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Numero do processo: 10980.721857/2010-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF.
Numero da decisão: 3001-000.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Sikva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF.
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Recorrente ACCIARI LOCADORA DE VEÍCULOS E TRANSPORTES LTDA.ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Sikva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe Barros Reche. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 18 57 /2 01 0- 12 Fl. 63DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo de exigência de multa por atraso na entrega do DACON de fevereiro de 2010, anocalendário de 2010, no valor total de R$ 500,00. Em sua impugnação alegou a empresa, em síntese, falta de legitimidade da Secretaria da Receita Federal para criar obrigação acessória e aplicar multa, e pugnou pelo não cabimento de multa por norma infralegal. A autoridade recorrida manteve a exigência fiscal para pagamento da referida multa (fls. 34/37), pelos fundamentos resumidos na seguinte ementa (fls. 33), verbis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO DE ENTREGA. Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital, o atraso no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. A empresa foi notificada da decisão a ela desfavorável em 19 de setembro de 2013 (fls. 43/44), e ingressou com Recurso Voluntário a este Colegiado em 16 de outubro do mesmo ano (fls. 51/57), reiterando suas razões imugnatórias, insistindo na preliminar de ilegitimidade para criar obrigação acessória e aplicar multa. No mérito (55/57), praticamente repete os argumentos da preliminar, ao sustentar que a DACON foi instituída por Instrução Normativa do Secretário da Receita, não podendo a autoridade cobrar qualquer penalidade pelo atraso na sua entrega posto que não foi criada por lei. Insiste que a multa não pode ser cobrada por não ter sido instituída por lei, mas sim por IN da SRFB, em respeito ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97V do CTN. E assevera, verbis. Ora, a natureza jurídica das Instruções Normativas não comporta eficácia normativa suficiente para instituir obrigações tributárias acessórias, nem tampouco fixar multa em decorrência de sua inobservância. Finalmente, pugna pela nulidade do lançamento, por falta de legitimidade da Repartição Fazendária por força do art. 2º da Constituição, pelo que entende deva ser provido o recurso para reformar o v. acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.721857/201012 Acórdão n.º 3001000.795 S3C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A empresa foi cientificada do teor da decisão recorrida em 19 de setembro de 2013 e ingressou com Recurso Voluntário em 16 de outubro subsequente. Tempestivo o apelo e revestido das demais formalidades processuais, dele tomo conhecimento. Como registrado pelo v. Acórdão recorrido, a empresa recorrente não discute o atraso na entrega do Dacon de fevereiro de 2010, limitandose a sustentar que a instituição da tal obrigatoriedade, bem assim, a imposição de multa por sua entrega com atraso, não pode prevalecer no mundo jurídico, uma vez que foram instituídas (DACON e multa por entrega com atraso) através de Instruções Normativas do Secretário da Receita Federal do Brasil. Quanto às alegações de ilegitimidade, o tema foi bem solucionado pelo v. Acórdão guerreado, verbis. Esclareço que, segundo o art. 26A do Decreto n.º 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, é “vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, exceto nas hipóteses previstas no § 6º do mesmo dispositivo, as quais não se aplicam ao caso vertente. Em conformidade com essa vedação, o art. 7º, inciso V, da Portaria MF n.º 341/2011, que disciplina o funcionamento das Delegacias de Julgamento, determina que o julgador observe as normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei n.º 8.112/90), bem assim o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. Nesse sentido, vale transcrever súmula do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Circunscrito, então, o contexto em que se dará este julgado, passo ao exame do litígio. Friso, em face do exposto, que está prejudicada a análise de alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas contidas na legislação tributária. Consequentemente, rejeito também a preliminar de ilegitimidade arguida na impugnação, rejeitada pela decisão recorrida e reiterada no apelo a este Colegiado. Nos termos dos artigos 96, 97 e 113 do Código Tributário Nacional transcritos no Acórdão recorrido ,temse como extreme de dúvida que a legislação tributária abrange também as normas complementares e os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas que, por sua vez, são normas complementares. E como a obrigação acessória decorre da legislação tributária, o DACON de fevereiro de 2010, como obrigação acessória que é, podia e pode ser criado por uma Instrução Normativa, como bem enfatizou o acórdão recorrido, que assim arrematou (fls. 35), verbis. Fl. 65DF CARF MF 4 As relações tributárias que têm que ser determinadas em lei estão elencadas, de forma exaustiva, no artigo 97 do CTN e a criação de obrigação acessória não é uma delas. Segundo o art. 16 da Lei 9.779/1999, que atribui competências à Secretaria da Receita Federal do Brasil, compete a SRFB dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Destaquese mais o que ficou expresso no Acórdão guerreado, verbis. Destaquese, portanto, a validade da Instrução Normativa (IN RFB) que instituiu a/o Daconfev/2010 e das IN RFB que dispõem sobre apresentação e prazo. Já a penalidade pelo atraso no cumprimento da obrigação acessória, correspondente na presente situação à entrega da(o) Daconfev/2010, somente a lei pode estabelecer, de acordo com o art. 97, inciso V, do CTN, anteriormente transcrito. A multa foi aplicada com suporte no art. 7º da Lei n.º 10.426/2002: "Art. 7ºO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.721857/201012 Acórdão n.º 3001000.795 S3C0T1 Fl. 4 5 (...) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; (...) II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Provado está que a multa pelo atraso na entrega da(o) Daconfev/2010 tem amparo em lei, em consonância com a determinação explícita no art. 97, inciso V, do CTN. Salientese, ademais, que hipótese semelhante já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos seguintes. Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Consequentemente, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, encontrase perfeitamente correta a exigência da multa legalmente estabelecida. Ademais, é firme a jurisprudência deste Colegiado no sentido de ser mantida a aplicação de multa por atraso na entrega do DACON, merecendo sejam transcritas algumas ementas de Acórdãos mais recentes, quanto segue. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/08/2007 ....................................(omissis).................................... DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, Fl. 67DF CARF MF 6 cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória.(Acórdão nº 3201003.943 2ª Câmara/1ª Turma, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferido em 21 de junho de 2018). (Destaque nosso). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.(Acórdão nº 3302005.848 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferdo em 25.09.2018). (Destaque nosso). ....................................(omissis).................................... ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/03/2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. (Acórdão nº 3402 006.097 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferido em 30 de janeiro de 2019). (Destaque nosso). Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso, rejeitar a preliminar de ilegitimidade e negar provimento ao apelo, para manter o v. Acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.721857/201012 Acórdão n.º 3001000.795 S3C0T1 Fl. 5 7 Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679860/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2006
PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. A mera apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de provas quanto ao valor retificado, não tem o condão de reverter o ônus da prova.
Numero da decisão: 9303-008.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/2006 PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. A mera apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de provas quanto ao valor retificado, não tem o condão de reverter o ônus da prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1446; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.679860/200911 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.688 – 3ª Turma Sessão de 12 de junho de 2019 Matéria CIDE PER/DCOMP Recorrente TIM CELULAR S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2006 PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. A mera apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de provas quanto ao valor retificado, não tem o condão de reverter o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 60 /2 00 9- 11 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.679860/200911 Acórdão n.º 9303008.688 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de valores recolhidos da CIDE, cujo pagamento deuse em 15/05/2006. De acordo com o contribuinte o valor recolhido não seria devido em decorrência de erro na apuração da contribuição devida sobre remessas efetuadas ao exterior a título de royalties, pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Seu pedido de restituição veio acompanhado de declaração de compensação com valores devidos de outros tributos. Seu pedido foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico, no qual se acusou em síntese a inexistência de crédito a favor do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade ele informa que os créditos não foram localizados em decorrência da falta de retificação de sua DCTF, na qual havia confessado os débitos correspondentes à CIDE. Para suprir esta deficiência, o contribuinte efetuou a retificação de sua DCTF apresentando sua cópia no presente processo. Ao julgar sua manifestação de inconformidade, a 5ª turma da DRJ/SP1, proferiu o acórdão nº 1627.114, de 20/10/2010, efl. 43 e seg., por meio do qual a turma julgadora por unanimidade de votos, indeferiu o pleito do contribuinte. O principal fundamento foi que a simples retificação da DCTF, por si só, não faz prova do indébito tributário. Decidiu ainda que é ônus do contribuinte fazer prova de seu suposto direito de restituição. Apresentado recurso voluntário, com a mesma argumentação posta em sua manifestação de inconformidade, resolveu a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, também por unanimidade de votos, negarlhe provimento. Acórdão nº 3402 004859, de 30/01/2018, cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/05/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.679860/200911 Acórdão n.º 9303008.688 CSRFT3 Fl. 4 3 o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Inconformado, o contribuinte apresentou então recurso especial de divergência com o objetivo de que fosse reapreciada a seguinte matéria: "ônus da prova dos fatos consignados em DCTF retificadora". Foi indicado como paradigma da divergência o acórdão nº 330201406. O presidente da 4ª Câmara negou seguimento ao recurso especial, em razão de que o recorrente não teria demonstrado a legislação que estaria sendo interpretada de forma divergente. O contribuinte apresentou agravo, o qual foi acatado pela presidente da 3ª CSRF, dando seguimento ao recurso especial. Em contrarrazões a Fazenda Nacional pede o improvimento do recurso especial. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.679860/200911 Acórdão n.º 9303008.688 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Relator O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. Em questões fáticas semelhantes, o acórdão paradigma, que é do próprio contribuinte, acatou a tese de que, com a apresentação da da DCTF retificadora, o ônus de provar a inexistência do indébito é transferido para a administração tributária. Veja como o acórdão paradigma decidiu a questão: (...) O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar a compensação. (...) Não concordo com a decisão paradigmática. Como relatado, estamos diante de um pedido de restituição. O contribuinte apurou o tributo devido, no caso a CIDE Remessas, confessou em DCTF ser a mesma devida, efetuou o seu pagamento. Passado um tempo, sem que tenha apresentado qualquer elemento comprobatório de que a contribuição não era devida, pede restituição e simutaneamente quita outros tributos devidos. Alertado pelo despacho decisório da inexistência do crédito, sua atitude resumese a efetuar a retificação da DCTF. Alertado novamente, desta vez com veemência, pela decisão da DRJ/SP1, outra vez repete a informação que para comprovar o seu crédito, basta a apresentação da declaração retificadora, ou seja, basta a sua palavra, não precisa de elementos probantes de que a CIDE não era devida. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.679860/200911 Acórdão n.º 9303008.688 CSRFT3 Fl. 6 5 Efetivamente não consigo compreender a razão pela qual o contribuinte tenta obter o reconhecimento de um direito creditório contra a Fazenda Nacional sem a apresentação de provas mínimas do seu direito. As provas decorrem de documentos que deveriam estar na posse do contribuinte. Porquê não apresentálos? Com o devido respeito, até o momento o único elemento apresentado são as declarações que são de sua própria autoria, ou seja, ele quer forçar uma restituição, uma devolução de dinheiro ingressado aos cofres públicos, oferecendo como elemento de prova a sua própria palavra. Por economia processual, adoto ainda como razões de decidir o acórdão nº 9303008146, da lavra do ilustre relator Jorge Olmiro Lock Freire, decidido por unanimidade nesta turma, em sessão de 21/02/2019, no qual a discussão travada era exatamente a mesma em recurso do mesmo contribuinte do presente processo. Transcrevo abaixo o voto: (...) A questão é exclusivamente de direito, e, mais especificamente, em quem recai o ônus da prova em processos de repetição de indébito/compensação. O pleito do contribuinte é absolutamente ilíquido. Vejase o que alegou em sua manifestação de inconformidade, quando restou delimitada a lide: Com efeito, a partir de meados de 2006, a Impugnante constatou ter efetuado o recolhimento a maior de inúmeros impostos e contribuições incidentes sobre operações de remessa ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computados, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004. Assim é que, por possuir elevada quantia creditícia perante a RFB a título de IRRF, CIDE, PISimportação, COFINS importação, a Impugnante optou por quitar débitos de COFINS (código de receita 2172), referentes ao período de apuração do anocalendário de 2006 e 2007, mediante procedimento de compensação com os créditos mencionados. ... Assim, como base nessas alegações absolutamente genéricas quanto aos fatos supostamente ensejadores dos indébitos, o contribuinte, consoante informado em sua peça contestatória vestibular, teria procedido a outros 147 pedidos de repetição/compensação. Ou seja, uma empresa do porte da recorrente alega ter créditos absolutamente ilíquidos, retifica sua DCTF e avisa, Fisco trate de provar o que eu estou declarando. Com a devida vênia, chega a ser risível a postura da recorrente, para dizer o mínimo. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10880.679860/200911 Acórdão n.º 9303008.688 CSRFT3 Fl. 7 6 Esta Turma tem firme jurisprudência em casos de repetição/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação, que o ônus da prova é do contribuinte. E isso tem como fundamento jurídico o art. 373 do vigente CPC, que dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; E o contribuinte alega ainda vício no despacho decisório que denegou o pedido justamente pela sua total iliquidez ante a absoluta ausência de comprovação do crédito alegado. Portanto, absolutamente descabido o argumento de que ao retificar a DCTF, desacompanha de qualquer elemento probatório do alegado direito, o ônus probatório fica revertido, tendo o Fisco que provar que o direito alegado é bom. Como já decidimos em variados julgados, nada obsta à retificação das DCTF, mesmo que efetuada após o despacho decisório, mas, porém, ela por si só não tem o condão de comprovar o alegado indébito. Vejase, a propósito, decisão unânime em que a ora recorrente era parte no Acórdão 9303006.937, de 13/08/2018, de relatoria da Dra. Érika Costa Camargo Autran: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. O decidido no Acórdão 9303007.458, de 20/09/2018, de minha relatoria, perfilhou mesmo entendimento. Vejase sua ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. Recurso Especial do Procurador parcialmente provido. Portanto, escorreita a r. decisão, a qual deve ser mantida. (...) Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10880.679860/200911 Acórdão n.º 9303008.688 CSRFT3 Fl. 8 7 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.002101/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005, 01/09/2005 a 31/12/2005, 01/11/2006 a 31/12/2006, 01/02/2007 a 31/05/2007, 01/09/2007 a 30/11/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. Estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decorrerem exclusivamente de Lei.
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. APLICAÇÃO DE MULTA.
Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição quando comprovada a declaração inexata pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 3302-007.284
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração para declarar a tempestividade do recurso voluntário e julgá-lo no sentido de dar provimento parcial, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walker Araújo quanto ao conhecimento dos embargos e José Renato Pereira de Deus quanto ao icms na base de cálculo do pis e cofins, que dava em maior extensão
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. Estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decorrerem exclusivamente de Lei. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. APLICAÇÃO DE MULTA. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição quando comprovada a declaração inexata pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração para declarar a tempestividade do recurso voluntário e julgá-lo no sentido de dar provimento parcial, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walker Araújo quanto ao conhecimento dos embargos e José Renato Pereira de Deus quanto ao icms na base de cálculo do pis e cofins, que dava em maior extensão. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Fl. 212DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho Relatório Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Impugnação. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 03-15) lavrado contra o contribuinte acima qualificado, relativo aos períodos de apuração compreendidos nos exercícios de 2005 a 2007, por intermédio do qual foi constituído o crédito tributário referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurada nos regime cumulativo e não-cumulativo, nos valores principal de R$ 12.980,38 e R$ 586.197,89, que, acrescido dos encargos legais, perfazem um montante de R$ 1.276.218,58. 2. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 75) está consignado o contexto da ação fiscal: Em cumprimento do procedimento de "Verificações Obrigatórias", foram cotejados os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal e os valores constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). O contribuinte forneceu planilha com os valores devidos de Cofins e escriturados no balancete em conta do passivo circulante (Cofins a recolher - 2.1.1.03.01.011). Tal conta é escriturad2a agregando os valores da Cofins cumulativa e não-cumulativa. Foi também fornecida pelo contribuinte planilha auxiliar (fls.20/44) onde estão segregados os valores da Cofins cumulativa e não-cumulativa. Nesta planilha estão discriminados os créditos apurados com base nos custos, despesas e encargos previstos em lei para o cálculo da Cofins (não cumulativa) a pagar ou do Saldo de Créditos a compensar nos meses seguintes. A Fiscalização comparou os valores da Cofins não cumulativa demonstrados na "planilha auxiliar" elaborada pelo contribuinte (fls.20/44) com os valores escriturados no Livro Razão (fls.46/51) e concluiu que já está registrado contabilmente no passivo circulante o valor da Cofins não-cumulativa efetivamente devida, ou seja, já subtraída dos créditos que o contribuinte se atribuí o direito. Desta forma, o procedimento de Verificações Obrigatórias consistiu no confronto entre o valor da contribuição provisionada no passivo circulante com o valor informado em DCTF. No período analisado, foram encontradas diferenças em alguns meses entre os valores escriturados no Livro Razão, nas contas de Cofins a Recolher Cumulativa e Não Cumulativa e os valores declarados em DCTF. Em atendimento à intimação, o contribuinte elaborou planilha, onde demonstra os valores da Cofins Cumulativa e Não-Cumulativa escriturados e informados em DCTF. Foi elaborada pela fiscalização planilha denominada "Demonstrativo de Diferenças Apuradas pelo AFRFB", na qual estão discriminados os meses onde foram verificadas diferenças não justificadas pelo contribuinte entre os valores escriturados e os declarados/pagos da Cofins Cumulativa e Não-Cumulativa. 3. Devidamente cientificado da exigência em 29/10/2008, o contribuinte autuado apresentou sua impugnação em 28/11/2008 para alegar em síntese: Fl. 213DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 Aponta que o auto de infração é nulo, pois foi lavrado por pessoa incompetente, tendo em vista que o fiscal autuante não estaria munido do regular Mandado de Procedimento Fiscal - MPF. Sobre o MPF apontado pela autuação, afirmou que o mesmo não é regular, tendo em vista que a sua expedição não observou as formalidades impostas pela legislação tributária. Indica nulidade do MPF, pois a ordem específica dada ao AFRFB foi para que analisasse pedidos de ressarcimento de IPI, isto é, a ordem específica do MPF não teria autorizado o AFRFB a realizar o lançamento de contribuições da seguridade social, havendo clara ofensa ao caput do art. 2° do Decreto n° 3.724/2001. Aduziu que a Fiscalização ora combatida extrapolou seu campo da competência para fazer autuação da Cofins. Sustenta que, ainda que se entenda possível a extensão de MPF sem a expedição do competente MPF-Complementar, mesmo assim a autuação impugnada é nula, porque se utilizou de documento extracontábil ("planilha auxiliar"), o que, segundo a acórdão n° 07-6285 da DRJ/SC, cuja ementa transcreve, não se inclui no conceito de verificações obrigatórias. Cita a Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, e sustenta que o MPF tem prazo de validade de 120 dias (art. 11, I) e a sua prorrogação se dará no prazo máximo de 60 dias (art. 12). Aponta que a extinção do MPF se dá pelo decurso do lapso temporal, sem que tenha havido sua prorrogação (art. 14, II). No caso de extinção do MPF, a autoridade competente poderá expedir novo mandado de procedimento fiscal, desde que nomeie outro AFRFB, diferente daquele responsável pelo MPF extinto (art. 15). Em qualquer caso, a Portaria RFB n° 11.371, de 2007, determina que a ciência do sujeito passivo acerca da conclusão do procedimento fiscal, deverá ocorrer no prazo de validade do MPF (art. 14, parágrafo único). A mesma portaria dispõe que a intimação do contribuinte se fará nos moldes do art. 23 do PAF (art. 4°, parágrafo único). Considerando tais normas, afirma que o MPF indicado pela fiscalização não possuía validade na data em que a empresa foi intimada (pessoalmente ou por via postal) sobre a conclusão do procedimento fiscal e lavratura do auto de infração ora impugnado. Alega que também não autorizou a utilização de intimação por via eletrônica e mesmo que esta forma fosse possível, as prorrogações não respeitaram os prazos do art. 11 da Portaria RFB n° 11.371, de 2007, ou foram feitas depois de extinto o MPF. Aduz que a expedição de novo MPF não respeitou a condição de sua validade, que é a nomeação de outro AFRB, diferente do anterior. No tópico denominado "Ilegalidades Materiais", citou que o art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Indicou que a autuação continua a trazer como fundamento legal do ato o art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98, o que macula de nulidade a exigência fiscal, devendo ser julgado improcedente o lançamento ora guerreado. Argumenta que, quando o pleno do STF declara inconstitucional uma lei, abstrata ou incidentalmente, é dever da Administração deixar de aplicar a indigitada norma julgada inválida pela Corte Suprema. Cita acórdãos da DRJ/Fortaleza, DRJ/São Paulo e do Conselho de Contribuintes do Min. da Fazenda. Aponta a necessidade de realização de perícia para confirmar que na base de cálculo estão receitas não enquadradas no conceito de faturamento do regime cumulativo, indicando perito e quesitos: 1°. Queria o Sr. Perito classificar a natureza de cada uma das verbas que compõe a base de cálculo apontada na planilha anexa no auto de infração entre faturamento (venda de mercadoria ou prestação de serviços, sem a inclusão na base de cálculo do ISS ou do ICMS) e outras receitas. 2°. Com base na resposta ao quesito anterior, queira o Sr. Perito informar qual deveria ser a base de cálculo correta que deveria ter sido considerada pela fiscalização, assinalando o montante indevidamente cobrado. Fl. 214DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 Assevera que não procede a aplicação da alíquota de 3% instituída pelo art. 8° da Lei n° 9.718, de 1998, porque ela não pode incidir sobre base de cálculo de exação (art. 3°, § 1°) considerado inconstitucional pelo STF. Traz notícias que a Suprema Corte está em "vias de apreciar a matéria". Assim, requer que o lançamento seja considerado nulo ou, alternativamente, sustado o julgamento pela colenda DRJ/REC até que o STF decida a validade ou não do art. 8° da Lei n° 9.718 de 1998. Aponta que outra impropriedade do auto de infração consiste na inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, a despeito desse imposto estadual não se enquadrar no conceito de faturamento. Afirma que seis ministros do Supremo Tribunal Federal (Marco Aurélio, Carmen Lúcia, Ricardo Levandowscki, Carlos Ayres Brito, César Peluso e Sepúlveda Pertence) já se pronunciaram pela impossibilidade jurídica de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, no Recurso Extraordinário n° 240.785, cujo julgamento foi interrompido por um pedido de vistas do Ministro Gilmar Mendes, sendo certo, contudo, que foi firmada a maioria em prol dos contribuintes. Nessas circunstâncias, aponta ser razoável que esta colenda DRJ-REC aguarde ao menos o julgamento final do STF para avaliar a procedência ou não do auto de infração à luz do que vier a decidir a Suprema Corte. Menciona que as Medidas Provisórias n° 66, de 2002, e n° 135, de 2003 (que criaram o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos) foram a espécie legislativa inaugural a regulamentar o art. 195, I, "b", da Constituição de 1988, com redação dada pela EC n° 20, de 1998. Cita o art. 246 da Constituição Federal, com a redação dada pela EC n° 32, de 2001, segundo o qual "é vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada entre 1° de janeiro de 1995 até a promulgação desta emenda, inclusive". À vista disso, conclui que sendo as Leis 10.63, de 2002 e 10.833, de 2003, eivadas de nulidade originária, é improcedente o auto de infração, tendo em vista que as mencionadas medidas provisórias não poderiam regulamentar, pela primeira vez, a EC n° 20 de 1998, a qual prevê a criação de contribuição securitária sobre a "receita". Comenta que a autuação pelo regime da não-cumulatividade também não deve prevalecer, porquanto inclui na sua base de cálculo o valor de ICMS, cuja ocorrência é ilegal, pelos mesmos motivos já explicitados pela empresa. Defende a inexigibilidade de multa de ofício de 75% imputada, pois a expressão declaração inexata, utilizada pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, não abrange o presente caso que, segundo alega, foi de manifesto erro de preenchimento da DCTF. Cita decisão da DRJ/Porto Alegre. Ao final, requer: (i) anulação do lançamento; (ii) deferimento da realização de perícia e (iii) que o presente processo seja julgado em conjunto com os autos de infração decorrentes do mesmo MPF, para evitar julgamentos conflitantes. 4. Posteriormente, a empresa autuada encaminha missiva (fl. 105) para solicitar a desistência parcial do recurso, renunciando apenas a discussão relativa à Cofins não- cumulativa dos períodos de apuração 01/2005 a 03/2005, 09/2005 a 12/2005, 11/2006, 12/2006, 02/2007 a 05/2007, 02/2007 a 05/2007 e 09/2007 a 11/2007. Em 18 de dezembro de 2012, através do Acórdão n° 11-39.187, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Recife/PE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 28 de fevereiro de 2013, às e-folhas 172. Em 01 de abril de 2013, a empresa ingressou com Recurso Voluntário de e- folhas 173 à 192. Foi alegado: Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal; Fl. 215DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 Exigência com base em dispositivo declarado inconstitucional pelo STF; Da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS; Da inadequação da multa de ofício de 75%. CONCLUSÃO Ante o exposto, requer, respeitosamente, a Recorrente, que seja reformada a decisão da DRJ-REC para julgar improcedente o lançamento e anulado o auto de infração, porque: O Mandado de Procedimento Fiscal está eivado de nulidades quais sejam: 1. o Digníssimo Auditor não detinha mandado expresso para realizar o lançamento de contribuições da seguridade social, havendo clara ofensa ao caput do art. 2o do Decreto n° 3.724/01; 2. a autuação impugnada se utilizou documento extra contábil, a “planilha auxiliar” da empresa, o que, segundo a DRJ/SC, não se inclui no conceito de verificações obrigatórias. 3. o Ilustre Auditor lavrou o auto depois de expirado o prazo de validade do MPF. O MPF tem prazo de validade de 120 dias (art. 11, I). E sua prorrogação se dará no prazo máximo de 60 dias (art. 12). A extinção do MPF se dá pelo decurso do lapso temporal, sem que tenha havido sua prorrogação (art. 14, II). No caso de extinção do MPF, a autoridade competente poderá expedir novo mandado de procedimento fiscal, desde que nomeie outro AFRFB, diferente daquele responsável pelo MPF extinto (art. 15), situações não concretizadas no caso dos autos. A empresa também não foi intimada pessoalmente ou via postal da prorrogação ou ampliação do Mandado de Procedimento Fiscal iniciado há vários meses. Não se pode exigir a COFINS com base em dispositivo declarado inconstitucional, é notoriamente sabido que o art. 3o, § 1o, da Lei n.° 9.718/98 foi declarando inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. O auto de infração inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, o que é vedado. Não houve declaração inexata dos elementos fáticos necessários à apuração da COFINS, mas simples erro de preenchimento, sendo ilegal a multa de ofício de 75%, por ofensa ao art. 44, I, da Lei n° 9.430 de 1996. O art. 2o, parágrafo único, VI, da Lei n° 9.784 de 1999 e os princípios do não confisco, proporcionalidade e razoabilidade, aconselham a modulação do percentual da multa de ofício nas circunstâncias dos autos. Reitera, ainda, seja deferido o pedido de perícia, pugnado na forma do art. 16, § 4o, do Decreto 70.235/72. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 28 de fevereiro de 2013, às e- folhas 172. Em 01 de abril de 2013, a empresa ingressou com Recurso Voluntário de e-folhas 173. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da controvérsia. Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal; Exigência com base em dispositivo declarado inconstitucional pelo STF; Da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS; Da inadequação da multa de ofício de 75%; Princípios do não confisco, proporcionalidade e razoabilidade; Pedido de perícia. Passa-se à análise. - Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal. É alegado nos itens 12 a 20 do Recurso Voluntário: Primeiro, é importante notar que o MPF apontado pela autuação é irregular porque não atentou as formalidades impostas pela legislação tributária no momento da sua expedição, eis que o digníssimo fiscal autuante não estava munido do regular Mandado de Procedimento Fiscal. A nulidade, por incompetência, decorre do que dispõe o art. 59, I, do Processo Administrativo Fiscal: (...) 14. A sua vez, o art. 2o do Decreto n° 3.724/01 determina que os procedimentos fiscais da Receita Federal Brasileira somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal. In verbis: (...) 15. Nesses termos, é o Mandado de Procedimento Fiscal válido, portanto, que torna o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil competente ou não para instauração do procedimento fiscal específico. No presente processo, a ordem específica dada ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil foi para que analisasse pedidos de ressarcimento de IPI da empresa. Fl. 217DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 Por conseguinte, a ordem específica do MPF não autorizou o AFRFB a realizar o lançamento de contribuições da seguridade social, havendo clara ofensa ao caput do art. 2o do Decreto n° 3.724/01. Em outras palavras, a fiscalização ora combatida, quando autorizada a verificar a regularidade de créditos IPI, extrapolou seu campo de competência para fazer autuação de COFINS, o que demonstra a nulidade da autuação ora impugnada. O ato nulo não pode ser convalidado simplesmente por vontade do agente público em respeito ao princípio constitucional da ampla defesa e como também as formalidades exigidas pelo Mandado de Procedimento Fiscal não podem ser mediocrizadas. A Portaria/SRF no 1.265/1999, que instituiu o MPF, tem força disciplinadora do modus procedendi da Administração, no que se refere à fiscalização, estando, perfeitamente, compatível com o princípio da legalidade, conforme ensinamento de Bandeira de Mello1: Em síntese: os regulamentos serão compatíveis com o princípio da legalidade quando, no interior das possibilidades comportadas pelo enunciado legal, os preceptivos regulamentares servem a um dos seguintes propósitos: (I) limitar a discricionariedade administrativa, seja para (a) dispor sobre o modus procedendi da Administração nas relações que necessariamente surdirão entre ela e os administrados por ocasião da execução da lei; (b) caracterizar fatos, situações ou comportamentos enunciados na lei mediante conceitos vagos cuja determinação mais precisa deva ser embasada em índices fatores ou elementos configurados a partir de critérios ou avaliações técnicas segundo padrões uniformes, para garantia do princípio da igualdade e da segurança jurídica; (II) decompor analiticamente o conteúdo de conceitos sintéticos, mediante simples discriminação integral do que neles se contém (grifou-se). A competência do Auditor Fiscal da Receita Federal de fiscalizar e efetuar o lançamento tributário emana do artigo 7o da Lei no 2.354, de 29/11/1954 e posteriores modificações legais da denominação da carreira e ampliação do escopo, além de estar definida no artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art.142- Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Como visto, a competência do Auditor Fiscal da Receita Federal de fiscalizar e efetuar o lançamento tributário é dada por duas Leis – Lei nº 2.354/1954 e o próprio Código Tributário Nacional, esta última recepcionada com status de Lei Complementar pela atual Constituição Federal. O AFRF já possuía competência para efetuar a fiscalização e proceder o lançamento bem antes da criação do MPF, sendo este apenas um controle interno da repartição fiscal acerca de qual Auditor-Fiscal realizará a operação fiscal. Assim determina o Decreto no 3.724, de 10/01/2001, cujo art. 2o dispõe, in verbis: Art.2o - A Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de 1 Bandeira de Mello, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo 11a Edição, pág. 260 Fl. 218DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. § 1º Entende-se por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7o e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. § 2º O procedimento de fiscalização somente terá início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído em ato da Secretaria da Receita Federal, ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º deste artigo. § 3º Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que a retardação do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o Auditor-Fiscal da Receita Federal deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal, e, no prazo de cinco dias, contado de sua data de início, será expedido MPF especial, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. (grifou-se) Observe-se que no caput do artigo 2o consta expressamente que os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF. O Decreto, como não poderia deixar de ser, reconhece a competência privativa dos AFRF não a ampliando nem a reduzindo. De se frisar que o § 2o do art. 2o do Decreto no 3.724, de 10/01/2001 determina expressamente que “O procedimento de fiscalização somente terá início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal”. Note-se que O MPF NÃO É UM INSTRUMENTO ESTABELECEDOR DE COMPETÊNCIA, ele representa, apenas, uma ordem específica a quem já detém a necessária competência. Logo, eventual descumprimento de Mandado de Procedimento Fiscal, ampliação ou desvio de seu escopo, representa apenas a não observância de determinação interna da própria Repartição Pública, não causando nulidade ao ato administrativo ou vício de qualquer forma. Ademais, cita-se o artigo 10, inciso II, da Portaria RFB 11.371/2007: Art. 10. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: II - interno, de formalização de exigência de crédito tributário constituído em termo de responsabilidade ou pelo descumprimento de regime aduaneiro especial, lançamento de multas isoladas, revisão aduaneira e formalização de abandono ou apreensão de mercadorias realizada por outros órgãos; (Grifo Nosso) O inicio da fase litigiosa do processo ocorre apenas após a regular intimação do sujeito passivo, não se podendo falar em exercício do contraditório e da ampla defesa antes disso. Portanto, a motivação da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal é uma questão interna da própria Repartição Pública, NÃO se relacionando com a competência para a lavratura do Auto de Infração, que advém do rol de competências inerentes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. - Exigência com base em dispositivo declarado inconstitucional pelo STF É alegado nos itens 37 a 43 do Recurso Voluntário: Fl. 219DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 É notoriamente sabido que o art. 3o, § 1 da Lei n.° 9.718/98 foi declarando inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, exatamente porque esse ato infraconstitucional nasceu antes do advento da EC n.° 20/98. (...) Porém, a autuação tomou como base de cálculo do lançamento o art. 3o, § 1o, da Lei n.° 9.718/98, o que macula de nulidade a exigência fiscal, devendo ser julgada improcedente a autuação ora guerreada. É bem dizer que a mera utilização do citado artigo como fundamento da autuação já é suficiente para eivá-la de nulidade, pois traz consigo presunção de que o lançamento considerou a receita bruta na apuração da COFINS. E mais. Quando o pleno do STF declara inconstitucional uma lei, abstrata ou incidentalmente, é dever da Administração deixar de aplicar a norma julgada inválida pela Corte Suprema. A Secretaria da Receita Federal tem competência para afastar qualquer dispositivo normativo declarado inconstitucional pela Corte Suprema, conforme autoriza o art. 77 da Lei n.° 9.430/96, o art. 4°, parágrafo único, do Decreto n.° 2.346/97, respectivamente: (...) O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE n° 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF n° 2 e artigo 26-A do Decreto n° 70.235/72. Nesse sentido, adoto a ratio decidendi do Acórdão de Impugnação, por entender que aquele documento reúne de forma precisa os elementos fáticos que envolvem a questão: Fazendo menção ao julgamento do STF que considerou inconstitucional o art. 3°, § 1°, da Lei n.° 9.718, de 1998, o impugnante novamente invoca a nulidade do procedimento de lançamento, ao justificar que o dispositivo foi utilizado no enquadramento da exigência tributária. O Auto de Infração em foco justificou a exigência da Cofins cumulativa, dentre outros, no art. 2°, inc. II e parágrafo único do Decreto n° 4.524, de 2002: Art. 2o As contribuições de que trata este Decreto têm como fatos geradores (Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 2°, e Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, art. 13): - na hipótese do PIS/Pasep: o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado; e a folha de salários das entidades relacionadas no art. 9°; e - na hipótese da Cofins, o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado. Parágrafo único. Para efeito do disposto na alínea "a" do inciso I e no inciso II, compreende-se como receita a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade exercida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada para sua escrituração. A base de cálculo do PIS e da Cofins, anteriormente à edição da Lei n° 9.718, 27/11/1998, correspondia, em regra, ao faturamento mensal, assim entendido a receita Fl. 220DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, ressalvadas as exclusões legais. No entanto, para os fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 1999, com a vigência da Lei n° 9.718, de 1998, a base de cálculo das contribuições passou a incidir sobre a receita bruta, considerada como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, ampliou-se a base de tributação do PIS e da Cofins, definindo o faturamento como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente, da atividade por ela exercida ou da classificação contábil adotada, ressalvadas as exclusões por ela elencadas, conforme transcrito: "Lei n°9.718, de 1998: Art. 2°. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3°. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1°. Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (...) " Ocorre que o alargamento da base de cálculo das contribuições previsto no § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998, foi levado à apreciação do Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu ser inconstitucional a alteração trazida por este dispositivo. Esta posição foi manifestada, dentre outros, nos julgamentos dos Recursos Extraordinários (RE) n° 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR. O STF, ao julgar o RE n° 585.235/MG, em acórdão proferido em sessão de 10/09/2008, reiterou entendimento anterior no sentido de reconhecer a inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998, e decidiu reconhecer a repercussão geral da matéria, nos seguintes termos: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor nm Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Tendo em vista os efeitos dessas decisões, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN editou o Parecer PGFN/CRJ/N° 492, de 23/03/2010, prevendo a não apresentação de recurso, ordinário e extraordinário, contra decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional nos casos em que os precedentes judiciais forem oriundos de julgados nos moldes dos artigos 543-B (repercussão geral) e 543-C (repetitivos) do CPC. A PGFN editou também a Portaria PGFN n° 294, de 2010, na qual elaborou uma lista de temas julgados pelo STF, sob a forma do art. 543-B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN, dentre as quais se encontra o tema objeto do RE n° 585.235/MG, que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998. Fl. 221DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 Por fim, ressalta-se que em harmonia com o entendimento no âmbito do Poder Judiciário, foi editada a Lei n° 11.941, de 27/05/2009, revogando expressamente o § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998: "Art. 79. Ficam revogados: (...) XII - o §1° do art.3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998; (...)" Ocorre que nos valores lançados para a Cofins cumulativa (março, setembro- dezembro de 2005), não são encontradas receitas além das previstas no caput do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ou seja, faturamento mensal, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Esta conclusão é obtida, mediante a análise dos demonstrativos de apuração, apresentados pelo sujeito passivo (fls. 26-36), nos quais consta que a receita a ser tributada pela Cofins cumulativa é decorrente exclusivamente da venda de álcool para fins carburantes. Ou seja, não há o cômputo de quaisquer outras receitas na base de calculo da Cofins cumulativa, que pudesse ensejar a discussão acerca da inconstitucionalidade alegada. Esta constatação é também obtida mediante análise das informações do DACON (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais), acostadas ao presente processo às fls 114-155. Para se confirmar a constatação acima, demonstrem-se, exemplificativamente, os dados para o período de apuração março de 2005: Resta demonstrado acima que o enquadramento legal utilizado no Auto de Infração, para justificar a exigência da Cofins cumulativa é regular, pois deriva do caput do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998. (...) O impugnante também se opõe quanto à aplicação da alíquota de 3% prevista no art. 8° da Lei n° 9.718, de 1998, porque ela não pode incidir sobre base de cálculo de exação (art. 3°, § 1°) considerado inconstitucional pelo STF. Esta assertiva encontra-se prejudicada em face da demonstrada regularidade da autuação, inclusive quanto ao enquadramento utilizado, haja vista que as receitas que integram a base de cálculo da Cofins cumulativo são decorrentes da venda de mercadorias, de forma que o dispositivo invocado (art. 3°, § 1°), apesar de constar no enquadramento legal da exigência, não é utilizado para justificar o lançamento. Além disso, o STF tem orientação firmada reconhecendo a constitucionalidade do art. 8° da Lei 9.718/1998, que implicou o aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, conforme se pode verificar nos seguintes Acórdãos (RE 509825, RE 336318, RE 378877, RE 507263, RE 488777 e RE 527.602), o que torna vazia a justificativa apresentada. Fl. 222DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 Sendo assim não procede as alegações do Recorrente. - Da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Adoto as razões de decidir do i. Conselheiro Walker Araujo, no Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302-006.898, de 25 de abril de 2019. A respeito da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, matéria está incontroversa no RE 574.706, temos a Solução de Consulta Interna n° 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, faz-se necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devem-se preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFD-ICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e Fl. 223DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFD- ICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, faz-se necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devem-se preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFD-ICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFD- ICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de cálculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Fl. 224DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 - Da inadequação da multa de ofício de 75%; O litigante investe contra a aplicação da multa qualificada de 75%, que diz ser confiscatória e injustificada. O dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351 - DE 22 DE JANEIRO DE 2007 - DOU DE 22/1/2007 - Edição extra) Alterada pela LEI Nº 11.488 - DE 15 DE JUNHO DE 2007 - DOU DE 15/5/2007 - Edição extra I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (…)” (Grifou-se.) A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 75 % o legalmente previsto para a situação descrita no Termo de Verificação Fiscal, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzi-lo ou alterá-lo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Desse modo, deve-se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre os valores do imposto não recolhido, rejeitando-se a contestação de que não haveria previsão legal para tanto - Princípios do não confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, a matéria não pode ser conhecida em função da Súmula CARF 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. - Pedido de perícia. Quanto à solicitação de perícia, o artigo 36 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim explicita: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 225DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 § 1o Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar-se de cumpri-las. A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, nota-se o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Sendo assim, dou provimento ao recurso do contribuinte em parte para excluir da base de cálculo da Contribuição do PIS/Pasep e da Cofins o valor mensal do ICMS a recolher. É como voto. Jorge Lima Abud - Relator. Fl. 226DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3302-007.284 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14751.002101/2008-01 Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.726382/2016-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2015
CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. FRETE.
O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete incorrida está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos.
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO
Dispõe a Súmula CARF nº108 que incidem juros sobre a multa de ofício.
Numero da decisão: 3402-006.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: (i) em rejeitar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Diego para que a unidade de origem identifique o frete real de cada operação. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos que entendiam pela realização da diligência; (ii) em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurenttis Galkowicz que davam provimento ao recurso. A Conselheira Thais De Laurenttis Galkowicz manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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IPI. FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete incorrida está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Dispõe a Súmula CARF nº108 que incidem juros sobre a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: (i) em rejeitar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Diego para que a unidade de origem identifique o frete real de cada operação. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos que entendiam pela realização da diligência; (ii) em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurenttis Galkowicz que davam provimento ao recurso. A Conselheira Thais De Laurenttis Galkowicz manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bazerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 63 82 /2 01 6- 44 Fl. 57169DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo do lançamento de ofício de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 195.194.407,99 (principal, multa e juros calculados até 07/2016), referente a fatos geradores ocorridos no período que vai de 01/07/2011 a 31/12/2015, decorrente da escrituração e utilização de valores indevidos a título de crédito presumido de IPI sobre frete (art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001). Consta do Relatório Fiscal de fls. 22.629/22.639: a) O art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001 instituiu o regime especial de apuração do IPI relativo ao frete cobrado pelo transporte de veículos classificados na posição 8703. O regime especial consiste na concessão de um crédito presumido e IPI no valor de 3% do imposto destacado e é concedido mediante termo de opção anual da empresa. As condições para concessão do regime especial são que os serviços de transporte sejam executados ou contratados pelo estabelecimento industrial, que os valores sejam cobrados nas operações de saída e que compreendam a totalidade do trajeto. b) O artigo 14 da Lei no 4.502/64 foi alterado pela Lei nº 7.798/89 que incluiu o frete no valor tributável quando este for cobrado do comprador. Atualmente o art.190 do RIPI /2010 regulamenta o valor tributável. O art.134 do Decreto n° 7.212/2010 (RIPI 2010) dispõe que o frete seja cobrado juntamente com o preço dos produtos e o art. 413 dispõe que o valor do frete conste no quadro “Cálculo do Imposto” da nota fiscal. Segundo a exposição de motivos da Medida Provisória nº 2.11330, a criação deste Regime Especial tinha como objetivo incluir o valor do frete na base de cálculo do IPI, o que era evitado pela indústria. Portanto, a MP estabeleceu a obrigatoriedade de lançamentos dos respectivos valores de frete em todas as operações de saída, e essa referência é claramente o registro destes montantes no campo próprio da NF de saída. c) Como o regime especial depende de opção do contribuinte, ao fazer tal opção ele se obriga a atender às condicionantes e ao mesmo tempo assume o ônus da prova. Ademais, como lançamento é realizado operação por operação, o único documento hábil de prova é a nota fiscal. Logo, a empresa não cumpriu os requisitos do Regime Especial pois a intenção da legislação foi destacar este valor no campo próprio da nota fiscal para que o mesmo pudesse ser identificado. Tendo em vista que o Regime Especial é uma opção feita pela empresa, não há razão para deixar de informar o valor de cada frete no campo próprio da nota fiscal. Se o objetivo do Regime Especial instituído em 2001 era obrigar as empresas a incluir o frete na base de cálculo do IPI, o que já estava na legislação desde 1989, e facilitar e racionalizar os procedimentos de arrecadação e fiscalização, o frete deve estar identificado na Nota Fiscal. Sendo assim, não haveria racionalização dos procedimentos de fiscalização e não haveria razão de o art.56 da MP 2.158 existir. Fl. 57170DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.170 3 d) Ressaltese que a empresa demonstrou dificuldades de informar o valor do frete, intimada a apresentar o valor dos fretes de julho de 2011, por telefone, solicitou substituição do ano de 2011 por 2013, mesmo assim apresentou informação somente de duas notas fiscais, quando o Termo de Intimação solicitava um mês do período fiscalizado que é de 54 meses. Cientificado em 22/07/2016 (fl. 22.643), o contribuinte apresentou, em 23/08/2016 (fl. 22.646), a impugnação de fls. 22.647/22.676, na qual alega: a) A filial da GM em Gravataí realizou operações de venda de automóveis para todo o território nacional no período compreendido entre julho de 2011 e dezembro de 2015 e recolheu o IPI devido nesse período conforme a base de cálculo prevista no art. 190, §1º, do RIPI/2010, ou seja, considerando como valor da operação o preço do produto, acrescido do valor do frete e demais despesas acessórias. Tanto a GMB acresceu o valor do frete ao preço do produto que o auto de infração não questiona tal circunstância, voltandose única e exclusivamente contra o aproveitamento supostamente indevido de créditos presumidos de IPI. Em síntese, a requerente praticou (como sempre o fez) suas vendas com cláusula CIF. b) O regime especial exige, dentre outras condições (não questionadas pelo auto de infração), exigese que os serviços de transporte (frete) “sejam cobrados juntamente com o preço” dos automóveis nas operações de saída do estabelecimento industrial que é o procedimento por si adotado. A fiscalização, entretanto, assumiu equivocadamente que a requerente teria descumprido uma das condições do regime especial. Pelo fato de o valor do frete não ter constado no campo próprio das notas fiscais de saída no mês de julho de 2011, presumiuse que os valores correspondentes ao custo dos serviços de transporte não teriam sido incluídos no preço dos veículos comercializados em todo o período objeto da autuação, como se fizesse algum sentido a GMB contratar frete e não utilizálo na formação de preço dos veículos vendidos. c) A partir de uma suposta intenção da legislação, a fiscalização assumiu que a ausência de indicação do valor do frete no campo próprio de determinadas notas fiscais emitidas em julho de 2011 seria indício suficiente a autorizar a presunção de que o frete contratado pela GMB, efetivamente cobrado dos adquirentes dos veículos, não teria sido incluído no respectivo preço, em suposto desacordo com as condições previstas na MP 2.15835/01. Em momento algum foi intimada a apresentar cópias dos contratos de transporte, comprovantes dos pagamentos realizados, conhecimentos de transporte etc. Esse procedimento é inaceitável posto que a presunção deve ser o último recurso a ser utilizado na constituição de créditos tributários e, ainda, por não respeitar o princípio da unidade ou da unicidade da prova. A precipitada lavratura do auto de infração impediu que a requerente apresentasse outros documentos e informações relevantes. Como consequência, o auto de infração deve ser declarado nulo, na linha inclusive do entendimento já manifestado pelo CARF. d) Tanto o art. 56 da MP 2.15835/01 como o art. 134 do RIPI exigem apenas e tão somente três condições ao aproveitamento do crédito presumido: que sejam executados ou contratados por estabelecimento industrial (fato incontroverso para o auto de infração), sejam cobrados juntamente com o preço dos veículos comercializados e que compreendam a totalidade do trajeto (circunstância também incontroversa). Conforme cópias dos anexos contratos de logística e transporte de veículos novos, a GMB contratou cinco empresas de serviços de transporte no período autuado. Esses contratos demonstram que o frete contratado abrange a totalidade do trajeto no País, desde o estabelecimento da GMB até o local de entrega Fl. 57171DF CARF MF 4 do produto, o que é a praxe no setor automotivo. Também em caráter ilustrativo, apresenta alguns comprovantes de pagamento desse frete. Os valores pagos a título de frete estão refletidos nos CTs e faturas comerciais emitidos pelas transportadoras, também anexados por amostragem. e) Como é comum no setor automotivo, a requerente pratica vendas CIF e essa circunstância é prova de que cobra o frete “juntamente com o preço” dos veículos; supor o contrário implicaria assumir que a requerente oferece frete grátis a seus clientes, o que beira a ingenuidade. Além disso, toda a linha de raciocínio do lançamento de ofício foi construído em cima da ausência de indicação do valor do frete no campo próprio de notas fiscais emitidas pela GMB em julho de 2011. Há, pois, uma contradição lógica no auto de infração: Se a GMB não é acusada de pagamento a menor do IPI nas vendas de veículos pela falta de indicação do valor do frete no campo próprio, não pode se valer da mesma circunstância para acusar a GMB de aproveitamento indevido de créditos presumidos, tratandose de evidência de caráter lógico de que a acusação formulada não se sustenta. Junta cópias de notas fiscais de saída emitidas em setembro de 2015, as quais indicam o valor do frete no campo destinado às informações complementares; planilha gerencial relativa a esse mesmo mês e a qual reflete um a um todos o lançamentos contábeis que são promovidos quando do recebimento de uma fatura emitida por empresa transportadora; e planilha gerencial também relativa a esse mesmo mês, a qual correlaciona cada nota fiscal de saída com cada fatura comercial e CTs. f) A rigor, o art. 134, § 1º, II, “b”, do RIPI não comporta a interpretação de que a ausência de destaque do valor do frete na nota fiscal seria causa suficiente para glosa do crédito presumido de IPI correlato. O dispositivo é claro no sentido de que os serviços de transporte devem ser “cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento”. A intenção foi estimular a inclusão do frete na base do IPI, conforme a exposição de motivos da MP 2.15835/01. Nem mesmo a IN SRF nº 91/01 chegou a restringir o direito ao crédito presumido da forma pretendida pelo lançamento de ofício. A exigência de destaque do valor do frete no campo próprio das notas fiscais é uma interpretação equivocada, já que não consta da MP 2.15835/01 ou do art. 134 do RIPI ou da IN 91/01. Ao contrário, MP e RIPI exigem que os serviços de transporte sejam “cobrados juntamente” com o preço dos veículos, o que contraria a exigência de destaque prevista na regra geral constante do art. 413 do RIPI. E sobre a regra geral prevalece a regra especial do art. 134, § 1º, II, “b”, do RIPI. Afinal, o que é cobrado juntamente não pode, por definição lógica, ser destacado. Eis a prova de caráter jurídico que se soma às provas documentais e de ordem lógica que impõem o cancelamento do lançamento de ofício. g) A Lei nº 6.729/79 disciplina a concessão comercial entre produtores e distribuidores de veículos automotores terrestres e o seu art. 13, § 2º, obriga a requerente a fixar o “preço de venda aos concessionários” de modo a preservar “sua uniformidade”, trazendo como consequência a necessidade de se estabelecer um valor de frete médio nacional a ser computado no preço dos veículos comercializados para toda a rede de concessionárias. Para se adequar a essas exigências, a requerente chegou a um valor de “frete médio nacional”, que foi acrescido ao preço dos veículos comercializados para todo o país. É justamente por esse motivo que a requerente não indica o valor do frete no campo próprio de cada nota fiscal de saída. Se o fizer, ocorrerá uma entre duas situações possíveis: indicará o valor “efetivo” de frete (porque lastreado em CT) e estará descumprindo a Lei nº 6.729/79; ou indicará o valor de frete médio e, logo, terá uma inconsistência entre nota fiscal e CT, já que a nota fiscal trará, no campo próprio, um valor que não coincide com o valor de frete apontado no CT. Mesmo assim, de janeiro de 2014 em diante, passou a informar o valor do frete médio nacional no campo destinado a “informações complementares” das notas fiscais, deixando clara a circunstância de que esse frete médio nacional já está incluso no preço. Trouxe ao autos documentos Fl. 57172DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.171 5 referentes ao mês de setembro de 2015 (notas fiscais e planilhas gerenciais) que comprovam que os valores de frete médio nacional, considerados no custo de seus veículos, foram cobrados juntamente com o preço dos mesmos. h) Fazse necessário que sejam afastados os juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada no auto de infração, por absoluta ausência de previsão legal. De fato, conforme o art. 161 do CTN e o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, somente incidem juros de mora sobre o valor principal do tributo, como também evidencia o Acórdão nº 3403002.367 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF. i) O volume de documentos relativos aos quatro anos e seis meses abrangidos pela autuação é incalculável, tornandose simplesmente inviável exigir que a requerente apresente todas essas provas com a impugnação, não fazendo o menor sentido trazer esse volume de notas fiscais, CTs, contratos e faturas comerciais aos autos, posto que os julgadores não conseguirão analisar toda a documentação. Por outro lado, a realização de uma diligência permitirá que as autoridades fiscais, com o apoio do assistente técnico da requerente, examinem e tragam relatórios conclusivos sobre as informações relevantes contidas em todos esses documentos. Por conta disso, pleiteia a conversão do julgamento em diligência. Formula quesitos e indica assistente técnico. Ato contínuo, a DRJBELÉM (PA) julgou a Impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2015 PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. PAF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. Fazse incabível a realização de perícia ou diligência quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE FRETE. ART. 56 DA MP Nº 2.15835/2001. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, previsto no art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001, vinculase à comprovação de que houve a efetiva cobrança do frete juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS DE MORA. DÉBITOS DECORRENTES DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, Fl. 57173DF CARF MF 6 quando não pagos no prazo, sofrerão a incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Impugnação Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão da DRJ. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 19 de abril de 2018, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava que a Autoridade Tributária apresentasse posicionamento sobre a possibilidade do gasto com frete na venda ter sido computado no preço final do produto, conforme alegação da Recorrente. Além disso, que fosse analisada a documentação apresentada pela Recorrente, em especial o Parecer de empresa de Auditoria e os documentos contábeis juntados, para avaliar se seriam suficientes para comprovar que o frete estava inserido na formação do preço de venda. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim devolvido para dar continuidade ao julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Trata o presente processo de lançamento fiscal de IPI do período de 01/07/2011 a 31/12/2015 decorrente de glosa de créditos, uma vez que o Contribuinte teria se utilizado indevidamente do crédito presumido de IPI sobre fretes cobrado pelo transporte de veículos classificados na posição 8703, previsto no art. 56 da MP nº 2.15835/2001. Segundo o relato fiscal, a General Motors Brasil, doravante denominada GMB, não teria atendido as condições para usufruir do citado benefício já que não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. Preliminares A Recorrente pugna pela nulidade do processo por ter a Autoridade Tributária se utilizado de presunção para realizar o lançamento fiscal. Segundo a sua argumentação, a Fiscalização apenas verificou, quanto a ausência da indicação do valor do frete no campo próprio das Notas Fiscais de saída, os documentos de um único mês, no caso julho de 2011. A partir dessa verificação, a Fiscalização teria presumido que toda a parcela do frete correspondente ao período fiscalizado não teria sido incluída no preço dos veículos vendidos. Fl. 57174DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.172 7 Segundo informa, possui e juntou aos autos documentos fiscais, comerciais e registros contábeis que poderiam elidir a presunção operada, o que também permitiria afastar a falsa premissa de que o frete não foi adicionado ao preço dos veículos. Continua a Recorrente, afirmando que a DRJ teria chancelado a presunção utilizada pela Fiscalização ao manter a exação fiscal. A deficiência dos trabalhos fiscais foi completamente desconsiderada pelo v. acórdão recorrido, que ainda rejeitou a necessidade de realização de perícia e diligência sob o fundamento de que estariam “presentes nos autos os elementos necessários à dissolução do litígio administrativo”. Ainda segundo a Recorrente, a realização de diligência seria providência extremamente útil para se constatar o óbvio do ponto de vista jurídico e lógico: que o serviço de transporte foi cobrado “juntamente com o preço” pela GMB, em cumprimento ao disposto no artigo 134, § 1º, inciso II, alínea “b”, do RIPI. O v. acórdão, assim, teria violado frontalmente os princípios da unidade da prova, do contraditório, da ampla defesa e da boa fé, de modo que não há outra alternativa senão a declaração de sua nulidade, conforme prevê o artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/72. Ao contrário do que afirma a Recorrente, não vislumbro na elaboração do lançamento a utilização de qualquer presunção. Consta no Relatório Fiscal que foi elaborado o demonstrativo “RELATÓRIO NF” com os dados das notas fiscais eletrônicas de saídas com CFOPs de vendas do estabelecimento no período de julho de 2011 a dezembro de 2015.(fls.778 a 22.589) O referido demonstrativo comprova que em todas as notas fiscais de vendas de veículos na posição 8703 não houve o destaque do frete correspondente, fato que ensejou a glosa do crédito presumido. Constatase, assim, que o auto de infração encontrase devidamente fundamentado pela documentação obtida com a GMC e Escrituração Digital. Os fatos ensejadores da autuação estão também todos discriminados no Relatório Fiscal, assim como a legislação aplicável ao caso. Por consequência, entendo que o lançamento apresenta descrição suficiente da infração imputadas à GMC constante no Relatório Fiscal que permitiram à Recorrente o exercício do seu direito de defesa em sua plenitude. Quanto à decisão recorrida, pela leitura do seu conteúdo, percebese que houve o enfrentamento das questões preliminares e mérito suscitadas pela Recorrente. Foram analisados os fatos apurados em confronto com a legislação tributária que rege a matéria, chegandose a decisão final proferida no acórdão, devidamente fundamentada. Assim, pelos motivos expostos, não acolho o pleito de nulidade do lançamento e da decisão recorrida. Mérito Conforme consta no Relatório Fiscal, a acusação fiscal é de falta de recolhimento de IPI no período de 01/07/2011 a 31/12/2015, haja vista que o estabelecimento, não atendendo as condições do regime especial previsto no art. 56 da MP n°2.15835/2001, utilizouse indevidamente do crédito presumido de IPI sobre frete. A GMB não teria atendido as condições para usufruir do citado regime especial já que não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. O acórdão recorrido manteve integralmente o lançamento fiscal. Fl. 57175DF CARF MF 8 Feitos os devidos esclarecimentos, passase a análise das argumentações e elementos de prova juntados pela Recorrente visando atacar a acusação fiscal em seu mérito. O regime especial em comento foi instituído pelo art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001, in verbis: Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O regime especial: I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial; (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. (...) § 3o Na hipótese do § 2o deste artigo, o disposto na alínea "c" do inciso II do § 1o alcança o trajeto, no País, desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente. (...) A Secretaria da Receita Federal, tendo em vista o disposto no caput do artigo anteriormente transcrito, regulamentou por meio da IN SRF nº91/2001 os termos e condições para as empresas usufruírem do benefício fiscal, in verbis: Art.2º A adesão ao regime especial darseá por opção do estabelecimento industrial e será exercida mediante apresentação, à Delegacia da Receita Federal (DRF) ou à Inspetoria da Receita Federal de Classe A (IRFA) de sua jurisdição, do Termo de Adesão, conforme modelo constante do Anexo Único a esta Instrução Normativa. § 1º A opção será renovada anualmente e aplicase a todas as operações de saída, relativas aos produtos relacionados no art. 1º, realizadas durante o anocalendário subsequente ao do exercício da opção; Fl. 57176DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.173 9 § 2º As operações referidas no § 1º serão, obrigatoriamente, conduzidas com cláusula C & F; § 3º O descumprimento das condições do regime especial obriga o contribuinte à restituição do benefício usufruído durante o anocalendário, caracterizandose como falta de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados; (...) Art.3º A base de cálculo do crédito será o valor do imposto destacado na respectiva nota fiscal. Art.4º O valor do crédito será informado no campo "Informações Complementares" do Livro de Apuração do IPI, modelo 8 e deduzido do "Valor do IPI", com a discriminação "Crédito Instituído pelo Art. 56 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001. Em termos gerais, a obrigação de que o frete integre a base de cálculo do IPI foi imposta porque até a instituição do regime especial as indústrias automobilísticas utilizavam frete de terceiros, deixando o custo a cargo do adquirente, de modo que a base do IPI não incluía tal parcela. A MP 2.15835/2001 modificou esse quadro, fazendo com que o transporte ficasse concentrado na montadora. Para tanto, criou o regime especial de apuração do IPI cuja obrigação está limitada a fazer com que o estabelecimento industrial optante inclua o frete na sua base de cálculo, mediante integração do valor ao preço da mercadoria, tendo como contrapartida crédito equivalente estimado em 3% do IPI. Percebese pela legislação transcrita e elementos presentes nos autos que não há controvérsia quanto ao atendimento de pelo menos duas das três condições estabelecidas no § 1º, inciso II, b, do art.56, da MP nº2.15835/2001 quais sejam, quanto ao contratante do frete ser estabelecimento industrial e que o frete compreenda a totalidade do trajeto no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. A lide limitase, assim, a verificar se a empresa logrou êxito em comprovar se os fretes sobre vendas foram cobrados conjuntamente com o preço dos produtos vendidos para fruição do regime especial disposto no art.56 da MP 2.15835/2001. Abaixo são reproduzidos alguns trechos do Relatório Fiscal que denotam a fundamentação utilizada pela Fiscalização para Auditoria: Do exame da documentação relativo ao item 3 do Termo de Início, constatamos que os dados apresentados na planilha não estão de acordo com o disposto no art.56 da Medida Provisória n° 2.158/2001, no art. 134 do Decreto n° 7.212/2010 e na IN n° 91/2001, pois, do exame das notas fiscais constantes da citada planilha não constatamos o destaque do valor do frete. A partir deste fato examinamos as notas fiscais eletrônicas de saídas, relativo ao período fiscalizado, constatando que tais notas fiscais não apresentam o valor do frete destacado. Intimamos a empresa em 06/06/2016 para esclarecer por que o frete não está destacado nas notas fiscais. A empresa informou que o valor do frete compõe o preço da mercadoria. (negritos nossos) Fl. 57177DF CARF MF 10 Dessa forma, é fato comprovado nos autos e não contestado pela Recorrente que não houve o destaque em suas notas fiscais de saída do valor do frete correspondente durante o período fiscalizado. Esse se constituiu no motivo principal para a autuação fiscal uma vez que a Autoridade Tributária entendeu que essa seria uma das condições fundamentais para a empresa usufruir do benefício, em consonância com a legislação anteriormente citada. A Recorrente GMB, por sua vez, alega que o § 1º, inciso II, alínea b, do MP nº2.15835/2001 não comporta a interpretação de que a ausência de destaque do valor do frete na nota fiscal seria causa suficiente para glosa do crédito presumido de IPI correlato. O dispositivo é claro no sentido de que os serviços de transporte devem ser “cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento”. Asseverou ainda que nem mesmo a IN SRF nº 91/01 chegou a restringir o direito ao crédito presumido da forma pretendida pelo lançamento de ofício. A exigência de destaque do valor do frete no campo próprio das notas fiscais é uma interpretação equivocada, já que não consta da MP 2.15835/01, do art. 134 do RIPI ou da IN nº91/01. Afirma que o que é cobrado juntamente, não pode, por definição lógica, ser destacado. A intenção da lei foi estimular a inclusão do frete na base do IPI, conforme a exposição de motivos da MP 2.158 35/01. A empresa adota o costume do setor automotivo de praticar vendas CIF e essa circunstância é prova de que cobra o frete “juntamente com o preço” dos veículos, ou, dito de outra forma, o frete é custo da GMB, compondo o preço final dos veículos. Supor o contrário, implicaria assumir que a requerente oferece frete grátis a seus clientes, o que beira a ingenuidade. Além da sua argumentação jurídica, a GMB juntou aos autos relatório de empresa de auditoria no qual discorre sobre a formação do preço de venda dos seus veículos vendidos e os respectivos custos contabilizados, especialmente quanto aos fretes sobre vendas. Nesse sentido, juntou também, por amostragem, alguns exemplos dessa contabilização. Este Colegiado, em sessão realizada no dia 19 de abril de 2018, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento, pois necessitava que a Autoridade Tributária apresentasse posicionamento sobre a possibilidade do gasto com frete na venda ter sido computado no preço final do produto, apesar de não ter sido destacado na nota fiscal, conforme alegação da Recorrente. Além disso, que fosse analisada a documentação apresentada pela Recorrente, em especial o Parecer de empresa de Auditoria e os documentos contábeis e fiscais juntados, para avaliar se seriam suficientes para comprovar que o frete estava inserido na formação do preço de venda dos veículos. No que se refere a primeira matéria controvertida da lide obrigatoriedade do destaque do frete na nota fiscal como requisito para fruição do benefício como pressuposto para usufruir do benefício assiste razão à Recorrente ao afirmar que inexiste nos dispositivos legais que regem a matéria tal obrigatoriedade. Por certo, tal obrigação inexiste na MP nº2.15835/2001 ou na IN SRF nº91/2001. A exigência presente no § 1º, inciso II, b, do art.56, da MP nº2.15835/2001 é que o crédito presumido será concedido sob a condição de que os serviços de transportes executados ou contratados sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos nas operações de saída do estabelecimento industrial. Não parece ser a melhor interpretação do dispositivo em comento entender que o frete ser cobrado conjuntamente seja a mesma coisa que exigir o destaque do frete na nota fiscal. Uma das formas de cobrança conjunta, sem dúvida, efetuase quando há o destaque do frete na nota fiscal em separado. Entretanto, entendo que a condição também é atendida quando o preço do frete está embutido no preço de venda do produto, nesses casos, sem necessidade de destaque do Fl. 57178DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.174 11 frete incidente na nota fiscal de saída. Temse, assim, como configurado, em ambos os casos, a existência de vendas ocorridas sob a cláusula CIF (Costs, Insurance and Freight)), que se caracteriza quando o vendedor se responsabiliza pelo transporte das mercadorias da fábrica até o adquirente da mercadoria, sendo que este assume o valor correspondente ao custo do frete e seguro no preço do produto. Nesse mesmo sentido, é o entendimento predominante neste Colegiado, referenciado por diversas soluções de consultas da SRF, de que o valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal naqueles casos em que esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, mas não quando ele compõe o preço final de venda. A Solução de Consulta SRRF09/Disit nº 26, de 7 de fevereiro de 2012, que trata do preenchimento, nas notas fiscais, do valor do frete nas vendas destinadas à exportação, transcrita em parte, no acórdão recorrido, esclarece a questão: 10. Entendese por “valor do frete” a quantia paga para transportar as mercadorias discriminadas na Nota Fiscal de um local a outro, dentro do território nacional ou além fronteira. 11. O preenchimento do campo referente ao valor do frete na Nota Fiscal é necessário ainda que não haja imposto destacado (casos, por exemplo, de isenção, não incidência, suspensão), uma vez que a legislação não prevê a dispensa do preenchimento nesses casos. Portanto, o preenchimento do valor do frete e sua condição de pagamento são, por regra, dados de preenchimento obrigatório, ainda que se trate de operação não sujeita ao imposto (IPI ou ICMS). 12. Entrementes, importante ressalva fazse necessária: a obrigatoriedade de preenchimento do valor do frete na Nota Fiscal impõese apenas nos casos em que esse valor for cobrado ou debitado em separado do comprador, hipótese em que o valor do frete será adicionado à base de cálculo do IPI e do ICMS. 13. Com efeito, a Lei nº 7.798, de 1989, por meio de seu art. 15, deu nova redação ao art. 15 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 (que instituiu o IPI), de modo a prescrever que a base de cálculo do IPI “compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário” 14. É de notar que, anteriormente à edição da Lei nº 7.798, de 1989, o art. 14, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964, excluía expressamente da base de cálculo do IPI, as despesas de transporte e seguro, desde que debitadas ao destinatário ou comprador e escrituradas em separado, na nota fiscal (art. 63, § 1º, do RIPI/1982). 15. Por seu turno, a Lei Complementar nº 87, de 1996, de forma similar à Lei nº 7.798, de 1989, no seu art. 13, § 1º, inciso II, alíneas “a” e “b”, veio estabelecer que integra a base de cálculo do ICMS o valor correspondente a “seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição”, e o valor correspondente a Fl. 57179DF CARF MF 12 “frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado”. 16. Em suma, constatase que a exigência de indicação do valor do frete e do seguro na nota fiscal está vinculada à hipótese em que essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria (situação em que, atualmente, tais importâncias compõem a base de cálculo do ICMS e do IPI), razão por que é lícito inferir que essa informação é dispensada quando não ocorra essa hipótese. (negritos nossos) Outras ementas de soluções de consulta, abaixo indicadas, referendam o entendimento da própria Secretaria da Receita Federal no sentido de se exigir o destaque do frete na nota fiscal somente naqueles casos em que as despesas de fretes sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria: NOTA FISCAL. SAÍDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. É exigida a informação do valor do frete e do seguro na nota fiscal emitida por estabelecimento sujeito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no quadro ‘Cálculo do Imposto’, somente quando essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria” (Solução de Consulta 14/12, da 10ª RF). NOTA FISCAL. SAÍDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. É exigida a informação do valor do frete e do seguro na nota fiscal emitida por estabelecimento sujeito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no quadro ‘Cálculo do Imposto’, somente quando essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria. Nessa hipótese, o valor do frete e o valor do seguro serão somados ao valor total dos produtos para obtenção do valor total da nota” (Solução de Consulta 17/12, da 10ª RF) Esse também é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, conforme se depreende do julgado a seguir transcrito de lavra do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2000 REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP No 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preco̧ dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001). (Processo nº 16045.720011/201518; Acórdão nº 9303006.465;Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 13/03/2018) Fl. 57180DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.175 13 No mesmo sentido, a 2ª Turma da Primeira Câmara já se manifestou no acórdão n°3201005.056, da mesma Recorrente, julgado em sessão de 29 de fevereiro de 2019 e relatado pelo Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, conforme a ementa parcialmente reproduzida abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 IPI. REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não está contida na legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos". Concluise, assim, que a legislação de regência do crédito presumido em comento não obriga, para a sua fruição, que haja o destaque do frete na nota fiscal de venda do veículo. No caso concreto, embora a Recorrente não tenha destacado o frete nas notas fiscais, trouxe aos autos outros elementos visando comprovar que os valores de fretes foram devidamente incluídos no preço dos veículos vendidos, conforme exigido pela lei. Primeiramente, observase que a autuada conduziu as suas vendas com a cláusula CIF, aquela em que a montadora assume o ônus do frete até os concessionários ou compradores diretos. Essa condição de negociação fica evidenciada exatamente pelo fato de as Notas Fiscais de saída informarem que o frete será arcado pelo emitente (autuada), fls.778 a 22.589. Além disso, que a GMB passou, de janeiro de 2014 em diante, a informar o valor do frete médio nacional no campo destinado a “informações complementares” das notas fiscais de venda de veículos, constando que o frete médio nacional já está “incluso no preço”, como ilustra a seguinte imagem: Constatase também a existência de contratos de prestação de serviços de transporte com algumas empresas (fls.22.677 a 22.749) onde ficam evidenciadas todas as condições da prestação do serviço de transporte de veículos, inclusive os valores que serão pagos pelo serviço, conforme as localidades que serão atendidas pela transportadora. A título de exemplo, mostramos as condições de transporte pactuadas entre a Recorrente e a Brazul Transportadora de Veículos Ltda: Fl. 57181DF CARF MF 14 Fl. 57182DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.176 15 A Recorrente também juntou aos autos os comprovantes de pagamentos dos serviços prestados pactuados nos contratos e realizados por meio de emissão de conhecimentos de transporte eletrônicoCTe (fls.22.750 a 25.498 e 25.499 a 32.347). Vale ressaltar, que é possível identificar que o mesmo número do chassi informado na nota fiscal está demonstrado no CTE correspondente. De forma que é possível atestar que há comprovação de que cada veículo possuí um registro específico em um CTE correspondente a sua respectiva nota fiscal de saída. Ou seja, para cada venda analisada observase a existência de ao menos um CTE vinculado, com o destaque do frete e o respectivo valor incidente no transporte. Tal fato foi constatado pelo Parecer da empresa de Auditoria Ernest Young e confirmado pela Fiscalização no Termo de Diligência Fiscal (fls.56.974). Dessa forma, é possível identificar o custo do frete correspondente a cada veículo vendido. Na sequência, inserido no parecer da empresa de auditoria, foram analisados os lançamentos contábeis relativos ao pagamento, pela GMB, das despesas com o frete na venda dos veículos. A Recorrente explica que a transportadora emite uma fatura pelos serviços prestados constando vários CTEs de modo que a GMB paga o valor dessa fatura. Por meio do documento denominado "composição das faturas", são identificadas as CTEs que estão vinculadas a essa fatura. Cada fatura é registrada na contabilidade em conta de passivo (S441100000 C.A. PAGAR – FORNECEDORES –) com a contrapartida em conta de resultado (centro de custo com natureza devedora) denominada CUSTO DE FRETE LOCALSAIDAVEICULOS S821115000 e em contas de ativo (tributos a recuperar) denominadas PIS – FRETE SAÍDA e COFINS – FRETE SAÍDA. Abaixo, exemplo de contabilização referente a fatura nº 137182 no livro diário: Fl. 57183DF CARF MF 16 Por fim, a referida conta de resultado (CUSTO DE FRETE LOCALSAIDA VEICULOS S821115000 ) é levada ao custo do produtos vendidos, compondo, assim, o custo dos veículos, conforme comprova o balancete contábil de janeiro/2015, abaixo indicado: A Fiscalização também atesta que os gastos com fretes nas vendas são contabilizados como custo dos produtos vendidos, devidamente comprovado pelos dados do SPED Contábil, conforme denota o trecho do Relatório Fiscal da Diligência solicitada: Em relação às despesas com frete, com base nos dados obtidos no ambiente SPED, concluise que a empresa contratou os serviços de transporte e que estes estão contabilizados no custo dos produtos vendidos, assim como os custos de garantia, os royalties, a amortização de ferramentas especiais, as despesas com projetos etc. como mostra o balancete do mês de janeiro de 2015. (grifos e negritos nossos) Após a comprovação de que assumiu o ônus dos fretes nas vendas de veículos e efetuou os registros contábeis devidos como custo dos veículos, a Recorrente passa a demonstrar a composição do preço do veículo a fim de identificar se os fretes foram computados na sua formação. Nesse passo, é apresentado exemplo de composição do preço de um veículo, por meio de um demonstrativo analítico: Fl. 57184DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.177 17 Outros exemplos de formação de preços de veículos também foram obtidos pela Fiscalização no Relatório Fiscal de Diligência (fls.56.968 a 56.978). Reproduzse a composição do preço de alguns casos constantes da amostra analisada pela Fiscalização: Fl. 57185DF CARF MF 18 De acordo com a melhor doutrina contábil, as empresas, na formação do preço consideram não só os custos, como também as despesas de vendas incorridas e uma margem de contribuição1. Silvério das Neves e Paulo E. V. Viceconti2 esclarecem como são formados os preços de vendas de acordo com os principais métodos de custeio adotados pelas empresas no Brasil: Capítulo 10 FIXAÇÃO DO PREÇO DE VENDA (...) “10.1. COM BASE NO CUSTO POR ABSORÇÃO (CUSTO PLENO) Nesse caso, os preços de venda são iguais ao custo total da produção (determinado pelo Custeio por Absorção) mais um acréscimo porcentual para cobrir as despesas operacionais e proporcionar uma margem desejada de lucro. (Grifamos e destacamos) Suponhamos uma empresa que elabore um produto X, cujos custos unitários de fabricação são: Os Custos Indiretos de Fabricação foram estimados com base no volume normal de produção e venda da Cia. e rateados para o produto X com base em critérios considerados adequados. A experiência prévia da companhia é de que as despesas operacionais representam cerca de 40% dos custos e ela deseja 1 Margem significa a diferença entre o valor do preço de venda e os valores dos custos e das despesas variáveis. Contribuição porque representa em quanto esse resultado contribui para o pagamento das despesas fixas e também para gerar lucro ao negócio”. Fonte: sítio do SEBRAE (http://www.mundosebrae.com.br/2011/02/margemdecontribuicao/). 2 Contabilidade de Custos, (Ed. Frase, 6ª edição, páginas 187/190). Fl. 57186DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.178 19 obter um lucro, antes dos impostos, de 30% sobre o total de custos e despesas. 10.1.1. RKW Uma variantes deste método é a fixação do preço com base na alocação não somente dos custos mas também das despesas aos produtos, adicionandose a seguir a margem desejada de lucro. Tratase do método RKW, de origem alemã, Reichskuratorium für wirtschaftlichkeit. ( Assim, no exemplo anterior, as despesas operacionais, em vez de serem estimadas em 40% dos custos, seriam rateadas aos produtos de forma semelhante aos procedimentos utilizados para apropriar os custos indiretos de fabricação. Obterseia, então, o total de custos e despesas por produto, valor ao qual se agregaria a margem de lucro desejada. Este método foi utilizado no Brasil na época em que existia o CIP (Conselho Interministerial de Preços), órgão que controlou os preços das empresas nas décadas de 60 e 70. A vantagem desse método é que, dado qualquer aumento de um item de custo ou de despesa, é possível calcular o efeito do mesmo no preço do produto (ver a respeito os testes de fixação nos 3 e 4). (...) 10.3. COM BASE NO CUSTO VARIÁVEL Neste método, a margem de lucro é calculada sobre a soma dos custos com as despesas variáveis e não sobre a soma do total de custos com o total das despesas, como ocorre no custo pleno. (Grifamos e destacamos) A vantagem de se fixar preços com base no Custeio Variável já foi analisada no capítulo 8, subitem 8.3. É um método muito mais flexível que o baseado no Custeio por Absorção, uma vez que permite aceitar pedidos de clientes mesmo que os preços propostos de compra sejam inferiores ao custo unitário total de produção. É necessário apenas que o preço seja superior à soma dos custos e despesas variáveis por unidade para que a margem de contribuição unitária seja positiva e passe a amortizar os custos e despesas fixos e a dar lucro para empresa. (...)” Fl. 57187DF CARF MF 20 Percebese, assim, de acordo com a melhor doutrina contábil e independentemente do sistema de custeio adotado pela empresa na formação do seu preço de venda, sempre serão considerados todas as despesas e custos incorridos para colocar o bem a venda, acrescida de uma margem de contribuição (lucro) como forma de remuneração do capital investido na produção. Dessa forma, uma vez que o frete sobre vendas é um custo/despesa assumido e pago pela empresa, é natural que ocorra a sua inclusão no preço de venda do produto fabricado (no caso, veículos). No caso ora analisado, observase nas tabelas exemplificativas de composição dos custos dos veículos, anteriormente demonstradas, que na composição dos preços dos veículos vendidos pela Recorrente consta a inclusão de todas as despesas e custos incorridos, incluindo ai um frete médio nacional sobre vendas, acrescido de uma margem de contribuição, que compõem o preço do produto vendido. Observase que a GMB não considerou, para fins de formação do preço do veículo, o frete efetivamente ocorrido e pago, mas sim um frete médio nacional. Tal fato é afirmado pela Fiscalização no Termo de Diligência Fiscal e admitido exaustivamente pela Empresa em seu recurso. Segundo explicações da Recorrente, a utilização do frete médio nacional ocorre pelo fato da Sociedade estar cumprindo os quesitos estabelecidos pela Lei n° 6.729 de 28 de novembro de 2008, também denominada de “Lei Ferrari”, que estabeleceu regras para o setor automotivo a fim de preservar a uniformização no preço de venda e condições de pagamentos da concedente para com os concessionários de toda sua rede de distribuição. A referida lei obriga que o “preço de venda aos concessionários” seja fixado de modo a preservar “sua uniformidade”, trazendo como consequência a necessidade de se estabelecer um valor de “frete médio nacional”, o qual foi acrescido ao preço dos veículos comercializados para todo o país, fato este que faz com que não seja indicado o valor do frete no campo próprio de cada nota fiscal de saída, posto que, se o fizer, ou indicará o valor “efetivo” de frete (lastreado em CT), descumprindo assim a Lei nº 6.729/2008, ou indicará o valor de frete médio, acarretando uma inconsistência entre nota fiscal e CT (a nota fiscal registrará um valor que não coincide com o valor de frete apontado no CT). Transcrevese o dispositivo da lei em comento: Art. 13. É livre o preço de venda do concessionário ao consumidor, relativamente aos bens e serviços objeto da concessão dela decorrentes. (Redação dada pela Lei nº 8.132, de 1990) § 1° Os valores do frete, seguro e outros encargos variáveis de remessa da mercadoria ao concessionário e deste ao respectivo adquirente deverão ser discriminados, individualmente, nos documentos fiscais pertinentes. (Incluído pela Lei nº 8.132, de 1990) § 2º Cabe ao concedente fixar o preço de venda aos concessionários, preservando sua uniformidade e condições de pagamento para toda a rede de distribuição. (Incluído pela Lei nº 8.132, de 1990)” (negritos nossos) A partir da análise das informações contidas nas planilhas, é possível concluir como a GM calcula o frete médio nacional, obtido a partir de uma média ponderada dos Fl. 57188DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.179 21 valores pagos por cada frete efetivo no decorrer do ano imediatamente anterior de todas as unidades da GMB. Cada unidade da GM no Brasil compila as informações dos fretes efetivos pagos para transporte dos diferentes modelos por si montados/importados, os quais são transportados para a Rede de Concessionárias Chevrolet espalhada por todo o País. A primeira planilha (doc.1) ilustra como a GM aglutina por regiões os gastos com frete: “Região Belém”, “Região Belo Horizonte”, “Região Interior Paulista A”, “Região Interior Paulista B”, “Região Porto Alegre” e assim por diante. Por oportuno, transcrevemos novamente o conteúdo da MP nº2.15835/2001 que instituiu o regime especial: Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O regime especial: I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial; (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. (...) § 3o Na hipótese do § 2o deste artigo, o disposto na alínea "c" do inciso II do § 1o alcança o trajeto, no País, desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente. (...) Pela leitura dos dispositivos acima transcritos da MP nº2.15835/2001, não resta dúvida que a lei está a tratar do frete efetivamente executado ou contratado na operação de venda e pago juntamente com o preço do produto como condição para a empresa usufruir do crédito presumido em comento. Os serviços de transporte aqui envolvidos são aqueles executados ou contratados de forma efetiva pela empresa, não deixando margem a Fl. 57189DF CARF MF 22 interpretação de que seja possível se estabelecer um frete arbitrado ou médio, como se deu no presente caso. Tampouco entendo que o texto da “lei Ferrari” obrigue a montadora a estabelecer um frete médio nacional nas vendas de seus veículos. Como bem colocado no acórdão recorrido, o argumento da Recorrente não guarda relação de pertinência com o teor do art. 13 da Lei nº 6.729/1979. Depreendese das disposições normativas constantes no §1º do art. 13, da Lei nº 6.729/1979, que o frete representa um encargo variável. Em nenhum momento a referida lei determina o estabelecimento de um frete médio nacional único a ser praticado com os concessionários ou adquirentes diretos. Entender de forma diferente, no sentido de estabelecer um frete médio nacional, extrapola e é contra o conteúdo da própria lei. Pelo exposto, concluise que o valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência essa que não consta na legislação analisada, pois a lei exige expressamente que os valores do frete sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos, cabendo prova a recorrente que atendeu essa condição. Nesse passo, restou comprovado nos autos que a empresa não utilizou o frete efetivamente executado ou contratado como componente na formação do seu preço de venda, vez que considerou na formação do preço o frete médio nacional. Como conseqüência, temse que a empresa não atendeu aos requisitos legais, na sua integralidade, para a fruição do crédito presumido em comento. Por fim, quanto a alegação de impossibilidade de incidência de juros Selic sobre a multa de ofício, nego provimento com base na Súmula CARFnº108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Declaração de Voto Thais De Laurentiis Galkowicz Com a devida vênia, ouso divergir do Ilustre Relator com relação à melhor solução a ser dada ao presente caso, pelas razões que passo a expor. No relatório fiscal (fls. 22.629/22.639), como não poderia deixar de ser, consta a motivação utilizada pela autoridade fiscal para justificar o lançamento tributário, nos seguintes termos: Fl. 57190DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.180 23 a) O art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001 instituiu o regime especial de apuração do IPI relativo ao frete cobrado pelo transporte de veículos classificados na posição 8703. O regime especial consiste na concessão de um crédito presumido e IPI no valor de 3% do imposto destacado e é concedido mediante termo de opção anual da empresa. As condições para concessão do regime especial são que os serviços de transporte sejam executados ou contratados pelo estabelecimento industrial, que os valores sejam cobrados nas operações de saída e que compreendam a totalidade do trajeto. b) O artigo 14 da Lei no 4.502/64 foi alterado pela Lei nº 7.798/89 que incluiu o frete no valor tributável quando este for cobrado do comprador. Atualmente o art.190 do RIPI /2010 regulamenta o valor tributável. O art.134 do Decreto n° 7.212/2010 (RIPI 2010) dispõe que o frete seja cobrado juntamente com o preço dos produtos e o art. 413 dispõe que o valor do frete conste no quadro “Cálculo do Imposto” da nota fiscal. Segundo a exposição de motivos da Medida Provisória nº 2.11330, a criação deste Regime Especial tinha como objetivo incluir o valor do frete na base de cálculo do IPI, o que era evitado pela indústria. Portanto, a MP estabeleceu a obrigatoriedade de lançamentos dos respectivos valores de frete em todas as operações de saída, e essa referência é claramente o registro destes montantes no campo próprio da NF de saída. c) Como o regime especial depende de opção do contribuinte, ao fazer tal opção ele se obriga a atender às condicionantes e ao mesmo tempo assume o ônus da prova. Ademais, como lançamento é realizado operação por operação, o único documento hábil de prova é a nota fiscal. Logo, a empresa não cumpriu os requisitos do Regime Especial pois a intenção da legislação foi destacar este valor no campo próprio da nota fiscal para que o mesmo pudesse ser identificado. Tendo em vista que o Regime Especial é uma opção feita pela empresa, não há razão para deixar de informar o valor de cada frete no campo próprio da nota fiscal. Se o objetivo do Regime Especial instituído em 2001 era obrigar as empresas a incluir o frete na base de cálculo do IPI, o que já estava na legislação desde 1989, e facilitar e racionalizar os procedimentos de arrecadação e fiscalização, o frete deve estar identificado na Nota Fiscal. Sendo assim, não haveria racionalização dos procedimentos de fiscalização e não haveria razão de o art.56 da MP 2.158 existir. (grifei) Constatamos que a motivação da autoridade fiscal fundase na falta de destaque do frete na nota fiscal das saídas das mercadorias, o que, no seu entender, era requisito necessário para cumprimento do regime especial do IPI discutido nos presentes autos. Assim, pela comparação entre os fundamentos originais da autuação e os fundamentos utilizados pelo respeitável voto do Relator e adotados pela maioria do Colegiado, concluo existir alteração dos fundamentos do lançamento tributário. Afinal, a proposta apresentada no citado voto é no sentido de, apesar de reconhecer a desnecessidade de destaque do frete nas notas fiscais para fins de cumprimento do regime especial, manter a autuação fiscal Fl. 57191DF CARF MF 24 porque não haveria possibilidade de utilização do frete arbitrado ou médio no regime da MP n. 2.15835/2001. A passagem transcrita abaixo resume a referida ratio: Pela leitura dos dispositivos acima transcritos da MP n 2.158 35/2001, não resta dúvida que a lei está a tratar do frete efetivamente executado ou contratado na operação de venda e pago juntamente com o preço do produto como condição para a empresa usufruir do crédito presumido em comento. Os serviços de transporte aqui envolvidos são aqueles executados ou contratados de forma efetiva pela empresa, não deixando margem a interpretação de que seja possível se estabelecer um frete arbitrado ou médio, como se deu no presente caso. Contudo, tal proposta não se coaduna com as hipóteses de revisão de lançamento de ofício traçadas pelos artigos 145 e 149 do Código Tributário Nacional. Ademais, constitui afronta à vedação de alteração de critério jurídico retroativamente no bojo de lançamento tributário contra o mesmo sujeito passivo, estampada no artigo 146 do próprio CTN. Delimitando o que seria passível de mudança no âmbito do lançamento tributário, a doutrina afirma que “o erro da autoridade fiscal que justifica a alteração do ato de lançamento é apenas o erro de fato; nunca o erro de direito.” 3 Nesse aspecto, é precisa a verificação de Luis Eduardo Schoueri de que, quando o aplicador do Direito vê no mesmo fato características que antes não foram relevantes para a interpretação a seu respeito, levando a uma nova valoração jurídica desse mesmo fato, estarseá diante do erro de direito e, portanto, da limitação imposta pelo artigo 146 do CTN. 4 Embora haja enorme debate doutrinário sobre tal segregação entre “erro de fato” e “erro de direito”, bem como a diferenciação deste último com a "alteração de critério jurídico" no contexto do artigo 146 do CTN, a jurisprudência vem corroborar que a possibilidade de alteração de lançamento existe unicamente quando há erro de fato, nunca quando há erro de direito (nomenclatura não utilizada no nosso atual Codex, mas que aparecia no seu Anteprojeto). Destaco nesse sentido a Súmula 2275 do TFR e o julgamento do STJ no REsp. 1.130.545/RJ,6 sendo que este último foi proferido pela sistemática dos recursos repetitivos e, por conseguinte, deve ser obrigatoriamente observado por este Conselho (artigo 62, §2º do seu Regimento Interno). Importante lembrar que a garantia estampada no artigo 146 do CTN se amolda ao processo administrativo como um todo, à medida que impede que sejam proferidas decisões com preterição do direito de defesa (artigo 59 do Decreto 70.235/72). 3 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método, p. 445.. 4 SCHOUERI, Luis Eduardo. Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 2011, p. 534. 5 “A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento.” 6 “Destarte, a revisão do lançamento tributário, como consectário do poderdever de autotutela da Administração Tributária, somente pode ser exercido nas hipóteses do artigo 149, do CTN, observado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. 5. Assim é que a revisão do lançamento tributário por erro de fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146 do CTN” (REsp. 1.130.545/RJ, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 22/02/2011).” Fl. 57192DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Acórdão n.º 3402006.671 S3C4T2 Fl. 57.181 25 Com efeito, impedir que haja uma mudança do entendimento adotado no ato administrativo de lançamento tributário significa impedir que, no decorrer do contencioso administrativo, o direito de defesa dos contribuintes seja desprezado, porque repentinamente deverão passar a guerrear contra critério diferente daquele posto no lançamento tributário, suprimindo instância e amesquinhando seu direito ao contraditório. Sobre o ponto, dentre tantas, destaco a lição de Alberto Xavier, que justifica essa clássica interpretação do artigo 146 do CTN: O Artigo 146 nada mais é, pois, que simples corolário do princípio da não retroatividade, extensível às normas complementares, limitandose a esclarecer que os lançamentos já praticados à sombra de 'velha interpretação' não podem ser revistos com fundamento em 'nova interpretação'. Reparese que o artigo 146 pressupõe que, antes da modificação operada nos critérios jurídicos, tenha sido previamente praticado um ato individualizado de lançamento, caso contrário não se justificaria a referência a 'um mesmo sujeito passivo' . O que o artigo 146 pretende é precisamente que os atos administrativos concretos já praticados em relação a um sujeito passivo não possam ser alterados em virtude de uma alteração dos critérios genéricos da interpretação da lei já aplicada. Assim, como corolário da garantia genérica em favor de todos os sujeitos passivos de não aplicação retroativa da lei e de interpretação superveniente, constante do artigo 144, o artigo 146 explicita a garantia subjetiva em favor de cada sujeito passivo individualmente considerado de que a interpretação superveniente não pode conduzir à modificação do lançamento que o tenha como destinatário. Esta é também a solução consagrada pela LPAF (Lei 9.784/99), que dispõe no seu art. 2º, inciso XIII, ser 'vedada aplicação retroativa de nova interpretação'. (Xavier, Alberto. Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, p. 277) Tendo tudo isso em vista, não há dúvida de que é justamente sobre tal situação que nos debruçamos nesse caso: enquanto o auto de infração foi pautado em um argumento jurídico (a lei prevê a necessidade do destaque do frete na nota fiscal para que o contribuinte faça jus ao regime especial do IPI), o voto condutor propõe manter o mesmo ato administrativo com base em outro fundamento jurídico (a lei determina que seja utilizado o preço do frete efetivamente executado/contratado, não cabendo a utilização de um frete arbitrado/médio). Respeitosamente, no meu entender, tal solução violada a garantia estabelecida pelo artigo 146 do CTN, além do artigo 2º, inciso XIII da Lei n. 9.784/99 e do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Finalmente, saliento que não existe aqui um simples desenvolvimento da argumentação entre as partes interessadas na lide, natural da dialética processual no decorrer do processo administrativo. Caso assim fosse, poderia ser mantido o lançamento tributário. Explico. Se o lançamento coloca que o tributo é devido pelo argumento “A” e o contribuinte defendese dizendo que este mesmo tributo é na realidade indevido pelo argumento “B” (fato impeditivo, modificativo ou extintivo, conforme o artigo 373, inciso II do Fl. 57193DF CARF MF 26 CPC), poderia o CARF julgar que o argumento “B” é improcedente pela razão “C”, sendo que essa última reforça o argumento “A”. Vejase que, nessa hipótese, inexiste inovação, pois o julgamento do CARF seria uma resposta à defesa do contribuinte e, ao mesmo tempo, uma manutenção do fundamento do lançamento tributário. Nestes autos o que vemos, ao revés, é que a proposta de impedir o gozo do regime especial do IPI porque é ilegal a utilização do preço médio do frete, no lugar de corroborar a questão da (des)necessidade de destaque do frete na nota fiscal, suplantaa, e, assim, ao invés de manter o motivo original do ato administrativo, alterao. Por essas razões, não pude acompanhar as conclusões alcançadas pelo d. Relator em seu minucioso voto. No presente caso, penso que deve ser aplicado o entendimento já anteriormente adotado por esse Colegiado e referendado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9303006.465.7 Assim, sendo despiciendo o destaque do frete nas notas fiscais in casu e não tendo sido elencado pela autoridade fiscal nenhum outro impedimento para que a Recorrente goze do regime especial do IPI estabelecido pelo artigo 56 da Medida Provisória nº 215835/2001, imperioso afastar a autuação fiscal e reconhecer tal direito. Em situação processual análoga, inclusive, dessa forma decidiu este Colegiado no Acórdão n. 3402003.067. Dessarte, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz 7 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2000 REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP No 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001). (Processo nº 16045.720011/201518; Acórdão nº 9303006.465;Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 13/03/2018) Fl. 57194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.904970/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 24/09/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos.
Numero da decisão: 3302-007.209
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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SUPERMERCADOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/09/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo da DCOMP eletrônica, transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF indicado, referente ao PIS/Cofins. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico, no qual a Delegacia de origem, após constatar a improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, não reconheceu o valor do crédito pretendido e decidiu NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 49 70 /2 01 2- 37 Fl. 86DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.904970/2012-37 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando que, quando da confecção do Per/Dcomp, por lapso, não foi retificada a DCTF. Procedeu a retificação, dentro do prazo legal, alterando o débito do período de apuração correspondente. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp, exceto quando comprovado erro no preenchimento da referida declaração. Regularmente cientificada de decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese apertada que: (i) a retificação da DTCF após o despacho decisório não pode ser impedimento ao reconhecimento do crédito apurado; e (ii) os documentos carreados aos autos se prestam à comprovar a origem do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.936, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13227.901478/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.936): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente, destaca-se que a DRJ manteve o despacho decisório por dois motivos, a saber: Assim sendo e, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram trazidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, conclui-se que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise e que não há direito creditório a ser reconhecido para a compensação pretendida. Ao meu ver, o primeiro motivo para DRJ seria totalmente superado, caso o contribuinte tivesse demonstrado à origem do crédito, o que não ocorreu no presente processo, senão vejamos. É incontroverso que a Recorrente cometeu irregularidade no preenchimento do DACON e da DCTF e, que a retificação do último documento fora realizada somente após a transmissão do PER/DCOMP objeto dos autos. Contudo, independentemente das declarações retificadoras terem sido apresentadas pela Recorrente após a transmissão do PER/DCOMP, o que não é causa impeditiva do reconhecimento do crédito, deveria o contribuinte ter comprovado documentalmente a origem dos créditos. Com efeito, a DCTF e o DACON contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que Fl. 87DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.904970/2012-37 comprove os lançamentos contábeis. A simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar o origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, a Recorrente deveria ter apresentado argumentos mais robustos para comprovar seu direito. Nada foi explicitada em sede de manifestação e recurso. Com todo respeito, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repita-se, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.900909/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Consideram-se isentas de incidência de COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Para fins de geração de créditos de COFINS no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
Numero da decisão: 3301-006.186
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que as vendas dos produtos da recorrente tiveram como destino a exportação, e afastar a glosa referente às despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideram-se isentas de incidência de COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos de COFINS no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
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COMPROVAÇÃO. Consideram-se isentas de incidência de COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos de COFINS no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que as vendas dos produtos da recorrente tiveram como destino a exportação, e afastar a glosa referente às despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 09 09 /2 01 1- 14 Fl. 797DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.186 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900909/2011-14 Relatório Trata o presente processo pedido de ressarcimento de COFINS não-cumulativo exportação, formulada por meio de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação Eletrônica (PER/DCOMP). Todavia, a DRF jurisdicionante, após analisar o direito creditório do contribuinte, no entanto, deferiu apenas parte do montante pleiteado. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual inicialmente, pleiteia a impugnação total do Despacho Decisório por vício formal de falta de motivação (não explicitação da narrativa dos fatos constantes no processo de nº 15586.001626/2010-57). Por outro lado alega imunidade das contribuições sociais nas operações de vendas de pelotas de minério de ferro para o exterior; não-incidência das contribuições sociais nas operações de vendas para o exterior; isenção do PIS nas operações de vendas de pelotas para o exterior; remessa direta para exportação – passagem do produto por pátio pertencente ao próprio remetente não pode ser considerada circulação ou remessa. Em sua defesa, destaca ainda a existência de recente decisão administrativa federal (processo administrativo nº 15586.001586/2010-43) para caso idêntico, com acolhimento da defesa aqui apresentada no sentido de isenção das vendas com fins específicos de exportação. Adicionalmente, aduz a ocorrência de equívoco no preenchimento do CFOP das notas fiscais que retratavam as operações de vendas com fim de exportação (irrelevância para descaracterizar a real natureza da operação ante a observância do princípio da verdade material e da prevalência da substância); e indevida desconsideração do crédito decorrente de serviços que teriam sido usados indiretamente no processo produtivo do requerente. Requereu, ainda, a realização de perícia, apresentando quesitos. Por seu turno, a DRJ decidiu, iniciamente, pela realização de diligência, tendo por objetivo: i) a juntada de elementos probatórios aos autos, incluindo termos, intimações, planilhas, demonstrativos, notas fiscais, informação fiscal, detalhamento das compensações; ii) a verificação das vendas consideradas como realizadas no mercado interno pela fiscalização, face à alegação da contribuinte de que teriam tido destino específico de exportação, tendo em vista os documentos juntados na impugnação. Como resultado, foram juntados aos autos os documentos expressamente solicitados e informação fiscal detalhando as razões das glosas efetuadas. Instada a manifestar-se sobre o resultado da diligência, a autuada voltou a defender-se, alegando que o aglomerado de minério de ferro seria remetido diretamente do estabelecimento industrial do requerente para embarque com destino ao exterior ou para recintos alfandegados da VALE S/A, sendo que a tradição da mercadoria ocorreria no momento do embarque, não havendo transmissão jurídica. Sustenta que somente poderia emitir a nota fiscal/fatura quando a mercadoria possuísse destino certo ao exterior, isto é, após o embarque da mercadoria para exportação. Observa que o pátio da VALE S/A seria área alfandegada desde 2002, conforme o Ato Declaratório nº 132, e que seria através dos memorandos de exportação que o requerente registraria os dados de exportação da mercadoria. Acrescenta que nas notas fiscais de venda haveria indicação expressa do “fim específico de exportação” a demonstrar a veracidade dos negócios jurídicos entabulados. Defende, outrossim, que teria havido apenas um equívoco cometido tanto pelo requerente, quanto pela VALE S/A, no registro do CFOP. E que a VALE S/A teria confeccionado cartas Fl. 798DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.186 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900909/2011-14 declarando que não se creditou de PIS/Cofins nas aquisições da ITABRASCO das mercadorias de minério de ferro aglomerado (pelotas). Ao final, requer que seja reconhecido o seu direito creditório nos exatos termos da decisão proferida pela 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, da 3ª Seção do CARF, no bojo do processo administrativo nº 15586.001626/2010-57, uma vez que o processo cuida das mesmas partes, mesmos fatos, abarcando o mesmo período, e, principalmente, tratando do mesmo crédito utilizado no PER/DCOMP sub examine, com o sentido de dar provimento integral à manifestação de inconformidade apresentada, homologando o PER/DCOMP e, de conseguinte, anulando os supostos débitos em virtude de seu não acolhimento pela unidade de origem. Diante das conclusões e alegações apresentadas ao final da diligência, a DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade. No acórdão prolatado, manifestou-se o entendimento de que existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade. Registrou-se, igualmente, que a base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. Por outro lado, no que tange aos elementos apresentados pelo contribuinte como comprobatórios de vendas realizadas para exportação, analisados em diligência juntada aos autos, entendeu-se que restou constatado não serem suficientes para a devida comprovação do alegado e do direito creditório requerido. Por fim, concluiu-se que a alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, certeza e liquidez, não é suficiente para reformar o montante apurado no Despacho Decisório. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando equívoco nas glosas referentes as operações de devolução de venda. No restante do recurso, repisou os argumentos já apresentadas na manifestação de inconformidade quanto à isenção das contribuições nas operações de vendas realizadas para a companhia vale do Rio Doce e quanto ao direito ao crédito das contribuições referentes a despesas administrativas, eventos, publicidade, despesas advocatícias, alimentação, assessoria tributária e financeira, gastos com seguros, serviços de topografia e projetos de controle ambiental, e refrigeração de equipamentos utilizados no processo produtivo. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.184, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.900907/2011-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.184): Fl. 799DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.186 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900909/2011-14 Inicialmente é necessário analisar a admissibilidade do recurso. Quanto a alegação que as glosas realizadas nas operações de venda que não atenderam os requisitos legais, é mister ressaltar que a matéria não foi trazida em sede de manifestação de inconformidade, estando preclusa, impedindo a manifestação deste colegiado. Portanto não conheço do recurso no que concerne a esta matéria. Quanto as demais matérias referentes a alegação de isenção do PIS e da COFINS nas operações de exportação de pelotas de ferro e a legalidade no credito de insumos glosados pela auditoria fiscal, por atenderem as exigências de admissibilidade, devem ser conhecidas apreciadas pelo colegiado. No presente processo discute-se a isenção para a venda de produtos ao exterior em que a Fiscalização entende não estar comprovada a exportação. A discussão presente no processo trata de identificar se as operações da Recorrente configuram exportação que estariam isentas do PIS e da COFINS e glosas realizadas pela Fiscalização referente a serviços prestados à Recorrente. A previsão constitucional da imunidade para as vendas ao exterior consta do art. 149, § 2º. "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) II - incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) III - poderão ter alíquotas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 3º A pessoa natural destinatária das operações de importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)" A previsão da isenção da COFINS consta do art. 14, incisos II, VIII, IX da MP nº 2.158- 35, de 24 de agosto de 2001. “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I - dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; Fl. 800DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc41.htm#art149%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc41.htm#art149%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art149%C2%A72ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.186 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900909/2011-14 II - da exportação de mercadorias para o exterior; III - dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV - do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V - do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI - auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro - REB, instituído pela Lei n o 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII - de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei n o 9.432, de 1997; VIII - de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-Lei n o 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX - de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;(grifei) X - relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1 o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2 o As isenções previstas no caput e no § 1 o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I - a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II - a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007 III - a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3 o da Lei n o 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Verifica-se que a informação da remessa das mercadorias para recinto não alfandegado estão dentre os motivos da exigência fiscal. Dai conclui-se que se comprovado que as mercadorias foram remetidas a recinto alfandegado da CVRD, posição que é sustentada pela Recorrente. A matéria já é conhecida deste Conselho e já foi enfrentada em outros julgamentos tanto da Recorrente como de outras empresas que atuam na mesma forma e no mesmo local produzindo pelotas de ferro vendidas a CVRD. Em diversos outros processos este conselho tem firmado o entendimento da comprovação da remessa das pelotas de ferro para o exterior e aplicando a isenção do PIS e da COFINS para estas operações. O julgado a seguir, traz decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de matéria semelhante que decidiu por considerar comprovadas as operações de exportação de pelotas de ferro. Processo nº 15586.001586/2010-43 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.233 – 3ª Turma Sessão de 11 de agosto de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS E COFINS Fl. 801DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm#art11 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm#art11 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1248.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11508.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8402.htm#art3 Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.186 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900909/2011-14 Recorrente CIA NIPO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO NIBRASCO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008 VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. Na auditoria realizada na Recorrente, referente ao mesmo período considerado no presente processo, foi lavrado auto de infração para exigências do PIS e da COFINS, sobre as mesmas alegações constantes do presente recurso, o auto de infração, controlado no Processo Administrativo 15586.001626/2010-57 foi objeto de impugnação que julgado pela primeira instância concordou com as alegações da Recorrente e confirmou a destinação das pelotas de ferro para o exterior. A decisão da DRJ foi objeto de recurso de ofício que foi negado por este Conselho. Processo nº 15586.001626/2010-57 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3403003.299 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2014 Matéria PIS E COFINS Recorrentes CIA ITALO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO ITABRASCO - FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VENDAS NO MERCADO INTERNO. TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Exclui-se do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições ao PIS e COFINS apurado sobre receitas comprovadamente oferecidas à tributação pelo contribuinte nos DACON. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. A diferença a maior entre as bases de cálculo apuradas de ofício aquelas informadas nos DACON, sujeita-se à exigência por meio de lançamento de ofício. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Exclui-se da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS os valores recebidos a título de transferência onerosa de créditos do ICMS. Precedentes do STF, RE 606.107. Repercussão geral. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Por concordar com a posição adotada no voto vencedor da decisão da Delegacia de Julgamento, peço vênia, para incluir o trecho do acórdão que trata a matéria e fazer dele também as minhas razões de decidir. Fl. 802DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.186 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900909/2011-14 Receita decorrente das vendas de produtos à Vale S/A - fim específico de exportação: Passemos então ao exame das demais operações, representadas pelas notas fiscais de vendas de minério de ferro aglomerado (pelotas), que segundo alega a impugnante correspondem a vendas realizadas com fim específico de exportação. Inicialmente cumpre registrar que a questão levantada já foi analisada por esta Turma em outros processos em nome da Itabrasco, relativos a pedido de ressarcimento/declaração de compensação referentes a períodos de apuração diversos. No julgamento destes processos, esta Turma entendeu que as alegações da empresa interessada não haviam sido devidamente comprovadas e, em conseqüência, firmou o entendimento de que as vendas efetuadas pelo contribuinte à CVRD não se caracterizavam como operações de venda com fim específico de exportação, nos termos definidos pela legislação que rege a matéria. No entanto, nos presentes autos, novos elementos foram apresentados, capazes de levar à conclusão diversa, como veremos a seguir. O entendimento da autoridade autuante, exposto no Termo de Verificação de Infração se baseou resumidamente em três pontos: a) o CFOP utilizado nas notas fiscais de venda emitidas pelo contribuinte e no registro das entradas de produtos pela Vale S/A caracterizam operações de venda no mercado interno; b) as vendas efetuadas à Vale S/A são registradas na contabilidade da empresa vendedora em conta correspondente à venda no mercado interno; e c) os produtos vendidos foram entregues, segundo declaração da Vale S/A, no pátio da Itabrasco (área não alfandegada), não se enquadrando, portanto, na definição de venda com fim específico de exportação dada pela IN SRF 247/2002, Lei 9.532/1997 e Decreto 1.248/72. Note-se que não há nos autos qualquer controvérsia quanto/a nao incidência das contribuições em tela sobre as receitas de venda efetuada com fim específico de exportação, uma vez que os lançamentos de ofício não se fundamentaram na negativa de reconhecimento pela autoridade autuante, da hipótese de exclusão do campo de incidência tributária expressamente prevista na legislação que rege o PIS e a Cofins, mas sim na falta de comprovação de que as operação realizadas pudessem ser consideradas como venda com fim específico de exportação. Isto porque o fim específico de exportação não é caracterizado pela simples intenção das partes (vendedor e comprador), mas sim pela observância de determinados requisitos que, em conjunto, comprovem a natureza da operação realizada. Ou seja, para fazer jus ao benefício fiscal o contribuinte deve manter escrituração fiscal capaz de espelhar devidamente a operação realizada, as notas fiscais emitidas não devem conter informações contraditórias que gerem dúvidas sobre a operação de fato ocorrida, os produtos vendidos devem ser remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora e deve haver a comprovação da efetiva exportação, pela comercial exportadora adquirente. No caso em análise, o contribuinte trás em sua defesa, entre outros, os seguintes documentos: contrato de venda de pelotas; memorandos de exportação emitidos pela Vale S/A; cartas de correção das notas fiscais de venda; declarações da Vale S/A atestando que as pelotas adquiridas da Itabrasco foram todas exportadas e que não se creditou do PIS e da Cofins sobre estas aquisições. Com relação ao uso de código de classificação fiscal indevido nas notas fiscais de venda, a impugnante supre a falha ocorrida juntando aos autos em fls. 930 a 966, cartas de correção para cada nota fiscal referente a venda de minério de Fl. 803DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.186 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900909/2011-14 ferro aglomerado (pelota) emitidas com a informação complementar referente à remessa com fim específico de exportação e sem destaque de ICMS. Referidas cartas de correção foram encaminhadas e recebidas pela Vale S/A, e nelas a empresa emissora comunica a alteração do CFOP anteriormente utilizado para o código 5.501 (remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação). Vale mencionar que a regularização de erro na emissão de nota fiscal mediante utilização de carta de correção é procedimento previsto no Regulamento do ICMS no Estado do Espírito Santo, no artigo 635-A. Ainda com relação ao uso indevido de CFOP, afirma a autoridade autuante no Termo de Verificação de Infração que em diligência realizada junto à Vale S/A, verificou que em muitos casos, as compras junto à Itabrasco foram escrituradas nos Livros Registro de Entradas do estabelecimento adquirente como aquisições no mercado interno, com CFOP 1.102. No entanto, a constatação da situação descrita anteriormente neste voto, qual seja, a existência de notas fiscais tratadas pela autuada como venda com fim específico de exportação (com informação complementar de remessa com fim de exportação e sem incidência de ICMS) e de notas fiscais tratadas como venda no mercado interno (sem informação complementar e com destaque de ICMS) explica, ao menos em parte, o fato apontado. É que confrontando as cópias dos Livros Registrq de Entradas da Vale S/A (fls. 317/412) com as cópias das notas fiscais de venda emitidas pela Itabrasco (fls. 170/308) observa-se que de todas as operações alegadas pela autuada como de venda com fim específico de exportação, realizadas no período de três anos (janeiro de 2006 a dezembro de 2008), apenas três encontram-se na situação descrita pela fiscalização. São elas as notas fiscais de n°s 0604, 0671 e 0707, emitidas, respectivamente em 31/10/2006, 31/01/2007 e 27/03/2007 (fls. 195, 209 e 2016 e registro em fls. 336, 344 e 346). Todos os demais registros com CFOP 1.102, assinalados nos livros da Vale, se referem às operações assumidas pela empresa como de venda no mercado interno e, portanto, em relação a estas, os registros de entrada dos produtos na Vale foram efetuados com o código correto. Relativamente às aquisições de minério de ferro aglomerado (pelotas) decorrentes de operações alegadas pela autuada como de venda com fim específico de exportação, com exceção das três notas fiscais citadas, todas foram escrituradas corretamente pela Vale S/A com o código 1.501, correspondente à entrada de mercadoria recebida com o fim específico de exportação, apesar do uso indevido do código CFOPjias notas fiscais de venda emitidas pelo contribuinte. O contribuinte também apresenta com a impugnação os Memorandos de Exportação emitidos pela Vale S/A (fls. 671 a 692) demonstrando a vinculação das notas fiscais de venda da Itabrasco com a posterior exportação dos produtos pela Vale. Memorando de exportação é documento exigido pela legislação estadual, criado com o objetivo de estabelecer controle das operações com mercadorias contempladas com a desoneração do ICMS nas vendas de mercado interno com o fim específico de exportação. Esse documento deve ser emitido pelo exportador e entregue ao fabricante/fornecedor acompanhado de uma cópia do Conhecimento de Embarque e do Comprovante de Exportação, do extrato completo do RE (com todos os campos devidamente preenchidos) e da Declaração de Exportação, de acordo com o Convênio ICMS n° 113, de 13/12/96 e alterações. (O referido Convênio foi revogado pelo Convênio ICMS n° 84, de 25/09/09, que entrou em vigor em 29/09/09 com efeitos a partir de 01/11/09). Nos Memorandos de Exportação apresentados pela autuada constam todos os dados relativos à exportação efetuada, destacando-se o número e data do Fl. 804DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.186 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900909/2011-14 Conhecimento de Embarque, o país de destino da mercadoria, dados referentes à nota fiscal emitida pela empresa exportadora, número, data de registro e data de averbação do Registro de Exportação, bem como número e data do Despacho de Exportação. Verifica-se, ainda, que a empresa autuada figura nos Memorandos de Exportação na qualidade de remetente com o fim específico de exportação, sendo possível identificar o número e data das notas fiscais emitidas pela Itabrasco, quantidade da mercadoria adquirida, valor e quantidade exportada no mês. Os memorandos apresentados, portanto, confirmam a vinculação das notas fiscais ali relacionadas com a exportação das mercadorias promovida pela Vale S/A. Constata-se, assim, que todas as vendas contestadas pela autuada como de operação com fim específico de exportação representadas pelas notas fiscais de venda e notas fiscais complementares constam dos Memorandos de Exportação apresentados, comprovando-se, desta forma, a efetiva exportação. Outra irregularidade apontada pela fiscalização se refere ao local de entrega das pelotas de minério de ferro, que, segundo informação fornecida pela Vale S/A por ocasião da diligência realizada, ocorreu no pátio da Itabrasco, local não alfandegado. Para contestar este ponto, a impugnante junta aos autos o Contrato de Venda de Pelotas entre a Itabrasco e a CVRD e aditivos (fls. 644/663). Verifica-se em todos os aditivos firmados a partir de junho de 2002 que a cláusula que estabelece a entrada em vigor e a duração do contrato está sempre vinculada ao embarque dos produtos. Abaixo transcreve-se a cláusula do aditivo n° 4 (fl. 649), referente ao período de janeiro a setembro de 2002, cujos termos se repetem nos posteriores aditivos anexados aos autos: ENTRADA EM VIGOR E DURAÇÃO "5.1 - O presente contrato é válido de 24 de fevereiro de 2000 até 30 de setembro de 2002 e as condições definidas no presente Aditivo retroagem os seus efeitos a Io de janeiro de 2002 e são válidas até o pagamento do último embarque relacionado ao período acima. Por força disso, o presente aditivo substitui e prevalece sobre os termos e condições previamente acordados çntrjé as PARTES através do Aditivo n" 3, datado de 28 de fevereiro de 2002. " Entendo, assim, que os termos do contrato demonstram que o compromisso assumido pelas partes de compra e venda de minério de ferro está condicionado ao embarque dos produtos para o exterior. Ainda que se considere a possibilidade de ocorrência da situação descrita pela autuada na qual as pelotas vendidas transitam pelo estabelecimento da Vale S/A antes de serem encaminhadas para embarque nos navios, tal hipótese não é suficiente para descaracterizar a venda com fim específico de exportação, uma vez que os pátios para estocagem de minério de ferro e pelotas administrados pela Vale S/A é recinto alfandegado, de acordo com o ADE/SRRF07 n" 320 de 14/09/2006. Dessa forma, entendo que as cartas de correção das notas fiscais em conjunto com os Memorandos de Exportação são elementos suficientes para comprovar que as vendas foram efetuadas com o fim específico de exportação. Por esta razão, devem ser excluídos dos lançamentos os valores abaixo relacionados, correspondentes às vendas efetuadas com o fim específico de exportação: Quanto aos créditos referentes aos insumos alegados pela Recorrente, considerando a decisão do STJ no REsp nº 1.221.170/PR, a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF e o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, que confirmou a aplicação dos critérios de essencialidade e relevância para apuração dos créditos do PIS e da COFINS não cumulativos, conforme a sua ementa transcrita abaixo. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Fl. 805DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.186 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.900909/2011-14 Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o "critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço": a.1) "constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço"; a.2) "ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência"; Com estas premissas as despesas administrativas e eventos, publicidade, despesas advocatícias, alimentação, assessoria tributária e financeira e gastos com seguros não estão associados ao processo produtivo da Recorrente e portanto, não podem gerar créditos das contribuições. As despesas referentes a serviços de topografia e projetos de controle ambiental são exigências legais e dentro da visão de essencialidade e relevância para o processo produtivo. Quanto as despesas de refrigeração de equipamentos utilizados no processo produtivo por estarem vinculadas ao processo produtivo, estão aptas a auferir créditos das contribuições não cumulativas. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer que a venda das produtos da Recorrente tiveram como destino a exportação e afastar a glosa referente as despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer que a venda dos produtos da recorrente teve como destino a exportação, e afastar a glosa referente às despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 806DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11853.001130/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41. LEI Nº 8.212/91. MP Nº 449/08. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
O art. 65, I, da MP nº 449/08 revogou o art 41 da Lei n° 8.212/91, não havendo mais fundamento legal para a responsabilização pessoal do dirigente de órgão público pelas infrações a obrigações previdenciárias acessórias, revogação essa que, por conceder ao contribuinte tratamento mais benéfico em relação à multa, deve ser aplicado de forma retroativa, nos termos do art. 106 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Exonerado
Numero da decisão: 2402-007.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatinic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41. LEI Nº 8.212/91. MP Nº 449/08. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. O art. 65, I, da MP nº 449/08 revogou o art 41 da Lei n° 8.212/91, não havendo mais fundamento legal para a responsabilização pessoal do dirigente de órgão público pelas infrações a obrigações previdenciárias acessórias, revogação essa que, por conceder ao contribuinte tratamento mais benéfico em relação à multa, deve ser aplicado de forma retroativa, nos termos do art. 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatinic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 11 30 /2 00 7- 20 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.328 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11853.001130/2007-20 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402-007.323 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 4 de junho de 2019, proferido no âmbito do processo n° 13558.001477/2007-32 - OSIAS ERNESTO LOPES, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402-007.323 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuida o presente de Recurso Voluntário em face de acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. O lançamento, consubstanciado no DEBCAD 37.033.758-1, refere-se a multa pessoal aplicada sobre o Secretário de Administração do município de Itabuna em virtude de ter deixado de declarar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências de 3/2002 a 9/2004, infringindo, assim sendo, o disposto no art. 32, IV, § 5º da Lei 8.212/91. Regularmente impugnado o lançamento, a instância de piso julgou-o procedente, por meio do acórdão assim ementado: Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.328 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11853.001130/2007-20 Em seu recurso voluntário, o recorrente estruturou sua defesa nos seguintes tópicos: I - Ilegitimidade da parte: Prevalência da Lei Nacional. Ausência na Lei Orgânica do município de Itabuna de regra expressa, clara, específica delegando responsabilidades sobre GFIP a secretário municipal. Diretor de Departamento - Natural delegado de funções e encargos. Da jurisprudência no âmbito administrativo. A condição de agente político do secretário municipal - suas conseqüências - responsabilidades. Sobre o Decreto Municipal nº 5.932/01 (art 46) - quanto à responsabilidade do diretor de RH no cumprimento de atividades básicas relativas à legislação de pessoal. II - Da irretroatividade da Lei Processual - aplicação da lei nova - prejuízo ao recorrente - nulidade processual. III - Da satisfação dada à solicitação constante da TIAF. IV - Do caso fortuito ou de força maior. V - Do papel auditorial da secretaria do planejamento e finanças. VI - Do princípio constitucional da proporcionalidade. VII - Da correção das irregularidades dentro do prazo original do decreto nº 3.048/91. VIII - Do entendimento jurisprudencial das cortes judiciais sobre a questão. Mais a frente, em 22.7.09, o recorrente apresentou nova petição, por meio da qual encaminhou outros documentos, bem como passou a sustentar a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/91. É o relatório." Convém salientar que as referências específicas presentes no relatório do acórdão paradigma suso transcrito são exclusivas do Processo Administrativo Fiscal nº 13558.001477/2007-32, não guardando relação com o presente repetitivo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.328 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11853.001130/2007-20 Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira - Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Nesse contexto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2402-007.323 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 4 de junho de 2019, proferido no âmbito do processo n° 13558.001477/2007-32 - OSIAS ERNESTO LOPES, paradigma ao qual o presente processo encontra-se vinculado. Transcreve-se, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelos Conselheiro Maurício Nogueira Righetti, digno Relator da decisão paradigma suso citada, reprise-se, Acórdão nº 2402-007.323 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 4 de junho de 2019. Acórdão nº 2402-007.323 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Conselheiro Maurício Nogueira Righetti - Relator O contribuinte teria tomado ciência do acórdão recorrido em 29.8.08 e apresentou seu Recurso Voluntário, tempestivamente, em 23.9.08. Observados os demais requisitos para admissibilidade, dele passo a conhecer. A multa impingida, de natureza objetiva, tinha espeque, à época, no artigo 41 da Lei 8.212/91, que possuía a seguinte redação: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição Nesse rumo, a considerar que teria havido o descumprimento do dever instrumental determinado pelo artigo 32 da Lei 8.212/91, aplicou-se a multa prevista em seu § 5º. Ocorre que com o posterior advento da Medida Provisória 449/2008, houve a expressa revogação daquele artigo 41 da Lei 8.212/91, revogação esta, mantida pela Lei 11.941/2009, produto de sua conversão. É certo que o ato do lançamento deve-se reportar sempre a lei vigente à época da sua produção. Contudo, há situações em que o próprio CTN, especificamente em seu art. 106, autoriza excepcionalmente que fatos passados sejam regulados pela legislação futura. Vejamos: Art 106 - A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.328 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11853.001130/2007-20 1 - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 11- tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;e quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua Prática Com efeito, forço concluir que não mais subsiste fundamento legal para a exigência da multa à época aplicada. No mesmo sentido, o enunciado da Súmula CARF nº 65, verbis: Súmula CARF nº 65: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para DAR-LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti" Alertamos, uma vez mais, que as referências específicas presentes no voto condutor do acórdão paradigma encimado são exclusivas do Processo Administrativo Fiscal nº 13558.001477/2007-32, não havendo relação com o presente repetitivo, aqui se aplicando, tão somente, a decisão de mérito lá proferida. Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Relator. Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.901498/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 30/09/2005
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO.
No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.955
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/09/2005 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
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PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 14 98 /2 01 2- 69 Fl. 66DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.955 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901498/2012-69 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, transmitido por meio de PER/Dcomp. A DRF de origem indeferiu o pedido, por meio do despacho decisório eletrônico, no qual aponta-se que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito do contribuinte. Devidamente cientificado, o recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade para alegar que teria refeito a apuração do PIS e a Cofins, tendo percebido que teria deixado de apropriar créditos autorizados em lei: Alega que a empresa, adquiriu insumos para revenda com incidência de PIS e Cofins, e promoveu a saída do produtos sujeitos à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins, mas, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das mesmas contribuições que lhe são autorizados conforme determinação do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente para PIS e Cofins, de forma que o registro destes créditos em DACON retifícadora resultou em pagamento indevido ou a maior de PIS e Cofins. Teria retificado o Dacon, mas não a DCTF, com o intuito de evidenciar o valor do pagamento efetuado, quando houvesse o cruzamento dos valores das duas declarações. Concluiu, para requerer a reforma do despacho decisório, com reconhecimento integral do direito creditório. A unidade de origem suscitou a intempestividade da manifestação de inconformidade. Contudo, como o dia 24/12/2012 não seria dia de expediente normal, para a contagem do prazo, a data da ciência deveria constar como 26/12/2012. Deste modo, a manifestação foi considerada tempestiva. Por seu turno, a DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade pelo fato de não haver identificado qualquer documentação contábil que provasse o alegado. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando o direito ao crédito, contudo deixou de juntar qualquer documento que pudesse comprovar o alegado. Fl. 67DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.955 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901498/2012-69 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.936, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13227.901478/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.936): Trata-se de pedido de compensação de créditos tributários desacompanhado de documentos contábeis que sirvam de prova para as alegações. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento contábil ou nota fiscal que pudesse provar ou ao menos trouxesse indícios da veracidade dos argumentos nela trazidos. O Recurso Voluntário também veio desacompanhado de qualquer documento. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. O Recurso Voluntário limitou-se a afirmar que o recolhimento a maior teria decorrido de um "equívoco contábil", elaborando uma planilha das diferenças sem, todavia, provar as alegações. Assim, pelo fato da Recorrente não haver se desincumbido do ônus de produzir em momento oportuno as provas do direito creditório alegado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Isto porque no processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido, sendo que o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 68DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.955 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901498/2012-69 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.907281/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
Numero da decisão: 1201-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que a DRF analise o direito creditório, à luz dos documentos acostados no recurso voluntário, e prolate um novo despacho decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que a DRF analise o direito creditório, à luz dos documentos acostados no recurso voluntário, e prolate um novo despacho decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que a DRF analise o direito creditório, à luz dos documentos acostados no recurso voluntário, e prolate um novo despacho decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 72 81 /2 01 3- 86 Fl. 515DF CARF MF Processo nº 12448.907281/201386 Acórdão n.º 1201002.989 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Despacho Decisório nº 057824282, de 02.08.2013, às fl.7, emitido pela DRFRio de JaneiroI, que não homologou a compensação declarada no Per/dcomp nº 13878.72984.250511.1.7.043834, às fls.2/6, crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior. Transcrevo o relatório anexado ao acórdão nº 1274.639, proferido pela 3ª Turma da DRJ/RJ1, complementandoo ao final com o necessário. Tratase do Despacho Decisório nº 057824282, de 02.08.2013, às fl.7, emitido pela DRFRio de JaneiroI, que não homologou a compensação declarada no Per/dcomp nº 13878.72984.250511.1.7.043834, às fls.2/6, crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior”. 2 No Per/dcomp, o crédito utilizado informado foi de R$ 7.778,73 (darf CSLL2484, no total de R$ 16.427,43, apuração: 31.08.2007 e arrecadação 28.09.2007). 3 Na fundamentação do sobredito ato decisório, lêse que “o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 4 O interessado tomou ciência (por edital) do Despacho Decisório em 26.11.2013 (fls.45/50). 5 Em Manifestação de InconformidadeMI, recebida em 09.09.2013 (fls.10/11), o interessado diz que: a) no período de apuração referido ao darf utilizado, possuía saldo credor de CSLL; b) equivocouse duas vezes: primeiramente, ao declarar em Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF que era devedor de CSLL, e, em seguida, por ter recolhido essa contribuição indevidamente”. 6 O interessado encerra a MI, pedindo “autorização para retificar a DCTF mensal do segundo semestre de 2007” (...), “a fim de que possa exercer o seu direito pleno de compensar o recolhimento efetuado indevidamente da CSLL”. 7 Nesta Turma, foram juntadas as consultas de fls.54/109. A r. DRJ decidiu pela manutenção do despacho decisório em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. DARF INTEGRALMENTE UTILIZADO. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o fato que lhe deu causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 516DF CARF MF Processo nº 12448.907281/201386 Acórdão n.º 1201002.989 S1C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 210222 em que aduz que o crédito compensado se origina de recolhimento a maior de IRPJ e CSL realizado nos períodos de julho, agosto e novembro de 2007. Isto porque teria apurado prejuízo até o mês de maio, somente passando a ter lucros a partir do mês de junho daquele ano, conforme tabela abaixo: Afirma que por equívoco teria recolhido valores a maior que teriam gerado um crédito no valor de R$46.405,39. Aduz ainda que teria deixado de retificar a DCTFs relativas ao período e que a mera ausência dessa retificação não autoriza a autoridade fiscal não homologar as compensações pleiteadas em atenção ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator. O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A Delegacia de origem não homologou a compensação, entendendo que o DARF utilizado como crédito estava alocado a débito de estimativa de IRPJ/CSLL. Desde a manifestação de inconformidade, a ora Recorrente vem alegando que tanto a confissão do débito em DCTF, quanto o seu pagamento, foram indevidos, de modo que requer a “autorização para retificar a DCTF”. A retificação de DCTF era regida à época pela Instrução Normativa RFB n. 1.110/10, que assim dispunha: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 12448.907281/201386 Acórdão n.º 1201002.989 S1C2T1 Fl. 5 4 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (...) § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Ocorre que à época discutiase a possibilidade ou não de retificação da DCTF após a entrega da PER/Dcomp ou até após o despacho decisório, de modo que não havia garantia de que a DCTF poderia ser retificada pela Recorrente. Nesse sentido, somente após a edição do o Parecer Normativo Cosit n. 2/15, é que surge um cenário de maior segurança, uma vez que este estabelece que é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do Per/Dcomp e da ciência do despacho decisório, conforme pode ser observado na ementa abaixo: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da Fl. 518DF CARF MF Processo nº 12448.907281/201386 Acórdão n.º 1201002.989 S1C2T1 Fl. 6 5 compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 Fl. 519DF CARF MF Processo nº 12448.907281/201386 Acórdão n.º 1201002.989 S1C2T1 Fl. 7 6 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. Ainda que a retificação da DCTF para comprovação do pagamento indevido ou a maior não tenha sido feita, tal qual estipula o referido Parecer Normativo, vale ressaltar que a conclusão do Parecer traz a seguinte disposição: 22. Por todo o exposto, concluise: (...) e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; Assim, verificase que no caso concreto a Recorrente estava impedida de fazer a retificação da DCTF, o que não impede que o crédito seja comprovado por outros meios. É importante destacar também que no presente caso se está discutindo o crédito da PER/Dcomp e não o débito da PER/Dcomp. Por mais que o crédito da PER/Dcomp seja decorrente de um débito erroneamente informado na DCTF, entendemos que não se trata de caso idêntico ao julgado no Acórdão nº 9101004.191 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 DCOMP. CANCELAMENTO OU RETIFICAÇÃO DO DÉBITO PELOS ÓRGÃOS JULGADORES, APÓS DECISÃO DA DELEGACIA DE ORIGEM QUE NEGA A HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento ou a retificação de PER/DCOMP, pelo sujeito passivo, somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, que são instrumentos previstos para que os contribuintes questionem a nãohomologação de uma compensação (no sentido de revertêla), não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. O rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972 não se aplica para o cancelamento de débitos informados em PER/DCOMP (em razão de erro cometido pelo contribuinte em suas apurações), assim como não se aplica para o cancelamento de débitos informados em DCTF. As Fl. 520DF CARF MF Processo nº 12448.907281/201386 Acórdão n.º 1201002.989 S1C2T1 Fl. 8 7 Delegacias da Receita Federal tem plena competência para sanar esse tipo de problema. O que não se pode é alargar a competência dos órgãos julgadores, submetidos ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, para que passem a apreciar situações que não lhes devem ser submetidas. (Processo nº 10680.915918/200943. Data da Sessão: 09/05/2019. Relator: Cons. Rafael Vidal de Araújo. Acórdão nº 9101004.191). Tratase de caso de aplicação do artigo 74, §11, da Lei n. 9.430/96, que prevê a aplicação do rito processual do Decreto n. 70.235/72 aos processos de compensação tributária, uma vez que a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (art. 74, §9º, da mesma lei), pretendendo revertêla no âmbito do CARF. Como decorrência, não se trata de caso de incompetência do CARF, visto que no caso analisado na Câmara Superior de Recursos Fiscais, se estava analisando o débito da PER/Dcomp, que também havia sido informado na DCTF. Em outras palavras, não houve em nenhum momento discussão do crédito da PER/Dcomp, de forma que o entendimento manifestado no referido acórdão não deve ser aplicado ao presente caso. No que tange à documentação acostada aos autos por conta da interposição do Recurso Voluntário, cumpre destacar que os argumentos de direito trazidos no referido recurso não são diferentes daqueles apresentados na Manifestação de Inconformidade. Nessa linha, entendo que os documentos trazidos aos autos não se referem a novos argumentos que não tenham sido citados anteriormente, de modo que eles deverão ser aceitos e analisados com fundamento na verdade material para verificação da adequação ou não do direito creditório da Recorrente, independentemente da retificação da DCTF, que embora solicitada desde o início, era impossível no caso concreto. “In casu”, há indícios da existência do crédito, visto que a Recorrente apresentou o Lalur de 2007, DIPJ 2008, DARF de recolhimento, além de balanço patrimonial e DRE do período, no entanto, não houve a retificação da DCTF, de modo que a DCTF possui erro de fato. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório pleiteado à luz dos documentos acostados ao Recurso Voluntário, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 521DF CARF MF Processo nº 12448.907281/201386 Acórdão n.º 1201002.989 S1C2T1 Fl. 9 8 Fl. 522DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920312/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/09/2004
INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.111
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que indeferiu a restituição solicitada por meio de Pedido de Restituição Eletrônico - PER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 03 12 /2 01 2- 41 Fl. 76DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.111 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920312/2012-41 Dito pedido foi indeferido, após análise eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em despacho decisório assinado pelo titular da unidade, apontou-se, como causa do indeferimento do pedido de restituição, o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, o valor correspondente teria sido totalmente utilizado em outra declaração de compensação ou na extinção de outro débito. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, em que relata que o pedido de restituição refere-se a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e/ou Cofins em razão da inclusão do ISS na base de cálculo dessas contribuições. Ao defender a legalidade do crédito pleiteado, argumenta que, de acordo com as Leis instituidoras da contribuição para o PIS e da Cofins, bem como o art. 195 da Constituição Federal vigente, caberia à Receita Federal “reconhecer como base de cálculo para o PIS e a COFINS a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ISS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento. O valor do ISS está embutido no preço dos serviços prestados. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento.” Aduz que a base de cálculo não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Invoca o art. 110 do Código Tributário Nacional, alegando que “há que se atentar, também, para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações. Argumenta que os contribuintes do PIS e da Cofins não faturam ISS, porque tal imposto não é receita da empresa, mas um desembolso que beneficia o Município, o qual detém a competência para cobrá-lo. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que: (i) o ISS compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão; e (ii) inexistiriam nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente. Regularmente cientificada da decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese que o ISS não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme já decidido no RE 574.706 que trata do ICMS, aplicável ao caso sob análise. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.101, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920300/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 77DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.111 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920312/2012-41 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.101): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 24161.20960.061108.1.2.04-0381 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito tem origem no recolhimento indevido da COFINS incidente sobre o ISS. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender (i) que o ISS compõe a base de cálculo da COFINS e (ii) inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Pois bem. A controvérsia está em determinar se é devida a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A matéria já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, o qual, por maioria e nos termos do voto da Relatora, ao apreciar o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins”. A questão, portanto, encontra-se pacificada, de modo que não cabe mais discussão a esse respeito. Tal entendimento, baseado no fato de o ICMS não compor o faturamento, base de cálculo das contribuições, também pode ser aplicado ao ISS, eis que este também não a integra, o que garante a segurança jurídica em relação ao tema. A aplicação da decisão proferida do RE nº 574.706 ao presente caso, foi alvo de decisão proferida no RE 592.616, onde restou decidido por sobrestar o feito até julgamento daquele RE. Neste eito, entendo que razão assiste à Recorrente. Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 78DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.111 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920312/2012-41 V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 79DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii
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