 2004 e até 10 de agosto de 2009. A cópia do Livro de Registro e Apuração do IPI (fls. 223 a 519) comprova que os créditos pelas entradas com suspensão foram apropriados durante os anos de 2003 a 2006. Portanto, merece reparo a decisão de primeira instância na parte em que manteve o agravamento para todo o período autuado, pois em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 09 de agosto de 2004, a multa de ofício deve ser desagravada para o percentual de 75% em razão de o contribuinte não poder ser considerado juridicamente reincidente, já que até aquele dia não havia passado em julgado a decisão condenatória referente à infração anterior. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário na parte em que existe concomitância com a ação judicial e, na parte conhecida, voto por dar provimento parcial para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75% em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 09 de agosto de 2004, inclusive. Antonio Carlos Atulim Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 19515.000147/2002-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
MATÉRIA SUMULADA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o
consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
MULTA DE OFÍCIO CONFISCO.
Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 2102-001.177
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 188 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ASSINADO DIGITALMENTE Giovanni Christian Nunes Campos Presidente ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 17/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 165 a 185, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 150 a 158, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 126 a 129 dos autos, lavrado em 27/06/2002, relativo ao anocalendário 1998, com ciência do RECORRENTE em 27/06/2002 (fl. 126). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 299.177,60, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 127, o lançamento teve origem na seguinte infração: 001 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foram comprovados mediante Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 189 3 documentação hábil e idônea, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador 30/01/1998 28/02/1998 31/03/1998 30/04/1998 31/05/1998 30/06/1998 31/07/1998 31/08/1998 30/09/1998 31/10/1998 30/11/1998 31/12/1998 Valor Tributável ou Imposto R$ 49.128,20 R$ 45.829,15 R$ 82.350,36 R$ 33.112,01 R$ 34.726,70 R$ 36.802,24 R$ 22.283,79 R$ 26.426,12 R$ 40.973,76 R$ 28.335,95 R$ 48.959,88 R$ 45.850,31 Multa(%) 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 42 da Lei nº 9.430/96; art.4º da Lei nº 9.481/97; art. 21 da Lei nº 9.532/97. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 109 a 123, durante a ação fiscal, o RECORRENTE foi intimado do termo de inicio de fiscalização para, entre outras medidas, comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta bancária no Banco Itaú S/A, obtidos com base nas informações de retenção da CPMF prestadas pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, §2º, da Lei nº 9.311/96 (fl. 31). Em atendimento ao solicitado pela fiscalização, o RECORRENTE apresentou: cópias dos extratos bancários, do período de 02/01/1998 a 31/12/1998, da contacorrente n° 388445/100.000, que possui junto ao Banco Itaú S/A, CNPJ 60.701.190/000104; cópia da proposta de abertura de Conta Universal Itaú – Pessoa Física; cópia do contrato de empréstimo efetuado junto ao Banco Itaú; Documento do Banco Itaú.S/A informando as contas que o fiscalizado possui junto àquela instituição; relação das solicitações de 2° via de extratos; cópia da Declaração de Ajuste Anual Simplificada e cópia do recibo de entrega da Declaração de Ajuste Anual (completo), ambos do exercício de 1999 / anocalendário 1998. A fiscalização teve por base os documentos apresentados pelo RECORRENTE e as informações obtidas internamente na Secretaria da Receita Federal. Com isso, a autoridade fiscal apurou o total de depósitos efetuados na conta do RECORRENTE no valor de R$ 588.606,37, e um total de cheques devolvidos no valor de R$ 93.827,90, conforme extrato de fls. 114 a 123. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 190 4 Posteriormente, o RECORRENTE foi intimado duas vezes (em 08/10/2001 e em 18/02/2001, de acordo com as fls. 37 e 53, respectivamente) para comprovar, através de documentação hábil e idônea, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários em seu nome, conforme demonstrativo de fls. 38 a 48. Sendo que o RECORRENTE não respondeu às referidas intimações. Portanto, a autoridade fiscal considerou como omissão de rendimentos o valor de R$ 494.778,47 (correspondente à diferença entre os créditos em conta e os cheques devolvidos) cuja origem não foi comprovada, nos termos do art. 42 e parágrafos da Lei nº 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Em 25/07/2002, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 134 a 147, através de procurador devidamente habilitado à fl. 132, por meio da qual expôs, em síntese, que o auditor fiscal havia se equivocado por realizar o presente lançamento calcado em suposições. As suas alegações estão a seguir, resumidamente, transcritas: “(...) É irrefutável que o Sr. Auditor Fiscal deveria ter efetuado um levantamento específico e não simplesmente, autuálo com base em presunções, pois a presunção não caracteriza fato gerador capaz de gerar impostos. (...) Assim, é indiscutível que a autuação não está calcada em elementos suficientes capazes de gerar um valor passível a ser lançado e exigido. (...) Diante de tantas incertezas demonstradas pela autoridade fiscal acerca de informes pertinentes à questão, verificase como improcedentes e totalmente injustas a exigibilidade do imposto em tela, induzindo à presunção de existência de operações tributáveis. Deste modo, concluise que no caso em tela, não houve a aplicação dos dispositivos legais invocados. Notase precipitação da autoridade fiscal ao pretender imputar a este contribuinte, infração consubstanciada somente em indícios. (...) O fato gerador do imposto exigido é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica que se realiza na ocorrência da elevação patrimonial de valores, bens ou direitos relativos. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 191 5 Sem a realização do mesmo, tudo quanto alegado constituemse frágeis indícios, desprovidos da condição de tornaremse provas cabais de ensejar uma posterior Execução Fiscal. (...) E mais, a doutrina e a jurisprudência são unânimes no mesmo sentido, ou seja, o lançamento do imposto de renda baseado exclusivamente em depósitos bancários, consiste em lançamento ilegítimo. O Fisco não provou durante todo o Processo Administrativo, e não provará que os valores depositados na conta corrente do Defendente, foram por este consumido. (...) Deste modo, não há nexo de causalidade entre o fato conhecido (depósito) e o que se pretende reputar presumidamente ocorrido (a renda auferida ou consumida). (...)” Ademais, o RECORRENTE não concorda com a aplicação da multa imposta e com a fixação dos juros em razão da taxa SELIC, visto que além do limite de 12% ao ano estabelecido pelo art. 192, §3º, da Constituição Federal. Com base nestas razões, o RECORRENTE requereu a total improcedência do lançamento, ou, alternativamente, a redução do mesmo. Protestou por todos os meios de prova, em especial pela juntada de novos documentos. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 150 a 158 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÂO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 192 6 ALEGAÇÃO DE CONFISCO. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a aplicação da multa de oficio, é de se manter a multa de oficio de 75,00% (setenta e cinco por cento). No que tange, ainda, à invocação da figura do confisco, refoge à competência da Autoridade Administrativa a apreciação e a decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe à autoridade julgadora exonerar a correção dos valores legalmente estabelecida. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações do RECORRENTE, e findou por julgar procedente o presente lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 08/08/2008, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 162, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 165 a 185, em 03/09/2008. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reiterou todo o alegado em sua impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 193 7 Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De acordo a Descrição dos Fatos de fl. 127 e com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 109 a 113 dos autos, a autoridade fiscal lavrou o presente auto de infração pelo fato de o RECORRENTE não ter comprovado a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente mantida no Banco Itaú S/A, no valor total de R$ 494.778,47, durante o anocalendário 1998. No mesmo ano, o RECORRENTE declarou como renda o valor de R$ 13.250,00. O RECORRENTE não contesta a titularidade da contacorrente, e nem informa mantêla em cotitularidade com terceiro. Intimado durante a ação fiscal para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos bancários em seu nome, o mesmo não apresentou qualquer documento. Quando da apresentação de sua impugnação de fls. 134 a 147, o RECORRENTE teve a oportunidade de comprovar a origem dos recursos que ocasionaram o presente lançamento, através de documentação hábil e idônea. Ocorre que o RECORRENTE limitouse a declarar que o presente lançamento não poderia prosperar por ter sido efetuado com base em presunções, e ainda alegou que a multa e os juros aplicados foram fixados em valor superior ao legalmente previsto e, consequentemente, teriam efeito confiscatório. Quando da apresentação de seu recurso voluntário, também não trouxe aos autos qualquer documentação capaz de comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta bancária. Da presunção legal que depósitos bancários constituem renda tributável Quanto à alegação do RECORRENTE de que não haveria ocorrido o fato gerador do imposto de renda, cumpre esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 194 8 representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Desta forma, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. Apesar das intimações procedidas pela fiscalização, através do Termo de Intimação Fiscal 001/2001 em 10/10/2001 (fl. 37) e do Termo de Reintimação Fiscal 001/2002 em 21/02/2002 (fls. 53 e 65), o RECORRENTE não apresentou nenhum documento que comprovasse a origem dos recursos, conforme constatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 110). Entendo que o extrato de conta corrente de fls. 78 e 108 dos autos, que ensejou a elaboração do demonstrativo dos depósitos efetuados em conta (fls. 114 a 123), comprovam que houve o depósito de valores em contas bancárias do RECORRENTE, mais precisamente na conta corrente nº 388445 da agência 0747 do Banco Itaú S/A, no valor total de R$ 494.778,47, durante o anocalendário 1998. Desta forma, o RECORRENTE deveria ter comprovado a origem dos recursos depositados na sua conta corrente. Importante transcrever acórdão do CARF sobre a mesma matéria: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 PERÍCIA OU DILIGÊNCIA NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE REJEIÇÃO A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Por seu turno, a diligência objetiva trazer luzes sobre algum ponto obscuro apreendido nos autos. Não comprovada a necessidade da diligência ou perícia para subsidiar a solução da controvérsia, devese rejeitar a pretensão do recorrente. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 195 9 COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL E ATIVIDADE ECONÔMICA DESENVOLVIDA POR FIRMA INDIVIDUAL AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ALEGADO REJEIÇÃO DA COMPROVAÇÃO Não basta simplesmente alegar que os depósitos bancários de origem não comprovada são provenientes da atividade rural ou de atividade econômica desenvolvida por firma individual. Ausente a prova do alegado, cujo ônus era do recorrente, hígida a presunção de omissão de rendimento estribada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DO DEPOSITANTE PELA FISCALIZAÇÃO DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CRÉDITOS BANCÁRIOS EXCLUÍDOS PELA FISCALIZAÇÃO MATÉRIA ESTRANHA AO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE LITÍGIO Excluídos determinados créditos bancários pela autoridade autuante, não remanesce qualquer controvérsia a ser solucionada no rito do contencioso administrativo fiscal. Recurso voluntário provido em parte. (recurso voluntário nº 159994; 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Portanto, não há que se falar em nulidade do lançamento visto que existe previsão legal que autoriza ao Fisco tributar os depósitos de origem não comprovada. Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 102 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 9DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 196 10 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Portanto, são insubsistentes as alegações do RECORRENTE, devendo o lançamento ser mantido também sob esse aspecto. Aplicação da Multa Entendo que também são insubsistentes as alegações do RECORRENTE no que diz respeito à aplicação da multa pela autoridade fiscal. O lançamento ora em análise diz respeito à omissão de rendimentos que originou a constituição do crédito tributário. Assim, devese esclarecer que a multa de ofício aplicada decorre de previsão legal em razão do lançamento de ofício, conforme disciplina o art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Atualização pelo índice do SELIC O RECORRENTE afirma que o índice do SELIC não poderia ser utilizada como taxa de juros moratórios, visto que o mesmo não possui natureza indenizatória (característica dos juros moratórios), mas sim remuneratória. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, sendo a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Arguição de inconstitucionalidade Quanto às alegações de inconstitucionalidade sobre a aplicação de multa com efeito de confisco e da fixação de juros superior ao limite previsto na Constituição Federal, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à sua competência, a conferir: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 197 11 “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em sua integralidade. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 11DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS
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