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Numero do processo: 13007.000212/2003-20
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A.
É indevida a compensação de débito com base em decisão judicial que não autorizou o exercício deste direito antes do seu trânsito em julgado.
DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO
PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO.
DESNECESSIDADE.
A DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP nº 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, constitui confissão de dívida.
A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida.
O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada as"
com base nas DCTF.
Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA.
TAXA SELIC
A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua
exigibilidade. Art. 61 da Lei n 2 9.430/96.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial
de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 2 3, do 22 CC).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.106
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, rejeitar a preliminar.
Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos selheiros Gustavo Kelly Alencar e Domingos de Sá Filho.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Processo n° 13007.000212/2003-20 Recurso n° 156.077 Voluntário Acórdão n° 2101 -00.106 — 1* Câmara / 1 Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria DCOMP Recorrente BRASKEM S/A (SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO DE OPP QUÍMICA S/A) Recorrida DRJ em Porto Alegre - RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DCOMP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de débito com base em decisão judicial que não autorizou o exercício deste direito antes do seu trânsito em julgado. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, constitui confissão de dívida. A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n 2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada as" com base nas DCTF. 21-Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP n 2 -.) 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. i . o • Processo n° 13007.000212/2003-20 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.106 Fl. 527 A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n 2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 2 3, do 22 CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / P TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos selheiros Gustavo Kelly Alencar e Domingos de Sá Filho. 111P 10 MARCOS C»À ..1.n D.O Pres' ente"( 14 ab,1,, 1 / NTO 19 I MER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata este processo de Declaração de Compensação apresentada pela OPP QUÍMICA S/A em 10/06/2003, para quitação de débito de IPI, relativo ao período de apuração de 21/05/2003 a 31/05/2003, com crédito presumido de IPI calculado sobre insumos desonerados do imposto, adquiridos no período de 01/04/2003 a 30/04/2003, cujo direito estaria amparado em decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-3/RS. O MS foi impetrado em 06/07/2000 pelas empresas OPP PETROQUÍMICA S/A e OPP POLIETILENOS S/A e o direito declarado pelo TRF da 4 2 Região alcançou os créditos decorrentes dos insumos utilizados na produção nos últimos dez anos, ou seja, no período de 06/07/1990 a 06/07/2000. 2 • Processo n° 13007.00021212003-20 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 528 A DRF em Porto Alegre - RS não homologou a compensação efetuada pela contribuinte, com fundamento no art. 170-A da Lei n 2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN), porque a decisão judicial que daria amparo à utilização dos referidos créditos ainda não havia transitado em julgado. Consta do despacho decisório que a decisão judicial autoriza apenas o creditamento do IPI na escrita fiscal da empresa, para compensação com débitos do próprio IPI, e ainda assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo autorizado a compensação dos créditos passados com outros tributos administrados pela RFB antes do trânsito em julgado da respectiva sentença e nem a utilização de créditos posteriores à data de impetração do mandado de segurança. Irresignada, a BRASKEM S/A, que incorporou a OPP QUÍMICA S/A, a qual, por sua vez, sucedera as impetrantes do mandado de segurança, apresentou manifestação de inconformidade, na qual, após requerer a suspensão da exigibilidade do débito compensado, apresenta as suas razões de defesa, que podem ser assim sintetizadas: - a Receita Federal, ao interpretar a sentença como tendo garantido o direito de aproveitamento, apenas, dos créditos anteriores à impetração do mandado de segurança, incorreu em erro tanto fático quanto jurídico. Erro fático, por inexistir nos autos qualquer negativa do direito em questão, quer na sentença, quer no acórdão do TRF da 4a Região; e erro jurídico, por tal interpretação contrariar a própria natureza do mandado de segurança, que tem por escopo a urgente proteção de direito legítimo do administrado, afastando do mundo jurídico o ato que lhe impede de exercê-lo momentaneamente e no futuro. Ao fundar-se nesta premissa, a decisão estaria viciada de nulidade. Quanto aos efeitos do mandado de segurança e sua natureza, traz à colação ensinamentos da doutrina e precedentes jurisprudenciais; - a existência de decisão transitada em julgado materialmente a seu favor impossibilita a cobrança do crédito tributário, porque a Fazenda Nacional interpôs agravo regimental, recorrendo apenas parcialmente da decisão monocrática do STF, que não conheceu de seu recurso extraordinário, não atacando o mérito integral das decisões favoráveis à empresa, limitando-se a rediscutir o direito ao crédito na aquisição de insumos não-tributados (NT), a incidência de correção monetária e a definição da alíquota aplicável na apuração dos créditos objeto da lide. Em razão disso, entende que o direito ao creditamento relativo aos insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero já é matéria decidida, não sendo mais passível de reforma. Reforça seu entendimento através da exposição de ensinamentos doutrinários e em disposições legais sobre a coisa julgada; - a aplicação do art. 170-A do CTN, acrescido pela Lei Complementar n2 104/2001, aplica-se exclusivamente às ações judiciais impetradas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, não atingindo o mandado de segurança por ela impetrado, que é anterior. Este entendimento está de acordo com a jurisprudência do STJ, conforme julgados que apresenta; - obsta, igualmente, a incidência do art. 170-A do CTN sobre o caso em foco, o fato de este dispositivo ter surgido quando já existia decisão judicial, cujo teor não pode ser modificado por norma superveniente. Entender de outra forma implicaria em outorgar eficácia retroativa a essa norma, em desacordo com o sistema jurídico pátrio, que consagra o princípio da irretroatividade normativa, admitindo-a em hipóteses pontuais, como a das leis meramente interpretativas, que não é o caso. Apresenta excerto doutrinário nesse sentido; LÂ, 3 • • Processo n° 13007.000212/2003-20 S2-CI TI Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 529 - a autoridade administrativa não pode modificar a decisão judicial ou agregar comandos nela não contidos, já que inexiste na sentença previsão de aplicação do art. 170-A do CTN, conforme disposições dos arts. 468 e 469 do CPC e posicionamentos da doutrina que traz à colação; - somente o competente recurso à autoridade de superior grau hierárquico, no caso, o TRF da 4' Região, poderia desconstituir, reformar ou anular a decisão de l instância, poder este vedado à via administrativa; - a execução provisória da sentença que conceder o mandado não comporta recurso com efeito suspensivo, conforme jurisprudência do STJ e doutrina que cita, realçando que a pretensão da Fazenda Nacional, de suspender a compensação imediata dos créditos, foi duplamente denegada nos recursos por ela interpostos; - os pareceres lavrados, a seu pedido, pelos professores Arruda Alvim, Eduardo Arruda Alvim, Ovídio Baptista e Roque Antônio Carrazza ratificam seu entendimento sobre a matéria em discussão, reconhecendo a autorização para imediata compensação dos créditos, a não aplicação do art. 170-A do CTN ao caso e a ocorrência do trânsito em julgado material; - o direito de aproveitamento dos créditos sobre os insumos desonerados decorre do principio constitucional da não-cumulatividade, que emerge do § 3° do art. 153 da CF/88. A não permissão do direito ao crédito decorrente da aquisição de insumos isentos, não- tributados ou tributados à aliquota zero desnaturaria a exoneração tributária intentada, pois na saída do produto tributado ao qual se incorporam, a exação incidiria sobre o valor dos ditos insumos, anulando-a. Ampara seus argumentos nas lições de diversos doutrinadores pátrios e cita a posição do STF, dizendo que está pacificada naquela corte jurisprudência que reconhece o direito ao crédito em relação aos insumos isentos e sujeitos à aliquota zero. Tal orientação do pretório excelso deve ser seguida pela SRF, por força do disposto no art. I° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, cujo teor transcreve. Pugna, ainda, pelo expurgo da multa de mora e dos juros de mora, reafirmando que todas as decisões proferidas no processo judicial, garantindo o seu direito ao aproveitamento dos créditos pleiteados, não foram objeto de reforma, encontrando-se em pleno vigor até a presente data. Assim, por estar amparada em provimento judicial, aduz que não poderia ser considerada em mora, reproduzindo dispositivos do Código Civil e excertos doutrinários a respeito desse instituto. Afirma, ainda, que a sentença suspendeu a exigibilidade dos tributos na mesma medida em que reconheceu o direito aos créditos do IPI, reproduzindo o capta e § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430/96 e citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STF. Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, a reforma do despacho decisório e o cancelamento das cartas de cobrança. A DRJ em Porto Alegre — RS manteve a não-homologação da compensação e a cobrança dos débitos indevidamente compensados, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. • Processo n° 13007.000212/2003-20 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.106 F1.530 MANDADO DE SEGURANÇA. DENEGAÇÃO. Denegada a segurança quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de matérias-primas isentas, não-tributadas ou sujeitas à aliquota zero, posteriormente ao ajuizamento da ação, mão há provimento judicial para sua utilização. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. TRÂNSITO EM JULGADO A compensação como forma de extinção do crédito tributário exige que os créditos apurados pelo sujeito passivo gozem de certeza e liquidez. Em se tratando de créditos decorrentes de ação judicial, há necessidade do trânsito em julgado e da liquidação da decisão que os reconheceu. ACRÉSCIMOS MOR/In:MIOS. A exigência da multa de mora e dos juros morou:idos decorre de expressa disposição legal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornando-se nela definitiva. Solicitação Indeferida". No recurso voluntário, a empresa repisa as mesmas razões de defesa, acrescentando que houve equívoco do órgão julgador de primeiro grau, porque, mesmo estando vinculado ao Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional que reconhecera o direito às compensações, ignorou-o por completo. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido, para o fim de homologar as compensações, cancelando-se, por conseguinte, as cartas de cobrança dos débitos compensados. Com relação ao último pedido, a empresa argüiu perante este Colegiado, após a apresentação do recurso voluntário, como questão de ordem pública, que a cobrança intentada pela DRF é indevida, porque as declarações de compensação apresentadas antes de 31/10/2003 não constituíam confissão de dívida, a teor do disposto na Lei n 2 10.833, de 2003. No presente caso, acrescenta, também não houve confissão da dívida nas DCTF, porque nelas os débitos foram quitados por compensação, não sendo declarado qualquer valor a título de saldo a pagar. Defende que nestas declarações só o saldo a pagar constitui confissão de dívida, de modo que o Fisco, se quisesse cobrar os referidos débitos, deveria ter providenciado o competente lançamento de oficio. Sem este, conclui que a compensação deve ser homologada e os débitos extintos, tendo em vista que já se operou a decadência quanto à possibilidade de lavratura do auto de infração. iÉ o relatórjio. e i --){1 5 Processo n° 13007.00021212003-20 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 531 Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. Antes de adentrar na análise de mérito, convém esclarecer que a ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante, a OPP PETROQUÍMICA S/A. Além da alegação de que o parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional lhe teria sido favorável, as questões em litígio, necessárias e suficientes para a formação do convencimento deste julgador, são as seguintes: (1) existência de decisão transitada em julgado materialmente, favorável à recorrente; (2) erro da Receita Federal ao afirmar que o pedido teria sido negado para o futuro; (3) inaplicabilidade do art. 170-A do CTN ao presente caso; (4) impossibilidade de exigência de multa de mora e dos juros de mora, uma vez que a conduta da recorrente teria sido pautada em expressa determinação judicial e inconstitucionalidade da cobrança de juros com base na taxa Selic; e (5) necessidade de lançamento dos débitos indevidamente compensados para viabilizar a sua cobrança administrativa ou judicial. 1 — Da inexistência de trânsito em julgado material da sentença As empresas sucedidas pela recorrente requereram ao judiciário, em 06/07/2000, o direito de aproveitamento do IPI apurado com base nas alíquotas de saída, relativamente às entradas dos últimos dez anos e posteriores ao ajuizamento da ação, para compensação com débitos de IPI e outros tributos administrados pela SRF. Pediram também que a SRF fosse obstada de autuá-las pelo aproveitamento dos referidos créditos e de negar- lhes CND, bem como que os créditos fossem atualizados monetariamente, com a inclusão dos expurgos inflacionários. A liminar foi indeferida e o direito reconhecido por sentença, proferida em 23/10/2000 e juntada aos autos, foi o de aproveitamento dos créditos dos últimos cinco anos, para abatimento do IPI devido pelas saídas de seus produtos tributados, atualizados monetariamente pela Ufir até 31/12/1995 e pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996. As impetrantes apelaram do prazo decadencial, do indeferimento do direito de compensação com outros tributos e da não obstrução dos atos fiscalizatótios da SRF. A Fazenda Nacional apelou requerendo o recebimento do recurso com efeito suspensivo e a cassação da segurança concedida por afronta à Constituição, como já defendera na contestação. O Tribunal Regional Federal da 4±1. Região, em decisão prolatada em 21/03/2002 e juntada aos autos, deu provimento parcial às apelações, declarando o direito ao creditamento do IPI relativo aos insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores li ç 6 Processo n° 13007.000212/2003-20 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 532 ao ajuizamento, com correção monetária integral, conforme precedentes do tribunal, aplicando-se, a partir de 1 2/01/1996, unicamente a taxa Selic. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso extraordinário, o qual, inicialmente, teve o seu seguimento negado por decisão monocrática, depois tornada insubsistente pela Primeira Turma do STF, conforme demonstra a decisão publicada no DJE em 07/02/2008, verbis: "Decisão: Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário para que o extraordinário tenha regular seqüência, declarando insubsistente o ato atacado mediante o agravo; vencidos os Ministros Sydney Sanches, que o desprovia e o Ministro Carlos Britto, que lhe dava parcial provimento em sentido diverso. Não participou, justificadamente, deste julgamento a Ministra Cármen Lúcia. I°. Turma, 11.12.2007." No recurso extraordinário (RE n2 363.777), a União requer seja declarado inviável o creditamento de IPI sobre os insumos de aliquota zero e os não-tributados, bem como seja vetada a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. O referido recurso ainda não foi apreciado pelo STF, porém o Egrégio Tribunal deve decidi-lo na mesma linha de suas últimas decisões, sintetizada na ementa do RE n2 370.682, julgado em 25/06/2007, assim redigida: "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI Crédito Presumido. Insumos sujeitos à aliquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não-cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IP! para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à aliquota zero." (grifos acrescidos) A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao analisar a alegação de que teria ocorrido o trânsito em julgado material, concluiu que teria ocorrido o fenômeno em favor do Fisco e não da empresa, com relação aos insumos adquiridos depois da impetração do mandado de segurança e quanto ao pedido de compensação com tributos de outra natureza. Neste contexto, só se poderia falar em coisa julgada material em favor das impetrantes com relação à aquisição de insumos isentos, adquiridos nos dez anos anteriores à impetração, fato que não tem qualquer implicação no caso tratado nos presente autos, pois há informação de que as impetrantes não se utilizavam de insumos isentos. Portanto, resta incontroverso que a sentença proferida em primeira instância, que foi parcialmente reformulada pelo TRF da 42 Região, ao contrário do que defende a recorrente, encontra-se ainda sem trânsito em julgado, quer formal, quer material, no que pertine aos créditos decorrentes de insumos de aliquota zero e não-tributados. 2— Da inexistência de erro de interpretação na decisão recorrida Na primeira parte dispositiva da sentença, o juiz disse, taxativamente: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de 7 e • Processo n° 13007.000212/2003-20 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 533 aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou . tributadas com alíquota zero de 1P1 conto abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo." (destaquei) e, na segunda parte, declarou: "O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UF1R, até 31/12/1995, e daí até o efetivo aproveitamento segundo o § 4", do art. 39, da L 9.250/1995." Não há outro aproveitamento mencionado, senão aquele constante da primeira parte do dispositivo, não havendo como "interpretar" a sentença de outra forma. Se houve inconformismo, se a sentença foi parcial, deveria a interessada apelar do resultado que lhe foi desfavorável. Não houve, pois, interpretação errônea da decisão judicial por parte da autoridade fiscal, e nem pelo órgão julgador de primeira instância, quanto ao fato de o direito reconhecido por sentença, após a decisão do TRF, estar limitado ao creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, pelas saídas dos produtos fabricados pelas impetrantes. 3 - Da limitação à compensação imposta pelo art. 170-A do CTN Se a decisão judicial só autorizou o creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, qualquer outra forma de compensação dos referidos créditos submete-se às normas que regem a compensação administrativa, ou seja, às Instruções Normativas SRF n2s 21/77, 33/99 e 210/2002. As normas citadas não autorizam a compensação de créditos decorrentes de decisão judicial, antes do seu trânsito em julgado, sendo patente a incidência, no caso, da limitação imposta pelo art. 170-A do CTN, verbis: "Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judiciat (Artigo incluído pela Lcp n°104, de I0.1.2001)" Não resta dúvida de que a compensação dos créditos fictos de IPI, sob outra forma que não a do creditamento no livro de apuração, para abatimento dos débitos do próprio imposto, não encontra qualquer respaldo legal ou judicial. Conseqüentemente, não merece qualquer reparo a decisão recorrida, quando decidiu pela não-homologação das compensações dos créditos fictos com débitos do próprio IPI, intentadas fora do livro de apuração, via DCTF ou Dcomp. 4 — Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic 3?"-A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n2 9.430/96, que assim estabelece, verbis: , ,.1 . • Processo n° 13007.000212/2003-20 S2-CITI Acórdão n.° 2101 -00.106 Fl. 534 "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do art. 5", a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." A multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento se deu por culpa ou por força maior. Ocorrendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também o é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a alegação de inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição dos enunciados das Súmulas n 2s 2 e 3, que têm o seguinte teor: "Súmula nst 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade tk legislação tributária." "Súmula n1 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais." Portanto, o débito indevidamente compensado deve ser exigido com os consectários legais, expressamente previstos em lei. 5 - Da alegação de que os débitos não podem ser cobrados sem lançamento de oficio Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de divida, porque apresentada antes da vigência da MP 135/2003, depois convertida na Lei ri? 10.833/2003.Alega, também, que a confissão de divida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a titulo de saldo a pagar. • Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevi amente compensado, só poderá ser cobrado por meio de 9 • Processo n° 13007.000212/2003-20 S2-C IT I Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 535 auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de divida, apta a permitir a cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 6 2 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: "§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de dívida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de divida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido débito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. 3;1 10 • Processo e 13007.00021212003-20 S2-CI T I Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 536 Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. Entende a recorrente que a confissão de dívida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tornaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, dei 3/06/1984, verbis: "Art. 5" O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1" O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2" Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 1" do artigo 7" do Decreto-lei n" 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da divida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de uma simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confirmado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 2 e parágrafo único da Instrução Normativa n 2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa n2 14, de 14/02/2000, verbis: "Art. I' Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas fisicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União. II n • Processo n° 13007.000212/2003-20 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 537 Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF n"s 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n" 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." - Veja-se que a instrução normativa não - fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O que se diz é que o saldo a pagar é, em princípio (caput do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco. A norma do Fisco não trata de confissão de dívida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O capta do art. 1 2 da IN SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em divida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em dívida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. I. É pacífico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de procederá constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado çi compensação nesse mesmo documento, 12 LA1 Processo n°13007.000212/2003-20 S2-CIT I Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. $38 também é pacifico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em dívida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscaL 3. lnexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4. Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON. DJe 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. I. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento específico (DCTF, GIA, GFIP e congêneres), a dívida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; b) declarada a compensação por intermédio de instrumento especifico, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição resohttória), sendo devida a certidão negativa; L c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em dívida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em dívida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN. 3. Recurso especial não provido." is 13 Processo n° 13007.000212/2003-20 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 539 Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4 a Região, ofendera ao art. 50, § 1°, do Decreto- lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tornando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da dívida tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão relativa ao segundo caso acima referido: "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. 1. A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. II, do Código Tributário Nacional e 74, § 2", da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos notícia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3.Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de divida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela 9?-Secretaria da Receita FederaL" J,() 5 14 Processo n° 13007.00021212003-20 S2-CI TI • Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 540 Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n 2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art.18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6 2 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2" do art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, conforme o caso. O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n 2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a 11 no art. 74 da Lei n 2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: 9 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § ‘0"--apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 5 29.12.2003) j\j' 15 Processo n° 13007.00021212003-20 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 541 § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluido pela Lei n°10.833. de 29.12.2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 92 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto na 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei na 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003)" De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de dívida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n2 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9° a 11 do Decreto n° 70235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: " Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vicio de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação tornar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 • do Decreto n° 70.235/72. j, 16 Processo n° 13007.000212/2003-20 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.106 Fl. 542 V 6— Das demais alegações do recurso voluntário Alega a recorrente que o direito de aproveitamento dos créditos fictos seria decorrência lógica do princípio constitucional da não-cumulatividade. Mas este é exatamente o fimdamento jurídico em que se apóia o mandado de segurança impetrado pelas empresas OPP POLIETILENOS S/A e OPP PETROQUÍMICA S/A. A opção pela discussão na via judicial obsta a apreciação da mesma matéria na via administrativa, consoante a Súmula n2 I deste Segundo Conselho, redigida nos seguintes termos: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." De nada adianta, portanto, a alegação da recorrente de que o mérito do direito ao crédito de IPI é decorrência lógica do princípio da não-cumulatividade, conforme já decidiu o STF, porque esta matéria não será objeto de apreciação por parte deste Colegiado. Pugna a recorrente pelo acolhimento dos pareceres emitidos por professores e doutrinadores de escol, como suporte à sua defesa. No entanto, nada do que neles se contém é capaz de ilidir as conclusões a que se chegou no presente voto. Também não assiste razão à recorrente quando aduz que a Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional teria reconhecido o seu direito de realizar as compensações, até porque, após a vigência da Lei Complementar n2 104/2001, que introduziu o art. 170-A no CTN, o art. 12 da Lei n2 1.533/51, que rege o mandado de segurança, não mais prevalece em matéria tributária. Conclusão Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. 9:f Sala ias Ses s, em 07 de maio de 2009. is .n. ER 17 Page 1 _0066300.PDF Page 1 _0066400.PDF Page 1 _0066500.PDF Page 1 _0066600.PDF Page 1 _0066700.PDF Page 1 _0066800.PDF Page 1 _0066900.PDF Page 1 _0067000.PDF Page 1 _0067100.PDF Page 1 _0067200.PDF Page 1 _0067300.PDF Page 1 _0067400.PDF Page 1 _0067500.PDF Page 1 _0067600.PDF Page 1 _0067700.PDF Page 1 _0067800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.726696/2017-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊMCIA OFICIAL. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IRRF.
Declaração inexata de rendimentos recebidos. Lançamento da diferença de imposto em razão da omissão de rendimentos por informação incorreta na declaração de ajuste anual.
Dedução indevida de valores não comprovados de previdência oficial e imposto de renda retido na fonte sem que tenha sido apresentado prova suficiente.
PEDIDO DE ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Necessária a devida fundamentação fática e/ou legal de vício ou erro que justifique a anulação de lançamento.
Numero da decisão: 2001-001.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊMCIA OFICIAL. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IRRF. Declaração inexata de rendimentos recebidos. Lançamento da diferença de imposto em razão da omissão de rendimentos por informação incorreta na declaração de ajuste anual. Dedução indevida de valores não comprovados de previdência oficial e imposto de renda retido na fonte sem que tenha sido apresentado prova suficiente. PEDIDO DE ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. Necessária a devida fundamentação fática e/ou legal de vício ou erro que justifique a anulação de lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 96 /2 01 7- 24 Fl. 84DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável ao contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, Omissão de Rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, dedução indevida de previdência oficial e compensação indevida de IRRF. O Lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 16.748,84, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e, juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura, o fato de que o Recorrente omitiu rendimentos na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda e efetuou deduções de previdência e imposto na fonte indevidamente. A constituição do Acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à omissão de rendimentos e informação incorretas na declaração de ajuste anual em desatendimento à legislação tributária, como segue: Tratase de Notificação de Lançamento (NL) para constituição do crédito tributário correspondente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF), relativo ao anocalendário de 2012, no valor de R$ 37.408,53, incluídos os acréscimos legais, calculados até 31/07/2017. É imperioso ressaltar que o lançamento ora sob julgamento diz respeito a rendimentos recebidos acumuladamente pelo sujeito passivo, no anocalendário de 2012, referente ao processo judicial nº 0017300.13.2009.5.05.0028, movido contra a Previ Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, CNPJ nº 33.754.482/000124, para revisão de benefício. A conforme consta nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, a Previ é uma entidade de Previdência Complementar Fechada. Primeiramente analisemos o disposto na legislação norte do procedimento (Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). (...) Em atenção ao disposto no parágrafo 9o do art. 12A da Lei nº 7.713/1988, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB nº 1127, de 07 de fevereiro de 2011, Publicada no DOU de 08/02/2011. (...) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.726696/201724 Acórdão n.º 2001001.130 S2C0T1 Fl. 85 3 Visto a vedação constante na legislação, os rendimentos recebidos através de ação judicial, movida contra a Previ Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (entidade Previdência Complementar), não poderiam ter sido informados na DAA do anocalendário 2012 como RRA com opção de tributação exclusivamente na fonte (parágrafo 3º do art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 1127, de 2011). Tais rendimentos deveriam ter sido integrados aos demais rendimentos tributáveis, sujeitos à tabela progressiva, recebidos pelo sujeito passivo no anocalendário 2012. Neste processo, não há falar em nulidade, visto que todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da constituição do crédito tributário. Também, as nulidades que podem afetar o processo administrativo estão insertas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de1972, nas quais não se enquadra o lançamento ora questionado. Vejase: (...) É imperioso ressaltar que o lançamento ora sob julgamento é resultado de um procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cuja atividade é vinculada e obrigatória, conforme dispõe a legislação tributária (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). Assim, notase que não se trata de simples procedimento administrativo interno para tributar, conforme alega o sujeito passivo. Também, não há falar em prevalência do ato de lançamento sobre a legislação, bem como sobre a decisão judicial, visto que o procedimento foi pautado em determinação legal, conforme explicitado na Notificação Fiscal – Enquadramento Legal (fls. 39, 40, 42, 44 e 46). De acordo com o art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, a multa de ofício aplicase nos seguintes casos, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Portanto, uma vez formalizada a exigência de um crédito tributário, é exigível a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, e parágrafo 3º, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, independentemente da intenção dolosa do agente ou de estar caracterizada uma suposta má fé. Não há reparo a ser feito nos cálculos da multa de ofício aplicada pela Autoridade Fiscal, pois o valor lançado corresponde a 75% do Fl. 86DF CARF MF 4 imposto suplementar apurado, nos termos da legislação acima transcrita. Desta forma, será mantida a multa de ofício. A Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, parágrafo 3º, determina inequivocamente que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora calculados à taxa SELIC a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a Autoridade Fiscal, bem como a Julgadora, não podem afastar a aplicação de disposição legal, que no caso, dispõe a respeito da exigência de juros de mora sobre o imposto apurado (CTN, art. 142, caput e parágrafo único). No lançamento ora sob julgamento não houve aplicação de Multa de Mora, e sim, Multa de Oficio e Juros de Mora, conforme explicitado no Demonstrativo do Crédito Tributário (fl. 39). Observese que, em se tratando de matéria tributária, não importa se a pessoa física cometeu a infração à legislação por boafé, ou ainda, se tal fato aconteceu por puro descuido ou desconhecimento, visto que a responsabilidade tributária por infrações operase objetivamente, independente da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN). Incabível, pois, no caso, exame da boafé do sujeito passivo. Afigurase incabível a retificação da declaração apresentada e que gerou o lançamento, quando não atendidos os pressupostos da legislação norte do lançamento. De acordo com o disposto no art. 832 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é permitida mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento. Por todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário. Assim, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 16.748,84, acrescido de multa e juros nos termos da legislação tributária, referente à omissão de rendimentos no ano calendário de 2012. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Preliminarmente, aduz que o procedimento de revisão não observou o que determina o comando judicial do MM. Juízo da 28ª Vara do Trabalho de Salvador (Processo nº 001730013.2009.5.05.0028), nem, principalmente, o que determina o Art. 12A da Lei nº 7.713, de Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.726696/201724 Acórdão n.º 2001001.130 S2C0T1 Fl. 86 5 22 de dezembro de 1988 e a Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014, razão pela qual o lançamento efetuado é indevido. Não há que se falar em “Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrente de Ação Trabalhista”, como consta no relatório da presente notificação, visto que todos os rendimentos recebidos foram devidamente declarados pelo requerente. A Declaração de Ajuste Anual nº 15.89.60.29.9005, entregue em 02/04/2013, referente ao Exercício 2013, AnoCalendário 2012, foi preenchida conforme as instruções contidas no Manual de Instruções de Preenchimento, que acompanha o programa de declaração disponibilizado na Internet pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ademais, toda a análise do mérito foi baseada em norma já revogada, conforme consta às fls. 62 do relatório (Acórdão nº 1544019). A Instrução Normativa RFB nº 1558, de 31 de março de 2015, alterou o quanto disposto na Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014. Os rendimentos auferidos são decorrentes de Ação de Revisão do Benefício Previdenciário, e foram declarados no campo “Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA”, conforme determinado no Manual de Instrução de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual da SRFB. A Turma Julgadora não considerou a alteração sofrida na legislação, sendo este o motivo que fundamenta o presente recurso. A Instrução Normativa RFB nº 1558, de 31 de março de 2015, alterou a Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014 que dispõe: (...) Destarte, a própria RFB reconheceu a cobrança indevida quando alterou o disposto no § 3º, do Art. 36, da Instrução Normativa RFB nº 1500, e 29 de outubro de 2014, extinguindo, desta forma, a vedação existente na legislação no que diz respeito aos rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar. Tendo em vista que o Acórdão nº 1544019 foi baseado em norma já revogada, e que os rendimentos recebidos foram devidamente declarados o campo “Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA” pelo contribuinte, requer o devido cancelamento do débito tributário. Ressaltese que o Imposto de Renda devido foi calculado conforme estabelecido no Art. 12A, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, e homologado pelo MM. Juízo da 28ª Vara do Trabalho de Salvador (Processo nº 00173002009.5.05.0028). Portanto, a RFB não pode pretender ultrapassar os limites da legislação em vigor e de decisão do poder judiciário, tributando de maneira diversa rendimentos que a lei e a Instrução Normativa da Fl. 88DF CARF MF 6 própria Receita estabelecem expressamente que devem ser tributados exclusivamente na fonte. (...) Por fim, embora já informado, vale esclarecer que a quantia recebida em decorrência do Processo nº 00173002009.5.05.0028 corresponde às diferenças acumuladas de rendimentos recebidos da Previ – Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, no período de fevereiro de 2004 a julho de 2011, mais 07 (sete) décimos terceiros salários, ou seja 97 (noventa e sete) meses, restando claro, portanto, que se encaixam perfeitamente nas hipóteses do art. 12A da Lei 7.713/1988 e do art. 36 da IN?RFB 1500/2014. Diante do exposto, demonstrada a ilegalidade do lançamento tributário em questão, sobretudo por estar em evidente desconformidade com a legislação vigente e as Instruções Normativas da própria Receita Federal, REQUER a esta Turma Recursal que seja conhecido e acolhido o presente recurso, para o fim de reformar o acórdão proferido nos autos do processo em epígrafe, reconhecendo a improcedência do lançamento tributário e determinando o se cancelamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO O Recorrente alega em sua defesa que deve ser considerada a nulidade do Lançamento porque o procedimento de revisão fiscal não observou o que determinou a Justiça do Trabalho e o que determina o art. 12ª da Lei nº 7.713/88 e a INRFB nº 1.500/14, razão porque o Lançamento efetuado seria indevido. As alegações tratam de Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA, caso em que não se enquadram os recebimentos do Contribuinte. Há exclusão expressa de recebimentos provenientes de entidades de previdência privada nesta sistemática de apuração do imposto, o que não foi observado pelo Contribuinte. As alegações são genéricas e desprovidas de sustentabilidade legal ao não apontar objetivamente nenhum vício ou erro que por ventura tivesse ocorrido na feitura do Lançamento. Assim sendo, razão não há para nulidade do Lançamento. DA MULTA DE 75% Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10580.726696/201724 Acórdão n.º 2001001.130 S2C0T1 Fl. 87 7 Improcedente a alegação de que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% teria caráter confiscatório porque prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, e inciso I, do art. 957, do Decreto nº 3.000/99, e não ofende qualquer dispositivo constitucional tributário. Ressaltese tratar de matéria pacificada neste Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula 2, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA TAXA SELIC Improcedente a contestação da aplicação da taxa SELIC como juros moratórios aplicáveis ao crédito tributário, porque prevista na legislação. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, improcedentes as alegações contra a aplicação da multa e taxa Selic sobre o crédito tributário porque amparadas na legislação tributária. DO MÉRITO O Recorrente preencheu a sua Declaração de Ajuste Anual de forma equivocada de modo que promoveu descumprimento da legislação tributária, especialmente no que se refere a fazer constar os valores recebidos por ação judicial da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil o valor de R$ 76.417,99, no quadro “Rendimentos Tributáveis de Pessoa jurídica Recebidos Acumuladamente pelo Titular”, com o correspondente IRRF no valor de 192,29, fl. 29 dos autos. Na verdade, em cumprimento a legislação o referido valor deveria ser informado no quadro “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica pelo Titular” na DAA, para o cálculo automático do imposto devido, abatendose o imposto de renda retido informado pela fonte pagadora. Esse procedimento incorreto efetuado pelo Recorrente levou ao resultado da omissão de rendimentos por não oferecimento à tributação do valor correspondente ao ganho na ação judicial providenciada pelo Contribuinte. Fl. 90DF CARF MF 8 Por sua vez, a Fiscalização após análise e revisão dos procedimentos efetuados pelo Recorrente em sua DAA, procedeu a correção dos valores com base nas disposições legais tributárias, concluindo pela definição do valor da omissão, no texto que segue, fl. 59: O valor lançado se refere a rendimento da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, por meio do processo judicial nº 001730013.2009.5.05.0028. Esclarecemos que os rendimentos pagos por Entidades de Previdência Privada não podem ser lançados no campo Rendimentos Recebidos Acumuladamente – com fundamento no parágrafo 3º, art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014, devendo ser incluídos no campo Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica. Valor Bruto; R$ 76.417,99 – honorários advocatícios R$ 15.513,12. Valor a tributar R$ 60.904,87. O Agente Fiscal também concluiu como indevida a dedução de previdência oficial no valor de R$ 1.373,54 e do imposto de renda retido na fonte de R$ 192,29, sobre rendimentos recebidos acumuladamente, nos seguintes textos, fl. 59: O valor declarado se refere à incidência sobre rendimentos de ação judicial da Caixa de Previdência dos Funcionários do Bando do Brasil. Esclarecemos que os rendimentos pagos por Entidades de Previdência Privada não podem ser lançados neste campo – Rendimentos Recebidos Acumuladamente – com fundamento no parágrafo 3], art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014, devendo ser incluídos no campo Rendimento Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos declarados como recebidos acumuladamente, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 192,29, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. A Lei nº 7.713/1988, que dispõe sobre a tributação referente a Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA estabelece em seu art. 12A, § 9º que a Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. Em atenção ao disposto no parágrafo 9o do art. 12A da Lei nº 7.713/1988, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB nº 1127, de 07 de fevereiro de 2011, fazendo constar no art. 2º, o § 3º, com o seguinte teor: § 3º O disposto no caput não se aplica aos rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar. Posteriormente, a Instrução Normativa RFB nº 1127, de 2011, foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, que manteve o referido dispositivo, nos mesmos termos, no art. 36, § 3º, da IN substitutiva. O Lançamento em discussão neste processo referese ao anocalendário de 2012, portanto, em pleno período de vigência da IN nº 1127/2011, que mantinha a exclusão dos pagamentos realizados por entidades de previdência complementar nos dispositivos do art. 12A da Lei nº 7.713/1988. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10580.726696/201724 Acórdão n.º 2001001.130 S2C0T1 Fl. 88 9 Assim que, no exame do processo constatase a omissão de rendimentos e preenchimento incorreto da Declaração de Ajuste Anual do Anocalendário de 2012, pelas razões expostas na decisão de piso, conforme conclusão do voto constante do Acórdão vergastado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendo a exigência do crédito tributário referente a imposto suplementar apontado no Lançamento no valor de R$, 16.748.84, nos termos da decisão da DRJ. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 18050.001343/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1995 a 30/04/1998
DECISÃO DEFINITIVA. ÓRGÃO COLEGIADO QUE ADMINISTRAVA O TRIBUTO. REAPRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
O julgamento em outros órgãos da administração federal far-se-á de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972.
Existindo decisão definitiva exarada por órgão colegiado da administração federal que administra o tributo, falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para rediscuti-la, pois não cabe a este atuar como instância revisora das decisões exaradas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS).
RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVIMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF 8. ART. 173, I, DO CTN. OCORRÊNCIA. MÉRITO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. INEXISTÊNCIA.
Transcorrido o lapso quinquenal previsto no art. 173, I, do CTN, resta caracterizado o advento da decadência.
Afastada no lançamento substituído, por decisão de mérito exarada por órgão de segunda instância responsável pelo julgamento (CRPS), a materialidade da hipótese de incidência tributária, consubstanciada, no caso concreto, na inexistência de cessão de mão de obra, não há que se falar de lançamento substituto com o mesmo objeto e relativo ao mesmo período de apuração.
Numero da decisão: 2402-006.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que manifestou intenção de fazer declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ÓRGÃO COLEGIADO QUE ADMINISTRAVA O TRIBUTO. REAPRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento em outros órgãos da administração federal farseá de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972. Existindo decisão definitiva exarada por órgão colegiado da administração federal que administra o tributo, falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para rediscutila, pois não cabe a este atuar como instância revisora das decisões exaradas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVIMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF 8. ART. 173, I, DO CTN. OCORRÊNCIA. MÉRITO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. INEXISTÊNCIA. Transcorrido o lapso quinquenal previsto no art. 173, I, do CTN, resta caracterizado o advento da decadência. Afastada no lançamento substituído, por decisão de mérito exarada por órgão de segunda instância responsável pelo julgamento (CRPS), a materialidade da hipótese de incidência tributária, consubstanciada, no caso concreto, na inexistência de cessão de mão de obra, não há que se falar de lançamento substituto com o mesmo objeto e relativo ao mesmo período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 13 43 /2 00 8- 27 Fl. 530DF CARF MF Processo nº 18050.001343/200827 Acórdão n.º 2402006.970 S2C4T2 Fl. 531 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que manifestou intenção de fazer declaração de voto. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 373/419) em face do Acórdão n. 15 16.324 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador (BA) DRJ/SDR efls. 353/364 que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 37.054.6857 consolidado e constituído em 30/01/2007 no valor total de R$ 9.422,18 Competências: 10/1995 a 04/1998 (efls. 03/83), com fulcro nas contribuições sociais devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 20 e 22, I, da Lei n. 8.212/91, e naquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT/GIILRAT), nos termos do art. 22, II, da Lei n. 8.212/91, todas decorrentes do instituto da responsabilidade tributária, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 143/179. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 143/179), a NFLD DEBCAD n. 37.054.6857, em litígio, substituiu a NFLD DEBCAD n. 32.615.8243, de 18/12/1998, anulada por decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) órgão colegiado na época responsável pelo controle de legalidade das decisões em processo de interesse dos beneficiários e contribuintes da Seguridade Social nos termos do Acórdão n. 290, de 23/01/2003. O crédito tributário em apreço foi lançado, conforme informado no Relatório Fiscal (efls. 143/179), com fulcro na utilização de prestação de serviço remunerado, contratado mediante cessão de mãodeobra, e realizado pelas pessoas físicas vinculadas à empresa PROEN PROJETOS E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS LTDA. (ex PROEN IND. COM. SERV. EQUIP. ELETROMEC.) CNPJ 41.991.050/000165 entre outubro/1995 e abril/1998, nas dependências da CARAÍBA METAIS S/A. O lançamento em lide foi efetuado em face da CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 e da empresa PROEN PROJETOS E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS LTDA. (ex PROEN IND. COM. SERV. EQUIP. ELETROMEC.) CNPJ 41.991.050/000165. Devido à ausência, nos autos, da NFLD DEBCAD n. 32.615.8243 (com o respectivo relatório fiscal), bem assim do Acórdão n. 290, de 23/01/2003, da lavra do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), foi requisitada diligência à unidade de origem, nos Fl. 531DF CARF MF Processo nº 18050.001343/200827 Acórdão n.º 2402006.970 S2C4T2 Fl. 532 3 termos da Resolução n. 2402000.644 (efls. 481/485), para que fossem juntados os referidos documentos, no que foi atendida (efls. 509/523). A empresa PROEN PROJETOS E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS LTDA. CNPJ 41.991.050/000165 não se manifestou nos presentes autos. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 373/419) já foi conhecido pelo Colegiado. Passo à análise. Inicialmente, é oportuno resgatar o entendimento do órgão julgador de primeira instância, consolidado no Acórdão n. 1516.324 (efls. 353/364) e sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1998 LANÇAMENTO FISCAL. CESSÃO DE MÃODEOBRA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. A responsabilidade solidária do cessionário de mãodeobra é elidida se comprovado o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura emitida pelo cedente DECADÊNCIA O direito da Seguridade Social apurar e constituir os seus créditos extinguese após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Lançamento Procedente Em face da decisão recorrida, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (e fls. 373/419) aduzindo, em linhas gerais, preliminar de decadência, e, no mérito, inexistência de cessão de mãodeobra. Muito bem. Para uma melhor contextualização da lide, urge resgatar, no essencial, o teor do Acórdão n. 290, de 23/01/2003, da lavra do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) efls. 520/523: [...] Trata a presente NFLD, lavrado em 21 JAN 99, de Contribuições Sociais destinadas ao custeio da Previdência Social e Terceiros, Fl. 532DF CARF MF Processo nº 18050.001343/200827 Acórdão n.º 2402006.970 S2C4T2 Fl. 533 4 parcela empresa (Empresa/SAT/Terceiros) e empregados, incidente sobre a remuneração da mãodeobra cedida à Recorrente através da contratação de prestação de serviços (manutenção e fornecimento de mão de obra Proen Ind. Com. e Serv. de Equipamentos Eletromecânca Ltda.) e a ela imputado por solidariedade, vide Art. 31, da Lei 8.212/91. O débito é referente as competências 08.93 a 05.98 e foi apurado com base em nota fiscal de serviço (40%), tudo conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 18/21, que trás em anexo um discriminativo de apuração dos saláriosdecontribuição, fls. 29/34. Cabe enfatizar que a NFLD decorre de ação fiscal que além de fiscalizar período inédito, refiscalizou o período anterior a competência 10.95 inclusive. Após a apresentação da Defesa e inspirada em decisões tomadas por está CAJ, o INSS achou por bem juntar aos autos os contratos que deram origem a prestação dos serviços, ocasião em que foi feito o pronunciamento de fls. 290/292, onde é alegado que os contratos de prestação de serviços são fruto de terceirização das atividades normais da empresa, sobretudo na área de manutenção. Em seguida passa a discorrer sobre da cessão de mãodeobra. O lançamento foi retificado, ocasião em que foram excluídos os Terceiros. Em Recurso de fls. 813 a 838, acompanhado do depósito recursal de fls. 850, é descrita a ação fiscal dando ênfase a inexistência da cessão de mão de obra e a modalidade de fiscalização adotada. No mais relata os autos e protesta por cerceamento defesa, visto que foram juntados documentos após a apresentação do Recurso, sem que tenha tido a possibilidade de se manifestar. Na seqüência entende que a diligência em outros processos não produziram as informações necessárias e que somente com a M. P. 166315/98, transformada na Lei 9.711/98 a empreitada de mãodeobra passou a ser entendida como cessão de mão de obra. Por fim argumenta que a grande maioria dos serviços decorrem de "Paradas para Manutenção"; que os serviços foram descritos não correspondem aos efetivamente contratados; que a alíquota do arbitramento não corresponde ao que determina os atos normativos e que a ação fiscal foi frágil, já sendo declarada a nulidade de 2 NFLD's. [...] Considerando que as contribuições lançadas são as capituladas no Art. 20 e Inciso I e II, do Art. 22 e Art. 94, da Lei 8.212/91; Considerando que apesar da NFLD em pauta abranger período objeto de ação fiscal anterior, resultando em refiscalização. que foi efetuado sem a devida motivação, procederemos a análise de mérito com relação a cessão de mão deobra, evitando que o reconhecimento da nulidade do período refiscalizado enseje a lavratura de outra NFLD, mesmo diante Fl. 533DF CARF MF Processo nº 18050.001343/200827 Acórdão n.º 2402006.970 S2C4T2 Fl. 534 5 do não reconhecimento/comprovação da existência da cessão de mãodeobra; Considerando que o entendimento resultante da diligência, no tocante a refiscalização, está em desacordo com o que foi referendado, ainda que tardiamente, pelas I. N. INSS/DC n.° 70/02 e O. I. INSS/DIRAR n.° 1/02, não pode ser visto como um procedimento de praxe, apesar de ser uma prerrogativa do INSS, que deveria agir em consonância com o estabelecido no Art. 149, do CTN, deixando devidamente motivada a necessidade de refiscalizar qualquer empresa não é arbítrio do AF'S a qualquer momento, sem motivação, por sua vontade proceder qualquer refiscalização; Considerando que o Relatório Fiscal da NFLD em pauta sequer trata de refiscalização, apesar do TEAF mencionar "a retroação até 02/93 com relação à solidariedade", quando o período sob fiscalização era 11.95 a 06.98; Considerando que a não motivação da refiscalização e falta de esclarecimentos com relação a referida ação fiscal implica em cerceamento de defesa, configurando a nulidade do lançamento referente ao período até 10.95, na ação fiscal resultante da presente NFLD; Considerando que os serviços enquadrados pelo INSS como implicadores da cessão de mãodeobra decorreram de serviços específicos, realizados sob responsabilidade da prestadora e outros realizados sob a forma de empreitada, não ficando caracterizado que os prestadores estavam à disposição da contratada e nem que os serviços constituem necessidade permanente da Recorrente; Considerando tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO: Face ao exposto, conheço do Recurso para DARLHE PROVIMENTO, uma vez que não ficou constatada a existência de cessão de mãodeobra. De plano, cabe destacar que a decisão abrigada no Acórdão n. 290, de 23/01/2003 (efls. 520/523) é definitiva, de mérito, e transitou em julgado na esfera administrativa, não sendo passível, assim, de qualquer tipo de discussão ou revisão, inclusive pela segunda instância de julgamento, vez que falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para o mister. por tratarse de instâncias de mesmo nível horizontal, sem qualquer hierarquia entre elas. Nesse sentido, cabe resgatar o art. 38 do Decreto n. 70.235/1972, verbis: Art. 38. O julgamento em outros órgãos da administração federal farseá de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo.(grifei) Nessa perspectiva, verificase que o decisum do CRPS, ao anular a NFLD DEBCAD n. 32.615.8243, o fez por cerceamento de defesa e por inexistência de cessão de mãodeobra, enfrentando, em toda a sua extensão, o mérito do lançamento daquela NFLD. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 18050.001343/200827 Acórdão n.º 2402006.970 S2C4T2 Fl. 535 6 Diferentemente de outros julgados, que anularam outras NFLD, o CRPS desta feita não oportunizou ao INSS (órgão então responsável pelo lançamento) a refazer, a seu critério, o lançamento, nem resguardou o direito daquela autarquia no que se refere ao prazo decadencial do art. 173, II, do CTN. É dizer, o Acórdão n. 290, de 23/01/2003 (efls. 520/523), além de não oportunizar expressamente ao INSS novo lançamento, também não o fez de forma indireta, vez que em nenhum momento referese à aplicação do art. 173, II, do CTN, nem consta qualquer alusão, por mais remota que seja, à ocorrência de vício formal. Ao contrário, é taxativo em afirmar que ocorreu cerceamento de defesa e inexistência de cessão de mãodeobra, afastando se assim a materialidade da hipótese de incidência tributária. Assim, considerandose que o lançamento original (substituído) consignado na NFLD DEBCAD n. 32.615.8243, de 18/12/1998, referese às competências 10/1995 a 04/1998, concluise que o lançamento abrigado na NFLD) DEBCAD n. 37.054.6857, constituído em 30/01/2007, encontrase fulminado pela decadência, observandose a regra do art. 173, I, do CTN. É relevante observar que, mesmo que não houvesse ocorrido o advento da decadência, conforme acima destacado, o lançamento abrigado na NFLD DEBCAD n. 37.054.6857 não poderia subsistir, vez que, no mérito, restou afastada pelo Acórdão n. 290, de 23/01/2003 (efls. 520/523) a materialidade da hipótese de incidência tributária, consubstanciada, no caso concreto, na inexistência de cessão de mão de obra. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 373/419), para DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Declaração de Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Tomando por base apenas as razões de decidir consignadas em seu voto, bem como os esclarecimentos que prestou durante a sessão de julgamento, decidi acompanhar o Relator pelas suas conclusões. Segundo se infere da articulação feita pelo Relator, o lançamento originário estaria eivado de vício material, consubstanciado em deficiente motivação do ato administrativo e aparente inexistência dos fatos geradores que ensejaram da exação. Tal situação, inclusive, teria acarretado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte e resultado na anulação do primeiro lançamento pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), sem ter sido oportunizado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a lavratura de um lançamento substitutivo. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 18050.001343/200827 Acórdão n.º 2402006.970 S2C4T2 Fl. 536 7 Pois bem, o prazo de 5 (cinco) anos para a Fazenda Pública refazer o lançamento, havendo antecipação de pagamento, deve ser contado a partir dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, ou a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, segundo disposto no art. 173, inciso I, do CTN, caso não haja antecipação de pagamento ou caso o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Portanto, como o lançamento em análise diz respeito às competências de 10/1995 a 04/1998 e foi realizado somente em 31/1/07, de fato, os créditos lançados se encontram atingidos pela decadência tanto pela regra do art. 150, § 4º, quanto pela regra do art. 173, inciso I. Todavia, se a decadência tivesse sido superada, entendo que o decisum do CRPS não deveria, por si só, prevalecer, independente da sua definitividade, uma vez que tomou por base o conjunto probatório afeto ao primeiro lançamento, o qual, como visto, mostrouse carente quanto à demonstração da cessão de mão de obra. Contudo, estamos a julgar o segundo lançamento, que, certamente, buscando corrigir as falhas do primeiro, deve ter sido alicerçado em demonstração mais robusta da materialidade quanto à cessão de mão de obra e, dessa forma, caberia à Turma fazer uma análise mais detida a seu respeito. São essas as minhas considerações. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 536DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.002997/2005-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Recibos fornecidos por profissionais de saúde devem atender os requisitos formais definidos na legislação, verificado indícios de irregularidades o Fisco pode exigir outras provas.
Numero da decisão: 2002-000.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recibos fornecidos por profissionais de saúde devem atender os requisitos formais definidos na legislação, verificado indícios de irregularidades o Fisco pode exigir outras provas.
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DESPESAS MÉDICAS. Recibos fornecidos por profissionais de saúde devem atender os requisitos formais definidos na legislação, verificado indícios de irregularidades o Fisco pode exigir outras provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 29 97 /2 00 5- 06 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10850.002997/200506 Acórdão n.º 2002000.822 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 94/96) contra decisão de primeira instância (fls. 86/89), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Trata o presente processo de auto de infração para a exigência de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), decorrente de revisão de Declarações de Ajuste Anual referentes aos exercícios de 2000 a 2003, em que, conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 41/44, foram glosadas deduções indevidas de despesas médicas. 2. A Fiscalização apurou que nos anoscalendário objeto do lançamento parte das deduções pleiteadas a titulo de despesas médicas referiuse a pagamentos feitos em favor de profissionais cujos recibos foram considerados inidôneos para efeitos tributários, quando desacompanhados da efetiva comprovação do pagamento. No caso, foi aplicada multa de ofício qualificada (150%) e feita representação fiscal para fins penais, daí resultando o montante de R$ 21.588,01, incluindo principal, multa proporcional e juros de mora. 3. O contribuinte, inconformado com a autuação, da qual tomou ciência em 14.11.2005 (fl. 56), apresentou impugnação alegando (fls. 60/62): a) Que sempre passou por tratamento fisioterápico, tendo em vista fratura exposta em tornozelo, conforme cópias de inclusos documentos, que provam as solicitações para as licenças. b) Que cabe aos profissionais prestadores dos serviços justificar perante a Receita Federal as contrapartidas nas declarações, cabendo a eles o ônus da prova, nunca ao contribuinte. As prestações ora impugnadas foram declaradas nos respectivos anosbase, dentro da limitação imposta, não incorrendo portanto em qualquer fraude contra a ordem tributária, vide orientação pelo manual vigente na oportunidade. O DecretoLei n° 3.000/1999, em seu art. 80 e acessórios, dá total respaldo a esta fundamentação. c) Se os profissionais indicados não prestaram suas contas perante a Receita, cabe a eles o ônus, razão bastante pelo acolhimento das ponderações retro, culminando com a improcedência da autuação. O expediente em questão deve ser provado pelos profissionais, já que foram eles responsáveis pela emissão dos recibos. d) Sobre alguns comprovantes de pagamento que não foram enviados à Receita, devese ao lapso temporal do anocalendário indicado, cujos documentos foram extraviados. A forma de pagamento extrapola a competência da Receita Federal, impondo constrangimentos aos contribuintes, solicitando as vezes até prontuários relativos às prestações, Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10850.002997/200506 Acórdão n.º 2002000.822 S2C0T2 Fl. 4 3 contrariando texto expresso em lei, quando os formulários estão protegidos pelo sigilo fiscal. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Somente podem ser acolhidas, a título de dedução do IRPF, aquelas despesas médicas que se encontrem comprovadas de forma hábil e idônea. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 05/02/2009 (fl. 93); Recurso Voluntário protocolado em 18/02/2009 (fl. 94), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. As deduções a título de despesas médicas referemse a profissionais cujos recibos foram considerados inidôneos para efeitos tributários, quando desacompanhados da efetiva comprovação de pagamento. Os valores glosados pela fiscalização referemse a despesas médicas cujos supostos pagamentos terseiam dado a profissionais cujos recibos foram declarados inidôneos, inclusive por não ter havido a efetiva prestação de serviços, conforme o Termo de Constatação Fiscal de fls. 42/45 e doc. de fls. 37/41. Irresignado, o recorrente alega em sua defesa que a apresentação dos recibos comprovam a dedução pretendida nas declarações e que o ônus da prova para a prestação cabe aos profissionais emitentes dos recibos. ÔNUS DA PROVA cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comprová los efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10850.002997/200506 Acórdão n.º 2002000.822 S2C0T2 Fl. 5 4 Em caso de valores expressivos para as despesas médicas, quando haja fundadas dúvidas quanto à efetiva prestação de serviço profissional, a mera exibição de recibos não se apresenta hábil. O ônus da prova recai única e exclusivamente ao contribuinte. Diz o recorrente que outro ponto relevante a ser considerado, é que o demonstrativo do débito indica pendências glosadas de 2000 a 2003, enquanto a guia de lançamento do quantum para pagamento indica o período de apuração de 08/08/1980. Razão assiste ao recorrente, de fato existe o erro. Em direito o erro é vício de consentimento. O erro pode ser de fato e de direito. Aqui, o erro é de fato, pois não enseja a nulidade do ato. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.904997/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
PAGAMENTO EM DUPLICIDADE. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO.
Demonstrado o pagamento em duplicidade do Darf, confirmado pela unidade de origem, deve ser promovida a sua restituição e/ou compensação.
Numero da decisão: 3002-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard, Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PAGAMENTO EM DUPLICIDADE. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. Demonstrado o pagamento em duplicidade do Darf, confirmado pela unidade de origem, deve ser promovida a sua restituição e/ou compensação.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente COLNAGHI INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PAGAMENTO EM DUPLICIDADE. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. Demonstrado o pagamento em duplicidade do Darf, confirmado pela unidade de origem, deve ser promovida a sua restituição e/ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard, Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento em duplicidade do IPI de dezembro/2004 – Darf de R$ 15.016,57. Nestes autos temos a Dcomp nº 20374.46714.071005.1.7.049126, na qual se utilizou R$ 4.112,95 deste pagamento em duplicidade para quitar débitos também de IPI (fls. 2 a 5). Por meio de Despacho Decisório à fl. 21, a Delegacia da Receita Federal em Santo André decidiu pela não homologação da compensação porque o contribuinte informou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 49 97 /2 00 9- 11 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10805.904997/200911 Acórdão n.º 3002000.629 S3C0T2 Fl. 90 2 na compensação a data do primeiro Darf, que havia sido realmente utilizado no pagamento do IPI relativo a dezembro/2004. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, sob a fundamentação de que cabia a ela aferir a conformidade dos procedimentos fiscais em relação às normas vigentes e que, no caso em tela, havia previsão normativa para que o sujeito passivo retificasse o PER/Dcomp anteriormente ao Despacho Decisório. Uma vez proferida a decisão, a retificação não podia mais ser aceita. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 17/02/2005 PER/DCOMP. INEXATIDÃO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. Na hipótese de inexatidão material verificada no preenchimento da PER/DCOMP, é admitida sua retificação, desde que se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Considerase pendente de decisão administrativa, a declaração de compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário (fls. 58 e 59), a recorrente esclareceu que, ao constatar o pagamento em duplicidade, esteve diversas vezes na Receita Federal para solicitar orientação sobre a correção do erro. Na época não existia o eCAC e, a partir das informações que conseguiu obter, efetuou 3 retificações da DCTF do 1º semestre/2005, em 20/06/2007, 31/10/2007 e 26/09/2008, mas não teria sido orientada a retificar a DCTF do 4º trimestre/2004. Apenas após a emissão do Despacho Decisório o contribuinte ficou ciente da falha na retificação. No julgamento do Recurso Voluntário efetuado por este Colegiado foi determinada a sua conversão em diligência para confirmação do pagamento em duplicidade e, em caso positivo, informação sobre a disponibilidade do crédito para a compensação, com a devida ciência ao contribuinte – Resolução nº 3002000.025 (fls. 71 a 74). Retornam agora os autos para novo julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10805.904997/200911 Acórdão n.º 3002000.629 S3C0T2 Fl. 91 3 De acordo com o Despacho proferido pela Delegacia da Receita Federal em Santo André (fls. 80 a 83), foi confirmado o pagamento em duplicidade do Darf, conforme alegado pela recorrente, bem como a sua disponibilidade para efetuar a compensação destes autos, nos seguintes termos: RESPOSTA ÀS DEMANDAS DO CARF 10. Faremos, a seguir, resposta a cada quesito formulado pelo CARF. 11. Confirmar o pagamento em duplicidade => Conforme explanação anterior, o pagamento em duplicidade está confirmado. 12. Em caso positivo, informe se o valor do DARF pago em 31/01/2005 está integralmente disponível para a compensação de que trata o presente processo => Idem, o valor está disponível, conforme Extrato do Registro de fls. 76/77. 13. Providencie a ciência ao interessado, abrindo o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação sobre a diligência => O contribuinte está sendo cientificado nesta data. Além da confirmação acima, a DRF/Santo André consignou que foram transmitidas três compensações relativas a esse pagamento em duplicidade, dentre elas a que consta deste processo, mas cuja soma é inferior ao Darf, restando ainda um saldo do crédito original no valor de R$ 2.030,27, que poderá ser restituído ou compensado se não ocorrida a decadência. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação destes autos. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.900120/2008-88
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.465
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.900120/2008-88 Acórdão n.º 1003-000.465 S1-C0T3 Fl. 110 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 17415.26074.150304.1.3.02-4207, em 15.03.2004, fls. 21-29 e 51-53, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano-calendário de 2002 no valor de R$22.557,54 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real para compensação dos débitos ali confessados. A Recorrente foi cientificada em 07.11.2006, fl. 66, do Termo de Intimação - Irregularidade no Preenchimento de PER/DCOMP, fl. 63, solicitando retificar a Declaração de Informações Econômico-Fiscais (DIPJ) ou apresentar Per/DComp retificador correspondente no prazo de 20 dias contados da notificação (Art. 6º, Parágrafo 1º, Inciso II e art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4º e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005). A DIPJ retificadora nº 1454461 entregue em 14.11.2006, fls. 30-50, porém é relativa ao ano-calendário de 2003. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 65, intimado a Recorrente em 14.03.2008, fl. 66, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatou-se que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações Econômico-Fiscais (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$22.557,54 Valor do crédito na DIPJ: R$0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996, Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 12-33.103, de 09.09.2010, fls. 75-77: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantém-se o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 11.01.2011, fl. 82, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.01.2011, fls. 83-86, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: 1. Em que pese às formalidades dos procedimentos de compensação, evidente o prejuízo ao contribuinte, vez que todos os documentos apontam na sua intenção de ser restituição dos valores do saldo negativo de imposto de renda declarado no Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.900120/2008-88 Acórdão n.º 1003-000.465 S1-C0T3 Fl. 111 3 exercício de 2004, ano base de 2003, fato até mesmo levantado pela nobre Julgadora quando aponta que o saldo negativo da DIPJ do exercício de 2003, período de apuração 01/01/2002 a 31/12/2002, constava zero. Usando como critério a eliminação, coincidência e identicidade de valor, obviamente o contribuinte faz prova do crédito que compensou, o qual só podia ser aquele, ou seja: o saldo negativo do ano base 2003. Ainda que pretendesse a compensação de outro, que não o do ano base de 2003, deste não dispunha. 2. Constata-se, também, que o valor do crédito informado no PER/COMP de R$ 22.557,57 é idêntico ao valor informado ia DIPJ retificadora correspondente ao ano-calendário de 2003, exercício de 2004, apresentada em 14/11/2006, recibo número 34.55.46.33.93-51,.portanto não se pode falar em direito creditório novo, que não foi examinado pela DRF como almeja a fiscalização. Ademais, o temporal entre o pedido do crédito e a análise deste foi de 4 (quatro) anos, somados a mais 2 (dois) anos para análise da impugnação. Tanto tempo e tanta mudança, fez com que contribuinte, nesse tempo, tenha seu direito creditório usurpado pela decadência. [...] 3. Vejam que sabida é a vinculação da fiscalização aos procedimentos, onde qualquer autonomia é efetivamente proibida, mas nesse caso não se trata de fugir as regras ou conceder benesse a um único contribuinte: apenas o bom senso em aplicar a Lei ao caso. Tanto o crédito como os débitos compensados são legítimos. Se a cada pendência igual a esta sem resolução recorrermos ao Judiciário, o que será desse sistema já caótico. A IN 210, de 30/09/2002, sequer continha instruções ou previsões de retificação, que não mereçam ser revistas. 4. A restituição ou compensação de saldos negativos de imposto de renda e contribuição social são procedimentos corriqueiros (do dia a dia), que constatada a veracidade dos créditos, deve imediatamente ser restituídos. Esses recolhimentos são antecipados para posterior constatação do real valor devido, fazendo-se então a justa apropriação/compensação, que: quando recolhido a menor, o contribuinte paga a diferença; e, se maior, a RFB devolve o indevido. 5. Aduz a nobre Julgadora que a interessada não elide os fatos apontados no Despacho Decisório. Ocorre que há somente um fato, e ele foi sim alegado: o período de apuração do crédito apontado pelo despacho não é o correspondente ao do direito creditório. Há que se observar o erro: a Receita entendeu como período de apuração Exercício 2003 - 01/01/2002 a 31/12/2002, enquanto deveria entender 2003, como sendo o período da apuração. Desta forma ela interpretou equivocadamente a informação. [...] 7. Nas garantias constitucionais, reconhecidas pelas normas postas no Código Tributário Nacional, trata ainda das formas de compensação o artigo 170 do CTN, que obedecidas temos uma modalidade indireta (por lei) de extinção do crédito tributário, por meio do confronto entre créditos e débitos. Sua definição pode ser extraída do Direito Privado, conforme os arts. 368 a 380 do Código Civil (Lei n° 10.406/2002), segundo o qual a compensação é modalidade extintiva de obrigação, quando se é devedor e credor, concomitantemente. Trata-se de matéria de direito e a não homologação sem a fiel obediência aos direitos garantidos pela constituição, temos evidente macular da justiça, sem restituir ao contribuinte, o que lhe pertence. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente e faz referência a entendimentos jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.900120/2008-88 Acórdão n.º 1003-000.465 S1-C0T3 Fl. 112 4 8. [...] Devido à extração da informação equivocada da PER/DCOMP a Receita Federal não homologou as compensações declaradas nas PER/DCOMPS: 17415.26074.150304.1.3.02-4207, 42814.56626.150404.1.3.02-0908 e 21253.83979.140504.1.S02-2009, ignorando assim garantias constitucionais de direito, com evidente prejuízo ao contribuinte, vez que não reconhece seu crédito e faz com que, como se não bastasse, tenha o seu direito de pleiteá-lo decaído. Pede-se também pela diligência na apuração dos fatos corretos, fazendo prova do crédito que embasa as compensações. Conclui-se pela análise e aplicação correta da informação prestada na declaração PER/DCOMP, bem como pela reforma total da DECISÃO PROFERIDA NO DESPACHO DECISÓRIO, homologando assim as compensações efetuadas, tendo em vista a legitimidade do O crédito, cancelando totalmente a cobrança dos débitos já quitados por compensação. Portanto, pretendendo provar alegado por todos os meios de prova admitidos, pede espera que seja dado provimento ao presente recurso voluntário, reconhecendo do direito creditório e homologar as compensações, tudo para que se faça JUSTIÇA. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos 1 . Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13888.900120/2008-88 Acórdão n.º 1003-000.465 S1-C0T3 Fl. 113 5 A Recorrente suscita comprovar a inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$22.557,54, apurado no ano-calendário de 2003. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 2 . O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais 3 . Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientando-se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto- Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13888.900120/2008-88 Acórdão n.º 1003-000.465 S1-C0T3 Fl. 114 6 A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, o art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e o art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todos editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996. A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação dos dados declarados pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora. Ademais, como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 4 . 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13888.900120/2008-88 Acórdão n.º 1003-000.465 S1-C0T3 Fl. 115 7 Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do Decreto-Lei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Verifica-se que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Consta no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 12-33.103, de 09.09.2010, fls. 75-77, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP (tipo de crédito: saldo negativo de IRPJ; período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002) com as da DIPJ, não localizou o crédito pleiteado (na DIPJ/2003 constava saldo zero). Na manifestação de inconformidade, o interessado não elide os fatos apontados no Despacho Decisório. Alega, apenas, que retificou a DIPJ, mas deveria ter informado, no PER/DCOMP, o período de 01/01/2003 a 31/12/2003. O interessado pretende, portanto, retificar o período de apuração do crédito. O interessado introduz matéria nova, alheia ao presente processo, e que, assim, não pode ser conhecida neste momento processual. O interessado apresenta direito creditório novo, que não foi examinado pela DRF, Crédito que não consta do PER/DCOMP analisado pela autoridade lançadora não integra a lide. A retificação da Declaração de Compensação somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 57 da IN n° 600/2005). O interessado teve a oportunidade de efetuar a retificação antes da emissão do Despacho Decisório (através do Termo de intimação n° 638056875 (fl. 5), foi intimado a retificar a DIPJ ou a apresentar PER/DCOMP indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP). O Despacho Decisório deve ser mantido, por não terem sido elididos os fatos nele apontados. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13888.900120/2008-88 Acórdão n.º 1003-000.465 S1-C0T3 Fl. 116 8 Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade 5 . Tem-se que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 116DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907888/2016-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.895
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 88 8/ 20 16 -9 3 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 13896.907888/201693 Resolução nº 3201001.895 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13896.907888/201693 Resolução nº 3201001.895 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13896.907888/201693 Resolução nº 3201001.895 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13896.907888/201693 Resolução nº 3201001.895 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13896.907888/201693 Resolução nº 3201001.895 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13896.907888/201693 Resolução nº 3201001.895 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 487DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962501/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.811
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
RELATÓRIO
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 141 1 140 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.962501/200832 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.811 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de fevereiro de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente SOFICAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP) que restou não homologada, consoante razões consignadas no Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificado da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, com a juntada de documentos (cópia do Despacho Decisório; Alteração Contratual e documentos do sócio que assina a Impugnação; Termo de Comparecimento à Gerência Técnica do Departamento de Supervisão Direta em São Paulo – Banco Central do Brasil; planilha discriminativa de Notas Fiscais e cópia da Nota Fiscal; Recibo de entrega de DCTF Retificadora), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 50 1/ 20 08 -3 2 Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10880.962501/200832 Resolução nº 3201001.811 S3C2T1 Fl. 142 2 Afirma que no ano base 2003 formam emitidas notas fiscais de prestação de serviços, referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, sendo que as mesmas foram canceladas posteriormente por exigência do Banco Central do Brasil. Tal cancelamento gerou créditos dos tributos PIS e COFINS previamente recolhidos, incidentes sobre as notas fiscais, o que motivou a emissão da presente PER/DCOMP. No entanto, esclarece que não providenciou, á época, a retificação das DCTF do ano base 2003 para eliminar os débitos do PIS e da COFINS declarados indevidamente. Corrigiu tal situação por meio da emissão de DCTF retificadora, conforme recibo apresentado anexo à Impugnação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 16036.648. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta que: a) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; b) retificou em tempo hábil a DCTF e c) os livros diário e razão, que traz aos autos, corroboram sua alegação. É o relatório. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.799, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900837/200992, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.799): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou a DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: 4.1.A Declaração de Compensação, apresentada por meio de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) eletrônico, prestase a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10880.962501/200832 Resolução nº 3201001.811 S3C2T1 Fl. 143 3 4.2.No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de COFINS (fls. 10) e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado de valor R$ 4.378,67 como origem do crédito, conforme fls. 9. 4.3. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (Rastreamento no 815456972 – fls. 2). 4.4. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o seu valor integral fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 31/10/2003 e Código de Receita 2172, conforme apontado no campo 3 do próprio Despacho Decisório. 4.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte em DCTF. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado. 4.6. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. A própria DRJ ressalta que os argumentos do Contribuinte foram no sentido que a existência de crédito é decorrente do cancelamento de uma série de notas, porém, a DRJ entendeu que não foram apresentados documentos necessários: 5.1. Assim, a simples apresentação de DCTF retificadora neste momento do rito processual não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão. 5.2. Insta observar que, em consonância com o art. 16 acima transcrito do Decreto no 70.235/72, consta, nas “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10880.962501/200832 Resolução nº 3201001.811 S3C2T1 Fl. 144 4 5.3. Desta sorte, na medida em que a Declaração de Compensação restou não homologada e, apresentada a Manifestação de Inconformidade, converteuse em processo administrativo, cabia à Manifestante instruílo com todos os argumentos e documentos que entendesse suficientes e necessários para demonstrar a existência do crédito que pretende utilizar para compensação. 5.4. No caso concreto, a Impugnante afirma que seu crédito decorre de cancelamento de Nota Fiscal de prestação de serviços referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, por exigência do Banco Central do Brasil, as quais haviam sido consideradas base de cálculo do tributo COFINS que foi declarado em DCTF original. 5.4.1. No entanto, o contribuinte não apresentou os registros contábeis referentes ao lançamento do valor da Nota Fiscal em análise, bem como não comprovou seu estorno posterior. Nesses termos, inexistindo comprovação documental do cancelamento da Nota Fiscal que originou (fato gerador) o pagamento do tributo COFINS, recolhido por meio do DARF em análise, não há, consequentemente, confirmação de que o recolhimento foi realizado indevidamente. 5.4.2. Em conclusão, o contribuinte não apresentou documentos suficientes para comprovar a origem do direito creditório declarado no presente PER/DCOMP. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Os documentos carreados vem ao encontro com o art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, sendo apresentados em momento oportuno. Assim, o feito deve ser convertido em diligência. Do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: Verificado se há crédito. E avaliar prova. c) Elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa para manifestação o prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) verifique se há crédito; Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10880.962501/200832 Resolução nº 3201001.811 S3C2T1 Fl. 145 5 b) avalie as provas e c) elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 394DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.001279/2003-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que se apure o direito creditório em relação a Perdigão Alimentos S/A, CNPJ 82.629.73010001-64, Perdigão Avícola Rio Claro LTDA, CNPJ 59.403.246/0001-57 e ITAPEVI AGRÍCOLA LTDA, CNPJ 49.870-777/0001- 04, com aplicação dos expurgos inflacionários, estes, inclusive em relação a Perdigão Agroindustrial S/A, CNPJ 89.421.903/0001-50 e Chester Avícola LTDA, CNPJ 81.306.722/0001-70.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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Recorrente PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que se apure o direito creditório em relação a Perdigão Alimentos S/A, CNPJ 82.629.7301000164, Perdigão Avícola Rio Claro LTDA, CNPJ 59.403.246/000157 e ITAPEVI AGRÍCOLA LTDA, CNPJ 49.870777/0001 04, com aplicação dos expurgos inflacionários, estes, inclusive em relação a Perdigão Agroindustrial S/A, CNPJ 89.421.903/000150 e Chester Avícola LTDA, CNPJ 81.306.722/000170. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Alan Tavora Nem (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. Ausentes os Conselheiros Jose Renato Pereira de Deus e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 01 27 9/ 20 03 -9 6 Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 3 2 Cuidam os autos de glosa de compensações de débitos de COFINS com créditos de FINSOCIAL reconhecidos judicialmente nas Ações Ordinárias n° 94.70000749 e n° 94.70004744, oriundos da declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes dos artigos 9° da Lei n° 7.689/88, 7° da Lei n° 7787/89 e 1° da Lei n° 8.147/90 (Recurso Extraordinário de Repercussão Geral n° 150.764/PE). O indébito abrange valores de FINSOCIAL pagos a maior pela Perdigão Agroindustrial S.A. (Autora da ação n° 94.70000749, fls. 16/40), pela Perdigão Alimentos S.A. (Autora da ação n° 94.70004744, Doc. 02) e pelas suas incorporadas Chester AvícolaLtda., Itapevi AgrícolaLtda. e Perdigão Avícola Rio Claro Ltda. Com base na Ação Declaratória n° 94,70000749, na Vara Federal de Joaçaba SC, referente ao Finsocial excedente a 0,5%, apurado entre janeiro de 1990 e outubro de 1991, que a autora (e incorporadas) teriam pago a maior, foram apresentadas as Declarações de Compensação: ü em 12/3/2003, com débito de Cofíns de fevereiro de 2003 (proc, 13804.001279/200396); ü em 14/5/2003, com débito de Cofins de abril de 2003 (proc. 13804,002597/200374,11 453). Ação judicial Segundo relata o magistrado a ação tem natureza declaratória e condenatóría e visou, dentre outros, autorização para compensar FINSOCIAL com Cofíns com pedido para repetir o indébito atualizado do trânsito em julgado ao pagamento (11 12/13). Foi acolhida a tese de inconstitucionalidade das majorações de alíquotas do FINSOCIAL e declarado que a autora decaiu de parte mínima do pedido e possui crédito perante a União. O Tribunal Regional Federal da 4a Região não acolheu a apelação da União nem o reexame e decidiu pela compensabilidade do FINSOCIAL com a Cofins, bem como que a reprodução documental autenticada dos DARF’s reflete a verdade do original, mormente quando não impugnada a veracidade de seu contexto no momento próprio. No STJ a União também sucumbiu, tendo sido afastada, dentre outras, a tese de contagem do prazo decadencial para propositura da ação da data do pagamento, para fixála, no caso concreto, da data da declaração de inconstitucional idade. O trânsito em julgado ocorreu em 01/06/1998. Despacho Decisório Em 05/03/2008, a empresa foi cientificada (folhas 370) da decisão não homologatória das compensações declaradas, por duas razões: 1. atendimento insatisfatório de intimação (não comprovação); e 2. possível repetição em duplicidade (fl 368). Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 4 3 Manifestação de Inconformidade Em 04/04/2008, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em suma, que (fl 377): ü O acórdão do TRF/4a Região proferido no processo judicial (fls. 24/31) reconheceu o direito da empresa de compensar os valores pagos a título de FINSOCIAL além da alíquota de 0,50% com débitos víncendos de COFINS, atualizados monetariamente "pela variação ÓTN" (até dezembro de 1988) e depois pela do 1PC (adotada, para janeiro de 1989, o percentual de 42,72%); ü De 0l.02.91 a 31.12.91, pela variação do INPC; e daí em diante, pela variação da UFIR"; ü Determinou, também a incidência da SELÍC a partir de 1° de janeiro de 1996; ü Apresentou documentos permitindo aferir o credito; ü As compensações foram verificadas pela SRF (fls. 325/333); ü No caso da Itapevi Agrícola Ltda, em relação à qual não foram encontradas as guias, o valor pago e a data foram comprovados com a juntada dos livros contábeis e o crédito calculado é de R$ 12.476,30 em 31/12/1995; ü O despacho decisório recorrido sustenta ser necessária a comprovação da desistência da execução do julgado perante a justiça com base no art. 50 da IN 600/2005; ü A IN 210/2002 não previa homologação da desistência pelo judiciário, somente desistência da execução caso deflagrada, o que não foi o caso; ü Na IN 600, o § 2° do art. 50 é explícito ao exigir tal desistência somente na hipótese de ação de repetição de indébito, o que não c o caso; ü O pedido judicial não visa repetição, mas autorização para compensar (folhas 380); ü A desistência é desnecessária, pois o prazo contado do trânsito em julgado se esgotou em 1/8/2003; ü A Dcomp foi feita no prazo prescricional; ü Não foi proposta execução nem é mais possível fazêlo. Ao final, requer homologação das compensações feitas. Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 5 4 Em 26 de junho de 2009, através do Acórdão de Manifestação de Inconformidade n° 1621.952, a 9ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I, por unanimidade de votos, NÃO ACOLHEU a Manifestação de Inconformidade, nos termos do relatório e voto integrados ao julgamento. A Turma entendeu que: ü A ação transitou em julgado em 1/6/98 e as Dcomps foram protocoladas em 12/3/2003 e 14/5/2003. ü A empresa afirma que a Dcomp foi feita no prazo prescricional e que o pedido judicial não visa repetição, mas autorização para compensar (fl 380); ü A empresa diz que: ao tempo das declarações de compensação a IN 210/2002 não previa homologação da desistência pelo judiciário, somente desistência da execução caso já deflagrada, o que não foi o caso; na IN 600, o § 2° do art. 50 é explícito ao exigir tal desistência somente na hipótese de ação de repetição de indébito, o que não é o caso; a desistência é desnecessária, pois o prazo contado do trânsito em julgado se esgotou em 1/8/2003; não foi proposta execução nem é mais possível fazêlo. ü Pela IN SRF 600/2005 (§ 2.° do art.50), no caso de crédito originado de decisão judicial, deve a empresa comprovar a homologação, pelo Judiciário, da desistência da execução ou renúncia à execução, assim como a assunção das custas do processo de execução, inclusive honorários advocatícios do processo de execução; ü Não consta dos autos que a empresa tivesse requerido e obtido homologação judicial de desistência (execução iniciada) ou renúncia (execução não iniciada). ü Nas presentes circunstâncias, a interpretação dada pela autoridade a quo não se coaduna com a mens legis. Dentre os créditos passíveis de restituição, de ressarcimento e de compensação não estão as custas e os honorários advocatícios. Não se poderia vedar a apreciação do pedido na esfera administrativa caso o contribuinte execute a parte do título executivo judicial que não pode ser objeto de restituição, de ressarcimento ou de compensação. A evolução normativa deixa claro que somente a não assunção das custas dos honorários da execução (e não do processo de conhecimento) poderia criar óbice à apreciação administrativa; ü Como a pretensão acolhida foi a compensatória e como o contribuinte executa apenas honorários do processo de conhecimento não haveria que se falar em duplicidade da repetição de indébito e não deveria haver óbice para a apreciar declaração de compensação na esfera administrativa, fundada na falta de homologação de desistência à execução ou renúncia; Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 6 5 ü O despacho decisório afirma que: a empresa não apresentou todas as cópias dos DARF que se relacionam aos alegados créditos, faltando os da incorporada Itapevi Agrícola Ltda, o que não permitiu à autoridade confirmar estes recolhimentos; no caso das demais incorporadas nem os livros nem as declarações de IR foram trazidos, impedindo verificar a base de cálculo do FINSOCIAL e determinar os valores legalmente devidos; e conclui pela impossibilidade de apurar o quantum, pois a empresa não comprova que os pagamentos teriam sido superiores aos devidos; ü Como a autoridade administrativa não pôde aferir a exatidão das informações prestadas quanto a direito creditório não teve alternativa à não homologação; ü Por todo o exposto, não há dúvidas sobre a ocorrência da preclusão, porque a comprovação plena não foi feita nem na fase de análise do pleito pela DERAT, nem com a apresentação da manifestação de inconformidade. ü Sem a comprovação documental de certos pagamentos bem como a confirmação nos livros contábeis/fiscais das bases do direito credítório alegado administrativamente, ou seja, analisar o ciclo de apuração, escrituração e recolhimento da exação, cabe não homologar as declarações; ü A defesa diz que as compensações foram verificadas pela SRF (fls. 325/333) e requer homologar as declarações de compensação. As folhas citadas contém cópias de DCTF’s feitas pela empresa, não significando terem sido verificadas, como crê a inconformada, de compensações decorrentes. A empresa PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 03/08/2009, às folhas 530. A empresa PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A ingressou com Recurso Voluntário, em 25/08/2009, de folhas 589 à 596. Foi alegado resumidamente que: Para apurar o indébito do FINSOCIAL, são necessários três dados: o valor pago, a data de pagamento e a base de cálculo. O acórdão reconheceu que a alíquota não demanda prova, pois está determinada em lei. Reconhece também, que a comprovação dos valores recolhidos “se fez. por meio dos comprovantes DARF acostados aos autos judiciais (fl. 31 De fato, o valor pago e as respectivas datas de pagamento foram comprovados através das guias de recolhimento juntadas pela Contribuinte às fls. 49/73. Apenas no caso da Itapevi Agrícola Ltda., em relação à qual não foram encontradas as guias de pagamento, o valor pago e a data de pagamento foram comprovados com a juntada dos livros contábeis (fls. 75/102) onde constam os valores recolhidos a título de Finsocial. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 7 6 É importante ressaltar que os dados de pagamento foram confirmados pela própria SRF através dos “Comprovantes de Confirmação de Pagamento” emitidos pela DRF/Piracicaba e DRF/Joaçaba (fls. 336/355) os quais corroboram os recolhimentos efetuados a titulo de FINSOCIAL pela Recorrente e incorporadas. Somente quanto à Itapevi, o Fisco deixou de confirmar os recolhimentos em seu banco de dados. Ora, se as informações relativas aos pagamentos estão em poder da Secretaria da Receita Federal e foram confirmadas quanto as demais empresas, os pagamentos relativos à Itapevi também podem ser verificados através de consulta aos arquivos microfilmados pela DRF/Joaçaba, tal qual foi feito nas folhas 336/355. Nesse sentido, o princípio da verdade material reza que a Administração deve sempre buscar a verdade, ainda que para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelo Contribuinte, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Ademais, a manifestação da autoridade administratíva compreende períodos de apuração do indébito, cujos fatos geradores ocorreram a mais de 10 anos. A localização de todos os, documentos que embasaram tais lançamentos fiscais nem sempre é possível no exíguo prazo para a manifestação do Contribuinte. Convêm invocar em socorro da tese da Recorrente, recente publicação do Decreto n° 6.932 de 11/08/2009 que dispõe sobre a simplificação de procedimentos relacionados com o cidadão. Nesse Decreto reafirmase que os órgãos e entidades do Poder Executivo Federal devem observar, entre outras diretrizes, nas suas relações entre si e com o cidadão, a presunção de boafé, o compartilhamento de informações, a eliminação de informalidades e exigências desnecessárias e a aplicação de soluções tecnológicas que visem a simplificação de processos e procedimentos. É justamente o que a Recorrente pretendeu com a sua atuação no presente processo. DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À COMPROVAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO: Ao contrário do que alegam as Autoridades Administrativas, a Recorrente apresentou documentos que permitem aferir o quantum do crédito alegado. Em sede de manifestação de inconformidade foram apresentadas todas as Declarações de Imposto de Renda da Recorrente e incorporadas (fls. 432/451), relativamente ao período do crédito reclamado, nas quais constam as correspondentes bases de cálculo de Finsocial. A Declaração de Imposto de Renda (fls. 432/451) é documento hábil e suficiente para fazer prova das bases de cálculo. É nela que o Contribuinte declara todas as informações e movimentações incorridas em cada anocalendário, ou seja, ela reflete fielmente as informações contidas nos livros contábeis. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 8 7 Subentendese que, se as informações prestadas nas DIRPJ’s foram aceitas pela SRF à época em que foram apresentadas, as bases de cálculo de Finsocial também foram confirmadas. O auto lançamento foi homologado, pois passado o prazo de 05 anos sem qualquer impugnação pelo órgão administrativo competente. Por outro lado, nem na manifestação da autoridade fiscal, nem no Acórdão da DRJ, há uma só indicação dos motivos pelos quais os documentos acima referidos não constituíam prova hábil ou equivalente a apresentação dos livros contábeis. Não há uma indicação precisa e objetiva expondo razões que impediríam a aferição das bases de cálculo por esses documentos. Notese que a Recorrente não pretende se eximir de seu ônus ou dever de fazer prova de suas alegações. Ao contrário, pretendeuse demonstrar no contexto que sua pretensão é absolutamente legítima. A Recorrente, no entanto, não concorda com a pretensão de tarifação da prova. A sua estreita especificação pela Autoridade Administrativa, não condiz com o direito, pois este considera meio de prova todos os legalmente admitidos e hábeis à demonstração de determinado fato. Se por um lado, como consta no acórdão, o CPC determina no artigo 333 que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito, o julgador, como operador do direito não pode olvidar o artigo antecedente, de n° 332 que diz textualmente: Ari. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Portanto, não há motivo para que sejam desconsideradas as provas carreadas, hábeis e suficientes para comprovação do direito postulado pela Recorrente. Aliás, tanto não há motivo que ele não foi declinado objetivamente. Como se vê, os dados constantes no presente processo administrativo, comprovantes de pagamento (fls. 49/102), verificação de pagamentos efetuada pela RFB (fls. 336/355) e declarações de imposto de renda (fls. 432/451), são suficientes para calcular o valor do crédito de FINSOCIAL apurado pela Recorrente e compensar integralmente os débitos objetos das Declarações de Compensação tratada no presente processo e no processo apenso n° 13804.002597/200374. E havendo, como hã de fato essa prova, não há como não homologar as compensações declaradas. A DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR QUE CORROBORA AS BASES PE CÁLCULO PE FINSOCIAL. Conforme já referido anteriormente, não foi possível localizar todos os documentos solicitados nas intimações da SRF, no exíguo prazo para manifestação, notadamente em face do largo espaço de tempo decorrido. Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 9 8 A Recorrente entende que as declarações de imposto de renda, anexadas em sua manifestação de inconformidade (fls. 432/451), são suficientes para apurar o indébito de Finsocial. Apesar disso, posteriormente à apresentação de sua manifestação de inconformidade, efetuou diversas buscas em seus arquivos a fim de encontrar documentos que corroborassem as bases de cálculo já apresentadas nas DIRPJ. E, de fato, acabou por encontrá los anexados ao processo administrativo n° 12157.000137/200825, relativo ao PIS, que encontrase atualmente na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo DERAT. Portanto, pede que esta Autoridade permita, por exceção, com fundamento na letra “a”, do § 4°, do artigo 16, do Decreto n° 70.235/1972, que sejam juntados aos autos os seguintes documentos contábeis (Doc. 03) que simplesmente corroboram as bases de cálculo de FINSOCIAL já demonstradas nas DIRPJ: DO PEDIDO: Tendo em vista o exposto, a Contribuinte requer que o presente recurso seja julgado procedente a fim de reformar o Acórdão n° 1621,952 proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasi de Julgamento São Paulo I SP para que as compensações efetuadas no presente processo e no processo apenso n° 13804,002597/200374 sejam integralmente homologadas, em face da prova presente nos autos. Em 24 de abril de 2014, através da Resolução n° 3202000.203, a 2a Turma Ordinária, da 2a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para: a) certifiquese, no sistema apropriado, se de fato houve, no período a que se refere o crédito vindicado, pagamentos de Finsocial efetuados pela Itapevi Agrícola Ltda.; b) proceda à análise dos documentos acostados ao Processo Administrativo n.° 12157.000137/200825, conjuntamente com os já acostados aos autos, a fim de verificar se suprem a omissão (não constam as bases de cálculo nos próprios DARFs?; c) na falta de qualquer dado adicional necessário à apreciação do pedido, verifique se há possibilidade de concessão parcial do crédito vindicado, já que este se refere a diversas empresas. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados na diligência (inclusive, se for o caso, sobre o valor do crédito a restituir), sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 10 9 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 03 de agosto de 2009, às folhas 530. O recurso voluntário foi apresentado em 25 de agosto de 2009, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. ü O direito às compensações de débitos de COFINS com créditos de FINSOCIAL reconhecidos judicialmente nas Ações Ordinárias n° 94.70000749 e n° 94.70004744. Passase à análise. Como relatado, em 24 de abril de 2014, através da Resolução n° 3202000.203, a 2a Turma Ordinária, da 2a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para a Delegacia de origem. A resposta à Resolução foi apresentada às folhas 960 à 962, que reproduzimos: Tratase de diligência proposta pelo CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF), por meio da Resolução n° 3202 000.203 2a. Câmara/2a. Turma Ordinária, donde requer que esta unidade de origem elabore Relatório Fiscal conclusivo sobreosfatos apurados e, inclusive, se for o caso, se posicione sobre eventual valor de crédito em favor da recorrente (fls. 650/656). Com efeito, realizouse a análise dos elementos juntados ao presente processo em conjunto com os autos do Processo Administrativo n° 12175.000137/200825, para o qual o recorrente aponta estarem presentes outros documentos que justificariam as bases de cálculo da contribuição ao FINSOCIAL das planilhas de fls. 443/447, relativas a 5 (cinco) empresas incorporadas pela requerente: Perdigão Agroindustrial S/A, CNPJ 89.421.903/000150; Perdigão Alimentos S/A, CNPJ 82.629.7301000164; Perdigão Avícola Rio Claro LTDA, CNPJ 59.403.246/000157; Chester Avícola LTDA, CNPJ 81.306.722/000170; e ITAPEVI AGRÍCOLA LTDA, CNPJ 49.870 777/0001 04. Da análise, temse a esclarecer o quanto se segue. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 11 10 Consoante a certidão de objeto e pé de fls. 141/143, constatase que a Perdigão Agroindustrial S/A, CNPJ 89.421.903/000150 ajuizou ação de rito ordinário n. 94.70.000749, perante a Subseção da Justiça Federal em Joaçaba/SC, distribuída aos 09/02/1994, tendo como objeto a pretensão de obtenção de declaração de inconstitucionalidade dos artigos 7° da Lei n° 7,787/59, 1° da Lei n° 7.894/89 e 1° da lei n° 5.147190, os quais majoraram as alíquotas da contribuição ao FINSOCIAL para 1%, 1,2% e 2%, respectivamente, para fins de compensação com débitos vincendos da CO FINS. Aos 13/02/1995, foi prolatada sentença julgando parcialmente procedente o pedido formulado na inicial, para reconhecer a inconstitucionalidade do artigo 9 da Lei n° 7,689/88, do artigo 7° da Lei 7.787/89, do artigo l° da Lei n° 7.894/89 e do artigo 1° da lei n° 8.147/90, declarandose o direito da autora à compensação entre os valores pagos a indevidamente a maior com prestações. a vencer da COFINS (fls. 16/27). Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o recurso de apelação, tendo o E. TRF da 4a. Região negado provimento tanto a ele como à remessa oficial (fls. 28/35). Ainda houve a oposição de embargos de declaração pela Fazenda, porém estes foram rejeitados, sendo que, na sequência, foi interposto recurso especial pela Fazenda Nacional, ao qual foi negado seguimento, conforme decisão de fls. 37/39. Tal decisão transitou em julgado em 01/06/1998. Primeiramente, registrese que o crédito exposto no título judicial decorrente da ação de rito ordinário n. 94.70000749 repercute efeitos tão somente nas relações jurídicas de direito material envolvendo a empresa Perdigão Agroindustrial S/A, CNPJ 89.421.903/000150, eis que apenas esta teria ajuizado a aludida ação, ou seja, figurandose como parte única nos autos da referida ação, até que fosse sucedida pela Perdigão Alimentos S/A1, CNPJ 82.629.7301000164, e esta, após, sucedida pela requerente Perdigão Agroindustrial S/A2. Nesse sentido, impende mencionar que a relação processual discutida na presente ação teve como base a relação jurídico material consistente nos pagamentos realizados pela Perdigão Agroindustrial S/A, CNPJ 89.421.903/000150, razão pela qual, em obediência à delimitação objetiva da lide, não há que se falar na inclusão dos pagamentos relacionados às empresas incorporadas su pervenientemente pela recorrente, sob pena de malferir a dimensão exata da causa posta em juízo, violandose, por certo, os contornos estabelecidos pelo pedido inicial formulado pela parte originária.3 Do exposto, a presente diligência exclui de seu bojo a análise pertinente às bases de cálculos da contribuição ao FINSOCIAL das empresas Perdigão Alimentos S/A, CNPJ 82.629.7301000164; Perdigão Avícola Rio Claro LTDA, CNPJ 59.403.246/000157; e ITAPEVI AGRÍCOLA LTDA, CNPJ 49.870777/000104, legitimando o presente trabalho apenas em relação ao suposto crédito da Perdigão Agroindustrial S/A, CNPJ 89.421.903/000150 e da empresa Chester Avícola LTDA, CNPJ 81.306.722/000170, esta última incorporada pela primeira previamente ao ajuizamento da ação judicial n. 94.70000749. Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 12 11 O posicionamento da autoridade preparadora na resposta à Resolução n° 3202 000.203, ao delimitar o procedimento solicitado às empresa Perdigão Agroindustrial S/A, CNPJ 89.421.903/000150 e à empresa Chester Avícola LTDA, CNPJ 81.306.722/000170, incorre em incongruências, pois questão de mérito já se encontra pacificada através do RE 150.76/92 e pelo próprio posicionamento da Receita Federal do Brasil. A Contribuição ao FINSOCIAL, exigida à alíquota de 0,5%, sofreu majoração, mediante adicional de 0,5%. As empresas exclusivamente vendedoras de mercadoria e mistas recorreram à Justiça. Parte dos contribuintes não logrou êxito na justiça. As decisões (sentença, acórdão) a eles desfavoráveis transitaram em julgado. Em decorrência, alguns efetuaram pagamento espontâneo, uns fizeram parcelamento, outros tiveram convertidos em renda da União os depósitos efetuados para suspensão da exigibilidade do crédito objeto da disputa judicial. Como relatado, a Perdigão Agroindustrial S.A. ingressou com a ação n° 94.70000749 (fls. 16/40 – Doc. 02), requerendo: seja reconhecida e declarada a inconstitucionali~ dade dos artigos 7Q da Lei no 7.787/89, 1Q da Lei no 7.894/89 e lo da Lei no 8.147/90 que majoraram as alíquotas da contribuição ao FINSOCIAL para 1,0%, 1,2% e 2,0% respectivamente; seja deferida liminar para que a parte Autora possa valerse do direito assegurado pelo art. 66 da Lei no 8.383/91 e promover sucessivas compensações entre débitos vincendos do COFINS (LC 70/91) e créditos que possuem oriundos de prestações indevidas de contribuição para o FINSOCIAL; seja declarado que o valor apontado nos mapas, anexos à prefaciai, caracteriza o indébito; seja a parte Autora autorizada a proceder a compensação do que foi pago, indevidamente, com prestações vin cendas de COFINS, como previsto no art. 66 da Lei no 8.383/91, ou, caso este Juízo considere que o FINSOCIAL tenha natureza de imposto, que a compensação se faça com o IMPOSTO DE RENDA, nas subespécies, Imposto de Renda Pessoa Jurídica ou Imposto de Renda Retido na Fonte, condenando se a União Federal a réspeitar a compensação; seja autorizada que a compensação se faça após ser procedida a atualização monetária do montante indevidamente pago à título de FINSOCIAL, de acordo com os índices oficiais de inflação indicados por este juízo e que reflitam a totalidade da inflação ocorrida; alternativamente, seja a Ré condenada a repetir o indébito em moeda corrente acrescida de correção monetária e Juros moratórios de 1% ao mês, estes contados desde o trânsito em Julgado da sentença até a data do efetivo pagamento; . seja a Ré condenada nas custas, despesas e honorários advocatícios. Na Vara Federal de JoaçabaSC (primeira instância) foi acolhida a tese de inconstitucionalidade das majorações de alíquotas do FINSOCIAL e declarado que a autora decaiu de parte mínima do pedido e possui crédito perante a União. Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 13 12 O Tribunal Regional Federal da 4a Região não acolheu a apelação da União nem o reexame e decidiu pela compensabilidade do FINSOCIAL com a Cofins, bem como que a reprodução documental autenticada dos DARF’s reflete a verdade do original, mormente quando não impugnada a veracidade de seu contexto no momento próprio. No STJ a União também sucumbiu, tendo sido afastada, dentre outras, a tese de contagem do prazo decadencial para propositura da ação da data do pagamento, para fixála, no caso concreto, da data da declaração de inconstitucional idade. O trânsito em julgado ocorreu em 01/06/1998. Salientase que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 150.764/PE, declarou a inconstitucionalidade da norma que majorou, em 05%, a alíquota da Contribuição para o FINSOCIAL, afastando a exigência do adicional para as empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas. Nesse diapasão, foi editada a Medida Provisória nº 1.973/99, reeditada com o nº 2.17679/2001, hoje, Lei nº 10.522/2002, dispondo, in verbis: "ART. 18. FICAM DISPENSADOS A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS DA FAZENDA NACIONAL, A INSCRIÇÃO COMO DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO, O AJUIZAMENTO DA RESPECTIVA EXECUÇÃO FISCAL, BEM ASSIM CANCELADOS O LANÇAMENTO E A INSCRIÇÃO, RELATIVAMENTE: (...) III À CONTRIBUIÇÃO AO FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIALFINSOCIAL, EXIGIDA DAS EMPRESAS EXCLUSIVAMENTE VENDEDORAS DE MERCADORIAS E MISTAS, COM FUNDAMENTO NO ART. 9º DA LEI Nº 7.689, DE 1988, NA ALÍQUOTA SUPERIOR A ZERO VÍRGULA CINCO POR CENTO, CONFORME LEIS NºS 7.787, DE 30 DE JUNHO DE 1989, 7.894, DE 24 DE NOVEMBRO DE 1989, E 8.147, DE 28 DE DEZEMBRO DE 1990, ACRESCIDA DO ADICIONAL DE ZERO VÍRGULA UM POR CENTO SOBRE OS FATOS GERADORES RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE 1988, NOS TERMOS DO ART. 22 DO DECRETOLEI Nº 2.397, DE 21 DE DEZEMBRO DE 1987; (...) § 3 O O DISPOSTO NESTE ARTIGO NÃO IMPLICARÁ RESTITUIÇÃO EX OFFICIO DE QUANTIA PAGA." Por isso, resolvese baixar os autos em nova Resolução para apurar o crédito das seguintes empresas: a) Perdigão Alimentos S/A, CNPJ 82.629.7301000164; b) Perdigão Avícola Rio Claro LTDA, CNPJ 59.403.246/000157; e c) ITAPEVI AGRÍCOLA LTDA, CNPJ 49.870777/0001 04. E calcular os expurgos inflacionários das seguintes empresas: a) Perdigão Agroindustrial S/A, CNPJ 89.421.903/000150; b) Perdigão Alimentos S/A, CNPJ 82.629.7301000164; 1 Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 13804.001279/200396 Resolução nº 3302000.954 S3C3T2 Fl. 14 13 c) Perdigão Avícola Rio Claro LTDA, CNPJ 59.403.246/000157; d) Chester Avícola LTDA, CNPJ 81.306.722/000170; e , e) ITAPEVI AGRÍCOLA LTDA, CNPJ 49.870777/0001 04. Findada a instrução, INTIMESE a parte interessada para ser concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em atenção ao art. 28 da Lei No. 9.784/99 c/c art. 35, Parágrafo ùnico do Decreto 7.574/2011, em face do princípio do contraditório. Jorge Lima Abud. Fl. 1230DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.908913/2016-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.999
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.908913/201656 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.999 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 89 13 /2 01 6- 56 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13896.908913/201656 Acórdão n.º 3201004.999 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.862, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13896.908913/201656 Acórdão n.º 3201004.999 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13896.908913/201656 Acórdão n.º 3201004.999 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 118DF CARF MF
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