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Numero do processo: 10680.002872/2005-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000
MULTA QUALIFICADA
Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada.
MULTA AGRAVADA. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
ESTIMATIVAS - FALTA DE RECOLHIMENTO - MULTA ISOLADA
CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA
Não é cabível a cobrança de multa isolada de CSLL por estimativa não recolhida, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do anocalendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º
351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria.
Recurso Especial do Procurador negado.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9101-001.876
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso do Contribuinte (Qualificação da multa), vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias e Marcos Vinicius Barros Ottoni; e 2) por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso da Fazenda (Multa concomitante por estimativa), vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator) e Valmar Fonseca de Menezes, que conhecia integralmente do recurso. Em relação ao conhecimento parcial do recurso da Fazenda Nacional, foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. No mérito, o recurso da Fazenda, na parte conhecida, teve provimento negado por maioria, vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Estiveram presentes e procederam à sustentação oral o representante da Fazenda Nacional, Paulo Roberto Riscado Junior e o representante do contribuinte, Dr Douglas Guidini Odorizzi OAB SP 207535.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 MULTA QUALIFICADA Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada. MULTA AGRAVADA. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade. ESTIMATIVAS - FALTA DE RECOLHIMENTO - MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada de CSLL por estimativa não recolhida, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do anocalendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria. Recurso Especial do Procurador negado. Recurso Especial do Contribuinte negado.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 MULTA QUALIFICADA Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada. MULTA AGRAVADA. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade. ESTIMATIVAS - FALTA DE RECOLHIMENTO - MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada de CSLL por estimativa não recolhida, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano- calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria. Recurso Especial do Procurador negado. Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso do Contribuinte (Qualificação da multa), vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias e Marcos Vinicius Fl. 942DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Barros Ottoni; e 2) por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso da Fazenda (Multa concomitante por estimativa), vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator) e Valmar Fonseca de Menezes, que conhecia integralmente do recurso. Em relação ao conhecimento parcial do recurso da Fazenda Nacional, foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. No mérito, o recurso da Fazenda, na parte conhecida, teve provimento negado por maioria, vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Estiveram presentes e procederam à sustentação oral o representante da Fazenda Nacional, Paulo Roberto Riscado Junior e o representante do contribuinte, Dr. Douglas Guidini Odorizzi OAB-SP 207.535. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente - Substituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Redator Designado EDITADO EM: 22/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Susy Gomes Hoffmann (Vice- Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: LGN EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte - MG, que, por unanimidade de votos julgou procedente em parte o lançamento efetuado a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e reflexos, relativo ao ano- calendário 2000. As autuações tiveram origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias iniciada na empresa HELAN PARTICIPAÇÕES LTDA., que no curso da fiscalização, em vias de encerramento, foi incorporada pela LON EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, no qual foram constatadas infrações tributárias referentes à glosa de custos ou despesas pela não comprovação da sua necessidade e também ao valor do ganho de capital decorrente da alienação de investimento avaliado pelo valor do patrimônio líquido na Fl. 943DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.881 3 empresa ‘Sabará Empreendimentos e Participações’, conforme TVF, fls.30/93. Devidamente notificada dos lançamentos em 24.02.2005, a Contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação em 23.03.2004, fls. 274/330, alegando em síntese o seguinte: (i) Inicialmente, esclarece que ao contrário do que afirma a fiscalização, atendeu integralmente e tempestivamente a todos os Termos de Intimações recebidos, apresentando os livros e documentos solicitados. (ii) Destaca, nesse sentido, que todas as questões postas nos referidos Termos de Intimações encontram respostas na análise da documentação apresentada por ela. (iii) Afirma que apesar das insistentes alegações da fiscalização, esta não comprovou sua presunção de que a empresa Helan Participações Ltda., sucedida pela Contribuinte, tenha praticado ato de simulação quando abriu mão do seu direito de preferência no processo de aumento de capital através de emissão de novas ações da empresa Sabará Empreendimentos e Participações S.A. (iv) Em relação ao suposto ganho de capital, alega a Contribuinte que em nenhum momento as empresas HELAN PARTICIPAÇÕES LTDA. (incorporada pela Contribuinte), PIRÂMIDE PARTICIPAÇÕES LTDA. e DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA., como únicas acionistas da empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A., alienaram ou transferiram sua participação na referida sociedade por ações para o denominado grupo WRVPAR, como afirmam os senhores agentes fiscais. (v) Afirma que a empresa Helan Participações Ltda., registrou em decorrência do aumento de capital na Sabará Empreendimentos e Participações S.A. resultado de equivalência patrimonial que não é tributável nos termos dos arts. 389 e 428 do RIR/99. Dessa forma, inexistindo resultado tributável, não há tributo a ser lançado. (vi) Prossegue afirmando que os procedimentos que resultaram na posterior cisão parcial da empresa Sabará Empreendimentos e Participações S.A. atenderam as normas legais relativas à legislação societária, conforme disposto nos arts. 80 e 229 da Lei n° 6.404/76, bem como a legislação tributária referente ao IRPJ, Decreto-lei n° 1.648/79, estando todos os atos e documentos arquivados no Órgão competente. Sendo que a SRF foi cientificada através de DCTF's e DIPJ das informações inerentes à referida cisão parcial. (vii) Alega que as despesas glosadas pela Fiscalização foram todas normais, usuais e necessárias às suas atividades, bem como se encontram devidamente comprovadas por documentação idônea. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 (viii) Insurge-se contra a lavratura dos autos de infração, uma vez que todos os beneficiários de pagamentos efetuados pela sucedida Helan estão perfeitamente identificados, bem como todos os documentos apresentados identificam a causa dos pagamentos pela empresa sucedida, sendo que a fiscalização ignorou a resposta dada nesse sentido. (ix) Em relação à alegação de falsidade ideológica contida nos documentos levados a registro na Junta Comercial, diz que a divergência apurada pela fiscalização se deu em razão da burocracia existente na repartição encarregada do Registro de Comércio, além de disposição legal expressa que determina o registro dos atos de comércio, por óbvio, em ordem cronológica e nos quais deve sempre constar à identificação pelo NIRE (art. 2°, parágrafo único). (x) Lembra, ainda, que apesar de ser esperado que as atas sejam lavradas concomitantes ao desenrolar das reuniões, ou imediatamente a seu término, nada impede ou invalida que sejam lavradas após a data do evento, que é o usual, pois, a concordância e a assinatura dos participantes dão força ao documento, como declaração das decisões tomadas. (xi) Conclui afirmando que a indicação da data de 29 de fevereiro de 2.000 nada tem de falsa, ao contrário do que afirma a Fiscalização. O ato foi realizado nessa data, mas, como a identificação do NIRE sé foi obtida em 29/03/2000, parte do texto foi novamente redigido incluindo-se o número do NIRE. Junta aos autos, ainda, Laudo de Exame Pericial, fls. 405/419, alegando ser descabida a suscitada falsidade dos documentos. (xii) Em relação à suposta Simulação de compra e venda, aduz a Contribuinte que a fiscalização pretende desconfigurar uma operação lícita, qual seja, a associação. Nesse sentido esclarece que a empresa SABARÁ admitiu novo membro em seu quadro social, tendo emitido novas ações, subscritas e integralizadas pelos novos sócios (art. 442 do RIR/1999). Posteriormente, a empresa HELAN, incorporada pela Impugnante, reduziu sua participação no quadro social da empresa SABARÁ, através de uma cisão parcial, recebendo aquilo a que tinha direito como acionista. Desta forma, os valores vertidos, por meio de cisão parcial, não estavam, como não estão, sujeitos à tributação, na forma do art. 229, da Lei n° 6.404, de 1.976. (xiii) Afirma, que a exigência fiscal, tal como formulada, é ilegal e inconstitucional, uma vez que afronta o Princípio da Irretroatividade da Lei, ao pretender aplicar a suposto fato gerador ocorrido em fevereiro de 2000, a LC n° 104 de 2001. Finaliza a esse respeito, requerendo sejam consideradas as razões constantes no Parecer Contábil, juntado às fls. 421/436. (xiv) Em relação à aplicação da multa, alega inicialmente que não sendo devido qualquer tributo, por conseqüência não há que se falar em aplicação de penalidade, seja ela isolada ou de oficio. Todavia, no caso dos julgadores entenderem devidos os impostos, afirma que a aplicação da multa de oficio, afasta a aplicação da multa isolada, uma vez que não é concebível a exigência de duas penalidades sobre uma mesma infração, sob Fl. 945DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.882 5 pena de ocorre o bis in idem não admitido no nosso ordenamento jurídico. (xv) Quanto à aplicação de multa de ofício agravada, ou seja, com acréscimo de 50%, afirma que não deve prosperar, pois, tanto a empresa sucedida quanto a Contribuinte atenderam prontamente todas as solicitações feitas pela Fiscalização. (xvi) Esclarece, ainda, que segundo disposto no art. 132 do CTN e no art. 5º, III, do Decreto-lei n° 1.598, de 1977, a empresa incorporadora, no caso a Impugnante, somente responde pelos tributos (impostos, taxas ou contribuições) devidos pela incorporada até a data da operação, o que exclui do seu campo de responsabilidade as multas aplicadas. (xvii) Finaliza sua defesa requerendo sejam acatados os termos da impugnação apresentada, declarando a improcedência da presente exigência tributária, bem como protesta por todos os meios de provas em direito admitidos, especialmente perícias, diligências e apresentação de novos documentos. Da Representação Fiscal. Consta, em apenso, o processo administrativo n° 10680.003583/2005-95, atinente à Representação Fiscal para fins penais, uma vez que os autuantes entenderam que os fatos narrados configuravam, em tese, crime contra a ordem tributária, definidos pelos artigos 1° e 2º, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990. À vista da Impugnação, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte - MG, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte os lançamentos efetuados. Em suas razões de decidir, quanto à suposta simulação realizada com o intuito de dissimular o ganho de capital apurado na alienação da rede de supermercado pertencente à empresa DMA Distribuidora S.A., a qual era controlada pela empresa Sabará Empreendimentos e Participações S.A., não obstante os argumentos apresentados em defesa da Contribuinte, entenderam os julgadores após sintetizar os fatos do Acordo de Acionistas e do Contrato de Compromisso de Associação de Ações e outras Avenças, que ocorreu efetivamente uma compra e venda. Sendo assim, o procedimento adotado tinha por objeto a metade da rede de supermercados pertencentes à empresa DMA DISTRIBUIDORA S.A.. Nesse sentido, o grupo econômico WRVPAR recebeu a metade do ativo operacional líquido do principal negócio da empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A., qual seja, a rede de supermercados constituída por estabelecimentos que operavam com os nomes de fantasia ‘MARTPLUS’ e ‘EPA’ . Fl. 946DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Ou seja, a reorganização societária da empresa ‘SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.’ (transformação de limitada para sociedade anônima, subscrição de capital com ágio e cisão parcial) foi planejada para dissimular a ocorrência de ganho de capital, decorrente da venda de um ativo operacional líquido por valor infinitamente superior ao seu custo. Observaram, ainda, que o ‘ACORDO DE ACIONISTAS’ (fls. 180/188, do Anexo I) não deixa de ser um documento que confirma o entendimento do Fisco, pois nele consta expressamente (itens ‘2’ e ‘3’ ) que, ao final do processo de reestruturação societária (transformação de limitada para sociedade anônima, subscrição de capital com ágio e cisão parcial), cada grupo (PHDPAR e WRVPAR) que compôs este ‘ACORDO’ viria a deter 50% (cinqüenta por cento) do controle acionário da empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, sendo que pelo potencial e capacidade instalada na empresa DMA DISTRIBUIDORA S.A., o grupo WRVPAR pagaria ao grupo PHDPAR a importância certa e ajustada de R$ 48.500.000,00, na proporção da participação de PIRÂMIDE PARTICIPAÇÕES LTDA., HELAN PARTICIPAÇÕES LTDA. e DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA. Também o item 4 do referido ‘ACORDO DE ACIONISTAS’ fortalece o entendimento do Fisco. Prosseguiram afirmando que apesar de intimada diversas vezes a apresentar o referido Contrato, a Contribuinte alegou apenas que este havia sido feito verbalmente; argumento este que ficou prejudicado no curso da fiscalização, pois muito embora o contrato oral seja válido no nosso ordenamento jurídico, a forma escrita é a preferida, principalmente em contratos que envolvam quantias vultosas além de seqüências de atos de reorganização societária, como no presente caso, objetivando assim uma maior proteção dos interesses das partes. Nesse sentido, concluíram que conforme expresso no ‘ACORDO DE ACIONISTAS’, a negociação que envolveu o referido procedimento de reorganização societária restou estabelecida, por escrito, segundo os termos contidos no ‘CONTRATO DE COMPROMISSO DE ASSOCIAÇÃO MEDIANTE A COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS’, que foi inserido como parte integrante daquele ‘ACORDO’. Salientaram os julgadores que os autores do planejamento fiscal, ora analisado, apoiaram-se em um raciocínio simplório, e que estes têm apenas alternativas lícitas a seguir, quando existentes. Nesse sentido, transcreveram o entendimento de Yves Gandra da Silva Martins e Paulo Lucena de Menezes, em parecer publicado na Revista Dialética, edição n° 63 (dezembro do ano 2000), bem cont a advertência lançada por Marciano Seabra de Godoi, em artigo publicado na edição n° 68 da Revista Dialética de Direito Tributário (maio de 2001). Das lições dos referidos mestres, ressaltaram os seguintes pontos: a) as divergências existentes entre o Fisco e os contribuintes no campo do planejamento tributário referem-se, em maior número, às interpretações pessoais de situações Fl. 947DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.883 7 concretas do que, especificamente, aos conceitos jurídicos; b) Praticar a elisão fiscal (ou realizar um 'planejamento tributário') é a partir de um conhecimento prévio e exaustivo das leis tributárias— e também civis - vigentes em determinado ordenamento, optar por realizar aqueles atos ou negócios jurídicos que desencadeiem a menor pressão fiscal possível; e c) a elisão fiscal não se confunde com a evasão fiscal, que consiste em praticar o fato gerador do tributo e buscar ocultá-lo da administração tributária, inclusive por meio da simulação. Verificaram os julgadores que no caso em tela existem duas versões documentadas para o mesmo negócio jurídico. Logo, a questão a ser dirimida consiste apenas em definir se a transferência da metade da ‘SABARÁ’ (detentora da rede de supermercados ‘MARTPLUS’ e ‘EPA’ ) para o grupo WRVPAR, se operou por força de um encadeamento de negócios jurídicos válidos e eficazes (quando considerados em si mesmos); ou se esse encadeamento consiste em meros simulacros, atos vazios de conteúdo econômico, o que remete à conclusão de que a transferência, em verdade, se operou por força de um contrato anterior que realmente vinculava as partes. Concluíram os julgadores que todo o encadeamento de atos consistentes no planejamento tributário teve apenas o efeito de um disfarce, uma maquiagem que se deu a uma operação (compra e venda dos ativos ligados à atividade varejista de supermercados), de sorte que esta adquirisse a aparência de uma outra operação com características intrínsecas diversas, a subscrição de ações com ágio. Em outras palavras, simulação. Consignaram os julgadores que a subscrição de ações com ágio está prevista na Lei n° 6.404, de 15/12/1976. Tal ágio corresponde ao valor da diferença positiva entre o preço de emissão e o valor nominal da ação. Por força do § 2º do artigo 13, combinado com o § 1° do art. 182, ambos da Lei n° 6.404, de 1976, este ágio deve ser escriturado na contabilidade da emissora das ações como reserva de capital. Transcreveram, ainda, o art. 170, §1°, do referido diploma legal. Destacaram, que conforme registro textual da ‘Ata de Assembléia Geral Extraordinária’, da empresa ‘SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A.’, realizada às 10:00 horas, do dia 29/02/2000 (fls. 13, do Anexo II), o critério alegado para a fixação do preço de emissão das ações com ágio foi à perspectiva de rentabilidade futura da companhia. Entretanto, afirmaram os julgadores que para que tal alegação tivesse alguma plausibilidade, necessário seria que o grupo WRVPAR realmente quisesse aderir ao negócio com a sincera disposição de aguardar uma rentabilidade futura daquela companhia, conforme dispõe o texto legal. Todavia, as circunstâncias peculiares deste caso concreto excluem, desde logo, essa possibilidade. Isso porque nunca existiu, por parte do grupo investidor, a mínima intenção de ingressar e permanecer Fl. 948DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 no empreendimento ‘SABARÁ S.A.’ , como acionista minoritária, possuindo apenas 12 (doze) ações, das 20.012 (vinte mil e doze), que perfaziam o número total de ações. Sua vontade real jamais foi comprar uma ínfima fração do capital dessa empresa Seu único e declarado objetivo sempre foi adquirir a metade, ou seja, metade do empreendimento, equivalente a 50% (cinqüenta por cento) das ações. Após transcrever parte do Acordo de Acionistas, afirmaram os julgadores que este pacto foi fielmente seguido, tendo, dessa forma, o grupo WRVPAR adquirido a metade das ações da ‘SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A.’, pois, ao final da dita reestruturação societária, cada grupo, individualmente, passou a possuir 12 (doze) ações, de um total de 24 (vinte e quatro) ações, conforme restou evidenciado dos valores vertidos, na cisão parcial desta empresa. Por outro lado, está textualmente evidenciado, portanto, que a avaliação abrangeu a metade do negócio que irá compor os ativos da Companhia, e alcança 50% (cinqüenta por cento) das ações de ‘SABARÁ S.A.’ . Esclareceram os julgadores que o conceito de ágio na aquisição de investimento e o conceito de ágio na subscrição de ações reportam-se à realidades distintas. Após analisar o verdadeiro conteúdo econômico da negociação, verificaram os julgadores que no presente caso, o único documento que existe concede fundamento econômico para pagar ágio na aquisição do conjunto das atividades varejistas da Contribuinte, cujo valor pago foi para a aquisição de 50% das ações da empresa controladora de outra que é a detentora da rede de supermercados envolvida no negócio jurídico em questão. Nenhum documento existe, todavia, concedendo fundamento para a empresa ‘SABARÁ S.A.’ emitir ações correspondentes a 0,06% de seu capital e o grupo WRVPAR pagar por essa irrisória fração do capital o preço total do negócio, correspondente a 50% das ações da empresa. Esclareceram os julgadores que a tributação objeto do presente processo não se arrima na hipótese de aplicabilidade de uma pretensa norma antielisiva (parágrafo único, do art. 116, do CTN, com redação dada pela Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001), pois nos casos de dolo, fraude ou simulação, o lançamento será efetuado pela autoridade administrativa, conforme autoriza o art. 149, VII, do CTN. Inclusive, isso é o que constava do parágrafo único do art. 13 da MP n° 66, de 2002, quando se tentou regulamentar a norma em questão. Concluíram a esse respeito afirmando que todas as inconsistências apontadas pela Fiscalização evidenciam, de forma inequívoca que as operações do planejamento tributário aconteceram apenas no papel. Dessa forma, mantiveram a qualificação e o agravamento da multa de ofício aplicada. Em relação às despesas pagas pela Contribuinte a empresas especializadas nas áreas jurídica, contábil e de intermediação, glosadas pela Fiscalização, verificaram os julgadores que apesar de intimada para apresentar os documentos que Fl. 949DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.884 9 comprovassem a necessidade das despesas administrativas efetuadas, apresentou apenas os documentos de fls.40/113. Entretanto, o Fisco considerou que os documentos apresentados não comprovam a necessidade desses gastos. Portanto, de acordo com a legislação vigente os julgadores consideraram correta a aplicação da multa de ofício; entretanto desconsideraram o seu agravamento. Quanto ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido —CSLL, os julgadores por ser este um lançamento secundário, segue a sorte do principal — IRPJ. Desta forma, mantiveram a exigência integralmente. Quanto ao lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, observaram os julgadores que este pode ser mantido independentemente do lançamento do IRPJ, tanto em relação ao ganho de capital corno à glosa de despesas, pois tem fatos geradores distintos. Tendo sido reunidos no mesmo processo por força do art. 9, § 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972, se justificando porque a comprovação dos ilícitos depende dos mesmos elementos de prova. Sendo assim, tendo a Fiscalização constatado que uma parte dos cheques vertidos na suposta cisão da empresa ‘Sabará Empreendimentos e Participações Ltda.’, não foi depositada na conta corrente da sucedida da Contribuinte e demais empresas do grupo PHDPAR, considerou, corretamente, que não foram comprovadas as causas nem identificados os beneficiários desses pagamentos, os quais, à luz do art. 61, § 1°, da Lei n° 8.981, de 1995, ficam sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. A esse respeito entenderam os julgadores que a Contribuinte não juntou aos autos provas que comprovassem para quem os referidos pagamentos foram realizados, ou seja, não ficou comprovado a destinação dada aos aludidos cheques. Dessa forma, mantiveram a autuação do IRRF sobre os referidos pagamentos. Em relação à multa de oficio, entenderam que deve prevalecer, concomitantemente, a qualificação e o agravamento da penalidade. Em relação às multas de oficio aplicadas no lançamento, uma vez exigida juntamente com o imposto ou contribuição, a outra isoladamente, essas foram qualificadas ou agravadas, nos percentuais de 112,5% ou 225%, conforme o caso. Qualificada porque entendeu a Fiscalização que os fatos narrados no TVF configuram o evidente intuito de fraude; e agravada, tendo em vista que a Contribuinte, após regularmente intimada, não apresentou a documentação solicitada pela Fiscalização. Nesse sentido, os julgadores transcreveram os arts. 2°, §3°, 28, 43 e 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que prevê as multas aplicáveis nos casos de lançamentos de oficio. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Destacaram que no caso em tela, a administração tributária apenas exerceu seu poder/dever de tributar, não havendo como negar a efetividade da cobrança das multas de ofício lançadas sob o argumento acerca de sua natureza confiscatória ou da violação aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e moralidade. Quanto à suposta duplicidade de penalidades sobre a mesma infração, salientaram os julgadores que a lei, nessas hipóteses, cuida de coisas distintas. A primeira diz respeito à multa pela falta do pagamento do imposto ou da contribuição; a segunda, à multa pela falta de recolhimento das estimativas, na forma do art. 2° desta lei. Portanto, entenderam os julgadores que sendo as multas isoladas aplicadas no presente auto de infração decorrentes de uma omissão da Contribuinte quanto a uma obrigação legal, essa omissão, por si só, dá fundamento a uma penalidade autônoma, que independe da multa de ofício exigida juntamente com o imposto ou contribuição devidos ao final do período. Logo, são cabíveis as duas penalidades, o que também está consoante a determinação contida na Instrução Normativa SRF n° 93, de 24/12/1997, art. 16. Quanto ao agravamento das penalidades, não obstante a Contribuinte afirme que atendeu a todas as intimações feitas pela Fiscalização, os julgadores entenderam que apenas deve ser afastado o agravamento da penalidade no que se refere ao item ‘001’ tanto do lançamento do IRPJ como da CSLL, já que a Contribuinte apresentou (fls. 40/112, do Anexo I) as cópias dos documentos fiscais ou recibos relativamente às despesas glosadas. Ainda que esses não sejam suficientes para elidir a glosa dos respectivos gastos, a apresentação dos documentos fiscais, mesmo que contenham a descrição genérica dos serviços prestados, descaracteriza a imposição do agravamento da penalidade, por não atendimento à intimação fiscal. Pelos fatos descritos no TVF, verificaram os julgadores que se trata aqui da simulação relativa, cujo objetivo foi o de dissimular o ganho de capital ocorrido no negócio verdadeiro, ou seja, a venda ou alienação da metade da participação societária em rede de supermercados, pertencente à Contribuinte. Prevalecendo assim a qualificação da penalidade imposta no item ‘002’ tanto do lançamento do IRPJ como da CSLL, bem como nas respectivas multas isoladas, exigidas no presente lançamento. Entenderam que não merece prosperar o argumento da Contribuinte que em sua defesa alega que a responsabilidade por sucessão (incorporação) exclui a multa, à luz do art. 132 do CTN. Enfoca, ainda, que ela somente se toma responsável pelos tributos devidos, e não pelas penalidades que contra a empresa sucedida recaem. Nesse sentido, destacaram os julgadores que o sucessor (incorporador) responde por todos os tributos e demais penalidades devidas pelo sucedido, até a data da sucessão, ainda Fl. 951DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.885 11 que o débito seja apurado após aquela data. Mencionam para tanto os arts. 3º, 129 e 136 do CTN. Em relação à postulação genérica feita pela Contribuinte quanto à produção de provas, juntada de novos documentos e pedido de perícia, os julgadores entenderam por bem, negá-las urna vez que já existem nos autos provas suficientes para a solução do litígio. Esclareceram os julgadores que as jurisprudências usadas pela Contribuinte em sua defesa não tem efeito normativo, não estando a autoridade administrativa vinculada a elas. Finalmente, registraram que foi protocolizado o devido processo de representação fiscal para fins penais sob o n° 10680.003583/2005-95 (em apenso), cujo trâmite segue as determinações da Portaria SRF n° 326, de 15 de março de 2005. Intimada da decisão de primeira instância em 19.07.2005, fls. 521, recorreu a este E. Conselho de Contribuintes em 16.08.2005, tempestivamente às fls. 522/555, alegando em síntese que: Preliminarmente, afirma a Contribuinte que ao contrário do que entendeu o Fisco e os julgadores de primeira instância, todo o procedimento de registro feito por ela foi legítimo, sendo observadas todas as prescrições legais necessárias na reestruturação societária da empresa. Nesse sentido, afirma que a divergência apurada em relação às datas se deu em razão da burocracia existente na repartição encarregada do registro de comércio, dessa forma não há que se falar em falsidade ideológica contida nos documentos levados a registro na Junta Comercial, como bem conclui o Laudo de Exame Pericial elaborado pelo Chefe da Seção Técnica de Documentos do Instituto de Criminalística do Estado de Minas Gerais. Lembra, ainda, que apesar de ser esperado que as atas sejam lavradas concomitantes ao desenrolar das reuniões, ou imediatamente a seu término, nada impede ou invalida que sejam lavradas após a data do evento, que é o usual, pois, a concordância e a assinatura dos participantes dão força ao documento, como declaração das decisões tomadas. Dessa forma, esclarece que o ato realmente foi praticado em 29 de fevereiro de 2000, mas a identificação do NIRE só foi obtida em 29 de março de 2000, oportunidade em que parte do texto foi novamente redigido, incluindo-se o número do NIRE. Sendo assim, tendo à fiscalização amparado todo o seu procedimento em uma suposta fraude, o crédito tributário toma-se inexigível, diante de um auto de infração insubsistente. A Contribuinte afirma, ainda, que teve seu direito de defesa cerceado, devendo o acórdão ora recorrido ser considerado nulo, nos termos do art. 59, II do Decreto n° 70.235/72, visto que Fl. 952DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 se omitiu quanto à falsidade ideológica e documental, limitando- se a dizer que esta questão deve ser discutida em processo penal. Em relação ao alegado ‘ganho de capital’, afirma a Contribuinte que os julgadores assim como a Fiscalização se perderam em presunções chegando a concluir inclusive ter identificado a ‘vontade real’ das partes. Esclarece que a empresa Sabará Empreendimentos e Participações S.A., visando à expansão de seus negócios promoveu um aumento de capital, subscrito e integralizado por novos acionistas, urna vez que a empresa sucedida Helan Participações Ltda., bem como suas sócias, não exerceram seu direito de preferência. Em relação ao suposto ganho de capital, alega a Contribuinte que em nenhum momento, as empresas HELAN PARTICIPAÇÕES LTDA. (incorporada pela Contribuinte), PIRÂMIDE PARTICIPAÇÕES LTDA. e DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA, como únicas acionistas da empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A., alienaram ou transferiram sua participação na referida sociedade por ações para o denominado grupo WRVPAR, como afirmam os senhores agentes fiscais. Alega a Contribuinte que em um primeiro momento os Julgadores reconhecem que a legislação fiscal prevê que as importâncias recebidas como ágio na emissão de novas ações não são computadas na determinação do lucro real, quando são creditadas como reserva de capital, nos termos do art. 442 do RIR/99. Em um segundo momento, julgam, sem conhecimento de causa, se existia ou não expectativas de ganhos futuros maiores com a associação dos dois grupos. E, em um terceiro momento a Fiscalização estuda o ágio ou deságio, sua determinação e cálculo, elaboração dos serviços contábeis e tratamento tributário dispensado e regulamentação pela CVM, o que segundo a Contribuinte é uma incongruência, uma vez que a CVM estipula regras atinentes a Sociedades Anônimas de capital aberto. A Contribuinte destaca, novamente, que o processo de reestruturação em que se envolveram os grupos empresariais, tendo cada um deles ficado com 50% do capital social da empresa Sabará Empreendimentos e Participações S.A., não foi uma simulação, mas sim uma operação que visava unir forças e esforços na tentativa de, pela economia de escala, arremeter-se em um patamar mais elevado, sendo esta operação totalmente legal ao contrário do que entenderam os julgadores em razão do seu desconhecimento da matéria. Afirma que todas as operações consideradas pela Fiscalização como simuladas, encontram-se devidamente comprovadas, registradas e contabilizadas, não sendo, portanto, caso de evasão fiscal. Nesse sentido, menciona doutrina do prof. Ricardo Mariz de Oliveira, bem como acórdão proferido pela CSRF. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.886 13 Alega, ainda, que a exigência fiscal, tal como formulada, é ilegal e inconstitucional, uma vez que afronta o Princípio da Irretroatividade da Lei, ao pretender aplicar a suposto fato gerador ocorrido em fevereiro de 2000, a LC n° 104 de 2001. Conclui a esse respeito afirmando que não restam dúvidas que a empresa Sabará Empreendimentos e Participações S.A., promoveu um aumento de capital, subscrito e integralizado por novos acionistas, mas jamais a alienação de participação societária que justificasse a ocorrência do fato gerador do imposto sobre um suposto ‘ganho de capital’. Requer, ainda, que este Egrégio Conselho de Contribuinte conheça as razões constantes do Parecer Contábil, anexado aos autos por ocasião da impugnação. Em relação à glosa de despesas referentes a assistências técnicas prestadas nas áreas jurídica, contábil e de intermediações de negócios, por diversas empresas especializadas, a Contribuinte afirma que apresentou os documentos, sendo que a fiscalização considerou que estes não comprovavam a necessidade de tais prestações. Especificamente no caso do ‘Pinheiro Neto Advogados’, alega a Contribuinte que a Fiscalização tenta induzir o julgador a erro, sendo que os contratos firmados tanto com o Pinheiro Neto quanto com os demais prestadores de serviços foram verbais. Dessa forma, afirma ter entregue todos os documentos solicitados pela fiscalização, não se justificando, portanto, as glosas de despesas efetuadas, uma vez que os gastos foram comprovados pela entrega das cópias autenticadas das notas fiscais dos prestadores de serviços, acompanhadas das guias de recolhimento do IRRF. Quanto ao alegado pagamento a beneficiários não identificados ou sem causa, afirma que a empresa Helan Participações Ltda. (sucedida) não emitiu nenhum dos cheques listados e não percebe por que razão a fiscalização deseja que a Contribuinte preste contas do destino dos referidos cheques, gravando-a com imposto de fonte por pagamento a beneficiário não identificado e pagamento sem causa, exigindo, ainda, multa de 225%. Prossegue, afirmando que os esclarecimentos dos referidos pagamentos foram prestados quando da resposta ao Termo de Intimação n° 001, e recebidos pela Secretaria da Receita Federal em 24.02.2005, porém não foram apreciados. Desta forma, diante da omissão do Fisco, não há como prosperar as penalidades aplicadas, quanto ao IRRF por pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa, urna vez que os pagamentos são perfeitamente identificados e possuem causa. Em relação à aplicação da multa, alega inicialmente que não sendo devido qualquer tributo, por conseqüência não há que se falar em aplicação de penalidade, seja ela isolada ou de oficio. Todavia, no caso dos julgadores entenderem devidos os Fl. 954DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 impostos, afirma que a multa qualificada pressupõe uma ação ou omissão dolosa, nos termos do art. 72, Lei n° 4.502/64, o que não se verificou no presente caso. Nesse sentido, transcrevem acórdãos do Conselho dos Contribuintes que afirmam que apenas a certeza do evidente intuito de agir contra a lei permite e determina a majoração da multa de oficio. Quanto à aplicação de multa de ofício agravada, ou seja, com acréscimo de 50%, afirma que não deve prosperar, pois tanto a empresa sucedida quanto a Contribuinte atenderam prontamente todas as solicitações feitas pela Fiscalização. Ao contrário do que afirmaram os julgadores de primeira instância, com base no art. 16 da IN/SRF n° 93/1997, além dos arts. 222, 843 e 957 do RIR/99 e art. 44, § 1°, IV da Lei n° 9.430/96, afirma a Contribuinte que a multa de ofício e a multa isolada não podem ser aplicadas ao mesmo fato, baseando-se para tanto na simples leitura do texto legal. Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Conselho dos Contribuintes. Esclarece, ainda, que segundo disposto no art. 132 do CTN e no art. 5º, III, do Decreto-lei n° 1.598, de 1977, a empresa incorporadora, no caso a Contribuinte, somente responde pelos tributos (impostos, taxas ou contribuições) devidos pela incorporada até a data da operação, o que exclui do seu campo de responsabilidade as multas aplicadas. Transcreve, ainda, jurisprudência do Conselho dos Contribuintes. Finaliza sua defesa requerendo seja recebido e conhecido o presente recurso, declarando a sua procedência e conseqüentemente, seja declarando a nulidade do acórdão recorrido, em razão da preliminar argüida, ou reformando a, com a apreciação das razões de mérito, para julgar insubsistente o auto de infração, cancelando o crédito exigido. É o relatório. O acórdão foi assim ementado: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO — Demonstrado que os atos negociais praticados ocorreram em sentido contrário ao contido na norma jurídica, com o intuito de se eximir da incidência do tributo, cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado. IRPJ — GANHO DE CAPITAL — Considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor pelo qual o bem ou direito houver sido alienado ou baixado e o seu valor contábil, diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. MULTA ISOLADA — Os incisos I e II ‘caput’ e os incisos I, II, III e IV, § 1°., do art. 44, da Lei nº. 9.430/96, devem ser interpretados de forma sistemática, sob pena de a cláusula penal ultrapassar o valor da obrigação tributária principal, Fl. 955DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.887 15 constituindo- se num autêntico confisco e num ‘bis in idem’ punitivo, em detrimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. MULTA DE OFÍCIO — QUALIFICAÇÃO. Presente o evidente intuito de fraude é correta a qualificação da multa de ofício aplicada, no percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO — AGRAVAMENTO — Não há como prosperar o agravamento da multa de ofício quando o contribuinte, embora deixe de apresentar os documentos solicitados, responde as intimações do Fisco justificando a sua não apresentação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Irresignada com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 630/646), o qual foi parcialmente admitido pelo presidente da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, permitindo que subissem à apreciação desta CSRF apenas as contraposições relativas ao afastamento da multa isolada e ao agravamento da multa de ofício. Submetido o recurso a reexame (fls. 652/653), o presidente da CSRF confirmou o despacho de admissibilidade sem lhe fazer reparos. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao recurso da Procuradoria (fls. 660/668) juntamente com o recurso especial (fls. 671/706), que, examinado pelo presidente da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 887/893), teve parcial admissão, para seguimento apenas no que se refere à qualificação da multa de ofício. Essa decisão foi mantida pelo presidente da CSRF, em sede de reexame de admissibilidade (fls. 894/895). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls 898/912) ao recurso da contribuinte. Inconformada com a decisão que deu parcial provimento ao seu recurso especial, a contribuinte apresentou (fls. 915/918) pedido de reexame de admissibilidade de seu recurso, o qual foi indeferido pelo presidente da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (919/920). Posteriormente o contribuinte apresentou um pedido de reexame do indeferimento (fl. 915-918), que foi, também, indeferido pelo Presidente da 1ª Câmara, por falta de previsão regimental. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão As matérias postas à apreciação por esta Câmara Superior referem-se à questão da multa qualificada, objeto do recurso do contribuinte, e ao afastamento da multa Fl. 956DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 isolada da estimativa em concomitância com a multa de ofício e ao agravamento da multa de ofício, ambos objeto de recurso especial da Fazenda. Inicialmente cumpre relatar que contribuinte em memoriais traz novamente à baila a tentativa de reexame de matéria que foi inadmitida no recurso especial, que diz respeito ao tributação na fonte feita a beneficiários não identificados. Deixa-se de analisar esta matéria em virtude de absoluta falta de previsão regimental. O fato de poder resultar em decisões divergentes em processos semelhantes, por si só não leva à análise de tema que não teve sua admissibilidade deferida nos termos regimentais. Isto posto, passa-se à análise dos temas objeto do recurso. Recurso especial do contribuinte - multa qualificada. Conheço do recurso especial por entender presentes seus pressupostos. Em seu recurso o contribuinte alega que contratou um renomado escritório para que assessorasse no desenvolvimento das transações e que daí não poderia sair operação que pudesse ser desqualificada pelo fisco e pelos julgadores, alega também que o acórdão paradigma corresponde às mesmas operações societárias. Alega que sendo considerado planejamento tributário pelo acórdão recorrido não poderia ter multa qualificada e compara as decisões do acórdão recorrido, com o paradigma, do qual transcreve grande parte em seu recurso (o qual traz uma torrente de citações doutrinárias). Prossegue, a partir do acórdão paradigma, que tem como sustentação de seus argumentos de que não houve fraude, embora houvesse a intenção de pagar menos tributos, e que para a fraude se exige "comprovações irrefutáveis" e cita jurisprudência do CARF. Fica clara uma certa confusão no acórdão paradigma entre as normas e os fatores que tratam de qualificação e do agravamento da multa. Mas este não é o ponto principal. O acórdão paradigma (Acórdão nº. 108-09.037, de 18 de outubro de 2006), fundamento do recurso, entendeu a operação como abusiva, mas não uma operação simulada - e por isto afastou a qualificação. No presente caso a acusação de simulação foi mantida pela DRJ e pelo Acórdão recorrido. Na discussão da questão da simulação, o recorrente sustenta que todos os atos foram lícitos, que não se admite interpretação econômica, e considera as razões do paradigma trazido sobre este tema (Ac. 102-47.181 e 101-95.552). Contudo, esta parte não foi objeto de recurso, conforme se vê pela análise de admissibilidade (fl. 892), mantido em sede de reexame. Primeiramente observe-se que a acusação é de simulação. No próprio TVF se lê (fl. 34): A partir dai, a ‘reestruturação’ seguiu uma receita de ‘planejamento tributário’ que, pela forma conduzida, nada tem de ‘negócio indireto’, tratando-se, em tese, de mera simulação com intuito de fraude, haja vista as inconsistências apuradas e indicadas a seguir: [segue a descrição dos fatos sob a ótica da Auditoria Fiscal] E adiante (fl. 76): É inequívoco, portanto, que nos atos que compõem o planejamento tributário tratado neste auto de infração estão presentes todos os elementos da simulação. Tentaram disfarçar um negócio - a compra e venda de ativos - com a roupagem de Fl. 957DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.888 17 outro - emissão de ações com ágio. Por essa razão, ocorre a incidência tributária, o que torna necessário o lançamento, inclusive a multa qualificada (o agravamento da multa será tratado em tópico específico). Tal acusação foi mantida na decisão da DRJ, confira-se trecho da Decisão da DRJ-BHE, nº. 08.602, de 31 de maio de 2005 (fl. 495): Em outras palavras, contratou uma compra e venda, mas nesse instrumento escreveu um rígido roteiro teatral em que diversos atores cumpririam determinados rituais, de sorte a parecer que o objetivo tinha sido alcançado não por força do contrato original, mas pelo encadeamento dos atos da pantomima. Foi o que ocorreu, como se demonstrará neste voto. E adiante (fl. 500): Por outro lado, convém esclarecer, para que não fique dúvida, que a tributação levada a cabo pela Fiscalização não se arrima na hipótese de aplicabilidade de uma pretensa norma antielisiva (parágrafo único, do art. 116, do CTN, com redação dada pela Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001), pois nos casos de dolo, fraude ou simulação, o lançamento será efetuado pela autoridade administrativa, conforme autoriza o art. 149, VII, do CTN. O acórdão recorrido manteve este entendimento, conforme se vê pelo trecho da fundamentação do voto do relator, abaixo transcrito (fl. 621): [...] Vale dizer, as operações que aparentemente conferiam à Companhia o aporte de recursos que, de acordo com a Lei, deveriam constituir reserva de capital, na verdade acobertaram outra operação que consistiu na remuneração, às pessoas jurídicas detentoras do capital social da empresa Sabará Empreendimentos e Participações Ltda., pela cessão de parte substancial de suas participações no empreendimento, o que implica reconhecer que a reserva de capital restou utilizada em distinta finalidade daquela eleita pela regra jurídica, qual seja, aumento do capital social ou amortização de prejuízos. Ao revés, ocorreu, no caso , redução do capital social com a conseqüente diminuição do patrimônio líquido da empresa Sabará Empreendimentos e Participações Ltda.. Ou seja, acórdão recorrido manteve a tributação do ganho de capital, por entender haver simulação e manteve multa qualificada com a seguinte fundamentação (fl. 625): Com relação a qualificação da multa de oficio, entendo que agiu com acerto a fiscalização, eis que conforme acima demonstrado, não restou dúvida que a operação de reorganização societária engendrada pela Recorrente e demais empresas do grupo foi simulada, objetivando esconder a operação efetivamente ocorrida, querendo, com isso, esconder a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária com intuito de não pagar o tributo efetivamente devido na operação de ganho de capital. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 18 subsumindo-se. portanto, à hipótese prevista no art. 72. da Lei nº. 4.502,64. A questão que se coloca é: a existência de simulação, e somente ela, faz incidir o art. 72 da Lei nº. 4.502 /1964, levando à qualificação da multa? A resposta é positiva sempre que o objetivo for a diminuição ou supressão de tributos, mas alguns esclarecimentos se fazem necessários. O conceito de fraude fiscal está no art. 72 da Lei nº. 4.502/1964 que tem a seguinte redação: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A fraude fiscal conforme definida no art. 72 acima transcrito é diferente da fraude civil, nos termos previstos no Código Civil, e dos casos de fraude stricto sensu, a exemplo da falsificação de documentos. Ela é mais ampla. Assim, a ocorrência a de simulação, ilícito civil previsto no art. 167 do Código Civil, que macula o negócio jurídico e o torna nulo, o que meu ver, está claramente presente na situação sob discussão, implica fraude fiscal, pois na figura da simulação é intrínseca a existência de uma ação ou omissão dolosa (intenção de fazer determinada coisa com determinado objetivo específico - não pagar tributo), que no caso modificou uma característica essencial do fato gerador (em seu aspecto material, pois o que aparece documentalmente não sofreria tributação). Neste sentido, há que concordar com as contrarrazões apresentadas pela Fazenda quando diz (fl. 903): [...] Fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificando-o para reduzir imposto ou diferir seu pagamento. O pressuposto para aplicação da multa de 150% estabelecido no citado dispositivo legal somente se configura com a fraude. De acordo com De Plácido e Silva, em ‘Vocabulário Jurídico’, Editora Forense, o vocábulo ‘fraudar’, derivado do latim fraudar e (fazer agravo, prejudicar com fraude), além de significar usar de fraude, o que é genérico, e exprime toda a ação de falsear ou ocultar a verdade com a intenção de prejudicar ou de enganar, possui, na técnica fiscal, o sentido de falsificar ou adulterar, como o de usar de ardil para fugir ao pagamento de uma tributação: fraudar o fisco. E, assim, quer dizer sonegar. O elemento subjetivo da conduta adotada pela empresa é o dolo genérico que se apresenta corno a vontade consciente e livre de omitir a informação, ou de prestá-la de forma adulterada, vale dizer, falsa, não verdadeira. Além do dolo genérico, no presente caso também se verificou o dolo especifico caracterizado pela vontade voltada à redução do tributo ou da contribuição devidos. Sendo que essa situação, no presente caso, é reforçada pelo modo que a ação foi encadeada, com fortes indícios de fraude documental, fraude stricto sensu (que também leva à fraude fiscal). Assim, em havendo o entendimento de que há simulação, decorre daí a multa qualificada. Há diversos acórdãos do CARF neste sentido, e.g., Acórdão nº. 105-13.069, Fl. 959DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.889 19 de 26 de janeiro de 2000, Acórdão nº. 05-16.292, de 28 de fevereiro de 2007, Acórdão nº. 101- 96.087, de 29 de março de 2007, e o Acórdão nº 9101-000.528, de 11 de março de 2010, da 1ª T. da CSRF, cuja ementa segue transcrita: Acórdão nº 9101-000.528, de 11 de março de 2010 EMENTA: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. ERRO DE PROIBIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto, caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. O ‘erro de proibição’ ou erro sobre a ilicitude do fato não exclui o dolo, mas atua tão somente na dosimetria da pena, podendo isentá-la ou diminuí-la. Inaplicável no âmbito das sanções administrativas fiscais. Ademais, in casu, incide também a figura do conluio, em virtude de que concorreram para o resultado pretendido duas ou mais pessoas jurídicas, conforme previsto no art. 73 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Esclarecidos estes aspectos, poder-se-ia afastar totalmente o próprio conhecimento, pois, embora o paradigma aceito tenha tratado de caso semelhante sua análise se volta à existência de fraude ou não para efeito de qualificação da multa, e os paradigmas que tratam da simulação não foram aceitos, pois dizem respeito à quadros fáticos não semelhantes. Porém, vejo liame divergencial em relação à simulação e prossigo na análise. A acusação de simulação, por si só, é suficiente para manter a multa qualificada e foi isto que fez o acórdão recorrido, sem entrar na seara da fraude stricto sensu. Não há necessidade, como quer a recorrente, de analisar os outros aspectos, pois à vista de sequência de atos e dos prazos entre eles, evidencia-se claramente a ocorrência de simulação. Há uma máscara de reorganização societária, com transformações, aquisições e cisão, que escondem uma compra e venda de participação societária. Simulação, nos termos do art. 167 do Código Civil, e passível da aplicação da multa qualificada, pois incide aqui o art. 72 da Lei 4.502/1964. Assim, comungo com a mesma opinião do acórdão recorrido de que a sequência de atos praticados pelo contribuinte, independentemente da existência de fraude stricto sensu (que na minha opinião também existe, pois a sequência das datas dos documentos societários e dos cheques não é verossímil), 1 configura simulação e leva à desconsideração da operação "formal" para efeitos tributários e à incidência da multa qualificada. 1 Conforme trecho do acórdão recorrido, que é admitido como fato (fl. 610): "iii) ainda que se admita haver ocorrido a cisão em data de 29 de fevereiro de 2000, como a integralização do capital subscrito se deu por meio de pagamento através de cheques, este só se considera efetivamente ocorrido no dia 01 de março de 2000 [data da emissão dos cheques], o que implica reconhecer ser fictícia a data da cisão ou o ser antedatado o cheque dado em pagamento." Fl. 960DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 20 Do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa qualificada. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Voto Vencido - Recurso especial da Fazenda - Multa Agravada Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Conheço do recurso por estarem presentes seus pressupostos. Em suas contrarrazões o contribuinte alega que não há que se conhecer do recurso em virtude de que (fls. 666-667): 14. Note que a decisão recorrida fez questão de frisar, tanto nas razões de decidir quanto na própria ementa do Aresto, que a contribuinte em tela deixou de apresentar documentos solicitados pela fiscalização, mas justificou sua não apresentação (conforme está comprovado, nos autos), o que fora acatado pela Colenda Turma Julgadora. 15. Já no Acórdão mencionado pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte (IN Corp Informática Ltda.), em momento algum, basta ler o acórdão, justificou a não apresentação dos documentos solicitados ou demonstrou a impossibilidade de fazê-lo, como ocorreu no caso vertente. Seria o caso de não entrega de documentos com justificativa versus a não entrega (ou não entrega sem justificativa) a ensejar ausência de semelhança fática e a inadmissibilidade do recurso. Ocorre que na análise de admissibilidade ficou esclarecido que o agravamento se deu em virtude de "do não atendimento da fiscalizada às intimações para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos (alínea "a" [referindo-se à alínea "a" § 2º do art. 44 da Lei nº. 9.430/1996, na redação dada pela Lei nº. 11.488/de 2007]), o que é na verdade o punctum pruriens, conforme se verá abaixo, no mérito. Presente, portanto, a divergência e conheço do recurso. A Fazenda em seu recurso especial alega que o contribuinte deixou de atender às intimações da autoridade tributária para apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, e que portanto cabe o agravamento da multa prevista no art. 959 do RIR/1999. O acórdão recorrido ao enfrentar a questão, analisando matéria fática, entendeu que [...] não deve prosperar o agravamento da multa de ofício em 50%, previsto no art. 959, do RIR/99, aplicada em razão da não apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, eis que a despeito da Recorrente não ter apresentados os documentos solicitados, respondeu às intimações da fiscalização, aliado ao fato de que a não entrega dos documentos solicitados, não impediu que a fiscalização apurasse a verdade material dos fatos e procedesse aos lançamentos dos tributos que deixaram de ser pagos em razão da operação que gerou o ganho de capital, bem como em razão das glosas de despesas e dos pagamentos sem causa. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.890 21 Ocorre que não são exatamente estes os fatos dos autos. Na acusação fiscal, que se refere às intimações feitas às diversas empresas envolvidas na situação, muitas foram respondidas, embora não a contento no entender da fiscalização, mas, no que se refere ao contribuinte do caso em questão, conforme consta do TVF (fl. 91): Quanto às intimações feitas diretamente à autuada, nenhuma resposta chegou a esta fiscalização. Questionado sobre o fato, o representante da empresa, Sr. Kalid, encaminhou um fax (cópia fls. 112) que indicava o certificado de postagem em 18/02/2005. Entretanto, tal correspondência até este momento não chegou. Consultado o sistema de rastreamento dos Correios, este não continha informações acerca da correspondência (tela anexa fls. 115). Finalmente, foi contactado o setor de distribuição dos correios (CDD) , tendo sido informado pelo Sr. Raimundo (tel. 31 3249-2192) que não possuía informações a respeito da mesma nos sistemas regionais e locais de rastreamento. As respostas ao termo de intimação deveriam ser entregues à fiscalização dentro do prazo, e sua postagem no dia de término do prazo indica, provavelmente, mais uma manobra de protelação ou busca da decadência de fatos geradores. Ou seja, nem todas as intimações da fiscalização foram atendidas ou tiveram seu não atendimento justificado a contento. Nas contrarrazões o contribuinte não acrescenta argumentos em relação a este ponto (salvo a questão da admissibilidade, já superada acima), e mesmo considerando as alegações em sede de recurso voluntário, entendo não estarem justificadas a não entrega das informações solicitadas, configurando, de fato, sua não entrega, o que materializa a incidência do agravamento previsto no art. 959 do RIR/1999. Como nas razões de decidir no acórdão recorrido não houve maior aprofundamento deste tema, cito dois pontos que comprovam tal situação: a) a não comprovação de que efetivamente remeteu os documentos via correio (a própria ECT não reconhece o número do protocolo), visto que não acostou aos autos o AR correspondente, que comprovaria a entrega em 24/02/2005 dos documentos à RFB; b) a recusa a entregar os originais de documentos, substituindo-os por fotocópias autenticadas. Neste sentido, dou provimento ao recurso especial da Fazenda, restabelecendo o agravamento da multa (art. 959 do RIR, com base no § 2° do art. 44, da Lei nº. 9.430/96 e art. 70, I, da Lei nº. 9.532/1997), conforme consta do lançamento de ofício. Voto Vencedor - Recurso especial da Fazenda - Multa Agravada Conselheiro João Carlos de Lima Junior, redator designado. Em que pese as bem constituídas razões expostas pelo Relator, ouso delas discordar. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, na parte em que contestou o afastamento do agravamento da multa de ofício, não merece conhecimento, pois não preenche requisito de admissibilidade. Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada, senão vejamos. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 22 No acórdão recorrido restou consignado que não há como prosperar o agravamento da multa de ofício quando o contribuinte, embora deixe de apresentar os documentos solicitados, responde às intimações do Fisco justificando a sua não apresentação. Nesse ponto, cumpre a transcrição de trecho do voto condutor do mencionado acórdão: “(...) Entretanto, entendo que não deve prosperar o agravamento da multa de oficio em 50%, previsto no art. 959, do RIR199, aplicada em razão da não apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, eis que a despeito da Recorrente não ter apresentados os documentos solicitados, respondeu as intimações da fiscalização, aliado ao fato de que a não entrega dos documentos solicitados, não impediu que a fiscalização apurasse a verdade material dos fatos e procedesse aos lançamentos dos tributos que deixaram de ser pagos em razão da operação que gerou o ganho de capital, bem como em razão das glosas de despesas e dos pagamentos sem causa. (...)” Por sua vez, o acórdão paradigma foi no sentido de que deve ser agravada a multa de ofício nos casos em que o contribuinte, após diversas intimações, deixa de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, bem como não apresenta justificativa para tanto. Segue trecho do relatório e voto condutor do acórdão 107-08.406: “Relatório: (...) A empresa, após intimada e reintimada, não apresentou as notas fiscais para exame e confrontação dos valores com os registrados nos livros fiscais apresentados ao fisco, não apresentando também, qualquer justificativa pela falta da apresentação dos documentos solicitados. (...) Voto: (...) DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA E QUALIFICADA (...) A infração apurada e lançada pela fiscalização deu-se pela tributação a menor de receitas efetivamente auferidas, suprimindo parte de suas receitas, deixando de oferecê-las à tributação, o que caracterizaria o evidente intuído de fraude, devidamente demonstrado pela fiscalização, combinada com o não atendimento à intimações para prestar esclarecimentos e apresentar documentos. (...) Igualmente o não atendimento às diversas intimações, para a apresentação das notas fiscais de saídas, não deixaram alternativa aos autuantes da não aplicação da penalidade. Pelos fatos apresentados e constantes nos presentes autos, entendo perfeitamente constatado e provado, o evidente intuito de fraude na conduta adotada pela recorrente, bem como o não atendimento das intimações, reunindo os elementos necessários e Fl. 963DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.891 23 suficientes para o enquadramento dado, merecendo a sua aplicação.” Do exposto, torna-se claro que as situações fáticas tratadas nos acórdãos cotejados são distintas. Ora, o acórdão recorrido trata de situação em que o contribuinte, apesar de não apresentar a documentação solicitada pela fiscalização, não se calou diante dos termos de intimações fiscais emitidos. Por outro lado, no acórdão paradigma o contribuinte permanece inerte diante do procedimento fiscal, pois não apresenta a documentação solicitada ou qualquer justificativa para tanto. Para o agravamento da multa, é necessário analisar, caso a caso, se os atos de resposta à fiscalização se subsumem à norma. O artigo 44, § 2º, da lei 9430/96 prevê o agravamento no casos de não atendimento do sujeito passivo de intimação para (I) prestar esclarecimentos; (II) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991 e (III) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Fica claro, portanto, que para definir a possibilidade ou não de agravamento da multa, nos termos do artigo 44, § 2º, da lei 9430/96, é necessário analisar os atos realizados pelo contribuinte, caso a caso, para verificar se a norma aplica-se ao caso concreto. Assim, para ser paradigma, as situações fáticas dos acórdãos cotejados devem ser idênticas, isto porque os atos praticados pelo contribuinte devem ser os mesmos. Não é o caso dos autos. Não há, portanto, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial, por ser evidente a ausência de similitude fática. É nesse mesmo sentido o entendimento adotado por este Conselho, conforme julgados cujas ementas seguem transcritas: “RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática.” (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) “RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido.” (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Fl. 964DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 24 Do exposto, não comprovada a divergência jurisprudencial, não conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior - Redator Designado para esta parte do Acórdão. Recurso especial da Fazenda - Multa Isolada Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão A Fazenda em seu recurso especial alega que é possível a cumulação entre multa de ofício e multa isolada pelo não pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL, pois são penalidades distintas que incidem sobre bases de cálculo diversas, o que foi afastado pelo acórdão recorrido. Este tema é recorrente e mantenho a minha posição, que, reconheço de antemão, tem sido vencida desde que tomei assento neste Colegiado, e reproduzo abaixo o meu sentir sobre o tema, nesta assentada, com respeito a este processo. Houve lançamento de multa isolada pela falta de recolhimento das estimativa mensal, conforme auto de infração, que foi mantido, nesta parte, pela decisão de primeira instância administrativa, e afastada pela decisão recorrida. Observe-se que a infração decorreu de omissão de recolhimento de IRPJ e CSL na estimativa relativo à falta de contabilização/adição da receita de alienação de participação societária. Disto resultou insuficiência de recolhimentos do IRPJ e CSLL Estimativa Mensal, ficando sujeito à incidência de multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas, conforme auto de infração. A Fazenda Nacional alega que conforme disposição do artigo 29 da Lei nº. 9.430, de 1996, as pessoas jurídicas que optam pelo lucro real com apuração anual de resultados ficam obrigadas ao pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados mensalmente com base na estimativa, desta forma, em caso de inadimplemento dessa obrigação tributária, a mesma Lei estipulou, no artigo 44, parágrafo único, inciso IV (atual art. 44, II, b, da Lei nº. 9.430/96, na redação dada pela Lei nº. 11.488/07), a multa de oficio, que deve ser exigida isoladamente, destacando a alínea “b” do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. Nas contrarrazões do contribuinte reitera a jurisprudência do CARF pela não incidência de ambas as multas na mesma situação. De observar que a jurisprudência do CARF neste aspecto parece pender no sentido de que não cabe aplicação das duas multas, mas meu entendimento é no sentido da aplicação do sistema do CTN ao caso concreto, i.e. que a dispensa de multa só pode se dar por via de lei de anistia, e de que as estimativas mensais são obrigações tributárias autônomas destacadas da obrigação tributária decorrente do fato gerador de 31 de dezembro, e que se apenadas com sanções distintas estas não são passíveis de consunsão. Desnecessário transcrever aqui, mas adoto também como razões de decidir as mesmas do Acórdão 1802- 00.205, de 1º de outubro de 2009, expendidas pelo i. C. José de Oliveira Ferraz Correa em seu voto vencedor naquele Acórdão. A questão, posta de outra forma, é se a multa referente ao não recolhimento da(s) parcela(s) da estimativa, devidas mensalmente se acumulam com a multa pelo não Fl. 965DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.892 25 pagamento do tributo devido apurado na declaração anual. Entendo possível a aplicação da multa proporcional sobre o ajuste anual e da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas que ensejaram, em referência ao mesmo exercício fiscal. Isto porque a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do ano-calendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, sujeitam-se às multas previstas na legislação que se aplica à espécie. Na redação original da Lei nº. 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV -isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente; [...] Referida norma recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº. 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformando-se as alíneas a, b e c do § 2 o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8 o da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2 o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 26 § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I - (revogado); II - (revogado); III- (revogado); IV - (revogado); V - (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2 o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1 o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº. 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos (anterior e alteração) estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2º da Lei nº. 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do ano-calendário, o que nem é o caso, pois há tributo devido ao final do ano. A única distinção é o percentual aplicado, de 50% e não mais de 75%, decorrente da aplicação de retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Considera-se, assim, impróprio falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: a hipótese de incidência da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis, repita-se que a assunção desta obrigação foi uma opção do contribuinte e que o desobrigou dos efetivos pagamentos trimestrais – e a outra hipótese de incidência da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação principal referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. São, portanto, fatos distintos que geram multas diferentes, sendo penalidades que não comportam a aplicação do princípio da consunção, que em matéria de Direito Tributário deve ser aplicado cum grum salis, especialmente em virtude do que dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Aliás, interpretar-se de outra forma, teria o efeito de transformar não só em opção pela apuração anual do IRPJ/CSLL, mas também tornar opcional o pagamento das estimativas mensais, já que não seriam devidas multas se não adimplidas, bastando que no encerramento do exercício se faça a apuração de prejuízo e bases negativas, ou se adimpla o tributo devido, se for o caso. Ocorre, que embora a apuração anual seja uma opção, o recolhimento das estimativas mensais é obrigatório, e, portanto, se descumprido deve ter uma sanção aplicável, ou então não seria obrigação legal, mas tão somente moral. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.002872/2005-77 Acórdão n.º 9101-001.876 CSRF-T1 Fl. 1.893 27 Do exposto, meu voto seria por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, após o encerramento do ano-calendário. Porém, essa 1ª Turma da CSRF tem reiteradamente afastado a aplicação do que se tem denominado "multa concomitante", tendo se consolidado essa jurisprudência, sendo a minha posição vencida reiterada e exaustivamente. Veja-se, por exemplo, Acs. ns. 9101-001.693, (de 16/07/2013, que cita outras decisões), 9101-001.820, 9101-001.788 . Posição que vem sendo cada vez mais hialina na jurisprudência desta Colenda 1ª Turma, além do que as turmas ordinárias da 1ª Seção têm adotado de maneira preponderante o mesmo entendimento (e.g., Acs. ns. 1402-001.505, 1103-000.934,, 1202-001.011, 1103- 000.945, 1102-000.867) sendo que as poucas decisões em sentido contrário, mais recentes, são tomadas por voto de qualidade. Parece-me, que estamos em um ponto em que teremos que aderir à conclusão, mas não aos fundamentos, de que não cabe a multa in casu, por questões de economia processual e também pela aplicação do princípio da colegialidade em seu sentido amplo, com a perspectiva de suas consequências. Não que me curve aos argumentos em sentido contrário, mas à imposição do colegiado em sua forma de garantir suas conclusões. Destaque-se que esta posição só prevalece para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória nº. 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria. Neste sentido, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, com as todas ressalvas e observações acima transcritas. Assim, no que diz respeito ao recurso especial da Fazenda Nacional, dou provimento parcial, mantendo o agravamento da multa de ofício e afastando a aplicação da multa de ofício isolada pelo não pagamento das estimativas. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUN IOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 15540.000280/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
DÉBITOS NÃO INFORMADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Os débitos não informados em DCTF pelo sujeito passivo devem ser objeto de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 1201-001.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento do IRPJ referente aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2004, devendo todavia serem vinculados a estes débitos os pagamentos espontaneamente realizados pela contribuinte, ainda que com código 2456, conforme demonstrativo elaborado pela DRJ (fl. 537 e ss.), e excluir-se a exigência da multa de ofício e dos juros de mora.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 DÉBITOS NÃO INFORMADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os débitos não informados em DCTF pelo sujeito passivo devem ser objeto de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento do IRPJ referente aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2004, devendo todavia serem vinculados a estes débitos os pagamentos espontaneamente realizados pela contribuinte, ainda que com código 2456, conforme demonstrativo elaborado pela DRJ (fl. 537 e ss.), e excluirse a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de remessa oficial proposta nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72, em face do acórdão nº 1236.009, exarado pela 4ª Turma da DRJ1 no Rio de Janeiro RJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 02 80 /2 00 9- 62 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000280/200962 Acórdão n.º 1201001.038 S1C2T1 Fl. 3 2 Afirma a autoridade fiscal que a contribuinte declarou nas DCTFs referentes ao ano de 2004 débitos trimestrais de IRPJ em montantes inferiores àqueles informados na respectiva DIPJ. Explica o auditor que, intimada para tanto, a fiscalizada apresentou planilhas que confirmam que os valores devidos são aqueles informados na DIPJ, motivo pelo qual constituiu de ofício a parcela do imposto não declarada em DCTF. No prazo para impugnação ao lançamento a interessada recolheu parte dos valores lançados e, quanto à parcela restante, apresentou defesa alegando, em resumo, o seguinte: a) quanto aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2004, o IRPJ lançado já havia sido espontaneamente pago, embora com código 2456, quando o correto seria 2089; b) foram providenciados os REDARFs, conforme documentos em anexo. Apreciadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou procedente a impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2004 DECADÊNCIA. IRPJ. HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. De acordo com as normas contidas no CTN, nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4º, quando houver pagamento antecipado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 RECOLHIMENTOS EFETUADOS ESPONTANEAMENTE. EQUÍVOCO NO CÓDIGO DE RECOLHIMENTO. É de se considerar como espontâneos e válidos, os recolhimentos de IRPJ efetuados antes de qualquer procedimento fiscal, mesmo que tais recolhimentos tenham sido efetuados com a utilização de código de IRPJ não correspondente à forma de apuração adotada no respectivo exercício, mormente quando . o próprio sistema alocou automaticamente alguns desses pagamentos, em função de valores declarados em DCTF. Por haver exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em montante superior ao limite de sua alçada, o órgão de primeiro grau submeteu sua decisão a este Colegiado para fins de reexame necessário. Voto Fl. 553DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000280/200962 Acórdão n.º 1201001.038 S1C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Decadência Correta a decisão do órgão de primeiro grau no que toca à decadência. De fato, comprovado ter havido pagamento de IRPJ, ainda que parcial, no 1º trimestre de 2004, e não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial de cinco anos é contado a partir da data do respectivo fato gerador, conforme estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN. Em assim sendo, a data limite para que o fisco pudesse constituir o crédito tributário pelo lançamento seria 31/03/2009. O lançamento, entretanto, somente foi cientificado ao sujeito passivo após essa data, em 09/06/2009. 3) Dos Pagamentos Espontaneamente Realizados Quanto ao IRPJ relativo aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2004, a DRJ de origem reconheceu haver pagamentos espontâneos, ainda que no código 2456, em montantes suficientes para liquidação do imposto lançado. Decidiu, então, pela procedência da impugnação, nos seguintes termos: II) EXIMIR a interessada da cobrança do IRPJ relativa aos 2º. 3° e 4° trimestres/2004, no valor de R$ 813.019,50, em face dos recolhimentos efetuados. (Os pagamentos relacionados nas pesquisas de fls. 483/529, que se encontram disponíveis no sistema, deverão ser vinculados a este processo). Ocorre que, como os valores trimestrais de IRPJ informados nas DCTFs (fl. 274 e ss.) são inferiores àqueles declarados na DIPJ/2005 e confirmados pela própria contribuinte em resposta a intimação a ela dirigida, o lançamento de ofício revelase procedente, haja que é a DCTF o instrumento jurídico para confissão de débito tributário. Os pagamentos espontaneamente efetuados pela recorrente devem, contudo, ser vinculados aos débitos lançados de ofício, conforme assentado pela DRJ. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento do IRPJ referente aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2004, devendo todavia ser vinculados a estes débitos os pagamentos espontaneamente realizados pela contribuinte, ainda que com código 2456, conforme demonstrativo elaborado pela DRJ (fl. 537 e ss.), excluindose a multa de ofício e os juros de mora. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 554DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000280/200962 Acórdão n.º 1201001.038 S1C2T1 Fl. 5 4 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10140.720473/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2012
Ementa:
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão judicial.
A compensação não pode ser realizada utilizando-se de um suposto crédito, que ainda está sendo discutido no Judiciário. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo.
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA
A multa de mora por compensação indevida deve ser aplicada nos moldes da Lei 8212/91, art. 89, parágrafo 9º:
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.141
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a glosa das contribuições previdenciárias sobre as rubricas auxílio-doença, auxílio-acidente, salário-maternidade, férias e terço de férias, em obediência ao disposto no artigo 170-A do Código Tributário Nacional, não podendo a empresa efetuar a compensação das contribuições previdenciárias antes do trânsito em julgado da ação judicial interposta.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2012 Ementa: COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. A compensação não pode ser realizada utilizando-se de um suposto crédito, que ainda está sendo discutido no Judiciário. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA A multa de mora por compensação indevida deve ser aplicada nos moldes da Lei 8212/91, art. 89, parágrafo 9º: Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2012 Ementa: COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. A compensação não pode ser realizada utilizandose de um suposto crédito, que ainda está sendo discutido no Judiciário. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 73 /2 01 2- 28 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA A multa de mora por compensação indevida deve ser aplicada nos moldes da Lei 8212/91, art. 89, parágrafo 9º: Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a glosa das contribuições previdenciárias sobre as rubricas auxíliodoença, auxílioacidente, saláriomaternidade, férias e terço de férias, em obediência ao disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional, não podendo a empresa efetuar a compensação das contribuições previdenciárias antes do trânsito em julgado da ação judicial interposta. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720473/201228 Acórdão n.º 2302003.141 S2C3T2 Fl. 342 3 Relatório Trata o presente de dois Autos de Infração de Obrigações Principais, lavrados em 26/03/2012 e cientificados ao sujeito passivo em 30/04/2012, de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social correspondentes à glosa de compensação administrativa de valores recolhidos no período de 11/2009 a 11/2011, referentes a contribuições previdenciárias incidentes sobre as rubricas auxíliodoença, auxílioacidente, saláriomaternidade, férias e terço de férias, pagas aos segurados empregados no período de 01/1999 a 06/2011. O AIOP DEBCAD n.º 51.009.0079, corresponde às contribuições patronais e àquelas relativas aos riscos ambientais do trabalho, enquanto o AIOP DEBCAD 51.009.008 7, referese às contribuições arrecadadas para os Terceiros. O Relatório Fiscal de fls. 32/37, traz que foi efetuada a glosa da compensação realizada porque o contribuinte possui ação judicial correspondente ao Mandado do Segurança n.º 2009.60.00.0128456, visando compensar os recolhimentos de contribuição previdenciária sobre as verbas: auxíliodoença, auxílioacidente, saláriomaternidade, férias e terço de férias, que foi proferida sentença concedendo parcialmente a segurança apenas em relação aos auxílios e 1/3 de férias, reconhecendo o direito à compensação a partir de 20/10/1999 e a ser realizada após o trânsito em julgado. Aduz o Relatório que a autuada efetuou a compensação de todas as verbas, desde a competência 01/1999 e que a sentença ainda não transitou em julgado. Por estes motivos os valores compensados foram glosados. Após impugnação, Acórdão de fls. 255/261, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese: a) que possui MS 2009.60.00.0128456, com sentença parcialmente deferida para que a Receita Federal se abstenha de exigir o pagamento das contribuições previdenciárias incidentes nos quinze primeiros dias de afastamento da atividade laboral antes da concessão do auxíliodoença e auxílio acidente, bem como sobre as verbas pagas a título de adicional de 1/3 de férias; b) que a sentença autorizou a compensação dos valores indevidamente recolhidos nos dez anos anteriores ao ajuizamento da ação. E que os autos estão pendente de julgamento de recursos especial e extraordinário apresentados pelas partes; c) que frente ao exposto, o Acórdão recorrido é nulo porque não enfrentou as questões contidas na impugnação; Fl. 343DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 d) que os autos de infração são insubsistentes quanto ao mérito, porque há o indébito tributário já que as verbas não são salariais, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; e) que o trânsito em julgado de decisão judicial não é óbice para a compensação, seja pela aplicabilidade do artigo 66 da Lei 8383/91, seja pelo caráter mandamental do Mandado de Segurança; f) que é inaplicável a SELIC; g) que é inaplicável a multa de mora de 20%, porque estão corretas as compensações; h) argúi a nulidade dos autos de infração por vício na constituição e justificação do crédito; i) que meros indícios não são suficientes para embasar a autuação; j) que a interposição deste recurso suspende a exigibilidade do crédito; k) discorre sobre a ilegalidade das rubricas que compensou; l) que alei permite a compensação de tributos pagos indevidamente; m) que deve ser seguido o prazo decenal para a compensação; n) a insubsistência do auto de infração, pois parte dos débitos estão com a exigibilidade suspensa em vista do MS já referido; o) a aplicação das multa de ofício e de mora violam o princípio do não confisco. As multas são inconstitucionais. Requer a anulação do auto de infração pelo acolhimento das preliminares de preterição do direito de defesa ou por violação da motivação dos atos administrativos, ou subsidiariamente, no mérito pela insubsistência da autuação , convalidando a compensação efetuada. Requer, ainda, a intimação para promover sustentação oral e que, sob pena de nulidade, as publicações e intimações sejam feitas no nome de seu patrono. É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720473/201228 Acórdão n.º 2302003.141 S2C3T2 Fl. 343 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O Recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade,frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Das Preliminares Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos Fl. 346DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720473/201228 Acórdão n.º 2302003.141 S2C3T2 Fl. 344 7 documentos de posse da autuada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defender se sem qualquer restrição, já que são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ainda, quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. Ademais, ressalto a inexistência do cerceamento defesa, como alegado, posto que o relatório fiscal de fls.32/37, expressa claramente que porque o débito está sendo lançado , qual a base imponível para a cobrança das contribuições previdenciárias, consubstanciadas nos autos de infração e os Relatórios de Lançamento fls. 96/108 e 120/132, trazem por competência o valor glosado e a correspondente rubrica. Do Mérito A autuação decorre de compensações efetuadas indevidamente pelo contribuinte, porque objeto de ação judicial que ainda não transitou em julgado. Da análise dos autos, se vê que a recorrente impetrou Mandado de Segurança n.º 2009.60.00.0128456, visando eximirse do recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as rubricas auxiliodoença, auxílioacidente (primeiros 15 dias), salário maternidade, férias e 1/3 de férias, bem como reaver os valores que entendia ter recolhido indevidamente, através do instituto da compensação. Da análise dos autos se tem notícia que o pleito da recorrente foi atendido parcialmente no que concerne a não exigências das exações sobre os auxílios e 1/3 de férias. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Entretanto, a própria recorrente admite que a sentença está pendente de recurso. Desta forma, a empresa realizou a compensação utilizandose de um suposto crédito, que ainda está sendo pleiteado na justiça, pois não há definitividade da decisão. Portanto, aplicase ao presente caso o disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional, não podendo a empresa efetuar a compensação das contribuições antes do trânsito em julgado da ação judicial. “Art.170A – É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da respectiva decisão judicial”. O valor compensado, em razão de discussão no Judiciário sobre a regularidade de crédito tributário, sem trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, deve, efetivamente, ser glosado pela Fiscalização. Ainda quanto à discussão da natureza das verbas levadas ao judiciário, temos que de acordo com o disposto no art. 126, § 3º da Lei n ° 8.213/1991, a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Toda a matéria litigiosa no Judiciário impede o conhecimento administrativo, motivo pelo qual deixo de me manifestar quanto à natureza salarial ou não dos auxílios doença e acidente nos primeiros quinze dias, salário maternidade, férias e 1/3 de férias, frente à primazia da decisão judicial a ser proferida em última instância. Em que pese a existência de ação judicial, esta acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito nos casos de: · depósito integral da contribuição discutida judicialmente (art. 151, II, do CTN); · concessão de medida liminar em mandado de segurança (art. 151, IV, do CTN); · concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial (art. 151, V, do CTN). É oportuno esclarecer, entretanto, que não há que se confundir “suspensão da exigibilidade do crédito tributário” com a impossibilidade de lançamento. A “suspensão” referese tão somente a exigibilidade do crédito previdenciário por via de execução, ou seja, do adimplemento forçado em juízo, impedindo que sejam praticados, contra o sujeito passivo, atos de natureza constritiva, expropriatórios ou assemelhados, ainda que esgotada a fase administrativa. Assim, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não afeta a efetividade do lançamento escorreito, feito por autoridade competente dentro dos moldes definidos em lei. Em regra, quando o contribuinte ajuíza ação para afastar a cobrança de determinada contribuição, não fica a Fazenda Pública impedida de proceder ao lançamento, pois este, segundo o parágrafo único do art. 142 do CTN, constitui atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720473/201228 Acórdão n.º 2302003.141 S2C3T2 Fl. 345 9 Neste sentido, é a inteligência do Superior Tribunal de Justiça, consolidado em acórdão da lavra da Segunda Turma, cuja ementa é ora transcrita: "TRIBUTÁRIO – MANDADO DE SEGURANÇA – MEDIDA LIMINAR – RECURSO ADMINISTRATIVO – LANÇAMENTO – EFETIVAÇÃO DE NOVOS LANÇAMENTOS – POSSIBILIDADE – CTN, ARTS. 151, I E III E 173 – PRECEDENTES. A concessão da segurança requerida suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não tem o condão de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, paralisando apenas a execução do crédito controvertido."(STJ – Segunda Turma – RESP 75075 – Relator Ministro Francisco Peçanha Martins, DJ 14.04.2003, p.206)." Por outro lado, o lançamento do débito, mesmo estando a Fazenda Pública impossibilitada de cobrar, tem como objetivo resguardar o crédito previdenciário do prazo decadencial. Notese que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei, e, em razão disso, eventual demora na solução do processo judicial poderia acarretar a perda do direito de constituir o crédito pelo lançamento, caso a recorrente fosse vencida no pleito judicial. Desta forma, o ajuizamento de ação pelo contribuinte visando afastar a cobrança de determinada contribuição não impede a Administração de proceder ao lançamento, ainda que haja causa de suspensão da exigibilidade do crédito, ficando, neste caso, suspensos tão somente os atos executórios de cobrança. Assim, verifico que a fiscalização agiu no estrito cumprimento de seu dever legal, eis que o lançamento é ato vinculado e obrigatório, procedendo corretamente ao lançar o crédito previdenciário, o qual ficará com sua exigibilidade suspensa até o final da demanda judicial ou até decisão judicial que lhe possibilite a cobrança. Portanto, cabe análise apenas das matérias diversas daquelas discutidas judicialmente, quais sejam a multa de mora e os juros com base na taxa SELIC. A recorrente se insurge contra a multa de mora por ser confiscatória e inconstitucional. Nos presentes Autos de Infração de Obrigação Principal foi aplicada a multa de mora por compensação indevida, nos moldes da Lei 8212/91, art. 89, parágrafo 9º: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas 'a 'b' e 'c' do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Quanto à alegação de inconstitucionalidade, vemos que que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720473/201228 Acórdão n.º 2302003.141 S2C3T2 Fl. 346 11 “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso, mantendo a glosa das contribuições previdenciárias sobre as rubricas auxíliodoença, auxílioacidente, saláriomaternidade, férias e terço de férias, em obediência ao disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional, não podendo a empresa efetuar a compensação das contribuições antes do trânsito em julgado da ação judicial. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 351DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13884.901382/2008-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
Numero da decisão: 3803-005.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. FALTA DE REGULAMENTAÇÃO. INEFICÁCIA. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 13 82 /2 00 8- 08 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção Ltda. busca compensar crédito de PIS/PASEP referente ao período de apuração agosto de 2000, no valor original de R$ 374,74, com débitos de PIS/PASEP que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade e afirmou que: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.901382/200808 Acórdão n.º 3803005.727 S3TE03 Fl. 11 3 a) a não homologação revelouse procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pelo contribuinte à Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente; b) por força de sua vinculação aos atos legais e aos atos emanados por autoridades hierarquicamente superiores, está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá à legislação tributária; c) o Ato Declaratório SRF nº 56, de 2000 estabelece que o disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei nº 9718/1998 não produz eficácia para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para PIS/COFINS, uma vez que foi revogado e careceu de regulamentação durante sua vigência; d) não se deve examinar as provas dos alegados créditos, pois o crédito calcado no referido dispositivo é inexistente. Inconformado, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário, alegando que obtémse a base de cálculo de PIS/COFINS ao seguir os passos artigo 3º da Lei 9.718 que resumemse para fins didáticos em dois momentos: 1º Apurar a totalidade das receitas auferidas pela empresa (art. 3º, § 1º) 2º Efetuar as deduções previstas nos incisos I, II, III e IV do parágrafo 2°, onde se destacam as exclusões de todas as receitas tidas como próprias e transferidas para outras pessoas jurídicas (inciso III). O recorrente também afirma que: a) a Administração Federal pretende aplicar o texto legal apenas nos pontos que lhe é favorável, afirmando que a aplicação do inciso III é impossível, visto que não foram editadas as normas regulamentadoras previstas no texto legal; b) nenhuma norma regulamentadora pode dispor sobre a base de cálculo das contribuições, visto que esta matéria é reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos; c) qualquer interpretação da Lei que não permita as exclusões previstas no §2º do art. 3º da Lei 9.718/1998, tornando sem efeito ou utilidade os termos do inciso III desse dispositivo, contraria princípio elementar de direito segundo o qual a norma não possui palavras ou termos inúteis. d) é impossível norma do poder executivo dispor sobre a base de cálculo de contribuições; e) o comando legal inserido no inciso III, do parágrafo 2°, do artigo 3° da Lei 9.718/98 prescinde de qualquer regulamentação a ser expedida pelo Poder Executivo em face do Princípio de Estrita Legalidade em Matéria Tributária; f) no período em que esteve em vigor a redação originária do artigo 3° da Lei 9.718/98 o Recorrente tem direito líquido e certo de excluir da base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 todas as receitas que tenham ingressado na empresa e, posteriormente, sido transferidas para outras pessoas jurídicas; g) o direito ao abatimento das receitas transferidas para outras pessoas jurídicas da base de cálculo do PIS e COFINS, permaneceu íntegro até o momento em que foi instituído o sistema nãocumulativo para o recolhimento das contribuições em questão. Complementa suas alegações com vários excertos de doutrina, jurisprudência e legislação. Ao final requer o recebimento e provimento do recurso a fim de reformar a decisão recorrida para fins de reconhecer o direito creditório perseguido pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Das receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O contribuinte afirma que tem crédito em decorrência do disposto no inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. Para o julgamento da lide é interessante observar que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo, o qual, vale dizer, foi revogado por medida provisória. Tal entendimento baseou o Ato Declaratório SRF nº 56, de 2000, que foi adotado pela decisão de 1ª instância em virtude de sua vinculação. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.901382/200808 Acórdão n.º 3803005.727 S3TE03 Fl. 12 5 Por outro lado o contribuinte alega que a base de cálculo de contribuições é matéria reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos, muito menos por regulamentos do poder executivo. Porém tal entendimento não deve prevalecer. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder condicionando a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. O Princípio da Estrita Legalidade em Matéria Tributária e o princípio segundo o qual a norma não possui palavras ou termos inúteis, não contribuem em nada com o recorrente, pois ao negar que o dispositivo submete sua eficácia ao Poder Executivo esses dois princípios acabam por ser ofendidos. O Superior Tribunal de Justiça tem o seguinte entendimento sobre a matéria: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 9.718/91, ART. 3º, § 2º, III. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. É de sabença que na dicotomia das normas jurídico tributárias, há as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, "as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.". Isto porque, "não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem". 2. A lei 9.718/91, art. 3º, § 2º, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedouse inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 199118/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3º, § 2º, III, da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que "se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000". Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 4. Deveras, é lícito ao legislador, ao outorgar qualquer benefício tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, "não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência." 6. Precedentes das Primeira e Segunda Turmas:RESP 644969 / SC ; Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 27.09.2004; RESP 507876 / RS; deste relator, DJ de 15.03.2004; REsp 445.452, Rel. Min. José Delgado, DJ de 10/03/2003. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 641.512/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/09/2005, DJ 26/09/2005, p. 193) O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.901382/200808 Acórdão n.º 3803005.727 S3TE03 Fl. 13 7 Concluise que o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas que computadas em sua receita foram transferidas para terceiros. Da comprovação do crédito e apresentação das provas. Ainda que fosse superada a questão de direito, o que não é o caso, observase que não se encontra nos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que já seria suficiente para frustrar a pretensão creditória do contribuinte conforme determina o artigo 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. O contribuinte também deveria observar o momento de apresentar as provas conforme o determinado pelo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 Conclusão O crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma que lhe teria creditado jamais foi regulamentada e, conseqüentemente, nunca foi eficaz. Ainda que houvesse base legal para acolher as alegações do contribuinte, o pleito carece de provas suficientes à comprovação da redução da base de cálculo e, consequentemente, do imposto inicialmente declarado em DCTF. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11065.005214/2008-08
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
IRPF. ASPECTOS DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. CONCEITO DE RENDA. RENDA TRIBUTÁVEL. ART. 43 DO CTN. SÚMULA CARF Nº 2.
Renda, no caso, é o resultado positivo de uma subtração que tem, por minuendo, os rendimentos brutos auferidos pelo contribuinte, entre dois marcos temporais, e, por subtraendo, o total das deduções e abatimentos, que a Constituição e as leis que com ela se afinam permitem fazer. Renda Tributável é sempre renda líquida ou lucro, isto é, o resultado de uma série de deduções e abatimentos feitos sobre os rendimentos brutos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ASPECTOS DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. CONCEITO DE RENDA. RENDA TRIBUTÁVEL. ART. 43 DO CTN. SÚMULA CARF Nº 2. Renda, no caso, é o resultado positivo de uma subtração que tem, por minuendo, os rendimentos brutos auferidos pelo contribuinte, entre dois marcos temporais, e, por subtraendo, o total das deduções e abatimentos, que a Constituição e as leis que com ela se afinam permitem fazer. Renda Tributável é sempre renda líquida ou lucro, isto é, o resultado de uma série de deduções e abatimentos feitos sobre os rendimentos brutos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 52 14 /2 00 8- 08 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11065.005214/200808 Acórdão n.º 2801003.515 S2TE01 Fl. 145 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativo aos exercícios de 2006, 2007 e 2008, anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, respectivamente. Observase que no demonstrativo do crédito tributário existia o imposto de renda da pessoa física – suplementar, de R$ 17.997,14, com multa de ofício de 112,5% e juros de mora, valores esses parcialmente excluídos pelo Julgamento de 1ª instância, como se registrará a seguir. A autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, com clareza meridiana, os procedimentos fiscais e os motivos das glosas efetuadas em deduções declaradas com dependentes; com despesas médicas; com previdência oficial e previdência privada; com despesas com instrução e dedução de incentivos e doações a fundos públicos, no Relatório de Ação Fiscal que se encontra anexado nas folhas 65 e seguintes. O Auto de Infração foi impugnado, sendo conhecido e tratado pela DRJ Porto Alegre nos seguintes termos (fl. 127 e ss), que resumo: Foram considerados no presente voto a documentação existente no resente processo, as razões apresentadas na impugnação, destacandose como base legal o(s) rt(s). 77, 80, 83, 957, do RIR, de 1999. A incidência do imposto de renda ocorreu mediante a apuração anual dos rendimentos percebidos e as deduções legalmente permitidas, conforme art. 83 do RIR, de 999, que consolida e cita a legislação que dispõe sobre a matéria. 0 fato de o contribuinte apresentar decréscimo patrimonial é irrelevante. A tributação ocorre sobre a percepção de rendimentos (previsão legal), não fazendo parte da apuração a maneira como os rendimentos, u mesmo o patrimônio, são consumidos. Observese que essa Delegacia de Julgamento não possui competência ara exame de princípios constitucionais e doutrinários que contraditem as disposições estabelecidas em lei, (...) Quanto ao agravamento da multa de oficio, por não atendimento da intimação (algumas intimações foram atendidas parcialmente), entendemos inaplicável ao caso.(...) A previdência apresentada na documentação das fls. 95 a 97 já havia sido considerada dedutível, conforme relatório fiscal, fl. 53. Para as demais despesas não comprovadas permanece a glosa. Entendemos que a entrega da declaração de isento, sem rendimento, não invalida a possibilidade de dedução do filho Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11065.005214/200808 Acórdão n.º 2801003.515 S2TE01 Fl. 146 3 Igor como dependente, na forma do art. 77 do RIR. Como há menção de pagamentos a Unisinos do filho Igor no ano calendário de 2005 (no relatório fiscal), restabelecemos as despesas com instrução nesse ano. Para os demais anos não há comprovação. 0 contribuinte apresentou vários documentos relativos a despesas médicas, que foram aceitos de acordo com o art. 80 do RIR, discriminados na tabela a seguir, juntamente com a dedução de dependente do filho e despesa com instrução já mencionadas.(...) Diante do que foi exposto, voto no sentido de julgar a impugnação procedente, em parte, cancelando em parte o crédito tributário lançado, com as reduções de imposto explicadas no voto. Cientificado desse decisão em 17 de janeiro de 2012 (AR na folha 131) e inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/02/2012 (fl. 133), onde assim manifesta sua insatisfação: Merece ser reformado o Acórdão ora atacado visto que a DRJ deixou de analisar a totalidade dos argumentos da defesa na impugnação. É imperioso que a instância superior analise os argumentos trazidos pelo contribuinte em sua impugnação apresentada; Repete então quais seriam esses argumentos: a) trata sobre o Fato Gerador do Imposto sobre a Renda, a partir do artigo 146 da CF/88 e artigos 43 e art. 114 do CTN, para concluir que o legislador, ao fixar o campo impositivo do imposto, não poderia estender a hipótese de incidência a casos em que não se verifique aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica sobre acréscimo patrimonial. Trata ainda do artigo 110 do CTN para dizer que a lei tributária não poderia alterar institutos privados na definição de hipóteses de incidência. Apresenta então suas conclusões para o que seriam “acréscimos patrimoniais”. Conclui ainda que o lançamento tributário não diz respeito a omissões de receitas, mas somente a deduções glosadas e que o fiscalizado, no ano calendário de 2006 registrou em sua declaração um decréscimo patrimonial, pois os bens permanecem os mesmos mas suas dívidas cresceram. b) trata sobre o princípio da capacidade contributiva para concluir da mesma forma do item anterior, de que se houve um decréscimo patrimonial registrado, não poderia haver incidência do imposto sobre a renda. Nada toca sobre o mérito da controvérsia, qual seja, a comprovação de despesas declaradas em DIRPF, apresentação de documentos, Regulamento do Imposto de Renda, no qual se fundamentou a decisão recorrida, e etc... Por fim, requer que seja recebido e admitido o presente recurso, para enfim anular inteiramente o Auto de Infração lavrado contra o Recorrente. É o relatório. Voto Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11065.005214/200808 Acórdão n.º 2801003.515 S2TE01 Fl. 147 4 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (.pdf) Preliminarmente, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, conforme já decidido por esta instância em diversas ocasiões, das quais cito, à guisa de exemplo, o seguinte Acórdão: (processo: 14098.000423/200868, Acórdão 2401003.167 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 14 de agosto de 2013) Voto (...) É que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou apreciar, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. Nesse sentido: “O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no Resp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11065.005214/200808 Acórdão n.º 2801003.515 S2TE01 Fl. 148 5 Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados." (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). De forma pragmática e objetiva, tendo expressado opinião sobre as teses aqui relatadas, que também foram postas na Impugnação, o Julgador a quo atevese a analisar a documentação e os fatos à luz da legislação de rege a matéria, muito bem esclarecida, aliás, pelo Relatório Fiscal anexo ao Auto de Infração. Houve inclusive a redução da multa aplicada para 75%, percentual esse previsto em lei. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, estatui que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A peça recursal demonstra que o signatário bem domina os conceitos tributários. Vejamos, então, que o § 1º do artigo 142 do CTN trata o lançamento como ato administrativo plenamente vinculado. Regularmente intimado a comprovar as deduções pleiteadas em suas DIRPF, o contribuinte não o fez e, na Impugnação, a documentação que produziu foi inteiramente analisada pela DRJ, dando provimento naquilo que entendeu cabível e refutando motivadamente o que entendeu em contrário. Disso o contribuinte não recorre ! Concentrase em demonstrar que somente se os rendimentos percebidos, ao final do período de apuração, resultarem em aumento do conjunto patrimonial do contribuinte, seriam alcançados pelo imposto sobre a renda. É de se perquirir então se o pródigo, que gaste tudo o que aufere, sem nada acumular em termos patrimoniais, estaria fora do alcance do imposto? Por outro lado, o comedido poupador, que aufira o mesmo rendimento e o empregue constritamente, com o intuito de acumular patrimônio para o futuro, tem maior capacidade contributiva e deve ser alcançado pelo mesmo imposto? Não que seja o caso do contribuinte recorrente, que narra lamentável situação na missiva dirigida ao Auditor Fiscal, na folha 25, mas nem por equidade se poderia considerála, uma vez que o CTN é expresso em dizer, no artigo 108, § 2º, que de seu emprego não pode resultar na dispensa do pagamento de tributo devido, muito menos quando não há qualquer lacuna na lei a ser sanada, como se objetivará demonstrar. O imposto não incide sobre a acumulação patrimonial, assim entendido o conjunto de bens do contribuinte. Talvez devêssemos ter em nosso ordenamento jurídico Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11065.005214/200808 Acórdão n.º 2801003.515 S2TE01 Fl. 149 6 alguma exação neste sentido, mas o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza não tem o escopo pretendido pelo Recorrente, que insistiu em ler o artigo 43 do CTN do inciso II para o I, e não em ordem inversa. Conforme a Lei nº 7.713/1988, o Imposto sobre a Renda será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos (art. 2º); o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9º a 14 dessa Lei (art. 3º); constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos ...(§ 1º, art. 3º) e a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma ou por qualquer título (§ 4º, art. 3º) Segundo CARRAZZA, que sublinho para destacar: “...renda é a disponibilidade de riqueza nova, havida em dois momentos distintos...é o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte, ao longo de um determinado período de tempo. Ou, ainda, é o resultado positivo de uma subtração que tem, por minuendo, os rendimentos brutos auferidos pelo contribuinte, entre dois marcos temporais, e, por subtraendo, o total das deduções e abatimentos, que a Constituição e as leis que com ela se afinam permitem fazer. (CARRAZZA, Roque Antônio, A natureza meramente interpretativa do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, o imposto de renda, a contribuição previdenciária e as sociedades de serviços profissionais. RDDT 154, jul/2008, p. 109 Apud PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.282) Também, já manifestou o STJ o conceito de renda como contraprestação: “3. O conceito do art. 43 do CTN de renda e proventos, sob o viés de matriz constitucional, contém em si uma conotação de contraprestação, pela atividade exercida pelo contribuinte...” (STJ, 1ª T., Resp 958736/SP, Rel. M. Luiz Fuz, mai/2010) Vejamos ainda: “Chama a atenção no art. 43 do CTN a referência a ‘acréscimo patrimonial’ como elemento comum e nuclear dos conceitos de renda e proventos. Podese dizer, pois, que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade de acréscimo patrimonial produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos (renda) ou de qualquer outra causa (proventos). Notese que se está cuidando, sempre e necessariamente, do “patrimônio material do contribuinte” (STJ, Resp 748868/RS)(sublinhei) Assim, para efeitos da incidência do imposto, renda é o produto do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, como antecedente que ingressa na esfera de disponibilidade do contribuinte. Como ele a emprega, como gasta, se acumula dívidas porque gasta mais do que ganha, ou seja, o conseqüente, depois que teve a renda a sua disposição, não pode ser alegado para alterar a definição legal do fato gerador, como concebido no ordenamento jurídico pátrio. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11065.005214/200808 Acórdão n.º 2801003.515 S2TE01 Fl. 150 7 Bem assinalou o Recorrente, e isso é óbvio nos autos, que não se tributou qualquer omissão de rendimentos, que estão demonstrados nos comprovantes de folhas 114, 115 e 116. A tributação deuse a partir da glosa de deduções (o ‘subtraendo’, como ensina acima Carrazza) que alterou então o valor da base de cálculo do tributo, para mais, ensejando o lançamento suplementar. A eminente Regina Helena Costa, citada pelo Recorrente ao construir sua tese, ensina que “Renda Tributável” é “sempre renda líquida ou lucro, isto é, o resultado de uma série de deduções e abatimentos feitos sobre os rendimentos brutos” e que “proventos” constituem os acréscimos patrimoniais referentes a remunerações da inatividade (aposentadorias e pensões), como indicam ser o caso do Recorrente os comprovantes de rendimentos aqui citados. (in Curso de Direito Tributário, 2ª ed, Saraiva, São Paulo:2012, p. 356) Quanto ao princípio da capacidade contributiva, citado no recurso apenas para chegar ao mesmo ponto que defende o conceito de renda tributável apenas quando o contribuinte acresce o valor do conjunto de seus bens ao final do período de apuração, face ao exposto, entendo desnecessário discorrer, tendo em conta o princípio da eficiência. Também de citar, quando ao cabimento ou aplicabilidade da legislação em vigor, a Súmula CARF nº 2, de observação obrigatória nestes julgamentos administrativos: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Desta feita, não atacando o Acórdão recorrido em relação às deduções ali consideradas especificamente, entendo que deva o mesmo ser mantido na forma como dispôs e, no mais, VOTO por negar provimento ao recurso Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902341/2012-54
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 3803-006.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 23 41 /2 01 2- 54 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902341/201254 Acórdão n.º 3803006.249 S3TE03 Fl. 89 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação em 24 de fevereiro de 2012, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de IPI, no valor de R$ 182.917,87, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, com o seguinte argumento: “Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período.” Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/10/2008 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 7 de outubro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 1º de novembro do mesmo ano e requereu prorrogação do prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório, alegando que o seu departamento fiscal não enviara as declarações retificadoras, sendo essa a razão da existência do presente passivo tributário. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902341/201254 Acórdão n.º 3803006.249 S3TE03 Fl. 90 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir identificados. Diante do acima relatado, constatase que o Recorrente, nesta fase recursal, altera totalmente o seu pedido, não mais pleiteando a homologação da compensação devidamente declarada, conforme fizera na Manifestação de Inconformidade, mas requerendo a dilação de prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório e para produção de provas, em razão de equívoco cometido por seu departamento fiscal, que não providenciara a retificação das DCTFs do período. Notese que a afirmativa do Recorrente de que necessita de mais prazo para apurar adequadamente o efetivo direito creditório denota, inequivocamente, que as informações constantes da Declaração de Compensação foram repassadas de forma inadvertida, sem lastro na escrituração contábilfiscal, pois, do contrário, nada haveria a ser apurado, mas apenas informado no bojo deste processo. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902341/201254 Acórdão n.º 3803006.249 S3TE03 Fl. 91 4 De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo a inovação ser afastada por se referir a matéria não exposta no momento processual devido. Além disso, mesmo que preclusão não houvesse, o interessado não trouxe aos autos nem mesmo um início de prova, tendo a instrução se dado apenas com documentos societários, nada tendo sido dito acerca da natureza do indébito utilizado em compensação. Não se pode perder de vista que a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988) ou o dever de comprovação dos fatos alegados (art. 16, inciso III, e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), não cabendo no Processo Administrativo Fiscal (PAF) a requisição de prorrogação de prazos fixados na legislação processual tributária. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19723, que regula o PAF, aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o 3 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902341/201254 Acórdão n.º 3803006.249 S3TE03 Fl. 92 5 ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Nesse contexto, por inovação dos argumentos de defesa, associada à ausência de qualquer elemento de prova do crédito reclamado, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000013/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3301-000.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência de julgamento em favor da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente temporariamente o conselheiro Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência de julgamento em favor da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente temporariamente o conselheiro Bernardo Motta Moreira.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência de julgamento em favor da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente temporariamente o conselheiro Bernardo Motta Moreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 01 3/ 20 09 -5 7 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10925.000013/200957 Resolução nº 3301000.182 S3C3T1 Fl. 216 2 RELATÓRIO Por economia processual transcrevo parte do relatório elaborado pela DRJ/Ribeirão PretoSP por ocasião do julgamento em primeira instância: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 1 a 35, relativo aos anos calendários de 2003, 2004, 2005, 2006 e 1' e 2° trimestres de 2007, que se prestaram a exigir a Contribuição para o PIS, no valor de 8.958,95 (fl. 2), acrescidos de juros de mora e multa de oficio de 150%, totalizando crédito tributário de R$ 26.267,30 (fl. 2). A base legal que amparou a constituição do crédito tributário achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Conforme descrição dos fatos de fl. 4 e Relatório Fiscal do Auto de Infração de fls. 22/36, o presente processo decorre de exclusão do Simples Federal (processo 10925.002073/200823), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como, que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado o PIS relativo a falta de recolhimento/declaração. Juntamente com o presente procedimento, também foi constituído processo de exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizado sob os números 10925.002073/200823 e 10925.002252/200861, bem como os lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IPI e Contribuições Previdenciárias, decorrentes da exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizados sob os números 10925.000011/200968, 10925.000012/200911, 10925.000014/200900, 10925.000015/200946, 10925.000016/200991, 10925.000017/200935, 10925.000018/200980, 10925.000019/200924, 10925.000020/200959, 10925.000021/200901, 10925.000022/200948, 10925.000023/200992, 10925.000024/200937, 10925.000025/200981, 10925.000026/200926, 10925.000027/200971, 10925.000028/200915, 10925.000029/200960, 10925.000031/200939. Conforme relatório fiscal a empresa em epígrafe faz parte de um grupo empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal grupo, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de tributação. (...) O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento que foi julgada improcedente pela DRJ/Ribeirão Preto que proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário : 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10925.000013/200957 Resolução nº 3301000.182 S3C3T1 Fl. 217 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; devendo, se tidas a seu favor, ser apresentadas sob forma de declaração escrita, já com a impugnação. IMPUGNAÇÃO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação posterior de documentos, pois a prova documental será apresentada na impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário. É o relatório do que interessa. VOTO Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais de admissibilidade. O presente processo discute o lançamento da contribuição ao PIS em decorrência da exclusão do contribuinte do SIMPLES. Como citado no relatório os processos de exclusão estão controlados pelos processos administrativos nº 10.925.002073/200823 e 10925.002252/200861, que conforme pesquisa no sistema eprocesso, estão pendentes de distribuição no CARF. Entendo que este processo tem conexão de dependência em relação aos processos de exclusão do SIMPLES, cuja competência de julgamento pertence à 1ª Seção de Julgamento nos termos dos incisos IV e V do art. 2º do Anexo II, Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, abaixo transcrito: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10925.000013/200957 Resolução nº 3301000.182 S3C3T1 Fl. 218 4 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); (...) Em face do exposto, voto em não conhecer do recurso, declinando competência para a 1ª Seção de Julgamento do CARF, para onde o processo deve ser encaminhado para julgamento. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 18/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000445/2008-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/06/2007
NORMAS GERAIS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, as antigas em comparação com as determinadas pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 30/06/2007 NORMAS GERAIS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, as antigas em comparação com as determinadas pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, as antigas em comparação com as determinadas pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 04 45 /2 00 8- 39 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10865.000445/200839 Acórdão n.º 9202003.200 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), contra acórdão que decidiu dar provimento parcial a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE DA NFLD. NÃO OCORRÊNCIA. ALUGUEL PAGO AO PRESIDENTE DO SINDICATO. MULTA DE MORA. Não há que se falar em nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, quando não houver qualquer tipo de vício. Carece de previsão legal a não inclusão dos valores pagos a título de salário de contribuição. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Esclarecendo, o litígio em questão versa sobre a forma de aplicação da retroatividade benigna, determinada pelo Art. 106 do CTN. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que há divergência na interpretação da legislação, expressa pelo acórdão paradigma, e que deve ser dado total provimento a seu recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35 A da Lei nº 8.212/91. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida está perfeita e deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10865.000445/200839 Acórdão n.º 9202003.200 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Na análise do processo, verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com a decisão a quo a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10865.000445/200839 Acórdão n.º 9202003.200 CSRFT2 Fl. 5 7 competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamentos de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 251DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multas em lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter determinado a comparação entre as penalidades que poderia sofrer o sujeito passivo antes da alteração legislativa (multas em lançamentos de ofício, em descumprimento de obrigações acessórias e principais) com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício, em descumprimento de obrigações acessórias e principais). Fl. 252DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10865.000445/200839 Acórdão n.º 9202003.200 CSRFT2 Fl. 6 9 Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas, e dou provimento ao recurso nos termos solicitados. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 253DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10425.720035/2010-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2005 a 30/06/2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2005 a 30/06/2005 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 30/06/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 00 35 /2 01 0- 10 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) em que utiliza crédito decorrente de ressarcimento de Cofins apurada no regime não cumulativo, cujo saldo corresponde ao segundo trimestre de 2005. Despacho Decisório do DRF/Campina Grande/PB indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720035/201010 Acórdão n.º 3803006.157 S3TE03 Fl. 213 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 30/06/2005 ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. O valor incidente a título de ICMS, que compõe o preço da mercadoria, integra a base de cálculo da Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 13 de agosto 2012 irresignada, apresentou recurso voluntário em 24 de agosto de 2012, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720035/201010 Acórdão n.º 3803006.157 S3TE03 Fl. 214 5 que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720035/201010 Acórdão n.º 3803006.157 S3TE03 Fl. 215 7 Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal tem como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 218DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911127/2012-70
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 27 /2 01 2- 70 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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