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Numero do processo: 11065.002677/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF no 4)
DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PRODUÇÃO DE PROVAS.
Estando os autos instruídos com os documentos necessários para embasar o convencimento do julgador, indefere-se o pedido para a realização de perícias e diligências, as quais não se destinam a suprir eventuais deficiências na prova que incumbe às partes produzir.
Numero da decisão: 1102-001.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolitoe Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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CSLL. GLOSA DE CUSTOS. Recorrente CURTUME SULINO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PRODUÇÃO DE PROVAS. Estando os autos instruídos com os documentos necessários para embasar o convencimento do julgador, indeferese o pedido para a realização de perícias e diligências, as quais não se destinam a suprir eventuais deficiências na prova que incumbe às partes produzir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. PAGAMENTO. RECEBIMENTO DOS BENS. ADQUIRENTE DE BOA FÉ. ÔNUS DA PROVA. É ônus do fisco comprovar a inidoneidade do documento, bem como de comprovar que o contribuinte tinha ou deveria ter conhecimento daquela inidoneidade. É ônus do contribuinte comprovar o efetivo recebimento dos bens e o pagamento do respectivo preço, no caso de aquisições lastreadas em documentos considerados inidôneos, sob pena de glosa dos custos por parte da autoridade fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 26 77 /2 00 7- 29 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 3 2 GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose de custos não comprovados, cabível a sua glosa para fins de apuração da CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003 PAGAMENTO SEM CAUSA. Sujeitase à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, o pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como o pagamento efetuado ao sócio ou a terceiros, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF no 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolitoe Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CURTUME SULINO LTDA, contra acórdão proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Porto Alegre, que concluiu pela procedência parcial do lançamento de ofício efetuado. A autuação compreende os lançamentos de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o Imposto de Fl. 597DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 4 3 Renda Retido na Fonte (IRRF), nos anos de 2002 e 2003, perfazendo o valor total de R$ 3.494.827,19, aí incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 150%. O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo: “O contribuinte dedicase precipuamente à industrialização de couro bovino. A opção de tributação do IRPJ e do CSLL no período relativo aos lançamentos deuse pelo lucro real anual. A autuação se deveu à suposta utilização de notas fiscais inidôneas, contabilizadas para majorar custos e reduzir tributos e dissimular pagamentos sem causa. A inidoneidade das notas fiscais foi identificada a partir da verificação de que os documentos, aparentemente emitidos por dois fornecedores distintos (pessoas físicas), de municípios catarinenses diferentes (Indaial e Brusque), continham a informação do mesmo número de autorização da receita estadual para impressão dos talonários, apresentavam mesmo padrão de preenchimento e eventualmente eram emitidos fora da ordem de numeração. No caso de um fornecedor, até o seu nome constava com a grafia incorreta. A quantidade de couro envolvida nas transações seria incompatível com os hipotéticos fornecedores, eis que eles não apresentavam declarações de renda (não declararam rendimentos), não possuíam movimentação bancária, negaram haverem efetuado tais vendas ou emitido os documentos fiscais e afirmaram não ter relações diretas com o autuado. O contribuinte reconhece e sustenta que as compras foram formalizadas e pagas ao agenciador comum, Vilberto Dias, do município catarinense de Canelinha, reconhecido por Beto Canelinha. Diz que transportou os produtos a partir dessa localidade com a utilização de caminhões próprios – embora tal ocorrência não conste nas notas fiscais e os endereços dos emitentes sejam distintos. Os documentos apresentados pelo fiscalizado para comprovar os pagamentos também não ratificaram as operações. Em geral, representaram valores superiores aos das notas fiscais. Embora as condições de pagamento não viessem indicadas nas notas fiscais, a contribuinte vinculouas a diversos pagamentos, cujos prazos chegavam a até 6 meses. Nunca supostos vendedores eram os beneficiários dos pagamentos e alguns cheques utilizados foram sacados pelo próprio Curtume Sulino. A fiscalização ressalta que documentos apresentados pela contribuinte, tais como guias de recolhimento de ICMS, notas fiscais com carimbos da fiscalização estadual e tíquetes de pesagem em que constava a expressão "Beto Canelinha", não confirmam as aquisições juntos aos emitentes. O contribuinte não conseguiu provar qualquer pagamento aos emitentes das notas fiscais. Os autuantes glosaram os custos relativos às notas fiscais que consideraram inidôneas. Os pagamentos vinculados foram reputados sem causa. Foi lançada a multa de oficio qualificada (150%), com o evidente intuito de fraude caracterizado em sonegação, devido à utilização de notas fiscais eivadas de falsidade ideológica para comprovar custos. Os autos de infração foram cientificados ao autuada [sic] em 25/10/07 (fls. 373, 379 e 384) e a impugnação foi apresentada em 22/11/07. A impugnação alicerçase na concepção de que a fiscalização baseouse em premissas infundadas para levar à falsa conclusão de que parte das compras de Fl. 598DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 5 4 matériasprimas não teria ocorrido – o que contradiz com o faturamento indicado na contabilidade. Afirma que as empresas do ramo em que atua encontram dificuldades no abastecimento de couro, pois o mercado é dependente do comércio de carne, onde sabidamente há muita clandestinidade e onde atuam pequenos e médios abatedouros e particulares que vendem peles de animais abatidos para consumo próprio. Os adquirentes se sujeitam a inúmeras exigências dos fornecedores para conseguir um suprimento regular, como o fornecimento com documento fiscal de responsabilidade de terceiro, pagamento em dinheiro vivo, entrega fora do padrão de qualidade, etc. O mercado é dominado pelos chamados barraqueiros, que compram o couro cru do produtor de carne, salgamno e estocamno em barracas, e por intermediários, que agem de forma autônoma e são profundos conhecedores dos labirintos do comércio de couro cru. O contribuinte enfatiza que o fisco restringiu sua análise a questões meramente formais e de responsabilidade exclusiva dos fornecedores, sobre os quais o Curtume Sulino não teria qualquer controle. Pondera que, embora não disponha de mecanismos de controle sobre a situação cadastral e fiscal dos fornecedores, por exclusivos do fisco, vem adotando medidas desde 2005 para eliminar aqueles em situação irregular, efetuando o pagamento do couro comprado com cheques emitidos em favor dos emitentes das notas. O impugnante reclama que os autuantes não se preocuparam em analisar o efetivo ingresso das matériasprimas no estoque, bem como os pagamentos realizados (o fisco só entendeu como regulares os pagamentos com cheques nominais) e a destinação dos recursos hipoteticamente desviados. Do contrário, partiram de critérios subjetivos para escolher notas fiscais dentre milhares e considerálas falsas – procedimento que causou estranheza, pois os indícios presentes nessas também estavam presentes nas notas fiscais dadas como boas. Os fiscais não ponderaram que os fornecedores rejeitados são pessoas físicas com CPF, que mantinham cadastro na Receita Federal, possuíam inscrição estadual, emitiam notas fiscais mediante autorização do fisco estadual e cumpriam as exigências que lhes impunha. Outras alegações do contribuinte merecem destaque: a) Ainda que as questões formais relativas ao preenchimento das notas fiscais fossem de responsabilidade exclusiva do emitente, (1) as falhas quanto à numeração seqüencial podem decorrer da utilização simultânea de mais de um talão; (2) intervalos longos entre a emissão de uma nota fiscal e a seguinte podem decorrer de poucas vendas, vendas esporádicas em maior quantidade, vendas sem emissão de documentário; (3) a emissão de notas somente em favor do impugnante talvez se justifique por ser o único comprador a fazer a exigência ou por ser fornecedor único; (4) a falta de indicação de forma de pagamento pode decorrer da metodologia de pagamento usualmente praticada (fl. 46: "os `catadores' de couros são pessoas humildes, de pequena cultura e poucos recursos, geralmente não possuem conta bancária e se utilizam de conhecidos, de amigos, do comércio local ou terceiros para descontar os cheques recebidos em pagamento dos fornecimentos de couros e alguns casos eles aproveitam o próprio cheque recebido para efetuar pagamento de dividas junto a terceiros"); (5) a falta de referência quanto à retirada das mercadorias no município de Canelinha não pode inquinar a confirmação do transito e o ingresso das matériasprimas no pátio da empresa. b) O trânsito das mercadorias está comprovado pelos carimbos fiscais apostos nas notas fiscais, cuja efetividade pode ser comprovada junto ao fisco estadual, salvo no caso de 4 documentos, devido a greve dos funcionários fazendários. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 6 5 c) Houve recolhimento do ICMS respectivo à circulação das mercadorias no BESC de Canelinha. d) Tíquetes de pesagem comprovam o ingresso do couro em suas instalações. e) Os registros contábeis das operações, ainda que examinados pelo fisco, oram desconsiderados – as declarações de rendimento atestam a correção das demonstrações financeiras e demonstram que a empresa apresenta estabilidade de margens entre custos e receitas, dentro dos padrões de seu segmento. f) O fisco foi informado de todos os pagamentos efetuados, individualizados por fornecedor e por nota fiscal (fls. 40/45). g) Os pagamentos são feitos conforme exigem os fornecedores, na forma mais apropriada para a pronta obtenção das matériasprimas; por isso não ocorreram pagamentos com cheques nominais aos emitentes das notas fiscais. h) O atraso no pagamento de fornecedores pode justificarse pela incompatibilidade da qualidade de couro fornecido com o programa de produção em andamento. Nesse caso, a matériaprima fica estocada, sem pagamento, até que surja encomenda que permita sua utilização. i) Os pagamentos tidos como sem causa de fato correspondem a efetivos pagamentos pela compra de matériaprima, sendo inaplicável a exigência de IRRF. j) Seria ilógico retirar clandestinamente recursos da empresa se esses valores poderiam ser distribuídos na forma de lucros, sem tributação. Se houvesse pagamentos sem causa, obviamente seriam canalizados para os sócios e teria provocado distorções nas declarações de rendimentos, o que não foi constatado. k) Admitindose, em tese, serem inidôneas as notas fiscais, haveria incompatibilidade entre as duas infrações autuadas (glosa de custos e pagamentos sem causa), pois existem normas especiais que autorizam se considere as glosas de custos ou despesas e as omissões de receitas como sendo reservas livres, passíveis de serem distribuídas com isenção de imposto de renda. Há equivoco em considerar o mesmo valor, ao mesmo tempo, como lucro e como pagamento sem causa. Esse equivoco fez a tributação atingir 87,85% da receita. 1) A orientação constante do livro Perguntas e Respostas, questão n° 666, é no sentido de que a receita tributada como omitida pode ser distribuída aos sócios sem nova tributação. m) Não cabe a multa agravada, eis que não foi comprovada a fraude; no máximo, existem meros indícios. Se as denunciadas irregularidades ocorreram, são de responsabilidade exclusiva de terceiras empresas. Ao final, o impugnante pede o recebimento e o deferimento da impugnação, solicitando, ainda, a determinação de perícias, diligências ou a produção de quaisquer provas necessárias aos esclarecimentos da controvérsia.” A DRJ, ao apreciar a impugnação, indeferiu o pedido para realização de diligências ou perícias, e, no mérito, julgoua parcialmente procedente, para manter o principal relativo ao IRPJ e à CSLL, mas para reduzir o montante do IRRF lançado sobre os pagamentos tidos como sem causa com relação aos valores comprovadamente utilizados para o pagamento de tributo estadual (ICMS) discriminados no voto, bem como para desqualificar a multa de ofício aplicada, reduzindoa ao percentual de 75%. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 7 6 O valor exonerado não atingiu o limite de alçada e não houve interposição de recurso de ofício. A ementa do Acórdão no 1015.255 possui a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 IRPJ. GLOSA DE CUSTOS. É legitima a glosa de custos suportados por documentação inidônea, mormente se o contribuinte não prova a efetividade das operações. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA. É devido o imposto na fonte no caso de pagamentos para os quais o contribuinte não comprove a causa. MULTA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A multa de oficio qualificada somente se justifica quanto ficar comprovado que o contribuinte agiu com intuito doloso de fraudar o fisco. No recurso (fls. 521552), o contribuinte tece críticas à decisão recorrida, que diz seguir na mesma trilha do autuante, e reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial, para requerer o acolhimento do recurso e a declaração de insubsistência das exigências fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O contribuinte solicita que sejam determinadas perícias, diligências ou a produção de quaisquer outras provas, sempre que necessárias ao pleno esclarecimento de questões pertinentes à controvérsia. No caso, a controvérsia está perfeitamente delineada, e os autos estão devidamente instruídos com os documentos necessários para embasar o convencimento do julgador. Ademais, perícias e diligências não se destinam a suprir eventuais deficiências na prova que incumbe às partes produzir. A autuação está lastreada na acusação fiscal de utilização, por parte do contribuinte, de notas fiscais inidôneas em sua contabilidade, relativas à pretensa aquisição de matéria prima (couros). O contribuinte se defende alegando que a acusação fiscal se ampara em meras presunções e alegadas irregularidades formais concernentes ao preenchimento das Notas Fiscais, cuja responsabilidade é exclusiva do fornecedor, e que tampouco tem como saber sobre a exata situação cadastral e fiscal dos seus fornecedores, aliás, nos limites de suas Fl. 601DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 8 7 possibilidades, destaca que os questionados fornecedores apresentamse como pessoas físicas regulares, bem como também se apresentam regulares as notas fiscais por eles emitidas. Afirma ainda que comprovou: (i) o efetivo trânsito das mercadorias; (ii) a entrada da mercadoria na sede do Curtume Sulino; e (iii) o pagamento relativo às aquisições. Em síntese, poderseia resumir a defesa dizendo que o contribuinte busca colocarse na posição do chamado adquirente de boa fé, conforme ele mesmo ressalta na sua peça de defesa. A legislação fiscal, de fato, ampara o contribuinte que demonstre ser adquirente de boa fé. Neste sentido, o parágrafo único do artigo 82 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que, nos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar a efetivação do pagamento do preço respectivo, bem como o recebimento dos bens, direitos e mercadorias, ou a utilização dos serviços, ele não poderá ser punido em razão da constatação da inidoneidade de documentos fiscais utilizados na operação. Contudo, tal dispositivo tem de ser compreendido dentro de um contexto em que haja efetiva – ou ao menos razoável – demonstração de que o contribuinte adquirente de fato não soubesse, ou não tivesse como saber, da inidoneidade dos documentos fiscais em questão. Conforme já tive a oportunidade de registrar em outro precedente julgado por esta turma (processo no 10835.721527/201254), entendo que incumbe ao fisco o ônus da prova: (i) de que os documentos são inidôneos; e (ii) de que o contribuinte, no caso de utilização de documentos inidôneos, em data anterior à da publicação do respectivo Ato Declaratório de Inaptidão (quando houver), sabia ou deveria saber que tais documentos não seriam idôneos. Por outro lado, não há dúvidas, até mesmo pelo teor do dispositivo legal antes citado, que é do contribuinte o ônus de comprovar não somente a veracidade da operação de compra e venda, mas também a efetivação do pagamento do respectivo preço. Destaco que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça não discrepa do quanto acima exposto. Neste sentido, destaco o seguinte precedente: O vendedor ou comerciante que realizou a operação de boafé, acreditando na aparência da nota fiscal, e demonstrou a veracidade das transações (compra e venda), não pode ser responsabilizado por irregularidade constatada posteriormente, referente à empresa já que desconhecia a inidoneidade da mesma. (REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999) De fato, é intuitivo que, para que se possa considerar que o adquirente tenha tido boafé, se parta do pressuposto que ele tenha sido levado a acreditar que os documentos seriam regulares. Mais recentemente, o STJ, em acórdão proferido na sistemática do art. 543C do CPC (REsp 1.148.444MG), pacificou a questão relativa à situação do adquirente de boa fé. Transcrevo a seguir a ementa do referido julgado: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃO Fl. 602DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 9 8 CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.148.444MG, Relator Min. Luiz Fux, acórdão transitado em julgado 08062010) Fl. 603DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 10 9 Da ementa acima transcrita, destaquese a referência feita ao caso concreto analisado pelo STJ, o que permite reafirmar o quanto antes exposto, com relação à aparência de regularidade das notas consideradas inidôneas pelo fisco. No caso ora sob análise, entendo que o fisco reuniu um robusto conjunto probatório que comprovam não apenas a inidoneidade dos documentos, mas também o fato de que o contribuinte sabia, ou deveria saber, da sua inidoneidade. Neste sentido, transcrevo os seguintes excertos do Relatório da Ação Fiscal (fls. 358 e seguintes), relativos ao fornecedor Valmir Bordignon, destacando que a situação do fornecedor Jorge da Silva Santos é praticamente idêntica: a) Em consulta ao cadastro de pessoas fisicas (CPF) verificamos que o fornecedor Valmir Bordignon (CPI: 657.066.41900) encontrase com seu cadastro na situação "Suspensa" desde 28/07/2000. Não constam declarações de renda entregues a Receita Federal do Brasil pelo mesmo para nenhum período. Portanto, não há nenhum rendimento declarado por este fornecedor. b) Da mesma forma, em consulta a sistemas internos da RFB, verificamos que o contribuinte Valmir Bordignon (CPF 657.066.41900) não apresentou movimentação financeira em contas bancárias em nenhum anocalendário; c) A quantidade de couro fornecida nos 7 meses decorridos entre a emissão da primeira e da última dessas notas totaliza 8653 peças que, ao peso médio de 26kg (informado pela própria fiscalizada na resposta ao Termo de Intimação Nº05), atingem a sorna de 225 toneladas e um valor total de R$ 793.356,00. Não é usual que urna pessoa física, sem rendimentos declarados e sem movimentação financeira, tenha capacidade para fornecer tamanha quantidade de couro ou ainda que movimente tal valor sem utilizar conta bancária; d) O suposto emitente das notas fiscais (Valmir Bordignon), em atendimento à nossa intimação, firmou declaração negando qualquer venda ou emissão de notas fiscais de venda de couro para o Curtume Sulino (folhas 62). e) O próprio Curtume Sulino , conforme declaração em resposta ao Termo de Intimação N° 10 (folhas 53/59), informa que não manteve contato com o Sr. Valmir Bordignon. De acordo com o Curtume Sulino, "Valmir Bordignom e Jorge da Silva Santos não possui contato direto com o curtume". f) Relativamente as notas fiscais emitidas por Valmir Bordignon, o Curtume Sulino reconhece (fls. 55/56) que "as compras são contratadas diretamente de Vilberto Dias o qual é agenciador de negócios de couros". g) As notas fiscais apresentadas pelo Curtume Sulino para comprovar as aquisições de couro junto ao fornecedor Valmir Bordignon são notas fiscais avulsas, supostamente emitidas pelo próprio Sr. Valmir. E de se destacar que a grafia utilizada nas Notas Fiscais (Valmir Bordignom) não é a correta, pois o sobrenome do Sr. Valmir é Bordignon. Não é usual que uma pessoa não saiba, ao menos, escrever corretamente o seu próprio nome. h) As notas fiscais emitidas pelos dois fornecedores (Valmir Bordignon e Jorge da Silva Santos) são notas avulsas impressas a partir da mesma Autorização de Impressão (AIDF 011992476) e freqüentemente são pertencentes ao mesmo bloco, conforme pode ser verificado pela numeração das mesmas e dos blocos (Tabela 02), apesar dos emitentes localizaremse em cidades 49 Km distantes urna da outra Fl. 604DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 11 10 (Indaial e Brusque, respectivamente). Da mesma forma apresentam o mesmo padrão de preenchimento (letra, separadores, maiúsculas/minúsculas, campos preenchidos/vazios); i) As notas de número 145007, 145012 e 145014 foram emitidas fora da ordem crescente de numeração (com data posterior As notas de maior numeração 145037, 145041 e 145043 do próprio fornecedor); j) No que se refere aos pagamentos das notas fiscais, conforme pode ser verificado na Tabela Anexa ao Termo de Intimação N° 09 (folhas 37/52), nas cópias dos comprovantes de pagamentos apresentados (folhas 96/167) e nos registros contábeis da fiscalizada (folhas 209/213): j.1) Nenhum dos beneficiários dos cheques apresentados para comprovar os pagamentos das notas fiscais é o emitente das mesmas. Constatouse pelo menos 42 diferentes beneficiários apostos nos cheques (alguns se encontravam ilegíveis) para as 26 notas fiscais emitidas no período analisado pelos fornecedores Valmir Bordignon e Jorge da Silva Santos; j.2) Das notas fiscais não consta nenhuma anotação indicativa de que o valor da operação tenha sido parcelado ou que se trate de venda à vista ou a prazo. Todavia, para cada nota fiscal foram vinculados diversos pagamentos, chegando alguns destes pagamentos terem sido efetuados mais de seis meses após a data da emissão da nota fiscal; j.3) Alguns dos cheques utilizados nos pagamentos foram sacados no Banco pelo próprio Curtume Sulino. Outros foram depositados nas contas dos beneficiários cujos nomes constam das copias de cheques apresentadas. Não foi identificado nenhum depósito em nome dos emitentes das notas fiscais; j.4) O somatório dos comprovantes de pagamentos (cheques/TED/DOC) não corresponde ao valor exato da nota fiscal, exceto em relação à duas notas fiscais (144865 e 145695) emitidas por Valmir Bordignom, em que a parcela "final" foi paga com recursos provenientes de cheque sacado no Banco pelo próprio Curtume Sulino. Em relação à maioria das notas fiscais, os documentos apresentados para comprovar os pagamentos têm valor superior ao da nota fiscal; k) Em atendimento ao Termo de Intimação n° 09, o Curtume Sulino reconhece (folhas 49/50) que o pagamento relativamente as notas fiscais emitidas por Valmir Bordignon foi feito ao Sr. Vilberto Dias, agenciador de negócios na região de Canelinha (SC); 1) A Fiscalizada não consegue comprovar ter efetuado um único pagamento ao suposto fornecedor, Sr. Valmir Bordignon; m) As notas fiscais emitidas por Valmir Bordignon não fazem qualquer referência ao fato de que as mercadorias a que se referem seriam retiradas em Canelinha (SC). Ao contrário, indicam como endereço do emitente das notas fiscais o município de Indaial – SC. Já o Curtume Sulino informa (folha 55) ter retirado o couro adquirido de Valmir Bordignon em Canelinha (SC), tendo transportado referidos produtos em caminhões próprios; n) O contribuinte argumenta que a documentação por ele apresentada (guias de recolhimento de ICMS, notas fiscais com carimbos da fiscalização estadual, "tickets" de pesagem dos quais consta a expressão "Beto Canelinha" (Vilberto Dias, de Canelinha (SC), etc.) comprova ter havido a aquisição de couros. Todavia, Fl. 605DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 12 11 nenhum destes documentos comprova que as aquisições tenham sido efetuadas junto ao Sr. Valmir Bordignon. Ao contrário, conforme esclarece reiteradas vezes a própria fiscalizada, os documentos sugerem que as compras teriam sido efetuadas do "agenciador" Vilberto Dias.” Neste contexto, não há como discordar da conclusão a que chegou também a autoridade julgadora a quo, no sentido de que a inidoneidade das notas fiscais é evidente. E as alegações do contribuinte, no sentido de que não teria como saber da inidoneidade desses documentos, no caso, caem por terra, em síntese, pelo que a seguir se expõe. O contribuinte reconhece não manter nenhum contato com os supostos fornecedores, que, conforme visto, negaram de forma veemente terem efetuado as operações em discussão. Assim, toda a operação teria sido contratada diretamente do “agenciador de couros” Vilberto Dias, conforme alegações da própria recorrente. Ora, se a recorrente comprou couros do Sr. Vilberto Dias, porque aceitou documentação fiscal emitida por terceira pessoa? Por outro lado, se é de fato terceira pessoa a fornecedora, então ao Sr. Vilberto Dias não seria devida tão somente uma comissão a este Sr. pelo “agenciamento”? Neste caso, onde está a prova do pagamento dessa comissão (e o respectivo documento fiscal correspondente)? Ademais, se o fornecimento foi de fato efetuado por aquelas terceiras pessoas, qual a justificativa para que os pagamentos tenham sido efetuados a outros beneficiários? Não há nos autos um único documento sequer, afora as inidôneas notas fiscais, emitido por aqueles supostos fornecedores de couro, autorizando ou solicitando que os pagamentos fossem feitos a terceiros. Como admitir que a recorrente aceitasse com naturalidade o fato de pessoas físicas fornecerem couros mas não exigirem para si o pagamento? O contribuinte, quando indagado acerca da comprovação de eventual autorização para que os pagamentos fossem feitos para terceiros, limitouse a afirmar que os emitentes das notas fiscais em questão seriam “do relacionamento do agenciador de negócio Vilberto Dias”, o qual seria “responsável pela compra e venda e pagamentos em sua região” (fls. 51). Relembrando: a fiscalização constatou que, para as 26 notas fiscais emitidas no período analisado pelos fornecedores Valmir Bordignon e Jorge da Silva Santos, havia pelo menos 42 diferentes beneficiários apostos nos cheques, sendo que nenhum desses 42 beneficiários era o próprio emitente das notas fiscais! Inadmissível que, em circunstâncias assim, se alegue o desconhecimento da inidoneidade dos documentos fiscais emitidos, para invocar a sua condição de adquirente de boa fé. Ainda no que toca ao pagamento pelas pretensas aquisições de matéria prima, destaquese as seguintes constatações do fisco: a) alguns dos cheques utilizados nos pagamentos foram sacados no Banco pelo próprio Curtume Sulino; b) alguns dos pagamentos foram efetuados mais de seis meses após a data da emissão da nota fiscal; c) o somatório dos comprovantes de pagamentos, com relação à maioria das notas fiscais, supera o valor da nota fiscal; Fl. 606DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 13 12 d) apenas com relação a duas notas fiscais emitidas por um dos fornecedores em questão (notas fiscais no 144865 e 145695), o somatório dos pagamentos equivale ao valor da nota fiscal, mas justamente nessas duas a “parcela final” foi quitada com recursos provenientes de cheque sacado no Banco pelo próprio Curtume Sulino. As justificativas apresentadas pelo contribuinte para estas distorções não merecem credibilidade, sendo algumas delas até mesmo contraditórias, conforme já destacara a decisão recorrida, quando observou que o contribuinte ora alegou que os pagamentos eram feitos na forma em que exigidos pelos fornecedores e que a recorrente tinha de submeterse a essas exigências para assegurar a pronta obtenção das matériasprimas, e ora alegou, para justificar o largo prazo de pagamento em alguns casos, que o pagamento atrasado somente seria realizado quando surgisse uma encomenda que permitisse a utilização de matériaprima cujo “padrão de qualidade do couro fornecido” fosse “compatível com o exigido pelo programa de produção em andamento”. Embora a decisão recorrida tenha ressalvado uma restrição quanto ao afirmado no item ‘d’ acima, observando que não seria apenas nas duas notas fiscais referidas pela fiscalização que haveria aquela equivalência entre o valor das notas fiscais e o dos correspondentes pagamentos (e isto porque conseguiu identificar a existência de pagamentos que participariam da quitação de mais de uma nota fiscal, conforme os exemplos que cita no voto), remanesce mesmo assim a ausência de comprovação da correlação entre os pagamentos efetuados e as pretensas aquisições de couro. Neste sentido, transcrevo o seguinte quadro elaborado pela autoridade julgadora a quo, bastante elucidativo: Fl. 607DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 14 13 As incompatibilidades referidas pela DRJ, acima codificadas, são as seguintes, verbis: “Incompatibilidades: a) divergência entre os valores das notas fiscais e os pagamentos indicados; b) ausência de comprovantes de pagamentos; c) cheques utilizados para quitar guias de ICMS não provam a utilização pelos emitentes; d) cheques tomados por concessionárias de veículos não provam a utilização pelos emitentes e sugerem a utilização para fins não coincidentes com a finalidade comercial proposta; e) cheques sacados pelo próprio Curtume Sulino — a alegação de que esses pagamentos decorreriam das "peculiaridades do mercado (..), conforme exige o fornecedor, ou ainda, na forma mais apropriada para se obter, prontamente, a matériaprima necessária" não se coaduna com a emissão dos cheques (supostamente para efetuar pagamentos em espécie) em momentos consideravelmente posteriores à emissão das notas fiscais; Fl. 608DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 15 14 f) pagamentos efetuados a terceiros sediados em localidades razoavelmente distantes das supostas regiões de aquisição das mercadorias; g) distancia temporal elevada para quitação dos débitos, considerando nada constar nas notas fiscais a respeito de pagamentos a prazo — a justificativa de que o pagamento atrasado somente seria realizado quando surgisse uma encomenda que permitisse a utilização de matériaprima cujo "padrão de qualidade do couro fornecido não é compatível com o exigido pelo programa de produção em andamento" é contrária ás propaladas condições em que o mercado daria as cartas do jogo.” Consoante ao norte já referido, é ônus do contribuinte comprovar a veracidade da operação de compra e venda, bem como a efetivação do pagamento do respectivo preço. E, neste sentido, pedese vênia para mais uma vez destacar a referência feita pelo STJ ao caso concreto analisado em sede de recurso repetitivo, conforme a ementa antes transcrita, no sentido de que havia nos autos “comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas”. No caso ora em análise, ao contrário, não há absolutamente nenhuma comprovação de pagamento às pessoas físicas cujas notas fiscais foram consideradas inidôneas. No contexto dos autos, portanto, temse que: (i) o fisco comprovou a inidoneidade dos documentos; (ii) o fisco reuniu um conjunto probatório suficiente a demonstrar que o contribuinte sabia, ou deveria saber, da inidoneidade daqueles documentos; (iii) o contribuinte não comprovou ter pago o preço relativo às pretensas aquisições que fez. Neste contexto, perdem força probatória os demais elementos apresentados pelo contribuinte, no sentido de tentar demonstrar a efetividade do transporte e da entrada das mercadorias no seu estabelecimento, mesmo porque, também com relação a estes pontos, elencou o fisco uma série de inconsistências, que deixo de reprisar, por já mencionadas. Portanto, afigurase legítima a glosa fiscal dos valores contidos nos documentos fiscais inidôneos apresentados, posto que não comprovadas as operações neles registradas. Tal glosa atinge tanto o IRPJ quanto a CSLL, pois, no caso, se trata de custos glosados por falta de comprovação, e não de custos ou despesas apenas indedutíveis em face da legislação própria do IRPJ. Com relação à exigência do IRRF, aduz o contribuinte, em síntese, o seguinte: (i) inexistência de pagamentos “sem causa”, pois as compras foram realizadas e pagas; (ii) não é lógico o procedimento de onerar de forma fictícia os custos da empresa, para retirar, clandestinamente, recursos de seu caixa, se tais recursos podem ser legalmente distribuídos na forma de lucros, sem tributação; (iii) se mantida a glosa de custos, a tributação pelo IRRF não pode prosperar, por constituir inegável contradição; (iv) existência de normas especiais que asseguram a inexigibilidade do IRRF, na medida em que autorizam se considere as glosas de custos ou despesas e as omissões de receitas como sendo reservas livres, passíveis de serem distribuídos com isenção de imposto de renda (art. 654, do RIR/99); (v) incide em equivoco a decisão recorrida quando afirma que a exigência do IRRF não está sendo feita sobre os mesmos valores glosados, pois no Relatório da Ação Fiscal, às fls. 364, os autuantes Fl. 609DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 16 15 afirmam categoricamente que “Porquanto foram descaracterizadas as operações de compra junto aos fornecedores supracitados, restaram sem causa todos os pagamentos a elas associados, os quais, por esta razão ficaram sujeitos ao imposto de renda exclusivamente na fonte (...)”. Seus argumentos, contudo, não merecem prosperar. Rejeitase o primeiro argumento, pois, ao contrário do alegado, não houve a comprovação da efetivação das compras. Por outro lado, embora dissociados das alegadas compras, houve sim a comprovação da realização de pagamentos, e, justamente por não haver qualquer correlação desses pagamentos com a sua alegada causa (a pretensa aquisição de matéria prima), subsiste a ocorrência do denominado “pagamento sem causa”, conforme previsto no art. 61 da Lei no 8.981, de 1995 (art. 674 do RIR/99). Não há, portanto, nenhuma contradição entre as exigências. Tampouco há duplicidade, ou bis in idem, posto que, ainda que possam em tese se apresentar quantitativamente equivalentes as infrações a partir das quais se apura o valor tributável e o tributo devido, o fato é que são distintos os fatos captados por cada um dos tributos lançados, bem como os momentos (aspecto temporal) de sua ocorrência. No caso do IRPJ e CSLL, punese a indevida redução do lucro tributável, no momento correspondente ao aproveitamento fiscal do custo inexistente; e no caso do IRRF, punese o pagamento efetuado sem causa que o justifique, e no momento de sua efetivação. Quanto ao argumento de que as glosas, acaso procedentes, formariam uma reserva de lucro passível de distribuição isenta aos sócios, tratase de mero argumento retórico que desborda completamente do litígio aqui posto, que nada tem a ver com distribuição de lucros. Procedente também, portanto, a exigência do IRRF, sendo de se destacar que a decisão recorrida já afastou a referida exigência sobre os valores com relação aos quais foi perfeitamente identificada a sua causa, não havendo mais nenhuma outra ocorrência que mereça tal reconhecimento. Com relação à multa qualificada, esta já restou definitivamente afastada pela decisão recorrida. Com relação às alegações contidas em parágrafos esparsos na peça recursal, no sentido da ilegalidade, inconstitucionalidade, ou irrazoabilidade das exigências, de se observar que todas as exigências estão expressamente previstas em lei, que não pode ser ignorada nem afastada pelo julgador administrativo. O mesmo se diga com relação à utilização da taxa Selic, indiretamente contestada na peça recursal. Neste sentido, as seguintes súmulas do CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 610DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11065.002677/200729 Acórdão n.º 1102001.287 S1C1T2 Fl. 17 16 Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 611DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10932.000458/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.193
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10932.000458/2010-81 Resolução n.º 2202-00.193 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 477 a 483, integrado pelos demonstrativos de fls. 473 a 476, pelo qual se exige a importância de R$509.782,68, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, anos-calendário 2005 a 2007. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 487 a 517, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 526 a 528): 2. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração por intermédio de procurador qualificado em fls. 195 (conforme assinatura de fls. 472), apresentando impugnação em 07/01/2011 através do instrumento de fls. 487/517, alegando em síntese que: 2.1. O lançamento é nulo de pleno direito por decorrência de violação ao sigilo bancário da impugnante, contrariando o art. 5o, incisos X e XII, da Constituição Federal, sendo tal lançamento baseado apenas em valores creditados em movimentação financeira da impugnante, que foram obtidos sem determinação judicial, à revelia do ordenamento jurídico, que tem como regra que tais informações devem ser obtidas somente através do exercício jurisdicional. Mesmo que as autoridades fiscais invoquem o amparo da Lei Complementar 105/2001, da Lei 10.174/01 ou do Decreto 3.721/01, o repúdio a essas normas se impõe, pois o sigilo bancário é uma das garantias fundamentais que está inserida no artigo 5o da Constituição Federal, e é um direito fundamentado pela própria Lei Maior e tido como cláusula pétrea, como se depreende dos vários excertos de doutrina e jurisprudência que colaciona. Argumenta, ainda, que a quebra do sigilo bancário desrespeita a separação de podres (sic), quando despersonifica a necessidade de ordem judicial, prerrogativa que cabe exclusivamente ao Poder Judiciário, havendo, também, desequilibro (sic) processual entre as partes, uma vez que o Poder Executivo é parte no processo e o direito protegido não pode ser violado por quem não tem o dever da imparcialidade. Por fim, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal proferida no Recurso Extraordinário n° 389808, que entendeu que não pode haver a quebra do sigilo bancário sem ordem judicial, impõe, por si só, a anulação em seu inteiro teor do Auto de Infração. 2.2. O princípio da segurança jurídica exige que a Autoridade Administrativa, em sua atuação, observe os preceitos legais e constitucionais estabelecidos, por conseqüência, proibindo-os de atuar segundo convicções sem qualquer embasamento documental ou fático. Na hipótese vertente, a presunção da Autoridade Fiscal deve ser afastada por absoluta ausência de comprovação documental ou fática de que os recursos movimentados nas contas correntes do contribuinte representam a "aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza". A Autoridade Fiscal não logrou êxito em apontar que nenhum dos recursos depositados em conta corrente do Impugnante enquadram-se na conceituação de renda trazida no inciso I, do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Não há ainda, nenhuma Fl. 631DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10932.000458/2010-81 Resolução n.º 2202-00.193 S2-C2T2 Fl. 3 3 demonstração de que os depósitos havidos em conta corrente do impugnante representaram acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Ausente a comprovação inequívoca do vínculo jurídico entre os depósitos e a existência de "aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza", não estar aperfeiçoada a hipótese de incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, vez que ausente o fato gerador da obrigação tributária. Conclui-se, portanto, que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois não há liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. As decisões administrativas e judiciais que colaciona amoldam-se perfeitamente à espécie versada nos autos. 2.3. Traçando um paralelo entre a lavratura de um auto de infração que afronta as normas constitucionais, por promover a quebra do sigilo bancário e, por arbitramento e presunção impõe em desfavor do contribuinte pesado tributo, com base em simples movimentação bancária, e a lembrança do período do Estado de exceção, em que o agente público se tornava algoz para ter como ato prazeroso a submissão de seu refém até levá-lo à condição de vida sub humana, o impugnante insurge-se contra a autoridade fiscal que, arbitrariamente, promoveu o agravamento da multa punitiva, aplicando-lhe a penalidade no importe de 150% do valor da obrigação tributária apurada e lançada. Na hipótese, a Autoridade Fiscal não apresentou nenhuma evidência de fraude, simulação ou conluio praticado pelo Impugnante com a finalidade de reduzir ou suprimir a exigência tributária relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, sendo que a mera suposição, não é razão suficiente à qualificação da multa punitiva. A fraude não se presume, se prova. Em seu relatório ou pretenso "fundamento" para a aplicação da multa agravada (sic) não demonstrou o Sr. Auditor Fiscal qualquer comprovação do evidente intuito de fraude da impugnante, se limitando a relatar a prática da existência de retificadoras promovidas (que por ele foram desconsideradas) e declinar sua presunção, sendo que avaliação subjetiva da autoridade está totalmente viciada e prejudicada, porque a apresentação de retificadora não configura por si ilícito fiscal e a não recepção das mesmas resultou em total ausência de produção de efeitos. Quando a autoridade fiscal alega que a impugnante manteve movimentação financeira incompatível com seus rendimentos, como fundamento para agravar a multa, opera apenas com presunção, uma vez que ausente uma descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluiou. Também, o agravamento (sic) da multa aplicada pelo agente fiscal viola o princípio da indelegabilidade e vinculabilidade, previstos nos artigos 7o e 142 do CTN, pois é vedado ao ente tributante delegar ao agente fiscal a gradação da multa, que constitui ato vinculado e é matéria reservada à lei. 2.4. Em face de todo o exposto, requer: i) Seja anulado o auto de infração; ii) Não sendo acolhido, anular a multa de ofício agravada, efetuada ao arrepio das condições impostas pela lei para sua aplicação. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10932.000458/2010-81 Resolução n.º 2202-00.193 S2-C2T2 Fl. 4 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve parcialmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 17-48.820 (fls. 523 a 545), de 01/03/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 SIGILO BANCÁRIO. E lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. ADEQUAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não cabe ao julgador administrativo discutir se a presunção estabelecida em lei é apropriada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (artigo 116, inciso III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (artigo 142 do Código Tributário Nacional - CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de rendimentos (artigo 42, caput, da Lei n.° 9.430/1996). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. IRPF - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha Fl. 633DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10932.000458/2010-81 Resolução n.º 2202-00.193 S2-C2T2 Fl. 5 5 procedido com evidente intuito de fraude. Desta forma, se a fiscalização não demonstrou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizando-se de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude, não cabe a aplicação da multa qualificada. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999. A decisão a quo desqualificou a multa de ofício lançada, reduzindo-a ao percentual de 75%. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 06/04/2011 (vide AR de fl. 556), o contribuinte interpôs, em 05/05/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 594 a 625, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 626, expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 25/07/2011, veio digitalizado até à fl. 5561. 1 Processo digital. Numeração do e-processo. O processo físico foi numerado até a fl. 556 (fl. 576 da digitalização). Fl. 634DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10932.000458/2010-81 Resolução n.º 2202-00.193 S2-C2T2 Fl. 6 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Trata-se de lançamento relativo aos anos-calendário 2005 a 2007 decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Numa análise preliminar dos autos, observa-se que os extratos bancários que compõem o presente processo foram entregues diretamente pela instituição financeira, sem prévia autorização judicial, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme consta do Termo de Verificação e Constatação Fiscal às fls. 461 a 472. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à Fl. 635DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10932.000458/2010-81 Resolução n.º 2202-00.193 S2-C2T2 Fl. 7 7 CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram-se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, por força do disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 636DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 10680.720733/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
VTN. REVISÃO. O laudo técnico conforme a NBR-14653-3 é suficiente para a revisão do valor da terra nua da propriedade rural.
ADA. OBRIGATORIEDADE. ISENÇÃO. Não constante nos autos o Ato Declaratório Ambiental tempestivo das áreas de Preservação Permanente e de Interesse Ecológico, não se pode reconhecer a isenção do ITR dessas áreas.
Numero da decisão: 2101-002.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer como VTN o valor apresentado no Laudo de Avaliação do Imóvel. Vencido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, que votou por dar provimento parcial em maior extensão.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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REVISÃO. O laudo técnico conforme a NBR146533 é suficiente para a revisão do valor da terra nua da propriedade rural. ADA. OBRIGATORIEDADE. ISENÇÃO. Não constante nos autos o Ato Declaratório Ambiental tempestivo das áreas de Preservação Permanente e de Interesse Ecológico, não se pode reconhecer a isenção do ITR dessas áreas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer como VTN o valor apresentado no Laudo de Avaliação do Imóvel. Vencido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, que votou por dar provimento parcial em maior extensão. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 07 33 /2 01 0- 96 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 O Recurso Voluntário visa reverter a decisão proferida no Acórdão 0349.240 da 1a. Turma da DRJ/BSB que manteve o lançamento tributário relativamente ao imóvel rural denominado Fazenda Gandarela e outras, NIRF 1.322.4557, com área total declarada de 6.553,7 ha., localizado no município de Santa Bárbara MG. A ciência ao Acórdão de Impugnação ocorreu em 14/11/2012. O Recurso Voluntário foi interposto em 14/12/2012. O lançamento ocorreu em virtude da Declaração de ITR do contribuinte ter incidido em parâmetros de malha ITR. Intimado, o contribuinte não comprovou a área de Reserva Legal e de Interesse Ecológico, e o valor da terra nua foi arbitrado conforme o SIPT da RFB, tendo em vista a não comprovação do valor declarado através de laudo técnico. O recorrente alega o que segue. 1. Nulidade da autuação devido à ilegitimidade dos critérios de apuração do valor da terra nua utilizado pela Receita Federal do Brasil, pois não teve qualquer acesso aos dados utilizados para fazer o arbitramento, inviabilizando o direito de verificar eventual fidedignidade das informações e parâmetros utilizados pelo Fisco. Entende que o procedimento adotado pelo fisco contraria o disposto nas Leis 8.629/93 e 9.393/96. Conforme a lei 8.629/93, a avaliação do imóvel considerase justa se refletir o preço atual do mercado da localidade, observados os aspectos como o de aptidão agrícola. Como desconhece os critérios utilizados pelo fisco, não há como garantir que os critérios citados na lei foram observados na avaliação. Argumenta ainda que tal fato contraria o artigo 142 do Código Tributário Nacional, pois é essencial que seja revelada a perfeita adequação entre a hipótese normativa e a situação de fato sob análise. Ainda que lhe tenha garantido o direito do processo legal e do contraditório, não pode exercer a plenitude da discussão devido a arbitrariedade dos procedimentos para aferição do valor da terra nua que não são fornecidos ao contribuinte. Tal fato configura cerceamento de defesa e, portanto, a autuação incorre em manifesta nulidade. Colaciona decisões deste Conselho sobre o assunto. O questionamento referese ao acesso aos dados que conduziram ao arbitramento levado a efeito, e não à existência, ou não, de referência aos dispositivos legais que fundamentam a autuação ou à descrição dos fatos envolvidos. Assim, pleiteia seja reconhecida a total ilegitimidade do lançamento por falta de elementos necessários ao exercício do contraditório pelo contribuinte. 2. Contesta a rejeição do laudo técnico apresentado por ausência de Anotação de Responsabilidade Técnica ART/CREA. Junta aos autos as ART´s emitidas pelos profissionais que assinaram o laudo técnico, os quais solicita sejam conhecidos, tendo em vista o princípio da verdade material. O valor venal do imóvel, apontado pelo laudo, teria sido de R$ 3.757.319,43, inferior ao arbitrado pela RFB. O valor do laudo não considerou as benfeitorias. 3. Foram glosadas as áreas de preservação permanente (1.369,0ha) e de interesse ecológico (4.639,1ha) por suposto descumprimento da exigência de Ato Declaratório Ambiental. Entende que as áreas gozam de presunção legal e que deveriam ser ilididas pelo Fisco. Referencia o parágrafo 7, art. 10 da Lei 9393/96. Como presunção legal relativa, cabe ao fisco comprovar o contrário. Colaciona decisões judiciais e deste Conselho sobre o assunto. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.720733/201096 Acórdão n.º 2101002.644 S2C1T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. O recorrente alega nulidade do lançamento por cerceamento de defesa tendo em vista que não lhe foi dado pleno conhecimento dos valores que subsidiaram o arbitramento do valor da terra nua da propriedade. Não assiste razão ao contribuinte porque, muito embora não tivesse conhecimento dos valores considerados para a definição do arbitramento pelo SIPT, lhe foi dado o direito de apresentar laudo técnico que confirmasse os valores declarados na DITR. O cerceamento do direito de defesa decorre da impossibilidade total de se defender. No caso, não espera o Fisco que o contribuinte conteste os valores do SIPT, mas que comprove os valores que declarou através de laudo. Evidente que existem regras para o aceite do laudo. Uma delas é que seja comprovadamente produzido por profissional habilitado. E essa comprovação deve estar nos autos. Considero que o laudo apresentado pelo contribuinte, com a complementação de documentação acostada juntamente com o Recurso Voluntário, atende aos requisitos técnicos para permitir a revisão do valor da terra nua da propriedade. Relativamente às áreas de preservação permanente e de interesse ecológico, a legislação é clara quanto à necessidade de apresentação de Ato Declaratório Ambiental tendo em vista a isenção do tributo ITR. Um dos principais objetivos da apresentação de ADA é municiar a fiscalização ambiental com informações sobre a existência dessas áreas e, portanto, passíveis de verificação por parte daquele órgão. O recorrente se apega ao parágrafo 7, art. 10 da Lei 9393/96 para justificar a não apresentação de Ato Declaratório Ambiental tempestivo das áreas isentas. Contudo, a intenção do legislador visava facilitar o trabalho do contribuinte e, ao mesmo tempo, racionalizar os trabalhos da administração do tributo, permitindo que a apresentação do ADA fosse realizada em momento posterior à entrega da DITR, se necessário. Em não possuindo o documento concessório da isenção e, mesmo assim, declarando que as áreas de preservação permanente e de interesse ecológico existem, o contribuinte prestou declaração falsa ao fisco federal. Entendase que mesmo que as áreas existam, o contribuinte não poderia têlas relacionado para efeitos de isenção tributária, porquanto não possuía o documento autorizativo da isenção. Mais ainda, observase que no caso de concessão de isenção, o art. 111, inc. II do Código Tributário Nacional (lei 5172/66) estabelece que a legislação tributária que disponha sobre outorga ou isenção de tributo deve ser interpretada literalmente. O par. 1o., art. 17O da Lei 6.938/81(a seguir transcrito) é claro quanto à necessidade de apresentação de ADA para a obtenção do benefício de isenção do tributo ITR para áreas de Preservação Permanente, de Interesse Ecológico e de Reserva Legal. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) ... Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (grifei) Dado o exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário para alterar o valor da terra nua conforme calculado pelo laudo técnico apresentado pelo contribuinte, no valor de R$ 3.757.319,43. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.963905/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS.
Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins-importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardando-se à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins-importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofinsimportação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃOCUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 39 05 /2 00 9- 68 Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 15 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado na sessão de 3 de abril de 2013, pela 16ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a compensação pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 04483.58916.191007.1.3.043243 (fls. 02 a 06), transmitido em 19/10/2007 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação da Cofins relativa ao período de apuração 09/2007. Informa como origem do direito creditório o pagamento referente ao PIS, relativo ao período 02/2004, no valor total de R$ 95.524,55, pretendendo utilizar para fins desta compensação apenas R$ 95.524,55. À fl. 07 consta despacho decisório, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão em 23/10/2009 (fl. 277), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 17/11/2009 (fls. 08 a 22), alegando, em resumo, que: Foi intimada acerca da decisão atacada por correspondência com aviso de recebimento, recebida em 19/10/2009, sendo a presente manifestação tempestiva; A impugnante somente teve acesso a tal despacho quando checou eventuais pendências para obtenção de certidão negativa; Em observância ao princípio da economia processual, uma vez instaurado o processo, não deve ele ser considerado nulo diante da nulidade da citação, devendo ser aceita a presente manifestação, sanando o vício apontado; A impugnante, na apuração do valor recolhido por meio do DARF incluído na DCOMP em análise, observou que não havia se aproveitado dos créditos decorrentes de despesas, procedendo à revisão de sua escrita fiscal; Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 17 4 A empresa apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; A decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; Desde já requer a produção de prova documental e pericial para que a defesa da impugnante não seja prejudicada; As despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; Sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004; A prova pericial pretendida tem por finalidade evidenciar a existência do crédito, apresentandose os correspondentes quesitos; A impugnante está apresentando 83 manifestações de inconformidade, o que evidencia hipótese excepcional constante do art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/72; Com base nos princípios da verdade material, moralidade, eficiência, devido processo legal e ampla defesa, requer o deferimento de posterior juntada de documentação. É o relatório.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/RJ1 conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DESPACHO DECISÓRIO CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE COMPROVAÇÃO Não restando comprovada documentalmente nos autos a ciência ao contribuinte na data informada pela ECT, deve ser considerada tempestiva a manifestação de inconformidade. PERÍCIA CONTÁBIL/DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO Deve ser indeferido o pedido de perícia contábil/diligência formulado, quando os documentos comprobatórios do direito alegado estejam na posse do contribuinte, sendo dele o ônus de sua apresentação. DCOMP DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE ÔNUS DA PROVA É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito creditório informado em declaração de compensação. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 18 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde em suas razões, requer “seja reconhecido o direito creditório e, por conseguinte, homologada a totalidade da compensação declarada nos autos”. Em pedido subsidiário, requer a contribuinte “a conversão do julgamento em diligência para que a unidade competente da Secretaria da Receita Federal analise a documentação acostada ao presente recurso, em conjunto com os demonstrativos que instruíram a manifestação de inconformidade apresentada nestes autos, para que corrobore a liquidez e certeza dos créditos”. Anexa a contribuinte ao recurso voluntário 972 páginas com documentos para provar o seu direito. É o relatório. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 19 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A recorrente apresenta no recurso voluntário as suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, contudo apresenta desta vez documentos necessários para comprovar seu direito, quais sejam, 972 páginas com documento, incluindo livro razão, comprovantes de pagamento e outros. Analisandose os documentos juntados, verificase que com os documentos juntados em recurso voluntário se analisados em conjunto com os já apresentados pela contribuinte em manifestação de inconformidade são ao meu entender suficientes para averiguar a existência de crédito, sem prejuízo é claro de que outros documentos possam vir a ser necessários no decorrer do cálculo. Deste modo, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito, sob pena de ser indeferido o seu pedido. Neste sentido, temos jurisprudência sedimentada deste Conselho, consoante se verifica pelo aresto abaixo: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF E DACON RETIFICADORAS. EFEITOS. A DCTF e DACON quando retificadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Diante disto, perante a extensa documentação juntada pela contribuinte, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, devendo, contudo, ser convertido o julgamento em Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 20 7 diligência para que seja apurada pela unidade de origem a certeza e liquidez dos créditos, sem prejuízo à unidade de origem que esta venha intimar a contribuinte para apresentar outros documentos que se fizerem necessários para realizar a apuração devida. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, nos termos da fundamentação. Após o processo deve retornar a esse CARF para julgamento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 21 8 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. A recorrente afirma que os créditos que pleiteia decorrem de: i) pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais; ii) custos de gravação. Direitos autorais Quanto aos direitos autorais, amparome na Solução de Divergência nº 14 da Cosit, de 28/04/2010, para assentar que os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas em operações internas de aquisição de direitos autorais para a produção de obras fonográficas não dão direito a crédito na determinação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Apesar de esta solução de divergência tratar de direitos autorais relativos a produção de livros, as partes que abaixo transcrevo, com grifos no original, aplicamse ao presente caso: “14. Como se constata, o legislador adotou para fins de utilização de crédito na modalidade não cumulativa, o critério de listar de forma exaustiva os bens, serviços e despesas capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade, assim como ao modo de produção no que respeita à questão do insumo. (...) 15.8. Ressaltese, ademais, que outro ponto que confirma a descaracterização de plano dos direitos autorais como insumo para efeitos de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, encontrase no disposto no §6º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que determina que a configuração como insumo dos direitos autorais alcança tão somente àqueles pagos pela indústria fonográfica e desde que referidos direitos tenham se sujeitado ao pagamento da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação. 15.9. Ora, se os direitos autorais já estivessem contidos no conceito de insumo não haveria necessidade de citação expressa no §6º do art. 15 da Lei supracitada e nem mesmo restringirseia tal conceito apenas aos direitos autorais da indústria fonográfica. Resta evidente, portanto, que o referido dispositivo legal visou conceder um benefício tão somente para a indústria fonográfica, possibilitando o cálculo de créditos sobre o pagamento de direitos autorais que sofreram a tributação das citadas contribuições, na importação e não no mercado interno.” Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 22 9 A Cosit concluiu que não há amparo legal para apuração de créditos sobre valores pagos pela cessão de direitos autorais para a edição e produção de livros; que tais direitos não se enquadram no conceito restrito de insumo previsto no art. 66, §5º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 247, de 2002, com suas alterações posteriores, e no art. 8º, §4º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 404, de 2004, que, respectivamente, regulamentam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, nem em qualquer outra hipótese de crédito prevista na legislação tributária. Assim também no caso presente. Apenas os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica em relação a importações sujeitas ao pagamento destas contribuições são alcançados pela permissão legal de aproveitamento de crédito tal como disposto no parágrafo 6º do artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Este parágrafo 6º, ao contrário do que afirma a recorrente, não diz que os direitos autorais constituem insumo da indústria fonográfica, e, porque o caput do art. 15 trata de importações, não se aplica a operações de mercado interno. Acrescentemse que os direitos autorais não se consomem no processo de fabricação dos produtos fonográficos. Também por este motivo não podem ser considerados bens ou serviços utilizados como insumos. Por estas razões, devese negar provimento ao recurso voluntário em relação ao pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais. Custos de gravação Quanto aos custos de gravação, a recorrente não discorre sobre cada gasto efetuado, limitandose a afirmar ter apresentado: lançamentos no livro Razão; demonstrativo em forma de planilha com os pagamentos relativos a estes custos; cópias dos recibos e notas fiscais de pagamentos; exemplo da correlação de documentos para demonstração dos créditos de PIS e Cofins. De fato, muitos documentos foram juntados aos autos. Mas, nenhum argumento ou esclarecimento foi apresentado a favor da possibilidade de estes chamados custos de gravação serem aproveitados como créditos. Segundo o AFRFB Gilson Wessler Michels, julgador da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisDRJ/FNS, documentos comprobatórios são aqueles que atestam, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Transcrevo excertos do voto condutor do Acórdão nº 0713.480, de 15/8/2008 no processo nº 13986.000025/200611, da 4ª Turma da DRJ/FNS, proferido por aquele julgador. “Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 23 10 contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. (...) (...), em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. (...) Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio (...) A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício (...) Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de ofício, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valerse das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador (...) De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 24 11 princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usando se o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação específica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito).” Estas palavras se aplicam ao caso em discussão. A relatora do acórdão recorrido, AFRFB Magda Cotta Cardozo, ao apreciar pedido de perícia formulado na manifestação de inconformidade, assentou que “No presente caso, tratandose de demanda iniciada pelo contribuinte, por meio da apresentação do PER/DCOMP que ora se analisa, é dele o ônus de demonstrar documentalmente o direito informado em tal documento, o que efetivamente não fez”. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 25 12 Ciente disto, a recorrente juntou muitos documentos, por exemplo, ordens de compra; requisições, faturas, recibos, notas fiscais de serviços, porém não associou registros e documentos de forma individualizada e não contextualizou os elementos de prova. Demonstrar documentalmente não é apenas juntar documentos. Para os direitos autorais, que no presente caso não dá direito crédito, conforme seção específica acima, foi apresentado demonstrativo com informações sobre o registro contábil (data, valor, conta contábil), descrição do pagamento, CNPJ do favorecido, número do recibo, totalizado valores a recuperar de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep. Porém, para os custos de gravação, demonstração semelhante não foi apresentada. Analisando os documentos contidos nos autos, com fundamento no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e tendo em vista interpretação restrita do conceito de insumo, que é a que prevalece nesta Turma Especial, por voto de qualidade, podese afirmar que os seguintes gastos não poderiam dar direito ao crédito pleiteado: Agência Brasileira de Comércio e Turismo; empresas de remessa expressa; reembolso de despesas com hotel, transporte e refeição de pessoas; locação de carros; pessoas físicas (músicos); pagamentos de INSS de autônomos; afinação de instrumentos. Outros gastos, em princípio, poderiam ensejar o direito ao crédito, desde que prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e utilizados na produção de obras fonográficas destinadas à venda. São eles: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. Quanto aos seguintes gastos, não se pode afirmar com certeza que se enquadram entre aqueles que possibilitam o direito ao crédito: serviços de supervisor, auxiliar técnico e produção executiva; serviços de arregimentação de coro e assistência de produção; tradução de áudio. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito referente apenas aos gastos com: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, desde que as aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Desinado. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963905/200968 Acórdão n.º 3801003.612 S3TE01 Fl. 26 13 Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10166.904916/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO.
Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido por pessoas jurídicas submetidas aos regimes de apuração do lucro real, presumido ou arbitrado, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate merecem ser tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ, fruto da contraposição das antecipações que se pretendeu repetir com o imposto de renda apurado no final do período de apuração em que ocorreu a retenção.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à repetição ou à compensação, incumbe ao sujeito passivo.
COMPROVAÇÃO DA OFERTA À TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS QUE GERARAM A RETENÇÃO.
O reconhecimento do direito à dedução do IRRF na apuração do valor do imposto a pagar, eventualmente gerando saldo negativo, reclama a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção, não constituindo óbice ao reconhecimento deste direito o eventual mero descompasso entre o período em que os rendimentos foram oferecidos à tributação e o período em que houve a retenção.
Numero da decisão: 1102-000.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer como saldo negativo do 2º trimestre de 2001 o valor de R$ 687.093,75, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator) e Ricardo Marozzi Gregório, que reconheciam o crédito no valor de R$ 523.212,68. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Baeta Ippolito Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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COMPENSAÇÃO. Recorrente GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido por pessoas jurídicas submetidas aos regimes de apuração do lucro real, presumido ou arbitrado, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate merecem ser tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ, fruto da contraposição das antecipações que se pretendeu repetir com o imposto de renda apurado no final do período de apuração em que ocorreu a retenção. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à repetição ou à compensação, incumbe ao sujeito passivo. COMPROVAÇÃO DA OFERTA À TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS QUE GERARAM A RETENÇÃO. O reconhecimento do direito à dedução do IRRF na apuração do valor do imposto a pagar, eventualmente gerando saldo negativo, reclama a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção, não constituindo óbice ao reconhecimento deste direito o eventual mero descompasso entre o período em que os rendimentos foram oferecidos à tributação e o período em que houve a retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 49 16 /2 00 8- 67 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer como saldo negativo do 2º trimestre de 2001 o valor de R$ 687.093,75, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator) e Ricardo Marozzi Gregório, que reconheciam o crédito no valor de R$ 523.212,68. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Documento assinado digitalmente. Marcelo Baeta Ippolito – Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Manoel Mota Fonseca. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 0337.193, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília–DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação de tributos pleiteada pela recorrente. Na Declaração de Compensação apresentada, foi informado como origem do crédito o pagamento indevido ou a maior de IRRF no valor original de R$ 787.500,00. De acordo com o Despacho Decisório nº 791154462 (fls. 62), não foi confirmada a existência do crédito informado, porque o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Na manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte, em síntese, o seguinte. Em abril de 2001 a BASF S/A e a recorrente celebraram transação judicial consubstanciada na Escritura Pública de Transação sob Condição suspensiva (doc. 02 da impugnação) por meio da qual a BASF se comprometeu a pagar à recorrente o montante de R$ 15.750.000,00, tendo o referido valor sido por ela contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, a BASF S/A recolheu a quantia de R$ 787.500,00 a título de imposto de renda retido na fonte, incidente à alíquota de 5% sobre o valor da indenização paga, valor este que deveria ter sido considerado como dedução do imposto devido no 1o trimestre (sic) de 2001, mas que, contudo, não o foi, por lapso no Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 4 3 preenchimento da declaração (DIPJ/2002 – doc. 03 da impugnação), de sorte que não foi utilizado como componente do saldo negativo do imposto. A negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, vez que a receita correspondente foi tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não foi utilizado até o envio das Declarações de Compensação. A administração não pode indeferir sumariamente pedidos de compensação sem se ater à verdade real contida em tais pedidos, independentemente da forma utilizada para pleitear as compensações. Ao inadmitir as declarações, com base em uma análise prefacial e rasteira, a Fazenda não cumpriu o seu dever de análise, penalizando o contribuinte, que pode vir a ser obrigado a efetuar novo pedido de compensação, tendo que se submeter aos acréscimos legais pelos quais não foi responsável. Finaliza requerendo o restabelecimento do crédito utilizado e a homologação das compensações pleiteadas, e protesta por todos os meios de provas admitidos em direito. A 2ª Turma da DRJ/Brasília julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao fundamento de que o tipo de crédito utilizado pela contribuinte para pleitear a compensação dos débitos por ela confessados no PER/DCOMP foi “pagamento indevido ou a maior”, mas que, entretanto, pelo teor das suas alegações de defesa, a origem do crédito que deveria ter sido informado no PER/DCOMP seria “saldo negativo de IRPJ”. Ou seja, o que o contribuinte estaria pleiteando, de fato, seria uma retificação das informações contidas no PER/DCOMP transmitido, no caso, no tipo de crédito informado, o que faria com que fosse modificado substancialmente o objeto da decisão proferida pelo Despacho Decisório, sendo necessária a emissão de uma decisão completamente nova, motivo pelo qual não poderia tal retificação ser aceita. O procedimento correto seria o cancelamento do PER/DCOMP original e a emissão de um novo PER/DCOMP com as informação corretas. A decisão está assim ementada: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O TIPO DE CRÉDITO DECLARADO NO PER/DCOMP. A retificação da informação referente ao tipo de crédito informado no PER/DCOMP faria com que fosse modificado substancialmente o objeto da decisão proferida pelo Despacho Decisório, sendo necessária a emissão de uma decisão completamente nova. Nesses casos, o procedimento correto seria o cancelamento do PER/DCOMP original pela contribuinte e a emissão de outro PER/DCOMP, com as informação corretas.” Cientificada desta decisão em 29.06.2010, conforme AR de fls. 80, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 29.07.2010, fls. 85 a 108, no qual alega, em síntese, o seguinte: Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 5 4 Contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade de que, ao final do exercício, cometeu o equivoco de não incluir como antecipação do imposto devido no 1º trimestre (sic) de 2001 o montante de R$ 787.500,00 de IRRF, ocorre que não houve nenhum erro. Isto porque, sendo a Recorrente optante pela tributação do IRPJ na modalidade de lucro presumido no ano de 2001, e não tendo mais nada a adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos, não cometeu nenhum equivoco, e não deveria aquele valor ter sido considerado como antecipação do devido. Diferentemente do que supõem os ilustres julgadores da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o procedimento de utilizar o crédito como “pagamento indevido ou a maior” foi a única opção da Contribuinte, pois como a mesma estava no regime fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa. Não se está pleiteando, de fato, uma retificação de informações contidas no PER/DCOMP transmitido, conforme assevera o relator da decisão recorrida, uma vez que a Recorrente é ciente da legislação sobre o assunto, que não permite a retificação das declarações de compensação pela Autoridade Fazendária. A Recorrente notificou extrajudicialmente a fonte pagadora para que se pronunciasse sobre o repasse/recolhimento dos valores aos cofres da Receita Federal do Brasil. Em ContraNotificação Extrajudicial da BASF S.A (doc. 02 do recurso), a mesma reafirma que o valor retido foi objeto de recolhimento em 25 de abril de 2001, dentro do prazo legal, nos termos do Ato Declaratório Executivo COSAR nº 25, de 28 de março de 2001, e anexa comprovante de arrecadação emitido pela Receita Federal do Brasil. Ocorre que o referido comprovante de recolhimento apresenta os mesmos elementos do DARF recolhido originalmente e utilizado pela Contribuinte no seu pedido de compensação, com exceção do código de receita “5204 – IRRF – JUROS INDENIZAÇÕES LUCROS CESSANTES” que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, através de REDARF, para o código de receita “1708 – IRRF – REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA”, conforme informações complementares no comprovante (“*Registro original alterado”). A alteração procedida pela fonte pagadora penalizou a Recorrente, vez que a RFB não localizou nos seus sistemas o referido documento de arrecadação. Tal fato justifica o reexame dos pedidos com o deferimento de diligência para verificar a existência do crédito demonstrado com a consequente quitação do débito cobrado sem a incidência de nenhum encargo legal. Em 1o de fevereiro de 2012, em face de novos elementos apresentados pela patrona da recorrente na própria sessão de julgamento, o colegiado determinou a sua conversão em diligência. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 6 5 Em síntese, asseverou a recorrente, naquela ocasião, que a receita correspondente (indenização paga pela BASF S/A à recorrente) fora na verdade apropriada contabilmente não em 2001, mas sim no ano calendário de 2000, em atenção ao regime de competência. Além das cópias de algumas folhas do livro Diário, que acompanharam o memorial apresentado, apresentou também em sessão o livro Diário original, no qual consta o lançamento que alegou ser do valor daquela receita, já descontado dos honorários advocatícios (o valor escriturado é de R$ 14.800.000,00). Além disto, em nova ContraNotificação Extrajudicial da BASF S.A, recebida somente após o protocolo da peça recursal, e anexa ao memorial (fls. 123124), consta o reconhecimento, por parte da BASF S.A, de que a alteração no código do DARF, bem como a sua não inclusão em DIRF, decorreu de equívoco de sua (BASF) exclusiva responsabilidade, e a informação de que ela estaria tentando junto à Receita Federal do Brasil a retificação do código de receita no DARF, bem como da própria DIRF. A diligência foi para determinar que a autoridade fiscal de jurisdição do contribuinte adotasse as providências que a seguir transcrevo daquela decisão: 1. Diligencie para apurar se a receita relativa à indenização paga pela BASF S/A à recorrente foi de fato contabilizada, bem como corretamente oferecida à tributação, no ano calendário de 2000, bem como intime a empresa a esclarecer o(s) motivo(s) de ter assim procedido e a apresentar o(s) documento(s) que lastrearam a determinação do valor do lançamento assim efetuado; 2. Diligencie para apurar se o IRRF retido, no valor de R$ 787.500,00, e recolhido em 25.04.2001, não foi objeto de dedução do valor do imposto devido em qualquer período de apuração em 2000 ou 2001, ou mesmo de dedução do valor eventualmente lançado em auto de infração que tenha sido lavrado contra a recorrente, referente a estes anos, tendo em vista ter a patrona, também da tribuna, informado que a empresa sofrera fiscalização abrangendo tais períodos. 3. Acrescente os documentos comprobatórios obtidos no cumprimento dos itens 1 e 2 acima, bem como outros documentos e/ou informações que considerar relevantes. Do relatório de diligência, extraímos, em síntese, o seguinte: Com relação ao primeiro item, alegou o contribuinte que, conforme registro contábil efetuado à página 206 do Livro Diário 155 do mês de janeiro de 2000, com histórico “Receitas Diversas – Valor Referente a Processo BASF”, foi apropriado neste mês o valor de RS 14.800.000.00, tendo por base a sentença judicial, deferida em dezembro de 1999, que lhe concedeu o direito de receber, a título de indenização, a quantia de R$ 10.595.484.50, com data base de dezembro de 1996, e que este valor, atualizado pelo INPC para janeiro de 2000 e acrescido taxa de juros de 6% ao ano, atingiu o montante ajustado de R$ 14.800.000.00. Afirma o contribuinte que este valor foi incluído na Ficha 11 da DIPJ – “Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa”, bem como nas fichas 19A e 20A (Apuração do PIS e da COFINS), todas de janeiro de 2000, tendo sido, portanto, oferecido à tributação naquele ano. E que, na liquidação da sentença em abril de 2001, por meio de Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva no valor de RS 15.750.000,00, restou apenas a diferença de R$ 950.000.00, a qual foi apropriada no ano de 2001 e oferecida a tributação conforme DIPJ/2002, Ficha 14A – “Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 7 6 Presumido”, referente ao 2º trimestre de 2001, compondo o montante da receita ali declarada, de RS 1.882.642,13. A autoridade diligenciante confirmou a escrituração do montante de R$ 14.800.000,00 na contabilidade (Livro Diário 155, de janeiro de 2000, registrado na Junta Comercial do Distrito Federal em 13/08/2002, com o histórico “Receitas Diversas – Valor Referente a Processo BASF”. Contudo, tendo em vista que o contribuinte, apesar de intimado a tanto, não apresentou nem o Livro Razão, nem sequer o plano de contas contábeis, concluiu que não restou comprovado que o citado rendimento tenha feito parte da base de cálculo do IRPJ no mês de janeiro de 2000. Com relação à parcela de R$ 950.000,00 que teria sido apropriada em abril de 2001, tendo em vista que o contribuinte não apresentou qualquer livro contábil daquele ano, alegando que, devido ao longo tempo decorrido entre o evento e a solicitação da documentação em diligência, cerca de 12 anos, os livros contábeis não haviam sido localizados, concluiu que também não restou comprovado que o citado rendimento tenha feito parte da base de cálculo do IRPJ apurado no 2º trimestre de 2001. Quanto ao solicitado no item 2 da diligência, a autoridade fiscal verificou que, de acordo com as DIPJ apresentadas, o contribuinte não se utilizou de qualquer IRRF a título de dedução, seja na apuração das estimativas, seja na apuração anual do IRPJ do ano calendário 2000, seja na apuração trimestral do IRPJ pelo lucro presumido no anocalendário 2001. E que tampouco houve a dedução de IRRF nos valores lançados em auto de infração de IRPJ (processo nº 10168.006.172/200216), no qual o contribuinte teve o seu lucro arbitrado com relação aos anos de 1999 e 2000, em vista da falta de apresentação dos livros e documentos da sua escrituração. Elaborou ainda o fiscal diligenciante uma tabela (fls. 352) na qual relacionou os diversos PER/DCOMP que se utilizaram do mesmo crédito aqui alegado. Dentre eles constam os cinco processos que ora estão em julgamento nesta Turma, além de diversos outros que aguardam julgamento em segunda instância, de dois processos em que a decisão de não homologação dada no despacho decisório tornouse definitiva, uma vez que o contribuinte não apresentou manifestação de inconformidade, e de um que foi tacitamente homologado pelo decurso do prazo fatal. Cientificado do teor do relatório de diligência, que concluiu não ser legítimo o direito creditório pleiteado, manifestouse o contribuinte, reprisando seus argumentos de defesa, já aqui expostos, e afirmando que a documentação já acostada aos autos demonstra cabalmente a existência do crédito, e que não poderia o fisco, a pretexto de verificar a existência de saldo a restituir, reabrir a análise de fatos ocorridos em períodos já abrangidos pela decadência, sendo absurda, portanto, a exigência fiscal de apresentação dos livros de sua escrituração. Ademais, a diligência comprovou que o crédito não foi por nenhuma outra forma aproveitado, que não pelas compensações indeferidas. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 8 7 E, ainda, foi confirmado pelo auditor fiscal que a tributação do ano de 2000 foi feita pela fiscalização pelo arbitramento, com base no valor do ativo total da contribuinte. O valor base tomado para o arbitramento (R$ 106.847.809,07, em cada um dos quatro trimestres) é muito superior ao valor da receita alegadamente não oferecida à tributação, pelo que não pode subsistir a argumentação de que o crédito não foi devidamente tributado. Se os fiscais adotaram uma presunção legal para fazer o arbitramento, lhes é vedado valerse de dados da escrituração, por eles mesmos rejeitada, para indeferir a compensação pleiteada. Finaliza requerendo a reforma integral da decisão recorrida, com a validação do seu crédito e o deferimento da compensação efetuada. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O crédito informado no PER/DCOMP é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRRF. Entretanto, conforme sustenta a recorrente desde a inicial, e também o comprova a cópia do DARF anexo aos autos, a retenção se deu em virtude da indenização paga pela BASF S/A à recorrente (retenção sob o código 5204 – IRRF – JUROS E INDENIZAÇÕES POR LUCROS CESSANTES). Assim dispõe o art. 60 da Lei nº 8.981, de 1995 sobre o assunto (grifei): “Art. 60. Estão sujeitas ao desconto do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de cinco por cento, as importâncias pagas às pessoas jurídicas: I a título de juros e de indenizações por lucros cessantes, decorrentes de sentença judicial; Parágrafo único. O imposto descontado na forma deste artigo será deduzido do imposto devido apurado no encerramento do períodobase.” Tratase, portanto, de imposto retido na fonte a título de antecipação do IRPJ devido, o que define, em primeiro lugar, a competência desta Primeira Seção de Julgamento para a análise do pleito, nos termos do Regimento Interno do CARF. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 9 8 Em segundo lugar, por tudo o quanto já exposto no relatório, por certo não se trata de retenção indevida ou a maior que o devido, pois é incontroverso que a indenização recebida deveria submeterse à incidência do imposto na fonte, e no exato valor em que foi feita. Cediço que, não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido na fonte a título de antecipação do IRPJ devido, por si só, não é passível de restituição. Apenas o saldo negativo eventualmente decorrente da contraposição dessas retenções ao valores declarados como devidos, nos respectivos períodos de apuração, é que pode ser objeto de restituição. Neste sentido, os seguintes precedentes do CARF, sendo um deles desta Turma de julgamento: Acórdão 110200174, sessão de 07.04.2010, relator José Sérgio Gomes: IRPJ. SALDO NEGATIVO. Os recolhimentos mensais em bases estimadas efetuadas pela empresa optante do regime de tributação do lucro real anual, bem assim o imposto de renda retido por fontes pagadoras (IRRF), caracterizam meras antecipações do tributo devido no final do período de competência e, tomadas isoladamente, são inservíveis para eventual compensação tributária que não na composição do próprio IRPJ do período. Acórdão 19500.021, sessão de 16.09.2008, relator Benedicto Celso Benício Junior: COMPENSAÇÃO IRRF O imposto de renda retido na fonte incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, não pode ser compensado diretamente com tributos e contribuições Os valores retidos devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de imposto em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo de IRPJ . O IRRF não é, por si só, passível de restituição/compensação. Portanto, inapropriado falarse, no caso em análise, em restituição de imposto de renda retido na fonte. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate não podem ser indeferidos, pura e simplesmente, em razão do equívoco na formulação, senão antes devem ser tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ, fruto da contraposição das antecipações que se pretendeu repetir com o imposto de renda apurado no final do período de apuração. Esta, aliás, foi a tese da defesa apresentada em sede de manifestação de inconformidade. Na ocasião, sustentou a recorrente que o valor do IRRF, que deveria ter sido considerado como antecipação do devido, não o foi, por mero lapso no preenchimento da DIPJ, e asseverou que a receita correspondente fora tributada juntamente com os demais rendimentos. Em análise da DIPJ/2002 acostada aos autos (doc. 03 da impugnação), é possível verificar que, de fato, o IRRF de R$ 787.500,00 recolhido em 25.04.2001 não foi incluído na apuração do 2º trimestre daquele ano calendário, pois a linha 25 da ficha de apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido, relativa à dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte acusa valor igual a zero. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 10 9 Entretanto, a mesma ficha aponta valores declarados de receita neste trimestre iguais a tão somente R$ 1.882.642,13 (receitas submetidas a percentual de presunção do lucro) e R$ 77.078,78 (demais receitas acrescidas à base de cálculo do lucro), enquanto que o valor da indenização auferida monta a R$ 15.750.000,00. As alegações de impugnação, portanto, não foram confirmadas. Contudo, conforme já relatado, em sede recursal a recorrente alterou a sua linha de defesa, aduzindo que não cometera nenhum erro de preenchimento na DIPJ, ao entendimento de que o referido imposto não deveria ser considerado como antecipação do devido, e que nada teria a adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos. E que, como estava submetida ao regime do Lucro Presumido em 2001, não haveria de se falar em base negativa, de sorte que sua única opção de utilização do crédito seria “pagamento indevido ou a maior”. Tais argumentos, contudo, não prosperam, pois “saldo negativo” de imposto nada mais é do que outra forma de denominar o saldo de imposto a ser compensado, sendo que este pode aflorar qualquer que seja a forma de apuração do lucro: real, presumido, ou mesmo arbitrado. Assim, as afirmativas de que a sua única opção de utilização do crédito seria como “pagamento indevido ou a maior”, e de que a retenção não deveria ser considerada como antecipação do devido, contrariam não apenas as razões iniciais de defesa da própria recorrente, bem como, de modo frontal, a legislação de regência da matéria, já acima citada. Nada obstante a inconsistência entre as teses esposadas na impugnação e no recurso, e, ainda, por fim, a nova alteração nos argumentos de defesa, feita na sessão de janeiro de 2012, agora para asseverar que substancial parte da receita correspondente à indenização paga pela BASF S/A já teria sido apropriada não em 2001, mas sim em 2000, tendo em vista os novos elementos de prova apresentados naquela oportunidade, entendeu por bem o Colegiado determinar a realização de diligência, a fim de verificar se as receitas relativas à indenização paga pela BASF à recorrente haviam sido de fato contabilizadas e oferecidas à tributação na forma e montantes em que alegado, exigência esta necessária para que a fonte possa ser deduzida do saldo do imposto a pagar no encerramento do período de apuração, consoante dispõe a legislação de regência e a jurisprudência do CARF, exemplificativamente aqui referenciada pelos seguintes acórdãos: Acórdão 10243.952, sessão de 21.10.1999, relator Antonio de Freitas Dutra: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF — COMPENSAÇÃO — Imposto de renda retido na fonte sobre receitas financeiras somente poderão ser objeto de compensação com o IRPJ, e assim, passível de restituição quando estas receitas tenham sido oferecidas à tributação na declaração de ajuste. Acórdão 10419.556, sessão de 11.09.2003, relator José Pereira do Nascimento: IRRF — RESTITUIÇÃO — O imposto de renda de pessoa jurídica, retido na fonte como antecipação, somente é restituível mediante á entrega da declaração de rendimentos, relativo ao ano calendário da retenção e desde que observado as regras que disciplinam a matéria. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 11 10 Por sua vez, o eventual descompasso entre o período em que os rendimentos foram oferecidos à tributação e o período em que houve a retenção não constitui óbice ao reconhecimento do direito creditório, desde que feita a comprovação da oferta dos rendimentos à tributação. Neste sentido, cito o seguinte precedente desta Turma (Acórdão 110200.438, sessão de 26 de maio de 2011): RECEITAS FINANCEIRAS. RETENÇÃO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo imposto de renda ao final do respectivo período de apuração, e a efetiva retenção do imposto na fonte, circunstância esta que não invalida a plena dedução do imposto de renda retido no período de apuração em que ocorrer a retenção, entretanto, é necessário que seja feita a prova, com elementos da escrituração comercial e fiscal da requerente, de que as receitas foram de fato oferecidas à tributação em períodos anteriores. E. ainda, no mesmo sentido, este precedente de outro Colegiado: Acórdão 10709.303, sessão de 05.03.2008, relator Jayme Juarez Grotto: SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Mostrase equivocada a decisão que negou aproveitamento de parte do IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras ao argumento de que, no mesmo ano calendário, as receitas de aplicações financeiras declaradas foram inferiores ao que seria de se esperar em face dos valores retidos e considerada a aliquota de 20%. Sendo os rendimentos oferecidos à tributação pelo regime de competência, parte das receitas correspondentes foram tributadas em períodos anteriores, como demonstrado pela recorrente. Na diligência, restou confirmado que o montante de R$ 14.800.000,00 foi efetivamente lançado na contabilidade (livro Diário), a crédito da conta “Receitas Diversas”, no mês de janeiro de 2000, com o histórico “Valor Referente a Processo BASF”. Ademais, o lançamento contábil feito em janeiro de 2000 (tendo a retenção ocorrido somente em abril de 2001) se justifica em razão da sentença judicial ter sido deferida em dezembro de 1999. Tanto a recorrente quanto a autoridade diligenciante, contudo, preocuparam se em demonstrar a inclusão (ou não inclusão) do referido valor no cálculo da estimativa do mês de janeiro de 2000, sem qualquer preocupação com a sua inclusão ou não na base do imposto efetivamente apurado no ano de 2000, que é o que realmente importa. É evidente que a demonstração de que o valor teria integrado a base de cálculo da estimativa de janeiro seria forte indício de sua consideração também na base de cálculo anual, contudo, nesta parte, há que se dizer que falhou a recorrente em demonstrálo adequadamente, e esta foi também a conclusão da autoridade diligenciante. De fato, a recorrente apenas argumentou que o valor de R$ 14.800.000,00 compunha o montante de R$ 69.156.649,26, informado no mês de janeiro de 2000 nas fichas Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 12 11 19A e 20A da DIPJ, bem como que estaria incluído na base de cálculo oferecida à tributação na ficha 11 da DIPJ, mas sequer se preocupou em demonstrar de que forma isto se deu. As fichas 19A e 20A tratam apenas da apuração do PIS e da COFINS, não servindo para a finalidade almejada. Já a ficha 11, que trata da apuração do imposto devido por estimativa, indica que em janeiro de 2000 a recorrente optou pela forma de apuração com base na receita bruta e acréscimos, o que correspondeu a uma base de cálculo de R$ 5.659.231,25, mas não há qualquer demonstração do seu cálculo, e nem é possível inferir, a partir desta base informada, que o valor da receita de R$ 14.800.000,00 estaria lá incluso. Tampouco se pode dar guarida ao derradeiro argumento apresentado pela recorrente em sua manifestação acerca da diligência efetuada, no sentido de que, por ter ela sido submetida ao arbitramento do seu lucro pela fiscalização no ano de 2000, haveria que se reputar ter sido aquela receita integralmente tributada. Ora, o arbitramento do lucro não constitui um “cheque em branco” que permita concluir que toda e qualquer receita auferida pelo sujeito passivo, até mesmo as eventualmente omitidas, tenham sido alcançadas pela tributação do imposto, senão antes trata se o arbitramento de medida extrema, aplicada nos casos em que impossível a apuração do lucro por outra forma. No caso concreto, inclusive, o que se colhe das cópias acostadas aos autos dos autos de infração e do relatório fiscal relativos ao arbitramento feito (que é objeto de outro processo), é que não somente o arbitramento foi necessário em razão da falta de apresentação dos livros por parte do contribuinte, como sequer foi possível fazer o arbitramento valendose da receita bruta conhecida. Ou seja, o arbitramento foi feito tomando se por base o valor do ativo total do contribuinte, aplicandose os coeficientes previstos em lei, e isto, por certo, não constitui prova alguma de que aquela receita de indenização recebida pela recorrente tenha sido oferecida à tributação. Entretanto, em que pese a deficiência na demonstração por parte da recorrente de que teria oferecido a receita à tributação em janeiro de 2000, bem como a inconsistência das demais alegações recursais, com base em elementos diversos, entendo haver prova suficiente nos autos de que pelo menos parte daquele valor restou oferecido espontaneamente à tributação pela recorrente no ano de 2000. Explico. Conforme dito, restou confirmado que o montante de R$ 14.800.000,00, com o histórico “Valor Referente a Processo BASF”, foi lançado a crédito da conta “Receitas Diversas” em janeiro de 2000. Por sua vez, na cópia autêntica da Demonstração do Resultado do Exercício em 31.12.2000 apresentada pela recorrente (fls. 255), consta a conta “Receitas Diversas” com valor informado de R$ 13.741.721,02. A diferença a menor pode ser decorrente de inúmeras razões, que não cabe aqui especular, e tampouco há elementos nos autos que possam esclarecêlo. Entretanto, e em que pese se saiba que, em sede de restituição ou compensação, a prova do indébito tributário incumba ao sujeito passivo, em razão de todas as peculiaridades do caso concreto já exaustivamente relatadas, entendo que deva ser reconhecido que a parcela de R$ Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 13 12 13.741.721,02, daquela receita de indenização, foi oferecida à tributação pelo imposto de renda pelo próprio contribuinte em 2000. Isto porque, na mesma Demonstração do Resultado do Exercício já referida, verificase que o lucro líquido contábil do ano de 2000, no qual está incluída aquela parcela de R$ 13.741.721,02, foi de ()R$ 842.108,46 (prejuízo). E, ao consultarmos a DIPJ referente àquele ano, na ficha 06A – Demonstração do Resultado, vemos que o valor do lucro líquido do período informado pelo contribuinte é rigorosamente o mesmo (R$ 842.108,46), e que este foi também o valor base para a apuração do lucro real na ficha 09A da mesma DIPJ, ao qual foram agregadas tão somente adições (nenhuma exclusão ou compensação), resultando em lucro real declarado. Por outro lado, com relação à parcela de R$ 950.000,00, que teria sido apropriada pela recorrente em abril de 2001, não há como discordar das conclusões da autoridade diligenciante, que reputou não ter sido comprovada a alegação feita. De fato, a recorrente limitase a alegar que a referida parcela compõe o montante de R$ 1.882.642,13, correspondente à base de cálculo do IRPJ apurado no 2º trimestre de 2001, conforme a DIPJ apresentada, contudo, não apresenta qualquer elemento de prova que dê respaldo a tal afirmação. Neste contexto, mais uma vez lembrando que a prova do indébito, fato jurídico a dar fundamento ao direito, cabe ao sujeito passivo que o alega, concluo não ter sido comprovada a oferta da referida parcela à tributação. Descabida é a alegação recursal de que não poderia mais o fisco exigir a apresentação dos livros de sua escrituração, após o decurso do prazo de cerca de 12 anos desde os fatos a serem analisados, pois, conforme dito, é ao contribuinte que incumbe o ônus de provar o seu direito. Do quanto até aqui exposto, temos, portanto, que, da receita total de R$ 15.750.000,00, houve a comprovação do oferecimento à tributação da parcela de R$ 13.741.721,02, o que corresponde ao percentual de 87,25%, o qual deve, então, ser aplicado à retenção sofrida (R$ 787.500,00), gerando o valor de retenção, passível de dedução do saldo a pagar do imposto de renda, de R$ 687.093,75. Tal valor, conforme já referido, deve ser oposto ao valor do imposto de renda apurado no período em que ocorreu a retenção, a fim de que se verifique: (i) a redução do saldo do imposto a pagar; ou então (ii) a apuração do eventual saldo credor, também denominado de saldo negativo do imposto. Neste sentido, a diligência solicitada por este colegiado confirmou que a referida retenção não foi objeto de dedução, pelo contribuinte, do valor do imposto devido em qualquer período de apuração em 2000 ou 2001, e nem tampouco de dedução, pela autoridade fiscal, do valor lançado em auto de infração lavrado contra a contribuinte, de sorte que remanesce íntegro o seu direito ao aproveitamento na dedução do imposto apurado no 2º trimestre de 2001, o qual ora se reconhece. Tendo em vista os dados constantes na DIPJ referente a este período de apuração (fls. 219), temos que o contribuinte apurou um imposto a pagar de R$ 163.881,07, e não deduziu a referida retenção. Se o tivesse feito, apuraria um valor de saldo negativo, ou de imposto a restituir, de R$ 523.212,68. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 14 13 Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer que o montante do crédito de saldo negativo de imposto de renda do 2º trimestre de 2001 equivale a R$ 523.212,68, devendo a autoridade administrativa reconhecer a homologação das compensações declaradas até o montante do crédito assim reconhecido, nos termos da legislação de regência da matéria. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. Com a vênia devida ao Nobre Conselheiro Relator, divirjo parcialmente do entendimento exposto no v. voto proferido especificamente no que se refere ao quantum do saldo negativo pleiteado que é passível de restituição. Com efeito, na conclusão do Nobre Conselheiro Relator, quanto ao direito do Contribuinte ao crédito de saldo negativo de imposto de renda do 2º Trimestre de 2001, não merece reparos. No entanto, entendo que não deva ser excluído o valor de R$ 163.881,07. De acordo com o entendimento do Nobre Conselheiro Relator, uma vez que o que se busca é a restituição do saldo negativo e que este apenas surge quando as antecipações/retenções forem superiores ao montante devido no período, para a definição do montante passível de restituição, deveria ser refeita a apuração do imposto devido no 2º trimestre de 2001. Neste sentido, considerando que no 2º trimestre de 2001 o contribuinte teria apurado um valor de Imposto de Renda a pagar no montante de R$ 163.881,07, o valor do saldo negativo passível de restituição deveria ser deduzido deste valor. No entanto, partindose da premissa de que, seja quando do despacho decisório, seja no decorrer do presente processo, mesmo após a realização de diligência, em momento algum foi apontada a existência de débito no 2º trimestre de 2001, não há como se considerar que o valor em questão esteja em aberto e, portanto, deva ser deduzido do montante do saldo reconhecido. De fato, às fls. 214 da DIPJ apresentada pelo contribuinte, consta a existência de saldo a pagar de IRPJ no montante de R$ 163.881,07. Ocorre que, neste momento, não é cabível a análise sobre a exigibilidade deste valor. O que se discutiu no presente processo e restou comprovado, dentro dos limites apresentados pelo Nobre Conselheiro Relator, é que, primeiro, parte significativa das receitas que serviram de base para a retenção do Imposto de Renda foram oferecidas à tributação e, segundo, as retenções sofridas pela Recorrente, em virtude da receita auferida e no montante por ela oferecido à tributação, não foram utilizadas na dedução do imposto a pagar. Neste sentido, se os valores tiveram sua retenção confirmada e não foram utilizados pela Recorrente, ainda que o pedido tenha sido formulado de maneira equivocada, em homenagem ao princípio da verdade material e de forma a se evitar o enriquecimento sem causa do Erário, é certo que o crédito em questão existe sendo passível de restituição. Ainda que se pudesse admitir a análise do valor em questão, deveria ter sido oportunizado à Recorrente a comprovação de sua quitação de forma a afastar a dedução pretendida pelo Nobre Conselheiro Relator. Contudo, não foi dada a oportunidade ao Contribuinte de comprovar a quitação deste débito, por exemplo, pela apresentação de DARF ou de PER/DCOMP. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904916/200867 Acórdão n.º 1102000.998 S1C1T2 Fl. 16 15 Exigir neste momento esta quantia do Contribuinte, ainda que por meio de dedução do valor de seu crédito, sem que ele tenha tido a oportunidade de apresentar prova de que o valor encontrase extinto, configuraria cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, o valor de R$ 163.881,07, se devido, deveria ser objeto de lançamento, por meio da entrega, pelo Contribuinte, de DCTF. Se o contribuinte, por outro lado, não procedeu à entrega deste documento, o qual constitui o débito, caberia à Receita Federal lançalo de ofício, por meio da lavratura de Auto de Infração. Tendo ocorrido o primeiro caso, ou o contribuinte efetuou o pagamento, ou o débito foi encaminhado à Dívida Ativa para cobrança judicial. Tendo ocorrido o segundo caso, o débito é ou foi objeto de procedimento administrativo próprio. Contudo, independentemente do ocorrido, repisese, não houve qualquer menção a este valor quando do despacho decisório ou, ainda, nas oportunidades dadas à D. Fiscalização no decorrer dos presentes autos. Não se pode admitir, assim, que este C. Conselho quando da prolação de seu julgamento, inove nos autos, procedendo à cobrança de valor que sequer há provas de ser devido. Dessa forma, entendo que o crédito de saldo negativo de imposto de renda do 2º trimestre de 2001, passível de restituição, equivale a R$ 687.093,75, nos termos da fundamentação exarada pelo voto do Nobre Relator. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado no valor de R$ 687.093,75, homologandose, por consequência, as compensações realizadas nos limites do crédito reconhecido. É como voto. Documento assinado digitalmente. Marcelo Baeta Ippolito – Redator designado. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME
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Numero do processo: 10880.022112/95-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 30/07/1991 a 31/03/1992
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discute o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, pois a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa desistência do processo na esfera administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-00.469
Decisão: Acordam os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em não conhecer do recurso voluntário.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Celso Lopes Pereira Neto
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Recorrida DRJ-SALVADOR/BA ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/07/1991 a 31/03/1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discute o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, pois a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa desistência do processo na esfera administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Acordam os membros da i a câmara / 2" turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em não conhecer do recurso voluntário. 411111111-11111 LU • A É-. — LO GUERRA DE CASTRO - Presidente (^-^)t CELSO LOPES PEREIRA NETO - Relator Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt • Prieto, Beatriz Veríssimo de Sena, Nilton Luiz Bartoli e Nanci Gama. o Processo n° 10880.022112/95-23 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.469 Fl. 234 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador — DRJ/SDR, através do Acórdão n° 3742, de 18 de julho de 2003. . Por bem descrever os fatos, adoto o relatório componente da decisão recorrida, de fls. 126, que transcrevo a seguir: "Trata-se de Auto de Infração, fls. 16/21, lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da contribuição para o Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL relativa aos períodos de apuração de julho de 1991 a março de 1992, com base no art. 1°, § 1°, do Decreto-lei n°1.940, de 25 de maio de 1982; arts. 16, 80 e 83 do Regulamento do Finsocial, aprovado pelo Decreto n°92.698, de 21 de maio de 1986; art. 28 da Lei n° 7.738, de 09 de março de 1989. 2. O autuante informa à fl. 21 ter constatado a falta de recolhimento, de depósitos judiciais e de lançamento nas respectivas DCTF da contribuição ao FINSOCIAL apurada. Acrescenta ainda que a empresa ingressou judicialmente com a Medida Cautelar n° 92.0089794, mas não obteve liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. 3. A contribuinte foi cientificada do lançamento em - 25/07/1995 ( fl. 20) e apresenta, em 24/08/1995, a impugnação de fls. 26/28, alegando em sua defesa, em síntese: • Como -assinalado pelo próprio autuante, a contribuinte é autora de Medida Cautelar e Ação Declarató ria que se encontram no Tribunal Regional Federal da 3" Região; • Muito embora não tenha havido depósito judicial, a impugnante entende que o crédito tributário encontra-se suspenso, nos termos do que dispõe o inciso III do art. 151 do CTN; • Ademais, recente decisão da Fazenda Nacional, amplamente divulgada, desistindo de todos os processos relativos ao F1NSOCL4L, evidencia que assiste razão à contribuinte; • A alíquota utilizada no Auto de Infração está em desacordo com a legislação vigente, assim como os juros de mora e a multa aplicada, pois a existência de ações judiciais retira da Fazenda Nacional a "razão de punir"; Por outro lado, uma vez constituído o crédito tributário, deve a Fazenda Nacional aguardar a decisão judicial final; • Ao final, requer a improcedência do lançamento. )`nX. Processo n° 10880.022112/95-23 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.469 Fl. 235 4. Em 07/01/2000, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo encaminhou o presente processo à DRF/SP para que a contribuinte fosse intimada a apresentar as Certidões de Objeto e Pé e respectivas sentenças — se as houver — das ações judiciais que intentou contra a Fazenda Nacional (fl. 69). 5. Desta forma, foram anexados os documentos de fls. 70/115. 6. Após despachos de fls. 116/117, e em face da transferência de competência para julgamento, prevista no anexo único da Portaria SRF n° 1.033, de 27 de agosto de 2002, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento." A Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA, resolveu, por unanimidade de votos, não conhecer da impugnação quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão será cumprida pela administração tributária, por intermédio do órgão fiscal jurisdicionante; e julgar procedente em parte os acréscimos legais, reduzindo-se o percentual da multa de oficio de 100% (cem por cento) para 75% (setenta e cinco por cento), através do referido Acórdão, cuja ementa transcrevemos, verbis: Período de apuração: 30/07/1991 a 31/03/1992 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Tratando-se de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política, cabendo, entretanto, análise relativamente à matéria não submetida à apreciação do Poder Judiciário. INEXISTÊNCIA DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA. MULTA DE OFICIO. Dada a ausência de medida liminar ou decisão favorável à impetrante em mandado de segurança, e diante da inexistência de depósitos judiciais, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente, cujo percentual, entretanto, deve ser reduzido de 100% (cem por cento) para 75% (setenta e cinco por cento), por força da alteração na legislação de regência. JUROS DE MORA. A inadimplência quanto ao recolhimento de tributos e contribuições sujeita o sujeito passivo à incidência de juros de mora. No período compreendido entre 04 de fevereiro e 29 de julho de 1991, a aplicação do disposto no art. 30 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, deve ser subtraída, em vista do artigo 1° da IN SRF n° 32, de 09 de abril de 1997. Lançamento Procedente em Parte." 1\‘\,1\ds e:2 Processo n° 10880.022112/95-23 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.469 Fl. 236 A recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 182/194), no qual requer, preliminarmente, a decretação da nulidade da decisão recorrida, por incompetência do órgão julgador. No entender da recorrente, os julgamentos dos processos administrativos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal competem, privativamente, ao titular da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Logo, a decisão proferida por outra pessoa que não o titular da DRJ, ainda que por delegação de competência, padece de vício insanável e irradia a mácula para todos os atos dela decorrentes. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes para respaldar seu entendimento. Diante do que expôs sobre a nulidade da decisão de primeira instância, requer também a nulidade do crédito tributário lançado, inclusive com o arquivamento em definitivo de sua cobrança. Quanto aos demais pontos em discussão, aduz, resumidamente, que: - protocolizou duas ações no Poder Judiciário, em 1992: Medida Cautelar n° 92.0089794-0 e ação Declaratória n° 92.0092920-6, com o objetivo de reaver (sic) valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL, instituído pelo Decreto-lei n° 1940/82; - o crédito tributário ora exigido ficará com a exigibilidade suspensa até a decisão da ação judicial correspondente à Medida Cautelar n° 92.0089794-0; - a ação declaratória n° 92.0092920-6 transitou em julgado no dia 31 de agosto de 2000, no Tribunal Regional Federal da Terceira Região; - não encontra eco no direito brasileiro, a afirmação da decisão recorrida de que, embora o contribuinte esteja discutindo a legalidade do recolhimento da contribuição, a concomitância entre processo administrativo e judicial não impede ao Fisco federal lavrar auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro CELSO LOPES PEREIRA NETO, Relator O recurso é tempestivo: a recorrente tomou ciência da decisão hostilizada em 11/09/2007 (aviso de recebimento de fls. 181) e apresentou sua peça recursal em 03/10/2007 (fls. 182). Preliminar de nulidade A recorrente requer, preliminarmente, a decretação da nulidade da decisão recorrida, por incompetência do órgão julgador. No entender da recorrente, os julgamentos dos processos administrativos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal competem, privativamente, ao titular da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. j\S. Processo n° 10880.022112/95-23 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.469 Fl. 237 Não assiste razão à recorrente. Por ocasião do julgamento de primeira instância, 18 de julho de 2003, a competência para julgar, em primeira instância, após instaurado o litígio, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários era das turmas das Delegacias da Receita Federal de Julgamento - DRJs e não do titular da DRJ. Vejamos os art.s 203 e 204 da Portaria MF n° 259 de 24/08/2001: "Art. 203. Às MU, nos limites de suas jurisdições, conforme anexo V, compete: I - julgar, em primeira instância, após instaurado o litígio, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive os decorrentes de vistoria aduaneira, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos ao reconhecimento de direito creditório, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF; e II - desenvolver as atividades de tecnologia e de segurança de informação, de programação e logística, e as relacionadas com planejamento, organização, modernização e recursos humanos. Art. 204. Às turmas das DRJ são inerentes as competências descritas no inciso Ido art. 203." (grifei) E o presente processo, em particular, teve a transferência de competência para julgamento transferida da DRJ/São Paulo para a DRJ/Salvador pela Portaria SRF n° 1.033 de 27/08/2002. Na verdade, o art. 10 e Anexo Único desta portaria transferiram a competência para o julgamento de todos os processos com ano de protocolo 1995 e 1996, que, anteriormente, eram da competência da DRJ São Paulo (com exceção dos processos relativos ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários e Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) para a DRJ Salvador. O presente processo, protocolado em 1995 e que não se refere nem a IOF nem à CPMF, enquadra-se nesta situação. Portanto, o julgamento foi feito por órgão competente para tal e não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância Quanto à nulidade do crédito tributário, ou seja, nulidade do próprio lançamento, não há nenhuma comprovação de vício no procedimento que levou à sua constituição. Foi realizado por autoridade competente, na forma prevista em lei. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. Do mérito Não restam dúvidas de que a recorrente ingressou judicialmente com duas ações judiciais: Ação Cautelar n° 92.0089794-0 (Petição Inicial: fls. 39/51) e a Ação Declaratória de Inexistência de relação Jurídico-Tributária n° 92.0092920-6 (Petição Inicial: fls. 53/63). A própria recorrente admite a existência destas ações. Processo n° 10880.022112/95-23 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.469 Fl. 238 Também, não restam dúvidas de que o objeto das duas ações é questionar a exigência da contribuição ao FINSOCIAL, conforme se pode ver dos pedidos nas duas ações (fls. 50/51 e 63): o reconhecimento do direito da Autora de não ser compelida ao pagamento do FINSOCIAL. Uma vez que não lhe foi concedida liminar nem tutela antecipada, nem houve depósito judicial da contribuição exigida, não está, portanto, suspensa a exigibilidade do crédito tributário, como afirma a recorrente. Não resta nenhuma dúvida, e a recorrente não contesta este fato, que a ação judicial intentada versa sobre a mesma matéria objeto do presente processo administrativo. Como o objeto da ação judicial intentada pela recorrente compreende o do auto de infração em tela, impõe-se o reconhecimento da renúncia tácita às instâncias administrativas, por concomitância de matérias, o que afasta o pronunciamento dos órgãos julgadores administrativos sobre o mérito da autuação, em face do princípio da unicidade de jurisdição, insculpido no art. 5°, XXXV, da Constituição Federal Nesse sentido, prescreve o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 3, de 14 de fevereiro de 1996: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial — por qualquer modalidade processual — antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; (g.n) b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo -judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (.); c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, proceder-se-á à inscrição em dívida ativa, deixando- se de fazê-lo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art.151, do CNT; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC)." À época do julgamento de primeira instância, já estava em curso ação judicial intentada pela recorrente, cujo objeto compreendia o do auto de infração em tela, impondo-se o reconhecimento da renúncia tácita às instâncias administrativas, por concomitância de matérias, o que afastava o pronunciamento dos órgãos julgadores administrativos, de forma que a DRJ não poderia conhecer da impugnação e deveria, como realmente o fez, considerar o lançamento definitivo na esfera administrativa. u))'-Z-://1 Processo n° 10880.022112/95-23 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.469 Fl. 239 Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para considerar o crédito tributário, lançado através do auto de infração objeto do presente processo, definitivamente constituído. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2009. CELSO LOPES PEREIRA NETO
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Numero do processo: 10980.002741/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DETERMINAR o encaminhamento deste processo administrativo à 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção para julgamento conjunto com o recurso interposto nos autos do processo relativo ao IRPJ (PAF nº 10980.002743/2008-47).
(assinado digitalmente)
Joao Otavio Oppermann Thome - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DETERMINAR o encaminhamento deste processo administrativo à 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção para julgamento conjunto com o recurso interposto nos autos do processo relativo ao IRPJ (PAF nº 10980.002743/200847). (assinado digitalmente) Joao Otavio Oppermann Thome Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 02 74 1/ 20 08 -5 8 Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.002741/200858 Resolução nº 1102000.158 S1C1T2 Fl. 2.136 2 RELATÓRIO E VOTO Tratamse de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela Segunda Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto SP, assim ementado, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI ANOCALENDÁRIO: 2003, 2004 IPI. OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA RATEIO. As receitas apuradas, cuja origem não seja comprovada, serão consideradas provenientes de vendas não registradas c sujeitas ao IPI. O cálculo do imposto devido é obtido pela aplicação da maior alíquota incidente sobre os produtos da autuada, quando não for possível identificar os produtos cujas vendas não foram registradas, sem previsão legal para aplicação de rateio de alíquota. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2003,2004 CONTRADITÓRIO. INÍCIO. Somente com a impugnação iniciase o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IPI Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DF DIREITO TRIBUTÁRIO ANO CALENDÁRIO: 2003,2004 REEXAME. MESMO EXERCICIO. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame mediante ordem escrita da autoridade competente. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.002741/200858 Resolução nº 1102000.158 S1C1T2 Fl. 2.137 3 Quando provado que o contrato social da pessoa jurídica contém falsidade ideológica dada a utilização de interpostas pessoas, resta configurado o evidente intuito de fraude. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DEMORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. JUROS DEMORA. LIMITE CONSTITUCIONAL. A prescrição constitucional que limita os juros de mora é norma de eficácia contida e dependente de legislação complementar. Lançamento Improcedente O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração (fls. 1756/1820) pelo fato de o estabelecimento industrial ter dado saída de produtos tributados pelo IPI sem emissão de nota fiscal, em decorrência de omissão de receitas de origem não comprovada. O crédito tributário lançado totalizou R$ 32.545.378,61, nos anos calendário 2003 e 2004,inclusos juros de mora e multa de oficio. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 1748/1755 descreve em detalhes a ação fiscal, destacando, ainda, os seguintes fatos: 1. Interposição de pessoas: todos os elementos e documentos apontam na direção de que a fiscalizada foi mais uma das empresas constituídas para dar continuidade às operações de sonegação fiscal e importação fraudulenta do Grupo Sundown (posteriormente denominada Exteima), de propriedade e administrada pela família Rozenblum Trosman; 2. A família Ronzenblum Trosman, de nacionalidade uruguaia, nas pessoas de Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Ronzenblum Elpern, Noemi Elpem Kotliarcvski de Rozenblum e Karina Rozenblum, tinham como modus operandi a constituição de empresas com pessoas de poucos recursos financeiros, que geralmente possuíam uma pequena parte das quotas de capital, sendo que a sócia majoritária geralmente é uma empresa de fachada do Uruguai, sempre com o intuito de ocultar os verdadeiros donos do negócio, que administravam a empresa por intermédio de procurações; 3. Ficou caracterizada a sujeição passiva solidária dos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Ronzenblurn Elpem, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, nos termos do Código Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.002741/200858 Resolução nº 1102000.158 S1C1T2 Fl. 2.138 4 Tributário Nacional (CTN), art. 124, tendo em vista a ligação de interesse comercial entre a fiscalizada e as empresas do grupo Sundown, e as ligações pessoais entre os sócios da BSD e os proprietários e administradores das empresas do grupo Sundown; 4. Da análise dos extratos bancários, ficou constatado que os valores creditados nas contas da empresa, nos anos de 2003 e 2004 (R$ 58.861.317,98 e R$ 53.048.946,65, respectivamente), a titulo de depósitos, cobrança, descontos de duplicatas e outros créditos, é superior aos valores declarados pela empresa (R$ 18.685.994,18 e R$ 9.208.108,70), na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); 5. Tendo em vista que a empresa fiscalizada é constituída por interposta pessoa, empresa off shore com sede no Uruguai, e pelo fato de que as irregularidades apontadas tratarem de infrações continuadas, nos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2004, operações bancárias não contabilizadas, fatos esses que evidenciam ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, fica caracterizada a sonegação fiscal prevista na Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 71, caput e inciso I, ficando a contribuinte sujeita à multa qualificada prevista no art. 44, II, e art. 80 da Lei nº 9.430, de 1996; 6. A fiscalização foi encerrada parcialmente, com referência ao ano calendário de 2002 por meio dos processos administrativos n° 10980.016004/200751 e 10980.016007/200795; 7. Foi elaborada Representação Fiscal para fins penais, cuja comunicação ao Poder Judiciário será formalizada, conforme determinação da Portaria SRF n° 326, de 15 de março de 2002, art. 1º, § 7º. Notificada do lançamento em 29/02/2008, conforme autos de infração, a interessada, por intermédio de seu sócio Paulo Oscar Goldstein, ingressou, em 01/04/2008, com a impugnação de fls. 1860/1885, alegando, em suma: • Ofensa ao artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo em vista que o auto impugnado é resultado de fiscalização de revisão de anterior procedimento, realizado nos autos do Processo n° 10980.014135/200532, e não houve motivação suficiente e idônea a autorizar essa fiscalização; • Cumpria aos autuantes demonstrar também a ocorrência de erro de fato ou erro de direito, hábil a justificar a necessidade e a legalidade da revisão; • Em face do auto de infração do processo n° 15165.002003/200757, com imposição de multa correspondente ao valor das mercadorias importadas pela empresa, a partir de 29 de setembro de 2002, ante a impossibilidade de sua apreensão, os valores exigidos no presente auto de infração são manifestamente indevidos, pois não subsiste a base fáticoeconômica sobre a qual incidiu o tributo; Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.002741/200858 Resolução nº 1102000.158 S1C1T2 Fl. 2.139 5 • Não há balizas e parâmetros legais estabelecidos em lei para que se utilize da modalidade de arbitramento no lançamento de IPI, ao contrário do ocorre, por exemplo com o 1RPJ. A fiscalização efetuou o lançamento do IPI levando em consideração fato gerador c base de cálculo próprios de outras espécies tributárias, tais como o IRPJ, COFINS e PIS, contrariando dispositivos legais que descrevem o fato gerador e a base de cálculo do IPI; • Está fora de discussão a possibilidade de se estipular aleatoriamente alíquotas do imposto, ou de “rateio” de alíquotas diferenciadas, na qual não encontram suporte na lei. Isso significa dizer que o lançamento se deu a partir de critérios arbitrários, estabelecidos originariamente pelos auditores fiscais da ausência de parâmetros legais para sua realização, invalidando o lançamento; • Ausência de compensação do IPI lançado com os valores pagos por ocasião do desembaraço aduaneiro e dos valores lançados no auto de infração constante do processo n° 15165.002046/200732, desobedecendo a regra de nãocumulatividade do IPI; • No que se refere á multa aplicada no auto de infração, a sanção imposta desobedeceu aos preceitos normativos, “ao não lhe possibilitar a ciência de no curso do procedimento de fiscalização poderia ocorrer não apenas a constituição de crédito tributário, mas também a imposição de grave sanção administrativa”, tendo em vista que se encontravam em poder da fiscalização desde o inicio dos trabalhos, cru dezembro de 2006, que se decidiu autorizar o procedimento em questão; • Aplicamse ao presente caso as disposições contidas nos arts. 2°, X, 3° e 38, caput, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que asseguram aos interessados a ciência e tramitação e a apresentação de razões de fato e de direito que deverão ser consideradas pela Administração antes de ser proferida decisão administrativa que venha a afetar direitos ou interesses do particular; • Está caracterizada a ofensa aos dispositivos legais supracitados, às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV), corolários do devido processo legal (art. 5º, LIV); • A imposição da multa prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, deverá ser invalidada pela inexistência de motivação idônea a demonstrar a ocorrência da conduta típica infracional; • A motivação exposta no auto de infração, quanto á presença de empresa off shore com sede no Uruguai nos seus atos constitutivos não reflete, minimamente, a prática de qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista no tipo infracional indicado no auto de infração como tendo sido violado; • Nada há no ordenamento jurídico pátrio dispositivo que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional; Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.002741/200858 Resolução nº 1102000.158 S1C1T2 Fl. 2.140 6 • A referência genérica a infrações continuadas nos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2004, operações bancárias não contabilizadas, é igualmente incapaz de. sustentar a imposição de multa agravada, pois o auto de infração impugnado tratou unicamente do período relativo ao exercício financeiro de 2003, assim a referência a fatos supostamente ocorridos nos exercícios de 2002 a 2004 jamais poderia ter sido invocada no lançamento ora em discussão; • A mera referência genérica a suposta ocorrência de dolo ou, ainda, a simples transcrição do dispositivo legal indicado não constitui motivação idônea á imposição de multa, especialmente quando se trata de sanção relacionada a possível intuito de sonegação e no patamar da que foi imposta à impugnante, urna vez que se trata de privação de direitos patrimoniais do particular; • O dolo deve ser devidamente provado, não bastando, para sua caracterização, a simples opinião do agente fiscal responsável pela lavratura do ato, como está ocorrendo, pois a fiscalização contestada se deu sob a modalidade de arbitramento, diante da impossibilidade da apresentação dos documentos contábeis, ou seja, a contabilidade não foi analisada, tendo eles afirmado a existência de operações bancárias não contabilizadas; • Tudo indica que os auditoresfiscais trabalharam com uma mera presunção, porém o dolo não se presume, não pode resultar de uma mera conjectura, cabendo à Administração o ônus da prova relativa ao dolo, entendimento pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes; • A conduta da empresa BSD, durante todo o curso da fiscalização, foi no sentido de atender, na medida do que lhe era possível, a todas as solicitações formalizadas pelos autuantes, dentro dos prazos que lhe foram assinalados, comportamento claramente oposto àquele que descrito pela fiscalização para justificar a imposição da multa agravada. • Não havendo prova da efetiva ocorrência de dolo por parte da empresa impugnante, ou ainda havendo elementos concretos que demonstram justamente a nãocaracterização desse tipo de comportamento, não pode prevalecer a imposição da multa qualificada. Requereu o provimento da impugnação, para o fim de proceder à invalidação do lançamento ou, subsidiariamente, a redução dos valores encontrados pelos autuantes. Os responsáveis solidários também foram notificados, sendo que Karina Rozenblum, em 10/03/2008, por meio do aviso de recebimento de fl. 2046, e Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpem e Noemi Elpem Kotliarevski de Rozenblum, por meio dos editais de fls. 1837/1839, afixados em 05/03/2008, e ingressaram, representados pelo advogado Julio Assis Gehlen (procurações de fls. 1918, 1920, 1922 e 1924), em 07/04/2008, com a impugnação de fls. 1886/1915, alegando, em suma: Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.002741/200858 Resolução nº 1102000.158 S1C1T2 Fl. 2.141 7 • Preliminarmente, impossibilidade de prosseguimento do processo administrativo até a conclusão da Ação Penal Pública 2006.70.000122997, pois a questão relativa à possibilidade de inclusão dos impugnantes na condição de responsáveis tributários é oriunda do que está sendo debatido naquela ação proposta pelo Ministério Público Federal e em trâmite na 2ª Vara Criminal de CuritibaPR; • Nulidade do auto de infração, por cerceamento de defesa, pois os impugnantes não participaram das diligências realizadas anteriormente à lavratura do auto de infração; • Decadência do direito de lançar, para os fatos geradores ocorridos antes de novembro de 2002, nos termos do CTN, art. 150, § 4º, uma vez que a ciência do auto de infração ocorreu somente em 10/03/2008; • A exigência do fisco em imputar a incidência de IPI a produtos importados e revendidos sem que haja processo de industrialização, viola o art. 153, IV, §3°, da Constituição Federal, bem como aos princípios da capacidade contributiva e primordialmente ao princípio da isonomia; • A multa incidente sobre o IPI não lançado, com cobertura de créditos, é indevida, uma vez que inexiste previsão legal que a estabeleça. Caso seja mantida a exigência estará sendo negada vigência ao artigo 97, V, do Código Tributário Nacional, bem como violando o art. 5º, II, da Constituição Federal que prescrevem o principio da legalidade; • Inaplicabilidade da multa majorada, pois não houve ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; • A suposição de que a empresa fiscalizada é constituída por interposta pessoa, empresa off shore com sede no Uruguai, não é motivo determinante para configuração de sonegação fiscal; • Não prospera também a afirmação de que houve infrações continuadas nos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2004, pois a autuação semente se refere a março de 2003 a dezembro de 2004; • O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados; sendo assim, a não apresentação da escrituração contábil é que motivou o arbitramento dos lucros, não se justificando o agravamento da penalidade; • Ofensa ao principio constitucional do nãoconfisco, implícito na CF, art. 50, XXII, na aplicação da multa equivalente a 150%; • Inaplicabilidade da taxa Selic como taxa de juros, pois essa taxa não se presta à utilização como equivalente aos juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, seja porque carente de legislação que a institua (contrariando o disposto no art. 161, §1°, do CTN) ou porque os valores acumulados de tal taxa em nada coadunam com o Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.002741/200858 Resolução nº 1102000.158 S1C1T2 Fl. 2.142 8 dispositivo constitucional (art. 192, §3°); e ainda porque sua natureza é de juros remuneratórios, c não moratórios, contrariando mais uma vez o dispositivo do CTN, norma de hierarquia superior à que traz a taxa Selic como aplicável aos débitos de natureza fiscal (Lei n° 9.065, de 1995). Requereram: a determinação do sobrestamento do feito até que seja concluído o trâmite da Ação Penal Pública n° 2006.70.000122997, ou que o teor das alegações finais apresentadas ao juízo criminal e as razões de defesa eventualmente apresentadas pela empresa BSD sejam consideradas como parte de sua defesa; a declaração da improcedência da autuação ou, em caso negativo, que a multa aplicada não ultrapasse 20% dos tributos exigidos e que seja determinada a exclusão da taxa Selic; que as intimações sejam realizadas exclusivamente na pessoa do advogado subscritor. O acórdão acima ementado julgou procedente a impugnação apresentada para cancelar integralmente o lançamento de IPI. Com exceção das alegações específicas quanto ao lançamento do IPI, o acórdão adotou como razão de decidir os fundamentos expostos no Acórdão DR.I/RPO nº 1420.391, de 11/09/2008, proferido pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, nos autos do processo n° 10980.002743/200847, em relação aos questionamentos referentes às preliminares, caracterização da omissão de receita, fraude multa de oficio qualificada e juros de mora. Entendeu o acórdão, preliminarmente: (a) que a DRJ não dispõe de competência para analisar a exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo do auto de infração e afastar a imputação de responsabilidade solidária. Pelos mesmos motivos, considerou desnecessário o sobrestamento do feito até a conclusão da ação penal citada pelas pessoas físicas; (b) que não há que se falar em cerceamento de defesa antes da instauração da fase litigiosa do processo, o que ocorre com a apresentação de impugnação. O direito de defesa contra a penalidade foi assegurado quando foi disponibilizado o prazo para impugnar o lançamento; (c) que não foi caracterizada nulidade por violação ao art. 149 do CTN, uma vez que foi atendido o art. 906 do RIR/99, que trata da possibilidade de segundo exame relativo a exercício já anteriormente fiscalizado. Ademais, não se está tratando de alteração de lançamento, mas de novo lançamento dentro do mesmo exercício; (d) que não procede a alegação de decadência com base no art. 150, §4º do CTN, uma vez que, por estar caracterizada a ocorrência de fraude, deve ser aplicado o prazo do art. 173, I do CTN. Assim, concluiu que, com relação aos fatos geradores ocorridos até março de 2003, que poderiam ser exigidos dentro do próprio anocalendário, o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2004 e teria seu termo final em 31/12/2008. Uma vez que o a ciência do auto de infração ocorreu em 29/02/2008, foi afastada a preliminar de decadência suscitada. No mérito, entendeu o acórdão recorrido que: (a) o contribuinte não questionaria a situação fática que originou o lançamento combatido (arbitramento do lucro e apuração de omissão de receitas com base em depósitos bancários), já que os protestos voltarseiam apenas contra o cálculo dos tributos devidos por força de alegados equívocos no que tange à compensação dos valores apurados no Processo n° 10980.014135/200532; (b) não procederia a alegação de que a fiscalização deveria ter procedido à compensação entre a base de cálculo encontrada na primeira fiscalização (apurada com base no lucro real) e a base de cálculo obtida na “fiscalização de revisão", tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, o que resultaria em um menor valor devido desses tributos, pois, uma vez arbitrado o lucro, todo o resultado da empresa se submeteria a esta nova forma de tributação; (c) não caberia discutir pedido de Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.002741/200858 Resolução nº 1102000.158 S1C1T2 Fl. 2.143 9 compensação de eventuais créditos de PIS dos meses de agosto, outubro e novembro, o qual segue rito procedimental próprio; (d) deveria ser aplicada a multa de ofício de percentual de 150%, diante da comprovação do evidente intuído de fraude e conduta dolosa ao se verificar que o contrato social da pessoa jurídica contém falsidade ideológica, porquanto figuram neste "interpostas pessoas" com o intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições pessoais do contribuinte, fugindo do pagamento do imposto, uma vez que os sócios que constam do quadro societário não têm disponibilidade financeira para cumprir com essa obrigação; (e) não seria dado à autoridade fiscal discutir questão de inconstitucionalidade por alegada violação ao princípio do nãoconfisco; (f) não haveria inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal contra a cobrança de juros moratórias com utilização da taxa Selic; (g) sobre a alegação de que a Constituição Federal limitou os juros de mora ao patamar de 12% ao ano, há muito se assentou o entendimento de que a disposição constitucional retratada no artigo 192 carece de legislação complementar, não sendo autoaplicável; (h) o "rateio" de alíquotas utilizado pela autoridade fiscal para a apuração do IPI devido não teria previsão legal, razão pela qual o lançamento de IPI mereceria ser cancelado. De acordo com o acórdão recorrido, impunhase a aplicação da alíquota mais elevada prevista pela legislação aos produtos industrializados pela Contribuinte. Em sede de recurso voluntário, os responsáveis solidários reproduzem as alegações de impugnação, especialmente no que se refere (a) à impossibilidade de prosseguimento do processo administrativo até a conclusão da Ação Penal Pública n° 2006.70.000122997, pois a referida ação trata de questão prejudicial ao Processo Administrativo Fiscal na medida em que os responsáveis estão sendo chamados a responder pela dívida fiscal em função de supostos procedimentos fraudulentos que estão sendo apurados e questionados no referido processo criminal; (b) à necessidade de análise da responsabilidade solidária em fase administrativa, sob pena de impossibilitar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, cuja omissão é causa de nulidade da decisão recorrida; e (c) à improcedência do lançamento fiscal pelas demais razões de mérito suscitadas em impugnação. Originalmente, estes autos foram distribuídos à 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção do CARF para julgamento. Citado Colegiado declinou da competência para exame da lide, ante o fato de o lançamento de IPI objeto desse recurso administrativo ser reflexo de auto de infração de IRPJ lavrado sob acusação de omissão de receitas, cujo processo administrativo respectivo tramita sob o n. 10980.002743/200847 perante a 1a Turma da 1a Câmara da Primeira Seção dessa Corte. Verbis: “O auto de infração foi lavrado em 29 de fevereiro de 2009 e, nos termos do termo de verificação de fls. 1748 a 1758, a presente autuação decorreu de presunção de omissão de receitas no âmbito do imposto de renda. O processo do imposto de renda é o de no 10980.002743/200847 e se encontra no Carf desde janeiro de 2010, tendo recebido o no de recurso 171027. De acordo com o Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009, anexo II, art. 2o, a competência para apreciação do referido recurso é da 1ª Seção do Carf: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.002741/200858 Resolução nº 1102000.158 S1C1T2 Fl. 2.144 10 [...]IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; [...]Dessa forma, o processo deve ser encaminhado à 1ª Seção do Carf, para processamento e julgamento do recurso. Diante (a) do teor da decisão proferida por Colegiado da 2a Seção dessa Corte acima transcrita, que se legitima em última análise com a junção dos processos de IRPJ e de seus reflexos para julgamento conjunto; (b) da intrínseca relação de conexão entre os casos em referência, já que, reiterese, essa autuação é reflexa daquela objeto do Processo nº 10980.002743/200847; e (c) da intuitiva inconveniência de potenciais decisões conflitantes a respeito dos mesmos fatos (ocorridos no mesmo período de apuração dos tributos lançados), proponho o encaminhamento desse processo administrativo à 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção para julgamento conjunto com o recurso interposto nos autos do processo relativo ao IRPJ (10980.002743/200847). (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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Numero do processo: 13804.006318/2003-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1988
DECISÕES JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS À IMPUGNANTE MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Decisões judiciais desfavoráveis à Recorrente, transitadas em julgado, ensejam a manutenção do lançamento de ofício veiculado no auto de infração.
COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos.
Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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COMPENSAÇÃO Recorrente SERGUS CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1988 DECISÕES JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS À IMPUGNANTE MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Decisões judiciais desfavoráveis à Recorrente, transitadas em julgado, ensejam a manutenção do lançamento de ofício veiculado no auto de infração. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos. Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 63 18 /2 00 3- 41 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração eletrônico, lavrado em 18/06/2003 (efls. 15/ss), para a cobrança da Cofins, multa de ofício e juros de mora, declarados em DCTF, uma vez que o Fisco não localizou os respectivos pagamentos (constatadas as seguintes situações: “Proc jud não comprovado”; “Comp c/ pagto não localizado”; “Pagto não localizado”), para os seguintes períodos de apuração: fevereiro de 1998, março de 1998, junho/1998 e dezembro de 1998. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de fevereiro de 1998, março de 1998, junho/1998 e dezembro de 1998, declarados na DCTF, pois foi constatado “Proc jud não comprovado”, “Comp c/pagto não Localizado” e “Pagto não Localizado”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 17 e 18, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 30/06/2003, perfazendo o total de R$142.222,82 (cento e quarenta e dois mil e duzentos e vinte e dois reais e oitenta e dois centavos), com o seguinte enquadramento legal: Arts 1 a 4 LC 70/91; Art 1 L 9249/95; Art 57 L 9069/95; Arts 56 e par ún, 60 e 66, L 9430/96; Arts 53 e 69 L 9532/97 . 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 11/08/2003 (AR à fl. 67), a contribuinte protocolizou, em 09.09.2003, a impugnação de fls. 2 e 3, acompanhada dos documentos de fls. 428, na qual expõe e requer: 2.1. O auto deve ser cancelado e tornado sem efeito. 2.2. Não se sustentam as alegadas razões que levaram à sua lavratura, uma vez que todos os tributos apontados como NÃO RECOLHIDOS, o foram com base em suas respectivas datas de vencimentos. 2.3. Os DARFs ora anexados, devidamente quitados, provam suficientemente a impropriedade do auto de infração lançado. 2.4. No caso, também, presumidamente, a divergência decorreu do fato da requerente ter lançado na DCTF, como processos de origem para a compensação, os Processos de n° 96033791, ao invés de 960035791 e também 92.0082959, ao invés de 92.0080959, o que deve ter gerado a divergência, apontando V. Sas. Como processo inexistente. 2.5. Tudo leva a crer que o setor de processamento de dados dessa Secretaria, não fez as devidas imputações de créditos, à partir dos recolhimentos feitos, ficando então os débitos declarados na DCTF, em aberto, o que não condiz com a realidade dos fatos. 2.6. Assim, procedidas as devidas imputações e realocações, concluirseá obviamente pela regularidade dos recolhimentos feitos, o que em decorrência levará Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13804.006318/200341 Acórdão n.º 3202001.310 S3C2T2 Fl. 114 3 à conclusão da impropriedade do auto de infração em referência que deverá ser cancelado e tornado sem efeito, para todos os fins. 2.7. Protestase por todos os meios de provas em direito admitidos, sem exceção. 2.8. Por fim, pede Deferimento. 3. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita Federal DERAT/EQAAR em São PauloSP, que exarou o DESPACHO DECISÓRIO Nº 1898/2008 em 08/05/2008 (fl. 33), onde consta: “Da análise dos autos, segundo demonstrativo de consolidação e recalculo (fls. 28 a 31), verificase a improcedência dos créditos tributários do anexo III do Auto de Infração n° 0063356, nele demonstrados por terem sido integramente pagos anteriormente à lavratura do referido auto de infração. Sendo assim, tais pagamentos foram manualmente alocados, extinguindo os débitos em questão. Com relação aos débitos de R$ 4.176,39 PA 0106/1998 e R$ 44.851,99 PA 01 12/1998, o contribuinte alega compensação via processo judicial”. 3.1. Assim, a DERAT/EQAAR revisou de ofício o lançamento, na forma do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN) e cancelou parte dos débitos conforme Demonstrativos às fls. 2932 relacionados a seguir: DÉBITOS CANCELADOS PA COFINS 2172 MULTA 75% 02/1998 4.697,86 3.523,40 03/1998 1.095,99 821.99 TOTAL 5.793,85 4.345,39 3.2. Restaram em litígio os seguintes débitos: DÉBITOS EM LITÍGIO PA COFINS 2172 MULTA 75% 02/1998 4.176,39 3.132,29 03/1998 44.851,99 33.638,99 TOTAL 49.028,38 36.771,28 4. A EQAMJ, prosseguindo na análise dos débitos, lavrou o Despacho (fl. 68) concluindo: “Com enfoque na objetividade, registro que, após a revisão de lançamento, restaram dois débitos de Cofins neste AIDCTF. O p.a de 06/1998 foi vinculado ao Mandado de Segurança n° 96.00357919, que pretendia o afastamento da Cofins em relação à receita oriunda de imóveis. Este MS transitou em julgado de maneira desfavorável ao contribuinte no STF em 2007. Apesar de o contribuinte não noticiar em sua impugnação, foi localizada conta judicial que se vinculava ao Mandado de Segurança fls. 53/56. Tal conta "sinaldep" sofreu regularização em DJE de 20/10/2009, ainda sem transformação em pagamento definitivo. Tanto a antiga conta "sinaldep" (2808) quanto o DJE de regularização (7431) estão com código de IRRF e não de Cofins. Pelos movimentos da conta judicial pode se observar que houve depósito para o p.a de 06/1998 no importe de R$ 17.960,53, mas não no importe de RS 4.176,39, que veio a ser declarado posteriormente via DCTFCOMPLEMENTAR. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Já o p.a de Cofins de 12/1998 foi vinculado ao Mandado de Segurança n° 92.0088959, que, como se denota do acompanhamento eletrônico (acórdão fls. 60/64), esperava o afastamento dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 para o PIS, com trânsito em julgado em 1997. Não se observa autorização para compensação no acórdão, ainda mais especificamente com a Cofins.” 5. É o relatório. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1637.369 de 05 de abril de 2012 (efls. 75/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/03/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 DECISÕES JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS À IMPUGNANTE MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Com as decisões judiciais desfavoráveis à Impugnante, transitadas em julgado, enseja a manutenção do lançamento no Auto de Infração. CRÉDITO DE PIS COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS CONTRIBUIÇÕES DE ESPÉCIES DIFERENTES IMPOSSIBILIDADE O artigo 66 da Lei 8.383/91 autorizou a compensação entre tributos e contribuição da mesma espécie. O ADN COSIT 15/94, de 30/03/1994 definiu que não é passível a compensação do crédito de PIS com o débito da COFINS por se tratar de contribuição de espécies diferentes. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA ENTRE CONTRIBUIÇÕES DE ESPÉCIES DIFERENTES OBRIGATÓRIA A APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A compensação administrativa entre contribuições de espécies diferentes está sujeita a apresentação do Pedido de Compensação disciplinado artigo 12, § 3º da IN SRF nº 21, de 10/03/1997, o que não consta nos autos tal comprovação. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. A interessada regularmente cientificada do Acórdão em 08/05/2012 (efls. 83/ss) interpôs Recurso Voluntário em 06/07/2012 (efls. 87/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13804.006318/200341 Acórdão n.º 3202001.310 S3C2T2 Fl. 115 5 O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia que restou para análise neste litígio referese à cobrança da Cofins e dos juros moratórios, uma vez que a multa de ofício já foi afastada pela decisão a quo. Ocorre que, como relatado, a interessada ingressou com as seguintes ações judiciais: 1ª) Em relação ao período de apuração 06/1998 a Recorrente impetrou Mandado de Segurança nº 96.00357919 (proc. nº 98.03.0537067), onde discute o afastamento da Cofins em relação à receita oriunda de imóveis, consta dos autos que a citada ação transitou em julgado no STF desfavoravelmente ao contribuinte, em 03/09/2007 (vide e fls. 34/53). 2ª) Em relação ao período de apuração 12/1998, que está vinculado ao Mandado de Segurança nº 98.0088959 (proc. nº 98.1992.4.03.6100), onde a Recorrente discute o afastamento dos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88, consta que a citada ação transitou em julgado em 1997 (vide efls. 58/65) Pois bem. Em relação ao débito referente ao período de apuração 06/1998, a Recorrente não obteve êxito na ação judicial apresentada. Como bem destacou o voto da decisão recorrida, não houve o depósito judicial em relação a R$ 4.176,39. Portanto, como não foi efetuado o depósito judicial, o débito foi corretamente lançado no auto de infração objeto deste processo, devendo sua cobrança ser mantida. Quanto ao débito relacionado ao período de apuração 12/1998, no valor de R$ 44.851,99, conforme Despacho Decisório (efls. 68/69) não houve autorização para compensação de tributos na decisão judicial proferida nos autos do MS nº 92.0088959 (vide e fls. 58/65). Por outro lado, não consta dos autos a comprovação de que a Recorrente tenha apresentado “pedida de compensação” na via administrativa. Assim, também deve ser mantida a exigência fiscal consubstanciada no auto de infração em litígio. Por outro lado, a Recorrente não traz nenhum elemento probante capaz de refutar as provas apresentadas pela fiscalização. Faz apenas argumentações genéricas no sentido de que foram feitas “compensações nos prazos regulamentares”, que as DCTF’s demonstram (?) que as compensações “originaramse dos processos judiciais 96.0035791 (22ª VFFSP) e 92.00822959 (1ª VFFSP)”, que as citadas compensações já teriam sido homologadas tacitamente, contudo, não apresenta sequer um elemento de prova suficiente para comprovar suas argumentações. Assim, não há elementos capazes de demonstrar a “certeza e liquidez” do crédito tributário informado pela Recorrente para compensar seus débitos. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 A compensação de tributos é hipótese de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso II, CTN), nos termos do que dispõe o artigo 170/CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Depreendese, portanto, que não há “crédito líquido e certo”, como prescreve o artigo 170/CTN, possível de ser compensado, uma vez que a Recorrente não obteve o reconhecimento do indébito tributário junto ao Poder Judiciário. Em conclusão, os processos judiciais informados pela Recorrente em DCTF, com a finalidade de afastar a cobrança do débito em relação aos períodos de apuração 06/1998 (R$ 4.176,39) e 12/1998 (R$ 44.851,99), não lhe foram favoráveis e, por conseguinte, não houve a extinção do crédito tributário por nenhuma das modalidades previstas no art. 156 do CTN. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000037/2003-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS.
É cabível o ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins conforme entendimento do STJ. O artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STJ em matéria infraconstitucional proferidas na sistemática da recursos especiais repetitivos,.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente)..
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. É cabível o ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins conforme entendimento do STJ. O artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STJ em matéria infraconstitucional proferidas na sistemática da recursos especiais repetitivos,. Recurso Voluntário Provido.
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EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. É cabível o ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins conforme entendimento do STJ. O artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STJ em matéria infraconstitucional proferidas na sistemática da recursos especiais repetitivos,”. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 9. 00 00 37 /2 00 3- 15 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000037/200315 Acórdão n.º 3801004.709 S3TE01 Fl. 305 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000037/200315 Acórdão n.º 3801004.709 S3TE01 Fl. 306 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou as compensações declaradas, em razão da exclusão das aquisições de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS. Alega a manifestante que excluir as aquisições efetuadas junto a pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS, com base em uma IN, seria ir contra a própria lei instituidora do crédito presumido, na medida que mesmo as pessoas físicas pagariam o PIS e a COFINS na aquisição dos insumos destinados à produção dos bens vendidos ao contribuinte, bem como ir contra assunto já pacificado, conforme julgados que cita, um deles, inclusive, da CSRF a seu favor na mesma matéria.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS. As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI.. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000037/200315 Acórdão n.º 3801004.709 S3TE01 Fl. 307 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão cingese a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins. Esta questão foi objeto do recurso representativo da controvérsia REsp.nº 993.164 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010, conforme ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA.. 1.O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2.A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000037/200315 Acórdão n.º 3801004.709 S3TE01 Fl. 308 5 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3.O artigo 6°, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4.O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5.Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2° Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. 1° O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2o O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2o da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas k jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6.Com efeito, o § 2°, do artigo 2°, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7.Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000037/200315 Acórdão n.º 3801004.709 S3TE01 Fl. 309 6 limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8.Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2°), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11.Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000037/200315 Acórdão n.º 3801004.709 S3TE01 Fl. 310 7 12.A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13.A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14.Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15.Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16.Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17.Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Tal decisão fixou o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas , extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STJ em matéria infraconstitucional proferidas na sistemática da recursos especiais repetitivos, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000037/200315 Acórdão n.º 3801004.709 S3TE01 Fl. 311 8 Assim faz jus a recorrente ao ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins, ressalvando que compete a autoridade administrativa, com base na documentação acostada aos autos e na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações vinculadas até o limite do crédito disponível. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.916496/2012-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 64 96 /2 01 2- 51 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 167DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.916496/201251 Acórdão n.º 3802003.843 S3TE02 Fl. 167 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 79 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 06/03/2014 (fls. 77), interpondo recurso tempestivo em 02/04/2014 (fls. 79). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.916496/201251 Acórdão n.º 3802003.843 S3TE02 Fl. 168 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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