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Numero do processo: 16327.720615/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA
Nos termos do Art. 78 do RICARF, em qualquer fase do processo poderá o recorrente desistir do recurso interposto, impondo, com isso, o necessário reconhecimento da falta de interesse recursal, e, nessas circunstâncias, a extinção da fase litigiosa do feito.
Numero da decisão: 1301-01.749
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER DO RECURSO em razão de pedido de desistência.
Nome do relator: Carlos Augusto de Andrade Jeneier
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA Nos termos do Art. 78 do RICARF, em qualquer fase do processo poderá o recorrente desistir do recurso interposto, impondo, com isso, o necessário reconhecimento da falta de interesse recursal, e, nessas circunstâncias, a extinção da fase litigiosa do feito.
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Recorrente UBS BRASIL CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA Nos termos do Art. 78 do RICARF, em qualquer fase do processo poderá o recorrente desistir do recurso interposto, impondo, com isso, o necessário reconhecimento da falta de interesse recursal, e, nessas circunstâncias, a extinção da fase litigiosa do feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER DO RECURSO em razão de pedido de desistência. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 15 /2 01 3- 36 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Relatório Tratase, nos presentes autos, de Recurso Voluntário, interposto pela contribuinte contra a r. decisão exarada pela 4a turma da DRJ/BHE, que, julgando pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, apresenta na ementa de seu acórdão, as seguintes e objetivas considerações: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O termo inicial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento formalizado através de auto de infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 GANHO DE CAPITAL As operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitas a apuração do ganho de capital. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento da CSLL, com os qual compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhe recomenda tratamento diverso. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720615/201336 Acórdão n.º 1301001.749 S1C3T1 Fl. 3 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada, a contribuinte comparece aos autos pretendendo a reforma da decisão, ali aduzindo toda a matéria que entende pertinente para a revisão do julgado. Contraditando o recurso, a douta PGFN apresenta também as suas competentes contrarazões, sustentando a regularidade do lançamento efetivado, e, por isso, a integral manutenção da decisão de primeira instância. Vindo os autos a julgamento, entretanto, apresenta a contribuinte o seu pedido de desistência do recurso, tendo em vista a adesão à anistia/parcelamento concedido pelas disposições do Art. 42 da Lei 13.043/2014, com a redação determinada pela Lei 13.097/2015. Em rápida síntese, é o que há aqui a relatar. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. A par de todas as razões discutidas nos presentes autos, relevante destacar que, embora regularmente interposto o recurso voluntário aqui referenciado, antes do julgamento, conforme destacado no relatório apresentado, pela recorrente foi então especificamente informado nos autos a adesão aos termos da anistia/parcelamento concedido pelas disposições do Art. 42 da Lei 13.043/2014, com a redação determinada pela Lei 13.097/2015, por ela não mais subsistindo qualquer interesse na continuidade do presente litígio. A respeito do referido pedido de desistência, assim dispõe o RICARF em seu art. 78: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (Grifos nossos) Em face dessas disposições, a efetivação, pela contribuinte, da confissão irretratável da dívida, e, também, o expresso pedido de desistência do recurso interposto, acarretam a completa impossibilidade de conhecimento de seus termos por esta egrégia turma de julgamento, impõe o necessário apontamento da falta de interesse de agir, e, nessas circunstâncias, a completa impossibilidade de conhecimento do recurso. Diante disso, encaminho o meu voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, em decorrência do pedido de desistência especificamente apresentado pela Fl. 927DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.720615/201336 Acórdão n.º 1301001.749 S1C3T1 Fl. 4 5 contribuinte, pondo fim, assim, definitivamente, à fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 928DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002675/2005-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
IRPJ/CSLL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. VIABILIDADE.
É inteiramente procedente o arbitramento dos lucros por desclassificação da escrita quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro real, não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO.
Com vistas à qualificação da multa de oficio, a autoridade de fiscalização deve demonstrar com objetividade e clareza a prática de conduta tipificada nos dispositivos dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, pois o evidente intuito de fraude tem que ser provado e não apenas indiciado.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE NÃO COMPROVADO.
Tendo o lançamento de ofício considerado que o intuito doloso da infração fiscal se faria presente, sem que tenha logrado sua comprovação no curso da ação fiscal, o prazo de decadência deve ser contado com base no art. 150, §4º, do CTN.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9101-002.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Quanto ao conhecimento: Por unanimidade de votos, recurso conhecido. 2) Quanto ao mérito: Por unanimidade de votos, recurso provido em parte.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Antônio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).Ausente, Justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 IRPJ/CSLL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. VIABILIDADE. É inteiramente procedente o arbitramento dos lucros por desclassificação da escrita quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro real, não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. Com vistas à qualificação da multa de oficio, a autoridade de fiscalização deve demonstrar com objetividade e clareza a prática de conduta tipificada nos dispositivos dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, pois o evidente intuito de fraude tem que ser provado e não apenas indiciado. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE NÃO COMPROVADO. Tendo o lançamento de ofício considerado que o intuito doloso da infração fiscal se faria presente, sem que tenha logrado sua comprovação no curso da ação fiscal, o prazo de decadência deve ser contado com base no art. 150, §4º, do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Quanto ao conhecimento: Por unanimidade de votos, recurso conhecido. 2) Quanto ao mérito: Por unanimidade de votos, recurso provido em parte. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Antônio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).Ausente, Justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 IRPJ/CSLL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. VIABILIDADE. É inteiramente procedente o arbitramento dos lucros por desclassificação da escrita quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro real, não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. Com vistas à qualificação da multa de oficio, a autoridade de fiscalização deve demonstrar com objetividade e clareza a prática de conduta tipificada nos dispositivos dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, pois o evidente intuito de fraude tem que ser provado e não apenas indiciado. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE NÃO COMPROVADO. Tendo o lançamento de ofício considerado que o intuito doloso da infração fiscal se faria presente, sem que tenha logrado sua comprovação no curso da ação fiscal, o prazo de decadência deve ser contado com base no art. 150, §4º, do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Quanto ao conhecimento: Por unanimidade de votos, recurso conhecido. 2) Quanto ao mérito: Por unanimidade de votos, recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 26 75 /2 00 5- 38 Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Antônio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).Ausente, Justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório A FAZENDA NACIONAL, inconformada com o decidido no acórdão n° 10517.154, de 14/0/2008, interpôs recurso especial de decisão não unânime em contrariedade à lei ou às provas dos autos à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), com fulcro no art. 56 —II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes RICC, c/c artigos 71 e 15 § 1° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Na parte que interessa ao presente julgamento a decisão recorrida foi proclamada nos seguintes termos, ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: ANO CALENDÁRIO DE 1999: Por maioria de votos, REDUZIR a multa para 75%, (...). Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao quarto trimestre de 1999 (...). Por maioria de votos, DECLARAR insubsistente o lançamento. Sobre essa parte o aresto combatido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de decadência é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. ARBITRAMENTO DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA LEGITIMIDADE – A desclassificação da escrita e o decorrente arbitramento dos lucros somente se legitimam quando a contabilidade apresenta vícios que a imprestabilizam para apuração do lucro real. MULTA QUALIFICADA DESCABIMENTO Descabe a aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada quando as circunstâncias apontadas pelo Fisco não denotam o evidente intuito de fraude. Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 3 Argumenta a PFN em seu apelo que a decisão ocorrida contrariou a legislação e as provas dos autos em relação a essas matérias decididas por maioria de votos, cumprindo, assim, o disposto no artigo 15 § 1° do RICSRF, a saber: 1) Contrariedade à evidência da prova em relação à redução da multa para 75%, em 1999. Argumenta a recorrente que a decisão contrariou as provas dos autos, as quais apontam também os artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964; 2) Contrariedade à evidência das provas dos autos em relação à insubsistência, por ilegitimidade dos arbitramentos, do lançamento relativo aos anos calendário de 2000 a 2004. Aponta as referidas provas bem como a legislação que em seu entender restara contrariada, e 3) Contrariedade à lei e à evidência da prova em relação ao acolhimento da decadência relativa ao 4° trimestre de 1999, por aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, apontando como contrariado o artigo 173, I, do CTN, tendo em vista a qualificação da multa de ofício pela caracterização do evidente intuito de fraude. Em síntese, o recurso fazendário se contrapõe aos fundamentos da decisão recorrida, alegando que: · Não foi possível apurar o imposto devido pelas regras normais de tributação (no caso, a empresa era tributada pelo lucro real, anual), só vindo a fazêlo o órgão fiscal por conta de arbitramento de lucro, em face de tudo que já se mostrou, portanto, não se trata de falta de declaração ou de declaração inexata. Assim como não há impedimento à aplicação da multa de ofício qualificada nos casos de arbitramento de lucro, como no caso. (fls. 1.363) · O autuante apenas concluiu o que era óbvio: que estas retificações (foram apresentadas 23 DCTFs e 11 DIPJs retificadoras) eram conseqüência das irregularidades detectadas na escrituração e documentos da contribuinte. Destaquese que foram a partir destas retificações que iniciouse a fiscalização junto a contribuinte, onde instada a pronunciarse acerca das mesmas (que indicaram créditos a compensar utilizados em DCOMP Declaração da Compensação), limitouse a apresentar as declarações retificadas. (fls. 1.364) · No Relatório da Atividade Fiscal (fls.57), a Fiscalização informa (...) No item 6.11 Quanto às conclusões sobre a desclassificação da escrita (f1.71) temse, então: Relatadas as principais evidências de irregularidades na escrita, concluímos: 1°) Que a Fiscalizada não apresentou escrituração regular na forma preconizada pelas leis comerciais e fiscais em razão da inexistência de livros auxiliares, revestidos das formalidades legais, capazes de detalhar os assentamentos registrados em partidas mensais; e 2°) Que a escrituração revelou evidentes indícios de fraude, vícios e simulações que a tomam imprestável para a determinação do lucro real. [...]. (fls. 1.368) · 62. Por meio do Termo de Intimação Fiscal n o 407/2005 (f1. 246), a Interessada foi intimada a informar se possuía livros/registros auxiliares de escrituração, tais como, Registro de Recebimento de Clientes e Registro de Pagamento a Fornecedores, tendo a contribuinte informado (f1.253) que, além daqueles que já entregou, não dispõe de qualquer outro livro auxiliar de escrituração. Em sede de impugnação afirma o contrário, que possui Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 4 registros/relatórios individuais, mas nada trouxe aos autos que mostrasse que, à época do lançamento, detinha a COMPOSIÇÃO individual destas contas conforme determina a legislação citada no Relatório. Por conseguinte, em face das provas contidas nos presentes autos, a não individualização de registro em contas do Razão (Clientes, Fornecedores e Bancos Conta Movimento) é razão suficiente para arbitramento de lucro, nos termos em que dispõe o art. 259 do RIR/99, transcrito a f1. 62 do Relatório Fiscal. (fls.1.370/1.371) · Concluindo, EM FACE DAS PROVAS CONTIDAS NOS AUTOS, temos que a não individualização de registro em contas do Razão (Clientes, Fornecedores e Bancos Conta Movimento) é razão suficiente para arbitramento de lucro, nos termos em que dispõe o art. 259 do RIR/99, transcrito a f1. 62 do Relatório Fiscal. (fls. 1.373) · 75. As pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real devem possuir escrituração contábil completa e atualizada, com obediência à legislação vigente e aos princípios e convenções geralmente aceitos em contabilidade. A escrituração é imprescindível nestes casos para demonstrar a apuração dos lucros ou prejuízos. · 76. Por isso, quando intimados pelos auditoresfiscais, devem exibir os documentos e os livros comerciais e fiscais que lhes foram solicitados, em boa ordem, escriturados e em dia. · 77. Se não o fizerem, não estiverem em condições de fazêlo, ou o fizerem com vícios, erros ou deficiências que tornem a escrituração imprestável, inviável, ou impossível se torna verificar o verdadeiro lucro real, ou prejuízo, e, por conseqüência, se pagaram ou estão pagando o tributo devido. · 78. Daí a autorização legal para o arbitramento do lucro. O arbitramento é sim medida drástica, porém não punitiva. Portanto, não é aplicado só nos casos de máfé ou em que haja intenção de lesar o fisco. É o que se depreende da leitura do acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): (..) Sendo certo que o ato administrativo de lançamento é um ato vinculado, exigese para sua validade o atendimento de certos pressupostos objetivos (no caso, a ocorrência das hipóteses previstas em lei para o arbitramento do lucro) e também subjetivos (competência do agente, etc.). Todavia, uma vez atendidos esses pressupostos objetivos e subjetivos, isto é, regularmente constituído o crédito somente se modifico ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos em lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional, na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias, segundo o art. 141 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5172, de 25/10/1966 e Ato Complementar n° 36, de 13/03/196Z art. 7°).(..) (AcOrdao CSRF 010.241/92) · 78. À fiscalização não restou alternativa senão aplicar a legislação que rege a matéria, devidamente capitulada no enquadramento legal, e arbitrar os lucros da empresa. Portanto, não há que se falar em apresentação de elementos comprobatórios pela autoridade, pois a fiscalização já fez a prova que lhe cabia: a imprestabilidade da escrituração. · 79. Assim, tendo em vista, diante do quadro probatório, que a contribuinte, sujeita à tributação com base no lucro real, não manteve escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, correto está o arbitramento de seu lucro com base na receita bruta conhecida, conforme dispositivos legais citados. (fls. 1.381/1.382) Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 5 Através do Despacho nº 220/2009, de 28/05/2009, o Presidente da Câmara recorrida, considerando preenchidos os requisitos necessários à sua admissibilidade, deu seguimento ao recurso especial. Em suas contrarrazões a recorrida insurgese contra a peça recursal asseverando, em síntese, que: · Praticamente reproduzem literalmente, do início ao fim, as mesmas palavras da r. decisão de primeira instância administrativa; · Se a Procuradoria realmente vislumbra motivos bastantes para impugnar, com a devida seriedade, a decisão proferida pelo órgão colegiado, deve buscar demonstrar que o julgamento recorrido não pode subsistir, deduzindo, para tanto, argumentos próprios e consistentes, inclusive para propiciar à recorrida o regular exercício do direito ao contraditório; · Deveria se ater ao conteúdo do julgamento recorrido, e não ignorálo por completo, como o fez para trazer a lume apenas as considerações — já superadas — esposadas pela r. decisão de primeira instância; · A fiscalização não se aprofundou nas investigações, como seria de rigor. Não se encontra nos autos algum termo de intimação instando a recorrida a abrir as contas contábeis que foram objeto de criticas e usadas para justificar o arbitramento do lucro; · Nas circunstâncias, cumpria ao fisco se aprofundar nas investigações e não, desde logo e sem mais delongas, optar pela completa desconsideração da escrita, uma vez que as ocorrências contábeis em questão jamais significaram a impossibilidade de apuração do lucro real; · A fiscalização não conferiu os lançamentos, pois preferiu desde logo acoimar a escrita da recorrida de imprestável, suscitando, para tanto, dois ou três lançamentos isolados a cada ano para, comodamente, arbitrar o lucro, sem ter de conferir os documentos que davam apoio aos lançamentos contábeis, todos existentes e postos à disposição da fiscalização; · Ao definir a receita bruta para fins de arbitramento, o relatório fiscal expôs, a fl. 73, que os documentossuporte, de onde os dados foram extraídos, poderiam ser encontrados nas seguintes referências: DEMONSTRATIVOS ELABORADOS PELA CONTRIBUINTE, LIVRO RAZÃO e LIVROS DE SAÍDA E APURAÇÃO DO ICMS. Essa referência é prova cabal de que a escrituração da recorrida não é e nunca foi imprestável, pois se assim fosse, a fiscalização não teria como se basear na própria contabilidade para dimensionar a receita bruta. É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator Tratase de recurso especial privativo do Procurador da Fazenda Nacional, com fulcro nos então vigentes artigo 56, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c os artigos 7, I e 15 §1°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, contra decisão não unânime que teria sido proferida em contrariedade à lei ou às provas dos autos. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 6 Através do Despacho nº 220/2009, de 28/05/2009, o Presidente da Câmara recorrida, considerando preenchidos os requisitos necessários à sua admissibilidade, deu seguimento ao recurso especial, merecendo ser conhecido. Extraise do relatório que as questões básicas centramse nos seguintes pontos: 1) Contrariedade à evidência da prova em relação à redução da multa para 75%, em 1999. Argumenta a recorrente que a decisão contrariou as provas dos autos, as quais apontam também os artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964; 2) Contrariedade à evidência das provas dos autos em relação à insubsistência, por ilegitimidade dos arbitramentos, do lançamento relativo aos anos calendário de 2000 a 2004. Aponta as referidas provas bem como a legislação que em seu entender restara contrariada, e, 3) Contrariedade à lei e à evidência da prova em relação ao acolhimento da decadência relativa ao 4° trimestre de 1999, por aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, apontando como contrariado o artigo 173, I, do CTN. Iniciemos pela análise das matérias a que se referem os itens ‘1’ e ‘3’ acima discriminados, por existir entre eles estreita relação de causa e efeito, conforme veremos a seguir. Os fundamentos que ensejaram a desqualificação da multa de ofício e a consequente redução do seu percentual de 150% para 75% encontramse consignados no Voto Vencedor da decisão recorrida (fls. 1.348), nos seguintes termos: (...). Os fatos elencados pelo Fisco, quais sejam: existência de dois Livros Diário, lançamentos sintéticos sem suporte nos livros auxiliares, recorrentes saldos credores de caixa e falta de confiabilidade nos inventários apresentados conquanto justifiquem a desclassificação da escrita e o conseqüente arbitramento, não caracterizam, contudo, o evidente intuito de fraude exigido pela lei para possibilitar a incidência da multa qualificada, pelo que a afasto, reduzindoa ao percentual de 75%. Afastada a existência de fraude, o prazo decadencial passa a ser o de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pelo que acolho a preliminar de decadência do direito da Fazenda de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até o quarto trimestre de 1999, inclusive. (...). (destaques acrescidos) Por seu turno, no seu Voto Vencido, além dos supracitados motivos, foram acrescidos mais alguns outros que, somados, justificariam a qualificação em tela, quais sejam: (...) a apresentação de 107 Declarações de Compensação (DCOMP) visando a compensar débitos vencidos a partir de 2003 com supostos créditos informados a título de pagamento a maior ou indevido de IRPJ e CSLL, tudo precedido Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 7 de onze retificações em DIPJ e de 21 retificações em DCTF, conforme noticia a autoridade fiscal à fl. 55. A propósito, com relação a esses itens do lançamento fiscal, considero escorreita a decisão, pois o evidente intuito de fraude deve ser provado e não apenas indiciado. Realmente essas impropriedades e retificações tão numerosas, que, sem dúvida, fogem à normalidade do cotidiano da escrituração fiscal e contábil das empresas, podem gerar desconfianças que, por si só, seriam insuficientes para justificar a acusação de que teriam sido ardilosamente levadas a efeito. E como, em se tratando de ilícito penal, a certeza de quem acusa deve estar embasada em provas cabais, não tendo a autoridade de fiscalização demonstrado a prática de conduta tipificada nos dispositivos dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, considero que realmente essa qualificação da multa de ofício não merece prosperar. Sendo assim, propugno pela manutenção do quanto foi decidido na decisão recorrida quanto a essa matéria, ou seja, a desqualificação da multa de ofício e sua consequente redução para 75% e, também como consequência, considerar alcançado pela decadência o lançamento de ofício efetuado sobre fatos geradores ocorridos até o quatro trimestre de 1999, aplicandose ao caso a contagem do prazo decadencial disciplinado pelo art. 150, § 4º, do CTN. Passemos agora à apreciação da matéria descrita no item ‘2’ supra, que diz respeito às razões que ensejaram a desqualificação da escrita contábil da fiscalizada e a consequente apuração da base tributável mediante o arbitramento do lucro, em relação aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. De início, reportome ao trecho do Voto Vencedor do aresto combatido, transcrito em destaque no começo deste voto, que a seguir reproduzo: Os fatos elencados pelo Fisco, quais sejam: existência de dois Livros Diário, lançamentos sintéticos sem suporte nos livros auxiliares, recorrentes saldos credores de caixa e falta de confiabilidade nos inventários apresentados conquanto justifiquem a desclassificação da escrita e o conseqüente arbitramento (...). Assim o faço para dizer que concordo plenamente com esse entendimento, embora discorde, com a devida vênia, das conclusões às quais o i. redator designado conduziu seu voto. Acho até, data maxima venia, que estaríamos diante de um julgado passível de avaliação em sede de embargos declaratórios, pela aparente contradição entre a decisão e os seus fundamentos, se tal recurso tivesse sido interposto no momento processual adequado, o que não aconteceu. Partindo, então, desse entendimento preambular, que desde já adoto como razões de decidir, passo a expor o que segue. Contrariamente ao que aduz a recorrida nas suas contrarrazões, entendo que o recurso especial merece ser apreciado e os seus argumentos acolhidos para restabelecer o lançamento de ofício antes exonerado pela decisão recorrida. Conforme consta do relatório, o recurso fazendário trouxe à baila trecho do Relatório da Atividade Fiscal que define com exatidão o ponto que para mim seria intransponível com vistas à possibilidade de se validar a escrituração disponibilizada pela Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 8 fiscalizada no curso da ação fiscal, que é a falta de livros auxiliares contendo a individualização dos lançamentos feitos no Razão e escriturados em partidas mensais, a saber: Relatadas as principais evidências de irregularidades na escrita, concluímos: 1°) Que a Fiscalizada não apresentou escrituração regular na forma preconizada pelas leis comerciais e fiscais em razão da inexistência de livros auxiliares, revestidos das formalidades legais, capazes de detalhar os assentamentos registrados em partidas mensais; e 2°) Que a escrituração revelou evidentes indícios de fraude, vícios e simulações que a tomam imprestável para a determinação do lucro real. [...]. (fls. 1.368) À evidência, o autor do procedimento fiscal não poderia dispensar o cumprimento de obrigação legal imprescindível à conferência da regularidade fiscal da contribuinte, pessoa jurídica, sob pena de responsabilização funcional. Sendo assim, não concordo com a acusação de que o auditorfiscal, por comodidade, não se aprofundou nas investigações, não conferiu os lançamentos, pois preferiu desde logo acoimar a escrita da recorrida de imprestável, suscitando, para tanto, dois ou três lançamentos isolados a cada ano para, comodamente, arbitrar o lucro, sem ter de conferir os documentos que davam apoio aos lançamentos contábeis, todos existentes e postos à disposição da fiscalização. Ora, são muitas as imperfeições e remendos indicados pela fiscalização e que levaram à conclusão da imprestabilidade da escrita, constatações essas que não teriam como vir a lume não fora através de uma investigação criteriosa. Em todos os anos fiscalizados foram constatados lançamentos contábeis duvidosos quanto ao que realmente representavam, sem que a fiscalizada oferecesse ao fisco a explicação necessária e imprescindível à sua validação. Como exemplo dessas dúvidas suscitadas no curso da ação fiscal e não esclarecidas, extraio do recurso especial as seguintes: 60. A Fiscalização apurou (f1. 67 do Relatório Fiscal e f1. 81 Anexo I) que a conta de razão Bancos Conta Movimento da Interessada, apresentou ingressos de recursos na contabilidade, em 31/12/2002, sendo um da ordem de R$ 10.185.700,10, com o histórico "Recebimento de Clientes" e outro, da ordem de R$ 8.327.450,90, de histórico Fornecedores Geral, não havendo qualquer individualização deste montante, ou seja, não se conhece a sua composição e nem a sua origem. 61. Ainda, os dados financeiros obtidos por meio da CPMF demonstram a existência de movimentação financeira ao longo do ano de 2002 (Anexo II, f1. 83). Tratase de operações com bancos, não contabilizadas regularmente e da ordem de R$ 15.680.136,49 no decorrer do ano. 62. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 407/2005 (f1. 246), a Interessada foi intimada a informar se possuía livros/registros auxiliares de escrituração, tais como, Registro de Recebimento de Clientes e Registro de Pagamento a Fornecedores, tendo a contribuinte informado (f1. 253) que, além daqueles que já entregou, não dispõe de qualquer outro livro auxiliar de escrituração. Em sede de impugnação afirma o Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 9 contrário, que possui registros/relatórios individuais, mas nada trouxe aos autos que mostrasse que, à época do lançamento, detinha a COMPOSIÇÃO individual destas contas conforme determina a legislação citada no Relatório. 65. Novamente, a exemplo dos anos anteriores, as causas determinantes do arbitramento de lucro neste ano calendário também não foram suficientemente contestadas. 66. A Fiscalização apurou (f1. 67 do Relatório Fiscal e fl. 81 Anexo I) que a conta de razão Bancos Conta Movimento da Interessada, apresentou um ingresso de recursos na contabilidade, em 31/12/2003, da ordem de R$ 5.907.852,27, com o histórico "Recebimento de Clientes" e outro, na conta Caixa, da ordem de R$ 3.767.202,08, de histórico Fornecedores Geral, não havendo qualquer individualização deste montante, ou seja, não se conhece a sua composição e nem a sua origem. 67. Ainda, os dados financeiros obtidos por meio da CPMF demonstram a existência de movimentação financeira ao longo do ano de 2003 (Anexo II, f1. 83). Tratase de operações com bancos, não contabilizadas regularmente e da ordem de R$ 19.018.783,12 no decorrer do ano. Seguem nesse mesmo diapasão as diversas outras dúvidas levantadas no curso da ação fiscal e que, em boa hora, foram trazidas pela recorrente no seu arrazoado, as quais me dispenso de relatar por se mostrarem repetitivas, mas que poderão ser facilmente consultadas na referida peça recursal e, se assim preferir, no próprio Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração. Faço, pois, minhas as palavras declinadas pelo representante da Fazenda Nacional no seu bem elaborado recurso, nos excertos já transcritos no relatório e que reproduzo a seguir, verbis: · 75. As pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real devem possuir escrituração contábil completa e atualizada, com obediência à legislação vigente e aos princípios e convenções geralmente aceitos em contabilidade. A escrituração é imprescindível nestes casos para demonstrar a apuração dos lucros ou prejuízos. · 76. Por isso, quando intimados pelos auditoresfiscais, devem exibir os documentos e os livros comerciais e fiscais que lhes foram solicitados, em boa ordem, escriturados e em dia. · 77. Se não o fizerem, não estiverem em condições de fazêlo, ou o fizerem com vícios, erros ou deficiências que tornem a escrituração imprestável, inviável, ou impossível se torna verificar o verdadeiro lucro real, ou prejuízo, e, por conseqüência, se pagaram ou estão pagando o tributo devido. · 78. Daí a autorização legal para o arbitramento do lucro. O arbitramento é sim medida drástica, porém não punitiva. Portanto, não é aplicado só nos casos de máfé ou em que haja intenção de lesar o fisco. É o que se depreende da leitura do acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): (..) Sendo certo que o ato administrativo de lançamento é um ato vinculado, exigese para sua validade o atendimento de certos pressupostos objetivos (no caso, a ocorrência das hipóteses previstas em lei para o arbitramento do lucro) e também subjetivos (competência do agente, etc.). Todavia, uma vez atendidos esses pressupostos objetivos e subjetivos, isto é, regularmente constituído o crédito somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 10 casos previstos em lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional, na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias, segundo o art. 141 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5172, de 25/10/1966 e Ato Complementar n° 36, de 13/03/1967, art. 7°). (..) (Acórdão CSRF 010.241/92) · 78. À fiscalização não restou alternativa senão aplicar a legislação que rege a matéria, devidamente capitulada no enquadramento legal, e arbitrar os lucros da empresa. Portanto, não há que se falar em apresentação de elementos comprobatórios pela autoridade, pois a fiscalização já fez a prova que lhe cabia: a imprestabilidade da escrituração. Por essas razões, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para restabelecer o lançamento de ofício efetuado com base no lucro arbitrado e que antes fora declarado insubsistente pela decisão recorrida, propugnando pela manutenção do quanto foi decidido na decisão recorrida em relação à desqualificação da multa de ofício e sua consequente redução para 75%, bem como para considerar alcançado pela decadência o lançamento de ofício efetuado sobre fatos geradores ocorridos até o quatro trimestre de 1999, aplicandose ao caso a contagem do prazo decadencial disciplinado pelo art. 150, § 4º, do CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907289/2012-63
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 89 /2 01 2- 63 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 5.419,71, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 12/11/2004. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos da Cofins e do PIS; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907289/201263 Acórdão n.º 3803005.787 S3TE03 Fl. 57 3 Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 23 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907289/201263 Acórdão n.º 3803005.787 S3TE03 Fl. 58 5 segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907289/201263 Acórdão n.º 3803005.787 S3TE03 Fl. 59 7 faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10209.000502/2004-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/07/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE) LEI N° 10.336/2001
Não se acolhe pedido de restituição ou compensação quando o contribuinte não colaciona provas suficientes da existência do crédito pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito tributário não reconhecido.
Numero da decisão: 3102-00.923
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Matéria Restituição Recorrente Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/07/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE) LEI N° 10.336/2001 Não se acolhe pedido de restituição ou compensação quando o contribuinte não colaciona provas suficientes da existência do crédito pedido. Recurso Voluntário Negado. Crédito tributário não reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA Relatora Fl. 118DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10209.000502/200490 Acórdão n.º 310200.923 S3C1T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), relativo à Declaração de Importação n° 03/05517419, registrada em 01/07/2003. De acordo com o Recorrente, o pedido de reconhecimento de direito creditório decorre da retificação da DI, tendo havido o pagamento a maior da CIDE. Adoto parte do relatório do v. acórdão proferido pela DRJ, por bem resumir os fatos e o direito atinentes à lide: 2. No despacho de fls. 2633 são prestadas as seguintes informações: 2.1 A solicitação do contribuinte diz respeito à Cide devida em razão da importação de querosene de aviação, realizada na modalidade de despacho antecipado, sendo declarada a quantidade de 3.237.200,0 Kg, porém, conforme laudo técnico de fls. 1215, a quantidade efetivamente descarregada foi de 3.017.398,00 Kg, equivalente à 3.777,415 m3; 2.2 A interessada alega que o pedido de reconhecimento de direito creditório decorre da retificação da DI, tendo havido o pagamento a maior no valor de R$ 14.534,80,em face das diferenças nas quantidades declarada e descarregada, considerando a alíquota fixa de n R$ 65,30 por m3, nos termos do Decreto n°4.565/2003; 2.3 O comprovante do pagamento, emitido pelo sistema Sinal, consta à fl. 25; conforme art. 70 da Lei n°10.336/2001 e art. 14 da Instrução Normativa SRF (IN SRF n° 422/2004), a Cidecombustíveis possui sistemática semelhante àquela aplicável ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no que concerne à dedução do valor pago na importação do tributo devido quando da comercialização da mercadoria no mercado interno; 2.5 aplicase o art. 166 do Código Tributário Nacional (CTN) c/c com Parecer Cosit n° 47/2003, cabendo perquirir sobre a assunção do encargo financeiro pelo contribuinte, relativo ao valor pago da Cide, mediante demonstração da descrição detalhada dos lançamentos contábeis referentes ao recolhimento do citado tributo, informandose se foi utilizado como parcela dedutível, apropriado como custo da mercadoria destinada a revenda ou qualquer outra situação que importe na integração ao preço do produto comercializado no mercado Fl. 119DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10209.000502/200490 Acórdão n.º 310200.923 S3C1T2 Fl. 3 3 interno, apresentando ainda autorização expressa do terceiro que tenha arcado com o ônus financeiro, juntandose aos autos a documentação comprobatória. 3. No citado despacho foram feitas ainda, considerações sobre a aventada necessidade de conferência final de manifesto, retificadas por meio do despacho de fl. 50, no qual foi reiterada a solicitação de diligência para verificar se o contribuinte assumiu o encargo financeiro ou, tendo transferido a terceiro, se estava por este expressamente autorizado a receber a restituição. Em decorrência, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de cinco dias, os registros contábeis e fiscais referentes ao recolhimento da Cide de que trata a citada DI, tendo solicitado prorrogação por mais dez dias, que foi deferida pela fiscalização (f1. ). Em resposta, foram apresentados os documentos de fls. 5759. 4. Por meio do termo de fl. 60, a empresa foi novamente intimada a apresentar, no prazo de três dias, os registros contábeis e fiscais, com descrição detalhada dos lançamentos e respectivas contrapartidas, referentes ao recolhimento da Cide e à mercadoria importada, inclusive a sua eventual revenda, bem como carimbar e assinar os documentos já apresentados, informando ainda se houve transferência do ônus financeiro a terceiro, apresentando expressa autorização deste para recebimento da restituição. Mais uma vez a requerente‘ solicitou prorrogação do prazo por mais dez dias, com base na justificativa de que os documentos seriam de "alta complexidade", estando localizados em sua sede no Rio de Janeiro (fl. 61). 5. Conforme despacho de fls. 6263, foi indeferido o pedido de prorrogação de prazo, sendo informado ainda que os documentos apresentados em decorrência da primeira intimação são cópias, sem carimbo nem assinatura, de folhas identificadas como Razão Geral nas quais não estão descritos clara e detalhadamente os lançamentos contábeis solicitados. Consta também que a empresa não apresentar Vou os documentos exigidos e aqueles entregues não demonstram os registros contábeis da operação. Cientificada do citado despacho, a pleiteante compareceu aos autos solicitando reconsideração do indeferimento de prazo e autorização para recebimentos dos documentos. 6. O Parecer de fls. 6872 relata os fatos ocorridos e aduz os seguintes fundamentos: 6.1 o art. 6° e parágrafo único da Lei n° 10.336/2001 determina que o pagamento 4ª Cide deve ser efetuado na data de registro da DI e, em caso de comercialização no mercado interno, o tributo deverá ser apurado mensalmente e pago até o último dia útil da primeira e quinzena do mês subsequente ao de ocorrência do fato gerador; 6.2 o art. 7° do mesmo diploma legal, em seu inciso I, autoriza o contribuinte a deduzir do valor da Cide incidente na Fl. 120DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10209.000502/200490 Acórdão n.º 310200.923 S3C1T2 Fl. 4 4 comercialização no mercado interno o valor da Cide pago na importação dos produtos; 6.3 o art. 8° da citada lei permite a dedução do valor da Cide pago na importação ou na comercialização no mercado interno dos valores da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins devidos em razão da comercialização no mercado interno até determinados limites, os quais, no caso de querosene de aviação, foram reduzidos para R$ 11,60 e R$ 53,70 por metro cúbico, respectivamente, pelo Decreto n° 4.565/2003 (DOU 1 0/01/2003), e depois para zero, pelo Decreto n°5.060/2004, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de maio de 2004; 6.4 o art. 4° da IN SRF n° 210/2002 determinava que a autoridade administrativa competente para decidir sobre a restituição poderia determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas; 6.5 o art. 8° do mesmo ato normativo vedava a restituição a um contribuinte de crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro; 6.6 as referidas normas foram mantidas na IN SRF n° 460/2004 e na IN SRF n° 600/2005; 6.7 a Cide, por sua natureza, envolve a transferência do encargo financeiro, de modo que, para ter direito à restituição, o interessado deve comprovar haver assumido o referido encargo ou, em caso de transferência a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla; 6.8 apesar os prazos razoáveis que foram concedidos e da tecnologia atual, que possibilita o acesso imediato aos dados contábeis e fiscais, a empresa não atendeu à intimação; 6.9 para apresentação dos documentos, tais como registros contábeis e fiscais referentes ao recolhimento da Cide, bem como à eventual revenda da mercadoria, ou ainda, à autorização expressa de terceiro que tenha assumido o ônus financeiro, não comprovando o alegado direito à restituição. 7. Assim, com base no citado Parecer, por não haver comprovado o atendimento da exigência prevista no art. 166 do CTN, o pedido de reconhecimento de direito creditório foi indeferido, conforme despacho decisório de fl. 73. 8. Cientificado do indeferimento em 09/11/2006, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 7476, em 11/12/2006, argumentando, em síntese, que, tendo sido intimado para apresentação de registros contábeis e fiscais, devido à exigüidade do prazo, agindo de boafé e com a intenção de Fl. 121DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10209.000502/200490 Acórdão n.º 310200.923 S3C1T2 Fl. 5 5 atender a todas as solicitações, foram apresentados documentos sem carimbo e assinatura referentes a folhas identificadas como Razão Geral, que não descreviam clara e detalhadamente os lançamentos contábeis exigidos. 9. Acrescenta que foi novamente intimado pela fiscalização, que lhe concedeu o prazo improrrogável de três dias úteis, porém não conseguiu cumprir a solicitação no referido prazo, pedindo, então, nova prorrogação, a qual foi indeferida. Afirma, ainda, que toda documentação de comercialização da empresa não fica no escritório em Belém, servindo este apenas de base, onde funcionam alguns serviços de apoio, de forma que o exíguo prazo impediu que fosse atendida a solicitação, pois os documentos não chegaram ao escritório em tempo hábil. 10. Outrossim, sustenta que a prorrogação do prazo por mais dez dias úteis, conforme requerido anteriormente em nada impede o exame e julgamento final do pedido de restituição, manifestandose, a requerente, contra a decisão intransigente que indeferiu a prorrogação de prazo. Por fim, ressalta, a litigante, que toda a documentação já se encontra no escritório de Belém, de forma que, demonstrada a insubsistência do despacho decisório, requer seja reconsiderada a decisão anterior, concedendolhe novo prazo para apresentar a documentação, julgandose procedente o pedido de restituição. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza negou o pedido de restituição dos tributos recolhidos a maior, por entender que “A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” (fl. 81) Tempestivamente, o Contribuinte interpôs recurso voluntário no qual reiterou,em síntese, os argumentos já expostos na impugnação. É o relatório. Voto Primeiramente, esclareço que não se aplica o art. 166 do CTN à CIDE, uma vez que essa contribuição, por sua natureza, não comporta transferência do encargo financeiro. De acordo com o art. 2º da Lei n° 10.366/2001, são contribuintes da CIDE o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3º do mesmo dispositivo legal. A CIDE incide uma única vez, sobre o momento da importação ou formulação do combustível líquido, devendo ser recolhida pelos legitimados elencados pelo art. 2º da Lei n° 10.366/2001. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10209.000502/200490 Acórdão n.º 310200.923 S3C1T2 Fl. 6 6 Portanto, no caso concreto, o pedido de restituição ou compensação de CIDE poderia ser, em tese, realizado pela Recorrente. Não há óbice nesse sentido. Na verdade, o obstáculo ao provimento do pedido de compensação é outro: falta de prova da efetiva comprovação de recolhimento a maior da contribuição nos valores apontados pela Recorrente e sem a correspondente utilização do crédito em outras operações. Com efeito, a solicitação do contribuinte diz respeito à CIDE recolhida a maior porque teria sido declarada a importação de mais querosene de avião do que realmente ingressou no país. Com efeito, o Contribuinte fundamenta o seu pedido no fato de ter declarado quantidade de 3.237.200,0 Kg de querosene de avião, porém, a quantidade efetivamente descarregada teria sido menor, isto é, de 3.017.398,00 Kg, equivalente à 3.777,415 m3; Ocorre, contudo, que ao fazer tal pedido administrativo o Contribuinte não logrou apresentar os documentos que comprovam os lançamentos e respectivas contrapartidas, referentes ao recolhimento da Cide e à mercadoria importada, inclusive a sua eventual revenda. Do mesmo modo, o Contribuinte não carimbou e assinou os documentos já apresentados, apesar de dilatado o prazo para tanto. Por isso, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 1º de março de 2011. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 123DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA
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Numero do processo: 13603.722675/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente
Bernardo Leite de Queiroz Lima - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira e Bernardo Leite De Queiroz Lima.
Nome do relator: BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Julio Cesar Alves Ramos - Presidente Bernardo Leite de Queiroz Lima - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira e Bernardo Leite De Queiroz Lima.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Julio Cesar Alves Ramos Presidente Bernardo Leite de Queiroz Lima Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira e Bernardo Leite De Queiroz Lima. RELATÓRIO Tratase de auto de infração de IPI referente ao período de 01/01/2010 a 31/12/2010, lavrado em razão de o estabelecimento filial de Betim da Recorrente ter dado saída a componentes para montagem de veículos automóveis com utilização do instituto da suspensão de que trata o art. 5º da Lei nº 9.286, de 1999. Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal, por não ser, em relação aos referidos produtos, estabelecimento industrial, vez que não realiza nenhuma operação de industrialização, e, sim, equiparado a industrial por RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 22 67 5/ 20 13 -9 9 Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 14/06/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13603.722675/201399 Resolução nº 3401000.897 S3C4T1 Fl. 2.545 2 receber para revenda ditos componentes industrializados por outro estabelecimento da mesma empresa, não estariam tais saídas amparadas pela suspensão em tela. Conforme a fiscalização, tal entendimento decorre das alterações introduzidas no retro citado dispositivo legal pelo art. 33 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que estabelece que somente a empresa comercial atacadista adquirente dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do IPI –TIPI, resultantes da industrialização por encomenda, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior pode dar saída aos produtos com suspensão do imposto. Afirma a autoridade fiscal que esse entendimento é ratificado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 948, de 15 de junho de 2009, que disciplinou a matéria, principalmente em seus arts. 2º, 3º, 4º e 27, inciso II. A fiscalização elaborou o “Demonstrativo do IPI não Destacado na Notas Fiscais de Saída”, das fls. 31 a 2349, identificando as vendas efetuadas pela impugnante pelas notas fiscais, os períodos de apuração, os produtos com as respectivas classificações fiscais e alíquotas, o valor tributável e o IPI objeto do lançamento de ofício. Em face do auto de infração, a Recorrente apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela DRJ de Porto Alegre, em acórdão cuja ementa se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. As hipóteses de saídas dos componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados com suspensão do imposto não alcançam os estabelecimentos equiparados a industrial, excetuandose disposição expressa em lei. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício no percentual de 75% do imposto que deixou de ser lançado está prevista em lei, não cabendo à autoridade administrativa afastar sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, alegando, em síntese: a) que não se aplica ao caso o disposto na Medida Provisória nº 2.18949, de 2001, no sentido de restringir o regime de suspensão do IPI nas vendas de autopeças para as montadoras, em razão da equiparação das filiais comerciais a estabelecimentos industriais que deve ser aplicada também na cadeia automotiva; b) que o dispositivo mencionado da MP nº 2.15849, de 2001, trata especificamente da equiparação para fins do Regime Aduaneiro Especial na importação de insumos dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da TIPI, tendo a Lei nº 10.865, de 2004, previsto mais esta situação de equiparação, não restringindo aquelas decorrentes da própria natureza da operação. Aduz que a Instrução Normativa RFB nº 948, de 2009, ao disciplinar as hipóteses de suspensão, excluiu o estabelecimento equiparado a industrial, Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 14/06/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13603.722675/201399 Resolução nº 3401000.897 S3C4T1 Fl. 2.546 3 restrição que diz indevida, pois afronta o principio da legalidade já que altera o previsto no CTN, na lei específica e no próprio regulamento do IPI; c) a neutralidade das operações dada a incidência no final da cadeia, alegando que se no caso concreto houvesse o destaque e pagamento do IPI pela impugnante nas vendas para a montadora, esta se creditaria desse imposto e recolheria a diferença em relação ao imposto destacado na saída dos veículos. Como as saídas se deram com suspensão, a montadora recolhe o imposto no valor integral destacado na nota fiscal de saída do produto final, ou seja os valores devidos ao fisco são recolhidos no mesmos montantes que seria no regime normal; d) que as peças fornecidas à montadora são fabricadas pela matriz em São José dos Pinhais, entretanto existe um processo de montagem na filial de Betim que caracteriza processo industrial, pois a matriz além de fabricar os levantadores de vidros, adquire de terceiros batentes de borracha e espuma antiruído sendo que a inserção desses dois itens nos levantadores se dá na filial. Aduz que, sob essa perspectiva a filial de Betim não poderia ser equiparada a industrial, tratandose de fato de um estabelecimento industrial; e e) que a multa de ofício atenta contra os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco, vez que não houve qualquer prejuízo ao fisco, o que é suficiente para redução da multa em questão. É o Relatório. VOTO Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima Um dos argumentos trazidos pela Recorrente tanto na impugnação quanto em seu recurso voluntário consiste na alegação de que o estabelecimento em Betim realiza atividade industrial, uma vez que instala amortecedor de borracha e espumas antiruído no levantador de vidro. O acórdão da DRJ, contudo, entendeu que os documentos colacionados pela Recorrente à impugnação não eram suficientes à comprovação de que o referido estabelecimento executa a montagem das peças, não se enquadrando como estabelecimento industrial. Assim se manifestou a DRJ no acórdão ora vergastado: Depreendese dos autos que o estabelecimento autuado não realiza operação de industrialização, conforme resposta das fls. 2353 e 2354 ao Termo de Início de Procedimento Fiscal das fls. 2350 a 2352. Também não restou provado o contrário pelos documentos acostados na defesa das fls. 2480 a 2490, cujo teor não tem nenhum valor comprobatório, visto poderem ter sido elaborados posteriormente à autuação e não estarem acompanhados dos documentos fiscais, quer dos fornecedores dos batentes e da espuma antiruído, quer da remessa dos mesmos pelo estabelecimento matriz à filial em Betim. A Recorrente pleiteia a conversão em diligência para que seja verificado que o estabelecimento em Betim realiza montagem do amortecedor de borracha e espumas antiruído, o que o enquadraria como estabelecimento industrial. Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 14/06/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13603.722675/201399 Resolução nº 3401000.897 S3C4T1 Fl. 2.547 4 De fato, tal análise é necessária para o deslinde da presente lide, haja vista que, constatado que o estabelecimento de Betim realiza atividade industrial, deixa de subsistir o fundamento para o lançamento em tela. Destarte, proponho a conversão do presente feito em diligência, para que a autoridade fiscal realize a verificação in loco no estabelecimento da Recorrente localizado em Betim/MG, de forma a constatar se neste local há a instalação de amortecedores de borracha e espumas antiruído nos levantadores de vidro ou outra atividade que possa ser considerada como industrialização, relativa aos produtos objeto do presente auto de infração. Deve ser detalhada a atividade realizada no estabelecimento, por meio de relatório circunstanciado. Após o relatório, deve ser concedido à Recorrente o prazo de 30 dias para se manifestar sobre o relatório. Findo este prazo, com ou sem manifestação da Recorrente, retornem os autos para julgamento desta turma. Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 18/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 14/06/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 17/06/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 10855.004984/2001-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 14/08/1994 a 04/08/1995
DECADÊNCIA.
No regime de drawback suspensão o prazo decadencial só Se inicia no primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao do término do regime.
DRAWBACK.
Ausência de vinculação e indicação de códigos errados nas REs. Se o contribuinte comprova no curso do processo que importou e exportou nas quantidades e qualidade do material devidamente acordada no ato concessOrio, resta comprovado o regime de drawback.
Os erros formais apenas são indícios de que houve descumprimento do regime. Comprovado pelo contribuinte o cumprimento do programa há que prevalecer o regime de drawback.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-000.130
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a preliminar de nulidade do AI. Vencidos os conselheiros José Luiz Novo Rossari, João Luiz Fregonazzi e Henrique Pinheiro Torres
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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DRJ-FORTALEZA/CE S3-CITI Fl. 1.729 • • ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 14/08/1994 a 04/08/1995 DECADÊNCIA. No regime de drawback suspensão o prazo decadencial s6 Sc inicia no primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao do término do regime. DRAWBACK. Ausência de vinculação e indicação de códigos errados nas REs. Se o contribuinte comprova no curso do processo que importou e exportou nas quantidades e qualidade do material devidamente acordada no ato concessOrio, resta comprovado o regime de drawback. Os erros formais apenas são indícios de que houve dcscumprimento do regime. Comprovado pelo contribuinte o cumprimento do programa WI que prevalecer o regime de drawback. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a preliminar de nulidade do AI. Vencidos os conselheiros José Luiz Novo Rossari, João Luiz Fregonazzi e Henrique Pinheiro Torres. „ . Henrique Pinheiro Torres - Presidente Susy G s_11 ffiria n - Relatora 1 EDITADO EM: 06/11/2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Jose Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda, Valdete Aparecida Marinheiro, Tarásio Campelo Borges e Susy Gomes Hoffinann. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário do contribuinte ( -fls. 1689/1721), em quo pleiteia a reforma do Acórdão n° 08-10.963 proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE (fls. 1655/1682) no seguinte sentido: i) para que se declare a nulidade do auto de infração, em razão de decadência do direito de o Fisco exigir os valores nele expressados, além do fato de entender que o auto contém vícios em função da falta de lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal e; ii) alternativamente, que se declare insubsistente o lançamento, posto que o contribuinte adimpliu efetivamente corn compromisso de exportar. Cuida-se de lançamento veiculado por meio de Auto de Infração, fls. 27/55, lavrado cm vista da verificação de que o contribuinte não teria cumprido o prazo estabelecido no Ato Concessivo no que concerne à exportação dos bens produzidos com os insumos importados corn suspensão dos tributos, motivo pelo qual, exige o pagamento dos impostos incidentes na importação, quais sejam: Imposto de Importação e Imposto Sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, totalizando R$ 299.706,10. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação e documentos as tls. 49711644 fazendo urna breve exposição dos fatos e alegando em síntese que: 1. A operação de Drawback se concretiza no momento em que o produto final é exportado, 2. A época, a Carteira de Comercio Exterior do Banco do Brasil S/A (CACEX) era responsável por todo o processo de "Drawback", desde a inclusão do contribuinte no programa, até a fiscalização do seu cumprimento e que a Receita Federal só teria competência para proceder ao lançamento, após o recebimento de informações da CACEX; 3. Foi surpreendido com o recebimento das intimações fiscais nrs. 025 e 027/2001, uma vez que a CACEX havia comprovado o efetivo cumprimento do Regime; 4. Causou estranheza o fato de haver recebido solicitação de documentos mais de cinco anos após a ocorrência das operações, afirmando que "tanto o registro da Declaração de Importação, quanto a exportação efetiva, bem como o vencimento do prazo para exportar previsto no Ato Concessório, tinham acontecido há mais de 5 (cinco) anos da data da lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal, o que aconteceu, ressalta- se, no dia 27 de dezembro de 2001 (...)" 2 S3-CIT1 Fl. 1.730 5. Que recebeu o auto de infração na mesma data cm que tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal, ou seja, em 27 de dezembro de 2001 e que o MPF é peça fundamental para que o Fisco possa requisitar quaisquer documentos ao contribuinte, motivo pelo qual, todo o procedimento fiscalizatório deve ser declarado nulo; 6. Que a Fiscalização exige por meio do presente, o pagamento de tributos relativos it operações de importações ocorridas em 1995 e 1996 e que nos termos do art. 150, § 4" do CTN, o direito do Fisco exigir os tributos extingue-se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador; 7. Qualquer que seja o critério do termo a quo para contagem do prazo decadencial no regime Drawback, no presente caso, está extinto o direito de o Fisco cobrar os tributos; 8. A titulo de exemplo, cita a operação mais recente realizada pela empresa ; relativamente ao Ato Concessório n° 0191-95/0042-6, cuja data limite fixada para exportação era 31 de maio de 1996, prazo postcriormente estendido para 28 de novembro de 1996, ern razão de Teimo Aditivo; 9. As datas de importação relativas a este Ato Concessório foram as seguintes: 21 de junho de 1995; 14 de julho de 1995 e; 04 de agosto de 1995; 10. As respectivas exportações ocorreram em: 22 de outubro de 1995; 03 (le dezembro de 1995; 15 de janeiro de 1996 e25 de janeiro dc 1996. 11. Desta forma entende que se o prazo decadencial for contado a partir da data do registro de Importação, o mesmo estaria vencido, respectivamente em: 22/06/2000; 15/07/2000 e; 05/08/2000; 12. Se a contagem fosse iniciada da data da exportação, o prazo decadeneial venceria, respectivamente em: 23/10/2000; 04/12/2000; 16/01/2001 c; 26/01/2001; 13. Por fim, se o termo inicial para contagem do prazo decadencial lbsse a data limite para a exportação fixada no Ato Concessório, o prazo venceria e, 29/11/2001; 14. A Fiscalização verificou constar no SISCOMEX a falta de vinculação da operação de exportação realizada sob o n" 81101 corn o Drawback- Suspensão, vez que teriam sido exportadas pelo regime comum; 15. Ocorre que podem haver falhas no preenchimento de dados no sistema, o que ensejaria, quando muito, uma penalidade ao contribuinte, cm razão do preenchimento equivocado, 16. Não pode a Fiscalização impor penalidade pelo fato de "não aparecerem" as exportações no Sistema, desprezando o documento chamado "Relatório de Comprovação de Drawback, que atesta o cumprimento do regime; Process() no 10855.004984/2001-90 Acóran n° 3101 -00.130 3 17. Que os documentos acostados a presente Impugnação comprovam que todas as mercadorias importadas foram exportadas no produto final; 18. Que a competência para fiscalização era da CACEX e que esta "atestou, oficialmente, o cumprimento do regime através dos Relatórios de Comprovação." 19. Quanto à alegação de que o contribuinte não teria respeitado o disposto no art. 325 do Regulamento Aduaneiro, não procede, posto que as exportações ocorreram, e o que houve foi urn engano ao não anotar os números dos Atos Concessórios nos Registros de Exportação; e que tal equivoco não é capaz de revogar o beneficio do qual goza o contribuinte, ate porque o Regulamento Aduaneiro não prevê penalidades para esta tipo de equivoco, mostrando-se insuficiente a base legal adotada no auto de infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza, proferiu Acórdão As fls. 165511682, julgando o lançamento procedente ern parte por maioria de votos para: i) rejeitar a preliminar de nulidade argüida pelo contribuinte; ii) declarar a decadência da parcela do crédito tributário da DI no 251783, de 03/03/1995; iii) rejeitar a alegação de 41111 decadência com relação As demais DI's objeto do presente. No mérito, julgaram procedente ern parte o lançamento para: i) exonerar a parcela do crédito tributário relacionado A. DI n" 251783 de 03/03/1995 e; ii) considerar devido o crédito tributário constituído pelo II no valor de R$ 51.454,61 c IN no valor de R$ 37.864,53. A fundamentação do julgamento foi em síntese, no seguinte sentido: • O MPF não constitui elemento de controle da administração tributária, "não influindo na legitimidade do lançamento tributário" e eventuais falhas ou mesmo a falta do documento não ensejam a declaração de nulidade do procedimento fiscalizatório; • Quanto à alegação de decadência, afirmam os julgadores que pelo fato de o imposto de importação sujeitar-se A modalidade de lançamento por homologação, passados cinco anos do seu recolhimento, ter-se-á homologação tácita e, não havendo o pagamento, não inicia-se a contagem do prazo ora descrito; • presente caso, portanto, não se enquadra nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, sujeitando-se a regra do art. 173, I do CTN, sendo o termo inicial, "o primeiro dia do exercício seguinte àquele ern que o tributo poderia ter sido lançado". E no presente caso, o termo inicial seria ao término do regime de drawback, o que enseja o inicio da fiscalização; • Assim, "à exceção do Relatório Final de Comprovação do ato concessório nO 0191-95/0004-3, todos os demais tiveram como inicio da contagem do prazo decadencial, 01/01/1996, vencendo em 31/12/2000. Tendo a fiscalização finalizado em 27/12/2000, estava dentro do prazo decadencial; • Relativamente a alegação do contribuinte de equívocos cometidos na emissão das RE's, de acordo com o disposto no art. 134 do Regulamento Aduaneiro/85 (art. 179 do CTN), há inversão do ônus da prova, "cabendo 4 Pr( ccsso n" 10855.004984/2001-9U S3-C1T1 Ac ircHio n.° 3101-00.130 Fl. 1.731 interessada provar fielmente que se equivocou, nib ° competindo ao fisco tal incumbência; • Neste sentido, concluem que "não basta a apresentação de RE indicando exportações de produtos, sendo necessário demonstrar que referidas operações ocorreram sob a égide do drawback (requisito previsto cm lei para o cumprimento do regime); • Fundamentam os julgadores que não se questiona a validade dos Registros de Exportação, mas apenas a desvinculação deles ao regime drawback c que esta não restou comprovada; • Que os relatórios emitidos pela CACEX têm cunho meramente formal, tanto que são encaminhados a Receita Federal para efetiva fiscal ização; Houve declaração de voto do Julgador, Sr. Francisco Jose Barroso Rios (11s. 1672/1676), que votava pela conclusão em relação à preliminar de decadência e, no mérito, pela conversão do julgamento em diligência "destinada a examinar a materialidade do cumprimento dos requisitos inerentes A exportação em comento, quando, ai sim, poderia ser examinado se e em que proporção o regime teria sido, de fato descumprido." Também em declaração de voto, o Julgador Sr. Luis Carlos Maia Ccrqueira, apesar de acompanhar o relator no que respeita à rejeição da argüição de nulidade do MI'F e A declaração de decadência da parcela do crédito tributário relacionado à DI n" 251783 de 03/03/95, votou pela improcedência do lançamento. Isso porque, entendeu que um erro meramente formal, não poderia descaracterizar o regime Drawback ao qual o contribuinte Operava. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ([is. 1689/1721), reiterando praticamente todos os argumentos aduzidos na Impugnação, reforçando-os com os fundamentos demonstrados pelas declarações de votos emitida nos autos. Conforme se denota à fI. 1657, não houve recurso de oficio, posto que o 410 crédito tributário exonerado é inferior ao limite exigido pelo art. 1 da Portaria 3 de 2008. Em síntese, t".: o relatório. 'Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Conheço do Recurso por estarem presentes os requisitos Trata o presente de Recurso Voluntário do contribuinte (tis. 1689/1721), cm que plcitcia a reforma do Acórdão n° 08-10.963 proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento dc Fortaleza/CE (11s. 1655/1682) no seguinte sentido: i) para r que_ sc_ declare u nulidade do auto de infração, cm razão de decadência do direito de o Fisco exigir os valores , ne- le expressados, al= do tato de entender que o auto contem vícios em função da falta de lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal e; ii) alternativamente, que se declare 5 insubsistente o lançamento, posto que o contribuinte adimpliu efetivamente com compromisso dc exportar DA PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Faticamente o que ocorreu foi o seguinte: houve uma notificação em 05/09/2001 da Receita Federal para apresentar um rol de documentos. Em 27/12/2001 foi lavrado o auto de infração e nesta oportunidade apresentado o MPF. A legislação está fundada no Decreto 3.724/2001 alterado pelo Decreto 6.104/2007 nos seguintes termos: "Decreto 3.724/2001 Artigo 2" (-) Parágrafo 2". O procedimento de fiscalização somente terá inicio por força de ordem especificct denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído em ato da Secretaria da Receita Federal, ressalvado o disposto nos parágrafos 3". e 4". deste artigo. Parágrafo 4". 0 MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I— realizado no curso do despacho aduaneiro; — intern°, de revisão aduaneira. 111 — de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; IV — relativo ao tratamento automático das declarações (ma lhas fiscais). Referido Decreto foi alterado pelo Decreto 6.104/2007 e a redação dos artigos ficou da seguinte maneira: Art. 2`: Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em 170111e desta, pelos Auditores - Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente (crab inicio por força de ordem especifica denominada Mandado de Procedi»tento Fiscal (MM.), instintido mediante ato da Secretaria da Receita Federal cio Brasil. (Redação dada pelo Decreto n°6.104, de 2007). §121■Ios casos de .flagrante constata 00 de contrabando, descantinho ou qualquer outra prática de infi-ação à legisla cão tributária, cm que o retardamento do inicio do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, 0 Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil deverá iniciar imediatamente o procedimento .fiscal e, no prazo de cinco dias, contado de sua data de inicio, será expedido MPF especial, do qual será ciada ciência ao sujeo passivo. (Redação dada pelo Decreto n" 6.104, de 2007). 6 S3-CIT1 El 1.732 Processo n° 10855.004984/2001-90 Acórd 11.° 3101-00.130 §22.Entende-se por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que Sc referent o art. r. e seguintes do Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pclo Decreto n' 6.104, de 2007). 0'0 MP17 não sent exigido nas hipóteses de procedimento de .fiscaliza cão: (Redação dada pelo Decreto n°6.104, de 2007). 1-realizado no curso do despacho aduaneiro; 11-interno, de revisão culuaneira; 111-de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; 1V-relativo ao tratamento automático das declarações Omahas .fisco is). §4'0 Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos pant sua execução, cis autoridades liscais competentes para sua expedição, bent como demais hipóteses de dispensa ou situações eia que seja necessário o inicio do procedimento antes da expedição do WE', nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. (Redação dada pelo Decreto n" 6.104, de 2007). §5QA Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio ele servidor ocupante do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar infonnações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições .financeiras e de entidades a clas equiparachts, inclusive os rekrentes a contas de depósitos e de aplicações .financeiras, Tondo houver procedimento de fiscalização ern curso c tais exames forem considerados indispensáveis. (Redução dada pelo Decreto n°6.104, (k 2007). §6aA Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus administradores, garantirá o pleno e inviolável exercício das atribuições do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. (Redação dada pelo Decreto n" 6.104, de 2007). A Instrução Normativa da SRF n". 3007/01 assim dispõe acerca da necessidade de ser emitido Mandado de Procedimento Fiscal: Art. 2°. Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados polo SRF serão executados, em Home desta, pelos Auditores-Fiscais du Receita Federal (11FRF) e instaurados nuediante Mandado de Procedimento Fiscal (MP19. Parágrafo ánico. Para o procedimento de fiscalização ser emitido Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF- F), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal - Diligencia (MPF-D). Art. 3". Para os fins (testa Portaria, entende-se por procedimento 7 I - de .fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações Tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRF, bem assim da correta aplicação da legislação do Comércio exterior, podendo resultar em constituição de credito tributário ou apreensão de mercadorias; II - de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração Tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Art. 7'. 0 11413F-F, o MPF-D e o MPF-E conterão: I - a numeração de identificação e controle, composta de dezessete dígitos; II - os dados identificadores do sujeito passivo; III - a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV - o prazo para a realização do procedimento fiscal; V- o nome e a matricula do AFRF responsável pela execução cio mandado; VI - o nome, o número do telefone e o endereço funcional cio chefe do AFRF a que se refere o inciso anterior; VII - • o nome, a matricula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII - o código de acesso a Internet que permitir ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF. ,s‘; 0 MPF-F e o MPF-E indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento .fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem assim as verificações relativas a correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e .fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos, observados os modelos constantes dos Anexos 1 e III. ,sç 2". Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondence, o MPF-F alcançar o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil «fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. § 30 Q MPF-D indicar , ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o modelo constante do Anexo § 4o 0 MPF-E indicar a data cio inicio do procedimento fiscal, observado o modelo constante do Anexo O MPF tem como objetivo permitir ao sujeito passivo assegurar-lhe autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, pois lhe da conhecimento do tributo que sera objeto j de investigação, dos períodos a serem investigados, do prazo para a realização do 8 Pr cesso n°10855.004984/2001-90 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.130 Fl. 1.733 procedimento fiscal e do agente que procederá a fiscalização. Nasce, a partir da eiC.,ncia, o direito subjetivo de que esse procedimento seja efetivamente obedecido no curso dos trabalhos. 0 Prof. Roque Antonio Carrazza l sustenta que o Mandado de Procedimento Fiscal é formalidade imprescindível para a validade da autuação fiscal. Aduz que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPP) tem a natureza jurídica de ato administrativo, implicando 'ordem especUica' para a instauração, pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal, dos 'procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições' administrados pela SRF. A partir da criação daligum do MPF, cm suas várias modalidades, o agir fazendário, na esfera federal. sofreu expressiva limitação, já que este documento tornou-se juridicamente imprescindível a validade clos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. Vai dal qtte procedimentos relativos a tributos contribuições achninistrados pela SRF, que sejanz instaurados a descoberto do competente MPF, são inválidos e, nesta medida, tisizam de irremediável nulidade as providências fiscais eventualmente adotadas contra os contribuintes.” Dessa forma, deveria a autoridade fiscal providenciar a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal antes de iniciar a lavratura do auto de infração. E em face da sua falta, Os procedimentos relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF são inválidos, o que toma qualquer providência adotada contra o contribuinte nula. 0 Conselho de Contribuintes já decidiu pela nulidade do lançamento veiculado por meio de Auto de Infração ern face da ausência de MPF, anote-se a seguinte ementa relativa ao Acórdão 101-96368: PROCEDIMEN10 FISCAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — IMPRESCINDIBILIDADE — inclusão, no mesmo processo, de exigência de tributo que não decorra dos niCSMOS elementos de prova da demais exigências, e que não esteja incluso nas verificações obrigatorias, é ludo por estar ao desabrigo de Matulado de Procedimenlo Alem disso, o tema já foi muito abordado, e apesar dc o tema não ter sido vitorioso na Câmara Superior de Recursos Fiscais, há que se ater que o tema ainda controverso, como se verifica pela declaração de voto vencido do eminente Conselheiro Marcos Neder, no Acórdão 01-05330, Recurso 101-132782, nos seguintes termos: VOTO VENCIDO Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, Relator. Depreende-se do relatado que a interessada ingressou com recurs.° voluntário a esta Colenda Ctimara insurgindo-se contra decisão do Conselho do Contribuintes que deu provimento ao recurso de oficio para restabelecer a exigência fiscal por entender, em síntese, que o des-cumin-intent° da autori:ação de fiscalização expressa no Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não acarreta na invalidada do procedimento e, por conseguinte, do lançamento fiscal. 1 Carrazza, Roque Antonio, Mandado de Procedimento Fiscal, Revista Dialética de Direito Tributário, n°. 80, São Paulo, pág. 104. 9 Inicialmente, rejeito o pedido da aplicação do decidido no acórdão n° 101-94.497 (processo n" 13982-001172/2001-25) a este processo, pois o que se discute nos dois processos são zudidades formais que dependem do desenrolar cio procedomento de .fiscalização em cada caso, não havendo relação de causa e efeito que os vincule. Sobre o mérito, vale lembrar que, a época do procedimento de . fiscalização, vigia a Portaria SRF n" 1.265, de 22/11/1999, alterada pela Portaria SRF n" 1.614, de 2000, que determinava que kris procedimentos de oficio demandavam a prévia emissão de ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal -- MPF, como se depreende do caput do artigo 2" da citada Portaria: Art. 2" Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRI.' serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal — AFRF e instaurados mediante ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal —MPF. No 777eS1110 sentido, o Decreto n" 3.724, de 10/01/2001, regulamenta o artigo 6" da Lei Complementar 77" 105/2001, determinando expressamente que a abertura dos procedimentos fiscais à prévia emissão do MPF, como se infere do texto do ato legal: Art. 2" A Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal, somente poderci examinar informagi5e.s relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de .fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (...)§ 2" 0 procedimento de fiscalização somente terá inicio por firm de ordem especifica denomMada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído em ato da Secretaria da Receita Federal, ressalvado o disposto nos ,§..sç 3" e 4" deste artigo. (Grifou-se) Posteriormente, o artigo 20 da Portaria SRF 77" 3.007, de 26/11/2001, voltou a regular a matéria, referindo-se a exigência do MPF para convalidação do procedimento fiscal: Art. 20. Os AfPF emitidos e o denzonstrativo de que trata o .sç 2" do art. 13, incluindo as modificações efetuadas no curso do proceclimento fiscal , constarão no processo administrativo fiscal que venha a ser formalizado e convalidarão o procedimento fiscal em si.(grifou-se) Na verdade, a Achninistrativa Tributária instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal CO Ill o intuito c/c dar maior transparência ao trabalho fiscal. A partir de sua introdução, o contribuinte passou a acompanhar a fiscalização coin conhecimento prévio c/c qual seria o procedimento fiscal: agentes fiscais designados, local, abrangência dos trabalhos de auditoria e período examinado. Tal .finalidade resta clara na manifestação do próprio Poder • Executivo Federal, por ocasião da Mensagem le li, de 1 0 Process° 110 10855.004984/2001-90 S3-C [T i Acórelao n.° 3101-00.130 Fl. 1.734 09/01/2001, trazida aos autos pelo julgador a quo, aojustificar o veto presidencial, a saber.. "Preliminarmente, cumpre afirmar que a atua cão da Secretaria da Receita Federal é pautada sob os princípios constitucionais e éticos impostos ao Poder Páblico e a seus agentes, em especial os da impessoalidade, da niondidade, da legalidade e, no caso especifico, dos sigilos funcional e o que garante a preservação integral da privacidade dos contribuintes. Adentais, a partir da instituição do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, por meio da Portaria SRF n" 1.265, de 22 de novembro de 2000, o cumprimento daqueles princípios pcissou a ter total transparência, pois, ao contribuinte submetido à ação fiscalizadora da Receita Federal é assegurado, desde o inicio do procedimento, o pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação, em especial em relação aos tributos e períodos a serem examinados, com fixação de prazo para a sua execução, Wm de possibilitar a certificação da veracidade do MPF por intermédio da Internet. Ressalte-se, poi- oportuno, que o MPF é outorgado pelos chefes das unidades da SRF, não sendo, assim, WW1 iniciativa pessoal do agente encarregado de sua execução, sendo sua instituição um marco histórico na relação entre a Administração Tributária Federal e os contribuintes." (Grifou-se) Desse breve relato, verifica-se que a iniciativa da criação do MPF foi exclusiva das autoridades achninistrativas, sem participação do Poder Legislativo, mas sua obediência é compulsória para todos os (Tellies fiscais na condução dos trabalhos fiscais e comunicada, no inicio do procedimento, aos contribuintes sob fiscalização. Sustenta a decisão recorrida, no entanto, que, mesmo diante de irregularidades no conwrimento das das determinações do MPF, o lançamento lavrado por autoridade competente e formalizado em obediência ao artigo 142 do Código Tributário Nacional válido e não Jul que se falar em anulação. Não acompanho, com a devida vdnia, esse respeilcivel entendimento. Como já live oportunidade de escrever (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, ed. Dialética, 2004, p. 110/112): "A competência atribuído ao Auditor -Fiscal da Receita Federal - AFRF tent apenas a finalidade de explicitar quais são os poderes e deveres inerentes a seu cargo. Por permitir acesso quase irrestrito a infornuições sigilosas dos contribuintes, a atividade de .fiscalização não pode ser exercida por qualquer servidor público, mas apenas pmr aquele a quem a lei impõe 11171 rol de deveres. A eleição de Wit servidor específico para essa função tem por .finalidade proteger o contribuinte, assegurando-lhe o &relic) de ser fiscalizado apenas por quem a lei atribua o dever de sigilo das informações obtidas ern rctziio do exercício dessa atividade, e que atue de forma exclusiva e imparcial, sem influências estranhas ao interesse público, competência exclusiva conferida ao AFRF para efetuar o lançamento não pode ocasionar, portanto, qualquer limita cão ao poder da União de exigir os tributos de sua competência, eis que esse poder deriva da própria Constituição Federal. A Carta Magna define as competências impositivas dos entes federados que irão exercê-las instituindo e cobrando tributos nos termos das leis aprovadas pelo Congresso Nacional. No caso da União, ela exige os tributos de sua competência por meio de seus órgãos e autarquias, dotados de capacidade tributária ativa. Estes, por sua vez, atuam por meio de setts agentes, que são incumbidos das diversas tarefas inerentes ao exercício do dever de fiscalizar e arrecadar tributos. Nesse diapasão, os órgãos administrativos tênt amplo poder de se organizar, direcionculdo sua força de trabalho de forma a melhor cumprir sua atribuição. Para isso, são definidas prioridades, selecionados contribuintes, definidos os procedimentos. Via de regra, esse disciplinamento é apenas interno, ou seja, seu desclunprimento so (lea ;-reta responsabiliza cão interna corpo ris. O MPF, contudo, inovou ao dar conhecimento do conteúdo dessas diretrizes internas ao contribuinte. Trata-se de um instrumento que visa permitir ao sujeito passivo assegurar-se da autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, pois dá-lhe conhecimento do tributo que set-6 objeto de investigação, dos períodos a serem investigados, do prazo para a realização do procedimento fiscal e do agente que procederá c't fiscalização. Nasce, a partir da ciência, o direito subjetivo de que esse procedimento seja efetivan7ente obedecido no curso dos trabalhos. 0 fato de esse Mandado ter sido instituído poi ato administrativo não exime a Administração de cumpri-lo, afinal a Fazenda pode se auto/imitar de modo a garantir maior transparência no exercício da função pública. Seria, no Minim, imoral a Administração emitir um ato em que se compromete a realizar determinado agir em beneficio do administrado e depois unilaterahnente descumprir o que fora prometido. (..) Corroborando esse posicionamento, Roque Antonio Carrazza sustenta que o Mandado de Procedimento Fiscal é 2 formalidade imprescindível para a validade da autuação fiscal. Aduz que "... o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) tent a natureza jurídica de ato administrativo, implicando 'ardent especifica' para a instauração, pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal, dos 'procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições' administrados pela SRF. A partir da criação da ,figura do MI'?, em suas várias modalidades, o agir fazendário, na esfera federal, sofreu expressiva limitação, já que este documento tornou-se juridicamente imprescindível validade dos procedimentos fiscais relatilvs aos tributos e contribuições administrados pela SRI, . Vai dai que procedimentos relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, que sejam instaurados a descoberto do competente MPF, são inválidos e, nesta medida, ti.snant de irremediável nulidade as providências fiscais eventualmente adotadas contra os contribuintes." 2 Carrazza, Roque."mandado de Procedimento Fiscal". Revista Dialdtica de Direito Tributário, if 80, Sáo Paulo, maio de 2002, p. 104 12 Processo n" 10855.004984/2001-90 S3-C1T1 Aci6rclao n.3101-00.130 Fl. 1.735 Fixadas essas premissas, passo ao exame do caso concreto. 0 procedimento de liscalização inciou-se para verificação de eventuais créditos passíveis de ressarcimento de Impost() sobre Produtos Industrializados — em relação aos anos-calei dario de 1995, 1996 e 1997. Posteriormente, foi emitido iti1PF complementar, em 29/08/2001, para inclusão de Innis dois períodos de apuração: 1999 e 2000. Havia apenas autorização expressa para a abertura de procedimento fiscal vinculado ao IPI (pedido de ressarcimento), em relação aos anos-calendário de 1995, 1996, 1997, 1999 e 2000. Ocorre que estendeu-se o procedimento para verificação de Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, tendo inclusive ampliado o procedimento liscalizatório para formalizar exigência fiscal em relação a período -base de 1998, que es/aia abrangido pela autorização cio MPF. As regras internas da SRF, deixani bent claro a imprescindibiliclade do MPF, COMO se verifica da Portaria COF1S n°28, de 31/05/2002: Art. 6" Na execução do procedimento de .fiscalização, o AFRF deverá restringir-se ao proposto na operação fIscal, evitcmclo a extensão ci outros exames que não guardem relação cont os objetivos nela previstos. Art. 7" Caso o AFRF, no decorrer do procedimento de ,fiscalização ou de diligência, constate indícios de ilícitos tributários que extrapolem o objetivo original cio procedimento fiscal, imputáveis ao mesmo ou a outro sujeito passivo, deve representar ao seu chefe imediato para avaliação quanto inclusão em programação. Parágrafo único. Na hipótese em que o ilícito tributário dc que trata o caput, detectado no decorrer de procedimento de fiscalização, seja de constatação imediata e imputável au mesmo sujeito passivo, o AFRF responsável pela sua execução deverá solicitar a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, nos termos da Portaria SRF 3.007, de 26 de novembro de 2001, paw ampliação de tributo ou período objeto de laiicainento de oficio. Como bent indicou a autoridade julgadora de primeiro gran, o caso concreto objeto de análise nesse processo não se refere lid uma das exceções previstas na legislação. As exceções podem ser classificadas em was grupos: partir dos mesmos elementos de prova, detectou-se infraçães que tcunbém configuram infrações a normas de outros tributos3; 3 Art. 90 Na hipótese em que infrações apuradas, cm relação a tributo ou contribuigAo contido no MPF -F ou no MPF-E, também configuram, corn base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalizaçao, independentemente de mençilo expressa. (Portaria n" 1.265/99) 13 verificações preliminares obrigatórias, em que se confronta os valores declarados e os apurados na escrituração contábil do sujeito passivo nos últimos cinco anos4; casos específicos, tais como: no curso do despacho aduaneiro; revisão aduaneira; vigilância e repressão ao contrabando e descaminho realizado em operação ostensiva; 5 Omfrontando-se as exceções com o caso concreto, não é possível intuir a subsungão dos fatos descritos com as hipóteses de dispensa de MPF supramencionadas. Primeiramente, cabe ressaltar que as infrações descritas no lançamento referem-se a falta de tributação da integra das aplicações financeiras; falta de contabilização do ganho de capital apurado na cilienação/baixa de bein do ativo permanente; imposto recolhido a menor em face de a contribuinte ter caracterizado como atos coin cooperados, atos que teriam sido praticados coin não cooperados; multa isolada por falta de recolhimento do imposto devido por estimativa C171 face dos acrêscimos de receita. Verifica-se, que tais infrações não den vain nem de procedimento aduaneiro, nem de repressão a contrabando, tampouco de auditoria c/c Também não vislumbro a possibilidade de enquadrar essas apurações entre o que se convencionou chamar de "verificações obrigatórias". Esses exames preliminares restringem-se a confrontação da escrituração fiscal coin as declarações apresentadas ao .fisco, verificando-se a consistência dos registros, pagamentos e declarações produzidos pelo contribuinte. Havendo necessidade de se estender a fiscalização a elementos externos a documentação fiscal, não se estará mais no âmbito das verifica cães obrigatórias, devendo o AFRF demandar pela emissão de um novo MPF, com vistas a instrumental- o alargamento da açãofiscal.6 A fiscalização de IRP.. procedeu, na verdade, a recomposição de bases de cálculo (pela inclusão de resultados de aplicações financeiras e de ganhos de capital na alienação de bens), além de discordância quanto a critérios jurídicos adotados lia apropriação de receitas (divergência quanto ao que seriam atos coin cooperados e com não cooperados). Assim, entendo que a 4 Art. 7' § 1 0 0 MPF-F e o MPF-E indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a scr executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem assim as verificações relativas a correspondência ente os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos c contribuiçties administrados pela SRF, nos últimos cinco anus, observados os modelos constantes dos anexos I e III desta Portaria. (Portaria IV 1.265/99) 5 Art. 11. Os MPF de que trata esta Portaria não serão exigidos nas hipóteses de procedimento fiscal; I - realizado no curso do despacho aduaneiro; It - interno, de revisão aduaneira; III - de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho realizado em operação ostensiva; IV - de que trata a Instrução Normativa SRF n" 94, de 24 de dezembro de 1997. (Portaria n° 1.265/99) 6 Portaria COF1S no 28, de 31/05/2002: "Art. 15. Dentre as verificações previstas na Operação Fiscal "I'erOcações Preliminares", Selo de execução obrigatória aquelas consistentes Fio COtel0 entre os valores constcmtes da declaração de Créditos e Débitos Tributárias Federais (DCTF), ou declaração equivalente, e os valores aparado.v pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, exceto aqueles sobre o comércio exterior. 14 PrOcesso n" 10855.004984/2001-90 S3-CIT1 Ac6rdilo n.°3101-00.130 Fl. 1.736 ,fiscalização não obedeceu t ao procedimento previsto no MPF entregue a contribuinte no inicio dos trabalhos de liscalização. A convalidação de tal procedimento viciado poderia ter sido realizada no curso do trâmite do processo administrativo, liras não foi feita. Realizá-la a essa alarm faria com que o Mandado de Procedimento perdesse sua razão de existir. A edição da Portaria n" 1.265 pela Administração Tributária gerou expectativas legitimas ao contribuinte que esperava que procedimento fosse cumprido como determinava o MPF. Espera- se, no contexto de uma atuação transparente e justa, (file o fisco aja coin lealdade perante os contribuintes e cabe aos órgãos de julgamento achninistrativo o dever de tutelar ó conficinça dos administrados que surge a partir de procedimentos previstos em Por/terias editadas pelo Poder PUblico, mesmo iqfi-alegais. Afinal, a atuação da Achninistração Pliblica segundo padrões éticos de boa-fé, encontra-se phtsmada no artigo 2", inciso IV, da Lei 11" 9.784/99, lei geral do processo administrativo. Dado o exposto, dou provimento ao recurso pam anular o lançtunento.fiscal por vicio formal. Assim, entendo que de acordo corn a legislação de regência, em obediência ao Regimento Inferno dos Conselhos de Contribuintes e em vista da complexidade da ação fiscalizadora que o procedimento tinha de ter sido iniciado na forma correta, desta forma, entendo que efetivamente houve a nulidade, conforme toda a argumentação acima. Entretanto, como no mérito, darei provimento ao recurso, nos termos do paragaro 3 0• do artigo 59 do Decreto 70.235/72, ao determinar que 'quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.' Passo então ao mérito. DA PRELIMINAR DE MÉRITO — DECADÊNCIA Alega a Recorrente a decadência de o direito da Fazenda Pública lançar os tributos em vista da ocorrência da decadência. De acordo corn os documentos juntados e o quadro resumo de fls 517 c 518 tem-se que os Atos Concessorios ocorreram entre 20 de junbo de 1994 a 31 de maio de 1995, as exportações ocorreram no ano de 1995 e a Recorrente emitiu os Relatórios de Comprovação de Drawback entre 05 de janeiro de 1996 e 17 de julho de 1996. Cabe discutir a contagem do prazo decadcncial para os casos de drawback suspensão, em que por força de urna cláusula resolutória, os impostos sobre a importação sUspensos no momento da importação até que a empresa cumpra o dever de exportar as Mercadorias pelas quais se comprometeu, nos termos do Ato Concessorio. Assim, enquanto não ocorrer a finalização do processo de drawback, o que consoante o meu entendimento, ()Corm apenas corn a emissão do relatório de comprovação expedido pelo contribuinte, o que por sua vez deve ocorrer até 30 dias após o término do prazo previsto no Ato Concessorio para o término do regime. Portanto, entregue o relatório de comprovação, a fiscalização passa a ter conhecimento que o compromisso está findo e, em tese, iniciar-se-ia o prazo para o inicio da fiscalização. IS Este terna é muito controvertido, e, no inicio do meu trabalho corno julgadora, entendi que nestes casos aplicar-se-ia o prazo previsto no artigo 173, I do CTN; posterionnente, mudei de posição para utilizar o prazo previsto no artigo 150, parágrafo 4 0• do CTN, entendendo que tal prazo se contaria da ocorrência do fato gerador, que em razão da condição resolutória, ocorreria apenas após a entrega do relatório de comprovação final. Na verdade, quando mudei de posição foi porque entendi que a aplicação do artigo 150 parágrafo 4'. ocorreria para todos os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, independentemente, da ocorrência do pagamento; enquanto que a tese contraria entende que o regime de drawback por trazer urna isenção não pode ter a aplicação do artigo 150, parágrafo 4' que só se aplicaria para os casos em que ocorre o pagamento. Todavia, tanto uma como outra tese convergem no entendimento de que o prazo não começa a fluir nem do dia do registro da DI e tampouco do 1' dia do exercício financeiro ao do registro da DI (respectiva aplicação do artigo 150 ou do artigo 173 do CTN), mas sim do término do regime, isto 6, ou 30 dias após a data final para apresentação do relatório final à Secex (artigo 150 CTN) ou no primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao da data da apresentação do referido relatório. Depois de muitas idas e vindas e amadurecendo o terna, entendo que o artigo 150 não contempla o presente caso, cm que se posterga o inicio do cômputo do prazo decadencial. Ora, indiscutivelmente se está frente a um lançamento por homologação, mas a regra do artigo 150 não prevê a hipótese de postergação do inicio do prazo. A regra é assertiva e clara no Sentido de o prazo inicia-se com a ocorrência do fato gerador. E, o fato gerador do Imposto dc Importação ocorre a o registro da Declaração de Importação. Assim, entendo que há urna incoerência lógica em se admitir a aplicação da regra do artigo 150, quando se entende que a data inicial do prazo decadencial não é o da data da ocorrência do fato gerador. Por outro lado, também entendo que não se deve aplicar a regra do artigo 173 do CTN porque no caso não houve pagamento, mas sim, porque ela é uma regra geral que diz textualmente: 0 direito de a Fazenda Pfiblica constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I — do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ora, se não é possível aplicar a regra do artigo 150, parágrafo só resta a regra geral do artigo 173, I do CTN que está em conformidade com o ocorrido, isto 6, o lançamento só pode ocorrer após o término do prazo previsto no Ato Concessório e ai a regra posterga inicio do prazo para o primeiro dia do exercício financeiro seguinte, independentemente, de pagamento. Assim, se o último relatório foi entregue cm 17/07/96 (fls..) o prazo decadencial iniciou-se em 01/01/97 e o prazo fatal para a a lavratura do auto de infração ocorreu enri 31/12/2001, todavia o Auto de Infração foi lavrado ern 27 de dezembro de 2001, de tal forma que não ocorreu a decadência do Fisco lançar os tributos. Desta forma, não conheço da ocorrência da Decadência no presente caso. DO MÉRITO PROPRIAMENTE DITO 16 Pro' cesso n' 10355.004984/2001-90 Acórclao n.° 3101-00.130 S3-CITI Fl. 1.737 0 fundamento do lançamento está apenas no fato de a Recorrente ter lançado os códigos 80000 em vez de ter lançado os códigos 80001 pela falta de vinculação das Dls nas REs. Entendo que o fato da Recorrente ter indicado erroneamente os códigos e de não ter feito a efetiva vinculação podem levar o Fisco a perquerir sobre a efetiva exportação dos produtos acabados; entretanto, uma vez demonstrado pela empresa que exportou os Produtos, tendo apresentado os relatórios de comprovação, tendo apresentado todas as REs que trazem as quantidades acordadas nos atos concessórios, caberia ao Fisco a demonstração, ainda que inicial, de que a empresa teria deixado de realizar as exportações, fato este que não ocorreu i-to presente caso, tendo a autuação baseado apenas e tão somente num erro ibrmal. Anote-se trechos da decisão da DRJ: "(..) 51. E assim, fica claro que não se questiona a validade dos Registros de Exportação — RE cm exame, tampouco os dados/informações neles constantes, mas sim, a inocorrencia de sua vincula cão ao regime drawback. Resat infundada, portanto, qualquer alegação de ter sido violado o principio da venhule material, atê porque, como já foi dito, o deseumprimento das condições estabelecidas nos atos concesstirios sob ancilise revela-se nas informações contidas nos citados documentos (RE), que foram preenchidos pela própria empresa, ou seja, sob sua inteira responsabilidade. 52. Repise-se que a ausência destas escorrei/as infin.mações nos docuntentos de exportação (RE) nao se restringe apenas ao campo das questões de ordens formals, indo mais alem, inserindo-se, pelo principio da Vinculação Física, no pressuposto básico de comprovação do regime, dando-1he &MOW) essciieial ao adimplemento do conqm»nisso de exportar. 53. Quanto à alegação da imptignante de que tais exportações teriam tido o aval do Banco do Brasil, árgiio que, segundo a mesnict, teria a competência legal para atestar, através dos "Relatórios. de Comprovação de Drawback", o cumprimento do compromisso assumido em atos conce.ssórios, tem-se a dizer que, em face da legislação ent regência, tais Relatórios de Comprovação, entiticlos pela CACEX, possuem natttre:ct meramente formal, tanto que são encaminhados à Secretaria da Receita Federal com vista ao cumprimento de suas atribuições liscalizatórias e, se fbr o caso, efetivação cio lançamento, nos termos do art. 18 da Portaria MEFP 17. 594, de 1992. 54. Assim, tais documentos não têm o condão de inwedir a verificactio posterior cio cumprimento das obrigações atinentes ao regime drawback, por parte da Secretaria da Receita Federal, dentro do dinbito de sum competência, conforme previsto no art. 3" dcz Port. AlEFP n. 594, de 1992." Ainda há que ser considerado que houve dois votos vencidos na Decisão DRJ que entendiam pelo provimento da impugnação, por falta de provas no trabalho fiscal. Verifique-se o teor das duas declarações de voto vencido. Declaração de voto vencido de José Francisco Barroso Rios 17 "(..) No mérito, também não me filio a tese majoritária. No tocante à glosa de Registros de Exportação para fins de comprovação de operação de drawback por conta de descumprimento de questões meramente formais, entendo que haveria necessidade de uma diligência papa inaiores esclarecimentos quanto ao eventual cometimento de erro de preenchimento nos documentos ali referenciados, uma vez que o descumprimento de alguns requisitos formais pelo sujeito passivo, notadamente, o não enquadramento das exportações no código especifico do drawback e a falta de vinculação do documento de exportação ao ato concessório respectivo, a meu ver, não são suficientes para, isoladamente, sustentar a exigência contra a autuada. Primeiramente, cumpre destacar que todos os atos concessórios examinados são anteriores a julho de 1997, quando o regime de drawback, modalidade suspensão, era regido essencialmente pelos artigos 314 a 319 de Regulamento Aduaneiro à época vigente (Decreto n. 91.030185) e pela Portaria 71. 594, de 25/08/1992, expedida pelo então Ministério da Economia, Fazenela e Planejamento. Decerto, é evidente que a impugnante deveria ter informado, nos Registros de Exportação, o código especifico do drawback suspensão, informação esta que é importante para dirigir a operação de desembaraço das mercadorias correspondentes. Tal obrigação pode ser extraida do art. 325 do Regulamento Aduaneiro acima referenciado, o qual, muito embora não seja tão especifico quanto a informação do código em tela, determina que "a utilização do beneficio sera anotada no documento comprobatório da exportação". Vale lembrar que, à época tias expedições dos atos concessórios, ainda não vigoravam as portarias da SECEX que traziam, de forma mais detalhada, os requisitos formais que deveriam ser observados como condição a aceitação do regime. Refiro-me, pot- exemplo ao art. 37 da Portaria SECLX 11. 04, tie 11/06/1997, segundo o qual "somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE), devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback, na forma de legislação ern vigor" (sic). Cito, ainda, o item 4 do Anexo V da Consolidação das normas do Regime de Drawback , aprovada pelo Comunicado DECEX n. 21 de 11/07/1997, que também trazia a obrigatoriedade de informação tio código especifico do drawback no campo 2-a do RE. Não obstante, mesmo se, a época das expedições dos atos concessórios, já estivessem vigorando tais formalidades mais restritivas, creio que seu descumprimento traria apenas uma presunção júris tantum de que o regime não fora obedecido, ou seja, uma presunção relativa, portanto, passivel de sucumbir diante de proves materiais que demonstrassem a satisfação do regime. Eis o motivo pelo qual apoiei diligencia para que fosse examinado substancialmente o cumprimento do regime. Todavia, liti vencido nesse sentido. Ademais, penso que tal exegese é a que mais se coaduna com o direito moderno, principalmente no caso cio regime de drawback, incentivo importante a economia nacional por incrementar a 18 Frocesso n" 10855.004984/2001-90 Acórdiio n." 3101-00.130 entrada de divisas e estimular a criação de empregos internos. Sobre isso, há que se destacar que o direito contemporáneo tende a fbrtalecer cada vez mais o principio do inquisitivo, ou seja, aquele segundo o qual o operador do direito cleve buscar, sempre que possível, a verektde material, não se contentando, primariamente, com as "provas" contidas nos autos, ou seja, coin a verdade formal. A livre investigação das provas está, pois cada vez mais presente 770 direito atual." Declaração de voto vencido de Luis Carlos Alaia Cerqueim: "(..) Coin efeito, ainda que se tenha por plausível que a autoridade aduaneira, pelo fato de considerar as informações apostas nos RE's pela autuada, não tenha procedida a inaiOreS apresentações de prowls do desctlinprinlento do compromisso assumido no Ato Concessório, é razoável, en! .favor da verdade material, que se trilhe outros caminhos, além do limitado alcance das informações apostas no documento fin-mat. S'e limitar it forma é o mesmo que não admitir a hipótese de cometimento de erro, este de carciter meramente formal, ou seja, é achnitir tuna "verdade" baseada apenas 170 que foi infcirmado nos documentos de expor/ação sent que se busque, por via de um aprofundamento da ação fiscal, o mais próximo possível da realidade material. E privilegiar a .forma em detrimento da matéria. Ao suscitar uma auditoria de produção não se pretende inverter o sentido do principio inerente ao Direito Tributtirio da inversão do ônus da prova, ex vi do art 134 do Regulamento Aduaneiro/85, até mesmo porque, it luz do referido dispositivo e pelo que consta no processo, a interessada . fez prova da exportação de produtos (requisito previsto on lei para o cumprimento do regime), persistindo dúvida se mis exportações SC referiant ao regime cm comento ent razão de »ao aposição nos RE's do código próprio do regime drawback. Fato este que somente seria evidenciado mechanic auditoria. Insisto. 0 que se pretende é que a contenda se aproxime o maxim° possível da verdade material, e neste sentido pergunta- se: Como poderia a impugnante produzir tuna prova negativa, ou seja, provar que aquilo que foi informado 17(70 é aquilo que quer provar? De que modo a interessada poderia provar que se equivocou? Seria suficiente a apresentação de documenms, análises 011 Clié memo de lima auditoria de responsabilidade da interessada para provar que se equivocou? Neste caso, o Fisco iria se abster de checar a veracidade da auditoria apresentada pela interessada e deixaria de realizar a sua própria auditoria? A quem cabe, man procedimento de fiscalização, a realização de ulna auditoria de produção? Quando se fala ent "inversão do 6111/s da prova " deve-se ter em conta o sentido da proporcionalidade entre as partes. Ninguém pode contraditar aquilo que »a° foi suscitado. Se o Fisco afirinct que a interessada descumpriu o regime porque deixou de exportar, cabe ii interessada provar que exportou. Se o Fisco ((firma que a interessada deseumpriu o regime porque deixou de S3-CIT1 1.738 1 9 • • exportar em razão de divergência de código e não vincula cão a ato concessário, diante da possibilidade de erro formal, é razoável que fundamenta tal afirmação após procedimento de auditoria de produção, e dai sim, cabe el interessada comprovar que tal auditoria não traduz a realidade. Sem que a autoridade .fiscalizadora proceda ã auditoria não há como a interessada contraditar visto que, ainda que a interessada viesse a apresentar os documentos comprobatórios, ou melhor ainda, que a interessada viesse a apresentar os resultados de uma auditoria por si ou por outrem realizada, ainda assim seria pertinente a realização de unia auditoria por parte da fiscalização. A realização de auditoria por parte Fisco não significa que este esteja assumindo o ônus da prova, muito pelo contrário, estará sim, fortalecendo e fundamentando o lançamento, tornando-o mais fidedigno a realidade, aumentando as chances de saci manutenção nas diversas instancias e ampliando a possibilidade de detecção de outras infrações. Ilá unia diferença básica em fundamentar e provar. No Direito Tributário, ao Fisco cabe fimdamentar, ao interessado provar. Fundamentação formal é proporcional à prova formal. Fundamentação material é proporcional à prova material. Se a questão é mera divergência . formal, simples correçcio formal é suficiente para deixar de existi,- tal divergência prejuízo de aplicação de penalidades), enquanto que a divergência material suscita prova em contrário, suscita que aquela verdade, materialmente concebida, seja afastada com prova material, caso contrário, a divergência se ratifica, dando assim sustentação ás exigências pertinentes. Tem-se que, para todos os efeitos legais, as informacJes apostas pela interessada nos RE's configuram-se COMO verdadeiras, porém, destaca-se, até prova em contrário. Resgata-se o principio da presunção de veracidade do que é declarado pelo contribuinte. Tal pressuposto visa dar garantias à relação Contribuinte x Fisco, o que não significa dizer que o declarado não possa ser retificado e reconhecido como erro formal, incompatível com a realidade dos fatos. possível que unia declaração, propositalmente ou não, cuhnine coin a falta ou redução do pagamento de tributos, trazendo como conseqiiencia a exigência tributciria com acréscimos legais devidos, ou até memo ern penalidades isoladas, mas também é possível, levando-se em conta o caso em apreço, que o declarado seja um simples erro farina! de informação, passível de esclarecimento, o que, se confirmada tal hipótese, o beneficio fiscal seria mantido, caso contrário, cabível seria a exigência. (..)" Ora, no logrou o Agente Autuante demonstrar que a empresa Recorrente nibo adimpliu o compromisso avençado no ato concessório; apenas presumiu tal descumprimento cm virtude, do erro no cumprimento das obrigações acessórias. E, ao lavrar o auto apenas com base no descumprimento de dever formal, sem indicar que o objeto do ato concessório n'do foi descumprido, entendo que o Agente Autuante nzio demonstrou que a Recorrente no teria adimplido ao compromisso. 20 S3-CIT1 Fl. 1.739 Processo n" 10855.004984/2001-90 Acórdilo n.° 3101-00.130 Veja, o regime de drawback, na modalidade suspensão, é o regime pelo qual empresa importa insumos, matéria-prima para utilizá-los cm produtos que serão vendidos para o exterior. Assim, com o objetivo de fomentar a exportação, fazendo corn o que o produto nacional torne-se mais competitivo, a Unido Federal isenta da tributação do imposto dc iMportação os produtos importados a fim de que o produto a ser exportado tenha uma melhor condição financeira. Desta forma, o ato concessório, corno urn ato negocial entrc a União c o Contribuinte estabelece urna condição para a isenção dos impostos aduaneiros, e a condição que haja a exportação corn a utilização daquela matéria prima nas quantidades firmadas no ato concessário. A condição é esta, tudo o mais, são deveres formais e instrumentais que permitem que a fiscalização possa de forma mais direta e objetiva verificar se o objeto do ato concessório foi atendido. Desta forma, qualquer autuação fiscal que busque descaracterizar o regime de drawback deverá demonstrar que o objeto do ato concessório não foi atingido, isto é, ou que não foi utilizado o insumo/matéria prima para a produção do produto a ser exportado, ou produto não foi exportado, ou, ainda que não foi exportado na quantidade — total ou parcial — acordada. Entendo que cabe a empresa que se utiliza do beneficio fiscal cumprir coin todos os deveres instrumentais; entretanto, a falta de preenchimento de um código, ou o erro na indicação de um código, por si só, não á motivo suficiente para descaracterizar o cumprimento do regime, poderia ser apenas um indicio no não cumprimento do regime. Assim se a Recorrente comprova que cumpriu o regime, como o fez neste caso, caberia à fiscalização comprovar que o objeto do ato não foi cumprido, o que efetivamente não ocorreu no presente caso. Neste sentido foi o julgamento da 3"• Camara do 3. Conselho dc Contribuintes, no Recurso 130130, com voto de relatoria do Eminente Conselheiro &maid° Loibman com a seguinte ementa: Ementa: CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE QUE SE DEIXA DE PRONUNCIAR EM FACE DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A negativa da produção de prova essencial a demonstrar a tese de dcfesa, capaz de desfazer a objeção alegada pela auditoria da SRF, de siiposta impossibilidade de aferição do cumprimeino do drawback, constitui cerceamento ao direito de defesa, porem, em face do disposto no art.59, §3", do PAF, por se revelar, no mérito, improcedente o lançamento, assistindo razão ei recorrente, deixa-se de declarar a nulidade.DRAIV13ACK SUSPENSÃO. FALHAS MERAMENTE FORMALS. NÃO HA PROVA DE DESCUMPRIMENTO DO REGIME ESPECIAL. As falhas cometidas rid() autorizam a conclusão de inadimplemento do compromisso de exportar. No máximo poderiam ser entendidas C01710 prática que perturba o controle da administração aduaneira sobre os tributos com exigibilidade suspensa por estarem vinculados a um progrania de incentivo exportação, no caso o drawback-suspensilo. Poderia tilt: ser justificatim plausível para se iniciar unia fiscalização mais 21 (2f • • aprofundada por parte da SRF, como mero indicio de suposta tentativa de escapar ao controle aduaneiro, 177(7S, jamais para, por si só, fundamentar a conclusão de inadimplemento do compromisso de exportar sob o regime especial descrito. O lançamento é improcedente, posto que 121.10 há relação de causa e efeito entre as falhas formais apontadas e a conclusão de inadimpkmento do compromisso de exportar firmado mediante contrato de drawback-suspensão. Recurso Voluntário Provido Julgamento similar ocorreu corn o Recurso 121.639, julgado pela 3' • Camara do 3°. Conselho de Contribuintes, na relatoria do Eminente Conselheiro Nilton 13zirtoli, corn a seguinte ementa: DRAWBACK - COMPROVACÁO DE CUMPRIMENTO. Considera-se cwnprimento o compromisso assumido no Drawback quando efetivamente há a exportação de produtos na quantidade e no prazo pactuado, sendo irrelevantes para este flui eventuais falhas formais no preenchimento dos Registro de Exportação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Neste caso, como mencionado, ocorreu o mesmo que nos julgados transcritos, a autuação baseou-se apenas no deseumprimento das formalidades o que, em análise apa -tada, não demonstram que o regime foi descumprido. Por outro lado, a farta documentação apresentada indica, sem sombra dc dúvidas, que a Recorrente cumpriu o regime, de modo que não há que se admitir a perda dos beneficios do regime apenas e tão somente por não terem sido cumpridos os deveres instrumentais, pois tal decisão seria trazer uma presunção absoluta aos deveres instrumentais, c tais devereS não podem se sobrepor A. realidade dos fatos e ao efetivo cumprimento do regime. Em razão de todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTARIO. Susy comes Hoffmann /f 22
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000565/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
RECURSO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. REGULARIDADE.
Tendo sido promovido o ajuste no lançamento originário de forma a garantir a integralidade da compensação entre o montante apontado como devido pela contribuinte e os valores regularmente constantes nos registros fazendários a título de prejuízos fiscais, respeitados os respectivos limites previstos pela legislação de regência, regular se apresenta a exoneração parcial efetivada.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESUNÇÃO FISCAL. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. ART 281 DO RIR/99. VALIDADE FORMAL.
Restando devidamente comprovado nos autos que os montantes indicados pela fiscalização a título de passivo fictício decorreram da confrontação entre os registros contábeis mantidos pela fiscalizada e as informações obtidas de seus respectivos fornecedores, regular se mostra, a princípio, a aplicação da presunção fiscal de que trata o art. 281 do RIR/99, não se havendo falar em exigência de outras provas sobre a ocorrência dos indícios para a aplicação da presunção fiscal.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE.
Escrituração da contabilidade da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESP 973.733 DO STJ. AUSÊNCIA.
Nos termos da Súmula Vinculante n. 08 do STF, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, devendo ser então observadas as específicas regras contidas no Código Tributário Nacional.
No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, conforme já restou assentado pela jurisprudência do Colendo STJ (pela sistemática do Art. 543-C do CPC), o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Restando inconteste a inexistência de pagamento dos tributos no período fiscalizado, aplicam-se as disposições do Art. 173, inciso I do CTN, não se havendo falar aqui em qualquer possibilidade de ocorrência de decadência.
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. DEDUÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE
Tratando, nos autos, de lançamento decorrente da identificação, pela fiscalização, da movimentação de recursos pela recorrente à margem de sua fiscalização, descabe impor à fiscalização que considere, para a efetivação do lançamento, as compras e custos não escriturados, inexistindo, no ordenamento jurídico pátrio, qualquer mandamento que estabeleça essa obrigatoriedade.
Numero da decisão: 1301-001.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício de voluntário. Fez sustentação o advogado Vinícius Monte Serrat Trevisan, OAB/SP nº 197.208.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. REGULARIDADE. Tendo sido promovido o ajuste no lançamento originário de forma a garantir a integralidade da compensação entre o montante apontado como devido pela contribuinte e os valores regularmente constantes nos registros fazendários a título de prejuízos fiscais, respeitados os respectivos limites previstos pela legislação de regência, regular se apresenta a exoneração parcial efetivada. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESUNÇÃO FISCAL. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. ART 281 DO RIR/99. VALIDADE FORMAL. Restando devidamente comprovado nos autos que os montantes indicados pela fiscalização a título de passivo fictício decorreram da confrontação entre os registros contábeis mantidos pela fiscalizada e as informações obtidas de seus respectivos fornecedores, regular se mostra, a princípio, a aplicação da presunção fiscal de que trata o art. 281 do RIR/99, não se havendo falar em exigência de outras provas sobre a ocorrência dos indícios para a aplicação da presunção fiscal. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE. Escrituração da contabilidade da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESP 973.733 DO STJ. AUSÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 65 /2 00 7- 08 Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Nos termos da Súmula Vinculante n. 08 do STF, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, devendo ser então observadas as específicas regras contidas no Código Tributário Nacional. No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, conforme já restou assentado pela jurisprudência do Colendo STJ (pela sistemática do Art. 543C do CPC), o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Restando inconteste a inexistência de pagamento dos tributos no período fiscalizado, aplicamse as disposições do Art. 173, inciso I do CTN, não se havendo falar aqui em qualquer possibilidade de ocorrência de decadência. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. DEDUÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE Tratando, nos autos, de lançamento decorrente da identificação, pela fiscalização, da movimentação de recursos pela recorrente à margem de sua fiscalização, descabe impor à fiscalização que considere, para a efetivação do lançamento, as compras e custos não escriturados, inexistindo, no ordenamento jurídico pátrio, qualquer mandamento que estabeleça essa obrigatoriedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício de voluntário. Fez sustentação o advogado Vinícius Monte Serrat Trevisan, OAB/SP nº 197.208. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000565/200708 Acórdão n.º 1301001.750 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever as circunstâncias contidas nos autos, destaco do relatório apresentado pela decisão de primeira instância: A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de atiles de infração de fls. 237/263 para exigir os recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, além dos acréscimos legais devidos. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 229/233) que, com base em relação de fornecedores de mercadorias apresentada pela empresa, foi efetuada circularização junto aos maiores fornecedores. Confrontandose os valores referentes às vendas pendentes de pagamentos indicados pelos fornecedores e os informados pela fiscalizada, verificouse que esta contabilizou saldo a maior na conta de Fornecedores, irregularidade que se caracteriza corno passivo fictício. Constatouse, ainda, que a empresa não contabilizou as compras efetuadas de Perfumes Dana do Brasil Ltda. e, conseqüentemente não registrou os respectivos pagamentos, fato que também se configura como omissão de receita. As disposições legais citadas nos autos de infração são as seguintes: TRIBUTO FUNDAMENTAÇÃO LEGAL IPS./ artigos 249, inciso 11, 25!. capto e parágrafo único, 279, 281, inciso III. e 288 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), arti go 24 da Lei 9249/1995 e artigo 40 da Lei 9430/1996. PIS artigos 1°c 3" da LC 07/1970, artigo 24, § 2°, da Lei 9.24911995 e artigos 2°, inciso 1,80, inciso I, e 9° da Lei 9.715/1998, artigos 2° e 3° da Lei 9.718/1998 e artigos 1°, 3° e 4 0 da Lei 10.637/2002. COFINS artigos 1°c r da LC 70/1991, artigo 24, § 2°, da Lei 9.249/1995, artigos 2°, 3° e R° da Lei 9.718/1998, com alterações da MP 1.807/1999 e suas reedições, cum alterações da MP 1.858/1999, e reedições, e artigo 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto 4.524/2002. CSLI, artigo 2°, coput e §§, da Lei 7.689/1988, artigos 19 e 24 da Lei 9.249/1995, artigo 1" da Lei 9.316/1996, artigo 28 da Lei 9.43011996 e artiwo 6° da MP 1.858/1999, e reedições. Em 22/03/2007, a interessada tomou ciência dos autos de infração e, em 17/04/2007, apresentou defesa (fls. 276/337 e 1065/1126), resumidamente, nos seguintes termos: • O fisco, ao construir a norma individual e concreta nos moldes do artigo 142 do Código Tributário Nacional, determinou corno base de cálculo, valores que não ocorreram em 31/12/2002, mas a partir de 1998. Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 • Corno o termo de inicio de fiscalização foi assinado pelo representante da empresa em 06/06/2006, eventuais ocorrências de passivo fictício anteriores a 06/06/2001 não são possíveis de serem objeto de tributação, em face do decurso do prazo decadencial, nos termos do artigo 5°, § 4°, c/c artigo 149, parágrafo único, c/c artigo 156. V, todos do Código Tributário Nacional. • No caso das contribuições CSLI.„ PIS e COE1NS, o Poder Judiciário determinou que, por se tratarem de verdadeiros tributos, estas se sujeitam às normas de decadência previstas na lei complementar (CTN), extinguindose o direito de a Fazenda constituir crédito tributário no prazo de cinco anos. • Conforme análise do Razão da conta Caixa, seu saldo devedor era suficiente para efetuar a baixa ou o pagamento de saldo da conta Fornecedores. Esse fato nos leva à única e exclusiva conclusão de que não houve omissão de receita. • A base de cálculo do IRPJ e da CSLI, é apurada a partir da receita auferida que transformará em renda após serem deduzidos os custos e as despesas, chegandose ao resultado contábil do período, a partir do qual são procedidos ajustes para efeito de determinação do lucro real, e compensados a base de cálculo negativa de períodos anteriores, se houver. • Se o fisco entende que houve omissão de receita, deve recompor a base de cálculo, subtraindose custos, despesas e compensando o resultado obtido com 30% do prejuízo acumulado. • Insta salientar que a eventual omissão de registro de compras, por si só, não são capazes de gear hipótese de omissão de receita. • Relativamente ao saldo da conta de Fornecedores, acrescentese o fato de a fiscalização não apresentar as duplicatas quitadas que dariam ensejo a uma eventual presunção de omissão de receita. • Ao não trazer a prova documental materializada nas duplicatas, não há provas para a subsunção do fato à hipótese normativa, mediante a não contabilização do pagamento. • Dentre os requisitos da ampla defesa, destaquese aquele em que ao acusado é possibilitado o contraditório em todas as acusações que lhe são feitas. • Ora, se tais acusações estão desprovidas de provas e fundamentos suficientes, ocorre o cerceamento de defesa, posto que o acusado fica impossibilitado de responder o que desconhece. • No caso, a impugnante não pode justificar, esclarecer ou responder as acusações que lhe são imputadas, tendo em vista que desconhece sua origem, os meios pelos quais foram obtidas as informações contidas nos autos de infração, a forma e procedimento adotado para apurar as infrações que lhe são apontadas. • O auto de infração sofre de inúmeras nulidades que acarretam o seu cancelamento. • Mesmo que o Estado eventualmente tivesse aceito a compensação de prejuízos acumulados, esta jamais poderia ser de 30%. Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000565/200708 Acórdão n.º 1301001.750 S1C3T1 Fl. 4 5 • A limitação imposta não pude permanecer em nosso ordenamento jurídico por contrariar frontalmente os conceitos de renda e de lucro utilizados pela Constituição Federal na delimitação de competência tributária e principio da capacidade contributiva, da isonomia, da vedação ao confisco, do direito adquirido, entre outros, urna vez que impõem uma tributação sobre resultados que nada acrescem ao seu patrimônio, mas tão somente recompõem perdas anteriores. • Dessa forma, requerse a compensação do valor equivalente a 100% do lucro real, com prejuízos fiscais acumulados. • Não há dúvidas de que, no desempenho das atividades ordinárias, não podem os órgãos administrativos examinar a conformidade da espécie infralegal com a Constituição. Vale dizer que essas autoridades podem negar a aplicar a lei que reputem contrária à Constituição, apesar de não deter o poder de agir positivamente para declarar a inconstitucionalidade da norma, em substituição do Poder Judiciário. Analisando essas argumentações, a douta 3' Turma da DRP/SPOI pronunciouse pela PROCEDÊNCIA PARCIAL da impugnação, destacando, na ementa de seu acórdão (fls. 1979/1995), o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA JUR1D1CA IRPJ Anocalendário: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. Inexistente qualquer violação das disposições legais pertinentes, não há que se falar em irregularidade do lançamento ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento, nos casos de ausência de pagamento antecipado, decai após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. COF1NS, PIS e CSLL. Com o advento da Lei n° 8.212/91, entrou em vigor o prazo decenal para a constituição de créditos das contribuições para a seguridade social. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTICIO. CRITÉRIO TEMPORAL DA REGRA MATRIZ DE INCIDÊNCIA. Uma vez constatada circunstância prevista em dispositivo legal, caracterizada pela manutenção no passivo de obrigação não comprovada ou já paga, é lícito exigir o tributo e a penalidade correspondente, tendo como marco temporal de ocorrência do fato gerador o do registro contábil questionado pelo fisco. Não pode prevalecer a alegação de que parte da irregularidade cometida somente teria ocorrido em períodos precedentes, sob o fundamento de que o saldo da conta de Fornecedores tinha origem em lançamento efetuado em anoscalendário anteriores, principalmente quando os elementos constantes dos autos evidenciam o contrário. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTICIO. Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 As importâncias integrantes da conta Fornecedores ficam sujeitas à comprovação, sob pena de serem presumidamente consideradas omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITA. COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS. A falta de escrituração de aquisição de mercadorias autoriza a presunção de que os respectivos valores foram pagos com recursos oriundos de receitas mantidos à margem da tributação, mormente quando o sujeito passivo não infirma a pretensão fiscal. PREJUÍZO FISCAL ACUMULADO. COMPENSAÇÃO. LUCRO LIQUIDO AJUSTADO, LIMITE DE 30%. Para efeito de determinar a base de cálculo do imposto, o lucro liquido ajustado poderá ser compensado com prejuízos fiscais apurados em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Cabe a retificação de cálculo em período no qual esse direito não foi observado. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário, não cabendo à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase aos lançamentos de PIS. COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Lançamento Procedente em Parte Da análise do julgado apresentado, verificase o acolhimento parcial das razões da contribuinte, especifica e exclusivamente no que diz respeito ao montante indicado como de prejuízos acumulados a compensar, nos termos, inclusive, devidamente apontados no voto condutor daquele julgado. Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o seu correspondente Recurso Voluntário (fls. 2006/2046), destacandose, de suas razões, os seguintes e específicos apontamentos: Da ausência de provas sobre a ocorrência dos indícios para proceder a tributação da presunção Que não se fariam presentes os "indícios" necessários para a aplicação das disposições legais que possibilitam a presunção legal de suposta omissão de receitas. Que, apesar de disponibilizada "fisicamente" pela contribuinte, no dia 21/09/2006, toda a documentação solicitada, os agentes teriam direcionado suas atuações exclusiva e objetivamente às empresas Dell Vale, Danone e Perfumes Dana Brasil, determinando que estas apresentassem documentos específicos (duplicatas pagas), o que, não sendo atendido por nenhuma delas, acarretando, assim, a aplicação da presunção contra a contribuinte. Que os agentes da fiscalização não teriam promovido qualquer sacrifício, adotando segundo aponta , o caminho mais fácil para a autuação da contribuinte, sem que houvesse qualquer indício da falha apontada. Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000565/200708 Acórdão n.º 1301001.750 S1C3T1 Fl. 5 7 Não restando comprovado o indício (pagamento de duplicatas), inválida seria a aplicação da presunção, da forma como realizada. Sem a presença da prova suficiente para a identificação do pressuposto fática apontado, nulo será, pois, o lançamento efetivado. Do cumprimento, pela contribuinte, de todas as requisições constantes da fiscalização A recorrente volta a destacar que, no dia 21/09/2006, pretendendo atender ao solicitado pelo ilustre Sr. Fiscal, protocolou uma petição, informando que todas as duplicatas requeridas estariam no interior do carro no estacionamento ao lado da DEFIC, na avenida PacaembúSP. Que, em contato pessoal com o agente (Sr. Paulo Ueda), este informou a desnecessidade da busca dos documentos, tendo em vista que a fiscalização seria concluída com a intimação dos fornecedores. Com essa consideração, a recorrente afirma que a decisão prolatada pela DRJ teria "FALTADO COM A VERDADE", especificamente porque não é a contribuinte que não teria cumprido a intimação fiscal, mas sim que o recebimento dos referidos documentos é que teriam sido rejeitados pelo ilustre Sr. Fiscal. Em face dessas considerações, sustenta que, ao contrário do afirmado pela decisão de primeira instância, inexistindo o não atendimento da requisição formulada pelos agentes da fiscalização, não poderia a ela ser imputada a suposta inexistência de prova, da forma como efetivado. Da contabilidade desprezada no julgamento de 1a. Instância Segundo a recorrente, a sua contabilidade "prova" que o valor do passivo não se teria formado no dia 31/12/2002, mas sim em vários anos anteriores. Não tendo sido desclassificada pela fiscalização, deveriam os documentos da contabilidade apresentados ser analisados com "lupa" pelo ilustres julgadores de primeira instância. Sendo válida a contabilidade apresentada, a contribuinte pretende que as informações ali apontadas sejam efetiva e materialmente consideradas, não sendo cabível a simples consideração de que "o ônus da prova cabe à contribuinte". Da Decadência A recorrente ataca, inicialmente, a afirmação apresentada pela r. decisão de primeira instância, especificamente no que diz respeito à afirmação ali contida de que não teria ela apurado, no ano de 2002, qualquer valor de IR a pagar, inexistindo, assim, pagamentos desse tributo realizados. Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 Em suas considerações, a recorrente afirma que assim procedeu por ter apurado "prejuízo fiscal" nos termos da específica legislação de regência. Ademais, seria descabida a aplicação do prazo de 10 (dez) anos de decadência em relação às contribuições, nos termos do Art. 46 da Lei 8.212/90, que, por terem inequívoco caráter tributário, estariam sujeitas ao prazo quinquenal estabelecido nos termos do CTN. Dos custos e despesas O auto de infração lavrado, possuiu como base tributável, o valor de R$ 41.948.643,69. No julgamento de primeira instância, houve a parcial procedência para o fim de reduzir esta base tributável, uma vez que foi considerado o desconto de 30% do lucro real à título de prejuízo fiscal. Segundo a recorrente, houve desprezo dos registros contábeis da empresa na demonstração do prejuízo fiscal advindo da absorção dos custos e despesas da suposta receita omitida. Assim, o Fisco ignora o custos e despesas deduzidos da suposta receita omitida, que culminaram na correta apuração da base de cálculo, determinado nos preceitos do artigo 43, o conceito de renda. O lucro é o resultado positivo apurado pela pessoa jurídica na exploração de suas atividades econômicas após a dedução das receitas, dos custos e despesas necessários para a sua obtenção. Portanto, em respeito aos preceitos constitucionais, para se quantificar o real acréscimo patrimonial é necessário que sejam deduzidas os custos e as despesas. Da maneira que ocorreu no presente caso, ou seja, a tributação tendo como critério quantificador o total de ingressos ("omissão de receitas"), implicou em tributação confiscatória e contrária á lei, pois tais valores não representam a materialidade prevista para essas exações que incidem sobre o lucro. Desta forma o fisco deveria recompor a contabilidade para o fim de apurar os custos e despesas. A partir de diversos entendimentos esboçados, destaca a recorrente que o entendimento exteriorizado pelo Colendo STJ indica que o Estado somente poderia considerar como "Lucro Líquido", no máximo, o percentual de 50% dos valores tidos como omitidos, conforme julgamento dos REsp 639057 / MG e REsp 383344 / PR. Ausência de registro das compras Além das acusações de "receitas omitidas", destaca ainda a recorrente que inválida seria a acusação apontada pelos agentes da fiscalização em relação também às compras efetivadas da empresa Prefumes Dana do Brasil Ltda. Com base na apontada "omissão de compras", os agentes da fiscalização também promoveram o lançamento no montante de R$ 426.934,89, considerando, indevidamente, este também como montante de "receitas omitidas". Nessa linha de entendimento, destaca a recorrente precedentes do CARF que apontam a impossibilidade de consideração do somatório dos valores não escriturados. Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000565/200708 Acórdão n.º 1301001.750 S1C3T1 Fl. 6 9 Com base nesses fundamentos, requer a recorrente seja reconhecida a insubsistência do lançamento realizado, bem como, a desconstituição integral da multa imposta, sendo admitido e provido o seu recurso. Esse é o relatório. Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 10 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário, e regular o recuso de ofício, conheço de ambos. DO RECURSO DE OFÍCIO A primeira consideração a ser aqui enfrentada, diz respeito ao trecho da decisão de primeira instância que, conforme antes relatado, promovera efetiva exoneração parcial do crédito tributário lançado. Ao analisar as circunstâncias próprias contidas nestes autos, os ilustres e honrados julgadores de primeira instância efetivamente verificaram a existência de registro de créditos da contribuinte (decorrentes da identificação do montante de saldos de prejuízos fiscais e bases negativas) suficientes para garantir a compensação integral do montante de 30% (trinta por cento) admitido pela respectiva legislação de regência, promovendo, com isso, sensível ajuste no montante inicialmente lançado. Vejamos o apontamento especificamente trazido no voto do ilustre Sr. Relator: DA COMPENSAÇÃO COM PREJUÍZOS FISCAIS ACUMULADOS ATÉ O LIMITE DE 30% Reclama a impugnante que o fisco devia ter procedido à compensação com prejuízos acumulados de períodos anteriores. Quanto à alegação de que não houve a compensação do lucro dos 3o e 4o trimestres de 2001, convém reiterar que a autuação se restringiu ao ano calendário de 2002. Nesse anocalendário autuado, assinalese que nos três primeiros trimestres desse ano não foi apurado valor tributável, dada a recomposição do resultado em face do prejuízo fiscal declarado pela empresa (fls. 237 a 239). Relativamente ao 4° trimestre/2002, a autoridade fiscal recompôs o valor tributável devido ao prejuízo apurado no período pela empresa. No demonstrativo de fl. 267, indicouse o valor de RS 12.861.934,97 no item 11, correspondente ao prejuízo fiscal passível de compensação, respeitado o limite de 30% do resultado ajustado para o 4o trimestre/2002. Notese, contudo, que a autoridade lançadora computou, a fim de reduzir da importância apurada decorrente de infrações, apenas o prejuízo acumulado do 1o ao 3o trimestre de 2002 item 14 da fl. 267 e demonstrativo de apuração à fl. 240 no montante de R$ 924.472,89. De se observar que o prejuízo acumulado a que alude a empresa, de R$ 41.805.029,45, na verdade, resulta de apuração contábil, conforme consta do Razão à fl. 1706. Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000565/200708 Acórdão n.º 1301001.750 S1C3T1 Fl. 7 11 Entretanto, em consulta ao sistema SAPLI, verificouse a suficiência de prejuízos fiscais de períodos anteriores (fl. 1896) para efetuar a compensação pleiteada, o que é corroborado pelas DIPJ de fls. 1933/1948. Registrese que não se verificou ação fiscal nesses períodos que implicasse alteração dos valores declarados. Salientese que esses prejuízos não foram utilizados em qualquer dos períodos subseqüentes (fls. 1897/1901, 190611907 e 1910/1915). Assim, cabe efetuar a devida correção, alterandose a base tributável. (...) Desta feita, para efeito de compensação com prejuízo fiscal apurado em períodosbase anteriores, devese observar o limite máximo de 30% do lucro liquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, limitação esta estabelecida pelo art. 42 da Lei if 8.981, de 1995 e ratificada pelos artigos 12 e 15 da Lei n°9.065, de 1995. (Destaque nosso) Em relação aos lançamentos decorrentes, destaca também a decisão recorrida o seguinte: DOS LANÇAMENTOS DECORRENTES Relativamente aos lançamentos reflexos, observese que os elementos de comprovação são os mesmos que fundamentaram o lançamento de oficio referente ao IRPJ. Assim, aplicase aos lançamentos de CSLL, PIS e COF1NS, o que foi decidido naquele. Quanto à compensação da CSLL, temse que, também nesse caso, a empresa dispunha de base de cálculo negativa suficiente para beneficiarse integralmente do limite legal de 30% estabelecido, consoante sistema SAPLI (fls. 1902) e das NP' (fis. 1949/1964). Dos extratos de fls. 1902/1905, 1908/1911 e 19 I 6/1932, inferese que não houve a utilização posterior do saldo negativo acumulado, sendo passível, portanto, de ser compensado no caso vertente. (Destaque nosso) A respeito desse específico trecho da decisão, destacase que o montante apurado pelo relator da douta turma julgadora parte dos registros oferecidos pela contribuinte, e, também, a sua necessária confrontação com os montantes lançados no SAPLI, sendo a utilização desse ajuste efetivo e verdadeiro controle de legalidade do lançamento, que, por certo, nada aqui temos a opor. Diante dessas sumárias considerações, restando, pois, devidamente comprovado nos autos a exatidão da informação adotada pela r. decisão de primeira instância, entendo pela correção do ajuste promovido e pela regularidade da exoneração parcial efetivada, encaminhando o meu voto, assim, no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 12 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Ultrapassada a análise dos termos do Recurso de ofício, relevante aqui então analisar os termos do recurso voluntário interposto. Conforme antes apontado, tratase, nos presentes autos, de lançamento efetivado pelos agentes da fiscalização fazendária, em decorrência do apontamento da efetiva prática de "omissão de receitas" pela contribuinte, decorrente da identificação de "passivo fictício" e/ou, também, da ausência de escrituração de compras realizadas. Passemos, então, à análise das circunstâncias do caso e, ainda, ao enfrentamento dos argumentos especificamente apontados pela recorrente: Da presunção fiscal A partir dos elementos contidos nos autos, sobretudo da análise das disposições do Termo de Verificação Fiscal TVF, verificase que a autuação efetivada teve como supedâneo a identificação de manutenção, pela contribuinte, de montantes registrados a título de obrigações constituídas não comprovadas (essa tomando como base, especificamente, os maiores fornecedores identificados: SUCOS DEL VALLE BR LTDA e DANONE LTDA.) e, também, indicação de montantes de compras não regularmente registradas na contabilidade (PERFUMES DANA DO BRASIL LTDA.), tomando como base, especificamente, as disposições do Art. 281, incisos II e III do RIR/99, que, inclusive, assim especificamente aponta: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. (destaques nossos) A recorrente, em suas razões, sustenta que não se teria provado nos presentes autos os necessários fatos exigidos para a aplicação da presunção de omissão de receita apontada, tornando, assim, inválido o lançamento em todos os seus termos. Na sustentação de seus argumentos, inclusive, ressalta a contribuinte que, ao contrário do que afirmado pelo agente fiscal e também na própria decisão de primeira instância, teria ela sim disponibilizado fisicamente, inclusive , a totalidade dos documentos que possuía (especificamente "aqueles que não teriam sido atingidos pela prescrição"), estando com eles em caixas num carro estacionado no estacionamento próximo à DEFIC no dia 21/09/2006, que, entretanto, não teriam sido "aceitos" e "buscados" pelo Sr. Paulo Ueda, por razões pessoais desconhecidas da recorrente. Segundo sustenta a recorrente, ao que parece, adotando o caminho mais simples, entendeu suficiente o ilustre Sr. Agente fiscal a intimação das empresas Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000565/200708 Acórdão n.º 1301001.750 S1C3T1 Fl. 8 13 fornecedoras, tendo como não comprovado pela contribuinte os fatos que, supostamente, fundamentariam a aplicação da presunção apontada. Ocorre que, em que pese todos os esforços empreendidos no recurso interposto, relevante observar que, no caso, como destacado, estáse diante de efetiva e verdadeira aplicação da presunção fiscal, que, por expressa autorização legal, importa em objetiva inversão de ônus da prova, atribuindo à contribuinte a comprovação da regularidade de seus registros. Da análise do TVF, especificamente em relação ao apontamento de "Passivo Fictício", relevante se faz o destaque aos seguintes apontamentos: 1.1.Nos termos inaugurais, lavrados em 06/06/2006, dentre outros elementos foi à empresa intimada a apresentar a relação de fornecedores pendentes em 31/12/2002. 1.2. Em resposta a solicitação do Termo acima, a empresa forneceunos uma relação de fornecedores de mercadorias, totalizando o valor de R$ 44.454.638,25 (Balanço Patrimonial). 1.3. Para examinarmos a veracidade da listagem de relação de fornecedores de mercadorias selecionamos os maiores fornecedores e solicitamos uma relação de vendas efetuadas e dos pendentes de pagamentos em 31/12/2002 e a apresentação de documentos (Notas Fiscais e comprovantes de quitação de pagamentos correspondentes) para os mesmos. 1.4. Confrontando os valores pendentes de pagamentos em 31/12/2002, com a Relação de Fornecedores apresentada pela empresa e as relações de vendas apresentadas pelos fornecedores e constatamos as seguintes irregularidades, conforme o DEMONSTRATIVO DE SALDOS FORNECEDORES PENDENTES EM 31/12/2002 — (ANEXO — 01) : a) Fornecedor 1 — A empresa SUCOS DEL VALLE BRASIL LTDA., CNPJ n° 01.895.188/000146 (matriz) apresentou os seguintes valores (relação e documentos — Notas Fiscais). a.1. Recebimentos pendentes em 31/12/2002 = R$ 1.181.543,07 da CNPJ n°01.895.188/000308 (filial) e Recebimentos pendentes em 31/12/2002 = R$ 90.193,40 da CNPJ n° 01.895.188/000731 (filial), totalizando recebimentos pendentes em 3111212002, no valor de R$ 1.271.736,47. a.2. A empresa em fiscalização informou que o valor pendente de pagamento em 31/12/2002 é de R$ 7.572.140,77. a.3. Do exposto podemos concluir que a empresa em fiscalização contabilizou o saldo fornecedor a maior, no valor de R$ 6.300.404,30. b) Fornecedor 2 — A empresa DANONE LTDA., CNPJ n° 23.643.315/000152 apresentou o seguinte valor (relação). Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 14 b.1. Recebimentos pendentes em 31/12/2002 = R$ 0,00 b.2. A empresa em fiscalização informou que o valor pendente de pagamento em 31/1212002 é de R$ 36.610.821,22. b.3. Portanto, podemos concluir que a empresa fiscalizada contabilizou o saldo fornecedor a maior, no valor de R$ 36.610.821,22. (...) 1.5.As diferenças acima apuradas nos Saldos das Contas "Fornecedores", através de comparação entre dados do Balanço Patrimonial e Razão Analítico da Arouca e dados apresentados pelos fornecedores acima relacionados — ano Calendário 2002, é irregularidade que caracteriza o passivo fictício, nos termos do artigo 281, inciso III do RIR199, nos montantes de R$ 42.911.225,52 (R$ 6200.404,30 + R$ 36.610.821,22). O valor de R$ 44.182.961,99 (saldo que constam no Balanço Patrimonial e Razão Analítico apresentados pela Arouca), mas fornecedores informaram que os saldos fornecedores, pendentes em 31/12/2002, corretos são de R$ 1.271.736,47— SUCOS DEL VALLE BR LTDA e de R$ 0,00 (zero) — DANONE LTDA. A respeito das considerações relacionadas à hipótese "Compras e Pagamentos de Mercadorias não contabilizadas", assim aponta o TVF: 2.1. Após a circularização constatamos que a Arouca não registrou em sua contabilidade (Razão Analítico e Balanço Patrimonial) as compras efetuadas da fornecedora PERFUMES DANA DO BRASIL LTDA., CNPJ n°61.105.722/0004 48 (filial), conseqüentemente não registrou, também, os pagamentos, no valor total de R$ 426.934,89 em 2002, conforme demonstrado em detalhes a seguir, caracterizando, também, a omissão de receita. A contribuinterecorrente, em todas as suas razões, nunca ataca diretamente as informações apontadas. Na verdade, toda a sua construção parte da suposta invalidade da aplicação da presunção, sem nunca, em momento algum, efetivamente apontar e demonstrar documentalmente, inclusive , a equivocidade da presunção aplicada. Pois bem. A respeito da suposta ausência de comprovação dos fatos autorizadores da aplicação da presunção legal apontada, relevante observar que os dados utilizados pelos agentes da fiscalização foram, objetivamente, aqueles prestados pela própria contribuinte, a respeito de suas demonstrações contábeis que, como dito, especificamente no tópico relacionado ao "Passivo Fictício", parte dos montantes por ela apontados como sendo obrigações pendentes de pagamento em 31/12/2002, mas que, como se verifica, não teriam sido confirmados pelos respectivos fornecedores. A contribuinte, em sua defesa, destaca que teria sim disponibilizado os documentos ("caixas no interior de um carro localizado no estacionamento da DEFIC"), mas que, em contato pessoal com o Sr. Fiscal, teriam sido por ele dispensado. Tal argumentação, com todas as vênias, aqui definitivamente não pode ser considerado como suficiente, sobretudo porque a "pergunta" ao Sr. Fiscal a respeito da busca dos Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000565/200708 Acórdão n.º 1301001.750 S1C3T1 Fl. 9 15 documentos supostamente disponibilizados em "caixas" em qualquer lugar não se apresenta como suficiente para a apresentação, nos autos, dos documentos requeridos e solicitados pelos agentes da fiscalização. A contribuinte, por razões que só ela entendem suficientes, efetivamente não apresentou nenhum documento que pudesse, de alguma forma, comprovar a validade dos valores mantidos em registro em sua contabilidade ("passivo fictício"), o que, por si só, já se aponta como efetiva e validamente suficiente para a aplicação da presunção fiscal apontada. Aliás, nesse ponto, relevante também destacar a inadmissibilidade da argumentação da recorrente a respeito da afirmada "validade" e da "força probatória" de seus registros contábeis, sobretudo porque, por certo, conforme há tempos já se tem afirmado na jurisprudência deste Conselho, Número do Processo 13982.001088/201001 Contribuinte COMERCIO ATACADISTA E VAREJISTA PROGRESSO LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Nº Acórdão 3801001.869 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) que cancelavam o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/01/2005, 30/04/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/09/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 28/02/2007, 30/04/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/10/2007 PIS. COFINS. PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no art.150 para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do CTN), onde ficou constatado que, sob as regras deste último, não ocorreu a decadência para os fatos geradores supra indicados. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal, com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitarse de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 16 arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE. Escrituração da contabilidade da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos. NOTA FISCAL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE AFASTADA. Afastada a presunção de veracidade das notas fiscais apresentadas como provas das operações comerciais da empresa, a esta cabe fornecer outros documentos, hábeis e idôneos, a fim de comproválas. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. Cabe à contribuinte apresentar à fiscalização a documentação, hábil e idônea, apta a comprovar o pagamento das aquisições de mercadorias, e que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, e em assim não o fazendo, é de se concluir, aliado a outras evidências, que as supostas aquisições não foram efetivamente recebidas/adquiridas. Assim, correto o procedimento fiscal em glosar de créditos da não cumulatividade, relativos às citadas aquisições, contabilizadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Essa exigência, digase de passagem, encontra específica consonância com as disposições do Art. 258 do RIR/99 que, a seu respeito, inclusive, assim destaca: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000565/200708 Acórdão n.º 1301001.750 S1C3T1 Fl. 10 17 § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. (Destaques nossos) Sem a integral observância das específicas normas de regência, não se pode admitir a pretensão de "força probatória" dos registros contábeis sem a necessária apresentação dos documentos que lhe dêem suporte, da forma como aqui pretende a recorrente. Nada obstante, mesmo após a efetivação do lançamento, considerando a específica e própria delimitação das informações necessárias para a sua eventual descaracterização, verificase que a contribuinte em momento algum efetivamente aponta a existência de documentação suficiente para elidir as considerações fiscais, confirmando, assim, a regularidade do lançamento efetivado. As considerações apontadas a respeito da validade do lançamento a respeito da aplicação da presunção fundada na manutenção do "Passivo Fictício", aplicamse, também, em relação à consideração de receitas omitidas fundadas nas compras não registradas, sobretudo porque, conforme se verifica, tanto naquelas como nestas, as razões fiscais decorreram de informações prestadas pelos respectivos fornecedores e a ausência de comprovação, pela contribuinte, de qualquer fato desconstitutivo daqueles fatos. A partir dessas considerações, tomando em conta as especificas disposições do mencionado art. 281 do RIR/99, temse como inviável qualquer acolhimento de oposição da recorrente, sobretudo porque o que ela afirma efetivamente não condiz com o que contido nos autos, tratandose, por certo, de efetivos argumentos laterais, insuficientes para a desconstituição da atuação do competente agente da fiscalização. A comprovação dos indícios encontrase perfeitamente presente nos autos, qual seja: a existência irrefutável do registro contábil da obrigação no montante de R$ 42.911.225,52, o seu não reconhecimento pelos respectivos fornecedores e a ausência de qualquer documentação hábil e idônea, por parte da contribuinte, que comprove a sua existência. Diante dessas ponderações, completamente infundadas, verificamse, são as considerações apresentadas pela recorrente na tentativa de desconstituição da atuação dos agentes da fiscalização, sobretudo ante a efetiva e sólida comprovação da regularidade da aplicação da respectiva presunção fiscal, nos termos específica e expressamente admitidos pela legislação de regência. A aplicação da presunção fiscal, na espécie, possui específica presunção legal, com a ressalva, inclusive, da manutenção da previsão a respeito da possibilidade de sua desconstituição pela contribuinte, o que, entretanto, efetivamente aqui não se verificou, tornando, pois, completamente descabida e infundada a oposição apresentada. Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 18 Rejeito, assim, as considerações a respeito das invalidades formais alegadas pela recorrente, tanto quanto à suposta (in)existência de provas sobre a ocorrência dos indícios para a aplicação da presunção fiscal, quanto, ainda, pelo suposto atendimento, pela contribuinte, das exigências apresentadas pelos agentes da fiscalização e, ainda, da alegada suposta força probante de seus registros contábeis, nos termos e fundamentos aqui, inclusive, especificamente apresentados. Dos apontamentos sobre a decadência A par das considerações apresentadas, relevante ainda destacar, no presente feito, importantes considerações apresentadas a respeito da discussão a respeito da aplicação, ou não, de decadência em relação aos fatos apontados. Inicialmente, para bem compreender a questão aqui apresentada, importante ressaltar a completa inexistência de dúvidas em relação às datas consideradas, sendo relevante apontar que do lançamento efetivado fora notificada a contribuinte em 22/03/2007, abrangendo, especificamente, os fatos ocorridos no ano calendário de 2002 (fato gerador: 31/12/2002). Antes de qualquer consideração específica a respeito da análise da decadência no presente caso, relevante observar que, à época da lavratura do Auto de Infração e, também, da prolação da decisão de primeira instância , a discussão em torno da validade das disposições da Lei 8.212/91, especificamente em seu art. 46, para a definição do prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social ainda se encontrava presente em muitos debates acadêmicos e jurisdicionais, mantendose válidas aquelas disposições, que, por certo, impunham a observância obrigatória em sede administrativa. Entretanto, atualmente, é bem verdade que essa matéria já se encontra devidamente pacificada em nosso ordenamento jurídico, reconhecendose a efetiva e completa invalidade das disposições dos Art.s 45 e 46 da Lei 8.212/91, nos termos, inclusive, especificamente constantes da SÚMULA VINCULANTE N. 08 do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, que, a respeito da matéria, assim, inclusive, especificamente pontua: Súmula Vinculante n. 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Por força dessas disposições, cuja observância, inclusive, fazse obrigatória em todas as esferas administrativas e judiciais, não mais se discute hoje a aplicação das disposições daqueles diplomas para a regulamentação da decadência em relação às contribuições sociais a que se referenciam, devendolhes ser aplicada, então, as regras específicas do Código Tributário Nacional, analisandose, em cada caso, a aplicação das disposições do Art. 150, parágrafo 4o (constituição de crédito tributário submetido à sistemática própria dos tributos sujeitos a "lançamento por homologação"), ou ainda a regra geral contida nas disposições do Art. 173, inciso I daquele diploma. Afastadas as disposições do Art. 46 da Lei 8.212/91, relevante então se mostra o procedimento próprio para a identificação de quais das duas normas aplicáveis na espécie. Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000565/200708 Acórdão n.º 1301001.750 S1C3T1 Fl. 11 19 A matéria, é bem verdade, por muito tempo foi debatida pela doutrina e pela jurisprudência, havendo, também recentemente, o estabelecimento de entendimento específico pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, que, nos termos do Art. 543C (Recursos Repetitivos), assim definiu a querela: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs 396/400; e Eurico Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 20 Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 12 de agosto de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator Pelo que aqui assentado, a aplicação ou não das disposições do Art. 150, §4o do CTN, passam, agora, a depender da verificação da existência de “pagamento” pelo contribuinte no período respectivo, não importando ser ele suficiente ou não para o adimplemento do crédito tributário no exercício, sendo certo que, inexistente qualquer pagamento, aplicamse, então, as disposições do mencionado Art. 173, I do CTN. A observância desse entendimento, é importante ainda ressaltar, decorrem da específica e expressa disposição contida no art. 62A do RICARF, que, inclusive, a esse respeito assim determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Apenas para fins de registros necessários, em torno da discussão a respeito da aplicação desse entendimento daquela Colenda Corte, inúmeros foram já os debates empreendidos neste Conselho, sendo relevante destacar as recentes Súmulas Administrativas construídas a seu respeito que assim, inclusive, especificamente apontam: Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000565/200708 Acórdão n.º 1301001.750 S1C3T1 Fl. 12 21 Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Súmula CARF nº 78: A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não a data do auferimento dos lucros pela empresa sediada no exterior. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Súmula CARF nº 104: Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Súmula CARF nº 106: Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. No caso dos presentes autos, relevante observar que a ausência de pagamento, pela contribuinte, é fato também incontroverso, sendo por ela apontado, em sua argumentação, que por ter apurado "prejuízo fiscal", não poderia ser desconsiderada a aplicação das disposições do mencionado Art. 150, par. 4o. Inexistindo prova do efetivo pagamento dos tributos apontados, iniludível, verificase, é a aplicação daquele entendimento, e, no caso, efetivamente considerada como devida a aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN, afastandose assim, pois, integralmente, qualquer possibilidade de consideração de decadência na hipótese. Aliás, apenas para fins de registro necessário, insta destacar que, tratandose de apuração dos fatosgeradores ocorridos no anocalendário de 2002, Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 22 pela aplicação das normas do art. 173, inciso I do CTN, verificase que a decadência do direito da Fazenda Pública em promover o lançamento do crédito tributário somente se expiraria em 01/01/2009, restando, pois, perfeitamente regular o lançamento formalizado. A par de todas essas considerações, aqui destacadas, inclusive, para fins de definição de nosso entendimento a respeito da matéria, relevante ainda observar que, nos presentes autos, além dessa discussão própria a respeito das normas aplicáveis para a apuração da ocorrência ou não da decadência, a recorrente, a todo instante, sustenta que os fatos apontados pelos agentes da fiscalização seriam referentes a fatos ocorridos em exercícios anteriores, a ela não sendo, agora, exigíveis as respectivas comprovações, em decorrência da materialização da "prescrição" sobre as mesmas. A respeito desse apontamento, relevante apenas ressaltar que, no caso, os prazos decadenciais são aplicáveis apenas na constituição do direito creditório pelos agentes da Fazenda Pública, não mantendo nenhuma relação própria e objetiva quanto aos demais documentos próprios mantidos pela contribuinte. No caso presente, o registro contábil relativo ao apontado "Passivo Fictício" encontravase perfeitamente existente no anocalendário de 2002, devendo, no mínimo, ser pela contribuinte mantidos os seus respectivos documentos comprobatórios. Em relação ao lançamento decorrente de "Compras não registradas", melhor sorte não assiste à recorrente, tendo em vista tratarse de informação prestada por sua fornecedora (especificamente relacionada ao anocalendário de 2002) e por ela não efetivamente registrada em sua contabilidade, desnudando, também aí, a completa ausência de fundamento para a sua argumentação. Em face de todas essas considerações, entendo, no presente caso, ser completamente inexistente e inaplicável qualquer eventual construção a respeito da pretendida decadência, nos termos e fundamentos aqui então especificamente apresentados. Da dedução de custos e despesas Seguindo em suas considerações, a recorrente sustenta ainda que, na apuração do eventual montante por ela devido, os agentes da fiscalização deveriam ter considerado os montantes por ela dispendidos a título de custos e despesas, em respeito, inclusive, ao fundamento próprio da constituição de "Renda" e "Lucro" nos termos apontados, não podendo simplesmente serem os valores apontados como supostas "receitas omitidas" como base própria para a incidência dos tributos apontados. Conforme se verifica dos termos do Auto de Infração lavrado, o montante de "receita omitida" considerada pelos agentes da fiscalização foi o somatório do montante correspondente ao indicado "Passivo Fictício" e também o valor considerado como de "Compras não registradas", totalizando o montante de R$ 43.016.475,45, deste montante deduzindo o valor apurado de "Prejuízos Acumulados", apresentando como Base Tributável (no AI) o valor de R$ 41.948.643,69 (este valor foi retificado após o julgamento de primeira instância, tendo em vista a consideração de outros prejuízos acumulados não considerados originariamente). A recorrente sustenta que a fiscalização não poderia simplesmente ter considerado o montante apurado como "Lucro" para fins de apuração dos montantes dos tributos devidos, mas deveria, sobretudo, promover o reconstrução de sua realidade Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000565/200708 Acórdão n.º 1301001.750 S1C3T1 Fl. 13 23 fiscal, deduzindo todos os custos por ela suportados e, somente após, ter considerado o montante tributável. A decisão de primeira instância, a respeito desse item, especificamente, sustenta que não cabe, no desenrolar do presente procedimento fiscal, computarse custos não devidamente escriturados, sendo considerado o montante apurado como valores líquidos mantidos à margem da escrituração. A par de tudo o que sustentado pela recorrente, verifico que, a rigor, nada há nos autos para efetivamente identificar que o montante das receitas tidas por omitidas sejam, necessariamente aplicadas às compras não declaradas pela contribuinte, o que, por si só, impede a pretensão da recorrente de verem aqui considerados os supostos "custos" por ela suportados. Na verdade, a possibilidade de apuração dos montantes dos tributos devidos a partir do necessário confronto entre receitas e despesas, por certo, é mecanismo intrinsecamente ligado à manutenção da regularidade dos registros contábeis da contribuinte, fato que, nos presentes autos, fora declaradamente inobservado pela contribuinte. Ora, na falta da regular escrituração dos recursos mantidos à margem de qualquer controle fiscal impõe, como consequência, a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, inexistindo, no ordenamento jurídico brasileiro, qualquer referência que imponha aos agentes da fiscalização a obrigatoriedade de confrontação de eventuais receitas omitidas com compras não declaradas, da forma como pretendido nos presentes autos. Em face dessas considerações, não vejo como admitir a pretensão da recorrente, razão porque encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, nos termos e fundamentos aqui, então, especificamente apresentados. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, por entender regular a exoneração parcial realizada, e, também, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo, portanto, o montante do crédito tributário não exonerado na primeira instância nos termos e fundamentos aqui, então, devidamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 24 Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10882.900944/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 44 /2 00 8- 10 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900944/200810 Acórdão n.º 3801004.982 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10410.721051/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. CSLL. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS SEM COMPROVAÇÃO. Na ausência de impugnação específica e concreta, mantém-se o lançamento pelos mesmos fundamentos externados no Termo de Encerramento Fiscal, bem como no Acórdão de primeira instância.
IRPJ. CSLL. GLOSA DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. É ônus do contribuinte provar a legitimidade dos gastos relativos a encargos de depreciação. Se não apresentados documentos comprobatórios de seu alegado direito (memória de cálculo ou cópia das notas fiscais de entrada e, no caso de leasing, cópia dos contratos), correta a glosa levada a efeito pela fiscalização e mantida na instância a qua, de modo que deve prevalecer o lançamento no ponto.
IRPJ. CSLL. GLOSA DE DESPESAS COM ABASTECIMENTO DE VEÍCULOS. Cancela-se a glosa de despesas com abastecimento, quando o trabalho fiscal não é prudente e exauriente em demonstrar que o contribuinte autuado não foi, de fato, beneficiário dessas despesas.
IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO.
Cabível a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, concomitantemente com a multa de ofício relativa aos lançamentos por glosa de custos/despesas, pois distintas são as hipóteses de incidência legalmente previstas.
Numero da decisão: 1101-001.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos custos e despesas glosados por falta de comprovação; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntário e de ofício relativamente à glosa de encargos de depreciação; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, relativamente à glosa de despesas com combustíveis, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 4) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Mendonça Marques e Marcelo de Assis Guerra, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente),Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Mendonça Marques, Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. CSLL. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS SEM COMPROVAÇÃO. Na ausência de impugnação específica e concreta, mantémse o lançamento pelos mesmos fundamentos externados no Termo de Encerramento Fiscal, bem como no Acórdão de primeira instância. IRPJ. CSLL. GLOSA DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. É ônus do contribuinte provar a legitimidade dos gastos relativos a encargos de depreciação. Se não apresentados documentos comprobatórios de seu alegado direito (memória de cálculo ou cópia das notas fiscais de entrada e, no caso de leasing, cópia dos contratos), correta a glosa levada a efeito pela fiscalização e mantida na instância a qua, de modo que deve prevalecer o lançamento no ponto. IRPJ. CSLL. GLOSA DE DESPESAS COM ABASTECIMENTO DE VEÍCULOS. Cancelase a glosa de despesas com abastecimento, quando o trabalho fiscal não é prudente e exauriente em demonstrar que o contribuinte autuado não foi, de fato, beneficiário dessas despesas. IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, concomitantemente com a multa de ofício relativa aos lançamentos por glosa de custos/despesas, pois distintas são as hipóteses de incidência legalmente previstas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos custos e despesas glosados por falta de comprovação; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos recursos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 10 51 /2 01 3- 23 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 2 voluntário e de ofício relativamente à glosa de encargos de depreciação; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, relativamente à glosa de despesas com combustíveis, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 4) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Mendonça Marques e Marcelo de Assis Guerra, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. (assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente),Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Mendonça Marques, Marcelo de Assis Guerra. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10410.721051/201323 Acórdão n.º 1101001.195 S1C1T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidase, na origem, de Autos de Infração (fls. 2/20) lavrados em desfavor do sujeito passivo para exigência de crédito tributário de: R$ 9.919.135,49 relativo ao IRPJ e R$ 3.412.664,65 em face de CSLL, cujo montante atinge a cifra de R$ 13.331.800,14 (já incluídas a multa de ofício e a multa exigida isoladamente). Conforme o Termo de Encerramento Fiscal (fls. 21/35), atribuiuse ao contribuinte as infrações abaixo relacionadas, a saber: 1. Glosa de Custos e Despesas não comprovadas R$ 8.468.051,94, com multa de ofício de 75%: 1.1 Custos e despesas sem comprovação (fls. 94 a 98), no valor de R$ 5.305.644,35; 1.2 Encargos de depreciação (fl. 99), constituindo lançamentos atípicos e de valores significativos na contabilidade, não esclarecidos pelo contribuinte, no valor de R$ 2.959.218,78; e 1.3 Despesas com abastecimento de veículos (fls. 100), com documentação comprobatória tida por incompleta, no valor de R$ 203.188,81. 2. Glosa de Compras de fornecedores inexistentes ou que não reconheceram o fornecimento (fls. 101 a 115), no valor de R$ 9.669.247,53, (incidindo multa de ofício qualificada) e cujas informações apuradas pela fiscalização se encontram assim resumidas: 2.1 Fornecedor Santana Comércio Construção e Terraplanagem Ltda. (fls. 116 a 132) constava no Livro Razão do contribuinte como fornecedor, nas contas de aluguel de caçambas e máquinas, com valores expressivos, embora tenha apresentado declaração de inatividade no AC 2008. Intimados a empresa e o sócio responsável, ambas as correspondências retornaram, com observação “desconhecido”, sendo que a fiscalização constatou que o sócio não possuía condições de ser proprietário de empresa capaz de movimentar os vultosos recursos indicados na contabilidade do fiscalizado, pois em sua última declaração de renda, de 2007, informou não haver rendimentos e nem havia movimentação financeira objeto de CPMF; 2.2 Fornecedor H. dos S. Lopes (fls. 133 a 149) – A última DIPJ entregue por essa empresa tinha sido do AC 2007 e, assim como as relativas aos anos anteriores, informa a sua situação de inatividade. A empresa foi intimada em seu endereço, porém retornou ao remetente, sendo redirecionada ao sócio responsável, que negou qualquer relação comercial com a fiscalizada; Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 4 2.3 Fornecedor Rio Uru Construção e Empreendimentos Ltda. (fls. 150 a 171) – empresa que apresentava DIPJ com regime do lucro presumido, sendo que no AC 2008 a apresentou zerada. A fiscalização informou que, apesar de a empresa ter apresentado alguma movimentação financeira, esta seria muito inferior aos supostos fornecimentos constantes no livro Razão da Limpel. Ao intimar a empresa, a correspondência retornou ao remetente, quando houve redirecionamento à sócia responsável, que negou qualquer relação comercial com a fiscalizada Limpel, tendo feito boletim de ocorrência dos fatos intimados pela Receita Federal; 2.4 Fornecedor M. O. de Alencar (fls. 172 a 196) – a empresa se encontrava ativa nos sistemas da RFB e em funcionamento normal. Quando intimada, declarou que não possuiu qualquer relacionamento comercial com a Limpel e não emitiu nenhuma nota fiscal de venda/prestação de serviços para a citada contribuinte. Para diversos números de notas fiscais relacionados no Termo de Diligência, juntou cópia em branco das constantes em seu talonário, de modo a confirmar o não fornecimento, bem como juntou cópia de Boletim de Ocorrência na Delegacia Fazendária, indicando a inexistência de relação comercial com o fiscalizado; 2.5 Fornecedor Gasóleos Internacional Ltda. (fls. 197 a 214) – A fiscalização afirma que a empresa estava inativa desde o AC 2001, o que se confirmaria pela ausência de movimentação bancária. Efetuouse uma diligência, pela qual não se encontrou a empresa em seu endereço cadastrado, sendo a correspondência devolvida ao remetente. Por nova diligência, entrouse em contato com o sócio responsável pela empresa, o Sr. Luiz Carlos Catanhede Fernandes, o qual declarou não ter tido qualquer relacionamento comercial com a fiscalizada Limpel; 2.6 Fornecedor Construtora Diretriz Ltda. ME (fls. 215 a 236) – A empresa se encontrava inativa desde o AC 2001, sem apresentar movimentação bancária. A correspondência de intimação da empresa retornou ao remetente e, quando direcionada ao sócio responsável, este prestou informações, afirmando que jamais havia tido qualquer relação comercial com a Limpel. Ainda, o sócio responsável asseverou que sofreu um crime de furto em 2007, comprovando com Boletim de Ocorrência enviado à fiscalização, dizendo que nesse acontecimento, foramlhe subtraídos os documentos da empresa. 3. Compensação indevida de prejuízo operacional com resultado da atividade geral, no valor de R$ 284.071,88, com multa de ofício de 75% sobre os tributos lançados; 4. Multa exigida isoladamente, no percentual de 50% sobre o tributo não antecipado, por falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL durante o anocalendário 2008. Ressaltese que, nos termos do relatório produzido pela instância a qua, “na apuração do IRPJ, a fiscalização deduziu do imposto apurado o montante de R$ 2.841.229,62, decorrente de IRRF sobre aplicações financeiras (R$ 16.355,09), IRRF sobre notas fiscais (R$ 96.884,35), IRRF retido de órgãos públicos (R$ 1.074,15) e IRPJ estimativa apurada (R$ Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10410.721051/201323 Acórdão n.º 1101001.195 S1C1T1 Fl. 4 5 2.726.916,03), o que terminou por cancelar o imposto que seria apenado com multa qualificada de 150% e por reduzir o imposto apenado com multa de ofício de 75%, como se vê nas fls. 8 e 9” e que, “na apuração da CSLL, a fiscalização deduziu da CSLL apurada o montante de R$ 995.845,90, decorrente da CSLL retida [sobre] notas fiscais (R$ 3.068,72) e da CSLL apurada – Estimativas (R$ 992.777,18), o que terminou por cancelar a CSLL que seria apenada com multa qualificada de 150% e reduzir a CSLL apenada com multa de ofício de 75%, como se vê nas fls. 17 e 18”. Cientificada do lançamento fiscal em 01/03/2013 (conforme AR de fl. 287), a contribuinte apresentou sua Impugnação tempestivamente em 02/04/2013 (fls. 289/296), na qual defendeu, em síntese, o seguinte (nos termos presentes no relatório da d. instância a qua): “I. No tocante à glosa de custos e despesas por falta de comprovação, a impugnante atendeu todas as intimações, apresentando os documentos que tinha em seu poder, comprobatórios dos custos e despesas. Ocorre que, como notificado à fiscalização, seus arquivos documentais dos exercícios financeiros de 2007 a 2011 foram danificados em decorrência de inundação de suas instalações físicas, arquivos e auditórios, provocados pelas fortes chuvas ocorridas nos dias 11 e 12 de agosto de 2012, conforme registrado em Boletim de Ocorrência e publicado no Diário Oficial do Estado, o que lhe impossibilitou de fornecer parte da documentação comprobatória dos custos, que poderiam ter sido levantados pelo AuditorFiscal de forma indireta, a partir, por exemplo, de extratos bancários e cópias de cheques emitidos; II. Por outro lado, mesmo que procedente fosse a glosa das despesas e custos, estes não poderiam ter sido considerados pelo seu valor total, uma vez que classificados como insumos e assim contabilizados nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003, e influenciaram na apuração dos resultados dos exercícios de referência, deduzidos dos créditos de 1,65% de PIS e 7,60% de Cofins, totalizando 9,25% destes custos, ou seja, devem ser reconsiderados para redução do lucro tributável. Observese que o mesmo AuditorFiscal lavrou o auto de infração no processo nº 10410.725676/201283, considerando como impróprio para creditamento de PIS/Cofins os custos e despesas que ora também não considera não comprovados para fins de IRPJ e CSLL. Assim, esses créditos de PIS/Cofins ora expurgados, por não terem composto o custo dos serviços executados nos seus respectivos exercícios, devem agora, por uma questão de justiça, ser reconsiderados para efeito de redução do lucro tributável; III. a fiscalização efetuou uma glosa de R$ 2.767.898,03 de encargos de depreciação, considerados pelo AuditorFiscal como atípicos e com valores significativos. Ocorre que, na mesma folha do Livro Razão (conta 311020019 – Depreciação) onde se encontram registrados os lançamentos de depreciação glosados, também constaram os lançamentos de estorno do valor de R$ 1.088.693,64 e R$ 8.169,41 dessa mesma depreciação, registrados na mesma data dos “lançamentos atípicos”, fato este que não foi levado em conta pela fiscalização para a glosa desses custos. “Salientase que tais valores contabilizados não passam, nada mais nada menos, de ajuste entre contas contabilizadas incorretamente em períodos anteriores. Tendo em vista a identificação do erro se fez necessário a reclassificação para ajustar saldos das contas, bem como ajustes de complemento da depreciação contabilizada a menor em anos anteriores, uma vez que não fez parte do lucro tributável. No que tange o valor de R$ 191.320,75, esse é o valor da depreciação do mês de novembro de 2008 da conta veículos, que está demonstrado no relatório de depreciação entregue a fiscalização e que foi contabilizado a menor, onde o correto seria R$ 177.045,94 + R$ 40.798,96, totalizando um montante de R$ 217.844,90” (fl. 292); Fl. 439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 6 IV. já no tocante à glosa de despesas com abastecimento, glosadas porque não constavam anotações que possibilitassem a identificação do veículo abastecido, “... o impugnante, como operadora de serviços de coleta de lixo e outros resíduos em duas capitais, possui uma frota de mais de 200 caminhões, caçambas, compactadores, páscarregadeiras, máquinas de terraplenagem e outros equipamentos movidos a combustíveis, utilizandose também de caminhão tanque para o abastecimento de máquinas e equipamentos “in loco”, sendo assim impossível constar das Notas Fiscais de aquisição desses combustíveis, as placas de identificação dos veículos abastecidos, mesmo porque, no ato de aquisição, não se sabe sequer qual será o veículo ou máquina a ser abastecido, e por essa razão absolutamente improcedente é a glosa aplicada a esses insumos” (fl. 293); V. Deve ser cancelada a multa isolada de ofício, pelas estimativas não pagas, conforme pacífica jurisprudência administrativa que não aceita a cumulação desta multa isolada com a multa vinculada ao tributo lançado. ” Em sessão de julgamento havida em 19/07/2013, a d. 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Impugnação, conforme acórdão n. 1141.768 assim ementado, litteris: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. O impugnante não se insurgiu contra qualificação da multa de ofício que incidiu sobre os tributos apurados quando da glosa de compras a fornecedores inexistentes ou que não reconheceram o fornecimento e contra compensação indevida de prejuízo operacional com resultado da atividade geral. Sendo a matéria não contestada, tornase definitiva nesta via administrativa. IRPJ. CSLL. GLOSAS DE DESPESAS E CUSTOS. FORNECEDORES QUE RENEGAM A PRESTAÇÃO DO SERVIÇO OU VENDA DA MERCADORIA. DESPESAS E CUSTOS SEM NOTA FISCAL DE SUPORTE. CHUVAS. FORÇA MAIOR OU CASO FORTUITO QUE NÃO IMPACTOU O LANÇAMENTO. Não há falar em impossibilidade de comprovação de despesas ou custos, por chuvas que danificaram arquivos, quando se trata de vultosas compras de fornecedores inexistentes ou que não reconheceram o fornecimento, em regra, empresas inativas, sem qualquer movimentação financeira ou patrimonial, sendo que os sócios responsáveis vieram aos autos e renegaram peremptoriamente a manutenção de negócios com a empresa fiscalizada. Já em relação às despesas e aos custos sem notas fiscais de suporte, o fiscalizado foi intimado antes do evento fortuito a comproválos, não se desincumbindo desse ônus. LUCRO REAL. GLOSA DE CUSTOS. CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS. INSUMOS CONTABILIZADOS COM DECOTE DA COFINS E PIS/PASEP QUE INCIDIU NA COMPRA. GLOSA DE CUSTOS QUE DEVE CONSIDERAR AS CONTRIBUIÇÕES QUE INCIDIRAM NAS COMPRAS. Na tributação pelo lucro real, os créditos do PIS/PASEP e COFINS decorrentes da compra de insumos devem ser contabilizados a débito de conta do ativo (contribuições a recuperar). De outro lado, quando da venda de mercadoria, as contribuições incidentes sobre a venda devem ser contabilizadas a débito de conta de resultado, pelo valor oriundo da aplicação da alíquota da contribuição multiplicado pelas vendas. Sendo assim, o custo das mercadorias/serviços vendidos reflete o valor da compra, reduzido das contribuições incidentes sobre a compra dos insumos. Nessa toada, os créditos de PIS/PASEP e COFINS não compõem o custo dos serviços vendidos e, quando da glosa desses custos para apuração do IRPJ/CSLL a serem lançados, devem tais créditos ser abatidos dos custos glosados. DESPESAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. RESTABELECIMENTO. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10410.721051/201323 Acórdão n.º 1101001.195 S1C1T1 Fl. 5 7 As despesas glosadas que foram comprovadas com documentação idônea na impugnação devem ser restabelecidas. ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL NÃO PAGAS. MULTA ISOLADA. HIGIDEZ. À luz do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, as estimativas de IRPJ e da CSLL não pagas dentro do período de apuração devem ser apenadas com multa de ofício isolada no percentual de 50% sobre as estimativas não pagas. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. ” Assim, a d. DRJ manteve o crédito tributário em parte, conforme consta do r. acórdão (todos os valores estão apontados às fls. 386/393), in verbis: “Ante o exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a impugnação do contribuinte, para: · reduzir a base de cálculo oriunda das glosas de compras de fornecedores inexistentes ou que não reconheceram o fornecimento (R$ 9.669.247,53) e dos custos e das despesas com documentação comprobatória não apresentada (R$ 5.305.644,35) em 9,25% {[9,25% x (9.669.247,53+5.305.644,35)]}; · reduzir a base de cálculo da infração decorrente da glosa das despesas de depreciação no valor de R$ 1.288.183,80, mantendo uma glosa dessa despesa de R$ 1.671.034,98; · cancelar a glosa das despesas com abastecimento no valor de R$203.188,81; · reduzir a base de cálculo da multa pelas estimativas de IRPJ e da CSLL proporcionalmente aos valores acima restabelecidos. ” Cientificada do r. decisum em 06/08/2013 (terçafeira) conforme AR de fl. 416 , a empresa interpôs tempestivo Recurso Voluntário (fls. 417/426) em 05/09/2013 (quintafeira), no qual defendeu, em síntese, que: a) “na fase de fiscalização a que se submeteu, atendeu a todas as intimações recebidas, apresentando, quando tinha em seu poder, os documentos comprobatórios dos custos e despesas regularmente contabilizados”, mas que, “conforme noticiado tempestivamente em atendimento a intimações, grande parte dos arquivos documentais da Impugnante referente aos exercícios financeiros de 2007 a 2011, foram danificados em função de inundação de suas instalações físicas, arquivos e auditórios, provocados pelas fortes chuvas ocorridas nos dias 11 e 12 de agosto de 2012, conforme registrado em Boletim de Ocorrência e publicado no Diário Oficial do Estado” (fl. 421). No ponto, defende que os documentos “poderiam ter sido levantados pelo Auditor Fiscal por via indireta, como por exemplo, através dos extratos bancários e cópias de cheques emitidos para o pagamento desses custos e despesas”; b) Em relação às glosas (remanescentes) de encargo de depreciação, afirma que, “da mesma forma que a DRJ/REC em acertada decisão, entendeu como procedente a contabilização dos lançamentos de estorno do valor de R$1.088.693,64 e de R$8.169,41 dessa mesma depreciação, que não foi levado em conta pela fiscalização para a glosa desses custos, há de se ter também como insustentável no Auto de Infração a glosa dos valores Fl. 441DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 8 remanescentes, pelo simples fato de considerar os valores contabilizados como ‘atípicos e com valores significativos’, sem qualquer outra justificativa ou elemento de prova, que possa servir de base para a desconsideração dessas legítimas despesas de depreciação” (fl. 422); c) Quanto as multas isoladas aplicadas, “totalmente arbitrária e desprovida de sustentação legal é a pretensão do auditorfiscal, levada a termo no sentido de penalizar duplamente a Impugnante ao lhe aplicar uma multa de 75% sobre o IRPJ e a CSLL que presume como não recolhido e ao mesmo tempo, cumulativamente, aplicar outra multa de 50% sobre esses mesmos tributos, calculados de forma estimada, mês a mês” (fl. 422). Como o valor total do crédito tributário exonerado excedeu R$1.000.000,00, houve a interposição de Recurso de Ofício a este CARF, nos termos do art. 34, inc. I, do Decreto n. 70.235/72 e da Portaria do Ministro da Fazenda n. 03/2008. É o relatório. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10410.721051/201323 Acórdão n.º 1101001.195 S1C1T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se depreende do relatório acima, foram devolvidas a este Col. CARF por conta do recurso voluntário três questões: (i) impugnação dos custos e despesas glosadas por falta de comprovação; (ii) impugnação das glosas de encargos de depreciação; (iii) impugnação da aplicação de multa isolada simultaneamente à multa de ofício. O recurso de ofício foi interposto em razão da exclusão, na origem, (i) de parte das glosas de encargos de depreciação e (ii) das glosas de despesas com abastecimento de veículos. A par disso, analisemos cada uma das questões devolvidas a este Col. CARF. Dos custos e despesas glosadas por falta de comprovação No ponto, a ora Recorrente se insurge contra o r. acórdão recorrido, afirmando, tão somente, que (i) teria atendido a todas as intimações recebidas, apresentando, quando tinha em seu poder, os documentos comprobatórios dos custos e despesas regularmente contabilizados; (ii) somente não apresentou toda a documentação por conta de uma inundação de suas instalações físicas provocada por fortes chuvas havidas em 11 e 12 de agosto de 2012, que danificou seus arquivos contábeis; e (iii) o Auditor Fiscal poderia, por via indireta, ter levantado os dados relativos aos custos. A argumentação apresentada, contudo, não merece prosperar, devendo ser mantido in totum os fundamentos externados no Termo de Encerramento (fls. 21/35) e no r. acórdão recorrido (fls. 372/394). Com efeito, deve ser afastada, de antemão, essa argumentação genérica presente no recurso voluntário (e na impugnação) relativa à glosa referente às vultosas compras de fornecedores inexistentes ou que não reconheceram o fornecimento (R$9.669.247,53), pois se tratava, em regra, de empresas inativas, sem qualquer movimentação financeira ou patrimonial, sendo que os sócios responsáveis vieram aos autos e negaram expressamente a feitura de negócios com a empresa ora Recorrente apenas a empresa M. O. de Alencar encontravase ativa e em funcionamento normal, mas, também nesse caso, houve declaração de ausência de vínculo comercial com a LIMPEL e de ausência de emissão das notas fiscais relacionadas no Termo de Diligência. Frisese por importante que em nenhuma das manifestações da ora Recorrente houve enfrentamento das diversas provas que denotaram a inidoneidade dos registros contábeis de tais despesas ou custos, trazendo sempre, apenas, essa argumentação genérica desconectada da verdade externada a partir da documentação presente nos autos. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 10 No tocante aos custos/despesas não comprovados no montante de R$5.305.644,35, a questão foi bem resolvida na instancia a quo, de modo que, na ausência de impugnação específica e concreta existe apenas a argumentação supracitada no sentido de que a inundação impossibilitou a entrega de documentação comprobatório , adoto, no ponto, a fundamentação presente na instância a qua, litteris: “Observese que a fiscalização já intimara o contribuinte desde 30/01/2012 (fl. 46) a trazer aos autos as notas fiscais de entrada relativas aos materiais e serviços adquiridos pela empresa, repisando tal intimação em 29/02/2012 (fl. 50), e, em 1°/08/2012, intimarao a apresentar a documentação de múltiplas despesas e custos (fls. 51 a 54), eventos anteriores à chuva citada, tendo o contribuinte entregue à fiscalização em 04 caixas box as notas fiscais de entrada de mercadorias e serviços do 1° trimestre de 2008, em 20/04/2012 (fl. 241), em 19 caixas box as do 2° trimestre de 2008, em 19/07/2012 (fl. 243), e em 11 caixas box as do 2° semestre de 2008, em 1°/08/2012 (fl. 244), tudo antes da chuva. Da análise dessa documentação, que identificou a maior parte das notas fiscais que constaram nas intimações, remanesceram as despesas e custos ora glosados, objeto da infração, aqui enfatizando que as notas fiscais glosadas já não constaram no documentário fiscal apresentado pelo contribuinte antes das chuvas. O contribuinte solicitou prazo adicional de 90 dias, em 24/09/2012, para contatar fornecedores e recuperar o documentário fiscal exigido pela fiscalização, sendolhe deferido 60 dias (fl. 249), sem sucesso, tendo a fiscalização informado que o autuado apresentara carta em 26/11/2012 na qual alegava a impossibilidade de promover a entrega físicas das notas fiscais, não obstante as tentativas junto aos fornecedores (fl. 23). Por fim, a fiscalização consolidou todos os lançamentos para os quais queria a nota fiscal e/ou pagamento, em intimação de 18/01/2013 (fls. 75 e seguintes), sendo que a empresa somente trouxe aos autos a comprovação de 05 lançamentos contábeis, tendo a fiscalização acatado 03, pois os outros tratavam de despesas com combustíveis, para as quais não foram apresentados elementos (identificação do veículo abastecido) que possibilitasse avaliar a necessidade e utilidade desses abastecimentos para a empresa. Ora, no quadro acima, claramente se vê que o contribuinte não tinha as notas fiscais das despesas e custos glosados, nem tampouco envidou quaisquer esforços para obtêlas, tudo a indicar que tais despesas eram fictícias, pois todos os prazos foram dados ao contribuinte para obter o documentário fiscal ou mesmo comprovar o pagamento deles. Por óbvio, era ônus do fiscalizado comprovar seus custos ou despesas, não cabendo à fiscalização auditar os custos ou despesas a partir de conta bancária ou de cheques emitidos pelo autuado. Este é que deveria ter envidado esforços junto aos bancos, para comprovar que as despesas foram pagas, visando desconstituir a tese do autuante de que as despesas eram inexistentes. Por relevante, devese anotar que a fiscalização chegou a intimar o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento das despesas (fl. 75), porém desse ônus não se desincumbiu o fiscalizado. Por tudo, não se pode acatar o evento de força maior (chuvas) ou a inversão do ônus probatório em desfavor da fiscalização, porque desde o início, antes das chuvas, as caixas box com as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte já não continham as despesas ou custos que foram glosados, sendo certo que o autuado poderia ter envidado esforços junto aos fornecedores, comprovando a existência das despesas/custos controvertidos, e desse ônus ele não se desincumbiu. ” (fl. 379/380) Por assim ser, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no ponto. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10410.721051/201323 Acórdão n.º 1101001.195 S1C1T1 Fl. 7 11 Da glosa de encargos de depreciação Nos termos da fl. 25 dos autos, notase que a ora Recorrente foi intimada pela fiscalização a apresentar memória de cálculo e documentação comprobatória que justificasse alguns lançamentos, “a maioria atípicos e com valores significativos, contabilizados a débito na conta de Custo Direto Despesas de Depreciação (311020019), nos meses de novembro e dezembro”, nos seguintes termos: 31/12/2008 1.572.846,75 42 VLR. REF. COMPLEMENTO DEPRECIAÇÃO CONTABILIZADO A MENOR, AJUSTADO C/ SISTEMA BONUM 31/12/2008 358.839,83 38 VLR. REF. ESTORNO DEPRECIAÇÃO CONTABILIZADO A MAIOR, AJUSTADO C/ SISTEMA BONUM 31/12/2008 441.374,86 45 VLR. REF. COMPLEMENTO DEPRECIAÇÃO CONTABILIZADO A MENOR, AJUSTADO C/ SISTEMA BONUM 31/12/2008 394.836,59 46 VLR.REF. COMPLEMENTO DEPRECIAÇÃO CONTABILIZADO A MENOR, AJUSTADO C/ SISTEMA BONUM 30/11/2008 191.320,75 83 VLR. REF. DEPRECIAÇÃO ACUMULADA VEÍCULOS DE CARGA NOV/2008 Na ausência de apresentação de documentos na fase de fiscalização em relação aos referidos lançamentos, houve a glosa dos respectivos encargos de depreciação. No julgamento promovido pela d. DRJ, foram corretamente acatados somente os seguintes argumentos, in verbis: “Na impugnação, alegou que também constaram, na mesma conta, os lançamentos de estorno do valor de R$1.088.693,64 e R$8.169,41 dessa mesma depreciação, registrados na mesma data dos ‘lançamentos atípicos’, fato este que não foi levado em conta pela fiscalização para a glosa desses custos. ‘Salientase que tais valores contabilizados não passam, nada mais nada menos, de ajuste entre contas contabilizadas incorretamente em períodos anteriores. Tendo em vista a identificação do erro se fez necessário a reclassificação para ajustar saldos das contas, bem como ajustes de complemento da depreciação contabilizada a menor em anos anteriores, uma vez que não fez parte do lucro tributável. No que tange ao valor de R$191.320,75, esse é o valor da depreciação do mês de novembro de 2008 da conta veículos, que está demonstrado no relatório de depreciação entregue a fiscalização e que foi contabilizado a menor, onde o correto seria R$177.045,94 + R$4.798,96, totalizando um montante de R$217.844,90’ Juntou à impugnação cópia do livro Razão, da conta citada e memória de cálculo da depreciação (fls. 353 e seguintes). Em relação à glosa da despesa de depreciação de 30/11/2008, vêse claramente que o impugnante trouxe os relatórios de depreciação de veículos que demonstram que o valor correto seria R$217.844,90, no período em discussão (fls. 357 a 367), resultado da soma de R$177.045,94 (fl. 362) com R$40.798,96 (fl. 367), e não o que restou contabilizado de R$191.320,75 (fl. 353), devendo assim ser afastada tal glosa, pois comprovada a despesa. (...) Por outro lado, compulsando a conta do livro Razão de depreciação trazida pelo impugnante, com registros contábeis em 31/12/2008 (fl. 354), vêse que todas as despesas glosadas estão com o histórico ‘VLR. REF. ESTORNO DE DEPRECIAÇÃO CONTABILIZADO A MAIOR, AJUSTADO COM SISTEMA BONUM’ (lançamento contábil de R$358.839,83) ou ‘VLR. REF. COMPLEMENTO DE DEPRECIAÇÃO CONTABILIZADO A MENOR, AJUSTADO COM SISTEMA Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 12 BONUM’ (demais lançamentos contábeis), e, nessa mesma data, há lançamentos a crédito, com histórico ‘VLR. REF. COMPLEMENTO DE DEPRECIAÇÃO CONTABILIZADO A MAIOR, AJUSTADO COM SISTEMA BONUM’ (R$8.169,41) e “VLR. REF. ESTORNO DE DEPRECIAÇÃO CONTABILIZADO A MAIOR, AJUSTADO COM SISTEMA BONUM’ (R$1.088.693,64), parecendo plausível a tese do impugnante de que a fiscalização não poderia deixar de considerar tais estornos, pois, efetivamente, os históricos denunciam que se trata de operações espelho a débito e a crédito. Dessa forma, (...) não se pode negar que a fiscalização deveria ter decotado das despesas glosadas os estornos (R$8.169,41 e R$1.088.693,64), pois, como já dito, os históricos dos registros contábeis demonstram que os lançamentos contábeis, a débito e crédito da conta 311020019, em 31/12/2008, são de mesma natureza, devendo os segundos ser considerados pela fiscalização. Com as razões acima, devese reduzir da glosa de despesa de depreciação (R$2.959.218,78 fl. 94) os créditos já referidos, no importe total de R$1.288.183,80 (R$191.320,75 + R$8.169,41 + R$1.088.693,64) a remanescer uma glosa a tal título de R$1.671.034,98. ” (fl. 383/384) Em relação às demais glosas do mês de dezembro de 2008, certo é que a ora Recorrente deveria ter apresentado documentos comprobatórios de seu alegado direito (memória de cálculo ou cópia das notas fiscais de entrada e, no caso de leasing, cópia dos contratos), de modo que, na ausência dessas provas, pareceme correta a glosa levada a efeito pela fiscalização e mantida na instância a qua. Assim, não é possível acatar os argumentos apresentados pelo contribuinte no sentido de que tais valores seriam apenas ajustes entre contas contabilizadas incorretamente em períodos anteriores sem a documentação de suporte para essa alegação. Por outro lado, também não me convenço de que caberia ao Fisco o ônus de provar que foram ilegítimas as despesas de depreciação, porquanto se trata de encargo da contribuinte. Por assim ser, quanto ao ponto, NEGO PROVIMENTO tanto ao Recurso Voluntário quanto ao Recurso de Ofício. Da glosa de despesas com abastecimento de veículos Com relação à glosa de despesas com abastecimento de veículos ponto que somente é objeto de recurso de ofício , consta do relatório fiscal (fl. 25) que “diversas despesas, embora com nota fiscal, não apresentavam os demais requisitos necessários à avaliação de sua necessidade e utilidade para a empresa”, afirmando que, em diversos casos, não havia qualquer elemento “que possibilitasse identificar o veículo que foi abastecido”, sendo que a fiscalização sequer juntou aos autos as notas fiscais referidas, mas apenas uma relação delas acostada à fl. 100 dos autos. Ressaltese, no ponto, que a própria fiscalização reconhece que essas notas fiscais consubstanciam uma parte pequena dentre o universo daquelas existentes e lançadas como ‘despesas com abastecimento de veículos’, afirmando, contudo, que, “na maioria das notas fiscais de combustíveis apresentada pela empresa, constava a identificação do caminhão ou caçamba abastecida”. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10410.721051/201323 Acórdão n.º 1101001.195 S1C1T1 Fl. 8 13 É dizer, a questão em julgamento é se deve (ou não) ser cancelada a glosa de despesas com abastecimento (R$203.188,81), glosa essa que teve por fundamento o fato de não constar anotações que identificam o veículo abastecido. A meu sentir, também deve ser mantido o entendimento externado pelos Nobres Auditores Fiscais Julgadores da instância de piso, no sentido de que o trabalho fiscal não foi exauriente, de modo que o cancelamento da glosa é medida de rigor. Com efeito, restou assentado nos autos que a empresa possui vasta frota de veículos (mais de 200 veículos, entre caminhões, caçambas, compactadores, páscarregadeiras, máquinas de terraplanagem e outros equipamentos movidos a combustíveis). Para além disso, à fl. 293, a contribuinte afirma que utilizase também “de caminhão tanque para o abastecimento de máquinas e equipamentos ‘in loco’, sendo assim impossível constar das Notas Fiscais de aquisição desses combustíveis, as placas de identificação dos veículos abastecidos, mesmo porque, no ato da aquisição, não se sabe sequer qual será o veículo ou máquina a ser abastecido”. A partir disso, e considerando que, cf. asseverou a d. DRJ, “parece claro que a glosa de despesa com combustível foi marginal (não se pode asseverar isso com certeza, pois não há livro contábil juntado aos autos) ” (fl. 384), deveria a fiscalização ter intimado alguns dos postos de combustíveis, ao menos em relação às notas fiscais mais expressivas, para o fim de demonstrar que as despesas não teriam beneficiado a empresa. Na ausência desse prudente procedimento fiscal, deve ser mantido entendimento externado na instância a qua, cancelandose a glosa das despesas de combustíveis. Por assim ser, no ponto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Das multas isoladas derivadas do não recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL Quanto às multas isoladas aplicadas, defende a ora Recorrente que “totalmente arbitrária e desprovida de sustentação legal é a pretensão do auditorfiscal, levada a termo no sentido de penalizar duplamente a Impugnante ao lhe aplicar uma multa de 75% sobre o IRPJ e a CSLL que presume como não recolhido e ao mesmo tempo, cumulativamente, aplicar outra multa de 50% sobre esses mesmos tributos, calculados de forma estimada, mês a mês” (fl. 422) No ponto, penso que tenha razão a contribuinte. Com efeito, os recolhimentos mensais estimados configuram mero adiantamento de numerário aos cofres públicos, com vistas à consecução do desiderato governamental de manutenção da homogeneidade da arrecadação, dentro do mesmo ano calendário. Os fatos geradores do IRPJ e da CSLL, anualmente apurados, são, nesse cenário, reputados complexivos, eis se aperfeiçoarem fictamente em um único átimo, identificado ao último dia do exercício fiscal. No momento em que se esgota o período de Fl. 447DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 14 apuração anual, temse, pois, o efetivo deslinde das bases de cálculo pertinentes, com o desvelo do montante de exação a ser recolhido. Em tal ocasião, deixam os recolhimentos antecipados de ter qualquer função, salvo no que se refere ao cotejamento de eventuais cifras a serem pagas (saldo positivo) ou a serem restituídas ou compensadas (saldo negativo). Noutras palavras, tão logo findo o exercício, há apenas de se aventar a cobrança do tributo complexivamente computado, deixando de ser importante eventual inadimplemento dos pagamentos mensais estimados. Nesse sentido, terminado o período de apuração, entendeu a RFB existir valores a serem recolhidos pela interessada, a título de IRPJ e de CSLL cifras estas ora lançadas. Não haveria, portanto, como se exigir, noutro anocalendário, o pagamento de estimativas pertinentes a período pretérito, já perfeito e finalizado. Ora, se não pode ser cobrado qualquer valor estimado, é evidente que não se faz possível, da mesma maneira, imputar sanções pecuniárias derivadas do não pagamento tempestivo. Seria ilógico punir o sujeito passivo, por força da falta de antecipação de tributo, depois de já se ter certeza da exação complexiva a ser quitada tributo este que já está sendo cobrado. A multa isolada ora lançada, pois, é incabível. Nesse sentido, há inúmeros precedentes, e.g.: “(...) IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, findo o período de apuração, de um lado, e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado complexivamente, de outro lado. A infração relativa ao não recolhimento das estimativas mensais caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir a exação, no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, ao passo que o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa da Fazenda, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA EM PERÍODO NO QUAL NÃO HOUVE EXIGÊNCIA DE OFÍCIO DO AJUSTE ANUAL. REGULARIDADE. Inexistindo concomitância, porque não aplicada multa de ofício sobre o imposto devido no ajuste final do anocalendário, subsiste a aplicação de multa isolada sobre as estimativas não recolhidas. ” (Processo 10120.000108/200936. Acórdão 1101 000.673. Sessão de 14/03/2012. Cons. Rel. Benedicto Celso Benício Júnior) Por assim ser, no ponto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Conclusão Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário interposto, para excluir as exigências relativas às multas isoladas impingidas simultaneamente à multa de ofício. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10410.721051/201323 Acórdão n.º 1101001.195 S1C1T1 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheiro PAULO MATEUS CICCONE Divirjo do I. Relator apenas no que tange ao seu entendimento acerca das chamadas “multas isoladas” quando igualmente presentes lançamentos com exigência concomitante de multa de ofício. Nesta linha, perfilo com os que pensam estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, vez que, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada, exigência que transcende a situação fática de ter sido apurado lucro ou prejuízo no final do período anual. Como se sabe, o tema foi tratado de prefácio no art. 44, I, §1º, IV da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (DOU 22/01/2007), convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com a redação abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 16 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Compulsando as alterações legislativas acima elucidadas, não se verifica qualquer alteração substancial nos dispositivos no que tange à hipótese de incidência e à base de cálculo da multa isolada em apreço. O objetivo do preceito contido no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (com as alterações legislativas supervenientes, inclusive) foi o de assegurar o recolhimento antecipado e evitar o não pagamento da estimativa mensal de IRPJ e CSLL no curso do anocalendário e reconhecer que a base de cálculo da multa isolada sempre foi, mesmo antes das alterações legislativas, o próprio valor da estimativa que deixou de ser paga. Nesse contexto, a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, elaborada a partir da vigência MP 351, de 2007 e da Lei nº 11.488, de 2007, ao instituir um percentual distinto e menos gravoso em relação ao aplicável ao descumprimento da obrigação tributária principal (IRPJ e CSLL devidos na apuração anual) apenas veio aperfeiçoar o preceito normativo acerca da incidência da multa isolada, por falta de recolhimento das estimativas mensais, explicitando o seu caráter de obrigação acessória. Sob a vigência da redação original da Lei nº 9.430, de 1996, e ainda atualmente, com a redação da Lei nº 11.488 de 2007, a multa isolada deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos; e deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida. De pronto, cumpre distinguir também, desde a vigência da redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a existência de duas multas e não de uma mesma multa, aplicada juntamente com o tributo devido, ou isoladamente. Tal interpretação é possível na medida que, apesar de inicialmente adotado o mesmo percentual de 75%, distinguemse perfeitamente duas hipóteses de incidência e duas bases de cálculo: (i) a falta de pagamento ou recolhimento do tributo ou contribuição devida, cuja base de cálculo é o IRPJ e a CSLL devidos na apuração trimestral ou anual; e (ii) no caso da apuração anual do IRPJ e da CSLL, a falta de pagamento ou recolhimento das antecipações mensais devidas, cuja base de cálculo é o IRPJ e a CSLL mensalmente apurados sobre a receita bruta ou balancetes e suspensão ou redução. Nesse contexto, importante desvelar os fundamentos contra a concomitância da incidência das multas. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10410.721051/201323 Acórdão n.º 1101001.195 S1C1T1 Fl. 10 17 Em primeiro lugar, se não se trata da mesma hipótese de incidência e nem da mesma base de cálculo, também não se trata dos mesmos fatos, e o exemplo fala por si mesmo: deixar de recolher a antecipação devida a título de estimativa de IRPJ e CSLL em janeiro, fevereiro, março ou abril, por exemplo, não é o mesmo que deixar de pagar o IRPJ e a CSLL devidos no ajuste anual. Não se acata assim a tese de que teriam o mesmo pressuposto fático as multas previstas no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e relativas (i) à falta de pagamento de tributos e contribuições apurados, em caráter definitivo, trimestral ou anualmente, e (ii) à falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, com caráter de provisoriedade. Não têm. Apesar da necessária relação entre as antecipações mensais devidas a título de estimativa e o IRPJ e a CSLL devidos ao final do período, não poderia haver absorção de uma pela outra, sob pena de quase completa inviabilização da incidência da multa isolada, e porque, como se verá adiante, estarse diante de obrigações tributárias completamente autônomas, conforme as expressas disposições da hipótese normativa da multa isolada: a multa, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal, incide “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido”. Quando se parte do pressuposto de que são multas de distintas hipóteses normativas e bases de cálculo, não se sustenta a argumentação de que a concomitância deveria ser afastada por falta de expressa disposição na legislação. Na verdade, a concomitância somente precisaria estar expressamente consignada na Lei quando as multas fossem incidentes sobre os mesmos fatos, o que não é o caso em apreço. Lembrese que a possibilidade legal de ser afastada (no todo ou em parte) a obrigatoriedade da antecipação mensal no curso do anocalendário somente ocorre mediante a elaboração de balanços e balancetes acumulados e mensais de suspensão e redução dos recolhimentos devidos. Temse assim que a multa isolada em questão, que decorre da falta de pagamento mensal das estimativas devidas no curso do anocalendário, é aplicada em função do descumprimento de uma obrigação tributária acessória (falta de recolhimento de antecipações obrigatórias), e é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. Isto porque a estimativa não pode ser considerada propriamente um “tributo” devido, a ser extinto, por pagamento (modalidade de extinção da obrigação e do crédito tributário, prevista no art. 156, I do CTN), mas apenas uma “antecipação estimada” do tributo, a ser apurado como devido, ou não, ao final do período de apuração, que é devida e deve ser recolhida apenas para validar uma determinada sistemática de tributação de livre opção do contribuinte, qual seja: o Lucro Real Anual. Impõese ressaltar que a expressão “antecipação estimada do tributo, a ser apurado como devido, ou não” quer dizer justamente que ainda que não apurado tributo devido e/ou apurado saldo negativo de IRPJ/CSLL ao final do período, as estimativas apuradas mensalmente como devidas, no curso do anocalendário, e não extintas, mediante pagamento ou compensação, devem ser objeto de lançamento de multa isolada. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 18 E não se pode alegar que se trata de multa incidente sobre falta/insuficiência de pagamento que se configurou indevido: (i) porque a obrigação acessória de antecipar o IRPJ/CSLL, apurados mensalmente, persiste independentemente da configuração da obrigação principal de pagar o tributo devido ao final do período; e (ii) porque não há exigência da estimativa não recolhida, mas apenas da multa isolada sobre a infração apurada. Decorre do exposto acima que, nem no curso, e nem após o encerramento do anocalendário, com a apuração do IRPJ e da CSLL devidos no ajuste anual, é possível o lançamento das estimativas propriamente ditas, porque não existe dever de pagar tributo, apurado com caráter de provisoriedade, mas apenas dever de antecipar um valor que poderá vir a se configurar devido ou indevido, ao final do período. Aliás, é justamente porque a estimativa não é exigível como obrigação principal (tributo), que foi instituída uma multa isolada (ou seja, exigida sem que o principal fosse exigido), para justamente penalizar as pessoas jurídicas que, apesar de optantes pela sistemática de apuração do Lucro Real Anual, descumprem, no curso do anocalendário, a obrigação de apuração e recolhimento das antecipações mensais obrigatórias, nos termos da legislação em vigor. O único instrumento de que dispõe o Fisco para sancionar o descumprimento do dever de antecipar o IRPJ/CSLL devidos mensalmente pelas pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Real Anual, é a aplicação da multa isolada. Concluise daí que, além de distintas naturezas jurídicas, são completamente autônomas as obrigações tributárias, relativas às antecipações mensais devidas a título de estimativas, e as relativas ao IRPJ e a CSLL devidos ao final do período de apuração anual, e tal autonomia encontra eco nas próprias disposições legislativas, quando se referem à incidência da multa isolada, ainda que apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no período, de modo que a multa isolada é sempre exigível, desde que apurada falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, sendo irrelevante a apuração de tributo devido no ajuste anual. Pelas razões expostas, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em relação aos lançamentos de multas isoladas, mantendo as exigências impostas. No mais, acompanho o Relator nos outros temas aqui tratados. É como voto. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 24 de setembro de 2014. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Relator designado Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10410.721051/201323 Acórdão n.º 1101001.195 S1C1T1 Fl. 11 19 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE
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Numero do processo: 10680.009817/2004-27
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/09/2002
PEDIDO DE PERÍCIA.
A perícia visa à formação da convicção do julgador devendo ser indeferido o pedido quando a autoridade julgadora entender prescindível.
PIS. DECADÊNCIA.
Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n° 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendO, com fulcro no art. 150, § 4°, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 32 da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas que não decorram de seu faturamento.
PIS. BASE DE CÁLCULO. REGIME DE APURAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN.
cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins deva ser apurada com base no regime de competência e não de caixa, a edição das IN SRF n° 40/89 e 41/89, possibilitou a utilização do mesmo critério de apuração do lucro real, ou seja, nas vendas para recebimento em prestações pelo regime de caixa. Assim, com fulcro no parágrafo único do art. 100 do CTN, deve ser excluída a multa de oficio, referente a este tópico.
PIS. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. CONTRIBUINTES
As empresas consorciadas, na forma da Lei n° 6.404, de 1976, são contribuintes do PIS, proporcionalmente à sua participação no consórcio, devendo recolher a contribuição em seus respectivos nomes e CNPJ.
PROVAS DAS ALEGAÇÕES.
São incabíveis alegações genéricas, devendo ser acompanhadas dos demonstrativos e provas suficientes que as confirmem, de modo a elidir o lançamento.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
É devido o lançamento e multa de oficio pela falta ou insuficiência de recolhimento de contribuições.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.129
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de - qualidade, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I — por unanimidade de votos cancelar o auto de infração, em relação aos fatos geradores de abril a julho de 1999, em razão da decadência; II - por unanimidade de votos excluir as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição; III - em relação ao lançamento decorrente das receitas de vendas de imóveis deverá ser excluída a multa de ofício, com base no parágrafo único do art. 100 do CTN; Vencido os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjao Barreto, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Alexandre Gomes que davam provimento também para excluir da base de cálculo as receitas referente às SCP's em que a EGESA é sócia oculta.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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A perícia visa à formação da convicção do julgador devendo ser indeferido o 1 pedido quando a autoridade julgadora entender prescindível. PIS. DECADÊNCIA. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n° 8, considerou . inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendO, com fulcro no art. 150, § 4°, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou artigo 173, I, em caso contrário. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1 2 do art. 32 da Lei n2 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas que não decorram de seu faturamento. PIS. BASE DE CÁLCULO. REGIME DE APURAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. ...t.- Ainda que a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins deva ser apurada com base no regime de competência e não de caixa, a edição das IN SRF n° 40/89 e 41/89, possibilitou a utilização do mesmo critério de apuração do lucro real, ou seja, nas vendas para recebimento em prestações pelo regime de caixa. Assim, com fulcro no parágrafo único do art. 100 do CTN, deve ser excluída a multa de oficio, referente a este tópico. PIS. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. CONTRIBUINTES (iNit -- \ i Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n." 2102-00.129 Fl. 371 As empresas consorciadas, na forma da Lei n° 6.404, de 1976, são contribuintes do PIS, proporcionalmente à sua participação no consórcio, devendo recolher a contribuição em seus respectivos nomes e CNPJ. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas, devendo ser acompanhadas dos demonstrativos e provas suficientes que as confirmem, de modo a elidir o lançamento. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. É devido o lançamento e multa de oficio pela falta ou insuficiência de recolhimento de contribuições. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Sel c. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de - qualidade, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I — por unanimidade de votos cancelar o auto de infração, em relação aos fatos geradores de abril a julho de 1999, em razão da decadência; II - por unanimidade de votos excluir as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição; III - em relação ao lançamento decorrente das receitas de vendas de imóveis deverá ser excluída a multa de ofício, com base no parágrafo único do art. 100 do CTN; Vencido os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjao Barreto, Fernando Luiz da Gama Lobo D"Eça e Alexandre Gomes que davam provimento também para excluir da base de cálculo as receitas referente às SCP's em que a EGESA é sócia oculta. I G+ j1600.1i.--Ct ILIJO,CUltit(j0: • SEF MARIA COELHO MARQUES Presidente • MAURICIO TAV RA SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco. I - Relatório EGESA ENGENHARIA S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 330/361 contra o acórdão n° 02-16.437, de 03/12/2007, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte - 2 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 372 MG, fls. 300/319, que julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 05/08, decorrente de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago do PIS, referente aos períodos de abril de 1999 a setembro de 2002, cuja ciência ocorreu em 05/08/2004 (fl. 05). Conforme o Termo de Verificação Fiscal - TVF, de fls. 15/21, a empresa se encontra entre os substituídos em dois Mandados de Segurança Coletivos' (processos nos 1999.38.00.012835-8 e 2000.38.00.029016-6), impetrados pelo Sicepot/MG (Sindicado da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais). O primeiro visou tornar sem efeito as alterações promovidas na base de cálculo e alíquota pela Lei n° 9.718/98, mas em Recurso Extraordinário ao STF foi pedida a retirada da fiscalizada do processoJ No segundo foi requerido o direito de excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores repassados às subempreiteiras, com base no inciso III, do §2°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98, com liminar e sentença favoráveis aos impetrantes. Assim, foram lançadas em outro auto de infração as diferenças apuradas no período de fevereiro de 1999 a maio de 2000, coin exigibilidade suspensa, até o montante dos repasses efetuados a subempreiteiros, inclusive aqueles • repassados pelas Sociedades em Conta de Participação (SCP) em que o fisCalizado é sócio ostensivo. Para as diferenças que extrapolaram os referidos repasses, foi constituído o crédito tributário exigível. O referido Termo menciona, ainda, que a contribuinte vinha oferecendo à tributação as receitas oriundas de vendas de imóveis quando do efetivo Ocebimento. No entanto, o ADI n° 4/2002, esclareceu que o regime de reconhecimento de receitas previsto no art. 2° da MP n°2.221, de 2001, seria aplicado aos fatos geradores do PIS e da Cofins ocorridos • a partir de 04/12/2001. Assim, no período compreendido entre 01/02/1999 a 03/12/2001, foram consideradas na base de cálculo as vendas de imóveis pela totalidade da transação, sendo irrelevante a forma de recebimento. Após 03/12/2001 foram tributadas somente as parcelas efetivamente recebidas. Foram contabilizadas em janeiro e abril de 2001 as transferências de quatro imóveis para o Sr. Rodrigo Pinto Canabrava, tendo a contribuinte informado que tais operações se deveram a saída do sócio da empresa, sendo entregues os imóveis como parte do pagamento pela sua participação societária. A forma de transferência se deu via venda das unidades imobiliárias, com recebimento das próprias ações da empresa, conforme as escrituras públicas lavradas em 26/04/2000, 19/09/2000, 24/11/2000 e 12/03/2001. Registra, também, não ser possível, entretanto, a caracterização das transações como restituição de capital a sócio com ativos da fiscalizada, pois a aquisição das ações só foi escriturada em agosto/2001. Assim, foram considerados na base de cálculo das contribuições os valores das unidades imobiliárias. No caso das SCP em que a fiscalizada figura como sócia, foram considerados na composição da base de cálculo da Cofins e do PIS somente as receitas das sociedades em que era sócia ostensiva e, como tal, responsável pelo recolhimento das contribuições. Para os consórcios em que o contribuinte é parte foram consideradas na base de cálculo as receitas proporcionais as sua participação. Todos os DARF's apresentados e todos os pagamentos encontrados nos sistemas foram utilizados na apuração das contribuições devidas. - Também foram incluídas na base de cálculo as variações cambias ativas, decorrentes de alienação de propriedade rural, nos meses de maio a outubro de 1999. A referida propriedade foi vendida em 15/12/1998, mas em 07/10/1999 as partes assinaram o Termo de Rescisão de Instrumento Particular de Compra e Venda de Imén liel e a empresa promoveu os estornos decorrentes da venda na escrituração contábil em 01/12/1999, anulando I -1, 3 Processo n° 10680.009817/2004-27 52-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 373 os valores das variações sofridas pela alienação. Embora tenha ocorrido o distrato, a transação gerou efeitos no mundo jurídico enquanto vigorou o negócio. Assim, a empresa deveria reconhecer na base de cálculo das contribuições as variações ativas auferidas, conforme disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98, e no ADN SRF n° 73/99. Para efeito de constituição do crédito tributário foi coasid.erada a menor diferença apurada entre o valor devido e o informado pelo contribuinte em sua is DCTF somado às compensações efetivadas em sua contabilidade, e o valor devido e os pagamentos, depósitos e compensações efetuados, conforme as planilhas de fls. 22/37. Foram aproveitados todos os pagamentos e depósitos judiciais constantes nos sistemas da Receita Federal. As informações sobre as compensações efetuadas na contabilidade da empresa foram agrupadas na planilha de fl. 39, ressaltando-se que no período de agosto a novembro de 2001 não há qualquer registro de compensação contabilizado. Irresignada, a contribuinte apresentou, em 06/09/2004, impugnação de fls. 218/251, acrescida dos documentos de fls. 252/298 e 02/226 do anexo 5, aduzindo os seguintes argumentos: 1. decadência qüinqüenal com fulcro no art. 150, § 4° do CTN abrangendo os fatos geradores anteriores a agosto/1999; 2. tendo em vista a insubsistência do crédito tributário pretendido, o auto de infração é nulo; 3. as diferenças apuradas relativas às receitas de serviços pagas por pessoa jurídica de direito público decorrem de pagamentos efetuados pelo DNER e pela Diretoria de Engenharia de Aeronáutica, que retiveram na fonte os tributos, consoante art. 64 da Lei n° 9.430/96. De modo a comprovar junta os Condarf fornecidos pelos referidos órgãos; 4. indevida a tributação das receitas de vendas de imóveis pelo regime de competência, entre fevereiro/1999 e 03 de dezembro/2001, adotado pela fiscalização, vez que o art. 30 da Lei n° 8.981/95, e IN SRF n's 40 e 41, de 1989 já previam que a receita bruta, no caso de exploração imobiliária, é o montante recebido. O art. 2° da MP referida tem caráter interpretativo retroagindo à Lei que interpreta (Lei n° 8.981/95). O ADI n° 4/02 sob o argumento de interpretar a Medida Provisória criou limitações extrapolando a previsão legal; 5. ainda que se admitisse a interpretação do fisco, deveria ser excluído do total da venda a parcela de receita efetivamente recebida, sobre a qual efetuou o respectivo recolhimento. Seria cabível, quando muito, juros pelo recolhimento do PIS em atraso, sendo indevida a multa, pois houve denúncia espontânea no recolhimento. Junta memória dos recebimentos das parcelas relativas às vendas dos apartamentos, por unidade vendida, de abril/1999 a dezembro/2002, cujos recolhimentos efetuados não foram considerados pelo fisco. 6. indevida a inclusão na base de cálculo dos valores referentes a operações decorrentes da redução de capital para restituição a acionista que se retirou da sociedade. Quatro imóveis foram transferidos ao Sr. Rodrigo Pinto Canabrava, nos valores de: R$ 298.889,31 e R$ 185.523,78, em janeiro/2001, e R$ 185.523,78 e R$ 185.523,78, em abril/2001. Assim, o recebimento de suas próprias ações como "pagamento pelos imóveis entregues ao acionista que se retirava da sociedade foi considerado como receita de vendas de imóveis. Porém, essas ações formam recebidas em tesouraria e destinadas à diminuição do Nik sn - 4 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 374 capital social da empresa, não se configurando, nesse caso, operação de receita, vez não se configurou qualquer ganho patrimonial; 7. o fisco desconsiderou o fato de que as receitas auferidas pelas SCP ei que -- figura como sócia e pelos consórcios em que participa já foram devidamente tributadas, ou seja, estão sendo cobrados valores que já foram pagos pelo consórcios e SCP. As planilhas anexas demonstram as receitas diretamente tributadas nas SCP, indevidamente consideradas na presente autuação: Sociedade COMTEL/EGESA-SCP 1, em que não figura como sócia ostensiva, conforme o contrato de constituição da sociedade; Sociedade Felixlândia-SCP; Sociedade Itupiranga-SCP; Sociedade Crema/TO; e Sociedade Niquelândia; 8. sobre os consórcios, embora não sejam dotados de personalidade jurídica, nos termos do art. 278 da Lei n° 6.404/76, possuem capacidade tributária, devendo cumprir todas as obrigações fiscal-tributárias relativas a sua atividade, tais como 10 pagamento de tributos e a escrituração e emissão de documentos fiscais. Nesse sentido, transCreve Solução de Consulta da Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais e entendimento doutrinário. Destaca que a Receita Federal também respondeu consulta dispondo que o' PIS e a Cofins devem ser recolhidos em nome do consórcio; 9. as planilhas anexas evidenciam as receitas tributadas diretamente nos seguintes consórcios: Consórcio 5 Vias; Consórcio Rodominas/Egesa; Consórcio QG-TER; Consórcio CMS/EGESA; Consórcio Minas Sul; Consórcio Egesa/Ponte Rio Araguaia;- Consórcio Egesa/Comim; Consórcio Egesa/Comim Sitec/Lage; Consórcio Egesa/Comim Natal; e Consórcio Egesa/Comim Projeto Alvorada. Assim, de modo a comprovar o alegado, requer perícia e diligência, uma vez que tal comprovação envolve documentação de terceiras empresas; 10. indevida a tributação de valores relativos a variações cambiais de moeda estrangeira nos meses de maio a outubro de 1999 (R$ 693.600,00, R$ 273.000,00, R$ 118.200,00, R$ 784.800,00, R$ 102.000,00 e R$ 78.000,00, respectivamente) oriundas de alienação de propriedade rural, uma vez que em 07/10/1999 o Contrato Ide Promessa de Compra e Venda pactuado foi extinto por meio de Temo de Rescisão de Instrumento Particular de Compra e Venda de Imóvel, tendo sido promovida a escrituração contábil em 01/12/1999, anulando os valores das variações sofridas. Assim, a expectativa de receita gerada pela promessa de compra jamais se efetivou. Transcreve doutrinária e decisões judiciais sobre o tema; 11. a receita financeira não pode ser considerada como base de cálculo do PIS e da Cofins, porque extrapola o conceito de faturamento. Assim, a Lei n° 9.718/98, que equipara faturamento à receita bruta a qualquer título afronta o art. 110 do CTN; 12. a multa de 75% exigida é desproporcional e irrazoável e confiscatória. Entende ser aplicáveis, ao caso, os incisos Te lido art. 112 do CTN; 13. inaplicabilidade da taxa Selic pela violação ao princípio da estrita legalidade; 14. requer a realização de perícia contábil para o esclarecimento das questões apontadas, nomeando perito e indicando quesitos. / 7-\ 4 \ k 5 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 375 Por fim, requer seja declarada a nulidade do auto de infração, tendo em vista a decadência do período anterior a agosto de 1999; seja deferida a realização de perícia contábil; seja declarada a total improcedência do lançamento, pelas razões de fato e direito alegadas; sejam declarados nulos os juros calculados com base na taxa Selic e a excessiva multa cobrada, sendo deferidos ou não os seus pedidos anteriores. A DRJ decidiu no sentido de rejeitar as preliminares de decadência e nulidade, indeferir o pedido de perícia e considerar procedente em parte o lançamento, para: a) exonerar o contribuinte do valor de R$ 10.516,66 e respectivos acréscimos legais, correspondente aos períodos de maio, junho, julho, setembro e outubro de 1999, e janeiro e abril de 2001, conforme o demonstrativo acima elaborado; e b) exigir do contribuinte o pagamento da (sic) do PIS no valor de R$ 324.004,98, a ser acrescido da multa de oficio e dos juros de mora. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1999 a 30/09/2002 O prazo decadencial das contribuições que compõem a Seguridade Social - entre elas o PIS - encontra-se fixado em lei. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo e em consonância com a legislação de regência. - A partir de 4 de dezembro de 2001, a receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo do PIS, corresponde ao valor efetivamente recebido pela venda de unidades imobiliárias, de acordo com o regime de reconhecimento de receitas previsto, para o caso, pela legislação do Imposto de Renda. Deve ser incluído na base de cálculo do PIS o valor dos juros e das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índice ou coeficiente aplicáveis por disposição legal ou contratual, que venha a integrar os valores efetivamente recebidos pela venda de unidades imobiliárias. O sócio ostensivo é responsável exclusivo pelos tributos e contribuições federais devidos pela Sociedade em Conta de Participação da qual faz parte. As empresas consorciadas respondem pelas obrigações tributárias surgidas com as atividades do consórcio, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. - No caso de lançamento de oficio, o autuado está sujeito ao pagamento de multa sobre os valores do tributo devido, nos percentuais definidos na legislação de regência. X-- 6 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 376 As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontram-se disciplinadas em lei. Indefere-se o pedido de perícia quando não demonstrada sua real necessidade ao deslinde do litígio. Lançamento Procedente em Parte Inconformada, a contribuinte protocolizou, tempestivamente, em 12/05/2008, recurso voluntário de fls. 330/361, aduzindo os argumentos sintetizados nos pedidos formulados nos seguintes termos: a) seja acatada a preliminar de cerceamento de defesa consubstanciado no indeferimento desmotivado do pedido de realização de perícia técnica-contábil, determinando-se a imediata realização da perícia; b) seja reconhecida a decadência relativamente a fatos geradores ocorridos até agosto de 1999; c) seja abatido do total do crédito os valores retidos por órgãos públicos e não considerados, os débitos abrangidos pelo parcelamento efetuado, os valores recolhidos por meio de DARFs e não considerados e demais valores questionados pelo presente recurso voluntário; d) em caso de impossibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS o total dos valores referentes às receitas financeiras, -sejam esses valores excluídos relativamente aos fatos geradores ocorridos até o advento da Lei n. 10.833, de 2003; e) seja declarada a nulidade do crédito relativamente aos juros calculados com base na Taxa Selic, bem como seja excluída ou, pelo menos, diminuída a excessiva multa cobrada. .1) e, caso sejam indeferidos os pedidos anteriores, admitindo-se que os valores de COFINS (sic) ora exigidos são devidos, requer a Recorrente a declaração de nulidade do débito relativamente aos juros calculados com base na Taxa Selic, bem como à excessiva multa cobrada. - É o Relatório. Voto - Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Preliminarmente a contribuinte aduz que o indeferimento de prova pericial constitui cerceamento do direito de defesa. Alega que, consoante decisão a'quo, "o fato de supostamente 'constar dos autos os elementos indispensáveis à resolução Ido_ litígio' não 7 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 377 supri a necessidade de realização de perícia." Menciona, ainda, que "tendo em vista que é clara a existência de divergências entre as conclusões tiradas pelo fisco e as tiradas pelo contribuinte a partir da análise dos mesmos documentos, impõe-Se necessária a realização da perícia técnica, cujo indeferimento constitui cerceamento do direito de defesa." Não assiste razão à recorrente. De se ressaltar que a necessidade da perícia decorre da formação de convicção da autoridade julgadora, devendo ser indeferida quando considerar prescindível, conforme dispõe o art. 18 do Decreto n° 70.235/72 e alterações. No presente caso a perícia é plenamente prescindível, visto que, como de praxe, á lide decorre da existência de divergências entre as conclusões tiradas pelo fisco e a is extraídas pelo contribuinte. Uma vez que os documentos estejam acostados aos autos, cabe ao julgador analisá-los de modo a resolver a questão. Ademais, os pedidos de perícia Ou diligência se fundam na impossibilidade de que as provas possam ser trazidas aos autos pela recorrente, como no caso de os elementos examináveis consistirem em máquinas, construções ou de processos produtivos. Feitos esses esclarecimentos iniciais, preliminarmente cabe analisar a possível ocorrência de decadência de parte dos períodos lançados. Conforme é l cediço, houve a edição da Súmula Vinculante n° 8, pelo STF, publicada em 20/06/2008, considerando inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, havendo que se reconhecer a decadência DO PIS em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Desse modo, o prazo para constituição do crédito tributário rege-se pelo art. 150, § 40, ou pelo artigo 173, I, ambos do CTN, consoante, respectivamente, ter havido pagamento antecipado ou não. Tendo em vista que o lançamento decorrç_ de diferenças apuradas e, consoante planilhas de fls. 23 e 25, houve pagamento. Assim, a decadência se verifica com fulcro no art. 150, § 4°, do CTN. Destarte, os fatos geradores referentes aos períodos de abril á julho de 1999, encontravam-se fulminados pela decadência, à época do lançamento ocorrido l em 05/08/2004 (fl. 05). Portanto, somente subsiste a autuação referente aos fatos geradores posteriores a julho de 1999 até setembro de 2002. A contribuinte insurge-se contra a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras decorrentes do alargamento da base de cálculo promovida pela Lei n° 9.718/98. Sobre o tema, conforme relatado, a empresa discutia a matéria judicialmente, por meio do Sicepot/MG, contudo optou por se retirar da lide no Recurso Extraordinário. De outra banda, em que pese a incompetência deste Conselho para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária, com supedâneo na autorização contida no art. 77 da Lei n° 9.430/96 e art. 4 0, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97, assim dispõe o art. 49, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/07: Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica - vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. -cy 8 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 378 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (--.) Nesse diapasão, em julgamento realizado em 09/11/2005, pelo Pleno do STF nos RE nos 357.950 e 358.273, o § 1° do art. 3 0, da Lei n° 9.718/98, foi objeto de acórdão cuja publicação ocorreu em 15/08/2006 e o trânsito em julgado em 05/09/2006. O acórdão e a ementa registram o seguinte teor: Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendo-o, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendo-o, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. André Martins de Andrade e, pela recorrida, o Dr. Fabricio da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (Vice-Presidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do 1° do artigo 1° da Resolução n° 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão:O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deu-lhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8° e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. (grifei) CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE — ARTIGO 3°,1 1°, DA LEI N" 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 — EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO — INSTITUTOS — EXPRESSÕES E VOCÁBULOS — SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o c9nteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o principio da realidade, considerados os elementos tributários. (grifei) L'" 9 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 379 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PIS — RECEITA BRUTA — NOÇÃO — INCONSTITUCIONALIDADE DO sç 1° DO ARTIGO 3 0 DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, junzindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o :$1° do artleo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (grifei) Tendo em vista o STF já haver se pronunciado definitivamente através de seu Pleno acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3°, da Lei n° 9.718/98, com fulcro no art. 49, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/07, há que se reconhecer o direito de a contribuinte ter excluído do presente lançamento a exigência decorrente de receitas estranhas ao faturamen o. Ademais, nesse sentido vem decidindo este Conselho, conforme demonstram as ementas que, parcialmente, se traz à colação: INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do 55' 12 do art. 32 da Lei n2 9.718/98, deve o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS sobre outras receitas, inclusive o recebimento de crédito presumido de IPL ." (Acórdão 201- 80964; Recurso 139359; Relator Walber José da Silva; Data da Sessão 12/03/08). COFINS. LEI N° 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. LANÇAMENTO. SUBTRAÇÃO DAS ALTERAÇÕES INCONSTITUCIONAIS. Declarada a inconstituoionalidade de lei pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, o lançamento efetuado com base na lei inconstitucional deve ser ajustado à legislação vigente. (Acórdão 201-81027; Recurso 140171; Relator José Antonio Francisco; Data da Sessão 14/03/08). INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1 0 do art. 3' da Lei n°9.718/98, pode o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS sobre receitas financeiras.Recurso provido. (Acórdão 201-80474; Recurso 137543; Relator Walber José da Silva; Data da Sessão 14/08/07). io Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 380 Desse modo, com supedâneo no princípio da eficiência, insculpido, tanto no art. 37 da CF/88, bem assim no art. 2° da Lei n° 9.784/99, o qual deve ser observado pela Administração Pública e, ainda, visando à economia processual, entendo que este Conselho deva se manifestar no presente caso, de modo a reconhecer a improcedência do lançamento em relação ao alargamento da base de cálculo da exação. Registre-se que este colegiado já se manifestou em situação semelhante, por meio do recurso n° 147333, acórdão n° 201-80.991 de 13/03/2008, de relatoria do Conselheiro Walber José da Silva, que em suas razões de voto, consigna: "No caso concreto, a recorrente tem a seu favor uma decisão do STF, transitada em julgado no dia 06/08/2007 (fls. 379 e 380), que declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovida pela Lei n°9.718/98. É claro que tal decisão não é dirigida a nenhuma autoridade deste Colegiado e, portanto, não há obrigação de seu cumprimento por parte dos membros desta Câmara. - No entanto, em homenagem ao princípio da economia processual, não há razão para continuar a pendenga administrativa cujo objeto (alargamento da base de cálculo da exação pela Lei n° 9.718/98) já foi, de fato, declarado improcedente por decisão definitiva do Poder Judiciário. Por esta razão, não vejo sentido em manter-se o lançamento com a única finalidade de ser cancelado pela autoridade obrigada a dar cumprimento à decisão judicial. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente o auto de infração." Assim, no presente caso, deve-se dar provimento ao recurso quanto a esta parte, excluindo-se as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição. Quanto às receitas de serviços, a contribuinte aduz se originarem de órgãos públicos, DNER e Diretoria de Engenharia da Aeronáutica, já tendo sido tributado na fonte, consoante art. 64 da Lei n° 9.430/96, devendo ser excluído da base de cálculo da exação. O § 3° do referido art. 64, da Lei n° 9.430/96 consigna: "§3° O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições." Compulsando os autos verifica-se que os comprovantes apresentados referentes aos valores retidos relativos ao DNER (Condarf às fls. 03/20 e 22/23, do anexo 5), referem-se ao código 6243 - Cofins - Retenção na Fonte - pagamento de órgão público a pessoa jurídica. Com relação aos valores retidos pela Diretoria de Engenharia de Aeronáutica, conforme declaração de fi. 21 do anexo 5, trata-se de quatro recolhimentos nos valores de R$3.026,81, R$2.838,66, R$2.733,23 e R$1.621,86, retidos entre junho e novembro de 2001. Em relação ao valor de R$3.026,81, a contribuinte o considerou em duplicidade, nos meses de maio e junho de 1999, conforme demonstram ,as planilhas 11È Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 381 elaboradas pela empresa às fls. 176 e 177. Assim, o fisco só considerou o valor referente ao mês de maio, conforme demonstra a planilha de fl. 31. Registre-se que o TVF (fl. 20) consigna: Quanto aos pagamentos e depósitos judiciais, foram aproveitados todos os registros constantes dos sistemas da SRF, conforme telas do sistema Sinal de fls. 143 a 165An. II. Não obstante, as planilhas foram submetidas à apreciação do' contribuinte, requisitando-se a apresentação de recolhimentos não registrados, conforme se comprova pela intimação de fls.72 a 92, o que não foi apresentado. (grifei) [-.] As informações relativas às compensações efetuadas na contabilidade da empresa foram agrupadas na planilha defls. 321 denominada "Demonstrativo das Compensações". Ressalte-se que, no período de apuração de agosto/01 a novembro/01, não há qualquer registro de compensação contabilizado, apesar do contribuinte considerar compensações em sua planilha "Conciliação das Bases de Cálculo PIS/COFINS" (fls. 179 a]82) Contudo, os outros três recolhimentos precitados perfazendo um total de R$7.193,76, ainda que não contabilizados, foram compensados pelo fisco em dezembro de 2001, conforme demonstram as planilhas de fls. 33 e 39. Portanto, diferente do que aduz a contribuinte, os valores retidos na fonte por órgãos públicos foram devidamente considerados na apuração da contribuição. O próximo tema a ser abordado refere-se ao momento em que a contribuinte deve oferecer as receitas de vendas de imóveis à tributação. A recorrente entende que sempre esteve autorizada a apurar a base de cálculo da contribuição pelo regime de caixa, com base no art. 30 da Lei n° 8.981/95. Registra que, ainda que o entendimento do fisco não fosse esse, deveria ter excluído a parcela de receita efetivamente recebida, sobre a qual calculou e pagou a contribuição. Assim, cabível tão somente a cobrança dos juros de mora pelo recolhimento em atraso, tendo em vista a ocorrência de denúncia espontânea. Não assiste razão à recorrente, conforme se demonstrará. O I art. 30 da Lei n° 8.981/95 se insere no Capítulo III - Do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, Seção II - Do Pagamento Mensal do Imposto. Portanto, de fato, a sistemática alternativa ao regime de competência prevista no mencionado artigo refere-se ao Imposto de Renda, não havendo supedâneo para sua aplicação em relação ao PIS e a Cofins. Em relação a tais contribuições, a previsão para o seu diferimento ocorreu somente com a edição da Lei n° 9.718/98, art. 7° e ainda assim, alcança apenas as receitas advindas de fornecimento de bens e serviços nos casos de empreitada para pessoa jurídica de direito público ou empresas sob seu controle, empresas públicas, sociedades de economia mista ou suas subsidiarias. Posteriormente houve a edição da MP n° 1.858-6-1999, referente as pessoas jurídicas tributadas pelo regime do lucro presumido. Apenas com a edição da MP n° 2.221, art. 2°, de 04/09/2001, ocorreu o permissivo legal para que as empresas que exploram atividades imobiliárias pudessem seguir o (-É2i 12 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C IT2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 382 mesmo regime de reconhecimento de receitas previsto na legislação do imposto de renda, para fatos geradores ocorridos a partir de 04/12/2001. Esse entendimento foi ratificado pelo ADI n° 4/02 bem assim pela IN SRF n° 247/02, art. 16 e parágrafo único, que assim dispõe: Art. 16. Na hipótese de atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, a receita bruta corresponde ao valor efetivamente recebido pela venda de unidades imobiliárias, de acordo com o regime de reconhecimento de receitas previsto, para o caso, pela legislação do Imposto de Renda. Parágrafo único. O disposto neste artigo: I — aplica-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 4 de dezembro de 2001; e (grifei) 11..1 Portanto, devido o lançamento uma vez que não havia autorização na legislação para que fosse utilizado o regime de caixa na apuração da base de cálculo. Por outro lado, há que se registrar opinião dissonante dos ilustres autores Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi l , que em suas considerações registram: - Nas vendas de unidades imobiliárias a prazo ou em prestações, quando a pessoa jurídica optar em reconhecer o lucro à medida do recebimento, a legislação determina que a parcela da receita vincenda fique escriturada na conta de Receitas de Exercícios Futuros. A base de cálculo de PIS e COFINS é a receita bruta do período de apuração e nessa receita bruta não está compreendida a receita de exercícios futuros. Os precitados autores mencionam, ainda, a edição das IN SRF n° 40 e 41 de 1989, as quais dispunham que na determinação da base de cálculo de PIS/Pasep e do Finsocial, respectivamente, as empresas imobiliárias deverão computar a receita bruta da venda de imóveis, apurada mensalmente, segundo os critérios da legislação do imposto de renda a elas aplicáveis. Desse modo, asseveram os autores que, na determinação das bases de cálculo da contribuição para o Finsociâ, as empresas mobiliárias deverão computar a receita bruta da venda de imóveis, apurada mensalmente, segundo os critérios da legislação do imposto de renda a elas aplicáveis. Assim, as empresas imobiliárias apuravam a base de cálculo da Cofins pelo mesmo critério de apuração do lucro real, ou seja, nas vendas para recebimento em prestações pelo regime de caixa. Por fim, arrematam consignado que: 4: tod I in "Imposto de Renda das Empresas - Interpretação Prática", 33' ed. São Paulo, IR Publicações Ltda., 2008, pág. 487 UtiK 13 \J. Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 383 O revogado art. 2° da MP n° 2.221/01 é uma lei interpretativa que retroage à data da lei interpretada, no caso de COFINS é a Lei Complementar n° 70/91. E lei interpretativa pela própria sistemática contábil adotada pela legislação do imposto de renda em relação à atividade imobiliária. Destarte, a despeito deste relator divergir do posicionamento dos respeitáveis autores entendendo como correto o procedimento da fiscalização, há que se reconhecer tratar- se de assunto controvertido, ensejando, inclusive, a manifestação da Coordenação-Geral de Sistema de Tributação por meio da Solução de Divergência n° 2 de 28/06/2001, posicionando- se em sentido contrário ao adotado pela recorrente. Nesse passo, tendo em vista o exposto nas IN SRF n° 40 e 41 de 1989, forçoso reconhecer como inadequada e injusta a aplicação de penalidade. Afinal, conforme registra Hugo de Brito Machado 2, ao comentar o artigo 100 e parágrafo único do CTN, "o erro na edição da norma complementar do qual resultou a redução, ou a eliminação do tributo, não prejudica o direito de haver o tributo devido. Não poderá, todavia, impor penalidade ao sujeito passivo que pagou menos, ou no o pagou tributo 1 . em observância daquela norma complementar, ainda que desprovida de validade." Assim, no presente caso, deve ser aplicado o disposto no parágrafo único do • art. 100 do CTN, de modo a cobrança da contribuição devida com base no regime de competência, porém, sem a exigência de multa de oficio. Registre-se que nesse mesmo sentido já decidiu esse Colegiado, conforme ementa de acórdão que se traz à colação: "PIS - FATO GERADOR - BASE IMPONÍVEL - O fato imponível do PIS é o faturamento de determinado mês ( núcleo da hipótese de incidência), assim entendido como o somatório das faturas emitidas em função de cada operação de compra e venda mercantil (aspecto material da hipótese de incidência). Portanto, é alheio à hipótese imponível o momento da ocorrência do pagamento, posto que a legislação • adotou o regime de competência e não de caixa. Tendo a Administração Tributária editado a IN SRF n° 40/89, no sentido de que fosse aplicada à determinação da base de cálculo do PIS os termos da IN SE? n° 40/89, com fulcro no parágrafo único do art. 100 do CTIV, exclui-se a multa de oficio. Recurso parcialmente provido." (Acórdão 201-76302; Recurso 114391; Relator- designado Jorge Freire; Data da Sessão 20/08/2002). Portanto, repise-se, correto o procedimento do fisco que considerou, nas vendas de imóveis, o regime de competência até 03/12/2001. Contudo, consoante os argumentos supramencionados, deverá ser excluída a exigência de multa de oficio. Também não procede o argumento da contribuinte de que o fisco deveria excluir do total da venda a parcela de receita efetivamente recebida, sobre a' qual calculou o valor da exação e realizou o seu respectivo recolhimento. Tal alegação não prospera, uma vez que foi considerado o valor total da venda no momento de sua efetivação, bem assim, foram considerados na elaboração das planilhas de fls. 22/37, todos os pagamentos efetuados apresentados e encontrados nos sistemas e os valores declarados em DCTF pelo contribuinte, • conforme ressaltado no TVF à fl. 20. ia e, 2 • In Comentários ao Código Tributário Nacional, Volume II, 2" ed., Atlas, São Paulo, 2008. ef \\ (,) 14 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 384 Outra questão a ser tratada é a tributação de receitas oriundas das sociedades em conta de participação - SCP e consórcios. A contribuinte alega que o fisco lhe está cobrando valores de contribuição já pagos pelos consórcios e SCP. No caso das SCP todos os recolhimentos teriam sido realizados pela própria sociedade em conta de participação, com contabilização separada. Já os consórcios teriam recolhido diretamente e não pelo CNPJ da recorrente. As sociedades em conta de participação, anteriormente regidas pelos arts. 325 a 328 do Código Comercial, encontram-se reguladas pelos arts. 991 a 996 do Código Civil (Lei n° 10.406/02). Caracterizam-se pela ausência de personalidade jurídica, ainda que equiparadas pela legislação do Imposto de Renda às pessoas jurídicas. Neste tipo de sociedade, somente o sócio ostensivo se obriga perante terceiros, exercendo a atividade constitutiva do objeto social em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. Os demais sócios, denominados sócios ocultos, obrigam-se exclusivamente perante o sócio ostensivo e participam dos resultados correspondentes. Consoante o art. 254 do RIR199, os resultados e o lucro real correspondentes à SCP deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros. Conforme leciona Paulo Viceconti 3 "o lucro real da SCP será tributado e informado na DIPJ do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja efetuada em livros próprios ou nos mesmos livros do comerciante, que deverá recolher em seu nome os ' tributos devidos pela mesma, utilizando o seu número de CNPJ." Na mesma toada registra o mestre Higuchi 4 "todos os tributos devidos pela SCP serão pagos em nome do sócio ostensivo, mediante utilização do mesmo número de CNPJ. Para efeito de controle poderá ser utilizada a expressão SCP após o nome do sócio ostensivo." Nesse sentido a IN SRF n° 179/87, que trata das normas de tributação das sociedades em conta de participação dispõe em seu item 5 que o lucro real da SCP será informado e tributado na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo e, ainda, que os tributos federais e as contribuições sociais serão pagos juntamente coni os impostos e contribuições devidos pelo sócio ostensivo, no mesmo DARF. Assim, conforme bem resumiu o julgador relator do voto condutor do - acórdão de primeira instância, "tem-se que a SCP: utiliza o CNPJ do sócio ostensivo; utiliza os livros de escrituração do sócio ostensivo; declara e tributa o lucro real na mesma DIPI do sócio ostensivo; recolhe os impostos e contribuições federais no mesmo DARF do ' sócio ostensivo; não tem personalidade jurídica; não tem responsabilidade pelos seus tributos e contribuições, mas tão-somente o sócio ostensivo; e é de duração temporária (constituída pari a a realização de algumas operações)." Portanto, correto o procedimento do fisco, uma vez que a contribuinte é responsável exclusiva pelos tributos e contribuições devidos pelas SCP nas quais é sócio ostensivo. áte 3 Neves, Silverio das e Viceconti, Paulo Eduardo V., Curso Prático de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Tributos Conexos, 12 a ed. São Paulo, Frase Editora, 2005, pág. 585 4 Op. Cit., p. 188 ' 15 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.°2102-00.129 Fl. 385 A contribuinte salienta que, com relação à Sociedade Comtel/Egesa-SCP1, não figura como sócia ostensiva. Contudo, não há reparos a fazer na decisão a quo, a qual registra: "de fato a impugnante não figura como sócia ostensiva (fls. 180/187 do Anexo 5). Porém, observa-se pela análise das planilhas às fls. 22/37 que as receitas auferidas por essa sociedade não foram incluídas na composição base de cálculo da contribuição. Por conseguinte, os pagamentos acostados às fls. 81/90 do Anexo 5, que são relativos a tal sociedade, não estão relacionados nas planilhas de apuração do PIS devido (fls. 22/37)." Em relação aos consórcios, tal instituto encontra-se disciplinado pelos arts. 278 e 279 da Lei n° 6404/76, cujas principais características são não ter personalidade jurídica; tem o contrato constitutivo e suas alterações registrados no registro do comércio; as consorciadas respondem por suas obrigações, nas condições previstas no respectivo contrato, sem presunção de solidariedade. Nos consórcios, as normas sobre administração, contabilização e partilha dos resultados constarão obrigatoriamente dos contratos. O Ato Declaratório (Normativo) CST n° 21/84, visando esclarecer o disposto na IN SRF n° 105/84 acerca da tributação dos rendimentos dos consórcios, consigna : "1 - o fato de aplicar-se aos consórcios (constituídos na forma dos artigos 278 e 279 da Lei n 6404/76) o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, não os obriga, nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos; 2 - para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades (principais e acessórias) desses consórcios devem ser computados nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento;" Nas palavras do precitado autor Viceconti5, "cada pessoa jurídica integrante do consórcio recolherá as contribuições para o PIS e a COFINS com base na receita faturada constante de sua nota fiscal emitida." Corroborando esse entendimento, há que se registrar, ainda, o que dispõe o art. 13 da IN SRF n° 306/03: Art. 13. No caso de pagamento a consórcio constituído para o fornecimento de bens e serviços, inclusive a execução de obras e serviços de engenharia, a retenção deverá ser efetuada em nome de cada empresa participante do consórcio, tendo por base o valor constante da correspondente nota fiscal de emissão de cada uma das pessoas jurídicas consorciadas. § 12 Nesta hipótese, a empresa administradora deverá apresentar à unidade pagadora os documentos de cobrança, acompanhados das respectivas notas fiscais, correspondentes aos valores dos fornecimentos de bens ou serviços de cada empresa participante do consórcio. á . 5 Op. Cit., p. 594 16 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 386 Por fim, cabe citar a Solução de Divergência n° 6/03 da Cosit, a qual -registra que as empresas consorciadas, na forma da Lei n° 6.404/76, são contribuintes' de PIS e Cofins, proporcionalmente à sua participação no consórcio, devendo recolher a contribuição em seus respectivos nomes e CNPJ. Destarte, novamente, conforme bem observou a instância a quo, de se concluir que "cada uma das consorciadas responde pelas obrigações tributárias surgidas com as atividades do consórcio, proporcionalmente a sua participação no empreendimento, inclusive as acessórias, e que os rendimentos decorrentes das atividades dos consórcios devem ser computados na receita das empresas participantes e, conseqüentemente, devem compor a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, determinada de acordo com os arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998." Registre-se que nesse sentido já decidiu este Colegiado, conforme ementa de acórdão que se transcreve, parcialmente: COFINS. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. CONTRIBUINTES. DEFINIÇÃO LEGAL. As empresas consorciadas, na forma da Lei n° 6.404, de 1976, são contribuintes da Cofins, proporcionalmente à sua participação no consórcio, devendo recolher a contribuição em seus respectivos nomes e CNPJ. (Acórdão 201-80596; Recurso 136144; Relator José Antonio Francisco; Data da Sessão 20/09/2007). Importante registrar o exposto pelo Conselheiro relator em suas brilhantes considerações e razões de decidir, tanto em relação a Decisão n° 689/97, quanto a eventuais pagamentos efetuados indevidamente pelo consórcio, as quais se reproduz: Como se vê, a mencionada Decisão em Consulta n° 689, de 1997, tratou de aspectos de escrituração e não dispôs de forma contrária ao entendimento da Secretaria da Receita Federal de que cada empresa seria contribuinte individual dos impostos e contribuições federais. [---] Por fim, no tocante aos eventuais valores recolhidos a maior, como são recolhimentos efetuados em nome do consórcio, caracterizam-se como recolhimentos indevidos, não podendo ser - compensados na apuração do valor do auto de infração. Cabe ao consórcio providenciar eventual pedido de restituição. Ademais, conforme bem observou a instância a quo, todos os pagamentos apresentados pelo contribuinte e encontrados nos sistemas da Receita Federal, referentes às SCP em que é sócio ostensivo e aos consórcios de que faz parte, foram considerados na apuração da contribuição às fls. 22/37. Nesse sentido, assim se apresenta o TVF, às fls. 18/19: 4 — DOS CONSÓRCIOS E SCP tt"" (10 17 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 387 Para os consórcios em que o contribuinte é parte, adotamos o critério de considerar, na base de cálculo das contribuições, as receitas proporcionais a sua participação. Intimado igualmente a apresentar comprovantes de recolhimentos das contribuições (fls.57 a 57) , enviou cópias dos DARFs de fls. 143 a 165 A. II, bem como cópia dos CNPJs de fls. 131 a 136. Ressalte-se que, em alguns casos em que ol contribuinte era líder do consórcio, o CNPJ foi aberto como sendo de filial da EGESA. Para outros, consta CNPJ próprio. Não obstante a apresentação dos DARFs, procedemos pesquisa nos sistemas de recolhimentos da SRF e todos os pagamentos encontrados foram utilizados no presente trabalho, conforme' registrado nas planilhas de fls. 22 a 37. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, neste tópico, uma vez que corretamente procedeu o fisco ao incluiu na base de cálculo do PIS as receitas dos consórcios na proporção da participação da contribuinte. Eventual recolhimento efetuado indevidamente em nome do consórcio enseja pedido de restituição a ser formulado pelo interessado. A contribuinte aduz que efetuou parcelamento por meio do processo n° 10680.002846/2003-87, referente à Cofins de agosto a dezembro de i 2001, incluído posteriormente no PAES, devendo, portanto, serem excluídos do presente lançamento. Menciona, ainda, que houve pagamentos efetuados que não foram considerados pelo fisco. Tais argumentos não prosperam, uma vez que o presente lançamento refere- se ao PIS e não à Cofins. Ademais, caberia à contribuinte demonstrar, pontual e numericamente, com memória de cálculo, suas discordâncias, justificando e apresentado documentos comprobatórios de modo a evidenciar o alegado e não tentar invalidar o lançamento efetuado a partir das informações e documentos apresentados Pela contribuinte, apenas mencionando a existência de documentos comprobatórios constantes dos autos e - atribuindo ao fisco a tarefa de descobrir eventuais erros. Imputar a instância julgadora suprir deficiência da contribuinte é subverter as obrigações no processo administrativo. Quanto ao excesso de penalidade alegado pela contribuinte, bem assim em relação a inaplicabilidade da taxa Selic, não há como concordar com a ora recorrente. Registre-se que, quanto às alegações de colisão com os princípios de razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e não confisco, tais princípios Orientam a feitura da lei, que deve observá-los. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la uma vez que o lançamento é uma atividade vinculada. Sobre a ilegalidade da aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, aplicável aos débitos fiscais, cabe consignar que as Leis 9.065/95, art. 13 e 9.430/96, art. 61, §3°, que normatizam sua aplicação, estão em perfeita harmonia com o art. 161 do CTN, que autorizou a lei ordinária a dispor de modo diverso do estabelecido na norrna complementar e em momento algum exigiu que a taxa fosse fixada pela lei em sentido estrito ((/n 18 Processo n° 10680.009817/2004-27 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.129 Fl. 388 Estando o encargo previsto em normas jurídicas emanadas do órgão legiferante competente, só resta à Administração Pública velar pela sua fiel aplicação, restando aos inconformados buscar a tutela de seus direitos na via judicial. Sobre este tema já se pronunciou o então 2° Conselho de Contribuintes por meio da Súmula n° 3, que se transcreve: SÚMULA N°3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia — Selic para títulos federais. Destarte, correto o procedimento da fiscalização em efetuar o lançamento com a devida multa de oficio, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, e juros de mora aplicável aos débitos fiscais, em consonância com o disposto as Leis nos 9.065/95, art. 13 e 9.430/96, art. 61, §3°, uma vez que se trata de atividade vinculada e obrigatória, inclusive sob pena de responsabilidade funcional, tal como disposto no artigo 142, parágrafo 'único, do CTN. Isto posto, voto no sentido de indeferir o pedido de perícia e dar parcial provimento ao recurso para: a) cancelar o auto de infração, em relação aos fatos geradores de abril a julho de 1999, uma vez que quanto a esses períodos, o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência à época do lançamento, conforme art. 156, V do CTN; b) excluir as receitas financeiras da base de cálculo da contribuição; c) em relação ao lançamento decorrente das receitas de vendas de imóveis deverá ser excluída a multa de oficio, com base no parágrafo único do art. 100 do CTN; Mantém-se, no mais, a decisão recorrida. É como voto Sala das Sessões, em 03 de junho de 2009. MAIlfRICIO TAVEI • 'SILVA tj • 19
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