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Numero do processo: 13984.002609/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS. MATÉRIA NÃO APRECIADA NO ACÓRDÃO. RE-RATIFICAÇÃO DO JULGADO.
São cabíveis embargos declaratórios para apreciar matéria em relação à qual o Acórdão embargado se tenha omitido. Acórdão embargado re-ratificado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão, mantendo o resultado do julgamento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc.
EDITADO EM: 09/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Antonio Mário de Abreu Pinto e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2003, 2004 EMBARGOS. MATÉRIA NÃO APRECIADA NO ACÓRDÃO. RE-RATIFICAÇÃO DO JULGADO. São cabíveis embargos declaratórios para apreciar matéria em relação à qual o Acórdão embargado se tenha omitido. Acórdão embargado re-ratificado. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão, mantendo o resultado do julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 09/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Antonio Mário de Abreu Pinto e Gileno Gurjão Barreto.
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CRÉDITO. ATIVO IMOBILIZADO. Embargante BONET MADEIRAS E PAPEIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2003, 2004 EMBARGOS. MATÉRIA NÃO APRECIADA NO ACÓRDÃO. RE RATIFICAÇÃO DO JULGADO. São cabíveis embargos declaratórios para apreciar matéria em relação à qual o Acórdão embargado se tenha omitido. Acórdão embargado reratificado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão, mantendo o resultado do julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 09/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Antonio Mário de Abreu Pinto e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 26 09 /2 00 7- 13 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13984.002609/200713 Acórdão n.º 3302002.832 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Contribuinte contra Acórdão nº 3302002.319, que por unanimidade, negou provimento ao recurso voluntário da embargante nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DENEGAÇÃO. Buscase no processo administrativo a verdade material. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos, devido ao princípio da verdade material, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Não há ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, bem como ao princípio da nãocumulatividade, insculpido no artigo 153, § 3º da CF/88, uma vez que este por si só não assegura o direito ao crédito de IPI. DA INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT. O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são não tributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). INSUMOS ADQUIRIDOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADAS E UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS. A aquisição de insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13984.002609/200713 Acórdão n.º 3302002.832 S3C3T2 Fl. 4 3 MULTA DE OFÍCIO ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal, é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA SELIC Aplicase a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice. DA ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário. Nos termos expostos pela Embargante o acórdão teria deixado de analisar alguns temas por ela suscitados em seu recurso voluntário, quais sejam: (i) creditamento do IPI decorrentes da aquisição de bens para o ativo permanente; e (ii) aplicação do princípio da capacidade contributiva. Levado à análise de admissibilidade foi proferido despacho decisório dando seguimento aos presentes embargos para que fosse suprida omissão quanto ao argumento da Embargante acerca do creditamento do IPI decorrente da aquisição de bens para o ativo permanente, nos seguintes termos: Isto posto, vejo que ocorreu omissão no julgado que não apreciou o argumento da Embargante sobre o creditamento do IPI decorrente da aquisição de bens para o ativo permanente e, portanto, com base nos §§ 1º e 3º do art. 65 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à Portaria MF no 256/2009, com a redação da Portaria MF no 586/2010) entendo procedentes as alegações da embargante quando à esta matéria e, consequentemente, dou seguimento ao presente embargos declaratórios neste parte e nego seguimento quanto à outra matéria objeto dos embargos. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator ad hoc. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13984.002609/200713 Acórdão n.º 3302002.832 S3C3T2 Fl. 5 4 Com razão à embargante acerca da alegada omissão, muito embora o item 3.3 do seu Recurso Voluntário valhase de jurisprudência acerca do ICMS e do IPI alíquota zero, isentos ou Não Tributados. Nesse sentido passo à análise do argumento exposto pela Embargante, no que tange ao creditamento de IPI decorrente da aquisição de bens para o ativo permanente. Desde logo, destaco que o Superior Tribunal de Justiça, no recurso especial representativo de controvérsia REsp nº 1.075.508/SC julgado a luz do 543C do CPC, assentou que: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente" . 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13984.002609/200713 Acórdão n.º 3302002.832 S3C3T2 Fl. 6 5 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No mesmo sentido é a Súmula nº 495 do E. STJ: “A aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI.” O entendimento supra deverá ser peremptoriamente reproduzido por esta instância de julgamento administrativo, conforme prescreve do art. 62A do Regimento Interno do CARF, cujo texto segue reproduzido: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isto posto, conheço e acolho os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 3302002.319, suprindo a omissão alegada, e para ratificar a decisão de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator ad hoc. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722050/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA ATENDIDA . NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTO PELA AUTORIDADE FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve a julgador de primeiro grau apreciar documento trazido nos autos, uma vez que o mesmo não encontra-se mais nas condições apresentadas no momento da decisão, razão pela qual o documento deve ser analisado.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-004.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA ATENDIDA . NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTO PELA AUTORIDADE FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve a julgador de primeiro grau apreciar documento trazido nos autos, uma vez que o mesmo não encontra-se mais nas condições apresentadas no momento da decisão, razão pela qual o documento deve ser analisado. Decisão Recorrida Nula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 136 1 135 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.722050/201274 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.636 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Recorrente INSTITUTO DE REABILITACAO E PREVENÇÃO EM SAÚDE INDAIÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA ATENDIDA . NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTO PELA AUTORIDADE FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve a julgador de primeiro grau apreciar documento trazido nos autos, uma vez que o mesmo não encontrase mais nas condições apresentadas no momento da decisão, razão pela qual o documento deve ser analisado. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 20 50 /2 01 2- 74 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.722050/201274 Acórdão n.º 2402004.636 S2C4T2 Fl. 137 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por INSTITUTO DE REABILITAÇÃO E PREVENÇÃO EM SAÚDE INDAIÁ, em face de acórdão que manteve a os Autos de Infração n. 37.365.1325 e 37.365.1333, lavrados, respectivamente, para cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa e destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. De acordo com o relatório fiscal a recorrente apresentava GFIP´s com a indicação do Código FPAS 639, relativo a empresas isentas do recolhimento das contribuições previdenciárias parte patronal. Em virtude de tal fato, foi aberto o procedimento de fiscalização, sendo que em 18/01/2011, foi solicitado à recorrente por meio de TIAD a apresentação do Ato Declaratório de Concessão de Contribuições Previdenciárias e o CEAS, sendo que nenhum dos dois veio a ser apresentado. Por tais motivos, entendeu a auditoria que a recorrente não fazia jus ao benefício da isenção declarada. Ao presente caso fora aplicada a multa de ofício de 75%, agravada ao patamar de 150%, com base na Lei 9.430/96, somente no que se refere às competências de 12/2008 e 13/2008. O lançamento da multa compreende as competências de 01/2008 a 13/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 20/04/2012 (fls. 141) O contribuinte interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a nulidade do acórdão recorrido, tendo em vista que esta analisou matéria estranha aos autos do presente processo, sobretudo no que se refere a supostas alegações de inconstitucionalidade, sendo a imputação fiscal confusa e desprovida da fundamentação legal; 2. que a autoridade julgadora de primeira instância desconsiderou o teor da Portaria 437/2012 da Secretaria de Atenção à Saúde, conferindo o CEAS à recorrente (fls. 259/264); 3. que a autoridade julgadora tratou o caso como se este fosse relativo a autuação do ano de 2006, quando, em verdade, se trata do caso de autuação do período de 2008; 4. que a autoridade julgadora não considerou o prazo de 03 (três) anos de constituição da recorrente para que pudesse obter o CEAS, o que impossibilitaria a efetivação do pedido antes do ano de 2008; 5. que é entidade de assistência social, cumprindo todos os requisitos legais para o usufruto da benesse, de modo que o fato de ainda não possuir o CEAS durante o seu prazo de defesa, não tem o condão de justificar o lançamento; que além disso o STF já reconheceu que o CEAS é documento de mero reconhecimento e a sua concessão produz efeitos ex tunc; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 6. que atua na prestação de serviços a portadores de deficiências mentais, estando voltada 100% para o atendimento ao SUS; 7. que diante da necessidade de aguardar 03 (três ) anos da data de sua constituição somente protocolou o pedido para expedição do CEAS em 19.06.2008, reiterado em 2010, o qual veio a ser concedido dias após o protocolo da impugnação e apresentado antes mesmo de vir a ser prolatado o v. acórdão de primeira instância; 8. que o antigo Conselho de Contribuintes já reconheceu que para o gozo da imunidade basta o cumprimento do disposto no art. 14 do CTN; 9. faz apurada descrição das atividades que exerce, as caracterizando como de assistência social; 10. que as alegações do v. acórdão no sentido de que os documentos que comprovam o devido requerimento do CEAS e da sua concessão estarem ilegíveis não se sustenta, o que ocorreu por erro de digitalização dos autos na Secretaria da Receita Federal; 11. que não pode ser considerada como empresa para fins previdenciários; 12. a inconstitucionalidade do SAT; 13. que o enquadramento da alíquota do SAT como nível médio, sujeito ao nível de 2%, não se adequa a atividade exercida pela recorrente, que é de assistência social (saúde), já que os seus funcionários não lidam com máquinas ou mesmo realizam cirurgias, devendo o seu risco ser análogo aos de serviços de enfermagem, no patamar de 1%; 14. ilegalidade do SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA e SESC, SENAI E SEBRAE; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.722050/201274 Acórdão n.º 2402004.636 S2C4T2 Fl. 138 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Da existência de nulidade Ao analisar detidamente os autos do presente processo, tenho que existe questão prejudicial e de ordem pública que mereça ser analisada de forma a resguardar os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, bem como a garantia do contribuinte à ampla defesa e ao contraditório, visando uma clara e escorreita prestação da jurisdição administrativa. Isso porque não fora analisado o documento trazido na impugnação da Recorrente, como restou justificado no acordão de primeiro grau (fls. 288/307), senão vejamos: “ (...) Quanto a menção feita pela impugnante que protocolou o pedido de registro do CEBAS no Conselho Nacional de Assistência Social/CNAS em 06/2008, o documento juntado às fls. 281 não comprova este argumento, uma vez que o carimbo de protocolo encontrase ilegível. Já o Aviso de Recebimento e fls. 282 acusa o envio de “documentos CNAS” em 15/10/2009, não comprovando a data do protocolo no CNAS. Alega ainda o defendente que, sendo a imunidade do artigo 195, §7º, da Constituição Federal, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos para o seu gozo somente podem ser instituídos por lei complementar, em face do disposto no art. 146, II, razão pela qual o art. 55, da Lei nº 8.212/91, por ser dispositivo de legislação ordinária, seria inconstitucional (...)” No entanto, após a solicitação de diligência a pedido de minha relatoria (fls.393/398), restou demonstrado nos autos do Processo nº10830.722049/201240, em resposta à diligência (fl.447) que o documento alusivo ao requerimento do CEAS, às fls. 281, encontravase ilegível por falha de digitalização da Secretaria da Receita Federal e não porque o Recorrente tenha apresentado do referido documento com a apontada falha que impedia a visualização do documento. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Ainda, à fl. 447, constatouse também, que o documento de fls. 281, naquela oportunidade ilegível, corresponde ao mesmo documento apresentado no Recurso Voluntário à fl. 374. Assim, tenho que a Recorrente pode ter seu direito a defesa prejudicado ante a falha apontada na digitalização do documento, que ocorreu por motivos alheios à vontade da Recorrente, acarretando, portanto, em prejuízo a sua defesa, uma vez que o documento desconsiderado quando do julgamento de primeira instância, faz parte do núcleo dos argumentos de defesa expostos pela mesma, tanto na impugnação, como também em seu recurso voluntário. Passar por cima deste ponto seria impedir, a Recorrente, de exercer plenamente o seu direito de defesa. Dessa forma, não há como prosperar àquilo que decidido pela Decisão Notificação, quando em clara afronta a direito constitucional da recorrente. Neste sentido trago o posicionamento jurisprudencial que abarca a questão em apreço, senão vejamos: Número do Processo10166.727515/201182 Contribuinte VIA PARK COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIOData da Sessão 05/11/2014 Relator(a) RICARDO MAGALDI MESSETTI Nº Acórdão2803003.802Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para anular o acórdão da DRJ, uma vez que não enfrentou as questões meritórias apresentadas na impugnação, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) para novo julgamento. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICAS DAS QUESTÕES DE MÉRITO. NÃO ENFRENTAMENTO PELA INSTÂNCIA A QUO. NULIDADE DA DECISÃO. Apresentado a contribuinte impugnação específica sobre as questões de mérito da autuação, deve a DRJ enfrentálas sob pena de nulidade da decisão, não podendo o CARF adentrar o mérito, pois assim agindo estarse ia propagando verdadeiro julgamento com supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte Sem Crédito em Litígio Ante todo o exposto, voto no sentido de ANULAR O ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, uma vez que não houve o enfrentamento total das questões meritórias apresentadas na impugnação, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.722050/201274 Acórdão n.º 2402004.636 S2C4T2 Fl. 139 7 Federal do Brasil para que seja proferido novo acórdão em substituição a DN anulada, reabrindose, então, o prazo para recurso voluntário É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/04/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13746.000271/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL
Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-002.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao Recurso Voluntário nos termos da Conselheira Relatora.
(assinado digitalmente)
Walber José Da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fabiola Cassiano Keramidas - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao Recurso Voluntário nos termos da Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) Walber José Da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 02 71 /2 00 7- 78 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 6/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13746.000271/200778 Acórdão n.º 3302002.821 S3C3T2 Fl. 11 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de PIS no valor de R$ 6.021,93, e de COFINS no valor de R$ 27.793,54, ambos relativos ao período de apuração março/2002. O direito reclamado fundase na inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais considerada indevida pela contribuinte. A Equipe de Acompanhamento dos Maiores Contribuintes indeferiu o pleito, por meio do Parecer EQMACO nº 104/2010 (fls.32/33), decisão ratificada pelo Despacho Decisório exarado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu (fl. 34). A contribuinte tomou ciência do Parecer e do despacho decisório em 17/08/2010 (fl. 36) e, inconformada, protocolou, em 16/09/2010, a Manifestação de Inconformidade de fls. 40/51, alegando em síntese que: a) o ICMS não pode representar materialidade da contribuição para as exações do PIS e da COFINS, não podendo formar as suas bases de cálculo; b) transcreve trecho do voto do Ministro Marco Aurélio do RE nº 240.7852; c) os Tribunais Regionais Federais estão acompanhando o entendimento que está sendo firmado no Supremo Tribunal Federal. Cita ementas exemplificativas do posicionamento dos Tribunais acerca da matéria; d) Por fim, requer seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade, e deferido integralmente o pedido de restituição formulado. A DRJ julgou improcedente o pedido com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COFINS/PIS BASE DE CÁLCULO ICMS INCLUSÃO O ICMS compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de cálculo da COFINS e do PIS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresentou a Recorrente Recurso Voluntário que se vale dos mesmos argumentos apontados na manifestação de inconformiade. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 6/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13746.000271/200778 Acórdão n.º 3302002.821 S3C3T2 Fl. 12 3 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 6/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13746.000271/200778 Acórdão n.º 3302002.821 S3C3T2 Fl. 13 4 Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O objeto de discussão no presente processo é a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e para a COFINS. Por se tratar de inconstitucionalidade tenho que não é possível aos membros desse Conselho examinar a matéria, pois o controle de constitucionalidade das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) (...) § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que. fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, Vale observar que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das exceções previstas no §6° do artigo acima transcrito. Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 6/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13746.000271/200778 Acórdão n.º 3302002.821 S3C3T2 Fl. 14 5 Nesse sentido, voto por não conhecer do presente recurso. É o meu voto. (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 6/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11065.005345/2002-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI BASE DE CÁLCULO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI.
Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtor-exportador.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-002.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas e Irene Souza da Trindade Torres, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Júlio César Alves Ramos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Irene Souza da Trindade Torres, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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BASE DE CÁLCULO. INDUSTRALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE MATÉRIA PRIMA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ROJANA CALÇADOS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI BASE DE CÁLCULO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtorexportador. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas e Irene Souza da Trindade Torres, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Júlio César Alves Ramos Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 53 45 /2 00 2- 91 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.005345/200291 Acórdão n.º 9303002.613 CSRFT3 Fl. 199 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Irene Souza da Trindade Torres, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório A Fazenda Nacional apresenta recurso respaldado na “contrariedade à lei” que era previsto, à época de sua interposição, no artigo 32, I, do Regimento Interno do Conselhos de Contribuintes, para combater a decisão proferida pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que reconheceu a possibilidade de incluir na base de cálculo do crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363 o valor de beneficiamento de matéria prima. Do relatório elaborado pela DRJ quando do julgamento da manifestação de inconformidade do contribuinte e transcrita pelo Conselheiro Flávio de Sá Munhoz, constou: 5.4 Prossegue a manifestação de inconformidade, alegando que os insumos são adquiridos e, em seguida, remetidos, para beneficiamento, por pessoa jurídica sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, sendo que, após a citada operação industrial, os insumos retornam, onerados pelas referidas contribuições, em relação ao serviço prestado, o que justifica o cômputo desse serviço de beneficiamento, no cálculo do crédito presumido, para reduzir o custo do produto exportado. No voto que proferiu, o Conselheiro Flávio afirmou: O beneficiamento da matériaprima por terceiro não tern natureza de prestação de serviços, mas de industrialização por encomenda. Assim, tratandose de industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso a matériaprima, que integra o custo do produto industrializado e posteriormente exportado, o valor cobrado por esta industrialização por encomenda integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI. A Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais já decidiu sobre o terna e deu a mesma solução aqui adotada, como se pode observar da ementa do Acórdão proferido: IPI RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA — A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.005345/200291 Acórdão n.º 9303002.613 CSRFT3 Fl. 200 3 efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto na Lei n" 9.363/96. Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0201.906, Rel. Dalton César Cordeiro de Miranda, Sessão de 12/4/2005). Por tais fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito ao credito presumido sobre o valor pago a terceiros a titulo de beneficiamento de matériaprima, inclusive o valor pago a titulo de mãodeobra. A Fazenda Nacional, em seu recurso, arrola como contrariados, entre dispositivos regulamentares, também o art. 1º da Lei 9.363. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator Admiti o recurso quando inicialmente examinei o seu cabimento face à indicação do artigo 1º da Lei 9.363, ainda que não se tenha dito com clareza em que teria sido ele contrariado. Dele conheço. Mas a ele nego provimento na exata linha do voto proferido na Quarta Câmara de cuja composição participei. Repito a seguir considerações expendidas em outros julgamentos que corroboram aquilo que já apontou, sinteticamente, o exConselheiro Flávio Munhoz e que enfrentam os argumentos postos no especial da Fazenda. Incumbiume o i. Presidente da redação do acórdão no atinente à industrialização por encomenda, visto ter a maioria divergido do entendimento esposado pelo n. relator. Conforme se observa de seu voto, três são os fundamentos para que ele entenda que o valor pago pelo industrialexportador não pode ser computado na base de cálculo do benefício fiscal instituído pela Lei 9.363/96. Em primeiro lugar porque a interpretação daquela norma haveria de ser restritiva por envolver renúncia de receita fiscal. Ocorre que ele não explicita o comando legal que dá suporte à sua conclusão e, por isso, começo daí minha divergência. É que, a contrário senso, se lê no artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.005345/200291 Acórdão n.º 9303002.613 CSRFT3 Fl. 201 4 Destarte, a se entender que essa seria sua fundamentação, necessário se faz enquadrar o benefício em tela como hipótese de suspensão ou de exclusão do crédito tributário, dado que não se trata nem de isenção de tributo nem de autorização para não cumprimento de obrigações acessórias. Não considero, no entanto, que os créditos presumidos em geral, e o da Lei 9.363 em particular, assim se possam definir. Com efeito, o mesmo CTN que a todos nós vincula, estabelece as hipóteses de exclusão de crédito tributário em seu art. 175: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. E como a isenção já havia sido destacadamente mencionada no art. 111 entendo que os dois dispositivos lidos conjugadamente impõem a interpretação restritiva ou literal apenas à anistia, à suspensão de crédito tributário e à dispensa de obrigações acessórias. Não me parece que o crédito presumido se inclua em qualquer dessas situações. Assim, ainda que fosse necessário dar uma interpretação “ampliativa” ao comando inserto na Lei 9.363/96 considero que nada o impede. Sequer há tal necessidade, porém. É que o segundo fundamento do dr. Rodrigo é a premissa de que o valor aqui discutido não se enquadra como “valor de aquisição”, ou seja, decorrente de uma operação de compra e venda, como exigido pela Lei, mas sim de um pagamento por uma prestação de serviço. A essa premissa também não adiro. Em primeiro lugar porque a própria legislação do IPI, única ao que eu saiba que cuida da figura da industrialização por encomenda mediante a remessa de insumos por parte do encomendante, é clara em caracterizála como uma operação de “industrialização parcial” sujeita ao IPI. E dessa imposição não exclui nem mesmo os casos em que o executor da encomenda não agrega nenhum insumo por si adquirido. Isto é, mesmo nesta última hipótese, em que se poderia legitimamente pretender sua equiparação a mera prestação de serviço, a obrigação relativa ao IPI é mantida. E, no meu entender, ainda quando sujeita ao ISS. Deixemos por enquanto essa hipótese de lado, dado que é mister reconhecer não ser ela a regra. De fato, na maior parte das vezes em que um industrial recorre à industrialização por encomenda o faz por não reunir condições técnicas de realizar internamente tais operações, seja por falta de pessoal capacitado, seja por não possuir o equipamento adequado. A opção não está, assim, vinculada ao aproveitamento de um possível benefício fiscal. Está ligada, isto sim, à racionalidade econômica. Em outras palavras, ela decorre de uma decisão econômica de não verticalizar o processo produtivo, criando internamente uma linha ou divisão para realizar a operação em tela, seja porque infreqüente, seja porque é mais barato realizála fora. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.005345/200291 Acórdão n.º 9303002.613 CSRFT3 Fl. 202 5 Posta essa diferente premissa, o fato é que o item em discussão (couro, no caso concreto) só assume a condição de matéria prima para o postulante do benefício (fabricante de calçado) após ter sido submetida a essa industrialização parcial adicional. Antes, matéria prima ainda não é. Essa conclusão, a meu ver, se impõe pela própria definição de matéria prima tantas vezes por nós repetida: item que é utilizado no processo produtivo e aí é integral e imediatamente consumido, incorporandose fisicamente ao item fabricado. Ora, se no estado em que inicialmente adquirido o item não pode ainda participar do processo fabril do postulante, como pode ser, desde logo, considerado matéria prima? Só o é, a meu sentir, após submetido àquele tratamento adicional. E, como já disse, mesmo a interpretação literal do texto normativo permite sua inclusão nesse caso. Deveras, dispõem os arts. 1º e 2º da Lei 9.363: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador A meu ver, pois, o “valor total” a que se refere a lei tem de corresponder àquele que a empresa desembolsou para contar em seu estabelecimento com um item que empregará efetivamente na produção do produto a exportar. Vale repetir que esse acréscimo de valor – correspondente à aqui discutida “industrialização adicional” – inclui, no mais das vezes, não apenas despesas com mão de obra, mas também, e com destaque, depreciação de ativo fixo não existente no estabelecimento do encomendante, e, no mínimo, o lucro daquele que realiza a operação. A presença dessa última parcela é, por si só, suficiente para não fazer sentido pressupor – ao menos como regra – que um dado estabelecimento capaz de realizála internamente “opte” por contratála a terceiros e pagar mais por isso. De todo modo, admitindo que na maior parte das vezes há mesmo outros itens compondo o “preço dos serviços prestados”, a restrição proposta pelo dr. Rodrigo, pareceme, não os alcançaria. De fato, quanto a eles, a meu sentir, não há como dizer que não ocorra uma operação comercial. A celeuma, pois, vêse restrita às despesas com mãodeobra. De fato, em outros processos ela vem expressa em votos da primeira instância e em relatórios de verificação fiscal elaborados pelas autoridades incumbidas dos trabalhos fiscais. E Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.005345/200291 Acórdão n.º 9303002.613 CSRFT3 Fl. 203 6 pode ser resumida assim: se o postulante houvesse internalizado a operação, não haveria crédito presumido sobre essa parcela. Por “analogia” (ou “isonomia” ou “justiça fiscal” ou qualquer coisa semelhante) também não deveria haver se ele a “externaliza”. Como já repeti, a validade do argumento tem como condições necessárias que 1) o postulante ao crédito presumido possa fazer internamente a operação; 2) o valor pago ao executor se resuma ao da mãodeobra empregada. Essa segunda condição só seria válida na ausência de qualquer capital. Do contrário, haverá, pelo menos, o “custo do capital” empregado, entendido como a sua depreciação mais lucro. Em outras palavras, apenas se fosse contratado algum(ns) trabalhador(es), sem qualquer equipamento, para “prestar o serviço”. Admitindo que isso fosse mesmo possível (e valesse a pena, do ponto de vista econômico) o argumento ganharia força pela nossa jurisprudência que limitava o incentivo às “aquisições realizadas a contribuintes dos tributos a ressarcir”. Desnecessário dizer que ela já não mais se sustenta em face das reiteradas decisões do STJ em sentido contrário. De modo que, aclarados devidamente os contornos da restrição cogitada pelo dr. Rodrigo, acredito que a questão somente se coloca se: 1) houver uma contratação apenas de “serviços” de industrialização e 2) ela se der junto a pessoas físicas que não empreguem qualquer insumo ou equipamento nessa prestação. Não é sequer necessário aqui adentrála: no presente processo (e acredito que em todos que venhamos a examinar) muito longe estamos dessa situação. Aqui se pagou a outra empresa para transformar couro cru em couro wet blue, o que requer o emprego de equipamentos específicos e pessoal especializado. Despiciendo dizer, sobre o valor pago incidiram integralmente as contribuições que se quer ressarcir. E, por fim, não foi sequer questionado pela fiscalização que o couro wet blue recebido é empregado, como matériaprima, nos calçados fabricados. Essa é, em verdade, a única restrição que faço: dado que a lei fala em matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não haveria tal possibilidade de inclusão se os materiais recebidos fossem exportados no mesmo estado. De fato, já tivemos oportunidade de examinar caso em que a “fábrica” de calçados, de fábrica não tinha mais nada, “terceirizada” que fora toda a produção. Ela se limitava a exportar o produto pronto, assim recebido dos executores. Nessa hipótese, entendo eu, não há benefício algum. Mas aqui, ao contrário, a empresa emprega o couro beneficiado na efetiva fabricação dos calçados que exporta. Não vejo motivos então para que se exclua a parcela do beneficiamento realizado. Não muda essa minha conclusão o terceiro argumento do n. relator. É ele o fato de a Lei 10.276 ter expressamente autorizado a inclusão dessa parcela que não consta expressamente da Lei 9.363. A conclusão foi: se a partir daí pode, é porque antes não podia. Com a devida vênia, entendo que as regras de hermenêutica consagradas não permitem essa ilação. De fato, não faz sentido (lógico) deduzir uma proibição em Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.005345/200291 Acórdão n.º 9303002.613 CSRFT3 Fl. 204 7 uma lei porque de outra tal proibição não conste. A não ser que a nova lei esteja regulando a mesma matéria. Como se sabe, a Lei 10.276 institui uma forma alternativa de cálculo do benefício, como reconhece o relator. Assim, dela tudo o que decorre é que na sistemática por ela introduzida, pode; nada se pode inferir quanto à outra modalidade de que ela não trata e cuja legislação cabe interpretar. Com essas considerações, manteve a maioria o deferimento da parcela que a douta PFN pretendia fosse excluída. E esse é o acórdão que me coube redigir. Com essas mesmas considerações, ressaltando que neste processo está claro que o insumo retorna para ser utilizado no processo industrial do exportador, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É o voto. Júlio César Alves Ramos Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 18050.008149/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
IMPOSSIBILIDADE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA
A Recorrente alega a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência de recolhimento de contribuição previdenciária calculada sobre serviços prestados por cooperativas. As contribuições lançadas encontram fundamento nos dispositivos legais indicados no Relatório Fundamentos Legais do Débito - FLD, fls. 11 e 12.
A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não é possível, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tão-somente dar aplicação aos comandos legais. A instância administrativa está adstrita a verificar se o lançamento aplica-se ao caso, analisar os argumentos e provas apresentados pelo sujeito passivo, verificar se houve realmente o fato gerador da obrigação tributária e se a lei foi corretamente aplicada ao caso. O Poder Judiciário é o órgão competente para declarar qualquer irregularidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico.
A matéria encontra-se, inclusive, sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim se pronunciou sobre o tema:
SÚMULA N° 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Diferentemente da leitura realizada pelo Sujeito Passivo, o art. 62, do RICARF apenas permite ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei - no caso a 8.212/91 -, sob o fundamento de inconstitucionalidade apenas quando já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal:
Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Entende-se por decisão definitiva aquela que não caiba mais recurso, ou seja, que já houve trânsito em julgado.
No caso, o Acórdão do Plenário no RE 595.838 foi publicado em 08/10/2014, tendo sido oposto ED pela Fazenda Nacional em 20/10/2014, logo, ainda não houve o trânsito em julgado.
INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EM FACE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERATIVA
Não merece prosperar a alegação de ilegalidade das contribuições lançadas, por força do bis in idem. Isso porque, foi lançada a contribuição patronal incidente sobre os serviços prestados pelos cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, a qual, nos termos do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, deve ser recolhida pela empresa tomadora dos serviços.
A contribuição devida pelos cooperados deve ser retida pela cooperativa de trabalho, no momento em que repassar ao cooperado a remuneração decorrente dos serviços por ele prestados à empresa tomadora, nos termos do § 31 do art. 216 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, que assim dispõe:
Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: [...]§ 31. A cooperativa de trabalho é obrigada a descontar onze por cento do valor da quota distribuída ao cooperado por serviços por ele prestados, por seu intermédio, a empresas e vinte por cento em relação aos serviços prestados a pessoas físicas e recolher o produto dessa arrecadação no dia vinte do mês ! seguinte ao da competência a que se referir, antecipando-se o vencimento para o dia útil imediatamente anterior quando não houver expediente bancário no dia vinte. (Redação dada pelo Decreto n° 6.722. de 2008).
Assim, na hipótese de prestação de serviços de cooperados a empresas por intermédio de cooperativa de trabalho, a contribuição patronal incide sobre o valor da nota fiscal, tem alíquota de quinze por cento e deve ser recolhida pela empresa tomadora dos serviços. A contribuição devida pelos segurados (cooperados), tem alíquota de onze por cento, incide sobre o valor repassado ao cooperado pela prestação de serviços e deve ser retida pela cooperativa.
Logo, não há que se falar em bis in idem.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação.
Numero da decisão: 2301-004.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 IMPOSSIBILIDADE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA A Recorrente alega a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência de recolhimento de contribuição previdenciária calculada sobre serviços prestados por cooperativas. As contribuições lançadas encontram fundamento nos dispositivos legais indicados no Relatório Fundamentos Legais do Débito - FLD, fls. 11 e 12. A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não é possível, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tão-somente dar aplicação aos comandos legais. A instância administrativa está adstrita a verificar se o lançamento aplica-se ao caso, analisar os argumentos e provas apresentados pelo sujeito passivo, verificar se houve realmente o fato gerador da obrigação tributária e se a lei foi corretamente aplicada ao caso. O Poder Judiciário é o órgão competente para declarar qualquer irregularidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. A matéria encontra-se, inclusive, sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim se pronunciou sobre o tema: SÚMULA N° 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diferentemente da leitura realizada pelo Sujeito Passivo, o art. 62, do RICARF apenas permite ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei - no caso a 8.212/91 -, sob o fundamento de inconstitucionalidade apenas quando já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Entende-se por decisão definitiva aquela que não caiba mais recurso, ou seja, que já houve trânsito em julgado. No caso, o Acórdão do Plenário no RE 595.838 foi publicado em 08/10/2014, tendo sido oposto ED pela Fazenda Nacional em 20/10/2014, logo, ainda não houve o trânsito em julgado. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EM FACE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERATIVA Não merece prosperar a alegação de ilegalidade das contribuições lançadas, por força do bis in idem. Isso porque, foi lançada a contribuição patronal incidente sobre os serviços prestados pelos cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, a qual, nos termos do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, deve ser recolhida pela empresa tomadora dos serviços. A contribuição devida pelos cooperados deve ser retida pela cooperativa de trabalho, no momento em que repassar ao cooperado a remuneração decorrente dos serviços por ele prestados à empresa tomadora, nos termos do § 31 do art. 216 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, que assim dispõe: Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: [...]§ 31. A cooperativa de trabalho é obrigada a descontar onze por cento do valor da quota distribuída ao cooperado por serviços por ele prestados, por seu intermédio, a empresas e vinte por cento em relação aos serviços prestados a pessoas físicas e recolher o produto dessa arrecadação no dia vinte do mês ! seguinte ao da competência a que se referir, antecipando-se o vencimento para o dia útil imediatamente anterior quando não houver expediente bancário no dia vinte. (Redação dada pelo Decreto n° 6.722. de 2008). Assim, na hipótese de prestação de serviços de cooperados a empresas por intermédio de cooperativa de trabalho, a contribuição patronal incide sobre o valor da nota fiscal, tem alíquota de quinze por cento e deve ser recolhida pela empresa tomadora dos serviços. A contribuição devida pelos segurados (cooperados), tem alíquota de onze por cento, incide sobre o valor repassado ao cooperado pela prestação de serviços e deve ser retida pela cooperativa. Logo, não há que se falar em bis in idem. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 IMPOSSIBILIDADE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA A Recorrente alega a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência de recolhimento de contribuição previdenciária calculada sobre serviços prestados por cooperativas. As contribuições lançadas encontram fundamento nos dispositivos legais indicados no Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, fls. 11 e 12. A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não é possível, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tãosomente dar aplicação aos comandos legais. A instância administrativa está adstrita a verificar se o lançamento aplicase ao caso, analisar os argumentos e provas apresentados pelo sujeito passivo, verificar se houve realmente o fato gerador da obrigação tributária e se a lei foi corretamente aplicada ao caso. O Poder Judiciário é o órgão competente para declarar qualquer irregularidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. A matéria encontrase, inclusive, sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim se pronunciou sobre o tema: SÚMULA N° 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diferentemente da leitura realizada pelo Sujeito Passivo, o art. 62, do RICARF apenas permite ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei no caso a 8.212/91 , sob o fundamento de inconstitucionalidade apenas quando já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 81 49 /2 00 8- 72 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Entendese por decisão definitiva aquela que não caiba mais recurso, ou seja, que já houve trânsito em julgado. No caso, o Acórdão do Plenário no RE 595.838 foi publicado em 08/10/2014, tendo sido oposto ED pela Fazenda Nacional em 20/10/2014, logo, ainda não houve o trânsito em julgado. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EM FACE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERATIVA Não merece prosperar a alegação de ilegalidade das contribuições lançadas, por força do bis in idem. Isso porque, foi lançada a contribuição patronal incidente sobre os serviços prestados pelos cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, a qual, nos termos do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, deve ser recolhida pela empresa tomadora dos serviços. A contribuição devida pelos cooperados deve ser retida pela cooperativa de trabalho, no momento em que repassar ao cooperado a remuneração decorrente dos serviços por ele prestados à empresa tomadora, nos termos do § 31 do art. 216 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, que assim dispõe: Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: [...]§ 31. A cooperativa de trabalho é obrigada a descontar onze por cento do valor da quota distribuída ao cooperado por serviços por ele prestados, por seu intermédio, a empresas e vinte por cento em relação aos serviços prestados a pessoas físicas e recolher o produto dessa arrecadação no dia vinte do mês ! seguinte ao da competência a que se referir, antecipandose o vencimento para o dia útil imediatamente anterior quando não houver expediente bancário no dia vinte. (Redação dada pelo Decreto n° 6.722. de 2008). Assim, na hipótese de prestação de serviços de cooperados a empresas por intermédio de cooperativa de trabalho, a contribuição patronal incide sobre o valor da nota fiscal, tem alíquota de quinze por cento e deve ser recolhida pela empresa tomadora dos serviços. A contribuição devida pelos segurados (cooperados), tem alíquota de onze por cento, incide sobre o valor repassado ao cooperado pela prestação de serviços e deve ser retida pela cooperativa. Logo, não há que se falar em bis in idem. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 18050.008149/200872 Acórdão n.º 2301004.208 S2C3T1 Fl. 111 3 quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério. Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Relatório Tratase de crédito lançado através do Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.156.0004, por descumprimento de obrigação principal, em nome da empresa em epígrafe, referente às competências 01/2004 a 12/2005, lavrado em 23/10/2008, no valor do principal atualizado de R$ 73.977,48 (setenta e três mil, novecentos e setenta e sete reais e quarenta e oito centavos), além de juros e multa. De acordo com os Relatórios do AI, fls. 18a 26, o lançamento engloba a contribuição social, prevista no art. 22, inciso IV, da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, com redação acrescentada pela Lei n° 9.876, de 26 de novembro de 1999, com vigência a partir de março de 2000, devida pela empresa, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. Informa o referido Relatório que a fiscalização constatou que a CARA CARAMBA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA não declarou em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, conforme exige a legislação previdenciária, a contribuição previdenciária oriunda da contratação de cooperativas de trabalho e nem teve os valores oriundos desse fato gerador recolhidos em Guia da Previdência Social GPS. Assim, o débito referese a contribuições previdenciárias incidentes sobre as faturas emitidas pela cooperativa de trabalho COOPERARTE Cooperativa de Profissionais das Artes, que prestou serviço à CARA CARAMBA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA. A fiscalização solicitou à CARA CARAMBA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA, as Notas Fiscais e respectivos contratos referentes às cooperativas de trabalho que lhe prestaram serviço do período de 2004 e 2005. Anexou uma planilha contendo as relações das Notas Fiscais e o contrato correspondente. Informa, ainda, que as referidas Notas Fiscais estão registradas contabilmente e não discriminam valores relativos a material ou equipamento A contribuição do tomador de serviços (CARA CARAMBA PRODUÇÕES ARTISTÍCAS LTDA) corresponde a 15% (quinze por cento) incidente sobre o valor bruto das faturas emitidas pela cooperativa, COOPERARTE COOPERATIVA DE PROFISSIONAIS DAS ARTES. Relaciona os responsáveis, demais documentos emitidos durante a ação fiscal, outro Auto de Infração (AI) e os anexos que os acompanham. O contribuinte foi pessoalmente cientificado da autuação em 23/10/2008, fato comprovado pela assinatura do representante legal da empresa, fl. 01, tendo apresentado impugnação em 19/11/2008, juntada às fls. 48 a 54, e anexos, fls. 55 a 63, subscrita através de seu procurador, mediante instrumento acostado às fls. 63. Depois de realizada uma descrição abreviada dos fatos que culminaram no presente processo administrativo, a Impugnante alega a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor dos serviços prestados por cooperativas. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 18050.008149/200872 Acórdão n.º 2301004.208 S2C3T1 Fl. 112 5 Não obstante a inconstitucionalidade, prossegue o defendente, outra ilegalidade aflora na exigência: o bis in idem. O cooperado sendo equiparado ao trabalhador autônomo, é responsável por sua própria contribuição à previdência social, como contribuinte individual. Tendo em vista este fato, as cooperativas de trabalho não podem fazer nenhum desconto sobre a remuneração do associado a título de contribuição para a Previdência Social, bem como as empresas tomadoras de serviços não podem abater do pagamento a ser feito às cooperativas os valores a serem recolhidos à Previdência por conta da contribuição de 15% sobre a nota fiscal ou fatura. Alega que, no caso presente, a exigência concomitante da contribuição revelase de uma violência despropositada, demonstrando um crasso bis in idem. Assim, requer a Impugnante, sucessivamente, que seja a presente impugnação conhecida e provida para: a) declarar totalmente improcedente a autuação, em razão da impossibilidade de exigir o tributo em face da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor dos serviços prestados por cooperativas e; b) o arquivamento do processo administrativo fiscal. Em 23 de março de 2011, a 6ª Turma da DRJ/SDR prolatou Acórdão que julgou procedente a autuação realizada [fls. 61 e ss]: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PAGAMENTO A COOPERATIVA DE TRABALHO. É devida pela empresa tomadora a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre valor da Nota Fiscal ou Fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. De acordo com as normas disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal, salvo condições ali expressas, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o Impugnante fazêlo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do decisum, em 15/04/2011, interpôs Recurso Voluntário no dia 20/04/2011, que, em síntese, reitera os argumentos da peça impugnatória. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Em 25 de abril do corrente ano, o Sujeito Passivo protocolou petição que, em resumo, informa julgamento de RE n. 5958838 pelo STF que declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei n. 8.212/91 – contribuições previdenciária patronal correspondente a 15% sobre as notas fiscais de prestação de serviço pelas cooperativas. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 18050.008149/200872 Acórdão n.º 2301004.208 S2C3T1 Fl. 113 7 Voto Vencido Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Sendo tempestivo o Recurso Voluntário, passo ao exame das questões de mérito. I IMPOSSIBILIDADE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA A Recorrente alega a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência de recolhimento de contribuição previdenciária calculada sobre serviços prestados por cooperativas. As contribuições lançadas encontram fundamento nos dispositivos legais indicados no Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, fls. 11 e 12. Além disso, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não é possível, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tãosomente dar aplicação aos comandos legais. A instância administrativa está adstrita a verificar se o lançamento aplicase ao caso, analisar os argumentos e provas apresentados pelo sujeito passivo, verificar se houve realmente o fato gerador da obrigação tributária e se a lei foi corretamente aplicada ao caso. O Poder Judiciário é o órgão competente para declarar qualquer irregularidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. Exatamente neste sentido é a disposição contida no art. 26A do Decreto n° 70.235, 06 de março de 1972, inserida pela MP n° 449, de 03 de dezembro de 2008, que assim determina: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993. (NR) A matéria encontrase, inclusive, sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim se pronunciou sobre o tema: SÚMULA N° 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, deixo de examinar as alegações de inconstitucionalidade suscitadas pela Impugnante, por extrapolarem os limites da competência do julgador administrativo. Diferentemente da leitura realizada pelo Sujeito Passivo, entendo que o art. 62, do RICARF apenas permite ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei – no caso a 8.212/91 , sob o fundamento de inconstitucionalidade apenas quando já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Entendese por decisão definitiva aquela que não caiba mais recurso, ou seja, que já houve trânsito em julgado. No caso, o Acórdão do Plenário no RE 595.838 foi publicado em 08/10/2014, tendo sido oposto ED pela Fazenda Nacional em 20/10/2014, logo, ainda não houve o trânsito em julgado. Portanto, deixo e examinar as questões relativas ao argüição de inconstitucionalidade. II INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EM FACE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERATIVA Não merece prosperar a alegação de ilegalidade das contribuições lançadas, por força do bis in idem. Isso porque, foi lançada a contribuição patronal incidente sobre os serviços prestados pelos cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, a qual, nos termos do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, deve ser recolhida pela empresa tomadora dos serviços. A contribuição devida pelos cooperados deve ser retida pela cooperativa de trabalho, no momento em que repassar ao cooperado a remuneração decorrente dos serviços por ele prestados à empresa tomadora, nos termos do § 31 do art. 216 do Regulamento da Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 18050.008149/200872 Acórdão n.º 2301004.208 S2C3T1 Fl. 114 9 Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, que assim dispõe: Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: [...] § 31. A cooperativa de trabalho é obrigada a descontar onze por cento do valor da quota distribuída ao cooperado por serviços por ele prestados, por seu intermédio, a empresas e vinte por cento em relação aos serviços prestados a pessoas físicas e recolher o produto dessa arrecadação no dia vinte do mês ! seguinte ao da competência a que se referir, antecipandose o vencimento para o dia útil imediatamente anterior quando não houver expediente bancário no dia vinte. (Redação dada pelo Decreto n° 6.722. de 2008). Assim, na hipótese de prestação de serviços de cooperados a empresas por intermédio de cooperativa de trabalho, a contribuição patronal incide sobre o valor da nota fiscal, tem alíquota de quinze por cento e deve ser recolhida pela empresa tomadora dos serviços. A contribuição devida pelos segurados (cooperados), tem alíquota de onze por cento, incide sobre o valor repassado ao cooperado pela prestação de serviços e deve ser retida pela cooperativa. Logo, não há que se falar em bis in idem. III MULTA Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL a multa, para a obrigação principal, deverá ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 18050.008149/200872 Acórdão n.º 2301004.208 S2C3T1 Fl. 115 11 Voto Vencedor Marcelo Oliveira, redator designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua decisão quanto à multa. Concordo sobre a aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 18050.008149/200872 Acórdão n.º 2301004.208 S2C3T1 Fl. 116 13 por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o nobre relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar, de entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, mantenho a aplicação da multa, para que a autoridade preparadora, no momento da execução do julgado, compare a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício). CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso na questão da multa, mantendoa, e acompanho o relator nas demais análises, nos termos do voto (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101397/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jul 08 00:00:00 UTC 2001
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS/PASEP e COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. COMERCIAL EXPORTADORA.
O artigo 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente o aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de mercadorias por empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. COMERCIAL EXPORTADORA. O artigo 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente o aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de mercadorias por empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho de Decisório proferido pela DRF Nova Hamburgo que glosou parcialmente o direito creditório relativo ao Cofins não cumulativo e homologou as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. De acordo com o Relatório de Verificação Fiscal foram apuradas duas irregularidades na escrituração da empresa que resultaram na glosa efetuada: cálculo de créditos sobre aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. A interessada adquiriu da empresa MR Couros Indústria e Comércio LTDA., situada no estado do Maranhão, "couros bovinos curtidos ao cromo, tipo wet blue", constando das notas fiscais (fis.60, 62, 64) a informação de remessa com fim específico de exportação (campo informações complementares) e ainda o código CFOP 6118 (venda para exportação). As mercadorias foram entregues diretamente para CMA CGM do Brasil Agência Marítima LTDA, situada na cidade de Belém do Pará, e exportadas por meio do porto situado nessa cidade. A interessada insurgese contra a inclusão na base de cálculo do PIS não cumulativo de receitas referentes a cessão e/ou transferência de créditos de ICMS, por entender que tais valores não se enquadrariam no conceito de receita estabelecido pela Lei n° 10.637/2002. Discorda também da glosa dos créditos referente às compras de mercadorias com fim específico de exportação, defendendo o direito ao creditamento, uma vez que não preencheria os requisitos estabelecidos pela legislação (Decretolei n° 1.248/1972) para ser considerada uma empresa comercial exportadora. Acredita que se não houve o recolhimento da contribuição devida pela empresa vendedora (MR Couros Indústria e Comércio LTDA) esse deveria ser cobrado daquela empresa. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 COMERCIAL EXPORTADORA. São empresas que têm como objetivo social a comercialização, podendo adquirir produtos fabricados por terceiros para revenda no mercado interno ou destinálos à exportação, assim como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, atividades tipicamente de uma empresa comercial. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 01 de fevereiro de 2004, é vedado às empresas comerciais exportadoras aproveitar os créditos relativos aos insumos adquiridos para fins de exportação, conforme se verifica na disposição constante do art. 6°, § 4º da Lei n° 10.833/2003. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Repete não estar constituída como uma trading company. Aduz que muitas vezes efetua a remessa de bens através de operações triangulares, onde o beneficiador faz a remessa diretamente para o embarque e desembaraço Fl. 187DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.101397/200701 Acórdão n.º 3102001.112 S3C1T2 Fl. 2 3 aduaneiro e que, por estas razões a recorrente não teria “como informar ao fornecedor o número de seu cadastro na DECEX, fato este indispensável para que o mesmo enquadrasse sua venda como sendo “à empresa comercial exportadora” ”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Devem ser rejeitados os argumentos baseados na descaracterização da empresa da condição de uma trading company. Todas as considerações trazidas aos autos em primeira instância são por demais esclarecedoras e não foram objetadas de maneira consistente pela recorrente, que limitouse apenas a repetir, sem nada acrescentar, que não é uma trading company. Inobstante, como fica claro no voto condutor da decisão recorrida, que adoto in totum neste particular, não é necessário que seja. Ainda mais, tratase de uma controvérsia que parece poder ser resolvida pela leitura do teor do artigo 6º da Lei 10.833/03. Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto Fl. 188DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. (grifos meus) Quanto à afirmação de que há ocorrência de operações triangulares, onde o beneficiador faz a remessa diretamente para o embarque e desembaraço aduaneiro e que a recorrente não teria como informar ao fornecedor o número de seu cadastro na DECEX, descaracterizando a operação como sendo de uma comercial exportadora, não foram de maneira nenhuma comprovadas. Conforme consta do relatório de fiscalização, a autoridade fiscal foi zelosa na formação de juízo a respeito do assunto, se não vejamos. Constatamos, mediante análise da memória de cálculo fornecida e declaração apresentada pelo contribuinte, que o mesmo incluiu na base de cálculo dos créditos de COFINS aquisições de mercadorias recebidas com fim especifico de exportação. Essas compras não estiveram sujeitas ao pagamento das contribuições pelo respectivo fornecedor, não gerando direito a crédito para a exportadora adquirente. O contribuinte realizou diversas aquisições de "couros bovinos curtidos ao cromo, tipo wet blue", da empresa MR COUROS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CNPJ 04.030.554/000192, situada em Governador Edison Lobão, no Estado do Maranhão, as quais foram classificadas pela vendedora no CFOP 6118, como "Venda para Exportação". No corpo das Notas Fiscais destas operações consta a seguinte observação: "Mercadoria a ser entregue na CMA CGM do Brasil Agência Maritima Ltda., Sito à Av. Marechal Hermes, 397 — Umarisal, Belém — PA". Os couros adquiridos nessas operações foram exportados pelo contribuinte, classificados no CFOP 7501, como "Exportação de mercadorias recebidas para o fim especifico de exportação". Importante salientar que todas estas exportações foram embarcadas no porto de Belém — PA. Cabe lembrar aqui que o contribuinte está localizado em Novo Hamburgo — RS e as suas exportações de produtos por ele industrializados no período foram embarcadas no porto de Rio Grande — RS. Na planilha anexa, relacionamos as aquisições com fim específico de exportação realizadas no período, bem como as respectivas exportações de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação, estabelecendo uma relação entre as Notas Fiscais de compra e as Notas Fiscais de exportação, através da quantidade, em pés quadrados (P2). Nela, podese ver que a mesma quantidade de couros recebida é imediatamente exportada, lembrando que tanto o recebimento quanto o embarque dos couros para o exterior são feitos em Belém — PA. Ou seja, diante de tais evidências, fica claro que trataramse, de fato, de exportações de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação. Por todo o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 08 de julho de 2001. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.101397/200701 Acórdão n.º 3102001.112 S3C1T2 Fl. 3 5 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13971.003291/2002-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA. OPÇÃO.
A opção pela realização incentivada do lucro inflacionário só se concretiza com o pagamento efetuado sob a égide do art. 31, da Lei nº 8.541/92. Para efeitos do dispositivo legal em comento a compensação não se confunde com o pagamento, eis que norma regulamentando benefício fiscal deve ser interpretada literalmente
Numero da decisão: 9101-002.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial do Procurador, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado).
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente Substituto.
KAREN JUREIDINI DIAS Relatora.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Adriana Gomes Rego, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Maria Teresa Martinez Lopes (Vice-presidente), Henrique Pinheiro Torres (Presidente-substituto).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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(SUCESSORA DE POSTHAUS PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA. OPÇÃO. A opção pela realização incentivada do lucro inflacionário só se concretiza com o pagamento efetuado sob a égide do art. 31, da Lei nº 8.541/92. Para efeitos do dispositivo legal em comento a compensação não se confunde com o pagamento, eis que norma regulamentando benefício fiscal deve ser interpretada literalmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial do Procurador, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado). HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto. KAREN JUREIDINI DIAS –Relatora. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 32 91 /2 00 2- 22 Fl. 799DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Adriana Gomes Rego, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Maria Teresa Martinez Lopes (Vicepresidente), Henrique Pinheiro Torres (Presidentesubstituto). Fl. 800DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.003291/200222 Acórdão n.º 9101002.117 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 180500.001, proferido pela Oitava Turma Especial do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que acolheu a preliminar de decadência e cancelou o lançamento. Originariamente, o processo versa sobre Auto de Infração (fls. 116/121), cuja notificação foi em 20/12/2002 (fls. 124), para exigência de IRPJ, decorrente de adição supostamente não realizada ao lucro líquido no período de lucro inflacionário realizado no montante de 10% no anocalendário de 1997. Impugnado o lançamento (fls. 125/133), a Delegacia de Julgamento de Fortaleza/CE proferiu acórdão nº 0810.605, que julgou improcedente a Impugnação, em acórdão que restou ementado da seguinte forma (fls. 265/275): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 1993 COMPENSAÇÃO. Para ter direito à compensação não basta o sujeito passivo entender que pagou ou recolheu o tributo ou contribuição federal indevidamente ou a mais que o devido, necessitando que o seu respectivo crédito tenha sido reconhecido pela Administração Fazendária ou por decisão judicial com trânsito em julgado, tendo em vista que o art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja líquido e certo. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO DECADÊNCIA. No que respeita à realização do lucro inflacionário, o prazo decadencial não pode ser contado a partir do exercício em que se deu o diferimento, mas a partir de cada exercício em que deve ser tributada sua realização. Lançamento Procedente O contribuinte, então, interpôs Recurso Voluntário (fls. 298/318) em que alegou em síntese: (i) que o direito do fisco de homologar o encontro de contas “crédito ILL x débito IRPJ” já havia decaído; (ii) que o imposto lançado encontravase extinto pela compensação, conforme art. 156, inciso III, do Código Tributário Nacional, compensação que também estava alcançada pela decadência; (iii) que a legislação à época permitia a compensação de créditos de ILL, com débitos do IRPJ, independente de haver decisão judicial ou administrativa (art. 66 da lei nº 8.383/91); (iv) que o próprio acórdão recorrido concordou com a viabilidade do encontro de contas realizado, discordando apenas da legitimidade do crédito tomado, vez que entendeu que à época o crédito de ILL não era líquido e certo, tendo Fl. 801DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 em vista não haver nenhuma decisão judicial ou administrativa que lhe outorgasse legitimidade. Sobreveio o acórdão nº 180500.001 (fls. 346/354), proferido pela Oitava Turma Especial do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que acolheu a preliminar de decadência e cancelou o lançamento. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO INTEGRAL OPCIONAL DECADÊNCIA Manifestada pelo contribuinte na DIPJ a opção pela realização integral opcional do saldo do lucro inflacionário, conforme previsto no artigo 31 da Lei n. 8541, de 1992, o Fisco tinha cinco anos de prazo para contestar a extinção do crédito tributário por compensação e não por efetivo pagamento. Em face dessa decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 354/372), alegando que: (i) o acórdão recorrido está em contrariedade com a lei tributária; (ii) a extinção do crédito tributário pela compensação não pode ser admitida para o benefício da realização antecipada e incentivada do lucro inflacionário, vez que a interpretação do benefício deve ser restrita e a expressão “pagamento” no § 4º, art. 31, da Lei nº 8.541/92, não admite que seja realizada a compensação; e (iii) caso admitida a compensação para manifestar a opção pelo benefício, a compensação em si não merece guarida, tendo em vista que não foi comprovado o direito creditório do contribuinte, que só seria comprovado após a declaração de inconstitucionalidade do tributo, que veio a ocorrer após a compensação; e (iv) antes da Medida Provisória nº 135/2003, não havia prazo para a homologação dos pedidos de compensação, o que vai de encontro à alegação de decadência do acórdão recorrido. No Despacho nº 120000.235/2010 foi dado seguimento ao recurso fazendário. O contribuinte, notificado do r. recurso apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial, argumentando que: (i) o Recurso Especial não deve ser admitido, vez que foi interposto com base no Regimento antigo deste Conselho (decisão não unânime e contrariedade à lei, conforme art. 7º, inciso I, do Regimento Interno antigo deste Conselho), e o novo Regimento, já vigente na interposição do r. recurso, dispõe que só serão admitidos os Recurso Especiais que demonstrarem haver divergência jurisprudencial; (ii) a decisão recorrida não contraria a lei, visto que foi reconhecida a decadência, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho; (iii) no âmbito judicial, a jurisprudência era pacífica acerca da aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, para homologação das compensações, o que contraria o argumento da Fazenda, que menciona não haver prazo para homologação de compensações à época da compensação; (iv) o vocábulo “pagamento” utilizado no §4º, art. 31, da Lei nº 8.541/92, deve ser entendido em consonância com a Legislação Tributária; (v) não houve ofensa ao art. 66, da Lei nº 8.383/91, na medida em que este artigo autorizava a compensação à época. É o relatório. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.003291/200222 Acórdão n.º 9101002.117 CSRFT1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Karem Jureidini Dias Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Em primeiro lugar, sobre a admissibilidade do Recurso da d. Fazenda Nacional, importante mencionar que a Procuradoria não apresentou divergência jurisprudencial, como mencionado em Contrarrazões, o Regulamento Interno deste Conselho estabelece em seu art. 4º (redação dada pela Portaria MF nº 446/2009) que: “Os recursos com base no inciso I do art. 7°, no art. 8° e no art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento.” Conforme constava no art. 7°, I, do Anexo II da Portaria MF nº 147/07, competia a esta Câmara Superior julgar Recurso Especial interposto contra decisão não unânime de Câmara. Verifico, ainda, que o recurso interposto reportase a acórdão proferido em sessão ocorrida anteriormente a vigência do novo Regimento (acórdão proferido em 19/03/2009 e novo Regimento aprovado em 27/08/2009). Nesse passo, possível a interposição do recurso exclusivo da Fazenda Nacional. Assim, verifico que, conforme despacho de admissibilidade às fls. 373/374, que deu seguimento total ao Recurso Especial, as alegações do referido recurso foram resumidas em dois pontos, a saber: (i) inadmissibilidade de compensação para fins de se concretizar a opção ao benefício da realização antecipada do lucro inflacionário; e (ii) a inobservância dos ditames legais para a realização da compensação. Em análise do acórdão recorrido, verifico que, na verdade, o item (ii) não foi matéria de votação não unânime, visto que o voto vencedor e o voto vencido entenderam que os procedimentos para realizar a compensação utilizados pelo contribuinte estavam corretos. Transcrevo os trechos dos votos nesse ponto: “O ilustre Conselheiro Relator, examinando esses fatos, concluiu pela validade dos procedimentos utilizados pela recorrente para realizar a compensação e considerouos compatíveis com o regime jurídico previsto no citado artigo 66. O problema foi que o artigo 31 da Lei n. 8541 condicionava a opção pelo regime da tributação integral favorecida do lucro inflacionário ao "pagamento" do valor do imposto. E o Conselheiro Relator considerou que a compensação, embora sendo hipótese de extinção do crédito tributário (artigo 156 do CTN) da mesma forma que o pagamento, com Fl. 803DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 este não se confunde.” (Destaquei. Voto vencedor, Conselheiro João Francisco Bianco) “Assim, por todas essas considerações, considero não haver vícios que comprometam o procedimento de compensação em si, diferentemente do que concluiu o órgão julgador de primeira instância. Contudo, ainda que a referida compensação tenha seguido as normas da época, cabe averiguar ainda, como mencionado no início deste voto, se a realização antecipada e incentivada do lucro inflacionário poderia se dar mediante procedimento de compensação. Isto porque, conforme já transcrito anteriormente neste voto, o § 4° do art. 31 da Lei 8.541/1992 estabeleceu que a opção do contribuinte, dentre outros requisitos, deveria ser "manifestada através de pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal".” (Destaquei. Voto vencido, Conselheiro José de Oliveira Ferraz Ferreira) Dos trechos transcritos acima do acórdão recorrido, se depreende que a compensação realizada pelo contribuinte foi considerada válida, sem vícios, sendo votação nesta parte unânime. Por isso, em reexame de admissibilidade, entendo que relativamente ao item (ii), o Recurso Especial da Fazenda Nacional não merece seguimento. Em relação ao item (i), o recurso especial da fazenda nacional deve ser conhecido já que provido recurso em votação não unânime. No acórdão recorrido, decidiuse que, como a opção da realização integral do lucro inflacionário pela alíquota favorecida foi informada em DIPJ 1994 (anocalendário 1993) às fls. 139, o fisco possuía o prazo de 5 anos, contados a partir de 31/12/1993 (art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional), para homologar ou questionar esse lançamento. Adicionalmente, entendeuse que caso o Fisco discordasse da opção integral do lucro inflacionário, na forma como foi feita pelo contribuinte, ele tinha o mesmo prazo para se manifestar. Concluiuse que: “É inevitável a conclusão no sentido de que, diante do silêncio do Fisco, o lançamento foi tacitamente homologado após o decurso dos cinco anos contados de 31.12.1993, nos termos pevistos (sic) no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. Impossível, desse modo, pretender a fiscalização exigir diferenças de IRPJ em 20.12.2002, passados nove anos da ocorrência do fato gerador.” (Destaquei. Voto vencedor, Conselheiro João Francisco Bianco) Neste ponto, a Procuradoria alega que, conforme o art. 111, do Código Tributário Nacional, devese interpretar restritivamente a legislação tributária que trate de benefício fiscal, por isso, a palavra “pagamento” no § 4º, art. 31, da Lei nº 8.541/92 deve ser interpretado restritivamente, não se admitindo a compensação como forma de pagamento. Assim, como o contribuinte “deveria ter satisfeito o pagamento e não efetuado compensação, teria a Fazenda Nacional o direito de efetuar o lançamento, afastandose a preliminar de decadência, eis que não havendo opção válida antecipada e incentivada do lucro inflacionário, não há como reconhecer que a realização do lucro inflacionário ocorreu em 1993, nem extinto o crédito decorrente.” Fl. 804DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.003291/200222 Acórdão n.º 9101002.117 CSRFT1 Fl. 5 7 Sobre a opção realizada pelo contribuinte na DIPJ/94, homologada tacitamente, não houve questionamento. Ou seja, o Recurso Especial fazendário limitouse a discutir a interpretação a ser dada para a palavra “pagamento” do § 4º, artigo 31, da Lei nº 8.541/92, sem contra argumentar os fundamentos do acórdão recorrido para acolher a decadência, quais sejam a opção realizada pelo contribuinte na DIPJ/94. Ainda, a Fazenda Nacional menciona que à época da compensação (anocalendário 1993), antes da Medida Provisória nº 135/03 (convertida na Lei nº 10.833/03), não havia prazo para a homologação de pedidos de compensação. Tendo o acórdão recorrido entendido que decaiu o direito do Fisco de questionar a opção feita pelo contribuinte em DIPJ pela realização integral do lucro inflacionário, não se trata de decadência do direito do Fisco de questionar a compensação realizada como forma de pagamento do lucro inflacionário, mas de decadência do direito de cobrar o montante relativo ao lucro inflacionário, cuja opção de pagamento foi efetuada de forma incentivada / antecipada. Destaco que a jurisprudência deste Conselho firmouse no sentido de que a realização incentivada do lucro inflacionário constitui lançamento sujeito a homologação e, portanto, sujeito a contagem de prazo decadencial, inclusive de acordo com a Súmula CARF nº 10 que estipula que o “prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.” Ainda que se entenda que não poderia ocorrer compensação, o que faço por hipótese, a opção para realização antecipada desacompanhada de pagamento é justamente o que ensejaria o lançamento, sendo o dies a quo da contagem do prazo decadencial justamente a data da apuração dessa realização, no caso de pagamento parcial, de acordo com o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser verificado, no caso e inexistência a de pagamento parcial, de acordo com o art. 173, inciso I, do mesmo códex. Seja um ou outro o prazo, ambos transcorreram muito antes da data da ciência do lançamento em questão. Isso porque a opção de realização antecipada ocorreu em 28/04/1994 (fls. 137, recibo de entrega da DIPJ, e fls. 139 da DIPJ). Nesse passo, não me parece necessário adentrar na discussão da possibilidade da compensação como meio hábil de quitação da opção pela realização antecipada. A opção ocorreu e é a partir dela ou do exercício seguinte em que essa poderia ser verificada, que se tem a contagem do prazo decadencial. Também não há que se discutir prazo de homologação de compensação, se existente ou não à época, porque com certeza era inafastável o prazo decadencial para o lançamento de ofício do lucro inflacionário realizado, caso o fisco com a sua quitação discordasse. Dessa forma, tendo em vista que o contribuinte optou pela realização integral do lucro inflacionário, informando, inclusive em DIPJ (fls. 139), e realizou a quitação via compensação em 1993, o Fisco teria até 31/12/1998, ou, no limite, até 01/01/2000 para questionar a sua opção, forma de pagamento ou valores. Como só o fez em 20/12/2002 (fls. 124), seu direito já havia decaído. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial fazendário. Não bastasse, caso se entenda necessário adentrar na discussão relativa à opção da realização incentivada, cuja quitação foi apresentada por compensação, também não Fl. 805DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 diverge o entendimento deste Egrégio Conselho. Nesse sentido, inclusive tratando da questão de compensação, segue a jurisprudência reiterada deste Conselho: “IRPJ, LUCRO INFLACIONÁRIO, REALIZAÇÃO INCENTIVADA, COMPENSAÇÃO DO MONTANTE INTEGRAL À ALÍQUOTA DE 10%, LEI 9,249/95. DECADÊNCIA. O Fisco tem cinco anos para verificar a realização integral do seu lucro inflacionário na forma da Lei 9.249/95, contado da data do pagamento integral, tenha ele ocorrido em dinheiro ou via compensação de saldo negativo. Decadência reconhecida.” (Acórdão n° 120100.266, Sessão de 20 de maio de 2010) “DECADÊNCIA – LUCRO INFLACIONÁRIO – REALIZAÇÃO INCENTIVADA ANTECIPADA – TERMO DE CONTAGEM DO PRAZO INICIAL – A realização incentivada do lucro inflacionário acumulado em cota única, na forma do art. 31, V e parágrafo 3º da Lei nº 8.541/92 constitui lançamento sujeito a homologação em face de sua localização específica no tempo e seu tratamento fiscal separado, somente podendo ser revisto pela autoridade administrativa antes de de decorrido o prazo de 5 anos contados da data de ocorrência do fato gerador. (...)” (Acórdão 10708.629, sessão de 22/06/2006) “DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO REALIZAÇÃO ANTECIPADA DE PARCELA DE LUCRO INFLACIONÁRIO EFEITOS A realização antecipada de lucro inflacionário com as benesses de razoável desconto determina para o Fisco, e a partir da data do recolhimento do tributo, o início da contagem do prazo para o exercício da atividade homologadora e revisional do comportamento do sujeito passivo e possível constituição de crédito tributário (CTN, art. 150, parágrafo 4º).” (Acórdão nº 10320821, sessão de 23/01/2002) “LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO ANTECIPADA NÃO HOMOLOGAÇÃO DO PAGAMENTO ALÉM DO QUINQUÊNIO DECADÊNCIA Fruindo o sujeito passivo do direito à liquidação antecipada da parcela de lucro inflacionário acumulada em sua escrita, somente até cinco anos da referida liquidação, sob pena de ocorrência da decadência do direito ao lançamento, tem o Fisco a possibilidade de revisála para, apurando diferenças eventuais, exigir a pertinente repercussão em anos calendários subseqüentes.” (Acórdão nº 10321105, sessão de 04/12/2002) Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 806DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.003291/200222 Acórdão n.º 9101002.117 CSRFT1 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Sem embargo do respeito que merece o voto da I. Relatora, dele ouso discordar. Importa ressaltar que o cerne da questão não envolve a regularidade do procedimento de compensação efetuado pelo sujeito passivo, mas sim os efeitos dessa compensação no que se refere à realização incentivada do lucro inflacionário. O art. 31 da Lei nº 8.541/92 trata da opção por essa realização incentivada nos seguintes termos (destaques acrescidos): Art. 31. A opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: I1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II 1/60 à alíquota de dezoito por cento; ou III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV1/12 à alíquota de dez por cento, ou V em cota única à alíquota de cinco por cento. § Io O lucro inflacionário acumulado realizado na forma deste artigo será convertido em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do períodobase. § 2° O imposto calculado nos termos deste artigo será pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da realização, reconvertido para cruzeiro, com base na expressão monetária da Ufir diária vigente no dia anterior ao do pagamento. § 3° O imposto de que trata este artigo será considerado como de tributação exclusiva. § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. O texto legal é expresso em determinar o pagamento como mecanismo de formalização da opção. Tal circunstância fica ainda mais nítida quando do exame da Instrução Normativa SRF nº 96/93 que regulamentou o procedimento, embasada no § 4º do dispositivo supra transcrito: Fl. 807DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 (......) TRIBUTAÇÃOÀ ALÍQUOTA REDUZIDA Art. 6" A opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n" 8.200, de 28 de junho de 1991, artigo 3"), existentes em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: (...) Art. 9" A opção prevista no artigo 6", de caráter irretratável, deverá ser manifestada até 31 de dezembro de 1994, vedado à pessoa jurídica retornar à realização mensal na forma do artigo 3", bem como alterar a opção realizada. §1"(•••) § 2" Considerarseá formalizada a opção mediante o pagamento do Imposto sobre a Renda correspondente, com a indicação no campo 4 do Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, do Código 3320. § 3" A pessoa jurídica deverá consignar no campo 14 do DARF Outras informações, o valor, em UFIR, do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF existente na data da opção, bem como o número de parcelas correspondente. § 4" Manifestada a opção pela realização incentivada do lucro inflacionário, a eventual antecipação das parcelas, com vista à redução do prazo de realização, não implicará na modificação da alíquota do imposto." Percebese que a formalização não estabelece qualquer outro mecanismo de realização incentivada que não através do pagamento, eis que trata de um benefício fiscal. Ainda que tenham como efeito a extinção do crédito tributário, compensação e pagamento são institutos jurídicos distintos, ainda mais se for levado em consideração o fato de a compensação não ter o mesmo caráter de definitividade do pagamento pois, em tese, pode ter seus efeitos revertidos pela autoridade administrativa. Sob essa ótica, a compensação efetuada pelo sujeito passivo não preenche os requisitos para caracterizar a opção pela realização incentivada. Do exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional e restabelecer a exigência, deduzindose a parcela quitada mediante compensação. Leonardo de Andrade Couto – RedatorDesignado Fl. 808DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.003291/200222 Acórdão n.º 9101002.117 CSRFT1 Fl. 7 11 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10768.017546/00-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/1988 a 30/09/1995
RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITE DE ALÇADA. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA DA TURMA ESPECIAL.
A competência das turmas especiais é restrita a julgamentos de recursos em processos que envolvam valores até o limite de alçada definido em ato do Ministro da Fazenda.
Numero da decisão: 3803-006.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por declínio de competência para julgamento, em razão do limite de alçada das turmas especiais.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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LIMITE DE ALÇADA. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA DA TURMA ESPECIAL. A competência das turmas especiais é restrita a julgamentos de recursos em processos que envolvam valores até o limite de alçada definido em ato do Ministro da Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por declínio de competência para julgamento, em razão do limite de alçada das turmas especiais. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 75 46 /0 0- 09 Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.017546/0009 Acórdão n.º 3803006.894 S3TE03 Fl. 1.125 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo contribuinte para contestar o Despacho Decisório Revisor, em que a compensação declarada restou homologada apenas parcialmente. O presente processo se refere a Pedidos de Restituição cumulados com Pedidos de Compensação, por meio dos quais o contribuinte pretendeu extinguir débitos de sua titularidade com créditos da Contribuição para o PIS, assegurados em decisão judicial transitada em julgado, em que se reconheceu o direito à apuração da contribuição com base na Lei Complementar nº 7, de 1970, afastandose a aplicação dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, considerados inconstitucionais. Após o processo tramitar por todas as instâncias do Processo Administrativo Fiscal (PAF), o contribuinte teve seu direito creditório reconhecido, em sua totalidade (R$ 26.084.518,79), com observância da regra da semestralidade, obtendo, por conseguinte, a homologação total das compensações declaradas neste processo e nos processos nº 10768.006828/200142 e 10768.008658/200131, apensados ao presente. Após a ciência do contribuinte, o processo foi encaminhado à equipe competente para implementação das compensações, quando se proferiu o Despacho Decisório Revisor de fls. 650 a 651verso, resultando na homologação apenas parcial das compensações, em razão do fato de que os débitos do período de apuração maio a setembro de 1997 encontravamse lançados de ofício em auto de infração controvertido no bojo do processo nº 10768.029166/9831, inclusive com a exigência da multa de ofício de 75%. Após a revisão da homologação das compensações, restaram não extintos os débitos identificados à fl. 651verso, no montante de R$ 2.465.084,08. Por se tratar de processos conexos, ao presente foi juntado por apensação o processo nº 10768.029166/9831, em que se controverte sobre o auto de infração, no qual a Primeira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes decidiu por dar provimento parcial ao recurso do contribuinte, mantendose a exigência da multa de ofício lançada em relação ao crédito tributário remanescente. Cientificado do Despacho Decisório Revisor, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a convalidação da homologação das compensações nos termos do Despacho Decisório original, alegando a inexigibilidade da multa de ofício em razão da decisão do 2º Conselho de Contribuintes que lhe assegurara o direito à apuração da contribuição com base na regra da semestralidade, não se aplicando a imputação de multa de ofício para o período de 05/91 a 11/92 atingido pela decadência. O contribuinte requereu que ao processo nº 10768.029166/9831, do auto de infração, fossem atribuídos os efeitos da Manifestação de Inconformidade apresentada neste processo, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário remanescente, pedido esse acolhido pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O acórdão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/1988 a 30/09/1995 Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.017546/0009 Acórdão n.º 3803006.894 S3TE03 Fl. 1.126 3 COMPENSAÇÃO. DÉBITO LANÇADO DE OFÍCIO. O débito levado à compensação deve ser considerado em sua totalidade, inclusive com o acréscimo de multa de ofício, quando se tratar de débito constituído por meio de auto de infração definitivamente julgado na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Cientificado da decisão em 24/10/2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14/11/2014 e reiterou seu pedido de convalidação do despacho decisório original, bem como a atualização dos crédito em conformidade com a decisão judicial, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Conforme acima relatado, tendo havido a juntada por apensação a este processo do outro processo administrativo, de nº 10768.029166/9831, que trata do auto de infração, abrangendo parte do período de apuração destes autos, a presente análise deve levar em conta o teor de ambos processos, dada a conexão constatada. De acordo com o Despacho Decisório Revisor de fls. 650 a 651verso, cuja decisão restou mantida na DRJ Rio de Janeiro I/RJ, remanesceram controvertidos nestes autos os valores dos débitos ali identificados, todos relativos ao processo nº 10768.029166/9831, que totalizam R$ 2.465.084,08. O art. 8º do Anexo II do Regimento Interno do CARF assim dispõe: Art. 8º A competência das turmas especiais é restrita ao julgamento de recursos em processos que envolvam valores reduzidos. Parágrafo único. Ato do Ministro de Estado da Fazenda definirá o limite de alçada de julgamento pelas turmas especiais. Diante do teor do dispositivo supra e considerando que o limite de alçada das turmas especiais encontrase fixado atualmente em R$ 1.000.000,00, temse por configurada a incompetência desta 3ª Turma Especial para o julgamento deste processo, por envolver o valor de R$ 2.465.084,08. Dessa forma, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, declinando me da competência para seu julgamento, em razão do limite de alçada das turmas especiais. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.017546/0009 Acórdão n.º 3803006.894 S3TE03 Fl. 1.127 4 Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10814.006366/2005-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 21/09/2000
ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS.
Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio.
MOMENTO DO RECONHECIMENTO
Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.012
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afastase o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 00/08994069, em 21/09/2000 (fls. 6/9), no valor de R$ 3.329,32 (Três mil, trezentos e vinte e nove reais e trinta e dois centavos). O pleito de reconhecimento de direito creditório está cumulado com o de compensação de tributos, conforme PER / DCOMP de nº 06713.49066.080905.1.3.04 0623, cujo extrato está anexado às fls. 138/139 dos autos, transmitida em 08/09/2005. Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Por entender que não se beneficiou de isenção a que fazia jus, tendo, portanto, recolhido tributos a maior que o devido, vinculou ao pleito de restituição o de compensação do mesmo com tributos diversos. Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 21/09/2000 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº 00/08994069, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 11/08/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 3.329,32 (Três mil, trezentos e vinte enove reais e trinta e dois centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006366/200594 Acórdão n.º 310201.012 S3C1T2 Fl. 2 3 Anexou às fls. 19 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo – (IRFSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da IN SRF nº 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 54/55). Em 03/10/2007 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 54/55). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º, art. nº 45 da IN/SRF nº 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei nº 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex nº 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que, conforme já mencionado, não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 105/109– Despacho Decisório IRF/SPO nº 026/2009, de 17 de fevereiro de 2009. Tendo o interessado colocado diversos questionamentos quanto ao esgotamento administrativo de seu pedido de retificação de Declaração de Importação, após recurso ao Chefe da Unidade que o indeferiu inicialmente, foi solicitado o Parecer/DIANA/SRRF08 nº 030/09 (fls. 110), cujo texto segue parcialmente transcrito: “O rito processual para o caso específico de recurso contra decisão que denega pedido de retificação de declaração de importação encontrase na IN SRF nº 680/06, em seu artigo 45: Art. 45. A retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I – de ofício, na unidade da SRF onde for apurada (...) II – mediante solicitação do importador, formalizada em processo (...) § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.” PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo – Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN RFB nº 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006366/200594 Acórdão n.º 310201.012 S3C1T2 Fl. 3 5 posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 113/115). COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO – NÃO HOMOLOGADA. O pleito de compensação de tributos consubstanciado na PER / DCOMP nº 06713.49066.080905.1.3.040623, cujo extrato encontrase anexado às às 138/139 dos autos, também foi indeferido, já que estava vinculado ao reconhecimento do direito creditório aqui discutido, o que não ocorreu. A nãohomologação da compensação foi objeto do Despacho Decisório nº 30/2010,de 18 de janeiro de 2010 (fls. 142/144). Inconformado com o indeferimento de seus pleitos (reconhecimento de direito creditório e compensação de débitos), o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 117/131 – 146/161, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 – A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos, para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime, feita junto ao SECEX). 02 – Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 – Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10.182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a Lei 10.182/2001 especial. 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 06 – Entende que, sendo legítimo seu pleito quanto ao reconhecimento do direito creditório referido, isso dá legitimidade a seu pleito a ele vinculado, de compensação de débitos diversos. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 117/131 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, tira a legitimidade de seu pleito de compensação de débitos. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/09/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANTO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Conforme art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. Também não cabe compensar débitos oriundos de tributos diversos com direito creditório nãoreconhecido, o que implica na nãohomologação do pleito de compensação. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006366/200594 Acórdão n.º 310201.012 S3C1T2 Fl. 4 7 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/951 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. 1 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66)2 e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69) 3: Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 19994 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original): Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Icomprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. 2 Art. 17 A isenção do impôsto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Art. 18 O Conselho de Política Aduaneira formulará critérios, gerais ou específicos, para julgamento da similaridade, à vista das condições de oferta do produto nacional, e observadas as seguintes normas básicas: 3 Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. 4 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.006366/200594 Acórdão n.º 310201.012 S3C1T2 Fl. 5 9 Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e, não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve ser manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as 5 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10980.011183/2005-79
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
DECISÃO DEFINITIVA
É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para o recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1803-001.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em razão de perempção, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em razão de perempção, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em razão de perempção, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 11 83 /2 00 5- 79 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 199 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, fls. 0809, com a exigência dos créditos tributários no valor de R$304.400,80 a título de multa de ofício isolada por compensação indevida. Consta na Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: 001 MULTAS ISOLADAS COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO CSLL O contribuinte transmitiu, em 04 de outubro de 2003, PER/DCOMPs relacionadas às fls. 60 , pleiteando a compensação de débitos tributários com crédito oriundo do processo Judicial n ° 1059/57, no valor de R$73.819,87 (Setenta e três mil, oitocentos e dezenove reais e oitenta e sete centavos). 1 0 credito se refere a pretensos direitos vinculados com a ação judicial proposta pelo espólio de Jose Teixeira Palhares e Outros, relacionada a posse de terras denominadas "Apertados", onde figura como parte o estado do Paraná. Os direitos foram adquiridos de Globo Agropecuária Indústria e Comercio Exp. Imp. de Sementes Ltda, donde depreendese que tratase de credito de terceiro. 2 A ação onde se originaria o suposto credito foi proposta contra o estado do Paraná, não configurando qualquer compromisso da Fazenda Pública da União, e tampouco tratase de crédito de natureza tributária, não possuindo qualquer vinculo com a Secretaria da Receita Federal SRF. 3 Os pedidos envolvendo Restituição/Compensação somente são cabíveis nos casos elencados no artigo 165 da Lei n ° 5.172/66 Código Tributário Nacional. 4 No âmbito da Receita Federal, a matéria, na data da transmissão das PER/DECOMPs, estava disciplinada pela Instrução Normativa SRF n ° 210/2002. Assim dispõe o seu artigo 2°: Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a titulo de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no calculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. 5 O pleito do contribuinte é de conversão de um possível direito creditório, junto ao Estado do Paraná, em direito tributário, ou seja, converter credito não tributário em crédito tributário, para utilização em compensação de débitos próprios. 6 Deparamos com dois pontos: tratase de crédito de terceiro e também de natureza não tributária, onde sequer o devedor é a União Federal. A tentativa de compensação do crédito, cujo devedor seria o Estado do Paraná, com tributos Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 200 3 federais, é esdrúxula, pois equivale a cobrar uma divida de alguém que não é o devedor. 7 0 primeiro óbice à pretensão do contribuinte encontrase no artigo 30 da Instrução Normativa SRF n ° 210/02, que veda a compensação e débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros. 8 O segundo e que, não sendo credito tributário, nem nisso podendo se transformar, por falta de previsão legal, deixa de atender a outro pressuposto legal necessário pretensão final compensação com débitos tributários. 9 O artigo 74 da Lei n°9.430/96, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 49 da Lei no 10.637/02, que trata da matéria, só permite a restituição ou ressarcimento, que precede a compensação, de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal. 10 O contribuinte apresentou diversas Declarações de Compensação, conforme relação às fls. 60 e cópias das DCOMPs referente ao IRPJ, as fls. 15 a 50 , utilizando o crédito citado nos itens 1 a 9. 11 Conforme explanado, o crédito é de terceiro e de natureza não tributária, sendo que a União Federal sequer é parte devedora,inexistindo portanto, a possibilidade de compensação. 12 Em 30 de agosto de 2005 foi expedido o Despacho Decisório (fls. 51 a 52), resolvendo pela não homologação da compensação dos débitos, constantes nas Declarações de Compensação, porque o crédito foi cedido por terceiro e não tem natureza tributária. 13 De acordo com o disposto no artigo 30 da IN SRF n° 210/2002 é vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. 14 Ainda, de acordo cam o artigo único, inciso III do Ato Declaratório Interpretativo SRF n ° 17, de 02 de outubro de 2002, estão sujeitos a multa prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, por caracterizarem evidente intuito de fraude, as hipóteses em que o crédito oferecido a compensação não é passível de compensação por expressa disposição legal. 15 Desta forma, sobre os valores compensados indevidamente (fls. 60), será aplicada a multa de 150%, conforme disposto na legislação citada acima. 16 Ressaltamos que, nas PER/DCOMP transmitidas, foi informada a data da decisão judicial de reconhecimento do crédito, mas nunca houve julgamento no sentido de converter o suposto direito junto ao Estado do Paraná, em crédito de natureza tributária, o que mais uma vez demonstra as distorções realizadas para tentar, de forma fraudulenta, quitar débitos tributários. Em decorrência das compensações efetuadas terem sido realizadas, apesar de serem indevidas, conforme expressa disposição legal, fica caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme definido no inciso II, do parágrafo 10 da Lei 8.137/90, será protocolizada Representação Fiscal para fins Penais, dirigida ao Delegado da Receita Federal em Curitiba, para cumprimento ao estabelecido no artigo 1 °da Portaria SRF n° 326/2005. [...] COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO O contribuinte transmitiu, via sistema eletrônico, Declarações de Compensação DCOMPs (fls. 03 a 07 ), pleiteando a compensação de valores devidos da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, dos períodos de apuração relacionados no demonstrativo as fls. 62 a Nas compensações pleiteadas Fl. 202DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 201 4 através das PER/DCOMPs n ° 41688.37436.271103.1.3.011161 e 28137.11661.181203.1.7.010889, transmitidas em 17111/03 e 18/12/03, o contribuinte utilizou créditos de IPI, adquiridos da empresa Euromad Trading S/a, inscrita no CNPJ sob o no 81.069.411/000135, pleiteados nos processos administrativos no 10980.006484/0096 e 10980.006337/0061. 0 reconhecimento dos créditos pleiteados, nos dois processos, foi indeferido tanto pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, bem COMO pelos acórdãos n° 20309.908 e 20309982 do Segundo Conselho de Contribuintes, que negou provimento aos recursos apresentados, pelo Euromad, que em tese teria direito aos créditos. Concluise que todas as compensações efetuadas foram indevidas, já que: 1) O crédito utilizado é inexistente, pois não foi reconhecido. 2) Não é permitida a compensação de débitos com créditos de terceiros (artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação do artigo 49 da Lei n° 10.637/2002, regulamentado pela Instrução Normativa IN SRF n ° 210/2002, artigos 21 e 30). Com base na legislação citada acima, em 01 de setembro de 2005 foi expedido o Despacho Decisório (fls.jta a SI ), decidindo pela não homologação das compensações pleiteadas através das 02 (duas) DCOMPs transmitidas, em razão de terem sido utilizados créditos não reconhecidos, além dos mesmos pertencerem a outra pessoa jurídica. De acordo com o disposto no artigo 1° da IN SRF 226, de 18 de outubro de 2002, será liminarmente indeferido o pedido de restituição, cujo direito creditório alegado tenha por base o credito de terceiros. Ainda, de acordo com o artigo único, inciso III do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 02 de outubro de 2002, estão sujeitos a multa prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, por caracterizarem evidente intuito de fraude, as hipóteses em que o crédito oferecido a compensação não é passível de compensação por expressa disposição legal. Desta forma, sobre os valores compensados indevidamente (fls. 62), é aplicada a multa de 150%, conforme disposto na legislação citada acima. Em decorrência das compensações efetuadas terem sido realizadas, apesar de serem indevidas, conforme expressa disposição legal (Artigo 170A do CTN), fica caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme definido no inciso II, do parágrafo 1° da Lei 8.137/90, e será protocolizada Representação Fiscal para fins Penais, dirigida ao Delegado da Receita Federal em Curitiba, para cumprimento ao estabelecido no artigo 1 ° da Portaria SRF no 326/2005. [...] Art. 90 da Medida Provisória n ° 2.15835/01. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 8295, com as alegações a seguir transcritas: Da origem dos valores e da época em que foram formulados os pedidos de compensação. Consoante demonstrativo elaborado pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, "Demonstrativo dos Tributos e Contribuições Compensados Indevidamente", há pontual indicação dos tributos, do período de apuração, do vencimento das obrigações, o número dos PER/DCOMPs e data de transmissão, onde se constata, facilmente, que ocorreram em 04 de outubro de 2003, 27 de novembro de 2003 e 18 de dezembro de 2003. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 202 5 Ocorre, Sr. Delegado, que a Autoridade competente quedouse, mantevese silente, por quase dois anos, exatamente vinte e três meses, aproximadamente setecentos dias, sem que nenhuma indicação ou providência fosse noticiada à I. quanto a inviabilidade do procedimento que foi implementado e repetida por outras duas vezes, nos meses de novembro de dezembro. Ora, a sociedade empresarial, inteiramente orientada em seus negócios, não poderia imaginar que algo de tão grave pudesse advir daquelas iniciativas, muito menos de que, mesmo antes de tomar conhecimento de comunicado de indeferimento, receberia Autos de Infração com imposição de multa isolada, em tudo contrária à lógica, extinguindose, inclusive, a possibilidade de utilizar o instituto da denúncia espontânea Por óbvio — e para melhor desenhar esta exposição — se tivesse tomado conhecimento do indeferimento do pedido de compensação, a I. providenciaria o acertamento de contas junto ao Fisco Federal, cumprindo integralmente sua obrigação em face dos débitos, situação que ilidiria qualquer cogitação — como ocorre — mediante imposição de gravoso e desmedido encargo. Deveras, salta aos olhos deixar a I. à margem de proceder apuração dos saldos dos débitos de sua responsabilidade, por critério discricionário e derivado da arbitrariedade da Autoridade Fiscal a que está jurisdicionada. Entretanto, o principio da isonomia insculpido no art. 5°, I, da CF 88, assim parece â I., encontrase aviltado, impondo situação desvantajosa sobre aos demais contribuintes em situação equivalente. [...] Reforçase mencionar que em nenhum momento houve suspeita ou dúvida quanto à iniciativa do contribuinte. Em assim não se procedendo, perpetrase aumento do encargo do tributo por via de imposição de multas pesadas ao contribuinte e, de conseguinte, o aviltamento de seus custos e, em corolário inegável, de seus produtos, muitos dos quais já em difícil situação mercadolágica à vista dos concorrentes, inclusive internacionais. Este aumento de encargo verificado pela arbitrariedade, impõe ao contribuinte o pesado ônus, imprimindolhe desequilíbrio econômico e efeito confiscatório. A doutrina universal, depois de longa e penosa elaboração, passou a consagrar o principio da justiça tributária e, ao consagrar tal principio, assumiu, em definitivo, noção de que cada qual deve ser gravado ou onerado segundo a aptidão econômica que demonstre para suportar os tributos. Dada consolidação desse princípio, 6 possível identificar que em muitos casos está sendo exigido crédito tributário em exorbitância aos limites postos pela doutrina e incorporados pelas Constituições dos países civilizados. Sempre que ele tenha sido criado ou esteja sendo exigido com desconhecimento do princípio da capacidade econômica ou contributiva, revestese da mácula de inconstitucionalidade. Nesta direção a Constituição Federal brasileira erigiu preceito singular, exatamente para assinalar os ensinamentos da doutrina mundial. Prescreve o art. 145, § 1°, [...] Ora, este principio vem confirmado em uma clara limitação, constitucional estabelecida aos sujeitos tributários a "vos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Dispõe o Art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: [...] Com efeito, exigir o crédito tributário nos moldes postos no vertente caso implica ir além da capacidade econômica do contribuinte e, portanto, liquidar com o Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 203 6 seu patrimônio e a própria atividade que dá causa geração do imposto. Perpetrase, vale dizer, verdadeiro confisco. E mais. Da forma como posta a matéria no lançamento de oficio pega inaugural do contencioso em exame desrespeitase o dogma da não desproporcionalidade. [...] Quando houver lacunas jurídicas, ou seja, onde não existam no ordenamento jurídico normas que disciplinem certas matérias, legitimo o uso da analogia. A analogia é considerada método interpretativo previsto no ordenamento jurídico exatamente no artigo 4° do Decretolei n° 4.657/42. [...] Ademais, está previsto, no artigo 112 do CTN, que: [...] A sanção tributária é decorrente, sempre, de previsão expressa em lei (artigo 97, V, CTN) e proveniente de uma obrigação acessória tributária, seja uma obrigação de fazer ou não fazer, concernente ao interesse de arrecadação ou fiscalização de tributos. Na Teoria Geral do Estado podese chegar à conclusão do equilíbrio que se comenta, porquanto o Estado Democrático de Direito é a evolução democrática do Estado de Policia. Importante notar que no Estado de Policia vigia soberbamente o seguinte principio: supremacia do interesse público sobre o particular. Com estes elementos podemos apontar conclusão simples: o Estado Democrático de Direito surgiu como resposta ao poder absoluto do Estado em face do cidadão. Portanto, o principio que rege o Estado Democrático de Direito 6 a limitação do próprio Estado pelas normas, elaboradas democraticamente, surgindo para a administração pública o principio da legalidade estrita. 0 Estado regido pelas normas de forma estrita, não pode mais se utilizar absolutamente do principio da supremacia do interesse público sobre o particular. Os direitos que limitariam os princípios da supremacia do interesse público e a presunção de legitimidade dos atos da administração pública estão encartados no caput do artigo 5° da Constituição Federal, que declara invioláveis os direitos: à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e propriedade. Assim, quando a administração impõe uma sanção administrativa, impondo ao administrado comprovar a impropriedade da sanção, o Estado estará violando dois direitos invioláveis, o da igualdade e da propriedade. Portanto, para concretização do Estado Democrático de Direito, o principio da supremacia do interesse público sobre o particular e a presunção de legitimidade dos atos da administração pública podem e devem ser , restringidos. No artigo 112 do CTN prevê que a infração tributária será interpretada da maneira mais favorável ao acusado, quando houver dúvidas, ou seja, prevê duas situações. A primeira isentaria o infrator da penalidade pecuniária no caso de inexistência de uma definição legal clara do fato praticado pelo infrator cumulada com a inexistência de outra disposição legal que disciplinaria o fato; e, na segunda situação, utilizaria o dispositivo legal menos prejudicial ao infrator. O inciso I prevê a hipótese de dúvida quanta à capitulação do fato. Interpretação benigna, na hipótese desse inciso, deve prevalecer sempre, pois se existem fundadas dúvidas sobre a capitulação do fato, por medida de justiça a sanção não pode ser aplicada. Notório é o princípio que ninguém se isenta de culpa por desconhecimento da lei, mas se persistirem dúvidas sobre capitulação de um fato que enseja uma sanção, a administração ou o Poder Judiciário devem, nos termos do caput, utilizarse da interpretação benigna, seja sanção tributária ou administrativa. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 204 7 No inciso II há interpretação benéfica quando houver dúvidas sobre a natureza, circunstancias materiais do fato, ou a natureza ou extensão dos seus efeitos na sanção tributária. Tal depende inexoravelmente do conhecimento sobre a natureza do fato que ensejou a imputação ou as circunstancias em que o fato ocorreu ou, ainda, como procederam os seus efeitos e sua extensão. No inciso III o CTN prevê a interpretação benigna quando houver dúvida quanto à autoria, à imputabilidade ou à punibilidade. No inciso IV a interpretação benéfica ocorre quando houver dúvidas sobre a natureza da penalidade aplicável, ou sua graduação, ou seja, quando houver dúvidas sobre a própria penalidade aplicável, conteúdo e qualidade da autuação devera, sempre, utilizarse da interpretação mais benéfica ao administrado. Sobressai, na seqüência, a não conformidade dos efeitos projetados pela medida, não só pelo desequilíbrio das relações pela quebra da isonomia como da desproporcionalidade dos efeitos. Se bem que do conhecimento geral o principio da proporcionalidade possui grande destaque no direito constitucional contemporâneo, sendo realçado no âmbito de vigência das constituições dos Estados Democráticos de Direito, firmandose, atualmente como técnica de controle dos direitos fundamentais. [...] De fato, a proporcionalidade evidenciase como norma esparsa no direito constitucional. Inferese de outros princípios que lhe são afins, dentre os quais o principio da igualdade e flui do espírito que permeia o § 2.° do art. 50 da Constituição federal, que abrange a parte nãoescrita ou não expressa dos direitos e garantias da Constituição, quais sejam, a natureza do regime, o Estado Democrático de Direito, dentre outros. Pois bem, sendo um principio que limita o poder estatal ao disciplinar matéria que abrange direta ou indiretamente o exercício dos direitos fundamentais, resta patente a força cogente de sua normatividade. O principio em destaque subdividese em elementos. Salientam os especialistas que a análise da proporcionalidade não enseja necessariamente a averiguação dos três subprincipios, uma vez que estas se relacionam de forma subsidiária e, resolvida a questão com a primeira delas, as demais se tornam prescindíveis. O primeiro é o principio da adequação, devendose verificar, no caso concreto, se a decisão é apta e útil para alcançar o fim colimado. Tratase de uma relação entre meio e fim, ou seja, se um meio é adequado para que se atinja determinado fim. [...] O terceiro, principio da proporcionalidade propriamente dito, implica numa relação de proporcionalidade entre a decisão normativa e a finalidade perseguida. [...] Disto resulta, para o caso concreto uma certeza. A de que o principio da proporcionalidade afasta qualquer atitude, inclusive atos, notadamente os administrativos como se cuida que não respeitem a sua adequação axiológica com correspondente vedação a sacrifícios excessivos. É que a vedação de excessos exige ponderação e racionalidade prudente do administrador e de quem controle os seus atos, contratos e procedimentos. Sob a matiz especialíssima de tal principio, o poder de policia administrativa pode e deve ser redefinido com o exercício do poderdever que consiste em limitar ou restringir, sem qualquer sacrifício justificável, a liberdade e a propriedade, de maneira a obter uma ordem pública capaz de viabilizar e de universalizar a coexistência proporcional das múltiplas liberdades e propriedades. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 205 8 Sopesando, assim, o principio da proporcionalidade implica numa adequação axiológica e finalística, vale dizer, o uso acertado, pelo agente público, do poder dever de hierarquizar princípios s e valores de maneira adequada nas relações de administração e no controle das mesmas. Jamais deve impor um ônus real de uso público de um bem se o mero exercício d poder limitado de policia tiver aptidão bastante para alcançar o desiderato cabível e esperado. [...] Desta sorte e para concluir, a infração cometida pelo sujeito passivo, quando muito e não foi deste modo que se orientou a pega exordial, foi de natureza formal e deve ser tratada como em precedente citado pelo sujeito passivo. [...] É bem de ver que ao teor das decisões transcritas, especialmente a imediatamente anterior, a precipitada atribuição fiscal não encontra respaldo inclusive porque totalmente afastada da realidade e completamente despida de bom senso, senão, decorrente de procedimento arbitrário, projeta a absoluta inviabilidade da Empresa sem que prejuízo algum esteja configurado no caso em exame. [...] Como se depreende dos elementos oferecidos, o sujeito passivo, ora Impugnante, ofereceu, sob o crivo da autoridade administrativa, títulos para compensação de seus débitos, — tudo por intermédio de empresa, que contratou, e que assumiu total responsabilidade — submetendo à esta (autoridade administrativa) o poder homologatório da providência pretendida. Conseqüentemente, está, de plano, absolutamente afastado o intuito fraudatório, até porque a frustração do dever obrigacional não ocorreu tendo em vista o pleito de parcelamento do débito fiscal que promoverá na data assinalada na carta cobrança expedida por essa Delegacia da Receita Federal de acordo com os termos do Oficio SEORT/EQARC n° 61912005, de 11 de outubro do corrente ano, que lhe foi endereçado, acarretando, no entanto e como aspecto incontroverso, encargos pela impontualidade. Jamais atribuição de fraude. Da comunicação oficial de não aceitação das compensações. Deveras, para corroborar que não foi despendido o necessário cuidado quanto à emissão da vertente pega vestibular, essa Delegacia da Receita do Brasil em Curitiba, através do Ofício SEORT/EQARC n° 619/2005, de 11 de outubro de 2005, comunica à I. o despacho de cancelamento das DCOMP's arroladas, notificandoa para que promova o pagamento do débito, encaminhandose, em corolário, guias de pagamento com vencimento em data de 31/10/2005. Na concepção do conjunto dos elementos, é defeso adotarse a divisibilidade, a fim, dentre outros, de oferecerse conclusões estanques e dissociadas do conjunto dos fatos. Neste sentido, é principio consagrado no sentido de dever ser outorgado entendimento pelo conjunto de todos os aspectos envolvidos, restando — no mínimo — duvidosa a divisibilidade. [...] A digressão tem o sentido de apontar para o fato de que a própria Repartição Fiscal ao indeferir os pedidos de compensação declinados nas DCOMP's, automaticamente notificou o contribuinte, ora 1., para promover o pagamento do débito fiscal — incontroverso — e o fez no pressuposto das atribuições específicas da autoridade administrativa, de receber, processar e julgar a pertinência (ou não) dos pedidos de compensação. E, inclusive diante da finalidade cognoscitiva, ao seu juízo de valor, desacolheu os pleitos e determinou o cancelamento das DCOMP's, com a comunicação para que o contribuinte promovesse o pagamento dos débitos remanescentes da negativa de seus pedidos, sem que nenhuma elemento pudesse ser Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 206 9 atribuído e inerente a artifício empregado pelo contribuinte tendente a fraudar o Erário Público. Tanto que, ao tomar conhecimento do despacho indeferitório, o sujeito passivo, ora I., iniciou procedimentos tendentes a formular pedido administrativo de parcelamento integral do débito tributário, a comprovar, por mais este torneio, que não é omisso, não pretendeu furtarse de seus deveres e muito menos, o de fraudar o Fisco. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Na consideração de todo o exposto, da boafé da Impugnante e diante da absoluta ausência da alegada fraude, requer e espera que esta Defesa seja recebida, processada e finalmente provida, ao efeito de ser cancelada a multa proposta, tudo por ser medida de inteira e impostergável justiça. Protestando pelo oferecimento de razões e provas adicionais, nos termos do pedido e na forma de estilo, [...]. Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14 15.835, de 18.05.2007, fls. 109116: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. No lançamento de oficio relativo a declarações de compensação realizada com créditos de terceiros, é aplicável a multa de oficio, entretanto há que estar caracterizada a fraude para que se aplique a multa qualificada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Lançamento Procedente em Parte Notificada em 11.06.2007, fl. 122, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.07.2007, fls. 123135, suscitando que Do recurso. Lançamento de multa por autoridade incompetente. Reflexos. Ao teor do roteiro dos fatos encartados no vertente processo administrativo fiscal, a d. autoridade que prolatou a decisão administrativa de primeira instância aplicou à ora R. a multa prevista no inciso I do art. 44, da Lei n° 9.430, diversa, portanto, da imposta no lançamento que foi a do inciso ll do mesmo art. 44, da citada Lei. Ocorre que a providência implementada pela autoridade exorbita as suas funções porquanto lhe cabe afiançar o lançamento promovido ou cancelálo, jamais, Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 207 10 em caso de multa, outorgar nova disposição, ainda que de seu resultado aparente defluir redução do encargo pecuniário. É sabido que o artigo 142 do Código Tributário Nacional define lançamento, assim concebido como procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributária e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível, assim: • "Art. 142. Compete privativamente A autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível." A prescrição encarta, ainda, que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional, verbis: "Parágrafo único: A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Tratase de ato administrativo especifico que, como qualquer outro de sua espécie, deve estruturarse na conformidade do que a lei exige, com referência a todos os seus pressupostos, ou seja, a aferição da sua regularidade se dá da mesma forma que com os demais atos administrativos, podendo estar viciado em qualquer de seus elementos, com importância, ainda, ressaltar as funções prescritas nos princípios plasmados no art. 37 da Constituição da República. Ora, o ato administrativo é uma das formas de aplicação da norma geral e abstrata a situações concretas, submetendose ás exigências daquela. 0 ato individual e concreto tem de ser praticado em sintonia com a norma jurídica prévia que lhe serve de fundamento. Isto se explica pela razão de que, sendo a atividade administrativa exercida debaixo da lei, todos os atos a serem expedidos pelos agentes públicos devem ser aqueles exigidos ou autorizados pela lei. Decorre do Estado de Direito o principio da legalidade, insculpido na atual Constituição da República, no art. 5º, inciso II, segundo o qual, "ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei" e, como os cidadãos, a Administração Pública também se as sujeita aos ditames da lei, com a peculiaridade de que, ao revés do que ocorre com os particulares, que podem fazer tudo o que não estiver proibido, o Executivo somente pode, como o próprio nome indica, fazer executar as leis, agindo conforme a lei determine expressamente, ou de forma explicita, também o autorize. Têmse, nesta esteira, reforçado o principio da legalidade estrita na Carta Maior, quando prescreve no art. 37 que a Administração Pública deve obedecer os princípios arrolados, dentre os quais o da legalidade. Dai cumpre concluir que o ato administrativo, como produto mais abundante dessa atividade executiva, tem que se conformar A lei que o autoriza ou determina, restando da confrontação do ato e lei o ponto da validade do ato administrativo do lançamento. E é nas lições da Teoria Geral do Direito que se pode afirmar, enquanto ciência do Direito que formula proposições descritivas do seu objeto (o Direito), que poderão ser verdadeiras ou falsas, válidas ou inválidas, conforme postas pelo órgão legitimado a fazêlo, em conformidade, ou não, ao procedimento fixado para tal. [...] O nexo de pertinência com o sistema jurídico, para ser válido, exige que a norma jurídica seja reconhecida em face de determinado sistema jurídico, ou na Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 208 11 exegese de Paulo de Barros Carvalho2 "... que u'a norma jurídica existe, implica reconhecer sua validade em face de determinado sistema jurídico. Do que se pode inferir: ou a norma existe, está no sistema e 6, portando, válida, ou não • existe como norma jurídica." Como norma jurídica posta pelo ato jurídico administrativo do lançamento tributário não é diverso do que se passa e, ao se cogitar da validade do lançamento, devese imperiosamente verificar a adequação dele com a lei tributária que determinou a sua prática, e assim, será possível aferir se o ato juridicamente concebido é válido ou não. [...] Entretanto, sendo o lançamento válido aquele que se subsume inteiramente A lei tributária, se isto, por hipótese, não ocorrer, surge o que a doutrina denomina de lançamento defeituoso 3 "o lançamento defeituoso é portanto aquele que se encontra, sob um aspecto qualquer, ou seja, parcialmente em desacordo com as normas que regulam a sua produção Vale dizer, com as normas administrativas tributárias postas no CTN e outros atos normativos de caráter geral e abstrato.", e, ai, adentrase no campo da nulidade ou anulabilidade do ato jurídico. Deveras, como ato administrativo que 6, o lançamento pode ser tido • como nulo ou anulável e os administrativistas que se debruçaram sob o tema posicionaramse no sentido de que, em face da ocorrência de defeito, há nulidade absoluta do ato. E neste sentido, André de Laubad6re4 ensina que no Direito Administrativo, tal como ocorre no Direito Privado, a nulidade dever ser constatada por uma autoridade pública, podendo ser pronunciada por um juiz ou pela própria autoridade administrativa. Isto porque, como ato jurídico administrativo que 6, o lançamento tributário nasce com presunção de legalidade, presunção esta juris tantum, que somente será afastada por meio de decisão administrativa ou judicial prolatada ao final de um procedimento instaurado com esse objetivo. A decisão que anular o ato administrativo de lançamento terá obviamente efeitos constitutivos, não simplesmente declaratórios, conforme ensina Kelsen, no sentido de que sem essa decisão o ato não poderia ter sido havido como nulo. E não se há de ignorar o verbete n° 473 da Súmula do E. Supremo Tribunal Federal que enuncia "A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial". Mas o Código Tributário Nacional, no livro segundo — Normas Gerais de Direito Tributário — ao versar sobre o lançamento estabelece as linhas básicas do procedimento a ser instaurado para ver decretada a nulidade do ato administrativo tributário mais importante, complementado pela legislação das diversas pessoas políticas com relação aos seus respectivos tributos. E assim, os artigos 145 e 149 cuidam da matéria, prevendo as causas de alteração do lançamento (art. 145), sua efetivação (no caso de tributo que comporte esse tipo de ato, chamado de lançamento de oficio ou direito) e sua revisão de oficio (149). Cumpre frisar que consoante salienta Souto Maior Borges, a competência para rever envolve, necessariamente, a competência para eventualmente anular o lançamento revisto, ou seja, a revisão do lançamento realizada de oficio ou sua modificação por manifestação do interessado, ou de outra razão prevista, acarretarão, por vezes, alteração do lançamento ou a completa anulação do mesmo. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 209 12 À alteração do lançamento o CTN não opõe limite de ordem • substancial. Atribui ao sujeito passivo faculdade de impugnar o lançamento e assegura 6 autoridade administrativa a possibilidade para tal. E o critério a ser seguido para procederse a alterabilidade do lançamento conquanto estabelecido na legislação do Ente Político competente cabendo a estes a definição das hipóteses e limitações da modificação do lançamento e, à falta dessa legislação, tais limites não poderão ser extraídos por via de interpretação. E mais. Não há espaço na legislação tributária a criação da hipótese do lançamento provisório, ou melhor, aquele suscetível de ser alterado no decorrer do processo tributário. [...] O lançamento, desde que tenha sido praticado em total conformidade com a lei tributária respectiva é definitivo, com presunção de sua validade com que se revista de tal caráter até que venha a ser de alguma forma invalidado. E, no vertente caso o foi. Como se viu no inicio, a Autoridade que prolatou a decisão, verificando o conjunto probatório que sustentou o lançamento, vislumbrou, com rigoroso acerto que sempre orienta a atividade desse jaez, que não havia espaço para a imposição de multa gravosa diante da absoluta boafé da ora R. ao sempre informar a fonte, a origem dos valores que lhe eram apresentados para o fomento das compensações que foram promovidas ao longo de quase dois anos. E assim o fazendo concluiu, de modo constitutivo, que o lançamento realizado era imperfeito, cancelando, como fez, a multa do inciso II, art. 44, da Lei n°9.430. O que não poderia fazer — e este é aspecto que deve ser esgotado —é promover novo lançamento em sede de decisão administrativa, implicando prejuízo à parte, basicamente pelo impedimento à impugnação e a usufruir, querendo, dos benefícios da redução plasmados na legislação e no prazo de trinta dias, para pagamento ou eliminação parcial do valor em caso de parcelamento da divida. [...] Ademais, na direção dos citados artigos 145 e 149 do CTN a modificação é somente atribuível e admissível em caso de quantificação do crédito tributário e quanto ao tributo propriamente dito, quando, à vista da impugnação, o sujeito passivo demonstrar que a definição de seu valor, pela Autoridade lançadora, incorreu em erro em função da desconsideração de fatos ou elementos modificativos ou impeditivos à premissa adotada. Jamais, contudo, quando o lançamento reproduzido no ato administrativo é exclusivo da multa, cujos contornos do Direito devam ser sobejamente conhecidos devendo ser manejados corretamente. E o caso dos presentes autos. A autoridade prolatora da sentença de primeira instância (DRJRibeirão Preto) ao verificar que não havia elementos substantivos para a caracterização da fraude (que constitui prova préconstituída e ao talante e incumbência de acusação equivalente sob o ônus de quem alega —art. 333 do CPC), cancelou, em primeiro, a multa do inciso II, do art. 44, da Lei no 9.430. Todavia, para que não passasse in albis, resolveu realizar o lançamento da multa do inciso I, do citado art. 44, da mencionada Lei e, como visto, ultrapassando a sua competência (da aludida autoridade) em violento e perverso desequilíbrio e em tudo contrário ao rito pertinente ao due process of law que, no ensinamento de Humberto Theodoro Júnior é , principio forjado pela cultura anglosaxônica e, sem dúvida, uma das grandes ou maiores conquistas da humanidade em sua permanente luta contra o autoritarismo e a prepotência dos que assumem o governo político dos povos e contra as estruturas frias e insensíveis do Estado prédemocrático. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 210 13 Deste modo, agiu corretamente a Autoridade que prolatou a decisão ao cancelar a multa do inciso II, art. 44, Lei n° 9.430, diante da absoluta ausência de máfé caracterizadora de fraude (art. 72, Lei 4.502/1964), como ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou deferir o seu pagamento. Entretanto, se de um lado agiu bem — no entender desta R. — ao cancelar a multa porque irretocável a conclusão quanto a isenção de dolo, de outro, faltalhe competência para promover lançamento de outra penalidade, como ocorre na vergastada decisão, com todos os nefastos e perversos efeitos declinados. Assim, parece a ora R., com pertinente e consectário pedido, que a decisão recorrida, ao proceder o lançamento da multa do inciso I, art. 44 da Lei n° • 9.430, incorre em flagrante erro implicando em decretação de sua nulidade absoluta, posto que deveria encaminhar orientação para que fosse instaurado novo procedimento mediante deflagração de novo ato administrativo de lançamento inaugurador de outro contencioso administrativo, ou, alternativamente, revertida a decisão em procedimento saneador, restaurando prazo de impugnação com todos os privilégios inerentes a feito administrativo originário. Requer, assim a decretação de nulidade da decisão recorrida, restaurandose, se assim entenderem Vossas Senhorias, o devido processo legal. Imposição de Multa Gravosa Àquela Supervenientemente Prevista na Legislação. Ainda que possa transparecer paradoxo, a afirmação da R. pontualmente revela reflexo totalmente particular e de enorme efeito. Como afirmou no inicio, em tópico relativo A cronologia dos fatos, disse a R. que as compensações foram realizadas por período consideravelmente longo, dois anos; que a decisão administrativa que rejeitou as compensações foi oficializada em setembro de 2005; que a ciência do vertente Auto de Infração ocorreu em outubro daquele ano; que a decisão ora recorrida foi prolatada em maio de 2007. Ocorre que com o advento da Lei n° 11.488, de 15, junho, 2007 (DOU da mesma data), em seu artigo 14, foi dada nova redação ao art. 44 da Lei n° 9.430, assim: [...] Ora, com o advento da nova redação dada ao art. 44 da Lei n° 9.430, a multa prevista no inciso II, foi reduzida de 150% para 50% do valor do tributo devido e, sob este efeito, abrese espaço para a aplicação do universal principio da preservação da retroatividade benigna, não só previsto na Magna Carta', como no Código Tributário Nacional8 , de sorte que a penalidade atualmente prevista na legislação é menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Evidentemente, os assinalados aspectos são apresentado como argumento, sempre tendo como premissa, como oferecerá a R., de entender que é inteiramente indevida qualquer imposição de multa. E de importância pragmática a observância de que a multa prevista no inciso II é menos gravosa daquela que lhe antecedeu, como, por igual, a prevista no inciso I, porque equivalente a 75% sobre o valor do tributo. Destes aspectos deflui o descompasso na correta solução do vertente caso, tendo em conta que, por qualquer torneio que se examine, a multa que se aplica A R. é sempre gravosa e dimensionada de forma absolutamente incorreta A luz dos elementos fáticos e dos desdobramentos que foram consignados no ato Fl. 212DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 211 14 administrativo fiscal de lançamento da multa, cujas respectivas razões e especificidades arrolará na seqüência. Também por este efeito, perverso, deve a decisão recorrida ser reformada para, aplicandose o preceituado na alínea "c", inciso II, art. 106 do CTN, preservar se a aplicação do principio da retroatividade. Multa Reparatório do Inadimplemento da Obrigação Tributária Consolidada em Termo de Parcelamento Cuja Preservação do Critério Posto pela Decisão Implica Nefasto e Repelido Bis in Idem. Ora, é que a multa aplicada pela Autoridade que prolatou a decisão, ao tempo em que decidido o feito, em primeira instância, contava com consolidação de débito promovido pela R. mediante parcelamento de divida com fulcro na Medida Provisória 303, de 29 de junho 2006. No débito consolidado em que a R. submeteuse aos preceitos do art. 152 e seguintes do Código Tributário Nacional, as parcelas componentes de valor correspondem ao tributo devido, aos acréscimos legais, na forma da legislação e da multa reparatória e igualmente prevista na legislação. Esta, a seu turno é a equivalente a 75.% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade do imposto ou contribuição não recolhidos na época própria do vencimento da obrigação tributária. Mostrase pertinente referir que a celebração do contrato junto A Receita Federal se deu em data de 11 de setembro de 2.006 anteriormente, portanto, A sentença de primeira instância. E A vista deste panorama consumado e que vincula a Fazenda Pública e o contribuinte, ora R., a penalidade instituída em parcelamento de débito é a mesma que restou aplicada pela Autoridade de primeira instância, incorrendo nefasto e repelido bis in idem. Isto porque há multa idêntica imposta na consolidação do débito submetido aos efeitos da moratória e, sobre os mesmos fatos, igual penalidade exigida em auto de infração submetida ao contraditório no presente Apelo. A doutrina vem, de há muito, repudiando tais práticas que, obviamente não encontram ressonância no panorama jurídico. E, ainda que dúvida houvesse, hipótese que a R. não vislumbra, somente assinala como argumento, o mesmo CTN confere regra de interpretação como prescreve o seu art. 1129 . Neste figurino e conjugando com o citado art. 106 do mesmo CTN e presente a circunstância de que, desde o inicio da controvérsia, a R. denunciou que promoveria o pagamento do tributo mediante celebração de parcelamento, não há espaço para a permanência de duas penalidades, uma em Auto de Infração, objeto do versado Apelo, outra no parcelamento, devendo, por questão de lógica e operacional, ser mantida a consolidada no parcelamento e excluída esta, como requer, sujeita ao presente recurso, sem prejuízo aos aspectos antecedentes e aos adiante arrolados que reitera de sua impugnação. E, neste ponto, o quanto reclama, não só por questão de bom senso, mas principalmente de justiça. Da Origem dos Valores e da Época em que Foram Formulados os Pedidos de Compensação. Retornando ao central tema que envolve a celeuma, consoante demonstrativo elaborado pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, "Demonstrativo dos Tributos e Contribuições Compensados Indevidamente", há • pontual indicação dos tributos, do período de apuração, do vencimento das obrigações, o número dos Fl. 213DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 212 15 PER/DCOMP e data de transmissão, onde se constata, facilmente, que ocorreram em 04 de outubro de 2003, 27 de novembro de 2003 e 18 de dezembro de 2003. Ocorre, Srs. Conselheiros, que a Autoridade competente quedouse, manteve se silente, por quase dois anos, exatamente vinte e três meses, aproximadamente setecentos dias, sem que nenhuma indicação ou providência fosse noticiada A R. quanto à inviabilidade do procedimento que foi implementado e repetida por outras duas vezes, nos meses de novembro de dezembro, cuja inércia, em fatos sucessivos, oferece contornos de coresponsabilidade. Ora, a sociedade empresarial, inteiramente orientada em seus negócios, não poderia imaginar que algo de tão grave pudesse advir daquelas iniciativas, muito menos de que, mesmo antes de tomar conhecimento de comunicado de indeferimento, receberia Autos de Infração com imposição de multa isolada, em tudo contrária à lógica, extinguindose, inclusive, a possibilidade de utilizar o instituto da denúncia espontânea. Por óbvio — e para melhor desenhar esta exposição — se tivesse tomado conhecimento do indeferimento do pedido de compensação, a R. providenciaria o acertamento de contas junto ao Fisco Federal, cumprindo integralmente sua obrigação em face dos débitos, situação que ilidiria qualquer cogitação — como ocorre — mediante imposição de gravoso e desmedido encargo. Deveras, salta aos olhos deixar a R. à margem de proceder apuração dos saldos dos débitos de sua responsabilidade, por critério discricionário e derivado da arbitrariedade da Autoridade Fiscal a que está jurisdicionada. Entretanto, o principio da isonomia insculpido no art. 5°, I, da CF88, assim parece A R., encontrase aviltado, impondo situação desvantajosa sobre aos demais contribuintes em situação equivalente. [...] Reforçase mencionar que em nenhum momento houve suspeita ou dúvida quanto à iniciativa do contribuinte. Em assim não se procedendo, perpetrase aumento do encargo do tributo por via de imposição de multas pesadas ao contribuinte e, de conseguinte, o aviltamento de seus custos e, em corolário inegável, de seus produtos, muitos dos quais já em difícil situação mercadológica A vista da concorrência, inclusive internacional. Este aumento de encargo verificado pela arbitrariedade impõe ao contribuinte o pesado ônus, imprimindolhe desequilíbrio econômico e efeito confiscatório. [...] Sempre que ele tenha sido criado ou esteja sendo exigido com desconhecimento do principio da capacidade econômica ou contributiva, revestese da mácula de inconstitucionalidade. Nesta direção a Constituição Federal brasileira erigiu preceito singular, exatamente para assinalar os ensinamentos da doutrina mundial. Prescreve o art. 145, § 1°, [...]. Ora, este principio vem confirmado em uma clara limitação constitucional estabelecida aos sujeitos tributários ativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Dispõe o Art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988 [...]. Com efeito, exigir o crédito tributário nos moldes postos no vertente caso implica ir além da capacidade econômica do contribuinte e, portanto, liquidar com o seu patrimônio e a própria atividade que dá causa à geração do imposto. Perpetrase, vale dizer, verdadeiro confisco. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 213 16 E mais. Da forma como posta a matéria no lançamento de oficio —peça inaugural do contencioso em exame — desrespeitase o dogma da não desproporcionalidade. A importância do principio da isonomia como dos demais princípios fundamentais é proclamada pelo mestre José Afonso da Silva, que narra: "os princípios são ordenações que se irradiam e imantam os sistemas de normas, são (...) núcleos de condensações' nos quais confluem valores e bens constitucionais". [...] A analogia é considerada método interpretativo previsto no ordenamento jurídico exatamente no artigo 4° do Decretolei n° 4.657/42. [...] Ademais, está previsto, no artigo 112 do CTN, que: [...] A sanção tributária é decorrente, sempre, de previsão expressa em lei (artigo 97, V, CTN) e proveniente de uma obrigação acessória tributária, seja uma obrigação de fazer ou não fazer, concernente ao interesse de arrecadação ou fiscalização de tributos. Na Teoria Geral do Estado podese chegar à conclusão do equilíbrio que se comenta, porquanto o Estado Democrático de Direito é a evolução democrática do Estado de Policia. Importante notar que no Estado de Policia vigia soberbamente o seguinte principio: supremacia do interesse público sobre o particular. Com estes elementos podemos apontar conclusão simples: o Estado Democrático de Direito surgiu como resposta ao poder absoluto do Estado em face do cidadão. Portanto, o principio que rege o Estado Democrático de Direito é a limitação do próprio Estado pelas normas, elaboradas democraticamente, surgindo para a administração pública o principio da legalidade estrita. 0 Estado regido pelas normas de forma estrita, não pode mais se utilizar absolutamente do principio da supremacia do interesse público sobre o particular. Os direitos que limitariam os princípios da supremacia do interesse público e a presunção de legitimidade dos atos da administração pública estão encartados no caput do artigo 5° da Constituição Federal, que declara invioláveis os direitos: à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e propriedade. Assim, quando a administração impõe uma sanção administrativa, impondo ao administrado comprovar a impropriedade da sanção, o Estado estará violando dois direitos invioláveis, o da igualdade e da propriedade. Assim, quando a administração impõe uma sanção administrativa, impondo ao administrado comprovar a impropriedade da sanção, o Estado estará violando dois direitos invioláveis, o da igualdade e da propriedade. Portanto, para concretização do Estado Democrático de Direito, o principio da supremacia do interesse público sobre o particular e a presunção de legitimidade dos atos da administração pública podem e devem ser restringidos. No artigo 112 do CTN prevê que a infração tributária será interpretada da maneira mais favorável ao acusado, quando houver dúvidas, ou seja, prevê duas situações. A primeira isentaria o infrator da penalidade pecuniária no caso de inexistência de uma definição legal clara do fato praticado pelo infrator cumulada com a inexistência de outra disposição legal que disciplinaria o fato; e, na segunda situação, utilizaria o dispositivo legal menos prejudicial ao infrator. O inciso I prevê a hipótese de dúvida quanta à capitulação do fato. Interpretação benigna, na hipótese desse inciso, deve prevalecer sempre, pois se existem fundadas dúvidas sobre a capitulação do fato, por medida de justiça a sanção não pode ser aplicada. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 214 17 Notório é o princípio que ninguém se isenta de culpa por desconhecimento da lei, mas se persistirem dúvidas sobre capitulação de um fato que enseja uma sanção, a administração ou o Poder Judiciário devem, nos termos do caput, utilizarse da interpretação benigna, seja sanção tributária ou administrativa. No inciso II há interpretação benéfica quando houver dúvidas sobre a natureza, circunstancias materiais do fato, ou a natureza ou extensão dos seus efeitos na sanção tributária. Tal depende inexoravelmente do conhecimento sobre a natureza do fato que ensejou a imputação ou as circunstancias em que o fato ocorreu ou, ainda, como procederam os seus efeitos e sua extensão. No inciso III o CTN prevê a interpretação benigna quando houver dúvida quanto à autoria, à imputabilidade ou à punibilidade. No inciso IV a interpretação benéfica ocorre quando houver dúvidas sobre a natureza da penalidade aplicável, ou sua graduação, ou seja, quando houver dúvidas sobre a própria penalidade aplicável, conteúdo e qualidade da autuação devera, sempre, utilizarse da interpretação mais benéfica ao administrado. Sobressai, na seqüência, a não conformidade dos efeitos projetados pela medida, não só pelo desequilíbrio das relações pela quebra da isonomia como da desproporcionalidade dos efeitos. Se bem que do conhecimento geral o principio da proporcionalidade possui grande destaque no direito constitucional contemporâneo, sendo realçado no âmbito de vigência das constituições dos Estados Democráticos de Direito, firmandose, atualmente como técnica de controle dos direitos fundamentais. [...] De fato, a proporcionalidade evidenciase como norma esparsa no direito constitucional. Inferese de outros princípios que lhe são afins, dentre os quais o principio da igualdade e flui do espírito que permeia o § 2.° do art. 50 da Constituição federal, que abrange a parte nãoescrita ou não expressa dos direitos e garantias da Constituição, quais sejam, a natureza do regime, o Estado Democrático de Direito, dentre outros. Pois bem, sendo um principio que limita o poder estatal ao disciplinar matéria que abrange direta ou indiretamente o exercício dos direitos fundamentais, resta patente a força cogente de sua normatividade. O principio em destaque subdividese em elementos. Salientam os especialistas que a análise da proporcionalidade não enseja necessariamente a averiguação dos três subprincipios, uma vez que estas se relacionam de forma subsidiária e, resolvida a questão com a primeira delas, as demais se tornam prescindíveis. O primeiro é o principio da adequação, devendose verificar, no caso concreto, se a decisão é apta e útil para alcançar o fim colimado. Tratase de uma relação entre meio e fim, ou seja, se um meio é adequado para que se atinja determinado fim. [...] O terceiro, principio da proporcionalidade propriamente dito, implica numa relação de proporcionalidade entre a decisão normativa e a finalidade perseguida[...]. Disto resulta, para o caso concreto uma certeza. A de que o principio da proporcionalidade afasta qualquer atitude, inclusive atos, notadamente os administrativos como se cuida que não respeitem a sua adequação axiológica com correspondente vedação a sacrifícios excessivos. É que a vedação de excessos exige ponderação e racionalidade prudente do administrador e de quem controle os seus atos, contratos e procedimentos. Sob a matiz especialíssima de tal principio, o poder de policia administrativa pode e deve ser redefinido com o exercício do poderdever que consiste em limitar ou restringir, Fl. 216DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 215 18 sem qualquer sacrifício justificável, a liberdade e a propriedade, de maneira a obter uma ordem pública capaz de viabilizar e de universalizar a coexistência proporcional das múltiplas liberdades e propriedades. Sopesando, assim, o principio da proporcionalidade implica numa adequação axiológica e finalística, vale dizer, o uso acertado, pelo agente público, do poder dever de hierarquizar princípios s e valores de maneira adequada nas relações de administração e no controle das mesmas. Jamais deve impor um ônus real de uso público de um bem se o mero exercício d poder limitado de policia tiver aptidão bastante para alcançar o desiderato cabível e esperado. [...] Desta sorte e para concluir, a infração cometida pelo sujeito passivo, quando muito e não foi deste modo que se orientou a pega exordial, foi de natureza formal e deve ser tratada como em precedente citado pelo sujeito passivo. [...] É bem de ver que ao teor das decisões transcritas, especialmente a imediatamente anterior, a precipitada atribuição fiscal não encontra respaldo inclusive porque totalmente afastada da realidade e completamente despida de bom senso, senão, decorrente de procedimento arbitrário, projeta a absoluta inviabilidade da Empresa sem que prejuízo algum esteja configurado no caso em exame. [...] Como se depreende dos elementos oferecidos, o sujeito passivo, ora Impugnante, ofereceu, sob o crivo da autoridade administrativa, títulos para compensação de seus débitos, — tudo por intermédio de empresa, que contratou, e que assumiu total responsabilidade — submetendo à esta (autoridade administrativa) o poder homologatório da providência pretendida. Conseqüentemente, está, de plano, absolutamente afastado o intuito fraudatório, até porque a frustração do dever obrigacional não ocorreu tendo em vista o pleito de parcelamento do débito fiscal que promoverá na data assinalada na carta cobrança expedida por essa Delegacia da Receita Federal de acordo com os termos do Oficio SEORT/EQARC n° 619/2005, de 11 de outubro do corrente ano, que lhe foi endereçado, acarretando, no entanto e como aspecto incontroverso, encargos pela impontualidade ora repetidos na Decisão recorrida. Da comunicação oficial de não aceitação das compensações. Deveras, para corroborar que não foi despendido o necessário cuidado quanto à emissão da vertente pega vestibular, essa Delegacia da Receita do Brasil em Curitiba, através do Ofício SEORT/EQARC n° 619/2005, de 11 de outubro de 2005, comunica à R o despacho de cancelamento das DCOMP's arroladas, notificandoa para que promova o pagamento do débito. Na concepção do conjunto dos elementos, é defeso adotarse a divisibilidade, a fim, dentre outros, de oferecerse conclusões estanques e dissociadas do conjunto dos fatos. Neste sentido, é principio consagrado no sentido de dever ser outorgado entendimento pelo conjunto de todos os aspectos envolvidos, restando — no mínimo — duvidosa a divisibilidade. [...] A digressão tem o sentido de apontar para o fato de que a própria Repartição Fiscal ao indeferir os pedidos de compensação declinados nas DCOMP's, automaticamente notificou o contribuinte, ora 1., para promover o pagamento do débito fiscal — incontroverso — e o fez no pressuposto das atribuições específicas da autoridade administrativa, de receber, processar e julgar a pertinência (ou não) dos pedidos de compensação. E, inclusive diante da finalidade cognoscitiva, ao seu juízo de valor, desacolheu os pleitos e determinou o cancelamento das DCOMP's, com a comunicação para que o contribuinte promovesse o pagamento dos débitos Fl. 217DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 216 19 remanescentes da negativa de seus pedidos, sem que nenhuma elemento pudesse ser atribuído e inerente a artifício empregado pelo contribuinte tendente a fraudar o Erário Público. Tanto que, ao tomar conhecimento do despacho indeferitório, o sujeito passivo, ora I., iniciou procedimentos tendentes a formular pedido administrativo de parcelamento integral do débito tributário, a comprovar, por mais este torneio, que não é omisso, não pretendeu furtarse de seus deveres e muito menos, o de fraudar o Fisco. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Na consideração de todo o exposto, da boafé da Recorrente e • diante da absoluta ausência da alegada fraude, requer e espera que este Apelo seja recebido, processado e finalmente provido, ao efeito de ser cancelada a multa aplicada pela Autoridade recorrida, tudo por ser medida de inteira e impostergável justiça. Protestando pelo oferecimento de razões e provas adicionais, nos termos do pedido, na forma de estilo e pela sustentação oral. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos cinco dias do mês de março do ano de dois mil e treze, às quatorze horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente em Exercício), MEIGAN SACK RODRIGUES, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 10980.011183/200579 Recorrente: FARMACIA E DROGARIA NISSEI LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.627 Decisão: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em razão de perempção. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Não Conhecido É o Relatório. Voto Fl. 218DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 217 20 Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. Em preliminar tem cabimento o exame da tempestividade do recurso voluntário interposto. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. No caso de lavratura de Auto de Infração, a autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo para apresentação de impugnação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da sua notificação. No mesmo prazo de 30 (trinta) dias, contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Estes prazos legais são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento e só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Outra característica é que também são peremptórios, já que não podem ser reduzidos ou prorrogados pela vontade das partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeira instância, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa em instância recursal tenha sido interposta1. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática. Verificase no presente caso que a Recorrente foi notificada em 11.06.2007, fl. 122, e apresentou o recurso voluntário em 13.07.2007, fls. 123135. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva, caso em que o procedimento considerase findo na esfera administrativa. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 5º, art. 15, art. 16, art. 23, art. 33, art. 35 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.011183/200579 Acórdão n.º 1803001.627 S1TE03 Fl. 218 21 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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