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Numero do processo: 10835.720022/2005-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998 NULIDADE. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. Existindo fundamentação suficiente no acórdão de primeira instância a dar suporte à decisão do colegiado, rejeita-se a alegação de nulidade. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratando-se de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte transmitido a declaração de compensação antes de 09 de junho de 2005, aplica-se o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que restou decidido pelo STF, sob o regime do art. 543-A do CPC, no RE nº 566.621. PIS. ADIN Nº 1.417-0. EFEITOS DA DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Em face da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.417-0, as disposições da Medida Provisória nº 1.212, de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei nº 9.715, de 1998, aplicam-se aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. IN SRF Nº 6/2000. Em face do restou decido na ADIN nº 1.417-0, é cabível a restituição da diferença entre o que foi recolhido com base na Medida Provisória nº 1.212/95 e o que seria devido com base na Lei Complementar nº 7/70, em relação aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE.
A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7, de
1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.583
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, afastar a prescrição e, no mérito, reconhecer o direito de o contribuinte reaver a diferença entre o que recolheu a título de PIS com base na Medida Provisória nº 1.212/95 e valor que seria devido com base na LC nº 7/70, observado o critério da semestralidade da base de cálculo nos termos da Súmula CARF nº 15.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. Existindo fundamentação suficiente no acórdão de primeira instância a dar suporte à decisão do colegiado, rejeitase a alegação de nulidade. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte transmitido a declaração de compensação antes de 09 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que restou decidido pelo STF, sob o regime do art. 543A do CPC, no RE nº 566.621. PIS. ADIN Nº 1.4170. EFEITOS DA DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Em face da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.4170, as disposições da Medida Provisória nº 1.212, de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei nº 9.715, de 1998, aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. IN SRF Nº 6/2000. Em face do restou decido na ADIN nº 1.4170, é cabível a restituição da diferença entre o que foi recolhido com base na Medida Provisória nº 1.212/95 e o que seria devido com base na Lei Complementar nº 7/70, em relação aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, afastar a prescrição e, no mérito, reconhecer o direito de o contribuinte reaver a diferença entre o que recolheu a título de PIS com base na Medida Provisória nº 1.212/95 e valor que seria devido com base na LC nº 7/70, observado o critério da semestralidade da base de cálculo nos termos da Súmula CARF nº 15. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por bem descrever os fatos adoto e transcrevo o relatório do acórdão de primeira instância: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório, em que foram apreciadas as Declarações de Compensação nº 07480.49776.181004.1.3.578168 (PER/Dcomp), 09332.08608.111104.1.3.571208 (Dcomp), 33009.15600.141204.1.3.579479 (Dcomp), 40810.58432.130105.1.3.57 6865 (Dcomp) e 30766.71726.140205.1.3.578022 (Dcomp), de fls. 02/21, transmitidas em 16/04/2004, 10/11/2004, 11/08/2004 e 14/02/2005, respectivamente, por intermédio das quais a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos da contribuição para o PIS, oriundos de ação judicial, relativa à ADIN nº 1.4170, que teria transitado em julgado, em 04/04/2001, perante o Supremo Tribunal Federal (fls. 03, 07, 11, 14 e 19). A análise da liquidez e certeza dos créditos utilizados na Dcomp, bem como a sua suficiência para a extinção dos débitos nela declarados, foi efetuada pela DRF em Presidente Prudente no Despacho Decisório de fls. 24/26, de 17/03/2005, através do qual a autoridade competente não reconheceu o direito creditório e, por conseguinte, não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados, sob o fundamento de que a inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em relação à MP n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, se restringiu à irretroatividade determinada para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro daquele ano, julgando válida sua vigência depois de cumprida a carência nonagesimal, ou seja, para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de março de 1996, consoante, inclusive, a Instrução Normativa SRF nº 6, de 19/01/2000. Portanto, eventuais valores que a contribuinte pretendia ver restituídos, relativamente ao período de 01/10/1995 a 29/02/1996, já foram alcançados pela decadência, uma vez que transcorridos mais de cinco anos da transmissão da presente PER/Dcomp. Cientificada do Despacho Decisório em 24/03/2005 (fl. 28), a contribuinte ingressou, em 12/04/2005, com a manifestação de inconformidade de fls. 29/64, na Fl. 160DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10835.720022/200543 Acórdão n.º 3403001.583 S3C4T3 Fl. 2 3 qual alega, em síntese, que: a) a decisão em ação direta de inconstitucionalidade da lei ou ato normativo federal ou estadual, proposta através de controle concentrado, tem efeito retroativo "ex tune" e "erga omnes"; b) a decisão administrativa colide diretamente com a Carta Constitucional; c) a nova redação dada ao texto da Lei n° 9.715, de 25/11/1998, jamais poderia ser estendida a épocas pretéritas como quer a autoridade administrativa; d) a retroatividade do PIS/PASEP à 01/10/1995, prevista no artigo 18 da Lei n° 9.715/98, foi considerada inconstitucional na ação direta de inconstitucionalidade — ADIN 1.4170; e) inexistente o fato gerador no período considerado inconstitucional de 01/10/1995 até a publicação da Lei n° 9.715, em 25/11/1998; f) o STF já decidiu que uma lei inconstitucional não possui nenhum valor jurídico desde o momento em que pretendeu produzir efeitos contrários aos princípios e normas encartados na Constituição Federal; g) o Decreto n° 2.346/97 veda a aplicação de lei considerada inconstitucional; h) tendo em vista a Instrução Normativa SRF n° 06, de 19/01/2000, fica vedada a constituição de crédito do PIS/PASEP no período compreendido entre 01/10/1995 a 29/02/1996, devendo os contribuintes serem restituídos dos valores pagos indevidamente nesse período, conforme disposto no inciso I do artigo 2° da IN/SRF n° 210/2002; i) houve ineficácia das reedições das medidas provisórias que trataram da cobrança do PIS, a partir da MP n° 1.212/95 até a edição da Lei n° 9.715/98, de modo que no período de outubro de 1995 a outubro de 1998 são indevidos os valores recolhidos a titulo de PIS por total ausência de lei; j) a Lei Complementar n° 7/70 foi revogada pela MP n° 1.212/95; k) relativamente à contagem do prazo qüinqüenal de decadência, afirma que em se tratando de repetição de indébitos de tributos e contribuições declarados inconstitucionais, contase o prazo decadencial a partir do trânsito em julgado da sentença definitiva que declarou a inconstitucionalidade, e no caso sob exame, da IN SRF n° 06, de 19/01/2000; l) há decisões também que fixam como prazo inicial para a restituição do valor de tributo pago indevidamente a data da publicação da Resolução do Senado Federal, que retira do ordenamento jurídico a norma declarada inconstitucional; m) em consonância com a jurisprudência do STJ, em se tratando de recolhimentos antecipados a qualquer atividade fiscal, devem eles ter como marco inicial a homologação do lançamento por parte do sujeito ativo ou, se esta não ocorrer, da homologação tácita, neste caso fixado pelo Código Tributário Nacional no quinto ano posterior ao fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4°); n) a Lei Complementar n° 118/2005 é inconstitucional e, ainda se não bastasse , a declaração de compensação foi transmitida antes de sua entrada em vigor; o) alega que o dispositivo da Medida Provisória n.° 232/2004, que estabeleceu o julgamento dos processos de compensação em instância única, é inaplicável. Ao final, requer que seja acolhido o presente recurso e homologada a declaração de compensação objeto deste para os devidos fins de direito.” Por meio do Acórdão nº 18.882, de 07/03/2008, a 5ª Turma da DRJ em Ribeirão PretoSP, indeferiu a manifestação de inconformidade do contribuinte. O julgado recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998 PIS. MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.212, DE 1995 E LEI N° 9.715, DE 1998. ADIN N° 1.4170. EFEITOS DA DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Em face da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.4170, as disposições da Medida Provisória n° 1.212, de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715, de 1998, aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 10 de março de 1996. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 18/10/1999, 15/10/2004 a 14/02/2005 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados a partir da data de efetivação do suposto indébito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de declaração de compensação (Dcomp), está condicionada à comprovação de certeza e liquidez dos alegados indébitos. Solicitação indeferida.” Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 15/05/2008 (fl. 98), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 99/145 em 27/05/2008, onde reprisou as alegações de primeira instância e acrescentou o seguinte: 1) inexigibilidade do arrolamento de bens como condição de procedibilidade do recurso voluntário; 2) nulidade do acórdão de primeira instância por falta de apreciação de argumentos da impugnação; 3) a delegacia de julgamento alegou que o contribuinte não apresentou prova do pagamento indevido, porém, para a entrega da declaração eletrônica de compensação não existe obrigatoriedade de apresentar as guias de recolhimento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. NNUULLIIDDAADDEE DDAA DDEECCIISSÃÃOO DDEE PPRRIIMMEEIIRRAA IINNSSTTÂÂNNCCIIAA Alegou o contribuinte como preliminar do recurso a nulidade do acórdão de primeira instância por cerceamento de defesa. Afirmou a defesa que a referida decisão não analisou as seguintes alegações: 1) sobre os efeitos da IN SRF nº 6/2000; 2) sobre a aplicabilidade do Decreto nº 2.346/97 ao caso concreto; 3) sobre o Parecer PGFN nº 437/98; 4) sobre o art. 77 da Lei nº 9.430/96, que autorizou o Poder Executivo a disciplinar a não aplicação de lei tributária que tenha sido considerada inconstitucional pelo STF; e 5) sobre os efeitos da Resolução do Senado nº 10/2005. A leitura do inteiro teor do voto condutor daquela decisão conduz à conclusão de que a turma de julgamento a quo admitiu os efeitos da declaração de inconstitucionalidade proferida na ADIn nº 1.417, mas apenas para o período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, com base na Instrução Normativa nº 6/2000, que tem por fundamento de validade imediato o Decreto nº 2.346/97 e mediato o art. 77 da Lei nº 9.430/96. Contudo, mesmo em relação a esse período, os julgadores entenderam que o direito à restituição estava caduco, com base no Ato Declaratório nº 96/99 e no disposto nos arts. 3º e 4º da LC nº 118/05. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10835.720022/200543 Acórdão n.º 3403001.583 S3C4T3 Fl. 3 5 Portanto, é evidente que não ocorreram as omissões alegadas. A fundamentação não teve o grau de detalhamento almejado pela recorrente, mas os dispositivos legais citados pela defesa foram considerados pela decisão recorrida. Porém, a aplicação da decisão da ADIN nº 1.4170, ficou restrita ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. É pacífico entendimento segundo o qual o julgador não está obrigado a decidir a lide da forma como foi colocada pelas partes e nem é obrigado a rebater ponto a ponto todas as teses da defesa, conforme já decidiu o STJ nos acórdãos cujas ementas transcrevese a seguir: “REsp 361026 / PI ; RECURSO ESPECIAL 2001/01380451 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/02/2006 Data da Publicação/Fonte DJ 20.02.2006 p. 261 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CSSL. COMPENSAÇÃO DE RESULTADOS NEGATIVOS ANTERIORES A 1992 IMPOSSIBILIDADE LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 90/92. 1. Ao Juiz cabe apreciar a lide de acordo com o seu livre convencimento, não estando obrigado a analisar todos os pontos suscitados pelas partes nem a rebater, um a um, todos os argumentos levantados nas razões ou nas contrarazões de recurso. Ausência de violação ao art. 535 do Código de Processo Civil. 2. "No STJ é firme o posicionamento no sentido de que não é possível ao contribuinte proceder à compensação de prejuízos anteriores ao exercício de 1992, inexistindo qualquer ilegalidade nas IN's 198/88 e 90/92 SRF" REsp 605.593/DF, Rel. Eliana Calmon, DJU 02.05.05 ). Súmula 83/STJ. 3. Recurso especial improvido. REsp 677585 / RS ; RECURSO ESPECIAL 2004/01268898 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 06/12/2005 Data da Publicação/Fonte DJ 13.02.2006 p. 679 RECURSO ESPECIAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA ANTECIPADA. TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS. "CEGONHEIROS". INDÍCIOS DE ABUSO DE PODER ECONÔMICO E FORMAÇÃO DE CARTÉIS. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre o referido vício in procedendo posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. (....)” Inexistindo a obrigatoriedade do julgador enfrentar um a um todos os pontos do recurso, é óbvio que ele não é obrigado a elaborar um texto com a análise dogmática de cada um dos dispositivos legais e atos normativos citados pela defesa. Constatandose no acórdão recorrido que existe fundamentação no sentido de que o direito pleiteado poderia ser reconhecido, em parte, com base na IN SRF nº 6/2000, caso não tivesse perecido em razão da decadência, não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. Preliminar de nulidade rejeitada. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 PPRREESSCCRRIIÇÇÃÃOO Relativamente ao prazo de que dispõem os contribuintes para o manejo do pedido de restituição, a questão trilhou um caminho tortuoso tanto no Judiciário quanto na esfera administrativa. Atualmente esta questão está pacificada em razão do advento do art. 62 A do RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e a evolução jurisprudencial que culminou na declaração de inconstitucionalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, sob o regime do art. 543A do CPC. Em pesquisa efetuada na página de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, verificase que a questão da eficácia retroativa da Lei Complementar nº 118/2005 foi decidia pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática do art. 543A do CPC no Recurso Extraordinário nº 566.621. Desse modo, à luz do que determina o art. 62A do RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543A do CPC, Recurso Extraordinário nº 566.621, verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO (SIC) LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado desta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10835.720022/200543 Acórdão n.º 3403001.583 S3C4T3 Fl. 4 7 Inaplicabilidade do art. 2028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Recurso extraordinário desprovido.” Diante desta decisão do STF, extraída da página de jurisprudência do Tribunal e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. No caso dos autos, tendo o pedido de restituição sido transmitido em 18/10/2004 (fl. 02), o prazo de prescrição é de dez anos, contados do fato gerador do tributo, estando prescritos apenas os pagamentos da contribuição efetuados em relação aos fatos geradores ocorridos até a competência setembro de 1994. Portanto, na data em que foram transmitidos o pedido de restituição e a declaração de compensação de fl. 02 não havia ocorrido a prescrição do indébito pleiteado nos autos. MMÉÉRRIITTOO No mérito, a leitura do recurso revela que recorrente pleiteia o crédito integral pelo saldo de pagamentos efetuados entre a publicação da Medida Provisória nº 1.212/95 e a publicação da Lei nº 9.715/98. Em suma, a recorrente entende que a decisão proferida na ADIN nº 1.417 e a Resolução do Senado nº 10/2005 invalidaram a Medida Provisória nº 1.212/95 e todas as suas reedições, até o advento da Lei nº 9.715/98. Assim, se todas as medidas provisórias foram nulas no período em questão, não haveria lei estabelecendo hipótese de incidência do PIS que a obrigasse a efetuar os recolhimentos no período compreendido entre a publicação da MP nº 1.212/95 e a publicação da Lei nº 9.715/98. O argumento da recorrente é contraditório, pois para a sustentar a inexistência de lei a estabelecer a hipótese de incidência do PIS entre outubro de 1995 e outubro de 1998, foi necessário estabelecer como premissa a nulidade da MP nº 1.212/95 e suas reedições, tal como fez a recorrente na fl. 121 de seu recurso. Porém, se a lei declarada inconstitucional é nula, então a recorrente não tem como sustentar a inexistência de lei estabelecendo a hipótese de incidência do PIS no período em questão, pois as Medidas Provisórias inconstitucionais, por serem nulas, não tiveram força para revogar a Lei Complementar nº 7/70, que continuou vigorando sem solução de continuidade no período em questão. Assim, não é preciso muito esforço exegético para verificar a inconsistência da argumentação da recorrente e a consequente improcedência do seu pleito. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Na verdade, a recorrente, embora ciente de que apenas o art. 15 da MP nº 1.212/95 foi declarado inconstitucional, montou uma argumentação que implicitamente considera toda a medida provisória inconstitucional, fato que não corresponde à realidade. E ainda, considera que medida provisória inconstitucional, e, portanto, nula, teve força para revogar a Lei Complementar nº 7/70, o que é um absurdo. O objeto da declaração de inconstitucionalidade, tanto na ADIN nº 1.417, quanto no RE nº 232.8963, que culminou na Resolução nº 10/2005 do Senado, foi a aplicação da norma em momento anterior àquele em que adquiriu eficácia. Nesse período em que sua aplicação foi julgada inconstitucional, permaneceu hígida eficácia da Lei Complementar nº 7/70. Desse modo, suprimida a aplicação retroativa da MP nº 1.212/95, a norma passou a ter eficácia 90 dias após a sua publicação. Assim, legítima a cobrança do PIS com base na Medida Provisória nº 1.212 e reedições a partir de março de 1996 até outubro de 1998, quando foi sucedida pela Lei nº 9.715/98. É evidente que os fatos geradores do PIS ocorridos sob a égide da MP nº 1.212/95 e sucessivas reedições foram regidos por essas normas, exceto quanto ao período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, que permaneceu regido pela Lei Complementar nº 7/70. A alegação da recorrente no sentido de que existe um vácuo legislativo entre outubro de 1995 e outubro de 1998 é improcedente, pois o próprio STF ao julgar o RE nº 232.896, citado pela recorrente, julgou no sentido de que o princípio da anterioridade nonagesimal se aplica à publicação da primeira medida provisória e que as medidas provisórias seguintes não têm solução de continuidade em suas eficácias se forem publicadas dentro do prazo de validade da medida provisória anterior. Tendo em vista que todas as reedições da MP nº 1.212/95 ocorreram dentro dos respectivos prazos de validade, entre março de 1996 e outubro de 1998 o regime jurídico do PIS neste período foi o estabelecido pela MP nº 1.212/95 e suas reedições, respeitadas as decisões do STF relativamente à inaplicabilidade aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, em relação aos quais aplicase a Lei Complementar nº 7/70. Desse modo, com base na argumentação acima expendida, o contribuinte tem direito de reaver a diferença entre o que pagou indevidamente a título de PIS com base na Medida Provisória nº 1.212/95 e o que deveria ter pago com base na LC nº 7/70 no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, como consta da IN SRF nº 6/2000. Na apuração do que deveria ter sido recolhido com base na Lei Complementar nº 7/70, a autoridade administrativa deverá observar o critério da semestralidade da base de cálculo, ou seja, o valor devido em outubro de 1995 deverá ser apurado com base no faturamento do mês de abril de 1995, sem correção monetária, e assim sucessivamente até a apuração do valor devido em fevereiro de 1996, que terá por base o faturamento de agosto de 1995, a teor da Súmula CARF nº 15. As diferenças que forem apuradas a favor do contribuinte deverão ser corrigidas pelos índices oficiais, ou seja, pela Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 8/97 até 31/12/1995 e pela taxa Selic a partir de 01/01/1996 (art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95). Relativamente à comprovação do indébito, é certo que o atual regime jurídico das compensações tributárias não exige que o contribuinte apresente os comprovantes de Fl. 166DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10835.720022/200543 Acórdão n.º 3403001.583 S3C4T3 Fl. 5 9 pagamento indevido e nem qualquer outro documento comprobatório do indébito no momento da transmissão da declaração de compensação. Entretanto, se a compensação é glosada e o contribuinte exerce o direito de defesa, também é certo que, em regra, é seu o ônus de comprovar o direito de crédito oposto contra a administração tributária (art. 16 do Decreto nº 70.235/72 c/c art. 36 da Lei nº 9.784/99). Embora o contribuinte não tenha trazido aos autos nem os comprovantes de recolhimento indevido e tampouco cópia dos livros demonstrando as bases de cálculo utilizadas nos recolhimentos, sem os quais não é possível aferir a liquidez do indébito, considero aplicável ao caso o art. 37 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os pagamentos efetuados poderiam ser buscados pela autoridade administrativa no sistema SINAL e as bases de cálculo poderiam ser extraídas das DIPJ apresentadas pelo contribuinte, caso esses documentos ainda estejam disponíveis nos sistemas da Receita Federal. Não se olvide que já se passaram cerca de 17 anos desde a ocorrência dos fatos geradores em relação aos quais se pleiteia a devolução e a Receita Federal só está obrigada a manter as informações pelo prazo de cinco anos. Assim, a autoridade administrativa tem ampla liberdade de optar pela utilização das informações das quais dispõe, se ainda estiverem disponíveis nos sistemas, ou pela intimação do interessado a comprovar os faturamentos dos meses de abril a agosto de 1995 e os comprovantes de pagamento relativos aos fatos geradores de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, afastar a prescrição e, no mérito, reconhecer o direito de o contribuinte reaver a diferença entre o que recolheu a título de PIS com base na Medida Provisória nº 1.212/95 e aquilo que seria devido com base na LC nº 7/70, observado o critério da semestralidade da base de cálculo nos termos da Súmula CARF nº 15. Este julgado decidiu apenas as questões de direito, ficando a aferição do indébito e a realização do encontro de contas com vistas à homologação das compensações a cargo da repartição da circunscrição fiscal do contribuinte. Antonio Carlos Atulim Fl. 167DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10235.002307/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2007
Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA. Tendo
o contribuinte logrado comprovar que os rendimentos considerados pela fiscalização como tendo sido omitidos foram recebidos e declarados em exercício anterior, afasta-se a imputação de omissão de rendimentos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.680
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA. Tendo o contribuinte logrado comprovar que os rendimentos considerados pela fiscalização como tendo sido omitidos foram recebidos e declarados em exercício anterior, afastase a imputação de omissão de rendimentos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório TOMAZ MACIEL AMANAJAS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBELÉM/PA (fls. 32) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 01/04, que alterou o resultado da Declaração de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – DIRPF, referente ao exercício de 2007, de imposto a restituir de R$ 8.519.94 para imposto a restituir de R$ 4.599,64. O lançamento decorre da revisão da DIRT/2007 na qual se apurou a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que não incorreu em omissão de rendimentos; que o valor declarado em 2007 é apenas uma parte do valor total conseguido na ação trabalhista; que parte do valor foi recebida em anos anteriores; que a autuação não considerou o desconto do valor já recebido. A DRJBELÉM/PA julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que o Contribuinte não apresentou elementos de prova que corroborassem sua alegação; que os documentos carreados aos autos não atestam que os fatos ocorreram conforme foi alegado. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 03/11/2010 (fls. 37) e, em 03/12/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 38/39, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações da impugnação, e junta novos elementos de prova. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da apuração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação judicial, processo nº 201 997/19904. O Contribuinte teria recebido R$ 45.565,33 e declarado apenas R$ 19.901,89. O Contribuinte em sua impugnação alega, todavia, que a diferença considerada rendimentos omitidos foi recebida como antecipação, em decorrência de acordo judicial, no ano de 2004, valor este que foi declarado, e que no ano de 2005 recebeu apenas a parcela restante. A DRJBELÉM/PA não acolheu a alegação por falta de provas. Pois bem, com o recurso o Contribuinte apresenta certidões da 1ª Vara do Trabalho de Macapá (fls. 41/46) que corroboram a afirmação do Contribuinte sobre o acordo e a antecipação do pagamento de parte do crédito. A referida certidão confirma, inclusive, que Fl. 72DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10235.002307/200819 Acórdão n.º 220101.680 S2C2T1 Fl. 2 3 não foi feita retenção do imposto na fonte no momento da antecipação. Verificase, ademais, que, como alegado, o Contribuinte declarou ter recebido a título de precatório relacionado à referida ação judicial o valor de R$ 29.120,81. Este elementos comprovam a alegação da defesa e, portanto, é forçoso concluir que os rendimentos considerados omitidos pela autuação foram recebidos no ano de 2004 e declarados naquela oportunidade. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10235.002307/200819 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.680. Brasília/DF, 20 de agosto de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 74DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900761/2006-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2003
PER/DCOMP. COFINS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-001.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório advindo do pagamento a maior da Cofins, período de apuração de maio/2003, no valor original de R$ 35,03, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2003 PER/DCOMP. COFINS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório advindo do pagamento a maior da Cofins, período de apuração de maio/2003, no valor original de R$ 35,03, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório advindo do pagamento a maior da Cofins, período de apuração de maio/2003, no valor original de R$ 35,03, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 07 61 /2 00 6- 17 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10825.900761/200617 Acórdão n.º 3801001.800 S3TE01 Fl. 200 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PERDCOMP) de fl. 01, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS. Por intermédio do' despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da .contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 11, na qual alega, em apertada síntese, que: a) informação incorreta dos dados na DCTF, a qual foi retificada, cópia em anexo; b) que os débitos foram efetivamente compensados e liquidados através de PER/DCOMP. A DRJ em Ribeirão Preto (SP), às fls. 129/132, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. 0 reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional'. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 139, no qual alega , na essência, que houve erro no preenchimento do PERDCOMP, pois na realidade pretendia compensar o valor de R$ 35,03, que seria decorrente de um pagamento a maior de COFINS, período de apuração de maio/2003, recolhido em 13/06/2003 no montante de R$ 4.498,97, quando o valor devido seria de R$ 4.463,94, gerando um crédito de R$ 35,03. Tal fato restaria configurado a partir da retificação da DCTF, apresentada após tomar ciência do Despacho Decisório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10825.900761/200617 Acórdão n.º 3801001.800 S3TE01 Fl. 201 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, referente ao mês de maio/2003, que teria sido pago a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 2° trimestre/03, em 12/05/2008. Compulsando os autos, para embasar seu direito, verificamos que a recorrente anexou à Manifestação de Inconformidade cópia dos DARFs, Cópia da DCTF do 2° trimestre de 2003, original e retificadora,. Segundo consta, houve um pagamento a maior de COFINS, período de apuração de maio/2003, recolhido em 13/06/2003, no montante de R$ 4.498,97, quando o valor devido seria de R$ 4.463,94, gerando um crédito de R$ 35,03. Este valor teria sido declarado na DCTF do 2° trimestre de 2003, transmitida em 12/05/2008, conforme consta à fl. 50. Tal informação é ainda corroborada pela DIPJ 2004, transmitida em 16/06/2004, conforme consta na Ficha 26A, com cópia à fl. 154. No entanto, o contribuinte ao preencher o PERDCOMP cometeu erros no preenchimento das fichas "Crédito Pagamento Indevido ou a Maior", na qual informou como crédito o valor de R$ 4.498,97, e "Débito COFINS", na qual informou como débito a ser compensado a COFINS, período de apuração de maio/2003, no montante de R$ 4.498,97. Verificamos ainda na DCTF do 3° trimestre de 2003, com cópia à fl. 150, que o contribuinte na verdade pretendia a compensação do credito de R$ 35,03, que deveria ter sido informado no PERDCOMP nº 08355.92206.250703.1.3.048270, com o saldo do débito de COFINS, período de apuração de julho/2003. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Conselho é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10825.900761/200617 Acórdão n.º 3801001.800 S3TE01 Fl. 202 4 Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Isto posto, do exame dos elementos comprobatórios, em obediência aos princípios da verdade material e economia processual, voto no sentido de julgar parcialmente procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório advindo do pagamento a maior da COFINS, período de apuração de maio/2003, no valor original de R$ 35,03, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/04/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000580/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 30/04/2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES
Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados.
MATÉRIA SUB JUDICE A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial.
A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança.
RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal
relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2301-002.473
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, devido a existência de matéria(s) constantes em ação judicial; e b) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Hugo Leonardo Zapani Teixeira - OAB: 33.899 / DF.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 30/04/2007 Ementa: CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados. MATÉRIA SUB JUDICE A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial. A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
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MATÉRIA SUB JUDICE A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial. A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, devido a existência de matéria(s) constantes em ação judicial; e b) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Hugo Leonardo Zapani Teixeira OAB: 33.899 / DF. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.000580/200968 Acórdão n.º 230102.473 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições sociais devidas aos Terceiros. Conforme Relatório do AI (fls. 53), o fato gerador da contribuição lançada é a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados da recorrente. A autoridade lançadora esclarece que a empresa apresentou, no período de apuração, GFIPs com código de FPAS 639, correspondente a entidades isentas da contribuição previdenciária patronal e que, ao agir dessa forma, deixou de declarar a cota patronal destinada às entidades e fundos, mesmo não tendo comprovado ser portadora de CEBAS emitido pelo CNAS, bem como não constar pedido de isenção previdenciária perante a RFB, motivo pelo qual não faz jus à isenção das referidas contribuições sociais. Informa que a empresa ingressou com Mandado de Segurança nº 1999.38302.0019688 perante a Justiça Federal, visando o reconhecimento do direito à imunidade das contribuições previdenciárias, sendo que a matéria não se encontra definitivamente julgada, pois contra o acórdão foi interposto Recurso Extraordinário (RE 481558), ainda não apreciado pelo STF. Segundo ainda a fiscalização, tratase de hipótese de imunidade condicional, que depende do atendimento pela entidade dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, para assegurar a proteção constitucional. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0930.606, da 5a Turma da DRJ/JFA (FLS. 184), manteve em parte o crédito tributário, julgando a impugnação parcialmente procedente, excluindo do lançamento a multa de mora, ao argumento de não ser a mesma cabível nos casos de suspensão da exigibilidade por ação judicial favorecida com medida liminar. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 190), alegando, em síntese, o que se segue. Reafirma que achase em pleno vigor a ordem mandamental para que a Recorrente seja fiscalizada, no que pertine a sua reconhecida condição de entidade beneficente de assistência social, apenas em relação ao cumprimento das exigências estabelecidas no art. 14 do CTN. Entende que o acórdão recorrido nega vigência à ordem mandamental em vigor, na medida em que acolhe o entendimento de que tratase de imunidade condicional, que depende do atendimento pela entidade dos requisitos previstos em lei para assegurarlhe a proteção constitucional, por força do art. 195 da CF, estando estas exigências, à época, no art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Frisa que, no caso dos autos, há decisão judicial no sentido de se aplicar o art. 14 do CTN, independentemente da razoabilidade do entendimento esposado no acórdão recorrido, o fato é que a Recorrente já obteve decisão mandamental favorável à sua tese, a qual produz efeito imediato, eis que não foi conferido efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda. Sustenta que a fiscalização, ainda que para prevenção da decadência, deve aterse aos limites da ordem mandamental em vigor, isto é, averiguar se a Recorrente cumpre ou não as exigências impostas pelo art. 14 do CTN, com vistas ao gozo da imunidade em relação às contribuições sociais, e que negar tal entendimento constituise afronta à ordem mandamental em vigor. Reitera que faz jus à imunidade tributária e que a desconstituição dessa situação jurídica depende, antes de mais nada, da instauração de regular processo que objetive a suspensão dessa condição de imune, conforme determina o art. 32 da Lei 9.430/96. Destaca que o auto de infração objeto do processo em epígrafe é nulo porque lavrado sem que antes houvesse sido expedido o ato declaratório de suspensão da imunidade, conforme preceitua § 3° do art. 32 da lei 9.430/96, sendo a efetivação da referida suspensão condição essencial para a pratica do ato, conforme estabelece o inc. II do § 62 do mesmo artigo. Espera, por fim, que seja reformada a decisão recorrida, a fim de que seja anulado o Auto de Infração, como medida única de justiça. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.000580/200968 Acórdão n.º 230102.473 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e os requisitos de admissibilidade foram cumpridos. Da análise dos recurso apresentado, verificase que a recorrente não nega que tenha deixado de recolher a contribuição devida às Terceiras Entidades, incidente sobre a remuneração paga ou creditada aos seus segurados empregados. Ela apenas entende que é detentora da imunidade de que trata o art. 195, da CF, e que o Fisco não poderia lançar a contribuição, por força de decisão judicial, em ação movida pela entidade, determinando que seja reconhecida sua condição de entidade beneficente de assistência social apenas em relação ao cumprimento das exigências estabelecidas no art. 14 do CTN. Porém, a referida ação judicial não transitou em julgado e, sendo o lançamento um ato vinculado, a Autoridade Fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador e o não recolhimento das contribuições devidas aos Terceiros, lavrou corretamente o presente AI, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8.212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Cumpre observar que a matéria relativa ao direito à imunidade da recorrente é objeto de discussão judicial, o que implica em renúncia ao contencioso administrativo, acarretando o não conhecimento dessa parte do recurso. Contudo, as outras matérias trazidas pela recorrente diferem da levada à apreciação do Poder Judiciário, razão pela qual conheço do recurso em relação a tais matérias. A renúncia ao contencioso administrativo somente ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto "idêntico pedido" sobre o qual verse o processo administrativo (art. 126, § 3º, da Lei 8.213/91), o que não é o caso presente. A recorrente entende que a fiscalização, ainda que para prevenção da decadência, deve aterse aos limites da ordem mandamental em vigor, isto é, averiguar se a Recorrente cumpre ou não as exigências impostas pelo art. 14 do CTN, com vistas ao gozo da imunidade em relação às contribuições sociais, e que negar tal entendimento constituise afronta à ordem mandamental em vigor. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Porém, é oportuno ressaltar que o presente lançamento tem como objetivo resguardar o crédito tributário, já que não é possível a sua constituição após o término do prazo de decadência, mesmo com decisão judicial favorável ao fisco, uma vez que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador, ou da data prevista em lei. E o lançamento com o objetivo de prevenir a decadência deve observar a legislação vigente quando da ocorrência do fato gerador. A ação judicial proposta suspende apenas a exigibilidade do crédito, ou seja, os atos executórios de cobrança, mas a autoridade administrativa não está impedida de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, observando os mandamentos legais vigentes à época, e nem deve ser suspenso o trâmite do presente processo administrativo ou decretada a nulidade do AI, pois a suspensão referese à exigência do crédito e não à possibilidade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento ou de as autoridades julgadoras administrativas apreciarem a defesa e o recurso no processo administrativo fiscal. Assim, não há que se falar em nulidade do AI, que foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. A autuada alega que a desconstituição de sua situação de imune depende, antes de mais nada, da instauração de regular processo que objetive a suspensão dessa condição, conforme determina o art. 32 da Lei 9.430/96. Contudo, a fiscalização deixou claro que a entidade não possuía CEAS e nem havia requerido, junto à RFB, isenção previdenciária da cota patronal. E, á época do lançamento e da ocorrência do fato gerador, o direito à isenção não era exercível de plano por quem preenchia as condições, mas dependia de ato declaratório da Autarquia Previdenciária. E mesmo que houvesse o ato declaratório da isenção, a recorrente não teria direito à benesse fiscal, pois não cumpria, à época do lançamento, todos os requisitos do artigo 55, da Lei 8.212/91, já que não era detentora do Certificado de que trata o inciso II, do referido dispositivo legal. E mesmo a Lei 12.101 de 27/11/2009, que revogou o artigo 55, da Lei 8.212/91, estabelece que a entidade deve requerer a certificação para usufruir da isenção fiscal. O art. 31 estabelece que: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.000580/200968 Acórdão n.º 230102.473 S2C3T1 Fl. 4 7 Dessa forma, para usufruir da isenção previdenciária, as entidades devem possuir, até 10/2009 , o certificado de que trata o inciso II, do artigo 55, da Lei 8.212/91 e, a partir de 11/2009, a certificação de que trata a Lei 12.101/09. Portanto, sendo o lançamento um ato vinculado, a autoridade fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição aos Terceiros, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. Diante de todo o exposto e CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER EM PARTE do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 213DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901003/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 05/05/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NECESSIDADE DE FUNDAMENTOS DE FATO E DE DIREITO, ALÉM DE ATAQUE AO PONTO DE DESACORDO.
É correto o não conhecimento da Manifestação de Inconformidade que não apresenta o fundamento de fato e de direito e o ponto em que discorda da decisão impugnada.
Numero da decisão: 3401-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 05/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NECESSIDADE DE FUNDAMENTOS DE FATO E DE DIREITO, ALÉM DE ATAQUE AO PONTO DE DESACORDO. É correto o não conhecimento da Manifestação de Inconformidade que não apresenta o fundamento de fato e de direito e o ponto em que discorda da decisão impugnada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NECESSIDADE DE FUNDAMENTOS DE FATO E DE DIREITO, ALÉM DE ATAQUE AO PONTO DE DESACORDO. É correto o não conhecimento da Manifestação de Inconformidade que não apresenta o fundamento de fato e de direito e o ponto em que discorda da decisão impugnada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 10 03 /2 00 8- 21 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP do PIS supostamente pago indevidamente ou a maior em 05/05/2004, para compensar com débito do PIS de fevereiro de 2004 (fls.02/04). O pedido foi negado por Despacho Decisório eletrônico (fl. 05), sob fundamento de que o DARF indicado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. A Manifestação de Inconformidade da Contribuinte foi, na verdade, um simples pedido a revisão do PER/DCOMP (fl. 08), sem apresentação de nenhum fundamento de fato ou de Direito. A DRJ em Ribeirão Preto/SP não conheceu da Manifestação de Inconformidade, sob fundamento de que ela não preencheu os requisitos, vez que não atacou a razão do indeferimento do crédito (fls. 31/33). A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 16/12/2009 (fl. 37) e interpôs Recurso Voluntário (fls. 38/43), via postal, em 15/01/2010 (fl.66), alegando, em resumo, que pelo processo administrativo a Administração Pública deve rever seus atos sempre que este estiver eivado de vício de ilegalidade, de modo que a simples apresentação da manifestação de inconformidade era suficiente para a revisão da PER/DCOMP. Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja reconhecido o seu direito creditório. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O ponto controverso consiste na validade da Manifestação de Inconformidade que padece da falta de fundamento que ataquem a decisão que indeferiu o crédito. A necessidade da menção dos fundamentos de fato e de direito e do ponto de discordância na Manifestação de Inconformidade está prevista no art. 16, inciso III, do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, que assim dispõe: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10855.901003/200821 Acórdão n.º 3401002.159 S3C4T1 Fl. 70 3 Se não bastasse, o art. 17, também do Decreto 70.235/72, assim determina: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nesse contexto, como a Recorrente não atacou o fundamento do indeferimento do seu crédito, agiu bem a instância inferior em não conhecer da Manifestação Inconformidade apresentada. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto para manter o acórdão da DRJ em sua integralidade. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003734/2007-22
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS. DESCABIMENTO
Não cabem embargos quando não for constatada omissão suscitada pela embargante.
DILIGÊNCIA. OBJETIVO. CONVICÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA.
O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Os quesitos formulados pelas partes para constar na diligência são meras sugestões que podem ou não serem acatadas pelo julgador.
Numero da decisão: 1802-001.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 EMBARGOS. DESCABIMENTO Não cabem embargos quando não for constatada omissão suscitada pela embargante. DILIGÊNCIA. OBJETIVO. CONVICÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA. O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Os quesitos formulados pelas partes para constar na diligência são meras sugestões que podem ou não serem acatadas pelo julgador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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DESCABIMENTO Não cabem embargos quando não for constatada omissão suscitada pela embargante. DILIGÊNCIA. OBJETIVO. CONVICÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA. O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Os quesitos formulados pelas partes para constar na diligência são meras sugestões que podem ou não serem acatadas pelo julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em REJEITAR os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 37 34 /2 00 7- 22 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.597 S1TE02 Fl. 37 2 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.597 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração de autoria da Procuradoria da Fazenda Nacional, contra acórdão desta Turma, que por unanimidade de votos deu provimento ao recurso voluntário entendendo que a multa por atraso na entrega da DCTF não deveria subsistir. Em síntese, versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração, relativo ao atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de dezembro do anocalendário de 2005 (fl. 16), no valor de R$ 9.885,90. Os dispositivos legais supostamente infringidos constam na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em comento. A contribuinte alegava que: a) não estava obrigada à apresentação mensal da DCTF, mas apenas à obrigação semestral; e b) que ao calcular sua receita bruta para fins de observância da obrigatoriedade de apresentação mensal ou semestral da DCTF, utilizouse da permissão prevista no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001. Para melhor ilustração, segue dispositivo legal citado pela Recorrente: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência.” O dispositivo invocado pela Recorrente também encontrase reproduzido na IN 247/02, art. 13: “Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.597 S1TE02 Fl. 39 4 determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. A DRJ de São Paulo (SP) ao julgar a manifestação de inconformidade em 25.05.2010 manifestou seu entendimento através da seguinte ementa: “A S S U N T O : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. DCTF MENSAL. RECEITA BRUTA. O regime de competência é o regime prevalente adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. A legislação fiscal admite o regime de caixa apenas para reduzido número de situações, entre as quais não se inclui a determinação do limite da receita bruta que obriga a apresentação da DCTF mensal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/09/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 86 a 90, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Esta Turma em 11/04/2012, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que fossem juntadas a cópia do LALUR do anocalendário de 2003 e a cópia completa da DIPJ do exercício de 2004, anocalendário de 2003. Solicitouse também a elaboração de relatório circunstanciado que demonstrasse o montante das receitas oferecidas à tributação no anocalendário de 2003. Em 05/12/2012, também por unanimidade a Turma deu provimento ao Recurso, tendo o Acórdão a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, devese considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.597 S1TE02 Fl. 40 5 A Procuradoria servese dos presentes embargos, para alegar que o acórdão foi omisso, com a seguinte sustentação: “O r. acórdão proveu o recurso voluntário se louvando em diligências levadas a efeito pela autoridade fiscal. Diz a respeito o r. acórdão (fls.36), verbis: “Esta Turma em 11/04/2012, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que fossem juntadas a cópia do LALUR do ano calendário de 2003 e a cópia completa da DIPJ do exercício de 2004, ano calendário de 2003. Solicitou se também a elaboração de relatório circunstanciado que demonstrasse o montante das receitas oferecidas à tributação no ano calendário de 2003.“ Contudo, sejam as referias diligências, ou, ainda, o r. acórdão, deixaram de apreciar dois pontos fulcrais da questão: 1) se o Embargado observou o regime de caixa em relação à totalidade das exações IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IRRF, etc. e ao longo de todo o ano calendário; 2) opção do Embargado da forma de apuração do lucro real, estimativas ou arbitrado. A respeito dessas questões, verificamos nos autos que o Embargado optou pelo regime de lucro real. Outrossim, não existe prova nos autos de que o regime de caixa foi observado em relação à totalidade dos tributos e em todo o ano calendário.” Este é o Relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.597 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Procuradoria, embora alegue a omissão do acórdão nº 1802001.503, na verdade busca rediscutir pontos que foram objeto do pedido de diligência formulado por esta Turma através da Resolução nº 1802.000.057, acrescentando pontos que ela acreditava que deveriam ter sido abordados, senão vejamos: “Contudo, sejam as referias diligências, ou, ainda, o r. acórdão, deixaram de apreciar dois pontos fulcrais da questão: 1) se o Embargado observou o regime de caixa em relação à totalidade das exações IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IRRF, etc. e ao longo de todo o ano calendário; 2) opção do Embargado da forma de apuração do lucro real, estimativas ou arbitrado” Assim, embora tempestivo o presente recurso, intempestivo a alegação nele contida. Embora não seja da competência da Procuradoria determinar o objeto da diligência, eis que ela serve para a formação da convicção da(s) autoridade(s) julgadora(s) e não das partes, essa “sugestão” de complementação deveria ter se dado por ocasião da Resolução que converteu o julgamento em diligência e não após o seu retorno e julgamento do acórdão. O julgador deve ter livre convicção quanto as provas apresentadas e fatos alegados. O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Assim, o processo foi baixado em diligência para esclarecer dúvidas dos membros desta Turma para que pudessem formar suas convicções. Nesse sentido estipula o Processo Administrativo Fiscal (PAF): “Decreto nº 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Com o retorno da diligência, a documentação apresentada, bem como a informação fiscal (fls. 230 e 231), no entender desta Turma, foram suficientes para demonstrar que a Embargada no anocalendário anterior a entrega da DCTF auferiu receita bruta tributável no valor de R$ 25.728.334,66, montante este inferior ao mínimo legal de R$ 30.000.000,00. Isto posto, esta turma entendeu com base nestas provas que a contribuinte não estaria obrigada a entregar a DCTF na periodicidade mensal e, portanto, a multa seria descabida. Entendeu também que as receitas relativas à variação cambial não se enquadravam Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003734/200722 Acórdão n.º 1802001.597 S1TE02 Fl. 42 7 no conceito de receita bruta, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal. Em vista disso, as alegações aduzidas pela Procuradoria (forma de apuração: seja lucro real, presumido ou arbitrado) como omissões são irrelevantes no mérito da decisão desta Turma, de acordo com a fundamentação do voto, eis que as receitas relativas à variação cambial nem mesmo se enquadram no conceito de receita bruta, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal. Senão vejamos a conclusão constante do referido acórdão: “Com efeito, nos casos em que o contribuinte elege o reconhecimento do regime de caixa, e não de competência, para a apuração da base de cálculo dos seus tributos, causando assim o descasamento com a legislação comercial, nada mais razoável que o efeito (reconhecimento) da receita bruta para fins de cumprimento das obrigações acessórias também seja considerado no momento do recebimento. Com o retorno da diligência é possível verificar, através da documentação acostada, bem como da informação fiscal (fls. 230 e 231), que a Recorrente no anocalendário anterior a entrega da DCTF auferiu receita bruta tributável no valor de R$ 25.728.334,66, montante este inferior ao mínimo legal de R$ 30.000.000,00. Neste caso não estaria a contribuinte obrigada a entregar a DCTF na periodicidade mensal. Ademais, as receitas relativas à variação cambial nem mesmo se enquadram no conceito de receita bruta, conforme visto acima, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal.” Dadas as circunstâncias do presente caso, voto no sentido de REJEITAR os presentes Embargos, mantendo o acórdão nº 1802001.503 de 05/12/2012 em sua totalidade. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13603.000732/2009-07
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias Ano calendário: 2008 Ementa: DCTF – ENTREGA VÁLIDA - A entrega de DCTF somente é considerada entregue, quando mediante os meios prescritos na legislação tributária, pois, de acordo com o § 4º do artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, “considerar-se-á não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal”. INFRAÇÃO FISCAL – RESPONSABILIDADE OBJETIVA - Em face da sua natureza objetiva, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da vontade do agente ou do responsável. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002). O termo “fração” disposto na lei não se dá em razão do percentual e sim, em razão do tempo do atraso, de modo alternativo (mês ou fração), de sorte que a penalidade é a mesma seja pelo atraso do mês total ou parte dele. DENÚNCIA ESPONTÂNEA – MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1802-001.326
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros: Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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INFRAÇÃO FISCAL – RESPONSABILIDADE OBJETIVA Em face da sua natureza objetiva, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da vontade do agente ou do responsável. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002). O termo “fração” disposto na lei não se dá em razão do percentual e sim, em razão do tempo do atraso, de modo alternativo (mês ou fração), de sorte que a penalidade é a mesma seja pelo atraso do mês total ou parte dele. DENÚNCIA ESPONTÂNEA – MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros: Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marco Antonio Nunes Castilho , José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.000732/200907 Acórdão n.º 1802001.326 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fl.18) por meio da qual se exige a multa, no valor de R$ 107.239,85 (50% de R$ 214.479,71), por atraso na entrega da declaração de débitos e créditos tributários federais (DCTF) referente ao mês de novembro de 2008, cujo prazo final de entrega seria 08/01/2009, mas que foi entregue somente em 30/01/2009. Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.84/87) que transcrevo a seguir: (...) Houve, portanto, atraso igual à fração de um mês. Os impostos e contribuições informados na DCTF montaram a R$ 10.723.985,59. Enquadramento legal: artigo 7° da Lei n° 10.426, de 24.04.2002, com a redação dada pelo artigo 19 da lei n° 11.051, de 29.12.2004. Na notificação do lançamento consta que seu vencimento se daria em 18.03.2009. Em 02.03.2009 foi apresentada a impugnação juntada a folhas 1 a 16. Os. enunciados seguintes resumem seu conteúdo. Os fatos que ensejaram a presente autuação • A impugnante, constituída anteriormente sob a forma de sociedade anônima, alterou sua forma de constituição para sociedade limitada. Em decorrência de várias reestruturações, em abril de 2007 Henrique Morais de Almeida foi eleito como novo administrador da empresa, sucedendo a Alonso Starling Neto. • Foi então que se iniciou o problema da alteração do nome do administrador. Foram feitas várias solicitações de retificação mediante documentos registrados no cadastro sincronizado nacional (doc. 4). Contudo, as solicitações foram rejeitadas, em virtude de suposta divergência de informações com o quadro de sócios e administradores (QSA) do sítio da Receita Federal. Constava nesse registro que o Sr. Alonso era o diretor da empresa (doc. 5). Aparentemente, o problema identificado pela análise parametrizada dos bancos de dados da Receita era que a designação "diretor" só podia ser usada para as sociedades anônimas, o que já não era o caso da impugnante. • Diante das dificuldades encontradas, a impugnante viuse obrigada a protocolar pedido manual dirigido à DRF/Contagem, para que fossem feitas as alterações necessárias em seu cadastro. O pedido deu origem ao processo d 13603.005558/200808, distribuído em 09.12.2008. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 • Em decorrência de todas as solicitações efetuadas pela RFB e pela Sefaz/MG, e do processamento do pedido realizado, a impugnante só conseguiu a alteração do cadastro do representante legal em 17.12.2008, data do despacho do processo administrativo. • Nesse ínterim, expirou a validade do certificado digital perante a Receita Federal. A demora na alteração do responsável pela empresa perante o fisco impossibilitou que a impugnante conseguisse em tempo hábil, entre os dias 17.12.2008 a 08.01.2009 renovar o certificado. O pedido de renovação foi feito à Serasa (autoridade certificadora e de registro) e só viria a ser formalizado em 24.01.2009 (doc. 7). • Verificase que, diante das dificuldades operacionais encontradas, o apertado prazo entre a solicitação da alteração do representante legal e o registro feito pela Receita Federal, tornouse inviável a renovação do certificado a tempo de transmitir eletronicamente a DCTF . • Considerando que a impugnante preza sempre pelo cumprimento de suas obrigações fiscais, e por não lhe restar alternativa, a empresa tentou apresentar à Receita Federal a DCTF em meio magnético, mas o disquete foi recusado pela DRF. Em virtude dessa dificuldade, em 08.01.2009, prazo final para a entrega da DCTF, foi dirigido à Receita Federal um oficio (doc.8), com o intuito de resguardar os direitos da empresa. • Estes os fatos que devem nortear o julgamento do lançamento: boafé da empresa; adimplência do prazo para entrega da declaração e não cumprimento apenas da forma de entrega por fato que não lhe pode ser imputado. • O lançamento não merece subsistir e a impugnação deve ser julgada procedente, pois: a) o auto de infração é nulo, uma vez que não especifica o dispositivo legal infringido pela impugnante; b) e impossível a aplicação de multa por atraso na entrega da DCTF, pois a empresa apresentou justificativa e a fiscalização ainda se recusou a receber a declaração por outro meio; c) não existe nenhum saldo de imposto de renda a recolher, e diante da ausência de efeitos tributários prejudiciais ao erário, a multa por descumprimento de dever instrumental merece ser extinta. Preliminar — nulidade do lançamento por ausência de indicação da base legal • Para demonstrar a nulidade do lançamento, transcrevese na impugnação o artigo 7º da Lei n° 10.426, de 2002, que lhe serviu de fundamento legal. Cada inciso e parágrafo desse artigo se refere a uma modalidade de declaração e a um tipo de penalidade aplicada. • A notificação não menciona em qual o inciso do artigo 7° está enquadrada a multa aplicada, pelo que impossibilita a defesa. Esse motivo é suficiente para ensejar a nulidade do lançamento. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.000732/200907 Acórdão n.º 1802001.326 S1TE02 Fl. 3 5 • Ao não individualizar a condição descumprida, a autuação não possibilita que a impugnante visualize precisamente de qual matéria deve defenderse. Essa nulidade não é suprível, pois não se pode inferir qual foi a condição descumprida, uma vez que a descrição dos fatos também não motivou a subsunção da impugnante a todas as alíneas do artigo 7º em causa. • Falta pressuposto de validade do ato administrativo, pois não há descrição da situação de fato sobre o qual incidirão os dispositivos capitulados. No caso do lançamento, tal expediente é objeto de expressa previsão legal no artigo 142 do CTN. Nos dizeres de Celso Antônio Bandeira de Mello, motivo e o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato. • Dessa forma, quer por erro na capitulação legal, quer por ausência de motivação, é nulo o lançamento • A questão não é de mera formalidade, mas de respeito ao comando constitucional da ampla defesa e do contraditório (artigo 5% LV, CF de 1988). O Supremo Tribunal Federal fixa o alcance de tal princípio. Em abono da afirmação, citamse a ementa e trechos dum acórdão de decisão judicial. • Não se trata de mero princípio ou norma infraconstitucional, mas ordem constitucional segundo a qual ao réu ou ao autor de uma demanda o direito dará todas as condições lícitas e possíveis para que possa provar suas alegações. • No presente caso, a citação genérica do assunto somente faz pressupor qual seria a acusação, mas não há expressa citação. • Diante do exposto, deve ser a anulada a autuação por ausência de dispositivo legal expresso, que determine quais os reais motivos pelos quais a fiscalização não acata a declaração entregue tempestivamente em meio magnético. Preliminar de nulidade — erro na indicação do prazo de entrega e no cálculo da multa • Quanto ainda ao aspecto formal do lançamento, consta que o prazo final para a entregada DCTF seria 08.01.2009 e que ela teria sido apresentada em 30.01.2009. Contudo a IN RFB n 903, de 2008 alterou os prazos para a apresentação de declarações, fixando como limite o 15° dia útil do 2° mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. • Conforme a própria agenda tributária da Receita Federal para o mês de janeiro de 2009, aprovada pelo Ato Declaratório Executivo Codac n° 76, de 26 de dezembro de 2008, o prazo para a apresentação da DCTF de novembro de 2008 seria, de fato, 22.01.2009. • Dessa forma, a data limite para apresentação da DCTF está indicada com erro na notificação de lançamento. Isso por si só já caracteriza erro, de modo que o lançamento deve ser declarado nulo. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 • Ainda que assim não seja, há erro na quantificação da multa. Segundo a notificação, a multa deve ser calculada levandose em conta a fração do atraso. Considerandose que entre a data limite e a da efetiva entrega passaramse somente 8 dias, não há como aplicar a alíquota de 2% sobre o total de débitos declarados. • A interpretação do fisco implica que a mora de um dia e punida da mesma forma que a mora de 30 dias. Por outro lado, o contribuinte que atrasasse a entrega da declaração em 29 dias (fração) pagaria metade da multa de outro que atrasasse 32 dias. Obviamente essa não e a intenção da legislação e tal interpretação infringe o artigo 112 do CTN. Isso posto, pedese que seja declarado nulo o lançamento. Ad argumentandum, deverá ser reduzido o valor do crédito tributário para que se reconheça a fração do atraso conforme, a correta data limite. Exclusão da multa por descumprimento de dever experimental sem prejuízo para o erário • O descumprimento de um dever acessório ou da obrigação principal enseja a aplicação de penalidade. A sanção todavia não é um fim em si mesmo. No direito tributário, a finalidade precípua da sanção e garantir o descumprimento da obrigação principal e realizar, assim, o interesse público na arrecadação dos recursos necessários ao custeio dos serviços e dos investimentos públicos. Em abono do argumento, citase trecho de ementa de decisão judicial. • De todo modo, tendo agido sempre com indiscutível boafé, a atitude da impugnante há de ser considerada de forma a excluir a multa imposta, conforme dispõe o artigo 112 do CTN. • Não obstante a suposta responsabilidade objetiva do particular por infração fiscal, em que não se perquire a intenção do agente (artigo 136 do CTN), o dispositivo acima o atenua, pois determina que seja feita uma valoração subjetiva das penalidades a serem aplicadas, conforme as circunstâncias do caso. Ilustrase o argumento com citação de passagem doutrinária. • No caso, vertente, em nenhum momento se arguiu a existência de tributo em aberto. Ao contrário, a autuação pressupôs o recolhimento do tributo, exigindo tão somente multa por suposto atraso na entrega da DCTF. Portanto, da conduta ilícita imputada à impugnaste não decorreu nenhum efeito fiscal prejudicial ao erário a justificar a sanção aplicada. Estáse, assim, ao abrigo do artigo 112, inciso II, do CTN. • Tendo sido satisfeita a obrigação principal, a obrigação acessória transformase em simples formalidade, destituída de função. Tornase, pois, desarrazoada a punição excessiva de seu descumprimento. É, portanto, de clareza meridiana a impossibilidade de exigir a multa. O efetivo cumprimento da obrigação acessória Fl. 201DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.000732/200907 Acórdão n.º 1802001.326 S1TE02 Fl. 4 7 •Não houve entrega em atraso nem falta de entrega da DCTF, mas sim tentativa de entrega mediante disquete, conforme comprovado, uma vez que a transmissão eletrônica estava impossibilitada. Portanto, rechaçase qualquer alegação ou fundamentação de entrega em atraso da declaração. • Ainda que assim o fosse, resta a aplicação do artigo 138 do CTN, cujo status de lei complementar o faz prevalecer sobre os dispositivos legais citados anteriormente. • E ainda que assim não fosse, ad argumentandum, a empresa invoca o bom senso, pois não parece justo, proporcional ou razoável que lhe seja imputada uma multa de mais de 200 mil reais, pelos motivos já explicados e sendo considerado que a própria Receita Federal recusou sem nenhum motivo a apresentação em disquete. • Transcrevese recente decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, considerada relevante por demonstrar que, na omissão do órgão administrativo, é necessária a aplicação do permissivo legal. Transcrevese também decisão atribuída ao Superior Tribunal de Justiça. Pedido • Diante do exposto, ficou evidente que a conduta infracional, que não admite flexibilidade, estabelece uma multa por atraso na entrega ou por falta de entrega de declarações, mas esta não ocorreu. A impugnante demonstrou que houve tentativa de entrega por meio de disquete, recusada injustamente pela Receita Federal. Portanto, de acordo com o princípio da tipicidade (legalidade material), princípio maior na aplicação de sanções, não há como prevalecer tal multa. Ainda que não fosse assim, o procedimento adotado pela impugnante deuse por força maior, pois ficou impossibilitada de cumprir a obrigação por meio eletrônico. Além disso, "de acordo com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, e tendo em vista que a empresa entregou a declaração em meio impresso de forma tempestiva e eletrônica tão logo foi possível, não parece justo que seja equiparada a um contribuinte que simplesmente não entrega a declaração. Assim, pedese que seja julgado improcedente o lançamento. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF A falta de entrega da DCTF ou sua entrega após o prazo fixado sujeita o contribuinte à multa de oficio prevista na legislação tributária. Lançamento Procedente Fl. 202DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 A autuada foi cientificada da decisão proferida no Acórdão nº 0222.994/3ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG, de 15 de julho de 2009, conforme Aviso de Recebimento, em 21/09/2009, e, inconformada, interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 19/10/2009, no qual apresenta, no essencial, os mesmos argumentos expendidos na impugnação acima relatados, portanto, desnecessário repetilos. Consta dos autos, despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG, datado de 29/29/10/2010, informando que, tendo em vista que os débitos deste processo não são passíveis de consolidação no parcelamento da Lei 11941/2009, retornase o presente processo ao CARF/MF/DF, para julgamento do recurso voluntário, conforme petição de fls. 154/159. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.000732/200907 Acórdão n.º 1802001.326 S1TE02 Fl. 5 9 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de novembro de 2008, apresentada em 30/01/2009 (fl.18), cujo prazo final de entrega seria 08/01/2009. A Recorrente atribui o atraso na entrega da DCTF, a alteração do cadastro do representante legal em 17/12/2008, data do despacho do processo administrativo. Argúi que, a demora nessa alteração, perante o fisco, impossibilitou que a impugnante conseguisse em tempo hábil, entre os dias 17/12/2008 a 08/01/2009 renovar o certificado digital. O pedido de renovação foi feito à Serasa (autoridade certificadora e de registro) e só veio a ser formalizado em 24/01/2009, tornandose inviável a renovação do certificado a tempo de transmitir eletronicamente a DCTF . Afirma que tentou apresentar à Receita Federal a DCTF em meio magnético, mas o disquete foi recusado pela DRF. Em virtude dessa dificuldade, em 08/01/2009, prazo final para a entrega da DCTF, foi dirigido à Receita Federal um oficio (fl.80), com o intuito de resguardar os direitos da empresa. Dos fatos narrados pela Recorrente depreendese que a situação de dificuldade em apresentar a DCTF como determinado pela legislação vigente decorreu da inércia do sujeito passivo, visto que a alteração do cadastro para a inclusão do representante legal deveria ter ocorrido desde abril de 2007 com a eleição do novo administrador da empresa, o Sr. Henrique Morais de Almeida, sucedendo a Alonso Starling Neto. Não havendo razão para a alteração do cadastro ocorrer apenas em dezembro de 2008 a permitir o atraso na renovação do certificado digital e conseqüente atraso na entrega da DCTF. No tocante à tentativa de entregar a DCTF em meio magnético, como bem esclarecido na decisão recorrida, tal declaração relativa ao mês de novembro de 2008 somente pode ser considerada entregue pela autuada em 30/01/2009, quando usou os meios prescritos na legislação tributária ( Instrução Normativa RFB N° 786, de 2007) e efetuou a transmissão pela Internet usando certificado digital válido, pois, de acordo com o § 4º do artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, “considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal”. Assim, não havendo a Receita Federal concorrido para a situação manifestada pela Recorrente e, diante da expressa disposição legal não há como se reconhecer o resguardo de direitos aventado pela defesa, no sentido de afastar a multa aplicada, haja vista que a responsabilidade pela entrega da DCTF com atraso, é totalmente atribuída à pessoa jurídica que lhe deu causa. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Quanto a intenção na prática da irregularidade fiscal, vale lembrar que o artigo 136 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66, CTN) assim dispõe: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O que significa dizer que, em face da sua natureza objetiva, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da vontade do agente ou do responsável. Como se vê, a intenção do agente é desconsiderada para imputarlhe a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Por essa disposição do CTN, a intenção do agente não releva a infração por ele praticada. Outro argumento da Recorrente é que não existindo nenhum saldo de imposto de renda a recolher, e diante da ausência de efeitos tributários prejudiciais ao erário, a multa por descumprimento de dever instrumental merece ser extinta. Tal alegação não pode prosperar, pois, o atraso na entrega da DCTF revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento (não pagamento de tributo) ao teor do artigo 113 do Código Tributário Nacional. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. A multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF, baseiase na legislação que rege a matéria, discriminada no auto de infração, fl.18, em especial a Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7°, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de29/12/2004, que assim dispõe: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; Fl. 205DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.000732/200907 Acórdão n.º 1802001.326 S1TE02 Fl. 6 11 III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; IIa setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4ºConsiderarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5ºNa hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6o No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Como se vê, a lei acima é clara ao prescrever que a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na Fl. 206DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 declaração, “ainda que integralmente pago”, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00. Estando o crédito tributário legitimamente constituído, somente havendo legislação autorizando a dispensa deste, poderseia afastar ou reduzir a obrigação imposta. Consta expressamente no dispositivo legal, acima transcrito, que deve ser exigida a multa no caso de falta de entrega desta Declaração ou “ entrega após o prazo”. A multa por atraso na entrega foi reduzida em cinqüenta por cento em virtude da entrega espontânea da declaração. No que tange a alegada ofensa ao artigo 138 do CTN, cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto no artigo 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 02 e 49 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A Recorrente alega que o auto de infração é nulo, uma vez que não especifica o dispositivo legal infringido pela impugnante. Não procede o argumento haja vista que a capitulação legal encontrase disposta no auto de infração,fl.18, qual seja o artigo 7º da Lei n° 10.426, de 2002, suficiente para identificar a obrigação tributária acessória da pessoa jurídica. Despicienda à defesa a menção ao inciso pertinente à penalidade aplicada, já que o objeto do auto de infração diz respeito a uma modalidade de declaração (DCTF). A alegação da Recorrente de que, ao não individualizar a condição descumprida, a autuação não possibilita que a impugnante visualize precisamente de qual matéria deve defenderse, é totalmente descabida. Sobre o assunto, a decisão recorrida é pródiga nas observações que por se tratar dos mesmos dados/fatos também adoto como razão de decidir, verbis: (...) O auto de infração não se compõe de seções estanques, mas sim constitui o todo resultante de suas partes. Ora, não pode haver dúvida de que a multa foi aplicada em decorrência de atraso na entrega de DCTF, uma vez que já no cabeçalho da notificação de lançamento consta exatamente que se trata de multa por atraso na entrega da DCTF. Um pouco mais abaixo identificase com precisão a DCTF em causa. Portanto, apenas um eventual descuido na leitura da notificação é que poderia levar o sujeito passivo a não compreender de que infração se trata. No presente caso, é evidente que tal incompreensão não ocorreu, porque no mérito a impugnante contesta o lançamento procurando justificar a entrega em atraso da DCTF mediante a imputação de responsabilidade a terceiros, ou alegando que em verdade a entrega foi tempestiva, mas feita por meios diversos dos requeridos pela Receita Federal. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.000732/200907 Acórdão n.º 1802001.326 S1TE02 Fl. 7 13 No que respeita à arguição de que faltaria motivação ao lançamento, é ainda mais infundada. Já nas primeiras linhas da notificação consta que a infração imputada é o atraso na entrega de DCTF. Mais adiante, achase identificada a declaração entregue fora de prazo, bem como a extensão do atraso. Para justificar a lavratura do lançamento é quanto basta. A impugnante pode demonstrar que, no mérito, essa motivação é infundada, alegando, por exemplo, que em realidade tal atraso não ocorreu ou que ele é justificado, mas não tem fundamento algum arguir vício formal por falta de motivação. (...) Dessa forma, razão não há para que se declare a nulidade do lançamento, quer por erro na capitulação legal, quer por ausência de motivação. A Recorrente alega, também, que houve erro na notificação de lançamento na indicação do prazo de entrega. Argúi que, da notificação de lançamento, consta que o prazo final para a entrega da DCTF seria 08/01/2009 e que ela teria sido apresentada em 30/01/2009. Contudo a IN RFB nº 903, de 2008 alterou os prazos para a apresentação de declarações, fixando como limite o 15° dia útil do 2° mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. A decisão recorrida esclareceu meridianamente a questão intertemporal, vejamos: (...) No presente caso, porém, nem se pode arguir que houve erro formal na indicação do prazo final da declaração. A DCTF em questão é referente a novembro de 2008. A entrega das DCTF relativas a esse período de apuração foi regulada pela Instrução Normativa RFB n° 786, de 19.11.2007. O inciso I do seu artigo 7° dispõe que a DCTF Mensal deve ser entregue até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. Logo, em se tratando de DCTF relativa a novembro de 2008, o prazo final de entrega seria 8 de janeiro de 2009. Todavia, esse ato normativo viria a ser substituído pela Instrução Normativa RFB n° 903, de 30 de dezembro de 2008. O artigo 7°, inciso I, desta última fixou novo prazo para a entrega da DCTF mensal, a saber até o 15° dia útil do 2º mês subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador. Tal norma, em principio deveria aplicarse apenas às DCTF que se referem a períodos de apuração posteriores à sua edição, uma vez que seu artigo 16 revogava apenas a partir de 1° de janeiro de 2009 a Instrução Normativa RFB n° 786, de 19.11.2007. Por isso, a redação original do Ato Declaratório Executivo Codac n° 76, de 26 de dezembro de 2008, que aprovou a agenda tributária relativa a janeiro de 2009, confirmava a data de 8 de janeiro de 2008 como prazo final para a entrega da DCTF relativa. a novembro de 2008. Todavia, a Receita Federal mudou seu entendimento posteriormente e passou a permitir que o novo prazo fixado pela Instrução Normativa RFB n° 903, de 2008, por Fl. 208DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 ser mais benéfico ao contribuinte, passasse a aplicarse a todas as DCTF cujo prazo de entrega ainda não vencera até a data de sua publicação. Assim, o Ato Declaratório Executivo Codac n° 10, de 5 de fevereiro de 2009, alterou a redação original do Ato Declaratório Executivo Codac n° 76, de 2008, fixando o prazo de 22 de janeiro de 2009 para a entrega da DCTF em causa. A autuada, porém, entregou a DCTF relativa a novembro de 2008 em 30/01/2009, antes da alteração da agenda tributária. Uma vez que a notificação do lançamento da multa é entregue simultaneamente com o recibo da entrega em atraso da DCTF, nessa ocasião o lançamento indicou a data de vencimento que estava de acordo com os atos normativos em vigor. Portanto, não houve falha alguma por parte da autoridade lançadora na indicação de tal data. Como se vê, a alteração do entendimento da Receita Federal em conceder o mesmo prazo (mais elástico) fixado pela Instrução Normativa RFB n° 903, de 2008, alcançando a DCTF de novembro de 2008 que teria o prazo até 15/01/2009, apenas não beneficiou a autuada porque entregara a DCTF de novembro de 2008, somente em 30/01/2009. Portanto, o elastério dado à Instrução Normativa RFB n° 903, de 2008 não é motivo da “nulidade” alentada pela defesa como erro na notificação de lançamento na indicação do prazo de entrega, pois, sequer erro existiu porque não houve indicação incorreta da data de vencimento à efetiva entrega da DCTF em comento. A Recorrente alega, ainda, que há erro na quantificação da multa. Afirma que, segundo a notificação, a multa deve ser calculada levandose em conta a fração do atraso. Entende que entre a data limite e a da efetiva entrega passaramse somente 8 dias, portanto, não há como aplicar a alíquota de 2% sobre o total de débitos declarados. O artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, não deixa margem a qualquer discricionariedade, pois, prescreve que o sujeito passivo que deixar de apresentar ou apresentar em atraso a DCTF se sujeitará a multa de valor igual a dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago. O termo “fração” disposto na lei não se dá em razão do percentual e sim, em razão do tempo do atraso, de modo alternativo (mês ou fração), de sorte que a penalidade é a mesma seja pelo atraso do mês total ou parte dele. A redução da penalidade à metade ocorreu porque a declaração fora apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, nos exatos termos do § 1º, inciso II do artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, retro transcrito. Vale ressaltar que o artigo 97, inciso VI, da Lei nº5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN) prescreve que, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Dessa forma, não havendo lei para a dispensa da penalidade, e, estando a interessada obrigada à apresentação da DCTF, e, sendo inconteste que, apresentou a declaração de novembro de 2008, com atraso, é de se manter a exigência da multa em análise. Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as nulidades suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.000732/200907 Acórdão n.º 1802001.326 S1TE02 Fl. 8 15 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13770.001258/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Apr 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O desconhecimento da legislação tributária não exime o particular de cumpri-la.
MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO DE COMETER INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
No lançamento de ofício, não havendo dolo ou fraude, aplica-se multa de 75% sobre o valor da diferença de imposto apurada.
O percentual da multa aplicada, no caso, está de acordo com a legislação de regência.
Numero da decisão: 2101-002.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
__________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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O desconhecimento da legislação tributária não exime o particular de cumpri la. MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO DE COMETER INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No lançamento de ofício, não havendo dolo ou fraude, aplicase multa de 75% sobre o valor da diferença de imposto apurada. O percentual da multa aplicada, no caso, está de acordo com a legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) __________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 12 58 /2 00 8- 10 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurada dedução indevida com dependentes, com despesas de instrução e omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O contribuinte impugnou parcialmente o lançamento (fls. 1), alegando, em síntese, que desconhecia a legislação do imposto sobre a renda e, por esse motivo, não informou os rendimentos auferidos por sua dependente na declaração de ajuste anual. A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 0343.944, de 7 de julho de 2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IMPUGNAÇÃO PARCIAL. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. A legislação do imposto de renda não permite a retificação da declaração de rendimentos após a perda da espontaneidade, ou seja, após o contribuinte ter sido notificado de qualquer procedimento do lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTES. Todos os rendimentos tributáveis recebidos no anocalendário devem ser informados na Declaração de Ajuste Anual para apuração do imposto devido, incluindo os rendimentos recebidos pelos dependentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisa as razões de impugnação. Complementa que não lhe foi dada a oportunidade de corrigir seu erro e pede a exclusão da dependente de sua declaração de ajuste e o recálculo do tributo, acrescentando que não pode ser penalizado por ter cometido um equívoco. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13770.001258/200810 Acórdão n.º 2101002.174 S2C1T1 Fl. 3 3 É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento perpetrado no presente processo teve origem na apuração de dedução indevida com dependente e com despesa de instrução, além de omissão de rendimentos da ordem de R$ 6.549,88, auferidos do Instituto Nacional do Seguro Social (fls. 2 a 4). Na impugnação, o contribuinte contestou somente a omissão de rendimentos, alegando que não sabia que deveria lançar, em sua declaração de ajuste anual, os rendimentos auferidos por dependente. Não se contrapôs à glosa de despesas com dependente e instrução, razão pela qual o lançamento tornouse definitivo nestes pontos. Em sua declaração de ajuste anual original, preenchida no modelo completo, o contribuinte lançou como dependente, entre outros, a Sra. Luiza Eduardo, sua esposa, e deixou de oferecer à tributação rendimentos auferidos por dependentes (fls. 8 e 9). Contudo, a Fiscalização apurou ter havido, no anocalendário 2006, pagamento de rendimentos tributáveis feitos pelo Instituto Nacional do Seguro Social à Sra. Luiza Eduardo, titular do CPF 527.204.97720, no valor de R$ 6.549,88, rendimentos esses que deveriam ter sido declarados pelo contribuinte e não o foram. Após ter tido ciência do lançamento, o que ocorreu em 12 de maio de 2008 (fls. 12), o contribuinte protocolou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL (fls. 8), na qual alegou que não tinha conhecimento da necessidade de declarar esse rendimento, e pediu fosse a dependente excluída de sua declaração, com o conseqüente recálculo do imposto. Em sua impugnação, o interessado deduziu os mesmos argumentos anteriormente suscitados na SRL. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, todavia, não os acolheu e decidiu manter o crédito tributário. No recurso, o defendente repisa as ponderações até então trazidas e alega que não pode ser penalizado em excesso por um erro. Sobre o primeiro argumento, qual seja, que desconhecia a obrigatoriedade de declarar os rendimentos da dependente em sua declaração de ajuste anual, cumpre, salientar que o fato de não ter conhecimento da legislação tributária não exime o contribuinte de cumpri la. Mesmo considerando que a legislação tributária é complexa e modificada com frequência, a dificuldade de compreendêla aplicase a todas as pessoas que vivem em nossa sociedade, e não apenas ao recorrente. Sendo assim, por mais que se tome por verdadeira sua alegação acerca do desconhecimento da obrigatoriedade de declarar os rendimentos da dependente em sua declaração de ajuste anual, forçoso reconhecer que este não é motivo suficiente para afastar a incidência do imposto sobre a renda. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 A conclusão não poderia ser outra, diante da regra inserida no artigo 3° da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (anteriormente denominada Lei de Introdução ao Código Civil), DecretoLei n.° 4.657, de 1942, o qual prescreve, em seu artigo 3.º, que não se pode deixar de cumprir a lei por não a conhecer. Vejamos: Art.3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Desse modo, o argumento não o socorre. O recorrente alega ainda que não pode ser penalizado em excesso por um erro. Primeiramente, quanto ao imposto lançado, relembrese que, a teor no artigo 3.º do Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172, de 1966), tributo é prestação pecuniária compulsória que não constitui sanção de ato ilícito. Tributo não é, portanto, penalidade. A incidência do tributo decorre da existência do fato jurídico tributário, apurado mediante procedimento específico. Nessas circunstâncias, uma vez praticado o fato tributário, pelo sujeito passivo, o tributo incide, independentemente de qualquer intenção. No que diz respeito à multa de lançamento de ofício, o Código Tributário Nacional estipula que, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pelo cometimento de infrações da legislação tributária independe da intenção do agente, nos seguintes termos: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Uma vez constatada infração à legislação tributária em procedimento fiscal, o crédito tributário deve ser acompanhado da multa de lançamento de oficio, nos termos do artigo 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1.° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2.° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1° deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 48DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13770.001258/200810 Acórdão n.º 2101002.174 S2C1T1 Fl. 4 5 [...]. Conforme se depreende da leitura do texto legal acima transcrito, a existência de intenção ou dolo só é relevante quando se trata dos casos previstos nos parágrafos 1.° e 2.°, nos quais cabe multa com percentual mais gravoso que o previsto no inciso I. Na presente hipótese, a multa de oficio aplicada foi a prevista no inciso I do caput do artigo 44, de 75%. Diante dessas colocações, correta a aplicação da multa de lançamento de ofício de 75%, pois não ficou evidenciada qualquer intenção do contribuinte de cometer a infração. Pelos motivos acima explicitados, não havendo disposição legal que fundamente o pedido do recorrente, não é possível eximilo da multa de lançamento de ofício, tendo em vista que, mesmo que não tenha sido sua intenção infringir legislação tributária, é cabível a multa de 75% sobre a diferença de imposto apurada. O recorrente sustenta ainda que não teve a oportunidade de corrigir o erro. Sobre o alegado, importante ressaltar que é dever do contribuinte preencher sua declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda sempre que enquadrado nos requisitos legais, sendo de sua responsabilidade a veracidade e a acuidade das informações prestadas. Se, após a entrega, verificar qualquer erro nas informações contidas em sua declaração, o contribuinte pode espontaneamente retificála, corrigindo as informações porventura prestadas equivocadamente e alterando, para mais ou para menos, o imposto apurado. No entanto, uma vez iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade, nos termos do artigo 7.º, § 1.º do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. [...] Iniciado o procedimento de fiscalização, se houver apuração de qualquer impropriedade, o contribuinte sujeitase ao lançamento de ofício, tal como ocorreu no caso em análise. Como visto, a solicitação de retificação do lançamento foi protocolada em data posterior à do início da fiscalização e, por esse motivo, não pode ser aceita como retificação espontânea. Salientase, por fim, que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, não podendo o agente da fiscalização proceder de forma diferente daquela prevista em lei. É o que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Fl. 49DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não há, portanto, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 50DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10183.720535/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ RESERVA LEGAL.
EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI.
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN).
ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-001.770
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pelo Recorrente. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odair Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pelo Recorrente. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odair Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. (Assinado digitalmente) Fl. 239DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720535/200738 Acórdão n.º 220201.770 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, DENIVAL ALMEIDA RODRIGUES , foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 04, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2004, acrescido de juros moratórios e multa, totalizando o crédito tributário de R$ 1.190.804,62, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Barra do Cassange, com área total de 23.693,4 ha, NIRF 1.091.1154, localizado no município de Poconé/MT. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 02) a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que após regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a intimação para apresentar documentos para comprovar as áreas de preservação permanente e utilização limitada declaradas no exercício de 2004. Também foi alterado o Valor da Terra Nua pela ausência de Laudo de Avaliação do imóvel com base nas informações do Sistema de Preços de Terras — SIPT da Receita Federal do Brasil. Cientificado do lançamento em 28/12/2007 (fl. 78), o interessado apresentou, em 18/01/2008, a impugnação de fls. 80 a 82, acompanhada dos documentos de fls. 143 a 179, onde argumentou, em suma, que em 21/11/2007, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, protocolizou junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Cuiabá — MT, Laudo Técnico de Utilização de Imóvel Rural, ADA, Certidões, DIRPF/2004 e Contrato de Arrendamento do Imóvel Rural, antes da lavratura da Notificação de Lançamento, por isso requer suspensão da exigibilidade do Crédito Tributário, até conclusão da análise dos dados oferecidos à fiscalização, por ser de direito. Em 19 de janeiro de 2009, o contribuinte apresentou requerimento de fls. 101 a 109, contra o resultado do Despacho Decisório no 1.188/DRF/CBA, de 21/11/2008, proferido pela SRF/Cuiabá/MT, que entendeu desconsiderar as áreas de preservação permanente e reserva legal e modificar o valor da terra nua com base no SIPT pelos motivos ali expostos. Alegou, ainda, que no protocolo oficial do recibo do ADA fornecido pelo Ibama, de 2002, não há espaço disponível para discriminação das áreas ambientais, portanto, não há motivo para a fiscalização desconsiderar tais áreas por falta de detalhamento das mesmas no documento. A área reserva legal encontrase averbada nas matrículas do imóvel, inclusive, justificando seu entendimento com jurisprudência que dispensa a entrega do ADA para comprovação das áreas de preservação permanente e reserva legal. De acordo com a cartaimagem georeferenciada, a área de preservação corresponde a 2.731,3 hectares e a Lei Estadual no 6.758, de 21 de março de 1996 considerou as áreas alagáveis localizadas na planície do Pantanal de Interesse Ecológico, que no presente caso, corresponde a 8.805,4 ha. Alega, também, que conforme a tabela de Preços Referenciais de Terras e Imóveis Rurais/Incra o VTN/ha da região do Baixo Pantanal é R$ 78,00. Por último, requer as deduções que entende ter direito, pela utilização e eficiência na exploração da terra em 2004 e que as intimações sejam endereçadas para Av. Historiador Rubens de Mendonça no 990, 6 0 Andar, conj. 604, Bosque da Saúde, Cuiabá — MT. O contribuinte em 28/05/2009 apresenta impugnação complementar, na qual alega, basicamente, que o imóvel rural é alagadiço, sem possibilidade nenhuma de Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 beneficiamento do solo e do plantio de lavouras, ainda que de subsistência. A criação de bovino, nessa região, revelase temerária, face a necessidade de retirada dos animais, por força das enchentes. Tendo em vista as características apontadas do local, protocolizou em 09/02/2009 na Secretaria do Meio Ambiente (SEMA), de Mato Grosso, requerimento solicitando a confirmação se o imóvel em referência é área de interesse ecológico. Da análise da documentação apresentada àquele órgão ficou confirmado que a propriedade está inserida na Planície Alagável da Bacia do Alto Paraguai, denominada Pantanal, contemplada em sua totalidade em área de interesse ecológico, conforme estabelecido na Lei no 6.758/1996. A DRJ de Campo Grande ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 Área de Preservação Permanente. Área de Utilização Limitada/Reserva Legal. ADA. Por expressa determinação legal, a exclusão das áreas declaradas como preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), e/ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR a que se referir. Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área declarada em caráter específico, por órgão competente federal ou estadual, para a propriedade particular e declarada em Ato Declaratório Ambiental protocolizado tempestivamente no Ibama. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT n° 146533. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado e insatisfeito, o interessado apresenta recurso voluntário, reiterando basicamente os mesmos argumentos da impugnação, que podem assim ser sintetizados, nos principais pontos. Com o intuito de ver preservados o meio ambiente e seus direitos, o Requerente, no dia 12 de junho de 1998 firmou um TERMO DE RESPONSABILIDADE E PRESERVAÇÃO DE FLORESTA junto ao IBAMA no qual ficou acordado que 50% Fl. 242DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720535/200738 Acórdão n.º 220201.770 S2C2T2 Fl. 3 5 (cinquenta por cento) da área seria , reserva legal. Nessa reserva legal não está abrangido os 2.500ha (dois mil e quinhentos hectares) de área de preservação permanente. Não pode prosperar a exigência contida no § 40 do art. 10 na Instrução Normativa n. 43197 da Receita Federal, alterada pela IN 67197, vez que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental é mera formalidade condicional à comprovação da existência da área de utilização limitada (reserva legal) no imóvel de propriedade da parte recorrente. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A discussão principal de mérito diz respeito às áreas de preservação permanente/áreas de reserva legal e ao valor da terra nua. Do ADA Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Fl. 244DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720535/200738 Acórdão n.º 220201.770 S2C2T2 Fl. 4 7 Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2004, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização tempestiva do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a solicitação tempestiva do ADA constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização em relação às áreas de preservação permanente e áreas de reserva legal. Do VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Fl. 245DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os Fl. 246DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720535/200738 Acórdão n.º 220201.770 S2C2T2 Fl. 5 9 preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 05, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13558.001491/2007-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.096
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador, BA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “À Contribuinte foi notificado o lançamento relativo ao imposto sobre a renda, exercício 2005, anocalendário de 2004 (fls.11 a 16), por meio do qual formalizouse a exigência de imposto, incluindo suplementar, no valor de R$1.700,18 (mil, setecentos reais e dezoito centavos) acrescido de multa de oficio, multa e juros de mora, calculados até agosto de 2007, perfazendo um crédito tributário total de R$2.630,59 (dois mil, seiscentos e trinta reais e cinquenta e nove centavos). Foram consideradas indevidas no lançamento, porque não comprovadas, a dedução de incentivo, no valor de R$107,97 (cento e sete reais e noventa e sete Fl. 54DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13558.001491/200736 Resolução n.º 2801000.096 S2TE01 Fl. 52 2 centavos) e a dedução do imposto retido na fonte, no valor de R$8.084,68 (oito mil, oitenta e quatro reais e sessenta e oito centavos), esta também por falta de confirmação em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), pela fonte pagadora declarada — Telemar Norte Leste. A Contribuinte não contesta a glosa da dedução de incentivo, mas refere que a retenção do imposto considerada indevida fora de fato efetuada pela Telemar Norte Leste. Junta os documentos de fls.4 a 10, para justificar o não atendimento à intimação e requer a improcedência do lançamento (f1.1/2).” A 3ª Turma da DRJ/SDR/BA julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão de fl. 30, que restou assim ementado: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse indevida a dedução de imposto de renda retido na fonte na declaração de ajuste anual, quando não comprovada a retenção. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 15/06/2009 (fl. 33), a interessada interpôs recurso voluntário de fl. 33, em 07/07/2009. Em sua defesa, alega que declarou ter recebido da Telemar Norte e Nordeste a quantia de R$ 16.219,66 e retenção de imposto de renda de R$ 8.084,68 referente a causa trabalhista, Processo 01728.1999.463.05.00 0TRT 5ª Região, cujo recolhimento consta confirmado, em anexo, pela Receita Federal, porém não em nome da Telemar, razão pela qual foi protocolado junto ao TRT em 03 julho de 2009 a solicitação para correção do DARF e emissão de REDARF . Pretende, assim, seja suspensa a ação de cobrança e concedido prazo para o TRT emitir Redarf, tendo em vista que o fato gerador em questão é oriundo de erro de preenchimento no Darf e não informação do TRT a Telemar para inclusão em DIRF. É o relatório. VOTO Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cinge à inconformidade da contribuinte quanto à glosa do IRRF, no valor de R$ 8.084,68, que defende ter sido recolhido em decorrência dos rendimentos recebidos em reclamação trabalhista movida contra a Telemar Norte e Nordeste (Processo 01728.1999.463.05.000 TRT 5ª Região), conforme consta dos documentos carreados aos autos, às fls. 35/49. De acordo com extrato do sistema “Sinal” da Secretaria da Receita Federal, à fl. 36, emitido em 03/07/2009, consta confirmado o recolhimento para o CPF da contribuinte, em 26/03/2004, do valor de R$ 8.084,68, a titulo imposto complementar (também denominado de mensalão), referente ao período de apuração 31/03/2004. Observase que tal recolhimento não foi computado pela fiscalização, até porque não foi informado como imposto complementar na declaração de ajuste anual do exercício em questão. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13558.001491/200736 Resolução n.º 2801000.096 S2TE01 Fl. 53 3 O correspondente DARF juntado, à fl. 37, informa o Número de Referência/Processo: 1788.1999.463.05 e o nome da reclamante: Ildemária Mota Lessa Silva. Conforme planilhas de fls. 38/49, verificase que o Processo de Reclamação Trabalhista n° 01728199946305000 RT tem como executante Ildemária Mota Lassa Silva e como executado Telemar Norte Leste S.A, e, ainda, que a executante recebeu, as parcelas de R$ 20.628,50, R$ 20.274,57 e R$ 20.859,15 nas datas de 25/10/2002, 29/03/2004 e 01/09/2005, respectivamente, com apuração de IRRF a ser recolhido, em 25/10/2002, de R$ 4.225,96; em 29/03/2004, de R$ 4.106, 65; e, em 01/09/2005, de R$ 4.256,86. Além disso, há a informação de que o IRRF recolhido, em 25/10/2002 e 29/03/2004, correspondem aos valores de R$ 4.298,88 e 8.084,68, respectivamente. Tendo em vista a percepção dos rendimentos da ação judicial em parcelas nos anoscalendário 2002, 2004 e 2005, entendo que é necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente, após confirmar os pagamentos vinculados à referida ação judicial informados nos autos, informe que proporção do IRRF é passível de compensação no período sob exame, que se restringe ao anocalendário 2004, exercício 2005. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a serem prestados pela autoridade fiscal, abrindo prazo para sua manifestação. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 56DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
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