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Numero do processo: 13896.001654/2004-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 200.3
SIMPLES - EXCLUSÃO - CONSERTO, MANUTENÇÃO, RESTAURAÇÃO E
CONSERVAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS - EXERCÍCIO DE
ATIVIDADE ASSEMELHADA À DE ENGENHEIRO - NECESSIDADE DE
COMPROVAÇÃO.
A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 90 da Lei 9317, de 1996 se aplica à pessoa jurídica que, comprovadamente, desempenhe atividades que dependam de habilitação profissional legalmente exigida.
O exercício de atividade assemelhada à de engenheiro deve ser comprovada à luz de documentos que demonstrem, inequivocamente, se tratar de ocupação com o mesmo grau de complexidade e exigência curricular, Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídica do Simples quando exclusivamente motivada na descrição do objeto social da empresa de prestação de serviços de conserto, manutenção, restauração e conservação de máquinas e equipamentos industriais.
Numero da decisão: 1402-000.143
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 200.3 SIMPLES - EXCLUSÃO - CONSERTO, MANUTENÇÃO, RESTAURAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS - EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ASSEMELHADA À DE ENGENHEIRO - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 90 da Lei 9317, de 1996 se aplica à pessoa jurídica que, comprovadamente, desempenhe atividades que dependam de habilitação profissional legalmente exigida. O exercício de atividade assemelhada à de engenheiro deve ser comprovada à luz de documentos que demonstrem, inequivocamente, se tratar de ocupação com o mesmo grau de complexidade e exigência curricular, Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídica do Simples quando exclusivamente motivada na descrição do objeto social da empresa de prestação de serviços de conserto, manutenção, restauração e conservação de máquinas e equipamentos industriais.
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A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9 0 da Lei 9317, de 1996 se aplica à pessoa jurídica que, comprovadamente, desempenhe atividades que dependam de habilitação profissional legalmente exigida. O exercício de atividade assemelhada à de engenheiro deve ser comprovada à luz de documentos que demonstrem, inequivocamente, se tratar de ocupação com o mesmo grau de complexidade e exigência curricular, Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídica do Simples quando exclusivamente motivada na descrição do objeto social da empresa de prestação de serviços de conserto, manutenção, restauração e conservação de máquinas e equipamentos industriais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, ( c-,.., ALBERTINA SILV SLTOS E LIMA - Presidente 1 4. FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator EDITADO EM: f' A fu é_ U 1 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar André Ricardo Lemes da Silva, Roberto Arrnond Ferreira da Silva e Adriana Giuntini Viana. Relatório Foriatee Manutenção Industrial Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1' Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto n" 70.235 de 1972 (PAF), Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbisf "1. Cuida-se de Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS), sem apreciação de mérito por parte da DRF origem, certo que, na hipótese, entendeu-se que o Contribuinte discutia questão exclusivamente de direito (fl. 22) 2. Na indigitada SRS (fls. 01/03), então, ponderava o Contribuinte que: (1) prescindiria do domínio de conhecimento técnico-científico próprio de profissional de engenharia; e (2) já teria a SRF já aceitado sua inclusão no Simples desde o pleito original de adesão, 3. Em tempo, o Ato Declaratório Executivo (ADE) que excluíra o Contribuinte do Simples foi sumariamente motivado nos termos seguintes: "atividade econômica vedada: 2969-6/02 Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso específico" (fi. 04)." A DRJ proferiu em 09/03/2007 o Acórdão n" 16.552 (fls. 25-30), que traz as seguintes ementas: "CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES O exercício de atividade que pressupâe o domínio de conhecimento técnico-científico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. DIREITO ADQUIRIDO O ingresso ou a permanência no Simples é sifteação precária, diga-se, sempre sujeita à reapreciação satisfaçâo dos requisitos exigidos em Lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela SRF Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 02/12/2008 (A.R. de fl. 32), a recorrente interpôs recurso voluntário em 22/12/2008 (fls. 34-40) onde alega o que se segue: o que exerce atividades de conserto, manutenção, restauração e conservação de máquinas e equipamentos industriais, as quais não exige dos seus sócios ou dos seus empregados qualquer tipo de qualificação profissional legalmente regulamentada, mormente de engenheiro. / 2 Processo 00 1.3896.001654/2004-05 Si-C4T2 Acórdão 1402-00,143 Fi 52 ("< ' • tais atividades exigem a profissão de mecânico de máquinas e equipamentos industriais, que pode ser exercida livremente por qualquer pessoa, pois é, na verdade, um oficio que se aprende na prática. • dessa forma, não há qualquer preceito legal que torne exigível qualquer procedimento de registro prévio para o exercício da referida profissão, que muito se assemelha à de mecânico de veículos, razão pela qual jamais o órgão de registro profissional dos engenheiros - CREA - formulou qualquer exigência para registro de mecânicos de automóveis ou de manutenção industrial, como se fossem engenheiros. • a recorrente se presta, exclusivamente, a limpar fomos, tubulações, coifas, chaminés, engraxar, e tudo o mais que se fizer necessário dentro da área da manutenção. • não compreende, no âmbito de seus serviços, qualquer processo de engenharia que justificasse os argumentos utilizados pela Receita Federal para excluir-la do regime especial do SIMPLES. e entende que pode optar pelo SIMPLES em face de não haver vedação expressa para as atividades de conserto, manutenção, restauração e conservação de máquinas e equipamentos industriais nos termos do art. 90, §40, da Lei 9,317. e propugna, por fim, pelo cancelamento do Ato Declaratório Executivo n° 567.900, de 02/08/2004, que a excluiu do Simples. É o relatório. Voto Conselheiro FREDERICO AUGUSTO DE ALENCAR, Relatar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve ser conhecido por esta Câmara. No presente processo é discutida a possibilidade de permanência da recorrente no SIMPLES, tendo em vista que a autoridade fiscal, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) de fls. 04, a excluíra por exercício de atividade econômica supostamente vedada, código CNAE 2969-6/02, "Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico", por ser própria de profissional de engenharia. Sobre o tema, bem decidiu o Conselheiro Tarásio Borges, nos autos do Recurso 134,176, em outubro de 2006, razões que utilizo pata suportar o entendimento aqui esposado, de que a atividade realizada pela recorrente não é específica de engenheiro: "Aduz a ora recorrente que a prestação de serviços de reparação e manutenção de válvulas industriais era uma das atividades do seu escopo societário e contesta a interpretação dada pela Secretaria da Receita Federal à vedação imposta pela lei que instituiu o Simples, 3 Faz-se mister, portanto, conhecer a exegese da vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 90 da Lei 9 317, de 5 de dezembro de 1996, sem olvidar de dois importantes preceitos constitucionais: a limitação ao poder de tributar, imposta pelo artigo 150, inciso II, que veda a instituição da desigualdade tributária; e o princípio geral da atividade econômica enunciado no artigo 179. Para facilitar o raciocínio, trago à baila trechos das normas jurídicas mencionadas no parágrafo imediatamente precedente: Lei 9,317, de 1996: Art. 9' Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII - que preste serviços profissionais de [,. ], engenheiro, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; 2 Então equiparado à prestação de serviços na área de engenharia (inciso XIII do artigo 9' da Lei 9317, de 5 de dezembro de 1996). 3 Cláusula terceira do contrato social consolidado acostado às folhas 53 a 55, por fotocópia. Constituição Federal: Art, 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; ..... ........ ....... ....... Art. 179 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei, Admitir que o inciso XIII do artigo 9' da Lei 9,317, de 1996, equipara todas as pessoas jurídicas que têm entre suas atividades a prestação de serviços de reparação e manutenção de válvulas industriais aos serviços profissionais do engenheiro e veda àquelas a possibilidade de optar pelo Simples, é outorgar à lei ordinária hierarquia superior à Carta Magna,v 4 Processo n" 13896.001654/2004-05 S1-C4T2 Acórdão n ° 1402-011,143 PI 53 porquanto essa interpretação contradiz tanto o artigo 150, inciso II, quanto o artigo 179 supra transcritos. Digo isso porque da leitura integrada que faço dos citados dispositivos constitucionais, entendo prescrito tratamento diferenciado tanto para as microempresas quanto para as empresas de pequeno porte, reservada à lei a definição de microempresa e de empresa de pequeno porte, visto que o próprio texto constitucional veda expressamente a possibilidade de instituição da desigualdade entre contribuintes de situação equivalente. Logo, concluo que a vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Por outro lado, entendo pertinente a vedação nos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no inciso XIII do artigo 9'. No caso concreto, a constituição da pessoa jurídica por empreendedores que agregam meios de produção para explorar determinada atividade econômica é fato não controvertido. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário," Ademais, o exercício de atividade própria de engenheiro deve ser demonstrado nos autos com documentos que indiquem, inequivocamente, tratar-se de ocupação com mesmo grau de complexidade e exigência curricular. É o que se extrai do entendimento, com o qual comungo, esposado no Acórdão CSRF/03-05057, de 06/11/2006, verbis: SIMPLES — Exclusão - exercício de atividade assemelhada à de engenheiro deve ser comprovada à luz de documentos que mostrem, inequivocamente, tratar-se de ocupação com o mesmo grau de complexidade e exigência curricular No caso concreto, o que se percebe é que a ilação feita pela autoridade fiscal - de que a recorrente exerce atividade própria de profissional de engenharia - decorreu exclusivamente da descrição de seu objeto social - a prestação de serviços de conserto, manutenção, restauração e conservação de máquinas e equipamentos industriais -. Não há nos autos qualquer prova de que a empresa praticara, efetivamente, atividade específica de engenheiro. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto. 4(7 FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo ri° : 13896.001654/2004-05 Acórdão n° : 1402-00.143 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, D •,r, ) 0 /.1p Lbliao ffig'Sks‘')atekourigueP- secAetYria da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.. gffik, MINISTÉRIO DA FAZENDA `4 14.W7 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Processo n° 13896,001654/2004-05 Interessado(a) FORJATEC MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA. TERMO DE JUNTADA a Seção Declaro que juntei aos autos original do acórdão n° 1401-00 143, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão. Em / / ASSINATURA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002432/2005-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002.
Numero da decisão: 1002-000.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1433; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 23 1 22 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.002432/200521 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.080 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 8 de março de 2018 Matéria Penalidade Multa por Atraso na Entrega de Declaração DCTF. Processo Administrativo Fiscal. Denúncia Espontânea. Recorrente PINHEIRO NOGUEIRA REPRES COMER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 24 32 /2 00 5- 21 Fl. 24DF CARF MF 2 Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (fl. 18) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (fls. 11/14), datada de 27/03/2008, consubstanciada no Acórdão n.º 0617.411, da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 3.º Trimestre do Ano Calendário 2003 (fl. 05), deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente (fl. 01), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea é inaplicável às obrigações acessórias autônomas, quais sejam, aquelas sem qualquer vinculo direto com o fato gerador do tributo. Lançamento Procedente O auto de infração em espécie foi lavrado em 10/06/2005, na DRF Londrina, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 4.º combinado com o art. 2.º da Instrução Normativa SRF n.º 73, de 1996; art. 2.º e art. 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da MP n.º 16/01 convertido na Lei n.º 10.426, de 24/04/2002. Demonstrativo: 3.º Trimestre/2003, Multa Mínima R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, além de reiterar os termos da impugnação, contraargumentou que a decisão não analisou critérios de justiça, não se pretendeu discutir o teor do art. 7.º da IN SRF n.º 255, de 2002, mas sim o fato de punir "um equívoco de dois dias da mesma maneira que pune uma omissão por muito mais tempo de atraso, sendo que enquanto o fisco não notificar o contribuinte ele tem o direito da redução da multa. O que nossa empresa quer que seja analisado é que a punição por dois dias de atraso não seja igual à de um ano de atraso". Argumenta, ainda, que a multa é maior que o próprio imposto e que a lei prevê o direito de impugnar, embora ceife o benefício da redução da multa quando se exerce a defesa. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. Fl. 25DF CARF MF Processo nº 10930.002432/200521 Acórdão n.º 1002000.080 S1C0T2 Fl. 24 3 É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal (fls. 02/04, 18 e 20) e apresentase tempestivo (fls. 17 e 18, 22), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. É que não se discute nos autos a apresentação extemporânea da DCTF, nem se desincumbiu a recorrente de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo de tal obrigação. Pretendeu, unicamente, atacar a justiça da decisão. Sustentou a recorrente, em suma, que não se conforma com a justiça da decisão recorrida, pois a multa é elevada para apenas dois dias de atraso e seria injusto perder o direito do benefício da redução da multa ao se exercer o direito de recorrer. Vêse que a recorrente pretende discutir a constitucionalidade da sanção que lhe foi imputada por meio do lançamento veiculado no auto de infração e o regime jurídico em torno da multa e do benefício da redução, no entanto não é possível acolher quaisquer das matérias por expressa vedação sumular deste Conselho, dispondo a Súmula CARF n.º 2 que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Conforme se observa, a multa foi aplicada de acordo com a legislação em vigor. Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 1942. Dito isto, asseverese que o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelecia a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar (...), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), (...), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarse á às seguintes multas: (...) Fl. 26DF CARF MF 4 § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. Neste contexto, temse que o fundamento de validade constante do auto de infração (Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 CTN; e art. 7.º da MP n.º 16/01 convertido na Lei n.º 10.426, de 24/04/2002) apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. Deveras, constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Fl. 27DF CARF MF Processo nº 10930.002432/200521 Acórdão n.º 1002000.080 S1C0T2 Fl. 25 5 Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: Fl. 28DF CARF MF 6 TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10930.002432/200521 Acórdão n.º 1002000.080 S1C0T2 Fl. 26 7 Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... O dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Destaco, por fim, quanto a entrega extemporânea de declaração, que este Conselho já possui enunciado sumular, nestes termos: "Súmula CARF n.º 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 30DF CARF MF 8 Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão vergastada e o crédito tributário lançado na forma constante do auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 31DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.001434/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício:2008 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
Numero da decisão: 1402-000.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Fl. 57DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001434/201031 Acórdão n.º 140200.640 S1C4T2 Fl. 53 2 Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001434/201031 Acórdão n.º 140200.640 S1C4T2 Fl. 54 3 Relatório SC Transporte e Construções Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 13) expedida para aplicação de multa pelo atraso na entrega do Dacon referente a novembro de 2008, no valor de R$ 4.447,82, com redução para R$ 2.223,91 em virtude da entrega espontânea. Inexistindo no processo comprovante da ciência da Notificação, considerase tempestiva a impugnação de fls. 01/12, na qual a empresa traz, em síntese, os seguintes argumentos: a) Inexistem motivos para a aplicação da multa e da multa de mora, uma vez que a denúncia espontânea é o reconhecimento do erro, cabendo apenas o recolhimento do valor devido com juros; b) Reclama da falta de oportunidade do contribuinte valerse do contraditório e da ampla defesa, sugerindo a utilização de um "processo administrativo sancionador", citando como exemplo o que ocorreria na Espanha; c) Aponta ilegalidade na multa fixada, por caracterizar confisco, além de ferir uma série de outros princípios constitucionais; d) Defende que é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 19.326 (fls. 2426) de 28/09/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “DACON. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa pelo atraso na entrega do Dacon objetiva compensar o sujeito ativo pelo prejuízo causado em virtude de descumprimento de uma obrigação que lhe é devida, não sendo Fl. 59DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001434/201031 Acórdão n.º 140200.640 S1C4T2 Fl. 55 4 alcançada pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/01/2011 (A.R. de fl. 29), a interessada interpôs recurso voluntário em 14/02/2011 (fls. 3040) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade De início, no que tange às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade apresentadas, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que não cabe a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) apreciar questões de ordem constitucional ou de legalidade de leis vigentes em nosso ordenamento jurídico. Tal entendimento é, inclusive, objeto da súmula nº 2 deste Conselho, publicada no DOU de 22/12/2009, a seguir transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Deixase, pois, de se pronunciar quanto ao argumento trazido nesse ponto. Da denúncia espontânea Quanto a esse ponto, há que se esclarecer que o pressuposto lógico da denúncia espontânea é a declaração de fato desconhecido pela autoridade, o que não ocorre na entrega intempestiva do Dacon, vez que o atraso se torna conhecido pelo simples decurso do prazo fixado para a seu entrega. Ademais, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está explicitamente prevista no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, pelo que não há que se questionar a sua validade. Por fim, ressaltese ser essa, tal qual a anterior, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Descabido, pois, o recurso quanto a esse tópico. Do direito ao contraditório e à ampla defesa Por bem representar o entendimento sobre esse ponto, peço vênia para transcrever a decisão de primeira instância, no que atine ao direito ao contraditório e à ampla defesa da recorrente. “Cabe esclarecer que a fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação tempestiva , conforme art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: Fl. 60DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001434/201031 Acórdão n.º 140200.640 S1C4T2 Fl. 56 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Os princípios do contraditório e da ampla defesa estão garantidos aos litigantes, tanto no processo administrativo, quanto no judicial. No processo administrativo, o litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal, por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase de atuação exclusiva as autoridade tributária, na qual os agentes da Administração Tributária. Imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias e obtém elementos que demonstrem a ocorrência do fato gerador. Assim, a primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária. Nesta fase, de caráter inquisitorial, o contribuinte tem uma participação de natureza passiva. Devendo cooperar e atender à fiscalização quando solicitado, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Logo, antes da impugnação. não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito de oficio, pelo Fisco. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. A partir da lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, na hipótese de discordar da exigência, é que o contribuinte, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário, apresentando sua impugnação. o que, in casu, assim procedeu o litigante ao impugnar com os documentos de fls. 1/12.” Mérito Conforme já mencionado, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconómicoFiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, Fl. 61DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001434/201031 Acórdão n.º 140200.640 S1C4T2 Fl. 57 6 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação ,d a lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I RS 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II RS 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifouse) Ex positis, tendo em vista que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) foi entregue após o prazo previsto pela legislação tributária, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001434/201031 Acórdão n.º 140200.640 S1C4T2 Fl. 58 7 Fl. 63DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10735.900003/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 00 00 3/ 20 11 -7 5 Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10735.900003/201175 Resolução nº 1302000.553 S1C3T2 Fl. 505 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1241.827, proferido pela DRJRJOI, em 27/10/2011, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório da DRFNova Iguaçu/RJ que indeferiu parcialmente o Pedido de Compensação de Saldo Negativo de IRPJ, efetuado através dos PER/Dcomp nº 27250.09320.270406.1.3.023941, 02351.15541.080506.1.3.021009 e 24296.43808.120506.1.3.020699, por meio dos quais a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao 3º trimestre de 2005 com débitos neles declarados. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. IRRF. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRRF que não tenha sido informado em DIRF e, ainda, que não seja confirmado por comprovante de retenção. IRRF. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. Somente é possível a dedução do IRRF devidamente retido e recolhido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura o lucro real quando restar devidamente comprovada a tributação da receita correspondente. Cientificada do acórdão recorrido em 17/05/2012, a recorrente apresentou recurso voluntário em 14/06/2012, no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões recursais; i. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRFs e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; ii. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10735.900003/201175 Resolução nº 1302000.553 S1C3T2 Fl. 506 3 iii. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; iv.a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; v. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; vi. não era condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; vii. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; viii. o art. 923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; ix. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; x. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Juntou ao recurso voluntário a respectiva DIPJ. É o relatório. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10735.900003/201175 Resolução nº 1302000.553 S1C3T2 Fl. 507 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machadoc Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim dele conheço. A controvérsia instaurada gira em torno da comprovação de IRRF retido pelas fontes pagadoras, no montante informado pela recorrente em suas PER/Dcomp's, que compõe o saldo negativo de IRPJ pleiteado para utilização nas compensações declaradas. A autoridade administrativa que analisou o pleito entendeu que, no cotejo entre os valores informados pela contribuinte e as informações prestadas pelas fontes pagadoras em suas DIRF's, restou confirmado o montante retido de R$ 880.844,92, de um total pleiteado de R$ 1.055.638,05, o que reduziu o saldo negativo apurado e declarado pela contribuinte de R$ 1.006.406,29 para 831.613,16. A recorrente apresentou junto com sua manifestação de inconformidade, além das notas fiscais emitidas com destaque dos tributos retidos na fonte (Anexo C fls. 94/335), diversas planilhas de controle que demonstram individualizadamente as retenções sofridas em cada operação e a data de recebimento de cada fatura de serviços (Anexo A fls. 76/82, Anexo B fls. 77/92). Além disso, verificase nas notas fiscais anexadas o valor líquido de cada operação e, em grande parte delas, os dados bancários para o pagamento das faturas. Embora a recorrente não tenha trazido aos autos os documentos previstos nas instruções normativas instituídas pela administração tributária federal, apresenta outros elementos, de forma sistematizada, que servem ao menos como início de prova a favor do sujeito passivo. Especialmente, levandose em consideração que grande parte delas, foi confirmada pela própria RFB por meio das DIRFs disponíveis no sistema. É fato que o contribuinte para ter direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período deve apresentar o comprovante de retenção,emitido em seu nome pela fonte pagadora, conforme o disposto no art.55 da Lei nº 7.450/1985, verbis: Art 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Todavia, essa exigência tem sido relativizada nas hipóteses em que o contribuinte não tenha recebido esse comprovante e/ou não tenha como obtêlo, desde que consiga fazer prova, por outros meios ao seu dispor, de que efetivamente sofreu as retenções que alega,conforme a jurisprudência deste CARF, verbis: Acórdão nº 130100.769, de 24/11/2011– 3ª Câmara/1ªTO Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10735.900003/201175 Resolução nº 1302000.553 S1C3T2 Fl. 508 5 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS.AUSÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. VALORES CONSTANTES DA DIRF. O contribuinte tem direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período. Para tanto, deve apresentar o comprovante de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras, ou fazer prova da efetividade das retenções mediante quaisquer outros meios ao seu alcance. Em assim não sendo,correta a decisão de primeira instância que considerou comprovados apenas os valores declarados pelas fontes pagadoras em DIRF. Acórdão nº 130200.945 – 05/07/2012 3ª Câmara/2ªTO IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito à dedução do imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração,ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. No caso em apreço, entendo que, embora não estejam devidamente comprovadas as retenções existem fortes indícios de sua ocorrência e, tendo em conta os princípios da razoabilidade e da verdade material, que é justificável a conversão do julgamento em diligência com vistas a permitir à recorrente a apresentação de elementos complementares que demonstrem a efetividade das operações. Com efeito, tem razão a recorrente quando aponta que não pode ser responsabilizada pela falta ou incorreção de informações nas DIRF's pelas fontes pagadoras, ou mesmo, pela falta de recolhimento dos tributo retidos, se comprovados por outros meios que efetivamente ocorreu a retenção. Conforme acima destacado, a recorrente apresentou a cópia de cada nota fiscal/fatura contendo os valores brutos e líquidos de cada operação e informou a data do recebimento de cada uma delas e, ainda, em muitos casos, a própria informação dos dados bancários para recebimento das faturas. Assim, entendo que é perfeitamente possível que esta possa identificar e comprovar o recebimento dos valores de cada operação pelos seus montantes líquidos, a denotar a efetividade da retenção dos tributos pelas fontes pagadoras. Tais comprovações podem ser feitas mediante extratos ou avisos bancários e ainda pelos registros contábeis dos respectivos recebimentos nos livros Diário/Razão. E, ainda, que a própria fiscalização possa intimar as fontes pagadoras a confirmar as operações e respectivas retenções na fonte. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10735.900003/201175 Resolução nº 1302000.553 S1C3T2 Fl. 509 6 Noutro giro, é possível até mesmo que, tendo decorrido um prazo razoável entre a data de prolação do despacho decisório e a interposição do presente recurso, que as próprias fontes pagadoras tenham apresentados DIRF's retificadoras, que possam comprovar total ou parcialmente os valores anteriormente glosados. Assim, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligências, encaminhandose os autos à unidade preparadora para que: a) seja designada autoridade fiscal competente para: a.1) intimar a interessada a apresentar a comprovação do recebimento dos valores informados nas notas fiscais (conforme as planilhas por ele apresentadas Anexos A, B e C da manifestação de inconformidade) pelos valores líquidos dos tributos retidos, mediante a apresentação de extratos ou avisos bancários respectivos (quando for o caso) e dos respectivos registros contábeis (livros Diário e/ou Razão) nas contas pertinentes; a.2) intimar, se necessário, as fontes pagadoras a confirmar a retenção dos valores que deixaram de ser reconhecidos, em face da ausência de informação em Dirf e da ausência de Comprovantes de Rendimentos; a.3) efetuar outras averiguações que julgar convenientes, inclusive nos sistemas da RFB, com vistas a identificar o montante efetivo de imposto retido pelas fontes pagadoras à contribuinte, no período ora examinado; a.4) elaborar relatório circunstanciado, detalhando as apurações realizadas e informando os novos valores que tenham sido comprovados pela contribuinte ou pelas fontes pagadoras, indicando o saldo adicional passível de reconhecimento, se for o caso. a.5) dar ciência do relatório à interessada para que esta, querendo, se manifeste sobre suas conclusões no prazo de 30 (dias), findo o qual o processo deve retornar a este colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 509DF CARF MF
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Numero do processo: 12268.000200/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1991 a 31/01/1999
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. ÓRGÃOS E ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA. INCIDÊNCIA.
A partir da Lei nº 9.032/1995, os órgãos e entidades da Administração Pública passaram a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mão-de-obra contratado para a execução de serviços mediante cessão de mão-de-obra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/1991.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. SOLIDARIEDADE. CONSTATAÇÃO.
Sob a vigência do art. 31 da Lei nº 8.212/1991, em sua redação original ou na redação dada pela Lei nº 9.528/1997, constatada a prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra, a contratante responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, não se lhe aplicando o benefício de ordem.
A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura.
É dever do cessionário de mão-de-obra exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento.
DESCRIÇÃO SATISFATÓRIA DOS FATOS. OFENSA AO ART. 37 DA LEI 8.212/91. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando o lançamento revestido de todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária e restando demonstrada a ocorrência do fato gerador da exação, definidos a base de cálculo e o montante do tributo devido, identificado adequadamente o sujeito passivo e indicados os fatos e os fundamentos jurídicos que motivaram o lançamento, não há que se falar em nulidade da autuação ou cerceamento de defesa.
RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
Excetuadas as hipóteses expressamente previstas em lei, as irregularidades, incorreções e omissões serão sanadas no curso do processo administrativo quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
As provas de que dispuser o sujeito passivo devem ser apresentadas na fase impugnatória, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas na norma que rege o processo administrativo fiscal em âmbito federal.
REALIZAÇÃO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Numero da decisão: 2402-006.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir os pedidos para a produção de novas provas e realização de perícia ou diligência, afastar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Declarou-se impedido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ÓRGÃOS E ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA. INCIDÊNCIA. A partir da Lei nº 9.032/1995, os órgãos e entidades da Administração Pública passaram a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/1991. CESSÃO DE MÃODEOBRA. SOLIDARIEDADE. CONSTATAÇÃO. Sob a vigência do art. 31 da Lei nº 8.212/1991, em sua redação original ou na redação dada pela Lei nº 9.528/1997, constatada a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, a contratante responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, não se lhe aplicando o benefício de ordem. A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. É dever do cessionário de mãodeobra exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. DESCRIÇÃO SATISFATÓRIA DOS FATOS. OFENSA AO ART. 37 DA LEI 8.212/91. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando o lançamento revestido de todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária e restando demonstrada a ocorrência do fato gerador da exação, definidos a base de cálculo e o montante do tributo devido, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 02 00 /2 00 9- 57 Fl. 29118DF CARF MF 2 identificado adequadamente o sujeito passivo e indicados os fatos e os fundamentos jurídicos que motivaram o lançamento, não há que se falar em nulidade da autuação ou cerceamento de defesa. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Excetuadas as hipóteses expressamente previstas em lei, as irregularidades, incorreções e omissões serão sanadas no curso do processo administrativo quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas de que dispuser o sujeito passivo devem ser apresentadas na fase impugnatória, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas na norma que rege o processo administrativo fiscal em âmbito federal. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir os pedidos para a produção de novas provas e realização de perícia ou diligência, afastar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Declarouse impedido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 29119DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0625.762 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA) que julgou procedente em parte Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada sob o Debcad nº 35.273.8715, para a apuração de contribuições sociais previdenciárias relativas às competências 11/1991 a 01/1999, contra a contribuinte em epígrafe, na condição de responsável solidária, em razão da contratação de serviços mediante cessão de mão de obra. De modo a facilitar a análise da demanda, consignase abaixo as páginas dos principais documentos que integram o presente processo: a) Notificação Fiscal de Lançamento – NFLD e seus anexos: Instrução para o Contribuinte (IPC), Discriminativo Analítico de Débito – DAD, Discriminativo Sintético do Débito – DSD, Fundamentos Legais do Débito – FLD, Relação de Coresponsáveis – Corresp (fls. 4/44); b) Relatório Fiscal (fls. 49/52); c) Impugnação (fls. 320/377); d) requerimento de Diligência Fiscal demandada pelo Serviço de Análise de Defesas e Recursos ADREC (fls. 28674/28677); e) petição da recorrente acerca da Súmula Vinculante do STF nº 8 (fls. 28678/28681); f) DespachoDecisório nº 071/2009 da Equipe de Contencioso Previdenciário que reconhece a decadência do lançamento em relação à competências 08/1991 a 04/1996 em razão da edição da Súmula Vinculante do STF nº 8 (fls. 28685/28687); g) Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR (fls. 28689/28700); h) Relatório Fiscal de Diligência (DRF/CTASEFIS/EQPREV) elaborado em razão de demanda do contencioso administrativo (28704/28989) i) manifestação da recorrente acerca do relatório de Diligência Fiscal (fls. 28992/29006); e j) Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR (fls. 2909/29013); j) Acórdão nº 0625.762 da 5ª Turma da DRJ/CTA (fls. 29014/29043); e k) Recurso Voluntário (fls. 29049/29104). Por bem retratar os fatos ocorridos até a manifestação da empresa em razão do Relatório Fiscal de Diligência confeccionado por virtude de demanda do Serviço de Análise de Defesas e Recursos ADREC, reproduzse o relatório do Acórdão n° 0625.762 (29014/29043) da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – DRJ/CTA: Sobre o lançamento, informa a Fiscalização: [...] Fl. 29120DF CARF MF 4 2 Fato Gerador: O fato gerador da contribuição previdenciária apurada através desta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito referese ao pagamento de remuneração aos empregados das empresas prestadoras de serviço relacionadas no Anexo I deste relatório, contratadas pela Notificada para prestação de serviço. A empresa foi cientificada da NFLD em 01/06/2001. Em 18/06/2001, ingressou com defesa alegando, em síntese, o que segue: Natureza dos contratos – Sociedade de economia mista Argúi que o débito da NFLD não pode ser imputado à Impugnante porque todos os contratos que deram origem à notificação são contratos administrativos, submetidos a regime próprio e excludente de qualquer responsabilidade. A Impugnante revestese da forma de sociedade de economia mista, tratando se de empresa integrante da Administração Pública Indireta do Estado do Paraná, cuja personalidade é de direito privado. Porém, a natureza jurídica não afasta a incidência do regime de direito público. Assim sendo, sempre esteve obrigada a submeterse ao regime de contratações administrativas. Por tudo isso, todos os contratos listados na NFLD têm natureza de contratos administrativo e decorrem de procedimento licitatório prévio. Na hipótese ora tratada, tais contratos eram regulados pelo Dec. Lei 2.300/86 e, posteriormente pela Lei 8.666/93. Inaplicabilidade da Lei 8.212/91 ao caso A autuação tem por lastro o art. 31 da Lei 8.212/91, desprezando o Decr.Lei 2.300/86 e a Lei 8.666/93. Contudo, a natureza dos contratos firmados entre os eventuais sujeitos passivos primários e a Impugnante impede a aplicação da Lei 8.212/91. O contrato administrativo possui regime próprio e específico. O DecretoLei 2.300/86 e a Lei 8.666/93 proibiam a responsabilidade solidária entre o contratado e a Administração Pública direta ou indireta. O princípio da legalidade estrita impede interpretação extensiva ou aplicação analógica de dispositivos da Lei 8.212/91 ao caso concreto. Não há autorização normativa para a pretendida cobrança. Regime jurídico dos contratos administrativos A impugnante é sociedade de economia mista estadual. Integra a Administração Pública estadual indireta. A atuação da Impugnante é disciplinada em leis específicas e peculiares. As contratações celebradas pela Impugnante submetemse a processo de licitação pública, que é o processo através do qual a Administração Pública busca realizar a contratação que melhor atenda ao interesse público. A disciplina da licitação é minuciosa e taxativa. O mesmo se diga em relação ao contrato administrativo e a Lei de Licitação define os parâmetros dos contratos a serem celebrados. O contrato administrativo tem origem na Lei e no Edital. Fl. 29121DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 4 5 Segue a Impugnante fazendo um extenso comentário a respeito do que se trata o contrato administrativo para no final concluir que o contrato administrativo é regido por regras específicas, que exaurem as previsões normativas que são pertinentes à matéria. Contratos administrativos e a responsabilidade solidária previdenciária Repete que o contrato administrativo vem disciplinado em legislação própria. Diz que a lei dos contratos administrativos contém matéria específica que não pode ser disciplinada por nenhum outro diploma normativo genérico. A lei que regia os contratos administrativos previa a exclusão da responsabilidade solidária da Administração Pública. Não era possível a solidariedade. De acordo com o Código Civil, vige a regra de que lei geral não revoga lei especial, ou seja, não é possível que a Lei 8.212/91 promova a revogação de dispositivos específicos de lei especial. Portanto, as disposições do Dec. Lei 2.300/86 e da Lei 8.666/93 não foram afetadas pela edição dos arts. 30 e 31 da Lei 8.212/91. Diz que o INSS reconhece a inexistência de qualquer fundamento legal para a invocada solidariedade antes do advento da Lei 9.032/95, pois nos fundamentos legais invoca expressamente a Lei n. 8.666/93, com a redação dada pela Lei n. 9.032/95. Repete que não é possível a interpretação extensiva e aplicação analógica ao caso concreto. Por fim, conclui afirmando que a legislação referente aos períodos contemplados pela NFLD até a entrada em vigor da Lei 9.032/95, não autoriza a imputação de responsabilidade solidária à Impugnante. Decadência de constituir o crédito Diz que o crédito atinente a todas as contribuições relacionadas aos fatos IP geradores ocorridos até o mês de maio de 1996 encontrase extinto em face da decadência. Nulidade da NFLD – ofensa ao art. 37 da Lei 8.212/91 Diz que não houve a discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Tratase da aplicação dos princípios da ampla defesa e do contraditório e que não se pode conceber que seja imputado ao particular dever de pagamento sem que os fundamentos dessa pretensão sejam explicitados. A Notificação limitouse a arrolar débitos mediante recurso a notas fiscais e o relatório anexo indica as empresas e os números das notas fiscais. Não indica o conteúdo e o valor de cada uma e não demonstra se essas notas se referiam à remuneração por serviços prestados pelas empresas contratadas ou a outras parcelas que não integram a base de cálculo das contribuições. Somase a isso. A circunstância de terem sido listadas centenas de empresas que estariam em débito perante o INSS. Fl. 29122DF CARF MF 6 A Notificação está eivada de ausência de motivação. Não foi declinado o motivo pelo qual a impugnante seria devedora dos valores indicados. Diz que tem direito ao conhecimento minucioso dos fundamentos que levaram à atuação administrativa e resultaram no lançamento da contribuição objeto da NFLD. Diz que prevalece a garantia constitucional que determina o direito da ampla defesa com todos os meios a ela inerentes. Desse modo, a NFLD deve trazer todos os elementos necessários à identificação dos fatos imputados e do direito aplicável estampados em seu corpo. A NFLD deve ser completa e o Fisco deve comprovar a existência dos fatos geradores do crédito tributário lançado. Não se admite que se transfira à Impugnante a obrigação de descobrir a ilicitude que lhe é atribuída. Deve estampar todos os elementos necessários e suficientes à adequada defesa da Impugnante. Um dos defeitos da NFLD referese à fundamentação legal da cobrança de multa. Diz que o demonstrativo de débito alude a multa de 15% em todos os períodos abrangidos pela NFLD e não há nenhum tópico ao fundamento legal dessa cobrança. Assim, tornase inviável exercitar uma ampla defesa. Ausência de crédito a ser lançado Alega que não há qualquer comprovação de que as empresas que prestaram serviços encontramse em débito com o INSS. Diz que não tem condições de aferir se as empresas deixaram de recolher as contribuições que lhes seriam exigíveis. Diz que várias empresas listadas no relatório não apresentam qualquer débito com o INSS. É o caso da Helisul Táxi Aéreo Ltda, Freitas Oliveira S/C Ltda, Metarl Empresa de Transportes Ltda, Metropolitana Limpeza e Conservação Ltda, Calixto & Cordeiro Ltda, Tomé Engenharia e Transportes Ltda, Transdata Transportes Ltda. Tais empresas apresentaram Certidões Negativas de Débito. Mesmo aquelas que apresentaram Certidões Positivas com efeito de negativa nada devem, pois os créditos não estão vencidos, ou não há execução garantida por penhora ou a suspensão da exigibilidade do crédito. Cabia ao INSS demonstrar que os valores cobrados ainda não havia sido pagos pelo contribuinte originário. Que ao limitarse a relacionar os contratados e os valores correspondentes, o INSS acabou por exigir valores já pagos pelos contribuintes originários. Diz que a responsabilidade solidária invocada pela autoridade fiscal depende da existência de crédito por parte do devedor principal. Incorreções nos valores lançados Argúi que logrou encontrar erros cometidos pela autoridade fiscal, conforme comprovam os documentos juntados, integrante do Anexo C. Confirase por exemplo a empresa Triagem Administração de Seitços Temporários Ltda na competência março de 1997. A NFLD consigna o valor apurado de R$98.873,36 (NF 1414 a 1459). O valor a título de contribuição seria R$37.949,34. Fl. 29123DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 5 7 Diz que a nota fiscal 1438 se relaciona a reajuste de preço do contrato e não a valores de prestação de serviço. A NFLD diz que não houve nenhum recolhimento, mas a Impugnante localizou diversas guias de recolhimento, comprovando o recolhimento (cópias anexas). O mesmo se deu no caso da empresa Calixto & Cordeiro Ltda. Verificouse que a NFLD tomou por base de cálculo notas fiscais que não continham valores relacionados a qualquer prestação de serviços, mas sim a reajuste e correção monetária dos contratos administrativos. Que a NFLD arrolou notas fiscais relativas a fornecimento de refeições e alimentação. É o caso da empresa Bonfante & Chinaider Ltda, no mês de dezembro de 1998 e as notas fiscais 77 e 78 emitidas pela Limptec Serviços Especiais S/C Ltda no mês de outubro de 1998. No tocante a essa última empresa há provas de recolhimento. Portanto, tratamse de lançamentos equivocados e não podem subsistir. O lançamento não poderia deixar de considerar todos esses fatores. Exigência de encargos indevidos Diz que são abusivos os encargos cobrados da Impugnante, seja pela invalidade das multas, pela invalidade da cobrança da Selic e pela natureza confiscatória da multa. Invalidade da multa Diz que a legislação citada na NFLD já foi revogada, que a lei vigente em relação aos últimos períodos prevê percentuais de multa inferiores. Que a Notificação consigna expressamente que o percentual aplicado foi de 150% com relação a novembro de 1991 e 60% com relação aos demais períodos, embora, como já se apontou, o demonstrativo de débito contenha um valor diverso a título de multa moratória. Invalidade da exigência dos juros calculados pela TRD A NFLD indica que foram aplicados juros de mora conforme a TRD – Taxa Referencial Diária nas competências entre agosto e novembro de 1992. É descabida a exigência da TRD após agosto de 1991. Tornase inaplicáveis os juros de mora equivalentes à TRD, em face da atenuação dos juros moratórios posteriormente ocorrida. Invalidade da exigência dos juros calculado pela Selic A Impugnante ataca a taxa Selic e resumindo afirma que é inválida a cobrança de juros de mora em "percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente", como se pretende na NFLD. Diz que é inválida a NFLD neste ponto. Multa Confiscatória Que foram aplicadas multas de 150% nas competências de agosto de 1991 a novembro de mesmo ano, 60% a partir de dezembro de 1991 e 12% após abril de Fl. 29124DF CARF MF 8 1997. Que tais percentuais, ou mesmo o de 15% contido no demonstrativo, caracterizam cobrança de multa confiscatória, vedada pela Constituição Federal. Que as multas de 15%, 60% ou 150% sobre o montante do tributo são desarrazaodas e não há justificativa para penalidade de tal magnitude. Pede que a NFLD seja anulada pela cobrança de multa confiscatória. Produção de diligência prova pericial, testemunhal e documental Protesta pelo direito de produzir prova pericial, testemunhal e documental. Diz que o direito à ampla produção probatória e aspecto ineliminável das garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Que não se tolera nenhuma espécie de limitação quanto aos meios probatórios. Segue tratando sobre o tema para no final afirmar que espera ver deferidas as provas que adiante pleiteia caso a Autoridade Julgadora repute não caber a improcedência da autuação. Realização diligência – perícia Requer a produção de prova pericial consistente em exame de natureza contábil, além da prova testemunhal. Indica assistente técnico e formula os quesitos, protestando pela posterior formulação de quesitos suplementares. Protesta pelo direito de acompanhar as diligências e formular quesitos de esclarecimentos após a produção de provas. 111 Protesta pela ouvida de testemunhas, dos representantes legais de cada um dos contratados referidos na NFLD. Diz que tem o direito de defenderse contra a exigência fiscal. Conclusão Espera que seja anulada a NFLD; Pede que se reconheça a impossibilidade de se atribuir responsabilidade solidária à Impugnante Que se reconheça a decadência de constituir o crédito Protesta pela produção de diligências para confirmação de seus argumentos. Diligência Em face dos argumentos e dos documentos juntados na impugnação, os autos foram baixados em diligência para manifestação dos Auditores Fiscais notificantes. O pronunciamento deuse a partir da fls. 28.557, com a retificação do lançamento com base nos documentos juntados pela Impugnante. Despacho Decisório Às fls. 28.537, consta o Despacho Decisório 071/2009, da Equipe de Contencioso Previdenciário, onde, com base na Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, são excluídos os valores abrangidos pela decadência qüinqüenal nas competências entre 08/1991 a 04/1996, restando para este lançamento o valor de R$7.909.606,98, conforme DADR de fls.28.541. Manifestação do contribuinte Fl. 29125DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 6 9 Às fls. 28.842, consta a manifestação do contribuinte, onde, em síntese, pede a concessão de prazo adicional para se manifestar, alegando que o tempo é excessivamente exíguo. Pede o reconhecimento da invalidade dos lançamentos. Diz que boa parte do débito já foi reconhecido como decadente e com isso os lançamentos anteriores a maio de 1996 foram devidamente excluídos do cálculo. No mérito reitera o que já foi exposto na inicial. Repete que não houve a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Diz que isso impede que a Impugnante possa formular uma defesa mais detalhada e especifica. Diz que não há como saber se o valor de cada nota fiscal engloba parcelas relativas a fornecimento de materiais e equipamentos. Diz que há existência de responsabilidade subsidiária e não solidária. Que as centenas de empresas firmaram com a Copel contratos administrativos, isso em virtude da Copel ser uma sociedade de economia mista, estando sujeita à incidência de regime de direito público. Cita peculiaridades dos contratos administrativos. Que os contratos administrativos se submetem a um regime especial e peculiar e que se insere nesse regime a obrigatoriedade de promover licitações antes de promover contratações. Que no Edital exigese que os interessados apresentem documentação relativa à sua regularidade fiscal, incluindose ai a Certidão Negativa de Débitos. Que todas as empresas elencadas na NFLD supriram essa necessidade. Que o INSS não pode pretender cobrar algo que reconheceu como não existente. Demais defeitos da NFLD Nem todos os valores que a Receita Federal pretendeu tributar se constituem em pagamentos relativos a prestação de serviços ou cessão de mão de obra. Pede para observar as notas fiscais das empresas Bonante & Chinaider Ltda (NF 91 a 95 de dezembro/2008) e Limptec Serviços Especiais S/C Ltda (NF 77 e 78 de out/1998), isso em face natureza da atividade desenvolvida. Com referência a empresa Limpetc foram juntadas guias de recolhimento. Foi retificada a competência ao período, mas não houve nenhuma consideração adicional com relação à cobrança do mês de outubro. Na empresa Calixto & Cordeiro Ltda a NFLD considerou que os valores dos serviços estaria representado pelas NF 218 a 648. No entanto, essas notas fiscais contemplam valores relativos a fornecimento de produtos. O relatório reconheceu apenas parcialmente a procedência da pretensão da Impugnante, indicando que somente as notas fiscais 218 e 219 se enquadravam na prestação de serviços com fornecimento de material. Com relação a outros pontos não teceu maiores considerações. Fl. 29126DF CARF MF 10 Enfim, foram excluídas parcelas reduzidas do débito no período de maio de 1996 em diante. Fazse necessária a apreciação efetiva dessas questões de modo a permitir uma defesa mais específica. Nulidade da multa aplicada Por fim ataca a multa e os juros aplicados, calculados pela TRD e pela Selic. Reportase a inicial da impugnação. Protesta contra o caráter confiscatório das multas exigidas. Síntese Diz que a Impugnante logrou comprovar que efetivamente não pode ser tributada pela sistemática da retenção introduzida pela Lei 9.711/98. Reafirma a nulidade da NFLD. Espera a concessão de prazo adicional. Diz que grande parte do lançamento foi excluído pela decadência e que os valores mantidos não foram devidamente motivados e comprovados. Afirma que todos os arquivos estão à disposição da Receita Federal. Prossegue afirmando que o Fisco tem o dever de fornecer todas as informações necessárias à verificação do que está sendo tributado, os motivos e o valor. Não basta à Receita Federal indicar que a Copel está sujeita à retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas em virtude de tais documentos versarem sobre prestação de serviços ou cessão de mãodeobra. É necessário promover uma discriminação específica do que está sendo cobrado. Produção de provas Reitera a produção de prova pericial, testemunhal e documental. Diz que o direito da Impugnante à ampla produção probatória está consagrado no próprio diploma regulador do processo administrativo fiscal no âmbito federal e que não é discricionária a atividade desempenhada pela autoridade julgadora ao deferir ou indeferir prova. Lembra o princípio da ampla defesa e do contraditório entre aqueles norteadores do processo administrativo. Diz que ficou demonstrada a inconsistência do demonstrativo de débito e afirma que a base de cálculo está errada. Por isso além da prova testemunhal, indica a prova pericial e pede ainda a prova documental. Requer a incidência do art. 37 da Lei 9.784/99 ao caso. Espera ver deferidas todas as provas já pleiteadas na inicial e protesta pelo direito de ser intimada para poder participar de todas as diligências que venham a ser desenvolvidas. Fl. 29127DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 7 11 Reitera os quesitos apresentados na inicial bem como a indicação do assistente técnico. Conclusão Espera a invalidação da NFLD, pela nulidade ou pelo descabimento. Espera a exclusão das verbas impugnadas. IP Pede prazo adicional de três meses para se manifestar. Reitera necessidade de produção de provas. A DRJ/CTA considerou o lançamento procedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1991 a 31/01/1999 NFLD 35.273.8715 CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A empresa tomadora de serviços mediante cessão de mãode obra responde solidariamente com a contratada, pelo cumprimento das obrigações decorrentes da legislação previdenciária. CESSÃO DE MÃODEOBRA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A elisão da responsabilidade solidária, no período deste lançamento, só poderia ocorrer se a empresa tomadora dos serviços comprovasse o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas à mãodeobra contratada, conforme previsão contida na legislação pertinente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. A sociedade de economia mista, a empresa pública e a estatal sob controle acionário do Estado respondem solidariamente com a empresa prestadora de serviços. CND CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO A legislação ressalva, aos órgãos competentes, o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão da Certidão Negativa de Débito. MULTA A multa pelo recolhimento em atraso da contribuição previdenciária arrecadada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil tem caráter irrelevável, incide de forma automática Fl. 29128DF CARF MF 12 sobre o débito e, conforme o mês de ocorrência do fato gerador, obedece aos percentuais previstos na legislação aplicável. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. SELIC Para fatos geradores ocorridos partir de janeiro de 1995, é lícita a incidência dos juros com base na taxa SELIC, nos termos da Lei 9.065, de 20 de junho de 1995. APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. É vedada a instância administrativa afastar, a aplicação de lei, decreto ou ato normativo, por inconstitucionalidade ou ilegalidade. PERÍCIA É desnecessária a prova pericial quando as provas materiais constantes dos autos são suficientes para firmar o convencimento do julgador. PROVA TESTEMUNHAL. A autoridade julgadora é livre na apreciação da prova constante dos autos e para determinar a realização ou não de diligências que julgar necessárias para a formação do seu convencimento. A prova testemunhal tem aplicação restrita no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PRORROGAÇÃO DE PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO. Inexiste qualquer previsão legal para prorrogação de prazo para impugnação e/ou manifestação do contribuinte nos autos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário no qual descreve as circunstâncias em que ocorreu a autuação, contesta as conclusões trazidas na decisão fustigada e apresenta razões adicionais às contidas na peça impugnatória. Em relação ao decisum recorrido, aduz, em síntese, que: a) em razão da retificação de algumas parcelas do lançamento inicialmente efetuado e, despeito possuir representatividade ínfima em relação ao valor apurado pela Fiscalização, (R$ 191.241,15), houve expressa admissão da Receita Federal de que parte do crédito constituído estaria manifestamente incorreto, o que confirma a necessidade de revisão de todos os pontos que Fl. 29129DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 8 13 foram impugnados, inclusive com a ampla produção de provas no âmbito do presente processo administrativo; Inexistência de responsabilidade solidária entre a recorrente e as empresas prestadoras de serviços b) ao reputar, com base na Lei nº 8.212/1991, que existiria responsabilidade solidária, e não subsidiária, da recorrente pelo recolhimento das contribuições relativas a suposta cessão de mão de obra, o acórdão recorrido não levou em conta as peculiaridades do regime a que essa está sujeita (sociedade de economia mista integrante da Administração Pública Indireta do Estado do Paraná); c) ao considerar que a responsabilidade solidária somente poderia ser elidida mediante cumprimento das exigências contidas nos §§ 3º e 4º do art. 31 da Lei nº 8.212/1991, lançou o Colegiado recorrido de conclusão inadequada ao presente caso tendo em vista o indeferimento dos pleitos apresentados na peça impugnatória para a produção de diversas provas adicionais, especialmente testemunhal, pericial e juntada de novos documento; d) o acórdão recorrido indicou que as particularidades relativas à natureza jurídica da Recorrente também não seriam aptas a descaracterizar a existência de responsabilidade solidária por cessão de mãodeobra no caso concreto, valendose de interpretação literal do art. 4° da Lei 9.032/95 (que alterou o disposto no art. 71 da Lei 8.666/93); e) a interpretação do disposto no art. 71 da Lei 8.666/1993 demanda uma análise razoável, de modo a se evitar que o credor opte sempre por se insurgir em face da Administração Pública para efetuar cobranças previdenciárias, sem nem mesmo acionar o devedor principal da obrigação, razão pela qual a responsabilidade ali prevista deve ser tida como subsidiária (e não solidária), ao contrário do que constou do acórdão recorrido; Limites da discussão travada no processo: a irrelevância para o caso concreto dos deveres atinentes ao recolhimento das contribuições sociais f) a discussão travada na notificação ora impugnada diz respeito à impossibilidade de responsabilizar uma sociedade de economia mista pelo recolhimento de contribuições que i) constituem dever do próprio prestador de serviço, ou ii) nem mesmo se referem a parcelas relativas a cessão de mão deobra, de modo que seria imprescindível promover uma discriminação dos valores de cada nota detalhadamente, o que jamais foi feito pela autuação fiscal; Ausência de motivação da Notificação Fiscal g) o acórdão foi extremamente genérico nesse ponto por não tecer consideração alguma com relação à inexistência de especificação das bases de cálculo utilizadas para fins de se quantificar as contribuições, bem como dos fatos geradores sobre os quais incidiriam as contribuições nas notas fiscais apontadas; h) como a notificação não se desincumbiu do dever de “discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem (...)”, violou o art. 37 da Lei 8.212/1991 e o exercício da ampla defesa (art. 5º, LV, CF) Fl. 29130DF CARF MF 14 i) embora a decisão recorrida afirme que não teria havido afronta ao art. 37 da Lei 8.212/1991, a simples indicação das notas fiscais sem qualquer discriminação dos serviços que teriam sido prestados não demonstram a exatidão da notificação e confirmam que, ao menos em boa parte dos casos, os valores não se referem a cessão de mãodeobra, de modo que, sem prejuízo da ausência de responsabilidade solidária, não poderia nem mesmo se pretender promover a retenção da contribuição previdenciária; j) o fato de ter apresentado defesa no processo administrativo não significa que a notificação foi adequadamente lavrada, pois não se pode tentar atribuir ao zelo da recorrente em formular defesa específica no processo administrativo uma suposta anuência com os flagrantes defeitos da NFLD em questão; k) o acórdão recorrido chega a ser falacioso ao considerar que “Estando motivado o ato administrativo, com a descrição das razões de fato e de direito, sendo devidamente cientificada dos autos e oferecido oportunidade para pronunciarse e produzir provas, não restaram, em nenhum momento, violados os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório ou do devido processo legal.” Certidões negativas de débitos fiscais fornecidas pelo INSS às empresas prestadoras de serviço e sua relevância l) a pretensão da recorrente ao indicar tal circunstância, longe de pretender afastar a possibilidade de o Fisco vir a apurar eventuais débitos posteriormente à emissão dessas certidões, buscou apenas evidenciar que a empresa beneficiária da certidão teve o aval do próprio INSS para participar do certame e, consequentemente, para ser contratada pela recorrente para prestar os serviços necessários a execução do empreendimento público; m) tais circunstâncias constituem evidente indicio de que tais empresas são (ao menos nos períodos relevantes mencionados nas certidões) bons pagadores, de modo que se espera que cumpram com suas responsabilidades fiscais, o que, no mínimo, recomenda que os lançamentos fiscais sejam feitos de forma diligente para não se computar na base de cálculo valores que nem dizem respeito à tributação que se pretende realizar no caso em tela; Lançamentos impugnados especificamente pela Recorrente e a inexistência de presunção absoluta de veracidade de tais atos n) o acórdão recorrido ainda indicou que alguns dos lançamentos que foram especificamente questionados seriam pretensamente regulares sob o pressuposto de que não teria sido apresentado nenhum documento comprovando o contrário. Nesse passo, reitera a necessidade de especificação detalhada da NFLD, bem como da imprescindibilidade de se produzir algumas provas para confirmar a que se referem alguns dos lançamentos e sua real procedência; o) uma série de fundamentos da impugnação que infirmam precisamente as cobranças relativas a algumas notas fiscais específicas foram rejeitados pelo acórdão recorrido com a simples justificativa de que “não foram apresentados novos elementos de defesa, mantendose o débito conforme originariamente apurado”; p) partese da suposição de que a presunção de correção dos lançamentos é bastante ampla, de modo que basta a sua efetivação para ter início o dever do Fl. 29131DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 9 15 administrado de apresentar vasta documentação que infirme a cobrança tributária efetuada, a despeito do exíguo prazo para tal; Multa aplicada pela Administração, os juros calculados e seu caráter confiscatório q) o acórdão recorrido indicou não ser da competência dos órgãos de julgamento administrativo a análise a respeito do caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento, o que constituise em flagrante violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, ínsitos à Constituição Federal Rejeição dos pedidos de produção de provas formulados pela Recorrente e a conduta contraditória da Administração r) a premissa adotada para a rejeição da dilação probatória não prospera, sendo a postura adotada pela Administração absolutamente contraditória, tendo em vista que, em diversos trechos do acórdão recorrido, considerouse que o sujeito passivo não teria promovido a juntada de diversos documentos que se revelavam necessários à comprovação do seu direito; s) além de a notificação padecer de diversos defeitos e incompletudes, a produção das provas requeridas, longe de prejudicar o andamento do processo, apenas auxiliaria na elucidação definitiva e específica da questão; Indevido indeferimento da concessão de prazo adicional para a Recorrente se manifestar e a falta de razoabilidade do acórdão t) o acórdão recorrido indeferiu o pedido formulado para a concessão de prazo adicional de três meses para se manifestar quanto às conclusões do parecer técnico do departamento de auditoria da Receita Federal a pretexto de que “inexiste, hoje, qualquer previsão para prorrogação de prazo para impugnação”; u) é irrelevante que não exista qualquer tipificação quanto a autorização a dilação do prazo para o administrado se manifestar; v) na medida em que se trata de processo com cerca de 30.000 folhas no qual a Administração levou aproximadamente 9 (nove) anos para decidir, é perfeitamente possível (e recomendável) que se forneça um prazo maior do que trinta dias para o administrado formular apontamentos mais específicos quanto ao relatório produzido pela Receita Federal; x) tratase da aplicação do princípio da razoabilidade, que privilegiaria a obtenção de uma abordagem mais detalhada e precisa acerca do que efetivamente seria devido pelo sujeito passivo; y) em razão do indeferimento de prazo adicional para manifestação, as razões impugnatórias foram rejeitadas quase integralmente pelo acórdão recorrido, sendo que o único ponto acolhido consistiuse na retificação do valor em virtude da constatação de equívocos no lançamento; z) a impugnação apontou que erros haviam sido detectados por mera amostragem e revelavam a necessidade de revisão completa dos levantamentos mediante perícia contábil, mas o acórdão ignorou esse aspecto da manifestação da recorrente e apenas determinou a correção daqueles erros específicos. Fl. 29132DF CARF MF 16 Além de contraditar a decisão de primeira instância administrativa e pugnar pela reapreciação integral das razões impugnatórias, a recorrente reitera os pedidos quanto à produção de novas provas e realização de perícia contábil, além de repisar argumentos acerca da pretensa inaplicabilidade de juros calculados à Taxa SELIC sobre os valores objeto do lançamento. É o relatório. Fl. 29133DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 10 17 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade necessários, portanto dele conheço. Conforme restou evidenciado no relatório do presente acórdão, por virtude da Súmula Vínculante do STF nº 8, a decadência suscitada pela recorrente para parte das competências abragidas na autuação foi reconhecida pela Equipe de Contencioso Previdenciário (DespachoDecisório nº 071/2009). Em função disso o presente voto não abordará matéria ou fatos relacionados a valores alcançados pela decadência, face a ausência de litígio a esse respeito. REGIME JURÍDICO ESPECÍFICO DOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS APLICABILIDADE DA LEI 8.212/1991 AO CASO CONCRETO Afirma a reclamante que todos os contratos que deram azo ao lançamento revestemse da natureza jurídica de contratos administrativos, tendo sido firmados após o curso de processo licitatório ou mediante procedimentos de dispensa ou inexigibilidade de licitação. Adverte ainda que “Nenhuma das contratações listadas no relatório anexo à NFLD deixou de se submeter a todos os princípios e limitações impostos pelo então vigente Dec.lei 2.300/86 e, posteriormente, pela Lei 8.666/93”. Informa que, embora revistase da natureza de sociedade de economia mista, isso não afasta a incidência do regime jurídico de direito público, o que a obrigada a submeterse ao regime de contratações administrativas, referido no inciso XXI do art 37 da Constituição. Segundo infere, a autuação tem por lastro a aplicação do art. 31 da Lei 8.212/1991 ao caso concreto, desprezando, contudo, os ditames do art. 61 do DecretoLei nº 2.300/1986 e do art. 71 da Lei nº 8.666/1993 (na redação anterior à Lei nº 9.032/1995), leis especiais que disciplinam os contratos administrativos e definem as matérias reputadas como relevantes e pertinentes à contratação administrativa. De acordo com o que consta do apelo, a disciplina legal dos contratos administrativos vigente na época (art. 61 do DecretoLei nº 2.300/1986 e, posteriormente, art. 71 da Lei nº 8.666/1993) proibia a responsabilidade solidária entre o contratado e a Administração Pública (direta ou indireta), além do que, o princípio da legalidade estrita impediria eventual interpretação extensiva ou aplicação analógica de dispositivos da Lei nº 8.212/1991 ao caso concreto. Prossegue a recorrente defendendo que: No que diz respeito à responsabilidade previdenciária solidária, a legislação sempre definiu um regramento peculiar aos contratos administrativos. A lei dos contratos administrativos contém tal matéria específica, que não pode ser disciplinada por nenhum outro diploma normativo genérico Fl. 29134DF CARF MF 18 Passandose à análise do presente quesito, temse que a maior parte das questões abordadas no recurso sobre o regime de licitações e a natureza dos contratos administrativos tem pouca ou nenhuma relevância ao caso que ora se analisa. Para o deslinde da controvérsia o que nos importa é saber se, a despeito da condição de sociedade de economia mista da recorrente, a norma previdenciária tem ou não incidência sobre os contratos de cessão de mãodeobra por ela celebrados com terceiros. Forçoso evidenciar novamente que o DespachoDecisório nº 071/2009 da Equipe de Contencioso Previdenciário reconheceu a decadência do lançamento em relação às competências 08/1991 a 04/1996 em razão da edição da Súmula Vinculante do STF nº 8 e, por consequência disso, interessanos somente o exame da legislação que rege a matéria para o período em que remanesceram créditos lançados, qual seja: 05/1996 a 01/1999. No referido período o art. 31 da Lei nº 8.212/1991 teve as seguintes redações1: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). [...] § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). [...] Os dispositivos legais reproduzidos acima deixam absolutamente claro que, no interstício abragido no lançamento, as empresas em geral, no caso de contratação de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, respondiam solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da lei previdenciária. O § 3º do art. 31 testifica que a responsabilidade solidária ali referida somente seria elidida caso ficasse comprovado o recolhimento prévio, pelo executor, das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados mediante cessão de mãodeobra quando de sua quitação. 1 Embora a Lei nº 9.711/1998 tenha sido editada em período abrangido pelo lançamento, nos termos de seu art. 29, as alterações por ela efeutadas no art. 31 da Lei nº 8.212/1991 somente passaram a produzir efeitos em fevereiro de 1999, ou seja, fora do perído de referência da NFLD. Fl. 29135DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 11 19 Com relação à Lei nº 8.666/1993, que instituiu normas para licitações e contratos da Administração Pública e aplicase a seus órgãos e entidades, inclusive às sociedades de economia mista, a redação original do art. 71 estabelecia serem os contratados responsáveis pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução de contratos e que sua inadimplência, com referência a tais encargos, não transferiria à Administração Pública a responsabilidade pelo seu pagamento. Confirase: Art.71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos estabelecidos neste artigo, não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2º A Administração poderá exigir, também, seguro para garantia de pessoas e bens, devendo essa exigência constar do edital da licitação ou do convite. Ocorre que a partir de abril de 1995, com a edição da Lei nº 9.032/1995, o art. 71 da Lei nº 8.666/1993 sofreu profundas alterações, prevendo expressamente que a Administração Pública passaria a se submeter aos ditames do art. 31 da Lei nº 8.212/1991. Senão vejamos: Art.71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. §1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis.(Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.(Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) Ressaltese que a nova redação dada ao § 1º do art. 71 excluiu do dispositivo a impossibilidade de transferência de encargos previdenciários à Administração Pública e o § 2º passou a prenunciar, de forma taxativa, a hipótese de responsabilidade solidária da administração em relação aos serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, “nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991”. Não se trata, pois, de interpretação extensiva ou analógica como pondera a recorrente, mas de constatação resultante da simples leitura do texto legal. Assim, de acordo com a legislação em espeque, a depender do período a que se refiram, os contratos celebrados com órgãos e entidades da Administração Pública estão Fl. 29136DF CARF MF 20 submetidos a regramentos distinto a respeito da responsabilidade solidária pelo pagamento das contribuições previdenciárias: a) até 28/04/1995, inexistia a hipótese de solidariedade com os prestadores de serviços contratados mediante cessão de mão de obra; e b) após essa data, tais órgãos e entidades passaram a se submeter aos ditames do art. 31 da Lei nº 8.212/1991. Ademais, a jurisprudência suscitada na peça impugnatória, a qual fazse mister reproduzir em parte, evidencia exatamente essa situação: PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. EMPRESAS CONTRATADAS. INEXISTÊNCIA. 1. Ao tempo do Decretolei n. 2.300, de 1986, a teor do seu art. 61 e parágrafo 1°, não havia responsabilidade solidária entre a Administração Pública e a empreiteira contratada pelos encargos previdenciários. 2. Apelação improvida. (TRF – 1ª R., AC 1995.01.244326/MG, 3ª T., Juiz FERNANDO GONÇALVES, j. 22/11/1995, v.u., DJ 19/12/1995, p. 88216) ADMINISTRATIVO E PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD). INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DA LIGHT/ELETROBRÁS COM A EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEI N° 8.666/93. O art. 71, § 1°, da Lei n° 8.666/93, em sua redação original, impedia a transferência de encargos, inclusive previdenciários, da empresa prestadora de serviços para o contratante que integrasse a Administração Pública. Como à época em que as contribuições previdenciárias deixaram de ser recolhidas, a Light Serviços de Eletricidade S/A ainda não tinha sido privatizada, sendo controlada pela Eletrobrás, não podia responder solidariamente com a prestadora de serviços que sonegou as prestações. Recurso improvido. Sentença confirmada. (TRF 2a R., AC 97.02.061431/RJ, 4a T., Juiz CLÉLIO ERTHAL, j. 13/08/1997, v.u., DJ 28/04/1998, p. 255). Com idêntico teor os seguintes acórdãos, lavrados pelo mesmo Em. Relator: AC 97.02.08580 2/RJ (j. 20/08/1997, v.u., DJ 12/03/1998); AC 97.02.061474/RJ (j. 25/08/1997, v.u., DJ 10/02/1998), e 41, AC 97.02.061911/RJ (j. 25/08/1997, v.u., DJ 22/01/1998). A decisão adotada no REsp 314394/RS clarifica ainda mais essa situação: TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOLIDARIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COM O CONTRATADO PELOS ENCARGOS PREVIDENCIÁRIOS RESULTANTES DA EXECUÇÃO DE CONTRATO. DECRETO LEI Nº 2.300/86 – DECRETO Nº 89.312/84. Fl. 29137DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 12 21 I O art. 61, § 1º, do Decretolei nº 2.300/86, excluiu a responsabilidade do Estado quanto aos encargos previdenciários, resultantes da execução ou contrato. Por ser norma posterior e específica, dirigida à regulamentação da contratação de serviços por parte da Administração Pública, o art. 61, § 1º, do Decretolei nº 2.300/86 afastou a aplicação do artigo 139, § 2º, do Decreto nº 89.312/84. II O Estado somente responde pelos encargos previdenciários, resultantes da execução do contrato, a partir da publicação da Lei n.º 9.032, de 28.04.1995. III Recurso especial improvido. (DJ 15.12.2003 p. 184 RSTJ vol. 184 p. 89) Ao se debruçar sobre a questão, o STF, por meio do nº AI 845439/MG, confirmou o entendimento pacificado no STJ: PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MUNICÍPIO. CONVÊNIO COM O IPSEMG. AUTUAÇAO ANTERIOR À EC 20/98. SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAIS VINCULADOS A REGIME PRÓPRIO. LEI MUNICIPAL N. 9.532/87. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ESTADO. ENCARGOS PREVIDENCIÁRIOS RESULTANTES DE CONTRATO. LEI9.032/95. 1. Não procede preliminar de nulidade quando intimado para apresentar as provas que entenda cabíveis, o autor nada requer. 2. Há se de manter a prescrição na forma como consignado na sentença, tendo em vista que a correção da prescrição para adequála à legislação e à jurisprudência acarretaria reforma tio in pejus. 3. Os municípios podem instituir regime próprio de previdência social para os seus servidores. Todavia, não podem legislar sobre a matéria, conforme disciplinado no art.24,XII, daCF/88, considerandose plenamente válido convênio firmado pela municipalidade com o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais IPSEMG. 4. Após o advento da Lei n.9.032, de 28/04/1995, que alterou o art. 71 da Lei 8.666/90, o Estado responde solidariamente pelos encargos previdenciários resultantes de execução de contrato. 5. Apelação do INSS e remessa oficial improvidas. 6. Apelação do Município de Rio Vermelho parcialmente provida, para declarar nulas as NFLDs 32.628.7710 e 32.628.7701, mantida a NFLD 32.628.7728. (DJe175 DIVULG 04/09/2012 PUBLIC 05/09/2012) Sob a mesma perspectiva, o Parecer nº AC – 055/2006 da AdvocaciaGeral da União corrobora a atual jurisprudência e o entendimento exprimido no presente voto, conforme se pode extrair de sua ementa: Fl. 29138DF CARF MF 22 EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). Não se olvide que, tendo sido o Parecer nº AC – 055/2006 da Advocacia Geral da União aprovado pelo Presidente da República, a teor do § 1º do art. 40 da Lei Complementar nº 73/1993, esse vincula toda a Administração Federal, sendo que seus órgãos e entidades, aí incluído o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, ficam obrigados a lhe dar cumprimento: Art. 40. Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. § 2º O parecer aprovado, mas não publicado, obriga apenas as repartições interessadas, a partir do momento em que dele tenham ciência. Curiosamente, a própria peça impugnatória acaba por atestar o entendimento ora perfilhado ao reconhecer que a inexistência de solidariedade de órgãos e entidades da Administração Pública com prestadores de serviços por cessão de mãodeobra somente perdurou até o advento da Lei nº 9.032/1995. Extraise peça impugnatória: Desta forma, e com o devido respeito, a legislação referente aos períodos contemplados pela NFLD, até a entrada em vigor da Lei 9.032/95, não autoriza a imputação de responsabilidade solidária à Impugnante Ora, considerandose que todas as competências que remanesceram no lançamento referemse a período posterior à edição da Lei nº 9.032/1995 não vejo como conferir razão à recorrente tendo em vista a responsabilidade solidária de órgãos entidades da Fl. 29139DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 13 23 administração pública com os executores de serviços prestados por intermédio de cessão de mãodeobra encontrarse gravada na própria lei de licitações. NULIDADE DA NFLD AUSÊNCIA DE CRÉDITO A SER LANÇADO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA/SUBSIDIÁRIA Nos termos da peça impugnatória, a NFLD lista centenas de empresas contratadas pela recorrente para a prestação de serviços que teriam deixado de recolher as contribuições previdenciárias relativas aos seus funcionários, mas não há qualquer comprovação de que tais empresas encontramse em débito perante o INSS. Diz a recorrente não ter condições de aferir especialmente no prazo exíguo que lhe foi concedido para a impugnação de centenas ou milhares de casos se essas empresas deixaram realmente de recolher as contribuições que lhes seriam exigíveis e que, na forma do art. 61 do DecretoLei 2.300/1986 e do art. 71, da Lei 8.666/1993 (antes da Lei 9.032/1995), jamais esteve obrigada a verificar essas circunstâncias. Outra questão levantada na impugnação é que, a partir de exame dos registros cadastrais mantidos pela recorrente para fins de licitação, constatouse que várias das empresas listadas no relatório fiscal não apresentavam débito com o INSS, razão pela qual, no entender do sujeito passivo, não se poderia ter lavrado a notificação de lançamento do débito, visto que a suposta atribuição de responsabilidade depende da existência e exigibilidade do crédito cuja responsabilidade pretendese atribuir, cabendo à autarquia previdenciária, como requisito indispensável para a suficiência da motivação da NFLD, demonstrar que os valores cobrados ainda não haviam sido pagos pelo contribuinte originário. Em face da manifestação do Fisco em decorrência da diligência fiscal requerida no âmbito do contencioso administrativo, repete o sujeito passivo a enfadonha narrativa sobre a natureza dos contratos administrativos firmados com as cedentes de mãode obra e sobre sua condição de sociedade de economia mista, com o fito de assentar que “até mesmo em virtude de vedação constitucional [...] a responsabilização prevista [...] no art. 71, § 2°, da Lei 8.666/93 é de cunho subsidiário, só vindo a incidir para o caso de o particular descumprir com os seus deveres perante o Fisco”. Sobre esse assunto é preciso esclarecer, de início, que a doutrina colacionada nos apelos em análise, além de não vincular o julgador administrativo, encontrase completamente desconectada das normas que regem a matéria e da jurisprudência trazida a análise no tópico precedente, inclusive no que se refere à existência de obstáculo constitucional quanto a atribuição de responsabilidade solidária a órgãos ou entidade da Administração Pública. De resto, consoante se verá adiante, ao CARF é vedado afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, ou seja, mesmo que a abordagem apresentada encontrasse respaldo no texto constitucional, o argumento apresentado não seria passível de análise em sede de julgamento administrativo. De outro eito, nos termos do art. 121 do CTN, o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, podendo ser o próprio contribuinte ou ainda o responsável, quando, mesmo sem se revestir da condição de contribuinte, sua obrigação decorra expressamente de lei. Vejamos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 29140DF CARF MF 24 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (Grifei) Em vista do disposto no art. 31 da Lei nº 8.212/1991, reproduzido alhures, e no art. 121 do CTN, e em razão do entendimento pacificado tanto em âmbito administrativo quanto judicial, restou consignado acima que, com o advento da Lei nº 9.032/1995, que alterou o art. 71 da Lei 8.666/1993, órgãos e entidades estatais passaram a responder solidariamente pelos encargos previdenciários resultantes de execução de contrato celebrado mediante cessão de mãodeobra. O art. 124 do CTN, ao tratar das pessoas solidariamente obrigadas, relaciona entre elas as designadas expressamente por lei e estabelece que a solidariedade não comporta benefício de ordem. Confirase: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.(Grifei) Resumindose, à luz das disposições normativas colacionadas, temse que os sujeitos passivos de obrigações tributárias, expressamente designados por lei na condição de responsáveis solidários, não estão sujeitos ao benefício de ordem. Assim, desnecessária qualquer verificação prévia junto aos coobrigados (denominados pela recorrente como “devedores originários”) para que o lançamento possa ser efetuado contra o sujeito passivo a quem a lei tenha atribuído a solidariedade pelo crédito previdenciário originado de serviços prestados por cessão de mãodeobra. Aliás, é exatamente nesse sentido o Enunciado nº 30 do Conselho de Recursos da Previdência Social: Enunciado n° 30. Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. A despeito disso, o § 3º do art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores, estabeleceu a possibilidade de o contratante de serviços se elidir da responsabilidade solidária, desde que exigisse do executor a comprovação do recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando de sua quitação, na forma do § 4º do mesmo artigo. Vejamos: Art. 31. [...] [...] Fl. 29141DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 14 25 § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Observese que, como bem disse a recorrente, o art. 61 do DecretoLei 2.300/1986 e o art. 71 da Lei 8.666/1993 (antes do advento da Lei 9.032/1995) jamais lhe obrigaram a verificar o recolhimento das contribuições previdenciárias de prestadores de serviços contratados por cessão de mãodeobra. Contudo, repitase, após o advento da Lei nº 9.032/1995, (que alterou os §§ 1º e 2º do art. 71 da Lei nº 8.666/1993) ao sujeito passivo foi atribuída a condição de responsável solidário, passando a ter a faculdade de se elidir dessa responsabilidade, mediante a exigência de comprovação do recolhimento prévio das contribuições por parte dos executores de serviços. Se não adotou tal providência, é porque optou por permanecer na condição responsável, sujeitandose ao lançamento das contribuições decorrentes de contratos dessa natureza. Relembrese, por oportuno, que somente subsistem no lançamento competências posteriores à edição da Lei nº 9.032/1995. A jurisprudência pacificada no STJ sintetiza as considerações feitas até aqui a respeito da matéria: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃODEOBRA. .RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR (CONTRATANTE). 1 ART. 31 DA LEI 8.212/91. 1. O art. 31 da Lei nº 8.212/91 estabeleceu solidariedade entre o contratante dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra e o executor. 2. Tratase de hipótese de solidariedade tributária, prevista no art. 124 do CTN, cujo parágrafo primeiro dispõe que "a solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem". 3. Para incidir na possibilidade de elisão estabelecida no § 3º, do art. 31, o contratante deveria ter exigido do executor a apresentação dos comprovantes relativos às obrigações previdenciárias, previamente ao pagamento da nota fiscal ou fatura – do que, no caso concreto, não se cogita. 4. Recurso especial provido. (STJ RESP 410104 / PR: RECURSO ESPECIAL 2002/00136497 Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (1124) órgão JulgadorT1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 06/05/2004 Data da Publicação/Fonte DJ 24.05.2004 p.00158) No que concerne às certidões negativas de débito emitida em favor dos prestadores de serviços contratados pela recorrente, importa esclarecer que esses documentos prestamse exclusivamente a atestar que inexistem débitos efetivamente lançados contra Fl. 29142DF CARF MF 26 determinado contribuinte, já as certidões positivas indicam a existência de débitos lançados, mas ainda pendente de constituição definitiva. Significa dizer que essas certidões não tem o condão de impedir que a fiscalização tributária possa constituir créditos contra contribuintes ou responsáveis solidários, tampouco que esteja obrigada fiscalizar o devedor originário antes efetuar lançamento contra o devedor solidário. Se as razões trazidas nas impugnações tiveram por fim, como diz a recorrente, evidenciar que tais empresas são (ao menos nos períodos mencionados nas certidões) bons pagadores, essas evidências não são suficientes para elidir a responsabilidade solidária, pois, para isso, como já se viu, seria necessária a adoção das providências exigidas por lei. Por outro lado, embora não se deslembre da natureza dos contratos administrativos ou mesmo do fato de a recorrente ter sido constituída sob a forma de sociedade de economia mista, isto não lhe confere qualquer privilégio em relação às empresas em geral quanto matéria sub examine. Não existe no ordenamento jurídico pátrio atual nenhum empecilho à atribuição de responsabilidade solidária pelo cumprimento de obrigações previdenciárias a órgãos ou entidades da Administração Pública, sejam eles federais, estaduais, distritais ou municipais. Sobre a propalada inadequação da decisão atacada a qual, mesmo tendo indicado que a responsabilidade solidária somente poderia ser elidida mediante cumprimento das exigências contidas nos §§ 3º e 4º do art. 31 da Lei nº 8.212/1991, indeferiu os pedidos relativos a dilação probatória e realização de perícia, temse que, conforme se verá adiante, não cabe a realização de perícia para análise de questões jurídicas ou exame de matéria de prova, e ainda, as provas que a recorrente diz possuir não foram apresentadas nas ocasiões que lhe foram oportunizadas, nos termos previstos em lei. Outrossim, tivesse a recorrente, como lhe faculta a lei, exigido dos executores de serviços a apresentação dos comprovantes relativos ao cumprimento das obrigações previdenciárias, previamente ao pagamento da nota fiscal ou fatura, certamente não teria tido maiores problemas em apresentálos ainda no curso do procedimento fiscal para afastar a solidariedade. Dito isso, por não haver como conferir razão à recorrente, afastase a presente preliminar. OBSERVÂNCIA AO ART. 37 DA LEI 8.212/91 – NULIDADE DA NFLD Infere o sujeito passivo que a autoridade fiscal não se desincumbiu de seu dever legal de demonstrar a origem dos valores constantes da NFLD, em detrimento do disposto no art. 37 da Lei 8.212/1991 e no art. 102 do CTN. A Notificação teria limitadose a arrolar débitos a partir da indicação de notas fiscais (cujo conteúdo jamais foi explicitado na NFLD) emitidas por empresas contratadas após processo de licitação. “O relatório anexo à notificação indica unicamente as empresas e o número das notas fiscais consideradas para a apuração do valor das contribuições supostamente devidas”, sendo silente quanto ao conteúdo das referidas notas fiscais ou ao valor de cada uma delas, não demonstrando se essas notas se referiam à remuneração por serviços prestados pelas empresas contratadas ou a outras parcelas que não integram a base de cálculo das contribuições. Com isso, teriam restado ofendidos os sacrossantos direitos à ampla defesa e ao contraditório, pois, diante da superficialidade dos dados constantes da NFLD, não teve a autuada meios para aferir a correção dos valores lançados, bem como a inclusão ou não de Fl. 29143DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 15 27 valores alheios à remuneração dos empregados das empresas (como materiais, equipamentos, assistência técnica, reajustes do preço contratual etc.) na notificação. Da leitura do Relatório Fiscal constatase que o lançamento do crédito tributário: referese a apuração de débito relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social (contribuição da empresa, inclusive a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho), no período de 11/91 a 01/99, não recolhidas em época própria pelas prestadoras de serviço por Cessão de mãodeobra relacionadas em anexo e levantada em nome da tomadora obedecendo o instituto da SOLIDARIEDADE. O Relatório Fiscal faz menção ainda ao fato gerador da contribuição lançada, nos seguintes termos: 2 Fato Gerador: O fato gerador da contribuição previdenciária apurado através desta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito referese ao pagamento de remuneração aos empregados das empresas prestadoras de serviço relacionadas no Anexo I deste relatório, contratadas pela Notificada para prestação de serviço. Em seguida, a autoridade autuante explicita o significado jurídico da solidariedade e arrola as disposições legais que deram suporte ao lançamento (arts. 124 e 125 do CTN e art. 31 da Lei nº 8.212/1991), aduzindo que: Portanto, a Notificada ao contratar empresas prestadoras de serviço com cessão de mãodeobra responde solidariamente com essas empresas pelas obrigações previdenciárias decorrentes da mãodeobra colocada à sua disposição [...]. Ressaltese que a SOLIDARIEDADE não comporta beneficio de ordem, podendo o INSS exigir a contribuição total do devedor solidário, Conforme preceitua o Parágrafo Único do Art. 124 do Código Tributário Nacional e o caput do Art. 31, da Lei n° 8.212/91 Quanto à base de cálculo e à alíquota aplicada, esclarece o relato fiscal o seguinte: 5 Alíquotas aplicadas: As alíquotas aplicadas sobre a base de cálculo do débito e os respectivos períodos de vigência de cada uma delas, estão discriminados no relatório DAD, anexo à NFLD. Recorrendose a o Anexo I ao Relatório Fiscal (fls. 53/315), vêse que referida planilha lista todas as notas fiscais afetas ao lançamento, discriminando a empresa prestadora, a natureza dos serviços contratados, o número das notas fiscais, os valores dos Fl. 29144DF CARF MF 28 serviços e os percentuais aferidos como base de cálculo das contribuições. A seguir reproduz se, a título ilustrativo, alguns exemplos relativos à competência 05/1996 (fl. 177): Ao final de cada competência, a autoridade autuante apresenta o somatório dos valores pagos às empresas contratadas por cessão de mãodeobra, bem assim a base de cálculo da contribuição aferida em relação àquele mês (competência maio /1996, totalizada em fl. 180): Essa base de cálculo é apresentada no anexo à NFLD denominado Discriminativo Analítico de Débito e sobre ela são calculadas as contribuições dos segurados, à alíquota de 8%, da empresa, 20%, e para o Seguro Acidente de Trabalho (SAT), 3%. Vejase: Fl. 29145DF CARF MF 41737377187 Realce 41737377187 Realce Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 16 29 Ademais, em face da impugnação e dos documentos apresentados (fls. 321/28573), foi demandada a realização de diligência pelo Serviço de Análise de Defesas e Recursos – ADREC para a análise de incongruências que, segundo a recorrente, teriam sido verificadas na NFLD. Por virtude dessa diligência, analisaramse cada uma das notas fiscais do período de 05/1996 a 01/1999 (lapso temporal não abragido pela decadência), o que resultou na manifestação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba – DRF/CTA, de fls. 28704/28989. Os trechos do expediente da DRF/CTA (fls. 28989/28990), abaixo transcritos, exprimem o resultado do trabalho de revisão levado a efeito pelo Fisco: 2 Atendendo ao disposto no despacho às fls. 852/855 (volume V), copiadas às fls. 28.527/28.530 (volume CXLIII) do antigo Serviço de Análise de Defesas e Recursos, a auditora Eliane Izulina R Ferreira analisou a documentação apresentada pela empresa em sua defesa, conforme relatório fiscal às fls. 28.672 até fls. 28.838 e planilha "Prestadores de Serviço Cessão de Mão de Obra / RETIFICAÇAO DA BASE DE CÁLCULO", de fls. 28.558 até fls. 28.670. 3 Às fls. 28.671, é apresentada a planilha "RESUMO DA BASE DE CÁLCULO ORIGINAL E RETIFICADA", das competências 05/1996 a 01/1999, não abrangidas pela decadência. Foram ratificadas as bases de cálculo das competências 07/1996; 04/1997; 09 e 10/1997; 12/1997; 01/1998; 04 e 05/1998; 08/1998; 10/1998 e 11/1998. Do minucioso trabalho de revisão extraise passagens que dão conta que, diferentemente do que infere a recorrente, foram examinadas as notas fiscais e os demais documentos apresentados, inclusive no tocante à utilização de materiais quando da prestação de serviços objeto dos contratos, o que redundou, digase de passagem, na retificação do lançamento quando se verificou essa hipótese. O fragmento de fl. 28824 é, nesse sentido, revelador: Analisadas as notas fiscais acima relacionadas, referemse a material e mãodeobra. Nas competências em que foram apresentadas as notas fiscais, efetuouse a retificação da base de cálculo, utilizando o percentual de aferição de 20%. Nas demais competências, onde não foram apresentados elementos de defesa, mantémse o débito conforme originalmente apurado. Dito isso, constatase que todos os valores que integram o lançamento foram adequadamente discriminados nos documentos que acompanham a NFLD, pois as asserções extraídas do Relatório Fiscal e dos demais demonstrativos que a integram, assim como do Relatório Fiscal de Diligência, mostramse suficientemente aptos a infirmar as alegações apresentadas nas manifestações da recorrente, eis que i) corroboram a ocorrência de prestação de serviços por inúmeras empresas à autuada, mediante cessão de mãodeobra, apontando claramente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; ii) espelham a determinação da matéria tributável; iii) apresentam a base de cálculo e o montante do tributo devido; iv) identificam adequadamente o sujeito passivo; e v) indicam os fatos e os fundamentos jurídicos que motivaram o lançamento. Fl. 29146DF CARF MF 30 Por tudo isso, não se verifica descumprido nenhum dos requisitos do art. 142 do CTN ou do art. 37 da Lei nº 8.212/1991 ou ofensa ao inciso LV do art. 5º da Constituição tendentes a macular o feito fiscal, sendo descabidos os argumentos fabulados pela recorrente, isto é, ao sujeito passivo foram oferecidos todos os meios para aferir os valores lançados, bem assim para contestálos. Apercebase ainda que, ao revés do que se pretende demonstrar nos apelos, as notas fiscais foram discriminadas no Anexo I, relacionandose satisfatoriamente os serviços prestados. E mais, o trabalho de revisão fiscal demandado pelo Serviço de Análise de Defesas e Recursos resultou em novo exame de todo o lançamento, tendose ali expurgado tudo aquilo que foi indevidamente lançado, seja em razão da prestação de serviços com emprego de materiais, reduzindose a base de cálculo, seja pela exclusão de valores relativos a contratos que não envolviam cessão de mãodeobra. No intuito de indicar a existência de defeitos na NFLD, o sujeito passivo alega também o seguinte: Um exemplo claríssimo dos defeitos da NFLD é dado pela suposta fundamentação legal da cobrança de multa. No tópico atinente à fundamentação legal, aludese a que a matriz para a cobrança da multa no período de apuração até novembro de 1991 seria a Lei n° 8.218/91 (multa de 150%), de dezembro de 1991 a dezembro de 1992 seria a Lei n° 8.383/91 (multa de 60%), de janeiro de 1993 a junho de 1993 a `. Lei n° 8.620/93 (multa de 60%), de maio de 1995 a março de 1997 a Lei 8.620/93 (multa de 60%) e de abril de 1997 a janeiro de 1999, a Lei 8.212/91 (multa de 12%). Porém, o demonstrativo de débito alude a multa de 15%, em todos os períodos abrangidos pela NFLD. Não há, em nenhum tópico da NFLD, qualquer alusão ao fundamento legal dessa cobrança. É impossível formular defesa contra isso. Sobre o assunto, há que se esclarecer que o demonstrativo denominado Fundamentos Legais do Débito, na parte destinada a “Acréscimos Legais – Multa” (fl. 38/39) faz alusão às multas aplicáveis em cada competência do período relativo ao lançamento originário, onde, de fato, houve uma variação percentual na penalidade (que vai de 12% a 150%). Contudo há também no demonstrativo diversas referências à alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, indicando a aplicação da chamada retroatividade benigna. Implica dizer que, não obstante a penalidade ter sido mais severa em determinados interstícios do período fiscalizado, com a aplicação da norma mais benéfica, a recorrente estaria sujeita, caso efetuasse o recolhimento da contribuição em até 15 (quinze) da ciência do lançamento (o que não ocorreu), a multa no percentual de 12% (doze por cento) e, caso contrário, a multa no percentual de 15% (quinze por cento), nos termos das alíneas “a” e “b” do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, vigente à época da autuação. In verbis: Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 29147DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 17 31 a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; [...] Em vista disso, do demonstrativo Fundamentos Legais do Débito consta multa lançada no percentual de 15% (quinze por cento) para todo o período fiscalizado, que, reiterese, seria reduzido para 12% (doze por cento) caso o pagamento tivesse sido efetivado no prazo definido na alínea “a” do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, fato que não se verificou no caso concreto. Inexiste, pois, erro na fundamentação legal da multa, carecendo de base as alegações fomentadas sobre o tema. De mais a mais, verificase completamente descabido o pedido feito na impugnação para a aplicação do alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN ao presente caso visto que tal providência foi adotada ainda por ocasião do lançamento, não existindo, até a data do julgamento por este Colegiado, qualquer outra norma que seja mais benéfica ao sujeito passivo. Demonstrase, dessa forma, neste ponto, a inocorrência prejuízo à ampla defesa ou ao contraditório o que impõe o afastamento da preliminar. NULIDADE DA NFLD: INCORREÇÕES NOS VALORES LANÇADOS Aduz a recorrente que, em razão da imprecisão da notificação de lançamento do débito, não teve condições de impugnar plenamente a pretensão fiscal nela externada e que, tal circunstância, somada ao volume de informações contidas na NFLD tornaramlhe praticamente impossível, mais uma vez, o exercício da ampla defesa e do contraditório, que lhe são assegurados constitucionalmente. Entretanto, logrou identificar erros evidentes cometidos pela autoridade fiscal, que não excluem a existência de outros erros, que deverão ser apurados através das provas a serem produzidas perante o órgão julgador. A identificação de tais erros exigiria o exame de todos os documentos relacionados aos contratos firmados entre a recorrente e as pessoas referidas na NFLD, o que seria impossível no prazo de que dispunha para contraporse à pretensão fiscal. Cita exemplos em que aponta a suposta ocorrência de inexatidão no lançamento. Restou consignado acima a inocorrência de nulidade visto que o lançamento encontrase revestido de todos os elementos necessários à formação da pretensão fiscal. Do mesmo modo, não há evidências do descumprimento de qualquer normativo relacionado ao exercício do direito à ampla defesa ou ao contraditório, inclusive no que se refere a prazo para apresentação de documentos. Ressaltese ainda que, quando da ciência do Relatório Fiscal de Diligência e demais documentos que o acompanharam, o expediente de fl. 28990 reabriu o prazo para a apresentação de impugnação complementar de modo a possibilitar a manifestação da recorrente a respeito do relatório produzido pelo Fisco, sendo descabidas as alegações trazidas no apelo recursal no sentido de que a decisão atacada teria incorrido em cerceamento de defesa por indeferir prazo adicional para manifestação do sujeito passivo. Sobre nulidade no lançamento de crédito tributário, o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, norma que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF em âmbito federal, dispõe: Fl. 29148DF CARF MF 32 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De conformidade com o referido art. 59, constatase que a situação reclamada no apelo recursal não denota a ocorrência de vícios que possam levar à anulação do feito fiscal. Os erros propalados pela recorrente podem, se comprovados, no máximo demandar a retificação do lançamento, consoante estipula o art. 60 do mesmo Decreto nº 70.235/1972: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Pois bem, os argumentos apresentados no recurso voluntário são semelhantes ao que fora veiculado ainda na impugnação. Em razão de tais argumentos e de documentos trazidos aos autos pela recorrente, o Serviço de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva do INSS em Curitiba demandou a realização de diligência para verificação das inexatidões suscitadas pelo sujeito passivo e a DRF/CTA, a partir da análise todos os elementos de prova em que se acostou o lançamento e do que fora apresentado na impugnação, elaborou informação fiscal e emitiu Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR reparando as incorreções verificadas, em absoluta consonância com o art. 60 do Decreto nº 70.235/1972. Asseverese que a providência reclamada pelo sujeito passivo, quanto ao exame de todos os documentos relacionados aos contratos firmados entre si e as pessoas referidas na NFLD, foi plenamente atendida no curso do processo administrativo. Por certo, o que não se acatou foi sua pretensão de ver cancelado todo o lançamento, haja vista os elementos reexaminados pela autoridade fiscal que, na absoluta maioria dos caso, conduziram lhe à conclusão de que as notas fiscais e contratos referiamse a serviços prestados mediante cessão de mãodeobra que sujeitavam a recorrente ao lançamento do tributo. Sobre as incorreções especificamente apontadas na impugnação, e também agora no recurso, essas já foram devidamente analisadas por ocasião do processo de revisão fiscal, bem assim pela decisão de primeira instância administrativa, não havendo reparos a se fazer nas conclusões advindas dessa decisão. Salientese que ao examinar a questão, não houve presunção por parte da DRJ/CTA quanto à correção do lançamento, como quer fazer crê a recorrente, pois o Colegiado a quo tomou sua decisão com base em elementos probatórios concretos carreados aos autos seja pelo Fisco seja pelo próprio sujeito passivo. Para infirmar a pretensão fiscal, a recorrente deveria comprovar, em época própria, que os valores constantes Fl. 29149DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 18 33 das notas fiscais não seriam decorrentes de serviços prestados por cessão de mãodeobra ou que das notas fiscais relativas a cessão de mãodeobra existiam também quantias relacionadas ao emprego de materiais ou ao uso de equipamentos, onde isso foi feito, o crédito tributário foi devidamente retificado. Afastada a preliminar. EXIGÊNCIA DE ENCARGOS INDEVIDOS INVALIDADE DA EXIGÊNCIA DE JUROS CALCULADOS PELA SELIC Consta do acórdão recorrido toda a referência às normas legais relativas aos encargos legais decorrentes do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias, sendo desnecessário reproduzir novamente os dispositivos que tratam da matéria, cabendo, no entanto, reafirmar que a incidência da taxa SELIC como índice de correção dos créditos previdenciários decorre de previsão expressa em lei. Dito isso, não obstante os argumentos trazidos no apelo recursal, a doutrina e a jurisprudência suscitadas, além de toda a discussão jurídica acerca dessa matéria, a teor art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal – PAF, recepcionado com força de lei pelo ordem constitucional vigente, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos elencados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido é o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em relação à segunda instância administrativa: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 29150DF CARF MF 34 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em vista das normas processuais reproduzidas acima, vêse que não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de atos legais ou regulamentares, mediante afastamento de sua aplicação. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei. In verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem a imposição de encargos previstos na legislação de regência sob o fundamento de que as normas correlatas ferem princípios consagrados na Carta da República, como os da proporcionalidade ou vedação ao confisco, pois admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Quanto à pretensa omissão contida no acórdão fustigado, não vejo como atribuir razão à recorrente, visto que a decisão de piso é no mesmo sentido do que aqui se Fl. 29151DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 19 35 esposa, ou seja, conformese ou não a recorrente, não caberia ao julgador a quo se manifestar sobre hipotética inconstitucionalidade de lei tributária para atender seu intento de ver afastada a imposição de encargos à taxa SELIC ao crédito constituído, não havendo que se falar em nulidade da decisão vergastada. Assim, negase provimento ao recurso também neste ponto. DILIGÊNCIAS, PROVA PERICIAL, TESTEMUNHAL E DOCUMENTAL A reclamante dedica boa parte de seu apelo a lamúrias relacionadas ao suposto cerceamento de defesa em razão do indeferimento dito arbitrário de diligência, produção de provas, inclusive testemunhal e realização de perícia. Nos seus devaneios, que tangenciam toda a peça recursal, aponta contradição na decisão recorrida que, de um lado indefere os pedidos de produção de provas em virtude de preclusão e, de outro, declara que não se fez prova das alegações trazidas à lide na fase impugnatória. Diz esperar “o conhecimento e o provimento do recurso para o fim de cassar o acórdão recorrido e determinar a produção das provas requeridas no curso do processo administrativo, especialmente na impugnação, além da apreciação integral dos fundamentos nela veiculados” Inicialmente, convém mencionar que, em relação a produção de provas, perícia e diligência solicitadas, o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, estabelece que Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] V as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 29152DF CARF MF 36 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. [...] (Grifei) Ainda com relação a perícia e diligência, o caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 estatui: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine Especificamente no que respeita a perícia e oitiva de testemunha, embora a recorrente tenha indicado na impugnação profissional para tal fim e formulado os quesitos que diz querer ver elucidados, a simples leitura de tais quesitos evidencia ser descabida a realização desses procedimentos, eis que se referem a análise jurídica de aspectos relacionados ao lançamento ou, quando muito, a valoração dos elementos de prova que integram o processo administrativo. Vejamos: a) Com base no exame de todas as notas fiscais listadas na NFLD 35.273.871 5 e na contabilidade da Impugnante e das respectivas contratadas, pedese que se indique a que se referem os valores objeto da notificação lavrada contra a Impugnante. b) Qual a base de cálculo legal para as contribuições previdenciárias exigidas da Impugnante, na condição de suposta responsável solidária pelos débitos de seus contratados, pela NFLD? c) Com base nos documentos existentes no processo administrativo, queira o Sr. Perito informar se todos os valores indicados nas notas fiscais representam montantes relativos à remuneração de segurados empregados, autônomos ou avulsos que estavam a serviço dos contratados da Impugnante durante a execução dos contratos administrativos. d) A NFLD adotou como base de cálculo, em algum caso, valores relativos a materiais, produtos, reajustes ou outros tributos, que eventualmente constavam das notas fiscais? e) O valor indicado na NFLD como base de cálculo relativa a cada nota fiscal corresponde à base de cálculo legalmente prevista das contribuições previdenciárias devidas, em cada caso, pelos contratados da Impugnante? t) Consta da NFLD ou do processo administrativo que a antecedeu algum exame de informações contábeis dos contratados da Impugnante, destinado a comprovar qual a efetiva remuneração dos prestadores de serviços destes (e, por conseguinte, qual a base de cálculo das contribuições previdenciárias)? g) Consta da NFLD ou do processo administrativo que a antecedeu alguma comprovação de que os valores exigidos da Impugnante encontramse efetivamente em aberto, não tendo ainda sido recolhidos pelos contratados da Impugnante (ou seja, pelos contribuintes originários das contribuições)? h) Consta da documentação anexa à impugnação, dos registros do INSS ou de outras peças do processo administrativo comprovação de que, em algum caso, créditos tributários exigidos da Impugnante na NFLD encontramse pagos ou com a sua exigibilidade suspensa? Fl. 29153DF CARF MF Processo nº 12268.000200/200957 Acórdão n.º 2402006.056 S2C4T2 Fl. 20 37 Em vista disso, não vejo como discordar do entendimento veiculado no voto condutor da decisão recorrida que, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/1972, considerou prescindível a realização de perícia ou a oitiva de testemunhas como forma de responder referidos quesitos. Vejamos o conteúdo do decisum vergastado a esse respeito: Não cabe ser acatado o pedido da autuada em produzir prova pericial e testemunhal, pois os fatos por provar devem ser controvertidos ou controversos, hipótese não ocorrida no presente processo. Procedendo a análise dos autos, vemos que para os elementos de prova existente no processo, é necessário apenas que os documentados sejam analisados pela Auditoria Fiscal da Receita Federal. Basta ser observado que em alguns quesitos formulados o assunto se reduz à mera aplicação da Lei de Custeio e a atos e instruções do INSS e da Receita Federal, quanto aos demais quesitos se prendem exclusivamente a análise de documentos oferecidos na fase de impugnação. Para o exame da prova documental é necessário apenas que o processo seja remetido à Auditoria Fiscal para pronunciamento sobre a autenticidade e eficácia dos documentos apresentados na fase de impugnação, e se referidos documentos são prova suficiente para elidir ou modificar a exigência constituída. No que se refere à produção de prova documental, urge esclarecer que, a teor do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, essa dever ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Não tendo se verificado qualquer das hipóteses previstas na norma, não vejo como se possa deferir tal solicitação. Sobre a necessidade de realização de diligência, convém salientar que foi realizado procedimento dessa natureza com vista ao exame dos inúmeros documentos que, mesmo queixandose da exiguidade de prazo, o sujeito passivo apresentou na fase impugnatório (entre notas fiscais, Guia de Recolhimento da Previdência Social – GRPS e contratos foram apresentadas 28.227 páginas de documentos – vide fls. 447/28673). Na meticulosa empreitada levada a efeito pela DRF/CTA foram examinados absolutamente todos os elementos de prova trazidos aos autos, sendo que o Relatório Fiscal de Diligência (fls. 28989/28990) detalhou os motivo pelos quais manteve ou retificou o lançamento em relação a cada um dos documentos objeto de análise. Conforme reiteradamente consignado no recurso voluntário, a recorrente achou baixo o quantum excluído da NFLD, mas isso não serve de fundamento para nova diligência, pois não sobreveio nenhum evento que pudesse modificar o posicionamento assentado pelo Fisco naquele relatório. Por todas essas razões, ao tempo em que não verifico a ocorrência de cerceamento do direito de defesa, nego provimento ao recurso no que se refere à anulação do Fl. 29154DF CARF MF 38 acórdão e indefiro os pedido para a produção de novas provas, inclusive testemunhais, realização de perícia ou de diligência. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de indeferir os pedidos para a produção de novas provas e realização de perícia ou diligência, afastar as preliminares e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 29155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906775/2012-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para analisar os documentos acostados na manifestação de inconformidade e no Recurso Voluntário e, caso entenda necessário, intime o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a confirmar a existência do alegado indébito.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para analisar os documentos acostados na manifestação de inconformidade e no Recurso Voluntário e, caso entenda necessário, intime o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a confirmar a existência do alegado indébito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, não houve reconhecimento de direito creditório tendo sido considerado insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 06 77 5/ 20 12 -0 5 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10875.906775/201205 Resolução nº 3001000.054 S3C0T1 Fl. 80 2 Manifestação de Inconformidade Relata a recorrente ter recolhido a maior, valores a título de COFINS. Erro na apuração Segundo consta, teria a contribuinte apurado, equivocadamente, a Cofins, sendo que, após revisar sua escrita, constatou o alegado equívoco. DCTF Confessa ter transmitido a DCTF com o valor equivocado, não a tendo retificado posteriormente., motivo pelo qual, julga, não ter sido homologada a compensação. DACON Os valores constantes da DACON dariam conta do valor acertado de COFINS, diverso, portanto, da DCTF original. DRJ/JFA A decisão sobre a manifestação de inconformidade apresentada teve a seguinte ementa: Acórdão 0960.050 1ª Turma ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/04/2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: Trata o presente processo de PER/DCOMP 36383.45582.200711.1.3.040825, com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$162.350,24, recolhido em 25/04/2011. Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10875.906775/201205 Resolução nº 3001000.054 S3C0T1 Fl. 81 3 Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que em síntese e entre outros aspectos, reafirma a pretensão expressa no PER/DCOMP ora analisado, e, ainda, que o crédito informado é suficiente para a compensação do(s) débito(s) declarado(s). Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF do contribuinte, quando da entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, caberia ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na respectiva DCTF. Por oportuno, transcrevo, também, o seguinte excerto do voto condutor do Acórdão nº 380302.491 anteriormente citado: “Observase que por entender suficiente à comprovação de seu direito, a contribuinte acostou aos autos apenas, copias de DARF, de DCTF e de DACON (originais e retificadores). Tais documentos, todavia, não evidenciam, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Inexistindo provas técnicas, contábeis e jurídicas de que as operações não se realizaram ao arrepio da lei, há que ser acatado o ato administrativo realizado” (g.n.). Assim, considerando que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos que incontestavelmente comprovassem o crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise. Recurso Voluntário Conforme narrado anteriormente, o contribuinte alega ter incidido em erro ao proceder a apuração da Cofins. DCTF e DACON Sustenta ter lançado os valores corretos na DACON, em que pese ter lançado os valores equivocados na DCTF, sem têla retificado. Ausência de Provas A fim de suprir o fundamento da decisão de piso, relativa à ausência de instrumentos probantes, junta, neste momento, memória de cálculo e diversas partes do livro razão. É o relatório. Voto Conclusão Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10875.906775/201205 Resolução nº 3001000.054 S3C0T1 Fl. 82 4 Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem, analise os documentos acostados no recurso voluntário e, caso entenda necessário, intime o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a confirmar a existência do alegado indébito, no que tange à alegação de ter incorrido em erro na apuração Cofins. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.016231/2004-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº. 2
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1002-000.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº. 2 Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins - Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.016231/200422 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.035 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 06 de março de 2018 Matéria IRPJ. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente GNG REPRESENTACOES COMERCIAIS SC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº. 2 Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 62 31 /2 00 4- 22 Fl. 72DF CARF MF 2 Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 43 à 61) interposto contra o Acórdão n° 1612.825, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (efls. 33 e 37), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Lançamento Procedente Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário. Por representar acurácia no resumo dos fatos apresentados em primeira instância, peço vênia para transcrever os termos do relatório da decisão da DRJ de origem, os quais estribaram os pleitos da Contribuinte: Por meio do Auto de Infração de fl. 17, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 2.000,00, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao Io, 2o, 3o e 4o trimestre do ano calendário de 1999. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3o e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 4o combinado com o artigo 2o da Instrução Normativa SRF n° 73/98; artigo 2o e 5o da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5o do DL 2124/84 e artigo 7o da MP n° 118/01 convertida na Lei n° 10.426/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 a 15, na qual alega, em síntese o seguinte: que o auto de infração em tela é nulo, posto que, a d. autoridade fiscal autuante desconsiderou o fato de que a administração publica é regida, dentre outros, pelo principio da busca pela verdade material, sendo certo que, apenas o conhecimento das Fl. 73DF CARF MF Processo nº 19679.016231/200422 Acórdão n.º 1002000.035 S1C0T2 Fl. 3 3 DCTF do período de 1999, não são suficientes para a lavratura do referido auto de infração; que a(s) DCTF(s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN; que a multa ora exigida tem caráter confiscatório. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os pleitos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter entregue a declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Sustenta, ainda, ocorrência de inconstitucionalidade e ilegalidade, decorrentes da aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória (oriunda do atraso na entrega da DCTF). Esses argumentos foram fundamentadamente afastados no juízo a quo, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF: No mérito, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão interna da declaração, permitido pela legislação. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2o do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3o, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazê Fl. 74DF CARF MF 4 lo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Portanto, havêla entregue e ter recolhido todos os impostos declarados nos prazos previstos em lei, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer entendimento em contrário implicaria tornar letra morta os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. Em relação à figura da denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. (...) Quanto ao caráter confiscatório da multa imposta, é de se registrar que os questionamentos relativos a leis e atos regularmente inseridos no ordenamento jurídico exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada. (...) Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. No que cinge às ilegalidades levantadas pela recorrente, tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Nessa trilha, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Reforço, ainda, que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade. Logo, não há que se arguir nessa instância o eventual efeito confiscatório da multa. Há, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 19679.016231/200422 Acórdão n.º 1002000.035 S1C0T2 Fl. 4 5 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Relator Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.720939/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO
É possível o reexame de período já fiscalizado, quando autorizado por autoridade competente, conforme previsão legal.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO
Não caracteriza mudança de critério jurídico o lançamento fiscal decorrente de reexame de período já fiscalizado, quando não houve lançamento no procedimento fiscal anterior.
ERROS DE CÁLCULO. LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
As irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade do lançamento fiscal, e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.
MULTA DE OFÍCIO
Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada.
JUROS DE MORA
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5).
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA.
Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza.
GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. RESERVA DE REAVALIAÇÃO.
O custo de aquisição das quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros, será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista, o que não se aplica à incorporação de reservas de reavaliação.
Numero da decisão: 2202-004.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, foi rejeitada proposta de diligência para verificação de fato novo ensejador do reexame de fiscalização, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dílson Jatahy Fonseca Neto. Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, vencido o Conselheiro Dílson Jatahy Fonseca Neto. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO É possível o reexame de período já fiscalizado, quando autorizado por autoridade competente, conforme previsão legal. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Não caracteriza mudança de critério jurídico o lançamento fiscal decorrente de reexame de período já fiscalizado, quando não houve lançamento no procedimento fiscal anterior. ERROS DE CÁLCULO. LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. As irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade do lançamento fiscal, e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. MULTA DE OFÍCIO Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada. JUROS DE MORA São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5). PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. O custo de aquisição das quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros, será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista, o que não se aplica à incorporação de reservas de reavaliação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, foi rejeitada proposta de diligência para verificação de fato novo ensejador do reexame de fiscalização, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dílson Jatahy Fonseca Neto. Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, vencido o Conselheiro Dílson Jatahy Fonseca Neto. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
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MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Não caracteriza mudança de critério jurídico o lançamento fiscal decorrente de reexame de período já fiscalizado, quando não houve lançamento no procedimento fiscal anterior. ERROS DE CÁLCULO. LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. As irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade do lançamento fiscal, e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. MULTA DE OFÍCIO Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada. JUROS DE MORA São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5). PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 09 39 /2 01 1- 51 Fl. 513DF CARF MF 2 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. O custo de aquisição das quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros, será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista, o que não se aplica à incorporação de reservas de reavaliação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, foi rejeitada proposta de diligência para verificação de fato novo ensejador do reexame de fiscalização, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dílson Jatahy Fonseca Neto. Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, vencido o Conselheiro Dílson Jatahy Fonseca Neto. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0956311, proferido pela 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Foi lançado o Imposto sobre Renda de Pessoa Física, decorrente de omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, relativo ao ano Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15504.720939/201151 Acórdão n.º 2202004.332 S2C2T2 Fl. 514 3 calendário 2007, no montante de R$ 2.411.720,38 (dois milhões quatrocentos e onze mil setecentos e vinte reais e trinta e oito centavos), incluídos multa de ofício e juros de mora. Consta no Termo de Verificação Fiscal: 1. O contribuinte supraidentificado foi selecionado para fiscalização em decorrência do Memorando RFB/ESPEI06 nº MG20090036, no qual relata denúncia recebida de sonegação e fraude de imposto de renda, especificamente, quanto à alienação de participação societária da empresa CEMEA CONSTRUTORA LTDA CNPJ 01.138.680/000177, cujo único bem era o imóvel denominado "Sítio Lagartixa". Segundo a denúncia, os sócios cotistas Francisco de Azevedo Neto e Nelson Furtado de Azevedo (MPF nº 06.1.01.00.2011.007834) promoveram a reavaliação do Sítio Lagartixa sem a comprovação de laudo pericial que atestasse, de forma legal, a valorização resultante. Depois da reavaliação do bem imóvel, a empresa Cemea Construtora Ltda integralizou a reserva de reavaliação correspondente ao capital, aumentando o capital social, para em seguida os sócios efetuarem a venda de suas quotas representativas de participação no capital social à empresa GERDAU, sem o pagamento do imposto devido; [...] 2. Considerando que o contribuinte já havia sido submetido à fiscalização relativamente ao anocalendário de 2007 (MPF nº 06101002009017925), tornouse imperativa a autorização para o segundo exame, consoante disposto no art. 906 do Regulamento do Imposto de RendaRIR/99. A autorização para o reexame de exercício já fiscalizado foi emitida em 05 de Abril de 2011, pela Delegada da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (documento anexo ao processo administrativo fiscal); [...] 5. Analisando previamente a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda do exercício de 2008, anocalendário 2007 DIRPF/2008, especificamente o quadro referente à discriminação de bens e direitos, constatamos que contribuinte alienou suas quotas representativas de participação no capital social da empresa CEMEA CONSTRUTORA LT DA à empresa GERDAU AÇOMINAS S/A, CNPJ 17.227.422/000105; O Auditor Fiscal faz um resumo dos eventos ocorridos na empresa, de acordo com as alterações contratuais registradas na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (JUCEMG), onde consta que: · os únicos bens da CEMEA eram: 1 (um) Terreno rural de 153,00 hectares, localizado no Município de Itabirito MG; e 1 (um) Terreno rural de 580,80 hectares, localizado no Município de Urucânia MG. · o capital social em 31/05/2004 era de R$ 5.345.085,00, assim distribuído: Fl. 515DF CARF MF 4 CELSO MELLO DE AZEVEDO 5.332.085 cotas R$ 5.332.085,00 DALCA FURTADO DE AZEVEDO 10.000 cotas R$ 10.000,00 NELSON FURTADO DE AZEVEDO 1.000 cotas R$ 1.000,00 FRANCISCO DE AZEVEDO NETO 1.000 cotas R$ 1.000,00 EDUARDO FURTADO DE AZEVEDO 1.000 cotas R$ 1.000,00 R$ 5.345.085,00 · com a morte de Celso Mello de Azevedo, 50% de suas quotas corresponderam a sua cônjuge Dalca Furtado de Azevedo, e a outra parte foi dividida entre seus 5 filhos na proporção de 10% para cada um. · em 12/06/2006 houve redução do capital social para 1.495.000,00 com a transferência do montante de R$ 3.850.085,00 da conta Prejuízo Acumulado; · em 12/06/2006 houve cisão parcial da CEMEA, ficando o capital assim distribuído: NELSON FURTADO DE AZEVEDO 101.318 cotas R$ 101.318,00 FRANCISCO DE AZEVEDO NETO 101.318 cotas R$ 101.318,00 EDUARDO FURTADO DE AZEVEDO 100.318 cotas R$ 100.318,00 MARIA H. AZEVEDO VASCONCELOS MELO 101.023 cotas R$ 101.023,00 CELSO FURTADO DE AZEVEDO 101.023 cotas R$ 101.023,00 R$ 505.000,00 · em 12/06/2006, com a cisão, foi constituída e empresa Urucânia Agropecuária Ltda, tendo sido vertido para seu patrimônio o terreno rural de 580,80 hectares com suas benfeitorias e o dinheiro em caixa da empresa CEMEA, no montante de R$ 882,45, conforme Laudo de Avaliação Patrimonial, emitido pela CSN, Castro, Serra, Nirdo Auditores Independentes. O capital social da nova empresa ficou com a seguinte distribuição: DALCA FURTADO DE AZEVEDO 989.000 cotas R$ 989.000,00 EDUARDO FURTADO DE AZEVEDO 1.000 cotas R$ 1.000,00 R$ 990.000,00 · em 12/06/2006, os sócios Eduardo Furtado, Maria Helena e Celso Furtado, venderam suas quotas para Nelson Furtado de Azevedo e Francisco de Azevedo Neto, e a nova composição societária da CEMEA ficou da seguinte forma: NELSON FURTADO DE AZEVEDO 252.500 cotas R$ 252.500,00 FRANCISCO DE AZEVEDO NETO 252.500 cotas R$ 252.500,00 R$ 505.000,00 · depois da cisão, a DIPJ/2007 da CEMEA, relativa ao período de 13/06/2006 a 31/12/2006, apresentou as seguintes alterações: Conta Antes Depois Terrenos do Ativo Permanente R$ 888.000,00 R$ 15.711.000,00 Capital Realizado R$ 505.000,00 R$ 15.597.414,00 Reservas de Avaliação 0,00 0,00 · em 23/08/2006, foi emitido Laudo de Reavaliação do único bem da CEMEA (terreno rural de 153 hectares "Sítio Lagartixa"), que estava Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15504.720939/201151 Acórdão n.º 2202004.332 S2C2T2 Fl. 515 5 contabilizado no valor de R$ 352.000,00 passou para R$ 15.711.000,00. Segundo esse Laudo a área total do terreno era de 223,68 hectares e não 153 hectares; · em 29/09/2006, o Capital Social da CEMEA aumentou de R$ 505.000,00 para R$ 15.597.414,00, mediante a incorporação de: Conta Valor (R$) Reserva de Reavaliação do terreno rural 14.835.602,04 Créditos em contra corrente 256.414,44 Moeda corrente 397,52 Total 15.092.414,00 · com essa alteração o Capital Social ficou da seguinte forma: NELSON FURTADO DE AZEVEDO 7.798.707 cotas R$ 7.798.707,00 FRANCISCO DE AZEVEDO NETO 7.798.707 cotas R$ 7.798.707,00 R$ 15.597.414,00 Sobre esse fato, o Auditor Fiscal considerou: • É de bom alvitre registrar que o valor das 7.798.7007 quotas de capital, constante na Alteração do Contrato Social datada de 29/09/2006, registrada na junta comercial em 06/10/2006, reflete apenas e tão só o valor contábil daquelas quotas, isto é, 7.798.7007 quotas valor contábil R$ 7.798.707,00. Portanto, há que se fazer a distinção entre valor contábil e o custo efetivo das quotas, como mais adiante assim faremos. · em 09/01/2007, Nelson Furtado de Azevedo vendeu 7.798.706 cotas para GERDAU AÇOMINAS S/A, e 1 cota para GRUPO GERDAU EMPREENDIMENTOS LTDA, todas ao valor unitário de R$ 1,00. E Francisco de Azevedo Neto vendeu todas as suas cotas para GERDAU AÇOMINAS S/A, ao valor unitário de R$ 1,00. Sobre esse fato, o Auditor Fiscal fez a seguinte consideração: 12. É de suma importância destacar que, consoante Ata da Reunião do Conselho de Administração da GERDAU AÇOMINAS S/A, datada de 27/12/2006, publicada no Boletim Diário Interno nº 002/2007, de 03/01/2007, da BOVESPA, o único interesse da Gerdau era aquisição do terreno rural (sítio Lagartixa) e não a aquisição propriamente dita da empresa CEMEA CONSTRUTORA LTDA; [...] 15. O contribuinte anteriormente intimado a apresentar o Laudo de Avaliação Patrimonial, conforme art. 8o da Lei nº 6.404/76, com a precisa descrição da reavaliação do bem imóvel da empresa Cemea Construtora Ltda, apresentou um documento de mais de 120 (cento e vinte) páginas, referente ao Laudo de Avaliação Patrimonial Fl. 517DF CARF MF 6 do Sítio da Lagartixa, emitido pela Ética Engenharia de Avaliações Patrimoniais Ltda CNPJ 25.572.512/0001 53 (Anexo II do PAF); 16. Examinado o Laudo de Avaliação Patrimonial não encontramos qualquer indício de inidoneidade. A data de avaliação foi 23/08/2006, houve a precisa descrição do imóvel e de todas as suas benfeitorias, e a precisa descrição dos métodos matemáticos aplicáveis, que resultaram no valor de avaliação final de R$ 15.711.000,00 (Quinze milhões, setecentos e onze mil reais). Além disso, ao final, consta em anexo o curriculum vitae do responsável técnico da empresa Marcelo Corrêa Mendonça CPF 319.640.95620, e a anotação de responsabilidade técnica (ART) no CREA MG; 17. Portanto, a afirmação contida na denúncia de reavaliação patrimonial realizada sem a indispensável comprovação de fatos econômicos, financeiros ou mesmo jurídicos não procede; 18. Notese, ademais, que segundo a cópia da Escritura pública de compra e venda de Bens Imóveis, referente à aquisição de uma parte do imóvel que compõe o Sítio Lagartixa, adquirido pela CEMEA em 21/10/2004, o valor de compra importou em R$ 200.000,00 (Duzentos mil reais), conforme Anexo I do PAF; Ao narrar sobre o custo de aquisição de quotas societárias, o Auditor Fiscal faz a seguinte ressalva: 19. Contrariamente ao que alegou o contribuinte, o custo de aquisição das 7.798.707 quotas representativas do capital social da empresa CEMEA CONSTRUTORA LTDA não se constitui no valor contábil, ou seja, R$ 1,00 cada quota perfazendo o montante de R$ 7.798.707,00 (sete milhões, setecentos e noventa e oito mil, setecentos e sete reais) e sim R$ 310.326,13 (trezentos e dez mil, trezentos e vinte e seis reais e treze centavos), conforme adiante explicitado; 20. O sócio Nelson Furtado de Azevedo ao receber 7.546.207 quotas representativas de participação no capital social da empresa Cemea Construtora, a título de bonificação por conta da incorporação ao capital social de reserva de reavaliação, o custo de aquisição das 7.546.207 quotas foi igual a zero; Cita o parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95, e conclui que: 22. Com efeito, o parágrafo único retrotranscrito é cristalino ao dispor sobre o custo de aquisição de quotas ou ações societárias recebidas a título de bonificações em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros. Portanto, somente na incorporação de lucro ou reserva de lucros ao capital social, o custo de aquisição das quotas ou ações recebidas em bonificação será igual à parcela do lucro ou da reserva de lucros capitalizados; Fl. 518DF CARF MF Processo nº 15504.720939/201151 Acórdão n.º 2202004.332 S2C2T2 Fl. 516 7 23. Como se vê, a legislação não contemplou o mesmo procedimento a ser aplicado no caso de incorporação ao capital social de reserva de reavaliação, conseqüentemente o recebimento de quotas bonificadas, mediante incorporação de reserva de reavaliação não implica em alteração do valor de aquisição das quotas de participação societária, portanto, seu custo de aquisição é igual a zero; Diante desses fatos, o Auditor Fiscal determina o custo das quotas do recorrente, representativas do capital social da CEMEA, que se resume na sequência de quadros: Até 2004 Quotas integralizadas Qte. Quotas Custo (R$) 1.000 1.000,00 2005 Herança Qte. Quotas Recebidas Nova composição acionária do sócio Custo Total Quotas Custo Aquisição Custo Médio 350.296 105.577,20 351.296 106.577,20 0,303382902 2006 Alteração do Contrato Social (Cisão) em 12/06/2006 Evento 1 Evento 2 Evento 3 Evento 4 Redução Capital Cisão Transf. Quotas Versão Parcial do Patrimônio Redução Capital De Transferências de Quotas Entre os Sócios Qte. Quotas Custo Médio Custo Aquisição Irmão Custo Aquisição 351.296 0,303382902 106.577,20 101.023 101.023,00 Para Qte. Quotas Custo Médio Custo Aquisição Irmã Custo Aquisição 101.318 0,303382902 30.738,15 50.159 50.159,00 Totalização Custo Aquisição Custo Médio 101.318 30.738,15 101.023 101.023,00 Nova composição acionária do sócio 50.159 50.159,00 Total Quotas Custo Aquisição Custo Médio 252.500 181.920,15 0,7204758416 252.500 181.920,15 0,7204758416 2006 Alteração do Contrato Social de 29/09/2006 Aumento do Capital Social, com aumento de cotas De Qte. Quotas Custo Médio Custo Aquisição Incorporação de Reservas de Reavaliações 252.500 0,7204758416 181.920,15 Para R$ 14.835.602,04 Fl. 519DF CARF MF 8 Qte. Quotas Custo Médio Custo Aquisição Conta Corrente 128.207,22 7.798.707 Moeda Corrente 198,76 Custo Aquisição Custo Médio Qte. Quotas Custo Médio Custo Aquisição Cotas anteriores 181.920,15 Bonificação 0,00 Conta Corrente 128.207,22 Moeda Corrente 198,76 310.326,13 0,03979199757 7.798.707 0,03979199757 310.326,13 A Autoridade Fiscal noticia que no Contrato de Compra e Venda de Quotas de Sociedade Empresarial Ltda, consta que o valor da aquisição das 15.597.414 foi pactuado em R$ 15.210.737,05, pago por meio de 02 Transferências Eletrônicas Disponíveis (TED), no valor de R$ 7.605.368,53, em 02/01/2007, nas contas correntes de Nelson Furtado de Azevedo e Francisco de Azevedo Neto, montante este que foi usado para determinar o ganho de capital na alienação de participações societárias, no valor de R$ 7.294.980,00, resultando em imposto de renda incidente sobre ganhos de capital no montante de R$ 1.094.247,00. Em função desses fatos, o Auditor Fiscal efetuou o lançamento fiscal, aplicando a multa de ofício de 75%. Cientificado da autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 398/416), que foi julgada improcedente pela DRJ/JFA, cujo acórdão tem a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 PROCESSOS CONEXOS. APENSAMENTO DISPENSÁVEL. Deve ser indeferido pedido de apensação de processos administrativos conexos de contribuintes diferentes. PRELIMINAR. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. Havendo autorização escrita do Delegado da Receita Federal para iniciar novo procedimento fiscal em relação a período anteriormente já fiscalizado, não há que se falar em nulidade do lançamento decorrente, sobretudo quando não ocorreu hipótese de mudança de critérios jurídicos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 NORMAS COMPLEMENTARES. FISCALIZAÇÃO ANTERIOR. Fiscalização anterior não constitui norma complementar do Direito Tributário, por não se enquadrar no conceito de ato administrativo ou prática reiteradamente observada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2007 ALIENAÇÃO DE QUOTAS. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 15504.720939/201151 Acórdão n.º 2202004.332 S2C2T2 Fl. 517 9 Na alienação, pelo sócio, de quotas ou ações recebidas por conta da incorporação ao capital social de reserva de reavaliação, o custo de aquisição, para efeitos da determinação do ganho de capital, será igual a zero. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão da DRJ/JFA, cuja ciência se deu em 22/01/2015, o recorrente apresentou Recurso Voluntário em 19/02/2015, repisando os argumentos da impugnação, que são por ele resumidos nos seguintes trechos: A referida decisão, entretanto, não merece prosperar, tendo em vista que: a) Preliminarmente, a autuação fundase em alteração do critério jurídico anteriormente fixado pela fiscalização, o que é vedado segundo o art. 146 do CTN, uma vez não ter havido qualquer alteração fática capaz de fundamentar a mudança interpretativa que deu ensejo ao lançamento; b) Não há qualquer dispositivo legal capaz de respaldar a atribuição de custo zero de aquisição às quotas recebidas pelo Recorrente, em virtude aumento de capital mediante incorporação da reserva de reavaliação; c) A conduta do Recorrente foi absolutamente regular, uma vez que respaldada no que autoriza a IN SRF nº 84/2001. Dos pedidos: Requer provimento do recurso para reformar a decisão de primeira instância, com a consequente extinção do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Das preliminares Critério jurídico O recorrente aduz que a autuação decorre de reexame de fiscalização anteriormente realizada, oportunidade em que foram fornecidos todos os documentos e o Fisco entendeu não se tratar de hipótese de recolhimento de IRPF, entretanto, após denúncia de Fl. 521DF CARF MF 10 sonegação fiscal, a DRF/BH adotou entendimento diverso, atribuindo valor zero ao custo de aquisição das quotas emitidas em 2006 para aumento de capital da CEMEA, alterando, assim, interpretação anteriormente conferida ao § 2º do art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001. Aduz que, ao contrário do que consta no acórdão recorrido, não se tratou de hipótese em que a omissão de capital não foi detectada, mas de conduta do recorrente considerada totalmente regular pela primeira fiscalização. E o lançamento não deveria prevalecer, vez que representaria "incontinência do Fisco em relação aos atos normativos dele próprio emanados", e abalaria a segurança jurídica. Cita art. 146 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), e diz que a modificação de critérios jurídicos nele mencionada alcança os atos normativos, que são ditados de publicidade e formalidade próprias. Não assiste razão ao recorrente. Entendo que não houve qualquer mudança de critério jurídico adotado pelo Auditor Fiscal. Como bem explicado pelo acórdão recorrido, "o art. 146 do CTN veda ao Fisco a introdução de modificações, benéficas ou não ao contribuinte, em lançamentos inteiros, perfeitos e acabados, em homenagem à certeza e segurança das relações jurídicas". Assim, não tendo sido efetuado qualquer lançamento à época do primeiro procedimento fiscal, não há como aceitar que o Auditor Fiscal tenha aplicado novo critério jurídico, ou se tenha consolidado qualquer entendimento do Fisco. Veja que o art. 149 do CTN aventa a possibilidade de revisão de ofício do lançamento nas hipóteses nele listadas, nos levando a compreensão de que essa revisão também pode ser feita por meio de um procedimento fiscal para reexame do período objeto do lançamento, a teor do art. 41 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: Art.41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). (Grifei). Portanto, não há impedimento legal para que o Fisco proceda a uma nova fiscalização, ou faça um reexame do procedimento anterior, a fim de verificar se os fatos foram analisados conforme determina a legislação. E, se do reexame ficar constatada a ocorrência de fato gerador passível de tributação, a Autoridade Fiscal não pode deixar de efetuar o respectivo lançamento, simplesmente porque a empresa já foi fiscalizada no período sobre reexame. Aliás, esse procedimento é perfeitamente permitido, nos termos do art. 906 do Decreto nº 3.000/99, que dispõe sobre a possibilidade de reexame de período já fiscalizado, caso autorizado pelas autoridades nele listadas. No caso dos autos, essa autorização consta às fls. 30, que tem como justificativa "fatos e circunstâncias não percebidas quando da fiscalização anterior". Por fim, o recorrente diz que o julgador de primeira instância corrobora sua tese, ao afirmar que a IN SRF nº 84/2001 "transcendendo ao texto da lei (...) admite que seja usado esse critério para os lucros e quaisquer outras reservas que sejam incorporadas ao capital social". Fl. 522DF CARF MF Processo nº 15504.720939/201151 Acórdão n.º 2202004.332 S2C2T2 Fl. 518 11 Ora, a decisão exarada pela DRJ/JFA não acata a tese do recorrente, que desvirtua as palavras do julgador, o qual ao utilizar essas palavras o faz dentro de outro contexto: Como se pode observar, a lei dá um alcance menor à não incidência de Imposto de Renda sobre a capitalização de reservas do que a Instrução Normativa. O artigo 10, § único, da Lei nº 9.249/1995, bem como o artigo 135 do RIR/99, determinam que se considere, para cálculo do ganho de capital, como custo de aquisição das quotas, o valor incorporado ao capital social proveniente do lucro acumulado ou das reservas constituídas a partir do lucro. A IN SRF nº 84/2001, no entanto, transcende ao texto da lei e do Regulamento do Imposto de Renda e admite que seja usado esse critério para os lucros e quaisquer outras reservas que sejam incorporadas ao capital social. Por óbvio que, por conta da hierarquia existente entre os atos normativos, a única interpretação que se poderia dar ao artigo 16 da IN SRF nº 84/2001 é à luz do § único do artigo 10 da Lei n° 9.249/1995. Além disso, de acordo com o artigo 176 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), a isenção "é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão". Portanto não cabe à Instrução Normativa estabelecer os critérios e, muito menos, a abrangência da isenção. Estes já estão previamente definidos na norma legal. Incumbe à Instrução Normativa apenas estabelecer os requisitos operacionais para a inserção da norma de isenção no mundo dos fatos. Assim, a leitura que se deve dar ao texto da IN, quando se refere a "lucros e reservas" incorporados ao capital social, deve ser "lucros e reservas constituídas com esses lucros", conforme clara dicção do texto legal. (Grifei). Portanto, o julgador a quo apenas usa essas palavras para explicar que o texto da Instrução Normativa deve ser interpretado à luz do parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/1995, razão pela qual deixou de afastar o lançamento fiscal. Da exclusão das multas e juros O recorrente pugna a exclusão das multas e juros, alegando que a responsabilidade pela falta de recolhimento do imposto foi do Fisco, por ter realizado procedimento fiscal, em que não houve lançamento, levandoo a entender que sua conduta estava regular. Este tópico, por envolver questões de mérito, será analisado em momento oportuno. Do erro material não analisado pela decisão recorrida O recorrente afirma que a fiscalização cometeu erro quanto ao número e ao custo de aquisição das quotas adquiridas pelos irmãos após o falecimento do pai. Apontáos no seguinte trecho: Fl. 523DF CARF MF 12 [...] Em verdade, conforme aduz o TVF, pg. 6/18, evento 3, o Recorrente adquiriu 100.318 quotas de Eduardo Furtado Azevedo, ao preço de R$ 100.318,00, e 50.864 quotas de Maria Helena Azevedo, ao preço de R$ 50.864,00, ao passo que o quadro que sintetiza os custos e datas de aquisição das quotas indica aquisições de 101.023 quotas de Eduardo Furtado Azevedo, ao preço de R$101.023,00 e de 50.159 quotas de Maria Helena Azevedo, ao preço de R$50.159,00. Com o objetivo de apurar o valor das alienações das quotas da empresa CEMEA CONSTRUTORA LTDA, a fiscalização examinou o contrato de compra e venda e constatou que o objeto do contrato foi a aquisição da totalidade das 15.597.414 quotas da empresa pelo preço pactuado de R$ 15.210.737,05, valor este dividido igualmente entre os dois sócios. Contudo, ao determinar o ganho de capital passível de tributação auferido na operação, o fiscal erroneamente o calculou como sendo R$ 7.294.980,00 o que resultou em um imposto de renda devido no valor de R$ 1.094.247,00. Primeiramente, cumpre observar que essa alegação não foi suscitada em sede de impugnação, levando a sua preclusão consumativa, a teor do inciso III do art. 16 e art. 17 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)." Contudo, na ocorrência de erros que possam ser corrigidos de ofício, entendo pertinente verificar as dúvidas do recorrente em relação aos valores alegados. Assim, de acordo com a alteração contratual (fls. 71/72) a transferência de quotas se deu da seguinte forma: 03 MOVIMENTAÇÃO DE COTAS DE CAPITAL Retiramse da CEMEA CONSTRUTORA LTDA os sócios EDUARDO FURTADO DE AZEVEDO, CELSO FURTADO DE AZEVEDO e MARIA HELENA AZEVEDO DE VASCONCELLOS MELO, transferindo aos sócios NELSON FURTADO DE AZEVEDO e FRANCISCO DE AZEVEDO NETO as suas cotas, da seguinte forma: a) O sócio EDUARDO FURTADO DE AZEVEDO transfere ao sócio NELSON FURTADO DE AZEVEDO 100.318 (cento mil trezentas e dezoito) cotas, pelo valor total R$ 100.318,00 (cento mil trezentos e dezoito reais); b) O sócio CELSO FURTADO DE AZEVEDO transfere ao sócio FRANCISCO DE AZEVEDO NETO 101.023 (cento e um mil e Fl. 524DF CARF MF Processo nº 15504.720939/201151 Acórdão n.º 2202004.332 S2C2T2 Fl. 519 13 vinte e três) cotas, pelo valor total de R$ 101.023,00 (cento e um mil e vinte e três reais); c) A sócia MARIA HELENA AZEVEDO DE VASCONCELLOS MELO transfere ao sócio NELSON FURTADO DE AZEVEDO 50.864 (cinqüenta mil oitocentas e sessenta e quatro) cotas, pelo valor de R$ 50,864,00 (cinqüenta mil oitocentas e sessenta e quatro reais), e ao sócio FRANCISCO DE AZEVEDO NETO 50.159 (cinqüenta mil cento e cinqüenta e nove) cotas, pelo valor de R$ 50.159,00 (cinqüenta mil cento e cinqüenta e nove reais). (Grifei). Apesar de, no quadro sintético, o Auditor Fiscal ter trocado o valor das quotas adquiridas pelo recorrente de seus irmãos, o custo de aquisição apresentado pelo autuante não se altera, pois o custo médio permanece o mesmo, conforme se verifica nos quadros abaixo: VALORES APRESENTADOS PELA FISCALIZAÇÃO Totalização Custo Aquisição Custo Médio 101.318 30.738,15 101.023 101.023,00 Nova composição acionária do sócio 50.159 50.159,00 Total Quotas Custo Aquisição Custo Médio 252.500 181.920,15 0,7204758416 252.500 181.920,15 0,7204758416 VALORES BASEADOS NA TRANSFERÊNCIA DE COTAS Totalização Custo Aquisição Custo Médio 101.318 30.738,15 100.318 100.318,00 Nova composição acionária do sócio 50.864 50.864,00 Total Quotas Custo Aquisição Custo Médio 252.500 181.920,15 0,7204758416 252.500 181.920,15 0,7204758416 Uma vez que o Auditor Fiscal considerou como custo zero as participações societárias decorrentes da capitalização de reserva de reavaliação, o custo calculado por ele foi R$ 310.326,13, como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal. Na determinação do ganho de capital, o valor de alienação foi dividido por 2 (dois sócios), e o resultado deduzido do custo de aquisição das quotas do recorrente: Valor da Alienação 15.210.737,05 Número de sócios 2 Valor da alienação por sócios 7.605.368,53 Custo de aquisição por sócio 310.326,13 Ganho de capital 7.295.042,40 Imposto devido (15%) 1.094.256,36 Conforme se verifica, o valor do imposto apurado pelo Auditor Fiscal (R$ 1.094.247,00) é inferior ao demonstrado na tabela acima. Entretanto, tal fato não descaracterizaria o lançamento, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/99: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 525DF CARF MF 14 Portanto, conforme acima observado, não haveria razão para qualquer ajuste ao lançamento, que, do contrário, agravaria a exigência fiscal. Do mérito Da indevida atribuição de custo zero O defendente aduz que, o fato de o parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95 referirse às participações de capitalização de lucro e de reservas com ele constituídas, não permite inferir que as demais formas de aquisição de participações societárias não contempladas pelo dispositivo levariam à atribuição de custo zero à aquisição das quotas, pois seria necessário pontualmente dizer qual a base legal para essa atribuição, e assim o lançamento não teria arrimo de lei, porque o dispositivo citado não prevê expressamente o custo zero às participações decorrentes de aumento de capital por incorporação da reserva de reavaliação. Arrazoa que não socorre ao Fisco a invocação do art. 130 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR), de forma genérica e desarticulada dos fundamentos da autuação, pois o aumento de capital e as quotas recebidas pelo recorrente o foram em 2006, não lhes alcançando o disposto no inciso II do § 2º do artigo citado, que, além disso, referese a lucros e reservas de lucro, sendo contraditório fundamentar a autuação em normas que ele reputa inaplicáveis ao aumento de capital por incorporação da reserva de reavaliação. E interpreta que o termo reservas do dispositivo mencionado é amplo, da mesma forma que no § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Analisa ainda que esse dispositivo deve ser interpretado em sintonia com a Lei nº 9.249/95, por meio da qual o lucro distribuído deixou de ser tributado na pessoa detentora da participação societária, evitando a bitributação, na pessoa jurídica que realiza o lucro e na pessoa titular da participação nessa sociedade. Diz que da mesma forma, na apuração do ganho de capital decorrente de alienação de participações societárias, passouse a admitir a não tributação na pessoa detentora da participação, da parte relativa ao valor de venda da participação já tributada como lucro na pessoa jurídica, assim a legislação atribuiu custo diferente de zero, passando a corresponder à parcela do lucro ou da reserva constituída com lucros já tributados na pessoa jurídica, conforme art. 10 da Lei nº 9.249/95. Afirma que no caso em comento, a tributação segue a mesma lógica: a reserva de reavaliação é tributada na pessoa jurídica, e o valor de entrada (custo) das quotas oriundas da capitalização da reserva de reavaliação não e tributado na pessoa ao alienante da participação (seja jurídica ou física), precisamente porque a reserva de realização, ainda que capitalizada, é tributada na pessoa jurídica que detém o bem reavaliado. Assevera ser inadmissível tributar a referida reserva duas vezes, argumentando que o custo das participações societárias recebidas por ele em função da capitalização da reserva é a parcela que lhe cabe do aumento de capital. Afirma que a ementa do acórdão nº 10196784, de 30/05/2008, da Primeira Câmara, do Primeiro Conselho de Contribuintes, e a Solução de Consulta nº 282, de 30 de novembro de 2000, da 8ª Região Fiscal corroboram esse entendimento. Acrescenta ser inaplicável a Solução de Consulta nº 415, de 08/12/2006, citada pelo acórdão recorrido. Informa que o bem reavaliado permaneceu entre os bens da Sociedade CEMEA, não se podendo falar em realização, porque o objeto da alienação foi as cotas da Fl. 526DF CARF MF Processo nº 15504.720939/201151 Acórdão n.º 2202004.332 S2C2T2 Fl. 520 15 sociedade e não o bem imóvel. Entende que apenas com a alienação pelo seu proprietário é que se dará a incidência, não do IRPF, mas do IRPJ, a quem deve ser imputado o ganho de capital, ou seja, à CEMEA, cujo capital foi integralizado por meio da incorporação da reserva de reavaliação do "Sítio Lagartixa". Entendo não assistir razão ao recorrente, o art. 130 do Decreto nº 3.000/99, dispõe sobre o custo de aquisição de bens e direitos, descrevendo em cada situação ou evento ocorrido, como ele é considerado, asseverando que o custo de aquisição nos casos de quotas de capital será a média ponderada de seus custos unitários. Portanto, tal dispositivo regulamentar não está desarticulada da fundamentação da autuação como afirma o recorrente, ao contrário, está em perfeita consonância com os fatos, visto que a auditoria demonstrou de forma didática toda a evolução das participações societárias do recorrente, proveniente das alterações do capital social da CEMEA, em que houve redução, aumento, cisão, alienações, tornando perfeitamente aplicável o art. 130 já citado. No mesmo sentido, o § 1º do art. 10 da Lei nº 9.249/95, e o § 1º do art. 130 do Decreto nº 3.000/99 dispõem sobre o custo de aquisição de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, dispondo que o custo será a parcela desse lucro ou reserva. Dessa forma, os dispositivos apresentam quais os eventos que compõem esse custo de aquisição, ou seja, lucros ou reservas de lucros. Quisesse a Lei incluir outras reservas que não apenas as de lucros, teria expressamente disposto a respeito, nos termos dos artigos 111 e 176 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Aliás, o acréscimo da parcela de lucro ou de sua reserva ao custo de aquisição das participações societárias é para garantir a não tributação da distribuição de lucros, conforme reconhecido pelo recorrente. Isso é o que se depreende pelo histórico da legislação sobre a tributação dos lucros distribuídos, brilhantemente narrado pelo ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Processo 12448.736152/201135, Acórdão nº 9202 003.700, julgado em 27 de janeiro de 2016, e que aqui é trazido para esclarecer ao recorrente que o termo reserva incluso no § 3º do art. 16 da Lei nº 7.713/88, bem como no § 2º da IN SRF nº 84/2001, corroborados pelo § 1º do art. 10 da Lei nº 9.249/95, e §1º do art 130 do Decreto nº 3.000/99 só pode ser interpretado segundo essa finalidade: Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: Fl. 527DF CARF MF 16 o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. [...] Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei nº 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. [...] Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Em seu socorro, o recorrente afirma que a mesma lógica da aplicação da inclusão dos lucros distribuídos ao valor do custo de aquisição das participações societárias deve ser aplicada à reserva de reavaliação, pois esta é tributada na pessoa jurídica. Ocorre que, no caso dos autos, mesmo que assim fosse, o recorrente deveria trazer elementos suficientes da ocorrência dessa tributação na pessoa jurídica. Nesse sentido, tornase oportuno analisar como se dá a tributação dessa reserva na pessoa jurídica, nos termos dos artigos 434 a 438 do Decreto nº 3.000/99, e art. 4º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000. Decreto nº 3.000/99 Seção II Reavaliação de Bens Subseção I Reavaliação de Bens do Permanente Diferimento da Tributação Art.434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de Fl. 528DF CARF MF Processo nº 15504.720939/201151 Acórdão n.º 2202004.332 S2C2T2 Fl. 521 17 reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). §1ºO laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. §2ºO contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §2º). §3ºSe a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, §1º, alínea "h", e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). Tributação na Realização Art.435.O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. Reavaliação de Bens Imóveis e de Patentes Art.436. A incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bens imóveis integrantes do ativo permanente, nos termos do art. 434, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº1.978, de 21 de dezembro de 1982, art. 3º). §1ºNa companhia aberta, a aplicação do disposto neste artigo fica condicionada a que a capitalização seja feita sem modificação do número de ações emitidas e com aumento do valor nominal das ações, se for o caso (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §2º). §2ºAos aumentos de capital efetuados com a utilização da reserva de que trata este artigo, constituída até 31 de dezembro de 1988, aplicamse as normas do art. 63 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, e às reservas constituídas nos anos de 1994 e Fl. 529DF CARF MF 18 1995 aplicamse as normas do art. 658 (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §3º). §3ºO disposto neste artigo aplicase à reavaliação de patente ou de direitos de exploração de patentes, quando decorrentes de pesquisa ou tecnologia desenvolvida em território nacional por pessoa jurídica domiciliada no País (DecretoLei nº2.323, de 26 de fevereiro de 1987, art. 20). Art.437.O valor da reavaliação referida no artigo anterior, incorporado ao capital, será (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §1º): Iregistrado em subconta distinta da que registra o valor do bem; IIcomputado na determinação do lucro real de acordo com o inciso II do art. 435, ou os incisos I, III e IV do parágrafo único do art. 439. Reavaliação de Participações Societárias Avaliadas pelo Valor de Patrimônio Líquido Art.438. Será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contrapartida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §3º). (Grifei) Lei nº 9.959/2000 Art.4ºA contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. (Grifei) Diante desses dispositivos, concluise que a reserva de reavaliação só é tributada com a efetiva realização do bem reavaliado. Nesse sentido, veja o que dispõe a Norma Brasileira de Contabilidade T 19.6 Reavaliação de Ativos, D.O.U.: 06/09/2004, (alterada para NBC TG 27, D.O.U.: 04/08/2009): 19.6.11. TRIBUTOS SOBRE A REAVALIAÇÃO 19.6.11.1. A reserva da reavaliação positiva deve ser registrada líquida dos tributos, em conta destacada no patrimônio líquido. 19.6.11.2. A parcela correspondente aos tributos incidentes sobre a reavaliação deve ser registrada no passivo exigivel a longo prazo, sendo transferida para o passivo circulante, à medida que os ativos forem sendo realizados. As eventuais oscilações nas alíquotas dos tributos devem ser reconhecidas em contrapartida da reserva de reavaliação. 19.6.11.3. O passivo dos tributos incidentes sobre a reserva de reavaliação não deve ser constituído para ativos que não se realizam por depreciação, amortização ou exaustão, como é o Fl. 530DF CARF MF Processo nº 15504.720939/201151 Acórdão n.º 2202004.332 S2C2T2 Fl. 522 19 caso de terrenos, e para os quais não haja qualquer perspectiva de realização por alienação. [...] 19.6.13. REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO 19.6.13.1. A reserva de reavaliação é considerada realizada na proporção em que se realizarem os bens reavaliados, devendo ser transferida para lucros ou prejuízos acumulados, sem transitar pelas contas do resultado. 19.6.13.2. A reserva de reavaliação não pode ser utilizada para aumento de capital ou amortização de prejuízo, enquanto não realizada. 19.6.13.3. A entidade deve considerar realizados os valores de reavaliação de seus bens e os de suas controladas ou coligadas, cujos investimentos são avaliados por equivalência patrimonial, à medida que ocorrer um dos seguintes fatos:a) depreciação, amortização ou exaustão dos bens reavaliados, que tenham sido registradas como custo ou como despesa operacional;b) baixa dos bens reavaliados;c) baixa de investimentos em controladas ou coligadas que tenham bens reavaliados. (Grifei). Veja que a realização de um bem se dá com sua depreciação, amortização, exaustão ou alienação, e pelas normas contábeis, apenas com a realização do bem reavaliado é que a reserva de reavaliação é transferida para lucros ou prejuízos acumulados. Portanto, apenas nessa situação poderiam integrar o custo de aquisição, caso esses lucros ou reservas decorrentes deles fossem utilizadas para aumento de capital social. Assim, as participações societárias decorrentes de aumento de capital com reservas de reavaliação segue a regra geral do § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713/88, em que o custo de aquisição é igual a zero, visto que, conforme informado pelo recorrente, não houve a alienação do imóvel, que permaneceu no patrimônio da CEMEA. Aliás, esse entendimento está em consonância com o fundamento do acórdão nº 10196784, de 30/05/2008, trazido pelo recorrente para suportar seus argumentos, de onde se extrai o seguinte trecho: No entanto, o art. 4º da Lei nº 9.959/2000, com vigência posterior aos dispositivos acima, determina que a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, o que, entendo, se aplica ao caso concreto, uma vez que a reserva objeto do presente lançamento é reflexa à reavaliação de bens na pessoa jurídica investida. O dispositivo legal acima, na verdade, vem a assegurar que obrigação tributária esteja vinculada à essência econômica da reavaliação, na medida em que a obrigação tributária somente seja exigível quando economicamente concretizados e confirmados os efeitos da reavaliação. Destaquese que o aumento do capital social, mediante o uso da reserva, não gera qualquer efeito definitivo, econômico ou fiscal, Fl. 531DF CARF MF 20 para a contribuinte, já que, caso não confirmado o valor da reavaliação, por ocasião da realização do bem, poderá reconhecer as perdas e reduzir, em igual proporção, o capital social. Apenas em relação aos acionistas da contribuinte é que os efeitos do aumento do capital social podem ser tornar economicamente definitivos, considerando que o aumento de capital social, conforme respectiva Assembléia Geral Extraordinária que o autorizou, como se confere na correspondente ata constante dos autos, resultou no aumento do valor nominal de suas ações. Se este aumento do valor nominal for reconhecido, pelos acionistas, como aumento, não tributável, no custo de aquisição das ações, deverá ser realizada a correspondente glosa na apuração de eventual ganho de capital, por ocasião de possível alienação das ações. No entanto, na glosa no custo de aquisição das ações, o sujeito passivo da obrigação tributária, e, assim, do respectivo lançamento, será o seu acionista, e não a contribuinte. (Grifei). Aliás, o voto vencedor no Acórdão nº 9101002.949 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 3 de julho de 2017, teve o mesmo entendimento sobre a tributação da reserva de reavaliação na pessoa jurídica, conforme se extrai do seguinte trecho: Ocorre que o art. 4º da Lei nº 9.959/2000 aplicase somente aos efeitos da reavaliação de bens constantes do ativo da própria empresa, conhecida como reavaliação espontânea. Caso a contribuinte tivesse utilizado reserva de reavaliação de seus próprios bens para fins de aumento de seu capital social, seu caso enquadrarseia nesta hipótese legal, o que efetivamente significaria a impossibilidade de tributação do valor utilizado na operação. O entendimento desse trecho é que, quando a capitalização ocorre com a reserva de reavaliação de bens da própria pessoa jurídica, como ocorreu nos presentes autos, não haverá tributação nela do valor utilizado na operação. Portanto, o recorrente não trouxe aos autos elementos que demonstrasse que tenha ocorrido dupla tributação. E não cabe a alegação de que a tributação ocorrerá em um segundo momento quando a CEMEA alienar o imóvel, porque, conforme transcrito no acórdão nº 10196784, de 30/05/2008, a capitalização da reserva de reavaliação não gera efeitos econômicos ou fiscais definitivos para a pessoa jurídica, pois quando da realização do bem, se não for confirmado o valor da reavaliação, as perdas poderão ser reconhecidas com a consequente redução do capital social, o que levaria à não tributação. Com essa interpretação, fica evidente o porquê de o art. 10 da Lei nº 9.249/95 se referir a reserva de lucros e não qualquer outra reserva, justamente porque nas demais reservas não se pode determinar que haverá a tributação na pessoa jurídica, por isso as reservas de lucro são expressamente previstas na lei, como integrantes do custo de aquisição das participações societárias. O recorrente aduz que o § 2º do art. 16 da IN SRF nº 84/2001 referese às reservas de forma ampla, não cabendo ao intérprete ignorála, deixandoa de interpretála de forma sistemática. Não concorda com o argumento da decisão recorrida de que essa instrução se trataria de norma hierarquicamente inferior, cujo conteúdo estaria violando o disposto na lei. Disciplina que as instruções expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil têm caráter normativo, com finalidade de interpretar a legislação tributária, e que a Lei Fl. 532DF CARF MF Processo nº 15504.720939/201151 Acórdão n.º 2202004.332 S2C2T2 Fl. 523 21 nº 9.249/95 veio para interpretar a legislação do imposto de renda relativo às pessoas jurídicas, enquanto a IN SRF nº 84/2001 teve a finalidade específica de apuração e tributação de ganhos de capital na alienação de bens e direitos por pessoas físicas. Não há como acatar as alegações do recorrente. Conforme já ressaltado no acórdão recorrido, cuja fundamentação adoto como razões de decidir, as reservas a que se refere a IN SRF nº 84/2001 não abrange qualquer reserva, mas especificamente as reservas de lucros. Além disso, o § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713/88 não trata de reserva de forma mais ampla, tanto que o dispositivo traz a expressão "que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei", da mesma forma, o § 1º do art. 130 do RIR também se refere à condição de terem sido tributados: "que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713/98. Somese a isso que, o art. 41 do Decreto nº 3.000/99 ao se referir a não incidência da tributação sobre os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros apurados a partir de 1º de janeiro de 1996, traz como referência o art. 10 da Lei nº 9.249/95, o que reforça o entendimento de que ele deve ser interpretado conforme essa Lei, e, portanto, o termo "reservas" constante no caput do art. 41 daquele Decreto tratase das "reservas de lucro". Art.41.Não estão sujeitos à incidência do imposto os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros apurados: [...] IV a partir de 1º de janeiro de 1996, por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). (Grifei) É certo que a Lei nº 9.249/95 dispõe sobre o imposto de renda das pessoas jurídicas, mas produz efeitos sobre os sócios e acionistas também pessoas físicas, como bem ressaltado no caput do art. 10 c/c seu § 1º: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. § 1oNo caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados, a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (Grifei) Considerando que o parágrafo é interpretado com seu artigo, é certo que o § 1º acima transcrito ao se referir a sócio ou acionista, engloba tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas. Assim, não se pode cogitar que a interpretação da IN SRF nº 84/2001 seja dissociada do disposto na Lei nº 9.249/95. Fl. 533DF CARF MF 22 Por fim, o recorrente entende que a venda das quotas da CEMEA não gerou ganho de capital tributável, e as quotas recebidas em herança têm valor nominal de R$ 1,00, sendo esse o custo a ser considerado, por isso o custo das quotas anteriores é de R$ 252.000,00, e o "custo total das ações alienadas pelo Recorrente é de R$ 7.798.707,00, inferior (sic) ao preço de venda, não havendo, portanto, apuração de ganho de capital.". Sem razão o recorrente. Conforme demonstrado anteriormente, o custo de aquisição das quotas é calculado pelo custo médio unitário, nos termos do art. 130 do Decreto nº 3.000/99, como descrito pela auditoria (fls. 22/23). Por seu turno, o valor da alienação segue o que determina o art. 123 do mesmo Decreto, ou seja, o preço efetivamente recebido, conforme demonstrado pela fiscalização, e constante no Contrato de Compra e Venda de Quotas de Sociedade Empresarial Ltda (fls. 110/118). O recorrente apenas alega genericamente que o custo de aquisição tenha sido R$ 7.798,707,00, entretanto, não apresenta qualquer prova que demonstre essa afirmação. Voltando ao tópico sobre a exclusão das multas e juros, o recorrente alega que à luz do art. 100, incisos I e III, do CTN, não deve ser imposto a ele encargos em virtude de mora, porque o próprio Fisco teve responsabilidade pelo não recolhimento do tributo, quando o submeteu a procedimento fiscal, no qual não o impôs qualquer reparo, levandoo a entender ser regular sua conduta. Primeiramente, há que se observar que ato normativo, conforme já ressaltado no acórdão recorrido, é uma das fontes utilizadas pelo Direito Tributário para disciplinar aspectos sobre tributação. Segundo, o recorrente não demonstrou que a falta de lançamento sobre a matéria aqui discutida decorre de uso, costume ou de interpretação sedimentada pelo Fisco; pois, como observou a autoridade de primeira instância, a interpretação da IN SRF nº 84/2001 deve ser feita à luz do art. 10 da Lei nº 9.249/95. Além disso, o fato de não ter sido lançado o tributo que ora se discute, no primeiro procedimento fiscal, não impede que o Fisco o faça em procedimento posterior, observado o prazo decadencial, se constatado que os fatos observados no segundo procedimento e não observados no primeiro, são passíveis de tributação. Ademais, não há nos autos qualquer indicativo de que no primeiro procedimento fiscal foram analisados os mesmos elementos/documentos, assim como, a mesma matéria objeto do presente lançamento. Dessa forma, não há que se falar em exclusão da multa e juros, se aplicados em conformidade com o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e o § 3º do art. 61 da mesma Lei, respectivamente. Portanto, correto o julgamento de primeira instância, não cabendo qualquer alteração na exigência fiscal. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso para, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Fl. 534DF CARF MF Processo nº 15504.720939/201151 Acórdão n.º 2202004.332 S2C2T2 Fl. 524 23 Fl. 535DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.003303/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2002
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de conseqüência, homologar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e a liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 1402-000.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de conseqüência, homologar as compensações tributárias pleiteadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e a liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.003303/200317 Acórdão n.º 140200.628 S1C4T2 Fl. 412 2 Topsports Ventures S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 7ª Turma da DRJ Rio de Janeiro/RJ01, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em 16/04/2003, a interessada apresentou DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – DCOMP, (retificadora da DCOMP apresentada em 14/02/2003 – processo administrativo nº 10768.100359/200319, apenso ao presente), pretendendo compensar os débitos mediante aproveitamento de crédito decorrente do saldo negativo de imposto de renda e de contribuição social, do anocalendário de 2002, nos valores de R$ 147.925,94 e R$ 21.735,55, respectivamente. Posteriormente, apresentou diversas DCOMP, fls. 46/134, além dos processos administrativos de nºs 10768.003304/200361 (retifica processo nº 10768.0002048/200395), 10768.003118/200322 e 10768.004002/200319, todos compensando débitos com o mesmo crédito. Após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DERAT/RJ, fls. 170, com base no Parecer Conclusivo nº 97/2008, fls. 167/169, reconhecendo parcialmente o direito creditório, nos valores de R$ 110.132,78 de saldo negativo de IRPJ, e de R$ 18.837,92 de saldo negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 2002, homologando as declarações de compensação até o limite do crédito. O deferimento parcial teve como fundamento as seguintes constatações: Os pagamentos de estimativa de IRPJ foram confirmados no montante de R$ 118.127,80 e imposto retido na fonte no total de R$ 11.159,21. Deduzindo o imposto a pagar de R$ 19.154,23, apurouse o saldo negativo de IRPJ de R$ 110.132,78. Os pagamentos de estimativa de CSLL foram confirmados no montante de R$ 30.330,46. Deduzindo a CSLL a pagar de R$ 11.492,54, apurouse o saldo negativo de CSLL de R$ 18.834,92. Após os procedimentos de compensação, restaram os débitos listados às fls. 195. Assim, foi exarado Despacho Decisório de fls. 192, determinando: HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL das Declarações de Compensação de fls. 01/02 do presente processo (retificadora da de fls. 01/02 do processo apenso n° 10768.100359/200319), fls. 20/21 do processo apenso n° 10768.003304/200361 (retificadora da de fls. 01/02 do processo apenso n° 10768.002048/200395 e das fls. 01/02 do processo n° 10768.003304/200361), fls. 19/20 do processo apenso n° 10768.003118/200322 (retificadora da de fls. 01/02 do processo apenso n° 10768.100359/200319) e fls. 13/14 do processo apenso n° 10768.004002/200319 (retificadora da de fls. 01/02 do processo n° 10768.004002/200319), e das DCOMP's eletrônicas de n°s 17464.95476.170604.1.7.027279 (retificadora da de n° 15434.51649.130603.1.3.028103) às fls. 76/81, 17897.32262.170604.1.7.027796 (retificadora da de n° 08191.51391.100703.1.3.027407) às fls. 83/88, 24814.32247.170604.1.7.023059 (retificadora da de n° 35448.50166.120803.1.3.022760) às fls. 89/94 e 04648.50433.170604.1.7.029059 (retificadora da de n° 29758.60388.150903.1.3.024400) às fls. 46/51, todas do presente processo, NÃO HOMOLOGAÇÃO das DCOMP's eletrônicas de n°s 38550.70417.101203.1.3.022614, fls. 56/59, 16220.01439.060404.1.7.022550 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.003303/200317 Acórdão n.º 140200.628 S1C4T2 Fl. 413 3 (retificadora da de n° 21431.21066.150104.1.3.020207, fls. 127/130), fls. 131/134, 13359.11151.090204.1.3.025837, fls. 60/63, 18010.42925.030304.1.3.028195, fls. 64/67, 12198.99084.170304.1.3.020902, fls. 68/71, 12980.99487.060404.1.3.02 3923, fls. 95/100, 03735.13069.040504.1.3.022307, fls. 52/55, e 20676.51964.100504.1.3.029176, fls. 72/75, todas do presente processo; HOMOLOGAÇÃO PARCIAL da DCOMP eletrônica de n° 22915.52363.170604.1.7.020808 (retificadora da de n° 26635.08603.121103.1.3.028914, fls. 101/111) de fls. 112/122 do presente, na qual resta um saldo devedor no valor de R$1.691,30 (um mil seiscentos e um reais e trinta centavos), conforme quadro de fl. 190. Cientificada da decisão em 03/07/2008, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade em 04/08/2008, fl. 207/219, alegando: .A tempestividade da manifestação de inconformidade. A diferença de R$ 40.490,79 fundamentouse em suposta utilização pela requerente de valores de imposto de renda retido na fonte maiores do que os teriam sido efetivamente recolhidos e, ainda, em suposta divergência de créditos relativos à contribuição social sobre o lucro. Alega a nulidade do ato administrativo, pois não conseguiu aferir as razões que levaram à homologação apenas parcial do crédito reclamado. Também seria nulo pela discrepância entre os valores de R$ 40.490,79, correspondente à diferença entre o saldo credor pleiteado e o deferido, e o valor de R$ 47.964,13, total de valores devidos, observandose uma injustificável diferença de R$ 7.000,00. O fato infringente não está especificado e os valores constantes do auto são discrepantes, inviabilizando o exercício do direito de defesa e justificam a nulidade do lançamento. Logo, é forçoso concluir pela nulidade do Despacho Decisório, ou ao menos no que se refere ao excesso de cobrança identificado. Alega o cerceamento de defesa, pois foi intimada a demonstrar o saldo credor, mas a intimação foi encaminhada ao endereço antigo. Em razão disso, foi intimada pela via edital. Assim, foi negado o direito de apresentar documentação comprobatória de sua defesa naquela oportunidade e, por conseguinte, acresceuse ao valor do suposto débito penalidades moratórias. Se não declarada a nulidade do ato, solicita a redução das penalidades moratórias incidentes sobre o valor do crédito não homologado. Quanto ao mérito, afirma que a fiscalização deveria ter comprovado que os rendimentos declarados não condiziam com a realidade, e que a requerente não teria suportado o ônus do imposto e nem tampouco teria oferecido os rendimentos à tributação. Para comprovação, traz todas as Notas Fiscais de serviços prestados em 2001 e 2002, bastando analisar tais documentos para comprovar que todos os valores recebidos e declarados sofreram retenção na fonte. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.003303/200317 Acórdão n.º 140200.628 S1C4T2 Fl. 414 4 Cabe à fonte pagadora a responsabilidade pela ausência do devido recolhimento. Se a Delegacia mantiver o lançamento, a requerente suportará uma segunda vez o ônus do valor que já lhe foi retido. Apresenta pagamentos de CSLL no montante de R$ 35.888,68, superior ao valor de R$ 30.330,46 apurado pela Administração, sendo que o saldo negativo efetivo a compensar é de R$ 24.396,14. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 21.930 (fls. 386392) de 26/11/2008, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa (artigo 170 do CTN). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 Ementa. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa (artigo 170 do CTN).” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 29/01/2009 (A.R. de fl. 397), a interessada interpôs recurso voluntário em 27/02/2009 (fls. 402408) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Irresignada, a interessada apresentou recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação. Por sua pertinência, peço vênia ao autor da Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.003303/200317 Acórdão n.º 140200.628 S1C4T2 Fl. 415 5 decisão DRJ para adotar seus fundamentos, abaixo transcritos, como razão de decidir no presente caso. “Quanto ao mérito, interessante trazer alguns esclarecimentos com base no Parecer Conclusivo nº 97/2008. O deferimento parcial da declaração de compensação ocorreu porque não foram comprovados os saldos negativos de IRPJ e CSLL informados na DIPJ/2003, sendo apuradas as seguintes divergências, conforme tabelas abaixo: DIPJ/2003 Apurado Diferença IR s/ Lucro Real 19.154,23 19.154,23 IR retido na fonte 19.947,81 11.159,21 8.788,60 IR pago 146.932,36 118.127,80 28.804,56 Saldo Negativo IRPJ 147.725,94 110.132,78 CSLL apurada 11.492,54 11.492,54 CSLL paga 33.228,09 30.330,46 2.897,63 Saldo Negativo CSLL 21.735,55 18.837,92 Total 40.490,79 Com base nas informações supra, concluise que o crédito não reconhecido decorre de pagamentos de IRPJ não comprovados, no total de R$ 28.804,56, imposto de renda retido na fonte (IRRF) não comprovado, no total de R$ 8.788,60, e pagamentos de CSLL não comprovados no total de R$ 2.897,63. Quanto aos pagamentos de IRPJ, a interessada não traz qualquer contestação. Quanto ao imposto retido na fonte, uma vez que o crédito se refere ao saldo negativo do anocalendário de 2002, serão desconsideradas as Notas Fiscais concernentes ao anocalendário de 2001, fls. 249/304, assim como os comprovantes dos rendimentos financeiros de 2001, fls. 347/348. Quanto às Notas Fiscais apresentadas, concernentes a serviços prestados em 2002, não são documentos hábeis para comprovação do imposto de renda retido na fonte. Constatase nos documentos apresentados, fls. 306/344, que há apenas a referência do valor do imposto de renda devido, mas o total da Nota Fiscal é integral, sem qualquer desconto, a exceção da Nota Fiscal nº 056, fls. 310. Logo, contrariando suas afirmações, não restou comprovado que a interessada já teria sofrido o ônus do imposto quando do recebimento pelos serviços. Ademais, constatase que, na descrição do serviço prestado nas Notas Fiscais, quando é possível identificálo, há referência a “Prestação de serviço de assessoria de marketing esportivo”. O objeto social da empresa, segundo seu contrato social, fls. 09, seria de “prestação de serviços de assessoria na área esportiva e de consultoria em geral”. Ainda, em 30 de abril de 2007, foi feita alteração no objeto social, fls. 227, justificada “em razão da expansão das atividades da Companhia na área de telecomunicações”, para (i) explorar serviços de telecomunicações, (ii) importar e exportar programas de rádio e televisão gravados ou não, e (iii) produzir, comercializar, administrar, inclusive via Internet ou qualquer outro meio de transmissão, obras audiovisuais, textos, fotos ou outros conteúdos de qualquer natureza, inclusive produzidos por terceiros. Ora, tais fatos me levam a concluir, s.m.j. que foram prestados serviços de propaganda. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.003303/200317 Acórdão n.º 140200.628 S1C4T2 Fl. 416 6 A natureza da prestação de serviços é relevante, pois, com base na IN SRF n° 123/92, que dispõe sobre o cálculo e o recolhimento do imposto de renda na fonte sobre serviços de propaganda e publicidade, o imposto a ser retido deverá ser recolhido pelas próprias agências de propaganda, por conta e ordem do anunciante. Ou seja, a fonte pagadora deveria pagar à agência de propaganda o valor original acordado pelo serviço, sem a retenção do imposto. Caberia a própria beneficiária a incumbência do recolhimento do imposto devido. Foi o que ocorreu no presente caso, ratificando a conclusão quanto à natureza da prestação de serviços. Nas Notas Fiscais apresentadas, do anocalendário de 2002, com menção a serviços de marketing, há apenas a referência do imposto de renda a ser retido, mas o valor total é o original acordado, sem qualquer dedução. Logo, não restou comprovado o imposto de renda retido na fonte, conforme a planilha apresentada pela interessada, às fls. 305. Por fim, os pagamentos de CSLL apresentados, fls. 353/360, são estimativas do anocalendário de 2001, não sendo o objeto de restituição deste processo.” Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 13005.001286/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos devem ser rejeitados de pronto conforme regimento interno deste Conselho.
Numero da decisão: 3201-003.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Não havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos devem ser rejeitados de pronto conforme regimento interno deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 12 86 /2 00 9- 99 Fl. 357DF CARF MF 2 Trata o presente processo de embargos declaratórios opostos pela União em fls. 342, que alega a existência de omissão no julgado do Acórdão de fls. 335, que foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Ano calendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO E O CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência os documentos que comprovam o direito creditório, é correta e devida a homologação do pedido de compensação. Precedentes. Fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional CTN e Art. 66 da Lei 8.383/91." Os embargos afirmaram a existência de omissão no Acórdão, nos seguintes termos: (i) quanto a existência do débito e do crédito; (ii) sobre a dependência/ repercussão do que restou decidido nos autos n. 11020.901485/200802 sobre o presente feito. O Despacho de admissibilidade de fls 353 assim concluiu pela admissibilidade dos Embargos: "A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração em face do Acórdão 3201002.824, de 27/04/2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO E O CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência os documentos que comprovam o direito creditório, é correta e devida a homologação do pedido de compensação. Precedentes. Fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional CTN e Art. 66 da Lei 8.383/91. Os embargos são tempestivos: a Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão de recurso voluntário no dia 20/06/2017, conforme Despacho de Encaminhamento à fl.341, e apresentou os embargos em 30/06/2017, conforme Despacho de Encaminhamento à fl.350. Por oportuno, cumpre relembrar que, nos termos do § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010, os procuradores serão considerados intimados após o término do prazo de 30 dias, contados do recebimento dos autos. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13005.001286/200999 Acórdão n.º 3201003.272 S3C2T1 Fl. 358 3 A Embargante alega que ocorreram omissões no acórdão recorrido. O excerto de seus embargos, transcrito a seguir, identifica o vício suscitado: “Não ficou devidamente claro no acórdão embargado em quais documentos/ provas o Colegiado se baseou para entender como comprovado o indébito de Cofins de Agosto de 2004. No relatório fiscal elaborado em razão de diligência apenas ficou comprovado que o débito da Cofins de agosto/2004, no valor de R$ 369.267,52 foi quitado mediante compensação com Crédito Presumido de IPI do 2º trimestre no processo n° 11065.002256/200536. A autoridade fiscal chega a afirmar de modo expresso que “no processo n° 11065.002256/200536 não consta qualquer discussão atinente a eventual direito creditório relativo à Cofins do mês de agosto de 2004”. Portanto, se por um lado foi confirmada a quitação do débito relativo à Cofins do mês de agosto de 2004, por outro lado não ficou demonstrada ser esse pagamento indevido ou feito a maior. Em nenhum dos feitos administrativos ficou comprovado o indébito. Nesse sentido, a decisão embargada é omissa, pois promove a homologação das compensações efetuadas, nada obstante não ter indicado nenhuma prova constante dos autos de que a quitação do débito de Cofins do mês de agosto de 2004 ocorreu de forma indevida ou a maior. Há ainda outra omissão no julgado. [...] a decisão embargada não analisou a dependência/ repercussão do que restou decidido nos autos n. 11020.901485/200802 sobre o presente feito. Vejase que essa relação de prejudicialidade dos presentes autos em relação ao processo n. 11020.901485/200802 é reconhecida pelo contribuinte e referendada pela DRJ de origem. Todavia, a decisão embargada não se debruçou sobre essa questão, razão pela qual é omissa. Consoante andamento processual extraído do sitio eletrônico do CARF não se tem notícia de que há pronunciamento favorável e definitivo ao contribuinte nos autos n. 11020.901485/200802 reconhecendo o alegado direito creditório discutido nestes autos. Aliás, no feito, foi proferido o Acórdão n. 9303003.196 negando provimento ao recurso especial interposto pelo interessado e mantendo inalterada a conclusão exposta no Acórdão nº 32102 00.897, acima citado pela DRJ. Nesse contexto, o acórdão foi omisso, pois, não observou e/ou não se pronunciou sobre essa particularidade.” São esses os fatos. Os embargos de declaração podem ser interpostos nas hipóteses previstas no artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim dispõe: Fl. 359DF CARF MF 4 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Analisando o acórdão vergastado constatase a omissão. Não consta do voto condutor do acórdão embargado a fundamentação em relação à matéria, sendo necessário o retorno à turma julgadora para se aclarar o decisum, sanando as omissões apontadas, a saber: (i) em quais documentos/provas o Colegiado se baseou para entender como comprovado o indébito de Cofins de Agosto de 2004; e (ii) análise da dependência/repercussão do que restou decidido nos autos 11020.901485/200802 sobre o presente feito. O CPC/ 2015 assim dispõe sobre a fundamentação da decisão: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Com base nos argumentos acima e considerando a determinação contida no art. 65, § 7º do Regimento Interno do CARF, dou seguimento aos embargos de declaração. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13005.001286/200999 Acórdão n.º 3201003.272 S3C2T1 Fl. 359 5 Encaminhese ao relator, Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, a fim de que indique o processo para pauta com proposta de saneamento do vício apontado." Os autos foram distribuídos e pautados conforme determinação do Presidente desta Turma apresentada acima, no despacho de admissibilidade. É este o breve relato que importa ao julgamento dos Embargos de Declaração. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme Art. 65, §3.º, do Anexo II do regimento interno deste conselho e manual dos conselheiros, os embargos declaratórios que não possuírem os requisitos para sua propositura devem ser rejeitados de imediato. Verificase na leitura do Acórdão Embargado de fls. 335 que não há qualquer omissão, contradição ou obscuridade conforme alegado. Isto porque o Acórdão embargado foi claro em afirmar que a compensação indevida de Cofins este não existente no período de agosto de 2004, conforme pode ser verificado na Dacon e DCTF de fls. 16 dos autos , gerou o pagamento indevido deste Cofins e, consequentemente, o crédito. Esta é a lide principal dos autos, que foi, de forma regular, amplamente debatida durante a sessão de julgamento e decidida em unanimidade. Como foi exposto no julgamento do Acórdão embargado, independentemente das palavras utilizadas no relatório fiscal referente à diligência de fls. 326, é possível verificar nos autos duas informações cruciais: 1 O Processo n.º 11065.002256/200536 compensou, com crédito presumido de IPI, os supostos “débitos” de COFINS do trimestre de Agosto de 2004 no valor de R$ 369.267,52; 2 O crédito original, que permitiu a compensação indevida de Cofins inexistente, que por sua vez gerou o pagamento indevido e o crédito de Cofins de agosto de 2004, também é liquido e certo, conforme se verifica nos autos do processo administrativo n.º 11065.002256/200536, no qual foi reconhecido o direito creditório no valor de R$ 3.833.772,59, relativo a crédito presumido de IPI do 2.º trimestre de 2003, conforme fls. 326 dos autos; Foi verificado que o crédito presumido de IPI está comprovado nos autos, a compensação do crédito presumido de IPI com a Cofins de agosto de 2004 está comprovada e a inexistência dos débitos de Cofins de agosto de 2004 está comprovada. Fl. 361DF CARF MF 6 Assim, esta Turma de julgamento concluiu por dar provimento ao Recurso Voluntário e dar prosseguimento nos valores confirmados pelo relatório fiscal às fls.326, referente ao indébito de Cofins de Agosto de 2004. Com relação à dependência/ repercussão do que restou decidido nos autos n.º 11020.901485/200802 sobre o presente feito, da mesma forma, não há omissão no julgamento consubstanciado no Acórdão embargado, uma vez que este processo não foi submetido à julgamento e, portanto, não integra a presente lide administrativa fiscal. Em consulta ao seu andamento, verificase que o mencionado processo trata de outra lide administrativa fiscal, de outro contribuinte, completamente diversa da discutida nos autos, conforme pode ser verificado no Acórdão 1801002.319. Com o costumeiro respeito, existe a possibilidade da embargante ter pretendido fazer referência ao processo administrativo de n.º 13005.903260/200804, mencionado no Recurso Voluntário e no relatório da decisão de primeira instância, mas não foi este o processo mencionado. Ainda fosse, da mesma forma, não há omissão no julgamento consubstanciado no Acórdão embargado, uma vez que não há amparo legal que permita a repercussão do que restou decidido pela CSRF nos autos n.º 13005.903260/200804, nos presentes autos administrativos, em razão dos seguintes fundamentos e legislação: o processo n.º 11020.901485/200802, apesar de conexo, já foi julgado, conforme pode ser verificado em consulta ao seu andamento; julgado o processo conexo, não há como realizar o julgamento em conjunto em razão da conexão, diante do que prevê o §2.º, Art. 6.º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho; submetido à análise desta Turma de julgamento os presentes autos administrativos, esta deve julgálo, porque é matéria de sua competência, conforme previsto no Art. 4.º e 7.º, §1.º, Anexo II do Regimento Interno deste Conselho; o Art. 9.º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho delimitou que cabe à 3ª (terceira) Turma da CSRF, os recursos referentes às matérias previstas no art. 4º (que prevê a competência da 3.ª Seção de Julgamento). Por fim, reiterase que não há qualquer omissão, contradição ou obscuridade nos fundamentos e motivos apresentados na decisão embargada. Diante de todo o exposto, não sendo os Embargos declaratórios o meio correto para contestar decisão deste Conselho que não tenha omissão, contradição ou obscuridade, votase para que sejam REJEITADOS os Embargos de Declaração opostos. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13005.001286/200999 Acórdão n.º 3201003.272 S3C2T1 Fl. 360 7 Fl. 363DF CARF MF
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