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Numero do processo: 36624.000679/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.172
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por
unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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MORGAN S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Arlindo da Costa e Silva. Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Data da lavratura da NFLD: 29/12/2005. Data da Ciência da NFLD: 29/12/2005. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.000679/200641 Resolução n.º 230200.172 S2C3T2 Fl. 197 2 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo do empregador, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre o décimo terceiro salário de segurados empregados competência 13/2002 , conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 26/27. Informa a Autoridade Lançadora que, em atenção ao programa de metas do ano de 2006, a ação fiscal desenvolvida na empresa observou rito próprio e caráter célere, razão pela qual não foram examinados demais elementos além dos atos constitutivos da empresa, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, guias de recolhimento da Previdência Social GPS e folha de pagamento de 13/2005. Irresignada com o supracitado lançamento tributário, a notificada apresentou impugnação a fls. 37/43. A Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo Oeste baixou o feito em diligência para que aos fiscais autuantes se pronunciassem a respeito da alegação de extinção pelo pagamento e analisassem os documentos acostados com a Defesa, conforme despacho a fl. 144. Informação Fiscal a fl. 145, na qual a fiscalização informa que não consta no banco de dados da Previdência recolhimentos relativos ao 13° salário para a matriz e a filial. A fiscalização constatou que a empresa efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias referentes às competências 12/2002 e 13/2002 em documento único, qual seja, a GPS referente à competência 12/2002. Aduz que, como nestas situações de erro da empresa não há a possibilidade de serem efetuadas as devidas averbações no sistema da Previdência, os valores levantados na NFLD em debate devem ser mantidos. Devidamente notificada acerca da informação fiscal acima citada, a Notificada apresentou, a fls. 156/161, aditivo à impugnação administrativa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 163/171, julgando procedente o lançamento fiscal em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15 de fevereiro de 2008, conforme Aviso de Recebimento AR, a fl. 174. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 177/191, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: Cerceamento do direito de defesa, em razão de haver sido assinalado ao Recorrente o prazo de 10 dias para se pronunciar sobre a informação fiscal quando o correto seria de 30 dias; (aplicação subsidiaria do art. 44 Lei nº 9.784/99) Que as contribuições referentes ao 13º salário de 2002 foram integralmente recolhidas; (art. 4º da IN RFB nº 1.265/2012 impede o desdobramento de GPS em 2 (dois) ou Fl. 222DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.000679/200641 Resolução n.º 230200.172 S2C3T2 Fl. 198 3 mais documentos. Assim houve recolhimento a maior em dez/2002 e não houve recolhimento em 13/2002). Que a Auditoria Fiscal, arbitrária e ilegalmente, imputou responsabilidade solidária aos diretores da Recorrente para o pagamento do suposto crédito tributário; (Portaria PGFN nº 180/2010) Que a utilização da taxa Selic como juros moratórios é descabida; (INOVAÇÃO e Súmula CARF nº 2 e Súmula CARF nº 3 ) Ao fim, requer a declaração de improcedência do lançamento. VOTO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. Pondera o Recorrente que as contribuições referentes ao 13º salário de 2002 foram integralmente recolhidas. Tal conclusão não se extrai de forma assim tão cristalina das provas dos autos. Não resta dúvida que a verdade material se configura na meta colimada pelo julgador de qualquer ordem, seja nas diversas instâncias judiciais seja nas variadas áreas administrativas. O que varia, com certeza, é o âmbito de perquirição da verdade material o qual, de regra, se circunscreve às provas acostadas aos autos. No Direito Tributário, a legislação impõe a observância de um formalismo hercúleo, o qual, muita vez, suplanta a própria verdade material demonstrada nos autos, como sói ocorrer nas hipóteses de retenção de contribuições previdenciárias de que tratam os artigos 30, I, ‘a’ e 31 da Lei nº 8.212/91, este, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, e art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Nesses casos, mesmo que reste demonstrado que a empresa obrigada não efetuou a retenção das respectivas contribuições previdenciárias (verdade material), estas sempre se presumirão feitas, oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Dessarte, nessas e em outras hipóteses, de nenhuma valia será a verdade material eis que a lei expressamente a desconsidera. O ramo do direito tributário se configura, quiçá, como aquele mais agrilhoado pelos imperativos do formalismo, tanto no âmbito do direito material quanto na parte processual, o qual não pode ser desprezado pelo operador do direito, circunstância que caracterizaria negativa de vigência à norma tributária impositiva e eficaz. Nessa perspectiva, avulta que negligenciada não pode ser a forma dos atos jurídicos, quando a legislação tributária assim o exige, sob pena de nulidade. Da áurea pena da Ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha colhemos o ensinamento que reza: “A civilização é formal. As formas desempenham um papel essencial na convivência civilizada dos homens; elas delimitam espaços de ação e modos inteligíveis de comportamento para que a surpresa permanente não seja um elemento de tensão constante do homem em seu contato com o outro em sua busca de equilíbrio na vivência com o outro e, inclusive, consigo mesmo". Fl. 223DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.000679/200641 Resolução n.º 230200.172 S2C3T2 Fl. 199 4 Não por acaso já prelecionava Ihering: "Inimiga jurada do arbítrio, a forma é a irmã gêmea da liberdade". No caso em estudo, verificamos que, formalmente, o Recorrente efetuou em 20 de dezembro de 2002, recolhimento destinado ao INSS no valor global de R$ 918.977,64 e, posteriormente, R$ 1.374,16 em favor da pessoa jurídica identificada pelo CNPJ nº 33.172.537/000198 (fl. 138) e R$ 64.277,76 em favor da pessoa jurídica identificada pelo CNPJ nº 33.172.537/000945 (fl. 140), ambas referentes à competência 12/2002, mas nenhum recolhimento se houve por efetuado em relação à competência 13/2002 por nenhuma das pessoas jurídicas acima identificadas. Malgrado existam indícios de que nos valores acima indicados tenham sido englobadas as contribuições previdenciárias referentes às competências 12/2002 e 13/2002, formalmente, os recolhimentos aludidos contemplaram, tão somente, a competência 12/2002. Esta é a verdade formal. O Manual de Preenchimento da Guia da Previdência Social GPS, aprovado pela Ordem de Serviço n° 205, de 10 de março de 1999, é claro ao dispor que as contribuições previdenciárias relativas ao décimo terceiro salário devem ser recolhidas em documento individualizado, até o dia 20 de dezembro de cada ano, fazendose constar no campo 4: competência (mês/ano), a inscrição “13/xxxx”, onde “xxxx” referese ao ano/calendário, in casu, “13/2002”. No caso em apreço, ao não observar os formalismos exigidos pela fiscalização, promovendo a empresa, ao que sugerem os indícios, o recolhimento das contribuições previdenciárias referentes a 12/2002 e 13/2002 em uma única GPS e esta referenciada à competência 12/2002, fez o sujeito passivo em foco destinar a esta competência todo o montante assim recolhido e nada à outra, permanecendo esta outra a descoberto. Assim, para todos os fins de direito, os recolhimentos acima assinalados referemse, única e exclusivamente, à competência 12/2002. Em nada à competência 13/2002. Não se pode, todavia, fechar os olhos à realidade dos fatos. Os resumos das folhas de pagamento a fls. 108/123 registram, nas competências 12/2002 e 13/20012, as seguintes bases de cálculo e valores de contribuição: RUBRICA DEZEMBRO 2002 13º SALARIO 2002 /000198 /000945 /000198 /000945 BASE DE CÁLCULO 1.855.712,55 135.399,60 1.673.613,69 122.042,20 EMPRESA 436.092,45 31.818,91 479.753,87 33.864,53 SEGURADOS 41.858,15 1.889,47 41.954,14 1.889,47 VALOR DEVIDO 477.950,60 33.708,38 521.708,01 35.754,00 Valor devido ao INSS na competência 12/2002 = R$ 511.658,98 Valor devido ao INSS na competência 13/2002 = R$ 557.462,01 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.000679/200641 Resolução n.º 230200.172 S2C3T2 Fl. 200 5 Valor total (competência 12/2002 + 13/2002) = R$ 1.069.120,99 Dos dados coletados nos autos, avulta que o valor global recolhido ao INSS mediante as GPS a fls. 138 e 140 (R$ 984.629,56) é consideravelmente superior ao montante devido à autarquia previdenciária em foco exclusivamente na competência dezembro/2002 (R$ 511.658,98), mas, também, se revela insuficiente para cobrir o crédito previdenciário devido pela empresa referente às competências 12/2002 e 13º salário/2002 em conjunto (R$ 1.069.120,99) , restando a descoberto uma importância de, pelo menos, R$ 84.491,43. Considerando que os cálculos ora apresentados houveramse por apurados de maneira bastante superficial, apoiado única e exclusivamente em cópias não autenticadas acostadas aos autos pelo Recorrente, PUGNAMOS PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a fiscalização, analisando com olhar mais clínico a documentação completa da empresa em tela, se pronuncie de maneira conclusiva sobre os valores efetivamente devidos pelo Recorrente a título de contribuição previdenciária a cargo dos segurados e a cargo da empresa destinadas ao custeio da seguridade social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e segurados contribuintes individuais relativas às competências dezembro/2002 e 13º salário/2002, individualizadamente, assim como os recolhimentos efetuados pelo Recorrente nessas competências. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos explicitados no parágrafo anterior. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser conferida vistas ao Recorrente, para que, desejando, possa se manifestar no processo, no prazo normativo. . É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 225DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000818/2005-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL.
NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO
AMBIENTAL.
Para que o contribuinte possa excluir as áreas de proteção ambiental da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA correspondente.
AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO.
Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR.
AVERBAÇÃO DA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO.
A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica e que deve possuir termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis.
Numero da decisão: 2202-001.794
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odair Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a área de utilização limitada (reserva legal) declarada
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-07-10T17:18:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - APV2202_15586000818200589_AnnaLuciaGillyRocha_ITR.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: 80298141787; dcterms:created: 2012-07-10T17:18:13Z; Last-Modified: 2012-07-10T17:18:13Z; dcterms:modified: 2012-07-10T17:18:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - APV2202_15586000818200589_AnnaLuciaGillyRocha_ITR.doc; Last-Save-Date: 2012-07-10T17:18:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2012-07-10T17:18:13Z; meta:save-date: 2012-07-10T17:18:13Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - APV2202_15586000818200589_AnnaLuciaGillyRocha_ITR.doc; modified: 2012-07-10T17:18:13Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 80298141787; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 80298141787; meta:author: 80298141787; meta:creation-date: 2012-07-10T17:18:13Z; created: 2012-07-10T17:18:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2012-07-10T17:18:13Z; pdf:charsPerPage: 2205; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: 80298141787; producer: AFPL Ghostscript 8.11; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: AFPL Ghostscript 8.11; pdf:docinfo:created: 2012-07-10T17:18:13Z | Conteúdo => S2-C2T2 Fl. 1 1 S2-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000818/2005-89 Recurso nº 516.822 Voluntário Acórdão nº 2202-01.794 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2012 Matéria ITR - Reserva Legal Recorrente ANNA LÚCIA GILLY ROCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir as áreas de proteção ambiental da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA correspondente. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. AVERBAÇÃO DA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica e que deve possuir termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odair Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a área de utilização limitada (reserva legal) declarada. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 48 a 50, integrado pelos demonstrativos de fls. 51 e 52, pelo qual se exige a importância de R$6.238,07, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2001, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Rochedo, cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob no 1.172.684-9, localizado no município de Sooretama/ES. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal decorre do trabalho de revisão da DITR/2001 no qual foi solicitado à contribuinte apresentar, dentre outros documentos (fl. 2): (a) Ato Declaratório Ambiental (ADA) do Ibama; (b) matrícula do imóvel ou Certidão de Registro, com averbação da Reserva Legal; (c) portaria, expedida pelo Ibama, de reconhecimento de reserva particular do patrimônio natural (RPPN), nesta hipótese; e (d) ato especifico de órgão federal ou estadual competente, quanto a áreas imprestáveis para atividade produtiva, declarada de interesse ecológico. Em consulta ao Demonstrativo de Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR (fl. 51), verifica-se que o lançamento decorre da glosa total da área declarada como de utilização limitada. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 58 a 61, instruída com os documentos de fls. 62 a 77, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 83 e 84): Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, em 20/01/2006: Inicialmente identifica o motivo do Auto de Infração. Informa que da área total de 593,1 hectares, apenas 339,6 hectares podiam ser classificados como área aproveitável, nos rigores da Lei n° 9.393/96. Do restante da área, 250,0 hectares são de utilização limitada e 3,5 hectares são de espaço das benfeitorias. A área de utilização limitada tem correlação com a Portaria do Ibama n° 162/97. Em seguida requer seja declarado nulo o Auto de Infração, por negar a verdade material e se basear em presunção. Caso não o considere nulo, seja considerado insubsistente o Auto de Infração, após confirmar, junto ao Ibama, a condição de limitação da parte do imóvel como declarada. Requer ainda que todas as intimações e/ou informações ocorram em nome dos procuradores que denomina, com endereço que indica em Vitória - ES. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 4 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife (PE) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 11-26.779 (fls. 82 a 89), de 29/06/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao seu reconhecimento pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, até o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. EXIGÊNCIA DO ADA. DETERMINAÇÃO LEGAL. Com a alteração da Lei 6.938/1981 pela Lei 10.165/2000, torna- se incabível a alegação de ilegalidade da exigência de ADA para fins de redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 02/10/2009 (vide AR de fl. 94), a contribuinte apresentou, em 20/10/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 95 a 103, no qual, após breve relato dos fatos, expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. A recorrente alega que o Auto de Infração seria nulo de pleno direito, uma vez que a Autoridade Fiscal não considerou a limitação no uso de parte de sua propriedade, conforme indicado na DITR, exercício 2001. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 5 5 2. Alega que houve cerceamento do direito de defesa ante a falta de constatação física e pelo critério técnico adotado pelo Fisco, que desconsiderou a área de utilização limitada. Aduz que o ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação e, portanto, cabe à Autoridade Fiscal o ato de conferir a exatidão das informações declaradas pelo contribuinte, para então homologá-la ou não, conferindo assim o lançamento. 3. Defende que não houve preclusão da juntada posterior de provas, a qual foi feita em conformidade com o disposto no art. 16 da Lei 9.532, de 1997, que transcreve. 4. Sustenta que o laudo técnico ora acostado aos autos corrobora que área não tributável está em conformidade com a informada na DITR/2001 e que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, já firmou entendimento no sentido da desnecessidade do Ato Declaratório Ambiental do IBAMA, conforme precedente que reproduz. 5. Por fim, requer a reforma da decisão recorrida e que todas as intimações sejam encaminhadas ao endereço de seu patrono. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 13, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio numerado até à fl. 115 (última folha digitalizada) 1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 6 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Cerceamento do direito de defesa A recorrente alega que houve cerceamento do direito de defesa ante a falta de constatação física e pelo critério técnico adotado pelo fisco, que desconsiderou a área de utilização limitada, cabendo à autoridade fiscal conferir a exatidão das informações declaradas pelo contribuinte, para então homologá-la ou não. É certo que cabe ao fisco ônus da prova da infração imputada ao contribuinte, demonstrando e comprovando a ocorrência do fato gerador diretamente vinculado à obrigação fiscal exigida. Não se pode olvidar, entretanto, que em se tratando de imunidade ou isenção compete ao contribuinte comprovar que atende às condições e requisitos que a lei impõem para fruição do benefício fiscal. No caso dos autos, trata-se de lançamento de ITR, tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior” (art. 10 da Lei no 9.393, de 1996). Assim, as informações que serviram de base para apuração do imposto devido devem estar amparadas em documentação hábil e idônea, podendo a autoridade fiscal solicitar os esclarecimentos que julgar necessários e exigir a apresentação dos mesmos, pois, muito embora a juntada de tais documentos seja dispensada quando da entrega da declaração, deve o contribuinte mantê-los em boa guarda para sua apresentação quando solicitada (art. 40 do Decreto no 4.382, de 2002, que regulamentou a fiscalização do ITR). A falta de comprovação das informações ou a prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, autoriza a fiscalização a efetuar o lançamento de ofício, nos termos do art. 14 da Lei no 9.393, de 1996. Quanto à juntada posterior de provas, teve a contribuinte a oportunidade de juntar, em sede de recursos, o Laudo Técnico de fls. 105 a 113, para se contrapor aos argumentos da decisão de primeira instância (art. 16, §4o, alínea “c”, do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972). Destarte, rejeita-se a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 7 7 2 Área de Utilização Limitada Conforme relatado, o lançamento decorre da glosa da área de utilização limitada declarada pelo contribuinte (250,6 ha). No Laudo Técnico apresentado à fiscalização está consignado (fl. 20): 7. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Existem no interior da Propriedade, duas áreas contíguas (vide planta anexa), com cobertura florestal primária. A primeira área encontra-se registrada no CRI, como reserva Legal e totaliza 1.186.000,00 m2. A segunda área faz parte a (sic) área de preservação particular dos proprietárias em (sic) mede 1.356.000,00 m2, muito embora não se enquadre nos artigos 2° e 3° do Código Florestal (Lei 4771, de 15 de setembro de 1965), o fragmento em questão é remanescente da mata atlântica e por isso, considerado como Floresta de Preservação Ambiental, conforme Decreto Estadual n° 4.124-N/97(Art. 6°). De acordo com o profissional responsável, existiria uma área de Reserva Legal de 118,6ha e outra, de “preservação particular dos proprietários” de 135,6ha, representada por um fragmento da Mata Atlântica, embora não se enquadre nos art. 2o e 3o do Código Florestal, que definem as áreas de preservação permanente. O Laudo Técnico apresentado em sede de recurso (fls. 105 a 113), confirma a existência de “uma área com cobertura florestal Primária, que encontra-se averbado no CRI ( Cartório de Registro de Imóveis), como reserva Legal e totaliza 1.186.000,00 m2.” De se analisar a questão. Para fins de apuração do ITR, excluem-se, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o, inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: [...] II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reporta-se ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o, §2o, inciso III): Art. 1o[...] §2o Para os efeitos deste Código, entende-se por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 8 8 [...] III- Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.166-67, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontra-se na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimita-se a área de reserva legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8o, do Código Florestal). Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 22688-9/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcreve-se: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 9 9 (...) IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Conclui-se, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois trata-se de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o, caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, conclui-se que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. Por fim, no caso de posse, o Código Florestal permite que a reserva legal seja assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, no qual esteja consignado, no mínimo, sua localização e características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação (art. 16, §10). Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 10 10 Vale mencionar, também, o art. 12, §1o Decreto no 4.382, de 19 de setembro de 2002, que consolidou toda a legislação do ITR, assim dispondo quanto à averbação da reserva legal (grifei): Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindo-se apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001). §1o Para efeito da legislação do 1TR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. §2o Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação (Lei no 4.771, de 1965, art.16, §10, acrescentado pela Medida Provisória no 2.166-67, de 2001, art. 1o). Não obstante os laudos apresentados pela contribuinte afirmem que existe uma área de reserva legal averbada, equivalente a118,6ha, não foi localizada nos autos cópia da matrícula do imóvel que demonstre que, a época dos fatos, a referida área encontrava-se de fato averbada. No que diz respeito à “área de preservação particular”, correspondente a 135,6ha, mencionada no primeiro Laudo Técnico como inseridas na Mata Atlântica, para que possa ser excluída da área tributável deveria ser enquadrada como uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (art. 21 da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, c/c art. 104, parágrafo único, da Lei no 8.171, de 17 de janeiro de 1991), o que não é o caso dos autos. A Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, prevê a criação, por ato do Poder Público, de diversas áreas de interesse ambiental denominadas unidades de conservação da natureza, as quais se dividem em dois grandes grupos: Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. As primeiras visam preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com as exceções previstas na referida lei, enquanto que as segundas, compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. Dentre as Unidade de Uso Sustentável, encontra-se a Reserva Particular do Patrimônio Natural que “é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica” e que deve possuir “termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse público, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis.” (art. 21 da Lei no 9.985, de 2000). Destarte, não havendo provas de houve a averbação da reserva legal e nem da existência de uma área caracterizada como Reserva Particular do Patrimônio Natural, nos termos da lei, mantém-se a glosa. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 11 11 3 Ato Declaratório Ambiental - ADA Ainda que a contribuinte houvesse cumprido os requisitos previstos no item para exclusão das áreas declaradas como de utilização limitada, caberia cumprir ainda mais uma condição para gozo da isenção. Por expressa determinação legal, a partir do exercício 2001, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória para fins de exclusão das áreas de proteção ambiental, nos termos do §1o do art. 17-O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pela Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000: §1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, o §7o do art. 10 da Lei no 9.393, de 1996, incluído pela Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, não revogou tacitamente o parágrafo acima transcrito, versando, no meu entender, sobre os aspectos homologatórios da declaração das áreas de preservação permanente e de reserva legal e sob regime de servidão florestal ou ambiental. De se ver. Assim, dispõe o dispositivo legal em discussão (art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996): Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. [...] §7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De acordo com o caput do artigo acima transcrito, o ITR é tributo lançado por homologação, cabendo ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Assim, o §7o, ao dispensar a prévia comprovação das áreas referidas nas alíneas “a” e “d” do inciso II do mesmo artigo, não está eximindo o contribuinte de comprová- las, mas tão somente da apresentação dos documentos comprobatórios junto com a referida declaração. O contribuinte continua obrigado a comprovar as áreas de proteção ambiental referenciadas nas alíneas “a” e “d” do inciso II para fins de gozo da isenção, nos termos da legislação vigente, quando da averiguação da veracidade das informações declaradas. Tal entendimento está de acordo com a essência do lançamento por homologação. Muito embora alguns entendam que a“[...]declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d”do inciso II, §1o, deste artigo Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 12 12 [...]”mencionada no art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996, seja a DITR, declaração em que se apura o imposto devido, existe outra interpretação nesse caso. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, órgão federal executor das política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente (art.6, inciso IV, da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981), atribuiu ao ADA caráter de “declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR”, conforme disposto no art. 1o da Portaria IBAMA no 162, de 18 de dezembro de 1997. Segundo o art. 2o, e §§, da referida portaria, o ADA é um documento de responsabilidade do IBAMA na sua impressão, expedição e controle que“será preenchido pelo interessado, onde o conteúdo das declarações será de inteira responsabilidade do declarante” cabendo àquele órgão, “ao receber as informações contidas no ADA, efetuará as avaliações e conferência, encaminhando-o à Receita Federal”. Assim, sendo o IBAMA órgão fiscalizador e responsável pelo reconhecimento das áreas de proteção ambiental, por meio da emissão do ADA, a “declaração para fim de isenção do ITR” relativa às áreas isentas é a declaração feita pelo contribuinte ao órgão ambiental a partir da qual é emitido o ADA, a qual “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. Nesse sentido, já existia orientação do IBAMA de que, por ocasião do recebimento do formulário do ADA, não cabia quaisquer tipos de exigências comprobatórias das declarações nele contidas ou solicitação de procedimento complementar, documento, mapa ou ação de seu declarante, ficando a avaliação e conferência para momento posterior (art. 4o da Portaria IBAMA no 152, de 10 de novembro de 1998). Cabe lembrar que o ADA emitido a partir das informações prestadas pelo declarante será objeto de homologação posterior por parte do IBAMA, que lavrará de ofício novo ADA, sempre que verificar inexatidão das informações nele contidas, nos termos do disposto no art. 17-O, §5o, da Lei no 6.938, de 1981: § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei no 10.165, de 27.12.2000) Quanto aos precedentes mencionados pela recorrente, cumpre lembrar que esses não têm caráter vinculante, valendo apenas entre as partes, ainda que existam decisões reiteradas sobre o assunto. Somente quando a questão em discussão estiver sumulada, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/06/2009), é que o Conselheiro está obrigado a adotar o entendimento sumular. A Súmula no 41 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em vigor desde 22/12/2009, dispondo que “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício”, aplica-se tão somente aos fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, enquanto que o presente lançamento refere-se ao exercício 2001. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15586.000818/2005-89 Acórdão n.º 2202-01.794 S2-C2T2 Fl. 13 13 Diante do que acima se expôs, forçoso concluir que, a partir do exercício 2001, é necessária a apresentação do ADA para que o contribuinte possa excluir da área tributável as áreas de proteção ambiental. 4 Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar suscitada pela recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
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Numero do processo: 19647.007052/2003-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA -IRPF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 150, §4°, DO CTN. APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STJ, EM SEDE DE RECURSOS REPETITIVOS.
Conforme o entendimento fixado no STJ, havendo pagamento antecipado, ainda que parcial, tratando-se de tributo sujeito a lançamento por homologação, incide, para a contagem do prazo decadencial, o disposto no artigo 150, §4°, do CTN. Tratando-se, na hipótese, de fato gerador ocorrido em 31/12/1998, e tendo a ciência do auto de infração ocorrida em maio de 2004, tem-se por configurada a decadência.
Numero da decisão: 9202-002.278
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 150, §4°, DO CTN. APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STJ, EM SEDE DE RECURSOS REPETITIVOS. Conforme o entendimento fixado no STJ, havendo pagamento antecipado, ainda que parcial, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, incide, para a contagem do prazo decadencial, o disposto no artigo 150, §4°, do CTN. Tratandose, na hipótese, de fato gerador ocorrido em 31/12/1998, e tendo a ciência do auto de infração ocorrida em maio de 2004, temse por configurada a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Fl. 332DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007052/200391 Acórdão n.º 9202002.278 CSRFT2 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte com base na presunção de omissão de rendimentos, decorrente de depósitos em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar as respectivas origens. O contribuinte apresentou, em 30/04/99, Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, relativa ao Exercício 1999, Anocalendário 1998 (fls. 14/23), na qual informa ter auferido rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual no montante de R$ 96.703,20 O contribuinte apresentou impugnação (fls. 207/220). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa (fls. 230/252): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência da prova ilícita, não há que se falar em nulidade do lançamento. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. 1NAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE DA LEI. 0 art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 e o art. 1° da Lei n° 10.174/2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, disciplinam o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007052/200391 Acórdão n.º 9202002.278 CSRFT2 Fl. 3 3 poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. SIGILO BANCÁRIO. É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. MULTA AGRAVADA. A falta de atendimento a intimação para prestação de esclarecimentos justifica o agravamento da penalidade. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 256/281). A antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 284/291) acolheu a preliminar de decadência, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 334DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007052/200391 Acórdão n.º 9202002.278 CSRFT2 Fl. 4 4 Anocalendário: 1999. Ementa: IRPF DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN). Preliminar de decadência acolhida. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fundamento em violação à legislação tributária (fls. 295/298). Argumentou nos seguintes termos: “No caso em tela, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido. Portanto, cabível é a aplicação do art. 149, V, do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de oficio pela autoridade administrativa. Ora, se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de oficio (CTN 149, V); se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de oficio da administração (CTN 149,V). (...) Como se vê, não há que se falar em homologação do art. 150 do CTN prolatável no prazo de 5 anos contados do fato gerador. Ao contrário, sob o amparo do art. 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do art. 173 do CTN. Assim, para o fato gerador ocorrido em 1999, o lançamento somente poderia ser efetuado em 2000, fazendo com que o inicio do prazo decadencial fosse para o dia 10 de janeiro de 2001. Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31/12/2005. Como a ciência do auto se deu em maio de 2004 (fls. 198) o lançamento não aconteceu a destempo.” O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 304/309. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007052/200391 Acórdão n.º 9202002.278 CSRFT2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Discutese, no caso, qual o dispositivo legal se aplica, na hipótese, para a contagem do prazo decadencial: se o artigo 173, inciso I, ou o artigo 150, §4°, do CTN. O entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 336DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007052/200391 Acórdão n.º 9202002.278 CSRFT2 Fl. 6 6 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Discussões surgiram, no entanto, em relação a como se deveria dar tal aplicação, tendo em vista que, na determinação de incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, estabeleceuse, em discrepância com a previsão literal desse dispositivo legal, que o prazo decadencial começaria a correr do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível. Neste aspecto, após muitas idas e vindas, e profunda reflexão, consolidei o meu posicionamento no sentido de que a aplicação da decisão do Superior Tribunal de Justiça tramitada no rito dos recursos repetitivos deve darse, analisandoo (o acórdão) em face da lei que trata do tema nele versado. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007052/200391 Acórdão n.º 9202002.278 CSRFT2 Fl. 7 7 Neste passo, é de se ter que o artigo 173, inciso I, do CTN, por diversas vezes citado no acórdão do STJ, dispõe expressa e inequivocamente que o prazo decadencial deve ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pois bem, superadas tais questões, uma outra acabou por assomar. Analisandose a decisão do STJ, temse que, em princípio, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, nada haveria que ser homologado, de sorte que dispositivo legal regente da decadência, em tal hipótese, é o artigo 173, inciso I, do CTN. Contudo, perquirindose mais detidamente o teor da decisão, podese extrair, expressamente, que: “Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” O que se depreende da passagem transcrita? Que o prazo decadencial contar seá do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: a) quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação; b) quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas este não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação (porque havendo tais posturas por parte do contribuinte, mesmo a existência do pagamento antecipado não elide a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN); c) quando não existe declaração prévia do débito. Este detalhe do acórdão do STJ leva à conclusão de que ao pagamento antecipado do tributo equiparouse, cuidandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a declaração prévia do débito prestada pelo contribuinte. A inexistência de ambos leva à aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. Isto é, mesmo não tendo ocorrido o pagamento antecipado do tributo, se houve declaração prévia do débito, incide o artigo 150, §4°, do CTN. Estas constatações, não se toma por base apenas a passagem mencionada da decisão do STJ. Deveras, analisandose ainda mais a fundo a decisão do STJ, verificase que, em seu bojo, citouse acórdãos do próprio Tribunal que respaldam o entendimento fixado. Ilustrativamente, citese o quanto decidido nos Embargos de Divergência no Resp. n° 276.142 SP, de relatoria do próprio Ministro Luiz Fux: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007052/200391 Acórdão n.º 9202002.278 CSRFT2 Fl. 8 8 “Impende salientar que a homologação a que se refere o art. 150 do Código Tributário é da atividade do sujeito passivo, não necessariamente do pagamento do tributo. O que se homologa, quer expressamente, quer tacitamente, é o proceder do contribuinte, que pode ser o pagamento suficiente do tributo, o pagamento a menor ou a maior ou, também, o nãopagamento. Seja qual for, dentre todas as possíveis condutas do contribuinte, ocorre uma ficção do Direito Tributário, sendo irrelevante que tenha havido ou não o pagamento, uma vez que relevante é apenas o transcurso do prazo legal sem pronunciamento da autoridade fazendária, dilo o Codex Tributário.” Desta forma, não se pode desconsiderar aqui tais questões, pois que integram claramente o acórdão cuja aplicação se impõe no âmbito do CARF. Do modo que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, devese aferir, no caso concreto, se o contribuinte efetuou o recolhimento antecipado ou se perpetrou declaração prévia do débito. Havendo um ou outro, o prazo decadencial terá início nos termos do artigo 150, §4°, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador. Caso contrário, o prazo regerseá pelo artigo 173, inciso I, do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente, lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, com fundamento em omissão de receitas. A ciência do auto de infração ocorreu em maio de 2004 (fls. 195). O fato gerador de que se trata nos autos deuse em 31/12/1998. Analisandose a Declaração de Ajuste Anual, presente às fls. 14/23, depreendese que houve retenção do imposto de renda na fonte no valor de 12.631,34, de sorte que houve pagamento antecipado, ainda que parcial, do IR. Neste passo, incide, para a contagem do prazo decadencial, o artigo 150, §4°, do CTN. Iniciandose, o prazo decadencial, em 31/12/1998 (data do fato gerador), findouse em 31/12/2003. Como a ciência do auto de infração somente ocorreu em 2004, devese considerar caracterizada a decadência. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 08 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 339DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19647.007052/200391 Acórdão n.º 9202002.278 CSRFT2 Fl. 9 9 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721315/2009-00
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.113
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a autoridade fiscalizadora manifeste-se quanto aos documentos apontados no recurso voluntário. Após a manifestação da autoridade, a recorrente deve ser intimada para tomar ciência da mesma e no prazo de 30 (trinta) dias apresentar complementação às suas razões recursais, no que julgar cabível, retornando os autos ao CARF/MF.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a autoridade fiscalizadora manifeste-se quanto aos documentos apontados no recurso voluntário. Após a manifestação da autoridade, a recorrente deve ser intimada para tomar ciência da mesma e no prazo de 30 (trinta) dias apresentar complementação às suas razões recursais, no que julgar cabível, retornando os autos ao CARF/MF. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Osmar Pereira Costa, Natanael Vieira Dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 05/09/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721315/2009-00 Resolução n.º 2803-000.113 S2-TE03 Fl. 530 2 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.439 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 427 e seguintes do processo digital), que manteve parcialmente o crédito tributário oriundo da aplicação de contribuições a terceiras entidades, após resultado de diligência que reconheceu erros na apuração. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, alegado que os equívocos de apuração ainda estão presentes, mas que o fiscal autuante não se manifestou quanto à totalidade dos documentos juntados, os quais reapresenta em Recurso Voluntário. Esse é o relatório. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 05/09/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721315/2009-00 Resolução n.º 2803-000.113 S2-TE03 Fl. 531 3 Voto Ao que li das informações do fiscal, entendo como cabível nova diligência para que a autoridade fiscalizadora se manifeste quanto aos documentos apontados no Recurso Voluntário, que, a priori, demonstram que não houve diferenças a serem apuradas, e que não foram apreciados pela autoridade. Isso posto, voto por converter o presente julgamento e diligência para que a autoridade fiscalizadora manifeste-se quanto aos documentos apontados no recurso voluntário. Após a manifestação da autoridade, a recorrente deve ser intimada para tomar ciência da mesma e no prazo de 30 (trinta) dias apresentar complementação às suas razões recursais, no que julgar cabível, retornando os autos ao CARF/MF. Sala de Sessões, 21 de junho de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator Fl. 531DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 05/09/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000275/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.215
Decisão: Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração, lavrado em 28/12/2006, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 34), a empresa deixou de incluir, nas GFIPs, os fatos geradores da contribuição previdenciária, discriminadas nos anexos de fls. 37 a 45. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330000275200711 Resolução n.º 000.215 S2C3T1 Fl. 221 2 A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1216.574, da 11a Turma da DRJ/RJOI (fls. 164), julgou o lançamento procedente, transcrevendo trechos dos Acórdão dos processos que discutem os lançamentos das contribuições, cujas omissões em GFIP ensejaram a lavratura do presente Auto. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 186), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega nulidade da decisão de primeira instância, ao argumento que não foi apreciado aspecto apontado pela Recorrente em sua defesa administrativa, qual seja, a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados às cooperativas por ela contratadas, tendo a autoridade julgadora se restringido a afirma, no item "15" do Acórdão combatido, que " que tal lançamento não constou deste Auto (...)” e “A coluna referente à Cooperativa discriminada na Planilha de fls. 36 e 45 diz respeito à contribuição estabelecida no art. 22, IV da Lei n.o 8.212/91, com redação dada pela Lei n.o 9.876/99 e lançada na NFLD 37005.8615, julgada procedentes por esta Turma de Julgamento através do Acórdão de n.° 12.15.798, (..)”. Ressalta que a autoridade administrativa julgadora deve proferir decisão sobre todos os argumentos de defesa suscitados, sob pena de nulidade do ato administrativo em razão de preterição ao direito de defesa do contribuinte. Ainda em preliminar, requer a reunião dos processos administrativos conexos, pois entende que até que sejam proferidas decisões definitivas nos autos das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito que buscam a cobrança das contribuições previdenciárias supostamente incidentes sobre as rubricas elencadas no relatório fiscal da presente autuação, não há materialização da obrigação tributária apta a configurar a suposta infração à legislação previdenciária consubstanciada no AI em tela. No mérito, alega decadência de parte do débito e insiste na nãoincidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados a estrangeiros residentes provisoriamente no país e desvinculados do RGPS. Afirma que, ao contrário do que entendeu a Autoridade Fiscal, o fato de um estrangeiro residir no país, ainda que permanentemente (para fins meramente fiscais), não é suficiente a ensejar sua vinculação ao referido sistema, e que a legislação do "Imposto de Renda" citada no acórdão nunca poderia ter sido utilizada para fins de enquadramento de cidadão estrangeiro ao sistema previdenciário nacional, pois tal expediente é de competência exclusiva da legislação própria que trata do custeio da seguridade social brasileira. Transcreve os arts. 11 e 12, da lei 8.212/91, para demonstrar que as contribuições devidas recaem sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados da Previdência Social e não aos residentes para efeitos de imposto de renda, e que qualquer trabalhador que não se enquadre a uma das hipóteses do citado art. 12 está dispensado de contribuir para a Seguridade Social, assim como a sua remuneração não pode ser considerada base de cálculo para as contribuições previdenciárias devidas pela empresa que o contratou. Entende que somente nas hipóteses das alíneas "c" e "f", do inciso I, do art. 12 da Lei 8.212/91, que tratam do segurado empregado, é que um estrangeiro poderá ser considerado segurado para dar nascimento à obrigação de recolhimento da contribuição previdenciária a cargo da empresa, mas que, em ambos os casos, além de ser necessária a prova Fl. 223DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330000275200711 Resolução n.º 000.215 S2C3T1 Fl. 222 3 de residência no país como ânimo definitivo, o estrangeiro deve trabalhar como empregado em sucursal, agência ou empresa nacional localizada no exterior, o que não é o caso presente, uma vez que os estrangeiros contratados pela Recorrente prestaram os serviços em empresa nacional, sediada e localizada no território nacional, e para tanto precisou acomodarse temporariamente no país. Defende que não basta que um estrangeiro exerça o cargo de diretor não empregado para ser considerado segurado obrigatório da Previdência Social, sendo necessário, imprescindível e obrigatório que tal estrangeiro se enquadre numa das hipóteses de inscrição do RGPS, e exigir a contribuição sobre os reembolsos de alugueis e despesas de locação dos estrangeiros em questão implica desafiar o principio do equilíbrio financeiro e atuarial que estabelece todas as diretrizes orçamentárias do sistema previdenciário. Ressalta que os estrangeirso contratados pela Recorrente sempre contribuiram para a seguridade social de seu país de origem, conforme comprova Declaração emitida pela própria seguridade social estrangeira, o que indica que os estrangeiros nunca pretenderam fixar residência no país, tampouco vincularse ao sistema previdenciário. Esclarece que a Declaração acostada pela Recorrente foi datada em janeiro de 2.007 pelo simples fato de ter sido requerida naquele momento, período em que foram coletadas as provas para instrução da impugnação, o que não significa dizer que o estrangeiro vinculouse ao sistema previdenciário de seu país apenas em 2.007, mas sim que este sempre foi vinculado àquele sistema, até a data da emissão da declaração, ao contrário do que presumiu a Autoridade Fiscal, isso Traz trecho do Parecer CJ 2.991/2003 que versa sobre a vinculação de estrangeiros ao RGPS, que, conforme entende, se aplica ao caso, o que não ocorre com a definição de "residente no Brasil" dada pela IN 208/02, que se presta tão somente a evitar a evasão por intermédio da indevida remessa de recursos ou indevida negociação de bens no exterior. Discorre sobre a natureza jurídica dos pagamentos realizados a título de "liberalidade" e "bônus de performance", na tentativa de demonstrar que referidas verbas não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, pois não se configura salário indireto, ou salárioutilidade. Assevera que tais pagamentos não guardam relação alguma com a remuneração oriunda do contrato de trabalho ou dos serviços prestados; não possuem os requisitos mínimos exigidos por lei para que pudessem ser considerados como remuneração para fins tributários, a saber: a retributividade e a habitualidade e que, portanto, jamais deveria ter sido declarado em GIFP, motivo pelo qual o lançamento fiscal recorrido não deverá prosperar. Alega ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento feito às cooperativas de trabalho e da utilização da taxa SELIC para correção de débito tributário, bem como ilegalidade da inclusão dos diretores da recorrente no pólo passivo. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330000275200711 Resolução n.º 000.215 S2C3T1 Fl. 223 4 VOTO Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado que a autuada requer, entre outras coisas, que o presente recurso não seja apreciado antes do julgamento dos processos administrativo que discutem as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito que lançaram os fatos geradores cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI discutido. Entende que, até que sejam proferidas decisões definitivas nos autos das NFLDs conexas, não há materialização da obrigação tributária apta a configurar a suposta infração à legislação previdenciária consubstanciada no AI em tela. De fato, as contribuições incidentes sobre as verbas omissas em GFIP foram lançadas por intermédio das NFLDs acima citadas, e existe uma nítida conexão entre esses lançamentos, uma vez que, estabelecida a obrigação tributária principal, por força do levantamento dos fatos geradores e lançamento das respectivas contribuições previdenciárias, deparouse a fiscalização com a obrigação descumprida,.caracterizada por deixar de declarar os respectivos valores em GFIP. No entanto, não é possível saber, pelo que consta dos autos, se já houve o julgamento definitivo das NFLDs que lançaram as contribuições previdenciárias cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do presente AI. Referida omissão impossibilita que esta autoridade julgadora tenha conhecimento pleno de todos os fatos, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Assim, considerando que o julgamento do auto em questão depende da procedência das Notificações que lançaram as contribuições omissas em GFIP, e em face da necessidade de mais informações a respeito do andamento das referidas NFLDs, entendo que o processo deva ser baixado em diligência para que o órgão de origem preste os esclarecimentos solicitados acima, necessários para revestir a decisão de plena convicção. Fazse necessário, ainda, que seja elaborado um demonstrativo com os resultados dos julgamentos de cada NFLD, contendo informações sobre as contribuições que foram mantidas em cada uma delas e os levantamentos excluídos nos casos de provimento parcial ou total dos recursos. No caso de não terem sido julgados definitivamente todos os lançamentos correlatos, entendo que o presente processo deva ficar sobrestado até o trânsito em julgado administrativo das NFLDs que lançaram as contribuições relativas aos fatos geradores omitidos em GFIP. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330000275200711 Resolução n.º 000.215 S2C3T1 Fl. 224 5 E, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a serem apresentados pela fiscalização e aberto novo prazo para sua manifestação. Nesse sentido, Voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. É como voto Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.924411/2009-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Presidente e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e os Suplentes Paulo Guilherme Deroulede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e os Suplentes Paulo Guilherme Deroulede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Presidente e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e os Suplentes Paulo Guilherme Deroulede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação nº 01758.92154.310506.1.3.043473, em 31 de maio de 2006, em que compensou crédito de Cofins de abril/2004, no valor de R$ 1.061,09. Despacho Decisório da DRF/CuritibaPR, não homologou a compensação por inexistência de crédito, porquanto o pagamento informado, de R$ 37.761,02, teria sido integralmente utilizado para a quitação da Cofins declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Interessada alegou que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 24 41 1/ 20 09 -0 4 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10980.924411/200904 Resolução nº 3803000.263 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 2 9.718/1998, no RE 357950, e que efetuou o seu aproveitamento nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Indicou o valor das Receitas Financeiras, e declarou ser líquido e certo o seu crédito, nos termos do art. 170 do CTN. Citou jurisprudência administrativa e, insistiu no seu direito à repetição do indébito a teor do art. 165 do CTN. Em julgamento da lide a DRJ/Curitiba não apreciou o mérito da questão por tratar de matéria constitucional, esta reservada apenas ao Poder Judiciário, não restando amparo, inclusive, para fazêlo ao amparo à luz do Decreto nº 2.346 de 10 de outubro de 1997, que determina a observância uniforme pela Administração Pública Federal direta e indireta das decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional. Cientificada da decisão, em 21 de maio de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, em 18 de junho de 2012, em que reitera o seu argumento em torno da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, o que tornou indevidos os pagamentos feitos sob a égide deste dispositivo legal, suscitando o crédito utilizado na DComp sob análise. É o relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Relator O recurso é tempestivo, e atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A matéria versada nos autos tem como pano de fundo a declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Sob o amparo dessa decisão, créditos de pagamento de Cofins teriam surgido para esta Contribuinte, que os aproveitou na DComp sob exame. O Pleno do Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, pacificou o conflito e declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados Fl. 40DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10980.924411/200904 Resolução nº 3803000.263 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A Corte Suprema, em 10 de setembro de 2008, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu, por unanimidade, a existência de Repercussão Geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da mencionada inconstitucionalidade, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. O acórdão proferido no referido Recurso Extraordinário, publicado no DJ em 28 de novembro de 2008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, introduziu o art. 26A no Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF), estabelece que: Fl. 41DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10980.924411/200904 Resolução nº 3803000.263 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 4 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...). Na mesma direção andou a alteração produzida pela Portarias 586/2010, ao introduzir o art. 62A no Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, dispondo que as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Observo, à fl. 5 destes autos, que o despacho decisório não foi precedido de intimação eletrônica para que a Contribuinte tivesse ciência da integral alocação do DARF indicado como originário do crédito, procedimento ocorrente em inúmeras situações que apontavam para a inconsistência das informações prestadas na DComp e as constantes dos registros da RFB. A providência permitiria a Contribuinte retificar sua DCTF ou na hipótese de não servir como nova base de dados para o processamento automático da DComp pudesse esclarecer o fundamento do pagamento indevido e, com isso, suscitar o tratamento manual da DComp. A Contribuinte não cuidou, na manifestação de inconformidade, de demonstrar a formação do seu crédito com a anexação de planilha indicando as bases de cálculo da contribuição, com exclusão das receitas financeiras, a teor do que o exige o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/721, em que pese ter afirmado que o crédito utilizado era decorrente da declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo STF. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Fl. 42DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10980.924411/200904 Resolução nº 3803000.263 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 5 À data da sua decisão, 05 de outubro de 2011, a DRJ/Juiz de Fora já estava vinculada ao cumprimento da ressalva contida no § 6º, do art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, introduzido pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que permitia o afastamento da aplicação de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, citado retro. No entanto, sua decisão passou ao largo deste preceito legal, tendo assentado a incompetência do julgador de primeira instância em apreciar argumento de cunho constitucional. Sob este entendimento, o Colegiado a quo deixou de enfrentar a matéria de prova, passível de ser suprida mediante diligência, instrução justificada pela forma lacônica do despacho decisório eletrônico, que obstaculiza a instrumentalização da defesa da Contribuinte. Dessarte, ao circunscrever a razão de decidir à matéria de Direito, a Recorrente uma vez mais não tem como se ver instada a aparelhar a sua defesa com os elementos de prova a ser consubstanciada na oferta das receitas hábeis à incidência da contribuição em apreço e as excludentes. Sob a óptica da prova, temos o fato de que os contribuintes não dispõem de meio de jungir ao seu procedimento de transmissão eletrônica da compensação a prova efetiva (documental) do seu direito, por não ser providência exigida. Ao tempo da transmissão da presente DComp a possibilidade de o contribuinte comprovar a redução da base de cálculo com consequente indébito compunha o acervo de prerrogativas da Administração Tributária na apreciação da legitimidade do crédito, a teor do art. 4º da IN SRF 600/20052, prerrogativa esta não mais reproduzida na IN RFB 900/2008, revogadora daquela e vigente ao tempo do Despacho Decisório. Sem embargo dessa nova disciplina, não se encontra dispositivo regulamentar que determine o não reconhecimento de direito creditório ante a ausência de retificação da DCTF, implicando dizer que esse reconhecimento não está materialmente dependente do cumprimento dessa obrigação pelo contribuinte. A ausência dessa formalidade apenas impede a emissão automática da decisão administrativa favorável ao contribuinte, por não reduzir o registro do débito no sistema, deixando de ressaltar o indébito como valor disponível, habilitandoo à utilização em DComp. Por essas razões, entendo que o processo deve ainda ser instruído com a apresentação, pelo contribuinte, de demonstrativo de suas receitas que correspondam ao conceito de faturamento, com destaque das receitas financeiras, do decorrente valores da contribuição devida e do indébito, acompanhado dos respectivos registros contábeis que justifiquem as exclusões. Em vista do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Curitiba intime a Contribuinte à apresentação de planilha e registros contábeis, na forma acima expendida, e ateste a quanto alcança o seu crédito. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) 2 Art. 4 º A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10980.924411/200904 Resolução nº 3803000.263 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 6 Dêse ciência à Interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo regulamentar para que se manifeste. Após, retornem os autos a este CARF para julgamento. Sala das sessões, 23 de abril 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 44DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 15504.002944/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/05/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL EM
TÍTULOS PRÓPRIOS.
A escrituração deve atender ao princípio contábil do regime de competência e deve registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores demcontribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do salário de contribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e
por tomador de serviços. A desobediência a tais critérios justifica aplicação de penalidade pecuniária prevista na lei 8.212/91.
PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. CONCURSO FORMAL DE INFRAÇÕES.
INAPLICABILIDADE NO DIREITO TRIBUTÁRIO POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Ao contrário do que encontramos no Direito Penal, com a previsão legal do concurso formal de crimes, no Direito Tributário não há previsão legal para aplicarmos o concurso formal de infrações.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.593
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. Redator Designado: Mauro José Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL EM TÍTULOS PRÓPRIOS. A escrituração deve atender ao princípio contábil do regime de competência e deve registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. A desobediência a tais critérios justifica aplicação de penalidade pecuniária prevista na lei 8.212/91. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. CONCURSO FORMAL DE INFRAÇÕES. INAPLICABILIDADE NO DIREITO TRIBUTÁRIO POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Ao contrário do que encontramos no Direito Penal, com a previsão legal do concurso formal de crimes, no Direito Tributário não há previsão legal para aplicarmos o concurso formal de infrações. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. Redator Designado: Mauro José Silva. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.002944/200883 Acórdão n.º 230102.593 S2C3T1 Fl. 73 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela CONSTRUTORA MINEIRA LTDA contra decisão que julgou procedente a autuação fiscal em desfavor do contribuinte, em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, referente ao período de 04/1997 a 05/2005. 2. Narra o relatório fiscal que “a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo o art. 32, inciso II da Lei 8.212/91 e art. 225, § 13 do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99”. (fl. 17). 3. A ementa da decisão recorrida restou lavrada nos termos que transcrevo a seguir: “INFRAÇÃO Á LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios da sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme artigo 32, inciso II da Lei nº 8212/91. AUTUAÇÃO PROCEDENTE.” (f. 44) 4. Irresignada com o julgamento a quo, a empresa apresentou recurso voluntário aduzindo, em síntese: a) é ilegal e inconstitucional a exigência do depósito recursal prévio no âmbito administrativo, devendo o recurso ser apreciado independentemente do depósito de 30%; b) os créditos imputados ao contribuinte antes de 01/01/01 foram alcançados pela decadência, já que o fisco tem o prazo de 5 anos para cobrar o crédito, nos termos do art. 173 do CTN. c) a não apresentação, ou a apresentação deficitária, dos documentos contábeis requeridos pela fiscalização não causaram prejuízo, pois tal fato não impediu que os débitos fossem lançados; d) inexistem circunstâncias agravantes em desfavor do contribuinte; para a caracterização de reincidência é necessária a prática da mesma infração, fato que não ocorreu, pois a autuação anterior foi em razão da apresentação de GFIPs com informações inexatas, incompletas ou omissas, fazendo jus, portanto, à relevação ou atenuação da penalidade; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 e) por fim, alegou que a multa possui caráter confiscatória e abusivo, uma vez que a inconsistência das informações nos documentos apresentados não teria causado prejuízo ao erário; até porque o fisco pôde, perfeitamente, calcular o montante supostamente devido pela empresa nos períodos em que faltaram documentação. 5. Mesmo tendo tomado ciência do recurso apresentado pela recorrente, o fisco limitouse a encaminhar os autos à apreciação deste Conselho, sem manifestação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 2. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço de pronto do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO LANÇAMENTO 3. No que diz respeito ao mérito, narra o relatório fiscal que a empresa foi autuada por ter incorrido em infração aos artigos 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91 e 225, §13, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, verbis: LEI 8.212/91 “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” DECRETO 3.048/99 “Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.002944/200883 Acórdão n.º 230102.593 S2C3T1 Fl. 74 5 I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços.” 4. Ocorre que, conforme pude constatar, na mesma ação na fiscalização foram lavrados mais oito autos de infração contra o mesmo sujeito passivo, totalizando nove autos de infração conforme tabela abaixo, retirada do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF (f. 15): Documento Período Número Data Valor AI 07/2006 07/2006 358810469 10/07/2006 R$ 23.137,66 AI 07/2006 07/2006 358810442 10/07/2006 R$ 23.137,66 AI 07/2006 07/2006 358072611 10/07/2006 R$ 1.156,83 AI 07/2006 07/2006 358810396 10/07/2006 R$ 2.313,66 AI 07/2006 07/2006 358810400 10/07/2006 R$ 31.275,49 AI 07/2006 07/2006 358810418 10/07/2006 R$ 12.001,80 AI 07/2006 07/2006 358810426 10/07/2006 R$ 1.156,83 AI 07/2006 07/2006 358810434 10/07/2006 R$ 2.313,66 AI 07/2006 07/2006 358810450 10/07/2006 R$ 2.313,66 5. Dentre as nove autuações expedidas em face do contribuinte, três foram distribuídas à minha relatoria. E nessas três depreendese da análise do TEAF (f. 15) que a fiscalização ocorreu em período idêntico (04/1997 a 03/2005) e que todos os AIs foram expedidos na mesma data (10/07/2006). 6. O presente caso recebeu a numeração AI DEBCAD 35.881.0442 e foi lavrado porque a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Já nos outros dois casos, a infração se deu: a) AI DEBCAD 35.881.0400: a empresa foi multada, pois “apresentou GFIP – Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social e GRFP/GRFC – Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS e da Contribuição Social, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 b) AI DEBCAD 35.881.0469: o contribuinte foi autuado por “deixar de exibir as GFIP – Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social e GRFP/GRFC – Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS e da Contribuição Social”; “RAIS para os anos de declaração de 1997 (a partir da comp. abril/início atividades) a 2004” e “alguns documentos de Caixa (apresentação deficiente) solicitados para verificação lançamentos Razão/Diário”. 7. Além disso, ainda em relação aos processos que examinei, foram analisados pela fiscalização os seguintes documentos: livro diário n.º 08, até 12/2004; livro de registro de empregados n.º LREn06, até a folha 31; folhas de pagamento; GFIPs; comprovantes de recolhimento e outros elementos (f. 15). 8. Assim, resta demonstrado, que em decorrência do mesmo fato gerador, qual seja, a fiscalização realizada na empresa no período de 04/1997 a 03/2005, a recorrente foi multada nove vezes, fato esse que deve ser avaliado sob a perspectiva da configuração ou não do bis in idem e do princípio da razoabilidade. 9 A infração ora em tela, no meu entendimento, já foi devidamente punida com a emissão dos demais autos de infração e, assim, não poderia ser novamente castigada pelo descumprimento de obrigação acessória. Sem adentrar no mérito e na capitulação legal de cada uma das infrações imputadas ao contribuinte tenho que a apresentação de GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias e por deixar de exibir as Guias abarcaram, efetivamente, a reprimenda ora cominada à empresa. 10. Não se questiona aqui o fato de que a falta de lançamento mensal em títulos de contabilidade, a entrega deficiente de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 e a não apresentação de GFIP constituem infrações distintas, possuindo inclusive fundamentação legal diferente. Entretanto, para efeito de punição a aplicação de uma multa pode ser inserida no contexto da outra. 11. Tal entendimento encontra guarida na própria norma previdenciária que, em alguns casos já trata conjuntamente as hipóteses de “recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente” para assegurar que o fisco poderá lançar de ofício a importância devida. (art. 33, §3º, da Lei 8.212/91) 12. O duplo sancionamento deve ser evitado. Sobre o tema vale ressaltar os ensinamentos de Daniel Ferreira “tem outra e especial serventia enquanto princípio geral do Direito: a de proibir reiterado sancionamento por uma mesma infração – vale dizer, afastar a possibilidade de múltipla e reiterada manifestação sancionadora da Administração Pública”. (in “Sanções Administrativas”, Malheiros Editores) 13. Nesse sentido, cito jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “AUTO DE INFRAÇÃO – BIS IN IDEM – IMPOSSIBILIDADE DE COEXISTÊCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO ENTREGA DE GFIP E PELA NÃO INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO MESMO PERÍODO PARA O MESMO SUJEITO PASSIVO. Ocorrência de bis in idem quando se trata de uma infração e são lavrados dois autos de infração para aplicação de multa punitiva pelo Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.002944/200883 Acórdão n.º 230102.593 S2C3T1 Fl. 75 7 descumprimento de uma obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 2050.1522, julgado em 03.02.2009, Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi) “DOCUMENTOS. INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS PRESTADOS. BIS IN IDEM. IMPOSSIBILIDADE DA MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A não apresentação de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 constitui infração distinta da não prestação de informações e esclarecimentos, mas a autuação fiscal deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 230101.291, julgado em 23.03.2010; Rel.: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes) 14. Ainda com relação à matéria, apenas para exemplificar, a legislação que trata do processo administrativo por dano ambiental pacifica matéria semelhante na Lei 9.605/98, artigo 76 onde encontrase previsto que “o pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substituiu a multa federal na mesma hipótese de incidência”. 15. Além disso, é importante que sejam observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, conforme previsto nos artigos 37, 5º, inciso II, e 84, inciso IV, todos da Constituição Federal, pois, a meu ver, a Administração Pública deve seguilos como parâmetro para que as medidas adotadas por ela não gerem prejuízos elevados ao contribuinte. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), in verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. 1. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas pelo Estado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado(...).” (Recurso Especial nº 728.999 PR (2005∕00331148; Ministro Relator Luiz Fux) 16. O princípio da proporcionalidade pode ser visto como um desdobramento do princípio da razoabilidade e se traduz no sentido de que adotando a medida necessária para atingir o interesse almejado, o administrador age com proporcionalidade, que deve ser media não pelos critérios pessoais do administrador e nem nos termos frios da lei, mas diante do caso concreto e segundo os padrões comuns na sociedade. 17. E no caso concreto, entendo que a fiscalização agiu de forma desproporcional ao autuar nove vezes o contribuinte em decorrência de ações da empresa que se comunicam entre sí. Celso Antônio Bandeira de Mello ensina que a proporcionalidade é uma “faceta específica” da razoabilidade, o que significa dizer que nas decisões e nas medidas administrativas deve haver adequação entre os meios e os fins previstos na lei. 18. A segurança jurídica é afetada ante a ação da fiscalização. E sobre a questão cito o parecer ProCADE n.º 526/2005, da Advocacia Geral da União AGU, no qual a Procuradora Nancy de Abreu afirma que o bis in idem “tratase de um princípio basicamente de construção doutrinária e que irradia sobre os atos administrativos, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, como uma limitação ao poder punitivo ao EstadoAdministração”. 19. Ainda conforme a AGU “a expressão bis in idem pode ter seu significado dividido nos seguintes termo: o bis deve ser entendido como uma vedação não só à nova sanção, mas deve ser estendido seu significado para se evitar nova persecução (instrução mediante novo processo); o idem, em termos objetivos, possui como significado, ao menos no direito brasileiro, como mesmos fatos, em termos reais e históricos, com relevância decorrente da análise dos fatos e não estritamente jurídica”. 20. Seguindo essa linha de raciocínio, Fábio Medina ensina que “a idéia básica do non bis in idem é que ninguém pode ser condenado duas ou mais vezes por um mesmo fato” e segue dizendo que “já foi definida essa norma como ‘princípio geral de direito’, que, com base nos princípios da proporcionalidade e da coisa julgada, proíbe a aplicação de dois ou mais procedimentos, seja em uma ou mais ordens sancionadoras, nos quais se dê uma identidade de sujeitos, fatos e fundamentos, e sempre que não exista uma relação de supremacia especial da Administração Pública”. (in Direito Administrativo Sancionador – SP, Editora RT, 2000, Osório, Fábio Medina, f. 279) 21. Assim, firme está meu convencimento no sentido de que o agente fiscal agiu em contraposição ao princípio do non bis in idem, ao autuar o contribuinte por nove vezes, agravando as multas aplicadas. 22. O fisco deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra, porém, cumpre salientar que não estou a menosprezar a função repressiva das sanções tributárias, adotadas sempre no sentido de preservar a atividade de fiscalização e a segurança nos atos destinados a arrecadação dos tributos. Entretanto, a meu sentir, o Estado também não pode punir excessivamente o contribuinte, notadamente no presente caso em que a empresa recebeu nove autos de infração por múltiplas condutas. 23. Não é demais falar que no Brasil a burocracia e o excessivo dever acessório de prestar ou franquear o acesso a informações de interesse da administração Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.002944/200883 Acórdão n.º 230102.593 S2C3T1 Fl. 76 9 tributária colocam as empresas em situação caótica. A guarda de documentos, a produção de dados nos exatos formatos delimitados pelo fisco, entrega de documentos mensais, são apenas algumas das inúmeras e crescentes obrigações dos contribuintes passivas de pesadas multas. Sem falar no acompanhamento diário a que é obrigada a empresa sobre a edição de Leis, Decretos, Portarias, Instruções Normativas, etc. 24. Essas imposições de obrigações tributárias acessórias sem limite algum, na verdade, asfixiam as pequenas empresas e propiciam o aumento da informalidade no País. O que resulta, finalmente, no aumento do Custo Brasil, que, por seu turno, afeta gravemente a vida das empresas e dos empregados. 25. Feitas tais considerações, voto pelo provimento do recurso voluntário, por entender que o auto de infração lavrado não subsiste. CONCLUSÃO 26. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. O Relator pretende a aplicação do que denominou princípio do non bis in idem ao caso, o que resultaria no afastamento da penalidade aplicada. Para o Conselheiro,”o fisco deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra”. A proposta do Conselheiro é assente na seara do Direito Penal, porém naquele ramo do Direito, diferentemente do Direito Tributário, existe norma explícita prevendo o concurso formal de crimes. Vejamos o art. 70 do Código Penal: Concurso formal Art. 70 Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicaselhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicamse, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Num ramo do Direito marcado pela legalidade estrita, como o Direito Penal, foi necessária a introdução de norma explícita para determinar a aplicação do concurso formal de crimes com previsão de aumento da pena aplicável ao crime mais grave. Não bastou, portanto, a aplicação de alguma idéia que poderia ser identificada como princípio geral do Direito. Norma positivada de conteúdo similar não existe no âmbito do Direito Tributário, o que, de per si, já representa um obstáculo à sua aplicação em questões fiscais. Mas poderíamos cogitar sua aplicação com base no art. 108 do CTN. Se adotássemos com tal justificativa a idéia de concurso formal de infrações tributárias, o que nos impediria de aplicar a idéia de infrações continuadas pela similaridade com os crimes continuados previstos no art. 71 do Código Penal? Não vejo justificativa plausível para diferenciar a aplicação das infrações em concurso formal das infrações continuadas. Assim, se aplicarmos, por analogia, a idéia de infrações em concurso formal, devemos aplicar a idéia de infrações continuadas. Se assim fosse, estaríamos promovendo grande estímulo ao não pagamento dos tributos, uma vez que após deixar de pagar o tributo correspondente a uma primeira competência, o mau contribuinte sofreria penalização bastante branda para a sonegação nas demais competências. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.002944/200883 Acórdão n.º 230102.593 S2C3T1 Fl. 77 11 Esse singelo exemplo demonstra o equívoco de transplantarmos para o direito tributário, por meio de analogia ou de princípio gerais do direito, as normas gerais explicitamente insertas e positivadas para o Direito Penal. Deve ser ressaltado que não podemos ignorar que as infrações penais estão fortemente marcadas pela intenção do agente, ao passo que as infrações tributárias independem de tal elemento volitivo, conforme art. 136 do CTN. No caso da absorção ou consunção no direito penal, ou mesmo dos crimes progressivos, a intenção do agente é elemento primordial para justificar o sancionamento apenas do crime que era visado pela intenção do infrator. Como no direito tributário não podemos considerar a intenção, perdemos o elemento determinante para a aplicação de tais conceitos penais. No âmbito do CARF, observamos que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já afastou penalidades concomitantes quando a base de cálculo era idêntica, o que não é o caso dos autos. Vejamos uma decisão da CSRF: Autoridade Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Título Acórdão nº 40104987 do Processo 10510000679200219 Data 15/06/2004 Ementa MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. Autoridade Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Título Acórdão nº 40105503 do Processo 13502000216200317 Data 18/09/2006 Ementa PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Recurso especial provido. Por outro lado, o princípio da consunção já foi aplicado em outras decisões: Autoridade: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Fl. 11DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 Título: Acórdão nº 40105838 do Processo 13629000292200304 Data: 15/04/2008 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado. Apesar de a CSRF já ter admitido a aplicação do princípio da consunção no direito tributário, observamos que tal permissivo se deu em situações que se assemelham às situações de idêntica base de cálculo : multa de ofício e multa por não recolhimento de estimativa. Não temos ainda neste colegiado uma discussão amadurecida sobre tal aplicação quando as bases de cálculo são diferentes e as condutas, embora cometidas no mesmo íter infracional, estejam individualmente previstas na lei. Não há, portanto, um precedente administrativo que se amolde perfeitamente ao caso em análise. Em adição, entendo que o art. 136 do CTN é obstáculo instransponível para a pretensão do Relator na medida em que define que a responsabilidade por infrações independe “da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Parecenos que o dispositivo citado impõe a conclusão de que se a extensão dos efeitos do ato infracional causa a imposição de mais uma penalidade isso em nada afeta a responsabilização do agente infrator em mais de uma penalidade. Pelo exposto, a despeito da substanciosa argumentação do Relator, votamos em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 12DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.002944/200883 Acórdão n.º 230102.593 S2C3T1 Fl. 78 13 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 13896.912282/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO LASTREADO EM SALDO CREDOR DECORRENTE DE LEGÍTIMA RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS EM DCTF. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA.
A tempestiva retificação de DCTF, observadas as demais condições exigidas pela Receita Federal, dá à mesma idêntica natureza da declaração original, substituindo-a integralmente. Assim, deverá ser reapreciado o pedido de compensação indeferido por ter se alicerçado em informações declaradas erroneamente na DCTF original, uma vez comprovado que a retificação da declaração ocorreu antes da ciência do despacho decisório não homologatório da compensação tributária pleiteada, e ainda, estando demonstrado nos autos o erro de fato perpetrado pelo sujeito passivo.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO LASTREADO EM SALDO CREDOR DECORRENTE DE LEGÍTIMA RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS EM DCTF. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA. A tempestiva retificação de DCTF, observadas as demais condições exigidas pela Receita Federal, dá à mesma idêntica natureza da declaração original, substituindo-a integralmente. Assim, deverá ser reapreciado o pedido de compensação indeferido por ter se alicerçado em informações declaradas erroneamente na DCTF original, uma vez comprovado que a retificação da declaração ocorreu antes da ciência do despacho decisório não homologatório da compensação tributária pleiteada, e ainda, estando demonstrado nos autos o erro de fato perpetrado pelo sujeito passivo. Recurso ao qual se dá provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO LASTREADO EM SALDO CREDOR DECORRENTE DE LEGÍTIMA RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS EM DCTF. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA. A tempestiva retificação de DCTF, observadas as demais condições exigidas pela Receita Federal, dá à mesma idêntica natureza da declaração original, substituindoa integralmente. Assim, deverá ser reapreciado o pedido de compensação indeferido por ter se alicerçado em informações declaradas erroneamente na DCTF original, uma vez comprovado que a retificação da declaração ocorreu antes da ciência do despacho decisório não homologatório da compensação tributária pleiteada, e ainda, estando demonstrado nos autos o erro de fato perpetrado pelo sujeito passivo. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 22 82 /2 00 9- 41 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Campinas (fls. 29/35), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente contra a não homologação de compensação de supostos créditos do PIS, de competência do mês de abril de 2008, no valor de R$ 172.440,52. O saldo devedor decorrente da não homologação da compensação é de R$ 1.093,76 (valor principal). Segundo o despacho decisório eletrônico não homologatório da compensação, o DARF informado pela recorrente na DCOMP já se encontrava vinculado a outros débitos, razão pela qual não restou crédito disponível para a compensação vislumbrada pela interessada. Inconformada, a reclamante apresentou manifestação de inconformidade onde alegou o cometimento de equívoco nas informações prestadas em DCTF, tendo procedido, posteriormente, à sua retificação, antes da ciência do despacho decisório. A primeira instância de julgamento reconheceu que a DCTF retificadora do primeiro semestre de 2008 foi apresentada antes da ciência do despacho decisório (data da emissão do despacho decisório: 07/10/2009; data da ciência do despacho decisório: 20/10/2009; retificação da DCTF: 15/10/2009). Contudo, o pleito foi indeferido pelo fato de a retificação haver sido realizada depois da compensação efetuado pela interessada, e ainda, em vista da não comprovação da liquidez e certeza dos créditos alegados. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 04/06/2012 (fls. 40). Inconformada, a autuada apresentou, em 29/06/2012, o recurso voluntário de fls. 42/50, onde alega que realmente incorrera em erro quando do preenchimento da declaração original, apresentando, a título de comprovação, dentre outros documentos, cópia do Livro Razão de janeiro/2007 a maio/2012, planilha de apuração do PIS e Livro Diário. Diante do exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a primeira instância de julgamento reconheceu que a DCTF retificadora do primeiro semestre de 2008 foi apresentada antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação formalizada pela reclamante. De fato, enquanto a retificação da DCTF ocorreu em 15/10/2009, a ciência do referido despacho só se deu em 20/10/2009. Irrelevante que o despacho decisório tenha sido emitido antes da apresentação da declaração retificadora. À época dos fatos vigorava a IN RFB no 903, de 30/12/2008, onde está consignado que a DCTF retificadora tem a “[...] mesma natureza da declaração Fl. 151DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13896.912282/200941 Acórdão n.º 3802001.712 S3TE02 Fl. 151 3 originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”(ver artigo 11, § 1º). A retificação automática somente não produziria efeitos nos casos em que os saldos a pagar ou os valores apurados em procedimentos de auditoria interna já tivessem sido enviados à PGFN para inscrição em dívida ativa, ou ainda, acaso a pessoa jurídica já tivesse sido intimada de início de procedimento fiscal. Reproduzo, abaixo, o mencionado artigo 11 da IN RFB no 903, de 2008, onde estão destacados os dispositivos relevantes para a solução da lide: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao ano calendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do ano calendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: Fl. 152DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Portanto, diante dos fatos retratados nos autos, quando da apresentação da DCTF retificadora não havia nenhum vedação na norma tributária que impedisse fosse referida retificação regularmente acatada e processada pela Administração Tributária. Não fosse só isso, a recorrente apresenta documentos que demonstram haver incorrido em erro de fato quando do preenchimento da DCTF original. Segundo a recorrente, o valor correto do PIS no mês de abril de 2008 é de R$ 44.322,47; no entanto, equivocadamente, para o mesmo período, declarou inicialmente que devia o montante de R$ 221.054,89, de sorte que teria em seu favor um direito creditório de R$ 176.732,42, já que recolhera a importância erroneamente declarada. De fato, de acordo com as folhas dos Livros Razão e Diário da conta “provisão para PIS”, referentes ao mês de abril de 2008, a quantia provisionada corresponde, de fato, à declarada pela interessada na DCTF retificadora, ou seja, R$ 44.322,47 (v. fls. 127 e 136), valor o qual corresponde ao demonstrado na planilha “Apuração dos Impostos 2008 – Lucro Presumido” (fls. 132). Diante do exposto, e considerando que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência da interessada da não homologação das compensações pleiteadas, e ainda, que os documentos acostados aos autos comprovam a retificação do PIS implementada na DCTF retificadora do primeiro semestre de 2008 (mês de abril), há que se acatar a alteração do débito vislumbrada pela recorrente e implementar as compensações requeridas até o exaurimento do crédito decorrente do pagamento a maior frente ao débito retificado. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada, reconhecendo a legitimidade da retificação do débito do PIS implementada na DCTF do primeiro semestre de 2008, devendo ser operacionalizada a compensação desejada, nos termos acima tratados. Sala de Sessões, em 20 de março de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13896.912282/200941 Acórdão n.º 3802001.712 S3TE02 Fl. 152 5 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10980.017717/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 MULTA POR ATRASO. DCTF. EXCLUSÃO SIMPLES. CONTINÊNCIA. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF em decorrência da exclusão do regime de tributação Simples (Federal) devem aguardar a sorte do principal que julga a própria exclusão, por continência. MULTA POR ATRASO. DCTF. CONEXÃO. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF, só diversificados em relação ao período, devem ser julgados concomitantemente, quando não possível a sua reunião em um só, por conexos.
Numero da decisão: 1801-001.092
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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DCTF. EXCLUSÃO SIMPLES. CONTINÊNCIA. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF em decorrência da exclusão do regime de tributação Simples (Federal) devem aguardar a sorte do principal que julga a própria exclusão, por continência. MULTA POR ATRASO. DCTF. CONEXÃO. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF, só diversificados em relação ao período, devem ser julgados concomitantemente, quando não possível a sua reunião em um só, por conexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa foi excluída do Simples Federal por Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 439.172, emitido em 07/08/2003, cujos efeitos retroagiram a 01/01/2002, com fulcro nos artigos 9º, XIII, c/c 14, I e 15, II, todos da Lei nº 9.317/96, sob o motivo de prestar serviços de decoração de anteriores – fls. 32. O referido ADE é objeto de litígio formalizado no processo administrativo fiscal nº 10980.003919/200454 (consulta viabilizada pelo sistema e processo). A exclusão da empresa do regime de tributação diferenciado, favorecido e simplificado – SIMPLES, com os efeitos retroativos, ensejou a emissão do Auto de Infração de fls. 18, objeto dos presentes autos, para exigir multa pela falta de entrega de DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, no valor de R$ 500,00, relativa ao 1º trimestre de 2003, bem como a emissão de outros 09 (nove) Autos de Infração, para exigência da mesma penalidade, porém relacionadas a períodos diferentes, formalizados nos processos administrativos de nºs 10980.017716/200879, 17718/200868, 17720/200837, 17722/2008 26, 17725/200860, 17727/200859, 17729/200848, 17731/200817 e 17733/200814, todos emitidos em mesma data – 30/10/2008. A impugnação apresentada às fls. 01 a 09 foi julgada em desfavor à empresa pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, Acórdão nº 0630.387/11, fls. 35 a 38, cuja ementa se transcreve a seguir: NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO.OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do Simples são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando a contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A pessoa jurídica que, obrigada à entrega da DCTF. a apresenta fora do prazo legal, está sujeita à multa estabelecida na legislação de regência. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. INFRAÇÃO REITERADA. ANALOGIA INDEVIDA COM CRIME CONTINUADO DO DIREITO PENAL A prática de infrações reiteradas (entrega intempestiva de DCTF) pela contribuinte não se aplica a analogia com o crime continuado, instituto do Direito Penal. Irresignada, tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 42 e ss, argumentando, em síntese, que: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.017717/200813 Acórdão n.º 180101.092 S1TE01 Fl. 69 3 a) preliminarmente, não entregou as DCTF porque foi excluída de ofício do Simples, matéria que está sendo discutida no processo administrativo nº 10980.003919/2004 54; b) mesmo com o desenquadramento, entende que os seus efeitos só podem surtir após a decisão definitiva, razão pela qual continua a preencher DIPJ no regime do Simples; c) procedeu a entrega das DCTF porque não conseguia obter Certidão Negativa de Débitos (CND), mas entende que as multas não seriam geradas em vista da exclusão estar sendo ainda debatida; d) pleiteia a não obrigatoriedade da entrega das referidas DCTF e, em caso de indeferimento, a reunião dos procedimentos e adequação do valor da multa aplicada, pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; e) defende a conexão dos processos, ou o sobrestamento do julgamento da presente lide; f) e cita ementas de julgados administrativos e judiciais (STJ) que corroboram o seu entendimento de que não presta serviços – decoração de interiores – vinculados à atividade vedada para permanecer no Simples – arquiteto. Passa a discorrer: em preliminar, sobre a dependência entre os processos que impõe a sua conexão; no mérito, entre outras argumentações, que a infração cometida foi única, devendo gerar uma só penalidade; neste exato sentido, ainda em que se tratando de multa por atraso na entrega de DCTF, o Superior Tribunal de Justiça deliberou no REsp nº 601.351, DJ de 20/09/2004. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Ao analisar os autos impõemse decidir sobre matéria prejudicial instada pela recorrente, de natureza processual. A despeito da turma julgadora a quo defender que a Portaria RFB nº 666/08 nas hipóteses que descreve não engloba a situação em questão, divirjo do entendimento esposado. O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não tratou da conexão ou da continência processual, pelo que o Código de Processo Civil deve ser invocado de forma subsidiária. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Assim dispõem os artigos que disciplinam a matéria: Código de Processo Civil CPC Art. 102. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificarse pela conexão ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente [...] .Art. 108. A ação acessória será proposta perante o juiz competente para a ação principal. Os presentes autos versam sobre a exigência de penalidade pelo atraso/falta de entrega de DCTF. Assim como a recorrente, concluo que, apesar de se tratar de períodos diversos, as partes são as mesmas e a causa de pedir – desobrigatoriedade na entrega das referidas enquanto não se decidir a questão de exclusão do Simples – lato sensu, da mesma forma é a mesma. Não podemos falar em fato gerador, pois este é pertinente à obrigação principal de pagar os tributos e não concerne às obrigações acessórias. No caso, o fato jurídico que ensejou a exigência da penalidade e as contestações da recorrente contra as autuações são exatamente as mesmas. Destarte, há que reconhecerse, ex officio, a conexão instaurada no que respeita aos processos de exigência de penalidade, nos termos do artigo 103 do CPC. Em relação à arguição de conexão deste processo ao processo administrativo nº 10980.003919/200454, é flagrante a decorrência existente. As multas ora exigidas nos demais processos, conexos, somente existem em razão da exclusão da recorrente do regime do Simples, matéria ainda sob discussão no âmbito administrativo. Todavia, tratase de continência e não conexão (art. 104 do CPC). A continência se estabelece quando é necessária a reunião de processos para não haver decisões isoladas e conflitantes. Portanto, ainda assim, estes processos devem ser julgados em concomitância àquele, ou pelo menos pela mesma turma julgadora administrativa. As discussões secundárias devem seguir à principal (mutatis mutante – art. 108 do CPC). Oportuno deixar claro à recorrente que as autuações para exigência das referidas penalidades não são dependentes do resultado final do processo de exclusão do Simples, por conta dos atributos, peculiares, do ato administrativo, no caso ADE de exclusão, que permitem a sua imediata vigência e efeitos: presunção de legitimidade, auto executoriedade e imperatividade. Se assim não fosse, em muitos casos, a ação do Estado fiscalização seria alcançada pela decadência. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.017717/200813 Acórdão n.º 180101.092 S1TE01 Fl. 70 5 Embora as autuações para serem realizadas não estejam vinculadas à decisão transitada em julgado, ainda que administrativamente, os deslindes destes litígios dependem necessariamente da decisão final sobre a recorrente ser ou não excluída do Simples. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Portaria nº 666/08 orientando no sentido da reunião dos processos: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: [...] f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluída pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) [...] III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; [...] (grifos não pertencem ao original) Indiscutível o cabimento da Portaria e a juntada dos processos no caso de exclusão do Simples e demais processos que vinculem créditos tributários – ainda que oriundos de exigência de penalidade. Em consulta ao sistema eprocesso, nesta data, verifico que o processo administrativo fiscal nº 10980.003919/200454 encontrase distribuído para relato, para o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, atuando na 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção deste órgão colegiado. Dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao Fl. 72DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos não pertencem ao original) Destarte, pelo exposto, acolho a prejudicial suscitada pela recorrente e decido pela remessa do presente processo para a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção/CARF, para o fim de ser julgado concomitantemente aos processos a seguir relacionados: 10980.017716/200879 AI – Multa DCTF – 2º trim/03 fls. 18 10980.017718/200868 AI – Multa DCTF – 3º trim/03 fls. 18 10980.017720/200837 AI – Multa DCTF – 4º trim/03 fls. 18 10980.017722/200826 AI – Multa DCTF – 1º trim/04 fls. 18 10980.017725/200860 AI – Multa DCTF – 2º trim/04 fls. 18 10980.017727/200859 AI – Multa DCTF – 3º trim/04 fls. 18 10980.017729/200848 AI – Multa DCTF – 4º trim/04 fls. 18 10980.017731/200817 AI – Multa DCTF – 1º sem/05 fls. 18 10980.017733/200814 AI – Multa DCTF – 2º sem/05 fls. 18 Voto pelo provimento parcial do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 73DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10675.002834/2006-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 Ementa:. SIMPLES EXCLUSÃO. O exercício de atividade impeditiva, curso de idiomas, implica na exclusão do SIMPLES.
Numero da decisão: 1103-000.740
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento, por unanimidade.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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SIMPLES EXCLUSÃO. O exercício de atividade impeditiva, curso de idiomas, implica na exclusão do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento, por unanimidade. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Nara Cristina Takeda Taga, Eduardo Martins Neiva, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de RECURSO VOLUNTÁRIO apresentada pela contribuinte acima identificada, contra o acórdão n.º 0921.712, que indeferiu a manifestação de inconformidade, Fl. 55DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 que se insurgia contra a exclusão do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições SIMPLES, efetuada através do ato declaratório de fl. 08 (29 de agosto de 2006), motivada pelo exercício de atividade vedada – Prestação de serviços ligado a curso de idioma. A contribuinte apresentou impugnação, alegando, às fls. 01/03, que: 1. sua atividade não se enquadra como exercício de profissão regulamentada; 2. as empresas de idioma se caracterizam como entidades culturais e não como escolas de educação forma regular. Não é exigido de seus monitores formação técnica ou pedagógica específica, muito menos diploma de professor; 3. as creches, as préescolas e os estabelecimentos de ensino fundamenta, em situação análoga à escolas de idioma, tiveram a sua diferenciação reconhecida e o enquadramento no Simples aceito ainda no ano 2000, conforme IN SRF nº 115/2000; finalmente, qualquer dúvida a esse respeito foi dirimida pela Solução de Divergência 14/2003, definindo que a atividade desenvolvida em cursos de idioma não se trata de profissão regulamentada. O acórdão atacado assim decidiu (ementa): “EXCLUSÃO. SIMPLES. O exercício de atividade impeditiva implica na exclusão do Simples.” Em sede de recurso a contribuinte alega (resumo): Que sua atividade não se enquadra como exercício de profissão regulamentada; Que a vedação a escolas de língua estrangeiras não mais se encontra na Lei complementar 123/2006, assim pede a retroatividade benigna de acordo com o art. 106 inciso II, da Lei n.º 5.172/1666; Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Do acórdão atacado transcrevo: Fl. 56DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10675.002834/200674 Acórdão n.º 110300.740 S1C1T3 Fl. 2 3 “Na representação de fls. 11/13, através da análise da folha de pagamento da empresa, das fichas de registro de empregados, constatouse que a empresa tinha como objeto a prestação de serviço ligado a curso de idioma. Os serviços referidos no art. 9o, inc. XIII, da Lei no 9.317/1996, impõem às pessoas jurídicas que os prestem a apuração e pagamento dos tributos segundo as normas tradicionais (isto é, elas não podem optar pelo Simples), independentemente de se enquadrarem nas categorias de microempresa e empresa de pequeno porte, definidas pelo art. 2oda Lei no 9.317/1996. Só é possível o cumprimento da atividade de ensino de idiomas, sem dúvida, com a utilização de professores que possam ministrar o ensino dos cursos ofertados, tirandolhe, desta forma, o respaldo legal para exercer opção pelo SIMPLES, conforme disposto no artigo 9º, inciso XIII, da Lei 9.317/96, ou seja: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de (...), professor, (...), ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida..(grifei) As fichas de fl. 32/33 comprovam a contratação de instrutores de Inglês pela contribuinte. Importa esclarecer que não podem exercer opção pelo Simples aqueles que prestem serviços de professor, ou seja, não há necessidade de que o prestador de serviços seja professor ou possua curso profissionalizante específico, basta que desempenhe atividades típicas dessa profissão. A legislação é clara. O serviço profissional prestado pela reclamante encontrase literalmente transcrito nas disposições legais excludentes do regime simplificado de tributação, não havendo distinção quanto à forma como esses serviços são prestados. A Lei nº 10.034 de 24/10/2000, determina que: Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, pré escolas e estabelecimentos de ensino fundamental. Está claro que as pessoas jurídicas dedicadas a atividades de ensino não abrangidas expressamente pelo citado dispositivo legal, continuam inclusas na restrição de que trata o inciso XIII do artigo 9º da Lei 9.317/1996. Portanto, o disposto na IN SRF 115/2000 não alcança os cursos de idioma.” Assim, resta claro que a atividade da recorrente é de ensino, atividade vedada para o ano de 2004. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Quanto a legação de que na Lei complementar 123/2006 Simples Nacional não há mais vedação, e por isso deveria se aplicar a retroatividade benigna de acordo com o art. 106 inciso II, da Lei n.º 5.172/1666. Lembro a recorrente que a retroatividade benigna se aplica a penalidade, e no caso, vedação ao sistema não se trata de penalidade, mas sim, opção legislativa. Por tudo isso, não reparos a fazer no acórdão guerreado. Em face do exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 09 de agosto de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 58DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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