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Numero do processo: 13888.003238/2007-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1801-001.171
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.003238/200785 Acórdão n.º 180101.171 S1TE01 Fl. 59 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 08, com a exigência do crédito tributário no valor de R$35.383,38 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 13.09.2006 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do segundo semestre do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 07.04.2006. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 3º do art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 18 de 24 de fevereiro de 2000. Cientificada em 28.09.2007, fl. 36, a Recorrente apresentou a impugnação em 30.10.2007, fls. 0107,com as alegações a seguir sintetizadas. Afirma que apresentou a DCTF com atraso, porém que a imputação da multa isolada é “totalmente equivocada e desprovida de suporte fático e consistência”. Suscita que o cumprimento da obrigação tributária de forma espontânea está amparada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. Argui Assim sendo, concluise, de forma insofismável, que a multa aplicada deve ser EXCLUÍDA, já que configurouse no presente caso a DENÚNCIA ESPONTÂNEA antes de qualquer procedimento do Fisco. De outra banda, é de se . salientar que não houve. qualquer prejuízo ao Fisco o atraso na entrega da DCTF, bem como não houve qualquer procedimento fiscal para cobrança do imposto, razão pela qual requer seja relevada a multa, cancelandose seus efeitos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 3. DO PEDIDO Pelo exposto e induvidosamente provado, não assiste qualquer razão ao Fisco, sendo o Auto de Infração ausente da menor consistência fática e de nenhum amparo jurídico, razão pela qual REQUER o recebimento desta defesa e seu integral provimento para declarar a insubsistência e improcedência ao AI e o cancelamento de todos os seus efeitos. 4. DAS PROVAS "Ad cautelam", protesta por todos os meios de prova legalmente admitidos, inclusive perícia controversa nos autos do processo administrativo, mediante indicação de Assistente Técnico. N. termos, j. esta aos autos do AIIM. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.003238/200785 Acórdão n.º 180101.171 S1TE01 Fl. 60 3 P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1422.712, de 23.03.2009, fls. 4144: “Lançamento Procedente”. Restou ementado: [...] MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. É legalmente prevista a cobrança de multa por atraso na entrega de declaração, mesmo que a entrega desta declaração se dê antes de qualquer procedimento de oficio. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Tratandose de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência de fato gerador, o atraso na entrega de declaração não encontra guarida no instituto da exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea. Notificada em 15.05.2009 (sextafeira), fl. 47, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.06.2009, fls. 4854, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta De outra banda, verificase que a multa aplicada foi de 20% sobre o valor do Tributo. Dessarte, caso seja mantida a penalidade, o que se admite apenas por argumentação, deverá a multa ser reduzida ao patamar de 2%, conforme estatui o art. 70, III, da Lei n ° 10.426/2002, alterada pela Lei n° 11.051/2004, já que não houve qualquer prejuízo para o Fisco diante do atraso na entrega. Conclui Pelo exposto e induvidosamente provado, não assiste qualquer razão ao Fisco, sendo o Mao de Infração ausente da menor consistência Mica e de nenhum amparo jurídico, razão pela qual REQUER o recebimento deste Recurso voluntário e a ele ser dado integral provimento para declarar a insubsistência e improcedência ao AI e o cancelamento de todos os seus efeitos. N. termos, j. esta aos autos do processo administrativo retro testilhado, P. Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.003238/200785 Acórdão n.º 180101.171 S1TE01 Fl. 61 4 As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo recursal sem que a peça de defesa tenha sido interposta1. Verificase no presente caso que a Recorrente foi notificada em 15.05.2009 (sextafeira), fl. 47, e apresentou o recurso voluntário em 17.06.2009, fls. 4854. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário por ter sido interposto fora do prazo legal. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903780/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 37 80 /2 00 9- 71 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10865.903780/200971 Acórdão n.º 3803003.980 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 14751.002176/2009-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SOMENTE SÃO ACEITOS PARA CADA PER/DCOMP OS CRÉDITOS REFERENTES AO TRIMESTRE-CALENDÁRIO INFORMADO NA DECLARAÇÃO.
Em obediência a determinação do art. 28, § 2º da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, o pedido de ressarcimento de créditos do PIS e da COFINS, será formalizado por meio do registro de PER/DCOMP e cada pedido somente pode referir-se aos créditos de um determinado trimestre-calendário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Álvaro Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Winderley Morais Pereira.
(assinado digitalmente)
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA Redator designado
EDITADO EM: 19/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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SOMENTE SÃO ACEITOS PARA CADA PER/DCOMP OS CRÉDITOS REFERENTES AO TRIMESTRE CALENDÁRIO INFORMADO NA DECLARAÇÃO. Em obediência a determinação do art. 28, § 2º da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, o pedido de ressarcimento de créditos do PIS e da COFINS, será formalizado por meio do registro de PER/DCOMP e cada pedido somente pode referirse aos créditos de um determinado trimestrecalendário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Álvaro Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO – Relator (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 21 76 /2 00 9- 64 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1137.060 da 2ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: A contribuinte em epígrafe, por meio do Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 01492.24727.301208.1.1.080950, fls. 04/061, solicitou o ressarcimento do valor de R$ 69.558,74 atinente a supostos créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP atinente ao 4º trimestre de 2005. 2. Além do PER de fls. 04/06, aos presentes autos está anexado outro (22709.17452.070206.1.083750), atinente a pretenso crédito, no montante de R$ 14.397,45, a título da contribuição para o PIS/PASEP do 4º trimestre de 2005 (fls. 07/10), o qual foi alvo de pedido de cancelamento autuado sob o nº 32925.20475.170507.1.8.080480 (fl. 173). 3. Outrossim, está anexado ao corrente processo administrativo um terceiro PER (06833.92374.170507.1.1.083960, fls. 11/13), no qual também era inicialmente indicado crédito da contribuição para o PIS/PASEP do 4º trimestre de 2005, no montante de R$ 41.124,51, mas que foi posteriormente objeto de pedido de retificação, registrado sob o nº 06617.76944. 261208.1.5.088543, que alterou o período de apuração do crédito para o 1º trimestre de 2004, conforme se verificou nos autos do processo administrativo nº 14751.002161/200904, incluído na pauta desta sessão. 4. Ademais, constam dos autos as seguintes Declarações de Compensação –DCOMP: 4.1. 34442.86449.080808.1.3.053708 (fls. 14/19), posteriormente retificada pela de nº 08684.75196.300808.1.7.089044 (fls. 26/31); 4.2. 25910.96504.290808.1.7.019424 (fls. 20/25), qualificada como retificadora do PER nº 06833.92374.170507.1.1.083960; 4.3. 11216.01420.190908:1.3.08.5887 (fls. 32/39), em relação à qual a contribuinte apresentou o pedido de cancelamento 08572.85053.301208.1.8.08 1008, fl. 174. 4.4. 06812. 94109.170309.1.3.082418 (fls. 40/58). 5. Em face dos PER e da DCOMP acima, foi expedido, pela Delegacia da Receita Federal de João Pessoa, o Despacho Fl. 382DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 14751.002176/200964 Acórdão n.º 3102001.657 S3C1T2 Fl. 3 3 Decisório de fl. 175/176, que, aprovando o “Relatório de Procedimento Fiscal” de fls. 166/172, decidiu: 5.1. ratificar o deferimento, pelo sistema SIEF/PERDCOMP, dos pedidos de cancelamento acima citados; 5.2. admitir o pedido de retificação da DCOMP 34442.86449.080808.1.3.053708 pela de nº 08684.75196.300808.1.7.089044; 5.3. admitir o pedido de retificação do PER nº 06833.92374.170507.1.1:083960 pelo de nº 06617.76944.261208.1.5.088543; 5.4. não admitir a DCOMP retificadora nº 25910.96504.290808.1.7.019424, pois teve por objeto o aumento do débitos compensado (art. 79, da IN RFB nº 900/2008); 5.5. “DEFERIR PARCIALMENTE o pedido de ressarcimento constante do PER/DCOMP nº 01492.24727.301208.1.1.080950 (fls. 02 a 04), no valor de 11.584,31 (onze mil quinhentos e oitenta e quatro reais e trinta e um centavos), em virtude de disponibilidade parcial do crédito pleiteado, decorrente de glosa por pedido de ressarcimento a maior, no valor de R$ 57.974,43 (cinqüenta mil novecentos e setenta e quatro reais e quarenta e três centavos)”; 5.6. homologar, parcialmente, a DCOMP nº 08684.75196.300808.1.7.089044 e não homologar a de nº 06812. 94109.170309.1.3.082418, em razão da insuficiência de crédito”. 6. O Relatório de Procedimento Fiscal de fls. 166/172, após discorrer sobre o objeto do procedimento fiscal, transcreveu o art. 5º, da Lei nº 10.637, de 29/12/2002, e o art. 6º, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, bem como os arts. 21, 22 e 26, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, e, ainda, os arts. 42, 27 e 28, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, que prevêem ser trimestral o período de apuração dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP a serem utilizados em Pedidos de Ressarcimento/Declaração de Compensação (mais adiante, nos itens 30 a 32 do Voto proferido por este Relator, estão transcritos a parte destes dispositivos que interessam para a solução da presente lide). 7. Descreve o Relatório de fls. 166/172 os termos lavrados no curso do procedimento fiscal e o teor de suas correspondentes respostas. 8. Especificamente no tocante a diferenças detectadas entre os valores informados no PER e na DCOMP e aqueles Fl. 383DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 apurados por meio das notas fiscais apresentadas, diz supradito Relatório que “a empresa declarou que as diferenças relacionadas no anexo ao Termo de Intimação são créditos de notas fiscais que não geram direito ao crédito, inclusas indevidamente, exceto nos meses de outubro de 2004, outubro de 2005 e março de 2006, que se referem aos créditos não aproveitados de meses anteriores”. 9. Ainda quanto a tais divergências, fala supradito Relatório que: 9.1. “Intimado a justificar as divergências apuradas entre os valores de créditos informados nos pedidos de ressarcimento e aqueles apurados pela fiscalização, o contribuinte alegou que referemse a valores de notas fiscais que não geram direito ao crédito, inclusas indevidamente, e a créditos não aproveitados de meses anteriores”. 9.2. “De fato, ao analisarmos a distribuição dos valores de créditos informados pelo contribuinte no decorrer dos meses dentro de cada trimestre, poderemos verificar a desproporcionalidade entre os créditos apurados no primeiro mês do trimestre e os meses restantes, conforme quadro abaixo”: PERDCOMP TRIMESTRE TRIBUTO 1ª MÊS 2º MÊS 3ª MÊS 06617.76944.261208.1.5.08 8543 01/2004 PIS 155.030,46 5.923,29 9.853,18 11240.42420.261208.1.5.09 5633 04/2004 COFINS 189.391,81 13.663,81 11.007,91 06958.62871.140109.1.5.09 2036 04/2005 COFINS 156.509,17 16.458,63 19.822,10 01492.24727.301208.1.1.08 0950 04/2005 PIS 61.682,00 3.573,26 4.303,48 32952.43340.311208.1.1.09 4428 02/2006 COFINS 50.019,78 12.105,17 5.548,91 00368.20112.311208.1.1.08 6066 02/2006 PIS 10.859,56 2.628,09 10.204,70 9.3. “A justificativa da empresa para este fato foi de que a mesma procedeu conforme o item Ajuda do programa DACON, em que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”; 9.4. “Em sua defesa o contribuinte apenas confirmou o principio básico dos tributos sujeitos à nãocumulatividade. A fiscalizada confundiu período de apuração dos créditos, que é mensal, com período de apuração de créditos passíveis de ressarcimento, que é trimestral, nos termos dos atos normativos acima citados”; 9.5. “Através do DACON (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais) o contribuinte demonstra os valores das Fl. 384DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 14751.002176/200964 Acórdão n.º 3102001.657 S3C1T2 Fl. 4 5 contribuições do PIS e da COFINS devidos mensalmente, enquanto que no PERDCOMP (Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação) a empresa apura o crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição, ressarcimento e compensações, em cada trimestre civil, nos termos dos dispositivos legais mencionados no item 03 do presente relatório”. 10. À frente, o Relatório Fiscal registra que “Em decorrência dos procedimentos acima relatados, apresentamos o resultado da análise do crédito da contribuição para o PIS/PASEP, apurado no 1° trimestre (janeiro a março) de 2004, objeto da PERDCOMP n° 06617.76944.261208.1.5.088543”: Valor do Pedido Valor Apurado Valor do Crédito Glosado R$ 69.558,74 R$ 11.584,31 R$ 57.974,43 11. Devidamente cientificada do Despacho Decisório de fls. 175/176 aos 23/08/2010, fls. 177/178, a contribuinte, aos 22/09/2010, interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 179/190, em que alega que, no PER e na DCOMP aqui tratados, “estam incluídos os créditos da PIS/PASEP referentes aos meses de janeiro a setembro de 2005, sendo que, foi verificada a exatidão dos créditos somente referente aos meses de outubro/2005 a dezembro/2005, e os créditos dos meses de janeiro a setembro/2005 não foram reconhecidos tendo em vista créditos de meses anteriores embutidos no 4º trimestre/2005” e que “Os créditos pleiteados de meses anteriores constaram juntamente com os valores dos créditos do 4° trimestre/2005”. 12. Em seguida, indaga: “Não reconhecido por não haver disponibilidade de créditos? Por que não há crédito disponível?” 13. Incontinenti, afirma: “A Legislação diz no parágrafo 4º, Art. 3°, Lei n.° 10.637/2002: ‘O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes.’ Foi o ocorrido, aproveitouse de créditos de meses anteriores no 4° trimestre de 2005 (outubro a dezembro).” 14. Depois, assevera que “ O valor do crédito a ser ressarcido não esta sendo reconhecido sob a argumentação da não disponibilidade do crédito pleiteado (quinto parágrafo do Despacho Decisório DRF/JPA N° 341/2010), o que não traduz a realidade, pois, o crédito pleiteado está disponível e comprovado por documentos hábeis” e afiança que o crédito fora declarado nos DACON do 1º, 2º e 3º trimestres do ano de 2005. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 15. Sustenta que “O crédito pleiteado está legalmente acobertado por Notas Fiscais de compras de bens adquiridos para revenda, bens utilizados com insumos, serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica e demais custos consumidos na produção de mercadorias para revenda que foram totalmente exportadas para o exterior e tem seu direito creditório amparado na Lei nº 10.637/2002”. 16. Reproduziu a contribuinte os arts. 1º a 5º, da Lei nº 10.637/2002, após o que defende que “Verificase no art. 5º da Lei citada acima que são isentas de contribuição ao PIS as receitas decorrentes das operações de exportações”. 17. Na seqüência, registra o sujeito passivo que “Inconformado como deferimento parcial do crédito vem apresentar a essa Delegacia Federal de Julgamento pedido de ressarcimento em papel do período não considerado (janeiro a setembro/2005), e anexa todas as notas fiscais e outros documentos comprobatórios do crédito para que seja reconhecido seu direito e ressarcido conforme a Lei nº 10.833/2003 (sic). Para tanto, relaciona planilha discriminatória abaixo — contendo: o nome do fornecedor, CNPJ, N°s das NFs, datas e valores das aquisições efetuada com direito ao crédito”. 18. No item 6, da manifestação de inconformidade, apresenta “Planilha discriminatória do crédito”, atinente aos meses de janeiro a setembro de 2005, na qual consta data de entrada, nº da nota fiscal, CNPJ/FORNEC. e valores das operações de aquisições. 19. Ao final da petição de fls. 179/190, a contribuinte: 19.1. desiste “do recurso ao PER/DCOMP nº 25910.96504.290808.1.7.019424, por ter declarado, em 30/07/2010, que todos os débitos encontramse incluso na Lei 11.941/2009”; 19.2. “Diante do exposto acima, solicitamos a V. S.ª concedendolhe o direito a diferença do ressarcimento no valor de 26.810,78 (vinte e seis mil oitocentos e dez reais e setenta e oito centavos).” Após analisar a impugnação da Contribuinte, decidiu a DRJ, por julgar improcedente a manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. POSSIILIDADE DE RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO APENAS POR MEIO DE PER/DCOMP DO CORRESPONDENTE TRIMESTRE CALENDÁRIO. Os créditos da não cumulatividade para o PIS/PASEP somente podem ser ressarcidos/compensados por meio de PER/DCOMP correspondente ao trimestrecalendário em que apurados. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 14751.002176/200964 Acórdão n.º 3102001.657 S3C1T2 Fl. 5 7 Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário a contribuinte alega que, em suma, todo o pedido de restituição de crédito encontrase acobertado por notas fiscais que representam variados custos na produção de mercadorias para revenda, sendo referido direito creditório previsto pela Lei n.º10.637/2002, bem como que tal pedido encontrase constante na manifestação de inconformidade, através de planilha discriminatória. Desse modo, o Recorrente solicita a reformulação do Acórdão no sentido de conceder o ressarcimento restante. É o relatório. Voto Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Em analise aos termos do Recurso Voluntário interposto, do qual se observa o pedido de ressarcimento do crédito restante, decorrente do deferimento parcial constante do Despacho Decisório, vêse que a contribuinte, ora Recorrente, limitase à questão relativa à discriminação do eventual crédito que faz jus, bem como em reforçar o argumento de titular do direito a dito ressarcimento. Entretanto, em que pese a existência de uma planilha discriminatória, assim como notas fiscais que perfaçam, eventualmente, todos os valores atinentes ao montante objeto de pedido de ressarcimento atinente ao PIS não cumulativa, o qual compreenderia os créditos deste tributo constituídos nos meses anteriores, notase que o acórdão recorrido enfatiza que o óbice ao referido ressarcimento resulta na periodicidade de apuração dos créditos do PIS a serem ressarcidos. Neste patamar, é imperioso elencar a legislação pertinente, a Lei n.º10.833/2003, que, ao dispor, em seu art. 6º, acerca da não incidência do PIS, aduz que as receitas decorrentes das operações de mercadorias para o exterior assim estão revestidas, isto é, sem a referida incidência. Em seguida, vêse que, da leitura do § 1º do mesmo dispositivo, faz se necessário observar a legislação específica aplicável. Assim sendo, o acórdão recorrido suscita os arts. 21 e 22 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Fl. 387DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; (...) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 26. (...) § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26. § 8º A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. § 9º O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação.” Destarte, diante da instrução normativa colacionada, não restam dúvidas que o pedido de ressarcimento deverá aterse, tão somente, a um único trimestrecalendário, o que viabiliza, conforme delineado pelo acórdão, a sistemática da análise eletrônica de Pedidos de Restituição/Ressarcimento e de Declarações de Compensação, sobretudo sua efetividade. O acórdão recorrido aduz que o contribuinte não pode, a exemplo do Recorrente, solicitar a restituição de créditos referentes a meses de outros trimestres, ainda que referido crédito esteja com seus valores devidamente demonstrados/comprovados, consoante se depreende de uma passagem do acórdão em tela: Fl. 388DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 14751.002176/200964 Acórdão n.º 3102001.657 S3C1T2 Fl. 6 9 “Destarte, não pode o sujeito passivo, descumprindo a exigência normativa, inserir, em determinado trimestre, créditos referentes a meses de outros trimestres, pois isto inviabiliza o tratamento eletrônico do PER e da DCOMP.” Entretanto, analisandose as razões da decisão da DRJ supracitadas, denotase que a instrução normativa não perfaz a condição de legislação específica aplicável, porquanto não pode nem deve ser considerada legislação para tais fins, residindo, tão somente, em ato normativo expedido por autoridade administrativa. Ora, necessário observar que as instruções normativas são normas complementares, de tal modo que não podem nem conceder tampouco retirar direitos previstos pelo ordenamento jurídico. Assim, é mister, frisar que a instrução normativa em espeque, da qual se lastreia a decisão recorrida, viola o princípio da legalidade, ao extrapolar os limites de seu objeto. Ressaltese que jamais uma Instrução Normativa pode inovar um ordenamento jurídico passando por cima do conteúdo de leis ou decreto, visto que o Inciso II do art. 5º da Carta Magna dispõe que ninguém pode ser obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Trazendo os argumentos acima ao caso em deslinde, vêse que referida instrução normativa limitou o direito de ressarcimento do contribuinte, ora Recorrente, haja vista que restringiu o objeto de cada pedido de ressarcimento para um único trimestre calendário. Por conseguinte, vêse que tal exigência não deve ser atendida vez que o art. 5º da Lei n.º 10.637/2002 contempla o Recorrente da incidência do PIS nas operações ali descritas, “in verbis”: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de:Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Portanto, em aplicação à legislação aqui transcrita, concluise que o contribuinte em tela qualificase como titular do direito de ressarcimento, visto que suas operações e, por conseguinte, as receitas delas provenientes são isentas da contribuição para o PIS. Ademais, desde que não ultrapassado o prazo decadencial de cinco anos, a contar do recebimento da mercadoria, é admissível o aproveitamento dos créditos nos meses seguintes, tal como pretende a Recorrente. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Por todo exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o óbice à fruição do ressarcimento, devolvendo os autos ao órgão julgador para apreciar os créditos pretendidos. Sala de sessões 25 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Voto Vencedor Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator Designado. Em que pese o respeitável voto do e. relator, peço vênia para divergir do entendimento em relação a possibilidade do pedido de compensação do PIS e da COFINS formalizados por meio de PER/DCOMP possa abarcar períodos de créditos diferentes do trimestrecalendário registrado. Antes de adentrar ao mérito da questão, cabe relembrar as disposições legais que trouxeram a possibilidade da utilização da compensação para extinção dos débitos tributários, originalmente instituído no artigo 170 do Código Tributário Nacional – CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” A efetiva de utilização do instituto da compensação, deuse a partir da edição da Lei nº 8.383/91, que somente permitia a compensação de tributos da mesma espécie, dispensando a autorização administrativa, sendo efetivada, por iniciativa do contribuinte com assentamentos na contabilidade. Posteriormente, o art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 30 de agosto de 2002, (convertida na Lei nº 10.637/2002), alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, permitindo a compensação entre tributos diversos, desta feita, com autorização administrativa, por meio de entrega obrigatória de Declaração de Compensação. O cerne da lide do presente processo é a possibilidade de aceitar que uma única PER/DCOMP possa abarcar créditos referentes a mais de um trimestrecalendário. Entendo não assistir razão a Recorrente. O § 14, do art. 74 da Lei nº 9.430/96 deixa cristalino a atribuição legal da Receita Federal para disciplinar a compensação e por consequência a Declaração de compensação. In verbis. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 14751.002176/200964 Acórdão n.º 3102001.657 S3C1T2 Fl. 7 11 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação."(grifei) Com a atribuição definida em lei, a Secretaria da Receita Federal determinou por meio do art. 28, § 2º da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, que o pedido de ressarcimento que versem cobre créditos do PIS e da COFINS seria realizado por meio de PER/DCOMP eletrônica e somente poderia trazer créditos referentes a um único trimestre calendário. "Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 1º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II do caput e do § 3º do art. 27, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação."(grifei) A PER/DCOMP, por tratarse de documento eletrônico, possibilita diversas críticas e critérios de preenchimento e dentre estes a obrigatoriedade de informar os créditos referentes a um determinado trimestrecalendário em obediência a IN SRF 900/2008. Ao registrar o seu pedido de ressarcimento/compensação a Recorrente informou que possuía créditos referentes a um determinado mês em montante superior àquele que teria direito. Ao ser questionada sobre a divergência, informou que os créditos não confirmados eram referentes à Notas Fiscais que não correspondiam a aquisição de insumos e a créditos apurados em meses anteriores ao trimestrecalendário registrado na PER/DCOMP. Diante dos fatos, fica claro que a Recorrente registrou o pedido de compensação com informações discrepantes. A Fiscalização agiu corretamente ao auditar os créditos pretendidos. Homologou aqueles que comprovadamente constavam dos assentamentos contábeis da Recorrente para o mês informado, negando o restante. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 O Fisco ao permitir que o contribuinte declarasse os créditos a que tem direito e procedesse às compensações tributárias sem o envolvimento da autoridade fiscal, confere as informações prestadas nas PER/DCOMP pressuposto de veracidade. A Recorrente ao incluir na declaração de compensação, informações que não correspondiam a realidade, ficou sujeita a glosa dos créditos indevidamente informados. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões 25 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 392DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 19/03/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 16327.001738/00-33
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998
INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE.
A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo, ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da regularidade fiscal, nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995.
DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. REGRAS ATUAIS. EFEITOS.
A partir da edição da Instrução Normativa da Receita Federal nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa da Receita Federal nº 094, de 1997.
REGRAS DE INTERPRETAÇÃO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GRADAÇÃO DA PENALIDADE.
Cabe a autoridade administrativa, no processo de solução de conflitos entre as normas, se guiar pelos princípios elementares que regem o Processo Administrativo Fiscal, respeitados os direitos e garantias individuais emanados da Constituição Federal. O descumprimento de uma obrigação acessória, determinado por dispositivo interpretativo não tem o condão de fulminar o direito material consignado na lei.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. INCENTIVOS FISCAIS. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. ADMISSIBILIDADE.
Provado o direito material não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração original tenha sido apresentada no exercício respectivo. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores de incentivos transcritos na retificadora.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente, justificadamente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998 INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo, ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da regularidade fiscal, nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. REGRAS ATUAIS. EFEITOS. A partir da edição da Instrução Normativa da Receita Federal nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa da Receita Federal nº 094, de 1997. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GRADAÇÃO DA PENALIDADE. Cabe a autoridade administrativa, no processo de solução de conflitos entre as normas, se guiar pelos princípios elementares que regem o Processo Administrativo Fiscal, respeitados os direitos e garantias individuais emanados da Constituição Federal. O descumprimento de uma obrigação acessória, determinado por dispositivo interpretativo não tem o condão de fulminar o direito material consignado na lei. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. INCENTIVOS FISCAIS. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. ADMISSIBILIDADE. Provado o direito material não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração original tenha sido apresentada no exercício respectivo. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores de incentivos transcritos na retificadora. Recurso Especial do Procurador Negado.
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CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo, ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da regularidade fiscal, nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. REGRAS ATUAIS. EFEITOS. A partir da edição da Instrução Normativa da Receita Federal nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa da Receita Federal nº 094, de 1997. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GRADAÇÃO DA PENALIDADE. Cabe a autoridade administrativa, no processo de solução de conflitos entre as normas, se guiar pelos princípios elementares que regem o Processo Administrativo Fiscal, respeitados os direitos e garantias individuais emanados da Constituição Federal. O descumprimento de uma obrigação acessória, determinado por dispositivo interpretativo não tem o condão de fulminar o direito material consignado na lei. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. INCENTIVOS FISCAIS. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. ADMISSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 38 /0 0- 33 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 Provado o direito material não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração original tenha sido apresentada no exercício respectivo. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores de incentivos transcritos na retificadora. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente, justificadamente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001738/0033 Acórdão n.º 9101001.438 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 06/03/2008 (fls. 108), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, inicialmente, Embargos de Declaração, após o indeferimento recorre, tempestivamente, nos termos de seu Recurso Especial (fls. 124/127), para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10809.393, de 12/09/2007 (fls. 98/106) cuja decisão, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto, em 18/01/2006, pela contribuinte Itaú Previdência e Seguros S/A (fls. 77/82). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, atualmente regido pelo art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que a contribuinte protocolou, em 04/09/2000, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, referente ao exercício de 1998, anocalendário de 1997. Observando, que em 29/04/1998 a contribuinte apresentou a declaração de imposto de renda normal e que em 07/04/1999, apresentou declaração retificadora. Em 30/10/2002, a Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo – SP indeferiu o Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais sob o argumento básico de que a declaração original, não tendo sido processada pelo sistema IRPJOEIF, foi cancelada em virtude da apresentação da retificadora, a qual, além de ser entregue fora do exercício, modificou o valor do incentivo, diminuindoo. Embora aparentemente haja sido processada pelo sistema em apreço esta última não permitiu a emissão automática do incentivo declarado não só em virtude de sua entrega ter se dado após o término do exercício, mas também devido à outra ocorrência já mencionada. Inconformada com a decisão a contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, em 02/12/2002 (fls. 59/62), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que até o ano de 1999 a pessoa jurídica tributada com base no lucro real podia destinar parte do imposto devido para aplicação em projetos relacionados ao desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste e do Estado do Espírito Santo; que a manifestante optou pela destinação de seu lucro referente ao ano calendário 1997. Tal opção foi feita em 1998, com a entrega da declaração de imposto de renda referente àquele ano. Porém, ao perceber que havia um equívoco na declaração originária exerceu seu direito de retificála, conforme determina o artigo 1°, § 1° da IN n° 166/99; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 que podemos concluir que o Sr. Auditor Fiscal ao fundamentar seu despacho decisório desconsiderou a IN n° 166/99, baseandose no Ato Declaratório n° 26/85, o qual embora esteja vigorando por não haver norma expressa posterior revogandoo, não mais se aplica à realidade, ou seja, tornouse inaplicável em face às mudanças ocorridas na legislação. Após resumir os fatos constantes da decisão da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo – SP e as principais razões apresentadas pela requerente em sua Manifestação de Inconformidade, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP I decide julgar improcedente o pedido da contribuinte indeferindo a sua solicitação, com base, em síntese, no argumento básico de que não faz jus ao incentivo fiscal a pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora após o encerramento do exercício de competência. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 27/08/2005, conforme Termo constante às fls. 75/76, e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, tempestivamente, em 18/01/2006, o seu Recurso Voluntário (fls. 83/95), instruído pelos documentos de fls. 83/95, o qual, ao ser apreciado pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10809.393, de 12/09/2007, teve seu provimento aceito, por unanimidade de votos, conforme se verifica de sua ementa: PAF — INCENTIVO FISCAL — INCENTIVOS FISCAIS A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo, ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da regularidade fiscal, nos termos do artigo 60 da Lei 9069/1995. PAF — INCENTIVO FISCAL — DIPJ RETIFICADORA — EFEITOS A partir da IN 166/99, os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres dessa normativa, art. 1º, § 2°, I, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a INSRF094, de 24 de dezembro de1997. PAF REGRAS DE INTERPRETAÇÃO PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA — GRADAÇÃO DA PENALIDADE — Cabe a autoridade administrativa, no processo exegético de solução de conflitos entre as normas, se guiar pelos princípios elementares que regem o processo administrativo, respeitados os direitos e garantias individuais emanados da CF: art.5°, XXXIV "a", LIV e LV. O descumprimento de uma obrigação acessória, determinado por dispositivo interpretativo não tem o condão de fulminar o direito material consignado na lei. PAF — DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA — PENALIDADE APLICÁVEL —Provado o direito material da recorrente, tem decidido este Colegiado que não é possível desconhecer o princípio da razoabilidade da sanção, quando se trata de descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001738/0033 Acórdão n.º 9101001.438 CSRFT1 Fl. 4 5 Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 06/03/2008, conforme Termo constante às fls. 108, a Fazenda Nacional interpôs, inicialmente, Embargos de Declaração, os quais não foram acolhidos, posteriormente, de forma tempestiva (17/04/2008), apresentou o seu Recurso Especial de Divergência de fls. 124/127, com amparo no art. 7º, inciso II, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que as ementas transcritas demonstram que outras Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, divergindo da Câmara a quo, entendem que não faz jus ao incentivo fiscal, pessoa jurídica que apresenta declaração retificadora após o encerramento do exercício de competência; que, dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial diante das ementa anexas, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial consoante o disposto no artigo 7°, II, do RICSRF (Portaria MF n° 147/2007); que dentre os incentivos alistados nos referidos arts. 503 a 510 do RIR/80 estão compreendidos os investimentos no FINOR, que fazem parte do pedido da pessoa jurídica, ora Recorrida; que o Ato Declaratório Normativo CST n° 26/85 determina que não fará jus à opção para aplicação em incentivos fiscais, a pessoa jurídica que apresentar retificação da declaração de rendimentos fora do exercício de competência, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente. Portanto, verificase que o caso em tela enquadrase perfeitamente nessa previsão, já que a Recorrida apresentou Declaração de Rendimentos em 29/04/98 e Retificadora somente em 07/04/99; que convém observar que esse Ato Declaratório não pode ser olvidado, pois conforme preceitua o art. 96 do CTN, a expressão "legislação tributária" inclui também as normas complementares que versam sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, dentre essas, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas (art. 101, I do CTN) e, por constituírem o plexo jurídico do sistema tributário, devem ser igualmente obedecidas nos julgamentos das instâncias administrativas. Segue abaixo os acórdãos paradigmas apresentado, pela Fazenda Nacional, seguido de suas respectivas ementas: Acórdão 10708178: IRPJ — INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE — ENTREGA DE DIPJ EM EXERCÍCIO SUBSEQUENTE — OPÇÃO POR INCENTIVOS FISCAIS — ADN 26/85 GLOSA — PERC — INDEFERIMENTO – O evento de incorporação de sociedades, desde o advento da Lei 7.450/85, decreta a ocorrência do fato gerador do IRPJ, deslocando o exercício de competência de sua entrega para o próprio exercício em que o fato se verificou. A entrega da declaração em exercício diverso do fixado, nos termos do ADN 26/85, torna inválida a opção por incentivos fiscais pela realizada. Acórdão 10195911: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 IRPJ INCENTIVOS FISCAIS. PERC – RETIFICAÇÃO DECLARAÇÃO. Não tem direito à destinação para aplicação em fundos de investimento fiscais o valor apurado em retificação de declaração e que tenha sido recolhido fora do exercício financeiro de competência. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte exarou o Despacho nº 1081572008, de 07/08/2008 (fls. 131/132) dando seguimento ao Recurso Especial de Divergência, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Encaminhado os autos para ciência da contribuinte, nos termos regimentais, foram apresentadas, em 09/09/2008, as contrarrazões (fls. 136/141), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: que entendeu a Fazenda Nacional que a Recorrida descumpriu a norma que regulamenta o " incentivo fiscal; que, no entanto, o acórdão proferido nestes autos considerou os princípios da verdade material, do formalismo moderado e da razoabilidade da sanção, concluindo que a recorrente atendeu as determinações legais e, portanto, a declaração retificadora pode ser aceita; que, assim, não merece reparos o acórdão proferido, já que observou os princípios que norteiam o processo administrativo e privilegiou aqueles que mais se adequariam à demanda travada nos autos; que há que se ressaltar que a declaração original foi entregue tempestivamente e que a opção pelo incentivo fiscal constava de suas fichas e, ainda, que tenha sido retificada, não houve qualquer inovação, mas apenas a redução do valor destinado ao FINOR; que nesse sentido também é o entendimento da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme se observa do acórdão nº 10194.797. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001738/0033 Acórdão n.º 9101001.438 CSRFT1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 06/03/2008 (fls. 108), apresentou, inicialmente, Embargos de Declaração que foram rejeitados, posteriormente, protocolou o presente apelo em 22/04/2008 (fls. 124/127), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da mesma forma, a Fazenda Nacional, cumpriu os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial de Divergência, já que acostou aos autos cópia de acórdão divergente de decisão que deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, bem como demonstrou analiticamente com a indicação dos pontos no paradigma colacionado que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Depreendese do relatado, que a Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial de Divergência, com amparo no art. 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 insurgindose contra decisão da então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, exarado pelo Acórdão 10809.393, de 12/09/2007, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, baseado, em síntese, nos argumentos básicos: que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo, ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da regularidade fiscal, nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069, de 1995; que a partir da IN nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres dessa normativa, art. 1º, § 2°, I, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN SRF nº 094, de 24 de dezembro de1997; que cabe a autoridade administrativa, no processo exegético de solução de conflitos entre as normas, se guiar pelos princípios elementares que regem o processo administrativo, respeitados os direitos e garantias individuais emanados da CF: art.5°, XXXIV "a", LIV e LV. O descumprimento de uma obrigação acessória, determinado por dispositivo interpretativo não tem o condão de fulminar o direito material consignado na lei; e Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 que provado o direito material da recorrente, tem decidido este Colegiado que não é possível desconhecer o princípio da razoabilidade da sanção, quando se trata de descumprimento de obrigação acessória. Como visto do relatório, tratase de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, referente ao exercício de 1998, correspondente ao ano calendário de 1997, no valor de R$ 914.021,19. Observase que a Fazenda Nacional firmou o seu entendimento de que a declaração original, não tendo sido processada pelo sistema IRPJOEIF, foi cancelada em virtude da apresentação da retificadora, a qual, além de ser entregue fora do exercício, modificou o valor do incentivo, diminuindoo. Ou seja, não faz jus ao incentivo fiscal a pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora após o encerramento do exercício de competência. Como visto, o ponto nodal do presente feito consiste em se saber se é possível as empresas obterem a Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais na situação em que a pessoa jurídica beneficiada apresentou a declaração retificadora após o encerramento do exercício de competência. O acórdão ora recorrido posicionase no sentido de que é possível, já que entende que, a partir da IN nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres dessa normativa, art. 1º, § 2°, I, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN SRF nº 094, de 24 de dezembro de1997. Não há dúvidas de que o Ato interpretativo, (Nota SRF/Cosar n.° 131/2001), informou que somente seriam acatadas aplicações em incentivos fiscais provenientes de declarações retificadoras entregues depois de encerrado o exercício referido se, cumulativamente, a declaração original fosse entregue dentro do exercício e não houvesse retificação que alterasse o valor da opção exercida na última declaração entregue dentro do exercício. Por outro lado, o artigo 60 da Lei nº 9.069, de 1995, vincula a concessão do reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, tãosomente, à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. A bem da verdade, apenas nas normas interpretativas consta a proibição do gozo do incentivo quando há declaração retificadora fora do prazo. Ora, tem toda razão a Recorrente quando invoca o artigo 1° da IN nº 166, de 1999, que autorizou retificar todas as informações contidas na declaração originária. E o § 1° estendeu a autorização aos anos calendários anteriores. Os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres da própria norma normativa, teria a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN SRF nº 094, de 1997. É necessário ressaltar, que há simetria quanto à matéria de fato. Os mesmos elementos de prova são usados pela autoridade fiscal para lançar tributos, pela autoridade julgadora de primeira instância para manter o lançamento e pelo sujeito passivo para justificar o acerto em seu procedimento. O impasse decorre da suposta impossibilidade legal em se aceitar a retificadora para fruição do beneficio. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001738/0033 Acórdão n.º 9101001.438 CSRFT1 Fl. 6 9 A penalidade pela retificação seria única perda do direito segundo o princípio da atividade vinculada do administrador tributário. Aqui, uma lei em sentido formal absorvendo e se sobrepondo a outra lei material. Ora, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais temse solidificado no sentido de que não se pode desconhecer os princípios da verdade material, do formalismo moderado e da razoabilidade da sanção, quando se trata de descumprimento de obrigação acessória. Nesta linha de raciocínio não há razões aparentes para não aceitar que a declaração retificadora substitui a original em todos os seus efeitos. Como visto, a partir da edição da Instrução Normativa da Receita Federal nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa da Receita Federal nº 094, de 1997. Por outro lado, cabe a autoridade administrativa, no processo de solução de conflitos entre as normas, se guiar pelos princípios elementares que regem o Processo Administrativo Fiscal, respeitados os direitos e garantias individuais emanados da Constituição Federal. O descumprimento de uma obrigação acessória, determinado por dispositivo interpretativo não tem o condão de fulminar o direito material consignado na lei. Assim sendo e provado o direito material não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração original tenha sido apresentada no exercício respectivo. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores de incentivos transcritos na retificadora. Nestas condições, entendo que a decisão recorrida está em perfeita consonância com os dispositivos legais vigentes, razão por que conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo e, no mérito, negolhe provimento (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 164DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA
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Numero do processo: 10680.721640/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2007 e 2008
SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÓCIO RETIRANTE DA SOCIEDADE. A
responsabilidade solidária de sócio por dívidas tributárias da sociedade pode ser imposta quando presentes os requisitos do art. 135 do CTN, quais sejam, quando os créditos tributários sejam "resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos".
Recurso Voluntário improvido.
Numero da decisão: 1402-001.030
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio José Praga de Sousa, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira acompanharam pelas conclusões.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 e 2008 SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÓCIO RETIRANTE DA SOCIEDADE. A responsabilidade solidária de sócio por dívidas tributárias da sociedade pode ser imposta quando presentes os requisitos do art. 135 do CTN, quais sejam, quando os créditos tributários sejam "resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". Recurso Voluntário improvido.
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Recorrida 2ª Turma da DRJ/BHE ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 e 2008 SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÓCIO RETIRANTE DA SOCIEDADE. A responsabilidade solidária de sócio por dívidas tributárias da sociedade pode ser imposta quando presentes os requisitos do art. 135 do CTN, quais sejam, quando os créditos tributários sejam "resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". Recurso Voluntário improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio José Praga de Sousa, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10680.721640/201160 Acórdão n.º 1402001.030 S1C4T2 Fl. 2 2 Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, cumulados com multa de ofício qualificada (150%) e juros (fls. 339), relativos a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2007 e 2008, oriundos da suposta omissão de receitas apurada pela fiscalização em decorrência da constatação de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a autuada, regularmente intimada, não comprovou a origem, nos termos previstos no art. 287 do RIR/99. Compõe ainda o TVF a relação dos depósitos de origem não comprovada (fls. 57/163), cuja consolidação foi feita no Quadro V juntado à fl. 164. Os demais documentos que fundamentam a exigência fiscal constam das fls. 165/2882. Foi também lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, em nome de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva, anexado às fls. 2883/2884. À fl. 2891, foi anexado memorando de encaminhamento dos Avisos de Recebimento AR (fls. 2892/2897). Regularmente intimados, apenas Eduardo Pacheco dos Reis e Silva, na condição de sujeito passivo solidário, apresentou impugnação (fls. 2898/2905), cujo conteúdo, resumido na decisão de primeira instância, passo a transcrever: Da empresa autuada Afirma o impugnante que, durante o período em que figurava no quadro societário da empresa (até maio de 2007), agindo em estrita observância ao contrato social, geria recursos de terceiros e adquiria crédito de empresas de diversos segmentos, situação essa que justifica o elevado volume de recursos movimentados em suas contas bancárias. Essa realidade, conforme reconhecido pela autoridade fiscal, restou demonstrada nos autos do procedimento fiscal, por meio das declarações de favorecidos ou remetentes das movimentações bancárias da empresa autuada. Eventualmente, a empresa autuada adquiria créditos de terceiros que não foram notificados acerca das referidas cessões. Por essa razão, apresentaram justificativa nos autos do termo de verificação fiscal que, em tese, poderia ser interpretada como atividade estranha à de factoring, situação essa que, de fato, não aconteceu. Assim, não merece prosperar a conclusão da fiscalização de que a empresa autuada exerceu atividades que destoam daquelas constantes de seus atos constitutivos, como serviços de instalação de câmeras e sistemas de segurança e intermediação em movimentação de moeda estrangeira, na medida em que no período em que o impugnante era sócio, a sociedade somente desempenhava atividades de factoring. Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10680.721640/201160 Acórdão n.º 1402001.030 S1C4T2 Fl. 3 3 Por fim, esclarece o defendente que, na época em que foi sócio da empresa, deixou de declarar os valores devidos, bem como recolher os impostos, não por máfé, mas simplesmente por desentendimentos pessoais com a assessoria contábil. Com essa situação, tendo em vista que surgiram interessados em assumir a empresa, o impugnante cedeu a baixo custo suas cotas e "saiu" do negócio, tendo salientado que eventual débito ou conduta em dissonância com a legislação pátria não podem ser a ele atribuídos. Nulidade do auto de infração Ressalta que a autoridade fiscal não fundamentou corretamente a inclusão do impugnante no pólo passivo do presente procedimento administrativo, uma vez que, nos termos do art. 121 do CTN, a pessoa obrigada pelo pagamento do tributo seria somente a empresa R S Representações Ltda., sociedade dotada de personalidade jurídica própria. Evidentemente que o impugnante, na condição de sócio, era quem movimentava as contas bancárias da empresa autuada nos anos de 2006 e 2007. Todavia, a pessoa obrigada ao pagamento dos tributos era a própria sociedade limitada. Em relação ao art. 124, I, do CTN, mencionado no auto de infração, devese destacar que a empresa autuada era a única interessada e beneficiada pelos depósitos em conta geradores dos tributos. Ademais, apesar da grande movimentação bancária, a sociedade se encontrava, nos anos de 2006 e 2007, em situação de dificuldades financeiras por ter adquirido créditos sem lastro, gerando grande passivo financeiro e não tendo ocorrido distribuições aos sócios. Diante dessa situação, podese dizer que os sócios não tiveram interesse comum ou se beneficiaram da situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Assim sendo, é nulo o auto de infração em relação à inclusão do impugnante na condição de devedor solidário, uma vez que não há fundamentação legal para tanto. Cita ainda decisões do Conselho dos Contribuintes. Para a responsabilização pessoal do sócio administrador, conforme preceitua o art. 135 do CTN, é necessária a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei ou ao contrato social. Analisando cada um dos requisitos legais, podese concluir que o impugnante, quando sócio da empresa autuada, não incorreu em nenhumas das hipóteses previstas no supracitado artigo do CTN. Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10680.721640/201160 Acórdão n.º 1402001.030 S1C4T2 Fl. 4 4 Conforme já mencionado, todas as atividades da empresa autuada eram relacionadas à administração de contas a pagar e a receber, através de factoring. Ocorre que em alguns casos, a sociedade adquiriu créditos de terceiros que não foram notificados da cessão do crédito. Destaca ainda que resta pacificado na jurisprudência pátria que o não pagamento do tributo não configura a infração à lei, de forma a acarretar a responsabilidade do sócio. Assevera, finalmente, que o impugnante, na condição de sócio administrador, não deixou de recolher os tributos devidos por máfé, mas sim por ausência de recursos e em razão de uma transitória falta de assessoria contábil, decorrente de problemas havidos entre a empresa autuada e a empresa contratada para a prestação dos referidos serviços. Assim, tendo em vista que o impugnante não agiu com excesso de poderes, em dissonância com o contrato social ou à margem da lei, durante o período em que administrou a empresa autuada, este não pode ser responsabilizado solidariamente pelo crédito tributário apurado. Da sucessão tributária Fazendo referência à 9a alteração contratual, oportunidade na qual o impugnante se retirou da sociedade, registrada em 04/07/2007, verificase que o adquirente continuou a exercer a mesma atividade empresarial de prestação de serviços administrativos a terceiros, inclusive serviço de contas a pagar, contas a receber, recebimentos diversos e compra de direitos creditórios. Posteriormente, “em 12/01/200”, a empresa autuada foi novamente sucedida (10ª alteração contratual), mas o seu objeto social se manteve inalterado. Como se verifica, tendo em vista que o impugnante foi sucedido por outras pessoas que continuaram a explorar a mesma atividade comercial da empresa adquirida, restou evidenciado que a responsabilidade pelo crédito tributário apurado não pode ser a ele atribuída, mas sim, aos seus sucessores, conforme determinação expressa do art. 133 do CTN. (...). A 2ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem manter integralmente os lançamentos, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007, 2008 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10680.721640/201160 Acórdão n.º 1402001.030 S1C4T2 Fl. 5 5 crédito tributário apurado. Constatado que o sócio, mesmo após ter sido excluído formalmente da sociedade, era de fato o responsável pela movimentação bancária da empresa autuada no período fiscalizado, é lícito à autoridade fiscal qualificálo como responsável solidário pelo crédito tributário constituído. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, Eduardo Pacheco dos Reis e Silva, na condição de sujeito passivo solidário, apresentou recurso voluntário (fls. 2942/2948). É, no essencial, o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Inicialmente, digase que não consta dos autos que a empresa R S Representações Ltda. tenha apresentado impugnação ou recurso voluntário, razão pela qual, em cumprimento ao determinado no parágrafo único do artigo 9º da Portaria RFB nº 2.284/10, foi lavrado Termo de Revelia às fls. 2941. Assim, cabe analisar, tão somente, as razões expostas pelo responsável solidário para sua exclusão da lide. Para logo, tenhamos em mente que o Termo de Sujeição Passiva Solidária, em nome de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva, lavrado às fls. 2883/2884, indica como fundamento legal para a solidariedade exclusivamente os arts. 121 e 124, inciso I do CTN. Referidos dispositivos dispõe que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O acórdão recorrido, por sua vez, afirma que a fiscalização colheu elementos que atestariam o interesse comum entre o interessado e a RS Representações Ltda. no tocante à omissão de receitas apurada com base na movimentação financeira da empresa, mantida à margem da contabilidade, cujos vultosos valores envolvidos evidenciaram uma patente contradição com as informações prestadas nas declarações obrigatórias apresentadas pela pessoa jurídica (DIPJ 2007 e 2008), conforme relatado no TVF. Isso porque, conforme relatado no TVF, Eduardo Pacheco dos Reis e Silva, conquanto formalmente afastado do quadro societário da R S Representações Ltda, desde maio/2007 (conforme 9ª Alteração Contratual, datada de 09/05/2007, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais – Jucemg, em 04/07/2007), continuou movimentando os ativos financeiros a empresa, emitindo cheques e documentos que demonstrariam estar exercendo plenamente seus poderes de representação nas instituições bancárias, conforme documentos obtidos pela fiscalização e relacionados no TVF. Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10680.721640/201160 Acórdão n.º 1402001.030 S1C4T2 Fl. 6 6 Vejamos os fundamentos adotados pela decisão recorrida: Nesse tópico, serão apreciadas as considerações específicas expostas pelo impugnante, Eduardo Pacheco dos Reis e Silva, relativamente à sua qualificação como sujeito passivo solidário. Inicialmente, cumpre anotar que, no exercício regular de suas atribuições, tendo a fiscalização se deparado com diversos elementos que evidenciaram Eduardo Pacheco dos Reis e Silva como responsável solidário pelo crédito tributário constituído contra a empresa R S Representações Ltda., lavrou o competente Termo de Sujeição Passiva Solidária, consoante disposições do art. 2o da Portaria RFB nº 2.284, de 2010. Quanto à alegada ilegitimidade de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva, é importante destacar o contido nos arts. 121 e 124, I do CTN, que fundamentaram a responsabilização solidária, tanto no TVF quanto no competente Termo de Sujeição Passiva Solidária: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal disse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. [...]Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; No caso em exame, cumpre salientar que a fiscalização colheu elementos que atestaram o interesse comum entre o interessado e a R S Representações Ltda. no tocante à omissão de receitas apuradas com base na movimentação financeira da empresa, mantida à margem da contabilidade, cujos vultosos valores envolvidos evidenciaram uma patente contradição com as informações prestadas nas declarações obrigatórias apresentadas pela pessoa jurídica (DIPJ 2007 e 2008), conforme relatado no TVF. Assim, é de importância capital nessa caracterização o fato de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva, conquanto formalmente afastado do quadro societário da R S Representações Ltda, supostamente desde maio/2007 (9a Alteração Contratual, datada de 09/05/2007, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais – Jucemg, em 04/07/2007), em relação à movimentação financeira da empresa, continuar atuando como emitente dos cheques, entre outros documentos por ele assinados, exercendo plenamente seus poderes de representação nas instituições bancárias, conforme comprovam os documentos obtidos pela fiscalização, assim relacionados no TVF: Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10680.721640/201160 Acórdão n.º 1402001.030 S1C4T2 Fl. 7 7 De toda a documentação apresentada pelas instituições financeiras cabe destacar: Na Ficha Cadastral da RS Representações Ltda no Banco do Brasil S/A (fl.295) consta como contato: "Eduardo" e como endereço: "Rua Engenheiro Zoroastro Torres", que coincide com o endereço de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva constante do cadastro CPF. Consta, ainda, como dirigente com amplos poderes: "Eduardo Pacheco Reis e Silva". Na Ficha de Abertura e Autógrafos da RS Representações Ltda na Caixa Econômica Federal (fl. 1783) consta como única assinatura a do único representante legal da empresa: "Eduardo Pacheco dos Reis e Silva". Na consulta cadastral da RS Representações Ltda no HSBC Bank Brasil S/A (fl.1852) consta como logradouro: "Rua Engenheiro Zoroastro Torres", que coincide com o endereço de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva constante do cadastro CPF. Nas cópias dos cheques encaminhadas pelo Banco do Brasil S/A (fls. 2301 a 2333) com datas entre janeiro e novembro de 2007, consta em todos a assinatura de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva em nome RS Representações Ltda. Nas cópias dos cheques encaminhadas pela Caixa Econômica Federal (fls.2337 a 2348), com datas entre fevereiro a dezembro de 2007, consta em todos a assinatura de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva em nome RS Representações Ltda. Nas cópias dos cheques encaminhadas pelo HSBC Bank Brasil S/A (fls. 2354 a 2372), com datas entre setembro de 2006 e abril de 2007, consta em todos a assinatura de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva em nome RS Representações Ltda. Nas cópias de comprovantes de cheque avulso encaminhadas pelo HSBC Bank Brasil S/A (fls. 23?'?. a 2387), com datas entre março e outubro de 2007, consta em todos a assinatura de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva em nome RS Representações Ltda. Na Proposta de Título de Capitalização do HSBC Bank Brasil S/A (fls. 2402 e 2403), datada de 18/10/2007, consta a assinatura de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva em nome RS Representações Ltda. Nas cópias dos cheques encaminhadas pelo Banco ltaú S/A (fls. 2467 a 2507), com datas entre outubro de 2006 e março de 2007, consta em todos a assinatura de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva em nome RS Representações Ltda. Nas cópias de recibos de retiradas encaminhadas pelo Banco ltaú S/A (fls. 2462 a 2509), com datas entre setembro de 2006 e março de 2007, consta em todos a assinatura de Eduardo Fl. 2958DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10680.721640/201160 Acórdão n.º 1402001.030 S1C4T2 Fl. 8 8 Pacheco dos Reis e Silva em nome RS Representações Ltda. (grifos acrescentados) Nestas condições, não há como afastar a aplicação das disposições do art.124, I do CTN, que fundamentaram a qualificação do impugnante como responsável solidário, uma vez que o interesse comum é manifesto na atuação direta do sócio Eduardo Pacheco dos Reis e Silva como representante da R S Representações Ltda. nas instituições bancárias, notadamente quando essa situação persistiu mesmo após a sua saída formal do quadro societário da empresa. Não se pode perder de vista ainda que a infração capitulada como omissão de receitas por presunção legal, se prende exatamente a essa movimentação financeira, relativamente aos depósitos bancários cuja origem dos recursos não foi comprovada pelo contribuinte regularmente intimado, lembrando, nesse caso, que também a Eduardo Pacheco dos Reis e Silva (responsável por essa movimentação) foi dada oportunidade de comprovar a origem do numerário, mediante intimação a ele diretamente dirigida. Nesse ponto, vale transcrever trecho do Termo de Sujeição Passiva Solidária, que bem consubstanciam esse entendimento: Do decorrer do procedimento fiscal, verificamos que, nos anos calendários de 2006 e 2007, a R S REPRESENTAÇÕES LTDA omitiu receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, assim como declarou e recolheu tributos federais em valores menores do que os incidentes sobre tais receitas. Durante o trabalho ficou evidenciado que EDUARDO PACHECO DOS REIS E SILVA, apesar de ter sido excluído do quadro societário da R S REPRESENTAÇÕES LTDA em 09/05/2007, de fato não se afastou da empresa naquela data, permanecendo como único responsável pela movimentação financeira nas contas correntes em nome da R S REPRESENTAÇÕES LTDA.. Ficou comprovado que as Contas Correntes no Banco do Brasil S/A, Caixa Econômica Federal, HSBC Bank Brasil S/A e Banco Itaú de titularidade da R S REPRESENTAÇÕES LTDA foi efetivamente movimentada por EDUARDO PACHECO DOS REIS E SILVA, que assinava cheques como dirigente da R S REPRESENTAÇÕES LTDA. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos dos arts 121 e 124, I, da Lei 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Desta forma, deve ser rejeitada a argüição de nulidade do lançamento em relação à inclusão do impugnante no pólo passivo da obrigação tributária, pois o procedimento Processo fiscal levado a efeito nesse sentido está amparado na legislação e nos fatos documentados nos autos. Fl. 2959DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10680.721640/201160 Acórdão n.º 1402001.030 S1C4T2 Fl. 9 9 Embora seja suficiente e legítimo o enquadramento da responsabilização solidária no art. 121 c/c com o art. 124, I do CTN, uma vez trazidas pelo impugnante considerações acerca da aplicação do art. 135 do mesmo Código, não há como o julgador furtarse a uma breve análise do assunto também sob esse aspecto. O art. 135 do CTN, a que fez referência o impugnante, assim prescreve: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ora, o CTN não adjetiva a lei que deve ser infringida para que se responsabilize aquelas pessoas elencadas em seu art. 135. É indubitável que a falta de recolhimento do tributo constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias. Além da falta de recolhimento dos tributos devidos, vale lembrar que também constituem infração à lei os demais fatos detalhados no TVF, que suscitaram inclusive a qualificação da multa de ofício, conforme foi consubstanciado no trecho transcrito abaixo: No caso o contribuinte declarou a menor os seus rendimentos, tentando impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. A prática sistemática, adotada durante 2 (anos) anos consecutivos, denota o elemento subjetivo da prática dolosa. Intimado, o contribuinte não apresentou os livros contábeis solicitados ou qualquer outro documento, não comprovou a origem dos depósitos bancários efetivados em contas correntes em seu nome e tentou ocultar sua movimentação financeira, o que caracteriza a sua intenção em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária e o evidente intuito de fraude. Os fatos suscitados para a qualificação da multa se comunicam diretamente com o impugnante, na medida em que Eduardo Pacheco dos Reis e Silva era o responsável pela movimentação financeira no período autuado, mesmo após ter se afastado formalmente da empresa, em franca contradição com a 9a Alteração Contratual, que atestava a saída do sócio em maio de 2007. As justificativas apresentadas pelo impugnante para procurar explicar o exercício de atividades estranhas ao contrato social da empresa carecem de comprovação documental, lembrando Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10680.721640/201160 Acórdão n.º 1402001.030 S1C4T2 Fl. 10 10 que tanto o contribuinte quanto o responsável solidário, devidamente intimados, não apresentaram nenhum documento comprobatório da origem do numerário movimentado no período autuado ou qualquer outro documento atinente aos negócios realizados. Portanto, não há como acolher os argumentos do impugnante também no que tange às regras do art. 135 do CTN. Quanto às alegações do defendente de que teria sido sucedido por outras pessoas, que continuaram a explorar a mesma atividade comercial da empresa autuada, defendendo a aplicação das disposições do art. 133 do CTN, estas perdem sustentação diante das contradições evidenciadas e elementos de prova colhidos no curso da ação fiscal. Nesse sentido, a alegada sucessão pela transferência das quotas do impugnante para Marco Saraiva de Araújo, retratada na 9a Alteração Contratual mencionada anteriormente, vai de encontro com a atuação de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva, em nome da R S Representações Ltda, nas instituições financeiras, após sua saída formal da empresa. A continuidade dos negócios pelos sucessores também é posta à prova diante das declarações prestadas por Alberto Francis Tadeu Reis, que figurava à época da autuação no quadro societário da empresa fiscalizada, consoante a 10a Alteração Contratual, datada de 04/12/2008 e registrada na Jucemg em 12/01/2009: Em 14/10/2010 compareceu ao Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte o Sr. ALBERTO FRANCIS TADEU REIS, que prestou os seguintes esclarecimentos, conforme registrado em Termo de Declaração (fls.251 a 252): [...] 4. Não sabe qual era a atividade da R S antes de 2008. A intenção de Tiago em adquirida era mudar sua atividade para factoring. Acha que não conseguiu fazêlo. Nunca viu uma atividade de fato desta empresa. Não sabe quem eram os donos anteriores da R S, e de quem ela foi adquirida. 5. Não sabe informar nada sobre a R S, se funciona, onde está localizada, ou mesmo a sua atividade. Não viu os livros contábeis e fiscais da empresa e não sabe onde estes possam estar. Diz que nunca atuou administrativamente na R.S. e os únicos documentos relativos a ela que assinou, foram solicitações de consultas junto ao Serasa. 6. Não sabe também informar também onde poderá ser encontrado o Tiago Lúcio dos Santos, o qual não vê desde o início do ano de 2009. No bairro onde morava, consta como desaparecido, e que ele teria dívidas com muitas pessoas. Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10680.721640/201160 Acórdão n.º 1402001.030 S1C4T2 Fl. 11 11 Nestas condições, está correto o procedimento fiscal no que diz respeito à qualificação de Eduardo Pacheco dos Reis e Silva como responsável solidário pelo crédito tributário constituído. Pois bem. Pelo exposto verificase que a fiscalização entende que o Sr. Eduardo Pacheco dos Reis e Silva nunca deixou de ser o verdadeiro sócio da autuada. Há provas nos autos de que o sócio de fato da autuada foi responsável por toda a movimentação financeira omitida e constatada durante a fiscalização. O Recorrente não apresenta comprovação que justifique o afastamento da presunção de omissão de receitas. Igualmente, as provas colhidas pela fiscalização demonstram e justificam a solidariedade passiva . Assim, embora o enquadramento expressamente citado pela autoridade fiscal tenha sido o artigo 124 do CTN, a descrição dos fatos se casa perfeitamente com a hipótese prevista no artigo 135, permitindose identificar a verdadeira tipificação e a plena defesa do responsável. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e manter a decisão de DRJ por seus próprios fundamentos. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 12898.001542/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/04/2005 a 30/04/2005, 01/10/2005 a 31/10/2005, 01/04/2006 a 30/04/2006, 01/10/2006 a 31/10/2006, 01/04/2007 a 30/04/2007, 01/10/2007 a 31/10/2007, 01/04/2008 a 30/04/2008, 01/10/2008 a 31/10/2008 DECADÊNCIA. ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/91. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 103-A DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal dispõe que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3102-001.489
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/91. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 103A DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal dispõe que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 12/11/2012 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O presente processo foi formalizado em decorrência da lavratura dos Autos de Infração de fls. 34 a 41 e 42 a 49, referentes à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, consubstanciando exigência de crédito tributário nos valores totais de R$ 415.562.507,09 (Cofins) e R$ 90.220.807,35 (PIS), concernentes aos fatos geradores ocorridos nos meses 04/2004, 10/2004, 04/2005, 10/2005, 04/2006, 10/2006, 04/2007, 10/2007, 04/2008 e 10/2008 e aos juros de mora calculados até 31/08/2009. 2. Relata o AFRFB, no quadro “Descrição dos fatos e enquadramento legal”, às fls. 36 e 44, que os valores foram apurados conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal de fls. 32/33, que integra os autos de infração impugnados. 3. No referido Termo, a autoridade fiscal informa que: 3.1 A ação fiscal teve início em 15/01/2009, quando foram solicitados demonstrativos dos Juros s/ Capital Próprio recebidos, bem como das bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins dos períodos de apuração de 2004 a 2008; 3.2 O contribuinte apresentou todos os demonstrativos solicitados dentro do prazo estipulado por esta fiscalização; 3.3 Com base nos demonstrativos apresentados pelo contribuinte, constatamos que deixou de oferecer à tributação da Contribuição para o PIS e da Cofins, não inserindo nas respectivas bases de cálculo, os valores das receitas de Juros sobre o Capital Próprio, recebidas da empresa Vale S/A, nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008; 3.4 O contribuinte apresentou Certidão de Objeto e Pé, de 16/09/2009; 3.5 Também consta à fl. 336 do Processo n° 18471.001293/200746, o Ofício n° 1411/2009 DIAJU/PFN/RJ, de 18/06/2009 (fl. 22), comunicando a esta DEFIS/RJO o teor da decisão proferida no Processo de Mandado de Segurança n° 2007.51.01.0227524, dando efeito suspensivo à apelação da impetrante, para manter a suspensão da exigibilidade do crédito discutido (Cofins e Contribuição para o PIS), ressaltando a possibilidade de efetuar o lançamento para evitar a decadência tributária; e 3.6 Desta forma, foi constituído o crédito tributário correspondente, COM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE, em conformidade com a decisão do Exmo. Juiz Federal Substituto da 28ª VF/RJ (processo nº 2007.51.01.0227524), contida à fl. 345 do processo nº18471.001293/200746 (fl. 31). 4. Os dispositivos legais infringidos constam do quadro “Descrição dos fatos e enquadramento legal”, de fls. 36/37 e 44/45 dos referidos autos de infração. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12898.001542/200978 Acórdão n.º 3102001.489 S3C1T2 Fl. 3 3 5. Cientificada em 28/09/2009 (fls. 29 e 43), a Interessada ingressou, em 27/10/2009, com a impugnação de fls. 80 a 84, na qual alega que: 5.1 Em 28/09/2009, data na qual o lançamento foi concluído já teria ocorrido a decadência do direito de lançar as contribuições relativas aos fatos geradores ocorridos no mês 04/2004, ex vi do art. 150, § 4º, do CTN; 5.2 Não poderiam ser exigidos juros de mora no caso concreto, posto que a Impugnante jamais incorreu em mora já que amparada por decisão judicial; e 5.3 Ainda que fosse possível a cobrança dos juros moratórios, esses jamais poderiam ser calculados com base na Taxa Selic acumulada mensalmente, a qual além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN. 6. Foram por mim anexados às fls. 119/123, extratos dos sistemas de informação da RFB: DCTFGER (fls.119 a 121) e SIEF (122/123). Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/04/2005 a 30/04/2005, 01/10/2005 a 31/10/2005, 01/04/2006 a 30/04/2006, 01/10/2006 a 31/10/2006, 01/04/2007 a 30/04/2007, 01/10/2007 a 31/10/2007, 01/04/2008 a 30/04/2008, 01/10/2008 a 31/10/2008 DECADÊNCIA. PIS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Afastada a aplicação do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91 com a publicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF, é de se considerar, no que diz respeito ao prazo para constituição de crédito tributário referente à Contribuição para o PIS, o estabelecido pelo § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Incidem juros de mora, na forma prescrita em lei, sobre débitos não pagos nos prazos legais, ainda que estes tenham sido lançados com exigibilidade suspensa. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, inexistindo qualquer limite à aplicação deste percentual. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE. A argüição de ilegalidade não é oponível na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciála. Exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício a decisão este Conselho. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. O despacho à folha 152 do processo informa a inexistência de recurso voluntário da decisão tomada em primeira instância, fato confirmado pela manifestação do contribuinte contida às folhas 139 e 140, na qual apenas requer a abstenção do Fisco de conduzir a exigência dos valores discutidos em juízo. Observese como consta do Auto de Infração, folhas 34. O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo n°2007.51.01.0227524, da 28a. Vara Federal RJ (art. 151, incisos II e IV do CTN). Como tratase de crédito com exigibilidade suspensa, assim declarado pela própria Fiscalização Federal no Auto de Infração correspondente, o valor lançado pela Fiscalização e mantido em primeira instância não será exigido enquanto houver ordem judicial assim determinando. Resta decidir exclusivamente quanto à matéria objeto de recurso de ofício apresentado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, relacionada à decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário correspondente à Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, cujos fatos geradores ocorreram no mês de abril do ano de 2004. Reproduzo excerto do voto condutor da decisão de piso em que fundamenta suas razões de decidir, nestes particular. 9. Quanto à argüição de decadência suscitada, é de se observar que assiste razão à Interessada. 10. As contribuições objeto dos autos de infração impugnados estão sujeitas ao lançamento por homologação previsto no art. 150 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 CTN. 11. Esse mesmo artigo, em seu parágrafo 4º, limita em cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, o prazo para a Fazenda Pública homologar o lançamento, no entanto condiciona a aplicação desta regra à inexistência de legislação específica fixando prazo diverso, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, (…) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12898.001542/200978 Acórdão n.º 3102001.489 S3C1T2 Fl. 4 5 12. Posteriormente, a Lei nº 8.212, de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, vem, em seu artigo 45, alterar o prazo decadencial para a constituição dos créditos referentes às contribuições destinadas a financiar a seguridade social. Eis o que diz a norma: “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Parágrafo único. A Seguridade Social nunca perde o direito de apurar e constituir créditos provenientes de importâncias descontadas dos segurados ou de terceiros ou decorrentes da prática de crimes previstos na alínea “j” do art. 95 desta lei.” 13. A inconstitucionalidade do dispositivo acima transcrito foi, por inúmeras vezes, objeto de questionamento levado à apreciação do Poder Judiciário. Não obstantes tais questionamentos, a referida norma permanecia inserida em nosso ordenamento jurídico, sendo, portanto, observada tanto pela Autoridade lançadora, como pelas Delegacias de Julgamento. 14. Ocorre que, no que se refere à decadência das contribuições sociais, a questão foi pacificada com a publicação no DOU de 20/06/2008 da Súmula Vinculante nº 8, cujo enunciado foi editado pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 12 de junho de 2008, nos seguintes termos: “Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III” 15. Sobre os efeitos da Súmula Vinculante, vejamos o que dispõe o artigo 103A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 16. Assim, tendo sido declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, por meio da Súmula Vinculante nº 8, deve esta Turma de Julgamento, com Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 base no disposto no artigo 103A da CF/1988, no que diz respeito ao prazo para constituição de crédito tributário referente à Contribuição para o PIS, considerar o estabelecido pelo § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, qual seja: 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. 17. No caso em questão, os fatos geradores ocorreram nos meses 04/2004, 10/2004, 04/2005, 10/2005, 04/2006, 10/2006, 04/2007, 10/2007, 04/2008 e 10/2008. É de concluir, portanto, que, em 28/09/2009, data na qual o lançamento foi concluído (data da ciência), já teria ocorrido a decadência do direito de lançar os créditos tributários referentes ao mês 04/2004, o que impõe a nulidade dos referidos lançamentos. 18. Superada a questão preliminar passase à análise do mérito. Não vejo razão para reformar a decisão tomada, sequer para acrescentarlhe fundamentos. Fica claro tratarse de aplicação de Súmula Vinculante aprovada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, veiculando decisão que este Tribunal Administrativo deve obrigatoriamente observar. A única ponderação que me parece prudente se faça, diz respeito ao entendimento, ao qual me filio, de que o lançamento por homologação somente se opera quando há o efetivo pagamento do tributo, sem o qual, deve ser aplicada a regra geral para contagem do prazo decadencial, que determina termo inicial a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento já poderia ter sido realizado. Inobstante, o que se discute no processo diz respeito a um tributo cujo pagamento periódico depende, ainda que de forma muito particular, da apuração de débitos e créditos. Assim, ainda que o pagamento correspondente à base de cálculo sub judice não tenha sido realizado, houve a apuração de valores e o resultado, se devedor, repercutiu no pagamento de tributo, mesmo que em valor inferior ao pretendido pelo Fisco. Quanto a isso, de se acrescentar que, admitamos que o saldo final não tenha sido devedor e, por conseguinte, não tenha havido o recolhimento da Contribuição, e ainda assim, observadas as disposições contidas na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados Decreto 7.212/10, aplicáveis ao caso concreto por analogia, deverseia considerar o pagamento como realizado. Art. 183. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação deles, nos termos do art. 268 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei no 5.172, de 1966, art. 150, caput e § 1o, Lei no 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, Lei no 10.637, de 2002, art. 49, Lei no 10.833, de 2003, art. 17, e Lei no 11.051, de 2004, art. 4o). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. (grifos meus) Pelo exposto, acolho os fundamentos do voto condutor da decisão primeira instância e VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12898.001542/200978 Acórdão n.º 3102001.489 S3C1T2 Fl. 5 7 Sala de Sessões, 22 de mario de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000084/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
PROVA.
Sendo o ônus da prova do contribuinte, cabe a ele a comprovação da origem dos recursos financeiros para justificar seus depósitos bancários.
Numero da decisão: 2202-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. PROVA. Sendo o ônus da prova do contribuinte, cabe a ele a comprovação da origem dos recursos financeiros para justificar seus depósitos bancários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. PROVA. Sendo o ônus da prova do contribuinte, cabe a ele a comprovação da origem dos recursos financeiros para justificar seus depósitos bancários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 00 84 /2 00 9- 14 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10384.000084/200914 Acórdão n.º 2202002.192 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Fortaleza/CE, que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercício de 2006, anocalendário 2005, no valor de R$ 2.077.581,07, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e ganho de capital na compra de direito do crédito com deságio (cheques de terceiros). Auto de infração (fls. 06/13), ciência em 0901/2009, teve origem após constatação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Impugnação (fls. 369/395). Decisão recorrida (fls. 461/482), com ciência em 08/02/2011 (AR fls. 487), manteve a autuação pela ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários e esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. PROVA. Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a comprovação da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO DA RECEITA DA ATIVIDADE. INAPLICABILIDADE. Tendo em vista a não apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem que os depósitos bancários tem origem Fl. 596DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES 4 na receita proveniente da atividade rural, incabível a tributação com base nas regras próprias desta atividade. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, afastamse as preliminares de nulidades argüidas. Tratandose de lançamento, cujo enquadramento legal guarda consonância com a infração imputada, é de se refutar a preliminar de nulidade do lançamento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados, bem como as proferidas pelo poder judiciário não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquele objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário (fls.488/527), protocolado em 09/03/2011, sustenta, em síntese: 1) O lançamento do crédito tributário apurado com base em extrato bancário sem autorização judicial são provas ilícitas; 2) A Lei nº 10.174/2001 é inválida por vício de competência, portanto, não pode ser utilizada como base no procedimento de fiscalização; 3) Erro no levantamento do crédito tributário, pois exerce a atividade de compra de cheques com deságio, e as receitas a serem tributadas são oriundas do ganho e não do valor do cheque depositados nas contas bancárias. O valor dos depósitos foi tributado e a origem dos depósitos no mês seguinte esta comprovada. É o breve relatório. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10384.000084/200914 Acórdão n.º 2202002.192 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade de deve ser conhecido. Cuidase de recurso da decisão da DRJ que manteve autuação do IRPF sobre omissão de rendimentos apurada por depósito bancários de origem não comprovada e ganho de capital na compra de direito do crédito com deságio (cheques de terceiros). Sustenta inicialmente a indevida quebra do sigilo bancário para obtenção dos extratos das contas corretes e invalidade da lei 10.174, de 2001. Sem razão. Intimado, o contribuinte apresentou seus extratos bancários à fiscalização (fls.08), de forma que não houve quebra do sigilo bancário. Foi ele próprio quem entregou os extratos das contas bancaria para a fiscalização, não havendo, com a entrega dos informes, pensamos, inconstitucionalidade da Lei n° 10.174, de 2001. No mérito, a decisão recorrida manteve a autuação por falta de comprovação da origem dos depósitos e da existência do ganho de capital. Sustente o Recorrente erro na apuração da omissão de rendimentos e de os depósitos decorrem da atividade da compra de cheques com deságio. Pede aplicação, por analogia, do sistema de tributação de 20% da atividade rural. Incabível qualquer analogia da omissão de rendimento do ganho de capital na cessão de direitos com a atividade rural. Cuidamse de objetos totalmente distintos que não se confundem e há expressa disposição de lei na exigência. A tributação pautase pelo principio da legalidade e não admite interpretação analógica, salvo nas hipótese do art. 108, do CTN. Observese que a fiscalização excluiu diversos cheques dos extratos bancários, daí alegar erro, mas não comprovar objetivamente onde se encontra o defeito da autuação, com prova técnica, sequer requerida, não há como desconstituir o lançamento. Alegar e não prova é o mesmo que não alegar. O Recorrente faz longo arrazoado da impugnação e do recurso, mas destituído do principal, que são os fatos e a prova das alegações feitas. Conforme sustenta o Recorrente toda sua movimentação financeira seria da compra e venda de cheques. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES 6 Nas diversas diligencias realizadas pela fiscalização não foi possível comprovar esse fato, daí a tributação na forma de omissão de rendimentos, por meio dos depósitos bancários de origem não comprovada, na inversão do ônus da prova operad.. Ante o exposto, conheço e nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 599DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10384.000084/200914 Acórdão n.º 2202002.192 S2C2T2 Fl. 5 7 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004708/2005-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002, 2003
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS.
Os débitos a serem compensados, incluídos em Declaração de Compensação entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamento, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENCARGOS
MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
A denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN não exclui a multa de mora. Entender que o recolhimento em atraso, feito de forma espontânea, exclui a multa de mora, é negar aplicação às leis que determinam sua imposição, pois a espontaneidade no pagamento em atraso é pressuposto da incidência da multa de mora.
COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. CABIMENTO.
A imputação proporcional, quando os débitos incluídos na Declaração de Compensação se encontram vencidos, não necessita de previsão legal, tratando-se simplesmente de critério aritmético para determinação de quanto do valor devido foi possível extinguir com o crédito oferecido.
Numero da decisão: 1801-000.520
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002, 2003 COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Os débitos a serem compensados, incluídos em Declaração de Compensação entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamento, até a data da entrega da Declaração de Compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENCARGOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN não exclui a multa de mora. Entender que o recolhimento em atraso, feito de forma espontânea, exclui a multa de mora, é negar aplicação às leis que determinam sua imposição, pois a espontaneidade no pagamento em atraso é pressuposto da incidência da multa de mora. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. CABIMENTO. A imputação proporcional, quando os débitos incluídos na Declaração de Compensação se encontram vencidos, não necessita de previsão legal, tratando-se simplesmente de critério aritmético para determinação de quanto do valor devido foi possível extinguir com o crédito oferecido.
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ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Os débitos a serem compensados, incluídos em Declaração de Compensação entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamento, até a data da entrega da Declaração de Compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENCARGOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN não exclui a multa de mora. Entender que o recolhimento em atraso, feito de forma espontânea, exclui a multa de mora, é negar aplicação às leis que determinam sua imposição, pois a espontaneidade no pagamento em atraso é pressuposto da incidência da multa de mora. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. CABIMENTO. A imputação proporcional, quando os débitos incluídos na Declaração de Compensação se encontram vencidos, não necessita de previsão legal, tratandose simplesmente de critério aritmético para determinação de quanto do valor devido foi possível extinguir com o crédito oferecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, André Ricardo Lemes da Silva, e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01/05), transmitida eletronicamente em 21/12/2003, pela qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de IRPJ de novembro de 2002, com direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ do exercício 2000 (anocalendário 1999), no valor original de R$ 70.109,36, baixada para tratamento manual neste processo. Analisando o pleito a DRF em Recife/PE, após diligências realizadas, concluiu pela existência do crédito apontado, razão pela qual, pelo Despacho Decisório de fl. 15, reconheceu o direito creditório no valor pleiteado de R$ 70.109,36 e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. Tendo em conta a insuficiência do direito creditório para a quitação integral do débito de estimativa de IRPJ de novembro de 2002, ao qual foram acrescidos os valores de multa de mora e juros de mora, foi determinada a cobrança do valor remanescente (conforme demonstrativos às fls. 11 a 14). A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da Telern Celular S/A, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21/32) alegando, em síntese: a) que houve a denúncia espontânea da infração, pelo que se eximiria da aplicação da multa de mora, com arrimo no art. 138 do CTN; b) que a imputação proporcional de principal e multa é ilegal; c) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que teria havido, ao que infere, acréscimo no valor dos débitos, o que afrontaria os arts. 145, 146 e 149 do CTN. Apreciando o litígio a 3a. Turma da DRJ em Recife/PE, por meio do Acórdão 1126.939 (fls. 69 a 73) indeferiu a manifestação de inconformidade. Inicialmente, quanto ao processo n° 19647.0096901200699, esclareceu: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.004708/200585 Acórdão n.º 180100.520 S1TE01 Fl. 108 3 06. Alega a impugnante que a decisão atacada teria sido decorrente da revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. O argumento é equivocado, como passo a expor. 07. Naquele processo, de exigência de crédito tributário, verificouse, entre outras infrações, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em conseqüência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anos calendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. 08. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de dívida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. 09. Portanto, diversamente do que esgrime a defesa, o processo n° 19647.009690/200699 é que foi influenciado por este, e não o contrário. É através do presente processo que os débitos das estimativas não homologadas serão cobrados, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. O não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada decorreu do processo n° 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e os débitos que serão cobrados por via do presente processo são rigorosamente aqueles espontaneamente declarados pela contribuinte nas DCOMPs. Não sofreram, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.009690/200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. Quanto ao mérito ressaltou que na DCOMP apresentada a interessada atualizou o valor do direito creditório pleiteado, contudo em relação ao débito informado para compensação, deixou de preencher os campos destinados à multa de mora e aos juros de mora, não obstante o débito já estivesse vencido à data da transmissão do PERDCOMP. Observou que o artigo 28 da IN SRF n°. 210, de 2002, com a redação dada pela IN SRF n°. 323, de 2003, determina que sobre os débitos objeto de compensação devam incidir os acréscimos moratórios na forma da legislação de regência, até a data da entrega da DCOMP e que a cobrança de acréscimos moratórios encontrase prevista no art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 e que seria vedado à autoridade administrativa apreciar questionamentos a respeito de legalidade e constitucionalidade de lei. Quanto à imputação proporcional esclareceu que nas compensações pleiteadas a ordem da quitação dos débitos é definida pelo sujeito passivo, mas que o débito a ser extinto é constituído do tributo ou contribuição acrescido dos respectivos acréscimos legais, em consonância com o que estabelece o art. 61 da Lei n°. 9430, de 1996 e que o art. 28, § 1°, da IN SRF n° 460, de 2004, e 36, § 1°, da IN SRF n° 900, de 2008, que a compensação do tributo ou contribuição será acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Intimada da decisão, em 06/08/2009 (AR à fl. 77) a interessada apresentou, em 28/08/2009, o Recurso Voluntário de fls. 78 a 90, no qual reproduz as mesmas razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Ao final pede pela reforma daquele decisum e a homologação integral do débito. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Preliminarmente. LIMITES DO LITÍGIO. INDEVIDA REVISÃO DO LANÇAMENTO Delimitandose o presente litígio cumpre consignar que a DRJ em Recife/PE esclareceu que o presente processo, que trata de Declarações de Compensação, não decorre dos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. Ademais, enquanto o processo de n° 19647.009690/200699 trata de lançamento de ofício decorrente de procedimento de fiscalização direta, estes autos tratam de declarações de compensação transmitidas eletronicamente e que foram baixadas para tratamento manual neste processo. Portanto, as argüições contra a revisão de ofício praticada no âmbito do processo administrativo n° 19647.009690/200699, que trata de lançamento de ofício para exigência de crédito tributário são alheias ao presente feito e devem ser tratadas unicamente no âmbito daqueles autos, razão pela qual deixo de tomar conhecimento de tais alegações. Ressaltese, ainda, que não há litígio quanto ao direito creditório invocado pelo sujeito passivo para fazer frente às compensações declaradas em DCOMP. Isto porque o crédito pleiteado, no valor de R$ 70.109,36, relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1999, foi integralmente reconhecido pela autoridade julgadora da DRJ em Recife e admitido para a quitação dos débitos indicados. O litígio, em verdade, circunscrevese ao débito compensado, em virtude dos encargos moratórios a ele acrescidos, especialmente a multa de mora, em decorrência da sua quitação extemporânea. Mérito. MULTA DE MORA E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A compensação, no Direito Tributário, como forma de extinção do crédito tributário, encontra previsão no art. 156 do CTN Lei n°. 5.172, de 1966, com status de Lei Complementar e em lei ordinária, como determina o art. 170 do referido Normativo Complementar: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II a compensação; [...] Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.004708/200585 Acórdão n.º 180100.520 S1TE01 Fl. 109 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Nas compensações de iniciativa do sujeito passivo a previsão está disciplinada no artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que sofreu inúmeras alterações, tendo sido a mais significativa a veiculada na Lei n°. 10.637, de 2002, fruto da conversão em Lei da MP 66/2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo Devese ressaltar a importância de tal alteração legislativa, razão deste preâmbulo, pois, a partir de 1o. de outubro de 2002, a Declaração de Compensação passou a ser extintiva do débito (sob condição resolutória de ulterior homologação) e o sujeito passivo não mais dependia da autorização da Fazenda Nacional para compensar seus créditos com débitos de sua responsabilidade, como ocorria na sistemática anterior com os Pedidos de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Compensação. A partir da sistemática implementada em outubro de 2002, o contribuinte que apurar créditos em face da Fazenda Nacional pode compensálos com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, mediante a apresentação de declaração na qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Nessa atual sistemática os débitos são extintos, via compensação, sob condição de sua ulterior homologação. Desta forma, ficou estabelecido que a “data da compensação” a que alude o art. 170 do CTN e todas as demais normas citadas, corresponde à data da entrega da Declaração de Compensação. Portanto, é esta a data de referência, ou seja, a data à qual devem ser trazidos e atualizados os respectivos créditos do sujeito passivo e da Fazenda Nacional, para fins do necessário “encontro de contas”. Neste sentido, estão absolutamente coerentes com tais dispositivos legais as prescrições da IN SRF n°. 323, de 2003: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. De outra parte, sendo a compensação forma de extinção do crédito tributário, é evidente que só se pode considerar ocorrida esta extinção na data em que é feita a compensação, pois também é a partir desse momento que se inicia a contagem do prazo dado ao Fisco para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo. Portanto, é o envio da Declaração de Compensação que marca a data da extinção do crédito tributário, pela compensação, e, se nessa data o débito já se encontra vencido, sobre ele incidem os encargos moratórios previstos em lei. E a incidência de encargos moratórios sobre débitos vencidos independe de previsão em ato normativo, por decorrerem de previsão legal. Tais encargos estão atualmente previstos no artigo 61 da Lei n°. 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Assim, sobre os débitos indicados em DCOMP para serem extintos, e que na data da transmissão da referida declaração de compensação já se encontravam vencidos, são acrescidos juros de mora e multa de mora. In casu, não há dúvidas de que, por ocasião da transmissão da Declaração de Compensação – em dezembro de 2003 – a recorrente Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.004708/200585 Acórdão n.º 180100.520 S1TE01 Fl. 110 7 encontravase em mora perante a Fazenda Nacional em relação ao débito de estimativa de IRPJ de novembro de 2002, vencido em 31 de dezembro de 2002. Resta analisar, portanto, o pleito da contribuinte que, para afastar o acréscimo da multa de mora, invoca o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do mesmo CTN, já que teria promovido a compensação do débito antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados à infração. É certo que referido artigo tem sido alvo de intermináveis discussões. Não obstante não desconhecer a existência de posições em outros sentidos, entendo que o instituto da denúncia espontânea da infração não tem o condão de afastar a incidência da multa de mora. A interpretação que confere tal extensão ao benefício não resiste a uma análise sistemática do instituto. Por bem traduzir minhas conclusões, reproduzo o seguinte trecho do voto proferido pela Conselheira Sandra Maria Faroni, no Acórdão nº. 10196.352 do 1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara, de 17/10/2007 – DOU 04/03/2008, :ue muito bem esclarece o assunto: O legislador ordinário, ao decretar as regras para a implementação dos atos procedimentais que visam a dar eficácia às regras de incidência tributária, determinou que o adimplemento espontâneo, fora do prazo, da obrigação tributária, sujeitase à multa de mora. Assim, a menos que se negue aplicação aos dispositivos legais que tratam da imposição da multa de mora, outra conclusão não é possível, senão a de que a exclusão de penalidades tratada no artigo 138 do CTN não abrange a multa de mora. Caso contrário, estaria configurada uma verdadeira contradição em seus termos. Não é possível admitir, ao mesmo tempo, que: (a) todo pagamento espontâneo, fora do prazo, só pode ser feito acompanhado da multa de mora (Lei 7.799/88, art. 74, Lei 8.212/91, art. 3o., Lei 8.383/91, art. 59, Lei 8.981/95, art. 84, Lei 9.430/96, art. 61); e (b) se o pagamento fora do prazo for feito de forma espontânea, afastase a multa de mora. A espontaneidade (no pagamento extemporâneo) é pressuposto da incidência da multa de mora. Entender que o recolhimento em atraso, feito de forma espontânea, exclui a multa de mora, é negar aplicação às leis que determinam a sua imposição. A mora é elementar do tipo. A denúncia espontânea somente afasta a responsabilidade por infrações desconhecidas das autoridades fazendárias. A mora não é fato que possa se imputar desconhecido pelo Fisco, visto que decorre do mero transcurso do tempo. Em reforço a tais argumentos, cumpre observar que o Superior Tribunal de Justiça, em razão de diversos precedentes jurisprudenciais, editou a Súmula no. 360, em 08/09/2008: Súmula STJ no. 360. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. No mesmo sentido a decisão definitiva proferida pelo STJ, com efeito repetitivo, se verifica no Recurso Especial nº. 962.379 RS (2007/01428689) Trânsito: 30/04/2009: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Recurso Especial nº. 962.379 RS (2007/01428689) Trânsito: 30/04/2009 Proposição: configuração da denúncia espontânea Decisão: não configuração de denúncia espontânea (art. 138 do CTN) relativamente a tributo federal sujeito a lançamento por homologação (PIS/COFINS), regularmente e previamente constituído pelo contribuinte mediante a declaração (DCTF), mas pago com atraso. A lei de regência determina que o pagamento de tributo, após o seu vencimento, deva ser acrescido de juros de mora e de multa de mora e, não cabe aos órgãos da administração direta do Poder Executivo negarlhe aplicação. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL Cumpre registrar que a imputação proporcional levada a efeito no caso que se analisa não necessita de previsão legal. Tratase, simplesmente, de critério aritmético para determinação do quantum do valor devido foi possível extinguir com o crédito oferecido. Ademais, o próprio STJ já proferiu decisão definitiva, com efeito de repetitivo, no sentido da legalidade da imputação proporcional na seara do processo administrativo tributário, ao analisar o assunto no Resp. 960.239, (2007/01349940 – DOU 23/03/2009) como se verifica dos seguintes trechos extraídos do referido julgado: [..] 5. A imputação do pagamento na seara tributária tem regime diverso àquele do direito privado (artigo 354 do Código Civil), inexistindo regra segundo a qual o pagamento parcial imputarseá primeiro sobre os juros para, só depois de findos estes, amortizarse o capital. [...] 8. Destarte, o próprio legislador excluiu a possibilidade de aplicação de qualquer dispositivo do Código Civil à matéria de compensação tributária, determinando que esta continuasse regida pela legislação especial. O Enunciado nº 19 da Jornada de Direito Civil CEJ/STJ consolida esse entendimento, litteris: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.004708/200585 Acórdão n.º 180100.520 S1TE01 Fl. 111 9 "19 Art. 374: a matéria da compensação no que concerne às dívidas fiscais e parafiscais de Estados, do Distrito Federal e de Municípios não é regida pelo art. 374 do Código Civil." 9. Deveras, o art. 379 prevê a aplicação das regras da imputação às compensações, sendo certo que a exegese do referido diploma legal deve conduzir à limitação da sua eficácia às relações regidas pelo Direito Civil, uma vez que, em seara de Direito Tributário, vige o princípio da supremacia do interesse público, mercê de o art. 354, ao disciplinar a imputação do pagamento no caso de amortização parcial do crédito por meio de compensação, ressalvar os casos em que haja estipulação em contrário, exatamente em virtude do princípio da autonomia da vontade, o qual, deslocado para o segmento fiscal, impossibilita que o interesse privado se sobreponha ao interesse público. 10. Outrossim, a previsão contida no art. 170 do CTN, possibilitando a atribuição legal de competência, às autoridades administrativas fiscais, para regulamentar a matéria relativa à compensação tributária, atua como fundamento de validade para as normas que estipulam a imputação proporcional do crédito em compensação tributária, ao contrário, portanto, das normas civis sobre a matéria. 11. Nesse sentido, os arts. 66 da Lei 8.383/91, e 74, da Lei 9.430/96, in verbis: "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. (...) § 4º. O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo ." "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição." 12. Evidenciada, por conseguinte, a ausência de lacuna na legislação tributária, cuja acepção é mais ampla do que a adoção de lei, e considerando que a compensação tributária surgiu originariamente com a previsão legal de regulamentação pela autoridade administrativa, que expediu as IN's n.º 21/97, 210/2002, 323/2003, 600/2005 e 900/2008, as quais não exorbitaram do poder Fl. 9DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 regulamentar ao estipular a imputação proporcional do crédito em compensação tributária, reputase legítima a metodologia engendrada pela autoridade fiscal, tanto no âmbito formal quanto no material 13. A interpretação a contrario sensu do art. 108 do CTN conduz à conclusão no sentido de que a extensa regulamentação emanada das autoridades administrativas impõese como óbice à integração da legislação tributária pela lei civil, máxime à luz da sistemática adotada pelo Fisco, a qual respeita a integridade do crédito fiscal, cuja amortização deve engendrarse de forma única e indivisível, principal e juros, em perfeita sintonia com a legislação vigente e com os princípios da matemática financeira, da isonomia, ao corrigir tanto o crédito quanto o débito fiscais pelo mesmo índice (SELIC), mercê de se compatibilizar com o disposto no art. 167 do CTN, que veda a capitalização de juros. 14. Sob esse enfoque são os termos da IN SRF 900/08, que regulamenta, hodiernamente, a matéria referente à compensação com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. 15. Recurso especial parcialmente provido, tãosomente para determinar a aplicação do prazo prescricional decenal. Acórdão submetido ao regime do art. 543 C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 10DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/03/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13804.006295/2010-02
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Inexistindo dúvidas nos autos quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos respectivos profissionais da área da saúde, há que se restabelecer as deduções glosadas pela Notificação de Lançamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 2.886,00 (dois mil oitocentos e oitenta e seis reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Marcio Lacerda Martins e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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COMPROVAÇÃO. Inexistindo dúvidas nos autos quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos respectivos profissionais da área da saúde, há que se restabelecer as deduções glosadas pela Notificação de Lançamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 2.886,00 (dois mil oitocentos e oitenta e seis reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Marcio Lacerda Martins e Carlos André Ribas de Melo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 62 95 /2 01 0- 02 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão nº 1749.076 – 11ª Turma da DRJ/SP2, fls. 45 a 52, que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, para manter a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, no valor original de R$ 875,28 (sujeito a juros e multa de mora), incidente sobre os seguintes valores glosados pela Notificação de Lançamento, fls. 05 a 11, a título de dedução indevida de despesas médicas: Nome do profissional da área de saúde Valor da Glosa em R$ ALICE SILVANA SOARES AIRES 2.886,00 FLEURI S.A. 296,81 De acordo com a decisão de primeira instância, diante da ausência de indicação do paciente, “os recibos deficientes não são válidos, então o contribuinte deveria ter apresentado comprovantes de efetivo pagamento, entretanto, o contribuinte em sua impugnação nada exibi em relação a comprovação de pagamentos”. A contribuinte foi intimado da decisão a quo em 04/05/2011, fls. 55, e interpôs recurso voluntário em 26/05/2011, fls. 62 a 63, alegando, em síntese, que apresenta declaração firmada pela profissional Alice Silvana Soares Aires, fls. 65, que atesta ter sido ela a paciente que se submeteu ao tratamento odontológico descrito nos recibos apresentados anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conforme relatado, o âmbito de discussão nesse processo administrativo circunscrevese somente à glosa das despesas médicas em relação à seguinte profissional da área de saúde: Alice Silvana Soares Aires, no valor de R$ 2.886,00. De acordo com a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, constante da Notificação de Lançamento, fls. 07, a glosa da dedução de despesas médicas foi indevida pelo fato de que a contribuinte, devidamente intimada, não apresentou os respectivos comprovantes. Uma vez que a DRJ rejeitou os recibos de pagamento emitidos pela dentista Alice Silvana Soares Aires, fls. 27 a 29, fundamentandose na falta de indicação nos recibos da paciente do tratamento e da comprovação dos respectivos pagamentos, a contribuinte interpôs recurso voluntário contestando especificamente essa glosa. Nesse sentido, apresenta às fls. 65 declaração firmada pela referida profissional, na qual consta afirmação de que a sra. Rosa Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13804.006295/201002 Acórdão n.º 2802002.187 S2TE02 Fl. 74 3 Maria Buratti teria sido a paciente que se submeteu ao tratamento odontológico realizado durante o anocalendário de 2007. Para o deslinde da questão, importante se faz a análise do artigo 8°, da Lei n° 9.250 de 1995, que dispõe: "Art.8° — A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º 0 disposto na alínea a do inciso II: (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;" O dispositivo legal acima citado, bem define as despesas médicas dedutíveis, como também as condições a serem observadas para que possam ser deduzidas. Do exame dos documentos apresentados pela contribuinte, percebese que a declaração firmada pela dentista Alice Silvana Soares Aires, fls. 65, supre as deficiências formais constatadas pela decisão recorrida, em relação aos recibos de pagamento de fls. 27 a 29. Do exame dessa declaração, constatase que nela há a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF da profissional que prestou os serviços e detalha ter sido a contribuinte a paciente submetida a tratamento, bem como a época e o valor cobrado e recebido pelo tratamento. Em casos dessa natureza, este Colegiado tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Nesse caso, firmouse o entendimento de que o poderdever de o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e a prestação do serviço somente se justifica no caso de se constatar fortes indícios de que a documentação apresentada se configurar inidônea. Em relação à matéria, também ficou pacificado que a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador, tendo como ponto de partida a imputação feita no lançamento. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Portanto, à falta de um conjunto forte de indícios nos autos capaz de ensejar dúvidas quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos respectivos profissionais da área da saúde, há que se restabelecer a dedução glosada pela Notificação de Lançamento, em relação à profissional Alice Silvana Soares Aires, no valor de R$ 2.886,00. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 2.886,00 (dois mil oitocentos e oitenta e seis reais). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13807.009776/00-25
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/07/1994
PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 97 76 /0 0- 25 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13807.009776/0025 Acórdão n.º 9900000.538 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0235 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0228, que decidiu negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: Assunto: Co n t r i b u i ç ã o para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1991 a 31/07/1994 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF N° 49/1995. A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder direito que não podia exercitar. Precedentes do STF. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filifo que deu provimento ao recurso. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0269, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13807.009776/0025 Acórdão n.º 9900000.538 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 01/1991 a 07/1994, fls. 002, e o pedido de restituição ocorreu em 09/10/2000, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13807.009776/0025 Acórdão n.º 9900000.538 CSRFPL Fl. 5 7 Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 09/10/2000, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 09/10/1990 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 09/10/1990 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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