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Numero do processo: 10980.723944/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.723944/201004 Resolução n.º 2301000.225 S2C3T1 Fl. 236 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário apresentado pela empresa LOGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICO LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Narra o relatório fiscal que “a empresa foi autuada por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, não cumprindo assim o previsto na Lei n.º 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5, também acrescentado pela Lei n.º 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.48, de 06.05.99” (f. 15). 3. Ainda em consonância com a peça introdutória “os fatos geradores não informados foram as remunerações pagas na forma de diversas transferências de recursos e pagamentos de despesas com benefícios e vantagens concedidas ao senhor Newton Bonin (beneficiário), tais como pagamentos de escolas e cursos de línguas, condomínio, cartões de crédito de titularidade de beneficiário e do cônjuge, despesas com luz, gás, celular do beneficiário, cônjuge e filhos, telefone, IPTU, IPVA, seguros de vida e de veículos do beneficiário, cônjuge e filhos, clubes, salários e respectivos encargos sociais de empregados inerentes à atividade rural do beneficiário, dentre outros pagamentos que foram escriturados (contabilizados) na conta contábil 1020301003 – Empréstimos a Pessoas Ligadas – Newton Bonin, nos anos calendário de 2005 e 2006” (f. 15). 4. Em sua impugnação, o contribuinte alegou que a quantia repassada ao sócioadministrador, Newton Bonin, “não se tratou de remuneração indireta, mas sim de valores entregues a título, própria e especificamente, de mútuo.” (f. 28) 5. O acórdão de primeira instância restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AUSÊNCIA DE NULIDADE. Não é nulo o processo administrativo fiscal cujos atos e termos foram lavrados por servidor competente, que contenha todos os elementos necessários à compreensão da origem do crédito exigido e cujos despachos e decisões não impliquem preterição do direito de defesa. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE. Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentalas em outro momento processual. Em caso de processos resultantes de ações fiscais distintas, instauradas em face de pessoas jurídicas ou naturais distintas, para apuração de tributos de natureza diferentes, devem as provas ser juntadas em casa um desses processos. MULTA GFIP X MULTA POR RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO EM ATRASO Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.723944/201004 Resolução n.º 2301000.225 S2C3T1 Fl. 237 3 Até a edição da Medida Provisória n.º 449, de 2008, não era incompatível a multa incidente sobre a contribuição recolhida em atraso com a multa devida por omissão de informações em GFIP. Tratamse ambas de penalizações distintas, incidentes de forma independente sobre uma e outra conduta infratora, de forma que são exigíveis cada uma nos processos respectivos. SÓCIO ADMINISTRADOR. SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL É segurado obrigatório da previdência social, na categoria de contribuinte individual, o sócio administrador da empresa que, nessa condição, recebe remuneração pelo serviço prestado, incidindo sobre a remuneração auferida as contribuições devidas pelo segurado e pela empresa. EMPRÉSTIMOS AO SÓCIO. PARCELA INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO Para fins previdenciários, constituem remuneração pelo serviço prestado e integram o salário de contribuição do segurado as apropriações de numerários da empresa, destinadas ao pagamento de despesas, benefícios e investimentos de natureza particular em favor de seu dirigente e registradas em contas de empréstimos ao sócio administrador da pessoa jurídica, quando não restar comprovado o seu retorno em devolução ao patrimônio do sujeito passivo. GFIP COM OMISSÃO DE VERBAS DE CARÁTER REMNERATÓRIO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constatado o caráter remuneratório dos pagamentos de vantagens e benefícios registrados na contabilidade do sujeito passivo em conta de empréstimo ao seu sócio, obrigase a empresa a declarar em GFIP os valores correspondentes. Apresentar a GFIP com omissão desses dados constitui infração à legislação previdenciária. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. O mútuo é negócio jurídico que pressupõe a devolução do bem fungível tomado emprestado em equivalentes quantidade, qualidade e gênero, sendo lícito presumir a sua inexistência quando as partes demonstram por seus atos que esse pressuposto não fez parte do acordo de vontades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (ff. 66 e 67) 6. Buscando reverter a manutenção do lançamento, o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) preliminarmente, a existência de causa de nulidade do autor de infração, uma vez que não foi apontado, com clareza e precisão, o dispositivo legal que fundamenta a exigência; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.723944/201004 Resolução n.º 2301000.225 S2C3T1 Fl. 238 4 b) que a presente autuação é decorrente do lançamento constituído em face do contribuinte Newton Bonin, razão pela qual este deve ser julgado da mesma forma que aquele; c) não houve a ocorrência de omissão de rendimentos e, por consequência, omissão de pagamentos a segurados, mas sim operações de mútuo, que foram devidamente formalizadas em instrumentos escritos e lançamentos contábeis; d) como não houve pagamento de qualquer tipo de remuneração não há que se falar em falta de registro de informações em GFIP que pudesse configurar a infração apontada no presente auto de infração; e) houve a quitação parcial dos mútuos feitos, que foram regularmente contabilizados na conta contábil “Empréstimos a Pessoas Ligadas”; f) por fim, alega que não que houve confusão patrimonial, pois a empresa emprestou dinheiro de acordo com sua disponibilidade, sem por em risco sua atividade. 7. Juntamente com o recurso voluntário, a empresa apresentou um novo documento “DECLARAÇÃO DE RECEBIMENTO DE MÚTUOS” (ff. 220 a 230) no qual afirma que “as quitações ocorreram conforme detalhamento abaixo, as quais estão regularmente contabilizadas em títulos e contas próprias e cujos lançamentos estão devidamente respaldados por comprovantes bancários constantes da contabilidade da empresa”. 8. Sem contrarrazões pelo Fisco, os autos seguiram para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. PRELIMINAR DE CONEXÃO 2. Muito embora o contribuinte alegue que “o presente feito é mera decorrência do processo instaurado contra Newton Bonin, tomandolhe de empréstimo todas as provas e conclusões” e que por esta razão “deve seguir a mesma sorte daquele (...)” (f.98), entendo que cada processo deve ser instruído com os documentos e fundamentos necessários à sua análise. 3. O artigo 9º, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, aplicável à época do lançamento, determina: “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.723944/201004 Resolução n.º 2301000.225 S2C3T1 Fl. 239 5 isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. 4. E o recente Decreto n.º 7.574, de 29 de setembro de 2011, manteve a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que possa ser analisados separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” 5. A conexão é o fenômeno processual que determina a reunião de duas ou mais ações, para o julgamento em conjunto, a fim de evitar a existência de sentenças conflitantes. Em processo civil, consideramse conexas aquelas ações que possuem o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. 6. É importante ressaltar que a conexão dos processos não implica necessariamente em vantagem para o contribuinte, pois ela somente irá garantir que as ações tenham o mesmo julgamento. 7. E conforme venho me posicionando, os dados constantes dos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros processos lavrados contra o mesmo sujeito passivo. 8. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 9. Assim, com base no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitando, assim, as dilações indevidas. 10. Evidentemente que em alguns casos a conexão será necessária, por considerar fato importante para o deslinde da controvérsia constante em processo diverso, contudo, a análise será delimitada pelo julgador caso a caso. 11. No presente caso, pretende o contribuinte que matérias diversas, de competência de Turmas diferentes, sejam julgadas em conjunto por este órgão, o que não encontra guarida no Regimento Interno do CARF. Isso porque, o processo a que a empresa se refere como “matriz” tratase de lançamento de IRPF, já o processo ora em análise diz respeito a contribuições sociais previdenciárias. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.723944/201004 Resolução n.º 2301000.225 S2C3T1 Fl. 240 6 12. E conforme prevê o artigo 47 do Regimento Interno do CARF “os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art.46.”(g.n.) 13. Dessa forma, afasto a preliminar levantada. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 14. Narra o relatório fiscal que “os fatos geradores não informados foram as remunerações pagas na forma de diversas transferências de recursos e pagamentos de despesas com benefícios e vantagens concedidas ao senhor Newton Bonin (beneficiário), tais como pagamentos de escolas e cursos de línguas, condomínio, cartões de crédito de titularidade de beneficiário e do cônjuge, despesas com luz, gás, celular do beneficiário, cônjuge e filhos, telefone, IPTU, IPVA, seguros de vida e de veículos do beneficiário, cônjuge e filhos, clubes, salários e respectivos encargos sociais de empregados inerentes à atividade rural do beneficiário, dentre outros pagamentos que foram escriturados (contabilizados) na conta contábil 1020301003 – Empréstimos a Pessoas Ligadas – Newton Bonin, nos anos calendário de 2005 e 2006” (f. 15) 15. E sobre a questão, aduz o contribuinte que “os valores que foram entregues a esta pessoa física, a título de mútuos, e assim estão comprovados por documentos e registros contábeis próprios e regulares” (f. 98) 16. E para comprovar sua alegação a empresa recorrida trouxe aos autos, juntamente com seu recurso voluntário, um novo documento “DECLARAÇÃO DE RECEBIMENTO DE MÚTUOS” (ff. 220 a 230) no qual afirma que “as quitações ocorreram conforme detalhamento abaixo, as quais estão regularmente contabilizadas em títulos e contas próprias e cujos lançamentos estão devidamente respaldados por comprovantes bancários constantes da contabilidade da empresa”. 17. Assim, com base no princípio da verdade material, admito a juntada do documento apresentado, tendo em vista que a declaração diz respeito à discussão do débito levantado pela fiscalização. Reforça meu entendimento o fato de que o mútuo é negócio jurídico que pressupõe a devolução do bem fungível tomado emprestado, restando assim evidências fortes no sentido de que a documentação apresentada poderá influenciar definitivamente na formação de convicção própria deste relator sobre a questão jurídica trazida pelo contribuinte, desde que devidamente contabilizada. 18. De maneira que verifico ser necessária a realização de uma diligência para que a autoridade fiscal verifique se a quitação do mútuo encontrase devidamente contabilizado em títulos e contas próprios da empresa, bem como elabore manifestação conclusiva sobre os documentos carreados. 19. Ainda para complementar a análise jurídica da demanda verifico a necessidade de juntada do acórdão proferido pela Câmara Baixa do CARF no processo do contribuinte Newton Bonin (número 2102001.857), já que não se encontra disponível no momento. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.723944/201004 Resolução n.º 2301000.225 S2C3T1 Fl. 241 7 20. Observando o direito à ampla defesa e ao contraditório, após o retorno da diligência, fica concedido o prazo de trinta dias para que o recorrente, caso queira, se manifeste sobre o resultado do expediente. 21. Após, retornem os autos à apreciação deste Conselho para análise e julgamento do recurso voluntário. CONCLUSÃO 22. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e converto o julgamento em diligência, para que: a) a autoridade fiscal verifique se a operação de quitação do mútuo encontra se devidamente contabilizado em títulos e contas próprios da empresa, bem como elabore manifestação conclusiva sobre os documentos carreados; b) seja juntado aos autos a decisão de número 2102001.857 proferida por este órgão no julgamento do processo do contribuinte Newton Bonin. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002972/2009-97
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2007
ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO COMPROVAÇÃO
É devida a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91, pelas entidades que não comprovem o pleno atendimento aos requisitos necessários à isenção de contribuições para a seguridade social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2007 ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO COMPROVAÇÃO É devida a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91, pelas entidades que não comprovem o pleno atendimento aos requisitos necessários à isenção de contribuições para a seguridade social. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
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NÃO COMPROVAÇÃO É devida a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91, pelas entidades que não comprovem o pleno atendimento aos requisitos necessários à isenção de contribuições para a seguridade social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 29 72 /2 00 9- 97 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002972/200997 Acórdão n.º 2803002.049 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002972/200997 Acórdão n.º 2803002.049 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados, apuradas em razão da comprovação de que a empresa não se enquadrava como isenta, não possuindo o Ato Declaratório de Isenção. O auto se refere a parte da empresa e SAT/RAT. O r. acórdão – fls 55 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando o auto de infração lavrado em razão da decadência reconhecida referente às competências 01/2004 a 10/2004. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · A Fundação é Declarada de Utilidade Pública Federal pela Portaria n° 1477 de 31 de agosto de 2007, e devidamente Publicada no Diário Oficial da União de 03/07/2007. · b) Em momento algum a Receita Federal informou a FUNDAÇÃO da pendência de tais recolhimentos da parte de Terceiros. · c) a FUNDAÇÃO é de FATO extinta em dezembro de 2007, quando dispensou todos os funcionários e recolheu todos os encargos sociais e pagou a Rescisão dos mesmos. · Requer que seja acolhida a presente impugnação, posto que demonstrada a insubsistência e improcedência da atuação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002972/200997 Acórdão n.º 2803002.049 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A empresa foi autuada uma vez que recolhia como isenta, mas não preenchia os requisitos para usufruir do favor legal. Não apresentou o Ato Declaratório de Isenção, documento necessário para comprovar sua regular situação perante o fisco. Com o advento da lei 12.101/09 e seu Decreto Regulamentador de n° 7.237/2010, houve nova normatização quanto aos procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social, devendose observar, dentre outras, as disposições do art. 42 do referido decreto, in verbis: Art. 42. Constatado o descumprimento de requisito estabelecido pelo art. 40, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, devendo relatar os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Durante o período a que se refere o caput, a entidade não terá direito à isenção, e o lançamento correspondente terá como termo inicial a data de ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o A entidade poderá impugnar o auto de infração no prazo de trinta dias, contados de sua intimação. § 3o O julgamento do auto de infração e a cobrança do crédito tributário seguirão o rito estabelecido pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. As normas elencadas na nova lei, em relação ao procedimento de apuração e conferência da isenção usufruída, têm natureza procedimental, de aplicabilidade imediata, inclusive em relação a fatos anteriores à norma jurídica. Ressaltese que a mera mudança de procedimento fiscalizatório não prejudica em nada o contribuinte. Já os requisitos materiais elencados no art. 55 da lei 8.212/91, esses devem ser observados à luz da legislação vigente quando da isenção pleiteada, o que passamos a analisar. Vejamos a redação legal à época dos fatos sub examine. Art. 55.Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002972/200997 Acórdão n.º 2803002.049 S2TE03 Fl. 6 5 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer titulo; 3 aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Do que consta dos autos, a recorrente apenas traz a sua declaração de Utilidade Pública Federal publicada no DOU de 03.09.2007. Nada mais. Assim sendo, resta demonstrado que não houve o atendimento dos requisitos do art. 55 da lei 8212/91, devendo o contribuinte recolher todas as verbas patronais devidas à seguridade social, exatamente o que fora apurado, o que informa a total procedência do auto lavrado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002972/200997 Acórdão n.º 2803002.049 S2TE03 Fl. 7 6 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005543/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos
ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, em regra, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
Hipótese em que o recorrente teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.840
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$4.860,00. Vencidos os Conselheiros Célia Maria de Souza Murphy e Luiz Eduardo de Oliveira Santos,
que votaram por negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, em regra, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Hipótese em que o recorrente teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, em regra, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Hipótese em que o recorrente teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$4.860,00. Vencidos os Conselheiros Célia Maria de Souza Murphy e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por negar provimento ao recurso. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 14 a 16, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para glosar deduções indevidas de despesas médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$13.367,75, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 13), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreve o recurso da seguinte maneira (fls. 79v a 80): Especifica as glosas que está impugnando, apresentando justificativa para cada uma das despesas e juntando documentos que não haviam sido apresentados anteriormente ou que estavam ilegíveis. Afirma que o único fundamento existente para a glosa efetuada foi a “não comprovação dos desembolsos pelas despesas médicas”. Cita os arts. 5º, II, e 21, VII, da Constituição Federal para alegar que “o cidadão brasileiro tem direito de usar, em todas as suas transações, a moeda nacional, de maneira absoluta e irrestrita” e, assim, não haveria óbice na legislação nacional em relação ao pagamento de suas despesas médicas em espécie. Aduz que efetuou o pagamento em espécie porque “nada o impedia” e, também, “para fins de adimplir, de maneira imediata e constante, com as despesas que assumira, sem deixar restos de valores a serem pagos a terceiros e que muito afetam àqueles que com cheque pagam suas contas”. Alega que as declarações feitas pelos prestadores do serviço, trazidas na impugnação, comprovariam a realização dos pagamentos em moeda corrente. Suscita que a falta de endereço dos profissionais nos recibos poderia ser um possível motivo da glosa, mas considera essa exigência “transcende qualquer limite Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 3 3 lógico” e seria um exagero, “premiando a minúcia e esquecendo da essência”, afirmando não ser comum a prestação dessa informação. Ressalta que todos os recibos apresentados possuem o nome e o CPF do prestador do recibo e que, nas declarações por ele prestadas também constaria a especialidade, o cadastro junto aos órgãos de classe. Deduz que não “se procurou saber se o prestador do serviço declarou suas receitas provenientes do impugnante, mas, sim, desceu ao mais sutil detalhismo, unicamente para encontrar algo que fosse ensejador da glosa indevida”. Finaliza solicitando o cancelamento do lançamento. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 79 a 82v): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazêlo em data posterior. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe ao contribuinte o ônus da prova. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada ao preenchimento dos requisitos legais e à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 12/05/2011, o contribuinte apresentou, em 9/6/2011, recurso voluntário, onde afirma: a) a ausência de impeditivo legal para pagamentos feitos em espécie; Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 4 4 b) que os argumentos da decisão recorrida são descabidos, na medida em que supõem que a prova seria do contribuinte, o que não é previsto na legislação; c) que o pagamento da terapia de casal foi feito por ele, e que sua esposa não deduziu os 50% que seriam de sua competência. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2004 (fl. 74), ter auferido rendimentos tributáveis de R$168.304,96, e deduziu despesas médicas no valor de R$50.981,62. Conforme informado na descrição dos fatos da notificação de lançamento (fl. 15), do total de deduções, a fiscalização considerou comprovadas R$2.371,62, e glosou R$ 48.610,00 referente às seguintes despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo pagamento: NOME DO BENEFICIÁRIO VALOR Luciana de Fátima Ramos 8.560,00 Elizabeth H. Otani 5.000,00 Fernanda Westphalen 2.300,00 Geslaine J. B. dos Santos 1.980,00 Vania Massuqueto 1.900,00 Arlete Aparecida Karas 2.180,00 Magda M. Ferreira 2.100,00 Regina Elizabeth Galvão Lopes 4.220,00 Janice Ornieski de Souza 2.760,00 Soraya L. de Moraes 15.000,00 Tatiana Telles Coronil 2.610,00 TOTAL 48.610,00 Na impugnação o contribuinte informa que efetuou o pagamento das despesas em dinheiro, e defende seu direito às deduções. O acórdão recorrido manteve as glosas e elencou diversas inconsistências na comprovação das despesas, tais como (fls. 81 e verso): Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 5 5 a) além da irregularidade referente à ausência de endereço nos recibos, o contribuinte declarou ter despendido R$ 50.981,62 com despesas médicas suas e de seus dois dependentes, que representam 37,58% do montante líquido recebido, pois a contribuição previdenciária oficial e o IRRF são descontados do salário antes de ser depositado, fls. 74 e 75; b) o fiscalizado é médico e possui plano de saúde, fl. 76, que possibilitaria o atendimento sem ônus em clínicas especializadas, as quais, provavelmente, teriam mais recursos do que os onerosos tratamentos alegados como prestados em sua residência e/ou consultório: R$ 11.180,00 de fisioterapia, R$ 4.280,00 de fonoaudiologia, R$ 6.980,00 de psicologia e R$ 17.160,00 de terapia ocupacional; c) os recibos apresentados são genéricos e com indícios de emissão sequencial.; d) o contribuinte deduziu valores elevados nos anos calendário de 2002 a 2006; e) mesmo se fossem aceitas como comprobatórias as declarações e recibos apresentados, de pronto já seriam recusadas as deduções das psicólogas Regina Elizabeth Lopes e Janyce Ornieski de Souza, de R$ 4.220,00 fl. 27 e R$ 2.760,00 – fl. 31, respectivamente, por se referirem a “terapia de casal” e “psicoterapia familiar”, que englobaria o cônjuge do contribuinte, Eliana Regina da Veiga Chomatas, que não foi declarada como sua dependente – fl. 76; f) incomum a utilização de terapeuta ocupacional, regida pelo Crefito e não pelo CRP, para tratamento de distúrbio de aprendizagem, fl. 20, e a emissão de diversos recibos em domingos (15/06/2003 fl. 32, 20/07/2003 e 17/08/2003 fl. 33, 16/11/2003 fl. 34, 06/07/2003 fl. 36, 30/11/2003 fl. 41, 31/08/2003 – fl. 42, 12/01/2003 – fl. 43); g) considerando que as declarações de fls. 22, 23 e 25, onde as profissionais Fernanda Westphalen, Geslaine J. B. Santos e Vânia Massuquetto, afirmam terem prestado serviços de fisioterapia e RPG ao próprio contribuinte, nos valores de R$ 2.300,00, R$ 1.980,00 e R$ 1.900,00, temse o montante de R$ 6.180,00 de tratamento fisioterápico só com o próprio contribuinte; h) apesar dos altos valores de tratamento envolvidos, não foi apresentada qualquer alegação, exame, receituário, laudo para justificar a necessidade de tratamentos tão vultosos e prolongados, muitas vezes realizados por dois profissionais simultaneamente; i) nos cinco exercícios fiscalizados, foram deduzidos pagamentos a uma grande quantidade de prestadores de serviço de saúde, inclusive com a utilização concomitante de diversos profissionais de mesma especialidade durante o mesmo anocalendário; Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 6 6 Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. O problema consiste em saber até que ponto são razoáveis as exigências da autoridade fiscal para comprovação das despesas médicas. Em muitos casos, a fiscalização Fl. 109DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 7 7 termina por demandar a apresentação de pagamento diretamente correlacionado com débito, como cheque utilizado para liquidar a despesa, ou saque de valor exato na mesma data. Mas os contribuintes replicam que ninguém é obrigado a pagar suas despesas com cheques nem efetuar saques individuais para cada dispêndio. Penso que a dificuldade já surge quando da informação das despesas na declaração de ajuste. A cada ano, as indicações da Receita Federal são pela possibilidade de comprovação das despesas médicas mediante recibos. A título de exemplo, transcrevo orientações contidas no Perguntas e Respostas do IRPF, exercício 2005, pergunta 337: A dedução dessas despesas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Admitese que, na falta de documentação, a comprovação possa ser feita com a indicação do cheque nominativo com que foi efetuado o pagamento. Assim, a própria Receita Federal orienta que a comprovação, se necessária, pode ser feita com a apresentação de recibo ou nota fiscal originais, podendo ser dar, caso o contribuinte não tenha esse documento, com a apresentação de cheque nominativo. Observese que a opção do cheque nominativo é dada a favor do contribuinte, nos casos em que o profissional se recuse a dar recibo. Verifiquei que essa orientação foi repetida em todos os Perguntas em Respostas dos exercícios seguintes. Apenas no documento do exercício de 2011 foi acrescentada a seguinte informação: Conforme previsto no art. 73 do RIR/1999, a juízo da autoridade fiscal, todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, e, portanto, poderão ser exigidos outros elementos necessários à comprovação da despesa médica. Não se pode ignorar, no entanto, que é bastante comum o expediente de se declarar despesas médicas inexistentes, ou majorar o valor das ocorridas, com o objetivo de diminuir o imposto devido. Contando com a ineficiência da Administração Pública, e com a nefasta idéia, corrente em nosso país, de que a sonegação é um crime aceitável devido à alta carga tributária, alguns contribuintes declaram deduções expressivas, e buscam justificálas com recibos que não refletem o realmente ocorrido. Situação inaceitável que precisa ser coibida pela Administração Pública. Diante desse quadro, os julgamentos administrativos neste CARF são bastante diversos. Existem aqueles que julgam que, uma vez comprovada a despesa mediante recibos, é dever do Fisco provar que a informação é falsa. Por outro lado, é forte a corrente que pensa que, caso a autoridade fiscal exija comprovação adicional do contribuinte, invertese o ônus da prova, sendo função do sujeito passivo produzir a comprovação exigida. Filiome ao segundo grupo, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 8 8 Mas penso que a fiscalização deve demonstrar criteriosamente porque não aceitou a comprovação mediante recibo que atenda às características da legislação. Somente com a análise das exigências fiscais, bem como das respostas do contribuinte, será possível se concluir pela procedência, ou não, das glosas efetuadas. No caso, apesar de não constar dos autos a intimação solicitando a comprovação dos pagamentos, a descrição dos fatos demonstra que ela existiu, pois foi justamente a falta dessa demonstração que ocasionou as glosas. E, devido ao expressivo valor das deduções, entendo ter sido razoável a exigência de comprovação do pagamento. É claro que o contribuinte tem todo o direito de pagar suas despesas em dinheiro, mas, em especial para aquelas de maior valor, deve ter o cuidado de demonstrar melhor o serviço e os desembolsos. Já para as despesas de menor monta, é razoável se entender um menor cuidado na demonstração dos serviços médicos. Ressaltese que, mesmo para as despesas de maior valor, esta Turma de Julgamento tem frequentemente admitido a dedução de despesas médicas quando se comprova, mediante documentação complementar (laudos médicos, perícias, exames e fichas clínicas), a efetiva realização do tratamento, ainda que não acompanhada da prova do pagamento. Entretanto, no caso em tela, diante das inúmeras inconsistências na comprovação das despesas levantadas pelo julgador de 1a instância, exigese um maior esforço na produção de provas complementares. Por outro lado, penso não ser possível a rejeição de todas as despesas em conjunto, sem análise específica de cada situação, como fez o acórdão recorrido. Assim, apesar da exigência de comprovação dos pagamentos não ter sido cumprida pelo recorrente, ainda se deve analisar cada despesa médica individualmente para verificar se as provas trazidas ao processo são suficientes para justificar as deduções, como passo agora a fazer. a) Luciana de Fátima Ramos – R$8.560,00: Foram apresentados: • Declaração de fl. 19 confirmando o pagamento de serviços odontológicos prestados nos anos de 2003 a 2006, com pagamento em espécie; • Recibos de fls. 36 a 37 e 43 a 45. No caso, despesa de valor tão elevado deveria ter sido comprovada com documentação complementar. Além disso, os recibos e a declaração descrevem o tratamento de forma muito genérica. Não seria difícil se ter trazido aos autos laudos médicos, perícias, exames ou fichas clínicas de serviço odontológico complexo, que reforçariam a convicção na efetividade do atendimento. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 9 9 Além disso, as tabelas de fls. 81 e verso do acórdão recorrido demonstram que foram deduzidos valores expressivos relativos a tratamentos odontológicas nos 5 exercícios sob análise (R$60.465,00), R$39.220,00 somente com essa profissional, o que reforça a maior exigência na comprovação dessa rubrica. Dessa forma, entendo que se deve manter a glosa. b) Elizabeth H. Otani R$5.000,00: Foram apresentados: • Recibos de fls. 53 a 62 relativos a 20 pagamentos de R$250,00 referentes a serviços fisioterapêuticos em Jaqueline Chomatas e Guilherme Chomatas. No caso, os valores individuais são pequenos, compatíveis com o pagamento em dinheiro, mas o valor total é significativo. Além disso, a tabela de fl. 81 do acórdão recorrido demonstra que foram deduzidos valores expressivos relativos a tratamentos fisioterápicos nos 5 exercícios sob análise (R$65.460,00), o que reforça a maior exigência na comprovação dessa rubrica.. Acrescentese que os recibos não atendem a todos os requisitos formais previstos na legislação, em especial a indicação do endereço do profissional. Nessa situação, penso que seria necessário se trazer aos autos provas complementares do tratamento, bem como suprir as deficiências formais dos recibos, pelo que mantenho a glosa. c) Fernanda Westphalen – R$2.300,00: Foram apresentados: • Declaração de fl. 22 confirmando o tratamento de fisioterapia no contribuinte no decorrer do ano de 2003, em consultório e em domicílio, na forma de sessões semanais individuais, com pagamentos mensais em dinheiro; • Recibo de fl. 38. Caso essa despesa se desse de forma isolada, certamente o recibo e a declaração da profissional serviriam para comprovála. Entretanto, essa dedução se inclui no rol das elevadas despesas com tratamentos fisioterápicos nos exercícios fiscalizados, além de que, como bem observado pelo acórdão recorrido, as despesas com fisioterapia com o próprio contribuinte importaram na significativa quantia de R$6.180,00 em 2003. Nesse contexto, exigese a apresentação de provas complementares da efetividade do pagamento ou do serviço. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 10 10 Esclareçase que a declaração da profissional complementa as informações do recibo, suprimindo a irregularidade formal da falta de endereço, mas, por apenas repetir o conteúdo do recibo, não é suficiente para a comprovação da despesa. Assim, mantenho essa glosa. d) Geslaine J. B. dos Santos – R$1.980,00: Foram apresentados: • Declaração de fl. 23 confirmando o tratamento de fisioterapia no contribuinte no decorrer do ano de 2003, em consultório, na forma de sessões semanais individuais, com pagamentos semanais em dinheiro; • Recibo de fl. 31, datado de 18/12/2003, em nome do contribuinte, referente a sessões de fisioterapia (drenagem linfática manual) do mês de maio a dezembro de 2003. Para essa despesa, valem as mesmas observações tecidas no item “c”, pelo que mantenho sua glosa. e) Vania Massuqueto – R$1.900,00: Foram apresentados: • Declaração de fl. 25 confirmando o tratamento fisioterápico de Reeducação Postural Global RPG no contribuinte no ano de 2003, discriminando os quatro pagamentos efetuados; • Recibos de fls. 39 a 40 Para essa despesa, valem as mesmas observações tecidas nos itens “c” e “d”, pelo que mantenho sua glosa. f) Arlete Aparecida Karas – R$2.180,00: Foram apresentados: • Declaração de fl. 28 confirmando o tratamento de fonoaudiologia no contribuinte (melhoria de voz, aumento da capacidade respiratória, entonação e ritmo, relaxamento e impostação vocal), no período de março a agosto 2003, com pagamentos mensais em moeda corrente com recibo total fornecido no término do tratamento; • Recibo de fl. 38. O recibo não atende a todos os requisitos formais previstos na legislação, em especial a indicação do endereço do profissional, e a declaração da fonoaudióloga não supre essa falha. Observese que o contribuinte foi informado dessa deficiência pelo acórdão de 1a instância, tendo a oportunidade de suprila no voluntário, mas não o fez. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 11 11 Assim, a glosa deve ser mantida. g) Magda M. Ferreira – R$2.100,00: Foram apresentados: • Declaração de fl. 24 confirmando o tratamento fonoterápico no contribuinte no decorrer do ano de 2003, com a indicação do valor do serviço; • Recibos de fls. 41 a 42. Nesse caso, o recibo atende aos requisitos da legislação, as despesas mensais são de valores pequenos, e o total de gastos com fonoaudiologia não são tão elevados nos exercícios fiscalizados. Assim, julgo que os óbices levantados pelo julgado a quo não são suficientes para questionar a dedução, pelo que a restabeleço. h) Regina Elizabeth Galvão Lopes – R$4.220,00: Foram apresentados: • Declaração de fl. 27 confirmando o acompanhamento psicológico no contribuinte, relativo à terapia de casal, na Clínica Contato, nos meses de janeiro a dezembro de 2003, com pagamentos mensais em moeda corrente; • Recibos de fls. 32 a 35, referentes a avaliações psicológicas. A despesa é de valor elevado e os valores informados são desproporcionais entre os recibos. Enquanto a maioria resulta em um valor mensal entre R$200,00 e R$300,00, podendose concluir pelo custo da sessão de R$50,00, o recibo de janeiro de 2003 totalizou R$2.000,00, sem nenhuma explicação plausível para tanto. Acrescentese que os pagamentos apenas a essa profissional, nos 5 exercícios fiscalizados, totalizaram R$19.265,00 (fl. 81v), o que evidencia um longo e caro tratamento, indicando que não teria sido difícil trazer laudos, fichas clínicas, e outras provas complementares da efetividade do pagamento ou do serviço, pelo que mantenho a glosa. i) Janice Ornieski de Souza – R$2.760,00: Foram apresentados: • Declaração de fl. 21 confirmando o atendimento psicológico (sessões semanais), no decorrer do ano de 2003, na Clínica Contato, com pagamento em moeda corrente; • Recibo de fl. 31, datado de 30/10/2003, em nome do contribuinte, referente à psicoterapia familiar – 24 sessões no período de maio a outubro. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 12 12 Nesse caso, o recibo atende aos requisitos da legislação, as despesas mensais são de valores pequenos, compatíveis com o serviço, e o total de gastos com psicologia não são tão elevados nos exercícios fiscalizados. Discordo do julgador de 1a instância que rejeita a despesa porque ela englobaria o cônjuge não dependente. Não localizei na legislação a determinação para que as despesas de tratamento psicológico familiar em conjunto, custeadas pelo contribuinte, sejam divididas entre os membros da família tratados. Assim, restabeleço essa dedução. j) Soraya L. de Moraes R$15.000,00: Foram apresentados: • Declaração de fl. 20 confirmando o atendimento particular de terapia ocupacional em dois dos filhos do contribuinte, por distúrbio de aprendizagem, em seu domicílio, nos anos de 2003 a 2005, com pagamentos em espécie; • Recibos de fls. 46 a 52, relativos a 20 pagamentos de R$750,00 referentes a sessões de terapia ocupacional em Jacqueline Chomatas e Guilherme Chomatas. Despesa tão elevada precisa ser comprovada por documentação complementar. Além disso, as despesas com terapia ocupacional importaram em R$59.160,00 nos exercícios fiscalizados, sendo que apenas com essa profissional totalizaram R$49.450,00, como demonstram as tabelas de fls. 81 e verso, o que exige maior rigor na prova apresentada. Assim, mantenho essa glosa. k) Tatiana Telles Coronil – R$2.610,00: Foram apresentados: • Declaração de fl. 26 confirmando o tratamento de terapia ocupacional de DORT (Distúrbios Osteomoleculares Relacionados ao Trabalho), no ano de 2003, na residência do paciente, duas vezes por semana, com pagamento em moeda corrente; • Recibos de fls. 64 a 72. Essa dedução se inclui no rol das elevadas despesas com terapia ocupacional nos exercícios fiscalizados, e por isso se exige a apresentação de provas complementares da efetividade do pagamento ou do serviço. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005543/200846 Acórdão n.º 2101001.840 S2C1T1 Fl. 13 13 Acrescentese que os recibos não atendem a todos os requisitos formais previstos na legislação, em especial a indicação do endereço do profissional, e a declaração da terapeuta ocupacional não supriu essa lacuna. Assim, mantenho essa glosa. Conclusão: Desta forma, pelas provas analisadas, julgo ser necessário restabelecer a dedução dos pagamentos de R$2.100,00 à Dra. Magda M. Ferreira e de R$2.760,00 à Dra. Janice Ornieski de Souza. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$4.860,00. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13884.900340/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
CARÊNCIA DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Comprovado que o pagamento apontado como crédito fora totalmente utilizado para satisfazer outro crédito tributário, declarado pela própria recorrente, legítima é a não homologação da compensação encetada.
Numero da decisão: 3101-001.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Leonardo Mussi da Silva, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 CARÊNCIA DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o pagamento apontado como crédito fora totalmente utilizado para satisfazer outro crédito tributário, declarado pela própria recorrente, legítima é a não homologação da compensação encetada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Corintho Oliveira Machado - Relator. EDITADO EM: 22/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Leonardo Mussi da Silva, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Corintho Oliveira Machado.
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o pagamento apontado como crédito fora totalmente utilizado para satisfazer outro crédito tributário, declarado pela própria recorrente, legítima é a não homologação da compensação encetada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 22/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Leonardo Mussi da Silva, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 40 /2 00 8- 41 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do inciso III do parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso às planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13884.900340/200841 Acórdão n.º 3101001.322 S3C1T1 Fl. 3 3 A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 Faturamento. Valores Repassados A Terceiros. Exclusão da Base De Cálculo. Os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde basicamente reprisa os argumentos de primeira instância e aduz argumentos no sentido de mostrar que a norma do artigo 3º, parágrafo 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98 1 teria sido autoaplicável enquanto não revogado; ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja reconhecido seu direito creditório. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. 1 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à apreciação do apelo. À míngua de preliminares, adentro o mérito do litígio. A decisão recorrida não merece qualquer reparo. Notase que a causa principal para a não homologação da compensação encetada é a carência de crédito da recorrente, porquanto o pagamento apontado fora totalmente utilizado para satisfazer o crédito tributário declarado pela própria recorrente. Significa dizer que antes de transmitir a DCOMP, a recorrente devia ter retificado sua declaração de débito se quisesse ter direito a algum crédito. Num segundo momento, deve ser afastada também a pretensão da recorrente porque a origem veiculada para o seu suposto crédito transferências para outra pessoa jurídica nos termos do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, não chegou a existir, de fato, em nosso sistema jurídico tributário, por falta de regulamentação durante a vigência do dispositivo legal, e o advento de sua revogação em 2001, pela medida provisória nº 2.15835, de 24 de agosto. Sendo a matéria inclusive objeto de AD da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de nº 56/2000, cuja redação foi trazida no bojo do acórdão guerreado. No vinco do exposto, voto por DESPROVER o apelo, prejudicadas as demais alegações. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 58DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13884.900340/200841 Acórdão n.º 3101001.322 S3C1T1 Fl. 4 5 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003984/2005-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000, 2001
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO.
Não há embasamento legal para autorizar a exclusão da responsabilidade da pessoa jurídica ou a transferência desta responsabilidade para seus administradores, por alegada má administração destes últimos.
REGISTROS CONTÁBEIS IRREGULARES. PROVA.
O ônus da prova de que os registros contábeis da recorrente não correspondiam, à época da fiscalização, à realidade, cabe a quem alega tal fato. Não havendo nos autos a referida prova da irregularidade havida naquela oportunidade, deve ser rejeitada a preliminar arguida.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98.
Na forma da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, deve se considerar como base de cálculo da COFINS, exigida com base na Lei nº 9.718/98, somente o valor referente à “venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”.
Numero da decisão: 3201-000.812
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, afastadas as preliminares de ausência de responsabilidade da sociedade empresária, de invalidade de dados contábeis da empresa e de concomitância de ação judicial. No mérito, por unanimidade de votos, dado parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Paulo Sérgio Celani votaram pelas conclusões.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2001 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO. Não há embasamento legal para autorizar a exclusão da responsabilidade da pessoa jurídica ou a transferência desta responsabilidade para seus administradores, por alegada má administração destes últimos. REGISTROS CONTÁBEIS IRREGULARES. PROVA. O ônus da prova de que os registros contábeis da recorrente não correspondiam, à época da fiscalização, à realidade, cabe a quem alega tal fato. Não havendo nos autos a referida prova da irregularidade havida naquela oportunidade, deve ser rejeitada a preliminar arguida. COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. Na forma da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, deve se considerar como base de cálculo da COFINS, exigida com base na Lei nº 9.718/98, somente o valor referente à “venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”.
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EXCLUSÃO. Não há embasamento legal para autorizar a exclusão da responsabilidade da pessoa jurídica ou a transferência desta responsabilidade para seus administradores, por alegada má administração destes últimos. REGISTROS CONTÁBEIS IRREGULARES. PROVA. O ônus da prova de que os registros contábeis da recorrente não correspondiam, à época da fiscalização, à realidade, cabe a quem alega tal fato. Não havendo nos autos a referida prova da irregularidade havida naquela oportunidade, deve ser rejeitada a preliminar arguida. COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. Na forma da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, deve se considerar como base de cálculo da COFINS, exigida com base na Lei nº 9.718/98, somente o valor referente à “venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, afastadas as preliminares de ausência de responsabilidade da sociedade empresária, de invalidade de dados contábeis da empresa e de concomitância de ação judicial. No mérito, por unanimidade de votos, dado parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Paulo Sérgio Celani votaram pelas conclusões. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 26/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudino, Paulo Sergio Celani (Suplente) e Wilson Sampaio Sahade Filho (Suplente). Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, formalizada no auto de infração de fls. 10/18. O feito, referente a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2000 e dezembro de 2001, constituiu crédito tributário no total de R$ 128.091,68, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No corpo do auto de infração, às fls. 11, a autoridade autuante relata que o lançamento foi motivado por divergências constatadas entre os valores das receitas escrituradas para os anoscalendário de 2000 e 2001 e aquelas utilizadas como base de cálculo da Cofins. Segundo o auditor, os valores da referida contribuição, declarados nas respectivas DCTFs e pagos pelo contribuinte, se mostraram inferiores aos devidos (...) Cientificada da exigência em 18/08/2005, em 19/09/2005 a contribuinte interpôs a impugnação de fls. 124/150, na qual alega a improcedência do auto de infração argüindo, em síntese, quanto ao mérito, (i) que os ilícitos deveriam ser atribuídos, exclusivamente, aos administradores da Impugnante durante o período objeto de autuação; (ii) que o lançamento estaria fundamentado em dados contábeis equivocados; e (iii) que seria ilegal e inconstitucional a apuração da Cofins nos termos da Lei n° 9.718, de 1998. A peça de defesa iniciase pelo relato da situação vivenciada pela impugnante quando da transição de sua Fl. 415DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.003984/200584 Acórdão n.º 3201000.812 S3C2T1 Fl. 403 3 Diretoria Executiva. Informa que, no período de 1996 a 2001, a instituição teria sido administrada pelos Drs. Sílvio Brocchi, José Roberto Franchi Amade e Alexandre Contadores Bierrembach de Castro, pessoas que, valendo se de seus cargos, teriam desrespeitado cânones legais e estatutários, e que teriam extrapolado o poder de administração e gerência que lhes foi delegado. Como conseqüência da má gestão perpetrada por esses administradores, a pessoa jurídica teria deixado de pagar tributos, obrigações trabalhistas e fornecedores, assim como teriam sido constatadas, a posteriori, irregularidades na administração dos planos de saúde, efetivação de pagamentos, na sua maioria, sem qualquer amparo documental, aquisição de produtos superfaturados, dentre outras. Nas palavras da defesa: "(.) tudo isso mitigado pela apresentação de balancetes anuais supostamente corretos, mas que, na verdade, escondiam uma escrituração fiscal e contábil baseada em imprestáveis amontoados de documentos, livros mal escriturados, registros falhos e dados confusos, com o único escopo de impossibilitar a plena compreensão dos cooperados e sócios acerca da temerária, para não dizer enganosa, gestão que promoveram". Afirma que as práticas adotadas pelos exdiretores teriam sido maléficas, tendo culminado na ausência de recolhimento de praticamente todos os tributos. A seu ver, teria restado caracterizado o total descaso por parte dos exgestores que, em proveito pessoal, teriam deixado de zelar pela manutenção da ordem e pelo cumprimento das obrigações fiscais devidas. A interessada remete à ação judicial de indenização por danos materiais e morais, n° 3.131/2003, em trâmite na 6° Vara Cível de Campinas, objetivando o reconhecimento da responsabilidade dos exgestores pelos atos por eles praticados, a fim de minimizar os prejuízos da Impugnante; assim como, aos inquéritos policiais n° 110/2002, do 5° Distrito Policial de Campinas e n° 90640/2003, da Polícia Federal de Campinas, visando à apuração dos atos fraudulentos praticados pelos exdiretores. Nesse contexto, a Impugnante afirma também ter sido vítima da atuação desonesta e irresponsável dos gestores, concluindo a partir daí ter sido indevida a atribuição de responsabilidade tributária sobre a autuada. Na seqüência, a interessada argúi que, apesar das disposições do art. 20 do Novo Código Civil referendarem Fl. 416DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 a separação entre a pessoa jurídica e a pessoa física dos sócios e administradores e, conseqüentemente, a autonomia patrimonial dessas duas instâncias, há situações em que restaria caracterizada a prática de atos pelos sócios ou administradores contrários à Lei ou ao objeto social da sociedade. Nestes casos, estariam contempladas no ordenamento jurídico normas que afastariam a responsabilidade da pessoa jurídica para atribuíla, de forma exclusiva, às pessoas físicas agentes dos atos dolosos. Nesse contexto, destaca as disposições do art. 135 do CTN acerca das hipóteses de atribuição de responsabilidade pessoal, argumentando que "(..) sendo caracterizada conduta dolosa — é dizer, revestida de máfé — por parte do sócio ou administrador da sociedade, a esta pessoa física deve ser atribuída a responsabilidade pela constituição, bem assim pelo adimplemento da obrigação tributária, uma vez que devidamente comprovada sua concorrência para a prática do fato jurídico — de forma ilícita, frisese — que inaugurou esta mesma obrigação (tributária)". Defende que a responsabilidade atribuída pelo art. 135 é pessoal e exclusiva das pessoas ali indicadas, não tendo natureza subsidiária ou solidária. E continua: "Assim pela análise dos termos constantes da exordial do processo retro referido, aliada à ampla documentação acostada, resta certa e inafastável a conclusão de que houve efetivamente, prática de atos delituosos por parte dos Srs. Sílvio, José Roberto e Alexandre, responsáveis pela gestão e administração da Impugnante no lapso temporal compreendido no presente Auto de Infração, porquanto a responsabilidade pelo adimplemento de TODAS as obrigações — inclusive tributárias — contraídas nesse interregno haverão que lhes ser atribuídas de forma ampla e irrestrita, dentre as quais o débito a título de Cofins ora exigido" Enfatiza que, sob o manto de estarem agindo em nome e em favor da impugnante, os exdirigentes teriam feito uso de seu poder de gerência para: (i) a criação de empresas fictícias para a prestação de serviços de `gerenciamento administrativo', em contraprestação ao pagamento de absurdas "taxas de administração"; (ii) a criação de empresas administradoras de planos de saúde para a captação da clientela do plano da Impugnante; (iii) a promoção de copiosas e reiteradas fraudes na escrituração contábil e fiscal da autuada, que culminou na necessidade de contratação de serviços de auditoria independente para refazimento da contabilidade, procedimento esse ainda não concluído, mas que já possibilitou a apuração de diversas irregularidades, como: (i) acertos sem comprovação documental; (ii) emissão de cheques sem os comprovantes Fl. 417DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.003984/200584 Acórdão n.º 3201000.812 S3C2T1 Fl. 404 5 de quitação; (iii) débitos junto aos acionistas e aos prestadores de serviços; (iv) repasses médicos sem os devidos comprovantes de quitação; (v) emissão de recibos genéricos; (vi) efetivação de pagamentos de despesas próprias e depósitos bancários na conta corrente particular do Dr. Sílvio Brocchi Neto; (vii) ausência de cumprimento de obrigações fiscais, tributárias, trabalhistas e previdenciárias. Afirma que todas essas irregularidades teriam gerado prejuízos ainda não quantificados à autuada, fato que restaria comprovado no processo judicial em tramitação na 6ª Vara Cível da Comarca de Campinas. Requer a nulidade da autuação, uma vez que não caberia imputação de qualquer responsabilidade à Impugnante, por estar comprovada a atuação dolosa dos exdirigentes, que deveriam responder exclusiva e irrestritamente pelas obrigações decorrentes de seus atos, inclusive pelo débito a título de Cofins. No mérito, questiona a formalização da exigência do crédito tributário, no sentido de afirmar que os dados contábeis declarados nas DIPJ e DCTF dos anos calendário de 2000 e 2001 e os registros dos livros Diário e Razão não seriam condizentes com a realidade e, assim, não poderiam dar suporte à imputação fiscal. Alega que os números contábeis teriam inúmeras inconsistências que não teriam sido detectadas pelos demais acionistas. Somente com a eleição da nova Diretoria e com a determinação de uma auditoria externa no balanço, conforme se inferiria do item 3 da Ata da Assembléia Geral Extraordinária, ocorrida em 24/08/2001, é que teriam sido apuradas as irregularidades. Ressalta que os resultados contábeis apurados à época dos fatos teriam sido desqualificados pela empresa de auditoria. Transcreve excerto do relatório de seguinte teor: CONSIDERAÇÕES FINAIS Em todos os assuntos relatados neste relatório, ficou evidente a falta de critério e organização administrativa, com alto nível de: Desorganização; Ineficiência; Desencontros de informações; Procedimentos errôneos; e Fl. 418DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Desconhecimento contábil, fiscal e tributário das normas, regulamentação e disposição legais mínimas. Todos estes fatos simultâneos contribuz'ram para equívocos, erros e distorções nos resultados contábeis apurados, pois os números finais apresentados foram moldados a livre vontade e arbitramento de seus dirigentes, resultando em uma mera exposição de números sem qualquer possibilidade de utilização como demonstração contábil. É oportuno mencionar que esta situação só foi possível com a adição freqüente e permanente de procedimentos vulneráveis, frágeis e inconsistentes sob a orientação de seus dirigentes e da subordinação passiva dos funcionários (...) É importante que todos os procedimentos internos sejam revistos para adequar as situações a verdade dos fatos. Conclui daí, a Impugnante, que o presente auto de infração não se sustentaria, de vez que lavrado com base em resultados contábeis desqualificados pelo procedimento de auditoria interna. Questiona não ter a fiscalização considerado a informação prestada pela contribuinte de que a escrituração contábil estaria sendo refeita pela auditoria, e afirma que todos os documentos que teriam servido de base ao procedimento estariam à disposição do Fisco. Conclui assim que comprovada a imprestabilidade da contabilidade original da Impugnante, não habilitada a refletir seus efetivos resultados, não poderia subsistir a autuação nela fundamentada, por nula, em razão de ofender o princípio da verdade material. Ainda no tocante ao mérito invoca a ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da contribuição sobre a base de cálculo definida nos termos da Lei n° 9.718, de 1998, que teria alargado o conceito de faturamento incluso no texto constitucional para fins de delimitação de competências tributárias. A seu ver, tal vício não teria sido corrigido com a edição da Emenda Constitucional n° 20, de 1998. Contesta a legalidade da penalidade aplicada, haja vista que na ausência de tributos devidos não seriam cabíveis as exigências de multa e de juros moratórios. Também questiona a legalidade e constitucionalidade da utilização da taxa Selic, como juros de mora. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 419DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.003984/200584 Acórdão n.º 3201000.812 S3C2T1 Fl. 405 7 Anocalendário: 2000, 2001 NULIDADE. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS. NÃOCABIMENTO. A responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN não configura hipótese de sujeição passiva tributária, mas de responsabilidade patrimonial pelo crédito tributário, decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos Tendo em conta a natureza nãotributária da discussão acerca da atuação de diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica com excesso de poderes, a questão não deve ser definitivamente dirimida na esfera administrativa, com a exclusão do contribuinte do pólo passivo, sendo apenas possível, na execução fiscal, em sede de embargos do devedor. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE. O percentual da multa de ofício, assim como o índice usado para cálculo dos juros de mora decorrem de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálos. Lançamento Procedente O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, é necessário apreciar a preliminar argüida pelo contribuinte no que se refere à responsabilidade exclusiva dos antigos administradores/gestores, contudo, tal exclusão da responsabilidade da pessoa jurídica para transferência desta responsabilidade para Fl. 420DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 seus administradores não encontra embasamento legal, portanto, não há possibilidade de acatar a preliminar suscitada. A segunda preliminar referese à alegação de que os registros contábeis da recorrente não correspondiam, à época da fiscalização, à realidade, contudo, não há nos autos prova da irregularidade havida naquela oportunidade, nem razão para afastar o valor da prova representada pelos referidos registros, logo, rejeito esta segunda preliminar. Observo também que não há concomitância com o processo judicial movido pela recorrente (processo nº 114.01.2003.0420086 – nº de ordem 3131/2003), pois esta cuida de indenização por danos materiais e morais entre particulares, sendo totalmente estranha à matéria debatida nos presentes autos. No entanto, no que se refere à base de cálculo da COFINS, entendo que tem razão a recorrente quando requer o ajuste da exigência tributária à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, iniciada pela decisão do Pleno no Recurso Extraordinário nº 390.840, cuja ementa é a seguinte: "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718198, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, DJU 15.08.2006, p. 372) Assim, VOTO, por conhecer do recurso voluntário interposto para darlhe parcial provimento, determinando que a exigência tributária seja adequada para refletir a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ou seja, para que considere como base de cálculo da COFINS exigida somente o valor referente à “venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.003984/200584 Acórdão n.º 3201000.812 S3C2T1 Fl. 406 9 MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 422DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16327.915390/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 3302-01.406 sessão de 26/01/2012.
Numero da decisão: 3302-001.499
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 330201.406 sessão de 26/01/2012. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 24/06/2008 (fls. 16), no qual é pretendida a compensação de IOF no valor de R$153.501,39, com vencimento em 25/06/2008, cujo crédito teria se originado de recolhimento indevido de CPMF. Através do Despacho Decisório Eletrônico de fls. 14 a DRF de origem denegou a compensação pleiteada, considerando que o alegado direito creditório já fora utilizado para a quitação de débito da requerente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A manifestação de inconformidade apresentada pelo interessado (fls. 01/07) foi considerada improcedente pela Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, através do Acórdão nº 0532.395, sessão de 07/02/2011 (fls. 32/34, assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. DIREITO DE CRÉDITO. REGIME DE RETENÇÃO. ÔNUS FINANCEIRO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Cientificado dessa decisão em 14 de março de 2011 (AR. de fls. 37), no dia 12 de abril seguinte o interessado apresentou recurso voluntário a este Conselho, no qual foram trazidos os argumentos de defesa a seguir sintetizados: que o tributo não compensado não lhe poderia ser exigido em face de o direito creditório terse originado de recolhimento indevido de CPMF que equivocadamente fora retida e posteriormente estornada sendo, assim, legítimo o direito ao crédito e a conseqüente homologação da compensação declarada; Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915390/200918 Acórdão n.º 330201.499 S3C3T2 Fl. 2 3 que a decisão recorrida não reconhecera o direito creditório sob o fundamento de que o argüido pagamento indevido ou a maior não fora devidamente comprovado, sendo que os documentos então acostados à manifestação de inconformidade comprovariam, de forma inequívoca, o seu direito creditório; que, no caso em tela, a maior parte do crédito pleiteado diz respeito à retenção de clientes do Recorrente os quais, por serem Fundos de Investimentos e empresas equiparadas a Instituição Financeira, estavam sujeitos à alíquota zero da CPMF, nos termos do artigo 8º da Lei nº 9.311/96, passando à transcrição do referido dispositivo; que os extratos das contas (doc. 03) demonstram o estorno dos valores retidos indevidamente, evidenciando que o Recorrente suportou o ônus do pagamento da CPMF indevidamente retida; que, sendo assim, o erro no preenchimento da DCTF não pode ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento de seu crédito e o indeferimento da compensação pretendida; que no processo administrativo, diferentemente do que ocorre no processo judicial, prevalece o princípio da verdade material em detrimento da verdade formal, cumprindo à autoridade administrativa, para a solução do litígio, promover a incessante busca do que realmente traduz a verdade dos fatos, fazendo citações doutrinárias e de decisões administrativas dos Conselhos de Contribuintes, atual CARF, para corroborar seus argumentos. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Relator. O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Extraise do relatório que o pleito do recorrente é no sentido de serlhe reconhecido direito creditório que teria se originado de recolhimento da Contribuição CPMF que fora retida indevidamente sobre movimentação financeira de sociedades de investimento e de fundos de investimento que, nos termos do artigo 8º da Lei nº 9.311, de 24/10/1996, seriam tributadas à alíquota zero. O Despacho Decisório Eletrônico, emitido em 07/10/2009, considerou não mais existente o direito creditório, porquanto o mesmo já teria sido utilizado para a compensação de débitos do requerente. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a decisão recorrida, além de considerar que o direito creditório não fora devidamente comprovado quanto à sua real existência, trouxe mais um fator que também impediria a homologação pretendida, qual seja, o fato de a CPMF ser um tributo cujo ônus recai sobre o titular da movimentação financeira, sendo a instituição que a retém apenas responsável pela sua cobrança e recolhimento, cabendo a esta a comprovação de que o pagamento a maior ou indevido fora por ela suportado. Conclui o órgão de julgamento administrativo de primeiro grau que, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Consta às fls. 22/23 dos autos que em 08/10//2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto no dia imediatamente posterior à emissão do Despacho Decisório Eletrônico (07/10/2009). Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$124.511.120,46, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$123.571.443,11, através de compensação R$834.081,29 e com suspensão R$235.216,66. Sendo assim, convém verificar se, de fato, a mencionada retificação merece ser validada, até porque na manifestação de inconformidade é asseverado que a não homologação teria ocorrido pela entrega da DCTF original sem a contemplação do valor desse crédito, acrescentando que a DCTF original, entretanto, foi retificada em 08/10/2009, e já apresenta o crédito controvertido (doc. anexo) (fls. 03). Consta da DCTF retificadora que o pagamento com DARF seria no valor de R$123.571.443,11, enquanto que o Comprovante de Arrecadação de fls. 21, extraído dos sistemas de controle da RFB em 22/10/2009, confirma o recolhimento do valor de R$123.846.138,97, este considerado integralmente utilizado no Despacho Decisório Eletrônico. Do acima exposto, entendo que, nesta assentada, a questão básica a ser enfrentada por este Colegiado diz respeito à possibilidade de validação da DCTF retificadora, para efeito da comprovação da real existência do indébito fiscal gerador do questionado direito creditório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915390/200918 Acórdão n.º 330201.499 S3C3T2 Fl. 3 5 Vêse, pois, que o recolhimento via DARF superou em R$274.695,86 o que foi consignado na DCTF retificadora, fato que deve ser avaliado, pois, se procedentes os valores declarados na retificadora, restaria caracterizado direito creditório que não poderia ter sido captado pelos sistemas eletrônicos da RFB quando da emissão do Despacho Decisório Eletrônico, em 07/10/2009, como seja, no dia anterior à retificação da DCTF original, que fora transmitida em 08/10/2009. A esse propósito, peço vênia para transcrever o voto proferido pelo i. Conselheiro José Antonio Francisco no Acórdão nº 330201.406, na sessão de 26/01/2012 desta 3ª Turma Ordinária, da qual participei como membro do Colegiado, o qual, com muita precisão, soube equacionar o caso e delinear a solução mais adequada, a cujos fundamentos me filio e adoto como razões de decidir: O acórdão de primeira instância indeferiu o pedido, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF, seria necessária a comprovação da liquidez e certeza dos indébitos, o que a Interessada não teria efetuado. Ocorre que a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da IN RFB no 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito da Interessada pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. A respeito do segundo ponto levantado na decisão recorrida, sobre a quem coubera o ônus pelo alegado pagamento indevido, a recorrente aduz que esses valores retidos indevidamente teriam sido estornados e que assumira todo o encargo financeiro ocasionado pelo equívoco cometido, ressaltando que os extratos das contas (doc. 05) demonstram o estorno dos valores. Dessa forma, até por uma questão de economia processual, fazse necessário que a autoridade de fiscalização verifique também se a documentação apresentada é suficiente para comprovar se, de fato, o ônus financeiro pelo alegado pagamento indevido recaíra sobre o interessado. Nessa ordem de juízos, adotando os fundamentos do voto condutor do Acórdão nº 330201.406, acima transcrito, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito do interessado pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915390/200918 Acórdão n.º 330201.499 S3C3T2 Fl. 4 7 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.928983/2008-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 15/04/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Numero da decisão: 3803-003.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 15/04/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 89 83 /2 00 8- 00 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.928983/200800 Acórdão n.º 3803003.948 S3TE03 Fl. 115 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 30/04/2004, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração março de 2003, no valor de R$ 4.574,43, e débito do IRPJ devido no primeiro trimestre de 2004. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação, alegando que o valor da contribuição devida no período havia sido recolhido a maior, tendo o despacho decisório se baseado nos dados declarados erroneamente em DCTF, cuja retificação providenciara por meio programa apropriado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP e da DCTF retificadora entregue em 24 de setembro de 2008. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, considerando que a DCTF retificadora fora entregue após a ciência do despacho decisório, não tendo havido, ainda, a apresentação de qualquer documento idôneo que justificasse as alterações promovidas. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário e requer a reforma do acórdão da DRJ São Paulo I/SP, com a homologação total da compensação pleiteada, arguindo que o crédito declarado efetivamente existe, em razão do que a DCTF retificadora deve ser analisada, em conformidade com o princípio da verdade material. Segundo o Recorrente, sendo a DCTF o meio apto a constituir o crédito tributário, o teor da retificadora deveria ter sido objeto de averiguação na primeira instância administrativa, pelo menos, via diligência à repartição de origem. Ao final, protesta pela juntada futura de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos, mais uma vez, apenas cópias de documentos societários e de identificação de seu representante legal. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.928983/200800 Acórdão n.º 3803003.948 S3TE03 Fl. 116 3 Conforme o relator a quo já havia constatado, o contribuinte, ao ser cientificado da não homologação da compensação e do não reconhecimento do direito creditório, procurou retificar a DCTF no sentido de ajustar suas informações à realidade pretendida na Declaração de Compensação. No entanto, para que a DCTF retificadora produzisse efeitos imediatos, com alteração dos débitos confessados, ela deveria ter sido apresentada anteriormente ao início do procedimento fiscal, nos termos do art. 11, § 2º, inc. III, da Instrução Normativa RFB nº 786, de 14/12/2007, bem como da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Além disso, ainda que se considerasse a DCTF retificadora intempestivamente apresentada pelo Recorrente, ela não o socorreria, pois que desacompanhada de qualquer documento comprobatório do crédtio alegado, como a escrituração contábilfiscal que demonstrasse a apuração da contribuição devida no período. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP e da DCTF retificadora, não se referindo a qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse comprovar as suas alegações relativas ao indébito reclamado. No Recurso Voluntário, quando já havia sido alertado pelo julgador de primeira instância da necessidade de comprovação dos dados declarados, o contribuinte nada 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.928983/200800 Acórdão n.º 3803003.948 S3TE03 Fl. 117 4 acrescenta, trazendo aos autos, mais uma vez, apenas cópias de documentos societários, protestando por entrega futura dos documentos comprobatórios que alega possuir. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.928983/200800 Acórdão n.º 3803003.948 S3TE03 Fl. 118 5 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720533/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO.
Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.885
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. Recurso Voluntário Provido
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ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 10/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720533/200826 Acórdão n.º 2102001.885 S2C1T2 Fl. 114 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 76 a 85: Exigese da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata nas Declarações do ITR – DITR/2005, no valor total de R$ 147.189,57, referente ao imóvel rural denominado: Fazenda São José, com Número na Receita Federal – NIRF 2.270.7450, com área total de 9.950,0 ha, localizado no município de Corumbá MS, conforme Notificação de Lançamento NL, fls. 01 a 05, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 02, 03 e 05. 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios de 2003 a 2006, especialmente a Área de Preservação Permanente – APP, Área de Utilização Limitada – AUL/Reserva Legal – ARL e o Valor da Terra Nua – VTN, a declarante foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação de fls. 07 a 09. Entre os mesmos constam: cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA; Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, relativamente à demonstração de existência da APP conforme enquadramento legal (art. 2o, da lei nº 4.771/1965 – Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART; Certidão do Órgão Público competente, caso o imóvel, ou parte dele, esteja inserido em área declarada como de Preservação Permanente nos termos do art. 3o, do Código Florestal, acompanhado do Ato do Poder Público que assim a declarou; cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da ARL, de Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN, ou outros tipos de AUL; cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de averbação da ARL ou Termo de Ajustamento de Conduta; Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caos o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como Área de Interesse Ecológico – AIE e comprovadamente imprestável para a atividade rural e; Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, com atenção aos requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima. 3. Foi informado, inclusive, que, na falta de atendimento à intimação, poderia ser efetuado o lançamento de ofício com o arbitramento do VTN com base nas informações do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, conforme a legislação, sendo demonstrados os valores específicos para cada exercício. 4. Após pedido de prorrogação de prazo deferido, com a carta de fl. 16 foi encaminhada a documentação de fls. 17 a 58, composta por: cópia do Termo de Intimação; dos documentos de identificação da interessada; da matrícula do imóvel; do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR; Laudo Técnico de APP, ARL, Fl. 122DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720533/200826 Acórdão n.º 2102001.885 S2C1T2 Fl. 115 3 de avaliação e seus anexos e; cópia do ADA, protocolado no IBAMA em 31/03/2005. 5. Da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, a Autoridade Fiscal explicou, em longa explanação, da intimação, dos documentos encaminhados e da análise dos mesmos. Com relação à APP observou que o laudo apresentado não discrimina, caso a caso, cada área, conforme previsto no Código Florestal, sendo informado de modo genérico, o que impossibilita chegar a alguma conclusão, pois, consta que essa área, correspondente a 3.000,0 ha, é de difícil quantificação e com a demarcação em mapa se demonstra a enorme área coberta por água, devido ao arrombamento do Rio Taquari, e que nunca mais secou. Foi esclarecido que as APP são áreas ocupadas com florestas e demais formas de vegetação naturais em torno dos rios, lagoas e nascentes, e não estas áreas ocupadas por águas. 6. Com base nessas verificações e esclarecimentos, a APP foi glosada. 7. Com relação à ARL, foi verificado constar de averbação na matrícula, bem como se observa que o ADA está tempestivo para o exercício em foco, sendo, então, mantida. 8. A respeito do VTN, foi alterado conforme o valor apurado no laudo de avaliação. 9. Procedidas as mencionadas modificações, bem como dos demais dados conseqüentes, foi lavrada a NL, cuja ciência foi dada à interessada em 27/11/2008, fl. 06. 10. Na impugnação, protocolada em 24/12/2008, fls. 59 a 66, após tratar Dos fatos, explicando da intimação, do atendimento e das razões do Fisco para o lançamento, entre outros, a interessada apresentou seus argumentos de discordância que, em resumo, é o que segue: 10.1. Do direito 10.1.1. A APP estaria devidamente comprovada no laudo técnico e são as áreas que margeiam as diversas redes hidrológicas naturais do imóvel. 10.1.2. Ocorrem, também, áreas inundadas e brejos que se originam pelo arrombamento do Rio Taquari, que permanecem encharcados o ano todo, mesmo no período que o Pantanal Sulmatogrossense está seco. 10.1.3. Reproduziu a parte dos fundamentos do Fisco que diz respeito à informação constante do laudo relativamente à dificuldade de quantificar a APP e disse que isso não seria verdade, pois, pode ser comprovado no mapa da fazenda, com imagem de satélite, que mais de 30,0% da fazenda está alagada. 10.1.4. Tratou da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, relativamente às definições de terminologia ambiental, para dizer que o laudo foi elaborado de acordo com o entendimento desse Conselho. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720533/200826 Acórdão n.º 2102001.885 S2C1T2 Fl. 116 4 10.1.5. Citou matéria jornalística sob o título: Fazendas submersas, a qual trata da preocupação dos fazendeiros da região em torno do Rio Taquari, onde as fazendas que estão ficando submersas. 10.1.6. Mencionou, também, o § 7o, do artigo 10, da Lei nº 9.393/1996, que se refere à não necessidade da prévia comprovação das áreas em pauta. 10.1.7. Após outras argumentações reproduziu dispositivo legal que trata da exclusão da tributação as áreas em foco, jurisprudência do Conselho de Contribuintes que considera a APP pela simples declaração do contribuinte e pela comprovação por meio de laudo técnico e elaborou quadro demonstrativo com apuração de nova diferença de imposto. 10.2. Da conclusão 10.2.1. Por todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial da ação fiscal, respeitosamente, requereu que a NL seja revista, para aceitar a APP como isenta por medida de interia justiça. 11. Instruiu sua impugnação com a documentação de fls. 67 a 72, composta por: cópia da matéria jornalística Fazenda submersas, de procuração, de documentos de identificação da interessada e do procurador e, de mapas do imóvel. 12. Na referida matéria jornalística se evidencia os alagamentos das propriedades rurais provocados pelo transborde, de forma perene, do Rio Taquari 13. É o relatório. {relatório DRJ} Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que as provas apresentadas foram insuficientes para atestar a existência da APP, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Terra alagada Ausência de lei para exclusão da tributação Para efeitos do ITR, afora as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público, com previsão legislativa desde 2008, não há base legal para excluir da tributação terra submersa, seja pelo transborde do leito de rio, seja lago, ou outros tipos de reservatório de água. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720533/200826 Acórdão n.º 2102001.885 S2C1T2 Fl. 117 5 Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 91 a 108, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, insistindo que há provas suficientes para o deferimento do seu pedido. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO Este Recurso discute a isenção de uma área de preservação permanente de 3.000,0 ha. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Resta controverso a existência da Área de Preservação Permanente, contudo, diferentemente do que entendeu a fiscalização acerca da interpretação das áreas alagadas, vejo que o Laudo Técnico à fl. 35, apresentado pelo contribuinte em seu item 5 – Distribuição da Área do Imóvel – letra b) deixa claro a existência dessa área no valor de 3.000,0 ha. Importante ressalta que esse Laudo Técnico veio acompanhado da ART à fl. 39. Em relação a tempestividade apresentação do ADA, essa questão já foi objeto de julgamento recente nessa Turma, v.g., o Acórdão n° 210200.528, de 14 de abril de 2010, tendo como relator do voto o Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos , cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, utilizamos sua conclusão como fundamento para nossa decisão, nos seguintes termos: (...) Mais uma vez, entretanto, como a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720533/200826 Acórdão n.º 2102001.885 S2C1T2 Fl. 118 6 Destaco que à fl. 57 dos autos, consta ADA entregue em 22/03/2005, indicando o valor de APP de 3.000,0ha. Assim sendo, atendidos os requisitos para a isenção da Área de Preservação Permanente , concluo que a glosa seja revista e restabelecida a Área de Preservação Permanente no valor de 3.000,00ha. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja aceita a Área de Preservação Permanente declarada.. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720023/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 07/04/2006 a 31/12/2010
Regimes Especiais. Admissão Temporária. Aeronaves
Os regimes aduaneiros especiais se justificam como exceções ao regime normal de tributação, destoando considerá-los como benefícios fiscais sujeitos a apresentação de certidão negativa para sua concessão. Aplicação do Ato Declaratório Cosit 22/1997.
IPI. ALÍQUOTA ZERO. TRIBUTAÇÃO.
O produto sujeito à alíquota zero é considerado como tributado, porém ocorre uma dispensa legal do pagamento do tributo, uma vez que o Poder Executivo, em alguns casos, como no do IPI, tem a faculdade prevista na Constituição Federal de alterar as alíquotas para mais ou para menos, por motivo de política fiscal e econômica, com a finalidade de fomentar determinadas atividades ou segmentos.
Numero da decisão: 3401-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Emanuel Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho e Júlio Cesar Alves Ramos votaram pelas conclusões. Por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Emanuel Dantas de Assis e Júlio Cesar Alves Ramos.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira e Ribeiro, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Admissão Temporária. Aeronaves Os regimes aduaneiros especiais se justificam como exceções ao regime normal de tributação, destoando considerálos como benefícios fiscais sujeitos a apresentação de certidão negativa para sua concessão. Aplicação do Ato Declaratório Cosit 22/1997. IPI. ALÍQUOTA ZERO. TRIBUTAÇÃO. O produto sujeito à alíquota zero é considerado como tributado, porém ocorre uma dispensa legal do pagamento do tributo, uma vez que o Poder Executivo, em alguns casos, como no do IPI, tem a faculdade prevista na Constituição Federal de alterar as alíquotas para mais ou para menos, por motivo de política fiscal e econômica, com a finalidade de fomentar determinadas atividades ou segmentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Emanuel Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho e Júlio Cesar Alves Ramos votaram pelas conclusões. Por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Emanuel Dantas de Assis e Júlio Cesar Alves Ramos. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 00 23 /2 01 1- 15 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira e Ribeiro, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Fl. 726DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10314.720023/201115 Acórdão n.º 3401002.183 S3C4T1 Fl. 6 3 O presente processo trata da importação, pela Recorrente de 69 (sessenta e nove ) aeronaves classificadas na TIPI, na posição 8802.40.90, no período de abril de 2006 a dezembro de 2010, em Regime Especial de Admissão Temporária e de 2 (duas) aeronaves pelo regime comum de importação, com redução da alíquota do IPI, com fulcro na Nota Complementar 881 da TIPI. Nos termos do que prescreve a Nota Complementar n. 881, Capítulo 88, da TIPI, a alíquota do IPI em questão ficam reduzida a zero quando tais aeronaves são adquiridas ou arrendadas por empresa concessionária de linha regular de transporte aéreo. As importações de 69 aeronaves foram realizadas mediante contrato de arrendamento mercantil e sua entrada no território nacional ocorreu com amparo em Regime Aduaneiro Especial, mais especificamente, Regime de Admissão Temporária. A fiscalização no sentido de verificar se a Recorrente fazia jus aos “benefícios fiscais”, iniciou revisão aduaneira relatando que para o gozo dos “benefícios fiscais” precisava cumprir o requisito de regularidade fiscal (certidão negativa de tributos e FGTS). Por não ter a Recorrente apresentado os documentos que comprovassem a regularidade fiscal no decorrer dos anos de 2006 a 2009, entendeu que perdeu o “benefício de admissão temporária e alíquota zero do IPI”, de 19 de fevereiro até 17 de abril de 2007, quanto aos tributos previdenciários, e de 01/01/2006 a 17/11/2008, de 25/02/2009 a 26/02/2009, de 31/05/2009 a 02/06/2009 e de 10/07/2010 a 28/07/2010, quanto ao FGTS. Para o fiscal autuante a suspensão tributária concedida às empresas concessionárias de linha regular de transporte aéreo é um benefício fiscal vinculado à qualidade do importador, considerado subjetivo, portanto precisaria ter feito prova da regularidade fiscal para a concessão da admissão temporária e alíquota zero, na importação. Foi lançado IPI sobre todas as importações que a Recorrente não comprovou, através de certidões, sua regularidade fiscal, conforme conclusão fiscal transcrita a seguir: Fl. 727DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 A Recorrente apresentou Impugnação alegando, em síntese: o IPI não é exigível no caso de Regime Especial de Admissão Temporária por meio do qual não havia aplicação de benefício fiscal mas sim suspensão de tributo em razão de regime aduaneiro especial. a alíquota zero do IPI não constitui benefício fiscal. ainda que se tratasse de benefício fiscal seria de natureza objetiva, o que dispensaria a análise da regularidade fiscal. esteve regular perante o Fisco durante todo o período questionado. conseguiu obter o seu histórico de regularidade perante o FGTS, não sendo razoável a consideração pelos agentes autuantes dos períodos de 25/02/2009 a 26/02/2009 e de 31/05/2009 a 02/06/2009. avaliando a certidão anterior e a posterior ao período sem certidão previdenciária revela que os débitos são os mesmos e com exigibilidade suspensa e cinqüenta e Fl. 728DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10314.720023/201115 Acórdão n.º 3401002.183 S3C4T1 Fl. 7 5 nove dias é um período desprezível em relação aos mil, oitocentos e vinte e cinco dias correspondentes ao período fiscalizado. na remota hipótese de a impugnante possuir débitos em aberto no período sem certidão, esse débito já foi regularizado, dando ensejo à jurisprudência em decisões do CARF. o ônus da prova sobre regularidade é do Fisco. o SISCOMEX cuidou de averiguar a regularidade fiscal da impugnante à época das importações, tendo o Fisco reconhecido a regularidade da impugnante. ou a interessada está regular ou houve mudança de critério jurídico. o Regime de Admissão Temporária não corresponde a um benefício fiscal, mas sim a regime de suspensão de tributos com repercussão econômica. o Ato COSIT 22/97 prevê não estar condicionada a concessão e aplicação dos regimes aduaneiros especiais à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de incentivo ou benefício fiscal, conforme reconhecem os autuantes na fl. 14. o poder executivo não concedeu benefício fiscal às empresas concessionárias de serviços aéreos com alíquota zero de IPI, mas sim manipulou a tributação de determinados produtos para privilegiar a essencialidade do serviço público de transporte aéreo. se a norma favorece certas pessoas mas restringe os bens; favorece certos bens mas restringe pessoas ou atividades; ou, ainda, favorece pessoas ou bens mas condiciona a concessão a determinados atos, apresentação de documentos, etc., o cuidado deve ser redobrado pois além de verificar se o bem e/ou a pessoa está enquadrado no benefício, o interessado deverá verificar também o cumprimento dos requisitos impostos pela legislação. as isenções subjetivas são relacionadas à qualidade do importador enquanto as objetivas visam beneficiar determinados bens especificamente considerados em razão das circunstâncias da economia nacional. o disposto no art. 324 está direcionado às aeronaves, tratandose de benefício de natureza objetiva. o Regulamento Aduaneiro também sempre faz menção aos bens a que se aplica o regime, embora condicionada ao fato de que o importador preencha determinados requisitos. o Ato COSIT 7/98 dispensa a comprovação de regularidade fiscal para benefícios de natureza objetiva. não é cabível a multa de mora, conforme art. 155, II do CTN, juntando, sobre isso, acórdãos administrativos exonerando multa em razão de denúncia espontânea. não cabem juros sobre multas. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 o artigo 179 do CTN trata das isenções de caráter individual ou específico, não sendo aplicável ao caso. autuações lavradas com enquadramento errôneo são nulas, conforme diversos acórdãos administrativos. não se sujeita à penalidade em questão, devendo o auto ser cancelado. A DRJ/SPII diligenciou no sentido de verificar a regularidade fiscal da interessada, que poderia vir a ser comprovada através de certidões negativas obtidas pela administração (artigo 37 da Lei nº 9.784/1999). Nesse sentido, a autoridade, responsável pela autuação verificou a regularidade fiscal no período objeto do lançamento, no que tange a: tributos administrados pela Receita Federal, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, pela antiga Secretaria da Receita Previdenciária (incorporada à Receita Federal) e FGTS (Caixa Econômica Federal). Em resposta, o SEFIA I – Serviço de Fiscalização Aduaneira, esclareceu: “1. Com relação aos tributos administrados pela Receita Federal e pela Procuradoria da Fazenda Nacional: Para esses tributos não foram exigidas, por esta fiscalização, certidões que comprovassem a regularidade fiscal, pois segundo as Instruções Normativas SRF n° 565/2005 e 734/2007 é vedada a exigência de certidão conjunta para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, no âmbito da RFB, não tendo sido objeto da presente fiscalização. 2. Com relação aos tributos administrados pela antiga Secretaria da Receita Previdenciária: A vedação citada no tópico acima não valia para os tributos administrados por esta Secretaria. Sendo assim as certidões relacionadas a esses tributos devem ser exigidas por esta fiscalização. Ademais, por serem administradas por outro órgão, as informações relativas a esses tributos não puderam ser verificadas por meio de sistemas informatizados no momento do desembaraço aduaneiro. Além disso, não há na RFB sistema que apresente histórico sobre a regularidade fiscal de um determinado contribuinte. Aliado a estes fatos, temos outros dois: que a revisão aduaneira, prevista no Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, pode ser realizada dentro do prazo de cinco anos contados do registro da Declaração de Importação (DI) e por isso cabe ao contribuinte manter em boa guarda toda a documentação necessária para a realização do despacho; e o fato de caber ao contribuinte fazer prova da regularidade fiscal relativamente ao preenchimento das condições e ao cumprimento dos requisitos para concessão de benefício fiscal, conforme o CTN em seu artigo 179. 3. Com relação ao FGTS, administrado pela Caixa Econômica Federal (CEF): Valem os mesmos argumentos apresentados no tópico 2, ou seja, a fiscalização deve exigir prova de regularidade fiscal para o desembaraço das mercadorias, a revisão aduaneira tem prazo de cinco anos para ser concluída e o ônus comprovar a regularidade alegada é do próprio contribuinte e não da fiscalização. Além disso, por ser administrado por uma empresa pública que não possui nenhuma vinculação ou subordinação à RFB não há possibilidade deste órgão aferir débitos relativos ao FGTS. Além disso, mesmo que houvesse, estaríamos extrapolando as competências previstas para este órgão.(...) “ A Recorrente se manifestou em relação à diligência alegando que: “não seria exigida a Certidão pela a antiga Secretaria da Receita Previdenciária por ocasião do despacho aduaneiro em regime de admissão temporária, o que revela modificação do critério jurídico da Fl. 730DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10314.720023/201115 Acórdão n.º 3401002.183 S3C4T1 Fl. 8 7 fiscalização, a despeito da imprecisão técnica relativa à atribuição do ônus da prova ao contribuinte, fato é que demonstrou não estar irregular, não havendo débitos em aberto. Quanto ao FGTS, juntou ofícios que comprovam a regularidade, sendo vazia a exigência do Auto de Infração. A fiscalização reconhece não haver qualquer elemento de prova quanto a débitos da empresa no período fiscalizado, devendo a autuação ser cancelada.” A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 07/04/2006 a 31/12/2010 IMPORTAÇÃO DE AERONAVES POR EMPRESA COM LINHA REGULAR. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA DO IPI. Para obtenção do benefício fiscal, dependente da qualidade do importador, empresa aérea com linha regular, e do bem, aeronave, deve ser comprovada a regularidade fiscal em cada despacho aduaneiro. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos da Impugnação descritos acima, requerendo por fim o cancelamento do Auto de Infração combatido em sua totalidade. É o relatório. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Voto Conselheiro Relator Angela Sartori Os recursos de OFÍCIO E VOLUNTÁRIO atendem aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual os recebo. Em Relação ao RECURSO DE OFÍCIO a DRJ decidiu que uma parte das importações faziam jus ao “benefício fiscal” tendo em vista a apresentação pela Recorrente das certidões negativas e de FGTS durante quase a totalidade dos anos objeto das autuações. Em relação a outra parte, no patamar de R$ 70.045.666,46 a DRJ decidiu que a Recorrente não fazia jus ao “benefício fiscal” uma vez que não foi comprovada a quitação de tributos e contribuições federais (apresentação de CNDs válidas quanto ao prazo de vigência das mesmas). Conforme descrito no Acórdão: “ Mantido em parte o crédito tributário, relativamente aos desembaraços aduaneiros praticados nas datas constantes do Demonstrativo a seguir: Data do Fato Gerador VALOR DO IPI MANTIDO MULTA MANTIDA DO IPI 12/04/2006 5.456.392,68 1.091.278,53 01/03/2007 8.650.590,00 1.730.118,00 08/03/2007 8.695.690,00 1.739.138,00 21/03/2007 1.194.109,62 238.821,92 30/03/2007 4.922.121,60 984.424,32 26/02/2009 14.150.311,08 2.830.062,21 Obs: Os juros de mora serão calculada na data do pagamento. À exceção dos valores acima, o restante do crédito tributário é exonerado. Após estas considerações passo a decidir: DO REGIME ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA Fl. 732DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10314.720023/201115 Acórdão n.º 3401002.183 S3C4T1 Fl. 9 9 Das 71 aeronaves importadas pela Recorrente, 69 foram desembaraçadas em Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária concedido pela Receita Federal do Brasil. Nas DIs o campo Dados Complementares estão descritos: ADMISSÃO TEMPORÁRIA CONFORME LEI N. 9.430/96, ARTIGO 79. Segundo se depreende da leitura da ação fiscal, a Recorrente, por não ter comprovado sua regularidade fiscal durante o desembaraço aduaneiro não poderia usufruir da suspensão de tributos aplicável em Regime de Admissão Temporária. Ocorre que o legislador brasileiro criou regimes aduaneiros especiais constituindo como exceções ao regime normal de importação, ou seja, com mecanismos diferenciados do controle aduaneiro, como incentivos à importação ou exportação, armazenamento ou utilização temporária de bens estrangeiros que não se confundem com “benefício fiscal”. Os regimes aduaneiros especiais não constituem benefícios fiscais e não são concedidos para este fim, embora a redução de carga fiscal, em alguns casos, até possa ser considerada como um de seus atrativos. Portanto, o Regime de Admissão Temporária, constitui espécie de Regime Aduaneiro Especial. Neste contexto, o Regime Especial de Admissão Temporária tem por escopo permitir a importação de bens que devam permanecer no País durante prazo determinado com suspensão de tributos. De acordo com o artigo 307 do Regulamento Aduaneiro: “O Regime aduaneiro especial de admissão temporária com suspensão total de pagamento de tributos permite a importação de bens que devam permanecer no país durante prazo fixado, na forma e nas condições desta Seção” Assim, neste regime especial os bens ingressam no país com uma finalidade específica e temporária, devendo retornar a seu país de origem em data certa e pré determinada. O regime permite que tais bens não sejam tributados como aqueles que se integram e se consomem no País, por meio de uma importação definitiva. Não há, pois, benefício fiscal mas, suspensão tributária com repercussão econômica. A concessão e aplicação dos regimes aduaneiros especiais não estão condicionados à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de incentivo ou benefício fiscal. Em outras palavras não há na norma da Admissão Temporária tal exigência para sua concessão. Nesse sentido, o teor do Ato Declaratório Normativo COSIT n. 22, de 16.9.1997: "Em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, a concessão e aplicação Fl. 733DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 dos regimes aduaneiros especiais não está condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de incentivo ou benefício fiscal" (grifamos) Esse entendimento vem sendo acompanhado pelo Poder Judiciário (Apelação em Mandado de Segurança n. 95.03.0504660, TRF 3, Des. Fed. Eliana Marcelo, J. em 26.7.2007). "ADMINISTRATlVO. ADUANEIRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. EXIGÊNCIA DE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO PARA O DESEMBARAÇO DO BEM 1. Discutese o direito da nãoapresentação de Certidão Negativa de Débitos Fiscais e Contribuições Sociais, como pressuposto ao desembaraço aduaneiro, dos bens importados em regime de admissão temporária. 2. A admissão temporária é um regime aduaneiro especial e excepcional, por permitir a permanência no país de bens, com suspensão de impostos, cujos pressupostos para o deferimento encontramse estabelecidos no art. 75 do Decretolei n. 37/66. (.. .) 4. Ainda que se considere a admissão temporária como um incentivo à importação, lato sensu, a outorga deste deve, necessariamente, observar os termos e limites e ou condições fixados na lei para a sua concessão, que admite a suspensão dos impostos apenas no prazo fixado, sobre os bens que ingressem temporariamente no País, haja vista que a hipótese é a de não integração dos mesmos à ordem interna, pois em caso de sua nacionalização os tributos serão exigidos. 5. O regime de admissão temporária se assemelha ao regime de drawback, pois ambos têm a peculiaridade de suspender o pagamento dos tributos devidos nas importações, o que poderia levar à conclusão de que a exigência do Fisco se afiguraria legítima. Contudo, como exposto, é fácil concluir que no regime de admissão temporária o importador não será beneficiado, na acepção fiscal do termo, por isenção ou redução das alíquotas devidas, pois, adotando as considerações de Roosevelt Baldomir Sosa, "toda a admissão temporária sujeitase a uma condição resolutiva invariável, vale dizer ao prazo de permanência do bem ou da mercadoria no País. Seu descumprimento teria o condão de demonstrar que o ingresso transmudouse de 'temporário' para 'definitivo', implicando na presunção fiscal de realização da hipótese de incidência.” Notese, ademais, que a suspensão tributária em apreço está condicionada ao fiel cumprimento das condições do regime por parte do importador, que, aliás, celebra compromisso com a Receita Federal de que irá utilizar o bem no prazo previsto para vigência do regime e dentro da exata finalidade para a qual foi Fl. 734DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10314.720023/201115 Acórdão n.º 3401002.183 S3C4T1 Fl. 10 11 temporariamente importado. É o que se depreende do disposto no § 1°, do artigo 75, do DL 37/66: "§ 1° A aplicação do regime de admissão temporária ficará sujeita ao cumprimento das seguintes condições básicas: I garantia de tributos e gravames devidos, mediante depósito ou termo de responsabilidade; 1/ utilização dos bens dentro do prazo da concessão e exclusivamente nos fins previstos; 1/1 identificação dos bens". Diante do acima exposto depreendese que não se trata de um benefício fiscal, e a própria legislação e jurisprudência não condicionam o regime a regularidade ou apresentação de certidão negativa de débitos, muito menos de FGTS durante sua utilização. Veja neste sentido o entendimento do CARF sobre a definição de Regimes Aduaneiros Especiais e benefícios fiscais: “Processo n 10120.016270/200895 Recurso n" 502,883 De Oficio e Voluntário Acórdão n" 330100.567 3 Câmara / 1 Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2010 Matéria I P I. Recorrentes MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/11/1003, 20/11/2003 DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO Correta a exoneração, pela autoridade julgadora de primeira instância, da parte do crédito tributário atingido pela decadência quinquenal, ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/08/2007 ISENÇÃO. PORTADOR DE DEFICIÊNCIA A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI sobre venda de automóvel de passageiros a portador de deficiência que não tenha plena capacidade jurídica abrange a aquisição efetuada por intermédio do seu representante legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: .30/11/200.3 a .30/12/2005 CRÉDITOS BÁSICOS. MATÉRIASPRIMA. PRODUTOS Fl. 735DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 INTERMEDIÁRIOS. EMBALAGENS O direito ao aproveitamento de créditos de IPI, decorrentes da entrada de matériasprima, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos tributados, está condicionado ao destaque do IPI nas notas fiscais relativas às operações de aquisição desses insumos, CRÉDITOS BÁSICOS, ALIQUOTA ZERO Súmula CARF n" 18. A aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem tributalos à alíquota zero não gera crédito de IPI. EXCEÇÕES AO REGIME NORMAL DE APURAÇÃO, REGIMES ESPECIAIS. Os regimes especiais se justificam como exceções ao regime normal de apuração, e se destinam à racionalização e simplificação dos procedimentos de arrecadação e fiscalização, não se confundem com beneficio fiscal. BENEFICIO FISCAL REGIME ESPECIAL" FRUIÇÃO CUMULATIVA, INEXISTÊNCIA DE DESCUMPRIMENTO LEGAL, Mantémse o beneficio fiscal instituído pela Lei n" 9.826, de 1999, correspondente ao crédito presumido de 32% do IPI, quando utilizado cru concomitância com regime especial de apuração do IPI autorizado pela MP n" 2,15835/01 (3%), pelo fato do referido regime não se caracterizar como beneficio fiscal . Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.” No presente caso as aeronaves foram importadas para prestação de serviços sujeitandoas a uma tributação proporcional ao seu tempo de permanência no território nacional. Essa modalidade foi criada pela Lei n. 9.430, de 27.12.1996, que assim dispõe em seu artigo 79: "Art. 79. Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidos em regulamento. Parágrafo único. O Poder Executivo poderá excepcionar, em caráter temporário, a aplicação do disposto neste artigo em relação a determinados bens”. Assim, os bens importados, ainda que temporariamente, mas que fossem destinados à utilização econômica em território nacional passaram a ser tributados proporcionalmente ao tempo de permanência no país. Destarte, continua ser regra geral do Regime de Admissão Temporária a suspensão total do pagamento de tributos aduaneiros na importação realizada sob seu amparo. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10314.720023/201115 Acórdão n.º 3401002.183 S3C4T1 Fl. 11 13 Essa suspensão parcial está regulamentada assim como todo o Regime de Admissão Temporária pelo Decreto n. 4.543, de 26.12.2002 (RA/2002), que aprovou o Regulamento Aduaneiro vigente até 2009. Para o Admissão Temporária para Utilização Econômica, o Regulamento Aduaneiro esclarece (i) o conceito de utilização econômica; (ii) a forma de cálculo da parcela do tributo que será devida em razão do tempo de permanência do bem no País; e (iii) o tratamento a ser conferido à parcela do imposto que fica suspensa em razão do regime, asseverando que ela deverá ser objeto de termo de responsabilidade para viabilização imediata da exigência, em caso de descumprimento da concessão e em nenhum momento tratando de certidão negativa!. Portanto, o Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária admite duas modalidades Admissão Temporária com suspensão total e Admissão Temporária para Utilização Econômica e que gera conseqüências semelhantes do ponto de vista fiscal suspensão dos tributos aduaneiros sendo que, no primeiro caso, a suspensão é plena, e no segundo, parcial, em razão da destinação a ser atribuída aos bens. As conseqüências, em caso de descumprimento do regime são também as mesmas, guardada, apenas, a proporção do recolhimento inicial. Em outras palavras, descumprido o regime, os tributos suspensos passam a ser exigidos com os devidos consectários legais. Prosseguindo com a análise do Regime de Admissão Temporária, cumpre mencionar que, mesmo após a instituição da "Utilização Econômica", por meio da Lei n. 9.430/96, a importação de alguns bens que em tese se sujeitariam a seus termos recebeu tratamento específico. Por questões políticoeconômicas, totalmente atreladas às necessidades do País, o Poder Executivo houve por bem excetuar alguns bens do tratamento da "Utilização Econômica", ainda que importados para este fim. A esses bens, os quais estão relacionados no artigo 328, do RA/2002, não se aplica o disposto no artigo 324 do mesmo diploma, sendo certo que, se importados por meio de um Regime de Admissão Temporária, essa importação será regida pelas regras da modalidade suspensão total. Confirase o artigo 330 do Regulamento aduaneiro: “artigo 330. Na administração do regime de admissão temporária para utilização econômica, aplicase subsidiariamente o disposto na Seção I.” Assim, como qualquer uma das variações somente pode ser implementada no âmbito de um Regime de Admissão Temporária, todas devem ser tratadas como tal. Nesses termos, à medida que o Regime de Admissão Temporária não pode ser considerado como benefício fiscal, nenhuma de suas variações o será, sob pena de total distorção da interpretação da legislação que rege a matéria. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 Portanto, não se pode admitir, que a suspensão total da tributação para as aeronaves e demais bens relacionados no artigo 328 configura exceção ao Regime de Admissão Temporária. Tratase de variação absolutamente inerente ao regime, que somente pode ser aferida pela Recorrente no âmbito do regime e que somente se aplica se observados os termos do regime. Não é, pois, benefício ou exceção. É, sim, variação / submodalidade estabelecida no contexto de um regime aduaneiro especial por meio do qual o Poder Executivo exerce pleno controle aduaneiro das importações ocorridas e tributa com foco na economia, na concorrência e em questões de comércio exterior (balança comercial, por exemplo) as suas realizações. Diante do exposto, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento ao recurso voluntário para cancelar a autuação referente as importações de 69 aeronaves em regime especial de admissão temporária pois são improcedentes as alegações quanto à utilização de “benefício fiscal” por parte da Recorrente sem que ela tenha comprovado sua regularidade fiscal pois tal exigência não é requisito para concessão do regime especial de admissão temporária, nos termos do Regulamento Aduaneiro e Ato Declaratório Normativo COSIT n. 22, de 16.9.1997, acima transcritos. DA ALÍQUOTA ZERO DO IPI Apesar de prevista para durar até 2020, a regra relativa à suspensão total para importações de aeronaves não se repetiu no Regulamento Aduaneiro atual, aprovado pelo Decreto n. 6.759, de 5.2.2009 (RA/2009). Com isso, a partir do novo Regulamento Aduaneiro, as importações de aeronaves classificadas na posição 88.02, da NCM, ficam sujeita às regras de seu artigo 373, que rege a Admissão Temporária na modalidade "Utilização Econômica". Isso não quer dizer, entretanto, que as referidas importações passem a ser oneradas pelo IPI a partir de então. E a alíquota zero do IPI, também é aplicada para as 2 (duas) importações de aeronaves realizadas em definitivo pela Recorrente (despacho para consumo), que, portanto, também não corresponde a um benefício fiscal, não havendo, portanto, que se falar em verificação da regularidade fiscal da Recorrente para viabilizar sua utilização. Importante mencionar que o IPI é um tributo extrafiscal, por meio do qual o Poder Executivo recebeu a prerrogativa de alterar as alíquotas, para mais ou para menos, a fim de regular e conter distorções econômicas criadas pelo mercado. É o que determina o artigo 153, § 1°, da Constituição de 1988: o princípio da seletividade. Assim, quanto maior a essencialidade do produto, menor a carga tributária sobre ele incidente. A Constituição é categórica ao determinar a observância da técnica da seletividade na instituição do IPI. Ser seletivo implica ter alíquotas diferenciadas em razão do produto (individualmente considerado) ou do tipo de produto (se alimentício, de higiene, têxtil, relacionado à atividade de aviação civil, etc.), sendo que o critério para tal seletividade refere se ao grau de essencialidade do produto. Tratase de uma técnica de tributação que atende ao princípio da capacidade contributiva. Vejase, pois, o seguinte: Fl. 738DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10314.720023/201115 Acórdão n.º 3401002.183 S3C4T1 Fl. 12 15 a alíquota normal das aeronaves classificadas na posição 88.02, da TIPI, é de 10%; para as aeronaves classificadas na posiçao 88.02, da TIPI, destinadas a empresas que explorem o serviço de táxiaéreo, a alíquota é de 5%; e para as aeronaves classificadas na posição 88.02, da TIPI, destinadas às empresas concessionárias de linha aérea regular de transporte aéreo, a alíquota é de 0% (NC 881, da TIPI). O que o executivo fez, foi manipular a tributação de determinados produtos pelo IPI para privilegiar a essencialidade do serviço público de transporte aéreo. Não pode, portanto, a fiscalização pretender desqualificar a alíquota zero em razão de suposta irregularidade fiscal do contribuinte. A alíquota zero do IPI é uma alíquota como outra qualquer e, neste caso, atribuída às aeronaves arrendadas e importadas definitivamente pela Recorrente por total observância à seletividade em função da essencialidade (fomento do transporte público) e em total consonância com as condições (novamente, a seletividade em função da essencialidade) e limites (de 10% para 0%, quando poderia alterar até 30 pontos percentuais) da lei. Ora, a extrafiscalidade do IPI e a determinação de sua alíquota em razão da essencialidade do produto são questões inerentes à regra matriz de incidência do IPI, não podendo ser discutida em âmbito administrativo! Sendo assim, improcedente o lançamento fiscal que pretende atribuir à alíquota zero a condição de benefício fiscal e, com isso, viabilizar o questionamento da sua utilização pelo Recorrente sob o prisma da regularidade do pagamento de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Alíquota Zero do IPI Natureza Objetiva Entendeu ainda o fiscal na autuação que a suspensão total do IPI no âmbito da Admissão Temporária e a redução de alíquota do IPI para zero para importações definitivas, além de serem considerados como benefício fiscal, teriam natureza subjetiva. Vejamos, pois, como se define a natureza de um benefício fiscal. Os benefícios fiscais, em especial aqueles aplicáveis às operações de importação, podem ser divididos em duas grandes categorias: subjetivos e objetivos. O benefício fiscal terá natureza subjetiva quando estiver atrelado às características pessoais e às qualidades do beneficiário. Por sua vez, o benefício fiscal terá natureza objetiva quando o escopo da norma for o de beneficiar determinado bem ou produto. No caso das importações, o Fl. 739DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 benefício fiscal objetivo deve incidir diretamente sobre o bem importado, ainda que, indiretamente, ele possa favorecer uma classe específica de contribuintes ou consumidores. Portanto, mediante análise da legislação aplicável à espécie, a aplicação da suspensão total do IPI no âmbito da Admissão Temporária e da alíquota zero do IPI para as importações definitivas revelam natureza objetiva, na medida em que direcionadas prioritariamente a uma determinada categoria de bens e não a um grupo de pessoas. Para os casos das 2 aeronaves realizadas em definitivo (despacho para consumo), a fiscalização faz digressões acerca da nãoaplicação de alíquota zero do IPI às importações realizadas pela Recorrente, asseverando, da mesma forma, que, por se tratar de um benefício de natureza subjetiva, tal redução fiscal somente poderia ser utilizada se houvesse prova da regularidade fiscal no momento da importação (fls. 20/21). Com efeito, a Solução de Consulta n. 10, de 4.6.2003, estabelece que o referido benefício tem natureza objetiva, sendo irrelevante, para fins de sua definição, a destinação que lhe é atribuída. O fato de o importador ter de se submeter a determinadas condições para fruição do benefício, como, por exemplo, ser proprietário ou possuidor da aeronave não transforma a natureza do benefício originalmente concedido, que continua sendo objetiva. Confirase, nesse sentido, o seguinte trecho da Solução de Consulta n. 10/03: "O reconhecimento de isenção para partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações não está condicionado à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais administrados pela SRF, nos termos da legislação vigente, posto tratarse de benefício fiscal de natureza objetiva, estando vinculado tãosomente à destinação dos bens, contemplado, portanto, pelo Ato Declaratório (Normativo) Cosit n. 7, de 1998". As aeronaves importadas pela ora Recorrente estão, em regra, classificadas sob o código 8802.40.90, da NCM ("Outros; Aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 15.000kg, vazios''). Para os produtos sujeitos a essa classificação, a Tabela de Incidência do IPI prescreve que a alíquota do imposto será de 10%. Porém, desde 2002, com a edição do Decreto n. 4.542, de 26.12.2002 TIPI/ 2002 os produtos classificados sob o referido código foram contemplados com Nota Complementar ao Capítulo 88, da TIPI a NC (881), que assim dispõe: Fl. 740DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10314.720023/201115 Acórdão n.º 3401002.183 S3C4T1 Fl. 13 17 "NCM (881) Ficam reduzidas a zero as alíquotas dos produtos classificados na posição 88.02 (exceto os do código 8802.60.00): quando adquiridos ou arrendados por empresa concessionária de linha regular de transporte aéreo;" (negritamos) Mantida a NCM (881) para a TIPI atual, aprovada pelo Decreto n. 6.006, de 28.12.2006, os produtos classificados na posição 8802.40.90, atendidas determinadas condições, ficam sujeitas à alíquota zero do IPI. Novamente, portanto, fica claro que o foco da redução fiscal pretendida pelo Poder Executivo são os produtos classificados na posição 88.02 (exceto os do código 8802.60.00). Diante do acima exposto, tanto a norma que estabelece suspensão total na Admissão Temporária como aquela relativa à Alíquota Zero do IPI visam beneficiar um determinado produto (ou objeto): as aeronaves classificadas na posição 88.02, da NCM. Tratamse, pois, de normas que estabelecem "benefícios" de natureza objetiva. Em outras palavras: ao produto (aeronave classificada na posição 88.02 da NCM) é atribuída suspensão total ou alíquota zero do IPI, conforme o regime de importação, quando / desde que (condição) arrendados por empresa concessionária de linha regular de transporte aéreo. Ademais, o próprio Regulamento Aduaneiro revela a natureza objetiva das normas relativas à Admissão Temporária, no caso das 69 aeronaves. Veja por exemplo o artigo 308, primeiro da Subseção 11, estabelece que: "o regime poderá ser aplicado aos bens relacionados em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, e aos admitidos temporariamente ao amparo de acordos internacionais". Como requisito para concessão do regime, o artigo 310, também do RA estabelece a necessidade de "identificação dos bens" a serem importados. Notese, portanto, que a essência do Regime de Admissão Temporária está voltada para os bens importados ao seu amparo, sendo que eventuais referências que se faça a determinadas pessoas ou grupos de pessoas consistem, apenas, em condições ou requisitos para que, em determinados casos, o regime possa ser implementado em sua plenitude. Portanto, a conclusão só pode ser no sentido de que mesmo que se tratasse de um "benefício fiscal" não ostenta natureza subjetiva, possuindo, isto sim, caráter objetivo e condicionado, a beneficiar determinados bens, desde que o contribuinte cumpra os requisitos regulamentares impostos para sua fruição, relacionado ao fato de que, os bens trazidos do exterior são, de fato, empregados na prestação de serviço de transporte aéreo por meio de empresa concessionária de linha aérea regular. O caso da Alíquota Zero do IPI é exatamente o mesmo! A começar pelo fato de que a TIPI relaciona produtos e bens, e não pessoas. Naturalmente, portanto, que as alterações de alíquota no âmbito da TIPI referemse às coisas, produtos, bens que ela relaciona, e não às pessoas ou grupo de pessoas que lhe estão atreladas por alguma razão, direta ou indireta. O que norteia o legislador para a definição da alíquota do IPI é o resultado da equação "produto x essencialidade". Fl. 741DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 Ao tributar com alíquota zero do IPI as aeronaves de grande porte, o legislador pretende desonerar, ao final, o transporte aéreo de passageiros e de carga, que, por ser uma atividade estritamente controlada, é praticada por empresas concessionárias de linha regular de transporte aéreo. Conclusão a que se chega a partir disso é a de que não há como sustentar que a norma inserida na NC (881) do Capítulo 88, da TIPI, possui natureza subjetiva. Ela está, isso sim, totalmente atrelada ao produto / bem / objeto "aeronave classificada na posição 88.02 da NCM". DO DESPACHO ADUANEIRO DAS AERONAVES – CANAL AMARELO De acordo com o artigo 21, da Instrução Normativa SRF n. 680, de 2006, após registrada, a DI é submetida à análise fiscal e selecionada para um dos canais de conferência aduaneira, quais sejam, verde, amarelo, vermelho e cinza, por meio da chamada "parametrização". O artigo 21, da Instrução Normativa SRF n. 680, além de esclarecer no que consistem aqueles canais, dispõe sobre os elementos a serem considerados pelo SISCOMEX quando da parametrização: "Art. 21. Após o registro, a DI será submetida a análise fiscal e selecionada para um dos seguintes canais de conferência aduaneira: I verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria; I! amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; lI! vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria; e IV cinza, pelo qual será realizado o exame documental, a verificação da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para verificar elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria, conforme estabelecido em norma específica. § 1° A seleção de que trata este artigo será efetuada por intermédio do Siscomex, com base em análise fiscal que levará em consideração, entre outros, os seguíntes elementos: Fl. 742DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10314.720023/201115 Acórdão n.º 3401002.183 S3C4T1 Fl. 14 19 1 regularidade fiscal do importador; II habitualidade do importador; III natureza, volume ou valor da importação; IV valor dos impostos incidentes ou que incidiriam na importação; v origem, procedência e destinação da mercadoria; VI tratamento tributário; VII características da mercadoria; VIII capacidade operacional e econômicofinanceira do importador; IX ocorrências verificadas em outras operações realizadas pelo importador." (destaques da Impugnante) Como se vê, o canal de importação selecionado pelo SISCOMEX está intrinsecamente relacionado aos elementos acima indicados, os quais dizem respeito ao importador (regularidade fiscal, habitualidade, capacidade operacional), à operação (natureza, volume, impostos incidentes) e à mercadoria (características, origem e destino). A quase totalidade das Dls desembaraças pela Recorrente foi parametrizada ao canal amarelo e portanto, foi averiguada a regularidade fiscal da Recorrente à época dessas importações. A corroborar, o descrito acima somase ao fato da importações serem parametrizadas ao canal amarelo em razão da verificação de recolhimento ou apresentação da Guia de Exoneração do ICMS e do regime aduaneiro especial de admissão temporária a que se submete a Recorrente e que, dadas as suas características, demanda análise documental para a conseguinte liberação do bem. Portanto, com a verificação documental atinente a importação, a Recorrente nunca teve sua regularidade fiscal contestada por ocasião das importações realizadas. Tanto é que as aeronaves por ela importadas sempre foram liberadas sem ônus do IPI. É evidente a situação da Recorrente era regular quando das importações em apreço, ou o Fisco faltou com a necessária diligência ao desembaraçar as aeronaves o que impede qualquer tentativa dos agentes fiscais de atribuir à Recorrente responsabilidade pela demonstração de sua regularidade fiscal neste procedimento de revisão aduaneira. O que também se comprova que a certidão negativa não era requisito essencial para ingressar as mercadorias em Regime Especial de Admissão Temporária e nem com alíquota zero. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 Ou então, estaremos sim diante de típico caso de mudança de critério jurídico por parte da fiscalização, o que é absolutamente inadmissível pela legislação artigo 146, do Código Tributário Nacional e repudiado pela jurisprudência. De fato, não pode a Administração Tributária considerar que os "benefícios fiscais" tinham uma natureza (objetivos) por ocasião do desembaraço aduaneiro, liberando as aeronaves e agora, por ocasião da revisão aduaneira, sustentar que eles têm outra (subjetiva). Tampouco podem exigir a apresentação de documento que não requerido à época do desembaraço e não está previsto na legislação de regência. Afinal, conforme explicitado anteriormente é fato que as aeronaves importadas pela Recorrente, que se submeterem ao canal amarelo, implicaram a verificação da regularidade fiscal da Recorrente. É o que evidencia dos seguintes Acórdãos, inteiramente aplicável ao caso: “3º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 303 33.252 em 20.06.2006 Despacho aduaneiro de importação. Desembaraço pelo canal vermelho. Revisão aduaneira. Pena de perdimento. Conversão em multa. Toda mercadoria selecionada para o canal vermelho de conferência aduaneira somente é desembaraçada após seu exame documental e sua verificação física. Assim, as presunções de regularidade documental e da conformidade das mercadorias com os documentos fiscais protegem o importador. Denúncia de importação irregular ou fraudulenta amparada em alegada entrega de mercadorias desembaraçadas pelo canal vermelho sem exame documental e sem verificação física deve ser acompanhada de manifestação da unidade aduaneira competente acerca da arbitrária adoção de procedimento em desacordo com o ordenamento jurídico.” Por tudo quanto foi exposto, não tendo o Fisco ilidido a situação de regularidade da Recorrente por ocasião das importações no momento do despacho aduaneiro não é cabível neste momento, ou seja, cinco anos após condicionar o desembaraço aduaneiro já efetivado a apresentação de certidão de FGTS ou qualquer outra certidão, durante todos os dias dos anos autuados, alterando assim, o critério jurídico adotado, devendo tal exigência ser cancela. Por derradeiro, o CARF já se pronunciou em casos semelhantes no sentido de que mesmo na hipótese de o contribuinte possui débitos em aberto por ocasião da concessão de determinado benefício, em caso de se entender tratar de um benefício fiscal, a prova de quitação ainda durante o trâmite processual respectivo, seria suficiente para ensejar sua regularização, conforme Acórdão 10709202. Ademais, por analogia, tal matéria foi objeto de Súmula, com efeito vinculante consoante denota a Súmula 37 do CARF. Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, Fl. 744DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10314.720023/201115 Acórdão n.º 3401002.183 S3C4T1 Fl. 15 21 admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Assim, mesmo na hipótese da Recorrente possuir algum débito em aberto, no período considerado sem certidão esse débito até por não constar dos registros posteriores juntados aos autos já teria sido regularizado, dando ensejo à aplicação da Sumula e jurisprudência do CARF em caso de se entender tratarse de benefício fiscal que, como amplamente demonstrado nos itens anteriores, entendo que não. CONCLUSÃO Ante todo o exposto conheço dos recursos apresentados para fim de dar provimento ao Recurso Voluntário e negar provimento ao Recurso de Ofício. Angela Sartori Relator Declaração de Voto CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Comprometime a redigir declaração de voto por ter acompanhado a n. relatora apenas pelas conclusões. Dada a grande variedade de argumentos expendidos pela defesa – todos acolhidos por ela – julguei necessário deixar registrado com quais deles concordei tanto no Recurso de Ofício quanto, e especialmente, no Voluntário . Com efeito, no que tange ao recurso de ofício, a própria DRJ já reconhecera que a empresa comprovara sua regularidade fiscal mediante a exibição de certidões negativas referentes à maior parte do período objeto do lançamento. Assim, mesmo que se validem todas as premissas da autuação que conduzem à sua exigência, não há como mantêla quanto àqueles períodos. É a essa conclusão que adiro, ainda que não partilhe, na íntegra, as demais constantes do recurso do contribuinte e encampadas pela dra. Ângela. E essa divergência parcial torna ainda mais necessário esclarecer por que a acompanhei no julgamento do RV. Para isso, mister recapitular o raciocínio empreendido pela autoridade responsável pelo lançamento. Começa ela por caracterizar a redução de alíquota a zero, Fl. 745DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 22 prevista já na TIPI e independente da forma como a aeronave entre no País como um benefício fiscal. Parte da defesa visa a desqualificar esse argumento, e foi aceito pela relatora, mas não por mim. É que partilho este primeiro ponto da autuação: o regime aduaneiro de admissão temporária com utilização econômica e suspensão integral dos tributos é, sim, a meu ver, benefício fiscal, pois permite que um dado bem seja importado, utilizado economicamente e deixe de pagar os tributos que incidiriam sobre uma importação comum. O que não é benefício fiscal é a admissão temporária simples, mediante a qual internalizase um bem que não será objeto de utilização econômica. Também se aplica à admissão temporária com utilização econômica e pagamento proporcional dos tributos: aqui se tributa na proporção da permanência do bem, dado que a importação não é definitiva. O segundo ponto já é mais complicado: além de ser um benefício fiscal, esse benefício tem a natureza de benefício subjetivo. Pareceme forçoso reconhecer que não é assim, pelo menos em termos literais. É que, como é bem sabido, têm essa natureza aqueles benefícios que se vinculam exclusivamente à natureza do beneficiário. Eles partilham o fato de que nenhuma exigência é feita quanto ao bem importado, fabricado ou adquirido. Ou seja, basta que o contribuinte ou adquirente seja aquele mencionado no ato legal para que o benefício se consume. No caso em análise, como já extensamente abordado no voto da DRJ, além de haver um requisito específico quanto ao possível beneficiário, a redução a zero só se aplica a um produto, as aeronaves. Por isso, não me convenci completamente de que deva ser exigida a prova da regularidade fiscal do importador. Tal inconclusão, no entanto, não me impediu de afastar a tributação nos meses em que mantida pela decisão atacada. Isso porque, mesmo que se valide a premissa fiscal, não me parece que tenha ficado provada a irregularidade da empresa por ocasião dos desembaraços. Em primeiro lugar, ficou demonstrado na defesa que as importações foram em sua maioria desembaraçadas pelo canal amarelo, o que pressupõe que os documentos exibidos pelo importador foram analisados. Se cabia comprovar a regularidade fiscal, aí foi ela, presumivelmente, exigida e comprovada. Isso, evidentemente, não impede que os procedimentos sejam revistos, desde que observado o prazo decadencial como ocorreu no caso. Mas isso acarreta que o ônus da prova passa, a meu ver, inteiramente para a fiscalização. Em outras palavras, é ela quem tem de desconstituir a premissa de que a prova fora exibida e que, portanto, não estava a empresa irregular quando promoveu o desembaraço. Esse o primeiro motivo. Notese que o que se está a admitir até aqui é que a autuação seria válida desde que fosse desconstituída a prova de regularidade supostamente já feita (ou julgada desnecessária) quando do desembaraço. Em outras palavras, desde que a empresa estivesse mesmo irregular quando o promoveu. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10314.720023/201115 Acórdão n.º 3401002.183 S3C4T1 Fl. 16 23 O que se tem nos autos é coisa diversa: a empresa não conseguiu juntar certidão comprobatória de regularidade. Em meu entender, todavia, este segundo fato não leva, necessariamente, ao primeiro. O que estou a dizer claramente é que a falta da certidão não implica que a empresa estava irregular, mormente porque não foi juntado pela fiscalização qualquer comando legal ou normativo que faça essa equiparação. De ordinário, não vejo que uma coisa decorra logicamente da outra. Deveras, a certidão é, sim, prova inconteste de regularidade. Mas não a única. Realmente, a mera não apresentação de certidões não basta para caracterizar a irregularidade fiscal, especialmente como no caso em apreço. É que aqui têmse certidões até uma certa data, um intervalo sem certidão e novas certidões a partir daí. E foi afirmado na defesa, e não é negado nos autos, que os débitos constantes da primeira são os mesmo constantes da segunda. Ora, se assim o é, me parece impossível afastar o argumento final da defesa: isso só pode decorrer de os eventuais débitos que ocorreram no intervalo sem certidão terem sido integralmente quitados durante o intervalo; de outro modo, necessariamente teriam de reaparecer na certidão posterior. Essa conclusão é forçosa ao menos naquele período que consiste em apenas um dia. No que engloba 59, podese argumentar que a empresa tenha ficado irregular em algum período menor e tenha regularizado sua situação apenas após já haver importado alguma aeronave. É possível, mas não há qualquer prova disso nos autos, dado que a autoridade autuante não se entendeu obrigada a fazer prova de nada, mesmo depois de a isso instada pela DRJ. Foi por essas considerações que acompanhei o voto da i. relatora para dar provimento ao recurso voluntário. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 747DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10480.720127/2010-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2000 a 30/09/2003
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA.
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Adriana Sato - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo Da Costa E Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos De Carvalho Cruz, Paulo Roberto Lara Dos Santos
Nome do relator: ADRIANA SATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi - Presidente Adriana Sato - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo Da Costa E Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos De Carvalho Cruz, Paulo Roberto Lara Dos Santos
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SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 01 27 /2 01 0- 27 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi Presidente Adriana Sato Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo Da Costa E Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos De Carvalho Cruz, Paulo Roberto Lara Dos Santos Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.720127/201027 Acórdão n.º 2302002.201 S2C3T2 Fl. 261 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 19/02/2010 cuja ciência da Recorrente ocorreu em 24/02/2010 (fls.129) De acordo com o Relatório Fiscal de fls.26/30, o presente Auto de Infração trata de contribuições sociais a cargo da empresa , relativas as competências de agosto/2000 a setembro/2003, referente: I) contribuições a cargo da empresa , estabelecida no art. 22, I e III da Lei 8212/91, de 20% incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados ou contribuintes individuais a serviço da empresa; II) contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, estabelecidas no art. 22, II, “a” e “c”da Lei 8212/91, no caso em tela 1% para o estabelecimento matriz e 3% para o filial. A Inexport – Importação e Exportação Ltda tem personalidade jurídica de direito privado e por finalidade a exploração agroindustrial, importação e exportação de álcool, açúcar e melaço, enquadrandose no FPAS 5310 e no CNAE 23400 e CNAE Fiscal 1931400. A lavratura do presente Auto de Infração tem por finalidade a reconstituição do crédito tributário relacionado a NFLD 35.579.3288, julgada nula por vicio formal, conforme DN n°15.401.4/0173/2005 (fls.70/76), por ter sido a empresa cientificada da expedição do MPF após a constituição do crédito. O crédito reconstituído referese a diferenças apuradas do cruzamento das contribuições declaradas pela empresa em GFIP, com os recolhimentos realizados através de GPS, conforme informações extraídas dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. Após ter sido cientificado do MPF, em 22/01/2010 a Recorrente requereu dilação de prazo por mais 20 (vinte dias) Em 24/03/2010 a Recorrente apresentou impugnação alegando em síntese a decadência. A 7ª Turma de Julgamento da DRFBJ de Recife julgou o lançamento procedente, e, inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: decadência aplicada em decorrência de vicio material (enquadramento incorreto da empresa); Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 incorreto arrolamento dos sócios no Auto de Infração. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.720127/201027 Acórdão n.º 2302002.201 S2C3T2 Fl. 262 5 Voto Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise da questão suscitada. O argumento recursal do recorrente está lastreado na eventual fluência do prazo decadencial. De acordo com a DN da NFLD substituída juntada às fls. 69/73 foi anulada por vicio formal e fez menção à possibilidade de novo lançamento nos termos do art. 173, inciso II do CTN, fl. 202. Reconhecendo que o lançamento anterior foi anulado por vício formal, o termo a quo para contagem passa a ser a data que se tornar definitiva a decisão que houver anulado por vício formal o crédito anteriormente constituído, na forma do art. 173, inciso II do CTN. A presente NFLD englobou os fatos geradores ocorridos entre 08/2000 a 09/2003. A NFLD originária foi lavrada em 17/03/2004 e a ciência do Recorrente ocorreu em 19/03/2004 (fls. 29), portanto em período não abrangido pela decadência. A notificação originária foi anulada em agosto/2005, e a presente NFLD foi lavrada dentro do período de cinco anos a contar da data que anulou o lançamento anterior. Quanto à solicitada exclusão dos sócios gerentes, cabe esclarecer que a relação de coresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Pelo exposto voto por negar provimento ao recurso. Conselheiro Adriana Sato Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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